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9As Santas Missões        Um acontecimento muito presente no imaginário católico até os nossos dias, apesar dehoje esta pr...
10populares. Muitas também foram as Congregações Religiosas que pregaram Missão nestaFreguesia, além dos Capuchinhos, da C...
11           Encontramos a Licença para Construção da Capela no Arraial de Santa Luzia no anode 1890, sendo o pedido feito...
12Salgada, mais um ato de generosidade do senhor José Ferreira 24. Portanto, tudo faz crer que oarraial ficou mesmo conhec...
13Carneiro (Goiabeira), Bandeassu, Joazeirinho, Aroeira, Lagôa do Meio, Almas, Ipueirinha,Santa Rosa, Santa Cruz, Vila São...
14160; Óbitos: 275”29. Chega até mesmo a chamar atenção o comentário do Padre UrbanoGalvão Donh:                          ...
15        Conversamos com três pessoas que participaram desta Associação, e elas relataramacerca do uniforme que usavam, a...
16as primeiras horas da manhã, e no fim da tarde procissão pelas ruas da cidade, encerrandocom a Benção do Santíssimo Sacr...
17assim mostrar que ele vem fazendo mais que os seus antecessores, porém não deixa de serválido, inclusive para mostrar a ...
18A Vivência da Fé – práticas devocionais        As capelas, cujo pequeno histórico apresentamos no decorrer deste trabalh...
19como este, a certeza de que participar daquele momento era importante fazia as pessoassuperarem os obstáculos. Indagada ...
20       É interessante notar como em diversos momentos o catolicismo oficial na pessoa dopadre, em última análise o repre...
21        Devotados ao Sagrado Coração de Jesus, os membros do Apostolado da Oraçãodestacam-se pelo uso da medalha com a i...
22ocupou ainda o cargo de Presidente do Apostolado (Zeladora), ou seja coordenou o grupodurante alguns anos e até os dias ...
23ReferênciasBARRETO, Orlando Matos: Conceição do Coité da colonização à emancipação. Conceiçãodo Coité/Ba: Nossa Editora ...
24- Arquivos pessoais2. Orais:- Entrevista com a srª Maria Pinto Lima, em 21 de setembro de 2009 na sua residência.- Entre...
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Construção do catolicismo em conc. do coité da coloinização ao primeiro centenário da paróquia nossa senhora da conceição do coité

  1. 1. 0 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV LICENCIATURA EM HISTÓRIA ANTONIO THIAGO GORDIANO SAMPAIO Construção do catolicismo em Conceição do CoitéDa colonização ao primeiro centenário da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité I Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição – Conceição do Coité/BA Conceição do Coité 2010
  2. 2. 1 ANTONIO THIAGO GORDIANO SAMPAIO Construção do catolicismo em Conceição do CoitéDa colonização ao primeiro centenário da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité Artigo apresentado à Universidade do Estado da Bahia – Campus XIV como requisito parcial para obtenção do título de graduado em Licenciatura em História sob a orientação do professor Aldo José Morais. Conceição do Coité 2010
  3. 3. 2 Componentes da Banca examinadora: Orientador: Professor Aldo José Morais________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  4. 4. 3RESUMO Este artigo tem por objetivo apresentar um panorama religioso da Paróquia NossaSenhora da Conceição do Coité, analisando desde a colonização das terras onde está sito omunicípio, a elevação da capela à condição de Freguesia até o primeiro centenário da mesma.Nesse sentido são privilegiados estudos das atividades pastorais desenvolvidas pelos padresque ocuparam a direção espiritual do rebanho católico local, tendo por base o Livro de Tomboda Freguesia, o mesmo desde 1855, e das práticas religiosas populares, longe ou não do clero,através de entrevistas com pessoas conhecidas na comunidade católica coiteense.PALAVRAS – CHAVE:Conceição do Coité – Igreja Católica – Religiosidade popular.ABSTRACT This article aims to present an overview of the parish religious Our Lady of the Coité,since analyzing the colonization of land where the municipality is located, the elevation of thechapel to the condition Town until the first anniversary thereof. In that sense, privilegedstudies of pastoral activities carried out by priests who occupied the spiritual direction of thelocal Catholic flock, with the on the Book of Tombo da Freguesia, the same since 1855, andpractices popular religious, far or not the clergy, through interviews with people known in theCatholic community coiteense.WORD-KEYConceição do Coité, Catholic church, Popular religiosity
  5. 5. 4Introdução A relação com o sagrado sempre esteve presente em todos os povos que habitaram aterra. Como afirma Eliade 1, desde os tempos primitivos o sagrado se manifesta no meio doshomens. Esta hierofania pode se dar de diversas maneiras, desde uma pedra, um fenômenonatural ou mesmo numa pessoa. Com isto conclui-se que onde há seres humanos há religião,há uma busca de se ligar ao sagrado, sendo que diversas formas religiosas foramdesenvolvidas ao longo da história da humanidade. Durante muito tempo a história estabeleceu como alvo de suas análises grandes fatos egrandes personagens históricos, porém depois da Escola dos Annales isto começou a mudar eo olhar dos historiadores abarca cada vez um campo maior de possibilidades, e dentro dele ocampo dos estudos sobre religião e religiosidade vem ganhando força. No Brasil, porexemplo, a Associação Nacional dos Historiadores, possui um Grupo de Trabalho sobre otema, publicando inclusive, a cada quadrimestre, uma revista eletrônica2 contendo trabalhosatuais sobre diversos aspectos do tema. O interesse deste autor pelo tema nasce de seus questionamentos sobre a presençafísica da Igreja Católica por praticamente todas as localidades do município de Conceição doCoité, através de capelas, e também por sua forte ligação com as práticas religiosas, tantopopulares quanto oficiais, além da origem e crescimento no seio de uma famíliatradicionalmente católica. Este artigo estuda uma Freguesia do interior da Bahia, criada no século XIX, traçandoum paralelo entre o processo de colonização de suas terras e a presença religiosa na região,mostrando como Igreja Católica e Estado se articularam desde o período do Brasil colônia. Noestudo da dita freguesia, privilegiamos os aspectos práticos do seu cotidiano: como estafreguesia cresceu com a construção de capelas; as principais preocupações dos padres queassumiram a direção espiritual da mesma e como os católicos vivenciavam sua fé estando ounão próximo ao padre e à Igreja Matriz.1 ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano: a essência das religiões. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 2008. Pg.17.2 Revista Brasileira de História das Religiões, disponível em: http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/index.html
  6. 6. 5A Colonização das terras coiteenses As terras brasileiras foram colonizadas pelos portugueses, povo que professava areligião Cristã, sendo um país de maioria católica, principal denominação cristã desde que ocristianismo se afirmou como religião oficial do Império Romano. Os portugueses tinhamdesde cedo intenções de cristianizar os povos que aqui viviam, os indígenas, e foi tambémestabelecido como critério para quem desejasse emigrar para o Brasil que deveria professar ocatolicismo e colaborar com a disseminação do mesmo em terras brasileiras. E desde cedo oBrasil, assim como Portugal, vivia sob o sistema do padroado, onde poder religioso e poderpolítico eram inseparáveis, cabendo à Igreja o registro de nascimentos, casamentos, mortes, eser cidadão era ser católico, aderindo à Religião as pessoas aderiam também ao estado 3. O processo de colonização do Brasil foi muito lento, partindo principalmente do litorale o mesmo acontecia com a religião, que se firmava nas cidades litorâneas onde eramfundados os primeiros bispados, sendo o primeiro o de São Salvador, em 1555. É válidoressaltar que a freqüência aos cultos e templos, não eram tão comuns, devido a fatores como adistância e a falta de padres, portanto desenvolveu-se desde muito cedo no Brasil umcatolicismo individualista, onde as práticas religiosas eram feitas em família. “Essainsuficiente presença da Igreja fez-se acompanhar pelo pequeno contato com o escrito, que elaem geral propiciava, favorecendo a persistência na América Portuguesa de uma visão demundo que considerava o divino como imanente, como parte do cotidiano.” 4 Para isso cada família tinha os instrumentos necessários em sua casa, desde as capelaspara as famílias mais ricas, simples oratórios de parede, ou mesmo oratórios de bolsos para asfamílias mais humildes. Com estas práticas, os católicos desenvolviam entre si e os santos desua devoção uma relação bem próxima, quase mesmo familiar, de intimidade. A presença dosanto era sempre invocada para as mais diversas situações, fortalecendo assim o que podemoschamar de catolicismo devocional. 53 GRISCI, Carmem Lígia Iochins. Igreja questionada. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998. Pg. 234 NEVES, Guilherme Pereira. Milagres do Cotidiano. Revista de História da Biblioteca Nacional. Rio deJaneiro, SABIN: ano 4, nº 41, pg. 18-23 fev. de 2009.5 MOTT, Luis. Cotidiano e vivência religiosa: da capela ao calundu. In. NOVAIS, Fernando A. e SOUZA,Laura de Mello (orgs). História da Vida Privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. Pg. 164-166.
  7. 7. 6 A colonização dos sertões foi desde cedo uma das preocupações do governoportuguês, quando percebeu a extensão do território que lhes pertencia e os perigos que corriaao deixar estes territórios sem ocupação branca. A principal forma de distribuição da terrapara aqueles que provassem que tinham condições de ocupá-la e fazer prosperar, depois defracassado o sistema de capitanias, era a distribuição de sesmarias, que era uma extensão deterras agricultáveis, de duas a dez léguas em quadra, doada a um sesmeiro para povoar edesenvolver regiões incultas6. Como afirma Monica Duarte7, no século XVII a distribuição desesmarias será expandida, partindo em sua maioria do litoral, seguindo o rumo dos principaisrios conhecidos até então. Juntamente com a distribuição de sesmarias, apesar da imprecisãode seus limites, dois outros fatores influenciavam bastante para a povoação do sertão: acriação de gado, expandindo as terras buscando pastagens para as boiadas, e o trabalhomissionário dos jesuítas que tornava o inóspito e desconhecido território do sertão familiar aosportugueses. A colonização das terras onde se situa o município de Conceição do Coité está inseridano contexto do transporte do gado da região do São Francisco, ainda nos primórdios do séculoXVII, até Salvador, com a construção de uma estrada ligando o Rio São Francisco à Cidadedo Salvador: Partia-se da cidade da Bahia, passando por Feira Velha, Pojuca, Santo Antônio de Alagoinhas, e dali a Aramari – lugar de rancho dos animais -, onde bifurcavam-se dois caminhos. O primeiro tomava o rumo do norte, atravessando o rio Itapicuru, junto à vila de mesmo nome, passava no arraial dos Nambis, ladeava o rio real, no lugar em que hoje se encontra a cidade de Campos, e novamente dividia-se em várias direções. De Aramari, podia o viajante tomar também o rumo de Subaúma, passando pelo riacho Camaragipe, cruzando Água Fria, Serrinha (outra paragem de rancho para as criações de gado), Tambuatá, Coité, deixando para trás o rio do Peixe, em direção ao vale do Palmeirinha até Sapucaia e, daí, à Vila de Jacobina.8 Como afirma o memorialista Orlando Matos as terras em que hoje está o município deConceição do Coité pertenciam à família Guedes de Brito, grande latifundiária do BrasilColônia, e com o passar do tempo as terras foram sendo divididas, por herança ou por compra,e várias fazendas surgiram. Legalmente as terras destas fazendas estavam ligadas à Freguesiade Água Fria e é de lá que os jesuítas partem em missão, seguindo a estrada que as ligavam à6 VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva: 2000. Pg. 3807 DANTAS, Mônica Duarte. Povoamento e ocupação do sertão de dentro baiano. Revista Penelópe, nº 23.8 Idem. Ibidem, loc. cit.
  8. 8. 7Jacobina e ao São Francisco. Consta nos registros jesuítas da Missão de São João Batista deÁgua Fria informações sobre a Capela do Pindá (fazenda que na geografia atual, situa-se apouco mais de 6 km da sede do município), nas terras do sertão do Tocós, que já no ano de1742 registra assentamento de óbito. Entretanto, em 1758, os jesuítas são expulsos e ascapelas erguidas por eles caem no completo abandono9. Podemos supor, contudo, que o povocontinuou alimentando a sua fé mesmo sem a presença dos jesuítas, através das práticasdevocionais tão conhecidas dos portugueses e já entrelaçadas com outras crenças dosindígenas e africanos. De acordo com Oliveira, cerca de dois anos após a expulsão dos jesuítas, osmissionários franciscanos instalados na Freguesia do Bom Jesus da Jacobina, assumiram ocomando espiritual destas populações, e orientaram a criação de uma nova capela, ainda emterras do sítio Pindá, mas na Fazenda Nova (atualmente, a sede do município), distante apenasuma légua da primeira capela construída pelos jesuítas. Para a construção da capela as normaseclesiásticas exigiam a doação das terras. O senhor João Benevides então, doa cem metros aoredor da Igreja, e tem início a construção da capela, chamada de Capela do Coité, por suaproximidade com o Tanque do Coité (Olhos d’Água). A construção foi rápida, possivelmentetratando-se de uma construção rudimentar, e já em 1762 consta assentamento de óbito na ditacapela10. Quanto à capela construída pelos jesuítas acabou totalmente demolida, pela falta dezelo dos herdeiros daquelas terras.A Criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Coité A povoação começou a crescer, com a passagem de tropeiros pessoas foram seinstalando nas proximidades do Tanque do Coité, e a dita Capela prosperou. Em 1855, Coitéera um arraial próspero, passagem obrigatória dos tropeiros que rumavam para as feiras degado e a Capela havia passado por reformas, tornando-se um belo templo de oração.Mostrando a força do dito arraial e a importância que a religião tinha para aquele povo, emnove de maio de 1855, por resolução nº539 do vice governador da Bahia, Álvaro Tibério deMoncorvo, a capela é elevada à condição de freguesia, conforme podemos encontrar no LivroTombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité: “Art. 1º - A Capela de Nossa9 BARRETO, Orlando Matos: Conceição do Coité da colonização à emancipação. Conceição do Coité/Ba, NossaEditora Gráfica: 2007. Pg. 6710 OLIVEIRA, Vanilson Lopes de. Conceição do Coité - A capital do Sisal. Salvador: Universidade do Estadoda Bahia. 1993. p. 7.
  9. 9. 8Senhora da Conceição do Coité, filial erecta em Freguesia de Nossa Senhora de Riachão doJacuípe, fica erecta em Freguesia com a mesma invocação e Orago.”11 Ainda analisando a referida resolução, podemos encontrar os limites territoriais da ditaFreguesia, que abrangem atualmente os territórios dos municípios de Conceição do Coité,Santa Luz, Valente e Retirolândia, mostrando assim a vasta área que seria administrada pelamesma12. Apenas em 1869 será nomeado o primeiro vigário para a nova Freguesia, sendodesignado o padre Marcolino Madureira, nomeado por Provisão Eclesiástica em 19 de julhode 1869. Este chegou à nova freguesia um mês depois, quando registrou: “A 19 de Agosto de1869, às 5 horas da tarde (quinta-feira) cheguei na sede desta freguesia, tomando posse dadireção espiritual...”13. O Livro Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, não trás muitasinformações sobre o início das atividades paroquiais, mas podemos concluir, tendo em vista asua grande extensão e as dificuldades de transporte daquele período de meados do séculoXIX, que estas atividades se centravam na sede da Freguesia, para onde acorriam pessoas dasoutras localidades nos ofícios religiosos mais importantes como a Semana Santa e a Festa daPadroeira. Dito isto podemos concluir que as práticas devocionais, tão conhecidas do povoportuguês, iam ganhando força no interior do município e fortalecendo o catolicismo popular,levando a cabo para a maioria dos fiéis daquele tempo, principalmente dos lugares maisdistantes, uma máxima até hoje conhecida do povo: “muito santo, pouco padre; muita reza,pouca missa” como veremos mais adiante em entrevistas com pessoas de idade mais avançadae tradicionalmente católicas. Esta afirmação mostra-se verdadeira também quando se leva emconta que a capela do arraial de Santa Luzia (atual Cidade de Santa Luz), construída em 1890,passa a ter uma missa mensal apenas em 1938 14, com a chegada do novo pároco, Pe. UrbanoGalvão Dohn, que substitui o padre Antonio Cyro do Valle. Portanto, apenas uma vez ao mêsos fiéis católicos daquela localidade tinham um contato direto com o clero, nos outros diasalimentavam sua fé com as práticas devocionais às quais os leigos tinham acesso: ladainhas,benditos, rezas do terço.11 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, p. 0312 Idem13 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, p. 03v.14 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, p. 28.
  10. 10. 9As Santas Missões Um acontecimento muito presente no imaginário católico até os nossos dias, apesar dehoje esta prática encontrar-se revestida de outra configuração, é a realização de SantasMissões15. Dias em que os padres percorriam as localidades do município pregando sermões eadministrando os sacramentos. Muitas delas foram realizadas na Freguesia de Coité com oobjetivo de preparar o povo para as festas maiores16 ou mesmo suprir a necessidade pastoralde atender o rebanho de uma freguesia que continuava crescendo, e também doutrinar os fiéis,deixando claro quais as práticas necessárias à sua salvação. A primeira destas Santas Missões foi realizada no ano de 1875, pregada pelos FreisCapuchinos de 15 a 25 de maio. Apesar do pouco registro desta Missão, o padre MarcolinoMadureira deixa claro que os freis vieram por seu convite e a preocupação principal é aadministração do Sacramento da Crisma a cerca de 800 pessoas nos dias finais da ditamissão17. Aliás, esta é uma preocupação recorrente neste final do século XIX e começo doséculo XX, da qual trataremos com mais profundidade adiante. Muitas outras Missõesocorreram nesta freguesia e podemos perceber o crescimento desta, analisando o mapa dasMissões realizadas. Com o tempo elas vão se estendendo para outras localidades da Freguesia,assim podemos constatar em 1911 uma Missão no Arraial de Santa Luzia; em 1942 ocorreramas primeiras Santas Missões nas localidades de Salgada e Retiro: Foram realizadas nas Capelas de Salgada e Retiro Santas Missões cujos resultados fôram bem compensadores. Foram pregadores os Padres do Coração de Maria Pe. Mariano e Pe. José [...]. Pela primeira vez estas localidades receberam tão preciosa graça. A cifra de 3.000 comunhões em dez dias apezar da grande falta de agua que dificultava a afluência dos fieis bem diz o fervor dos que assistiram a estes piedosos exercícios. Mil e poucos crismas; 60 batizados e 55 casamentos. 18 Algumas destas Missões tinham um caráter específico como no caso da MissãoEucarística, pregada pelos padres Edmundo Carneiro e José de Andrade Lima, no ano de1932, visando aumentar o zelo dos fiéis católicos para com o Sacramento da Eucaristia,devoção que estava sendo incentivada pela Igreja Católica em detrimento de outras devoções15 As missões eram momentos em que alguns padres, de congregações religiosas, visitavam uma localidade, afim de administrar os sacramentos, suprindo assim a necessidade pastoral e a impossibilidade do vigário deatender todos os fiéis. Atualmente, estas Missões perderam a característica de distribuição dos sacramentos,servindo para animar o espírito cristão e reunir o povo católico.16 Chamamos de Festas Maiores, celebrações como a Semana Santa, a Festa da Padroeira, o Mês Mariano, o diade Corpus Cristhi.17 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, p. 05v.18 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, p. 35.
  11. 11. 10populares. Muitas também foram as Congregações Religiosas que pregaram Missão nestaFreguesia, além dos Capuchinhos, da Congregação do Coração de Maria e dos Redentoristas,Franciscanos também passaram por esta terra. Outro evento também realizado pelos párocos eram os encontros chamados deCongressos, em que os fiéis assistiam a pregações de padres de outras cidades, de bispos ouprofessores sobre um determinado tema. Podemos perceber aqui uma preocupação doutrinalpor parte do clero que visava com este evento esclarecer para grande número de fiéis oensinamento da Igreja. Este Congresso era cercado de muito zelo por parte do pároco quepreparava apresentações feitas pelas crianças, cantos, e uma Missa Solene para oencerramento deste. Muitas vezes o mesmo era realizado em praça pública, para chamar aatenção de todos os cidadãos. Vale ainda ressaltar que todo este zelo e pompa por parte doclero se justificava pelo fato deste Congresso não ser realizado anualmente, apenas emocasiões especais19.A Construção de Capelas – a Fé se espalha pelo interior da Freguesia Outro fator que permite analisar o crescimento da Freguesia e constatar a importânciaque a Religião Católica teve para o crescimento do município é a construção de capelas emdiversas localidades deste. A primeira capela da qual encontramos referência data de 1880 eestá localizada no Arraial do Valente. “A 1 de março de 1880, devidamente autorizado benzi aCapela de Jesus Maria José do arraial do Valente d’esta freguesia e as imagens respectivas e oCemitério”20. Como afirmamos estas capelas só poderiam ser construídas em terras doadas àIgreja e com referida autorização. Porém, eventualmente tal norma não era observada, comoficou registrado pelo pároco, em 1897, quando “A vinte e seis de julho fui autorizado peloExcelentíssimo Senhor D. Luiz Antonio dos Santos, arcebispo da Diocese, a filiar a Capela eCemitério das Araras (...) nos terrenos isolados da fazenda Araras” 21. Pelo que está exposto, oproprietário da Fazenda Araras construiu sem autorização esta capela e só depois procurou oVigário Madureira para lá celebrar, e o mesmo, por conta do fazendeiro ter descumprido asregras eclesiásticas buscou a autoridade do Arcebispo para resolver o problema.19 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 64.20 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité,pg 6v.21 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 7.
  12. 12. 11 Encontramos a Licença para Construção da Capela no Arraial de Santa Luzia no anode 1890, sendo o pedido feito por uma comissão de habitantes liderados pelos senhoresManuel Sabino dos Santos e José Martins Leitão 22. A licença foi concedida, porém aconstrução da capela não se deu de forma muito rápida, por conta das dificuldades financeirasencontradas pelos moradores daquele arraial, o que levou as obras a serem concluídas apenasem 1904. No ano de 1933, assim que toma posse como novo vigário da Freguesia,substituindo o Padre Madureira que havia falecido em nove de março do mesmo ano, o PadreAntonio Cyro do Valle, inventaria os bens da freguesia e das capelas sob sua administração,daí podemos ter uma visão da extensão da freguesia percebendo as localidades que estavamprosperando e construindo suas capelas. Consta no inventário a capela de Santa Luzia, noarraial de Santa Luzia; capela de Jesus Maria José no arraial do Valente; capela do SagradoCoração de Jesus do Curral Velho; capela de Santo Antonio, na fazenda Santo Antonio nabeira do Rio; capela de Santa Terezinha na fazenda Joazeiro. Com a chegada do Pe. Urbano Galvão Dohn, em 1937 aumenta o zelo pastoral dovigário para com outras localidades que estavam prosperando e necessitavam de umacapela, como podemos conferir do seu relato acerca da construção da capela do arraial deVictoriolandia no ano de 1939: Procurou o vigário levar a efeito a construção de uma capela no arraial de Victoriolandia, correspondendo assim ao progresso e desenvolvimento da referida localidade. Encontrou na pessoa do senhor José Ferreira um cooperador eficaz e mais ainda um benemérito. Fez a doação do terreno necessário e por não ter conseguido o auxilio bastante para a referida obra, tem ele dispendido cerca de três a quatro contos de réis na dita construção, esperando, entretanto, que por esmolas e auxílios de festas possa reembolsar a referida quantia23. Este arraial ao qual o vigário se refere chamando de Victoriolandia, de acordo comnossos indícios, trata-se do arraial de Salgada. Os indícios nesse sentido são, primeiramente, amenção ao nome do senhor José Ferreira, conhecido proprietário de terras daquela localidade.Além disso, Victoriolandia, seria uma homenagem à primeira padroeira do referido arraial,que desde seu desenvolvimento no período da construção da ferrovia Leste-Brasileira,contava com uma capela sob a invocação de Nossa Senhora da Vitória, possivelmenteVictória como era grafado naquele tempo. Confirma nossos indícios ainda o fato de nosrelatos referentes ao ano de 1940 o Pe. Urbano falar da construção de um altar na capela de22 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 13.23 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 29v.
  13. 13. 12Salgada, mais um ato de generosidade do senhor José Ferreira 24. Portanto, tudo faz crer que oarraial ficou mesmo conhecido como Salgada e não como Victoriolândia como talvezpretendesse o vigário. No ano de 1944 a Capela de Santa Luzia foi elevada à Freguesia, passando então a tervigário próprio. Com a elevação, o território desmembrado da Freguesia de Nossa Senhora daConceição do Coité, compreende, além do arraial de Santa Luzia, o arraial do Valente ealgumas capelas sitas nas ditas terras: a capela do Sagrado Coração de Jesus do Curral Velho;capela de Santo Antonio, na fazenda Santo Antonio na beira do Rio, diminuindo assim oterritório sob a administração da Freguesia de Coité. No ano de 1942 foi iniciada a construção da Capela do arraial de Retiro, sendoresponsável pela construção o senhor Deraldino Oliveira. A partir daqui as referências àsconstruções de capelas tornam-se mais raras e algumas começam a ser citadas nas atividadespastorais. Encontramos referência à Festa de São Joaquim, no ano de 1945, em Aroeira,terminada com procissão solene. Em 1956, por ocasião da Semana Santa, encontramos arelação das capelas visitadas pelo então vigário substituto (enquanto o Pe. Urbano exercia afunção de Deputado Estadual) Pe. Geraldino Rocha Passos sendo elas: Salgadalia,Retirolandia, Bandarrinha, Aroeira e Joazeiro 25. Em 1965, quando era vigário desta freguesia, o Pe. Antonio Tarashi, registrando ascompras de materiais litúrgicos feitas para as capelas da Freguesia, lista as seguintes capelascomo pertencentes à Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Coité: Salgadália, Almas,Juazeiro, Retirolândia e Goiabeira 26. Nesta listagem aparecem duas novas capelas queanteriormente não haviam sido citadas no Livro de Tombo: Almas e Goiabeira. Nos arquivos paroquiais referentes à Festa da Padroeira encontramos um cartaz-convite para o ano de 1967, onde se anuncia que uma das noites do novenário seriaparaninfado pelo “povo das capelas”. Com este documento obtemos assim então uma relaçãodefinitiva das capelas da Freguesia até aquele momento, visto que, no principal eventocatólico do ano (a Festa de Nossa Senhora da Conceição do Coité), não haveria motivos parao vigário excluir nenhuma das capelas das localidades rurais. Portanto, neste ano de 1967, aParóquia de Nossa Senhora da Conceição contava com as seguintes capelas: Salgadália, Vila24 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 31v.25 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 55.26 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 68 frente e verso.
  14. 14. 13Carneiro (Goiabeira), Bandeassu, Joazeirinho, Aroeira, Lagôa do Meio, Almas, Ipueirinha,Santa Rosa, Santa Cruz, Vila São João e São Roque. Neste documento percebemos a falta da capela de Retirolândia que, em 03/01/1967,foi desmembrada da Paróquia de Coité, passando a integrar a Paróquia Sagrada Família deValente, criada na mesma data.Uma Igreja Sacramentalista No trato com o Livro Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coitépodemos perceber que uma das principais preocupações da Igreja Católica desde o final doséculo XIX e início do século XX foi com a distribuição dos Sacramentos. Esta preocupaçãoesta inserida num movimento interno da Igreja conhecido como Romanização 27, ou seja,busca homogeneizar as práticas religiosas fazendo com que todos os católicos sigam asnormas ditadas por Roma, sejam obedientes à Doutrina e no caso brasileiro, purgar a Igreja detodas as práticas devocionais populares que estejam em desacordo com a Doutrina,principalmente das devoções que recebam influências dos cultos africanos. Em Coité, esta preocupação é notável quando, ao encerrar o relato de um ano detrabalho ou de um evento especifico como uma Santa Missão, o vigário apresentaexpressamente o número de batizados, casamentos, crismas e extremas unções administradosjunto aos fiéis, realizando o que podemos chamar de “balanço anual” dos sacramentos. Issofica evidente, por exemplo, quando o padre Marcolino Madureira registra os acontecimentosde uma Missão realizada no arraial de Santa Luzia, no ano de 1910, quando: “confessaram-semil e vinte e seis pessoas, fizeram 50 casamentos, e 1.600 pessoas entre adultos e criançasreceberam o santo sacramento do Crisma” 28. Esta prática permanece até os anos de 1950, portanto mais recentes. Vejamos aomenos um exemplo: “Movimento parochial do presente ano de 1956: Comunhões de devoção:4.566; Viáticos: 21; Primeiras Comunhões Solemnes: 156; Primeiras Comunhões Privadas:45; Confissões de Enfermos: 22; Extremas Uncções: 22; Baptisamentos: 1.360; Casamentos:27 Tendo início a partir das últimas duas décadas do século XIX, este movimento conhecido como Romanização,ganhou força no Brasil no início do século XX, e visava a fidelidade à Roma, à sua doutrina e liturgiaconservadora, para tal condenava os fortes traços populares do catolicismo brasileiro.28 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 9v.
  15. 15. 14160; Óbitos: 275”29. Chega até mesmo a chamar atenção o comentário do Padre UrbanoGalvão Donh: Comecei então o circulo de pregação de penitência pelas Capelas cujo fruto se nota sucessivamente pelo aumento de confissões com comunhões. Viu-se o maior número em Joazeiro cuja cifra chegou a 470 confissões, seguindo-se a de Aroeira e Retirolandia. Também resolvi celebrar em fazendas, para intensificar a prática da comunhão quaresmal, pois parece que estamos no tempo de ir a campo se quisermos salvar alguma coisa. No ano passado havia vencido em número de confissões a capela de Aroeira seguida de Joazeiro e Retirolandia.30 Com este achado vemos a importância que era dada ao fato dos fiéis acorrem aossacramentos, principalmente no período quaresmal, tempo forte de penitência no calendáriolitúrgico católico. Com isto buscamos demonstrar o quanto o ideal de romanização estavapresente na formação dos vigários que por aqui passaram e como esta prática era comum. Ainda demonstrando esta preocupação dos vigários, podemos citar o processo depreparação para recepção dos sacramentos aos quais os fiéis eram instruídos. O Sacramentopelo qual os fiéis deveriam nutrir maior zelo e devoção era a Eucaristia, portanto era precisoinstruir bem as crianças que iriam receber a Comunhão pela primeira vez, incutir neles orespeito devido a tão precioso sacramento. Visando instruir melhor os pequenos fiéis, foicriada na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Coité, além dos encontros deCatecismo, a Cruzada Eucarística Infantil, no ano de 1938: Para animar o sentimento cristão das crianças desta Paróquia, fundou o Reverendíssimo Vigário com um bom número de crianças a Cruzada Eucarística Infantil, acostumando assim as crianças à recepção da Divina Eucaristia. Notou o Reverendíssimo Vigário no ato da fundação na sessão solene realizada no salão da Igreja Matriz o entusiasmo todo particular quer por parte das crianças bem como da população.31 Há ainda outra referência à Cruzada que revela como ela funcionava durante odecorrer do ano: “Durante todo o ano os meninos da Cruzada Eucarística Infantil realizaramas reuniões para a confissão e comunhão geral da Associação”32.29 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 57.30 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 45.31 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 27.32 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 33.
  16. 16. 15 Conversamos com três pessoas que participaram desta Associação, e elas relataramacerca do uniforme que usavam, a fim de se distinguirem das demais crianças: “a gente usavauma camisa branca de manga comprida, uma fita, tinha também uma boina bege, e saia todalinho, toda de pregas” segundo Raimunda. Conceição nos lembra que esta fita mudava deacordo com o tempo de permanência na Cruzada “tinha uma mais fina que era dos queestavam entrando, dos recrutas, tinha outra mais larga para a gente que tinha mais tempo etinha as mais largas para quem era o presidente, tinha umas cores diferentes também, mas nãolembro mais, mas era amarela”. Maria do Carmo nos fala que além de participar das Missas edas reuniões da Cruzada, eles também participavam em outras ocasiões como a Festa daPadroeira “saia todo mundo na procissão do dia oito, enfileirado, com os uniformes bemarrumadinho mesmo”. É Maria do Carmo que nos conta também o que aprendiam nasreuniões da Cruzada “era principalmente sobre o respeito para se ter com a Eucaristia,aprendia sobre o jejum eucarístico, o respeito mesmo” 33 mostrando assim, como a Igrejaestimulava a substituição da devoção popular pelos santos e santas por devoções mais ligadasao clero, como a Eucaristia.A Festa da Padroeira Desde a sua construção a capela da Fazenda Nova é dedicada à Nossa Senhora.Portanto podemos acreditar que desde o século XVIII as pessoas se reúnem naquele templopara rezar, especialmente no mês dedicado à Nossa Senhora da Conceição, o mês deDezembro. Criada a Freguesia e com a chegada do primeiro vigário, seria tarefa deleincentivar a devoção e a participação dos fiéis. Entretanto, a primeira referência queencontramos à Festa da Padroeira data de 1882, mas já com grande participação dos fiéis 34.Além de um momento de encontro, demonstração de fé e amor à Padroeira, a festa configura-se também como um momento propício para a arrecadação de fundos para a manutenção daIgreja e das necessidades da paróquia. A festa compreende nove noites de celebraçõeseucarísticas na igreja matriz, sendo que depois da celebração litúrgica ocorre em seu entorno oque é chamado de “parte cultural” da festa: barracas com comidas típicas e apresentações degrupos culturais. No dia 08 de dezembro, feriado municipal, ocorrem diversas missas – desde33 Entrevista realizada com Maria da Conceição Boaventura, Maria Raimunda Santos e Maria do Carmo Ramos,em 13 de janeiro de 2010.34 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 6v.
  17. 17. 16as primeiras horas da manhã, e no fim da tarde procissão pelas ruas da cidade, encerrandocom a Benção do Santíssimo Sacramento. Com o passar dos anos os festejos à excelsa Padroeira foram crescendo, como se podenotar através dos registros deixados pelos vigários. Entretanto, o período mais rico emregistros é a década de 1930, onde pudemos notar detalhes da celebração da Festa daPadroeira. No ano de 1936 a Festa contou com a participação de mais dois padres de outrascidades vizinhas, além da participação de um conjunto musical da vizinha cidade de Serrinha.Contudo, mesmo com esta pompa toda a festa acabou gastando mais do que arrecadou, sendonecessário retirar dinheiro do caixa da Paróquia, dinheiro em posse do vigário. Parece que nos anos seguintes a festa começou a ocorrer sem o tradicionalbrilhantismo, e o povo vai deixando de cooperar para as despesas, tanto que no encerramentoda Festa de 1939 o pároco designa uma comissão que deverá cuidar dos festejos no ano de1940 a fim de que seja verdadeiramente a maior festa da paróquia 35. É interessante notar oesforço que os fiéis das diversas localidades do município faziam para participar da Festa e oquão importante este momento era para eles. Muitos vinham passar o dia na casa de parentes,ou ficavam mesmo acampados na praça. Vinham em caravanas a cavalo, com os animaisenfeitados, tudo para garantir a participação neste momento tão importante para a cidade,tanto religiosa como socialmente. Participar da Festa da Padroeira era quase como quegarantir sua existência, possibilitava ver e ser visto e ninguém queria ficar de fora. Parece que o esforço do Vigário Pe. Urbano Galvão em resgatar o tradicionalbrilhantismo da Festa da Padroeira foi válido. Graças ao trabalho da comissão por eleestabelecida, a festa contou com a participação de padres de diversas cidades vizinhas, apresença do Arcebispo Primaz (que chegou ainda para a última novena no dia 07, à noite), apresença de uma comitiva da cidade de Serrinha liderada pelo prefeito daquele municípiojuntamente com a tradicional Filarmônica da cidade, uma harmonista também de Serrinharegeu o coral de senhorinhas da comunidade, que mereceu francos elogios. Vale ainda notarque, segundo o pároco, todos colaboraram para o brilhantismo da festa, inclusive o prefeito edemais autoridades do município, a quem ele agradeceu e fez questão de registrar36.Obviamente que estes registros feitos pelo próprio padre tendem a engrandecer a Festa, para35 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 29.36 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 31 frente e verso.
  18. 18. 17assim mostrar que ele vem fazendo mais que os seus antecessores, porém não deixa de serválido, inclusive para mostrar a ligação da Igreja com as instituições políticas locais. Nos anos seguintes a Festa da Padroeira segue sendo bem celebrada, sendo que no anode 1942 o vigário tece elogios ao senhor Francisco C. Lima, presidente da comissão, que comseus esforços fez uma bela festa não apenas na parte externa: barracas e diversões, mas cuidoutambém do espaço interno do Templo, adquirindo uma lâmpada para o sacrário e umaimagem de Santa Terezinha. Nos registros sobre a festa deste ano encontramos uma novidade:além do andor da Padroeira, foram levadas às ruas também as imagens de Santa Terezinha edo Coração de Jesus acompanhado pelos membros do Apostolado da Oração 37. Parece que aidéia de levar mais imagens para a procissão do dia oito de dezembro agradou à massa dosfiéis que sempre prezou por estas práticas devocionais. No ano de 1951, a festa da Padroeira,na quase centenária Freguesia, foi celebrada de forma extraordinária, segundo o vigário Pe.Urbano Galvão: Deve-se dizer que foi a festa da Unidade Religiosa do município de C. do Coité. Celebrei Missa cantada, auxiliado pelo Cônego José Trabuco, que foi orador, e pelo seminarista Tadeu Carvalho. Reuniram-se na Matriz onze andores dos Padroeiros das capelas do município. Apesar do flagelo da seca que assolava o sertão, reuniu-se uma massa populosa calculada em quatro mil pessoas. O vigário fez uma oração aos padroeiros presentes porque intercederam à Deus por este povo que aqui estava, só pela fé, capaz de transportar montes.38 Pelos relatos trazidos até o presente momento, podemos perceber que a Festa daPadroeira era sim a maior festa da Paróquia, congregando pessoas de todas as partes domunicípio e que os diversos padres que por aqui passaram se preocuparam em abrilhantar afesta e incentivar a devoção à Nossa Senhora da Conceição, promovendo diversas mudançasao longo dos anos, mesmo que para isso fosse preciso unir forças com o poder público, coisaaliás muito comum para o período em análise 39. Até os dias atuais a Festa da Padroeira seguesendo celebrada e é, inegavelmente, a maior manifestação religiosa do município deConceição do Coité.37 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 35.38 Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité, pg. 46v.39 Durante muitos anos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores e suas respectivas esposas compuseram a comissãoorganizadora da Festa da Padroeira.
  19. 19. 18A Vivência da Fé – práticas devocionais As capelas, cujo pequeno histórico apresentamos no decorrer deste trabalho,funcionavam principalmente como ponto de referência para a recepção de Sacramentos pelapopulação da zona rural do município. Era lá que na passagem do padre poderiam batizar seusfilhos, casar, confessar e comungar, sacramentos necessários à Salvação de todo bom católico.Porém, não podemos esquecer que a presença do padre nestas comunidades era coisa rara,estando presente apenas no período da quaresma e para celebrar a Festa do Padroeiro daCapela. Portanto, durante o ano as pessoas das localidades onde existiam capelas, e tambémonde não havia um templo (mas sobretudo nestas), continuavam com suas práticasdevocionais tradicionais que aprenderam com seus antepassados. Como afirmamos, nestecatolicismo devocional o papel principal é desenvolvido pelos Santos e pela Virgem Maria:“O fiel relacioana-se o tempo todo e a vida toda com o santo. Conversa com ele, pede-lheproteção, agradece pelo bem recebido”40. Esta relação podia se dar de forma individual oucom outras pessoas da mesma família ou de famílias vizinhas. Buscando entender melhor como se dava esta prática religiosa em Coité entrevistamosa senhora Maria Pinto41, conhecida como Teteca, natural do Povoado de Boa Vista econhecida por sua forte ligação com o Catolicismo, tradição herdada de sua genitora. Nestecatolicismo popular tradicional, o leigo tinha um papel preponderante, assumindo umaliderança nas várias manifestações religiosas 42. Pelo que podemos analisar na fala de D.Teteca as devoções eram muitas e compartilhadas entre as famílias conhecidas que chamavampara “as rezas” em suas casas: a gente rezava dia 27 de setembro, lá em casa, na roça, quando terminava ia para casa dos outros vizinhos, de pé meia légua, uma légua de noite, voltava, rezava lá na casa dos vizinhos, tornava voltar para casa, quando tinha outra reza, em outro lugar distante, de São José, de Santo Antonio, a gente ia também rezar, terminada a reza a gente voltava, tudo de pé que não tinha transporte para nada, era uma légua, era meia, mas a gente ia rezar, tinha aquela devoção. Outro fato marcante na fala de D. Teteca é a demonstração de fé das pessoas, dos fiéisque chegavam a andar cerca de seis quilômetros para participar de momentos de devoção40 PALEARI, Giorgio. Religiões do Povo: um estudo sobre a inculturação. São Paulo, Edições Ave Maria: 1993.Pg. 6841 Entrevista realizada com Maria Pinto Lima em 21 de setembro de 2009.42 PASSOS, Mauro. O catolicismo popular: o sagrado, a tradição e a festa. IN: PASSOS, Mauro (org). A Festana vida. Petrópolis/RJ, Editora Vozes: 2002. Pg. 171
  20. 20. 19como este, a certeza de que participar daquele momento era importante fazia as pessoassuperarem os obstáculos. Indagada sobre que orações eram recitadas nestas rezas ela nos diz: Rezava a Ladainha, rezava um bendito ou de Santo Antonio que fosse, se a reza fosse de Cosme e Damião, rezava o bendito de Cosme e Damião, se fosse de São Roque rezava a ladainha, rezava os pai-nosso, o Senhor Deus quando terminava, porque num tinha festa num tinha nada, terminada a reza era o Senhor Deus. Aí se fosse de São José, rezava a ladainha, o bendito de São José e o Senhor Deus para terminar. Então era tudo assim, não tinha nada de outra coisa para fazer né. Desta fala de D. Maria podemos perceber que as pessoas conheciam diversas destasorações, dedicadas aos vários santos. Perguntada como as pessoas aprendiam estas rezas, estesbenditos ela nos informou que existiam livrinhos que iam sendo escritos aos poucos.Funcionava como uma cópia, alguém tinha determinada oração escrita em algum livro dedevoção comprado em determinado lugar, ou sabia de cor, copiava e as outras pessoas iamfazendo cópias em cadernos manuscritos, aos quais tivemos acesso. No que se refere àsdevoções tratadas até aqui percebemos um caráter mais comunitário, juntar as pessoas pararezar. A reza servia como um pretexto para um encontro, para uma convivência entre amigos,para festejar algum acontecimento (eram comuns rezas para celebrar aniversários denascimento, alguma graça alcançada). Porém, indagada sobre as devoções mais intimas D.Teteca nos fala: lá em casa a gente rezava, lá na casa de mãe, a gente rezava todo sábado, toda quarta o oficio, toda noite papai ajoelhava com a gente, era eu e compadre Francisco os rezador do ofício, mas era toda quarta e todo sábado. Aí num saí para lugar nenhum, era em casa mesmo que ele rezava. Outra prática devocional muito comum entre os católicos até os dias de hoje é arealização de acompanhamento. Trata-se de uma procissão, com a imagem do santo dedevoção de um lugar para outro, geralmente para agradecer uma graça recebida pelaintercessão do santo ou para lhe fazer um pedido. São comuns também acompanhamentospara “pagar promessa” feita ao santo “fazia os acompanhamentos com o santo, de lá de casapara o berimbau, de lá de casa, como já fiz daqui, lá para a Boa Vista o acompanhamento”.Outro acompanhamento muito comum em Coité, realizado desde a década de 40 até os diasatuais no último domingo de agosto é o Acompanhamento de São Roque, devoção especial dopovo agradecendo a proteção do santo contra um surto de peste negra que atingiu a região.
  21. 21. 20 É interessante notar como em diversos momentos o catolicismo oficial na pessoa dopadre, em última análise o representante da Igreja Católica, está junto do povo em suaspráticas devocionais, como que as legitimando. Em se tratando do Acompanhamento de SãoRoque, por exemplo, a liderança da organização do evento religioso é toda de leigos, desde aescolha da casa para onde a imagem será levada em “acompanhamento” no domingo anteriorsaindo da Igreja Matriz; a condução das rezas nas noites daquela semana, puxando terços,ladainhas, benditos de São Roque, acendendo velas, soltando foguetes e a condução da imagem devolta à igreja matriz no último domingo de agosto. Entretanto, ao adentrar na igreja matriz, como“finalização”, “coroação”, daquele ato devocional, o padre celebra a Missa, mostrando assim asuperioridade deste Sacramento por sobre as práticas devocionais populares. Estabelece-seportanto entre o catolicismo popular e o oficial não apenas relação de combate – quando dosabusos das práticas devocionais – mas também uma relação de complementaridade, porémsem nunca perder a dimensão da superioridade de uma delas, no caso o oficial. Perguntada sobre a relação com o padre, representante oficial da Igreja Católica,digamos assim, D. Teteca nos diz: “Nesse tempo aqui era o padre Urbano, mas o padre numia. Padre urbano ia assim, quando tinha um doente, aí papai vinha buscar ele de cavalo e ele iaconfessar aquele doente”. Quanto a questão da celebração das missas, só mesmo naspovoações maiores que tivessem capela, o que não era o caso da localidade natal daentrevistada. Então perguntada como era a freqüência à Missa, principal rito católico, aentrevistada nos fala que nas datas mais importantes (Natal, Ano Novo, Semana Santa) afamília buscava se fazer presente mesmo com as dificuldades. Missa de todos os santos a gente vinha, num perdia, todo mundo de pé. Missa de ano a gente vinha, quando terminava a missa, que neste tempo era doze horas a missa, quando terminava a missa a gente chegava em casa, fazia um cafezinho no rancho, tomava, chegava em casa 4horas da manhã. Outra forma importante que favorecia a expansão destas práticas devocionais é acriação de grupos, ou associações empenhadas em desenvolver determinada devoção. Dentreas diversas associações com esta destinação na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição doCoité, uma destaca-se por estar em atividade até os dias atuais e pelo número de fiéis queengloba, o Apostolado da Oração. De modo geral a criação destas associações estavadiretamente ligada ao clero, não são grupos que surgem esporadicamente em determinadoslocais, a Igreja Católica em níveis hierárquicos mais altos incentivava a proliferação destasafim de diminuir a infiltração de práticas devocionais sincréticas entre os católicos.
  22. 22. 21 Devotados ao Sagrado Coração de Jesus, os membros do Apostolado da Oraçãodestacam-se pelo uso da medalha com a imagem do Coração de Jesus numa fita vermelha epor terem um dia especial para a prática de sua devoção: a primeira sexta-feira de cada mês. Adevoção ao Sagrado Coração de Jesus teve inicio em 1673, com as visões que a hojecanonizada pela Igreja, irmã Margarida Alacoque, teve de Nosso Senhor, expondo ao mundoo coração chagado, e garantindo proteção para aqueles que espalhassem sua devoção 43. Na Freguesia de Coité o Apostolado da Oração foi criado em 1879 sendo, portantouma associação centenária. Desde o começo seus membros reúnem-se nas casas para rezar oterço, fazer visitas quando um deles está doente, sempre teve muitos membros devidamentecadastrados e que contribuíam mensalmente com a associação, sendo que um dos membrosera eleito tesoureiro para tomar conta deste dinheiro. No Livro de Tombo da Freguesia deNossa Senhora da Conceição do Coité, quando o então vigário registra o relatório domovimento religioso do ano de 1934 encontramos os seguintes dados sobre o Apostolado daOração: “Zeladores na sede do município 4, zeladoras 17, na Capela de Santa Luzia 12,associados na sede 785, em Santa Luz 125 entre homens e mulheres” 44. Este número de fiéisse dividia em alguns grupos dentro da própria associação, por isso há mais de um Zelador(Coordenador), já que cada um respondia por uma parte dos associados. As Festas em Louvorao Coração de Jesus eram sempre muito concorridas, cercadas de uma pompa comparávelapenas com os louvores da Padroeira Nossa Senhora da Conceição a 8 de dezembro. Haviamissa cantada, procissão solene pelas ruas da cidade, onde todos os associados compareciamcom sua fita, e benção do Santíssimo Sacramento para o encerramento 45. Em alguns haviamesmo a presença de padre de outras cidades e mesmo do Arcebispo de Salvador. Buscando compreender melhor como funcionava esta associação, entrevistamos asenhora Hormezinda Boaventura46, conhecida por Doza Zinda, figura conhecida de toda acomunidade católica coiteense. D. Zinda tem hoje 90 anos e como ela mesma diz, desdemuito cedo ingressou no Apostolado: “nem me lembro mais o ano certinho assim, mas achoque tinha uns 15 anos, eu era muito nova” é interessante notar que segundo a própria, esta nãoera uma prática muito comum, ingressar nova nas fileiras do Apostolado da Oração, pois jánaquele a maior parte das pessoas era mais velha, como de fato até hoje acontece com oApostolado onde se encontram pessoas adultas e principalmente da terceira idade. D. Zinda43 Livro Devocional apresentado por uma das senhoras, participante do Apostolado da Oração.44 Livro de Tombo, pg. 19 frente.45 Livro de Tombo, pg. 28 verso.46 Entrevista realizada com a senhora Hormezinda Boaventura Sampaio, em 13 de janeiro de 2010.
  23. 23. 22ocupou ainda o cargo de Presidente do Apostolado (Zeladora), ou seja coordenou o grupodurante alguns anos e até os dias de hoje sempre que pode busca participar das reuniões e damissa na primeira sexta-feira de cada mês. Assim, como a maioria dos católicos ela tambémtinha devoções particulares por alguns santos, e fazia em casa mesmo suas novenas e rezaspara “Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Santo Antonio, São Roque”.Conclusão Obviamente muitas questões do cotidiano da Freguesia não foram tratadas nesteartigo, bem como outras formas de devoção que foram desenvolvidas já que a prática eradiferente para várias pessoas também ficaram de fora. Entretanto o objetivo deste trabalho foimostrar um recorte do panorama religioso coiteense desde a fundação da paróquia até os finsda década de 1960 quando a realidade apresentada é bastante esta, de uma religião crescendo,aumentando sua presença em todos os recantos do território municipal mas que cresciatambém longe do olhar doutrinador do padre, onde as pessoas desenvolviam com o sagradouma relação intima. Resistindo a todo o processo de tentativa de deter seu avanço ocatolicismo popular vai seguir sustentando a fé de muitos que na Semana Santa, por exemplo,engrossam as fileiras dos confessionários, para a alegria dos religiosos que podem registrar ocrescimento do número de pessoas que recebem os sacramentos. Esta relação dual decombatido-fortalecido torna o campo de estudo do devocionismo popular bastante amplo econfirma que não há modelos prontos para os estudos de religiosidade popular, mesmohavendo características e práticas que se repetem, a realidade sócio-cultural de cada região dáuma configuração própria para cada lugar. É com esta estrutura que a Igreja Católica vai se mantér durante muito tempo como aprincipal denominação cristã no Brasil. Baseada no devocionismo, fortalecendo as práticaspopulares, expandindo sua presença física através de capelas e buscando instruir os fiéis paracontinuarem participando das suas atividades religiosas. É ainda este catolicismo todo próprioque vai abrir as portas aos novos ventos que soprarão sobre a Igreja Católica da AméricaLatina e em especial do Brasil nos final da década de 60 e na década de 70 do século XX,fruto do Concílio Vaticano II e das Conferências do Episcopado Latino-americano, ventosestes que vão transformar a realidade de Igreja que foi apresentada neste trabalho.
  24. 24. 23ReferênciasBARRETO, Orlando Matos: Conceição do Coité da colonização à emancipação. Conceiçãodo Coité/Ba: Nossa Editora Gráfica, 2007DANTAS, Mônica Duarte. Povoamento e ocupação do sertão de dentro baiano. RevistaPenelópe, nº 23.ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano: a essência das religiões. Rio de Janeiro: MartinsFontes, 2008.GRISCI, Carmem Lígia Iochins. Igreja questionada. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.MOTT, Luis. Cotidiano e vivência religiosa: da capela ao calundu. In. NOVAIS, FernandoA. e SOUZA, Laura de Mello (orgs). História da Vida Privada no Brasil. São Paulo:Companhia das Letras, 2005NEVES, Guilherme Pereira. Milagres do Cotidiano. Revista de História da BibliotecaNacional. Rio de Janeiro, SABIN: ano 4, nº 41, pg. 18-23 fev. de 2009OLIVEIRA, Vanilson Lopes de. Conceição do Coité - A capital do Sisal. Salvador:Universidade do Estado da Bahia, 1993.PALEARI, Giorgio. Religiões do Povo: um estudo sobre a inculturação. São Paulo: EdiçõesAve Maria, 1993PASSOS, Mauro. O catolicismo popular: o sagrado, a tradição e a festa. IN: PASSOS, Mauro(org). A Festa na vida. Petrópolis/RJ: Editora Vozes, 2002VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva,2000.Fontes1. Escritas:- Livro de Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Coité- Arquivo Paroquial, pasta Festa da Padroeira
  25. 25. 24- Arquivos pessoais2. Orais:- Entrevista com a srª Maria Pinto Lima, em 21 de setembro de 2009 na sua residência.- Entrevista com a srª Hormezinda Boaventura Sampaio, em 13 de janeiro de 2010 na suaresidência.- Entrevista com a srª Maria do Carmo Ramos, em 13 de janeiro de 2010 na casa de sua mãe.- Entrevista com a srª Maria Raimunda Santos, em 13 de janeiro de 2010 na casa de sua mãe.- Entrevista com a srª Maria da Conceição Boaventura, em 13 de janeiro de 2010 na casa desua mãe.

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