Caracteres morfológicos em macaúba irrigada leandro brandão final

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Artigo publicado nos anais do Congresso Brasileiro de Macaúba, em 2013.

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Caracteres morfológicos em macaúba irrigada leandro brandão final

  1. 1. CARACTERES MORFOLÓGICOS EM MACAÚBA IRRIGADA1 LEANDRO DE SOUSA BRANDÃO1 , JULIANA FERREIRA DE ASSIS1 , PRISCILA2 RODRIGUES DE CASTRO2 , NATHALIA PEREIRA DA SILVA2 , CLEBER DO3 NASCIMENTO2 , VILMA PEREIRA GOMES3 , WATHINA LIMA SOUZA3 , RENATA4 SANTARÉM MATOS3 , MARCELO FIDELES BRAGA4 , NILTON TADEU VILELA5 JUNQUEIRA4 e LÉO DUC HAA CARSON SCHWARTZHAUPT DA CONCEIÇÃO4 .6 7 INTRODUÇÃO8 A macaúba (Acrocomia aculeata) é uma palmeira nativa do cerrado. Apresenta elevado9 potencial para produção de óleo, comparável ao dendê (Elaeis guineensis), com estimativas de até 510 ton/ha (LLERAS & CORADIN, 1985). Além disso, esta espécie é adaptada a ambientes mais secos11 do que o dendê pode suportar. Este aspecto será importante frente a cenários futuros de mudanças12 climáticas com aumento da temperatura terrestre, e consequentemente aumento da deficiência13 hídrica. Desta forma, a macaúba, poderá tornar-se uma alternativa viável em áreas de maior risco14 climático para produção de biodiesel. Contudo, é necessário avaliar os efeitos da irrigação em15 macaúba, prevendo a alternativa por cultivos de elevado nível tecnológico, assim como verificar o16 custo benefício do uso de sistemas irrigados frente a possíveis respostas positivas da espécie. Neste17 contexto, o objetivo do trabalho foi avaliar os efeitos do uso de irrigação em caracteres18 morfológicos no desenvolvimento inicial em dois acessos de macaúba.19 20 MATERIAL E MÉTODOS21 Foram utilizadas no experimento progênies de plantas de dois locais, a saber: Núcleo Rural22 Buriti Vermelho localizado no Distrito Federal (DF) e município de Igarapava, estado de São Paulo.23 O plantio foi realizado em dezembro de 2008 na área experimental da Embrapa Cerrados em24 Planaltina-DF. O delineamento utilizado foi em blocos ao acaso, com quatro repetições em esquema25 fatorial 2 X 2, com parcelas constituídas contendo seis plantas em 25m lineares espaçadas por 5m.26 A área útil considerada foi àquela ocupada pelas cinco plantas centrais. O fator acesso foi avaliado27 em dois níveis (acesso DF e acesso SP), e o mesmo número de níveis foi avaliado para o fator28 irrigação (sem irrigação e com irrigação). Para irrigação foi utilizado sistema de gotejamento, com29 dois gotejadores/planta, acionados 2 vezes por semana durante 4 h, com vazão de 4L/h por30 gotejador. Foram realizadas a correção da acidez do solo em toda a área, adubação de base na cova,31 1 Estagiários da Embrapa Cerrados, e-mails: lsousabrandao@gmail.com, juferr.assis@gmail.com. 2 Estagiários da Embrapa Cerrados do curso de Agronomia da UPIS/Planaltina-DF, emails: priscila_ggf@hotmail.com; nathaliamimi@gmail.com; clebernascimento@gmail.com. 3 Estagiárias da Embrapa Cerrados do IFB/Planaltina-DF, emails: vilma.amorimm@gmail.com; wathinnalima@gmail.com; renata.santaremm@gmail.com. 4 Pesquisadores da Embrapa Cerrados, emails: marcelo.fideles@embrapa.br; nilton.junqueira@embrapa.br; leo.carson@embrapa.br. 1
  2. 2. adubação de cobertura 60 e 120 dias após o plantio. Após o 1ºano de cultivo, realizou-se adubação32 de manutenção no período chuvoso parcelada em quatro aplicações, espaçada de 45 em 45 dias.33 Foram avaliadas as seguintes variáveis: número de folhas total (NFOL) aos cinco anos34 (considerando aproximadamente 8 meses para formação da muda), taxa de emissão de folhas a35 partir do décimo mês de plantio (TAEF), comprimento da folha (CFOL), largura da folha (LFOL),36 número de folíolos (NFOLI), altura do estipe aos cinco anos (AEST), taxa anual de crescimento do37 estipe a partir do décimo mês de plantio (TACE), diâmetro do estipe (DEST) e distância entre38 inserções de folhas (DEIF). Para análise estatística foi considerada como unidade de observação a39 média da parcela. As análises estatísticas foram realizadas utilizando-se o aplicativo computacional40 SAS, versão 8.1 (SAS, 2000).41 42 RESULTADOS E DISCUSSÃO43 A análise de variância detectou efeitos significativos nas variáveis NFOL, TAEF, AEST e44 TACE para o uso de irrigação e origem dos acessos. As variáveis CFOL, LFOL e DEIF45 apresentaram diferenças devido ao efeito de acesso, porém o uso da irrigação não presentou46 diferença estatística nestas variáveis. Provavelmente estes caracteres são pouco afetados pelo47 ambiente e suas diferenças observadas são devido a diferenças genéticas entre os acessos avaliados.48 Foi detectada interação significativa apenas para o caráter TAEF (Tabelas 1 e 2). Não foram49 detectadas diferenças significativas para NFOLI, DEST.50 A média dos tratamentos irrigados foram superiores aos não irrigados para as variáveis51 NFOL, TAEF, AEST e TACE, pelo teste Tukey, indicando que o uso de irrigação favoreceu a52 formação e renovação das folhas e o desenvolvimento do estipe (Tabela 3). Trabalhos com cultivos53 de macaúba são escassos e recentes, não existem informações sobre as vantagens do uso da54 irrigação relacionadas a produtividade e viabilidade e nem referências sobre o manejo a ser55 aplicado. Em outras palmáceas, como a pupunha, em regiões onde há déficit hídrico, o uso da56 irrigação passa a ser praticamente obrigatório para obtenção de ganhos econômicos em cultivos57 (HERNANDEZ et al., 2001). Em dendê, Villalobos et al. (1992) observaram diferenças em plantas58 submetidas a dois regimes hídricos, em que as palmeiras não-irrigadas sofreram enrolamento59 prematuro das folhas inferiores, alto percentual de folhas fechadas e baixa condutividade60 estomática, quando comparadas às plantas dos tratamentos com irrigação. Contudo, a macaúba61 possui vantagens adaptativas as condições de clima seco quando comparada as referidas espécies de62 palmáceas. Neste sentido, será necessária a continuidade deste estudo com a observação de63 caracteres relacionados ao período reprodutivo e avaliação dos componentes de produção. Desta64 forma, será possível concluir se o maior desenvolvimento no período vegetativo será convertido em65 maior produção de frutos e qual será o custo benefício do uso desta tecnologia.66 2
  3. 3. Tabela 1. Resumo da análise de variância contendo fontes de variação, graus de liberdade (GL),67 quadrados médios e coeficiente de variação (CV) das variáveis relacionadas ao desenvolvimento68 foliar para os 4 tratamentos avaliados no experimento fatorial 2 x 2.69 *significativo a 5% de probabilidade pelo teste F. NFOL: número de folhas total aos cinco anos.70 TAEF: taxa de emissão de folhas a partir do décimo mês de plantio. CFOL: comprimento da folha.71 LFOL: largura da folha. NFOLI: número de folíolos.72 73 Tabela 2. Resumo da análise de variância contendo fontes de variação, graus de liberdade (GL),74 quadrados médios e coeficiente de variação (CV) das variáveis relacionadas ao desenvolvimento do75 estipe para os 4 tratamentos avaliados no experimento fatorial 2 x 2.76 * significativo a 5% de probabilidade pelo teste F. AEST: altura do estipe aos cinco anos. TACE:77 taxa anual de crescimento do estipe a partir do décimo mês de plantio. DEST: diâmetro do estipe.78 DEIF: distância entre inserções de folhas.79 80 Tabela 3 - Comparação de médias das variáveis avaliadas para dois níveis de irrigação (com81 irrigação e sem irrigação), pelo teste Tukey, envolvendo dois acessos de macaúba (São Paulo e82 Distrito Federal).83 Caracteres Acessos Níveis de Irrigação Média Com irrigação Sem irrigação NFOL São Paulo 51,5 42,9 47,2 b Distrito Federal 53,8 48,4 51,1 a Média 52,7 a 45,6 b TAEF São Paulo 13,0 10,3 11,6 b Distrito Federal 13,2 12,1 12,7 a Média 13,1 a 11,2 b CFOL São Paulo 223,8 234,2 229,0 a Distrito Federal 197,0 202,3 199,7 b Média 210,4 a 218,3 a LFOL São Paulo 136,8 136,5 136,6 a Distrito Federal 119,9 126,9 123,4 b Média 128,3 a 131,7 a NFOLI São Paulo 224,5 223,3 223,9 a Fontes de Variação GL Quadrado Médio NFOL TAEF CFOL LFOL NFOLI Acesso (Ac) 1 60,0625* 4,2908* 3443,2446* 702,4686* 30,3417 Irrigação (Irr) 1 197,4025* 14,9879* 249,5083 44,4889 289,2834 Ac x Irr 1 10,4006* 2,6755* 26,3083* 52,6948* 209,0434 Resíduo 9 7,1974* 0,3761* 261,5431* 18,0257* 149,5439 CV (%) 5,46 5,05 7,54 3,26 5,49 Fontes de Variação GL Quadrado Médio AEST TACE DEST DEIF Acesso (Ac) 1 64283,3767* 9573,6440* 26,8237 58,2677* Irrigação (Irr) 1 26555,4184* 3782,0450* 2,4154 2,5069 Ac x Irr 1 233,8350 138,1017 0,9425 2,9184 Resíduo 9 1373,7008 185.6185 5,6433 8,8440 CV (%) 9,12 9,93 6,47 8,12 3
  4. 4. Distrito Federal 229,0 213,3 221,1 a Média 226,8 a 218,3 a AEST São Paulo 387,4 298,3 342,8 b Distrito Federal 506,5 432,7 429,6 a Média 446,9 a 365,5 b TACE São Paulo 131,0 94,4 112,7 b Distrito Federal 174,1 149,2 161,6 a Média 152,6 a 121,8 b DEST São Paulo 38,6 37,4 38,0 a Distrito Federal 35,6 35,3 35,4 a Média 37,1 a 36,3 a DEIF São Paulo 34,7 34,7 34,7 b Distrito Federal 37,7 39,3 38,5 a Média 36,2 a 37,0 a Médias seguidas de mesma letra na linha/coluna não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%. NFOL:84 número de folhas total aos cinco anos. TAEF: taxa de emissão de folhas a partir do décimo mês de85 plantio. CFOL: comprimento da folha. LFOL: largura da folha. NFOLI: número de folíolos. AEST:86 altura do estipe aos cinco anos. TACE: taxa anual de crescimento do estipe a partir do décimo mês87 de plantio. DEST: diâmetro do estipe. DEIF: distância entre inserções de folhas.88 89 CONCLUSÕES90 O uso da irrigação favoreceu o crescimento do estipe e o desenvolvimento foliar, com maior91 área fotossintética e renovação de folhas. O maior vigor apresentado pelas plantas irrigadas em92 relação as não-irrigadas poderá ser benéfico para produção de frutos, mas precisa ser avaliado ao93 longo da fase reprodutiva da cultura.94 95 AGRADECIMENTOS96 À Finep, CNPq e Petrobrás pelos financiamentos e concessão de bolsas à alunos de97 graduação e pós-graduação.98 99 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS100 HERNANDEZ, F.B.T.; ALVES JÚNIOR, J.; LOPES, A.S. Irrigação na cultura da pupunha. In:101 Curso sobre Cultivo Processamento e Comercialização de Palmito Pupunha, 2001, Londrina,102 IAPAR, p.107-126.103 LLERAS, E.; CORADIN, L. Palmeras nativas como oleoginosas: situación actual y perspectivas104 para América Latina. In: Taller sobre Oleoginosas Promissoras, 1985, Bogotá. Resumos... Bogotá:105 ACAC, p.91-143.106 SAS Institute. The SAS system for windows v.8e. Cary, NC, 2000.107 VILLALOBOS, E.; UMAÑA, C. H.; CHINCHILLA, C. M. Estado de Hidratación de la palma108 aceitera, en respuesta a la sequía en Costa Rica. Oléagineux, Paris, v.47, n.5, p.217-223, 1992.109 4

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