ABORDAGENS PSICOLÓGICAS
NO TRATAMENTO DE
USUÁRIOS DE MACONHA E A
EXPERIÊNCIA DO 1o
AMBULATÓRIO DE MACONHA
Flávia Serebrenic Jungerman
UNIAD-UNIFESP
Índice
• Os componentes do tratamento:
–Informação;
– TCC:
–Entrevista Motivacional;
–Prevenção de recaída;
–Treinamento de Habilidades;
–Abordagem familiar.
• O porquê de um ambulatório específico para
usuários de maconha
• O ambulatório de maconha: funcionamento e
dados
Informação:
• Usuários recreacionais, dependentes de
maconha e familiares conhecem pouco
sobre a droga;
• Falta de informação pode ser um fator
importante não só para prevenção como
para tratamento;
• Importante informar de modo realista e
não assustador;
• Primeira etapa no tratamento do paciente.
Entrevista Motivacional
Precursores: W. Miller e S.
Rollnick (1991)
‘Um estilo de aconselhamento diretivo,
centrado no cliente, que visa estimular
a mudança do comportamento,
ajudando os clientes a explorar e
resolver sua ambivalência’
ENTREVISTA
MOTIVACIONAL
• A motivação não é traço e sim estado;
• Meio-termo entre as abordagens ‘de
confronto’ e de ‘aconselhamento’;
• Tratamento breve;
• Papel do terapeuta é essencial.
Ambivalência: A experiência de um
conflito psicológico para decidir entre dois
caminhos diferentes.
Prontidão para a mudança
- Pré- contemplação
- Contemplação
- Preparação
- Ação
- Manutenção
- Recaída
Dois conceitos importantes
Vantagens e desvantagens de usar
Gosto em mim sem Gosto em mim
usar usando
Não gosto em mim Não gosto em mim
sem usar usando
Modelo em Espiral dos Estágios de
Mudança (Prochaska e colaboradores -
1992)
Término
Manutenção
Pré-Contemplação Contemplação Preparação Ação
Recaída
Pré-Contemplação Contemplação Preparação Ação
1- Expressar empatia
2-Desenvolver discrepância
3- Evitar discussões
4- Fluir com a resistência
5- Estimular auto eficácia
Cinco princípios básicos
Importância para o tratamento de
usuários de drogas
• Aborda o indivíduo no 1o momento de contato
com sua condição e portanto, em momento
crucial de adesão à mudança e ao tratamento;
• Auxilia o profissional a incentivar a
conscientização do problema e conseqüente
aderência ao tratamento;
• Otimista no sentido de ver o paciente como
alguém que pode mudar;
• Delega ao indivíduo o poder de mudar;
• Leva em consideração o estágio em que este se
encontra e consequentemente oferece
estratégias mais apropriadas.
Abordagem cognitivo-
comportamental:
• O pensamento afeta as ações/
comportamentos;
• Necessidade de alterar forma de pensar
para consequentemente mudar o
comportamento;
• O terapeuta é essencial e serve para
instrumentar o indivíduo a lidar com suas
questões sozinho no futuro.
Modelo dos comportamentos
aditivos
• São hábitos aprendidos e mal adaptados,
seguidos de gratificação;
• São uma forma ‘ruim’ de lidar com
situações difíceis;
• Não se deve à fraqueza do individuo, mas
à idéia de condicionamento clássico e
reforço operante (Pavlov), além de
aprendizado social e modelagem;
• Indivíduo participa na mudança.
PREVENÇÃO DE RECAÍDA
PRECURSORES: A.MARLATT E J.
GORDON (1985)
“É um termo genérico que se refere a várias
estratégias elaboradas para prevenir
recaída. O foco primário da PR é manter a
mudança do hábito. O objetivo é duplo:
prevenir a ocorrência de lapsos iniciais
quando a pessoa entra no tratamento e
/ou prevenir qualquer lapso que leve a
uma recaída total.”
PREVENÇÃO DE RECAÍDA:
• O tratamento não tem como objetivo ‘fixo’
a abstinência;
 O tratamento é um processo;
 A recaída faz parte deste processo;
• A recaída deve ser reconhecida,
ultrapassada e futuramente evitada.
Na Prevenção de Recaída:
• Terapeuta é como um colega;
• ‘Comportamento aditivo’ é algo que o
paciente faz e não é;
• Abordagem objetiva livra paciente da culpa
e defesa;
• Visa: ‘...aumentar a consciência e escolha
do paciente frente ao problema,
desenvolver habilidades de enfrentamento
e desenvolver maior confiança, controle e
auto-eficácia em suas vidas.’
Alicerces da PR:
Conscientização
do problema
Treinamento de Mudança nos hábitos
habilidades de vida
Etapas da PR:
RECONHECER as situações de alto risco;
EVITAR estas situações quando necessário;
LIDAR mais efetivamente com os problemas
e comportamentos problemáticos associados
ao uso da substância.
MODELO DE RECAÍDA (Marlatt- 1985)
RESPOSTA
POSITIVA
AUMENTO DA
AUTO-
EFICÁCIA
DIMINUIÇÃO
DA
PROBABILIDADE
DE
RECAÍDA
SITUAÇÃO
DE
ALTO
RISCO
RESPOSTA
NEGATIVA
DIMINUIÇÃO
DA
AUTO- EFICÁCIA
RESULTADO
E
EXPECTATIVAS
POSITIVAS
COMEÇO
DO USO
EFEITO DA
VIOLAÇÃO DA
ABSTINÊNCIA
+
EFEITOS
CONTÍNUOS
DA
SUBSTÂNCIA
AUMENTO DA
PROBABILIDADE
DE RECAÍDA
Importância para o tratamento
de usuários de drogas
• Otimista: recaída não é = a fracasso! E não
permissiva: deve-se aprender com experiência;
• Além de dar uma boa explicação conceitual ao
consumo, ensina de uma maneira prática como
lidar com o problema;
• O pensamento influencia o agir (é importante
acreditar em si mesmo: auto-eficácia, Bandura)
• Mais uma vez responsabiliza o sujeito e lhe dá o
poder de mudar.
• Trabalha com o indivíduo no seu meio social,
onde está o problema.
TREINAMENTO DE HABILIDADES
SOCIAIS
PRECURSOR: PETER MONTI
Uma abordagem de Prevenção de
Recaída, que se baseia na premissa de
que os pacientes podem desenvolver
habilidades de enfrentamento para lidar
com situações de alto risco que de outro
modo poderiam levá-los a beber ou usar
substâncias psicoativas. O terapeuta
assume o papel de um guia, auxiliando o
paciente a atingir a meta da abstinência.
Treinamento de habilidades sociais
• Baseada também na TCC, discute a teoria, ensina como aplicar na
prática e confere resultados.
• Auxilia usuários em um 3o momento, de lidar com questões do dia-
a-dia.
• 2 etapas:
– Avaliação: através de uma análise funcional: constatar a
circunstância, emoções e comportamentos envolvidos antes,
durante e depois do comportamento disfuncional, no inicio e no
fim do tratamento, como avaliação
– Treinamento em si: deixar de usar droga como solução e
repensar outra formas de lidar com situações a principio que
tenham a ver com droga e depois, gerais.
• Aspectos que influenciam a mudança de comportamento:
– Auto-eficácia (Bandura, 1977);
– Motivação- só metade do caminho;
– Compromisso;
– Força de vontade.
TREINAMENTO DE HABILIDADES DE
ENFRENTAMENTO:
• Já identificadas as SAR, o quanto antes intervir
no que desencadeia a recaída melhor.
• A maioria das SAR podem ser previstas.Outras
aparecem de repente: EVITAR E ENFRENTAR.
• Só falar como fazer, não adianta: exercitar o
novo comportamento é o caminho (ex: bicicleta):
- Modelagem (imaginar situações e o enfrentamento
positivo) e/ou Ensaio da recaída: para situações mais
específicas
- “Dry run” (situação real);
Importância para o tratamento
de usuários de drogas
• Aborda o indivíduo em um 2o momento, onde
ele já está consciente do seu problema;
• Ensina que o indivíduo pensa antes de agir (Ex:
não existe ‘..qdo fui ver estava na boca..’)
• Assim como na PR trabalha o conceito da auto-
eficácia
• O indivíduo é que é o responsável por seus atos
e não os outros;
• É possível mudar forma de ser e atuar;
• Dispondo de uma sequência de sessões, pode
ser adaptada de acordo com o paciente.
Mudanças no estilo de vida:
1. Avaliação da situação atual;
2. Mudanças dos hábitos:
• ‘Adições’ positivas X negativas;
• Balanceamento entre querer e dever.
• Lidando com situações aparentemente
irrelevantes (exemplos).
3. Lidando com o stress: através de
exercícios físicos, relaxamento,
meditação, atividades sociais, religião.
Importância para o tratamento de
usuários de drogas
• Pessoas que consomem substâncias se vinculam muito
aos relacionamentos e ‘programas’ de uso;
• A maconha ter uma função na vida da pessoa que deve
ser reparada;
• Pode ficar um ‘vazio’ que precisa ser preenchido;
• Uma vez afastado da droga, importante investir em uma
vida saudável mas ao mesmo tempo
agradável/estimulante o suficiente, refazendo rede social
e atividades diárias.
Abordagem familiar
Em que níveis?
• Informando os familiares sobre os efeitos da
droga;
• Orientando na forma de lidar com o
problema;
• Capacitando os parentes a lidar com
situações do dia-a-dia que podem afetar
direta ou indiretamente o consumo de drogas
(THS) (EX: dar e receber elogios);
• Terapia familiar, já que mexer com o paciente
afeta a ordem familiar.
Importância para o tratamento de
usuários de drogas
Essencial envolver parentes pois:
• História familiar (problemas psiquiátricos dos pais
e morte precoce dos pais) é um fator de risco
para inicio e evolução do uso de maconha;
• Pode ser um fator mantenedor do usuário, que
ocupa o lugar de ‘paciente identificado’ no
contexto familiar;
• Aspecto social/ limites e responsabilidades são
assuntos essenciais para uso de maconha e que
têm a ver com relação pais-filhos.
Resumindo, as etapas a serem
seguidas são:
• Informar sobre a substância;
• Motivar para a mudança/ tratamento, definindo objetivos;
• Relacionar pensamentos aos comportamentos e
emoções, mostrando poder do indivíduo sobre seus
atos;
• Identificar SAR;
• Aprender a evitá-las e enfrentá-las;
• Corrigir comportamentos disfuncionais relacionados 1-
à droga e 2- à vida em geral;
• Reorganizar rotina e reinserir-se socialmente;
• Ter apoio/ limites da família e estar ‘em sintonia’ com
estes.
Por que elaborar um tratamento específico para
a maconha?
• Aumento da procura na prática privada e no
serviço;
• Pessoas começando a usar mais cedo;
• Pessoas aumentando o uso mais rápido;
• Pessoas com intercorrências graves;
• ‘Boom’ do assunto na literatura internacional;
• Percepção de uma população com perfil e
necessidades específicas;
• Dados mostrando a relação entre
especificidade de tratamento e grau de
sucesso.
Estudos sobre tratamento de maconha:
Estudo N Desenho Resultado
Stephens e Roffman
(1994)
212 2 grupos:
1o
- 10 sessões grupais de TCC
2o
- 10 sessões grupais de apoio,
baseadas nos 12 passos
TCC= apoio
Stephens et al (2000) 291 3 grupos:
1o
- 2 sessões individuais de
avaliação individualizada e
aconselhamento - BREVE
2o
- 14 sessões em grupo de apoio e
prevenção de recaída- LONGO
3o
- grupo controle de espera
Breve e longo>
controle
breve = longo
Budney et al (2000) 60 14 sessões em 3 grupos:
1o
- EM, 2o
- EM + TCC, 3o
- EM +
TCC+ voucher
Voucher > EM e
EM+TCC
EM= EM+TCC
Babor et al (in press) 450 3 grupos de terapia individual:
1o
- 2 sessões de EM,
2o
- 9 sessões de
EM+TCC+ case management
3o
- grupo controle de
espera
9 sessões > 2 sessões
e controle
2 e 9 sessões >
controle
*EM= terapia de base motivacional, TCC= terapia cognitiva comportamental
O que se conclui sobre tratamentos:
• Tamanho:Tratamentos breves são eficazes
(Jungerman e Laranjeira, 1999);
• No de sessões: depois de 4 sessões o paciente
tende a se manter estável (Babor, in press);
• Forma:Se a terapia é breve, deve ser individual
(Budney, 2000) além da influência grupal ser nociva
para jovens (Dishion, 1999);
• Conteúdo: PR e EM são eficazes (Jungerman e
Laranjeira, 1999) além do aspecto informativo;
• Quanto mais específico o tratamento, mais sucesso
(Stephens, 1993).
Ambulatório de maconha
• Baseado nestas evidências, montamos o
ambulatório
• Funciona desde Janeiro/ 2000, tendo
passado mais de 300 pacientes desde
então.
• Equipe atual: coordenador, 5 terapeutas,
médico e estagiários.
UNIAD
Ambulatório
de
Maconha
Ambulatório
de Cocaína
e crack
Ambulatório
de álcool
Ambulatório
de
adolescentes
Grupo de
tratamento
Grupo de
THS
Atendimento
médico
Atendimento
individual
Atendimento
familiar
Grupo de
espera
Sobre os pacientes:
De uma amostra de 275 pacientes:
• Sexo: 89% são homens;
• Estado civil: 81% são solteiros
Encaminhamento
Não consta informaçã
outro
outro profissional
internet
justiça
escola
trabalho
parente
mãe
o próprio
idade por faixa etaria
> ou = 35
30 a 34
24 a 29
18 a 23
< ou =17
Missing
Percent
50
40
30
20
10
0
13
5
16
42
23
Escolaridade
não consta a informa
superior completo
superior incompleto
ensino medio complet
ensino médio incompl
ensino fundam. compl
ensino fundamental i
Situação de trabalho
não
consta
a
inform
a
Aposentado
estuda
e
tem
trabalh
estuda
e
tem
trabalh
trabalho
form
al
trabalho
inform
al
desem
pregado
estudante
Percent
30
20
10
0
7
3
3
20
18
26
23
idade de inicio de uso por faixa etaria
acima de 23
entre 18 e 22
entre 13 e 17
> 12
Missing
Percent
70
60
50
40
30
20
10
0
19
59
14
5
Tempo de consumo de maconha
n
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o
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o
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t
a
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1
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3
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o
s
d
e
6
m
e
s
e
s
a
1
a
n
o
Percent
30
20
10
0
4
16
9
16
13
22
13
5
Consumo de maconha no início do tratamento
não
consta
a
inform
a
m
ais de
1
vez
por di
todos
os
dias
até
5
vezes na
sem
an
finais
de
sem
ana
abstinente
Percent
50
40
30
20
10
0 4
39
13
7
5
31
padrão tipico de consumo nos últimos 3 meses
não
consta
a
inform
a
m
ais
de
1
vez
por di
todos
os
dias
até
5
vezes
na
sem
an
finais
de
sem
ana
abstinente
Percent
60
50
40
30
20
10
0
6
55
18
9
8
5
Uso de outras substâncias, além da maconha, no início do tratamento
não
consta
a
inform
a
alucinógenos
anfetam
inas
benzodiazepínicos
cocaína/crack
solventes
tabaco
álcool
não
Percent
50
40
30
20
10
0
17
3
29
40
8
CONSUMO DE SUBSTÂNCIAS POR ORDEM DE INÍCIO
0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
primeira segunda terceira quarta quinta
TIPO DE SUBSTÂNCIA
PORCENTAGEM
(%)
alcool maconha tabaco solventes cocaína & crack BDZ anfetaminas alucinógenos opiáceos outras não usou não consta
Outros tratamentos realizados anteriormente para dependência
não
consta
a
inform
a
outros
psicoterapia
grupos
de
auto-ajuda
internação
em
com
uni
internação
hospitala
am
bulatorial
não
fez tratam
ento
Percent
50
40
30
20
10
0
19
4
10
6
9
10
40
Seguimento do tratamento:
• Seguimento com psiquiatra: 30% sim
• Das medicações mais frequentemente
utilizadas: 17% anti-depressivos
• História forense associada ao consumo de
maconha: 45% não, 24% abordado e detido,
20% advertido por policial, 5% detido devido a
outro delito e 6% não consta informação.
Fim do tratamento
• Consumo de maconha no último encontro:
36,5% abstinentes
• Terminaram tratamento?
24% sim, 20 % só vieram à triagem, 12% estão
sendo atendidos, 41% não terminaram
tratamento
Sobre a família:
• Consumo de maconha na família:
41% não tem;
14% têm irmãos usuários;
• Conflitos na família devido ao uso
de maconha:
65% relataram ter conflitos.
Conclusões
• Mudança de perfil ao longo dos anos
• Consumo longo: mais de 50% há mais de 5
anos;
• Padrão de uso no início intenso: mais de 50%
mais de uma vez por dia, mas 30%
abstinentes;
• Consumo no fim do tratamento: se não
abstinente (36,5%), diminuiu ou manteve, com
poucos aumentando.
Conclusões
• Tendência de sequenciamento de uso de outras
drogas;
• Uso de álcool concomitante frequente;
• História forense: 44% algum contato com
polícia.
• Evidências de comorbidade têm aumentado;
• Por ser algo novo, ainda causa desconfiança!
• Algo experimental, estamos pesquisando a
‘melhor’ forma de atender às necessidades dos
pacientes e seus familiares;
Conclusões
• Experiência comprova dados de literatura: perfil,
consumo, adesão, efetividade de tratamentos
breves;
• Quanto mais cedo intervir melhor;
• Quanto mais ampla a abordagem melhor: no
sentido de atender ao paciente no momento
certo e de formas variadas;
• Trabalho ainda no início, mais pesquisa é
necessária;
• Vale a pena investir em tratamento específico
pois a população é diferente.

Abordagens Tratamento das Drogas.ppt

  • 1.
    ABORDAGENS PSICOLÓGICAS NO TRATAMENTODE USUÁRIOS DE MACONHA E A EXPERIÊNCIA DO 1o AMBULATÓRIO DE MACONHA Flávia Serebrenic Jungerman UNIAD-UNIFESP
  • 2.
    Índice • Os componentesdo tratamento: –Informação; – TCC: –Entrevista Motivacional; –Prevenção de recaída; –Treinamento de Habilidades; –Abordagem familiar. • O porquê de um ambulatório específico para usuários de maconha • O ambulatório de maconha: funcionamento e dados
  • 3.
    Informação: • Usuários recreacionais,dependentes de maconha e familiares conhecem pouco sobre a droga; • Falta de informação pode ser um fator importante não só para prevenção como para tratamento; • Importante informar de modo realista e não assustador; • Primeira etapa no tratamento do paciente.
  • 4.
    Entrevista Motivacional Precursores: W.Miller e S. Rollnick (1991) ‘Um estilo de aconselhamento diretivo, centrado no cliente, que visa estimular a mudança do comportamento, ajudando os clientes a explorar e resolver sua ambivalência’
  • 5.
    ENTREVISTA MOTIVACIONAL • A motivaçãonão é traço e sim estado; • Meio-termo entre as abordagens ‘de confronto’ e de ‘aconselhamento’; • Tratamento breve; • Papel do terapeuta é essencial.
  • 6.
    Ambivalência: A experiênciade um conflito psicológico para decidir entre dois caminhos diferentes. Prontidão para a mudança - Pré- contemplação - Contemplação - Preparação - Ação - Manutenção - Recaída Dois conceitos importantes
  • 7.
    Vantagens e desvantagensde usar Gosto em mim sem Gosto em mim usar usando Não gosto em mim Não gosto em mim sem usar usando
  • 8.
    Modelo em Espiraldos Estágios de Mudança (Prochaska e colaboradores - 1992) Término Manutenção Pré-Contemplação Contemplação Preparação Ação Recaída Pré-Contemplação Contemplação Preparação Ação
  • 9.
    1- Expressar empatia 2-Desenvolverdiscrepância 3- Evitar discussões 4- Fluir com a resistência 5- Estimular auto eficácia Cinco princípios básicos
  • 10.
    Importância para otratamento de usuários de drogas • Aborda o indivíduo no 1o momento de contato com sua condição e portanto, em momento crucial de adesão à mudança e ao tratamento; • Auxilia o profissional a incentivar a conscientização do problema e conseqüente aderência ao tratamento; • Otimista no sentido de ver o paciente como alguém que pode mudar; • Delega ao indivíduo o poder de mudar; • Leva em consideração o estágio em que este se encontra e consequentemente oferece estratégias mais apropriadas.
  • 11.
    Abordagem cognitivo- comportamental: • Opensamento afeta as ações/ comportamentos; • Necessidade de alterar forma de pensar para consequentemente mudar o comportamento; • O terapeuta é essencial e serve para instrumentar o indivíduo a lidar com suas questões sozinho no futuro.
  • 12.
    Modelo dos comportamentos aditivos •São hábitos aprendidos e mal adaptados, seguidos de gratificação; • São uma forma ‘ruim’ de lidar com situações difíceis; • Não se deve à fraqueza do individuo, mas à idéia de condicionamento clássico e reforço operante (Pavlov), além de aprendizado social e modelagem; • Indivíduo participa na mudança.
  • 13.
    PREVENÇÃO DE RECAÍDA PRECURSORES:A.MARLATT E J. GORDON (1985) “É um termo genérico que se refere a várias estratégias elaboradas para prevenir recaída. O foco primário da PR é manter a mudança do hábito. O objetivo é duplo: prevenir a ocorrência de lapsos iniciais quando a pessoa entra no tratamento e /ou prevenir qualquer lapso que leve a uma recaída total.”
  • 14.
    PREVENÇÃO DE RECAÍDA: •O tratamento não tem como objetivo ‘fixo’ a abstinência;  O tratamento é um processo;  A recaída faz parte deste processo; • A recaída deve ser reconhecida, ultrapassada e futuramente evitada.
  • 15.
    Na Prevenção deRecaída: • Terapeuta é como um colega; • ‘Comportamento aditivo’ é algo que o paciente faz e não é; • Abordagem objetiva livra paciente da culpa e defesa; • Visa: ‘...aumentar a consciência e escolha do paciente frente ao problema, desenvolver habilidades de enfrentamento e desenvolver maior confiança, controle e auto-eficácia em suas vidas.’
  • 16.
    Alicerces da PR: Conscientização doproblema Treinamento de Mudança nos hábitos habilidades de vida
  • 17.
    Etapas da PR: RECONHECERas situações de alto risco; EVITAR estas situações quando necessário; LIDAR mais efetivamente com os problemas e comportamentos problemáticos associados ao uso da substância.
  • 18.
    MODELO DE RECAÍDA(Marlatt- 1985) RESPOSTA POSITIVA AUMENTO DA AUTO- EFICÁCIA DIMINUIÇÃO DA PROBABILIDADE DE RECAÍDA SITUAÇÃO DE ALTO RISCO RESPOSTA NEGATIVA DIMINUIÇÃO DA AUTO- EFICÁCIA RESULTADO E EXPECTATIVAS POSITIVAS COMEÇO DO USO EFEITO DA VIOLAÇÃO DA ABSTINÊNCIA + EFEITOS CONTÍNUOS DA SUBSTÂNCIA AUMENTO DA PROBABILIDADE DE RECAÍDA
  • 19.
    Importância para otratamento de usuários de drogas • Otimista: recaída não é = a fracasso! E não permissiva: deve-se aprender com experiência; • Além de dar uma boa explicação conceitual ao consumo, ensina de uma maneira prática como lidar com o problema; • O pensamento influencia o agir (é importante acreditar em si mesmo: auto-eficácia, Bandura) • Mais uma vez responsabiliza o sujeito e lhe dá o poder de mudar. • Trabalha com o indivíduo no seu meio social, onde está o problema.
  • 20.
    TREINAMENTO DE HABILIDADES SOCIAIS PRECURSOR:PETER MONTI Uma abordagem de Prevenção de Recaída, que se baseia na premissa de que os pacientes podem desenvolver habilidades de enfrentamento para lidar com situações de alto risco que de outro modo poderiam levá-los a beber ou usar substâncias psicoativas. O terapeuta assume o papel de um guia, auxiliando o paciente a atingir a meta da abstinência.
  • 21.
    Treinamento de habilidadessociais • Baseada também na TCC, discute a teoria, ensina como aplicar na prática e confere resultados. • Auxilia usuários em um 3o momento, de lidar com questões do dia- a-dia. • 2 etapas: – Avaliação: através de uma análise funcional: constatar a circunstância, emoções e comportamentos envolvidos antes, durante e depois do comportamento disfuncional, no inicio e no fim do tratamento, como avaliação – Treinamento em si: deixar de usar droga como solução e repensar outra formas de lidar com situações a principio que tenham a ver com droga e depois, gerais. • Aspectos que influenciam a mudança de comportamento: – Auto-eficácia (Bandura, 1977); – Motivação- só metade do caminho; – Compromisso; – Força de vontade.
  • 22.
    TREINAMENTO DE HABILIDADESDE ENFRENTAMENTO: • Já identificadas as SAR, o quanto antes intervir no que desencadeia a recaída melhor. • A maioria das SAR podem ser previstas.Outras aparecem de repente: EVITAR E ENFRENTAR. • Só falar como fazer, não adianta: exercitar o novo comportamento é o caminho (ex: bicicleta): - Modelagem (imaginar situações e o enfrentamento positivo) e/ou Ensaio da recaída: para situações mais específicas - “Dry run” (situação real);
  • 23.
    Importância para otratamento de usuários de drogas • Aborda o indivíduo em um 2o momento, onde ele já está consciente do seu problema; • Ensina que o indivíduo pensa antes de agir (Ex: não existe ‘..qdo fui ver estava na boca..’) • Assim como na PR trabalha o conceito da auto- eficácia • O indivíduo é que é o responsável por seus atos e não os outros; • É possível mudar forma de ser e atuar; • Dispondo de uma sequência de sessões, pode ser adaptada de acordo com o paciente.
  • 24.
    Mudanças no estilode vida: 1. Avaliação da situação atual; 2. Mudanças dos hábitos: • ‘Adições’ positivas X negativas; • Balanceamento entre querer e dever. • Lidando com situações aparentemente irrelevantes (exemplos). 3. Lidando com o stress: através de exercícios físicos, relaxamento, meditação, atividades sociais, religião.
  • 25.
    Importância para otratamento de usuários de drogas • Pessoas que consomem substâncias se vinculam muito aos relacionamentos e ‘programas’ de uso; • A maconha ter uma função na vida da pessoa que deve ser reparada; • Pode ficar um ‘vazio’ que precisa ser preenchido; • Uma vez afastado da droga, importante investir em uma vida saudável mas ao mesmo tempo agradável/estimulante o suficiente, refazendo rede social e atividades diárias.
  • 26.
    Abordagem familiar Em queníveis? • Informando os familiares sobre os efeitos da droga; • Orientando na forma de lidar com o problema; • Capacitando os parentes a lidar com situações do dia-a-dia que podem afetar direta ou indiretamente o consumo de drogas (THS) (EX: dar e receber elogios); • Terapia familiar, já que mexer com o paciente afeta a ordem familiar.
  • 27.
    Importância para otratamento de usuários de drogas Essencial envolver parentes pois: • História familiar (problemas psiquiátricos dos pais e morte precoce dos pais) é um fator de risco para inicio e evolução do uso de maconha; • Pode ser um fator mantenedor do usuário, que ocupa o lugar de ‘paciente identificado’ no contexto familiar; • Aspecto social/ limites e responsabilidades são assuntos essenciais para uso de maconha e que têm a ver com relação pais-filhos.
  • 28.
    Resumindo, as etapasa serem seguidas são: • Informar sobre a substância; • Motivar para a mudança/ tratamento, definindo objetivos; • Relacionar pensamentos aos comportamentos e emoções, mostrando poder do indivíduo sobre seus atos; • Identificar SAR; • Aprender a evitá-las e enfrentá-las; • Corrigir comportamentos disfuncionais relacionados 1- à droga e 2- à vida em geral; • Reorganizar rotina e reinserir-se socialmente; • Ter apoio/ limites da família e estar ‘em sintonia’ com estes.
  • 29.
    Por que elaborarum tratamento específico para a maconha? • Aumento da procura na prática privada e no serviço; • Pessoas começando a usar mais cedo; • Pessoas aumentando o uso mais rápido; • Pessoas com intercorrências graves; • ‘Boom’ do assunto na literatura internacional; • Percepção de uma população com perfil e necessidades específicas; • Dados mostrando a relação entre especificidade de tratamento e grau de sucesso.
  • 30.
    Estudos sobre tratamentode maconha: Estudo N Desenho Resultado Stephens e Roffman (1994) 212 2 grupos: 1o - 10 sessões grupais de TCC 2o - 10 sessões grupais de apoio, baseadas nos 12 passos TCC= apoio Stephens et al (2000) 291 3 grupos: 1o - 2 sessões individuais de avaliação individualizada e aconselhamento - BREVE 2o - 14 sessões em grupo de apoio e prevenção de recaída- LONGO 3o - grupo controle de espera Breve e longo> controle breve = longo Budney et al (2000) 60 14 sessões em 3 grupos: 1o - EM, 2o - EM + TCC, 3o - EM + TCC+ voucher Voucher > EM e EM+TCC EM= EM+TCC Babor et al (in press) 450 3 grupos de terapia individual: 1o - 2 sessões de EM, 2o - 9 sessões de EM+TCC+ case management 3o - grupo controle de espera 9 sessões > 2 sessões e controle 2 e 9 sessões > controle *EM= terapia de base motivacional, TCC= terapia cognitiva comportamental
  • 31.
    O que seconclui sobre tratamentos: • Tamanho:Tratamentos breves são eficazes (Jungerman e Laranjeira, 1999); • No de sessões: depois de 4 sessões o paciente tende a se manter estável (Babor, in press); • Forma:Se a terapia é breve, deve ser individual (Budney, 2000) além da influência grupal ser nociva para jovens (Dishion, 1999); • Conteúdo: PR e EM são eficazes (Jungerman e Laranjeira, 1999) além do aspecto informativo; • Quanto mais específico o tratamento, mais sucesso (Stephens, 1993).
  • 32.
    Ambulatório de maconha •Baseado nestas evidências, montamos o ambulatório • Funciona desde Janeiro/ 2000, tendo passado mais de 300 pacientes desde então. • Equipe atual: coordenador, 5 terapeutas, médico e estagiários.
  • 33.
    UNIAD Ambulatório de Maconha Ambulatório de Cocaína e crack Ambulatório deálcool Ambulatório de adolescentes Grupo de tratamento Grupo de THS Atendimento médico Atendimento individual Atendimento familiar Grupo de espera
  • 34.
    Sobre os pacientes: Deuma amostra de 275 pacientes: • Sexo: 89% são homens; • Estado civil: 81% são solteiros
  • 35.
    Encaminhamento Não consta informaçã outro outroprofissional internet justiça escola trabalho parente mãe o próprio
  • 36.
    idade por faixaetaria > ou = 35 30 a 34 24 a 29 18 a 23 < ou =17 Missing Percent 50 40 30 20 10 0 13 5 16 42 23
  • 37.
    Escolaridade não consta ainforma superior completo superior incompleto ensino medio complet ensino médio incompl ensino fundam. compl ensino fundamental i
  • 38.
  • 39.
    idade de iniciode uso por faixa etaria acima de 23 entre 18 e 22 entre 13 e 17 > 12 Missing Percent 70 60 50 40 30 20 10 0 19 59 14 5
  • 40.
    Tempo de consumode maconha n ã o c o n s t a a i n f o r m a a c i m a d e 1 5 a n o s d e 1 0 a 1 5 a n o s d e 7 a 1 0 a n o s d e 5 a 7 a n o s d e 3 a 5 a n o s d e 1 a 3 a n o s d e 6 m e s e s a 1 a n o Percent 30 20 10 0 4 16 9 16 13 22 13 5
  • 41.
    Consumo de maconhano início do tratamento não consta a inform a m ais de 1 vez por di todos os dias até 5 vezes na sem an finais de sem ana abstinente Percent 50 40 30 20 10 0 4 39 13 7 5 31
  • 42.
    padrão tipico deconsumo nos últimos 3 meses não consta a inform a m ais de 1 vez por di todos os dias até 5 vezes na sem an finais de sem ana abstinente Percent 60 50 40 30 20 10 0 6 55 18 9 8 5
  • 43.
    Uso de outrassubstâncias, além da maconha, no início do tratamento não consta a inform a alucinógenos anfetam inas benzodiazepínicos cocaína/crack solventes tabaco álcool não Percent 50 40 30 20 10 0 17 3 29 40 8
  • 44.
    CONSUMO DE SUBSTÂNCIASPOR ORDEM DE INÍCIO 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 primeira segunda terceira quarta quinta TIPO DE SUBSTÂNCIA PORCENTAGEM (%) alcool maconha tabaco solventes cocaína & crack BDZ anfetaminas alucinógenos opiáceos outras não usou não consta
  • 45.
    Outros tratamentos realizadosanteriormente para dependência não consta a inform a outros psicoterapia grupos de auto-ajuda internação em com uni internação hospitala am bulatorial não fez tratam ento Percent 50 40 30 20 10 0 19 4 10 6 9 10 40
  • 46.
    Seguimento do tratamento: •Seguimento com psiquiatra: 30% sim • Das medicações mais frequentemente utilizadas: 17% anti-depressivos • História forense associada ao consumo de maconha: 45% não, 24% abordado e detido, 20% advertido por policial, 5% detido devido a outro delito e 6% não consta informação.
  • 47.
    Fim do tratamento •Consumo de maconha no último encontro: 36,5% abstinentes • Terminaram tratamento? 24% sim, 20 % só vieram à triagem, 12% estão sendo atendidos, 41% não terminaram tratamento
  • 48.
    Sobre a família: •Consumo de maconha na família: 41% não tem; 14% têm irmãos usuários; • Conflitos na família devido ao uso de maconha: 65% relataram ter conflitos.
  • 49.
    Conclusões • Mudança deperfil ao longo dos anos • Consumo longo: mais de 50% há mais de 5 anos; • Padrão de uso no início intenso: mais de 50% mais de uma vez por dia, mas 30% abstinentes; • Consumo no fim do tratamento: se não abstinente (36,5%), diminuiu ou manteve, com poucos aumentando.
  • 50.
    Conclusões • Tendência desequenciamento de uso de outras drogas; • Uso de álcool concomitante frequente; • História forense: 44% algum contato com polícia. • Evidências de comorbidade têm aumentado; • Por ser algo novo, ainda causa desconfiança! • Algo experimental, estamos pesquisando a ‘melhor’ forma de atender às necessidades dos pacientes e seus familiares;
  • 51.
    Conclusões • Experiência comprovadados de literatura: perfil, consumo, adesão, efetividade de tratamentos breves; • Quanto mais cedo intervir melhor; • Quanto mais ampla a abordagem melhor: no sentido de atender ao paciente no momento certo e de formas variadas; • Trabalho ainda no início, mais pesquisa é necessária; • Vale a pena investir em tratamento específico pois a população é diferente.