ENTECA 2011                                   VIII Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura                 ...
1. INTRODUÇÃO        Os resíduos de construção e demolição (RCD) representam, segundo John, Angulo e Kahn(2006), de 13% a ...
na terminologia comercial em algumas usinas brasileiras como agregado cinza e agregadovermelho, observando visualmente e r...
Tabela 1 – Caracterização granulométrica do agregado miúdo de RCD Peneira(mm)         Peso retido (g)       Peso retido ac...
Processo de secagem em estufa elétrica a temperatura de 105 graus Celcius por período de24 horas segundo norma NM 248: 200...
Figura 4 – Moldagem de corpos de prova3.2.1. Desenvolvimento do traço no 1         As Tabelas 3 e 4 apresentam respectivam...
Figura 5 – Placa moldada com auxílio de mesa vibratória       As Tabelas 5 e 6 apresentam a composição do traço e as resis...
No que diz respeito ao agregado graúdo, observa-se que a granulometria é semelhante àapresentada pelas britas, número 0 e ...
absorção de água. Apesar de serem propriedades relacionadas à porosidade, que é um critériovinculado à resistência mecânic...
5. CONCLUSÕES        Este trabalho se refere ao estudo de viabilidade de produção de concreto com agregados deRCD reciclad...
____________. ABNT NBR 9062: Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado. Riode Janeiro, 2006.____________. A...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Art painéis com resíduos de construção e demolição – rcd. parte i aptidão do rcd para uso em concreto

517 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
517
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
10
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Art painéis com resíduos de construção e demolição – rcd. parte i aptidão do rcd para uso em concreto

  1. 1. ENTECA 2011 VIII Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura 8 - 10 Novembro 2011 ISSN 1808-3625 PAINÉIS COM RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO - RCD. PARTE I: APTIDÃO DO RCD PARA USO EM CONCRETO Jorge Daniel de Melo Moura 1 Adauto Pereira Cardoso2 Ederaldo Furlaneto Jr 3 Marcos Carlos Strass 4RESUMOO setor da construção civil no Brasil é um dos que exercem maior impacto ambiental, tanto pelo altoimpacto na produção de seus insumos como pela irracionalidade dos processos construtivos e dedemolição. Os Resíduos de Construção e Demolição (RCD), no Brasil e no exterior, somam mais de50% em massa do total de resíduos sólidos urbanos. Esta constatação motivou a investigação do usode concreto composto com agregados de RCD reciclados na produção de painéis pré-fabricados. Aprimeira etapa de trabalho, descrita neste artigo, tem o foco no estudo da viabilidade do uso dosagregados de RCD em traços de concreto. A análise granulométrica dos agregados de RCD mostrasimilaridades com os agregados naturais. As massas específicas aparentes apresentam valores 25%inferiores aos dos agregados naturais, sugerindo porosidade maior e um concreto mais leve que oconvencional. Para o primeiro traço ensaiado, adensado de forma convencional, aplicou-se um fatorágua/cimento alto. A alta absorção de água do material em relação aos agregados naturais aliada aoelevado fator a/c aplicado para a melhora da plasticidade, contribuiu para o baixo desempenhomecânico do concreto. A inserção do adensamento mecânico permitiu a redução do fator a/c dosegundo traço a níveis comparados ao do concreto com agregados naturais. A resistência deste traçoatingiu valores próximos do preconizado para o concreto convencional. Algumas dificuldadesencontradas no estudo estão relacionadas à deficiência observada na triagem, controle de qualidade eprocessamento da fração mineral de RCD e variabilidade intrínseca dos agregados reciclados. Porém,este material apresenta-se como extremamente promissor, possibilitando a ampliação do campo deutilização dos materiais reciclados na construção civil e contribui para novas práticas construtivasambientalmente amigáveis e tecnicamente eficientes.Palavras-chave: Concreto de RCD. Resíduos de construção e demolição. Agregados para concreto.1 Prof. Dr.,Univ. Est. de Londrina do Dep. de Arquitetura e Urbanismo-jordan@uel.br2 Prof. MSc., Univ. Est. de Londrina do Dep. de Arquitetura e Urbanismo- adautoarq@uel.br3 Prof. MSc., Univ. Est. de Londrina. Dep. de Construção Civil-ederaldof@bol.com.br4 Prof. MSc., Univ. Est. de Londrina do Dep. de Construção Civil - marcos.strass@uel.br
  2. 2. 1. INTRODUÇÃO Os resíduos de construção e demolição (RCD) representam, segundo John, Angulo e Kahn(2006), de 13% a 67% em massa, dos resíduos sólidos urbanos. Com base em informações dosmesmos autores, se mantida a média nacional estimada em 2002, de 500 kg/habitante por ano, emLondrina seriam produzidos anualmente um total de 250 mil toneladas de resíduos sólidos. Destetotal, acima de 32,5 mil toneladas seriam de RCD. Diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão e manejo correto de resíduos daconstrução civil visando destinos mais nobres para os resíduos gerados nessa atividade foramestabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente, por meio da Resolução no 307. Osresíduos de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e infraestrutura, deedificações e de peças pré-moldadas em concreto são classificados, com base nesta resolução, comoresíduos de classe A, ou seja, resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados. (BRASIL,2002) Dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico realizada em 2008 demonstram que deum total de 5.564 municípios brasileiros, 392 têm algum tipo de processamento dos resíduos deconstrução e demolição. Destes, 79 reaproveitam agregados produzidos a partir do processamentodos resíduos na fabricação de componentes construtivos e apenas 20 fazem a triagem e a trituraçãodos resíduos classe A, com classificação granulométrica dos agregados reciclados. (IBGE, 2010) A empresa Kurica Seleta Ambiental de Londrina é hoje uma das que recebe entulho deconstrução tanto de obras novas quanto de demolição, produzindo quantidades substanciais de RCDmoído. O material ainda não é utilizado em larga escala por várias razões, sendo a principal, a faltade conhecimento das características do material e seu desempenho. (a) (b) Figura 1 – Kurica Ambiental (a) Agregado graúdo de RCD reciclado (brita); (b) Agregado miúdo RCD (areia artificial) É imperativa a reutilização e reciclagem de produtos a fim de retirar da natureza grandequantidade de entulho e o transformar em novos insumos para o mesmo setor como a areia opedrisco e a pedra em várias composições granulométricas. Em 2004 entrou em vigor a ABNT:NBR 15116 (2004) que prevê a utilização dos agregadosreciclados para camadas de pavimentação e para o preparo de concretos sem função estrutural. A utilização no preparo de concretos com função estrutural depende ainda de estudos queviabilizem esta tecnologia e deve ser tratada futuramente em normalização específica. Os resíduos sólidos pertencentes à classe A, oriundos de áreas de reciclagem organizadas emacordo com a NBR 15114, devem atender aos requisitos das aplicações específicas apresentadas naNBR 15116 e ser classificados como: agregados de resíduo de concreto (ARC), em cuja fraçãograúda são compostos de no mínimo 90% em massa de fragmentos à base de cimento portland erochas. e; agregado de resíduo misto (ARM), em cuja fração graúda são compostos com menos de90% em massa de fragmentos à base de cimento portland e rochas (ABNT, 2004). São classificados Anais do VIII Encontro Tecnológico de Engenharia Civil e Arquitetura 2
  3. 3. na terminologia comercial em algumas usinas brasileiras como agregado cinza e agregadovermelho, observando visualmente e respectivamente a predominância de componentes deconstrução de natureza cimentícia ou cerâmica. A homogeneidade proporcionada por esta classificação não é suficiente para aproximar ascaracterísticas de desempenho estrutural dos produtos resultantes dos agregados recicladosclassificados como ARC do desempenho do concreto que os originou. Algumas razões para os agregados de RCD reciclados serem indicados por norma, até omomento, apenas para o preparo de concreto sem função estrutural, em substituição total ou parcialaos agregados convencionais, desde que não contrariem exigências contidas nas normas pertinentesà aplicação específica em cada caso, são as dificuldades relacionadas ao processo de obtenção destamatéria-prima. Estas dificuldades, apontadas por John, Angulo e Kahn (2006, p. 175), são: a baixaeficiência da classificação do RCD mineral; a variabilidade intrínseca observada nos agregados deRCD reciclados e fases presentes e; a correlação insuficiente entre os resultados de controle dequalidade tradicionais desses agregados e o desempenho de concretos produzidos a partir destes. Apesar destas dificuldades, observa-se que a disponibilidade do RCD e a necessidade deformação de mercado consumidor que faça uso adequado deste material são potencialmentecompatíveis com o propósito do presente estudo. O objetivo deste trabalho é a análise daviabilidade do emprego de agregados de RCD da classe A na confecção de concretos para aplicaçãoem painéis estruturais. Esta primeira parte trata do estudo do material em si, enquanto que numasegunda parte, será analisada a confecção dos painéis.2. METODOLOGIA E DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA A primeira etapa foi a determinação das características físicas do material, granulometria,umidade e massa específica. Na seqüência, se passou a confeccionar traços de concreto realizados com RCD e ensaiá-losatravés de corpos de prova de compressão. Finalmente se moldaram placas com lançamento do concreto sem e com adensamentomecânico.3. RESULTADOS3.1. Caracterização do material reciclado de RCD A primeira etapa do trabalho foi a caracterização dos agregados. Os resultados dos ensaiosfísicos são enunciados abaixo.3.1.1. Determinação da composição granulométrica do agregado miúdo de RCD (areia artificial) O agregado é produzido a partir de cerâmica vermelha triturada (telhas e tijolos). A amostraensaiada é de 1000g, com teor de umidade h=0%. O aspecto do material pode ser visualizado na Figura 2a Anais do VIII Encontro Tecnológico de Engenharia Civil e Arquitetura 3
  4. 4. Tabela 1 – Caracterização granulométrica do agregado miúdo de RCD Peneira(mm) Peso retido (g) Peso retido acumulado % retida % retida acumulada 4,8 5,00 5,00 0,5 0,5 2,4 150,00 155,00 15 15,5 1,2 155,00 310,00 15,5 31 0,6 225,00 535,00 22,5 53,5 0,3 250,00 785,00 25 78,5 0,15 155,00 940,00 15,5 94 0,075 40,00 980,00 4 98 FUNDO 20,00 1000,00 2 100 (a) (b)Figura 2 – (a) Agregados miúdo e graúdo de RCD; (b) Moldagem das placas para ensaio3.1.2. Determinação da composição granulométrica do agregado graúdo de RCD (brita artificial) O agregado é produzido a partir de cerâmica vermelha triturada (telhas e tijolos) e entulhode concreto de cimento e reboco de paredes. A amostra ensaiada é de 1000g, com teor de umidadeh=0% Tabela 2 - Resultados de ensaio granulométrico do agregado graúdo Peneira(mm) Peso retido (g) Peso retido acumulado (g) % retida % retida acumulada 4,8 705,00 70,5 70,5 70,5 2,4 225,00 22,5 22,50 93,00 1,2 20,00 2 2 95,00 0,6 15,00 1,5 1,5 96,50 0,3 15,00 1,5 1,5 98,00 0,15 10,00 1 1 99,00 0,075 5,00 0,5 0,5 99,50 FUNDO 5,00 0,5 0,5 100,003.1.3. Determinação dos teores de umidade do agregado miúdo de RCD (areia artificial) Amostra 5000g, retirada de estoque acondicionado ao ar livre. Parâmetro a ser calculado: h = teor de umidade em % Parâmetros medidos: Ph = peso da amostra úmida Ps = peso da amostra seca Anais do VIII Encontro Tecnológico de Engenharia Civil e Arquitetura 4
  5. 5. Processo de secagem em estufa elétrica a temperatura de 105 graus Celcius por período de24 horas segundo norma NM 248: 2001 (ABNT, 2003). h(%)= Peso de água/ Peso da amostra seca h(%)= (Ph-Ps)/Ps Ph= 5000g Ps= 4605g h%=(5000-4605)/4605 = 0,0857*100 h%= 8,57%3.1.4. Determinação dos teores de umidade do Agregado graúdo de RCD (brita artificial) Amostra 5000g, retirada de estoque acondicionado ao ar livre. Processo de secagem emestufa elétrica a temperatura de 105 graus Celcius por período de 24 horas segundo norma NBR7217. Ph= 5000 g Ps= 4560 g h%= (5000-4560)/4560 = 0,0965*100 h%=9,65%3.1.5. Determinação do peso unitário (massa específica aparente, do agregado miúdo de RCD(areia artificial) = massa específica aparente (massa unitária) m= massa da amostra em kg  = 1,259 Kg/dm3 V= volume aparente em dm33.1.6. Determinação do peso unitário (massa específica aparente, do agregado graúdo de RCD(brita artificial)  = 1,016 Kg/dm3 Figura 3 – Placa de concreto de agregados de RCD reciclados com massa específica 25% inferior ao concreto convencional3.2. Concreto produzido com agregados de RCD reciclado A seguir, passa-se a descrever a confecção e ensaios de concreto realizado com os agregadosacima caracterizados. Anais do VIII Encontro Tecnológico de Engenharia Civil e Arquitetura 5
  6. 6. Figura 4 – Moldagem de corpos de prova3.2.1. Desenvolvimento do traço no 1 As Tabelas 3 e 4 apresentam respectivamente o traço e as resistências características dotraço. Tabela 3 - Traço no 1 em volume do concreto utilizado material quantidade Brita RCD 20,45L Areia RCD 20,45L Cimento 1 saco (50kg) Cal 12,5Kg H2O 33L Fator água/cimento 0,66 Concreto pronto 100L Tabela 4 - Resistência à compressão de corpos de prova cilíndricos do traço no 1 Corpo de prova Diâmetro mm Secção mm2 Força aplicada Kgf Tensão de ruptura Mpa 1 100 7854 3676 4.6 2 100 7854 3710 4.6 3 100 7854 3486 4.4 4 100 7854 3743 4.7 5 150 17671 7285 4.0 Resist. média 4,46 Resist. mín. 4.00 Resist. max. 4.703.2.2. Desenvolvimento do traço no 2 As observações obtidas nos ensaios do traço no 1 levaram à introdução de mesa vibratória(Figura 5) a fim de melhorar o adensamento deste concreto de traço no 2, mantendo o fator água/cimento em valores convenientes à melhora do seu desempenho. Anais do VIII Encontro Tecnológico de Engenharia Civil e Arquitetura 6
  7. 7. Figura 5 – Placa moldada com auxílio de mesa vibratória As Tabelas 5 e 6 apresentam a composição do traço e as resistências características doconcreto produzido neste novo processo. Tabela 5 - Composição do traço no 2 Material Quantidade Brita RCD 20,45L Areia RCD 20,45L Cimento 1 saco (50 kg) Cal 12,5Kg H2O 20,5L Fator água/cimento 0,41 Concreto pronto 100L A Tabela 5, mostra o traço no 2 com a mesma composição que o traço no 1 com exceção dofator água/cimento. Tabela 6 - Resistência à compressão de corpos de prova cilíndricos traço no 2 Corpo de prova Diâmetro Secção mm2 Força aplicada Kgf Tensão de ruptura Mpa 1 100 314,16 62832 20,00 2 100 314,16 61725 19,64 3 100 314,16 62003 19,73 4 100 314,16 62857 20,00 5 100 314,16 62863 20,00 Resist. média 19,87 Resist. mín. 19,64 Resist. max. 20,004. DISCUSSÃO4.1. Granulometria e massa específica aparente Em relação à granulometria dos agregados, a análise da Tabela 1 demonstra que agranulometria do agregado miúdo é semelhante à observada na areia natural silicosa/quartzosaencontrada na região sul do Brasil. Considerando este aspecto isoladamente o material seriaconsiderado adequado para a produção de concretos convencionais Anais do VIII Encontro Tecnológico de Engenharia Civil e Arquitetura 7
  8. 8. No que diz respeito ao agregado graúdo, observa-se que a granulometria é semelhante àapresentada pelas britas, número 0 e 1, obtidas na trituração da rocha basáltica, comum na regiãosul/sudeste. Da mesma forma que para o agregado miúdo, considerando-se este aspecto,isoladamente, o material é adequado para a produção de concretos convencionais (Tabela 2). Em relação aos teores de umidade, observa-se que a umidade da amostra de agregado miúdoé superior a da areia natural de mesma composição granulométrica que fica em torno de 5%. Esteresultado indica a confirmação das informações apresentadas por John, Angulo e Kahn (Op cit.,2006) relacionando a massa específica inferior à dos agregados naturais com a porosidade econsequente alta absorção de água do material. Isto aponta para a necessidade de corrigir o fatorágua/cimento para se obter as resistências esperadas no concreto produzido com este agregado. Para o agregado graúdo observou-se teor de umidade muito superior ao da brita natural,considerada seca (h=0%), o que exige atenção na correção do fator água/cimento nos traços para oconcreto produzido. Além disto, pelo caráter poroso deste agregado, não se sabe o quanto destaumidade pode migrar para a hidratação do cimento quando da confecção do concreto, indicando anecessidade de mais investigação para a análise deste efeito. Na medida em que se almeja o incremento do uso deste material, a empresa deve tomarconsciência das variações das características físicas destes agregados a fim de imprimir um melhorcontrole sobre seu produto por um lado, e por outro, divulgar os resultados de seus testes parapossibilitar uma utilização generalizada e segura do RCD no mercado (meio produtivo). Apesar disto, o material é extremamente promissor e deve ser investigado a fundo para queo fabricante de concreto, usina ou construtora, adquira confiança na utilização do mesmo, tendo emvista que seu apelo ambiental é muito favorável. No que diz respeito à massa especifica dos agregados constata-se que ambos são mais levesque os convencionais. A areia artificial ensaiada, agregado miúdo de RCD, apresentou valor demassa específica aparente Kg/dm3; enquanto a areia natural tem  variando entre 1,6 e 1,8kg/dm3. A brita artificial ensaiada, agregado graúdo de RCD, apresentou Kg/dm3;enquanto a brita natural de basalto tem valores de  entre 1,5 a 1,6 kg/dm3. Conseqüentemente, oconcreto produzido ficou significativamente mais leve. O concreto convencional conta com massaespecífica de 2,4 kg/dm3 enquanto que o concreto com RCD apresentou o valor de 1,8 kg/dm3.4.2. Desenvolvimento dos traços4.2.1. Traço 1 Os resultados do traço 1 apresentados na Tabela 4, mostram que os valores de resistênciasão relativamente baixos. No entanto, estes valores são próximos ao preconizado para resistência deblocos para alvenaria estrutural (ABNT, 2007). Em princípio, se poderia usar este concreto, tanto naconfecção de painéis quanto na composição de blocos estruturais. Valores de resistência obtidos porJohn, Angulo e Kahn (Op cit., 2006), para traço e fator a água/cimento (0,67) similares, são muitomais elevados que os obtidos neste estudo - variando de 15 MPa a 23 MPa. Um controle maiseficiente do processo de classificação dos agregados possibilitou esta situação. Considerando-se quea resistência do concreto é inversamente proporcional à porosidade do agregado, o aumento damassa específica aparente dos agregados seria a principal razão para este resultado. Dada a relativahomogeneidade de composição química das diferentes fases presentes na fração mineral de RCD –composta essencialmente de SiO2, CaO e Al2 O3 (ANGULO, 2005) - as variações na massaespecífica aparente dos agregados de RCD reciclados são devido às variações na porosidade.Assim, uma classificação por densidade seria, indiretamente, uma classificação por resistênciamecânica dos grãos desses agregados. As normas estabelecem limites máximos de presença de outras fases minerais que não oconcreto e controlam valores mínimos de massa específica aparente média ou valores máximos de Anais do VIII Encontro Tecnológico de Engenharia Civil e Arquitetura 8
  9. 9. absorção de água. Apesar de serem propriedades relacionadas à porosidade, que é um critériovinculado à resistência mecânica e durabilidade dos concretos, não são suficientes para estabeleceruma relação clara entre as propriedades dos agregados de RCD reciclados e as propriedadesmecânicas dos concretos produzidos. Uma das razões para isso poderia ser o fato de que exceto em obras constituídas quase queexclusivamente em concreto, a técnica de demolição seletiva na origem é quase inexistente. Aresolução 307 do Conama (BRASIL, 2002) não prevê a segregação entre diferentes frações dosresíduos minerais de classe A. A mistura heterogênea de resíduos de concreto e alvenaria épredominante nos agregados reciclados de RCD produzidos em usinas de brasileiras. Constata-setambém a presença de materiais não minerais e argamassas. A seqüência e variedade de operações unitárias de tratamento de RCD para produzir matériaprima com características físicas e químicas adequadas à utilização na indústria de transformaçãoinfluenciam tanto na eficiência da remoção de frações indesejáveis ao processo, como em aspectoscríticos – teor de finos e proporção entre frações graúda e miúda. John, Angulo e Kahn (2006) citama concentração gravítica por meio de “jigues” como um método mecânico duplamente eficiente decatação para usinas que operam por via seca. Além de separar uma fração leve – mineral e nãomineral – presente nos agregados de RCD reciclados, reduz o teor de finos e a emissão departiculados.4.2.2. Traço 2 Para o desenvolvimento do traço 2 (tabelas 5 e 6), houve a disponibilização de mesavibratória que permitiu a realização do adensamento mecânico com a redução do fator a/c. Aoperação veio suprir a falta de plasticidade de um concreto bastante seco (slump ± 4cm a 5cm). A diminuição do fator água/cimento do concreto para o nível de 0,41 (comparar Tabelas 3 e5) resultou no incremento da resistência média do traço no 2 (19,87 MPa – Tabela 6) em quase 5vezes o valor médio para o traço no 1 (4,46 MPa - Tabela 4). Para este valor de fator água/cimento,John, Angulo e Kahn (Op cit., 2006) relatam níveis de resistência variando de 27 a 45 MPa, comvariação da massa específica aparente dos agregados de 1,8 a 2,7 kg/dm3 respectivamente. Observe-se que os agregados neste estudo são de resíduo misto (ARM), com predominância de cerâmicavermelha obtida pela moagem de tijolos e telhas. Nas usinas brasileiras, incluindo a fornecedora dosagregados para o estudo, uma parcela significativa da fração fina (<75m) pode estar misturada àfração mineral do RCD. A presença de argilominerais e a quantidade de finos aumentam o consumode água em concretos e prejudicam sua qualidade. Possivelmente isto somado ao problemaintrínseco relacionado à classificação prévia e no processo de produção dos agregados, descritas em4.2.1., sejam a razão pela qual os níveis de resistência foram inferiores àqueles relatados pelosautores citados. Ainda assim, trata-se de um concreto que poderá, com agregação de tecnologia no seudesenvolvimento, ser utilizado mesmo em aplicações convencionais do concreto, considerando quea resistência de 19,87 MPa está muito próxima aos 20 MPa preconizados pela norma (ABNT,2007). Há que se ressaltar que as tecnologias utilizadas para obter uma melhora de 60% naresistência a compressão, foram simples, disponíveis e de baixo custo. Este resultado aponta na direção do grande potencial do concreto estudado ser utilizadoamplamente, com ênfase nas obras de interesse social. A relação custo/benefício aqui observada émuito favorável técnica, financeira, social e ambientalmente. O painel executado, apresentado em outro artigo relacionado a esta pesquisa, conta comarmadura metálica de enrijecimento. Isto deve elevar a resistência do conjunto. A calibragemcorreta entre a massa específica e a resistência a compressão da parede trará benefícios importantespara o desenvolvimento deste processo construtivo. Anais do VIII Encontro Tecnológico de Engenharia Civil e Arquitetura 9
  10. 10. 5. CONCLUSÕES Este trabalho se refere ao estudo de viabilidade de produção de concreto com agregados deRCD reciclados para aplicação em painéis estruturais. Na medida em que se vislumbra o incremento do uso deste material, as empresas devemtomar consciência das variações das características físicas destes agregados a fim de imprimir ummelhor controle sobre seu produto por um lado, e por outro, divulgar os resultados de seus testespara possibilitar uma utilização generalizada e segura do RCD no mercado (meio produtivo). Os agregados de RCD testados nesta pesquisa apresentaram um teor de umidade bastanteelevado, sobretudo aquele que substituiria a brita. A inserção destes na composição do concretoexige um grau de atenção redobrada no que diz respeito ao controle da umidade do traço. A massa específica do concreto com RCD resultou em valores 25% inferiores aos realizadoscom concreto convencional produzido com agregados naturais. Apesar de a resistência do concretoser inversamente proporcional à porosidade do agregado, o aumento da massa específica aparentedos agregados não foi uma estratégia adotada neste estudo. O concreto confeccionado com os agregados de RCD apresentou respostas bastantepositivas com massa específica, 25% inferior ao concreto convencional. Em termos de resistênciado traço, dadas as características do agregado já citadas, o que se constatou foi que aumentar o fatorágua/cimento para obter plasticidade suficiente em lançamento convencional resultou em baixosvalores de resistência. No entanto, apenas a introdução de processo de vibração quando dolançamento do concreto, reduziu a importância da plasticidade e possibilitou a redução do fatorágua/cimento, fazendo o concreto alcançar níveis de resistência da ordem de 20 MPa. Este valor ocapacita para aplicações semelhantes às do concreto convencional elaborado com agregadosnaturais. Apesar das precauções recomendadas, o material é extremamente promissor e deve serinvestigado a fundo para o desenvolvimento e estabelecimento de estratégias de classificação maisadequadas e de parâmetros que permitam determinar uma relação mais clara entre as propriedadesdos agregados de RCD reciclados e as propriedades mecânicas dos concretos com eles produzidos.Desta forma os agentes envolvidos no processo de fabricação e uso de concreto adquirem confiançana utilização do mesmo. A ampliação do consumo de RCD tem um apelo muito favorável devido aopotencial de diminuir substancialmente o impacto ambiental gerado pela construção civil.AGRADECIMENTOS Ao Carlos Alberto Duarte pelo apoio laboratorial e generosidade no decorrer do projeto eao Diego Giovani Bonifácio pelo envolvimento em iniciação científica e interesse pelo trabalho.`A prefeitura do campus da UEL pelo fornecimento de mão de obra e equipamentos.REFERÊNCIASANGULO, S. C. Caracterização de agregados de resíduos de construção e demolição reciclados e ainfluência de suas características no comportamento mecânico dos concretos. 2005. 149 f. Tese(Doutorado em Engenharia Civil) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6118 Projeto de estruturas deconcreto – Procedimento Rio de Janeiro, 2007____________. ABNT NBR 15116: Agregados de resíduos sólidos da construção civil: utilização empavimentação e preparo de concreto sem função estrutural - requisitos. Rio de Janeiro, 2004. Anais do VIII Encontro Tecnológico de Engenharia Civil e Arquitetura 10
  11. 11. ____________. ABNT NBR 9062: Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado. Riode Janeiro, 2006.____________. ABNT NBR 6136: Blocos vazados de concreto simples para alvenaria - Requisitos.Rio de Janeiro, 2007.____________. ABNT NM 248: Agregados - Determinação da composição granulométrica. Rio deJaneiro, 2003.BRASIL. Conselho nacional do meio ambiente. Resolução no 307, de 5 de julho de 2002. Estabelecediretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Resoluções do Conama,Brasília, 2002, p. 571 a 574. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=307>. Acesso em: 09/2011.INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional de saneamentobásico. PNSB - 2008. Rio de Janeiro: IBGE, 2010, p. 153, 169 e 170. Disponível em:<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/ pnsb2008/PNSB_2008.pdf>. Acessoem: 09/2011.JOHN, V. M.; ANGULO, S. C.; KAHN, H.. Controle da qualidade dos agregados de resíduos de construçãoe demolição reciclados para concretos a partir de uma ferramenta de caracterização. Porto Alegre, 2006,ANTAC - Coletânea Habitare, vol. 7, cap. 6, p. 168-207.Disponível em: <http://www.habitare.org.br/publicacoes_coletanea7.aspx>. Acesso em: ago. 2011. Anais do VIII Encontro Tecnológico de Engenharia Civil e Arquitetura 11

×