Gabriel Oliveira                              Um jovem militante petistaNovembro de 2011, o pequeno garoto Omin, no colo d...
uma organização social que não as ocupa, perde um espaço importante. As redessociais são um instrumento de circulação de i...
Colunista: As alianças que Lula constituiu decepcionaram os jovens petistas?Especialmente pela aproximação com lideranças ...
Gabriel (PT): O debate das privatizações não é apenas acerca de quem fez ou não fez.„Privatização‟ parte de uma concepção ...
governo”? Os discursos que rodeiam a "regulamentação da mídia" mostram quese trata de uma estratégia voltada à manipulação...
Gabriel (PT): Essa ligação do governo com as famílias que hegemonizam os meios decomunicação é novidade para mim... Sei o ...
informação. Não investigar! Porque senão, não precisamos do Estado. Se é o repórterquem vai descobrir se é verdade ou não,...
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Juventude politizada 1

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Juventude politizada 1

  1. 1. Gabriel Oliveira Um jovem militante petistaNovembro de 2011, o pequeno garoto Omin, no colo da mãe, sorri para as fotos e roubaas atenções! No cenário, incomum para alguém com menos de um ano de vida,predomina a cor vermelha. Omin – por certo mais habituado ao debate político (pelomenos a ouvi-lo) do que muitas pessoas que ostentam décadas a mais - participa de seuprimeiro evento partidário: o Congresso da Nova Tendência da Esquerda do PT, naBahia.Lutar por um mundo melhor para o seu Omin é (mais) uma mola propulsora para amilitância política e social do pai... Omin é filho de Gabriel Oliveira. E a popularidadedos dois no PT não é fruto do acaso: a do primeiro deve-se a sua simpatia e sorriso fácil;a do segundo, a sua trajetória no Centro Acadêmico, DCE da UFBA e militânciapolítico-partidária. Gabriel, 27 anos, é filiado ao Partido dos Trabalhadores, ex-Secretário da Juventude do PT/BA e atua na Coordenação de Políticas de Juventude doGoverno do Estado da Bahia.Gabriel é o entrevistado que inaugura a série “A Juventude Politizada!”, dacoluna“Política à Flor da Pele”.Daniele Barreto, “Política À Flor da Pele”: Gabriel, como começou sua trajetóriapolítica?Gabriel Oliveira – Partido dos Trabalhadores: Comecei na política antes de entrar nauniversidade; não era filiado, mas tinha atuação partidária nas eleições. Ingressei naUniversidade Federal da Bahia em 2003, fiz parte do Centro Acadêmico - na épocacursava História, depois fui para o curso de Comunicação -, e fui Coordenador Geral doDiretório Central dos Estudantes. A partir do movimento estudantil, passei a atuarorganicamente no PT, assumindo a Secretaria Estadual da Juventude (três anos degestão). Quando saí – hoje a Secretária é Poliana Rebouças - fui para a Coordenação dePolíticas de Juventude no Governo do Estado da Bahia, na SERIN [Secretaria Estadualde Relações Institucionais]. A criação desta Coordenação tem a ver com um processohistórico de pautar a juventude diante do estado, com políticas públicas... Eu faço partedessa equipe!Colunista: Os partidos de Esquerda são mais próximos dos movimentos dajuventude?Gabriel (PT): Isso está mudando! Os partidos de Direita começaram a assimilar otema, reconhecendo a importância de ter um setor específico bem representado eorganizado dentro do partido; já existe essa dinâmica no PSTU,PSDB, PMDB, DEM... Mas, o PT é o partido que tem mais relação direta com osmovimentos, inclusive com os movimentos da Juventude (sobretudo com omovimento estudantil).Colunista: As redes sociais são um ambiente legítimo para o engajamento político?Gabriel (PT): Há duas opiniões: uma, de que as redes sociais afastam o jovem damilitância real; e outra, de que as redes sociais são a principal frente de atuação políticaatualmente. Não concordo com nenhuma! As redes sociais, por si só, não dão conta dacomplexidade que é o processo de convencer uma pessoa a reivindicar uma pauta. Mas,
  2. 2. uma organização social que não as ocupa, perde um espaço importante. As redessociais são um instrumento de circulação de ideias. Mas, ninguém se convence pelarede social. As pessoas se convencem pelo que está na rede social. E o que está narede social é o conteúdo! As redes sociais são uma potência; mas nem aumentam nemdiminuem a mobilização.Colunista: Os partidos de Esquerda sempre incitavam os jovens a reivindicar.Uma vez no poder [governo federal e estadual na Bahia], esses partidos cumprem oque outrora exigiam ou o discurso mudou?Gabriel (PT): Naturalmente tem uma mudança. Você milita porque defende umprojeto! Primeiro você defende um projeto, depois você se torna militante de umpartido... Eu era dirigente do DCE nas gestões de Lula e Jaques Wagner e, comomilitante, reconhecia que o governo representa um projeto que eu defendo; mas, comorepresentante de uma entidade organizada da sociedade civil, era obrigado – ou pelomenos deveria ser - a estabelecer uma autonomia em relação ao governo. As pautas domovimento não podem jamais deixar de ser levantadas em nome da sua defesa dogoverno! Tanto que a principal mobilização que fizemos, em 2007 (sobre aUniversidade Nova), foi questionando o governo; ocupamos a Reitoria da UFBA e apolícia prendeu quatro de nós – inclusive eu. Não tem problema: ser militante do PT;defender o projeto do PT; defender o governo; saber o que significa prá nós o PT estarno governo; mas, também, manter a autonomia e pressionar, aprofundando o projeto.Colunista: A militância partidária atrai muitos jovens em busca de cargos nogoverno...Gabriel (PT): É uma possibilidade. O processo de democratização do Brasil é recente.A Democracia está inconclusa! A Juventude precisa se apropriar dos espaços políticosinstitucionais. Na Coordenação que ocupamos no Governo da Bahia, somos todosjovens e entendemos o cargo como um espaço de empoderamento da Juventude! Ocargo não nós atrai simplesmente pelo cargo, nos atrai pela perspectiva de cumprir opapel de aproximar o governo do tema da Juventude. Os jovens mais politizadospercebem a relevância desse espaço. Agora, obviamente que pessoas são atraídas pelapossibilidade de exercer um cargo, porque nossa sociedade tem diversos problemas noque diz respeito à ética, à corrupção...Colunista: Os discursos petistas de ética caíram por terra com o Mensalão!Gabriel (PT): É inegável que o Mensalão causou impacto grande no partido. Foi umaofensiva da direita e da imprensa. Mas, o tema do Mensalão não preocupa! As açõesrealizadas pelo governo Lula deram conta de dissolver a questão.Fazemos umbalanço altamente positivo do governo Lula que, no quesito de distribuição de renda,tirou milhões de pessoas da linha da pobreza. E a pauta do governo Dilma é erradicar apobreza: ainda não consiga, é uma pauta ousada e nos estimula.Colunista: Hoje, quem são as referências para a nova juventude do partido?Gabriel (PT): Lula é uma grande liderança da juventude. É um fenômeno mundial;como ele, nós temos Nelson Mandela e mais uns dois ou três. Obama teve aquela pilhana eleição, mas seu governo está sendo “mais do mesmo”. Lula é uma referência nãosó para a juventude, mas para toda a sociedade. E esse é um dos principais dilemasda Direita no Brasil: o que Lula se tornou é algo impenetrável, a Direita nãoconseguiu desconstruir...
  3. 3. Colunista: As alianças que Lula constituiu decepcionaram os jovens petistas?Especialmente pela aproximação com lideranças que o PT combatia - o que provaque os discursos são apenas uma estratégia de poder, para convencer a militância...Gabriel (PT): O discurso pode ser muita fantasia, ter muita espuma, mas tambémrepresenta uma síntese política. A política de alianças implementada pelo PT começouem 2002, quando o partido se aliou com o Partido Liberal (PL) – de José Alencar – cujonome já demonstra contradição conosco, pois passamos a vida inteira lutando contra oneoliberalismo. O PL não tinha importância eleitoral, mas trazia o setor empresarial -que o PT nunca teve uma relação muito bem constituída.Colunista: A aliança com o Partido Liberal abriu caminho para outras...Gabriel (PT): Há muitas críticas e resistências. Alguns setores do PT afirmam que asalianças só deveriam existir com os partidos que defendem a nossa causa máxima. Mas,a principal opinião é que o PT deve priorizar seus aliados históricos (como o PCdoB) ecriar abertura com os setores da Direita que possibilitem o fortalecimento do nossoprojeto. Posso afirmar que, com os setores que nós somos aliados, não vamosconseguir alcançar o que queremos, porque existem grupos dentro do governo quenão defendem o mesmo projeto que nós. O PT esvaziou, em alguma medida, oconteúdo ideológico.Colunista: Como assim?Gabriel (PT): Por exemplo: não haverá Reforma Agrária! Por um simples motivo: 170deputados federais ruralistas são aliados e votam a pauta do governo na Câmara. AReforma Agrária nunca será pauta! Esse é um limite concreto! Tem vários outros...Mas, somos nós que estamos na Presidência e uma parte da Direita se soma ao nossoprojeto. Nós atraímos os partidos aliados e não o contrário! Nós não somos atraídos pelaDireita.Colunista: O governo petista é refém de velhos caudilhos do PMDB.Gabriel (PT): Não vou ser ingênuo. O PT recua em várias pautas, no sentido deentender que essa aliança é importante para constituir uma hegemonia nasociedade. Avaliar se Dilma seria eleita sem o apoio do PMDB é um exercício deadivinhação... Que ficaria muito mais difícil Dilma se eleger, eu tenho absoluta certeza!Outro exemplo: somos contundentes quanto ao fortalecimento do Estado; ou seja, maispolíticas públicas e estagnação da venda das empresas públicas para a iniciativa privada.O PMDB aderiu ao nosso projeto! Então, citei um limite que temos por causa dasalianças e um exemplo de uma pauta importante que é mantida... Prá mim, o nome dissoé hegemonia.Colunista: E qual a importância política dessa hegemonia?Gabriel (PT): Deslocar um partido do tamanho do PMDB da Direita é importanteporque a enfraquece. Na medida em que enfraquecemos a Direita, mantemos onosso projeto em voga. Aqui na Bahia, será difícil tirar o PT do governo. É importantea gente conseguir re-configurar a correlação de forças no Brasil e fortalecer nossoprojeto – ainda que não seja um projeto máximo. A hegemonia do PT esgota qualquerpossibilidade da Direita se reorganizar e instalar outro processo histórico de nosmarginalizar.Colunista: Fortalecimento do Estado? Mas o PT realiza privatizações...
  4. 4. Gabriel (PT): O debate das privatizações não é apenas acerca de quem fez ou não fez.„Privatização‟ parte de uma concepção de Estado, uma concepção de poder...Apesar doPT realizar privatizações, não é o discurso ideológico do partido. E não hácontradição em praticar e não defender. É apenas um sintoma de que governar oBrasil é uma tarefa difícil. Mas, foi a Direita quem instalou um processo dedeslegitimação do Estado e implantou a ideia de que o Estado é frágil, burocrático etorna lento o desenvolvimento, porque não permite que a economia se movimente coma dinâmica necessária. Lula provou que é possível priorizar política social, aumentar adistribuição de renda e não sair do ciclo de desenvolvimento. Tanto que o Brasil cumprepapel de alta relevância no cenário mundial: embora atingido pela crise, emprestadinheiro para o FMI. Não tem como comparar o montante das privatizações nosgovernos Lula e FHC. Nós não privatizamos as grandes empresas públicas – o que erauma tendência, no governo anterior.Colunista: E a privatização das estradas?Gabriel (PT): O governo do PT na Bahia privatizou estradas para alcançar objetivos acurto prazo: agilizar o processo de reestruturação e dinamizar o escoamento. Privatizardepende das circunstâncias e do problema que você quer resolver... Se as estradas estãodestruídas, o mundo passa por uma crise e o orçamento enxuga, não deixandoperspectiva real de resolver o problema: você tem que colocar a iniciativa privada paracobrar pedágios. As privatizações do PT são residuais. Falo das estradas estaduais,porque as federais estão sendo inauguradas “a rodo” na Bahia. Vamos ao exemplo daeducação: na era de FHC houve o maior índice de criação de faculdades privadas noBrasil e não se priorizou o fortalecimento da universidade pública.Colunista: E Lula deu continuidade a esse ciclo.Gabriel (PT): Lula não impediu que as universidades fossem criadas, mas adotou oprograma de reestruturação e expansão das universidades públicas, ampliando vagas ecursos nas universidades federais. O governo fortaleceu a educação pública (um dosbraços do Estado)! No entanto, FHC foi responsável pela aparição de um setor político,no Congresso Nacional, denominado “os tubarões do ensino”. Essa pauta não existemais, porque a bancada deixou de ter força. A privatização é o resultado de umacompreensão de que o Estado tem que ser enfraquecido, passando suasresponsabilidades para a iniciativa privada. Brecamos as privatizações, mas aindaexistem porque a iniciativa privada é uma força no mundo e o capital gira em torno de sipróprio e se apropria dos bens – inclusive dos bens públicos.Colunista: O PT critica as privatizações de FHC; mas não as investigouoficialmente. Agora, nutre o debate em torno da obra “A Privataria Tucana”,posando de paladino da justiça. É falso moralismo, porque o PT não coadunadiscurso e prática...Gabriel (PT): De fato, o governo não priorizou as investigações sobre asprivatizações no Brasil. Isso é um problema! A CPI é uma boa oportunidade parainvestigar. 80% dos deputados federais do PT aderiram. Pelo que li, o processo devenda dessas empresas tem a ver com o enriquecimento das famílias de dirigentes erepresentantes da Direita que estavam no governo de FHC. Esse livro do Amauri Jr.pode ser o maior golpe que o PSDB já tomou, mesmo estando fora do governo.Colunista: Franklin Martins defende que “regulação de conteúdo não é censura”.Lula diz que a imprensa tem direito de dizer a “verdade”. A “verdade do
  5. 5. governo”? Os discursos que rodeiam a "regulamentação da mídia" mostram quese trata de uma estratégia voltada à manipulação da informação.Gabriel (PT): Provavelmente Franklin Martins não se refere ao conteúdo que afronta ogoverno. A regulamentação da mídia tem um grande desafio: desconstituir o monopólio.Existe um grande poder sobre a circulação, elaboração e impressão da informação, queé concentrado em poucos atores políticos, poucas famílias. Quanto ao conteúdo, porexemplo, em 12 meses de governo, 07 ministros foram afastados; boa parte relacionadacom denúncias que apareceram na Revista VEJA. A cada ministro que caía, a revistaesquecia e partia para o próximo...Colunista: Muitas dessas denúncias resultaram inquéritos.Gabriel (PT): E porque a revista parou de dar pauta para estes inquéritos? Amovimentação da mídia é quase que exclusivamente política.Colunista: A sociedade não ganha?Gabriel (PT): Ganha. As denúncias devem ser apuradas - a Presidenta exprime essaopinião. Nunca se apurou tanto como no governo do PT. Mas, o padrão decomportamento da mídia é: adota uma pauta, o governo se pronuncia acerca daapuração e o Ministro nega os fatos. Na semana seguinte: capa da VEJA novamente! Adinâmica é essa até o ministro cair. Quando o ministro cai, a revista da semana seguinteé sobre outro Ministério. Como é que as denúncias que eram consideradas graves pelarevista simplesmente saem de pauta?Colunista: Se a VEJA for acumulando as denúncias, a publicação terá trezentaspáginas!Gabriel (PT): Ou a pauta era apenas tirar o Ministro? Porque coincide de mudar apauta exatamente quando ele sai do Ministério? Existe um ponto de partida dessa pauta:a denúncia. Um ponto final: a queda do ministro. Isso mostra o interesse absoluto doeditorial no objetivo de tirar o ministro!Colunista: Mas, a forma como a Carta Capital aborda as denúncias, explicita quehá uma questão editorial dos dois lados...Gabriel (PT): O editorial funciona! Estou mostrando a você que o interesse existe. Nãoadianta entendermos esse processo como simplesmente o objetivo da VEJA na apuraçãodas denúncias. Não é! A revista deixa claro que quer a queda do ministro; depois queele cai, se o inquérito vai chegar ou não a alguma solução, não é interesse da revista...Colunista: A própria sociedade não cobra essas respostas...Gabriel (PT): Exatamente! Veja só: as denúncias contra os ex-ministros só voltarão aser pauta se forem reais. Se não forem, a revista não tocará no assunto - eu e vocêvamos ficar sabendo, mas o conjunto da sociedade não. Por dois motivos: a revista jáatingiu o objetivo que é derrubar o ministro; para ela, não é relevante se o que publicoué verdade. A VEJA nunca vai colocar na capa que Orlando Silva foi absolvido -supondo que as denúncias contra o ex-ministro não sejam reais, porque eu não sei se sãoou não... Acho que não são!Colunista: Muitos veículos de comunicação - especialmente no Norte e Nordeste –estão nas mãos de aliados do governo. Não é ingenuidade achar que a“regulamentação” é democratizar e mexer nesse sistema de negociação dasconcessões?
  6. 6. Gabriel (PT): Essa ligação do governo com as famílias que hegemonizam os meios decomunicação é novidade para mim... Sei o contrário! O livro “A Privataria Tucana” nãofoi pauta no Jornal da Globo, Jornal Nacional, Revista VEJA, Folha de São Paulo, OGlobo... Zero de pauta! Nós pautamos nas redes sociais – que têm papel importante noacesso e elaboração da informação. Quando estava prestes a virar CPI, não teve maiscomo a mídia ignorar. Não se trata de opção de um veículo, mas do conjunto da mídia!E não é coincidente por acaso! A compreensão é de que a mídia cumpre o papel derepresentar um setor político no Brasil. Mas, claro que uma parte da mídia temrelação com o governo. A grande mídia se comporta assumindo as pautas contrárias aogoverno; adota um comportamento de partido político. É o PIG – Partido da ImprensaGolpista.Colunista: Expressão cujo criador, Paulo Henrique Amorim, é tão “imparcial”quanto a VEJA. [risos] Rechaçar veículos de comunicação e taxar todas asdenúncias como um complô não é camuflar a corrupção?Gabriel (PT): Paulo Henrique Amorim é um jornalista competente. Uma prova docomportamento de partido político adotado pela mídia: divulgam uma suposta relaçãode ONG‟s com o ex-ministro Orlando Silva; mas o denunciante responde a diversosprocessos criminais, inclusive por desvio de verbas públicas. Quando a Presidenta adotao comportamento de não defender o ministro e a mídia está em cima, ele tem que pedirpara sair. Muitas pessoas não têm entendido que é uma opção valorosa de Dilma. Mas,Orlando Silva é uma referência para a militância e viu comprometida sua atuaçãopolítica num momento importante (COPA e Olimpíadas). Não estou afirmando que osfatos não aconteceram... Porque amanhã podem descobrir que aconteceram e eu estouaqui defendendo o cara... Mas, o único indício foi: ele é militante do PCdoB efinanciamentos do Ministério do Esporte foram para projetos de ONG‟s que tinhammilitantes do partido. Não há irregularidade nisso! A imprensa cumpre um papelaltamente relevante quando apresenta denúncias, mas não pode se valer de suacondição para mentir.Colunista: Na política, a “verdade” é subjetiva.Gabriel (PT): Mas a subjetividade tem um limite. Tem uma frase de Franklin Távora:na notícia, a denúncia vira fato e o fato vira julgamento antes de qualquer processo serinstaurado. A imprensa não pode antecipar a instauração do processo pelo poderpúblico, cumprindo o papel de Poder Executivo, do Ministério Público e do PoderJudiciário. É isso que precisa ser regulado. Ninguém defende uma regulação deconteúdo no sentido de restringir a liberdade de expressão. Mas um veículo nãopode infringir a liberdade de outra pessoa.Colunista: O controle posterior, pelo Judiciário, corrige desvios e garanteindenizações, direito de resposta...Gabriel (PT): Não acho que funciona!Colunista: Então o problema é o funcionamento do Judiciário...Gabriel (PT): Com a regulamentação, funcionará melhor.Colunista: Excepcionando-se as bravatas, os “perseguidos” não adotam as medidasjudiciais cabíveis contra os “veículos golpistas”. Atacar a mídia é merosubterfúgio?Gabriel (PT): Precisaríamos ter a certeza de que não adotaram efetivamente. Mas, opapel da imprensa não é averiguar. A imprensa deve: formar opinião e divulgar
  7. 7. informação. Não investigar! Porque senão, não precisamos do Estado. Se é o repórterquem vai descobrir se é verdade ou não, não precisa de Ministério Público. Jornalistanão pode investigar para além do Estado, porque as provas precisam ser oficiais, seexige um processo de investigação formal... Porque um determinado documento éprova? Quem analisou a veracidade do documento? Mas, ele aparece na televisão,grifado de amarelo, seguido de uma fala do repórter que o coloca como verdadeiro. Éperigoso deixar sob a responsabilidade da mídia – que tem o direito de eleger as pautas– o papel de investigar e julgar. O comportamento de partido político é adotado pelamídia no momento em que a Direita está esvaziada de projeto e derepresentação. Quem representa a Direita? Aécio Neves? Aécio pode até ser o pretensorepresentante da Direita, o potencial representante...Colunista: Aécio Neves não se posiciona acerca dos temas relevantes para asociedade...Gabriel (PT): Exatamente! Aécio Neves até defende o partido, mas não se posicionasobre a agenda política do país! Ele tem potencial e está no cenário político, mas não éuma liderança da Direita atualmente. Se Aécio não é, quem é? Álvaro? Álvaro Diasdefende o conteúdo da oposição, mas não tem destaque na opinião pública - é umafigura irrelevante. Ninguém o conhece nas ruas. Diferente de Serra! Mas Serra é outraquestão... A Direita não tem lideranças nacionais que possam sair em defesa do seuprojeto. Como a Direita tem essa carência de lideranças, naturalmente, a mídiaassume uma posição que se assemelha a de um partido político de oposição. ADireita não tem um projeto de nação. O DEM se esvaziou, depois das eleições de 2012,entrará num processo de mudanças de estratégias porque não tem perspectiva decrescer. E o PSDB, ainda que seja um partido que mais tem governos estaduais, tem seenfraquecido.* Entrevista realizada pessoalmente, em 22 de dezembro de 2011, em Salvador, Bahia. Nos próximos dias, a coluna “Política à Flor da Pele” trará entrevistas com os jovens representantes do DEM, PSDB, PMDB, PCdoB e PSC.

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