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ESCOLA SUPERIOR BATISTA DO AMAZONAS – ESBAM
PERÍCIA CRIMINAL E SEGURANÇA PÚBLICA
O USO DA TÉCNICA DE CROMATOGRAFICA GASOSA NA
ENTOMOTOXICOLOGIA FORENSE
MANAUS
2017
ANA CAROLINE BARROS LITAIFF
O USO DA TÉCNICA DA CROMATOGRAFIA GASOSA NA
ENTOMOTOXICOLOGIA FORENSE
MANAUS
2017
Trabalho solicitado para obtenção do título
de pós-graduada em Perícia Criminal e
Segurança Pública na Escola Superior
Batista do Amazonas (ESBAM).
Orientador: Prof. Mestre João Francisco
dos Anjos Júnior.
O USO DA TÉCNICA DACROMATOGRAFIA GASOSA NA
ENTOMOTOXICOLOGIA FORENSE
*Ana Caroline Barros Litaiff
**João Francisco dos Anjos Júnior
RESUMO
A Entomologia Forense é a área dedicada ao estudo de insetos necrófagos que são
encontrados em restos mortais em decomposição e também são usados como
vestígios em locais de crime. O fato desses animais se alimentarem do tecido
decomposto faz com que eles sejam uma importante ferramenta para as análises
toxicológicas, surgindo desse modo a Entomotoxicologia, que com métodos
analíticos, como a técnica de cromatografia gasosa que identifica toxinas e drogas
de abuso nesses animais. Este artigo tem como objetivo, baseado na revisão de
literatura, explicar os fundamentos básicos da entomotoxicologia expondo
principalmente como a aplicação da cromatografia gasosa funciona na detecção de
substâncias tóxicas nos insetos que se alojam no cadáver esqueletizado ou em
avançado estado de decomposição, discorrendo sobre suas premissas, restrições e
vantagens. Quanto ao processo de decomposição da matéria orgânica no contexto
forense, o uso da cromatografia gasosa na entomotoxicologia traz resultados
bastante confiáveis uma vez que esta técnica se demonstra eficiente.
Palavras-chave: Entomologia Forense, Entomotoxicologia, Cromatografia Gasosa.
ABSTRACT
Forensic Entomology is the area dedicated to the study of scavenger insects that are
found in decomposing remains and are also used as traces at crime scenes. The fact
that these animals feed on the decomposed tissue makes them an important tool for
toxicological analysis, resulting in Entomotoxicology, which with analytical methods,
such as the gas chromatography technique that identifies toxins and drugs of abuse
in these animals. This article aims to explain the basic fundamentals of
entomotoxicology, mainly exposing how the application of gas chromatography works
in the detection of toxic substances in insects that are housed in the skeletonized
cadaver or in an advanced state of decomposition, assumptions, constraints and
advantages. As for the process of organic matter decomposition in the forensic
context, it is concluded that the use of gas chromatography in entomotoxicology
yields very reliable results since this technique proves efficient.
Keyword: Forensic entomology, Entomotoxicology, Gas Chromatography.
*Graduada em Química Bacharelado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Pós-
graduanda em Perícia Criminal e Segurança Pública pela Escola Superior Batista do Amazonas
(ESBAM). caroline.litaiff@gmail.com
**Graduado em Ciências Biológicas. Mestre em Biologia Experimental pela Universidade Federal de
Rondônia. biofilico@gmail.com
INTRODUÇÃO
O aumento significativo no uso de diversas substâncias (lícitas ou não) vem
aumentando muito na sociedade, e como resultado, sua presença também em
cadáveres. O óbito ou mesmo a desova do corpo pode ocorrer em lugares de difícil
acesso, desta forma, atrapalhando a rápida localização do corpo, uma vez que,
quanto maior o intervalo necessário para que este corpo seja encontrado mais
avançado estará à decomposição, no qual pode acarretar na perda das amostras
biológicas.
Uma alternativa que vem sendo explorada recentemente na determinação de
substâncias tóxicas no corpo do cadáver é o estudo de insetos necrófagos, pois o
fato de a maioria dos insetos passarem por uma fase larval, onde se alimenta de
tecido em decomposição faz com que eles sejam importantes ferramentas para
utilização em análises toxicológicas, no qual a Entomotoxicologia vem sobressaindo.
Dentre os métodos analíticos mais utilizados para a análise química de
agentes tóxicos, a cromatografia gasosa tem se mostrado uma ferramenta valiosa
para o isolamento e identificação destes em diversos tipos de amostras na área
forense.
O uso da cromatografia possibilitou seu aprimoramento e, com os avanços
tecnológicos, direcionando-a a um elevado grau de aprimoramento, com o qual
resultou no seu amplo potencial de utilidade em muitas áreas.
A cromatografia pode ser utilizada na identificação de compostos, por
comparação com amostra preliminarmente presentes, para a purificação de
compostos, isolando-se as substâncias indesejáveis e também para extrair os
componentes de uma mistura.
Para a execução do estudo o tema foi delimitado em: O uso da cromatografia
gasosa na Entomotoxicologia Forense. Partindo desta explanação, este estudo
levanta o seguinte problema: por que utilizar a cromatografia gasosa na detecção de
toxinas e drogas de abuso na entomotoxicologia forense?
Com base nesse questionamento, este artigo busca mostrar que a
cromatografia gasosa é um dos métodos que contribuem para a identificação de
toxinas e drogas de abuso e que seu emprego é viável na entomotoxicologia
forense.
O objetivo geral deste artigo visa explicar os fundamentos básicos de
entomotoxicologia expondo principalmente como a aplicação da cromatografia
gasosa funciona na detecção de substâncias tóxicas nos insetos que se alojam em
cadáveres. Os objetivos específicos buscam esclarecer a importância dos insetos
necrófagos nas investigações; como também, apresentar o método de cromatografia
gasosa como meio de separação e identificação de substâncias químicas; além de
reforçar a eficácia do método analítico de cromatografia gasosa utilizado na
entomotoxicologia para detecção de toxinas e drogas de abuso.
Este trabalho teve como justificativa levantar uma discussão sobre a
relevância da participação dos insetos necrófagos em investigações criminais assim
como expor a influência de uma técnica eficiente para determinação de substâncias
tóxicas encontradas nesses animais que habitam cadáveres.
O artigo trata-se de uma revisão bibliográfica do tipo descritiva baseada em
produções científicas como artigos, periódicos e livros cujo foco está voltado para os
temas de ciência forense, entomologia, entomotoxicologia, assim como métodos
convencionais de análise de substâncias.
REVISÃO DE LITERATURA
Entomologia Forense
A Entomologia tem estabelecido o emprego de insetos a procedimentos
forenses. Estudos relacionados a essa área são realizados desde 1850 e,
ultimamente, vêm alcançando avanços significativos. Ela divide-se em três
categorias diferentes, de acordo com Oliveira-Costa (2011):
 Urbana – compreende a atos cíveis relacionados à presença de insetos em
imóveis e seus efeitos. Essa categoria é empregada em ações que envolvem
compra e venda de imóveis;
 De produtos estocados – aborda a contaminação de produtos comerciais
estocados;
 Médico-legal – grupo relacionado à área criminal, usualmente, relacionada à
morte violenta.
O estudo dos artrópodes pode ser usado em inquérito a respeito de tráfico de
entorpecentes, maus tratos e morte violenta. Uma alternativa que vem sendo
recentemente explorada no que diz respeito ao estabelecimento da causa mortis é o
estudo de insetos necrófagos para determinação de substâncias tóxicas no cadáver
(OLIVEIRA-COSTA, 2011).
O primeiro relato sobre a utilização da entomologia forense foi descrita no
Manual Legal Chinês do século XIII. O caso foi um homicídio de um lavrador que foi
decapitado com uma foice. Para resolução do acontecimento, os lavradores da
região foram forçados a colocar suas foices no chão, ao ar livre. As moscas
pousaram apenas em uma delas, atraídas pelo remanescente sangue que ainda
encontrava-se na lâmina. O caso foi encerrado com a descoberta do dono da foice
(BENECKE; LESSIG, 2001).
No ano de 1855, o médico francês Bergeret estimou o intervalo pós-morte
(IPM) utilizando insetos para solucionar um acontecimento sobre a autoria da morte
de um recém-nascido, foi à primeira vez que se utilizou esses animais para resolver
um caso (BENECKE; LESSIG 2001). Em 1894, foi publicado o primeiro livro nessa
ciência, “La faune dês cadavres: application de l’entomologie a La medecine legale”,
escrito por Jean Pierre Mégnin (CATTS, GOFF, 1992; PUJOL-LUZ et al.,2008).
No Brasil, nos estados do Rio de Janeiro e Bahia, Edgard Roquette e Oscar
Freire, deram início a Entomologia em 1908 (PUJOL-LUZ et al.,2008). Hoje em dia,
estudos nessa área vêm sendo desempenhados e aplicados em parceria com a
polícia.
O Brasil, pela imensidão territorial, tem na Amazônia ampla área ainda
florestada, onde o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) tem
organizado informações para o conhecimento de insetos, ainda pouco conhecidos.
Com o avanço da ciência forense, os pesquisadores da área passaram a
reconhecer à importância dos insetos necrófagos, desta forma a Entomologia
Forense ganhou mais destaque e atualmente representa uma área em expansão,
contudo, marcada pela carência de profissionais qualificados. Observa-se que há
mais de 700 anos já era conhecido o potencial dos insetos em investigações
criminais, porém, somente nas últimas décadas a ciência forense se consolidou
como uma área de estudo em medicina criminal e legal (GOMES, 2010).
Os insetos necrófagos são aqueles que aproveitam a matéria orgânica em
decomposição como fonte protéica, visando estimular a oviposição ou crescimento
de suas fases imaturas. Sua função acelera a putrefação e a desintegração do
cadáver. Além disso, cada período da putrefação cadavérica proporciona condições
e características adequadas que aproxima um determinado grupo de insetos,
consequentemente, eles sucedem-se de acordo com um padrão previsível
(OLIVEIRA-COSTA, 2011; VELHO et al., 2012).
Um dos principais grupos de artrópodes de interesse forense pertencente à
ordem Díptera. De uma forma simplificada, as moscas utilizam tecidos em
decomposição para o desenvolvimento e são as primeiras a realizar a oviposição,
sendo importantes indicadores do intervalo pós-morte (IPM) nas fases iniciais e
intermediárias de decomposição cadavérica (VELHO et al., 2012).
O uso dos insetos necrófagos se mostra eficiente nas análises toxicológica
quando: 1) a demora para o acesso das amostras, no qual podem ocorrer autólise e
decomposição do material; 2) as amostras não estão disponíveis devido ao
avançado estado de decomposição do cadáver; 3) ocorreu alteração do material
biológico em decorrência da maneira da morte; e 4) em ocorrência nos quais os
parentes não permitem a retirada de amostra do corpo devido aos princípios
religiosos. Outra vantagem também do uso dos insetos são as larvas, que oferecem
menos contaminantes, pois não sofrem o efeito da decomposição (KINTZ, et al.,
1990; POUNDER, 1991).
Entomotoxicologia Forense
Há pouco tempo, o uso de diferentes substâncias (lícitas ou não) vem
elevando-se muito na sociedade, e como resultado, seu aparecimento em cadáveres
também. Deste modo, tem ocorrido uma disposição na pesquisa dos efeitos que
substâncias tóxicas exercem no desenvolvimento larval, a chamada
entomotoxicologia (GOFF; BROWN; OMORI, 1992; CARVALHO; LINHARES;
TRIGO, 2001; GRELLA; THYSSEN, 2008).
A Entomotoxicologia consiste em uma subárea da Entomologia Forense que
recebeu grande destaque na última década, por utilizar os insetos necrófagos para
detecção de drogas ou toxinas presentes em tecidos de cadáveres (OLIVEIRA-
COSTA, 2011; VELHO et al., 2012).
Os interesses dessa ciência são essencialmente a avaliação do efeito
biológico de xenobióticos (compostos químicos estranhos ao organismo) sobre o
desenvolvimento dos insetos e a aplicação de análises toxicológicas para
identificação de substâncias químicas em insetos necrófagos (GOSSELIN, 2011).
Desta forma, aborda a análise de insetos para especificar se um indivíduo
consumiu drogas ou foi envenenado, a partir do recolhimento de insetos que se
nutriram do cadáver, especialmente larvas de moscas (GOMES, 2008). Isto é, muito
útil quando não há mais amostras biológicas ou em casos nos quais tecidos e
órgãos internos estão em avançado estado de decomposição, utilizando os insetos
como fonte alternativa garantida para análises (INTRONA, CAMPOBASSO, GOFF,
2001; PIEN et al. 2004).
Os primeiros trabalhos nessa área foram publicados na década de 70 quando
Sohal e Lamb comprovaram o acumulo de cobre, zinco, cálcio e ferro na mosca
Musca domestia sem efeitos toxicológicos nocivos ao inseto (SOHAL; LAMB, 1997).
Na década de 80, a indicação qualitativa de drogas em artrópodes e
cadáveres começou a ser estudada. Nos anos 90, algumas pesquisas mostraram
rastros de drogas em larvas de moscas que se sustentavam de carcaça em
decomposição. Coletados e levados ao laboratório, as larvas mostraram a existência
de cocaína e morfina em seus tecidos, comprovando que os indivíduos tinham
usado essas drogas (GOMES, 2008).
Os insetos utilizados frequentemente como amostras para exames
entomotoxicológico são moscas pertencentes à família Calliphoridae, destacando os
representantes de Calliphoridae, as espécies Chrysomya megacephala, uma das
espécies mais utilizadas como potenciais indicadores forenses (VELHO et al, 2002).
Em condições de acesso normal, as moscas varejeiras (Calliphoridae) podem
encontrar cadáveres poucos minutos após a morte, enquanto as moscas de carne
(Sarcophagidae) geralmente colonizam mais tarde (Byrd; Castner, 2010). No
entanto, para Vairo e colaboradores (2017) em alturas elevadas e ambientes
externos - como no décimo andar de um edifício - as espécies Sarcophagidae
chegam primeiro para colonizar o corpo, assim como Reibe e Madea (2010)
confirmam que a colonização de mosca varejeira em ambientes internos, também
em alturas elevadas, pode ser adiada.
As larvas das moscas por serem facilmente coletadas e criadas possuem
pouco contaminantes do que os tecidos da carcaça, que são geralmente
aproveitados para análises toxicológicas (KINTZ; TRACQUI; MANGIN, 1990).
Em pesquisas sobre a influência das substâncias tóxicas no crescimento dos
artrópodes são realizadas dietas artificiais, onde são acrescentadas concentrações
conhecidas de drogas ou, então, estas são administradas oralmente ou por infusão
num padrão animal vivo, sendo os tecidos de tal vertebrado empregados
posteriormente como fonte de alimento para as larvas de insetos, permitindo que tais
substâncias tóxicas sejam metabolizadas pelo animal antes de seu consumo pelo
inseto (GOFF; LORD, 2001).
A não detecção de uma substância em larvas que se alimentam da carcaça
não implica na falta da mesma na fonte alimentar (CAMPOBASSO et al., 2004).
Atualmente, o Brasil vem realizando muitas pesquisas com diferentes tipos de
substâncias, procurando explicar as semelhanças entre estas e o ciclo de vida das
diversas espécies de dípteros de importância forense (FERRARI et al., 2008).
Dentre essas substâncias podemos citar o fenobarbital, benzodiazepínicos,
anfetamínicos, escopolamina, esteróides, anabólitos-androgênicos, cocaína e
maconha (CARVALHO, LINHARES, TRIGO, 2001; GRELLA, ESTRADA, THYSSEN,
2007; SOUZA, THYSSEN, LINHARES, 2011; FERRARI et al., 2008; OLIVEIRA et
al., 2009; TABOR et al., 2005).
Outro ponto que vem sendo pesquisado é quais as implicações destas
substâncias para diferentes quantidades das mesmas na dieta, fazendo referências
às prováveis doses toxicológicas nos corpos humanos, pelo exame do crescimento
larval destes insetos (SADLER et al., 1995; CARVALHO; LINHARES; TRIGO, 2001).
Assim sendo, a entomotoxicologia tem sido uma ferramenta cada vez mais
empregada como subsídio nos laudos periciais, face ao crescente uso de drogas e
de óbitos relacionados à maneira abusiva das mesmas, e considerando a
interferência de diversas substâncias tóxicas na biologia dos insetos (POUNDER
1991; INTRONA et al., 2001).
Entretanto, a limitação da entomotoxicologia ultimamente é a interpretação
dos resultados (GOSSELIN, 2011). Não há uma relação clara entre a concentração
de substâncias químicas nos insetos e aquela encontrada no cadáver, o que limita
uma conclusão do seu envolvimento no óbito do indivíduo (TRACQUI, 2004). É
importante observar, contudo, que todas as matrizes disponíveis para análise devem
ser levadas em consideração durante a investigação, mesmo que se acrescentem
apenas informações qualitativas (KHARBOUCHE, 2008).
Cromatografia Gasosa (CG)
A cromatografia é um componente bastante importante no grupo dos métodos
de separação de substâncias, pois esta nos permite separar, isolar, identificar e
quantificar substâncias, mesmo as misturas mais complicadas. Este é um
procedimento físico-químico de isolamento. É baseado no movimento diferencial dos
componentes de uma mistura, que devido a diversas interações, entre duas fases
imiscíveis, a fase móvel (FM) e a fase estacionária (FE). A expressão cromatografia
foi utilizada em 1906 e seu uso foi atribuído pelo botânico russo Mikhail S. Tswett ao
expor suas experiências na separação de extratos de folhas (COLLINS et al., 2006;
DEGANI; CASS; VIEIRA, 1998).
Um dos procedimentos analítico mais utilizado por ter um alto poder de
resolução é a cromatografia gasosa. Esta técnica é muito empregada devido à
possibilidade de identificar em escala de nano a picogramas, isto é, tem ampla
sensibilidade, pois possui capacidade de separar misturas complexas com até 200
compostos muito similares (SKOOG et al.,2005; COLLINSet al., 2006).
A restrição deste método é a necessidade que a amostra seja volátil ou
estável termicamente, ainda que amostras não voláteis ou instáveis possam ser
derivadas quimicamente (SKOOG et al., 2005; COLLINS et al., 2006).
A amostra é volatilizada e inserida em um fluxo de um gás denominado fase
móvel (FM), o absorção de vapor com a amostra vaporizada passam por um tubo
contendo a fase estacionária (FE), também chamada de coluna cromatográfica,
onde ocorre o isolamento do composto, de acordo com a figura 1 (SKOOG et al,
2005; COLLINS et al., 2006).
Os gases empregados como fase móvel precisam ter alta pureza e ser inertes
sobre a fase estacionária (FE). A amostra é injetada no aparelho através de
microsseringas (COLLINS et al., 2006).
Figura 1 Componentes básicos de um cromatógrafo gasoso. a) cilindro de gás de arraste
mantido sob alta pressão; b) injetor; c) coluna; d) detector e e) registrador. Fonte: DEGANI
(1998).
A coluna de cromatografia gasosa possui diâmetro de 3mm a 15cm e
comprimento em torno de 2 a 50m. Ela é um tubo longo que pode ser de metais,
como aço ou cobre. Um detector é utilizado para controlar o fluxo de saída da
coluna. O detector de maior aplicação são o de ionização por chama e o de
condutividade térmica (COLLINS et al., 2006).
Os dados são obtidos por meio de um registrador ou um microcomputador,
onde as amostras são identificadas por seu tempo de retenção. Nesse aparelho é
necessário o controle da temperatura do injetor. Por ser um parâmetro de muita
importância, a temperatura é programada na maioria das análises para se obter
melhor separação com picos simétricos em menor tempo (COLLINS et al., 2006).
Deste modo, o momento em que cada componente sai da coluna, a quantidade dele,
pode ser determinado.
A escolha da fase estacionária (FE) é essencial, pois ela é o componente
delicado da coluna. A fase estacionária (FE) pode ser polares, apolares ou quirais
(COLLINS et al., 2006).
A cromatografia gasosa é utilizada em análises toxicológicas quando não é
possível adquirir amostras confiáveis, pois o corpo se apresenta em estado
esqueletizado ou em avançado estado de decomposição, desta forma não tendo
acesso a fluidos biológicos ou órgãos internos. Então os insetos são usados como
material, onde são homogeneizados e submetidos a procedimentos comuns de
exames toxicológicos (INTRONA et al., 2001). Desta forma, ao se alimentar do
cadáver em decomposição, esses artrópodes podem acumular drogas e tóxicos
consumidos pelo indivíduo antes do óbito (GOFF; LORD, 2001).
Beyer e colaboradores (1980) por meio da cromatografia gasosa encontraram
a substância fenobarbital em larvas de Cochliomyia macellaria (Fabricius). As larvas
dos insetos foram uma opção para o exame toxicológico devido ao fato de não
existir tecidos para a análise, pois o cadáver já se encontrava em estado
esqueletizado. Com este mesmo método foi verificado o aparecimento do elemento
malato em larvas de Chrysomya megacephala (Fabricius) e Chrysomya rufifacies
(Macquart) (GUNATILAKE; GOFF, 1989). A Cocaína e benzoileconina foram
descobertas em larvas de Calliphora vicina (Robineau-Desvoidy) que se
encontravam presentes em restos esqueletizados (NOLTE et al., 1992).
Recentemente, espectrômetros de massa têm sido conectados a
equipamentos de cromatografia gasosa permitindo a identificação imediatamente de
compostos presentes na amostra (COLLINS et al., 2006; DEGANI; CASS; VIEIRA,
1998).
A cromatografia gasosa quando acoplada a espectrometria de massa se
mostrou eficiente em identificar cocaína em larvas de califorídeos e em fezes de
besouro (MANHOFF et al., 1991) e também em detectar a presença de nortriptilina
em larvas instaladas em restos esqueletizados (WOHLENBERG et al., 1992). As
experiências realizadas por Goff e colaboradores (1993) com larvas Parasarcopha
garuficornis (Fabricius) produzidas em tecidos de coelhos que obtiveram
concentrações conhecidas de amitriptilina, obteve-se resultados satisfatórios para a
presença desta e também para nortriptilina, tanto nas larvas quanto nos pupários.
Segundo Collins e colaboradores (2006), as vantagens deste método analítico
são: a rapidez, o alto poder de separação de várias classes de compostos em uma
análise, a alta sensibilidade, a facilidade de registrar dados e as variedades de
detectores. Porém, há necessidade de mais estudos relacionados entre
cromatografia gasosa e entomotoxicologia, pois há pouco relato sobre essas
ciências forenses.
CONCLUSÃO
O uso da cromatografia gasosa na análise entomotoxicológica é uma
ferramenta eficiente para a ciência forense, em larvas de insetos são amostras
confiáveis para o exame na ausência de tecidos e fluidos biológicos, geralmente,
utilizados para esta finalidade. Portanto, quando o corpo está em um estágio
avançado de decomposição, a análise através desses artrópodes tem resultados
bastante confiáveis do que os tecidos decompostos.
Os artrópodes vêm mostrando-se de grande interesse forense, pois no
processo de decomposição da matéria orgânica esses animais, têm uma grande
participação. Devido ao olfato apurado, eles captam os odores exalados pelo
cadáver muito antes de serem notados pelos seres humanos, além de, possuírem a
capacidade de acumular quantidades de substâncias químicas em seu organismo
através da alimentação, desta forma, são os primeiros a chegarem à cena do crime
e ajudar a desvendar o acontecimento do mesmo.
A técnica de cromatografia gasosa permite, notadamente, a detecção de
toxinas e drogas de abuso nas larvas, comprovando que o processo de
bioacumulação de substâncias tóxicas que ocorre nos imaturos que se alimentam de
tecidos intoxicados, mesmo em níveis mínimos, é detectável. Deste modo, esta
técnica potencializa o uso das larvas dos insetos em cadáveres suspeitos de
intoxicação. Assim, este método tem sido utilizado como uma ferramenta viável em
análises qualitativas na detecção de substâncias tóxicas e drogas de abuso em
insetos, demonstrado resultados positivos.
Portanto, as pesquisas sobre a Entomotoxicologia Forense são recentes,
contudo, há necessidade de mais estudos relacionados às análises
entomotoxicológicas e os métodos instrumentais utilizados nessa área, pois a
maioria das pesquisas dessa ciência está relacionada na utilização dos insetos
necrófagos no intervalo pós-morte (IPM) e, também, em como as substâncias
químicas influenciam no seu ciclo de vida.
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  • 1. ESCOLA SUPERIOR BATISTA DO AMAZONAS – ESBAM PERÍCIA CRIMINAL E SEGURANÇA PÚBLICA O USO DA TÉCNICA DE CROMATOGRAFICA GASOSA NA ENTOMOTOXICOLOGIA FORENSE MANAUS 2017
  • 2. ANA CAROLINE BARROS LITAIFF O USO DA TÉCNICA DA CROMATOGRAFIA GASOSA NA ENTOMOTOXICOLOGIA FORENSE MANAUS 2017 Trabalho solicitado para obtenção do título de pós-graduada em Perícia Criminal e Segurança Pública na Escola Superior Batista do Amazonas (ESBAM). Orientador: Prof. Mestre João Francisco dos Anjos Júnior.
  • 3. O USO DA TÉCNICA DACROMATOGRAFIA GASOSA NA ENTOMOTOXICOLOGIA FORENSE *Ana Caroline Barros Litaiff **João Francisco dos Anjos Júnior RESUMO A Entomologia Forense é a área dedicada ao estudo de insetos necrófagos que são encontrados em restos mortais em decomposição e também são usados como vestígios em locais de crime. O fato desses animais se alimentarem do tecido decomposto faz com que eles sejam uma importante ferramenta para as análises toxicológicas, surgindo desse modo a Entomotoxicologia, que com métodos analíticos, como a técnica de cromatografia gasosa que identifica toxinas e drogas de abuso nesses animais. Este artigo tem como objetivo, baseado na revisão de literatura, explicar os fundamentos básicos da entomotoxicologia expondo principalmente como a aplicação da cromatografia gasosa funciona na detecção de substâncias tóxicas nos insetos que se alojam no cadáver esqueletizado ou em avançado estado de decomposição, discorrendo sobre suas premissas, restrições e vantagens. Quanto ao processo de decomposição da matéria orgânica no contexto forense, o uso da cromatografia gasosa na entomotoxicologia traz resultados bastante confiáveis uma vez que esta técnica se demonstra eficiente. Palavras-chave: Entomologia Forense, Entomotoxicologia, Cromatografia Gasosa. ABSTRACT Forensic Entomology is the area dedicated to the study of scavenger insects that are found in decomposing remains and are also used as traces at crime scenes. The fact that these animals feed on the decomposed tissue makes them an important tool for toxicological analysis, resulting in Entomotoxicology, which with analytical methods, such as the gas chromatography technique that identifies toxins and drugs of abuse in these animals. This article aims to explain the basic fundamentals of entomotoxicology, mainly exposing how the application of gas chromatography works in the detection of toxic substances in insects that are housed in the skeletonized cadaver or in an advanced state of decomposition, assumptions, constraints and advantages. As for the process of organic matter decomposition in the forensic context, it is concluded that the use of gas chromatography in entomotoxicology yields very reliable results since this technique proves efficient. Keyword: Forensic entomology, Entomotoxicology, Gas Chromatography. *Graduada em Química Bacharelado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Pós- graduanda em Perícia Criminal e Segurança Pública pela Escola Superior Batista do Amazonas (ESBAM). caroline.litaiff@gmail.com **Graduado em Ciências Biológicas. Mestre em Biologia Experimental pela Universidade Federal de Rondônia. biofilico@gmail.com
  • 4. INTRODUÇÃO O aumento significativo no uso de diversas substâncias (lícitas ou não) vem aumentando muito na sociedade, e como resultado, sua presença também em cadáveres. O óbito ou mesmo a desova do corpo pode ocorrer em lugares de difícil acesso, desta forma, atrapalhando a rápida localização do corpo, uma vez que, quanto maior o intervalo necessário para que este corpo seja encontrado mais avançado estará à decomposição, no qual pode acarretar na perda das amostras biológicas. Uma alternativa que vem sendo explorada recentemente na determinação de substâncias tóxicas no corpo do cadáver é o estudo de insetos necrófagos, pois o fato de a maioria dos insetos passarem por uma fase larval, onde se alimenta de tecido em decomposição faz com que eles sejam importantes ferramentas para utilização em análises toxicológicas, no qual a Entomotoxicologia vem sobressaindo. Dentre os métodos analíticos mais utilizados para a análise química de agentes tóxicos, a cromatografia gasosa tem se mostrado uma ferramenta valiosa para o isolamento e identificação destes em diversos tipos de amostras na área forense. O uso da cromatografia possibilitou seu aprimoramento e, com os avanços tecnológicos, direcionando-a a um elevado grau de aprimoramento, com o qual resultou no seu amplo potencial de utilidade em muitas áreas. A cromatografia pode ser utilizada na identificação de compostos, por comparação com amostra preliminarmente presentes, para a purificação de compostos, isolando-se as substâncias indesejáveis e também para extrair os componentes de uma mistura. Para a execução do estudo o tema foi delimitado em: O uso da cromatografia gasosa na Entomotoxicologia Forense. Partindo desta explanação, este estudo levanta o seguinte problema: por que utilizar a cromatografia gasosa na detecção de toxinas e drogas de abuso na entomotoxicologia forense? Com base nesse questionamento, este artigo busca mostrar que a cromatografia gasosa é um dos métodos que contribuem para a identificação de toxinas e drogas de abuso e que seu emprego é viável na entomotoxicologia forense.
  • 5. O objetivo geral deste artigo visa explicar os fundamentos básicos de entomotoxicologia expondo principalmente como a aplicação da cromatografia gasosa funciona na detecção de substâncias tóxicas nos insetos que se alojam em cadáveres. Os objetivos específicos buscam esclarecer a importância dos insetos necrófagos nas investigações; como também, apresentar o método de cromatografia gasosa como meio de separação e identificação de substâncias químicas; além de reforçar a eficácia do método analítico de cromatografia gasosa utilizado na entomotoxicologia para detecção de toxinas e drogas de abuso. Este trabalho teve como justificativa levantar uma discussão sobre a relevância da participação dos insetos necrófagos em investigações criminais assim como expor a influência de uma técnica eficiente para determinação de substâncias tóxicas encontradas nesses animais que habitam cadáveres. O artigo trata-se de uma revisão bibliográfica do tipo descritiva baseada em produções científicas como artigos, periódicos e livros cujo foco está voltado para os temas de ciência forense, entomologia, entomotoxicologia, assim como métodos convencionais de análise de substâncias. REVISÃO DE LITERATURA Entomologia Forense A Entomologia tem estabelecido o emprego de insetos a procedimentos forenses. Estudos relacionados a essa área são realizados desde 1850 e, ultimamente, vêm alcançando avanços significativos. Ela divide-se em três categorias diferentes, de acordo com Oliveira-Costa (2011):  Urbana – compreende a atos cíveis relacionados à presença de insetos em imóveis e seus efeitos. Essa categoria é empregada em ações que envolvem compra e venda de imóveis;  De produtos estocados – aborda a contaminação de produtos comerciais estocados;  Médico-legal – grupo relacionado à área criminal, usualmente, relacionada à morte violenta. O estudo dos artrópodes pode ser usado em inquérito a respeito de tráfico de entorpecentes, maus tratos e morte violenta. Uma alternativa que vem sendo
  • 6. recentemente explorada no que diz respeito ao estabelecimento da causa mortis é o estudo de insetos necrófagos para determinação de substâncias tóxicas no cadáver (OLIVEIRA-COSTA, 2011). O primeiro relato sobre a utilização da entomologia forense foi descrita no Manual Legal Chinês do século XIII. O caso foi um homicídio de um lavrador que foi decapitado com uma foice. Para resolução do acontecimento, os lavradores da região foram forçados a colocar suas foices no chão, ao ar livre. As moscas pousaram apenas em uma delas, atraídas pelo remanescente sangue que ainda encontrava-se na lâmina. O caso foi encerrado com a descoberta do dono da foice (BENECKE; LESSIG, 2001). No ano de 1855, o médico francês Bergeret estimou o intervalo pós-morte (IPM) utilizando insetos para solucionar um acontecimento sobre a autoria da morte de um recém-nascido, foi à primeira vez que se utilizou esses animais para resolver um caso (BENECKE; LESSIG 2001). Em 1894, foi publicado o primeiro livro nessa ciência, “La faune dês cadavres: application de l’entomologie a La medecine legale”, escrito por Jean Pierre Mégnin (CATTS, GOFF, 1992; PUJOL-LUZ et al.,2008). No Brasil, nos estados do Rio de Janeiro e Bahia, Edgard Roquette e Oscar Freire, deram início a Entomologia em 1908 (PUJOL-LUZ et al.,2008). Hoje em dia, estudos nessa área vêm sendo desempenhados e aplicados em parceria com a polícia. O Brasil, pela imensidão territorial, tem na Amazônia ampla área ainda florestada, onde o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) tem organizado informações para o conhecimento de insetos, ainda pouco conhecidos. Com o avanço da ciência forense, os pesquisadores da área passaram a reconhecer à importância dos insetos necrófagos, desta forma a Entomologia Forense ganhou mais destaque e atualmente representa uma área em expansão, contudo, marcada pela carência de profissionais qualificados. Observa-se que há mais de 700 anos já era conhecido o potencial dos insetos em investigações criminais, porém, somente nas últimas décadas a ciência forense se consolidou como uma área de estudo em medicina criminal e legal (GOMES, 2010). Os insetos necrófagos são aqueles que aproveitam a matéria orgânica em decomposição como fonte protéica, visando estimular a oviposição ou crescimento de suas fases imaturas. Sua função acelera a putrefação e a desintegração do cadáver. Além disso, cada período da putrefação cadavérica proporciona condições
  • 7. e características adequadas que aproxima um determinado grupo de insetos, consequentemente, eles sucedem-se de acordo com um padrão previsível (OLIVEIRA-COSTA, 2011; VELHO et al., 2012). Um dos principais grupos de artrópodes de interesse forense pertencente à ordem Díptera. De uma forma simplificada, as moscas utilizam tecidos em decomposição para o desenvolvimento e são as primeiras a realizar a oviposição, sendo importantes indicadores do intervalo pós-morte (IPM) nas fases iniciais e intermediárias de decomposição cadavérica (VELHO et al., 2012). O uso dos insetos necrófagos se mostra eficiente nas análises toxicológica quando: 1) a demora para o acesso das amostras, no qual podem ocorrer autólise e decomposição do material; 2) as amostras não estão disponíveis devido ao avançado estado de decomposição do cadáver; 3) ocorreu alteração do material biológico em decorrência da maneira da morte; e 4) em ocorrência nos quais os parentes não permitem a retirada de amostra do corpo devido aos princípios religiosos. Outra vantagem também do uso dos insetos são as larvas, que oferecem menos contaminantes, pois não sofrem o efeito da decomposição (KINTZ, et al., 1990; POUNDER, 1991). Entomotoxicologia Forense Há pouco tempo, o uso de diferentes substâncias (lícitas ou não) vem elevando-se muito na sociedade, e como resultado, seu aparecimento em cadáveres também. Deste modo, tem ocorrido uma disposição na pesquisa dos efeitos que substâncias tóxicas exercem no desenvolvimento larval, a chamada entomotoxicologia (GOFF; BROWN; OMORI, 1992; CARVALHO; LINHARES; TRIGO, 2001; GRELLA; THYSSEN, 2008). A Entomotoxicologia consiste em uma subárea da Entomologia Forense que recebeu grande destaque na última década, por utilizar os insetos necrófagos para detecção de drogas ou toxinas presentes em tecidos de cadáveres (OLIVEIRA- COSTA, 2011; VELHO et al., 2012). Os interesses dessa ciência são essencialmente a avaliação do efeito biológico de xenobióticos (compostos químicos estranhos ao organismo) sobre o
  • 8. desenvolvimento dos insetos e a aplicação de análises toxicológicas para identificação de substâncias químicas em insetos necrófagos (GOSSELIN, 2011). Desta forma, aborda a análise de insetos para especificar se um indivíduo consumiu drogas ou foi envenenado, a partir do recolhimento de insetos que se nutriram do cadáver, especialmente larvas de moscas (GOMES, 2008). Isto é, muito útil quando não há mais amostras biológicas ou em casos nos quais tecidos e órgãos internos estão em avançado estado de decomposição, utilizando os insetos como fonte alternativa garantida para análises (INTRONA, CAMPOBASSO, GOFF, 2001; PIEN et al. 2004). Os primeiros trabalhos nessa área foram publicados na década de 70 quando Sohal e Lamb comprovaram o acumulo de cobre, zinco, cálcio e ferro na mosca Musca domestia sem efeitos toxicológicos nocivos ao inseto (SOHAL; LAMB, 1997). Na década de 80, a indicação qualitativa de drogas em artrópodes e cadáveres começou a ser estudada. Nos anos 90, algumas pesquisas mostraram rastros de drogas em larvas de moscas que se sustentavam de carcaça em decomposição. Coletados e levados ao laboratório, as larvas mostraram a existência de cocaína e morfina em seus tecidos, comprovando que os indivíduos tinham usado essas drogas (GOMES, 2008). Os insetos utilizados frequentemente como amostras para exames entomotoxicológico são moscas pertencentes à família Calliphoridae, destacando os representantes de Calliphoridae, as espécies Chrysomya megacephala, uma das espécies mais utilizadas como potenciais indicadores forenses (VELHO et al, 2002). Em condições de acesso normal, as moscas varejeiras (Calliphoridae) podem encontrar cadáveres poucos minutos após a morte, enquanto as moscas de carne (Sarcophagidae) geralmente colonizam mais tarde (Byrd; Castner, 2010). No entanto, para Vairo e colaboradores (2017) em alturas elevadas e ambientes externos - como no décimo andar de um edifício - as espécies Sarcophagidae chegam primeiro para colonizar o corpo, assim como Reibe e Madea (2010) confirmam que a colonização de mosca varejeira em ambientes internos, também em alturas elevadas, pode ser adiada. As larvas das moscas por serem facilmente coletadas e criadas possuem pouco contaminantes do que os tecidos da carcaça, que são geralmente aproveitados para análises toxicológicas (KINTZ; TRACQUI; MANGIN, 1990).
  • 9. Em pesquisas sobre a influência das substâncias tóxicas no crescimento dos artrópodes são realizadas dietas artificiais, onde são acrescentadas concentrações conhecidas de drogas ou, então, estas são administradas oralmente ou por infusão num padrão animal vivo, sendo os tecidos de tal vertebrado empregados posteriormente como fonte de alimento para as larvas de insetos, permitindo que tais substâncias tóxicas sejam metabolizadas pelo animal antes de seu consumo pelo inseto (GOFF; LORD, 2001). A não detecção de uma substância em larvas que se alimentam da carcaça não implica na falta da mesma na fonte alimentar (CAMPOBASSO et al., 2004). Atualmente, o Brasil vem realizando muitas pesquisas com diferentes tipos de substâncias, procurando explicar as semelhanças entre estas e o ciclo de vida das diversas espécies de dípteros de importância forense (FERRARI et al., 2008). Dentre essas substâncias podemos citar o fenobarbital, benzodiazepínicos, anfetamínicos, escopolamina, esteróides, anabólitos-androgênicos, cocaína e maconha (CARVALHO, LINHARES, TRIGO, 2001; GRELLA, ESTRADA, THYSSEN, 2007; SOUZA, THYSSEN, LINHARES, 2011; FERRARI et al., 2008; OLIVEIRA et al., 2009; TABOR et al., 2005). Outro ponto que vem sendo pesquisado é quais as implicações destas substâncias para diferentes quantidades das mesmas na dieta, fazendo referências às prováveis doses toxicológicas nos corpos humanos, pelo exame do crescimento larval destes insetos (SADLER et al., 1995; CARVALHO; LINHARES; TRIGO, 2001). Assim sendo, a entomotoxicologia tem sido uma ferramenta cada vez mais empregada como subsídio nos laudos periciais, face ao crescente uso de drogas e de óbitos relacionados à maneira abusiva das mesmas, e considerando a interferência de diversas substâncias tóxicas na biologia dos insetos (POUNDER 1991; INTRONA et al., 2001). Entretanto, a limitação da entomotoxicologia ultimamente é a interpretação dos resultados (GOSSELIN, 2011). Não há uma relação clara entre a concentração de substâncias químicas nos insetos e aquela encontrada no cadáver, o que limita uma conclusão do seu envolvimento no óbito do indivíduo (TRACQUI, 2004). É importante observar, contudo, que todas as matrizes disponíveis para análise devem ser levadas em consideração durante a investigação, mesmo que se acrescentem apenas informações qualitativas (KHARBOUCHE, 2008).
  • 10. Cromatografia Gasosa (CG) A cromatografia é um componente bastante importante no grupo dos métodos de separação de substâncias, pois esta nos permite separar, isolar, identificar e quantificar substâncias, mesmo as misturas mais complicadas. Este é um procedimento físico-químico de isolamento. É baseado no movimento diferencial dos componentes de uma mistura, que devido a diversas interações, entre duas fases imiscíveis, a fase móvel (FM) e a fase estacionária (FE). A expressão cromatografia foi utilizada em 1906 e seu uso foi atribuído pelo botânico russo Mikhail S. Tswett ao expor suas experiências na separação de extratos de folhas (COLLINS et al., 2006; DEGANI; CASS; VIEIRA, 1998). Um dos procedimentos analítico mais utilizado por ter um alto poder de resolução é a cromatografia gasosa. Esta técnica é muito empregada devido à possibilidade de identificar em escala de nano a picogramas, isto é, tem ampla sensibilidade, pois possui capacidade de separar misturas complexas com até 200 compostos muito similares (SKOOG et al.,2005; COLLINSet al., 2006). A restrição deste método é a necessidade que a amostra seja volátil ou estável termicamente, ainda que amostras não voláteis ou instáveis possam ser derivadas quimicamente (SKOOG et al., 2005; COLLINS et al., 2006). A amostra é volatilizada e inserida em um fluxo de um gás denominado fase móvel (FM), o absorção de vapor com a amostra vaporizada passam por um tubo contendo a fase estacionária (FE), também chamada de coluna cromatográfica, onde ocorre o isolamento do composto, de acordo com a figura 1 (SKOOG et al, 2005; COLLINS et al., 2006). Os gases empregados como fase móvel precisam ter alta pureza e ser inertes sobre a fase estacionária (FE). A amostra é injetada no aparelho através de microsseringas (COLLINS et al., 2006).
  • 11. Figura 1 Componentes básicos de um cromatógrafo gasoso. a) cilindro de gás de arraste mantido sob alta pressão; b) injetor; c) coluna; d) detector e e) registrador. Fonte: DEGANI (1998). A coluna de cromatografia gasosa possui diâmetro de 3mm a 15cm e comprimento em torno de 2 a 50m. Ela é um tubo longo que pode ser de metais, como aço ou cobre. Um detector é utilizado para controlar o fluxo de saída da coluna. O detector de maior aplicação são o de ionização por chama e o de condutividade térmica (COLLINS et al., 2006). Os dados são obtidos por meio de um registrador ou um microcomputador, onde as amostras são identificadas por seu tempo de retenção. Nesse aparelho é necessário o controle da temperatura do injetor. Por ser um parâmetro de muita importância, a temperatura é programada na maioria das análises para se obter melhor separação com picos simétricos em menor tempo (COLLINS et al., 2006). Deste modo, o momento em que cada componente sai da coluna, a quantidade dele, pode ser determinado. A escolha da fase estacionária (FE) é essencial, pois ela é o componente delicado da coluna. A fase estacionária (FE) pode ser polares, apolares ou quirais (COLLINS et al., 2006). A cromatografia gasosa é utilizada em análises toxicológicas quando não é possível adquirir amostras confiáveis, pois o corpo se apresenta em estado esqueletizado ou em avançado estado de decomposição, desta forma não tendo acesso a fluidos biológicos ou órgãos internos. Então os insetos são usados como
  • 12. material, onde são homogeneizados e submetidos a procedimentos comuns de exames toxicológicos (INTRONA et al., 2001). Desta forma, ao se alimentar do cadáver em decomposição, esses artrópodes podem acumular drogas e tóxicos consumidos pelo indivíduo antes do óbito (GOFF; LORD, 2001). Beyer e colaboradores (1980) por meio da cromatografia gasosa encontraram a substância fenobarbital em larvas de Cochliomyia macellaria (Fabricius). As larvas dos insetos foram uma opção para o exame toxicológico devido ao fato de não existir tecidos para a análise, pois o cadáver já se encontrava em estado esqueletizado. Com este mesmo método foi verificado o aparecimento do elemento malato em larvas de Chrysomya megacephala (Fabricius) e Chrysomya rufifacies (Macquart) (GUNATILAKE; GOFF, 1989). A Cocaína e benzoileconina foram descobertas em larvas de Calliphora vicina (Robineau-Desvoidy) que se encontravam presentes em restos esqueletizados (NOLTE et al., 1992). Recentemente, espectrômetros de massa têm sido conectados a equipamentos de cromatografia gasosa permitindo a identificação imediatamente de compostos presentes na amostra (COLLINS et al., 2006; DEGANI; CASS; VIEIRA, 1998). A cromatografia gasosa quando acoplada a espectrometria de massa se mostrou eficiente em identificar cocaína em larvas de califorídeos e em fezes de besouro (MANHOFF et al., 1991) e também em detectar a presença de nortriptilina em larvas instaladas em restos esqueletizados (WOHLENBERG et al., 1992). As experiências realizadas por Goff e colaboradores (1993) com larvas Parasarcopha garuficornis (Fabricius) produzidas em tecidos de coelhos que obtiveram concentrações conhecidas de amitriptilina, obteve-se resultados satisfatórios para a presença desta e também para nortriptilina, tanto nas larvas quanto nos pupários. Segundo Collins e colaboradores (2006), as vantagens deste método analítico são: a rapidez, o alto poder de separação de várias classes de compostos em uma análise, a alta sensibilidade, a facilidade de registrar dados e as variedades de detectores. Porém, há necessidade de mais estudos relacionados entre cromatografia gasosa e entomotoxicologia, pois há pouco relato sobre essas ciências forenses.
  • 13. CONCLUSÃO O uso da cromatografia gasosa na análise entomotoxicológica é uma ferramenta eficiente para a ciência forense, em larvas de insetos são amostras confiáveis para o exame na ausência de tecidos e fluidos biológicos, geralmente, utilizados para esta finalidade. Portanto, quando o corpo está em um estágio avançado de decomposição, a análise através desses artrópodes tem resultados bastante confiáveis do que os tecidos decompostos. Os artrópodes vêm mostrando-se de grande interesse forense, pois no processo de decomposição da matéria orgânica esses animais, têm uma grande participação. Devido ao olfato apurado, eles captam os odores exalados pelo cadáver muito antes de serem notados pelos seres humanos, além de, possuírem a capacidade de acumular quantidades de substâncias químicas em seu organismo através da alimentação, desta forma, são os primeiros a chegarem à cena do crime e ajudar a desvendar o acontecimento do mesmo. A técnica de cromatografia gasosa permite, notadamente, a detecção de toxinas e drogas de abuso nas larvas, comprovando que o processo de bioacumulação de substâncias tóxicas que ocorre nos imaturos que se alimentam de tecidos intoxicados, mesmo em níveis mínimos, é detectável. Deste modo, esta técnica potencializa o uso das larvas dos insetos em cadáveres suspeitos de intoxicação. Assim, este método tem sido utilizado como uma ferramenta viável em análises qualitativas na detecção de substâncias tóxicas e drogas de abuso em insetos, demonstrado resultados positivos. Portanto, as pesquisas sobre a Entomotoxicologia Forense são recentes, contudo, há necessidade de mais estudos relacionados às análises entomotoxicológicas e os métodos instrumentais utilizados nessa área, pois a maioria das pesquisas dessa ciência está relacionada na utilização dos insetos necrófagos no intervalo pós-morte (IPM) e, também, em como as substâncias químicas influenciam no seu ciclo de vida.
  • 14. REFERÊNCIAS BENECKE, M.; LESSIG, R. Child Neglect and forensic entomology. Forensic Science International, v. 120, p. 155-159, 2001. BEYER, J. C.; ENOS, W.F & SATJIC, M. Drug identification through analysis of maggots. J. Forensic Sci. 25: 411-412,1980. BYRD, J.H; CASTNER, J.L. Insects of forensic importance. In: Byrd, J.H., Castner, J.L. (Eds.), Forensic Entomology: The Utility of Arthropods in Legal Investigations. CRC, Boca Raton, ed. 2, p. 39–126, 2010. CAMPOBASSO, C. P.; GHERARDI, M.; CALIGARA, M.; SIRONI, L.; INTRONA, F. Drug analysis in blow fly larvae and in human tissues: a comparative study. International Journal of Legal Medicine, v. 118, p. 210-214, 2004. CARVALHO, L. M. L.; LINHARES, A. X.; TRIGO, J. R. Determination of drug levels and the effect of Diazepamon the growth of necrophagous flies of forensic importance in Southeastern Brazil. Forensic Science International, v. 120, p. 140- 144, 2001. CATTS, E. P. & GOFF, M. L. Forensic entomology in criminal investigations.Annual Review of Entomology, v. 37, p. 253-272, 1992. COLLINS, C. H., Braga, G. L., Bonato, P. S.; Fundamentos de Cromatografia, Campinas (SP), 2006. COSTA, J. O.,Entomologia Forense, Quando os insetos são vestígios, 3a Ed. Campinas(SP), 2011. DEGANI, A.G., CASS, Q. B., VIEIRA, P.C.; Cromatografia um breve ensaio, Química Nova na Escola, n. 7, p. 21-25, 1998. FERRARI, A. C.; SOARES, A. T. C.; GUIMARÃES, M. A.; THYSSEN, P. J. Efeito da testosterona no desenvolvimento de Chrysomyaalbiceps (Wiedman) (Diptera: Calliphoridae). Medicina (RibeirãoPreto);v. 41, n. 1, p. 30-34, 2008. GOFF, M. L. & LORD, W. D. Entomotoxicology: Insects as toxicological indicators and the impact of drugs and toxins on insect development. In: Byrd JH, Castner JL
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