A Renúncia do Papa Bento XVI – “UM                  TROVÃO EM CÉU SERENO”                       "Portae inferi non praeval...
Noção Histórica                    São Ponciano, Mártir – 18º Papa                    F      oi Papa de 21 de Julho de 230...
Alexandria, João II e Agapito I.      Eleito no dia primeiro de junho de 536, papa Silvério foi o sucessor do papa Agapito...
embora contra isto se levantem em protesto a consciência, o bom senso e a moral cristã. Por toda a partevemos novamente es...
Bento IX (Teofilato)– “Desgraça para a SéPetrina”      D         e todos os citados até agora, que renunciaram, Bento IX c...
São Celestino V, ou São Pedro Celestino                                           A        pesar de toda a imoralidade pes...
Por uma graça divina foi conhecedor do dia da sua morte, que predisse com toda exatidão. Tendorecebido os Santos Sacrament...
reagiram firmemente à ameaça. Gregório XII então cedeu aos apelos da família. A opinião publica na épocaficou horrorizada ...
Concílio de Pisa, em detrimento de Ladislau. Assim, na primavera de 1410, Alexandre V pôde entrar emRoma aclamado pelo pov...
concilio. Dai em diante não haveria mais contestações quanto à legitimidade do Concílio de Constança.       No dia 4 de ju...
Entre suas numerosas publicações, destacam-se: “Introdução ao                                     Cristianismo”, que trata...
ecumênicas, que pendiam para a unificação de idéias em filosofias diversificadas, inconciliáveis à doutrinada Igreja, além...
A Renúncia      Q        uando eleito Bento XVI dissera que o seu pontificado seria curto. Um mandato de transição até    ...
arriscar esta hipótese. No seu livro Luz do mundo (p. 48-49), o Santo Padre já previa esta possibilidade darenúncia. Duran...
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O Conclave      F       alando sobre o Sacro              Colégio Cardinalício,              mergulhando um poucona histór...
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Renúncia de bento xvi

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Saiba tudo sobre a renúncia de um papa. Compreenda como funciona um Conclave e qual a história dos papas que renunciaram.

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Renúncia de bento xvi

  1. 1. A Renúncia do Papa Bento XVI – “UM TROVÃO EM CÉU SERENO” "Portae inferi non praevalebunt!" (Mt 16, 18). *Reservamo-nos o direito de fazer alterações e correções. Introdução T risteza, fé e alegria se misturam com o espanto nos corações católicos mundo afora com a declaração surpreendentede Sua Santidade e sempre Papa Bento XVI, a partirdo dia 28, Papa Emérito, ou Bispo Emérito deRoma. É de fato uma atitude um tanto espantosa estarenúncia de Bento XVI, embora prelúdios delapossam ser encontrados em todo seu pontificado acomeçar pelo seu Primeiro Discurso. Todaviasabemos que, embora ele parecesse de certa formaesperar por isso, não era esta sua vontade. Se o fez,podemos estar certos de que fora por necessidade,por cumprir seu dever como Sucessor de Pedro.Mas esta ocasião é extremamente anormal e que noscoloca num momento histórico ímpar. Segundo oPadre estadunidense Richard McBrien, teólogo eporque não dizer historiador por mérito, autor dolivro “Os Papas” (Editora Loyola) houveram naIgreja cerca de seis renúncias ao papado ao longo de2000 anos. O autor calcula que seis papasabdicaram, de fato, ao posto máximo docatolicismo- mas poderiam ter havido tambémdeposições e renúncias e algumas outrascomplicações administrativas no início da Igreja,quando ainda não se tinha um Direito bemestabelecido mas ao que nos consta, renúnciasefetivas foram seis. É importante lembrarmo-nos antes disso quemais do que uma mera questão jurídica, a eleição e a de certa forma também renúncia de um Papa tratam-seda ação direta do Espírito Santo na Igreja. É completamente errôneo dizer que é uma mera questão política.Obviamente que um Papa pode, no exercício de seu livre arbítrio, renunciar pelo motivo que lhe convir e oEspírito Santo elegerá um novo sucessor para ocupar a Sé de Pedro, mas tão óbvio quanto é que este não foio caso de Bento XVI. Mais à frente trataremos disso. Afinal não há pressão para sua renúncia (ninguémameaça destruir o Vaticano, ou matar todos os cardeais, ou matá-lo, ou algo do tipo); não há, ao menos atéonde se saiba, motivo de saúde (pois o divulgado é que Sua Santidade tem apenas artrite e algunsprobleminhas normais para um homem de sua idade)... Conhecendo, pois, o pensamento de Bento XVI e suacoerência moral durante toda sua vida, nada mais justo e racional, e isso pra não mencionar a obrigaçãocristã de não julgá-lo crer que ele abdica da Sé Petrina por crer ser o melhor para a Igreja. Assim, não cabe anós, embora seja uma pergunta natural, questionarmo-nos do porquê de sua abdicação, mas sim rezar por elee pela Igreja. Vamos, então, agora, a um breve histórico dos Papas que renunciaram.
  2. 2. Noção Histórica São Ponciano, Mártir – 18º Papa F oi Papa de 21 de Julho de 230 a 29 de Setembro de 235. Durante seu pontificado, o cisma de Hipólito chegou ao fim. Ponciano e outros líderes da igreja, entre eles Santo Hipólito, foram exilados pelo imperador Maximino Trácio para a Sardenha e percebeu que jamais seria solto para voltar ao Vaticano. À época, a ilha do Mediterrâneo era conhecida como a "ilha da morte".Impedido, pois, de exercer suas obrigações como Sucessor de Pedro, ele renunciou ao papado no dia 25 ou 28 de Setembro de 235. A data ainda é uma incógnita nos dias de hoje. É desconhecido quanto tempo ele viveu exilado, mas sabe-se que ele morreu de esgotamento, graças ao tratamento desumano nas minas da Sardenha, onde fora obrigado a trabalhar. De acordo com a tradição, morreu na ilha de Tavolara . A festa de seu martírio foi celebrada dia 19 de Novembro, mas atualmente é celebrada junto com a de Santo Hipólito, também mártir, em 13 de Agosto[1].São Silvério – 58º Papa *há discordância sobre a validade da renúncia, dado o caráter de martírio. S ilvério, filho do Papa Hormisdas... (Ops! Filho do Papa? O Papa, então, podia casar? Sim. Seu pai era casado (ou viúvo). Naquela época não vigorava a Lei do Celibato, que hoje é obrigatória e não será mais revigorada na Igreja latina. Falaremos do celibato em uma outra oportunidade, mas é importante o parênteses porque Papa com filho assusta!) Enfim... São Silvério fora Papa de 1 de Junho de 536 a 11 de Novembro de 537. É venerado como Santo pela Igreja Católica. O pontificado de São Silvério coincide com a ocupação da Itália pelos imperadores bizantinos. A nota característica do seu governo é a firmeza e intrepidez com que defendeu os direitos da igreja, contra a imperatriz Teodora. Eis o fato como os hagiógrafos o relatam. Silvério nasceu em Frosinone, na Campânia, Itália. Era filho do papa Hormisdas, que fora casado antes de entrar para o ministério da Igreja. Entretanto, ao contrário do que se encontra em alguns escritos, ele não foi sucessor do seu próprio pai. Antes de Silvério assumir, e depois do seu pai, outros ocuparam o trono de Pedro. Em períodos variados, não ultrapassando dois anos cada um, foram os papas: João I, Félix III, Bonifácio II, o antipapa Dióscoro da
  3. 3. Alexandria, João II e Agapito I. Eleito no dia primeiro de junho de 536, papa Silvério foi o sucessor do papa Agapito I, e o numerocinqüenta e oito da Igreja Católica. Embora fosse apenas subdiácono quando assumiu o trono de Pedro, elefoi um dos mais valentes defensores do cristianismo, pois enfrentou a imperatriz Teodora. O Papa Agapito, antecessor de Silvério, tinha deposto o bispo de Constantinopla, Antimo, por estehaver defendido a heresia eutiquiana. A imperatriz, fautora da mesma heresia, desejava ver Antino reabilitadona jurisdição episcopal, desejo que Agapito não quis atender e não atendeu. Morto este Papa, Virgílio,diácono romano, apresentou-se à imperatriz Teodora, prometendo-lhe a reabilitação de Antimo se apoiassesua candidatura ao pontificado. Teodora deu a Virgílio uma carta de apresentação a Belisário, generalbizantino, que se achava na Itália, recomendando-lhe apoiasse a eleição. Entretanto, por Obra do Espírito Santo, foi eleito Papa Silvério e como tal reconhecido. A este aimperatriz se dirigiu, exigindo a reabilitação dos bispos, por Agapito depostos, e a anulação das decisões doConcílio de Chalcedon, que tinha condenado a heresia de Eutiques. Nesse ofício arrogante Teodora ameaçouo Papa com a deposição, caso não lhe acedesse às exigências. A resposta de Silvério foi respeitosa, masnegativa. Com franqueza e firmeza apostólicas declarou à imperatriz que estaria pronto a sofrer prisão emorte, mas não cederia um ponto das constituições do Concílio. Teodora não se conformando com esta resposta, ordem deu a Belisário de afastar Silvério de Roma epôr Virgílio na cadeira de São Pedro. Para não cair no desagrado da imperatriz, Belisário prontificou-se aexecutar a ordem, mas desejava ter em mãos outros documentos, a pretexto dos quais pudesse procedercontra o Papa. Tirou-o do embaraço sua ímpia mulher Antonina. Esta lhe fez chegar às mãos uma cartafalsificada, que trazia as armas e assinatura de Silvério, carta em que o Papa se teria dirigido aos Godos,prometendo-lhes entregar Roma, se lhe viessem em auxílio. Belisário estava a par do que se passava, e bemsabia qual era a autoria da carta. Não obstante, para obsequiar a mulher, citou Silvério à sua presença,mostrou-lhe a carta, acusou-o de alta traição e, sem esperar pela defesa da vítima, ordenou que lhe tirassemas insígnias pontifícias e lhe pusessem um hábito de monge, e assim o mandou para o desterro. No mesmodia Virgílio assumiu as funções de Sumo Pontífice. A consternação e indignação dos católicos eram gerais. Só Silvério bendizia a graça de sofrer pelajustiça. O Bispo de Pátara, diocese que deu agasalho ao Papa desterrado, pôs-se a caminho deConstantinopla, com intuito de defender a causa de Silvério. Recebido pelo imperador Justiniano, fez-lhe aexposição clara das cousas ocorridas, e mostrou-lhe a injustiça feita ao representante de Cristo. Justinianoordenou que Silvério fosse imediatamente levado a Roma, e que a permanência na metrópole lhe fossevedada só no caso de se provar o crime de alta traição. Belisário e o antipapa Virgílio souberamimpossibilitar a volta de Silvério para Roma. Apoderaram-se dele e transportaram-no para a ilha Palmaria. Láo sujeitaram a um tratamento indigno e sobremodo humilhante. Silvério, porém, ficou firme na justaresistência à tirania e usurpação. Longe de reconhecer a autoridade de Virgílio, excomungou-o e deu doexílio sábias leis à igreja. Nunca se lhe ouviu uma palavra sequer de queixa contra os planos e desígnios deDeus. Ao contrário, no meio dos sofrimentos e provações, louvava e enaltecia a sabedoria e bondade daDivina Providência. Três anos passou Silvério no desterro. Liberato, historiador contemporâneo de Silvério, diz que oSanto Papa morreu de fome. É considerado mártir da Igreja. Reflexões: Em São Silvério temos um modelo de perfeito cumpridor dos deveres, que não se deixa demover docaminho da obrigação, embora lhe acarrete isso os maiores dissabores, sofrimentos, perseguição e a própriamorte. São Silvério resistiu firme às injustiças e criminosas insinuações da imperatriz, sabendo que esseprocedimento provocaria as iras da monarca, como de fato as provocou. Não é uma imperatriz tirânica, contra cujas exigências devemos defender os nossos princípios cristãose católicos. O respeito humano é um tirano, a que muitos covardemente se curvam, pondo de lado asobrigações e graves responsabilidades. Superiores há que não se animam a repreender os súditos, comfundado receio de atrair sobre si a justa censura das suas próprias faltas. Súditos há que, para não cair nodesagrado dos amos, obedecem às ordens dos mesmos, embora com isso sejam obrigados a praticar grandesinjustiças. Patrões fazem-se cúmplices dos vícios dos empregados não se achando com coragem de chamá-los à ordem, com medo destes deixarem o emprego ou fazerem mal o serviço. Para não aborrecer os filhos,pais há que lhes concedem toda a liberdade não havendo dúvida que assim concorrem para a infelicidadeeterna deles. Às exigências as mais absurdas e escandalosas da moda cede-se com maior naturalidade
  4. 4. embora contra isto se levantem em protesto a consciência, o bom senso e a moral cristã. Por toda a partevemos novamente essas transigências fáceis, indignas sob todos os pontos de vista, reprováveis, à custa davirtude e do caráter. Sejamos observados do precioso conselho que São João nos dá nas seguintes palavras:“Filhinhos não ameis ao mundo, nem ao que há no mundo. Se alguém ama ao mundo, não há nele o amor doPai. Porque tudo que há no mundo, é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, aqual não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa e também sua concupiscência”. (I. Jo. 2, 1517). Venerável João XVIII *há dúvidas quanto à validade de sua renúncia. D urante o pontificado de João XVIII, os Crescentii deram mole e Gregório Tusculano – chefe da tenebrosa família Teoficalto – assumiuo poder temporal da cidade. Nos bastidores, se tramava umretorno aos tempos negros de Marózia Teofilacto. Gregório apoiou o papa João XVIII, mas tencionavacolocar no trono de Pedro um de seus filhos – não o fez porserem ainda crianças. Dessa vez, o Espírito Santo deu à SantaIgreja um grande Papa. João XVIII foi um grande realizador etrouxe a paz em vários territórios sobre influência da IgrejaCatólica. Era um lutador, e insistiu para espalhar ocristianismo nos lugares onde o paganismo ainda era umarealidade viva. Canonizou santos mártires poloneses e insistiuno trabalho iniciado por João XVII. Velho e cansado, abdicou do trono e foi viver seusúltimos dias como monge na Basílica de São Paulo Fora-dos-Muros, servindo aos mais humildes. Durante seu pontificado acristandade uniu-se como a muito não se via. Embora essasituação tenha esboroado com a morte de João Crescêncio,que era simpático aos bizantinos. Papa de 1004 a 1009. Fora sucessor de João XVII, o qual temporariamenteconseguiu promover a união das igrejas grega e latina. Foi eleitoPapa no natal de 1003 e abdicou ao papado em junho de 1009. Foi filho de um presbítero romano de nomeLeão, e antes de sua elevação ao papado, seu nome era Phasianus. Tal elevação foi, também, devida àinfluência de Crescentius. Também, obviamente, porque não podemos nos esquecer que não importa a formada eleição do Papa, esta é sempre escolha do Espírito Santo. Seu curto pontificado foi importante para definirnormas e detalhes administrativos da Igreja na época. Ele confirmou as posses e privilégios de diversasigrejas locais e conventos, sancionou diferentes tributos para instituições religiosas, conferiu privilégioseclesiásticos no re-estabelecida Sé de Merseburg; deu seu consentimento para o Sínodo Romano de Junho,1007, para o estabelecimento da Sé de Bamberg, fundada e endossada pelo rei germânico, Henrique II; econferiu o palio ao Arcebispo Meingaudus de Trier e Elphège de Canterbury. João XVIII energicamenteopôs-se às pretensões do Arcebispo de Sens Letericus e Fulco, bispo de Orléans, que se recusou a permitirque o Abade de Fleury, Goslin, fizesse uso dos privilégios concedidos a ele por Roma, e tentou fazê-loqueimar as cartas papais. O papa queixou-se dele para o imperador, e ligou para os bispos a seu tribunal sobameaça de censuras eclesiásticas para todo o reino. Em Constantinopla, ele foi reconhecido como Bispo deRoma. Seu epitáfio diz que subjugou os gregos e cisma desalojado. Seu nome aparece nos dípticos da Igrejabizantina. De acordo com um catálogo de papas, ele morreu como um monge em Roma, perto de São Paulo,em junho, 1009.
  5. 5. Bento IX (Teofilato)– “Desgraça para a SéPetrina” D e todos os citados até agora, que renunciaram, Bento IX constitui um caso a parte e serve de deleite aos inimigos da Igreja e pilar para nós, católicos, de que a Igreja é guiada pelo Espírito Santo. Bento nasceu em Roma com o nome Theophylactus, filho de Alberico III,conde de Túsculo e sobrinho dos papas Bento VIII (1012–1024) e João XIX(1024–1032). O seu pai obteve o lugar papal para si, o qual alcançou emOutubro de 1032. De acordo com a Enciclopédia Católica e outras fontes, Bento IX tinhaentre 18 e 20 anos quando se tornou pontífice, apesar de algumas fontessugerirem 11 ou 12. Teve de acordo com os registos uma vida extremamentedissoluta, não tendo alegadamente qualificações suficientes para o papado quenão fossem as ligações com uma família socialmente poderosa, apesar de emtermos de teologia e atividades comuons na Igreja ser inteiramente ortodoxo.São Pedro Damião descreveu-o como "regozijando-se em imoralidade" e "um demónio do infernodissimulado de sacerdote" no Liber Gomorrhianus. A Enciclopédia Católica chama-o desgraça na Cadeira dePedro. Foi igualmente acusado pelo bispo Benno de Piacenza de "múltiplos e vis adultérios e assassinatos". OPapa Vítor III, no seu terceiro livro de Diálogos, referiu-se às "suas violações, assassinatos e outros atosindizíveis. A sua vida como papa é tão vil, tão abominável, tão execrável, que eu me arrepio de nela pensar". Foi brevemente forçado a sair de Roma em 1036, porém retornou com o apoio do imperador ConradoII. Em Setembro de 1044, a oposição forçou-o a abandonar a cidade de novo e elegeu João, bispo deSabina, como papa Silvestre III. As forças de Bento IX regressaram em Abril de 1045 e expulsaram o seurival, o qual no entanto manteve a sua pretensão ao papado durante anos. Em Maio de 1045, num acto que se pensa estar relacionado com indisposição causada por álcool,Bento IX resigna ao seu posto em troca do matrimônio, vendendo o seu lugar ao seu padrinho, o sacerdotepio João Gratian, o qual se nomeou Gregório VI. Bento IX depressa se arrependeu da sua resignação e regressou a Roma, tomando a cidade emantendo-se no trono até Julho de 1046, apesar de Gregório VI continuar a ser reconhecido como verdadeiropapa. Na altura, Silvestre III reafirmou a sua reivindicação. O rei germânico Henrique III (1039-1056) interveio, e no Conselho de Sutri em Dezembro de 1046,Bento IX e Silvestre III foram declarados depostos, enquanto Gregório VI era encorajado a resignar o quefez. O bispo germânico Suidger foi coroado papa Clemente II. Bento IX não foi nem ao conselho nem aceitou a sua deposição. Quando Clemente II morreu emOutubro de 1047, Bento apoderou-se do Palácio de Latrão em Novembro de 1047, tendo sido afugentado portropas germânicas em Julho de 1048. De forma a preencher o vacuum político, o bispo Poppo de Brixen foieleito como papa Dâmaso II, tendo sido reconhecido universalmente como tal. Bento IX recusou-se aaparecer em encargos de simonia em 1049 e foi excomungado. O destino de Bento IX é obscuro. No entanto, parece provável que tenha abandonado as suaspretensões. O papa Leão IX (1049–1054) poderá ter levantado a banição que sobre ele pendia. Bento IX foisepultado na abadia de Grottaferrata, onde faleceu em 1085 ou possivelmente mais tarde. Bento é reconhecido geralmente como tendo tido três mandatos como papa: o primeiro, que vai desde a sua eleição até à sua expulsão a favor de Silvestre III (Outubro de 1032 -Setembro de 1044) o segundo, desde o seu regresso até à venda do papado a Gregório VI (Abril - Maio de 1045) o terceiro, desde o seu regresso após a morte de Clemente II ao advento de Dâmaso II (Novembro de1047 - Julho de 1048)
  6. 6. São Celestino V, ou São Pedro Celestino A pesar de toda a imoralidade pessoal, historiadores sérios de toda fé concorda que Bento IX, assim como todos os outros Papas, anteriores e posteriores, jamais tomou uma decisão errada em termos de Fé e Moral, sustentando o Dogma da Infalibilidade Papal, ainda que tivesse tomado diversas decisões erradas na práxis e na vida pessoal. Pedro Celestino, eremita, fundador e Papa, nasceu em 1221 em Isenia, na província de Apulia. Tendo apenas seis anos de idade, disse à mãe: “Mamãe, quero ser um bom servo de Deus”. Fielmente cumpriu esta palavra, como se fosse uma promessa feita ao Altíssimo. Apenas tinha terminado os estudos, quando se retirou para um ermo, onde viveu dez anos. Decorrido este tempo, ordenou-se em Roma e entrou na Ordem Beneditina. Com licença do Abade, abandonou depois o convento, paracontinuar a vida de eremita. Como tal, teve o nome de Pedro de Morone, nome tirado do morro de Morone,ao sopé do qual erigira a cela em que morava. O tempo que passou naquele ermo, foi umaépoca de grandes lutas, tentações e provações. Asperseguições que sofreu do espírito maligno, foram tãopertinazes, que por longos meses deixou de celebrar aSanta Missa, e chegou quase a abandonar a cela. A paze tranqüilidade voltaram, depois de Pedro terconfessado o estado de sua consciência a um sábiosacerdote. Em 1251, fundou, com mais dois companheiros,um pequeno convento, perto do morro Majela. Avirtude dos monges animou outros a seguir-lhes oexemplo. O número dos religiosos, sob a direção dePedro, cresceu de mês em mês, tanto, que o superior,por uma inspiração divina, deu uma regra à novaordem, chamada dos Celestinos. Esta Ordem,reconhecida e aprovada por Leão IX, estendeu-seadmiravelmente, e ainda em vida do fundador contava36 conventos. Com a morte de Nicolau V, em 1292, ficou a Igreja sem Chefe. Dois anos durou o conclave, sem que os cardeais pudessem reunir os seus votos a um único candidato. Afinal, aos 5 de julho de 1294, contra todas as expectativas, e unicamente à insistência e pressão de Carlos II, rei de Nápolis, saiu eleito Pedro Morone, que fixava residência primeiro em Aquila, e depois em Nápolis. Ao piedoso e santo eremita faltavam por completo as qualidades indispensáveis para governar a Igreja, ainda mais num período tão crítico e difícil. Os Cardeais breve perceberam o erro, quando viram que o eleito, em vez de ouvir os seus conselhos, preferia seguir os do rei e de alguns monges excêntricos, ficando com isto seriamente prejudicados altos interesses da Igreja. O Pontífice por sua vez, reconheceu que estava deslocado, e deu-se pressa em abdicar (13-12- 1294). Bonifácio VIII, seu sábio e zeloso sucessor, empregou todos os esforços para pôr cobro às opressões da Igreja pelo poder civil, no que se viu logo hostilizado por muitos Cardeais, que chegaram a declarar não justificada, e sem efeito a abdicação de Celestino, e ilegal a eleição de Bonifácio. Para afastar o perigo de um cisma, este mandoufechar Celestino, até a morte, no castelo Fumone, cercando-o embora de todo o respeito. Pedro de boa vontade se sujeitou a esta medida coercitiva e passou dez meses, por assim dizer, naprisão.
  7. 7. Por uma graça divina foi conhecedor do dia da sua morte, que predisse com toda exatidão. Tendorecebido os Santos Sacramentos, esperou a morte, deitado no chão. As últimas palavras que disse foram asdo Salmo 150: “Todos os espíritos louvem ao Senhor”. Já em 1313 foi honrado com o título de Santo, pela canonização feita por Clemente V. A Ordem dos Celestinos estendeu-se rapidamente pela Itália, França, Alemanha e Holanda. Estimadapelos príncipes, teve em todos os países uma bela florescência, até à grande catástrofe religiosa na Alemanhae a Revolução Francesa. Na Itália existem ainda poucos conventos da fundação de Pedro Celestino. REFLEXÕES Houve um tempo na vida de São Pedro celestino em que, assustado por terríveis tentações eescrúpulos, o Santo não mais ousou celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Entre as pessoas que se aproximamda Mesa Eucarística, há duas categorias: uma representada pelos tímidos e outra pelos audaciosos. Ostímidos receiam acercar-se da Santa Comunhão, julgando-se indignos desta grande graça. Os audaciosos,pelo contrário, não se preocupam com esta eventualidade. Fazem preparação rápida, rotineira e sem atençãoalguma. Se estes pecam por excesso de uma falsa familiaridade com Deus, os outros não são menos dignosde censura. A recepção freqüente da SantaComunhão, longe de fazer arrefecer naalma o fervor e a piedade, deve produzir-lhe um amor cada vez mais ardente aNosso Senhor, e despertar-lhe o desejo detornar-se-lhe mais agradável, por umavida santa. Quem pratica a comunhãoquotidiana com outras intenções, que nãoseja este desejo firme e a resolução dedesapegar-se cada vez mais dos pecados edefeitos, não faz dela o uso que Deusquer, e melhor seria que desistisse de umaprática de que nenhum proveito podeauferir, e por cima ainda provocará a justacensura de outros, que não compreendemcomo possa ser compatível a recepção daSagrada Comunhão cada dia, com aexistência e permanência de defeitos, queexigem do próximo muita paciência paraos aturar. Os outros devem lembrar-se de queninguém é, nem pode ser digno de receber Nosso Senhor no coração. Não foi pela indignidade nossa queJesus Cristo se decidiu a instituir este grande Sacramento. Como entrou nas casas de pecadores e com elescomia à mesa, assim nos visita na Santa Comunhão, com o fim de ser o alimento da nossa alma e deproporcionar-lhe as graças de que necessita, para sua santificação. Gregório XII - O Grande Cisma do Ocidente:O Papa e os dois anti-papas D ecidido a resolver o problema do chamado Grande Cisma do Ocidente encarou-o de forma sincera, declarando inclusive a ideiade abdicar a Cátedra de São Pedro, se isso resultasse empaz definitiva. Declarou-se pronto a imitar a mãe que, empresença do rei Salomão, preferiu entregar o próprio filhoem mãos estrangeiras a vê-lo morrer. Gregório XIIconquistou o coração do clero internacional e de diversossoberanos, colocando o antipapa contra a parede. Este, sempoder se esquivar de tal vontade, aceitou encontrar-se comGregório na cidade italiana de Savona. A ideia de abdicar resultou em uma rápida reação dos familiares de Correr, muitos deles já entãoinstalados em diversos postos de comando da administração da Igreja. Beneficiados pelo nepotismo,
  8. 8. reagiram firmemente à ameaça. Gregório XII então cedeu aos apelos da família. A opinião publica na épocaficou horrorizada com a atitude dos parentes do Papa, insultando-os inclusive com cartas "a Satanás",endereçadas ao Arcebispo de Ragusa. Apesar do insucesso, Bento XIII se viu sob assédio em Avignon do reifrancês. Consegue fugir para Aragão em 1408, e, emitindo uma bula, convoca um concílio para Perpignan.Em Paris, o rei decidiu então concorrer com ambos os Papas e decretou um outro Concilio, reunindo oscardeais dos dois líderes católicos, a Pisa em marco de 1409. A convocação se deu por meio de sete cardeaisrebelados de Gregório XII porque este havia nomeado dois sobrinhos como cardeais. Unindo-se aos rebeldesum grupo de cardeais de Avignon, reunidos em Livorno. A ideia era reunir os dois Papas e - fosse o caso -força-los a renunciar ou então depô-los. Gregório XII reage com firmeza aos rebeldes, e após uma primeiratentativa de aproximação e perdão, anunciando um novo Concílio em uma cidade do Veneto para esclareceros fatos. Não obtendo sucesso,acabou por nomear dez novos cardeais e excomungou os rebeldes. Dado areação da opinião publica romana, decide partir para uma região mais segura aos seus interesses, se mudandopara Rimini em 1409. Estava formada uma enorme confusão no seio da Igreja. Com tais acontecimentos, o primeiroConcílio, em Perpignan (anunciado por Bento XIII) começou de fato, com a presença de 120 prelados ediversos soberanos que estavam tomando partido de um ou de outro. O rei Roberto do Palatinado Renanoapoiava Gregório, porque via no Concílio de Pisa a influência poderosa do Rei da França. Ladislau I deNápoles, como titular de "defensor da Igreja de Roma", também se apoderou da cidade deixada pelo Papa eanunciou ser contra o Concílio desejado pelo rei francês. Nesse clima de tamanha confusão iniciou-se o Concílio de Pisa em 25 de março de 1409, com apresença de 10 cardeais fiéis a Bento XIII, 14 cardeais fiéis a Gregório XII, 4 patriarcas, 80 bispos, 27abades e diversos doutores de Teologia e Direito Canónico, além de vários prelados que abandonaramPerpignan. Como presidente do Concílio foi nomeado o cardeal de Poitiers, Guy de Maillesec. No primeiro dia foram chamados os dois Papas, esperados até o dia 30 de março e como não seapresentaram, foram declarados ausentes. Gregório XII foi defendido pelo rei alemão Roberto do PalatinadoRenano, declarando ser ilegítimo um Concílio não anunciado pelo Papa e que qualquer ação em matéria derenuncia do Papa seria portanto ilegal. Ignorado, o Concílio se declarou ecuménico e reuniu definitivamenteos presentes que recusaram a obediência tanto a Gregório como a Bento. A 5 de junho, o Patriarca de Alexandria leu a sentença que decretava Pedro de Luna (Bento XIII) eGregório XII retirados do cargo de líderes da Igreja Romana como cismáticos, considerando a sede vacante.Dez dias depois, os 24 cardeais entraram em conclave e elegeram, por unanimidade, como novo Papa, oBispo de Milão, Pietro Filargo, que foi consagrado na Catedral de Pisa, em 7 de julho, assumindo o nome deAlexandre V. Com intenção de prosseguir os trabalhos para afrontar os problemas imensos da Igreja, não tevesucesso. Os prelados estavam esgotados de discussões. Concluiram-se os trabalhos e anunciou-se um novoconcílio específico para 1412. O caos na Igreja não diminuiu com a conclusão do Conclave de Pisa. Ao contrário, aumentou.Teólogos e doutores de Direito Canónico já diziam que tal Concílio era uma farsa, sem fundamento jurídico.Para piorar a situação, havia três papas no comando a Igreja: Gregório XII, que representava a Itália,Alemanha e o norte da Europa; Bento XIII, que representava a Escócia, Espanha Sardenha, Córsega e parteda França; e Alexandre V, com a maior parte das Ordens Religiosas decididas a fazer uma inteira reforma naIgreja). Gregório XII não ficou todo esse tempo como espectador dos fatos. Conforme prometera, iniciou ostrabalhos no seu Concílio, na cidade de Cividale del Friuli (perto de Aquileia) e, no dia 22 de Julho, declaroucomo legítimos apenas os pontífices sediados em Roma - de Urbano VI até ele próprio. Todos os demaisforam declarados antipapas - de Clemente VII até Bento XIII e, é claro, Alexandre V. Deixou claro queestava ainda disposto a abdicar ao trono de Pedro, desde que os outros dois postulantes fizessem o mesmo eque todas as correntes do pensamento da Igreja se reunissem em um único colégio no qual fosse eleito umnovo Papa, com aprovação de ao menos dois terços dos cardeais das três correntes. Procurou apoio dos reisRoberto da Germânia, Ladislau de Nápoles) e Segismundo da Hungria, para que implementassem um planode paz permanente, segundo a sua própria ideia. Entretanto mais um problema explodiu nas mãos deGregório. A Sereníssima República de Veneza, juntamente com os Patriarcas de Aquileia e de Veneza,proclamou-se obediente a Alexandre V e tentou prender Gregório XII. Este conseguiu fugir disfarçado,enquanto seu funcionário - usando as roupas de Gregório - foi feito prisioneiro. Conseguiu chegar a Gaetasob proteção de Ladislau, rei de Nápoles. Roma, nesse meio tempo, era controlada por Luís dAnjou, reconhecido como rei de Nápoles pelo
  9. 9. Concílio de Pisa, em detrimento de Ladislau. Assim, na primavera de 1410, Alexandre V pôde entrar emRoma aclamado pelo povo da cidade como o verdadeiro Pontífice Romano. Breve, porém, foi suapermanência. Aqueles que comandavam de fato o Concílio de Pisa, liderados pelo cardeal napolitanoBaldassarre Cossa, responsável pela região de Bolonha, já tramavam a substituição de Alexandre. Chamado aBolonha, Alexandre V morre no dia 5 de maio, provavelmente envenenado pelo próprio cardeal Cossa, querapidamente reuniu um novo conclave e, no dia 25 do mesmo mês, nomeou a si mesmo Papa, com o nome deJoão XXIII - nome depois cancelado, só reaparecendo no século XX - e já no ano seguinte tomou posse dacátedra romana. Gregório XII já não imaginava mais poder voltar a Roma. Para seu azar, Roberto da Germânia morreulogo depois da coroação do antipapa João XXIII, e Ladislau, receoso de Luís dAnjou, tratou com o ex-cardeal Cossa para tê-lo ao seu lado contra Luís. Com isso, Ladislau retirou seu apoio a Gregório VII epassou a apoiar João XXIII, eleito segundo ele "por inspiração divina". Em Roma, o antipapa João XXIII prosseguia com seus projetos de transformar o Vaticano em umafortaleza. Construiu a famosa passagem elevada que liga o Vaticano ao Castelo de Santo Ângelo, hojeconhecida como Passetto, provavelmente restaurada pelo Papa Alexandre VI. Mas para sua surpresa,chegavam da Alemanha notícias sobre um novo pretendente à coroa do Sacro Império Romano Germânico:Segismundo, um dos príncipes alemães, que considerava a situação reinante - com três pontífices sendo quenenhum dos três tinha autoridade de fato - intolerável para a cristandade. Como consequência, Ladislaurompe com João XXIII, que foge para Florença, enquanto o rei de Nápoles saqueava Roma. Em 30 de outubro de 1413, Segismundo convoca todo o mundo religioso católico, incluindo príncipese soberanos, para um novo concílio ecumênico que seria aberto em [[Konstanz], no sul da Alemanha, nafronteira com a Suíça, em 1 de abril de 1414. Convidados também foram os três papas reinantes, com opropósito de resolver de vez a situação e acabar com o cisma religioso e com as novas heresias para afinalreformar Igreja como instituição. O antipapa João XXIII aceitou a proposta e assumiu a convocação, para"legalizar" o ato, anunciando-o como uma continuação do Concílio de Pisa. Gregório XII e Bento XIIIrecusaram-se a participar. João XXIII, contente com a reação dos outros dois papas, obteve de Sigismundo,Segismundo a garantia de proteção a sua vida e, no dia 28 de outubro de 1414, entrou triunfalmente nacidade onde seria realizado o concílio. Além dele, vieram representantes de toda a Europa cristã, em um totalde mais de 1800 eclesiásticos, teólogos, bispos, arcebispos, patriarcas e cardeais, bem como osrepresentantes dos reinos interessados. Presidiu ao Concílio João XXIII. Segismundo, coroado Imperador doSacro Império Romano-Germânico em Aachen no dia 8 de novembro, chegou na véspera do Natal. A maior inovação foi dividir o concílio em cinco regiões, as mais importantes para a Igreja: Itália,Germânia, França, Castela e Inglaterra, cada uma liderada por um bispo. Outra inovação foi o direito de votoa todos os presentes, laicos inclusive, em um novo conceito de democratização da Igreja. Com isso aautoridade era de todo o concilio e não apenas do Papa (ou de um deles…) sendo negado o direito divino desoberania papal. Foi um duro golpe contra o poder da Igreja Romana, colocando em jogo o futuro do papado. Apesar de tudo, Gregório XII enviou seu representante na pessoa de Giovanni Domici de Ragusa,anunciando que estava pronto a renunciar se os outros dois papas fizessem o mesmo. Pediu também que JoãoXXIII fosse retirado da presidência do Concílio. A assembleia do concilio aceitou a proposta de GregórioXII, e João XXIII recitou sua parte no "teatro": em 2 de março de 1415 foi o protagonista principal.Ajoelhou-se em frente ao altar e jurou ser seu único objetivo a paz na Igreja e o fim do Cisma. O ato,teatralmente perfeito, tem nos bastidores a sua razão de ser: já começavam a circular vozes difamadorascontra ele, que já não se sentia tão seguro do seu poder. Com a ajuda de Frederico, duque da Áustria, fugiu erefugiou-se na cidade de Sciaffusa, denunciando posteriormente as intrigas e os preconceitos do concílio,bem como a violação das prerrogativas papais. Para confirmar a regra, houve nova confusão, e somente com a inteligência de Segismundo e docardeal Pierre dAilly evitou-se a dissolução do concílio. Chegou-se a conclusão que os três papas deveriamrenunciar por livre vontade ou seriam forçados a isso - a começar por João XXIII, cujo destino fora seladopelo regente de Nuremberg, que o levara de Sciaffusa para uma cidade próxima ao local do concílio. No dia29 de maio, seu título de Papa foi retirado. Declarado culpado pela situação, o antipapa foi posto na prisão.Depois de implorar pelo perdão, João XXIII foi entregue por Segismundo conde do Palatinado Renano, queo manteve sob custódia. Continuou prisioneiro dos príncipes alemães até que o novo Papa, Martinho Vmandou soltá-lo, perdoou-o e o nomeou cardeal-bispo de Tuscolo, cidade onde morreu em 1420. Depois de João XXIII, foi a vez de Gregório XII, que se comportou com muita dignidade. Em 15 dejunho de 1416 encarregou seu amigo e protetor Carlo Malatesta de comunicar à assembleia que"espontaneamente" abdicava ao papado e, para oficializar o concilio (pois era ele o único Papa de fato),declarou-o aberto naquele dia através de seu representante, o Cardeal Dominici, e legitimou todos os atos do
  10. 10. concilio. Dai em diante não haveria mais contestações quanto à legitimidade do Concílio de Constança. No dia 4 de julho, Carlo Malatesta apresentou então a carta de renúncia de Gregório XII e, emreconhecimento pela dignidade mostrada pelo Papa, o concílio o convidou a assumir o bispado do Porto e arepresentação pontifícia da região italiana do Marche. Gregório XII então agradeceu a assembleia em umacarta que assinou com seu nome de batismo: "Angelo, Cardeal e Bispo". Morreu na cidade de Recanati em18 de outubro de 1417 e foi sepultado na catedral daquela cidade. Bento XVI, o Grande – Genial Teólogo e o Papa da Humildade C reio que o título de “o Grande” valha não só por toda sua obra, não só pelo seu magnífico papado e sua grandessíssima contribuição à Igreja,Corpo Místico de Cristo, mas também pela sua força ante àsperseguições que sofrera desde que fora eleito e às quaiscorajosamente resistiu e venceu, como também pela suahumildade sem tamanho na renúncia por amor à Noiva doCordeiro, sem manchas nem rugas. Durante toda sua vida sempre foi brilhante teólogo,continua, e continuará sendo após sua retirada da Sé Petrina,sendo autor de diversos livros, portador de diversos títulos dehonra, sendo o maior deles o de Sucessor de Pedro, o qualjamais perderá, mesmo após perder o poder. Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, nasceu em 16 de abril de 1927, cidade de Marktl, diocese de Passau – Alemanha. O pai era Comissário de Polícia e era originário de uma tradicional família de agricultores na Baixa Baviera. Passou sua adolescência em Traunstein e no ano de 1939, ingressou num seminário preparatório. Quatro anos mais tarde (1943), com 16 anos de idade, junto com os integrantes de sua classe, foi designadoa prestar serviços em baterias anti-aéreas por ocasião da Segunda Guerra Mundial. Prestou ainda treinamentobásico para a infantaria de Wehrmacht no mês de novembro de 1944. Por isso, em 1945, acabou sendo presopor tropas americanas, que imaginavam ser ele um soldado alemão, e por isto foi encaminhado a umacampamento para prisioneiros de guerra, mas acabousendo libertado no mês de junho de 1945. Foi quandoreingressou no seminário. Em 29 de junho de 1951 ele e seu irmão Georgforam ordenados sacerdotes. Iniciou aqui suas atividadesde professor, especializando-se nas faculdades deteologia e filosofia de Freising. Em 1953, doutorou-seem teologia com a dissertação “O Povo e a Casa de Deusna Doutrina da Igreja, de Santo Agostinho”. Quatro anosmais tarde obteria a cadeira com seu trabalho sobre “ATeologia da História de São Boaventura”. Pela suanotável intelectualidade e experiência, foi-lhe atribuído oencargo de dirigir a Dogmática e Teologia Fundamentalna Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising. Ministrou seus ensinamentos em Bonn de 1959 a 1969, paralelamente em Münster (1963 a 1963) eTubing (1966 a 1969). Neste último ano, passou a ser catedrático de Dogmática e História dos Dogmas naUniversidade de Rabistona, exercendo o cargo de vice-presidente na mesma universidade. Em 1962contribuiu notavelmente nas comissões do concílio Vaticano II como consultor teológico do cardeal JosephFrings, Arcebispo de Colona.
  11. 11. Entre suas numerosas publicações, destacam-se: “Introdução ao Cristianismo”, que trata de uma recompilação das lições universitárias publicadas em 1968 sobre a profissão da fé apostólica; “Dogma e Revelação” (1973), que é uma coletânia de ensaios, pregações e reflexões pastorais. Nesta ocasião, obteve notável ressonância seu discurso, pronunciado na Academia Católica bávara, sobre o tema “Porque sigo, todavia, na Igreja?”, onde afirmou: “Só é possível ser cristão na Igreja, ao lado da Igreja”. Em 1985 publicou o “Informe sobre a fé” e, em 1996 “O Sal da Terra”.Em 24 de Março de 1977, o Papa Paulo VI o nomeou Arcebispo de Munique para, no dia 24 de maio subseqüente receber a consagração episcopal. Foi ele o primeiro sacerdote diocesano a assumir, depois de 80 anos, o governo pastoral da grande diocese bávara. Em 1977, o Papa Paulo VI o nomeou cardeal, tendo participado da Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos como relator, em 1980, que tratou dos temas: “Os deveres da família cristã no mundo contemporâneo” e “Reconciliação e penitência e a missão da Igreja”.Em25 de novembro de 1981 foi nomeado por João Paulo II como prefeito da Congregação para a Doutrina daFé; e pesidente da Pontifícia Comissão Bíblica e Pontifícia Comissão teológica Internacional. Em novembrode 1998 foi eleito vice-decano do colégiocardinalício e, em 30 de novembro de 2002, o SantoPadre aprovou sua eleição de decano do colégiocardinalício, realizada por cardeais da ordem dosbispos. Foi presidente da Comissão para a preparaçãodo Catecismo da Igreja Católica, que lhe custou seisanos de intensos trabalhos (1986 a 1992). Em 10 de novembro de 1999 recebeu odoutorado "honoris causa" de Direito, emitido pelaUniversidade Italiana - LUMSA. Em 13 denovembro de 2000, foi acadêmico honorário daPontifícia Academia de Ciências. Acumulou diversas outras importantes funçõescomo: Membro do Conselho da II Secção daSecretaria de Estado, das Congregações para asIgrejas Orientais, para o Culto Divino e a Disciplinados Sacramentos, para os bispos, para aEvangelização dos Povos, para a EdcucaçãoCatólica, do Pontifício Conselho Para a Promoção eUnidade dos Cristãos e das Pontifícias Comissõespara a América Latina e "Ecclesia Dei". Durante sua trajetória, defendeu resolutamente os valores valores evangélicos e cristãos, empenhando-se decididamente a combater conceitos estranhos que pudessem, de qualquer forma, vir atingir os valoresdoutrinários da Igreja. De personalidade forte, nunca poupou palavras para defender os preceitos da religiãocatólica. Por suas exposições, muitas vezes duras, porém verdadeiras, enfrentou constantes críticas,perseguições e declaradas inimizades. Desde 1981, quando foi nomeado como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, arrebanhouuma larga fileira de inimigos, ao empenhar-se dedicadamente aos processos a si atribuídos, que visavam ainvestigação e controle da ortodoxia. Condenou a Teologia da Libertação, pelo seu conteúdo exclusivamentesocial, baseado em conceito ideológico e marxista. Também repudiou a manifestação de sacerdotes asiáticos,que tentaram colocar a doutrina da Igreja Católica no mesmo plano das religiões não-cristãs que, segundoeles, também faziam parte do plano de Deus para a salvação da humanidade. Muitos, não conseguindo enxergar seu zelo como preservador da doutrina de Cristo, o taxaram de"conservador" radical, diante da sua inflexibilidade ante surgimento de ideologia terrenas e condenandotambém temas como homossexualidade, matrimônios gays, controle da natalidade, uso de métodos artificiaispara evitar a contracepção ou evitar a Aids, aborto, eutanásia, ordenação de mulheres e o sincretismoreligioso. Demonstrou afabilidade ao diálogo inter-religioso, ao mesmo tempo que mostrou-se inflexívelquanto aos pontos doutrinários e dogmáticos. Dentro disto, foi que manifestou certa restrição às relações
  12. 12. ecumênicas, que pendiam para a unificação de idéias em filosofias diversificadas, inconciliáveis à doutrinada Igreja, além de atacar os modismos e tendências atéias da modernidade. Assumiu o nome de Bento XVI, no dia 19/04/2005, conforme anúncio à multidão congregada noVaticano, que aguardava ansiosa após o anúncio da eleição do novo Papa, pela fumaça branca da chaminévista por todos na Praça de São Pedro. Em sua primeira aparição pública, o recém-eleito Pontífice pediu ao mundo que rezasse por ele e porseu papado. "Entrego-me às vossas preces", disse o Papa à grande multidão, vindas de todas as partes domundo. Foi ovacionado e interrompido por diversas vezes com gritos e aplausos. Vestido com os paramentospapais, Bento XVI deu sua primeira bênção à cidade de Roma e ao mundo (bênção "Urbi et Orbi") Bento XVI é o Papa mais idoso, desde Clemente XII, que também tinha 78 anos, quando eleito em1730 e o primeiro Papa alemão, desde Vitor II (1055). Quando o Papa Bento XVI visitou a tumba do papa Celestino V em 2010, ele retirou seu pálio e odeixou em cima da tumba, em ato de clara homenagem. São Celestino V foi papa, santo e também renunciou por motivos de saúde. Recentemente Bento XVI afirmou em entrevista que se um papa não é capaz de cumprir seus deverescomo papa, deveria deixar o cargo. Provavelmente viu no exemplo de São Celestino a confirmação de que arenúncia de um cargo pontifício não significa aversão a vontade de Deus. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, já noticiou que após um breve período em CastelGandolfo, Bento XVI irá se recolher num mosteiro de clausura. Mais uma semelhança com São Celestino V,que também renunciou ao papado para terminar seus dias em oração dentro de um mosteiro. Quiçá as semelhanças entre Celestino V e Bento XVI não parem por aí: que seja Bento XVI santocomo Celestino!
  13. 13. A Renúncia Q uando eleito Bento XVI dissera que o seu pontificado seria curto. Um mandato de transição até a Igreja escolher um papa mais novo. Mas, aparentemente, ninguém esperava uma renúncia. O mundo que viu João Paulo II agonizar em praça pública e não renunciar, surpreendeu-se com aatitude do Sumo Pontífice. Apesar, todavia, da perplexidade na qual nos encontramos, manifestamos,claramente que apoiamos o Santo Padre,certos de que ele optou pelo melhor daIgreja – uma atitude de grande humildadee de grande sabedoria. Longe, porém das profecias de finaldos tempos, acho mais prudente enxergarna atitude do Sumo Pontífice ahonestidade de um homem e o amor destehomem pela Igreja de Cristo. É claro que, por um lado ficamostristes! Acostumamo-nos com osensinamentos de autoridade de Bento XVI,esperávamos grandes conclusões em seupontificado e fomos surpreendidos com ahumildade de um homem extremamentecorajoso e com uma confiança em Cristode tamanho incalculável. Renuncia ele,certo de que Nosso Senhor continuaráguiando a Igreja. Quer uma prova degrande fé? Basta olhar a atitude destehomem! Olhando para sua renúncia,somos convidados a enxergar com novos olhos o Ano da Fé por ele proclamado. Em seu livro “Luz do Mundo” ele já defendera esse direito. Talvez, àquela altura, já estivesseprevendo a necessidade deste ato corajoso. Em discurso ao Consistório dos Cardeais reunidos diante dele, o Papa declarou que o faz "bemconsciente da gravidade deste ato" e "com plena liberdade". É evidente que a renúncia de um Papa é algo inaudito nos tempos modernos. A última renúncia foi deGregório XII em 1415. A notícia nos deixa a todos perplexos e com um grande sentimento de perda. Maseste sentimento é um bom sinal. É sinal de que amamos o Papa, e, porque o amamos, estamos chocados coma sua decisão. Diante da novidade do gesto, no entanto, já começam a surgir teorias fabulosas de que o Papa estariarenunciando por causa das dificuldades de seu pontificado ou que até mesmo estaria sofrendo pressões nãose sabe de que espécie. O fato, porém, é que, conhecendo a personalidade e o pensamento de Bento XVI, nada nos autoriza a
  14. 14. arriscar esta hipótese. No seu livro Luz do mundo (p. 48-49), o Santo Padre já previa esta possibilidade darenúncia. Durante a entrevista, o Santo Padre falava com o jornalista Peter Seewald a respeito dos escândalosde pedofilia e as pressões: Pergunta: Pensou, alguma vez, em pedir demissão? Resposta: Quando o perigo é grande, não é possível escapar. Eis porque este, certamente, não é omomento de demitir-se. Precisamente em momentos como estes é que se faz necessário resistir e superar assituações difíceis. Este é o meu pensamento. É possível demitir-se em um momento de serenidade, ouquando simplesmente já não se aguenta. Não é possível, porém, fugir justamente no momento do perigo edizer: "Que outro cuide disso!" Pergunta: Por conseguinte, é imaginável uma situação na qual o senhor considere oportuno que o Papase demita? Resposta: Sim. Quando um Papa chega à clara consciência de já não se encontrar em condiçõesfísicas, mentais e espirituais de exercer o encargo que lhe foi confiado, então tem o direito – e, em algumascircunstâncias, também o dever – de pedir demissão. Ou seja, o próprio Papa reconhece que a renúncia diante de crises e pressões seria uma imoralidade.Seria a fuga do pastor e o abandono das ovelhas, como ele sabiamente nos exortava em sua homilia de iníciode ministério: "Rezai por mim, para que eu não fuja, por receio, diante dos lobos" (24/04/2005). Se hoje o Papa renuncia, podemos deduzir destas suas palavras programáticas, é porque vê que sejaum momento de serenidade, em que os vagalhões das grandes crises parecem ter dado uma trégua, ao menostemporária, à barca de Pedro. Podemos também deduzir que o Santo Padre escolheu o timing mais oportuno para sua renúncia,considerando dois aspectos: 1. Ele está plenamente lúcido. Seria realmente bastante inquietante que a notícia da renúncia viessenum momento em que, por razões de senilidade ou por alguma outra circunstância, pudéssemoslegitimamente duvidar que o Santo Padre não estivesse compos sui (dono de si). 2. Estamos no início da quaresma. Com a quaresma a Igreja entra num grande retiro espiritual e não hámomento mais oportuno para prepararmos um conclave através de nossas orações e sacrifícios espirituais. Onovo Pontífice irá inaugurar seu ministério na proximidade da Páscoa do Senhor. Por isto, apesar do grande sentimento de vazio e de perplexidade deste momento solene de nossahistória, nada nos autoriza moralmente a duvidar do gesto do Santo Padre e nem deixar de depositar em Deusnossa confiança. A decisão de Bento XVI demonstra Sabedoria E le viu os sofrimentos de João Paulo II. Foram úteis como exemplo naquele momento. Mas seria inútil à causa do Evangelho a repetição de tal evento também com Bento XVI no Pontificado. Bento XVI julgou mais útil à causa de Deus mostrar que as coisas podem ocorrerdentro da normalidade de uma sucessão com ele ainda em vida. É isto que está fazendo, ou teria suportadoaté o último sopro de vida. Não é uma opção de rompante, mas um ato consciente do Sumo Pontífice que ofaz para a Glória de Deus. A Infalibilidade Papal neste caso não se aplica. Não é uma Questão de Fé, mas de foro íntimo. Apesardisso, o tempo demonstrará a Sabedoria de Deus em mais esta ação do Papa Bento XVI. Nós católicos não queremos um papa brasileiro. Queremos um papa fiel a Jesus Cristo.
  15. 15. O anúncio oficial O Papa anunciou sua renúncia no final de um consistório público em Roma: Caros irmãos: Convoquei-os para este consistório, não apenas para as três canonizações, mas também paracomunicar a vocês uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Após ter repetidamenteexaminado minha consciência perante Deus, eu tive certeza de que minhas forças, devido à avançada idade,não são mais apropriadas para o adequado exercício do ministério de Pedro. Eu estou bem consciente deque esse ministério, devido à sua natureza essencialmente espiritual, deve ser levado não apenas com compalavras e fatos, mas não menos com oração e sofrimento. Contudo, no mundo de hoje, sujeito a mudançastão rápidas e abalado por questões de profunda relevância para a vida da fé, para governar o barco de SãoPedro e proclamar o Evangelho, é necessário tanto força da mente como do corpo, o que, nos últimosmeses, se deteriorou em mim numa extensão em que eu tenho de reconhecer minha incapacidade deadequadamente cumprir o ministério a mim confiado. Por essa razão, e bem consciente da seriedade desseato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São Pedro,confiado a mim pelos cardeais em 19 de abril de 2005, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20h, a Sé deRoma, a Sé de São Pedro, vai estar vaga e um conclave para eleger o novo Sumo Pontífice terá de serconvocado por quem tem competência para isso. Caros irmãos, agradeço sinceramente por todo o amor e trabalho com que vocês me apoiaram emmeu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. E agora, vamos confiar a Sagrada Igreja aoscuidados de nosso Supremo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e implorar a sua santa mãe Maria, para queajude os cardeiais com sua solicitude maternal, para eleger um novo Sumo Pontífice. Em relação a mim,desejo também devotamente servir a Santa Igreja de Deus no futuro, através de uma vida dedicada àoração.
  16. 16. A declaração do Cal. Ângelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício A presentamos as palavras do Cardeal Ângelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício, após a declaração de Bento XVI. Ouvimos a declaração de Vossa Santidade atônitos, quase incrédulos. Sentimos nas vossas palavras o grande afeto que sempre tivestes pela Santa Igreja de Deus, por esta Igreja que tanto amais. Permiti-me dizer-vos, em nome deste cenáculo apostólico, o colégio cardinalício, em nome destes vossos caros colaboradores, que nós estamos ao vosso lado, como estivemos durante esses oito anos luminosos do vosso pontificado. Em 19 de abril de 2005, se bem me lembro, no fim do conclave, eu vos perguntei com voz trêmula: "Aceitais a vossa eleição canônica a Sumo Pontífice?", e não tardastes a responder, ainda com trepidação, que aceitáveis, confiando na graça de Nosso Senhor e na intercessão materna de Maria, Mãe da Igreja. Como Maria, destes naquele dia o vosso "sim" e começastes o vosso luminoso pontificado na estela da continuidade, daquela continuidade de que tanto nos falastes na história da Igreja, na estela da continuidade dos vossos 265 predecessores na Cátedra de Pedro, no curso de dois mil anos de história, do apóstolo Pedro, o pescador humilde da Galileia, até os grandes papas do século passado, de São Pio X ao beato João Paulo II. Santo Padre, antes do próximo dia 28 de fevereiro, como dissestes, antes do dia em que desejais inscrever a palavra "fim" neste vosso serviço pontifical, feito com tanto amor, com tanta humildade, antes daquele 28 de fevereiro ainda teremos oportunidades para vos expressar melhor os nossos sentimentos. Assim farão os muitos pastores e fiéis espalhados pelo mundo, os muitos homens de boa vontade, junto com as autoridades de muitos países. Ainda neste mês, teremos a alegria de ouvir a vossa voz de pastor nesta quarta-feira de cinzas, na quinta-feira com o clero de Roma, no ângelus dos próximos domingos, nas audiências das quartas-feiras; serão muitas ocasiões ainda para ouvirmos a vossa voz
  17. 17. paterna. A vossa missão, porém, continuará: dissestes que estareis sempre próximo, com o vosso testemunho e com a vossa oração. As estrelas no céu continuam sempre a brilhar; assim, brilhará sempre em meio a nós a estrela do vosso pontificado. Estamos convosco, Santo Padre. A vossa bênção! A declaração oficial da CNBB N a tarde de hoje, a presidência da Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil (CNBB), assinalou em nota oficial sua surpresa pela notícia da renúncia de Bento XVI ao ministério petrino, e agradeceao Papa pelo carinho demonstrado aBrasil ao longo do seu pontificado,assegurando-lhe das orações dosprelados brasileiros. A seguir, a íntegra da notados bispos do Brasil, assinada porDom Raymundo Damasceno Assis Arcebispo de Aparecida,Presidente da CNBB; Dom JoséBelisário da Silva, Arcebispo de SãoLuís Vice-presidente da CNBB.Dom Leonardo Ulrich Steiner,Bispo Auxiliar de Brasília eSecretário Geral da entidade: Brasília, 11 de fevereiro de2013 P. Nº 0052/13 “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja” (Mt 16,18) A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB recebe com surpresa, como todo o mundo, oanúncio feito pelo Santo Padre Bento XVI de sua renúncia à Sé de Pedro, que ficará vacante a partir do dia28 de fevereiro próximo. Acolhemos com amor filial as razões apresentadas por Sua Santidade, sinal de suahumildade e grandeza, que caracterizaram os oito anos de seu pontificado. Teólogo brilhante, Bento XVI entrará para a história como o “Papa do amor” e o “Papa do DeusPequeno”, que fez do Reino de Deus e da Igreja a razão de sua vida e de seu ministério. O curto período deseu pontificado foi suficiente para ajudar a Igreja a intensificar a busca da unidade dos cristãos e dasreligiões através de um eficaz diálogo ecumênico e inter-religioso, bem como para chamar a atenção domundo para a necessidade de voltar-se ao Deus criador e Senhor da vida. A CNBB é grata a Sua Santidade pelo carinho e apreço que sempre manifestou para com a Igreja noBrasil. A sua primeira visita intercontinental, feita ao nosso País em 2007, para inaugurar a V ConferênciaGeral do Episcopado da América Latina e do Caribe, e, também, a escolha do Rio de Janeiro para sediar aJornada Mundial da Juventude, no próximo mês de julho, são uma prova do quanto trazia no coração opovo brasileiro. Agradecemos a Deus o dom do ministério de Sua Santidade Bento XVI a quem continuaremos unidosna comunhão fraterna, assegurando-lhe nossas preces. Conclamamos a Igreja no Brasil a acompanhar com oração e serenidade o legítimo processo deeleição do sucessor de Bento XVI. Confiamos na assistência do Espírito Santo e na proteção de Nossa
  18. 18. Senhora Aparecida, neste momento singular da vida da Igreja de Cristo. Sobre qual será o estado de Bento XVI e de suas vestes após a suademissão 1. Já foi confirmado que Bento XVI será "emérito" quanto ao ofício de Bispo de Roma e de Sucessorde São Pedro, cargos intimamente ligados. Portanto, até o que nos consta, será "Papa emérito", igualmente aoPapa Celestino V, único caso igual ao de Bento XVI. 2. Ele não retomará o título de Cardeal da Santa Igreja Romana. O ministério petrino, do qual eleapenas terá demissão e não deposição, está muitíssimo acima do ministério cardinalício. 3. Continuará a ser intitulado como "Papa Bento XVI", sob o título de Papa Emérito, ou Bispo Eméritode Roma. 4. Não, ele não ingressará no próximo conclave para a eleição de seu sucessor, pois já tem idadesuperior a permitida. Portanto, segundo informam nossas fontes, é certo que: Ele permanece com o direito ao uso de batina branca com faixa munida do brasão bordado, cujasfranjas são douradas, "mozzeta" branca para o período pascal e vermelha para o restante do ano litúrgico.Contudo, como qualquer bispo com direito ao pálio, Bento XVI não o usará mais a partir do próximo dia 28,assim como não fará mais uso do Anel do Pescador, que expressa a titularidade do ministério petrino àqueleque o carrega e ao qual o Papa Bento XVI não mais terá, a partir do dia 28.
  19. 19. O Conclave F alando sobre o Sacro Colégio Cardinalício, mergulhando um poucona história, vimos no século XX umaalteração substancial. Por exemplo,embora Pio XII em seus 19 anos depontificado, tenha convocadosomente dois consistórios, devido à IIGuerra Mundial e as consequênciasdela, o que fez que houvesse somente51 cardeais para o Conclave queelegeu João XXIII em 1958. Pio XIIfoi o primeiro a internacionalizar demaneira marcante o Sacro Colégio. João XXIII, em seu primeiroconsistório, dois meses após a suaeleição criou numa só vez 22 novoscardeais, voltando ao parâmetro deSisto V, mas sucessivamente, rompeuesta barreira. Em seu curto pontificado (quatro anos e meio), criou ao todo 52 novos cardeais. Vale lembrarque só havia 51, quando ele fora eleito. Paulo VI transformou a dignidade cardinalícia em um serviço, quase que em um sacramental. Oscardeais já não seriam "Príncipes da Igreja", conforme o Tratado de Latrão, mas o "senado" do Papa, seusconselheiros imediatos, cuja principal atribuição continua sendo de prover um novo sucessor de Pedro, quando da morte do Papa. O Código de Direito Canônico ainda afirma que se o eleito não for bispo, deve ser consagrado, de imediato, embora não afirme que deva ser na Capela Sistina. É bom lembrar que a Capela Sistina se tornou o "colégio eleitoral" só depois de 1870. O primeiro papa a ser eleito dentro dela foi Leão XIII. O seu antecessor, Pio IX, tinha sido eleito no Palazzo del Quirinale, ao lado da Catedral de Roma, São João de Latrão. Il Palazzo del Quirinale foi confiscado pelo rei da Itália em 1870 e hoje é sede da Presidência da República italiana. O mesmo Código de Direito Canônico também não afirma que necessariamente o eleito tem que estar presente ou ser um cardeal. Qualquer cristão pode ser eleito Papa! Houve muitos que qundo foram eleitos, nem padres eram! Por exemplo: São Gregório Magno, São Celestino V. Alguns casos mais recentes de cardeais que foram eleitos papas e que não eram bispos: Clemente VIII (1592-1605), Pio VI (1775-1799), Clemente XIV (1769-1774), Gregório XVI (1831-1846), este foi o último. Todos eles, depois de eleitos foram ordenados bispos pelo cardeal-decano, o cardeal-bispo de Ostia,assistidos por mais dois outros cardeais-bispos. É bom lembrar que entre os cardeais, só seis portam o títulode cardeal-bispo, por ocuparem uma das sete antigas dioceses suburbicárias de Roma, que são: Ostia,
  20. 20. Velletri-Segni, Porto-Santa Rufina, Frascati (Tusculum), Palestrina, Albano e Sabina-Poggio Mirteto. Desdeo século III, o bispo de Ostia tinha já o privilégio de ordenar bispo ao Papa eleito. Nesta época, normalmenteo eleito era escolhido dentre os diáconos da igreja de Roma. Só dois cardeais brasileiros chegaram a receber o título de cardeais-bispos: Dom Agnelo Rossi e DomLucas Moreira Neves. Aliás, Dom Agnello Rossi chegou a ser cardeal-bispo de Ostia, portanto decano doSacro Colégio. Ele renunciou ao título quando completou 80 anos e preferiu voltar para o Brasil e morreraqui. Pio XII tinha a intenção de internacionalizar a Igreja, e de diminuir o poder da curia romana. Naverdade, essa intenção vem já desde São Pio X, mas as guerras e outros problemas mais urgentes, assimcomo a ainda dificuldade de comunicação e movimentação, havia tornado impossível colocar essas medidasem prática. Pio XI queria muito, mas tudo o que levou até a segunda guerra não permitiu. O ápice dessainternacionalização ocorreu com o Papa João XXIII, que elevou um africano, um mexicano, um uruguaio,um americano, um japonês etc. Representando assim, os 5 continentes e o fato de que a Santa Igreja estavapresente e atuante em todos os cantos do mundo. Ou seja, a internacionalização foi uma coisa progressiva e vinha na agenda papal desde o começo doséculo XX. Culminou com João XXIII, e se mantém até hoje. E foram 23 cardeais no primeiro consistório de João XXIII, quebrando o máximo de Sisto V (70cardeais como número máximo). Sendo que, de acordo com algumas fontes, assim como muitos papas antesdele, ele teria criado 3 "in pectore". Se um Conclave entrar num impasse e se os cardeais quiserem eleger um leigo, canonicamente, não háproblema algum. Pelo menos, nunca sei se atualmente haje algum empecilho jurídico. O leigo eleito seráconvocado e se aceitar, receberá os sacramentos da Ordem em seus três graus, simultaneamente, pelas mãosdo cardeal-decano e tomará posse como sucessor de São Pedro. Como é sabido, a primeira providência, já às portas fechadas, o cardeal-decano procedia a eleição doscardeais escrutinadores, que são três. No caso do último conclave, suponho que esta eleição ocorreu duranteas reuniões fechadas pré-conclave que aconteceram na "Casa Santa Marta". Há umas regras não escritas, quepermitem um rápido desfecho. Isso se explica como na mesma noite da abertura do conclave, tenha-serealizado já a primeira votação. Decisão sábia! Deste modo, os cardeais tiveram uma noite para pensar, sentiras tendências do conclave e no dia seguinte partirem para a sua conclusão. Bem, depois que todos os votos estão depositados dentro de um grande cálice, o primeiro escrutinador,depois de tê-lo agitado bem, abre-o e conta as cédulas, ainda fechadas. Se são 120 cardeais-eleitores, devehaver as 120 cédulas. Se o número não bater, a eleição está anulada e vai diretamente para a "fornalha". Sehouver as 120 cédulas, o primeiro escrutinador abre uma por uma, mostra-a aos outros dois e lê em voz alta onome do candidato. Um deles, anota o voto e o outro "costura" as cédulas apuradas. Se algum eleitorconseguiu a maioria de 2/3+1, ele está, canonicamente, eleito e deve aceitar, a não ser que tenha um graveimpendimento pessoal, por exemplo, uma doença grave, desconhecida dos outros cardiais, que justifique suarecusa. Cabe, então, ao cardeal-decano, junto com os escrutinadores, dirigirem-se até o eleito e o fazer acélebre pergunta:Acceptasne electionem? Diante da resposta positiva, o eleito tira o seu solidéu e vaianunciar a escolha de seu novo nome. Aí, que o cardeal-decano ordena que se abra a porta para a entrada doMestre-cerimônias e o Sacristão do Conclave que vão acompanhar o eleito até a chamada Aula Lacrimarum,onde três jogos de sotainas, três sapatos (pantufas) de diferentes tamanhos o aguardam. De lá, ele já sairevestido com a sotaina pontifícia. Realmente, até antes da reforma do conclave feita por Paulo VI - ao longo dos séculos, ele vem sendoreformado, comesticamente, - os cerimoniários entravam logo a seguir da obtenção dois terços, pois cabiama eles irem puxando os cordões dos baldaquinos que cobriam os "tronos" dos demais cardeais, ficandodescoberto somente o do novo Papa. Como pode-se ver em fotos ou mesmos em vídeos que mostravam aCapela Sistina antes do conclave, que tais tronos e baldaquinos já não existem mais, o que torna a presença
  21. 21. de um não cardeal no momento, dispensável. O secretário do conclave realmente não é um cardeal. Aliás, a tradição é a de que ele é honrado com opúrpura pelo papa eleito por seus serviços. Mas não é ele que faz a pergunta, e sim o decano do colégio decardeais. É óbvio que há tendências e opiniões divergentes entre os eleitores, mas eles estão certos que a escolhafinal será feita pelo Espírito Santo. Portanto, cada um, após cada eleição onde não se obteve a maioria de2/3+1, necessariamente, tem que rever o seu voto e "despejar" o seu voto naqueles que estão sendo maisvotados. É assim que se chega ao consenso. Nas reuniões pré-conclaves, há muitas consultas entre eles. Nãose pode criar partidos ou citar nomes, criar blocos, mas essa troca de informações, invarialmente, já definemos prováveis candidatos. São os nomes que a imprensa em geral divulgam. Mas, há uma regra implacável,não escrita, que se aplica à risca. Quando acontece um empate entre dois candidatos, "queimam-se" os dois evai à procura do "tertius". Para entender, podemos fazer uma simulação: Um conclave com 120 eleitores (o número máximo).Para alguém ser eleito, ele precisa de 2/3+1 dos votos, portanto, mínimo de 81 votos. A exigência de 2/3+1dos votos foi introduzida por Pio XII, para prevenir que um candidato possa se eleger, votando em si mesmo.Portanto, a exigência de um voto a mais dos 2/3 necessários, elimina, automaticamente, o seu próprio voto. Há, cada dia, quatro votações. Em cada votação, quando não se obtem a eleição, as cédulas"costuradas" por um dos cardeais escrutinadores são queimadas com palha úmida. . Conclusão: "fumaça preta" - nenhum Papa! Quando se obtem a eleição canônica, queimam-se ascédulas, com todas os blocos de notas que os cardeais usaram para suas próprias anotações com palha seca,daí a "fumaça branca" que anuncia que já há um novo Papa. Esta procedência é para preservar o segredo doconclave, que nenhum cardeal deve tornar público sob pena de excomunhão. Mas, sempre algo escapa! Hojetambém, incorre em excomunhão automática se algum cardeal votar por pressão externa, como aconteceu noConclave de 1903 com o veto da eleição do cardeal Marianno Rampolla pelo Imperador da Áustria, atravésdo arcebispo de Cracóvia, cardeal Jan Maurycy Pawel Puzyna de Kosielsko (1895-1911), um antecessor deKarol Józef Wojtyła, João Paulo II. . Um conclave fictício para melhor compreender Vamos para uma simulação: 120 eleitores - 81 votos necessários para uma eleição. Primeiro dia: 1.º votação: Cardeal A = 20 votos Cardeal B = 12 votos Cardeal C = 06 votos Cardeal D = 02 votos Teríamos aí 80 votos dispersos em outros cardeais. Estes votos devem ser direcionados aos maisvotados, em teoria a A, B. C ou D. 2.º votação: Cardeal A = 28 votos Cardeal B = 16 votos Cardeal C = 22 votos Cardeal D = 02 votos Teríamos aí 52 votos dispersos que devem concentrar nos mais votados. Hora do almoço - ninguém, afinal é de ferro. 3.º votação:
  22. 22. Cardeal A = 45 votos Cardeal B = 16 votos Cardeal C = 42 votos Teríamos aí só 17 votos dispersos de alguns inconformados com o rumo da eleição. 4.º votação: Cardeal A = 56 votos Cardeal B = 06 votos Cardeal C = 58 votos Conclusão: Fumaça preta! Todo o conclave se concentrou em 03 nomes, sendo que o cardeal Bperdeu votos, os cardeais A e B avançaram, mas não o suficiente. O Cardeal A obteve 46% dos votos, oCardeal C: 48%. Estão longe dos 68% dos votos exigidos (2/3+1) e estão empatados. Eles estão descartados!No dia seguinte, nenhum dos três mais votados (A, C e B) não irão receber voto algum. Os cardeais irão atrásde um outro nome (o tertius). Por isso, aqueles que são tidos como favoritos, se não elegem no primeiro dia,dificilmente voltarão a ter votos. Vão dormir com a cabeça quente. O dia seguinte será um outro dia. Esta é adinâmica, embora haja exceções. . Quanto à alimentação, as freiras de Santa Marta que preparam as refeições para o Conclave não sãoconhecidas por suas habilidades culinárias! Além do mais, cada um tem um hábito alimentar diferente.Conclusão: a comida é ruim! Mais um motivo para se procurar uma solução rápida. Oração por Bento XVI P eçamos com a Virgem de Lourdes que o Senhor, mais uma vez, derrame o dom do Espírito Santo sobre a sua Igreja e que o Colégio dos Cardeais escolha com sabedoria um novo Vigário de Cristo. Nosso coração, cheio de gratidão pelo ministério de Bento XVI, gostaria que esta notícia não fosseverdade. Mas, se confiamos no Papa até aqui, porque agora negar-lhe a nossa confiança? Como filhos, nosvem a vontade de dizer: "não se vá, não nos deixe, não nos abandone!" Mas não estamos sendo abandonados. A Igreja de Cristo permanecerá eternamente. O que o gesto doPapa então pede de nós, é mais do que confiança. Ele nos pede a fé! Talvez seja este um dos maiores atos defé aos quais seremos chamados, num ano que, providencialmente, foi dedicado pelo próprio Bento XVI à Fé. Fé naquelas palavras ditas por Nosso Senhor a São Pedro e a seus sucessores: "As portas do infernonão prevalecerão!" (Mt 16, 18).

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