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Por Samantha Cerquetani
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  1. 1. Março/Abril 2014Jornal Saúde da Família Capa Relatos de especialistas que lidam diariamente com o Programa Mais Médicos, lançado em 2013 pelo Ministério da Saúde Página 04 Aconteceu Notícias institucionais, informações sobre os próximos eventos e o processo eleitoral da SBMFC para o próximo biênio Página 11 Especial Conheça como funciona o método Aprendizado Baseado em Problemas, e suas vantagens para o ensino Página 03 Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade Ano III Edição 22 JORNAL SAÚDE DA FAMÍLIA Em 2013, a população brasileira acompa- nhou a implementação do Programa Mais Médicos. A iniciativa, inédita no Brasil, foi alvo de diversas discussões pelos médi- cos, estudantes de medicina, imprensa e sociedade em geral. Nesta edição do Jornal Saúde da Família, você confere depoimentos Desafios e conquistas do MM de alguns especialistas sobre as mudanças que vivenciaram com o MM, suas conquis- tas e desafios, e o que pensam sobre o futuro do Mais Médicos. Além disso, o diretor de Pesquisa e Pós-Graduação Lato Sensu da SBMFC, Daniel Knupp, destaca as propos- tas da Sociedade para aumentar o número de residentes de MFC no País e como esse quantitativo vem diminuindo com o Programa de Valorização dos Profissionais da Atenção Básica (Provab) e o MM. Veja também como o modelo Aprendizado Baseado em Problemas incentiva o conhecimento pela discussão de problemas em situações concretas. ©TâniaRego/ABr Médicos estrangeiros que ingressaram no MM realizaram treinamento no Brasil
  2. 2. Março/Abril 2014Jornal Saúde da Família 2 Ademir Lopes Jr. Diretor de Comunicação da SBMFC Editorial Discutindo o MM e a formação dos profissionais E m julho de 2013, o Ministério da Saúde lançou o Programa Mais Médicos (MM) como medida emergencial para o provimento de médicos na Atenção Primária à Saúde (APS). O MM contou com a participação de médicos estrangeiros e brasileiros, em especial cubanos que já tinham partici- pado de outras expedições internacionais. Na ocasião, a SBMFC divulgou posicionamento sobre o assunto, reco- nhecendo a necessidade de políticas que enfrentassem a escassez de profissionais no interior do país, entretanto, ressaltava que o MM deveria estar acompanhado de políticas públicas consistentes e perma- nentes que visassem a melhoria da quali- dade e resolutividade dos serviços de APS. Quase um ano após a implementação do MM, para a matéria de capa desta edição, ouvimos tutores Médicos de Família que convivem diretamente com as mudanças, desafios e dificuldades do MM. Nessa edição, também conheça uma das propostas da SBMFC consideradas estratégicas para a estruturação da APS a longo prazo: a expansão das vagas de residência em MFC e o incentivo a ocu- pação dessas vagas. O diretor de Pesquisa e Pós-Graduação Lato Sensu da SBMFC, Daniel Knupp, detalha a proposta e explica as mudanças observadas na ocupação de vagas desses programas de residên- cia após o Mais Médicos e o Programa de Valorização dos Profissionais da Atenção Básica (Provab). Boa leitura! DIRETORIA (órgão executivo - gestão 2012-2014) Presidente: Nulvio Lermen Junior Vice-Presidente: Thiago Gomes Trindade Secretário-Geral: Paulo Poli Neto Diretor Financeiro: Cléo Borges Diretor de Comunicação: Ademir Lopes Junior Diretor de Pesquisa e Pós-Graduação Lato Sensu: Daniel Knupp Diretor de Graduação e Pós-Graduação Stricto Sensu: Roberto Umpierre Diretora Científica: Juliana Oliveira Soares Diretor de Titulação: Emílio Rossetti Pacheco Diretor de Exercício Profissional: Oscarino dos Santos Barreto Jr. Diretor de Medicina Rural: Nilson Massakazu Ando Expediente Jornalista responsável: Roberto Souza | MTB: 11.408 Editor: Rodrigo Moraes Subeditoras: Samantha Cerquetani e Tatiana Piva Reportagem: Vinicius Morais Revisão: Paulo Furstenau Projeto Gráfico: Luiz Fernando Almeida Diagramação: Felipe Santiago, Leonardo Fial, Luiz Fernando Almeida, Rafael Tadeu Sarto e Willian Fernandes Quase um ano após a implementação do MM, para a matéria de capa desta edição, ouvimos tutores Médicos de Família que convivem diretamente com as mudanças, desafios e dificuldades do MM
  3. 3. Jornal Saúde da Família2014 Março/Abril 3Especial A s metodologias ativas de ensino são alternativas às ati- vidades didático-pedagógicas tradicionais. Ao contrário da condição de passividade em que se encontra o aluno em uma aula apenas expositiva, esses métodos incentivam o conhecimento pela discussão de proble- mas em situações concretas. A Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE) vem aplicando um desses métodos nos cursos de extensão, o Aprendizado Baseado em Problemas, principalmente na Atenção Primária à Saúde (APS). O ABP tem suas origens dentro das gra- duações de medicina, e seus pioneiros são a Universidade McMaster, no Canadá, e a Universidade de Maastricht, na Holanda. A metodologia chegou ao Brasil em 1990, e a ESP a desenvolve desde 1996. O médico e supervisor do Centro de Desenvolvimento Educacional em Saúde da ESP, José Batista Cisne Tomaz, experiente na área, explica que a base de conhecimento do ABP é o construtivismo: “Essas ideias surgiram a partir de idealizações de alguns autores, inclusive bem representados pelo peda- gogo Paulo Freire, onde o conhecimento, em vez de adquirido, se constrói”. Em vez das tradicionais aulas exposi- tivas e repasse de conteúdos divididos em disciplina, a ESP organiza seu curso por meio de definição de competência profis- sionais e pelo método da ABP. No curso de APS, Tomaz foi responsável pelo uso da ABP no ensino sobre saúde do idoso, campo ainda muito carente no Ceará, devido à falta de geriatras, e a aplicação Modelo Aprendizado Baseado em Problemas promove educação mais ativa com situações reais do aprendizado baseado em problemas seguia a estrutura de um facilitador com um grupo de 10 alunos. Após as discus- sões de casos, há um período de consulta à literatura e o retorno para encontrar uma solução. Ainda que o método apresente alguma dificuldade de assimilação, Tomaz afirma que os resultados iniciais são eficientes porque ele incentiva tanto docentes como alunos em um aprendizado mais dinâmico. Em tese defendida na Universidade de Maastricht, sobre o tema em cursos a dis- tância online, Tomaz concluiu que “a abor- dagem EAD é aceitável para os profissio- nais de saúde da família e que os médicos de família avaliaram muito bem um curso baseado em ABP”. Ensino e saúde José Batista Cisne Tomaz, médico e supervisor do Centro de Desenvolvimento Educacional em Saúde da ESP-CE ©JoséBatistaCisneTomaz/Arquivopessoal
  4. 4. Março/Abril 2014Jornal Saúde da Família 4 Reportagem C om o objetivo de diminuir a carênciademédicosnosmuni- cípios do interior e nas peri- ferias das grandes cidades do País, o governo federal lançou em julho de 2013 o Programa Mais Médicos. Na ocasião, Mais Médicos em debate Confira opiniões de especialistas sobre o MM lançado em julho de 2013 pelo governo federal Foto:©Shutterstock foi definido que a atuação dos profissionais deveria ser acompanhada por supervisores e tutores. Quase um ano após sua implemen- tação, o Jornal Saúde da Família conversou com alguns profissionais que vivenciam no dia a dia as vantagens e dificuldades do MM. *A SBMFC ressalta que as opiniões dos profissionais não representam o posicionamento da Sociedade.
  5. 5. Jornal Saúde da Família2014 Março/Abril 5 “O Mais Médicos é um programa inédito no Brasil. Atuo em áreas rurais, fiz parte da pri- meira turma de médicos do Programa de ValorizaçãodosProfissionaisdaAtençãoBásica (Provab),fuiresidenteemmedicinadefamília ecomunidade.OsgestoresdoGovernodeve- riamsepreocuparemofereceracessoàsaúde, desde as regiões remotas até os grandes cen- tros e aglomerações urbanas. Ser MFC é ser “Como tutores do Programa Mais Médicos, trabalhamos no sentido de garantir que as supervisões pedagógicas ocorram men- salmente a seus participantes, planejando atividades como os encontros regionais trimestrais, auxiliando os supervisores e colocando-nos à disposição dos super- visores e supervisionados como segunda opinião formativa. São muitos os avanços que tivemos com a implementação do Mais Médicos: o Programa já atende a aproxima- damente 43 milhões de brasileiros que antes não tinham acesso ao profissional médico na Atenção Primária à Saúde (APS). Outra conquista importante é o número expres- sivo dos profissionais que compõem o Mais Médicos ter como especialidade a medicina de família e comunidade. A adequação das grades curriculares dos cursos de medicina, com um enfoque mais visível para a APS, bem como a interiori- zação de novos cursos, também constitui um elemento do Programa. Os desafios são aqueles inerentes ao Sistema Único de Saúde: garantia de condições que viabilizem a resolutividade na APS, acabando com a ineficiência de alguns serviços e proporcio- nando insumos em quantidade e qualidade adequadas. Além disso, o processo de diá- logo entre os entes federativos é um exer- cício que deverá ser praticado mais aberta- mente e com tranquilidade, deixando claro o papel, as funções e responsabilidades de cada um deles. Hoje o maior desafio de nosso trabalho como médico de família e comunidade é dar visibilidade ao potencial de resolução de problemas que a APS pode atingir tendo um MFC como o médico que compõe as equipes. É preciso entender que o MFC é especialista nas pessoas que cuida, e tem como função coordenar o cuidado, trabalhando a promoção, prevenção e cura, além de prevenir o excesso de intervenções médicas desnecessárias.” um médico comprometido com a vida dos indivíduos no decorrer de suas existências, e em muitos lugares isso se torna complexo, principalmentecomosatuaisavançostecno- lógicos, que ao mesmo tempo aproximam e afastam as pessoas. Os desafios de atuar na área são: ser reconhecido; ser inserido nas políticas públicas; ser valorizado economi- camente e como membro de uma equipe.” ©JeanSales/Arquivopessoal©FredericoEsteche/Arquivopessoal CEArÁ: Frederico Esteche Tutor do Mais Médicos e coordenador das residências em MFC AMAZONAS: Jean Claudio Colares Sales Supervisor do Programa Mais Médicos de Manaus (AM)
  6. 6. Março/Abril 2014Jornal Saúde da Família 6 Reportagem “O Mais Médicos é um programa do governo federal que, se bem conduzido e melhor desenhado, tem tudo para dar certo. Não envolve somente o provimento de médicos estrangeiros no País, mas possui um arca- bouço muito maior, como a expansão dos cursosdegraduaçãoemmedicina,ampliando a formação médica no País e a expansão das vagas de residência médica no Brasil, com foco na medicina de família e comunidade e regulação de vagas das demais especialida- des, como ocorre em outros países que têm uma APS forte. E a SBMFC tem tido um diá- logo muito positivo com os Ministérios da Educação e da Saúde, discutindo as possí- veis melhorias do Mais Médicos. Atualmente estou à frente da atenção primária no muni- cípio de Manaus, mas nos últimos oito anos atuo em duas áreas rurais - uma ribeirinha, em uma unidade de saúde fluvial, e uma plataforma de petróleo terrestre, no meio da floresta amazônica, com uma popula- ção em situação de confinamento. Acredito que o próximo ministro da Saúde deveria “Não tenho críticas em relação aos médi- cos do MM, principalmente os cubanos, em relação ao seu preparo, mas acredito que há outros desafios para além da for- mação. O primeiro é a falta de qualificação e estrutura física, instrumental e medi- camentosa dos postos de saúde no País. O segundo é um fator político: os prefei- tos contratam qualquer profissional para a ESF, não se preocupando com qualifica- ção ou perfil. Os prefeitos não valorizam a especialização em Medicina de Família e Comunidade nem estabelecem um plano de carreira.” priorizar a expansão da cobertura da APS no Brasil, ainda baixa, sobretudo nos grandes centros urbanos, mas de forma qualificada, priorizando a formação de especialistas para atuar na APS. E não somente de MFC, mas de toda a equipe da APS, além de melho- rar a infraestrutura dos estabelecimentos de saúde, para possibilitar o aumento da reso- lubilidade da APS. Isso tudo, logicamente, denota um maior investimento por parte da União no setor da saúde, mantendo os investimentos que os estados e municípios já adotam. Desenvolver ações de saúde de forma qualitativa, possibilitando o acesso, a longitudinalidade do cuidado, sendo o primeiro contato dessas comunidades, é algo inovador e só possível no Brasil. Entre os desafios de ser MFC está a expansão da especialidade, sobretudo com a abertura de novos serviços de residência médica em MFC e a identificação da especialidade por parte dos demais especialistas focais. Ser MFC é estar em contato direto com as pes- soas e comunidades em que estão inseridas.” ©LucioBarreto/Arquivopessoal©RSPress/Divulgação Minas Gerais: Lucio Tarcia Barreto Coordenador/regulador do Programa Mais Médicos em Caeté (MG) AMAZONAS: Nilson Massakazu Ando Diretor de Medicina Rural da SBMFC
  7. 7. Jornal Saúde da Família2014 Março/Abril 7Entrevista Residência de MFC Por Samantha Cerquetani Conheça as propostas da SBMFC para aumentar o número de residentes de medicina de família e comunidade no País E m entrevista ao Jornal Saúde da Família,odiretordePesquisaePós- -GraduaçãoLatoSensudaSBMFC, DanielKnupp,relataoquemudou após a implementação do Programa Mais Médicos, destaca o Programa de Valorização dosProfissionaisdaAtençãoBásica(Provab)e a redução do número de residentes de medi- cinadefamíliaecomunidade(MFC)noPaís. O especialista expõe as propostas da SBMFC pararesolveraquestão.Vejadetalhesaseguir: Daniel Knupp, diretor de Pesquisa e Pós-Graduação Lato Sensu da SBMFC ©DanielKnupp/Arquivopessoal
  8. 8. Março/Abril 2014Jornal Saúde da Família 8 Entrevista Quais foram as mudanças na área de residência de MFC com o Programa Mais Médicos? Já foi possível identificar que o Mais Médicos causou uma redução significa- tiva na procura pela residência na espe- cialidade. Até o ano passado, vínhamos de uma série de 10 anos seguidos com aumento do número absoluto de residen- tes de medicina de família e comunidade (MFC) no País e uma taxa de ocupação das vagas credenciadas sempre variando próximo de 30% a 35%. Mesmo com o Programa de Valorização dos Profissionais da Atenção Básica (Provab), não havíamos notado impacto nesses índices. Entretanto, na primeira entrada de residentes após a implementação do Mais Médicos, não só notamos uma diminuição da taxa de ocu- pação, que deve ficar pouco acima de 25%, como também houve redução do número absoluto de residentes de medicina de família e comunidade no País. Esse é um cenário muito desalenta- dor quando se tem como objetivo que pelo menos 40% das vagas de residência seja para MFC, e que essas vagas estejam integralmente ocupadas. Essa proporção de MFC sobre todos os médicos especia- listas é essencial para o equilíbrio de um sistema de saúde de financiamento público que se fundamenta nos princípios de uni- versalidade, integralidade e equidade, e que tenha um modelo assistencial baseado na atenção primária à saúde. Qual a proposta da SBMFC para reduzir essa ociosidade? A proposta é que a residência se torne etapa obrigatória para o exercício da medi- cina para os graduandos que se formarem a partir de 2020, e que a distribuição das vagas entre as especialidades seja feita pelo Governo, seguindo as necessidades sociais e do sistema de saúde, o que garantiria pelo menos 40% das vagas em MFC. Até lá, passaríamos por um período de tran- sição marcado por ações de expansão das vagas de residência em MFC e políticas de estímulos ao ingresso na especiali- dade e redução da ociosidade das vagas de residência. Como uma dessas políticas de estímulos, a SBMFC vem propondo o que temos chamado Mais Médicos - Residência, onde o residente de medicina de família e comunidade faria jus à bolsa com valor equivalente ao dos bolsistas do Programa Mais Médicos, ocupando uma vaga definida para o Mais Médicos e seguindo o currículo e as atividades da residência médica. Essa proposta é viável em qualquer município onde coexistam um programa de residência em MFC e o Programa Mais Médicos, e são inúmeros os municípios nessa situação. ApropostadoMaisMédicos -Residência não tem impacto financeiro para o governo federal, uma vez que já temos mais de 13 mil médicos no Programa, o que repre- senta um número mais do que suficiente. Indo além, essas bolsas concedidas pelo Programa Mais Médicos poderiam cobrir aproximadamente 85% do total de vagas de residência médica no País. A bolsa de residência médica, entretanto, é cerca de um quarto do valor da bolsa do Programa Mais Médicos, ou seja, não parece haver limitação orçamentária. A regulação da formação de especialistas não limitaria a liberdade de escolha dos gra- duandos? Como ocorre em outros países? A SBMFC vem propondo o que temos chamado Mais Médicos - Residência, onde o residente de medicina de família e comunidade faria jus à bolsa com valor equivalente ao dos bolsistas do Programa Mais Médicos, ocupando uma vaga definida para o Mais Médicos e seguindo o currículo e as atividades da residência médica
  9. 9. Jornal Saúde da Família2014 Março/Abril 9 Qualquer convívio em sociedade implica algum grau de restrição às liberdades indi- viduais. No Brasil, a Constituição Federal diz que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Certamente, para alcançarmos isso, a sociedade deverá abdicar de algum grau de liberdade individual em prol do coletivo. Naturalmente, não é diferente em outros países que pretendem ter sistemas de saúde universais e de financiamento público – Canadá, Inglaterra, Espanha, Holanda e Portugal são só alguns exem- plos, além de a residência médica ser obri- gatória e as vagas definidas pelo governo, segundo necessidade do sistema de saúde. Por lá, a proporção de vagas de MFC é de aproximadamente 40% ou mais - essa é a regra nos países onde predomina o finan- ciamento público dos serviços de saúde. Curiosamente, no Brasil e nos Estados Unidos, onde temos um financiamento majoritariamente privado dos serviços de saúde, com mais de 50% dos gastos em saúde sendo de origem privada em ambos os casos, a proporção de vagas de residên- cia em MFC é muito parecida: cerca de 8% do total aqui e 11% lá. Não existe um país que tenha desen- volvido um sistema de saúde universal, público e de qualidade sem que Estado e sociedade façam sua parte. E cabe ao governo ir conduzindo essa transforma- ção, se assim entender por bem. Vejamos como o próximo Governo conduzirá a questão. No fim das contas, o sistema de saúde e, por consequência, o modelo de formação médica, são simplesmente um reflexo dos valores da sociedade. Qual o perfil do preceptor para a residên- cia de MFC? O preceptor ideal para a residência de MFC éalguémquetenhafeitoresidênciaemMFC, experiência em serviços de atenção primá- ria à saúde, preferencialmente na mesma área onde recebe o residente, e formação específica para a prática da preceptoria em residência médica. A SBMFC já formou mais de mil preceptores com sua Oficina de Capacitação de Preceptores. Além disso, o númerodemédicosdefamíliaecomunidade com residência ou titulação já ultrapassa os três mil. Considerando uma proporção de dois a quatro residentes por preceptor, que são números razoáveis, o universo de potenciais preceptores que já temos hoje é suficiente para atender a uma larga expan- são das atuais vagas de residência. É preciso considerar também que na medida em que aumenta o número de médicos de família e comunidade egres- sos das residências de MFC, também aumenta a oferta de potenciais precepto- res para futuras expansões da residência. O número de preceptores, portanto, não é um obstáculo intransponível à expansão da residência em MFC. Como conseguir esses preceptores espe- cialistas em MFC em tão pouco tempo se há escassez de médicos de família e comu- nidade (ou MFCs) no País atualmente? A SBMFC desenvolveu um plano para o aumento gradual e escalonado do número de preceptores em MFC para os próximos anos. No que tange à formação específica para a prática da preceptoria, temos duas frentes de trabalho. A primeira, que temos chamado carinhosamente de BRASACT, em uma alusão ao EURACT, o programa de formação de preceptores da associa- ção europeia de preceptores e professores O número de médicos de família e comunidade com residência ou titulação já ultrapassa os três mil. Considerando uma proporção de dois a quatro residentes por preceptor, que são números razoáveis, o universo de potenciais preceptores que já temos hoje é suficiente para atender a uma larga expansão das atuais vagas de residência
  10. 10. Março/Abril 2014Jornal Saúde da Família 10 Entrevista de MFC, é uma atualização da Oficina de Capacitação de Preceptores. Trata-se de um curso presencial, intensivo, pau- tado por metodologias ativas de ensino e aprendizado, que terá como público-alvo os médicos de família e comunidade que já concluíram a residência e estão atuando nos serviços de atenção primária à saúde, em condição de iniciar a prática da pre- ceptoria em caráter mais imediato. A segunda é um curso a distância, que tem como público-alvo os próprios resi- dentes de MFC, e será realizado ao longo dos dois anos de residência, preferencial- mente, e, se possível, para todos os resi- dentes de MFC do País. Não se trata, dessa forma, de um público que possa ser inte- grado ao universo de potenciais precepto- res imediatamente, mas é um contingente que garante a continuidade da expansão da residência em MFC. Naturalmente é preciso defender a valorização da prática da preceptoria por meio de remuneração e outros estímulos à carreira. Não se faz ensino de qualidade sem um investimento maciço no docente. Essa enorme expansão não colocaria em risco a qualidade dos MFCs? Considerar uma residência médica obri- gatória para a prática da profissão e uma expansão significativa da residência em MFC certamente muda a cara da residên- cia médica no País. É preciso desenvolver práticas pedagógicas próprias, modelos de avaliação mais avançados e capazes de certificar o desenvolvimento das compe- tências necessárias aos especialistas. Há, certamente, o risco de a qualidade da for- mação ser afetada, mas isso pode ser evi- tado. A essência da formação de qualidade em residência médica é a prática cotidiana supervisionada por profissionais de elevada competência. Desde que seja preservada essa essência, o que podemos garantir por meio da formação específica para a prática da preceptoria, é possível assegurar uma expansão e mudança de modelo da resi- dência médica sem que seja colocada em risco a qualidade da formação. Qual seria o papel da titulação da SBMFC nesse novo panorama? É importante lembrar que, assim como existem riscos nesse novo panorama da residência, também existem ganhos possí- veis. Os médicos residentes provavelmente teriam maior integração com os serviços e precisariam desenvolver maior grau de autonomia. Essa integração - da teoria com a prática, se assim podemos dizer - e autonomia são duas prerrogativas da formação médica pós-graduada que, em algumas situações, mais frequentes em outras especialidades do que na MFC, não se fazem muito presentes. Nesse cenário, a titulação poderia alcan- çar seu objetivo primário, que é a congrega- ção dos profissionais de uma determinada especialidade visando ao desenvolvimento do conhecimento científico naquela área, a certificação e a garantia de manutenção das competências essenciais ao especia- lista. A titulação, dessa maneira, não per- deria seu valor, mas abandonaria o caráter de equivalência que tem hoje para adquirir um status de complementariedade, poten- cializando a formação dos especialistas. Diretor destaca as propostas da SBMFC para reduzir a ociosidade de profissionais ©DanielKnupp/Arquivopessoal
  11. 11. Jornal Saúde da Família2014 Março/Abril 11Aconteceu A Comissão Eleitoral da SBMFC ini- ciou processo eleitoral para a nova dire- toria executiva da entidade. As chapas tiveram até 31 de março para se ins- crever. Até 20 de abril, os interessados enviaram o material de votação para os sócios, e a postagem dos votos deve ser feita até 30 de maio. Todos os sócios em dia, titulados e com mais de um ano de associação, são elegíveis para os cargos da diretoria. É vedado a qual- quer membro da diretoria reeleito no último pleito e assumido a função por qualquer prazo inscrever-se mais uma vez como candidato ao mesmo cargo. Próximas etapas do processo eleitoral: Confira aqui o edital de convocação e aqui o regulamento das eleições. Em entrevista concedida ao site da SBMFC, o editor da Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (RBMFC), Armando Norman, repercutiu a escolha da publicação entre 48 periódicos científicos contempla- dos pelo edital da Fundação Carlos Chagas FilhodeAmparoàPesquisadoEstadodoRio de Janeiro (Faperj) n° 44/2013 - Programa Apoio à Publicação de Periódicos Científicos e Tecnológicos Institucionais – 2013. Entre os assuntos, Norman ressaltou a importância do reconhecimento ao trabalho realizado nos últimos dois anos, e de como a RBMFC vem melhorando nos aspectos organizacio- nais, tanto na padronização de pareceres e do conteúdo do website como no processo de avaliação e revisão por pares da revista. Confira a íntegra da entrevista. ©ArmandoHenriqueNorman/Arquivopessoal Processo eleitoral da SBMFC para o próximo biênio Etapas Período Postagem dos votos 30/mai Apuração e resultados 21/jun Posse da nova diretoria 28/jul Editor da RBMFC comenta apoio da Faperj Divulgação do WONCA 2016 na conferência europeia A SBMFC estará presente no 19th WONCA Europe Conference, que será realizado entre 2 e 5 de julho, em Lisboa, Portugal. Com o objetivo de divulgar o WONCA 2016, a Sociedade ficará em um estande na área de exposição, repetindo a ação promocional do último evento sediado em Praga, na República Tcheca, quando custeou a participação de residentes e médicos recém- -formados (até cinco anos) no evento para colaborar no estande da entidade. A ajuda de custo contempla apenas inscrição, e a SBMFC não arcará com os custos de hospedagem e passagem.
  12. 12. Março/Abril 2014Jornal Saúde da Família 12 Curtas Parceria SBMFC e Grupo A Sócios da SBMFC têm 15% de desconto em obras da editora Grupo A. Para ter acesso, basta entrar na área restrita do site da SBMFC e clicar no banner do Grupo A. Promef Conheça o Programa de Atualização em MFC (Promef), dirigido ao médico especialista em cuidados integrais, continuados e contextualizados. Os autores são profissionais experientes na prática clínica da Atenção Primária à Saúde (APS) e selecionados pela SBMFC. Seja um leitor da RBMFC Todos estão convidados a acessar o conteúdo da Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (RBMFC), gratuita para os associados da SBMFC, que discute temas relevantes para a especialidade. Os cadastrados recebem, via e-mail, uma notificação sobre as novas edições. Atenção básica tem aumento de orçamento, segundo ministro da Saúde No dia 11 de abril, durante o 11º Congresso da Rede Unida, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, destacou o aumento do orçamento destinado para a atenção básica nestes últimos quatro anos, além de ressaltar a importância da construção de políticas voltadas para as Unidades Básicas de Saúde. Aconteceu Para celebrar o Dia Mundial do Médico de Família e Comunidade, comemorado em 19 de maio, a SBMFC está lançando um aplicativo móvel para celulares e tablets com os sistemas Android e IOS. O objetivo é aproximar a Sociedade de seus associados. Estão disponíveis as seguintes ferramentas: A Associação de Medicina de Família e Comunidade do Estado do Rio de Janeiro (AMFaC-RJ) reforça o convite aos associados da SBMFC para seu quarto congresso, a ser rea- lizado entre 19 e 23 de agosto de 2014, no Rio de Janeiro (RJ). Sob o tema A Ciência e a Arte da Medicina de Família e Comunidade para Todos, SBMFC lança aplicativo para celular Telessaúde: a SBMFC estabeleceu par- ceria com o Telessaúde-RS, visando auxiliar nossos associados por meio da oferta de teleconsultorias sobre casos clínicos, processo de trabalho, educa- ção em saúde, planejamento, monitora- mento e avaliação de ações em Atenção Primária à Saúde (APS). Segunda opinião formativa: 700 dúvidas já respondidas e de livre acesso, desen- volvidas com base em revisão bibliográ- fica nas melhores evidências científicas e clínicas. Biblioteca virtual: mais de 120 publica- ções de livre acesso. Vídeos online: acesso a aulas, palestras, entrevistas, guias de procedimentos e outros assuntos de interesse da MFC. Fotos: visualização de imagens de con- gressos e outros eventos da SBMFC. Eventos: agenda de todos os eventos relacionados à MFC para os próximos meses. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade: acesso à RBMFC. Notícias: Confira as novidades da SBMFC. 4º Congresso da AMFaC-RJ o 4º Congresso da AMFaC-RJ será integrado ao 1º Seminário Internacional de Pesquisa em APS, à 2ª Oficina Ibero-Americana de Pesquisa em APS e ao 3º Fórum Nacional de Residências. Em breve, a Associação lançará oficialmente o congresso e trará mais informações sobre a pro- gramação. Reserve a data em sua agenda. ©SBMFC/Reprodução

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