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Índice    Ano 7. Nº 23. 2012                                            Perfil. “A diferença está                         ...
Pesquisa. Otimismo                         Entrevista. Sustentabilidade                Ensaio. Os riscos e cuidadosno Bras...
Perfil    Laércio Cosentino, presidente da Totvs    “A diferença está nas pessoas”A trajetória profissional do engenheiro ...
ceo/perfil   7
O sócio                 Naquela época, vivíamos o surgimento da                 microinformática. A Siga era um bureau de ...
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Para concretizar as oportunidades de crescimento, o Brasil estádiante de um importante desafio: ampliar a oferta de mão de...
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Chaim Zaher  Formado em direito pela Instituição Toledo de Ensino e em  pedagogia pela Faculdade de Educação e Letras Urub...
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  1. 1. www.pwc.com/br ceo BrasilPublicação para aquelesque tomam decisões.Ano 7. Nº 23. 2012Perfil.Laércio Cosentino,presidente da TotvsPesquisa.Otimismo no Brasil,pessimismo no mercadoexternoEntrevista.Marina Grossi,presidente do ConselhoEmpresarial Brasileiropara o DesenvolvimentoSustentável (CEBDS)Ensaio.Os riscos e cuidados nasoperações de M&APersonalidade.Mary del Priore,historiadora e escritora
  2. 2. CEO Brasil é uma publicação da PwC BrasilConselho EditorialPwC: Fernando Alves, Henrique Luz, Otavio Maia, Jorge Manoel, Carlos Iacia,João Cesar Lima, Júlio César dos Santos e Taciana Mello.Insight Engenharia de Comunicação: Luiz Cesar Faro, Sérgio Costa e Claudio Fernandez.Editor: Sérgio Costa (17.703 MTb-RJ)Projeto Gráfico: Wolff OlinsEdição e diagramação: Insight Engenharia de ComunicaçãoFotos: Piti Reali (pág. 3), Édi Pereira (capa e págs. 7, 8, 10, 11, 12, 13, 14, 16, 25, 26, 29, 30, 35 e 39),Divulgação Totvs (pág. 9), Divulgação SEB (págs. 15 e 17), Marcelo Carnaval (pág. 43, 44 e 45) eThinkstock (págs. 18, 21, 22, 28, 32, 34 e 41)Copyright: PricewaterhouseCoopers - BrasilCEO Brasil é uma publicação quadrimestral.A PwC - Brasil não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros publicadas nesta revista.www.pwc.com/br
  3. 3. Fernando Alves CEO, PwC Brasil Editorial Os papéis de um CEOSão várias as missões ou papéis do Na seção Pesquisa, mostramos os de grandes eventos esportivos e aprincipal dirigente de uma grande resultados da 8ª Pesquisa de Líderes exploração da camada do pré-sal, alémorganização: conduzir a empresa de Empresariais Brasileiros, na qual os das transformações demográficas eacordo com seu plano de negócios, CEOs reafirmam seu otimismo diante socioeconômicas pelas quais o país vemgerar valor aos acionistas e garantir das oportunidades de negócios em passando e que juntos impõem novosa harmonia no relacionamento com nosso mercado, embora revelem desafios para o crescimento do setor.seus diversos stakeholders, incluindo, relativa cautela diante das incertezascada vez mais, o elemento humano e do mercado internacional. O Case desta edição de CEO Brasilo relacionamento com a sociedade em mostra como a PwC contribuiu parageral. Nossa entrevistada nesta edição é a a implementação do processo de presidente do Conselho Empresarial qualificação de gestores da Cemig,Neste contexto, o presidente da Totvs, Brasileiro para o Desenvolvimento um dos pilares da companhia mineiraLaércio Cosentino, entrevistado na Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, para atingir a meta de ser um dos trêsseção Perfil, destaca dois papéis que uma das maiores autoridades do país maiores players no setor de energia dopriorizou em sua trajetória: escrever em sustentabilidade. E ela é taxativa: Brasil até 2020.a história e estar próximo das pessoas desenvolvimento sustentável não seque fazem o sucesso da companhia. resume a oportunidades de negócios, As ações para prevenir a ocorrência dePara Cosentino, as pessoas é que mas é também o caminho para a crimes cibernéticos nas empresas sãofazem a diferença – e a evolução da melhoria da qualidade de vida da o tema da seção Tendência. MelhorarTotvs, maior empresa de software população em todo o mundo. os controles, criar uma culturade gestão empresarial do Brasil e da corporativa por meio de políticasAmérica Latina, mostra o quão Os motivos do elevado percentual formais e orientação/treinamentobem-sucedida foi essa proximidade do de fusões e aquisições que não se e a implementação de canais deCEO com seus colaboradores. consumam após a realização dos denúncia são algumas medidas que respectivos processos de due diligence vêm sendo adotadas para mitigar asEssa importância transcendental do são o tema abordado por dois de perdas decorrentes dos diversos tiposcapital humano é abordada também nossos especialistas em Ensaio. de crimes a que as organizações estãona seção Opinião, para a qual a CEO Modelos de gestão ultrapassados, sujeitas.Brasil entrevistou os dirigentes de baixo nível de governança e diferençasduas das instituições de ensino mais nas práticas contábeis são alguns dos A Personalidade desta edição érenomadas na formação e qualificação principais entraves que impedem a historiadora e escritora Maryde profissionais de alto nível. Os a consolidação em determinados Del Priore, uma das autoras maispresidentes do Insper (Instituto de setores. premiadas do país, que, ao aproximarEnsino e Pesquisa), Claudio Haddad, os personagens históricos do nossoe do Conselho de Administração Na seção Artigo, um de nossos cotidiano, retratando-os pelado Sistema Educacional Brasileiro especialistas em varejo desenha perspectiva humana, desfaz a crença(SEB), Chaim Zaher, analisam a atual três cenários esperados para o de que o brasileiro não se interessa porsituação e indicam ações que podem varejo brasileiro nos próximos anos, sua história.melhorar o atual cenário de escassez considerando a combinação de fatoresde talentos. macroeconômicos, a realização Boa leitura! ceo/editorial 3
  4. 4. Índice Ano 7. Nº 23. 2012 Perfil. “A diferença está nas pessoas” Para Laércio Cosentino, PwC expertise presidente da Totvs, a líder de Artigo. Cenários para o mercado de softwares de gestão varejo no Brasil empresarial no Brasil e na O mercado varejista brasileiro América Latina, um dos papéis se verá diante de importantes do CEO é escrever a história. desafios nos próximos anos. O outro é estar próximo das Uma combinação que inclui pessoas que fazem o sucesso da fatores macroeconômicos, companhia. grandes eventos esportivos e até a exploração da camada do 6 pré-sal. 35 Case. Identificando e formando os talentos do futuro A contribuição da PwC Brasil na implementação do processo de qualificação de gestores da Cemig permitiu à empresa identificar novas lideranças entre seus colaboradores, reter capital humano capacitado e aprimorar a administração. 36 Opinião. Soluções para a escassez de mão de obra qualificada Os presidentes do Instituto de Ensino e Pesquisa (Inpser), Claudio Haddad, e do Conselho de Administração do Sistema Educacional Brasileiro (SEB), Chaim Zaher, apontam as saídas para um dos maiores desafios das organizações empresariais brasileiras. 144 ceo/índice
  5. 5. Pesquisa. Otimismo Entrevista. Sustentabilidade Ensaio. Os riscos e cuidadosno Brasil, pessimismo no e felicidade nas operações de M&Amercado externo Para a presidente do Conselho É cada vez mais alto o númeroA 8ª Pesquisa de Líderes Empresarial Brasileiro para o de fusões e aquisições que nãoEmpresariais Brasileiros reafirma Desenvolvimento Sustentável se consumam devido a equívocoso otimismo dos CEOs do país (CEBDS), Marina Grossi, a ou ao não entendimentodiante de novas oportunidades sustentabilidade não pode ser adequado em pontos como ade negócios. Mas também aponta associada a oportunidades apenas avaliação do ativo.mais pessimismo com relação ao de negócios, “mas também paracenário externo. que as pessoas sejam mais felizes”. 3018 24 Tendência. Empresas se protegem contra os crimes virtuais Os ataques cibernéticos já representam o segundo tipo mais comum de crime econômico. E as corporações começam a dedicar mais esforços para combater os crimes digitais. 39 Personalidade. Uma história que merece ser contada Mestre e doutora em História, Mary del Priore deixou a área acadêmica para se dedicar à carreira de escritora. Escreveu mais de 30 livros; entre eles, obras importantes sobre a história do Brasil Imperial. O resultado pode ser medido pelos mais de 20 prêmios que já recebeu. 42 ceo/índice 5
  6. 6. Perfil Laércio Cosentino, presidente da Totvs “A diferença está nas pessoas”A trajetória profissional do engenheiro Faculdade e emprego Desde jovem tive uma atração maior pelaspaulistano Laércio Cosentino se entrelaça com a Ciências Exatas. Gostava de observarhistória da companhia que ele preside, a Totvs. como algo era construído e desejavaEle começou como estagiário em uma pequena cursar engenharia. Em 1978, passei noempresa de serviços de informática que foi o vestibular para Engenharia Elétrica naembrião dessa que é, hoje, a líder do mercado de Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a Póli. E no primeiro dia desoftwares de gestão empresarial do Brasil e da aula na faculdade, também comecei emAmérica Latina. Para Cosentino, que comandou meu primeiro emprego. Logo após tomara empresa em um dos mais bem-sucedidos conhecimento do resultado do vestibular,processos de consolidação de um setor no país, comentei com meu pai, então diretor administrativo da gravadora Continental,com quase 50 aquisições nos últimos anos, um que eu desejava começar a trabalhar logo.dos papéis de um CEO é escrever a história. O Ele conversou com Ernesto Haberkorn,outro, do qual ele fala mais apaixonadamente, que era dono de uma empresa de serviçosé estar próximo das pessoas que fazem o de informática, a Siga. Ernesto pediu que eu fosse conversar com ele, e entreisucesso da companhia. “A diferença está nas na empresa como estagiário. Depois fuipessoas. Vivemos em uma grande sociedade do programador, analista, gestor, diretor e,conhecimento onde o principal desafio é viver finalmente, sócio do que hoje é a Totvs.um processo colaborativo”, afirma. O gestor Desde o primeiro dia em que comecei a trabalhar como estagiário, sempre tive um diálogo muito aberto com o Ernesto. Certo6 ceo/perfil
  7. 7. ceo/perfil 7
  8. 8. O sócio Naquela época, vivíamos o surgimento da microinformática. A Siga era um bureau de serviços com foco no mercado de computadores de grande porte. Bill Gates dizia que todos, um dia, teriam um computador pessoal em sua casa. Concluí que isto também seria realidade no mundo dos negócios. E enxerguei uma enorme oportunidade no fornecimento de softwares para microcomputadores no segmento de pequenas e médias empresas. Em um almoço com o Ernesto, em 1983, propus a montagem de uma sociedade. Na entrada, ele resistiu à ideia, mas quando chegamos ao prato principal já concordava, desde que 90% da empresa fossem dele e 10% meus. Na sobremesa, ele já aceitava que fossem 50% para cada um, e quando foi servido o café tirei da pasta o contrato, que já estava redigido nestes termos, criando a Microsiga. Anos depois, ela incorporou a Siga e virou uma empresa só.8 ceo/perfil
  9. 9. dia, quando eu ainda era analista, nascidos na própria região. Ou seja, odisse que ele possuía uma empresa baiano vendia nossa marca na Bahia,maravilhosa, mas que necessitava o carioca, no Rio de Janeiro, e porde mais gestores. Essa função, na aí vai. Então, estávamos próximosépoca, era exercida pelo Ernesto e do mercado consumidor, tínhamos apor todo mundo... Propus que, se linguagem comercial e a linguagemeu contribuísse para a Siga atingir técnica. Em dez anos, conseguimoscerta meta de crescimento, ele me conquistar todo o Brasil.promoveria a gestor. E isto aconteceu. MusculaturaO início Na década de 1990, o mundoO desbravamento desse mercado foi, corporativo passava por um processoao mesmo tempo, muito desafiador de consolidação, e algumas empresase gratificante. No início, quando começaram a desenvolver softwaresbatíamos na porta das pequenas globais. É bom lembrar que a própriae médias empresas para falar de Microsoft tinha sido criada em 1981,microinformática, sequer havia a dois anos antes de nossa Microsiga.cultura do computador, que não Concluí que tínhamos de crescerera acessível para este segmento. mais para atravessar esta fase eEra necessário, então, vender o figurar entre esses grandes players.conceito, convencer o empresário a Foi o nosso terceiro grande desafio. “No início, quandoinvestir e, depois, treinar as pessoas Não adiantava apenas estar presente batíamos na porta daspara concretizar a entrega do que em todo o Brasil, precisávamos ter pequenas e médiasestávamos prometendo. Nesses também uma “massa muscular” empresas para falartempos, dediquei-me muito em dar maior. Criamos o lema “Microsiga de microinformática,aulas e palestras justamente para 3 por 1” com a meta de, a cada ano, sequer havia a culturacriar este mercado. Também escrevi crescer três vezes. Adotamos essalivros. Por outro lado, quando você estratégia, com sucesso, entre 1997 do computador”participa da criação de um mercado, e 2001, inclusive superando outrovive todas as etapas, como ocorreu desafio: atingir um faturamentona informática, desde a evolução do superior a R$ 1 bilhão em 2010,microcomputador até a internet. E a o que conseguimos já em 2009.Totvs, que está completando 30 anos, Também atingimos as metas de ser anaturalmente teve de evoluir para primeira empresa de TI a abrir capitalacompanhar esta trajetória e crescer no Brasil e a primeira a desenvolverem um mercado onde várias empresas tecnologia no Hemisfério Sul. Hojedesapareceram. nosso desafio é faturar R$ 3 bilhões em 2016.As capitanias hereditáriasNosso primeiro grande desafio foi Desafios, oportunidades, gentecriar a empresa e desbravar um O estabelecimento de desafiosmercado. E o segundo desafio era é uma característica de nossaobter uma rápida expansão em nível administração. Entendo que semprenacional, antes que um concorrente precisamos nos desafiar para evoluir.o fizesse. Em 1989, criamos o nosso A sociedade que não se desafiaTratado de Tordesilhas, adotando um involui. Atrelado a isto temos oconceito de Capitanias Hereditárias: conceito de oportunidades. Somos adividimos o Brasil em 44 regiões maior empresa de desenvolvimentoeconomicamente ativas, uma divisão de softwares do Brasil, incluindoque adotamos até hoje. Durante dez as concorrentes estrangeiras. Claroanos trabalhamos para “povoar” todo que nos orgulhamos de nossao território com nossa marca, por estratégia, de nossos produtos. Masmeio de franquias, em cada um dos talvez nosso grande legado seja oestados. Cada franquia tinha um sócio de ter construído um grupo baseadocomercial e um sócio técnico. Partimos em pessoas. Sempre quisemos asda premissa que eles tinham de ser melhores trabalhando conosco, ceo/perfil 9
  10. 10. A Totvs em números Colaboradores Carteira de clientes 10 mil diretos e das franquias 26 mil Faturamento em 2011 R$ 1,39 bilhão Participação de mercado no Brasil 50% no mercado Segmentos onde atua 10 de ERM e 71,9% Agroindústria, no segmento Construção e Projetos, de pequenas e Distribuição e Logística, médias empresas Educação, Serviços Financeiros, Saúde, brasileiras (SMB), Jurídico, Manufatura, segundo o IDC Varejo e Serviços10 ceo/perfil
  11. 11. e só há uma maneira de manter teriam pouca liquidez. Concluímos, seus ativos e escolheu a participaçãoesses talentos: gerar oportunidades. então, que deveríamos ir para a na Microsiga. Depois de seis mesesPortanto, sempre nos impusemos academia, malhar... E isto significava de negociações, no mesmo diagrandes desafios na busca de novas que tínhamos de passar por um compramos a posição do Advent naoportunidades, para manter um processo de consolidação para Microsiga e formalizamos a entrada doexcelente time. ganhar massa muscular. Nessa BNDES como investidor. época, no primeiro governo Lula, oSócio estrangeiro setor de informática fora escolhido Consolidando o mercadoQuando adotamos a estratégia de como uma das prioridades da Adotamos, então, uma novacrescer três anos em um, diante política industrial. Sendo assim, já estratégia. Fixamos como metada necessidade de fazer frente aos estávamos em conversa com o BNDES. elevar o faturamento anual para R$ 1concorrentes de fora, um instituto de Coincidentemente, em 2004, o Advent bilhão, o que seria alcançado com umpesquisa mundial, o Gartner, dizia que decidiu que tinha de vender um de crescimento orgânico de 18% ao anoo mundo seria BOPS: Baan, Oracle,People e SAP. Às vezes ganhávamosuma concorrência e tínhamos deprovar que estaríamos presentes nofuturo, mesmo não sendo BOPS...Então concluímos que era importanteter, como sócio, um fundo de privateequity estrangeiro. Não para injeçãode capital, mas, sim, por uma questãoestratégica, que era ter uma espécie deaval internacional à nossa companhia. “Em 2000, quando teveConversamos com 13 fundos e, ao início o Novo Mercadofinal, em 1999, assinamos com oAdvent. Foi extremamente importante da Bovespa, fomos ater o nome deles associado ao nosso. primeira empresa de TIO Advent também colaborou muito a declarar a adesão”para que adotássemos uma fortegovernança corporativa.Atingido pelo 11 de SetembroEm 2000, quando teve início o NovoMercado da Bovespa, fomos a primeiraempresa de TI a declarar a adesão.Nosso plano era abrir capital em 2001.Estava tudo pronto. Certa manhã,estávamos em uma conference callcom Nova York para marcar o roadshow da companhia quando nossosinterlocutores informaram que algoestava acontecendo na cidade. Elesestavam ouvindo muitas sirenes etinham de interromper a reunião. Eradia 11 de setembro. Naturalmente,tivemos de adiar o IPO.Na academiaUm ano depois, visitamos váriosinvestidores potenciais no exterior.E recebemos, nesses encontros, aavaliação de que nos faltava massamuscular. Que não adiantava abriro capital porque, com o nossopatamar de faturamento, as ações ceo/perfil 11
  12. 12. “Estamos trabalhando muito para ser uma referência global”e mais algumas aquisições. Tínhamos estratégia. Em um fim de semana, lado, existem as empresas brasileirasde adquirir a quarta, a terceira e a lendo uma notícia sobre o falecimento que estão crescendo no exterior.segunda empresa de nosso mercado. do papa João Paulo II, em abril Então, deixamos claro ao clienteFomos bem-sucedidos na estratégia, de 2005, deparei-me com a frase Totvs que neste movimento tambéme consolidamos o mercado brasileiro. destacada em seu testamento: estamos juntos.Começamos, em 2005, adquirindo a totvs tu (tudo é de todos). Na horaLogocenter e, um ano depois, a RM compreendi que era este o nome O Barcelona dosSistemas. Fizemos nosso IPO em 2006, que buscávamos. No mesmo ano, a softwares aplicativossendo a décima terceira empresa Microsiga tornou-se Totvs. Um terceiro passo está nabrasileira a aderir ao Novo Mercado da verticalização de sistemas.Bovespa. E transformamos a Totvs no A meta Entendemos que, nos próximosque ela é hoje. Estamos trabalhando muito para dez anos, os softwares aplicativos ser uma referência global. Isto não para back office, como folha dePor que Totvs significa a Totvs estar em todos os pagamento, financeiro etc., serãoQuando fizemos a opção pelo países. Mas, sim, ser reconhecida, por relevantes mas não essenciais paraprocesso de consolidação, por meio exemplo, pelas empresas que agora o crescimento de uma companhia. Ada aquisição de outras empresas estão chegando ao mercado brasileiro verticalização pressupõe um softwaredo setor, sentimos a necessidade como a companhia que mais entende para educação, saúde, manufatura,de procurar um novo nome para de software aplicativo, de legislação, jurídico, transporte, construção ea empresa que resultaria dessa de como fazer negócios. Por outro projetos e assim sucessivamente.12 ceo/perfil
  13. 13. O DNANos últimos seis anos, a Totvsenvolveu-se em 45 processos defusões e aquisições. O grande segredopara ser bem-sucedido em umaconsolidação como esta é ter umacultura forte dentro da companhia,prever também crescimentoorgânico e procurar desenvolvercom seus concorrentes, de algumaforma, uma liderança setorial. Nãobasta ter condições financeiras deir lá e comprar. Sem essa culturaenraizada e sem a liderança, ummais um não serão quatro; podemser um ou até meio. Durante umano e meio, fortalecemos a culturada companhia para atravessar afase de consolidação. É muito fácilperder essa cultura, esses valores,esse DNA em um processo de fusão.Se descuidar um pouco, a culturavai embora. Até então, sempreconseguimos separar o que tinha e oque não tinha a nossa cara. Mas é umtrabalho diário, um eterno desafio, oque exige estar próximo das pessoas,visitar as unidades, cuidar dos times.Estamos trabalhando muito nisto, tecnologia, a diferença está nas Gastronomia e gestãoem dez segmentos, fortalecendo a pessoas. Vivemos em uma grande A culinária se assemelha muito aomarca Totvs. Costumo citar o exemplo sociedade do conhecimento onde o empreendedorismo, ao processo dedo Barcelona. É uma verdadeira principal desafio é viver um processo criar uma companhia, de desenvolverreferência no futebol. O clube possui colaborativo. um negócio. Principalmente quandotodo um projeto, uma escola, um forte você não cozinha by the book... Quandotrabalho com a marca. E é isso o que Gente você compra os ingredientes paradesejamos: transformar a Totvs em O cliente somos todos nós, que preparar algo, escolhe os melhores.um branding de softwares aplicativos. dependemos da etapa que leva à Na empresa, você também precisa entrega de um produto ou de um ter o melhor material humano, paraO CEO serviço. E sempre que você passa por fazer as coisas acontecerem. E depoisPara mim, o papel do CEO é escrever uma etapa, tem um grupo de pessoas vem o processo para harmonizara história que ainda não foi escrita com quem você vai caminhando. tudo isto e resultar em um prato oue estar próximo das pessoas que Então tratamos muito bem nossos um produto. E vai ter alguém parafazem o sucesso da companhia. Há participantes, como chamamos nossos saborear o prato, ou o cliente para oquem ache, por exemplo, que em colaboradores. E a melhor forma para produto. A culinária, para mim, é umaum processo de IPO o CEO precisa isto é ser transparente. É claro que higiene mental, uma atividade distanteviajar o tempo todo, estar com os quanto mais a empresa cresce, fica mais dos problemas do dia a dia. Masinvestidores. Eu não acho. Costumo difícil disseminar toda essa cultura. também estimula a criatividade, umadizer que quando todos têm a mesma Mas na Totvs estamos conseguindo. característica essencial a um gestor. ceo/perfil 13
  14. 14. Opinião Soluções para a escassez de mão de obra qualificada14 ceo/opinião
  15. 15. Para concretizar as oportunidades de crescimento, o Brasil estádiante de um importante desafio: ampliar a oferta de mão de obraqualificada. Em busca de análises e propostas, CEO Brasil entrevistouos dirigentes de dois dos mais importantes estabelecimentos de ensino– e fornecedores de talentos – do país: Claudio Haddad, presidente doInstituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e do Conselho do Grupo Ibmec,e Chaim Zaher, presidente do Conselho de Administração do SistemaEducacional Brasileiro (SEB). ceo/opinião 15
  16. 16. Claudio Haddad Presidente do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa (entidade sem fins lucrativos). É membro do Conselho de Administração do Grupo Ibmec, da BM&FBovespa, da Ideal Invest S.A., do Instituto Unibanco, do Hospital Israelita Albert Einstein e do Conselho Consultivo do Brazil Harvard Office. Foi sócio e diretor superintendente do Banco Garantia e diretor do Banco Central do Brasil.CEO Brasil: Como o sr. avalia o de escolaridade. Há melhorias na qua- dificuldade de contratação dequadro da oferta de mão de obra lidade da educação, mas são lentas. profissionais qualificados em diversasqualificada, hoje, no Brasil? Um percentual alto de estudantes que áreas. E o problema não está sóClaudio Haddad: No geral este não concluem o ensino fundamental, em quantidade, mas também emquadro é muito grave, e justamente o ensino médio e o ensino superior. qualidade. O Brasil possui poucasquando o país vive um ótimo Enquanto isso, hoje, na Coreia do Sul, escolas chamadas de elite, com alunosmomento. O problema é que nossa 90% da mão de obra têm ensino mé- com desempenho muito bom nosestratégia de industrialização foi dio. Isto dá uma ideia do caminho que exames nacionais. Se compararmos osfeita se concentrando inicialmente, o Brasil tem a percorrer. 5% melhores alunos do Brasil no PISAcom raras exceções, em produtos (Programme for International Studentobtidos com a utilização de mão de Os setores mais sofisticados da Assessment, ou Programa Internacionalobra barata. E não houve nenhuma economia brasileira estariam para Avaliação de Estudantes) comestratégia ou incentivo para que em melhor situação? os 5% melhores dos outros países,as empresas fossem aumentando a O número de profissionais também ficamos muito atrás.produtividade ao longo do caminho. qualificados, bem treinados, tambémHoje, nosso custo de mão de obra, é bem maior do que o Brasil dispõe Haveria uma solução de curtolevando em conta os encargos, é dez hoje. Os cursos mais demandados no prazo?vezes superior ao da China, onde há país atualmente são administração O Brasil deveria facilitar a importaçãomais horas de trabalho. de empresas – em primeiro lugar – e de profissionais qualificados. direito. Temos poucos engenheiros e a Estaríamos hoje, inclusive, em umO que poderia ter sido feito? taxa de evasão dessa profissão é muito timing ótimo para isto, diante da criseQuando se fala em escassez da mão de alta: apenas 40% dos engenheiros mundial. Há inúmeros profissionaisobra há várias dimensões, uma delas formados continuam a carreira. Parte altamente qualificados que estão sema do baixo nível educacional. O Brasil é um problema de demanda e parte é emprego, nos Estados Unidos e nadeveria ter dado mais ênfase à educa- a forma como o ensino de engenharia Europa, e que gostariam de vir paração ao longo do tempo, para capacitar é feito. De repente é necessário dar o Brasil. Nosso mercado é atraente, amais o capital humano e justificar o um salto tecnológico, e não existem os imagem do país está ótima, os saláriospagamento dos salários maiores que profissionais necessários. estão elevados e competitivos. Ovemos hoje. Pagar salários elevados Brasil quer se desenvolver de formasem a produtividade correspondente Há algum setor mais prejudicado mais rápida; precisamos trazer gente,tira a competitividade. O trabalhador do que outro? experiências, interagindo com nossosbrasileiro ainda possui poucos anos Todas as empresas enfrentam profissionais.16 ceo/opinião
  17. 17. Chaim Zaher Formado em direito pela Instituição Toledo de Ensino e em pedagogia pela Faculdade de Educação e Letras Urubupungá, da cidade de Pereira Barreto (SP). Atua no mercado de educação desde a década de 1970. É presidente do Conselho de Administração do Sistema Educacional Brasileiro S.A. (SEB).CEO Brasil: Como o sr. avalia a esses respondem por cerca de 40% das Desde as mais amplas, como,oferta de mão de obra? matrículas do ensino superior. Embora por exemplo, a definição, oChaim Zaher: A oferta cresce, os cursos de Engenharia possuam, planejamento e investimento namas ainda está longe do que o país somando todas as suas modalidades, formação de recursos humanosprecisa. Nosso maior problema cerca de 450 mil matrículas, isso é em áreas prioritárias, até asestá nos conteúdos e nas formas insuficiente para atender à demanda. mais pontuais e ocultas, comode aprendizado. São poucas as E, mesmo assim, há uma expressiva a alteração dos indicadores doescolas com recursos tecnológicos dispersão profissional entre os processo de avaliação da educaçãosignificativos. E em relação aos engenheiros: 70% deles não trabalham superior. São elogiáveis açõesconteúdos, esse é ainda um como engenheiros, muitos porque são como o programa governamentalproblema maior. Os currículos da mal formados. Ciências Sem Fronteiras, queeducação superior padecem pela sua estimula jovens a realizar estudosgeneralidade e seu conservadorismo. Qual o reflexo para a economia no exterior, e o aperfeiçoamento doHá muito pouca atualização técnica brasileira? sistema nacional de avaliação daou teórica e, menos ainda, interação A ausência de planejamento na educação superior pelo Ministériocom os ambientes profissionais. Outra formação de profissionais qualificados, da Educação. Somando-se a novasquestão é a percepção das empresas a dispersão profissional, a evasão, iniciativas na educação tecnológicapor mão de obra qualificada. Em a má qualidade ou mesmo mediana e profissionalizante, acho quefunção de currículos atrasados, qualidade dos cursos e das instituições o governo brasileiro evoluiu emuitas empresas acabam tendo que provocam baixas sérias na economia. aperfeiçoou suas políticas públicas,reciclar diplomados para atender Não se pode mudar de patamar especialmente as educacionais. Massuas necessidades. É essencial maior econômico mudando só o cenário. também é importante estimulardiálogo ou maior interação das Temos que ter sempre um bom elenco mais parcerias entre universidades eempresas com as escolas. de atores também. O fato é que há, empresas. As empresas devem, por inegavelmente, um déficit de recursos exemplo, ampliar sua capacidadeEm que atividades esses humanos qualificados no Brasil em de oferecer capacitação e formaçãoprofissionais são mais escassos? boa parte das áreas ou setores da continuada em ambientes comoNas áreas de Ciências Exatas. No início economia. E isso é um belo desafio. universidades corporativas. Ede 2010, o curso de Administração de ampliar o contato com universidadesEmpresas possuía aproximadamente Que medidas devem ser e escolas superiores para favorecer1,1 milhão de matrículas; o de Direito, adotadas, tanto por empresas uma formação mais precisa e651 mil e o de Pedagogia, 573 mil. Só privadas quanto pelo governo? tecnicamente definida. ceo/opinião 17
  18. 18. 18 ceo/pesquisa
  19. 19. Pesquisa Otimismo no Brasil, pessimismo no mercado externoA 8ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros reafirmou o otimismosobre os rumos de nossa economia, apontados nas duas edições anteriores.As oportunidades de negócios que se abrem diante desta nova fase dedesenvolvimento do país são inúmeras. Mas os principais dirigentes das grandesorganizações brasileiras também apontam importantes desafios a superar,como a escassez de mão de obra, as deficiências de infraestrutura e a estruturatributária. E estão mais pessimistas quanto ao cenário externo.A pesquisa é um extrato da 15ª executivos se mostravam muito de redução nas exportaçõesAnnual Global CEO Survey, uma confiantes no crescimento das receitas brasileiras de commodities parainiciativa da PwC apresentada de suas companhias nos 12 meses aquele que é um de nossos grandesanualmente durante o Fórum Mundial seguintes, neste ano o percentual caiu compradores”, destaca Fernandode Davos, na Suíça. Foram realizadas para 42%. Alves, CEO da PwC Brasil.1.258 entrevistas em 60 países, comCEOs de empresas de portes variados O grau de pessimismo dos executivos Sessenta por cento dos CEOs da 8ªe com atuação em diversos setores. do Brasil também pode ser medido Pesquisa de Líderes Empresariais pela avaliação que emitiram a Brasileiros informaram que, nos 12O levantamento posicionou o Brasil respeito da evolução da economia meses anteriores, suas empresascomo o terceiro país mais citado global: enquanto 40% afirmam que foram afetadas pela crise dacomo um dos mais importantes para esse cenário vai piorar, outros 42% dívida soberana na Europa. Outrosa perspectiva de crescimento geral preferiram não apostar em melhora da 49% mencionaram a retraçãodas empresas nos 12 meses seguintes, atividade econômica internacional. econômica no Velho Continentecom 15% das respostas, abaixo como motivo de mudanças deapenas de China (30%) e Estados “Esse pessimismo está diretamente estratégia, gerenciamento de riscos eUnidos (22%). Em 2011, o Brasil ligado ao agravamento da recessão planejamento operacional.estava em quinto lugar nesse ranking. na Europa. Além de ser um importante comprador de produtos Oriente Médio e ÁfricaPorém, a boa imagem no mercado brasileiros, é também um grande Para enfrentar essa piora do ambienteinternacional não garantiu o otimismo importador de produtos da China. A econômico na Europa, uma dasentre os CEOs brasileiros. Enquanto consequência é crescimento menor da providências dos CEOs brasileirosem 2011 um total de 58% dos economia chinesa e uma perspectiva está em redirecionar a expansão dos ceo/pesquisa 19
  20. 20. negócios. Estados Unidos, com 49% das respostas, Alemanha, com 21%, e China, com 19% são os mercados mais mencionados. Mas a pesquisa revela também a expectativa de ampliação de operações no Oriente Médio e na África ao longo de 2012. “As empresas brasileiras estão olhando cada vez mais para fora, buscando ampliar os negócios em mercados onde ainda exibem uma presença tímida diante das nossas potencialidades como país e economia”, enfatiza Alves. Para “As empresas brasileiras se ter uma ideia, dos CEOs que estão olhando cada vez mais participaram da pesquisa, apenas para fora, buscando ampliar 2% disseram ter negócios no Oriente Médio, e outros 5%, na África. os negócios em mercados onde ainda exibem uma Também se verificou maior disposição dos CEOs brasileiros presença tímida diante das em contemplar aquisições como nossas potencialidades como parte da estratégia de crescimento. Trinta e sete por cento informaram país e economia” que planejam concluir um acordo Fernando Alves transnacional em 2012, contra 30% da pesquisa em 2011. Enquanto isso, CEO da PwC Brasil na pesquisa, os CEOs exibiram um recuo: ano passado, 34% informaram que as aquisições estavam no planejamento; já neste ano, o percentual caiu para 28%. A pesquisa, porém, ressalva que mais de 10% desses negócios são motivo de preocupação depois de concluídos. “Em uma avaliação feita de dez casos amplamente divulgados, descobrimos que os problemas identificados após a transação custaram ao comprador, em média, 49% do investimento original”, destaca o documento da PwC. Olhando para dentro da empresa, três em quatro CEOs brasileiros informam ter planos para promover, em 2012, mudanças nas áreas de Pesquisa & Desenvolvimento e de Inovação. De acordo com a pesquisa, 91% dos entrevistados têm planos para adotar uma nova abordagem na área de investimentos em tecnologia e 79% preveem transformações na capacidade de P&D e Inovação.20 ceo/pesquisa
  21. 21. A capacidade de inovação, aliás, reveste-se definitivamente de um caráter cada vez mais estratégico para as grandes organizações. Antes associada tão somente a mudanças em produtos ou serviços, agora passa a ser enxergada, por exemplo, como importante recurso para reduzir processos – benefício apontado por 79% dos CEOs do país. Ameaças e prioridades A 8ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros também mediu a percepção dos CEOs a respeito das principais ameaças para as perspectivas de crescimento. FoiCEOs pessimistas em relação à economia global comum aos executivos das diversas regiões do planeta a menção aoVocê acredita que a economia mundial irá melhorar, permanecer estável oudeteriorar-se durante os próximos 12 meses? risco da volatilidade global, bem como ao crescimento dos déficits do setor público. Mas as preocupações comerciais, políticas e econômicas específicas do Brasil se concentraram em problemas tradicionalmente apontados pelos executivos. Setenta e dois por cento dos CEOs brasileiros apontaram a falta de pessoal qualificado no mercado. Outros 67% citaram o aumento da carga tributária. E a infraestrutura precária e o excesso de regulação, ambos com 65%, foram duas outras ameaças destacadas. “Infelizmente, a pesquisa revelaCai a confiança dos CEOs no crescimento a curto prazo uma visão geral de que falta gente e infraestrutura, sobra imposto eQual é o seu grau de confiança na perspectiva de crescimento das receitas burocracia”, acentua o CEO da PwC.de sua empresa para os próximos 12 meses? Este quadro de preocupações levou os executivos a pleitearem duas prioridades para as ações dos governos: melhorar a infraestrutura (74% das respostas) e criação e fomento a uma força de trabalho qualificada (apontada por 67% dos CEOs). No caso do capital humano, os dirigentes dessas organizações brasileiras, por sinal, também informaram que farão sua parte, aumentando os investimentos tanto na ampliação do quadro de funcionários ceo/pesquisa 21
  22. 22. O Brasil é o terceiro país mais citado como um dos mais importantes para a perspectiva de crescimento geral das empresas nos próximos 12 meses 30% 30% 22% 22% 15% 15% China China EUA EUA Brasil Brasil22 ceo/pesquisa
  23. 23. Tecnologia e pesquisa são prioridade no Brasil; talento se destaca no mundoEm que medida você prevê mudanças na sua empresa em qualquer uma das seguintes áreas durante os próximos 12 meses?(54% dos líderes preveem aumentar influencia a necessidade de mudança Futuroo quadro de funcionários em até 8%) na estratégia corporativa; e 52% Para Fernando Alves, o país possuiquanto na qualificação de pessoal. planejam fazer investimentos em vantagens como um forte e ainda tecnologia ou parcerias com outras crescente mercado consumidor eA disposição está em linha com a organizações unicamente para um elevado retorno para osimportância que a mão de obra contornar, nos próximos três anos, a investimentos estrangeiros. “Aoqualificada assume na estratégia falta de pessoal qualificado. sermos considerados, na pesquisaempresarial. A pesquisa global global, o terceiro país mais importantemostrou, por exemplo, que 23% dos Os efeitos da escassez de mão de obra para a expansão de negócios,CEOs estão modificando radicalmente qualificada são mensurados pelas superamos inclusive a Alemanha”,as estratégias de gestão de talentos, companhias. Enquanto 24% dos CEOs destacou. Mas depende de importantespercentual superior aos que decidiram globais informaram ter cancelado ou iniciativas para tornar sustentável esteajustar as abordagens de risco (17%). adiado um projeto estratégico por desenvolvimento. conta da escassez de talentos, entreNo caso do Brasil, 72% dos CEOs os CEOs brasileiros esse percentual “O excesso de regulações, arevelaram o temor de que as foi de expressivos 42%. Os executivos infraestrutura precária e a elevada edeficiências em talentos afetem brasileiros também são em maioria ao complexa carga tributária são questõesas perspectivas de crescimento; relatar despesas com talentos acima que exigem resposta imediata, caso70% situaram a disponibilidade das previstas: 58%, contra 43% no o país não queira perder espaço paradesses talentos como um fator que Survey Global. outros mercados emergentes”, alerta. ceo/pesquisa 23
  24. 24. Entrevista Sustentabilidade e felicidadePara a presidente do Conselho Empresarial Os CEOs e a sustentabilidade A trajetória do CEBDS estáBrasileiro para o Desenvolvimento Sustentável diretamente ligada à Rio 92. Dois(CEBDS), Marina Grossi, enquanto na Rio 92, a anos antes, o empreendedor eConferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente filantropo suíço Stephan Schmidheinye Desenvolvimento, a sociedade civil foi o destaque, foi convidado por Maurice Strong,na Rio+20 esse papel ficou com as cidades, secretário-geral e organizador da conferência, para ser o porta-voz docom a empresa e a sociedade. “Não há a menor setor privado. Schmidheiny começoudúvida de que as empresas viveram uma grande a formar uma rede de contatos comtransformação nos últimos 20 anos e hoje têm CEOs e a fomentar a discussão sobrepapel fundamental no debate da sustentabilidade”, qual seria a contribuição relevante, o papel do setor empresarial pararessalta. De acordo com Marina, o Brasil está o desenvolvimento sustentável.à frente nos campos da matriz energética e na A conclusão foi de que o setorbiodiversidade. Mas apresenta um quadro que ela estava pouquíssimo representadoconsidera vergonhoso em saneamento. A presidente nesse debate. Ele percebeu que era preciso dar voz política aos CEOs,do CEBDS explica que, apesar de comparar a sendo necessária a organização dosustentabilidade a uma questão de sobrevivência, setor empresarial em uma espécienão a associa a restrições. “Prefiro associar o de conselho. Esse movimento foidesenvolvimento sustentável a oportunidades, e não o embrião do Business Council forsó de negócios, mas também para que as pessoas Sustainable Development (BCSD), criado em 1991. Os trabalhos dasejam mais felizes”, conclui. Rio 92 resultaram no livro Changing Course: A global business perspective on development and the environment, que se transformou num best-seller24 ceo/entrevista
  25. 25. ceo/entrevista 25
  26. 26. internacional. Nele foram registradas no CEBDS foi primeiro buscar o as discussões mais importantes do consenso entre grandes empresas, encontro, entre elas a ecoeficiência. por meio da troca de experiências, Em 1995, o Conselho tornou-se um de informações e depois, estimular organismo mundial e em 1997 nasceu a disseminação de práticas de o CEBDS, tendo à frente nomes sustentabilidade no mundo importantes como Eliezer Batista, corporativo. Raphael de Almeida Magalhães e Israel Klabin. Hoje temos como associados 71 grandes grupos empresariais, que Um novo conceito respondem por cerca de 40% do PIB Quando o CEBDS nasceu e começou nacional e atuam nas mais variadas a abordar a sustentabilidade, este atividades: capital financeiro, energia, era um conceito novo no Brasil. Por transporte, siderurgia, metalurgia, sermos pioneiros nessa questão, construção civil, bens de consumo nos defrontávamos com alguma em geral e prestação de serviços. São incompreensão por parte não só responsáveis por milhões de empregos das empresas, mas também dos e contribuem com uma parcela governos. Até então, falava-se muito bastante expressiva da arrecadação de na Responsabilidade Corporativa, e impostos. passamos a explicar a importância dos três pilares da sustentabilidade: o Sobrevivência econômico, o social e o ambiental. O A sustentabilidade não é uma receita conceito da sustentabilidade passou pronta. Se fosse, seria tudo muito a ganhar força em meados dos anos simples... Sempre defendemos que “A sustentabilidade 2000 e se popularizou. Nosso trabalho a sustentabilidade é uma questão é uma questão transversal, que precisa estar no core business das empresas”26 ceo/entrevista
  27. 27. transversal, que precisa estar no core de ter qualidade de vida e saúde a limites físicos do planeta. E citabusiness das empresas, observando contento. É uma variável nova para a um livro, A grande ruptura, escritoos três pilares em uma visão de humanidade: o crescimento buscava por Paul Gilding, ambientalista quelongo prazo. Ela perpassa todos os atender às necessidades básicas, mas chefiou o Greenpeace. Ou seja, estásetores; é um novo olhar na relação os problemas de escassez e pobreza mais nítida a percepção de que nãocom os próprios empregados, com o ainda persistem, associados a elevados basta o crescimento pelo crescimento,produto, com os fornecedores, com a impactos demográficos e ambientais. é preciso repensar este modelo. É clarocomunidade. Hoje nosso trabalho não Nesse contexto, vão sobreviver apenas que as necessidades de uma sociedadese restringe mais a sensibilizar para a as empresas que conseguirem casar os precisam ser atendidas. Mas não éimportância da sustentabilidade. Esse seus dilemas com aqueles que também apenas consumir mais, ter mais renda.tema passou a ser um diferencial. As se impõem ao planeta e à sociedade. E nesse momento de transição tambémempresas que não estão endereçando Felizmente já temos iniciativas precisamos ter outros indicadores. Oos aspectos de sustentabilidade nos importantes neste sentido, conduzindo PIB, por exemplo, não pode ser maisseus negócios não sobreviverão em a uma transição. Temos o conceito considerado como representativo daum mundo em rápida transformação, da economia verde e percebemos a riqueza de uma nação e da felicidadeque enfrenta dilemas como o grande movimentação dos governos. de seu povo. Trata-se de um consenso.impacto sobre os recursos naturais e o Por outro lado, também não sedesgaste social diante de um modelo Novo modelo pode falar em sustentabilidade semque não está respondendo às suas Economistas e outros pensadores considerar um papel mais relevantedemandas. hoje já defendem um novo modelo de por parte do consumidor. desenvolvimento, o que não ocorriaDilemas antes. O economista André Lara O grande atorEm 2050, o planeta terá 9 bilhões de Rezende, por exemplo, recentemente O grande ator da Rio 92 foi ahabitantes ou mais. No modelo que afirmou que a capacidade de recorrer sociedade civil. E não tenhotemos hoje, essa população não será ao crescimento como antídoto contra dúvida de que, na questão docapaz de se alimentar, de se educar, as crises econômicas esbarra nos desenvolvimento sustentável, o grande salto nesses 20 anos se deu mesmo na área empresarial. O World Business Council for Sustainable Development, por exemplo, reúne hoje mais de 200 CEOs de grandes empresas internacionais e possui uma network de conselhos em 60 países.Visão 2050 As empresas privadas têm muito oJunto com a PwC, adaptamos à realidade brasileira, para que mostrar e possuem os recursos,lançamento na Rio+20, o documento “Visão Brasil 2050 – A nova a disciplina e a flexibilidade paraagenda para as empresas”. O trabalho internacional foi lançado fazerem ainda mais. Um dos caminhospela PwC em 2009 e tem inspirado o planejamento estratégico está nas Parcerias Público-Privadas,de diversas empresas em todo o mundo, por apontar o caminho por exemplo.para um mundo sustentável em 2050. Foram entrevistados 200representantes do setor privado, de governos e especialistas de Vanguardaquase 20 países. O relatório foi estruturado a partir de nove pilares Hoje o Brasil está numa posição defundamentais: Valores das Pessoas; Desenvolvimento humano; vanguarda neste mundo que, cadaEconomia; Agricultura; Florestas; Energia; Edifícios; Recursos & vez mais, valoriza a biodiversidade.Insumos e Mobilidade. O “Visão Brasil 2050” identifica as metas Somos um país de biodiversidadeque precisam ser alcançadas para que nosso país se torne um líder exuberante, que vai valorizar cada vezda economia verde nos próximos anos. Será um documento muito mais a matriz limpa como fonte devalioso, não só para as empresas, mas também para os governos. energia. Mas é necessário que isto sejaIrá contemplar uma metodologia cuidadosa. Fizemos algumas pensado em um contexto de vantagemadaptações quanto aos nove pilares do documento internacional comparativa, de competitividade.de 2009; em vez de Florestas adotamos o termo Biodiversidade, E que o país tenha um projeto. Oque é mais abrangente, e no pilar Valores das Pessoas ressaltamos documento Visão Brasil 2050 – Ao papel do consumidor, que precisa ser destacado na questão do nova agenda para as empresas,desenvolvimento sustentável. produzido em parceria com a PwC e lançado durante a Rio+20, tem exatamente o propósito de oferecer ceo/entrevista 27
  28. 28. subsídios para tomada de decisões dos principais atores da sociedade e acelerar a caminhada do Brasil para o desenvolvimento sustentável, para que as nossas empresas se enxerguem ali e vejam de que forma podem atuar conjuntamente. O Visão Brasil 2050 é uma contribuição do setor privado brasileiro para o desenvolvimento sustentável. Não conheço nenhum documento tão valioso, atualmente. Ações Outra questão importante é separar o que é de fato desenvolvimento sustentável e o que não é. E para isto é preciso premiar e dar valor às iniciativas sérias, concretas. O CEBDS tem desenvolvido vários trabalhos e ferramentas para ajudar a promover isto em nossas empresas. Outra iniciativa é uma publicação corporativa, um Guia para a Comunicação e Sustentabilidade, produzido pela nossa Câmara Temática de Comunicação e Educação, um passo a passo para as áreas de comunicação das companhias divulgarem os processos relacionados ao desenvolvimento sustentável. Também estamos realizando um importante trabalho por meio de nossa Câmara de Biodiversidade e Biotecnologia. A biodiversidade é uma questão mais complexa, porquePobreza é de difícil mensuração. Mas, porUm dos temas que pleiteamos como um dos mais importantes para meio de um convênio internacional,a Rio+20 foi o do desenvolvimento sustentável como alavanca de realizaremos treinamentos comerradicação da pobreza. Apesar de a estabilidade econômica e o empresas associadas e esperamoscrescimento da renda terem tirado milhões de pessoas da linha de capacitá-las a mensurar esse impactopobreza no Brasil, nos últimos anos, o déficit social ainda é um problema da biodiversidade.muito grave. Nenhum país tem um modelo pronto. Cada um possui asua realidade, tanto em relação aos recursos naturais quanto ao capital Ação nas UPPshumano. Também não tenho dúvida alguma de que os países em No caso do pilar social, nós do CEBDSdesenvolvimento possuem problemas sociais parecidos. Ao mesmo tempo, não nos limitamos ao discurso.ainda é comum a questão ambiental ser confundida com sustentabilidade, Mudamos nosso paradigma de atuaçãoquando é apenas um de seus três componentes. É preciso que se e passamos a atuar, por exemplo, ementenda a sustentabilidade como algo que seja financeiramente factível, duas comunidades pacificadas nosocialmente justo e ambientalmente de baixo impacto. O erro de Rio de Janeiro, Chapéu Mangueiraconfundir sustentabilidade com uma questão exclusivamente ambiental e Babilônia, que hoje contam compode estar ligado ao posicionamento de países europeus, que adotam a uma Unidade de Polícia Pacificadorapauta ambiental como a mais importante. (UPP). O projeto se chama Rio Cidade Sustentável e envolve 14 empresas. Escolhemos trabalhar em áreas de baixa renda para romper um paradigma: sustentabilidade não28 ceo/entrevista
  29. 29. é algo de rico, oneroso. Na verdade, para profissões como serralheiro, nessas discussões cruciais sobre oa acessibilidade é um componente bombeiro hidráulico, eletricista e desenvolvimento sustentável. Atéextremamente importante. Em um pedreiro com a contrapartida de os porque sem isso não será possívelperíodo de gestação que durou seis alunos trabalharem em sistema de responder ao senso de urgência quemeses, buscando medir a percepção mutirão em obras para a comunidade. se coloca, não só para o Brasil, massobre a sustentabilidade, consultamos Apresentaremos este trabalho, já com para todo o planeta, quando o tema éprincipalmente as mulheres das resultados, na Rio+20 e esperamos sustentabilidade.duas comunidades. Afinal, quando que ele seja replicado com osse fala em erradicação da pobreza, ensinamentos que iremos transmitir. Vergonhanão podemos esquecer o papel Estamos à frente em alguns campos,das mulheres como educadoras e Urgência como na matriz energética limpa econsumidoras. A Rio+20 foi um encontro na biodiversidade. Por outro lado, governamental promovido pela o saneamento ainda é motivo dePassamos a atuar com ações como ONU, e não realizado por empresas. vergonha para nós. Justamente ele, queconscientização em eficiência Mas o papel do setor privado na tem imensa relação com o consumo deenergética, melhoria habitacional promoção do desenvolvimento água, com a saúde da população, e cujapor meio de crédito com juros sustentável precisa ser reconhecido. ausência é tão ligada à pobreza. Umabaixos para compra de material E por quê? Porque ele tem de ser das preocupações do documento Visãode construção, oferta de cursos chamado e consultado, desde o início, Brasil 2050, que produzimos com a PwC, é justamente com o saneamento, sobre como agir para reverter esse quadro. Outra questão fundamental é a educação, que, por sua vez, está diretamente ligada à promoção da “Prefiro associar o pesquisa e inovação. É necessário todo um trabalho, desde o ensino desenvolvimento fundamental, que já prepare para sustentável a responder também aos desafios do oportunidades, e não só desenvolvimento sustentável. de negócios, mas também para que as pessoas sejam Felicidade mais felizes” Espero que a Rio+20 ajude a vislumbrar um mundo possível, que as pessoas possam sonhar com um planeta mais agradável para se viver. Eu não relaciono a sustentabilidade com restrições. É, claro, uma questão de sobrevivência. Prefiro associar o desenvolvimento sustentável a oportunidades, e não só de negócios, mas também para que as pessoas sejam mais felizes. Não adianta ter um carro moderno, superequipado, top de linha, se você fica dentro dele parado no trânsito andando a 14 km por hora. O importante é: o que você deseja, um carro ou mobilidade? O importante, então, não é o carro, mas o que ele pode de fato oferecer. E não só os consumidores, mas também os empresários, precisam contemplar isso. Este é o novo olhar que mostra a questão da sustentabilidade. ceo/entrevista 29
  30. 30. Ensaio Os riscos e os cuidados nas operações de M&A Luís Madasi Alexandre Sócio da PwC Brasil Pierantoni especialista em Deals Sócio da PwC Brasil e líder de Transaction especialista em Services Corporate Finance e líder de Private Equity30 ceo/ensaio
  31. 31. O Brasil vivencia um nível recorde de atividade de fusões e aquisições. Segundopesquisa da PwC, em 2011 foram anunciadas 750 transações, mantendo-se o patamardo ano anterior, com um crescimento de cerca de 10% em relação a 2007, ano marcadopor intensa atividade no país e no exterior. A estabilidade econômica e política doBrasil, o maior grau de previsibilidade dos resultados futuros dos investimentos, onúmero significativo de novos consumidores (“nova classe média”) e as oportunidadesde consolidação existentes em diversos setores tornaram o país um destino cada vezmaior de investimentos.Em 2011, os investidores Um número merece reflexão por impactos relevantes em áreas comoestrangeiros estiveram presentes em parte das organizações. No Brasil, a fiscal e a trabalhista. Algumasaproximadamente 40% das transações cerca de 50% a 60% dos negócios empresas ainda se utilizamanunciadas, com perspectivas de que chegam à fase de due diligence de práticas tributárias menoscrescimento. Sua chegada, vinculada não são concluídos, índice superior à ortodoxas, o que tem um inevitávelao maior poder financeiro e ao fôlego média global. O mercado brasileiro impacto na avaliação dos negóciosaquisitivo dos próprios grupos locais, é tem amadurecido significativamente e o potencial nível de contingênciasum fator determinante para o aumento nos últimos anos quanto a práticas associadas ao ativo analisado pelodo volume de operações de M&A. adequadas de gestão de negócios, comprador.No entanto, nem todas são histórias mas a proporção mais expressiva dede sucesso. As atividades de fusões e operações de M&A interrompidas no Empresas de pequeno e médio porteaquisições também são associadas a meio do caminho indica que ainda e alguns dos principais alvos decasos de insucesso e frustração, pré temos muitos passos pela frente. aquisições no Brasil enquadram-see pós-aquisição. É cada vez mais alto   neste contexto. É nesse segmentoo número de fusões e aquisições que Um dos motivos para essas que se encontra o maior númeronão se consumam devido a equívocos interrupções é o considerável de empresas alvo de interesseou ao não entendimento adequado no número de empresas com gestão dos estrangeiros que mapeiamprocesso de avaliação do ativo, das familiar e notadamente de médio oportunidades de negócio no país.atividades de due diligence ou ainda porte (característica de um mercado Consequentemente, embora nãoàs dificuldades de contornar gaps fragmentado) existentes no país. seja responsável pelas transaçõesoperacionais ou falhas de gestão na Muitas delas ainda não atualizaram individualmente mais vultosas,empresa incorporada. seus modelos de gestão, o que gera essa é a faixa na qual se concentra  ceo/ensaio 31
  32. 32. o número mais elevado de fusões superdimensionados no cálculo Olhando para o e aquisições – segundo estudo da original de preço do negócio. futuro, as empresas PwC, o valor médio das transações no Brasil é de aproximadamente Padrão contábil devem estar atentas US$ 70 milhões. As diferenças nas práticas contábeis a uma mudança no sempre foram um fator de modus operandi do Em consequência de um nível de dificuldade nos processos de fusões regulador da defesa de governança corporativa inadequado, e aquisições, sobretudo quando as concorrência no Brasil essas empresas estão mais propensas partes são uma empresa estrangeira a falhas em suas práticas contábeis e outra nacional. Historicamente, o e tributárias, até porque, em sua distanciamento entre os respectivos maior parte, não contam com formatos de apresentação das processos de gestão sofisticados informações financeiras se tornou ou com o apoio de consultorias de um dos grandes motivos para o negócios ou empresas de auditoria atraso ou até mesmo a suspensão independente. Nestes casos, o das transações, pois traz impactos trabalho de due diligence tende a nas avaliações dos ativos. ser mais complexo e extenso com impactos diretos no valuation Aos poucos, no entanto, este tem do ativo. Não raramente existe se tornado um problema de menor a necessidade de rediscussão de incidência. O alinhamento das preço, devido à aplicação de valores normas contábeis brasileiras às32 ceo/ensaio
  33. 33. International Financial Reporting As empresas envolvidas em transações que diz respeito a projetos na área deStandards (IFRS) possibilitou a sua deverão submetê-las previamente infraestrutura.padronização, permitindo, desta ao CADE, que, a partir dos critériosforma, uma integração mais ágil das de mensuração de concentração Entende-se que esta é uma questãoinformações financeiras das duas do mercado ou abuso do poder que precisa ser resolvida de maneiraempresas. O que ainda ocorre com econômico, dará ou não o seu aval, célere, para que o Brasil não percamais frequência são interpretações acompanhado da adoção de critérios oportunidades de expansão de setoresnão adequadas ao serem aplicados técnicos visando antecipar atos de fundamentais devido a atrasos ouos padrões IFRS. concentração a uma tendência de suspensão de operações de fusões e acelerada consolidação societária aquisições. É importante frisar queDefesa da concorrência de alguns importantes setores da os procedimentos regulatórios eOlhando para o futuro, as empresas economia. burocráticos, de forma geral, implicam(estejam na posição de compradoras maior dificuldade de planejamento deou vendedoras) devem estar Ainda no campo regulatório, a longo prazo por parte dos investidores,atentas a uma mudança no modus obtenção e transferência de licenças é tendo diversos efeitos adicionais,operandi do regulador da defesa de um processo demorado, se comparado inclusive na obtenção de crédito paraconcorrência no Brasil (realizada às economias maduras. Há um os projetos em questão.através do CADE), que, alinhado volume de passos burocráticos aa outros países, deverá avaliar as serem cumpridos que alongam os Profilaxiatransações antes de efetivá-las. Em prazos e não se coadunam com os Como ressaltado, na maior partevez de reativo, o órgão antitruste esforços do governo para promover o das operações de fusões e aquisiçõespassará a ter uma postura proativa. crescimento econômico, sobretudo no não efetivadas, em um dos lados da operação, na maioria das vezes, há uma empresa de menor porte, portanto normalmente sem acessoDisclosure a mecanismos e processos maisCasos de negócios suspensos, razoavelmente comuns, eficientes de gestão e, eventualmente,revelam problemas na qualidade das informações com práticas contábeis e tributáriasprestadas pelas empresas. Em comparação à realidade não necessariamente alinhadas aosinternacional, determinadas empresas ainda apresentam padrões e normas internacionalmenteníveis inadequados de transparência e de coerência entre praticados. São, em muitos casos,seus dados. Criam-se para os compradores e seus assessores empresas que ainda não passaram pordificuldades no entendimento das informações financeiras avaliações independentes e externase contábeis. Ao mesmo tempo, riscos como os tributários e mais rigorosas, o que só ocorrerátrabalhistas normalmente não estão devidamente avaliados justamente no momento da venda.e mensurados, o que causa impacto negativo na percepçãode investidores estrangeiros, habituados a negociar com Estas características aumentam aorganizações dotadas de um grau maior de disclosure. necessidade de um trabalho pré-  transação capaz de identificar,Outra razão comum para a interrupção de processos e mapear e esclarecer possíveistransações é o reduzido nível de compliance ou observância problemas e mitigar os riscos paradas empresas-alvo quanto ao monitoramento e à mitigação o comprador e, por que não dizer,de riscos de corrupção, fraudes e práticas trabalhistas para o vendedor. É fundamental,conflitantes com a legislação. portanto, que o investidor esteja bem calçado, sobretudo grupos estrangeiros que estão desembarcando no país. Deve-se ressaltar também que existe um crescente número de empresas brasileiras à frente de processos de consolidação (cerca de 60% das transações anunciadas no Brasil têm, entre as partes, apenas empresas brasileiras). Neste caso, são investidores e empresas já familiarizados com o funcionamento do mercado brasileiro e de seu ceo/ensaio 33
  34. 34. A tendência é que a chegada de novos investidores estrangeiros se acentue, diante da atratividade do Brasil, seja pela estabilidade e pelo potencial de crescimento econômico, seja pelo grande mercado consumidor internorespectivo setor de atuação, o que operação será proporcional, portanto, adequação das estruturas das duaslhes dá importantes vantagens à qualidade do trabalho de consultoria empresas. É comum que os custos decompetitivas. e suporte à corporação. integração sejam subdimensionados, especialmente em áreas como TI, RHA tendência é que a chegada de Pós-transação e vendas. Mais à frente, o investidornovos investidores estrangeiros O real e o ideal caminham em descobre na ponta do lápis a faturase acentue, diante da atratividade paralelo. Muitas vezes, seja pela pelo erro de cálculo.do Brasil, seja pela estabilidade necessidade de fechar a transação,e pelo potencial de crescimento seja por inconsistências no trabalho Por fim, todos esses fatores mostrameconômico, seja pelo grande de avaliação do ativo, há lacunas o quanto é delicada a condução demercado consumidor interno. Esses que só serão identificadas após a uma negociação e da efetivaçãogrupos certamente precisam ainda conclusão da operação. Quanto menor de uma transação. Grandesmais de um adequado trabalho de a qualidade da due diligence, maiores oportunidades de negócio, sobretudoassessoria que lhes permita conhecer serão os riscos de o novo controlador quando associadas à entrada ema realidade brasileira e identificar se deparar com problemas tributários, novos mercados, não devem seriscos e vantagens relacionados trabalhistas, administrativos, voltar contra o investidor. Fusõesa uma determinada operação de tecnológicos, operacionais, contábeis, ou aquisições precisam ser ícones defusão e aquisição. Tais organizações de gestão de pessoas ou dos processos crescimento de uma organização,desembarcam no Brasil habituadas internos em geral. e não a marca de um passo mala procedimentos e processos que calculado e executado. Quantonão obrigatoriamente encontrarão Outro ponto crítico é o trabalho de mais rigoroso e profissional for oparalelo nas rotinas da empresa a ser integração, que exige um enorme trabalho de avaliação, negociação eadquirida, notadamente no que diz esforço. Culturas e procedimentos de uma due diligence, menores serãorespeito a padrões contábeis, estrutura distintos muitas vezes se juntam os riscos assumidos e maior será ade gestão e governança ou práticas para formar um novo negócio cujos possibilidade de potencialização dostributárias e trabalhistas. O sucesso da processos serão decorrência da ganhos gerados com a operação.34 ceo/empresa

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