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O patriotismo que os brasileiros procura...
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renovar o mandato presidencial nas próximas eleições de outubro. Cabe observar que o
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O falso patriotismo do povo brasileiro com a copa do mundo

  1. 1. 1 O FALSO PATRIOTISMO DO POVO BRASILEIRO COM A COPA DO MUNDO Fernando Alcoforado* O patriotismo que os brasileiros procuram demonstrar na Copa do Mundo é falso porque é provocado pela alienação pela qual o povo é submetido com base na ilusória ideia de que ao torcerem pela Seleção Brasileira estarão exercendo seu papel de cidadãos. Como pode uma pessoa ser patriota apenas na época da Copa do Mundo torcendo pela vitória da Seleção Brasileira e depois nada fazer para melhorar seu país? O futebol em geral e a Copa do Mundo, em particular, são instrumentos dos detentores do poder político e econômico para manter a ignorância entre as massas populares de analfabetos e miseráveis e obter o apoio dos mais instruídos e abastados que não possuem um senso crítico político-social. É lamentável vermos o falso patriotismo brasileiro surgir com força total na época dos campeonatos mundiais de futebol, enquanto o verdadeiro patriotismo não acontece entre os brasileiros para impedir que seus governantes entreguem as riquezas nacionais ao capital estrangeiro como vem ocorrendo no Brasil desde o período colonial até os tempos atuais. Durante a Copa do Mundo, os brasileiros compram bandeiras e camisas verde e amarela para exibirem seu “amor à pátria” e paralisam suas atividades durante os jogos para verem vinte e dois homens correrem atrás de uma bola. Quem não conhece o Brasil, acha que existe um patriotismo verdadeiro aqui, mas infelizmente não é o que ocorre. O “patriotismo” é apenas sazonal no Brasil, só ocorrendo em época de jogos da seleção de futebol e de Copa do Mundo. O futebol se transformou em um circo para o povo brasileiro ao fazer com que muita gente alienada considere a Copa do Mundo como o que há de mais importante em suas vidas. Cabe observar que, durante o Império Romano, a política do pão e circo (panem et circenses, no original em Latim) como ficou conhecida, era o modo com o qual os líderes romanos lidavam com a população em geral, para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio. Esta política era adotada pelos imperadores romanos contemplando a distribuição de cereais e a promoção de vários eventos para entreter e distrair o povo dos problemas mais sérios existentes na sociedade romana. Durante o Império Romano, em épocas de crise, as autoridades acalmavam o povo com a construção de enormes arenas, nas quais se realizavam sangrentos espetáculos envolvendo gladiadores, animais ferozes, corridas de bigas, acrobacias, bandas, espetáculos com palhaços, artistas de teatro e corridas de cavalo. Outro costume dos imperadores era a distribuição de cereais mensalmente no Pórtico de Minucius em Roma. Basicamente, estes "presentes" ao povo romano garantiam que a plebe não morresse de fome e tampouco se revoltasse contra os detentores do poder. A vantagem de tal prática era que, ao mesmo tempo em que a população ficava contente e apaziguada, a popularidade do imperador entre os mais humildes ficava consolidada. Guardadas as devidas proporções, no Brasil, o programa Bolsa Família funciona como se fosse o “pão” e a Copa do Mundo como se fosse o “circo”. A realização da Copa do Mundo este ano opera como se fosse “circo” para o povo brasileiro para aliená-lo afastando-o da luta pela solução dos graves problemas nacionais. A vitória da Seleção Brasileira na Copa do Mundo pode atuar como “ópio” para o povo brasileiro não se revoltar contra os atuais detentores do poder que não atendem suas demandas e aspiram
  2. 2. 2 renovar o mandato presidencial nas próximas eleições de outubro. Cabe observar que o uso repetido do ópio conduz ao hábito, à dependência química e, a seguir, a uma decadência física e intelectual do indivíduo. Este foi um dos instrumentos de dominação da China pelo Império Britânico. Quanto ao verdadeiro patriotismo, antítese do falso patriotismo sazonal brasileiro, é importante observar que é um sentimento que significa amar a pátria como se ama um pai, uma mãe ou aos próprios filhos, amar o seu povo como se fossem irmãos, sentir e saber partilhar a dor e o sofrimento do seu povo, sofrer com a violação e ultraje da terra- mãe, assumir e demonstrar o seu sentimento patriótico perante qualquer circunstância, viver o seu dia-a-dia como um filho da sua terra, mesmo a quilômetros de distância, denunciar em alto e bom som, onde quer que esteja, aqueles que oprimem e fazem sofrer os irmãos da pátria, não compactuar com criminosos nacionais ou estrangeiros que utilizam a pátria-mãe para os seus negócios ilícitos e apenas para proveito próprio, não compactuar com aqueles que incrementam o ódio e o divisionismo entre os irmãos de pátria, seja ele com que motivação for, não compactuar com criminosos que usam meios violentos para chegarem a liderança do país e não compactuar com criminosos que fazem o uso de armas que deviam ser utilizadas para a defesa do povo e não para oprimir o próprio povo. Segundo Charles de Gaulle, patriotismo é quando o amor por seu próprio povo vem primeiro e nacionalismo é quando o ódio pelos demais povos vem primeiro. Pelo exposto, ser patriota é muito mais do que ser nacionalista. Os termos Nacionalismo e Patriotismo não são sinônimos, embora sejam hoje muito frequentemente usados como tal. São termos que têm histórias diferentes. Patriotismo tem uma história bastante mais antiga. Patriotismo é uma palavra que tem origem no grego patris. Para os gregos antigos, a palavra estava associada à identificação com e à devoção a uma língua, tradições e história, ética, lei, e religião comuns. Patriotismo surgiu muito antes da noção de Estado-nação. Mesmo no século XVIII, na Europa Ocidental, patriotismo era entendido como a responsabilidade individual perante os outros cidadãos, uma devoção à humanidade e a uma ética de igualdade e caridade perante os mais desfavorecidos e os que faziam parte da comunidade, independentemente do seu perfil cultural ou étnico. Isto é, Patriotismo não estava ligada a uma etnia, a uma localização geográfica, ou a uma organização política autônoma. É no século XIX que surge o conceito de Nacionalismo e de nação como entidade política, com direito a um Estado (o Estado-Nação). A Nação surge como algo a proteger; daí necessitar de um Estado próprio; daí vários nacionalismos terem conduzido a inúmeros conflitos internacionais ao longo da história, muitos deles devastadores como a Primeira e Segunda Guerra Mundial. Neste sentido, o conceito de Nacionalismo está em profunda contradição com o conceito de Internacionalismo, ou cooperação e ligação fraterna entre comunidades de nações que comungarem a mesma humanidade. Essa contradição não existe, entretanto, entre Patriotismo e Internacionalismo porque o indivíduo pode ser ao mesmo tempo patriota e internacionalista. Pelo exposto, após a apresentação dos conceitos de patriotismo, pode-se concluir que são falsas as manifestações de patriotismo pelo povo brasileiro durante a Copa do Mundo. É importante observar que os conceitos de nacionalismo e internacionalismo foram apresentados neste texto para diferenciá-los do conceito do verdadeiro patriotismo. O lamentável é que o “circo” da Copa do Mundo no Brasil está armado
  3. 3. 3 com boa parte do povo alienado pensando que está agindo patrioticamente torcendo pelo sucesso da Seleção Brasileira enquanto os problemas econômicos do País se agravam a cada dia que se passa. *Fernando Alcoforado, 74, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) e Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entre outros.

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