Aparições de Maria
O que são? Critérios de discernimento.




            Afonso Murad
      www.maenossa.blogspot.com
A Revelação de Deus e as revelações
• Deus se revelou por gestos e palavras na história do Povo
  de Israel.
• A Bíblia é Palavra de Deus em linguagem humana. Levam-
  se em conta o contexto e os gêneros literários, para
  interpretar sua mensagem.
• A Revelação de Deus alcança seu ápice em Jesus Cristo.
• A Revelação do ponto de vista constitutivo já se encerrou.
  Do ponto de vista da interpretação, continua aberta -> O
  Espírito os conduzirá à verdade plena (Jo 16,13).
• Interpretação e atualização da revelação são feitas de
  muitas formas, pessoalmente e em grupos, com a ajuda de
  místicos, de membros das comunidades, de teólogos e da
  hierarquia.
Visões e Aparições
• Visões: a experiência do ponto de vista do ser humano.
  Aparição: a mesma experiência compreendida a partir
  do divino. Nem sempre uma visão corresponde à
  Aparição.
• As visões são uma entre tantas maneiras de interpretar
  e atualizar a revelação de Deus. Não são melhores nem
  mais perfeitas.
• As visões são chamadas de “revelação privada ou
  particular”, para diferenciar da “revelação pública” de
  Jesus Cristo.
• Elas não comportam obrigação aos fiéis -> estão no
  nível devocional
No decurso dos séculos tem havido
revelações ditas “privadas”, algumas das
quais foram reconhecidas pela
autoridade da Igreja. Todavia, não
pertencem ao depósito da fé. O seu papel
não é “aperfeiçoar” ou “completar” a
Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar
a vivê-la mais plenamente, numa
determinada época da história. Guiado
pelo Magistério da Igreja, o sentir dos
fiéis sabe discernir e guardar o que
nestas revelações constitui um apelo
autêntico de Cristo ou dos seus santos à
Igreja (Catecismo da Igreja Católica,67).
Finalidade da revelação privada
• Serve para atualizar, recordar, vivificar, explicar
  ou aclarar a Revelação.
• Apresenta caráter mais prático, comunica
  principalmente regras de conduta. Constitui um
  apelo à realização da esperança cristã, e não
  tanto ao conteúdo do ato de crer.
• Pode-se acentuar determinadas práticas
  religiosas, posturas éticas ou forma de viver a
  espiritualidade do seguimento de Jesus (René
  Laurentin).
Para que servem carismas
     extraordinários?

        Crescimento do vidente

          Animação espiritual

        Operatividade pastoral

      Aprofundamento da doutrina
Vidência e Graça divina
• Do ponto de vista da teologia da Graça,
  sobrenatural indica a proveniência do Dom de
  Deus e sua meta (salvação), mas não a forma de
  manifestação ou o âmbito de atuação.
• Deus pode nos conceder a Graça (e as graças), no
  cotidiano da existência, em fatos simples e
  habituais. Não é necessário que seja fantástico
  ou extraordinário.
• Também pode se dar nesse âmbito, pois o amor
  de Deus é grande e não conhece limites.
A experiência psíquica da
              vidência
• Pessoas sensitivas (paranormais) captam e
  interpretam uma experiência mística de forma
  diferente da maioria.
• Há muitas manifestações paranormais. Elas não
  são necessariamente espirituais, embora sejam
  traduzidas em chave religiosa.
• Exemplos: intuição, sonhos, locução (interior e
  exterior), pré-monição, cura, levitação,
  perscrutar as consciências, materialização,
  visões.
• As visões acontecem sobretudo em estágios
  alterados de consciência.
A vidência é humana!
• Toda experiência mística é simultaneamente
  imediata (Deus se comunica) e mediada (passa
  pelos condicionamentos humanos).
• Os condicionamentos possibilitam e interditam o
  conteúdo da experiência religiosa.
• O conteúdo e a mensagem de visões/aparições
  sofrem a influência da condição psíquica da
  pessoa, da origem familiar e da cultura onde ela
  está inserida.
• Os videntes são sustentados por um grupo de
  pessoas, que também condicionam a mensagem e
  a prática religiosa do movimento.
Condicionamentos em alguns
     movimentos aparicionistas
• Reforçam a devocionismo mariano, não a
  centralidade de Jesus.
• Sofrem influência do milenarismo e do temor
  apocalíptico.
• Vertente pentecostal: experiência imediata de
  Deus, centrada nos sentidos e no extraordinário.
• Reafirmam o catolicismo, contra as outras Igrejas
  e religiões.
• Baixo senso profético (interpretação social da
  realidade histórica).
Um exemplo de mensagem com forte
   condicionamento devocional
   Chegamos à Cova da Iria e começamos
   a rezar o terço. Pouco depois, vimos o
   reflexo de luz e, a seguir, Nossa
   Senhora sobre a azinheira: “Continuem
   a rezar o terço para alcançarem o fim
   da guerra. Em outubro virá também
   Nosso Senhor, Nossa Senhora das
   Dores e do Carmo, São José com o
   Menino Jesus para abençoarem o
   mundo” (Irmã Lúcia. O segredo de Fátima.
   Memórias e cartas. 7ª ed. Loyola, 1985. p. 146).
Critérios de
autenticidade

1. Equilíbrio mental do vidente.
2. Honestidade do vidente e de seu grupo.
3. Qualidade da mensagem: de acordo com o
   Evangelho e a Igreja.
4. Frutos: melhoria na vida cristã e prováveis
   sinais extraordinários.
Processo canônico
• Surge o fenômeno.
• O bispo local decide se inicia o processo de discernimento
• Pergunta-se aos videntes se aceitam passar pelos
  critérios de discernimento.
• Constitui-se comissão multidisciplinar que analisará os
  critérios de autenticidade.
• Se os critérios forem positivos, o bispo emite um parecer
  à Congregação da Doutrina da Fé, que a confirma
• Caso perdure dúvidas, o Vaticano constitui outra
  comissão, para avaliar o fenômeno.
• (Normalmente, as aparições devem ter cessado).
Posições possíveis do bispo:
• Não se pronunciar ainda, pois não há clareza e
  condições suficientes para palavra abalizada.
• Não aprovação, quando há sérios equívocos
  nas mensagens, desonestidade do vidente
  e/ou desequilíbrio psicológico, mesmo que
  acompanhados de conversões e curas.
• Declaração de que no fenômeno não há nada
  contrário à fé, mas falta algo mais.
• Aprovação.
Em que consiste o
reconhecimento de uma Aparição?
-> Palavra da Igreja, por meio do bispo diocesano, da
Conferência Episcopal ou da Congregação da Doutrina da Fé:
- O fenômeno é “digno de fé humana” (quem acolhe a
   mensagem dos videntes não está errado)
- Maria pode ser venerada com o nome dado pelos videntes
   e com a imagem correspondente.
- Pode ser construído um santuário em honra de Maria, no
   local.
- Permite-se difundir em todo o mundo esta devoção.
-> Não se afirma que Maria apareceu lá, nem se obriga os
fiéis a seguirem a mensagem dos videntes.
É preciso crer nas aparições?
• Elas são consideradas pela Igreja somente
  como dignas de “fé humana”.
• O fiel não é obrigado a crer em aparições.
  Elas não fazem parte do núcleo da nossa
  experiência de fé. Tem valor devocional.
• O católico pode se servir das mensagens de
  videntes e venerar Maria sob o título das
  aparições (NS de Guadalupe, de Fátima, de Lurdes). É algo
  legítimo, no horizonte devocional.
Algumas dicas pastorais
• Realizar acompanhamento pastoral de
  videntes. Pessoa equilibrada psiquicamente,
  sensível, com critérios teológicos e
  espiritualidade profunda.
• Trabalhar em equipes interdisciplinares, de
  presbíteros, religiosos(asO e leigos.
• Explicar como a Igreja considera o fenômeno.
• Valorizar todas as mediações de graça e de
  interpretação da revelação, mostrando suas
  possibilidades e limites.
Fonte:


Afonso Murad, Maria.
Toda de Deus e tão
humana. Compêndio
de mariologia. Ed.
Paulinas, Ed. Santuário,
2012, p. 225-254
Bibliografia
• ADNÈS, P., Revelações privadas em: Dicionário de Teologia
  Fundamental, Vozes/Santuário, 1994, p. 853-855.
• CED-CNBB, Aparições e revelações particulares. Subsídios
  doutrinais da CNBB, Ed. CNBB, 2010.
• DE FIORES, S., Vidente em: Dicionário de Espiritualidade. Paulinas,
  1989, p.1177-1186
• LAURENTIN, R. et VASQUES, A., Aparições em: Dicionário de
  Mariologia. Paulus, p. 113-125.
• MURAD, A., Visões e Aparições. Deus continua falando? Vozes,
  1997.
• OLIVEIRA, J.L.M. Aparições de Nossa Senhora: uma avaliação
  teológica em: REB 56 (1996), p. 564-597.
• VV.AA, Estudios Marianos 52 (1987). (Vários artigos)

Aparições de Nossa Senhora

  • 1.
    Aparições de Maria Oque são? Critérios de discernimento. Afonso Murad www.maenossa.blogspot.com
  • 2.
    A Revelação deDeus e as revelações • Deus se revelou por gestos e palavras na história do Povo de Israel. • A Bíblia é Palavra de Deus em linguagem humana. Levam- se em conta o contexto e os gêneros literários, para interpretar sua mensagem. • A Revelação de Deus alcança seu ápice em Jesus Cristo. • A Revelação do ponto de vista constitutivo já se encerrou. Do ponto de vista da interpretação, continua aberta -> O Espírito os conduzirá à verdade plena (Jo 16,13). • Interpretação e atualização da revelação são feitas de muitas formas, pessoalmente e em grupos, com a ajuda de místicos, de membros das comunidades, de teólogos e da hierarquia.
  • 3.
    Visões e Aparições •Visões: a experiência do ponto de vista do ser humano. Aparição: a mesma experiência compreendida a partir do divino. Nem sempre uma visão corresponde à Aparição. • As visões são uma entre tantas maneiras de interpretar e atualizar a revelação de Deus. Não são melhores nem mais perfeitas. • As visões são chamadas de “revelação privada ou particular”, para diferenciar da “revelação pública” de Jesus Cristo. • Elas não comportam obrigação aos fiéis -> estão no nível devocional
  • 4.
    No decurso dosséculos tem havido revelações ditas “privadas”, algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. Todavia, não pertencem ao depósito da fé. O seu papel não é “aperfeiçoar” ou “completar” a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja (Catecismo da Igreja Católica,67).
  • 5.
    Finalidade da revelaçãoprivada • Serve para atualizar, recordar, vivificar, explicar ou aclarar a Revelação. • Apresenta caráter mais prático, comunica principalmente regras de conduta. Constitui um apelo à realização da esperança cristã, e não tanto ao conteúdo do ato de crer. • Pode-se acentuar determinadas práticas religiosas, posturas éticas ou forma de viver a espiritualidade do seguimento de Jesus (René Laurentin).
  • 6.
    Para que servemcarismas extraordinários? Crescimento do vidente Animação espiritual Operatividade pastoral Aprofundamento da doutrina
  • 7.
    Vidência e Graçadivina • Do ponto de vista da teologia da Graça, sobrenatural indica a proveniência do Dom de Deus e sua meta (salvação), mas não a forma de manifestação ou o âmbito de atuação. • Deus pode nos conceder a Graça (e as graças), no cotidiano da existência, em fatos simples e habituais. Não é necessário que seja fantástico ou extraordinário. • Também pode se dar nesse âmbito, pois o amor de Deus é grande e não conhece limites.
  • 8.
    A experiência psíquicada vidência • Pessoas sensitivas (paranormais) captam e interpretam uma experiência mística de forma diferente da maioria. • Há muitas manifestações paranormais. Elas não são necessariamente espirituais, embora sejam traduzidas em chave religiosa. • Exemplos: intuição, sonhos, locução (interior e exterior), pré-monição, cura, levitação, perscrutar as consciências, materialização, visões. • As visões acontecem sobretudo em estágios alterados de consciência.
  • 9.
    A vidência éhumana! • Toda experiência mística é simultaneamente imediata (Deus se comunica) e mediada (passa pelos condicionamentos humanos). • Os condicionamentos possibilitam e interditam o conteúdo da experiência religiosa. • O conteúdo e a mensagem de visões/aparições sofrem a influência da condição psíquica da pessoa, da origem familiar e da cultura onde ela está inserida. • Os videntes são sustentados por um grupo de pessoas, que também condicionam a mensagem e a prática religiosa do movimento.
  • 10.
    Condicionamentos em alguns movimentos aparicionistas • Reforçam a devocionismo mariano, não a centralidade de Jesus. • Sofrem influência do milenarismo e do temor apocalíptico. • Vertente pentecostal: experiência imediata de Deus, centrada nos sentidos e no extraordinário. • Reafirmam o catolicismo, contra as outras Igrejas e religiões. • Baixo senso profético (interpretação social da realidade histórica).
  • 11.
    Um exemplo demensagem com forte condicionamento devocional Chegamos à Cova da Iria e começamos a rezar o terço. Pouco depois, vimos o reflexo de luz e, a seguir, Nossa Senhora sobre a azinheira: “Continuem a rezar o terço para alcançarem o fim da guerra. Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus para abençoarem o mundo” (Irmã Lúcia. O segredo de Fátima. Memórias e cartas. 7ª ed. Loyola, 1985. p. 146).
  • 12.
    Critérios de autenticidade 1. Equilíbriomental do vidente. 2. Honestidade do vidente e de seu grupo. 3. Qualidade da mensagem: de acordo com o Evangelho e a Igreja. 4. Frutos: melhoria na vida cristã e prováveis sinais extraordinários.
  • 13.
    Processo canônico • Surgeo fenômeno. • O bispo local decide se inicia o processo de discernimento • Pergunta-se aos videntes se aceitam passar pelos critérios de discernimento. • Constitui-se comissão multidisciplinar que analisará os critérios de autenticidade. • Se os critérios forem positivos, o bispo emite um parecer à Congregação da Doutrina da Fé, que a confirma • Caso perdure dúvidas, o Vaticano constitui outra comissão, para avaliar o fenômeno. • (Normalmente, as aparições devem ter cessado).
  • 14.
    Posições possíveis dobispo: • Não se pronunciar ainda, pois não há clareza e condições suficientes para palavra abalizada. • Não aprovação, quando há sérios equívocos nas mensagens, desonestidade do vidente e/ou desequilíbrio psicológico, mesmo que acompanhados de conversões e curas. • Declaração de que no fenômeno não há nada contrário à fé, mas falta algo mais. • Aprovação.
  • 15.
    Em que consisteo reconhecimento de uma Aparição? -> Palavra da Igreja, por meio do bispo diocesano, da Conferência Episcopal ou da Congregação da Doutrina da Fé: - O fenômeno é “digno de fé humana” (quem acolhe a mensagem dos videntes não está errado) - Maria pode ser venerada com o nome dado pelos videntes e com a imagem correspondente. - Pode ser construído um santuário em honra de Maria, no local. - Permite-se difundir em todo o mundo esta devoção. -> Não se afirma que Maria apareceu lá, nem se obriga os fiéis a seguirem a mensagem dos videntes.
  • 16.
    É preciso crernas aparições? • Elas são consideradas pela Igreja somente como dignas de “fé humana”. • O fiel não é obrigado a crer em aparições. Elas não fazem parte do núcleo da nossa experiência de fé. Tem valor devocional. • O católico pode se servir das mensagens de videntes e venerar Maria sob o título das aparições (NS de Guadalupe, de Fátima, de Lurdes). É algo legítimo, no horizonte devocional.
  • 17.
    Algumas dicas pastorais •Realizar acompanhamento pastoral de videntes. Pessoa equilibrada psiquicamente, sensível, com critérios teológicos e espiritualidade profunda. • Trabalhar em equipes interdisciplinares, de presbíteros, religiosos(asO e leigos. • Explicar como a Igreja considera o fenômeno. • Valorizar todas as mediações de graça e de interpretação da revelação, mostrando suas possibilidades e limites.
  • 18.
    Fonte: Afonso Murad, Maria. Todade Deus e tão humana. Compêndio de mariologia. Ed. Paulinas, Ed. Santuário, 2012, p. 225-254
  • 19.
    Bibliografia • ADNÈS, P.,Revelações privadas em: Dicionário de Teologia Fundamental, Vozes/Santuário, 1994, p. 853-855. • CED-CNBB, Aparições e revelações particulares. Subsídios doutrinais da CNBB, Ed. CNBB, 2010. • DE FIORES, S., Vidente em: Dicionário de Espiritualidade. Paulinas, 1989, p.1177-1186 • LAURENTIN, R. et VASQUES, A., Aparições em: Dicionário de Mariologia. Paulus, p. 113-125. • MURAD, A., Visões e Aparições. Deus continua falando? Vozes, 1997. • OLIVEIRA, J.L.M. Aparições de Nossa Senhora: uma avaliação teológica em: REB 56 (1996), p. 564-597. • VV.AA, Estudios Marianos 52 (1987). (Vários artigos)