DOCUMENTOS
A DESCOBERTA DOS AÇORES <ul><li>Doc. 3 </li></ul><ul><li>“ (…) Depois da ilha do Faial ser descoberta (…) fizeram mercê da...
O POVOAMENTO DOS AÇORES <ul><li>Doc. 1 </li></ul><ul><li>“ A quantos esta carta virem fazemos saber que o Infante meu tio ...
Os Portugueses vistos pelos Africanos <ul><li>“ Um dia sobre o mar surgiu um grande barco. Tinha asas brancas e brilhantes...
Os Portugueses vistos pelos Japoneses <ul><li>“ Estes homens, bárbaros do Sudoeste, são comerciantes (…). Não sei se exist...
<ul><li>LISBOA  </li></ul><ul><li>DO SÉC. XVI </li></ul>
LISBOA DO SÉC.XVI <ul><li>O Comércio em Lisboa </li></ul><ul><li>“ Passando ao longo da Rua Nova, onde abundam os gravador...
<ul><li>Imigração e emigração </li></ul><ul><li>“ Vemos no reino meter </li></ul><ul><li>Tantos cativos * crescer </li></u...
O COMÉRCIO DE ESCRAVOS <ul><li>Tráfico negreiro </li></ul><ul><li>Doc. 1 </li></ul><ul><li>“ Entregues os escravos aos cap...
O ENSINO <ul><li>“ Na verdade o primeiro princípio de todos os estudos deve ser a gramática da própria língua [...]. Julgo...
Exibição de luxo <ul><li>“ Mas para que serve (…) um tal séquito? </li></ul><ul><li>- Não falta que fazer a cada um, embor...
Compra-se tudo ao estrangeiro <ul><li>“…  é um facto que os portugueses e espanhóis não podem viver sem a França. São inev...
Um auto-de-fé em Lisboa <ul><li>“ O cortejo dirigia-se lentamente para o Terreiro do Paço (…) onde se erguia um enorme est...
AS CORTES DE TOMAR A UNIÃO IBÉRICA (1580-1640)
O que disse Filipe II <ul><li>Doc. 1 </li></ul><ul><li>“  - Sua Majestade fará juramento de manter todos os direitos, cost...
<ul><li>O SEBASTIANISMO </li></ul>
ALCÁCER- QUIBIR <ul><li>“ No dia 24 de Junho de 1578 saiu D. Sebastião do Tejo, com uma armada de cerca de 800 velas, entr...
O SEBASTIANISMO “ Este ilhéu, como não podia deixar de ser, encontra-se intimamente   ligado à História da Terra que lhe d...
A vida quotidiana no século XVIII <ul><li>Vestuário das classes inferiores </li></ul><ul><li>“ Nas classes inferiores, que...
Lisboa antes do terramoto <ul><li>“ Ainda em 1753, quando Lisboa já tinha aumentado de maneira considerável, certas portas...
CONT. <ul><li>(…) O Terreiro do Paço com o Palácio Real e o Rossio com o Palácio da Inquisição (…) eram – simbolicamente, ...
Desenvolvimento da agricultura   séculos XVIII - XIX <ul><li>“ No Portugal do século XIX regista-se uma atenção particular...
<ul><li>Cont. </li></ul><ul><li>… É também da segunda metade do século XIX, a introdução de novos instrumentos agrícolas, ...
Vida quotidiana no século XVIII <ul><li>Exibição de luxo </li></ul><ul><li>Chaves na mão, melena desgrenhada, </li></ul><u...
<ul><li>AS INVASÕES NAPOLEÓNICAS </li></ul>
<ul><li>Antecedentes da Revolução Liberal </li></ul><ul><li>“ As invasões e a ocupação francesa devastaram boa parte de Po...
Ultimato de Napoleão ao Príncipe Regente, D. João. <ul><li>“ (…) Portanto, o baixo assinado teve ordem de declarar que se ...
A decisão do Príncipe Regente <ul><li>“ Vejo que, pelo interior do meu reino, marcham tropas do imperador dos Franceses (…...
Os motivos da independência do Brasil <ul><li>(…) Em 1815, o Brasil deixou a condição de colónia, sendo elevado à categori...
A decisão de D. João face ao Ultimato de Napoleão <ul><li>Texto 2 </li></ul><ul><li>“ (…) Quando Napoleão procura fechar a...
O embarque da Família Real para o Brasil <ul><li>“ (…) Os cortesãos corriam pela meia-noite as ruas, ofegantes, batendo às...
A intervenção inglesa <ul><li>“ A resistência popular começou desde logo, organizando-se guerrilhas contra o invasor. (…)....
<ul><li>O LIBERALISMO </li></ul>
Lutas Liberais <ul><li>Independência do Brasil </li></ul><ul><li>O Caminho da Independência </li></ul><ul><li>1 – O cresci...
D.PEDRO e D.MIGUEL <ul><li>TEXTO 1 </li></ul><ul><li>“ Após a morte de D. João VI, ocorrida em 1826, assistiu-se a uma (…)...
D. PEDRO e D. MIGUEL (cont.) Pelo contrário, D. Pedro, o filho primogénito de D. João VI, apadrinhava os liberais. Imperad...
<ul><li>A chegada de D. Pedro IV  </li></ul><ul><li>a Ponta Delgada </li></ul><ul><li>Texto 2 </li></ul><ul><li>(…) Logo a...
Proclamação lida pelo Coronel Sepúlveda <ul><li>“ Soldados! Acabou-se o sofrimento (…). Soldados, o momento é este (…). Ca...
A casa dos burgueses <ul><li>“ A função do pechisbeque foi parecer o que não era. Teve um sucesso imenso: dos botões das f...
<ul><li>OS TRANSPORTES  SÉC.XIX  </li></ul>
A inauguração do Caminho-de-Ferro <ul><li>“ Vou narrar o que me lembra do solene dia da inauguração que, enfim, chegou (…)...
A Diligência <ul><li>“ Uma coisa digna de estudo é o aspecto das diligências que  circulam  sobre  estas estradas (…). </l...
O Passeio Público <ul><li>“ Entre as duas filas paralelas de árvores, entremeadas de candeeiros de gás, apertava-se uma mu...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

DOCUMENTOS

2.004 visualizações

Publicada em

Publicada em: Tecnologia, Negócios
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.004
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
460
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
19
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

DOCUMENTOS

  1. 1. DOCUMENTOS
  2. 2. A DESCOBERTA DOS AÇORES <ul><li>Doc. 3 </li></ul><ul><li>“ (…) Depois da ilha do Faial ser descoberta (…) fizeram mercê da capitania dela e da ilha do Pico a um fidalgo flamengo chamado Job de Dutra que muitas vezes vinha a Lisboa (…) e esta capitania lhe foi dada com condição que havia de povoar a terra (…) trouxe da Flandres três navios carregados de flamengos (…).” </li></ul><ul><li>Gaspar Frutuoso, Saudadas da Terra (séc. XVI) </li></ul><ul><li>Doc. 4 </li></ul><ul><li>“ Quanto às duas ilhas do grupo ocidental, foram atingidas por Diogo de Teive em 1452. Este navegador teria feito uma longa viagem à Terra Nova e no regresso encontrou as duas ilhas.” </li></ul><ul><li>Veríssimo Serrão, História de Portugal </li></ul>
  3. 3. O POVOAMENTO DOS AÇORES <ul><li>Doc. 1 </li></ul><ul><li>“ A quantos esta carta virem fazemos saber que o Infante meu tio nos mandou dizer que ele mandara lançar ovelhas nas sete ilhas dos Açores e que nos aprouvesse que as mandaria povoar. E porque a nós nos convém, lhe mandamos que as mande povoar.” </li></ul><ul><li>Carta de Afonso V de 2 de Julho de 1439 </li></ul><ul><li>Doc. 2 </li></ul><ul><li>“ Eu, o Infante D. Henrique faço saber que Jácome de Bruges, meu servidor, natural do Condado da Flandres me pediu por mercê, que ele a queria povoar (a ilha Terceira). </li></ul><ul><li>(….) E quero que ele tenha todo o meu poder de justiça na dita ilha, salvo os feitos de mortes de homens e talhamento de membros, que ressalvo para mim.” </li></ul><ul><li>Carta do Infante D Henrique (adaptado) </li></ul>
  4. 4. Os Portugueses vistos pelos Africanos <ul><li>“ Um dia sobre o mar surgiu um grande barco. Tinha asas brancas e brilhantes como facas ao sol. Homens brancos saíram da água dizendo palavras que ninguém compreendia. Os nossos antepassados tomaram medo e pensaram que eram almas do outro mundo. Conseguiram fazê-los regressar ao mar disparando nuvens de flechas. Mas eles começaram a cuspir fogo com um barulho de trovão…” </li></ul><ul><li>Da tradição oral africana </li></ul>
  5. 5. Os Portugueses vistos pelos Japoneses <ul><li>“ Estes homens, bárbaros do Sudoeste, são comerciantes (…). Não sei se existem entre eles regras de etiqueta: bebem um copo sem o oferecerem aos outros; comem com os dedos e não com pauzinhos como nós; mostram os seus sentimentos sem nenhuma vergonha. Não compreendem o significado da nossa escrita (…). Mas, no fundo, são gente que não faz mal.” </li></ul><ul><li>Nampo Bunshi, Crónica Japonesa (adaptado) </li></ul>
  6. 6. <ul><li>LISBOA </li></ul><ul><li>DO SÉC. XVI </li></ul>
  7. 7. LISBOA DO SÉC.XVI <ul><li>O Comércio em Lisboa </li></ul><ul><li>“ Passando ao longo da Rua Nova, onde abundam os gravadores, joalheiros, ourives, douradores, e casas de câmbio, (…) chega-se a outra chamada também Rua Nova dos Mercadores. (…) Aqui se juntam todos os dias os comerciantes de quase todos os povos e partes do mundo (…), por causa das facilidades que o comércio e o porto oferecem.” </li></ul><ul><li>Damião de Góis, Descrição da cidade de Lisboa, 1554 </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Imigração e emigração </li></ul><ul><li>“ Vemos no reino meter </li></ul><ul><li>Tantos cativos * crescer </li></ul><ul><li>E irem-se os naturais </li></ul><ul><li>Que se assim for serão mais </li></ul><ul><li>Eles que nós, a meu ver.” </li></ul><ul><li>Garcia de Resende, Miscelânia </li></ul><ul><li>* Cativos – escravos </li></ul>Migração “ Os pobres do reino acudiam todos a Lisboa (…) convencidos (…) que poderiam achar remédio onde estava o rei e os grandes (…). Foi origem deste mal não acudir o céu com água em todo o ano de 1521 (…) Frei Luís de Sousa, Anais de D. João III Adaptado
  9. 9. O COMÉRCIO DE ESCRAVOS <ul><li>Tráfico negreiro </li></ul><ul><li>Doc. 1 </li></ul><ul><li>“ Entregues os escravos aos capitães dos navios (…) estes procuram (…) meter e transportar num navio o maior número possível e despender com eles o menos que possa ser (…). Nada mais têm por onde o ar lhes possa chegar que (…) umas pequenas frestas (…). A escravatura embarcada tem curtíssima ração (de alimentos) e de água e esta amornada pela ardência do calor (…). Não haverá razões para chamar aoa escravos que a tanto resistem e que tanto escapam, homens de pedra ou de ferro?” </li></ul><ul><li>L. A. Oliveira Mendes, Memória a Respeito dos Escravos </li></ul><ul><li>Adaptado </li></ul>
  10. 10. O ENSINO <ul><li>“ Na verdade o primeiro princípio de todos os estudos deve ser a gramática da própria língua [...]. Julgo que este deve ser o primeiro estudo da mocidade, e que a primeira coisa que se lhe deve apresentar é uma gramática da sua língua, curta e clara; porque, neste particular, a voz do mestre faz mais do que os preceitos. E não se deve intimidar os rapazes com mau modo ou pancadas, como todos os dias sucede; mas, com grande paciência, explicar-lhes as regras e, sobretudo, mostrar-lhes, nos seus mesmos discursos, ou em algum livro vulgar e carta bem escrita e fácil o exercício e a razão de todos estes preceitos.” </li></ul><ul><li>Luís António Verney, (Verdadeiro Método de Estudar) </li></ul>
  11. 11. Exibição de luxo <ul><li>“ Mas para que serve (…) um tal séquito? </li></ul><ul><li>- Não falta que fazer a cada um, embora todos levem vida regalada: - dois caminham adiante; o terceiro leva o chapéu; o quarto o capote (…); o quinto pega a rédea da cavalgadura; o sexto é para segurar os sapatos de seda; o sétimo traz uma escova para limpar de pêlos o fato; o oitavo um pano para enxugar o suor da besta, enquanto o amo ouve a missa ou conversa com algum amigo; o nono apresenta-lhe o pente, se tem de ir cumprimentar alguém de importância, não vá ele aparecer com a cabeleira por pentear.” </li></ul><ul><li>Clenardo – estrangeiro que visitou Portugal, século XVI </li></ul><ul><li>Séquito – cortejo; grupo de acompanhantes. </li></ul>
  12. 12. Compra-se tudo ao estrangeiro <ul><li>“… é um facto que os portugueses e espanhóis não podem viver sem a França. São inevitavelmente forçados a comprar-nos o trigo, as telas, os panos, o papel, os livros, e até a marcenaria e outras obras manuais. Vão, por isso, procurar a, para nós, o ouro, a prata e as especiarias ao fim do Mundo.” </li></ul><ul><li>J. Bodin, Resposta aos paradoxos de M. de Malestroit, 1568 </li></ul><ul><li>Adaptado </li></ul>
  13. 13. Um auto-de-fé em Lisboa <ul><li>“ O cortejo dirigia-se lentamente para o Terreiro do Paço (…) onde se erguia um enorme estrado, que podia conter duas a três mil pessoas. Depois de um sermão. (…) liam-lhe a sentença final do tribunal. </li></ul><ul><li>Começavam por aqueles que tinham condenado ao açoite ou à pena da roda. </li></ul><ul><li>Chegava-se finalmente à apoteose: os condenados que deviam ser queimados vivos eram alcandorados até ao cimo de altas pilhas de lenha. Iam amarrados e eram entregues à populaça que lhes fazia a barba. Consistia isto em chamuscar o rosto com brasas, colocadas no topo de compridas varas. Finalmente, carrasco interrompia estas brincadeiras para atirar uma tocha para a pilha de lenha seca. </li></ul><ul><li>Às vezes, o vento (…) abafava as chamas ou apagava o fogo. Assim o condenado levava entre meia hora e duas ou três horas para expirar” </li></ul><ul><li>Suzanne Chantal, A Vida Quotidiana em Portugal </li></ul>
  14. 14. AS CORTES DE TOMAR A UNIÃO IBÉRICA (1580-1640)
  15. 15. O que disse Filipe II <ul><li>Doc. 1 </li></ul><ul><li>“ - Sua Majestade fará juramento de manter todos os direitos, costumes, privilégios e liberdades concedidas ao reino de Portugal (…). </li></ul><ul><li>- Que havendo de se pôr neste reino vice-rei outra pessoa que o haja de governar seja português (…). </li></ul><ul><li>- Que todos os cargos superiores e inferiores, assim da justiça como da fazenda e do governo dos lugares sejam para portugueses e não para estrangeiros (…). </li></ul><ul><li>- Que os negócios da Índia e da Guiné e de outras partes pertencentes ao reino de Portugal não se tirem dele nem haja qualquer mudança (…). </li></ul><ul><li>- Que o ouro e a prata que se cunharem em moeda neste reino se cunhem apenas com as armas de Portugal.” </li></ul><ul><li>Lopes Praça, Colecção de Leis </li></ul><ul><li>Adaptado </li></ul>
  16. 16. <ul><li>O SEBASTIANISMO </li></ul>
  17. 17. ALCÁCER- QUIBIR <ul><li>“ No dia 24 de Junho de 1578 saiu D. Sebastião do Tejo, com uma armada de cerca de 800 velas, entre galeões, galés, urcas, caravelas e outras embarcações; no camarim da sua galé levava o rei a espada e o escudo de D. Afonso Henriques, que pedira ao Mosteiro de Santa Cruz (…). Após alguma demora em Lagos e Cádis, chegou o rei a Tânger a 7 de Julho, donde quatro dias mais tarde , partiu para Arzila (…). A 29 de Julho partiu em direcção de Alcácer Quibir (…). A 6 km desta cidade acampara com 40 000 cavaleiros. No dia 4, D. Sebastião mandou dispor o exército em ordem de batalha, exército que, mal alimentado, estafado pela marcha e pelo calor e dirigido por um rei incapaz, foi completamente derrotado. Entre os mortos figurava o próprio rei.” </li></ul><ul><li>Maria Emília Ferreira - “Dicionário de História de Portugal – artigo “D. Sebastião” </li></ul>
  18. 18. O SEBASTIANISMO “ Este ilhéu, como não podia deixar de ser, encontra-se intimamente ligado à História da Terra que lhe deu o nome e à vida do seu povo, principalmente nalgumas superstições muito interessantes. Acreditou-se também que ali existia uma ilha encantada, povoada de numerosos habitantes. O desaparecimento de D. Sebastião nas plagas* da Líbia deu origem ao Sebastianismo, mística lenda que dulcificava as amarguras do povo receoso da perda da independência da Pátria. O Sebastianismo vila-franquense, identificando os seus sentimentos e aspirações com os do povo continental, acreditava que D. Sebastião estava encantado no ilhéu e que apareceria em dias de nevoeiro mais denso.” Teotónio Machado de Andrade,” O Cicerone de Vila Franca” * Plagas – praias, terras, regiões.
  19. 19. A vida quotidiana no século XVIII <ul><li>Vestuário das classes inferiores </li></ul><ul><li>“ Nas classes inferiores, quer de Verão quer de Inverno, os homens não mudam nunca o capote, usado até pelos pobres miseráveis. Os operários e jornaleiros que nos dias de trabalho raras vezes trazem casaco, lançando aos ombros o capote e pondo um chapéu tricórnio, consideram-se vestidos. Os carreteiros, os burriqueiros e gentes parecidas, que em virtude das suas ocupações não podem usar trajos durante a semana, aparecem todos os dias santificados com grandes capotes (…) muitas vezes de cor verde.” </li></ul><ul><li>De uma carta de um pobre sueco que visitou Lisboa no século XVIII </li></ul>
  20. 20. Lisboa antes do terramoto <ul><li>“ Ainda em 1753, quando Lisboa já tinha aumentado de maneira considerável, certas portas da cerca do século XIV eram vistas como suas entradas principais. As estruturas urbanas continuavam a ser as de um velho burgo medieval, vasto e desordenado, sem plano nem proporções – salvo as ruas modernas do Bairro Alto. As outras eram como sempre estreitas, sujas e incómodas, diz-nos um viajante das vésperas do terramoto (…). </li></ul><ul><li>(…) As casas eram insuportavelmente sujas, as estalagens lugares perigosíssimos (…) e os estrangeiros não tinham onde se hospedar (…) </li></ul>
  21. 21. CONT. <ul><li>(…) O Terreiro do Paço com o Palácio Real e o Rossio com o Palácio da Inquisição (…) eram – simbolicamente, pode dizer-se – as únicas grandes praças da cidade. </li></ul><ul><li>(…) Debaixo do Sol, porém, as paredes de Lisboa brilhavam, branqueadas de cal – e sobre as suas sete colinas, o Tejo aos pés, a cidade tinha por si a natureza (…). E para lá dos seus limites, para o norte, as hortas alegravam-na ainda mais, atraindo o seu povo em piqueniques e festas. </li></ul><ul><li>… Assim era a cidade que desapareceu no dia 1 de Novembro de 1755. </li></ul><ul><li>José Augusto França, Lisboa Pombalina e o Iluminismo </li></ul>
  22. 22. Desenvolvimento da agricultura séculos XVIII - XIX <ul><li>“ No Portugal do século XIX regista-se uma atenção particular relativamente ao sector agrícola. É então o tempo da reconversão da economia nacional. A partir de 1850 dá-se um grande passo no progresso agrícola português, tendo sido criado nesse ano o Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria. </li></ul><ul><li>Em 1855 são adquiridas máquinas agrícolas na Exposição Universal de Paris e, em 1858, ver-se-iam generalizadas as máquinas de ceifar. De forma a fazer recair a atenção das pessoas para o mundo agrícola, são constituídas diversas sociedades agrícolas e procede-se à organização de exposições e congressos sobre a agricultura. “ </li></ul>
  23. 23. <ul><li>Cont. </li></ul><ul><li>… É também da segunda metade do século XIX, a introdução de novos instrumentos agrícolas, como a charrua inglesa, o semeador ou ainda a grade triangular. Entre as inovações da época destaca-se a debulha mecânica a vapor, que é o símbolo do progresso neste campo. Ao mesmo tempo começa-se a utilizar sementes seleccionadas e a completar a adubação tradicional com adubos químicos. </li></ul><ul><li>Contudo, se é só a partir de 1850 que ocorre um movimento de modernização da agricultura portuguesa, antes, verifica-se já uma melhoria da produtividade. É nesta altura que se dá a expansão do cultivo do arroz e da barata. Assim, estes dois produtos passam agora a fazer parte da alimentação dos mais pobres. Nas regiões do Norte e Nordeste, a batata substituiu o nabo e a castanha na alimentação. É também neste período que se assiste à expansão da cortiça, com outras culturas tradicionais (trigo, vinha, legumes, frutas) a conhecerem expansão idêntica. </li></ul><ul><li>Gabriel Jorge Andrade Cota, Roteiro dos Conteúdos Programáticos da Disciplina de História de Portugal </li></ul>
  24. 24. Vida quotidiana no século XVIII <ul><li>Exibição de luxo </li></ul><ul><li>Chaves na mão, melena desgrenhada, </li></ul><ul><li>Batendo o pé na mesa, a mãe ordena </li></ul><ul><li>Que o furtado colchão, fofo e de pena, </li></ul><ul><li>A filha o ponha ali, ou a criada. </li></ul><ul><li>A filha, moça esbelta e aperaltada </li></ul><ul><li>Lhe diz coá doce voz que o ar serena: </li></ul><ul><li>“ Sumiu –se -lhe o colchão? É forte pena! </li></ul><ul><li>Olhe não fique a casa arruinada!” </li></ul><ul><li>“ Tu respondes assim? Tu zombas disto? </li></ul><ul><li>Tu cuidas que por ter pai embarcado </li></ul><ul><li>Já a mãe não tem mãos?” E dizendo isto </li></ul><ul><li>Arremete-lhe à cara e ao penteado; </li></ul><ul><li>Eis senão, quando caso nunca visto, </li></ul><ul><li>Sai-lhe o colchão de dentro do toucado! </li></ul><ul><li>Nicolau Tolentino, Obras Poéticas </li></ul>
  25. 25. <ul><li>AS INVASÕES NAPOLEÓNICAS </li></ul>
  26. 26. <ul><li>Antecedentes da Revolução Liberal </li></ul><ul><li>“ As invasões e a ocupação francesa devastaram boa parte de Portugal (…). A agricultura, o comércio e a indústria foram profundamente afectados. (…) Tanto franceses como ingleses saquearam bom número de mosteiros, igrejas, palácios, (…) levando consigo toda a casta de objectos preciosos. (…). Para mais, as invasões francesas deixaram Portugal numa condição política especialíssima. (…). O país passou a ser um protectorado inglês, quer uma colónia brasileira. (…). Beresford recebeu a direcção suprema do país (…). O rei D. João VI não manifestava desejos de regressar à Europa. (…). Através do país, descontentamento contra o rei, os Ingleses e a regência era acompanhada por uma situação económica deplorável. Por toda a parte lavrara um fermento revolucionário, que bem depressa conduziria à rebelião.” </li></ul><ul><li>A. H. de Oliveira Marques, Historia de Portugal, Vol. I </li></ul>
  27. 27. Ultimato de Napoleão ao Príncipe Regente, D. João. <ul><li>“ (…) Portanto, o baixo assinado teve ordem de declarar que se no 1º de Setembro próximo S. A. R. o Príncipe Regente de Portugal não tiver manifestado o desígnio de subtrair-se à influência inglesa, declarando imediatamente guerra à Inglaterra, fazendo sair o ministro de S. M. Britânica, chamando de Londres o seu próprio Embaixador, (…) confiscando as mercadorias inglesas, fechando os seus portos ao comércio inglês, (…) entender-se-á que S. A. R. o Príncipe Regente de Portugal renuncia à causa do Continente (…).” </li></ul><ul><li>Damião Peres, História de Portugal, 1934, Vol. VI </li></ul>
  28. 28. A decisão do Príncipe Regente <ul><li>“ Vejo que, pelo interior do meu reino, marcham tropas do imperador dos Franceses (…). </li></ul><ul><li>Conhecendo eu igualmente que elas se dirigem muito particularmente contra a Minha Real Pessoal (…) tenho resolvido, em beneficio dos meus vassalos, passar com a Rainha Minha Senhora e Mãe e com toda a Real Família para os Estados da América e estabelecer-me na cidade do Rio de Janeiro até à paz geral.” </li></ul><ul><li>Carta do príncipe D. João, em 26 de Novembro de 1807 </li></ul>
  29. 29. Os motivos da independência do Brasil <ul><li>(…) Em 1815, o Brasil deixou a condição de colónia, sendo elevado à categoria de reino, com as suas instituições próprias. </li></ul><ul><li>Contudo, o regresso de D. João VI à Europa desagradara profundamente. O Brasil estava já habituado a ter um rei seu e uma corte própria, com sede da monarquia estabelecida no seu território. Este sentimento foi acirrado pela atitude do primeiro parlamento constitucional que, (…) tendeu a anular os privilégios concedidos por D. João VI e a devolver ao Brasil a condição de colónia. </li></ul><ul><li>Isto, o Brasil não podia aceitar. Depois de ter decidido “ficar” contra a resolução tomada pelas cortes, D. Pedro foi proclamado “Defensor perpétuo do Brasil” em Maio de 1822, vindo a proclamar a plena independência alguns meses mais tarde.” </li></ul><ul><li>Oliveira Marques, História de Portugal </li></ul>
  30. 30. A decisão de D. João face ao Ultimato de Napoleão <ul><li>Texto 2 </li></ul><ul><li>“ (…) Quando Napoleão procura fechar a Europa à Inglaterra, Portugal, preso de longa data à Inglaterra, recusa-se a substituir as alianças e subordinar-se aos decretos do bloqueio continental. </li></ul><ul><li>Napoleão envia então, no fim de 1807, um exército comandado por Junot a Portugal (…).” </li></ul><ul><li>L. A. de Oliveira Ramos, Da Ilustração do Liberalismo </li></ul>
  31. 31. O embarque da Família Real para o Brasil <ul><li>“ (…) Os cortesãos corriam pela meia-noite as ruas, ofegantes, batendo às lojas, para comprarem o necessário; as mulheres entrouxavam a roupa e os pós, as banhas, o gesso com que caiavam a cara, o carmim com que pintavam os beiços, as perucas e os rabichos, os sapatos e as fivelas, toda a frandulagem do vestuário (…). </li></ul><ul><li>Embarcavam promiscuamente no cais os criados e os monsenhores, as freiras e os desembargadores (…). Era escuro, nada se via, ninguém se conhecia (…). </li></ul><ul><li>(…) O príncipe-regente e o infante de Espanha chegaram ao cais na carruagem, sós: ninguém dava por eles; cada qual cuidava de si, e tratava de escapar (…). E por fim a rainha, de Queluz, a galope. Parecia que o juízo lhe voltava com a crise. “Mais devagar! Gritava ao cocheiro; diria que fugimos! (…).” </li></ul><ul><li>Oliveira Martins, História de Portugal, Guimarães Editores </li></ul>
  32. 32. A intervenção inglesa <ul><li>“ A resistência popular começou desde logo, organizando-se guerrilhas contra o invasor. (…). Apoiados por este vasto movimento popular, os ingleses, sob o comando de Lord Wellington, desembarcaram na Galiza e entraram em Portugal em Julho de 1808. Outras forças britânicas se lhe vieram juntar e em conjunto com as tropas portuguesas, Wellington pôde derrotar os franceses em duas batalhas (Roliça e Vimeiro).” </li></ul><ul><li>A. H. de Oliveira Marques, Historia de Portugal, Vol. I </li></ul>
  33. 33. <ul><li>O LIBERALISMO </li></ul>
  34. 34. Lutas Liberais <ul><li>Independência do Brasil </li></ul><ul><li>O Caminho da Independência </li></ul><ul><li>1 – O crescimento demográfico do Brasil, sobretudo da população branca, constituiu um factor importante na luta pela independência. </li></ul><ul><li>2 - Desde o século XVIII que o Brasil usufruía de uma vida cultural própria onde se repercutiam as principais correntes do pensamento europeu. </li></ul><ul><li>3 – Findo o estatuto colonial com a abertura dos seus portos ao comércio mundial, O Brasil conheceu um surto de desenvolvimento económico, tanto comercial, como industrial, agrícola e mineiro. </li></ul><ul><li>4 – Durante os treze anos de permanência da coroa na colónia, O Brasil foi dotado de todos os instrumentos necessários para se governar a si mesmo: tribunais, governo central, instituições culturais e imprensa. </li></ul><ul><li>A. H. de Oliveira Marques, História de Portugal , Vol.I </li></ul>
  35. 35. D.PEDRO e D.MIGUEL <ul><li>TEXTO 1 </li></ul><ul><li>“ Após a morte de D. João VI, ocorrida em 1826, assistiu-se a uma (…) guerra aberta, raivosa, desesperada entre dois irmãos, D. Pedro e D. Miguel, filhos do soberano desaparecido, por trás de cada um dos quais havia metade da nação em armas. Portugueses lutavam contra portugueses (…). </li></ul><ul><li>Estes dois homens de sangue real, estes dois irmãos inimigos encarnavam ideias opostas (…). </li></ul><ul><li>Desde muito novo, D. Miguel, apoiado sempre por sua mãe, a rainha D. Carlota Joaquina, torna-se o maior defensor das tradições nacionais contra as ideias estrangeiras do liberalismo. Promovera duas revoluções anti-liberais – a Vila-Francada (1823) e a Abrilada (1824) – ambas de êxito fugaz. De novo triunfante o liberalismo, tomara o caminho do exílio. </li></ul>
  36. 36. D. PEDRO e D. MIGUEL (cont.) Pelo contrário, D. Pedro, o filho primogénito de D. João VI, apadrinhava os liberais. Imperador do Brasil, fora proclamado em 1826 rei de Portugal sob o nome de D. Pedro IV. Outorgou ao reino a carta constitucional, mais conservadora do que a Constituição de 1822, e abdico na sua filha D. Maria da Glória (…), mais conhecida por D. Maria II, que devia casar com D. Miguel. Ao seu filho primogénito, D. Pedro reservava a coroa o Brasil. D. Miguel, nomeadamente regente, regressou de Viena de Áustria em 1828 e jurou a Carta Constitucional. Todavia, pouco depois, convocou, segundo o uso antigo, as Cortes Gerais, que o aclamaram rei sob o nome de D. Miguel I (…) Acendeu-se então a guerra civil (…). O próprio D. Pedro, depois de abdicar a coroa imperial em seu filho D. Pedro II, veio à Europa defender os direitos da filha pela força das armas.” Fernando Pamplona, Portugal Gigante, Livraria Didáctica, Lisboa
  37. 37. <ul><li>A chegada de D. Pedro IV </li></ul><ul><li>a Ponta Delgada </li></ul><ul><li>Texto 2 </li></ul><ul><li>(…) Logo a 22 de Fevereiro, D. Pedro IV desembarca no cais de Ponta Delgada, acompanhado pela comitiva, é recebido às Portas da Cidade com honras reais, entre luminárias e bandeiras nos edifícios públicos e particulares (…). </li></ul><ul><li>Manuel Ferreira, Ponta Delgada </li></ul>
  38. 38. Proclamação lida pelo Coronel Sepúlveda <ul><li>“ Soldados! Acabou-se o sofrimento (…). Soldados, o momento é este (…). Camaradas, vinde comigo. Vamos com os nossos irmãos de armas organizar um Governo Provisório, que chame as Cortes a fazerem uma Constituição, cuja falta é a origem dos nossos males (…). Cada um de vós o sente. É em nome e conservação do nosso Augusto Soberano, o Senhor D. João VI, que há-de governar-se. A nossa Santa Religião será guardada (…). Os soldados que compõem o bravo exército português hão-de acorrer a abraçar a nossa causa, porque é igualmente a sua (…). Tende confiança num chefe que nunca soube ensinar-vos serão o caminho da honra. </li></ul><ul><li>Viva El-Rei O Senhor D. João VI! Viva as Cortes e por elas a Constituição.” </li></ul><ul><li>Proclamação de 1820 no Campo de Santo Ovídio </li></ul>
  39. 39. A casa dos burgueses <ul><li>“ A função do pechisbeque foi parecer o que não era. Teve um sucesso imenso: dos botões das fardas dos criados e das lanternas das caleches passou ao interior da casa, enchendo-a de ferramentas brilhantes, molduras, apliques, e acabou em pulseiras cravejadas de pedras falsas. Além do pechisbeque metal houve muitos outros: as paredes de mármore fingido, a escultura de gesso, a seda de papel que forrava as salas, os tapetes persas fingidos. A casa do burguês recordava as antigas casas dos nobres.” </li></ul><ul><li>José Hermano Saraiva, História Concisa de Portugal </li></ul><ul><li>Adaptado </li></ul>
  40. 40. <ul><li>OS TRANSPORTES SÉC.XIX </li></ul>
  41. 41. A inauguração do Caminho-de-Ferro <ul><li>“ Vou narrar o que me lembra do solene dia da inauguração que, enfim, chegou (…). Avistámos ao longe um fumozinho branco, na frente de uma fita escura que lembrava uma serpente a avançar devagarinho. Era o comboio? Quando se aproximou, vimos que trazia menos carruagens do que supúnhamos. Vinha festivamente embandeirado o vagão em que viajava D. Pedro V. </li></ul><ul><li>(…) Só no dia seguinte ouvimos meu pai contar as várias peripécias dessa jornada de inauguração. A máquina (…) não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram; e fora-as largando pelo caminho. Passaram muita fome os que ficaram no caminho. Até andou gente, pela, à procura dos náufragos do Progresso.” </li></ul><ul><li>Livro de Memórias da Marquesa de Rio Maior </li></ul>
  42. 42. A Diligência <ul><li>“ Uma coisa digna de estudo é o aspecto das diligências que circulam sobre estas estradas (…). </li></ul><ul><li>Quem olha de longe não vê mais que um enorme cacho de gente agarrada uma à outra, oscilando da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, levado por duas formigas. </li></ul><ul><li>Chegado ao termo da viagem, na praça mais espaçosa da povoação, os garranos param, a carruagem esvazia-se e a praça enche-se.” </li></ul><ul><li>Ramalho Ortigão, As Farpas </li></ul>
  43. 43. O Passeio Público <ul><li>“ Entre as duas filas paralelas de árvores, entremeadas de candeeiros de gás, apertava-se uma multidão; e através do rumor, a música fazia passar, no ar pesado, compassos vivos de “valsa”. </li></ul><ul><li>Tinham ficado parados, conversando. </li></ul><ul><li>Que calor, hem? Mas a noite estava linda! Nem uma aragem! </li></ul><ul><li>Que encontro! </li></ul><ul><li>E olhavam a gente que entrava (…). </li></ul><ul><li>Toda a burguesia domingueira viera amontoar-se na rua do meio (…)” </li></ul><ul><li>Eça de Queirós, O Primo Basílio </li></ul>

×