atos dos apóstolos
Vivendo o sonho de Deus para a sua Igreja
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s grandes temas de Atos surgem nos primeiros dois capítulos:
1. A visão evangelística e missionaria, que deve começar para cada um de nós em nossa “Jerusalém” e ir
transbordando para “Judeia” e “Samaria”, até ganhar expressão nos confins da terra (1.8);
2. O poder do Espírito Santo manifesto deform a visível, especialmente nos sonhos, nas visões e nas pala­
vras proféticas que devem caracterizar todos os filhos de Deus (At 1.8; 2.17-18);
3. A descrição gloriosa da Igreja Primitiva em seu pleno primeiro amor (At 2.42-47).
Os três são interdependentes. Nenhum se mantém bem sem os outros. Quando a energia e a visão evan­
gelística decaem, a saúde da igreja fatalmente decairá. De forma parecida, quando o poder do Espírito não flui,
a saúde da igreja logo não fluirá. Equando a igreja não se expressa de forma saudável, como na Igreja Primitiva,
o pique evangelístico e o poder do Espírito Santo desvanecem.
O verdadeiro discípulo de Jesus tem fome e sede nas três áreas, crescendo em competência e paixão em
todas elas. Em primeiro lugar, seu coração arde e se quebranta como o coração de Jesus para com as pessoas
necessitadas (Lc 4.18-19), aflitas e exaustas, tais quais ovelhas sem pastor (Mt 9.36-38). Ele se entrega de for­
ma sacrificial para alcançar pessoas para Jesus (Lc 15; cf. Intro. Jo).
O verdadeiro discípulo é também um sonhador, visionário, cheio do Espírito e ungido por ele. Vive ouvindo seu
Pai e faz disso seu estilo de vida (cf. med. Jo 5.19-20,30). Encontros divinos e padrões divinos caracterizam sua vida.
Finalmente, o discípulo autêntico é apaixonado pela igreja dele. Sonha com ela e tem uma visão clara a
respeito dela que o energiza. O texto de At 2.42-47 é uma de suas passagens prediletas. Ele cresce em sua ha­
bilidade de entender essa descrição e explicá-la a outras pessoas. E, ainda mais importante do que isso: ele
cresce em sua vivência e graça em ilustrar os princípios de uma vida dedicada à Palavra, à oração, à comunhão,
à simplicidade e ao evangelismo (cf. os cinco módulos no curso de discipulado que trazem oito estudos sobre
cada um destes temas).
Te x t o -chave
E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações....
Enquanto isso, o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos. (At 2.42-47)
Esta passagem descreve uma igreja gloriosa, saudável, sem mácula, ruga ou defeito (Ef 5.27). Ela tem
dezesseis características: (1) é dedicada à Palavra (kerygma); (2) exerce a comunhão (koinonia); (3) dá
importância à ceia do Senhor; (4) fundamenta-se na oração (ouvindo Deus); (5) tem temor a Deus; (6) opera
manifestações sobrenaturais (1Co 12.7-10); (7) valoriza a unidade e a comunidade; (8) cuida plenamente
dos necessitados; (9) faz grandes celebrações; (10) tem grupos pequenos ou igrejas caseiras; (11) a igreja
come junta; (12) tem alegria; (13) possui um coração simples e uma vida simples; (14) foca o louvor a Deus;
(15) é bênção para os de fora da igreja; e (16) trata o evangelismo como um estilo de vida, que leva ao cres­
cimento natural e sólido.
Um excelente exercício seria dar uma nota de 0 a 10 à sua igreja em cada uma dessas áreas, para depois
orar sobre os aspectos nos quais o Espírito Santo gostaria de se aprofundar em sua vida e em sua igreja.
Estas características são o DNA de cada discípulo de Jesus, porque são o DNA dele. Elas se ex­
pressam especialmente nos lares e nos grupos pequenos ou células porque têm muito a ver com relaciona­
mentos comprometidos e saudáveis. Devemos orar e nos esforçar em favor deste grande sonho, não sendo
críticos nem céticos quanto à Igreja. Que Deus nos dê a graça de viver de forma autêntica e coletiva para
ele, já que individualmente dificilmente conseguiremos fazê-lo.
195 Atos 1
A prom essa do Espírito Santo
Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo,0 relatando
todas as coisas que Jesus começou a fazer e a
ensinar 2até o dia em que, depois de haver dado man­
damentos por meio do Espírito Santo aos apóstolos
que tinha escolhido, foi elevado às alturas. 3A estes
também, depois de ter padecido, se apresentou vivo,
com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes
durante quarenta dias e falando das coisas relacio­
nadas com o Reino de Deus. 4E, comendo com ele s/
determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusa­
lém, mas que esperassem a promessa do P ai/ a qual,
disse ele, vocês ouviram de mim. 5Porque João, na
verdade, batizou com1água,d mas vocês serão batiza­
dos com1o Espírito Santo, dentro de poucos dias.
A ascensão de Jesus
6Então os que estavam reunidos com Jesus lhe
perguntaram:
— Será este o tempo em que o Senhor irá restau­
rar o reino a Israel?"
7Jesus respondeu:
— Não cabe a vocês conhecer tempos ou épocas que
o Pai fixou pela sua própria autoridade/8Mas vocês re­
ceberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e
serão minhas testemunhas5 tanto em Jerusalém como
em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra.
9Depois de ter dito isso, Jesus foi elevado às alturas,
à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos/
10E, estando eles com os olhos fixos no céu, enquanto
Jesus subia, eis que dois homens vestidos de branco se
puseram ao lado deles 11e lhes disseram:
— Homens da Galileia, por que vocês estão
olhando para as alturas? Esse Jesus que foi levado do
meio de vocês para o céu virá do modo como vocês o
viram subir.'
A escolha de M atias
12Então os apóstolos voltaram do monte das Olivei­
ras para Jerusalém. A distância até a cidade é de cerca de
um quilómetro.2l3Quando entraram na cidade, subiram
para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, An­
dré, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Al-
feu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. 14Todos estes
perseveravam unânimes em oração, com as mulheres,
com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.1
15Naqueles dias, Pedro se levantou no meio dos
irmãos, que formavam um grupo de mais ou menos
cento e vinte pessoas, e disse:
«1.1 Lc 1.1-4 M .4 Lc 24.43; At 10.41 a c 24.49 11.5 Ou em
« M t3.11;Mc 1.8; Lc3.16;Jo 1.33 «1.6Lc 19.11 tl.7M c13.32
91.8 Mt 28.19; Mc 16.15; Lc 24.47-48 M .9 L c 24.51 <1.11 Lc 21.27;
ITs 1.10 2 1.112 Lit.,jornada de um sábado 71.13-14 M t 10.2-4;
Mc 3.16-19; Lc 6.14-16
1.2 por meio do Espírito Santo. Cf. 1.5,8,16. A primeira de 57
indicações do Espírito Santo neste livro (cf. ns. 2.4; 4.8). Há mais
referências do que nos quatro Evangelhos juntos. Por isso, al­
gumas pessoas dizem que o título do livro poderia ser “Atos do
Espírito Santo”. Na verdade, “Atos dos Apóstolos” acaba refletin­
do o lado humano da obra, enquanto o outro título mostraria o
lado divino. Os dois andam de mãos dadas. E em sua vida? Eles
andam assim? Cf. Intro. aos apóstolos. Cf. n. 1Co 12.28. que
tinha escolhido. Cf. os oito estudos sobre seleção a partir de
Lc 6.12-16.
1.3 com muitas provas incontestáveis. Que provas incontes­
táveis nós temos hoje de que Jesus está vivo? durante quarenta
dias. Curso de pós-graduação para os apóstolos! falando das
coisas relacionadas com o Reino de Deus. Cf. v. 6. Tiveram de
abrir mão de seus conceitos sobre o Reino para receber o concei­
to de Jesus (cf. n. M t 19.30; Intro. e tc. Mt). Que surpresa ele não
falar sobre a igreja (cf. n. M t 18.17). Quem realmente entende o
Reino irá estabelecer comunidades do Reino: igrejas.
1.5 vocês serão batizados com o Espírito Santo. A vinda do
Espírito Santo para cada grupo culturalmente diferente (ju­
deus, At 2.1-13; samaritanos, At 8.14-25; gentios, At 10.44-48)
combinou batismo com unção ou derramar do Espírito. Hoje
em dia isso normalmente não acontece. As pessoas são batiza­
das no Espírito quando recebem Jesus (ICo 12.13; Ef 4.5; cf. ns.
Gl 3.27-29) e são ungidas no Espírito quando recebem poder
para expressar um chamado ou ministério divino dado por Deus
para elas (cf. n. Lc 4.18-19).
1.6 perguntaram. Cf. n. M t 13.36.
1.7-8 Não cabe a vocês. Não é da sua conta! receberão poder.
Do grego dunamis. Cf. Lc 24.49. Poder sobrenatural, poder mi­
lagroso (cf. Rm 1.16; Ef 1.18-23; 3.14-16,20; Cl 1.11; n. 1Co 4.20).
Essa palavra grega é a base para nossas palavras dínamo (ge­
rador, poder contínuo), dinâmica (poder em ação) e dinamite
(poder que destrói; cf. n. 2Co 10.4). Pensando na metáfora de
uma bateria recarregável, se não usarmos seu poder, o perdere­
mos e até perderemos sua capacidade de recarga, serão minhas
testemunhas. Diferente de advogados ou apologistas. Aqui há
quatro chaves: (1) paixão (At 4.18-20); (2) poder (cf. n. 1Co 2.4);
(3) preparo (cf. n. 1Pe 3.15); e (4) parceria com Deus (cf. n. e med.
Jo 5.19-20,30). Cf. meds. At 22.1-21; Ap 2.12-13; Intro. Jo e os oito
estudos sobre evangelismo a partir de 2Co 5.14-21. em Jerusa­
lém. Cf. Lc 24.47; n. At 5.28. Sua cidade. Judeia. Seu estado.
Samaria. Seu país. confins da terra. Cf. 2.39; M t 28.19. Outros
países. Cf. temas na Intro.
1.14 perseveravam. Cf. 2.42; 6.4. Dedicavam-se, consagravam-
-se. unânimes. Com um só ânimo (cf. 2.44,46; 4,24,32; 15.25; ns.
Fp 2.1-4). em oração. Cf. 2.42; 6.4; ns. Mc 1.35; Lc 11.9-10.
com as mulheres. Um acréscimo radical, totalmente diferente
da sinagoga e da tradição judaica. Possivelmente as esposas
dos apóstolos (ICo 9.5) e as listadas ministrando para Jesus
(Lc 8.2-3; 24.22; cf. n. M t 27.55; Intro. Lc). com os irmãos dele.
Os irmãos de Jesus se converteram (ICo 15.7). Um deles, Tiago,
se tornou o líder da igreja de Jerusalém (15.13-21; Gl 2.9; cf. n.
12.17) e foi o autor da Epístola que leva seu nome. Devemos ficar
firmes e testificar a nossos parentes, pois não sabemos quando
eles podem se entregar a Jesus.
1.15 no meio dos irmãos. Gr. mathetes. Literalmente, “discí­
pulos”.
Atos 1 — 2 196
16— Irmãos, era necessário que se cumprisse a
Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de
Davi, a respeito de Judas, que foi o guia daqueles que
prenderam Jesus.k 17Ele era um dos nossos1 e teve
parte neste ministério.
18 Ora, este homem adquiriu um campo com o
preço da iniquidade e, caindo de cabeça, rompeu-se
pelo meio, e todos os seus intestinos se derramaram.
19Isto chegou ao conhecimento de todos os mora­
dores de Jerusalém, de maneira que em sua própria
língua esse campo era chamado Aceldama, isto é,
Campo de Sangue."1
E Pedro continuou:
20— Porque está escrito no Livro dos Salmos:
"Fique deserta a sua morada,
e não haja quem nela habite."”
— E:
"Que outro tome o seu encargo."0
21— Portanto, é necessário que, dos homens que
nos acompanharam todo o tempo em que o Senhor
Jesus andou entre nós, 22começando no batismo de
João,p até o dia em que foi tirado do nosso meio e le­
vado às alturas,q um destes se torne testemunha co-
nosco da sua ressurreição."
23Então propuseram dois: José, chamado Barsa-
bás, também conhecido como Justo, e Matias. 24E,
orando, disseram:
— Tu, Senhor, que conheces o coração de todos,
revela-nos qual dos dois escolheste 25para preencher
a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se
desviou, indo para o seu próprio lugar.
*1.16 Lc 22.47 D .1 7 Jo 6.70 1.18-19 M t 27.6-8 "1.20 SI 69.25
"S1109.8 P1.22 M t 3.16; Mc 1.9; Lc 3.21 4Mc 16.19; Lc 24.51
f Lc 24.48 M.26PV16.33 “2.1 Lv 23.15-21; Dt 16.9-11
26 Depois fizeram um sorteio/ e a sorte caiu sobre Ma
tias, que foi acrescentado ao grupo dos onze apóstolos.
A vinda do Espírito Santo
2 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes,0 estavam to­
dos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio
do céu um som, como de um vento impetuoso, e en­
cheu toda a casa onde estavam sentados. 3E aparece­
ram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo,
e pousou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram
cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras
línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.
5Estavam morando em Jerusalém judeus, homens
piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu.
6Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a mul­
tidão, que foi tomada de perplexidade, porque cada
um os ouvia falar na sua própria língua. 7Estavam,
pois, atónitos e se admiravam, dizendo:
— Vejam! Não são galileus todos esses que aí estão
falando? 8Então como os ouvimos falar, cada um em
nossa própria língua materna? 9Somos partos, medos,
elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judeia, Capa­
dócia, Ponto e Ásia, 10da Frigia, da Panfília, do Egito e
das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e ro­
manos que aqui residem, 11tanto judeus como prosé­
litos, cretenses e árabes. Como os ouvimos falar sobre
as grandezas de Deus em nossas próprias línguas?
l2Todos, atónitos e perplexos, perguntavam uns
aos outros:
— O que isto quer dizer?
13Outros, porém, zombando, diziam:
— Estão bêbados!
A pregação de Pedro
14Então Pedro se levantou, junto com os onze, e,
erguendo a voz, dirigiu-se à multidão nestes termos:
1.16 a Escritura que o Espírito Santo predisse. Este é um exce­
lente exemplo dejuntar a Palavra e o Espírito Santo. Cf. n. 1Co 14.1.
1.26 Matias. Mencionado na Bíblia somente aqui. É possível
que Pedro tenha se precipitado em querer encontrar ou nomear
um décimo segundo apóstolo.
Nota prática: Deus realmente gosta que tomemos a iniciativa,
nâo retrocedendo (Hb 10.38). Ele prefere que erremos tentando
andar pela fé do que evitemos o erro não agindo. Quando erra­
mos por ser proativos, dois princípios nos consolam: (1) Deus en­
tende nosso coração e sabe nos compensar pelo que fizemos em
nossa ignorância; (2) o erro que cometemos não importa tanto
quanto o que fazemos depois. Cf. ns. At 7.58; Tg 3.2.
2.1 Pentecostes. Festa das Primícias ou da Colheita (Êx 23.16;
Nm 28.26).
2.2 De repente. O mover do Espírito é sempre imprevisível
(cf. n. Jo 3.8); isso requer que abracemos uma vida de imprevis­
tos se queremos andar no Espírito, o casa. As casas na Igreja
Primitiva e neste livro eram centros para a expansão do Rei­
no (2.46; 5.42; 9.11,17,43; 10.2,6,17,22,30,32; 11.3,11-14; 12.12;
16.15,31-34,40; 17.5; 18.7-8; 20.20; 21.8; 28.30; Rm 16.5,23;
ICo 16.15,19; Cl 4.15; Fm 2). Cf. n. M t 26.6.
Nota prática: a igreja em células tem o ditado: “Cada membro
um ministro; cada casa uma igreja.” Nossas casas precisam ser
centros do Reino de Deus, postos avançados para ele.
2.4 o Espírito. Cf. vs. 17-18,33,38; ns. 1.2; Jo 14.16-18. outras
línguas. Cf. n. 1Co 14.5.
2.5 as nações. Cf. vs. 17,39; 1.8. Jesus quer alcançar todas elas.
Cf. ns. M t 28.19; At 1.8; 17.26-27; Ap 2.26.
2.6 Aparentemente eles saíram do cenáculo, ou aposento alto,
para a rua. A Igreja nasceu na rua! Cf. n. 5.12.
2.8 Revertendo a torre de Babel, que introduziu a divisão
(cf. Gn 11.4).
2.12-13 atónitos e perplexos. Cf. v. 6. As mesmas circunstân­
cias e as mesmas emoções, mas alguns se sentiram impelidos a
saber mais, enquanto outros zombavam. Sempre haverá pes­
soas que menosprezam o mover do Espírito. Emoções podem
ser sentidas de acordo com Deus ou com o mundo, ou seja,
centradas em Deus ou egocêntricas. Cf. n. 2Co 7.8-11.
197 ATOS 2
— Homens da Judeia e todos vocês que moram
em Jerusalém, tomem conhecimento disto e pres­
tem atenção no que vou dizer. 15Estes homens não
estão bêbados, como vocês estão pensando, porque
são apenas nove horas da manhã.J l6Mas o que está
acontecendo é o que foi dito por meio do profeta Joel:
17 "E acontecerá nos últimos dias, diz Deus,
que derramarei do meu Espírito
sobre toda a humanidade.
Os filhos e as filhas de vocês profetizarão,
os seus jovens terão visões,
e os seus velhos sonharão.
18Até sobre os meus servos e sobre as minhas servas
derramarei do meu Espírito naqueles dias,
e profetizarão.
19 Mostrarei prodígios em cima no céu
e sinais embaixo na terra:
sangue, fogo e vapor de fumaça.
20 O sol se converterá em trevas,
e a lua, em sangue,
antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor.
21 E acontecerá que todo aquele que invocar
o nome do Senhor será salvo.”*
22— Israelitas, escutem o que vou dizer: Jesus, o Na­
zareno, homem aprovado por Deus diante de vocês com
milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus
realizou entre vocês por meio dele, como vocês mes­
mos sabem, 23a este, conforme o plano determinado e
a presciência de Deus,cvocês mataram, crucificando-o
por meio de homens maus. 24Porém Deus o ressus­
citou,6 livrando-o da agonia da morte, porque não era
possível que fosse retido por ela. 25Porque Davi fala a
respeito dele, dizendo:
2.16-21 Tanto nesta citação de Joel como na citação dos Salmos
(vs. 25-28), no poder do Espírito, Pedro faz interpretações além
do que os autores originais poderiam haver imaginado.
Nota prática: precisamos ter cuidado para não distorcer
a Palavra. Ao mesmo tempo, o Espírito é capaz de tornar a
Palavra viva e eficaz em nossa vida (cf. n. Hb 4.12), com in­
terpretações bem específicas para as nossas circunstâncias.
Vale mais errar um pouco ao lado de uma Palavra viva do
que viver sem ela; errar de vez em quando quanto ao que
estamos ouvindo de Deus do que viver com um Deus que
não fala mais.
2.17 Osfilhos e as filhas de vocês. Devemos ensinar e enco­
rajar nossos filhos e nossas filhas a desenvolverem seus dons.
profetizarão. Cf. v. 18; n. ICo 14.1. jovens terão visões. Deve­
mos animar nossos jovens a ter visões grandes, especialmente
quanto a coisas espirituais, os seus velhos sonharão. Ao lon­
go dos anos, naturalmente perdemos nossa disposição física e
emocional. Quando andamos no Espírito, não tem de ser assim
quanto aos nossos sonhos espirituais. Stephen Covey, em seu
livro O oitavo hábito, ressalta que todos podemos desenvolver
o hábito de ouvir nossa voz interior (que inclui a voz de Deus,
o nosso coração e os sonhos de Deus) e inspirar os outros a
"Eu sempre via o Senhor
diante de mim,
porque ele está à minha direita,
para que eu não seja abalado.
26 Por isso, o meu coração se alegra
e a minha língua exulta;
além disto, também a minha própria carne
repousará em esperança,
27 porque não deixarás a minha alma na morte,
nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.
28 Fizeste-me conhecer os caminhos da vida,
e me encherás de alegria na tua presença."^
29— Irmãos, permitam-me falar-lhes claramente
a respeito do patriarca Davi: ele morreu e foi sepul­
tado,5 e o seu túmulo permanece entre nós até hoje.
30Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia
jurado* que um dos seus descendentes se assentaria
no seu trono, 31prevendo isto, referiu-se à ressurrei­
ção de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o
seu corpo experimentou corrupção. 32Deus ressusci­
tou este Jesus, e disto todos nós somos testemunhas.
33Exaltado, pois, à direita de Deus, tendo recebido do
Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que
vocês estão vendo e ouvindo. 34Porque Davi não su­
biu aos céus, mas ele mesmo declara:
"Disse o Senhor ao meu Senhor:
Sente-se à minha direita,
35 até que eu ponha os seus inimigos
por estrado dos seus pés.”'
72.15 Lit., terceira hora do dia *2.17-21 Jl 2.28-32 c2.23Lc 22.22
Mt 27.35; Mc 15.24; Lc 23.33; Jo 19.18 «2.24 Mt 28.5; Mc 16.6;
Lc 24.5 ^2.25-28 S116.8-11 92.29 1Rs 2.10 *2.30 SI 89.3-4;
132.11 '2.34-35 SI 110.1
encontra a deles. Seja em retiros individuais com Deus, seja
em retiros para pastores e líderes, precisamos dedicar tempo a
isto (cf. ns. e med. Jo 5.19-20,30), seguido por mais tempo para
transformar nossas visões e sonhos em projetos de vida. Todo
plano ou projeto precisa ter um sonho à altura como funda­
mento e ser renovado periodicamente para não cair no simples
ativismo. Cf. n. 1.5.
2.18 meus servos... minhas servas. Tanto aqui como no ver­
sículo anterior o Espírito é claramente derramado de forma
igual sobre ambos os sexos, quebrando paradigmas profun­
dos daquela época - e, muitas vezes, da nossa também (cf. n.
Gl 3.28).
2.23 conforme o plano determinado e a presciência de
Deus. Nada surpreende a Deus. Nada! Ele age em todas as coi­
sas para o nosso bem (cf. n. Rm 8.28). Ele é mestre em transfor­
mar crucificações em ressurreições.
2.24 Porém Deus. Possivelmente as duas palavras mais ma­
ravilhosas da Bíblia. Essa frase aparece centenas de vezes na
Bíblia. Cf. n. 10.28.
2.25-28 repousará em esperança (v. 26). Cf. n. Rm 8.24-25.
Esta descrição de Jesus também é uma descrição do que todo
filho de Deus pode esperar ao final desta vida.
Atos 2 198
C o m p a r t i l h a n d o n o s s a v i s ã o p a r a o f u t u r o
At 2.17-18; Jr 29.4-7,11 (Estudo 1.1.2)
1. Qual é um dos seus maiores sonhos?
2. Este sonho se encaixa no que diz Jr 29.4-7 ou vai além?
3. Você tem uma boa ideia dos pensamentos de Deus a seu respeito (Jr 29.11; SI 139.13-18)?
4. Você sente que se encaixa em At 2.17-18? Por quê?
5. Pelo que você gostaria que as pessoas orassem em relação a seus sonhos?
Estudo opcional: SI 139.13-18; Is 40.27-31; Ef 2.10.
Os dez mandamentos dos sonhadores
1. Entenda claramente seu sonho. Tenha-o escrito em seu coração e em papel. Saiba expressá-lo em uma frase,
em uma folha, e de forma mais profunda.
2. Saiba qual é o DNA de seu sonho. Seu sonho deve ter a base de sua experiência num pequeno grupo
que possa se multiplicar. Saiba como fazer esse pequeno grupo funcionar com a qualidade que vale a pena
reproduzir. A multiplicação virá "segundo a sua espécie" (Gn 1.21-25).
3. Enraíze seu sonho em Deus. Entenda a vontade de Deus para seu sonho e tenha convicção divina baseada em
passagens bíblicas fundamentais. Converse com Deus regularmente sobre seu sonho, ouvindo a perspectiva
dele e fazendo apenas o que o Pai está fazendo (cf. ns. e med. Jo 5.19-20,30).
4. Cuide de si mesmo (lCo 10.12; cf. ns. At 20.28; Gl 6.1; U m 4.16). "De tudo o que se deve guardar, guarde bem
o seu coração, porque dele procedem as fontes da vida." Cuide de sua saúde física, emocional e espiritual.
Resolva conflitos internos e externos. Saiba descansar. Tenha limites saudáveis. Seja responsável por suas
emoções. Continue investindo em si mesmo. Seja um vaso puro, saudável e útil para Deus poder usar você com
plena liberdade. Ande cheio do Espírito (cf. n. Gl 5.22-23; Ef 5.18) e não segundo a carne.
5. Nutra o seu sonho. Pense nele diária, semanal, mensal e anualmente com diversas dinâmicas de avaliação
e renovo. Seja especialista em seu sonho e caminhe com outros especialistas. Procure oportunidades para
renovo, reciclagem e especialização na área de seus sonhos.
6. Faça discípulos (cf. ns. Mt 28.16-20). Saiba discernir quem o Pai lhe deu (cf. n. Jo 17.6) como discípulos e
santifique-se em favor deles (cf. n. Jo 17.19). Forme o caráter e os sonhos de Cristo dentro deles. A multiplicação
e o futuro de seus sonhos dependem deles. Olhe para a próxima geração. Procure fazer não apenas discípulos,
mas também discipuladores (cf. ns. 2Tm 2.1-2), ensinando aos outros o que aprendeu plenamente.
7. Tenha um mentor especialista na área de seu sonho. Seja proativo. Vá atrás dele. Invista nele para que ele
também invista em você. Procure diversas formas e oportunidades de estarem juntos.
8. Caminhe com a equipe. Ande de mãos dadas com uma equipe apaixonada e que vivencie esse sonho com você.
9. Tenha parceiros (cf. ns. Fm 23-24). Você precisa de intercessores e de parceiros financeiros. Busque ambos
(cf. n. Lc 11.9-10) e nutra-os. Um relacionamento assim perece se não for bem-tratado.
10. Seja consciente da batalha espiritual. Jesus veio para dar vida abundante; Satanás veio para roubar, matar
e destruir (cf. n. Jo 10.10). Você está engajado numa batalha mortal. Ande prevenido. Ande armado. Não ande
sozinho. Saiba submeter-se a Deus e aos líderes que ele coloca sobre você. Resista ao diabo e faça-o fugir (cf. ns.
Tg 4.6-10; IPe 5.5-8).
At 22.1-21 — Estudo anterior ♦ |♦ Próximo estudo — IPe 1.22
36— Portanto, toda a casa de Israel esteja absolu- Três mil batizados
tamente certa de que a este Jesus, que vocês crucifi- 37Quando ouviram isso, ficaram muito comovidos
caram, Deus o fez Senhor e Cristo. e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos:
2.36 esteja absolutamente certa. Convicção convence (v. 37), 2.37 Que faremos, irmãos? Francis Schaeffer afirmou que, se
contraste total com sua negação de Jesus (Mc 14.66-72). tivesse uma hora para falar com um não crente, passaria 55 mi-
199 ATOS 2 — 3
— Que faremos, irmãos?3
38 Pedro respondeu:
— Arrependam-se,^ e cada um de vocês seja bati­
zado em nome de Jesus Cristo para remissão dos seus
pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo.
39Porque a promessa é para vocês e para os seus filhos,
e para todos os que ainda estão longe/ isto é, para todos
aqueles que o Senhor, nosso Deus, chamar.
40Com muitas outras palavras deu testemunho e
exortava-os, dizendo:
— Salvem-se desta geração perversa.
41 Então os que aceitaram a palavra de Pedro fo­
ram batizados, havendo um acréscimo naquele dia
de quase três mil pessoas.
C om o viviam os convertidos
42E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na
comunhão, no partir do pão e nas orações. 43Em cada
alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram
feitos por meio dos apóstolos. 44Todos os que creram
estavam juntos e tinham tudo em comum. 45Vendiam
as suas propriedades e bens, distribuindo o produto
entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.™
46Diariamente perseveravam unânimes no templo,"
nutos explicando para ele a crise terrível na qual a pessoa se en­
contrava. Ele argumentou que ninguém acredita em boas-novas
ou sente necessidade delas se não se convence primeiro de que
está bem mal. Pedro caminhou dessa forma neste capítulo, pro­
vocando uma grande crise e mais perguntas do que respostas,
inicialmente (cf. med. Mc 8.14-21).
2.38 Arrependam-se. Cf. 3.19; 5.31; 8.22; 11.18; 13.24; 17.30;
19.4; 20.21; 26.20. Pedro indica três passos, começando com
o arrependimento (cf. n. M t 3.2). Quem não caminha por estes
três passos não se converteu de verdade. Mais e mais igrejas
abriram mão de um evangelho que chama ao arrependimento e
estão perdendo a habilidade de sentir o pecado. Essas igrejas,
assim como cinco das sete igrejas do Apocalipse, precisam se
arrepender! seja batizado. Cf. IPe 3.21.
2.41 foram batizados. No Novo Testamento, o batismo acon­
tece logo que a pessoa se arrepende e confessa seus pecados
(M t 3.6; aqui; At 8.36-37; 9.18; 16.33; 22.16), sendo um sinal
externo de uma mudança interna. É muito menos conceituai ou
intelectual do que a maioria dos nossos cursos de batismo, e
bem mais uma entrega plena de coração. Cf. med. 1Co 12.12-13.
quase três mil pessoas. Cf. n. 6.1. Motivo de grande louvor.
Ao mesmo tempo, precisamos ter cuidado com números. Cada
cidade tem algo que cresce diariamente sem parar: seus cemi­
térios! Câncer também cresce diariamente. O que cresce é bem
mais importante do que o quanto cresce.
2.42-47 perseveravam. Cf. n. 1.14. na doutrina. Cf. ns. Tt 1.1;
2.1. Para o perfil da Igreja, cf. tc.
2.44-45 O cuidado com as necessidades uns dos outros foi um
idealismo romântico da Igreja Primitiva ou o propósito de Deus
para nós hoje? Textos que podem nos dar alguma luz incluem:
Lv 25.23-28,35-43; Lc 4.18-19; 1Co 11.17-22,27-34; 12.18-27, es­
pecialmente vs. 25-26; 2Co 8.13-15; 9.6-12; Gl 6.10; Ef 4.28. O
pensamento de Karl Marx foi: “De cada qual, segundo sua ca-
partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refei­
ções com alegria e singeleza de coração, 47louvando a
Deus e contando com a simpatia de todo o povo. En­
quanto isso, o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os
que iam sendo salvos.
A cura de um coxo
3 Pedro e João estavam se dirigindo ao templo para
a oração das três horas da tarde.3 2Estava sendo
levado um homem, coxo de nascença, que diariamente
era colocado à porta do templo chamada Formosa,
para pedir esmolas aos que entravam. 3Quando ele viu
Pedro e João, que iam entrar no templo, pediu que lhe
dessem uma esmola. 4Pedro, fitando-o, juntamente
com João, disse:
— Olhe para nós!
5 Ele os olhava atentamente, esperando receber al
guma coisa. 6Pedro, porém, lhe disse:
— Não possuo nem prata nem ouro, mas o que te­
nho, isso lhe dou: em nome de Jesus Cristo, o Naza­
reno, ande!
12.37 Lc 3.10 *2.38 Lc 24.47 *2.39 Is 57.19 ">2.44-45 At 4.32-35
"2.46 Lc 24.53; At 2.42; 5.42 13.1 Lit., hora nona
pacidade; a cada qual, segundo suas necessidades.” E o nosso,
qual é? Cf. n. e med. 4.32-37.
2.46 no templo. Cf. 3.1; Lc 24.53. No pátio do templo poderiam
entrar mulheres e pessoas não judias, de casa em casa. Cf. ns.
v. 2; M t 26.6.
2.47 o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo
salvos. E isso sem os recursos, as estratégias e a tecnologia do
século 21! Hoje temos uma grande tendência a aplicar estratégias
impessoais, que dependem de especialistas, sem formação na­
tural de novos líderes, sem discipulado, sem comunidade cristã,
pregando um evangelho barato, não o evangelho do Reino. Te­
mos muito para corrigir se queremos voltar a um modelo parecido
com o do Livro de Atos e dos primeiros séculos da Igreja.
3.1 Pedro e João. Cf. 8.14; Lc 22.8. É melhor serem dois do que
um (cf. n. Lc 7.18).
3.4 fitando-o... Olhe para nós! Pedro estabeleceu uma pro­
funda conexão antes de ministrar para o cego.
Nota prática: devemos nos esforçar para estabelecer uma
forte conexão nos primeiros minutos de qualquer encontro, seja
de mentoria, aconselhamento, ensino ou pregação. Isto pode
incluir empatia, contato, linguagem do corpo, perguntas parti­
cipativas e discernimento espiritual numa oração introdutória.
3.5 esperando receber alguma coisa. Toda ajuda naturalmen­
te cria dependência, seja financeira, emocional, espiritual ou o
que for. Pastores e líderes que ajudam as pessoas constante-
mente têm de descobrir formas de quebrar isso. Uma das me­
lhores é orientá-las para dar seguimento à conversa ou para
aceitarem a intervenção de alguém que é um líder espiritual na
vida delas.
3.6 Não possuo nem prata nem ouro. Pedro quebrou as ex-
pectativas do coxo - e, ao mesmo tempo, a dependência dele,
liberando-o para uma nova vida que ele nunca havia imaginado,
o que tenho, isso lhe dou. O que você tem para dar?
atos 3 — 4 200
7E, pegando na mão direita do homem, ajudou-o a
se levantar. Imediatamente os seus pés e tornozelos
se firmaram; 8e, dando um salto, ficou em pé, come­
çou a andar e entrou com eles no templo, pulando
e louvando a Deus. 9Todo o povo viu o homem an­
dando e louvando a Deus, tOe reconheceram que ele
era o mesmo que pedia esmolas, assentado à Porta
Formosa do templo; e ficaram muito admirados e es­
pantados com o que lhe tinha acontecido.
A pregação de Pedro no tem plo
11Enquanto aquele homem ainda se mantinha ao
lado de Pedro e João, todo o povo, perplexo, correu
para junto deles no pórtico chamado de Salomão.11
12Quando Pedro viu isso, dirigiu-se ao povo, dizendo:
— Israelitas, por que vocês estão admirados com isto
ou por que estão com os olhos fixos em nós como se
pelo nosso próprio poder ou piedade tivéssemos feito
este homem andar? 130 Deus de Abraão, de Isaque e
de jacó / o Deus dos nossos pais, glorificou o seu Servo
Jesus, a quem vocês traíram e negaram diante de Pila-
tos,c quando este já havia decidido soltá-lo/ i4Vocês
negaram o Santo e o Justo e pediram que fosse solto um
assassino.e l5Vocês mataram o Autor da vida, a quem
Deus ressuscitou dentre os m ortos/ do que nós somos
testemunhas.5 16Pela fé no nome de Jesus é que esse
mesmo nome fortaleceu a este homem que vocês estão
"3.11 Jo 10.23; At 5.12 *3.13 Êx 3.15 r jo 19.15 4Lc 23.4
e3.14 Mt 27.20; Mc 15.11; Lc 23.18; Jo 18.40 13.15 At 2.24; 4.10;
10.40; 13.30 5Lc 24.48 ^3.17 Lc 23.34 'A t 13.27; ICo 2.8
73.19 At 2.38 *3.22 Dt 18.15-16 '3.23 Dt 18.19 m3.25 Gn 22.18
"3.26 At 13.46; Rm 1.16
3.8 pulando e louvando a Deus. Temos de abrir espaço em
nossa adoração particular, assim como na adoração coletiva,
para diversas expressões. Algumas igrejas separam um espaço
onde as crianças podem saltar, dançar e se expressar livre­
mente, como fazem tão facilmente de forma intuitiva.
3.12 por que... ou por que...? Pedro iniciou com perguntas.
Cf. n. Mt 11.7-9.
3.13 o quem vocês traíram e negaram. Confronto em amor. O
verdadeiro amor não encobre erros e pecados, pois quer ver a
outra pessoa realmente plena e completa.
3.15 somos testemunhas. Cf. 1.8; 2.32; 3.15; 5.32; 10.39,41;
13.31; n. 1.8; Intro.
3.16 Pela fé no nome de Jesus... Sim, a fé que vem por meio
de Jesus. A fé é a base para agir além do que o humano ou lógico
poderia fazer (cf. ns. 2Co 5.7; Hb 11.1; Intro. e tc. Tg). Baseia-se em
ouvir Deus e vê-lo agindo, fazendo apenas o que estamos ouvindo
e vendo. Em contraste, a suposta fé que declara coisas em nome de
Jesus, mas não ouviu Jesus falar ou fazer, é apenas uma “superespi-
ritualidade”, ou algo pior (19.13-16; cf. ns. Mt 7.21-23). Isto se torna
especialmente difícil em momentos de crise de saúde terminal. Raras
vezes conseguimos ouvir bem na crise. Se queremos saber se esta­
mos ouvindo bem, devemos pedir que os que têm autoridade espiri­
tual acima de nós esclareçam e confirmem o que estamos ouvindo.
vendo e bem conhecem. Sim, a fé que vem por meio de
Jesus deu a este homem saúde perfeita na presença de
todos vocês.
17— E agora, irmãos, eu sei que vocês fizeram isso por
ignorância/ como também as suas autoridades o fize­
ram.' l8Mas Deus, assim, cumpriu o que tinha anunciado
anteriormente pela boca de todos os profetas: que o seu
Cristo havia de padecer. l9Portanto, arrependam-se e se
convertam/ para que sejam cancelados os seus pecados,
20a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos
de refrigério, e que ele envie o Cristo, que já foi designa­
do para vocês, a saber, Jesus, 2iao qual é necessário que
o céu receba até os tempos da restauração de todas as
coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos pro­
fetas desde a antiguidade. 22Moisés, na verdade, disse:
"O Senhor Deus fará com que, do meio dos irmãos de
vocês, se levante um profeta semelhante a mim; a esse
vocês ouvirão em tudo o que ele lhes disser/ 23Quem
não der ouvidosí a esse profeta será exterminado do
meio do povo."
24— E todos os profetas, a começar com Samuel,
assim como todos os que falaram depois dele, tam­
bém anunciaram estes dias. 25Vocês são os filhos dos
profetas e da aliança que Deus estabeleceu com os
pais de vocês, dizendo a Abraão: "Na sua descendên­
cia, serão abençoadas todas as nações da terra."m
26— Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o
primeiramente a vocês" para abençoá-los, no sen­
tido de que cada um abandone as suas maldades.
Pedro e João diante do Sinédrio
4 Enquanto Pedro e João ainda falavam ao povo
chegaram os sacerdotes, o capitão do templo e
3.17-18 Deus cumpre seus propósitos ao nosso redor apesar
da ignorância de outros ou da nossa própria (4.27-28).
3.19 arrependam-se. Cf. n. 2.38.
3.20 afim de que... venham tempos de refrigério. Cf. Ec 3.11.
e que ele envie o Cristo. Cf. 5.42.
3.23 será exterminado. Cf. ns. sobre juízo eterno em M t 25.46;
Lc 14.35.
3.25 Vocês são os filhos dos profetas. Em nosso evange-
lismo devemos pedir que Deus nos mostre as pontes que ele
criou para que as pessoas pudessem crer nele. Estas pontes
incluem metáforas ou princípios bem-conhecidos pelas pes­
soas, bem como pontes relacionais. Cf. ns. 7.2; 11.22; 14.15;
17.22; 21.37; 22.1. serão abençoadas todas as nações. Do
grego patriai. Cada pessoa ganha para Jesus é uma porta a
uma etnia, um grupo, uma pátria, uma nação, um círculo de in­
fluência. Ela tem a possibilidade de causar um impacto muito
grande nesse círculo, sobretudo nas primeiras semanas e nos
primeiros meses. Devemos fazer o possível para acompanhá-
-la e ajudá-la nisso.
3.26 que cada um abandone as suas maldades. Mostrando
frutos de arrependimento. Cf. ns. M t 3.2,8.
4.1 -4 A igreja recebe a oposição e a transforma em energia para
crescer.
201 ATOS 4
os saduceus, 2ressentidos porque os apóstolos es­
tavam ensinando o povo e anunciando, em Jesus, a
ressurreição dentre os mortos. 3Prenderam os dois
e os recolheram ao cárcere até o dia seguinte, pois
já era tarde. 4Porém muitos dos que ouviram a pa­
lavra creram, subindo o número desses homens a
quase cinco mil.
5No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém as au­
toridades, os anciãos e os escribas 6com o sumo sa­
cerdote Anás, com Caifás, João, Alexandre e todos os
que eram da linhagem do sumo sacerdote. 7E, colo­
cando os apóstolos diante eles, perguntaram:
— Com que poder ou em nome de quem vocês fi­
zeram isso?
8Então Pedro, cheio do Espírito Santo,0 lhes disse:
— Autoridades do povo e anciãos, 9visto que hoje
somos interrogados a propósito do benefício feito a um
homem enfermo e do modo como ele foi curado/’ lOsai-
bam os senhores todos e todo o povo de Israel que, em
nome de Jesus Cristo, o Nazareno,0a quem vocês cruci­
ficaram d e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos,e
sim, em seu nome é que este está curado na presença
de vocês. 11Este Jesus é pedra? rejeitada por vocês, os
construtores, mas ele veio a ser a pedra angular. 12E não
há salvação em nenhum outro,5 porque debaixo do céu
não existe nenhum outro nome, dado entre os homens,
pelo qual importa que sejamos salvos.
13Ao verem a ousadia de Pedro e João, sabendo
que eram homens iletrados e incultos, ficaram admi­
rados; e reconheceram que eles haviam estado com
Jesus. l4Vendo que o homem que havia sido curado
estava com eles, nada tinham a dizer em contrário.
15E, mandando-os sair do Sinédrio, discutiam entre
si, l6dizendo:
— Que faremos com estes homens? Pois todos os
moradores de Jerusalém sabem que um sinal notó­
rio foi feito por eles, e não o podemos negar. 17Mas,
para que não haja maior divulgação entre o povo, va-
4.2 anunciando, em Jesus, a ressurreição. A ressurreição
foi parte fundamental da declaração do evangelho (cf. 1.22;
2.24,31-32; 3.15; 4.2,10,33; 5.30; 10.40-41; 13.30,33-34,37; ns.
17.3; Mt 28.8; 1Co 15.12-49).
4.4A Bíblia nos fala de números porque eles nos inspiram. Cf. n. 6.1.
4.7 perguntaram. Arguiram ou interrogaram. Cf. n. M t 2.1-6.
4.8 cheio do Espírito Santo. Cf. n. 1.2. lhes disse. Mt 10.19-20.
Cf. ns. Mt 10.16-23; Mc 13.9.
4.11 pedra rejeitada. Cf. n. Mc 10.22. veio a ser a pedra an­
gular. Cf. S1118.22-23; n. 1Pe2.6.
4.12 E não há salvação em nenhum outro. Cf. n. Jo 14.6.
4.13 e reconheceram que eles haviam estado com Jesus. O
que as pessoas reconhecem em mim? Que eu caminho com Je­
sus? Cf. n. Mc 3.14.
4.14 nada tinham a dizer em contrário. A maior apologética
para o evangelho e para a pessoa de Jesus Cristo é nossa vida
transformada.
mos ameaçá-los para não falarem mais neste nome a
quem quer que seja.
18Chamando-os, ordenaram-lhes que de modo ne­
nhum falassem nem ensinassem no nome de Jesus.
19Mas Pedro e João lhes responderam:
— Os senhores mesmo julguem se é justo diante de
Deus ouvirmos antes aos senhores do que a Deus;?1
20pois nós não podemos deixar de falar das coisas que
vimos e ouvimos.
21 Depois, ameaçando-os mais ainda, os soltaram,
não tendo achado como os castigar, por causa do
povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que ti­
nha acontecido. 22Ora, o homem em quem tinha sido
operado esse milagre de cura tinha mais de quarenta
anos de idade.
A igreja em oração
23Uma vez soltos, Pedro e João procuraram os ir­
mãos e lhes contaram tudo o que os principais sacer­
dotes e os anciãos lhes tinham falado. 24Ouvindo isto,
unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram:
— Tu, Soberano Senhor, fizeste o céu, a terra, o mar
e tudo o que neles há!' 25Disseste por meio do Espírito
Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo:
"Por que se enfureceram os gentios,
e os povos imaginaram coisas vãs?
26 Os reis da terra se levantaram,
e as autoridades se juntaram
contra o Senhor
e contra o seu Ungido."7
27— Porque de fato, nesta cidade, se juntaram con­
tra o teu santo Servo Jesus, a quem ungiste, Hero-
desAe Pôncio Pilatos/ com gentios e gente de Israel,
«4.8 At 2.4 64.9 At 3.7 <4.10 At 3.6 4At 2.36 «At 2.24
I4. il S1118.22 94.12 At 10.43; ITm 2.5 *4.19A t5.29
'4.24 Êx 20.11; SI 146.6 74.25-26 SI 2.1-2 *4.27 Lc 23.7-11
'M t 27.1-2; Mc 15.1; Lc 23.1; Jo 18.28-29
4.18-21 Uma maravilhosa demonstração de desobediência
civil (cf. ns. 5.29; M t 5.38-47), exemplo que foi seguido por
Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Quando a autoridade
colocada acima de nós demanda que façamos algo contrário a
Jesus, seu Reino ou a justiça, optamos por desobedecer, mas
de forma submissa, aceitando a punição que eles indicam como
consequência dessa desobediência.
4.20 pois nós não podemos deixar de falar das coisas que
vimos e ouvimos. Contraste com M t 26.69! A razão por que
temos tanta dificuldade de falar de Jesus é que vemos pouca
transformação em nossa vida ou na vida de outros. Sem arre­
pendimento não existe transformação. Cf. n. 2.38.
4.23-31 As ameaças apenas o fizeram erguer-se com intrepidez
(v. 29). Cf. n. 4.1-4.
4.25 Davi, nosso pai. Identificaram-se tão profundamente
com Davi e suas palavras que se tornaram “filhos” dele. E você,
é filho de quem? Tem paternidade espiritual?
atos 4 — 5 202
28para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propó­
sito predeterminaram."129Agora, Senhor, olha para as
ameaças deles e concede aos teus servos que anun­
ciem a tua palavra com toda a ousadia, 30enquanto
estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios
por meio do nome do teu santo Servo Jesus.
31Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam
reunidos. Todos ficaram cheios do Espírito Santo" e,
com ousadia, anunciavam a palavra de Deus.
A com unidade cristã
32Da multidão dos que creram era um o coração e a
alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem
uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era co­
mum.0 33Com grande poder, os apóstolos davam teste­
munho da ressurreição do Senhor Jesus,p e em todos
eles havia abundante graça. 34Não havia nenhum ne­
cessitado entre eles, porque os que possuíam terras ou
casas, vendendo-as, traziam os valores corresponden­
tes 35e os depositavam aos pés dos apóstolos; então se
distribuía a cada um conforme a sua necessidade.
m4.28 At2.23 "4.31 At 2.4 "4.32 At 2.44-45 í>4.33Atl.8
14.36 At 9.27; 11.22,30; 12.25; 1Co 9.6; Gi 2.1,9,13; Cl 4.10
4.28 Visão clara de Deus no controle, soberano, no centro de
tudo.
4.31 Uma das marcas de ser cheio do Espírito é anunciar a Pa­
lavra de Deus com intrepidez. Cf. ns. 1.8; 4.8.
4.32-37 Note que o poder, o testemunho e a abundante graça
no v. 33 são o miolo do sanduíche que é cuidar das necessida­
des uns dos outros (vs. 32,34-35). Não está claro se um é causa
e o outro efeito, mas certamente eles andam juntos na Igreja
Primitiva. Cf. Intro.
4.34 Não havia nenhum necessitado entre eles. As necessi­
dades são portas para o relacionamento (cf. n. Tt 3.14). Preci­
samos compartilhá-las para termos relações autênticas e pro­
fundas. Quando não as compartilhamos, nossas relações ficam
superficiais.
4.35 depositavam aos pés dos apóstolos. Seguem dois exem­
plos: um maravilhoso (vs. 36-37) e um terrível, mas igualmente
marcante (5.1-11). E as suas ofertas? São mais parecidas com
qual dos dois exemplos? Você tem mais tendência a esconder
e preservar seus recursos, ou a entregá-los de forma sacrificial
em favor do Reino? No mundo, o dinheiro, os bens e os recursos
são o caminho para o poder. No Reino de Deus são o caminho
para o serviço. Isso também se aplica quanto ao que uma igreja
tem e outra necessita (11.29-30). Devemos ter igrejas-filhas e
projetos missionários nos quais investimos com seriedade.
4.36-37 chamavam de Barnabé. Se o seu líder ou os seus
líderes espirituais dessem um apelido para você, qual pode­
ria ser? filho (gr. huios). Huios é diferente de outra palavra
grega para filho: teknon, que indica criança, ser nascido de
alguém. Huios se refere à relação com o pai, tendo o cará­
ter dele, parecendo-se com ele. Cf. Rm 8.14-16,21. Dando con­
tinuidade a conhecer Barnabé, passe para 9.26-28. da con­
solação (gr. parakietos). Nome dado ao Espírito Santo (cf. n.
Jo 14.16). O dom de exortação ou encorajamento se expressa:
A oferta de B arnabé
36Então José, a quem os apóstolos chamavam de
Barnabé,q que quer dizer filho da consolação, um
levita natural de Chipre, 37vendeu um campo que
possuía, trouxe o dinheiro e o depositou aos pés dos
apóstolos.
Ananias e Safira
5
Entretanto, certo homem chamado Ananias, com
sua mulher Safira, vendeu uma propriedade,
2mas reteve uma parte do dinheiro. E Safira estava
ciente disso. Levando o restante, depositou-o aos pés
dos apóstolos.
3Então Pedro disse:
— Ananias, por que você permitiu que Satanás en­
chesse o seu coração, para que você mentisse ao Es­
pírito Santo, retendo parte do valor do campo? 4Não
é verdade que, conservando a propriedade, seria sua?
E, depois de vendida, o dinheiro não estaria em seu
poder? Por que você decidiu fazer uma coisa dessas?
Você não mentiu para os homens, mas para Deus.
5Ouvindo estas palavras, Ananias caiu morto. E
sobreveio grande temor a todos os que souberam do
que tinha acontecido. 6Levantando-se os moços, co-
(1) por meio de afirmação verbal ou escrita (cf. ns. ICo 1.4-9;
2Co 1.12-14; 3.9); (2) sendo um bom ouvinte (cf. ns. Fp 2.4;
Tg 1.19); (3) tendo um estilo de vida de integridade, fé, cora­
gem e generosidade; (4) cuidando lealmente dos outros (cf. ns.
At 20.28-31), especialmente os pobres ou rejeitados (cf. n.
Tg 1.27); (5) conectando as pessoas com Deus, sua verdade,
Palavra e caráter e discernindo seus propósitos (cf. Intro. Ef.);
(6) falando a verdade em amor, amando o suficiente para con­
frontar (At 15.2,39; cf. n. Ef 4.15); e (7) com amor e aceitação,
alegrando-se com as pessoas.
5.1 Safira. As mulheres têm um papel especial nos Evangelhos
(cf. Intro. Lc) e na Igreja Primitiva (cf. 1.14; 2.17-18; 5.1,14; 8.3,12;
9.2,36-52; 12.12; 16.1,13-15,40; 17.4,12,34; 18.2,18,26; 21.5,9;
22.4; 23.16; 24.24; 26.30; ns. 1.14; 2.18). Neste caso, Safira com­
partilha a responsabilidade por algo terrível (vs. 2,7-10).
5.1-11 Hoje em dia estamos tão distantes dessa experiên­
cia que é comum as pessoas ficarem tristes e críticas com o
Deus desta passagem - um Deus “terrível e vingativo” (cf. n.
Hb 12.29). Quando algo está nascendo, pode ser desvirtuado
facilmente. Se não permanecer puro, perderá sua essência.
Deus não poderia permitir que isso acontecesse no inicio do
estabelecimento dos sacerdotes, com os filhos de Arão, Nadabe
e Abiú (Lv 10.2), nem com Acã (Js 7), quando o povo de Israel
estava se estabelecendo na Terra Prometida. Da mesma forma,
não podia deixar que acontecesse na Igreja Primitiva. Atitudes
críticas ou negativas sobre Deus devem nos deixar mais tristes
com nossa falta de entendimento (2Co 7.8-11) do que com qual­
quer suposta falta da parte dele (cf. n. Rm 1.18).
5.3-4 Quatro perguntas. Este é um resumo do que aconteceu.
Possivelmente houve oportunidade para Ananias se arrepender,
mas ele não o fez. Queria servir a Deus e ao dinheiro (“Mamom”,
cf. n. Mt 6.24). Satanás enchesse. A mesma palavra usada em
Ef 5.18 quanto a ser cheio do Espírito Santo.
203 ATOS 5
briram o corpo de Ananias e, levando-o para fora, o
sepultaram.
7Quase três horas depois, entrou a mulher de Ana­
nias, sem saber o que tinha acontecido. 8Então Pe­
dro, dirigindo-se a ela, perguntou:
— Diga-me: foi por este valor que vocês venderam
aquela terra?
Ela respondeu:
— Sim, foi por esse valor.
9Então Pedro disse:
— Por que vocês entraram em acordo para tentar
o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que se­
pultaram o seu marido, e eles levarão você também.
10No mesmo instante, ela caiu aos pés de Pedro e
morreu. Entrando os moços, viram que ela estava mor­
ta e, levando-a, sepultaram-na ao lado do marido. 11E
sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos aque­
les que ouviram falar destes acontecimentos.
Sinais e prodígios
12Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo
pelas mãos dos apóstolos. E costumavam todos reunir-
-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão.0 l3Mas,
dos restantes, ninguém ousava juntar-se a eles; porém
o povo tinha grande admiração por eles/ 14E aumen­
tava sempre mais o número de crentes no Senhor, uma
multidão de homens e mulheres, 15a ponto de levarem
os enfermos até pelas ruas e os colocarem sobre leitos
e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua
sombra se projetasse sobre alguns deles. l6Vinha tam­
bém muita gente das cidades vizinhas de Jerusalém, le­
vando doentes e atormentados por espíritos imundos,
e todos eram curados.
A perseguição aos apóstolos
17Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e to­
dos os que estavam com ele, isto é, o partido dos sa-
duceus, ficaram com muita inveja, Aprenderam os
apóstolos e os recolheram à prisão pública. i9Mas, de
5.11 £ sobreveio grande temor a toda a igreja. Cf. v. 5. Quan­
do foi a última vez que você ou sua igreja experimentaram um
santo temor de Deus? Quando o pecado é levado a sério, a san­
tidade de Deus se revela. De forma parecida, quando a santi­
dade de Deus é revelada, o pecado é levado a sério. O resultado
é um crescimento assustador da Igreja (v. 14; 6.1).
5.12 no Pórtico de Salomão. A Igreja Primitiva não se reunia no tem­
plo e nas casas. Reunia-se ao ar livre, no pátio do templo e nas casas.
Como seria sea sua igreja se reunisse, pelo menos de vez em quando,
num parque, numa praça, na rua ou em algum lugar público?
Nota prática: eu, David, tenho experimentado isso, já que mi­
nha igreja faz esses encontros duas vezes por ano, uma vez fa­
zendo o culto na parte de fora da igreja e outra vez num parque,
domingo de manhã - ambas as vezes seguidas por um churrasco
ou “junta panelas”. Pessoas que estão passando sempre param
para assistir e ouvir. Outra igreja que tem tido um efeito grande
noite, um anjo do Senhor abriu as portas da prisão e,
levando-os para fora, lhes disse:
20— Vão ao templo e digam ao povo todas as pala­
vras desta Vida.
21Tendo ouvido isto, logo ao amanhecer entraram
no templo e ensinavam.
Chegando, porém, o sumo sacerdote e os que esta­
vam com ele, convocaram o Sinédrio e todo o conse­
lho dos anciãos do povo de Israel e mandaram buscar
os apóstolos na prisão. 22Mas, quando os guardas
chegaram lá, não os encontraram no cárcere. E, vol­
tando, relataram, 23dizendo:
— Encontramos a prisão fechada com toda a segu­
rança e as sentinelas nos seus postos junto às portas;
mas, abrindo as portas, não encontramos ninguém
dentro.
24Quando o capitão do templo e os principais sa­
cerdotes ouviram estas informações, ficaram perple­
xos a respeito deles e do que viria a ser isto. 25Nesse
momento, alguém chegou e lhes comunicou:
— Vejam! Os homens que os senhores prenderam
estão no templo ensinando o povo.
26Então o capitão e os guardas foram e os trouxe­
ram sem violência, porque temiam ser apedrejados
pelo povo. 27Trouxeram os apóstolos, apresentando-
-os ao Sinédrio. E o sumo sacerdote os interrogou,
28dizendo:
— Não é verdade que ordenamos expressamente
que vocês não ensinassem nesse nome? No entanto, vo­
cês encheram Jerusalém com a doutrina de vocês e ain­
da querem lançar sobre nós o sangue desse homem.0
29Então Pedro e os demais apóstolos afirmaram:
— Importa mais obedecer a Deus do que aos ho­
m en s/ 300 Deus de nossos pais6 ressuscitou Jesus,
a quem vocês mataram, pendurando-o num madei-
ro/31 Deus, porém, com a sua mão direita, o exaltou a
05.12 Jo 10.23; At 3.11 *5.13 At 2.47; 4.21 '5.28M t27.25
45.29 At 4.19-20 «5.30 At 3.13 Ú3I 3.13; 1Pe 2.24
e notório em sua cidade nunca sabe quando o pastor vai enviar
todos eles para a rua durante o período do culto para servir e
evangelizar as pessoas da vizinhança.
5.14 E aumentava. Cf. n. 6.1.
5.20 Vão. Chamados não a fugir, mas a confrontar, em amor,
com o poder do evangelho.
5.28 encheram Jerusalém. Completando a primeira parte de
At 1.8! E nós? Como podemos encher nosso bairro ou nossa
vizinhança, nosso oikos (rede ou círculo de influência)? A única
forma por meio da qual teremos um impacto parecido é se hou­
ver um mover poderoso do Espírito.
5.29 A essência de uma desobediência civil justificada. Cf. n.
4.18-21; também o compromisso firme de continuar desobede­
cendo de forma submissa em 5.40-42.
5.31 Salvador. Uma das duas vezes em Atos (cf. 13.23) em que
Jesus é chamado de Salvador, em contraste com mais de cem
Atos 5 — 6 204
Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arre­
pendimento e a remissão de pecados.5 32E nós somos
testemunhas destes fatos — nós e o Espírito Santo,h
que Deus deu aos que lhe obedecem.
33Eles, porém, ouvindo isso, se enfureceram e que­
riam matá-los.
O parecer de G am aliel
34Mas, levantando-se no Sinédrio um fariseu cha­
mado Gamaliel, mestre da lei, respeitado por todo o
povo, mandou que os apóstolos fossem levados para
fora, por um momento. 35Então disse ao Sinédrio:
— Israelitas, tenham cuidado com o que vão fazer a
estes homens. 36Porque algum tempo atrás se levantou
Teudas, dizendo ser alguém muito importante, ao qual se
juntaram cerca de quatrocentos homens. Mas ele foi mor­
to, e todos os que lhe obedeciam se dispersaram e foram
reduzidos a nada. 37Depois desse, levantou-se Judas, o ga-
lileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos consigo.
Também este foi morto, e todos os que lhe obedeciam fo­
ram dispersos. 38Neste caso de agora, digo a vocês: Não
95.31 Lc 24.47 *5.32 Jo 15.26-27 <5.39 Pv 21.30
75.41 IPe 4.13-16
façam nada contra esses homens. Deixem que vão em­
bora, porque, se este plano ou esta obra vem de homens,
será destruído; 39mas, se vem de Deus, vocês não poderão
destruí-los e correm o risco de estar lutando contra Deus.1
E os membros do Sinédrio concordaram com Gama­
liel. 40Então chamaram os apóstolos e os açoitaram. E,
ordenando-lhes que não falassem no nome de Jesus, os
soltaram. 41E eles se retiraram do Sinédrio muito alegres
por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas
por esse Nome/ 42E todos os dias, no templo e de casa em
casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo.
A escolha dos sete
6 Naqueles dias, aumentando o número dos discí­
pulos, houve murmuração dos helenistas contra
os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo es­
quecidas na distribuição diária. 2Então os doze convo­
caram a comunidade dos discípulos e disseram:
— Não é correto que nós abandonemos a palavra
de Deus para servir às mesas. 3Por isso, irmãos, es­
colham entre vocês sete homens de boa reputação,
cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarre­
garemos deste serviço. 4Quanto a nós, nos consagra­
remos à oração e ao ministério da palavra.
vezes em que é chamado de Senhor. Cf. n. Rm 1.7; Intro. Mt. Ape­
sar de ser um título secundário, é muito profundo. Indica que ele
nos resgata, nos liberta de uma vida amarrada ao pecado, presa
ao mundo e cega por Satanás, justamente objetos da ira de Deus
e destinados ao inferno (cf. ns. Ef 2.1-9; Tt 1.3).
5.32 somos testemunhas. Cf. ns. 3.15; Uo 1.1-3. o Espírito
Santo. Cf. n. 1.2. Ser testemunha pelo poder do Espírito Santo
expressa dois dos temas principais deste livro. Cf. Intro.
5.38-39 Quando estamos na dúvida se algo vem de Deus ou
não, podemos separar um tempo para reflexão. Não temos de
tomar uma posição radical e súbita a favor ou contra. Deus, em
seu tempo, revelará se algo está ou não dentro do seu querer,
se ele está ou não envolvido nisso. Acima de tudo, pelos frutos
da vida das pessoas envolvidas perceberemos se uma coisa é de
Deus ou não (cf. ns. M t 7.15-23).
5.41 muito alegres. Cf. ns. M t 5.11-12.
5.42 não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo.
Cf. 2.36; 9.22; 17.3; 18.28. A essência de seu testemunho era
que Jesus (plenamente humano) era também o Ungido, o Filho
de Deus, divino Salvador e Senhor.
Nota prática: quando temos a oportunidade de compartilhar
Cristo, devemos desafiar as pessoas quanto à identidade de Je­
sus. As opções básicas são variações de três possibilidades: (1) ele
é um mentiroso e enganador, possivelmente o maior de toda a his­
tória; (2) ele é louco, fora de si (cf. n. Lc 8.53); ou (3) ele é quem ele
falou que era: o Filho de Deus, Salvador do mundo, Senhor de
senhores e Rei de reis, que veio para remir quem quiser confiar
nele com o poder de lhes permitir nascer de novo. Os Evangelhos
e a história da Igreja Primitiva não deixam a opção de pensar
que ele era simplesmente um bom mestre.
6.1 aumentando o número dos discípulos. Cf. 2.41; 4.4; 5.14;
6.1,7; 9.31; 11.21,24; 12.24; 16.5; 19.20. É uma livre escolha ser
discípulo. Mas, uma vez que escolhemos, não temos mais op­
ção; precisamos ser obedientes à Grande Comissão e fazer dis­
cípulos (Mt 28.18-20). Verdadeiros discípulos naturalmente se
multiplicam (cf. n. 2Tm 2.2). houve murmuração. Crescimento
traz problemas. Requer administração de coisas que antes
fluíam simplesmente por meio de relacionamentos. Novos pro­
blemas são a porta para novos ministérios.
Nota prática: novos grupos, ministérios e igrejas passam por
quatro etapas, se é que sobrevivem à segunda: (1a) a do ro­
mance, na qual existe idealismo, entusiasmo, sentido de aven­
tura, criatividade e presença de Deus de forma especial; quanto
maior o idealismo, maior será o choque na segunda etapa; (2a) a
dos conflitos, na qual as pessoas se mostram bem mais humanas
do que esperávamos e se vê o custo e os conflitos de poder; nes­
ta etapa e na próxima um pai espiritual ou mediador externo faz
toda a diferença; (3a) a da adolescência, cujo enfoque é para
dentro, para a identidade do grupo em formação - às vezes
dependente, às vezes independente - ; aqui se vê desequilíbrio
e necessidade de direção; e (4a) a da maturidade, na qual o
grupo está seguro quanto ao seu chamado e à sua identidade;
interdependente, é livre para servir e reproduzir.
6.2-4 Não é correto que nós abandonemos a palavra de Deus
para servir às mesas. Pastores, prestem atenção! Aprendam a di­
zer “não”! “Servir às mesas” hoje inclui projetos de construção, po­
lítica, sociais, escolas e colégios - e, às vezes, fazer faculdades se­
culares. Estas estão algumas dentre as muitas coisas que devemos
delegar para outros a fim de que nos dediquemos a receber graça
de Deus diariamente. A graça de ontem não serve. Na medida em
que somos nutridos, podemos nutrir. Na medida em que recebe­
mos graça, podemos dar dela e de nós mesmos generosamente.
cheios do Espírito. Cf. vs. 5,8,10; 7.55. e de sabedoria. Cf. v. 10; n.
Tg 3.17. Qualidades básicas para todo líder, inclusive para diáco­
nos, cujo ministério é principalmente servir e administrar.
6.4 consagraremos. Mesma palavra que se encontra em 1.18
205 ATOS 6
• 9 <» TORNANDO-NOS HOMENS E MULHERES DA PALAVRA
At 6.4; SI 1.1-3 (Estudo 1.2.1)
1. Você se considera um homem ou uma mulher da Palavra? Por quê?
2. Você enxerga uma queda progressiva em S11.1? Explique.
3. Por que você acha que a meditação na Palavra levaria à descrição de S11.3?
4 .0 texto de At 6.4 tem a ver com você de alguma forma?
5. Como você poderia melhorar seu tempo devocional ou de meditação na Palavra esta semana?
Estudo opcional: SI 19.7-14; 119.1-24; Jr 17.5-8.
Tornando-nos homens e mulheres da Palavra
Que porcentagem dos membros de sua igreja sabe estudar a Bíblia a sós? Que porcentagem dos líderes? Quantos até
sabem fazer, mas não o fazem? E, por essas faltas, os membros e líderes andam desnutridos espiritualmente, depen­
dentes de ganhar comida "pré-mastigada" nos cultos da igreja. Este estudo inicia um novo módulo, que tem potencial
de mudar sua vida, não importa em qual estágio você se encontre na vida cristã. Para iniciar essa caminhada, faça o
seguinte esta semana:
• Se não tiver um diário espiritual, pegue um caderno ou agenda para servir a esse propósito permanentemente
(cf. med. 2Tm 3.16-17).
• Separe meia hora para meditar em algumas das passagens opcionais indicadas no início deste estudo. Anote a
data em seu diário espiritual e escreva por pelo menos cinco minutos sobre a sua meditação (cf. med. Lc 2.19).
• Separe de 15 a 30 minutos para interceder de joelhos para se tornar um homem ou uma mulher da Palavra (cf. n.
Lc 18.1). Escreva sua oração e a resposta que você sente que Deus está falando para você em seu diário espiritual.
At 26.19 — Estudo anterior ♦ | Próximo estudo — Mt 4.4
50 parecer agradou a todos. Então elegeram Es­
têvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Fi­
lipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau,
prosélito de Antioquia. 6Apresentaram estes ho­
mens aos apóstolos, que, orando, lhes impuseram
as mãos.
7Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, aumen­
tava o número dos discípulos. Também um grande
grupo de sacerdotes obedecia à fé.
Estêvão diante do Sinédrio
8Estêvão, cheio de graça e de poder, fazia prodígios
e grandes sinais entre o povo. 9Levantaram-se, po­
rém, alguns dos que eram da sinagoga chamada dos
Libertos, dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Ci­
licia e da província da Ásia, e discutiam com Estêvão;
lOe não podiam resistir à sabedoria0 e ao Espírito,
pelo qual ele falava. 11Então subornaram alguns ho­
mens para que dissessem:
— Ouvimos este homem proferir blasfêmias con­
tra Moisés e contra Deus.
l2Atiçaram o povo, os anciãos e os escribas e, inves­
tindo contra ele, o agarraram e levaram ao Sinédrio.
i3Apresentaram testemunhas falsas, que disseram:
— Este homem não para de falar contra o lugar
santo e contra a lei; 14porque nós o ouvimos dizer
que esse Jesus, o Nazareno, destruirá este lugarh e
mudará os costumes que Moisés nos deu.
«6.10 Lc 21.15 *6.14 M t 26.61
e 4.42. A Igreja Primitiva vivia a consagração como um estilo de
vida, algo que partia de seus líderes. A única forma de fazer
isso na prática é dizendo “não” a outras coisas, mantendo
nosso foco principal em Deus. “Nosso negócio principal é a
oração; depois vem o ministério” (Madre Teresa).
6.5 Então elegeram. Eleições são grandes oportunidades
para a carne se expressar e para valores e técnicas do mundo
se manifestarem. Mas quando fluem no Espírito, caminham
na direção do consenso e da unanimidade.
6.6 lhes impuseram as mãos. Cf. 8.17; 9.17; 13.3; 28.8; med.
1Tm 4.11-16.
6.7 grande grupo de sacerdotes obedecia àfé. Cf. n. M t 27.51.
6.14 mudará os costumes. Alguém falou, certa vez, que as
últimas palavras da Igreja que morre são: “Nunca fizemos as­
sim antes.” Ou aprendemos a mudar com o tempo, ou mor­
reremos.
atos 6 — 7 206
15Todos os que estavam sentados no Sinédrio, fi­
tando os olhos em Estêvão, viram o seu rosto como se
fosse rosto de anjo.
A defesa de Estêvão
7Então o sumo sacerdote perguntou a Estêvão:
— Isso de fato é assim?
2Estêvão respondeu:
— Irmãos e pais, escutem. 0 Deus da glória apare­
ceu a Abraão, nosso pai, quando estava na Mesopotâ-
mia, antes de morar em Harã, 3e lhe disse: "Saia da sua
terra e do meio da sua parentela e vá para a terra que
eu lhe mostrarei."0 4Então ele saiu da terra dos cal­
deus* e foi morar em Harã. E dali, com a morte de seu
pai, Deus o trouxe0para esta terra em que vocês agora
estão morando. 5Nela, não lhe deu herança, nem se­
quer o espaço de um pé; mas prometeu dar-lhe a pos­
se delaf/ e, depois dele, à sua descendência, não tendo
ele filho. 6E Deus falou que a descendência dele seria
peregrina em terra estrangeira, onde seriam escravi­
zados e maltratados durante quatrocentos anos.e
7 — Deus disse ainda: "Castigarei a nação da qual
forem escravos; e, depois disso, sairão daí e me servi­
rão neste lugar."-* 8Então lhe deu a aliança da circunci­
são.3 Assim, Abraão gerou Isaque* e o circuncidou no
oitavo dia; e Isaque gerou Jacó,' e Jacó gerou os doze
patriarcas.7
9— Os patriarcas, invejosos* de José, venderam-no
para ser levado para o Egito.1 Mas Deus estava com
ele"1I0e o livrou de todas as suas aflições, concedendo-
-lhe também graça e sabedoria diante de Faraó, rei do
Egito, que o constituiu governador daquela nação"
e de toda a casa real. 11Depois houve fome0 e grande
sofrimento em todo o Egito e em Canaã, e nossos pais
não achavam o que comer. i2Mas quando jacóp ouviu
que no Egito havia trigo, mandou, pela primeira vez, os
nossos pais até lá. 13Na segunda vez, José se fez reco­
nhecer3 pelos seus irmãos, e o Faraó veio a conhecer a
família de José. l4Então José mandou chamar Jacó,rseu
pai, e toda a sua parentela, isto é, setenta e cinco pes­
soas.5 I5jacó foi para o Egito/ e ali morreu" ele e tam-
»7.2-3Gn 12.1 *7.4 Gn 11.31 'Gn 12.4 *7.5 Gn 12.7; 13.15; 15.18;
17.8 «7.6 Gn 15.13 *7.7 Gn 15.14 97.8 Gn 17.10-14 *Gn 21.2-4
'Gn 25.26 /Gn 29.31— 35.18 *7.9 Gn 37.11 'Gn 37.28
mGn 39.2,21 "7.10 Gn 41.39-41 "7.11 Gn 41.54-57 97.12 Gn 42.1-2
97.13 Gn 45.1 ' 7.14 Gn 45.9-10 'Gn 46.27 '7.15 Gn 46.1-7
"Gn 49.33 "7.16 Gn 50.7-13; Js 24.32 «Gn 23.3-16; 33.19
'7.17-18 Êx 1.7-8 77.19 Êx 1.10-11 'Ê x l.2 2 "7.20-21 Êx 2.2-10
*7.29 Êx 18.3-4 '7.23-29 Êx 2.11-22 47.30-34 Êx 3.1-10
7.2 Irmãos e pais... nosso pai. Cf. vs. 11-12,15,19,38-39,44-45.
Abraão. Estêvão iniciou criando pontes. Devemos fazer o mes­
mo em nosso evangelismo. Cf. n. 3.25.
7.24-29 vingou o oprimido. Coração de Deus sem a mente
de Cristo.
bém os nossos pais. 16Depois eles foram transportados
para Siquémv e postos no túmulo que Abraão tinha
comprado14' dos filhos de Hamor, em Siquém, pagando
um certo preço.
17— E quando já estava próximo o tempo em que
Deus cumpriria a promessa feita a Abraão, o povo cres­
ceu e se multiplicou no Egito, I8até que se levantou ali
outro rei, que não conhecia José.x 19Este outro rei tra­
tou com astúcia-7 a nossa gente e torturou os nossos
pais, a ponto de forçá-los a abandonar2 seus meninos
recém-nascidos, para que não sobrevivessem. 20Por
esse tempo nasceu Moisés, que era formoso aos olhos
de Deus. Durante três meses ele foi mantido na casa
de seu pai. 21Quando tiveram de abandoná-lo, a filha
de Faraó o recolheu e criou como seu próprio filho.0
22E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios
e era poderoso em palavras e obras.
23— Quando completou quarenta anos, teve a ideia
de visitar os seus irmãos, os filhos de Israel. 24Ven-
do um homem ser maltratado, saiu em defesa dele
e vingou o oprimido, matando o egípcio. 25Ora, Moi­
sés pensava que seus irmãos entenderiam que Deus
queria salvá-los por meio dele; eles, porém, não en­
tenderam. 26No dia seguinte, Moisés aproximou-se
de uns que brigavam e procurou reconduzi-los à paz,
dizendo: "Homens, vocês são irmãos; por que estão
maltratando um ao outro?" 27Mas o que agredia o
seu próximo repeliu Moisés, dizendo: "Quem colocou
você como chefe e juiz sobre nós? 28Será que quer me
matar, assim como ontem matou o egípcio?" 29Ao ou­
vir isto, Moisés fugiu e se tornou peregrino* na terra
de Midiã, onde lhe nasceram dois filhos.0
30— Passados quarenta anos, apareceu-lhe, no de­
serto do monte Sinai, um anjo, por entre as chamas
de uma sarça que estava queimando. 31Moisés ficou
maravilhado diante daquela visão e, aproximando-se
para contemplá-la, ouviu-se a voz do Senhor, que dis­
se: 32"Eu sou o Deus dos seus pais, o Deus de Abraão,
de Isaque e de Jacó." Moisés, tremendo de medo, não
ousava contemplá-la. 33Então o Senhor disse: "Tire as
sandálias dos pés, porque o lugar em que você está
é terra santa. 34Vi, com efeito, o sofrimento do meu
povo no Egito, ouvi o seu gemido e desci para libertá-
-lo. Venha, agora; vou mandar você para o Egito." d
35— A este Moisés, a quem tinham rejeitado, di­
zendo: "Quem colocou você como chefe e juiz?" Deus
enviou como chefe e libertador, com a assistência do
anjo que lhe apareceu na sarça. 36Foi Moisés quem
os tirou de lá, fazendo prodígios e sinais na terra do
7.30-36 Nos quarenta anos no deserto, Moisés se tornou o ho­
mem mais humilde da terra (Nm 12.13).
7.34 Deus opta por trabalhar conosco como seus parceiros,
como sua voz, seus braços, suas pernas, suas mãos e seus pés
aqui na terra.
207 ATOS 7
Egito,6 no mar Vermelho^e no deserto, durante qua­
renta anos.3 37Foi ainda Moisés quem disse aos filhos
de Israel: “Deus fará com que, do meio dos irmãos de
vocês, se levante um profeta semelhante a mim.”"' 38É
este Moisés quem esteve na congregação no deserto,
com o anjo que lhe falava' no monte Sinai e com os
nossos pais. Foi ele quem recebeu palavras vivas* para
nos transmitir. 39Nossos pais não quiseram obedecer
a Moisés, mas o rejeitaram e, no seu coração, volta­
ram para o Egito, 40dizendo a Arão: “Faça para nós
deuses que vão adiante de nós; porque, quanto a este
Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos
o que lhe aconteceu." 41Naqueles dias, fizeram um be­
zerro e ofereceram sacrifício ao ídolo, alegrando-se
com as obras das suas mãos.k 42Mas Deus se afastou e
os entregou à adoração das estrelas do céu, como está
escrito no Livro dos Profetas:
"Ó casa de Israel, será que foi para mim
que vocês ofereceram vítimas
e sacrifícios no deserto,
durante quarenta anos?
43 Não é verdade que vocês levantaram
o tabernáculo de Moloque
e a estrela do deus Renfã,
imagens que vocês fizeram para as adorar?
Por isso, vou mandar vocês ao exílio
para além da Babilónia.”1
44— O tabernáculo do testemunho estava entre nos­
sos pais no deserto, como havia ordenado aquele que
disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que ti­
nha visto.m45Também nossos pais, com Josué," tendo
recebido o tabernáculo, o levaram, quando tomaram
posse das nações que Deus expulsou da presença deles.
Foi assim até os dias de Davi, 46que obteve o favor de
Deus e pediu autorização para construir uma casa para
o Deus de Jacó.° 47Mas foi Salomão3 quem lhe edificou
a casa. 48Entretanto, o Altíssimo não habita em casas
feitas por mãos humanas. Como diz o profeta:
7.38 Foi ele quem recebeu palavras vivas. Cf. ns.
2Tm 3.16-17; Hb 4.12. para nos transmitir. Cf. Sl 103.7; n.
2Tm 2.2.
7.39 no seu coração, voltaram para o Egito. O corpo daque­
las pessoas estava no deserto com Deus, mas o coração estava
longe dele, preso no mundo. Quantos crentes estão na igreja da
mesma forma?
7.41 um bezerro. Cf. Êx 32.
7.44 segundo o modelo que tinha visto. Cf. Êx 25.9.
7.46 pediu. Cf. 2Sm 7.
7.47 Salomão... lhe edificou a casa. Cf. 1Rs 6.
7.48 Deus continua a não habitar no prédio da igreja ou tem­
plo. Ele habita em nós (2Co 6.16).
7.51 Homens teimosos. Apesar de toda e qualquer ponte que
podemos criar com pessoas não crentes, chegará o momento
inevitável do confronto do evangelho e o chamado ao arrepen-
49 “O céu é o meu trono,
e a terra é o estrado dos meus pés;
que casa vocês edificarão para mim, diz o Senhor,
ou qual é o lugar do meu repouso?
58 Não é fato que a minha mão
fez todas estas coisas?"3
51— Homens teimosos e incircuncisos de coração
e de ouvidos, vocês sempre resistem ao Espírito San­
to." Vocês fazem exatamente o mesmo que fizeram os
seus pais. 52Qual dos profetas os pais de vocês não
perseguiram? Eles mataram os que anteriormente
anunciavam a vinda do Justo, do qual vocês agora se
tornaram traidores e assassinos, 53vocês que recebe­
ram a lei por ministério de anjos e não a guardaram.
A m orte de Estêvão
54Ao ouvirem isto, ficaram com o coração cheio de
raiva e rangiam os dentes contra ele. 55Mas Estêvão,
cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a
glória de Deus e Jesus, que estava à direita de Deus.
56Então disse:
— Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Ho­
mem, em pé à direita de Deus.
57Eles, porém, gritando bem alto, taparam os ouvidos
e, unânimes, investiram contra ele. 58E, expulsando-o
da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram as
capas deles aos pés de um jovem chamado Saulo. 59E
enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo:
— Senhor Jesus, recebe o meu espírito!5
60Então, ajoelhando-se, gritou bem alto:
— Senhor, não os condenes por causa deste pe­
cado!"
E, depois que ele disse isso, morreu.
'7.36 Êx 7.3 "Êx 14.21 9Nm 14.33 *7.37 Dt 18.15-18
'7.38 Êx 19.1— 20.17; Dt 5.1-33 7Dt 32.47 *7.39-41 Êx 32.1-6
'7.42-43 Am 5.25-27 <"7.44 Êx 25.9-40 "7.45Js 3.14-17
"7.45-46 2Sm 7.1-16:1 Cr 17.1-14 P7.47 1Rs 6.1-38; 2Cr 3.1-17
97.49-50 Is66.1-2 "7.51 Is63.10 *7.59 Sl 31.5 Lc 23.46 '7.60 Lc 23.34
dimento (3.13; 22.21-22; cf. n. 2.38). Sem isso, não é o verda­
deiro evangelho do Reino de Deus. Cf. n. Mt 19.30; Intro. Mt.
7.56 Cf. M t 26.64.
7.57 taparam os ouvidos. Cf. v. 51. Ouvimos o que queremos
ouvir. E temos uma capacidade assustadora de não escutar o
que não estamos dispostos a ouvir.
7.58 aos pés de um jovem chamado Saulo.
Nota prática: o erro que cometemos não importa tanto quanto
o que fazemos depois (cf. ns. Mt 3.2; 26.20-35; At 1.26; Tg 3.2).
Existem três passos a seguir depois: (1) arrepender-se, com que­
brantamento, reconhecendo que é preciso mudar de vida; (2) pe­
dir perdão, com contrição, sentindo a dor que causamos a Deus e
a outras pessoas; (3) restituir quem lesamos, mostrando frutos de
arrependimento e graça real e cara - não graça barata.
7.60 não os condenes por causa deste pecado! Parecido ao
grito de Jesus (cf. n. Lc 23.34).
atos 8 208
E Saulo consentia na morte de Estêvão.
Saulo persegue a igreja
Naquele dia, teve início uma grande perseguição con­
tra a igreja em Jerusalém. Todos, exceto os apóstolos,
foram dispersos pelas regiões da Judeia e da Samaria.
2Alguns homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram
grande lamentação por ele. 3Saulo, porém, queria des­
truir a igreja. Indo de casa em casa, arrastava homens e
mulheres, lançando-os na prisão.0
Filipe prega em Sam aria
4Enquanto isso, os que foram dispersos iam por
toda parte pregando a palavra. 5Filipe foi à cidade de
Samaria e anunciava Cristo ao povo dali. 6As multi­
dões, unânimes, davam atenção às coisas que Filipe
dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele fazia. 7Pois
os espíritos imundos, gritando em alta voz, saíam de
muitos que estavam possuídos por eles; e muitos para­
líticos e coxos foram curados. 8E houve grande alegria
naquela cidade.
Sim ão, o m ago
9 Havia naquela cidade um homem chamado Si­
mão, que praticava magia e deixava o povo de Sama­
ria admirado. Dizia ser alguém muito importante,
10e todos lhe davam ouvidos, do menor ao maior, di­
zendo:
— Este homem é o poder de Deus, chamado o
Grande Poder.
11Davam atenção a ele porque durante muito tempo
os havia impressionado com as suas magias. i2Quan-
do, porém, deram crédito a Filipe, que os evangelizava
a respeito do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo,
iam sendo batizados, tanto homens como mulheres.
130 próprio Simão abraçou a fé e, tendo sido batizado,
acompanhava Filipe de perto, observando extasiado
os sinais e grandes milagres praticados.
"8.3 At 22.4,19; 26.9-11; 1Co 15.9; Gl 1.13; Fp 3.6; ITm 1.13
&8.15 At 2.38 <8.21 SI 78.37 <78.27 Is 56.3
8.1 foram dispersos. Cf. v. 4; 11.19. O que Satanás e o mundo
fazem para o mal, Deus usa para o bem (Rm 8.28-29).
8.3 mulheres. Cf. v. 12; n. 5.1.
8.5 Filipe. Um segundo diácono, também cheio do Espírito, de
sabedoria e de poder (vs. 6-7).
8.8 E houve grande alegria. Alegria é a mostra do Reino de
Deus (vs. 12,39; 13.52; 15.3,31; 16.34; cf. n. Rm 14.17).
8.12 os evangelizava a respeito do Reino de Deus. O Livro de
Atos inicia e encerra com o tema do Reino, central ao coração
do evangelho (1.3; 14.22; 19.8; 20.25; 28.23,31). Cf. n. Lc 2.11;
Intro. Mt.
8.14-17 Veja o contraste maravilhoso com a atitude de João
em Lc 9.52-56! Derramaram o fogo do Espírito em lugar de um
fogo para destruir.
Pedro e João em Sam aria
l4Quando os apóstolos, que estavam em Jerusalém, ou­
viram que o povo de Samaria tinha recebido a palavra de
Deus, enviaram-lhes Pedro e João. l5Chegando ali, oraram
por eles para que recebessem o Espírito Santo/ 16pois o Es­
pírito ainda não havia descido sobre nenhum deles. Tinham
apenas sido batizados em nome do Senhor Jesus. l7Então
lhes impunham as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo.
18 Quando Simão viu que, pelo fato de os apóstolos im
porem as mãos, era concedido o Espírito Santo, ofereceu-
-lhes dinheiro, 19dizendo:
— Deem também a mim este poder, para que
aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Es­
pírito Santo.
20Mas Pedro respondeu:
— Que o seu dinheiro seja destruído junto com você,
pois você pensou que com ele poderia adquirir o dom
de Deus! 21Não existe porção nem parte para você nes­
te ministério, porque o seu coração não é reto diante
de DeusT 22Portanto, arrependa-se desse mal e ore ao
Senhor. Talvez ele o perdoe por esse intento do seu cora­
ção. 23Pois vejo que você está cheio de inveja e preso em
sua maldade.
24Aí Simão disse aos apóstolos:
— Peço que vocês orem ao Senhor por mim, para
que não me sobrevenha nada do que vocês disseram.
25Eles, porém, tendo dado o seu testemunho e pre­
gado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e
evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos.
Filipe e o eunuco
26Um anjo do Senhor disse a Filipe:
— Levante-se e vá para o Sul, no caminho que vai
de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. 27Filipe se
levantou e foi.
Havia um etíope, eunuco/ alto oficial de Candace, rainha
dos etíopes, o qual era superintendente de todo o seu te­
souro. Ele tinha vindo adorar em Jerusalém 28e estava
regressando ao seu país. E,assentado na sua carruagem, vi­
nha lendo o profeta Isaías. 29Então o Espírito disse a Filipe:
— Aproxime-se dessa carruagem e acompanhe-a.
8.16 A prioridade dos apóstolos foi que os novos convertidos
recebessem o Espírito Santo.
8.17 impunham as mãos. Cf. vs. 18-19; n. 6.6.
8.20 Que o seu dinheiro seja destruído junto com você.
Quem quer aproveitar coisas espirituais no Reino de Deus por
meio do dinheiro corre alto risco (5.1-11).
8.22 arrependa-se. Cf. ns. 2.38; 7.58.
8.23 Há discernimento no coração da pessoa, algo bem mais
profundo do que uma visão de seus atos objetivos.
8.29-30 Então o Espírito disse a Filipe. Temos de ser sen­
síveis aos toques do Espírito. Ele não nos força. Se não res­
pondermos a esses toques leves, nosso coração poderá endu­
recer e perderemos a habilidade de ouvi-lo ou senti-lo. Cf. n.
M t 13.15. Correndo para lá, Filipe. Filipe respondeu de todo
209 ATOS 8 — 9
30Correndo para lá, Filipe ouviu que o homem es­
tava lendo o profeta Isaías. Então perguntou:
— O senhor entende o que está lendo?
31Ele respondeu:
— Como poderei entender, se alguém não me explicar?
E convidou Filipe a subir e sentar-se ao seu lado.
32 Ora, a passagem da Escritura que ele estava lendo
era esta:
"Foi levado como ovelha ao matadouro;
e, como um cordeiro mudo
diante do seu tosquiador,
ele não abriu a boca.
33 Na sua humilhação, lhe negaram justiça;
quem poderá falar da sua descendência?
Porque a vida dele é tirada da terra.”6
34Então o eunuco disse a Filipe:
— Peço que você me explique a quem se refere o
profeta. Fala de si mesmo ou de outra pessoa?
35Então Filipe explicou. E, começando com esta pas­
sagem da Escritura, anunciou-lhe a mensagem de Jesus.
36Seguindo pelo caminho, chegaram a certo lugar
onde havia água. Então o eunuco disse:
— Eis aqui água. O que impede que eu seja batizado?
37 [Filipe respondeu:
— É lícito, se você crê de todo o coração.
E, respondendo ele, disse:
— Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.]1
38Então mandou parar a carruagem, ambos desce­
ram à água, e Filipe batizou o eunuco. 39Quando saíram
da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe, não o
vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu cami­
nho, cheio de alegria. 40Mas Filipe foi visto outra vez em
Azoto; e, seguindo viagem, evangelizava todas as cida­
des até chegar a Cesareia.
A conversão de Saulo
A t 22.4-11; 26.9-18
9 Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra
os discípulos do Senhor,0 dirigiu-se ao sumo sa-
coração. perguntou. Começou com uma boa pergunta. Cf. n.
M t 11.7-9.
8.31 Coração ensinável, cheio de boas perguntas (vs. 34,36).
8.37 se você crê de todo o coração. Cf. Rm 10.9-10.
8.40 Onde Filipe se encontrava, assim como os outros dis­
persos (v. 4) e os próprios apóstolos (v. 25), ele evangelizava
(vs. 5,35,40). E você?
9.1-2 Esta introdução ressalta que não importa como começa­
mos, e sim como terminamos (cf. n. 7.58). os discípulos. Cf. o
primeiro de oito estudos que começam em M t 16.24-26. de Da­
masco. Antes de se converter ele já tinha zelo missionário! do
Caminho. Cf. Jo 14.6; At 16.17; 18.25-26; 19.9,23; 22.4; 24.14,22;
2Pe 2.2. Um nome para “cristianismo". Expressa um estilo de
vida, não apenas uma crença. Cf. Jo 14.6. tanto homens como
mulheres. Cf. ns. 1.14; 5.1.
cerdote 2e lhe pediu cartas para as sinagogas de Da­
masco, a fim de que, caso achasse alguns que eram
do Caminho, tanto homens como mulheres, os le­
vasse presos para Jerusalém. 3Enquanto seguia pelo
caminho, ao aproximar-se de Damasco, subitamente
uma luz do céu brilhou ao seu redor, 4e, caindo por
terra, ouviu uma voz que lhe dizia:
— Saulo, Saulo, por que você me persegue?
5Ele perguntou:
— Quem é o senhor?
E a resposta foi:
— Eu sou Jesus, a quem você persegue.b 6Mas le-
vante-se e entre na cidade, onde lhe dirão o que você
deve fazer.
7Os homens que viajavam com Saulo pararam emu­
decidos, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém. 8En­
tão Saulo se levantou do chão e, abrindo os olhos, nada
podia ver. E, guiando-o pela mão, levaram-no para Da­
masco. 9Esteve três dias sem ver, durante os quais nada
comeu, nem bebeu.
A visita de Ananias
A t2 2 .1 2 -1 6
10Havia em Damasco um discípulo chamado Ana­
nias. O Senhor lhe apareceu numa visão e disse:
— Ananias!
Ao que ele respondeu:
— Eis-me aqui, Senhor!
11Então o Senhor lhe disse:
— Levante-se e vá à rua que se chama Direita e, na
casa de Judas, procure um homem de Tarso chamado
Saulo. Ele está orando I2e, numa visão, viu entrar um
homem, chamado Ananias, e impor-lhe as mãos, para
que recuperasse a vista.
i3Ananias, porém, respondeu:
— Senhor, de muitos tenho ouvido a respeito des­
se homem, quanto mal tem feito aos teus santos em
c8.32-33 Is 53.7-8 78.37 O texto entre colchetes se encontra apenas
em manuscritos mais recentes °9.1 At 8.3 *9.5 ICo 15.8
9.4 Saulo, Saulo. Repetindo seu nome, chamou sua atenção de
forma profunda, por que você me persegue? A perseguição à
Igreja, o Corpo de Cristo (ICo 12.27; Ef 1.22-23), é a perseguição a
Jesus. Cf. n. Lc 6.2.
9.5 Quem é o senhor? A maior pergunta que qualquer de nós
pode fazer (M t 16.13-17).
9.6 Deste momento em diante ele está entregue a uma nova
autoridade: a de Jesus Cristo.
9.9 Frutos de arrependimento, de quebrantamento (vs. 11-12).
9.10 Eis-me aqui, Senhor! A atitude normal de um verdadeiro
discípulo.
9. 13- 16 Deus não tem problemas com nossas perguntas ou dú­
vidas honestas.
Atos 9 210
Jerusalém; 14e para cá trouxe autorização dos princi­
pais sacerdotes para prender todos os que invocam o
teu nome.
l5Mas o Senhor lhe disse:
— Vá, porque este é para mim um instrumento esco­
lhido para levar o meu nome diante dos gentios e reis,
bem como diante dos filhos de Israel.c 16Pois eu mesmo
vou mostrar a ele quanto deve sofrer pelo meu nome.
17Então Ananias foi e, entrando na casa, impôs as
mãos sobre Saulo, dizendo:
— Saulo, irmão, o Senhor Jesus, que apareceu a
você no caminho para cá, me enviou para que você
volte a ver e fique cheio do Espírito Santo.
I81mediatamente lhe caíram dos olhos como que
umas escamas, e voltou a ver. A seguir, levantou-se e foi
batizado. 19E, depois de comer, sentiu-se fortalecido.
Saulo em Dam asco
Saulo permaneceu alguns dias com os discípulos
em Damasco. 20E logo, nas sinagogas, proclamava Je­
sus, afirmando que ele é o Filho de Deus. 21Todos os
que ouviam Saulo estavam atónitos e diziam:
— Não é este o que exterminava em Jerusalém os que
invocam o nome de Jesus e veio para cá precisamente
para prender e levá-los aos principais sacerdotes?
22Saulo, porém, mais e mais se fortalecia e confun­
dia os judeus que moravam em Damasco, demons­
trando que Jesus é o Cristo.
Saulo escapa dos judeus
23Decorridos muitos dias, os judeus resolveram matar
Saulo, 24mas ele ficou sabendo do plano deles. Dia e noite
guardavam também os portões da cidade, para o matar.
25Mas os discípulos de Saulo tomaram-no de noite e,
colocando-o num cesto, desceram-no pela muralha.d
Saulo em Jerusalém e em Tarso
26Tendo chegado a Jerusalém, Saulo procurou juntar-
-se aos discípulos de Jesus. Porém todos tinham medo
dele, não acreditando que ele fosse discípulo. 27Mas
<9.15 Rm 1.1; Gl 1.15; Ef 3.7 <<9.25 2Co 11.33
Barnabé, tomando-o consigo, levou-o aos apóstolos.
Contou-lhes como Saulo tinha visto o Senhor no ca­
minho, e que o Senhor tinha falado com ele. Também
contou como, em Damasco, Saulo tinha pregado ousa­
damente em nome de Jesus. 28E Saulo ficou com eles em
Jerusalém, entrando e saindo, pregando ousadamente
em nome do Senhor. 29Falava e discutia com os helenis-
tas, mas eles procuravam tirar-lhe a vida. 30Quando isto
chegou ao conhecimento dos irmãos, levaram Saulo até
Cesareia e dali 0enviaram para Tarso.
A igreja cresce
31A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judeia, Ga-
lileia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor
do Senhor; e, no consolo do Espírito Santo, crescia em
número.
A cura de Eneias
32Passando Pedro por toda parte, foi também visi­
tar os santos que moravam em Lida. 33Encontrou ali
certo homem, chamado Eneias, que havia oito anos
jazia de cama, pois era paralítico. 34Pedro lhe disse:
— Eneias, Jesus Cristo cura você! Levante-se e
arrume a sua cama.
Ele imediatamente se levantou. 35Todos os habi­
tantes de Lida e da região de Sarom viram Eneias e se
converteram ao Senhor.
A ressurreição de Dorcas
36Havia em Jope uma discípula chamada Tabita,
nome este que, traduzido, é Dorcas. Ela era notável pe­
las boas obras e esmolas que fazia. 37Aconteceu que,
naqueles dias, ela adoeceu e veio a morrer. Depois de
a lavarem, puseram 0 corpo num quarto do andar su­
perior. 38Como Lida ficava perto de Jope, ouvindo os
discípulos que Pedro estava ali, enviaram-lhe dois ho­
mens com o seguinte pedido:
— Não se demore em vir até nós.
39 Pedro se aprontou e foi com eles. Tendo chegado
conduziram-no para o quarto do andar superior. To­
das as viúvas 0 cercaram, chorando e mostrando-lhe
túnicas e vestidos que Dorcas tinha feito enquanto
9.15 é para mim um instrumento escolhido. Cf. n. 26.19.
9.16 Saulo fez os discípulos de Jesus sofrerem; agora, teria 0
privilégio de sofrer como discípulo de Jesus.
9.17 impôs as mãos sobre Saulo. Cf. n. 6.6. irmão. Reconhe­
cimento da transformação nele. para que... fique cheio do Es­
pírito Santo. Cf. n. 8.16.
9.22 demonstrando que Jesus é o Cristo. Cf. ns. 4.14;
5.42.
9.25 os discípulos de Saulo. A unção de Paulo era tão
grande que ele já tinha discípulos! Este é 0 único versículo
que fala de um líder da igreja ter discípulos. Apesar de isso
poder acontecer, devemos nos esforçar para que todos te­
nham a identidade de discípulos de Jesus, bem mais do que
discípulos nossos.
9.27 Mas Barnabé. Figura de transição, mudando a história de
uma pessoa e, como consequência, possivelmente a história da
Igreja Primitiva. Cf. ns. 11.19-26.
9.31 Aqui temos uma terceira descrição da Igreja Primitiva,
após 2.42-47 e 4.32-35. edificando-se. Ela crescia em qualida­
de caminhando no temor do Senhor. Cf. 10.2; n. 5.11. no con­
solo do Espírito Santo. Cf. ns. 1.2,5; 2.4; 2Co 1.3-8. crescia em
número. Crescia em quantidade. Cf. n. 6.1.
9.36 uma discípula. Na cultura clássica judaica não havia es­
paço para discípulas. Na cultura cristã, sim. Cf. n. 5.1.
211 ATOS 9 — 10
estava com elas. 40Mas Pedro, tendo feito com que to­
dos saíssem, pondo-se de joelhos, orou; e, voltando-
-se para o corpo, disse:
— Tabita, levante-se!
Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. 41Ele,
dando-lhe a mão, ajudou-a a ficar em pé; e, chamando
os santos, especialmente as viúvas, apresentou-a viva.
42Isto se tornou conhecido por toda Jope, e muitos cre­
ram no Senhor. 43Pedro ficou em Jope muitos dias, na
casa de um curtidor chamado Simão.
O centurião Cornélio
Em Cesareia morava um homem de nome Cor­
nélio, centurião da coorte chamada Italiana. 2Era
piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, fazendo
muitas esmolas ao povo e orando sempre a Deus. 3Um
dia, por volta das três horas da tarde,1 durante uma vi­
são, esse homem viu claramente um anjo de Deus que se
aproximou dele e lhe disse:
4— Cornélio!
Este, fixando nele os olhos e possuído de temor,
perguntou:
— O que é, Senhor?
E o anjo lhe disse:
— As suas orações e as suas esmolas subiram para
memória diante de Deus. 5Agora envie mensageiros
a Jope e mande chamar Simão, que tem por sobre­
nome Pedro. 6Ele está hospedado com Simão, curti­
dor, cuja residência está situada à beira-mar.
7Logo que o anjo que lhe falava se retirou, Cornélio
chamou dois dos seus servos e um soldado piedoso
dos que estavam a seu serviço 8e, havendo-lhes con­
tado tudo, enviou-os a Jope.
Pedro tem um a visão
9No dia seguinte, enquanto eles viajavam e já esta­
vam perto da cidade de Jope, Pedro subiu ao terraço,
por volta do meio-dia, a fim de orar. 10Estando com
fome, quis comer; mas, enquanto lhe preparavam a co-
10.1-2 Cornélio. Cf. v. 22. Um “pré-discípulo”, com belas qua­
lidades (v. 33), apenas aguardando conhecer Jesus pessoal­
mente para se tornar pleno discípulo.
10.3 uma visão... um anjo de Deus. Deus falava e ainda fala
das formas mais variadas (vs. 10,13,19).
10.4 possuído de temor. Cf. v. 2.
10.7 Logo. Obediente. Militares e ex-militares têm algumas
vantagens quanto a saber ser obedientes e submissos, como
também comprometidos (cf. n. Mt 8.8-10).
10.9-23 Deus, em sua grande misericórdia, preparou o coração
do evangelista tanto quanto o do evangelizado, semelhante a
Filipe com o eunuco (8.26-39).
10.14 De modo nenhum, Senhor! Pedro tinha uma habilidade
extraordinária de chamar Jesus de Senhor e ainda discordar dele
(Mt 16.22; Jo 13.6-8). Jesus consegue trabalhar com “cabeças-
-duras” se o coração é bom. Por outro lado, a melhor teologia
mida, sobreveio-lhe um êxtase. 11Viu o céu aberto e um
objeto como se fosse um grande lençol, que descia do
céu e era baixado à terra pelas quatro pontas, ^conten­
do todo tipo de quadrúpedes, répteis da terra e aves do
céu. 13E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele:
— Levante-se, Pedro! Mate e coma.
14Mas Pedro respondeu:
— De modo nenhum, Senhor! Porque nunca comi
nada que fosse comum e imundo.
15 Pela segunda vez, a voz lhe falou:
— Não considere impuro aquilo que Deus purificou.0
16Isso aconteceu três vezes, e, em seguida, aquele
objeto foi levado de volta para o céu.
Os enviados de Cornélio chegam a Jope
17Enquanto Pedro estava perplexo sobre qual seria
o significado da visão, eis que os homens enviados
por Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão,
pararam junto à porta. l8Chamando, perguntaram se
ali estava hospedado Simão, por sobrenome Pedro.
19 Enquanto Pedro meditava a respeito da visão,
Espírito lhe disse:
— Estão aí três homens à sua procura. 20Portanto,
levante-se, desça e vá com eles, nada duvidando; por­
que eu os enviei.
21E, descendo Pedro para junto dos homens, disse:
— Eu sou a pessoa que vocês estão procurando. 0
que os traz até aqui?
22Então disseram:
— O centurião Cornélio, homem reto e temente a
Deus e tendo bom testemunho de toda a nação judaica,
foi instruído por um santo anjo a mandar chamar você
para a casa dele e ouvir o que você tem a dizer.
23 Pedro, então, convidando-os a entrar, hospedou-os.
No dia seguinte, Pedro se aprontou e foi com eles. Tam­
bém alguns irmãos dos que moravam em Jope foram com
ele. 24No dia seguinte, Pedro chegou a Cesareia. Cornélio
Í10.3 Lit., hora nona "10.15 Mc 7.19: Rm 14.14; ICo 10.25; Tt 1.15
do mundo, sem o coração reto, amável e temível, não adianta
nada. E você? Está dizendo “De modo nenhum, Senhor” quanto
ao seu chamado de ganhar almas)’ Porque nunca... Seus usos e
costumes eram mais arraigados nele do que o senhorio de Cristo.
10.15 Para os puros decoração tudo é puro (cf. n. M t 5.8).
10.16 isso aconteceu três vezes. Cf. med. Jo 3.1-15.
10.17 Enquanto Pedro estava perplexo. Quando Deus falar
de forma que deixe você perplexo ou confuso, não se preocupe.
Se a visão ou a palavra é de Deus. ele irá aclarar e confirmar.
Se não for de Deus, ele o ajudará a superar sem maiores conse­
quências. Cf. ns. 2.17; 3.16; 8.29-30.
10.23 Quando vamos fazer algo novo no qual não temos con­
fiança ou experiência, é bom andarmos acompanhados.
10.24-25 tendo reunido os seus parentes e os amigos
mais íntimos. Que fé! Semelhante à de outro centurião (cf. n.
M t 8.8-10). Ele já era evangelista antes de se converter! Muitas
atos 10 — 11 212
estava esperando por eles, tendo reunido os seus paren­
tes e os amigos mais íntimos. 25Quando Pedro estava por
entrar, Comélio foi ao seu encontro e, prostrando-se aos
pés dele, o adorou. 26Mas Pedro o levantou, dizendo:
— Levante-se, porque eu também sou apenas um
homem.
27Falando com ele, Pedro entrou, encontrando
muitos reunidos ali, 28a quem se dirigiu, dizendo:
— Vocês bem sabem que um judeu está proibido de
se juntar a um gentio ou de entrar na casa dele. Mas
Deus me mostrou que não devo considerar ninguém
comum ou imundo. 29Por isso, uma vez chamado, vim
sem vacilar. Pergunto, pois: Por que razão vocês man­
daram me chamar?
30Cornélio respondeu:
— Faz hoje quatro dias que, mais ou menos por esta
hora, às três da tarde, eu estava orando em minha casa.
De repente, se apresentou diante de mim um homem
vestido com roupas resplandecentes 31que disse: "Cor-
nélio, a sua oração foi ouvida e as suas esmolas foram
lembradas na presença de Deus. 32Envie, pois, alguém
a jope e mande chamar Simão, por sobrenome Pedro;
ele está hospedado na casa de Simão, curtidor, à beira-
-mar.” 33Portanto, sem demora, mandei chamá-lo, e
você fez muito bem em vir. Agora estamos todos aqui,
na presença de Deus, prontos para ouvir tudo o que o
Senhor ordenou a você.
Pedro prega na casa de Cornélio
34Então Pedro começou a falar. Ele disse:
— Reconheço por verdade que Deus não faz acep-
ção de pessoas;b 35pelo contrário, em qualquer nação,
aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.
36Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel,
anunciando-lhes o evangelho da paz,c por meio de Je­
sus Cristo. Este é o Senhor de todos/ 37Vocês sabem
o que aconteceu em toda a Judeia, tendo começado na
*10.34 Dt 10.17 <10.36 Rm 5.1; Ef2.17 * At 2.36; Rm 10.12
*10.41 Jo 14.22 Ó_c 24.43; At 1.4 510.42 2Tm 4.1; 1Pe4.5
vezes no Novo Testamento casas ou famílias inteiras se entrega­
ram a Jesus (At 16.15,31-34; 18.8). prostrando-se aos pés dele,
o adorou. Que coração predisposto a fazer qualquer coisa para
Deus! E você? Qual foi a última vez que se prostrou?
10.26 Jamais podemos aceitar que pessoas nos adorem; temos
de dirigir tais expressões a Jesus (cf. n. Ap 19.10).
10.28 Mas Deus. Cf. 2.24; 3.18; 7.9; 13.30; 17.30. Duas pala­
vras tão simples e tão bonitas mudam tudo! Cf. n. Lc 12.20.
não devo considerar ninguém comum ou imundo. Ou infe­
rior. Cf. ns. 2Co 5.7,16.
10.29 uma vez chamado, vim sem vacilar. Esta tem de ser a
atitude de todo verdadeiro discípulo.
10.35 em qualquer nação. Deus se importa com cada nação
(2.5; 10.14; 17.26-27; Mt 28.19; Ap 7.9; 14.6).
10.37-43 Resumo do evangelho. Você é bom em resumir o
Galileia depois do batismo que João pregou, 38como
Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e
com poder. Jesus andou por toda parte, fazendo o bem
e curando todos os oprimidos do diabo, porque Deus
estava com ele. 39E nós somos testemunhas de tudo o
que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Depois
eles o mataram, pendurando-o no madeiro. 40Mas Deus
o ressuscitou no terceiro dia e concedeu que fosse ma­
nifesto, 41não a todo o povo,e mas às testemunhas que
foram anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós
que comemos e bebemos com e le/ depois que ressur­
giu dentre os mortos. 42jesus nos mandou pregar ao
povo e testemunhar que ele foi constituído por Deus
como Juiz de vivos e de mortos.3 43Dele todos os pro­
fetas dão testemunho de que, por meio do seu nome,
todo aquele que nele crê recebe remissão dos pecados.
O Espírito Santo desce sobre os gentios
44 Enquanto Pedro falava estas palavras, o Espírito
Santo caiu sobre todos os que ouviam a mensagem.
45E os fiéis que eram da circuncisão, que tinham vin­
do com Pedro, admiraram-se, porque também sobre
os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo.
46Pois eles os ouviam falando em línguas e engrande­
cendo a Deus. Então Pedro disse:
47— Será que alguém poderia recusar a água e
impedir que sejam batizados estes que, assim como
nós, receberam o Espírito Santo?
48E ordenou que fossem batizados em nome de
Jesus Cristo. Então lhe pediram que permanecesse
com eles por alguns dias.
A defesa de Pedro
Chegou ao conhecimento dos apóstolos e dos
irmãos que estavam na Judeia que também os
gentios haviam recebido a palavra de Deus. 2Quando
Pedro voltou para Jerusalém, os que eram da circun­
cisão começaram a questioná-lo, dizendo:
3— Você entrou na casa de homens incircuncisos e
comeu com eles.
evangelho e dar seu testemunho? Cf. o módulo de oito estudos
sobre evangelismo pessoal que começa em 2Co 5.14-21.
10.38 Quais destas frases melhor descrevem você? Cf. ns.
Lc 4.18-19.
10.39,41 testemunhas. Cf. n. At 3.15.
10.44-46 o Espírito Santo caiu... foi derramado o dom do Espírito
Santo... receberam o Espírito Santo. Deus, com seu grande senso
de humor, derramou o Espírito Santo sem pedira permissão do após­
tolo, liberando-o, assim, de qualquer culpa de haver feito algo errado
quando fosse interrogado futuramente (11.1-18). Cf. ns. 1.2,5; 2.4.
10.48 E ordenou que fossem batizados. Cf. v. 48; n. 2.41 per­
manecesse com eles por alguns dias. Construir pontes em lugar
de muros.
11.3 Espírito de religiosidade, mais preocupado com leis e nor­
mas do que com a salvação de almas (cf. Intro. Hb).
213 ATOS 11 — 12
4Então Pedro passou a fazer-lhes uma exposição
por ordem, dizendo:
5— Eu estava na cidade de Jope orando e, num êxtase,
tive uma visão em que observei descer um objeto como
se fosse um grande lençol baixado do céu pelas quatro
pontas e vindo até perto de mim. 6E, olhando atenta­
mente para dentro daquilo, vi quadrúpedes da terra,
feras, répteis e aves do céu. 7Ouvi também uma voz que
me dizia: "Levante-se, Pedro! Mate e coma.” 8Ao que eu
respondi: "De modo nenhum, Senhor; porque em minha
boca nunca entrou nada que fosse comum ou imundo."
9Pela segunda vez, a voz do céu falou: "Não considere
impuro aquilo que Deus purificou." 10Isso se repetiu três
vezes, e, de novo, tudo foi recolhido para o céu. 11E eis
que, na mesma hora, pararam diante da casa em que es­
távamos três homens enviados de Cesareia para se en­
contrar comigo. 12Então o Espírito me disse que eu fosse
com eles, sem hesitar. Foram comigo também estes seis
irmãos; e entramos na casa daquele homem. 13E ele
nos contou como tinha visto na casa dele um anjo, em
pé, que lhe disse: "Envie alguém a Jope e mande chamar
Simão, por sobrenome Pedro, 14o qual lhe dirá palavras
mediante as quais você e toda a sua casa serão salvos."
15— Quando, porém, comecei a falar, o Espírito
Santo caiu sobre eles, como também sobre nós, no
princípio. 16Então me lembrei da palavra do Senhor,
quando disse: "João, na verdade, batizou com3 água,
mas vocês serão batizados com 3 o Espírito Santo."0
17Poís, se Deus deu a eles o mesmo dom que tinha
dado a nós quando cremos no Senhor Jesus, quem
era eu para que pudesse resistir a Deus?
18E, ouvindo eles estas coisas, acalmaram-se e glo­
rificaram a Deus, dizendo:
— Então também aos gentios Deus concedeu o
arrependimento para a vida!
Os discípulos são chamados cristãos em Antioquia
19Os que foram dispersos* a partir da persegui­
ção que sucedeu por causa de Estêvão se espalharam
11.4 por ordem. A quebra de paradigmas era tão grande que
Deus orquestrou os mínimos detalhes de forma ordenada para
ajudar seus apóstolos e líderes a aceitarem que o Reino de Deus
era muito maior do que haviam pensado.
11.18o arrependimento para vida! A porta para o Reino de
Deus. Cf. n. M t 3.2.
11.19-26 Antioquia. 0 Livro de Atos indica quatro igrejas com
impacto nacional e internacional: Jerusalém (At 1-6; 15), Antio­
quia (aqui e em 13.1-3; 14.26-28; 15.1-2,30-40; 18.22-23), Tessalô-
nica (ITs 1.7-8; cf. n. At 17.1-9) e Éfeso (At 19-20; cf. n. At 19.1-41).
Nota prática: de que formas Deus quer nos levar além da
nossa “Jerusalém”, para uma Antioquia que possa ser o ponto
de partida para uma nova visão e missão? Deus está chamando
você e sua igreja para uma nova aventura?
11.22 enviaram Barnabé. Natural de Chipre (4.36), assim
como os companheiros que evangelizaram gentios em Antio-
até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando
a palavra a ninguém que não fosse judeu. 20Alguns
deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que
foram até Antioquia, falavam também aos gregos,
anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. 21A
mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se
converteram ao Senhor.
22A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da
igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé
até Antioquia. 23Tendo ele chegado e, vendo a graça
de Deus, alegrou-se e exortava todos a que, com fir­
meza de coração, permanecessem no Senhor. 24Por­
que era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé.
E muita gente se uniu ao Senhor.
25Depois Barnabé foi a Tarso à procura de Saulo.
26E, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. E,
durante um ano inteiro, se reuniram naquela igreja e
ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, os dis­
cípulos foram, pela primeira vez, chamados cristãos.0
Ágabo prediz grande fom e
27Naqueles dias, alguns profetas foram de Jerusa­
lém para Antioquia. 28E, apresentando-se um deles,
chamado Ágabo,d dava a entender, pelo Espírito, que
haveria uma grande fome em todo o mundo. Essa
fome veio nos dias do imperador Cláudio. 290s dis­
cípulos, cada um conforme as suas posses,6 resolve­
ram mandar uma ajuda aos irmãos que moravam na
Judeia. 30E eles o fizeram, enviando essa ajuda aos
presbíteros por meio de Barnabé e Saulo.
Herodes persegue Tiago e Pedro
Por aquele tempo, o rei Herodes mandou
prender alguns da igreja para os maltra­
tar. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João.0
3Vendo que isto agradava aos judeus, prosseguiu,
H l.1 60 u e m "A tl.5 M l.1 9 A t8 .4 '11.26 1Pe4.16
4l1.28At21.10 c11.29 2Co 8.12 «12.2 Mt 20.23
quia (vs. 19-20). Essas pessoas tinham vivido em culturas gen­
tias, tendo ganhado a habilidade de ser pessoas-pontes. Deus
usa nosso passado para seus propósitos. Cf. n. At 3.25.
11.24 muita gente se uniu ao Senhor. Cf. v. 21; n. 6.1.
11.26 os discípulos foram, pela primeira vez, chamados
cristãos. Entendemos o que é ser cristão ou crente, mas não
entendemos o que é ser discípulo. A palavra “cristão” aparece
no Novo Testamento três vezes (aqui e em 26.28; 1Pe 4.16), prin­
cipalmente usada pelos não crentes para descrever os discípu­
los. A palavra “discípulo" aparece 289 vezes.
11.27-30 Quatro princípios da contribuição: (1) segundo a direção
de Deus (vs. 27-28); (2) segundo a necessidade (v. 28); (3) segundo
suas possibilidades (v. 29); e (4) segundo a direção da liderança
(v. 30; 4.37). Cf. ns. 2Co8-9.
12.2 Tiago, irmão de João. Segundo mártir. Cf. n. Hb 11.35-38.
Pare de se queixar de suas dificuldades. Seja guerreiro. Uma
atos 12 214
C r i t é r i o s - c h a v e n a e s c o l h a d e u m d i s c i p u l a d o r o u m e n t o r
At 11.19-26; 2Sm 15.32-37; 16.23; 17.1-16 (Estudo 1.6.8)
1. Quais são três qualidades que você procuraria num discipulador ou mentor?
2. Por que Davi escolheu Husai para ser conselheiro a seu favor?
3. 0 que Barnabé teve para oferecer para Saulo como discipulador?
4. Quais algumas características de Barnabé que são idóneas para um discipulador?
5. Ore sobre as características de um mentor listadas a seguir, afirmando seu mentor, discipulador (se tiver) ou
procurando um (se não tiver).
Estudo opcional: lCo 4.14-21; lTm 3.1-12; 2Tm 3.10-11.
Dez características de um mentor
Howard Hendricks dedica dez capítulos do seu livro Como o ferro afia o ferro a pessoas que querem ser mentorea-
das. No capítulo cinco ele destaca dez qualidades de um mentor (ou discipulador), listadas a seguir:
1. Parece ter o que você precisa - é um modelo ou exemplo do que você quer ser.
2. Cultiva relacionamentos - com você e com outras pessoas.
3. Está disposto a dar uma oportunidade a você. Abre portas.
4. É respeitado por outros cristãos - tem boas conexões e as abre para você.
5. Tem uma rede de recursos - e os coloca à sua disposição.
6. É consultado por outros.
7. Fala e ouve. Fala coisas que você precisa ouvir; ouve coisas que você precisa falar.
8. É coerente no seu estilo de vida - uma pessoa íntegra.
9. É capaz de diagnosticar suas necessidades - discernindo além do que você enxerga.
10. Está preocupado com os interesses do mentoreado - não usa isso para si; serve-o, elevando-o ou alavancando-o.
Para mais informações, cf. passos para encontrar um mentor ou discipulador na med. Mc 10.17-31.
Mt 10.1-16 — Estudo anterior ♦ j Próximo estudo — Mt 16.24-26
mandando prender também Pedro. E eram os dias dos
pães asmos. 4Depois de prendê-lo, lançou-o na prisão,
entregando-o a quatro escoltas de quatro soldados
cada uma, para o guardarem. A intenção de Herodes
era apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. 5E assim
Pedro estava guardado na prisão; mas havia oração in­
cessante a Deus por parte da igreja a favor dele.
Pedro é libertado
6 Na noite anterior ao dia em que Herodes ia
apresentá-lo ao povo, Pedro dormia entre dois sol­
dados, preso com duas correntes. Sentinelas, junto à
porta, guardavam a prisão. 7Eis, porém, que sobreveio
um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão; e, to­
cando ele no lado de Pedro, o despertou, dizendo:
— Levante-se depressa!
Então as correntes caíram das mãos dele. 8E o anjo
continuou:
— Coloque o cinto e calce as sandálias.
E ele assim o fez.
O anjo disse-lhe mais:
— Ponha a capa e siga-me.
9Então, saindo, o seguia, não sabendo que era real o
que estava sendo feito pelo anjo; ele pensava que era
umq visão. lODepois de terem passado a primeira e a
segunda sentinela, chegaram ao portão de ferro que
dava para a cidade, o qual se abriu automaticamente;
e, saindo, enveredaram por uma rua, e logo adiante o
anjo se afastou dele. 11Então Pedro, caindo em si, disse:
— Agora sei que, de fato, o Senhor enviou o seu
vez que você entende que sua vida não lhe pertence, Satanás
tem pouco acesso a você por meio de sofrimentos e conflitos.
12.5-8 Você está numa prisão emocional ou espiritual? Sente-
-se acorrentado? Peça a Deus que envie um anjo. Fique atento
quando ele o despertar. Levante-se... Coloque o cinto e calce
as sandálias... Ponha a capa e siga-me. Cinco imperativos!
Instruções precisas a um sonolento sem esperança. Assuma a
responsabilidade por sua vida. Siga as orientações do “anjo"
que o Senhor envia e saia da sua prisão! Cf. n. Ef 5.14; tc. Ef.
12.11 caindo em si. Cf. n. Lc 15.17.
215 ATOS 1 2 — 13
anjo e me livrou da mão de Herodes e de toda a ex-
pectativa do povo judeu.
!2Considerando ele a sua situação, resolveu ir à
casa de Maria, mãe de João, também chamado Mar­
cos, onde muitas pessoas estavam congregadas e
oravam. 13Quando ele bateu à porta da frente, uma
empregada, chamada Rode, foi ver quem era. 14Reco­
nhecendo a voz de Pedro, ficou tão alegre que nem
o fez entrar, mas voltou correndo para anunciar que
Pedro estava à porta. 15Eles lhe disseram:
— Você ficou louca!
Ela, porém, persistia em afirmar que era verdade.
Então disseram:
— É o anjo dele.
16 Enquanto isso, Pedro continuava batendo. Quan­
do abriram a porta, viram-no e ficaram admirados.
17Ele, porém, fazendo-lhes sinal com a mão para que
se calassem, contou-lhes como o Senhor o tinha ti­
rado da prisão. E acrescentou:
— Anunciem isto a Tiago e aos irmãos.
E, saindo, foi para outro lugar.
18 Quando amanheceu, houve grande alvoroço en­
tre os soldados sobre o que teria acontecido com Pe­
dro. 19Herodes, tendo-o procurado e não o achando,
submetendo as sentinelas a inquérito, ordenou que
se aplicasse a pena de morte. E, descendo da Judeia
para Cesareia, Herodes passou ali algum tempo.
A m orte de Herodes
20 Havia uma séria divergência entre Herodes e os
moradores de Tiro e de Sidom. Estes, porém, de comum
acordo, se apresentaram a ele e, depois de obter o apoio
12.12 casa de Maria. Cf. n. 5.1. mãe de João, também cha­
mado Marcos. Cf. v. 25; Intro. Mc.
12.16 Pedro continuava batendo. Excelente aplicação de
Mt 7.7-8! ficaram admirados. Deus tem um grande senso de hu­
mor, respondendo às nossas orações, muitas vezes, apesar de nós
mesmos não acreditarmos que ele o fará (vs. 5,12).
12.17 Anunciem isto a Tiago e aos irmãos. Tiago, irmão de
Jesus (Mt 13.55; Mc 6.33; cf. n. Tg 1.1), que se tornou o princi­
pal líder da igreja em Jerusalém (At 15.13; 21.18; ICo 15.7; Gl 1.19;
2.9,12; Tg 1.1; Jd 1).
12.22-23 Uma lição muito importante sobre dar a glória a
Deus, e não a tomar para nós mesmos.
12.24 crescia e se multiplicava. Cf. n. 6.1.
12.25 Barnabé e Saulo. Cf. 11.30; 13.1-2,7. Os comentaristas
nos indicam que a ordem dos nomes indica liderança.
13.1 profetas e mestres. Os profetas são pioneiros que
abrem o caminho; os mestres são edificadores que firmam os
alicerces (cf. n. ICo 12.28). São profundamente complemen­
tares, como o acelerador e os freios do carro. Sem os dois
funcionando bem uma igreja dificilmente será saudável. Bar­
nabé... e Saulo. Barnabé era o titular; Saulo era o mais novo do
“grupo dos cinco”, a equipe pastoral de Antioquia. A liderança
demonstra uma grande diversidade de classe social, procedên­
cia e chamados.
de Blasto, que era assessor do rei, pediram paz, porque
a terra deles recebia alimentos do país do rei. 21Em dia
designado, Herodes, vestido de traje real, assentado no
trono, dirigiu-lhes a palavra. 22E o povo gritava:
— É voz de um deus, e não de um homem!
23No mesmo instante, um anjo do Senhor feriu
Herodes, por ele não haver dado glória a Deus; e, co­
mido de vermes, morreu.
24Entretanto, a palavra de Deus crescia e se mul­
tiplicava. b
25Barnabé e Saulo, cumprida a sua missão, volta­
ram de Jerusalém, trazendo consigo João, também
chamado Marcos.
Barnabé e Saulo.
A prim eira viagem m issionária
Havia na igreja de Antioquia profetas e mes­
tres: Barnabé; Simeão, chamado Níger; Lúcio,
de Cirene; Manaém, que tinha sido criado com Hero­
des, o tetrarca; e Saulo. 2Enquanto eles estavam ado­
rando o Senhor e jejuando, o Espírito Santo disse:
— Separem-me, agora, Barnabé e Saulo para a
obra a que os tenho chamado.
3Então, jejuando e orando, e impondo as mãos so­
bre eles, os despediram.
A m issão em Chipre
4Enviados, pois, pelo Espírito Santo, Barnabé e
Saulo foram até Selêucia e dali navegaram para Chi­
pre. 5Quando chegaram a Salamina, começaram a
*12.24 At 6.7
13.1 -2 no igreja de Antioquia. Esta era a igreja base de Barnabé e
Saulo (11.22,26; 14.26-28; 15.30,35,40-41; 18.22-23; cf. n. 11.19-26).
Nota prática: quem viaja muito, especialmente ministros, pre­
cisa tremendamente de raízes para não se perder emocional e es­
piritualmente. Deve procurar uma igreja como Antioquia, onde é
realmente conhecido, amado e está integrado ao Corpo. Essa igreja
deve ser sua base espiritual, sua cobertura, o lugar para sua família
ser cuidada e integrada. Na medida do possível, deve ser parte de
um grupo familiar ou célula, tendo relacionamentos comprometidos
e saudáveis. Se for ministro, pode ser uma base financeira também.
13.2 adorando. Do grego leitourgeo. ao Senhor. Este versículo é
um dos maiores exemplos que temos de como ouvir Deus como
líderes de uma igreja. No ambiente de louvor, Deus se revela
(Sl 22.3; Is 6.1-8; Mt 18.20; Rm 12.1-2; Hb 13.15).jejuando. Cf. v. 3;
14.23; n. M t 6.16-18. disse o Espírito Santo. Cf. 1.8; 15.28; 20.28.
Separem-me. Cada filho de Deus tem um chamado (cf. n. Ef 2.10);
ele deve descobri-lo e se entregar a ele. Ao mesmo tempo, algumas
pessoas são entregues em sua totalidade para a igreja e o ministé­
rio (cf. ns. Ef 4.11-12). Elas, de forma especial, devem se consagrar,
santificar ou separar (cf. ns. Jo 17.18-19).
13.3 impondo as mãos sobre eles. Cf. n. 6.6. os despediram.
Que parceria humana e divina expressa nesta frase e na próxima!
13.4 Enviados, pois, pelo Espírito Santo. Cf. vs. 2,4,9,52;
Jo 17.18; Gl 1.1; ns. Lc 4.18-19; At 1.2; Intro.
Atos 13 216
anunciar a palavra de Deus nas sinagogas judaicas.
Tinham também João como auxiliar. 6Havendo atra­
vessado toda a ilha até Pafos, encontraram certo
judeu, de nome Barjesus, que praticava magia e era
falso profeta. 7Ele estava com o procônsul Sérgio
Paulo, que era um homem inteligente. 0 procônsul,
tendo chamado Barnabé e Saulo, desejava ouvir a
palavra de Deus. 8Porém o mago Elimas — e é as­
sim que se traduz o nome dele — se opunha a eles,
procurando afastar da fé o procônsul. 9Mas Saulo,
também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo,
olhando firmemente para Elimas, disse:
10— Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de
toda a maldade, inimigo de toda a justiça, por que
você não deixa de perverter os retos caminhos do
Senhor? 11Eis que, agora, a mão do Senhor está con­
tra você, e você ficará cego, não vendo o sol por al­
gum tempo.
No mesmo instante, caiu sobre ele névoa e escuri­
dão, e, andando em círculos, procurava quem o guiasse
pela mão. l2Então o procônsul, vendo o que havia acon­
tecido, creu, maravilhado com a doutrina do Senhor.
João M arcos volta a Jerusalém
13E, navegando de Pafos, Paulo e seus companhei­
ros dirigiram-se a Perge da Panfília. João, porém,
deixando-os, voltou para Jerusalém. l4Mas eles,
saindo de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia. E
num sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se.
15Depois da leitura da Lei e dos Profetas, os chefes da
sinagoga mandaram dizer-lhes:
— Irmãos, se vocês têm alguma palavra de exorta­
ção para o povo, falem.
«13.17 Êx 1.7 *Ex 12.51 <13.18 Nm 14.34; Dt 1.31 ^13.19 Dt 7.1
cJs 14.1 D3.20Jz2.16 91Sm 3.20 *13.21 IS m 8.5 >1Sm 10.21
J13.22 ISm 13.14 *1Sm 16.12; SI 89.20 '13.23 Rm 1.3
">13.24Mc 1.4;Lc3.3 "13.25Jo1.20 « M t3.11;Mc 1.7;Lc3.16;
Jo 1.27 413.28 Mt 27.22-23; Mc 15.13-14; Lc 23.21-23; Jo 19.15
413.29 Mt 27.57-61; Mc 15.42-47; Lc 23.50-56; Jo 19.38-42
<13.31 At 1.3
13.7 desejava ouvir a palavra de Deus. Que frase formosa!
Que ela possa se aplicar a nós! Revela um caráter ensinável.
13.8-11 Há momentos em que temos de comprar a briga e en­
trar em ação, firmes e fortes, contra o maligno (cf. ns. Ef 6.10-18;
Intro. Ef).
13.12 maravilhado com a doutrina do Senhor. Cf. ns.
1Co 4.20. A doutrina, na forma como Paulo a entendia, não era
uma teologia sistemática, e sim um estilo de vida. Cf. n. Tt 2.1.
13.13 Paulo e seus companheiros. Barnabé passou a lideran­
ça para Paulo (cf. n. 12.25). Aparentemente, João Marcos dis­
cordou de forma tão profunda que abandonou a equipe; ainda
assim, Barnabé persistiu. No restante do capítulo Paulo toma a
iniciativa e é listado primeiro (vs. 16,42-43,45-46,50).
13.15 O convite aqui é um pouco parecido com o padrão de
ICo 14.26. Em nossos cultos dominicais muitas vezes não há
O testem unho de Paulo em Antioquia
16Paulo, levantando-se e fazendo com a mão sinal
de silêncio, disse:
— Israelitas e todos vocês que temem a Deus,
escutem! 170 Deus do povo de Israel escolheu os
nossos pais e exaltou o povo0 durante a sua peregri­
nação na terra do Egito, de onde os tirou com braço
poderoso.6 l8Suportou os maus costumes do povo
durante uns quarenta anosc no deserto. 19E, havendo
destruído sete naçõesd na terra de Canaã, deu-lhes
essa terra0 por herança, 20passados uns quatrocen­
tos e cinquenta anos. Depois disso, lhes deu juízes/
até o profeta Samuel.® 21Então eles pediram um re i/
e Deus lhes deu Saul,' filho de Quis, da tribo de Ben­
jamim, e isto durante quarenta anos. 22E, tendo ti­
rado Saul/ levantou-lhes o rei Davi, do qual também,
dando testemunho, disse: "Achei Davi, filho de Jessé,
homem segundo o meu coração, que fará toda a mi­
nha vontade."6 23Da descendência deste/ conforme
a promessa, Deus trouxe a Israel o Salvador, que é
Jesus. 24Antes da manifestação dele, João pregou um
batismo de arrependimento™ a todo o povo de Israel.
25Quando João estava completando a sua carreira,
disse: "Quem vocês pensam que sou? Não sou aquele
que vocês esperam.” Mas depois de mim vem aquele0
de cujos pés não sou digno de desatar as sandálias."
26— Irmãos, descendência de Abraão e todos vo­
cês que temem a Deus, a nós foi enviada a palavra
desta salvação. 27Pois os moradores e as autorida­
des de Jerusalém, não conhecendo Jesus nem as pa­
lavras dos profetas que são lidas todos os sábados,
cumpriram as profecias, quando condenaram Jesus.
28E, embora não achassem nenhuma causa de morte,
pediram a Pilatos que ele fosse morto.p 29Depois de
cumprirem tudo o que estava escrito a respeito dele,
tirando-o do madeiro, puseram-no em um túmulo.®
30Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos, 31e du­
rante muitos dias ele foi visto pelos que o tinham
acompanhado” da Galileia para Jerusalém, os quais
são agora as suas testemunhas diante do povo. 32E
possibilidade para tal espontaneidade, mas nos grupos fami­
liares e células seria lindo se ICo 14.26 pudesse ser encorajado,
pelo menos de vez em quando!
13.17 escolheu os nossos pais. Cf. v. 32; n. 7.2.
13.18 Deus é surpreendentemente paciente com seu povo, e
nós devemos aprender dele! Ao mesmo tempo, sua paciência
tem limites (cf. n. M t 12.9-13).
13.22 homem segundo o meu coração. Cf. Sl 78.70-72 que
fará toda a minha vontade. Davi pecou e se desviou, mas
sempre voltava a Deus arrependido. De forma parecida, falhare­
mos e pecaremos, mas como Davi podemos e devemos sempre
voltar à plena vontade de Deus (cf. n. 7.58).
13.24 batismo de arrependimento. Cf. n. M t 3.2.
13.30 Mas Deus. Cf. n. 10.28.
13.31 as suas testemunhas. Cf. ns. At 1.8; 3.15.
217 Atos 13 — 14
nós anunciamos a vocês o evangelho da promessa
feita aos nossos pais, 33como Deus a cumpriu plena­
mente a nós, seus filhos, ressuscitando Jesus, como
também está escrito no Salmo número dois:
"Você é o meu Filho;
hoje eu gerei você.”5
34— E Deus expressou que o ressuscitaria dentre os
mortos para que jamais voltasse à corrupção desta
maneira:
"E cumprirei a favor de vocês
as santas e fiéis promessas feitas a Davi.”*
35— Por isso, também diz em outro Salmo:
"Não permitirás
que o teu Santo veja corrupção."0
36— Porque tendo Davi, no seu tempo, servido con­
forme o plano de Deus, morreu, foi sepultado ao lado
de seus pais e viu corrupção.v37Porém aquele a quem
Deus ressuscitou não viu corrupção.w 38Portanto,
meus irmãos, saibam que é por meio de Jesus que a
remissão dos pecados é anunciada a vocês;* 39e, por
meio dele, todo o que crê é justificado de todas as coi­
sas das quais vocês não puderam ser justificados pela
lei de M oisés/40Tenham cuidado, pois, para que não
lhes aconteça o que os profetas disseram:
41 "Vejam, ó desprezadores!
Fiquem maravilhados
e desapareçam,
porque, no tempo de vocês,
eu realizo obra tal
que vocês não acreditarão
se alguém lhes contar."2
42Quando Paulo e Barnabé estavam saindo, as pes­
soas pediram que, no sábado seguinte, lhes falassem
estas mesmas palavras. 43Terminada a reunião na si­
nagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos piedosos
seguiram Paulo e Barnabé, e estes, falando-lhes, os
persuadiam a continuar firmes na graça de D eus/
44No sábado seguinte, quase toda a cidade se reu­
niu para ouvir a palavra de Deus. 45Mas os judeus,
vendo as multidões, ficaram com muita inveja e, blas­
femando, contradiziam o que Paulo falava. 46Então
Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram:
— Era necessário pregar a palavra de Deus primeiro
a vocês.* Mas, como vocês a rejeitam e se julgam indig­
nos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gen­
tios. 47Porque o Senhor assim nos determinou:
"Eu coloquei você como luz dos gentios,
a fim de que você seja para salvação
até os confins da terra."c
48Os gentios, ouvindo isto, se alegravam e glorificavam a
palavra do Senhor. E creram todos os que haviam sido des­
tinados para a vida eterna.d49E a palavra do Senhor se es­
palhou por toda aquela região. 50Mas os judeus instigaram
as mulheres piedosas de alta posição e os principais da
cidade e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé,
expulsando-os do seu território. 51E estes, sacudindo con­
tra eles o pó dos pés,e foram para Icônio. 520s discípulos,
porém, transbordavam de alegria e do Espírito Santo.
Paulo e Barnabé em Icônio
Em Icônio, Paulo e Barnabé entraram juntos na
sinagoga judaica e falaram de tal modo, que veio
a crer grande multidão, tanto de judeus como de gregos.
2Mas os judeus que não tinham crido incitaram e irrita­
ram os ânimos dos gentios contra os irmãos. 3Entretan­
to, Paulo e Barnabé ficaram bastante tempo em Icônio,
falando ousadamente no Senhor, o qual confirmava a
palavra da sua graça, concedendo que, por mão deles,
se fizessem sinais e prodígios. 4Mas o povo da cidade
se dividiu: uns eram pelos judeus; outros, pelos apósto­
los. 5Então surgiu um movimento entre os gentios e os
judeus, com o apoio das suas autoridades, para os mal­
tratar e apedrejar. 6Quando Paulo e Barnabé souberam
disso, fugiram para Listra e Derbe, cidades da Licaônia, e
para as regiões vizinhas, ^onde anunciaram o evangelho.
A cura de um paralítico em Listra
8Em Listra, costumava estar sentado certo homem
aleijado, paralítico desde o seu nascimento, e que
s13.33 SI 2.7 713.34 Is 55.3 “ 13.35 SI 16.10 “13.36 1Rs 2.10
w13.37 At 2.24 *13.38 Lc 24.47 713.39 Rm 3.28 *13.41 Hc 1.5
“ 13.43 At 11.23 &13.46 At 3.26; Rm 1.16 *13.47 Is 42.6; 49.6
413.48 Rm 8.28-29; Ef 1.4-5 *13.51 Mt 10.14; Mc 6.11; Lc 9.5; 10.11
13.36 tendo Davi, no seu tempo, servido conforme o plano
de Deus. Cada um de nós deve colocar seu nome no lugar do de
Davi, pedindo discernimento e coragem para que a mesma coisa
possa ser falada de nós. Na verdade, devemos servir nâo apenas
à nossa geração, mas também às seguintes (cf. ns. 2Tm 2.1-2).
13.42,44 Sabiamente, Paulo não fechou com um apelo, dei­
xando o assunto aberto. Como resultado, a notícia se espalhou
pela cidade toda, levando um grupo muito maior a ouvi-lo uma
semana depois, como também os realmente interessados a to­
marem passos para caminhar na graça de Deus (v. 43).
13.47 Eu coloquei você. Cada um de nós tem um chamado.
Cf. última n. 13.2.
13.50 instigaram as mulheres piedosas. Cf. n. 5.1.
13.51 Cf. ns. M t 10.14-39.
13.52 transbordavam de alegria. Cf. n. 8.8.
14.3 a palavra da sua graça. Cf. 4.33; 6.8; 11.23; 13.43;
14.3,26; 15.11,40; 18.27; 20.24,32; n. Ef 2.8-9.
14.7 anunciaram o evangelho. Cf. vs. 1,7,15,21,25. Por onde
andavam, semearam as Boas-Novas da salvação.
atos 14 — 15 218
nunca tinha conseguido andar. 9Esse homem ouviu
Paulo falar. Quando Paulo fixou nele os olhos e viu que
ele tinha fé para ser curado, lOdisse-lhe em voz alta:
— Levante-se direito sobre os pés!
O homem saltou e começou a andar. 11Quando as
multidões viram o que Paulo tinha feito, gritaram em
língua licaônica:
— Os deuses, em forma de homens, desceram até nós.
12A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio,
porque este era o principal portador da palavra. 130 sa­
cerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da ci­
dade, trazendo touros e grinaldas para junto dos portões
da cidade, queria oferecer um sacrifício juntamente com
a multidão. líPorém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé
e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da
multidão, gritando:
15— Senhores, por que estão fazendo isto? Nós
também somos seres humanos como vocês,0 sujeitos
aos mesmos sentimentos, e anunciamos o evangelho
a vocês para que se convertam destas coisas vãs ao
Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que
neles h á / l6Nas gerações passadas, Deus permitiu
que todos os povos andassem nos seus próprios ca­
minhos.0 riContudo, não deixou de dar testemunho
de si m esm o/ fazendo o bem, dando a vocês chuvas
do céu e estações frutíferas, enchendo o coração de
vocês de fartura e de alegria.
18Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que im­
pediram a multidão de lhes oferecer sacrifícios.
<>14.15 At 10.26 *Êx 20.11; S1146.6 <14.16 At 17.30 <<14.17 Rm 1.20
114.21 Cidade da Pisídia <14.22 At 11.23; 13.43 Do 16.33; ITs 3.3;
2Tm3.12 914.23 Tt 1.5 214.26 Capital da Síria *At 13.3 «15.1 Lv 12.3
Paulo é apedrejado
19Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio e,
instigando asmultidões,apedrejaram Pauloe oarrastaram
para fora da cidade, dando-o por morto. 20Rodeando-o,
porém, os discípulos, ele se levantou e entrou na cidade.
No dia seguinte, foi com Barnabé para Derbe.
A volta para Antioquia da Síria
21E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e
feito muitos discípulos, Paulo e Barnabé voltaram para
Listra, Icônio e Antioquia,1 22fortalecendo a alma dos
discípulos, exortando-os a permanecerem firmes na
fé;ee mostrando que, através de muitas tribulações, nos
importa entrar no Reino de Deus/ 23E, promovendo-
-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros,5 depois
de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor, em
quem haviam crido.
24Atravessando a Pisídia, Paulo e Barnabé se diri­
giram à Panfília. 25E, tendo anunciado a palavra em
Perge, foram para Atália 26e dali navegaram para An­
tioquia,2 onde tinham sido recomendadosíi à graça de
Deus para a obra que agora tinham terminado. 27Quan­
do chegaram lá, reuniram a igreja e relataram tudo o
que Deus havia feito com eles e como tinha aberto aos
gentios a porta da fé. 28E permaneceram muito tempo
com os discípulos.
A controvérsia sobre a circuncisão de gentios
Alguns indivíduos que foram da Judeia para
Antioquia ensinavam aos irmãos:
— Se vocês não forem circuncidados0 segundo o
costume de Moisés, não podem ser salvos.
14.9 e viu. Olhos espirituais. Cf. ns. Mc 8.22-26; Lc 7.44; Intro. IPe.
que ele tinhafé para ser curado. Pronto para crer. Cf. n. M t 6.30.
14.12-20 Apesar de Paulo liderar a equipe (vs. 1,3,9,11; cf. ns.
12.25; 13.13), os pagãos reconhecem autoridade em Barnabé,
chamando-o de rei dos deuses, Júpiter, e Paulo de deus men­
sageiro, Hermes (v. 12). Nesta hora de crise, aparentemente
Barnabé assume a liderança (v. 14), mas logo passada a crise,
devolve a liderança para Paulo (vs. 19-20,23).
14.15 sujeito aos mesmos sentimentos. Cf. ns. Jo 11.33;
Hb 4.15. É importantíssimo que líderes e pastores compartilhem
seus sentimentos se querem criar pontes de afinidade e empa-
tia com outras pessoas. Quando não fazem isso, criam muros
em vez de pontes. Cf. n. 3.25.
14.19-20 Duro de matar!
14.21 feito muitos discípulos. Cf. vs. 20,22,28. O alvo de
anunciar o evangelho é fazer discípulos (Mt 28.19-20). Qual­
quer resultado aquém disso quer dizer que não conseguimos
tudo que Deus quis e nos chamou para fazer, voltaram para.
Cf. 15.36. Não é suficiente construir um ministério de impacto
ou fazer grandes eventos. Temos de superar a "mania de even­
tos” para criar processos e relacionamentos. O seguimento,
como fizeram aqui, é fundamental para isso. A lei 10/90, do
iceberg, é que apenas 10% do impacto de um evento acontece
no evento; 90% acontece no preparo e no seguimento. Quando
não temos preparo e seguimento, o impacto de quase qualquer
evento é bastante passageiro.
14.22 através de muitas tribulações. A vida cristã natural­
mente tem dificuldades, conflitos e perseguições. Se não esta­
mos experimentando nada disso, temos de nos perguntar até
que ponto estamos realmente vivendo e demonstrando essa
vida (Jo 15.18-25). importa entrar no Reino de Deus. Cf. n.
M t 19.30; Intro. Mt.
14.23 a eleição de presbíteros. Cf. 15.2. Davam um tempo
para os discípulos se consolidarem e ver que pessoas iriam se
revelar como servos-líderes.
14.26 recomendados à graça de Deus para a obra. Tensão
criativa entre graça, que é obra divina, e esforço humano. Te­
mos de crer e orar como se tudo dependesse de Deus, e traba­
lhar e nos entregar como se tudo dependesse de nós.
14.26-28 De volta a Antioquia (18.22-23). Cf. n. 13.1-2.
15.1 segundo o costume de. É muito fácil, e muito errado, co­
nectar usos e costumes à santificação ou à salvação. Deus olha
para o coração, não para os nossos costumes.
15.1-35 Um estudo de caso fantástico quanto a como resolver
conflitos, seguido por outro caso (vs. 36-41) de não conseguir
resolvê-los. Às vezes acudimos à graça do Senhor de forma ex­
traordinária em casos bem difíceis e, depois, no cansaço poste­
rior, caímos em armadilhas bem menores.
219 Atos 15
2Tendo surgido um conflito e grande discussão de
Paulo e Bamabé com eles, foi resolvido que esses dois
e mais alguns fossem a Jerusalém, aos apóstolos e pres­
bíteros, para tratar desta questão. 3Encaminhados, pois,
pela igreja, atravessaram as províncias da Fenícia e Sa-
maria e, narrando a conversão dos gentios, causaram
grande alegria a todos os irmãos. 4Quando chegaram a
Jerusalém, foram bem-recebidos pela igreja, pelos após­
tolos e pelos presbíteros e relataram tudo o que Deus ha­
via feito com eles. 5Mas alguns membros do partido dos
fariseus que haviam crido se insurgiram, dizendo:
— É necessário circuncidá-los e ordenar-lhes que
observem a lei de Moisés.
A reunião dos apóstolos
e presbíteros em Jerusalém
6Então os apóstolos e os presbíteros se reuniram
para examinar a questão. 7Havendo grande debate,
Pedro tomou a palavra e disse:
— Irmãos, vocês sabem que, desde há muito, Deus
me escolheu entre vocês para que da minha boca os
gentios* ouvissem a palavra do evangelho e cressem. 8E
Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho,
concedendo o Espírito Santoc a eles, como também o
havia concedido a nós.d 9E não estabeleceu distinção
alguma entre nós e eles, purificando-lhes o coração por
meio da fé. lOAgora, pois, por que vocês querem tentar
a Deus, pondo sobre o pescoço dos discípulos um jugo
que nem os nossos pais puderam suportar, nem nós?
11Mas cremos que fomos salvos pela graça6 do Senhor
Jesus, como também aqueles o foram.
O parecer de Tiago
12E toda a multidão silenciou, passando a ouvir
Barnabé e Paulo, que contavam quantos sinais e pro­
dígios Deus tinha feito por meio deles entre os gen­
tios. 13Depois que eles terminaram, Tiago tomou a
palavra e disse:
— Irmãos, ouçam o que tenho a dizer. l4Simão aca­
ba de relatar como, primeiramente, Deus visitou os
gentios, a fim de constituir entre eles um povo para o
seu nome. l5Conferem com isto as palavras dos pro­
fetas, como está escrito:
16 "Cumpridas estas coisas,
voltarei e reedificarei
o tabernáculo caído de Davi;
reedificarei as suas ruínas
e o restaurarei.
17 Para que os demais homens busquem o Senhor,
e também todos os gentios
sobre os quais tem sido invocado o meu nome,
18 diz o Senhor,
que faz estas coisas conhecidas
desde os tempos antigos."^
19— Por isso, julgo que não devemos perturbar
aqueles que, entre os gentios, se convertem a Deus,
20mas escrever-lhes que se abstenham das contami­
nações dos ídolos,3 bem como das relações sexuais
ilícitas," da carne de animais sufocados e do sangue.'
21Porque Moisés tem, em cada cidade, desde tempos
antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido
todos os sábados.
A decisão enviada a Antioquia
22Então pareceu bem aos apóstolos e aos presbíte­
ros, com toda a igreja, eleger alguns homens dentre
*15.7 At 10.1-43 *15.8 At 10.44 *A t2.4 *15.11 Ef2.5
*15.16-18 Am 9.11-12 915.20 Êx 34.15-17 *Lv 18.6-23 'Lv 17.10-16
15.2 Paulo e Barnabé. Ainda que Antioquia fosse a igreja que
Barnabé fundou, onde ele era o pastor titular e de onde saiu
como líder da equipe missionária, Paulo aparece primeiro aqui
(cf. n. 12.25). Aparentemente, Barnabé tinha prazer em elevá-lo
apesar de todos estes fatores, afirmando a sua liderança. Cf. n.
M t 20.28. presbíteros. Cf. vs. 4,6,22-23; 16.4; 20.17,28; 21.18;
ITm 4.14; n. 1Tm 3.1.
15.3 causaram grande alegria. Cf. v. 31; n. 8.8. E você? Causa
alegria por onde vai?
15.5 alguns... dos fariseus. Sincretismo, misturando sua reli­
gião anterior de obras com o evangelho da graça. Quando pes­
soas de outra religião ou até de outra denominação chegam à
igreja, suas perspectivas diferentes podem trazer uma força ou
uma debilidade à igreja atual. Uma planta híbrida geralmente é
mais forte por misturar duas qualidades boas. Quando as duas
partes conseguem juntar as qualidades boas, o resultado pode
ser melhor do que as duas partes separadas. Devemos estar
atentos aos pontos fortes que cada um oferece.
15.7 Havendo grande debate. O que permitia ampla expres­
são de perspectivas diversas.
15.7-11 Pedro se expressa de forma bem mais madura que an­
tes (10.9); ao mesmo tempo, se este encontro é o relatado em
Gl 2.1-10, ele ainda tinha que crescer nesta perspectiva (Gl 2.11-16).
É lindo ver que Deus é paciente em nos ajudar a crescer à medida
em que vamos ficando prontos para isso.
15.8 Deus, que conhece os corações. Cf. Pv 4.23; 1Sm 16.6-7.
o Espírito Santo (v. 28). A presença do Espírito, seus dons e
fruto (cf. n. Gl 5.22-23) são a marca fundamental do discípulo
verdadeiro. Cf. n. 1.2.
15.12 Barnabé e Paulo. Cf. v. 25. Em Jerusalém e entre os apósto­
los, Barnabé era muito querido e tinha proeminência ou liderança
maior.
15.13-21 Tiago. Cf. n. 12.17. Todo presbitério, todo colegiado, toda
equipe, precisa de um líder. Sem isso se paralisa. Algumas igrejas,
na paixão pelo conceito de equipe ou colegiado, insistem em todos
terem voz igual. Na prática, alguém tem uma voz maior, ainda que
na teoria todos tenham voz igual. Mas, se essa pessoa não é reco­
nhecida, cedo ou tarde haverá feridas, conflitos e divisão.
15.22 Este versículo, juntamente com a liderança de Tiago no
parágrafo anterior, nos dá luz quanto ao governo saudável na
atos 15 — 16 220
eles e enviá-los a Antioquia, juntamente com Paulo e
Barnabé. Foram eleitos Judas, chamado Barsabás, e
Silas, homens notáveis entre os irmãos. 23Mandaram
por eles a seguinte carta:
"Os irmãos, tanto os apóstolos como os presbíte­
ros, aos irmãos gentios em Antioquia,1 Síria e Cili­
cia, saudações.
24Visto sabermos que alguns que saíram de nos­
so meio, sem nenhuma autorização, perturbaram
vocês com palavras, transtornando a mente de vo­
cês, 25pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo,
eleger alguns homens e enviá-los a vocês com os
nossos amados Barnabé e Paulo, 26homens que têm
arriscado a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus
Cristo. 27Portanto, estamos enviando Judas e Silas,
os quais pessoalmente lhes dirão as mesmas coisas.
28Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não
impor a vocês maior encargo além destas coisas
essenciais: 29que vocês se abstenham das coisas sa­
crificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne
de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas;
se evitarem essas coisas, farão bem.
Passem bem.”
A leitura da m ensagem
30 Os que foram enviados partiram para Antioquia
e, tendo reunido a comunidade, entregaram a carta.
31Quando a leram, ficaram muito alegres pelo consolo
recebido. 32judas e Silas, que eram também profetas,
115.23 Capital da Síria 2 15.34 o texto entre colchetes se
encontra apenas em manuscritos mais recentes 715.38 At 13.13
consolaram os irmãos com muitos conselhos e os for­
taleceram. 33Tendo-se demorado ali por algum tempo,
os irmãos deixaram que voltassem em paz aos que os
enviaram. 34[Mas pareceu bem a Silas permanecer
ali.]2 35Paulo e Barnabé demoraram-se em Antioquia,
ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra
do Senhor.
A segunda viagem m issionária.
Separação entre Paulo e Barnabé
36Alguns dias depois, Paulo disse a Barnabé:
— Voltemos, agora, para visitar os irmãos em to­
das as cidades nas quais anunciamos a palavra do
Senhor, para ver como estão.
37Barnabé queria levar também João, chamado Mar­
cos. 38Mas Paulo não achava justo levar aquele que
tinha se afastado deles1 desde a Panfília, não os acom­
panhando no trabalho. 39Houve tal desavença entre
eles, que vieram a separar-se. Então Barnabé, levando
consigo Marcos, navegou para Chipre. 40 Mas Paulo,
tendo escolhido Silas, partiu, encomendado pelos ir­
mãos à graça do Senhor. 41E passou pela Síria e Cilicia,
fortalecendo as igrejas.
Paulo leva Tim óteo consigo
Paulo chegou também a Derbe e a Listra. Havia
ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma
judia crente, mas de pai grego. 20s irmãos em Listra e
Icônio davam bom testemunho dele. 3Paulo queria que
Timóteo fosse em sua companhia e, por isso, circun­
cidou-o por causa dos judeus daqueles lugares; pois to­
dos sabiam que o pai dele era grego. 4Ao passar pelas
cidades, entregavam aos irmãos, para que as observas-
igreja. O ideal é que haja uma combinação dos tipos episcopal
(liderança de um indivíduo com graça especial), presbiteriana
(colegiado ou equipe) e congregacional (no qual todos têm
voz). Faz mal para a igreja quando qualquer dessas três vozes é
amarrada ou ignorada. Normalmente, propostas devem fluir do
líder principal para sua equipe, sendo refinadas ou modificadas
na equipe até que haja consenso e, então, passadas para a as­
sembleia (às vezes passando pelo círculo de liderança secun­
dária primeiro), onde normalmente haverá consenso de novo,
como também a opção de refinar ou modificar. A chave é que 0
Espírito Santo flua em todas as esferas (v. 28).
15.23 o seguinte carta. Quando existe um assunto delicado,
pode ser importante colocar a solução de forma escrita. Ao
mesmo tempo, é importante que haja pessoas maduras envol­
vidas no processo que saibam interpretar palavras objetivas
(v. 27) no mover e no poder do Espírito (vs. 25,28,30-32).
15.24 Quando existem conflitos que atingem a igreja, a lideran­
ça tem de se pronunciar. Não fazendo isso, a igreja será vulne­
rável a divisões e pode até se autodestruir.
15.32 profetas, consolaram. Quebra de paradigma. Profetas
maduros sabem usar a verdade para consolar e encorajar, não
apenas para desafiar e confrontar.
15.35 Paulo e Barnabé. Cf. v. 36. De volta a Antioquia, Barnabé
apoia a liderança de Paulo de novo, no momento de um confli­
to terrível (vs. 37-41). Após 0 v. 39, não se menciona Barnabé de
novo no Livro de Atos. Para a retomada da história, cf. ns. Cl 4.10;
Fm 23-24; 2Tm 4.9-11.
15.36 Dando seguimento (v. 41; 16.4-5). Cf. ns. 14.21; Lc 11.24-26.
15.37-40 Barnabé tem olhos de discernimento para acolher e
elevar 0 rejeitado, como fez com Paulo anteriormente (9.26-28;
11.25-26). Paulo não teve suficiente graça para ver que João
Marcos havia crescido desde sua falha anterior (v. 38; 13.13).
15.40 tendo escolhido Silas. Cf. vs. 22,27,32,34,40; 16.19. Pau­
lo sempre trabalhava em equipe. Cf. n. 20.4.
16.1-2 a Derbe e a Listra. Cidades visitadas na primeira viagem
missionária e de novo agora, no início da segunda viagem. Dentro
da região da Galácia, base para a primeira carta de Paulo, a Carta
aos Gálatas. Timóteo. Início da relação de pai e filho espirituais
(cf. ns. 1Tm 1.2-3.11), a mais preciosa que qualquer dos dois teria
para 0 resto da vida. Tal relação é rara, sendo um presente divino.
Aqui iniciou 0 que floresceu na primeira e na segunda Carta de
Paulo a Timóteo, umajudia crente. Cf. 2Tm 3.14-15; n. 5.1; 2Tm 1.5.
16.3 Paulo queria que. Cf. 17.14-15; n. Mc 3.13. circuncidou-o.
Cf. n. 1Co 9.19-20.
221 Atos 16
sem, as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros
de Jerusalém. 5Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé
e, dia a dia, aumentavam em número.
A visão em Trôade
6E percorreram a região ffígio-gálata, tendo sido
impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na
província da Ásia. 7Chegando perto de Mísia, tentaram
ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus0 não o permitiu.
«E, tendo contornado Mísia, foram a Trôade. 9À noite,
Paulo teve uma visão na qual um homem da Macedônia
estava em pé e lhe rogava, dizendo:
— Passe à Macedônia e ajude-nos.
lOAssim que Paulo teve a visão, imediatamente pro­
curamos partir para aquele destino, concluindo que
Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho.
Paulo em Filipos. A conversão de Lídia
11Tendo, pois, navegado de Trôade, fomos direta­
mente para Samotrácia e, no dia seguinte, a Neápolis.
12Dali fomos a Filipos, cidade da Macedônia, primeira
do distrito e colónia. Nesta cidade, permanecemos al­
guns dias. 13No sábado, saímos da cidade para a beira
do rio, onde nos pareceu haver um lugar de oração; e,
assentando-nos, falamos às mulheres que se haviam
reunido ali. 14Certa mulher, chamada Lídia, da cidade
de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos
escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às
coisas que Paulo dizia. 15Depois de ser batizada, ela e
toda a sua casa, nos fez este pedido:
— Se julgam que eu sou fiel ao Senhor, venham fi­
car na minha casa.
E nos constrangeu a isso.
A cura de um a jovem adivinhadora
i6Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração,
veio ao nosso encontro uma jovem possuída de espírito
adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos
seus donos. 17Seguindo a Paulo e a nós, gritava, dizendo:
— Estes homens são servos do Deus Altíssimo e
anunciam a vocês o caminho da salvação.
16.5 e, dia a dia, aumentavam em número. Cf. n. 6.1.
16.6-10 tendo sido impedidos pelo Espírito Santo. Cf. n. 1.2.
Duas vezes (vs. 6-7; Rm 1.13; 15.22) antes de discernir a nova
direção de Deus (vs. 9-10). Discernir quando empecilhos vêm
do Espírito, quando do inimigo e quando apenas das circuns­
tâncias é algo que requer bastante sensibilidade. É fundamen­
tal para saber se devemos nos submeter aos impedimentos ou
lutar para superá-los. Deus pode direcionar um barco que está
movendo.
16.12 Filipos. Cidade estratégica. Base para a Carta aos Fili-
penses. A maioria das Cartas de Paulo surge das igrejas e rela­
ções estabelecidas nesta segunda viagem missionária.
16.13-14 falamos às mulheres... Certa mulher, chamada
Lídia. Cf. n. 5.1. temente a Deus. Cf. 10.2,22; 18.7; Pv 1.7. es-
l81sto se repetiu por muitos dias. Então Paulo, já
indignado, voltando-se, disse ao espírito:
— Em nome de Jesus Cristo, eu ordeno que você
saia dela.
E ele, na mesma hora, saiu.
Paulo e Silas são açoitados e presos
i9Quando os donos da jovem viram que se havia
desfeito a esperança do lucro, agarraram Paulo e Si­
las e os arrastaram para a praça, à presença das auto­
ridades. 20E, levando-os aos magistrados, disseram:
— Estes homens, sendo judeus, perturbam a nos­
sa cidade, 21propagando costumes que não podemos
aceitar, nem praticar, porque somos romanos.
22Então a multidão se levantou unida contra eles, e
os magistrados, rasgando-lhes as vestes, mandaram
açoitá-los com varas. 23E, depois de lhes darem mui­
tos açoites, os lançaram na prisão, ordenando ao car­
cereiro que os guardasse com toda a segurança. 24Este,
recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e
prendeu os pés deles no tronco.
25Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e can­
tavam louvores a Deus, e os demais companheiros de
prisão escutavam. 26De repente, sobreveio tamanho
terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; todas as
portas se abriram e as correntes de todos os presos se
soltaram.
A conversão do carcereiro
27O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas
as portas da prisão, puxando da espada, ia suicidar-
-se, pois pensou que os presos tinham fugido. 28Mas
Paulo gritou bem alto:
— Não faça nenhum mal a si mesmo! Estamos to­
dos aqui.
29Então o carcereiro, tendo pedido uma luz, en­
trou correndo e, trémulo, prostrou-se diante de Pau­
lo e Silas. 30Depois, trazendo-os para fora, disse:
— Senhores, que devo fazer para que seja salvo?
<>16.7 Rm 8.9; Gl 4.6; Fp 1.19
cutava. Uma linda mistura de aspectos humanos e intervenção
divina, levando-a à salvação.
16.15 Depois de ser batizada. Cf. v. 33; n. 2.41 ela e toda a
sua casa. Cf. vs. 31-34; 10.24-25. venham ficar na minha casa.
Graça hospitaleira.
16.19 Silas. Cf. vs. 22,25,29; 17.10,14-15; 18.5.
16.25 Oravam e cantavam louvores. Que resposta incrível ao
açoite e à injustiça! Cf. n. Mt 5.12.
16.28 Estamos todos aqui. Parece que Paulo exerceu algum
tipo de autoridade espiritual sobre os outros presos. Ele se
importou mais com a vida do carcereiro do que com sua própria
liberdade.
16.30 que devo fazer para que seja salvo1 Possivelmente a
maior pergunta que qualquer um pode fazer. Cf. med. Mc 8.14-21,
atos 16 — 17 222
31Eles responderam:
— Creia no Senhor Jesus e você será salvo — você
e toda a sua casa.
32E pregaram a palavra de Deus ao carcereiro e a to­
dos os que faziam parte da casa dele. 33Naquela mesma
hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos
açoites. Logo a seguir, ele e todos os membros da casa
dele foram batizados. 34Então, levando-os para a sua
própria casa, deu-lhes de comer; e, com todos os seus,
manifestava grande alegria por ter crido em Deus.
Paulo e Silas livres da prisão
35Quando amanheceu, os magistrados enviaram ofi­
ciais de justiça, com a seguinte ordem para o carcereiro:
— Ponha aqueles homens em liberdade.
36Então o carcereiro comunicou isso a Paulo, di­
zendo:
— Os magistrados ordenaram que vocês fossem
postos em liberdade. Agora, pois, saiam e vão em paz.
37Paulo, porém, lhes disse:
— Sem ter havido processo formal contra nós, nos
açoitaram publicamente e nos jogaram na cadeia,
sendo nós cidadãos romanos. Querem agora nos
mandar embora sem maior alarde? Nada disso! Pelo
contrário, que eles venham e, pessoalmente, nos po­
nham em liberdade.
38Os oficiais de justiça comunicaram isso aos magis­
trados. Quando estes souberam que Paulo e Silas eram
cidadãos romanos, ficaram com medo. 39Então foram até
eles e lhes pediram desculpas; e, relaxando-lhes a prisão,
pediram que se retirassem da cidade. 40Tendo saído da
prisão, Paulo e Silas dirigiram-se para a casa de Lídia e,
vendo os irmãos, os confortaram. Depois partiram.
Paulo e Silas em Tessalônica
Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, Pau­
lo e Silas chegaram a Tessalônica, onde havia
uma sinagoga dos judeus. 2Paulo, segundo o seu cos-
que explica o valor das duas perguntas diagnósticas que podem
levar um não crente a fazer esta pergunta.
16.34 manifestava grande alegria. Cf. n. 8.8.
16.35-39 Sendo sábios ou prudentes como serpentes e símpli-
ces como pombas (Mt 10.16).
16.40 confortaram. Mesmo tendo sofrido, ainda assim conforta­
ram a outros (2Co 1.3-7), novos convertidos que não tinham expe­
riência em sofrer por Jesus. Depois partiram. Lucas estava pre­
sente em Filipos (note a primeira pessoa do plural nos vs. 10-17).
Ele não saiu de Filipos com Paulo. Para quem tem o coração ro­
mântico, dá para se perguntar se algo aconteceu entre Lídia e Lu­
cas. Quem sabe isso ajude a explicar a razão por que os filipenses
amavam e apoiavam Paulo acima de qualquer outra igreja?
17.1-9 Tessalônica. Base para a Primeira e Segunda Carta aos
Tessalonicenses.
tume, foi procurá-los e, por três sábados, discutiu
com eles a respeito das Escrituras, 3expondo e de­
monstrando ter sido necessário que o Cristo pade­
cesse e ressuscitasse dos mortos. Paulo dizia:
— Este Jesus, que eu anuncio a vocês, é o Cristo.
4Alguns deles foram persuadidos e se juntaram a Paulo
e Silas, bem como numerosa multidão de gregos piedosos
e muitas mulheres importantes. 5Os judeus, porém, mo­
vidos de inveja, trazendo consigo alguns homens maus
dentre a malandragem, reuniram uma multidão e pro­
vocaram um tumulto na cidade. E, atacando de surpresa
a casa de Jasom, procuravam trazer Paulo e Silas para o
meio do povo. 6Porém, não os encontrando, arrastaram
Jasom e alguns irmãos diante das autoridades, gritando:
— Estes que promovem tumulto em todo o mun­
do chegaram também aqui, Te Jasom os hospedou na
casa dele. Todos estes agem contra os decretos de Cé­
sar, dizendo que existe outro rei, chamado Jesus."
8Tanto a multidão como as autoridades ficaram
agitadas ao ouvir estas palavras. 9Porém, depois de
terem recebido deles a fiança estipulada, as autori­
dades soltaram Jasom e os outros.
Paulo e Silas em Bereia
10 E logo, durante a noite, os irmãos enviaram Paulo
e Silas para Bereia. Ali chegados, dirigiram-se à sina­
goga dos judeus. HOra, estes de Bereia eram mais no­
bres do que os de Tessalônica, pois receberam a palavra
com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os
dias para ver se as coisas eram, de fato, assim. 12Com
isso, muitos deles creram, mulheres gregas de alta po­
sição social e muitos homens. 13Mas, logo que os judeus
de Tessalônica souberam que a palavra de Deus era
anunciada por Paulo também em Bereia, foram lá agi­
tar e perturbar o povo. 14Então os irmãos fizeram com
que Paulo fosse imediatamente para os lados do mar.
Porém Silas e Timóteo continuaram em Bereia. 15Os
responsáveis por Paulo levaram-no até Atenas e regres­
saram trazendo ordem a Silas e Timóteo para que fos­
sem encontrá-lo o mais depressa possível.
17.2 foi procurá-los. A iniciativa no evangelismo deve ser nos­
sa, saindo do aquário para pescar. Não devemos ficar aguar­
dando os peixes darem um pulo para dentro do nosso aquário!
discutiu. Ou raciocinou.
17.3 A mensagem da ressurreição é central ao evangelho
(vs. 3,18,31-32; 23.6,8; 24.15,21; 26.6-8,23). Cf. n. 4.2.
17.4 muitas mulheres importantes. Cf. v. 12; n 5.1.
17.6 Estes que promovem tumulto em todo o mundo. Qual
seu efeito em seu mundo? Cf. n. M t 19.30.
17.7 e Jasom os hospedou. Cf. Mt 10.11; n. Mt 26.6 dizendo
que existe outro rei, chamado Jesus. Cf. n. M t 19.30; Intro. Mt.
17.11 mais nobres. E você, é candidato a ser mais nobre se­
gundo a descrição aqui?
17.14-15 Silas e Timóteo. Paulo aprendeu de Barnabé a andar
em equipe e se esforçou para fazer isso. Cf. n. 18.5.
223 ATOS 17
O discurso de Paulo em Atenas
16Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu es­
pírito se revoltava em face da idolatria dominante na
cidade. 17Por isso, falava na sinagoga com os judeus e
os gentios piedosos; também na praça, todos os dias,
com os que se encontravam ali. 18E alguns dos filóso­
fos epicureus e estoicos discutiam com ele, havendo
quem perguntasse:
— Que quer dizer esse tagarela?
Outros diziam:
— Parece pregador de estranhos deuses.
Diziam isso porque Paulo pregava Jesus e a ressur­
reição.
19 Então, tomando-o consigo, levaram-no ao Areó­
pago, dizendo:
— Podemos saber que nova doutrina é essa que
você ensina? 20Pois você nos traz aos ouvidos coisas
estranhas e queremos saber o que vem a ser isso.
21Acontece que todos os de Atenas e os estran­
geiros residentes não se ocupavam com outra coisa
senão dizer ou ouvir as últimas novidades. 22Então
Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse:
— Senhores atenienses! Percebo que em tudo vocês
são bastante religiosos, 23porque, andando pela ci­
dade e observando os objetos de culto que vocês têm,
encontrei também um altar no qual aparece a seguin­
te inscrição: Ao Deus Desconhecido. Pois esse que
vocês adoram sem conhecer é precisamente aquele
que eu lhes anuncio.
24— O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe,
sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em san­
tuários feitos por mãos humanas; 25nem é servido por
mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse,
pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e
tudo mais." 26De um só homem fez todas as nações da
humanidade para habitarem sobre toda a face da terra,
havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e
os limites da sua habitação;0 27para buscarem Deus se,
porventura, tateando, o possam achar, ainda que não es­
teja longe de cada um de nós; 28pois nele vivemos, nos
movemos e existimos,3 como alguns dos poetas de vo­
cês disseram: "Porque dele também somos geração.”2
29Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar
que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pe­
dra, trabalhados pela arte e imaginação do homem.d
30Deus não levou em conta os tempos da ignorância,0
mas agora anuncia aos homens que todos, em toda
parte, se arrependam. 31Porque Deus estabeleceu um
dia em que julgará o mundo com justiça, por meio de
um homem que escolheu.5 E deu certeza disso a todos,
ressuscitando-o dentre os mortos.
*>17.24-25 Is 42.5 <17.26 Dt 32.8 M 7.28 Frase inspirada no poeta
Epimênides 2Frasede Arato 4-|7.29 Rm 1.23
e17.30 At 14.16 A c 24.47 917.31 At 10.42; Rm 2.16
17.16 seu espírito se revoltava. Outra versão diz que ele ficou
profundamente indignado. Cf. n. Jo 11.33. “Descontentamento
santo” em face da idolatria dominante na cidade. E qual a
idolatria dominante na sua cidade? Materialismo, relativismo,
individualismo, hedonismo, ativismo, produção, poder ou po­
pularidade?
17.18 havendo quem perguntasse. Não perguntas de um dis­
cípulo (cf. n. M t 13.36), mas baseadas em curiosidade intelec­
tual (vs. 19-21; cf. n. M t 2.1-6), que pode ou não levar à trans­
formação de vida (vs. 32-34; cf. n. Jo 5.39).
Nota prática: nossas pregações e estudos bíblicos que não
terminam em aplicação são piores que a perda de tempo. Pen­
samos que somos melhores e mais espirituais por ter ouvido
ou estudado a Palavra. Quando não vivemos (praticamos)
as verdades que recebemos, algo morre dentro de nós. Cf. n.
M t 28.20; meds. M t 7.21-27; Tg 1.22-25; ns. Hb 5.11-14.
17.22-31 em tudo vocês sâo bastante religiosos. Cf. v. 22. É
importante criar pontes, começando com os pontos forte dos
outros. Mas isso requer observação (vs. 23,28), interpretação
(vs. 23-27,29) e aplicação ou ação (vs. 30-31,34). Cf. n. At 3.25.
17.23 Ao D eus D e s c o n h e c id o . Apesar de Jesus fazê-lo co­
nhecido (Jo 1.14,18), discípulos saudáveis têm uma profunda
convicção do mistério em relação a Deus, sabendo que ele é
muito além do que conseguimos enxergar ou imaginar (v. 27). A
profunda meditação sobre o caráter de Deus leva naturalmente
a Isso. Quem não sente isso, provavelmente tem uma vida es­
piritual superficial.
17.26 fez todas as nações da humanidade. Outra tradu­
ção possível: “todos os povos”, havendo fixado os tempos.
Do grego koirós: cf. n. Mc 1.15. previamente estabelecidos.
Cf. Ec 3.11. e os limites da sua habitação. Os lugares exa­
tos em que deveriam habitar. Deus estabelece nações e suas
fronteiras.
17.27 para buscarem Deus. Deus cria nações com o propósito
de os homens o buscarem e o encontrarem.
Noto prática: precisamos de mais pessoas como John Knox,
famoso reformador que deu um grito: “Dá-me a Escócia ou
eu morro!” Cada um tem uma esfera dentro da qual ministrar
(cf. ns. 2Co 10.13-14). E cada um deve procurar juntar o mi­
nistério em sua esfera particular a um ministério numa esfera
maior para contribuir para além de seu trabalho individual.
Quem ministra numa casa deve se juntar a outros que minis­
tram numa igreja. Quem ministra numa igreja deve se juntar
a outros no bairro ou na cidade; os do bairro ou da cidade, a
outros no Estado; os do Estado, a outros na nação. Devemos
orar por mais pessoas como John Knox, que tenham uma visão
em nível nacional e possam alimentar, assessorar e apoiar os
que estão numa esfera menor.
17.28 pois nele vivemos. Nele, não em nossa família, traba­
lho, ministério ou qualquer outra coisa. Se a nossa realização
e o nosso bem-estar focam somente essas coisas, estaremos
envolvidos em idolatria (cf. Sl 40.4; 1Jo 5.21). Cedo ou tarde,
Deus, em sua misericórdia e ciúmes (Tg 4.5-6), nos quebrantará.
17.30 Deus... mas agora. Mas Deus! Cf. ns. 2.24; 10.28. se
arrependam. Cf. ns. M t 3.1-3; 2Co 7.8-11.
17.33 Quando há pessoas resistentes e pessoas desejosas de
aprender, é bom parar e retomar o assunto apenas com os que
querem crescer.
ATOS 1 7 — 18 224
Uns zom bam , outros creem
32Quando ouviram falar de ressurreição de mor­
tos, uns zombaram, e outros disseram:
— A respeito disso ouviremos você em outra ocasião.
33A essa altura, Paulo se retirou do meio deles.
34Houve, porém, alguns homens que se juntaram a ele
e creram; entre eles estava Dionísio, o areopagita, uma
mulher chamada Dâmaris e, com eles, mais algumas
pessoas.
Paulo em Corinto
Depois disso, deixando Atenas, Paulo foi a Co­
rinto. 2Lá, encontrou um judeu chamado Áqui-
la, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália,
com Priscila,0 sua mulher, porque o imperador Cláu­
dio havia decretado que todos os judeus deviam sair
de Roma. Paulo aproximou-se deles. 3E, como tinham
o mesmo ofício, passou a morar com eles e ali traba­
lhava. b 0 ofício deles era fazer tendas. 4E todos os sá­
bados falava na sinagoga, persuadindo tanto judeus
como gregos.
Paulo anuncia Jesus
5Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia,
Paulo se entregou totalmente à palavra, testemunhando
aos judeus que o Cristo é Jesus. 6Como eles se opuseram
e blasfemaram, Paulo sacudiu as vestes e disse-lhes:
— Que o sangue de vocês caia sobre a cabeça de
vocês! Eu dele estou limpo e, a partir de agora, vou
para os gentios.
7 Saindo dali, entrou na casa de um homem chamado
Tício Justo, que era temente a Deus; a casa dele ficava
ao lado da sinagoga. 8Crispo, o chefe da sinagoga, creu
no Senhor, com toda a sua casa; também muitos dos
coríntios, ouvindo, creram e foram batizados.
9Certa noite Paulo teve uma visão em que o Senhor
lhe disse:
«18.2 At 18.18,26; Rm 16.3; 1Co 16.19; 2Tm 4.19
<>18.3 ICo 4.12; ITs 2.9 <18.18 Nm 6.18
17.34 Dâmaris. Cf. n. 5.1.
18.1-18 Corinto. Base para a Primeira e a Segunda Carta aos
Coríntios.
18.2 Áquila... com Priscila. Cf. vs. 18,26; n. 5.1.
18.3 fazer tendas. A única menção a Paulo fazer tendas
na Bíblia é esta, mas houve muitas vezes em que ele traba­
lhou para se sustentar e não ser um peso para outros (20.34;
ICo 4.12; 1Ts 2.9; 2Ts 3.8). O fato de Paulo ser um fazedor
de tendas é um poderoso modelo para pessoas profissionais,
a fim de que aproveitem seu negócio ou profissão, especial­
mente nos muitos países onde não é possível atuar como mis­
sionário.
Nota prática: fariseus foram obrigados a ter uma profissão.
Esse conceito pode ser muito útil para jovens que querem en­
trar no ministério. É excelente ter opções de sustento, e não se
— Não tenha medo! Pelo contrário, fale e não fique
calado, 18porque eu estou com você, e ninguém ousa­
rá lhe fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade.
11E ali permaneceu um ano e seis meses, ensi­
nando entre eles a palavra de Deus.
Paulo diante de Gálio
12Quando Gálio era procônsul da Acaia, os judeus,
de comum acordo, se levantaram contra Paulo e o le­
varam ao tribunal, l3dizendo:
— Este homem quer persuadir as pessoas a ado­
rar a Deus de um modo contrário à lei.
l4Quando Paulo ia falar, Gálio disse aos judeus:
— Se fosse, de fato, alguma injustiça ou crime de
maior gravidade, ó judeus, eu teria motivo para aco­
lher a queixa que vocês estão trazendo. l5Mas como é
uma questão de palavras, de nomes e da própria lei de
vocês, resolvam isso vocês mesmos; eu não quero ser
juiz dessas coisas!
16E os expulsou do tribunal. 17Então todos agarraram
Sóstenes, o chefe da sinagoga, e começaram a espancá-
-lo diante do tribunal; Gálio, todavia, não se incomodava
com estas coisas.
O final da segunda viagem
m issionária de Paulo
l8Paulo ficou ainda muitos dias em Corinto. Por fim,
despedindo-se dos irmãos, navegou para a Síria, le­
vando em sua companhia Priscila e Áquila. Antes de
embarcar, rapou a cabeça0 em Cencreia, porque tinha
feito um voto. l9Quando chegaram a Éfeso, Paulo os
deixou ali; ele, porém, entrando na sinagoga, pregava
aos judeus. 20Pediram-lhe que ficasse mais algum tem­
po, mas Paulo não quis. 21Ao se despedir, disse:
— Se Deus quiser, virei visitá-los outra vez.
E, embarcando, partiu de Éfeso. 22Chegando a Cesa-
reia, foi logo para Jerusalém. E, tendo saudado a igreja,
seguiu para Antioquia. 23Havendo passado ali algum
tempo, saiu, atravessando sucessivamente a região da
Galácia e Frigia, fortalecendo todos os discípulos.
sentir preso ou amarrado ao sustento da igreja, ou seja, sem
escolha.
18.4-5 todos os sábados falava na sinagoga. Quase parado,
fazendo muito pouco! se entregou totalmente à palavra.
Mudança radical! Chegando sua equipe, ele se entregou. Cf. n.
20.4; n.2Co 2.12-13.
18.6 Paulo sacudiu as vestes. Cf. 13.46-48; n. M t 10.14.
18.7 entrou na casa de... Tício Justo. Cf. n. M t 26.6 temente
a Deus. Cf. Pv 1.7.
18.8 com toda a sua casa. Cf. n. 10.24-25.
18.10 eu estou com você. Uma presença protetora e também
de unção especial. Cf. última n. M t 28.20.
18.20 não quis. Parecido a Jesus em Mc 1.35-39.
18.22-23 Antioquia. Cf. 14.26-28; n. 13.1-2. fortalecendo
todos os discípulos. Dando seguimento à obra. Cf. n. 14.21.
225 ATOS 1 8 — 19
A terceira viagem m issionária de Paulo.
Apoio em Éfeso
2<Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu, natu­
ral de Alexandria, chamado Apoio, homem eloquente e
poderoso nas Escrituras. 25Ele era instruído no cami­
nho do Senhor; e, sendo fervoroso de espírito, falava e
ensinava com precisão a respeito de Jesus, conhecendo
apenas o batismo de João. 26Ele começou a falar ousa­
damente na sinagoga. Quando Priscila e Áquila ouvi­
ram Apoio, levaram-no consigo e, com mais exatidão,
lhe expuseram o caminho de Deus. 27Quando Apoio
resolveu percorrer a Acaia, os irmãos o animaram e es­
creveram aos discípulos para que o recebessem bem.
Tendo chegado, auxiliou muito aqueles que, mediante
a graça, haviam crido; 28porque, com grande poder,
convencia publicamente os judeus, provando, por meio
das Escrituras, que Jesus era o Cristo.
Paulo em Éfeso
Aconteceu que, enquanto Apoio estava em Co­
rinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais
altas, chegou a Éfeso. Encontrando ali alguns discípu­
los, 2perguntou-lhes:
— Vocês receberam o Espírito Santo quando creram?
Ao que eles responderam:
— Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe
o Espírito Santo.
3 Paulo perguntou:
— Então que batismo vocês receberam?
Eles responderam:
— 0 batismo de João.
18.24-26 Apoio. Estes versículos indicam pelo menos oito ca-
racterísticas deste homem cheio de graça - bem parecido com
Paulo em diversos sentidos. Pouco depois os dois tiveram um
desentendimento. Cf. n. ICo 16.12.
18.26 Priscila e Áquila. Cf. med. 18.1-4. levaram-no consigo.
Sugere um acolhimento especial. Outras versões falam em
convidá-lo para sua casa. e... lhe expuseram. Indica graça da
parte de Priscila e Áquila, como também um espírito ensinável
da parte de Apoio.
18.27 os irmãos o animaram e escreveram aos discípulos
para que o recebessem bem. Passou a ser parte da família, da
igreja, com a ajuda de Priscila e Áquila. auxiliou muitos. Ser­
vindo e auxiliando, não se colocando acima.
18.28 Juntando poder com profunda compreensão das Escritu­
ras! Quantas vezes caímos em ressaltar um ou outro? Que possa­
mos ter mais pessoas como Apoio! E mais pessoas como Priscila e
Áquila para os mentorear e colocar firmemente no caminho certo!
19.1-41 Éfeso. Cf. 20.16-38. Base para a Carta de Paulo aos
Efésios, enviada para essa cidade e região. A história dessa
igreja continua nas entrelinhas da Primeira e Segunda Carta
a Timóteo, uma vez que Timóteo cuidava dessa igreja. Ainda
assim, teve problemas espirituais sérios (Ap 2.1-7). Aparente­
mente ele se arrependeu, porque chegou a ser uma das sete
sedes da Igreja Primitiva nos primeiros quatro séculos da Igreja.
19.2 Quantos crentes hoje em dia têm um estilo de vida que ecoa
4Paulo explicou:
— João realizou batismo0 de arrependimento, di­
zendo ao povo que cresse naquele que vinha depois
dele, a saber, em Jesus.
5Eles, tendo ouvido isto, foram batizados no nome do
Senhor Jesus. 6E, quando Paulo lhes impôs as mãos, o Es­
pírito Santo veio sobre eles, e tanto falavam em línguas
como profetizavam. 7Eram, ao todo, uns doze homens.
Paulo na escola de Tirano
8 Durante três meses, Paulo frequentou a sinagoga
onde falava ousadamente, discutindo e persuadindo
com respeito ao Reino de Deus. 9Mas como alguns deles
se mostravam teimosos e descrentes, falando mal do Ca­
minho0 diante da multidão, Paulo se afastou deles. E, le­
vando consigo os discípulos, passou a falar diariamente
na escola de Tirano. 10Paulo fez isso durante dois anos,
de modo que todos os habitantes da província da Ásia
ouviram a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos.
Os filhos de Ceva
11 Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraor
dinários, 12a ponto de levarem aos enfermos lenços e
aventais do seu uso pessoal,0 diante dos quais as en­
fermidades fugiam das suas vítimas, e os espíritos
malignos se retiravam. 13E alguns judeus, exorcistas
ambulantes, tentaram invocar o nome do Senhor Jesus
sobre pessoas possuídas de espíritos malignos, dizendo:
«19.4 Mt 3.11; Mc 1.4.7-8; Lc 3.4,16; Jo 1.26-27 * 19.9 At 9.2
C19.12 At 5.15
a resposta destes discípulos? Quando foi a última vez que Deus
ministrou em sua ida de forma sobrenatural, que não poderia
ser explicada de qualquer outra maneira? E qual foi a última vez
que Deus o usou dessa forma na vida de outra pessoa?
19.4 O batismo de João se baseava em arrependimento (cf. n.
2.38). Ai de nós quando nossos batismos nem chegam a esse
nível, ou seja. as pessoas entram na igreja sem nenhuma mu­
dança real ou significativa em seu estilo de vida!
19.6 E, quando Paulo lhes impôs as mãos. Cf. n. 6.6. o Es­
pírito Santo veio sobre eles. Cf. n. At 1.2; Intro. falavam em
línguas. Cf. n. 1Co 14.5. como profetizavam. Cf. n. 1Co 14.1.
19.7 doze homens. ' Pequeno é formoso.” Cf. n. M t 14.17. Mui­
tas vezes queremos ganhar muitos, e ficamos com poucos. Je­
sus e Paulo sabiam ganhar poucos e discipulá-los para alcançar
muitos por meio deles (v. 10).
19.8 com respeito ao Reino de Deus. Cf. n. M t 19.30; Intro. Mt.
19.9 do Caminho. Cf. v. 23; penúltima nota em 9.1-2. levando
consigo os discípulos. Cf. n. 17.33.
19.11-12 Cf. n. 1Co 4.20.
19.13-17 Deus não tem netos. Não adianta procurar caminhar
pela fé ou pela experiência de outra pessoa. Temos de ser filhos
de Deus, com uma intimidade pessoal com ele por meio de Je­
sus. Podemos e devemos aprender de outros, mas o que apren­
demos tem de ser integrado à nossa própria vida, não apenas
ficar como entendimento intelectual.
Atos 19 — 20 226
— Ordeno que saiam pelo poder de Jesus, a quem
Paulo prega.
1 4 0 s que faziam isto eram sete filhos de um judeu
chamado Ceva, sumo sacerdote. 15Mas o espírito ma­
ligno lhes respondeu:
— Conheço Jesus e sei quem é Paulo; mas vocês,
quem são?
16E o possuído do espírito maligno saltou sobre eles,
dominando a todos e, de tal modo prevaleceu contra
eles, que, nus e feridos, fugiram daquela casa. 17Este
fato chegou ao conhecimento de todos os moradores
de Éfeso, tanto judeus como gregos. Veio temor sobre
todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrande­
cido. 18Muitos dos que creram vieram confessando e
denunciando publicamente as suas próprias obras.
i9Também muitos dos que haviam praticado magia,
reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos.
Calculado o valor dos livros, verificaram que chegava a
cinquenta mil denários.120Assim, a palavra do Senhor
cresciade prevalecia poderosamente.
Paulo envia Tim óteo e Erasto
para a M acedônia
21Depois destas coisas, Paulo resolveu, no seu es­
pírito, ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e
Acaia. Ele dizia:
— Depois de passar por Jerusalém, preciso ir tam­
bém a Roma.
22Tendo enviado à Macedônia dois daqueles que
o ajudavam, a saber, Timóteo e Erasto, permaneceu
algum tempo na província da Ásia.
O tum ulto em Éfeso
23Por esse tempo, houve grande tumulto em Éfeso
por causa do Caminho.e24Pois um ourives, chamado De-
métrio, que fazia, de prata, modelos do templo de Diana
e que dava muito lucro aos artífices, 25convocando-os
juntamente com outros do mesmo ofício, disse-lhes:
— Senhores, vocês sabem que deste ofício vem a nos­
sa prosperidade. 26 E agora vocês estão vendo e ouvindo
que não só em Éfeso, mas em quase toda a província
da Ásia, este Paulo tem persuadido e desencaminhado
muita gente, afirmando que os deuses feitos por mãos
humanas não são deuses de verdade/ 27Não somente
119.19 Moeda romana de prata, que era o pagamento por um dia
detrabalho <<19.20At 6.7; 12.24 «19.23 At 9.2; 19.9
<19.26 S1115.4; Is 44.10
19.17 Veio temor sobre todos eles. Cf. Pv 1.7.
19.18-19 Frutos de arrependimento ou restituição.
Cf. Êx 22.1-17.
19.20 crescia e prevalecia poderosamente. Cf. n. 6.1.
19.22 dois daqueles que o ajudavam. Que frase extraordiná­
ria! Paulo não apenas ajudava as pessoas, mas ainda assegura-
há o perigo de que o nosso negócio caia em descrédito,
como também de que o próprio templo da grande deu­
sa Diana seja considerado sem valor, e que até venha a
ser destruída a majestade daquela que toda a província
da Ásia e o mundo adoram.
28 Ouvindo isto, ficaram furiosos e começaram a
gritar:
— Grande é a Diana dos efésios!
29A confusão se espalhou pela cidade, e todos jun­
tos foram correndo para o teatro, arrastando consigo
os macedônios Gaio e Aristarco, companheiros de
Paulo. 30Quando Paulo quis apresentar-se ao povo, os
discípulos não o permitiram. 31 Também algumas auto­
ridades da província, que eram amigos de Paulo, man­
daram um recado, pedindo que ele não se arriscasse
indo ao teatro. 32 Uns, pois, gritavam de uma forma; ou­
tros, de outra; porque a assembleia tinha virado uma
confusão. E, na sua maior parte, nem sabiam por que
motivo estavam reunidos. 33Então tiraram Alexandre
do meio da multidão, e os judeus o empurraram para a
frente. Este, acenando com a mão, queria falar ao povo.
34Quando, porém, reconheceram que ele era judeu, to­
dos, a uma voz, gritaram durante quase duas horas:
— Grande é a Diana dos efésios!
350 escrivão da cidade, tendo apaziguado o povo,
disse:
— Senhores efésios, quem não sabe que a cidade
de Éfeso é a guardiã do templo da grande Diana e da
imagem que caiu do céu? 36Ora, não podendo isto ser
contestado, convém que vocês se mantenham calmos
e não façam nada de forma precipitada; 37porque estes
homens que vocês trouxeram para cá não profanaram
o templo, nem blasfemam contra a nossa deusa. 38Por­
tanto, se Demétrio e os artífices que o acompanham
têm alguma queixa contra alguém, saibam que exis­
tem os tribunais e os procônsules; que se acusem uns
aos outros ali. 39Mas, se vocês estão pleiteando alguma
outra coisa, isso será decidido em assembleia regular.
40Porque também corremos o risco de sermos, hoje,
acusados de revolta, não havendo motivo algum que
possamos alegar para justificar este ajuntamento.
41E, havendo dito isto, dissolveu a assembleia.
De novo, Paulo visita a M acedônia e a G récia
Cessado o tumulto, Paulo mandou chamar os
discípulos e, tendo-os encorajado, despediu-
-se e foi para a Macedônia. 2Havendo atravessado
aquelas terras, fortalecendo os discípulos com muitas
va que houvesse pessoas que o ajudassem, que cuidassem dele
(27.3; cf. n. 2Co 2.12-13).
19.30 os discípulos não o permitiram. Há momentos em que
pastores e outros líderes precisam se submeter à sabedoria dos
membros da igreja. Cf. n. At 15.22.
20.1 tendo-os encorajado. Cf. v. 12. Paulo recebeu ameaça de
227 Atos 20
exortações, dirigiu-se para a Grécia, 3onde se demo­
rou três meses. Tendo havido uma conspiração por
parte dos judeus contra ele, quando estava para em­
barcar rumo à Síria, decidiu voltar pela Macedônia.
4Acompanharam-no Sópatro, de Bereia, filho de Pirro;
Aristarco e Secundo, de Tessalônica; Gaio, de Derbe;
Timóteo; e também Tíquico e Trófímo, da província da
Ásia. 5Estes nos precederam, ficando à nossa espera
em Trôade. 6Depois dos dias dos pães asmos, navega­
mos de Filipos e, em cinco dias, nos encontramos com
eles em Trôade, onde passamos uma semana.
Paulo em Trôade
7No primeiro dia da semana, nós nos reunimos com
o fim de partir o pão. Paulo, que pretendia viajar no dia
seguinte, falava aos irmãos e prolongou a mensagem
até a meia-noite. 8Havia muitas lâmpadas no cenáculo
onde estávamos reunidos. 9Um jovem, chamado Êutico,
que estava sentado numa janela, adormecendo pro­
fundamente durante a prolongada mensagem de Pau­
lo, vencido pelo sono, caiu do terceiro andar abaixo.
Quando o levantaram, estava morto. 10Descendo, po­
rém, Paulo inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse:
— Não fiquem alvoroçados, pois ele está vivo.
11 Subindo de novo, Paulo partiu o pão e comeu.
E lhes falou ainda muito tempo até o amanhecer. E,
assim, partiu. 12Então conduziram vivo o rapaz e
sentiram-se grandemente confortados.
Paulo em barca em Assôs. C hega a M ileto
13NÓS, porém, prosseguindo, embarcamos e nave­
gamos para Assôs, onde devíamos receber Paulo, por­
que assim nos havia sido determinado, devendo ele ir
por terra. 14 Quando se reuniu conosco em Assôs, nós
o recebemos a bordo e fomos a Mitilene. l5Dali, na­
vegando, no dia seguinte passamos diante de Quios.
Levamos mais um dia até Samos e, um dia depois, che­
gamos a Mileto. 16Paulo já tinha resolvido não aportar
em Éfeso, pois não queria demorar-se na província da
Ásia. Ele tinha pressa, pois queria, caso lhe fosse possí­
vel, passar o dia de Pentecostes em Jerusalém.
Em M ileto, Paulo fala aos presbíteros
da igreja de Éfeso
17De Mileto, Paulo enviou uma mensagem a Éfeso,
pedindo aos presbíteros da igreja que se encontras­
sem com ele. 18E, quando chegaram, Paulo lhes disse:
— Vocês sabem como me conduzi entre vocês em
todo o tempo, desde o primeiro dia em que entrei na
província da Ásia, 19servindo o Senhor com toda a hu­
mildade, com lágrimas e com as provações que me so­
brevieram pelas ciladas dos judeus, 20jamais deixando
de anunciar o que fosse proveitoso e de ensinar isso a
vocês publicamente e também de casa em casa, 21tes­
temunhando tanto a judeus como a gregos o arrepen­
dimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus
Cristo. 22E, agora, impelido pelo Espírito, vou para Je­
rusalém, não sabendo o que ali vai me acontecer, 23ex-
ceto que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me
assegura que prisões e sofrimentos estão à minha es­
pera. 24Porém em nada considero a vida preciosa para
mim mesmo, desde que eu complete a minha carreira0
e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemu­
nhar o evangelho da graça de Deus.
25— E agora eu sei que todos vocês, em cujo meio pas­
sei pregando o Reino, não mais verão o meu rosto. 26Por­
tanto, no dia de hoje testifico diante de vocês que estou
limpo do sangue de todos, 27porque jamais deixei de
lhes anunciar todo o plano de DeusÁ 28Cuidem de vocês
mesmos e de todo o rebanho no qual o Espírito Santo
“20.24 2Tm 4.7 *20.27 At 20.20
morte, mas ainda assim foi capaz de confortar e encorajar os
outros. Cf. ns. 2Co 1.3-11.
20.4 Equipe. Cf. ns. 13.1; 15.13,21-22; 15.40; 18.4-5; Rm 16.3. Sete
pessoas de cidades onde Paulo evangelizou. Sópatro, de Bereia.
É mencionado apenas aqui. Aristarco. Cf. n. Cl 4.10. Secun­
do. Mencionado apenas aqui. Gaio. Cf. n. Rm 16.23. Timóteo.
Cf. Intro. ITm. Tíquico. Cf. n. Ef 6.21. Trófimo. Cf. n. 2Tm 4.20
Os melhores membros de uma equipe geralmente são as pessoas
que o próprio líder discipulou. Cf. At 16.6-10; 2Tm 4.9-22.
20.7 nos reunimos com o fim de partir o pão. Cf. 2.42,45. A
expressão "partir o pão” não se refere a participar de uma re­
feição qualquer, e sim da Santa Ceia. Isso era parte normal do
culto dominical da Igreja Primitiva, como ainda é praticado nas
igrejas mais litúrgicas.
20.17 presbíteros. Cf. última n. 15.2.
20.19 Lucas ressalta três marcas do verdadeiro servo do
Senhor aqui: (1) humildade, ou seja, ele serve de coração (cf. n.
Mt 5.3); (2) lágrimas; ele serve com o coração (vs. 31,37; cf. n.
Mt 5.4); e (3) provações, deixando seu coração ser forjado.
20.20 publicamente e também de casa em casa. Cf. n. 2.46.
20.21 arrependimento. Cf. ns. 2.38; 7.58.
20.22 impelido pelo Espírito. Cf. n. At 1.2; Intro.
20.23 prisões e sofrimentos. Os propósitos de Deus às vezes
nos levam por vales profundos, não apenas picos de monta­
nhas (cf. ns. M t 4.1; Hb 11.35-38).
20.24 Espírito guerreiro (2Tm 2.3-4). Cf. Intro. 1Pe. em nada
considero a vida preciosa para mim mesmo. Fp 3.7-11 desde
que eu complete a minha carreira. Corrida; cf. Fp 3.12-14. o
ministério que recebi do Senhor Jesus. Evocê, recebeu um mi­
nistério, um chamado dele? Está se entregando de corpo, alma
e espírito para completá-lo? Cf. ns. Jo 17.4; 2Tm 4.7.
20.25 pregando o Reino. Cf. n. 8.12.
20.28 Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho. É um
imperativo com dois aspectos sequenciais. Ninguém tem o di­
reito de cuidar de outros (rebanho) se não está sendo cuidado.
Pastor que para de ser ovelha (receber cuidado pastoral) é de­
sobediente a este versículo e não deveria mais ser pastor. Cf. n.
1Tm 4.16. para pastorearem. Cf. Sl 78.72; Is 40.10-11; Jr 3.15;
ATOS 20 — 21 228
os colocou como bispos, para pastorearemc a igreja de
Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.d
29Eu sei que, depois da minha partida, aparecerão no
meio de vocês lobos vorazes, que não pouparão o re­
banho. 30 E que até mesmo entre vocês se levantarão
homens falando coisas pervertidas para arrastar os dis­
cípulos atrás de si.e 31 Portanto, vigiem, lembrando que,
durante três anos, noite e dia, não cessei de admoestar,
com lágrimas, cada um de vocês.
32— Agora, pois, eu os entrego aos cuidados de Deus
e à palavra da sua graça, que tem poder para edificá-los
e dar herança entre todos os que são santificados. 33De
ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; 34vocês
mesmos sabem que estas minhas mãos serviram para
o que era necessário a mim e aos que estavam comigo.
35Em tudo tenho mostrado a vocês que, trabalhando as­
sim, é preciso socorrer os necessitados e lembrar das pa­
lavras do próprio Senhor Jesus: "Mais bem-aventurado é
dar do que receber"
Paulo ora com eles
36Tendo dito isso, ajoelhando-se, Paulo orou com
todos eles. 37Então houve grande pranto entre to­
dos, e, abraçando Paulo, o beijavam, 38entristecidos
especialmente pela palavra que ele tinha dito: que
f20.28 IPe 5.2-3 ^Ef 1.7; IPe 1.19 «20.30 2Pe 2.1
^20.38 At 20.25 “21.8 At 6.5; 8.5
não mais veriam o seu ro sto / E eles o acompanha­
ram até o navio.
Paulo chega a Tiro
Depois de nos separarmos deles, navegamos
diretamente para a ilha de Cós. No dia seguin­
te, chegamos a Rodes, e dali fomos a Pátara. 2Encon­
trando um navio que ia para a Fenícia, embarcamos
nele, seguindo viagem. 3Quando a ilha de Chipre já es­
tava à vista, deixando-a à esquerda, navegamos para a
Síria e chegamos a Tiro, pois o navio devia ser descar­
regado ali. 4Encontrando os discípulos, permanece­
mos lá durante sete dias. Movidos pelo Espírito, eles
recomendavam a Paulo que não fosse a Jerusalém.
5Passados aqueles dias, saímos para continuar a
viagem. Todos os discípulos, cada um com a sua mu­
lher e os seus filhos, nos acompanharam até fora da
cidade; e, ajoelhados na praia, oramos. 6Despedindo-
-nos uns dos outros, embarcamos; e eles voltaram
para casa.
Paulo em C esareia
7Quanto a nós, concluindo a viagem iniciada em
Tiro, chegamos a Ptolemaida, onde saudamos os ir­
mãos, passando um dia com eles. 8No dia seguinte,
partimos e fomos para Cesareia. E, entrando na casa de
Filipe,0 o evangelista, que era um dos sete, ficamos com
ele. 9Filipe tinha quatro filhas solteiras, que profetiza-
M t 9.36; IPe 5.2. o igreja. Se não experimentarmos ser pasto­
reados, seremos aleijados em saber pastorear as pessoas, de
Deus. A igreja não é nossa, é de Jesus. Somos apenas mordo­
mos cuidando em seu nome, prestando contas a ele.
20.29 lobos vorazes. Mt 7.15-23; 26.22-25. Existe um pouco de
lobo dentro de cada um de nós (ICo 10.12; Hb 3.12-13).
Noto prática: quando se tem uma equipe madura, é bom
considerar fazer este exercício. Cada um anota três de suas
características ou vulnerabilidades que poderiam destruir esse
ministério. Depois, anota o mesmo para cada outra pessoa na
equipe. Começando com o líder, cada um compartilha essas
três características e depois ouve as características indicadas
pelos outros. É um exercício duro, mas tem a tremenda vanta­
gem de permitir que andemos na luz e reconheçamos nossas fa­
lhas e potencial para destruição. Isso abre a porta para sermos
acompanhados nessas áreas, o que seria impossível se nunca
as reconhecêssemos ou confessássemos.
20.30 Toda igreja é vulnerável à divisão, a líderes que desen­
volvem lealdade somente a si mesmos, não a Jesus, ao pastor
ou à igreja como um todo (Tt 3.10-11). Essa vulnerabilidade é
exasperada e ampliada por eleições que colocam uma pessoa
contra a outra. Nossos líderes devem ser indicados por seu ca­
ráter (1Tm 3), unção e chamado, não por sua popularidade ou
habilidade de ganhar votos.
20.31 Portanto, vigiem. Fiquem alertas! Cf. ns. Mt 26.41;
IPe 5.7-8. durante três anos, noite e dia... com lágrimas.
Cf. 2Co 2.4. Lágrimas foram uma parte da vida cotidiana de
Paulo ao tratar de questões difíceis na vida das pessoas. Este
capítulo também indica que ele chorava diante das provações
e perseguições (v. 19), como também as pessoas choravam de
saudade ao se despedirem dele (vs. 36-38; 21.13). Cf. n. Jo 11.35.
20.33-35 Uma forte condenação aos que pensam que vão en­
riquecer por meio do ministério. O ministério não é para os que
buscam prosperidade, e sim para os que buscam entrega sacri­
ficial em favor do Rei e do seu Reino.
20.36 ajoelhando-se. Cf. 9.40; 21.5. Não se colocando acima
deles, mas, sim, ao seu lado.-
20.37-38 Múltiplas expressões de carinho. Como líderes, assim
como Jesus e Paulo, devemos criar laços profundos, de coração
com as pessoas.
21.4 Movidos pelo Espírito, eles recomendavam. Quando
existe um aparente conflito entre o que o Espírito está dizendo
por meio de outras pessoas e o que está dizendo para nós, se
tem a ver com nossa vida pessoal, temos de seguir o que en­
tendemos que o Espírito está dizendo para nós. Este processo
se repetiu múltiplas vezes (20.23) - a mais dramática acon­
teceria em seguida (vs. 11-14). Seria possível argumentar que
Paulo errou, pagando o preço de cinco anos como prisioneiro
(57-62 d.C.). Quer tenha acertado, quer tenha errado, o prin­
cípio de cada um ter a última palavra em relação a decisões
pessoais é inviolável. Cf. ns. M t 23.37; ICo 16.12.
21.8 um dos sete. Cf. 6.3-6. Os sete tinham renome, um pouco
parecido ao renome dos doze. Os cinco que lideravam a igreja de
Antioquia foram ressaltados ao serem listados por nome (13.1).
21.9 quatro filhas solteiras. Cf. n. 5.1 que profetizavam.
Cf. 2.17-18. Falavam pelo Espírito de Deus. Cf. n. 1Co 14.1.
229 ATOS 21
vam. mDemorando-nos ali alguns dias, veio da Judeia
um profeta chamado Ágabo,fc Hque, aproximando-se
de nós, pegou o cinto de Paulo e, amarrando com ele os
próprios pés e mãos, declarou:
— Assim diz o Espírito Santo: É isto que os judeus,
em Jerusalém, farão ao dono deste cinto e o entrega­
rão nas mãos dos gentios.
12 Quando ouvimos estas palavras, tanto nós como
os daquele lugar rogamos a Paulo que não fosse a Je­
rusalém. 13Mas ele respondeu:
— O que estão fazendo, ao chorar assim e partir o
meu coração? Pois estou pronto não só para ser pre­
so, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do
Senhor Jesus.c
l4Como Paulo não se deixou persuadir, conforma­
dos, dissemos:
— Seja feita a vontade do Senhor!
15Passados aqueles dias, tendo feito os preparati­
vos, fomos para Jerusalém. i6Alguns dos discípulos
também vieram de Cesareia conosco, trazendo con­
sigo Mnasom, natural de Chipre, velho discípulo, com
quem nos deveríamos hospedar.
Paulo chega a Jerusalém
l7Tendo nós chegado a Jerusalém, os irmãos nos
receberam com alegria. 1 8 N o dia seguinte, Paulo foi
conosco encontrar-se com Tiago, e todos os presbí­
teros se reuniram. 19E, tendo-os saudado, contou em
detalhes o que Deus tinha feito entre os gentios por
seu ministério. 20Ouvindo isso, eles deram glória a
Deus e lhe disseram:
— Você percebe, irmão, que há milhares de judeus
que creram, e todos são zelosos da Lei. 21Eles foram
informados que você ensina todos os judeus entre os
gentios a apostatarem de Moisés,d dizendo-lhes que
não devem circuncidar os filhos, nem andar segundo
os costumes da Lei. 22Que se há de fazer, pois? Certa­
mente saberão que você já chegou. 23Faça, portanto,
o que vamos dizer: Estão entre nós quatro homens
que, voluntariamente, fizeram um voto; 24leve-os e
purifique-see com eles e pague a despesa deles, para
que rapem a cabeça; assim todos saberão que não
procede a informação que receberam a respeito de
você; e que, pelo contrário, você mesmo vive de con­
formidade com a lei. 25Quanto aos gentios que creram,
já lhes transmitimos decisões^para que se abstenham
das coisas sacrificadas a ídolos, do sangue, da carne de
animais sufocados e das relações sexuais ilícitas.
21.10 um profeta chamado Ágabo. Cf. 11.28.
21.13 Norteava-se em Deus, nâo nas pessoas. Consagrado
(cf. ns. 20.24; Mc 8.35-36; 10.21).
21.18 Tiago. Cf. n. 12.17. presbíteros. Cf. n. 15.2.
21.19 contou em detalhes. Combinação de testemunho glori­
ficando a Deus (v. 20) e prestação de contas.
26Então Paulo, levando aqueles homens, no dia se­
guinte, tendo-se purificado com eles, entrou no templo,
acertando o cumprimento dos dias da purificação, até
que se fizesse a oferta em favor de cada um deles.
Paulo é preso no tem plo
27Quando já estavam por findar os sete dias, os ju­
deus que tinham vindo da província da Ásia, ao ve­
rem Paulo no templo, alvoroçaram todo o povo e o
agarraram, 28gritando:
— Israelitas, socorro! Este é o homem que por
toda parte anda ensinando todos a serem contra o
povo, contra a Lei e contra este lugar. E mais ainda:
introduziu até gregos no templo e profanou este re­
cinto sagrado.
29 Disseram isso, pois antes tinham visto Trófimo,3
o efésio, em sua companhia na cidade e pensavam
que Paulo o havia levado para dentro do templo.
30 Agitou-se toda a cidade, e o povo veio correndo.
Agarraram Paulo e o arrastaram para fora do templo;
e imediatamente as portas foram fechadas. 31 Pro­
curando eles matá-lo, chegou ao conhecimento do
comandante das tropas romanas que toda a Jerusa­
lém estava amotinada. 32Então este, levando logo sol­
dados e centuriões, correu para o meio do povo. Ao
verem chegar o comandante e os soldados, pararam
de espancar Paulo. 33Aproximando-se o comandante,
apoderou-se de Paulo e ordenou que fosse amarrado
com duas correntes. Então perguntou quem era e o
que havia feito. 34Na multidão, uns gritavam uma coi­
sa, outros gritavam outra. Não podendo ele, porém,
saber a verdade por causa do tumulto, ordenou que
Paulo fosse recolhido à fortaleza. 3 5 Ao chegar às es­
cadas, foi preciso que os soldados o carregassem, por
causa da violência da multidão, 36 pois a massa de
povo o seguia gritando:
— Mate-o!
37E, quando Paulo ia sendo recolhido à fortaleza,
disse ao comandante:
— Seria possível dizer algo para o senhor?
O comandante respondeu:
— Você sabe grego? 38Você não é, por acaso, aque­
le egípcio que algum tempo atrás começou uma re­
volta e levou quatro mil guerrilheiros para o deserto?
*21.10 At 11.28 <21.13 At 9.16:20.24; Fp 2.17
*21.21 At 6.14 <21.24 Nm 6.13-20 *21.25 At 15.29
021.29 At 20.4
21.24 você mesmo vive de conformidade com a lei. Cf. ns.
Rm 14.1-23; 1Co 9.19-23.
21.37 Você sabe grego? Biculturalismo (13.9), criando pontes,
seja em grego, seja em hebraico (v. 40; 22.2; 26.14), seja com
identidade de judeu (v. 39) ou de romano (22.25-29).
Atos 2 1 — 22 230
39Paulo respondeu:
— Eu sou judeu, natural de Tarso, uma importante
cidade da Cilicia.h E peço ao senhor que me permita
falar ao povo.
40Obtida a permissão, Paulo, em pé na escadaria,
fez com a mão sinal ao povo. Fez-se grande silêncio, e
ele falou em língua hebraica, dizendo:
Paulo apresenta a sua defesa
— Irmãos e pais, ouçam, agora, a minha de­
fesa diante de vocês.
2Quando ouviram que Paulo lhes falava em língua
hebraica, fizeram mais silêncio ainda. Paulo continuou:
3— Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilicia, mas
fui criado nesta cidade e aqui fui instruído aos pés
de Gamaliel,a segundo o rigor da Lei de nossos ante­
passados, sendo zeloso para com Deus, assim como
todos vocês o são no dia de hoje. 4Persegui este Ca­
minho* até a morte, prendendo homens e mulheres
e lançando-os na cadeia. 5Disto são testemunhas o
sumo sacerdote e todos os anciãos. Deles eu recebi
cartas para os irmãos judeus de Damasco, e fui até lá
para trazer amarrados a Jerusalém os que também lá
estivessem, para serem punidos.c
6— Ora, aconteceu que, enquanto eu viajava, já
perto de Damasco, quase ao meio-dia, repentinamen­
te, uma grande luz do céu brilhou ao redor de mim.
7Então caí por terra, ouvindo uma voz que me dizia:
"Saulo, Saulo, por que você me persegue?" 8Pergun­
tei: "Quem é o senhor?” Ao que me respondeu: "Eu
sou Jesus, o Nazareno, a quem você persegue."
9— Os que estavam comigo viram a luz, sem, contudo,
perceber o sentido da voz de quem falava comigo. lOEn-
tão perguntei: "Senhor, o que devo fazer?” E o Senhor me
disse: "Levante-se, entre em Damasco, onde lhe dirão
tudo o que você precisa fazer” 11Tendo ficado cego por
causa da intensidade daquela luz, guiado pela mão dos
que estavam comigo, cheguei a Damasco.
12— Um homem chamado Ananias, piedoso conforme
a Lei, tendo bom testemunho de todos os judeus que ali
moravam, i3veio procurar-me e, chegando perto de mim,
*21.39 At 6.9; 9.11 «22.3 At 5.34-39 *22.4 At 9.2 «22.4-5At8.3
422.6-16 At 9.1-19 «22.20 At 7.58 122.21 At 9.15
disse: "Irmão Saulo, recupere a visão!” Nessa mesma
hora, recuperei a visão e olhei para ele. l4Então ele disse:
"O Deus de nossos pais escolheu você de antemão para
conhecer a vontade dele, ver o Justo e ouvir a voz dele.
15Porque você terá de ser testemunha dele diante de to­
dos os homens, das coisas que você tem visto e ouvido.
16E agora, o que está esperando? Levante-se, receba o
batismo e lave os seus pecados, invocando o nome dele.”*
17— Tendo eu voltado para Jerusalém, enquan­
to orava no templo, sobreveio-me um êxtase, I8e vi
aquele que falava comigo: "Ande logo e saia imedia­
tamente de Jerusalém, porque não aceitarão o seu
testemunho a meu respeito.” 19Eu disse: "Senhor, eles
bem sabem que eu ia de sinagoga em sinagoga, pren­
dendo e açoitando os que criam em ti. 20Quando se
derramava o sangue2 de Estêvão, tua testemunha, eu
também estava presente, consentia nisso e até guar­
dei as capas dos que o matavam.” 21Mas ele me disse:
"Vá, porque eu o enviarei para longe, aos gentios.”^
Paulo livra-se de ser açoitado
22Até este ponto a multidão ficou ouvindo. Mas
quando Paulo disse isso, começaram a gritar bem alto:
— Fora com ele! Mate-o, porque ele não merece viver!
23Enquanto eles gritavam, tiravam as suas capas e
jogavam poeira para o ar, 24o comandante ordenou
que Paulo fosse recolhido à fortaleza e que, sob açoite,
fosse interrogado para saber por que motivo estavam
gritando assim contra ele. 25Quando o estavam amar­
rando com correias, Paulo perguntou ao centurião
que ali estava:
— Será que vocês têm o direito de açoitar um ci­
dadão romano, sem que ele tenha sido condenado?
26Ouvindo isto, o centurião procurou o coman­
dante e lhe disse:
— Que é isso que o senhor está prestes a fazer?
Saiba que aquele homem é cidadão romano.
27Então o comandante veio e perguntou a Paulo:
— Diga-me uma coisa: você é romano?
Paulo respondeu:
— Sou.
28 Aí o comandante disse:
— Eu tive de gastar muito dinheiro para conseguir
essa cidadania.
22.1 Irmãos e pais. Criando pontes (vs. 3-5; cf. n. 3.25).
22.3 aos pés de Gamaliel. Cf. 5.34. Paulo cresceu como dis­
cípulo, entendendo de dentro para fora a cultura do discipu-
lado.
22.4 Persegui este Caminho. Cf. n. 9.1-2.
22.7-16 Cf. ns. 9.4-19.
22.16 o que está esperando? Levante-se, receba o batismo.
Cf. n. At 2.41.
22.21-22 No evangelho, sempre chega a hora do confronto.
Cf. n. 7.51.
22.26 Que é isso que o senhor está prestes a fazer? Um
bom seguidor confronta seu líder quando percebe que está
com problemas. Um bom mentor faz o mesmo, como também
faz de todo verdadeiro cristão seu irmão (cf. ns. M t 18.15-17).
22.28 essa cidadania. Cf. 16.37-40. Evocê? Tem orgulho e ale­
gria de ser cidadão do Reino de Deus? Sabe seus direitos? Tem
confiança de que a proteção do Rei sobre você ultrapassa a pro­
teção que Paulo tinha como cidadão romano? Arrisca-se a favor
de seu Rei e do Reino, ou é tímido e cauteloso, escondendo sua
verdadeira cidadania?
231 Atos 22 — 23
C o m p a r t il h a n d o n o s s o s t e s t e m u n h o s
At 22.1-21 (Estudo 1.1.1)
1. Quando foi a última vez que você compartilhou com um não crente a história de como você conheceu o Senhor?
2. De que forma Paulo criou pontes entre ele e seus ouvintes (vs. 1-5)?
3. Quantas perguntas se encontram na história de Paulo? O que elas acrescentam?
4. Quais indicações de uma profunda mudança de vida se encontram nesta passagem?
5. Compartilhe seu testemunho segundo a orientação abaixo.
Estudo opcional: Rm 10.9-10,14-15; 2Co 12.7-10; Ef 3.20-21.
Propósitos em compartilhar seu testemunho com a família de Deus
Este é o primeiro de oito estudos na série sobre comunhão. Uma boa forma de se conhecer melhor é compartilhar
seutestemunho de como e quando Deus setornou realmente pessoal e poderoso em suavida. Se sua conversão acon­
teceu durante a infância, pensetambém em outro momento especial em que Deus se manifestou deforma significativa
e marcante para você. O propósito de você compartilhar seutestemunho diante de um grupo é que todos se conheçam
melhor, e para você dar glória a Deus.
(Para dicas sobre como expressar seu testemunho para pessoas não cristãs, cf. med. Ap 2.12-13.)
Início do curso (ver p. XIV) ♦ ! Próximo estudo — At 2.17-18
Ao que Paulo respondeu:
— Pois eu a tenho de nascença.
29Imediatamente se afastaram os que iam interrogá-
-lo com açoites. O próprio comandante ficou com
medo quando soube que Paulo era romano,® porque
tinha mandado amarrá-lo.
Paulo diante do Sinédrio
30No dia seguinte, querendo certificar-se dos moti­
vos por que Paulo vinha sendo acusado pelos judeus,
o comandante o soltou e ordenou que se reunissem
os principais sacerdotes e todo o Sinédrio. E, man­
dando trazer Paulo, apresentou-o diante deles.
Paulo, fixando os olhos no Sinédrio, disse:
— Meus irmãos, tenho andado diante de
Deus com toda a boa consciência0 até o dia de hoje.
2Mas Ananias, o sumo sacerdote, mandou aos que
estavam perto de Paulo que lhe batessem na boca.
3Então Paulo lhe disse:
— Deus há de ferir você, parede branqueada!b
Você está aí sentado para me julgar de acordo com a
Lei e, contra a Lei, ordena que eu seja agredido?
4Os que estavam ali perguntaram a Paulo:
— Você está insultando o sumo sacerdote de Deus?
5Paulo respondeu:
— Eu não sabia, irmãos, que ele é sumo sacerdote.
Porque está escrito: "Não fale mal de uma autoridade
do seu povo.”c
6Sabendo Paulo que uma parte do Sinédrio se com­
punha de saduceus e outra, de fariseus, exclamou:
— Irmãos, eu sou fariseu/ filho de fariseus. Estou
sendo julgado por causa da esperança e da ressurrei­
ção dos mortos!
1Ditas estas palavras, começou uma grande discus­
são entre fariseus e saduceus, e o Sinédrio se dividiu.
922.29 At 16.38 «23.1 2Co 1.12; 2Tm 1.3 <>23.3 Mt 23.27-28:
Lc 11.44 c23.5 Êx 22.28 <*23.6 At 26.5; Fp 3.5
23.1 tenho andado diante de Deus com toda a boa cons­
ciência. Que declaração! Cf. n. 24.16.
Nota prática: dois exercícios nos levam a uma consciên­
cia limpa: (1) pedir perdão por tudo que fizemos errado; e
(2) perdoar tudo que as pessoas fizeram de errado contra nós.
O primeiro pode ser feito repassando o que já se foi cronologi­
camente, revendo a relação com cada pessoa importante em
nossa vida, uma de cada vez. Infelizmente, quando alguém se
converte, raras vezes o levamos a fazer este exercício. Faz uma
diferença enorme fazê-lo, tornando a conversão profunda, e
não apenas da boca para fora (cf. ns. 2Pe 2.8-9). O segundo
exercício, perdoar os outros, nos liberta das dores e das feridas
que carregamos. Se não fizermos isso, criamos brechas e forta­
lezas negativas dentro de nós.
23.2-5 Agindo de forma errada, em ignorância, muitas vezes ainda
temos a consciência limpa. Mas, uma vez que alguém nos ajuda a
sair da nossa ignorância, temos de nos arrepender, pedir perdão e
fazer restituição quanto ao nosso erro ou pecado. Cf. n. At 7.58.
23.7 e o Sinédrio se dividiu. Um inimigo dividido perde sua
força. Cf. n. 16.35-39. Quando nós, como casal, família, equipe,
ATOS 23 232
8Pois os saduceus dizem que não há ressurreição,e
nem anjo, nem espírito, ao passo que os fariseus admi­
tem todas essas coisas. 9Houve, pois, muita gritaria no
Sinédrio. E, levantando-se alguns escribas que eram
do partido dos fariseus, discutiam, dizendo:
— Não achamos neste homem mal algum. E se, de
fato, algum espírito ou anjo falou com ele?
18Como a discussão ficava cada vez mais intensa, o
comandante, temendo que Paulo fosse despedaçado
por eles, mandou descer a guarda para que o retiras­
sem dali e o levassem para a fortaleza.
O Senhor aparece a Paulo
11Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado de
Paulo, disse:
— Coragem! Pois assim como você deu testemu­
nho a meu respeito em Jerusalém, é necessário que
você testemunhe também em Roma.
A em boscada dos judeus
l2Quando amanheceu, os judeus se reuniram e ju­
raram que não haviam de comer, nem beber, enquan­
to não matassem Paulo. l3Eram mais de quarenta os
que se envolveram nessa conspiração. 14Estes foram
falar com os principais sacerdotes e os anciãos e dis­
seram:
— Juramos, sob pena de maldição, não comer coisa
alguma, enquanto não matarmos Paulo. l5Agora, pois,
juntamente com o Sinédrio, mandem um recado ao co­
mandante para que ele o apresente a vocês, sob o pre­
texto de que desejam investigar mais acuradamente o
caso dele; e nós, antes que ele chegue, estaremos pron­
tos para matá-lo.
16Mas o filho da irmã de Paulo, tendo ouvido a
respeito da trama, foi, entrou na fortaleza e contou
tudo a Paulo. 17Então este, chamando um dos centu-
riões, disse:
— Leve este rapaz ao comandante, porque tem
algo a dizer.
180 centurião levou o rapaz ao comandante e disse:
— 0 prisioneiro Paulo me chamou e pediu que eu
trouxesse à sua presença este rapaz, pois tem algo a
dizer ao senhor.
190 comandante pegou o rapaz pela mão e,
levando-o para um lado, perguntou-lhe:
— 0 que você tem para me dizer?
20Ele respondeu:
e23.8 Mt 22.23; Mc 12.18; Lc 20.27 723.23 Lit., terceira hora
da noite
igreja ou denominação, estamos divididos, também perdemos
nossa força.
23.11 o Senhor, pondo-se ao lado de Paulo. Cf. 8.9;
Rm 8.33-39. Coragem! Cf. Js 1.6.
— Os judeus decidiram pedir ao senhor que, amanhã,
apresente Paulo ao Sinédrio, sob o pretexto de que de­
sejam fazer uma investigação mais acurada a respeito
dele. 21Não se deixe persuadir, porque mais de quarenta
deles armaram uma emboscada. Fizeram um pacto de,
sob pena de maldição, não comer, nem beber, enquanto
não matarem Paulo; e agora estão prontos, esperando
que o senhor prometa atender o pedido deles.
22Então o comandante despediu o rapaz, recomen­
dando-lhe que a ninguém dissesse ter-lhe trazido estas
informações. 23Chamando dois centuriões, ordenou:
— Tenham de prontidão duzentos soldados, setenta
cavaleiros e duzentos lanceiros para irem até Cesareia
a partir das nove horas da noite.124Preparem também
animais para fazer Paulo montar e levem-no com se­
gurança ao governador Félix.
A carta de Cláudio a Félix
250 comandante escreveu uma carta nestes ter­
mos:
26“Cláudio Lísias ao excelentíssimo governador
Félix. Saudações.
27Este homem foi preso pelos judeus e estava
prestes a ser morto por eles, quando eu, sobrevindo
com a guarda, o livrei, por saber que ele era romano.
28Querendo certificar-me do motivo por que o acusa­
vam, levei-o ao Sinédrio deles. 29Descobri que ele era
acusado de coisas referentes à lei que os rege, nada,
porém, que justificasse morte ou mesmo prisão.
30Sendo eu informado de que ia haver uma embosca­
da contra o homem, tratei de enviá-lo imediatamente
ao senhor, intimando também os acusadores a irem
dizer, na sua presença, o que eles têm contra ele.
Passe bem."
Paulo no Pretório de H erodes
31Então os soldados, conforme lhes foi ordenado, pe­
garam Paulo e, durante a noite, o conduziram até An-
tipátride. 32No dia seguinte, voltaram para a fortaleza,
tendo deixado os cavaleiros encarregados de seguir
viagem com ele. 33Quando estes chegaram a Cesareia,
entregaram a carta ao governador e também lhe apre­
sentaram Paulo. 34Lida a carta, o governador perguntou
de que província Paulo era. E, quando soube que era da
Cilicia, 35disse:
— Ouvirei você quando chegarem os seus acusa­
dores.
E mandou que ele ficasse preso no Pretório de
Herodes.
23.16-22 Jesus (v. 11) usou um menino corajoso, disposto a
arriscar sua vida, para salvar a vida de Paulo. Em outras oca­
siões, usou outras pessoas (Rm 16.3-4).
233 Atos 24 — 25
Paulo é acusado diante de Félix
Cinco dias depois, o sumo sacerdote Ananias
foi até Cesareia com alguns anciãos e com cer­
to orador, chamado Tértulo, os quais apresentaram ao
governador a sua acusação contra Paulo. 2Depois que
Paulo foi chamado, Tértulo passou a acusá-lo, dizendo:
— Excelentíssimo Félix, tendo nós desfrutado de paz pe­
rene por meio do senhor e tendo sido feitas, por seu provi-
dente cuidado, notáveis reformas em benefício deste povo,
3sempre e em todos os lugares, reconhecemos isto com
profundagratidão. 4Entretanto, para não deter o senhor por
muito tempo, peço que, de acordo com a sua clemência,
nos ouça por alguns instantes. 5Porque, tendo nós verifica­
do que este homem é uma peste e promove desordens en­
tre os judeus do mundo inteiro, sendo também o principal
agitador da seita dos nazarenos, 6o qual também tentou
profanaro templo, nós o prendemos com o intuito dejulgá-
-lo segundo a nossa Lei. 7Mas, sobrevindo o comandante
Lísias, o arrebatou das nossas mãos com grande violência,
8ordenando que os seus acusadores viessem à presença
do senhor. Se o interrogar, o senhor mesmo poderá tomar
conhecimento de todas as coisas de que nós o acusamos.
9Os judeus também concordaram na acusação,
afirmando que estas coisas eram assim.
Paulo apresenta a sua defesa
10Quando o governador fez sinal para que Paulo
falasse, ele disse:
— Sabendo que há muitos anos o senhor é juiz desta
nação, sinto-me à vontade para me defender. 110 senhor
mesmo pode verificar que não se passaram mais de doze
dias desde que fui a Jerusalém para adorar a Deus; 12e que
não me acharam no templo discutindo com ninguém, nem
agitando o povo, fosse nas sinagogas ou na cidade; 13nem
podem provar diante do senhor as acusações que agora
fazem contra mim. l4Porém confesso ao senhor que, se­
gundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao
Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que
estejam de acordo com a Lei e nos escritos dos Profetas,
istendo esperança em Deus, como também estes a têm, de
que haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos.
16Por isso, também me esforço por ter sempre uma cons­
ciência pura diante de Deus e dos homens.
17— Depois de anos, vim trazer donativos para o
meu povo0 e também fazer oferendas, I8e foi nesta
prática que alguns judeus da província da Ásia me en­
contraram já purificado no templo, sem ajuntamento
de povo e sem tumulto,* 19os quais deviam compa­
recer diante do senhor e fazer as acusações, se tives­
sem alguma coisa contra mim. 20Ou então que estes
24.16 consciência pura diante de Deus e dos homens. Se vi­
vemos na luz, como descrito em lJo 1.7-9, podemos dizer o mes­
mo. Sempre que nossa consciência se expressa, vem a pergunta
imediata: obedeceremos? Temos de nos esforçar para manter
homens que estão aqui digam que crime acharam em
mim, por ocasião do meu comparecimento diante do
Sinédrio, 21salvo estas palavras que clamei, estando
entre eles: "Hoje estou sendo julgado por vocês por
causa da ressurreição dos mortos.”c
22Então Félix, conhecendo mais acuradamente as coi­
sas relacionadas com o Caminho, adiou a causa, dizendo:
— Quando chegar o comandante Lísias, tomarei
uma decisão a respeito do caso de vocês.
23E ordenou ao centurião que conservasse Paulo
na prisão, tratando-o com tolerância e não impe­
dindo que os seus próprios o servissem.
Paulo diante de Félix e Drusila
24Passados alguns dias, Félix veio com Drusila, sua
mulher, que era judia. Mandou chamar Paulo e passou a
ouvi-lo a respeito da fé em Cristo Jesus. 25Quando Paulo
começou a falar sobre a justiça, o domínio próprio* e o
Juízo vindouro,0 Félix ficou amedrontado e disse:
— Por agora, você pode retirar-se, e, quando eu ti­
ver oportunidade, mandarei chamá-lo.
26Ao mesmo tempo, esperava que Paulo lhe desse
dinheiro. Por isso, chamando-o mais frequentemen­
te, conversava com ele.
27Dois anos mais tarde, Félix teve por sucessor
Pórcio Festo. E, como Félix queria assegurar o apoio
dos judeus, manteve Paulo encarcerado.
Paulo diante de Festo. Apela para C ésar
Três dias depois de ter assumido o governo
da província, Festo saiu de Cesareia e foi para
Jerusalém. 2E, logo, os principais sacerdotes e os
maiorais dos judeus lhe apresentaram queixa contra
Paulo. 3Pediram a Festo o favor de. em detrimento
de Paulo, mandar que ele fosse trazido a Jerusalém.
É que eles tinham armado uma emboscada para ma­
tar Paulo no caminho. 4Festo, porém, respondeu que
Paulo continuaria preso em Cesareia e que ele mes­
mo, muito em breve, partiria para lá. 5E concluiu:
— Aqueles de vocês que estiverem habilitados me
acompanhem; e, havendo contra este homem qual­
quer crime, acusem-no.
6E, não se demorando entre eles mais de oito ou dez
dias, foi para Cesareia. No dia seguinte, assentando-se
no tribunal, ordenou que Paulo fosse trazido. 7Com­
parecendo este, os judeus que tinham vindo de Jeru­
salém ficaram em volta dele, fazendo muitas e graves
m .lZ R m 15.25; ICo 16.1;2Co8.1-4;2Co9.1 *24.17-18 At 21.17-28
<24.21 At23.6 *24.25 Gl 5.23; 2Pe 1.6 <At 10.42
nossa consciência sempre sensível, de modo que possamos vi­
ver sem tropeços. Cf. n. 23.1.
24.26-27 Dois anos mais tarde. A corrupção foi terrível nessa
época, assim como é na nossa.
atos 25 — 26 234
acusações contra ele, as quais, entretanto, não podiam
provar. 8Então Paulo, defendendo-se, disse:
— Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus,
nem contra o templo, nem contra César.
9Então Festo, querendo assegurar o apoio dos ju­
deus, perguntou a Paulo:
— Você gostaria de ir a Jerusalém e ser ali julgado
por mim a respeito destas coisas?
10Paulo respondeu:
— Estou diante do tribunal de César, onde convém
que eu seja julgado; não fiz mal nenhum aos judeus,
como o senhor sabe muito bem. TiCaso, pois, tenha
eu praticado algum mal ou crime digno de morte, es­
tou pronto para morrer. Se, pelo contrário, não são
verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém
pode me entregar a eles. Apelo para César.
12Então Festo, tendo falado com o conselho, respon­
deu:
— Já que apelou para César, para César você irá.
Festo expõe a Agripa o caso de Paulo
13Passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice
chegaram a Cesareia a fim de saudar Festo. i4Como
se demorassem ali alguns dias, Festo expôs ao rei o
caso de Paulo, dizendo:
— Félix deixou aqui preso certo homem, 15a respeito
de quem os principais sacerdotes e os anciãos dos ju­
deus apresentaram queixa, quando eu estive em Jeru­
salém, pedindo que o condenasse. 16Eu lhes disse que
não é costume dos romanos condenar quem quer que
seja, sem que o acusado tenha presentes os seus acusa­
dores e possa defender-se da acusação. 17Assim, quan­
do eles vieram para cá, sem nenhuma demora, no dia
seguinte, assentando-me no tribunal, determinei que
o homem fosse trazido. 18Levantando-se os acusado­
res, não mencionaram nenhum dos crimes de que eu
suspeitava. i9Traziam contra ele algumas questões
referentes à sua própria religião0 e particularmente
a certo morto, chamado Jesus, que Paulo afirma es­
tar vivo. 20Estando eu perplexo quanto ao modo de
investigar estas coisas, perguntei-lhe se queria ir a
Jerusalém para ali ser julgado a respeito disso. 21Mas,
havendo Paulo apelado para que ficasse em custódia
para o julgamento de César, ordenei que o acusado
continuasse detido até que eu o enviasse a César.
22Então Agripa disse a Festo:
— Eu também gostaria de ouvir este homem.
Festo respondeu:
— Amanhã você poderá ouvi-lo.
«25.19 At 18.15; 23.29 «26.5 At 23.6; Fp 3.5 <>26.10At 8.3; 9.13
«At 22.20
Festo, de novo, fala a Agripa
23De fato, no dia seguinte, vindo Agripa e Berenice,
com grande pompa, tendo eles entrado na sala de
audiência juntamente com oficiais superiores e ho­
mens eminentes da cidade, Paulo foi trazido por or­
dem de Festo. 24Então Festo disse:
— Rei Agripa e todos os senhores aqui presentes,
vejam este homem, por causa de quem toda a multi­
dão dos judeus recorreu a mim tanto em Jerusalém
como aqui, clamando que não convinha que ele vi­
vesse mais. 25Porém eu achei que ele não tinha feito
nada que fosse passível de morte; entretanto, tendo
ele apelado para o imperador, resolvi mandá-lo para
lá. 26No entanto, a respeito dele, nada tenho de mais
concreto que possa escrever ao imperador. Por isso,
eu o trouxe à presença dos senhores e, especialmente,
à sua presença, ó rei Agripa, para que, feita a arguição,
eu tenha alguma coisa que escrever. 27Porque não me
parece razoável enviar um preso sem mencionar, ao
mesmo tempo, as acusações que existem contra ele.
Paulo se defende diante do rei Agripa
A seguir, Agripa, dirigindo-se a Paulo, disse:
— Você está autorizado a falar em sua defesa.
Então Paulo, estendendo a mão, passou a defender-
-se nestes termos:
2— Tenho-me por feliz, ó rei Agripa, pelo privilé­
gio de, hoje, na presença do senhor, poder produzir
a minha defesa de todas as acusações que os judeus
fazem contra mim, 3especialmente porque o senhor
é versado em todos os costumes e questões que há
entre os judeus. Por isso, peço que o senhor me ouça
com paciência.
4— Quanto à minha vida, desde a mocidade, como
decorreu desde o princípio entre o meu povo e em
Jerusalém, todos os judeus a conhecem; 5pois, na
verdade, eu era conhecido deles desde o princípio, se
assim o quiserem testemunhar, porque, na condição
de fariseu,0 vivi conforme o partido mais rigoroso
da nossa religião. 6E agora estou sendo julgado por
causa da esperança da promessa feita por Deus aos
nossos pais, 7a qual as nossas doze tribos, servindo
a Deus fervorosamente, noite e dia, almejam alcan­
çar. É por causa dessa esperança, ó rei, que eu sou
acusado pelos judeus. 8Por que se julga incrível entre
vocês que Deus ressuscite os mortos?
9— Na verdade, eu pensava que devia fazer muitas
coisas contra o nome de Jesus, o Nazareno; I0e foi exa­
tamente o que fiz em Jerusalém. Havendo eu recebido
autorização dos principais sacerdotes, encerrei mui­
tos dos santos na prisão;* e quando os condenavam à
morte, eu dava o meu voto contra eles.c 11Muitas vezes,
25.8 Nenhum pecado cometi contra a lei. Cf. v. 10. Que bênção andar com a consciência limpa! Cf. ns. 23.1; 24.16.
235 ATOS 26
os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a
blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles,
eu os perseguia até em cidades estrangeiras.d
Paulo conta a sua conversão
12— Com isto em mente, parti para Damasco, le­
vando autorização dos principais sacerdotes e por eles
comissionado. 13Ao meio-dia, ó rei, enquanto eu seguia
pelo caminho, vi uma luz no céu, mais resplandecente
que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos que iam
comigo. 14E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz
que me falava em língua hebraica: "Saulo, Saulo, por
que você me persegue? É duro para você ficar dan­
do coices contra os aguilhões!" 15Então eu perguntei:
"Quem é você, Senhor?” Ao que o Senhor respondeu:
"Eu sou Jesus, a quem você persegue. 16Mas levante-se
e fique em pé. Eu apareci a você para constituí-lo minis­
tro e testemunha, tanto das coisas em que você me viu
como daquelas pelas quais ainda lhe aparecerei. 17Vou
livrar você do seu próprio povo e dos gentios, para os
quais eu o envio, 18para abrir os olhos deles e convertê-
-los das trevas para a luz e do poder de Satanás para
Deus, a fim de que eles recebam remissão de pecados e
herança entre os que são santificados pela fé em mim."e
O testem unho de Paulo
diante dos judeus e gentios
19— Assim, ó rei Agripa, não fui desobediente à vi­
são celestial, 20mas anunciei primeiramente aos de
Damasco^ e em Jerusalém,3 por toda a região da Ju­
deia, e também aos gentios, que se arrependessem e
se convertessem a Deus, praticando obras dignas de
arrependimento.h 2iPor causa disto, alguns judeus me
26.12 Autoridade religiosa enfrentada por autoridade espiri­
tual e divina (v. 14) para quebrar a autoridade satânica (v. 18).
26.14 É duro para você ficar dando coices contra os agui­
lhões! Será que estamos servindo Deus com teimosia e ao nos­
so modo? Quando enfrentamos coisas duras, desanimadoras e
até motivo de depressão ou burnout (esgotamento), precisa­
mos nos perguntar se Deus poderia estar chamando a nossa
atenção. Nosso zelo pela obra ou pelo ministério pode tomar
o lugar do nosso amor por ele, tornando-se um tipo de idola­
tria. Nesse caso, ele precisa nos confrontar, podendo até ser de
forma forte, como fez com Paulo.
26.16 levante-se... Eu apareci a você para constituí-lo mi­
nistro. Deus não se preocupa muito com o nosso passado. Para
ele, todo passado é prefácio. Ele nos liberta e nos perdoa, pas­
sando a focar o presente e o futuro.
26.17 para os quais eu o envio. Todos somos enviados (cf. ns.
M t 28.18-20; Jo 17.18; At 1.8). Ajuda se conseguirmos entender
para quais pessoas ou grupos-alvo somos levados. Isso nos per­
mite concentrar nossos esforços e juntar forças com outros que
tenham o mesmo grupo-alvo.
26.18 para abrir os olhos deles. Cf. ns. Mc 8.22-26; Lc 7.44;
Intro. IPe. do poder de Satanás para Deus. Mudança de Reino
(cf. n. Mt 19.30; Intro. e tc. Mt). afim de que. Vida com propó-
prenderam, quando eu estava no templo, e tentaram me
matar. 22Mas, com a ajuda de Deus, permaneço até o dia
de hoje, dando testemunho, tanto a pequenos como a
grandes, nada dizendo, senão o que os profetas e Moisés
disseram que ia acontecer, 23isto é, que o Cristo devia
padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos,
anunciaria a luz' ao seu próprio povo e aos gentios.
Paulo é interrom pido por Festo
24Quando Paulo estava dizendo estas coisas em
sua defesa, Festo o interrompeu, gritando:
— Você está louco, Paulo! Ficou louco de tanto estudar!
25Paulo, porém, respondeu:
— Não estou louco, ó excelentíssimo Festo! Pelo
contrário, digo palavras de verdade e de bom senso.
26Porque tudo isto é do conhecimento do rei, a quem
me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de
que nenhuma destas coisas lhe é oculta, pois nada se
passou em algum lugar escondido.
27— Por isso, pergunto: Rei Agripa, o senhor acre­
dita nos profetas? Eu sei que o senhor acredita.
28Então Agripa se dirigiu a Paulo e disse:
— Por pouco você me convence a me tornar cristão.
29Paulo respondeu:
— Peço a Deus que faça com que, por pouco ou por
muito, não apenas o senhor, ó rei, mas todos os que
hoje me ouvem venham a ser alguém como eu, mas
sem estas correntes.
30A essa altura, levantou-se o rei, e também o
governador, e Berenice, bem como os que estavam
426.11 At 9.1-2 '26.12-18 At 9.1-19; 22.6-16 ^26.20 At 9.20-22
9A t9.28-29 ALc 3.8 '26.23 Is42.6 49.6
sito. O chamado ou propósito de Paulo está bem descrito aqui.
Somos sábios se conseguimos expressar nosso chamado ou pro­
pósito de forma parecida, dentro de uma oração, eles recebam.
Que haja uma mudança espiritual, não apenas uma decisão inte­
lectual. remissão de pecados. Que experimentem perdão (cf. n.
M t 18.34). Isso vem apenas por meio de verdadeiro arrependi­
mento e confissão, herança entre os que são santificados.
Cf. n. 2Co 7.1; tc. 2Pe. Segundo presente do novo nascimento.
26.19 não fu i desobediente à visão celestial. Que cada um
de nós possa dizer o mesmo! A desobediência entra de forma
sutil quando nos permitimos desviar com outras atividades e em­
preendimentos que não são diretamente ligados à visão celestial.
Nota prática: a vida cristã, como o ministério cristão, é um triste
legalismo, uma obrigação pesada demais, a não ser que tenhamos
uma visão celestial. Se quisermos inspirar outros ou ser inspirados,
a visão deve ser maior do que o custo. A visão celestial nasce no
coração de Deus. Perguntamos: o que o Pai está fazendo? Cf. n. e
med. Jo 5.19-20,30. A começar em mim! Esse é o ponto de partida.
Enas pessoas ao meu redor? O que ele quer fazer através de mim?
26.20 que se arrependessem... praticando obras dignas de
arrependimento. Cf. n. 2.38.
26.23 ressurreição. Cf. v. 8; ns. 17.3; Lc 2.32.
26.28 o me tornar cristão. Cf. n. 11.26.
Atos 26 — 27 236
* 9 * VlSÁO E DISCIPLINA
At 26.19; 2.42-47 (Estudo 1.1.8)
1. Você tem uma "visão celestial"? Explique sua resposta.
2. Quais frases de At 2.42-47 nutrem a visão?
3. Qual a relação entre visão e disciplina?
4. Você precisa de um renovo de visão ou de mais disciplina para vivenciar sua visão?
5. Qual das disciplinas listadas a seguir mais lhe ajudariam a renovar e manter sua visão?
Estudo opcional: At 6.4; Hb 3.12-13; 10.24-25.
As cinco disciplinas básicas do discípulo
Dê uma nota para si mesmo de 0 a 10 em relação à prática das seguintes disciplinas;
• A Palavra (cf. oito estudos sobre dedicação à Palavra a partir de At 6.4).
_ Meu tempo pessoal com a Palavra me encoraja e me dá direção.
_ Os membros da igreja me animam compartilhando da Palavra comigo (sem contar a pregação do púlpito ou
o ensino do professor na escola dominical.)
_ Eu encorajo outros na igreja, compartilhando a Palavra com eles.
• A comunhão (cf. oito estudos a partir de At 22.1-21).
_ Estou envolvido de forma significativa na vida de outros membros da igreja.
_ Eu priorizo as reuniões semanais e estou preparado tanto para dar como para receber.
_ Eu me abro com os outros, e as pessoas me ajudam a superar meus pontos fracos.
• A oração e a adoração (cf. n. Mc 1.35; oito estudos sobre oração a partir de SI 23).
_ Eu me associo com Deus orando e vendo suas respostas a minhas orações.
_ Os membros da igreja me encorajam orando comigo.
_ Eu encorajo os membros da igreja orando com eles.
• O testemunho (cf. oito estudos a partir de 2Co 5.14-21).
_ Compartilho o evangelho e/ou meu testemunho com pessoas não crentes.
_ Os membros da igreja me encorajam no evangelismo.
_ Eu ajudo outras pessoas a alcançar seus amigos para Cristo.
• A vida simples (cf. ns. e med. Mt 6.19-34; oito estudos sobre isto a partir de Mt 6.33-34).
_ Eu me desfaço de responsabilidades, posses e gastos desnecessários para me dedicar mais ao Reino de Deus
(como, por exemplo, nas atividades acima).
_ Eu experimento alegria e paz ao manter meus olhos em Jesus e não nas circunstâncias.
_ Por causa de meu estilo de vida simples, eu tenho tempo e recursos disponíveis para investir nas pessoas que
Deus põe em minha vida.
ICo 9.24-27 — Estudo anterior ♦ |♦ Próximo estudo — At 6.4
assentados com eles. 31E, ao saírem, falavam uns
com os outros, dizendo:
— Este homem não fez nada passível de morte ou
de prisão.
32 Então Agripa se dirigiu a Festo e disse:
— Este homem bem podia ser solto, se não tivesse
apelado para César.
Paulo enviado para a Itália
Quando foi decidido que devíamos navegar para
a Itália, entregaram Paulo e alguns outros presos
a um centurião chamado Júlio, da Coorte Imperial. 2Em­
barcando num navio adramitino, que estava de partida
para costear a província da Ásia, fizemo-nos ao mar, indo
conosco Aristarco, um macedônio de Tessalônica. 3No
27.3 permitiu que ele fosse ver os amigos e obter assistên- para lhes dar uma palavra. Para nossa surpresa, o maior motivo
cia. Facilmente pensaríamos que Paulo iria querer ver os amigos dele foi que estes suprissem as necessidades dele. Paulo sabia
237 ATOS 27
dia seguinte, chegamos a Sidom. Júlio, tratando Paulo
com humanidade, permitiu que ele fosse ver os amigos e
obter assistência. 4Partindo dali, navegamos ao abrigo da
ilha de Chipre, por serem contrários os ventos. 5E, tendo
atravessado o mar ao longo da Cilicia e Panfília, chega­
mos a Mirra, na Lícia. 6Nesse porto, o centurião encon­
trou um navio de Alexandria, que estava de partida para
a Itália, e nos fez embarcar nele.
7 Navegando vagarosamente muitos dias, foi com difi­
culdade que chegamos às imediações de Cnido. Não nos
sendo permitido prosseguir, por causa do vento contrário,
navegamos ao abrigo de Creta, na altura de Salmona. 8Cos-
teando a ilha com dificuldade, chegamos a um lugar cha­
mado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laseia.
Os perigos da viagem
9 Depois de muito tempo, tendo-se tornado a nave­
gação perigosa, e já passado o tempo do Dia do Je­
jum,1 Paulo os aconselhou, lOdizendo:
— Senhores, vejo que a viagem vai ser trabalhosa,
com dano e muito prejuízo, não só da carga e do na­
vio, mas também da nossa vida.
11Porém o centurião dava mais crédito ao piloto e ao
mestre do navio do que ao que Paulo dizia. l2Não sen­
do o porto próprio para invernar, a maioria deles era
de opinião que deviam partir dali, para ver se podiam
chegar a Fenice e aí passar o inverno, visto ser um por­
to de Creta, que olha para o noroeste e para o sudoeste.
i3Soprando brandamente o vento sul, e pensando
eles ter alcançado o que desejavam, levantaram âncora
e foram costeando mais de perto a ilha de Creta. l4En-
tretanto, não muito depois, desencadeou-se, do lado da
ilha, um tufão de vento, chamado Euroaquilão. 150 na­
vio foi arrastado com violência e, sem poder resistir ao
vento, cessamos a manobra e nos fomos deixando levar.
16Passando ao abrigo de uma ilhota chamada Cauda,
com dificuldade conseguimos recolher o bote. 17Tendo
içado o bote, os marinheiros usaram de todos os meios
para reforçar o navio com cabos de segurança. E, te­
mendo que fossem encalhar nos bancos de areia de Sir-
te, arriaram os aparelhos, e foram à deriva. l8Açoitados
severamente pela tormenta, no dia seguinte começaram
a jogar a carga no mar. 19E, no terceiro dia, nós mesmos,
com as próprias mãos, lançamos ao mar a armação do
navio. 20E, não aparecendo, havia já alguns dias, nem
receber, assim como dar; cuidar de outros, e também ser cuidado.
Aqui, bem como em 28.15; Rm 15.24,32; ICo 16.18; 2Co 7.5-6;
Fp 4.10,15-18 Paulo praticava suas palavras de At 20.28.
27.20-26 Ao enfrentar uma tempestade que não cessa e pa­
rece estar acabando com tudo, o que fazer? Paulo caminha com
três frentes: (1) reconhecer os erros do passado (v. 21); (2) olhar
para o futuro com coragem (v. 22); e (3) ouvir Deus e confiar em
uma intervenção sobrenatural (vs. 23-26). Para mais informa­
ção sobre ouvir Deus com palavras proféticas, cf. n. 1Co 14.1.
sol nem estrelas, caindo sobre nós grande tempestade,
dissipou-se, afinal, toda a esperança de salvamento.
21Havendo todos estado muito tempo sem comer,
Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse;
— Senhores, na verdade, era preciso terem-me aten­
dido e não partir de Creta, para evitar este dano e perda.
22Mas agora aconselho que tenham coragem, porque
nenhuma vida se perderá, mas somente o navio. 23 Por­
que, esta mesma noite, um anjo do Deus a quem per­
tenço e a quem sirvo, esteve comigo, 24dizendo: "Paulo,
não tenha medo! É preciso que você compareça diante
de César, e eis que Deus, por sua graça, lhe deu todos
quantos navegam com você." 25Portanto, senhores, te­
nham coragem! Pois eu confio em Deus que tudo vai
acontecer conforme me foi dito. 26 Porém é necessário
que sejamos arrastados para alguma ilha.
O naufrágio
27Quando chegou a décima quarta noite, sendo nós ba­
tidos de um lado para outro no mar Adriático, por volta da
meia-noite os marinheiros pressentiram que se aproxi­
mavam de alguma terra. 28 E, lançando a sonda, viram que
a profundidade era de trinta e seis metros. Passando um
pouco mais adiante, tomando a lançar a sonda, viram que a
profundidade era de vinte e sete metros.-729 E, receosos de
que fôssemos atirados contra lugares rochosos, lançaram
da popa quatro âncoras e oravam para que rompesse o dia.
30Nisto os marinheiros tentaram escapar do navio. Arria­
ram o bote no mar, a pretexto de que iam largar âncoras da
proa 31Paulo disse ao centurião e aos soldados:
— Se estes não permanecerem a bordo, vocês não
poderão se salvar.
32Então os soldados cortaram os cabos do bote e
o deixaram afastar-se. 33Enquanto amanhecia, Paulo
rogava a todos que se alimentassem, dizendo:
— Hoje é o décimo quarto dia em que, esperando,
vocês estão sem comer, nada tendo provado. 34Por isso
peço que comam alguma coisa; porque disto depende a
salvação de vocês; pois nenhum de vocês perderá nem
mesmo um fio de cabelo.
35Tendo dito isto, pegando um pão, deu graças a Deus
na presença de todos e, depois de o partir, começou a
127.9 Esse dia sagrado dosjudeus (Lv 16) cai entre o final de setembro e
o começo de outubro, perto do inverno naquela região
227.28 Lit., vinte braças e quinze braças
27.24 Paulo, nâo tenha medo! Essas palavras de ânimo pare­
cem chegar um pouco antes de as coisas piorarem (18.9; 23.11).
Ao mesmo tempo, fortalecem o homem interior para aguentar
oque está por vir.
27.31 Aqui e em seguida (vs. 33-34), Paulo dá conselhos sábios
em áreas práticas. Ele não estava só ligado a assuntos espirituais,
mas juntava os esforços humanos com as intervenções divinas.
27.35-36 Nosso exemplo na hora de uma crise pode animar
outros.
atos 27 — 28 238
comer. 36Todos ficaram mais animados e se puseram
também a comer. 37Estávamos no navio duzentas e se­
tenta e seis pessoas ao todo. 38Refeitos com a comida,
aliviaram o navio, jogando o trigo no mar.
39Quando amanheceu, não reconheceram a terra,
mas avistaram uma enseada, onde havia uma praia.
Então consultaram entre si se não podiam encalhar
ali o navio. 40Cortando os cabos das âncoras, deixaram
que ficassem no mar. Soltaram também as amarras
do leme. E, alçando a vela de proa ao vento, dirigiram-
-se para a praia. 41Dando, porém, num lugar onde duas
correntes se encontravam, encalharam ali o navio; a
proa encravou-se e ficou imóvel, mas a popa se despe­
daçava pela violência do mar. 420 parecer dos soldados
era que os presos deviam ser mortos, para que nenhum
deles fugisse nadando. 43Mas o centurião, querendo
salvar Paulo, impediu-os de fazer isso. Ordenou que os
que soubessem nadar fossem os primeiros a lançar-se
ao mar e alcançar a terra. 44Quanto aos demais, que se
salvassem, uns, em tábuas, e outros, em destroços do na­
vio. E foi assim que todos se salvaram em terra.
A ilha de M alta
Uma vez em terra, verificamos que a ilha se
chamava Malta. 2Os nativos nos trataram
com singular humanidade, porque, acendendo uma
fogueira, acolheram a todos nós por causa da chuva
que caía e por causa do frio. 3Tendo Paulo ajuntado e
atirado à fogueira um feixe de gravetos, uma víbora,
fugindo do calor, prendeu-se na mão dele. 4Quando
os nativos viram a víbora pendurada na mão de Pau­
lo, disseram uns aos outros:
— Certamente este homem é assassino, porque,
salvo do mar, a Justiça não o deixa viver.
5Porém ele, sacudindo a víbora no fogo, não sofreu
mal nenhum. 6Mas eles esperavam que Paulo viesse
a inchar ou a cair morto de repente. Depois de muito
esperar, vendo que nada de anormal lhe acontecia,
mudando de opinião, diziam que ele era um deus.0
Públio hospeda Paulo
7Perto daquele lugar havia um sítio que perten­
cia ao homem principal da ilha, chamado Públio, o
qual nos recebeu e hospedou com muita bondade
durante três dias. 8Aconteceu que o pai de Públio es­
tava enfermo de disenteria, ardendo em febre. Paulo
foi visitá-lo e, orando, impôs-lhe as mãos, e o curou. 9À
“28.6 At 14.11 628.18 At 25.25; 26.29-32 “28.19 At 25.11
428.20 At 26.6 “28.23 Lc 24.27
vista deste acontecimento, os demais enfermos da ilha
vieram e foram curados, 10os quais nos distinguiram
com muitas honrarias; e, tendo nós de prosseguir via­
gem, nos puseram a bordo tudo o que era necessário.
A continuação da viagem
11 Três meses depois, embarcamos num navio ale­
xandrino, que tinha passado o inverno na ilha. O navio
tinha por emblema os deuses gêmeos Castor e Pólux.
l2Chegando a Siracusa, ficamos ali três dias. 13Dali, na­
vegando ao longo da costa, chegamos a Régio. No dia
seguinte começou a soprar o vento sul e, em dois dias,
chegamos a Putéoli, i4onde encontramos alguns ir­
mãos que nos pediram que ficássemos com eles sete
dias; e foi assim que nos dirigimos a Roma. 15Tendo ali
os irmãos ouvido notícias nossas, vieram ao nosso en­
contro até a Praça de Ápio e as Três Vendas. Ao vê-los,
Paulo deu graças a Deus e sentiu-se mais animado.
Paulo em Rom a
i6Uma vez em Roma, Paulo recebeu permissão
para morar por sua conta, tendo em sua companhia o
soldado que o guardava.
17Três dias depois, ele convocou os principais dos
judeus. Quando estavam reunidos, Paulo disse:
— Meus irmãos, apesar de nada ter feito contra o
povo ou contra os costumes paternos, vim preso desde
Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos. l8Estes,
depois de me interrogarem, quiseram soltar-me, por­
que não encontraram em mim nenhum crime passível
de morte.* l9Diante da oposição dos judeus, fui obri­
gado a apelar para César,0 não tendo eu, porém, nada
de que acusar o meu povo. 20Foi por isto que pedi para
vê-los e para falar com vocês; porque é pela esperança
de Israel* que estou preso com esta corrente.
21Então eles lhe disseram:
— Nós não recebemos da Judeia nenhuma car­
ta que falasse a respeito de você. Também não veio
qualquer dos irmãos que nos anunciasse ou dissesse
algo de mau a seu respeito. 22Mas gostaríamos de ou­
vir o que você pensa, porque sabemos que em todos
os lugares essa seita é contestada.
Paulo prega em Rom a
23Tendo eles marcado um dia, foram em grande
número ao encontro de Paulo no lugar onde ele resi­
dia. Então, desde a manhã até a tarde, lhes fez uma
exposição em testemunho do Reino de Deus, pro­
curando persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela
Lei de Moisés como pelos Profetas.6 24Houve alguns
28.8 impôs-lhe as mãos. Cf. n. 6.6. 28.17 Paulo não se importava com suas restrições; ele tomava
28.15 Paulo... sentiu-se mais animado. De novo, Paulo rece- a iniciativa para ir em frente com seu chamado,
bendo. Cf. n. 27.3.
239 ATOS 28
que ficaram persuadidos pelo que Paulo dizia; outros,
porém, continuaram incrédulos. 25E, havendo discor­
dância entre eles, começaram a ir embora. Mas, antes
que saíssem, Paulo disse estas palavras:
— Bem falou o Espírito Santo aos pais de vocês,
por meio do profeta Isaías, quando disse:
26"Vá a este povo e diga:
Ouvindo, vocês ouvirão
e de modo nenhum entenderão;
vendo, vocês verão
e de modo nenhum perceberão.
27 Porque o coração deste povo
está endurecido;
ouviram com os ouvidos tapados
e fecharam os olhos;
para não acontecer que vejam com os olhos,
ouçam com os ouvidos,
entendam com o coração,
se convertam e sejam por mim curados.’’^
28E Paulo concluiu:
— Portanto, fiquem sabendo que esta salvação que
Deus oferece foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão.
29[Ditas estas palavras, os judeus foram embora,
tendo entre si grande discussão.]1
Paulo prisioneiro durante dois anos
30Durante dois anos, Paulo permaneceu na sua
própria casa, que tinha alugado, onde recebia todos
os que o procuravam. 31Pregava o Reino de Deus, e,
com toda a ousadia, ensinava as coisas referentes ao
Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum.
^28.26-27 is 6.9-10: Mt 13.14-15 128.29 O texto entre colchetes
se encontra apegas em manuscritos mais recentes
28.25 Bem falou o Espírito Santo. Cf. n. 1.2; Intro.
28.26-27 Citou as mesmas palavras que Jesus havia citado
(Is 6.9-10). A chave é o coração, bem mais que a mente. Existe
coração insensível (v. 26) e coração que entende (v. 27). O segun­
do coração, entendendo o evangelho, se converte. Cf. n. Mt 13.15.
28.30 na sua própria casa. Cf. ns. 2.2; M t 26.6.
28.31 Pregava o Reino de Deus. Cf. v. 23; n. 8.12. Duas per­
guntas: (1) o que a Igreja Primitiva tinha que nós não temos?
Volte ao texto-chave na Introdução a este Livro. (2) O que po­
demos mudar para ser como essa Igreja?

4 biblia do_discipulado_-_atos

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    atos dos apóstolos Vivendoo sonho de Deus para a sua Igreja ----------------------------------------------------------------------------------------- • s grandes temas de Atos surgem nos primeiros dois capítulos: 1. A visão evangelística e missionaria, que deve começar para cada um de nós em nossa “Jerusalém” e ir transbordando para “Judeia” e “Samaria”, até ganhar expressão nos confins da terra (1.8); 2. O poder do Espírito Santo manifesto deform a visível, especialmente nos sonhos, nas visões e nas pala­ vras proféticas que devem caracterizar todos os filhos de Deus (At 1.8; 2.17-18); 3. A descrição gloriosa da Igreja Primitiva em seu pleno primeiro amor (At 2.42-47). Os três são interdependentes. Nenhum se mantém bem sem os outros. Quando a energia e a visão evan­ gelística decaem, a saúde da igreja fatalmente decairá. De forma parecida, quando o poder do Espírito não flui, a saúde da igreja logo não fluirá. Equando a igreja não se expressa de forma saudável, como na Igreja Primitiva, o pique evangelístico e o poder do Espírito Santo desvanecem. O verdadeiro discípulo de Jesus tem fome e sede nas três áreas, crescendo em competência e paixão em todas elas. Em primeiro lugar, seu coração arde e se quebranta como o coração de Jesus para com as pessoas necessitadas (Lc 4.18-19), aflitas e exaustas, tais quais ovelhas sem pastor (Mt 9.36-38). Ele se entrega de for­ ma sacrificial para alcançar pessoas para Jesus (Lc 15; cf. Intro. Jo). O verdadeiro discípulo é também um sonhador, visionário, cheio do Espírito e ungido por ele. Vive ouvindo seu Pai e faz disso seu estilo de vida (cf. med. Jo 5.19-20,30). Encontros divinos e padrões divinos caracterizam sua vida. Finalmente, o discípulo autêntico é apaixonado pela igreja dele. Sonha com ela e tem uma visão clara a respeito dela que o energiza. O texto de At 2.42-47 é uma de suas passagens prediletas. Ele cresce em sua ha­ bilidade de entender essa descrição e explicá-la a outras pessoas. E, ainda mais importante do que isso: ele cresce em sua vivência e graça em ilustrar os princípios de uma vida dedicada à Palavra, à oração, à comunhão, à simplicidade e ao evangelismo (cf. os cinco módulos no curso de discipulado que trazem oito estudos sobre cada um destes temas). Te x t o -chave E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.... Enquanto isso, o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos. (At 2.42-47) Esta passagem descreve uma igreja gloriosa, saudável, sem mácula, ruga ou defeito (Ef 5.27). Ela tem dezesseis características: (1) é dedicada à Palavra (kerygma); (2) exerce a comunhão (koinonia); (3) dá importância à ceia do Senhor; (4) fundamenta-se na oração (ouvindo Deus); (5) tem temor a Deus; (6) opera manifestações sobrenaturais (1Co 12.7-10); (7) valoriza a unidade e a comunidade; (8) cuida plenamente dos necessitados; (9) faz grandes celebrações; (10) tem grupos pequenos ou igrejas caseiras; (11) a igreja come junta; (12) tem alegria; (13) possui um coração simples e uma vida simples; (14) foca o louvor a Deus; (15) é bênção para os de fora da igreja; e (16) trata o evangelismo como um estilo de vida, que leva ao cres­ cimento natural e sólido. Um excelente exercício seria dar uma nota de 0 a 10 à sua igreja em cada uma dessas áreas, para depois orar sobre os aspectos nos quais o Espírito Santo gostaria de se aprofundar em sua vida e em sua igreja. Estas características são o DNA de cada discípulo de Jesus, porque são o DNA dele. Elas se ex­ pressam especialmente nos lares e nos grupos pequenos ou células porque têm muito a ver com relaciona­ mentos comprometidos e saudáveis. Devemos orar e nos esforçar em favor deste grande sonho, não sendo críticos nem céticos quanto à Igreja. Que Deus nos dê a graça de viver de forma autêntica e coletiva para ele, já que individualmente dificilmente conseguiremos fazê-lo.
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    195 Atos 1 Aprom essa do Espírito Santo Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo,0 relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar 2até o dia em que, depois de haver dado man­ damentos por meio do Espírito Santo aos apóstolos que tinha escolhido, foi elevado às alturas. 3A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas relacio­ nadas com o Reino de Deus. 4E, comendo com ele s/ determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusa­ lém, mas que esperassem a promessa do P ai/ a qual, disse ele, vocês ouviram de mim. 5Porque João, na verdade, batizou com1água,d mas vocês serão batiza­ dos com1o Espírito Santo, dentro de poucos dias. A ascensão de Jesus 6Então os que estavam reunidos com Jesus lhe perguntaram: — Será este o tempo em que o Senhor irá restau­ rar o reino a Israel?" 7Jesus respondeu: — Não cabe a vocês conhecer tempos ou épocas que o Pai fixou pela sua própria autoridade/8Mas vocês re­ ceberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas5 tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra. 9Depois de ter dito isso, Jesus foi elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos/ 10E, estando eles com os olhos fixos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois homens vestidos de branco se puseram ao lado deles 11e lhes disseram: — Homens da Galileia, por que vocês estão olhando para as alturas? Esse Jesus que foi levado do meio de vocês para o céu virá do modo como vocês o viram subir.' A escolha de M atias 12Então os apóstolos voltaram do monte das Olivei­ ras para Jerusalém. A distância até a cidade é de cerca de um quilómetro.2l3Quando entraram na cidade, subiram para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, An­ dré, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Al- feu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. 14Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.1 15Naqueles dias, Pedro se levantou no meio dos irmãos, que formavam um grupo de mais ou menos cento e vinte pessoas, e disse: «1.1 Lc 1.1-4 M .4 Lc 24.43; At 10.41 a c 24.49 11.5 Ou em « M t3.11;Mc 1.8; Lc3.16;Jo 1.33 «1.6Lc 19.11 tl.7M c13.32 91.8 Mt 28.19; Mc 16.15; Lc 24.47-48 M .9 L c 24.51 <1.11 Lc 21.27; ITs 1.10 2 1.112 Lit.,jornada de um sábado 71.13-14 M t 10.2-4; Mc 3.16-19; Lc 6.14-16 1.2 por meio do Espírito Santo. Cf. 1.5,8,16. A primeira de 57 indicações do Espírito Santo neste livro (cf. ns. 2.4; 4.8). Há mais referências do que nos quatro Evangelhos juntos. Por isso, al­ gumas pessoas dizem que o título do livro poderia ser “Atos do Espírito Santo”. Na verdade, “Atos dos Apóstolos” acaba refletin­ do o lado humano da obra, enquanto o outro título mostraria o lado divino. Os dois andam de mãos dadas. E em sua vida? Eles andam assim? Cf. Intro. aos apóstolos. Cf. n. 1Co 12.28. que tinha escolhido. Cf. os oito estudos sobre seleção a partir de Lc 6.12-16. 1.3 com muitas provas incontestáveis. Que provas incontes­ táveis nós temos hoje de que Jesus está vivo? durante quarenta dias. Curso de pós-graduação para os apóstolos! falando das coisas relacionadas com o Reino de Deus. Cf. v. 6. Tiveram de abrir mão de seus conceitos sobre o Reino para receber o concei­ to de Jesus (cf. n. M t 19.30; Intro. e tc. Mt). Que surpresa ele não falar sobre a igreja (cf. n. M t 18.17). Quem realmente entende o Reino irá estabelecer comunidades do Reino: igrejas. 1.5 vocês serão batizados com o Espírito Santo. A vinda do Espírito Santo para cada grupo culturalmente diferente (ju­ deus, At 2.1-13; samaritanos, At 8.14-25; gentios, At 10.44-48) combinou batismo com unção ou derramar do Espírito. Hoje em dia isso normalmente não acontece. As pessoas são batiza­ das no Espírito quando recebem Jesus (ICo 12.13; Ef 4.5; cf. ns. Gl 3.27-29) e são ungidas no Espírito quando recebem poder para expressar um chamado ou ministério divino dado por Deus para elas (cf. n. Lc 4.18-19). 1.6 perguntaram. Cf. n. M t 13.36. 1.7-8 Não cabe a vocês. Não é da sua conta! receberão poder. Do grego dunamis. Cf. Lc 24.49. Poder sobrenatural, poder mi­ lagroso (cf. Rm 1.16; Ef 1.18-23; 3.14-16,20; Cl 1.11; n. 1Co 4.20). Essa palavra grega é a base para nossas palavras dínamo (ge­ rador, poder contínuo), dinâmica (poder em ação) e dinamite (poder que destrói; cf. n. 2Co 10.4). Pensando na metáfora de uma bateria recarregável, se não usarmos seu poder, o perdere­ mos e até perderemos sua capacidade de recarga, serão minhas testemunhas. Diferente de advogados ou apologistas. Aqui há quatro chaves: (1) paixão (At 4.18-20); (2) poder (cf. n. 1Co 2.4); (3) preparo (cf. n. 1Pe 3.15); e (4) parceria com Deus (cf. n. e med. Jo 5.19-20,30). Cf. meds. At 22.1-21; Ap 2.12-13; Intro. Jo e os oito estudos sobre evangelismo a partir de 2Co 5.14-21. em Jerusa­ lém. Cf. Lc 24.47; n. At 5.28. Sua cidade. Judeia. Seu estado. Samaria. Seu país. confins da terra. Cf. 2.39; M t 28.19. Outros países. Cf. temas na Intro. 1.14 perseveravam. Cf. 2.42; 6.4. Dedicavam-se, consagravam- -se. unânimes. Com um só ânimo (cf. 2.44,46; 4,24,32; 15.25; ns. Fp 2.1-4). em oração. Cf. 2.42; 6.4; ns. Mc 1.35; Lc 11.9-10. com as mulheres. Um acréscimo radical, totalmente diferente da sinagoga e da tradição judaica. Possivelmente as esposas dos apóstolos (ICo 9.5) e as listadas ministrando para Jesus (Lc 8.2-3; 24.22; cf. n. M t 27.55; Intro. Lc). com os irmãos dele. Os irmãos de Jesus se converteram (ICo 15.7). Um deles, Tiago, se tornou o líder da igreja de Jerusalém (15.13-21; Gl 2.9; cf. n. 12.17) e foi o autor da Epístola que leva seu nome. Devemos ficar firmes e testificar a nossos parentes, pois não sabemos quando eles podem se entregar a Jesus. 1.15 no meio dos irmãos. Gr. mathetes. Literalmente, “discí­ pulos”.
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    Atos 1 —2 196 16— Irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, a respeito de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus.k 17Ele era um dos nossos1 e teve parte neste ministério. 18 Ora, este homem adquiriu um campo com o preço da iniquidade e, caindo de cabeça, rompeu-se pelo meio, e todos os seus intestinos se derramaram. 19Isto chegou ao conhecimento de todos os mora­ dores de Jerusalém, de maneira que em sua própria língua esse campo era chamado Aceldama, isto é, Campo de Sangue."1 E Pedro continuou: 20— Porque está escrito no Livro dos Salmos: "Fique deserta a sua morada, e não haja quem nela habite."” — E: "Que outro tome o seu encargo."0 21— Portanto, é necessário que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós, 22começando no batismo de João,p até o dia em que foi tirado do nosso meio e le­ vado às alturas,q um destes se torne testemunha co- nosco da sua ressurreição." 23Então propuseram dois: José, chamado Barsa- bás, também conhecido como Justo, e Matias. 24E, orando, disseram: — Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual dos dois escolheste 25para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se desviou, indo para o seu próprio lugar. *1.16 Lc 22.47 D .1 7 Jo 6.70 1.18-19 M t 27.6-8 "1.20 SI 69.25 "S1109.8 P1.22 M t 3.16; Mc 1.9; Lc 3.21 4Mc 16.19; Lc 24.51 f Lc 24.48 M.26PV16.33 “2.1 Lv 23.15-21; Dt 16.9-11 26 Depois fizeram um sorteio/ e a sorte caiu sobre Ma tias, que foi acrescentado ao grupo dos onze apóstolos. A vinda do Espírito Santo 2 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes,0 estavam to­ dos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e en­ cheu toda a casa onde estavam sentados. 3E aparece­ ram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. 5Estavam morando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. 6Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a mul­ tidão, que foi tomada de perplexidade, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7Estavam, pois, atónitos e se admiravam, dizendo: — Vejam! Não são galileus todos esses que aí estão falando? 8Então como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? 9Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judeia, Capa­ dócia, Ponto e Ásia, 10da Frigia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e ro­ manos que aqui residem, 11tanto judeus como prosé­ litos, cretenses e árabes. Como os ouvimos falar sobre as grandezas de Deus em nossas próprias línguas? l2Todos, atónitos e perplexos, perguntavam uns aos outros: — O que isto quer dizer? 13Outros, porém, zombando, diziam: — Estão bêbados! A pregação de Pedro 14Então Pedro se levantou, junto com os onze, e, erguendo a voz, dirigiu-se à multidão nestes termos: 1.16 a Escritura que o Espírito Santo predisse. Este é um exce­ lente exemplo dejuntar a Palavra e o Espírito Santo. Cf. n. 1Co 14.1. 1.26 Matias. Mencionado na Bíblia somente aqui. É possível que Pedro tenha se precipitado em querer encontrar ou nomear um décimo segundo apóstolo. Nota prática: Deus realmente gosta que tomemos a iniciativa, nâo retrocedendo (Hb 10.38). Ele prefere que erremos tentando andar pela fé do que evitemos o erro não agindo. Quando erra­ mos por ser proativos, dois princípios nos consolam: (1) Deus en­ tende nosso coração e sabe nos compensar pelo que fizemos em nossa ignorância; (2) o erro que cometemos não importa tanto quanto o que fazemos depois. Cf. ns. At 7.58; Tg 3.2. 2.1 Pentecostes. Festa das Primícias ou da Colheita (Êx 23.16; Nm 28.26). 2.2 De repente. O mover do Espírito é sempre imprevisível (cf. n. Jo 3.8); isso requer que abracemos uma vida de imprevis­ tos se queremos andar no Espírito, o casa. As casas na Igreja Primitiva e neste livro eram centros para a expansão do Rei­ no (2.46; 5.42; 9.11,17,43; 10.2,6,17,22,30,32; 11.3,11-14; 12.12; 16.15,31-34,40; 17.5; 18.7-8; 20.20; 21.8; 28.30; Rm 16.5,23; ICo 16.15,19; Cl 4.15; Fm 2). Cf. n. M t 26.6. Nota prática: a igreja em células tem o ditado: “Cada membro um ministro; cada casa uma igreja.” Nossas casas precisam ser centros do Reino de Deus, postos avançados para ele. 2.4 o Espírito. Cf. vs. 17-18,33,38; ns. 1.2; Jo 14.16-18. outras línguas. Cf. n. 1Co 14.5. 2.5 as nações. Cf. vs. 17,39; 1.8. Jesus quer alcançar todas elas. Cf. ns. M t 28.19; At 1.8; 17.26-27; Ap 2.26. 2.6 Aparentemente eles saíram do cenáculo, ou aposento alto, para a rua. A Igreja nasceu na rua! Cf. n. 5.12. 2.8 Revertendo a torre de Babel, que introduziu a divisão (cf. Gn 11.4). 2.12-13 atónitos e perplexos. Cf. v. 6. As mesmas circunstân­ cias e as mesmas emoções, mas alguns se sentiram impelidos a saber mais, enquanto outros zombavam. Sempre haverá pes­ soas que menosprezam o mover do Espírito. Emoções podem ser sentidas de acordo com Deus ou com o mundo, ou seja, centradas em Deus ou egocêntricas. Cf. n. 2Co 7.8-11.
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    197 ATOS 2 —Homens da Judeia e todos vocês que moram em Jerusalém, tomem conhecimento disto e pres­ tem atenção no que vou dizer. 15Estes homens não estão bêbados, como vocês estão pensando, porque são apenas nove horas da manhã.J l6Mas o que está acontecendo é o que foi dito por meio do profeta Joel: 17 "E acontecerá nos últimos dias, diz Deus, que derramarei do meu Espírito sobre toda a humanidade. Os filhos e as filhas de vocês profetizarão, os seus jovens terão visões, e os seus velhos sonharão. 18Até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. 19 Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. 20 O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor. 21 E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”* 22— Israelitas, escutem o que vou dizer: Jesus, o Na­ zareno, homem aprovado por Deus diante de vocês com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou entre vocês por meio dele, como vocês mes­ mos sabem, 23a este, conforme o plano determinado e a presciência de Deus,cvocês mataram, crucificando-o por meio de homens maus. 24Porém Deus o ressus­ citou,6 livrando-o da agonia da morte, porque não era possível que fosse retido por ela. 25Porque Davi fala a respeito dele, dizendo: 2.16-21 Tanto nesta citação de Joel como na citação dos Salmos (vs. 25-28), no poder do Espírito, Pedro faz interpretações além do que os autores originais poderiam haver imaginado. Nota prática: precisamos ter cuidado para não distorcer a Palavra. Ao mesmo tempo, o Espírito é capaz de tornar a Palavra viva e eficaz em nossa vida (cf. n. Hb 4.12), com in­ terpretações bem específicas para as nossas circunstâncias. Vale mais errar um pouco ao lado de uma Palavra viva do que viver sem ela; errar de vez em quando quanto ao que estamos ouvindo de Deus do que viver com um Deus que não fala mais. 2.17 Osfilhos e as filhas de vocês. Devemos ensinar e enco­ rajar nossos filhos e nossas filhas a desenvolverem seus dons. profetizarão. Cf. v. 18; n. ICo 14.1. jovens terão visões. Deve­ mos animar nossos jovens a ter visões grandes, especialmente quanto a coisas espirituais, os seus velhos sonharão. Ao lon­ go dos anos, naturalmente perdemos nossa disposição física e emocional. Quando andamos no Espírito, não tem de ser assim quanto aos nossos sonhos espirituais. Stephen Covey, em seu livro O oitavo hábito, ressalta que todos podemos desenvolver o hábito de ouvir nossa voz interior (que inclui a voz de Deus, o nosso coração e os sonhos de Deus) e inspirar os outros a "Eu sempre via o Senhor diante de mim, porque ele está à minha direita, para que eu não seja abalado. 26 Por isso, o meu coração se alegra e a minha língua exulta; além disto, também a minha própria carne repousará em esperança, 27 porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. 28 Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, e me encherás de alegria na tua presença."^ 29— Irmãos, permitam-me falar-lhes claramente a respeito do patriarca Davi: ele morreu e foi sepul­ tado,5 e o seu túmulo permanece entre nós até hoje. 30Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado* que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono, 31prevendo isto, referiu-se à ressurrei­ ção de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção. 32Deus ressusci­ tou este Jesus, e disto todos nós somos testemunhas. 33Exaltado, pois, à direita de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vocês estão vendo e ouvindo. 34Porque Davi não su­ biu aos céus, mas ele mesmo declara: "Disse o Senhor ao meu Senhor: Sente-se à minha direita, 35 até que eu ponha os seus inimigos por estrado dos seus pés.”' 72.15 Lit., terceira hora do dia *2.17-21 Jl 2.28-32 c2.23Lc 22.22 Mt 27.35; Mc 15.24; Lc 23.33; Jo 19.18 «2.24 Mt 28.5; Mc 16.6; Lc 24.5 ^2.25-28 S116.8-11 92.29 1Rs 2.10 *2.30 SI 89.3-4; 132.11 '2.34-35 SI 110.1 encontra a deles. Seja em retiros individuais com Deus, seja em retiros para pastores e líderes, precisamos dedicar tempo a isto (cf. ns. e med. Jo 5.19-20,30), seguido por mais tempo para transformar nossas visões e sonhos em projetos de vida. Todo plano ou projeto precisa ter um sonho à altura como funda­ mento e ser renovado periodicamente para não cair no simples ativismo. Cf. n. 1.5. 2.18 meus servos... minhas servas. Tanto aqui como no ver­ sículo anterior o Espírito é claramente derramado de forma igual sobre ambos os sexos, quebrando paradigmas profun­ dos daquela época - e, muitas vezes, da nossa também (cf. n. Gl 3.28). 2.23 conforme o plano determinado e a presciência de Deus. Nada surpreende a Deus. Nada! Ele age em todas as coi­ sas para o nosso bem (cf. n. Rm 8.28). Ele é mestre em transfor­ mar crucificações em ressurreições. 2.24 Porém Deus. Possivelmente as duas palavras mais ma­ ravilhosas da Bíblia. Essa frase aparece centenas de vezes na Bíblia. Cf. n. 10.28. 2.25-28 repousará em esperança (v. 26). Cf. n. Rm 8.24-25. Esta descrição de Jesus também é uma descrição do que todo filho de Deus pode esperar ao final desta vida.
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    Atos 2 198 Co m p a r t i l h a n d o n o s s a v i s ã o p a r a o f u t u r o At 2.17-18; Jr 29.4-7,11 (Estudo 1.1.2) 1. Qual é um dos seus maiores sonhos? 2. Este sonho se encaixa no que diz Jr 29.4-7 ou vai além? 3. Você tem uma boa ideia dos pensamentos de Deus a seu respeito (Jr 29.11; SI 139.13-18)? 4. Você sente que se encaixa em At 2.17-18? Por quê? 5. Pelo que você gostaria que as pessoas orassem em relação a seus sonhos? Estudo opcional: SI 139.13-18; Is 40.27-31; Ef 2.10. Os dez mandamentos dos sonhadores 1. Entenda claramente seu sonho. Tenha-o escrito em seu coração e em papel. Saiba expressá-lo em uma frase, em uma folha, e de forma mais profunda. 2. Saiba qual é o DNA de seu sonho. Seu sonho deve ter a base de sua experiência num pequeno grupo que possa se multiplicar. Saiba como fazer esse pequeno grupo funcionar com a qualidade que vale a pena reproduzir. A multiplicação virá "segundo a sua espécie" (Gn 1.21-25). 3. Enraíze seu sonho em Deus. Entenda a vontade de Deus para seu sonho e tenha convicção divina baseada em passagens bíblicas fundamentais. Converse com Deus regularmente sobre seu sonho, ouvindo a perspectiva dele e fazendo apenas o que o Pai está fazendo (cf. ns. e med. Jo 5.19-20,30). 4. Cuide de si mesmo (lCo 10.12; cf. ns. At 20.28; Gl 6.1; U m 4.16). "De tudo o que se deve guardar, guarde bem o seu coração, porque dele procedem as fontes da vida." Cuide de sua saúde física, emocional e espiritual. Resolva conflitos internos e externos. Saiba descansar. Tenha limites saudáveis. Seja responsável por suas emoções. Continue investindo em si mesmo. Seja um vaso puro, saudável e útil para Deus poder usar você com plena liberdade. Ande cheio do Espírito (cf. n. Gl 5.22-23; Ef 5.18) e não segundo a carne. 5. Nutra o seu sonho. Pense nele diária, semanal, mensal e anualmente com diversas dinâmicas de avaliação e renovo. Seja especialista em seu sonho e caminhe com outros especialistas. Procure oportunidades para renovo, reciclagem e especialização na área de seus sonhos. 6. Faça discípulos (cf. ns. Mt 28.16-20). Saiba discernir quem o Pai lhe deu (cf. n. Jo 17.6) como discípulos e santifique-se em favor deles (cf. n. Jo 17.19). Forme o caráter e os sonhos de Cristo dentro deles. A multiplicação e o futuro de seus sonhos dependem deles. Olhe para a próxima geração. Procure fazer não apenas discípulos, mas também discipuladores (cf. ns. 2Tm 2.1-2), ensinando aos outros o que aprendeu plenamente. 7. Tenha um mentor especialista na área de seu sonho. Seja proativo. Vá atrás dele. Invista nele para que ele também invista em você. Procure diversas formas e oportunidades de estarem juntos. 8. Caminhe com a equipe. Ande de mãos dadas com uma equipe apaixonada e que vivencie esse sonho com você. 9. Tenha parceiros (cf. ns. Fm 23-24). Você precisa de intercessores e de parceiros financeiros. Busque ambos (cf. n. Lc 11.9-10) e nutra-os. Um relacionamento assim perece se não for bem-tratado. 10. Seja consciente da batalha espiritual. Jesus veio para dar vida abundante; Satanás veio para roubar, matar e destruir (cf. n. Jo 10.10). Você está engajado numa batalha mortal. Ande prevenido. Ande armado. Não ande sozinho. Saiba submeter-se a Deus e aos líderes que ele coloca sobre você. Resista ao diabo e faça-o fugir (cf. ns. Tg 4.6-10; IPe 5.5-8). At 22.1-21 — Estudo anterior ♦ |♦ Próximo estudo — IPe 1.22 36— Portanto, toda a casa de Israel esteja absolu- Três mil batizados tamente certa de que a este Jesus, que vocês crucifi- 37Quando ouviram isso, ficaram muito comovidos caram, Deus o fez Senhor e Cristo. e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: 2.36 esteja absolutamente certa. Convicção convence (v. 37), 2.37 Que faremos, irmãos? Francis Schaeffer afirmou que, se contraste total com sua negação de Jesus (Mc 14.66-72). tivesse uma hora para falar com um não crente, passaria 55 mi-
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    199 ATOS 2— 3 — Que faremos, irmãos?3 38 Pedro respondeu: — Arrependam-se,^ e cada um de vocês seja bati­ zado em nome de Jesus Cristo para remissão dos seus pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo. 39Porque a promessa é para vocês e para os seus filhos, e para todos os que ainda estão longe/ isto é, para todos aqueles que o Senhor, nosso Deus, chamar. 40Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: — Salvem-se desta geração perversa. 41 Então os que aceitaram a palavra de Pedro fo­ ram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. C om o viviam os convertidos 42E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. 43Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por meio dos apóstolos. 44Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. 45Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.™ 46Diariamente perseveravam unânimes no templo," nutos explicando para ele a crise terrível na qual a pessoa se en­ contrava. Ele argumentou que ninguém acredita em boas-novas ou sente necessidade delas se não se convence primeiro de que está bem mal. Pedro caminhou dessa forma neste capítulo, pro­ vocando uma grande crise e mais perguntas do que respostas, inicialmente (cf. med. Mc 8.14-21). 2.38 Arrependam-se. Cf. 3.19; 5.31; 8.22; 11.18; 13.24; 17.30; 19.4; 20.21; 26.20. Pedro indica três passos, começando com o arrependimento (cf. n. M t 3.2). Quem não caminha por estes três passos não se converteu de verdade. Mais e mais igrejas abriram mão de um evangelho que chama ao arrependimento e estão perdendo a habilidade de sentir o pecado. Essas igrejas, assim como cinco das sete igrejas do Apocalipse, precisam se arrepender! seja batizado. Cf. IPe 3.21. 2.41 foram batizados. No Novo Testamento, o batismo acon­ tece logo que a pessoa se arrepende e confessa seus pecados (M t 3.6; aqui; At 8.36-37; 9.18; 16.33; 22.16), sendo um sinal externo de uma mudança interna. É muito menos conceituai ou intelectual do que a maioria dos nossos cursos de batismo, e bem mais uma entrega plena de coração. Cf. med. 1Co 12.12-13. quase três mil pessoas. Cf. n. 6.1. Motivo de grande louvor. Ao mesmo tempo, precisamos ter cuidado com números. Cada cidade tem algo que cresce diariamente sem parar: seus cemi­ térios! Câncer também cresce diariamente. O que cresce é bem mais importante do que o quanto cresce. 2.42-47 perseveravam. Cf. n. 1.14. na doutrina. Cf. ns. Tt 1.1; 2.1. Para o perfil da Igreja, cf. tc. 2.44-45 O cuidado com as necessidades uns dos outros foi um idealismo romântico da Igreja Primitiva ou o propósito de Deus para nós hoje? Textos que podem nos dar alguma luz incluem: Lv 25.23-28,35-43; Lc 4.18-19; 1Co 11.17-22,27-34; 12.18-27, es­ pecialmente vs. 25-26; 2Co 8.13-15; 9.6-12; Gl 6.10; Ef 4.28. O pensamento de Karl Marx foi: “De cada qual, segundo sua ca- partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refei­ ções com alegria e singeleza de coração, 47louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. En­ quanto isso, o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos. A cura de um coxo 3 Pedro e João estavam se dirigindo ao templo para a oração das três horas da tarde.3 2Estava sendo levado um homem, coxo de nascença, que diariamente era colocado à porta do templo chamada Formosa, para pedir esmolas aos que entravam. 3Quando ele viu Pedro e João, que iam entrar no templo, pediu que lhe dessem uma esmola. 4Pedro, fitando-o, juntamente com João, disse: — Olhe para nós! 5 Ele os olhava atentamente, esperando receber al guma coisa. 6Pedro, porém, lhe disse: — Não possuo nem prata nem ouro, mas o que te­ nho, isso lhe dou: em nome de Jesus Cristo, o Naza­ reno, ande! 12.37 Lc 3.10 *2.38 Lc 24.47 *2.39 Is 57.19 ">2.44-45 At 4.32-35 "2.46 Lc 24.53; At 2.42; 5.42 13.1 Lit., hora nona pacidade; a cada qual, segundo suas necessidades.” E o nosso, qual é? Cf. n. e med. 4.32-37. 2.46 no templo. Cf. 3.1; Lc 24.53. No pátio do templo poderiam entrar mulheres e pessoas não judias, de casa em casa. Cf. ns. v. 2; M t 26.6. 2.47 o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos. E isso sem os recursos, as estratégias e a tecnologia do século 21! Hoje temos uma grande tendência a aplicar estratégias impessoais, que dependem de especialistas, sem formação na­ tural de novos líderes, sem discipulado, sem comunidade cristã, pregando um evangelho barato, não o evangelho do Reino. Te­ mos muito para corrigir se queremos voltar a um modelo parecido com o do Livro de Atos e dos primeiros séculos da Igreja. 3.1 Pedro e João. Cf. 8.14; Lc 22.8. É melhor serem dois do que um (cf. n. Lc 7.18). 3.4 fitando-o... Olhe para nós! Pedro estabeleceu uma pro­ funda conexão antes de ministrar para o cego. Nota prática: devemos nos esforçar para estabelecer uma forte conexão nos primeiros minutos de qualquer encontro, seja de mentoria, aconselhamento, ensino ou pregação. Isto pode incluir empatia, contato, linguagem do corpo, perguntas parti­ cipativas e discernimento espiritual numa oração introdutória. 3.5 esperando receber alguma coisa. Toda ajuda naturalmen­ te cria dependência, seja financeira, emocional, espiritual ou o que for. Pastores e líderes que ajudam as pessoas constante- mente têm de descobrir formas de quebrar isso. Uma das me­ lhores é orientá-las para dar seguimento à conversa ou para aceitarem a intervenção de alguém que é um líder espiritual na vida delas. 3.6 Não possuo nem prata nem ouro. Pedro quebrou as ex- pectativas do coxo - e, ao mesmo tempo, a dependência dele, liberando-o para uma nova vida que ele nunca havia imaginado, o que tenho, isso lhe dou. O que você tem para dar?
  • 7.
    atos 3 —4 200 7E, pegando na mão direita do homem, ajudou-o a se levantar. Imediatamente os seus pés e tornozelos se firmaram; 8e, dando um salto, ficou em pé, come­ çou a andar e entrou com eles no templo, pulando e louvando a Deus. 9Todo o povo viu o homem an­ dando e louvando a Deus, tOe reconheceram que ele era o mesmo que pedia esmolas, assentado à Porta Formosa do templo; e ficaram muito admirados e es­ pantados com o que lhe tinha acontecido. A pregação de Pedro no tem plo 11Enquanto aquele homem ainda se mantinha ao lado de Pedro e João, todo o povo, perplexo, correu para junto deles no pórtico chamado de Salomão.11 12Quando Pedro viu isso, dirigiu-se ao povo, dizendo: — Israelitas, por que vocês estão admirados com isto ou por que estão com os olhos fixos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade tivéssemos feito este homem andar? 130 Deus de Abraão, de Isaque e de jacó / o Deus dos nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus, a quem vocês traíram e negaram diante de Pila- tos,c quando este já havia decidido soltá-lo/ i4Vocês negaram o Santo e o Justo e pediram que fosse solto um assassino.e l5Vocês mataram o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os m ortos/ do que nós somos testemunhas.5 16Pela fé no nome de Jesus é que esse mesmo nome fortaleceu a este homem que vocês estão "3.11 Jo 10.23; At 5.12 *3.13 Êx 3.15 r jo 19.15 4Lc 23.4 e3.14 Mt 27.20; Mc 15.11; Lc 23.18; Jo 18.40 13.15 At 2.24; 4.10; 10.40; 13.30 5Lc 24.48 ^3.17 Lc 23.34 'A t 13.27; ICo 2.8 73.19 At 2.38 *3.22 Dt 18.15-16 '3.23 Dt 18.19 m3.25 Gn 22.18 "3.26 At 13.46; Rm 1.16 3.8 pulando e louvando a Deus. Temos de abrir espaço em nossa adoração particular, assim como na adoração coletiva, para diversas expressões. Algumas igrejas separam um espaço onde as crianças podem saltar, dançar e se expressar livre­ mente, como fazem tão facilmente de forma intuitiva. 3.12 por que... ou por que...? Pedro iniciou com perguntas. Cf. n. Mt 11.7-9. 3.13 o quem vocês traíram e negaram. Confronto em amor. O verdadeiro amor não encobre erros e pecados, pois quer ver a outra pessoa realmente plena e completa. 3.15 somos testemunhas. Cf. 1.8; 2.32; 3.15; 5.32; 10.39,41; 13.31; n. 1.8; Intro. 3.16 Pela fé no nome de Jesus... Sim, a fé que vem por meio de Jesus. A fé é a base para agir além do que o humano ou lógico poderia fazer (cf. ns. 2Co 5.7; Hb 11.1; Intro. e tc. Tg). Baseia-se em ouvir Deus e vê-lo agindo, fazendo apenas o que estamos ouvindo e vendo. Em contraste, a suposta fé que declara coisas em nome de Jesus, mas não ouviu Jesus falar ou fazer, é apenas uma “superespi- ritualidade”, ou algo pior (19.13-16; cf. ns. Mt 7.21-23). Isto se torna especialmente difícil em momentos de crise de saúde terminal. Raras vezes conseguimos ouvir bem na crise. Se queremos saber se esta­ mos ouvindo bem, devemos pedir que os que têm autoridade espiri­ tual acima de nós esclareçam e confirmem o que estamos ouvindo. vendo e bem conhecem. Sim, a fé que vem por meio de Jesus deu a este homem saúde perfeita na presença de todos vocês. 17— E agora, irmãos, eu sei que vocês fizeram isso por ignorância/ como também as suas autoridades o fize­ ram.' l8Mas Deus, assim, cumpriu o que tinha anunciado anteriormente pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo havia de padecer. l9Portanto, arrependam-se e se convertam/ para que sejam cancelados os seus pecados, 20a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério, e que ele envie o Cristo, que já foi designa­ do para vocês, a saber, Jesus, 2iao qual é necessário que o céu receba até os tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos pro­ fetas desde a antiguidade. 22Moisés, na verdade, disse: "O Senhor Deus fará com que, do meio dos irmãos de vocês, se levante um profeta semelhante a mim; a esse vocês ouvirão em tudo o que ele lhes disser/ 23Quem não der ouvidosí a esse profeta será exterminado do meio do povo." 24— E todos os profetas, a começar com Samuel, assim como todos os que falaram depois dele, tam­ bém anunciaram estes dias. 25Vocês são os filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com os pais de vocês, dizendo a Abraão: "Na sua descendên­ cia, serão abençoadas todas as nações da terra."m 26— Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vocês" para abençoá-los, no sen­ tido de que cada um abandone as suas maldades. Pedro e João diante do Sinédrio 4 Enquanto Pedro e João ainda falavam ao povo chegaram os sacerdotes, o capitão do templo e 3.17-18 Deus cumpre seus propósitos ao nosso redor apesar da ignorância de outros ou da nossa própria (4.27-28). 3.19 arrependam-se. Cf. n. 2.38. 3.20 afim de que... venham tempos de refrigério. Cf. Ec 3.11. e que ele envie o Cristo. Cf. 5.42. 3.23 será exterminado. Cf. ns. sobre juízo eterno em M t 25.46; Lc 14.35. 3.25 Vocês são os filhos dos profetas. Em nosso evange- lismo devemos pedir que Deus nos mostre as pontes que ele criou para que as pessoas pudessem crer nele. Estas pontes incluem metáforas ou princípios bem-conhecidos pelas pes­ soas, bem como pontes relacionais. Cf. ns. 7.2; 11.22; 14.15; 17.22; 21.37; 22.1. serão abençoadas todas as nações. Do grego patriai. Cada pessoa ganha para Jesus é uma porta a uma etnia, um grupo, uma pátria, uma nação, um círculo de in­ fluência. Ela tem a possibilidade de causar um impacto muito grande nesse círculo, sobretudo nas primeiras semanas e nos primeiros meses. Devemos fazer o possível para acompanhá- -la e ajudá-la nisso. 3.26 que cada um abandone as suas maldades. Mostrando frutos de arrependimento. Cf. ns. M t 3.2,8. 4.1 -4 A igreja recebe a oposição e a transforma em energia para crescer.
  • 8.
    201 ATOS 4 ossaduceus, 2ressentidos porque os apóstolos es­ tavam ensinando o povo e anunciando, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos. 3Prenderam os dois e os recolheram ao cárcere até o dia seguinte, pois já era tarde. 4Porém muitos dos que ouviram a pa­ lavra creram, subindo o número desses homens a quase cinco mil. 5No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém as au­ toridades, os anciãos e os escribas 6com o sumo sa­ cerdote Anás, com Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da linhagem do sumo sacerdote. 7E, colo­ cando os apóstolos diante eles, perguntaram: — Com que poder ou em nome de quem vocês fi­ zeram isso? 8Então Pedro, cheio do Espírito Santo,0 lhes disse: — Autoridades do povo e anciãos, 9visto que hoje somos interrogados a propósito do benefício feito a um homem enfermo e do modo como ele foi curado/’ lOsai- bam os senhores todos e todo o povo de Israel que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno,0a quem vocês cruci­ ficaram d e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos,e sim, em seu nome é que este está curado na presença de vocês. 11Este Jesus é pedra? rejeitada por vocês, os construtores, mas ele veio a ser a pedra angular. 12E não há salvação em nenhum outro,5 porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. 13Ao verem a ousadia de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, ficaram admi­ rados; e reconheceram que eles haviam estado com Jesus. l4Vendo que o homem que havia sido curado estava com eles, nada tinham a dizer em contrário. 15E, mandando-os sair do Sinédrio, discutiam entre si, l6dizendo: — Que faremos com estes homens? Pois todos os moradores de Jerusalém sabem que um sinal notó­ rio foi feito por eles, e não o podemos negar. 17Mas, para que não haja maior divulgação entre o povo, va- 4.2 anunciando, em Jesus, a ressurreição. A ressurreição foi parte fundamental da declaração do evangelho (cf. 1.22; 2.24,31-32; 3.15; 4.2,10,33; 5.30; 10.40-41; 13.30,33-34,37; ns. 17.3; Mt 28.8; 1Co 15.12-49). 4.4A Bíblia nos fala de números porque eles nos inspiram. Cf. n. 6.1. 4.7 perguntaram. Arguiram ou interrogaram. Cf. n. M t 2.1-6. 4.8 cheio do Espírito Santo. Cf. n. 1.2. lhes disse. Mt 10.19-20. Cf. ns. Mt 10.16-23; Mc 13.9. 4.11 pedra rejeitada. Cf. n. Mc 10.22. veio a ser a pedra an­ gular. Cf. S1118.22-23; n. 1Pe2.6. 4.12 E não há salvação em nenhum outro. Cf. n. Jo 14.6. 4.13 e reconheceram que eles haviam estado com Jesus. O que as pessoas reconhecem em mim? Que eu caminho com Je­ sus? Cf. n. Mc 3.14. 4.14 nada tinham a dizer em contrário. A maior apologética para o evangelho e para a pessoa de Jesus Cristo é nossa vida transformada. mos ameaçá-los para não falarem mais neste nome a quem quer que seja. 18Chamando-os, ordenaram-lhes que de modo ne­ nhum falassem nem ensinassem no nome de Jesus. 19Mas Pedro e João lhes responderam: — Os senhores mesmo julguem se é justo diante de Deus ouvirmos antes aos senhores do que a Deus;?1 20pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. 21 Depois, ameaçando-os mais ainda, os soltaram, não tendo achado como os castigar, por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que ti­ nha acontecido. 22Ora, o homem em quem tinha sido operado esse milagre de cura tinha mais de quarenta anos de idade. A igreja em oração 23Uma vez soltos, Pedro e João procuraram os ir­ mãos e lhes contaram tudo o que os principais sacer­ dotes e os anciãos lhes tinham falado. 24Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: — Tu, Soberano Senhor, fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há!' 25Disseste por meio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: "Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? 26 Os reis da terra se levantaram, e as autoridades se juntaram contra o Senhor e contra o seu Ungido."7 27— Porque de fato, nesta cidade, se juntaram con­ tra o teu santo Servo Jesus, a quem ungiste, Hero- desAe Pôncio Pilatos/ com gentios e gente de Israel, «4.8 At 2.4 64.9 At 3.7 <4.10 At 3.6 4At 2.36 «At 2.24 I4. il S1118.22 94.12 At 10.43; ITm 2.5 *4.19A t5.29 '4.24 Êx 20.11; SI 146.6 74.25-26 SI 2.1-2 *4.27 Lc 23.7-11 'M t 27.1-2; Mc 15.1; Lc 23.1; Jo 18.28-29 4.18-21 Uma maravilhosa demonstração de desobediência civil (cf. ns. 5.29; M t 5.38-47), exemplo que foi seguido por Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Quando a autoridade colocada acima de nós demanda que façamos algo contrário a Jesus, seu Reino ou a justiça, optamos por desobedecer, mas de forma submissa, aceitando a punição que eles indicam como consequência dessa desobediência. 4.20 pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. Contraste com M t 26.69! A razão por que temos tanta dificuldade de falar de Jesus é que vemos pouca transformação em nossa vida ou na vida de outros. Sem arre­ pendimento não existe transformação. Cf. n. 2.38. 4.23-31 As ameaças apenas o fizeram erguer-se com intrepidez (v. 29). Cf. n. 4.1-4. 4.25 Davi, nosso pai. Identificaram-se tão profundamente com Davi e suas palavras que se tornaram “filhos” dele. E você, é filho de quem? Tem paternidade espiritual?
  • 9.
    atos 4 —5 202 28para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propó­ sito predeterminaram."129Agora, Senhor, olha para as ameaças deles e concede aos teus servos que anun­ ciem a tua palavra com toda a ousadia, 30enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo Servo Jesus. 31Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos ficaram cheios do Espírito Santo" e, com ousadia, anunciavam a palavra de Deus. A com unidade cristã 32Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era co­ mum.0 33Com grande poder, os apóstolos davam teste­ munho da ressurreição do Senhor Jesus,p e em todos eles havia abundante graça. 34Não havia nenhum ne­ cessitado entre eles, porque os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores corresponden­ tes 35e os depositavam aos pés dos apóstolos; então se distribuía a cada um conforme a sua necessidade. m4.28 At2.23 "4.31 At 2.4 "4.32 At 2.44-45 í>4.33Atl.8 14.36 At 9.27; 11.22,30; 12.25; 1Co 9.6; Gi 2.1,9,13; Cl 4.10 4.28 Visão clara de Deus no controle, soberano, no centro de tudo. 4.31 Uma das marcas de ser cheio do Espírito é anunciar a Pa­ lavra de Deus com intrepidez. Cf. ns. 1.8; 4.8. 4.32-37 Note que o poder, o testemunho e a abundante graça no v. 33 são o miolo do sanduíche que é cuidar das necessida­ des uns dos outros (vs. 32,34-35). Não está claro se um é causa e o outro efeito, mas certamente eles andam juntos na Igreja Primitiva. Cf. Intro. 4.34 Não havia nenhum necessitado entre eles. As necessi­ dades são portas para o relacionamento (cf. n. Tt 3.14). Preci­ samos compartilhá-las para termos relações autênticas e pro­ fundas. Quando não as compartilhamos, nossas relações ficam superficiais. 4.35 depositavam aos pés dos apóstolos. Seguem dois exem­ plos: um maravilhoso (vs. 36-37) e um terrível, mas igualmente marcante (5.1-11). E as suas ofertas? São mais parecidas com qual dos dois exemplos? Você tem mais tendência a esconder e preservar seus recursos, ou a entregá-los de forma sacrificial em favor do Reino? No mundo, o dinheiro, os bens e os recursos são o caminho para o poder. No Reino de Deus são o caminho para o serviço. Isso também se aplica quanto ao que uma igreja tem e outra necessita (11.29-30). Devemos ter igrejas-filhas e projetos missionários nos quais investimos com seriedade. 4.36-37 chamavam de Barnabé. Se o seu líder ou os seus líderes espirituais dessem um apelido para você, qual pode­ ria ser? filho (gr. huios). Huios é diferente de outra palavra grega para filho: teknon, que indica criança, ser nascido de alguém. Huios se refere à relação com o pai, tendo o cará­ ter dele, parecendo-se com ele. Cf. Rm 8.14-16,21. Dando con­ tinuidade a conhecer Barnabé, passe para 9.26-28. da con­ solação (gr. parakietos). Nome dado ao Espírito Santo (cf. n. Jo 14.16). O dom de exortação ou encorajamento se expressa: A oferta de B arnabé 36Então José, a quem os apóstolos chamavam de Barnabé,q que quer dizer filho da consolação, um levita natural de Chipre, 37vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e o depositou aos pés dos apóstolos. Ananias e Safira 5 Entretanto, certo homem chamado Ananias, com sua mulher Safira, vendeu uma propriedade, 2mas reteve uma parte do dinheiro. E Safira estava ciente disso. Levando o restante, depositou-o aos pés dos apóstolos. 3Então Pedro disse: — Ananias, por que você permitiu que Satanás en­ chesse o seu coração, para que você mentisse ao Es­ pírito Santo, retendo parte do valor do campo? 4Não é verdade que, conservando a propriedade, seria sua? E, depois de vendida, o dinheiro não estaria em seu poder? Por que você decidiu fazer uma coisa dessas? Você não mentiu para os homens, mas para Deus. 5Ouvindo estas palavras, Ananias caiu morto. E sobreveio grande temor a todos os que souberam do que tinha acontecido. 6Levantando-se os moços, co- (1) por meio de afirmação verbal ou escrita (cf. ns. ICo 1.4-9; 2Co 1.12-14; 3.9); (2) sendo um bom ouvinte (cf. ns. Fp 2.4; Tg 1.19); (3) tendo um estilo de vida de integridade, fé, cora­ gem e generosidade; (4) cuidando lealmente dos outros (cf. ns. At 20.28-31), especialmente os pobres ou rejeitados (cf. n. Tg 1.27); (5) conectando as pessoas com Deus, sua verdade, Palavra e caráter e discernindo seus propósitos (cf. Intro. Ef.); (6) falando a verdade em amor, amando o suficiente para con­ frontar (At 15.2,39; cf. n. Ef 4.15); e (7) com amor e aceitação, alegrando-se com as pessoas. 5.1 Safira. As mulheres têm um papel especial nos Evangelhos (cf. Intro. Lc) e na Igreja Primitiva (cf. 1.14; 2.17-18; 5.1,14; 8.3,12; 9.2,36-52; 12.12; 16.1,13-15,40; 17.4,12,34; 18.2,18,26; 21.5,9; 22.4; 23.16; 24.24; 26.30; ns. 1.14; 2.18). Neste caso, Safira com­ partilha a responsabilidade por algo terrível (vs. 2,7-10). 5.1-11 Hoje em dia estamos tão distantes dessa experiên­ cia que é comum as pessoas ficarem tristes e críticas com o Deus desta passagem - um Deus “terrível e vingativo” (cf. n. Hb 12.29). Quando algo está nascendo, pode ser desvirtuado facilmente. Se não permanecer puro, perderá sua essência. Deus não poderia permitir que isso acontecesse no inicio do estabelecimento dos sacerdotes, com os filhos de Arão, Nadabe e Abiú (Lv 10.2), nem com Acã (Js 7), quando o povo de Israel estava se estabelecendo na Terra Prometida. Da mesma forma, não podia deixar que acontecesse na Igreja Primitiva. Atitudes críticas ou negativas sobre Deus devem nos deixar mais tristes com nossa falta de entendimento (2Co 7.8-11) do que com qual­ quer suposta falta da parte dele (cf. n. Rm 1.18). 5.3-4 Quatro perguntas. Este é um resumo do que aconteceu. Possivelmente houve oportunidade para Ananias se arrepender, mas ele não o fez. Queria servir a Deus e ao dinheiro (“Mamom”, cf. n. Mt 6.24). Satanás enchesse. A mesma palavra usada em Ef 5.18 quanto a ser cheio do Espírito Santo.
  • 10.
    203 ATOS 5 briramo corpo de Ananias e, levando-o para fora, o sepultaram. 7Quase três horas depois, entrou a mulher de Ana­ nias, sem saber o que tinha acontecido. 8Então Pe­ dro, dirigindo-se a ela, perguntou: — Diga-me: foi por este valor que vocês venderam aquela terra? Ela respondeu: — Sim, foi por esse valor. 9Então Pedro disse: — Por que vocês entraram em acordo para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que se­ pultaram o seu marido, e eles levarão você também. 10No mesmo instante, ela caiu aos pés de Pedro e morreu. Entrando os moços, viram que ela estava mor­ ta e, levando-a, sepultaram-na ao lado do marido. 11E sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos aque­ les que ouviram falar destes acontecimentos. Sinais e prodígios 12Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E costumavam todos reunir- -se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão.0 l3Mas, dos restantes, ninguém ousava juntar-se a eles; porém o povo tinha grande admiração por eles/ 14E aumen­ tava sempre mais o número de crentes no Senhor, uma multidão de homens e mulheres, 15a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua sombra se projetasse sobre alguns deles. l6Vinha tam­ bém muita gente das cidades vizinhas de Jerusalém, le­ vando doentes e atormentados por espíritos imundos, e todos eram curados. A perseguição aos apóstolos 17Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e to­ dos os que estavam com ele, isto é, o partido dos sa- duceus, ficaram com muita inveja, Aprenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública. i9Mas, de 5.11 £ sobreveio grande temor a toda a igreja. Cf. v. 5. Quan­ do foi a última vez que você ou sua igreja experimentaram um santo temor de Deus? Quando o pecado é levado a sério, a san­ tidade de Deus se revela. De forma parecida, quando a santi­ dade de Deus é revelada, o pecado é levado a sério. O resultado é um crescimento assustador da Igreja (v. 14; 6.1). 5.12 no Pórtico de Salomão. A Igreja Primitiva não se reunia no tem­ plo e nas casas. Reunia-se ao ar livre, no pátio do templo e nas casas. Como seria sea sua igreja se reunisse, pelo menos de vez em quando, num parque, numa praça, na rua ou em algum lugar público? Nota prática: eu, David, tenho experimentado isso, já que mi­ nha igreja faz esses encontros duas vezes por ano, uma vez fa­ zendo o culto na parte de fora da igreja e outra vez num parque, domingo de manhã - ambas as vezes seguidas por um churrasco ou “junta panelas”. Pessoas que estão passando sempre param para assistir e ouvir. Outra igreja que tem tido um efeito grande noite, um anjo do Senhor abriu as portas da prisão e, levando-os para fora, lhes disse: 20— Vão ao templo e digam ao povo todas as pala­ vras desta Vida. 21Tendo ouvido isto, logo ao amanhecer entraram no templo e ensinavam. Chegando, porém, o sumo sacerdote e os que esta­ vam com ele, convocaram o Sinédrio e todo o conse­ lho dos anciãos do povo de Israel e mandaram buscar os apóstolos na prisão. 22Mas, quando os guardas chegaram lá, não os encontraram no cárcere. E, vol­ tando, relataram, 23dizendo: — Encontramos a prisão fechada com toda a segu­ rança e as sentinelas nos seus postos junto às portas; mas, abrindo as portas, não encontramos ninguém dentro. 24Quando o capitão do templo e os principais sa­ cerdotes ouviram estas informações, ficaram perple­ xos a respeito deles e do que viria a ser isto. 25Nesse momento, alguém chegou e lhes comunicou: — Vejam! Os homens que os senhores prenderam estão no templo ensinando o povo. 26Então o capitão e os guardas foram e os trouxe­ ram sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo. 27Trouxeram os apóstolos, apresentando- -os ao Sinédrio. E o sumo sacerdote os interrogou, 28dizendo: — Não é verdade que ordenamos expressamente que vocês não ensinassem nesse nome? No entanto, vo­ cês encheram Jerusalém com a doutrina de vocês e ain­ da querem lançar sobre nós o sangue desse homem.0 29Então Pedro e os demais apóstolos afirmaram: — Importa mais obedecer a Deus do que aos ho­ m en s/ 300 Deus de nossos pais6 ressuscitou Jesus, a quem vocês mataram, pendurando-o num madei- ro/31 Deus, porém, com a sua mão direita, o exaltou a 05.12 Jo 10.23; At 3.11 *5.13 At 2.47; 4.21 '5.28M t27.25 45.29 At 4.19-20 «5.30 At 3.13 Ú3I 3.13; 1Pe 2.24 e notório em sua cidade nunca sabe quando o pastor vai enviar todos eles para a rua durante o período do culto para servir e evangelizar as pessoas da vizinhança. 5.14 E aumentava. Cf. n. 6.1. 5.20 Vão. Chamados não a fugir, mas a confrontar, em amor, com o poder do evangelho. 5.28 encheram Jerusalém. Completando a primeira parte de At 1.8! E nós? Como podemos encher nosso bairro ou nossa vizinhança, nosso oikos (rede ou círculo de influência)? A única forma por meio da qual teremos um impacto parecido é se hou­ ver um mover poderoso do Espírito. 5.29 A essência de uma desobediência civil justificada. Cf. n. 4.18-21; também o compromisso firme de continuar desobede­ cendo de forma submissa em 5.40-42. 5.31 Salvador. Uma das duas vezes em Atos (cf. 13.23) em que Jesus é chamado de Salvador, em contraste com mais de cem
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    Atos 5 —6 204 Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arre­ pendimento e a remissão de pecados.5 32E nós somos testemunhas destes fatos — nós e o Espírito Santo,h que Deus deu aos que lhe obedecem. 33Eles, porém, ouvindo isso, se enfureceram e que­ riam matá-los. O parecer de G am aliel 34Mas, levantando-se no Sinédrio um fariseu cha­ mado Gamaliel, mestre da lei, respeitado por todo o povo, mandou que os apóstolos fossem levados para fora, por um momento. 35Então disse ao Sinédrio: — Israelitas, tenham cuidado com o que vão fazer a estes homens. 36Porque algum tempo atrás se levantou Teudas, dizendo ser alguém muito importante, ao qual se juntaram cerca de quatrocentos homens. Mas ele foi mor­ to, e todos os que lhe obedeciam se dispersaram e foram reduzidos a nada. 37Depois desse, levantou-se Judas, o ga- lileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos consigo. Também este foi morto, e todos os que lhe obedeciam fo­ ram dispersos. 38Neste caso de agora, digo a vocês: Não 95.31 Lc 24.47 *5.32 Jo 15.26-27 <5.39 Pv 21.30 75.41 IPe 4.13-16 façam nada contra esses homens. Deixem que vão em­ bora, porque, se este plano ou esta obra vem de homens, será destruído; 39mas, se vem de Deus, vocês não poderão destruí-los e correm o risco de estar lutando contra Deus.1 E os membros do Sinédrio concordaram com Gama­ liel. 40Então chamaram os apóstolos e os açoitaram. E, ordenando-lhes que não falassem no nome de Jesus, os soltaram. 41E eles se retiraram do Sinédrio muito alegres por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome/ 42E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo. A escolha dos sete 6 Naqueles dias, aumentando o número dos discí­ pulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo es­ quecidas na distribuição diária. 2Então os doze convo­ caram a comunidade dos discípulos e disseram: — Não é correto que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. 3Por isso, irmãos, es­ colham entre vocês sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarre­ garemos deste serviço. 4Quanto a nós, nos consagra­ remos à oração e ao ministério da palavra. vezes em que é chamado de Senhor. Cf. n. Rm 1.7; Intro. Mt. Ape­ sar de ser um título secundário, é muito profundo. Indica que ele nos resgata, nos liberta de uma vida amarrada ao pecado, presa ao mundo e cega por Satanás, justamente objetos da ira de Deus e destinados ao inferno (cf. ns. Ef 2.1-9; Tt 1.3). 5.32 somos testemunhas. Cf. ns. 3.15; Uo 1.1-3. o Espírito Santo. Cf. n. 1.2. Ser testemunha pelo poder do Espírito Santo expressa dois dos temas principais deste livro. Cf. Intro. 5.38-39 Quando estamos na dúvida se algo vem de Deus ou não, podemos separar um tempo para reflexão. Não temos de tomar uma posição radical e súbita a favor ou contra. Deus, em seu tempo, revelará se algo está ou não dentro do seu querer, se ele está ou não envolvido nisso. Acima de tudo, pelos frutos da vida das pessoas envolvidas perceberemos se uma coisa é de Deus ou não (cf. ns. M t 7.15-23). 5.41 muito alegres. Cf. ns. M t 5.11-12. 5.42 não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo. Cf. 2.36; 9.22; 17.3; 18.28. A essência de seu testemunho era que Jesus (plenamente humano) era também o Ungido, o Filho de Deus, divino Salvador e Senhor. Nota prática: quando temos a oportunidade de compartilhar Cristo, devemos desafiar as pessoas quanto à identidade de Je­ sus. As opções básicas são variações de três possibilidades: (1) ele é um mentiroso e enganador, possivelmente o maior de toda a his­ tória; (2) ele é louco, fora de si (cf. n. Lc 8.53); ou (3) ele é quem ele falou que era: o Filho de Deus, Salvador do mundo, Senhor de senhores e Rei de reis, que veio para remir quem quiser confiar nele com o poder de lhes permitir nascer de novo. Os Evangelhos e a história da Igreja Primitiva não deixam a opção de pensar que ele era simplesmente um bom mestre. 6.1 aumentando o número dos discípulos. Cf. 2.41; 4.4; 5.14; 6.1,7; 9.31; 11.21,24; 12.24; 16.5; 19.20. É uma livre escolha ser discípulo. Mas, uma vez que escolhemos, não temos mais op­ ção; precisamos ser obedientes à Grande Comissão e fazer dis­ cípulos (Mt 28.18-20). Verdadeiros discípulos naturalmente se multiplicam (cf. n. 2Tm 2.2). houve murmuração. Crescimento traz problemas. Requer administração de coisas que antes fluíam simplesmente por meio de relacionamentos. Novos pro­ blemas são a porta para novos ministérios. Nota prática: novos grupos, ministérios e igrejas passam por quatro etapas, se é que sobrevivem à segunda: (1a) a do ro­ mance, na qual existe idealismo, entusiasmo, sentido de aven­ tura, criatividade e presença de Deus de forma especial; quanto maior o idealismo, maior será o choque na segunda etapa; (2a) a dos conflitos, na qual as pessoas se mostram bem mais humanas do que esperávamos e se vê o custo e os conflitos de poder; nes­ ta etapa e na próxima um pai espiritual ou mediador externo faz toda a diferença; (3a) a da adolescência, cujo enfoque é para dentro, para a identidade do grupo em formação - às vezes dependente, às vezes independente - ; aqui se vê desequilíbrio e necessidade de direção; e (4a) a da maturidade, na qual o grupo está seguro quanto ao seu chamado e à sua identidade; interdependente, é livre para servir e reproduzir. 6.2-4 Não é correto que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Pastores, prestem atenção! Aprendam a di­ zer “não”! “Servir às mesas” hoje inclui projetos de construção, po­ lítica, sociais, escolas e colégios - e, às vezes, fazer faculdades se­ culares. Estas estão algumas dentre as muitas coisas que devemos delegar para outros a fim de que nos dediquemos a receber graça de Deus diariamente. A graça de ontem não serve. Na medida em que somos nutridos, podemos nutrir. Na medida em que recebe­ mos graça, podemos dar dela e de nós mesmos generosamente. cheios do Espírito. Cf. vs. 5,8,10; 7.55. e de sabedoria. Cf. v. 10; n. Tg 3.17. Qualidades básicas para todo líder, inclusive para diáco­ nos, cujo ministério é principalmente servir e administrar. 6.4 consagraremos. Mesma palavra que se encontra em 1.18
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    205 ATOS 6 •9 <» TORNANDO-NOS HOMENS E MULHERES DA PALAVRA At 6.4; SI 1.1-3 (Estudo 1.2.1) 1. Você se considera um homem ou uma mulher da Palavra? Por quê? 2. Você enxerga uma queda progressiva em S11.1? Explique. 3. Por que você acha que a meditação na Palavra levaria à descrição de S11.3? 4 .0 texto de At 6.4 tem a ver com você de alguma forma? 5. Como você poderia melhorar seu tempo devocional ou de meditação na Palavra esta semana? Estudo opcional: SI 19.7-14; 119.1-24; Jr 17.5-8. Tornando-nos homens e mulheres da Palavra Que porcentagem dos membros de sua igreja sabe estudar a Bíblia a sós? Que porcentagem dos líderes? Quantos até sabem fazer, mas não o fazem? E, por essas faltas, os membros e líderes andam desnutridos espiritualmente, depen­ dentes de ganhar comida "pré-mastigada" nos cultos da igreja. Este estudo inicia um novo módulo, que tem potencial de mudar sua vida, não importa em qual estágio você se encontre na vida cristã. Para iniciar essa caminhada, faça o seguinte esta semana: • Se não tiver um diário espiritual, pegue um caderno ou agenda para servir a esse propósito permanentemente (cf. med. 2Tm 3.16-17). • Separe meia hora para meditar em algumas das passagens opcionais indicadas no início deste estudo. Anote a data em seu diário espiritual e escreva por pelo menos cinco minutos sobre a sua meditação (cf. med. Lc 2.19). • Separe de 15 a 30 minutos para interceder de joelhos para se tornar um homem ou uma mulher da Palavra (cf. n. Lc 18.1). Escreva sua oração e a resposta que você sente que Deus está falando para você em seu diário espiritual. At 26.19 — Estudo anterior ♦ | Próximo estudo — Mt 4.4 50 parecer agradou a todos. Então elegeram Es­ têvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Fi­ lipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. 6Apresentaram estes ho­ mens aos apóstolos, que, orando, lhes impuseram as mãos. 7Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, aumen­ tava o número dos discípulos. Também um grande grupo de sacerdotes obedecia à fé. Estêvão diante do Sinédrio 8Estêvão, cheio de graça e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. 9Levantaram-se, po­ rém, alguns dos que eram da sinagoga chamada dos Libertos, dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Ci­ licia e da província da Ásia, e discutiam com Estêvão; lOe não podiam resistir à sabedoria0 e ao Espírito, pelo qual ele falava. 11Então subornaram alguns ho­ mens para que dissessem: — Ouvimos este homem proferir blasfêmias con­ tra Moisés e contra Deus. l2Atiçaram o povo, os anciãos e os escribas e, inves­ tindo contra ele, o agarraram e levaram ao Sinédrio. i3Apresentaram testemunhas falsas, que disseram: — Este homem não para de falar contra o lugar santo e contra a lei; 14porque nós o ouvimos dizer que esse Jesus, o Nazareno, destruirá este lugarh e mudará os costumes que Moisés nos deu. «6.10 Lc 21.15 *6.14 M t 26.61 e 4.42. A Igreja Primitiva vivia a consagração como um estilo de vida, algo que partia de seus líderes. A única forma de fazer isso na prática é dizendo “não” a outras coisas, mantendo nosso foco principal em Deus. “Nosso negócio principal é a oração; depois vem o ministério” (Madre Teresa). 6.5 Então elegeram. Eleições são grandes oportunidades para a carne se expressar e para valores e técnicas do mundo se manifestarem. Mas quando fluem no Espírito, caminham na direção do consenso e da unanimidade. 6.6 lhes impuseram as mãos. Cf. 8.17; 9.17; 13.3; 28.8; med. 1Tm 4.11-16. 6.7 grande grupo de sacerdotes obedecia àfé. Cf. n. M t 27.51. 6.14 mudará os costumes. Alguém falou, certa vez, que as últimas palavras da Igreja que morre são: “Nunca fizemos as­ sim antes.” Ou aprendemos a mudar com o tempo, ou mor­ reremos.
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    atos 6 —7 206 15Todos os que estavam sentados no Sinédrio, fi­ tando os olhos em Estêvão, viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo. A defesa de Estêvão 7Então o sumo sacerdote perguntou a Estêvão: — Isso de fato é assim? 2Estêvão respondeu: — Irmãos e pais, escutem. 0 Deus da glória apare­ ceu a Abraão, nosso pai, quando estava na Mesopotâ- mia, antes de morar em Harã, 3e lhe disse: "Saia da sua terra e do meio da sua parentela e vá para a terra que eu lhe mostrarei."0 4Então ele saiu da terra dos cal­ deus* e foi morar em Harã. E dali, com a morte de seu pai, Deus o trouxe0para esta terra em que vocês agora estão morando. 5Nela, não lhe deu herança, nem se­ quer o espaço de um pé; mas prometeu dar-lhe a pos­ se delaf/ e, depois dele, à sua descendência, não tendo ele filho. 6E Deus falou que a descendência dele seria peregrina em terra estrangeira, onde seriam escravi­ zados e maltratados durante quatrocentos anos.e 7 — Deus disse ainda: "Castigarei a nação da qual forem escravos; e, depois disso, sairão daí e me servi­ rão neste lugar."-* 8Então lhe deu a aliança da circunci­ são.3 Assim, Abraão gerou Isaque* e o circuncidou no oitavo dia; e Isaque gerou Jacó,' e Jacó gerou os doze patriarcas.7 9— Os patriarcas, invejosos* de José, venderam-no para ser levado para o Egito.1 Mas Deus estava com ele"1I0e o livrou de todas as suas aflições, concedendo- -lhe também graça e sabedoria diante de Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador daquela nação" e de toda a casa real. 11Depois houve fome0 e grande sofrimento em todo o Egito e em Canaã, e nossos pais não achavam o que comer. i2Mas quando jacóp ouviu que no Egito havia trigo, mandou, pela primeira vez, os nossos pais até lá. 13Na segunda vez, José se fez reco­ nhecer3 pelos seus irmãos, e o Faraó veio a conhecer a família de José. l4Então José mandou chamar Jacó,rseu pai, e toda a sua parentela, isto é, setenta e cinco pes­ soas.5 I5jacó foi para o Egito/ e ali morreu" ele e tam- »7.2-3Gn 12.1 *7.4 Gn 11.31 'Gn 12.4 *7.5 Gn 12.7; 13.15; 15.18; 17.8 «7.6 Gn 15.13 *7.7 Gn 15.14 97.8 Gn 17.10-14 *Gn 21.2-4 'Gn 25.26 /Gn 29.31— 35.18 *7.9 Gn 37.11 'Gn 37.28 mGn 39.2,21 "7.10 Gn 41.39-41 "7.11 Gn 41.54-57 97.12 Gn 42.1-2 97.13 Gn 45.1 ' 7.14 Gn 45.9-10 'Gn 46.27 '7.15 Gn 46.1-7 "Gn 49.33 "7.16 Gn 50.7-13; Js 24.32 «Gn 23.3-16; 33.19 '7.17-18 Êx 1.7-8 77.19 Êx 1.10-11 'Ê x l.2 2 "7.20-21 Êx 2.2-10 *7.29 Êx 18.3-4 '7.23-29 Êx 2.11-22 47.30-34 Êx 3.1-10 7.2 Irmãos e pais... nosso pai. Cf. vs. 11-12,15,19,38-39,44-45. Abraão. Estêvão iniciou criando pontes. Devemos fazer o mes­ mo em nosso evangelismo. Cf. n. 3.25. 7.24-29 vingou o oprimido. Coração de Deus sem a mente de Cristo. bém os nossos pais. 16Depois eles foram transportados para Siquémv e postos no túmulo que Abraão tinha comprado14' dos filhos de Hamor, em Siquém, pagando um certo preço. 17— E quando já estava próximo o tempo em que Deus cumpriria a promessa feita a Abraão, o povo cres­ ceu e se multiplicou no Egito, I8até que se levantou ali outro rei, que não conhecia José.x 19Este outro rei tra­ tou com astúcia-7 a nossa gente e torturou os nossos pais, a ponto de forçá-los a abandonar2 seus meninos recém-nascidos, para que não sobrevivessem. 20Por esse tempo nasceu Moisés, que era formoso aos olhos de Deus. Durante três meses ele foi mantido na casa de seu pai. 21Quando tiveram de abandoná-lo, a filha de Faraó o recolheu e criou como seu próprio filho.0 22E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras. 23— Quando completou quarenta anos, teve a ideia de visitar os seus irmãos, os filhos de Israel. 24Ven- do um homem ser maltratado, saiu em defesa dele e vingou o oprimido, matando o egípcio. 25Ora, Moi­ sés pensava que seus irmãos entenderiam que Deus queria salvá-los por meio dele; eles, porém, não en­ tenderam. 26No dia seguinte, Moisés aproximou-se de uns que brigavam e procurou reconduzi-los à paz, dizendo: "Homens, vocês são irmãos; por que estão maltratando um ao outro?" 27Mas o que agredia o seu próximo repeliu Moisés, dizendo: "Quem colocou você como chefe e juiz sobre nós? 28Será que quer me matar, assim como ontem matou o egípcio?" 29Ao ou­ vir isto, Moisés fugiu e se tornou peregrino* na terra de Midiã, onde lhe nasceram dois filhos.0 30— Passados quarenta anos, apareceu-lhe, no de­ serto do monte Sinai, um anjo, por entre as chamas de uma sarça que estava queimando. 31Moisés ficou maravilhado diante daquela visão e, aproximando-se para contemplá-la, ouviu-se a voz do Senhor, que dis­ se: 32"Eu sou o Deus dos seus pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó." Moisés, tremendo de medo, não ousava contemplá-la. 33Então o Senhor disse: "Tire as sandálias dos pés, porque o lugar em que você está é terra santa. 34Vi, com efeito, o sofrimento do meu povo no Egito, ouvi o seu gemido e desci para libertá- -lo. Venha, agora; vou mandar você para o Egito." d 35— A este Moisés, a quem tinham rejeitado, di­ zendo: "Quem colocou você como chefe e juiz?" Deus enviou como chefe e libertador, com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça. 36Foi Moisés quem os tirou de lá, fazendo prodígios e sinais na terra do 7.30-36 Nos quarenta anos no deserto, Moisés se tornou o ho­ mem mais humilde da terra (Nm 12.13). 7.34 Deus opta por trabalhar conosco como seus parceiros, como sua voz, seus braços, suas pernas, suas mãos e seus pés aqui na terra.
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    207 ATOS 7 Egito,6no mar Vermelho^e no deserto, durante qua­ renta anos.3 37Foi ainda Moisés quem disse aos filhos de Israel: “Deus fará com que, do meio dos irmãos de vocês, se levante um profeta semelhante a mim.”"' 38É este Moisés quem esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava' no monte Sinai e com os nossos pais. Foi ele quem recebeu palavras vivas* para nos transmitir. 39Nossos pais não quiseram obedecer a Moisés, mas o rejeitaram e, no seu coração, volta­ ram para o Egito, 40dizendo a Arão: “Faça para nós deuses que vão adiante de nós; porque, quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu." 41Naqueles dias, fizeram um be­ zerro e ofereceram sacrifício ao ídolo, alegrando-se com as obras das suas mãos.k 42Mas Deus se afastou e os entregou à adoração das estrelas do céu, como está escrito no Livro dos Profetas: "Ó casa de Israel, será que foi para mim que vocês ofereceram vítimas e sacrifícios no deserto, durante quarenta anos? 43 Não é verdade que vocês levantaram o tabernáculo de Moloque e a estrela do deus Renfã, imagens que vocês fizeram para as adorar? Por isso, vou mandar vocês ao exílio para além da Babilónia.”1 44— O tabernáculo do testemunho estava entre nos­ sos pais no deserto, como havia ordenado aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que ti­ nha visto.m45Também nossos pais, com Josué," tendo recebido o tabernáculo, o levaram, quando tomaram posse das nações que Deus expulsou da presença deles. Foi assim até os dias de Davi, 46que obteve o favor de Deus e pediu autorização para construir uma casa para o Deus de Jacó.° 47Mas foi Salomão3 quem lhe edificou a casa. 48Entretanto, o Altíssimo não habita em casas feitas por mãos humanas. Como diz o profeta: 7.38 Foi ele quem recebeu palavras vivas. Cf. ns. 2Tm 3.16-17; Hb 4.12. para nos transmitir. Cf. Sl 103.7; n. 2Tm 2.2. 7.39 no seu coração, voltaram para o Egito. O corpo daque­ las pessoas estava no deserto com Deus, mas o coração estava longe dele, preso no mundo. Quantos crentes estão na igreja da mesma forma? 7.41 um bezerro. Cf. Êx 32. 7.44 segundo o modelo que tinha visto. Cf. Êx 25.9. 7.46 pediu. Cf. 2Sm 7. 7.47 Salomão... lhe edificou a casa. Cf. 1Rs 6. 7.48 Deus continua a não habitar no prédio da igreja ou tem­ plo. Ele habita em nós (2Co 6.16). 7.51 Homens teimosos. Apesar de toda e qualquer ponte que podemos criar com pessoas não crentes, chegará o momento inevitável do confronto do evangelho e o chamado ao arrepen- 49 “O céu é o meu trono, e a terra é o estrado dos meus pés; que casa vocês edificarão para mim, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? 58 Não é fato que a minha mão fez todas estas coisas?"3 51— Homens teimosos e incircuncisos de coração e de ouvidos, vocês sempre resistem ao Espírito San­ to." Vocês fazem exatamente o mesmo que fizeram os seus pais. 52Qual dos profetas os pais de vocês não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do qual vocês agora se tornaram traidores e assassinos, 53vocês que recebe­ ram a lei por ministério de anjos e não a guardaram. A m orte de Estêvão 54Ao ouvirem isto, ficaram com o coração cheio de raiva e rangiam os dentes contra ele. 55Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à direita de Deus. 56Então disse: — Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Ho­ mem, em pé à direita de Deus. 57Eles, porém, gritando bem alto, taparam os ouvidos e, unânimes, investiram contra ele. 58E, expulsando-o da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram as capas deles aos pés de um jovem chamado Saulo. 59E enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: — Senhor Jesus, recebe o meu espírito!5 60Então, ajoelhando-se, gritou bem alto: — Senhor, não os condenes por causa deste pe­ cado!" E, depois que ele disse isso, morreu. '7.36 Êx 7.3 "Êx 14.21 9Nm 14.33 *7.37 Dt 18.15-18 '7.38 Êx 19.1— 20.17; Dt 5.1-33 7Dt 32.47 *7.39-41 Êx 32.1-6 '7.42-43 Am 5.25-27 <"7.44 Êx 25.9-40 "7.45Js 3.14-17 "7.45-46 2Sm 7.1-16:1 Cr 17.1-14 P7.47 1Rs 6.1-38; 2Cr 3.1-17 97.49-50 Is66.1-2 "7.51 Is63.10 *7.59 Sl 31.5 Lc 23.46 '7.60 Lc 23.34 dimento (3.13; 22.21-22; cf. n. 2.38). Sem isso, não é o verda­ deiro evangelho do Reino de Deus. Cf. n. Mt 19.30; Intro. Mt. 7.56 Cf. M t 26.64. 7.57 taparam os ouvidos. Cf. v. 51. Ouvimos o que queremos ouvir. E temos uma capacidade assustadora de não escutar o que não estamos dispostos a ouvir. 7.58 aos pés de um jovem chamado Saulo. Nota prática: o erro que cometemos não importa tanto quanto o que fazemos depois (cf. ns. Mt 3.2; 26.20-35; At 1.26; Tg 3.2). Existem três passos a seguir depois: (1) arrepender-se, com que­ brantamento, reconhecendo que é preciso mudar de vida; (2) pe­ dir perdão, com contrição, sentindo a dor que causamos a Deus e a outras pessoas; (3) restituir quem lesamos, mostrando frutos de arrependimento e graça real e cara - não graça barata. 7.60 não os condenes por causa deste pecado! Parecido ao grito de Jesus (cf. n. Lc 23.34).
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    atos 8 208 ESaulo consentia na morte de Estêvão. Saulo persegue a igreja Naquele dia, teve início uma grande perseguição con­ tra a igreja em Jerusalém. Todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e da Samaria. 2Alguns homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram grande lamentação por ele. 3Saulo, porém, queria des­ truir a igreja. Indo de casa em casa, arrastava homens e mulheres, lançando-os na prisão.0 Filipe prega em Sam aria 4Enquanto isso, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra. 5Filipe foi à cidade de Samaria e anunciava Cristo ao povo dali. 6As multi­ dões, unânimes, davam atenção às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele fazia. 7Pois os espíritos imundos, gritando em alta voz, saíam de muitos que estavam possuídos por eles; e muitos para­ líticos e coxos foram curados. 8E houve grande alegria naquela cidade. Sim ão, o m ago 9 Havia naquela cidade um homem chamado Si­ mão, que praticava magia e deixava o povo de Sama­ ria admirado. Dizia ser alguém muito importante, 10e todos lhe davam ouvidos, do menor ao maior, di­ zendo: — Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande Poder. 11Davam atenção a ele porque durante muito tempo os havia impressionado com as suas magias. i2Quan- do, porém, deram crédito a Filipe, que os evangelizava a respeito do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, iam sendo batizados, tanto homens como mulheres. 130 próprio Simão abraçou a fé e, tendo sido batizado, acompanhava Filipe de perto, observando extasiado os sinais e grandes milagres praticados. "8.3 At 22.4,19; 26.9-11; 1Co 15.9; Gl 1.13; Fp 3.6; ITm 1.13 &8.15 At 2.38 <8.21 SI 78.37 <78.27 Is 56.3 8.1 foram dispersos. Cf. v. 4; 11.19. O que Satanás e o mundo fazem para o mal, Deus usa para o bem (Rm 8.28-29). 8.3 mulheres. Cf. v. 12; n. 5.1. 8.5 Filipe. Um segundo diácono, também cheio do Espírito, de sabedoria e de poder (vs. 6-7). 8.8 E houve grande alegria. Alegria é a mostra do Reino de Deus (vs. 12,39; 13.52; 15.3,31; 16.34; cf. n. Rm 14.17). 8.12 os evangelizava a respeito do Reino de Deus. O Livro de Atos inicia e encerra com o tema do Reino, central ao coração do evangelho (1.3; 14.22; 19.8; 20.25; 28.23,31). Cf. n. Lc 2.11; Intro. Mt. 8.14-17 Veja o contraste maravilhoso com a atitude de João em Lc 9.52-56! Derramaram o fogo do Espírito em lugar de um fogo para destruir. Pedro e João em Sam aria l4Quando os apóstolos, que estavam em Jerusalém, ou­ viram que o povo de Samaria tinha recebido a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. l5Chegando ali, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo/ 16pois o Es­ pírito ainda não havia descido sobre nenhum deles. Tinham apenas sido batizados em nome do Senhor Jesus. l7Então lhes impunham as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo. 18 Quando Simão viu que, pelo fato de os apóstolos im porem as mãos, era concedido o Espírito Santo, ofereceu- -lhes dinheiro, 19dizendo: — Deem também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Es­ pírito Santo. 20Mas Pedro respondeu: — Que o seu dinheiro seja destruído junto com você, pois você pensou que com ele poderia adquirir o dom de Deus! 21Não existe porção nem parte para você nes­ te ministério, porque o seu coração não é reto diante de DeusT 22Portanto, arrependa-se desse mal e ore ao Senhor. Talvez ele o perdoe por esse intento do seu cora­ ção. 23Pois vejo que você está cheio de inveja e preso em sua maldade. 24Aí Simão disse aos apóstolos: — Peço que vocês orem ao Senhor por mim, para que não me sobrevenha nada do que vocês disseram. 25Eles, porém, tendo dado o seu testemunho e pre­ gado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos. Filipe e o eunuco 26Um anjo do Senhor disse a Filipe: — Levante-se e vá para o Sul, no caminho que vai de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. 27Filipe se levantou e foi. Havia um etíope, eunuco/ alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todo o seu te­ souro. Ele tinha vindo adorar em Jerusalém 28e estava regressando ao seu país. E,assentado na sua carruagem, vi­ nha lendo o profeta Isaías. 29Então o Espírito disse a Filipe: — Aproxime-se dessa carruagem e acompanhe-a. 8.16 A prioridade dos apóstolos foi que os novos convertidos recebessem o Espírito Santo. 8.17 impunham as mãos. Cf. vs. 18-19; n. 6.6. 8.20 Que o seu dinheiro seja destruído junto com você. Quem quer aproveitar coisas espirituais no Reino de Deus por meio do dinheiro corre alto risco (5.1-11). 8.22 arrependa-se. Cf. ns. 2.38; 7.58. 8.23 Há discernimento no coração da pessoa, algo bem mais profundo do que uma visão de seus atos objetivos. 8.29-30 Então o Espírito disse a Filipe. Temos de ser sen­ síveis aos toques do Espírito. Ele não nos força. Se não res­ pondermos a esses toques leves, nosso coração poderá endu­ recer e perderemos a habilidade de ouvi-lo ou senti-lo. Cf. n. M t 13.15. Correndo para lá, Filipe. Filipe respondeu de todo
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    209 ATOS 8— 9 30Correndo para lá, Filipe ouviu que o homem es­ tava lendo o profeta Isaías. Então perguntou: — O senhor entende o que está lendo? 31Ele respondeu: — Como poderei entender, se alguém não me explicar? E convidou Filipe a subir e sentar-se ao seu lado. 32 Ora, a passagem da Escritura que ele estava lendo era esta: "Foi levado como ovelha ao matadouro; e, como um cordeiro mudo diante do seu tosquiador, ele não abriu a boca. 33 Na sua humilhação, lhe negaram justiça; quem poderá falar da sua descendência? Porque a vida dele é tirada da terra.”6 34Então o eunuco disse a Filipe: — Peço que você me explique a quem se refere o profeta. Fala de si mesmo ou de outra pessoa? 35Então Filipe explicou. E, começando com esta pas­ sagem da Escritura, anunciou-lhe a mensagem de Jesus. 36Seguindo pelo caminho, chegaram a certo lugar onde havia água. Então o eunuco disse: — Eis aqui água. O que impede que eu seja batizado? 37 [Filipe respondeu: — É lícito, se você crê de todo o coração. E, respondendo ele, disse: — Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.]1 38Então mandou parar a carruagem, ambos desce­ ram à água, e Filipe batizou o eunuco. 39Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe, não o vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu cami­ nho, cheio de alegria. 40Mas Filipe foi visto outra vez em Azoto; e, seguindo viagem, evangelizava todas as cida­ des até chegar a Cesareia. A conversão de Saulo A t 22.4-11; 26.9-18 9 Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor,0 dirigiu-se ao sumo sa- coração. perguntou. Começou com uma boa pergunta. Cf. n. M t 11.7-9. 8.31 Coração ensinável, cheio de boas perguntas (vs. 34,36). 8.37 se você crê de todo o coração. Cf. Rm 10.9-10. 8.40 Onde Filipe se encontrava, assim como os outros dis­ persos (v. 4) e os próprios apóstolos (v. 25), ele evangelizava (vs. 5,35,40). E você? 9.1-2 Esta introdução ressalta que não importa como começa­ mos, e sim como terminamos (cf. n. 7.58). os discípulos. Cf. o primeiro de oito estudos que começam em M t 16.24-26. de Da­ masco. Antes de se converter ele já tinha zelo missionário! do Caminho. Cf. Jo 14.6; At 16.17; 18.25-26; 19.9,23; 22.4; 24.14,22; 2Pe 2.2. Um nome para “cristianismo". Expressa um estilo de vida, não apenas uma crença. Cf. Jo 14.6. tanto homens como mulheres. Cf. ns. 1.14; 5.1. cerdote 2e lhe pediu cartas para as sinagogas de Da­ masco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, tanto homens como mulheres, os le­ vasse presos para Jerusalém. 3Enquanto seguia pelo caminho, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, 4e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: — Saulo, Saulo, por que você me persegue? 5Ele perguntou: — Quem é o senhor? E a resposta foi: — Eu sou Jesus, a quem você persegue.b 6Mas le- vante-se e entre na cidade, onde lhe dirão o que você deve fazer. 7Os homens que viajavam com Saulo pararam emu­ decidos, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém. 8En­ tão Saulo se levantou do chão e, abrindo os olhos, nada podia ver. E, guiando-o pela mão, levaram-no para Da­ masco. 9Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu. A visita de Ananias A t2 2 .1 2 -1 6 10Havia em Damasco um discípulo chamado Ana­ nias. O Senhor lhe apareceu numa visão e disse: — Ananias! Ao que ele respondeu: — Eis-me aqui, Senhor! 11Então o Senhor lhe disse: — Levante-se e vá à rua que se chama Direita e, na casa de Judas, procure um homem de Tarso chamado Saulo. Ele está orando I2e, numa visão, viu entrar um homem, chamado Ananias, e impor-lhe as mãos, para que recuperasse a vista. i3Ananias, porém, respondeu: — Senhor, de muitos tenho ouvido a respeito des­ se homem, quanto mal tem feito aos teus santos em c8.32-33 Is 53.7-8 78.37 O texto entre colchetes se encontra apenas em manuscritos mais recentes °9.1 At 8.3 *9.5 ICo 15.8 9.4 Saulo, Saulo. Repetindo seu nome, chamou sua atenção de forma profunda, por que você me persegue? A perseguição à Igreja, o Corpo de Cristo (ICo 12.27; Ef 1.22-23), é a perseguição a Jesus. Cf. n. Lc 6.2. 9.5 Quem é o senhor? A maior pergunta que qualquer de nós pode fazer (M t 16.13-17). 9.6 Deste momento em diante ele está entregue a uma nova autoridade: a de Jesus Cristo. 9.9 Frutos de arrependimento, de quebrantamento (vs. 11-12). 9.10 Eis-me aqui, Senhor! A atitude normal de um verdadeiro discípulo. 9. 13- 16 Deus não tem problemas com nossas perguntas ou dú­ vidas honestas.
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    Atos 9 210 Jerusalém;14e para cá trouxe autorização dos princi­ pais sacerdotes para prender todos os que invocam o teu nome. l5Mas o Senhor lhe disse: — Vá, porque este é para mim um instrumento esco­ lhido para levar o meu nome diante dos gentios e reis, bem como diante dos filhos de Israel.c 16Pois eu mesmo vou mostrar a ele quanto deve sofrer pelo meu nome. 17Então Ananias foi e, entrando na casa, impôs as mãos sobre Saulo, dizendo: — Saulo, irmão, o Senhor Jesus, que apareceu a você no caminho para cá, me enviou para que você volte a ver e fique cheio do Espírito Santo. I81mediatamente lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e voltou a ver. A seguir, levantou-se e foi batizado. 19E, depois de comer, sentiu-se fortalecido. Saulo em Dam asco Saulo permaneceu alguns dias com os discípulos em Damasco. 20E logo, nas sinagogas, proclamava Je­ sus, afirmando que ele é o Filho de Deus. 21Todos os que ouviam Saulo estavam atónitos e diziam: — Não é este o que exterminava em Jerusalém os que invocam o nome de Jesus e veio para cá precisamente para prender e levá-los aos principais sacerdotes? 22Saulo, porém, mais e mais se fortalecia e confun­ dia os judeus que moravam em Damasco, demons­ trando que Jesus é o Cristo. Saulo escapa dos judeus 23Decorridos muitos dias, os judeus resolveram matar Saulo, 24mas ele ficou sabendo do plano deles. Dia e noite guardavam também os portões da cidade, para o matar. 25Mas os discípulos de Saulo tomaram-no de noite e, colocando-o num cesto, desceram-no pela muralha.d Saulo em Jerusalém e em Tarso 26Tendo chegado a Jerusalém, Saulo procurou juntar- -se aos discípulos de Jesus. Porém todos tinham medo dele, não acreditando que ele fosse discípulo. 27Mas <9.15 Rm 1.1; Gl 1.15; Ef 3.7 <<9.25 2Co 11.33 Barnabé, tomando-o consigo, levou-o aos apóstolos. Contou-lhes como Saulo tinha visto o Senhor no ca­ minho, e que o Senhor tinha falado com ele. Também contou como, em Damasco, Saulo tinha pregado ousa­ damente em nome de Jesus. 28E Saulo ficou com eles em Jerusalém, entrando e saindo, pregando ousadamente em nome do Senhor. 29Falava e discutia com os helenis- tas, mas eles procuravam tirar-lhe a vida. 30Quando isto chegou ao conhecimento dos irmãos, levaram Saulo até Cesareia e dali 0enviaram para Tarso. A igreja cresce 31A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judeia, Ga- lileia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor; e, no consolo do Espírito Santo, crescia em número. A cura de Eneias 32Passando Pedro por toda parte, foi também visi­ tar os santos que moravam em Lida. 33Encontrou ali certo homem, chamado Eneias, que havia oito anos jazia de cama, pois era paralítico. 34Pedro lhe disse: — Eneias, Jesus Cristo cura você! Levante-se e arrume a sua cama. Ele imediatamente se levantou. 35Todos os habi­ tantes de Lida e da região de Sarom viram Eneias e se converteram ao Senhor. A ressurreição de Dorcas 36Havia em Jope uma discípula chamada Tabita, nome este que, traduzido, é Dorcas. Ela era notável pe­ las boas obras e esmolas que fazia. 37Aconteceu que, naqueles dias, ela adoeceu e veio a morrer. Depois de a lavarem, puseram 0 corpo num quarto do andar su­ perior. 38Como Lida ficava perto de Jope, ouvindo os discípulos que Pedro estava ali, enviaram-lhe dois ho­ mens com o seguinte pedido: — Não se demore em vir até nós. 39 Pedro se aprontou e foi com eles. Tendo chegado conduziram-no para o quarto do andar superior. To­ das as viúvas 0 cercaram, chorando e mostrando-lhe túnicas e vestidos que Dorcas tinha feito enquanto 9.15 é para mim um instrumento escolhido. Cf. n. 26.19. 9.16 Saulo fez os discípulos de Jesus sofrerem; agora, teria 0 privilégio de sofrer como discípulo de Jesus. 9.17 impôs as mãos sobre Saulo. Cf. n. 6.6. irmão. Reconhe­ cimento da transformação nele. para que... fique cheio do Es­ pírito Santo. Cf. n. 8.16. 9.22 demonstrando que Jesus é o Cristo. Cf. ns. 4.14; 5.42. 9.25 os discípulos de Saulo. A unção de Paulo era tão grande que ele já tinha discípulos! Este é 0 único versículo que fala de um líder da igreja ter discípulos. Apesar de isso poder acontecer, devemos nos esforçar para que todos te­ nham a identidade de discípulos de Jesus, bem mais do que discípulos nossos. 9.27 Mas Barnabé. Figura de transição, mudando a história de uma pessoa e, como consequência, possivelmente a história da Igreja Primitiva. Cf. ns. 11.19-26. 9.31 Aqui temos uma terceira descrição da Igreja Primitiva, após 2.42-47 e 4.32-35. edificando-se. Ela crescia em qualida­ de caminhando no temor do Senhor. Cf. 10.2; n. 5.11. no con­ solo do Espírito Santo. Cf. ns. 1.2,5; 2.4; 2Co 1.3-8. crescia em número. Crescia em quantidade. Cf. n. 6.1. 9.36 uma discípula. Na cultura clássica judaica não havia es­ paço para discípulas. Na cultura cristã, sim. Cf. n. 5.1.
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    211 ATOS 9— 10 estava com elas. 40Mas Pedro, tendo feito com que to­ dos saíssem, pondo-se de joelhos, orou; e, voltando- -se para o corpo, disse: — Tabita, levante-se! Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. 41Ele, dando-lhe a mão, ajudou-a a ficar em pé; e, chamando os santos, especialmente as viúvas, apresentou-a viva. 42Isto se tornou conhecido por toda Jope, e muitos cre­ ram no Senhor. 43Pedro ficou em Jope muitos dias, na casa de um curtidor chamado Simão. O centurião Cornélio Em Cesareia morava um homem de nome Cor­ nélio, centurião da coorte chamada Italiana. 2Era piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, fazendo muitas esmolas ao povo e orando sempre a Deus. 3Um dia, por volta das três horas da tarde,1 durante uma vi­ são, esse homem viu claramente um anjo de Deus que se aproximou dele e lhe disse: 4— Cornélio! Este, fixando nele os olhos e possuído de temor, perguntou: — O que é, Senhor? E o anjo lhe disse: — As suas orações e as suas esmolas subiram para memória diante de Deus. 5Agora envie mensageiros a Jope e mande chamar Simão, que tem por sobre­ nome Pedro. 6Ele está hospedado com Simão, curti­ dor, cuja residência está situada à beira-mar. 7Logo que o anjo que lhe falava se retirou, Cornélio chamou dois dos seus servos e um soldado piedoso dos que estavam a seu serviço 8e, havendo-lhes con­ tado tudo, enviou-os a Jope. Pedro tem um a visão 9No dia seguinte, enquanto eles viajavam e já esta­ vam perto da cidade de Jope, Pedro subiu ao terraço, por volta do meio-dia, a fim de orar. 10Estando com fome, quis comer; mas, enquanto lhe preparavam a co- 10.1-2 Cornélio. Cf. v. 22. Um “pré-discípulo”, com belas qua­ lidades (v. 33), apenas aguardando conhecer Jesus pessoal­ mente para se tornar pleno discípulo. 10.3 uma visão... um anjo de Deus. Deus falava e ainda fala das formas mais variadas (vs. 10,13,19). 10.4 possuído de temor. Cf. v. 2. 10.7 Logo. Obediente. Militares e ex-militares têm algumas vantagens quanto a saber ser obedientes e submissos, como também comprometidos (cf. n. Mt 8.8-10). 10.9-23 Deus, em sua grande misericórdia, preparou o coração do evangelista tanto quanto o do evangelizado, semelhante a Filipe com o eunuco (8.26-39). 10.14 De modo nenhum, Senhor! Pedro tinha uma habilidade extraordinária de chamar Jesus de Senhor e ainda discordar dele (Mt 16.22; Jo 13.6-8). Jesus consegue trabalhar com “cabeças- -duras” se o coração é bom. Por outro lado, a melhor teologia mida, sobreveio-lhe um êxtase. 11Viu o céu aberto e um objeto como se fosse um grande lençol, que descia do céu e era baixado à terra pelas quatro pontas, ^conten­ do todo tipo de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. 13E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: — Levante-se, Pedro! Mate e coma. 14Mas Pedro respondeu: — De modo nenhum, Senhor! Porque nunca comi nada que fosse comum e imundo. 15 Pela segunda vez, a voz lhe falou: — Não considere impuro aquilo que Deus purificou.0 16Isso aconteceu três vezes, e, em seguida, aquele objeto foi levado de volta para o céu. Os enviados de Cornélio chegam a Jope 17Enquanto Pedro estava perplexo sobre qual seria o significado da visão, eis que os homens enviados por Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, pararam junto à porta. l8Chamando, perguntaram se ali estava hospedado Simão, por sobrenome Pedro. 19 Enquanto Pedro meditava a respeito da visão, Espírito lhe disse: — Estão aí três homens à sua procura. 20Portanto, levante-se, desça e vá com eles, nada duvidando; por­ que eu os enviei. 21E, descendo Pedro para junto dos homens, disse: — Eu sou a pessoa que vocês estão procurando. 0 que os traz até aqui? 22Então disseram: — O centurião Cornélio, homem reto e temente a Deus e tendo bom testemunho de toda a nação judaica, foi instruído por um santo anjo a mandar chamar você para a casa dele e ouvir o que você tem a dizer. 23 Pedro, então, convidando-os a entrar, hospedou-os. No dia seguinte, Pedro se aprontou e foi com eles. Tam­ bém alguns irmãos dos que moravam em Jope foram com ele. 24No dia seguinte, Pedro chegou a Cesareia. Cornélio Í10.3 Lit., hora nona "10.15 Mc 7.19: Rm 14.14; ICo 10.25; Tt 1.15 do mundo, sem o coração reto, amável e temível, não adianta nada. E você? Está dizendo “De modo nenhum, Senhor” quanto ao seu chamado de ganhar almas)’ Porque nunca... Seus usos e costumes eram mais arraigados nele do que o senhorio de Cristo. 10.15 Para os puros decoração tudo é puro (cf. n. M t 5.8). 10.16 isso aconteceu três vezes. Cf. med. Jo 3.1-15. 10.17 Enquanto Pedro estava perplexo. Quando Deus falar de forma que deixe você perplexo ou confuso, não se preocupe. Se a visão ou a palavra é de Deus. ele irá aclarar e confirmar. Se não for de Deus, ele o ajudará a superar sem maiores conse­ quências. Cf. ns. 2.17; 3.16; 8.29-30. 10.23 Quando vamos fazer algo novo no qual não temos con­ fiança ou experiência, é bom andarmos acompanhados. 10.24-25 tendo reunido os seus parentes e os amigos mais íntimos. Que fé! Semelhante à de outro centurião (cf. n. M t 8.8-10). Ele já era evangelista antes de se converter! Muitas
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    atos 10 —11 212 estava esperando por eles, tendo reunido os seus paren­ tes e os amigos mais íntimos. 25Quando Pedro estava por entrar, Comélio foi ao seu encontro e, prostrando-se aos pés dele, o adorou. 26Mas Pedro o levantou, dizendo: — Levante-se, porque eu também sou apenas um homem. 27Falando com ele, Pedro entrou, encontrando muitos reunidos ali, 28a quem se dirigiu, dizendo: — Vocês bem sabem que um judeu está proibido de se juntar a um gentio ou de entrar na casa dele. Mas Deus me mostrou que não devo considerar ninguém comum ou imundo. 29Por isso, uma vez chamado, vim sem vacilar. Pergunto, pois: Por que razão vocês man­ daram me chamar? 30Cornélio respondeu: — Faz hoje quatro dias que, mais ou menos por esta hora, às três da tarde, eu estava orando em minha casa. De repente, se apresentou diante de mim um homem vestido com roupas resplandecentes 31que disse: "Cor- nélio, a sua oração foi ouvida e as suas esmolas foram lembradas na presença de Deus. 32Envie, pois, alguém a jope e mande chamar Simão, por sobrenome Pedro; ele está hospedado na casa de Simão, curtidor, à beira- -mar.” 33Portanto, sem demora, mandei chamá-lo, e você fez muito bem em vir. Agora estamos todos aqui, na presença de Deus, prontos para ouvir tudo o que o Senhor ordenou a você. Pedro prega na casa de Cornélio 34Então Pedro começou a falar. Ele disse: — Reconheço por verdade que Deus não faz acep- ção de pessoas;b 35pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável. 36Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz,c por meio de Je­ sus Cristo. Este é o Senhor de todos/ 37Vocês sabem o que aconteceu em toda a Judeia, tendo começado na *10.34 Dt 10.17 <10.36 Rm 5.1; Ef2.17 * At 2.36; Rm 10.12 *10.41 Jo 14.22 Ó_c 24.43; At 1.4 510.42 2Tm 4.1; 1Pe4.5 vezes no Novo Testamento casas ou famílias inteiras se entrega­ ram a Jesus (At 16.15,31-34; 18.8). prostrando-se aos pés dele, o adorou. Que coração predisposto a fazer qualquer coisa para Deus! E você? Qual foi a última vez que se prostrou? 10.26 Jamais podemos aceitar que pessoas nos adorem; temos de dirigir tais expressões a Jesus (cf. n. Ap 19.10). 10.28 Mas Deus. Cf. 2.24; 3.18; 7.9; 13.30; 17.30. Duas pala­ vras tão simples e tão bonitas mudam tudo! Cf. n. Lc 12.20. não devo considerar ninguém comum ou imundo. Ou infe­ rior. Cf. ns. 2Co 5.7,16. 10.29 uma vez chamado, vim sem vacilar. Esta tem de ser a atitude de todo verdadeiro discípulo. 10.35 em qualquer nação. Deus se importa com cada nação (2.5; 10.14; 17.26-27; Mt 28.19; Ap 7.9; 14.6). 10.37-43 Resumo do evangelho. Você é bom em resumir o Galileia depois do batismo que João pregou, 38como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder. Jesus andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os oprimidos do diabo, porque Deus estava com ele. 39E nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Depois eles o mataram, pendurando-o no madeiro. 40Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia e concedeu que fosse ma­ nifesto, 41não a todo o povo,e mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com e le/ depois que ressur­ giu dentre os mortos. 42jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que ele foi constituído por Deus como Juiz de vivos e de mortos.3 43Dele todos os pro­ fetas dão testemunho de que, por meio do seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão dos pecados. O Espírito Santo desce sobre os gentios 44 Enquanto Pedro falava estas palavras, o Espírito Santo caiu sobre todos os que ouviam a mensagem. 45E os fiéis que eram da circuncisão, que tinham vin­ do com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo. 46Pois eles os ouviam falando em línguas e engrande­ cendo a Deus. Então Pedro disse: 47— Será que alguém poderia recusar a água e impedir que sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo? 48E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Então lhe pediram que permanecesse com eles por alguns dias. A defesa de Pedro Chegou ao conhecimento dos apóstolos e dos irmãos que estavam na Judeia que também os gentios haviam recebido a palavra de Deus. 2Quando Pedro voltou para Jerusalém, os que eram da circun­ cisão começaram a questioná-lo, dizendo: 3— Você entrou na casa de homens incircuncisos e comeu com eles. evangelho e dar seu testemunho? Cf. o módulo de oito estudos sobre evangelismo pessoal que começa em 2Co 5.14-21. 10.38 Quais destas frases melhor descrevem você? Cf. ns. Lc 4.18-19. 10.39,41 testemunhas. Cf. n. At 3.15. 10.44-46 o Espírito Santo caiu... foi derramado o dom do Espírito Santo... receberam o Espírito Santo. Deus, com seu grande senso de humor, derramou o Espírito Santo sem pedira permissão do após­ tolo, liberando-o, assim, de qualquer culpa de haver feito algo errado quando fosse interrogado futuramente (11.1-18). Cf. ns. 1.2,5; 2.4. 10.48 E ordenou que fossem batizados. Cf. v. 48; n. 2.41 per­ manecesse com eles por alguns dias. Construir pontes em lugar de muros. 11.3 Espírito de religiosidade, mais preocupado com leis e nor­ mas do que com a salvação de almas (cf. Intro. Hb).
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    213 ATOS 11— 12 4Então Pedro passou a fazer-lhes uma exposição por ordem, dizendo: 5— Eu estava na cidade de Jope orando e, num êxtase, tive uma visão em que observei descer um objeto como se fosse um grande lençol baixado do céu pelas quatro pontas e vindo até perto de mim. 6E, olhando atenta­ mente para dentro daquilo, vi quadrúpedes da terra, feras, répteis e aves do céu. 7Ouvi também uma voz que me dizia: "Levante-se, Pedro! Mate e coma.” 8Ao que eu respondi: "De modo nenhum, Senhor; porque em minha boca nunca entrou nada que fosse comum ou imundo." 9Pela segunda vez, a voz do céu falou: "Não considere impuro aquilo que Deus purificou." 10Isso se repetiu três vezes, e, de novo, tudo foi recolhido para o céu. 11E eis que, na mesma hora, pararam diante da casa em que es­ távamos três homens enviados de Cesareia para se en­ contrar comigo. 12Então o Espírito me disse que eu fosse com eles, sem hesitar. Foram comigo também estes seis irmãos; e entramos na casa daquele homem. 13E ele nos contou como tinha visto na casa dele um anjo, em pé, que lhe disse: "Envie alguém a Jope e mande chamar Simão, por sobrenome Pedro, 14o qual lhe dirá palavras mediante as quais você e toda a sua casa serão salvos." 15— Quando, porém, comecei a falar, o Espírito Santo caiu sobre eles, como também sobre nós, no princípio. 16Então me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: "João, na verdade, batizou com3 água, mas vocês serão batizados com 3 o Espírito Santo."0 17Poís, se Deus deu a eles o mesmo dom que tinha dado a nós quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus? 18E, ouvindo eles estas coisas, acalmaram-se e glo­ rificaram a Deus, dizendo: — Então também aos gentios Deus concedeu o arrependimento para a vida! Os discípulos são chamados cristãos em Antioquia 19Os que foram dispersos* a partir da persegui­ ção que sucedeu por causa de Estêvão se espalharam 11.4 por ordem. A quebra de paradigmas era tão grande que Deus orquestrou os mínimos detalhes de forma ordenada para ajudar seus apóstolos e líderes a aceitarem que o Reino de Deus era muito maior do que haviam pensado. 11.18o arrependimento para vida! A porta para o Reino de Deus. Cf. n. M t 3.2. 11.19-26 Antioquia. 0 Livro de Atos indica quatro igrejas com impacto nacional e internacional: Jerusalém (At 1-6; 15), Antio­ quia (aqui e em 13.1-3; 14.26-28; 15.1-2,30-40; 18.22-23), Tessalô- nica (ITs 1.7-8; cf. n. At 17.1-9) e Éfeso (At 19-20; cf. n. At 19.1-41). Nota prática: de que formas Deus quer nos levar além da nossa “Jerusalém”, para uma Antioquia que possa ser o ponto de partida para uma nova visão e missão? Deus está chamando você e sua igreja para uma nova aventura? 11.22 enviaram Barnabé. Natural de Chipre (4.36), assim como os companheiros que evangelizaram gentios em Antio- até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a palavra a ninguém que não fosse judeu. 20Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. 21A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor. 22A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia. 23Tendo ele chegado e, vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava todos a que, com fir­ meza de coração, permanecessem no Senhor. 24Por­ que era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor. 25Depois Barnabé foi a Tarso à procura de Saulo. 26E, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. E, durante um ano inteiro, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, os dis­ cípulos foram, pela primeira vez, chamados cristãos.0 Ágabo prediz grande fom e 27Naqueles dias, alguns profetas foram de Jerusa­ lém para Antioquia. 28E, apresentando-se um deles, chamado Ágabo,d dava a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo. Essa fome veio nos dias do imperador Cláudio. 290s dis­ cípulos, cada um conforme as suas posses,6 resolve­ ram mandar uma ajuda aos irmãos que moravam na Judeia. 30E eles o fizeram, enviando essa ajuda aos presbíteros por meio de Barnabé e Saulo. Herodes persegue Tiago e Pedro Por aquele tempo, o rei Herodes mandou prender alguns da igreja para os maltra­ tar. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João.0 3Vendo que isto agradava aos judeus, prosseguiu, H l.1 60 u e m "A tl.5 M l.1 9 A t8 .4 '11.26 1Pe4.16 4l1.28At21.10 c11.29 2Co 8.12 «12.2 Mt 20.23 quia (vs. 19-20). Essas pessoas tinham vivido em culturas gen­ tias, tendo ganhado a habilidade de ser pessoas-pontes. Deus usa nosso passado para seus propósitos. Cf. n. At 3.25. 11.24 muita gente se uniu ao Senhor. Cf. v. 21; n. 6.1. 11.26 os discípulos foram, pela primeira vez, chamados cristãos. Entendemos o que é ser cristão ou crente, mas não entendemos o que é ser discípulo. A palavra “cristão” aparece no Novo Testamento três vezes (aqui e em 26.28; 1Pe 4.16), prin­ cipalmente usada pelos não crentes para descrever os discípu­ los. A palavra “discípulo" aparece 289 vezes. 11.27-30 Quatro princípios da contribuição: (1) segundo a direção de Deus (vs. 27-28); (2) segundo a necessidade (v. 28); (3) segundo suas possibilidades (v. 29); e (4) segundo a direção da liderança (v. 30; 4.37). Cf. ns. 2Co8-9. 12.2 Tiago, irmão de João. Segundo mártir. Cf. n. Hb 11.35-38. Pare de se queixar de suas dificuldades. Seja guerreiro. Uma
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    atos 12 214 Cr i t é r i o s - c h a v e n a e s c o l h a d e u m d i s c i p u l a d o r o u m e n t o r At 11.19-26; 2Sm 15.32-37; 16.23; 17.1-16 (Estudo 1.6.8) 1. Quais são três qualidades que você procuraria num discipulador ou mentor? 2. Por que Davi escolheu Husai para ser conselheiro a seu favor? 3. 0 que Barnabé teve para oferecer para Saulo como discipulador? 4. Quais algumas características de Barnabé que são idóneas para um discipulador? 5. Ore sobre as características de um mentor listadas a seguir, afirmando seu mentor, discipulador (se tiver) ou procurando um (se não tiver). Estudo opcional: lCo 4.14-21; lTm 3.1-12; 2Tm 3.10-11. Dez características de um mentor Howard Hendricks dedica dez capítulos do seu livro Como o ferro afia o ferro a pessoas que querem ser mentorea- das. No capítulo cinco ele destaca dez qualidades de um mentor (ou discipulador), listadas a seguir: 1. Parece ter o que você precisa - é um modelo ou exemplo do que você quer ser. 2. Cultiva relacionamentos - com você e com outras pessoas. 3. Está disposto a dar uma oportunidade a você. Abre portas. 4. É respeitado por outros cristãos - tem boas conexões e as abre para você. 5. Tem uma rede de recursos - e os coloca à sua disposição. 6. É consultado por outros. 7. Fala e ouve. Fala coisas que você precisa ouvir; ouve coisas que você precisa falar. 8. É coerente no seu estilo de vida - uma pessoa íntegra. 9. É capaz de diagnosticar suas necessidades - discernindo além do que você enxerga. 10. Está preocupado com os interesses do mentoreado - não usa isso para si; serve-o, elevando-o ou alavancando-o. Para mais informações, cf. passos para encontrar um mentor ou discipulador na med. Mc 10.17-31. Mt 10.1-16 — Estudo anterior ♦ j Próximo estudo — Mt 16.24-26 mandando prender também Pedro. E eram os dias dos pães asmos. 4Depois de prendê-lo, lançou-o na prisão, entregando-o a quatro escoltas de quatro soldados cada uma, para o guardarem. A intenção de Herodes era apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. 5E assim Pedro estava guardado na prisão; mas havia oração in­ cessante a Deus por parte da igreja a favor dele. Pedro é libertado 6 Na noite anterior ao dia em que Herodes ia apresentá-lo ao povo, Pedro dormia entre dois sol­ dados, preso com duas correntes. Sentinelas, junto à porta, guardavam a prisão. 7Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão; e, to­ cando ele no lado de Pedro, o despertou, dizendo: — Levante-se depressa! Então as correntes caíram das mãos dele. 8E o anjo continuou: — Coloque o cinto e calce as sandálias. E ele assim o fez. O anjo disse-lhe mais: — Ponha a capa e siga-me. 9Então, saindo, o seguia, não sabendo que era real o que estava sendo feito pelo anjo; ele pensava que era umq visão. lODepois de terem passado a primeira e a segunda sentinela, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade, o qual se abriu automaticamente; e, saindo, enveredaram por uma rua, e logo adiante o anjo se afastou dele. 11Então Pedro, caindo em si, disse: — Agora sei que, de fato, o Senhor enviou o seu vez que você entende que sua vida não lhe pertence, Satanás tem pouco acesso a você por meio de sofrimentos e conflitos. 12.5-8 Você está numa prisão emocional ou espiritual? Sente- -se acorrentado? Peça a Deus que envie um anjo. Fique atento quando ele o despertar. Levante-se... Coloque o cinto e calce as sandálias... Ponha a capa e siga-me. Cinco imperativos! Instruções precisas a um sonolento sem esperança. Assuma a responsabilidade por sua vida. Siga as orientações do “anjo" que o Senhor envia e saia da sua prisão! Cf. n. Ef 5.14; tc. Ef. 12.11 caindo em si. Cf. n. Lc 15.17.
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    215 ATOS 12 — 13 anjo e me livrou da mão de Herodes e de toda a ex- pectativa do povo judeu. !2Considerando ele a sua situação, resolveu ir à casa de Maria, mãe de João, também chamado Mar­ cos, onde muitas pessoas estavam congregadas e oravam. 13Quando ele bateu à porta da frente, uma empregada, chamada Rode, foi ver quem era. 14Reco­ nhecendo a voz de Pedro, ficou tão alegre que nem o fez entrar, mas voltou correndo para anunciar que Pedro estava à porta. 15Eles lhe disseram: — Você ficou louca! Ela, porém, persistia em afirmar que era verdade. Então disseram: — É o anjo dele. 16 Enquanto isso, Pedro continuava batendo. Quan­ do abriram a porta, viram-no e ficaram admirados. 17Ele, porém, fazendo-lhes sinal com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tinha ti­ rado da prisão. E acrescentou: — Anunciem isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo, foi para outro lugar. 18 Quando amanheceu, houve grande alvoroço en­ tre os soldados sobre o que teria acontecido com Pe­ dro. 19Herodes, tendo-o procurado e não o achando, submetendo as sentinelas a inquérito, ordenou que se aplicasse a pena de morte. E, descendo da Judeia para Cesareia, Herodes passou ali algum tempo. A m orte de Herodes 20 Havia uma séria divergência entre Herodes e os moradores de Tiro e de Sidom. Estes, porém, de comum acordo, se apresentaram a ele e, depois de obter o apoio 12.12 casa de Maria. Cf. n. 5.1. mãe de João, também cha­ mado Marcos. Cf. v. 25; Intro. Mc. 12.16 Pedro continuava batendo. Excelente aplicação de Mt 7.7-8! ficaram admirados. Deus tem um grande senso de hu­ mor, respondendo às nossas orações, muitas vezes, apesar de nós mesmos não acreditarmos que ele o fará (vs. 5,12). 12.17 Anunciem isto a Tiago e aos irmãos. Tiago, irmão de Jesus (Mt 13.55; Mc 6.33; cf. n. Tg 1.1), que se tornou o princi­ pal líder da igreja em Jerusalém (At 15.13; 21.18; ICo 15.7; Gl 1.19; 2.9,12; Tg 1.1; Jd 1). 12.22-23 Uma lição muito importante sobre dar a glória a Deus, e não a tomar para nós mesmos. 12.24 crescia e se multiplicava. Cf. n. 6.1. 12.25 Barnabé e Saulo. Cf. 11.30; 13.1-2,7. Os comentaristas nos indicam que a ordem dos nomes indica liderança. 13.1 profetas e mestres. Os profetas são pioneiros que abrem o caminho; os mestres são edificadores que firmam os alicerces (cf. n. ICo 12.28). São profundamente complemen­ tares, como o acelerador e os freios do carro. Sem os dois funcionando bem uma igreja dificilmente será saudável. Bar­ nabé... e Saulo. Barnabé era o titular; Saulo era o mais novo do “grupo dos cinco”, a equipe pastoral de Antioquia. A liderança demonstra uma grande diversidade de classe social, procedên­ cia e chamados. de Blasto, que era assessor do rei, pediram paz, porque a terra deles recebia alimentos do país do rei. 21Em dia designado, Herodes, vestido de traje real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra. 22E o povo gritava: — É voz de um deus, e não de um homem! 23No mesmo instante, um anjo do Senhor feriu Herodes, por ele não haver dado glória a Deus; e, co­ mido de vermes, morreu. 24Entretanto, a palavra de Deus crescia e se mul­ tiplicava. b 25Barnabé e Saulo, cumprida a sua missão, volta­ ram de Jerusalém, trazendo consigo João, também chamado Marcos. Barnabé e Saulo. A prim eira viagem m issionária Havia na igreja de Antioquia profetas e mes­ tres: Barnabé; Simeão, chamado Níger; Lúcio, de Cirene; Manaém, que tinha sido criado com Hero­ des, o tetrarca; e Saulo. 2Enquanto eles estavam ado­ rando o Senhor e jejuando, o Espírito Santo disse: — Separem-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. 3Então, jejuando e orando, e impondo as mãos so­ bre eles, os despediram. A m issão em Chipre 4Enviados, pois, pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo foram até Selêucia e dali navegaram para Chi­ pre. 5Quando chegaram a Salamina, começaram a *12.24 At 6.7 13.1 -2 no igreja de Antioquia. Esta era a igreja base de Barnabé e Saulo (11.22,26; 14.26-28; 15.30,35,40-41; 18.22-23; cf. n. 11.19-26). Nota prática: quem viaja muito, especialmente ministros, pre­ cisa tremendamente de raízes para não se perder emocional e es­ piritualmente. Deve procurar uma igreja como Antioquia, onde é realmente conhecido, amado e está integrado ao Corpo. Essa igreja deve ser sua base espiritual, sua cobertura, o lugar para sua família ser cuidada e integrada. Na medida do possível, deve ser parte de um grupo familiar ou célula, tendo relacionamentos comprometidos e saudáveis. Se for ministro, pode ser uma base financeira também. 13.2 adorando. Do grego leitourgeo. ao Senhor. Este versículo é um dos maiores exemplos que temos de como ouvir Deus como líderes de uma igreja. No ambiente de louvor, Deus se revela (Sl 22.3; Is 6.1-8; Mt 18.20; Rm 12.1-2; Hb 13.15).jejuando. Cf. v. 3; 14.23; n. M t 6.16-18. disse o Espírito Santo. Cf. 1.8; 15.28; 20.28. Separem-me. Cada filho de Deus tem um chamado (cf. n. Ef 2.10); ele deve descobri-lo e se entregar a ele. Ao mesmo tempo, algumas pessoas são entregues em sua totalidade para a igreja e o ministé­ rio (cf. ns. Ef 4.11-12). Elas, de forma especial, devem se consagrar, santificar ou separar (cf. ns. Jo 17.18-19). 13.3 impondo as mãos sobre eles. Cf. n. 6.6. os despediram. Que parceria humana e divina expressa nesta frase e na próxima! 13.4 Enviados, pois, pelo Espírito Santo. Cf. vs. 2,4,9,52; Jo 17.18; Gl 1.1; ns. Lc 4.18-19; At 1.2; Intro.
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    Atos 13 216 anunciara palavra de Deus nas sinagogas judaicas. Tinham também João como auxiliar. 6Havendo atra­ vessado toda a ilha até Pafos, encontraram certo judeu, de nome Barjesus, que praticava magia e era falso profeta. 7Ele estava com o procônsul Sérgio Paulo, que era um homem inteligente. 0 procônsul, tendo chamado Barnabé e Saulo, desejava ouvir a palavra de Deus. 8Porém o mago Elimas — e é as­ sim que se traduz o nome dele — se opunha a eles, procurando afastar da fé o procônsul. 9Mas Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, olhando firmemente para Elimas, disse: 10— Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a maldade, inimigo de toda a justiça, por que você não deixa de perverter os retos caminhos do Senhor? 11Eis que, agora, a mão do Senhor está con­ tra você, e você ficará cego, não vendo o sol por al­ gum tempo. No mesmo instante, caiu sobre ele névoa e escuri­ dão, e, andando em círculos, procurava quem o guiasse pela mão. l2Então o procônsul, vendo o que havia acon­ tecido, creu, maravilhado com a doutrina do Senhor. João M arcos volta a Jerusalém 13E, navegando de Pafos, Paulo e seus companhei­ ros dirigiram-se a Perge da Panfília. João, porém, deixando-os, voltou para Jerusalém. l4Mas eles, saindo de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia. E num sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. 15Depois da leitura da Lei e dos Profetas, os chefes da sinagoga mandaram dizer-lhes: — Irmãos, se vocês têm alguma palavra de exorta­ ção para o povo, falem. «13.17 Êx 1.7 *Ex 12.51 <13.18 Nm 14.34; Dt 1.31 ^13.19 Dt 7.1 cJs 14.1 D3.20Jz2.16 91Sm 3.20 *13.21 IS m 8.5 >1Sm 10.21 J13.22 ISm 13.14 *1Sm 16.12; SI 89.20 '13.23 Rm 1.3 ">13.24Mc 1.4;Lc3.3 "13.25Jo1.20 « M t3.11;Mc 1.7;Lc3.16; Jo 1.27 413.28 Mt 27.22-23; Mc 15.13-14; Lc 23.21-23; Jo 19.15 413.29 Mt 27.57-61; Mc 15.42-47; Lc 23.50-56; Jo 19.38-42 <13.31 At 1.3 13.7 desejava ouvir a palavra de Deus. Que frase formosa! Que ela possa se aplicar a nós! Revela um caráter ensinável. 13.8-11 Há momentos em que temos de comprar a briga e en­ trar em ação, firmes e fortes, contra o maligno (cf. ns. Ef 6.10-18; Intro. Ef). 13.12 maravilhado com a doutrina do Senhor. Cf. ns. 1Co 4.20. A doutrina, na forma como Paulo a entendia, não era uma teologia sistemática, e sim um estilo de vida. Cf. n. Tt 2.1. 13.13 Paulo e seus companheiros. Barnabé passou a lideran­ ça para Paulo (cf. n. 12.25). Aparentemente, João Marcos dis­ cordou de forma tão profunda que abandonou a equipe; ainda assim, Barnabé persistiu. No restante do capítulo Paulo toma a iniciativa e é listado primeiro (vs. 16,42-43,45-46,50). 13.15 O convite aqui é um pouco parecido com o padrão de ICo 14.26. Em nossos cultos dominicais muitas vezes não há O testem unho de Paulo em Antioquia 16Paulo, levantando-se e fazendo com a mão sinal de silêncio, disse: — Israelitas e todos vocês que temem a Deus, escutem! 170 Deus do povo de Israel escolheu os nossos pais e exaltou o povo0 durante a sua peregri­ nação na terra do Egito, de onde os tirou com braço poderoso.6 l8Suportou os maus costumes do povo durante uns quarenta anosc no deserto. 19E, havendo destruído sete naçõesd na terra de Canaã, deu-lhes essa terra0 por herança, 20passados uns quatrocen­ tos e cinquenta anos. Depois disso, lhes deu juízes/ até o profeta Samuel.® 21Então eles pediram um re i/ e Deus lhes deu Saul,' filho de Quis, da tribo de Ben­ jamim, e isto durante quarenta anos. 22E, tendo ti­ rado Saul/ levantou-lhes o rei Davi, do qual também, dando testemunho, disse: "Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a mi­ nha vontade."6 23Da descendência deste/ conforme a promessa, Deus trouxe a Israel o Salvador, que é Jesus. 24Antes da manifestação dele, João pregou um batismo de arrependimento™ a todo o povo de Israel. 25Quando João estava completando a sua carreira, disse: "Quem vocês pensam que sou? Não sou aquele que vocês esperam.” Mas depois de mim vem aquele0 de cujos pés não sou digno de desatar as sandálias." 26— Irmãos, descendência de Abraão e todos vo­ cês que temem a Deus, a nós foi enviada a palavra desta salvação. 27Pois os moradores e as autorida­ des de Jerusalém, não conhecendo Jesus nem as pa­ lavras dos profetas que são lidas todos os sábados, cumpriram as profecias, quando condenaram Jesus. 28E, embora não achassem nenhuma causa de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto.p 29Depois de cumprirem tudo o que estava escrito a respeito dele, tirando-o do madeiro, puseram-no em um túmulo.® 30Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos, 31e du­ rante muitos dias ele foi visto pelos que o tinham acompanhado” da Galileia para Jerusalém, os quais são agora as suas testemunhas diante do povo. 32E possibilidade para tal espontaneidade, mas nos grupos fami­ liares e células seria lindo se ICo 14.26 pudesse ser encorajado, pelo menos de vez em quando! 13.17 escolheu os nossos pais. Cf. v. 32; n. 7.2. 13.18 Deus é surpreendentemente paciente com seu povo, e nós devemos aprender dele! Ao mesmo tempo, sua paciência tem limites (cf. n. M t 12.9-13). 13.22 homem segundo o meu coração. Cf. Sl 78.70-72 que fará toda a minha vontade. Davi pecou e se desviou, mas sempre voltava a Deus arrependido. De forma parecida, falhare­ mos e pecaremos, mas como Davi podemos e devemos sempre voltar à plena vontade de Deus (cf. n. 7.58). 13.24 batismo de arrependimento. Cf. n. M t 3.2. 13.30 Mas Deus. Cf. n. 10.28. 13.31 as suas testemunhas. Cf. ns. At 1.8; 3.15.
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    217 Atos 13— 14 nós anunciamos a vocês o evangelho da promessa feita aos nossos pais, 33como Deus a cumpriu plena­ mente a nós, seus filhos, ressuscitando Jesus, como também está escrito no Salmo número dois: "Você é o meu Filho; hoje eu gerei você.”5 34— E Deus expressou que o ressuscitaria dentre os mortos para que jamais voltasse à corrupção desta maneira: "E cumprirei a favor de vocês as santas e fiéis promessas feitas a Davi.”* 35— Por isso, também diz em outro Salmo: "Não permitirás que o teu Santo veja corrupção."0 36— Porque tendo Davi, no seu tempo, servido con­ forme o plano de Deus, morreu, foi sepultado ao lado de seus pais e viu corrupção.v37Porém aquele a quem Deus ressuscitou não viu corrupção.w 38Portanto, meus irmãos, saibam que é por meio de Jesus que a remissão dos pecados é anunciada a vocês;* 39e, por meio dele, todo o que crê é justificado de todas as coi­ sas das quais vocês não puderam ser justificados pela lei de M oisés/40Tenham cuidado, pois, para que não lhes aconteça o que os profetas disseram: 41 "Vejam, ó desprezadores! Fiquem maravilhados e desapareçam, porque, no tempo de vocês, eu realizo obra tal que vocês não acreditarão se alguém lhes contar."2 42Quando Paulo e Barnabé estavam saindo, as pes­ soas pediram que, no sábado seguinte, lhes falassem estas mesmas palavras. 43Terminada a reunião na si­ nagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, e estes, falando-lhes, os persuadiam a continuar firmes na graça de D eus/ 44No sábado seguinte, quase toda a cidade se reu­ niu para ouvir a palavra de Deus. 45Mas os judeus, vendo as multidões, ficaram com muita inveja e, blas­ femando, contradiziam o que Paulo falava. 46Então Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: — Era necessário pregar a palavra de Deus primeiro a vocês.* Mas, como vocês a rejeitam e se julgam indig­ nos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gen­ tios. 47Porque o Senhor assim nos determinou: "Eu coloquei você como luz dos gentios, a fim de que você seja para salvação até os confins da terra."c 48Os gentios, ouvindo isto, se alegravam e glorificavam a palavra do Senhor. E creram todos os que haviam sido des­ tinados para a vida eterna.d49E a palavra do Senhor se es­ palhou por toda aquela região. 50Mas os judeus instigaram as mulheres piedosas de alta posição e os principais da cidade e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé, expulsando-os do seu território. 51E estes, sacudindo con­ tra eles o pó dos pés,e foram para Icônio. 520s discípulos, porém, transbordavam de alegria e do Espírito Santo. Paulo e Barnabé em Icônio Em Icônio, Paulo e Barnabé entraram juntos na sinagoga judaica e falaram de tal modo, que veio a crer grande multidão, tanto de judeus como de gregos. 2Mas os judeus que não tinham crido incitaram e irrita­ ram os ânimos dos gentios contra os irmãos. 3Entretan­ to, Paulo e Barnabé ficaram bastante tempo em Icônio, falando ousadamente no Senhor, o qual confirmava a palavra da sua graça, concedendo que, por mão deles, se fizessem sinais e prodígios. 4Mas o povo da cidade se dividiu: uns eram pelos judeus; outros, pelos apósto­ los. 5Então surgiu um movimento entre os gentios e os judeus, com o apoio das suas autoridades, para os mal­ tratar e apedrejar. 6Quando Paulo e Barnabé souberam disso, fugiram para Listra e Derbe, cidades da Licaônia, e para as regiões vizinhas, ^onde anunciaram o evangelho. A cura de um paralítico em Listra 8Em Listra, costumava estar sentado certo homem aleijado, paralítico desde o seu nascimento, e que s13.33 SI 2.7 713.34 Is 55.3 “ 13.35 SI 16.10 “13.36 1Rs 2.10 w13.37 At 2.24 *13.38 Lc 24.47 713.39 Rm 3.28 *13.41 Hc 1.5 “ 13.43 At 11.23 &13.46 At 3.26; Rm 1.16 *13.47 Is 42.6; 49.6 413.48 Rm 8.28-29; Ef 1.4-5 *13.51 Mt 10.14; Mc 6.11; Lc 9.5; 10.11 13.36 tendo Davi, no seu tempo, servido conforme o plano de Deus. Cada um de nós deve colocar seu nome no lugar do de Davi, pedindo discernimento e coragem para que a mesma coisa possa ser falada de nós. Na verdade, devemos servir nâo apenas à nossa geração, mas também às seguintes (cf. ns. 2Tm 2.1-2). 13.42,44 Sabiamente, Paulo não fechou com um apelo, dei­ xando o assunto aberto. Como resultado, a notícia se espalhou pela cidade toda, levando um grupo muito maior a ouvi-lo uma semana depois, como também os realmente interessados a to­ marem passos para caminhar na graça de Deus (v. 43). 13.47 Eu coloquei você. Cada um de nós tem um chamado. Cf. última n. 13.2. 13.50 instigaram as mulheres piedosas. Cf. n. 5.1. 13.51 Cf. ns. M t 10.14-39. 13.52 transbordavam de alegria. Cf. n. 8.8. 14.3 a palavra da sua graça. Cf. 4.33; 6.8; 11.23; 13.43; 14.3,26; 15.11,40; 18.27; 20.24,32; n. Ef 2.8-9. 14.7 anunciaram o evangelho. Cf. vs. 1,7,15,21,25. Por onde andavam, semearam as Boas-Novas da salvação.
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    atos 14 —15 218 nunca tinha conseguido andar. 9Esse homem ouviu Paulo falar. Quando Paulo fixou nele os olhos e viu que ele tinha fé para ser curado, lOdisse-lhe em voz alta: — Levante-se direito sobre os pés! O homem saltou e começou a andar. 11Quando as multidões viram o que Paulo tinha feito, gritaram em língua licaônica: — Os deuses, em forma de homens, desceram até nós. 12A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque este era o principal portador da palavra. 130 sa­ cerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da ci­ dade, trazendo touros e grinaldas para junto dos portões da cidade, queria oferecer um sacrifício juntamente com a multidão. líPorém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, gritando: 15— Senhores, por que estão fazendo isto? Nós também somos seres humanos como vocês,0 sujeitos aos mesmos sentimentos, e anunciamos o evangelho a vocês para que se convertam destas coisas vãs ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles h á / l6Nas gerações passadas, Deus permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios ca­ minhos.0 riContudo, não deixou de dar testemunho de si m esm o/ fazendo o bem, dando a vocês chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo o coração de vocês de fartura e de alegria. 18Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que im­ pediram a multidão de lhes oferecer sacrifícios. <>14.15 At 10.26 *Êx 20.11; S1146.6 <14.16 At 17.30 <<14.17 Rm 1.20 114.21 Cidade da Pisídia <14.22 At 11.23; 13.43 Do 16.33; ITs 3.3; 2Tm3.12 914.23 Tt 1.5 214.26 Capital da Síria *At 13.3 «15.1 Lv 12.3 Paulo é apedrejado 19Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando asmultidões,apedrejaram Pauloe oarrastaram para fora da cidade, dando-o por morto. 20Rodeando-o, porém, os discípulos, ele se levantou e entrou na cidade. No dia seguinte, foi com Barnabé para Derbe. A volta para Antioquia da Síria 21E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, Paulo e Barnabé voltaram para Listra, Icônio e Antioquia,1 22fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecerem firmes na fé;ee mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no Reino de Deus/ 23E, promovendo- -lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros,5 depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor, em quem haviam crido. 24Atravessando a Pisídia, Paulo e Barnabé se diri­ giram à Panfília. 25E, tendo anunciado a palavra em Perge, foram para Atália 26e dali navegaram para An­ tioquia,2 onde tinham sido recomendadosíi à graça de Deus para a obra que agora tinham terminado. 27Quan­ do chegaram lá, reuniram a igreja e relataram tudo o que Deus havia feito com eles e como tinha aberto aos gentios a porta da fé. 28E permaneceram muito tempo com os discípulos. A controvérsia sobre a circuncisão de gentios Alguns indivíduos que foram da Judeia para Antioquia ensinavam aos irmãos: — Se vocês não forem circuncidados0 segundo o costume de Moisés, não podem ser salvos. 14.9 e viu. Olhos espirituais. Cf. ns. Mc 8.22-26; Lc 7.44; Intro. IPe. que ele tinhafé para ser curado. Pronto para crer. Cf. n. M t 6.30. 14.12-20 Apesar de Paulo liderar a equipe (vs. 1,3,9,11; cf. ns. 12.25; 13.13), os pagãos reconhecem autoridade em Barnabé, chamando-o de rei dos deuses, Júpiter, e Paulo de deus men­ sageiro, Hermes (v. 12). Nesta hora de crise, aparentemente Barnabé assume a liderança (v. 14), mas logo passada a crise, devolve a liderança para Paulo (vs. 19-20,23). 14.15 sujeito aos mesmos sentimentos. Cf. ns. Jo 11.33; Hb 4.15. É importantíssimo que líderes e pastores compartilhem seus sentimentos se querem criar pontes de afinidade e empa- tia com outras pessoas. Quando não fazem isso, criam muros em vez de pontes. Cf. n. 3.25. 14.19-20 Duro de matar! 14.21 feito muitos discípulos. Cf. vs. 20,22,28. O alvo de anunciar o evangelho é fazer discípulos (Mt 28.19-20). Qual­ quer resultado aquém disso quer dizer que não conseguimos tudo que Deus quis e nos chamou para fazer, voltaram para. Cf. 15.36. Não é suficiente construir um ministério de impacto ou fazer grandes eventos. Temos de superar a "mania de even­ tos” para criar processos e relacionamentos. O seguimento, como fizeram aqui, é fundamental para isso. A lei 10/90, do iceberg, é que apenas 10% do impacto de um evento acontece no evento; 90% acontece no preparo e no seguimento. Quando não temos preparo e seguimento, o impacto de quase qualquer evento é bastante passageiro. 14.22 através de muitas tribulações. A vida cristã natural­ mente tem dificuldades, conflitos e perseguições. Se não esta­ mos experimentando nada disso, temos de nos perguntar até que ponto estamos realmente vivendo e demonstrando essa vida (Jo 15.18-25). importa entrar no Reino de Deus. Cf. n. M t 19.30; Intro. Mt. 14.23 a eleição de presbíteros. Cf. 15.2. Davam um tempo para os discípulos se consolidarem e ver que pessoas iriam se revelar como servos-líderes. 14.26 recomendados à graça de Deus para a obra. Tensão criativa entre graça, que é obra divina, e esforço humano. Te­ mos de crer e orar como se tudo dependesse de Deus, e traba­ lhar e nos entregar como se tudo dependesse de nós. 14.26-28 De volta a Antioquia (18.22-23). Cf. n. 13.1-2. 15.1 segundo o costume de. É muito fácil, e muito errado, co­ nectar usos e costumes à santificação ou à salvação. Deus olha para o coração, não para os nossos costumes. 15.1-35 Um estudo de caso fantástico quanto a como resolver conflitos, seguido por outro caso (vs. 36-41) de não conseguir resolvê-los. Às vezes acudimos à graça do Senhor de forma ex­ traordinária em casos bem difíceis e, depois, no cansaço poste­ rior, caímos em armadilhas bem menores.
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    219 Atos 15 2Tendosurgido um conflito e grande discussão de Paulo e Bamabé com eles, foi resolvido que esses dois e mais alguns fossem a Jerusalém, aos apóstolos e pres­ bíteros, para tratar desta questão. 3Encaminhados, pois, pela igreja, atravessaram as províncias da Fenícia e Sa- maria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos. 4Quando chegaram a Jerusalém, foram bem-recebidos pela igreja, pelos após­ tolos e pelos presbíteros e relataram tudo o que Deus ha­ via feito com eles. 5Mas alguns membros do partido dos fariseus que haviam crido se insurgiram, dizendo: — É necessário circuncidá-los e ordenar-lhes que observem a lei de Moisés. A reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém 6Então os apóstolos e os presbíteros se reuniram para examinar a questão. 7Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e disse: — Irmãos, vocês sabem que, desde há muito, Deus me escolheu entre vocês para que da minha boca os gentios* ouvissem a palavra do evangelho e cressem. 8E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santoc a eles, como também o havia concedido a nós.d 9E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes o coração por meio da fé. lOAgora, pois, por que vocês querem tentar a Deus, pondo sobre o pescoço dos discípulos um jugo que nem os nossos pais puderam suportar, nem nós? 11Mas cremos que fomos salvos pela graça6 do Senhor Jesus, como também aqueles o foram. O parecer de Tiago 12E toda a multidão silenciou, passando a ouvir Barnabé e Paulo, que contavam quantos sinais e pro­ dígios Deus tinha feito por meio deles entre os gen­ tios. 13Depois que eles terminaram, Tiago tomou a palavra e disse: — Irmãos, ouçam o que tenho a dizer. l4Simão aca­ ba de relatar como, primeiramente, Deus visitou os gentios, a fim de constituir entre eles um povo para o seu nome. l5Conferem com isto as palavras dos pro­ fetas, como está escrito: 16 "Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; reedificarei as suas ruínas e o restaurarei. 17 Para que os demais homens busquem o Senhor, e também todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome, 18 diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde os tempos antigos."^ 19— Por isso, julgo que não devemos perturbar aqueles que, entre os gentios, se convertem a Deus, 20mas escrever-lhes que se abstenham das contami­ nações dos ídolos,3 bem como das relações sexuais ilícitas," da carne de animais sufocados e do sangue.' 21Porque Moisés tem, em cada cidade, desde tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados. A decisão enviada a Antioquia 22Então pareceu bem aos apóstolos e aos presbíte­ ros, com toda a igreja, eleger alguns homens dentre *15.7 At 10.1-43 *15.8 At 10.44 *A t2.4 *15.11 Ef2.5 *15.16-18 Am 9.11-12 915.20 Êx 34.15-17 *Lv 18.6-23 'Lv 17.10-16 15.2 Paulo e Barnabé. Ainda que Antioquia fosse a igreja que Barnabé fundou, onde ele era o pastor titular e de onde saiu como líder da equipe missionária, Paulo aparece primeiro aqui (cf. n. 12.25). Aparentemente, Barnabé tinha prazer em elevá-lo apesar de todos estes fatores, afirmando a sua liderança. Cf. n. M t 20.28. presbíteros. Cf. vs. 4,6,22-23; 16.4; 20.17,28; 21.18; ITm 4.14; n. 1Tm 3.1. 15.3 causaram grande alegria. Cf. v. 31; n. 8.8. E você? Causa alegria por onde vai? 15.5 alguns... dos fariseus. Sincretismo, misturando sua reli­ gião anterior de obras com o evangelho da graça. Quando pes­ soas de outra religião ou até de outra denominação chegam à igreja, suas perspectivas diferentes podem trazer uma força ou uma debilidade à igreja atual. Uma planta híbrida geralmente é mais forte por misturar duas qualidades boas. Quando as duas partes conseguem juntar as qualidades boas, o resultado pode ser melhor do que as duas partes separadas. Devemos estar atentos aos pontos fortes que cada um oferece. 15.7 Havendo grande debate. O que permitia ampla expres­ são de perspectivas diversas. 15.7-11 Pedro se expressa de forma bem mais madura que an­ tes (10.9); ao mesmo tempo, se este encontro é o relatado em Gl 2.1-10, ele ainda tinha que crescer nesta perspectiva (Gl 2.11-16). É lindo ver que Deus é paciente em nos ajudar a crescer à medida em que vamos ficando prontos para isso. 15.8 Deus, que conhece os corações. Cf. Pv 4.23; 1Sm 16.6-7. o Espírito Santo (v. 28). A presença do Espírito, seus dons e fruto (cf. n. Gl 5.22-23) são a marca fundamental do discípulo verdadeiro. Cf. n. 1.2. 15.12 Barnabé e Paulo. Cf. v. 25. Em Jerusalém e entre os apósto­ los, Barnabé era muito querido e tinha proeminência ou liderança maior. 15.13-21 Tiago. Cf. n. 12.17. Todo presbitério, todo colegiado, toda equipe, precisa de um líder. Sem isso se paralisa. Algumas igrejas, na paixão pelo conceito de equipe ou colegiado, insistem em todos terem voz igual. Na prática, alguém tem uma voz maior, ainda que na teoria todos tenham voz igual. Mas, se essa pessoa não é reco­ nhecida, cedo ou tarde haverá feridas, conflitos e divisão. 15.22 Este versículo, juntamente com a liderança de Tiago no parágrafo anterior, nos dá luz quanto ao governo saudável na
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    atos 15 —16 220 eles e enviá-los a Antioquia, juntamente com Paulo e Barnabé. Foram eleitos Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos. 23Mandaram por eles a seguinte carta: "Os irmãos, tanto os apóstolos como os presbíte­ ros, aos irmãos gentios em Antioquia,1 Síria e Cili­ cia, saudações. 24Visto sabermos que alguns que saíram de nos­ so meio, sem nenhuma autorização, perturbaram vocês com palavras, transtornando a mente de vo­ cês, 25pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, eleger alguns homens e enviá-los a vocês com os nossos amados Barnabé e Paulo, 26homens que têm arriscado a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27Portanto, estamos enviando Judas e Silas, os quais pessoalmente lhes dirão as mesmas coisas. 28Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês maior encargo além destas coisas essenciais: 29que vocês se abstenham das coisas sa­ crificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; se evitarem essas coisas, farão bem. Passem bem.” A leitura da m ensagem 30 Os que foram enviados partiram para Antioquia e, tendo reunido a comunidade, entregaram a carta. 31Quando a leram, ficaram muito alegres pelo consolo recebido. 32judas e Silas, que eram também profetas, 115.23 Capital da Síria 2 15.34 o texto entre colchetes se encontra apenas em manuscritos mais recentes 715.38 At 13.13 consolaram os irmãos com muitos conselhos e os for­ taleceram. 33Tendo-se demorado ali por algum tempo, os irmãos deixaram que voltassem em paz aos que os enviaram. 34[Mas pareceu bem a Silas permanecer ali.]2 35Paulo e Barnabé demoraram-se em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor. A segunda viagem m issionária. Separação entre Paulo e Barnabé 36Alguns dias depois, Paulo disse a Barnabé: — Voltemos, agora, para visitar os irmãos em to­ das as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão. 37Barnabé queria levar também João, chamado Mar­ cos. 38Mas Paulo não achava justo levar aquele que tinha se afastado deles1 desde a Panfília, não os acom­ panhando no trabalho. 39Houve tal desavença entre eles, que vieram a separar-se. Então Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre. 40 Mas Paulo, tendo escolhido Silas, partiu, encomendado pelos ir­ mãos à graça do Senhor. 41E passou pela Síria e Cilicia, fortalecendo as igrejas. Paulo leva Tim óteo consigo Paulo chegou também a Derbe e a Listra. Havia ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego. 20s irmãos em Listra e Icônio davam bom testemunho dele. 3Paulo queria que Timóteo fosse em sua companhia e, por isso, circun­ cidou-o por causa dos judeus daqueles lugares; pois to­ dos sabiam que o pai dele era grego. 4Ao passar pelas cidades, entregavam aos irmãos, para que as observas- igreja. O ideal é que haja uma combinação dos tipos episcopal (liderança de um indivíduo com graça especial), presbiteriana (colegiado ou equipe) e congregacional (no qual todos têm voz). Faz mal para a igreja quando qualquer dessas três vozes é amarrada ou ignorada. Normalmente, propostas devem fluir do líder principal para sua equipe, sendo refinadas ou modificadas na equipe até que haja consenso e, então, passadas para a as­ sembleia (às vezes passando pelo círculo de liderança secun­ dária primeiro), onde normalmente haverá consenso de novo, como também a opção de refinar ou modificar. A chave é que 0 Espírito Santo flua em todas as esferas (v. 28). 15.23 o seguinte carta. Quando existe um assunto delicado, pode ser importante colocar a solução de forma escrita. Ao mesmo tempo, é importante que haja pessoas maduras envol­ vidas no processo que saibam interpretar palavras objetivas (v. 27) no mover e no poder do Espírito (vs. 25,28,30-32). 15.24 Quando existem conflitos que atingem a igreja, a lideran­ ça tem de se pronunciar. Não fazendo isso, a igreja será vulne­ rável a divisões e pode até se autodestruir. 15.32 profetas, consolaram. Quebra de paradigma. Profetas maduros sabem usar a verdade para consolar e encorajar, não apenas para desafiar e confrontar. 15.35 Paulo e Barnabé. Cf. v. 36. De volta a Antioquia, Barnabé apoia a liderança de Paulo de novo, no momento de um confli­ to terrível (vs. 37-41). Após 0 v. 39, não se menciona Barnabé de novo no Livro de Atos. Para a retomada da história, cf. ns. Cl 4.10; Fm 23-24; 2Tm 4.9-11. 15.36 Dando seguimento (v. 41; 16.4-5). Cf. ns. 14.21; Lc 11.24-26. 15.37-40 Barnabé tem olhos de discernimento para acolher e elevar 0 rejeitado, como fez com Paulo anteriormente (9.26-28; 11.25-26). Paulo não teve suficiente graça para ver que João Marcos havia crescido desde sua falha anterior (v. 38; 13.13). 15.40 tendo escolhido Silas. Cf. vs. 22,27,32,34,40; 16.19. Pau­ lo sempre trabalhava em equipe. Cf. n. 20.4. 16.1-2 a Derbe e a Listra. Cidades visitadas na primeira viagem missionária e de novo agora, no início da segunda viagem. Dentro da região da Galácia, base para a primeira carta de Paulo, a Carta aos Gálatas. Timóteo. Início da relação de pai e filho espirituais (cf. ns. 1Tm 1.2-3.11), a mais preciosa que qualquer dos dois teria para 0 resto da vida. Tal relação é rara, sendo um presente divino. Aqui iniciou 0 que floresceu na primeira e na segunda Carta de Paulo a Timóteo, umajudia crente. Cf. 2Tm 3.14-15; n. 5.1; 2Tm 1.5. 16.3 Paulo queria que. Cf. 17.14-15; n. Mc 3.13. circuncidou-o. Cf. n. 1Co 9.19-20.
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    221 Atos 16 sem,as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros de Jerusalém. 5Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número. A visão em Trôade 6E percorreram a região ffígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia. 7Chegando perto de Mísia, tentaram ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus0 não o permitiu. «E, tendo contornado Mísia, foram a Trôade. 9À noite, Paulo teve uma visão na qual um homem da Macedônia estava em pé e lhe rogava, dizendo: — Passe à Macedônia e ajude-nos. lOAssim que Paulo teve a visão, imediatamente pro­ curamos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho. Paulo em Filipos. A conversão de Lídia 11Tendo, pois, navegado de Trôade, fomos direta­ mente para Samotrácia e, no dia seguinte, a Neápolis. 12Dali fomos a Filipos, cidade da Macedônia, primeira do distrito e colónia. Nesta cidade, permanecemos al­ guns dias. 13No sábado, saímos da cidade para a beira do rio, onde nos pareceu haver um lugar de oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que se haviam reunido ali. 14Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. 15Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos fez este pedido: — Se julgam que eu sou fiel ao Senhor, venham fi­ car na minha casa. E nos constrangeu a isso. A cura de um a jovem adivinhadora i6Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, veio ao nosso encontro uma jovem possuída de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus donos. 17Seguindo a Paulo e a nós, gritava, dizendo: — Estes homens são servos do Deus Altíssimo e anunciam a vocês o caminho da salvação. 16.5 e, dia a dia, aumentavam em número. Cf. n. 6.1. 16.6-10 tendo sido impedidos pelo Espírito Santo. Cf. n. 1.2. Duas vezes (vs. 6-7; Rm 1.13; 15.22) antes de discernir a nova direção de Deus (vs. 9-10). Discernir quando empecilhos vêm do Espírito, quando do inimigo e quando apenas das circuns­ tâncias é algo que requer bastante sensibilidade. É fundamen­ tal para saber se devemos nos submeter aos impedimentos ou lutar para superá-los. Deus pode direcionar um barco que está movendo. 16.12 Filipos. Cidade estratégica. Base para a Carta aos Fili- penses. A maioria das Cartas de Paulo surge das igrejas e rela­ ções estabelecidas nesta segunda viagem missionária. 16.13-14 falamos às mulheres... Certa mulher, chamada Lídia. Cf. n. 5.1. temente a Deus. Cf. 10.2,22; 18.7; Pv 1.7. es- l81sto se repetiu por muitos dias. Então Paulo, já indignado, voltando-se, disse ao espírito: — Em nome de Jesus Cristo, eu ordeno que você saia dela. E ele, na mesma hora, saiu. Paulo e Silas são açoitados e presos i9Quando os donos da jovem viram que se havia desfeito a esperança do lucro, agarraram Paulo e Si­ las e os arrastaram para a praça, à presença das auto­ ridades. 20E, levando-os aos magistrados, disseram: — Estes homens, sendo judeus, perturbam a nos­ sa cidade, 21propagando costumes que não podemos aceitar, nem praticar, porque somos romanos. 22Então a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoitá-los com varas. 23E, depois de lhes darem mui­ tos açoites, os lançaram na prisão, ordenando ao car­ cereiro que os guardasse com toda a segurança. 24Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e prendeu os pés deles no tronco. 25Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e can­ tavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. 26De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; todas as portas se abriram e as correntes de todos os presos se soltaram. A conversão do carcereiro 27O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas as portas da prisão, puxando da espada, ia suicidar- -se, pois pensou que os presos tinham fugido. 28Mas Paulo gritou bem alto: — Não faça nenhum mal a si mesmo! Estamos to­ dos aqui. 29Então o carcereiro, tendo pedido uma luz, en­ trou correndo e, trémulo, prostrou-se diante de Pau­ lo e Silas. 30Depois, trazendo-os para fora, disse: — Senhores, que devo fazer para que seja salvo? <>16.7 Rm 8.9; Gl 4.6; Fp 1.19 cutava. Uma linda mistura de aspectos humanos e intervenção divina, levando-a à salvação. 16.15 Depois de ser batizada. Cf. v. 33; n. 2.41 ela e toda a sua casa. Cf. vs. 31-34; 10.24-25. venham ficar na minha casa. Graça hospitaleira. 16.19 Silas. Cf. vs. 22,25,29; 17.10,14-15; 18.5. 16.25 Oravam e cantavam louvores. Que resposta incrível ao açoite e à injustiça! Cf. n. Mt 5.12. 16.28 Estamos todos aqui. Parece que Paulo exerceu algum tipo de autoridade espiritual sobre os outros presos. Ele se importou mais com a vida do carcereiro do que com sua própria liberdade. 16.30 que devo fazer para que seja salvo1 Possivelmente a maior pergunta que qualquer um pode fazer. Cf. med. Mc 8.14-21,
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    atos 16 —17 222 31Eles responderam: — Creia no Senhor Jesus e você será salvo — você e toda a sua casa. 32E pregaram a palavra de Deus ao carcereiro e a to­ dos os que faziam parte da casa dele. 33Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. Logo a seguir, ele e todos os membros da casa dele foram batizados. 34Então, levando-os para a sua própria casa, deu-lhes de comer; e, com todos os seus, manifestava grande alegria por ter crido em Deus. Paulo e Silas livres da prisão 35Quando amanheceu, os magistrados enviaram ofi­ ciais de justiça, com a seguinte ordem para o carcereiro: — Ponha aqueles homens em liberdade. 36Então o carcereiro comunicou isso a Paulo, di­ zendo: — Os magistrados ordenaram que vocês fossem postos em liberdade. Agora, pois, saiam e vão em paz. 37Paulo, porém, lhes disse: — Sem ter havido processo formal contra nós, nos açoitaram publicamente e nos jogaram na cadeia, sendo nós cidadãos romanos. Querem agora nos mandar embora sem maior alarde? Nada disso! Pelo contrário, que eles venham e, pessoalmente, nos po­ nham em liberdade. 38Os oficiais de justiça comunicaram isso aos magis­ trados. Quando estes souberam que Paulo e Silas eram cidadãos romanos, ficaram com medo. 39Então foram até eles e lhes pediram desculpas; e, relaxando-lhes a prisão, pediram que se retirassem da cidade. 40Tendo saído da prisão, Paulo e Silas dirigiram-se para a casa de Lídia e, vendo os irmãos, os confortaram. Depois partiram. Paulo e Silas em Tessalônica Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, Pau­ lo e Silas chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga dos judeus. 2Paulo, segundo o seu cos- que explica o valor das duas perguntas diagnósticas que podem levar um não crente a fazer esta pergunta. 16.34 manifestava grande alegria. Cf. n. 8.8. 16.35-39 Sendo sábios ou prudentes como serpentes e símpli- ces como pombas (Mt 10.16). 16.40 confortaram. Mesmo tendo sofrido, ainda assim conforta­ ram a outros (2Co 1.3-7), novos convertidos que não tinham expe­ riência em sofrer por Jesus. Depois partiram. Lucas estava pre­ sente em Filipos (note a primeira pessoa do plural nos vs. 10-17). Ele não saiu de Filipos com Paulo. Para quem tem o coração ro­ mântico, dá para se perguntar se algo aconteceu entre Lídia e Lu­ cas. Quem sabe isso ajude a explicar a razão por que os filipenses amavam e apoiavam Paulo acima de qualquer outra igreja? 17.1-9 Tessalônica. Base para a Primeira e Segunda Carta aos Tessalonicenses. tume, foi procurá-los e, por três sábados, discutiu com eles a respeito das Escrituras, 3expondo e de­ monstrando ter sido necessário que o Cristo pade­ cesse e ressuscitasse dos mortos. Paulo dizia: — Este Jesus, que eu anuncio a vocês, é o Cristo. 4Alguns deles foram persuadidos e se juntaram a Paulo e Silas, bem como numerosa multidão de gregos piedosos e muitas mulheres importantes. 5Os judeus, porém, mo­ vidos de inveja, trazendo consigo alguns homens maus dentre a malandragem, reuniram uma multidão e pro­ vocaram um tumulto na cidade. E, atacando de surpresa a casa de Jasom, procuravam trazer Paulo e Silas para o meio do povo. 6Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos diante das autoridades, gritando: — Estes que promovem tumulto em todo o mun­ do chegaram também aqui, Te Jasom os hospedou na casa dele. Todos estes agem contra os decretos de Cé­ sar, dizendo que existe outro rei, chamado Jesus." 8Tanto a multidão como as autoridades ficaram agitadas ao ouvir estas palavras. 9Porém, depois de terem recebido deles a fiança estipulada, as autori­ dades soltaram Jasom e os outros. Paulo e Silas em Bereia 10 E logo, durante a noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Bereia. Ali chegados, dirigiram-se à sina­ goga dos judeus. HOra, estes de Bereia eram mais no­ bres do que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim. 12Com isso, muitos deles creram, mulheres gregas de alta po­ sição social e muitos homens. 13Mas, logo que os judeus de Tessalônica souberam que a palavra de Deus era anunciada por Paulo também em Bereia, foram lá agi­ tar e perturbar o povo. 14Então os irmãos fizeram com que Paulo fosse imediatamente para os lados do mar. Porém Silas e Timóteo continuaram em Bereia. 15Os responsáveis por Paulo levaram-no até Atenas e regres­ saram trazendo ordem a Silas e Timóteo para que fos­ sem encontrá-lo o mais depressa possível. 17.2 foi procurá-los. A iniciativa no evangelismo deve ser nos­ sa, saindo do aquário para pescar. Não devemos ficar aguar­ dando os peixes darem um pulo para dentro do nosso aquário! discutiu. Ou raciocinou. 17.3 A mensagem da ressurreição é central ao evangelho (vs. 3,18,31-32; 23.6,8; 24.15,21; 26.6-8,23). Cf. n. 4.2. 17.4 muitas mulheres importantes. Cf. v. 12; n 5.1. 17.6 Estes que promovem tumulto em todo o mundo. Qual seu efeito em seu mundo? Cf. n. M t 19.30. 17.7 e Jasom os hospedou. Cf. Mt 10.11; n. Mt 26.6 dizendo que existe outro rei, chamado Jesus. Cf. n. M t 19.30; Intro. Mt. 17.11 mais nobres. E você, é candidato a ser mais nobre se­ gundo a descrição aqui? 17.14-15 Silas e Timóteo. Paulo aprendeu de Barnabé a andar em equipe e se esforçou para fazer isso. Cf. n. 18.5.
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    223 ATOS 17 Odiscurso de Paulo em Atenas 16Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu es­ pírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade. 17Por isso, falava na sinagoga com os judeus e os gentios piedosos; também na praça, todos os dias, com os que se encontravam ali. 18E alguns dos filóso­ fos epicureus e estoicos discutiam com ele, havendo quem perguntasse: — Que quer dizer esse tagarela? Outros diziam: — Parece pregador de estranhos deuses. Diziam isso porque Paulo pregava Jesus e a ressur­ reição. 19 Então, tomando-o consigo, levaram-no ao Areó­ pago, dizendo: — Podemos saber que nova doutrina é essa que você ensina? 20Pois você nos traz aos ouvidos coisas estranhas e queremos saber o que vem a ser isso. 21Acontece que todos os de Atenas e os estran­ geiros residentes não se ocupavam com outra coisa senão dizer ou ouvir as últimas novidades. 22Então Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: — Senhores atenienses! Percebo que em tudo vocês são bastante religiosos, 23porque, andando pela ci­ dade e observando os objetos de culto que vocês têm, encontrei também um altar no qual aparece a seguin­ te inscrição: Ao Deus Desconhecido. Pois esse que vocês adoram sem conhecer é precisamente aquele que eu lhes anuncio. 24— O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em san­ tuários feitos por mãos humanas; 25nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse, pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais." 26De um só homem fez todas as nações da humanidade para habitarem sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação;0 27para buscarem Deus se, porventura, tateando, o possam achar, ainda que não es­ teja longe de cada um de nós; 28pois nele vivemos, nos movemos e existimos,3 como alguns dos poetas de vo­ cês disseram: "Porque dele também somos geração.”2 29Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pe­ dra, trabalhados pela arte e imaginação do homem.d 30Deus não levou em conta os tempos da ignorância,0 mas agora anuncia aos homens que todos, em toda parte, se arrependam. 31Porque Deus estabeleceu um dia em que julgará o mundo com justiça, por meio de um homem que escolheu.5 E deu certeza disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos. *>17.24-25 Is 42.5 <17.26 Dt 32.8 M 7.28 Frase inspirada no poeta Epimênides 2Frasede Arato 4-|7.29 Rm 1.23 e17.30 At 14.16 A c 24.47 917.31 At 10.42; Rm 2.16 17.16 seu espírito se revoltava. Outra versão diz que ele ficou profundamente indignado. Cf. n. Jo 11.33. “Descontentamento santo” em face da idolatria dominante na cidade. E qual a idolatria dominante na sua cidade? Materialismo, relativismo, individualismo, hedonismo, ativismo, produção, poder ou po­ pularidade? 17.18 havendo quem perguntasse. Não perguntas de um dis­ cípulo (cf. n. M t 13.36), mas baseadas em curiosidade intelec­ tual (vs. 19-21; cf. n. M t 2.1-6), que pode ou não levar à trans­ formação de vida (vs. 32-34; cf. n. Jo 5.39). Nota prática: nossas pregações e estudos bíblicos que não terminam em aplicação são piores que a perda de tempo. Pen­ samos que somos melhores e mais espirituais por ter ouvido ou estudado a Palavra. Quando não vivemos (praticamos) as verdades que recebemos, algo morre dentro de nós. Cf. n. M t 28.20; meds. M t 7.21-27; Tg 1.22-25; ns. Hb 5.11-14. 17.22-31 em tudo vocês sâo bastante religiosos. Cf. v. 22. É importante criar pontes, começando com os pontos forte dos outros. Mas isso requer observação (vs. 23,28), interpretação (vs. 23-27,29) e aplicação ou ação (vs. 30-31,34). Cf. n. At 3.25. 17.23 Ao D eus D e s c o n h e c id o . Apesar de Jesus fazê-lo co­ nhecido (Jo 1.14,18), discípulos saudáveis têm uma profunda convicção do mistério em relação a Deus, sabendo que ele é muito além do que conseguimos enxergar ou imaginar (v. 27). A profunda meditação sobre o caráter de Deus leva naturalmente a Isso. Quem não sente isso, provavelmente tem uma vida es­ piritual superficial. 17.26 fez todas as nações da humanidade. Outra tradu­ ção possível: “todos os povos”, havendo fixado os tempos. Do grego koirós: cf. n. Mc 1.15. previamente estabelecidos. Cf. Ec 3.11. e os limites da sua habitação. Os lugares exa­ tos em que deveriam habitar. Deus estabelece nações e suas fronteiras. 17.27 para buscarem Deus. Deus cria nações com o propósito de os homens o buscarem e o encontrarem. Noto prática: precisamos de mais pessoas como John Knox, famoso reformador que deu um grito: “Dá-me a Escócia ou eu morro!” Cada um tem uma esfera dentro da qual ministrar (cf. ns. 2Co 10.13-14). E cada um deve procurar juntar o mi­ nistério em sua esfera particular a um ministério numa esfera maior para contribuir para além de seu trabalho individual. Quem ministra numa casa deve se juntar a outros que minis­ tram numa igreja. Quem ministra numa igreja deve se juntar a outros no bairro ou na cidade; os do bairro ou da cidade, a outros no Estado; os do Estado, a outros na nação. Devemos orar por mais pessoas como John Knox, que tenham uma visão em nível nacional e possam alimentar, assessorar e apoiar os que estão numa esfera menor. 17.28 pois nele vivemos. Nele, não em nossa família, traba­ lho, ministério ou qualquer outra coisa. Se a nossa realização e o nosso bem-estar focam somente essas coisas, estaremos envolvidos em idolatria (cf. Sl 40.4; 1Jo 5.21). Cedo ou tarde, Deus, em sua misericórdia e ciúmes (Tg 4.5-6), nos quebrantará. 17.30 Deus... mas agora. Mas Deus! Cf. ns. 2.24; 10.28. se arrependam. Cf. ns. M t 3.1-3; 2Co 7.8-11. 17.33 Quando há pessoas resistentes e pessoas desejosas de aprender, é bom parar e retomar o assunto apenas com os que querem crescer.
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    ATOS 1 7— 18 224 Uns zom bam , outros creem 32Quando ouviram falar de ressurreição de mor­ tos, uns zombaram, e outros disseram: — A respeito disso ouviremos você em outra ocasião. 33A essa altura, Paulo se retirou do meio deles. 34Houve, porém, alguns homens que se juntaram a ele e creram; entre eles estava Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e, com eles, mais algumas pessoas. Paulo em Corinto Depois disso, deixando Atenas, Paulo foi a Co­ rinto. 2Lá, encontrou um judeu chamado Áqui- la, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália, com Priscila,0 sua mulher, porque o imperador Cláu­ dio havia decretado que todos os judeus deviam sair de Roma. Paulo aproximou-se deles. 3E, como tinham o mesmo ofício, passou a morar com eles e ali traba­ lhava. b 0 ofício deles era fazer tendas. 4E todos os sá­ bados falava na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos. Paulo anuncia Jesus 5Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo se entregou totalmente à palavra, testemunhando aos judeus que o Cristo é Jesus. 6Como eles se opuseram e blasfemaram, Paulo sacudiu as vestes e disse-lhes: — Que o sangue de vocês caia sobre a cabeça de vocês! Eu dele estou limpo e, a partir de agora, vou para os gentios. 7 Saindo dali, entrou na casa de um homem chamado Tício Justo, que era temente a Deus; a casa dele ficava ao lado da sinagoga. 8Crispo, o chefe da sinagoga, creu no Senhor, com toda a sua casa; também muitos dos coríntios, ouvindo, creram e foram batizados. 9Certa noite Paulo teve uma visão em que o Senhor lhe disse: «18.2 At 18.18,26; Rm 16.3; 1Co 16.19; 2Tm 4.19 <>18.3 ICo 4.12; ITs 2.9 <18.18 Nm 6.18 17.34 Dâmaris. Cf. n. 5.1. 18.1-18 Corinto. Base para a Primeira e a Segunda Carta aos Coríntios. 18.2 Áquila... com Priscila. Cf. vs. 18,26; n. 5.1. 18.3 fazer tendas. A única menção a Paulo fazer tendas na Bíblia é esta, mas houve muitas vezes em que ele traba­ lhou para se sustentar e não ser um peso para outros (20.34; ICo 4.12; 1Ts 2.9; 2Ts 3.8). O fato de Paulo ser um fazedor de tendas é um poderoso modelo para pessoas profissionais, a fim de que aproveitem seu negócio ou profissão, especial­ mente nos muitos países onde não é possível atuar como mis­ sionário. Nota prática: fariseus foram obrigados a ter uma profissão. Esse conceito pode ser muito útil para jovens que querem en­ trar no ministério. É excelente ter opções de sustento, e não se — Não tenha medo! Pelo contrário, fale e não fique calado, 18porque eu estou com você, e ninguém ousa­ rá lhe fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade. 11E ali permaneceu um ano e seis meses, ensi­ nando entre eles a palavra de Deus. Paulo diante de Gálio 12Quando Gálio era procônsul da Acaia, os judeus, de comum acordo, se levantaram contra Paulo e o le­ varam ao tribunal, l3dizendo: — Este homem quer persuadir as pessoas a ado­ rar a Deus de um modo contrário à lei. l4Quando Paulo ia falar, Gálio disse aos judeus: — Se fosse, de fato, alguma injustiça ou crime de maior gravidade, ó judeus, eu teria motivo para aco­ lher a queixa que vocês estão trazendo. l5Mas como é uma questão de palavras, de nomes e da própria lei de vocês, resolvam isso vocês mesmos; eu não quero ser juiz dessas coisas! 16E os expulsou do tribunal. 17Então todos agarraram Sóstenes, o chefe da sinagoga, e começaram a espancá- -lo diante do tribunal; Gálio, todavia, não se incomodava com estas coisas. O final da segunda viagem m issionária de Paulo l8Paulo ficou ainda muitos dias em Corinto. Por fim, despedindo-se dos irmãos, navegou para a Síria, le­ vando em sua companhia Priscila e Áquila. Antes de embarcar, rapou a cabeça0 em Cencreia, porque tinha feito um voto. l9Quando chegaram a Éfeso, Paulo os deixou ali; ele, porém, entrando na sinagoga, pregava aos judeus. 20Pediram-lhe que ficasse mais algum tem­ po, mas Paulo não quis. 21Ao se despedir, disse: — Se Deus quiser, virei visitá-los outra vez. E, embarcando, partiu de Éfeso. 22Chegando a Cesa- reia, foi logo para Jerusalém. E, tendo saudado a igreja, seguiu para Antioquia. 23Havendo passado ali algum tempo, saiu, atravessando sucessivamente a região da Galácia e Frigia, fortalecendo todos os discípulos. sentir preso ou amarrado ao sustento da igreja, ou seja, sem escolha. 18.4-5 todos os sábados falava na sinagoga. Quase parado, fazendo muito pouco! se entregou totalmente à palavra. Mudança radical! Chegando sua equipe, ele se entregou. Cf. n. 20.4; n.2Co 2.12-13. 18.6 Paulo sacudiu as vestes. Cf. 13.46-48; n. M t 10.14. 18.7 entrou na casa de... Tício Justo. Cf. n. M t 26.6 temente a Deus. Cf. Pv 1.7. 18.8 com toda a sua casa. Cf. n. 10.24-25. 18.10 eu estou com você. Uma presença protetora e também de unção especial. Cf. última n. M t 28.20. 18.20 não quis. Parecido a Jesus em Mc 1.35-39. 18.22-23 Antioquia. Cf. 14.26-28; n. 13.1-2. fortalecendo todos os discípulos. Dando seguimento à obra. Cf. n. 14.21.
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    225 ATOS 18 — 19 A terceira viagem m issionária de Paulo. Apoio em Éfeso 2<Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu, natu­ ral de Alexandria, chamado Apoio, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. 25Ele era instruído no cami­ nho do Senhor; e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus, conhecendo apenas o batismo de João. 26Ele começou a falar ousa­ damente na sinagoga. Quando Priscila e Áquila ouvi­ ram Apoio, levaram-no consigo e, com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus. 27Quando Apoio resolveu percorrer a Acaia, os irmãos o animaram e es­ creveram aos discípulos para que o recebessem bem. Tendo chegado, auxiliou muito aqueles que, mediante a graça, haviam crido; 28porque, com grande poder, convencia publicamente os judeus, provando, por meio das Escrituras, que Jesus era o Cristo. Paulo em Éfeso Aconteceu que, enquanto Apoio estava em Co­ rinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso. Encontrando ali alguns discípu­ los, 2perguntou-lhes: — Vocês receberam o Espírito Santo quando creram? Ao que eles responderam: — Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. 3 Paulo perguntou: — Então que batismo vocês receberam? Eles responderam: — 0 batismo de João. 18.24-26 Apoio. Estes versículos indicam pelo menos oito ca- racterísticas deste homem cheio de graça - bem parecido com Paulo em diversos sentidos. Pouco depois os dois tiveram um desentendimento. Cf. n. ICo 16.12. 18.26 Priscila e Áquila. Cf. med. 18.1-4. levaram-no consigo. Sugere um acolhimento especial. Outras versões falam em convidá-lo para sua casa. e... lhe expuseram. Indica graça da parte de Priscila e Áquila, como também um espírito ensinável da parte de Apoio. 18.27 os irmãos o animaram e escreveram aos discípulos para que o recebessem bem. Passou a ser parte da família, da igreja, com a ajuda de Priscila e Áquila. auxiliou muitos. Ser­ vindo e auxiliando, não se colocando acima. 18.28 Juntando poder com profunda compreensão das Escritu­ ras! Quantas vezes caímos em ressaltar um ou outro? Que possa­ mos ter mais pessoas como Apoio! E mais pessoas como Priscila e Áquila para os mentorear e colocar firmemente no caminho certo! 19.1-41 Éfeso. Cf. 20.16-38. Base para a Carta de Paulo aos Efésios, enviada para essa cidade e região. A história dessa igreja continua nas entrelinhas da Primeira e Segunda Carta a Timóteo, uma vez que Timóteo cuidava dessa igreja. Ainda assim, teve problemas espirituais sérios (Ap 2.1-7). Aparente­ mente ele se arrependeu, porque chegou a ser uma das sete sedes da Igreja Primitiva nos primeiros quatro séculos da Igreja. 19.2 Quantos crentes hoje em dia têm um estilo de vida que ecoa 4Paulo explicou: — João realizou batismo0 de arrependimento, di­ zendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. 5Eles, tendo ouvido isto, foram batizados no nome do Senhor Jesus. 6E, quando Paulo lhes impôs as mãos, o Es­ pírito Santo veio sobre eles, e tanto falavam em línguas como profetizavam. 7Eram, ao todo, uns doze homens. Paulo na escola de Tirano 8 Durante três meses, Paulo frequentou a sinagoga onde falava ousadamente, discutindo e persuadindo com respeito ao Reino de Deus. 9Mas como alguns deles se mostravam teimosos e descrentes, falando mal do Ca­ minho0 diante da multidão, Paulo se afastou deles. E, le­ vando consigo os discípulos, passou a falar diariamente na escola de Tirano. 10Paulo fez isso durante dois anos, de modo que todos os habitantes da província da Ásia ouviram a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos. Os filhos de Ceva 11 Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraor dinários, 12a ponto de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal,0 diante dos quais as en­ fermidades fugiam das suas vítimas, e os espíritos malignos se retiravam. 13E alguns judeus, exorcistas ambulantes, tentaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre pessoas possuídas de espíritos malignos, dizendo: «19.4 Mt 3.11; Mc 1.4.7-8; Lc 3.4,16; Jo 1.26-27 * 19.9 At 9.2 C19.12 At 5.15 a resposta destes discípulos? Quando foi a última vez que Deus ministrou em sua ida de forma sobrenatural, que não poderia ser explicada de qualquer outra maneira? E qual foi a última vez que Deus o usou dessa forma na vida de outra pessoa? 19.4 O batismo de João se baseava em arrependimento (cf. n. 2.38). Ai de nós quando nossos batismos nem chegam a esse nível, ou seja. as pessoas entram na igreja sem nenhuma mu­ dança real ou significativa em seu estilo de vida! 19.6 E, quando Paulo lhes impôs as mãos. Cf. n. 6.6. o Es­ pírito Santo veio sobre eles. Cf. n. At 1.2; Intro. falavam em línguas. Cf. n. 1Co 14.5. como profetizavam. Cf. n. 1Co 14.1. 19.7 doze homens. ' Pequeno é formoso.” Cf. n. M t 14.17. Mui­ tas vezes queremos ganhar muitos, e ficamos com poucos. Je­ sus e Paulo sabiam ganhar poucos e discipulá-los para alcançar muitos por meio deles (v. 10). 19.8 com respeito ao Reino de Deus. Cf. n. M t 19.30; Intro. Mt. 19.9 do Caminho. Cf. v. 23; penúltima nota em 9.1-2. levando consigo os discípulos. Cf. n. 17.33. 19.11-12 Cf. n. 1Co 4.20. 19.13-17 Deus não tem netos. Não adianta procurar caminhar pela fé ou pela experiência de outra pessoa. Temos de ser filhos de Deus, com uma intimidade pessoal com ele por meio de Je­ sus. Podemos e devemos aprender de outros, mas o que apren­ demos tem de ser integrado à nossa própria vida, não apenas ficar como entendimento intelectual.
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    Atos 19 —20 226 — Ordeno que saiam pelo poder de Jesus, a quem Paulo prega. 1 4 0 s que faziam isto eram sete filhos de um judeu chamado Ceva, sumo sacerdote. 15Mas o espírito ma­ ligno lhes respondeu: — Conheço Jesus e sei quem é Paulo; mas vocês, quem são? 16E o possuído do espírito maligno saltou sobre eles, dominando a todos e, de tal modo prevaleceu contra eles, que, nus e feridos, fugiram daquela casa. 17Este fato chegou ao conhecimento de todos os moradores de Éfeso, tanto judeus como gregos. Veio temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrande­ cido. 18Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. i9Também muitos dos que haviam praticado magia, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculado o valor dos livros, verificaram que chegava a cinquenta mil denários.120Assim, a palavra do Senhor cresciade prevalecia poderosamente. Paulo envia Tim óteo e Erasto para a M acedônia 21Depois destas coisas, Paulo resolveu, no seu es­ pírito, ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e Acaia. Ele dizia: — Depois de passar por Jerusalém, preciso ir tam­ bém a Roma. 22Tendo enviado à Macedônia dois daqueles que o ajudavam, a saber, Timóteo e Erasto, permaneceu algum tempo na província da Ásia. O tum ulto em Éfeso 23Por esse tempo, houve grande tumulto em Éfeso por causa do Caminho.e24Pois um ourives, chamado De- métrio, que fazia, de prata, modelos do templo de Diana e que dava muito lucro aos artífices, 25convocando-os juntamente com outros do mesmo ofício, disse-lhes: — Senhores, vocês sabem que deste ofício vem a nos­ sa prosperidade. 26 E agora vocês estão vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas em quase toda a província da Ásia, este Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente, afirmando que os deuses feitos por mãos humanas não são deuses de verdade/ 27Não somente 119.19 Moeda romana de prata, que era o pagamento por um dia detrabalho <<19.20At 6.7; 12.24 «19.23 At 9.2; 19.9 <19.26 S1115.4; Is 44.10 19.17 Veio temor sobre todos eles. Cf. Pv 1.7. 19.18-19 Frutos de arrependimento ou restituição. Cf. Êx 22.1-17. 19.20 crescia e prevalecia poderosamente. Cf. n. 6.1. 19.22 dois daqueles que o ajudavam. Que frase extraordiná­ ria! Paulo não apenas ajudava as pessoas, mas ainda assegura- há o perigo de que o nosso negócio caia em descrédito, como também de que o próprio templo da grande deu­ sa Diana seja considerado sem valor, e que até venha a ser destruída a majestade daquela que toda a província da Ásia e o mundo adoram. 28 Ouvindo isto, ficaram furiosos e começaram a gritar: — Grande é a Diana dos efésios! 29A confusão se espalhou pela cidade, e todos jun­ tos foram correndo para o teatro, arrastando consigo os macedônios Gaio e Aristarco, companheiros de Paulo. 30Quando Paulo quis apresentar-se ao povo, os discípulos não o permitiram. 31 Também algumas auto­ ridades da província, que eram amigos de Paulo, man­ daram um recado, pedindo que ele não se arriscasse indo ao teatro. 32 Uns, pois, gritavam de uma forma; ou­ tros, de outra; porque a assembleia tinha virado uma confusão. E, na sua maior parte, nem sabiam por que motivo estavam reunidos. 33Então tiraram Alexandre do meio da multidão, e os judeus o empurraram para a frente. Este, acenando com a mão, queria falar ao povo. 34Quando, porém, reconheceram que ele era judeu, to­ dos, a uma voz, gritaram durante quase duas horas: — Grande é a Diana dos efésios! 350 escrivão da cidade, tendo apaziguado o povo, disse: — Senhores efésios, quem não sabe que a cidade de Éfeso é a guardiã do templo da grande Diana e da imagem que caiu do céu? 36Ora, não podendo isto ser contestado, convém que vocês se mantenham calmos e não façam nada de forma precipitada; 37porque estes homens que vocês trouxeram para cá não profanaram o templo, nem blasfemam contra a nossa deusa. 38Por­ tanto, se Demétrio e os artífices que o acompanham têm alguma queixa contra alguém, saibam que exis­ tem os tribunais e os procônsules; que se acusem uns aos outros ali. 39Mas, se vocês estão pleiteando alguma outra coisa, isso será decidido em assembleia regular. 40Porque também corremos o risco de sermos, hoje, acusados de revolta, não havendo motivo algum que possamos alegar para justificar este ajuntamento. 41E, havendo dito isto, dissolveu a assembleia. De novo, Paulo visita a M acedônia e a G récia Cessado o tumulto, Paulo mandou chamar os discípulos e, tendo-os encorajado, despediu- -se e foi para a Macedônia. 2Havendo atravessado aquelas terras, fortalecendo os discípulos com muitas va que houvesse pessoas que o ajudassem, que cuidassem dele (27.3; cf. n. 2Co 2.12-13). 19.30 os discípulos não o permitiram. Há momentos em que pastores e outros líderes precisam se submeter à sabedoria dos membros da igreja. Cf. n. At 15.22. 20.1 tendo-os encorajado. Cf. v. 12. Paulo recebeu ameaça de
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    227 Atos 20 exortações,dirigiu-se para a Grécia, 3onde se demo­ rou três meses. Tendo havido uma conspiração por parte dos judeus contra ele, quando estava para em­ barcar rumo à Síria, decidiu voltar pela Macedônia. 4Acompanharam-no Sópatro, de Bereia, filho de Pirro; Aristarco e Secundo, de Tessalônica; Gaio, de Derbe; Timóteo; e também Tíquico e Trófímo, da província da Ásia. 5Estes nos precederam, ficando à nossa espera em Trôade. 6Depois dos dias dos pães asmos, navega­ mos de Filipos e, em cinco dias, nos encontramos com eles em Trôade, onde passamos uma semana. Paulo em Trôade 7No primeiro dia da semana, nós nos reunimos com o fim de partir o pão. Paulo, que pretendia viajar no dia seguinte, falava aos irmãos e prolongou a mensagem até a meia-noite. 8Havia muitas lâmpadas no cenáculo onde estávamos reunidos. 9Um jovem, chamado Êutico, que estava sentado numa janela, adormecendo pro­ fundamente durante a prolongada mensagem de Pau­ lo, vencido pelo sono, caiu do terceiro andar abaixo. Quando o levantaram, estava morto. 10Descendo, po­ rém, Paulo inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: — Não fiquem alvoroçados, pois ele está vivo. 11 Subindo de novo, Paulo partiu o pão e comeu. E lhes falou ainda muito tempo até o amanhecer. E, assim, partiu. 12Então conduziram vivo o rapaz e sentiram-se grandemente confortados. Paulo em barca em Assôs. C hega a M ileto 13NÓS, porém, prosseguindo, embarcamos e nave­ gamos para Assôs, onde devíamos receber Paulo, por­ que assim nos havia sido determinado, devendo ele ir por terra. 14 Quando se reuniu conosco em Assôs, nós o recebemos a bordo e fomos a Mitilene. l5Dali, na­ vegando, no dia seguinte passamos diante de Quios. Levamos mais um dia até Samos e, um dia depois, che­ gamos a Mileto. 16Paulo já tinha resolvido não aportar em Éfeso, pois não queria demorar-se na província da Ásia. Ele tinha pressa, pois queria, caso lhe fosse possí­ vel, passar o dia de Pentecostes em Jerusalém. Em M ileto, Paulo fala aos presbíteros da igreja de Éfeso 17De Mileto, Paulo enviou uma mensagem a Éfeso, pedindo aos presbíteros da igreja que se encontras­ sem com ele. 18E, quando chegaram, Paulo lhes disse: — Vocês sabem como me conduzi entre vocês em todo o tempo, desde o primeiro dia em que entrei na província da Ásia, 19servindo o Senhor com toda a hu­ mildade, com lágrimas e com as provações que me so­ brevieram pelas ciladas dos judeus, 20jamais deixando de anunciar o que fosse proveitoso e de ensinar isso a vocês publicamente e também de casa em casa, 21tes­ temunhando tanto a judeus como a gregos o arrepen­ dimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. 22E, agora, impelido pelo Espírito, vou para Je­ rusalém, não sabendo o que ali vai me acontecer, 23ex- ceto que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que prisões e sofrimentos estão à minha es­ pera. 24Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, desde que eu complete a minha carreira0 e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemu­ nhar o evangelho da graça de Deus. 25— E agora eu sei que todos vocês, em cujo meio pas­ sei pregando o Reino, não mais verão o meu rosto. 26Por­ tanto, no dia de hoje testifico diante de vocês que estou limpo do sangue de todos, 27porque jamais deixei de lhes anunciar todo o plano de DeusÁ 28Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho no qual o Espírito Santo “20.24 2Tm 4.7 *20.27 At 20.20 morte, mas ainda assim foi capaz de confortar e encorajar os outros. Cf. ns. 2Co 1.3-11. 20.4 Equipe. Cf. ns. 13.1; 15.13,21-22; 15.40; 18.4-5; Rm 16.3. Sete pessoas de cidades onde Paulo evangelizou. Sópatro, de Bereia. É mencionado apenas aqui. Aristarco. Cf. n. Cl 4.10. Secun­ do. Mencionado apenas aqui. Gaio. Cf. n. Rm 16.23. Timóteo. Cf. Intro. ITm. Tíquico. Cf. n. Ef 6.21. Trófimo. Cf. n. 2Tm 4.20 Os melhores membros de uma equipe geralmente são as pessoas que o próprio líder discipulou. Cf. At 16.6-10; 2Tm 4.9-22. 20.7 nos reunimos com o fim de partir o pão. Cf. 2.42,45. A expressão "partir o pão” não se refere a participar de uma re­ feição qualquer, e sim da Santa Ceia. Isso era parte normal do culto dominical da Igreja Primitiva, como ainda é praticado nas igrejas mais litúrgicas. 20.17 presbíteros. Cf. última n. 15.2. 20.19 Lucas ressalta três marcas do verdadeiro servo do Senhor aqui: (1) humildade, ou seja, ele serve de coração (cf. n. Mt 5.3); (2) lágrimas; ele serve com o coração (vs. 31,37; cf. n. Mt 5.4); e (3) provações, deixando seu coração ser forjado. 20.20 publicamente e também de casa em casa. Cf. n. 2.46. 20.21 arrependimento. Cf. ns. 2.38; 7.58. 20.22 impelido pelo Espírito. Cf. n. At 1.2; Intro. 20.23 prisões e sofrimentos. Os propósitos de Deus às vezes nos levam por vales profundos, não apenas picos de monta­ nhas (cf. ns. M t 4.1; Hb 11.35-38). 20.24 Espírito guerreiro (2Tm 2.3-4). Cf. Intro. 1Pe. em nada considero a vida preciosa para mim mesmo. Fp 3.7-11 desde que eu complete a minha carreira. Corrida; cf. Fp 3.12-14. o ministério que recebi do Senhor Jesus. Evocê, recebeu um mi­ nistério, um chamado dele? Está se entregando de corpo, alma e espírito para completá-lo? Cf. ns. Jo 17.4; 2Tm 4.7. 20.25 pregando o Reino. Cf. n. 8.12. 20.28 Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho. É um imperativo com dois aspectos sequenciais. Ninguém tem o di­ reito de cuidar de outros (rebanho) se não está sendo cuidado. Pastor que para de ser ovelha (receber cuidado pastoral) é de­ sobediente a este versículo e não deveria mais ser pastor. Cf. n. 1Tm 4.16. para pastorearem. Cf. Sl 78.72; Is 40.10-11; Jr 3.15;
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    ATOS 20 —21 228 os colocou como bispos, para pastorearemc a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.d 29Eu sei que, depois da minha partida, aparecerão no meio de vocês lobos vorazes, que não pouparão o re­ banho. 30 E que até mesmo entre vocês se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os dis­ cípulos atrás de si.e 31 Portanto, vigiem, lembrando que, durante três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, cada um de vocês. 32— Agora, pois, eu os entrego aos cuidados de Deus e à palavra da sua graça, que tem poder para edificá-los e dar herança entre todos os que são santificados. 33De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; 34vocês mesmos sabem que estas minhas mãos serviram para o que era necessário a mim e aos que estavam comigo. 35Em tudo tenho mostrado a vocês que, trabalhando as­ sim, é preciso socorrer os necessitados e lembrar das pa­ lavras do próprio Senhor Jesus: "Mais bem-aventurado é dar do que receber" Paulo ora com eles 36Tendo dito isso, ajoelhando-se, Paulo orou com todos eles. 37Então houve grande pranto entre to­ dos, e, abraçando Paulo, o beijavam, 38entristecidos especialmente pela palavra que ele tinha dito: que f20.28 IPe 5.2-3 ^Ef 1.7; IPe 1.19 «20.30 2Pe 2.1 ^20.38 At 20.25 “21.8 At 6.5; 8.5 não mais veriam o seu ro sto / E eles o acompanha­ ram até o navio. Paulo chega a Tiro Depois de nos separarmos deles, navegamos diretamente para a ilha de Cós. No dia seguin­ te, chegamos a Rodes, e dali fomos a Pátara. 2Encon­ trando um navio que ia para a Fenícia, embarcamos nele, seguindo viagem. 3Quando a ilha de Chipre já es­ tava à vista, deixando-a à esquerda, navegamos para a Síria e chegamos a Tiro, pois o navio devia ser descar­ regado ali. 4Encontrando os discípulos, permanece­ mos lá durante sete dias. Movidos pelo Espírito, eles recomendavam a Paulo que não fosse a Jerusalém. 5Passados aqueles dias, saímos para continuar a viagem. Todos os discípulos, cada um com a sua mu­ lher e os seus filhos, nos acompanharam até fora da cidade; e, ajoelhados na praia, oramos. 6Despedindo- -nos uns dos outros, embarcamos; e eles voltaram para casa. Paulo em C esareia 7Quanto a nós, concluindo a viagem iniciada em Tiro, chegamos a Ptolemaida, onde saudamos os ir­ mãos, passando um dia com eles. 8No dia seguinte, partimos e fomos para Cesareia. E, entrando na casa de Filipe,0 o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. 9Filipe tinha quatro filhas solteiras, que profetiza- M t 9.36; IPe 5.2. o igreja. Se não experimentarmos ser pasto­ reados, seremos aleijados em saber pastorear as pessoas, de Deus. A igreja não é nossa, é de Jesus. Somos apenas mordo­ mos cuidando em seu nome, prestando contas a ele. 20.29 lobos vorazes. Mt 7.15-23; 26.22-25. Existe um pouco de lobo dentro de cada um de nós (ICo 10.12; Hb 3.12-13). Noto prática: quando se tem uma equipe madura, é bom considerar fazer este exercício. Cada um anota três de suas características ou vulnerabilidades que poderiam destruir esse ministério. Depois, anota o mesmo para cada outra pessoa na equipe. Começando com o líder, cada um compartilha essas três características e depois ouve as características indicadas pelos outros. É um exercício duro, mas tem a tremenda vanta­ gem de permitir que andemos na luz e reconheçamos nossas fa­ lhas e potencial para destruição. Isso abre a porta para sermos acompanhados nessas áreas, o que seria impossível se nunca as reconhecêssemos ou confessássemos. 20.30 Toda igreja é vulnerável à divisão, a líderes que desen­ volvem lealdade somente a si mesmos, não a Jesus, ao pastor ou à igreja como um todo (Tt 3.10-11). Essa vulnerabilidade é exasperada e ampliada por eleições que colocam uma pessoa contra a outra. Nossos líderes devem ser indicados por seu ca­ ráter (1Tm 3), unção e chamado, não por sua popularidade ou habilidade de ganhar votos. 20.31 Portanto, vigiem. Fiquem alertas! Cf. ns. Mt 26.41; IPe 5.7-8. durante três anos, noite e dia... com lágrimas. Cf. 2Co 2.4. Lágrimas foram uma parte da vida cotidiana de Paulo ao tratar de questões difíceis na vida das pessoas. Este capítulo também indica que ele chorava diante das provações e perseguições (v. 19), como também as pessoas choravam de saudade ao se despedirem dele (vs. 36-38; 21.13). Cf. n. Jo 11.35. 20.33-35 Uma forte condenação aos que pensam que vão en­ riquecer por meio do ministério. O ministério não é para os que buscam prosperidade, e sim para os que buscam entrega sacri­ ficial em favor do Rei e do seu Reino. 20.36 ajoelhando-se. Cf. 9.40; 21.5. Não se colocando acima deles, mas, sim, ao seu lado.- 20.37-38 Múltiplas expressões de carinho. Como líderes, assim como Jesus e Paulo, devemos criar laços profundos, de coração com as pessoas. 21.4 Movidos pelo Espírito, eles recomendavam. Quando existe um aparente conflito entre o que o Espírito está dizendo por meio de outras pessoas e o que está dizendo para nós, se tem a ver com nossa vida pessoal, temos de seguir o que en­ tendemos que o Espírito está dizendo para nós. Este processo se repetiu múltiplas vezes (20.23) - a mais dramática acon­ teceria em seguida (vs. 11-14). Seria possível argumentar que Paulo errou, pagando o preço de cinco anos como prisioneiro (57-62 d.C.). Quer tenha acertado, quer tenha errado, o prin­ cípio de cada um ter a última palavra em relação a decisões pessoais é inviolável. Cf. ns. M t 23.37; ICo 16.12. 21.8 um dos sete. Cf. 6.3-6. Os sete tinham renome, um pouco parecido ao renome dos doze. Os cinco que lideravam a igreja de Antioquia foram ressaltados ao serem listados por nome (13.1). 21.9 quatro filhas solteiras. Cf. n. 5.1 que profetizavam. Cf. 2.17-18. Falavam pelo Espírito de Deus. Cf. n. 1Co 14.1.
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    229 ATOS 21 vam.mDemorando-nos ali alguns dias, veio da Judeia um profeta chamado Ágabo,fc Hque, aproximando-se de nós, pegou o cinto de Paulo e, amarrando com ele os próprios pés e mãos, declarou: — Assim diz o Espírito Santo: É isto que os judeus, em Jerusalém, farão ao dono deste cinto e o entrega­ rão nas mãos dos gentios. 12 Quando ouvimos estas palavras, tanto nós como os daquele lugar rogamos a Paulo que não fosse a Je­ rusalém. 13Mas ele respondeu: — O que estão fazendo, ao chorar assim e partir o meu coração? Pois estou pronto não só para ser pre­ so, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.c l4Como Paulo não se deixou persuadir, conforma­ dos, dissemos: — Seja feita a vontade do Senhor! 15Passados aqueles dias, tendo feito os preparati­ vos, fomos para Jerusalém. i6Alguns dos discípulos também vieram de Cesareia conosco, trazendo con­ sigo Mnasom, natural de Chipre, velho discípulo, com quem nos deveríamos hospedar. Paulo chega a Jerusalém l7Tendo nós chegado a Jerusalém, os irmãos nos receberam com alegria. 1 8 N o dia seguinte, Paulo foi conosco encontrar-se com Tiago, e todos os presbí­ teros se reuniram. 19E, tendo-os saudado, contou em detalhes o que Deus tinha feito entre os gentios por seu ministério. 20Ouvindo isso, eles deram glória a Deus e lhe disseram: — Você percebe, irmão, que há milhares de judeus que creram, e todos são zelosos da Lei. 21Eles foram informados que você ensina todos os judeus entre os gentios a apostatarem de Moisés,d dizendo-lhes que não devem circuncidar os filhos, nem andar segundo os costumes da Lei. 22Que se há de fazer, pois? Certa­ mente saberão que você já chegou. 23Faça, portanto, o que vamos dizer: Estão entre nós quatro homens que, voluntariamente, fizeram um voto; 24leve-os e purifique-see com eles e pague a despesa deles, para que rapem a cabeça; assim todos saberão que não procede a informação que receberam a respeito de você; e que, pelo contrário, você mesmo vive de con­ formidade com a lei. 25Quanto aos gentios que creram, já lhes transmitimos decisões^para que se abstenham das coisas sacrificadas a ídolos, do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas. 21.10 um profeta chamado Ágabo. Cf. 11.28. 21.13 Norteava-se em Deus, nâo nas pessoas. Consagrado (cf. ns. 20.24; Mc 8.35-36; 10.21). 21.18 Tiago. Cf. n. 12.17. presbíteros. Cf. n. 15.2. 21.19 contou em detalhes. Combinação de testemunho glori­ ficando a Deus (v. 20) e prestação de contas. 26Então Paulo, levando aqueles homens, no dia se­ guinte, tendo-se purificado com eles, entrou no templo, acertando o cumprimento dos dias da purificação, até que se fizesse a oferta em favor de cada um deles. Paulo é preso no tem plo 27Quando já estavam por findar os sete dias, os ju­ deus que tinham vindo da província da Ásia, ao ve­ rem Paulo no templo, alvoroçaram todo o povo e o agarraram, 28gritando: — Israelitas, socorro! Este é o homem que por toda parte anda ensinando todos a serem contra o povo, contra a Lei e contra este lugar. E mais ainda: introduziu até gregos no templo e profanou este re­ cinto sagrado. 29 Disseram isso, pois antes tinham visto Trófimo,3 o efésio, em sua companhia na cidade e pensavam que Paulo o havia levado para dentro do templo. 30 Agitou-se toda a cidade, e o povo veio correndo. Agarraram Paulo e o arrastaram para fora do templo; e imediatamente as portas foram fechadas. 31 Pro­ curando eles matá-lo, chegou ao conhecimento do comandante das tropas romanas que toda a Jerusa­ lém estava amotinada. 32Então este, levando logo sol­ dados e centuriões, correu para o meio do povo. Ao verem chegar o comandante e os soldados, pararam de espancar Paulo. 33Aproximando-se o comandante, apoderou-se de Paulo e ordenou que fosse amarrado com duas correntes. Então perguntou quem era e o que havia feito. 34Na multidão, uns gritavam uma coi­ sa, outros gritavam outra. Não podendo ele, porém, saber a verdade por causa do tumulto, ordenou que Paulo fosse recolhido à fortaleza. 3 5 Ao chegar às es­ cadas, foi preciso que os soldados o carregassem, por causa da violência da multidão, 36 pois a massa de povo o seguia gritando: — Mate-o! 37E, quando Paulo ia sendo recolhido à fortaleza, disse ao comandante: — Seria possível dizer algo para o senhor? O comandante respondeu: — Você sabe grego? 38Você não é, por acaso, aque­ le egípcio que algum tempo atrás começou uma re­ volta e levou quatro mil guerrilheiros para o deserto? *21.10 At 11.28 <21.13 At 9.16:20.24; Fp 2.17 *21.21 At 6.14 <21.24 Nm 6.13-20 *21.25 At 15.29 021.29 At 20.4 21.24 você mesmo vive de conformidade com a lei. Cf. ns. Rm 14.1-23; 1Co 9.19-23. 21.37 Você sabe grego? Biculturalismo (13.9), criando pontes, seja em grego, seja em hebraico (v. 40; 22.2; 26.14), seja com identidade de judeu (v. 39) ou de romano (22.25-29).
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    Atos 2 1— 22 230 39Paulo respondeu: — Eu sou judeu, natural de Tarso, uma importante cidade da Cilicia.h E peço ao senhor que me permita falar ao povo. 40Obtida a permissão, Paulo, em pé na escadaria, fez com a mão sinal ao povo. Fez-se grande silêncio, e ele falou em língua hebraica, dizendo: Paulo apresenta a sua defesa — Irmãos e pais, ouçam, agora, a minha de­ fesa diante de vocês. 2Quando ouviram que Paulo lhes falava em língua hebraica, fizeram mais silêncio ainda. Paulo continuou: 3— Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilicia, mas fui criado nesta cidade e aqui fui instruído aos pés de Gamaliel,a segundo o rigor da Lei de nossos ante­ passados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vocês o são no dia de hoje. 4Persegui este Ca­ minho* até a morte, prendendo homens e mulheres e lançando-os na cadeia. 5Disto são testemunhas o sumo sacerdote e todos os anciãos. Deles eu recebi cartas para os irmãos judeus de Damasco, e fui até lá para trazer amarrados a Jerusalém os que também lá estivessem, para serem punidos.c 6— Ora, aconteceu que, enquanto eu viajava, já perto de Damasco, quase ao meio-dia, repentinamen­ te, uma grande luz do céu brilhou ao redor de mim. 7Então caí por terra, ouvindo uma voz que me dizia: "Saulo, Saulo, por que você me persegue?" 8Pergun­ tei: "Quem é o senhor?” Ao que me respondeu: "Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem você persegue." 9— Os que estavam comigo viram a luz, sem, contudo, perceber o sentido da voz de quem falava comigo. lOEn- tão perguntei: "Senhor, o que devo fazer?” E o Senhor me disse: "Levante-se, entre em Damasco, onde lhe dirão tudo o que você precisa fazer” 11Tendo ficado cego por causa da intensidade daquela luz, guiado pela mão dos que estavam comigo, cheguei a Damasco. 12— Um homem chamado Ananias, piedoso conforme a Lei, tendo bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, i3veio procurar-me e, chegando perto de mim, *21.39 At 6.9; 9.11 «22.3 At 5.34-39 *22.4 At 9.2 «22.4-5At8.3 422.6-16 At 9.1-19 «22.20 At 7.58 122.21 At 9.15 disse: "Irmão Saulo, recupere a visão!” Nessa mesma hora, recuperei a visão e olhei para ele. l4Então ele disse: "O Deus de nossos pais escolheu você de antemão para conhecer a vontade dele, ver o Justo e ouvir a voz dele. 15Porque você terá de ser testemunha dele diante de to­ dos os homens, das coisas que você tem visto e ouvido. 16E agora, o que está esperando? Levante-se, receba o batismo e lave os seus pecados, invocando o nome dele.”* 17— Tendo eu voltado para Jerusalém, enquan­ to orava no templo, sobreveio-me um êxtase, I8e vi aquele que falava comigo: "Ande logo e saia imedia­ tamente de Jerusalém, porque não aceitarão o seu testemunho a meu respeito.” 19Eu disse: "Senhor, eles bem sabem que eu ia de sinagoga em sinagoga, pren­ dendo e açoitando os que criam em ti. 20Quando se derramava o sangue2 de Estêvão, tua testemunha, eu também estava presente, consentia nisso e até guar­ dei as capas dos que o matavam.” 21Mas ele me disse: "Vá, porque eu o enviarei para longe, aos gentios.”^ Paulo livra-se de ser açoitado 22Até este ponto a multidão ficou ouvindo. Mas quando Paulo disse isso, começaram a gritar bem alto: — Fora com ele! Mate-o, porque ele não merece viver! 23Enquanto eles gritavam, tiravam as suas capas e jogavam poeira para o ar, 24o comandante ordenou que Paulo fosse recolhido à fortaleza e que, sob açoite, fosse interrogado para saber por que motivo estavam gritando assim contra ele. 25Quando o estavam amar­ rando com correias, Paulo perguntou ao centurião que ali estava: — Será que vocês têm o direito de açoitar um ci­ dadão romano, sem que ele tenha sido condenado? 26Ouvindo isto, o centurião procurou o coman­ dante e lhe disse: — Que é isso que o senhor está prestes a fazer? Saiba que aquele homem é cidadão romano. 27Então o comandante veio e perguntou a Paulo: — Diga-me uma coisa: você é romano? Paulo respondeu: — Sou. 28 Aí o comandante disse: — Eu tive de gastar muito dinheiro para conseguir essa cidadania. 22.1 Irmãos e pais. Criando pontes (vs. 3-5; cf. n. 3.25). 22.3 aos pés de Gamaliel. Cf. 5.34. Paulo cresceu como dis­ cípulo, entendendo de dentro para fora a cultura do discipu- lado. 22.4 Persegui este Caminho. Cf. n. 9.1-2. 22.7-16 Cf. ns. 9.4-19. 22.16 o que está esperando? Levante-se, receba o batismo. Cf. n. At 2.41. 22.21-22 No evangelho, sempre chega a hora do confronto. Cf. n. 7.51. 22.26 Que é isso que o senhor está prestes a fazer? Um bom seguidor confronta seu líder quando percebe que está com problemas. Um bom mentor faz o mesmo, como também faz de todo verdadeiro cristão seu irmão (cf. ns. M t 18.15-17). 22.28 essa cidadania. Cf. 16.37-40. Evocê? Tem orgulho e ale­ gria de ser cidadão do Reino de Deus? Sabe seus direitos? Tem confiança de que a proteção do Rei sobre você ultrapassa a pro­ teção que Paulo tinha como cidadão romano? Arrisca-se a favor de seu Rei e do Reino, ou é tímido e cauteloso, escondendo sua verdadeira cidadania?
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    231 Atos 22— 23 C o m p a r t il h a n d o n o s s o s t e s t e m u n h o s At 22.1-21 (Estudo 1.1.1) 1. Quando foi a última vez que você compartilhou com um não crente a história de como você conheceu o Senhor? 2. De que forma Paulo criou pontes entre ele e seus ouvintes (vs. 1-5)? 3. Quantas perguntas se encontram na história de Paulo? O que elas acrescentam? 4. Quais indicações de uma profunda mudança de vida se encontram nesta passagem? 5. Compartilhe seu testemunho segundo a orientação abaixo. Estudo opcional: Rm 10.9-10,14-15; 2Co 12.7-10; Ef 3.20-21. Propósitos em compartilhar seu testemunho com a família de Deus Este é o primeiro de oito estudos na série sobre comunhão. Uma boa forma de se conhecer melhor é compartilhar seutestemunho de como e quando Deus setornou realmente pessoal e poderoso em suavida. Se sua conversão acon­ teceu durante a infância, pensetambém em outro momento especial em que Deus se manifestou deforma significativa e marcante para você. O propósito de você compartilhar seutestemunho diante de um grupo é que todos se conheçam melhor, e para você dar glória a Deus. (Para dicas sobre como expressar seu testemunho para pessoas não cristãs, cf. med. Ap 2.12-13.) Início do curso (ver p. XIV) ♦ ! Próximo estudo — At 2.17-18 Ao que Paulo respondeu: — Pois eu a tenho de nascença. 29Imediatamente se afastaram os que iam interrogá- -lo com açoites. O próprio comandante ficou com medo quando soube que Paulo era romano,® porque tinha mandado amarrá-lo. Paulo diante do Sinédrio 30No dia seguinte, querendo certificar-se dos moti­ vos por que Paulo vinha sendo acusado pelos judeus, o comandante o soltou e ordenou que se reunissem os principais sacerdotes e todo o Sinédrio. E, man­ dando trazer Paulo, apresentou-o diante deles. Paulo, fixando os olhos no Sinédrio, disse: — Meus irmãos, tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência0 até o dia de hoje. 2Mas Ananias, o sumo sacerdote, mandou aos que estavam perto de Paulo que lhe batessem na boca. 3Então Paulo lhe disse: — Deus há de ferir você, parede branqueada!b Você está aí sentado para me julgar de acordo com a Lei e, contra a Lei, ordena que eu seja agredido? 4Os que estavam ali perguntaram a Paulo: — Você está insultando o sumo sacerdote de Deus? 5Paulo respondeu: — Eu não sabia, irmãos, que ele é sumo sacerdote. Porque está escrito: "Não fale mal de uma autoridade do seu povo.”c 6Sabendo Paulo que uma parte do Sinédrio se com­ punha de saduceus e outra, de fariseus, exclamou: — Irmãos, eu sou fariseu/ filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da esperança e da ressurrei­ ção dos mortos! 1Ditas estas palavras, começou uma grande discus­ são entre fariseus e saduceus, e o Sinédrio se dividiu. 922.29 At 16.38 «23.1 2Co 1.12; 2Tm 1.3 <>23.3 Mt 23.27-28: Lc 11.44 c23.5 Êx 22.28 <*23.6 At 26.5; Fp 3.5 23.1 tenho andado diante de Deus com toda a boa cons­ ciência. Que declaração! Cf. n. 24.16. Nota prática: dois exercícios nos levam a uma consciên­ cia limpa: (1) pedir perdão por tudo que fizemos errado; e (2) perdoar tudo que as pessoas fizeram de errado contra nós. O primeiro pode ser feito repassando o que já se foi cronologi­ camente, revendo a relação com cada pessoa importante em nossa vida, uma de cada vez. Infelizmente, quando alguém se converte, raras vezes o levamos a fazer este exercício. Faz uma diferença enorme fazê-lo, tornando a conversão profunda, e não apenas da boca para fora (cf. ns. 2Pe 2.8-9). O segundo exercício, perdoar os outros, nos liberta das dores e das feridas que carregamos. Se não fizermos isso, criamos brechas e forta­ lezas negativas dentro de nós. 23.2-5 Agindo de forma errada, em ignorância, muitas vezes ainda temos a consciência limpa. Mas, uma vez que alguém nos ajuda a sair da nossa ignorância, temos de nos arrepender, pedir perdão e fazer restituição quanto ao nosso erro ou pecado. Cf. n. At 7.58. 23.7 e o Sinédrio se dividiu. Um inimigo dividido perde sua força. Cf. n. 16.35-39. Quando nós, como casal, família, equipe,
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    ATOS 23 232 8Poisos saduceus dizem que não há ressurreição,e nem anjo, nem espírito, ao passo que os fariseus admi­ tem todas essas coisas. 9Houve, pois, muita gritaria no Sinédrio. E, levantando-se alguns escribas que eram do partido dos fariseus, discutiam, dizendo: — Não achamos neste homem mal algum. E se, de fato, algum espírito ou anjo falou com ele? 18Como a discussão ficava cada vez mais intensa, o comandante, temendo que Paulo fosse despedaçado por eles, mandou descer a guarda para que o retiras­ sem dali e o levassem para a fortaleza. O Senhor aparece a Paulo 11Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado de Paulo, disse: — Coragem! Pois assim como você deu testemu­ nho a meu respeito em Jerusalém, é necessário que você testemunhe também em Roma. A em boscada dos judeus l2Quando amanheceu, os judeus se reuniram e ju­ raram que não haviam de comer, nem beber, enquan­ to não matassem Paulo. l3Eram mais de quarenta os que se envolveram nessa conspiração. 14Estes foram falar com os principais sacerdotes e os anciãos e dis­ seram: — Juramos, sob pena de maldição, não comer coisa alguma, enquanto não matarmos Paulo. l5Agora, pois, juntamente com o Sinédrio, mandem um recado ao co­ mandante para que ele o apresente a vocês, sob o pre­ texto de que desejam investigar mais acuradamente o caso dele; e nós, antes que ele chegue, estaremos pron­ tos para matá-lo. 16Mas o filho da irmã de Paulo, tendo ouvido a respeito da trama, foi, entrou na fortaleza e contou tudo a Paulo. 17Então este, chamando um dos centu- riões, disse: — Leve este rapaz ao comandante, porque tem algo a dizer. 180 centurião levou o rapaz ao comandante e disse: — 0 prisioneiro Paulo me chamou e pediu que eu trouxesse à sua presença este rapaz, pois tem algo a dizer ao senhor. 190 comandante pegou o rapaz pela mão e, levando-o para um lado, perguntou-lhe: — 0 que você tem para me dizer? 20Ele respondeu: e23.8 Mt 22.23; Mc 12.18; Lc 20.27 723.23 Lit., terceira hora da noite igreja ou denominação, estamos divididos, também perdemos nossa força. 23.11 o Senhor, pondo-se ao lado de Paulo. Cf. 8.9; Rm 8.33-39. Coragem! Cf. Js 1.6. — Os judeus decidiram pedir ao senhor que, amanhã, apresente Paulo ao Sinédrio, sob o pretexto de que de­ sejam fazer uma investigação mais acurada a respeito dele. 21Não se deixe persuadir, porque mais de quarenta deles armaram uma emboscada. Fizeram um pacto de, sob pena de maldição, não comer, nem beber, enquanto não matarem Paulo; e agora estão prontos, esperando que o senhor prometa atender o pedido deles. 22Então o comandante despediu o rapaz, recomen­ dando-lhe que a ninguém dissesse ter-lhe trazido estas informações. 23Chamando dois centuriões, ordenou: — Tenham de prontidão duzentos soldados, setenta cavaleiros e duzentos lanceiros para irem até Cesareia a partir das nove horas da noite.124Preparem também animais para fazer Paulo montar e levem-no com se­ gurança ao governador Félix. A carta de Cláudio a Félix 250 comandante escreveu uma carta nestes ter­ mos: 26“Cláudio Lísias ao excelentíssimo governador Félix. Saudações. 27Este homem foi preso pelos judeus e estava prestes a ser morto por eles, quando eu, sobrevindo com a guarda, o livrei, por saber que ele era romano. 28Querendo certificar-me do motivo por que o acusa­ vam, levei-o ao Sinédrio deles. 29Descobri que ele era acusado de coisas referentes à lei que os rege, nada, porém, que justificasse morte ou mesmo prisão. 30Sendo eu informado de que ia haver uma embosca­ da contra o homem, tratei de enviá-lo imediatamente ao senhor, intimando também os acusadores a irem dizer, na sua presença, o que eles têm contra ele. Passe bem." Paulo no Pretório de H erodes 31Então os soldados, conforme lhes foi ordenado, pe­ garam Paulo e, durante a noite, o conduziram até An- tipátride. 32No dia seguinte, voltaram para a fortaleza, tendo deixado os cavaleiros encarregados de seguir viagem com ele. 33Quando estes chegaram a Cesareia, entregaram a carta ao governador e também lhe apre­ sentaram Paulo. 34Lida a carta, o governador perguntou de que província Paulo era. E, quando soube que era da Cilicia, 35disse: — Ouvirei você quando chegarem os seus acusa­ dores. E mandou que ele ficasse preso no Pretório de Herodes. 23.16-22 Jesus (v. 11) usou um menino corajoso, disposto a arriscar sua vida, para salvar a vida de Paulo. Em outras oca­ siões, usou outras pessoas (Rm 16.3-4).
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    233 Atos 24— 25 Paulo é acusado diante de Félix Cinco dias depois, o sumo sacerdote Ananias foi até Cesareia com alguns anciãos e com cer­ to orador, chamado Tértulo, os quais apresentaram ao governador a sua acusação contra Paulo. 2Depois que Paulo foi chamado, Tértulo passou a acusá-lo, dizendo: — Excelentíssimo Félix, tendo nós desfrutado de paz pe­ rene por meio do senhor e tendo sido feitas, por seu provi- dente cuidado, notáveis reformas em benefício deste povo, 3sempre e em todos os lugares, reconhecemos isto com profundagratidão. 4Entretanto, para não deter o senhor por muito tempo, peço que, de acordo com a sua clemência, nos ouça por alguns instantes. 5Porque, tendo nós verifica­ do que este homem é uma peste e promove desordens en­ tre os judeus do mundo inteiro, sendo também o principal agitador da seita dos nazarenos, 6o qual também tentou profanaro templo, nós o prendemos com o intuito dejulgá- -lo segundo a nossa Lei. 7Mas, sobrevindo o comandante Lísias, o arrebatou das nossas mãos com grande violência, 8ordenando que os seus acusadores viessem à presença do senhor. Se o interrogar, o senhor mesmo poderá tomar conhecimento de todas as coisas de que nós o acusamos. 9Os judeus também concordaram na acusação, afirmando que estas coisas eram assim. Paulo apresenta a sua defesa 10Quando o governador fez sinal para que Paulo falasse, ele disse: — Sabendo que há muitos anos o senhor é juiz desta nação, sinto-me à vontade para me defender. 110 senhor mesmo pode verificar que não se passaram mais de doze dias desde que fui a Jerusalém para adorar a Deus; 12e que não me acharam no templo discutindo com ninguém, nem agitando o povo, fosse nas sinagogas ou na cidade; 13nem podem provar diante do senhor as acusações que agora fazem contra mim. l4Porém confesso ao senhor que, se­ gundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a Lei e nos escritos dos Profetas, istendo esperança em Deus, como também estes a têm, de que haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos. 16Por isso, também me esforço por ter sempre uma cons­ ciência pura diante de Deus e dos homens. 17— Depois de anos, vim trazer donativos para o meu povo0 e também fazer oferendas, I8e foi nesta prática que alguns judeus da província da Ásia me en­ contraram já purificado no templo, sem ajuntamento de povo e sem tumulto,* 19os quais deviam compa­ recer diante do senhor e fazer as acusações, se tives­ sem alguma coisa contra mim. 20Ou então que estes 24.16 consciência pura diante de Deus e dos homens. Se vi­ vemos na luz, como descrito em lJo 1.7-9, podemos dizer o mes­ mo. Sempre que nossa consciência se expressa, vem a pergunta imediata: obedeceremos? Temos de nos esforçar para manter homens que estão aqui digam que crime acharam em mim, por ocasião do meu comparecimento diante do Sinédrio, 21salvo estas palavras que clamei, estando entre eles: "Hoje estou sendo julgado por vocês por causa da ressurreição dos mortos.”c 22Então Félix, conhecendo mais acuradamente as coi­ sas relacionadas com o Caminho, adiou a causa, dizendo: — Quando chegar o comandante Lísias, tomarei uma decisão a respeito do caso de vocês. 23E ordenou ao centurião que conservasse Paulo na prisão, tratando-o com tolerância e não impe­ dindo que os seus próprios o servissem. Paulo diante de Félix e Drusila 24Passados alguns dias, Félix veio com Drusila, sua mulher, que era judia. Mandou chamar Paulo e passou a ouvi-lo a respeito da fé em Cristo Jesus. 25Quando Paulo começou a falar sobre a justiça, o domínio próprio* e o Juízo vindouro,0 Félix ficou amedrontado e disse: — Por agora, você pode retirar-se, e, quando eu ti­ ver oportunidade, mandarei chamá-lo. 26Ao mesmo tempo, esperava que Paulo lhe desse dinheiro. Por isso, chamando-o mais frequentemen­ te, conversava com ele. 27Dois anos mais tarde, Félix teve por sucessor Pórcio Festo. E, como Félix queria assegurar o apoio dos judeus, manteve Paulo encarcerado. Paulo diante de Festo. Apela para C ésar Três dias depois de ter assumido o governo da província, Festo saiu de Cesareia e foi para Jerusalém. 2E, logo, os principais sacerdotes e os maiorais dos judeus lhe apresentaram queixa contra Paulo. 3Pediram a Festo o favor de. em detrimento de Paulo, mandar que ele fosse trazido a Jerusalém. É que eles tinham armado uma emboscada para ma­ tar Paulo no caminho. 4Festo, porém, respondeu que Paulo continuaria preso em Cesareia e que ele mes­ mo, muito em breve, partiria para lá. 5E concluiu: — Aqueles de vocês que estiverem habilitados me acompanhem; e, havendo contra este homem qual­ quer crime, acusem-no. 6E, não se demorando entre eles mais de oito ou dez dias, foi para Cesareia. No dia seguinte, assentando-se no tribunal, ordenou que Paulo fosse trazido. 7Com­ parecendo este, os judeus que tinham vindo de Jeru­ salém ficaram em volta dele, fazendo muitas e graves m .lZ R m 15.25; ICo 16.1;2Co8.1-4;2Co9.1 *24.17-18 At 21.17-28 <24.21 At23.6 *24.25 Gl 5.23; 2Pe 1.6 <At 10.42 nossa consciência sempre sensível, de modo que possamos vi­ ver sem tropeços. Cf. n. 23.1. 24.26-27 Dois anos mais tarde. A corrupção foi terrível nessa época, assim como é na nossa.
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    atos 25 —26 234 acusações contra ele, as quais, entretanto, não podiam provar. 8Então Paulo, defendendo-se, disse: — Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César. 9Então Festo, querendo assegurar o apoio dos ju­ deus, perguntou a Paulo: — Você gostaria de ir a Jerusalém e ser ali julgado por mim a respeito destas coisas? 10Paulo respondeu: — Estou diante do tribunal de César, onde convém que eu seja julgado; não fiz mal nenhum aos judeus, como o senhor sabe muito bem. TiCaso, pois, tenha eu praticado algum mal ou crime digno de morte, es­ tou pronto para morrer. Se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém pode me entregar a eles. Apelo para César. 12Então Festo, tendo falado com o conselho, respon­ deu: — Já que apelou para César, para César você irá. Festo expõe a Agripa o caso de Paulo 13Passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia a fim de saudar Festo. i4Como se demorassem ali alguns dias, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: — Félix deixou aqui preso certo homem, 15a respeito de quem os principais sacerdotes e os anciãos dos ju­ deus apresentaram queixa, quando eu estive em Jeru­ salém, pedindo que o condenasse. 16Eu lhes disse que não é costume dos romanos condenar quem quer que seja, sem que o acusado tenha presentes os seus acusa­ dores e possa defender-se da acusação. 17Assim, quan­ do eles vieram para cá, sem nenhuma demora, no dia seguinte, assentando-me no tribunal, determinei que o homem fosse trazido. 18Levantando-se os acusado­ res, não mencionaram nenhum dos crimes de que eu suspeitava. i9Traziam contra ele algumas questões referentes à sua própria religião0 e particularmente a certo morto, chamado Jesus, que Paulo afirma es­ tar vivo. 20Estando eu perplexo quanto ao modo de investigar estas coisas, perguntei-lhe se queria ir a Jerusalém para ali ser julgado a respeito disso. 21Mas, havendo Paulo apelado para que ficasse em custódia para o julgamento de César, ordenei que o acusado continuasse detido até que eu o enviasse a César. 22Então Agripa disse a Festo: — Eu também gostaria de ouvir este homem. Festo respondeu: — Amanhã você poderá ouvi-lo. «25.19 At 18.15; 23.29 «26.5 At 23.6; Fp 3.5 <>26.10At 8.3; 9.13 «At 22.20 Festo, de novo, fala a Agripa 23De fato, no dia seguinte, vindo Agripa e Berenice, com grande pompa, tendo eles entrado na sala de audiência juntamente com oficiais superiores e ho­ mens eminentes da cidade, Paulo foi trazido por or­ dem de Festo. 24Então Festo disse: — Rei Agripa e todos os senhores aqui presentes, vejam este homem, por causa de quem toda a multi­ dão dos judeus recorreu a mim tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convinha que ele vi­ vesse mais. 25Porém eu achei que ele não tinha feito nada que fosse passível de morte; entretanto, tendo ele apelado para o imperador, resolvi mandá-lo para lá. 26No entanto, a respeito dele, nada tenho de mais concreto que possa escrever ao imperador. Por isso, eu o trouxe à presença dos senhores e, especialmente, à sua presença, ó rei Agripa, para que, feita a arguição, eu tenha alguma coisa que escrever. 27Porque não me parece razoável enviar um preso sem mencionar, ao mesmo tempo, as acusações que existem contra ele. Paulo se defende diante do rei Agripa A seguir, Agripa, dirigindo-se a Paulo, disse: — Você está autorizado a falar em sua defesa. Então Paulo, estendendo a mão, passou a defender- -se nestes termos: 2— Tenho-me por feliz, ó rei Agripa, pelo privilé­ gio de, hoje, na presença do senhor, poder produzir a minha defesa de todas as acusações que os judeus fazem contra mim, 3especialmente porque o senhor é versado em todos os costumes e questões que há entre os judeus. Por isso, peço que o senhor me ouça com paciência. 4— Quanto à minha vida, desde a mocidade, como decorreu desde o princípio entre o meu povo e em Jerusalém, todos os judeus a conhecem; 5pois, na verdade, eu era conhecido deles desde o princípio, se assim o quiserem testemunhar, porque, na condição de fariseu,0 vivi conforme o partido mais rigoroso da nossa religião. 6E agora estou sendo julgado por causa da esperança da promessa feita por Deus aos nossos pais, 7a qual as nossas doze tribos, servindo a Deus fervorosamente, noite e dia, almejam alcan­ çar. É por causa dessa esperança, ó rei, que eu sou acusado pelos judeus. 8Por que se julga incrível entre vocês que Deus ressuscite os mortos? 9— Na verdade, eu pensava que devia fazer muitas coisas contra o nome de Jesus, o Nazareno; I0e foi exa­ tamente o que fiz em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei mui­ tos dos santos na prisão;* e quando os condenavam à morte, eu dava o meu voto contra eles.c 11Muitas vezes, 25.8 Nenhum pecado cometi contra a lei. Cf. v. 10. Que bênção andar com a consciência limpa! Cf. ns. 23.1; 24.16.
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    235 ATOS 26 oscastiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles, eu os perseguia até em cidades estrangeiras.d Paulo conta a sua conversão 12— Com isto em mente, parti para Damasco, le­ vando autorização dos principais sacerdotes e por eles comissionado. 13Ao meio-dia, ó rei, enquanto eu seguia pelo caminho, vi uma luz no céu, mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos que iam comigo. 14E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: "Saulo, Saulo, por que você me persegue? É duro para você ficar dan­ do coices contra os aguilhões!" 15Então eu perguntei: "Quem é você, Senhor?” Ao que o Senhor respondeu: "Eu sou Jesus, a quem você persegue. 16Mas levante-se e fique em pé. Eu apareci a você para constituí-lo minis­ tro e testemunha, tanto das coisas em que você me viu como daquelas pelas quais ainda lhe aparecerei. 17Vou livrar você do seu próprio povo e dos gentios, para os quais eu o envio, 18para abrir os olhos deles e convertê- -los das trevas para a luz e do poder de Satanás para Deus, a fim de que eles recebam remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim."e O testem unho de Paulo diante dos judeus e gentios 19— Assim, ó rei Agripa, não fui desobediente à vi­ são celestial, 20mas anunciei primeiramente aos de Damasco^ e em Jerusalém,3 por toda a região da Ju­ deia, e também aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento.h 2iPor causa disto, alguns judeus me 26.12 Autoridade religiosa enfrentada por autoridade espiri­ tual e divina (v. 14) para quebrar a autoridade satânica (v. 18). 26.14 É duro para você ficar dando coices contra os agui­ lhões! Será que estamos servindo Deus com teimosia e ao nos­ so modo? Quando enfrentamos coisas duras, desanimadoras e até motivo de depressão ou burnout (esgotamento), precisa­ mos nos perguntar se Deus poderia estar chamando a nossa atenção. Nosso zelo pela obra ou pelo ministério pode tomar o lugar do nosso amor por ele, tornando-se um tipo de idola­ tria. Nesse caso, ele precisa nos confrontar, podendo até ser de forma forte, como fez com Paulo. 26.16 levante-se... Eu apareci a você para constituí-lo mi­ nistro. Deus não se preocupa muito com o nosso passado. Para ele, todo passado é prefácio. Ele nos liberta e nos perdoa, pas­ sando a focar o presente e o futuro. 26.17 para os quais eu o envio. Todos somos enviados (cf. ns. M t 28.18-20; Jo 17.18; At 1.8). Ajuda se conseguirmos entender para quais pessoas ou grupos-alvo somos levados. Isso nos per­ mite concentrar nossos esforços e juntar forças com outros que tenham o mesmo grupo-alvo. 26.18 para abrir os olhos deles. Cf. ns. Mc 8.22-26; Lc 7.44; Intro. IPe. do poder de Satanás para Deus. Mudança de Reino (cf. n. Mt 19.30; Intro. e tc. Mt). afim de que. Vida com propó- prenderam, quando eu estava no templo, e tentaram me matar. 22Mas, com a ajuda de Deus, permaneço até o dia de hoje, dando testemunho, tanto a pequenos como a grandes, nada dizendo, senão o que os profetas e Moisés disseram que ia acontecer, 23isto é, que o Cristo devia padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz' ao seu próprio povo e aos gentios. Paulo é interrom pido por Festo 24Quando Paulo estava dizendo estas coisas em sua defesa, Festo o interrompeu, gritando: — Você está louco, Paulo! Ficou louco de tanto estudar! 25Paulo, porém, respondeu: — Não estou louco, ó excelentíssimo Festo! Pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso. 26Porque tudo isto é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta, pois nada se passou em algum lugar escondido. 27— Por isso, pergunto: Rei Agripa, o senhor acre­ dita nos profetas? Eu sei que o senhor acredita. 28Então Agripa se dirigiu a Paulo e disse: — Por pouco você me convence a me tornar cristão. 29Paulo respondeu: — Peço a Deus que faça com que, por pouco ou por muito, não apenas o senhor, ó rei, mas todos os que hoje me ouvem venham a ser alguém como eu, mas sem estas correntes. 30A essa altura, levantou-se o rei, e também o governador, e Berenice, bem como os que estavam 426.11 At 9.1-2 '26.12-18 At 9.1-19; 22.6-16 ^26.20 At 9.20-22 9A t9.28-29 ALc 3.8 '26.23 Is42.6 49.6 sito. O chamado ou propósito de Paulo está bem descrito aqui. Somos sábios se conseguimos expressar nosso chamado ou pro­ pósito de forma parecida, dentro de uma oração, eles recebam. Que haja uma mudança espiritual, não apenas uma decisão inte­ lectual. remissão de pecados. Que experimentem perdão (cf. n. M t 18.34). Isso vem apenas por meio de verdadeiro arrependi­ mento e confissão, herança entre os que são santificados. Cf. n. 2Co 7.1; tc. 2Pe. Segundo presente do novo nascimento. 26.19 não fu i desobediente à visão celestial. Que cada um de nós possa dizer o mesmo! A desobediência entra de forma sutil quando nos permitimos desviar com outras atividades e em­ preendimentos que não são diretamente ligados à visão celestial. Nota prática: a vida cristã, como o ministério cristão, é um triste legalismo, uma obrigação pesada demais, a não ser que tenhamos uma visão celestial. Se quisermos inspirar outros ou ser inspirados, a visão deve ser maior do que o custo. A visão celestial nasce no coração de Deus. Perguntamos: o que o Pai está fazendo? Cf. n. e med. Jo 5.19-20,30. A começar em mim! Esse é o ponto de partida. Enas pessoas ao meu redor? O que ele quer fazer através de mim? 26.20 que se arrependessem... praticando obras dignas de arrependimento. Cf. n. 2.38. 26.23 ressurreição. Cf. v. 8; ns. 17.3; Lc 2.32. 26.28 o me tornar cristão. Cf. n. 11.26.
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    Atos 26 —27 236 * 9 * VlSÁO E DISCIPLINA At 26.19; 2.42-47 (Estudo 1.1.8) 1. Você tem uma "visão celestial"? Explique sua resposta. 2. Quais frases de At 2.42-47 nutrem a visão? 3. Qual a relação entre visão e disciplina? 4. Você precisa de um renovo de visão ou de mais disciplina para vivenciar sua visão? 5. Qual das disciplinas listadas a seguir mais lhe ajudariam a renovar e manter sua visão? Estudo opcional: At 6.4; Hb 3.12-13; 10.24-25. As cinco disciplinas básicas do discípulo Dê uma nota para si mesmo de 0 a 10 em relação à prática das seguintes disciplinas; • A Palavra (cf. oito estudos sobre dedicação à Palavra a partir de At 6.4). _ Meu tempo pessoal com a Palavra me encoraja e me dá direção. _ Os membros da igreja me animam compartilhando da Palavra comigo (sem contar a pregação do púlpito ou o ensino do professor na escola dominical.) _ Eu encorajo outros na igreja, compartilhando a Palavra com eles. • A comunhão (cf. oito estudos a partir de At 22.1-21). _ Estou envolvido de forma significativa na vida de outros membros da igreja. _ Eu priorizo as reuniões semanais e estou preparado tanto para dar como para receber. _ Eu me abro com os outros, e as pessoas me ajudam a superar meus pontos fracos. • A oração e a adoração (cf. n. Mc 1.35; oito estudos sobre oração a partir de SI 23). _ Eu me associo com Deus orando e vendo suas respostas a minhas orações. _ Os membros da igreja me encorajam orando comigo. _ Eu encorajo os membros da igreja orando com eles. • O testemunho (cf. oito estudos a partir de 2Co 5.14-21). _ Compartilho o evangelho e/ou meu testemunho com pessoas não crentes. _ Os membros da igreja me encorajam no evangelismo. _ Eu ajudo outras pessoas a alcançar seus amigos para Cristo. • A vida simples (cf. ns. e med. Mt 6.19-34; oito estudos sobre isto a partir de Mt 6.33-34). _ Eu me desfaço de responsabilidades, posses e gastos desnecessários para me dedicar mais ao Reino de Deus (como, por exemplo, nas atividades acima). _ Eu experimento alegria e paz ao manter meus olhos em Jesus e não nas circunstâncias. _ Por causa de meu estilo de vida simples, eu tenho tempo e recursos disponíveis para investir nas pessoas que Deus põe em minha vida. ICo 9.24-27 — Estudo anterior ♦ |♦ Próximo estudo — At 6.4 assentados com eles. 31E, ao saírem, falavam uns com os outros, dizendo: — Este homem não fez nada passível de morte ou de prisão. 32 Então Agripa se dirigiu a Festo e disse: — Este homem bem podia ser solto, se não tivesse apelado para César. Paulo enviado para a Itália Quando foi decidido que devíamos navegar para a Itália, entregaram Paulo e alguns outros presos a um centurião chamado Júlio, da Coorte Imperial. 2Em­ barcando num navio adramitino, que estava de partida para costear a província da Ásia, fizemo-nos ao mar, indo conosco Aristarco, um macedônio de Tessalônica. 3No 27.3 permitiu que ele fosse ver os amigos e obter assistên- para lhes dar uma palavra. Para nossa surpresa, o maior motivo cia. Facilmente pensaríamos que Paulo iria querer ver os amigos dele foi que estes suprissem as necessidades dele. Paulo sabia
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    237 ATOS 27 diaseguinte, chegamos a Sidom. Júlio, tratando Paulo com humanidade, permitiu que ele fosse ver os amigos e obter assistência. 4Partindo dali, navegamos ao abrigo da ilha de Chipre, por serem contrários os ventos. 5E, tendo atravessado o mar ao longo da Cilicia e Panfília, chega­ mos a Mirra, na Lícia. 6Nesse porto, o centurião encon­ trou um navio de Alexandria, que estava de partida para a Itália, e nos fez embarcar nele. 7 Navegando vagarosamente muitos dias, foi com difi­ culdade que chegamos às imediações de Cnido. Não nos sendo permitido prosseguir, por causa do vento contrário, navegamos ao abrigo de Creta, na altura de Salmona. 8Cos- teando a ilha com dificuldade, chegamos a um lugar cha­ mado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laseia. Os perigos da viagem 9 Depois de muito tempo, tendo-se tornado a nave­ gação perigosa, e já passado o tempo do Dia do Je­ jum,1 Paulo os aconselhou, lOdizendo: — Senhores, vejo que a viagem vai ser trabalhosa, com dano e muito prejuízo, não só da carga e do na­ vio, mas também da nossa vida. 11Porém o centurião dava mais crédito ao piloto e ao mestre do navio do que ao que Paulo dizia. l2Não sen­ do o porto próprio para invernar, a maioria deles era de opinião que deviam partir dali, para ver se podiam chegar a Fenice e aí passar o inverno, visto ser um por­ to de Creta, que olha para o noroeste e para o sudoeste. i3Soprando brandamente o vento sul, e pensando eles ter alcançado o que desejavam, levantaram âncora e foram costeando mais de perto a ilha de Creta. l4En- tretanto, não muito depois, desencadeou-se, do lado da ilha, um tufão de vento, chamado Euroaquilão. 150 na­ vio foi arrastado com violência e, sem poder resistir ao vento, cessamos a manobra e nos fomos deixando levar. 16Passando ao abrigo de uma ilhota chamada Cauda, com dificuldade conseguimos recolher o bote. 17Tendo içado o bote, os marinheiros usaram de todos os meios para reforçar o navio com cabos de segurança. E, te­ mendo que fossem encalhar nos bancos de areia de Sir- te, arriaram os aparelhos, e foram à deriva. l8Açoitados severamente pela tormenta, no dia seguinte começaram a jogar a carga no mar. 19E, no terceiro dia, nós mesmos, com as próprias mãos, lançamos ao mar a armação do navio. 20E, não aparecendo, havia já alguns dias, nem receber, assim como dar; cuidar de outros, e também ser cuidado. Aqui, bem como em 28.15; Rm 15.24,32; ICo 16.18; 2Co 7.5-6; Fp 4.10,15-18 Paulo praticava suas palavras de At 20.28. 27.20-26 Ao enfrentar uma tempestade que não cessa e pa­ rece estar acabando com tudo, o que fazer? Paulo caminha com três frentes: (1) reconhecer os erros do passado (v. 21); (2) olhar para o futuro com coragem (v. 22); e (3) ouvir Deus e confiar em uma intervenção sobrenatural (vs. 23-26). Para mais informa­ ção sobre ouvir Deus com palavras proféticas, cf. n. 1Co 14.1. sol nem estrelas, caindo sobre nós grande tempestade, dissipou-se, afinal, toda a esperança de salvamento. 21Havendo todos estado muito tempo sem comer, Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse; — Senhores, na verdade, era preciso terem-me aten­ dido e não partir de Creta, para evitar este dano e perda. 22Mas agora aconselho que tenham coragem, porque nenhuma vida se perderá, mas somente o navio. 23 Por­ que, esta mesma noite, um anjo do Deus a quem per­ tenço e a quem sirvo, esteve comigo, 24dizendo: "Paulo, não tenha medo! É preciso que você compareça diante de César, e eis que Deus, por sua graça, lhe deu todos quantos navegam com você." 25Portanto, senhores, te­ nham coragem! Pois eu confio em Deus que tudo vai acontecer conforme me foi dito. 26 Porém é necessário que sejamos arrastados para alguma ilha. O naufrágio 27Quando chegou a décima quarta noite, sendo nós ba­ tidos de um lado para outro no mar Adriático, por volta da meia-noite os marinheiros pressentiram que se aproxi­ mavam de alguma terra. 28 E, lançando a sonda, viram que a profundidade era de trinta e seis metros. Passando um pouco mais adiante, tomando a lançar a sonda, viram que a profundidade era de vinte e sete metros.-729 E, receosos de que fôssemos atirados contra lugares rochosos, lançaram da popa quatro âncoras e oravam para que rompesse o dia. 30Nisto os marinheiros tentaram escapar do navio. Arria­ ram o bote no mar, a pretexto de que iam largar âncoras da proa 31Paulo disse ao centurião e aos soldados: — Se estes não permanecerem a bordo, vocês não poderão se salvar. 32Então os soldados cortaram os cabos do bote e o deixaram afastar-se. 33Enquanto amanhecia, Paulo rogava a todos que se alimentassem, dizendo: — Hoje é o décimo quarto dia em que, esperando, vocês estão sem comer, nada tendo provado. 34Por isso peço que comam alguma coisa; porque disto depende a salvação de vocês; pois nenhum de vocês perderá nem mesmo um fio de cabelo. 35Tendo dito isto, pegando um pão, deu graças a Deus na presença de todos e, depois de o partir, começou a 127.9 Esse dia sagrado dosjudeus (Lv 16) cai entre o final de setembro e o começo de outubro, perto do inverno naquela região 227.28 Lit., vinte braças e quinze braças 27.24 Paulo, nâo tenha medo! Essas palavras de ânimo pare­ cem chegar um pouco antes de as coisas piorarem (18.9; 23.11). Ao mesmo tempo, fortalecem o homem interior para aguentar oque está por vir. 27.31 Aqui e em seguida (vs. 33-34), Paulo dá conselhos sábios em áreas práticas. Ele não estava só ligado a assuntos espirituais, mas juntava os esforços humanos com as intervenções divinas. 27.35-36 Nosso exemplo na hora de uma crise pode animar outros.
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    atos 27 —28 238 comer. 36Todos ficaram mais animados e se puseram também a comer. 37Estávamos no navio duzentas e se­ tenta e seis pessoas ao todo. 38Refeitos com a comida, aliviaram o navio, jogando o trigo no mar. 39Quando amanheceu, não reconheceram a terra, mas avistaram uma enseada, onde havia uma praia. Então consultaram entre si se não podiam encalhar ali o navio. 40Cortando os cabos das âncoras, deixaram que ficassem no mar. Soltaram também as amarras do leme. E, alçando a vela de proa ao vento, dirigiram- -se para a praia. 41Dando, porém, num lugar onde duas correntes se encontravam, encalharam ali o navio; a proa encravou-se e ficou imóvel, mas a popa se despe­ daçava pela violência do mar. 420 parecer dos soldados era que os presos deviam ser mortos, para que nenhum deles fugisse nadando. 43Mas o centurião, querendo salvar Paulo, impediu-os de fazer isso. Ordenou que os que soubessem nadar fossem os primeiros a lançar-se ao mar e alcançar a terra. 44Quanto aos demais, que se salvassem, uns, em tábuas, e outros, em destroços do na­ vio. E foi assim que todos se salvaram em terra. A ilha de M alta Uma vez em terra, verificamos que a ilha se chamava Malta. 2Os nativos nos trataram com singular humanidade, porque, acendendo uma fogueira, acolheram a todos nós por causa da chuva que caía e por causa do frio. 3Tendo Paulo ajuntado e atirado à fogueira um feixe de gravetos, uma víbora, fugindo do calor, prendeu-se na mão dele. 4Quando os nativos viram a víbora pendurada na mão de Pau­ lo, disseram uns aos outros: — Certamente este homem é assassino, porque, salvo do mar, a Justiça não o deixa viver. 5Porém ele, sacudindo a víbora no fogo, não sofreu mal nenhum. 6Mas eles esperavam que Paulo viesse a inchar ou a cair morto de repente. Depois de muito esperar, vendo que nada de anormal lhe acontecia, mudando de opinião, diziam que ele era um deus.0 Públio hospeda Paulo 7Perto daquele lugar havia um sítio que perten­ cia ao homem principal da ilha, chamado Públio, o qual nos recebeu e hospedou com muita bondade durante três dias. 8Aconteceu que o pai de Públio es­ tava enfermo de disenteria, ardendo em febre. Paulo foi visitá-lo e, orando, impôs-lhe as mãos, e o curou. 9À “28.6 At 14.11 628.18 At 25.25; 26.29-32 “28.19 At 25.11 428.20 At 26.6 “28.23 Lc 24.27 vista deste acontecimento, os demais enfermos da ilha vieram e foram curados, 10os quais nos distinguiram com muitas honrarias; e, tendo nós de prosseguir via­ gem, nos puseram a bordo tudo o que era necessário. A continuação da viagem 11 Três meses depois, embarcamos num navio ale­ xandrino, que tinha passado o inverno na ilha. O navio tinha por emblema os deuses gêmeos Castor e Pólux. l2Chegando a Siracusa, ficamos ali três dias. 13Dali, na­ vegando ao longo da costa, chegamos a Régio. No dia seguinte começou a soprar o vento sul e, em dois dias, chegamos a Putéoli, i4onde encontramos alguns ir­ mãos que nos pediram que ficássemos com eles sete dias; e foi assim que nos dirigimos a Roma. 15Tendo ali os irmãos ouvido notícias nossas, vieram ao nosso en­ contro até a Praça de Ápio e as Três Vendas. Ao vê-los, Paulo deu graças a Deus e sentiu-se mais animado. Paulo em Rom a i6Uma vez em Roma, Paulo recebeu permissão para morar por sua conta, tendo em sua companhia o soldado que o guardava. 17Três dias depois, ele convocou os principais dos judeus. Quando estavam reunidos, Paulo disse: — Meus irmãos, apesar de nada ter feito contra o povo ou contra os costumes paternos, vim preso desde Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos. l8Estes, depois de me interrogarem, quiseram soltar-me, por­ que não encontraram em mim nenhum crime passível de morte.* l9Diante da oposição dos judeus, fui obri­ gado a apelar para César,0 não tendo eu, porém, nada de que acusar o meu povo. 20Foi por isto que pedi para vê-los e para falar com vocês; porque é pela esperança de Israel* que estou preso com esta corrente. 21Então eles lhe disseram: — Nós não recebemos da Judeia nenhuma car­ ta que falasse a respeito de você. Também não veio qualquer dos irmãos que nos anunciasse ou dissesse algo de mau a seu respeito. 22Mas gostaríamos de ou­ vir o que você pensa, porque sabemos que em todos os lugares essa seita é contestada. Paulo prega em Rom a 23Tendo eles marcado um dia, foram em grande número ao encontro de Paulo no lugar onde ele resi­ dia. Então, desde a manhã até a tarde, lhes fez uma exposição em testemunho do Reino de Deus, pro­ curando persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela Lei de Moisés como pelos Profetas.6 24Houve alguns 28.8 impôs-lhe as mãos. Cf. n. 6.6. 28.17 Paulo não se importava com suas restrições; ele tomava 28.15 Paulo... sentiu-se mais animado. De novo, Paulo rece- a iniciativa para ir em frente com seu chamado, bendo. Cf. n. 27.3.
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    239 ATOS 28 queficaram persuadidos pelo que Paulo dizia; outros, porém, continuaram incrédulos. 25E, havendo discor­ dância entre eles, começaram a ir embora. Mas, antes que saíssem, Paulo disse estas palavras: — Bem falou o Espírito Santo aos pais de vocês, por meio do profeta Isaías, quando disse: 26"Vá a este povo e diga: Ouvindo, vocês ouvirão e de modo nenhum entenderão; vendo, vocês verão e de modo nenhum perceberão. 27 Porque o coração deste povo está endurecido; ouviram com os ouvidos tapados e fecharam os olhos; para não acontecer que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados.’’^ 28E Paulo concluiu: — Portanto, fiquem sabendo que esta salvação que Deus oferece foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão. 29[Ditas estas palavras, os judeus foram embora, tendo entre si grande discussão.]1 Paulo prisioneiro durante dois anos 30Durante dois anos, Paulo permaneceu na sua própria casa, que tinha alugado, onde recebia todos os que o procuravam. 31Pregava o Reino de Deus, e, com toda a ousadia, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum. ^28.26-27 is 6.9-10: Mt 13.14-15 128.29 O texto entre colchetes se encontra apegas em manuscritos mais recentes 28.25 Bem falou o Espírito Santo. Cf. n. 1.2; Intro. 28.26-27 Citou as mesmas palavras que Jesus havia citado (Is 6.9-10). A chave é o coração, bem mais que a mente. Existe coração insensível (v. 26) e coração que entende (v. 27). O segun­ do coração, entendendo o evangelho, se converte. Cf. n. Mt 13.15. 28.30 na sua própria casa. Cf. ns. 2.2; M t 26.6. 28.31 Pregava o Reino de Deus. Cf. v. 23; n. 8.12. Duas per­ guntas: (1) o que a Igreja Primitiva tinha que nós não temos? Volte ao texto-chave na Introdução a este Livro. (2) O que po­ demos mudar para ser como essa Igreja?