FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
RESUMO
O trabalho, realizado com base...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
1.APRESENTAÇÃO
O trabalho que se apre...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
idéia de imaterialidade. Assim, os lu...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
Em O patrimônio histórico e artístico...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
documentos da formação e da memória n...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
3. O BOLETIM SPHAN E OS VÁRIOS INTERE...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
O breve roteiro de temas da historiog...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
sociais – porque eram espaços de vida...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
sociedade e priorizava a abordagem in...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
4. MARKETING & AUTO-SUFICIÊNCIA: SUST...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
fazia parte do cotidiano (...) assim ...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
“devolvido à comunidade”, o edifício,...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
Prosseguindo, é importante notar que,...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
para modernização dos edifícios. Fina...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
REFERÊNCIAS
A INTERVENÇÃO não é prime...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
VERÍSSIMO, L.C. Cooptação. O Globo. 5...
FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009.
7Na década de 1970, as políticas cult...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

A hora e o papel dos museus

91 visualizações

Publicada em

Texto sobre a Fundação Pró-memória

Publicada em: Arte e fotografia
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

A hora e o papel dos museus

  1. 1. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. RESUMO O trabalho, realizado com base em registros do Boletim Iphan/FNpM, periódico editado entre 1980 e 1988, apresenta parte da pesquisa sobre a rede de museus do MinC/Iphan. O conjunto de edificios preservados — museus e casas históricas — abrigava as bases locais de interação das comunidades, integrando-as “esteticamente” com os poderes governamentais. As pequenas cidades tornaram-se reconhecidos objetos de estudos de historiadores, historiadores da arte, sociólogos, antropólogos, arqueólogos, arquitetos e, last but not least, museólogos. As edições do Boletim Iphan/FNpM, delinearam a atual necessidade de reconstruir a infraestrutura, redefinir e atualizar os padrões conceituais e formais, envolvendo positivamente instituições governamentais e privadas, lucrativas ou não. Verifica-se, ainda, que, sob a liderança da FNpM, as organizações profissionais do campo da arte e do entretenimento construíram, juntas, a trilha das reconceituações constitucionais da cultura em 1988. As atividades registradas no Boletim Iphan/FNpM sugerem também o aprofundamento da hipótese de que a atual rede de museus do Iphan, gerenciada no momento pelo Departamento de Museus e Centros Culturais, foi ampliada como forma de resistência ao regime militar de 1964. PALAVRAS CHAVES: Patrimônio Cultural. Museus. Iphan. FNpM. ABSTRACT This paper is based on the Iphan/FNpM Bulletin, periodical issued 1980 until 1988,presents part of the research on MinC/Iphan museums network. Preserved buildings as a whole – museumshistorical houses – covered local basis of community interaction, integrating them on an “aesthetic” mode with government authority. Small cities turned into study objects for historians, art historians, sociologists, anthropologists, archaeologists, architects and, last but not least, museologists. The Iphan/FNpM Bulletin issues drew present need for infrastructure rebuilding, formconcept standards updating, positively involving privatepublic organizations, profitablenot. One can also notice that, under FNpM command, artentertainment professional organizations build together a track of 1988 culture new concepts. Activities registered on Iphan/FNpM Bulletin also reinforce the theory according which present Iphan museums network, managed by MuseumsCultural Centers Department, was extended as an answer to 1964 military regime. KEYWORDS: cultural heritage. Museums. iphan (national historicalartistic heritage institute). fnpm (pro-memory national foundation). A HORA E O PAPEL DOS MUSEUS DA FUNDAÇÃO NACIONAL PRÓ-MEMÓRIA THE TIME AND TNE ROLE OF MUSEUMS FOUNDATION OF NATIONAL PRO-MEMORY Maria da Conceição Alves de Guimarães cessa.ntg@terra.com.br
  2. 2. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. 1.APRESENTAÇÃO O trabalho que se apresenta a seguir foi realizado com base em registros do Boletim Sphan/FNpM, e faz parte da pesquisa sobre a rede de museus do MinC/Iphan. O Boletim FNpM, periódico editado entre 1979 e 1988, difundia as idéias dos componentes do sistema federal de preservação em breves notícias e reportagens, editoriais e pequenos ensaios. Naquela época, o Boletim manteve periodicidade constante e, no que diz respeito à promoção das atividades da Sphan/FNpM, substituiu a Revista do Patrimônio registrando fatos e atos da gestão de Aloísio Magalhães e das equipes que o sucederam.1 Até hoje o Boletim – com cerca de 42 edições ou números – permanece inexplorada fonte para o entendimento da geração de preservacionistas que, liderada por Aloísio Magalhães, criou o Centro Nacional de Referência Cultural em 1975 e consolidou-o durante a Nova República. Os registros pesquisados demonstram que a FNpM reorganizou o espaço “do social” em pequenos museus no Brasil, transformando um programa arquitetônico que, entre 1950 e 1964, estava politicamente agregado ao tipo "Centro Cultural Polivalente". Portanto, na fase estertorante da ditadura militar, demandando esforço intelectual e, ao mesmo tempo, cooptação política2, os espaços museológicos da FNpM foram lugares especialmente voltados para a aplicação dos embrionários ideais de integração dos espaços culturais. Com base na leitura de Londres Fonseca (1996-97), é possível delinear, no Boletim Iphan/FNpM, a tese contemporânea de que, naquela época, a consciência da necessidade de reconstruir a infra-estrutura, redefinir e atualizar os padrões conceituais e formais envolveu positivamente instituições governamentais e privadas, lucrativas ou não. Verifica-se, ainda nessas mesmas edições que, sob a liderança da FNpM em 1988, outras Fundações e organizações profissionais do campo da arte e do entretenimento construíram a trilha das reconceituações constitucionais da cultura. Os planos para a então denominada “auto-suficiência” – hoje, gongoricamente rotulada de sustentabilidade –, visavam “desencadear ações e mecanismos indutores capazes de estimular processos de desenvolvimento sócio-econômico e cultural, adequando esses elementos ao contexto real das cidades nas quais se inserem”. (Boletim, nº 11, p. 16). Dessa maneira, o ente cidade, sob variadas formas, assume o lugar de eixo gerador do novo e “jovem” nacionalismo patrimonial. No início do século 21, a necessidade de geração de maiores aportes financeiros prioriza as revisões conceituais e amplia as responsabilidades das políticas que privilegiam as atividades de reabilitação dos objetos patrimoniais. As operações de “salvamento” se fixam em bens materiais, embora, paradoxalmente, consolidem a
  3. 3. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. idéia de imaterialidade. Assim, os lugares da “memória e das culturas” ainda ancoram os principais programas e políticas de governo. Esses programas, apoiados pela iniciativa privada, parecem destinar-se à geração de emprego, renda e oportunidades de desenvolvimento. Portanto, na cidade e para a cidade, o culto ao monumento e o esquecimento das “coisas” materiais e imateriais se mantém, transformando e reverenciando, ao mesmo tempo, pretensas mudanças. Entretanto, a eficácia das respostas ao desafio de conciliar interesses político- mercadológicos e conflitos conservacionistas torna-se, também, a condição básica para a sobrevivência de grande parte ou, às vezes, da maior parte, dos habitantes de pequenos centros urbanos. Alguns desses núcleos, situados em médias ou pequenas cidades, são conjuntos e sítios históricos tombados que existem apenas porque são ‘contenedores’ de bens patrimoniais, ou seja, museus urbanos em formação.3 2. AS JANELAS DA PROMOÇÃO CULTURAL Desde os passos colonizadores iniciais, na época da invasão holandesa, as medidas preservacionistas priorizavam os edifícios e seus acervos.4 O século 19 reproduziu em nosso país o surto museístico europeu sendo o museu Real criado em 1818 para, segundo palavras de d. João VI, difundir as Ciências Naturais no Reino do Brasil. O museu encerrava, de acordo com o mesmo rei, “os objetos dignos de observação e exame e que podem ser empregados em benefício do Comércio, da Indústria e das Artes. ”5(LOURENÇO:1999:91). Nas horas ainda pós-imperiais das primeiras décadas do século 20, quando vigorava o primário regime democrático inicial, a origem republicana das atribuições de definir, preservar e promover as expressões da cultura nacional revelava-se na criação, em 1922, do Museu Histórico e Nacional (MHN). Neste museu, Gustavo Barroso – reconhecido por suas idéias integralistas –, iniciou os cursos de Conservadores de Museus e dirigiu a Delegacia dos Monumentos Nacionais, quando nomeou de Monumento Nacional a cidade de Ouro Preto no ano de 1933. Instalado no antigo Arsenal de Guerra, o MHN foi também fruto da reunião dos museus de Artilharia e do Estado Maior do Exército (FONSECA DE CASTRO: 2002:5). Os artefatos das guerras feitas de feitos da infantaria e cavalaria do século anterior pareciam correr lado a lado ao desejo irrefreável de progressismo tecnológico. E, (por que não?), a constituição, no mesmo ano, da rádio oficial, tem muito a dever a este impulso à memória. Resultado da confrontação de pares opostos, no mesmo sentido em que se contrapõe aos avanços técnicos, o território da memória era vetor de futuro.
  4. 4. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. Em O patrimônio histórico e artístico e a missão da Universidade - discurso pronunciado na UFBa quando, no ano de 1963, recebeu o título de doutor honoris causa -, Rodrigo Melo Franco de Andrade declarou que: “A função dos museus, na sociedade contemporânea, adquiriu tal relevo e tem produzido tais benefícios culturais, que a criação de um deles, com a categoria e as condições desejáveis, constitui realização de mérito indiscutível. Prova do valor cada vez maior atribuído universalmente a essas instituições é sua multiplicação e prestígio nos Estados de regime socialista, ao mesmo tempo que nos países mais evoluídos no regime da democracia representativa.” Nestor Goulart Reis Filho produziu no Quadro da arquitetura no Brasil, a abordagem científica do sistema tipológico da arquitetura brasileira, do ponto de vista da estruturação urbana. Além desse tema, conteúdo principal do livro, o autor delineia, no último capítulo, (1970: 191-206) a “nova perspectiva” para a conservação de prédios e conjuntos arquitetônicos que representam o patrimônio de cultura do país. Assim, em 1970, ao publicar as notas e ensaios escritos a partir de 1962 no Suplemento Literário de O Estado de São Paulo, Reis Filho antecipou comentários sobre a importância de uma rede de museus e centros culturais. Embora precoces, as observações deGoulart foram realizadas sob a luz de articulações criteriosas tanto do ponto de vista da preservação patrimonial quanto do turismo e, portanto, resistem até hoje. “A noção contemporânea de museu”, aliada à essência renovadora do processo cultural, e a “disponibilidade de quadros (..) amplos (...) atuando no campo da cultura” no Rio, em São Paulo e em outras capitais de importância regional, fizeram Reis Filho, então, afirmar: “(....) falta uma rede de centros de cultura a partir dos quais seriam coordenadas, em todas as áreas, as atividades culturais. Esses centros podem ser instalados em edifícios restaurados ou conservados, obras arquitetônicas representativas de cada fase, que seriam desse modo, postas em contato permanente com o público, confirmando e reforçando sua destinação cultural.” (1970: 203) Ao registrar as inúmeras conexões da trajetória da ação preservacionista com os museus, a historiografia denota os grupos gerenciadores da legislação na condição de agentes importantes para a criação e fortalecimento dessas instituições. No século 20, as Inspetorias de Monumentos e o Serviço do Patrimônio prosseguiram com a mesma política; e, para não fugir à regra, em 1979, ano de criação da FNpM,6 os edifícios e os objetos históricos foram também monumentalizados na condição de coisas excepcionais.7 O ‘espírito do Iphan’ pretendeu, a partir de 1970, alargar e dar mais a conhecer aos cidadãos o imenso e amplo acervo que deveria preservar. Para tanto, a instituição manteve uma política de preservação que visou, primordialmente, tornar todos os
  5. 5. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. documentos da formação e da memória nacional acessíveis a todos. Esta atitude se justificou porque, segundo os maiores colaboradores da FNpM, funda-se, nessas expressões, a idéia de que todo cidadão brasileiro, então travestido em povo e não mais em elite, fixaria e exerceria a cidadania, com a qual construiria e re-construiria a própria história. (FONSECA, 1997: 153-163) O início do século 21 parece pródigo em demonstrar a importância econômica dos museus, ou seja, dos edifícios que guardam a parte mais valiosa da produção das sociedades humanas. As dificuldades e os problemas que essas instituições atravessam as enquadram no campo da gestão das coisas públicas e a mídia impressa e visual insiste em expor as contradições e necessidades de seu gerenciamento ao exibi-los na condição de âncora para as atividades turísticas das principais cidades. Atualmente, a maioria dos museus existentes em centros urbanos é composta de edifícios históricos com uso original alterado, o que faz com que autilização apropriada e as condições de manutenção sejam pontos imprescindíveis à conservação dessas expressões arquitetônicas. No Brasil, as formas de tratamento dos bens culturais sob a guarda institucional da União são expostas em museus grandes onde se destacam os seguintes: Nacional de Belas Artes, República, Histórico Nacional e Imperial. Além desses, inúmeros outros de diferente porte possuem acervos de expressão nacional são do tipo galerias de arte e centros culturais, como o Paço Imperial; e ainda pequenos museus, tais como: Chácara do Céu e Açude, Villa-Lobos e Benjamin Constant, situados no Rio de Janeiro; e o museu de Arqueologia de Itaipu em Niterói, Museu das Bandeiras em Goiás, e do Ouro em Minas Gerais. Este conjunto, composto por grandes museus nacionais e mais de cinco dezenas de casas e pontos difusores de cultura, história e arte, constitui o raio da ação multifacetada do Iphan na linha das atividades museológicas e documentais. As diferenças regionais abarcam as ações referentes à dinâmica educativa, o que leva a supor a necessidade de um trabalho de ordem social. Sob diversos sentidos, no que diz respeito à formação da mentalidade patrimonial, a atividade educativa é prioridade importante para a formação de público, futuro gerador de recursos de toda a ordem. Assim, diversa e democraticamente, tanto do ponto de vista material quanto, algumas vezes, da perspectiva conceitual, tornam-se acessíveis ao público – em salas de exposição, auditórios, bibliotecas e arquivos, parques e outros tipos de espaços de arte, pesquisa, cultura e lazer – os objetos que guardam um variado Brasil.
  6. 6. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. 3. O BOLETIM SPHAN E OS VÁRIOS INTERESSES DA FNPM FIGURA 1 — Página do Boletim SPHAN
  7. 7. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. O breve roteiro de temas da historiografia dos museus brasileiros que envolvem algumas ações do sistema federal de preservação, apresentado a seguir, resulta da pesquisa do Boletim SPHAN/próMemória (figura 1) que, conforme vimos observando, talvez seja a publicação com o maior número de edições da área de proteção aos bens culturais no setor federal preservacionista. A diversidade de tipos de museu foi incrementada nesse período sendo inúmeros os registros do Boletim sobre este assunto. Entre outros exemplos dessa variedade, segundo os registros pesquisados, também tiveram incentivo constante da FNpM os museus de rua – sem paredes, com o uso de painéis fotográficos –, os museus monográficos e os de processos semi-industriais situados em pequenas localidades. O número Zero do periódico tinha o nome de Boletim SPHAN –, sigla da Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que então completava 43 anos. A definição (ou a “antidefinição”) de bem cultural, a urbanização rápida e a integração do PCH e do CNRC ao Sphan foram os temas inaugurais. Nesse número, a história administrativa, conceitual e operativa, bem como os principais objetivos desses novos grupos institucionais preservacionistas, que privilegiavam o uso social, a pesquisa, ou reflexão, em paralelo à busca das referências culturais, foi tratada desde 1973 até 1979.8 O inicial número Zero foi pródigo em textos e matérias que destacavam um pensamento renovador identificado com o enfrentamento da desigualdade social e a participação de todos. Ao revelar que os bens culturais eram a “expressão completa da qualidade de vida do homem” as idéias expostas incluíam que a “realidade nova e o conseqüente crescimento turístico alteravam a visão iphaniana” (Boletim SPHAN, nº 0, p. 1-3). Do ponto de vista físico, na cena patrimonial, o conjunto arquitetônico sobrepunha-se ao monumento único, tornando-se a metáfora da comunidade que substituía o indivíduo na luta pela proteção dos bens culturais. O número 1 tratava do ato de formação do Fundo Nacional pró-Memória, onde a identificação dos bens da Sphan no Patrimônio da União revelaria “um patrimônio rentável, [que seria] enriquecido por um sistema de captação de recursos privados e outros provenientes de agências federais de nível federal, estadual e municipal” (Boletim SPHAN nº 1, p. 1). As notícias sobre o primeiro pedido brasileiro para a inscrição na lista de Patrimônio Mundial da Unesco, ou seja, a cidade de Ouro Preto, junto com a implantação do museu ao Ar Livre de Orleans em Santa Catarina9, e o início da restauração do Solar Grandjean de Montigny da PUC-RJ, são representativas dos assuntos de interesse deste artigo, constantes desse Boletim nº 1. Os programas de implantação de circuitos históricos abrangiam as principais regiões do país. Em matéria do nº 14 (p. 21), a cidade-patrimônio era vista como um museu e os centros históricos eram áreas com os seguintes predicados:
  8. 8. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. sociais – porque eram espaços de vida e de trabalho; culturais – por serem testemunhos da história e identidade; econômicos – pelo fato de abrigarem democraticamente setores de atividades formais e informais; urbanísticos – porque eram legítimos exemplos arquitetônicos e de uso do solo; e ambientais – pelo fato de estarem sujeitas a pressões de ciclos de transformação. Para as equipes da FNpM, o estabelecimento de itinerários turístico-culturais, aliado ao processo de desenvolvimento econômico de algumas das cidades capitais e dos pequenos e médios municípios, calcava-se na intenção de “promover a preservação natural de modos de viver” (Boletim SPHAN, nº 7, p. 1-3).10 Na década de 1980, a proteção das formas tradicionais de plantio e beneficiamento de produtos agro-pastoris, em paralelo à reurbanização de monumentos e seus entornos, tinha como pressuposto o envolvimento das comunidades – principais beneficiárias dos centros culturais –, com o “turismo de veranistas”. Além de obras de restauração de edifícios históricos, os documentos e objetos, casas, sobrados, e até anexos de igrejas, foram restaurados para essa finalidade. As comunidades, “apoiadas” por setores governamentais e empresas públicas e privadas, garantiram a inclusão de culturas de imigrantes com a incorporação dessas culturas aos acervos de museus. A musealização de objetos patrimoniais artísticos, tais como o adro-escadaria do Santuário de Congonhas, a agregação do museu acervo do naturalista Alberto Ruschi para criar o Museu de Biologia Melo Leitão no Espírito Santo, e a reforma de seis praças em Tiradentes – cujos projetos, desenvolvidos e executados por Burle Marx, tiveram as obras financiadas pela Embratur –, são diferentes fatos que revelam a visão unitária do turismo cultural voltado para a massa. Confrontando atos de conservação e fatos originados na hegemonia da “exigência social”, as ações eram integradas e envolviam educação e planejamento urbano com a proteção de bens culturais. A visitação de museus e alguns aspectos que cercam o tema foram tratados na edição derradeira do Boletim. Esse número 42 foi especial pois trazia matéria sobre o I Seminário Museus Nacionais: perfil e perspectivas. O Encontro, realizado em junho de 1988 e organizado pelo sistema Sphan/PróMemória, imprimia ênfase ao termo “sustentabilidade”; este assunto, embora não estivesse na época tão em voga quanto hoje, era a “menina dos olhos” dos modelos administrativos então vigentes que prenunciavam as parcerias público-privadas, com o enxugamento e a diminuição do Estado. Portanto, de acordo com os organizadores, a característica principal do Seminário, que abria “a discussão da temática museológica” à
  9. 9. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. sociedade e priorizava a abordagem interdisciplinar, era “o fato de ter sido financiado quase que exclusivamente pela iniciativa privada, através da Lei Sarney.” (Boletim, nº 42, p. 2) “A que público fala o museu, a quem estão dirigidos os seus serviços?”, perguntava-se o antropólogo Antonio Augusto Arantes, hoje presidente do Iphan. A socióloga Celina Moreira Franco dizia que “uma casa sem público está morta”. A estas observações, além das discussões conceituais e soluções expográficas, juntava-se o tema da atualização do programa arquitetônico em edifícios de museus. Este foi um tópico da palestra da jornalista Marion Strecker, da Folha de São Paulo, quando afirmava que, para aumentar a freqüência de público, os museus “precisam ter mais atrativos: uma boa biblioteca, livrarias, lojas, lanchonetes, shows.” Por outro lado, a professora e designer Silvia Steinberg acreditava que “o público apreende muito pouco” durante a visita a uma exposição. Segundo Steinberg e Maria Célia Moura Santos, o maior problema dos museus não era a falta de público e, sim, a ausência de postura política que garantisse uma identidade brasileira de fato; ambas confessam que a museologia brasileira, sem análise ou reflexão, reproduz um pastiche do que existe no exterior. (Boletim, nº 42, p. 4-7). A freqüência aos museus, em termos quantitativos, foi abordada por Gilberto Velho, professor e antropólogo que trabalha no Museu Nacional da UFRJ. Para Velho, o público de 50 mil pessoas por mês era atraído pelo acervo, composto de múmias e esqueletos de dinossauros, e pelo fato de o edifício ser o antigo Paço Imperial, onde viveram os imperadores do Brasil. Embora o poder de atração, exercido pelo fato da acessibilidade aos objetos reais, ainda constituísse a “peça de resistência de qualquer mostra”, os aspectos que relacionavam os veículos de comunicação de massas com a freqüência e formas de visitação foram enfocados por diversos profissionais do setor televisivo e por museólogas. No entanto, a unanimidade das opiniões deixou claro que não havia experiências nem resultados satisfatórios e que as fórmulas para ampliar o número de visitantes também não eram precisas. Segundo Thomas Seligman, um dos convidados americanos presentes ao Seminário, existia naquele país “quatro mil museus, jardins botânicos, zoológicos e centros de arte classificados como de caráter beneficente, isentos de impostos”. A ajuda do setor público não era suficiente e havia uma ampla faixa de público disposta a colaborar com a manutenção; além disso, afirmava Seligman, nos Estados Unidos, àquela época, a quantidade medida pela freqüência era de “cem milhões de pessoas por ano, curiosamente mais de que todos os eventos esportivos.”
  10. 10. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. 4. MARKETING & AUTO-SUFICIÊNCIA: SUSTENTABILIDADE? Em 1988, o termo da moda na área cultural era o marketing. Portanto, um dos assuntos mais polêmicos no Seminário foi a “possibilidade da utilização de técnicas do marketing para aprimorar o desempenho dos museus”. Para Maurício Segall, diretor do Museu Lasar Segall, o museu “não devia integrar a sociedade de consumo de massa” porque “são foros de resistência” e “assim devem permanecer.” Para a artista plástica Fayga Ostrower “a freqüência não deve ser superdesejada, utilizando-se o marketing e o merchadising de forma exagerada”. Ao referir-se a uma exposição sobre Van Gogh que visitou nos Estados Unidos, Ostrower dizia que, após percorrerem a mostra, “os visitantes caíam num shopping com todas as peças promocionais possíveis sobre o pintor – sacolas, bolsas, livros, lenços etc”. E concluía: “Era isso a tragédia de Van Gogh?” Entretanto, mais de uma vez, a crítica ao excesso de experimentalismo das ações destinadas a ampliar o número de visitantes e a conservação dos museus conduziu à importância do marketing em projetos de modernização porque “resolveria a crise de auto-suficiência” ou, se quisermos usar vocábulos mais atuais, ´a questão da sustentabilidade’. Com base nas discussões sobre o assunto, os mais de mil e duzentos museus existentes em 1988 tratariam de viabilizar-se economicamente. Para José Carlos Barbosa, então diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, tornando-se “pontos de mídia e referências culturais para as cidades”, ao atualizar linguagens, ampliar a dinâmica funcional e, em suma, visar a eficácia utilizando estratégias agressivas de marketing, os museus superariam a crise de demanda e falta de público. A auto-suficiência resultaria da implantação do modelo, seguido desde 1978 em alguns museus americanos, que previa: “venda de livros, slides e reproduções do acervo; aluguel de espaços para encontros de negócios e festas de aniversário; recursos provenientes da iniciativa privada captados pelo Conselho Curador; trabalho de voluntários; e, principalmente, a contribuição de associados.” (Boletim, nº 42, p. 11) O efeito multiplicador, um dos principais atributos da auto-suficiência, deveria ser resultado das ações voltadas a captar de recursos; desse modo, segundo Ricardo de Holanda, criavam-se “as condições para o desenvolvimento de uma mentalidade voltada para o marketing e para o entrosamento com a iniciativa privada.” A então coordenadora-geral de acervos museológicos do sistema Sphan/próMemória, Maria de Lourdes Parreiras Horta, atual diretora do Museu Imperial de Petrópolis, afirmava que, para os americanos, o hábito de freqüentar museus era uma atitude moderna,
  11. 11. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. fazia parte do cotidiano (...) assim como ir a um restaurante jantar. Na França, freqüentar museus é ser francês, é motivo de profundo orgulho da tradição museológica e do patrimônio que está nos museus. Na Alemanha, de museus moderníssimos, ser intelectual ou artista é freqüentar museu. Bem como freqüentar museu na Inglaterra é ser um gentleman. Já no Brasil freqüentar museu não é nada disso. Freqüentar museus no Brasil é ser exótico, infelizmente. (Boletim, nº 42, p. 16) 5. OS MUSEUS DO RIO EM REDE FIGURA 2 — Museus e marcos históricos no Rio de Janeiro A pesquisa do Boletim possibilita ainda a compreensão do processo de decadência do Rio de Janeiro, que parece perder a condição de centro da cultura de “alto espírito”. Neste sentido, inicialmente admitimos que o policentrismo urbanístico e a proliferação de oportunidades no comércio dos bairros recuperaram os diferentes centros para as atividades de entretenimento e lazer populares. Entretanto, em oposição a este fato, consideramos também que o forte contraponto estabelecido pela sempre emergente Barra da Tijuca cristalizou a idéia de centro histórico do Centro do Rio. E, que, até hoje, a antes progressista Área Central de Negócios não se arrisca a dispensar este significado. Nessa perspectiva, verifica-se que os edifícios dos principais museus (figura 2) têm papel de importância crescente no trabalho de requalificação do centro da cidade.11 O Boletim da FNpM, nº 34 do mês de janeiro de 1985, contém matérias sobre a restauração e nova utilização do Paço Imperial. Transformado em centro cultural e
  12. 12. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. “devolvido à comunidade”, o edifício, que passava completamente a ser administrado pelo Iphan, abrigaria “exposições, recitais de música, seminários, projeções de filmes, encenações teatrais, venda de produtos culturais, além de mostras sobre o edifício e as descobertas arqueológicas”. Em paralelo, essa mesma edição promovia também a Casa da Hera, situada em Vassouras, na condição de arquitetura colonial urbana “da época do café”, administrada pelo Iphan desde 1965. FIGURA 3 — Croquis de L.C. Antonelli para a exposição permanente do MHN em 1985. O nº 35 registrava a modernização das técnicas do circuito da exposição permanente do MHN (figura 3) e o projeto de transformação do Sítio Burle Marx em “centro de estudos, pesquisas, seminários e outras atividades que contribuam para o conhecimento e valorização do paisagismo”. Na edição nº 38 do Boletim, mais uma vez o Paço Imperial era citado na condição de “um dos principais centros culturais do país”; portanto, a previsão do fechamento da rua da Assembléia e a instalação de cafeteria – considerada projeto inovador em termos de Brasil, “onde as casas de cultura não têm a tradição de prestar esse tipo de serviço” foram os destaques da matéria, publicada em maio de 1987.
  13. 13. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. Prosseguindo, é importante notar que, em julho de 1985, o Boletim nº 37 noticiava que o museu da Imperial Irmandade de N.S. da Glória era “um museu-piloto no Rio de Janeiro” porque o processo de revitalização do acervo previa a organização e restauração das peças, da mesma forma que o uso de equipamentos eletrônicos, adequados a corretos e científicos modos de acesso e conservação. A origem e a criação da Casa França-Brasil foram também motivos para promover, na edição nº 36, a museografia com o emprego da informática, com base na parceria da Fundação Roberto Marinho e do Inepac com o Conselho Nacional de Pesquisa Científica da França. A atuação ‘modernizada’ para o uso do espaço pela comunidade prenunciava-se também com a “nova filosofia de trabalho” do museu da República que, em junho 1985, segundo o mesmo nº 36, programava uma atuação mais dinâmica dos núcleos museológicos. 6. TÓPICOS PARA CONCLUSÃO A interpretação dos fatos promotores das atividades museológicas, constantes no Boletim comprova que, na primeira década perdida, a perspectiva virtual de utilização “em rede” garantiria a manutenção da estrutura física dos bens culturais. Ao lado das “novas” formas estéticas de representação do pensamento e da “equilibrada” ação política, o conjunto de museus da FNpM reinaugurou no Brasil novas estratégias administrativas. Essa “atitude” foi compulsória, pois resultou da aliança com a transnacional industria cultural capitalista. Desse modo, as formas de gerenciamento que essas instituições conduziram têm pontos em comum com as atuais Parcerias-Público-Privadas. Então, hoje é possível afirmar que apesar (ou seria por causa?) da situação precária e necessidade constante de modernização da maioria dos seus componentes, a rede de museus do IPHAN possuiria os seguintes atributos: - potencialidade de garantir impacto midiático porque os bens culturais arquitetônicos gerariam atividades turísticas direta e indireta; - potencialidade sinérgica porque o sucesso de cada um desses bens culturais dependeria do êxito de outros; - capacidade de catalisar a conservação dos núcleos históricos porque integraria, com o objetivo de equilibrar, a distribuição dos investimentos privados e governamentais, beneficiando as economias em níveis locais, regionais e nacionais. O contexto atual demonstra que, quando a cultura é um “abre-alas”, os empresários vêm “atrás fazendo negócios”.12 Neste sentido, é importante ressaltar a proliferação da Associações de Amigos dos museus que abrange as contemporâneas discussões sobre as Parcerias Público Privadas, destinadas a concretizar as ações
  14. 14. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. para modernização dos edifícios. Finalmente, destaque-se que a eficaz atuação do binômio Cultura & Desenvolvimento, conforme se deduz das leituras e referências sobre as políticas de governos citadas no Boletim, é fruto de investimentos abrangentes em infra-estrutura. E, ainda mais, envolve a articulação de diversas instâncias governamentais e privadas, além da participação ativa de ´desinteressados´ componentes de grupos das comunidades.
  15. 15. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. REFERÊNCIAS A INTERVENÇÃO não é primeiro percalço. Folha de São Paulo. 21/11/2004, p. B4. BRASIL Connects. Folha de São Paulo. 13/6/2003, p. A7. CHOAY, F. L’alegorie du patrimoine. Paris: Éditions du Seuil, 1992. CULTURA Hoje. Brasília: MinC, 1997. FONSECA, Londres M. C. Da modernização à participação: política federal de preservação nos anos 70 e 80. Revista do Patrimônio, São Paulo, n. 24, p. 153- 163, 1996. _____. O patrimônio em processo: trajetória da política federal de preservação no Brasil. Rio de Janeiro: UFRJ / IPHAN, 1997. GUIMARAENS, C.; IWATA, N. Construindo a cultura na idéia de Centro. São Paulo: Vitruvius online, 2002. Disponível em: <www.vitruvius.org.br> GUIMARAENS, C. e POLLY, V. Inventário dos museus do Rio de Janeiro: sobre conceitos e alguns resultados. Petrópolis: Congresso do ICOM-Brasil, 1998. ÍNDICE Analítico do Boletim SPHAN/FNpM. Brasília: MEC/FNpM, 1979-1980. (n. 0 a 6) ÍNDICE Cumulativo da Revista do Patrimônio. Rio de Janeiro: BNS/DID-Iphan, 2002. LOURENÇO, M.C. F. Museus acolhem o Moderno. São Paulo: Edusp,1999. MICELI, S. Nacional estrangeiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. PARCERIAS trazem mais risco de endividamento. Jornal do Brasil. 21/11/2004, p. A23. POLÍTICA Nacional de Museus. Brasília: MinC, 2003. PROTEÇÃO e revitalização do patrimônio cultural no Brasil: uma trajetória. Brasília: MEC/ SPHAN, 1980. RELATÓRIO da Missão de Orientação II. Brasília: Projeto Monumenta/BID, 1998. p. 8. RETRATO do Brasil. Folha de São Paulo, 14/12/2002, p. C4.
  16. 16. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. VERÍSSIMO, L.C. Cooptação. O Globo. 5/12/2004, p. 7. WERTHEIM, J. Patrimônio e gestão urbana. O Globo, 23/6/2003, p.7. 1Na fase de consolidação da Fundação Nacional pró-Memória, a atividade de restaurar edifícios para a finalidade museológica estabeleceu o momento singular de renovação e fusão das expressões tradicionais e modernistas no campo da preservação do patrimônio cultural. A ênfase que cercava o trabalho didático e difusor dos museus era uma das bases da política que priorizava as parcerias com as comunidades. 2“O termo “cooptar”, no sentido de se apoderar malandramente, dominar absorvendo ou modificar adaptando, é relativamente recente. Começou em linguagem de suplemento para descrever como qualquer movimento cultural novo acabava sendo domesticado e integrado à cultura mediana. Um fenômeno da era da publicidade e da obsolescência instantânea, em que a vanguarda de um dia vira o corriqueiro do outro e tudo feito para espantar os burgueses, os burgueses adoram. E adotam.” (VERÍSSIMO, 2004). 3Na Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2001, divulgada em dezembro de 2002 pelo IBGE, consta que apenas 17% dos municípios brasileiros possuem museus. (FOLHA, 14/12/2003. p. C4). 4Ver: Proteção e revitalização do patrimônio cultural no Brasil: uma trajetória. Brasília: MEC, 1980. 5O Museu Real, hoje Museu Nacional da UFRJ, originou-se de uma coleção mineralógica e do patrimônio de bichos empalhados da Casa dos Pássaros; criada em 1779, a Casa pode ser considerada o primeiro museu de história natural brasileiro. 6Até hoje, o período de Aloísio Magalhães – o criador da Fundação Nacional pró- Memória – tem grande importância por ter acontecido em tempos do “Brasil grande”, quando a transição “democrática” ainda era conduzida veladamente e, portanto, de forma ambígua e, se não, autoritária. Porém, em tempos de início da crise do “milagre econômico”, o discurso em que se espelhava a estrutura básica da pró-Memória ou FNpM privilegiava a participação das comunidades e era vivido lateralmente à ampliação da crença de que a variada realidade brasileira, preservada, se integraria ao processo de desenvolvimento. Na revisão das idéias- matrizes, aquelas geradas também em outra fase decadente (a do final do governo Vargas), os incluídos seriam os excluídos, mas com nova roupagem.
  17. 17. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte,v.3,n.2, jul./dez. 2009. 7Na década de 1970, as políticas culturais do governo militar de que participaram, entre outros, Jarbas Passarinho, Ney Braga, Eduardo Portella e Afonso Arinos de Melo Franco, foram, mais uma vez, expressivas da consciência dos intelectuais sobre as possibilidades de uso político da cultura. Nessa época, foram criadas novas oportunidades de ampliação das bases conceituais e das atividades preservacionistas. 8Verifica-se que, tanto na Revista, quanto no Boletim, as obras de restauro detêm a maior quantidade de referências. Portanto, considero que, embora a sustentabilidade não constituísse objetivo claro, a restauração dos edifícios tombados e dos bens a estes integrados era o eixo da promoção patrimonial superando, em número, as outras atividades. 9O museu ao Ar Livre de Orleans teve o arquiteto Alcides da Rocha Miranda como “consultor para a distribuição espacial” (Boletim nº 7, p. 1-3). 10O plano de Museus e Casas Históricas, ao prever a criação de centros culturais sob a gestão do sistema Sphan/FNpM, também expressava esse objetivo. 11A discussão sobre a filial sul-americana do Guggenheim faz emergir, literalmente, a Zona Portuária do Centro do Rio que, programada para receber moradores de baixa-renda, se vê alçada a níveis estratosféricos na bolsa de arte internacional. 12As aspas referem-se às palavras de Edmar Cid Ferreira que foi presidente da Bienal de São Paulo em 1992, criou a empresa Brasil Connects em 2001, trouxe mega-exposições para o Brasil e “para forjar sua imagem de mecenas, levou mostras de arte brasileira para Nova York e Pequim e tem três exposições agendadas para 2005 em Paris. Cid Ferreira dizia que era a reencarnação de Assis Chateaubriand, o empresário que criou o Masp em 1947. Esses personagens podem ser comparados a Roberto Marinho por suas amplas redes de atividades e negócios ligados à promoção da “cultura do espírito”, tanto para a elite quanto para a população “em geral”. (FOLHA, 2004)

×