Aplicações dos resíduos de construção e demolição ( thais, mestranda)

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Aplicações dos resíduos de construção e demolição ( thais, mestranda)

  1. 1. ENTECA 2011 VIII Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura 8 - 10 Novembro 2011 ISSN 1808-3625 APLICAÇÕES DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO 1 Thais Davantel de Barros Sapatini Bruno Luiz Domingos De Angelis 2 Generoso De Angelis Neto 3 Viviane Aparecida Jusinskas Savano4RESUMOEste artigo traz um breve estudo teórico sobre os resíduos de construção e demolição no Brasil,aborda inicialmente um histórico sobre os resíduos, sua classificação e a problemática desse tipo deresíduo, bem como dados sobre sua geração A partir desse ponto, passa a ter informações sobrealgumas formas de sua reutilização e reciclagem e principalmente sobre sua utilização comoagregados para a produção de concretos.______________________________________________________________________________________1 Mestrando, Universidade Estadual de Maringá-UEM, Programa de Pós-graduação em Engenharia Urbana- PEU, ThaisDB02@hotmail.com2 Profa. Dro Bruno Luiz Domingos De Angelis, Universidade Estadual de Maringá-UEM, Departamento de Agronomia- DEA, blangelis@uem.br3 Prof. Dro Generoso De Angelis Neto ., Universidade Estadual de Maringá-UEM, Departamento deArquitetura e Urbanismo-DAU, ganeto@uem.br4 Mestrando, Universidade Estadual de Maringá-UEM, Programa de Pós-graduação em Engenharia Urbana- PEU, vivianesavano@hotmail.com
  2. 2. 1. INTRODUÇÃO A construção civil é hoje, uma das atividades da sociedade que mais interfere no meio ambiente. Matérias primas são extraídas, energia é consumida durante a construção, resíduos são devolvidos ao ambiente natural, e emissões tóxicas são geradas e expelidas na atmosfera, A maneira como esta atividade vem sendo exercida atualmente, resulta em uma destruição cada vez mais acelerada dos recursos naturais disponíveis. Este quadro só poderá se modificar à medida que houver maior conscientização de todos os agentes envolvidos nesta atividade, e que a pesquisa constante indicar novos caminhos para o desenvolvimento de novos métodos e materiais de construção. O local para onde estão indo os resíduos (aterros e lixões), bem como o que está sendo feito com os mesmos é de suma importância para a sociedade pois se continuarmos a não nos preocupar com este fator, as cidades se tornarão cada vez mais poluídas a um ponto onde não se terá mais controle. Diversas são as formas de geração desses Resíduos, que denominaremos de RCD, eles são gerados pelas obras de reforma, neste caso não depende do processo produtivo e sim do processo de demolição e também no processo produtivo da construção civil, o que já faz parte dos desperdícios do processo construtivo, envolvendo a questão da mão de obra. Esses desperdícios poderiam ser minimizados se houvesse um processo tecnológico envolvido no processo construtivo, muito se tem feito neste sentido, mas a um passo muito lento. Uma outra maneira de minimizar este efeito seria também a reutilização ou a reciclagem desses resíduos. A grande dificuldade para a reciclagem dos RCD é que esses resíduos apresentam uma heterogeneidade muito grande de componentes envolvidos no entulho gerado, o que torna a sua composição muita complexa para utilização como agregados graúdos e miúdos. Isso faz com que o mesmo seja objeto de muitas pesquisas nos dias de hoje. Dados de algumas Prefeituras e trabalhos já realizados anteriormente mostram esta situação. De acordo com Pinto (1999) o Brasil gera 0,52 ton de entulho por habitante por ano, o que representa de 54 a 61% da massa dos resíduos sólidos urbanos, um número relativamente alto. A importância da reutilização e/ou a reciclagem dos RCD, é que o mesmo se torna produtivo para a própria indústria da construção civil, fechando o ciclo de vida da destinação final dos RCD e se tornando um problema ambiental a menos para a sociedade. Considerando este contexto, este trabalho tem como objetivo apresentar as diversas maneiras de aplicação dos RCD que já existem no mercado e que estão sendo objetos de estudo no meio científico.2. DESENVOLVIMENTO2.1. Histórico A primeira utilização significativa dos resíduos de construção e demolição veio com o fimda segunda guerra mundial. Naquele período milhares de escombros ficaram espalhados pelascidades. A necessidade de se obter matéria prima para a reconstrução dos centros urbanos e a faltade local de armazenamento desses escombros fizeram com que esses resíduos fossem entãoreutilizados. Ao final da Segunda Guerra, a quantidade de entulho nas cidades alemãs era de 400 a 600 milhões de m3 , as estações de reciclagem produziram cerca de 11,5 milhões de m3 de agregado reciclado de alvenaria e 175000 unidades habitacionais foram construídas ( LEITE , 2001). Com base nesse fato, Levy e Helene, (1997a), afirmam que 1946 marcou o desenvolvimento da reciclagem de resíduos de construção e demolição na construção. 2
  3. 3. Segundo Cincotto (1983), foi a partir de 1968, através de Simpósios realizados sobre o tema reaproveitamento de materiais de construção civil e com a criação de Comitês de entidades normatizadoras, como o Comitê E-38, com objetivos relacionados desenvolvimento de métodos de recuperação de materiais e energia criado pela ASTM, o Comitê E-37- DRC, voltados para resíduos de demolição, criado pela Rilem e o Comitê de pesquisas em materiais residuais e subprodutos para a construção de rodovias, a partir de 1974, que se evidenciaram as pesquisas referente ao tema. Na década de 80, surgiram estudos sobre a resistência do concreto feito a partir de concreto e agregados reciclados com Hansen e Narud (1983) que apresentaram trabalho sobre o assunto no 2 RILEM – Simpósio Internacional sobre demolição e reuso de concreto e alvenaria em Tókio - Japão. ( ZORDAN 1997). No Brasil, o assunto começou a ser tema de pesquisa com Pinto na década de 80, mais precisamente em 1986 quando seu estudo consistiu em utilizar o reciclado para a produção de argamassa. Também foram realizados estudos em 1997 em pavimentos por Bodi, em argamassa, por Zordan e em concretos por Levy. A reciclagem teve inicio, porém, em 1991 na cidade de Belo Horizonte e hoje já existem diversas unidades de reciclagens no país. Apesar disso tudo, apenas em 1999 a relevância do assunto foi confirmada por Pinto que afirmou os RCD poderiam corresponder a 50% da massa dos resíduos sólidos municipais. Em 2002 foi homologada a Resolução Conama 307 que definiria então a responsabilidades pelos RCD e partir daí surgiram muitos estudos e Normas técnicas referente à reutilização desses resíduos . A seguir algumas Normas Brasileira existentes. 2.2. Resíduos de Construção e Demolição Os RCD, assim denominados os resíduos de construção e demolição são os resíduos geradospor atividades relacionadas à construção civil, tais como: construção, reformas, reparos edemolições. Sendo gerados em quantidade significativa, os RCD agravam os problemas municipais decoleta, transporte e disposição final dos resíduos sólidos, ocorrendo frequentemente a disposiçãoilegal dos resíduos em locais não adequados, tais como ruas, calçadas, terrenos baldios, encostas,leitos de córregos e rios e áreas com importância ambiental, tornando o problema ambiental,econômico, de saúde pública entre outros para as cidades. 2.3. Classificação dos RCD Os RCD fazem parte dos Resíduos sólidos urbanos (RSU), definidos pela NBR 10004/2004,e dessa forma são divididos da seguinte forma: Classe I – Perigosos - apresentam risco à saúde pública ou a o meio ambiente, 3
  4. 4. caracterizando-se por possuir uma ou mais das seguintes propriedades: inflamabilidade,corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade; Classe II A- não inertes – podem ter propriedades como: combustibilidade, biodegrabilidadeou solubilidade, porém, não se enquadram como Resíduo I ou III; Classe II B– inertes – Não tem constituinte algum solubilizado em concentração superior aopadrão de potabilidade de água. Os Resíduos Sólidos de Construção e demolição (RCD) são os mais representativos e commaior volume dentre os resíduos classificados como Classe III- inertes, por exemplo: rochas, tijolos,vidros, entulhos, etc. No seguimento da construção habitacional, nos casos de reformas, os serviços desubstituição de revestimentos cerâmicos, demolição de paredes, alterações elétricas e hidráulicassão os maiores geradores de RCD. Já no caso de construções novas, o entulho provêm de restos demateriais não utilizados no sistema construtivo adotado, desperdício de materiais e por falta deplanejamento com enfoque na preservação ambiental. Considerando os fatores de disposição final indevida dos RCD, o Conselho Nacional doMeio Ambiente – CONAMA, aprovou em 2002 a Resolução CONAMA n 307/ 2002, queresponsabiliza os geradores dos resíduos em relação a sua geração, acondicionamento e destinaçãofinal e que define os resíduos de construção e demolição da seguinte maneira: Resíduos da Construção Civil: São os provenientes de construções e reformas , reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliças ou metralha. Segundo essa Resolução a sua classificação é da seguinte forma: I – Classe A – são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como: a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infra –estrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem; b) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação: componentes cerâmicos (tijolos, blocos , telhas, placas de revestimentos, gesso etc.), argamassa e concreto; c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré- moldadas em concreto ( blocos, tubos, meios-fio etc.,) II – Classe B- são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como: plásticos, papéis, papelão, metais, vidros, madeiras e outros; III – Classe C- são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/recuperação. IV- Classe D- são os resíduos perigosos oriundos do processo de construção tais como: tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros. O art. 4º da Resolução enfatiza que o objetivo principal dos geradores de RCD deve ser anão geração de resíduos e, secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinaçãofinal. Já o art. 5º especifica como instrumento para a implementação da gestão dos resíduos daconstrução civil o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, realizadopor Municípios e Distrito Federal. E por último, de acordo com a nova Lei dos Resíduos sólidos os RCD são denominadossegundo sua origem como os gerados nas construções , reformas, reparos e demolições de obras de 4
  5. 5. construção civil, incluindo os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis.2.4. Geração e dados dos RCD Em sua grande maioria os RCD são inertes, de baixa periculosidade, cujos impactosambientais originam-se basicamente do expressivo volume gerado e da sua disposição ilegal emlocais não adequados. As áreas de disposição ilegal de RCD deterioram a região onde se situam e atraem adisposição ilegal de outros tipos de resíduos sólidos, tais como lixos volumosos (móveis, geladeirastelevisões, por exemplo), galhadas ( resto de podas de árvore), lixo domiciliar e resíduos industriais. Junto com o lixo domiciliar, que traz parcela de resíduos orgânicos, estas áreas podem setransformar em locais com incidência de insetos e roedores (moscas, mosquitos, escorpiões e ratos),trazendo riscos à saúde da população próxima. As áreas de bota-fora de RCD próximas s talvegues, encostas, redes de drenagem e córregospodem, por carreamento, provocar assoreamento dos rios e obstrução de redes de drenagem,aumentando os custos com limpeza pública e os riscos de enchentes e de deslizamentos de encostas. Com o crescimento gradativo dos aterros clandestinos em áreas de valor ambiental, nosmédios e grandes centros urbanos, tais como várzeas, vales e manguezais, ocorrem impactos noecossistema, e ainda estimula-se a ocupação irregular destas áreas por imóveis de populaçãocarente. Por serem construídos sem embasamento técnico, tanto estes aterros quanto os imóveisirregulares, poderão apresentar sérios problemas de recalque ou de enchentes, tendo os municípiosmuitas vezes que arcar com ônus de realocação das famílias carentes. Isto gera um ciclo vicioso para os municípios, pois uma vez que estas áreas perdem ascaracterísticas naturais após a retirada dos imóveis irregulares, novas ocupações ilegais virão,devido ao crescente déficit habitacional nas médias e grandes cidades brasileiras. Também podemos destacar que mesmo os processos de coleta regulamentados, ou seja, asempresas devidamente cadastradas junto ao poder público, causam grandes riscos à comunidade,pois as caçambas de coleta, quando mal dispostas, provocam incovenientes no trânsito de pedestrese veículos (ocupando vagas de estacionamento e /ou obstruindo o passeio), também durante otrajeto entre a fonte geradora e o local de despejo, quando o acondicionamento do RCD dentro dascaçambas não respeita a capacidade da mesma, surge o risco de desprendimento de resíduospodendo atingir outros veículos ou no mínimo sujando os logradouros públicos. A reinserção dos RCD no processo produtivo da construção civil evita a extração de recursosnaturais não renováveis. Por serem gerados em grandes quantidades, outro impacto ambiental oriundo dos RCD é aaceleração do término da vida útil dos aterros municipais. Sendo basicamente minerais e inertes, osRCD podem ser empregados pelos gestores destes aterros como material de cobrimento de camadasdo lixo urbano, evitando desta forma a exposição ao ar livre das frações orgânicas, que atraeminsetos, roedores e urubus. Os RCD também são utilizados para a construção de vias e áreas demanobras para os veículos que transportam e despejam o lixo urbano no aterro. Este cobrimento devias e áreas de manobra, ficam incorporados ao aterro. Empregando-se os RCD dentro dos aterros, os municípios economizam na aquisição deagregados (areia e brita), o que a princípio faz dos RCD um material desejado pelos gestores dosaterros. Contudo, os gestores não avaliam que a quantidade em excesso e o peso significativo dosRCD encurtam a vida útil dos aterros, trazendo a longo prazo outros tipos de custos (procura denovas áreas para aterro mais afastadas dos locais de geração, implantação de instalações em novosaterros, aumento do custo de transporte, entre outros). 5
  6. 6. 2.5. Alternativas de Reutilização/Reciclagem de RCD A implantação da Resolução nº 307 do CONAMA, inevitavelmente vem causar um impactono mercado da construção civil, principalmente nos grandes geradores, pois todos deverão seadequar à nova situação, visando primeiramente a não geração de resíduos e também a reutilizaçãoe a reciclagem dos mesmos. É onerosa também a posição de co-responsável pelo entulho gerado, o que inevitavelmentevem sobrecarregar ainda mais os elevados custos indiretos de produção que o setor tem encontrado. Mas as alternativas para se adaptar a situação são muitas, e a viabilidade da reciclagem nãoestá longe de se tornar realidade. Basta analisarmos a composição básica do entulho, que é formadabasicamente de restos de concreto, produtos cerâmicos, argamassas de cimento, pedras britadas,areia etc., produtos que podem ser moídos e reutilizados como agregados na fabricação de blocos deconcreto, na recuperação de pavimentos, como contra-pisos etc. Os RCD têm uma composição muito variável, que se altera inclusive, segundo as condiçõestécnicas empregadas nas construções, que influenciarão diretamente na quantidade de resíduogerada. Segundo John e Agopyan 2001, dados estimativos apontam uma geração de RCC em tornode 510Kg/hb. Ano. O programa de fomento à pesquisa na área de habitação HABITARE, coordenado pelaFINEP ( Financiadora de Estudos e Projetos), é uma das mais importantes pesquisas feitas sobreperdas na construção. Dela obteve-se o seguinte quadro: Cimento Aço Blocos e Tijolos Areia Concreto usinadoMin 6 2 3 7 2Max 638 23 48 311 23Mediana 56 9 13 44 9 Quadro 1: Perdas de alguns materiais de construção civil em canteiros (%) Fonte: JOHN, Vanderley M.,AGOPYAN, Vahan, ( 2001) Quase a totalidade da fração cerâmica desses resíduos pode ser beneficiada como agregadocom diferentes aplicações. As frações compostas predominantemente de concretos estruturais e derochas naturais podem ser recicladas como agregados para a produção de concretos naturais. Apresença de fases mais porosas e de menor resistência mecânica, como argamassas e produtos decerâmica vermelha e de revestimento, provoca uma redução da resistência dos agregados e umaumento da absorção de água. Tabela 2 - Composições de Resíduos de Novas Construções Resíduo de construção, em massa ( %) Materiais Holanda(1) Japão(2) Brasil (3) 39 Cerâmica 12 29 17 Madeira 19 13 Concreto 17 4 ‘14 Tijolos e elementos 1 Nd silico calcáreo Gesso/Argamassa 8 Nd 64 Outros 9 51 3 Fonte: 1-Bossink; Browers 1996,2-Hong Kong Polytechnic 1993apud levy 1197 3-Pinto 1986 6
  7. 7. Tabela 3 – Composição de Resíduos de demolições Materiais Alemanha (1) Japão (2) Resíduos de demolição em Resíduo de demolição em massa produção Cerâmica 1o 6,33 Madeira 3o 7,14 o Concreto 2 54,26 Gesso/Argamassa 4o Nd o Outros 5 32,27 Fonte: Schultmann et al 1997 e Hong Kong Poltrechnic 1993 apud levy 1997 Do ponto de vista técnico as possibilidades de reciclagem dos resíduos variam de acordocom a sua composição e é de suma importância a análise dessa composição para avaliar o destino aser dado a cada resíduo. Ao analisar o emprego dos agregados reciclados, deve-se considerar que em geral aqualidade destes é heterogênea e inferior aos agregados convencionais (IPT/CEMPRE, 2000). Paraaumentar o potencial da reciclagem, deve-se garantir a homogeneidade da composição e a purezados materiais. Basicamente as características mais importantes dos agregados reciclados são - composição de mistura; - resistência contra intempéries; - tamanho e forma dos grão; - resistência de carga; - permeabilidade; - ausência de contaminação (por óleos ou substâncias diversas). Quanto melhores forem estas características, melhor será a quantidade dos agregadosreciclados, podendo estes serem empregados até em peças estruturais. Para este fim, os agregadosprovenientes de demolição de peças de concreto são os mais adequados. Mas, como o Brasil o beneficiamento dos RCD é em grande parte realizado pelosmunicípios em instalações simples e, como quase não acontece a separação dos resíduos na fonte(nos canteiros de obra, demolição ou reformas), os agregados reciclados não apresentamhomogeneidade de suas características físico-químicas, dificultando o seu emprego em concretoestrutural. Como conseqüência, os principais empregos dos agregados reciclados no Brasil sãosimplificados, e consomem grandes quantidades de materiais. As aplicações mais usuais são: - obras de pavimentação (pavimentação para tráfego leve, regularização e cascalhamento de ruas de terra e calçadas); - construção de estradas (base e sub-base, guias e sarjetas); - obras de urbanização e de instalações esportivas; - obras de drenagem; - obras de edificações (blocos de concreto de vedação, argamassas e contrapisos). Também nestas aplicações não estruturais, o agregado reciclado será empregado conforme asua maior ou menor qualidade. Um exemplo de reciclagem de RCD esta em São Bernardo do Campo, a empresa URBEMtecnologia ambiental recebe diariamente 300 m3 de resíduo Classe A que transforma em areia,brita, pedrisco, rachão e brita corrida, que são destinadas cada um a um tipo de uso de acordo comtabela 3 a seguir. 7
  8. 8. Tabela 3: Usos recomendados para RCD reciclado USOS RECOMENDADOS PARA RESÍDUOS RECICLADOS Produto Características Uso recomendado Areia reciclada Material com dimensão Argamassas de máxima característica inferior assentamento de alvenaria a 4,8 mm, isento de de vedação, contrapisos, impurezas, proveniente da solo-cimento, blocos e reciclagem de concreto e tijolos de vedação. blocos de concreto. Pedrisco Material com dimensão Fabricação de artefatos de reciclado máxima característica de 6,3 concreto, como blocos de mm, isento de impurezas, vedação, pisos proveniente da reciclagem de intertravados, manilhas de concreto e blocos de concreto. esgoto, entre outros. Brita reciclada Material com dimensão Fabricação de concretos não máxima característica inferior estruturais e obras de a 39 mm, isento de impurezas, drenagens. proveniente da reciclagem de concreto e blocos de concreto. Bica corrida Material proveniente da Obras de base e sub-base de reciclagem de resíduos da pavimentos, reforço e construção civil, livre de subleito de pavimentos, impurezas, com dimensão além de regularização de máxima característica de 63 vias não pavimentadas, mm (ou a critério do cliente). aterros e acerto topográfico de terrenos. Rachão Material com dimensão Obras de pavimentação, máxima característica inferior drenagens e terraplenagem. a 150 mm, isento de impurezas, proveniente da reciclagem de concreto e blocos de concreto. Fonte: Urbem Tecnologia Ambiental As aplicações de agregados no Brasil ainda são restritas, pois aplicações potenciais nãoforam pesquisadas com maior profundidade, trazendo dúvidas aos profissionais de construção civilsobre especificações técnicas para a produção e para a aplicação do material. Empiricamente sãoutilizados traços com limitação do teor de agregados reciclados, de forma a prevenir problemas ,tais como retração por secagem e alta absorção (LIMA,1999).2.6- Aspectos da reciclagem de RCD como concretos Segundo Mesters e Kurkowski (1997), aplicações em concretos em larga escala só serãoconseguidos através de demolição seletiva bem controlada e através de técnicas de processamentomineral que permita processar resíduos mais heterogêneos. A pesar disso, ainda há que haveresforços por parte das Construtoras e órgão públicos, para que separem seus entulhos no canteiro deobra, o que facilitaria e muito o trabalho das usinas de reciclagem, porém isso ocorre em umapequena escala hoje no Brasil. 8
  9. 9. De acordo com Mesters e Kurkowski (1997), os aspectos para uma reciclagem seriam entãoos seguintes: - Demolição seletiva ou desconstrução: Remoção ou desmontagem de diversos tipos decomponentes na demolição para reutilização ( telhas, vidros, caixilhos,...) seguida da demolição dafases não desmontáveis separadamente, por exemplo, remoção inicial da alvenaria, segregação destafase ( transporte), para a seguir demolir e transportar para a reciclagem a estrutura de concreto. Esse processo, por ser controlado, reduz a quantidade de contaminante presente no resíduo econtribui para a melhoria de qualidade do RCD reciclado. Como desvantagem, pode-se citarmorosidade na execução, uso de equipamento especializado e custo, particularmente devido ao usode mão de obra intensiva (HENDRIKS,2000, FREIRE, BRITO, 2001). - Homogeneização do agregado reciclado: A homogeneização de matérias-primas naturais étécnica consagrada na indústria da mineração, sendo praticadas por indústria como a de cimento e ade cerâmica. Ela pode ser adapatada para RCD. O uso de homogeneização dos agregados reciclados não garante aplicações de maior valoragregado Entretanto, a redução da variabilidade da composição e de outras propriedades pelatendência de média dos valores é fundamental para a produção em larga escala ( ÂNGULO, et al.,2002). Ela certamente vai exigir a formação de estoques maiores , que implica em custos em capitalimobilizado e em área. - Determinação dos agregados, se miúdos ou graúdos, o que varia muito em cada pesquisa,apesar de existirem normas para os agregados naturais e os utilizados para base de pavimentação.Durante a fase de pesquisa foi possível observar que os autores dos estudos não seguem uma regrageral para este item fazendo com que em cada uma os agregados graúdos e miúdos tenham umagranulometria diferente, apesar de seguirem as normas. Uma sugestão e também que servirá de baseno presente estudo, é seguir fidedignamente a Norma Brasileira para agregado graúdos e miúdospois desta forma será possível fazer comparação entre os agregados naturais e reciclados. Chen et al. (2003) citado por Vieira e Dal MOlin, 2004), desenvolveram um estudo deconcreto com agregado reciclado de tijolos e concretos, utilizando os agregados reciclados em lotesseparados de agregados graúdos reciclados, lavados e não lavados. Os resultados mostram que osconcretos obtidos a partir dos agregados graúdos lavados, obtiveram valores em torno de 90% daresistência à compressão do valor de referência. Para os concretos de agregados reciclados nãolavados, os valores não passaram de 75%. Isso mostra a importância de como a seleção epreparação dos resíduos a serem utilizados em produção de novos materiais deve ser feita comcontrole de qualidade para que haja um desempenho melhor. Para esta análise foram utilizados resíduos de uma obra de demolição da cidade de Maceió,esses resíduos foram separados e triturados. Após isso eles foram discriminados em agregadosmiúdos e agregados graúdos e também foram realizados ensaios de massa específica e absorção deágua. Os agregados reciclados possuem uma alta taxa de absorção e a massa específica menor doque os agregados naturais. Para a produção dos concretos foram definidas três relações entre água/cimento (0,40, 0,60 e0,80) e três percentuais de substituição de agregados naturais pelos reciclados (0%, 50% e 100%).Esses ensaios foram realizados tendo como parâmetro de referência um concreto obtido comagregados naturais para assim ter como comparar os resultados. Um outro estudo realizado por Vieira e Dal MOlin, 2004, em relação ao reaproveitamentode RCD de concreto, para a verificar a viabilidade técnica da sua utilização com agregadosreciclados, mostra o seguinte. Os ensaios realizados foram o de resistência a compressão e ensaiosde durabilidade, esse último sendo dividido em potencial de corrosão e taxa de corrosão . Em relação aos ensaios de resistência a compressão, os resultados mostraram que pararelações a/c menores houve uma redução apenas no concreto feito com 100% de substituição dosagregados miúdos e graúdos utilizados em um mesmo traço. O melhor desempenho de atuação 9
  10. 10. conjunta de agregados miúdo e graúdo reciclados se deu nos concretos com 50% de substituição deAGR e 100% de substituição de AMR e com 50% de ambos pois não houve perda de resistência. Em relação aos ensaios de durabilidade, tanto para o potencial de corrosão quanto para ataxa de corrosão o melhor desempenho do concreto se deu com substituições de 100% de AMR e0% de AGR para todas as relações água cimento. Como os resultados mostram os agregados reciclados possuem um grande potencial dereaproveitamento para utilização na produção em concretos, o que torna viável a sua reutilização.Claro que existem outros mercados para esse reaproveitamento como sua utilização em pavimentos,porém só essa utilização não será suficiente para suprir a quantidade de RCD gerado. Além disso, o artigo apresenta estudos anteriores que mostra que o custo desses agregados éinferior aos agregados naturais, o que os torna também economicamente viável. 3.CONSIDERAÇÕES FINAIS Em virtude do grande crescimento da indústria da construção civil, os resíduos deconstrução e demolição surgiram como um causador de impacto ambiental, sanitário, visual,econômico e social em potencial. Devido a essa ascensão, o poder público decidiu então tomar atitude em relação aoproblema e criar normas e diretrizes para tal. Com essas novas normas as construtoras tiveram quese adequar a esse novo modo de enxergar o problema e trazer soluções. Foi ai que nasceram entãodiversas pesquisas para resolver essa problemática. Estudos que mostraram ser possível a utilização desse resíduos para outros fins e emespecial como agregados graúdos e miúdos para a fabricação de concretos, blocos de vedação, sub-base para pavimentação, painéis de vedação, etc. È claro que apesar desses estudos, ainda há que se fazer muito em relação a este setor dereciclagem, já que o mesmo enfrenta diversos problemas, dentre eles a própria sociedade que aindatem uma certa discriminação em relação a produtos reciclados na indústria da construção civil. Hoje diversas cidades já compartilham da tecnologia da reciclagem desses resíduos parautilização como agregados porém, hoje, em sua maioria essa parceria se dá através de serviçosprestados por empresas privadas. È importante ressaltar ainda que, apesar de todos os benefícios que a reciclagem dos RCDtrazem a sociedade, deve-se atentar para outros impactos que os mesmos podem trazer consigocomo: não poder reciclar este produto novamente ou então os impactos que eles causam na suaprodução ( gasto de energia, poluição, etc.) Deve-se analisar em qualquer estudo de um novo produto gerado com RCD, todos osaspectos, técnicos, sociais, ambientais e econômicos para ai então obter um produto de boaqualidade e tecnicamente sustentável.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASCINCOTTO, M. A. (1983). Patologia das argamassas de revestimento: análise erecomendações. São Paulo, IPT (Série Monografias 8).FREIRE, L.; BRITO, J. Custos e benefícios da demolição seletiva. In: Construçãosustentável.Lisboa.Portugal 2001.p.863-870.HANSEN, T. ; NARUD, H. (1983). Strenght of recycled concrete made fromcrushed concretecoarse aggregate. Concrete International - Desing and Construction, v.5, n.1, p.79-83, January. 10
  11. 11. HENDRICKS, C.F. The buiding cycle. Ed. Aeneas. Holanda.2000. p. 231JOHN, Vanderley M.,AGOPYAN, Vahan. Reciclagem de Resíduos da Construção. ArtigoTécnico, 2001.LEITE, Mônica Batista, Avaliação de propriedades mecânicas de concretos produzidos comagregados reciclados de resíduos de construção e demolição,2001, Porto Alegre, UniversidadeFederal do rio Grande do Sul, tese de doutorado.LEVY, S.M., HELENE, P.R.L. (1997a) Propriedades mecânicas de argamassas produzidas comentulho de construção civil. In: RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO DE RESÍDUOS COMOMATERIAIS DE CONSTRUÇÃOCIVIL (Workshop), São Paulo. Anais. São Paulo,EPUSP/ANTAC.LIMA, J.A R; SILVA, L.F.”Utilização e Normatização de resíduos de Construção Re-cicladosno Brasil”. In: II Simpósio Internacional de Qualidade Ambiental, 1999a, Porto Alegre, Anais..., p.168-171.. Origem dos direitos dos povos. São Paulo: Melhoramentos, [19--].MESTERS, K.;KUROMSKI, H. Density separation of recycling building materials of jigtechnology. Aufbereitungs technik, n.38, 1997. p. 536-542.NBR 10004/2004 – Resíduos Sólidos - Classificação.PINTO, T.P. Metodologia para a gestão diferenciada de resíduos sólidos da construçãourbana. Tese Doutorado- Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. São Paulo, 1999. 189RESOLUÇÃO CONAMA 307, de 05 de Julho de 2002 – Estabelece diretrizes, critérios eprocedimentos para a gestão dos resíduos da construção civi.VIEIRA, Geilma Lima , DAL MOLIN, Denise Carpena, Viabilidade técnica da utilização deconcretos com agregados reciclados de resíduos de construção e demolição. AmbienteConstruído, Porto Alegre, v.4, p. 47-63, ou/dez. 2003ZORDAN, Sergio Eduardo, A utilização do entulho como agregado na confecção do concreto,tese de mestrado, Universidade Estadual de Campinas ( 1997) 11

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