Revista Mundo dos Animais nº 30

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Nesta edição conheça os maiores felinos do mundo e como ajudar a evitar a sua extinção. Veja também os gatos de Roma e a telepatia canina. http://www.mundodosanimais.pt/revista/

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Revista Mundo dos Animais nº 30

  1. 1. “Os olhos de um animal têm o poder de falar uma grande linguagem.” Martin Buber
  2. 2. 4 MUNDO DOS ANIMAIS 20 OS GATOS DE As ruínas de de Roma, são para os aman 30 A TELEPATIA Como é que o connosco e co mos as respo 42 O REINO AME Estão entre o neta, mas ser Conheça melh Fotografia de capa: Liv Unni Sødem / via Flickr Todas as ediçõe www.mundodos
  3. 3. E ROMA Torre Argentina, no centro histórico o um verdadeiro paraíso de gatos ntes dos pequenos felinos. CANINA os cães se conseguem sintonizar ompreender-nos tão bem? Explora- ostas neste artigo. EAÇADO DOS GRANDES FELINOS os animais mais carismáticos do pla- riamente ameaçados de extinção. hor os grandes felinos. BEM-VINDO(A) Nesta edição falamos de felinos de todos os tamanhos. Começa- mos por uma comunidade muito especial de pequenos felinos, os gatos de Roma, que dão vida às ruínas onde Júlio César foi assas- sinado no ano 44 antes de Cristo (a.C.) e são hoje o grande atrativo turístico do centro histórico da ci- dade - mais do que os monumen- tos (pág. 20). Também bastante atrativos, mas infelizmente ameaçados, estão os grandes felinos. Fazem parte dos animais mais carismáticos do pla- neta e dificilmente conseguimos imaginar um mundo sem eles, um mundo sem tigres, leões, leopar- dos, jaguares ou chitas, mas essa pode vir a ser uma realidade. Conheça melhor cada um deles e saiba o que pode fazer para os ajudar (pág. 42). Felinos à parte, leia também um artigo que procura explicar como os cães parecem ter a capacida- de de nos ler a mente, saber o que sentimos e como estamos, melhor que qualquer outro animal (pág. 30). Carlos Gandra es disponíveis gratuitamente em: sanimais.pt/revista
  4. 4. 6 WWW.MUNDODOSANIMAIS.PT
  5. 5. 7EDIÇÃO Nº 30 Um gatinho abandonado dá uma deliciosa turrinha no imã Mustafa Efe, que abriu as portas da mesquita Aziz Mahmud Hüdayi em Istambul, na Turquia, para abrigar os gatos de rua — cujo número está descontrolado na cidade. O gesto e o exemplo de solidariedade têm corrido o mundo. Uma mãe gata sentiu-se tão confortável na mesquita que levou os seus bebés, um a um, para o seu interior. Fotografia: Mustafa Efe / via Facebook
  6. 6. 8 MUNDO DOS ANIMAIS Uma pequena preguiça perdida enquanto tentava atravessar uma estrada no Equador, que decidiu segurar-se a um poste até chegar ajuda. As autoridades socorreram a pequena preguiça, que foi observada por um veterinário antes de ser devolvida ao seu habitat natural. Não apresentava qualquer problema ou ferimento. Fotografias: Comisión de Tránsito del Ecuador / via Facebook
  7. 7. 9WWW.MUNDODOSANIMAIS.PT
  8. 8. A fantástica albatroz Wisdom, a ave mais velha do mundo de que há registo, volta a deixar a sua marca com a sua mais recente cria. Com 65 anos, a Wisdom viu nascer o seu mais novo rebento no início deste mês (Fevereiro) no Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Atol de Midway, no Hawai, onde milhares de albatrozes regressam todos os anos para nidificar. Fotografia: Kiah Walker / Voluntária do USFWS
  9. 9. 12 MUNDO DOS ANIMAIS
  10. 10. 13WWW.MUNDODOSANIMAIS.PT Um abraço profundamente humano entre o chimpanzé Ponso e a conservacionista Estelle Raballand, numa ilha da Costa do Marfim. A vida tem sido dura com o chimpanzé Ponso, que passou anos como cobaia de um laboratório até ser abandonado, juntamente com outros chimpanzés cobaias, em ilhas que não têm recursos naturais para sequer se alimentarem — ficando dependentes da boa vontade das pessoas. Em 2013 a família do Ponso morreu com poucos dias de intervalo, o que o deixou sozinho e isolado nos últimos três anos. Os outros chimpanzés cobaias também já tinham morrido. Por tudo isto, não deixa de ser emocionante que receba um ser humano de forma tão… humana. Fotografia: Estelle Raballand / via Facebook
  11. 11. Uma família de refugiados oriunda de Mossul, no Iraque, encontra finalmente o seu gato Kunkush, que tinha desaparecido quando o barco que os transportava aportou na ilha grega de Lesvos. Foi encontrado dias depois por voluntários que tinham participado na busca logo no primeiro dia, mas o paradeiro da família era entretanto incerto e por isso foi enviado para uma família de acolhimento temporário em Berlim, na Alemanha (para onde muitos refugiados foram realojados), que ficou com ele por alguns meses. Os voluntários não desistiram de procurar os donos e criaram um site com fotos do gato, que chegou aos media. A família entretanto já estava na Noruega, quando viu a notícia do gato num jornal local. O reencontro foi organizado e a imagem descreve tudo o que se pudesse escrever mais sobre o momento. Fotografia: via reddit
  12. 12. Uma corajosa cachorrinha chamada Chi Chi brinca na sua nova casa, no Arizona, depois de ver as suas quatro patas serem amputadas. A história da Chi Chi não é fácil de contar. Nasceu numa fazenda de carne de cão, na Coreia do Sul. A dada altura, amarraram-lhe as quatro patas e penduraram-na de cabeça para baixo, dia e noite. A tortura provocou-lhe feridas, que rapidamente infetaram e literalmente apodreceu carne e osso. Como a carne já não prestava, foi atirada para o lixo dentro de um saco preto, onde foi encontrada. As patas não tinham salvação, mas felizmente a menina teve, e agora também tem uma casa, mas ainda são precisos muitos cuidados. A Chi Chi tem uma página no Facebook onde pode acompanhar as novidades e oferecer algum apoio: https://www.facebook.com/ chichigreat/ Fotografia: Chi Chi The Great / via Facebook
  13. 13. 19EDIÇÃO Nº 30 Um texuguinho bebé encontrado sozinho e a morrer de frio no jardim de uma família em Inglaterra. A família ainda aguardou algum tempo por um sinal da progenitora, até acabar por decidir acolhe-lo antes que fosse tarde demais para lhe salvar a vida. Levaram então o pequeno texugo para o centro de recuperação de vida selvagem Secret World Wildlife Rescue (SWWR), onde foi tratado e alimentado. Fotografia: Secret World Wildlife Rescue Veja mais fotos no Mundo dos Animais: - www.mundodosanimais.pt/fotos
  14. 14. A s ruínas de Torre Argentina, no centro histórico de Roma, onde Júlio César foi assassi- nado no ano 44 antes de Cris- to (a.C.), são um verdadeiro paraíso de gatos para os amantes dos pequenos felinos. Trata-se de um santuário mile- nar onde muitos gatos encontram abri- go e comida. Os voluntários da associação Torre Ar- gentina Roman Cat Sanctuary cuidam diariamente da alimentação, higiene e cuidados de saúde dos mais de 250 gatos que habitam nas ruínas. Também esterilizam os animais e promovem a sua adoção. A relação histórica entre nós e os gatos está marcada por altos e baixos e com os gatos de Roma não tem sido dife- rente. A admiração dos romanos pelos gatos terá começado com o contributo dos felinos para a exterminação da peste, ao consumirem os ratos portadores da doença. Durante a Segunda Guerra Mundial, a escassez de comida levou os romanos a consumir gatos para so- breviverem e quando a guerra termi- nou, os romanos ter-se-ão dedicado a Os Gatos de Roma 20 MUNDO DOS ANIMAIS
  15. 15. Fotografia: Heather F / via Flickr 21WWW.MUNDODOSANIMAIS.PT
  16. 16. Fotografia: spezz / via Flickr
  17. 17. Fotografia: Alan Sheffield / via Flickr
  18. 18. Fotografia: Brett Davis / via Flickr
  19. 19. Fotografia: Wknight94 / via Wikimedia Commons Fotografia: Andou / via Wikimedia Commons 28 MUNDO DOS ANIMAIS
  20. 20. “As pessoas interessam-se mais por gatos do que por monumentos (…) os dois em conjunto formam uma com- binação fantástica, porque os monumentos parecem ganhar vida se você vir um gato deitado neles ou a sal- tar de um lado para o outro.” - Lia Dequel, co-fundadora da Torre Argentina Cat Shel- ter Association, via npr alimentar os gatos como forma de compensar o que lhes ti- nham feito. Mais recentemente, em 2001, os gatos foram consi- derados “património biocultural” da cidade, mas a associação que cuida dos gatos de Torre Argentina enfrenta a forte opo- sição dos arqueólogos italia- nos, referindo que a ocupação do espaço é incompatível com a preservação dos monumen- tos. A presença dos gatos, contudo, nunca foi posta em causa e Um- berto Broccoli, superintendente cultural de Roma, afirmou em 2012 que “os gatos de Roma são, por definição, tão antigos quanto os monumentos de már- more da cidade (…) portanto a colónia não será movida”. Apesar da colónia de Torre Ar- gentina ser a mais famosa entre os turistas e os amantes dos fe- linos, estima-se que em Roma existam no total cerca de 250 mil gatos nas ruas, distribuídos por cerca de 2 mil colónias. A associação conseguiu, na últi- ma década, vacinar e esterilizar 27 mil gatos, bem como concre- tizar a adoção de uma média de 125 gatos por ano. Visite a página da Torre Ar- gentina Roman Cat Sanctuary (http://www.romancats.com/in- dex_eng.php) para conhecer melhor o trabalho dos seus vo- luntários e, se achar por bem, oferecer-lhes um donativo. Descubra mais sobre gatos em: - www.mundodosanimais.pt/gatos 29WWW.MUNDODOSANIMAIS.PT
  21. 21. Q ualquer pessoa que já tinha convivido com um cão sabe que os cães, entre todos os animais, parecem ter uma sintonia especial connosco. Quantas e quantas histórias lemos sobre o cão que deu uma atenção muito especial ao dono quando este estava a passar por um momento menos bom (mais triste, mais desiludido ou stressado), ou até quando se encontrava doente ou com alguma dor ou mal-estar. Quando o cão parecia saber coisas so- bre o nosso estado de espírito que em princípio não teria como saber — e nós não teríamos como lhe contar. Neste artigo, vamos olhar para alguns estudos científicos que visam entender aquilo a que, não oficialmente, chama- mos de telepatia canina. Os mecanis- mos que levam um cão a compreender- -nos melhor que qualquer outro animal. Qual o alcance das suas capacidades, e qual o limite das mesmas. No fundo, descobrir o melhor amigo do Homem.Fotografia: Tal Atlas / via Flickr A Telepatia Canina 31A TELEPATIA CANINA
  22. 22. 32 Podem os cães ler a nossa mente? O s cães estão tão sin- tonizados connos- co que podem ler as nossas mentes, de acordo com um estudo publi- cado na Learning & Behavior. O mesmo estudo indica que os cães, provavelmente, já nas- cem com essa habilidade. À medida que os cães se en- contram junto dos seres huma- nos, mais habilidosos se tornam em telepatia canina, que resulta da hipersensibilidade dos senti- dos. Todos aqueles que têm ou já tiveram cães em casa duran- te algum tempo, com certeza repararam na forma como os cães nos entendem de uma forma particularmente bem, de- tetando sinais do nosso cansa- ço, stress, dores de cabeça ou outros problemas antes de nós, conscientemente, os exibirmos. Os cães são também conheci- dos por conseguirem detetar se uma pessoa tem cancro. Pare- cem igualmente sentir quando estamos felizes e/ou de ótima saúde. Monique Udell e a sua equipa, da Universidade da Florida, re- fletiram sobre o porquê de os cães serem tão perspicazes a ler a nossa mente, e como o conseguem fazer. A questão é, os cães nascem com essa ha- bilidade, ou vão aprendendo com a experiência do contacto humano? Para explorar estas e outras questões, Udell e a sua equipa planearam duas experiências, envolvendo tanto lobos como cães domésticos. Nas expe- riências, foi dada a oportunida- de aos dois animais de pedirem comida, a uma pessoa atencio- sa e a uma pessoa indiferente. Os investigadores observaram pela primeira vez que os lobos, tal como os cães domésticos, são capazes de ir pedir comi- da à pessoa atenciosa, aproxi- mando-se dela. Isto demonstra que ambas as espécies, domesticadas ou não domesticadas, têm a capacida- dedeproduzirumcomportamen- to mediante a atenção que uma MUNDO DOS ANIMAIS
  23. 23. Fotografia: @dihpardal Diogo Fernando / via Flickr pessoa demonstra, consciente ou inconscientemente, por eles. Uma vez que os lobos não têm experiência no contacto com seres humanos, é assim muito provável que esta habilidade já nasça com eles. Os cães, além de nascerem com a habilidade, podem aper- feiçoar à medida que mantém o contacto com seres humanos, pelo que um cão que viva com pessoas desde bebé, terá em adulto uma capacidade supe- rior de ler a mente dos seus do- nos, do que um cão que, por al- gum motivo, como o abandono ou o nascimento na rua, não conviva de perto com pessoas durante bastante tempo. Segundo a investigação, “os re- sultados sugerem que a capa- cidade dos cães para seguir as ações humanas deriva de uma vontade de aceitar as pessoas como companheiros sociais, combinada com o condiciona- mento de seguir os gestos e as ações dos seres humanos e adquirir reforço. Os tipos de sinais, o contexto em que são apresentados e a experiência prévia, são todos importantes”.
  24. 24. 34 comunicação humana de uma forma que, anteriormente, es- tava atribuída apenas a bebés humanos de 6 meses de idade” explicou o co-autor de um novo estudo, Jozsef Topal, à Disco- very News. “Eles leem as nos- sas intenções de comunicação de uma forma pré-verbal, uma forma semelhante aos bebés” acrescentou Topal. A comunica- ção pré-verbal é a forma que os bebés nos interpretam e se ex- primem sem usar as palavras, pois não aprendemos logo a fa- lar. Os investigadores afirmam que Ler a nossa mente? Não exa- tamente O segredo dos cães parece es- tar nos nossos próprios olhos: os cães seguem os movimen- tos dos nossos olhos, que lhes dão sinais das nossas inten- ções. Os bebés humanos tam- bém possuem esta habilidade, descrita na publicação Current Biology. Esta revelação talvez explique porque motivo os do- nos costumam tratar os seus animais de estimação como se fossem crianças. “Os cães estão recetivos à Fotografia: Peer / via Flickr WWW.MUNDODOSANIMAIS.PT
  25. 25. 35A TELEPATIA CANINA de anos, nos quais muitos dos atributos selvagens (como os lobos) foram transformados e adaptados pelos desafios de uma vida em conjunto com os seres humanos. Topal e a sua equipa suspeitam que os cavalos e os gatos do- mésticos também sejam capa- zes de ler as nossas intenções, uma vez que vivem de forma próxima a nós há também mui- tos anos. Num estudo à parte, publicado na Animal Behavior, os inves- tigadores descobriram que os os atributos sociais dos cães atingem o nível de uma criança com dois anos de idade, uma vez que o único talento que lhes falta é a linguagem. “Estes atri- butos dos cães ajudam a forta- lecer a ligação cão-humano, que é atualmente única tendo em consideração as diferenças biológicas entre as duas espé- cies”. Os cães foram os primeiros animais a ser domesticados e aparentemente sem benefícios diretos, como alimento ou pas- toreio. A cognição social dos cães evoluiu durante milhares Fotografia: Ricardo Mangual / via Flickr
  26. 26. Fotografia: brando.n / via Flickr
  27. 27. cães comunicam com as pes- soas para pedir, mas não para informar. Seja como for, fazem- -no de forma bastante concen- trada e intensa. Juliane Kamins- ki, líder deste segundo estudo, indicou que “fica demonstrado como os cães estão sintoniza- dos de forma intencional com a comunicação humana e quão importante determinados sinais são para eles, de forma a per- ceber quando é que a comuni- cação é relevante e direcionada para eles”. Topal pensa ser possível que os cães, por vezes, sejam até superiores aos seres humanos adultos no que diz respeito a interpretar intenções, uma vez que estão atentos a todos os sinais como odores, sons e ou- tras pistas que possam indicar algo. “Os cães aprendem facil- mente a associar até os com- portamentos inconscientes dos seus donos com as respetivas intenções. Desta forma, um cão adquire a habilidade de anteci- par o comportamento seguinte do seu dono, e isto em deter- minados casos dá a sensação de que o cão acabou de ler a nossa mente” concluiu Topal. Os cães compreendem-nos melhor que qualquer outro animal Apesar dos chimpanzés serem os nossos parentes mais próxi- mos, nenhum animal nos com- preende tão bem como os cães. É isto que sugere um novo es- tudo, publicado na revista cien- tifica PLOS One, ao concluir que os chimpanzés podem não ligar muito quando uma pessoa aponta para um objeto, mas os cães prestam atenção e sabem exatamente o que essa pessoa quer. “Penso que estamos a olhar para uma adaptação muito es- pecial dos cães, para serem sensíveis ás várias formas de comunicação dos seres huma- nos” disse a co-autora do estu- do, Juliane Kaminski, psicóloga da Max Planck Institute for Evo- lutionary Anthropology, citado pela Discovery News. “Existem múltiplas evidências a sugerir que as pressões seletivas du- rante a domesticação alteraram os cães de tal modo, que eles ficaram perfeitamente adapta- dos ao seu novo nicho, que é a companhia humana”. 38 WWW.MUNDODOSANIMAIS.PT
  28. 28. É mesmo possível que esta ha- bilidade já nasça com os cães, uma vez que cachorros de ape- nas seis semanas e sem qual- quer treino específico, já a pos- suem. Para realizar este estudo, Ka- minski e os seus colegas com- pararam quão bem os chim- panzés e os cães conseguem compreender o apontamento humano. Uma pessoa apontou para um objeto visível que se encontrava fora do seu alcance, mas dentro do alcance do ani- mal. Se um chimpanzé ou um cão pegassem no objeto, se- riam recompensados com um petisco adequado (fruta para o chimpanzé e ração seca para o cão). Os chimpanzés mostraram-se entusiasmados pela recompen- sa, mas ignoraram os gestos humanos. Os cães passaram o teste. Os chimpanzés não com- preenderam a intenção da pes- soa, ou seja, não viram o apon- tamento como algo importante e por isso, decidiram ignorar esse gesto. “Sabemos que os chimpanzés têm uma compreensão muito flexível dos outros; sabem quan- do os outros podem ou não po- dem ver, quando os outros po- dem ou não vê-los a eles, etc” explicou Kaminski. Não são, por isso, de alguma forma ignorantes, apenas não evoluíram a tendência de pres- tar atenção aos seres huma- nos, pois não necessitam disso no seu habitat natural. Os pró- prios lobos não possuem esta habilidade: “Os lobos, mesmo quando criados no seio de um ambiente humano, não são fle- xíveis com a comunicação das pessoas como são os cães” disse. E os gatos? Investigações anteriores de- monstraram que os gatos do- mésticos também prestam atenção ás pessoas e com- preendem os gestos humanos. Kaminski, no entanto, men- cionou que “os investigadores precisaram de os selecionar de entre mais de uma centena de gatos” sugerindo assim que apenas alguns gatos se colo- cam a par dos cães no que diz respeito a compreender as pes- soas. 39A TELEPATIA CANINA
  29. 29. Os cães sentem mesmo os nossos problemas Confortar pessoas angustia- das, por exemplo, pode estar mesmo implementado no cére- bro canino. Um recente estudo, publicado na Animal Cognition, concluiu que os cães podem ser realmente os melhores ami- gos do Homem, sobretudo se a pessoa estiver de alguma for- ma angustiada. Essa pessoa angustiada nem precisa de ser alguém que o cão conheça pre- viamente. “Eu penso que existem bons motivos para suspeitar que os cães são mais sensíveis ás emoções humanas que qual- quer outra espécie” disse a co- -autora Deborah Custance à Discovery News. “Nós domes- ticamos os cães por um longo período de tempo e fizemos uma criação seletiva para eles se comportarem como nossos companheiros. Assim, os cães que responderam de forma sen- sível ás nossas pistas emocio- nais tiveram maiores chances de serem os escolhidos como animais de estimação e de cria- ção” concluiu. Custance e a colega Jennifer Mayer, ambas do departamen- to de psicologia da University of London Goldsmiths Colle- ge, expuseram 18 cães a qua- tro encontros separados de 20 segundos cada com humanos, entre os quais se encontravam tanto os donos como estranhos. Numa das experiências, as pessoas emitiram sons a simu- lar aflição e fizeram de conta que estavam a chorar. A maio- ria dos cães tentou confortar a pessoa, independentemente de ser o próprio dono ou um estranho. Os cães atuaram de forma submissa, aninhando-se e lambendo as pessoas. As in- vestigadoras afirmam que este comportamento é consistente com empatia, preocupação e tentativa de dar conforto. Sobre o que irá dentro da ca- beça de um cão, existe outro estudo recente, publicado na PLOS One, que demonstra que o cérebro dos cães reage assim que eles observam pessoas. Neste caso, os investigadores treinaram os cães para respon- der a sinais gestuais que indi- cavam se iriam receber comida ou não. 40 MUNDO DOS ANIMAIS
  30. 30. Fotografia: Jelly Dude / via Flickr O núcleo caudado do cérebro dos cães, uma área associada à recompensa nos humanos, mostrou ativação quando os cães sabiam que iam receber comida. “Estes resultados indicam que os cães prestam muita atenção aos gestos humanos” disse o líder da investigação Gregory Berns, diretor do Emory Cen- ter for Neuropolicy. Apesar de este último estudo ter tido como amostra de recompensa a comi- da, Custance e Mayer pensam que os cães, ao longo de milha- res de anos de domesticação foram tantas vezes recompen- sados pela sua aproximação a pessoas angustiadas que isso pode ter ficado implementado nos seus cérebros. O fenómeno pode ter um ele- mento do subconsciente. “Os cães bocejam contagiados pelo bocejo humano” disse Matthew Campbell, professor assistente do departamento de psicolo- gia da universidade da Geór- gia. “Nós selecionamos os cães para estar sintonizados con- nosco emocionalmente”. Descubra mais sobre cães em: - www.mundodosanimais.pt/caes
  31. 31. O Reino Ameaçado dos Grandes Felinos Estão entre os animais mais carismáticos do planeta e damos a sua presença como adquirida, mas correm risco elevado de desaparecer. Fotografia: Alias 0591 / via Flickr
  32. 32. A s populações dos maiores felinos, como leões, tigres, chitas, leopardos e jaguares, estão em declínio acentuado e algumas em perigo critico de extinção. Carismáticos, predadores de topo, de semblante imperturbá- vel, damos por adquirida a sua presença, sem desconfiar que um mundo sem nenhum destes animais pode ser uma realida- de no futuro próximo. As razões para o crescente risco de extinção dos grandes felinos são evidentes e bem conhecidas – mas este conhe- cimento não tem impedido que as más práticas continuem a ser praticadas. A desflorestação e consequen- te perda de habitat é um factor crítico para qualquer animal, mas facilmente pode imaginar o que isso significa quando es- tamos a falar de animais destas dimensões, que necessitam de muito espaço e de clima, tanto para eles próprios como tam- bém para as presas das quais se alimentam. Basta referir que um dos mo- tivos que levou ao acentuado declínio do lince ibérico foi o desaparecimento da maior par- te das populações de coelhos bravos. Todos os animais de- pendem uns dos outros para a sua sobrevivência. Os conflitos com populações humanas, a 44 MUNDO DOS ANIMAIS
  33. 33. caça furtiva e o tráfico também contribuem grandemente para que existam cada vez menos grandes felinos na natureza. A sua extraordinária beleza tam- bém tem funcionado contra eles, pois as suas peles exóti- cas e vistosas são muito procu- radas no mercado negro. Fotografia: Arno Meintjes / via Flickr A população selvagem de leões sofreu um decrésci- mo de 43% em apenas 21 anos, entre 1993 e 2014.
  34. 34. LeãoPanthera leo Estado de conservação: Vulnerável Desde crianças que estamos habituados a ouvir falar dos leões como os Reis da Selva – e confesse, emocionou-se ao ver o Simba perder o pai no «Rei Leão». O facto de os leões serem pos- santes, terem uma majestosa juba e um estilo de vida “de Rei” certamente contribuiu para que fossem assim chamados, embora seja interessante notar que nem sequer vivem na selva, pois não gostam de ambientes húmidos e com vegetação alta, preferindo savanas, quentes e com a vegetação mais rasteira. Os leões são os segundos maiores felinos do mundo, fi- cando apenas atrás dos tigres. São também os felinos mais sociais que existem e os únicos que se organizam em grupos para caçar. Fotografia: Terence T.S. Tam / via Flickr
  35. 35. TigrePanthera tigris Estado de conservação: Em perigo O tigre é o maior felino do mun- do. São animais de hábitos so- litários e reconhecidos pelas suas espantosas listas negras. As listas dos tigres são tão úni- cas para cada um deles como as impressões digitais são para nós. Estas listas não desapare- cem se o pêlo, por alguma ra- zão, cair ou for cortado. Os tigres, bem como os leo- pardos, têm o hábito de limpar primeiro as presas antes de co- meçarem a alimentar-se. Desta forma não ingerem pêlos que lhes possam afectar a digestão. São também um dos felinos que não tem qualquer problema em entrar dentro de água para perseguir uma presa, chegando a ficar totalmente submerso. Já foram observados tigres a per- seguir crocodilos na reserva de Ranthambore, no Noroeste da Índia. Fotografia: Doug Brown / via Flickr
  36. 36. LeopardoPanthera pardus Estado de conservação: Quase ameaçado Os leopardos são os mais ver- sáteis e os trepadores de exce- lência entre os grandes felinos. Como são mais pequenos que os leões, protegem as suas ca- çadas levando-as para o topo de árvores bem altas, onde ou- tros predadores não se atrevem a tentar roubá-los. É fascinante como conseguem carregar grandes presas para cima das árvores, o que de- monstra grande força, robustez e agilidade. A grande versatilidade dos leo- pardos permite-lhes ocupar habitats diversos e alimenta- rem-se de um variado número de presas, incluindo dentro de água onde são excelentes na- dadores. Por consequência, são a espécie de grande felino mais dispersa em todo o mun- do. Fotografia: Arno Meintjes / via Flickr
  37. 37. Leopardo das Neves Panthera uncia Estado de conservação: Em perigo Os leopardos das neves, tam- bém chamados de irbis, estão excecionalmente adaptados ao frio. Pêlo espesso cobre todo o corpo, incluindo as patas, com uma coloração cinzenta es- branquiçada que os camufla em plena neve. Com patas musculadas, os leo- pardos das neves têm uma ca- pacidade incrível de salto, con- seguindo saltar com segurança uma distância de 15 metros de comprimento. A longa cauda dá-lhes o balan- ço necessário para se equili- brarem entre as montanhas do continente asiático. Chegam a habitar montanhas a 6.700 me- tros de altitude. Fotografia: Mark Dumont / via Flickr
  38. 38. JaguarPanthera onca Estado de conservação: Quase ameaçado O terceiro maior felino do mun- do (apenas atrás de tigres e de leões) e o maior felino do con- tinente americano, é também chamado de pantera ou onça pintada. Habita nos três continentes americanos e prefere viver per- to de água, em pântanos, flo- restas ou regiões que sejam frequentemente inundadas, onde caçam veados, tapires e também tartarugas, peixes ou rãs. Apesar de ser muito pareci- do com o leopardo, é maior e com comportamento mais pa- recido com os tigres. O jaguar tem a mordida mais forte entre todos os felinos, capaz de per- furar carapaças de tartaruga e até couraças de crocodilos, que ocasionalmente caçam. Fotografia: Eddy Van 3000 / via Flickr
  39. 39. ChitaAcinonyx jubatus Estado de conservação: Vulnerável Também conhecida como gue- pardo, a chita é a grande velo- cista entre os felinos e o animal terrestre mais veloz do mundo. São felinos com características únicas e especializadas e os que mais divergem em relação às outras espécies de felinos selvagens. As chitas têm uma fisionomia aerodinâmica e um organismo totalmente adaptado à veloci- dade. Conseguem acelerar dos 0 aos 100 quilómetros por hora em apenas 3 segundos e che- gar à velocidade máxima de 120 quilómetros por hora pouco depois. No entanto, a quantidade de energia que gasta nessas cor- ridas é enorme e a temperatu- ra corporal sobe rapidamente, pelo que necessita de descan- sar largos minutos depois de um sprint. Fotografia: Arno Meintjes / via Flickr
  40. 40. PumaPuma concolor Estado de conservação: Pouco preocupante O puma é um grande felino americano, conhecido por uma panóplia de nomes tais como leão da montanha, cougar, onça parda, suçuarana e ou- tros. Acredita-se que existam mais de 40 nomes para este mesmo animal. As patas traseiras dos pumas são maiores que as dianteiras, especialmente adaptadas a grandes saltos. Caçam as suas presas através de emboscadas e escondem-nas, para se irem alimentando delas durante vá- rios dias. São animais tímidos e solitários, no entanto não se dão bem em habitats pequenos. Apesar dos pumas adultos te- rem uma coloração uniforme, os bebés têm uma pelagem malhada e, tal como os nossos gatos, olhinhos azuis. Fotografia: Julian Wellbrock / via Flickr
  41. 41. Pantera Nebulosa Neofelis nebulosa Estado de conservação: Em perigo Também conhecido como leo- pardos nebulosos, tem, propor- cionalmente, os maiores dentes caninos entre todos os carní- voros terrestres e são a nossa visão atual mais aproximada (embora ainda muito diferente) com os já extintos tigres-den- tes-de-sabre. Apesar de não estarem rela- cionados com os restantes leo- pardos, partilham com estes a excelente habilidade de subir às árvores, conseguindo até pendurar-se nos ramos presos apenas pelas patas. A maior parte da informação que temos sobre as panteras nebulosas advém da observa- ção em cativeiro. A vida destes felinos em ambiente selvagem é algo misteriosa e pouco se sabe sobre eles. Fotografia: Gary Brigden / via Flickr
  42. 42. O mundo sem estes animais não seria a mesma coisa. Não poderia. A boa notícia é que não é tarde demais para ajudar. Um dos principais movimentos globais focados na conserva- ção dos grandes felinos é a Big Cats Initiative. Fundada pela National Geographic em con- junto com os conservacionis- tas Dereck e Beverly Joubert, trabalha em conjunto com as populações locais para minimi- zar conflitos humano-animal e proporcionar uma co-habitação pacífica com os animais. Pode conhecer mais sobre o traba- lho deles e apoiar em http://ani- mals.nationalgeographic.com/ animals/big-cats/ Conheça e considere apoiar também a Big Cat Rescue, um dos maiores santuários de gran- des felinos do mundo (http://bi- gcatrescue.org/) e o programa Big Cats da WCS (http://www. wcs.org/our-work/wildlife/big- -cats). Juntos podemos contribuir para que estes fantásticos animais continuem a rugir livremente pelo mundo dos animais.Fotografia: Ali Arsh / via Flickr Descubra mais sobre grandes felinos em: - www.mundodosanimais.pt/mamiferos/felinos
  43. 43. Inspirar pessoas a melhor dos ani www.mundodosanimais.p
  44. 44. a cuidar imais pt Produção e Conteúdos: Carlos Gandra Data da Edição: Fevereiro de 2016 Contacto geral geral@mundodosanimais.pt Colaboração editor@mundodosanimais.pt A Revista Mundo dos Animais é uma publicação gratuita. Sinta-se livre para a distribuir por email, twitter, blog ou qualquer outro meio, desde que nenhum dos conteúdos seja de alguma forma alterado. Todas as edições podem ser ace- didas gratuitamente em: www.mundodosanimais.pt/revista Visite-nos em: © 2016 Mundo dos Animais www.mundodosanimais.pt /mundodosanimais @mundodosanimais +MundodosanimaisPt

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