Anemia ferropriva na gestação
Luciana Chacur de Moura
Aluna do Curso de Graduação em Enfermagem.
Marilda de Almeida Pedros...
71Rev Enferm UNISA 2003; 4: 70-5.
maiorcomodesenvolvimentoadequadodavidareprodutiva
na saúde da mulher, principalmente num...
Rev Enferm UNISA 2003; 4: 70-5.72
60% das grávidas são anêmicas no mundo inteiro (6)
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Conforme ESCODA (12)
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(gravidez, etapas de crescimento) quando há um aumento
na absorção de ferro biodisponíve...
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unhasdelgadasecôncavasepicaoumalácia(desejoincomum
de ingerir substâncias incomuns) ® De...
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hematólogicas e gravidez. Rev Bras Hematol
Hemoterapia 2002; 24(01).
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2003 16

  1. 1. Anemia ferropriva na gestação Luciana Chacur de Moura Aluna do Curso de Graduação em Enfermagem. Marilda de Almeida Pedroso Docente do Curso de Graduação em Enfermagem. Orientadora. RESUMORESUMORESUMORESUMORESUMO No presente estudo foi realizada uma revisão bibliográfica, cujo objetivo em verificar a ocorrência da anemia ferropriva no decorrer do processo gestacional e avaliar seu impacto sobre a gestante. Sabe-se que devido ao aumento do consumo de nutrientes a gestação é um períodoespecialmentepropícioaodesenvolvimentodeanemiascarenciais,favorecendoassim a manifestação de outras doenças, entre elas a anemia ferropriva. A baixa concentração de hemoglobina pode ter efeito deletério para a mãe e para o feto. Cabe ao profissional de enfermagem orientar a gestante a suprir essa demanda maior de ferro que o organismo necessita durante a gestação, evitando assim a anemia ferropriva. Descritores: Anemia ferropriva; Gestantação; Assistência de enfermagem. Moura LC, Pedroso MA. Anemia ferropriva na gestação. Rev Enferm UNISA 2003; 4: 70-5. Rev Enferm UNISA 2003; 4: 70-5.70 INTRODUÇÃO A anemia é uma das mais freqüentes manifestações de doençasemtodoomundo.Mesmoempaísesdesenvolvidos, um terço dos pacientes admitidos a nível hospitalar são anêmicos.Muitasvezesasalteraçõeshematológicaspassam despercebidas ou são negligenciadas deixando de ser diagnosticadas patologias graves cujo prognóstico poderia ter sido mudado perante uma abordagem adequada (1) . Anemia significa uma deficiência de hemácias, que pode ser causada ou por perda muito rápida ou produção demasiado lenta de hemácias (2) . O diagnóstico é feito basicamente pela dosagem de hemoglobina (< 11mg/dl) e pelo valor do volume corpuscular médio (VCM) diminuído (Microcítica)(3) . Aanemiaferropriva,éconsideradacomoumdosmaiores problemasnutricionais.Édefinidacomoumadiminuiçãona concentração de hemoglobina, tendo como consequência redução da reserva de ferro no organismo. Apopulaçãoderiscoàdeficiênciadeferrosãooslactentes, pré-escolares, adolescentes e gestantes, independente da classesocialeoestadonutricional,commaiortendêncianas classes de menor nível sócio-ecônomico. Entre as anemias nutricionais, anemia ferropriva representa a deficiência nutricional específica de maior prevalência mundial. Emrelaçãoaospré-escolareseadolescentespodeocorrer deficiências específicas decorrentes de maior necessidades fisiológicas de nutrientes e de erros dietéticos. Em relação ao ferro, sabe-se que nesse período, o mineral absorvido da dieta deve repor a perda fisiológica basal e atender à maior demanda decorrente da taxa de crescimento acelerado que impõe, além do aumento da massa corporal, aumento do volume sanguíneo. Na mulher, a partir da menarca, torna- senecessáriaumaquantidadeadicionaldeferroparaatender às perdas menstruais que passam a acontecer (4) . As mulheres gestantes constituem o grupo mais crítico do ponto de vista da necessidade orgânica de ferro. A demanda total do mineral durante o processo gestacional, comumúnicofeto,étriplicada,emvirtudedasnecessidades do feto e da placenta em crescimento, da volemia materna emexpansão,bemcomodoaumentodamassadeeritrócitos e das perdas sanguíneas do parto. Além da gestante, o feto precisa de ferro para formar hemoglobina e constituir uma reserva para os primeiros três meses após o nascimento. Os enfermeiros-obstetras devem ter uma preocupação
  2. 2. 71Rev Enferm UNISA 2003; 4: 70-5. maiorcomodesenvolvimentoadequadodavidareprodutiva na saúde da mulher, principalmente num país como Brasil, cuja realidade sócio-cultural e econômica favorece tanto a gravidez quanto os riscos dela decorrentes. Este trabalho tem como objetivo, verificar a ocorrência da Anemia Ferropriva no decorrer do processo gestacional caracterizando e avaliando seu impacto sobre a gestante e o que assistência de enfermagem pode influir nesse processo. MÉTODO No presente estudo a metodologia adotada foi a revisão bibliográfica. Foi utilizado material de fonte secundária disponívelnabasededadosBIREME,LILACSeSCIELO,além do acervo da Biblioteca da Universidade Santo Amaro - UNISA, utilizandocomo palavras chavesanemiaferropriva, gestante e assistência de enfermagem. Nesse levantamento foram localizados vinte e quatro (24) artigos científicos, sempre buscando conteúdos ligados ao objetivo do estudo. Assim constituiu-se como fonte de dados oito (08) artigos de publicações periódicas e oito (08) em livros técnicos de procedência nacional e internacional publicados em portuguêseespanhol,abrangendooperíodode1985a2002. Foram procuradas afirmações e condutas pertinente ao assunto,fazendoumaanalisecrítica,alicerçadanaexperiência dos autores. RESULTADOS E DISCUSSÃO Definição Anemia é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a condição na qual o conteúdo de hemoglobina no sangue está abaixo do normal (Hb < 11mg/dl) como resultado da carência de um ou mais nutrientes essenciais, sejaqualforacausadessadeficiência.Asanemiaspodemser causadas por deficiência de vários nutrientes como Ferro, Zinco, Vitamina B12 e Proteínas. Porém, a anemia causada por deficiência de Ferro, denominada Anemia Ferropriva, é muito mais comum que as demais (estima-se que 90% das anemias sejam causadas por carência de Ferro) (5) . A anemia é uma das complicações mais freqüentes duranteagestaçãodependendodagravidadepodeterefeito deletério para a mãe e para o feto, por isso é necessária a prevenção e tratamento eficaz. Pode ser definida como concentração sangüínea de hemoglobina abaixo dos valores de normalidade para determinada faixa etária e sexo (6) . FatoresPredisponentes Assim sendo, o fato de ser jovem não constitui risco que aumenta a morbidade materna, especialmente porque a maioria das adolescentes engravida com idade ginecológica (anos pós-menárquicos) superior a 4 anos, porém alguns fatores tais como: imaturidade ginecológica (idade ginecológica inferior a 2 anos), subnutrição, exposição a ambientesinsalubreseexcessivamentecontaminados,baixo nível sócio-econômico e atendimento pré-natal incompleto ou tardio resultam em maior incidência de intercorrências obstétricas, que influenciam diretamente as taxas de morbidade e mortalidade materna e perinatal. Entre as complicações da gravidez na segunda década da vida inclui- se maior frequência de hipertensão, toxemia gravídica, anemia severa, complicações durante o parto (trabalho de parto prolongado, desproporção céfalo-pélvica, hemorragias), imaturidade do sistema hormonal, déficit de nutrientes frente às necessidades metabólicas basais aumentadas, maior risco de mortalidade materna, natimortalidade, prematuridade e baixo peso ao nascer (4) . Foi realizado um estudo que mostrou que gestantes anêmicas têm maior predisposição a partos prematuros. Estes dados foram obtidos depois do controle da idade materna, paridade, etnia, filho de menor peso ao nascer ou parto prematuro, hemorragias, número de cigarros consumidos por dia, e o índice de massa corpórea pré- gestacional (peso/altura ao quadrado) (6) . Existem também vários fatores epidemiológicos, como aidadearaçaeasituaçãosócio-econômica,influenciampara a prevalência da doença em gestantes. Assim a anemia ferropriva é mais freqüentemente observada em mulheres negras e hispânicas, que pertencem a grupos populacionais de baixa renda, e, ainda, em gestantes adolescentes com hábitos alimentares inadequados (7) . MetabolismodoFerro O organismo humano contém 3,5 a 4g de ferro total sob forma de ferro heme e não heme, assim distribuído: 70- 75%ligadoahemoglobina;3-5%amioglobina;20-25%como depósito no fígado, no baço, na medula óssea, ligado à ferritina e à hemossiderina; 0,1-0,5% em enzimas intracelulares e no plasma ligado à transferrina (8) . Anecessidadetotaldeferroelementarduranteoperíodo gestacional é de aproximadamente 800 a 1000mg, o que corresponde a um terço do ferro total do organismo. Para suprir esta necessidade o organismo utiliza diversos mecanismos, priorizando o novo ser em desenvolvimento, pois, por exemplo, para a produção da hemoglobina fetal, a utilização do ferro materno obtido através da placenta independe do estoque do ferro da mãe (9) . Cerca de 300 mg de ferro, ou mais, são transferidos para o feto e a placenta. Ofetoprecisadeferroparaformarhemoglobinaeconstituir umareservaparaostrêsprimeirosmesesapósonascimento, quando a ingesta do bebê é baixa. Até 500 mg de ferro são incorporados à hemoglobina materna à medida que o volumedeglóbulosvermelhosseexpande(10) . Emboraparte dessa demanda seja compensada pela amenorréia e pelo aumento da absorção intestinal de ferro, a necessidade é tão elevada que dificilmente pode ser preenchida apenas com ferro alimentar, sendo que o aumento da absorção de ferro varia de 0,8mg/dia no primeiro trimestre da gestação para 6,3mg/dia no segundo e terceiro trimestres (11) . Prevalência Aprevalênciade anemiaferropriva,emgestantesnorte- americanas, e de 3,5 - 7,4% durante o primeiro trimestre e aumenta para 15,6 - 55% ao final da gestação (7) . A deficiência de ferro e sua conseqüente anemia é reconhecida como a mais prevalente deficiência nutricional do mundo. Sendo que 47% das mulheres não grávidas e
  3. 3. Rev Enferm UNISA 2003; 4: 70-5.72 60% das grávidas são anêmicas no mundo inteiro (6) . Conforme ESCODA (12) , a prevalência da anemia ferropriva chega a uma razão de até 80% dos indivíduos em comunidades de baixas: renda e cobertura de esgotamento sanitário, dos países desigualmente desenvolvidos. Incide, predominantemente grupos de gestantes, lactentes e pré- escolares. Fisiopatologia A gravidez está associada a diversas modificações fisiológicas no organismo materno, incluindo alterações no volumesanguíneoenosfatoresenvolvidoscomhemostasia, que têm como consequência, a diminuição da concentração de hemoglobina. Estas alterações no volume sanguíneo iniciam-se por volta da sexta semana de gestação, e os mecanismos que as determinam são: o aumento da síntese protéica, a maior absorção de sódio e água e a retenção hídrica resultante de sobrecarga cardíaca imposta pela circulação útero-placentária. O aumento do volume plasmático estabiliza-se por volta da trigésima segunda semana da gestação(6) . Paraseestudaraanemiaferroprivaéprecisocompreender a forma como a deficiência de ferro se instala no organismo humano. Teoricamente, têm sido apontadas três etapas no seu desenvolvimento: a primeira delas é caracterizada pela diminuição das reservas de ferro, a segunda pela depleção dessas reservas e, finalmente, na terceira etapa ocorre redução do nível de hemoglobina circulante(4) . O primeiro estágio da deficiência de ferro envolve um desequilíbrio no balanço entre a quantidade do mineral biologicamente disponível e a necessidade orgânica. Nessa fase,alémdepromovermaiorabsorçãointestinaldomineral, o organismo passa a mobilizar o ferro dos depósitos. Assim, para se diagnosticar a deficiência de ferro é preciso avaliar a suareserva.Nopassado,esseprocedimentorequeriatécnica complicada que envolvia o exame histológico da medula óssea para pesquisar a presença de mancha de ferro. Atualmente, a determinação da reserva é feita pela medida daconcentraçãodeferritinanosoro,aqualmantémestreita correlação com o compartimento de reserva, onde o ferro se encontra sob a forma de ferritina e hemossiderina(4) . Nosegundoestágio,quandoasreservasdomineralestão praticamenteesgotadas,duasmedidassãoúteisparaavaliar a adequação do suprimento de ferro para a síntese de hemoglobina. São elas a saturação da transferrina e a concentração de protoporfirina eritrocitária(4) . Finalmente, no terceiro estágio da deficiência de ferro, a depleção das reservas do mineral acarreta deterioração da qualidade e quantidade dos eritrócitos formados (células menores e com baixa concentração de hemoglobina). Somente nesta etapa, quando a anemia já instalada, é que a determinação da concentração de hemoglobina é capaz de diagnosticar o quadro(4) . O diagnóstico de anemia por deficiência de ferro na gravidez é difícil. Uma vez que, comumente, as mulheres com esta anemia são assintomáticas, ela é descoberta ancidentalmente,aoserealizartesteslaboratoriaisderotina de acompanhamento pré-natal(13) . Por razões desconhecidas, o volume corpuscular médio (VCM) aumenta discretamente durante os dois primeiros trimestres e tende a mascarar uma carência não acentuada. Os estudos do ferro, como as determinações séricas e da capacidade máxima de transporte, são usados, rotineiramente, para a investigação da carência do mineral. O melhor teste laboratorial para avaliar a quantidade do ferro disponível é a dosagem da ferritina sérica, a qual está diretamente relacionada aos depósitos de ferro(7) . Efeitos da Carência de Ferro para Mãe e o Feto O feto é capaz de obter ferro que precisa independentemente do estoque apresentando pela mãe. Mecanismos placentários “pegam” a transferrina materna, removem o ferro e o transporta ativamente para o feto, contra um alto gradiente de concentração. O ferro fetal provém, portanto, dos estoques maternos e, se estes estão depletados, ele irá adquirir o seu ferro da quebra de eritrócitos ou da absorção intestinal materna(13) . A anemia é prejudicial tanto para a gestante quanto para seu filho e está associado com o maior risco de morbimortalidade materno-fetal. Uma gestante anêmica necessita de uma maior esforço cardíaco para manter o aporte adequado de oxigênio à placenta e células fetais, tem menor capacidade de trabalho físico e mental, se cansa facilmente, apresenta maior risco de infecção e uma menor tolerância à perda de sangue durante o parto. Em relação ao recém-nascido,quandoosníveisdehemoglobinasãobaixos, háumadiminuiçãodosuprimentodeoxigêniooquefavorece a hipóxia fetal, desencadeando uma maior incidência de óbitos neonatal e perinatal, aborto, prematuridade e baixo peso ao nascer (14) . Alguns estudos indicam o aumento do riscodepré-eclâmpsia,criançasdebaixopesoaonascimento eóbitoneonatais.Édifíciladissociaçãoentreacarênciaisolada do ferro e outros fatores de risco, como por exemplo a desnutrição, sendo assim a criança nascida de mãe carente em ferro não tem anemia ferropriva ao nascimento, entretanto, essas crianças apresentam menores reservas de ferroecorremmaiorriscodedesenvolveranemiaferropriva durante a infância(7) . A deficiência de ferro pode levar a uma deficiência nutricionalgeneralizadaporcausadaassociaçãodepicacom deficiência de ferro. A pica, que é o desejo bizzarro pela ingestão oral de uma determinada substância inusitada em espécie e/ou quantidade, pode levar a ingestão de grandes quantidades de substâncias tais como argila (geofagia), amido (amilofagia) ou gelo (pagofagia). Esses materiais podem substituir não só calorias nutritivas como exagerar a deficiência de ferro complexando-o dentro do intestino; a ingestão de fermento em pó tem levado a confusão com eclâmpsia(15) . BiodisponibilidadedoFerroDietético O mecanismo de absorção do ferro, como visto anteriormenteébastanteeficiente,constituindo-senachave mestra da regulação do balanço de ferro no organismo. Existem algumas situações que podem alterar este processo de absorção, como por exemplo situações fisiológicas
  4. 4. 73Rev Enferm UNISA 2003; 4: 70-5. (gravidez, etapas de crescimento) quando há um aumento na absorção de ferro biodisponível, estado nutricional, patologias e a forma química na qual o ferro se encontra (hemínica ou não-hemínica)(8) . Existe o ferro heme (derivado da hemoglobina e mioglobina) e não heme (derivado de produtos vegetais). Nos nutrientes o ferro heme é encontrado nos tecidos animais como carne de vaca, fígado, frango e peixe em proporção de 40,0%, 60,0% restantes é o não heme encontrado em outros tecidos animais, cereais, frutas e hortaliças. O ferro heme é absorvido pela mucosa intestinal como complexo porfirina intacto sendo pouco afetado pela composiçãodosalimentosesecreçõesgastrointestinais,mas pela deficiência de ferro. O ferro não heme é afetado pela composição da refeição, assim como outros fatores. Para ser absorvido o ferro não heme deve estar presente no duodeno e jejuno superior numa forma solúvel, ionizado pelo suco gástrico(6) . Fatoresdietéticospodematuarestimulandoouinibindo a absorção do ferro não heme. O ácido ascórbico é um potente facilitador da absorção do ferro, quando oferecido juntamente com a refeição, podendo aumentar a biodisponibilidade de dietas consideradas como de baixa ou média biodisponibilidade, observou que a absorção do ferro não hemínico melhorou consideravelmente quando eram administrados500mgdeácidoascórbicodurantearefeição, sendoesseefeitonãoverificadocomaadministraçãoquatro ou oito horas antes da refeição. Ao analisarem a adição de suco de laranja a diferentes tipos de café da manhã, sendo que a presença de suco promoveu uma maior absorção do ferro em refeições com a presença de chá, café ou aveia, alimentos que possuem fatores que inibem a absorção do ferro(8) . As carnes de boi, porco, veado, carneiro, fígado, peixe e galinha acentuam a absorção, entretanto, o leite e seus derivados dificultam. O leite humano é o único alimento no qualoferroestápresenteemquantidadesadequadas,sendo absorvido pelo lactente, mas, o leite de qualquer fonte, após as refeições diminui a absorção de ferro pois, de imediato proporciona um meio básico, sendo que o grau de acidez gástrica influencia a solubilidade e disponibilidade do ferro no alimento(6) . Prevenção Para a prevenção da anemia ferropriva são muito importantes as atividades educativas dirigidas à equipe de saúde e a comunidade sobre o princípio das misturas alimentares com propósito de aumentar a absorção de ferro(6) . Em geral é necessário fornecer ferro suplementar para atender às necessidades da gestação, especialmente na segundametade.Oferromedicinal,sobaformadefumarato ferroso, sulfato ferroso ou gluconato ferroso, pode ser prescrito como profilaxia da deficiência de ferro. Não se recomenda,todavia,ousodeferrosuplementarnoprimeiro trimestre, por causa do agravamento dos sintomas gastrintestinais comuns a esse período da gestação (10) . A quantidade de ferro na dieta alimentar para prevenir a anemia ferropriva é estimada segundo as necessidades que são determinadas pela demanda do crescimento tecidual, produção de hemoglobina, reposição de ferro perdidos nas fezes, urina, suor e na mulher, perdas menstruais, gravidez e lactação. A ingestão ideal de ferro seria de 10,0 mg/dia para mulheres e homens mais velhos, e 18,0 mg/dia para mulheres em idade reprodutiva, sendo esta a quantidade para garantir perdas menstruais e as demandas da gestação(6) . A administração de ferro para todas as gestantes não é universalmente aceita, particularmente para aquelas com boa nutrição e sem antecedentes de perdas de sangue. Emboranãohajaevidênciasdosbenefíciosdasuplementação profilática de ferro a gestantes, considerando o crescimento do feto, o aumento da concentração de hemoglobina materna e a prevenção de pré-eclâmpsia, este parece ser o procedimento mais adequado, uma vez que diminui a prevalência de anemia ferropriva na mãe após o parto, e de anemia ferropriva na criança durante a infância(7) . Apesarda discussãosobreagestaçãocomoumacondição de não-deficiência de ferro, a questão está em saber se as gestantes tem estoque de ferro suficientes para suprir a demanda necessária na gestação e se a dieta é suficiente para complementar o suprimento desta necessidade. Não obstante, a maioria dos estudiosos, inclusive os comitês técnicoscontinuamrecomendandoasuplementaçãodeferro de rotina na gestante, principalmente na segunda metade da gestação. Na maioria dos casos, esta recomendação é baseado no pressuposto de que a redução da hemoglobina é revertida com a suplementação do ferro(9) . Tratamento É feito preferencialmente com sulfato ferroso (Sulfato Ferroso) - comprimidos de 300mg (contém 60mg de Fe), três vezes ao dia antes das refeições, mantendo por três meses após a normalização da Hb no puerpério e lactação. Apósousodoferroparenteral(Noripuruminjetável-amps. 2ml) é indicado quando a absorção por via oral não for adequada, com riscos de reação anafilática e pigmentação local. O produto parenteral contém 50mg/cc e o cálculo da dose é feito pela fórmula total de ml = peso x diferença % de Hgb x 0,66/50, ministrada em 2 a 4ml a cada dois dias por via intramuscular (IM) profunda sem massagem local(16) . IntervençãodeEnfermagem Uma das praticas da assistência à mulher no período pré-natalé,alémdeacolheragestantedesdeoperíodoinicial da gravidez assistindo-a em todos os estágios de mudanças físicas e emocionais, o de intervir na redução dos índices de morbimortalidade materna e perinatal bem como o de ampliar o conhecimento dos seus direitos como mulher. Osprincípiosbásicosdaintervençãodeenfermagempara a prevenção e tratamento da anemia ferropriva na gestação: - Iniciar o pré-natal nas primeiras semanas de gestação Detectar possíveis carências nutricionais (ferro), precocemente. -Informar ao enfermeiro qualquer dos seguintes sintomas: fraqueza, fadiga, mal-estar, língua lisa e dolorosa,
  5. 5. Rev Enferm UNISA 2003; 4: 70-5.74 unhasdelgadasecôncavasepicaoumalácia(desejoincomum de ingerir substâncias incomuns) ® Detectar casos graves de anemiaferropriva;quepodecausarcolapsocardíacodurante o parto e reflete sobrecarga nas reservas fisiológicas. - Obedecer um plano de exercícios, atividades e repouso: segundo a idade gestacional ® Conservar força física, emocional e para maior absorção dos nutrientes. - Não fumar ® O fumo provoca um aumento na placenta: sendoummecanismodecompensaçãoparaevitarahipóxia, aumentando a demanda de hemoglobina e risco de prematuridade. - Ingerirdiariamenteealternadamente:carnevermelha, órgãos principalmente: rim e coração, peixes, aves, vegetais folhosos e frutas secas ® Manter nutrição adequada prevenindoaanemiaferropriva:sendoquecarnesvermelhas evíscerassãofontesricasdeferro,sobaformaferroso(ferro- heme) que é altamente absorvido. Os vegetais são fontes precárias de ferro absorvível. - Ingerir fontes de vitamina C (ácido ascórbico) a cada refeição: laranja, tangerina e couve-flor ® A vitamina C proporciona a formação de um quelato solúvel devido ao pH baixo. Quando o bolo alimentar chega ao intestino delgado(pHbásico)mantémopHácidoidealparaaabsorção do ferro. - Após a refeição evitar ingerir leite e seus derivados O leite alcaliniza o meio, portanto, não ocorre a formação do quelato que suportaria o pH elevado no intestino delgado, dificultando a absorção do ferro. - Consumir o leite e seus derivados no intervalo entre as refeições ® O leite possui cálcio que auxilia na remoção de oxalato, fosfato e filato, que se combinam com o ferro e inibem sua absorção. - Após a refeição evitar a ingesta de chá ou café No chá e no café é encontrado o tanino; que reduz a absorção do ferro. - Evitar a ingestão de anti-ácidos e laxantes ® Os anti- ácidos afetam a absorção de ferro; pois alcalinizam o meio. Os laxativos aumentam a motilidade intestinal; desta maneira diminui a absorção do ferro. -Noscasosdegestantescomvaloressanguíneosmenores ou iguais a 11mg/100ml, indicar a suplementação férrica de acordo com prescrição médica ® O tratamento precoce e eficaz, associado a dieta alimentar adequada, evita as complicações maternas e fetais da anemia ferropriva. - Por ocasião do parto, após o puerpério ocorrendo a menstruaçãoénecessárioaumentaraingestãodealimentos ricos em ferro ® Evitar a anemia ferropriva por perdas sanguíneas. - Após o parto procurar orientação médica para melhor método contraceptivo ® Evitar intervalos intergestacionais curtos. - Incentivar o aleitamento materno exclusivo ® A lactoferrina constitui 26% das proteínas do soro do leite humano e sua presença favorece a absorção de ferro. Além disso,alactoferrinaaoseligarcomoferronotubodigestivo, evita que este seja utilizado pelos germes patogênicos intestinais para sua multiplicação. - Orientar quando a importância das consultas pediátricas regu ares ® A dieta pode não estar adequada em qualidadeeouquantidade,nessescasosocontroledosníveis sanguíneos de hemoglobina e suplementação férrica podem estar indicados(6) . CONCLUSÃO Este estudo nos mostra que o período gestacional está associado a diversas modificações fisiológicas no organismo materno, incluindo alterações no volume sanguíneo e nos fatores envolvidos com hemostasia, que tendo como consequência,adiminuiçãodaconcentraçãodehemoglobina, e como efeito a redução da reserva de ferro no organismo, gerandoassimaanemiaferropriva.Issoaconteceindepende das condições precárias de vida, fatores sócio-econômicos, classe social e dieta alimentar. Visto que, na coleta de dados bibliográficos encontrou- se que o acompanhamento inadequado das consultas de pré-natal, percebeu-se que a anemia ferropriva tem efeitos deletérios para a mãe e para o feto tais como: maior risco de infecção, aborto, hipóxia fetal, desencadeando uma maior incidência de óbitos neonatal e perinatal, prematuridade e baixo peso ao nascer, é reconhecida como a mais prevalente deficiência nutricional do mundo. Sendo que 47% das mulheres não grávidas e 60% das grávidas são anêmicas no mundo inteiro. Concluí-se então que para mantermos uma boa qualidade da saúde da mulher no período gestacional é fundamental uma assistência integral e constante, por isso recomenda-sefazeraconsultadopré-natallogonoprimeiro trimestre da gestação, quando é função do enfermeiro orientar, prevenir e tratar a anemia ferropriva reduzindo assim consideravelmente os riscos materno-fetais. REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS 1. Bacha CA. Anemias carenciais e gravidez. Femina 2001; 29(6): 397-401. 2. 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  6. 6. 75Rev Enferm UNISA 2003; 4: 70-5. hematólogicas e gravidez. Rev Bras Hematol Hemoterapia 2002; 24(01). 10. Ziegel EE, Cranley MS. Enfermagem Obstétrica. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan; 1985. 11. Fujimori E, Laurenti D, Cassana LMN, Oliveira IMV, Szarfarc SC. Anemia e deficiência de ferro em gestantes adolescentes. Rev Nutrição 2000; 13(03). 12. Escoda MSQ. Anemia ferropriva. [dissertação].Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte; 2000. 13. Marinho HM, Chaves DC. Anemias. In: Rezende J. Obstetrícia. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan; 1998. p. 425-426. 14. Fujimori E, Laurenti D, Núñes de Cassana LM, Oliveira IMV, Szarfarc, 1999. SC. Estado nutricional del hierro de gestantes adolescentes, São Paulo, Brasil. Archivos Latinoamericanos de Nutricion 1999; 49(1): 8-12. 15. Duffy TP. Aspectos Hematológicos na Gravidez. In: Burrow GN, Ferris TF. Complicações clínicas durante a gravidez. São Paulo: Roca; 1996. p. 63-65. 16. Silva HF. Anemias. In: Zugaib M, Bittar RE. Protocolos Assistenciais Clínica Obstétrica FMUSP. São Paulo: Atheneu; 1999.

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