Produtores à espera da Portaria do Porco Preto

Nº 135 › Mensal › Dezembro 2013 › 2.20# (IVA incluído)

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Vasco Teixeira, Coordenador do Projeto NanoValor e de outros projetos na área das superfícies e
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descartáveis, logo, facilmente produzidos
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Europa está a apostar forte na
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varem nos seus processos e se tornarem
mais competitivas.
Como já tive a oportunidade de referir
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Paulo Freitas, Diretor-Geral Adjunto do ILN – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia

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João Duque, Presidente do ISEG – Instituto Superior de Economia e Finanças

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Nanotecnologia revoluciona a indústria. Entrevista de Vasco Teixeira a revista País Económico, edição de dezembro de 2013
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Nanotecnologia revoluciona a indústria. Entrevista de Vasco Teixeira a revista País Económico, edição de dezembro de 2013

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Nanotecnologia revoluciona a indústria. Entrevista de Vasco Teixeira a revista País Económico, edição de dezembro de 2013, n. 135. Vasco Teixeira. " Vasco Teixeira, coordenador do projeto Nanovalor apresenta a estratégia de desenvolvimento e aplicação da investigação da nanotecnologia nos produtos de muitas empresas portuguesas, gerando maior inovação e competitividade global."

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Nanotecnologia revoluciona a indústria. Entrevista de Vasco Teixeira a revista País Económico, edição de dezembro de 2013

  1. 1. Produtores à espera da Portaria do Porco Preto Nº 135 › Mensal › Dezembro 2013 › 2.20# (IVA incluído) Carlos Setra Presidente da Edol m ista co Entrev ador da x Embai audita S Arábia rtugal em Po Nanotecnologia revoluciona a indústria Luís Marques Presidente da Ancpa Paulo Lourenço Country Registration Manager da Basf Portugal Vasco Teixeira, Coordenador do Projeto NanoValor, apresenta a estratégia de desenvolvimento e aplicação da investigação da nanotecnologia nos produtos de muitas empresas portuguesas, gerando maior inovação e competitividade global. Dezembro 2013 | País €conómico › 1
  2. 2. › Head Ficha Técnica Editorial Propriedade Economipress – Edição de Publicações e Marketing, Lda. Sócios com mais de 10% do capital social › Jorge Manuel Alegria Contribuinte 506 047 415 Director › Jorge Gonçalves Alegria Conselho Editorial: › Bracinha Vieira › Frederico Nascimento › Joanaz de Melo › João Bárbara › João Fermisson › Lemos Ferreira › Mónica Martins › Olímpio Lourenço › Rui Pestana › Vitória Soares Redacção › Manuel Gonçalves › Valdemar Bonacho › Jorge Alegria Fotografia › Rui Rocha Reis Grafismo & Paginação › António Afonso Departamento Comercial › Valdemar Bonacho (Director) Direccção Administrativa e Financeira › Ana Leal Alegria (Directora) Serviços Externos › António Emanuel Morada Avenida 5 de Outubro, nº11 – 1º Dto. 2900-311 Setúbal Telefone 26 554 65 53 Fax 26 554 65 58 Site www.paiseconomico.eu e-mail paiseconomicopt@gmail.com Delegação no Brasil Jean Valério Av. Romualdo Galvão, 773 - Tirol - Ed. Sfax - Sala 806 CEP: 59020-400 Natal - RGN - Brasil Tel: 005584 3201.6613 e-mail acarta@acarta.com.br Pré-impressão e Impressão Lisgráfica Rua Consiglieri Pedroso, 90 Queluz de Baixo 2730-053 Barcarena Tiragem 30.000 exemplares Depósito legal 223820/06 Distribuição Logista Portugal Distribuição de Publicações, SA Ed. Logista – Expansão da Área Ind. do Passil Lote 1-A – Palhavã – 2890 Alcochete Inscrição no I.C.S. nº 124043 2 › País €conómico | Dezembro 2013 Inovação e internacionalização 1 – Nesta edição fomos descobrir o que se anda a fazer em Portugal em matéria de nanotecnologia, uma área científica da maior importância embora pouco referida habitualmente nas parangonas da comunicação social portuguesa. Mas, se é pouco mediatizada, já a sua divulgação junto das empresas industriais portuguesas cresce todos os anos de forma muito substancial, na medida em que cada vez mais empresas nacionais, curiosamente, ou talvez não, as que se situam em setores industriais tradicionais, recorrem em crescendo à nanotecnologia para os ajudar a serem mais inovadores nos produtos que lançam no mercado global e, consequentemente, a tornarem-se empresas mais competitivas internacionalmente. Quando o atual Presidente da República apela à mudança do modelo económico do país, onde se deverá naturalmente incluir a mudança do modelo tradicional de produção industrial, recorrendo cada vez mais à ciência e à investigação, no fundo introduzindo a inovação como motor permanente da mudança, da modernização e da competitividade, a nanotecnologia poderá e deverá constituir um elemento de enorme importância para a modernização e competitividade global das empresas portuguesas, visto que, quem não conseguir se globalmente competitivo, está condenado ao insucesso e a desaparecer. 2- Nesta mesma edição publicamos uma importante entrevista com o Embaixador da Arábia Saudita em Portugal. O diplomata sublinha a sua firme convicção de que as relações económicas e empresariais, turísticas e culturais, entre os dois países, podem e devem aumentar substancialmente. E aponta razões muito pragmáticas para que isso aconteça. A Arábia Saudita é um grande mercado no Médio Oriente e com elevado poder de compra, além de constituir uma área onde existem muitos projetos de infraestruturas e de estruturas diversas para edificar, logo, com boas oportunidades para as empresas portuguesas. Assim como para a exportação de produtos portugueses para aquele mercado, a começar na área dos produtos alimentares, aliás como vai acontecer agora com uma empresa de Guimarães que passará a exportar bacalhau para o mercado saudita. Presentemente, os mercados são globais, e as empresas portuguesas, cada vez mais, precisam de visionarem o globo e atuarem em conformidade. Os mercados do Médio Oriente são cada vez mais importantes, e não podemos esquecer, muito pelo contrário, o principal país da região – Arábia Saudita – que agora possui uma representação diplomática em Lisboa alinhada com o propósito de contribuir de forma decisiva para o crescimento das relações económicas e turísticas entre os dois países. Jorge Gonçalves Alegria Dezembro 2013 | País €conómico › 3
  3. 3. Índice Grande Entrevista Mansour Saleh Al Safi, Embaixador da Arábia Saudita em Portugal, concedeu uma importante e oportuna entrevista à revista País €conómico, onde sublinhou o forte interesse do seu país em aprofundar e aumentar as relações económicas e empresariais entre o seu país e Portugal. Foi, aliás, com um inusitado entusiasmo que proferiu a expressão «Portugal é um país magnífico», pois além de um excelente clima «é um país seguro e onde se pode estar tranquilamente», enfatiza o diplomata saudita. Espera contribuir para aumentar os fluxos turísticos da Arábia Saudita para Portugal, bem como ajudar a canalizar investimentos para o nosso país, mas refere que também existem muitas oportunidades de investimento e de negócios para empresas portuguesas na Arábia Saudita, um mercado grande e com elevado poder de compra, logo apetecível para aumentar as exportações para aquela região do Médio Oriente. pág. 20 a 25 Ainda nesta edição… 19 19 26 30 39 44 46 50 56 58 Superbrands promoveu 30 marcas de referência em Portugal Outmarketing completou um ano no Brasil Sonae Sierra investe no Brasil Golfe ganha espaço no Nordeste do Brasil ACIB distinguiu melhores empresas do Minho OBRASQB aposta na requalificação das cidades Suinicultura vive momentos de recuperação Basf melhora a agricultura portuguesa Externato Abelhinha é modelo de educação e de valores Os bolos são uma arte para O Meu Bolo Grande Plano A Nanotecnologia já começou a alterar o paradigma de várias empresas portuguesas, modificando e introduzindo novas soluções nos produtos de muitas indústrias nacionais, mesmo, ou sobretudo, as dos setores ditos tradicionais, como os têxteis, calçado, construção ou no automóvel. Vasco Teixeira, Coordenador do Projeto NanoValor, a entidade que tem por missão divulgar o que se está fazendo ao nível da nanotecnologia não apenas em Portugal mas igualmente na região espanhola da Galiza, sublinha que a investigação nas universidades portuguesas é de alto nível, e que as empresas portuguesas já interagem em grande medida com os nossos centros de investigação e já aproveitam os frutos da nanotecnologia para aumentar o valor dos produtos e consequentemente a competitividade das empresas. Um desses expoentes é o Instituto Internacional Ibérico de Nanotecnologia, localizado em Braga, um grande investimento dos governos português e espanhol e que está a projetar a Península Ibérica para a liderança do setor na Europa. pág. 06 a 17 4 › País €conómico | Dezembro 2013 Dezembro 2013 | País €conómico › 5
  4. 4. › GRANDE PLANO Vasco Teixeira, Coordenador do Projeto NanoValor e de outros projetos na área das superfícies e nanomateriais, destaca valor da nanotecnologia como mais-valia para a indústria portuguesa A Nanotecnologia está a tornar as empresas mais competitivas A Nanotecnologia está a revolucionar vários produtos que a indústria mundial tem lançado nos últimos anos nos mercados internacionais. Portugal não foge à regra e desde há vários anos que algumas universidades portuguesas, com destaque para a Universidade do Minho, e vários institutos de investigação científica e tecnológica, dedicam uma forte atenção e recursos ao desenvolvimento da nanotecnologia no nosso país. Vasco Teixeira, Professor Associado na Universidade do Minho, é o Coordenador do projeto NanoValor, um projeto que tem como principal missão divulgar o conhecimento gerado pelo setor da nanotecnologia, tanto em Portugal como na vizinha Galiza, sobretudo junto das empresas industriais, na firme convicção de que a nanotecnologia é um grande indutor de inovação, capaz de contribuir para o desenvolvimento de novos produtos, realinhar produtos já utilizados das designadas indústrias tradicionais, e assim, tornar as empresas mais competitivas e capazes de se afirmarem no quadro competitivo global. O responsável do NanoValor acredita também que o setor terá verbas acrescidas no próximo quadro comunitário de apoio, podendo dessa forma continuar a trilhar um caminho de investigação cada vez mais apurado, mas sempre alinhado com as necessidades das empresas e da melhoria da sua competitividade. Texto › VALDEMAR BONACHO | FOTOGRAFIA › Cedidas pela Universidade do Minho e NanoValor A Nanotecnologia é uma área da investigação que pode ajudar as empresas a serem mais competitivas. Esta já é uma área do presente ou será somente do futuro? A relevância da Ciência e da Tecnologia na sociedade do conhecimento e da inovação é hoje cada vez mais considerada como fator indispensável para a competitividade das empresas e para o desenvolvimento económico. A Nanotecnologia constitui uma das áreas onde poderá existir um maior grau de inovação, e com relação direta com a vida quotidiana dos cidadãos. Aliás, isso já acontece em situações relacionadas com a microeletrónica, que deu origem a produtos tecnológicos presen- 6 › País €conómico | Dezembro 2013 temente já comuns como sejam os computadores portáteis, telemóveis, mas nos quais a nanotecnologia ainda vai permitir avanços mais significativos visto que trabalha a uma escala bastante mais pequena do que a microeletrónica. É, pois, uma área de futuro, embora com forte influência no presente, na medida em que as empresas poderão em parceria com as universidades e os institutos tecnológicos e científicos, desenvolver uma investigação de vanguarda e assim conseguirem inovar e serem mais competitivas à escala global. A Nanotecnologia abrange um conjunto de áreas de atividade muito vasta. Em Portugal, quais são as áreas onde têm existido uma maior aposta? Na verdade, abrangemos praticamente todas as áreas económicas, desde a farmacêutica e medicina, energia, alimentação, eletrónica, entre várias outras. Acreditamos que a nanotecnologia poderá constituir um elemento muito importante na medida em que pode desenvolver nanopartículas e outros nanomateriais que poderão ser incorporados em produtos nas tecnologias designadas como tradicionais. Por exemplo, quando mencionamos a indústria têxtil já não podemos referir as fibras têxteis tradicionais, visto que muitas empresas das áreas têxtil e do têxtil técnico utilizam a nanotecnologia para acrescentar valor aos seus produtos. A título de exemplo, é possível adicionar nanocápsulas num produto que com o tempo vai libertando aromas ou princípios ativos químicos e consequentemente eliminando as bactérias, questão que deverá ter uma cada vez maior importância na sua utilização hospitalar. Este é apenas um exemplo aplicável à área têxtil, vários outros poderia adiantar, como a utilização de nanomateriais e nanodispositivos na indústria automóvel, metalo-mecânica, energia e mesmo no setor da saúde. A indústria farmacêutica e médica está também a recorrer à nanotecnologia? A indústria farmacêutica, indústria química, bem como a indústria da cosmética. É de sublinhar que nas áreas médica e farmacêutica, estamos a evoluir para novas abordagens no diagnóstico e na terapêutica. Temos o conceito de nanofármacos e da nanomedicina. Mais uma vez, a título de exemplo, quando uma pessoa faz uma análise ao sangue, normalmente é extraída uma quantidade apreciável de sangue, que depois é enviado para um laboratório clínico e por lá demora alguns dias até ser feita a informação do resultado dessa análise. Recorrendo à nanotecnologia, e já existem vários projetos nesse sentido, é possível produzir um microchip que será ele próprio um laboratório sofisticado de análises clínicas (mas numa escala manométrica) e que fará a análise a uma pequena gota do sangue permitindo desde logo efetuar o despiste de várias doenças. E são chips de custo bastante baixo, Dezembro 2013 | País €conómico › 7
  5. 5. › GRANDE PLANO descartáveis, logo, facilmente produzidos e aplicados no mercado. Europa está a apostar forte na nanotecnologia O termo Nanotecnologia surgiu em primeiro lugar no Japão, mas depois expandiu-se para os Estados Unidos e para a Europa. Como está o Velho Continente na investigação nesta nova área da ciência? Como referiu, no presente, é uma realidade bem visível também nos Estados Unidos e na Europa, e, neste caso, Portugal está bem posicionado no desenvolvimento da nanotecnologia. É verdade que o termo Nanotecnologia surgiu no Japão. Mas Richard Feynman nos EUA foi o pre- cursor do conceito da Nanotecnologia, embora não tenha utilizado este termo na sua famosa palestra para a Sociedade Americana de Física em 1959, onde apresentou pela primeira vez as suas ideias sobre este tema. A palavra Nanotecnologia foi utilizada pela primeira vez pelo professor Norio Taniguchi em 1974 para descrever as tecnologias que permitam a construção de materiais a uma escala manométrica. A I&D na Europa encontra-se bem posicionada, praticamente a par dos EUA e Japão. A UE tem acompanhado o investimento em I&D para programas de investigação e inovação. O novo Programa-Quadro de Financiamento para a Investigação e Inovação - Horizonte 2020 - que se inicia em janeiro de 2014 com um orçamento de cerca de 80 mil milhões foi aprovado há pouco e será o maior programa de financiamento de ciência e inovação a nível mundial. Contempla cerca de 6 mil milhões só para nanotecnologia, fotónica e biotecnologia. Qual é essa posição do nosso país no contexto europeu? Estamos num nível elevado, fruto da excelência das universidades do Minho e do Porto, onde existem centros de investigação de excelência, CENTI e INL também juntamente com muitas empresas que inovam neste domínio. Temos conseguido apresentar projetos em concursos competitivos a nível europeu onde concorreram com grupos de outros países, nomeadamente da Alemanha e da Inglaterra, e temos sido bem sucedidos. Por exemplo, ao nível da Universidade do Minho já conseguimos 75 projetos aprovados no âmbito do 7º Programa Quadro europeu de investigação, com cerca de duas dezenas na área da nanotecnologia, com recursos na ordem dos 21 milhões de euros, o que nos torna efetivamente uma instituição de investigação e ensino superior de grande referência no nosso país e já com créditos firmados a nível internacional. O desempenho das PME e outras empresas portuguesas que participam em projetos europeus é semelhante à média europeia. Essa excelência que referiu a respeito da Universidade do Minho, e da importante investigação que aqui se realiza constituíram fatores importantes para a decisão de localizar em Braga o INL – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia? Sistema de deposição por plasma IBAD de filmes nanoestruturados por PVD (Deposição Física de Vapores) assistido por canhão de iões. Um dos vários equipamentos disponíveis no Centro de Física da Universidade do Minho para produção de nanoestruturas. 8 › País €conómico | Dezembro 2013 Não é possível fazer uma afirmação categórica de que assim tenha sido, mas a decisão estratégica tomada pelos dois governos ibéricos certamente levou em linha de conta o facto de naquela altura a região norte já se ter sobressaído pela apresentação de um conjunto de projetos nacionais e internacionais muito significativos na área da nanotecnologia e cujo financiamento é muito competitivo. Sensor multicamada baseado em filmes finos de óxidos transparentes condutores para deteção de microorganismos patogénicos (p.ex. E. Coli) Resultados do projeto NanoMediag: “NanoMeDiag-Nanobioanalytical platforms for improved medical diagnosis of infections caused by pathogen microorganisms”. Portugal-Spain International Nanotechnology Laboratory Nanotechnology Projects Call *– Coordenador - Portugal: Vasco Teixeira*; Coordenador Spain: Josep Samitier Marti Certamente, que além da importante circunstância que mencionei, também a noção de que o aprofundamento das capacidades instaladas na investigação da nanotecnologia poderia contribuir para reforçar em grande medida a competitividade das empresas nacionais, e em particular de toda esta região, onde aliás se situam grande parte dos setores tradicionais da indústria portuguesa assim como grandes empresas de forte cariz tecnológico. Este fator deverá certamente ter pesado igualmente na decisão que os dois governos tomaram. Indústria têxtil tem recebido um forte apoio da nanotecnologia Apesar de já termos mencionado que a nanotecnologia já começou a contribuir para a melhoria da competitividade da indústria têxtil, será possível que essa importância cresça nos próximos anos? É natural que assim seja e estou convicto que essas empresas vão aumentar a sua competitividade e capacidade de internacionalização. Posso referir, por exemplo, que participei num projeto ligado a funcionalização de fibras têxteis e a aplicação de nanomateriais para as tornar hidrofóbicas (anti-sujidade) e para possuírem capacidade bactericida. As empresas têm colaborado connosco pois reconhecem a vantagem da nanotecnologia. E para a prossecução desse objetivo também gostaria de destacar a importância do papel do CENTI (onde a universidade do Minho é um dos sócios fundadores), localizado em Vila Nova de Famalicão, e que é um centro de investigação tecnológico ligado à indústria têxtil e também do calçado e couro, e de onde já começaram a sair várias inovações aplicadas a este importante sector da indústria nacional, algumas já numa fase comercial. Existem portanto exemplos concretos de aplicação da investigação da nanotecnologia na indústria têxtil portuguesa, nomeadamente a que se localiza na região norte do país? Felizmente, já existem várias empresas na região norte que se têm integrado em projetos da Universidade do Minho, do CENTI e do INL, para além do relacionamento com outras universidades internacionais. E não são apenas empresas da área têxtil, mas igualmente empresas de outros setores industriais que estão a aproveitar a investigação da nanotecnologia para ino- Dezembro 2013 | País €conómico › 9
  6. 6. › GRANDE PLANO varem nos seus processos e se tornarem mais competitivas. Como já tive a oportunidade de referir nesta entrevista, existem empresas do setor têxtil que já recorrem à nanotecnologia para incorporarem nanomateriais nas suas fibras, por exemplo, para a libertação de aromas. Sem pretender ser exaustivo, adianto exemplos protagonizados por empresas desta região, como são os casos paradigmáticos da Success Gadget, ligada ao grupo têxtil Sonix, de Barcelos, ou ainda deste concelho a empresa Smart Innovation, empresas dedicadas exclusivamente a nanotecnologia que apostam na inovação colaborando ativamente com a Universidade do Minho. Temos ainda várias start-ups criadas a partir de resultados de investigação na Universidade do Minho. Outra empresa, como a TMG Automotive que incorporam nanopartículas em componentes para o interior de automóveis. Mas aqui na região Norte há dezenas que já utilizam a nanotecnologia o que evidencia o carater inovador e visão estratégica destas empresas que se associaram desde há muitos anos em projetos com a Universidade do Minho. Empresas procuram cada vez mais as universidades O que nos está a querer dizer é que as empresas estão a apostar na inovação e a nanotecnologia poderá constituir uma ferramenta de grande valor para gerar mais-valias, novos produtos, enfim, uma maior competitividade ao nosso setor industrial? Não tenha qualquer dúvida de que assim é. Aliás, são as próprias empresas em cada vez maior número que procuram as universidades – e a Universidade do Minho é reconhecida pela sua forte ligação e relacionamento com as empresas e com a indústria nacional – para que possamos ajudar a gerar inovação e valor para as soluções e produtos das próprias empresas. Gostaria de sublinhar que os nossos investigadores já conhecem bem a realidade e as necessidades da nossa indústria, fruto justamente dessa forte relação e colaboração que as empresas têm empreendido com as universidades e institutos tecnológicos, estando por isso alinhados com as necessidades da própria indústria e já na procura das soluções de inovação que lhes permita ultrapassar limitações e assim surgirem com soluções e produtos novos, ou seja, com maior competitividade no mercado global onde se inserem. Dando mais um exemplo, atualmente, existem mais de duas dezenas de empresas das áreas têxtil e de polímeros com contatos e ações concretas relacionadas com as instituições que estão ligadas à investigação e desenvolvimento em nanotecnologia, o que é já bastante significativo, embora ainda tenhamos como é óbvio um longo caminho para percorrer. Mas, já foi um passo importante, onde ganham as empresas, a própria economia nacional, mas também no que concerne ao crescimento do emprego qualificado na medida em que estamos a formar anualmente um número significativo de pessoas nas áreas da nanotecnologia e dos nanomateriais. Com a recessão económica que o país tem atravessado, com reflexo natural na atividade das empresas, não existe o ris- Quem é Vasco Teixeira? Vasco Teixeira é Professor Associado na Universidade do Minho desde 1989. Foi Pró-Reitor para a Investigação na Universidade do Minho de outubro 2009 a novembro de 2013. Investigador em nanotecnologia, materiais inteligentes e nanosensores, engenharia de superfícies e revestimentos finos. É autor e co-autor de mais de 110 artigos científicos publicados em revistas internacionais ISI, editor de 3 volumes de revistas científicas ISI, 5 capítulos de livros, 4 Prémios de Mérito/ Inovação Industrial e Empreendedorismo Tecnológico e proferiu mais de 25 palestras convidadas em conferências internacionais. É Editor-in-Chief do Journal of Nano Research (revista que tem como Editor honorário o Prémio Nobel Sir Harry Kroto). Na sua investigação aplicada sempre procurou integrar colaborações com empresas de modo a que os domínios de I&D pudessem contribuir para o desenvolvimento de novas competências técnicas na indústria. Liderou e participou em vários projetos nacionais e europeus de I&D e Inovação. É coordenador do projeto NanoValor, sendo fundador e moderador de fóruns internacionais de discussão ligados a nanotecnologia (NanoNet e NanoTechNews Forum) e engenharia de superfícies e tecnologia industrial de vácuo (PVD Coatings Forum). Mentor tecnológico e sócio fundador de empresas de base tecnológica na área de nanotecnologias, engenharia de superfícies e revestimentos técnicos para a indústria dos moldes de injeção e metalomecânica. Galardoado com 3 Prémios de Inovação/Melhor Plano de Negócios e de Empreendedorismo. Distinguido com o Prémio Janus em 2010 pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP), Brasil. ‹ 10 › País €conómico | Dezembro 2013 co de muitas dessas pessoas qualificadas poderem emigrar, e assim assistir-se a uma “fuga” de cérebros do nosso país? A emigração, no caso que estamos a abordar, constitui uma fuga de talentos, precisamente quando o país não consegue pagar o justo valor de salário a alguém que é muito bom e que se especializou numa área de grande exigência, além de poder criar um imenso valor para uma empresa ou para uma instituição. Realmente existe esse risco, pois lá fora esta área é muito bem remunerada, mas acreditamos que com esta crescente ligação entre as universidades e as empresas, vamos conseguir gerar mais-valias económicas que permitirão a todo este conjunto de pessoas altamente especializadas encontrarem oportunidades de trabalho em Portugal, o que aliás já está a suceder, é preciso afirmar que as pessoas formadas nas áreas das nanotecnologias que saem das universidades portuguesas conseguem facilmente encontrar trabalho e integrar projetos aliciantes. Todos temos a responsabilidade de promover o emprego qualificado atraindo e fixando jovens graduados especialistas. Nanotecnologia com verbas reforçadas no QCA 2014-2020 Referiu há pouco que as universidades, através dos seus grupos de investigação, e as próprias empresas portuguesas, conseguiram a aprovação de diversos projetos através dos fundos comunitários. Agora que se aproxima a entrada em vigor do próximo quadro comunitário de apoio, quais são as expetativas da euros. O programa europeu - Horizonte 2020 - será certamente muito importante para o progresso e competitividade europeia na área da nanotecnologia. É, pois, um avanço muito significativo, e que saudamos naturalmente. As PME têm um significativo potencial de inovação e a capacidade intrínseca necessária para a introdução de descobertas tecnológicas revolucionárias no mercado. Foi assumido o compromisso de garantir uma forte participação das PME no Horizonte 2020 o que é uma excelente oportunidade para as nossas empresas. ciência e da nanotecnologia portuguesa face ao QCA 2014-2020? Qual o contributo da NanoValor na dina- Estamos plenamente convencidos de que teremos mais oportunidades e que as devemos aproveitar de forma inteligente e eficiente, contribuindo para o desenvolvimento económico sustentável do país. A nanotecnologia constitui igualmente uma aposta da União Europeia, que dedicará à ciência uma verba global na ordem dos 80 mil milhões de euros (um aumento de 30 mil milhões face ao quadro de referência anterior), no qual estará destinada à área da nanotecnologia, nanoeletrónica e materiais emergentes valores na ordem dos 6 mil milhões de euros, quando no quadro que está agora a terminar dispusemos na União Europeia de 3,5 mil milhões de mização da nanotecnologia em Portugal e no próprio espaço territorial do norte de Portugal e da Galiza? O NanoValor é um projeto que considero muito importante, na medida em que possui a missão de divulgar as potencialidades e a importância da nanotecnologia, principalmente no relacionamento com as empresas da região norte de Portugal e com a vizinha região espanhola da Galiza, visto que se trata de um projeto com financiamento específico de cariz ibérico para estas duas euro-regiões transfronteiriças. Reforço este ponto. O NanoValor está sobretudo a levar o conhecimento gerado pelas universidades e centros de investigação na área da nanotecnologia às empresas e à indústria nacional, bem como a ambos os lados da região transfronteiriça. Aliás, temos realizado vários seminários, muitos até com caráter informal, tanto no norte de Portugal como na região da Galiza, para fazer chegar às empresas a informação sobre o que está a ser feito na área da nanotecnologia e de como poderemos agregar valor para a atividade das empresas. Essa mensagem, diga-se em abono da verdade, tem sido muito bem recebida e compreendida, sendo natural que cada vez mais empresas tenham interesse em se relacionarem com o setor universitário e de investigação, porque sabem que poderemos constituir uma importante ferramenta no seu próprio processo de inovação e competitividade. O projeto NanoValor vincula as suas ações na perspetiva de que o conhecimento em nanotecnologia gerado terá de contribuir para além do fomento da competitividade das empresas e sua internacionalização, promover o emprego qualificado atraindo e fixando talento de jovens graduados e cientistas com reconhecimento internacional e incentivar ações de empreendedorismo que possam contribuir para a criação de novos postos de trabalho. ‹ Dezembro 2013 | País €conómico › 11
  7. 7. › GRANDE PLANO Paulo Freitas, Diretor-Geral Adjunto do ILN – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia «Este é um mundo de Excelência» A criação do INL – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia é fruto de um protocolo assinado em 2005 pelos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Português e da Educação e Ciência de Espanha. No entender de Paulo Freitas, DiretorGeral Adjunto do INL «esta é a prova de que Portugal e Espanha estão empenhados em apostar fortemente na cooperação científica e tecnológica, nomeadamente nas áreas das nanociências e nanotecnologia. E Texto › VALDEMAR BONACHO m entrevista à PAÍS€CONÓMICO afirmou que está orgulhoso por estar ligado a um dos centros de investigação científica existentes no país. «Os anos 2009 e 2010 foram anos de construção intensiva, em 2010 começámos a instalar aqui os primeiros investigadores e equipamentos. Os investigadores sentem-se aqui como peixe na água, porque o INL é um laboratório que está preparado para receber cerca de 400 pessoas (agora temos uma centena), e os investigadores são cerca de setenta, gente de todo o mundo, e investigadores portugueses serão à volta de quinze», referiu Paulo Freitas, para a este propósito realçar que desde o início deste projeto «tivemos sempre a liberdade de escolher as melhores pessoas, independentemente da nacionalidade». 12 › País €conómico | Dezembro 2013 | FOTOGRAFIA › Cedidas pelo INL Paulo Freitas diz que o recrutamento destes cientistas torna-se muito mais fácil depois de conhecerem o INL, cujo investimento rondou os 100/110 milhões de euros. «Este projeto foi muito bem seguido, andámos sempre muito perto daquilo que foi projetado na empreitada, tendo havido somente um desvio de um por cento, o que é muito bom», referiu o nosso entrevistado. Nanotecnologia é a área mais avançada do INL Tendo como áreas principais de investigação a Nanotecnologia, a Nanoelétrica e Eletrónica, Controlo Ambiental e Alimentar, e Nanoestruturas e Nanomanipulação, o INL pretende (entre os variadíssimos projetos que tem em mãos) desenvolver até mea- dos de 2015 biossensores para a deteção de células tumorais circundantes e nanamarcadores para a aplicação em imagiologia com aplicação à medicina. «Neste momento a Nanoeletrónica é área mais avançada do INL. As áreas que são agora mais promissoras para nós são as que estão ligadas a aplicações da Nanotecnologia na área da Saúde e aplicações na área Alimentar. É nestas áreas que o INL é mais requisitado, e desde o princípio que a orientação tem sido esta», sublinhou o diretor-geral adjunto do INL que aproveitou para esclarecer que estas áreas foram selecionadas porque já existia muito trabalho realizado nestes campos, quer em Espanha, quer em Portugal. Segundo Paulo Freitas, «estamos a ser bem sucedidos na área da Nanoeletrónica e um exemplo claro é agora a Nanium, antiga Qimonda, localizada aqui perto de Braga. Já transferimos tecnologia para clientes de fora do país e neste momento há parte das coisas que foram aqui desenvolvidas ou em colaboração com o INL, que vão passar a uma fase de produção. Eu diria que este á um caso de sucesso. Depois, contactámos com grandes grupos empresariais, por exemplo o caso da CUF, que tem uma abrangência grande. Temos tentado encontrar pontos de contacto basicamente e em particular com algumas destas companhias, começámos por prestação de serviços em áreas onde somos realmente muito fortes, pois temos equipamentos que outros não têm. A parte das cortiças tem sido uma outra área onde temos estado muito ativos», revelou o diretor-geral do INL. Paulo Freitas tem a consciência que fazer muito mais do que tem sido feito num projeto que tem apenas dois anos e meio, não é tarefa fácil, e refere também que é difícil transmitir às comunidades que os rodeiam o que se está a fazer. Mas diz que o trabalho até agora levado a cabo pelo INL é extremamente positivo, e que continuarão a trabalhar sempre na procura da excelência. ‹ Dezembro 2013 | País €conómico › 13
  8. 8. › GRANDE PLANO João Duque, Presidente do ISEG – Instituto Superior de Economia e Finanças «Há cem anos que formamos gerações de líderes e profissionais» Em entrevista que concedeu à País €conómico o presidente do ISEG realça que a sua instituição está no caminho certo, continuando a formar alunos que se revelam, em Portugal e internacionalmente, excelentes economistas e excelentes gestores. João Duque recorda que um aluno no ISEG só consegue obter o seu diploma se demonstrar que é um excelente economista ou um excelente gestor. «De outra forma não conseguirá o seu diploma», adverte este conceituado académico, também professor catedrático de Finanças, que deseja acima de tudo que os seus alunos sejam verdadeiros cidadãos do mundo. Neste encontro com os jornalistas, João Duque destaca o sucesso de trinta anos C do MBA ISEG, «que pretende preparar o líder da mudança». Texto › VALDEMAR BONACHO | FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS omo unidade de ensino e investigação, o ISEG tem por missão contribuir, no domínio das ciências económicas, financeiras e empresariais, para o avanço da fronteira do conhecimento científico, para o desenvolvimento económico e social do país e para a sua afirmação internacional através de realizações de ensino e investigação, da prestação de serviços à comunidade e do intercâmbio científico e cultural internacional, de estudantes e docentes investigadores. «No ISEG promovemos uma abordagem plural do ensino e da investigação», sublinhou João Duque. Em termos de oferta, o ISEG disponibiliza 7 licenciaturas, uma das quais em parceria com a Faculdade de Motricidade Humana; vários mestrados e doutoramentos; dezenas de cursos pós-graduação e o MBA ISEG. Porque é que o MBA ISEG, que entra este ano na sua 30ª edição, é visto como a formação certa para aqueles que aspiram a uma mudança profissional profunda? João Duque diz que mais do que um enriquecimento profissional, o ISEG pretende com este MBA que os seus alunos obtenham um crescimento pessoal decorrente da aquisição intensa de um leque variado de competências técnicas, mas também relacionais e individuais. «Queremos com este MBA preparar o líder da mudança, isto porque serão eles a criar as oportunidades do futuro», chama a atenção o presidente do ISEG, para a este propósito lembrar também que as transformações profundas a que temos assistido, configuram um momento único para o surgimento de líderes. Aliás, na mensagem que dirigiu enquanto diretor do MBA ISEG, João Duque escreve que o MBA ISEG é a formação certa para os 14 › País €conómico | Dezembro 2013 irrequietos e sonhadores, (..) para os que querem sair da “zona de conforto” e para os que se imaginam a liderar organizações. Melhor do que ninguém, João Duque sabe interpretar de um modo muito especial a saída do país de largas dezenas de licenciados e mestrados em Economia, Gestão e Finanças. «É uma situação que obviamente me preocupa, porque não tem existido um retorno de gente dessa nem de gente vinda de outros países, mas por outro lado a aceitação destas pessoas por parte de organizações internacionais de prestígio significa que estamos a falar de gente muito qualificada, que um dia, quando regressar a Portugal, vem mais preparada e ainda mais apta para colaborar no desenvolvimento do seu país. Eles regressam mais fortes, mais amadurecidos, com uma maneira diferente de enfrentarem e ajudarem Portugal a resolver os seus problemas. E esta é a parte positiva que quero destacar», salienta com esperança o presidente do ISEG. Um Corpo Docente de excelência João Duque costuma dizer que o presidente do ISEG é o que menos peso tem nesta instituição académica. «Sou o presidente, estou grato àqueles que me elegeram e confiaram em mim, mas reconheço que dentro de todo este processo não serei tão importante assim. Importantes são os elementos que formam o nosso Corpo Docente e os muitos colaboradores que ao longo dos anos souberam com a sua sabedoria e o seu empenhamento prestigiar o ISEG. São esses que eu gosto de recordar», enfatizou João Duque, que aproveitou o ensejo para destacar a excelência do Corpo Docente do ISEG. «Temos inscrito cerca de 4500 alunos, Dezembro 2013 | País €conómico › 15
  9. 9. › GRANDE PLANO cente, e essa é também uma preocupação de algumas universidades», recordou João Duque, que entretanto quis deixar bem sublinhado que o ISEG é bem gerido e que a situação financeira é estável. O ISEG é uma escola de referência e crescer dentro dela envolve a participação em múltiplas atividades culturais, que vão desde exposições, palestras, atividades musicais e, como não podia deixar de ser, a aprendizagem de línguas estrangeiras. «No ISEG, para além do português os alunos têm à sua disposição a aprendizagem de seis línguas estrangeiras: Inglês, francês, alemão, castelhano, russo e mandarim. E o interesse pela aprendizagem destas línguas é muito visível, nomeadamente pelo russo e o mandarim», referiu João Duque, que sublinharia a propósito que este interesse é perfeitamente normal numa escola com as características do ISEG, já que o mundo dos negócios necessita de pessoas que falem suficientemente estas línguas, ou que pelo menos se façam entender minimamente nos contactos que realizam com e o Corpo Docente é composto por cerca de 250 professores, dos quais 170 são professores internos, todos muito qualificados que nos ajudam a oferecer um ensino de excelência», aproveitou para sublinhar João Duque. O ISEG tem conseguido ao longo dos anos conquistar um espaço de vanguarda no ensino da economia, gestão e finanças, destacando-se pelo facto de ter formado e continuar a formar vultos de um brilhantismo ímpar. «Este é o maior reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver há décadas», frisou João Duque, referindo também que em qualquer parte que estejam, os economistas e gestores formados no ISEG transportam consigo a grande responsabilidade de terem feito a sua formação num Escola com o prestígio da sua. «Um aluno do ISEG é essencialmente um agente de mudança e de transformação na empresa onde trabalha, transpondo para ela o seu saber e a sua liderança», deixou claro o presidente do ISEG. Na lista Eduniversal 2013 O ensino da Economia é muito levado a sério em cinco escolas portuguesas, e o ISEG faz parte desse número, está na lista Eduniversal 2013, e este facto mereceu da parte de João Duque um reparo especial. «Isto significa que Portugal continua a desempenhar um lugar de destaque na formação de executivos, e no que diz respeito ao ISEG que ela continua a ser uma escola conhecida e respeitada não só em Portugal como em todo o mundo», observou João Duque, que questionado sobre a investigação levada a cabo por esta escola, não hesitou na resposta. «O ISEG tem um peso 16 › País €conómico | Dezembro 2013 aqueles países», acrescentou o presidente do ISEG, que em breve terminará o seu mandato à frente dos destinos desta escola, uma referência nacional e internacional na formação de quadros médios superiores nas áreas da gestão e da economia, com uma forte formação nestas áreas, que desde sempre tem defendido o lema: “Liberdade de aprender e liberdade de ensinar”. ‹ importante no campo da investigação e investe muito nesta vertente. Somos uma escola de topo que não pode deixar de investir na investigação para se manter na vanguarda do ensino», referiu João Duque para afirmar logo de seguida que uma das muitas prioridades do ISEG é «a promoção de uma abordagem plural do ensino e da investigação» e o «incentivo ao desenvolvimento de sinergias entre áreas científicas». Investir forte na educação e investigação João Duque fez questão de lembrar que no ISEG os códigos de ética dos seus professores e alunos são encarados com extrema seriedade e que o mérito e empenho são ingredientes fundamentais para a obtenção da excelência na educação e investigação. «Quanto maior for a nossa exigência, maior será também o nosso reconhecimento cá dentro e lá fora. Esta é uma realidade, também fruto do grande investimento que temos vindo a fazer de há muitos anos a esta parte», referiu. A crise em que o país está mergulhado também foi um tema abordado nesta entrevista ao presidente do ISEG, mas João Duque pareceu-nos muito sereno e confiante em relação a esta situação, muito embora tivesse lembrado que as restrições orçamentais são sempre um factor que tem influência no funcionamento regular das instituições de ensino superior. «Somos uma escola com boa saúde financeira, mas não deixamos de reconhecer que as restrições orçamentais podem por em causa muita coisa, nomeadamente a qualidade do ensino. Essas restrições em muitos casos podem conduzir a uma perda de qualidade ao nível do corpo do- Dezembro 2013 | País €conómico › 17
  10. 10. › NOTÍCIAS › A ABRIR Subindo na Pirâmide Franck Deschodt O Administrador da Agap2 comandou o Superbrands elegeram 30 marcas portuguesas processo final da aquisição da Adentis, uma Benfica e Sporting entre as eleitas empresa especializada em computação e eletrónica industrial e que permitirá à tecnológica nacional chegar a uma faturação anual de 130 milhões de euros já em 2014. A Agap2 desenvolve a atividade em vários mercados, possuindo escritórios em Portugal, Suíça, Holanda, Bélgica, Alemanha, França e Espanha. ‹ Andreia Santos É a nova consultora da Companhia Própria, empresa especializada em Formação Profissional e de Consultoria de Recursos Humanos. A nova elemento da empresa abraça agora as responsabilidades pela gestão dos clientes dos mercados internacionais, sobretudo em países como o Brasil, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Angola e Moçambique. ‹ Vítor Ramalho esteve em Madrid em reunião da UCCI Secretário-Geral da UCCLA partilha experiência O Secretário-Geral da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa), Vítor Ramalho, esteve presente no IX Encontro de Diretores de Relações Internacionais e Coordenadores da UCCI (União das Cidades Capitais Ibero-americanas), tendo tido a oportunidade de proferir uma intervenção subordinada ao tema “Perspetivas atuais da Cooperação Internacional na Ibero-América. Organizações”, e onde deu a conhecer a UCCLA, o seu âmbito, os projetos e trabalhos desenvolvidos ao longo dos 28 anos de existência. O responsável pelas cidades capitais de língua portuguesa aproveitou a sua presença na reunião que decorreu na Casa da América na capital espanhola para recordar algumas das ações desenvolvidas em concertação com as cidades associadas, desde a cultura, educação, saúde, passando pela formação, planificação e requalificação urbana. Vítor Ramalho, a finalizar a sua intervenção, afirmou que «passo a passo e a partir de pequenos passos, acabaremos por encontrar objetivos comuns, culturais, económicos e outros, de partilha de interesses entre cidades dos diferentes países ibero-americanos e lusófonos, com vantagens recíprocas». ‹ Urbanmint no Harrods de Londres Pedro Freitas O escritor escreveu um novo livro durante apenas 12 horas numa sessão pública que ocorreu num shopping da cidade do Porto, onde muitos interessados não apenas puderam seguir a evolução da escrita do autor como tiveram a oportunidade de intervir com a apresentação de sugestões. O último livro do escritor, “In Sexus Veritas” já vai na sua segunda edição. ‹ 18 › País €conómico | Dezembro 2013 Depois de mobilarem alguns dos mais luxuosos hotéis da capital britânica, as poltronas do Munna e os aparadores da Ginger & Jagger, produzidos pela empresa portuguesa Urbanmint, com sede na Maia, estão agora também à venda nos armazéns Harrods, em Londres, considerados os mais importantes na capital inglesa e dos mais conhecidos espaços comerciais do mundo. A Munna e a Ginger & Jagger vão colaborar com o “The Studio at Harrods”, um estúdio de design de interiores especializado em projetos residenciais de luxo em todo o mundo. Segundo Paula Sousa, CEO da Urbanmint, «as marcas portuguesas precisam de visibilidade» e esta parceria com o Harrods permite estar numa das «melhores montras mundiais». ‹ A edição dos Superbrands 2013 elegeu as 30 marcas portuguesas de reconhecida notoriedade e prestígio junto do público nacional. Destaque para a novidade da presença este ano do Sporting, marca que acrescenta à do Benfica que já figurou na edição do ano passado. Para além dos dois populares clubes desportivos, figuraram também nos prémios Superbrands 2013 no setor da banca a American Express, a Caixa Geral de Depósitos, o Montepio, o Multibanco e o Millennium Bcp, enquanto no setor segurador, as menções foram para a Tranquilidade e a Médis. Na área alimentar, os destaques foram, uma vez mais, para a Branca de Neve e a Cartuxa. Receberam também os prémios Superbrands os CTT, EDP, Meo, Remax, Lacoste, Vista Alegre, Ambar, Avon e Bimby. A Superbrands é uma organização internacional independente que se dedica à identificação e promoção de Marcas de Excelência em 89 países, e identifica e seleciona as marcas que, em cada marcado, estão a atuar acima e para lá das concorrentes na sua área de atuação. ‹ Outmarketing no Brasil A Outmarketing, empresa de Outsourcing de Marketing especializada no setor das Tecnologias de Informação, acabou de celebrar um ano de atividade no Brasil. Neste período, a empresa de matriz portuguesa conquistou dez clientes, entre eles a Service One (pertencente ao Top3 dos parceiros SAP Business One no Brasil), a ALOG, a Linx e a Allen (o principal parceiro da Microsft, Adobe, Symantec e McAfee no Brasil). Além do Brasil, a Outmarketing desenvolve projetos em Angola, Moçambique, Bélgica, Espanha, estados Unidos, França, Polónia e Reino Unido. ‹ Exportações recorde para o Brasil As exportações portuguesas para o Brasil atingiram um valor recorde durante o mês de Outubro, cifrando-se em 154,9 milhões de dólares, o valor mensal mais elevado do ano e superando em 75% o valor alcançado no mesmo mês do ano passado. Nos primeiros dez meses deste ano, o total das exportações portuguesas para o Brasil atingiram os 899,2 milhões de dólares, mais 11,6% do que no período homólogo de 2012. ‹ Américo Amorim O Presidente da Galp Energia, da Corticeira Amorim, e de um vasto conglomerado de empresas, voltou a ser considerado o homem mais rico de Portugal. Com investimentos altamente produtivos e rentáveis, fruto da perspicácia e grande competência empresarial, o empresário é presentemente um empreendedor global estendendo os seus negócios em praticamente todos os continentes do mundo. ‹ João Albuquerque O Presidente da ACIB – Associação Comercial e Industrial de Barcelos está a dinamizar intensamente uma associação que congrega 40 mil empresas, mas cuja influência se estende a toda a região do Minho, e conforme foi recentemente noticiado, vai contribuir para a internacionalização de várias indústrias têxteis, moda e calçado daquela região para o estado brasileiro da Bahia. ‹ Carlos Torres O Presidente da Resul é um empresa de forte visão estratégica e está presente em cada vez mais mercados externos. A compra da empresa canadiana Horton Automation consolidou a capacidade tecnológica da Resul e reforçou a aposta em mercados mais exigentes e sofisticados, isto enquanto prossegue a forte campanha de penetração da elétrica portuguesa em África. ‹ Dezembro 2013 | País €conómico › 19
  11. 11. › GRANDE ENTREVISTA Mansour Saleh Al Safi, Embaixador do Reino da Arábia Saudita em Portugal, quer reforçar o relacionamento económico, empresarial, turístico e cultural entre os dois países Arábia Saudita quer aumentar relações empresariais com Portugal Portugal é um país magnífico! Palavras que vão muito para além da mera cortesia pelo facto de ser actualmente o Embaixador do Reino da Arábia Saudita em Portugal. Mansour Saleh Al Safi, chegou há pouco mais de cinco meses a Lisboa, e já se encantou pelo nosso país. É com um brilho nos olhos que nos refere que «Portugal é um país magnífico». O Embaixador pretende catapultar as relações económicas, empresariais, turísticas e culturais entre os dois países «para novos horizontes». Em primeiro lugar, pretende aumentar exponencialmente o grau de conhecimento das realidades, potencialidades e oportunidades de comércio, negócios e investimentos entre os dois países, e deseja dar um forte contributo para aumentar decisivamente os fluxos turísticos da Arábia Saudita para Portugal. O mais alto representante diplomático do país liderado pelo Rei Abdullah bin Abdel-Aziz al-Saud em Portugal pretende igualmente contribuir para o crescimento do relacionamento cultural, científico e tecnológico entre os dois países, bem como no que respeita ao intercâmbio universitário e estudantil. Texto › JORGE Alegria | FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS Acabou de assumir recentemente as responsabilidades pela Embaixada da Arábia Saudita em Lisboa. Como avalia o momento actual das relações económicas e empresariais entre a Arábia Saudita e Portugal? Temos que admitir que as relações comerciais entre o Reino da Arábia Saudita e Portugal são ainda muito modestas e aquém do que ambas as partes desejam. O volume das trocas comerciais entre os dois países, em 2012, era apenas de cerca de 1.022.915.253,00 euros. Portugal importou 890.211.563,00 Euros e exportou 132.702.690,00 Euros. O Reino da Arábia Saudita importa sobretudo de Portugal, mármore, couros e peles, papel e pasta 20 › País €conómico | Dezembro 2013 de papel, transformadores eléctricos e equipamentos de construção. Quanto às exportações sauditas para Portugal são principalmente produtos energéticos como produtos petrolíferos, derivados do petróleo e produtos químicos. Estamos a trabalhar para que esta realidade se modifique nos próximos tempos, nomeadamente após a assinatura do Acordo Geral de Cooperação entre os dois países e na iminência de concluir o acordo para evitar a dupla tributação e mútua protecção dos investimentos. E também através da agilização do processo de concessão de vistos de entrada no Reino da Arábia Saudita. Gostaria de referir também que nos últimos anos fo- ram realizadas algumas visitas comerciais ao Reino da Arábia Saudita por parte de empresários e representantes das empresas portuguesas. Desde o início de 2013 foram concedidos pela Embaixada 1197 vistos de visita e de trabalho. Nos últimos anos existem registos de um aumento das exportações para a Arábia Saudita, mas também o aumento das exportações sauditas para Portugal. Como é que se poderá incrementar o comércio entre os dois países? Quais são os sectores económicos da Arábia Saudita para onde as empresas portuguesas poderão aumentar as suas exportações para o seu país? Dezembro 2013 | País €conómico › 21
  12. 12. › GRANDE ENTREVISTA Existem, de facto, diversos sectores económicos do Reino da Arábia Saudita para onde as empresas portuguesas poderão aumentar as suas exportações, uma vez que o Reino assiste a um grande desenvolvimento em vários sectores. Para além 22 › País €conómico | Dezembro 2013 disso, o mercado saudita é um mercado aberto e a importância da economia saudita destaca-se pelos seguintes factos: • O Reino ocupa o primeiro lugar a nível mundial no que se refere às reservas, produção e exportação do petróleo. • O Reino ocupa o quarto lugar a nível mundial no que se refere às reservas do gás. • O Reino é o maior produtor de petroquímicos no mundo árabe. • O Reino foi classificado como uma das vinte maiores economias do mundo. • O Reino ocupa o nono lugar a nível mundial no que se refere à estabilidade económica. • O Reino ocupa a décima quinta posição entre os maiores exportadores de bens. • O Reino ocupa a vigésima primeira posição entre os maiores importadores de bens no mundo. • O Reino ocupa a vigésima oitava posição entre os maiores importadores de serviços no mundo. • O Reino ocupa a sétima posição no índice de desenvolvimento do comércio de retalho à escala mundial. • O Reino representa uma das maiores economias no Médio Oriente. • O Reino é o principal contribuinte no desenvolvimento das economias dos países do terceiro mundo. • O Reino é membro da Organização Mundial do Comércio e de muitos ou- tros organismos internacionais, regionais e árabes. Sector agro-alimentar com muitas oportunidades Os sectores mais significativos são os produtos petroquímicos, os produtos de plástico, as tâmaras, alguns metais, etc. A Arábia Saudita possui estabilidade política e económica O sector agro-alimentar português en- A Arábia Saudita é o maior país do Gol- contra-se em franco desenvolvimento. fo Arábico, e em termos económicos, é Pode perspectivar-se o reforço das ex- o maior produtor e exportador mundial portações portuguesas para a Arábia de petróleo. Neste momento, para quem Saudita, ou mesmo, em alguns casos, pretende investir no seu país, quais são em investimentos portugueses no seu os sectores mais interessantes para o in- país? vestimento estrangeiro? Certamente, o sector agro-alimentar pode colaborar para o aumento das exportações portuguesas para o Reino da Arábia Saudita podendo, também, até haver investimentos portugueses neste sector dentro da Arábia Saudita. Como disse, o Reino da Arábia Saudita tem um mercado livre e aberto, um poder de compra elevado, oferece privilégios aduaneiros, permite ao investidor a plena propriedade dos projectos com a livre transferência do capital e dos lucros. De entre os sectores mais interessantes para o investimento estrangeiro, deixando de fora o sector do petróleo e seus derivados e as indústrias principais, pode-se investir nos sectores de construção civil, estradas, caminhos-de-ferro, aeroportos, turismo, produtos alimentares, serviços, áreas tecnológicas, telecomunicações. De entre as diversas vantagens do investimento no Reino da Arábia Saudita podemos referir as seguintes: • O Reino constitui um mercado enorme e livre. • O Reino possui um elevado poder de compra. • O Reino goza de estabilidade política. Quais são os sectores produtivos – além do tradicional sector petrolífero - da Arábia Saudita que poderão aumentar as suas exportações para Portugal? • O Reino possui infra-estrutura moderna. • O Reino possui, a preços reduzidos, as matérias-primas e a energia. • A estrutura demográfica do Reino caracteriza-se por uma elevada camada jovem. • No Reino não existem impostos sobre o rendimento das pessoas. • O Reino disponibiliza os créditos e financiamento necessários para os projectos industriais. • Isenção aduaneira para os equipamentos e matérias-primas. • É permitida ao investidor estrangeiro a plena propriedade dos projectos. • Livre transferência do capital e dos lucros. Investimento estrangeiro é bem-vindo Como é que a Arábia Saudita encara o investimento estrangeiro e quais os mecanismos de apoio que possibilita a quem pretende investir com segurança no país? O Regulamento do Investimento Estrangeiro oferece, aos investidores estrangeiros, vários incentivos para fomentar os Dezembro 2013 | País €conómico › 23
  13. 13. › GRANDE ENTREVISTA investimentos estrangeiros nos diferentes sectores do desenvolvimento. Ao abrigo deste Regulamento, os capitais estrangeiros gozam dos mesmos privilégios e incentivos que os capitais nacionais, todos eles abrangidos pelo Regime de Protecção e Incentivo às Indústrias Nacionais. Por outro lado, após a adesão do Reino da Arábia Saudita à Organização Mundial do Comércio, abriram-se as portas do investimento aos capitais estrangeiros em múltiplos sectores. Como é que as empresas portuguesas podem contribuir para o desenvolvimento de sectores da Arábia Saudita como as infra-estruturas rodoviárias, aeroportuárias, portuárias, transportes, ambiente, entre outros? Já existem, de facto, algumas empresas portuguesas que operam nalguns destes sectores no Reino da Arábia Saudita. As empresas portuguesas possuem uma enorme experiência e alta notoriedade na execução dos trabalhos nos referidos sec- tores a que podemos também acrescentar o sector da dessanilização da água. Queremos dar a conhecer o Reino da Arábia Saudita aos portugueses investimento que podem ser aproveitadas do lado saudita, mormente na área do turismo. Existe alguma iniciativa a breve prazo gua portuguesa, como são, o Brasil, An- que tenha como objectivo aumentar a gola, Moçambique, Cabo Verde, S. Tomé visibilidade das potencialidades e das e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor Leste. oportunidades económicas e empresa- Esses conhecimentos e relacionamen- riais da Arábia Saudita em Portugal? tos podem constituir uma mais-valia no Nos próximos tempos a Embaixada intensificará os seus esforços para dar a conhecer, em Portugal, as potencialidades e oportunidades económicas e empresariais da Arábia Saudita, como também os eventos mais relevantes que se costuma realizar no país, e que incluem, feiras internacionais, conferências, fóruns, workshops, etc. Tenciona, igualmente, dar a conhecer aos empresários e às empresas sauditas, os eventos económicos mais importantes que se realizam em Portugal. Dará a conhecer as áreas económicas mais relevantes em que a parte portuguesa pode participar como também as oportunidades de relacionamento da Arábia Saudita com Portugal possui relações estratégicas privilegiadas com outros países de lín- Portugal? Sem dúvida, as relações estratégicas e económicas privilegiadas que Portugal possui com outros países de língua portuguesa podem constituir uma mais-valia no relacionamento da Arábia Saudita com Portugal, pois estamos a falar de uma área de relacionamento de aproximadamente 11 milhões de quilómetros quadrados e com mais de 225 milhões de habitantes. Portugal é um país magnífico O turismo é também um sector que ainda regista um crescimento pequeno entre os dois países. Como é que os fluxos tu- liário turístico em Portugal? rísticos entre a Arábia Saudita e Portu- Em Portugal existe um excelente clima para o investimento e numerosas oportunidades para realizar frutíferos investimentos. As iniciativas que foram anunciadas para atrair os investidores ao sector imobiliário, nomeadamente ao imobiliário de luxo, e as vantagens e incentivos oferecidos, atrairão o interesse do investidor saudita convencendo-o a investir ou fomentar o seu investimento em Portugal. Haverá um esforço para fazer chegar estes dados ao investidor e cidadão saudita. gal poderão crescer? Portugal é um dos destinos turísticos mais atraentes no mundo tendo em conta as enormes potencialidades que o país possui, com especial destaque para o clima, paisagens, praias, monumentos, como também o turismo de conferências, mas antes de tudo isto, é o carácter nobre do povo português, hospitaleiro e que sabe acolher bem os turistas. A Embaixada fará tudo o que esteja ao seu alcance para dar a conhecer aos cidadãos sauditas as referidas potencialidades turísticas de Portugal para que seja possível aumentar o número de turistas sauditas que pretendem visitar este magnífico país. Esperamos também que haja facilidades concedidas pelo lado português a este propósito. Portugal está a postar no imobiliário de luxo, oferecendo condições privilegiadas a quem investir nesse sector deste país. Os cidadãos da Arábia Saudita poderão ter interesse em investir no imobi- 24 › País €conómico | Dezembro 2013 Relações entre os dois povos não são apenas economia, comércio e investimentos, é também cultura e amizade entre os povos. Como poderemos aumentar o conhecimento e o relacionamento cultural entre a Arábia Saudita e Portugal? Com certeza que será possível aumentar esse relacionamento. E existem privilegiados laços culturais e amizade entre Portugal e o mundo árabe em geral tendo em conta o relacionamento histórico e a influência da civilização arabo-islâmica na cultura portuguesa. O reforço das relações culturais entre o Reino da Arábia Saudita e Portugal passa também pelo estreitamento da colaboração entre as universidades, centros de pesquisa e instituições culturais nos nossos dois países amigos, como também a participação mútua nos diferentes eventos culturais e científicos, levados a cabo nos dois países, bem como o intercâmbio estudantil através de bolsas de estudo. Como é que pretende contribuir para o desenvolvimento e o crescimento nas relações entre os nossos dois países? As relações entre o Reino da Arábia Saudita e Portugal assistem a um constante desenvolvimento havendo uma clara coordenação entre os dois países nos organismos internacionais concretizando assim a vontade recíproca de elevar as relações ao patamar pretendido pelos altos dirigentes dos nossos dois países amigos. Neste contexto, farei tudo o que estiver ao meu alcance para estreitar as relações bilaterais entre o Reino da Arábia Saudita e Portugal levando-as para novos horizontes em todos os campos, mormente a nível económico e cultural. ‹ Dezembro 2013 | País €conómico › 25
  14. 14. › lusofonia brasil A empresa portuguesa faturou 5,1 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, 70% menos do que no mesmo período de 2012. Além do Brasil, a Sonae Sierra tem 21 shoppings em Portugal, cinco na Itália, três na Alemanha, um na Grécia e outro na Roménia e também presta serviços para outras companhias no Chipre, na Croácia, no Marrocos e na Colômbia. Negócios em Pauta Portugal e França na Copa: bom para o Brasil Texto › Jean Valério jeanvalerio@gmail.com A Embratur, empresa pública brasileira que controla as políticas públicas do turismo nacional, comemorou a classificação das seleções de França e de Portugal à Copa de 2014. Ambos os países fazem parte dos principais emissores de turistas para o Brasil. A meta da Embratur é bater o recorde de sete milhões de turistas na Copa do Mundo, sendo 600 mil somente nos 30 dias em que o torneio é realizado, entre os meses de Junho e Julho do ano que vem. A França é um mercado em expansão. E a emissão de turistas para o Brasil cresce a um ritmo de 5% ao ano. No ano passado, 218 mil franceses passaram pelo Brasil. Selecão de Portugal pode ficar em Campinas A seleção portuguesa já negoceia para ficar hospedada em Campinas, no interior de São Paulo, no Mundial no Brasil. Portugal treinaria no Estádio Moisés Lucarelli, da Ponte Preta, e ficaria no luxuoso hotel Royal Palm Plaza. Dois fatores influenciam a possível escolha de Portugal. Localização estratégica de Campinas, a cerca de 100 km de São Paulo e o aeroporto internacional de Viracopos – o trajeto até ao hotel e o estádio leva menos de 30 minutos. Outro ponto que facilitou as negociações foi o fato do proprietário do Royal Palm Plaza ser o empresário português radicado em Campinas Armindo Dias, 82 anos. Empresa portuguesa investe mais de 1 bilião de reais no Brasil A empresa portuguesa Sonae Sierra, proprietária de shoppings em vários países, anunciou a inauguração de um novo grande estabelecimento no Brasil, no estado de Goiás, onde investiu 150 26 › País €conómico | Dezembro 2013 milhões de euros (aproximadamente 470 milhões de reais). Com 267 lojas e 78 mil metros quadrados, o novo espaço criará mais de 6.300 empregos, segundo avalia a empresa. O empreendimento denominado “Passeio de Águas Shopping”, está em uma área com 1,6 milhões de habitantes. O presidente da Sonae Sierra, Fernando Oliveira, avalia que o projeto “reforça o grande compromisso” com o “estratégico” mercado brasileiro. A empresa do grupo Sonae e do britânico Grosvenor já investiu mais de 351 milhões de euros (1,09 biliões de reais) no Brasil nos últimos dois anos, onde agora controla doze shoppings. Nestlé abre 3 mil vagas na Europa A Nestlé lançou programa de três anos que oferecerá 10 mil empregos em período integral para pessoas com menos de 30 anos e outras 10 mil vagas para trainees na Europa, antecipando-se à esperada queda da população em idade ativa no continente. A companhia acredita que até 15% de 93 funcionários na Europa se aposentando até 2024. E pretende abrir 3.220 vagas na Espanha, na Grécia, em Portugal e na Itália. Reeleito, presidente da ABIH quer mais portugueses no Brasil Com eleição em chapa única, o empresário Enrico Fermi foi reeleito por aclamação para mais um mandato à frente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Nacional. A eleição de escolha para presidente da ABIH no Brasil ocorreu em Brasília, onde fica a sede da entidade. Enrico fermi é hoteleiro, proprietário do Natal Praia Hotel, em Natal, Rio Grande do Norte. O presidente foi reeleito para mais um mandato em reconhecimento ao trabalho que fez para reerguer a atuação da ABIH em todos os Estados do brasil. Fermi à coluna destacou que direcionou suas energias no fortalecimento institucional da ABIH, principalmente junto aos órgãos do Governo gestores do turismo e no Congresso Nacional, onde hoje a entidade é muito respeitada, sendo convocada para participar de todas as discussões temáticas e decisões sobre a política do turismo. Uma das metas de Fermi para 2014 é o fortalecimento da captação de turistas lusitanos. A Associação quer ampliar a vinda de portugueses, angolanos e moçambicanos para o Brasil. Dezembro 2013 | País €conómico › 27
  15. 15. › lusofonia brasil naus e Belém a partir de junho de 2014. A estatal portuguesa planeja elevar em 10% a operação brasileira, em receita e transporte de passageiros. Em 2012, a TAP transportou 1,5 milhões de passageiros entre a Europa e o Brasil, ou 55% do tráfego internacional da companhia, cuja malha lista 50 destinos em toda a Europa e 14 em África. A frota da TAP tem 55 aviões Airbus e mais 16 aviões ao serviço da PGA, companhia regional adquirida em 2007, totalizando 71 aeronaves. Novos rumores dão conta da venda da ALE EU quer menos financiamento do BEI na América Latina A União Europeia (EU) quer reduzir em 26,1% o volume de financiamentos do Banco Europeu de Investimentos (BEI) para a América Latina para os próximos sete anos, comparado ao período 2007-2013. A decisão gerou críticas. Oficialmente, as garantias de financiamento do BEI para a região são insignificantes. Entretanto, a sinalização que Bruxelas dá com esse anúncio inquieta o setor, segundo a Associação EUBrasil, que promove as relações bilaterais. O montante oficial de garantias de financiamento cairiam de 2,912 biliões de euros para 2,150 biliões de euros. Somando várias linhas de crédito, o BEI planejava financiar pelo menos 8 biliões de euros em projetos de empresas europeias na América Latina e na Ásia nos próximos sete anos. O BEI é o banco de investimento de longo prazo da EU, com 60 biliões de euros de financiamento em média, por ano, mais do que faz o Banco Mundial. Desse montante, 90% vai para projetos nos 28 países do bloco comunitário, ficando uma pequena fração para o exterior. O BEI tem estudo mostrando que as empresas europeias que mais resistiram à crise tem sido as que já tinham uma presença também fora, sobretudo em países com boa expansão económica como é oc aso do Brasil e da China. O BEI financiou com taxas baratas 35 projetos de investimento no brasil num montante de 2,5 biliões de euros nos últimos seis anos. São investimentos industriais de grandes empresas europeias no país, como a Shell, Portugal Telecom, Pirelli, Michelin, Fiat e várias outras. O jornal Brasil Econômico divulgou que a francesa Total Lubrificantes está a um passo da compra da mineira Ale Combustíveis, quarta empresa no ranking do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), com faturamento de 9,9 biliões de reais. A Ale estaria “arrumando a casa” para a venda, reduzindo custos com o desligamento de altos executivos da companhia. Além disso, já tem pronto um planejamento para 2014, que inclui o acréscimo de mais 240 postos de combustível no país – hoje são 1.800 – e um crescimento de 12% nas vendas. A Ale não confirma a venda. Mas sabe-se que os controladores da Ale já chegaram a negociar a companhia em outras ocasiões. Rumores sobre a briga entre sócios e o interesse do seu principal acionista, Marcelo Alecrim, em entrar para a política são apontados como razões para a venda da empresa. Alecrim é dono de 32% da rede. TAP amplia laço político com o Brasil na Abear A TAP Portugal aumentou a representatividade política no Brasil ao se tornar a primeira companhia estrangeira a integrar a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), entidade criada no ano passado para representar as companhias domésticas. Junto com a TAM Cargo, que aderiu recentemente, agora são seis as empresas que integram o grupo, incluindo as quatro fundadoras – Avianca, Azul, Gol e TAM. A presença da TAP na Abear aproxima politicamente a estatal lusa do país no momento em que há chaces de capitais brasileiros poderem garantir a privatização da empresa. A TAP é atualmente a companhia que mais voa entre o Brasil e a Europa, partindo de Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, acrescentando Ma- 28 › País €conómico | Dezembro 2013 MMX tem prejuízo de 1,2 biliões de reais A MMX encerrou o terceiro trimestre de 2013 com prejuízo de 1,2 biliões de reais, contra perdas de 100,6 milhões registradas um ano antes. O resultado foi influenciado principalmente pela baixa contábil de 913 milhões de reais, ocasionada pela revisão dos valores da unidade de Serra Azul e dos direitos minerários de Bom Sucesso. A mineradora de Eike Batista fez uma provisão de 113,2 milhões de reais para o pagamento de multas à Usiminas por não cumprimentos de contrato de movimentação referente ao Porto Sudeste. A unidade está passando por um processo de reestruturação e, em novembro, 65% do projeto foi vendido para a holandesa Trafigura e para o fundo árabe Mubadala por 400 milhões de dólares. As receitas da MMX subiram 38% no terceiro trimestre frente ao mesmo período de 2012, para 339 milhões de reais. O aumento reflete o avanço de 13% no volume de vendas de minério de ferro para 2,1 milhões de toneladas. Chineses invadem Portugal Chineses somaram quase 80% dos investidores que obtiveram vistos de residência em Portugal por meio de um programa implementado pelo governo em outubro do ano passado para atrair capital externo ao país. Um total de 318 vistos foram emitidos como parte de um programa para atrair compradores de propriedades no país. Do total de vistos, 248 foram para chineses. O segundo maior grupo foi formado por 15 investidores russos. Em terceiro ficaram empatados Angola e Brasil, com nove vistos para cada. Ao todo, Portugal atraiu 184 milhões de euros. Para ter o visto, o estrangeiro deve comprar uma propriedade de custo mínimo de 500 mil euros. Ou então investir no mercado financeiro do país 1 milhão de euros ou abrir uma empresa que garanta a criação de dez empregos. Dezembro 2013 | País €conómico › 29
  16. 16. › lusofonia › Brasil Investimento Imobiliário Campo de Golfe e residência: Negócio promissor no Brasil Criado na Escócia, evoluído na Inglaterra, difundido na Europa e depois consolidado nos Estados Unidos da América, o golfe hoje é universal. Um exporte que atrai milhares de novos atletas e curiosos no mundo, a cada dia. No Brasil, a prática cresce exponencialmente, alastrando-se principalmente em empreendimentos residenciais horizontais de campo, onde figura, acima de tudo, como um elemento capaz de agregar valor aos projetos do mercado imobiliário. Já existem mais de 80 campos de golfe brasileiros consolidados, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. E a bola da vez agora é o Nordeste do país, que concentra a maior parte dos atuais investimentos imobiliários alinhados ao golfe. O Texto › JEAN VALÉRIO melhor de tudo é que esse “glamour”, usufruído no passado apenas pelos consumidores de luxo, já está acessível aos clientes da classe média. E ainda aos adeptos do golfe ou investidores que procuram uma segunda residência. Já pensou em ter uma residência de frente para um belo campo de golfe? No Nordeste brasileiro, os Estados da Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará largaram na frente, capitaneados por empresários que vislumbraram no golfe uma série de oportunidades de fazer negócios. Ao todo, a região possui dez campos de golfe, mas outros dez estão a caminho. Sempre agregados com empreendimentos imobiliários. A Paraíba estreou o seu primeiro campo, o Águas da Serra Golf Club, e começa a colocar o Estado na rota do golfe nacional. Foi o oitavo campo para a prática do exporte na Região do brejo Paraibano, o empreendimento reúne condomínio de alto padrão e completa área de lazer. A infraestrutura conta com Club House, vestiários, lanchonete, restaurante, driving range, chipping green e putting green (áreas de treino de 30 › País €conómico | Dezembro 2013 | FOTOGRAFIA › Cedidas por vários campos de golfe brasileiros tacadas longas e curtas). O condomínio possui 665 lotes de 450 m2 a 8.000 metros quadrados. 60 lotes estão localizados ao redor do campo. No Ceará, o sol e a temperatura agradável, que seriam condições perfeitas para um domingo na praia, sinalizam para a fertilidade do golfe. Os adeptos do exporte conquistam espaço cada vez maior na capital. O primeiro e único campo daquele Estado está localizado no Parque do Cocó, em Fortaleza, onde o exporte começou a ser praticado há três anos. Depois do Cocó, pelo menos três grandes empreiteiras estudam investir na construção de novos campos de golfe privados, desta vez associados a empreendimentos residenciais. A Bahia foi pioneira no Nordeste e hoje já possui oito campos de golfe com estruturas de primeiro mundo. Há pelo menos cinco grandes resorts em Salvador que agregam campos de golfe. Construído entre o mar e o mangue e inaugurado há mais de 10 anos, um deles é o Ocean Course da ilha de Comandatuba, cujo campo foi desenhado pelo arquiteto norte-americano, Dan Blankenship. Mas é a Costa do Sauípe a área que concentra a maior parte dos empreendimentos baianos, como o Iberostar Praia do Forte Golf Club, o Club House e o Terravista Golf Course, entre outros empreendimentos. Lago das Garças Golf Club: Oásis no Brasil O Rio Grande do Norte é apontado nacionalmente como um dos melhores Estados do brasil para se investir e morar. O Estado passa por um momento de transformação, com investimentos de mais de 10 biliões de reais em obras de infraestrutura, que envolvem duplicação de estradas, construção de novas vias e viadutos, novo aeroporto Internacional de Cargas e Passageiros de São Gonçalo do Amarante (o mais estratégico em localização da América Latina). É neste cenário promissor, a menos de 20 quilómetros do novo aeroporto, num oásis para novos negócios, que está sendo construído o Reserva Lago das Garças Golf Club, o maior condomínio de campo do Rio Grande do Norte. Ao todo, o empreendimento conta com mais de 400 Dezembro 2013 | País €conómico › 31
  17. 17. › lusofonia › Brasil hectares de terra boa. 400 lotes já estão prontos e serão entregues ainda este ano porque fazem parte da primeira etapa do projeto. A segunda etapa compreenderá um campo de golfe de 60 hectares e 18 buracos e mais de mil lotes residenciais. O Reserva Lago das Garças Golf Club será, finalmente, o primeiro grande empreendimento totalmente integrado com a natureza e equipado com um campo de golfe profissional do Estado. Em janeiro será entregue a primeira fase do campo de golfe, já com bater green e driving range (local próprio para treino ou diversão com tacadas). “Vamos surpreender, agregar valor e entregar um empreendimento de padrão superior. A estrutura ideal para a prática do golfe no Estado. Que estará acessível a todos”, declarou o empresário Lauro Leite, um dos sócios e administrador do projeto. 32 › País €conómico | Dezembro 2013 Especialista destaca diferenciais do RN Para realizar o estudo, a supervisão e a implantação do campo de golfe dentro da Reserva Lago das Garças, no Rio Grande do Norte, foi contratada a empresa NGA Golf, que acumula experiência em dezenas de empreendimentos do tipo no Brasil. A NGA tem em seu comando Sebastião Neres, profissional que atua no golfe desde os 10 anos de idade, hoje na construção de campos. Sebastião destaca como diferencial do campo de golfe do RN a sustentabilidade e integração total do equipamento esportivo com a natureza. “O nosso campo no Rio Grande do Norte é o maior aliado da natureza. E na verdade ele já nasceu 50% pronto. O restante será apenas modelado e adaptado ao exporte”, destacou, Sebastião, que avalia potencial no Rio Grande do Norte de possuir mais outros 10 campos do género. “Baseado no poder aquisitivo da população, no volume de amantes do golfe que Natal possui, nos atrativos naturais do Estado, tenho convicção que este empreendimento será bem sucedido. E de que há muito mais espaço para crescer”. A Confederação Brasileira de Golfe estima que o Rio Grande do Norte já tenha mais de 100 participantes ativos no exporte. Hoje estes praticantes viajam para outros Estados, principalmente a Paraíba. A previsão é de que o campo de golfe norte-rio-grandense seja entregue no início de 2014, em sua primeira etapa, quando todo este público deverá ser levado para lá, além dos golfistas nacionais. O campo do Lago das Garças terá 7.200 jardas, 18 buracos e será um dos mais longos do Brasil. “Tecnicamente será desafiador. Agregamos todos os níveis de golfistas. Facilitan- do para o iniciante e dificultando para o profissional”, destacou. Para a região Nordeste, Sebastião afirma que a construção do novo campo será de fundamental importância. “Isso promove toda a região. É bom para o turismo. O brasileiro está viajando dentro do país. E este conceito de condomínio de campo com golfe é novo. Além disso, vamos sediar no Brasil a Olimpíada com a inclusão do Golfe, que vai pegar fogo no nosso país. Nos Estados Unidos, o golfe agrega 25 milhões de praticantes. No Brasil, temos apenas 25 mil e um espaço enorme para crescer”, conclui. O golfe passa por um período de expansão no Brasil. Em 2016, no Rio de Janeiro, o exporte voltará a fazer parte dos Jogos Olímpicos após 112 anos de ausência. A volta do golfe às Olimpíadas aumentou o interesse da população e da mídia em relação à prática. A Confederação Brasileira de Golfe informa que, o Brasil já soma mais de 25 mil praticantes e 110 campos de golfe. As regras do golfe, tal qual são conhecidas hoje, foram definidas no sé- culo XVIII, na cidade de Edimburgo, na Escócia. Consiste em sair de um local determinado, em campo aberto, e embocar a bola no menor número de tacadas possível, em buracos estrategicamente colocados em distâncias variadas. O jogo normalmente é disputado num percurso de 18 buracos. Numa competição, quem totalizar o menor número de tacadas ao término dos 18 buracos é o campeão. Neste formato, uma única partida pode durar até quatro horas. ‹ Dezembro 2013 | País €conómico › 33
  18. 18. › EMPRESARIADO Paulo Gil André, Managing Partner da Baker Tilly Portugal, sublinha que aposta em estar no “Best Five” da consultoria e auditoria no nosso país A certificação financeira é fundamental para as empresas É uma das mais novas empresas de auditoria e consultoria em Portugal, mas já ganhou um forte relevo e credibilidade, conforme atesta o crescimento registado em pouco mais de quatro anos de atividade no nosso país. Paulo Gil André, Managing Partner da Baker Tilly Portugal, explica como aconteceu esse crescimento de uma empresa que iniciou a sua atividade com cinco pessoas e hoje já tem 85 profissionais altamente qualificados. As grandes e médias empresas são o target do negócio, onde a aposta no designado triângulo Portugal-Angola-Moçambique assume uma relevância estratégica no desenvolvimento e crescimento não apenas da Baker Tilly Portugal, como mesmo da organização em termos globais. Texto › JORGE Alegria | FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS Como é possível a Baker Tilly Portugal afirmar-se e crescer no agregam valor aos serviços que prestam aos vossos clientes? nosso país, onde no mercado estão as quatro grandes multina- Em cada área possuímos pessoas altamente especializadas e tecnicamente muito capazes, todas bastante capacitadas para resolverem as questões que se colocam à atividade de uma empresa como a nossa. A Baker Tilly tem a extrema preocupação de selecionar sempre os melhores profissionais para trabalhar na nossa organização, mas não dispensamos de colocar à frente das equipas responsáveis por cada projeto as pessoas mais experientes e com uma carreira profissional sólida e de provas dadas ao longo do seu percurso. A Baker Tilly não tem um compromisso, digamos exagerado, com a rentabilidade, o nosso maior compromisso é com a qualidade dos serviços que prestamos aos clientes, é por isso que colocamos sempre pessoas capazes e experientes à frente das equipas e dos projetos onde nos empenhamos. É fundamentalmente essa a nossa forma diferenciadora. Eu sempre digo que a Baker Tilly não faz parte das designadas “Big Four”, mas certamente que faz parte do que eu designo por “Best Five”, ou seja, as cinco melhores consultoras e auditoras a atuar em Portugal. O nosso crescimento e a aceitação pele mercado assim o confirmam. cionais das áreas da auditoria e da consultoria? Lembro que a Baker Tilly Portugal começou a sua atividade no nosso país há pouco mais de quatro anos. Na altura, começámos a operação com apenas cinco pessoas, hoje já somos 85 e temos crescido continuamente. Esse percurso ascendente só foi possível pelo trabalho desenvolvido e sobretudo pelo forte compromisso que estabelecemos com os clientes. Mas também se deve à nossa incessante procura da diferenciação, tanto no mercado da auditoria como na área da consultoria, um mercado fortemente concorrencial, onde como disse estão presentes as quatro maiores empresas mundiais do setor, além de outras empresas de referência internacional, mas, mesmo assim, a Baker Tilly Portugal tem desempenhado um percurso notável de crescimento e afirmação, pois é nossa convicção de que a dimensão, só por si, não é sinónimo de qualidade, esta pode encontrar-se em organizações mais pequenas mas altamente competentes e de enorme profissionalismo e eficácia nos serviços que presta. É essa a marca impressiva da Baker Tilly Portugal e que os nossos clientes, que cada vez são em maior número, reconhecem e apreciam. Quais são as áreas de atuação da Baker Tilly em Portugal? Atuamos fundamentalmente nas áreas da auditoria, consultoria fiscal e de gestão, outsourcing, Project Finance e IT. Certificação de contas dá maior credibilidade junto de entidades financeiras De entre as áreas da vossa atuação qual tem sido a mais requi- O aumento do número de pessoas integradas na Baker Tilly in- sitada? dicia que congregam pessoas mais experientes com pessoas Existem sobretudo quatro áreas que nos são muito requisitadas. Naturalmente que a auditoria é uma das áreas mais solicitadas, e com carreiras profissionais mais curtas. Como asseguram e 34 › País €conómico | Dezembro 2013 Dezembro 2013 | País €conómico › 35
  19. 19. › empresariado embora o país assista a uma crise económica e financeira, esta é uma área que continua a ter uma procura crescente. Já a área da consultoria tem registado um período de menor procura, pois não sendo uma questão obrigatória para as empresas, ao contrário da auditoria – a partir de um determinado volume de negócios a certificação das contas de uma empresa é uma questão legalmente obrigatória – e neste último caso procedemos à diversificação espacial da nossa atividade, que consistiu no arranque da operação em Moçambique e em Angola, o que já ocorre desde há dois anos, e onde a componente da consultoria tem atingido patamares muito relevantes. Como deve calcular, sendo países em desenvolvimento e onde os serviços ainda não estão muito desenvolvidos, logo existe um maior espaço para a intervenção de empresas com as caraterísticas da Baker Tilly.É o que temos feito, e com assinalável sucesso. A Baker Tilly está a crescer nessa área ou tem diminuído o número de requisições de trabalho por parte das empresas? Auditor não é um fiscal Nós estamos em contra ciclo com a generalidade do mercado, pois registamos um bom crescimento nesta área. Não afirmamos, obviamente, que somos melhores do que os nossos concorrentes, mas julgamos que a excelente receção do mercado à Baker Tilly Portugal se deve precisamente à necessidade sentida por esse mesmo mercado do surgimento de uma marca nova, que foi justamente o que nos posicionou e diferenciou. Não é por acaso que a nossa empresa já é consultada por muitas empresas que quando precisam de irem ao mercado para encontrarem um novo parceiro nas áreas da auditoria ou da consultoria, e sem que fizéssemos um primeiro contato, já nos ligam a perguntar o que poderemos oferecer em termos de serviços. E vamos ganhando felizmente novos clientes fruto do nosso valor e da mais-valia que o mercado sente quando qualquer empresa contrata os serviços da Baker Tilly. Abordaremos a vossa intervenção nos mercados moçambicano O ano fiscal da Baker Tilly acabou em Julho deste ano. Os resul- e angolano um pouco mais à frente. Abordando agora a vossa tados alcançados registaram crescimento? intervenção na componente da auditoria, pensa que já está Sem dúvida nenhuma, pois a nossa faturação cresceu nesse período na ordem dos 27%. ultrapassada aquela fase em que as empresas olhavam para o auditor como se fosse uma espécie de um segundo fiscal do Fisco? Grandes e médias empresas como clientes Entendo claramente que essa fase está ultrapassada, e o management das empresas está presentemente mais moderno e aberto à intervenção da auditoria externa, até porque as gerações à frente das empresas também se sucedem e no presente já estão ao comando de muitas empresas pessoas com outra formação académica, logo, com outra abertura e capacidade de entender as vantagens da intervenção de pessoas externas ao corpo profissional das empresas. O auditor quando chega a uma empresa leva essencialmente o papel de verificar e perceber se as contas da empresa estão certas ou erradas e avaliar do grau da sua fiabilidade. Não leva antecipadamente qualquer visão persecutória ou de entendimento de que o que verdadeiramente interessa é verificar o que eventualmente possa estar menos bem nas contas da empresa. Quais são, em termos de grandeza, as empresas com quem mais seus colaboradores? Valorizamos muito os recursos humanos Qual é a principal vantagens das contas de uma empresa esta- Como referi inicialmente temos registado um excelente crescimento no número de profissionais ao serviço da Baker Tilly Portugal nestes quatro anos e meio de atividade. Hoje já somos 85 pessoas e seremos certamente mais no futuro, pois se continuarmos a crescer, como esperamos, necessitaremos de recrutar mais pessoas. Como referiu, corretamente aliás, é nas principais faculdades de economia e gestão que procuramos anualmente encontrar e recrutar os quadros de que necessitamos. Anualmente fazemos sempre um roadshow pelas quatro principais faculdades portuguesas da área da economia e gestão, fazendo depois no período de Abril/Maio uma série de entrevistas e questionamentos às pessoas que se nos dirigem. Efetuada essa triagem, digamos assim, fazemos depois em Julho convites diretos às pessoas que selecionámos e que entram depois na Baker Tilly em Setembro. As pessoas quando entram na Baker Tilly são certamente enca- rem certas e certificadas? Sobretudo a da credibilidade e da consequente confiança que transmitem ao mercado e aos parceiros da empresa, mormente as entidades bancárias. Quando um dos fatores críticos do presente é, por exemplo, a questão do financiamento, mormente de caráter bancário, é absolutamente crítico que uma empresa disponha das suas contas auditadas e certificadas por uma empresa de reconhecido know how e mérito no mercado da auditoria. Sem essa certificação, as contas de uma empresa não possuem a credibilidade necessárias para passarem numa análise financeira nas entidades de crédito. E sabe-se que presentemente o financiamento é um fato crítico para muitas empresas, portanto, ter as suas contas auditadas e certificadas constitui um elemento essencial para a empresa perante as instituições financeiras. 36 › País €conómico | Dezembro 2013 trabalham em Portugal? São sobretudo as grandes e médias empresas, até porque, como referi anteriormente, serem aquelas que pela sua dimensão da atividade e volume de negócios têm obrigatoriamente de terem contas auditadas e certificadas. Para alcançar o crescimento na atividade desenvolvida, qualquer empresa precisa de encontrar no mercado os melhores profissionais. As faculdades de economia e gestão são normalmente os locais de alforge das pessoas recrutadas para as empresas de audito- Certamente é o que voltará a acontecer em 2014, embora naturalmente ainda não esteja definido a quantidade de pessoas de que precisaremos no próximo ano. ria e consultoria. Como é que a Baker Tilly Portugal recruta os proporcionar a melhoria na língua inglesa (que é presentemente a língua universal dos negócios), ou ainda da nossa comparticipação nos custos de inscrição em cursos para técnico oficial de contas, questão fundamental para a qualificação e atuação dos profissionais que desenvolvem a sua atividade nessa área específica. cas internas prosseguidas pela empresa para acrescentar valor Aposta no triângulo Portugal-Angola-Moçambique aos seus profissionais? A Baker Tilly Portugal é a responsável pela operação das suas A Baker Tilly considera os seus recursos humanos o melhor ativo da empresa. Como já referi, dispomos de um corpo de profissionais com conhecimentos e experiência muito significativos, a par com outras pessoas que vieram recentemente das faculdades portuguesas e que possuem igualmente um sólida formação académica, sem prejuízo da necessidade de adquirirem experiência, mais conhecimentos e um acompanhamento constante dos partners e quadros mais experimentados. Nós damos muita importância àquilo que designamos por Self Development, ou seja, a possibilidade da pessoa poder por ela própria evoluir profissionalmente, nomeadamente com a designada formação On Job (no local de trabalho), mas igualmente no congéneres em Angola e Moçambique. Como surgiu a oportuni- minhadas e valorizadas profissionalmente. Quais são as políti- dade de entrarem nesses mercados? A hipótese surgiu devido ao fato de constituírem mercados em ascensão económico, é certo, mas fundamentalmente por razões de ordem cultural e linguística. Angola e Moçambique não tinham uma presença direta da Baker Tilly, eram servidas pelas nossas congéneres da África do Sul, no caso de Moçambique, e da Namíbia, no caso de Angola. Era a situação possível mas longe da ideal. Então, com a ascensão económica desses países e com a ida em larga escala de empresas portuguesas e de algumas multinacionais de outros países que já eram nossos clientes em Portugal, em conjugação com a Baker Tilly International decidimos avançar Dezembro 2013 | País €conómico › 37
  20. 20. › empresariado jetos e de alguns moçambicanos que já integrámos. Temos tido uma forte procura de trabalho não apenas da parte de empresas portuguesas, como igualmente de parte de empresas sul-africanas, indianas, chinesas, australianas e de vários outros países da área da Ásia e do Pacífico. Moçambique é um país de forte potencial económico? Sem dúvida que sim, as taxas de crescimento da economia moçambicana são elevadas, mas é preciso não esquecer de que o ponto de partida do PIB moçambicano é bastante baixo. Por outro lado, gostaria também de referir que aqueles que eventualmente pensarem que chegam lá e em muito pouco tempo podem retirar fortes lucros, devem mudar de pensamento. É preciso as empresas terem os pés bem assentes na terra. O investimento em África, mesmo em países em expansão económica e com um bom ambiente de negócios, é sempre com uma perspetiva de longo prazo. A Baker Tilly está disponível para ajudar os bons projetos empresariais para serem implementados em Moçambique e em Angola, pois temos profissionais em ambos os países de elevada qualidade e com forte conhecimento dos respetivos mercados. para a abertura de operações próprias em Angola e em Moçambique. Em Angola decidimos entrar com um parceiro local, em virtude de constituir um mercado com uma economia mais avançada, onde a direção da operação pertence à componente angolana, mas onde desempenhamos o papel de responsabilidade nas operações das áreas onde somos especialistas. Já quanto a Moçambique decidimos abrir diretamente a Baker Tilly Moçambique, sob a nossa responsabilidade, e é uma operação que está a correr muito bem e em bom crescimento. Já temos uma equipa de 12 pessoas, entre portugueses residentes que estão lá, outros que vão lá consoante as necessidades de realização de pro- 38 › País €conómico | Dezembro 2013 Como perspetiva o futuro da Baker Tilly em Portugal? O nosso futuro passa claramente pelo reforço da aposta no triângulo Portugal-Angola-Moçambique. Portugal é muito importante, pela atividade própria que gera, mas igualmente pela captação de recursos humanos altamente qualificados, muitos dos quais intervém depois em Angola e Moçambique. Naturalmente que integraremos cada vez mais profissionais desses países nas operações locais, mas é ainda necessário o apoio de profissionais portugueses. A nossa empresa pretende crescer em todos os segmentos de atuação, em todas as áreas, e teremos sempre os profissionais mais qualificados para responderem às solicitações e exigências dos clientes. ‹ ACIB e Casa de España distinguiram melhores empresas do Minho Continental Mabor e Celoplás as melhores A Continental Mabor, indústria de pneus, implantada em Famalicão, e a Celoplás, fabricante de plásticos sediada em Barcelos, foram as empresas vencedoras dos Prémios Excelência às Melhores Empresas do Minho, uma iniciativa promovida pela ACIB – Associação Comercial e Industrial de Barcelos, e pela Casa de España, e cuja cerimónia de atribuição de prémios contou com a presença do secretário de Estado adjunto e da Economia. Além da multinacional alemã fabricante de pneus, as empresas Suavecel – indústria transformadora de papel, de Viana do Castelo, e a Coindu, de Braga, foram igualmente premiadas, ocupando o segundo e o terceiro lugar na categoria Grandes Empresas, sendo que na categoria de Pequenas e Médias Empresas (PME’s) liderada pela Celoplás, ficaram a Givec e a Jom, respetivamente nos segundo e terceiro lugares do pódio. De referir que em 2013 a Celoplás, vencedora na categoria de PME’s e com 25 anos de atividade, conta com uma faturação de 22,5 milhões de euros, dando emprego a 137 trabalhadores, 25% dos quais licenciados. Este evento organizado pela ACIB e pela Casa de España aconteceu pela primeira vez na região do Minho pretendeu distinguir as mais de 100 mil empresas numa região que gera um volume de negócios de cerca de 28 mil milhões de euros e milhares de postos de trabalho. Segundo João Albuquerque, presidente da ACIB, «este prémio simboliza o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas empresas existentes numa das regiões mais dinâmicas do País, que se orgulha de possuir um dos menores indicadores nacionais de desemprego e cujo nível de empreendorismo representa um enorme peso na indústria nacional». Criar 500 novas empresas em dois anos Entretanto, poucos dias antes deste evento, a Associação Comercial e Industrial de Barcelos realizou o Seminário 2020 que contou com a presença do secretário de Estado do Emprego, Octávio de Oliveira, e aproveitou a ocasião para lançar um programa de apoio ao microcrédito no distrito de Braga, o qual prevê a concessão até 20 mil euros por projeto, tendo como objetivo apoiar a criação de 500 novas empresas e mais de dois mil novos postos de trabalho nos próximos dois anos. Aliás, o presidente da ACIB, João Albuquerque, no lançamento deste novo programa teve a oportunidade de referir que a ACIB «anualmente forma cerca de três mil pessoas com o perfil de serem candidatos à criação da sua própria empresa, sendo que este programa representa uma medida de estímulo à criação de emprego e ao empreendorismo entre as populações com maiores dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, facilitando-se não só o acesso ao crédito, como a prestação de apoio técnico à consolidação dos projetos empresariais». Este programa é criado em parceria com a CASES, Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, a qual ficará responsável pela análise e validação dos projetos apresentados, bem como pelo acompanhamento do dossier de negócio a apresentar à Banca. ‹ Dezembro 2013 | País €conómico › 39

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