Forças destruidoras da familia jaime kemp

1.162 visualizações

Publicada em

0 comentários
4 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.162
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
154
Comentários
0
Gostaram
4
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Forças destruidoras da familia jaime kemp

  1. 1. F o r ç a s D E S T R U 1 D O R A S DA F A M Í L I A A sobrevivência da fam ília na pós-m odernidade J a i m e K e m p - ‫־‬ e/Vida
  2. 2. F o r ç a s D E S T R U 1 D O R A S DA F A M Í L I A A sobrevivência da fam ília na pós-m odernidade J a i m e K e m p I*/ Vida
  3. 3. ©2012, Jaime Kemp Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora Vida. P r o ib id a a r e p r o d u ç ã o p o r q u a is q u e r m e io s , SALVO EM BREVES CITAÇÕES, COM INDICAÇÃO DA FONTE. Scripture quotations taken from Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional, N V I 9 Copyright © 1993, 2000 by International Bible Society ®. Used by permission IBS-STL U.S. All rights reserved worldwide. Edição publicada por Editora Vida, salvo indicação em contrário. Todas as citações bíblicas e de terceiros foram adaptadas segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990, em vigor desde janeiro de 2009. is/Vida Ed ito r a Vida Rua Conde de Sarzedas, 246 - Liberdade CEP 01512-070 - São Paulo, SP TeL: 0 xx 11 2618 7000 Fax: 0 xx 11 2618 7030 www.editoravida.com.br Editor responsável: Marcelo Smargiasse Editor-assistente: Gisele Romão da Cruz Santiago Preparação: Sonia Emília Lopez Andreotti e Andréa Filatro Revisão de provas: Sônia Freire Lula Almeida Diagramação: Claudia Fatel Lino Capa: Arte Peniel 1. edição: set. 2012 Ia reimp.: out. 2014 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Kemp, Jaime Forças destruidoras da família: a sobrevivência da família na pós- -modernidade / Jaime Kemp. — São Paulo: Editora Vida, 2012. ISBN 978-85-383-0261-2 1. Casais — Relacionamento 2. Espiritualidade 3. Família — Ensino bíblico 4. Pais e filhos 5. Relações familiares 6. Vida cristã I. Título. 12-11239_____________________________________________________ CDD-248.844 índices para catálogo sistemático: 1. Família :Guias de vida cristã :Cristianismo 248.844
  4. 4. Dedico este livro a m eu grande am igo, Samuel Tito Tenho grande adm iração por seu m inistério, seu talento musical, s«a râ ã o de uma igreja unida, 0 discipulado que dese71volve e, especialmente, por sua dedicação como m arido e pai. Você certam ente é um modelo para fam ílias desorientadas. M eu carinho tam bém m uito especial à sua esposa, Naná, com panheira fiel, sempre a seu lado, que 0 apoia e encoraja, e a seus doisfilhos, Sam uelJr. e Tamar.
  5. 5. Sumário In tro d u ç ã o .......................................................................................................................9 1. A fam ília no m u n d o p ó s-m o d e rn o .................................................................... 13 2. As forças d estru id o ras da fam ília e da so cied ad e.........................................21 3. H u m an ism o — Q u a n d o o h o m em d estro n a D eus com o au to rid ad e e en tro n iza a si m esm o .....................................................................27 4. H edonism o — A busca incansável e insaciável pelo p ra z e r ................... 34 5. R elativism o — T udo é relativo, nada é ab so lu to ...........................................41 6. M aterialism o — A obsessão p o r bens m ateriais...........................................49 7. Individualism o — Q u a n d o a p rio rid ad e é o indivíduo e seus d ire ito s...............................................................................................................58 8. As fam ílias não são iguais.......................................................................................65 9. H á esperança p ara a fam ília?.................................................................................70 10. V alores fa m ilia re s.....................................................................................................83 Palavras finais.............................................................................................................. 89 B ibliografia................................................................................................................... 95
  6. 6. Introdução O século XXI nos brindou com um a incontestável e im portan- tíssim a evolução tecnológica. O m undo se apequenou, e hoje em dia sabem os, em tem po real, 0 que acontece nos quatro cantos da Terra. A com panham os desastres naturais ao vivo e em cores; som os inform ados sobre as novas invenções, as descobertas no cam po da m edicina, os recordes nas com petições esportivas, as grandes novi- dades e os acontecim entos im portantes enquanto eles ainda estão se desenrolando ou no m om ento em que acabaram de acontecer. Conversam os pelo com putador vendo am igos e parentes que vivem a m ilhares de quilôm etros de distância com o se eles estivessem ao nosso lado. Enfim , tudo se to rnou m ais fácil. No en tan to , todo esse desenvolvim ento tem um preço, e não apenas financeiro. N este século XXI, o ser h um ano sente-se cada vez m ais só. A violência, antes restrita aos grandes centros urbanos, já invadiu as pequenas cidades. As pessoas estão am edrontadas, isoladas, fechadas em suas casas, tentando proteger-se na m edida do possível. A com petição, a luta pelo espaço n a sociedade, é cada dia m ais in ten sa, m ais cruel, ilim itad a. A desconfiança, 0 m ed o , a dúvida, a desesperança, a rejeição, o desânim o incom odam e im o- bilizam hom ens e m ulheres. P ortanto, a evolução, indiscutível- m ente bem -vinda p o r diversos aspectos, não conseguiu aliviar as dores hum anas. M uitos perdem a esperança e perguntam : “Por que isto está acontecendo justam ente com igo?”. É curioso notar, que apesar do excepcional nível de desenvolví- m ento que 0 ser hum ano alcançou, continua enfrentando os mes- m os sentim entos, tentações, sofrim entos e lutas que m ilhões de anos
  7. 7. 10 I Forças destruidoras da família outros enfrentaram no passado. Talvez os problem as não se apresen- tem sem pre da m esm a form a, m as a reação das pessoas segue 0 mes- m o padrão há séculos, respeitando-se as diferenças individuais e os costum es sociais e culturais. Neste cenário de confusão m oral e caos social, a fam ília tem sofrido enorm e im pacto negativo. A sociedade deixou de ser um a grande am iga da fam ília e tornou-se um a adversária declarada. Trai- çoeira e rapidam ente, as linhas que definiam o certo e o errado se em baraçaram . Os valores familiares se perderam debaixo do cober- to r da conveniência pessoal, encolhidos sob a opção de “Faça 0 que for m elhor para você”. Os valores tradicionais da sociedade que en- corajavam , incentivavam e reforçavam o casam ento e a fam ília estão desaparecendo com o água escorrendo pelo ralo. Você já reparou com o um tecido é confeccionado? Os fios são regularm ente entrelaçados. Q uando um fio escapa, o tecido exibe um pequeno rom bo. Se vários fios escapam , surge um grande des- fiado, e o tecido, enfraquecido, corre o risco de rasgar-se facilm ente, a qualquer m om ento. E, quando a m aioria dos fios se solta, 0 tecido sim plesm ente se desintegra. Este exem plo m ostra de m odo bem simples a realidade de gran- de parte das famílias no m undo atual, que são os fios do tecido que form am a sociedade em cada cidade do nosso planeta. O uvim os diariam ente 0 som desse tecido sendo rasgado na nos- sa própria com unidade: • um a esposa descobre que o m arido a está traindo e entra em desespero; • um a adolescente ansiosa por receber am or acaba engravi- dando; • u m casal divorciado retorna ao tribunal porque o pai se recu- sa a dar pensão ao filho; • um a garota de 15 anos ten ta o suicídio porque o nam orado a deixou por outra;
  8. 8. Introdução | 11 • um garoto perturbado entra em crise e, com pletam ente des- controlado, m ata os pais a tiros; depois, percebendo o que fez, com ete suicídio; • um adolescente, sem m ais nem m enos, abre fogo contra pro- fessores e colegas da escola onde estuda. As vozes do tecido rasgando‫־‬se em desespero são plenam ente audíveis nos dias de hoje. Eu as ouço em alto e bom som . Algum as ainda são m ais lancinantes; são vozes que provocam um sentim ento de urgência e agonia. São famílias se separando... mais fios desfiando no tecido da nossa já esgarçada cultura. V islum bram os um a nova época cham ada pós-m odernidade. O nom e é bonito, é pom poso, m as nem tudo aí é positivo, principal‫־‬ m ente em relação à família. Para dizer a verdade, ninguém pode des- vendar o que esse período significará, nem pode dar um a definição exata sobre ele. No entanto, tem os sido extrem am ente influenciados por suas características. As filosofias que m arcam esta época são hum anism o, hedonism o, relativismo, m aterialism o e individualism o —alguns dos sofismas que estão sutilm ente influenciando e m odificando o m undo e as famílias. A tualm ente, a insegurança econôm ica atingiu praticam ente o m un do inteiro. A crescente discrepância entre nações ricas e p o ‫־‬ bres é um a preparação p ara u m futuro governo global no qual o anticristo surgirá. Seja com o for, infelizm ente podem os d eduzir que a fam ília não escapará incólum e ao forte im pacto desta era, pois pela in- fluência das filosofias vigentes já percebem os as nítidas inversões dos valores fam iliares. A inda estão gravadas n a nossa m em ória as im agens do trági- co tsunami que atingiu o Japão em 2010. U m tsunami insidioso tam b ém vem atingindo social, m oral, em ocional e espiritualm ente o m u n d o , com ondas de vários tam anhos. É necessário que nos abriguem os e perm aneçam os seguros para não serm os levados por algum as dessas ondas.
  9. 9. 12 I Forças destruidoras da família N este livro, espero descrever a situação atual da fam ília brasi- leira, expondo o que considero serem as principais filosofias do nosso tem po e de que m aneira cada um a delas está “rasgando e desfazen- do o tecido” que form a a sociedade e, po r consequência, a família. No final, destacando os princípios da Palavra de Deus, pretendo dar algum as sugestões de com o a fam ília pode sobreviver, m anter o equilíbrio, fortalecer-se e ainda im pactar a com unidade na qual está envolvida para a glória de Deus e o engrandecim ento da sua Igreja. Ja im e Kem p
  10. 10. C A P I T U L O 1 A família no mundo pós-moderno Ao escrever os livros Choque do futuro e A terceira onda, o norte-am ericano Alvin Toffler, d o u to r em Letras, Leis e C iência e influente escritor especialista em ap o n tar tendências para o futuro, surpreendeu seus leitores. E specialm ente agora, passadas várias décadas da publicação dessas obras, é preciso reconhecer que sua antevisão do futuro se m ostrou correta p o r diversos ângulos. Em A terceira onda, Toffler enfoca especialm ente o século XXI e subsequentes, defendendo a tese de que a prim eira onda que invadiu a terra foi agrícola; a segunda, industrial; e a terceira, que vivência- m os atualm ente, tecnológica. Sobre esta últim a, ele escreveu: Uma poderosa onda em formação está se erguendo em nosso mundo hoje, criando, à vezes, um clima de confusão, perplexi- dade e temor. Desde a responsabilidade de criar os filhos, até a vida do aposentado, 0 trabalho, 0 lazer, o ambiente doméstico, tudo será afetado por ela. Seja o futuro como for, podemos afir- mar categoricamente que a família sofrerá um forte impacto. No contexto incerto em que vivemos, homens de negócio nadam contra correntes econômicas que oscilam entre altos e baixos; po- líticos ficam apavorados quando vêm cair sua aceitação nas pes- quisas de opinião; universidades, hospitais e outras instituições temem uma alta de inflação que possa ressurgir repentinamente com o mesmo apetite devastador de outrora; sistemas de valores
  11. 11. tradicionais que o Estado, a família e a igreja estabeleceram torna- ram-se manipuláveis e instáveis tal qual um barquinho em meio a uma terrível tormenta.1 N ão é essa a descrição do que ocorre hoje sob a influência pode- rosa de filosofias com o o hum anism o, o hedonism o, o m aterialism o, o relativism o e o individualism o? Todos esses sofismas estão secula- rizando a sociedade brasileira. Alvin Toffler fez considerações m uito pertinentes sobre o futuro. A insegurança da crise econôm ica, por exem plo, praticam ente atingiu o m undo todo já n a prim eira década do século XXL O abism o entre as nações ricas e pobres é m ais um a dem anda do governo global. E nquanto escrevo este livro, os brasileiros estão presenciando um fenom enal crescim ento econôm ico. M oro n a grande cidade de São Paulo e posso observar a efervescente expansão im obiliária, in- clusive na periferia, com a construção de dezenas e dezenas de pré- dios com erciais e residenciais. Os efeitos preocupantes provocados pela recessão, que se iniciou em 2008 e atingiu grande parte de pai- ses do m undo, não teve a m esm a repercussão po r aqui. Porém , escondidos sob a superfície dessa prosperidade, ouvidos sensíveis ainda conseguem distinguir o som do pranto e vislum brar o desespero de m ilhares de famílias brasileiras negligenciadas e des- respeitadas, assediadas negativam ente po r esquem as de marketing e poder im placáveis. O uvem o choro de crianças abandonadas por pais que foram engolidos pela obsessão de progredirem em suas car- reiras e pelo desejo incontrolável de aproveitarem a vida. Veem as lágrim as dolorosas de outros que enterram filhos atingidos p o r um a bala perdida em um confronto entre a polícia e os “senhores” do tráfi- co. O uvem tam bém aqueles que estão desorientados, sofrendo com o divórcio dos pais; os que choram por um am igo, parente ou filho 14 I Forças destruidoras da família Toffler, Alvin. A terceira onda. Rio de Janeiro: Record, 1998.1
  12. 12. A família no mundo pós-modemo | 15 vítim a de aids; as crianças, os adolescentes que veem o pai ou a m ãe abandonar 0 lar para viver com outra pessoa. Esses e outros sons de dor e lam entação são os que eu, com o conselheiro fam iliar, ouço quase diariam ente. D esde 12 de abril de 1967, quando m inha esposa, Judith, e eu pisam os pela prim eira vez em solo brasileiro, ten h o ouvido esses sons e assistido à sutil de- sintegração de lares e fam ílias. U m exem plo inquestionável dessa desintegração é o divórcio. Q uando chegam os ao Brasil, o divórcio não era aprovado por lei. N aquele tem po, sabem os que, apesar de não perm itido, m uitos viviam relações ilícitas e não eram poucos os que tinham um a segunda ou terceira família. Depois de alguns anos 0 governo instituciona- lizou o divórcio, m as o processo costum ava dem orar pelo m enos três anos. C om o passar do tem po, o prazo dim inuiu para um ano. H oje, a dissolução de um casam ento é rápida e aceita com naturali- dade, até m esm o entre os evangélicos. É m ais simples e fácil finalizar um divórcio que desligar a água ou a energia elétrica de um a residên- cia junto à em presa responsável. O sociólogo e historiador da U niversidade de H arvard, Carie Z im m erm an, em seu livro Family and Civilization [Família e civiliza- cão], apontou suas considerações sobre a relação entre a desintegração de várias culturas e 0 declínio das famílias que nelas viviam. Ele cita oito características específicas no com portam ento dom éstico que tam - bém determ inaram a queda de cada cultura por ele estudada:1 1. C asam entos que perdem sua qualidade de “sagrado” fre- quentem ente acabam em divórcio. 2. A perda do significado tradicional que caracteriza um a ceri- m ônia de casam ento. 3. O exagero quanto à condição de igualdade da m ulher em seu papel na sociedade. 4. O desrespeito público aos pais e às autoridades em geral. 5. O aum ento da delinquência juvenil, da prom iscuidade e da rebelião.
  13. 13. 6. A relutância e até m esm o a recusa em aceitar os padrões tradicionais para 0 casam ento e a responsabilidade familiar. 7. O crescente desejo de aceitar-se o adultério. 8. O interesse progressivo p o r perversões sexuais e 0 aum ento dos crim es relacionados ao sexo.2 Creio que esses oito sinais am pliam o som de um a sirene de aler- ta ou, quem sabe, o brilho de um a luz verm elha piscando para avisar que algo m uito errado está acontecendo. U m a sociedade só pode ser estável quando as famílias são equi- libradas, pois elas representam suas células básicas. Afirmo que o com portam ento m oral e espiritual da nação determ inará seu suces- so e sobrevivência. E stou convicto de que 0 enfraquecim ento social e m oral no Brasil, bem com o as dificuldades enfrentadas pelas fam ílias neste país, estão diretam ente relacionados à rejeição dos conceitos bíbli- cos sobre m oral. É a realidade da fam ília neste m u n d o contam inado pela polui- ção do pecado. A Palavra de Deus afirm a objetivam ente: “pois todos pecaram e estão destituídos da glória de D eus” (R om anos 3.23). A nossa n atu reza é pecam inosa. Todas as pessoas que se unem em casam ento carregam algum tipo de distúrbio. Todo distúrbio im- plica u m a tendência à destruição. Viver sob o m esm o teto, unidos pelos laços m atrim oniais, traz à ton a várias dificuldades, com o as diferenças naturais existentes en- tre o h om em e a m ulher, as diferenças de personalidade, tem pe- ram en to , cultura e criação. No entanto, o m aior problem a que se ergue entre os cônjuges é o pecado, que se revela no egoísm o, no orgulho, n a vaidade, no ciúm e, na rivalidade etc. É fácil entender por que há tantos conflitos, brigas e discussões entre as quatro paredes de um lar. H á solução para isso? 16 I Forças destruidoras da família 2 Zimmerman, Carie. Family and civilization. New York: H arper &Row, 1947.
  14. 14. A única m aneira de tornar um a união funcional é entronizar Jesus Cristo com o Salvador e Senhor e perm itir que ele derram e a paz e a harm onia que tanto desejam os pela ação do Espírito Santo, o qual é capaz de transform ar qualquer tem peram ento, atitude e espírito. C ertam ente, o casam ento é um dos m aiores desafios para qual- quer pessoa. N ão há dúvida de que o casal que decide se casar pre‫־‬ cisa de um exímio A rquiteto que saiba 0 que fazer para planejar sua união com os elem entos necessários, a fim de que o projeto seja um sucesso. Só Deus sabe acom panhar de perto o desenvolvim ento da instituição que ele m esm o estabeleceu. Gosto m uito de um a citação feita por G. K. Chesterton: “Se o ca‫־‬ sal pode divorciar‫־‬se com base na incom patibilidade de gênios, não com preendo por que o m undo todo não está divorciado. Conheço m uitos casam entos felizes, m as nunca vi um casam ento com patível”.3 N enhum casal é absolutam ente com patível pelo simples fato de todos nós sermos disfuncionais devido ao pecado. Além de tantas ou‫־‬ tras coisas, 0 casam ento tam bém nos dá a oportunidade de “fazermos m orrer” a nossa natureza egoísta e de aprenderm os a viver de m odo altruísta, procurando pensar um no outro mais que em nós m esm os. Para viverm os em paz e harm onia, podendo, assim, desfrutar de m uitos m om entos felizes, precisam os ter um a família saudável. M as o que é um a fam ília saudável? Posso citar algum as características. Não estou tentando apresentar um a família perfeita, porque ela sim ‫־‬ plesm ente não existe. C ontudo, acredito que existem pessoas im per- feitas que aprenderam a viver em paz e harm onia e, dessa m aneira, encontraram a felicidade em seus lares. Eis algum as características com uns entre seus com ponentes: • Praticam uma comunicação honesta, sincera, aberta efranca entre os membros. Isso não acontece n atu ralm en te —preci‫־‬ sa ser aprendido. D écadas de observação m ostram que um dos sinais do rom p im en to dos relacionam entos conjugais e, A família no mundo pós-modemo | 17 3 Chesterton, G.K. W haCs W rong w ith th e W orld. San Francisco: Ignacius Press, 1994.
  15. 15. 18 I Forças destruidoras da família consequentem ente, da família, é a degradação da com uni- cação. É um dos passos para a destruição de um lar. Por isso, famílias saudáveis são aquelas com prom etidas com Efésios 4.29: “N enhum a palavra torpe saia da boca de vocês, m as apenas a que for útil para edifkar os outros, conform e a ne- cessidade, para que conceda graça aos que a ouvem ”. • Têm fé nos princípios da Palavra de Deus e procuram obede- cer a eles. Em resum o, a Bíblia é lida, estudada e praticada diariam ente. • Passam muito tempo juntas. M om entos à noite, nos finais de sem ana e periodicam ente em férias. N ão há substituição para os longos períodos de conversa, divertim ento, risadas e orações de um a fam ília unida. Talvez a vida profissional dos pais tenha de ser até certo ponto sacrificada para priorizar um tem po com a família. • Conhecem 0 seu papel espiritual na família e estão dispostos a desempenhá-los. Por exemplo: o papel do m arido, da espo- sa, pai/m ãe e filhos. Efésios 5.22-25 e lP edro 3.1-7 explicam quais diretrizes os m em bros da família devem seguir. • Procuram resolver adequadamente os conflitos que surgem. Parâm etros são estabelecidos e todos se com prom etem em ten tar solucionar um a desavença, atrito ou conflito da me- lhor form a possível para todos. O apóstolo Paulo, em sua car- ta à igreja de Éfeso, descreve o clim a em que a fam ília deve resolver um a discórdia: “Sejam bondosos e com passivos uns para com os outros, perdoando-se m utuam ente, assim com o Deus os perdoou em C risto” (Efésios 4.32). • Concordam com um conjunto de valores cristãos efamiliares e os assumem. Incluem -se aqui planejam ento dos gastos finan- ceiros, criação e disciplina de filhos, padrões m orais e deci- sões sobre a carreira. O profeta Am ós resum e a im portância dessa questão com um a pergunta: “Duas pessoas andarão juntas se não estiverem de acordo?” (Amós 3.3).
  16. 16. A família no mundo pós-moderno | 19 • Compreendem 0 que significa “honrar mis aos outros”. O u seja, entendem o significado de atribuírem valor uns aos ou‫־‬ tros. Tratam cada m em bro da fam ília com o alguém criado à sem elhança e im agem de Deus e dão o devido valor a cada um . “ ‘H onra teu pai e tu a m ãe’ — este é o prim eiro m anda- m ento com prom essa —‘para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra’ ” (Efésios 6.2,3). • Marido e esposa têm uma vida sexual constante e satisfatória, com mútuoprazer. Deve sem pre haver um a abertura para co- m unicação nesta área. Em IC oríntios 7 .3 5 ‫,־‬ o apóstolo Paulo oferece novam ente orientação a esse respeito: O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre 0 seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se de- dicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio. • Cada membro tem a disposição de sacrificar-se um pelo outro. É agir com o m esm o espírito que Paulo aconselhou os fili‫־‬ penses a ter: “N ada façam p o r am bição egoísta ou p o r vai‫־‬ dade, m as hum ildem ente considerem os outros superiores a si m esm os” (Filipenses 2.3). • Demonstram confiança mútua. A confiança é um elem ento im portante na solidez do alicerce familiar. C ada m em bro precisa entender a relevância dessa confiança m ú tu a e tom ar cuidado para não traí-la. Ao finalizar este capítulo, quero encorajar você a lutar pela sua fam ília e pela sua vida conjugal. Lem bre-se de que a fam ília é um a ideia de D eus e nunca existiu u m plano m ais brilhante. E a célula
  17. 17. 2 0 I Forças destruidoras da família básica da sociedade e a unidade fundam ental da Igreja. A Igreja será forte à m edida que suas famílias forem fortes. Nos capítulos seguintes, discorrerei sobre as forças e os sofismas que estão destruindo a sociedade e, em sua esteira, a família. O des- tino da sua fam ília está parcialm ente ligado à m aneira pela qual você com preende e reage às filosofias que a atacam . O m eu desafio, ao escrever este livro é, p o r m eio do ensino da Palavra de Deus, ajudá-lo a descobrir atitudes e ações que podem ser adotadas para proteger o seu lar.
  18. 18. C A P Í T U L O 2 As forças destruidoras da família e da sociedade Forças opressivas vêm trabalhando insidiosam ente para destruir as famílias brasileiras, dia após dia, m inando o poder que essa institui‫־‬ ção representa no am plo contexto deste país. O mais surpreendente, porém , é que seu m aior inimigo, o grande adversário da família, so- m os nós mesmos! A crise que atinge a família já se espalhou ao redor de todo o m undo e, infelizm ente, tam bém no Brasil a deterioração m oral e espiritual se desenvolve num a velocidade alarm ante. O com entarista da rede de rádio ABC, Paul Harvey, m uito famo- so nos Estados U nidos no século passado, certa vez contou em um dos seus program as um a história que ilustra bem o fato de serm os nossos próprios inim igos. Trata-se de um a história chocante que des- creve 0 processo que os esquim ós usavam para caçar lobos. Em primeiro lugar, eles cobriam uma faca com o sangue de um animal e depois a congelavam. Repetiam o mesmo processo várias vezes, isto é, adicionavam mais uma camada de sangue e novamen- te congelavam a faca até que ela estivesse totalmente coberta pelo sangue congelado, escondendo assim a lâmina cortante. Depois prendiam o objeto no chão enterrando‫־‬o na neve pelo cabo, com a lâmina voltada para cima. Quando o lobo seguia com seu faro apurado até a faca, lambia a isca, saboreando o sangue congelado, mas fresco. O animal lambia com soffeguidão, cada vez mais rápido. Suavoracidade era tão grande,
  19. 19. 22 I Forças destruidoras da família a ponto de ele não perceber que não estava mais lambendo o sangue de outro animal, mas seu próprio sangue. Ele não conseguia notar que sua língua e sua boca estavam sendo cortadas pela lâmina afiada da faca e continuava bebendo 0 próprio sangue insaciavelmente. Ao amanhecer, o lobo estava morto. Havia sido seu próprio inimigo. Decretarasuaprópria morte ao se deixar dominar pela cobiçainterna. A nossa m aio r am eaça não são as filosofias que influenciam a nação, m as o que está d en tro de nós e com o reagim os a isso. Os sofism as que aceitam os e adotam os é que estão d estru in d o a nossa vida e a nossa fam ília. Pessoalm ente, ten h o presenciado grandes m udanças desde que iniciei o m eu m inistério, algum as extrem am ente positivas e algum as terrivelm ente prejudiciais, especialm ente no que diz res- peito à família. A m inha oração ao descrever nos capítulos seguintes deste livro as forças que estão bom bardeando a fam ília é que você, querido lei- tor, possa entender com clareza que os dias que vivemos são m aus e que a batalha pela m ente e pelo coração do povo é feroz. Em 2C oríntios 10.3-5, o apóstolo Paulo alerta a igreja sobre essa batalha espiritual iniciada com a queda de Satanás, que desde então ten ta escravizar o ser hum ano: Pois, embora vivamos como homens, não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Des- truímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhe- cimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo. Para ressaltar ainda m ais o im pacto dessas palavras, transcrevo os versículos acim a n u m a linguagem m ais contem porânea: O mundo é sem princípios. É uma selva lá fora! Ninguém joga limpo. Mas o cristão não vive nem age desse modo. Nunca nos
  20. 20. Asforças destruidoras dafamília eda sociedade | 23 comportamos assim e jamais o faremos. As ferramentas que usa- mos não são para propaganda ou manipulação, mas para demolir esta cultura dominante corrupta. Usamos as ferramentas podero- sas de Deus para esmagar filosofias pervertidas, derrubar barreiras levantadas contra a verdade de Deus, encaixar todo pensamento livre, toda emoção e todo impulso à estrutura de vida moldada por Cristo. Nossas ferramentas estão preparadas para limpar o terreno e edificar vidas pela obediência, rumo à maturidade. (2Coríntios 10.35‫־‬,A M ensagem , grifo nosso). Filosofias pervertidas não estão transform ando apenas a so‫־‬ ciedade; tam b ém estão invadindo a nossa alm a e a nossa m ente. A m aioria dos cristãos não reconhece a enorm e influência que essa m u dan ça provoca d en tro de nós. C asam ento e fam ília estão am ea- çados pela opção de m uitos casais que sim plesm ente vivem juntos. O que antes era raro, e até escandaloso, hoje se to rn o u um estilo de vida norm al. O n úm ero de divórcios cresce assustadoram ente, às vezes p o r m otivos egoístas e fúteis, e a dissolução do casam ento se m o stra to talm en te desprovida de qualquer estigm a. Alguns escri- tores e psicólogos chegam a afirm ar que é saudável um filho viver separado do pai ou da m ãe. Tudo o que estam os presenciando agora já foi descrito por Deus. No livro do profeta Oseias, ele utilizou um a das experiências mais angustiantes do casam ento, a infidelidade, para ilustrar a dim ensão do am or que sente p o r seu povo e a dor que fere seu coração quando seus filhos correm atrás de outros “am ores” (Oseias 1—2). À prim eira vista, é difícil entender por que um Deus que idealizou o casam ento para ser um elo sagrado entre o hom em e a m ulher pedi- ria que um servo se casasse com um a prostituta e, pior, um a prostituta que continuou levando sua vida prom íscua m esm o depois de casada. C ontudo, no am or dedicado e com prom etido de Oseias po r sua esposa infiel, reconhecem os a figura inabalável de um Deus terno que não desiste de nos am ar, m esm o que insistam os em continuar p e‫־‬ cando e m achucando seu coração. A pesar de tudo, D eus se dispõe
  21. 21. a nos com prar de volta (v. Oseias 3.2), quando, p o r nossa própria escolha, acabam os sendo escravizados pelo pecado. D eus conhece a d o r que u m esposo sente ao p resen tear a es‫׳‬ posa e depois descobrir que ela ofereceu esse p resen te a outros am an tes (O seias 2.8). A ssim com o tal m u lh er, nós, que som os a noiva de C risto: • acabam os p o r abandoná-lo (2.3); • não m andam os em bora os nossos outros am antes (2.2); • perdem os toda a vergonha (2.5); • oferecem os a ele um am or tão passageiro quanto a cerração ao nascer do sol (6.4); • levam os um a vida de desonra (4.18); • som os teim osos (4.6); • som os m entirosos (7.1); • som os traidores (7.4). Portanto, nós não o buscam os, apesar de tudo o que D eus tem feito p o r nós. M as Deus: • sem pre busca seduzir-nos novam ente (2.14); • dispõe-se a transform ar em um a p o rta de esperança o vale de desgraça que m uitas vezes enfrentam os (2.15); • quer ser cham ado “m eu m arido” (2.16); • deseja que sejam os sua legítim a esposa (2.19). Ele prom ete: • tratar-nos “com am or e com paixão” (2.19); • ser um m arido fiel (2.20); • am ar aquele que se cham a “N ão-M eu-Povo” (2.23, Almeida Revista e Atualizada); • com prar-nos de volta (3.2); • curar-nos (6.1); 24 I Forças destruidoras da família
  22. 22. Asforças destruidoras dafamília e da sociedade | 25 • perdoar-nos (6.1); • fortalecer-nos e colocar-nos em pé (6.2); • salvar-nos (7.13); • levar-nos a fazer sem pre sua vontade (6.2); • ter com paixão de nós (11.8); • cuidar de nós (13.5; 14.8). O profeta resum e a decadência m oral da nação de Israel com estas palavras: “Eles m ergulharam na corrupção, com o nos dias de G ibeá” (Oseias 9.9a). O m ais incrível é que, enquanto a sociedade judaica se desinte- grava, 0 povo nem percebia as m udanças que ocorriam no próprio coração: “Estrangeiros sugam sua força, m as ele não o percebe. Seu cabelo vai ficando grisalho, m as ele nem repara nisso” (Oseias 7.9). Em outras palavras, enquanto o alicerce da sociedade estava de- sabando com a erosão causada pela podridão m oral, o povo não es- tava nem aí! A razão é que a transform ação ocorre vagarosam ente. O condicionam ento social e cultural, im posto p o r um clim a de opi- niões, pesquisas e rede de idéias e valores que quase nos deixam cegos ao im pacto das filosofias pervertidas sobre a nossa vida, resultam em m udanças nas nossas atitudes, valores e até naquilo em que cremos. O apóstolo Paulo avisa em sua carta aos Colossenses: “Tenham cuidado para que ninguém os tom e escravos po r m eio de argum en- tos sem valor, que vêm da sabedoria hum ana. Essas coisas vêm dos ensinam entos de criaturas hum anas e dos espíritos que dom inam 0 Universo e não de Cristo” (2.8, Nova Tradução naLinguagem de Hoje). Sabe 0 que as filosofias pervertidas e as vãs sutilezas fazem? Elas “dessintonizam ” as pessoas, especialm ente os cristãos, que acabam aceitando o que a cultura aceita e, p o r fim, tornam -se indiferentes, acostum ando-se àquilo que ocorre ao redor com o se fosse condição norm al da época em que vivem. A triste verdade é que toleram os perversões e indecências que deixariam horrorizadas duas ou três gerações atrás. Nós perdem os
  23. 23. 26 I Forças destruidoras da família a capacidade de discernir 0 que é certo e 0 que é errado. Os nossos filhos encaram com indiferença as filosofias corruptas e, na verdade, nem sabem o que está acontecendo. D iante de um a situação ardilosa e destrutiva com o esta, o que podem os fazer? Em prim eiro lugar, precisam os expor os elem en- tos, as sutilezas e as filosofias traiçoeiras que alim entam 0 caos nesta sociedade, que está afundando aos poucos com o se fosse um navio avariado no m eio do oceano. É exatam ente isso 0 que pretendo fazer nos capítulos a seguir. O povo que puder com preender e interpretar corretam ente as atitudes e os eventos da própria cultura tem um a chance de lutar contra a m aré e ensinar à sua geração as verdades de Deus. Pro- vérbios 24.5,6 declara: “O hom em sábio é poderoso, e quem tem conhecim ento au m en ta a sua força; quem sai à guerra precisa de orientação, e com m uitos conselheiros se obtém a vitória”. A falta de discernim ento leva as pessoas a se render às forças dia- bólicas que, por fim, transform am a sociedade e arruinam as famílias. A Igreja evangélica brasileira necessita desesperadam ente de profetas, hom ens de Deus, conhecedores da sua Palavra, que não se corrom - pam com dinheiro ou algum a outra tentação, que não possam ser com prados ou enganados por artim anhas do Diabo. A igreja precisa de hom ens que estejam com prom etidos com o ensino e pregação dos princípios, das verdades de Deus, de m aneira constante, clara, prática, sem distorcer 0 texto nem desanim ar o rebanho. É terrível ficar perdido! M as que alívio quando finalm ente en- contram os 0 cam inho para voltar à segurança da nossa casa.
  24. 24. C A P Í T U L O 3 Humanismo Quando 0 homem destrona Deus como autoridade e entroniza a si mesmo O hum anism o é um a religião secular, originada e centralizada no ser hum ano, que visa estabelecer a predom inância do próprio hom em em todas as esferas de sua vida, elim inando Deus e considerando-o inexistente com o pessoa e com o autoridade soberana e suprem a. Existem duas aproximações básicas para solucionar os problem as do ser hum ano. U m a se baseia na sabedoria hum ana —o hum anism o; e a outra na sabedoria divina revelada na Palavra de Deus, a Bíblia. Tentarei explicar esse conceito de form a resum ida e sim plificada:1 Posição bíblica Posição do hum anism o D eus entronizado 0 h o m em en tro n iza a si m esm o D eus é autoridade absoluta 0 h o m em é a autoridade suprem a D eus revela a solução p ara os problem as d a h u m an id ad e p o r m eio de sua Palavra 0 h o m em te n ta resolver os problem as da hu m an id ad e p o r m eio de seu próprio raciocínio Está arraigada à revelação divina E stá arraigada ao raciocínio h u m an o A liberdade interior vem pela obediência à Palavra de D eus A liberdade interior é p ro d u to d a decisão h u m an a 1 Baseado no artigo de Bob Hostetler: W ho Changed the Cultural Channel. Discipleship Jo u rn al, Issue 129,2002.
  25. 25. 2 8 I Forças destruidoras da família Posição bíblica Posição do hum anism o 0 h o m em existe para 0 h o m em existe para glorificar a D eus glorificar a si m esm o Fé n o sobrenatural C onfiança no naturalism o A salvação é u m dom de D eus A salvação é alcançada pela ciência h u m an a A m oralidade estabelece A m oralidade é baseada suas bases n a Lei de D eus n a lógica h u m an a A n atu reza h u m an a é A n atu reza h u m an a é basicam ente m á basicam ente boa O hum anism o é tão antigo quanto seriam os nossos prim eiros pais — que iniciaram a vida hum ana no jardim do É den —, se ainda vivessem. A dão e Eva pensaram que a decisão de com er “...d o fruto da árvore que está no m eio do jardim ” (Gênesis 3.3) era m ais rele- vante ou m ais válida que a ordem de Deus. O hum anism o rem onta à decisão de Caim em escolher sua form a pessoal de agradar a Deus, ignorando a opção divina. É tão antigo quanto 0 orgulho do povo que construiu a torre de Babel para desafiar Deus. A Bíblia inteira relata as tentativas do h om em de substituir a autoridade m áxim a do Senhor po r sua pró p ria autoridade. As ve- zes as atitudes hum anas vestem m áscaras de faces e term inologias diferentes. Sem pre que o ser h u m an o escolhe seguir 0 próprio cam inho em vez do designado p o r D eus, isso não passa de m ani- festação do hum anism o. H oje em dia, a filosofia hum anista incide sobre a sociedade e a dom ina de tal m aneira que os evangélicos se referem a estes tem pos com o período pós-m odem o ou época pós-cristianism o. Talvez o quadro m ais claro e form alizado do hum anism o seja o Manifesto Humanista, de 1933. U m grupo de 34 hum anistas liberais assinou o prim eiro docum ento sobre suas crenças. Depois, em 1973 surgiu 0Manifesto Humanista II. Os hum anistas creem que um Deus que ouve as orações de seus filhos, que am a e cuida de seu povo não existe, não tem o aval de
  26. 26. Humanismo I 29 provas concretas e não passa de crença antiquada. Eles não encontram evidências suficientes para crerem nesse Deus sobrenatural e julgam as considerações a respeito sem sentido e irrelevantes para a sobrevivên- cia da raça hum ana. Identificam-se com o agnosticismo e defendem que a origem da hum anidade aconteceu por m eio de um processo natural, negando Deus com o C riador do Universo. Rejeitam a possi- bilidade de que um a só pessoa, Cristo, seria capaz de providenciar a salvação para toda a hum anidade, com o declarou o apóstolo Pedro em Atos 4.12: “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nom e dado aos hom ens pelo qual devamos ser salvos”. Para os hum anistas, Deus não é o início e o fim de todas as coisas. Eles consideram ridículo o fato de que os seres hum anos vêm tentando usurpar o trono que só pertence e sem pre pertenceu a Deus. M as D eus existe, sim , n a m ente de um hum anista. No entanto, ele é sim plesm ente definido com o “um a força”, im pessoal. N unca é retratado com o um Deus pessoal que am a, cuida e se preocupa co- nosco. E m resum o, a filosofia ou “religião” hum anista é diam etral- m ente oposta ao cristianism o bíblico. Ironicam ente, o hum anista e o cristão concordam em um a coi- sa: que o ser hum ano é digno, precioso e tem grande valor. O cristão crê que todos fom os criados à im agem e sem elhança de D eus, e por isso som os seres dignos, preciosos e valiosos. O Senhor nos criou com livre-arbítrio. Apesar de o hom em ter escolhido cam inhar sozinho, sem depender dele (Gênesis 3.1-6), Deus nos am ou a tal ponto que entregou seu próprio Filho, Jesus Cristo, para pagar a dívida que acumulam os com ele, a qual, na verdade, nunca conseguiriamos quitar, se não fosse seu gesto de m isericórdia e bon- dade. Não há nada no pensam ento hum anista que dem onstre tanto o valor do ser hum ano com o o que Deus fez por nós em Jesus Cristo. A posição bíblica assegura um sentido m uito m ais profundo ao valor que o Senhor dá ao ser hum ano. Q uando entendem os que o Deus que criou o U niverso tam bém nos criou, que ele tem um plano es- pecífico e positivo para a nossa vida, que nos am a e cuida de nós, então com preendem os a razão da nossa existência. Os hum anistas
  27. 27. 30 I Forças destruidoras da família não consideram que esta seja a razão determ inante para vivermos. E ntretanto, com o todos os outros possíveis m otivos são extinguíveis e passageiros, penso que os hum anistas apenas sobrevivem durante seu tem po de vida terrena. A sociedade, especialm ente a família, tem sofrido dem asiado devido ao im pacto do pensam ento hum anista. Deixe-me tentar exem plificar com o essa filosofia vem influenciando a família. H á al- gum tem po, um senhor m e procurou para aconselham ento. Ele era casado havia vinte anos e tinha três filhos adolescentes. M al inicia- m os a conversa, e ele m e fez três perguntas: —Pastor, Deus é um Deus de am or? Deus é um Deus bondoso? Deus é um Deus m isericordioso? M inha resposta foi “sim ” a cada um a das três perguntas. Era 0 que ele queria ouvir, pois im ediatam ente argum entou que, se Deus é tudo isso, então tam bém deveria desejar a sua felicidade pessoal. —Ops, espere um m om ento! Aonde você quer chegar? —respondí. E ntão, ele m e contou que havia encontrado “sua felicidade”, que era exatam ente outra m ulher. Ele m e disse que era infeliz com a es- posa, que 0 casam ento de am bos havia azedado havia m uito tem po e que não conseguia encontrar um a m aneira de reverter a situação. Enfim , ele estava decidido a deixar a esposa e os filhos para reiniciar a vida com sua verdadeira m etade da laranja. Depois de ouvir toda a história, eu disse que a vida abundante e feliz que ele estava buscando dependia unicam ente de sua obediência aos princípios da Palavra de D eus e que o Senhor não com pactuava com seus planos pessoais de então; ou seja, ele não poderia ser intei- ram ente feliz se fizesse o que estava pretendendo fazer. —M as o im portante é a m inha felicidade, a m inha realização, a m inha alegria pessoal. N ão posso deixar escapar a oportunidade de ser feliz para obedecer ao que Deus diz em sua Palavra. Tem pos depois, fiquei sabendo que ele realm ente havia abando- nado a esposa e os filhos para casar com a nova nam orada. D urante a nossa conversa, perguntei com o seus três filhos ado- lescentes reagiríam diante dessa decisão. Sua resposta foi:
  28. 28. Humanismo I 31 —Eles se viram! Será? Será que as m arcas de um a atitude com o essa podem ser totalm ente apagadas? Essa é um a ilustração real de com o a filosofia hum anista tem destruído famílias. Se o am or entre os cônjuges esfria ou passa por crises, a solução é fácil. Basta trocar de parceiro. N a prática, significa destronar Deus, tirá-lo do controle da nossa vida e assum ir sua posi- ção, sem nos im portarm os com 0 que ele estabeleceu em sua Palavra. Passam os a ser donos do nosso próprio nariz, só fazem os o que querem os, só nos im portam os com a nossa própria felicidade em detrim ento do que o A rquiteto do lar ordenou. O hum anista não conhece o real significado de quem é D eus ou de quem é o hom em . Seu conceito sobre o ser hum ano não corres- ponde à verdade; o m esm o acontece com o que ele pensa sobre a so- ciedade e sobre a Lei de Deus. Seu desconhecim ento a esse respeito e a falta de u m a base sobre seu verdadeiro significado levam ao caos e adoece to da a sociedade. R elem brando-m e do senhor que m e procurou para aconselha- m ento achando que a vontade de Deus podería ser m anipulada, sua atitude dem onstrou com o o ser hum ano tem adotado a filosofia de que o Senhor não ocupa m ais o trono, que ele não tem m ais autorida- de sobre a nossa vida. M as é um a ilusão o ser hum ano pensar que será feliz por escolher o que mais lhe agrada e mais lhe convém. Isso não é possível. Ele não com preende que, quando não aceita e não obedece à vontade de Deus revelada em sua Palavra, fecha as portas para inúm e- ras e variadas bênçãos que o Senhor quer derram ar em sua vida. O utra área em que a família está sendo atacada é a questão do aborto. Só no Brasil foram praticados 5 milhões de abortos no ano de 2003; e a grande maioria continua sendo feita na clandestinidade até hoje. O aborto sem pre põe em p au ta aquilo em que realm ente cre- m os sobre a origem da vida h u m an a. Se acreditam os que D eus criou o ser h u m an o à sua im agem e sem elhança, tam bém acredita- m os que o pequeno em brião, já n a sua concepção, carrega a posi- ção, o valor e a dignidade concedidas pelo Senhor T odo-poderoso,
  29. 29. não pelo próprio hom em . Aqueles que se sentem m ais livres para in terro m p er um a gravidez indesejada acreditam que o ser h um ano é um “acidente” ocorrido neste planeta, o qual se “desenvolveu” (pela evolução) até tornar-se hom em . Deus planejou a vida do ser h um ano antes m esm o da sua con- cepção. Ele considera o em brião um a alm a vivente e, portanto, o aborto é um a declarada violação de um de seus m andam entos: ‘N ão m atarás’ (Êxodo 20.13). A sociedade m oderna aceita e aprova o aborto por um a série de conveniências que vêm ao encontro da justificativa de seu pecado, de sua fraqueza ou até de seu desespero. M as a m aioria das pessoas esquece ou ignora a verdade: “M eus ossos não estavam escondidos de ti [...] Os teus olhos viram o m eu em- brião [...]” (Salmos 139.15,16). H á mais de quatro décadas, tenho ensinado e pregado sobre 0 que Deus pensa a respeito do aborto. Infelizm ente, percebo que até a Igreja evangélica tem caído n a cilada da filosofia h um anista que de- fende que a m ulher tem o direito de decidir sobre o que acontece com seu corpo. Se por algum m otivo achar que a gravidez não lhe convém, isso fite dá o direito de acabar com um a vida. Q uando ouço alguém defendendo esse raciocínio, sem pre pergunto: E o direito do em brião que está se desenvolvendo na barriga da mãe? Ele não tem direitos?2 É possível observar que, no H olocausto durante a Segunda Guer- ra M undial, quando seres hum anos foram m assacrados e 6 m ilhões de judeus foram exterm inados nos cam pos de concentração, m édi- cos praticavam constantem ente o aborto, o infanticídio e a eutaná- sia. Toda vez que o valor da vida hu m an a é desconsiderado, as portas para qualquer aberração são escancaradas. A Igreja brasileira precisa assum ir seu papel profético, encorajando o povo a arrepender-se das atrocidades com etidas na sociedade e até dentro da própria igreja. Nos últim os cinquenta anos, aproxim adam ente, o hom em vem rejeitando a m aneira pela qual o A rquiteto do lar planejou a 2 É necessário, entretanto, diferenciar os casos em que os médicos indicam e realizam o aborto porque a mãe corre risco de morrer. [N. do E.] 3 2 I Forças destruidoras da família
  30. 30. Humanismo 33 constituição fam iliar (G ênesis 1.27,28), alegando que esse plano não com bina m ais com a época em que vivemos. Por esse m otivo, há tantas uniões civis de parceiros hom ossexuais. Uso o term o uniões civis porque m e dói m uito utilizar a expressão “casam ento gay”. É exatam ente isso 0 que acontece quando a filosofia hum anista predom ina na sociedade. É triste pensar que um alto preço será pago pela desobediência à revelação divina. Seja nas questões de divórcio, união civil, prática do sexo antes do casam ento entre os jovens, adultério, aborto, eutanásia ou qualquer outro desafio à autoridade de um Deus que nos criou e nos sustenta, o resultado sem pre será o caos, a confusão, a frustração e o desespero. Ted Turner, 0 CEO da rede internacional CNN, declarou que os Dez M andam entos não são m ais relevantes para 0 hom em m oder- no. Depois dessa declaração absurda, ele se ofereceu para ser o deus desta época e apresentou sua própria perspectiva sobre a vida hum ana. Tanta arrogância m e deixa abism ado! Considere a vastidão do Universo, com m ilhões de galáxias sem elhantes à nossa. Considere as incalculáveis dim ensões do tem po, do passado, do presente, do futuro e da eternidade. Nós som os apenas pequenas partículas que habitam u m planeta dessa galáxia. C om o podem os ser tão tolos em apenas sonhar que som os tão grandiosos, tão inteligentes, tão po- derosos para controlar toda essa im ensidão e todos esses m istérios? Com o ousam os tentar transform ar um Deus tão magnífico em um ser tão pequeno? C om o tem os a audácia de pretender destroná-lo? A cham os que a sociedade evoluiu e está progredindo, quando na verdade cam inham os a passos largos para o caos global, quer ele econôm ico, quer social, m oral e espiritual. E nquanto m e decepciono cada vez m ais com o orgulho hum a- no, fico m aravilhado com a paciência de Deus. U m dia, quando encontrarm os com o nosso D eus, poderem os fazer com o disse 0 profeta Isaías: cairem os com o rosto em terra, chocados com 0 poder e a glória de sua presença, e adorarem os o C riador do céu e da terra pelos séculos dos séculos. Amém!
  31. 31. C a p í t u l o 4 Hedonismo A busca incansável e insaciável pelo prazer O brilhante escritor Ernest H em ingw ay (1899-1961) cresceu em contato com um am biente pobre e rude, acom panhando seu pai, que era m édico na zona rural de um a cidade do Estado de Illinois (EUA). M as H em ingw ay tornou-se um hom em privilegiado. Inteli- gente, talentoso e destem ido, foi autor de grandes best-sellers da lite- ratura, cultuados até os dias de hoje, com o, po r exem plo, Adeus às armas e Por quem os sinos dobram. Pela obra O velho e 0 mar, ganhou o Prêm io Pulitzer e o N obel de L iteratura (1954). H em ingw ay viveu n a Itália, na França, na E spanha e em Cuba. N a África, entregou-se a um a de suas paixões, além das m uitas mu- lheres com quem se relacionou: as caçadas. Os ursos do noroeste dos Estados U nidos tam bém conheceram sua destreza com o caçador, fato que foi am plam ente divulgado pelos jornais da América na época. Rico, disputado, adulado, valorizado e tudo mais, após experi- m entar todos os prazeres disponíveis a um hom em bem -sucedido, aos 61 anos de idade deu fim à própria vida. Seu bilhete suicida dizia: “A vida é um a sucessão de coisas ruins, um a atrás da outra”. C om estas palavras, H em ingway resum iu o vazio e o desespero de seu coração. Podem os falar sobre outro hom em que foi m uito mais famoso e m uito mais rico que Ernest Hemingway. Tam bém era escritor. Seu nom e, Salomão; rei de Israel, filho do rei Davi. Em seu renom ado livro Eclesiastes, ficou conhecido com o “O Pregador” (1A, Almeida Revista e Atualizada), o hom em que m editou profundam ente sobre a vida
  32. 32. Hedonismo I 35 hum ana, com todas as suas injustiças e decepções. Salomão concluiu que “nada faz sentido” (1.2) ao falar sobre suas vitórias e derrotas, seu otim ism o e pessimismo, sua esperança e seu desespero. Em Eclesiastes 1.2, Salomão expõe sua dedução: “[...] Que grande inutilidade! N ada faz sentido!”. Ele já era um hom em idoso quando escreveu tais palavras. Havia desfrutado de tudo o que a vida pode oferecer a alguém : riqueza, sabedoria, poder, saúde, felicidade, am igos e bastante prazer, m as chegou à conclusão de que tudo era dem asiado supérfluo. No v. 3, porém , Salom ão dem onstra pequenos sinais de esperança em um a p erg u n ta que certam ente m uitos de nós já fizemos: “O que o hom em ganha com todo o seu trabalho em que tan to se esforça debaixo do sol?” Q ue vantagem 0 h o m em tem de trabalhar do nascer ao pôr do sol? Será que vale a pena le- vantar toda m anhã, de segunda a sábado, bem cedinho, sair para trabalhar e chegar em casa exausto ao anoitecer? E ntão, Salom ão nos induz a explorar essa questão e descobrir alternativas que podem dar real significado à vida do ser hum ano: sabedoria, ética no trabalho, vida familiar, saúde em ocional e física, longevidade. N ovam ente, entretanto, a conclusão decepcionante é que todas essas coisas são igualm ente vãs. Em sua busca pelo sentido da vida e realização pessoal, Salom ão tam b ém percorreu a estrada que leva ao prazer. Talvez esse seja o cam inho m ais percorrido pela hum anidade: a busca incansável e insaciável pelo prazer. C om o rei de Israel, h om em rico e podero- so, Salom ão teve todas as chances de experim entar o prazer por diferentes aspectos, m as deduziu que tudo não passa de futilidade, já que todas essas coisas prom etem m uito, m as pouco cum prem . Saúde, felicidade ou sucesso, no final eles não geram satisfação total nem revelam o verdadeiro sentido da vida. Ao que parece, Ernest H em ingw ay chegou à m esm a conclusão ao final de sua existência. Procurar realização e satisfação pessoal por m eio do prazer é entrar em um beco sem saída. O propósito do livro de Eclesiastes é des- pertar-nos para esse fato antes de chegarm os à velhice e term os de enfrentar frustração e desilusão no encerrar da vida.
  33. 33. É m uito fácil o ser h u m an o cair na sutil arm adilha do poder e subm eter sua vida à escravidão do prazer. O prazer tem a capacidade de controlar um a pessoa. Pergunte a alguém que está dom inado pela bebida, pelas drogas, pelo sexo. É um a falsa prom essa de liber- dade que, na verdade, escraviza. Em vez de proporcionar um a sensa- ção de profundo e definitivo contentam ento, a confrontação com as consequências, em geral dolorosas, é inevitável. U m a das constatações dessa realidade é 0 triste fim da cantora e atriz W hitney H ouston. C riada em um a igreja evangélica, linda e talentosa, ela desperdiçou todas as conquistas de sua vida pelo artifício da bebida e das drogas. U m de seus bens m ais preciosos, que era sua voz, sucum biu na luta entre o talento e 0 prazer. Q uero agora fazer algum as perguntas a você: Você está preen- chendo a vida com algum tipo de entretenim ento questionável? Q uem sabe livros, revistas, filmes, sites pornográficos? Está procu- rando, conscientem ente ou não, satisfação e prazer em situações que podem prejudicar seu relacionam ento com Deus, consigo m esm o e com o próxim o? O u talvez você sinta prazer no acúm ulo de bens m ateriais: carros, roupas de grife, férias em lugares sofisticados ou exóticos etc. A credite, tudo isso provoca sensação de prazer, m as ela não dura m uito tem po. Talvez você esteja perguntando: Isso quer dizer que não devemos alm ejar experiências que nos deem prazer? Devemos viver com o m on- ges tibetanos, rejeitando term inantem ente os prazeres que 0 m undo oferece? É possível usufruir de prazeres legítimos sem correr 0 risco de nos tornarm os viciados ou serm os escravizados por eles? Para responder a essas perguntas, precisam os antes responder a algum as outras: • Por que o prazer não garante realização, felicidade e alegria perm anentes? • Q ual é 0 perigo enfrentado pelo cristão que corre atrás de prazer? • Q ual é o papel do prazer na vida do cristão? 36 I Forças destruidoras da família
  34. 34. Hedonismo I 37 O “P regador”, com o Salom ão era cham ado, m enciona dois mo- tivos pelos quais o prazer não possui a força necessária para satisfa- zer as nossas expectativas, e com isso respondo à prim eira pergunta. O prim eiro deles é que não conseguim os desfrutar n en h u m tipo de prazer que nunca m ais nos leve a buscar mais. Salom ão cita com o ilustração o am or pelo dinheiro: “Q uem am a o dinheiro jam ais terá 0 suficiente; quem am a as riquezas jam ais ficará satisfeito com os seus rendim entos. Isso tam bém não faz sentido” (Eclesiastes 5.10). Q u an d o tem os dinheiro e p o d em o s aproveitar de to d o o p ra ‫־‬ zer que ele pode com prar, não nos sentim os satisfeitos; sem pre querem os m ais. Se tem os u m carro p o p u lar, querem os u m m ais luxuoso. Se possuím os u m a m áq u in a digital de ú ltim a geração, desejam os um a m ais sofisticada. M oram os em um sobrado de dois q u arto s, m as cobiçam os u m a casa m aior, com q u atro q u arto s, m ais im p o n en te e, claro, com piscina. É m u ito fácil elevar o pa- drão de vida q u an d o tem os dinheiro. C o n tu d o , depois de algum tem p o , p o d er co m p rar o que quiser perd e a graça. O “P reg ad o r” afirm a que as pessoas sem pre desejarão m ais e m ais e, m esm o conseguindo tu d o o que q u erem , n u n ca se sentirão p len am en te felizes, satisfeitas. O segundo m otivo é que tudo é absolutam ente tem poral e in- certo. Eclesiastes 5 .1 3 1 5 ‫־‬ assegura: H á u m m al terrível que vi debaixo do sol: Riquezas acum uladas p ara infelicidade do seu possuidor. Se as riquezas dele se p erd em n u m m au negócio, n ad a ficará p ara o filho que lhe nascer. O h o m em sai n u do ventre de sua m ãe, e com o vem , assim vai. De todo o trab alh o em que se esforçou n a d a levará consigo.
  35. 35. 3 8 I Forças destruidoras da família Portanto, a resposta à segunda pergunta “Q ual é 0 perigo en- frentado pelo cristão que corre atrás de prazer?” é: o perigo de subs- tituir o que é passageiro e tem porário p o r aquilo que é im portante e eterno. O prazer pode facilm ente usurpar o prim eiro lugar de Deus na nossa vida. Essa posição é prioritária, sem possibilidade de troca. Por isso, precisam os ficar sem pre alertas, pois atividades prazerosas podem , quase im perceptivelm ente, roubar as nossas oportunidades de louvar a Deus e m editar em sua Palavra. Salom ão nos exorta: “Lem bre-se do seu C riador nos dias da sua juventude, antes que ve- nham os dias difíceis e se aproxim em os anos em que você dirá: ‘Não tenho satisfação neles’” (Eclesiastes 12.1). Eis a razão pela qual 0 he- donism o — a filosofia que defende o prazer com o o alvo principal da vida —é tão perigoso. Ele desvia a nossa atenção de Deus, de seu Reino e de sua justiça em prim eiro lugar. C hegará 0 dia em que você não sentirá m ais prazer nas suas realizações ou possessões. É por isso que 0 “P regador” adverte: M antenha-se aten to para não substituir o que é real e eterno pelo que é tem poral e passageiro, d u ran te os anos da sua vida. Q uanto à resposta à terceira pergunta, “Q ual é 0 papel do prazer na vida do cristão?”, a questão principal não é viver sem desfrutar os prazeres que a vida proporciona, m as criar expectativas irreais a respeito e correr teim osam ente atrás delas. O nosso problem a é que esperam os que o prazer nos dê m ais do que ele pode realm ente ofe- recer. Esse é 0 m otivo de ficarm os insatisfeitos. Q uero deixar bem claro que não sou contra um a pessoa buscar prazer em determ inadas coisas. Pessoalm ente, tenho sido agracia- do p o r D eus com m om entos m uito prazerosos. O que quero enfa- tizar aqui é que o cristão precisa m an ter um a perspectiva correta sobre 0 tem a. D evem os aproveitar, sem culpa, os prazeres da vida que D eus nos oferece e ser gratos a ele por ter a oportunidade de experim entá-los. Em João 10.10, Jesus declarou: “O ladrão vem apenas para roubar, m atar e destruir, eu vim para que tenham vida, e a tenham plenam ente”.
  36. 36. Hedonismo 1 39 Talvez a razão que leva algum as pessoas a correr desesperadam ente em busca do prazer é que elas nu n ca experim entaram a vida abun- d an te que Jesus prom eteu. O salm ista disse: “Tu m e farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua d ireita” (Salm os 16.11). M eus queridos am igos, eis 0 verdadeiro prazer: viver constan- tem ente na presença do Senhor, experim entando as delícias de sua presença, com unhão e am izade. Este é o prazer que grande parte da hum anidade jam ais conheceu. É um privilégio conquistado por aqueles que am am realm ente a Deus de todo 0 coração; represen- ta m ais, m uito m ais que a possibilidade de usufruir o m áxim o de prazer que 0 m undo pode oferecer. É um a pena, m as nem m uitos daqueles que se autodenom inam cristãos experim entaram as delí- cias e a profunda satisfação de um a vida na com panhia am orosa e surpreendentem ente prazerosa do Senhor. O hedonism o tem ferido a fam ília e a sociedade de form a qua- se im perceptível. A busca pelo prazer, ardilosam ente difundida pelo hedonism o, penetra cada vez mais na sociedade, afetando principal- m ente os jovens. Tal filosofia prom ove a ideia de que devem os viver 0 m om ento, perseguir o prazer, sem m uita preocupação com as conse- quências. Essa atitude produziu um a geração de jovens vulneráveis à prom iscuidade sexual, ao alcoolism o e às drogas. Será que estam os tão cegos a ponto de não enxergar com o a fa- m ília está sendo negativam ente im pactada e influenciada? Enquan- to os pais trabalham incessantem ente para ter condições de desfru- tar alguns prazeres que 0 m undo oferece, os filhos atingem a vida adulta sob a orientação da pornografia na tela e no papel, pois não podem contar com o discipulado dos pais, que deveríam ser seus “sa- cerdotes” espirituais. Finalizando, quero que você pense nas seguintes questões:1 1. Você já percebeu que o prazer que perseguiu, um a vez al- cançado, não lhe proporcionou a satisfação duradoura que tanto esperava? Você gostaria de m ais, m ais e mais?
  37. 37. 40 I Forças destruidoras da família 2. Você acalenta expectativas irreais a respeito do que o prazer pode oferecer? 3. Você consegue ver o perigo que existe em substituir o que é tem poral e passageiro por aquilo que é eterno e duradouro? 4. Você consegue com preender e aceitar que o prazer m om en- tâneo pode usurpar o prim eiro lugar na sua vida, o qual deve pertencer a Deus e à expansão de seu Reino? 5. Será que o seu desejo de obter prazer, m esm o legítim o, está prejudicando o relacionam ento com 0 seu cônjuge ou com os seus filhos? 6. Você é capaz de aproveitar os m om entos prazerosos para construir ou m an ter relacionam entos m ais íntim os? 7. O seu orçam ento fam iliar está desequilibrado pelo fato de terem ultrapassado os lim ites de sua condição financeira devido a algum tipo de prazer que se to rn o u m ais caro do que você esperava? C om o essa arm adilha tem afetado sua família? M edite agora nas palavras do profeta Jerem ias: Assim diz o Senhor: “N ão se glorie o sábio em sua sabedoria n em 0 forte em sua força nem o rico em sua riqueza, m as q u em se gloriar, glorie‫־‬se nisto: em com preender-m e e conhecer-m e, pois eu sou 0 Senhor e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que m e agrado”, declara o Senhor. (Jerem ias 9.23,24).
  38. 38. C a p í t u l o 5 Relativismo Tudo é relativo, nada é absoluto Era final de sem ana, um sábado à tarde. Eu m e encontrava em Redenção, cidade ao sul do estado do Pará, no norte do Brasil. O calor era intenso. Eu estava expondo a dezenas de jovens reunidos num clube local os princípios bíblicos sobre o sexo pré-nupcial. Ao final da m inha palestra naquele dia, um casal de nam orados, jovens uni- versitários, se aproxim ou e, nu m to m desafiador e dem onstrando arrogância, m e perguntou: — Q ue direito o senhor tem de afirm ar o que é certo e o que é errado no com portam ento sexual de um casal de nam orados? Eles pretendiam intim idar-m e, m as eu apenas respondí: — A m in h a autoridade para ensinar sobre o co m portam ento sexual de um casal de nam orados tem respaldo n a Lei de D eus, em sua Palavra. Insistente, o rapaz argum entou: —E se não aceitam os a Bíblia com o autoridade sobre nós? Então resta apenas a sua opinião contra a nossa, e a nossa opinião é que podem os transar à vontade. De nada adiantaria discutir, pois o que eu devia argum entar so- bre a vontade de Deus já havia sido dito, e am bos sim plesm ente não acreditavam nela nem estavam dispostos a aceitá-la. Eles saíram dali para não voltar no dom ingo, quando finalizei o sem inário. P ara eles, tu d o é relativo, n ad a é absoluto; p o rtan to , cada pessoa deve satisfazer suas vontades. N ão existe certo ou errado.
  39. 39. 4 2 I Forças destruidoras da família Por crer em verdades absolutas, o cristão m uitas vezes é vítim a de acusações. Passa a ser considerado orgulhoso, radical, intelectual- m ente lim itado, intolerante, ultrapassado e dogm ático, enquanto quem o acusa é visto com o esclarecido, tolerante, aberto, atualiza- do e equilibrado. O relativismo está tom ando conta da sociedade m oderna e da igreja e vem invadindo negativam ente o núcleo familiar, levando cada um e todos à permissividade, com o se fosse um a onda gigantesca. As famílias cristãs estão confusas e perplexas, pois se deparam com autoridades que tom am decisões contraditórias a tudo aquilo que elas sem pre aceitaram com o verdade. A dissonância m oral perturba e desnorteia. É com um vir à m ente do cristão a m esm a pergunta que Pilatos fez ao Senhor Jesus, em João 18.38: “Q ue é a verdade?”. Im agine que você e a sua fam ília planejam ir ao Rio de Janeiro, em férias. Vocês residem em São Paulo. Você consulta 0 m apa para verificar o trajeto. Conclui que precisa acessar a rodovia Presidente D utra, rum o a noroeste. Assim que iniciam a viagem , você para em um posto de gasolina e pergunta o que fazer para pegar a rodovia. O frentista vira o m apa de cabeça para baixo e diz que você precisa ir para o sul, e não para o norte. Se seguir o conselho dele, logo estará com sua fam ília em C uritiba, no Paraná, rum o ao sul do país. Você só tem duas escolhas: se for um a pessoa sábia, rejeitará o conselho, obe- decerá fielm ente ao que m ostra 0 m apa e, provavelm ente, chegará ao seu destino depois de algum as horas. Se decidir ouvir o frentista, o seu m apa se tornará um pedaço de papel inútil. No m undo em que vivemos, grande parte das “autoridades” agem com o 0 frentista: viram 0 m apa de cabeça para baixo. A tragé- dia é que m uitas pessoas, desnorteadas, cam inham na direção erra- da. É fato que a m aioria de nós nunca parou para avaliar o trem endo e desastroso traum a que as filosofias adotadas pela sociedade m oder- na estão causando na nossa vida e na nossa família. Esqueçam o-nos da ortodoxia cristã! Esqueçam o-nos dos dois mil anos de história da Igreja, que sem pre se posicionou a favor da
  40. 40. Relativismo I 43 indissolubilidade sagrada do casam ento e categoricam ente contra o divórcio leviano, contra o adultério, contra a hom ossexualidade e contra a prom iscuidade. “E a sua interpretação contra a m inha!” Essa é a posição do re- lativista. Ela justifica 0 adultério, o hom ossexualism o, o casam ento gay, o aborto, o uso de álcool, a ganância. M em bros de igreja que pensam assim são o pesadelo do pastor, do líder e do rebanho. Insanidade e relativism o são irm ãos gêm eos. Sem um padrão absoluto, um a tábua à qual nos possam os agarrar nu m m ar de turbu- lência, ficamos totalm ente à deriva. Todas as form as de relativism o m oral geram colapso porque elim inam qualquer m odelo de âncora num oceano de instabilidade. C om portam entos perversos, antiga- m ente considerados condenáveis e que carregavam forte estigm a cultural, foram redefinidos e, aos poucos, tornaram -se aceitáveis. C om o o cristão pode descobrir qual direção seguir n a derrocada m oral que seduz e escraviza a sociedade e que am eaça destruir sua própria família? Q uem é capaz de enfrentar a correnteza poderosa que quer engolir as pessoas, e quem é capaz de ten tar resgatá-las? E a Rocha! Para o cristão que se afoga no turbilhão do relativis- m o, a Palavra de D eus é o salva-vidas, e não só para ele, m as tam bém para sua fam ília e sua igreja. Pais, vocês precisam reafirm ar a firm e convicção nos ensina- m entos bíblicos com o revelação divina, im utável e segura, em m eio à degradação m oral e espiritual do m undo contem porâneo. Q uero alertar que vocês poderão ser taxados de radicais, sim plistas, igno- rantes, m uitas vezes até pelos seus familiares. M as não se im portem com isso. Deus e sua Palavra são fiéis. São um a âncora que pode m an ter a sua fam ília segura no m undo m oralm ente desordenado em que vivemos. Por que duvidam os? A verdade n u a e crua é que não temos um a firm e convicção do caráter de D eus e da autoridade absoluta das Es- crituras. Ela é a Rocha, o fundam ento inabalável no qual podem os firm ar-nos. O Deus que criou o m undo (Gênesis 1), que instituiu a
  41. 41. família (Gênesis 2) e que criou o hom em e a m ulher à sua im agem e sem elhança (Gênesis 1.27) tam bém im plantou na nossa alm a discer- nim ento, m oralidade e espiritualidade. Desde o início da nossa existência foi definida um a relação de dependência com o Deus do Universo. O ser hum ano, porém , optou po r ser rebelde e desobediente, preferindo andar pelas próprias per‫־‬ nas e satisfazer a própria vontade. Essa decisão afastou‫־‬o de Deus. M as a Rocha não m udou. Ela é im utável (N úm eros 23.19). É trans- cendente (Isaías 55.8,9) e autoexistente (Êxodo 3.14,15). É a verda- de, a fonte de todo o conhecim ento e sabedoria (João 17.3). Deus é o doador da lei m oral (Êxodo 20.10 ,(17‫־‬ Soberano, o Todo-poderoso (Salmos 103.19). Ele é o juiz a quem , no final, todos prestarem os contas (Apocalipse 2 0 .1 1 1 5 ‫.)־‬ Em bora, às vezes, a presença de Deus seja m om entaneam ente ofuscada pela m aldade hum ana, ele continua oferecendo seu am or, sua graça e sua m isericórdia e propondo o arrependim ento dos pe- cados p o r interm édio de seu Filho, Jesus Cristo, que m orreu na cruz para salvar a hum anidade; o Justo sacrificou‫־‬se pelos injustos para conduzi-los a Deus. Deus é a Rocha que dialoga carinhosam ente com o ser hum ano, m as com soberana autoridade, nas páginas das Escrituras. É ao lon‫־‬ go dessas páginas que ele nos revela sua vontade m oral. Por isso não precisam os adivinhar ou arriscar qual procedim ento escolher frente às questões m orais que nos confrontam praticam ente todos os dias, em especial nesta época em que sofismas diabólicos põem em risco a estabilidade familiar. C ada vez que m e dirijo especificam ente a casais, enfatizo a im ‫־‬ portância da Palavra de Deus, com parando‫־‬a a um m anual do pro‫־‬ prietário. Q uando com pram os um carro, abrim os o porta-luvas e encontram os o tal m anual. É nesse livreto que a fábrica lista todos os atributos, características, m odos de funcionam ento de cada item e cuidados a serem tom ados para que o carro funcione bem e corres‫־‬ ponda às expectativas do dono. 4 4 I Forças destruidoras da família
  42. 42. Relativismo I 45 A Bíblia é o m anual que Deus preparou para todo ser hum ano que o aceita com o Senhor de sua vida e para um a de suas instituições mais sagradas, a família. N a Palavra, Deus revela com o deve ser a di- nâm ica familiar, seus atributos, com o encam inhar dificuldades que podem surgir para o casal e com o resolver os problem as relacionados aos filhos. A Bíblia, portanto, é a expressão divina da verdade absoluta. Nestes dias tão difíceis, m aridos, esposas e filhos necessitam de um a orientação, de um m apa que possa guiá-los sobre com o navegar nas correntezas de m udanças e equívocos deste m undo. Deus e sua Palavra são as únicas âncoras totalm ente confiáveis e absolutam ente infalíveis, seja qual for a am plitude da tem pestade. Suas verdades às vezes são duras. N ão é fácil aceitá-las e m ais difícil ainda aplicá-las na vida diária, principalm ente no contexto da sociedade atual. No entanto, o hom em sábio não as rejeita porque elas transm item vida aos que as aceitam . Fui criado n u m a zo n a ru ra l, nas m o n ta n h a s do estado da C alifórnia, nos E stados U nidos da A m érica. O m eu pai era um há- bil pescador e caçador. Ele m e ensinou m uita coisa sobre a vida no cam po. As escolas onde estudei eram escolas rurais, geralm ente pe- quenas. U m a delas tinha apenas 13 alunos. Nessa escola, a Birthville C om m unity School, cursei do quarto ao sexto ano do ensino fun- dam ental. N a frente da escola, que se resum ia a um a sala com um quadro-negro, havia um cartaz com os Dez M andam entos: “H on ra teu pai e tua m ãe” “N ão m atarás” “N ão adulterarás” “N ão furtarás” etc. Eu lia aqueles m andam entos e ficava im pressionado. M ais tarde descobri que eles estavam registrados n a Bíblia, no livro de Êxodo, capítulo 20, versículos de 1 a 17. Esses exem plos de absolutos m orais chegaram até nós por inter- m édio de M oisés, a quem Deus confiou as tábuas da Lei, que depois foram transcritas n a Bíblia. D urante centenas e centenas de anos,
  43. 43. 46 I Forças destruidoras da família qualquer pessoa que não acreditava nesses absolutos m orais era vista com o bárbara. H oje em dia, considero barbaridade crer no relativis‫־‬ m o m oral, que difunde: “Tudo é perm itido”. C harles W. C olson, em seu livro Against the Night [C ontra a noite] declarou: Em to d a decisão a pessoa fica sozinha, porque não existem abso- lutos m orais. N ão h á avaliação de valores e de razão p ara se to m ar algum a decisão. O relativism o pode escolher ignorar 0 próxim o em vez de ajudá-lo. Pode en ganar em vez de ser h o n esto , m atar em vez de deixar viver. As consequências das escolhas não provocam ne- n h u m peso m oral. N ão som os guiados pela virtude e pela tradição. Paixões egoístas b ro tam livrem ente. E xtinguiu‫־‬se qualquer senso de fidelidade e lealdade p ara com o próxim o e p ara com o C riador. C om o resultado, não h á com o traçar u m a linha reta para m edir as verdades que governam a vida de um a pessoa. A verdade, p o rtan to , é relativa. Ela pode escolher qualquer cam inho, d ep en d en d o do in- teresse e da circunstância do m o m e n to .1 N a m inha antiga escola, todos os m eus coleguinhas tinham consciência do que era certo e do que era errado. Eles sabiam m uito bem que era errado roubar, m atar ou m entir. C om o sabiam disso? Porque o Deus todo-poderoso assim dissera. Foi Deus quem estipu- lou esse código m oral entregue a M oisés no m onte Sinai. M as hoje é tudo diferente. As crianças e os adolescentes estão crescendo em um am biente que ensina que certas ações e atitudes podem ser consideradas erradas para um ou outro, m as não para o indivíduo que a tom ou. Isso é relativism o m oral. Em outras palavras, não podem os confiar na cultura da so- ciedade atual nem adotá-la com o base para en sin ar os nossos fi- lhos. O m u n d o p erd eu sua verdadeira bússola m oral. A que está sendo usada é co m p letam en te confusa, pois m o stra que n o rte é Colson, Charles W. Against the Night. Michigan: Servant Books, 1989.1
  44. 44. Relativismo I 47 sul e sul é n o rte. Foi o nosso D eus q u em d eterm in o u os cam pos m agnéticos que acionam a bússola p ara indicar o n o rte; e foi ele tam b ém q u em estipulou as leis m orais que equilibram a balança de indivíduos civilizados. O Senhor nunca revogou o cam po m agnético nem sua lei m oral. O norte ainda é norte e o sul ainda é sul. O hom ossexualism o ainda é um a perversão. A bortar ainda significa tirar a vida de um ser inocente. O casam ento ainda é um com prom isso sagrado entre um hom em e um a m ulher. Por m ais que a m ídia, a televisão, o cinem a, os livros, as revistas e a internet se esforcem para com unicar um a m oralidade distorcida, é um engano lam entável acreditar que a opinião da maio- ria determ ina o que é correto. A m ídia utiliza argum entos sarcásticos, reportagens duvidosas e especialm ente intim idação para convencer as pessoas. E aqueles que ten tam defender conceitos absolutos con- tra o egoísm o do relativism o m oral são com batidos com extrem o desprezo e cinism o. Pai, você perm ite que seus filhos assistam livrem ente a qualquer program a de TV ou filme? Eles podem acessar o site que quiserem sem supervisão? Cuidado! Você pode estar contribuindo para o fra- casso m oral dos seus filhos no futuro. Com o pai, a sua responsabilidade é com unicar aos seus filhos as verdades da Palavra de Deus. É m ostrar-lhes o que é certo e o que é errado. A sua família precisa urgentem ente de um a liderança firme, pautada nas verdades absolutas de Deus. Você m antém o lem e que conduz a sua fam ília de form a segura ou está perdendo o controle? N ão perca nem m ais um m inuto. A o n d a do relativism o m o- ral p rocura lançar a fam ília n u m a corrente de incertezas, indecisão e opiniões popularescas, n a qual, certam ente, os seus queridos se afogarão. O m aior m otivo da catástrofe que tem atingido o m undo em que vivem os é que nos esquecem os do Senhor, o nosso Deus, e de sua Palavra. Veja o que diz o capítulo 8 de D euteronôm io:
  45. 45. 4 8 I Forças destruidoras da família “L em brem -se de com o o Senhor, o seu D eus, os co n d u ziu ” [...] (v.2) “T enham o cuidado de não se esquecer do Senhor, o seu D eus, deixando de obedecer aos seus m an d am en to s, às suas ordenanças e aos seus decretos [...]” (v. 11). “M as se vocês se esquecerem do Senhor, o seu D eus, e segui- rem outros deuses, prestando-lhes culto e curvando-se diante deles, asseguro-lhes que vocês serão destruídos” (v. 19).
  46. 46. C A P Í T U L O 6 Materialismo A obsessão por bens materiais Em 1882, Friedrich Nietzsche escreveu a frase “Deus está m orto! ” em um de seus livros. Não foi um a pergunta, m as sim um a afirmação. Nietzsche foi ferrenho defensor da tese de que Deus não tinha mais significado para o ser hum ano e, portanto, não existia. Nos dias atuais, h á m ilhares de pessoas, com certo nível cultu- ral, que receiam p erd er parte de sua racionalidade se ousarem crer. O m aterialism o passeia livrem ente no m undo m oderno. A Palavra de Deus não apresenta um a definição clara sobre esse conceito, m as fornece várias ilustrações a respeito de sua substância e caráter. No Dicionário Houaiss, lem os que “m aterialism o é a dou- trina filosófica que acredita que a m atéria é capaz de explicar todos os fenôm enos naturais, sociais e m entais; com portam ento de um a pessoa (ou sociedade) extrem am ente devotada aos bens, valores e prazeres m ateriais”. O m aterialism o é a preocupação ou a tendência de buscar o que justifica a m atéria, não 0 espírito. O m aterialista é alguém que corre obcecadam ente atrás das coisas deste m undo, insistindo em ignorar a necessidade de satisfazer a alm a, o espírito, e, por essa razão, negli- genciando esse ângulo da vida hum ana. A pessoa m aterialista se pre- ocupa com 0 que pode ou não pode com prar e fica frustrada quando não consegue o que quer. A casa, o carro, as férias, os investim entos etc. se m ostram objetivos suprem os para m uitos m aterialistas, visto que são os bens m ateriais que alim entam sua ilusória realização.
  47. 47. Loucuras com etidas por causa de dinheiro são m uitas, e mui- to com uns. Incentivados po r um a sociedade consum ista, seduzidos pela m áquina do marketing, acabam os convencidos de que precisa- m os ser donos de aparelhos eletrônicos de últim a geração não daqui a seis m eses ou um ano, m as agora! Os dias que antecedem o sorteio da loteria estam pam claram ente o interesse hum ano. Q uanto tem po é perdido em im ensas filas de casas lotéricas! M uito se engana aquele que pensa ser esta um a atitude dos não cristãos. Infelizm ente, o m aterialism o está presente e ativo na igreja, que é a noiva de Cristo. Nos dias de hoje, ela não cogita m ais em viver com o viviam os cristãos da igreja prim itiva. A lguns priori- zam e am am m ais o dinheiro que as coisas do Reino. D eslum bram - -se com 0 dinheiro e tu d o 0 que ele pode com prar. Sonham com conforto e prazer. Confesso que não gosto de ser tão rígido nesse aspecto com rela- ção aos m eus irm ãos cristãos. Tenho consciência de que é um julga- m ento duro, porém totalm ente verdadeiro. A bandonam os o prim eiro am or e estam os tendo um caso com um a artim anha satânica. O que Tiago escreveu aos cristãos do século I tam bém se aplica a nós: “A dúlteros, vocês não sabem que a am izade com o m undo é inim izade com Deus? Q uem quer ser am igo do m undo faz-se inimi- go de D eus” (Tiago 4.4). Sem dúvida, são palavras ásperas, m as sob m edida para nos fazerem parar e pensar. Logo de início, quero ser totalm ente honesto e sincero. Assim com o você, eu tam bém luto para resistir à tentação do m aterialism o. Talvez você esteja pensando: “Ah, m as eu não tenho esse tipo de pro- blem a”. E ntretanto, se você é sem elhante à m aioria dos hom ens ou das m ulheres do m undo atual, lá no fundo da sua alm a você sente a tendência de querer sem pre um pouco mais. Precisam os constantem ente nos lem brar das palavras de Jesus: “ [...] C uidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de u m h o m em não consiste na quantidade dos seus b en s” (Lucas 12.15). 50 I Forças destruidoras da família
  48. 48. E triste chegar a essa conclusão, m as atualm ente o cristão está acreditando n a m entira do D iabo, que é: “A vida de um hom em con- siste, sim , na quantidade de coisas que ele tem e em todas as outras que pode adquirir!”. Jesus disse que aquele que aceita tal m entira do D iabo torna-se escravo dela: “N inguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e am ará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao D inheiro” (M ateus 6.24). Todo cristão trava um a luta, podem os dizer diária, no seu espírito. Ele percebe que algum a coisa está errada. É com o M arta, a quem Jesus exortou com m uito am or: “M arta! M arta! Você está preocupada e inquieta com m uitas coisas” (Lucas 10.41). O m atéria- lista se afasta das coisas do Senhor para contínua e dedicadam ente preocupar-se com suas próprias coisas. O bserve o quadro que Jesus expôs do m aterialista em Lucas 12.16-21: Materialismo I 51 E ntão [Jesus] lhes con to u esta parábola: “A terra de certo h o m em rico pro d u ziu m uito. Ele p en so u consigo m esm o: Ό que vou fazer? N ão ten h o onde arm azenar m in h a colheita’. “Então disse: J á sei o que vou fazer. Vou derrubar os m eus celeiros e construir outros m aiores, e ali guardarei toda a m inha safra e todos os m eus bens. E direi a m im m esm o: Você tem grande quantidade de bens, arm azenados para m uitos anos. Descanse, com a, beba e alegre‫־‬se’. “C o n tu d o , D eus lhe disse: ‘Insensato! E sta m esm a noite a sua vida lhe será exigida. E ntão, q u em ficará com 0 que você p rep aro u ?’ “Assim acontece com q u em guarda p ara si riquezas, m as não é rico p ara com D eus”. Essa é a narrativa sobre um hom em preocupado com seus in- vestim entos. A dim ensão espiritual de sua vida era subjugada pela obsessão de enriquecer sem pre m ais e mais. N o en tanto, tal faceta do m aterialism o não é um a doença exclu- siva dos ricos. Tanto o rico quanto o pobre podem ser infectados por
  49. 49. essa m esm a enferm idade. Todos estam os vulneráveis à contam ina- ção de contrair 0 desejo por acum ular bens m ateriais. O foco do m aterialism o não está n a quantidade de bens obti- dos, m as n a nossa atitude. Percebem os nas palavras do apóstolo Paulo em IT im óteo 6.17 a preocupação quanto à nossa atitude em relação aos bens m ateriais: “O rdene aos que são ricos no presente m u n d o que não sejam arrogantes, nem p o n h am sua esperança na incerteza da riqueza, m as em D eus, que de tudo nos provê rica- m ente, para a nossa satisfação”. N ote que Paulo não está ordenando que o rico se livre de suas riquezas nem sugerindo que se sinta culpado pelo dinheiro ou pos- ses que acum ulou. Ele exorta o rico a não p ô r sua esperança nem depositar sua segurança nas riquezas. Se a nossa esperança e a nos- sa segurança se resum em às riquezas, ficarem os constantem ente ansiosos e preocupados com aquilo que já conseguim os acum ular e com aquilo em que pretendem os investir. Se lutam os para proteger os nossos bens a qualquer custo, isso dem o n stra que nos tornam os escravos do m aterialism o. Para auxiliar a todos que, com o eu, não querem cair nessa arm a- dilha do inim igo, apresentarei alguns sinais do perigo de nos tornar- m os m aterialistas. • Q uando com eçam os a com parar o que é nosso com o que é dos outros, sorrateiram ente nasce um a inveja dentro de nós e o desejo de term os o que a outra pessoa tem . Em 1Pedro 2.1 lemos: “Portanto, livrem-se de toda m aldade e de todo engano, hipocrisia, inveja e toda espécie de m aledicência”. • Q uando ficamos ansiosos em relação ao nosso dinheiro, bens, posses, investim entos, essa preocupação tom a conta da nossa m ente e dos nossos sentim entos. Em M ateus 6.25-34, Jesus nos incita a não nos preocuparm os com roupas, comi- da, bebida, enfim , coisas m ateriais. Em vez disso, devem os esforçar-nos para buscar em prim eiro lugar o Reino de Deus 52 I Forças destruidoras da família
  50. 50. e sua justiça, pois ele nos dará aquilo de que realm ente neces- sitam os para viver. • Q uando nos esquecem os de ser gratos p o r tu d o o que Deus nos tem dado e desviam os a atenção para o que ainda não tem os, correm os o perigo de nos to rn a r irrem ediavelm ente m aterialistas. • Q uando perdem os a alegria de ser liberais nas contribuições que fazem os; quando dedicam os m ais esforços em econo- m izar para construir um castelo de ilusões pessoais, então caím os no equívoco de, em vez de investirm os em pessoas para contribuir com o engrandecim ento do Reino de Deus, procuram os valorizar o nosso próprio reino. Em sua prim eira carta a T im óteo, 0 apóstolo Paulo advertiu o discípulo: “[...] pois o am or ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algum as pessoas, p o r cobiçarem o dinheiro, desviaram -se da fé e se atorm entaram com m uitos sofrim entos” (lT im óteo 6.10). O m ate- rialista é apegado ao dinheiro. Sem ele, sente-se frustrado e inseguro e é capaz até de com prom eter sua integridade para obtê-lo. Alguém disse certa vez: “D inheiro é com o água salgada do m ar: quanto mais você bebe, m ais sede você tem ”. Q uando as possessões nos seduzem , nunca estam os satisfeitos; sem pre querem os m ais e mais. A gora, preste atenção às palavras de J. D. Rockfeller, u m dos em presários m ais ricos do passado. A pesar de to d a a fo rtu n a que tin h a, afirm ou categoricam ente: “Já ganhei m ilhões, p o rém eles não m e trouxeram n en h u m a felicidade”. O utro bilionário, W. H. V anderbilt, declarou: “A preocupação de cuidar dos m eus bilhões de dólares é um fardo pesado dem ais p ara o m eu cérebro e as mi- nhas costas su p o rtarem ”. N ão é exatam ente isso o que Paulo descreveu? “ [...] Algum as pessoas, p o r cobiçarem o dinheiro, desviaram -se da fé e se ator- m en taram com m uitos sofrim entos”? M ilionários costum am eco­ Materialismo | 53 nom izar sorrisos.
  51. 51. Talvez você argum ente: “Eu nào quero ser m ilionário. Só quero ter o suficiente para viver bem . Apenas um pouquinho m ais”. Com o já dissem os, ser m aterialista não diz respeito à quantidade de bens que possuím os, m as à nossa atitude diante deles. Refere-se à condi- ção do nosso coração. R ealm ente, o problem a não é se você dirige um a Ferrari ou um carro popular. O problem a é o seu coração. Jesus referiu-se a isso da seguinte m aneira: “ N ão acu m u lem p a ra vocês teso u ro s n a te rra , o n d e a traça e a ferru g em d estro em , e o n d e os lad rõ es a rro m b a m e fu rtam . M as acu m u lem p ara vocês teso u ro s n os céus, o n d e a traça e a ferru g em n ão d estro em , e o n d e os ladrões nào a rro m b a m n e m fu rtam . Pois o n d e estiver 0 seu teso u ro , aí tam b é m estará 0 seu coração” (M a- teus 6.19-21). Q uero fazer um a pergunta: C om o estão os seus depósitos no banco celestial? Se o seu coração estiver focado no céu, os seus inves- tim entos tam bém estarão. Se, porém , o seu coração estiver preocu- pado com o que é tem porário, você não estará ajuntando riquezas no Reino de Deus. Mais um a coisa: nos bancos deste m undo, os lucros são irrisórios, a correção m onetária não é aplicada, e isso corrói os dividendos. A pessoa fica frustrada e quebra a cabeça tentando ima- ginar onde investir para dim inuir perdas. E sabe o que é pior? Esse dinheiro não a acom panhará quando ela m orrer e, se não houver um testam ento claro, seus filhos e netos se em penharão com afinco para usufruir de seu esforço, sem pudores em desperdiçar sua fortuna le- viana e rapidam ente. E m bora vivam os em um a sociedade assum idam ente consu- m ista, será que precisam os ceder às fortes tentações e entregar-nos a um a cultura com pletam ente m aterialista? Não! Podem os escolher outro cam inho, um a estrada que m uitos não se sentem atraídos em trilhar. A pelo novam ente ao apóstolo Paulo para com provar este pensam ento: “De fato, a piedade com co n ten tam en to é grande fonte de lucro, pois n ad a trouxem os 54 I Forças destruidoras da família
  52. 52. Materialismo | 55 p ara este m u n d o e dele n ad a podem os levar; p o r isso, ten d o o que com er e com que vestir-nos, estejam os com isso satisfeitos” (IT im ó teo 6 .6 8 ‫.)־‬ Paulo explica que, ten d o alim ento p ara com er, água p ara beber, ro u p a p ara vestir e um teto p ara cobrir a nossa cabeça, devem os ficar felizes. Se tiverm os o essencial, já devem os considerar-nos afortunados. A realidade d u ra e crua é que poucas pessoas se sen tem con- ten tes com 0 que é essencial p ara viver. N a v erdade, a enorm e m aioria q u er roupas de grife, m ais que o trivial p ara com er, dois carros, u m a bela casa, se possível com u m a lin d a vista, u m m ês de férias, de preferência em o u tro país etc. É claro que essa lista é m u ito m ais extensa. O texto de IT im óteo 6.8, “[...] tendo o que com er e com que vestir-nos, estejam os com isso satisfeitos”, é com o um a facada no coração de um m aterialista. M as preciso confessar que, em bora não m e considere m aterialista, estou longe de cum prir as palavras do apóstolo. Para am pliar a perspectiva, vam os ler tam bém o que Paulo dis- se em R om anos 8.32 ao ressaltar a generosidade da graça de Deus: “Aquele que não poupou seu próprio Filho, m as o entregou po r to- dos nós, com o não nos dará juntam ente com ele, e de graça, todas as coisas?”. O argum ento de Paulo é: se Deus nos entregou o que h á de m ais precioso no Universo, seu único Filho, quantas bênçãos mais ele não nos dará? À m edida que cam inham os intim am ente com D eus, descobrin- do cada vez m ais a dim ensão das riquezas de sua graça, conhecem os tam bém quanto ele é generoso, pois nos dá não apenas benefícios m ateriais, porém m uito m ais abundantem ente nos oferece sua gra- ça, sua m isericórdia, sua bondade e seu perdão. Ele nos dá a dádiva de todos os seus atributos. C ontudo, quem é m aterialista não tem a oportunidade de descobrir as riquezas concedidas por um Deus indescritivelm ente generoso. Esse é um dos m otivos pelos quais o m aterialista não sabe dar com liberalidade e generosidade.
  53. 53. 56 I Forças destruidoras da família Im agine o que aconteceria a um a fam ília cristã que obedecesse a D eus e resolvesse levar u m a vida m ais simples! A filosofia m ate- rialista não cessa de atacar a fam ília sem dó n em piedade. E faz isso de m aneira tão sutil que m uitos não percebem o im enso estrago que ela provoca. Pense bem : • O dinheiro se to rnou um a arm a secreta para m anipular ou controlar os m em bros da sua família? • Brigas e desentendim entos po r causa de dinheiro são fre- quentes na sua casa? • É com um você entrar em rota de colisão com o seu cônjuge ou com os seus filhos sobre com o eles devem gastar o dinhei- ro que têm ? • Você já planejou um orçam ento financeiro com o seu cônju- ge ou futuro cônjuge? • Às vezes, você sente que não sabe onde foi p arar o seu sa- lário? • N a sua opinião, dar “coisas boas” aos seus filhos, m esm o que isso exija que você trabalhe m ais e se ausente durante m ais tem po, é m elhor que dim inuir o padrão de vida e privá-los de certas regalias? • Você se considera m aterialista? E os seus filhos? Se você con- tinu ar trilhando o cam inho que optou até agora, seus filhos serão m aterialistas quando alcançarem a idade adulta? Q uero esclarecer que não estou defendendo a tese de que to- dos devem m o rar n u m a cabana, não precisam ter carro, devem possuir apenas um a m u d a de ro u p a e um p ar de sapatos etc. Torno a dizer que o im p o rtan te é a nossa atitude, o que realm ente faz pul- sar o nosso coração. O cristão deve saber controlar e lu tar co n tra os constantes ataques que sofre no dia a dia de u m m u n d o im pregna- do pelo m aterialism o.
  54. 54. Materialismo I 57 Assim com o Ló partiu de Sodom a porque a cidade fora completa- m ente condenada devido ao pecado, e não olhou para trás, nós tam - bém devemos determ inar limites para não nos deixarmos influenciar perigosam ente pela filosofia m aterialista do m undo m oderno. Ló foi um hom em com o nós, um ser hum ano com um , m as venceu graças à atitude de seu coração. Procurem os seguir seu exemplo. A obsessão po r bens m ateriais não pode tornar-se o bem m aior da nossa vida! E principalm ente: não podem os perm itir que essa obsessão nos prive de conhecer e receber a riqueza da graça de Deus.
  55. 55. C A P Í T U L O 7 Individualismo Quando a prioridade é 0 indivíduo e seus direitos O individualism o, filosofia que se alastrou rapidam ente na pós- -m odernidade, prioriza e foca o indivíduo e seus direitos. O falecido cantor Frank Sinatra, fam oso por sua voz, seu carism a, seus am ores e sua vida polêm ica, suas m aravilhosas canções e seus olhos azuis, resum iu em seis palavras de um a canção o que 0 individualism o re- presenta: “Eu fiz do jeito que quis” (originalm ente, I did it my way). N a verdade, o individualism o é um dos frutos do hum anism o, em que 0 hom em expulsa Deus do trono com o autoridade máxi- m a e se autoentroniza. A p artir daí, o egoísm o e o narcisism o con- duzem sua vida; ele idealiza um universo pessoal, e essa soberania fantasiosa o faz indispor-se constantem ente com outros, num a luta interm inável p o r seus direitos. O individualismo é inimigo da família. O cenário do m undo pós- -m oderno produz um núm ero crescente de separações. Se no relaciona- m ento conjugal o cônjuge e seus direitos nem sem pre são respeitados, a solução é sim ples: basta trocar o parceiro. C ada um se julga m ais im portante que o outro e não abre m ão de exigir seus direitos. É com um não existir nem a vontade de solucionar o problem a. N ão há com prom isso de lu tar pelo casam ento, pela fam ília, de te n ta r m a n te r um diálogo franco e sincero, de p ro cu rar alguém qualificado para aju d ar a resolver os conflitos. O orgulho, a vai- dade e 0 egoísm o to m am co n ta dos cônjuges, dificultando a res- tauração do casal.
  56. 56. Individualismo I 59 Essas separações atuais, ao contrário de trinta, quarenta anos atrás, são vistas com naturalidade, independentem ente dos sérios prejuízos que provocam . No passado, aqueles que term inavam um a relação conjugal consideravam principalm ente o m otivo bíblico com o causa (“dureza de coração”) e assum iam essa postura com m ais dignidade (M ateus 19.7,8). Hoje em dia, quase tudo é resolvido tom ando-se por base o in- dividualismo, no qual o egocentrism o supera com larga m argem de vantagem o altruísm o. O com prom isso m útuo perde seu significado no m undo pós-m oderno, a partir do m om ento em que o hom em ou a m ulher insistem em se sentar no trono que pertence som ente a Deus. U m dos valores da cultura brasileira — que tam bém é incansa- velm ente divulgado por H ollyw ood —destaca o “individualista cora- joso”. Explico. G ostam os m uito de assistir a filmes, docum entários e até propagandas com erciais que contam histórias de coragem e sucesso, apesar das m últiplas e m uitas vezes horripilantes dificulda- des enfrentadas. Torcem os p o r pessoas que lutam a qualquer custo contra situações aparentem ente impossíveis de superar. Reconhece- m os, valorizam os e adm iram os aquele que, apesar de tudo, não é derrotado. Somos fãs de quem é bem -sucedido. No entanto, a verdade é que Deus não exalta o individualism o. Em Gênesis 1.26, lem os: “E ntão disse Deus: ‘Façam os o hom em à nossa im agem , conform e a nossa sem elhança’ [...]”. O aspecto im- portante dessa declaração é que Deus nos criou para viver em so- ciedade. Ele próprio vive nesses term os; cada m em bro da Trindade existe em com unhão contínua. Deus nos designou com o seres relacionais. Ele nunca pretendeu que adotássem os o individualism o. Portanto, só experim entam os a vida com o o Senhor planejou quando construím os relacionam entos interdependentes com ele e com outras pessoas. Por isso, a filosofia individualista, ao m esm o tem po que se apresenta atraente e em pol- gante para o hom em , posiciona-se frontalm ente contra o conceito do C orpo de Cristo.

×