Monsaraz

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Monsaraz

  1. 1. Monsaraz no Alentejo clicar para mudar de slide
  2. 2. AldeiaNove casasduas ruasum largoao meio do largoum poço de água fria.Tudo isto tão paradoe o céu tão baixoque quando alguém grita para longeum nome familiarse assustam pombros bravose acordam ecos no descampado Manuel da Fonseca
  3. 3. tenho duas casas paralelasa circular em planos paralelosnunca se tocam?por cima das nuvens por baixo da terraas duas casas deslocam-seem cartilagens invisíveis aproximam-seda honra paralelas aproximam-sedo aroma paralelas aproximam-sedo encontro marcado do infinitofixo dois sóis abro os dois braçose com uma casa em cada braçoaponto as duas casas aos dois horizontese tento juntá-lascom o movimento magnéticoda linha escrita nas palmas Paulo Condessa o céu dentro da boca
  4. 4. ALENTEJOA luz que te ilumina,Terra da cor dos olhos de quem olha!A paz que se adivinhaNa tua solidãoQue nenhuma mesquinhaCondiçãoPode compreender e povoar!O mistério da tua imensidãoOnde o tempo caminhaSem chegar!... Miguel Torga Diário XII, 20 de Outubro de 1974
  5. 5. Casas no sol A casa é branca, branca de cal (que de todos os brancos é oúnico que é branco), debruada de azul, por ser à beira-mar a cor daalegria. Branca e fechada – não vá o sol que arde nos telhadospenetrar insidiosamente por alguma fresta e incendiar o silênciomelindroso da alcova. A obscuridade quase não consente acontemplação do rosto infantil que ali dorme até ao sol teramansado. Só então desperta e se refugia nos braços que já oesperam. Por este rapazito serias capaz de correr o mundo a pé-coxinho, se ele to pedisse, ou de entrar pelo buraco da fechadurasó para o veres dormir. Eugénio de Andrade Vertentes do Olhar
  6. 6. Toda a aldeia era feita de um tempo muito antigo.Nas casas, nas ruas, nos usos e nos costumes.Mesmo os corpos dos aldeões, no jeito especial deos utilizarem, tinham também um toque rude eprimitivo. O modo de andar, por exemplo, eradesengonçado e langão, como se levassem às costasa sua carga de séculos. Mas era sobretudo nas casasque o peso do tempo mais se sentia. A genteolhava-as e via logo que tinham sido casasconstruidas no eterno. Vergílio Ferreira Uma Esplanada sobre o Mar
  7. 7. O sol às casas, como a montes,Vagamente doura.Na cidade sem horizontesUma tristeza loura.Como a sombra da tarde desceE um pouco dóiPorque quando é tardeTudo quanto foi.Nesta hora mais que em outra choroO que perdi.Em cinza e ouro o rememoroE nunca o vi.Felicidade por nascer,Mágoa a acabar,Ânsia de só aquilo serQue há de ficar –Sussurro sem que se ouça, palmaDa isenção.Ó tarde, fica noite, e alma Fernando PessoaTenha perdão. Cancioneiro
  8. 8. Inverno, manhã cedo. A luz que banhaA paisagem é gélida e cinzenta;A vaga pompa do cenária ostenta,Ao largo, as serras húmidas de Espanha.Hortas, vinhedos e a carcaça estranhaDe Monsaraz, numa ascensão violenta;A erva tenrinha os gados apascenta,Que em tons de bronze a terra desentranha.E eu olho essa paisagem dolorida,Testemunha que foi da minha vida,Povoada agora de visões errantes....Eu olho-a e dentro da minha alma afago-a,Que os seus olhos longínquos, rasos de água,São hoje os mesmos que me olhavam dantes. Antonio de Macedo Papança (Conde de Monsaraz)
  9. 9. Não basta abrir a janelaPara ver os campos e o rio.Não é bastante não ser cegoPara ver as árvores e as flores.É preciso também não ter filosofia nenhuma.Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.Há só cada um de nós, como uma cave.Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,Que nunca é o que se vê quando se abre a janela. Alberto Caeiro
  10. 10. Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver o Universo …Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquerPorque eu sou do tamanho do que vejoE não do tamanho da minha altura … Alberto Caeiro
  11. 11. MIRADOIRONão sei se vês, como eu vejo,Pacificado,Cair a tardeSerenaSobre o vale,Sobre o rio,Sobre os montesE sobre a quietaçãoEspraiada da cidade.Nos teus olhos não há serenidadeQue o deixe entender.Vibram na lassidão da claridade.E o lírico poema que me acontecerVirá toldado de melancolia,Porque daqui a pouco toda a poesiaVai anoitecer. Miguel Torga Diario XIV, 5 de setembro de 1986
  12. 12. Fotografias : Agnès Levécot 21 de Abril de 2009

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