AGRISSÊNIOR
NOTICIAS
Pasquim informativo e virtual.
Opiniões, humor e mensagens
EDITORES: Luiz Ferreira da Silva
(luizferreira1937@gmail.com) e
Jefferson Dias (jeffcdiass@gmail.com)
Edição 523 – ANO XI Nº 36 – 12 de maio de 2015
O MST E A DETERIORAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS
Luiz Ferreira da Silva
Em julho de 1993, por ocasião do
Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, no
Rio de Janeiro, no Painel sobre Manejo dos
Solos, foi levantada a preocupação com a
chamada agricultura familiar que norteava a
ocupação das terras pelos pequenos
produtores, via a Reforma Agrária. Isso há
quase 22 anos.
Os Pesquisadores temiam a
degradação dos recursos da terra pelo
enfoque agrícola que se preconizava – a
agricultura de baixos insumos. Isso significava
baixa produtividade e, em razão do
contingente de assentados, um
desmatamento sem controle e outros danos
ao solo e à água.
Outro problema era a falta de
infraestrutura para atender as famílias,
obrigando-as ao uso de lenhas, carvão, além
da contaminação com dejetos orgânicos dos
mananciais hídricos. E, adicionalmente, pela
carência de conhecimento pedológico, a
destruição do solo.
O Solo e a Água, recursos
importantíssimos para manter a sobrevivência
do Homo sapiens, a espécie mais ameaçada
do planeta, ainda não despertaram um grau
de consciência na magnitude do seu valor. E,
no presente, a ignorância prevalecente.
No caso do solo, os fatores
contributivos mais importantes para sua
deterioração têm sido a sua má utilização,
pelo inadequado uso de maquinarias
agrícolas (compactação e/ou adensamento);
plantios morros abaixo, sem curvas de
níveis, ocasionando erosão (arraste do solo e
de nutrientes); cultivos contínuos de
monoculturas (esgotamento da fertilidade e
redução do horizonte superficial);
desmatamento, com a eliminação da
cobertura vegetal nos topos de morros, nas
bacias de captação de água e nas margens
dos rios; e queimas constantes (destruição
da capa organo-mineral e argiluviação dos
horizontes inferiores).
Por outro lado, são diversas as causas
da degradação do recurso hídrico, dentre as
quais: deterioração dos ecossistemas,
através do desmatamento e destruição do
solo, ocasionando o assoreamento das bacias
hidrográficas, reduzindo as lâminas de água;
má utilização de fertilizantes e de
pesticidas, eutrofizando e/ou poluindo os
mananciais hídricos, incluindo os canais
aquíferos subterrâneos; descargas de
dejetos, objetos não recicláveis e
poluentes diversos, sejam de natureza
urbana, ou de origem industrial (ex. vinhoto,
das usinas), contribuindo para a
desqualificação da água e degradação
ambiental (flora e fauna, aquáticas); irrigação
não controlada, especialmente nas regiões
de deficiência hídrica, ocasionando a
salinização; e aberturas de poços, sem o
devido estudo do lençol freático e dos
parâmetros climáticos, advindo redução dos
canais aquíferos e até, no caso urbano, pela
falta de esgotamento sanitário, contaminação
por microrganismos patogênicos.
Tudo isso pode ocorrer com os
assentamentos comprometendo ambos os
recursos naturais, pelas razões já expostas.
Dessa forma, o novo milênio está a
exigir uma agricultura de alta produtividade,
mas conciliada com a conservação do solo e
da água, eivada de tecnologias adequadas a
cada ecossistema, significando que não há
mais espaço para a chamada agricultura de
baixos insumos, à moda da foice, do facão, da
matraca, da enxada e da bosta de boi, sob a
pena de comprometer o aumento
populacional previsto para o novo milênio,
sobretudo pela carência de alimentos.
A agricultura não pode ser vista como
uma atividade de segunda classe,
necessitando evoluir pari passu aos novos
momentos (eficiência, eficácia,
competitividade e precisão) e, em paralelo, às
outras ciências, não sendo mais possível ficar
atrelada a certos mitos, enquanto outras
áreas do conhecimento humano investem em
tecnologia de ponta.
Há, por outro lado, um grande desafio
para o próximo milênio, como já foi enfocado,
que é a produção de alimentos para
acompanhar o crescimento demográfico e
combater a fome endêmica de muitos países,
inclusive no nosso, exigindo novas técnicas
de produção, especialmente no campo da
biotecnologia, além do aprimoramento na
aplicação de insumos fertilizantes e
defensivos agrícolas, com vistas a se
aumentar a produtividade dos cultivos, sem
deteriorar o solo, não sendo mais factível a
agricultura da enxada e da “calda de fumo”.
Nesse contexto – repetindo - a
pequena produção, apesar da relevante
função social, terá que ser uma atividade
econômica, para a qual há que se mudar o
atual enfoque, passando de uma atividade
individual para sistemas de associativismo,
possibilitando ao pequeno produtor ter acesso
às tecnologias do sistema produtivo e poder
se inserir na economia de mercado.
Adicionalmente, o próximo século
deverá ser o da biologia, na qual a grande
revolução das ciências agrárias será a
engenharia genética, cuja técnica tem
demonstrado a capacidade de suprimir
atividades de genes e transferi-los de uma
espécie para outra, fixando características
desejáveis de produtividade, resistência aos
inimigos naturais e melhoria nutricional.
No momento, sabe-se do potencial
ilimitado desse novo campo científico e dos
riscos que, em determinadas circunstâncias,
alguns transgênicos possam acarretar, mas
que, à medida da evolução das técnicas e de
novos conhecimentos, muitos senões serão
resolvidos, o que é muito compreensível, em
se tratando de uma ciência em fase de
evolução. O que não se pode é perder tempo
com discussões estéreis, a ponto de tolher o
desenvolvimento científico, ficando-se fora
dessa revolução, sobretudo quando mais se
consolida um mundo globalizado.
Outro avanço científico, cujas técnicas
já estão sendo utilizadas em mais de 30
países, é a esterilização de produtos agrícolas
através da aplicação de raios gama,
possibilitando a sua durabilidade, a exemplo
dos grãos, que podem ser armazenados por
mais de 5 anos, com uma série de vantagens
óbvias. Esta tecnologia vem sendo usada no
Brasil, na área da medicina, sobretudo na
esterilização de instrumentos cirúrgicos,
desde agulhas de injeção até fios de sutura,
ao passo que, na agricultura, a polêmica tem
sido muito grande, obstando a sua plena
aplicação, o que é lastimável.
Outra polêmica diz respeito à chamada
agricultura orgânica, que dispensaria o uso de
fertilizantes e de pesticidas, argumentando-se
que o adubo mata minhoca e as plantas
produzem frutos, sementes, folhagens, raízes,
sem os nutrientes adequados ao corpo
humano, sendo até tóxicos, além da
contaminação dos produtos químicos
aplicados para conter as pragas e doenças.
Tudo vai depender como saber usar o solo e
aplicar os referidos insumos, cujas técnicas
são o único caminho para debelar a fome
mundial. É bom lembrar que o automóvel e os
fogos de artifício não foram inventados para
matar ninguém. Tampouco, os pesticidas.
A agricultura orgânica apregoada pelo
MST é de baixa produtividade e de preço
elevado, desenvolvida em certas
circunstâncias, e em pequena escala, jamais
podendo satisfazer à demanda da população
mundial, restringindo-se a uma fatia da elite.
É burrice ser contra ela, mas não seria
menor a insensatez de se acreditar que ela
pode ser extensiva, a ponto de satisfazer a
demanda mundial, sobretudo por alimentos.
Imagine-se adubar, como exemplo, 100
milhões de hectares para produção de grãos,
aqui no Brasil, necessitando-se de 2,0 bilhões
de toneladas de esterco (adubo concentrado:
28 milhões de toneladas), cujos custos de
transporte, aplicação e mão-de-obra
inviabilizariam tal prática nessa escala,
devendo-se incluir, também, a inevitável
valorização dessa matéria orgânica que, em
razão da procura, passaria a ser vendida por
um maior preço, logicamente, além do fator
dispersão.
Essas considerações objetivam
embasar a inviabilidade da ocupação da terra
sem os insumos agrícolas, maquinário
consentâneo, técnicas de manejo
conservacionista e capacitação do pequeno
agricultor. Concepção errada do MST que
abomina a agricultura de precisão.
A DECADÊNCIA ECONÔMICA DO RIO SÃO FRANCISCO
Roberto Malvezzi (Gogó)
O óbvio se confirma. As principais atividades
econômicas do rio São Francisco começam a
entrar em decadência, em razão da
diminuição do volume de água do Velho
Chico. Hoje o ponto com mais água está aqui
entre Juazeiro e Petrolina, com 1.000 m3/s.
Vale lembrar que a vazão média do São
Francisco até alguns anos atrás era de 2.800
m3/s. Sobradinho está com apenas 17% de
sua capacidade ocupada por água.
Não estamos falando da pesca, da agricultura
de vazante, nenhuma dessas economias das
populações tradicionais. Essas estão extintas
ou fragilizadas há muitos anos. Falamos da
economia do capital.
A geração de energia começa declinar. Nesse
momento apenas uma de seis turbinas está
gerando energia em Sobradinho. Construído
mais para servir de caixa d’água para as
barragens à jusante que para gerar energia,
foi aproveitada de última hora no regime
militar para também gerar. Num debate na
Companhia de Desenvolvimento do Vale do
São Francisco (CODEVASF) na semana da
água, os técnicos avisaram que a única
turbina em funcionamento vai parar até final
de junho ou início de julho.
Segundo, foi avisado que em final de julho e
começo de agosto vários projetos de irrigação
da região poderão ter seu acesso à água
cortado. Os dois mais ameaçados são o Nilo
Coelho – margem esquerda, Petrolina – e o
Maniçoba na margem direita, em Juazeiro.
Em ambos a distância da água será tão
grande que sua captação será inviabilizada.
Acontece que Juazeiro/Petrolina montaram sua
economia baseada na irrigação. São as
fazendas irrigadas, que demandam água,
insumos, implementos, mão de obra, que por
sua vez movimentam o comércio de alimentos,
eletrodomésticos, construção civil, carros, bares,
restaurantes, assim toda cadeia produtiva.
Em breve pode acontecer com
Juazeiro/Petrolina o que Monteiro Lobato
chamou de “Cidades Mortas” no Vale do
Paraíba depois que o ciclo do café se
encerrou e deixou para trás cidades
fantasmas economicamente mortas. Toda
economia baseada em um único ramo
produtivo acaba por ter esse final trágico.
Por fim, o que era para ser uma hidrovia –
vocação natural do Velho Chico entre
Juazeiro e Pirapora – hoje não passa de um
filete de água com a população atravessando
à pé seu leito, como é o caso entre
comunidades de Pilão Arcado e Xique-Xique.
Nem barcos menores conseguem mais
navegar com facilidade. A ideia de transportar
a soja do Oeste Baiano para Juazeiro ou
Petrolina via rio hoje não passa de um delírio.
Mesmo assim vários projetos de expansão da
água do São Francisco continuam na agenda,
como a Transposição de Águas para outros
estados no Nordeste, o Canal do Sertão em
Petrolina, o Baixio do Irecê na Bahia, assim
por diante.
Que a equação não fecha todos sabem.
Enquanto isso, o Velho Chico definha a olhos
vistos. Agora os que se beneficiam do rio –
setor elétrico, irrigação, agro e hidro negócios,
etc. – começam sentir na pele o resultado do
processo destrutivo. O futuro dessas
atividades econômicas está atrelado
inexoravelmente ao futuro do rio. Aliás, como
de toda população do Vale.
Essa decadência não é pontual. Há mais de
dez anos, desde o apagão, o São Francisco
não mais recuperou grandes volumes de
água. Portanto, o raciocínio correto é que
essa é a nova realidade, a exceção será
alguma cheia.
Aqui em Juazeiro/Petrolina os irrigantes estão
apavorados e não é sem razão. Porém, nada
indica que se queira rever a fundo o modelo
econômico predador imposto ao velho rio.
(Enviada por João Suassuna)
MÃE
Nome sublime que no mundo encerra,
O que de mais belo há no firmamento.
Nome sagrado que paira na terra,
Como símbolo de amor incandescente!
Ao ver nascer risonho o seu filhinho,
Ser do seu ser e dor da sua dor.
Tomando-o nos braços, com muito carinho,
Mãe é ternura carícia, é amor !
Guiando- sempre nos passos da vida,
Rindo e cantando com o seu crescer..
Mãe é bondade, zelo, encantamento!
Porém, ao ver partir, a mãe querida
A fibra mais feliz do seu viver
Mãe é somente dor e sofrimento!
Nenita Madeiro Campos
EMOÇÃO DA PRIMEIRAVEZ…
Por Beth Michepud
Existem dias que temos preguiça de quebrar
qualquer rotina (pode ser até gostoso e
cômodo), mas isto certamente deixa nosso dia
estacionado… então nada muda, nada acontece
e simplesmente passamos por mais um dia sem
vivê-lo. Veja como pode ser edificante “darmos
um susto” em nós mesmos!
O texto “Emoção da primeira vez” de Yehuda
Berg nos dá uma sugestão de como fazê-lo.
Espero que gostem!
“Será que causei algum impacto hoje?” É
importante perguntar a si mesmo: “Estou
causando algum impacto no mundo com tudo
o que faço? Estou fazendo a diferença?”
As únicas coisas que nos impedem de ter
esses pensamentos são:
1) achar que temos “o direito de” e
2) “apegos”.
O direito” é o que nos faz pensar que estamos
muito cansados para compartilhar; e os
apegos nos dizem que outros podem fazer
aquilo – nós não somos os únicos a ter que
carregar o mundo. Achar-se “no direito de” é
toda situação em que bloqueamos as
possibilidades de algo acontecer, porque
achamos que sabemos ou enxergamos as
coisas da forma correta. Alguns podem
confundir isso com autoestima.
O que são apegos? Seus dias estão repletos
deles! São as coisas que você não escolhe
fazer, mas faz por hábito, desde a pasta e a
escova de dentes que você usa até acordar em
um determinado horário de manhã ou comer as
mesmas comidas. Apego é sentar-se no mesmo
lugar na sala todos os dias, sair com as mesmas
pessoas, ir aos mesmos restaurantes…
Como nos livrar desse sentimento de achar
que se tem “o direito de”? Abra mão do que
você acha que sabe ou merece…
Como nos livramos dos apegos? Abra mão de
algo que você faz o tempo todo. Escolha um
apego e mude-o. Faça algo que você jamais
faria, pare de se comportar da mesma forma –
saia de você mesmo. Por quê? Para que você
receba mais do que tem em sua vida neste
momento. Se você não está vivendo a vida
que deseja viver, é porque os “direitos” e
“apegos” estão impedindo que você mude –
que deixe sua zona de conforto.
Meu pai e mestre, o Rav Berg, gosta de dizer:
“Os navios ficam mais seguros quando
permanecem no porto, mas não é para isso
que são construídos”.
Encontramos motivos (negação, medos) para
não compartilharmos e para não sairmos de
nós mesmos. No entanto, precisamos saber
que: Se perdermos nossos “direitos” e
“apegos”, podemos obter controle e conseguir
coisas que achávamos que não poderíamos ter.
É hora de sair do processo de “cozinhar seus
miolos”; de ficar refletindo sobre as coisas o
tempo todo. Saia da sua cabeça! Você
encontrará todos os motivos para não fazer
algo, se ficar refletindo muito sobre aquilo.
Seja simples. Faça. Aja. Mova-se.”
Um Salve à vida!!!
CATEDRAL
Zélia Duncan
O deserto
Que atravessei
Ninguém me viu passar
Estranha e só
Nem pude ver
Que o céu é maior
Tentei dizer mas vi você
Tão longe de chegar
Mas perto de algum lugar
É deserto
Onde eu te encontrei
Você me viu passar
Correndo só
Nem pude ver
Que o tempo é maior
Olhei pra mim
Me vi assim
Tão perto de chegar
Onde você não está
No silêncio uma catedral
Um templo em mim
Onde eu possa ser imortal
Mas vai existir
Eu sei
Vai ter que existir
Vai resistir nosso lugar
Solidão
Quem pode evitar
Te encontro enfim
Meu coração é secular
Sonha e deságua
Dentro de mim
Amanhã devagar
Me diz
Como voltar
Se eu disser
Que foi por amor
Não vou mentir pra mim
Se eu disser
Deixa pra depois
Não foi sempre assim
Tentei dizer
Mas vi você
Tão longe de chegar
Mas perto de algum lugar...
A PIADA DA SEMANA
Uma menininha chega para sua mãe e
pergunta:
- Mãe, eu posso passear com a
Lili(cachorrinha da família)???
- Não, porque a Lili está no cio, diz a mãe.
- O que é cio pergunta a menininha.
- Ah! Não sei, vai pedir pro teu pai. A menina
chega para seu pai e pergunta:
- Pai eu posso passear com a Lili??
- Não, porque a Lili está no cio.
- O que é cio???? Pergunta a menina. O pai
não responde nada e coloca gasolina no
focinho da cadela e deixa a filha ir passear.
Dali duas horas volta só a menina sem a
cachorrinha e seu pai pergunta:
- Minha filha, cadê a Lili??? E a filha
responde:
- É que acabou a gasolina da Lili a dois
quarteirões, mas não se preocupe que já tem
um cachorrinho rebocando ela!!
oOo
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  • 1.
    AGRISSÊNIOR NOTICIAS Pasquim informativo evirtual. Opiniões, humor e mensagens EDITORES: Luiz Ferreira da Silva (luizferreira1937@gmail.com) e Jefferson Dias (jeffcdiass@gmail.com) Edição 523 – ANO XI Nº 36 – 12 de maio de 2015 O MST E A DETERIORAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS Luiz Ferreira da Silva Em julho de 1993, por ocasião do Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, no Rio de Janeiro, no Painel sobre Manejo dos Solos, foi levantada a preocupação com a chamada agricultura familiar que norteava a ocupação das terras pelos pequenos produtores, via a Reforma Agrária. Isso há quase 22 anos. Os Pesquisadores temiam a degradação dos recursos da terra pelo enfoque agrícola que se preconizava – a agricultura de baixos insumos. Isso significava baixa produtividade e, em razão do contingente de assentados, um desmatamento sem controle e outros danos ao solo e à água. Outro problema era a falta de infraestrutura para atender as famílias, obrigando-as ao uso de lenhas, carvão, além da contaminação com dejetos orgânicos dos mananciais hídricos. E, adicionalmente, pela carência de conhecimento pedológico, a destruição do solo. O Solo e a Água, recursos importantíssimos para manter a sobrevivência do Homo sapiens, a espécie mais ameaçada do planeta, ainda não despertaram um grau de consciência na magnitude do seu valor. E, no presente, a ignorância prevalecente. No caso do solo, os fatores contributivos mais importantes para sua deterioração têm sido a sua má utilização, pelo inadequado uso de maquinarias agrícolas (compactação e/ou adensamento); plantios morros abaixo, sem curvas de níveis, ocasionando erosão (arraste do solo e de nutrientes); cultivos contínuos de monoculturas (esgotamento da fertilidade e redução do horizonte superficial); desmatamento, com a eliminação da cobertura vegetal nos topos de morros, nas bacias de captação de água e nas margens dos rios; e queimas constantes (destruição da capa organo-mineral e argiluviação dos horizontes inferiores). Por outro lado, são diversas as causas da degradação do recurso hídrico, dentre as quais: deterioração dos ecossistemas, através do desmatamento e destruição do solo, ocasionando o assoreamento das bacias hidrográficas, reduzindo as lâminas de água; má utilização de fertilizantes e de pesticidas, eutrofizando e/ou poluindo os mananciais hídricos, incluindo os canais aquíferos subterrâneos; descargas de dejetos, objetos não recicláveis e poluentes diversos, sejam de natureza urbana, ou de origem industrial (ex. vinhoto, das usinas), contribuindo para a desqualificação da água e degradação ambiental (flora e fauna, aquáticas); irrigação não controlada, especialmente nas regiões de deficiência hídrica, ocasionando a salinização; e aberturas de poços, sem o devido estudo do lençol freático e dos parâmetros climáticos, advindo redução dos canais aquíferos e até, no caso urbano, pela
  • 2.
    falta de esgotamentosanitário, contaminação por microrganismos patogênicos. Tudo isso pode ocorrer com os assentamentos comprometendo ambos os recursos naturais, pelas razões já expostas. Dessa forma, o novo milênio está a exigir uma agricultura de alta produtividade, mas conciliada com a conservação do solo e da água, eivada de tecnologias adequadas a cada ecossistema, significando que não há mais espaço para a chamada agricultura de baixos insumos, à moda da foice, do facão, da matraca, da enxada e da bosta de boi, sob a pena de comprometer o aumento populacional previsto para o novo milênio, sobretudo pela carência de alimentos. A agricultura não pode ser vista como uma atividade de segunda classe, necessitando evoluir pari passu aos novos momentos (eficiência, eficácia, competitividade e precisão) e, em paralelo, às outras ciências, não sendo mais possível ficar atrelada a certos mitos, enquanto outras áreas do conhecimento humano investem em tecnologia de ponta. Há, por outro lado, um grande desafio para o próximo milênio, como já foi enfocado, que é a produção de alimentos para acompanhar o crescimento demográfico e combater a fome endêmica de muitos países, inclusive no nosso, exigindo novas técnicas de produção, especialmente no campo da biotecnologia, além do aprimoramento na aplicação de insumos fertilizantes e defensivos agrícolas, com vistas a se aumentar a produtividade dos cultivos, sem deteriorar o solo, não sendo mais factível a agricultura da enxada e da “calda de fumo”. Nesse contexto – repetindo - a pequena produção, apesar da relevante função social, terá que ser uma atividade econômica, para a qual há que se mudar o atual enfoque, passando de uma atividade individual para sistemas de associativismo, possibilitando ao pequeno produtor ter acesso às tecnologias do sistema produtivo e poder se inserir na economia de mercado. Adicionalmente, o próximo século deverá ser o da biologia, na qual a grande revolução das ciências agrárias será a engenharia genética, cuja técnica tem demonstrado a capacidade de suprimir atividades de genes e transferi-los de uma espécie para outra, fixando características desejáveis de produtividade, resistência aos inimigos naturais e melhoria nutricional. No momento, sabe-se do potencial ilimitado desse novo campo científico e dos riscos que, em determinadas circunstâncias, alguns transgênicos possam acarretar, mas que, à medida da evolução das técnicas e de novos conhecimentos, muitos senões serão resolvidos, o que é muito compreensível, em se tratando de uma ciência em fase de evolução. O que não se pode é perder tempo com discussões estéreis, a ponto de tolher o desenvolvimento científico, ficando-se fora dessa revolução, sobretudo quando mais se consolida um mundo globalizado. Outro avanço científico, cujas técnicas já estão sendo utilizadas em mais de 30 países, é a esterilização de produtos agrícolas através da aplicação de raios gama, possibilitando a sua durabilidade, a exemplo dos grãos, que podem ser armazenados por mais de 5 anos, com uma série de vantagens óbvias. Esta tecnologia vem sendo usada no Brasil, na área da medicina, sobretudo na esterilização de instrumentos cirúrgicos, desde agulhas de injeção até fios de sutura, ao passo que, na agricultura, a polêmica tem sido muito grande, obstando a sua plena aplicação, o que é lastimável. Outra polêmica diz respeito à chamada agricultura orgânica, que dispensaria o uso de fertilizantes e de pesticidas, argumentando-se que o adubo mata minhoca e as plantas produzem frutos, sementes, folhagens, raízes, sem os nutrientes adequados ao corpo humano, sendo até tóxicos, além da contaminação dos produtos químicos aplicados para conter as pragas e doenças. Tudo vai depender como saber usar o solo e aplicar os referidos insumos, cujas técnicas são o único caminho para debelar a fome mundial. É bom lembrar que o automóvel e os fogos de artifício não foram inventados para matar ninguém. Tampouco, os pesticidas. A agricultura orgânica apregoada pelo MST é de baixa produtividade e de preço elevado, desenvolvida em certas circunstâncias, e em pequena escala, jamais
  • 3.
    podendo satisfazer àdemanda da população mundial, restringindo-se a uma fatia da elite. É burrice ser contra ela, mas não seria menor a insensatez de se acreditar que ela pode ser extensiva, a ponto de satisfazer a demanda mundial, sobretudo por alimentos. Imagine-se adubar, como exemplo, 100 milhões de hectares para produção de grãos, aqui no Brasil, necessitando-se de 2,0 bilhões de toneladas de esterco (adubo concentrado: 28 milhões de toneladas), cujos custos de transporte, aplicação e mão-de-obra inviabilizariam tal prática nessa escala, devendo-se incluir, também, a inevitável valorização dessa matéria orgânica que, em razão da procura, passaria a ser vendida por um maior preço, logicamente, além do fator dispersão. Essas considerações objetivam embasar a inviabilidade da ocupação da terra sem os insumos agrícolas, maquinário consentâneo, técnicas de manejo conservacionista e capacitação do pequeno agricultor. Concepção errada do MST que abomina a agricultura de precisão. A DECADÊNCIA ECONÔMICA DO RIO SÃO FRANCISCO Roberto Malvezzi (Gogó) O óbvio se confirma. As principais atividades econômicas do rio São Francisco começam a entrar em decadência, em razão da diminuição do volume de água do Velho Chico. Hoje o ponto com mais água está aqui entre Juazeiro e Petrolina, com 1.000 m3/s. Vale lembrar que a vazão média do São Francisco até alguns anos atrás era de 2.800 m3/s. Sobradinho está com apenas 17% de sua capacidade ocupada por água. Não estamos falando da pesca, da agricultura de vazante, nenhuma dessas economias das populações tradicionais. Essas estão extintas ou fragilizadas há muitos anos. Falamos da economia do capital. A geração de energia começa declinar. Nesse momento apenas uma de seis turbinas está gerando energia em Sobradinho. Construído mais para servir de caixa d’água para as barragens à jusante que para gerar energia, foi aproveitada de última hora no regime militar para também gerar. Num debate na Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF) na semana da água, os técnicos avisaram que a única turbina em funcionamento vai parar até final de junho ou início de julho. Segundo, foi avisado que em final de julho e começo de agosto vários projetos de irrigação da região poderão ter seu acesso à água cortado. Os dois mais ameaçados são o Nilo Coelho – margem esquerda, Petrolina – e o Maniçoba na margem direita, em Juazeiro. Em ambos a distância da água será tão grande que sua captação será inviabilizada. Acontece que Juazeiro/Petrolina montaram sua economia baseada na irrigação. São as fazendas irrigadas, que demandam água, insumos, implementos, mão de obra, que por sua vez movimentam o comércio de alimentos, eletrodomésticos, construção civil, carros, bares, restaurantes, assim toda cadeia produtiva. Em breve pode acontecer com Juazeiro/Petrolina o que Monteiro Lobato chamou de “Cidades Mortas” no Vale do Paraíba depois que o ciclo do café se encerrou e deixou para trás cidades fantasmas economicamente mortas. Toda economia baseada em um único ramo produtivo acaba por ter esse final trágico. Por fim, o que era para ser uma hidrovia – vocação natural do Velho Chico entre Juazeiro e Pirapora – hoje não passa de um filete de água com a população atravessando à pé seu leito, como é o caso entre comunidades de Pilão Arcado e Xique-Xique. Nem barcos menores conseguem mais navegar com facilidade. A ideia de transportar a soja do Oeste Baiano para Juazeiro ou Petrolina via rio hoje não passa de um delírio. Mesmo assim vários projetos de expansão da água do São Francisco continuam na agenda, como a Transposição de Águas para outros estados no Nordeste, o Canal do Sertão em Petrolina, o Baixio do Irecê na Bahia, assim por diante. Que a equação não fecha todos sabem. Enquanto isso, o Velho Chico definha a olhos vistos. Agora os que se beneficiam do rio – setor elétrico, irrigação, agro e hidro negócios,
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    etc. – começamsentir na pele o resultado do processo destrutivo. O futuro dessas atividades econômicas está atrelado inexoravelmente ao futuro do rio. Aliás, como de toda população do Vale. Essa decadência não é pontual. Há mais de dez anos, desde o apagão, o São Francisco não mais recuperou grandes volumes de água. Portanto, o raciocínio correto é que essa é a nova realidade, a exceção será alguma cheia. Aqui em Juazeiro/Petrolina os irrigantes estão apavorados e não é sem razão. Porém, nada indica que se queira rever a fundo o modelo econômico predador imposto ao velho rio. (Enviada por João Suassuna) MÃE Nome sublime que no mundo encerra, O que de mais belo há no firmamento. Nome sagrado que paira na terra, Como símbolo de amor incandescente! Ao ver nascer risonho o seu filhinho, Ser do seu ser e dor da sua dor. Tomando-o nos braços, com muito carinho, Mãe é ternura carícia, é amor ! Guiando- sempre nos passos da vida, Rindo e cantando com o seu crescer.. Mãe é bondade, zelo, encantamento! Porém, ao ver partir, a mãe querida A fibra mais feliz do seu viver Mãe é somente dor e sofrimento! Nenita Madeiro Campos EMOÇÃO DA PRIMEIRAVEZ… Por Beth Michepud Existem dias que temos preguiça de quebrar qualquer rotina (pode ser até gostoso e cômodo), mas isto certamente deixa nosso dia estacionado… então nada muda, nada acontece e simplesmente passamos por mais um dia sem vivê-lo. Veja como pode ser edificante “darmos um susto” em nós mesmos! O texto “Emoção da primeira vez” de Yehuda Berg nos dá uma sugestão de como fazê-lo. Espero que gostem! “Será que causei algum impacto hoje?” É importante perguntar a si mesmo: “Estou causando algum impacto no mundo com tudo o que faço? Estou fazendo a diferença?” As únicas coisas que nos impedem de ter esses pensamentos são: 1) achar que temos “o direito de” e 2) “apegos”. O direito” é o que nos faz pensar que estamos muito cansados para compartilhar; e os apegos nos dizem que outros podem fazer aquilo – nós não somos os únicos a ter que carregar o mundo. Achar-se “no direito de” é toda situação em que bloqueamos as possibilidades de algo acontecer, porque achamos que sabemos ou enxergamos as coisas da forma correta. Alguns podem confundir isso com autoestima. O que são apegos? Seus dias estão repletos deles! São as coisas que você não escolhe fazer, mas faz por hábito, desde a pasta e a escova de dentes que você usa até acordar em um determinado horário de manhã ou comer as mesmas comidas. Apego é sentar-se no mesmo lugar na sala todos os dias, sair com as mesmas pessoas, ir aos mesmos restaurantes… Como nos livrar desse sentimento de achar que se tem “o direito de”? Abra mão do que você acha que sabe ou merece… Como nos livramos dos apegos? Abra mão de algo que você faz o tempo todo. Escolha um apego e mude-o. Faça algo que você jamais faria, pare de se comportar da mesma forma – saia de você mesmo. Por quê? Para que você receba mais do que tem em sua vida neste momento. Se você não está vivendo a vida que deseja viver, é porque os “direitos” e “apegos” estão impedindo que você mude – que deixe sua zona de conforto. Meu pai e mestre, o Rav Berg, gosta de dizer: “Os navios ficam mais seguros quando permanecem no porto, mas não é para isso que são construídos”.
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    Encontramos motivos (negação,medos) para não compartilharmos e para não sairmos de nós mesmos. No entanto, precisamos saber que: Se perdermos nossos “direitos” e “apegos”, podemos obter controle e conseguir coisas que achávamos que não poderíamos ter. É hora de sair do processo de “cozinhar seus miolos”; de ficar refletindo sobre as coisas o tempo todo. Saia da sua cabeça! Você encontrará todos os motivos para não fazer algo, se ficar refletindo muito sobre aquilo. Seja simples. Faça. Aja. Mova-se.” Um Salve à vida!!! CATEDRAL Zélia Duncan O deserto Que atravessei Ninguém me viu passar Estranha e só Nem pude ver Que o céu é maior Tentei dizer mas vi você Tão longe de chegar Mas perto de algum lugar É deserto Onde eu te encontrei Você me viu passar Correndo só Nem pude ver Que o tempo é maior Olhei pra mim Me vi assim Tão perto de chegar Onde você não está No silêncio uma catedral Um templo em mim Onde eu possa ser imortal Mas vai existir Eu sei Vai ter que existir Vai resistir nosso lugar Solidão Quem pode evitar Te encontro enfim Meu coração é secular Sonha e deságua Dentro de mim Amanhã devagar Me diz Como voltar Se eu disser Que foi por amor Não vou mentir pra mim Se eu disser Deixa pra depois Não foi sempre assim Tentei dizer Mas vi você Tão longe de chegar Mas perto de algum lugar... A PIADA DA SEMANA Uma menininha chega para sua mãe e pergunta: - Mãe, eu posso passear com a Lili(cachorrinha da família)??? - Não, porque a Lili está no cio, diz a mãe. - O que é cio pergunta a menininha. - Ah! Não sei, vai pedir pro teu pai. A menina chega para seu pai e pergunta: - Pai eu posso passear com a Lili?? - Não, porque a Lili está no cio. - O que é cio???? Pergunta a menina. O pai não responde nada e coloca gasolina no focinho da cadela e deixa a filha ir passear. Dali duas horas volta só a menina sem a cachorrinha e seu pai pergunta: - Minha filha, cadê a Lili??? E a filha responde: - É que acabou a gasolina da Lili a dois quarteirões, mas não se preocupe que já tem um cachorrinho rebocando ela!! oOo Acessar: www.r2cpress.com.br