áRvores

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áRvores

  1. 1. Árvores
  2. 2. Sede como os pássaros que, ao pousarem um instante sobreramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Elessabem que possuem asas. Victor Hugo
  3. 3. Árvore, cujo pomo, belo e brando,natureza de leite e sangue pinta,onde a pureza, de vergonha tinta,está virgíneas faces imitando;Nunca da ira e do vento, que arrancandoos troncos vão, o teu injúria sinta;nem por malícia de ar te seja extintaa cor, que está teu fruto debuxando.Que pois me emprestas doce e idóneo abrigoa meu contentamento, e favorecescom teu suave cheiro minha glória,Se não te celebrar como mereces,cantando-te, sequer farei contigodoce, nos casos tristes, a memória. Luís Vaz de Camões
  4. 4. “Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores novas, mais amigas: Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procelas…O homem, a fera, e o insecto, à sombra delas Vivem, livres de fomes e fadigas; E em seus galhos abrigam-se as cantigas E os amores das aves tagarelas. Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo! envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem: Na glória da alegria e da bondade, Agasalhando os pássaros nos ramos,Dando sombra e consolo aos que padecem!” Olavo Bilac
  5. 5. Horas mortas... Curvada aos pés do MonteA planície é um brasido... e, torturadas,As árvores sangrentas, revoltadas,Gritam a Deus a bênção duma fonte!E quando, manhã alta, o sol posponteA oiro a giesta, a arder, pelas estradas,Esfíngicas, recortam desgrenhadasOs trágicos perfis no horizonte!Árvores! Corações, almas que choram,Almas iguais à minha, almas que imploramEm vão remédio para tanta mágoa!Árvores! Não choreis! Olhai e vede:- Também ando a gritar, morta de sede,Pedindo a Deus a minha gota de água! Florbela Espanca

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