MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA
Mauricio T. Tolmasquim,
Amilcar Guerreiro e
Ricardo Gorini
RESUMO
O artigo apresenta uma pros...
[1] Empresa pública vinculada ao
MinistériodeMinaseEnergia,criada
em2004comafinalidadedeelaborar
estudosepesquisasdestinad...
49NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007
[2] Entre 1970 e 2005, a renda per
capita cresceu à taxa de 1,9% ao ano.
Considerando a...
GRÁFICO 2
Evolução da estrutura da oferta de energia
Brasil – 1970-2030
Fonte:EPE.
Energia e desenvolvimento O uso de ener...
milhõesdetep.Em2000apopulaçãojáultrapassava170milhõesde
habitanteseoconsumodeenergiaseelevavaacercade190milhõesde
tep,demo...
do Sul,na faixa de 2.400 a 2.800 tep/103
hab.,e comparável ao con-
sumoatualdevenezuelanosemalaios,de2.150e2.280tep/103
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Dependência externa Adependênciadeenergiaexternaédefi-
nidacomoarelaçãoentreovolumedasimportaçõeslíquidasdeitens
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participaçãodessesegmentonasemissõesaumentede6%em2005
paramaisde10%em2030.
Quanto às emissões específicas (por unidade de ...
mais eficiente a estrutura dos modais de transporte de carga são um
exemplodealternativaviávelnessesentido.
Cabe destacar ...
a expansão do refino poderá equilibrar o balanço produção/consumo
compequenossuperávits.Óleodiesel,gasolinaeGLPdevemaumen-...
mente de 76 milhões de m3
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milhões de m3
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Foram consideradas a priorização dos aproveitamentos hidrelétri-
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referem-se a duas grandes áreas de concentração de atividades e
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investimentosnafaseindustrialenvolverãorecursosdeUS$18bilhões
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[6] Atualmenteadestinaçãodacana
para a produção de etanol é menor,
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petróleoeenergiaelétricaemmaisde80%(verTabela1).Emtermos
médios anuais, o investimento no setor energético deverá ser da
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é um fator essencial para o esforço de reverter esse quadro.Historica-
mente,o Brasil apresenta uma importante vantagem co...
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Matriz energética brasileira uma perspectiva

  1. 1. MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA Mauricio T. Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini RESUMO O artigo apresenta uma prospectiva do setor energético bra- sileiro para o período 2005-30.As projeções apontam que o consumo de energia crescerá a taxas superiores às das últi- mas décadas e que a expansão da oferta energética poderá superar o dobro da atual capacidade instalada em todos os segmentos,especialmente os de petróleo,gás natural,etanol e eletricidade. PALAVRAS-CHAVE: matriz energética brasileira;oferta e demanda de energia;desenvolvimento sustentável. SUMMARY The article presents a prospective for Brazilian energetic sec- tor from 2005 to 2030.Projections state that consumption of energy will increase faster than in previous decades and that the supply of energetic power might be twice as big as today’s capacity in all segments, specially oil, natural gas, ethanol and electricity. KEYWORDS: Brazilian energetic matrix;supply and demand of energy; sustainable development. 47NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 Desde a Revolução Industrial, a competitividade econômicadospaíseseaqualidadedevidadeseuscidadãossãointen- samenteinfluenciadaspelaenergia.Emummercadoglobaleemface dascrescentespreocupaçõescomomeioambiente,essainfluênciase mostra cada vez mais decisiva.Nesse contexto,as economias que melhor se posicionam quanto ao acesso a recursos energéticos de baixo custo e de baixo impacto ambiental obtêm importantes vanta- genscomparativas.Naspróximasdécadas,essaquestãoseapresenta para o Brasil a um só tempo como um desafio e uma oportunidade. Desafio,porque o desenvolvimento econômico e social demandará uma expressiva quantidade de energia e com isso um alto grau de segurançaedesustentabilidadeenergéticas.Oportunidade,porqueo Brasil dispõe de condições especialíssimas de recursos energéticos renováveisedetecnologiaparatransformarsuasriquezasnaturaisem energiaedessaformaagregarvaloràsuaproduçãoderiqueza. Uma prospectiva 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 47
  2. 2. [1] Empresa pública vinculada ao MinistériodeMinaseEnergia,criada em2004comafinalidadedeelaborar estudosepesquisasdestinadosasub- sidiar o planejamento do setor ener- géticonacional[N.E.]. Paraenfrentaressedesafioeaproveitaressaoportunidade,éneces- sário orientar e catalisar esforços de investidores,empreendedores e consumidores do setor energético,visando uma adequada interação entre esses atores.Nesse sentido,é fundamental a contribuição das instituições e equipes responsáveis pelo planejamento energético nacional,antecipando as situações,mapeando as alternativas,suge- rindoestratégias,enfim,norteandoasdecisões.Asnecessáriastrans- formações no setor energético nacional nos próximos 25 anos com- preendem capacitação tecnológica,capacidade de gestão e inovação, viabilizaçãoderecursosparaosinvestimentosecapacidadedearticu- lação institucional,entre outras ações.O presente artigo apresenta umaprospectivadosetorparaesseperíodoapartirdeestudosdesen- volvidospelaEmpresadePesquisaEnergética(EPE)1. VISÃO AGREGADA DO SETOR ENERGÉTICO AolongodoséculoXXoBrasilexperimentouintensodesenvolvi- mentoeconômico,queserefletiunumacrescentedemandadeenergia primária.Entreosfatoresquedeterminaramtalcrescimentoalinham- se um expressivo processo de industrialização,com a instalação de plantas energo-intensivas, e uma notável expansão demográfica, acompanhada de rápido aumento da taxa de urbanização.Conside- rando-seapenasoperíodoapartirde1970,asériehistóricadaevolu- çãodoconsumodeenergiaedocrescimentopopulacionalindicaque naquele ano a demanda de energia primária era inferior a 70 milhões de tep (toneladas equivalentes de petróleo),enquanto a população atingia 93 milhões de habitantes.Em 2000 a demanda de energia quase triplicou,alcançando 190 milhões de tep,e a população ultra- passava170milhõesdehabitantes. Note-sequeocrescimentoeconômiconãofoiuniformeduranteo período.A taxa média anual,de 3,5%,oscilou de 5,5% em 1970-80 a 2,2% e 3% nas décadas seguintes,quando o crescimento apresentou volatilidadeemrazãodecrisesmacroeconômicas.Noentanto,mesmo nos períodos de taxas menores — como aqueles que se seguiram aos planos Cruzado e Real — sempre se verificou significativa expansão do consumo de energia nos intervalos em que houve uma expansão maisvigorosadaeconomia.Issoindicaqueemumambientedemaior crescimento econômico deve se esperar maior crescimento da de- mandadeenergia. Em conformidade com a prospectiva que se pode formular para a economia brasileira,os estudos de longo prazo conduzidos pela EPE apontam forte crescimento da demanda de energia nos próximos 25 anos.Estima-sequeaofertainternadeenergiacresceráa5%aoanono período 2005-10 e que nos anos subseqüentes haverá um cresci- 48 MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: UMA PROSPECTIVA ❙❙Mauricio Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 48
  3. 3. 49NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 [2] Entre 1970 e 2005, a renda per capita cresceu à taxa de 1,9% ao ano. Considerando as projeções do IBGE paraocrescimentodapopulação,cal- cula-se que entre 2005 e 2030 uma expansãosustentadadoPIBde4%ao ano produzirá um aumento da renda percapitapara3%aoano. Porexemplo,decisõesdeinvestimen- tos em indústrias com perfil energo- intensivo e dinâmica de reposição tecnológica insuficiente para afetar significativamenteaeficiêncianouso deenergia. Essaparticipaçãoincluiageraçãoelé- tricaapartirdaenergiahidráulica,do bagaço de cana-de-açúcar e de cen- trais eólicas, o uso do álcool como combustível automotivo e o emprego docarvãovegetalnasiderurgia. 20301970 1980 1990 2000 2010 2020 Mtap % ao ano 600 400 200 0 6 4 2 0 Demanda total de energia (Mtap) Taxa de crescimento na década (% ao ano) GRÁFICO 1 Evolução da demanda de energia e da taxa de crescimento econômico Brasil – 1970-2030 Fonte:EPE. mentomenor—de3,6%e3,4%aoanonosperíodos2010-20e2020- 30,respectivamente—,devidosobretudoaumamaioreficiênciaener- géticatantodoladodademandacomodaoferta.Noentanto,essecres- cimentodeveserqualitativamentediferente.Alémdeumcrescimento sustentado, pode-se esperar um aumento muito mais intenso da renda per capita2 e também uma melhor distribuição de renda.Esses fatores,aosquaissesomaoconsumodeenergiapercapita,atualmente muitobaixoparaospadrõesmundiais(de1.190tep/103 hab.),justifi- camocrescimentodademandanacionaldeenergiapara3,8%aoano em2030,superando550milhõesdetep(verGráfico1). Cabe ressaltar uma clara tendência de diversificação da matriz energética brasileira.Como se pode observar no Gráfico 2,em 1970 apenasduasfontesdeenergia,petróleoelenha,respondiampor78% do consumo,enquanto em 2000 três fontes correspondiam a 74% doconsumo:alémdepetróleoelenha,aenergiahidráulica.Projeta-se para2030umasituaçãoemquequatrofontesserãonecessáriaspara satisfazer 77% do consumo:além de petróleo e energia hidráulica, cana-de-açúcaregásnatural—comreduçãodaimportânciarelativa dalenha. Destaque-seaindaareversãodatendênciadereduçãodaparticipa- ção das fontes renováveis na matriz energética brasileira.Em 1970 essaparticipaçãoerasuperiora58%,emvirtudedapredominânciada lenha.Comaintroduçãoderecursosenergéticosmaiseficientes,apar- ticipaçãodasfontesrenováveiscaiupara53%noano2000echegoua 44,5% em 2005.Essa tendência deve se manter nos próximos anos, mas visualiza-se a possibilidade de reversão a partir de 2010,como indicadonoGráfico3. 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 49
  4. 4. GRÁFICO 2 Evolução da estrutura da oferta de energia Brasil – 1970-2030 Fonte:EPE. Energia e desenvolvimento O uso de energia no Brasil começouaapresentarincrementoselevadosapartirdotérminodaII Guerra Mundial,impulsionado pelo expressivo crescimento demo- gráfico,por uma urbanização acelerada,pelo processo de industriali- zaçãoepelaconstruçãodeumainfra-estruturadetransporterodoviá- rio de característica energo-intensiva.Entre 1940 e 1950,com uma populaçãodecercade41milhõesdehabitantes,dosquais69%secon- centravamnomeiorural,oconsumobrasileirodeenergiaprimáriaera deapenas15milhõesdetep.Em1970,comumapopulaçãodemaisde 93 milhões de habitantes, esse consumo já se aproximava de 70 50 MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: UMA PROSPECTIVA ❙❙Mauricio Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini Derivados da cana-de-açúcar 5% Carvão mineral e derivados 3% Lenha e carvão vegetal 44% Petróleo e derivados 34% Hidráulica e eletricidade 14% Derivados da cana-de-açúcar 11% Carvão mineral e derivados 7% Lenha e carvão vegetal 12% Petróleo e derivados 46% Hidráulica e eletricidade 16% Outras fontes primárias renováveis, Urânio (U308) e derivados,Gás natural (0%) 1970 2000 Outras fontes primárias renováveis 2% Urânio (U308) e derivados 1% Gás natural 5% 2030 Derivados da cana-de-açúcar 18% Carvão mineral e derivados 7% Lenha e carvão vegetal 6% Petróleo e derivados 30% Hidráulica e eletricidade 13% Outras fontes primárias renováveis 7% Urânio (U308) e derivados 3% Gás natural 16% 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 50
  5. 5. milhõesdetep.Em2000apopulaçãojáultrapassava170milhõesde habitanteseoconsumodeenergiaseelevavaacercade190milhõesde tep,demodoqueocrescimentoquasetriplicou,comojáobservado. Contudo,oconsumopercapitadeenergiasemprefoimuitobaixo. O crescimento da renda nacional e sua redistribuição deverão fazer comqueesseconsumoaumente.Ocenáriotraçadopara2030estima umconsumodeenergiaprimáriadecercade560milhõesdeteppara umapopulaçãodemaisde238milhõesdehabitantes.Nessascondi- ções,ademandapercapitaaumentariade1.190para2.345tep/103 hab. entre2005e2030(verGráfico4).Aindaassim,oconsumopercapita estimadopara2030,de2.330tep/103 hab.,seriainferioraoconsumo atualdepaísescomoPortugal,Grécia,Hungria,Hong-KongouÁfrica 51NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 GRÁFICO 3 Evolução da participação das fontes renováveis na matriz energética Brasil – 2005-2030 Fonte:EPE. Renováveis Não renováveis 2030 2020 2010 2005 44,8% 44,5% 43,0% 44,5% 50% 75%25% GRÁFICO 4 Evolução do crescimento populacional e da demanda de energia per capita Brasil – 1970-2030 Fonte:EPE. 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 População População (106 hab) tep/hab Demanda total de energia per capita 250 200 150 100 50 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 51
  6. 6. do Sul,na faixa de 2.400 a 2.800 tep/103 hab.,e comparável ao con- sumoatualdevenezuelanosemalaios,de2.150e2.280tep/103 hab., respectivamente. Eficiência energética Como já ressaltado,em um cenário de crescimento econômico sustentado é de esperar um grande au- mento da demanda de energia. Nessas condições, a estratégia de expansãodaofertadeenergiadeveconsiderariniciativasquepromo- vamousomaiseficientedasfontes.Umamedidadinâmicadessaefi- ciência é dada pela evolução do conteúdo energético do PIB.Entre 1970 e 1980 houve redução drástica desse parâmetro,indicando que o produto nacional aumentou com menor uso relativo de energia.O fator decisivo dessa dinâmica foi a substituição de fontes de energia menos eficientes (lenha) por outras mais eficientes (derivados do petróleoeeletricidade).Jánosperíodossubseqüenteshouveaumento da intensidade energética, o que encontra respaldo no estágio de desenvolvimentoeconômicodopaís,emespecialnosetorindustrial. Nosanosiniciaisdoperíododeprojeçãoesseindicadoraindacres- ceria,emvirtudedecomponentesinerciaisdaofertaedademandade energia.Essatendênciasósereverteriaaolongodoperíodo,namedida emqueaçõesdeeficiênciaenergéticaproduzamresultadosmaisefeti- vos.Nessas condições,o conteúdo energético do PIB em 2030 será aproximadamenteigualaode1990,masaeconomiaseráquatrovezes maior.ComoindicadonoGráfico5,adespeitodocrescimentodoPIB a intensidade energética cairá de US$ 0,275 tep/103 em 2005 para US$0,262tep/103 em2030(emdólaresde2005). 52 MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: UMA PROSPECTIVA ❙❙Mauricio Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini GRÁFICO 5 Evolução da intensidade energética, da oferta de energia e do PIB Brasil – 1970-2030 Fonte:EPE. 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 US$ tep/103 [2005] 1200 1000 800 600 400 200 0 0,40 0,35 0,30 0,25 0,20 0,15 0,10 nº índice [1970=100] 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 52
  7. 7. Dependência externa Adependênciadeenergiaexternaédefi- nidacomoarelaçãoentreovolumedasimportaçõeslíquidasdeitens energéticos (diferença entre importações e exportações) e a oferta interna de energia.Haja vista a expansão da produção doméstica de petróleo e gás natural, tal dependência poderá manter trajetória decrescenteaolongodosquinzeanosiniciaisdoperíododeprojeção. Essa tendência deve se reverter nos anos subseqüentes,em razão do crescimento da demanda energética associado à expansão da econo- mia,masaindaassimoindicadornãoultrapassaria11%.Cabeobser- var que hipóteses mais arrojadas quanto à evolução das reservas e da produçãodepetróleoegásnaturalpoderiampermitiraexpectativade umamenordependência. Emissão de gases Diante da crescente preocupação mundial com as mudanças do clima global — em especial o aquecimento do planeta—,asemissõesdegasesdeefeitoestufasetornamumaques- tãocadavezmaisrelevante.Emcomparaçãocomorestodomundo,o Brasil tem se destacado por apresentar reduzidos índices de emissão degasesemsuaproduçãodeenergia,oquesedevebasicamenteàele- vada participação de fontes renováveis na oferta energética interna, que em 2005 foi da ordem de 44,5%.No horizonte de longo prazo, fatores como o ritmo de crescimento da economia e a estrutura da expansãodoconsumodeenergiaterãopapelfundamentalnovolume dasemissõesdegáscarbônico(CO2).Mesmolevando-seemcontao aumento da participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira,o nível de emissões deverá se ampliar nos próximos 25 anos.Nas condições aqui consideradas,projetam-se emissões de cercade970milhõesdetoneladasdeCO2 em2030. A evolução do perfil de consumo de energia primária implica dis- tintos níveis de crescimento das emissões de CO2.Assim,projeta-se queem2030asfontesrenováveis(derivadosdecana-de-açúcar,lenha reflorestadaecarvãovegetal)terãoparticipação(líquida)nulanessas emissões,aopassoqueosderivadosdepetróleo(óleodiesel,gasolina, GLP[gásliquefeitodepetróleo]equerosene)responderãopelamaior partedasemissões,comparticipaçãodecercade50%.Ogásnatural, embora apresente fatores de emissão menores que os dos demais combustíveis fósseis,aumentaria sua participação para aproximada- mente 17%,em conseqüência do maior emprego na indústria e na geração elétrica.Com a expansão da atividade siderúrgica e a difusão de plantas termelétricas a carvão,que levam a um aumento do con- sumo do carvão mineral e derivados,essa fonte energética passaria a responderporcercade16%dasemissões.Note-seaindaqueageração elétrica poderá apresentar a maior taxa de crescimento de emissões nos próximos 25 anos — cerca de 7% ao ano —,fazendo com que a 53NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 53
  8. 8. participaçãodessesegmentonasemissõesaumentede6%em2005 paramaisde10%em2030. Quanto às emissões específicas (por unidade de energia consu- mida),admite-se que possam crescer a curto prazo.A longo prazo, porém,passadososefeitosdascondiçõesiniciaisedosfatoresinerciais que condicionam o comportamento da economia e da demanda de energia,essas emissões passariam a apresentar tendência declinante em função do aumento da participação de fontes renováveis. No períodoemprojeção,oíndicedasemissõesespecíficasdegáscarbônico seriade1,62tCO2/tepem2005,atingiriaumvalormáximode1,79no iníciodosanos2010edeclinariapara1,74em2030(verGráfico6). Ainda que o índice das emissões específicas estimado para 2030 sejabastanteinferioràmédiamundialatual,issonãosignificaquese deva minimizar a importância dessa questão no caso brasileiro.O aumento do nível de emissões a curto prazo deve por si só sinalizar a necessidade da implementação de medidas e iniciativas que assegu- rem a reversão dessa tendência.Se o desenvolvimento do país parece tornarirreversíveloaumentodessasemissões,háqueseempreender um esforço para tornar igualmente irreversível que a médio e longo prazos esse desenvolvimento não implique tal aumento.O cenário aquiformuladoapontaqueessecaminhoépossívelmesmosemgran- desalteraçõesestruturais.Medidasvoltadasatornarenergeticamente 54 MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: UMA PROSPECTIVA ❙❙Mauricio Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini GRÁFICO 6 Evolução das emissões específicas de CO2 Brasil – 2005-2030 Em tCO2/tep, com base na oferta interna de energia Fonte:EPE 2005 2010 2020 2030 1,85 1,80 1,75 1,70 1,65 1,60 1,55 1,50 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 54
  9. 9. mais eficiente a estrutura dos modais de transporte de carga são um exemplodealternativaviávelnessesentido. Cabe destacar que as estimativas de emissões aqui apresentadas consideram premissas quanto ao uso eficiente da energia e à maior penetraçãodefontesrenováveis,refletindopolíticasjádefinidaspelo governofederal—taiscomooProgramadeIncentivoàsFontesAlter- nativas de Energia Elétrica (Proinfa),o Programa de Conservação de Energia Elétrica (Procel),o Programa Nacional de Racionalização do UsodosDerivadosdoPetróleoedoGásNatural(Conpet),oProgra- maBrasileirodeEtiquetagem,aLeideEficiênciaEnergética,oPrograma Nacional do Biodiesel e o Programa do Álcool — e medidas comple- mentaresaelas,comolinhasdefinanciamentofavoráveisaessasfor- masdeenergiaeincentivosàco-geração.Issosignificaqueessasesti- mativasnãodevemsertomadaspersecomoproxydocenáriobásicodas emissões a longo prazo,pois pressupõem iniciativas que não podem prescindirdemecanismosqueasestimulemouassegurem.Casoestas não fossem pressupostas na estratégia de expansão da oferta energé- tica aqui considerada,o nível de emissões estimado certamente seria muitomaiselevado. AS PRINCIPAIS FONTES ENERGÉTICAS Petróleo e derivados Em face da política continuada de investimento em exploração e produção de petróleo,estima-se que a produçãopossaatingir3milhõesdebarrispordiaem2020.Dolado da demanda,o consumo de petróleo deverá seguir trajetória de vigo- roso crescimento, acompanhando as condicionantes do cenário macroeconômico.Mesmoassim,espera-sequeaté2030hajasuperá- vitnobalançodeproduçãoeconsumodepetróleo. Jáaproduçãodederivadosdepetróleoem2030éestimadaem3,7 milhõesdebarrispordia,comaconseqüenteexpansãodacapacidade derefino,necessáriaparaatenderàdemandadoméstica.Obalançode produção e consumo desses derivados deverá apresentar alterações importantes em relação à situação atual.No caso do óleo diesel,a expansãodorefino,comperfisqueprivilegiamaproduçãodederiva- doslevesemédios,eoaumentodaofertadebiodieseltendematornar obalançosuperavitário.Destaque-seaindaaproduçãodedieselapar- tir de óleos vegetais (H-Bio),o que também contribui para a redução dademandadeóleocru. Em razão da disponibilidade do etanol e do aumento da frota de automóveisbicombustíveis,agasolinadeverámanterobalançosupe- ravitárioqueapresentaatualmente,emboraocrescimentodoconsumo indique tendência de reversão desse quadro nos últimos anos do períodoemprojeção.NocasodoGLP,itemdoqualopaíséimportador, 55NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 55
  10. 10. a expansão do refino poderá equilibrar o balanço produção/consumo compequenossuperávits.Óleodiesel,gasolinaeGLPdevemaumen- tarsuaparticipaçãonamatrizdeconsumodederivados,aocontráriodo queocorrecomoóleocombustíveleanafta,sobretudoemdecorrência da substituição por gás natural na indústria em geral (óleo combustí- vel)enaquímicaepetroquímicaemparticular(nafta). Em 2030 os derivados de petróleo manteriam a posição de lide- rançaentreasfontescomumaparticipaçãodecercade30%damatriz energéticabrasileira,mascercadenovepontospercentuaisemrelação a2005,acentuando-seassimatendênciaverificadanosúltimosanos. OGráfico7apresentaaestruturadoconsumodederivadosdepetró- leoem2005eaprojetadapara2030. Gásnatural Acontinuidadedosinvestimentosemexploração e produção de gás natural permitirá elevar a produção para mais de 250 milhões de m3 por dia em 2030,com uma taxa de crescimento média de 6,3% ao ano no período em projeção.Ainda assim,o au- mento da demanda a longo prazo sinaliza a necessidade de comple- mentaçãodaofertadegásnaturalcomaimportaçãodemaisde70mi- lhões de m3 /dia em 2030,o que significa ampliar em 40 milhões de m3 /dia a capacidade de importação atual (via gasoduto Bolívia–Bra- sil).Quantoàimportaçãodegásnaturalliquefeito(GNL),planejada em20milhõesdem3 /diaaté2009,anecessidadedeimportaçãoadi- cionalem2030seriade20milhõesdem3 /dia. O setor industrial deverá permanecer como o principal consumi- dor do gás natural,em processo continuado de substituição do óleo combustível.Na geração de energia elétrica,a demanda de gás,atual- 56 MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: UMA PROSPECTIVA ❙❙Mauricio Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini GRÁFICO 7 Estrutura do consumo de derivados de petróleo Brasil – 2005-2030 Fonte:EPE. Outros 17% Outros 17% Querosene 3% Querosene 4% GLP 9% GLP 8% Natta 9% Natta 7% Gasolina 16% Gasolina 17% Óleo combustível 8% Óleo combustível 4% Diesel 38% Diesel 43% 2005 2030 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 56
  11. 11. mente de 76 milhões de m3 /dia, poderá ser acrescida de 35 a 40 milhões de m3 /dia,na hipótese de despacho continuado das termelé- tricasemcargamáxima.Dessemodo,ovolumedeimportaçãoacima indicado poderá ser maior.Poder-se-ia adotar a estratégia de tratar a disponibilidade de GNL como um “pulmão” desse mercado (even- tuaisexcedentespoderiamserexportados)e,demodocomplementar, proceder a uma importação adicional (em relação a 2005) de pelo menos50milhõesdem3 /dia,porgasodutos. Sobessascondições,ogásnaturalganharáparticipaçãoexpressiva na matriz energética brasileira,passando de pouco mais de 9% em 2005 para mais de 15% em 2030.O Gráfico 8 ilustra a estrutura do consumodegásverificadaem2005eaprojetadapara2030. Cana-de-açúcarEmumcenáriomacroeconômicodeaprovei- tamento das potencialidades nacionais em meio a um ambiente externofavorável,acompetitividadedacana-de-açúcarparafinsener- géticoséoprincipalfatordaexpressivaexpansãodaproduçãodeeta- nol,inclusive com excedentes exportáveis.Nesse contexto,pode-se prever um aumento da produção dos demais derivados da cana-de- açúcar,emespecialabiomassadestinadaàgeraçãodeenergiaelétrica. Ao longo dos próximos anos,ademais,parte da biomassa produzida poderáserdestinadaàproduçãodeetanolmedianteaconsolidaçãode umavançotecnológico:oprocessodahidrólise. Ousomaisintensodoetanolcomocombustívelautomotivoreduz ademandadegasolina,aliviandopressõessobreademandaeorefino de petróleo.Em decorrência do crescimento do consumo interno de 57NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 GRÁFICO 8 Estrutura do consumo de gás natural Brasil – 2005-2030 Fonte:EPE. Outros usos 7% Outros usos 7% Transportes 9% Transportes 7% Setor energético 17% Setor energético 17%Geração de energia elétrica 22% Geração de energia elétrica 25% Consumo industrial 38% Consumo industrial 28% Produção de derivados de petróleo 7% Produção de derivados de petróleo 16% 2005 2030 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 57
  12. 12. energia no setor de transportes — associado principalmente ao au- mentodafrotadeautomóveisbicombustíveisnumcontextodecres- cimentodarenda—,poderáhaverreduçãodadisponibilidadedeeta- nolparaexportaçãoem2030.Contribuiriamaindaparaessaredução eventuaislimitaçõesaumamaiorexpansãodaáreaocupadacomacul- turadacana,adespeitodoaumentonaprodutividadedosetor.Nessas condições,acanaeseusderivadospassariamaserasegundafontede energiamaisimportantedamatrizenergéticabrasileiraem2030,com participação de 18,5% (13,8% em 2005),inferior apenas à participa- çãodopetróleoederivados. Eletricidade De acordo com o cenário macroeconômico de referência,estima-se que em 2030 o consumo de energia elétrica no Brasil supere o patamar de 1.080 TWh,perfazendo uma expansão médiade4%aoanonoperíodoconsiderado.Note-sequeessaproje- ção inclui uma parcela de eficiência energética referente ao progresso autônomo,isto é,ao aumento de eficiência decorrente de melhores práticasnousoeprincipalmentedaprogressivasubstituiçãodeequi- pamentoselétricosporoutrosmaiseficientesnosdiferentessegmen- tos da economia e da sociedade,incorporando avanços tecnológicos disponíveisnomercado.Admitindo-seacontinuidadedetaltendên- cia, essa conservação de energia responderia por cerca de 5% da demandaem2030. Noentanto,aestratégiadeatendimentodademandadevecontem- plar outras iniciativas na área de eficiência energética,que possam “suprir” mais uma parcela de cerca de 5% dessa demanda.Assim,o requisitodeproduçãopoderiaserreduzidopara1.030TWh.Afrustra- ção dessa conservação adicional implicaria uma maior expansão da oferta,quantificadaem6.400MW.Tendoemvistaaseventuaislimi- tações à expansão hidrelétrica dadas pela classificação socioambien- tal,essa oferta adicional seria basicamente constituída por termelé- tricas (94%, ou 6.000 MW). Ainda no campo da conservação, destaca-se do lado da oferta a possibilidade de redução das perdas totais, cujo índice, atualmente situado em quase 16%, passaria a menosde14%em2030. Comrelaçãoàexpansãodaoferta,ageraçãohidrelétricadegrande porte mereceu uma abordagem específica em virtude do fato de que aproximadamente 60% do potencial a aproveitar se concentra na bacia Amazônica,em grande parte ocupada por reservas florestais, parquesnacionaiseterrasindígenas,demodoqueaexploraçãodesse potencial irá demandar estudos especiais acerca de sua sustentabili- dadeambiental.Assim,consideraram-sealgumasrestriçõesobjetivas ao seu desenvolvimento (ainda que de um modo genérico) a fim de internalizaraquestãoambiental. 58 MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: UMA PROSPECTIVA ❙❙Mauricio Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 58
  13. 13. Foram consideradas a priorização dos aproveitamentos hidrelétri- cosconformeoPlanoDecenaldeEnergiaElétrica2007-16,emelabora- ção pela EPE,e a priorização do desenvolvimento,nos próximos 25 anos,do potencial hidrelétrico das bacias hidrográficas indicadas pelo Ministério das Minas e Energia (MME),com apoio do Ministério do Meio Ambiente,como objeto de estudos de avaliação ambiental inte- grada,bemcomodaquelasindicadaspeloMMEcomoobjetodeestudos deinventárioedeviabilidade.Alémdisso,foramobservadoscertosparâ- metrosreferentesàinterferênciadoprojeto(usinaeseureservatório)em terrasindígenaseemunidadesdeconservaçãodeproteçãointegralede usosustentável.Tomou-seentãocomoprincípiogeralretardaroapro- veitamentoavaliadocomodemaiorcomplexidadeambiental.Aprioris- ticamente,excluiu-se do horizonte do estudo uma parcela de 30% do potencialhidrelétriconacionalàguisadeimpactosambientais. Nessas condições,avalia-se que a participação da energia hidráu- lica na oferta de eletricidade,da ordem de 90% em 2005,cairia para poucomaisde70%em2030.Jáageraçãotérmicaconvencional(nu- clear,a gás natural e a carvão mineral) expandiria sua participação de 7% para cerca de 15%.As fontes renováveis (ou não-convencionais) não-hidráulicas (biomassa da cana,centrais eólicas e resíduos urba- nos) também deverão experimentar crescimento expressivo,pas- sando a responder por mais de 4% da oferta de eletricidade.Todas as formas de geração térmica irão se expandir mais de cinco vezes no período,aumentandooníveldeemissõesdegasesnageraçãodeener- gia elétrica.Essa é uma conseqüência natural de eventuais restrições aodesenvolvimentodopotencialhidrelétricobrasileiro,nãoobstante a expansão que se possa admitir no parque gerador a partir de outras fontesrenováveis.OGráfico9mostraaestruturadaofertadeeletrici- dadeem2005esuaprojeçãopara2030. Do lado da demanda,avalia-se que o setor industrial continuará sendo o principal segmento do consumo de eletricidade (42% em 2030),mas deve-se destacar o crescimento tanto do setor terciário (quase25%)comodosetorresidencial(emtornode26%),refletindo ashipótesesdecrescimentodonívelderendaedesuamaiordistribui- ção.Estima-se que o consumo de eletricidade residencial per capita, cujoíndiceatualédeapenas38kWh/mês/hab.,possachegarem2030 a99kWh/mês/hab.,queaindaéumvalorbastanteinferioraosparâ- metrosinternacionais.OGráfico10apresentaaevoluçãodaestrutura doconsumodeeletricidadeentre2005e2030. INVESTIMENTOS Petróleo e derivados Os principais itens do investi- mento demandado pela expansão da oferta de petróleo e derivados 59NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 59
  14. 14. referem-se a duas grandes áreas de concentração de atividades e negócios:exploraçãoeprodução(E&P)erefino.Osinvestimentos no abastecimento e na distribuição também são relevantes, mas têm um caráter tipicamente disperso e envolvem múltiplos agen- 60 MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: UMA PROSPECTIVA ❙❙Mauricio Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini GRÁFICO 9 Evoluçãodaestruturadaofertadeeletricidade Brasil–2005-2030 Fonte:EPE. Importação 9% Autoprodução 9% Centrais do serviço público 82% Importação 4% Eficiência energética 4% Autoprodução 8% Centrais do serviço público 84% 2005 2030 GRÁFICO 10 Evolução da estrutura do consumo de eletricidade Brasil – 2005-2030 Fonte:EPE. Perdas 15% Outros consumos 4% Setor energético 3% Comercial e serviços 20% Industrial 39% Perdas 13% Outros consumos 3% Setor energético 3% Comercial e serviços 21% Residencial 23% Residencial 19% Industrial 37% 2005 2030 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 60
  15. 15. [3] As estimativas de investimento aquiapresentadasestãoexpressasem dólares americanos (US$). Isso se deve ao fato de que uma parcela im- portantedosinvestimentosérelativa a equipamentos ou serviços cujas referências são internacionais (mui- tos desses equipamentos são impor- tados).Paraositensdecustoemquea referência está em moeda nacional, utilizou-seataxadecâmbioUS$1,00 =R$2,20.Abasedepreçosadotadaé dosegundosemestrede2006. tes. Assim, as estimativas a seguir apresentadas se restringem a E&P e ao refino. Na área de E&P,tomando-se como referência o índice calculado pela razão entre o Capex (capitalexpenditure) e a correspondente pro- dução de óleo cru de diversas companhias petrolíferas,com base em valores projetados para o período 2005-083,estima-se que serão demandados investimentos de US$ 332,5 bilhões nos próximos 25 anos. Assumiu-se a premissa de que a partir de meados desse períodoserámantidoonívelanualdeproduçãodomésticadepetróleo emtornode3milhõesdebarris/dia.Decorredessapremissaasuposi- çãodequehaverácontinuidadedoempreendimentoexploratório,de modo a manter uma confortável razão reserva/produção a longo prazo.Caso haja agregação de reservas de petróleo numa proporção maiordoqueaquelaaquipressuposta,osinvestimentosdemandados poressaatividadeserãonaturalmentemaiores. Quanto às expectativas de investimentos no refino de petróleo, foramlevadosemcontaosinvestimentosprogramadosparaaamplia- çãoeaadaptaçãodoparqueexistenteeparaaconstruçãodarefinaria do Nordeste e da refinaria petroquímica do Rio de Janeiro,de acordo com dados constantes no Plano de Negócios 2007-11 da Petrobras. Essa empresa — que controla 98% das instalações de refino do país —estimaqueaté2011serãoaplicadosUS$10,4bilhõesnaampliação eadaptaçãodoparqueemoperação.Essesinvestimentossedestinam a adequar a oferta e a demanda de derivados de petróleo conforme as característicasdecadarefinariaeoperfildomercado.Anaturezadesses investimentos sugere que eles têm um caráter permanente.Levando em conta que a instalação de novas refinarias pode reduzir a necessi- dade de tais investimentos,admitiu-se que entre 2010 e 2020 seria aplicado o mesmo montante na atualização do parque existente. Assim,estimaram-seinvestimentosparaessefimnovalordeUS$20,8 bilhõesentre2005e2030. SegundoosdadosdaPetrobras,arefinariadoNordesteirádeman- darinvestimentosdeUS$4,5bilhões.Prevê-seainstalaçãodequatro novas refinarias até 2030 para atender à demanda de derivados.Três delas apresentam complexidade similar à refinaria do Nordeste,e a quarta compreende unidades adicionais (de destilação a vácuo e de coqueamento,entre outras),o que implica um investimento maior. Nessas condições,estima-se que entre 2005 e 2030 o investimento na expansão da capacidade de refino (novas refinarias) envolverá recursos de US$ 25 bilhões.Já a refinaria petroquímica do Rio de Janeiro envolve investimentos de US$ 9,5 bilhões.Além da refinaria em si,esse valor compreende a instalação de todo o pólo petroquí- mico,inclusive as unidades de segunda geração.O investimento na refinariatomadoisoladamentechegaacercadeUS$5,2milhões,valor 61NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 61
  16. 16. tomado como referência para uma segunda refinaria petroquímica prevista até 2030.Nessas condições,o investimento total no refino entre2005e2030éestimadoemUS$60,2bilhões. Com relação à demanda de investimentos para produção de bio- diesel nos volumes projetados (aproximadamente 11,7 bilhões de litrosem2030),estima-seummontantederecursosentreUS$2e2,5 bilhões,o qual compreende as aplicações na instalação das usinas de processamentodosóleosvegetais. GásnaturalOsinvestimentosnacadeiadeofertadegásnatu- ralaquiestimadoscontemplamasfasesdeE&Pedeprocessamentoe transporte em alta pressão,não considerando o âmbito da distribui- ção.Assimcomonocasodopetróleo,asestimativasdeinvestimento em E&P de gás natural embutem incertezas quanto aos riscos geoló- gicosenvolvidosnaatividadeeaosriscosdaviabilidadecomercialdo poço,quesomenteseconheceex-postaoslevantamentosdedadossís- micoseàsperfuraçõesexploratórias.Aprincipalreferênciadisponível paraessesinvestimentoséoPlanodeNegócios2007-11daPetrobras, doqualseinferequeaté2010essaempresainvestirácercadeUS$17 bilhões,comaproduçãochegandoacercade40milhõesdem3 /diaeas reservasa325bilhõesdem3 . Acurtoprazo,devehaverpredominânciadaproduçãodegásasso- ciadoàexploraçãodepetróleo,poisboapartedosinvestimentosfeitos para produzir gás já está apropriada nas atividades de E&P de petró- leo.Amédioprazo,tendemacrescerosinvestimentosemE&Pdegás nãoassociadoaopetróleo.Após2010,oaumentodaproduçãodegás envolverá o desenvolvimento de novos recursos,o que introduz ele- mentosdeincertezaquesetraduzememcustosdeE&Pmaiselevados. Paraquesemantenhaumarelaçãoreserva/produçãopróximadaatual aolongodoperíododeprojeção,estima-sequeasreservasdegásdeve- rãochegara1.020bilhõesdem3 entre2010e2030.Mesmosupondo que a produção mantenha um patamar constante após atingir o volume de 250 milhões de m3 /dia,serão demandados investimentos emE&Pdemodoaampliarasreservasdegás. Esse quadro sugere que a longo prazo os investimentos em E&P de gás natural aumentarão mais que proporcionalmente em relação ao valor que se infere do Plano de Negócios da Petrobras.Adotada a proporcionalidade, calcula-se que entre 2010 e 2030 tais investi- mentos estariam entre US$ 50 e 55 bilhões,tomando-se como refe- rência o aumento da produção ou o aumento das reservas,que pode serconsiderado,portanto,comoumvalormínimoparaocenáriofor- mulado.Umaumentomaisqueproporcionalaumentariaademanda de investimentos para algo entre US$ 60 e 70 bilhões. Conside- rando-se o exposto e os investimentos já programados até 2010,os 62 MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: UMA PROSPECTIVA ❙❙Mauricio Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 62
  17. 17. [4] Valores apresentados por José Sérgio Gabrielli de Azevedo, presi- dentedaPetrobras,nafeiraRioOil& Gas 2006, em 14 de setembro de 2006. investimentosemE&Pdogásnaturalentre2005e2030sãoestima- dosemUS$80bilhões. Oprincipalelementoconstitutivodosinvestimentosnoprocessa- mentodegásnaturaléocustodeinstalaçãodasunidades.Asreferên- cias utilizadas para a estimativa desse custo foram as da unidade de Cacimbas, da Petrobras, no Espírito Santo. Nessa instalação, os módulostêmcapacidadedeprocessamentodegásunitáriade3,5mi- lhõesdem3 /diaeinvestimentoassociadodecercadeUS$180milhões. Neste trabalho,assumiu-se que uma unidade de processamento de gás natural (UPGN) típica seria composta de módulos com capaci- dadedeprocessamentode5milhõesdem3 /dia—umaescalasimilarà dosmódulosdeCacimbas.Combasenareferênciadecustoadotada, issosignificaumcustodeinstalaçãodeUS$260milhõespormódulo. Osestudosindicamquehaveriaanecessidadedevintenovosmódu- losemrelaçãoàcapacidadenominalinstaladaem2005.Nessascon- dições,os investimentos na expansão da capacidade de processa- mentodogásnaturalnoperíodo2005-30foramestimadosemtorno deUS$5,2bilhões. A instalação de novas UPGNs requer investimentos nas suas interligações com a malha de gasodutos,cuja estimativa de custo é bastante dificultada pelos diversos condicionantes de cada projeto, taiscomoalocalizaçãodaunidade,suadistânciadamalhadegasodu- tos,o diâmetro da interligação e as condições do terreno.Não obs- tante,foramaquiconsideradososseguintesparâmetrosbásicospara as interligações:diâmetro de 26 polegadas,extensão de 250 km e capacidadede20milhõesdem3 /dia.Gasodutoscomtaiscaracterísti- caspodemapresentardiferençassignificativasemtermosdecusto.O gasodutoSudeste–Nordeste(Gasene),porexemplo,temcaracterísti- cassimilaresaessasemtermosdediâmetroecapacidade,masalcança uma extensão de 1.200 km;o investimento nesse caso é da ordem de US$ 660 mil/km.O gasoduto Campinas–Rio de Janeiro,com uma extensão de 450 km e uma capacidade muito menor (5,8 milhões de m3 /dia),apresentaumcustobemmaior,emrazãodesuamenorescala e por atravessar uma área com intensa ocupação antrópica.Já o gaso- duto Pilar–Mossoró,com 510 km de extensão e capacidade de 8 mi- lhões de m3 /dia,tem custo comparável ao do Gasene não obstante a menorescaladoprojeto4.Apartirdessasreferências,econsiderando- se a expansão da capacidade de transporte compatível com as proje- ções do consumo entre 2025 e 2030 (em torno de 100 milhões de m3 /dia),foram estimados para o período do estudo investimentos de US$750milhõesnoescoamentodogásprocessadonasUPGNs. O investimento na ampliação da malha principal de gasodutos dependedaestratégiadeexpansãoadotada,enessecasoasincertezas sãoaindamaiores.Emprimeirolugar,háqueseconsiderarqueesses 63NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 63
  18. 18. custossãomuitosensíveisàscondiçõesdarotaeàsuaextensãototal. Atravessiaderegiõesdeacessomaisdifícil,comorios,áreaspantano- sasoureservasambientais,ouqueapresentemcondiçõesambientais agressivas,eventualmente impondo desvios de rota,pode implicar custos adicionais significativos.Além disso,a própria dinâmica do mercadoalongoprazointroduzelementosdedifícilcontroleeavalia- ção.Por fim,constituem elementos de incerteza as alternativas na importação de gás:ampliação de gasodutos regionais na América do SulouinstalaçãodeunidadesderegaseificaçãodeGNL. Com relação à expansão da malha básica de gasodutos,estimam- se investimentos entre US$ 1,6 e 2 bilhões até 2015 para a ampliação dacapacidadedetransporteem30a35milhõesdem3 /diaemrelaçãoa 2005.Em uma visão de mais longo prazo,em que o consumo de gás projetado para 2030 corresponde aproximadamente ao dobro do valor previsto para 2015,estima-se que no período 2005-30 serão demandadosinvestimentosdepelomenosUS$4bilhões. Com relação aos investimentos destinados à importação de gás, podem-seconceberduassituaçõesparaefeitodeestimativadecusto. A primeira consiste na ampliação da importação de países vizinhos por meio de gasodutos:nesse caso,além do gasoduto Bolívia–Brasil (Gasbol),com capacidade para 30 milhões de m3 /dia,pode-se consi- derar,conforme indicado neste trabalho,importações de 50 milhões de m3 /dia até 2030.A segunda é a ampliação das instalações de rega- seificação de GNL: nesse caso, além das instalações previstas até 2009,comcapacidadetotalderegaseificaçãode20milhõesdem3 /dia, pode-seconsiderarainstalaçãodeplantasregaseificadorascomcapa- cidadetotalentre40e60milhõesdem3 /dia. Noprimeirocaso,areferêncianaturaléoGasbol,que,comexten- são de cerca de 2.200 km,envolveu investimentos de US$ 2 bilhões. Umaimportaçãoadicional envolveriaouaampliação do Gasbolou a importação da Venezuela,país detentor de extensas reservas de gás e comoqualoBrasilnegociaaimplantaçãodeumgasodutoparaoNor- deste.Nessa última alternativa as distâncias envolvidas são maiores (cerca de 4.000 km no Brasil) e a rota do empreendimento envolve travessiasdifíceispelaregiãoAmazônica.Nosegundocaso,asinstala- ções que a Petrobras programa para o Nordeste e o Rio de Janeiro, envolvendoinvestimentosdeUS$1,3bilhão,constituemimportantes referênciasdecusto.Estima-sequecada10milhõesdem3 /diadecapa- cidade de regaseificação envolva,em média,investimentos de US$ 600milhões. Considerando-sequeépontocomumaambososcasosainstala- çãodasplantasderegaseificaçãodaPetrobrasaté2009,estima-seque o investimento na expansão da oferta de gás importado no período 2005-30demandariainvestimentosentreUS$4,3e6,3bilhões.Nes- 64 MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: UMA PROSPECTIVA ❙❙Mauricio Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 64
  19. 19. [5] Os três gasodutos têm diâmetro entre24e28polegadas. sascondições,aexpansãodaofertadegásnaturalnoperíododeman- daria investimentos de US$ 90 bilhões (sem contar as aplicações na distribuição,comojáobservado). Cana-de-açúcar Os investimentos no setor sucroalcooleiro podemserdivididosemdoisconjuntosclaramentedistintos:osrela- tivosàfaseagrícolaeosdestinadosàetapaindustrialdeproduçãode etanol (os investimentos referentes à produção de eletricidade são considerados na seção seguinte). Na fase agrícola são requeridas inversões na implantação e formação do canavial, o que ocorre ao longodeumperíododetrêsacincoanos;emetapasdizemrespeitoà aquisição de terras,à seleção e à aquisição das mudas de variedades adequadaseaostratosculturais,osquaisincluemequipamentosagrí- colas. Tais investimentos são sensíveis à região escolhida, o que envolvenãoapenasocustodaterra,mastambémsuascaracterísticas edafoclimáticas,quepodemexigirmudasdecana-de-açúcardevarie- dades diferentes e com tratos culturais diversificados.Na etapa da produção de etanol os investimentos se referem às instalações comuns(obrascivis,estaçãoderecepção,preparoemoagemdacana, geraçãodevaporedeenergiaelétrica),àdestilariadeetanolpropria- menteditaeainstalaçõesauxiliares.Omontanteinvestidovariafun- damentalmenteemfunçãodaescaladeprodução(tamanhodasuni- dades)edatecnologiaempregada. As referências disponíveis para os investimentos na fase agrícola provêm de dados da Datagro [empresa de consultoria no setor sucroalcooleiro]de2006edeumestudorealizadopeloNúcleoInter- disciplinardePlanejamentoEnergético(Nipe)daUnicampem2005. SegundoaDatagro,oíndicequesintetizaovaloragregadodosinves- timentos por tonelada de cana produzida anualmente está situado entreR$58e63,enquantooNipeapontaumvalordeR$75.Combase nessas referências,considerando-se a expansão da produção de cana previstanesteestudoelevandoemcontaque60%dessaproduçãose destinaàgeraçãodeetanol5 (orestantesedestinaàproduçãodeaçú- car),estima-sequeentre2005e2030osinvestimentosnafaseagrí- colaenvolverãorecursosdeUS$11a14bilhões. ADatagroeoNipefornecemaindareferênciasdecustoparaaetapa industrialdaproduçãodoetanol.SegundoaDatagro,osinvestimentos iniciaisrequeridosnessaetapasãodaordemdeR$90a100portone- lada de cana processada para etanol,ao passo que o estudo do Nipe indica um valor um pouco maior,de R$ 102,50.Uma vez que esse estudo apresenta um maior detalhamento, permitindo exprimir o investimento inicial em termos da quantidade de etanol produzida anualmente,assumiu-sequeovalordesseinvestimentoédeR$1.025 porm3 .Nessascondições,econsiderando-seovolumedaproduçãode 65NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 65
  20. 20. etanolprojetadopara2005-30,de39milhõesdem3 ,estima-sequeos investimentosnafaseindustrialenvolverãorecursosdeUS$18bilhões no período.Dessa forma,os investimentos totais na cadeia de produ- ção de etanol ao longo dos anos em projeção são estimados entre US$29e32bilhões,oquesignificaumíndicedeUS$740a820porm3 . Eletricidade Os investimentos na cadeia de produção de ele- tricidadeabrangemtrêssegmentosprincipais:geração,transmissãoe distribuição(inclusiveinstalaçõesgerais).Noâmbitodageração,des- tinam-seàimplantaçãodenovasusinas.Natransmissão,compreen- dem a construção de novas interligações entre os subsistemas mas tambémoreforçodetodaamalhadaredebásica,emconsonânciacom o aumento da carga e dos fluxos de energia.A distribuição envolve a instalação de equipamentos e a expansão da rede elétrica de média e baixatensão,deacordocomaevoluçãodoconsumofinal. Osinvestimentosnageraçãovariamconformeafonteutilizadaea estratégia de expansão adotada.Os custos de referência adotados estão resumidos no Quadro 1.Considerando a expansão do parque geradorcomentadaanteriormente,estima-sequeentre2005e2030 osinvestimentosnageraçãodeenergiaelétricapossamatingirUS$168 bilhões,dos quais US$ 117 bilhões (70%) em usinas hidrelétricas de 66 MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: UMA PROSPECTIVA ❙❙Mauricio Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini QUADRO 1 Referências dos custos de investimento na geração de energia elétrica Fonte:EPE. (1)Valormédio,considerandoinstalaçãode88.200MW. (2)IncluiacapacidadeindicadanosestudosdoPlanoDecenaldeExpansãodeEnergiaElétrica2006-15daEPE. (3)Instalaçõesnossistemasisoladosremanescentes(predominantementemotoresadiesel). 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 66
  21. 21. [6] Atualmenteadestinaçãodacana para a produção de etanol é menor, correspondendo a cerca de 48% na safra 2006/2007, mas projeções do próprio setor indicam que essa pro- porção deve se elevar para 60% na safra2012/2013. [7] No período 1970-74 a proporção foide20%;em1975-79,de15,7%;em 1980-83,de 13,8%;e em 1984-87,de 21,3%(cf.Fortunato,LuizAlbertoM. e outros. Introdução ao planejamento da expansão e da operação de sistemas deproduçãodeenergiaelétrica.Niterói: Eduff,1990,p.26). grandeporte,US$22bilhões(13%)emfontesdegeraçãoalternativa, US$ 17 bilhões (10%) em termelétricas convencionais e US$ 12 bilhões(7%)emcentraisnucleares. De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica 2006-15,elaboradopelaEPE,ocrescimentodacargadosistemainter- ligado nacional nesse decênio,da ordem de 186,6 TWh,demandaria investimentos de US$ 17,9 bilhões na rede de transmissão (básica), dosquais68%emlinhascomtensãoigualousuperiora69kVe32% em subestações e transformação.Considerada a mesma base de cus- tosetendoemvistaumaexpansãodacarganessesistemaentre2005 e2030estimadaemcercade700TWh(jáadmitidooprogressoindu- zidodaeficiênciaenergética),osinvestimentostotaisnatransmissão foramprojetadosemUS$68bilhões(valorqueincluiaexpansãodas interligaçõesindicadanosestudosdelongoprazo). Ressalte-se que naquele plano decenal os investimentos no sis- temadetransmissãoforamestimadosemcercade50%dovaloratri- buídoàgeração,aopassoqueosvaloresacimaapresentadosindicam que essa relação cai para 40%.A princípio isso poderia sugerir uma subestimaçãodosinvestimentosnatransmissão,masdeve-seterem conta que o custo da geração hidrelétrica é crescente na margem.Por outro lado,o custo da transmissão,a despeito da expansão da rede pararegiõesmaisdistantesedeacessomaisdifícil,podeseapropriar mais intensamente de avanços tecnológicos,o que contribuiria para suaredução. Historicamente,os investimentos em distribuição e instalações geraissituaram-seentre15%e20%dasinversõestotaisnosetorelé- trico.Entre 1970 e 1987,a média foi de 17,7%6.Não há indicações de queessaproporçãotenhasealteradoouquevenhaasealterarsubstan- cialmente no futuro.Estudo da consultoria Tendências — tomando por base metodologias de estimação aceitas no mercado e conside- randotantoasnecessidadesdefinanciamentoparaatenderoaumento da carga como os investimentos requeridos para a reposição de equi- pamentosobsoletosouqueseaproximamdofinaldesuavidaútil— estima que no período 2003-12 as inversões na distribuição corres- pondama17,1%dosinvestimentostotaisnosetorelétrico7.Combase nessas referências,e considerando as hipóteses assumidas para os custos de geração e transmissão,estima-se que entre 2005 e 2030 sejamdemandadosinvestimentosnadistribuiçãonafaixadeUS$48 a52bilhões. Síntese Considerando os principais recursos energéticos que compõem a oferta interna,estima-se que o montante de investimen- tosnecessárioparaaexpansãodamatrizenergéticanoperíodo2005-30 poderá ultrapassar US$ 800 bilhões,concentrados nos setores de 67NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 67
  22. 22. petróleoeenergiaelétricaemmaisde80%(verTabela1).Emtermos médios anuais, o investimento no setor energético deverá ser da ordemdeUS$32,3bilhões,oquerepresentaria2,2%doPIB. É importante ressaltar que essas estimativas de investimento, muitoemboraincluamcustosdereduçãoecompensaçãodeimpactos ambientais,podemserafetadasporrestriçõesprocessuaisnolicencia- mento de obras e empreendimentos,na medida em que alarguem os cronogramas de desembolso ou impliquem custos adicionais,e por outros elementos de risco,como a evolução da regulação das ativida- desdeproduçãoeusodaenergia,anecessidadedeadaptaçãodepro- jetos a restrições físicas ou ocorrências não esperadas em sua execu- ção,condições de financiamento etc.Note-se ainda que não estão consideradososcustosfinanceirosaolongodaimplantaçãodospro- jetos de investimento,as inversões na distribuição de gás e de com- bustíveislíquidoseoincrementodaeficiênciaenergética. CONSIDERAÇÕES FINAIS Adisponibilidadedeenergianascondiçõesdequantidadeequali- dade adequadas,a custos competitivos,tem-se constituído em um dos mais importantes pré-requisitos para o desenvolvimento econô- micodasnações.Emvistadisso,aenergiatemsidotratadacomoum bem de natureza estratégica,e não por acaso a segurança energética tornou-seumdostemasmaisrelevantesdaagendamundial. De fato,o Brasil é uma nação com nível de desenvolvimento ainda insuficiente,aoqualseassociamumbaixoconsumoespecíficodeener- gia,carência de infra-estrutura energética e concentração do uso das riquezasnaturais.Oposicionamentodopaísnocenáriointernacional 68 MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: UMA PROSPECTIVA ❙❙Mauricio Tolmasquim, Amilcar Guerreiro e Ricardo Gorini TABELA 1 Distribuição dos investimentos no setor energético Brasil - 2005-30 Fonte:EPE. 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 68
  23. 23. é um fator essencial para o esforço de reverter esse quadro.Historica- mente,o Brasil apresenta uma importante vantagem comparativa no setor energético,relacionada à abundância de recursos naturais a bai- xoscustosemtermosrelativos.Aquestãoquesecolocaparaopaísos próximos anos é:quais desafios estaremos enfrentando e quais ações teremosdeempreenderparamanteressavantagemcomparativa? Nessecontexto,oEstadotemassumidopapelessencialnacondu- çãodosrumosdosetorenergético,especialmenteemrelaçãoabarrei- ras de mercado e a conflitos de interesses entre os vários agentes que atuamnessemercado.Essaaçãovemsendoclaramenteempreendida nadireçãodareduçãodapobrezaedaampliaçãodoacessoàenergiaàs camadassociaismenosdesfavorecidas.Maisrecentemente,apreocu- pação com os impactos ambientais da produção e do uso da energia, em especial as emissões de gases e seus efeitos sobre o clima do pla- neta,temreforçadoanecessidadederegulaçãoedadefiniçãodepolí- ticas especificamente orientadas para assegurar a sustentabilidade do desenvolvimento econômico,o que decerto exige planejamento e açãogovernamental. Daíaimportânciadodesenvolvimentodeestudosparaoplaneja- mento energético de longo prazo,mediante os quais,com base no diagnóstico do quadro econômico e energético internacional e doméstico,podem-se identificar tendências e elementos que permi- temorientaradefiniçãodepolíticaspúblicasvoltadasaasseguraruma disponibilidade energética adequada,a universalização do acesso à energia,ousomaiseficientedesserecurso,aminimizaçãodeseuscus- tosesuasustentabilidadeambiental.Osetorenergéticobrasileironão podeprescindirdeumprocessodeconhecimentocontínuo,sistema- tizadoedinâmicoemfacedosdesafiosdecriarcondiçõesparaarápida expansãodeofertaqueseavizinhaedeimplantaroprocessodediver- sificação da matriz energética,fundamental como posicionamento estratégicoperanteopanoramaenergéticomundial. MauricioTiomnoTolmasquimépresidentedaEmpresadePesquisaEnergética(EPE); AmilcarGuerreiroédiretordeEstudosEconômicoseEnergéticosdaEPE; RicardoGoriniéassessordaSuperintendênciadeEconomiadaEPE. 69NOVOS ESTUDOS 79 ❙❙NOVEMBRO 2007 Recebidoparapublicação em25dejunhode2007. NOVOSESTUDOS CEBRAP 79,novembro2007 pp. 47-69 03_Tolmasquim.qxd 12/7/08 9:43 PM Page 69

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