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Plano Estratégico da Construção

  1. 1. GA 2009 Plano Estratégico da Construção Inovação e Competitividade em Portugal Daniel Tiago Fraga Campos Direcção de Empresas | EGP-UPBS
  2. 2. FICHA TÉCNICA PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO TítuloInovação e Competitividade em Portugal Sub-Título Daniel Tiago Fraga Campos Autor Escola de Gestão do Porto Instituição Pós-Graduação em Direcção de Empresas Curso Inovação e Competitividade na Construção Módulo Novembro de 2009 Data Porto, Portugal Local
  3. 3. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL SUMÁRIO EXECUTIVOO Plano Estratégico da Construção é uma iniciativa no âmbito da disciplina deInovação e Competitividade na Construção da Pós-Graduação em Direcção deEmpresas, da responsabilidade do autor, que visa servir de base à concretização deacções de carácter inovador definidas para inverter a situação de profunda crise nosector da Construção e promover o seu crescimento sustentado nos próximos anos.Este documento sintetiza as conclusões do diagnóstico, os objectivos e linhas dedesenvolvimento estratégico para o sector, que foram materializadas em 3 eixos: > Sinergias e Inovação Tecnológica; > Marcas e Mercados; > Reestruturação.A concretização destes eixos é realizada pela implementação de 7 projectos, avários níveis e englobando múltiplas entidades: > Manutenção e Conservação de Vias Rodoviárias; > Reabilitação e Manutenção de Edifícios; > Arrendamento Imobiliário; > Reestruturação do Sector; > Internacionalização: Marca Construção Portugal; > Produção Combinada de Energia Eólica-Hídrica; > Investigação e Desenvolvimento. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  4. 4. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL ÍNDICE1. Introdução…………………………………………………………………………………… 42. Conjuntura e Evolução……………………………………………………………… 5 2.1. Economia Nacional…………………………………………………………… 5 2.2. Sector da Construção……………………………………………………… 63. Caracterização do Sector…………………………………………………………… 74. Visão e Objectivos……………………………………………………………………… 11 4.1. Visão para o Sector………………………………………………………… 11 4.2. Proposta de valor…………………………………………………………… 11 4.3. Objectivos………………………………………………………………………… 115. Linhas de Desenvolvimento Estratégico………………………………… 12 5.1. Manutenção e Conservação de Vias Rodoviárias…………… 12 5.2. Reabilitação e Manutenção de Edifícios…………………………… 14 5.3. Arrendamento Imobiliário………………………………………………… 16 5.4. Reestruturação do Sector………………………………………………… 17 5.5. Internacionalização: Marca Construção Portugal…………… 19 5.6. Produção Combinada de Energia Eólica-Hídrica……………… 21 5.7. Investigação e Desenvolvimento……………………………………… 22 DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  5. 5. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 41. INTRODUÇÃOO sector da construção atravessa de momento uma situação muito grave, comquebras significativas em todos os indicadores que reflectem a sua actividade.Para além das dificuldades naturais intrínsecas a um mercado deprimido comoaquele que se vive actualmente, ressurgem com violência fenómenos típicos deuma conjuntura adversa que se repercutem, em cascata, sobre a totalidade dotecido empresarial: intensificação dos atrasos de pagamento por parte do Estado,aviltamento de preços, desemprego, riscos agravados de quebra de segurança e defalhas de qualidade.A origem dos problemas existentes é simultaneamente conjuntural e estrutural,sendo que, quanto ao primeiro aspecto, ela reflecte as dificuldades inerentes a umciclo económico, tanto interna, como externamente em fase depressiva, e quantoao segundo, espelha a urgência da tomada de medidas de modernização ereconversão do sector da construção.Os problemas conjunturais, dadas as características próprias deste sector,combatem-se com instrumentos de dinamização do crescimento económico, entreos quais ressalta o investimento público selectivo, por via do efeito multiplicadorque ele exerce sobre um considerável número de outras variáveis económicas; anão ser utilizado, corre-se o risco de vir a pagar, por outra via – subsídios dedesemprego e outros instrumentos de política social –, aquilo que poderia sercanalizado para a criação da riqueza futura. Abdicar de uma política que privilegie oinvestimento público como catalizador da recuperação económica é pôr, também,em risco o aproveitamento integral dos fundos comunitários atribuídos a Portugal ehipotecar o esforço que tem sido desenvolvido no sentido da convergência do nossonível de infraestruturação com o resto da Europa.Do ponto de vista estrutural, o sector português de construção tem de avançarmuito rapidamente para um modelo centrado na concentração e na especialização,tal como já vêm fazendo desde há muito outros países europeus.Urgem portanto políticas, medidas e acções de carácter inovador que permitaminverter esta situação e tornar a Construção Portuguesa numa referência mundialde elevada competitividade. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  6. 6. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 52. CONJUNTURA E EVOLUÇÃO2.1. ECONOMIA NACIONALÀ semelhança das restantes economias desenvolvidas, em 2008, a portuguesaregistou forte abrandamento da actividade económica e as expectativas para osanos seguintes são extremamente negativas.O Produto Interno Bruto (PIB) registou uma taxa de crescimento de 0,3% em 2008,e as últimas projecções do BdP apontam para decréscimos de 0,8% em 2009 e de0,3% em 2010. Note-se que o comportamento do PIB é explicado por uma quebrada procura, consequência do aumento do desemprego, das restrições de crédito aempresas e famílias, falta de confiança na economia e nas instituições e pelaredução expressiva das exportações (estimativa de -3.9% em 2009).A taxa de inflação situou-se nos 2.7% em 2008 e projecta-se 1% e 2% para 2009 e2010 respectivamente. Estas taxas, desconfortavelmente baixas, são justificadasmaioritariamente pelas quebras do preço do petróleo e das matérias-primas nãoenergéticas, mas também pelas restrições ao crédito e quebra de confiança dosconsumidores. Importa ainda realçar que, no quadro da União Monetária Europeia,deseja-se uma inflação abaixo, mas próxima, dos 2%, e que o risco de um ciclolongo de crescimento nulo e deflação, embora improvável, existe.De acordo com BdP o emprego registou um aumento de 0,5% em 2008 frutoessencialmente do incremento verificado no primeiro semestre, situação que deveinverter para -1% em 2009 e -0,2% em 2010. Este aumento conjugado com orecurso a crédito pelas famílias (e consequente redução da taxa de poupança) levoua que o consumo privado apresentasse um abrandamento marginal. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  7. 7. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 62.2. SECTOR DA CONSTRUÇÃOO sector atingiu no início do ano mínimos históricos, evidenciando actualmentealguns sinais de recuperação da actividade, abrindo novas perspectivas sobre aevolução futura. No entanto mantêm-se muito desfavoráveis alguns indicadores,nomeadamente: o consumo de materiais, onde se registou uma quebra de 15%no consumo do cimento; o nível de desemprego na construção, onde seencontram cerca de 57mil pessoas; o crescimento de desemprego naconstrução, que verifica a maior taxa da economia portuguesa com 73%; olicenciamento de novos fogos habitacionais, que registou uma queda de 49%;a área licenciada para construção não residencial, que registou igualmenteuma queda de 30%.As empresas continuam numa situação financeira desfavorável e continuam aassinalar fortes condicionantes à normal actividade, nomeadamente a reduzidaprocura e os atrasos nos pagamentos por parte do Estado. Em termos Europeus,observa-se uma estabilização do nível de confiança, mas uma previsão desfavorávelem relação ao nível de carteira de encomendas e à evolução futura do emprego.O valor do índice de actividade mantém-se abaixo da média da última década.O indicador de confiança teve uma pequena recuperação face aos mínimosalcançados no início do ano, mas já denota uma nova quebra, continuando abaixodos valores observados em 2008.Em relação à carteira de negócios, as empresas mantêm uma expectativadesfavorável, tendo-se acentuado as tendências que já vinham a ser observadasnos diferentes segmentos do sector da construção. Os segmentos da construçãoresidencial e não residencial sofreram uma quebra superior a 30%, com especialdestaque para a redução de 87% nos edifícios destinados a transportes, 56% noturismo, 38% no comércio e 17% na indústria. Na construção de edifícios nãoresidenciais públicos, a sua evolução continua a apresentar um acentuadodinamismo, fruto do crescimento anormal na área da reabilitação dos edifíciosescolares. As obras de engenharia civil sofreram um significativo aumento,assumindo particular relevo as denominadas obras de urbanização (saneamento,abastecimento de água, parques e ajardinamentos e trabalhos diversos derequalificação urbana), as quais, pesando 35% do total de trabalhos de engenhariacivil adjudicados, aumentaram cerca de 115%. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  8. 8. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 73. CARACTERIZAÇÃO DO SECTORA indústria da construção em Portugal, à semelhança do que acontece noutrospaíses, tem uma importância significativa no conjunto da economia nacional. Comoé sabido, o sector da Construção é um sector muito diferenciado dos outrossectores de actividade, quer em termos produtivos, quer em termos de mercado detrabalho.Trata-se de um sector que apresenta uma cadeia de valor muito extensa, poisrecorre a uma ampla rede de inputs, proporciona o aparecimento de externalidadespositivas às restantes actividades e gera efeito multiplicadores significativos amontante e a jusante.A construção é uma actividade económica com especificidades próprias,caracterizada por uma grande diversidade de: Clientes, com uma procura que vai do Estado ou das Autarquias ao Particular que pretende auto-construir; Empresas, das grandes multinacionais aos pequenos promotores tradicionais; Projectos, onde cada obra apresenta, geralmente, características diferentes, o que dificulta o desenvolvimento de produtos e processos de fabrico estandardizados; Produtos, que cobrem desde a habitação tradicional às obras mais complexas como por exemplo estradas ou barragens; Operações Produtivas, onde o produto final resulta da interacção entre várias especialidades com graus diferenciados de exigência e tecnologia; Tecnologias, em resultado da intervenção numa empreitada de diversas especialidades e da coexistência de tecnologias de produção novas com antigas; Unidades Produtivas, em que as empresas com grandes meios e capacidades e tecnologicamente mais evoluídas laboram a par de empresas com um aproveitamento limitado das tecnologias disponíveis e com utilização abundante do factor mão-de-obra.O impacto do sector da construção no produto faz-se sentir, quer a montante, nasempresas de materiais e de equipamentos de construção (p.e. maquinaria diversa,cimento, aço, vidro, tintas, plástico, janelas, etc) e de serviços (de consultoria, DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  9. 9. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 8arquitectura, engenharia, etc.), que a jusante nas empresas de equipamentos (p.e.mobiliário, equipamento doméstico, etc.) e de serviços (p.e. abastecimento deenergia, manutenção e decoração, seguros, serviços jurídicos, etc.).Consequentemente, a actividade da construção tem um importante impacto sobre oemprego.A procura dirigida a este sector depende directamente do grau de desenvolvimentoda economia, da conjuntura económica e do montante das despesas públicas, ouseja, mais do que em qualquer outro sector de actividade, a sua evolução dependedo montante e das fases de investimentos em outros sectores. Estamos poisperante uma actividade tendencialmente pró-cíclica, ou seja, expansões maismarcadas que a economia global em fases positivas do ciclo e recessões maisprofundas em períodos negativos, sendo por isso mesmo a sua dinâmicafrequentemente considerada como um dos principais indicadores de uma economia,ou um dos seus barómetros.Em termos de modelo de financiamento do sector, assinalam-se alguns elementosessenciais. Em primeiro lugar, de relevar que as transferências comunitáriasconstituíram o elemento central de modulação do ciclo de investimento público.Complementarmente, o financiamento privado dos diferentes segmentos da CCOPtem tido uma grande preponderância.Para a banca, este sector tem sido atractivo, em particular na rendibilidade queestes negócios apresentavam numa conjuntura caracterizada pelo excesso decapitais privados remunerados com reduzidas taxas de retorno devido ao nívelhistoricamente baixo das taxas de juro de curto, médio e longo prazo.Por outro lado, o financiamento privado das obras e dos serviços públicos surgecomo uma solução conjuntural para sustentar num nível elevado o investimento eminfra-estruturas, sem agravar o défice e sem aumentar dos impostos. Daqui seconclui que, em grande parte, o crescimento sustentado da indústria da construçãoem Portugal tem tido, nos últimos anos, como base três pilares de financiamentodistintos: a União Europeia, o Estado Português e a Banca.As empresas portuguesas têm alargado, num curto intervalo de tempo, o seuespaço de actuação do território nacional para o conjunto dos países da UniãoEuropeia, Europa de Leste e PALOPs, o que conduziu à adopção de novas políticasde contratação de mão-de-obra e ao recurso, aparentemente de formaindiferenciada, quer ao mercado formal, quer ao mercado informal como espaçosde desenvolvimento económico. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  10. 10. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 9Em termos de emprego, esta conjuntura tem implicado dois tipos dedesenvolvimentos: por um lado a necessidade de uma maior competitividadeempresarial leva a que a estratégia empresarial preferencial passe por um“downsizing” e por uma externalização das funções produtivas consideradas nãoessenciais ou outsourcing, isto é, diminuem os seus quadros de pessoal, adoptandouma política que implica passar a subempreitar as diversas fases de realização dasobras, reservando para o empreiteiro geral e para o dono de obra uma função decoordenação geral.Em termos da distribuição da mão-de-obra disponível no sector, este facto implicaum redimensionamento dos quadros das grandes e médias empresas, que têmvindo a reduzir o seu quadro de pessoal, e um aumento do número de pequenasempresas que passam a funcionar como subcontratadas das primeiras.Por outro lado, as necessidades de mão-de-obra implicam um processo de novosrecrutamentos de pessoal não qualificado ou semi-qualificado. Perante condiçõesremuneratórias pouco atraentes no mercado formal, este recrutamento faz-sesobretudo no mercado informal com condições salariais mais atractivas (masmenores remunerações sociais) que seduzem um conjunto diversificado detrabalhadores, designadamente trabalhadores nacionais e trabalhadores imigrantes,quer dos tradicionais países fornecedores de mão-de-obra do mercado português(ex: PALOP), quer de países recém chegados ao mercado internacional de mão-de-obra (ex: países de Leste Europeu).Em Portugal, estas contratações ocorrem quer directamente contratandotrabalhadores para os seus quadros; quer através de empresas de cedênciatemporária de mão-de-obra; quer subcontratando a outras empresas partes outarefas numa obra.Esta estratégia permite às grandes empresas portuguesas enviar para asempreitadas nos países da EU a mão-de-obra dos seus próprios quadros e/oucolocar em subempreitadas no exterior mão-de-obra propositadamente contratadapara o efeito ao mesmo tempo que asseguram ou mantêm a sua carteira deencomendas em território nacional.Outra das condicionantes deste sector tem a haver com o facto de exercer a suaactividade num quadro estrutural de trabalhos cíclicos, o que proporciona aexistência de múltiplas empresas mas, na sua maioria, com um número reduzidode pessoas no quadro de pessoal e com grande rotatividade de trabalhadores. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  11. 11. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 10Esta abundância de mão-de-obra é uma das razões principais do fraco investimentoem formação realizado pelas empresas do sector. Para as empresas, não éeconomicamente vantajoso formar pessoas que rapidamente se transferem paraoutra empresa. Os trabalhadores deste sector também não se sentem motivados para trocaremos benefícios imediatos que advêm do exercício da sua actividade pelos potenciaisbenefícios que poderão advir no investimento em formação não remunerada. Comoconsequência, a produtividade da mão-de-obra é difícil de avaliar, dado queemprega ainda um volume significativo de mão-de-obra flutuante e/ou informal nãocontabilizável. No entanto, dado o baixo nível de qualificações, associado a umdeficiente dimensionamento da tecnologia (i.e. de tecnologia não adaptada àsnecessidades), a uma fraca inovação nos métodos de trabalho utilizados, a umadeficiente qualidade dos projectos, a uma ausência de estandardização assim comode uniformização e normalização de produtos e a uma deficiente gestão de stocks,os dados disponíveis parecem sustentar que a produtividade gerada pelo sector é,em geral, menor que a média nacional. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  12. 12. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 114. VISÃO E OBJECTIVOS4.1. VISÃO PARA O SECTORPortugal será uma das maiores potências mundiais na área da construção,exportando conhecimento e tecnologia de construção através das empresas dosector, desde as grandes multinacionais até às pequenas e médias empresas.Portugal funcionará como uma plataforma de gestão, investigação edesenvolvimento.A nível interno, as empresas de construção serão especialistas na área daconservação, manutenção e reabilitação, estando na vanguarda do aproveitamentodas sinergias com os sectores da energia, gestão de resíduos, logística e turismo.Portugal será a maior potência mundial de produção de energias renováveis e umdos países de maior eficiência na gestão de resíduos. A nível europeu, Portugal seráa maior plataforma logística, o destino mais visitado e o maior mercado de segundahabitação.4.2. PROPOSTA DE VALORA proposta de valor do sector da construção Portuguesa aposta na combinação doselementos diferenciadores e dos elementos qualificadores do sector.Os elementos diferenciadores constituem as capacidades que distinguem aConstrução Portuguesa das restantes a nível internacional: elevada produtividade,elevada capacidade de adaptação, facilidade de comunicação/relacionamento eelevada capacidade de gestão de recursos.Os elementos qualificadores são os necessários para qualificar Portugal para oleque das grandes obras internacionais: elevada experiência, ampla gama deespecialidades, segurança e qualidade na execução e excelência na relaçãoqualidade / preço.4.3. OBJECTIVOS> Crescimento sustentado acima da média europeia, com especial incidência aonível das receitas, e redução da dependência das obras públicas;> Aumento da contribuição do sector na economia, mantendo-se como um dosprincipais motores do crescimento da economia portuguesa;> Redução e estabilização do nível de desemprego no sector. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  13. 13. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 125. LINHAS DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO5.1. MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO DE VIAS RODOVIÁRIASCONTRATOS DE CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃOApós a construção das concessões rodoviárias que se encontram actualmente emfase de execução, o mercado nacional da construção de vias rodoviárias deveráestagnar. No entanto, o pavimento betuminoso que constitui a maioria das actuaisvias rodoviárias requer uma manutenção considerável, sendo objecto de renovaçãoda camada de desgaste num período cíclico de 3 a 5 anos. Isto significa que existeum segmento de mercado das vias rodoviárias com elevado potencial esustentabilidade – a conservação e manutenção.As empresas deverão portanto apostar em obter a maior cota de mercado decontratos de manutenção de vias rodoviárias no país.O processo de concretização desta estratégia deverá passar por abordardirectamente as entidades responsáveis pela gestão das vias rodoviárias nãoconcessionadas – Estradas de Portugal e Autarquias – e propor a realização de umaespécie de seguro de manutenção, em que estas entidades pagam um valor fixomensal e sempre que seja necessário algum tipo de manutenção, dentro dedeterminados critérios, a manutenção é efectuada sem quaisquer custosextraordinários.O processo de concretização da estratégia deverá igualmente passar pela aliançaestratégica com uma entidade seguradora, em que esta assumirá a gestão do riscodos custos extraordinários e a empresa assume a execução de todos os trabalhosde manutenção.ENERGIA RODOVIÁRIAO movimento dos automóveis pode ser convertido em electricidade através degeradores piezoeléctricos colocados debaixo dos pavimentos rodoviários. Asempresas devem investir neste segmento, aproveitando sinergias entre ossegmentos de Vias Rodoviárias e Energias Renováveis e tirando partido dasvantagens da solução: nível de produção equivalente à energia eólica (potencial decaptação de energia de 250KW.h, valor suficiente para abastecer mais de 500casas), energia economicamente competitiva face à energia do carbono e retornodo investimento inferior às restantes energias renováveis – no máximo 12 anos. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  14. 14. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 13O processo de concretização da estratégia deverá passar pela aquisição dosequipamentos à empresa israelita que detém a patente da tecnologiaINNOWATTECH e pela aquisição dos direitos de exploração da energia rodoviáriaatravés de alianças estratégicas com as entidades responsáveis pela gestão dasvias rodoviárias não concessionadas – Estradas de Portugal e Autarquias –, em quea manutenção das vias rodoviárias seria feita a custo zero ou a um custo reduzido,desde que lhe fosse permitida a exploração do sistema de produção de energia queiria implementar durante a fase de manutenção das vias rodoviárias.REUTILIZAÇÃO DE RESÍDUOS NOS PAVIMENTOS RODOVIÁRIOSO tratamento e deposição final dos pneus usados e dos pavimentos betuminososfresados é um problema ambiental com que o Estado Português se tem confrontadonos últimos anos.A reutilização destes resíduos na produção de novos pavimentos rodoviários, paraalém dos evidentes benefícios ambientais (por exemplo, os pneus deixam de serqueimados ou depositados em lixeiras ou aterros), é uma solução viável eparticularmente interessante para a resolução de diversos problemas nospavimentos, uma vez que contribui, de uma forma geral, para um aumento daresistência à fadiga, diminuição da susceptibilidade à temperatura, diminuição dasensibilidade ao envelhecimento e diminuição do ruído, relativamente às misturasbetuminosas convencionais. Destas melhorias resulta uma diminuição da espessuradas camadas betuminosas e uma diminuição dos custos de conservação ao longoda vida de serviço dos pavimentos, com benefícios económicos, que tendo emconta a escassez de recursos para investimentos em infra-estruturas rodoviáriasque se verifica no nosso país, torna a tecnologia envolvida na pavimentação umitem importante que merece a devida atenção.As empresas devem assim promover a utilização deste tipo de pavimentos e aintrodução de constituintes reciclados na produção de novos materiais. Para taldeverão investir em laboratórios de investigação e desenvolvimento de materiais eefectuar parcerias com universidades. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  15. 15. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 145.2. REABILITAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EDIFÍCIOSHá muitos anos que a reabilitação urbana se avista como um mercado de elevadopotencial. No entanto, por motivo de falta de capacidade financeira dosproprietários, da existência duma legislação de arrendamento inadequada e dadificuldade de expropriação em caso de necessidade, este sector da construçãoencontra-se literalmente estagnado e sem grande crescimento.A política de reabilitação urbana nos grandes centros históricos das cidadesportuguesas, nomeadamente na cidade do Porto, tem passado pela expropriaçãodos bens imóveis aos proprietários em quarteirões completos, realojamento dosarrendatários em bairros camarários e posterior lançamento de concursos parareabilitação e construção de imóveis de luxo e hotelaria.Esta política não parece ser a mais correcta, no entanto, tem que se admitir que é apossível em zonas de elevada proximidade entre edifícios e fraca exposição solar.Nas restantes situações, nomeadamente nas periferias das cidades, nos grandesdormitórios, onde se encontram os edifícios dos anos 80 de grande porte, de linhassóbrias e ricos em patologias que reduzem o conforto térmico e acústico dashabitações, a qualidade estética dos imóveis e por vezes colocam em causa ascondições de salubridade dos mesmos, existe outra solução.As empresas de reabilitação de fachadas poderiam efectuar a reabilitação destesedifícios a custo zero para os proprietários, tirando partido das sinergias resultantescom a produção de energia fotovoltaica.As empresas aplicariam no revestimento das fachadas materiais com capacidade deproduzir energia eléctrica e com elevados índices de eficiência térmica e acústica. Oretorno do investimento na reabilitação, ou seja, na central fotovoltaica, seriaobtido pela exploração da energia eléctrica cedida pelos proprietários. Desta forma,ambas as entidades ficariam a ganhar: os proprietários que usufruíam dareabilitação dos imóveis sem qualquer custo, assim como a manutenção por umperíodo de 20 anos, que de outra forma não seria possível, entrando os imóveis emelevado estado de degradação; as empresas de reabilitação, a par do trabalho deconstrução, tornar-se-iam promotores/produtores de energia fotovoltaica, apenastendo como investimento inicial o custo dos equipamentos e respectiva montagem;o espaço ocupado seria a custo zero, não existindo quaisquer investimentos emterrenos ou o pagamento de quaisquer arrendamentos de espaços paraimplementação dos sistemas fotovoltaicos. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  16. 16. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 15Face ao período de retorno médio do investimento de 5 a 8 anos, este negócioobrigaria as empresas a efectuar parcerias com entidades de financiamento decrédito. No entanto, após os primeiros 5 anos tornar-se-ia auto-sustentável, factoinédito na construção.Como é óbvio, os edifícios elegíveis para este negócio teriam ser alvo de umaselecção extremamente criteriosa e rígida, no sentido de garantir uma exposiçãosolar adequada dos equipamentos e sua consequente rendibilidade. No entanto,esta medida significaria enormes progressos na reabilitação urbana e suasustentabilidade, com elevados benefícios para as populações, autarquias eempresas promotoras.Para tornar possível esta medida, o Estado e as empresas responsáveis pelas infra-estruturas eléctricas deveriam procurar melhorar as mesmas, no sentido de nãolimitar a injecção de energia na rede e permitirem valores de potência que tornemo sistema rentável.As empresas de reabilitação deveriam efectuar parcerias com universidades elaboratórios de desenvolvimento de materiais, de modo a permitir o crescimentomais acelerado da gama e potencialidade destes equipamentos, sua adequação àfunção de revestimento de fachada e sua diversidade em termos estéticos. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  17. 17. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 165.3. ARRENDAMENTO IMOBILIÁRIOFace à actual situação do mercado imobiliário, as vendas de imóveis, em particularos apartamentos, diminuiu consideravelmente, deixando ospromotores/construtores numa situação delicada com elevado stock deapartamentos. Tendo em conta as perspectivas aliciantes do segmento dearrendamento imobiliário a médio prazo, relacionadas com a crescente necessidadede maior mobilidade das pessoas no trabalho, as empresas deverão tirar partido dopotencial deste segmento para resolver o problema do baixo nível de vendas e dafalta de retorno do capital investido.O processo de concretização desta estratégia deverá passar pela criação de umabolsa nacional de arrendamento de imóveis distribuídos por todas as capitais dedistrito, em que os imóveis são classificados em função da localização, área,qualidade de construção, proximidade de serviços e transportes públicos – paraedifícios com a mesma classificação, será cobrado o mesmo valor monetário.Qualquer cliente que necessite mudar de habitação, mantendo a mesmaclassificação, sabe que pagará o mesmo valor, não correndo o risco de, por motivosde mudança de emprego ou cidade, ter de pagar eventualmente valores muito maiselevados.Oferece-se assim a garantia de cobertura de risco e maior estabilidade financeira aocliente ao longo da sua vida. Com este modelo garantir-se-á uma fidelização dosclientes, situação rara no sector da imobiliária.De modo a não prejudicar os clientes em situações de não disponibilidade imediatade apartamento para a zona pretendida, deverá ser feita uma aliança estratégicacom cadeias hoteleiras para acolherem os clientes temporariamente ao mesmocusto do aluguer do apartamento. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  18. 18. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 175.4. REESTRUTURAÇÃO DO SECTORExistem actualmente em Portugal 56.400 empresas habilitadas a exercer aactividade da construção. Consoante os subsectores da construção, entre 60% a90% das empresas são de pequena e média dimensão. A maior empresa do sector,a Mota-Engil, não consegue figurar no top espanhol. Milhares das pequenasempresas da construção são constituídas por 9 ou menos colaboradores, sendo amaioria mão-de-obra produtiva e não existindo qualquer tipo de estrutura de apoio.FUSÃO DE EMPRESASDo ponto de vista estrutural, o sector português de construção tem de avançarmuito rapidamente para um modelo centrado na concentração e na especialização,tal como já vêm fazendo desde há muito outros países europeus.A concentração, ao contrário do que muitos erradamente são levados a pensar, éum poderoso instrumento de clarificação e disciplina dos mercados, pois permiteuma estratificação mais eficaz e uma rentabilização a todos os níveis do tecidoempresarial, induzido pelo efeito motor que as grandes unidades empresariaisexercem sobre os mercados.Para além deste aspecto, fulcral, a concentração é incontornável se se quisercontinuar a apostar na internacionalização onde o atributo “dimensão” é condiçãofundamental para se ter a possibilidade de aceder aos grandes mercados mundiais.Não se julgue que a solução pela concentração, e com ela a modernização do sectorda construção, está em exclusivo na mão dos empresários. Tem de haverconjugação de esforços entre a Administração e os agentes económicos no sentidode serem criadas condições para se caminhar por essa via. E não só de incentivosfiscais. Também de enquadramento legislativo, que torne o ambiente em que estasoperações ocorram mais amigável.Neste contexto urge rever em conformidade o quadro legal que enquadra o sectorda construção, tornando-o mais adequado às exigências de uma economiamoderna, fundada na agilidade, na cooperação entre as partes envolvidas e narepartição racional do risco.Do lado da oferta – empresas construtoras –, a legislação deve ser melhorada demodo a fomentar a constituição de grupos empresariais de dimensão próxima damédia europeia, a premiar os mais capazes e a incentivar os que pretendam acedera este patamar, a promover o aumento da produtividade, e a impor níveis de DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  19. 19. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 18exigência, quanto ao desempenho da sua actividade, mais elevados, garantindomelhor qualidade do produto final.Quanto à procura – as entidades adjudicantes –, os diplomas a rever terão queconsagrar soluções que visem a criação de um clima de confiança entre as partescontratantes, conter mecanismos que estratifiquem o mercado garantindo que asobras mais volumosas e mais complexas sejam executadas pelas empresas melhorapetrechadas, condenar práticas concorrenciais que, com o único objectivo degarantir o presente, ponham em causa a solidez futura do sector.AGRUPAMENTOS DE PEQUENAS EMPRESASAs pequenas empresas, que na sua maioria consistem em subempreiteirosespecializados do sector da construção, deveriam juntar-se em agrupamentosempresariais, fazendo uma gestão partilhada dos recursos, nomeadamente gestãocontabilística e financeira, gestão de compras, gestão de frotas, gestão de recursoshumanos e equipamentos.Desta forma, iriam usufruir de uma estrutura de apoio que de outra forma nãoteriam a um custo pouco significativo, teriam maior poder negocial nos processosde compras e aquisição de frotas, teriam maior poder negocial junto dos seusclientes, poderiam ter uma bolsa partilhada de mão-de-obra e equipamentosfazendo uma optimização destes recursos.A competitividade destas empresas seria significativamente melhorada, registando-se posteriormente desempenhos financeiros mais favoráveis e maior facilidade deinternacionalização.CLUSTERS DA CONSTRUÇÃOAs grandes empresas de construção tornaram-se autênticas empresas gestoras deprojectos, subcontratando a maioria das especialidades. Isto significa que odesempenho das grandes empresas de construção, depende quase exclusivamentedo desempenho das empresas suas subcontratadas. Assim, deverão efectuar-separcerias a longo termo entre empresas complementares, abrangendo toda acadeia de valor da construção, desde as actividades a montante da construção atéàs actividades a jusante, criando autênticos clusters da construção. Desta forma, odesempenho seria assegurado e as empresas de construção portuguesas teriammaior poder e estabilidade para actuar no mercado internacional. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  20. 20. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 195.5. INTERNACIONALIZAÇÃO: MARCA CONSTRUÇÃO PORTUGALApesar da forte dependência do Estado a que o sector da Construção nacional foihabituado ao longo de décadas, as empresas adquiriram algo que lhes permiteromper fronteiras: conhecimento e experiência.Actualmente a construção nacional está especializada em quase todas as áreas daconstrução nomeadamente: edifícios, obras de arte, vias rodoviárias, viasferroviárias (via-férrea tradicional, metro e, dentro em breve, via-férrea de alta-velocidade), infra-estruturas urbanas, obras marítimas, túneis, construçõesmetálicas, energia (barragens, mini-hídrica, parques eólicos, centraistermoeléctricas, parques fotovoltaicos), etc.Para além da parte técnica, as empresas portuguesas já têm um largoconhecimento e experiência em vários tipos de gestão contratual, desde aconstrução tradicional, às parcerias públicos-privadas que tanto agradam osgovernos dos países, uma vez que não entram na contabilidade como dívidapública. Esta poderia ser a porta de entrada para muitos mercados, onde estamodalidade é encarada como extremamente apelativa.MARCA «CONSTRUÇÃO PORTUGAL»Na sequência do descrito no ponto anterior, as empresas deverão entãoempreender acções de internacionalização intensiva e o estado português deverácolaborar nesse sentido, criando a marca “Construção Portugal”. Esta marcaconsistiria num reconhecimento internacional do estado português do mérito dasempresas a actuar no estrangeiro. A atribuição da distinção e respectivas auditoriasperiódicas seriam da responsabilidade do LNEC – Laboratório Nacional deEngenharia Civil, mediante o cumprimento de critérios bastante apertados emtermos de conhecimento, experiência, qualidade e segurança. O nível de exigênciaseria bastante superior ao normalmente exigido, criando uma clara diferenciaçãodas empresas no sector a nível mundial. O Estado Português ficaria responsávelpela campanha da marca a nível mundial, da mesma forma como já é feito na áreado Turismo e com uma abordagem mais próxima dos governos dos respectivospaíses. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  21. 21. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 20CONCESSÕES RODOVIÁRIAS NOS MERCADOS EXTERNOSO mercado nacional das concessões rodoviárias está praticamente fechado, nãohavendo espaço para as empresas operar de agora em diante. Assim estas devemapostar nas concessões em mercados externos onde existe um grande potencial decrescimento deste mercado e do seu respectivo valor. Referimo-nos nomeadamenteà Africa do Sul, Polónia e República Checa.O processo de concretização desta estratégia deverá passar pela aquisição deempresas autóctones do segmento de vias rodoviárias com forte implantação nomercado e boa imagem junto dos clientes, assim como deverá passar pela aliançaestratégica com uma instituição de crédito bancário, afim de obter a capacidade definanciamento que estes projectos requerem.ENERGIAS RENOVÁVEIS NOS MERCADOS EXTERNOSO crescimento das empresas e sua internacionalização poderá passar pela suaexpansão para o mercado externo de construção de instalações de produção deenergias renováveis, nomeadamente parques eólicos, barragens e mini-hídricas,em países onde se verifica um grande potencial destas energias, um forteinvestimento de entidades público-privadas, reforçado pelo interesse dosrespectivos governos em apoiar esse investimento. Referimo-nos nomeadamenteao México, Chile, África do Sul e Roménia.O processo de concretização desta estratégia deverá passar pela aliança estratégicadas empresas com clientes actuais do mercado nacional da energia, em que severificam relações duradouras, nomeadamente com a Enercon GmbH, EDF EnergieNouvelle, Finerge, Térmica Portuguesa, EDP Energias Renováveis, Enernova,Generg, etc. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  22. 22. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 215.6 PRODUÇÃO COMBINADA DE ENERGIA EÓLICA-HÍDRICADado as empresas terem já uma experiência considerável na construção de parqueseólicos e mini-hídricas, estão em condições de iniciar a sua diversificação para oinvestimento directo em energias renováveis a par da sua construção. Mais ainda,deverão aproveitar o efeito de sinergias dos dois segmentos de energia, parapromover um sistema de produção de energia eléctrica mais eficiente – produçãode energia renovável combinada. Neste sistema, em período de fraca necessidadede energia na rede eléctrica, a energia eólica poderá ser convertida em energiapotencial hidráulica, através da bombagem de água entre duas albufeiras a cotasdiferentes; em períodos de maior necessidade de energia na rede eléctrica, a mini-hídrica liberta a água da albufeira superior para a inferior e gera energiahidroeléctrica.Desta forma, a mini-hídrica funciona como uma bateria de energia e garante-se avenda de energia à rede nos períodos em que o preço da energia é superior,obtendo-se assim rentabilidades mais elevadas. A mini-hídrica poderia ainda sermunida de um sistema de optimização de inércia que permitiria obter maiorprodução de energia eléctrica com a mesma energia potencial. Note-se que estesistema ainda se encontra em desenvolvimento, o que implicaria algumainvestigação.O processo de concretização desta estratégia deverá passar por adquirir um direitode ligação à rede de energia eléctrica nacional, assim como deverá passar pelaaliança estratégica com empresas do ramo eléctrico e uma instituição de créditobancário, afim de obter a capacidade de financiamento que estes projectosrequerem. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  23. 23. PLANO ESTRATÉGICO DA CONSTRUÇÃO INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE EM PORTUGAL 225.7. INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTOAs empresas devem investir em laboratórios de investigação e desenvolvimentopara promover a inovação nos produtos e assim tornarem-se mais competitivas nomercado nacional e internacional.Os pavimentos rodoviários são uma área onde ainda existe bastante margem paraa criação de novos produtos, nomeadamente pavimentos betuminosos com maiordurabilidade. A aplicação de pavimentos betuminosos de maior durabilidade emfuturas concessões rodoviárias resultará numa redução considerável dos custos demanutenção dos pavimentos, com ganhos evidentes na rendibilidade do negócio alongo prazo.Mais ainda, caso avançassem com o investimento directo em energias renováveis,poderiam ainda alargar a investigação e desenvolvimento para este segmento,procurando desenvolver tecnologias com forte potencial de retorno, nomeadamenteos sistemas de optimização de inércia em mini-hídricas.Na área da reabilitação de edifícios, o desenvolvimento de materiais derevestimento de fachadas e coberturas com capacidade de produção de energiaeléctrica é cada vez mais uma realidade. As empresas devem apostar nodesenvolvimento deste tipo de materiais e na sua variedade, tendo como visão queno futuro todos os edifícios irão produzir energia eléctrica para a rede nacional.O processo de concretização desta estratégia deverá passar pela contrataçãotécnicos de investigação especializados, na aquisição de equipamentos específicos ena aliança estratégica com instituições de ensino superior de engenharia einvestigação, promovendo bolsas de estágios e projectos para mestrados edoutoramentos. DANIEL TIAGO FRAGA CAMPOS © NOV 2009
  24. 24. GA EGP © 2009

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