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SUMÁRIOIntrodução................................................................................................. 1Projet...
Domingo, 21/08/2011.COMO COMEÇAMOS? PELO COMEÇO... É CLARO...      Três propostas de trabalho foram discutidas para a disc...
que em outras situações, ele que é oprimido passa a oprimir Calibã. No final oque ocorre? Próspero perdoa seu irmão e tudo...
No ensaio seguinte foi decidido que eu entraria na abertura do trabalho.Ficamos quatro horas seguidas ensaiando a primeira...
tipo de estética. Porém até que não foi, pois demos uma boa modificada nasfalas, cortamos a maioria, e a Miranda ficou bem...
cena da tempestade e finalmente conseguimos modificar o fim. Agora todas ascenas já estavam montadas só falta fazer alguns...
pelo Maicon. Então chamamos mais três atores para cobrir o desfalque. Osnossos colegas de faculdade: Ingrid, Everton (Mine...
Este texto fala de uma história de traição, como a que vivi nos bancosuniversitários, achei que seria um bom momento para ...
porque já tinha feito alguns improvisos e havia gostado bastante da história. Noentanto a Dagma me convidou para assistir ...
CONSEGUIMOS      Não foi fácil. Ensaiávamos todos os domingo á noite das 18:00h ás22:20, um horário péssimo, onde a maiori...
ficaria sozinho. Em um momento notei que a Dagma não tinha dupla e queninguém queria convidá-la para trabalhar junto. (Na ...
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Relato guerreiro colomby_bragamonte_disciplina_encenação_teatral_ii

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O projeto "Cenas de A Tempestade" (2011) foi o primeiro projeto de artes cênicas do nosso Grupo de Estudos e ocorreu em paralelo com a disciplina Encenação Teatral II, do currículo do curso de Teatro - Licenciatura da UFPel, disciplina sob a responsabilidade do Prof. Daniel Furtado. O mesmo resultou no espetáculo Cenas de A Tempestade, que teve apresentação única no Teatro do COP, em Pelotas, no dia 03 de dezembro daquele ano.

O relato a seguir foi produzido na ocasião (novembro de 2011) por três alunas que eram membros do nosso Grupo de Estudos e que eram responsáveis pelo projeto e, embora o relato não tenha chegado a ser objeto de discussão pelo Grupo, o mesmo serve de importante testemunho sobre um projeto que foi do Fala&Compartilha, nos ocupou de múltiplas formas ao longo de todo o segundo semestre de 2011 e ainda hoje muito nos orgulha.

Como de praxe no caso de qualquer produção assinada publicada em nosso blog, as opiniões expressas são dos próprios autores e não refletem necessariamente a opinião do Grupo de Estudos Multidisciplinares "Fala & Compartilha Shakespeare", do seu coordenador ou de quaisquer um dos seus membros.

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Relato guerreiro colomby_bragamonte_disciplina_encenação_teatral_ii

  1. 1. Universidade Federal de Pelotas Centro de Artes Curso de Teatro - Licenciatura Departamento de música e Artes Cênicas Teatro (Licenciatura) Disciplina: Encenação Teatral II Docente: Daniel Furtado Discentes: Ândrea Guerreiro Dagma Colomby Laura BragamontePelotas, 24/11/2011.
  2. 2. SUMÁRIOIntrodução................................................................................................. 1Projeto de estágio..................................................................................... 41ª aula........................................................................................................ 72ª aula........................................................................................................ 103ª aulaª....................................................................................................... 134ª aula...........................................................................................................165ª aula............................................................................................................19Avaliação geral do processo de estágio.........................................................23
  3. 3. Domingo, 21/08/2011.COMO COMEÇAMOS? PELO COMEÇO... É CLARO... Três propostas de trabalho foram discutidas para a disciplina deEncenação II com o professor Daniel Furtado: A Megera Domada, que foi doagrado de Ândria, mas Laura argumentou que esta já era muito conhecida,Medeia que já tem um esqueleto e que serviria para apresentar se tudo desseerrado e A Tempestade. Dagma defendeu A Megera, por já termos facilidadese espaço para nos encontrarmos e A Tempestade por ser Shakespeare e,principalmente pelo tom de desafio do professor ao dizer que para montarShakespeare era preciso ter ator. Seremos professoras, trabalharemos comalunos e não com atores. Precisamos, desde já a nos acostumarmos atrabalhar com integrantes de um universo que não possui experiência cênica. Outro motivo que nos fez tomar encanto pela obra é a facilidade dediscutir as relações de opressor e oprimido pelo viés da história brasileira.Chegamos a conclusão de que realmente fazia muito sentido: em “ATempestade” Shakespeare estava falando de Brasil. Então nós nospropusemos a discutir o texto por este viés. Para tanto questões alusivas aoaspecto histórico foram trazidas por Everton Lessa que está no 6º semestre docurso de história. É interessante traçar uma comparação entre A Tempestade e como sedeu o “tomamento” do Brasil. Próspero chega, se apossa do espaço, descobretudo da ilha através de Calibã, ensina-o os seus costumes, a sua língua, depoiso escraviza. Calibã é escravizado por ter tentado violar Miranda ou por ser umacriatura disforme, segundo o olhar de Próspero. Outro personagem que oscilanos papeis de oprimido e opressor é o espírito assexuado Ariel. Estepersonagem ficou aprisionado por 12 anos em um tronco de uma árvoreatravés dos malefícios da bruxa Sicorax. Ariel é libertado por Próspero e acabase tornando um devedor e escravo deste. Questiona-se o seguinte: Se Arieltem o dom de tanta magia, é capaz de fazer uma tempestade, por que sesubmete ao jugo de Próspero? Quem na nossa cultura tem o elemento demagia na sua religião? O negro. Talvez Ariel se submeta aos desmandos dePróspero por crer que está em dívida com seu amo, aquele que o libertou. Por
  4. 4. que em outras situações, ele que é oprimido passa a oprimir Calibã. No final oque ocorre? Próspero perdoa seu irmão e tudo termina bem: Miranda comFerdinando, nobreza com nobreza. E Calibã? Ora... ele que nos traga maisuma braçada de lenha. Para nos aquecer? Não. Já temos calor o suficiente,para podermos vender esse tal de pau- brasilOS ENSAIOS Todos os ensaios eram realizados somente uma vez por semana, nodomingo das 18:00h ás 22:00h. Antes de começarmos os ensaios fazíamos uma conversa em gruposobre o contexto histórico da peça, sobre o que cada um achava dospersonagens, perguntávamos se alguém havia pesquisado alguma coisa emcasa ou tinha alguma idéia ou nova proposta de cena, enfim essas reuniõesfeitas sempre antes e também após o ensaio, tinham como objetivo dar voz atodos do grupo e proporcionar um processo de criação pautada nacolaboração, na democracia. Indo agora para a criação das cenas, podemos dizer começamos muitobem. Todo mundo expondo a opinião, inclusive e principalmente os atores.Foram eles quem deram a maioria das ideias para a primeira cena: a cena datempestade. Eles, após já terem lido o texto, se juntaram e combinaram o queiriam fazer, depois nos apresentavam a cena e a gente falou o que achou bom,ou ruim e também fizemos orientações, com por exemplo onde tinha que termais energia, que o texto tinha que ser falado mais alto, o que não estavaficando claro,... E o mais legal neste primeiro ensaio é que não tinha ninguémde má vontade, todo mundo que estava ali estava super envolvido no trabalho,cheios de ideias e dúvidas, faziam muitas perguntas e tentavam a todo omomento fazer o melhor. Desde o começo do trabalho já estávamos ensaiando com a trilhasonora. O Everton, mas conhecido como Tom, ator já com uma certaexperiência e também dançarino, foi quem ficou responsável pela trilha sonora,que achei maravilhosa, se encaixou perfeitamente com a peça.
  5. 5. No ensaio seguinte foi decidido que eu entraria na abertura do trabalho.Ficamos quatro horas seguidas ensaiando a primeira cena que ainda nãoestava pronta, ia até a parte que o contramestre xinga o Gonçalo. Dividimos asfalas entre os atores e tentamos ir até o fim da primeira cena, mas nãoconseguimos pensar em nenhuma partitura para o final. Uma semana depois fizemos o final da primeira cena, mas não ficouboa. Todo mundo estava com a mesma ação, de desequilíbrio, assim a cenaficava sem dinâmica. Tivemos de mudar e pedimos a todos que trouxessempropostas para o próximo ensaio. Partimos então para a cena do Ariel e do Próspero, feita pelo Tom e peloFelipe. Como sempre não nos preocupamos muito com as falas no começo damontagem de uma cena. Primeiro montamos a partira corporal e as falasentram como complemento. Essa cena demorou um pouquinho para ser feita,mas todos deram as suas opiniões e ideias e no final a cena ficou boa. Como desde o início estávamos em dúvida de quem faria o Calibã, emum determinado ensaio foi proposto um jogo Fizemos em grupo onde todos osatores eram o Calibã. Todos formavam uma grande massa faziam as mesmasações e falavam o texto juntos. Ficou interessante todos os atores fazendoapenas um personagem, isso talvez resolvese o problema da escolha, porémnão sabíamos se essa cena iria continuar na peça ou se iríamos escolher umsó ator para fazer o Calibã. No primeiro ensaio que tivemos no COP conseguimos terminar aprimeira cena. Todo o grupo se reuniu e pensou sobre o que poderíamos fazer.Todas as ideias foram testadas até chegarmos à escolhida. Desconstruímostodo o final que já havia sido feito e colocamos ações mais interessantes paratodos os personagens. A próxima cena a ser elaborada foi a da Miranda e do Próspero com aIngrid e o Tom. Achei que seria mais difícil fazer essa cena, pois esta teriaque ser bastante modificada por ter muito texto e quase nada de ações, alémde ser uma cena muito melodramática e não era nosso objetivo trabalhar esse
  6. 6. tipo de estética. Porém até que não foi, pois demos uma boa modificada nasfalas, cortamos a maioria, e a Miranda ficou bem menos trágica. O professor José Carlos Marques Volcato, especialista e doutor emestudos Shakespeareanos, foi assistir a um ensaio. Mostramos para ele aprimeira cena que é o anúncio da tempestade, a cena da Miranda e a do Ariel.E a Dagma improvisou um Calibã, para mostrar a idéia que tínhamos para amontagem. O professor deu muitas dicas, principalmente para o fim da primeiracena que vamos ter que mudar, pois um dos personagens pronuncia variasfalas como se fossem todas dele, mas na verdade elas são de váriospersonagens, o que muda o sentido da cena. Em um novo ensaio novamente o professor Volcato e a Márcia, tradutorada Ufpel, que participa conosco do grupo Fala Compartilha Shakespeare,vieram nos assistir. Tivemos um desfalque no ensaio, pois a Ingrid, o Mineiro eo Maicon não compareceram. Devido a falta de alguns atores não tivemoscomo passar a primeira cena para fazer a tal modificação no fim. O quefizemos foi improvisar uma cena que não existe na peça, porém é mencionada:é a cena do Calibã tentando abusar de Miranda, claro, pelo olhar de Próspero.Fizemos diversas improvisações. Todos passaram pela experiência de serMiranda e Calibã. No fim foi determinado que no caso de falta da Ingrid, Ândreafaria a Miranda e o Tom ficaria com o Calibã, porém não estava nada certoainda, porque o Tom já fazia o Próspero. Teríamos então que decidir qualpapel ele faria, pois tem uma cena , que talvez seja a última, onde o Prósperocontracena com o Calibã. Então os dois papéis ele não poderia fazer. Mas nofinal acho que foi bem produtivo esse ensaio. Essa cena nova que fizemos,ficou muito simples e bonita e talvez permaneça na encenação. Como a maioria dos atores não estava se adequando ao horário doensaio tivemos que modificá-lo. Então marcamos o início para as 19:00 h parao elenco que tem que jantar no RU. Ândrea, Dagma, Tom e Maicon chegaramàs 18:00h e já começaram a fazer o aquecimento e a ensaiar. Fizemos a cenada Miranda do Próspero e como a Ingrid não havia chegado, novamenteÂndrea representou a Miranda. Quando todo o elenco chegou, ensaiamos a
  7. 7. cena da tempestade e finalmente conseguimos modificar o fim. Agora todas ascenas já estavam montadas só falta fazer alguns ajustes. No inicio do ensaio do penúltimo fizemos os figurinos. O Tom, a Dagma,O professor Volcato e a Márcia levaram vários panos, cordões, tules, tesoura,linha, agulha... Com tudo isso conseguimos fazer o figurino da Miranda, DoPróspero, do Ariel e do Calibã. Ficou faltando o figurino dos marinheiros, quedecidimos em grupo que seria branco. Pedimos aos atores que trouxessempara o próximo ensaio camisa e calça branca para completar o figurino. Também nesse ensaio decidimos quais cenas iriam para a mostra finale quem iria fazer cada papel. Ficou decidido que eu faria o papel da Miranda,porque a Ingrid não compareceu a alguns ensaios e assim não estava aptapara o papel. O Joanderson faria o Calibã e o restante ficaria como jáhavíamos estabelecido. Passamos então todas as cenas, sempre parandopara arrumar o que não estava muito bom. E no final do ensaio repetimos todasas cenas por duas vezes, sem parar para fazer arrumações, para a marcaçãodo tempo. Constatamos que só tínhamos 20 minutos de cena. Pareceinacreditável que depois de mais de três meses de trabalho e muito trabalho,tudo o que conseguimos foi 20 minutos. No último ensaio não conseguimos passar a cena da tempestade devidoaos ajustes que tivemos que fazer nas cenas da Miranda. Modificamosbastante as movimentações da personagem que não estavam extra cotidianas.Levou muito tempo para criar as novas partituras. Tanto tempo que passamosquase todo o ensaio só fazendo as cenas da Miranda. Mas ficou faltandoensaiar no COP, local que seria a apresentação, já com a luz e os figurinospara ver se daria tudo certo. Então Ândrea e Laura ficaram de combinar um diacom o elenco e com a iluminadora para fazermos um ensaio geral.ALGUMAS DIFICULDADES Algumas semanas após o começo dos ensaios passamos por umperíodo muito difícil. Três dos sete atores desistiram. Fizemos um ensaio sócom quatro atores na primeira cena. E na cena do Ariel substituímos o Felipe
  8. 8. pelo Maicon. Então chamamos mais três atores para cobrir o desfalque. Osnossos colegas de faculdade: Ingrid, Everton (Mineiro) e Joanderson. Mas logoem seguida ficamos sabendo que a Taís também havia desistido, então tiveque ficar no papel dela na primeira cena. Os atrasos e as faltas também prejudicaram muito o trabalho. O ensaioestava marcado para as 18:00h mas a maioria dos atores sempre chegavaatrasada. Na tentativa de resolver o problema marcamos o início para as 19:00h porem não adiantou, eles continuavam atrasando. Percebemos que qualquerhora que marcássemos eles chegariam atrasados, então voltamos para ohorário das 18:00h. Quando não atrasavam eles simplesmente faltavam emandavam uma mensagem em cima da hora ou recado por outro para dizerque não iam. Foram várias as faltas. Em um elenco de seis chegaram a faltartrês pessoas. Um deles chegou a faltar tanto que não contávamos mais comele para a encenação. Ao total passaram pelo elenco de A Tempestade 12 pessoas, das quaissó permaneceram 6. Alguns iam três vezes aos ensaios e desistiam, outros iamuma vez só e desapareciam. E toda a vez que chegava alguém novo tínhamosque explicar todas as cenas, distribuir novamente as falas e com issoperdíamos muito tempo. Outra dificuldade foi em relação ao espaço para os ensaios. Comomuitos alunos do curso estão fazendo montagens e também precisam ensaiar,acabaram ocorrendo algumas disputas pelas salas e algumas vezes tivemosque ensaiar na sala branca. Isso foi bem negativo já que precisávamos debastante espaço. No entanto nem sempre as pessoas que reservaram as salasusavam o espaço. Muitas vezes ficamos sabendo que a sala e o horário quequeríamos usar, e que estava reservada para outro, havia ficado vazia. O queacho é que deveria ter uma punição para quem reservasse e não usasse oespaço. COP que era para ser prioridade nossa acabou sendo da turma dooutro professor de encenação teatral. O OLHAR DA DAGMA ACERCA DO PROCESSO
  9. 9. Este texto fala de uma história de traição, como a que vivi nos bancosuniversitários, achei que seria um bom momento para discutir a ingenuidade dePróspero que coloca o seu ducado nas mãos de alguém em quem confiavamuito. Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo. Talvez haja em mimmuito de Próspero e um bom bocado de Calibã. Nada do que escolho paraencenar é “a la cria”, tudo tem um fundo psicológico muito forte e sempre querodizer alguma coisa para alguém. É claro que Ândria e Laura concordaram,escolhemos juntas, mas os motivos é que foram diferentes. Não tenho tantaexperiência como as pessoas julgam, tenho a vivência de uma professora decidade do interior, que quase não viaja, que não assiste teatro como deveriaporque quando tem tempo não tem dinheiro e quando tem dinheiro, não temtempo.O OLHAR DE ÂNDREA ACERCA DO O PROCESSO Antes mesmo de começar o semestre Dagma e eu já haviamosconversado sobre nossa encenação. Ficou combinado que se o trabalho fosseem dupla faríamos juntas. Então começou o semestre e já foram surgindoalguns nomes de peças para a encenação. A Dagma sugeriu A MegeraDomada de Shakespeare e A Tempestade de Shakespeare. Eu havia pensadoem “Arlequim, servidor de dois amos” de Carlo Goldoni, mas logo descartei,pois resolvi deixar para montá-la em uma próxima oportunidade. Começamos a fazer alguns improvisos com o texto de A MegeraDomada, na escola Joaquim Duval, com alguns alunos. Ao mesmo tempo aDagma fez um ou dois improvisos baseado no texto A Tempestade na salapreta, com alguns alunos da escola também e outros atores com quem já haviatrabalhado. Depois de ler os dois textos sentamos para escolher qual iríamosmontar. Primeiramente disse a Dagma que preferia montar A Megera Domada,
  10. 10. porque já tinha feito alguns improvisos e havia gostado bastante da história. Noentanto a Dagma me convidou para assistir o que já tinha sido feito nosensaios de A Tempestade. No domingo seguinte cheguei hoje ao ensaio que já havia começado eme deparei com uma cena bastante interessante. Achei o trabalho inicial muitobonito, tinha poucas falas e um trabalho corporal bastante diferente. Os atoresestavam todos muito concentrados e desempenhavam uma cena dançada queme prendia muita atenção. O meu primeiro comentário com a Dagma foi sobrea evolução do Alisson, um aluno da escola que já faz teatro comigo desde oinicio do ano e que não conseguia fazer uma cena sem rir, mas agora estavamuito concentrado desempenhando seu papel. Depois desse ensaio não tive dúvidas, iríamos montar A Tempestade.Claro a decisão não foi só minha. A Dagma concordou, acho que já era avontade dela desde o início ( na verdade ela oscilava entre A tempestade e Amegera domada), mas não falou nada para não influenciar na decisão. ALaura que acabou entrando no nosso grupo um pouco depois tambémconcordou com a escolha da peça. A Laura achava que A megera domada jáestava muito conhecida. Agora vou falar de uma dificuldade que me afetou muito: a minhaatuação. Como não tínhamos muitos atores precisei entrar em cena. Até aitudo bem. O problema é que tive que representar um homem. No início nãoconseguia de jeito algum, foi bastante difícil fazer a voz, o caminhar, o olhar,mas depois com a ajuda da Dagma fui, aos poucos, pegando o jeito, lógico quenada aprimorado, porém já dava para enganar. O trabalho com o Tom foi excelente, ele é bailarino e trouxe para a cenavarias coreografias e um trabalho corporal muito intenso. Como nunca dancei,tive que aprender tudo em pouco tempo. Não tendo uma preparação corporal das melhores, tive muitas doresdurante todo o período dos ensaios. Elas eram bastante intensas. Mal estavame recuperando de um ensaio já ia para outro e as dores voltavam. Esse paramim foi o lado mais negativo de toda a encenação.
  11. 11. CONSEGUIMOS Não foi fácil. Ensaiávamos todos os domingo á noite das 18:00h ás22:20, um horário péssimo, onde a maioria chegava atrasada e queria sair maiscedo. Por isso tivemos pouco tempo fazer uma montagem maior. Não marqueio tempo depois que acrescentamos algumas coisas, mas acredito que nãotenha passado de 20min. Apesar disso, acho que esses 20min valeram muitomais do que algumas montagens de 40min, pois foram muito bem feitos. Perto da apresentação todos já estavam exaustos. Nosso ensaio geralfoi no dia da apresentação do meio-dia as 14:00h e não deu pra fazer muitacoisa pois o grupo não estava completo. Na hora da apresentação foi umacorreria. Não tivemos tempo o suficiente para colocar figurino e a maquiagemnem chegou perto de nossos rostos. Isso aconteceu porque metade do elencoestava envolvida em uma encenação anterior a nossa. Apesar de tudo isso, tenho que dizer que valeu a pena. Fiquei muitosatisfeita com o resultado final, não só eu como todo o grupo. O processotambém foi importante. Nunca tinha aprendido tantas coisas em tão poucotempo. Aprendi muito mais do que durante todo o período de prática dafaculdade. Espero que ano que vem consigamos continuar com os ensaios deA Tempestade para montá-la até o fim.O OLHAR DE LAURA SOBRE O PROCESSO Quando fui fazer minha matricula, havia duas opções, a turma do Pauloe a turma do Daniel. Escolhi a do Daniel por gostar do seu modo de ministrar aaula e por não querer ter aula com o Paulo, porque já sabia do seu problemacom religiões ( sou evangélica) , e como não vou para aula para ouvir critica asreligiões e sim para aprender sobre a linguagem teatral e seus conteúdos,achei melhor ter o Daniel como professor. Cheguei na aula do Daniel e fui informada que as encenações seriamdirigidas em grupo. Percebi que o número de alunos era ímpar que alguém
  12. 12. ficaria sozinho. Em um momento notei que a Dagma não tinha dupla e queninguém queria convidá-la para trabalhar junto. (Na verdade eu não sabia, masela já havia combinado com a Ândria e também já havia percebido que a turmaera com numeração ímpar e tinha tido a mesma ideia: me convidar parafazermos juntas, as três a cadeira de Encenação Teatral). Quando a convidei,para a minha surpresa, eu já fazia parte do grupo. Dagma e eu passamos por momentos difíceis juntas, fomos acusadasinjustamente de homofóbicas e racistas. As pessoas começaram a nos virar acara, quem olhava, olhava de cara feia e os que sabiam a verdade e poderiamnos defender, recusaram-se a se manifestar e fizeram de conta que nadaestava acontecendo. Os professores ocupados com os seus 7 mil reais pormês trataram de abafar o assunto. No dia seguinte ao fato que desencadeoutudo isso, para mim, Laura, o pior não foi chegar na faculdade e ver todosolhando para mim, e sim olhar para todos aqueles que sabiam que não eramverdade mas que mantiveram-se calados para proteger seus interessesparticulares. Fiquei extremamente decepcionada com várias pessoas que euachava que eram minhas amigas mas que na verdade estavam com máscaraso tempo todo. A Taís me menosprezou, “você é apenas uma aluna aqui” e aMarina me chamou de mimada. Assim conheci os meus “mestres” , passei anoite chorando tanto que no outro dia nem mesmo o meu corretivo importadoda M.A.C dava conta de esconder as olheiras, e decidi que não queria sercomo meus “mestres” em nenhum sentido. Quando vi a Dagma sozinha mepassou todo esse filme na cabeça, me lembrei dela chorando sozinha nobanheiro da faculdade e chamei- a para trabalhar comigo. Ela nos apresentou como proposta para a encenação três peças: AMegera Domada, Medeia e a Tempestade. Não apoiei A Megera Domada porachar que está já era muito conhecida e que causaria tanto impacto como sefosse uma peça menos conhecida sendo encenada. Por isso escolhemosdemocraticamente que A Tempestade seria a nossa encenação. Quandorelatamos ao professor de que encenaríamos Shakespeare, ele riu e perguntouse tínhamos um ATOR, “por que para encenar Shakespeare é preciso ter umATOR”, fato que nos motivou ainda mais, queríamos mostrar que sim, encenar
  13. 13. Shakespeare era possível. Para aumentar nosso desafio, escolhemos comoencenador Eugênio Barba. A Dagma nos trouxe o texto e começamos a montar a peça cena porcena, com a ajuda indispensável do Everton Lessa e de alguns alunos daDagma do Joaquim Duval, cada um ia dando a sua contribuição, fazendo o seumovimento, a sua maneira de como faria a cena, e depois pegávamos o quefuncionava em cada um. Eu, por exemplo contribui na construção da cena daMiranda e do Calibã, a Ândrea usou alguns gestos que fiz, só que ela fez deum jeito mais menina e eu dei uma forma mais mulher, explorando mais asensualidade. Os alunos da Dagma são muito bons, havia 3 deles que no meio doprocesso abandonaram a peça por questões de trabalho e depressão, inclusivea menina que iria fazer a Miranda. Os 3 sairam na mesma época, o que gerouuma quebra no processo, pois muitas coisas boas acabaram perdendo-senessas saídas. Precisávamos então de 3 atores para substituir os que saíram.Convidamos pessoas do meio acadêmico, o que nos gerou uma grande dor decabeça, pois eles não avisavam quando não iam ensaiar, desligavam o celular,faltavam muito o que demonstrava um descaso em relação ao trabalho. Comodiz a Dagma: “ É mais fácil trabalhar com o ator da vila.” Até o último momentoantes da apresentação, eu não sabia se todos iriam apresentar ou não, o queme deixou bem nervosa. A lição que tirei disso é que mesmo que eu faça todoum processo durante meses, na hora o que importa é compromisso do atorcom o trabalho. Nem sempre todos estão na mesma energia de trabalho,alguns contribuem mais outros menos, mas para contribuir é preciso estarpresente no ensaio! Ao final de cada dia de trabalho, o grupo se reunia ecolocava suas opiniões sobre o processo. Todos tiveram a oportunidade demanifestar-se, criticas sempre eram bem vindas. O professor Volcato sempre nos auxiliou em relação ao texto, nosexplicando parte por parte. E fazendo suas considerações em relação asconstruções das cenas. As diretoras, atores a Márcia e o professor Volcato trouxeram panos,linhas, agulhas e acessórios para compor o figurino. De inicio fomos
  14. 14. experimentando tudo para perceber o que melhor se adequava a cadapersonagem. A trilha que dava energia para a encenação foi escolhida pelo EvertonLessa e aprovadas por todos. Eu fiquei responsável por colocar o som na horado espetáculo, já que ninguém queria trabalhar com nós.( Não sou sonoplasta,houve alguns erros no volume da música, estou aqui para aprender e sei quetentei fazer o meu melhor, mas fatores como o nervosismo me atrapalharam,ouve um momento em que o rádio desligou-se sozinho, dai o Ederson me disseque haviam deixado o rádio cair e por isso ele estava se desligandoautomaticamente, o que também nos prejudicou). O que refletiu também nanossa dificuldade em conseguir alguém para fazer a nossa iluminação. Quandotudo já estava certo, o projeto de iluminação pronto, a pessoa que eraresponsável pela iluminação disse 4 dias antes que não poderia estar presenteno dia do espetáculo. E só avisou porque eu toquei no assunto sem saber queela já havia saído. Foi muito difícil trabalhar com todas essas desconsiderações dos nossoscolegas em relação ao nosso trabalho. Sentia, as vezes, que era porque elesnão queriam que a gente apresentasse, havia uma energia negativa emalgumas pessoas quando eu falava do trabalho com elas. E sei que podeparecer bobagem, porém são as energias que movem o mundo e há pessoasque transmitem coisas ruins para outras somente no olhar, imagina no falar. Esei que havia pessoas que foram assistir nossa encenação torcendo para quealgo desse errado. Desde criança que gosto de Literatura Inglesa, por isso trabalhar comShakespeare e com o professor Volcato, que morou na Inglaterra e estudouShakespeare lá, foi uma experiência gratificante pra mim, aprendi muito comele, com a Dagma e com todos que trabalharam comigo. O mais difícil pra mim foi conciliar a minha não vontade de sair da cama,a minha não vontade de falar com as pessoas, a minha não vontade de atendero telefone, a minha não vontade de viver, a minha não vontade de merelacionar com o mundo exterior enquanto meu exterior estava rasgado esangrava e sangrava. Enquanto eu me pressionava para estancar as feridas e
  15. 15. me levantar da cama, eu era pressionada a executar um monte de tarefas queestavam sobre minha responsabilidade e que tinham que ser feitas, assistir asaulas, ministrar aulas, estudar para as provas, PIBID, a ONG, cursinho deinglês, me alimentar, tudo me pressionando. Eu não sei o que desencadeouisso, mas prefiro ficar em casa, trancada no meu quarto, sem falar comninguém, nem mesmo com a adorável menina que mora comigo. Eu só nãodesisti de tudo porque eu já passei por muitas coisas ruins para estar aqui. Masapesar de tudo eu não deixei o meu estado emocional deplorável influenciar nomeu trabalho na encenação, e por isso preferi não atuar. Montamos toda a peça e depois introduzimos os princípios queretornam, a partir das considerações feitas pelo professor. Cada ator pensouem um principio para acrescentar em seu personagem, seja nos gestos ou napostura ao caminhar. Os princípios deixaram as cenas esteticamente muitomais bonitas. Umas das coisas que me chateou foi que o professor não acreditou queeu estivesse trabalhando e dando o melhor de mim, pois a Dagma merepassou todas as dúvidas dele. Nos 4 semestres anteriores de 2009 a 2010eu passei por méritos meus, não estudo muito em casa, tudo o que aprendo,eu aprendo em aula, enquanto os professores acham que eu estou viajando eusei tudo o que está acontecendo na aula, melhor do que qualquer pessoa. E2011 foi igual, só que mais difícil, considerando o meu emocional, o que me dámais méritos. Falam no curso de teatro-licenciatura: “vocês tem quecompreender a realidade do aluno.” Se eu estava mal ou se havia algumproblema do professor em relação a mim, tinha que ser resolvido comigo,falado para mim. Outra, depois da apresentação o professor abraçou todosmenos eu. CONCLUSÃO Trabalhamos muito, nos empenhamos verdadeiramente. Mesmo tendoproblemas de horário, dificuldade de locação de espaço, resolvemos tudo.Apresentamos sempre nas datas estipuladas, não prorrogamos, pelo contrário,nos antecipamos. Com todas as dificuldades de tempo e espaço não tivemospena de nós mesmas, fomos a luta e quando chegava o dia de apresentar a
  16. 16. tarefa nós estávamos a postos, sem nenhuma desculpa. Não nos foioportunizado a passagem de luz e som, o ensaio geral no local. Tivemospercalços, perda de elenco, mas em hora, data e local acordados, láestávamos. O que retiramos como lição? É preferível trabalhar com atores nãotão bons, mas dedicados, pontuais e comprometidos do que trabalhar compessoas que se julgam experientes, que acham que na hora da apresentação“baixa uma entidade”. Na casa destas diretoras baixa a conta de luz, a detelefone e do mercado, mas a luz própria de ator, esta não baixa: é fruto detrabalho, comprometimento e dedicação. Podem até não acreditar, mastrabalhamos em parceria. Os níveis de experiência eram diferenciados, mastrabalhamos juntas. Nos orgulhamos de nossas pequenas conquistas,, rimos echoramos muito. Nos abraçamos a cada queda e a cada vitória. Ficamosexultantes com a perda de medo de altura da Ândrea, afinal preparamos umaaula em que o objetivo era que a nossa colega perdesse o pânico de altura,ficamos realizadas quando a Laura aprendeu a lidar com o som. Nós somosvencedoras sim porque só tínhamos uma a outra como apoio e fizemos disso onosso maior recurso para terminar este trabalho. Terminar... a única coisa queterminou foi o semestre, pois o trabalho do Fala & compartilha Shakespearecontinua... e vai bem... obrigada.

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