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Artigo apartheid congresso 2011

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Resumo de trabalho apresentado e publicado nos anais do: III Congresso Latinoamericano de Arteterapia, IV Congresso do Mercosul de Arteterapia, I Congresso Lusobrasileiro de Arteterapia. Ouro Preto/2011. ISBN: 978-85-65121-00-2

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Artigo apartheid congresso 2011

  1. 1. O CORPO NO PROCESSO ARTETERAPÊUTICO: POR UM FIM AO APARTHEID E SEGREGAÇÃO DO SI-MESMO Andréa Graupen1 1 andreagraupen@yahoo.com.brResumo:A cisão mente-corpo, a despeito de todas as críticas que tem sofrido nas últimas décadas, é umarealidade. Enquanto arteterapeutas nos deparamos muitas vezes com corpos mortificados, compessoas que se desconectaram da sua experiência corporal. Neste contexto o trabalho propõe umapráxis que inclua o corpo e discute sobre o papel da arteterapia no sentido de promoção de saúde,tendo como suporte para intervenções fotografias e imagens do próprio corpo. O corpo torna-se opalco e a possibilidade de uma ação política e transformadora do ser.Palavras-chave: APARTHEID. ARTETERAPIA. CORPO.Abstract:The mind-body split, despite all the criticism it has suffered in recent decades is a reality. As arttherapists we encounter often with scarred bodies, with people who are disconnected from their bodilyexperience. In this context, the paper proposes and discusses a reflection on the role of art therapy inorder to promote health, supported interventions for photographs and images of the body. The bodybecomes the stage and the possibility of a transformative political action and of being.Keywords: APARTHEID. ART THERAPY. BODY.Resumen:La división entre mente y cuerpo, a pesar de todas las críticas que ha sufrido en las últimas décadases una realidad. Como terapeutas de arte que nos encontramos a menudo con cuerpos marcados,con personas que están desconectados de su experiencia corporal. En este contexto, el documentopropone y discute una reflexión sobre el papel de la terapia del arte con el fin de promover la salud,las intervenciones apoyadas por fotografías e imágenes del cuerpo. El cuerpo se convierte en elescenario y la posibilidad de una acción política transformadora y de ser.Palabras Claves: APARTHEID. ARTETERAPIA. CUERPO. tantas transformações sociais e tecnológicas, Introdução uma questão contemporânea. Nos consultórios e grupos de formação em arteterapia nosA dualidade mente e corpo, questão que não se chegam a todo instante, homens e mulheresinicia com Descartes no século XVII, mas que apartados, desconectados de seus corpos,tem nele o seu expoente maior é, a despeito de
  2. 2. “mortificados” como diria Birman (1980) em seus experiências como agressão física, abuso sexualestudos sobre a loucura e o processo de e a própria experiência do tempo inscrito na peleinternação em instituição asilar. Temos na deixam marcas no corpo que carregamos aomortificação o processo de tornar o corpo objeto, longo da vida. Algumas delas nos levam a umade sujeição, processo este também e impossibilidade da experiência de plenitude e deprincipalmente estimulado pela mídia (televisiva vida.e impressa) que nos incita para que tornemos ocorpo em “corpo ideal”, “corpo para consumir e Desenvolvimentoser consumido”. Através do trabalho arteterapêutico, é possível criar espaços de diálogos e de (re)apropriaçãoO apartheid “oficial” é a cruel história de do próprio corpo, da experiência de estar vivo esegregação racial, ocorrida na África do Sul, em conectado consigo mesmo, atualizar e elaborarmeados do século passado. Segundo o através da imagem corporal vivênciasdicionário Michaelis (2009, s/p) o apartheid é a traumáticas (situações de violência física, abusoPolítica de segregação racial, adotada pela República sexual) e vivências ligadas ao tempo (tatuagens,Sul-Africana, desde 1948 até 1995, entre seus marcas de expressão). O recurso expressivohabitantes, a qual objetiva o predomínio pleno dosbrancos sobre negros, mestiços e minorias de origem possibilita o contato com o corpo de forma lúdicaasiática. e criativa, que se estende para a vida como um todo. Ao olhar, experimentar e criar no corpoUtilizo o termo como uma metáfora e penso que abre-se espaço para contar, recontar e criar aem termos analíticos e arteterapêuticos o própria história. Sendo a arteterapia, emapartheid pode ser compreendido por uma especial, as práticas que incluem o corpo, umasupremacia da minoria branca (persona, possibilidade de fim da segregação do si-consciente) frente aos conteúdos negros mesmo.(sombra, inconsciente). E nos conteúdossombrios encontramos o próprio corpo. Ao Tendo como suporte inicial fotografias da própriamesmo tempo em que há uma valorização pessoa (sejam elas do corpo todo ou de partesexcessiva deste corpo, há também uma série de específicas) o trabalho com colagem depráticas e interdições atuando para calá-lo e materiais diversos, pintura, desenho e recursosaprisioná-lo, especialmente no que tange a tecnológicos (vídeos e photoshop) permite viaexpressão da sexualidade, onde operam imagem revelada trabalhar a luz e a sombra, o 1 claro e o escuro no si-mesmo. Ao utilizar odispositivos diversos. (FOUCAULT, 2009). método de amplificação simbólica no lidar comTodo este mecanismo, essa política de as imagens produzidas em atendimentosegregação, cria hiatos de proporções enormes, promovemos a circularidade da energia psíquicacisões profundas que se refletem em aprisionada.depressões, angústias, baixa auto-estima esenso de não pertencimento. Além das Resultados e Conclusõesexperiências no nível macro, algumas Ao utilizar no trabalho em arteterapia imagens do próprio corpo observa-se uma transformação1 1 “Um dispositivo é um conjunto heterogêneo de imediata no que diz respeito ao avivamento dadiscursos e práticas sociais, uma verdadeira rede quese estabelece entre elementos tão diversos como a energia psíquica, a pessoa sai da condição deliteratura, enunciados científicos, instituições e objeto e passa a ser sujeito da própria história.proposições morais.” (MISKOLCI, 2009, p. 154-155).
  3. 3. Ao revelar a imagem revelam-se potenciaisadormecidos e desconhecidos, revelando aimagem, revela-se a pessoa. Neste percurso oreconhecimento se faz presente, histórias sãonarradas e transformadas, há uma possibilidadede libertar a energia aprisionada naimagem/corpo, promovendo aumento da auto-estima e da energia de vida, há uma mudançana relação com o corpo e consequentementecom toda a vida.O trabalho a partir da imagem do corpo(fotografia e vídeo) se apresenta como umcampo criativo, de encontro e promoção dasaúde, via integração de conteúdos conscientese inconscientes. Se compreendermos o si-mesmo como totalidade, incluir o corpo naexperiência de vida torna-se imperativo. O corpotorna-se o palco e a possibilidade de uma açãopolítica e transformadora do ser. E quem sabe,finalmente o apartheid do si-mesmo possa serrevogado. Referências BibliográficasBIRMAN, J. A Psiquiatria como Discurso daMoralidade. Rio de Janeiro: Graal, 1978.FOUCAULT, M. História da sexualidade 1 - avontade de saber. 19. ed. São Paulo: Graal,2009.MICHAELIS. Disponível em:http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=apartheid. Acesso em11/07/2011.MISKOLCI, R. A Teoria Queer e a Sociologia: odesafio de uma analítica da normalização.Sociologias, Porto Alegre, v. 11, n. 21, p. 150-182, jan./jun., 2009.

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