FACULDADE PAN AMERICANA – FPA
TECNOLOGIA E RECURSOS PEDAGÓGICOS
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Nada mais ver...
cidadão grego, mas era por meio dela, queos homens tornavam-se melhores e felizes
(MARTINS, 2004, p. 20).
Sócrates concebe...
científico poderia dar ao homem poder sobre a natureza,portanto, que o avanço da
ciência poderia ser usado para promoverem...
Paulo Freire parte do princípio de que vivemos em uma sociedadedividida em
classes, na qual os privilégios de uns impedem ...
A educação brasileira visa, também, desenvolver no educando, coma participação
do Estado, da família e da sociedade, a qua...
DEL VECHIO, Giorgio. Lições de filosofia do direito. Coimbra: Armênio-Amando
Editor, 1979.
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I evolução histórica do conceito de educação

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I evolução histórica do conceito de educação

  1. 1. FACULDADE PAN AMERICANA – FPA TECNOLOGIA E RECURSOS PEDAGÓGICOS I- Evolução histórica do conceito deeducação Nada mais verdadeiro do que afirmar que o processo educacionaltem um significado imprescindível para o desenvolvimento do ser humano,tanto no passado, como no mundo atual. A educação traz aohomem avanços significativos, no sentido da garantia de um futuromelhor para todos. O conceito de educação sofreu influência do nativismo e do empirismo.O primeiro era entendido como o desenvolvimento das potencialidadesinteriores do homem, cabendo ao educador apenas exteriorizá-las,e o segundo era o conhecimento que o homem adquiria através daexperiência (MARTINS, 2004, p. 13). Na visão dos pedagogos modernos, o processo educacional não resideapenas nas escolas, pois ela não é a única responsável pela educação. A educação tem uma dimensão maior do que propriamente ensinar einstruir, o que significa dizer que o processo educacional não se esgotacom as etapas previstas na legislação.A Educação, em sentido amplo, representa tudo aquilo que podeser feito para desenvolver o ser humano e, no sentido estrito, representaa instrução e o desenvolvimento de competências e habilidades. Foram os gregos os precursores da filosofia, no sentido de descobrirque o pensamento racional pode averiguar a razão de ser das coisas. Defato, foi com eles que surgiu a filosofia, ao utilizar a razão ara descobriro fim último das coisas e solucionar todos os problemas existentes naquela época. Os sofistas ensinavam aos jovens gregos, a arte da retórica, da fala,do convencimento como instrumento de poder, com a finalidade defazer prevalecer seus interesses de classe. Afirmavam que cada homemvia o mundo a seu modo e que não era possível uma ciência autêntica,de caráter objetivo e universalmente válido. Assim, quando o vento sopra,cada um sente de maneira diversa. Para os sofistas, portanto, nãohavia verdades absolutas. Eles propagavam um sistema educacional quepudesse trazer felicidade e triunfo ao indivíduo. A educação não era conhecidacomo um direito o
  2. 2. cidadão grego, mas era por meio dela, queos homens tornavam-se melhores e felizes (MARTINS, 2004, p. 20). Sócrates concebeu uma nova visão do homem e do universo. O filósofogrego afirmava que a busca do conhecimento só podia ser alcançadapor meio da razão e da educação. A chave-mestra de seu pensamentoera a máxima Conhece-te a ti mesmo, significando: torna-te conscientede tua ignorância. A verdade para Sócrates era uma busca, e o conhecimentoverdadeiro não pode ser relativo a cada sujeito cognoscente.A verdade deve conter autonomia, deve existir e ser válida para todos.Dessa forma, a ciência deve ter caráter universalista, sendo válida paratodos, em todos os tempos. A preocupação de Platão era a de formar o homem para uma sociedadeideal. Educação é liberdade, um processo capaz de nos tirar deuma condição de ignorância. Mas não pode ser pela força. Porque o homem livre não deve ser obrigado a aprendercomo se fosse escravo. Os exercícios físicos, quando praticadosà força, não causam dano ao corpo, mas as lições quese fazem entrar à força na alma nela não permanecerão, diz Sócrates, no Livro VII da República. E continua: ... Nãouses de violência para educar as crianças, mas age de modoque aprendam brincando [...] (MENEZES, 2001). A educação, para Aristóteles, deve levar o homem a alcançar suaplena realização, mas isso só se torna possível se ele desenvolver suasfaculdades físicas, morais e intelectuais. O sumo bem é alcançar a felicidade.Ele foi considerado o pedagogo da família. Entende que a açãoeducativa dos pais seria inteiramente insubstituível. Para o filósofo, avirtude intelectual se adquire pela instrução e a virtude moral, pelos bonshábitos, daí ser virtuoso o homem que tem o hábito da virtude. Os educadores romanos preocupavam-se mais por questões deordem prática, não havendo em Roma uma produção filosófica considerável.A educação romana visava desenvolver no homem a racionalidadeque fosse capaz de fazê-lo pensar corretamente e se expressar de formaconvincente. A educação em Roma visava incutir no cidadão a coragem, a prudência,a honestidade, a seriedade, sendo a família um fator preponderantepara que tais virtudes fossem alcançadas. Vislumbrava o “vir bônus” (obom cidadão), que deveria adquirir as virtudes necessárias para cumprirbem os deveres de cidadão (MARTINS, 2004, p. 31). Na idade moderna, Francis Bacon acreditava que o homem só poderiacompreender e entender as situações que ocorrem na realidade setivesse uma ideia bem clara a respeito dos fatos. Foi ele um dos primeirosa ver que o método
  3. 3. científico poderia dar ao homem poder sobre a natureza,portanto, que o avanço da ciência poderia ser usado para promoverem escala inimaginável o progresso e a prosperidade humana. Nessa mesma época, o filósofo John Locke acreditava que a educaçãoé parte do direito à vida, pois só assim poderão ser formados seresconscientes, livres e senhores de si mesmos. Jean Jacques Rousseau formulou, na época, os princípios educacionaisque permanecem até nossos dias. Ele afirmava que a verdadeirafinalidade da educação era ensinar a criança a viver e a aprender aexercer a liberdade.Na sua visão, a criança é educada para si mesma, não é educada nempara Deus, nem para a sociedade. Essa educação naturalista, retratadapor ele, na obra Emílio, não significava propriamente retornar à vidaselvagem e, sim, levar o homem a agir por interesses naturais e não porimposição de regras exteriores e artificiais. Ele condena a interpretaçãode que a educação é um processo pelo qual a criança passa a adquirirconhecimentos, atitudes e hábitos armazenados pela civilização. Immanuel Kant entendia que a moralidade para os seres humanosé o resultado pretendido de um processo educacional extensivo. O filósofoescreveu duas importantes obras, denominadas Crítica da razãoteorética pura, no ano de 1781, onde indaga os limites e as condiçõesdo nosso conhecimento, as suas potencialidades e o seu valor; e Críticada razão pura, em 1788, demonstrando que o homem deve agir com aconsciência do dever, de acordo com a lei moral presente no seu interior(DEL VECHIO, 1979, p. 133). A educação deve, segundo Kant, cultivar a moral, despertando paraque o homem tome consciência de que ela deve estar presente em todasas ações de sua vida, em todo o seu desenvolvimento, em todo o ser, epor efeito, deitando raízes sobre o direito, que não subsiste sem a moral(MUNIZ, 2002, p. 38). Não devemos também esquecer a forte contribuição de Jean Piagete Paulo Freire para a Educação. Para Jean Piaget, a educação devepossibilitar à criança um desenvolvimento amplo e dinâmico desde operíodo sensório-motor até o operatório abstrato. Os principais objetivosda educação são: a formação de homens criativos, inventivos e descobridores,de pessoas críticas e ativas, na busca constante da construçãoda autonomia1 . 1 Para Piaget a autonomia não está relacionada com isolamento (capacidade de aprendersozinho). Ser autônomo significa estar apto a cooperativamente construir o sistema deregras morais e operatórias necessárias à manutenção de relações permeadas pelo respeitomútuo “A essência da autonomia é que as crianças se tornam capazes de tomar decisõespor ela mesmas. Autonomia não é a mesma coisa que
  4. 4. Paulo Freire parte do princípio de que vivemos em uma sociedadedividida em classes, na qual os privilégios de uns impedem a maioria deusufruir os bens produzidos. Ele se refere a dois tipos de pedagogia: adominação, e a pedagogia do oprimido, na qual a educação surge comoprática de liberdade (MARTINS, 2004, p. 54). Acredita que o movimentode libertação deve advir dos próprios oprimidos. Não é suficiente que ooprimido tenha consciência crítica de opressão, mas que esteja dispostoa transformar a realidade. Ensina-nos Freire (2001, p. 51) que “uma das grandes, se não amaior, tragédia do homem moderno, está em que é hoje dominado pelaforça dos mitos e comandado pela publicidade organizada, ideológicaou não, e por isso vem renunciando cada vez, sem o saber, à sua capacidadede decidir”. Para Freire, educar é construir, é libertar o homem do determinismo,passando a reconhecer o papel da História e a questão da identidadecultural, tanto em sua dimensão individual, como na prática pedagógicaproposta. A concepção de educação de Paulo Freire percebe o homemcomo ser autônomo. Esta autonomia está presente na definição devocação antológica de “ser mais” que está associada com a capacidadede transformar o mundo (ZACHARIAS, 2007). A educação, fundamentada na Constituição Federal, e amparadapor princípios que buscam uma sociedade mais justa, é direito de todos,dever do Estado e da família, visando ao pleno desenvolvimentoda pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificaçãopara o trabalho (artigo 205 da Constituição Federal). Podemos adotar o conceito de Sarlet (2001, p. 60) com relaçãoà dignidade da pessoa humana. Ele afirma que dignidade da pessoahumana é: “A qualidade intrínseca e distintiva de cada ser humanoque o faz merecedor do mesmo respeito e consideraçãopor parte do Estado e da comunidade, implicando, nestesentido, um complexo de direitos e deveres fundamentaisque assegurem a pessoa tanto contra todo e qualquer atode cunho degradante e desumano, como venham a lhegarantir as condições existenciais mínimas para uma vidasaudável, além de propiciar e promover a sua participaçãoativa e corresponsável nos destinos da própria existência eda vida em comunhão com os demais seres humanos”. liberdade completa. Autonomiasignifica ser capaz de considerar os fatores relevantes para decidir qual deve ser o melhorcaminho da ação. Não pode haver moralidade quando alguém considera somente o seu ponto de vista. Se também consideramos o ponto de vista das outras pessoas, veremos quenão somos livres para mentir, quebrar promessas ou agir irrefletidamente” (Kamii, 1991).
  5. 5. A educação brasileira visa, também, desenvolver no educando, coma participação do Estado, da família e da sociedade, a qualificação para otrabalho, conforme estabelece o artigo 205 da Constituição Federal. É pormeio do trabalho que o homem garante sua subsistência e o crescimentodo país. O valor trabalho constitui-se em fundamento do Estado Brasileiro,da ordem econômica e base da ordem social. Contudo, esse valor somentetrará resultados na medida em que o trabalhador é qualificado,principalmente por meio da educação, posto que ela é um instrumentoefetivo e essencial para qualificar as pessoas. Desta forma, a educação, como elemento indissociável do serhumano, é o grande alimento para que o homem possa obter o plenodesenvolvimento de suas faculdades físicas, mentais e intelectuais. Elaassegura ao indivíduo, liberdade e autonomia, dando- lhe ferramentasindispensáveis para a realização de seus objetivos, a fim de que possaprosperar na vida. Teixeira (1968) tem razão ao afirmar que a finalidadeda educação se confunde com a finalidade da vida: “A única finalidade da vida é mais vida. Se me perguntaremo que é essa vida, eu lhes direi que é mais liberdade e maisfelicidade. São vagos os termos. Mas nem por isso elesdeixam de ter sentido para cada um de nós. À medida queformos mais livres, que abrangermos em nosso coração eem nossa inteligência mais coisas, que ganharmos critériosmais finos de compreensão, nessa medida nos sentiremosmaiores e mais felizes. A finalidade da educação se confundecom a finalidade da via. No fundo de todo esteestudo paira a convicção de que a vida é boa e que podeser tornada melhor. É essa a filosofia que nos ensina o momentoque vivemos. Educação é o processo de assegurara continuidade do lado bom da vida e de enriquecê-lo,alargá-lo e ampliá-lo cada vez mais”. Assim, para obter caminhos sólidos e efetivos, capazes de transformaro homem, é indispensável que Estado, família e sociedade estejamempenhados na promoção precípua da educação.Nessas condições, considerando-se que o perfeito equilíbrio socialdepende de uma educação de qualidade, é essencial que ela seja percebida,não apenas como o acesso ao conhecimento, mas, sobretudo,como instrumento fundamental na transformação e no desenvolvimentodo homem, permitindo-lhe uma formação cidadã e humana. REFERÊNCIAS
  6. 6. DEL VECHIO, Giorgio. Lições de filosofia do direito. Coimbra: Armênio-Amando Editor, 1979. KAMII, C.. A criança e o número. São Paulo: Papirus, 1991. MARTINS, Rosilene Maria Sólon Fernandes. Direito á Educação: aspectoslegais e constitucionais. Rio de Janeiro: Letra Legal, 2004. MENEZES, Ebenezer. Platão e a educação. 2001 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. São Paulo: Atlas,2002. MUNIZ, Regina Maria Fonseca. O direito à educação. Rio de Janeiro:Renovar, 2002. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou da Educação. 2.ed. São Paulo:Martins Fontes, 1999. SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. 2.ed.,São Paulo: Livraria do Advogado, 2001. SILVA, José Afonso. Curso de Direito Constitucional Positivo. 18.ed.São Paulo: Malheiros Editores, 2000. TEIXEIRA, Anísio. Pequena introdução à filosofia da educação: a escolaprogressiva ou a transformação da escola. 5.ed. São Paulo: Cia. EditoraNacional, 1968. ZACHARIAS, Vera Lúcia C. Paulo Freire e a educação. Centro de ReferênciaEducacional, 2007.

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