Questões críticas na investigação
qualitativa sob um ponto de vista
sociocultural
João Filipe Matos
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1º andamento
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1ª geração da Teoria da Atividade (Vygotsky)
mediação
!   Os modos como os humanos criam
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mediação no dia-a-dia
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pré-concepções, ideias,
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bases de um ponto de vista
sociocultural
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historicamente inscrito...
artefactos e mediação
!   o uso de artefactos é uma acumulação,
elaboração e transmissão de conhecimento
social
!   são moldados pelo contexto social e cultural onde são
usados
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Princípios a considerar nesta perspetiva
1. sistema de atividade como unidade de análise
2. multivocidade dos sistemas de ...
2º andamento
teoria na investigação
qualitativa ?
Papel da teoria na investigação
qualitativa
não há nada tão prático e útil
como uma ‘boa’ teoria…
teorias e teorias…
! teorias de longo alcance (Darwin)
! teorias de médio alcance (Piaget)
! teorias substantivas (…)
!   ...
Papéis da teoria
!   descritivo [identifica conceitos chave ou variáveis e
estabelece distinções conceptuais de base]
!   ...
De que precisamos na investigação
qualitativa?
!   teoria(s) suficientemente rica para capturar
os aspectos ‘mais importan...
3º andamento
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qualitativa
Mito #1
realizar investigação qualitativa é
mais fácil e menos exigente que
investigação quantitativa
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trata-se de um problema de literacia estatística?
das dificuldades dos modelos matemáticos…
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Mito #2
a investigação qualitativa é
subjetiva
é um problema de representação?
como se transforma situações / fenómenos
em algo representável (para uma dada audiência)?
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como é que o modelo de análise é aplicado
(idiográfico versus nomotético)?
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!   o que é um modelo de análise legítimo?
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investigação?
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Mito #3
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a escrita dos resultados na
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‘como é que sei o que penso antes de ler o que escrevi?’
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a necessidade de inovação na
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‘problemas’ a ultrapassar…
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Questoes críticas na investigacao qualitativa sob um ponto de vista sociocultural
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  1. 1. Questões críticas na investigação qualitativa sob um ponto de vista sociocultural João Filipe Matos Instituto de Educação, Universidade de Lisboa Porto| 5º Congresso Ibero-Americano Investigação Qualitativa | 12 Julho 2016
  2. 2. sumário 1º andamento: o investigador qualitativo de um ponto de vista sociocultural 2º andamento: teoria na investigação qualitativa? 3º andamento: mitos sobre a investigação qualitativa Epílogo: a necessidade de inovação na investigação qualitativa
  3. 3. 1º andamento o investigador qualitativo de um ponto de vista sociocultural
  4. 4. investigação investigador objeto novo objeto
  5. 5. mediação investigador objeto novo objeto elementos de mediação 1ª geração da Teoria da Atividade (Vygotsky)
  6. 6. mediação !   Os modos como os humanos criam representações e interagem com o mundo constituem processos de ação mediada !   Ideias, conceitos , significados, palavras tornam- se substitutos de referentes concretos na ausência dos objetos
  7. 7. mediação no dia-a-dia indivíduo situação explicação pré-concepções, ideias, mitos,…
  8. 8. mediação na investigação investigador situação/ problema resultados elementos de mediação
  9. 9. mediação na investigação investigador situação/ problema resultados teoria(s), instrumentos, procedimentos,…
  10. 10. investigador situação resultados teoria(s), instrumentos, procedimentos,… regras, normas,… comunidade hierarquia, relações de poder,…
  11. 11. investigador resultados teoria(s), … regras, normas,… comunidade hierarquia objeto sistema de atividade como unidade de análise 2ª geração da Teoria da Atividade (Leont’ev)
  12. 12. investigador resultados teoria(s), … regras, normas, … comunid ade hierarqui a objeto reviewer teoria(s), … regras, normas, … comunid ade hierarqui a investigador avaliador operamos em múltiplos sistemas de atividade 3ª geração da Teoria da Atividade (Y. Engeström)
  13. 13. investigador situação resultados teoria(s), instrumentos, procedimentos,… regras, normas,… comunidade hierarquia, relações de poder,…
  14. 14. relação com o conhecimento entendido não como propriedade individual... ...mas como produto colectivo construído na interação com os recursos estruturantes da ação !  os outros !  os artefactos que usamos !  as situações e os problemas
  15. 15. !   Participar numa prática social, na qual o conhecimento reside, é um princípio epistemológico de aprendizagem. !   As possibilidades de aprendizagem são definidas: •  pela estrutura social dessa prática •  pelas relações de poder e as condições de legitimidade e de acesso
  16. 16. bases de um ponto de vista sociocultural !   o investigador é um ser sistémico, social, política e historicamente inscrito !   o investigador é não só um produto da cultura, mas também um criador e transformador da subjetividade colectiva !   o investigador, e os objetos transformados na sua prática, não podem ser considerados nem compreendidos sem se atender aos meios culturais de acesso ao conhecimento - os artefactos (de mediação)
  17. 17. artefactos e mediação !   o uso de artefactos é uma acumulação, elaboração e transmissão de conhecimento social
  18. 18. !   são moldados pelo contexto social e cultural onde são usados !   refletem as experiências das pessoas, através das propriedades estruturais desses artefactos, assim como no conhecimento de como eles devem ser utilizados !   são criados e transformados na própria atividade !   transportam uma cultura particular – a utilização de artefactos é um meio de elaboração e transmissão de conhecimento cultural. artefactos
  19. 19. Princípios a considerar nesta perspetiva 1. sistema de atividade como unidade de análise 2. multivocidade dos sistemas de atividade 3. historicidade dos sistemas de atividade 4. papel central das contradições / tensões /conflitos como fontes de mudança e de desenvolvimento 5. possibilidade de transformações expansivas nos sistemas de atividade
  20. 20. 2º andamento teoria na investigação qualitativa ?
  21. 21. Papel da teoria na investigação qualitativa não há nada tão prático e útil como uma ‘boa’ teoria…
  22. 22. teorias e teorias… ! teorias de longo alcance (Darwin) ! teorias de médio alcance (Piaget) ! teorias substantivas (…) !   everyday theories
  23. 23. Papéis da teoria !   descritivo [identifica conceitos chave ou variáveis e estabelece distinções conceptuais de base] !   explicativo [revela relações e processos] !   preditivo [torna possível fazer previsões numa variedade de contextos potenciais] !   prescritivo [fornece linhas estruturantes] !   generativo [orienta para a invenção e descoberta,...]
  24. 24. De que precisamos na investigação qualitativa? !   teoria(s) suficientemente rica para capturar os aspectos ‘mais importantes’ do fenómeno/situação problematizada !   teoria(s) suficientemente descritiva e generalizante para constituir ferramenta útil de análise à importância do conceptual framework
  25. 25. 3º andamento mitos sobre a investigação qualitativa
  26. 26. Mito #1 realizar investigação qualitativa é mais fácil e menos exigente que investigação quantitativa
  27. 27. atenção… trata-se de um problema de literacia estatística? das dificuldades dos modelos matemáticos… …às dificuldades dos modelos de análise qualitativa
  28. 28. Mito #2 a investigação qualitativa é subjetiva
  29. 29. é um problema de representação? como se transforma situações / fenómenos em algo representável (para uma dada audiência)? ! variáveis… ! relações entre variáveis…
  30. 30. como é que o modelo de análise é aplicado (idiográfico versus nomotético)? !   que relação existe entre as formas de aplicação de diferentes modelos de análise? !   o que é considerado como evidência na investigação? é um problema de representação?
  31. 31. !   o que é um modelo de análise legítimo? ! como são legitimados os resultados da investigação? !   e no caso da investigação qualitativa? ou é um problema de legitimação?
  32. 32. Mito #3 na investigação qualitativa não se pretende generalizar
  33. 33. atenção à qualidade da generalização… população amostra representativa para certas variáveis bem definidas estudo das variáveis X1, X2, … amostragem… generalização (para variávels Y1, Y2,…)
  34. 34. Mito #4 a escrita dos resultados na investigação qualitativa é posterior à análise dos dados (primeiro analisa-se e depois escreve-se)
  35. 35. escrever é analisar ‘como é que sei o que penso antes de ler o que escrevi?’
  36. 36. Epílogo a necessidade de inovação na investigação qualitativa
  37. 37. http://ftelab.ie.ulisboa.pt
  38. 38. “A generation ago, teachers could expect that what they taught would last their students lifetime. Today, because of rapid economic and social change, schools have to prepare students for jobs that have not yet been created, technologies that have not been invented and problems that we don’t yet know will arise” (OECD, 2011, par. 7)
  39. 39. Pensar a inovação na investigação qualitativa implica lutar contra os “QWERTY” da investigação
  40. 40. O fenómeno QWERTY
  41. 41. O fenómeno QWERTY
  42. 42. teclado  HCESAR  (Portugal,   1937)  
  43. 43. teclado  HCESAR  (Portugal,   1937)  
  44. 44. alternativas
  45. 45. O  fenómeno  QWERTY  
  46. 46. O  fenómeno  QWERTY  
  47. 47. exemplo de QWERTY na investigação: a representação (relato)
  48. 48. O QUE ESTÁ ENVOLVIDO NA PRÁTICA DE INVESTIGAÇÃO? A escrita (o relato) é parte da investigação O design e o emergente Há uma incerteza inerente entre o design e a sua realização nas práticas de investigação (uma vez que essas práticas não são o resultado do design mas uma resposta ao design)
  49. 49. representação da investigação ! quem é a audiência? ! como me dirijo ao leitor? (voz ativa/passiva) ! que vozes represento? !   …
  50. 50. “Anything that can will be digitased. What will happen to schools?” SITRA (2015). A Land of People who Love to Learn. Helsinki: Finish Innovation Fund.
  51. 51. representação multimédia? ! incluir texto, tabelas e gráficos dinâmicos, imagens vídeo – e as relações entre esses elementos à relações hipertextuais…
  52. 52. ‘problemas’ a ultrapassar… ! múltiplas leituras derivadas de diferentes trajetórias de navegação no relato da investigação ! necessidade de transparência absoluta da tecnologia usada no relato !   …
  53. 53. potencialidades… ! evolução dos métodos de trabalho ! análise e avaliação da investigação !   re-análise de dados ! replicação de estudos !   …
  54. 54. qual o futuro da e-research em termos de métodos qualitativos?
  55. 55. pensar o design do futuro da investigação qualitativa passa necessariamente por lutar contra os QWERTY da investigação

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