2012 04-14 - textos dramat verde vida

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2012 04-14 - textos dramat verde vida

  1. 1. Em cada fruto a morte amadureceEm cada fruto a morte amadurece,deixando inteira, por legado,uma semente virgem que estremecelogo que o vento a tenha desnudado. Eugénio de andrade – As mãos e os frutos – 1948
  2. 2. Somos folhas breves onde dormemSomos folhas breves onde dormemaves de sombra e solidão.Somos só folhas e o seu rumor.Inseguros, incapazes de ser flor,até a brisa nos perturba e faz tremer.Por isso a cada gesto que fazemosCada ave se transforma noutro ser. Eugénio Andrade - As mãos e os frutos-1948
  3. 3. “As árvores e os frutos” (Resumo)(…) Só as tuas mãos trazem os frutos.Só elas despem a mágoadestes olhos, choupos meus,carregados de sombra e rasos de água.Só elas são estrelaspenduradas nos meus dedos.- Ó mãos da minha alma,flores abertas aos meus segredos (…) Eugénio de Andrade
  4. 4. Olhos postos na Terra; tu virásOlhos postos na terra, tu virásno ritmo da própria primavera,e como as flores e os animais abrirásnas mãos de quem te espera.Eugénio de Andrade - As Mãos e os Frutos - 1948
  5. 5. Se eu, ainda que ninguém (16- (16-9-1933)Se eu, ainda que ninguém,Pudesse ter sobre a faceAquele clarão fugazQue aquelas árvores têm,Teria aquela alegriaQue as coisas têm de fora,Porque a alegria é da hora;Vai com o sol quando esfria.Qualquer coisa me valeraMelhor que a vida que tenhoTer esta vida de estranhoQue só do sol me viera! Fernando Pessoa
  6. 6. FrutosPêssegos, peras, laranjas,morangos, cerejas, figos,maçãs, melão, melancia,ó música de meus sentidos,pura delícia da língua;deixai-me agora falardo fruto que me fascina,pelo sabor, pela cor,pelo aroma da sílabas:tangerina, tangerina Eugénio de Andrade
  7. 7. Se eu me sentir sonoSe eu me sentir sono,E quiser dormir,Naquele abandonoQue é o não sentir,Quero que aconteçaQuando eu estiverPousando a cabeça,Não num chão qualquer,Mas onde sob ramosUma árvore fazA sombra em que bebamos,A sombra da paz. Fernando Pessoa-1934
  8. 8. Velhas ÁrvoresOlha estas velhas árvores, mais belasDo que as árvores novas, mais amigas: Tantomais belas quanto mais antigas, Vencedoras daidade e das procelas... O homem, a fera, e o inseto,à sombra delasVivem, livres de fomes e fadigas;E em seus galhos abrigam-se as cantigasE os amores das aves tagarelas.Não choremos, amigo, a mocidade!Envelheçamos rindo! envelheçamosComo as árvores fortes envelhecem:Na glória da alegria e da bondade,Agasalhando os pássaros nos ramos,Dando sombra e consolo aos que padecem! Olavo Bilac, in "Poesias"
  9. 9. Árvore, cujo pomo, belo e brandoÁrvore, cujo pomo, belo e brando,natureza de leite e sangue pinta,onde a pureza, de vergonha tinta,está virgíneas faces imitando;(…)Que pois me emprestas doce e idóneo abrigoa meu contentamento, e favorecescom teu suave cheiro minha glória,se não te celebrar como mereces,cantando-te, sequer farei contigodoce, nos casos tristes, a memória. Luís Vaz de Camões
  10. 10. Árvores do AlentejoHoras mortas? Curvada aos pés do MonteA planície é um brasido? e, torturadas,As árvores sangrentas, revoltadas,Gritam a Deus a bênção duma fonte!E quando, manhã alta, o sol posponteA oiro e giesta, a arder, pelas estradas,Esfíngicas, recortam desgrenhadasOs trágicos perfis no horizonte!Árvores! Corações, almas que choram,Almas iguais à minha, almas que imploramEm vão remédio para tanta mágoa!Árvores! Não choreis! Olhai e vede:- Também ando a gritar, morta de sede, pedindo a Deusa minha gota de água. Florbela Espanca

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