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Pois nossas madres van a san simón

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Publicada em

Literatura Portuguesa

Publicada em: Educação
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Pois nossas madres van a san simón

  1. 1. análise<br />Pois nossas madres van a SanSimón<br />Cantiga de romaria <br />Subgénero das cantigas de amigo que se distingue pela referência a romarias ou santuários. Não se trata, contudo, de composições de temática religiosa, já que, frequentemente, a peregrinação ou a capela são pretexto ou cenário do desenvolvimento da temática amorosa e profana como ocorre na conhecida cantiga Pois nossas madres van a SanSimon:<br />
  2. 2. Esquema Rimático:<br />[3 x (4+2)]<br />Rima Interpolada<br />Rima Emparelhada<br />REFRÃO<br />Rima Emparelhada<br />Forma: cantiga de refrão, em três coplas singulares de decassílabos agudos, de rima consoante.<br />Esquema rimático: abbaCC; a rima é interpolada e emparelhada nas quadras e emparelhada no refrão. <br />
  3. 3. Género: cantiga de amigo<br />Subgénero: cantiga de romaria.<br />Tema: amor e religiosidade do ser medieval.<br />Assunto: a cantiga expressa a grande alegria e entusiasmo das meninas por irem à romaria: é que vão encontrar-se com os seus amigos e bailar enquanto que as mães vão rezar por si e por elas, já que lá vão.<br />Destaca-se o refrão, muito expressivo e cheio de ritmo, que destaca a garridice das meninas, o seu atrevimento brincalhão e o desinteresse pelo aspecto religioso;<br />
  4. 4. Devoção alegre e um pouco fingida, que encomendava às mães a parte séria da romaria e deixa às raparigas o vagar da dança em cós, perante os namorados.<br />mães que vão ao santuário fazer promessas (fanatismo religioso)<br />Se as donzelas vão à romaria é para que o amigo admire a sua elegância e com elas dance; a devoção das velas, isso fica à conta das mães (tom humorístico)<br />Convite ao amor numa situação de romaria<br />A caracterização psicológica da rapariga traduz uma realidade intemporal<br />Diante das igrejas costumavam as moças em coro, dançar à vista dos namorados e galãs.<br />Esta referência permite classificar a cantiga como BAILIA.<br />
  5. 5. Belo retrato de costumes por ocasião das peregrinações – a carolice das mães que vão ao santuário fazer promessas em contraste com a devoção superficial e indiferente (mas assumida) das donzelas que buscam o santuário como ponto de referência para encontros amorosos. Diante das igrejas costumavam as moças em coro, dançar à vista dos namorados e galãs.<br />
  6. 6. Carácter narrativo da composição:<br />• acção —* ida de um grupo de donzelas, acompanhadas pelas suas mães,; uma romaria, que funciona como pretexto para dançarem e se "mostrarem”aos seus amigos; <br />• personagens e sua caracterização:<br /> Donzelas —temperamento juvenil presente através<br />• da forma como se encaram: "fremosas, en cós" "moças de muibon parecer" .<br />• da referência ao seu poder de sedução: "Nossos amigos iram pôr cousir/como bailamos..."<br />• da irreverência em relação a atitude das mães e à religião, presente no refrão<br />• Espaço —* local da romaria "SanSimon de Vai de Prados".<br />
  7. 7. O poeta apresenta todo um quadro de grande beleza: <br />meninhas que conversam, sonham e combinam entre si coisas de namoradas; irão com as mães ao templo, não porém, para orar e sim para dançar, para se exibirem aos olhos dos namorados, dos “amigos” que lá estarão para admirá-las, “cousir”. E as mães? Elas que rezem, que acendam velas ao santo, não só para si mesmas, mas também para as filhas que estarão dançando no adro. Esta é ainda hoje a psicologia das moças que vão às igrejas com as mães: para orar?  Não: para namorar, para ver o namorado. <br />O ritmo das cobras é fortemente acentuado, mas o do refrão o é ainda mais, momento em que o entusiasmo do baile deveria ser também maior. Note-se como já aparece o provençalismo cousir, observar, admirar. <br />Tudo isto revela, nesta cantiga d’amigo, grandes recursos literários, conhecimentos que o povo simples, que o vulgo não poderia ter.<br />

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