Revista mãos solidárias - Projeto Praias sem Barreiras

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Revista mãos solidárias - Projeto Praias sem Barreiras

  1. 1. M Ã O S Revista Vida Profissional dedicada à solidariedade 1° Edição | www.maossolidarias.com.br JUNHO 2015 S O L I D Á R I A S
  2. 2. S er um profissional reco- nhecido e ganhar dinheiro fazendo o que gosta. Esses são alguns dos motivos que re- gem a vida profissional de mui- tas pessoas. Entrar na faculda- de, estudar, se formar e seguir o roteiro da vida como manda o figurino. Tudo seria muito sim- ples se seguisse o caminho pré- -marcado. Já depois de forma- do, o grande desafio é se inserir no mercado de trabalho, daí a importância de realizar bons estágios e de possuir relacio- namento interpessoal positivo, além de construir, diuturna- mente, um networking (rede de contatos) que favoreça possibi- lidades futuras de empregabili- dade. Tudo isso retrataria um pouco dos aspectos que envol- vem a vida de muitos profissio- nais, mas não de todos. Existem aqueles que decidiram simples- mente largar suas profissões, abandonar seus antigos salá- rios e mudar, radicalmente, de vida e de ocupação, levando em conta a solidariedade e o amor pelo próximo. Em seu contexto, a pa- lavra solidariedade significa um sentimento de identifica- ção em relação ao sofrimento dos outros. Em muitos casos, a solidariedade não significa apenas reconhecer a situação delicada de uma pessoa ou gru- po social, mas também consiste no ato de ajudar essas pessoas desamparadas. E foi com base nisso, atrelado a necessidade de integração social de pessoas com deficiências especiais, que foi criado, pelo Governo de Per- grande diferencial. “Muitas pessoas que vêm ao projeto pela primeira vez ficam receosas pelo fato de nunca terem tomado um banho de mar. A partir daí começa a importância do trabalho dos monitores. Eles vão lá, con- versam, explicam e trazem as pessoas para conhecer e parti- cipar”, comenta Michel Pene- veyre, coordenador do Projeto no balneário. O coordenador ainda fa- lou sobre a emoção que os be- neficiários deixam transparecer quando são contemplados com os serviços. “Assim que elas en- tram no mar, naturalmente se emocionam e ficam encantadas com o carinho e dedicação dos monitores”, afirmou. O próprio Michel, que também é cadeirante, tem uma história belíssima e totalmen- te relacionada com a solida- riedade e a luta pelas políticas públicas para os portadores de necessidades especiais. O suíço radicado no Brasil, mais espe- cificamente em Porto de Gali- nhas, há 20 anos, fundador e atual vice-presidente da Asso- ciação Rodas da Liberdade, que executa o Praia Sem Barreiras no balneário, e trabalha duran- te todo esse tempo na busca de Vida Profissional dedicada à solidariedade Monitores do Projeto Praia Sem Barreiras trocaram empregos e salários por amor ao próximo e qualidade de vida “Há muitos anos este é um sonho que tá sen- do realizado graças ao apoio de todos.” ações e benefícios voltados para o segmento no município do Ipojuca. Em parceria com a Pre- feitura local, o Projeto já aten- deu mais de mil portadores de necessidades especiais, sem levar em consideração os fami- liares que acompanham os defi- cientes, em pouco mais de dois anos de atuação. Flávia Maranhão de Oli- veira (34), dona de casa e mãe de duas meninas, uma delas a cionada. O Praia Sem Barreiras do quinto local mais procura- do para lazer no Brasil, atual- mente dispõe de uma estrutura composta por cinco monitores, um encarregado operacional e o coordenador, todos imbuí- dos no mesmo propósito, que é proporcionar uma melhoria na qualidade de vida, dando mais independência, resgatando a autoestima e mostrando aos deficientes que a liberdade para executar coisas simples e coti- dianas está em suas mãos. Quanto à estrutura de atendimento ao publico, são quatro cadeiras anfíbias, com boias nos apoios dos braços e mãos, melhoram a estabilidade na água. Além de 30 metros de esteiras que dão acesso ao mar e uma jangada personalizada para transportar deficientes e monitores aos principais atrati- vos de uma das praias mais ba- daladas do Brasil. A diretora de Turismo do Ipojuca, Ana Cristina Mo- rais, ressalta que a existência do projeto em Porto de Galinhas está atrelado a um plano maior em busca da acessibilidade. “O Praia Sem Barreiras daqui é um projeto que não se limita em si. Ele (o projeto) faz parte de um nambuco, o Projeto Praia Sem Barreiras (PPSB), que integra o Programa Turismo Acessível. O Projeto Praia Sem Bar- reiras é responsável por propor- cionar uma nova possibilidade de reintegração dos deficientes com limitações motoras e men- tais à vida social, por meio de diversas atividades. Entre elas chamam a atenção o banho de mar, o passeio de jangada e os mergulhos assistidos por moni- tores preparados e capacitados para lidar com o público. É so- bre estes profissionais que op- taram servir a uma causa maior, mais valorosa e engrandecedo- ra que ganhar apenas dinheiro que esta matéria se refere. Referência no Estado, a unidade do Projeto em Porto de Galinhas, que funciona apenas nos dias de maré baixa, oferece serviços que afloram e aguçam a sensibilidade das pessoas, além de ter como ingredien- te chave a entrega e amor com que é feito o atendimento pelos monitores, o que, segundo os próprios organizadores é o seu Foto: Divulgação Foto: Divulgação Foto: Divulgação Foto: Divulgação Rafaella Vicente da Silva de 13 anos, conhecida como Rafinha, portadora de Paralisia Cerebral, fala sobre o atendimento dos monitores e a importância do projeto para o desenvolvimento da menina. “Admiro muito esse trabalho. Antes eu tinha muita dificuldade de ir à praia, hoje é bem mais fácil. Como nem to- das as praias são adaptadas aos deficientes, essa de Porto traz pra gente a sensação de prazer e mais dignidade”, ressalta emo-
  3. 3. planejamento de ordenamento da praia para se tornar um des- tino cada vez mais acessível”, informou. Se as belezas naturais e encantos de Porto de Galinhas já são suficientes para conside- rar o lugar um dos mais belos do mundo, o Projeto Praia Sem Barreiras aparece para corro- borar com isto. O nível de in- teração entre espaço e homem é tão grande que tudo parece conspirar a favor para a execu- ção das ações do PPSB. A união e a forma simples e solidaria de encarar a vida dos membros que fazem o projeto acontecer resultou, inclusive, numa ma- neira única de cumprimento entre monitores e beneficiários. O monitor Ailton Ferrei- ra confidenciou a maior emo- ção e desafio que enfrentou du- rante os dois anos em que atua no Praia Sem Barreiras. “Certa vez conhecemos uma senhora chamada dona Vanda. Fazia mais de dez anos que ela não entrava no mar e conseguimos convencê-la a participar. Quan- do a tiramos da cadeira, ela começou a entrar em con- vulsão e nós nos apa- voramos, foi nessa hora que nos lembramos dos treinamentos e consegui- mos contornar toda a situação, foi uma convulsão de alegria, eu nunca tinha visto algo parecido, foi uma experiência diferente e inesquecível”, contou o monitor que também já foi mecânico de automóvel e eletricista indus- trial. Pela excelência no aten- dimento e serviços ofertados, o Projeto Praia Sem Barreiras do Ipojuca recebeu do Ministério do Turismo o “Prêmio de Reco- nhecimento das Boas Práticas do Turismo Brasileiro” no ano de 2014. Ainda sobre a quali- dade no atendimento, Michel Peneveyre comenta. “Todos aceitam o projeto e elogiam o carinho e preparação que tem os monitores. Eles (monitores) estão aceitando muito bem esse trabalho e a oportunidade de cuidar de pessoas, de certa for- ma, especiais”, disse. “Temos uma aceitação muito boa tam- bém por parte dos turistas que nos visitam e acham lindo esse projeto, a maioria nos parabe- niza pela iniciativa”, conclui. Mesmo com todos os be- nefícios e facilidades ofertados pelo PPSB, ainda existe pesso- as que, por algum motivo, não consegue chegar até o projeto e é sobre isso que o Encarregado Operacional Jonas de Souza, popular Levi, comenta. “O fato de não ter o próprio transporte para chegar até aqui, junto com as péssimas condições dos ôni- bus e vans influenciam na vinda do deficiente”, falou. “Algumas pessoas não sabem informar corretamente onde fica o projeto, sem falar de alguns proprietários de barra- cas que, por medo de perder o cliente, não divulgam o projeto em seus estabelecimentos”, en- cerra Levi. Humanizar as pessoas e mostrar que o segredo da quali- dade de vida está em fazer o que se ama, com muito amor. Se- gundo a monitora Severina Ro- berto, que abandonou a com- plicada vida de enfermeira para integrar o quadro de monitores do projeto, esse é um dos prin- cipais motivos para abandonar a antiga vida e profissão. “Tra- balhei durante 14 anos em um posto de saúde e sempre vivia muito estressada, estava pre- cisando de mais qualidade de vida. Depois que comecei a tra- balhar no projeto eu tive mais contato com a natureza, com pessoas que realmente preci- sam do meu apoio e me fazem feliz”, indagou. “Tornei-me mais humil- de e passei também a ter mais carinho pela vida. Minha vida melhorou em todos os aspectos. Passei a ter mais paciência, ca- rinho e amor por todos ao meu redor”, encerra Severina. Além de resgatar a auto- estima, proporcionar a possi- bilidade de construção de uma nova visão de mundo, o Projeto Praia Sem Barreiras é um im- portante instrumento de inclu- são social, já que consegue es- timular os cadeirantes a voltar ao convívio com a comunida- de, amigos e até familiares. Os atendimentos e serviços presta- dos são gratuitos e acontecem sempre quando a maré está baixa num horário favorável. Para se programar e consultar o calendário de funcionamento do projeto é possível acessar o perfil da Associação Rodas da Liberdade no Facebook. Foto: Divulgação Foto: Divulgação EXPEDIENTE Texto: Otávio Alves otaviovinicius_alves@live.com Revisão de texto Dênis César dos Santos osamart4 @hotmail.com Rômulo Brandão romulob.03@hotmail.com Diagramação: Beto Almeida adalbertoalmeid@gmail.com A revista Mãos Solidárias'''' é um atividade acadêmica do curso de comunicação social com habilitação em jornalismo, na disciplina tópicos integradores em jornalismo I, ministrada pela docente Geraldina Maria de Siqueira. Os Textos, Ima- gens e demais criações são de inteira responsabilidade dos autores e não podem ser reproduzidos parcialmente ou inte- gralmente sem autorização prévia. Tiragem: 5 Exemplares O exercício foi desenvolvido pelos alunos: Adalberto Almeida do Nascimento Dênis César dos Santos Otávio Vinícius Alves Rômulo Brandão GUIA DE SERVIÇOS Projeto Praia Sem Barreiras do Ipojuca é executado pela Associação Rodas da Li- berdade Localizada em Porto de Galinhas. Facebook: facebook.com/rodas.daliberdade Site: www.rodasdaliberdade.org Fone para contato : (81) 3552.1107 Apoio: Prefeitura Municipal do Ipojuca, por meio da Secretaria de Turismo e Cultura. Revista Mãos Solidárias

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