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História geral e histórias especiais   A história geral tem como tema sociedades    particulares, como povos e nações, cu...
Tempo   “O tempo histórico parece sem vínculo    direto com o da memória, o da expectativa e    o da circunspecção de age...
Multiplicidade de tempos   O tempo histórico tanto parece se desenvolver em    intervalos homogêneos quanto numa multipli...
Referências   BARROS, José D’Assunção. Paul Ricouer e a narrativa histórica. Disponível em:    http://www.historiaimagem....
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Slide desenvolvido para o grupo de pesquisa Narrativas Midiáticas Audiovisuais Reconfiguradas. Orientação da professora Fabiana Quatrin Piccinin. Universidade de Santa Cruz do Sul - Unisc.

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Paul Ricoeur - intencionalidade histórica

  1. 1. A intencionalidade histórica Paul Ricouer Narrativas Midiáticas Audiovisuais Reconfiguradas Universidade de Santa Cruz do Sul – Unisc Cristiane Lautert Soares – PROBIC/FAPERGS
  2. 2. Para Ricouer (1994, p. 251), o laço indireto entre ahistoriografia e a competência narrativa deve serpreservado. Historiografia• Registro escrito daHistória;• Estudos críticossobre o que foi escritosobre a História.
  3. 3.  “[...] a história não poderia romper todo laço com a narrativa sem perder seu caráter histórico. Inversamente, esse laço não poderia ser direto, a ponto de que a história possa ser considerada como uma espécie do gênero “story”” (p. 255).
  4. 4. Ruptura entre história e narrativa A ruptura epistemológica entre o conhecimento histórico e a competência em seguir uma história afeta essa competência em três níveis (p. 251): Procedimentos Entidades Temporalidade
  5. 5. Historiografia como investigação “No nível dos procedimentos, a historiografia nasce do uso específico que se faz da explicação. Mesmo quando se admite [...] que a narrativa é “auto-explicativa”, a história- ciência destaca o processo explicativo da trama da narrativa e erige-o em problemática distinta. Não é que a narrativa ignore a forma do por que e do porque; mas suas conexões permanecem imanentes à tessitura da intriga” (p. 251). Na história-ciência, a forma explicativa exige um processo de autentificação e de justificação.
  6. 6. Tessitura da intriga “A narrativa não é mera sucessão de episódios dispersos, e sim, o encadeamento causal de eventos significativos” (NICOLAZZI, p. 8). Na tessitura da intriga, a ação tem um contorno, um limite e uma extensão (RICOUER, 1994, p.67). “Compor a intriga já é fazer surgir o inteligível do acidental, o universal do singular, o necessário ou o verossímil do episódico” (RICOUER, 1994, p. 70).
  7. 7. O historiador O historiador assume a posição de juiz: é posto numa situação real ou potencial de contestação e tenta provar que uma explicação vale mais que outra (p. 252). O historiador busca garantias (provas). Submete a explicação à discussão e ao julgamento de um auditório, senão universal, ao menos reputado como competente, composto sobretudo por pares do historiador. E o jornalista, quando pesquisa, não faz o mesmo?
  8. 8. Ruptura entre história e narrativa Conceitualização – para explicar é preciso conceitualizar. O narrador não se importa com isso: ele não faz sua crítica (p. 252). Busca de objetividade – Esperar que os fatos de que tratam as obras históricas ajustem-se uns aos outros; esperar que os resultados de diferentes pesquisadores se acumulem, se complementem, se retifiquem (p. 252 – 253). Reflexividade crítica – O narrador espera que o público “suspenda de pleno acordo sua incredulidade”; o historiador dirige-se a um leitor desconfiado, que espera dele não somente que narre, mas que autentifique sua narrativa (p. 253).
  9. 9. Imputação causal singular É o procedimento explicativo que faz a transição entre a causalidade narrativa e a explicativa (p. 261). Construção imaginária probabilística.
  10. 10. Imputação causal singular• E se Bismarck não tivesse tomado adecisão de fazer a guerra?• Qual significado causal se atribui a essadecisão individual?• Qual o lugar dessa decisão naexposição histórica?• Quais consequências se esperaria seoutra decisão tivesse sido tomada?• Pode-se omitir algum fato que dariaoutro rumo à história?De que forma o jornalista constrói anarrativa?
  11. 11. A imputação causal é constituída por três traços: Análise por fatores – seleção das cadeias de causalidade que serão expostas historicamente. Recurso a regras da experiência – o que se sabe, o que já se viveu, dedução (p. 264). Teoria da possibilidade objetiva – eleva as construções irreais à categoria do juízo de possibilidade objetiva que afeta diversos fatores de causalidade com um índice de probabilidade relativa (p. 265).
  12. 12. Entidades Enquanto na narrativa tradicional, mítica ou na crônica, a ação é relacionada a agentes cuja identificação é possível (nome próprio e responsabilidade pelas ações), a história-ciência refere-se a objetos de um tipo novo. Põe entidades anônimas no lugar do sujeito da ação: nações, sociedades, civilizações, classes sociais, mentalidades (COSTA, 2008, p. 36). Quase-personagens.
  13. 13. Entidades Entidades de primeira ordem: povos, nações, civilizações. Entidades de segunda e terceira ordem: classes, seres genéricos, economia, demografia, sociologia, organizações, mentalidades, ideologias (p. 290).
  14. 14. Entidades “É porque cada sociedade é composta de indivíduos que ela se comporta na cena histórica como um grande indivíduo”. O historiador pode atribuir às entidades a iniciativa de certos cursos de ações e a responsabilidade histórica de certos resultados, mesmo não intencionais (p. 284).
  15. 15. História geral e histórias especiais A história geral tem como tema sociedades particulares, como povos e nações, cuja existência é contínua (p.278). As histórias especiais têm como tema aspectos abstratos da cultura: tecnologia, arte, ciência, religião (p. 278). “Nada na noção de personagem, entendido no sentido daquele que faz a ação, exige que este seja um indivíduo” (p. 280).
  16. 16. Tempo “O tempo histórico parece sem vínculo direto com o da memória, o da expectativa e o da circunspecção de agentes individuais” (p. 254). Sua estrutura é proporcional aos procedimentos e às entidades que a história- ciência emprega.
  17. 17. Multiplicidade de tempos O tempo histórico tanto parece se desenvolver em intervalos homogêneos quanto numa multiplicidade de tempos: tempo curto do acontecimento, tempo semilongo da conjuntura, longo prazo das civilizações, longuíssimo prazo dos simbolismos fundadores do estatuto social (RICOUER, 1994, p.254). A narrativa histórica (como, aliás, a da ficção) pode lidar com deslocamentos através do tempo, para a frente e para trás, aos saltos ou por degraus, e unir personagens distintos, separados no tempo e no espaço ( BARROS ,2011, p. 14).
  18. 18. Referências BARROS, José D’Assunção. Paul Ricouer e a narrativa histórica. Disponível em: http://www.historiaimagem.com.br/edicao12abril2011/paulricoeur.pdf. Acessado em: 14 jun. 2012. COSTA, Arrisete C. L. Explicação histórica e compreensão narrativa: na trilha de Paul Ricouer. 2008. Disponível em: http://www.uss.br/arquivos/mestrado %20historia/revist_mest_hist%20v10%20n2%202008.pdf. Acessado em: 14 jun. 2012 NICOLAZZI, Fernando. Uma teoria da história: Paul Ricouer e a hermenêutica do discurso historiográfico. Disponível em: http://ich.ufpel.edu.br/ndh/downloads/historia_em_revista_09_fernando_nicola zzi.pdf. Acessado em: 14 jun. 2012 RICOUER, Paul. Tempo e Narrativa. Trad. Constança Marcondes Cesar. Campinas - SP: Papirus, 1994.

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