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Professora Ivana Mayrink
Oscar Pereira da Silva / Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto
Seguro em 1500, 19002 / Museu Paulista / Public Domain.
O Descobrimento do Brasil e oO Descobrimento do Brasil e o
QuinhentismoQuinhentismo
 O que eles queriam aqui?
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SÉCULO XVISÉCULO XVI
A EXPLORAÇÃOA EXPLORAÇÃO
 O 1º produto que atraiu a atenção dos portugueses para a nova terra foi o pau-
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O que eles pensavam de nós eO que eles pensavam de nós e
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Imagem: Oscar Pereira da Silva / Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em
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ÍndiosÍndios
 Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
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Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.
 
Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer
Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês –
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
 
Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.
 
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
 
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.
Renato Russo
1500
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Missionários
OPERÍODO INFORMATIVO
Autores: Não erampropriamente literatos. Tinhamuma
proposta meramente utilitária.
• Pero Vaz de Caminha  Carta a D. Manuel I
• Pero Lopes de Sousa  Diário de Navegação
• Gabriel Soares de Sousa  Tratado Descritivo do Brasil
• Hans Staden  As Duas Viagens ao Brasil
• Jean de Lery  Viagemà Terra do Brasil
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Cartas
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OPERÍODO INFORMATIVO
As Obras: Não eramliterárias. Faltava-lhes o caráter
inventivo.
Tratados
Objetividade
OPERÍODO INFORMATIVO
OEstilo: Era clássico, vigente emPortugal.
Clareza
Comedimento
OPERÍODO INFORMATIVO
O Conteúdo: Estas obras
limitam-se à informação, à
coleta e dados sobre a nova
terra:
* o clima
* o solo
* a vegetação
* o relevo
* os índios
QUINHENTISMOQUINHENTISMO
Período: Século XVIPeríodo: Século XVI
 Início: 1500 - “Carta de Achamento do Brasil”, de PeroVaz de Caminha.
 Término: 1601- “Prosopopeia”, de Bento Teixeira.
 Nem crônicas, nem memórias, pois não resultavam de nenhuma intenção
literária .
Imagem: Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo / Public Domain.
QUINHENTISMOQUINHENTISMO
 Os escritos dos cronistas e viajantes eram uma
tentativa de descrever e catalogar a terra e o
povo recém-descoberto.
 A essa descrição, no entanto, acrescentavam-se
elementos mágicos e características muitas vezes
fantásticas.
Imagem: Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D.
Manoel / Public Domain.
Carta de PeroVaz de CaminhaCarta de PeroVaz de Caminha
 [...]
Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo
disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro.
Então lançamos fora os batéis e esquifes, e vieram logo todos os capitães das naus
a esta nau do Capitão - mor, onde falaram entre si.
E o Capitão - mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele
rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando
aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali
havia dezoito ou vinte homens.
Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas
mãos traziam arcos com suas setas.Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau
Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram.
Imagem: Ships through ages / Boston Public Library / Creative Commons Attribution 2.0 Generic.
Analisando a CartaAnalisando a Carta
 Principais características das cartas:
 Espírito de fidelidade e submissão ao rei
 Posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa
Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação
achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu
melhor puder, ainda que -- para o bem contar e falar -- o saiba pior que todos fazer!
Imagem:AutorDesconhecido,1509/Battle
ofDiu/PublicDomain.
NativismoNativismo
 A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons
narizes, bem feitos.Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de
encobrir ou deixar de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara.Acerca
disso são de grande inocência.
Imagem:HérculesFlorence/Índiosapiakánorio
Arinos,MatoGrosso,1827/DomínioPúblico.
Preocupação em catequização indígenaPreocupação em catequização indígena
 Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a
nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma,
segundo as aparências.
Imagem:VictorMeirelles/Primeiramissano
Brasil,1860/DomínioPúblico.
Ufanismo e preocupação mercantilistaUfanismo e preocupação mercantilista
 Até agora, não pudemos saber se há
ouro ou prata nela, ou outra coisa de
metal, ou ferro; nem lha vimos.
Contudo a terra em si é de muito bons
ares frescos e temperados como os de
Entre-Douro-e-Minho, porque neste
tempo d'agora assim os achávamos
como os de lá. Águas são muitas;
infinitas. Em tal maneira é graciosa
que, querendo-a aproveitar, dar-se-á
nela tudo; por causa das águas que
tem!
Imagem: Adelano Lázaro / Cachoeira de Santa Bárbara -
Cavalcante - Goiás - Brasil / Domínio Público
QUINHENTISM0QUINHENTISM0
A produção literária no Brasil-ColôniaA produção literária no Brasil-Colônia
 Ainda não havia condições essenciais sólidas para o florescimento da
literatura (público leitor ativo e influente, grupos de escritores atuantes,
vida cultural rica e abundante, sentimento de nacionalidade, liberdade de
expressão, imprensa e gráficas).
 Não se pode falar numa literatura propriamente brasileira. É uma literatura
sobre o Brasil, de caráter meramente informativo.
 Duas manifestações literárias: Literatura informativa (material) e Literatura
dos jesuítas (catequese) (2).
QUINHENTISMOQUINHENTISMO
( Séc. XVI )( Séc. XVI )
 Literatura Informativa (viagens):
 Cartas de viagem
 Diários de navegação
 Tratados descritivos
 Textos em prosa
 Objetivo: narrar e descrever as viagens e
 os primeiros contatos com a terra e nativos
Imagem:JeandeLéry/HistorianavigationisinBrasiliam...Geneva,
1586/UnitedStatesPublicDomain.
Principais produções literárias no Brasil-Colônia:Principais produções literárias no Brasil-Colônia:
 A Carta, de PeroVaz de Caminha;
 O Diário de navegação, de Pero Lopes de Sousa (1530);
 O Tratado da terra do Brasil e a História da Província de Santa Cruz a que
vulgarmente chamamos Brasil, de Pero de Magalhães Gândavo (1576);
 O Tratado descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Sousa (1587);
 Os Diálogos das grandezas do Brasil, de Ambrósio Fernandes Brandão
(1618);
 As cartas dos missionários jesuítas escritas nos dois primeiros séculos de
catequese;
 A História do Brasil, de FreiVicente do Salvador (1627);
 As Duas viagens do Brasil, de Hans Staden (1557);
 A Viagem à terra do Brasil, de Jean de Léry (1578).
Como era a terra ?
Imagem: Benedito Calixto / Fundação de São Vicente, 1900 / Acervo da Prefeitura de São Vicente / Domínio Público.
Literatura InformativaLiteratura Informativa
 [...] Neste mesmo dia, à hora de vésperas, avistamos terra ! Primeiramente
um grande monte, muito alto e redondo; depois, outras serras mais baixas,
da parte sul em relação ao monte e, mais, terra chã. Com grandes
arvoredos. Ao monte alto o Capitão deu o nome de Monte Pascoal; e à
terra,Terra deVera Cruz. [...]
 Característica da produção: (Carta de PeroVaz de Caminha - fragmento)
 Relato;
 Descrição da terra (retrato compreensível de uma realidade inteiramente
 desconhecida e estranha);
 Linguagem: estrutura descritiva (adjetivos – comparações).
A Literatura de catequeseA Literatura de catequese
Missionários jesuítas
( 1549 – 1605 )
Imagem: Anchieta e Nóbrega na cabana de Pindobuçu, 1927 / Benedito Calixto / Museu Paulista / Domínio Público.
Literatura de CatequeseLiteratura de Catequese
 Missionários jesuítas
 Fundação de cidades: Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo
 Inauguração de escolas
 Textos:
 Poemas líricos (cunho religioso);
 Peças de teatro – autos (cenas bíblicas, passagens da vida de santos);
 Cartas;
 Tratados descritivos;
 Crônicas históricas.
Representantes e obras:Representantes e obras:
 Pe. José de Anchieta (gramático, historiador, poeta e teatrólogo)
 Textos:
 Poesia religiosa;
 Poesia épica (em louvor às ações do terceiro governador-geral Mem de
Sá);
 Cartas;
 Crônica histórica;
 Sermões;
 Peças teatrais - Auto: Na festa de São Lourenço (versos: tupi, português e
espanhol)
 a Arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil, de 1595 (1ª tupi).
 Manuel da Nóbrega
 Fernão Cardim
Poesia religiosaPoesia religiosa
A Santa Inês
José de Anchieta
Cordeirinha linda,
como folga o povo
porque vossa vinda
lhe dá lume novo!
Cordeirinha santa,
de Iesu querida
vossa santa vinda
o diabo espanta.
Por isso vos canta,
com prazer, o povo,
Imagem: Lucílio de Albuquerque / Anchieta escrevendo o poema à
Virgem,1906 / Domínio Público.
Nossa culpa escura
fugirá depressa,
pois vossa cabeça
vem com luz tão pura.
Vossa formosura
honra é do povo,
porque vossa vinda
lhe dá lume novo!
Observe que o eu lírico, por meio de repetição de certos versos,
ressalta a esperança que se renova com a chegada da santa.
Trata-se de uma produção simples, de versos breves, marcada
por refrões e com clara intenção musical.
Peça teatralPeça teatral
O auto de São Lourenço
José de Anchieta
Primeiro ato: (Cena do martírio de São Lourenço)
Cantam:
Por Jesus, meu salvador,
que morre por meus pecados,
nestas brasas, morro assado
com fogo do seu amor.
Bom Jesus, quando te vejo
na cruz, por mim flagelado,
eu por ti vivo e queimado
mil vezes morrer desejo.
Pois teu sangue redentor
lavou minha culpa humana,
arda eu pois nesta chama
Imagem: Baccio Bandinelli / Martírio de São Lourenço, século XVI / Museu
Histórico e Diplomático / Public Domain.
Anchieta busca converter indígenas e colonos apresentando a batalha entre o
Bem (associado aos portugueses, à religião, a Deus) e o Mal (associado à
língua tupi, aos costumes indígenas).
Referências BibliográficasReferências Bibliográficas
• NICOLA, José de. Português – Vol 1. Ensino Médio. São Paulo: Scipione, 2011.
• HERNANDES, Roberta; MARTIN, Vilma Lia. Projeto ECO – Língua Portuguesa – Vol 1.
Curitiba: Editora Positivo,2010.
• CEREJA, Willian Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português – Linguagens. Vol 1.
São Paulo: Editora Saraiva, 2010.
• CAMPOS, Elizabeth; CARDOSO, Paula Marques; ANDRADE, Silvia Letícia de. Viva
Português – Vol 1. São Paulo: Editora Ática.
• ABAURRE, Maria Luiza M.; ABAURRE, Maria Bernadete M.; PONTARA, Marcela. Português
– Contexto, Interlocução e Sentido. Vol 1. São Paulo: Moderna, 2010.

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