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a confiabilidade do produto. Algumas estratégias          BODI , J. Experiência Brasileira com Entulhopara se reduzir a va...
JUNGMANN, A. et al. Building Rubble                     PINTO, T. P. P. Utilização de Resíduos deTreatment Using Alljig in...
SHIMA, H. et al. An Advanced Concrete                   AgradecimentosRecycling Technology and its ApplicabilityAssessment...
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A reciclagem de resíduos de construção e demolição no brasil 1986 2008 (panorama dos rcd’s no brasil)

  1. 1. A reciclagem de resíduos de construção e demolição no Brasil: 1986-2008 Recycling of construction and demolition waste in Brazil: 1986-2008 Leonardo Fagundes Rosemback Miranda Sérgio Cirelli Angulo Élcio Duduchi Careli Resumo A reciclagem de resíduos de construção e demolição (RCD) no país, apesar de ser uma atividade recente, tem se desenvolvido mais signficativamente nos últimos 5 anos. Existe pouca informação sistematizada sobre o estado da arte nacional do gerenciamento e reciclagem de RCD. Este artigo apresenta o panorama da reciclagem de RCD entre 1986 e 2008 no Brasil através do levantamento de canteiros que implantaram triagem de RCD e seus benefícios e do levantamento da taxa de crescimento e Leonardo Fagundes capacidade instalada das usinas de reciclagem, o setor responsável por sua Rosemback Miranda Centro de Tecnologia e operação (público ou privado), e suas condições operacionais. Cerca de 1% das Geociências empresas nacionais já foram assistidas para a implantação de planos de Universidade Federal de gerenciamento de RCD em canteiros, sendo esse percentual composto Pernambuco Av. Acadêmico Hélio Ramos, s/n, principalmente de construtoras de médio e grande portes. Os resultados mostramCidade Universitária, Recife – PE - que, após a resolução CONAMA 307, a quantidade de usinas instaladas cresceu, Brasil CEP 50740-530 mas utilizando ainda um sistema simples de reciclagem. O custo do controle de Tel.: (81) 2126-8219 qualidade é baixo. Ele precisa ser implantado com o intuito de se reduzir a E-mail: lfrmiranda@pq.cnpq.br variabilidade do agregado reciclado. São apresentadas alternativas para melhorar os processos de reciclagem e, conseqüentemente, a qualidade do agregado Sérgio Cirelli Angulo reciclado, que poderiam contribuir para o desenvolvimento do mercado para RCD.Centro de Tecnologia de Obras de Infra-estrutura Palavras-chave: Reciclagem. Agregado. Argamassa. Concreto. Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo AbstractRua Professor Almeida Prado, 532, Prédio 01, Cidade Universitária Although the recycling of construction and demolition waste (CDW) is a recent Butantã - SP - Brasil activity in Brazil, it has grown substantially over last 5 years. This article aims to CEP 05508-901 Telefone: (11) 3767-4151 provide an overview on CDW recycling between 1986 and 2008 by analyzing the E-mail: sergio.angulo@pq.cnpq.br amount of building sites that have adopted CDW management and sorting; and the rate of implementation of recycling plants/year, their processing capacities, Élcio Duduchi Careli operational profiles (public or private), and operational conditions, especially Obra Limpa Consultoria e medium and large-sized construction companies. About 1% of Brazilian Comércio de Resíduos da Construção Civil Ltda. construction companies have been assisted to devise CDW management plans. R. Toledo Barbosa, 637, apto 14 The results show that the amount of existing recycling plants has grown after São Paulo – SP - Brasil CONAMA 307 resolution, but these still use a very simple recycling process. The CEP: 03061-000 Tel.: (11) 2796-2531 quality control of the CDW aggregate must be improved in order to reduce its E-mail: variability. Some alternatives to improve processing techniques, and the quality of edcareli@obralimpa.com.br CDW recycled aggregate are also presented. Such alternatives can potentially contribute to develop the market for CDW. Recebido em 19/12/2008 Aceito em 17/03/2009 Keywords: Recycling. Aggregate. Mortar. Concrete. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 9, n. 1, p. 57-71, jan./mar. 2009. 57 ISSN 1678-8621 © 2005, Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído. Todos os direitos reservados.
  2. 2. IntroduçãoNo Brasil, as primeiras pesquisas científicas uso de agregados reciclados em argamassasenvolvendo o uso de agregados reciclados de (MIRANDA, 2000, 2005), concretos pré-moldadosresíduos de construção civil (RCD) foram (BUTLER, 2003; SOUZA, 2001) e concretos emrealizadas por Pinto (1986) em argamassas, Bodi geral (ALTHEMAN, 2002; ANGULO, 2005;(1997) em pavimentos, Levy (1997) em LEITE, 2001). Já existiam pelo menos três usinasargamassas e Zordan (1997) em concretos. As de reciclagem privadas de pequeno porteprimeiras usinas de reciclagem instaladas foram instaladas, localizadas em São Paulo, SP (área depelas Prefeituras de São Paulo, SP (1991), de transbordo e triagem ATT Base), Socorro, SPLondrina, PR (1993), e de Belo Horizonte, MG (Irmãos Preto Ltda.), e Fortaleza, CE (Usifort). Foi(1994). Em 1999, foi confirmada por Pinto (1999) formada a Câmara Ambiental da Construção com aa relevância do tema, apontando que o RCD pode participação formal do Sindicato da Indústria dacorresponder a mais de 50% da massa dos resíduos Construção de São Paulo (Sinduscon-SP), Cetesb,sólidos municipais. Quanto à origem dos resíduos USP e outros, para discutir, em âmbito nacional,nos municípios brasileiros, destacam-se como normas técnicas para as atividades de triagem epredominantes as reformas, ampliações e reciclagem.demolições, em conformidade com os dados Em 2002 foi homologada a resolução CONAMAextraídos de Pinto e Gonzales (2005) e 307, definindo que grandes geradores públicos eapresentados na Figura 1. privados são obrigados a desenvolver e a implantarEntre 1999 e 2005, ante os benefícios econômicos um plano de gestão de RCD, visando a suae ambientais obtidos pela Prefeitura de Belo reutilização, reciclagem ou outra destinaçãoHorizonte, algumas prefeituras do Estado de São ambientalmente correta. Com isso, a reciclagemPaulo, como Piracicaba, Santo André e Campinas, ganhou uma força extra. Iniciaram-se astambém implantaram planos de gerenciamento de implantações de planos de gerenciamento de RCDRCD. em canteiros, e normas técnicas foram elaboradasA partir de 2000, foram desenvolvidas pesquisas por Comitês Técnicos e publicadas pela ABNT emsistemáticas relacionadas ao uso do RCD, como 2004 (Quadro 1).variabilidade dos agregados (ANGULO, 2000), Residências novas 20% Reformas, ampliações e demolições Edificações 59% novas (acima de 300 m2) 21%Figura 1 – Origem dos RCD em alguns municípios brasileiros Norma Nome Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes – Aterros – Diretrizes NBR 15113:2004 para projeto, implantação e operação Resíduos sólidos da construção civil – Áreas de reciclagem – Diretrizes para NBR 15114:2004 projeto, implantação e operação Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil – Execução de NBR 15115:2004 camadas de pavimentação – Procedimentos Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil – Utilização em NBR 15116:2004 pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural – RequisitosQuadro 1 – Normas técnicas relativas à reciclagem de RCD58 Miranda, L. F. R.; Angulo, S. C.; Careli, E. D.
  3. 3. Unidade Publicação Instituições envolvidas Ano federativa Programa Entulho Limpo (1ª Etapa) – Sinduscon-DF, Ecoatitude e DF 2000 Coleta Seletiva Universidade de BrasíliaPrograma Entulho Limpo – Resíduos da Sinduscon-PE, Sebrae-PE e Ademi-PE construção e demolição PE 2004 Gestão ambiental dos resíduos da Sinduscon-SP, Informações e Técnicas construção civil – A experiência do SP 2005 e Obra Limpa Sinduscon-SP Cartilha de gerenciamento de resíduos Sinduscon-MG, Senai-MG e Sebrae- 2005 sólidos para a construção civil MG MG Gestão de resíduos na construção civil SE Sinduscon-SE, Senai-SE e Sebrae-SE 2005Quadro 2 – Publicações sobre gerenciamento de RCD em canteiros (CARELI, 2008)Surgiram também publicações vinculadas aos especial ao Japão (SHIMA et al., 2005). Taissindicatos de classe sobre gerenciamento do RCD tecnologias realizam, por exemplo, lavagem dosem canteiros (Quadro 2). Merecem destaque a materiais finos, separação da fração orgânica levenecessidade de articulação entre os diversos e britagem combinada com aquecimento para aagentes envolvidos e a ação do poder público remoção da pasta de cimento porosa dos agregadosmunicipal para integrá-los, por meio de legislação graúdos reciclados.específica, de ação coercitiva (fiscalização) esocioeducativa. MetodologiaEm outras palavras, por motivos ambientais e Foi realizado um levantamento do número deeconômicos, existe uma necessidade crescente da construtoras brasileiras que implantaram oreciclagem. Além disso, o meio científico, gerenciamento de RCD em seus canteiros. Comoempresas e o setor público têm realizado diversas não é possível determinar com precisão todas asações para o desenvolvimento dessa atividade. construtoras que implantaram esse sistema, foramEntretanto, existe pouca informação sistematizada consideradas apenas aquelas que foram assistidassobre o estado da arte nacional do gerenciamento e por empresas de consultoria ou instituições,reciclagem de RCD. Assim, este artigo tem por conforme mostrado em Careli (2008). Esse númeroobjetivo apresentar o panorama atual da foi comparado com o total de empresasreciclagem de RCD no Brasil, através da análise construtoras brasileiras com mais de cincodos benefícios da triagem de RCD em canteiros, funcionários, segundo dados do Instituto Brasileirodo perfil das usinas de reciclagem nacionais, suas de Geografia e Estatística (IBGE) do ano de 2006.limitações e perspectivas, e algumas alternativaspara melhorar a qualidade dos agregados Além disso, foram coletados dados em obras dereciclados. São Paulo e Recife quanto à geração e destinação de resíduos. Com base nesses dados, foramNo cenário internacional, existem países como avaliados os benefícios ambientais e de redução deHolanda, Dinamarca, Alemanha e Suíça, entre custos conseqüentes da triagem dos resíduos classeoutros, que reutilizam e reciclam entre 50% e 90% B.do RCD gerado (ANGULO, 2005). Na Alemanha,existem cerca de 3.000 usinas móveis e 1.600 Em seguida, a partir de visitas técnicas realizadas emusinas fixas (MUELLER, 2007). Apesar do alto usinas de reciclagem nacionais ao longo dos anos eíndice de reciclagem em relação ao RCD gerado, parcialmente apresentadas em Angulo (2005) enesses países a autora esclarece que, na média, Miranda (2005), foi identificado o perfil das usinasmenos de 20% do agregado natural acaba brasileiras, com as seguintes informações atualizadasrealmente sendo substituído pelo agregado até novembro de 2008: a taxa de crescimento dereciclado, indicando que grande parte da utilização unidades instaladas, o setor responsável por suaestá focada em regularização/nivelamento de operação (público ou privado), suas condiçõesterrenos ou aterramento. operacionais, sua relação com a existência de planos de gerenciamento recomendados pelo CONAMA e aPorém são encontradas diversas experiências capacidade instalada das usinas de reciclagem diantepromissoras com o uso de novas tecnologias em da demanda. A necessidade de controle de qualidadeusinas de reciclagem (ou antigas no setor da sistemática dos agregados de RCD devido à existênciaEngenharia Mineral) para a melhoria da qualidade da variabilidade e a importância de se agregardo agregado reciclado (BUTENBACH et al., tecnologia ao processamento para diversificar os1997; JUNGMANN et al., 1997), com destaque mercados também foram analisadas. A reciclagem de resíduos de construção e demolição no Brasil: 1986-2008 59
  4. 4. Resultados e discussões Ainda assim, considera-se que o aumento significativo no número de construtoras queTriagem do RCD em canteiro de obras implantam a gestão de RCD em canteiroO Quadro 3 apresenta o número de construtoras dependerá da implantação dos planos integrados deassistidas, de alguma forma, por empresas de gerenciamento municipais, pois estes devemconsultoria e outras instituições conhecidas para a cobrar dos grandes geradores a elaboração dosimplantação do gerenciamento de RCD em seus projetos de gerenciamento de resíduos, comocanteiros. Elas representam cerca de 1% do total condição para licenciamento das obras, e osdas empresas construtoras nacionais com mais de comprovantes de destinação para a concessão docinco funcionários, conforme dados do IBGE (191 habite-se (CARELI, 2008).em 20.126), e são, em sua maioria, construtoras de A adoção de procedimentos de registro e amédio e grande portes no município em que atuam. identificação diferenciada durante a obra dosNos municípios onde atuam as construtoras resíduos gerados permitem às construtoras avaliarcentralizadas no Quadro 1, os planos de gestão os resultados da implantação do sistema de gestão.integrada não obrigam a apresentação dos projetos Com os registros de geração de RCD dede gerenciamento de resíduos pelas construtoras edificações habitacionais, foi possível avaliar acomo condição à liberação dos alvarás de composição do RCD gerado, mostrado na Tabelaconstrução. Tais empresas assumiram 1. As características das obras analisadas são:voluntariamente a iniciativa de adotar práticasdiferenciadas de manejo e destinação dos resíduos, (a) Obra A: edifício residencial multipiso debuscando compatibilidade com os critérios 11.984 m2 de área construída, no município de Sãoestabelecidos pela Resolução CONAMA no Paulo, compreendendo todo seu período de307/2002. Mais de 90% das empresas enumeradas execução (22 meses), com sistema de gestão deno Quadro 3 e que implantaram o gerenciamento RCD implantado conforme a metodologia propostade resíduos o fizeram em obras residenciais, por Sinduscon (2005); eprincipalmente edifícios multipisos. Tais obras são (b) Obra B: edifício residencial multipiso decaracterizadas pelo uso de estruturas de concreto 26.613 m2 de área (42 pavimentos), no municípioarmado moldadas no próprio canteiro, com uso de de Recife, PE, compreendendo a fase de execuçãoformas em painéis de madeira e vedações em de estrutura (6 meses), com sistema de gestão deblocos de concreto ou cerâmicos. RCD implantado conforme a metodologia proposta por Sinduscon (2005) Número de Estado empresas Suporte técnico assistidas AL 12 BA 20 Projeto Competir NE MA 09 (Senai, Sebrae e GTZ)1 PI 04 RN 06 DF 25 Universidade de Brasília MG 07 Senai PE 28 Senai e Poli-UPE SE 20 M&C Engenharia SP 60 Obra Limpa2 Total 191 –1 Construtoras participantes: Algas Eng., Dimensão Eng., Franare, Lastro Eng., Santa Cruz Eng.2 Construtoras: Barbara Eng., BKO Eng., Fortenge, Sinco, Tecnica, Tecnum, entre outras.Quadro 3 – Construtoras assistidas por empresas de consultoria ou outras instituições para aimplantação do gerenciamento de RCD em canteiros (CARELI, 2008)60 Miranda, L. F. R.; Angulo, S. C.; Careli, E. D.
  5. 5. Obra B (%) – Obra A (%) – toda apenas fase de a obra Resíduo estrutura Vol. Massa Vol. Massa Classe A 50,8 79,6 37,6 80,5 Madeira 31,4 10,2 42,0 16,6 Gesso 7,1 9,2 - - Papel 6,9 0,6 1,6 0,2 Plástico 3,2 0,3 6,2 0,7 Metal 0,6 0,1 12,6 2,0 Total 100 100 100 100* Obs.: Não foi considerado o volume de solo proveniente de escavação e terraplenagemTabela 1 – Composição média das classes dos resíduos da construção civil para uma obra de edifícioresidencial multipiso compreendendo todo seu período de execução (22 meses)Os resíduos classe B (madeira, papel, plástico e Todos esses fatores permitem uma redução dometal) possuem densidade aparente inferior a 0,25 volume transportado, o que gera economia. Ot/m3, enquanto o resíduo classe A e o gesso Sinduscon (2005) encontrou uma redução de 40%possuem densidade aparente superior a 1,0 t/m3. no volume transportado para as obras pesquisadas.Assim, para a Obra A, apesar de o teor em massa Para a Obra A, a redução do volume transportadodos resíduos classe B ser menor que 12%, ele pode chegar a 25%, dependendo do tipo derepresenta mais de 40% do volume transportado. transporte utilizado, da natureza e das dimensõesNa Obra B, como se trata de execução de estrutura, dos materiais.o resíduo de madeira e de aço é maior, aumentando Evidentemente, a redução no volume transportadoa importância dos resíduos classe B na composição resulta em redução de custo para a obra. Entredo RCD. A presença de resíduos de papel 2004 e 2006, a construtora responsável pela Obradecresceu em relação à Obra A, uma vez que este é B obteve uma redução de 47% no custo comgerado, principalmente, pelas embalagens de caçambas retiradas de suas obras (CARVALHO etcimento e argamassa das etapas de alvenaria e al., 2008). Para a Obra A, a redução estimada derevestimento. custo é apresentada na Tabela 3.A prática da triagem possibilita a redução do Um ponto importante no sistema de gestão devolume de resíduos, decorrente, principalmente, da RCD em canteiro é a destinação do mesmo. Naredução do empolamento. Define-se como Obra A, localizada em São Paulo, ao longo de seusempolamento o aumento do volume do RCD 22 meses de execução, foram utilizados oitodevido à má organização deste dentro das diferentes destinatários para os respectivoscaçambas estacionárias, formando grandes vazios. resíduos e dois transportadores. Dos resíduos dePode ser causado, por exemplo, por grandes alvenaria e concreto, 91% foram destinados parapedaços de madeira, metais, concreto, etc. A três aterros de RCC devidamente licenciados e 9%Tabela 2 exemplifica a influência do empolamento para três áreas de transbordo e triagem (ATT).na redução do custo de remoção de RCD para a Quanto aos resíduos de madeira, 66% foramObra A. destinados para um reciclador de madeira, e oAlém disso, a prática de gestão de resíduos em restante, para duas ATT. Todo o resíduo de gessocanteiro, que inclui a conscientização dos foi destinado para uma ATT, que os encaminhou a cimenteiras, para reutilização como insumo dafuncionários quanto ao desperdício, associada àcertificação de qualidade ISO 9000, pode auxiliar produção de cimento na fase final de moagem dona redução da geração de RCD no canteiro. No clínquer. Os resíduos de alvenaria e concreto, madeira e gesso foram retirados da obra emcaso da Obra A, por exemplo, a geração deresíduos foi da ordem de 115,8 kg/m2 construído, caçambas estacionárias por uma única empresa.inferior ao valor de referência normalmente Em relação aos resíduos de papel, plástico e metal,adotado para obras brasileiras, que é de 150 kg/m2 viabilizou-se a coleta a custo zero pelo próprio(PINTO, 1999). destinatário, que comercializa aparas e sucatas com recicladores. A reciclagem de resíduos de construção e demolição no Brasil: 1986-2008 61
  6. 6. Redução do volume 10% 15% 20% 25%Custo estimado da remoção de Sem triagem 5,46 5,78 6,14 6,55RCD (R$/m2 de obra) Com triagem 4,46Redução estimada de custos (%) 18,3 22,8 27,4 31,9Tabela 2 – Exemplos de redução do custo para a Obra A, considerando diferentes reduções doempolamento Redução do empolamento 10% 15% 20% 25% Custo total estimado a 150 kg/m2 (R$) 84.743,16 89.728,05 95.336,05 101.691,79 Redução total estimada de custos (R$) 31.263,16 36.248,05 41.856,05 48.211,79 Redução total estimada de custos (%) 36,89 40,40 43,90 47,41Tabela 3 – Redução total de custo associada à redução da massa de resíduos gerada por m2 deconstruçãoPara a Obra B, a situação não foi tão simples, pela trabalhos de Carvalho et al. (2008) e do Sinduscondificuldade na destinação correta de alguns (2005) dão exemplos disso.resíduos. Os resíduos classe A foram destinados A triagem em canteiros ainda beneficia apara o aterro da Muribeca, aterro sanitário e único reciclagem nas usinas. Numa usina privada dolocal licenciado para recebimento de resíduos Estado de São Paulo, inicialmente era utilizadaclasse A na Região Metropolitana do Recife, cuja mão-de-obra de triagem na quantidade de 1previsão de fechamento era para 2009. Os resíduos funcionário para cada 50 m3/dia recebidos dede sacos de cimento e de argamassa não estavam RCD, composto de aproximadamente 90% desendo aceitos por empresas recicladoras, resíduo misto com cerâmica e até 10% de resíduosdificultando o cumprimento da legislação. Os classe B. Após a implantação de uma regra naresíduos de madeira foram destinados às olarias da usina de se receberem somente resíduos mistosregião. Solução interessante foi a obtida para os limpos ou resíduos de concreto, a necessidade deresíduos de gesso, sendo parte reciclada na própria funcionários para triagem foi reduzida pelaobra pela empresa responsável pela execução dos metade.revestimentos de gesso, e o restante destinado parauso agrícola. Os revestimentos executados com Além disso, dados de caracterização da presençagesso reciclado na própria obra apresentaram bom de contaminantes (sulfatos, cloretos e nitratos) emdesempenho, conforme apresentado em Baltar, 21 amostras de areia reciclada, obtidas pelaAlencar e Miranda (2008). moagem em moinho de martelos de RCD coletadas em obras de Recife, PE, mostraram queDestaca-se a importância de garantir o dez amostras continham teor de sulfato acima documprimento de procedimentos específicos quanto limite estipulado pela DIN 4226-100/02, sendoao registro da destinação dos resíduos, de modo a dessas apenas duas coletadas em canteiros que jápermitir o adequado controle, cabendo ao gerador tinham implantado o sistema de gestão de resíduosdos resíduos definir os respectivos destinatários. (SILVA et al., 2009). Isso demonstra que umDesse modo, para resíduos classe A, a utilização sistema de gestão de resíduos em canteiro bemde áreas de reciclagem de RCC ou de áreas de implantado pode ser útil para melhorar a qualidadeaterro (classe A e inertes) deverá ser preferencial, do agregado reciclado.em função de se tratar de áreas para destinaçãofinal dos resíduos, garantindo melhores condições Inclusive, com um sistema de gestão de resíduosde rastreabilidade e minimizando riscos para os em canteiro bem aplicado, que garanta que agrandes geradores. fração classe A não será contaminada por gesso, solo, matéria orgânica ou outros, é possível pensarAlém da possibilidade de reduzir os custos de na reciclagem dessa fração no próprio canteiro, otransporte e destinação, ressaltam-se outros que reduziria impactos ambientais como emissãobenefícios decorrentes da gestão em canteiros, de poluentes, consumo de energia e os custosquais sejam: o cumprimento das determinações envolvidos no transporte.legais e minimização de riscos de autuação; adiferenciação na imagem institucional; uma Esse procedimento, no entanto, deve ser realizadomelhor organização no canteiro; a redução dos de forma diferente do que ocorreu na década de 90,riscos de acidentes (segurança ocupacional); e a quando moinhos argamassadeiras foram utilizadoscontribuição para a qualificação dos operários. Os em obras para reciclagem de RCD por um processo totalmente empírico, causando patologias62 Miranda, L. F. R.; Angulo, S. C.; Careli, E. D.
  7. 7. em revestimentos de argamassas, como Sabe-se que, das usinas públicas de reciclagem dapulverulência e fissuração (MIRANDA, 2000). fração classe A, ao menos dez estão situadas emDevem-se considerar a natureza e a massa de RCD cidades que possuem plano de gerenciamento declasse A gerado em cada etapa construtiva da obra RCD. Através do plano de gerenciamento ocorre(estrutura de concreto, vedações verticais, uma redução dos custos associados às disposiçõesrevestimentos de argamassa ou cerâmicos etc.), irregulares, sendo um fator de estímulo para taisserviços a serem executados e cronograma da obra. investimentos. A cidade de Belo Horizonte, porDevem ser priorizadas soluções de pequeno aporte exemplo, que implantou um bom sistema de gestãotecnológico, baixo custo de investimento e municipal de RCD, possui três unidades.procedimentos racionais de dosagem e de controle Por outro lado, das usinas públicas instaladas,de qualidade que tenham pouca interferência nas apenas 15 estão operando ou em instalação (Tabelaatividades construtivas. 4). Isso demonstra que, apesar da vantagem econômica que a administração pública pode obter mediante a redução de gastos com limpeza urbanaUsinas de reciclagem no país e a obtenção de agregados reciclados cerca de 40%A Figura 2Figura apresenta o número de usinas mais baratos que os naturais (considerando umade reciclagem da fração classe A no país. Até o média de R$ 21,00/m3 o preço dos recicladosano de 2002, o país contava com 16 usinas, contra R$ 35,00/m3 dos agregados naturais), elapossuindo uma taxa de crescimento mais reduzida possui dificuldades em administrar tal atividade,(até três usinas inauguradas por ano). Após a por razões como:publicação da resolução CONAMA 307 e o (a) mudança de gestão ou desinteresse desta; eexemplo de gestão pública bem-sucedida de BeloHorizonte, essa taxa de crescimento aumentou (de (b) dificuldades na manutenção/operação da usinatrês a nove usinas instaladas por ano). Atualmente, por falta de pessoal tecnicamente preparado oujá podem ser citadas pelo menos 47 usinas de demora na obtenção de verbas para a compra dereciclagem, sendo 24 públicas (51% do total) e 23 peças de reposição.privadas (49% restante). Das 36 usinas que estãoem operação ou em instalação, 15 (42%) sãopúblicas e 21 (58%) são privadas. 50 Total de usinas instaladas no ano 45 Total acumulado de usinas instaladas Total acumulado de usinas públicas 40 Quantidade de usinas instaladas Total acumulado de usinas privadas 35 30 25 20 15 10 5 0 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 AnoFigura 2 – Usinas de reciclagem de RCD classe A inauguradas ao longo dos anos A reciclagem de resíduos de construção e demolição no Brasil: 1986-2008 63
  8. 8. Cidade Propriedade Instalação Cap. (t/h) Situação São Paulo/SP Prefeitura 1991 100 Desativada Londrina/PR Prefeitura 1993 20 Desativada B. Horizonte/MG (Estoril) Prefeitura 1994 30 Operando B. Horizonte (Pampulha) Prefeitura 1996 20 Operando Ribeirão Preto/SP Prefeitura 1996 30 Operando Piracicaba/SP Autarquia/Emdhap 1996 15 Operando São J. dos Campos/SP Prefeitura 1997 30 Desativada Muriaé/MG Prefeitura 1997 08 Desativada São Paulo/SP ATT Base 1998 15 Desativada Macaé/RJ Prefeitura 1998 08 Desativada São Sebastião/DF Adm. Regional 1999 5 Desativada Socorro/SP Irmãos Preto 2000 03 Operando Guarulhos/SP Prefeitura/Proguaru 2000 15 Operando Vinhedo/SP Prefeitura 2000 15 Operando Brasília/DF Caenge 2001 30 Operando Fortaleza/CE Usifort 2002 60 Operando Ribeirão Pires/SP Prefeitura 2003 15 Desativada Ciríaco/RS Prefeitura 2003 15 Desativada São Gonçalo/RJ Prefeitura 2004 35 Paralisada Jundiaí/SP SMR 2004 20 Operando Campinas/SP Prefeitura 2004 70 Operando São B. do Campo/SP Urbem 2005 50 Operando São B. do Campo/SP Ecoforte 2005 70 Desativada São José do Rio Preto/SP Prefeitura 2005 30 Operando São Carlos/SP Prefeitura/Prohab 2005 20 Operando B. Horizonte/MG (BR040) Prefeitura 2006 40 Operando Ponta Grossa/PR P. Grossa Amb. 2006 20 Operando Taboão da Serra/SP Estação Ecologia 2006 20 Operando João Pessoa (PB) Prefeitura/Emlur 2007 25 Operando Caraguatatuba/SP JC 2007 15 Operando Colombo/PR Soliforte 2007 40 Operando Limeira/SP RL Reciclagem 2007 35 Operando Americana/SP Cemara 2007 25 Operando Piracicaba/SP Autarquia/Semae 2007 20 Operando Santa Maria/RS GR2 2007 15 Operando Osasco/SP Inst. Nova Agora 2007 25 Instalando Rio das Ostras/RJ Prefeitura 2007 20 Instalando Brasília/DF CAENGE 2008 30 Operando Londrina/PR Kurica Ambiental 2008 40 Operando São Luís/MA Limpel 2008 40 Operando São J. dos Campos/SP RCC Ambiental 2008 70 Operando Paulínia/SP Estre Ambiental 2008 100 Operando Guarulhos/SP Henfer 2008 30 Instalando Barretos/SP Prefeitura 2008 25 Instalando São José dos Campos/SP Julix - Enterpa 2008 25 Instalando Petrolina/PE Prefeitura 2008 25 Instalando Itaquaquecetuba/SP Entrec Ambiental 2008 40 InstalandoNota: há usinas em alguns municípios do estado do RS (Canoas, Caxias do Sul, Charqueadas e São Leopoldo), porém sem maioresinformações e, portanto, não contabilizadas.Tabela 4 – Usinas de reciclagem do país em novembro de 200864 Miranda, L. F. R.; Angulo, S. C.; Careli, E. D.
  9. 9. 5,0 Caso nenhuma usina tivesse sido desativada Agregado reciclado/RCD gerado 4,5 Somente as usinas em operação e instalação 4,0 3,5 3,0 (%) 2,5 2,0 1,5 (a) 1,0 (b) 0,5 0,0 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009 AnoObs.: A linha (b) considera as usinas em instalação e operação em novembro de 2008.Figura 3 – Relação entre produção de agregados e RCD gerado no BrasilA Figura 3 mostra que, apesar da quantidade de que incorporem valor ao produto. Isso é o queusinas ter aumentado significativamente após a acontece, por exemplo, com a usina Irmãos Pretoresolução CONAMA 307 (2002), a capacidade Ltda., que está há mais de dez anos no mercadobrasileira potencial de produção de agregados removendo e reciclando cerca de 50% do RCD dareciclados está muito abaixo da geração de RCD cidade de Socorro, para a produção de areiaem todo o país. reciclada.Se for considerado que todas as usinas brasileiras Em Belo Horizonte, a Prefeitura usa naem operação ou em fase de instalação estão pavimentação desde 1994 os agregados recicladosreciclando RCD em sua capacidade nominal, produzidos em suas usinas. Em 2005, a Prefeiturateríamos a estimativa de que somente 3,6% do de São Bernardo do Campo consumiu cerca deRCD produzido no país estaria sendo reciclado. 4.800 m3 de agregado reciclado do tipo bicaEsse valor poderia chegar a 4,5% caso nenhuma corrida para a manutenção de ruas nãousina instalada tivesse sido desativada. Isso mostra pavimentadas. Para o mesmo tipo de uso e naque ainda é necessário instalar muitas usinas para mesma época, a Prefeitura de Mauá consumiuque a reciclagem no país se torne expressiva. A cerca de 4.000 m3. Ambas as obras foramconsidera que a geração de RCD não foi alterada realizadas com êxito. Ainda em 2005, a sub-baseao longo dos anos, tomando como base a produção do Campus Zona Leste da USP, em São Paulo, foimédia de 500 kg/hab.ano, como estimado por realizada com agregados reciclados.Pinto (1999). Em Socorro, SP, uma nova etapa do asiloO aumento do número de usinas privadas municipal teve a alvenaria toda revestida cominstaladas decorre da perspectiva dos empresários argamassa de cimento, cal e areia reciclada lavada.de ser esta uma boa alternativa de investimento, A trabalhabilidade das argamassas e o desempenhocom baixo investimento de capital e alta taxa de dos revestimentos foram aprovados pelos pedreirosretorno. As avaliações econômicas feitas por esses locais e pelos ensaios de controle tecnológicoautores para as cidades de São Paulo, São Luís, apresentados em Miranda (2005).Recife e Curitiba, por exemplo, mostram que, Em relação ao processo de reciclagem, quase todasdependendo do mercado local, uma usina com as usinas brasileiras são bem semelhantes. Sãocapacidade real de produção de 250 m3/dia pode compostas dos seguintes equipamentos: páapresentar um custo total de investimento estimado carregadeira ou retroescavadeira, alimentadorem R$ 650.000,00 e uma taxa mensal de retorno vibratório, transportadores de correia, britador depróxima a 4,5%, caso atinja sua capacidade mandíbula ou impacto, separador magnéticomáxima de produção e a comercialize. permanente ou eletroímã, e peneira vibratória.Miranda (2005) mostram que até pequenas usinas Nenhuma apresenta uma rotina de controle depodem ser viáveis, desde que logisticamente bem qualidade dos agregados produzidos.posicionadas e focadas em mercados e/ou serviços A reciclagem de resíduos de construção e demolição no Brasil: 1986-2008 65
  10. 10. Esse modelo de usina de reciclagem foi baseado impostos. Na obra do campus da USP Zona Leste,em usinas de mineração que, apesar de serem em São Paulo, observou-se uma variaçãosistemas semelhantes, possuem diversas significativa do CBR e do teor de finos < 0,42 mmdiferenças, como, por exemplo: da brita corrida reciclada que, em alguns casos,(a) na usina de reciclagem, a matéria-prima a ser impedia sua utilização como base de pavimentocominuída normalmente contém materiais (LEITE, 2007).contaminantes, como papel, plástico, madeira, Para uso em argamassas, Miranda (2005) mostrougesso, amianto e solo. Esses materiais devem ser que as propriedades de absorção de água e teor deremovidos do RCD, seja pela etapa de triagem finos < 0,075 mm são as principais causadoras demanual, seja por processos mecanizados; variabilidade de desempenho.(b) na usina de reciclagem, os teores de cerâmica, Como exemplo, têm-se duas amostras de areiaargamassas e concretos porosos variam, afetando reciclada mista de uma mesma usina, uma com 7%sua qualidade e desempenho, já que grande parte de absorção de água e de teor de finos < 75 !m,dos requisitos mecânicos depende da porosidade, enquanto a outra tem 15% dessas mesmasou seja, procedimentos para redução de propriedades. Ambas estão dentro dos limites davariabilidade dos agregados reciclados são NBR 15116:2004, mas são duas areias deimportantes; e desempenhos bem diferentes; a primeira(c) o tipo de equipamento utilizado e a natureza certamente com qualidade superior à segunda,do RCD podem influenciar em propriedades conforme demonstrado em Miranda (2000),importantes do agregado, como lamelaridade e teor mediante ensaios mecânicos em argamassas ede finos, e na viabilidade econômica da usina. Por desempenho de revestimentos de paredes.isso, um circuito correto de reciclagem deve levar Para uso em concreto, Zordan (1997), Leite (2001)em consideração essas propriedades. e Angulo (2005) demonstraram que a porosidade do agregado graúdo reciclado (determinada indiretamente pela absorção de água) também afetaNormalização e variabilidade significativamente as propriedades físicas eEm 2004 foram publicadas cinco normas ABNT – mecânicas do concreto, inclusive no estado fresco,NBR 15112 a 15116 – relativas às áreas de aterro incluindo sua durabilidade (LEVY, 1997).de inertes, áreas de transbordo, áreas de Outras pesquisas têm sido realizadas para adaptarreciclagem, execução de pavimentos com ou inovar o método de caracterização dessaagregados reciclados e requisitos dos agregados propriedade (DAMINELI, 2007; DIAS, 2004;reciclados para uso em pavimentos e concreto não LEITE, 2001). Damineli (2007) e Dias (2004)estrutural. comprovam que o método de determinação daA norma NBR 15116:2004 classifica os agregados absorção de água pela norma brasileira possuiem dois tipos: limitações, geralmente subestimando a porosidade do agregado reciclado. O uso de vácuo e o método(a) agregado reciclado de concreto (ARC), cujo de secagem para se determinar a condição saturadateor de fragmentos à base de cimento e rochas é com superfície seca são promissores, inclusivemaior que 90%; e podendo acelerar a realização do ensaio.(b) agregado reciclado misto (ARM), cujo teor é Mesmo que os agregados atendam aos limitesmenor que 90%. Essa classificação, na prática, é definidos pela NBR 15116:2004 e não exista osimples: basta na usina controlar-se visualmente os risco de desempenho, a presença de pequenosRCD que chegam e armazenar separadamente pedaços de papel ou madeira pode ser suficienteaqueles predominantemente originados de concreto para que determinada construtora deixe dedaqueles com presença de materiais cerâmicos. consumir o agregado reciclado. Isso foi vivenciadoA dificuldade para qualquer aplicação está no por um dos autores durante sua permanência nacontrole da variabilidade das características físicas usina Urbem Tecnologia Ambiental e demonstraou na presença de impurezas e contaminantes claramente que o consumidor pode ser mais(Tabela 5). exigente que a norma brasileira, requerendo agregados de melhor qualidade.Para uso em pavimentos, os agregados recicladospodem não atender aos limites granulométricos66 Miranda, L. F. R.; Angulo, S. C.; Careli, E. D.
  11. 11. Limite pela Parâmetro Local Intervalo Amplitude NBR 15116 Ribeirão Preto ARM1 14,6-25,9 11,30 (ZORDAN, 1997) (> 10%) Santo André ARC2 Teor de cerâmica 0,10-13,0 12,90 (ANGULO, 2000) (< 10%) vermelha (%) Vinhedo ARC (ALTHEMAN, 0,79-6,90 6,11 (< 10%) 2002) Ribeirão Preto ARM 0,20-0,80 0,60 (ZORDAN, 1997) (< 2%) Santo André ARC 0,94-3,17 2,23 Agregado Contaminantes (%) (ANGULO, 2000) (< 2%) graúdo Vinhedo ARC (ALTHEMAN, 0,03-1,22 1,19 (< 2%) 2002) Ribeirão Preto ARM 2,50-4,40 1,90 (ZORDAN, 1997) (>10%) Teor de finos (%) Santo André ARC 0,00-7,36 7,36 (ANGULO, 2000) (< 10%) ARC Angulo (2000) 3,92-11,28 7,36 Absorção de água (< 7%) (%) ARC Sanchez (2004) 5,00-11,50 6,50 (< 7%) Socorro ARM Teor de finos (%) 13,00-30,00 17,00 (MIRANDA, 2005) (< 20%) Agregado Santo André miúdo Absorção de água ARC (ANGULO et al., 7,00-15,56 – (%) (< 12%) 2001)1 ARM: agregado reciclado misto, definido pela NBR 15116:2004 como o agregado reciclado obtido do beneficiamento de resíduo de classe A, composto na sua fração graúda de menos de 90% em massa de fragmentos à base de cimento Portland e rochas.2 ARC: agregado reciclado de concreto, definido pela NBR 15116:2004 como “o agregado reciclado obtido do beneficiamento de resíduo pertencente à classe A, composto na sua fração graúda de no mínimo 90% em massa de fragmentos à base de cimento Portland e rochas”.Tabela 5 – Variabilidade dos agregados reciclados encontrada por pesquisadoresPara uso do agregado reciclado em pavimento, a reciclada apresentassem um teor de finos < 0,42variabilidade pode ser reduzida estabilizando-se mm superior a 40% (limite máximo definido pelacom aglomerante (MOTTA, 2005) ou NBR 15116).empregando-se energia de compactação mais Para uso do agregado reciclado no concreto, umaintensa (LEITE, 2007), que promove quebra dos possível solução para se reduzir a variabilidade, jáagregados reciclados e altera sua granulometria. amplamente estudada na literatura, é realizar umaSilva e Miranda (2008) apresentaram uma mistura de agregados reciclados e naturais.alternativa para reduzir a variabilidade das Limitando-se os teores de agregado reciclado empropriedades físicas e mecânicas da brita corrida relação ao agregado natural, a variabilidade dasreciclada e para aumentar o valor do CBR, propriedades pode ser reduzida, e os limitescompondo-se a curva granulométrica por frações impostos por normas podem ser atendidosseparadas de areia, pedrisco, brita e rachão, (Tabelas 6 e 7). Isso pode ser realizadoseguindo a curva granulométrica proposta pelo industrialmente por um dosador de agregados, porDNER. silos conectados aos transportadores de correiaEntre outros resultados obtidos por Silva e com controle de vazão. Todos os transportadoresMiranda (2008), cita-se o CBR, que chegou a de correia descarregam num transportadortriplicar de valor e a reduzir seu coeficiente de principal, o que possibilita realizar a mistura.variação médio de 36,31% para 9,65%, quando se Miranda (2005) empregou classificadores espiraisaplicou a técnica de controle granulométrico. para remover a fração orgânica leve e os finos < 75Também, através do controle granulométrico, além !m, junto com um processo de homogeneização,de melhorar o coeficiente de uniformidade do na usina Irmãos Preto, em Socorro, SP.agregado, reduzindo seu índice de vazios, foipossível evitar que amostras de brita corrida A reciclagem de resíduos de construção e demolição no Brasil: 1986-2008 67
  12. 12. Parâmetro Brita granítica Brita reciclada Teor de não minerais (%) 0,00 4,00 Teor de finos (%) 1,00 20,00 Absorção de água (%) 0,50 20,00Tabela 6 – Parâmetros da brita granítica e da brita reciclada Substituição da brita natural pela reciclada Parâmetros 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Teor de não 0,00 0,40 0,80 1,20 1,60 2,00 2,40 2,80 3,20 3,60 4,00 minerais (%) Teor de finos 1,00 2,90 4,80 6,70 8,60 10,50 12,40 14,30 16,20 18,10 20,00 (%) Absorção de 0,50 2,45 4,40 6,35 8,30 10,25 12,20 14,15 16,10 18,05 20,00 água (%)* Resultados em cinza: não atendem aos limites da NBR 15116.Tabela 7 – Exemplo de variação de propriedades dos agregados com diferentes teores de substituiçãoda brita granítica natural pela brita recicladaOs classificadores espirais são utilizados para ausente em todas as usinas do país. Com menos deseparações por tamanho de partículas, tal como 2% do custo de implantação de uma usina deoutros equipamentos de classificação. São reciclagem, já é possível montar um laboratórioequipamentos de simplicidade construtiva, porém capaz de caracterizar todas as propriedadesrobustos. Eles são constituídos de tanque dentro do controladas pela norma, com exceção do Índice dequal gira uma espiral. O movimento da espiral Suporte Califórnia (CBR), que teria que seragita a polpa (mistura de areia e água), mantendo-a terceirizado por necessitar de uma prensa. O custoem suspensão. Variando-se a proporção de sólidos estimado do controle tecnológico dos agregadose água, variará a densidade da polpa e sua reciclados, em uma usina com capacidade deviscosidade. As partículas sólidas alimentadas ao produção de 40 m3/h, é de apenas R$ 0,50/m3classificador encontram essa polpa e, dependendo produzido e pode facilitar a comercialização pelade seu tamanho, têm peso suficiente para afundar segurança transmitida ao consumidor.ou não. Se afundam, acumulam-se no fundo doclassificador, de onde são arrastadas tanque acima Conclusõespelo movimento da espiral. Se não conseguemafundar, transbordam do classificador. A faixa de Cerca de 1% das empresas nacionais já foramideal de operação dos classificadores varia entre assistidas para a implantação de planos de800 µm e 74 µm (CHAVES, 1996). gerenciamento de RCD em canteiros, sendo esse percentual composto principalmente deAs técnicas de lavagem e homogeneização construtoras de médio e grande portes. A triagemreduziram, respectivamente, a variação do teor de de RCD em canteiros apresenta vantagensfinos (1,4–3,2%) e da absorção de água (4,0– econômicas e ambientais, porque reduz o volume6,0%), produzindo argamassas e revestimentos das classes de resíduos transportados, viabilizamais homogêneos e com desempenho satisfatório, soluções mais simples de reciclagem do resíduoquanto à trabalhabilidade, ao surgimento de classe A, seja em canteiro ou em usinas, e permitefissuras, aderência ou resistência superficial. O a reciclagem de todos os resíduos da classe B –custo de implantação de um processo de lavagem e madeira, plástico, aço e papel.homogeneização não chega a 5% do custo total dausina. A taxa de crescimento das usinas de reciclagem brasileiras aumentou após a vigência da resoluçãoEntretanto, para aplicação do processo de lavagem, CONAMA 307. Cerca de 45% das usinasé obrigatório, por questões econômicas e nacionais são privadas. A produção das usinasambientais, fazer a reutilização não só da água de públicas é intermitente devido às dificuldadeslavagem como também do pó removido. Com isso, administrativas, às mudanças de cenário político eo consumo de água se reduz basicamente à ao pouco conhecimento técnico.molhagem do agregado, o que já seria feito na obrano momento de sua utilização. As normas não garantem a homogeneidade dos agregados reciclados, nem sua aceitação noConsidera-se fundamental que as usinas de mercado. O custo do controle de qualidade é baixoreciclagem implantem o controle de qualidade e precisa ser implantado com o intuito de sesistêmico dos agregados, atividade que ainda é reduzir a variabilidade e de melhorar a qualidade e68 Miranda, L. F. R.; Angulo, S. C.; Careli, E. D.
  13. 13. a confiabilidade do produto. Algumas estratégias BODI , J. Experiência Brasileira com Entulhopara se reduzir a variabilidade são apresentadas, Reciclado na Pavimentação. In: RECICLAGEMtais como o uso de dosador para se produzirem NA CONSTRUÇÃO CIVIL, ALTERNATIVAmisturas de agregados reciclados e naturais, e ECONÔMICA PARA A PROTEÇÃOclassificador espiral para remover fração orgânica AMBIENTAL, 29., São Paulo, 1997. Anais... Sãoleve e finos da areia reciclada. Usos para a areia Paulo: Núcleo de Desenvolvimento de Pesquisasreciclada precisam ser definidos porque nenhuma POLI /UPE, 1997. p. 56-63.usina de reciclagem é capaz de produzir apenasbrita reciclada. BUNTENBACH, S. et al. Wet Processing of Demolition rubble. Aufbereitungs-Technik, v. 38, n. 3, p. 130-138, 1997.Referências bibliográficas BUTLER, A. M. Concreto com AgregadosASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS Graúdos Reciclados de Concreto: influência daTÉCNICAS. NBR 15116: agregados reciclados de idade de reciclagem nas propriedades dosresíduos sólidos da construção civil: utilização em agregados e concretos reciclados. São Carlos,pavimentação e preparo de concreto sem função 2003. 199 f. Dissertação (Mestrado emestrutural: requisitos. Rio de Janeiro, 2004. Engenharia) – Escola de Engenharia de SãoALTHEMAN, D. Avaliação da Durabilidade de Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos,Concretos Confeccionados com Entulho de 2003.Construção Ccivil. Campinas, 2002. 102 f. CARELI, E. D. A Resolução CONAMA nºRelatório (Iniciação Científica) – Universidade de 307/2002 e as Novas Condições para Gestão dosCampinas. Resíduos de Construção e Demolição. São Paulo,ANGULO, S. C. Variabilidade de Agregados 2008. 154 f. Dissertação (Mestrado em EngnhariaGraúdos de Resíduos de Construção e Civil) – Centro Estadual de Educação TecnológicaDemolição Reciclados. 2000. 155 f. Dissertação Paula Souza, São Paulo, 2008.(Mestrado em Engenharia) – Escola Politécnica, CARVALHO, R. C. A. et al. Análise da GestãoUniversidade de São Paulo, São Paulo, 2000. Racional de RCD em Canteiros de Obras daANGULO, S. C. et al. Utilização de Pilhas de Região Metropolitana do Recife, RMR. In:Homogeneização para Controle de Agregados ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIAMiúdos de Resíduos de Construção e Demolição DO AMBIENTE CONSTRUÍDO, 12., Fortaleza,Reciclados In: CONSTRUÇÃO 2001: por uma 2008. Anais... Fortaleza: ANTAC, 2008.construção sustentável, 2001, Lisboa. Anais... CHAVES, A. P. Teoria e Prática de TratamentoLisboa: Instituto Superior Técnico, 2001. p. 713- de Minérios. São Paulo: Signus, 1996. v. 2.720. CONAMA. Resolução 307, de 05 de julho deANGULO, S. C. Caracterização de Agregados 2002. Dispõe sobre a gestão dos resíduos dade Resíduos de Construção e Demolição construção civil. Diário Oficial da União , PoderReciclados e a Influência de suas Executivo, Brasília, DF, 17 de jul. 2002. Seção 1,Características no Comportamento Mecânico p. 95-96.dos Concretos. São Paulo, 2005. 149 f. Tese(Doutorado em Engenharia Civil) – Escola DAMINELI, B. L. Estudo de Métodos paraPolitécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, Caracterização de Propriedades Físicas de2005. Agregados Graúdos de Resíduos de Construção e Demolição Reciclados. São Paulo, 2007. 125 f.BALTAR, L.; ALENCAR, C.; MIRANDA, L. F. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) –R. Avaliação da Reciclagem de Resíduos de Gesso Escola Politécnica, Universidade de São Paulo,em Canteiro de Obra do Recife. In: CONGRESSO São Paulo, 2007.INTERNACIONAL DE TECNOLOGIAAPLICADA PARA A ARQUITETURA E DIAS, J. F. Avaliação de Resíduos daENGENHARIA SUSTENTÁVEIS, 2008, Olinda. Fabricação de Telhas Cerâmicas para seuAnais... Olinda, Sinaenco, 2008. Emprego em Camadas de Pavimento de Baixo Custo. São Paulo, 2004. 268 f. Tese (Doutorado em Engenharia Civil) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004. A reciclagem de resíduos de construção e demolição no Brasil: 1986-2008 69
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