O jeitinho brasileiro As pessoas que estão sempre "dando um
jeitinho" sabem, na maioria das vezes, que
transgridem padrões de comportamento.
Mas raciocinam como se isso fosse
absolutamente normal, visto que é comum:
só eu? e os outros? todo mundo age assim,
quem não fizer o mesmo é trouxa; quem não
gosta de levar vantagem em tudo? Os
exemplos dados ora são transgressões
medianamente graves (como interromper o
trânsito na rua), ora são ações claramente
imorais (como o roubo do dinheiro público
nas concorrências fraudulentas). Em todos
esses casos, o "jeitinho" surge como forma
autoritária e individualista de desconsiderar
as normas da vivência em coletividade.
O que é valor?
Estamos diante dos fatos que pretendemos
analisar. Certas ações são objeto de
valoração: podemos considerá-las justas ou
injustas, certas ou erradas, boas ou más. E,
em função de tais avaliações, são dignas de
admiração ou desprezo. Porém o que é
valorar? O que são valores?
Olhe a imagem ao lado. O que você pensa?
Provavelmente:
■ É uma caneta.
■ Ela é azul.
■ É nova.
■ Está destampada.
■ Será que escreve?
VALORAÇÃO
■ Atribuir um valor a alguma coisa é não ficar indiferente a ela.
■ Isso significa que os valores existem na ordem da afetividade.
■ Somos sempre afetados por elas de alguma forma. Reclamamos da caneta que não
escreve bem, ouvimos várias vezes com prazer a música de nossa preferência,
recriminamos quem usa de violência e assim por diante.
■ Valorar é uma experiência fundamentalmente humana que se encontra no centro de
toda escolha de vida. Fazer um plano de ação nada mais é do que dar prioridade a
certos valores, ou seja, escolher o que é melhor (seja do ponto de vista moral, utilitário
etc.) e evitar o que é prejudicial para se atingir os fins propostos
VALORES MORAIS
■ Dentre os mais diversos
valores possíveis, vamos
analisar os valores morais.
Moral é o conjunto de regras
de conduta consideradas
válidas para um grupo ou para
uma pessoa.
Valores são históricos e culturais
■ Os valores variam conforme o povo e a época.
■ É o que parece nos sugerir a diversidade de costumes: para algumas tribos, é
indispensável matar os velhos e as crianças que nascem com algum defeito, o que para
nós pode parecer incrível crueldade.
■ Na Idade Média era proibido dissecar cadáveres, e no entanto as instituições de justiça
tinham o direito de torturar seres vivos.
■ Nosso costume de comer bife escandaliza o hindu, para quem a vaca é animal sagrado.
■ Isso significa que os valores são em parte herdados da cultura. Aliás, a primeira
compreensão que temos do mundo é fundada no solo dos valores da comunidade a que
pertencemos.
■ Em tese, tais valores existem para que a sociedade subsista, mantenha a integridade e
possa se desenvolver. Ou seja, a moral existe para se viver melhor. Talvez essa afirmação
cause espanto, se considerarmos que as regras morais são concebidas como condição de
repressão humana, sendo, assim, geradoras de infelicidade.
A regras morais valem para todos?
■ Nem sempre as regras morais visam ao bem da
comunidade enquanto um todo.
■ Certas regras valem em determinadas circunstâncias e
deixam de valer quando ocorrem alterações nas
relações humanas. No entanto, existe a tendência de se
resistir às mudanças, e, quando as regras permanecem
inflexíveis, sedimentadas, acabam sendo esvaziadas de
seu conteúdo vital e ficam caducas e sem sentido. A
sociedade passa, então, por um momento de crise
moral para cuja superação são exigidas inventividade e
coragem, a fim de ser recriada uma moral
verdadeiramente dinâmica e comprometida com a vida
■ Para manter o status quo, isto é, a situação vigente de
forma inalterada, predominam a intolerância e a
negação do pensamento divergente.
Moral constituída x constituinte
■ A experiência efetiva da vida moral
supõe, portanto, o confronto
contínuo entre a moral constituída
(isto é, os valores herdados) e a
moral constituinte, representada
pela crítica aos valores
ultrapassados. O esforço de
construção da vida moral exige a
discussão constante dos valores
vigentes, a fim de verificar em que
medida sua realização se faz em
favor da vida ou da alienação.
MORAL
■ A moral surge pois do controle do desejo.
Evidentemente, não se trata da repressão do
desejo, pois o que se busca não é a sua anulação,
mas a consciência clara do indivíduo que escolhe e
decide o que deve ser feito em determinada
situação.
■ O ato voluntário resulta da consciência da
obrigação moral. Só que o dever moral não pode
ser entendido como constrangimento externo,
como coação de uns sobre outros, pois a submissão
ao dever precisa ser livremente assumida. Ou seja,
só há autêntica moral quando o indivíduo age por
sua própria iniciativa, enquanto ser de liberdade.
Autonomia (de auto, "próprio") significa
autodeterminação, capacidade de decidir por si
próprio a partir dos condicionamentos e
determinismos. Por isso, todo ato moral está
sujeito a sanção, ou seja, merece aprovação ou
desaprovação, elogio ou censura.
BEM X MAL
■ Não basta "reformar o indivíduo para
reformar a sociedade". Um projeto moral
desligado do projeto político está destinado
ao fracasso. Os dois processos devem
caminhar juntos, pois formar o homem
plenamente moral só é possível na
sociedade que também se esforça para ser
justa.
■ Quando falamos em moral, nos referimos às
regras de conduta aceitas por um grupo ou
pessoa. Ora, uma das preocupações do
homem ao se comportar moralmente é
saber distinguir o bem do mal, já que agir
moralmente é agir de acordo com o bem.
DILEMAS MORAIS
■ Uma menina de 10 anos é estuprada pelo tio há 4 anos, e o crime só foi descoberto porque a menina
estava grávida de 5 meses. Os segmentos conservadores e religiosos da sociedade se posicionaram
contra o aborto, pois entendem que de acordo com as regras da igreja cristã o aborto é pecado, é
assassinato, e não se pode consertar um crime com outro crime, sacrificando a vida de um inocente. Os
segmentos da sociedade que são mais progressistas acham um absurdo que conservadores considerem
mais grave o aborto do que o estupro. Também discordam do ato de obrigar a criança de 10 anos a ter
um filho, fruto de um estupro, sendo que o parto seria de risco. Além disso, quais as consequências
psicológicas para essas 2 crianças depois? Quem criaria o bebê, se a menina já era criada pela avó? E se
optasse por adoção, como viveria o resto de sua vida com essa escolha?
■ Existe solução fácil para essa questão? Não!
■ Existe uma atitude correta a ser tomada? Não!
■ São embates que ocorrem porque as pessoas tem pontos de vista diferentes e morais diferentes. Cada
grupo defende o que acredita.
EDUCAÇÃO, MORAL E ÉTICA
■ Se os valores estão na base de todas
as nossas ações, é inevitável
reconhecer sua importância para a
práxis educativa. No entanto, os
valores transmitidos pela sociedade
nem sempre são claramente
tematizados, e até mesmo muitos
educadores não baseiam sua prática
em uma reflexão mais atenta a
respeito.
■ A educação se tornará mais coerente
e eficaz se formos capazes de
explicitar esses valores.
AULAS DE MORAL?
■ De maneira genérica, a moral é o conjunto de regras de conduta adotadas pelos indivíduos de
um grupo social e tem a finalidade de organizar as relações interpessoais segundo os valores
do bem e do mal. Cada sociedade estimula alguns comportamentos, por considera-los
adequados, e sujeita outros a sanções de diversos tipos, desde um olhar de reprovação até o
desprezo ou a indignação.
■ Ora, o homem não nasce moral, torna-se moral. Nesse sentido, é importante o papel
desempenhado pela educação, não mediante “aulas de moral”, mas por meio do processo
mesmo da educação, enquanto a consideramos uma interação entre seres sociais: aprende-se
moral pelo convívio humano.
■ Todo professor é professor de moral, ainda que o ignore. Dessa forma, quanto mais intencional
for sua atuação, melhores serão os resultados.
MORAL E ÉTICA ■ Esse processo de conscientização de valores fará
a ligação entre a escola e a vida: educamos para
que se tornem pessoas capazes de bem viver. A
partir de critérios morais, bem viver significa agir
virtuosamente, agir segundo princípios.
■ A moral tem uma dupla face constituída pelo
social e pessoal. Se esses polos são
contraditórios, não deixam de ser inseparáveis.
Tornar-se moral é assumir livremente regras que
possibilitem o crescimento pessoal, entendendo-
se pessoa como alguém que se integra em um
grupo. Isso não é fácil, se pensarmos que a
sociedade é plural e se constitui de valores
conflitantes, diante dos quais devemos nos
posicionar e escolher, ao mesmo tempo que
aceitamos a divergência e o confronto de ideias.
AUTONOMIA X HETERONOMIA
■ A educação para a liberdade começa cedo e cada etapa do crescimento tem
características próprias. Chegando à idade adulta, o homem estaria pronto para tornar-
se plenamente moral.
■ O homem passa da heteronomia para a autonomia: a lei que obedece não é imposta
do exterior, mas ditada pelo próprio sujeito moral.
■ Autonomia não se confunde com individualismo, porque moral significa ser
responsável (responder por seus atos) e capaz de reciprocidade (toda ação é
intersubjetiva).
■ A aprendizagem da vida moral não é espontânea nem resulta de automatismo. Daí as
dificuldades que impedem muitos de alcançarem os níveis morais mais altos, o que não
nos surpreende, em face das características individuais e altamente competitivas da
sociedade em que vivemos.
PLURALISMO?
■ A educação das crianças e dos jovens tem atendido às expectativas dos grupos que detêm o poder em
cada sociedade. Compreende-se então que existe uma escola dualista.
■ Nenhuma prática educativa é neutra – ou visa a conservação ou luta pela mudança.
■ Democracia apenas nos níveis formais.
■ É difícil estimular o pluralismo quando existe segregação, preconceito, exclusão, quando as pessoas estão
acostumadas a obedecer, porque a regra é o autoritarismo decorrente das relações fortemente
hierárquicas.
■ Isso não significa que a tarefa seja impossível. É um desafio que não passa apenas pelos bancos escolares,
devendo mobilizar o esforço comum e constante do governo, dos professores, dos pais, dos centros
culturais, enfim, de toda a sociedade civil.
PRECONCEITO E SEGREGAÇÃO
NASCEMOS RASCISTAS?
ARTE E
ESTÉTICA
■ O homem não é apenas razão, é também
afetividade. Por isso, nenhuma formação
puramente intelectual dará conta da totalidade do
humano. Daí a importância da arte como não só de
produção e fruição estética, mas como instrumento
de valorização integral do homem.
■ Diferente da ciência e do senso comum, que
apreendem o objeto pela razão, a arte é uma forma
de conhecimento que organiza o mundo por meio
do sentimento, da intuição e da imaginação.
■ Explorar os sentidos, cultivar os sentimentos, abrir-
se para a imaginação, aceitar o desafio da intuição é
educar-se para a criatividade, para a invenção, para
o novo. Tudo isso é o contrário do convencional, do
definitivo, das formas impostas.
O PAPEL DA
ARTE
■ A arte tem um papel formador da personalidade. A
literatura não é uma experiência inofensiva, mas uma
aventura que pode causar problemas psíquicos e morais,
como acontece com a própria vida, de qual é a imagem e
transfiguração. Como instrumento de instrução e
educação, a literatura confirma e nega, propõe e
denuncia, apoia e combate, fornecendo a possibilidade
de vivermos dialeticamente os problemas.
■ Ficamos então a nos perguntar a respeito da sociedade
injusta, que exclui tantos da fruição da arte em geral,
seja a literatura, a pintura, a música etc. de fato,
constatado o valor dinâmico da arte, podemos
compreender que muitos a temam por sua possibilidade
de subversão. Faz sentido que a censura das artes seja
amiga inseparável de ditadores.
■ A investigação a respeito de valores estéticos, a
preocupação em desenvolver no educando a percepção
e a imaginação são importantes até para servir de
contraponto à maneira pela qual a moral e a política
lidam com as ações e paixões humanas.
EDUCAÇÃO E LIBERDADE
■ Destacando os valores morais, políticos e estéticos compreendemos os atos humanos como
intencionais e livres.
■ Educação e liberdade são inseparáveis porque a liberdade não é algo que nos é dado, mas uma
conquista do homem ao longo do seu amadurecimento, de modo que ele aprende a ser livre.
Além disso, a educação autêntica só pode ser a educação para a liberdade para não se tornar
adestramento ou doutrinação.
■ Liberdade numa concepção dialética: o homem é um ser situado e sofre múltiplas
determinações. Mas também é consciente e é capaz de agir sobre a realidade, transformando-
a.
■ Por ser sujeito, o homem age de forma pessoal e autônoma; por ser social, pertence ao grupo
em que se insere. Não somos livres apesar dos outros, mas por causa deles.
EDUCAÇÃO E LIBERDADE
■ A liberdade não é pois uma dádiva, mas uma tarefa de
construção a partir da situação dada de condições históricas
concretas.
■ A criança faz uma lenta aprendizagem dos valores
transmitidos pela cultura, aceitando-os num primeiro
momento, sem discussão. Mesmo quando desobedece, não
questiona o universo e a ordem estabelecida pelos adultos.
Isso se deve ao fato de que a criança vive no mundo da
heteronomia, no qual os valores e normas lhe são dados por
outros.
■ Não é tarefa fácil conquistar a autonomia. Aprendemos a ser
livres lentamente, superando nosso egoísmo e comodismo,
de forma que, a partir da adolescência, o ser humano se
encontra mais próximo do exercício pleno da liberdade.
Dificuldade de uma educação para a
liberdade
■ Autoridade do professor:
autoritarismo x anomia (ausência de
lei).
■ A autoridade do professor não está
na sua função nem na sua pessoa,
mas na competência e no empenho
profissional. O aluno aprenderá a
respeitar o mestre quando for capaz
de perceber que ambos tem
objetivos comuns.
CONFLITOS
■ Educar para a liberdade requer a
valorização do pluralismo das ideias,
o que leva à divergências e conflitos.
■ O conflito é uma das condições
principais para a existência de um
mundo livre. Temos de aprender a
trabalhar o conflito.
■ Dar condições para que o aluno se
encontre e faça seu próprio caminho.
REFERÊNCIAS
ARANHA, M. L. A. Filosofia da educação. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2006.
_______. Temas de Filosofia. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2005

2. Educação, moral e ética.pptx

  • 2.
    O jeitinho brasileiroAs pessoas que estão sempre "dando um jeitinho" sabem, na maioria das vezes, que transgridem padrões de comportamento. Mas raciocinam como se isso fosse absolutamente normal, visto que é comum: só eu? e os outros? todo mundo age assim, quem não fizer o mesmo é trouxa; quem não gosta de levar vantagem em tudo? Os exemplos dados ora são transgressões medianamente graves (como interromper o trânsito na rua), ora são ações claramente imorais (como o roubo do dinheiro público nas concorrências fraudulentas). Em todos esses casos, o "jeitinho" surge como forma autoritária e individualista de desconsiderar as normas da vivência em coletividade.
  • 3.
    O que évalor? Estamos diante dos fatos que pretendemos analisar. Certas ações são objeto de valoração: podemos considerá-las justas ou injustas, certas ou erradas, boas ou más. E, em função de tais avaliações, são dignas de admiração ou desprezo. Porém o que é valorar? O que são valores? Olhe a imagem ao lado. O que você pensa? Provavelmente: ■ É uma caneta. ■ Ela é azul. ■ É nova. ■ Está destampada. ■ Será que escreve?
  • 4.
    VALORAÇÃO ■ Atribuir umvalor a alguma coisa é não ficar indiferente a ela. ■ Isso significa que os valores existem na ordem da afetividade. ■ Somos sempre afetados por elas de alguma forma. Reclamamos da caneta que não escreve bem, ouvimos várias vezes com prazer a música de nossa preferência, recriminamos quem usa de violência e assim por diante. ■ Valorar é uma experiência fundamentalmente humana que se encontra no centro de toda escolha de vida. Fazer um plano de ação nada mais é do que dar prioridade a certos valores, ou seja, escolher o que é melhor (seja do ponto de vista moral, utilitário etc.) e evitar o que é prejudicial para se atingir os fins propostos
  • 5.
    VALORES MORAIS ■ Dentreos mais diversos valores possíveis, vamos analisar os valores morais. Moral é o conjunto de regras de conduta consideradas válidas para um grupo ou para uma pessoa.
  • 6.
    Valores são históricose culturais ■ Os valores variam conforme o povo e a época. ■ É o que parece nos sugerir a diversidade de costumes: para algumas tribos, é indispensável matar os velhos e as crianças que nascem com algum defeito, o que para nós pode parecer incrível crueldade. ■ Na Idade Média era proibido dissecar cadáveres, e no entanto as instituições de justiça tinham o direito de torturar seres vivos. ■ Nosso costume de comer bife escandaliza o hindu, para quem a vaca é animal sagrado. ■ Isso significa que os valores são em parte herdados da cultura. Aliás, a primeira compreensão que temos do mundo é fundada no solo dos valores da comunidade a que pertencemos. ■ Em tese, tais valores existem para que a sociedade subsista, mantenha a integridade e possa se desenvolver. Ou seja, a moral existe para se viver melhor. Talvez essa afirmação cause espanto, se considerarmos que as regras morais são concebidas como condição de repressão humana, sendo, assim, geradoras de infelicidade.
  • 7.
    A regras moraisvalem para todos? ■ Nem sempre as regras morais visam ao bem da comunidade enquanto um todo. ■ Certas regras valem em determinadas circunstâncias e deixam de valer quando ocorrem alterações nas relações humanas. No entanto, existe a tendência de se resistir às mudanças, e, quando as regras permanecem inflexíveis, sedimentadas, acabam sendo esvaziadas de seu conteúdo vital e ficam caducas e sem sentido. A sociedade passa, então, por um momento de crise moral para cuja superação são exigidas inventividade e coragem, a fim de ser recriada uma moral verdadeiramente dinâmica e comprometida com a vida ■ Para manter o status quo, isto é, a situação vigente de forma inalterada, predominam a intolerância e a negação do pensamento divergente.
  • 8.
    Moral constituída xconstituinte ■ A experiência efetiva da vida moral supõe, portanto, o confronto contínuo entre a moral constituída (isto é, os valores herdados) e a moral constituinte, representada pela crítica aos valores ultrapassados. O esforço de construção da vida moral exige a discussão constante dos valores vigentes, a fim de verificar em que medida sua realização se faz em favor da vida ou da alienação.
  • 9.
    MORAL ■ A moralsurge pois do controle do desejo. Evidentemente, não se trata da repressão do desejo, pois o que se busca não é a sua anulação, mas a consciência clara do indivíduo que escolhe e decide o que deve ser feito em determinada situação. ■ O ato voluntário resulta da consciência da obrigação moral. Só que o dever moral não pode ser entendido como constrangimento externo, como coação de uns sobre outros, pois a submissão ao dever precisa ser livremente assumida. Ou seja, só há autêntica moral quando o indivíduo age por sua própria iniciativa, enquanto ser de liberdade. Autonomia (de auto, "próprio") significa autodeterminação, capacidade de decidir por si próprio a partir dos condicionamentos e determinismos. Por isso, todo ato moral está sujeito a sanção, ou seja, merece aprovação ou desaprovação, elogio ou censura.
  • 10.
    BEM X MAL ■Não basta "reformar o indivíduo para reformar a sociedade". Um projeto moral desligado do projeto político está destinado ao fracasso. Os dois processos devem caminhar juntos, pois formar o homem plenamente moral só é possível na sociedade que também se esforça para ser justa. ■ Quando falamos em moral, nos referimos às regras de conduta aceitas por um grupo ou pessoa. Ora, uma das preocupações do homem ao se comportar moralmente é saber distinguir o bem do mal, já que agir moralmente é agir de acordo com o bem.
  • 11.
    DILEMAS MORAIS ■ Umamenina de 10 anos é estuprada pelo tio há 4 anos, e o crime só foi descoberto porque a menina estava grávida de 5 meses. Os segmentos conservadores e religiosos da sociedade se posicionaram contra o aborto, pois entendem que de acordo com as regras da igreja cristã o aborto é pecado, é assassinato, e não se pode consertar um crime com outro crime, sacrificando a vida de um inocente. Os segmentos da sociedade que são mais progressistas acham um absurdo que conservadores considerem mais grave o aborto do que o estupro. Também discordam do ato de obrigar a criança de 10 anos a ter um filho, fruto de um estupro, sendo que o parto seria de risco. Além disso, quais as consequências psicológicas para essas 2 crianças depois? Quem criaria o bebê, se a menina já era criada pela avó? E se optasse por adoção, como viveria o resto de sua vida com essa escolha? ■ Existe solução fácil para essa questão? Não! ■ Existe uma atitude correta a ser tomada? Não! ■ São embates que ocorrem porque as pessoas tem pontos de vista diferentes e morais diferentes. Cada grupo defende o que acredita.
  • 12.
    EDUCAÇÃO, MORAL EÉTICA ■ Se os valores estão na base de todas as nossas ações, é inevitável reconhecer sua importância para a práxis educativa. No entanto, os valores transmitidos pela sociedade nem sempre são claramente tematizados, e até mesmo muitos educadores não baseiam sua prática em uma reflexão mais atenta a respeito. ■ A educação se tornará mais coerente e eficaz se formos capazes de explicitar esses valores.
  • 13.
    AULAS DE MORAL? ■De maneira genérica, a moral é o conjunto de regras de conduta adotadas pelos indivíduos de um grupo social e tem a finalidade de organizar as relações interpessoais segundo os valores do bem e do mal. Cada sociedade estimula alguns comportamentos, por considera-los adequados, e sujeita outros a sanções de diversos tipos, desde um olhar de reprovação até o desprezo ou a indignação. ■ Ora, o homem não nasce moral, torna-se moral. Nesse sentido, é importante o papel desempenhado pela educação, não mediante “aulas de moral”, mas por meio do processo mesmo da educação, enquanto a consideramos uma interação entre seres sociais: aprende-se moral pelo convívio humano. ■ Todo professor é professor de moral, ainda que o ignore. Dessa forma, quanto mais intencional for sua atuação, melhores serão os resultados.
  • 14.
    MORAL E ÉTICA■ Esse processo de conscientização de valores fará a ligação entre a escola e a vida: educamos para que se tornem pessoas capazes de bem viver. A partir de critérios morais, bem viver significa agir virtuosamente, agir segundo princípios. ■ A moral tem uma dupla face constituída pelo social e pessoal. Se esses polos são contraditórios, não deixam de ser inseparáveis. Tornar-se moral é assumir livremente regras que possibilitem o crescimento pessoal, entendendo- se pessoa como alguém que se integra em um grupo. Isso não é fácil, se pensarmos que a sociedade é plural e se constitui de valores conflitantes, diante dos quais devemos nos posicionar e escolher, ao mesmo tempo que aceitamos a divergência e o confronto de ideias.
  • 15.
    AUTONOMIA X HETERONOMIA ■A educação para a liberdade começa cedo e cada etapa do crescimento tem características próprias. Chegando à idade adulta, o homem estaria pronto para tornar- se plenamente moral. ■ O homem passa da heteronomia para a autonomia: a lei que obedece não é imposta do exterior, mas ditada pelo próprio sujeito moral. ■ Autonomia não se confunde com individualismo, porque moral significa ser responsável (responder por seus atos) e capaz de reciprocidade (toda ação é intersubjetiva). ■ A aprendizagem da vida moral não é espontânea nem resulta de automatismo. Daí as dificuldades que impedem muitos de alcançarem os níveis morais mais altos, o que não nos surpreende, em face das características individuais e altamente competitivas da sociedade em que vivemos.
  • 16.
    PLURALISMO? ■ A educaçãodas crianças e dos jovens tem atendido às expectativas dos grupos que detêm o poder em cada sociedade. Compreende-se então que existe uma escola dualista. ■ Nenhuma prática educativa é neutra – ou visa a conservação ou luta pela mudança. ■ Democracia apenas nos níveis formais. ■ É difícil estimular o pluralismo quando existe segregação, preconceito, exclusão, quando as pessoas estão acostumadas a obedecer, porque a regra é o autoritarismo decorrente das relações fortemente hierárquicas. ■ Isso não significa que a tarefa seja impossível. É um desafio que não passa apenas pelos bancos escolares, devendo mobilizar o esforço comum e constante do governo, dos professores, dos pais, dos centros culturais, enfim, de toda a sociedade civil.
  • 17.
  • 18.
  • 19.
    ARTE E ESTÉTICA ■ Ohomem não é apenas razão, é também afetividade. Por isso, nenhuma formação puramente intelectual dará conta da totalidade do humano. Daí a importância da arte como não só de produção e fruição estética, mas como instrumento de valorização integral do homem. ■ Diferente da ciência e do senso comum, que apreendem o objeto pela razão, a arte é uma forma de conhecimento que organiza o mundo por meio do sentimento, da intuição e da imaginação. ■ Explorar os sentidos, cultivar os sentimentos, abrir- se para a imaginação, aceitar o desafio da intuição é educar-se para a criatividade, para a invenção, para o novo. Tudo isso é o contrário do convencional, do definitivo, das formas impostas.
  • 20.
    O PAPEL DA ARTE ■A arte tem um papel formador da personalidade. A literatura não é uma experiência inofensiva, mas uma aventura que pode causar problemas psíquicos e morais, como acontece com a própria vida, de qual é a imagem e transfiguração. Como instrumento de instrução e educação, a literatura confirma e nega, propõe e denuncia, apoia e combate, fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os problemas. ■ Ficamos então a nos perguntar a respeito da sociedade injusta, que exclui tantos da fruição da arte em geral, seja a literatura, a pintura, a música etc. de fato, constatado o valor dinâmico da arte, podemos compreender que muitos a temam por sua possibilidade de subversão. Faz sentido que a censura das artes seja amiga inseparável de ditadores. ■ A investigação a respeito de valores estéticos, a preocupação em desenvolver no educando a percepção e a imaginação são importantes até para servir de contraponto à maneira pela qual a moral e a política lidam com as ações e paixões humanas.
  • 21.
    EDUCAÇÃO E LIBERDADE ■Destacando os valores morais, políticos e estéticos compreendemos os atos humanos como intencionais e livres. ■ Educação e liberdade são inseparáveis porque a liberdade não é algo que nos é dado, mas uma conquista do homem ao longo do seu amadurecimento, de modo que ele aprende a ser livre. Além disso, a educação autêntica só pode ser a educação para a liberdade para não se tornar adestramento ou doutrinação. ■ Liberdade numa concepção dialética: o homem é um ser situado e sofre múltiplas determinações. Mas também é consciente e é capaz de agir sobre a realidade, transformando- a. ■ Por ser sujeito, o homem age de forma pessoal e autônoma; por ser social, pertence ao grupo em que se insere. Não somos livres apesar dos outros, mas por causa deles.
  • 22.
    EDUCAÇÃO E LIBERDADE ■A liberdade não é pois uma dádiva, mas uma tarefa de construção a partir da situação dada de condições históricas concretas. ■ A criança faz uma lenta aprendizagem dos valores transmitidos pela cultura, aceitando-os num primeiro momento, sem discussão. Mesmo quando desobedece, não questiona o universo e a ordem estabelecida pelos adultos. Isso se deve ao fato de que a criança vive no mundo da heteronomia, no qual os valores e normas lhe são dados por outros. ■ Não é tarefa fácil conquistar a autonomia. Aprendemos a ser livres lentamente, superando nosso egoísmo e comodismo, de forma que, a partir da adolescência, o ser humano se encontra mais próximo do exercício pleno da liberdade.
  • 23.
    Dificuldade de umaeducação para a liberdade ■ Autoridade do professor: autoritarismo x anomia (ausência de lei). ■ A autoridade do professor não está na sua função nem na sua pessoa, mas na competência e no empenho profissional. O aluno aprenderá a respeitar o mestre quando for capaz de perceber que ambos tem objetivos comuns.
  • 24.
    CONFLITOS ■ Educar paraa liberdade requer a valorização do pluralismo das ideias, o que leva à divergências e conflitos. ■ O conflito é uma das condições principais para a existência de um mundo livre. Temos de aprender a trabalhar o conflito. ■ Dar condições para que o aluno se encontre e faça seu próprio caminho.
  • 26.
    REFERÊNCIAS ARANHA, M. L.A. Filosofia da educação. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2006. _______. Temas de Filosofia. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2005