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2ainda que não fossem guerreiros - e muitos o foram -, compreendiam o uso da violênciae não hesitavam em colocá-la em prát...
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4O fim da Guerra de Trinta Anos representou o início da hegemonia francesa na Europae o declínio do poder dos Habsburgos. ...
5de territórios pudesse ser feita sem a assinatura de tratados com os índios. Foi esta aprimeira fonte de conflito entre o...
6O sociólogo Raymond Aron escreveu em The Opium Of The Intellectuals (TransactionPublishers, 2009) o seguinte, a propósito...
7A derrota francesa abriu caminho para a Inglaterra se tornar a potência hegemônica noplaneta com seu poder naval, econômi...
8Estrangeiros, onde permitia que se instalassem legações ocidentais na capital erenunciou o termo "bárbaro", usado inclusi...
9Guerra, Companhia de Bolso, 2006): "Neste século, a frequência e a intensidade dasguerras também deformaram a perspectiva...
10Será que com o fim da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, acaboutambém o perigo de uma hecatombe nuclear...
11China havia feito um teste nuclear subterrâneo, horas após assinar o Tratado de NãoProliferação Nuclear, que visa justam...
12objetivava demonstrar que a Rússia conservava sua capacidade de reagir a um ataque desurpresa. Em outubro, o jornal The ...
13Um tratado não se escreve nem com sangue nem com lágrimas. A guerra é o sonho dosloucos, a realidade dos imbecis e a con...
14Martín Chahab fica evidenciado que na realidade existem mais conflitos armados nomundo de hoje que nas etapas anteriores...
15Fonte: Chahab, Martín. A tendência dos Conflitos Armados (Ver<http://www.achegas.net/numero/29/martin_chahab_29.htm)>)Ex...
16civilização muçulmana, mas também uma aliança entre muçulmanos e confucionistas(China), que buscaria destruir a supremac...
17estrutura dependente destes mesmos recursos esgotáveis que fazem funcionar suasindústrias e meios de locomoção, podemos ...
184. As causas das guerrasPor que o mundo se torna mais violento a cada ano? Não apenas se verifica um aumentodo número de...
19Assim como para os primeiros seres humanos seria inconcebível a ideia de causarqualquer dano ao seu semelhante, hoje, so...
20Aron é defensor da tese de que a frustação é uma experiência psíquica, revelada pelaconsciência. Todos os indivíduos sen...
21acordo com os padrões dos países desenvolvidos? Haverá um impacto gigantesco sobrea demanda de recursos naturais. Mesmo ...
22Pascal Boniface, diretor do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS),autor de quarenta livros sobre qu...
23palestino era combatido de forma mais eficaz quando havia reais perspectivas de paz naregião e a cooperação entre Yitzha...
24estabelecer uma paz perpétua entre os povos europeus, e depois espalhá-la pelo mundointeiro. Tratou-se de um manifesto i...
25nacional e internacional desde que desapareçam as contradições acima descritas queainda prevalecem no mundo em que vivem...
26Para alguns, a crueldade dos sistemas econômicos, as guerras, a dominação do homempelo homem não seriam mais do que o es...
27Ações para constituir uma governança mundial foi objeto do Concerto das Nações em1815, da Liga das Nações em 1920 e da O...
28BONIFACE, Pascal. Vers La 4e. Guerre Mondiale. Armand Colin, 2009.CLAUSEWITZ, Carl Von. Da Guerra- A Arte da Estratégia....
29iFernando Alcoforado, 73, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regionalpela Universidade de...
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As guerras ao longo da história e como evitá las no futuro

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As guerras ao longo da história e como evitá las no futuro

  1. 1. 1AS GUERRAS AO LONGO DA HISTÓRIA E COMO EVITÁ-LAS NO FUTUROFernando AlcoforadoiRESUMOEste artigo tem por objetivo fazer uma reflexão sobre a guerra dos primórdios dahistória da humanidade até a era contemporânea, identificar suas causas e delinear comoeliminá-las no futuro. Desta reflexão constatou-se que é chegada a hora de ahumanidade se dotar o mais urgentemente possível de instrumentos necessários a ter ocontrole de seu destino e colocar em prática um governo democrático do mundo. Aconstituição de um governo mundial democrático seria o único meio de sobrevivênciada espécie humana.ABSTRACTThis article aims to reflect on the war from the beginnings of human history until thecontemporary era, to identify its causes and to outline how to eliminate them in thefuture. This reflection was found that it is time for humanity to provide the mosturgently needed instruments as possible to take control of their destiny and put in placea democratic government in the world. This would be the only means of survival of thehuman species.Palavras chaves: Os principais conflitos (guerras e revoluções) na história dahumanidade até o início do Século XX. As principais guerras na história da humanidadedurante o Século XX. As principais guerras na história da humanidade no Século XXI.As causas das guerras. O imperativo do fim das guerras. Em direção à Quarta GuerraMundial. Como eliminar as guerras em nosso planeta.Keywords: The main conflicts (wars and revolutions) in human history until the earlytwentieth century. Major wars in human history during the twentieth century. Majorwars in the history of mankind in the XXI Century. The causes of wars. The imperativeof ending the wars. Towards the Fourth World War. How to eliminate wars on ourplanet.1. Os principais conflitos (guerras e revoluções) na história da humanidade até oinício do Século XXOs historiadores supõem que sempre existiram guerras porque no registro documentadoda história humana, que remonta 6.000 anos, houve apenas 292 anos de relativa pazentre os povos. Esse período de tempo de 55 séculos, porém, é apenas uma partícula dotempo total da presença humana na Terra (Ver o artigo de Roberto C. P. Júnior sob otítulo Conflitos bélicos no website <http://www.library.com.br/Filosofia/conflito.htm>).A passagem a seguir, extraída do livro Uma História da Guerra de John Keegan(Companhia de Bolso, 2006), ilustra a percepção reinante a respeito: "A história escritado mundo é, em larga medida, uma história de guerras, porque os Estados em quevivemos nasceram de conquistas, guerras civis ou lutas pela independência. Ademais,os grandes estadistas da história escrita foram, em geral, homens de violência, pois
  2. 2. 2ainda que não fossem guerreiros - e muitos o foram -, compreendiam o uso da violênciae não hesitavam em colocá-la em prática para seus fins".Os registros históricos mais antigos que se conhecem já falam de guerras e lutas. Não é,pois, de causar espanto que agora, na época da colheita de todas as más ações geradaspela humanidade, o número de guerras e revoluções cresça em escala jamais vista, tantoem quantidade como em intensidade. Várias denominações surgiram para classificar osdiversos tipos de guerras inventadas pelos seres humanos: ampla, localizada, civil,santa, de guerrilha, revolucionária, subversiva, relâmpago, química, bacteriológica,convencional, nuclear, étnica, de extermínio, de conquista, religiosa, mundial, etc.Entre os conflitos da Antiguidade, as guerras entre gregos e persas, conhecidas peladesignação de Guerras Médicas, apresentam grande importância para a história domundo ocidental. Elas ocorreram em razão da disputa das terras da Ásia Menor (atualTurquia), rica em cereais e especiarias. Dário, rei dos persas, decretou que todas ascolônias gregas naquela região deveriam pagar tributos à Pérsia. Essa atitude provocouuma revolta das colônias que auxiliadas por Atenas foram contra o poder desse rei (Vero artigo As principais guerras da história e suas consequências de Felipe Alexandre deLima Farah et alli postado no website <http://gguerras.wordpress.com/.>).Neste artigo, são apresentadas as guerras de Roma contra Cartago que foram chamadasde Guerras Púnicas. No século III a.C., Cartago era a principal potência do Ocidente,controlando boa parte do comércio e do território do Mediterrâneo, enquanto Roma erauma província de base agropastoril, mas que nos últimos tempos vinha obtendosucessivas vitórias militares e já chegava a controlar toda a península Itálica. Estavaclaro que em algum momento as ambições expansionistas das duas iriam se cruzar.Usando como pretexto o ataque cartaginense a Númidia, Roma atacou Cartago e dessavez sua investida foi devastadora: a cidade foi saqueada, incendiada e sua populaçãoescravizada. A vitória romana nas Guerras Púnicas, que duraram mais de um século, foidecisiva para o estabelecimento do Império Romano.As guerras de Roma contra os povos bárbaros ocorreram nos Séculos IV e V da nossaera. Os povos bárbaros eram de origem germânica e habitavam as regiões norte enordeste da Europa e noroeste da Ásia, na época do Império Romano vivendo emrelativa harmonia com os romanos até os séculos IV e V. Muitos germânicos eramcontratados para integrarem o poderoso exército romano. Os romanos usavam a palavra"bárbaros" para todos aqueles que habitavam fora das fronteiras do império e que nãofalavam a língua oficial dos romanos: o latim. A convivência pacífica entre esses povose os romanos durou até o século IV, quando uma horda de hunos pressionou os outrospovos bárbaros nas fronteiras do Império Romano. Neste século e no seguinte, o que seviu foi uma invasão, muitas vezes violenta que acabou por derrubar o Império Romanodo Ocidente. Além da chegada dos hunos, pode-se citar como outros motivos queocasionaram a invasão dos bárbaros a busca de riquezas, de solos férteis e de climasagradáveis.
  3. 3. 3No artigo As principais guerras da história e suas consequências são analisadas asCruzadas, no total de oito, que foram realizadas de 1096 a 1244. No século XI, osárabes (mulçumanos) dominavam Jerusalém, conhecida como Terra Santa pelos cristãos(devido a Jesus ter vivido neste local), que deixavam que os cristãos realizassem suasperegrinações a Jerusalém. No final deste século, os turcos seldjúcidas, povo que veiodo Ásia central, conquistaram esta e outras terras do Oriente Médio. Como eles eramconvertidos também ao islamismo, porém muito mais intolerantes que os árabes nasquestões religiosas, proibiram os cristãos de realizar suas peregrinações na Terra Santa.Em 1095, a resposta da Igreja veio com o papa Urbano II, convocando os fiéis paraexpedições militares com o objetivo de conquistar a Terra Santa e de combater osinimigos do cristianismo dando início ao movimento das Cruzadas. Por trás desseinteresse, houve outros indiretos, como recuperar a influência da Igreja no territóriobizantino, conquistar mais terras para os nobres, expandir a área de influência docatolicismo e ampliar as rotas mercantis no Oriente para as cidades comerciais dapenínsula itálica, como Veneza e Genova.A Guerra Franco-Holandesa (1672– 1678), também conhecida como "Guerra daHolanda" foi um conflito militar entre o Reino da França, o Bispado de Münster, oEleitorado de Colônia e o Reino da Inglaterra contra a República Holandesa (ProvínciasUnidas). Entre as origens do ataque movido pelo reino da França contra as ProvínciasUnidas (vulgo Holanda), está o apoio dado por esta República à Espanha, durante aGuerra de Devolução (1667-1668). Para cumprir seu objetivo, uma das primeiraspreocupações de Luis XIV consistiu em buscar o apoio da Inglaterra, em um raromomento de entendimento entre as duas grandes potências. A Inglaterra aderiu porquese sentia ameaçada pelo crescente poder naval da Holanda e aceitou apoiar a França emtroca de um apoio financeiro anual de três milhões de libras (Ver o artigo As principaisguerras da história e suas consequências de Felipe Alexandre de Lima Farah et allipostado no website <http://gguerras.wordpress.com/.>).Outro episódio da história apresentado no artigo As principais guerras da história esuas consequências foi A Guerra dos Trinta Anos (1618- 1648) que é a denominaçãogenérica de uma série de guerras que diversas nações européias travaram entre si a partirde 1618, especialmente na Alemanha, por motivos variados: rivalidades religiosas,dinásticas, territoriais e comerciais. As rivalidades entre católicos e protestantes eassuntos constitucionais germânicos foram gradualmente transformados numa lutaeuropeia. Apesar de os conflitos religiosos serem a causa direta da guerra, ela envolveuum grande esforço político da Suécia e da França para procurar diminuir a força dadinastia dos Habsburgos, que governavam a Austria. A guerra converteu-se em umconflito pela hegemonia entre os Habsburgo e a França. Desse jeito, o conflito foiampliado para quase todo o continente. As hostilidades causaram sérios problemaseconômicos e demográficos na Europa Central e tiveram fim com a assinatura, em1648, de alguns tratados que, em bloco, são chamados de Paz de Vestfália.
  4. 4. 4O fim da Guerra de Trinta Anos representou o início da hegemonia francesa na Europae o declínio do poder dos Habsburgos. A Alemanha foi a única que saiu derrotada,arruinada e devastada desses trinta anos de guerra. Os principais campos de batalhas dosintermitentes conflitos foram as cidades e principados da Alemanha, que sofreram danosmuito graves. Muitos dos combatentes eram mercenários que tinham na pilhagem suaprincipal forma de pagamento. Assim, tomavam à força, onde paravam ou por ondepassavam, os suprimentos necessários a sua manutenção e lucro, numa estratégiapredatória que levou à destruição completa de inúmeras comunidades. Hoje estima-seque a população da Alemanha caiu 20% durante a guerra. Em algumas regiões essedeclínio chegou a 50% pois vilas inteiras sumiram.A Revolução Inglesa do século XVII representou a primeira manifestação de crise dosistema na era moderna, identificado com o absolutismo. O poder monárquico,severamente limitado, cedeu a maior parte de suas prerrogativas ao Parlamento einstaurou-se o regime parlamentarista que permanece até hoje. O processo começoucom a Revolução Puritana de 1640 e terminou com a Revolução Gloriosa de 1688. Asduas fazem parte de um mesmo processo revolucionário, daí a denominação deRevolução Inglesa do século XVII e não Revoluções Inglesas. Esse movimentorevolucionário criou as condições indispensáveis para a Revolução Industrial do SéculoXVIII, abrindo caminho para o avanço do capitalismo. Deve ser considerada a primeirarevolução burguesa da história da Europa antecipando em 150 anos a RevoluçãoFrancesa (Ver o artigo As principais guerras da história e suas consequências de FelipeAlexandre de Lima Farah et alli postado no website <http://gguerras.wordpress.com/.>).A Guerra dos Sete Anos foram conflitos internacionais que ocorreram entre 1756 e1763, entre a França, a Áustria e seus aliados (Saxônia, Rússia, Suécia e Espanha), deum lado, e a Inglaterra, Portugal, a Prússia e Hannover, de outro. Vários fatoresdesencadearam a guerra: a preocupação das potências européias com o crescenteprestígio e poderio de Frederico II, o Grande, Rei da Prússia; as disputas entre a Áustriae a Prússia pela posse da Silésia, província oriental alemã, que passara ao domínioprussiano em 1742 durante a guerra de sucessão austríaca; e a disputa entre a Grã-Bretanha e a França pelo controle comercial e marítimo das colônias das Índias e daAmérica do Norte. Também foi motivada pela disputa por territórios situados na África,Ásia e América do Norte (Ver o texto Guerra dos Sete Anos no website<http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Sete_Anos>).A Guerra dos Sete Anos,terminada pela vitória da Inglaterra sobre a França (Tratado deParis, 1763), deixou a nação vencedora na posse de ricos territórios no continenteamericano (Estados Unidos e Canadá), já colonizados, sendo reconhecido o seu direitode expandir o seu domínio em direção ao interior do continente. Esta possibilidadeagradou aos colonos, que prontamente se prepararam para explorar e aproveitar novasterras, mas, para sua grande surpresa, o governo de Londres, por recear desencadearguerras com as nações índias, determinou que nenhuma nova exploração ou colonização
  5. 5. 5de territórios pudesse ser feita sem a assinatura de tratados com os índios. Foi esta aprimeira fonte de conflito entre os colonos e a Coroa inglesa.A Guerra da Independência dos Estados Unidos da América (1775–1783), tambémconhecida como Guerra Revolucionária Americana, começou após a assinatura doTratado de Paris que, em 1763, pôs fim à Guerra dos Sete Anos. Ao final deste conflito,o território do Canadá foi incorporado pela Inglaterra. Neste contexto, as treze colôniasrepresentadas por Massachusetts, Rhode Island, Connecticut, Nova Hampshire, NovaJérsei, Nova Iorque, Pensilvânia, Delaware, Virgínia, Maryland, Carolina do Norte,Carolina do Sul e Geórgia começaram a ter seguidos e crescentes conflitos com a Coroabritânica, que devido aos enormes gastos com a guerra, iniciou uma maior exploraçãosobre essas áreas. A Revolução Americana de 1776 foi um movimento de ampla basepopular, tendo como principal motor a burguesia colonial, que levou à independênciadas Treze Colônias. Os Estados Unidos da América foi o primeiro país a dotar-se deuma constituição política escrita (Ver o texto Guerra da Independência dos EstadosUnidos disponível no website<http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Independ%C3%AAncia_dos_Estados_Unidos>).A Revolução Francesa diz respeito aos acontecimentos que ocorreram de 1789 a 1799que alteraram o quadro político e social da França. A Revolução Francesa foidesencadeada pelo agravamento da crise econômica e social. As causas econômicaseram estruturais. A crise agrícola, que ocorreu graças ao aumento populacional, foitambém determinante da revolução. Entre 1715 e 1789, a população francesa cresceuconsideravelmente, entre 8 e 9 milhões de habitantes. Como a quantidade de alimentosproduzida era insuficiente e as geadas abatiam a produção alimentícia, a fome pairousobre os franceses contribuindo para desencadear a revolução que começa com aconvocação dos Estados Gerais e a Queda da Bastilha e se encerra com o golpe deestado do 18 Brumário de Napoleão Bonaparte. Em causa estavam os privilégios doclero e da nobreza. Foi influenciada pelos ideais do Iluminismo e da IndependênciaAmericana (1776) (Ver o texto Revolução Francesa postado no website<http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Francesa>).Durante a Revolução Francesa, milhares de pessoas foram detidas, julgadassumariamente e guilhotinadas. Os direitos individuais foram suspensos e, diariamente,realizavam-se, sob aplausos populares, execuções públicas e em massa. O líder jacobinoRobespierre, sancionando as execuções sumárias, anunciara que a França nãonecessitava de juízes, mas de mais guilhotinas. O resultado foi a condenação à morte de35 mil a 40 mil pessoas. Apesar do terror jacobino, a Revolução Francesa é consideradacomo o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea. Aboliu a servidão e osdireitos feudais e proclamou os princípios universais de "Liberdade, Igualdade eFraternidade” (Liberté, Egalité, Fraternité), frase de autoria de Jean-Jacques Rousseau.
  6. 6. 6O sociólogo Raymond Aron escreveu em The Opium Of The Intellectuals (TransactionPublishers, 2009) o seguinte, a propósito da Revolução Francesa, comparando-a com aRevolução Inglesa:A passagem do Ancien Régime para a sociedade moderna é consumada na França com umaruptura e uma brutalidade únicas. Do outro lado do Canal da Mancha, na Inglaterra, o regimeconstitucional foi instaurado progressivamente, as instituições representativas advêm doparlamento, cujas origens remontam aos costumes medievais. No Século XVIII e XIX, alegitimidade democrática se substitui à legitimidade monárquica sem a eliminar totalmente, aigualdade dos cidadãos apagou pouco a pouco a distinção dos "Estados" (Nobreza, clero epovo). As idéias que a revolução francesa lança em tempestade através da Europa: soberaniado povo, exercício da autoridade conforme a regras, assembléias eleitas e soberanas, supressãode diferenças de estatutos pessoais, foram realizadas em Inglaterra, por vezes mais cedo do queem França, sem que o povo, em sobressalto de Prometeu, sacudisse as suas correntes. A"democratização" foi ali (em Inglaterra) a obra de partidos rivais.(...) O Ancien Régime desmoronou-se (na França) a um só golpe, quase sem defesa. E a Françaprecisou de um século para encontrar outro regime que fosse aceito pela grande maioria danação.As Guerras Napoleônicas se inclui entre as grandes guerras ocorridas na história. AsGuerras Napoleônicas estão, entre as mais importantes, pois influenciaram o destino demuitos países, inclusive o Brasil com a fuga da Família Real portuguesa ao Brasil em1808 e e a transferência da Administração para o Rio de Janeiro. Em 1815, o Brasil foielevado à condição de "Reino Unido a Portugal e Algarves". A conturbada relação entreos revolucionários franceses e as monarquias europeias fez com que os reinos daÁustria e da Prússia, em 1792, criassem uma aliança para reaver o trono da França,conhecida como primeira coalizão ou coligação. A resposta do Diretório, órgão máximoda república francesa veio, com a organização de suas tropas para o combate, dentreelas uma enviada para a Itália comandada pelo jovem Napoleão Bonaparte. A primeiracoalizão foi derrotada. Sobrava apenas a Inglaterra, que insistia sozinha em lutar contraa França (Ver o artigo As principais guerras da história e suas consequências de FelipeAlexandre de Lima Farah et alli postado no website <http://gguerras.wordpress.com/.>).Com a intenção de arruinar o poder inglês no Oriente Médio, Napoleão planejou aconquista do Egito. O retorno das forças francesas foi o trunfo que levou a mais umavitória sobre a aliança das monarquias europeias. Esta deu a Napoleão Bonaparte,recém-nomeado cônsul pelo golpe 18 Brumário, uma grande fama entre as massas,levando em 1804 o Senado, em conjunto com um plebiscito, declará-lo imperador daFrança. Os ideais da Revolução Francesa se expandiam por todo o continente europeu, oque causava um desequilíbrio nas demais nações europeias. A paz perdurou na Europapor mais alguns anos, até que se formaram novas coalizões. A França derrotou russos eaustríacos em Austerlitz e a Prússia em Iena. No entanto, Napoleão foi derrotado pelo“general inverno” após a ocupação de Moscou, na Rússia, em Leipzig na “Batalha dasNações” e na Bélgica em Waterloo. Após esta batalha, preso sob custódia inglesa, ogeneral Napoleão Bonaparte foi enviado à ilha de Santa Helena onde morreu, em 1821,dando fim à Era Napoleônica.
  7. 7. 7A derrota francesa abriu caminho para a Inglaterra se tornar a potência hegemônica noplaneta com seu poder naval, econômico e militar. As guerras napoleônicasconseguiram difundir os ideais iluministas da Revolução Francesa, com oenfraquecimento das monarquias europeias que, após a Primeira Guerra Mundial,seriam depostas dando lugar às repúblicas democráticas fundadas nesses ideais, que atéentão não tinham uma forte expressão no mundo, contribuindo também, com muitasrevoltas coloniais.A Primeira Guerra do Ópio ou Primeira Guerra Anglo-Chinesa foi travada entre aCompanhia Britânica das Índias Orientais e a Dinastia Qing da China entre 1839 e 1842com o objectivo de forçar a China a permitir o livre comércio, principalmente do ópio.A Grã-Bretanha pedia a abertura do comércio de ópio, enquanto o governo imperial daChina tentou proibir. Comerciantes ingleses foram expulsos da China e ao chegarem emLondres apresentam uma queixa ao governo britânico, que decidiu atacar a China com asua poderosa armada para forçar os chineses a comprar ópio cultivado na Índiabritânica. Tropas chinesas foram incapazes de lidar com os britânicos e se rendem aeles. Pelo Tratado de Nanquim, o primeiro dos Tratados Desiguais, concedeu umaindenização à Grã-Bretanha, a abertura de cinco Portos, e a cessão aos britânicos da ilhade Hong Kong por um período de 100 anos, terminando o monopólio do comércio noâmbito do Sistema de Cantão. As guerras são frequentemente citadas como o fim doisolamento da China e o início da história da China moderna (Ver o texto PrimeiraGuerra do Ópio postado no website<http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Guerra_do_%C3%93pio)>.A Segunda Guerra do Ópio, Segunda Guerra Anglo-Chinesa, Segunda Guerra da China,Guerra do Arrow, ou a expedição anglo-francesa na China, foi uma guerra do ImpérioBritânico e do Segundo Império Francês contra a dinastia Qing da China entre 1856 e1860. Esta guerra pode ser vista como uma extensão da Primeira Guerra do Ópio, daí onome que lhe foi atribuído. Em 1856, a China infringiu o Tratado de Nanquim. Notratado, a nação permitia a abertura de cinco portos para a Inglaterra, sendo esses dedomínio inglês. No ano referido, alguns oficiais chineses abordaram e revistaram onavio de bandeira britânica Arrow, desencadeando mais um conflito entre a China e aInglaterra. Porém desta vez, os ingleses contavam com um novo aliado: a França. Osataques dos dois países começaram em 1857. Se a Inglaterra, que já era uma potência daépoca e tinha ampla capacidade de vencer a guerra sozinha, com o auxílio da segundamaior potência, França, ficou óbvia a vitória dos europeus (Ver o texto Segunda Guerrado Ópio disponível no website<http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_do_%C3%93pio>).Desta vez a China foi obrigada a assinar outro acordo: o Tratado de Tianjin, no qualgarantia a abertura de onze novos portos ao Ocidente, além de permitir a liberdade demovimento aos mercadores europeus e missionários cristãos. Para tentar administraresse grande fluxo estrangeiro, a China então criou o Ministério dos Negócios
  8. 8. 8Estrangeiros, onde permitia que se instalassem legações ocidentais na capital erenunciou o termo "bárbaro", usado inclusive em documentos quando se fazia referênciaaos ocidentais.A guerra Russo-japonesa foi provocada pela intenção de conquista da Coreia e daManchúria por parte dos russos e dos japoneses. Após o Tratado de Shimonoseki, osrussos obrigaram os japoneses a restituir Porto Arthur, as tropas russas ocuparam oterritório e se expandiram pela Manchúria. Vários acordos diplomáticos foram tentados,até que os japoneses tomassem posse do porto quando confrontaram e derrotaram seusadversários. Essa foi a primeira vez que um país europeu foi superado por uma naçãoasiática. Essa guerra contribuiu para agravar a crise Russa em seu regime Czarista, eposteriormente desencadeou a Revolução Russa, em 1917 (Ver o texto Guerra russo-japonesa no website <http://guerras.brasilescola.com/seculo-xx/guerra-russojaponesa.htm>).Na batalha naval a frota Russa era inferior à japonesa. Na batalha terrestre o Japão teveuma larga vantagem no contingente de soldados. Enquanto a tropa Russa contava com80.000 mil soldados mal preparados, os japoneses possuíam 270.000 mil soldadostreinados e equipados. No dia 27 de maio de 1905, os russos enviaram 38 belonaves aoterritório japonês, 27 foram afundadas. No outro dia o saldo da batalha foi: Russos4.380 mortos, 1.862 feridos, 5.917 prisioneiros, enquanto o Japão teve perdasinsignificantes em relação às baixas russas, 117 mortos e 583 feridos.2. As principais guerras na história da humanidade durante o Século XXA despeito das reiteradas intenções de todos os países do globo em manter a pazmundial, três grandes guerras (1ª e 2ª Guerra Mundial e a Guerra Fria) ocorreram noSéculo XX. Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), morreram cerca de 9 milhões depessoas. Em 1919 foi fundada a Liga das Nações, cujos princípios básicos eram "aproibição da guerra, a manutenção da justiça e o respeito ao direito internacional." Oslíderes europeus estavam convictos de que uma nova e duradoura ordem internacionalestava começando. Para o primeiro-ministro britânico, David Lloyd George, ela"elevaria a humanidade a um plano superior de existência..." Apenas vinte anos depois,foi desencadeada a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que matou entre 40 e 52milhões de pessoas.Além disso, a violência dos conflitos em nossa época não tem paralelo na história. Asguerras do século XX foram “guerras totais” contra combatentes e civis semdiscriminação. O historiador Eric Hobsbawm (A Era Dos Extremos, Companhia dasLetras, 2008) complementa: "Sem dúvida ele foi o século mais assassino de que temosregistro, tanto na escala, frequência e extensão da guerra, mal cessando por ummomento na década de 1920, como também pelas catástrofes humanas que produziu,desde as maiores fomes da história até o genocídio sistemático." A tragédia das guerrasno século XX também é resumida nessas palavras de John Keegan (Uma História da
  9. 9. 9Guerra, Companhia de Bolso, 2006): "Neste século, a frequência e a intensidade dasguerras também deformaram a perspectiva de homens e mulheres comuns. Na EuropaOcidental, nos Estados Unidos, na Rússia e na China, as exigências da guerra atingirama maioria das famílias ao longo de duas, três ou quatro gerações. O apelo às armas levoumilhões de filhos, maridos, pais e irmãos para o campo de batalha, e milhões nãovoltaram."Terminada a Segunda Guerra, a história se repetiu: foi fundada a Organização dasNações Unidas e as esperanças de paz se renovaram. Esperanças que deram lugar a umasérie infindável de guerras localizadas, tão numerosas que acabaram fazendo parte donosso dia-a-dia. Há quem considere essas inúmeras guerras como já sendo a TerceiraGuerra Mundial. Eric Hobsbawm resume assim a situação após a Segunda Guerra: "Acatástrofe humana desencadeada pela Segunda Guerra Mundial é quase certamente amaior na história humana. O aspecto não menos importante dessa catástrofe é que ahumanidade aprendeu a viver num mundo em que a matança, a tortura e o exílio emmassa se tornaram experiências do dia-a-dia" (A Era Dos Extremos, Companhia dasLetras, 2008).O relatório Prioridades Mundiais, publicado anualmente por um grupo sediado emWashington, define uma grande guerra como sendo um conflito envolvendo umgoverno, ou mais de um, que resulta na morte de pelo menos mil pessoas por ano. Poresse critério "técnico", desde o final da Segunda Guerra Mundial até o ano de 1992haviam ocorrido 149 guerras, onde morreram mais de 23 milhões de pessoas. No SéculoXX, o número de enfrentamentos militares cresceu substancialmente. Se nos fixarmosapenas nesses conflitos propriamente, sem considerar rebeliões curtas, golpes militares emesmo genocídios, verificaremos que em todo o Século XX ocorreram 107 guerras. Jáno século XX, até 1995, sem considerar a Primeira e Segunda Guerra Mundial, houve,pelo mesmo critério, um total de 241 guerras, das quais 166 eclodiram a partir de 1950.Nada menos que 70 países envolveram-se em guerras de 1994 a 1997.Num discurso proferido em 1992, o secretário-geral da ONU admitiu que desde acriação das Nações Unidas, em 1945, ocorreram mais de mil grandes conflitos ao redordo mundo, que deixaram cerca de 20 milhões de mortos. De acordo com a revista WorldWatch, o nosso século foi o menos pacífico da História, e cita o seguinte comentário deum pesquisador: "Mais pessoas foram mortas por guerras neste século do que em toda ahistória humana anterior em conjunto." De acordo com uma matéria publicada pelojornal The Washington Post, desde o fim da Segunda Guerra Mundial o mundoconheceu 160 guerras, onde morreram cerca de 7 milhões de soldados e 30 milhões decivis. Esses números não incluem, naturalmente, os milhões de vítimas de crimesviolentos em toda a Terra nos últimos 50 anos. O ex-secretário de Estado norte-americano, Zbigniew Brzezinski, fez uma estimativa abrangendo todas as "megamortes"ocorridas desde 1914 e chegou a um total de 187 milhões de mortos (Ver o artigo deRoberto C. P. Junior sob o título Conflitos bélicos no website<http://www.library.com.br/Filosofia/conflito.htm>).
  10. 10. 10Será que com o fim da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, acaboutambém o perigo de uma hecatombe nuclear? Uma rápida análise sobre o poderionuclear mundial e as notícias que vazaram ultimamente sobre o desenvolvimento dearmas atômicas mostra que essa esperança também não tem razão de ser. Além disso, oser humano nunca inventou uma arma que não tivesse utilizado. Os especialistasWilliam Arkin e Robert Norris, responsáveis pela publicação Nuclear Notebook,afirmam que as armas nucleares desmanteladas até agora por Estados Unidos e Rússia,por força dos tratados de redução de armas, eram equipamentos obsoletos, e que os doispaíses continuam com seus programas de desenvolvimento e renovação dos respectivosarsenais nucleares.Em 1970, quando entrou em vigor o Tratado de Não Proliferação Nuclear, EstadosUnidos e União Soviética tinham juntos 7.455 ogivas nucleares. Em 1995, depois demais dois tratados de limitação de armas nucleares, de outros dois de redução dessasarmas, e da desativação de cerca de 7.000 ogivas, Estados Unidos e Rússia tinhamjuntos 16.900 ogivas nucleares, capazes, segundo estimativas, de acabar com a vida naTerra por 14 vezes. Em 1997, de acordo com o The Bulletin of the Atomic Scientists, osdois países tinham estocado em seus territórios 21.550 ogivas. Nessa corrida atômica, sóos Estados Unidos já despenderam cerca de 4 trilhões de dólares, e continuam gastandooutros 33 bilhões de dólares por ano para manter suas armas nucleares estratégicasprontas para serem usadas a qualquer momento. O especialista Brian Hall informou queo Pentágono vai reservar entre 3 mil a 4 mil ogivas nucleares acima do teto especificadopelo primeiro tratado de redução de armas, como uma "margem de segurança" para secontrapor a possíveis relações hostis futuras com a Rússia.O resultado do investimento mundial neste setor é que o poder destrutivo do arsenalnuclear do planeta equivale hoje a 4,2 toneladas de dinamite para cada habitante doplaneta. Isto, naturalmente, se essa estimativa corresponder à realidade. A Françadeclara possuir 500 ogivas nucleares, a China 300 ogivas e a Grã-Bretanha 250 ogivas.Estima-se que Israel tenha cerca de 200 ogivas, a Índia 20 ogivas e o Paquistão 10ogivas. Com o fim da União Soviética, a Ucrânia, a Bielorússia e o Kasaquistão jánasceram como potências militares nucleares, com muitas ogivas em seus territórios.A África do Sul já teve armas nucleares, mas anunciou que "desistiu" delas. Suspeita-seainda que a Coréia do Norte e o Irã estejam desenvolvendo armas nucleares. Taiwan eCoréia do Sul também já tentaram implantar seus programas de armas atômicas. Até aSuíça desenvolveu um programa de construção de armas nucleares, ativo até 1988 deacordo com um historiador militar suíço. Há estimativas de que as nações nuclearesdisponham atualmente de mais de 30 mil ogivas, outras falam em até 45 mil ogivas. Éimpossível saber com exatidão o número certo.Em 29 de maio de 1995 a China testou seu primeiro míssil balístico intercontinentallançado de base móvel (mais difícil de ser detectado). Esse tipo de míssil pode levarogivas nucleares a alvos distantes até 8 mil quilômetros. No dia 15 de maio de 1995, a
  11. 11. 11China havia feito um teste nuclear subterrâneo, horas após assinar o Tratado de NãoProliferação Nuclear, que visa justamente evitar a disseminação de armas atômicas e aprática de testes pelo mundo. A China argumentou que havia feito até então apenas 45testes nucleares, enquanto que os Estados Unidos já tinham feito 1.030. Uma diferençainsuficiente para intimidar alguns funcionários do governo chinês, que ameaçaram fazerchover bombas atômicas sobre Los Angeles, caso os Estados Unidos defendessemTaiwan numa futura invasão por parte da China. Taiwan, aliás, já está se preparandopara qualquer eventualidade: em abril de 1998, o país testou "com sucesso" seu própriomíssil supersônico.Também outros países contribuem significativamente para a montagem do pesadelonuclear. Em agosto de 1997, a revista inglesa Janes Intelligence afirmou que Israelpoderia ser tentado a lançar um ataque nuclear preventivo contra o Irã, já que seuarsenal estava vulnerável a um ataque. Na mesma época, o primeiro-ministro indianodeclarou que não aceitaria pressões para revisar sua política nuclear, que inclui a opçãode fabricar armas. Em setembro, o vice-presidente dos Estados Unidos confirmou aexistência de um relatório russo-americano dando conta que o Irã estava tentandoadquirir armas nucleares e fabricar mísseis de longo alcance. Também em setembro,satélites americanos detectaram o disparo de um míssil "Rodong-1", da Coréia do Norte,que tem alcance para atingir o Japão. Em março de 1998, o novo primeiro ministroindiano, Atal Bihari, ameaçou: "Vamos exercer todas as opções, incluindo a nuclear,para proteger a segurança e a soberania nacional." Em abril de 1998, o Paquistão,vizinho beligerante da Índia, testou com êxito um míssil com alcance de 1,5 milquilômetros.Em relação à Rússia a maior preocupação hoje é quanto à segurança de suas instalaçõesnucleares. Segundo especialistas americanos, nenhuma das quase noventa localidadesem que estão estocadas as 700 toneladas de materiais nucleares em grau de produção dearmas, conta com segurança adequada. De acordo com uma matéria publicada pelarevista Seleções em junho de 1997, cerca de 33 toneladas de plutônio estão estocadas nocomplexo de Chelyabinsk-65, sudoeste da Rússia, num armazém velho, com janelas eum cadeado na porta; no porto de Murmansk, próximo à Finlândia, uma área dearmazenamento de lixo nuclear é vigiada por dois homens e um cão. Um informeamericano remetido à OTAN admitia que não se podia mais descartar a hipótese delançamentos não autorizados de armas nucleares russas (Ver o artigo de Roberto C. P.Junior sob o título Conflitos bélicos no website<http://www.library.com.br/Filosofia/conflito.htm>).Em maio de 1997, o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, BorisBerezovski, anunciou que a nova doutrina de segurança nacional incluía "o direito aoprimeiro ataque com armas nucleares em caso de ameaça". Em junho, o país testou"com êxito" o lançamento do míssil intercontinental SS-19, de 27m de comprimento,raio de alcance de 10 mil km e capacidade para seis ogivas nucleares. Uma reportagemsobre o lançamento informava que além de verificar a eficiência do míssil, o teste
  12. 12. 12objetivava demonstrar que a Rússia conservava sua capacidade de reagir a um ataque desurpresa. Em outubro, o jornal The Washington Times informou que a Rússia estavareduzindo os gastos em armamento convencional e ampliando os investimentos no seuescudo nuclear. Em dezembro, a CIA avisou que alguns funcionários do governo russoqueriam incluir na doutrina de segurança a opção do "uso limitado" de armamentonuclear, para impedir que um conflito regional se ampliasse.Os prenúncios de guerra vão mais além. Em 1996, satélites de espionagem americanosdescobriram que os russos estavam construindo um enorme complexo militar secretonos montes Urais, a despeito da monumental crise econômica que assolava o país háanos. O especialista militar russo, Pavel Felgengauer, confirmou que a base, conhecidacomo "mão morta", foi concebida para desencadear o chamado "segundo ataque", isto é,uma represália nuclear maciça a um ataque surpresa. O sistema funcionariaautomaticamente após um ataque inimigo. Nos Estados Unidos, alguns meses depoisdessa notícia, a Força Aérea assinava um contrato de mais de um bilhão de dólares paraque um consórcio de empresas desenvolvesse um sistema de laser aerotransportado,capaz de destruir mísseis balísticos em pleno voo. O objetivo declarado era o deproteger tropas e bases contra mísseis armados com ogivas convencionais, químicas,biológicas e nucleares.Atualmente, estão em desenvolvimento armas portáteis a laser, acústicas, de torvelinhoque provocam ondas de choque e de micro-ondas. Até o advento da Quarta GuerraMundial, a capacidade inventiva humana continuará a ser aplicada predominantementenessas coisas, sempre com grande êxito. Se a Quarta Guerra Mundial de fato ocorrer,não haverá vencedores nem vencidos entre os povos, que se exterminarão mutuamente.Tudo o que acaba de ser relatado demonstra a vergonhosa derrota da humanidade contraas forças que alimentam as guerras. Fica demonstrada cada vez mais a estupidez, aprepotência e a arrogância das elites dirigentes de determinados países e seusgovernantes, que não aprendem nunca com as lições do passado e continuam a usar aviolência e a força para espoliar os povos do mundo inteiro e se apoderarem dasriquezas de nações menores, indefesas e que sofrem a humilhação do domínioestrangeiro, diante do olhar complacente e submisso da ONU (Organização das NaçõesUnidas).Albert Einsten, no alto de sua sabedoria, tem uma frase lapidar que diz que não podeconceber que a humanidade continue a se guerrear, a levantar cercas e muros, quandodeveria voltar seu olhar para o alto, para a grandiosidade do universo, sair desse mundoignorante em que vive e ver que somos apenas um simples grão de areia no cosmos.Nós poderíamos evoluir mais se compreendêssemos nossa verdadeira existência. Aguerra não tem sentido nem como caminho para a paz, pois, em uma análise maisprofunda, é um assassinato de toda a sociedade contra homens, mulheres e crianças. Aguerra não tem vencedores, é uma derrota tanto para o vencido como para o vencedor.
  13. 13. 13Um tratado não se escreve nem com sangue nem com lágrimas. A guerra é o sonho dosloucos, a realidade dos imbecis e a condenação dos inocentes.No artigo A tendência dos Conflitos Armados elaborado por Martín Chahab (Ver o site<http://www.achegas.net/numero/29/martin_chahab_29.htm)>, há a afirmativa de que,no transcorrer das duas guerras mundiais do século XX, a humanidade perdeu mais de70 milhões de vidas: a partir de 1945 até a queda da União Soviética, os 40 anos deGuerra Fria, morreram no planeta cerca de 17 milhões de pessoas em conflitos armadose de 1990 até 2003 as guerras levaram mais de 3 milhões de vidas. No total os conflitosarmados do século XX provocaram cerca de 90 milhões de vítimas fatais.Todavia a tendência de baixas em conflitos armados vem diminuindo, embora aquantidade destes conflitos tenha tomado uma direção inversa. Desde o fim da SegundaGuerra Mundial vêm sendo deflagrados muito mais conflitos armados em todo o planetado que em séculos anteriores e essa tendência parece se acentuar cada vez mais. Emsíntese, o século XXI está delineando-se como um mundo em constante conflito.Uma forma de se entender essa relação antagônica entre, a quantidade de mortos emconflitos e o número desses conflitos através dos tempos, é levantar uma hipótesevinculando a estrutura do sistema internacional com os conflitos armados: quanto maisEstados concentrarem o poder nas relações internacionais mais conflitos armadoshaverá no mundo e mais mortes serão produzidas por eles. Isto nos leva até umahipótese complementar muito sugestiva: em um mundo bipolar serão produzidos menosconflitos armados entre os Estados e consequentemente menos vítimas fatais. Seobservarmos as estatísticas históricas veremos que o sistema internacional, finalizado aotérmino na Segunda Guerra Mundial, provocou mais de 70 milhões de mortos só noséculo XX, que o sistema bipolar durante a Guerra Fria gerou 16,5 milhões de baixasem conflitos armados e que o atual sistema unipolar regido pelos Estados Unidosreduziu as mortes à cifra de 3 milhões em pouco mais que uma década, quando onúmero deveria ter sido, segundo a mesma tendência da Guerra Fria, quase 5 milhões demortos.Qual a conclusão que se extrai desta situação? Pode-se interpretar esses dados nosentido de que a humanidade cuida melhor de si mesma quando existe umaconcentração de poder em um só Estado ou quando da existência de um poderhegemônico que controla os demais Estados há menos guerra entre eles e, emconsequência, menos mortes. O sistema unipolar mostra que existem menos conflitosarmados entre os estados membros do sistema internacional. Esta constatação indica quea guerra poderá ser abolida se existir um governo mundial legitimado por todos ospaíses do mundo.Por outro lado, pode-se interpretar esta tendência dos conflitos armados no mundo atualinjetando novas variáveis e a questão já não se apresentará tão simples e unidirecionalcomo parece. No artigo acima citado A tendência dos Conflitos Armados elaborado por
  14. 14. 14Martín Chahab fica evidenciado que na realidade existem mais conflitos armados nomundo de hoje que nas etapas anteriores, mas os tipos de conflitos estão mudando.Desde o fim da Guerra Fria observa-se o crescimento dos conflitos dentro dos Estados,ou intra-estatais, enquanto os conflitos entre Estados ou inter-estatais têm mantido amesma frequência de antes de 1990 (Figura 1). Se entre 1946 e 1989 (Figura 2)existiram 718 conflitos intra-estatais e de 1990 a 2004 existiram 429. Se a frequênciaatual fosse a mesma que durante a Guerra Fria teríamos 207 conflitos armados intra-estatais, porém a cifra é maior do que o dobro. Isto quer dizer que a lógica que guiaestes conflitos modificou-se. Há mais conflitos dentro dos Estados após a Guerra Fria.Enquanto há mais paz entre os Estados do sistema internacional, registra-se a ocorrênciade mais guerra dentro dos Estados nacionais.Figura 1- Conflitos de todas as intensidades entre 1946 e 2002Fonte: Chahab, Martín. A tendência dos Conflitos Armados (Ver<http://www.achegas.net/numero/29/martin_chahab_29.htm)>)Figura 2- Conflitos armados de 1946 a 2003Gráfico 1: Conflictos de todas las intensidades entre 1946 y 2002051015202530354045194519471949195119531955195719591961196319651967196919711973197519771979198119831985198719891991199319951997199920012003Fuente: Center for Systemic PeaceInterestatalIntraestatalGráfico 2: Conflictos Armados desde 1946hasta 200371842921164929493020040060080010001946-1989 1990-2003Fuente: Center for Sy stemic PeaceIntraestatalInterestatalTotal
  15. 15. 15Fonte: Chahab, Martín. A tendência dos Conflitos Armados (Ver<http://www.achegas.net/numero/29/martin_chahab_29.htm)>)Existem várias razões para que isso acontecesse. Heidelberg Institute on InternacionalConflict Research, em sua publicação anual do Barômetro dos Conflitos, vemmostrando que muitos destes conflitos interestatais no mundo estão sendo resolvidos emnível de latência através de negociações e que um número cada vez menor deles chega auma guerra civil. As insurreições recentes no mundo árabe negam esta tendência. Estapode ser uma razão importante para se entender a diminuição dos conflitos armadosentre os Estados. À primeira vista pareceria que a cooperação entre os Estados vemimpedindo que possíveis guerras venham a eclodir, mas na verdade o que tem evitadoque muitos conflitos passem da categoria de não violentos a violentos tem sido otrabalho de várias organizações internacionais tais como: Nações Unidas, Organizaçãodos Estados Americanos, União Europeia, Comunidade Econômica e MonetáriaCentral, Comunidade Econômica dos Estados do Ocidente, e Organização pelaSegurança e Cooperação na Europa, entre outras.3. As principais guerras na história da humanidade no Século XXIA tendência atual dos conflitos armados interestatais no mundo já não se vincula, comoantigamente a interesses dos Estados, tais como território, soberania ou política dopoder, mas sim ao desenvolvimento tecnológico e supremacia comercial, e essa disputapelo domínio da tecnologia tampouco se relaciona com a indústria da guerra e sim coma capacidade de controlar o comércio internacional. Temos então uma nova premissa:quanto maior o comércio mundial baseado na cooperação entre os Estados, menor é aquantidade de conflitos armados interestatais e em consequência menor quantidade demortos. O que vem a ser o mesmo que dizer maior desenvolvimento tecnológico com oaumento do comércio mundial, haverá menos guerras interestatais e menor quantidadede mortos.O que observamos até aqui é a ocorrência de uma troca significativa na tendência dosconflitos entre os Estados trazendo consigo uma mudança também significativa nossistemas de segurança individuais e coletivos. Portanto, neste cenário se faz importanterepensar para que existem os sistemas de defesa dos Estados e de grupos de Estados. Noatual contexto a explicação derivaria da existência de novas ameaças como o terrorismointernacional, a produção de armas de destruição em massa, etc. Porém essa é umaanalise incompleta da questão e não caracteriza tendências em longo prazo, além desimples explicação contextual.Vejamos uma dessas tendências. Suponhamos um novo paradigma das relaçõesinternacionais pós Guerra Fria: o choque das civilizações. Segundo essa teoria as novasguerras estariam vinculadas ao enfrentamento entre as diferentes civilizações domundo. Samuel Huntington (O Choque de Civilizações, Objetiva, 1997) expõe em seutrabalho que a civilização ocidental teria, no futuro, que se enfrentar não só com a
  16. 16. 16civilização muçulmana, mas também uma aliança entre muçulmanos e confucionistas(China), que buscaria destruir a supremacia ocidental e cristã. As guerras do futuroseriam culturais centradas no aspecto religioso. Porém, com base no artigo de AndrejTusicisny (2004), observamos que, utilizando as categorias de análise de Huntingtondos conflitos entre as diferentes civilizações, não se produziu o que o autor haviasuposto em seu famoso e sugestivo artigo e tampouco existem indicadores de que issová acontecer (Figura 3). Ao contrario, os conflitos têm aumentado dentro de umamesma sociedade enquanto o numero deles, produzidos entre sociedades distintas, temse mantido constante.Figura 3- Comparação dos conflitos entre Civilizações e todos os conflitos entre1946 e 2000Fonte: Tusicisny, Andrej, Civilizational Conflict: More Frequent, Longer, and Bloodier?. Journal ofPeace Research, vol. 41, no. 4, 2004.Tomando-se as definições de civilizações utilizadas por Samuel Huntington, conclui-seque os Estados Unidos têm enfrentado em conflitos armados, nos últimos 20 anos, adois tipos de culturas: a muçulmana e a latino-americana. Os Estados Unidos enfrentoua Líbia em 1986, o Panamá em 1989, o Afeganistão em 2001 e 2002 e o Iraque naguerra do Golfo em 1998 e em 2003.Pode-se concluir que quanto maior o desenvolvimento tecnológico com o aumento docomércio mundial, menos guerra entre Estados e menor quantidade de mortos.Consequentemente passou-se a acreditar que o comércio mundial é que tem freado osconflitos entre Estados, porém deve-se observar que este aumento do comércio mundialestá embasado no desenvolvimento tecnológico. Entretanto, o crescimento do PIB dediferentes Estados está baseado em uma maior ou menor exploração de recursosnaturais em todo o mundo, e este desenvolvimento tecnológico, por sua vez, tem sidopossível graças a exploração dos recursos naturais não renováveis, como o petróleo e ogás. Enquanto tecnologia e comércio mundial avançam esgotam-se os recursos naturaisque sustentam este crescimento. Neste sentido, se a humanidade não modificar suaGráfico 5: Comparación de los Conflictos entre Civilizacionesy todos los Conflictos entre 1946 y 2000Conflictos TotalesConflictos entreCivilizaciones01020304050601946194819501952195419561958196019621964196619681970197219741976197819801982198419861988199019921994199619982000Fuente: Andrej Tusicisny, Universityof Matej Bel
  17. 17. 17estrutura dependente destes mesmos recursos esgotáveis que fazem funcionar suasindústrias e meios de locomoção, podemos acreditar que haverão choques entre Estadosdiferentes na busca destes recursos.O cenário realista das relações internacionais tem sido invadido por novos atores: asempresas transnacionais e organismos internacionais. Os Estados Unidos não são osrepresentantes exclusivos destas empresas globais. Estes novos atores, que em partedominam o mundo global necessitam, também, de recursos naturais dos Estados onde selocalizam para atender e sustentar seus interesses. Estados como Estados Unidos,Inglaterra, Espanha, França, Alemanha, Austrália, Canadá, dentre outros, representamos interesses destas empresas. As companhias globais podem fomentar conflitosarmados contra Estados que detenham recursos naturais em abundância como foi o casoda invasão dos Estados Unidos no Iraque para se apossar das reservas de petróleo.Os países capitalistas centrais apresentam declínio em seu crescimento econômicotendendo à depressão após a crise de 2008. Dois países, China e Índia, vêm crescendode forma sustentada acima de 7% ao ano, e ambos têm uma dependência imensa depetróleo e gás como todos os países desenvolvidos. Se refletirmos de forma realistasobre esta situação, pode-se supor que rapidamente acontecerá um enfrentamento entreChina e Índia e os países desenvolvidos em busca destes recursos naturais, porém issonão seria provável em vista do atual cenário de interdependência e globalização. Tanto aChina como a Índia têm mantido uma relação externa direta com os países maisdesenvolvidos do mundo, como os Estados Unidos, Japão, Alemanha e França e ocomércio bilateral de ambos com estas potências tem crescido em níveis nunca vistos.As empresas multinacionais destes países vêm se instalando nos gigantes da Ásia e aChina é o segundo possuidor de bônus dos Estados Unidos. Nesse sentido a cooperaçãoeconômica tem desempenhado um papel fundamental para que esses laços econômicosentre países do Ocidente e Oriente evitem questões que gerariam algum tipo de conflito.Porém a cooperação só é possível em um mundo de abundância. Na escassez não háamigos, só existem rivais. Sabe-se que as reservas de petróleo e gás do mundo têm seusdias contados. A menos que se ponham a disposição tecnologias que funcionem comoutros tipos de energia e que haja uma transferência tecnológica mundial poderãoreaparecer conflitos típicos por recursos naturais escassos que já sacudiram ahumanidade em toda sua historia. Esse tipo de conflito armado, já antigo e ao mesmotempo novo, poderia reaparecer no planeta, já não só entre Estados rivais, mas tambémcom novos atores como os exércitos privados das grandes companhias multinacionaisque buscariam defender seus interesses.A cooperação e o comércio mundial têm seus limites fixados na base de seu própriodesenvolvimento. Ainda que se possa pensar que, graças ao avanço tecnológico, ahumanidade escapará da dependência dos recursos naturais escassos por outro tipo deenergia, é importante lembrar que existem demasiados interesses atrapalhando essecaminho.
  18. 18. 184. As causas das guerrasPor que o mundo se torna mais violento a cada ano? Não apenas se verifica um aumentodo número de conflitos armados no globo, como as próprias pessoas estão maisviolentas. Uma simples desavença de trânsito pode terminar em morte. Pessoas calmas,sociáveis e aparentemente normais transformam-se, de uma hora para a outra, emcriminosos frios e implacáveis. Qual a explicação para isso?Não é incomum a afirmativa de que “desde que o mundo é mundo, sempre existiramguerras." Será difícil encontrar alguém hoje que não acredite nesta afirmativa. E, noentanto, ela é falsa. Nos primórdios da humanidade não havia guerras. Nenhum serhumano, nenhum povo daquele tempo longínquo teria tido a ideia de agredir um seusemelhante. Nem sequer, eles seriam capazes de, por exemplo, de anexar terras do seuvizinho contra a sua vontade, por meio da força bruta.É difícil tentar estabelecer um paralelo entre o modo de vida dos seres humanos daquelaépoca com a humanidade de hoje. Naquela época, o viver em paz e harmonia com osseus semelhantes era para os seres humanos algo tão natural como respirar, comer edormir. Seres humanos já viveram na Terra, sem se ofenderem ou se maltratarem unsaos outros, muito menos guerrearem entre si. Isso, contudo, foi há muito, muito tempo.Nenhum registro dessa época chegou até o presente e, por isso, é suposto que estasituação não tenha existido.Segundo Raymond Aron (1962), à medida que a vida do homem se organiza emfamílias e em bandos, menos prováveis nos poderiam parecer as condutas propriamentebelicosas. A maior parte dos animais luta, mas são raras as espécies que praticam aguerra, entendida como ação coletiva e organizada. Aron afirma que a guerra é o choquede condutas organizadas, uma prova de força entre “equipes”, cada uma das quaispretendendo levar a melhor sobre a outra mediante a multiplicação do vigor de cadacombatente pela disciplina do conjunto. Neste sentido, a guerra não pode ser anterior àformação de equipes, fenômeno social que implica na existência da sociedade. Vamosencontrar na Suméria a primeira prova da existência de tropas com treinamento militar.O homo sapiens surgiu há cerca de 600.000 anos. A revolução neolítica, a agriculturaregular e a criação de animais datam de uns 10.000 anos. As civilizações ou sociedadescomplexas surgiram há cerca de 6.000 anos. Isto significa dizer que o períododenominado histórico representa um centésimo da duração total da existência dahumanidade no planeta Terra. Segundo Aron (1962), nenhum antropólogo encontroujamais qualquer prova de que os homens tivessem elaborado uma organização ou umatática de combate antes da idade Idade do Bronze (3300 a.C. a 1300-700 a.C.). Nãosurpreende, pois, que os primeiros indícios incontestáveis dos exércitos e da guerradatem da Idade do Bronze que é um período da civilização no qual ocorreu odesenvolvimento desta liga metálica resultante da mistura de cobre com estanho.
  19. 19. 19Assim como para os primeiros seres humanos seria inconcebível a ideia de causarqualquer dano ao seu semelhante, hoje, soa como ilusão, fantasia, a ideia de um mundosem conflitos, por considerarmos a violência como uma característica própria do serhumano. Pode-se especular se não teria havido uma fase intermediária entre os muitosmilênios durante os quais o homem viveu sob a ameaça das feras e o período, bem maiscurto, em que a ameaça a sua segurança passou a se originar em outros homens. Seriauma época em que os homens possuíam meios técnicos suficientes para a defesa contraas feras e sem engajamento na busca das riquezas e nas lutas de classes, nas conquistase nos domínios. Está demonstrado que sociedades pequenas, sem instrumentosmetálicos, isoladas, ainda não mostram traços característicos das sociedades belicosas.Bergson afirma no seu livro Les Deux Sources de la Morale et de la Religion (1976),que a origem da guerra é a existência da propriedade, individual ou coletiva, e como ahumanidade está predestinada à propriedade, pela sua estrutura, a guerra seria natural.Os povos que temem a falta de alimentos e das matérias-primas de que necessitam sejulgam ameaçados pela fome ou o desemprego, são capazes de tudo. Para sobreviver,estão prontos a atacar. Assim nascem as guerras autênticas, ajustadas à sua essência. J.J.Rousseau pensava que as guerras surgem, ou pelo menos se ampliam, com a expansãodas coletividades e que a desigualdade de classe e a propriedade individual estão ligadasàs guerras de conquista e ao domínio pelos guerreiros. Não poderia ser diferente, umavez que as unidades políticas foram forjadas para o combate e o preço da vitória foisempre a terra, escravos e metais preciosos. Marx e Engels afirmam que os conflitossociais resultam da divisão da sociedade em classes com o surgimento da propriedadeprivada em substituição à propriedade coletiva dos meios de produção imperante nassociedades primitivas.Raymond Aron (1962) afirma que os biólogos chamam de agressividade a propensão deum animal a atacar outro da mesma espécie ou espécie diferente. Na maior parte dasespécies (mas não em todas) os indivíduos lutam entre sí. Alguns não são agressivos(isto é, não tomam a iniciativa do ataque), mas se defendem quando são atacados. Entreos primatas, o homem se situa na parte inferior da escala de agressividade. Enquantoanimal, é relativamente combativo. Em outras palavras, basta um estímulo poucointenso para levá-lo a desencadear a agressão.Segundo Aron, entre os vertebrados superiores, os grupos frequentemente manifestamagressividade com respeito a indivíduos que não pertencem à sua coletividade. Naespécie humana, porém, as manifestações de agressividade são inseparáveis da vidacoletiva. Mesmo quando se trata da reação de um indivíduo contra outro, aagressividade é influenciada, de muitos modos, pelo contexto social. O surgimento deuma existência propriamente social não foi a única causa das novas dimensões queassumiu o fenômeno da agressividade: a frustação e a inadaptação resultantes da reaçãoagressiva constituem o fato mais importante nas relações humanas.
  20. 20. 20Aron é defensor da tese de que a frustação é uma experiência psíquica, revelada pelaconsciência. Todos os indivíduos sentem frustações desde a infância. A frustação éantes de mais nada a experiência de uma privação, isto é, um bem desejado e nãoalcançado, uma opressão sentida penosamente. A cadeia de causalidade que leva àsemoções ou aos atos de agressividade se origina sempre em um fenômeno externo. Nãohá prova fisiológica que haja uma incitação espontânea à luta, originada no próprioorganismo do indivíduo. A agressão física e a vontade de destruir não constituem aúnica reação possível à frustração. A dificuldade em manter a paz está mais relacionadaà humanidade do homem do que à sua animalidade. O homem é o único ser capaz depreferir a revolta à humilhação, e a verdade à vida.Hannah Arendt (1970) discute, especialmente com Niezstche e Bergson, acerca do queela chama da justificação biológica da violência. Estes pensadores atribuem ao poderuma dimensão expansionista natural e uma necessidade interna de crescer. A açãoviolenta, neste contexto, é explicada como uma estratégia para conceder ao poder novovigor e estabilidade. Arendt contesta esta posição, afirmando que “nada poderia serteoricamente mais perigoso do que a tradição do pensamento organicista em assuntospolíticos, por meio da qual poder e violência são interpretados em termos biológicos”.Arendt sustenta que “nem a violência nem o poder são fenômenos naturais, isto é, umamanifestação do processo vital, eles pertencem ao âmbito político dos negócioshumanos, cuja qualidade essencialmente humana é garantida pela faculdade do homempara agir, a habilidade para começar algo novo”. Arendt descarta as metáforasorgânicas da violência como doença da sociedade. A desnaturalização do fenômeno daviolência em Hannah Arendt é sua recusa em associar o processo histórico com a lutapela sobrevivência e a morte violenta no reino animal e de abrir mão do significado dapolítica enquanto determinação do humano.Arendt reluta em associar violência com o poder ou com o Estado: O poder é de fato aessência de todo o governo, mas não a violência. Desta maneira, recusa toda tradiçãoanterior em equacionar o poder político com a organização dos meios de violência e oconsenso em aceitar que a violência é a mais flagrante manifestação de poder. Suaargumentação se processa no sentido de refutar afirmações como a de Wright Mills(Toda política é uma luta pelo poder, a forma básica de poder é a violência), de MaxWeber (O domínio do homem pelo homem baseados nos meios de violência legítima)ou de Bertrand de Jouvenel (Para aquele que contempla o desenrolar das eras, a guerraapresenta-se como uma atividade que pertence à essência dos Estados).5. O imperativo do fim das guerrasTudo leva a crer que as guerras do Século XXI terão como fulcro a batalha por recursosnaturais que tendem a se esgotar. Nosso modelo de desenvolvimento está atingindo seuslimites. Se for considerado o exemplo da China, em 2003, ela consumiu 30% dopetróleo e apenas uma fração muito pequena da população vivia com base nos padrõesdos países desenvolvidos. O que vai acontecer nos próximos anos se a China mantiver asua taxa de crescimento para proporcionar aos seus 1,3 bilhão de pessoas viverem de
  21. 21. 21acordo com os padrões dos países desenvolvidos? Haverá um impacto gigantesco sobrea demanda de recursos naturais. Mesmo antes do esgotamento dos recursos naturais,haverá uma "guerra econômica" real, que poderà acontecer dentro de alguns anos.Amanhã, dado o esgotamento de certos recursos naturais, a posição de alguns paísespode mudar. A China, por exemplo, tem seguido, durante as últimas décadas, políticaseconômicas prudentes: o livre comércio, para vender produtos para o mercado mundial,comprando títulos do Tesouro dos Estados Unidos para compensar o déficit na balançacomercial deste país. Mas num futuro próximo, haverá um conflito econômicogeneralizado se não forem tomadas medidas ao nível internacional para evitar essa"guerra econômica". Assim, tendo em conta a escassez de recursos que deverá ocorrer,é, certamente, para a batalha pelos recursos que o mundo estará indo e não para umaguerra de civilizações como sugere Samuel Huntington em seu livro O Choque deCivilizações que estamos a assistir. Se o diálogo internacional a estabelecer tem umameta comum com base nos valores da todas as civilizações será, certamente, para abatalha pelos recursos que o mundo estará indo.Segundo Bernard Nadoulek (Eyrolles, 2005), apesar do ressurgimento de aspectosextremistas não acontecerá o choque de civilizações. Apesar de ser real os protestosfundamentalistas de todos os lados e os atos terroristas reivindicados em nome dareligião, o choque de civilizações irá falhar. E isto por três razões. A primeira razão,porque as diferenças culturais não têm sido as causas das guerras. Nadoulek reconhece,no entanto, que a natureza mais civilizada da nossa própria cultura tem sidofrequentemente utilizada como um discurso para justificar um ato de agressão vis-à-visum país em outra cultura. A segunda razão resulta do fato de as guerras apresentaremuma identidade étnica, religiosa ou ocorrerem mais freqüentemente entre os membrosde uma civilização, ou entre pessoas que vivem em situações de proximidade.Finalmente, a terceira razão, mais importante, concerne especificamente à identidade.Não é o estrangeiro, que vive longe, que se deseja ocasionalmente matá-lo e sim ovizinho próximo, o seu vizinho. Segundo Bernard Nadoulek, o confronto atual entre osEstados Unidos e o mundo muçulmano também é considerado como "guerra entre osmesmos."O que começa a haver é a crise da civilização e não o choque de civilizações. Naverdade, o verdadeiro problema diz respeito a nosso modelo de desenvolvimentoindustrial que causa poluição e mudanças climáticas, além de contribuir para que osrecursos naturais, que ainda são relativamente elevados, sejam rapidamente esgotados.O petróleo, a água e a terra estão no centro de conflitos em todo o mundo. Guerras pelopetróleo, guerras pela água, guerras por terras, guerras atmosféricas. Onde há petróleohá conflitos. Não importa em que medida a aparência de uma guerra de culturas apareçavinculada às invasões do Afeganistão, Iraque e Líbia (e a ameaça de uma açãosemelhante no Irã), porque a realidade era, e é, que se trata de guerras pelo petróleo.6. Em direção à Quarta Guerra Mundial?
  22. 22. 22Pascal Boniface, diretor do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS),autor de quarenta livros sobre questões geopolíticas, professor do Instituto de EstudosEuropeus da Universidade de Paris VIII e membro do Comitê Consultivo sobre oDesarmamento com o Secretário-Geral das Nações Unidas, afirma em seu livro Vers La4e. Guerre Mondiale (Armand Colin, 2009) que, após o fim da União Soviética, algunsdirigentes ocidentais queriam encontrar um substituto para a ameaça comunista epartiram rapidamente para substituí-la como um fator de unificação em curso no SulOcidental sob a liderança dos Estados Unidos. O discurso sobre o choque decivilizações veio dar sustentação à política externa dos Estados Unidos de guerra aoterror, especialmente após o ataque de 11 de setembro de 2001 que levou à queda doWorld Trade Center.Huntington explica em seu livro sobre o choque de civilizações, que o islamismo temfronteiras sangrentas e que as guerras que o islamismo desencadeou foram em maiornúmero e mais sangrentas do que as de outras civilizações. No entanto, não é necessárioter um conhecimento enciclopédico para destacar o fato de que nenhuma das duasGuerras Mundiais foi acionada pelo islamismo, nem os gulags soviéticos ou chineses, ogenocídio em Ruanda, para não mencionar os males da colonização.Segundo Pascal Boniface, há um paradoxo dizer que o conflito israelo-palestiniano é amatriz de um possível confronto de civilizações. Primeiro, porque Huntington não faladeste conflito em seu livro dedicando poucas linhas para dizer que os judeus não sãouma civilização e sim de que foram assimilados pela civilização ocidental. SegundoBoniface, este conflito é relativamente pequeno, inclusive em termos de destruiçãofísica e de mortes, quando comparado a outros conflitos contemporâneos, como aquelesque ocorrem na África ou na Chechênia.A grande diferença é que, no caso do conflito israelo-palestiniano, o que se critica omundo ocidental em geral e os Estados Unidos em particular, não é a indiferença, mas acumplicidade ativa com Israel. Sem a plena solidariedade dos americanos para comIsrael, não seria possível para esse país manter a ocupação militar dos territóriospalestinos, apesar de um número impressionante de resoluções da ONU exigindo suaretirada. Isto é visto como prova de duplo padrão. Este conflito tornou-se um símboloque vai muito além de sua localização geográfica e da atitude dos protagonistas. Acontinuação do conflito israelo-palestiniano é contrária, não só à estabilidade estratégicana região e no mundo, mas também ao interesse nacional dos Estados Unidos porqueprejudica suas relações com os países árabes.Para Boniface, existe um impasse triplo na forma como é conduzida a luta contra oterrorismo. São tratados os efeitos, mas não são atacadas as causas na raiz do problema.Isto não significa dizer que não haja necessidade de ter uma componente militar ejudicial na luta contra o terrorismo. Mesmo com a eliminação de Bin Laden nãoterminou com o terrorismo. O que é preciso é tratar as condições políticas que podemajudar um terrorista ter respaldo em uma fração da população. É necessáriocompreender suas razões e motivações. No caso de Israel, parece claro que o terrorismo
  23. 23. 23palestino era combatido de forma mais eficaz quando havia reais perspectivas de paz naregião e a cooperação entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat.Ao contrário da Guerra Fria, quando a União Soviética entrou em colapso porque nãoconseguiu acompanhar economicamente e tecnologicamente o Ocidente, não havia nadaparecido com a guerra contra o terrorismo. Proteção completa é impossível, porquelocais oficiais podem ser protegidos, mas há sempre, escolas, hospitais, teatros, que sãopossíveis alvos. Não é possível controlar todas as aeronaves, todos os trens, os metrôs.Os ataques de 11 de Setembro custaram 100 mil dólares para os seus organizadores queresultaram em um aumento de 150 bilhões de dólares em gastos militares dos Est5adosUnidos.Pascal Boniface afirma que, a ideia de uma Quarta Guerra Mundial está a serdesenvolvida pelos americanos neoconservadores que acreditam que a Guerra Fria foi aIII Guerra Mundial e que a guerra contra o Islã ou contra o terrorismo, eles usam ambasas palavras muitas vezes tão indiferentes, seria a quarta. Sua política é baseada noconfronto. Eles acreditam que os problemas políticos podem ser resolvidos unicamenteatravés do uso da força. A força militar é uma resposta universal. O problema é que apolítica atual dos Estados Unidos, alegando estar a refutar a tese do choque decivilizações simplesmente cria as condições de sua existência.A guerra contra o terrorismo é frequentemente apresentado como a Quarta GuerraMundial. Com efeito, em face deste desafio, o mundo ocidental é chamado, comoaconteceu durante a Terceira Guerra Mundial, a Guerra Fria, para formar um bloco, soba liderança dos Estados Unidos. Neste sentido, o conflito israelo-palestiniano, uma vezmarginal, tornou-se uma questão importante que vai além do âmbito regional. O futuroda segurança internacional está em jogo nessa área que se tornou o epicentro de umpotencial conflito de civilizações. No entanto, não é inevitável. Ainda há tempo, sehouver a adoção de uma política de boa vontade para interromper o círculo vicioso queameaça levar o mundo à ruína. É um imperativo evitar que este cenário descritoaconteça.7. Como eliminar as guerras em nosso planetaA situação atual do planeta é dramática. A humanidade se sente esmagada pelas grandespotências mundiais a serviço dos grupos monopolistas que comandam suas economias eque tudo fazem em defesa de seus interesses, desrespeitando leis, culturas, tradições ereligiões. Invasões em países periféricos, de forma aberta ou sub-reptícia, comargumentos pouco convincente s fazem parte do cotidiano das grandespotênc ia s na sua busca incessa nte pelo poder mundial mesmo que paraisso tenham que desrespeitar leis internas e tratados internacionais.Como construir um novo cenário de paz e cooperação entre as nações e os povos do mundo inteiro?Este é um desafio antigo e pensado por muitos filósofos como é o caso de ImmanuelKant ao abordareste tema em sua obra A paz perpétua. Em 1795, Kant lançou este opúsculo que tevegrande sucesso junto ao público culto da sua época. Era um projeto que visava
  24. 24. 24estabelecer uma paz perpétua entre os povos europeus, e depois espalhá-la pelo mundointeiro. Tratou-se de um manifesto iluminista a favor do entendimento permanente entreos homens. O objetivo principal de Kant era o de eliminar a guerra que sempre foi vistapor ele como algo que impedia os esforços da humanidade em direção a um futurodigno para os seres humanos. Como alcançar este objetivo?Kant propõe em A Paz Perpétua os fundamentos e os princípios necessários para umalivre federação de Estados juridicamente estabelecidos os quais não adotariam a formade um Estado mundial, pois isso resultaria em um absolutismo ilimitado. Também nãopode possuir um poder soberano que lhe permita interferir nos assuntos internos dosEstados livres. Deve ser uma federação de Estados livres em que todos possuemconstituições republicanas. O fim último desta federação seria o da promoção do bemsupremo, que é a verdadeira paz entre os Estados, acabando com o funesto guerrear,para o qual todos os Estados sempre voltaram seus esforços, como fim principal.Kant buscava acabar com o “estado da natureza internacional” que caracterizava asrelações internacionais até então. Cabe observar que o conceito “estado da natureza” foidefinido pelo filósofo Thomas Hobbes em sua obra Leviatã. Segundo Hobbes, no“estado de natureza”, reina a ausência do Direito, logo não há espaço para a justiça.Neste contexto, todos procuram defender seus direitos por meio da força. No “estado denatureza”, portanto, como concebera Hobbes, reina a guerra de todos contra todos. Oestado de natureza é, portanto, o estado da liberdade sem lei externa, isto é, ninguémpode estar obrigado a respeitar os direitos alheios tampouco pode estar seguro de que osoutros respeitarão os seus e muito menos pode estar protegido contra os atos deviolência dos demais.Na prática, mesmo após a Paz de Westfália assinado em 1648 que pôs um fim àdesastrosa Guerra dos Trinta Anos na Europa, as relações internacionais da época deKant não diferiam no fundamental das atuais. Hoje, como naquela época, estamosvivenciando o “estado da natureza internacional” com o recrudescimento da violênciapolítica internacional. Hannah Arendt afirma em sua obra Sobre a Violência, que aprática da violência como toda ação transforma o mundo, mas a transformação maisprovável é a de um mundo mais violento.A Paz Perpétua de Kant não foi colocada em prática porque o pressuposto para suaimplementação seria a superação das verdadeiras causas da violência política geradoradas guerras e revoluções que têm caracterizado a história da humanidade. Isto significadizer que haveria a necessidade de superar as principais causas da violência, no interiorde cada nação, com a eliminação das disparidades de riqueza entre “os de cima” e “osde baixo” na escala social e, no plano internacional, de um lado, com a eliminação dasdisparidades em termos de desenvolvimento econômico e social entre as nações ricas eas pobres e, de outro, da disputa entre as grandes potências pelo poder mundial.A conquista da paz perpétua só poderia acontecer se essas contradições fossemeliminadas. A humanidade tem que adquirir a consciência de que só será possíveleliminar a violência política que conduz à guerra de todos contra todos nos níveis
  25. 25. 25nacional e internacional desde que desapareçam as contradições acima descritas queainda prevalecem no mundo em que vivemos. No plano internacional, diferentementedo que ocorria no passado em que as grandes potências se confrontavam com outrospaíses, cujas diferenças, quando não eram solucionadas com a diplomacia, eramresolvidas no campo de batalha através de sucessivas guerras, na atualidade sedefrontam também com organizações terroristas independentes, como a Al Qaeda.O surgimento de organizações terroristas como a Al Qaeda faz com que seja colocadoem xeque o atual sistema interestatal resultante do pós-guerra em 1945. Esta situaçãofaz com que se torne um imperativo a criação de uma nova superestrutura jurídica epolítica internacional para tratar dessas novas questões. O fato de não haver uma novasuperestrutura jurídica e política internacional para tratar o terrorismo contemporâneonão justifica que o governo de um país como os Estados Unidos aja também fora da lei,isto é, do direito internacional em vigor para fazer justiça com suas próprias mãos comofazem os terroristas da Al Qaeda.Ressalte-se que o governo norte-americano teria todo o direito e a obrigação de caçar ecapturar Bin Laden, mas sem invadir outro país soberano como o Paquistão sem suapermissão e de assassiná-lo a sangue frio sem oferecer-lhe o direito de defesa. Este tipode procedimento é similar ao de alguém, que não acreditando na justiça de seu país,resolve fazer justiça com as próprias mãos. É admissível imaginar que, com o uso dainteligência e não da violência, seria possível alcançar Bin Laden. Uma das razões pelasquais os Estados Unidos estão perdendo seu poder de influência no mundo reside nofato de querer resolver os problemas internacionais com o uso da força.Pode-se perguntar como seria o uso da inteligência no caso Bin Laden? Neste caso, ogoverno dos Estados Unidos deveria buscar ganhar o apoio dos dirigentes dos governosda região e de sua população, agindo proativamente na promoção do desenvolvimentodesses países, além de provê-los de recursos tecnológicos para monitora e rastrear BinLaden e a Al Qaeda. A forma inteligente de atuação na região significaria ganhar oapoio dos governos locais e de sua população para isolar Bin Laden e a Al Qaeda. Nãohá dúvidas que o governo dos Estados Unidos teria prendido Bin Laden há mais tempose tivesse agido desta forma, isto é, com inteligência.De acordo com os mais elevados princípios da civilização, o governo dos EstadosUnidos deveria encaminhar Bin Laden para ser julgado pelo Tribunal Internacional deHaia, como aconteceu com o ex-presidente da Iugoslávia, Milosevic, acusado de crimede genocídio. Sem a adoção deste tipo de procedimento, estaremos colocando em xequeos mais elevados princípios que devem nortear a vida civilizada fazendo prevalecer o“estado da natureza internacional”, isto é, o da “guerra de todos contra todos”.Por que há guerras? Será a guerra consequencia de pressões sociais e econômicas queinfluenciam a vida dos seres humanos organizados em sociedade como diz Karl Marxou será consequência, apenas, de uma agressividade natural ao homem, instalada noâmago de algo que se convencionou chamar de “natureza humana”?.
  26. 26. 26Para alguns, a crueldade dos sistemas econômicos, as guerras, a dominação do homempelo homem não seriam mais do que o espelho das características mais fundamentais dohomem como espécie: os instintos selvagens, a agresividade como motor dodesenvolvimento, a preguiça e o comodismo como fatores de manutenção da dominaçãodos mais fracos pelos mais fortes. Mas se chegarmos à conclusão de que o homem não éo lobo do homem, de que o ser humano não mata e não subjuga os outros por simplesprazer ou por compulsão instintiva, o caminho estará aberto para a procura de outrasformas de sociedade que permitam aos seres humanos viverem de uma maneiradiferente daquilo que se verifica hoje em dia.A paz já foi definida como ausência da guerra. A fórmula de Clausewitz (a guerra comocontinuação da política por outros meios) é substituída na atualidade pela fórmulainversa: a política passa a ser a continuação da guerra por outros meios. Historicamente,a busca da paz entre as nações apresentou três características: o equilibrio, a hegemoniae o império. Isto significa dizer que as forças das nações poderão estar em equilibrio, ouserem dominadas por uma dentre elas, ou então são superadas a tal ponto pelas forças deuma unidade que todas as demais perdem sua autonomia e tendem a desaparecer comocentros de decisão política. Chega-se assim ao Estado imperial, que detem o monopólioda violência.Entre a paz da situação de equilibrio e a paz e da situação de império está a paz dahegemonia. A ausência da guerra não está relacionada com a igualdade aproximada deforças que reina nas unidades políticas, impedindo qualquer uma delas, e qualquercoalizão destas unidades de impor sua vontade. Pelo contrário, está vinculada àsuperioridade incontestável de uma das unidades. O Estado hegemônico não procuraabsorver as unidades reduzidas à impotência, não abusa da sua hegemonia, e respeita asformas externas de independência dos Estados. O Estado hegemônico não aspira asituação de império. A hegemonia é uma forma precária de equilibrio.É chegada a hora da humanidade se dotar o mais urgentemente possível de instrumentosnecessários a ter o controle de seu destino e colocar em prática um governo democráticodo mundo. Este é o único meio de sobrevivência da espécie humana. Porque não existenenhum outro meio capaz de construir um mundo no qual cada mulher, cada homem dehoje e de amanhã tenham os mesmos direitos e os mesmos deveres, e nos quais osinteresses do planeta, de todas as formas de vida e das gerações futuras, seriam enfimlevados em conta, no qual todas as fontes de crescimento seriam utilizadas de maneiraecologicamente e socialmente durável.Um governo mundial não substituiria os governos de cada nação. O governo mundialteria por objetivo a defesa dos interesses gerais do planeta que podem entrar emcontradição com os interesses de cada nação. Ele trabalharia no sentido de cada Estadorespeitar os direitos de cada cidadão do mundo buscando impedir a propagação dosriscos sistêmicos mundiais. Ele evitaria o império de um só e a anarquia de todos. Ogoverno mundial poderia surgir de uma guerra ou ser concebido para evitar seu retorno.
  27. 27. 27Ações para constituir uma governança mundial foi objeto do Concerto das Nações em1815, da Liga das Nações em 1920 e da Organização das Nações Unidas em 1945 queforam em vão porque o governo mundial não disporia de nenhum meio de tomardecisões nem de colocar em prática sanções contra aqueles que não o respeitem.Um governo mundial poderá resultar no futuro de desastres sistêmicos maiores taiscomo, crise ecológica extrema, crise econômica de grande amplitude, expansão de umaeconomia do crime organizado, a queda de um meteorito no planeta e o avanço domovimento terrorista que fariam os governos democráticos do mundo a juntar suasforças. A preservação da paz é a primeira missão de toda nova forma de governomundial.Amanhã, quem vai governar o mundo? Ninguém, provavelmente. E este é o piorcenário. Nenhum país por mais poderosos que seja não pode controlar a riqueza e osproblemas do planeta. Nenhum país quer um governo mundial. No entanto, as criseseconômica, financeira, ecológica, social, política e o desenvolvimento de atividadesilegais e criminosas de hoje mostram a urgência de um governo mundial. É precisoentender que o mercado mundial não pode funcionar adequadamente sem o Estado deDireito Internacional. O Estado de Direito Internacional não pode ser aplicado erespeitado sem a presença de um governo mundial que seja aceito por todos os países.Um governo mundial só terá legitimidade e será sustentável se for verdadeiramentedemocrático.A humanidade tem de entender que tem tudo a ganhar se unindo em torno de umgoverno democrático no mundo além dos interesses das nações, incluindo o maispoderoso, controlando o mundo em sua totalidade, no tempo e no espaço. A nova ordemmundial a ser edificada deve organizar não apenas as relações entre os homens na faceda Terra, mas também suas relações com a natureza. É preciso, portanto, que sejaelaborado um contrato social planetário que possibilite o desenvolvimento econômico esocial e o uso racional dos recursos da natureza em benefício de toda a humanidade. Aedificação de uma nova ordem mundial baseada nesses princípios é urgente. Umgoverno mundial existirá no futuro mesmo que aconteça após um desastre. É urgentepensar nisso, antes que seja tarde demais.BIBLIOGRAFIAARENDT, Hannah. On Violence. Harvest Book, 1970.ARON, Raymond. Paz e Guerra entre as nações. Editora Universidade de Brasília,1962._______________. The Opium Of The Intellectuals. Transaction Publishers, 2009.BERGSON, Henry. Les Deux Sources de la Morale et de la Religion. French &European Pubns, 1976.
  28. 28. 28BONIFACE, Pascal. Vers La 4e. Guerre Mondiale. Armand Colin, 2009.CLAUSEWITZ, Carl Von. Da Guerra- A Arte da Estratégia. Editora Tahyu.FARAH, Felipe Alexandre de Lima et alli. As principais guerras da história e suasconsequências. Disponível no website <http://gguerras.wordpress.com/.>.HOBSBAWM, Eric. A Era Dos Extremos. Companhia das Letras, 2008.HUNTINGTON, Samuel. O Choque de Civilizações. Objetiva, 1997.JÚNIOR, Roberto C. P. Conflitos bélicos. Disponível no website<http://www.library.com.br/Filosofia/conflito.htm>.KANT,Immanuel.A Paz Perpétua. Pocket Plus, 1979.KEEGAN, John. Uma História da Guerra. Companhia de Bolso, 2006.MOKHIBER, Russel. Crimes Corporativos. Editora Scritta, 1988.NADOULEK, Bernard. L´Épopée des Civilisations. Eyrolles, 2005.TUSICISNY, Andrej. Civilizational Conflict: More Frequent, Longer, and Bloodier?.Journal of Peace Research, vol. 41, no. 4, 2004.WIKIPEDIA. Guerra dos Sete Anos. Disponível no website<http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Sete_Anos>.___________. Guerra da Independência dos Estados Unidos. Disponível no website<http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Independ%C3%AAncia_dos_Estados_Unidos>.___________. Revolução Francesa. Disponível no website<http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Francesa>).____________. Primeira Guerra do Ópio. Disponível no website<http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Guerra_do_%C3%93pio>.____________. Segunda Guerra do Ópio. Disponível no website<http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_do_%C3%93pio>.____________. Guerra russo-japonesa. Disponível no website<http://guerras.brasilescola.com/seculo-xx/guerra-russojaponesa.htm>.
  29. 29. 29iFernando Alcoforado, 73, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regionalpela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico,planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor doslivros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordemMundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000),Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade deBarcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento(Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e ObjetivosEstratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of theEconomic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. MüllerAktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e CatástrofePlanetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil ecombate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) eOs Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entreoutros.S

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