SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 8
Baixar para ler offline
Como Construir:
Galerias de drenagem de águas pluviais com tubos de concreto
INTRODUÇÃO
Este texto tem como objetivo apresentar, de forma direta, os princípios básicos que regem a construção de redes
de drenagens pluviais com tubos de concreto enterrados (foto 1). Indica os conceitos para projeto, bem como
recomendações de instalação, para facilitar o entendimento sobre o comportamento em uso dessas redes. Para o bom
desempenho de uma rede de drenagem é fundamental que vários itens sejam atendidos. Vejamos.
Levantamento de dados:
Estudo minucioso dos fatores que irão contribuir para a alimentação da rede, como áreas, permeabilidade destas,
população, índices pluviométricos, características do solo de escavação e assentamento, entre outros.
Concepção da rede:
Deve considerar fatores como urbanização, topografia, pontos de descarga ou interligação com outras redes. Essa
etapa é fundamental e exige muita experiência dos engenheiros e técnicos envolvidos. A má concepção pode gerar uma
significativa alteração no custo final e eventualmente até da performance técnica da rede.
Foto 1 – Vista da obra de drenagem com tubos de concreto
Projeto Hidráulico
No projeto hidráulico são tomadas as decisões necessárias à garantia do bom desempenho funcional do condutor,
com a definição de suas características geométricas (secção de vazão, locação em planta e corte, etc.), medidas de
proteção contra a erosão, entupimentos, riscos de inundação, etc., levando-se em conta as ações hidráulicas capazes
de agir sobre a estrutura.
Os tubos de concreto são classificados como canais uniformes e retilíneos, com seção transversal, rugosidade das
paredes e declividades constantes em cada trecho a ser dimensionado por regime de escoamento permanente e livre.
Para a determinação de vazão de pequenas áreas, utiliza-se a equação do Método Racional e para o
dimensionamento hidráulico dos tubos, as equações de Chézy ou a de Manning ou a Fórmula Universal.
1.1 Método Racional:
Q = C x I x A onde:
Q = vazão, em L/s;
C = coeficiente de escoamento superficial, adimensional;
I = intensidade de precipitação, em L/s.ha;
A = área da bacia, em há.
1.2 Fórmula Manning
Q = (A x Rh
2/3
x I
½)
onde:
N
Q = vazão, em m
3
/s
A = área molhada, em m²
I = declividade, em 5 ou m/m
Rh = raio hidráulico, em m
N = coeficiente de Manning (no caso de tubos de concreto n= 0,013)
Obs: Recomenda-se limitar a velocidade média no máximo 5,0 m/seg, assim garantindo a integridade das paredes,
evitando-se erosões e no mínimo em 0,5m/seg para evitar o acúmulo de partículas sólidas eventualmente carregadas
pelos líquidos.
Projeto Estrutural
O projeto estrutural de uma tubulação enterrada deve merecer o mesmo cuidado de um projeto de estrutura,
embora, pela particularidade de “ficar escondida“, às vezes se dá menos atenção a obras desse tipo.
A seguir, serão apresentados alguns conceitos envolvidos no cálculo estrutural de tubos de concreto, abordando
o aspecto dos dois principais tipos de cargas atuantes sobre as tubulações, e determinando a classe de resistência
das tubulações rígidas, utilizando-se a norma brasileira.
Figura 1 – Desenho esquemático dos tipos de valas e aterros
2 – DETERMINAÇÃO DOS CARREGAMENTOS
Os métodos mais utilizados são as teorias de Marston – Spangler, aplicadas ao dimensionamento nas
condições (figura 1):
? Valas ou trincheiras;
? Aterros
2.1 DETERMINAÇÃO DAS CARGAS DE TERRA
No caso de carga de terra sobre o tubo na condição de vala:
P = Cv x ? x B x B onde:
P = carga sobre o tubo por unidade de comprimento
B = largura da vala no plano da geratriz superior do tubo
Cv = coeficiente de carga para tubos instalados em vala, que depende do tipo de solo, da profundidade da
instalação “H”e da largura de vala “B”. (tabelas)
? = peso especifico do solo de reaterro
No caso de carga de terra sobre o tubo na condição de aterro:
P = CA x ? x D
2
onde:
P = carga sobre o tubo por unidade de comprimento.
CA = Coeficiente de carga para tubos instalados na condição de aterro, sendo função do tipo de solo (Ku), da
profundidade da instalação, do diâmetro do tubo, da taxa de recalque rsd.
2.2 DETERMINAÇÃO DAS CARGAS MÓVEIS
São resultantes do tráfego na superfície (figura 2).
A pressão resultante no solo pode ser calculada através da integração de Newmark para a formula de
Boussinesq:
M = Ct * (P * F)/L – Cargas concentradas
M = Ct * q * F * De – Cargas distribuídas
Onde:
P = Carga concentrada (por exemplo, a roda do veículo) aplicada na superfície do solo segundo a vertical
do centro do tubo.
q = Carga uniformemente distribuída.
L = comprimento do tubo.
De = diâmetro externo da tubulação.
Ct = coeficiente de Marston que depende de m = L/2h e n = De/2h
F = Coeficiente de impacto, sendo: F = 1,50 para rodovias
F = 1,75 para ferrovias
F = 1,00 à 1,50 para aeroportos
Figura 2 – Desenho esquemático das cargas móveis
2.3 DETERMINAÇÃO DA CARGA TOTAL
2.4 DETERMINAÇÃO DA CLASSE DE RESISTÊNCIA DOS TUBOS DE CONCRETO
Carga total = carga de terra+ carga móvel
É de fundamental importância a realização de sondagens ao longo das redes, para a determinação das
tensões admissíveis do solo e conseqüentemente sua capacidade de suporte.
Este procedimento determina a escolha do tipo de base para assentamento das tubulações, podendo ser
diretamente sobre o solo local; diretamente sobre o solo local, mas com a acomodação da bolsa ou sobre base
de rachão (brita 3 e 4); sobre brita graduada ou material granular, e até mesmo sobre berço de concreto, onde o
fator de equivalência (FE) será respectivamente 1,1; 1,5; 1,9; 2,25 a 3,4.
Foto 2 – Abertura da vala Foto 3 – Ensaio de compressão diametral
Devemos sempre salientar a importância de estudos técnico-econômicos sobre todas as possibilidades,
buscando a solução de melhor custo-benefício.
Com a determinação da carga total (somatória das cargas de terra e das cargas móveis) e do fator de
equivalência, determinamos a carga que efetivamente atua sobre os tubos e conseqüentemente podemos
especificar a classe de resistência do tubo comparando este valor aos especificados pela NBR8890/2003.
Onde:
FE – Fator de Equivalência
Nota: As classes de resistência previstos na NBR 8890/03 para tubos de concreto destinados a condução de
águas pluviais, são:
PS1 e PS2 – para tubos de concreto simples (diâmetro de 200 a 600 mm)
PA1, PA2, PA3 e PA4 – para tubos de concreto armado (diâmetro de 300 a 2000 mm).
Carga atuante sobre o tubo de concreto = Carga Total
FE
Execução das Obras
As redes de tubos de concreto para drenagem pluvial podem ser executadas em valas ou aterros, devendo em
qualquer caso ter a preocupação de apoiar uniformemente todo o corpo cilíndrico do tubo, criando nichos para
acomodação das bolsas, evitando-se a concentração de tensões nas tubulações.
3 – EXECUÇÃO DE OBRAS
As obras de execução de redes de drenagem de água pluvial, devem obedecer rigorosamente as normas técnicas
pertinentes
Antes de se iniciar as obras, é necessário a determinação ou locação das coordenadas de projeto, assim como
medidas de proteção e sinalização, quando necesárias. Posteriormente, inicia-se a execução da obra, sendo:
3.1 – ESCAVAÇÃO DA VALA
Quando os tubos forem assentados em valas, estas deverão ter dimensões compatíveis com seu diâmetro
permitindo a montagem, rejuntamento no caso de junta rígida e reaterro compactado da vala.
As valas deverão ser abertas sempre de jusante para montante (foto 2), com acompanhamento topográfico e
seguindo as cotas, alinhamentos e perfis longitudinais estipulados em projeto.
Estudos geotécnicos irão determinar a necessidade ou não de escoramentos em função da estabilidade do solo e
profundidade da vala, que poderão ser contínuos ou localizados, executados em madeira, perfis metálicos ou um misto
(perfis metálicos e madeira). Lembrando que é obrigatório o escoramento para valas com profundidade superior a 1,25
m, conforme Portaria no. 18 do Ministério do Trabalho.
Também, cuidados especiais deverão ser tomados nos casos em que for necessária a realização de rebaixamento
do lençol freático.
3.2 – CONTROLE DE QUALIDADE DOS TUBOS DE CONCRETO (ENSAIOS)
Apesar das empresas fabricantes de tubos virem se aprimorando ano a ano, é importante que o contratante faça o
controle de qualidade, a fim de garantir o perfeito atendimento as especificações exigidas no projeto e na normalização.
Devem ser realizados os ensaios de controle de qualidade para o recebimento dos tubos na obra, estão previstos
na NBR 8890/03, sendo os seguintes:
? Verificação das características geométricas (análise dimensional).
? Determinação da resistência à compressão diametral (foto 3).
? Determinação do índice de absorção de água.
? Verificação da estanqueidade da junta (quando tiver junta elástica).
Atualmente, os fabricantes estão incorporando juntas elásticas aos tubos de concreto (foto 4), a fim de garantir a
estanqueidade do sistema e a rapidez das obras.
Foto 4 – Tubo de concreto com junta elástica Foto 5 – Assentamento dos tubos de concreto
Foto 6 – Compactação do reaterro
3.3 – ASSENTAMENTO DOS TUBOS
Deverá seguir paralelamente à abertura da vala, de jusante para montante, com a bolsa voltada para montante.
A decida dos tubos na vala deve ser feita cuidadosamente, manualmente ou com o auxílio de equipamentos
mecânicos (equipamentos mecânicos). Os tubos devem estar limpos internamente e sem defeitos.
Cuidado especial deve ser tomado principalmente com as bolsas e pontas dos tubos, contra possíveis danos na
utilização de cabos e/ou tesouras.
No momento do acoplamento os tubos devem ser suspensos por cabos de aço ou cinta, sempre pelo diâmetro
externo, verificando-se o alinhamento dos extremos a serem acoplados.
Quando a rede tiver junta elástica, devemos observar se os anéis de borracha estão posicionados corretamente e
após o acoplamento, não há a necessidade de realizar o rejuntamento.
Caso os tubos tenham de junta rígida, após o acoplamento, deve-se executar o rejuntamento dos tubos pelo lado
externo com a utilização de argamassa de areia e cimento. Para tubos com diâmetro nominal interno de 800 mm em
diante, recomenda-se também o rejuntamento interno.
3.4 – REATERRO DA VALA
Deverá ser feito com material compatível e com o nível de compactação adequado.
Cuidados especiais deverão ser tomados com o reaterro inicial ao lado dos tubos, pois normalmente o local é de
difícil acesso, dificultando a compactação do solo.
O material do reaterro deverá ser lançado em camadas de no máximo 20 cm, com umidade próxima da ótima e
compactado com equipamento manual tipo “sapo-mecânico”, até uma altura mínima de 80 cm sobre a geratriz superior
do tubo, quando poderá ser compactado com equipamento autopropelido.
Antes de iniciar a compactação mecânica do reaterro com equipamento de grande porte (foto 6), é importante que
o engenheiro responsável verifique se o tubo foi dimensionado para aquela determinada solicitação de carga.
************************************************************************************************
Nota: A ABTC, visando facilitar o dimensionamento hidráulico e estrutural desenvolveu um software que está
disponível no site (www.abtc.com.br). O software aborda simplesmente os casos mais comuns de dimensionamento, em
caso de projetos específicos, deve-se procurar literaturas especializadas.
Autores:
Eng. Fernando J. Relvas
Diretor da Exata Eng. e Ass.Ltda. Prof. das Fac. de Eng. da FAAP E Univ. Anhembi-Morumbi
Eng. Alírio Brasil Gimenez
Diretor Presidente da Fermix Ind. e Com. Ltda
Eng. Marco Aurélio W. Segnini
Secretário Executivo da ABTC
Obs.: Texto publicado originalmente na revista Techne (Editora Pini), edição 93 (dezembro 2004).

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Inst. agua fria predial hidraulica
Inst. agua fria predial   hidraulicaInst. agua fria predial   hidraulica
Inst. agua fria predial hidraulicaPriscilla Scura
 
Livro Coleta e Tratamento de esgoto sanitário
Livro Coleta e Tratamento de esgoto sanitárioLivro Coleta e Tratamento de esgoto sanitário
Livro Coleta e Tratamento de esgoto sanitárioJoão Ricardo Bertoncini
 
Unidade 3 Projeto de terraplenagem
Unidade 3   Projeto de terraplenagemUnidade 3   Projeto de terraplenagem
Unidade 3 Projeto de terraplenagemAlexandre Esmeraldo
 
Cálculo da capacidade de carga de fundações em estacas pelo SPT
Cálculo da capacidade de carga de fundações em estacas pelo SPTCálculo da capacidade de carga de fundações em estacas pelo SPT
Cálculo da capacidade de carga de fundações em estacas pelo SPTEngenheiro No Canteiro
 
Muros de arrimo, dimensionamento e detalhamento
Muros de arrimo, dimensionamento e detalhamentoMuros de arrimo, dimensionamento e detalhamento
Muros de arrimo, dimensionamento e detalhamentorubensmax
 
Linhas de-influencia-de-estruturas-isostaticas (1)
Linhas de-influencia-de-estruturas-isostaticas (1)Linhas de-influencia-de-estruturas-isostaticas (1)
Linhas de-influencia-de-estruturas-isostaticas (1)UFRJ
 
Cap6 adutoras
Cap6 adutorasCap6 adutoras
Cap6 adutorasdcaldeira
 
Introdução a Drenagem de Pluviais
Introdução a Drenagem de PluviaisIntrodução a Drenagem de Pluviais
Introdução a Drenagem de Pluviaisleosoares
 
Aula de instalacoes prediais de água fria
Aula de instalacoes prediais de água friaAula de instalacoes prediais de água fria
Aula de instalacoes prediais de água friaAndréa Camara
 
Orientações para a elaboração e apresentação de projeto de barragem
Orientações para a elaboração e apresentação de projeto de barragemOrientações para a elaboração e apresentação de projeto de barragem
Orientações para a elaboração e apresentação de projeto de barragemiicabrasil
 
Aula 1-instalacoes-hidraulicas-2
Aula 1-instalacoes-hidraulicas-2Aula 1-instalacoes-hidraulicas-2
Aula 1-instalacoes-hidraulicas-2Djair Felix
 
Nbr 12216 92 projeto de estação de tratamento de água para
Nbr 12216 92   projeto de estação de tratamento de água paraNbr 12216 92   projeto de estação de tratamento de água para
Nbr 12216 92 projeto de estação de tratamento de água paraJacqueline Schultz
 
NBR 5626/1998
NBR 5626/1998NBR 5626/1998
NBR 5626/1998UNIFIA
 
Álbum de Projetos - Tipo de dispositivos de drenagem
Álbum de Projetos - Tipo de dispositivos de drenagemÁlbum de Projetos - Tipo de dispositivos de drenagem
Álbum de Projetos - Tipo de dispositivos de drenagemJiselmo Vieira
 

Mais procurados (20)

Lajes
LajesLajes
Lajes
 
Inst. agua fria predial hidraulica
Inst. agua fria predial   hidraulicaInst. agua fria predial   hidraulica
Inst. agua fria predial hidraulica
 
Cálculo de radier
Cálculo de radierCálculo de radier
Cálculo de radier
 
Livro Coleta e Tratamento de esgoto sanitário
Livro Coleta e Tratamento de esgoto sanitárioLivro Coleta e Tratamento de esgoto sanitário
Livro Coleta e Tratamento de esgoto sanitário
 
Apostila drenagem 2009
Apostila drenagem 2009Apostila drenagem 2009
Apostila drenagem 2009
 
Unidade 3 Projeto de terraplenagem
Unidade 3   Projeto de terraplenagemUnidade 3   Projeto de terraplenagem
Unidade 3 Projeto de terraplenagem
 
Cálculo da capacidade de carga de fundações em estacas pelo SPT
Cálculo da capacidade de carga de fundações em estacas pelo SPTCálculo da capacidade de carga de fundações em estacas pelo SPT
Cálculo da capacidade de carga de fundações em estacas pelo SPT
 
Esgotos
EsgotosEsgotos
Esgotos
 
Muros de arrimo, dimensionamento e detalhamento
Muros de arrimo, dimensionamento e detalhamentoMuros de arrimo, dimensionamento e detalhamento
Muros de arrimo, dimensionamento e detalhamento
 
Linhas de-influencia-de-estruturas-isostaticas (1)
Linhas de-influencia-de-estruturas-isostaticas (1)Linhas de-influencia-de-estruturas-isostaticas (1)
Linhas de-influencia-de-estruturas-isostaticas (1)
 
coleta e transporte de esgoto - Tsutiya
coleta e transporte de esgoto - Tsutiya coleta e transporte de esgoto - Tsutiya
coleta e transporte de esgoto - Tsutiya
 
Cap6 adutoras
Cap6 adutorasCap6 adutoras
Cap6 adutoras
 
Introdução a Drenagem de Pluviais
Introdução a Drenagem de PluviaisIntrodução a Drenagem de Pluviais
Introdução a Drenagem de Pluviais
 
Aula de instalacoes prediais de água fria
Aula de instalacoes prediais de água friaAula de instalacoes prediais de água fria
Aula de instalacoes prediais de água fria
 
Orientações para a elaboração e apresentação de projeto de barragem
Orientações para a elaboração e apresentação de projeto de barragemOrientações para a elaboração e apresentação de projeto de barragem
Orientações para a elaboração e apresentação de projeto de barragem
 
Saneamento
SaneamentoSaneamento
Saneamento
 
Aula 1-instalacoes-hidraulicas-2
Aula 1-instalacoes-hidraulicas-2Aula 1-instalacoes-hidraulicas-2
Aula 1-instalacoes-hidraulicas-2
 
Nbr 12216 92 projeto de estação de tratamento de água para
Nbr 12216 92   projeto de estação de tratamento de água paraNbr 12216 92   projeto de estação de tratamento de água para
Nbr 12216 92 projeto de estação de tratamento de água para
 
NBR 5626/1998
NBR 5626/1998NBR 5626/1998
NBR 5626/1998
 
Álbum de Projetos - Tipo de dispositivos de drenagem
Álbum de Projetos - Tipo de dispositivos de drenagemÁlbum de Projetos - Tipo de dispositivos de drenagem
Álbum de Projetos - Tipo de dispositivos de drenagem
 

Destaque

684067 apostila drenagem (parte 1)
684067 apostila   drenagem (parte 1)684067 apostila   drenagem (parte 1)
684067 apostila drenagem (parte 1)Rodrigo Grazi
 
Aula 1 - Drenagem
Aula 1 - DrenagemAula 1 - Drenagem
Aula 1 - Drenagemguest38004a
 
Avaliacao obras drenagem
Avaliacao obras drenagemAvaliacao obras drenagem
Avaliacao obras drenagemKildson Michel
 
Nbr 08160 1999 - sistemas prediais de esgoto sanitario - projeto e execucao
Nbr 08160   1999 - sistemas prediais de esgoto sanitario - projeto e execucaoNbr 08160   1999 - sistemas prediais de esgoto sanitario - projeto e execucao
Nbr 08160 1999 - sistemas prediais de esgoto sanitario - projeto e execucaoJulia Rodrigues
 
Coletanea PMBoK Esaf
Coletanea PMBoK Esaf  Coletanea PMBoK Esaf
Coletanea PMBoK Esaf Walter Cunha
 
Gestão das águas Drenagem Urbana
Gestão das águas   Drenagem UrbanaGestão das águas   Drenagem Urbana
Gestão das águas Drenagem UrbanaWanessa de Castro
 
Coletanea Redes de Computadores (ESAF) - Walter Cunha
Coletanea Redes de Computadores (ESAF) - Walter CunhaColetanea Redes de Computadores (ESAF) - Walter Cunha
Coletanea Redes de Computadores (ESAF) - Walter CunhaWalter Cunha
 
Aula de Hidrologia 03
Aula de Hidrologia 03Aula de Hidrologia 03
Aula de Hidrologia 03Ronaldo Cesar
 
Drenagem de Taludes
Drenagem de TaludesDrenagem de Taludes
Drenagem de Taludescamilapasta
 
Estatistica concursos esaf
Estatistica concursos esafEstatistica concursos esaf
Estatistica concursos esafJ M
 
Manual Sinalizacao Rodoviaria
Manual Sinalizacao RodoviariaManual Sinalizacao Rodoviaria
Manual Sinalizacao RodoviariaJiselmo Vieira
 
Questões de português esaf
Questões de português esafQuestões de português esaf
Questões de português esafCléa Gomes
 
Apostila saneamento básico
Apostila saneamento básicoApostila saneamento básico
Apostila saneamento básicoMarco Antonio
 

Destaque (20)

Drenagem urbana
Drenagem urbanaDrenagem urbana
Drenagem urbana
 
684067 apostila drenagem (parte 1)
684067 apostila   drenagem (parte 1)684067 apostila   drenagem (parte 1)
684067 apostila drenagem (parte 1)
 
11aula escoamento
11aula escoamento11aula escoamento
11aula escoamento
 
Aula 1 - Drenagem
Aula 1 - DrenagemAula 1 - Drenagem
Aula 1 - Drenagem
 
Avaliacao obras drenagem
Avaliacao obras drenagemAvaliacao obras drenagem
Avaliacao obras drenagem
 
Nbr 08160 1999 - sistemas prediais de esgoto sanitario - projeto e execucao
Nbr 08160   1999 - sistemas prediais de esgoto sanitario - projeto e execucaoNbr 08160   1999 - sistemas prediais de esgoto sanitario - projeto e execucao
Nbr 08160 1999 - sistemas prediais de esgoto sanitario - projeto e execucao
 
Drenagem
DrenagemDrenagem
Drenagem
 
Coletanea PMBoK Esaf
Coletanea PMBoK Esaf  Coletanea PMBoK Esaf
Coletanea PMBoK Esaf
 
Portugues
Portugues  Portugues
Portugues
 
Gestão das águas Drenagem Urbana
Gestão das águas   Drenagem UrbanaGestão das águas   Drenagem Urbana
Gestão das águas Drenagem Urbana
 
Drenagem urbana.2007
Drenagem urbana.2007Drenagem urbana.2007
Drenagem urbana.2007
 
Cartilha drenagem
Cartilha drenagemCartilha drenagem
Cartilha drenagem
 
Coletanea Redes de Computadores (ESAF) - Walter Cunha
Coletanea Redes de Computadores (ESAF) - Walter CunhaColetanea Redes de Computadores (ESAF) - Walter Cunha
Coletanea Redes de Computadores (ESAF) - Walter Cunha
 
Aula de Hidrologia 03
Aula de Hidrologia 03Aula de Hidrologia 03
Aula de Hidrologia 03
 
Drenagem de Taludes
Drenagem de TaludesDrenagem de Taludes
Drenagem de Taludes
 
Estatistica concursos esaf
Estatistica concursos esafEstatistica concursos esaf
Estatistica concursos esaf
 
Manual Sinalizacao Rodoviaria
Manual Sinalizacao RodoviariaManual Sinalizacao Rodoviaria
Manual Sinalizacao Rodoviaria
 
REDE DE DRENAGEM
REDE DE DRENAGEMREDE DE DRENAGEM
REDE DE DRENAGEM
 
Questões de português esaf
Questões de português esafQuestões de português esaf
Questões de português esaf
 
Apostila saneamento básico
Apostila saneamento básicoApostila saneamento básico
Apostila saneamento básico
 

Semelhante a Galerias de drenagem de águas pluviais com tubos de concreto

Catalogo helice continua
Catalogo helice continuaCatalogo helice continua
Catalogo helice continuaThiago Maciel
 
1º resumo túneis e obras subterrâneas
1º  resumo túneis e obras subterrâneas1º  resumo túneis e obras subterrâneas
1º resumo túneis e obras subterrâneasLuciano José Rezende
 
Barragens sandroni - 2006 - 4 percolação fundações
Barragens   sandroni - 2006 - 4 percolação fundaçõesBarragens   sandroni - 2006 - 4 percolação fundações
Barragens sandroni - 2006 - 4 percolação fundaçõesAlex Duarte
 
Trabalho final pontes.doc
Trabalho final pontes.docTrabalho final pontes.doc
Trabalho final pontes.docThomasCipriano2
 
APRESENTAÇÃO DE RESULTADO RECORDE EM ENSAIO BIDIRECIONAL, PROVA DE CARGA COM ...
APRESENTAÇÃO DE RESULTADO RECORDE EM ENSAIO BIDIRECIONAL, PROVA DE CARGA COM ...APRESENTAÇÃO DE RESULTADO RECORDE EM ENSAIO BIDIRECIONAL, PROVA DE CARGA COM ...
APRESENTAÇÃO DE RESULTADO RECORDE EM ENSAIO BIDIRECIONAL, PROVA DE CARGA COM ...Felipe Souza Cruz
 
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoesLukasSeize
 
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoesLukasSeize
 
PONTES POR BALANÇOS SUCESSIVOS
PONTES POR BALANÇOS SUCESSIVOSPONTES POR BALANÇOS SUCESSIVOS
PONTES POR BALANÇOS SUCESSIVOSDiego Marques
 
Aula de Abertura de Vala
Aula de Abertura de ValaAula de Abertura de Vala
Aula de Abertura de ValaMarco Taveira
 
Sistemas de rebaixamento de lençol freatico
Sistemas de rebaixamento de lençol freaticoSistemas de rebaixamento de lençol freatico
Sistemas de rebaixamento de lençol freaticoJaeferson Batista
 
Manual No.26 - Modelação numérica da escavação de um túnel através do método ...
Manual No.26 - Modelação numérica da escavação de um túnel através do método ...Manual No.26 - Modelação numérica da escavação de um túnel através do método ...
Manual No.26 - Modelação numérica da escavação de um túnel através do método ...GEO5 Software - PT
 
Concreto para dutos terrestres
Concreto para dutos terrestresConcreto para dutos terrestres
Concreto para dutos terrestresMarco Taveira
 
Psi analise corrego do aeroporto e grota criminosa
Psi   analise corrego do aeroporto e grota criminosaPsi   analise corrego do aeroporto e grota criminosa
Psi analise corrego do aeroporto e grota criminosaClarindo Junior
 
Hidráulica de Canais
Hidráulica de CanaisHidráulica de Canais
Hidráulica de CanaisDanilo Max
 
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoesLuiz Carlos
 
Elementos de Concreto Armado - Concretagem
Elementos de Concreto Armado - ConcretagemElementos de Concreto Armado - Concretagem
Elementos de Concreto Armado - ConcretagemRodrigo Andrade Brígido
 

Semelhante a Galerias de drenagem de águas pluviais com tubos de concreto (20)

Catalogo helice continua
Catalogo helice continuaCatalogo helice continua
Catalogo helice continua
 
Catalogo helice continua_monitorada
Catalogo helice continua_monitoradaCatalogo helice continua_monitorada
Catalogo helice continua_monitorada
 
Microdrenagem.pdf
Microdrenagem.pdfMicrodrenagem.pdf
Microdrenagem.pdf
 
1º resumo túneis e obras subterrâneas
1º  resumo túneis e obras subterrâneas1º  resumo túneis e obras subterrâneas
1º resumo túneis e obras subterrâneas
 
Barragens sandroni - 2006 - 4 percolação fundações
Barragens   sandroni - 2006 - 4 percolação fundaçõesBarragens   sandroni - 2006 - 4 percolação fundações
Barragens sandroni - 2006 - 4 percolação fundações
 
Trabalho final pontes.doc
Trabalho final pontes.docTrabalho final pontes.doc
Trabalho final pontes.doc
 
APRESENTAÇÃO DE RESULTADO RECORDE EM ENSAIO BIDIRECIONAL, PROVA DE CARGA COM ...
APRESENTAÇÃO DE RESULTADO RECORDE EM ENSAIO BIDIRECIONAL, PROVA DE CARGA COM ...APRESENTAÇÃO DE RESULTADO RECORDE EM ENSAIO BIDIRECIONAL, PROVA DE CARGA COM ...
APRESENTAÇÃO DE RESULTADO RECORDE EM ENSAIO BIDIRECIONAL, PROVA DE CARGA COM ...
 
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
 
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
 
Ribeira memoria de_calculo
Ribeira memoria de_calculoRibeira memoria de_calculo
Ribeira memoria de_calculo
 
Obras subterraneas
Obras subterraneasObras subterraneas
Obras subterraneas
 
PONTES POR BALANÇOS SUCESSIVOS
PONTES POR BALANÇOS SUCESSIVOSPONTES POR BALANÇOS SUCESSIVOS
PONTES POR BALANÇOS SUCESSIVOS
 
Aula de Abertura de Vala
Aula de Abertura de ValaAula de Abertura de Vala
Aula de Abertura de Vala
 
Sistemas de rebaixamento de lençol freatico
Sistemas de rebaixamento de lençol freaticoSistemas de rebaixamento de lençol freatico
Sistemas de rebaixamento de lençol freatico
 
Manual No.26 - Modelação numérica da escavação de um túnel através do método ...
Manual No.26 - Modelação numérica da escavação de um túnel através do método ...Manual No.26 - Modelação numérica da escavação de um túnel através do método ...
Manual No.26 - Modelação numérica da escavação de um túnel através do método ...
 
Concreto para dutos terrestres
Concreto para dutos terrestresConcreto para dutos terrestres
Concreto para dutos terrestres
 
Psi analise corrego do aeroporto e grota criminosa
Psi   analise corrego do aeroporto e grota criminosaPsi   analise corrego do aeroporto e grota criminosa
Psi analise corrego do aeroporto e grota criminosa
 
Hidráulica de Canais
Hidráulica de CanaisHidráulica de Canais
Hidráulica de Canais
 
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
1901103rev0 apostila soldagemtubulacoes
 
Elementos de Concreto Armado - Concretagem
Elementos de Concreto Armado - ConcretagemElementos de Concreto Armado - Concretagem
Elementos de Concreto Armado - Concretagem
 

Mais de Jupira Silva

Mais de Jupira Silva (20)

Resolucao189 06
Resolucao189 06Resolucao189 06
Resolucao189 06
 
Resolucao187 06
Resolucao187 06Resolucao187 06
Resolucao187 06
 
Resolucao186 06
Resolucao186 06Resolucao186 06
Resolucao186 06
 
Resolucao185 05
Resolucao185 05Resolucao185 05
Resolucao185 05
 
Resolucao184 05
Resolucao184 05Resolucao184 05
Resolucao184 05
 
Resolucao182 05
Resolucao182 05Resolucao182 05
Resolucao182 05
 
Resolucao181 05
Resolucao181 05Resolucao181 05
Resolucao181 05
 
Resolucao179 05
Resolucao179 05Resolucao179 05
Resolucao179 05
 
Resolucao178 05
Resolucao178 05Resolucao178 05
Resolucao178 05
 
Resolucao174 05
Resolucao174 05Resolucao174 05
Resolucao174 05
 
Resolucao169 05
Resolucao169 05Resolucao169 05
Resolucao169 05
 
Resolucao168 04
Resolucao168 04Resolucao168 04
Resolucao168 04
 
Resolucao166 04
Resolucao166 04Resolucao166 04
Resolucao166 04
 
Resolucao165 04
Resolucao165 04Resolucao165 04
Resolucao165 04
 
Resolucao164 04
Resolucao164 04Resolucao164 04
Resolucao164 04
 
Resolucao163 04
Resolucao163 04Resolucao163 04
Resolucao163 04
 
Resolucao157 04
Resolucao157 04Resolucao157 04
Resolucao157 04
 
Resolucao155 03
Resolucao155 03Resolucao155 03
Resolucao155 03
 
Resolucao153 03
Resolucao153 03Resolucao153 03
Resolucao153 03
 
Resolucao151 03
Resolucao151 03Resolucao151 03
Resolucao151 03
 

Galerias de drenagem de águas pluviais com tubos de concreto

  • 1. Como Construir: Galerias de drenagem de águas pluviais com tubos de concreto INTRODUÇÃO Este texto tem como objetivo apresentar, de forma direta, os princípios básicos que regem a construção de redes de drenagens pluviais com tubos de concreto enterrados (foto 1). Indica os conceitos para projeto, bem como recomendações de instalação, para facilitar o entendimento sobre o comportamento em uso dessas redes. Para o bom desempenho de uma rede de drenagem é fundamental que vários itens sejam atendidos. Vejamos. Levantamento de dados: Estudo minucioso dos fatores que irão contribuir para a alimentação da rede, como áreas, permeabilidade destas, população, índices pluviométricos, características do solo de escavação e assentamento, entre outros. Concepção da rede: Deve considerar fatores como urbanização, topografia, pontos de descarga ou interligação com outras redes. Essa etapa é fundamental e exige muita experiência dos engenheiros e técnicos envolvidos. A má concepção pode gerar uma significativa alteração no custo final e eventualmente até da performance técnica da rede. Foto 1 – Vista da obra de drenagem com tubos de concreto
  • 2. Projeto Hidráulico No projeto hidráulico são tomadas as decisões necessárias à garantia do bom desempenho funcional do condutor, com a definição de suas características geométricas (secção de vazão, locação em planta e corte, etc.), medidas de proteção contra a erosão, entupimentos, riscos de inundação, etc., levando-se em conta as ações hidráulicas capazes de agir sobre a estrutura. Os tubos de concreto são classificados como canais uniformes e retilíneos, com seção transversal, rugosidade das paredes e declividades constantes em cada trecho a ser dimensionado por regime de escoamento permanente e livre. Para a determinação de vazão de pequenas áreas, utiliza-se a equação do Método Racional e para o dimensionamento hidráulico dos tubos, as equações de Chézy ou a de Manning ou a Fórmula Universal. 1.1 Método Racional: Q = C x I x A onde: Q = vazão, em L/s; C = coeficiente de escoamento superficial, adimensional; I = intensidade de precipitação, em L/s.ha; A = área da bacia, em há. 1.2 Fórmula Manning Q = (A x Rh 2/3 x I ½) onde: N Q = vazão, em m 3 /s A = área molhada, em m² I = declividade, em 5 ou m/m Rh = raio hidráulico, em m N = coeficiente de Manning (no caso de tubos de concreto n= 0,013) Obs: Recomenda-se limitar a velocidade média no máximo 5,0 m/seg, assim garantindo a integridade das paredes, evitando-se erosões e no mínimo em 0,5m/seg para evitar o acúmulo de partículas sólidas eventualmente carregadas pelos líquidos.
  • 3. Projeto Estrutural O projeto estrutural de uma tubulação enterrada deve merecer o mesmo cuidado de um projeto de estrutura, embora, pela particularidade de “ficar escondida“, às vezes se dá menos atenção a obras desse tipo. A seguir, serão apresentados alguns conceitos envolvidos no cálculo estrutural de tubos de concreto, abordando o aspecto dos dois principais tipos de cargas atuantes sobre as tubulações, e determinando a classe de resistência das tubulações rígidas, utilizando-se a norma brasileira. Figura 1 – Desenho esquemático dos tipos de valas e aterros 2 – DETERMINAÇÃO DOS CARREGAMENTOS Os métodos mais utilizados são as teorias de Marston – Spangler, aplicadas ao dimensionamento nas condições (figura 1): ? Valas ou trincheiras; ? Aterros 2.1 DETERMINAÇÃO DAS CARGAS DE TERRA No caso de carga de terra sobre o tubo na condição de vala: P = Cv x ? x B x B onde: P = carga sobre o tubo por unidade de comprimento B = largura da vala no plano da geratriz superior do tubo Cv = coeficiente de carga para tubos instalados em vala, que depende do tipo de solo, da profundidade da instalação “H”e da largura de vala “B”. (tabelas) ? = peso especifico do solo de reaterro No caso de carga de terra sobre o tubo na condição de aterro:
  • 4. P = CA x ? x D 2 onde: P = carga sobre o tubo por unidade de comprimento. CA = Coeficiente de carga para tubos instalados na condição de aterro, sendo função do tipo de solo (Ku), da profundidade da instalação, do diâmetro do tubo, da taxa de recalque rsd. 2.2 DETERMINAÇÃO DAS CARGAS MÓVEIS São resultantes do tráfego na superfície (figura 2). A pressão resultante no solo pode ser calculada através da integração de Newmark para a formula de Boussinesq: M = Ct * (P * F)/L – Cargas concentradas M = Ct * q * F * De – Cargas distribuídas Onde: P = Carga concentrada (por exemplo, a roda do veículo) aplicada na superfície do solo segundo a vertical do centro do tubo. q = Carga uniformemente distribuída. L = comprimento do tubo. De = diâmetro externo da tubulação. Ct = coeficiente de Marston que depende de m = L/2h e n = De/2h F = Coeficiente de impacto, sendo: F = 1,50 para rodovias F = 1,75 para ferrovias F = 1,00 à 1,50 para aeroportos Figura 2 – Desenho esquemático das cargas móveis 2.3 DETERMINAÇÃO DA CARGA TOTAL 2.4 DETERMINAÇÃO DA CLASSE DE RESISTÊNCIA DOS TUBOS DE CONCRETO Carga total = carga de terra+ carga móvel
  • 5. É de fundamental importância a realização de sondagens ao longo das redes, para a determinação das tensões admissíveis do solo e conseqüentemente sua capacidade de suporte. Este procedimento determina a escolha do tipo de base para assentamento das tubulações, podendo ser diretamente sobre o solo local; diretamente sobre o solo local, mas com a acomodação da bolsa ou sobre base de rachão (brita 3 e 4); sobre brita graduada ou material granular, e até mesmo sobre berço de concreto, onde o fator de equivalência (FE) será respectivamente 1,1; 1,5; 1,9; 2,25 a 3,4. Foto 2 – Abertura da vala Foto 3 – Ensaio de compressão diametral Devemos sempre salientar a importância de estudos técnico-econômicos sobre todas as possibilidades, buscando a solução de melhor custo-benefício. Com a determinação da carga total (somatória das cargas de terra e das cargas móveis) e do fator de equivalência, determinamos a carga que efetivamente atua sobre os tubos e conseqüentemente podemos especificar a classe de resistência do tubo comparando este valor aos especificados pela NBR8890/2003. Onde: FE – Fator de Equivalência Nota: As classes de resistência previstos na NBR 8890/03 para tubos de concreto destinados a condução de águas pluviais, são: PS1 e PS2 – para tubos de concreto simples (diâmetro de 200 a 600 mm) PA1, PA2, PA3 e PA4 – para tubos de concreto armado (diâmetro de 300 a 2000 mm). Carga atuante sobre o tubo de concreto = Carga Total FE
  • 6. Execução das Obras As redes de tubos de concreto para drenagem pluvial podem ser executadas em valas ou aterros, devendo em qualquer caso ter a preocupação de apoiar uniformemente todo o corpo cilíndrico do tubo, criando nichos para acomodação das bolsas, evitando-se a concentração de tensões nas tubulações. 3 – EXECUÇÃO DE OBRAS As obras de execução de redes de drenagem de água pluvial, devem obedecer rigorosamente as normas técnicas pertinentes Antes de se iniciar as obras, é necessário a determinação ou locação das coordenadas de projeto, assim como medidas de proteção e sinalização, quando necesárias. Posteriormente, inicia-se a execução da obra, sendo: 3.1 – ESCAVAÇÃO DA VALA Quando os tubos forem assentados em valas, estas deverão ter dimensões compatíveis com seu diâmetro permitindo a montagem, rejuntamento no caso de junta rígida e reaterro compactado da vala. As valas deverão ser abertas sempre de jusante para montante (foto 2), com acompanhamento topográfico e seguindo as cotas, alinhamentos e perfis longitudinais estipulados em projeto. Estudos geotécnicos irão determinar a necessidade ou não de escoramentos em função da estabilidade do solo e profundidade da vala, que poderão ser contínuos ou localizados, executados em madeira, perfis metálicos ou um misto (perfis metálicos e madeira). Lembrando que é obrigatório o escoramento para valas com profundidade superior a 1,25 m, conforme Portaria no. 18 do Ministério do Trabalho. Também, cuidados especiais deverão ser tomados nos casos em que for necessária a realização de rebaixamento do lençol freático. 3.2 – CONTROLE DE QUALIDADE DOS TUBOS DE CONCRETO (ENSAIOS) Apesar das empresas fabricantes de tubos virem se aprimorando ano a ano, é importante que o contratante faça o controle de qualidade, a fim de garantir o perfeito atendimento as especificações exigidas no projeto e na normalização. Devem ser realizados os ensaios de controle de qualidade para o recebimento dos tubos na obra, estão previstos na NBR 8890/03, sendo os seguintes: ? Verificação das características geométricas (análise dimensional). ? Determinação da resistência à compressão diametral (foto 3). ? Determinação do índice de absorção de água. ? Verificação da estanqueidade da junta (quando tiver junta elástica). Atualmente, os fabricantes estão incorporando juntas elásticas aos tubos de concreto (foto 4), a fim de garantir a estanqueidade do sistema e a rapidez das obras.
  • 7. Foto 4 – Tubo de concreto com junta elástica Foto 5 – Assentamento dos tubos de concreto Foto 6 – Compactação do reaterro 3.3 – ASSENTAMENTO DOS TUBOS Deverá seguir paralelamente à abertura da vala, de jusante para montante, com a bolsa voltada para montante. A decida dos tubos na vala deve ser feita cuidadosamente, manualmente ou com o auxílio de equipamentos mecânicos (equipamentos mecânicos). Os tubos devem estar limpos internamente e sem defeitos. Cuidado especial deve ser tomado principalmente com as bolsas e pontas dos tubos, contra possíveis danos na utilização de cabos e/ou tesouras. No momento do acoplamento os tubos devem ser suspensos por cabos de aço ou cinta, sempre pelo diâmetro externo, verificando-se o alinhamento dos extremos a serem acoplados. Quando a rede tiver junta elástica, devemos observar se os anéis de borracha estão posicionados corretamente e após o acoplamento, não há a necessidade de realizar o rejuntamento. Caso os tubos tenham de junta rígida, após o acoplamento, deve-se executar o rejuntamento dos tubos pelo lado externo com a utilização de argamassa de areia e cimento. Para tubos com diâmetro nominal interno de 800 mm em diante, recomenda-se também o rejuntamento interno. 3.4 – REATERRO DA VALA
  • 8. Deverá ser feito com material compatível e com o nível de compactação adequado. Cuidados especiais deverão ser tomados com o reaterro inicial ao lado dos tubos, pois normalmente o local é de difícil acesso, dificultando a compactação do solo. O material do reaterro deverá ser lançado em camadas de no máximo 20 cm, com umidade próxima da ótima e compactado com equipamento manual tipo “sapo-mecânico”, até uma altura mínima de 80 cm sobre a geratriz superior do tubo, quando poderá ser compactado com equipamento autopropelido. Antes de iniciar a compactação mecânica do reaterro com equipamento de grande porte (foto 6), é importante que o engenheiro responsável verifique se o tubo foi dimensionado para aquela determinada solicitação de carga. ************************************************************************************************ Nota: A ABTC, visando facilitar o dimensionamento hidráulico e estrutural desenvolveu um software que está disponível no site (www.abtc.com.br). O software aborda simplesmente os casos mais comuns de dimensionamento, em caso de projetos específicos, deve-se procurar literaturas especializadas. Autores: Eng. Fernando J. Relvas Diretor da Exata Eng. e Ass.Ltda. Prof. das Fac. de Eng. da FAAP E Univ. Anhembi-Morumbi Eng. Alírio Brasil Gimenez Diretor Presidente da Fermix Ind. e Com. Ltda Eng. Marco Aurélio W. Segnini Secretário Executivo da ABTC Obs.: Texto publicado originalmente na revista Techne (Editora Pini), edição 93 (dezembro 2004).