Priscilla Indianara Di Paula Pinto
Maria Zélia Araújo
Danilo de Oliveira Aleixo
(Organizadores)
FISIOTERAPIA E PESQUISA: UMA NOVA PROPOSTA DE QUALIDADE
DE VIDA
UNESC
2014
UNIÃO DE ENSINO SUPERIOR DE CAMPINA GRANDE-UNESC
FACULDADE DE CAMPINA GRANDE-FAC-CG
Diretora Executiva
Ana Lígia Costa Feliciano
Gerência Administrativa
Gustavo Costa Feliciano
Gerência Financeira
Tiago Torquato Lêdo
Coordenação Acadêmica
Danilo de Oliveira Aleixo
Coordenação de Fisioterapia
Priscilla Indianara Di Paula Pinto
Coordenação do Núcleo de Pesquisa e Extensão
Maria Zélia Araújo
Normalização Técnica
Severina Sueli da Silva Oliveira CRB-15/225
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA DA UNESC
F56 Fisioterapia e pesquisa: uma nova proposta de qualidade de vida / Priscilla
Indianara Di Paula Pinto, Maria Zélia Araújo, Danilo de Oliveira Aleixo
(Organizadores). – Campina Grande: UNESC, 2014.
200 p. : il. color.
ISBN 978-85-92586-03-4
2 1. Fisioterapia. 2. Saúde. 3. Fisioterapia – Qualidade de Vida. I. Pinto,
Priscilla Indianara Di Paula. II. Araújo, Maria Zélia. III. Aleixo, Danilo de
Oliveira. IV. Título.
CDU 615
FISIOTERAPIA E PESQUISA: UMA NOVA PROPOSTA DE
QUALIDADE DE VIDA
Argumentar sobre a FISIOTERAPIA como ciência, é de suma
importância que esse argumento parta da definição que é apresentada pelo
Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), pois
dessa forma está se partindo da base que é defendida pelo órgão oficial que
regimenta os profissionais dessa área de conhecimento. De acordo com esse
Conselho Fisioterapia “é uma ciência da Saúde que estuda, previne e trata os
distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo
humano, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças
adquiridas”. Ainda complementa que ela “fundamenta suas ações em
mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados pelos estudos da Biologia,
das ciências morfológicas, das ciências fisiológicas, das patologias, da
bioquímica, da biofísica, da biomecânica, da cinesia, da sinergia funcional, e da
patologia de órgãos e sistemas do corpo humano e as disciplinas
comportamentais e sociais”. Vê-se nesta definição que a Fisioterapia trata o
ser humano, enquanto objeto de estudo, de forma completa, envolvendo, não
somente o lado físico, mas também o social.
Além do que fora dito, vale ressaltar que na atuação dessa ciência, ela
se propõe não somente ao processo de estudar, prevenir e tratar os distúrbios
cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano,
gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas, mas
que vê o sujeito social como um todo. E, para tanto, a sua proposição é de
apresentar uma nova proposta de qualidade de vida mediante o
desenvolvimento tecnológico dos dias hodiernos, os quais têm modificados os
modelos de vidas singulares que se tinham em épocas anteriores, as quais não
provocavam tantos transtornos aos seres humanos, principalmente, os da
terceira idade.
É do conhecimento dos profissionais dessa área de conhecimento que o
seu objetivo é preservar, manter, desenvolver ou restaurar (reabilitação) a
integridade de órgãos, sistemas ou funções. Utiliza-se de conhecimento e
recursos próprios como parte do processo terapêutico nas condições psico-
físico-social para promover melhoria de qualidade de vida.
Portanto, nessa construção vale também destacar o que é definido por
qualidade de vida apresentada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que
compreende: “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da
cultura e sistema de valores nos quais vive e em relação aos seus objetivos,
expectativas, padrões e preocupações”, o que tem sido discutido pelos alunos
que se formaram na União de Ensino Superior de Campina Grande, em
2014, ao realizarem suas pesquisas de conclusão de Curso.
Portanto, esta coletânea que é intitulada de “FISIOTERAPIA E PESQUISA:
UMA NOVA PROPOSTA DE QUALIDADE DE VIDA” apresenta em sua
composição os artigos intitulados:
v FISIOTERAPIA INTENSIVA NA BRONQUIOLITE: UMA REVISÃO DE
LITERATURA;
v OS BENEFÍCIOS DO MÉTODO PILATES NO TRATAMENTO DE DOR
LOMBAR: REVISÃO DE LITERATURA;
v USO DA VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA NA PREVENÇÃO DE
COMPLICAÇÕES NO PÓS OPERATORIO DE CIRÚRGIA CARDÍACA;
v FUNÇÃO PULMONAR EM MINERADORES DA INDÚSTRIA DE
BENEFICIAMENTO DE CAULIM;
v GRAU DE OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS E USO DE
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI’S):
REPERCUSSÕES NA SAÚDE DOS TRABALHADORES DA
INDÚSTRIA DO GRANITO;
v CUIDADOS NA ASSISTÊNCIA VENTILATÓRIA PARA PREVENÇÃO
DA PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA (PAVM):
UMA REVISÃO DE LITERATURA;
v CORRELAÇÃO ENTRE ÂNGULO “Q” E A SÍNDROME DA DOR
PATELOFEMORAL EM MULHERES;
v ATUALIDADES SOBRE FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA EM
PEDIATRIA E NEONATOLOGIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA;
v A FISIOTERAPIA SOBRE A PERCEPÇÃO DOS CUIDADORES DE
CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS EM ESCOLA DE
ENSINO REGULAR;
v A FISIOTERAPIA NA PERCEPÇÃO DE CUIDADORES DE
SEQUELADOS DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO;
v RELAÇÃO DA EXPOSIÇÃO SOLAR E O ENVELHECIMENTO
PRECOCE: UMA REVISÃO SISTEMATIZADA;
v EFICÁCIA DO TREINO DOS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO
NO TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA: UMA
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.
Artigos esses que vieram, tão somente, endossar o conhecimento da
Fisioterapia no tocante a qualidade de vida dos sujeitos sociais, daqueles que
necessitam de sua atuação na vida em sociedade, uma vez que, tem realizado
pesquisas que apresentam uma nova proposta de qualidade de vida, e, assim
ampliar os horizontes dessa ciência em pleno século XXI.
Os Organizadores
SUMÁRIO
1 FISIOTERAPIA INTENSIVA NA BRONQUIOLITE: UMA REVISÃO DE
LITERATURA......................................................................................................8
Helder Araujo de Menezes
Isabella Pinheiro de Farias Bispo
2 OS BENEFÍCIOS DO MÉTODO PILATES NO TRATAMENTO DE DOR
LOMBAR: REVISÃO DE LITERATURA...........................................................20
Marina Gadelha de Menezes
Sheila Bezerra Costa
3 USO DA VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA NA PREVENÇÃO DE
COMPLICAÇÕES NO PÓS OPERATORIO DE CIRÚRGIA CARDÍACA........33
Adna Dilleã Nunes Pereira
Isabella Pinheiro de Farias Bispo
4 FUNÇÃO PULMONAR EM MINERADORES DA INDÚSTRIA DE
BENEFICIAMENTO DE CAULIM......................................................................44
Christiane da Silva Sales
Priscilla Indianara Di Paula Pinto
5 GRAU DE OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS E USO DE
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI’S): REPERCUSSÕES
NA SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO GRANITO.........68
Telma da Silva Araújo
Priscilla Indianara Di Paula Pinto Taques
6 CUIDADOS NA ASSISTÊNCIA VENTILATÓRIA PARA PREVENÇÃO DA
PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA (PAVM): UMA
REVISÃO DE LITERATURA.............................................................................89
Stela Ticyanne de Castro Dantas
Vitor Ávila Rozeira Silva
7 CORRELAÇÃO ENTRE ÂNGULO “Q” E A SÍNDROME DA DOR
PATELOFEMORAL EM MULHERES.............................................................107
Rudiney da Silva Araújo
Eliete Moreira Colaço
8 ATUALIDADES SOBRE FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA EM PEDIATRIA E
NEONATOLOGIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA..................................121
Géssica Rayanne Cândido Ferreira Guedes
Isabella Pinheiro de Farias Bispo
9 A FISIOTERAPIA SOBRE A PERCEPÇÃO DOS CUIDADORES DE
CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS EM ESCOLA DE ENSINO
REGULAR.......................................................................................................134
Hellubya Apolinario da Silva
Rubia Karine Diniz Dutra
10 A FISIOTERAPIA NA PERCEPÇÃO DE CUIDADORES DE SEQUELADOS
DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO...................................................150
Maria Cláudia de Almeida Silva
Rubia Karine Diniz Dutra
11 RELAÇÃO DA EXPOSIÇÃO SOLAR E O ENVELHECIMENTO PRECOCE:
UMA REVISÃO SISTEMATIZADA.................................................................166
Alexandra de Oliveira Santana
Rubia Karine Diniz Dutra
12 EFICÁCIA DO TREINO DOS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO NO
TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA: UMA REVISÃO
BIBLIOGRÁFICA............................................................................................185
Maíra Creusa Farias Belo
Sara Cris Santos
6
SUMÁRIO
1 FISIOTERAPIA INTENSIVA NA BRONQUIOLITE: UMA REVISÃO DE
LITERATURA......................................................................................................8
Helder Araujo de Menezes
Isabella Pinheiro de Farias Bispo
2 OS BENEFÍCIOS DO MÉTODO PILATES NO TRATAMENTO DE DOR
LOMBAR: REVISÃO DE LITERATURA...........................................................20
Marina Gadelha de Menezes
Sheila Bezerra Costa
3 USO DA VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA NA PREVENÇÃO DE
COMPLICAÇÕES NO PÓS OPERATORIO DE CIRÚRGIA CARDÍACA........33
Adna Dilleã Nunes Pereira
Isabella Pinheiro de Farias Bispo
4 FUNÇÃO PULMONAR EM MINERADORES DA INDÚSTRIA DE
BENEFICIAMENTO DE CAULIM......................................................................44
Christiane da Silva Sales
Priscilla Indianara Di Paula Pinto
5 GRAU DE OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS E USO DE
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI’S): REPERCUSSÕES
NA SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO GRANITO.........68
Telma da Silva Araújo
Priscilla Indianara Di Paula Pinto Taques
6 CUIDADOS NA ASSISTÊNCIA VENTILATÓRIA PARA PREVENÇÃO DA
PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA (PAVM): UMA
REVISÃO DE LITERATURA.............................................................................89
Stela Ticyanne de Castro Dantas
Vitor Ávila Rozeira Silva
7 CORRELAÇÃO ENTRE ÂNGULO “Q” E A SÍNDROME DA DOR
PATELOFEMORAL EM MULHERES.............................................................107
Rudiney da Silva Araújo
Eliete Moreira Colaço
8 ATUALIDADES SOBRE FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA EM PEDIATRIA E
NEONATOLOGIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA..................................121
Géssica Rayanne Cândido Ferreira Guedes
Isabella Pinheiro de Farias Bispo
9 A FISIOTERAPIA SOBRE A PERCEPÇÃO DOS CUIDADORES DE
CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS EM ESCOLA DE ENSINO
REGULAR.......................................................................................................134
Hellubya Apolinario da Silva
Rubia Karine Diniz Dutra
7
10 A FISIOTERAPIA NA PERCEPÇÃO DE CUIDADORES DE SEQUELADOS
DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO...................................................150
Maria Cláudia de Almeida Silva
Rubia Karine Diniz Dutra
11 RELAÇÃO DA EXPOSIÇÃO SOLAR E O ENVELHECIMENTO PRECOCE:
UMA REVISÃO SISTEMATIZADA.................................................................166
Alexandra de Oliveira Santana
Rubia Karine Diniz Dutra
12 EFICÁCIA DO TREINO DOS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO NO
TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA: UMA REVISÃO
BIBLIOGRÁFICA............................................................................................185
Maíra Creusa Farias Belo
Sara Cris Santos
8
FISIOTERAPIA INTENSIVA NA BRONQUIOLITE: UMA REVISÃO DE
LITERATURA
Helder Araujo de Menezes1
Isabella Pinheiro de Farias Bispo2
RESUMO
Objetivos: analisar e verificar a atuação fisioterapia respiratória no tratamento
da bronquiolite. Métodos: revisão bibliográfica de artigos com base nos bancos
de dados Scielo e Lilacs, ambos inseridos na Bireme, com uso de descritores
específicos e termos de busca simples. Resultados: Foram selecionados 16
artigos referentes ao tema proposto atingindo os critérios de inclusão.
Conclusão: os estudos mostraram que a fisioterapia respiratória aplicada em
crianças com bronquiolite foi eficaz no tratamento da doença enquanto, para
outros estudos sua eficácia não se faz presente podendo contribuir para piora
do quadro clínico do paciente. Houve, portanto, controvérsias quanto sua
eficácia, sendo importante esse estudo de revisão o efeito da fisioterapia no
tratamento da bronquiolite foi importante para evolução da melhora das
crianças com bronquiolite.
Palavra Chave: Bronquiolite. Fisioterapia. Unidades de Terapia Intensiva.
PHYSICAL THERAPY IN INTENSIVE BRONCHIOLITIS: A LITERATURE
REVIEW
ABSTRACT
Objectives: To analyze and verify the performance respiratory therapy in the
treatment of bronchiolitis. Methods: Literature review articles based on the
databases Scielo and Lilacs, both inserted in Bireme with use of specific
descriptors and terms of simple search. Results: We selected 16 articles on the
topic proposed reaching the inclusion criteria. Conclusion: studies have shown
that respiratory therapy given to children with bronchiolitis was effective in
treating the disease while other studies for its effectiveness is not present and
may contribute to worsening of the patient's condition. Therefore, there was
controversy about its effectiveness, it is important that review study the effect of
physiotherapy in the treatment of bronchiolitis was important for development of
the improvement of children with bronchiolitis.
Keywords: Bronchiolitis. Physical Therapy. Intensive Care Units.
1Graduando do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
2Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC. Especialista em Saúde Pública pela Faculdade Integrada de Patos-FIP. Especialista
em Fisioterapia Itensiva pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva-SOBRATI.
Fisioterapeuta do Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande.
9
1 INTRODUÇÃO
A bronquiolite é uma doença de característica sazonal que atinge os
brônquios superiores e inferiores causando uma inflamação dos mesmos,
tendo como público alvo lactentes e crianças de até 2 anos. Alguns estudos
apontam que os principais vírus causadores da bronquiolite são: rinovírus,
adenovírus, vírus sincicial, coranovirus, parainfluenza, influenza e o
metapneumovirus humano, sendo o vírus sincicial o principal causador da
doença (LUISI, 2008).
Tal infecção do sistema respiratório se divide em bronquiolite viral aguda
e bronquiolite obliterante. A bronquiolite viral aguda se caracteriza por atingir o
trato respiratório superior e inferior, já a bronquiolite obliterante obstrui as
pequenas vias aéreas que apresentam um diâmetro inferior a 2mm
(SARMENTO, 2011).
A etiopatogenia viral ocorre num período de incubação de 4 a 5 dias,
período o qual desenvolve-se uma resposta imunológica no sentido de
combater a infecção, não sendo evidenciados sintomas neste período. Caso a
infecção não seja debelada na fase inicial, pode ocorrer comprometimento das
vias aéreas inferiores desenvolvendo uma reação inflamatória imediata e
adaptativa (CARVALHO; JOHNSTON; FONSECA, 2007).
Na obstrução parcial das vias aéreas, o paciente sente uma dificuldade
em respirar devido ao alvéolo não esvaziar até o seu limite fisiológico na fase
expiratória. Com isso a capacidade residual do alvéolo fica acima do normal,
levando a uma hiperinsuflação pulmonar. Essa alteração causa déficits de
ventilação e perfusão, caracterizado quando os alvéolos se enchem de líquido,
fazendo com que partes do pulmão não sejam ventiladas embora ainda sejam
perfundidas sendo esse mecanismo classificado como shunt intrapulmonar,
com diminuição de oxigênio no sangue e retenção de gás carbônico à
diminuição do Ph sanguíneo levando a uma acidose respiratória (TARANTINO,
2008).
Estudos evidenciaram que a bronquiolite causada pelo vírus sincicial
respiratório é uma doença imunomediada, ou seja, as próprias células de
defesa causam a inflamação das vias aéreas e essa liberação de células
especializadas nas defesas do corpo humano está devido a um defeito na
10
regulação imunológica nas fases agudas da doença, devido ao aumento de
imunoglobulina E (IgE) especifica para o vírus sincicial respiratório (VSR) nas
vias aéreas superiores e inferiores (SARMENTO, 2011).
Segundo Tarantino (2008), o tratamento para crianças que estejam com
bronquiolite pode ser realizados em casa, no hospital e através da fisioterapia.
Quando os sintomas já estiverem presentes o tratamento deve ser aplicado o
mais cedo possível. Mesmo com o grande avanço da saúde, o número de
hospitalização de crianças com a bronquiolite viral aguda aumentou nos últimos
anos. A porcentagem é de 1 a 3%, sendo que os lactentes que são acometidos
da bronquiolite necessitam ser hospitalizados, onde uma parte dessa
população precisa ser internada nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI)
pediátricas (BUENO, 2009).
Durante os últimos anos o uso da ventilação mecânica não-invasiva
teve o seu uso aumentado nas UTI’s pediátricas, além do uso da pressão
positiva contínua nas vias aéreas ou CPAP, que é aplicada através de uma
cânula nasal ou máscara facial em crianças com bronquiolite viral aguda
(NIZARALI, 2012). De acordo com Bueno (2009), a ventilação mecânica é
administrada em 1 a 15% de crianças internadas com bronquiolite. Essa
porcentagem aumenta em crianças com doenças cardíacas ou respiratórias
crônicas e as mortes em crianças com bronquiolite em ventilação mecânica
estão associada a complicações secundárias como: pneumotórax, infecções
pulmonares secundárias, sepse, insuficiência respiratória progressiva e falência
múltipla de órgãos.
A fisioterapia respiratória no tratamento da bronquiolite está presente
nas Unidades de Terapia Intensivas Pediátricas (UTIP) e desde o ano de 2000
o fisioterapeuta tem uma participação importante nos cuidados intensivos
pediátricos e neonatais. Essa importância voltada para a fisioterapia se dá
através de doenças do sistema respiratório que afetam a qualidade de vida das
pessoas. Visando uma melhora na função respiratória, buscaram objetivos para
a melhora da oxigenação, devido a fatores da má oxigenação e deficiência na
ventilação pulmonar (SARMENTO, 2011).
A bronquiolite por se tratar de uma epidemia anual ou estar no quadro
das epidemias anuais no mundo todo e ocorrer no outono e inverno, é
considerada como problema de saúde pública, pois leva à um número de
11
maiores atendimentos em clínicas e internações hospitalares no inverno. Entre
as crianças hospitalizadas, cerca de 2 a 7% evoluem para insuficiência
ventilatória grave levando a utilização da ventilação mecânica para auxiliar nas
trocas gasosas e facilitar a respiração.
Voltando-se mais para a UTIP, o fisioterapeuta que atua em Terapia
Intensiva promove a assistência ao paciente baseado em diretrizes médicas,
na qual o profissional deve ser capaz de avaliar adequadamente o paciente e
aplicar o melhor procedimento pesando os benefícios e os possíveis riscos
sempre presentes em pacientes críticos, sempre tendo em mente e entender a
condição clínica do paciente, além dos objetivos traçados e a competência,
limitações de cada instrumento, procedimento e, ainda, determinar se o
procedimento a ser realizado tem alta probabilidade de alcançar os resultados
clínicos (SOUZA, 2007).
O fisioterapeuta trabalha junto à equipe multidisciplinar, atuando no
controle e na aplicação de gases medicinais, ventilação mecânica invasiva e
não-invasiva, início do desmame e da extubação do ventilador mecânico, além
de outras aplicações que é de conhecimento do profissional fisioterapeuta
(CARVALHO; JOHNSTON; FONSECA, 2007).
Para Sarmento (2011) o fisioterapeuta tem como competência conhecer
e identificar a história da doença atual do paciente, fazer uma análise dos
exames clínicos e escolher a técnica ou procedimento fisioterápico que mais se
adapte ao caso do seu paciente, ter muito cuidado ao avaliar um recém-
nascido e um adolescente, por mais que as UTI´s pediátricas considerem
idades até 18 anos como criança, existe uma grande diferença
anatomofisiológicas, compreensão e colaboração que podem fazer a diferença
no atendimento. Algumas técnicas e equipamentos podem ser utilizados no
tratamento da bronquiolite. Cada técnica tem uma eficácia maior ou melhor que
outra, sendo que o fisioterapeuta tem que avaliar qual a melhor técnica a ser
usada seja ela no hospital (UTI), pois cada criança é única (JOHNSTON, et al.
2012). Por tanto esse estudo tem como objetivo analisar a partir de uma
revisão bibliográfica o emprego da fisioterapia respiratória no tratamento da
bronquiolite, diante das evidências científicas na área.
12
2 MÉTODOS
O artigo segue as normas da ABNT e enquadra-se em uma revisão
bibliográfica, de caráter exploratório, com uma abordagem qualitativa e de
natureza descritiva, tendo como material de pesquisa artigos retirados dos
bancos de dados da SCIELO (Scientific Eletronic Library Online) e LILACS
(Índice da Literatura Científica e Técnica da América Latina e Caribe) inseridos
na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS - BIREME). Os critérios de inclusão foram
artigos referentes à bronquiolite, atuação da fisioterapia na bronquiolite e com
publicações a partir do ano de 2004. Os critérios de exclusão foram artigos
que, mesmo sendo encontrados a partir dos descritores e termos simples de
busca, não se enquadraram na busca da proposta ou se distanciaram do tema.
Os descritores utilizados na pesquisa foram anteriormente consultados
no DECS (Descritores em Saúde), disponível em http://decs.bvs.br/, tornando-
se, portanto palavras chaves para o estudo. São eles: Bronquiolite,
Fisioterapia, UTI. Além dos descritores foram também utilizados os termos de
busca simples: Ventilação Mecânica na Bronquiolite, Fisioterapia em
Bronquiolite, Bronquiolite em UTI Pediátrica, Bronquiolite e Reabilitação. O
limite do número de artigos selecionados foi de acordo com o perfil necessário
e condizente com o tema. Foi feito uma leitura e estudo para ser possível
construir uma síntese e discussão do mesmo.
3 RESULTADOS
Foram selecionados 16 artigos para a discussão do tema proposto,
conforme a (Tabela 1) abaixo:
Tabela 1- Artigos selecionados
TITULO AUTOR ANO
Indicacion de la fisioterapia respiratoria
convencional em la bronquiolitis aguda BOHE, L. 2004
Bronquiolite aguda por rinovírus em
lactentes jovens. PITREZ, P. M. et al. 2005
Dual infection of infants by human
metapneumovirus and human
respiratory syncytial virus is strongly
associated with severe bronchiolitis SEMPLE, M. G. et al. 2005
13
Bronquiolite aguda, uma revisão
atualizada
CARVALO, W. B.;
JOHNSTON, C.;
FONSECA, M. C. 2007
Fisioterapia respiratória em lactentes
com bornquiolite: realizar ou não? LANZA, F. C. et al. 2008
O papel da fisioterapia respiratória na
bronquiolite viral aguda LUISI, F. 2008
Fisioterapia respiratória nas crianças
com bronquiolite viral aguda: visão
critica MUCCIOLLO, M. H. et al. 2008
Evolução e característica de lactentes
com bronquiolite viral aguda submetidos
à ventilação mecânica em uma unidade
de terapia intensiva pediátrica brasileira. BUENO, Fu et al. 2008
Comparação dos efeitos de duas
técnicas fisioterapêuticas respiratórias
em parâmetros cardiorrespiratórios de
lactentes com bronquiolite viral aguda PUPIN, M. K. et al. 2009
Análise dos sintomas, sinais clínicos e
suporte de oxigênio em pacientes com
bronquiolite antes e após a fisioterapia
respiratória durante a internação
hospitalar CASTRO, G. et al. 2011
Bronquiolite obliterante pós-infecciosa
em crianças. CHAMPS, N. S. et al. 2011
Gravidade da coinfecções virais em
lactentes hospitalizados com infecção
por vírus sincicial respiratório PAULIS, N. D. et al. 2011
Características epidemiológicas e
influência da coinfecção por vírus
respiratórios na gravidade da
bronquiolite aguda em lactentes
SPARREMBERGER, C. A.
et al. 2011
Ventilação não invasiva na insuficiência
respiratória aguda na bronquiolite por
vírus sincicial respiratório NIZARALI, Z. et al. 2012
I Recomendação brasileira de
fisioterapia respiratória em unidade de
terapia intensiva pediátrica neonatal. JOHNSTON, C. et al. 2012
Sinais clínicos de disfagia em lactentes
com bronquiolite viral aguda.
BARBOSA, L. R.;
GOMES, E.;
FISCHER, G. B. 2014
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
4 DISCUSSÃO
A bronquiolite é causada por vários tipos de vírus, e de acordo com
Pitrez (2005) foi demonstrado que o rinovírus foi encontrado nas vias
14
superiores de lactentes que apresentavam sibilâncias e estava presente em
torno de 19 a 29% nessas crianças. Carvalho, Johnston e Fonseca (2007) ao
tratar da bronquiolite, relatam que o diagnóstico clínico da mesma pelo vírus
influenza tem uma baixa sensibilidade em crianças com idade menor que três
anos. Apesar de a infecção ser limitada, ela pode acarretar complicações
como: pneumonia, síndrome de Reye, miosite, convulsão e encefalopatia
aguda.
Carvalho, Johnston e Fonseca (2007), em seus estudos, dizem que as
manifestações clínicas da bronquiolite apresentadas inicialmente são rinorréia
abundante e tosse, além dos sinais como: taquipnénia, hipóxia e desconforto
respiratório. Nos exames realizados através da ausculta pulmonar podem ser
observados os sons crepitantes ou roncos e sibilos. Na inspeção é visualizada
a diminuição da expansibilidade torácica e o prolongamento da fase expiratória,
além de que os lactentes podem apresentar o abdômen distendido devido à
hiperinsuflação dos pulmões.
Champs (2011) aborda que as manifestações da bronquiolite são
inespecíficas em relação à gravidade e com a extensão da lesão
broncopulmonar. Nos estudos sobre as manifestações clinicas da doença,
principalmente na BOPI (BRONQUIOLITE OBLITERANTE PÓS- INFECCIOSA)
são acrescentados sinais clínicos como: taquipnéia persistente, sibilância,
tosse produtiva, hipoxemia, baixa saturação arterial de oxigênio e crepitações
no segmento pulmonar.
Estudo recente mostra que alterações na deglutição estão presentes em
pacientes com bronquiolite e que pode levar a aspiração de líquidos
provocando tosse além da dessaturação de oxigênio, respiração ruidosa e voz
molhada. Foram encontradas pausas prolongadas na fase oral, houve um
aumento significativo da frequência respiratória e taquipneia no pré e pós-
alimentação (BARBOSA, 2014).
Sparremberger (2011), em um estudo transversal realizado em crianças
com bronquiolite, analisou e percebeu que o vírus que mais se destacou no
fator de surgimento da bronquiolite foi o vírus sincicial respiratório (VSR) e junto
com esse vírus percebeu que havia uma infecção dupla e, em alguns casos,
infecção tripla ou coinfecção; e os vírus relacionados são o adenovírus,
influenza, e parainfluenza.
15
Paulis (2011), corroborando com Sparremberger (2011) em seu estudo
de coorte com crianças bronquiolíticas, detectou a presença de coinfecção
entre o VSR, metapneumovírus humano (MPVh) e adenovírus (ADV) e durante
a conclusão dos seus estudos ambos os autores constataram que mesmo com
um quadro de infecção por mais de um vírus não houve alterações no
prognóstico clinico dos pacientes.
Contudo o pesquisador e médico americano Semple (2005) relata
afirmando que em seu estudo com crianças recém-nascidas e prematuras a
coinfecção pelo metapneumovírus aumentou a gravidade da bronquiolite em
72% sendo essa porcentagem nos recém-nascidos, levando esses a pacientes
ao uso da ventilação mecânica. A admissão de crianças nas unidades de
terapia intensiva se dá pelo alto nível de infecção das vias aéreas do trato
respiratório, estando a bronquiolite como um fator de internação além dos
fatores de risco tais como a alta taxa de anemia que, segundo Bueno (2009),
demandaram transfusão de sangue e que dois terços de recém-nascidos pré-
termos não obtiveram uma resposta ao tratamento com CPAP ou VNI. Essas
modalidades podem evitar a VMI, porém a resposta desse tratamento não é
aceito por muito paciente, e a ventilação mecânica invasiva mostrou-se efetiva
na redução de mortes infantis, menos as que evoluíram para lesão pulmonar,
entretanto o autor não fez citações da fisioterapia em seu estudo.
O uso da VNI em crianças com bronquiolite grave por vírus sincicial
respiratório obteve uma resposta na diminuição da necessidade de
complicações infecciosas e da necessidade de intubação afirmando que
lactentes bronquiolíticos pode se beneficiar com o uso da VNI (NIZARALI,
2012).
Entre sinais de desconforto respiratório e ruídos adventícios, o
atendimento fisioterapêutico constituído por, aceleração do fluxo aéreo (AFE),
posicionamento, vibração manual, aspiração nasotraqueal e tapotagem com
uma duração de 40 a 50 minutos mostraram ter um efeito a curto prazo nos
pacientes pediátricos em um estudo realizado por Castro (2011), contudo
ainda é preciso ser feitas mais pesquisas relacionadas à efetividade da
fisioterapia respiratórias em pacientes hospitalizados por bronquiolite. Quanto a
um estudo realizado por Lanza (2008) as manobras de vibrocompressão,
16
tapotagem associada à drenagem postural reduziram secreção e sinais de
desconforto respiratório, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
O tratamento da bronquiolite pode ser iniciado durante todo o curso da
doença, desde que sejam justificadas as características fisiopatológicas da
mesma. Carvalho, Johnston e Fonseca (2007) abordam a fisioterapia e os
objetivos da mesma que são a desobstrução brônquica, desinsuflação
pulmonar e recrutamento alveolar e que o tratamento fisioterápico na
bronquiolite consiste em: terapia de posicionamento, AFE, hiperinsuflação
pulmonar manual, higiene pulmonar com aparelho de Ventilação Pulmonar
Mecânica, associada ou não à técnica de direcionamento de fluxo manual e
aspiração das vias aéreas.
Das técnicas citadas acima, todas se mostram eficazes ou foram
indicadas para o tratamento da bronquiolite, porém apenas três estudos
randomizados e controlados avaliaram os efeitos da fisioterapia respiratória no
tratamento da doença, além do que a aspiração da vias aéreas é usada como
uma medida paliativa e efetiva na desobstrução traqueobrônquica das crianças
com quadro clinica de bronquiolite (CARVALHO; JOHNSTON; FONSECA
2007).
Pupin (2009) utilizou duas técnicas fisioterapêuticas em lactentes com
bronquiolite: a fisioterapia respiratória convencional (drenagem, percussão,
tosse assistida e aspiração orofaríngea) e AFE (aceleração do fluxo aéreo).
Essas técnicas foram utilizadas em conjunto e não se mostraram eficazes na
dinâmica cardiorrespiratória, porém, o seu uso isolado teve efeito somente na
redução da frequência respiratória.
Luisi (2008) elucida a importância e o papel da fisioterapia respiratória
na bronquiolite viral aguda, contudo as técnicas usadas pela fisioterapia não
tiveram garantia no tratamento. Corroborando com os estudos supra-citados,
Mucciollo (2008) realizou uma pesquisa usando duas literaturas: uma anglo-
saxônica, na qual a fisioterapia respiratória não é reconhecida como parte
integrante do tratamento da bronquiolite e outra franco-belga, que indica
amplamente a fisioterapia na bronquiolite devido à fisiopatologia da doença,
porém o seu estudo mostrou que não existe uma forte evidencia da real
eficácia da fisioterapia no tratamento da bronquiolite.
17
Johnston (2012) aborda a fisioterapia na UTI e a contribuição do
profissional para a segurança dos pacientes pediátricos e neonatos. Dentre as
recomendações das manobras da fisioterapia respiratória, as referidas em seu
estudo foram: aceleração do fluxo aéreo (AFE), hiperinsuflação manual (HM),
percussão torácica, aspiração de vias aéreas, inaloterapia e tosse assistida.
Todas essas técnicas e manobras são voltadas para a UTI com ou sem o uso
de ventilação mecânica invasiva e que a extubação tenha ocorrido em um
período de 12h. Contudo seus estudos não especificaram a efetividade desses
recursos nos pacientes.
Das técnicas citadas acima e empregadas no tratamento da bronquiolite,
Johnston (2012) classificou cada uma de acordo com o grau de recomendação
pelo método Oxford Center realizado por cinco fisioterapeutas. Tais técnicas
utilizadas isoladamente e associadas a outras foram classificadas de A a D,
sendo a primeira a mais utilizada e a última com menor grau de recomendação.
Bohe (2004) no seu estudo selecionou trinta e dois pacientes, separando
em grupos (tratamento e controle) submetidos à fisioterapia convencional e
aspiração endotraqueal. Observou que não houve uma melhora significativa
entre os dois grupos tanto em dias de internação quanto em relação à
diminuição da angústia respiratória. Concluíram que a fisioterapia respiratória
para o tratamento da bronquiolite aguda pode ser prejudicial aumentando o
quadro clínico desses pacientes (obstrução brônquica, dessaturação, angustia
respiratória).
5 CONCLUSÕES
Dentre os trabalhos pesquisados do ano de 2004 a 2014, foi observada
uma grande frequência de infecção das vias aéreas pelo vírus sincicial
respiratório em crianças estando presente em 100% dos artigos pesquisados, a
incidência era maior em recém-nascidos pré-termos e crianças até os dois
anos de idade com uma prevalência maior no sexo masculino, sendo uma
proporção de 3/1 em relação ao sexo feminino. Foi analisado o emprego da
fisioterapia respiratória e suas técnicas, mostrando sua utilidade no tratamento
da bronquiolite e efetividade enquanto outras mostram ser menos efetivas com
um curto prazo de melhorar apresentado pelo paciente. Mesmo existindo
18
poucos artigos nacionais que tratem da abordagem da fisioterapia na
bronquiolite foi comprovado na maior parte dos materiais pesquisados que a
fisioterapia respiratória e o fisioterapeuta têm um papel importante no
tratamento de pacientes bronquioliticos, pois o profissional em questão é
capacitado e habilitado em oferecer o melhor protocolo de tratamento para os
pacientes portadores da doença.
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20
OS BENEFÍCIOS DO MÉTODO PILATES NO TRATAMENTO DE DOR
LOMBAR: REVISÃO DE LITERATURA
Marina Gadelha de Menezes3
Sheila Bezerra Costa4
RESUMO
A lombalgia é uma condição dolorosa da coluna vertebral e classificada como
uma causa freqüente de incapacidade funcional, e geralmente associada a
fatores individuais, como fraqueza dos músculos abdominais e espinhais,
postura inadequada, excesso de peso, falta de condicionamento físico,
sedentarismo, além de fatores ocupacionais. O Método Pilates é capaz de
fortalecer a musculatura abdominal, como também proporcionar melhora na
flexibilidade, da postura e conseqüentemente melhora da dor, incluindo a da
região lombar. Objetivo: Descrever os benefícios do Método Pilates no
tratamento de dor lombar. Métodos: A pesquisa desenvolvida é de caráter
descritivo e apresenta como objeto de estudo o levantamento bibliográfico. A
população constituiu-se de acervo literário disponível em bibliotecas de
graduação e pós-graduação, como também de material disponível em meio
eletrônico. Foram pesquisados livros, monografias, teses e artigos com data de
publicação entre 2000-2014, artigos esses que constavam na Biblioteca Virtual
da Saúde (BVS – Bireme) e na Scientific Eletronic Library Online (Scielo). Os
descritores usados foram: Dor lombar, Lombalgia e Pilates. Conclusão: Na
lombalgia, a dor é uma manifestação resultante de vários fatores, sobretudo a
má postura e os desequilíbrios musculares. O Método Pilates propõe que, para
reduzir as dores lombares, os músculos abdominais devem ser fortalecidos,
pois desta forma manter-se-á adequadamente alinhada a coluna, suportando e
distribuindo o estresse sofrido por ela. Conseqüentemente ajudando a restaurar
a boa postura. Resultando, assim na redução dos quadros de dor lombar.
Palavras-Chave: Dor Lombar. Lombalgia. Pilates.
THE METHOD PILATES BENEFITS IN LUMBAR PAIN TREATMENT:
LITERATURE REVIEW
ABSTRACT
Low back pain is a painful condition of the spine and classified as a frequent
cause of disability, and usually associated with individual factors such as weak
abdominal and spinal muscles, poor posture, being overweight, lack of
physical fitness, physical inactivity, and occupational factors. Pilates Method is
able to strengthen the abdominal muscles, increase flexibility, providing relief
from painful symptoms in the lumbar region, given that the abdominal muscles
3
Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
4Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC. Especialista em Saúde Pública pela Faculdade de Ciências Médicas de Campina
Grande-FCM-CG. Especialista em Fisioterapia em Traumortopedia pela Universidade Gama
Filho-UGF. Fisioterapeuta.
21
have the function of stabilizing the lumbar spine and the pelvis to keep this pain-
free region Objective: describe the benefits of Pilates method in the treatment of
low back pain. Methods: The developed research is descriptive in nature and
has as object of study the literature. The population consisted of literary
collection available in libraries undergraduate and graduate, as well as material
available electronically. Books were researched monographs, theses and
articles with publication date between 2000-2014, these articles appearing on
the Virtual Health Library (VHL - Bireme) and Scientific Electronic Library Online
(SciELO). The keywords used were: low back pain, low back pain and Pilates.
Conclusion: In low back pain, pain is a manifestation resulting from several
factors, especially poor posture and muscle imbalances. The Pilates Method
proposes to reduce back pain, abdominal muscles should be strengthened,
because in this way will remain properly aligned spine, supporting and
distributing the stress suffered by him. Consequently helping to restore good
posture. There by resulting in the reduction of back pain frame.
Keywords: Low Back Pain. Pilates.
1 INTRODUÇÃO
Do ponto de vista biomecânico, a coluna é uma das regiões mais
complexas do corpo humano. A proximidade e a relação da medula espinhal,
das raízes nervosas e dos nervos periféricos com a coluna vertebral aumentam
a complexidade dessa região (PRENTICE; VOIGHT, 2003).
Os músculos transverso abdominal, oblíquo interno e oblíquo externo
têm fundamental importância no mecanismo contrátil da estabilização lombar.
A função estabilizadora dos músculos citados é explicada pelas suas relações
diretas e indiretas com a coluna lombar (LOUREIRO; MARTINS; FERREIRA,
1997).
O maior desafio do homem tem sido ficar em pé sem forçar sua estrutura
óssea e/ou articulações. Com a evolução do Homo sapiens para a postura
ereta e, conseqüentemente, a verticalização da coluna vertebral, a região
lombar (3 ª vértebra) se transformou no centro de gravidade do corpo humano.
Para esse ponto e adjacências se convergem as forças resultantes da ação
gravitacional terrestre, passando a dor lombar a ser o tributo que o homem
paga à sua condição de animal mais evoluído na escala zoológica (CECIN,
2000).
A região lombar desempenha papel fundamental na acomodação de
cargas decorrentes do peso corporal, da ação muscular e das forças aplicadas
22
externamente, devendo ser forte e rígida para manter as relações anatômicas
intervertebrais e proteger os elementos neurais, em contraposição, devendo
também ser flexível o suficiente para permitir a mobilidade articular (ALMEIDA
et al., 2008).
As dores lombares são resultados de um desvio da postura normal da
coluna estática e de um desvio do funcionamento normal da coluna cinética. A
postura e a cinética normal em uma coluna normal, não provocam dor
(CAILLIET, 2001). A dor lombar, também denominada lombalgia, é uma das
mais comuns afecções músculo-esqueléticas e sua importância pode ser
verificada pelas medidas de incidência e prevalência na população geral de
adultos e em comunidades de trabalhadores (MATOS et al., 2008).
Segundo Souchard e Migliorin (2007), a lombalgia é uma condição
dolorosa da coluna vertebral e classificada como uma causa freqüente de
incapacidade funcional, e geralmente associada a fatores individuais, como
fraqueza dos músculos abdominais e espinhais, postura inadequada, excesso
de peso, falta de condicionamento físico, sedentarismo, além de fatores
ocupacionais.
A dor lombar constitui uma das principais causas de afastamento ao
trabalho, ultrapassando o câncer, o acidente vascular encefálico e a síndrome
de imunodeficiência adquirida, como causa de incapacidade nos indivíduos na
faixa etária produtiva. É uma das causas mais onerosas de afecções do
aparelho locomotor e a segunda, mais comum de procura por assistência
médica em conseqüência de doenças crônicas (IMAMURA; KAZIYAMA;
IMAMURA, 2001).
A lombalgia é um problema de saúde pública, afetando 80% da população.
Geralmente ocorre devido a alterações posturais, aumento da frouxidão
ligamentar, e diminuição da função abdominal. Seus sintomas geralmente pioram
com a fadiga muscular, posturas estáticas, ou à medida que vai passando o dia
(CECIN, 2000). A lombalgia alinha-se entre as patologias de etiologia complexa
e multifatorial, constituindo um problema de saúde importante. A dor lombar
pode vir associada a características psicossociais e comportamentais, às
atividades profissionais e extras profissionais, discrepância dos membros
inferiores e anormalidades das curvas fisiológicas da coluna e à capacidade
física ou funcional do tronco (SANTOS; SILVA, 2003).
23
Para muitos profissionais da área da saúde a região lombar é de
particular interesse, pois a lombalgia é o principal problema médico e sócio-
econômico vigente e atinge, principalmente, certas populações como: atletas,
executivos, pedreiros, motoristas, borracheiros, lenhadores, médicos e
fisioterapeutas (SANTOS et al., 2007).
De acordo com Craig (2004), o Método Pilates trabalha o corpo de
dentro para fora, uma diferença fundamental entre essa e outras abordagens.
Os pequenos músculos profundos do corpo são destinados a fornecer apoio à
coluna e a camada mais superficial da musculatura, que mantêm a integridade
postural. Quanto mais forte for esta camada interna profunda, mais
eficientemente os músculos superficiais poderão trabalhar sem colocar o corpo
em risco. Acredita-se, que o Método Pilates seja capaz de fortalecer a
musculatura abdominal, aumentar a flexibilidade, proporcionando alívio da
sintomatologia dolorosa na região lombar, haja vista que a musculatura
abdominal ter a função de estabilizar a coluna lombar e a pelve para manter
esta região livre de dor (PANELLI; MARCO, 2006).
Para Carvalho (2006), os músculos abdominais participam no suporte da
coluna, diminuindo a tensão exercida sobre a mesma. Desta forma com o
enfraquecimento de tal musculatura esse suporte poderá ser diminuído. Os
exercícios e tratamentos capazes de fortalecer os músculos abdominais
aumentam a estabilidade da coluna vertebral. Existem evidências convincentes
de que a realização de um programa de exercícios com ênfase no
fortalecimento da musculatura extensora do tronco restaura a função da coluna
lombar e pode prevenir o surgimento da lombalgia.
O método oferece um programa de exercícios que estimulam a
circulação e oxigenação do sangue, melhorando o condicionamento físico
geral, a flexibilidade, a amplitude muscular e o alinhamento postural. Além
disso, promove melhorias nos níveis de consciência corporal, da coordenação
motora e do controle muscular (PEREIRA, 2012). A técnica Pilates apresenta
muitas variações de exercícios e pode ser realizada por pessoas que buscam
alguma atividade física e por indivíduos que apresentam alguma doença em
que a reabilitação é necessária (MENDONÇA; SILVA, 2010).
Este conceito está contido na aplicação dos seis princípios básicos,
fundamentais do método, que são; Centro: é considerado ser o ponto principal
24
do Método Pilates, núcleo do corpo. Concentração: é importante para a
realização dos exercícios. “A mente que guia o corpo”. Controle: é o controle
consciente de todos os movimentos musculares executados pelo corpo.
Precisão: é a coordenação dos movimentos perfeitos, terem o controle do
corpo e executar movimentos precisos ao se exercitar. Respiração: é para ser
realizada em todos os movimentos, com ritmo. Como regra geral, deve-se
inspirar quando se prepara para fazer um movimento e expirar quando o
executa. Fluidez: nos exercícios, depois de adquirir coordenação nos
movimentos, com a prática, desenvolver-se-á um ritmo, passando de um
exercício para o outro sem interrupção (PÉREZ; APARÍCIO 2005).
Portanto estudar a incidência, os principais fatores de risco e os
benefícios do Método Pilates no tratamento de dor lombar são de grande valia,
não apenas para tentar reduzir os desconfortos e incapacidades que a
lombalgia possa provocar como também para subsidiar elementos para
prevenção e para intervenção terapêutica dessa manifestação clínica.
O objetivo do presente trabalho é de oferecer mais informações aos
profissionais fisioterapeutas e à sociedade em geral sobre os benefícios do
Método Pilates em uma ocorrência clínica de alta incidência como a lombalgia.
2 MÉTODO
A pesquisa desenvolvida é de caráter descritivo e apresenta como objeto
de estudo o levantamento bibliográfico. Segundo Prestes (2003) esse tipo de
pesquisa “se efetiva tentando-se resolver um problema ou adquirir
conhecimentos a partir do emprego predominante de informações provenientes
de material gráfico, sonoro ou informatizado”. Conforme Gil (2002) a pesquisa
bibliográfica é construída através de material elaborado, podendo ser: livros,
periódicos científicos, teses, dissertações, anais de encontros científicos e
periódicos de indexação.
A população constituiu-se de acervo literário disponível em bibliotecas
de graduação e pós-graduação, como também de material disponível em meio
eletrônico. Foram pesquisados livros monografias, teses e artigos com data de
publicação entre 2000-2014 que constavam na Biblioteca Virtual da Saúde
(BVS – Bireme) e na Scientific Eletronic Library Online (Scielo). Os descritores
25
usados foram: Dor Lombar, Lombalgia e Pilates, disponíveis em:
http://decs.bvs.br/, as buscas foram realizadas usando palavras encontradas
nos títulos e resumos dos artigos.
Quanto ao critério de exclusão foram descartados artigos com datas
anteriores ao ano de 2000 e os que não condiziam aos objetivos do estudo. A
pesquisa contendo coleta bibliográfica e elaboração do trabalho escrito foi
realizada durante o período de agosto a novembro de 2014. A partir da
abordagem dos diversos autores, os dados foram analisados e discutidos.
Exceto duas referências dos anos de 1997e 1998, que foram de grande
importância para o conteúdo deste artigo.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A coluna lombar é formada por cinco vértebras lombares (L1 a L5) que
estão equilibradas pelo sacro e encontram-se situadas entre dois ossos da
pelve, os ilíacos. Estas vértebras em geral aumentam de tamanho a fim de
sustentar o peso do corpo (ROCHA et al., 2007; DUTTON, 2010). Segundo
Dutton (2010), as vértebras lombares unem-se por meio de três articulações,
uma delas constitui-se entre dois corpos vertebrais e o disco intervertebral, as
outras duas são formadas pelo processo articular superior de uma vértebra e
por outro processo articular da vértebra imediatamente acima, estas são
conhecidas como articulações zigoapofisárias que tem como principal função
proteger o segmento motor contra forças de flexão, rotação excessiva e
cisalhamento anterior.
Conforme Moore (2001), as articulações dos corpos vertebrais são
articulações cartilagíneas, usadas para suportar o peso e resistência, as faces
articulares das vértebras adjacentes são fixadas por meio dos discos
intervertebrais e ligamentos. Germain (2002) conceitua o disco intervertebral
como sendo um conjunto de amortecedor, feito principalmente para suportar as
pressões que são impostas as vértebras.
Rocha et al. (2007), em seus estudos afirmam que, os músculos são
essenciais ao movimento, pois proporcionam estabilidade e proteção,
absorvem os choques e nutrem as articulações, eles são divididos em grupo
anterior e posterior, o grupo anterior apresenta uma camada superficial que são
26
os eretores da coluna que atuam como estabilizadores do tronco, uma camada
média que são os multífidos bipenados, e uma camada profunda que são os
rotadores que são responsáveis pela estabilização segmentar.
Almeida et al. (2008), revelam em seu estudo que o sedentarismo
favorece a fraqueza dos músculos paravertebrais e abdominais, reduz a
flexibilidade da cadeia muscular anterior e posterior, diminuindo a mobilidade
articular. Logo pode ser considerado fator de risco para a origem da lombalgia.
Dentre as afecções da coluna vertebral, a lombalgia é a mais freqüente, capaz
de provocar desde limitação do movimento até invalidez temporária. Já para
Barros, Angelo e Uchoa (2011), dizem que além da carência de mobilidade
articular existe a fadiga dos músculos extensores espinhais representam
fatores que podem comprometer o alinhamento e a estabilidade da coluna,
contribuindo para o surgimento do desconforto lombar.
Sendo importante ressaltar que há autores que reconhecem a etiologia
da dor lombar como multifatorial, incluindo fatores sócio-econômicos e
demográficos, estilo de vida urbano sedentário, obesidade, fumo, posturas
viciosas durante o trabalho, aumento da sobrevida média da população e
outros. Inúmeros estudos epidemiológicos buscam a relação de dor lombar
com exigências físicas do trabalho e fatores ergonômicos como o levantamento
de cargas, flexões e torções do tronco, vibrações e esforços repetitivos
(MATOS et al., 2008).
Segundo Reinehr et al. (2008), relatam que para o tratamento de dor
lombar, exercícios abdominais têm sido uma estratégia terapêutica
amplamente utilizada, a fim de proporcionar um melhor suporte a coluna
lombar, promovendo maior estabilidade nessa região.
Para Ikedo e Trevisan (1998), diz em seu estudo que o músculo
transverso do abdome é o principal responsável pela estabilização da coluna
lombar, sua ativação contribui para a manutenção do equilíbrio postural,
diminui a tensão de rotação, inclinação e cisalhamento na coluna lombar,
protege os elementos neurais e proporciona alívio das dores lombares. Já para
os autores Pérez e Aparício (2005), a incapacidade de estabilização da coluna
vertebral causada pelo desequilíbrio entre a função dos músculos extensores e
flexores do tronco é outro forte indício para o desenvolvimento de distúrbios da
coluna lombar.
27
Diante disso, Camarão (2004), afirma que portadores de lombalgias têm
buscado terapias complementares, na tentativa de uma melhora efetiva de
suas afecções, sendo o Pilates um dos métodos procurados.
O método inclui um programa de exercícios que fortalecem a
musculatura abdominal e paravertebral, bem como os de flexibilidade da
coluna, além de exercícios para o corpo todo (KOLYNIAK et al., 2004).
Segundo Camarão (2004), o método fortalece, alonga e equilibra toda a
musculatura, proporcionando um realinhamento da coluna, alívio das tensões
musculares, prevenindo pinçamentos ou compressões dos discos
intervertebrais e melhorando a hidratação dessas estruturas.
De acordo com Craig (2004), a boa postura é o alinhamento vertical do
corpo, que permite ao corpo se movimentar com eficiência. Para obter esse
alinhamento, os músculos, os ligamentos, os ossos e as articulações precisam
funcionar em conjunto, no intuito de conservar o equilíbrio, realizar os
movimentos e manter o corpo ereto. O Método Pilates, por meio do
alongamento, ajuda a restaurar a boa postura ao corrigir os desequilíbrios
musculares, melhorando a mobilidade articular, aumentando a flexibilidade e
fortalecendo os músculos posturais.
Para Dillman (2004) um dos principais elementos da boa postura é
possuir uma musculatura abdominal forte, capaz de dar sustentação à coluna e
à pelve. Através do centro de força, o praticante desenvolve força, controle e
estabilidade do tronco que repercutirá positivamente sobre todos os
movimentos. Camarão (2004) ressalta que Método Pilates, propõe que para
reduzir as dores lombares os músculos abdominais devem ser fortalecidos,
mantendo a coluna adequadamente alinhada, suportando e distribuindo o
estresse localizado nela. Consiste em manter e corrigir a curvatura da coluna,
além da preocupação com a consciência corporal e respiração em sintonia com
os movimentos.
Joseph Pilates classificou a área abdominal como o centro de força do
corpo, sendo o foco do movimento. Quando os músculos abdominais são
fortes, eles mantêm a coluna adequadamente alinhada, suportam e distribuem
o estresse localizado nela desempenhando um importante fator para uma boa
postura.
28
Em geral, qualquer debilidade nos músculos abdominais afetas a
estabilidade da coluna lombar, podendo causar dor. Ressalta-se que o músculo
transverso do abdome é o principal responsável pela estabilização da coluna
lombar (CRAIG, 2004). Esta afirmação é reforçada pelo estudo de Endleman e
Critchley (2008), que comprovaram através do exame de ultrassom
(diagnóstico) um aumento na espessura dos músculos transverso e oblíquos
internos abdominais, em 18 mulheres e oito homens praticantes de Pilates, por
mais de seis meses, Estes músculos juntamente com os multifidos, são
músculos estabilizadores da coluna vertebral.
Segundo Kolyniak et al. (2004), apresentaram em seu estudo outro
raciocínio importante que podemos relacionar com a diminuição da intensidade
da dor na coluna vertebral é o fato de que a maioria dos exercícios executados
pela metodologia de Pilates é realizada na posição deitada, havendo
diminuição dos impactos nas articulações de sustentação do corpo na posição
ortostática e, principalmente, na coluna vertebral, permitindo a recuperação das
estruturas musculares, articulares e ligamentares, particularmente da região
sacrolombar. Já Maher (2004), realizou um estudo sobre tratamento da dor
lombar e concluiu que os exercícios de contração dos músculos multifidos e
transverso abdominal, associados à respiração são clinicamente importantes
para o ganho de movimento e diminuição da dor.
De acordo com Craig (2004), a respiração utilizada no Método como
princípio básico, nutre o corpo eliminando toxinas. A respiração é uma força
poderosa para aliviar a tensão nervosa, melhorar a concentração e controlar os
níveis de energia. O Pilates se caracteriza por movimentos projetados de forma
que os executantes mantenham a posição neutra da coluna vertebral,
minimizando o recrutamento muscular desnecessário, prevenindo a fadiga
precoce e a diminuição da estabilidade corporal.
Hamill e Knutzen (2002) concordam com Craig (2004), afirmando em
seu estudo que treinamento com esse método visa melhorar a flexibilidade
geral do corpo, a força muscular, a postura e a coordenação da respiração com
o movimento, sendo, portanto, esses fatores essenciais no processo de
reabilitação postural. Alfieri et al. (2008), acrescentam concluindo em seu
estudo dizendo que o sistema básico inclui um programa de exercícios que
fortalecem a musculatura abdominal e paravertebral, bem como os de
29
flexibilidade da coluna, alem de exercícios para o corpo todo. Já no sistema
intermediário-adiantado são introduzidos, gradualmente, exercícios de
extensão do tronco, alem de outros exercícios para o corpo todo, procurando
melhorar a relação de equilíbrio agonista e antagonista.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando-se que "o bem-estar físico relaciona-se à ausência ou a
mínimos graus de doença, incapacidade ou desconfortos, em especial,
relacionados ao sistema músculo-esquelético", o alívio da lombalgia deve ser
preocupação dos profissionais de saúde. De fato, a lombalgia pode ser um
sintoma, porém em graus maiores causa incapacidade motora, insônia,
depressão, que impedem a pessoa de levar uma vida normal.
Diante da constatação dos estudos incluídos na pesquisa descrevem
que o Método Pilates é amplamente indicado para a melhora da dor lombar,
visto que proporciona o fortalecimento da musculatura extensora do tronco e
abdominal, principalmente transverso do abdome, e alonga os músculos da
coluna e membros inferiores. Os benefícios gerais da técnica são: ganho de
flexibilidade e força muscular geral, melhora da postura, da consciência
corporal, da respiração, do equilíbrio, da coordenação motora; promovendo um
relaxamento muscular e conseqüentemente, melhora da dor; inclusive na
região lombar, pelo realinhamento do corpo. No caso da dor estar presente,
sempre se deve tomar os devidos cuidados com os exercícios a prescrever, ou
seja, primeiramente os exercícios programados para iniciantes, alongamentos
de coluna e dos membros superiores e inferiores e também fortalecimento leve.
E com o quadro mais estável pode-se aplicar exercícios de fortalecimento:
abdominal, membros superiores e inferiores (avançados), equilíbrio, postura,
coordenação.
Então se pode entender que o Método Pilates mostra-se uma alternativa
terapêutica eficaz na flexibilidade prevenindo e recuperando lesões
musculares, bem como uma maneira de diversificar o tratamento
fisioterapêutico. Que é eficaz com fim de condicionamento físico, prevenindo
desconfortos lombares e que pode ser utilizado também como modalidade de
tratamento.
30
O trabalho fisioterapêutico viabilizado por meios confiáveis e não-
agressivos garante as pessoas o alivio dos incômodos indesejáveis e o bem-
estar com o próprio corpo. Nesse sentido o fisioterapeuta apresenta-se como
um profissional de saúde capaz de contribuir com a melhora da qualidade de
vida de todos, amenizando suas queixas, através de um programa de pilates
terapêutico.
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33
USO DA VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA NA PREVENÇÃO DE
COMPLICAÇÕES NO PÓS OPERATORIO DE CIRÚRGIA CARDÍACA
Adna Dilleã Nunes Pereira5
Isabella Pinheiro de Farias Bispo6
RESUMO
Objetivo: O estudo busca verificar o uso da ventilação não invasiva (VNI) na
prevenção de complicações no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Método:
Pesquisa descritiva, apoiada na revisão de literatura, com busca de artigos nas
bases de dados Scielo e Lilacs, com descritores específicos e termo simples de
busca. Resultados: Foram identificados 18 artigos pertinentes ao tema e, após
leitura criteriosa, foi feita uma reflexão sobre os mesmos. Conclusão: Os
artigos mostraram que a aplicação da ventilação não invasiva é eficaz na
prevenção de complicações no pós-operatório de cirurgia cardíaca, sendo
estas complicações responsáveis pelo prolongamento no tempo de internação.
As modalidades da VNI descritas na literatura foram utilizadas com resultados
satisfatórios, pois essa técnica além de melhorar a oxigenação, reduz a taxa de
reentubação, dentre outros benefícios.
Palavras-Chave: Ventilação não Invasiva. Cirurgia Cardíaca. Terapia
Intensiva.
USE OF NON INVASIVE VENTILATION IN THE PREVENTION OF
COMPLICATIONS IN CARDIAC SURGERY OF POSTOPERATIVE
ABSTRACT
Objective: This study aims to verify the use of noninvasive ventilation in
preventing complications after cardiac surgery. Results: We identified 18
articles relevant to the topic and, after careful reading, was made a reflection on
them. Method: a descriptive study, based on literature review, with search
articles from the Scielo and Lilacs bases with specific descriptors and simple
search term. Conclusion: The articles showed that the application of
noninvasive ventilation in a preventive manner is effective in preventing
complications after cardiac surgery, and these complications are responsible for
extended hospitalization times. The modalities of NIV described in the literature
were used with satisfactory results, as this technique and improve oxygenation,
reduces the reintubation rate, among other benefits.
Keywords: Noninvasive Ventilation. Cardiac Surgery. Intensive Care.
5 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
6 Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC. Especialista em Saúde Pública pela Faculdade Integrada de Patos-FIP. Especialista
em Fisioterapia Intensiva pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva-SOBRATI.
Fisioterapeuta do Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande.
34
1 INTRODUÇÃO
É fato conhecido que no Brasil, até fins do século XIX, não eram
realizados procedimentos cirúrgicos, a não serem aqueles mais simples, com
isso abriu espaço para a atuação do segundo grupo e outros praticantes
menores, os quais ficavam a cargo do “barbeiro”, “barbeiro-sangrador” ou
“cirurgião-barbeiro”, que praticava sangrias e escarificações, aplicava ventosas,
sanguessugas e clisteres, lancetava abscessos, fazia curativos, excisava
prepúcios, tratava as mordeduras de cobras, arrancava dentes, etc., a grande
maioria era constituída por leigos, classe social humilde e inculta (BRAILE;
GODOY, 2012).
Foi somente há pouco mais que quatro décadas que a cirurgia cardíaca,
nos molde como a conhecemos hoje, começou a se delinear e, desde então, o
progresso tem sido vertiginoso. Devido ao avanço científico do século XX
desmistificou o coração como sede da alma, colocando-o em um patamar
hierárquico não muito distante dos demais órgãos do corpo. A evolução
histórica é marcada pelo desejo de progresso e a busca pela perfeição,
apresentando pontos edificantes. Iniciou-se assim, a história da cirurgia
cardíaca (SOUZA, 2007).
A cirurgia cardíaca no Brasil encontra-se hoje em nível equivalente ao
dos grandes centros, com vários polos de destaque ao longo do território
nacional, mais isso só aconteceu devido aos diversos nomes que contribuíram
para que o Brasil pudesse ocupar essa posição de destaque, podemos citar os
fundadores da especialidade no Brasil: Hugo Felipozzi, Euryclides de Jesus
Zerbini, Domingos Junqueira de Moraes e Andre Esteves Lima (BRAILE;
GODOY, 2012). De acordo com Braile e Godoy (2012), “No ano de 2011 foram
realizadas no Brasil 100 mil operações cardíacas 50 mil com circulação
extracorpórea (CEC) sendo mais de metade delas para revascularização
miocárdica.”.
Os pacientes no pré-operatório de cirurgia cardíaca podem ser
internados em regime de emergência ou eletivo. Na primeira situação, a
avaliação clínica e fisioterapêutica pode ser inviável devido à velocidade dos
acontecimentos, bem como ao risco de vida que o paciente está exposto. Nos
pacientes eletivos, o controle e avaliação são de extrema importância, a fim de
35
minimizar a quantidade de complicações previstas no pós-operatório
cardiovascular (SARMENTO, 2009). De acordo com Sarmento (2010) “esse
período do pós-operatório inicia-se quando o paciente é transportado do centro
cirúrgico para a unidade de terapia intensiva (UTI) e é também denominada
recuperação cardíaca pós-operatória”.
De acordo com Machado (2012) “As complicações respiratórias podem
ser consideradas as maiores causas de mortalidade no pós-operatório de
cirurgia cardíaca.”. Dentre as complicações respiratórias que estão diretamente
associadas ao maior risco de morte e ao tempo de permanência hospitalar,
destacam-se as atelectasias, pneumonias e insuficiência respiratória aguda
(REGENGA, 2012)
Após o término da cirurgia cardiovascular os pacientes são geralmente
transferidos para UTI ainda sob efeito anestésico e com intubação traqueal. A
assistência ventilátoria será mantida por cerca de 6 a 12 horas, dependendo
fundamentalmente das funções pulmonar e cardíaca pré-operatório, do tipo de
cirurgia e da condição hemodinâmica intra e pós-operatória (SOUZA, 2007).
A equipe de Fisioterapia recebe as informações coletadas na fase pré-
operatória por meio de um formulário, o qual contém as seguintes informações:
dados pessoais, antecedentes, história da doença atual, resultados dos
exames pré-operatórios e os dados da avaliação fisioterapêutica (SARMENTO
et al., 2010). Após a admissão do paciente, é feita uma avaliação completa. O
exame físico deve conter a avaliação do nível de consciência, inspeção geral,
estática e dinâmica, palpação, percussão e ausculta. Normalmente são
analisados os dados vitais (frequência respiratória, frequência cardíaca e
pressão arterial) e os exames complementares realizados (laboratoriais, raios-
X, tomografias e outros), bem como os tipos de monitorizações utilizadas e a
presença de sondas e cateteres (MACHADO, 2012).
A fisioterapia respiratória tem como objetivo, normalmente, prevenir e
tratar complicações respiratórias decorrentes do processo cirúrgico, tais como
retenção de secreções, atelectasias e pneumonias, através da utilização de
uma ampla variedade de técnicas (MACHADO, 2012). Atualmente, observa-se
um incremento significativo na utilização da Ventilação Não-Invasiva (VNI) na
UTI a fim de buscar reduzir complicações secundárias à intubação orotraqueal
associada à utilização da ventilação mecânica invasiva, e da possibilidade da
36
redução na morbimortalidade e no tempo de internação hospitalar
(SARMENTO et al., 2010).
A ventilação não invasiva fornece suporte ventilatório em duas
modalidades: através da aplicação do mesmo nível de pressão positiva nas
vias aéreas durante a inspiração e expiração (pressão positiva contínua nas
vias aéreas – CPAP) e através da aplicação de dois níveis de pressão positiva
inspiratória nas vias aéreas-(BIPAP), um maior na inspiração (pressão positiva
inspiratória nas vias aéreas-IPAP) e outro menor na expiração (pressão
positiva expiratória nas vias aéreas-EPAP). A aplicação da ventilação não
invasiva diminui a necessidade de intubação, portanto reduz o custo do
tratamento, a mortalidade, dimuinui o trabalho muscular respiratório e assim
melhora as trocas gasosas por recrutamento de alvéolos hipoventilados. É um
método de fácil aplicação e remoção, e tem se mostrado de confiança por
apresentar eficiência e clínica comprovada (SANTIAGO et al., 2011).
O uso da ventilação não invasiva é indicado para todos os pacientes que
apresentam complicações pulmonares, como: hipoxemia arterial, atelectasias,
insuficiência cardíaca congestiva, pós-recuperação da Síndrome do
desconforto respiratório agudo (SDRA)/sepse, lesão do nervo frênico com
disfunção diafragmática e fraqueza muscular respiratória. O uso dos seguintes
parâmetros, pressão positiva expiratória final (PEEP) de 5cm H2O e pressão
de suporte para prover um volume corrente de 6 a 8 ml/kg, mostrou reduzir, de
forma significativa, as atelectasias pós-operatórias (MACHADO, 2012).
Devido à considerável incidência de complicações no pós-operatório de
cirurgia cardíaca, existe grande interesse em obter novos conhecimentos,
necessitando-se, portanto, descrever a importância da ventilação não invasiva
neste processo, a fim de prevenir complicações e com isso reduzir o tempo de
internação na unidade de terapia intensiva.
2 MÉTODOS
A pesquisa foi do tipo teórico, apoiado na revisão de literatura,
exploratória, descritiva que busca levantar informações sobre um determinado
recurso e tratamento fisioterápico na unidade de terapia intensiva. Foram
incluídos artigos publicados no período de 2007 a 2012, presentes na base de
37
dados Lilacs (Índice da Literatura Científica e Técnica da América Latina e
Caribe) e Scielo (Scientific Eletronic Library Online), que se encontram na
Biblioteca Virtual da Saúde (BVS-Bireme), sendo a escolha dos artigos de
acordo com o objetivo do estudo. Foram excluídos da pesquisa artigos que
mesmo aparecendo nos resultados de busca, não apresentaram conteúdo
condizente com o assunto referido.
A busca foi realizada atendendo aos seguintes descritores: Ventilação
não invasiva, Cirurgia cardíaca, Terapia Intensiva. Tais descritores foram
anteriormente consultados no DECS (Descritores em Saúde), disponível em
http://decs.bvs.br/, tornando-se, portanto palavras-chave para esta pesquisa
Além disso, foram utilizados alguns termos simples de busca como:
Fisioterapia na UTI, Complicações pós-operatória, sendo para tanto realizada
uma busca integrada na Bireme, com as bases de dados Lilacs e Scielo.
Após seleção dos artigos e livros possíveis de serem utilizados, foi
realizada uma triagem dos títulos e assuntos relacionados ao tema em
questão. Os que foram coerentes com o tema proposto e fundamentados de
acordo com a pesquisa foram lidos detalhadamente, ser possível construir uma
síntese reflexiva sobre o tema.
3 RESULTADOS
Foram selecionados 18 artigos pertinentes ao tema, segundo a (Tabela
1) abaixo:
Tabela 1 – Artigos selecionados
TÍTULO AUTOR ANO
Ventilação mecânica não-invasiva no
pós-operatório de cirurgia cardíaca:
atualização da literatura FERREIRA, L. L. et al. 2012
Prevalência das principais complicações
pós-operatórias em Cirurgias Cardíacas. SOARES, G. M. et al. 2011
Avaliação da ventilação não-invasiva com
dois níveis de pressão positiva nas vias
aéreas após cirurgia cardíaca FRANCO, A. M. et al. 2011
Fisioterapia respiratória no pré e pós-
operatório de cirurgia cardíaca de
revascularização do miocárdio CAVENAGHI, S. et al. 2011
38
Recrutamento alveolar em pacientes no
pós-operatório imediato de cirurgia
cardíaca
PADOVANI, C.;
CAVENAGHI, O. M. 2011
Comparação do uso da pressão positiva
com a fisioterapia convencional após
cirurgia cardíaca: revisão de literatura SILVEIRA, A. C. et al. 2011
Fisioterapia no pós-operatório de cirurgia
cardíaca: a percepção do paciente
LIMA, P. M. B. et al. 2011
Pressão expiratória positiva na via aérea
por máscara facial na hemodinâmica de
pós-operatórios cardíacos SENA, A. C. B. et al. 2010
Incidência de complicações pulmonares
na cirurgia de revascularização do
miocárdio ORTIZ, L. D. N. et al. 2010
Ventilação mecânica não invasiva no
pós-operatório imediato de cirurgia
cardíaca
MAZULLO FILHO, J. B. R.;
BONFIM, V. J. G.;
AQUIM, E. E. 2010
Complicações que aumentam o tempo de
permanência na unidade de terapia
intensiva na cirurgia cardíaca
LAIZO, A.;
DELGADO, E. F.;
ROCHA, G. M. 2010
Conhecimento e experiência de
fisioterapeutas sobre ventilação não
invasiva SANTIAGO, I. M. et al. 2010
Espirometria de incentivo com pressão
positiva expiratória é benéfica após
revascularização do miocárdio. FERREIRA, G. M. et al. 2010
Estudo das complicações pulmonares e
do suporte ventilatório não invasivo no
pós-operatório de cirurgia cardíaca.
ALCÂNTARA, E. C.;
SANTOS, V. N. 2009
Ventilação não invasiva na insuficiência
cardíaca QUINTÃO, M. et al. 2009
Cuidados pré e pós-operatório em
cirurgia cardiotorácica: uma abordagem
fisioterapêutica ARCÊNCIO, L. et al. 2008
Benefícios da ventilação não-invasiva
após extubação no pós-operatório de
cirurgia cardíaca LOPES, C. R. et al. 2008
Aplicação da ventilação não-invasiva em
insuficiência respiratória aguda após
cirurgia cardiovascular COIMBRA, V. R. M. et al. 2007
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
4 DISCUSSÃO
Conforme Lima (2011), a cirurgia cardíaca é definida como um processo
de restauração e restituição das capacidades vitais, compatíveis com a
39
capacidade funcional do coração daqueles pacientes que já apresentaram
anteriormente doenças cardíacas. Embora tenham evoluído nos últimos anos,
as cirurgias cardíacas não estão livres de complicações no pós-operatório.
Pacientes que são submetidos à cirurgia de revascularização do
miocárdio (CRM) apresentam um alto risco de desenvolver complicações,
principalmente as pulmonares como atelectasias, pneumonia e derrame pleural
(FERREIRA, 2012).
Soares (2011) realizou um estudo transversal com 204 pacientes
submetidos à cirurgia cardíaca onde foi observada uma considerável
prevalência de complicações, principalmente pulmonares. Em outro estudo,
Laizo (2010) demonstrou que as complicações que aumentam o tempo de
permanência na UTI estão relacionadas à função respiratória, doença pulmonar
obstrutiva crônica, tabagismo, congestão pulmonar, desmame da VM
prolongado, diabetes, infecções, insuficiência renal, acidente vascular
encefálico e instabilidade hemodinâmica.
Padovani e Cavenaghi (2011), também realizaram um estudo onde é
relatado que as complicações no pós-operatório de cirurgia cardíaca são
observadas com frequência, dentre as existentes destacam-se a atelectasia e
hipoxemia.
A utilização da ventilação não invasiva promove o decréscimo do
trabalho ventilatório, diminuição do índice de dispneia e o aumento do volume
residual, desta forma previne a presença de atelectasias, favorecendo o
recrutamento alveolar, como também incrementando a pressão parcial de
oxigênio no sangue arterial (PaO2) (ARCÊNIO, 2008).
Franco (2011) e Mazullo Filho (2010) em seus estudos verificaram a
importância da Ventilação Não Invasiva (VNI) associada a fisioterapia
respiratória. Franco (2011) no seu estudo verificou que a aplicação da
Ventilação Não Invasiva de forma preventiva no pós-operatório é segura, pois
os parâmetros hemodinâmicos estáveis e sem qualquer outro tipo de
complicação. Mazullo Filho (2010) realizou um estudo controlado, onde os
pacientes em pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca foram randomizados
em dois grupos que receberam VNI no modo de pressão de suporte com
expiração final positiva. Após extubação durante 2 horas. Verificou-se que a
VNI se mostrou eficaz em pós-operatório de cirurgia cardíaca, pois incrementou
40
a capacidade vital, diminuiu a frequência respiratória, preveniu a insuficiência
aguda pós-extubação e reduziu os índices de reintubação.
Lopes (2008) realizou um estudo prospectivo, randomizado e controlado,
onde foi evidenciado que houve eficácia no uso da VNI por 30 minutos após
extubação, no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca produziu melhora
na oxigenação do paciente.
Quintão (2009) também realizou um estudo, sendo confirmada a eficácia
da VNI com modo CPAP em pacientes com Insuficiência Cardíaca Aguda, e
reduzindo a necessidade de intubação, assim como a morbimortalidade.
Segundo Santiago (2010) a eficácia da VNI depende da indicação do
equipamento adequado, do tipo de paciente assistido, disponibilidade dos
aparelhos e do grau de conhecimento e treinamento da equipe que assiste o
paciente. De acordo com Sena (2010) o uso da pressão positiva em pacientes
cardiopatas já faz parte do arsenal terapêutico principalmente sob a forma de
ventilação mecânica não invasiva. (VMNI). Nesse estudo, o autor avaliou
pacientes em repouso, estáveis hemodinamicamente e com cateter de Swan-
Ganz, após o uso de 10 cmH O de EPAP, foi verificado que o uso da pressão
positiva sob forma de EPAP como técnica fisioterapêutica foi seguro e bem
tolerado, não tendo efeitos deletérios.
Posteriormente, Ferreira (2012) veio corroborar o autor acima,
mostrando por meio do seu estudo qualitativo do tipo revisão de literatura, que
as modalidades de VNI descritas na literatura, CPAP, BIPAP e respiração com
pressão positiva intermitente (RPPI) foram utilizadas no pós-operatório de
cirurgia cardíaca, acrescidas de modalidades atuais PSV+PEEP obtiveram teve
resultados satisfatórios. Verificou-se que a RPPI reverte a hipoxemia e o BIPAP
melhora a oxigenação, frequência respiratória e frequência cardíaca dos
pacientes, em comparação com as demais modalidades.
Silveira (2011) relata em seu estudo que dentre as diferentes
modalidades de VNI, quando comparadas, não se pode afirmar que uma
técnica apresenta superioridade em relação às outras, merecendo algum tipo
de destaque, visto que nenhum dos estudos encontrados pelo autor comparou
as três modalidades, VNI-2P, CPAP e RPPI, foi possível verificar que todas as
técnicas estudadas mostraram-se úteis na recuperação da função pulmonar no
pós-operatório. A fisioterapia é utilizada no pós-operatório de cirurgias
41
cardíacas para o tratamento de complicações pulmonares, dentre eles, as
atelectasias, derrame pleural e pneumonia, na tentativa de acelerar o processo
de recuperação da função pulmonar. (CAVENAGHI, 2011).
De acordo com Alcântara et al. (2009), há necessidade de um
atendimento com VNI ser conduzido pelo fisioterapeuta na Unidade de Terapia
Intensiva (UTI), tem o propósito de minimizar e evitar os efeitos do pós-
operatório, minimizar o tempo hospitalar e assim diminuir o número de
complicações pulmonares. No seu estudo, verificou-se que o uso da VNI no
pós-operatório de CRM melhora significamente o volume corrente e o volume
minuto, prevenindo distúrbios que cursam com a diminuição desses
parâmetros, como a atelectasias e o derrame pleural.
Coimbra et al. (2007), demonstrou em seu estudo que os pacientes com
insuficiência respiratória hipoxêmica no pós-operatório de cirurgia cardíaca
apresentaram uma melhora da oxigenação, frequência respiratória e frequência
cardíaca durante a aplicação da VNI.
A fisioterapia é um colaborador na prevenção de complicações no pós-
operatório, principalmente quando o fisioterapeuta compreende todas as
alterações que ocorrem na cirurgia e suas consequências, desta forma o
manejo no tratamento do paciente se torna eficaz. (ORTIZ et al., 2010).
Santiago (2010) realizou um estudo com os fisioterapeutas das
enfermarias e das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) adulto sobre
conhecimento teórico e prático em VNI. Foi verificado que os fisioterapeutas
das UTI apresentam maior experiência quanto à administração, instalação e
monitorização da VNI quando comparado aos fisioterapeutas das enfermarias
que não se sentem aptos a instalar e monitorizar a VNI.
5 CONCLUSÕES
O estudo permitiu identificar as principais complicações decorrentes do
pós-operatório de cirurgia cardíaca. Sabendo disso, a Fisioterapia entra como
parte integrante do tratamento e prevenção de complicações, através da
técnica de ventilação não invasiva, melhorando e revertendo o quadro clínico
do paciente. É necessário que os fisioterapeutas atualizem seus
conhecimentos, tornando-se um profissional capacitado e seguro para aplicar a
42
VNI tanto na UTI como nas enfermarias. Portanto, o estudo oferece uma base
de dados a respeito do tema, porém necessita-se de pesquisas mais
aprofundadas, que discorram de forma mais ampla sobre a temática proposta.
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44
FUNÇÃO PULMONAR EM MINERADORES DA INDÚSTRIA DE
BENEFICIAMENTO DE CAULIM
Christiane da Silva Sales7
Priscilla Indianara Di Paula Pinto8
RESUMO
Objetivo: Avaliar o pico de fluxo expiratório (PFE) em mineradores da indústria
de beneficiamento de caulim, com o intuito de mensurar os valores da função
pulmonar, construir um perfil bio-demográfico. Método: estudo descritivo,
abordagem quantitativa, levantamento de dados em duas indústrias no
município de Junco do Seridó-PB. A amostra foi constituída por 50 sujeitos,
sendo 25 sujeitos de cada empresa. A amostra foi não probabilística, por
acessibilidade. Para coleta dos dados foi utilizado um questionário bio-
demográfico e um protocolo de avaliação respiratória onde se registrou a
mensuração do Pico de Fluxo Expiratório através do Peak Flow. Os dados
foram analisados através de estatística descritiva com software Microsoft Office
Excel 2007. Resultados: 100% da amostra do sexo masculino, média de idade
de 29 anos, raça parda 76%, casados 60%, com ensino fundamental
incompleto 48% e moradores da zona urbana 96%. O hábito de fumar foi
informado por 36%, com média de 14,2 unidades de cigarro/dia. Os sinais vitais
mensurados sugerem normalidades. Foram encontradas variações nos valores
de Pico de Fluxo Expiratório mensurado dentre os sujeitos das empresas I e II.
Conclusão: Os achados sugerem acometimento dos padrões respiratórios
pelos valores de PFE obtido. É recomendado o uso adequado dos EPIs,
acompanhamentos periódicos da função pulmonar, assim como ações dos
serviços de saúde para prevenir maiores complicações respiratórias na saúde
do homem.
Palavras-chave: Saúde do Trabalhador. Doenças Ocupacionais. Pico de Fluxo
Expiratório.
LUNG FUNCTION IN THE MINING KAOLIN PROCESSING INDUSTRY
ABSTRACT
Objective: To evaluate the peak expiratory flow (PEF) in miners of kaolin
processing industry, in order to determine the amounts of lung function, build a
bio-demographic profile. Method: a descriptive study, quantitative approach,
data collection in two industries in Reed county Seridó - PB. A sample consisted
of 50 subjects, 25 subjects in each company. The sample was not probability for
acessibilidade. Para data collection was used a bio-demographic questionnaire
and a respiratory assessment protocol that in which the measurement of PEF
7 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
8 Mestra em Saúde Pública pela Universidade Estadual da Paraíba-UEPB. Especialista em
Saúde Pública e em Fisioterapia Pneumofuncional. Coordenadora do Curso de Fisioterapia da
União de Ensino Superior de Campina Grande-UNESC. Professora substituta da Universidade
Estadual da Paraíba-UEPB. Fisioterapeuta.
45
by Peak Flow. Data were analyzed using statistics with Microsoft Office Excel
2007. Results software: 100 % of the male sample, average age 29, mulatto
76%, 60% married, with incomplete primary education 48% and area residents
urban 96%. Smoking was reported by 36% with an average of 14.2 cigarettes
units / day. Foram found variations in peak expiratory flow values measured
among the subjects of the companies I and II. Conclusion: The findings suggest
involvement of the respiratory patterns by PEF values obtido. Recomenda is the
proper use of PPE, periodicals accompaniments of lung function, as well as
actions of health services to prevent further respiratory complications in human
health.
Keywords: Occupational Health. Occupational Diseases.Peak Expiratory Flow.
1 INTRODUÇÃO
As atividades extrativas minerais em corpos pegmatíticos na região do
Seridó, estado da Paraíba, perduram por mais de meio século dentro de ciclo
envolvido pela informalidade, ilegalidade, uso de técnicas inadequadas, baixa
capacidade de investimento, pela baixa produtividade e baixo valor agregado, o
chamado “ciclo negativo”. Conforme orientação do relatório de procedimento do
Artisinal Mining Intennacional Workshop, organizado pelo banco mundial, e de
acordo com Martins, Cortez e Farias (2007), o rompimento deste ciclo é dado
em primeira instância pela legalização das atividades extrativas, para o qual
precede o “passo zero” formação de empresas de pequeno porte ou formação
de cooperativas de pequenos mineradores.
Tratando-se de uma atividade econômica importante para muitos
municípios da região do Seridó, a mineração de pegmatitos gera uma demanda
importante por bens e serviços oferecidos localmente. O comércio, a prestação
de serviços de transportes, os serviços de manutenção são impulsionados pela
atividade mineradora. Brito, Lima e Pereira (2007), estimam que no Estado da
Paraíba, nas regiões de Pedra Lavrada e Junco do Seridó, sejam
comercializadas cerca de 6.000 toneladas/mês de feldspato e 10.880
toneladas/ mês de caulim, induzindo a circulação de R$ 140 mil/mês e R$ 1,3
milhão/mês, respectivamente.
A atividade em busca de uma melhor qualidade de vida e a constante
vigilância na saúde e segurança do trabalhador são temas de abordagem
contínua nas reuniões da COOPERJUNCO (Cooperativa de mineradores do
46
município de Junco do Seridó-PB), que desde o ano da sua implantação, foram
realizadas palestras sobre o assunto nas indústrias de mineração no município.
O município do Junco do Seridó está localizado no Nordeste do Brasil,
no estado da Paraíba, limitando-se ao norte com os municípios de São José do
Sabugi-PB e Equador-RN, a leste com Tenório-PB e Assunção-PB, ao sul com
Salgadinho-PB e a oeste com Santa Luzia-PB. De acordo com os dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2006), a cidade possui um
território de 160 km², com 6.116 habitantes, a sua densidade demográfica é de
37,28hab/km². É uma região de baixa pluviometria e de grandes quantidades
de minérios, sendo sua principal atividade econômica a extração e o
beneficiamento de caulim e outros minerais e pedras.
De acordo com Souza (2007) na região nordeste, as principais indústrias
mineradoras de caulim estão instaladas na região da Província Pegmatítica de
Borborema do Seridó, localizada nos municípios do Equador (RN) e Junco do
Seridó (PB). Esse minério conhecido como caulim, retirado da natureza através
de extração, é encontrado nas montanhas entre rochas, constituída de material
argiloso, com baixo teor de ferro e cor branca.
O trabalho realizado por mineradores de caulim na região do Seridó é
feita por meios manuais, que é inicialmente a céu aberto, podendo evoluir para
a lavra subterrânea, com abertura de poços e galerias, segundo os
procedimentos característicos da mineração artesanal. De acordo com Cabral
et al. (2009), o beneficiamento consta das etapas de desagregação,
peneiramento, decantação e secagem em pátio de secagem ou em forno à
lenha. As doenças ocupacionais e os acidentes de trabalho constituem um
grande problema de saúde pública. (BRASIL, 2006).
Baseado na Lei N. 8.080/90, a sílica livre deve ser considerada um fator
de risco de natureza ocupacional, estando associada a agravos de doenças
como a neoplasia maligna dos brônquios e do pulmão, cor pulmonale, outras
doenças pulmonares obstrutivas crônicas, sílicose entre outras (CASTRO;
SILVA; VICENTIN, 2005).
Por significar a principal interface entre o organismo humano e o
ambiente, o aparelho respiratório assume um significado extremamente
importante quando se procura penetrar no universo das doenças provocadas
particularmente pelos ambientes e condições de trabalho. Sua relevância é
47
dupla não somente pela quantidade de ar carreada do microambiente, como
pela freqüência com que esta relação com o ambiente se repete, sendo o trato
respiratório a principal via de penetração dos xenobióticos ambientais, em
especial os de origem ocupacional ou profissional, que por outro lado, e em
decorrência desta função de interfase o trato respiratório adquire relevante
importância como sitio de ação de um sem números de produtos, que são
gerados nos ambientes de trabalho, e são lesivos a saúde humana
(TARANTINO, 2002).
As pneumopatias relacionadas à inalação de poeiras em ambientes de
trabalho são genericamente designadas como pneumoconioses (do grego,
conion = poeira). São excluídas dessa denominação as alterações neoplásicas,
as reações de vias aéreas, como asma, a bronquite e o enfisema.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) define a pneumoconiose,
como a deposição de poeiras no pulmão e a reação tecidual que ocorre por sua
presença, e de acordo com Tarantino (2002), a pneumoconiose ocorre
basicamente em trabalhadores expostos à atividades de extração do mineral, e
como o caulim é largamente utilizado em nosso meio, na indústria do papel
como branqueador, na indústria cerâmica e também da borracha, tintas,
plásticos, inseticidas, sabonetes e dentrifícios, e por ser um silicato hidrolisado
de alumínio, essa exposição ocupacional ocorre nos processos de mineração,
trituração e moagem, e nas aplicações antes descritas.
As pneumoconioses são doenças por inalação de poeiras, substâncias
que o organismo pouco consegue combater com seus mecanismos de defesa
imunológica e/ou leucocitária. Cada pneumoconiose recebe um nome
particular, de acordo com a poeira inalada, representada por talco, sílica,
asbesto, ferro e tantas outras poeiras minerais. Sendo assim a doença causada
por sílica chama-se silicose, asbesto- asbestose, ferro- siderose, talco-talcose,
e cada um recebem um código no CID (ALGRATI, 2001).
A silicose constitui um grande problema de saúde pública, no Brasil; é de
origem ocupacional sendo provocada por inúmeras substâncias e produtos no
local de trabalho. Está relacionada com inalação de pequenas partículas e a
permanência deste micro partículas no pulmão acaba determinando a doença;
onde esse micro partículas atinge o interior do pulmão provocando uma reação
inflamatória, a repetição desta inflamação ocasiona a perda de elasticidade
48
pulmonar, na qual acaba formando nódulos pulmonares. Embora não se tenha
cura para a silicose, a prevenção ainda é a melhor forma de evitar esta doença.
Segundo Cabral (2009) devido ao caulim possuir partículas sólidas muito
pequenas, a exposição durante um longo período pode provocar doenças no
sistema respiratório dos trabalhadores, e levá-los a morte. As reações
pulmonares à deposição de poeiras inorgânicas no pulmão vão depender das
características físico-químicas do aerossol (como por exemplo: partículas
menores e recém-fraturadas de sílica, fibras mais finas e longas, no caso do
asbesto, são mais lesivas) da dose (que depende, entre outros, da
concentração no ar inalado, do volume/minuto e do tempo de exposição),
presença de outras poeiras, de doenças pulmonares prévias, podendo ser
moduladas por fatores imunológicos individuais e em muitos casos pelo
tabagismo.
Segundo o Ministério da Saúde (2006) o diagnóstico de uma doença
respiratória de causa ocupacional é sempre feito por meio da integração entre
sintomas e sintomas clínicos, história ocupacional e exames complementares
funcionais e/ou de imagens e anatomopatológicos e, ocasionalmente
laboratoriais. Os principais sintomas respiratórios, dispnéia, tosse,
expectoração, sibilância, devem ser cuidadosamente inquiridos. Os sinais
associados ao padrão respiratório e posturas corporais peculiares, utilização da
musculatura ventilatória acessória e respiração com lábios semicerrados, os
ruídos adventícios, não torácicos ou sistêmicos, cianose ou pletora,
baqueteamento digital, dilatação venosa jugular, edema de membros inferiores
e asteríxis; e podem sugerir comprometimentos respiratórios significativos de
outros aspectos como hiperinsuflação pulmonar, diminuição da vascularização,
presença de bolhas, achatamento diafragmático, espessamento pleural,
anormalidades cardíacas direitas, alterações esqueléticas torácicas
principalmente cifoescoliose avançada (NEDER; BAGATIN; NERY, 2006).
A função pulmonar desses trabalhadores é um dos pontos afetados, na
mineração em pequena escala (MPE), pois operam em condições de trabalhos
perigosos, é exposta a poeira, causando doenças respiratórias, efeitos da
ventilação deficiente (calor, umidade, falta de oxigênio), esforço exagerado,
espaço de trabalho inadequado e equipamento não apropriado. O objetivo
geral desse trabalho é avaliar a função pulmonar em trabalhadores na indústria
49
de mineração em caulim, localizados na cidade de Junco do Seridó-PB,
observando o pico de fluxo expiratório (PEF) desses mineradores, construir um
perfil bio-demográfico destes trabalhadores e investigar as principais queixas
destes trabalhadores relacionados a saúde.
Atualmente, há diversos testes para avaliar aspectos relacionados à
função pulmonar. Para avaliar os volumes pulmonares, podem ser utilizados
desde testes simples como a espirometria e o Peak Flow Meter até testes mais
complexos e dispendiosos como diluição de gases inertes, wash-out de
nitrogênio e pletismografia corporal. A espirometria é uma das maneiras de
avaliar a função pulmonar, exame aparentemente simples, encerrando detalhes
que influenciam sua análise e interpretação e essa deve ser feita por meio de
dados clínicos e epidemiológicos (IRWIN, 1994 apud BOAVENTURA, 2007).
Os volumes pulmonares não avaliam diretamente a função pulmonar,
entretanto, alterações nos volumes pulmonares estão associadas com
condições respiratórias patológicas. Por essa razão esses testes oferecem
informações que auxiliam no diagnóstico, tratamento de pacientes com doença
cardiopulmonar (FELTRIN, 1995 apud SAMPAIO, 2011).
Outra forma de se avaliar a função pulmonar é através da medida do
pico de fluxo expiratório máximo (PEF), um método simples, não invasivo,
econômico e rápido que serve para avaliar a força e a velocidade de saída do
ar de dentro dos pulmões em L/min. Além disso, ele detecta o estreitamento
das vias aéreas, determina tratamentos e desenvolve medidas ou ações para
tal. Em resumo, ele tem a função de alertar sobre a diminuição da função
respiratória, o que possibilita ao paciente uma melhor verificação do estado em
que se encontra a sua doença
Muitos fatores influenciam os achados da função pulmonar: sexo,
estatura, idade, fatores técnicos, peso e outros. A monitorização do PFE (pico
de fluxo expiratório) é feita através de um medidor portátil para avaliar a
capacidade de pico de fluxo do paciente (CRUZ, 2006). O teste é feito pela
realização de uma inspiração máxima seguida por uma expiração forçada
máxima, curta e explosiva, através do dispositivo de medida. O valor do fluxo
expiratório revela a presença de resistência ao fluxo nas vias aéreas traduzindo
a intensidade da dificuldade da saída de ar dos pulmões, indicando qual o grau
50
de obstrução no momento da mensuração, servindo como prova relevante de
função pulmonar.
A monitorização do pico do fluxo expiratório (PFE) geralmente é feita
através de um medidor portátil para avaliar periodicamente a capacidade de
pico de fluxo do indivíduo. Um dos métodos disponíveis para avaliação de fluxo
aéreo pulmonar é realizado, através do Peak Flow (PEREIRA, 2002).
O PFE é medido mais precisamente por equipamentos que registram
diretamente os fluxos ou por derivação do fluxo a partir das mudanças de
volume num espirômetro com deslocamento volumétrico. Seja qual for o
método, o PFE é representado num gráfico de fluxo-volume. Muitos
equipamentos portáteis são disponíveis para medir o fluxo máximo durante
uma expiração forçada. O PFE neste caso é expresso em L/min (PEREIRA,
2002). Segundo Azeredo (2002) o Peak Flow apresenta vantagens, a de
permitir ao terapeuta respiratório, avaliar com o máximo de segurança a
gravidade da obstrução brônquica, através do estudo comparativo dos
resultados obtidos com teste, relacionando-os com os valores normais teóricos
cometidos e normogramas, especialmente programados para tal fim.
De acordo com Pereira (2002) no Consenso Brasileiro de Espirometria,
o teste é feito pela realização de uma inspiração máxima seguida por uma
expiração forçada máxima, curta e explosiva, através do dispositivo de medida.
O Indivíduo não deve tossir o que pode acarretar valores falsamente elevados.
O esforço expiratório precisa durar apenas 1 a 2 segundos. O dispositivo para
medida do PFE requer um instrumento com acurácia de ± 10% ou dentro de ±
20L/min do valor atual, seja o que for maior. O esforço expiratório forçado deve
ser iniciado a partir de uma posição inspiratória mantido em posição neutra,
pois a hiperextensão eleva e a flexão reduz o PFE por mudanças na
complacência traqueal. O PFE é geralmente alcançado dentro do primeiro
décimo de segundo do esforço expiratório. Instrução apropriada e estímulo do
paciente são importantes para o sucesso do teste. Clipes nasais não são
necessários para a medida do PFE, pelo menos 3 medidas devem ser
realizadas em cada sessão, a manobra deve ser repetida até que 3 leituras
estejam dentro de 20L/min da outra, o maior valor deve ser anotado (PEREIRA,
2002).
51
Logo se avaliou como necessária uma pesquisa com a sociedade de
risco, com o intuito de saber como se apresenta a função pulmonar dos
mineradores de caulim da região do Seridó, a fim de obter parâmetros para
análise fisioterapêutica, bem como informações acerca da função pulmonar
destes trabalhadores.
2 MÉTODOS
Inicialmente, realizou-se uma busca de artigos científicos em base de
dados, além de uma revisão da literatura em livros sobre o determinado
assunto. A pesquisa foi desenvolvida com mineradores da indústria de
beneficiamento de caulim no município de Junco do Seridó-PB, os quais
responderam ao questionário bio-demográfico, além de serem avaliados
mediante protocolos de avaliação respiratória para mensuração do Pico de
Fluxo Expiratório (PFE) através do aparelho Peak Flow, visando conhecer o
grau de obstrução das vias aéreas desses trabalhadores.
A pesquisa, de natureza descritiva, usou como forma de abordagem a
pesquisa quantitativa, e quanto aos procedimentos, como de levantamento de
dados. De acordo com Gil (2002) a pesquisa descritiva tem como principal
finalidade descrever as características de determinada população, fenômeno e
o estabelecimento entre variáveis. Para Marconi e Lakatos (2005) a pesquisa
quantitativa considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir
em números e opiniões, para classificá-los requer o uso de técnicas
estatísticas. A coleta de dados, realizada no período de maio a junho de 2011,
foi desenvolvida com mineradores da indústria do beneficiamento de Caulim,
em duas indústrias que atuam no município de Junco do Seridó-PB. As
empresas em questão forneceram autorização para realização da pesquisa
mediante a assinatura do Termo de Autorização Institucional.
As duas indústrias onde foi realizada a pesquisa tinham em torno de 50
funcionários cada, que constituíram a população do estudo. A amostra foi de
50 sujeitos, sendo 25 sujeitos de cada empresa, que trabalhavam nas etapas
inicias do beneficiamento, tendo uma maior exposição ao minério bruto, à
poeira e altas temperaturas no pátio de secagem. Logo, a amostragem foi não
probabilística, por acessibilidade, seguindo os critérios de inclusão e exclusão.
52
Foi adotado como critérios de inclusão: os mineradores com mais de 2
anos de trabalho na função; que trabalhavam nas etapas inicias de
desagregação, peneiramento, decantação, secagem em pátio de secagem ou
em forno a lenha; do sexo masculino; capazes de realizar o teste com o Peak
Flow. Para os critérios de exclusão os mineradores com histórico de problemas
respiratórios, que trabalhavam no setor administrativo e os que não aceitaram
participar da pesquisa. O instrumento utilizado para coletar dados foi um
questionário, composto por perguntas acerca de dados bio-demográficos
(gênero, idade, escolaridade, local de moradia), dados referentes à função
pulmonar, bem como o teste do Peak flow.
As medidas do pico de fluxo expiratório máximo (PFE) foram realizadas
com o indivíduo sentado, por ser a posição mais utilizada nos protocolos de
medição de PFE. De acordo com Silva et al (2005) na avaliação da função
pulmonar, o sexo e altura são os determinantes mais importantes,
respectivamente, e devem ser registrados adequadamente. O teste foi
realizado usando o aparelho Peak Flow, da marca Meter, mensurando de 50 -
800 L/min, fazendo a medida em litros por minuto (1/min) e esta medida
indicará o grau de obstrução das vias aéreas naquele momento, porém é
necessário efetuar a medida corretamente. Uma boa orientação de como se
usar o aparelho é de extrema importância.
Deve-se orientar o paciente a ficar em posição confortável, de
preferência em posição ortostática; segurar o aparelho adequadamente,
não obstruindo a saída do ar; zerar o marcador; inspirar profundamente;
colocar o aparelho na boca com os lábios firmes; espirar com maior
velocidade possível; anotar o valor obtido; efetuar três vezes o
procedimento; anotar o melhor resultado em sua tabela pessoa
(SARMENTO, 2007, p. 195).
Os valores previstos são baseados em estudo de Leiner et al. (1983
apud PAES, 2009), que apresentam uma tabela com valores sugeridos para
uso no Brasil, com previsão da média do pico de fluxo expiratório em homens
normais (L/min). Desta forma, foi possível estabelecer a variação do PFE
mensurado, e construir a partir dos dados de altura e idade. O processamento
e análise dos dados se deram de forma quantitativa, através de métodos
estatísticos descritivos, e apresentados em forma de gráficos e tabelas no
Microsoft Office Excel 2007.
53
Ressalta-se que o presente estudo está de acordo com a Resolução n°
466/2012 do Conselho Nacional de Saúde que rege sobre a ética da pesquisa
envolvendo seres humanos direta ou indiretamente, assegurando a garantia de
que a privacidade do sujeito da pesquisa será preservada como todos os
direitos sobre os princípios éticos como: Beneficência, Respeito e Justiça
(BRASIL, 2012). A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa-CEP
da Universidade Estadual da Paraíba-UEPB, para apreciação e recebeu
parecer favorável à sua realização mediante CAAE: 0183.0.133.000-11.
Os participantes da pesquisa assinaram um termo de Consentimento
Livre e Esclarecido (TCLE), o qual explica todas as intenções do trabalho e
como este seria realizado. Os responsáveis pela pesquisa se comprometeram
a cumprir com todos os aspectos legais da pesquisa envolvendo seres
humanos, conforme termo de compromisso de pesquisador assinado.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise dos dados coletados com os 50 mineradores, realizada através
de métodos descritivos estatísticos, evidenciou uma idade média de 29,08
anos (± 6,55) para os sujeitos da Empresa I e 29,80 anos (±7,34) para a
Empresa II. O peso e a altura foram aferidos por meio de uma balança portátil
calibrada (Filizola Ind. Ltda, SP, Brasil). A partir desses dados, foi calculado o
índice de massa corporal por meio da fórmula [IMC¹ = peso (kg) / altura² (m)]
(Tabela 1).
Tabela 1: Idade média e dados antropométricos da amostra.
AMOSTRA
Idade (anos)
MÉDIA ± DP
IMC (Kg/m2)
MÉDIA ± DP
Empresa I 29,08 ± 6,55 23,11 ± 2,61
Empresa II 29,80 ± 7,34 24,13 ± 2,86
Fonte: Dados da pesquisa, 2011.
No estudo realizado, observou-se que a maioria dos trabalhadores foram
predominantemente do sexo masculino (100 %), o que corrobora com outros
estudos realizados por Bagatin et al. (1995); Pivetta e Botelho (1997); Carneiro
et al. (2002); Castro et al. (2004), e Rondon et al. (2011). Essa confirmação
54
majoritária de homens é compatível com as características da mão de obra que
é exigida para este tipo de trabalho, o qual requer grande força física.
Com relação ao sexo e as pneumoconioses causadas pela exposição
ocupacional, alguns estudos realizados a partir da base de dados do relatório
anual de informações sociais verificaram uma tendência de aumento em
termos absolutos de 1.470 homens expostos à sílica no ano de 1985 para mais
de 2 milhões de trabalhadores expostos em 2001 (RIBEIRO et al., 2008).
A distribuição por sexo mostrou 59% das internações entre homens e
41% entre mulheres. No período da vigência da CID10 ocorre um aumento
para 67% no sexo masculino, ocasionando um predomínio de internações entre
homens, fato esse que pode ser explicado pelos processos de trabalhos
relacionados a mão de obra masculina nas minerações. No entanto, processos
geradores de pneumoconioses encontram-se também no sexo feminino, como
por exemplo, a indústria têxtil de amianto, com forte presença feminina
(CASTRO et al., 2005).
IMC¹: índice de massa corporal
A população neste estudo foi composta em sua maioria por indivíduos
jovens com idade média de 29 anos para as empresas pesquisadas, com IMC
médio de 24,13(dp±2,86). A amostra reforça que o trabalho pesado é difícil
para os indivíduos mais velhos, pois os mesmos já não têm força e condições
adequadas para realizá-los. Foi observado que maiorias dos homens mais
velhos que desempenham funções na produção trabalham a mais tempo nas
mesmas, e pela própria idade, muitas vezes lhe são designadas atividades
mais leves no processo do beneficiamento do caulim. Estes achados
corroboram aqueles do estudo de Pivetta e Botelho (1997), no qual a média de
idade foi de 26,2 anos.
Pesquisa realizada por Ferreira et al. (2008), evidenciou média de idade
iguais a 21,5 anos. No entanto Bagatin et al. (1991) e Castro et al. (2004),
mostraram em seus estudos populações com média de idade acima das
referidas nos demais estudos, na faixa de 48,5 anos e 42 anos
respectivamente.
55
Tabela 2: Caracterização da amostra quanto aos dados bio-demográficos
VARIAVÉIS EMPRESA I EMPRESA II
RAÇA N % n %
Pardo
Branco
Negro
15
7
3
60
28
12
19
2
4
76
8
16
ESTADO CIVIL
Casado
Solteiro
U.consensual
15
2
8
60
8
32
14
5
6
56
20
24
ESCOLARIDADE
EM completo¹
EM incompleto²
EF completo³
Não alfabetizado
7
16
2
0
28
64
8
0
10
1
12
2
40
4
48
8
MORADIA
Rural
Urbana
0
25
0
100
1
24
4
96
Fonte: Dados da pesquisa, 2011.
Neste estudo constatou-se que a maioria dos trabalhadores avaliados foi
da raça parda (não brancos) e casados, concordando com os achados de
Castilhos et al (2006) que demonstram um perfil de trabalhadores com
predomínio de raça negra e parda, e Picoloto e Silveira (2008) com predomínio
de indivíduos casados (Tabela 2).
EMCompleto¹: ensino médio completo EMIncompleto²: ensino médio incompleto
EFcompleto³: ensino fundamental completo
Nas indústrias de beneficiamento de caulim avaliadas ocorre maior
prevalência de indivíduos com Ensino Fundamental Incompleto (64%), e que
moram na zona urbana (96%) (Tabela 2). Apesar de esses indivíduos
apresentarem algum estudo, muitos deles não sabiam sequer escrever o nome,
mesmo os mais jovens. Isso pode ser explicado pelo elevado percentual de
indivíduos de baixa renda, que necessitam iniciar o trabalho precocemente
para prover o sustento da família, não restando assim tempo para a dedicação
aos estudos.
Segundo Costa et al. (2004), trabalhadores com poucos anos de estudos
tem a chance aumentada de presença de alteração da função pulmonar.
Entretanto Picoloto e Silveira (2008) relataram que grande parte dos
56
trabalhadores que realizam atividades em área de produção (50%), apresenta
o ensino médio.
A literatura aponta que apesar do trabalho pesado e desgastante que
realizam, ou seja, apesar do desgaste físico, não existe a necessidade de
estudo e qualificação, e entre os trabalhadores que realizam atividades
laborais, a ocupação de forneiro e preenseiro está relacionado ao número
diário de produção, além disso, são os cargos com maior rotatividade de
funcionários, pois o trabalho é pesado, realizado a temperaturas muito altas e
motivos de afastamento devidos às DORT’s/ LER’s (PICOLOTO; SILVEIRA,
2008).
Tabela 3 - Tempo médio de serviço na indústria do caulim e tempo médio de
exposição à sílica.
AMOSTRA Tempo de Serviço (meses)
Tempo de Exposição
(meses)
Empresa I 48,32 ± 26,07 85,36 ± 75,3
Empresa II 35,48 ± 11,50 138,68 ± 80,76
Fonte: Dados da pesquisa, 2011.
Neste estudo, foi encontrado alteração da função pulmonar com maior
tempo de exposição (anos trabalhados no beneficiamento de caulim) (TABELA
3). Os resultados mostra que os trabalhadores com tempo de exposição de 2
anos ou mais apresentaram alteração da função pulmonar (80,76%) maior que
os indivíduos com menor tempo de exposição. Estes dados são concordantes
com os estudos de Castro et al. (1992), Souza e Quelhas (2003) e Castro et al.
(2004), que demonstram que o tempo de exposição é importante para o
surgimento dos agravos respiratórios.
Foi encontrada alteração da função pulmonar com as atividades laborais
exercidas pelo minerador na indústria de beneficiamento do caulim,
possivelmente pela dispersão das partículas em todo ambiente de trabalho,
não acometendo somente aqueles com maior grau de exposição.
Considerando o tempo de serviço e tempo de exposição, constatou-se
diferenças significantes nos valores de PFE mensurado e previsto, sendo estes
mais significativos como prova na empresa I, que apresentou um declínio na
57
capacidade de função pulmonar nos valores de PFE mensurado
(367,6±128,20) e previsto (588,52±37,74) (Tabela 3).
Também foram encontrado alguns estudos que demonstraram a
preocupação quanto à possibilidade de exposição de trabalhadores à material
particulado presente no ar (poeira respirável) devido ao fato de exposição à
riscos respiratórios nas indústrias de cerâmicas (LIMA; CAMARINI, 2003).
Ademais, outros estudos relatam suscetibilidade ao comprometimento da
função pulmonar, propicionando o desencadeamento de diversos agravos
respiratórios como rinite, sinusite, asma, ente outros (BAGATIN; NEDER,
2006).
Tabela 4: Distribuição da amostra quanto ao hábito tabágico.
AMOSTRA
Sim Não Quantidade de cigarros/ dia
N % N % média Dp¹
Empresa I 9 36 16 64 13,22 ± 6,88
Empresa II 5 20 20 80 14,2 ± 10,64
Fonte: Dados da pesquisa, 2011.
Como a presença do tabagismo é condição conhecida para alteração da
função pulmonar, torna-se importante a sua discussão. Neste estudo o hábito
de fumar foi informado por 36% dos participantes com média de 14,2 (±10,64)
unidades de cigarro/dia para os trabalhadores da Empresa II (Tabela 4).
Indivíduos fumantes apresentaram maior alteração da função pulmonar quando
comparados aos não fumantes (COSTA, 1992). Este resultado reforça a ideia
de que o risco de doença respiratória e a alteração da função pulmonar têm
relação com o longo tempo de tabagismo, o que também foi encontrado nos
estudos de Torres e Godoy (2004) e Caram et al. (2009), e também foi
observado no estudo de Bagatin et al. (1991) e de Costa (1992) os quais ao
analisar a influência do tabagismo, observaram que os fumantes tinham função
pulmonar pior que os não fumantes.
DP¹: desvio padrão
Entretanto, no estudo de Pivetta e Botelho (1997) foi demonstrado que
os sintomas respiratórios e as alterações funcionais em trabalhadores de
58
marmorarias se encontram associados mais ao tabagismo do que a exposição
à poeira. Esta diferença talvez possa ser explicada pelas características das
populações estudadas, principalmente pela diferença no tipo de indústria
avaliada.
Em outro estudo, onde foi analisada a relação do fumo e o passado de
tuberculose com exposição à sílica, Pinto (2001) observou que não houve
alteração dos valores espirométricos, dos 59 trabalhadores estudados.
Entretanto, Kennedy et al. (1985), estudando a função pulmonar em indivíduos
expostos ao fumo e poeira, perceberam que a associação dos dois era mais
deletéria que o fumo sozinho. Além disso, muitos relatos na literatura
referenciam o efeito sinérgico do tabagismo e poeiras minerais, especialmente
em trabalhadores expostos ao abesto, como descrito no trabalho de Kamp
(2009).
A mensuração das medidas dos sinais vitais foram realizadas, antes da
verificação do PFE, no período da manhã, com indivíduo em repouso,
antecedendo o início da jornada de trabalho. Os achados sugerem possíveis
normalidades entre os valores encontrados de PA, FR e FC (Tabela 5).
Tabela 5: Sinais Vitais (PAM, FC e FR) apresentados pelos indivíduos antes da
verificação do PFE.
AMOSTRA PAM (mmHg) FC (bpm) FR (irpm)
Empresa I 95,56 ± 6,51 64,16 ± 11,05 19,52 ± 3,50
Empresa II 92,72 ± 3,38 75,52 ± 7,22 18,84 ± 3,63
Fonte: Dados da pesquisa, 2011.
No estudo feito por Moreira et al. (2008), em que descreve e analisa
sintomas respiratórios e alterações espirométricas em pacientes portadores de
doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), com história de exposição à
fumaça de lenha e de tabaco, foi observado que o percentual de obstrução
brônquica grave e muito grave foi significantemente maior no grupo exposto ao
tabaco (44,1%) que no grupo exposto somente à fumaça de combustão de
lenha (11,8%), concluindo que os sintomas respiratórios e alterações da função
pulmonar compatíveis com a DPOC foram observados mais intensamente no
grupo exposto ao tabaco. Isso reforça o fato de que o tabagismo é um dos mais
59
importantes problemas de saúde pública, sendo que o cigarro mata mais que a
soma de outras causas evitáveis de morte como cocaína, heroína, álcool e
outros (MENEZES, 2004).
Finalmente, o que confirma Tarantino (2002) o uso do cigarro pode
ocasionar alterações nos valores funcionais respiratórios, produzindo
alterações nas provas espirométricas, lembrando que o hábito de fumar foi
informado por 36% dos participantes na Empresa I, com média de 14,2
(±10,64) unidades de cigarro/dia.
Muitos profissionais da área de saúde desconhecem ou subestimam a
etiologia ocupacional das doenças respiratórias, portanto o reconhecimento do
nexo entre doença respiratória e a ocupação do trabalhador é importante para
viabilizar estratégias que previnam a exposição, favoreçam o prognóstico,
possibilitem compensações para o trabalhador afetado, e permitam
modificações do ambiente de trabalho que minimizem o impacto na saúde dos
trabalhadores sob risco (BAGATIN; NEDER, 2006).
O fato observado durante a realização da coleta dos dados deste estudo
foi que as indústrias avaliadas não dispunham de serviço especializado em
engenharia de segurança e medicina do trabalho (SESMT). Assim, não existem
profissionais da área de saúde (médicos, fisioterapeutas, etc.) responsáveis
pela segurança e prevenção de doenças nestas empresas, o que pode gerar
deficiência nas orientações sobre saúde a estes trabalhadores, como por
exemplo, a importância do uso de máscaras de proteção individual, o que
poderia gerar menores complicações respiratórias decorrentes da exposição
ocupacional. Mesmo não tendo uma política de saúde adequada nestas
empresas, os trabalhadores não relataram presença de doenças respiratórias
ao responderem o questionário de avaliação. Este fato pode ser explicado pela
grande rotatividade de funcionários e pela prevalência de indivíduos jovens
nestas indústrias, ou seja, o curto tempo de exposição associados à baixas
idades não são suficientes para causar lesões pulmonares graves.
A análise do PFE da presente pesquisa mostrou que existem
variabilidade dos índices encontrados, sendo o declínio no valor encontrado
para Empresa I, podendo estar relacionado ao maior número de tabagistas
encontrados, quando comparado à empresa II (Tabela 6; Figura 1; Figura 2).
60
Tabela 6: Distribuição dos valores médios do PFE¹ previsto e mensurado
AMOSTRA PFE Mensurado(l/min) PFE Previsto (l/min)
Empresa I 367,6 ± 128,20 588,52 ± 37,74
Empresa II 488,8 ± 127,91 599,2 ± 30,08
Fonte: Dados da pesquisa, 2011.
As lesões pulmonares têm relação direta com o tempo e a qualidade da
exposição (CASTRO et al., 2004). É sabido que os mineradores deste estudo
estão susceptíveis às alterações do trato respiratório devido à exposição
ocupacional a determinados agentes poluidores (ALGRANTI, 2001). Estes
trabalhadores deveriam ser orientados com bastante firmeza sobre o uso de
equipamento de proteção individual, pois muitos sabem que deveriam ser
usados e poucos o fazem.
Outra explicação para a presença da associação ocupacional e
alteração da função pulmonar, é que os trabalhadores, em sua maioria,
relataram fazer o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI’s) como
máscaras e luvas, porém, durante a fase da coleta de dados não foi observada
a utilização completa e correta desses equipamentos pela maioria dos
funcionários. Isso pode ser um fator agravante, pois sem a proteção o trato
respiratório está mais suscetível à lesões, podendo ser explicada a associação
da exposição à poeira com a alteração da função pulmonar nestes indivíduos.
De acordo com Souza e Quelhas (2003), os trabalhadores devem sempre usar
o equipamento de proteção respiratória individual a fim de evitar exposições,
mesmo por curtos períodos de tempo. Como foram citados os trabalhadores da
indústria do beneficiamento do caulim apresentam-se expostos a fatores de
risco como a inalação de poeiras de sílica presentes no produto bruto, que
possuem a capacidade de se dispersar por todo o ambiente da fábrica,
atingindo os trabalhadores dos diversos setores da indústria, com possibilidade
de desenvolver agravos respiratórios que se manifesta no decorrer da vida
laboral. Entretanto, quando se avalia o ambiente de trabalho, é importante levar
em conta a história ocupacional com detalhamento das atividades profissionais
do indivíduo, ambiente que o cerca, processo produtivo, ritmo de trabalho,
carga horária, riscos percebidos, pois a relação temporal entre a exposição e o
61
quadro clínico é de fundamental importância para o estabelecimento de
associação entre causa e efeito (ALGRANTI, 2001).
PFE¹: pico de fluxo expiratório
Nossos dados diferem dos dados tradicionais da literatura européia e
norte-americana. Se por um lado reflete a influência de fatores desconhecidos
ligados a suscetibilidade individual, por outro denunciam certamente, más
condições de saúde ocupacional, ou seja, exposição a cargas maciças de
poeira de sílica.
Figura 1: Variação do pico de fluxo expiratório mensurado x previsto na Empresa 1.
Fonte: Dados da pesquisa, 2011.
Na literatura existem muitos estudos que abordam a presença de
sintomas respiratórios relacionados à exposição ocupacional, muitos deles com
dificuldades técnicas de comprovação do nexo causal (DEUS FILHO, 1982;
CASTRO et al., 2004). Destaca-se o estudo de Lemle et al. (1994), em que
foram avaliados 72 trabalhadores expostos a poeiras em uma pedreira no Rio
de Janeiro e, apesar de 65,3 % apresentarem sintomas respiratórios, o que
mais explicou a presença dos mesmos foram os antecedentes respiratórios de
morbidade pulmonar e o tabagismo, e em menor grau a exposição ocupacional
à poeira. Quanto à avaliação da função pulmonar na presente pesquisa, dos 50
indivíduos que realizaram a mensuração de PFE foi encontrada uma redução
na função pulmonar. Este dado não coincide com o estudo de Herval, Koga e
Santos (1980), que realizaram a espirometria para avaliação da função
pulmonar em 101 ceramistas expostos à sílica e identificou que os
trabalhadores permaneceram com volumes, capacidades e fluxos normais,
62
concluindo que as alterações ventilatórias são mais tardias e de caráter
obstrutivo e que o componente restritivo só ocorre nos casos graves.
Figura 2: Variação de pico de fluxo expiratório mensurado x previsto na empresa 2.
Fonte: Dados da pesquisa, 2011.
Mas existe uma divergência entre os estudos realizados, ou seja, muitas
variações nos dados espirométricos encontrados. Florencio et al. (1989),
avaliaram através do teste de exercício, a função cardiorespiratória de 43
ceramistas, ativos ou aposentados, com diagnósticos de silicose pulmonar,
encontrando provas funcionais respiratórias no repouso alteradas em apenas
14 trabalhadores. Entretanto Cowe et al (1998) avaliaram 242 mineiros
expostos à sílica e foi encontrada uma perda média de 75mml/ano do volume
expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) em toda a população. Um
padrão de perda similar foi encontrado quando se analisou a capacidade vital
forçada (CVF) e a capacidade de difusão pulmonar.
Em outro trabalho que objetivou analisar os distúrbios ventilatórios de 59
trabalhadores portadores de silicose, foi encontrado 42,1% de indivíduos
normais, 43,9% com distúrbio ventilatório obstrutivo, 7% restritivo e 7% misto.
Os pacientes com silicose apresentaram uma redução significativa nos índices
espirométricos (VEF1CVF) em relação àqueles com silicose simples (PINTO,
2001).
Castro et al. (2004), em estudo transversal com 457 trabalhadores
expostos à poeira de sílica encontraram na espirometria 10% com redução da
CVF 5,5% com redução do VEF 1 e 14,9% com redução da relação VEF1/CVF.
Contudo Lopes (2008), analisando 44 trabalhadores expostos à sílica,
encontrou na espirometria 61,4% de distúrbios obstrutivos.
63
Dentre os estudos pesquisados, encontramos uma variedade muito
diversificada de resultados e valores. Essa ampla variabilidade pode ser
atribuída por diferenças na técnica, amostra, faixa etária, população, entre
outros fatores.
4 CONCLUSÃO
No presente estudo observou-se que a predominância do sexo
masculino se justifica tanto pelo fato de ser uma atividade que exige
significativo esforço físico, como também por possuir alto grau de
insalubridade. Quanto ao número de funcionários existentes na empresa,
verifica-se que às referidas indústrias detém um número considerável de
funcionários para o possível funcionamento das diversas operações, fato este
que justifica a permanência da maioria dos integrantes da empresa nos setores
de produção. Nos resultados considerados por sexo, faixa etária e tabagismo,
observou-se que as variáveis que se mantiveram preditoras para alteração da
função pulmonar foram o tempo de exposição de 02 anos a mais e a inalação
de poeira. Os achados desta investigação sugerem que os mineradores das
indústrias de beneficiamento de caulim têm acometimento dos padrões
respiratórios, apresentando um declínio abaixo da média nos padrões
considerados dentro da normalidade para o Pico de Fluxo Expiratório (PFE).
Os resultados da pesquisa confirmaram a diminuição da função
pulmonar nesses trabalhadores, principalmente representadas pelos valores de
PFE obtido. Ademais, é importante ressaltar que as empresas campo da
pesquisa não oferecem uma assistência fisioterapêutica suficiente para todos
os indivíduos, o que possivelmente agrava o quadro. Os resultados
encontrados são importantes para nortear as políticas de saúde, principalmente
relacionadas à saúde do trabalhador. Por outro lado, eles suscitam a
necessidade de que sejam realizadas outras pesquisas sobre o tema, com
maior número de trabalhadores, para obtenção de mais dados referentes às
disfunções respiratórias em trabalhadores mineradores da indústria de
beneficiamento do caulim.
Dessa forma, recomenda-se conscientização dos proprietários dessas
empresas para que possibilite aos seus funcionários o uso dos EPIs e
64
acompanhamentos periódicos dessa função pulmonar, assim como ações dos
serviços de saúde daquela região, em busca de uma prevenção de maiores
complicações respiratórias.
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68
GRAU DE OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS E USO DE EQUIPAMENTOS
DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI’S): REPERCUSSÕES NA SAÚDE DOS
TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO GRANITO
Telma da Silva Araújo9
Priscilla Indianara Di Paula Pinto Taques10
RESUMO
Objetivo: Identificar o grau de obstrução das vias aéreas, o uso de
equipamentos de proteção individual (EPI’s) e apontar as repercussões na
saúde dos trabalhadores da indústria do granito. Desenvolveu-se uma pesquisa
aplicada, quantitativa-descritiva e de campo, numa marmoraria de Campina
Grande-PB, em outubro de 2014. A amostra foi composta por 09 trabalhadores
do granito, selecionados por acessibilidade, e os dados foram coletados
através de uma ficha de avaliação respiratória e teste com aparelho Peak Flow
para avaliar o grau de obstrução das vias aéreas, bem como questões acerca
do uso de EPI´s. Os dados foram analisados através de estatística descritiva. A
pesquisa recebeu parecer favorável a sua execução após apreciação ética do
Comitê de Ética e Pesquisa do Centro de Ensino Superior e Desenvolvimento
(CESED). Os resultados apontam que 100% dos participantes da amostra
eram do sexo masculino. Quanto ao teste com o Peak Flow, obtiveram uma
média do Pico de Fluxo Expiratório (PFE) mensurado de 465,55 l/min e uma
média do PFE previsto de 592 l/min, indicando um índice de obstrução
moderada em 55,6% (5). O estudo apontou que 100% dos trabalhadores
faziam uso de EPI’s. Exposições a fatores ambientais e ocupacionais podem
ser reduzidas através de ações de prevenção e promoção a saúde do
trabalhador, com intuito de minimizar problemas respiratórios advindos da
inalação dos mesmos. De acordo com grau de obstrução verificado junto aos
trabalhadores, podemos concluir que há indícios que estes possam apresentar
repercussões respiratórias vindo a desencadear alguma Doença Pulmonar
Obstrutiva Crônica (DPOC).
Palavras-chave: Saúde do trabalhador. Doenças Ocupacionais. Pico de Fluxo
Expiratório.
DEGREE OF AIRWAY OBSTRUCTION AND USE OF EQUIPMENT
PERSONAL PROTECTION (PPE'S): EFFECTS ON THE HEALTH
GRANITE INDUSTRY WORKERS
ABSTRACT
Objective: To identify the degree of airway obstruction, use of personal
protective equipment (PPE) and point health impacts of the granite industry
9 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
10 Mestra em Saúde Pública pela Universidade Estadual da Paraíba-UEPB. Especialista em
Saúde Pública e em Fisioterapia Pneumofuncional. Coordenadora do Curso de Fisioterapia da
União de Ensino Superior de Campina Grande-UNESC. Professora substituta da Universidade
Estadual da Paraíba-UEPB. Fisioterapeuta.
69
workers. Developed an applied research, quantitative - descriptive and field, a
marble factory in Campina Grande -PB, in October 2014. The sample consisted
of 09 granite workers, selected by accessibility, and data were collected through
a plug respiratory evaluation and testing with peak flow device to assess the
degree of airway obstruction, as well as questions about the use of PPE. Data
were analyzed using descriptive statistics. The research received assent to its
implementation after ethical appreciation of the Research Ethics Committee of
Higher Education and Development Center (CESED). The results show that
100% of the sample participants were male. As for the test with the peak flow,
achieved an average of Expiratory Flow Peak (PEF) measured 465.55 l / min
and a peak flow expected average of 592 l / min, indicating a moderate
obstruction index of 55.6 % (5). The study found that 100 % of employees were
using PPE. Exposure to environmental and occupational factors can be reduced
through prevention and promotion actions worker health, aiming to minimize
breathing problems caused by inhaling them. According to degree of obstruction
as measured with the workers, we can conclude that there is evidence that they
may present respiratory effects beginning to lead to some Chronic Obstructive
Pulmonary Disease (COPD).
Keywords: Occupational Health. Occupational Diseases. Peak Expiratory Flow.
1 INTRODUÇÃO
A Saúde do Trabalhador é a área da Saúde Pública cujo objetivo de
estudo e intervenção são as relações entre o trabalho e a saúde (SOUSA,
2010). As condições determinadas por alguns processos de produção industrial
geram doenças as quais os trabalhadores estão submetidos, constituindo as
doenças relacionadas ao trabalho. Para se evitar o dano, garantido a proteção
à saúde dos trabalhadores, ações interdisciplinares devem identificar as
condições de risco e sugerir as alternativas de mudanças nos processos de
trabalho ou nas condições de trabalho, propondo programas preventivos
voltados aos trabalhadores (GONÇALVES et al., 2008).
De acordo com Fagundes e Zanellato (2009), é importante que haja a
avaliação do ambiente de trabalho e dos trabalhadores, determinando o grau
de risco e os tipos de equipamentos de proteção individual (EPI) que o
trabalhador necessita pra cada local e função que ele venha a desempenhar.
Além de proporcionar treinamento quanto ao uso de EPI e salientar sua
importância. A situação é tão crítica que o Ministério da Saúde brasileiro tem
objetivado desenvolver ações focadas nos trabalhadores do setor da
mineração, promovendo o monitoramento da saúde e a prevenção de doenças
70
relacionadas ao processo de trabalho, já que apresenta alto nível de
periculosidade (BRASIL, 2009).
As doenças ocupacionais são designação de várias doenças que
causam alterações na saúde do trabalhador, comumente provocadas por vários
fatores relacionados com os ambientes de trabalho. As doenças das vias
aéreas estão diretamente relacionadas aos materiais inalados nos ambientes
de trabalho e dependem das propriedades dos agentes físico-químicas que a
causam (TARANTINO, 2008).
No Brasil, existe uma ampla exposição ocupacional gerando a
ocorrência de doenças respiratórias, porém, poucos dados estão disponíveis
acerca dessas ocorrências, por se tratarem de doenças subdiagnosticadas e
subnotificadas pelas empresas e pelos profissionais da saúde (LIDIO;
KIMATURA, 2008). Para Moreira et al. (2010), o trabalho em locais de riscos e
sem devidos cuidados geram um certo cuidado aos trabalhadores quando
estes não fazem o uso de equipamentos de proteção individual. Assim sendo,
com a observação empírica percebe-se que existe alta incidência de doenças
ocupacionais respiratórias em trabalhadores do granito, isso por decorrente da
exposição às substâncias ou condições perigosas presentes nas atividades
profissionais. Um dos vários exemplos disso é a silicose, mais comum em
profissionais de mineração. As doenças mais comuns são: bronquite, sinusite,
rinite, asma, gripe, resfriado, faringite, enfisema pulmonar, câncer de pulmão,
tuberculose, pneumonia e pneumoconioses (MARQUES; FIDELIS;
BRASILEIRO, 2012).
Portanto, Lima (2009) afirma que para melhorias na saúde dos
trabalhadores são necessárias mudanças nas práticas trabalhistas e no
enfoque aos EPI’s, para redução e até mesmo prevenção de doenças
ocupacionais. Assim, é importante saber que o diagnóstico funcional de um
paciente não depende apenas da identificação de funcionários sintomáticos e
do teste de PFE (Pico de Fluxo Expiratório) para identificar o grau de obstrução
de vias aéreas, são necessários ainda outros exames e testes para avaliar a
função pulmonar, como a espirometria e radiografia (BOAVENTURA et al.,
2007). Neste contexto, o Peak Flow é um aparelho simples, portátil, de fácil
manuseio e de baixo custo, tendo o objetivo de medir o fluxo expiratório (PFE),
que é o fluxo máximo alcançado durante uma expiração realizada com força
71
máxima, ou seja, de uma insuflação pulmonar. O PFE é considerado, como
volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF¹), definindo assim a
presença ou ausência de obstrução das vias aéreas (BRITO; BRANT;
PARREIRA, 2009).
A prática de trabalho em marmorarias é uma técnica produtiva, que junto
com sua riqueza, trouxe degradação ambiental e danos irreparáveis à saúde
dos trabalhadores da indústria do granito. Repercute em doenças pulmonares
ocupacionais, as quais constituem um importante e grave problema de saúde
pública. A partir dos dados e da observação dos efeitos à saúde aos seres
humanos de modo direto e indireto e do conhecimento prévio sobre o
acometimento do sistema respiratório em especial, teve-se o interesse em
realizar uma pesquisa que abordasse a temática outrora discorrida.
Diante do exposto, a realização desta investigação é considerada
relevante por apontar os prejuízos na ventilação pulmonar ocasionados pela
obstrução das vias aéreas, sendo evidenciado pela mensuração do PFE. Além
disto, pode-se apontar que o desenvolvimento desta pesquisa permite alertar
para o risco ocupacional que os trabalhadores do granito estão expostos e
mediante tal situação, conhecer alternativas para que medidas preventivas
sejam tomadas no intuito de amenizar ou até mesmo eliminar tais prejuízos à
saúde pública.
Este estudo contribui ainda para que sejam tomadas medidas
preventivas para não ocorrerem novos casos de doenças obstrutivas neste
ramo de atividade econômica, oferecendo melhoria das condições de saúde e
segurança dos trabalhadores com a implantação de controle da exposição
ocupacional às poeiras minerais. Poderá também servir como embasamento
científico para outras pesquisas na área, já que existe, aparentemente, um
hiato quando se buscam referências bibliográficas sobre a correlação: doenças
obstrutivas e o uso de EPI, PFE e prejuízos na ventilação pulmonar.
Assim sendo, teve-se como objetivo geral identificar o grau de obstrução
das vias aéreas, o uso de equipamentos de proteção individual (EPI), bem
como apontar as repercussões na saúde dos trabalhadores da indústria do
granito em uma marmoraria na cidade de Campina Grande-PB.
72
2 METODOLOGIA
A pesquisa realizada foi classificada como uma pesquisa aplicada, que
de acordo com Marconi e Lakatos (2008), se caracteriza por seu interesse
prático, ou seja, que os resultados sejam aplicados ou utilizados,
imediatamente, na solução de problemas que ocorrem na realidade.
Classificou-se ainda como quantitativa-descritiva, que consiste em investigação
de pesquisa empírica, com intuito de analisar as características dos fatos ou
fenômenos, avaliação de programas ou isolamento de variáveis. A pesquisa de
campo consiste na observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem
espontaneamente, na coleta de dados a eles referentes e no registro de
variáveis que se presumem relevantes, para analisá-los.
A coleta de dados foi realizada em Campina Grande-PB, no mês de
outubro de 2014, em uma marmoraria. Foram realizadas 3 (três) visitas ao local
da pesquisa, nas quais os participantes responderam a um instrumento
elaborado pelos pesquisadores que continha questões sócio demográficas,
além de campos para registro da avaliação respiratória e para os resultados do
teste com o Peak Flow, visando conhecer o grau de obstrução de vias aéreas
destes trabalhadores do granito. Destacamos que antes da aplicação do
referido instrumento, solicitamos anuência escrita dos sujeitos da pesquisa,
através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido,
conforme determina a Resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Ética em
Pesquisa.
A amostra perfez um número de 09 sujeitos, todos do sexo masculino,
selecionados de forma não probabilística, por acessibilidade, de uma
população de trabalhadores da indústria do granito do município de Campina
Grande-PB. Foram inclusos participantes que atenderam aos critérios de
inclusão, quais foram, aceitação em participar da pesquisa, assinando o TCLE
(Termo de Consentimento Livre e Esclarecido); serem do sexo masculino;
trabalhadores ativos capazes de responder ao instrumento e de realizar o teste
com o Peak Flow. Para exclusão, por sua vez, foram adotados os seguintes
critérios: trabalhadores inativos, de licença, em férias, temporários, estagiários;
e trabalhadores que tivessem alguma doença de base já instalada que não
fosse capaz de realizar o teste com Peak Flow.
73
Para a coleta de dados, foram utilizados como instrumentos: uma ficha
de avaliação respiratória, que incluiu questões sócio demográficas e sobre
sintomatologia respiratória, além de um aparelho para avaliação de pico de
fluxo expiratório, o Peak Flow, que permite a verificação do grau de obstrução
de vias aéreas. Os dados resultantes do teste com o Peak Flow foram
registrados no supramencionado instrumento.
Quanto ao protocolo de avaliação, buscou-se colher os seguintes dados:
altura, peso (P), pressão arterial sistêmica (PA), frequência respiratória (FR),
frequência cardíaca (FC) e a mensuração do pico de fluxo expiratório (PFE) e
Peak Flow previsto. O PFE foi coletado através de três medidas para cada
trabalhador, considerando-se o mais alto valor, conforme preconizado na
literatura (ANDRADE; DUARTE; CAMARGOS 2007; PIOVESANI et al., 2006).
Então, para mensuração do PFE foi utilizado aparelho portátil Peak Flow Meter
da marca Asma-Plan.
Antes da realização do teste se fez necessário uma orientação ao
paciente, a qual é importante para o sucesso do teste. De início foi dada uma
explicação, e em seguida uma demonstração para que ficasse bem claro ao
indivíduo como se realizar o teste. Este foi executado com o indivíduo sentado,
porém o pescoço não pode estar em flexão ou hiperextensão para que não
venha a afetar a complacência traqueal, e durante as manobras foi necessário
o uso de um clipe nasal. O teste foi iniciado de uma inspiração máxima,
seguida por uma expiração forçada máxima, curta e explosiva, através da peça
bocal acoplado ao medidor de pico de fluxo (Peak Flow) (BRITTO; BRANT;
PARREIRA, 2009).
Os resultados foram analisados quantitativamente, através da estatística
descritiva sendo expostos, observados e analisados através de gráficos e
tabelas, de acordo com a quantidade de trabalhadores, o grau de obstrução de
vias aéreas e uso de EPI’s. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e
Pesquisa-CEP do Centro de Ensino Superior e Desenvolvimento (CESAD),
para apreciação e recebeu parecer favorável à sua execução através do CAAE:
35547414.1.0000.5175. O pesquisador responsável assinou o Termo de
Concordância com a pesquisa, bem como o Termo de Compromisso do
Pesquisador e se comprometeu a cumprir as normas da Resolução 466/12 do
74
Conselho Nacional de Saúde, evidenciando as finalidades do estudo,
identificação, contatos do pesquisador e garantia de sigilo das informações.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.1 Perfil sociodemográfico e clínico da amostra
A amostra da pesquisa foi constituída por 09 trabalhadores de uma
marmoraria no município de Campina Grande - PB. A análise dos dados
obtidos nos permitiu constatar que a média de idade dos participantes foi de
31,22 ± 7,31anos, variando entre 19 e 40 anos (Tabela 1). Todos os
participantes eram do sexo masculino, dado que pode ser justificado devido ao
trabalho na marmoraria ser prioritariamente uma atividade para homens, por
exigir muito da força e manejo de pedras pesadas.
Tabela 1: Média e desvio padrão das idades dos participantes da amostra
PARTICIPANTES
IDADE
(Anos)
MÉDIA DESVIO PADRÃO
09 31,22 7,31
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
Todos os participantes da pesquisa residem no município de Campina
Grande (100% - 9). Quanto aos hábitos de vida, observamos que 55,5% (5)
são etilistas e 44,4% (4) não fazem uso do álcool, que 44,4% (4) são
tabagistas, 55,5%(5) não são tabagistas, sendo 50% (2) fumantes dependentes
(Tabela 2).
Segundo Castro et al. (2004), em um estudo realizado através do perfil
respiratório de trabalhadores, constatou uma prevalência de fumantes de 52%,
visto que existe um alto índice de fumante nos ambientes de trabalho.
75
Tabela 2: Distribuição da amostra segundo características sócio demográficas
CARACTERISTICAS
SOCIODEMOGRÁFICAS
FREQUÊNCIA
N = 09
PERCENTUAL
(%)
Idade (anos)
18 – 25 1 11,11
26 – 30 1 11,11
31 – 35 4 44,44
36 – 40 3 33,33
Sexo
Feminino 0 0
Masculino 09 100
Tabagismo
Sim
Dependentes
Ocasionais
Regulares
4
2
1
1
44,44
22,22
11,11
11,11
Não 5 55,55
Etilismo
Sim 5 55,55
Não 4 44,44
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
A partir da avaliação respiratória feita durante a pesquisa podemos
coletar os seguintes dados, que permitiram a construção de um perfil clínico da
amostra: doenças respiratórias pregressas, via de acesso ao ar, avaliação
ventilatória, tosse, expectoração, padrão respiratório, tipo de tórax.
Os resultados apontam que 88,8% (8) dos trabalhadores da marmoraria
não apresentaram nenhuma doença respiratória pregressa e apenas 11,1% (1)
apresentam doença respiratória pregressa, 66,6% (6) são respiradores nasais,
33,3% (3) são respiradores bucais, 100% (9) são eupnéicos, 77,7% (7) não
apresentaram sintomas de tosse, 88,8% (8) não apresentaram expectoração,
88,8% (8) apresentaram padrão respiratório costal, 11,1% (1) apresentou
padrão respiratório abdominal, e em relação ao tipo de tórax, não apresentam
nenhuma alteração no (Tabela 3).
76
Tabela 3: Distribuição da amostra segundo avaliação respiratória
AVALIAÇÃO RESPIRATÓRIA FREQUÊNCIA
N= 09
PERCENTUAL
(%)
Doença respiratória pregressa
Apresenta 1 11,1
Não apresenta 8 88,8
Via de acesso ao ar
Bucal 3 33,3
Nasal 6 66,6
Avaliação ventilatória
Taquipnéico/ Bradipnéico 0 0
Eupnéico 9 100
Tosse
Sim 2 22,2
Não 7 77,7
Expectoração
Sim 1 11,1
Não 8 88,8
Padrão respiratório
Abdominal 1 11,1
Costal 8 88,8
Tipo de tórax
Normal 9 100
Pectus Escavatum
Pectus Carinatum
-
-
-
-
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
Através de questionamento direto ao paciente, quando possível, ou a
seus familiares, podemos descobrir alguma história pregressa de patologia
respiratórias. Quanto às vias de acesso de ar, Barbiero et al. (2007), descreve
que o simples ato de respirar pelo nariz é inerente ao ser humano, sendo este,
ao nascer, um respirador nasal obrigatório. Para que ocorra a respiração nasal
é necessário que haja integridade anatômica e funcional das vias aéreas.
Porém, existem outros tipos de respiração, além da respiração nasal (normal),
como as respirações oral e mista, consideradas formas anômalas que se
realizam através da ajuda da boca, de maneira total ou parcial,
respectivamente. A respiração oral caracteriza um desvio adquirido, podendo
ser de natureza multifatorial e causar efeitos deletérios.
Gambaroto (2006), demostra que a frequência respiratória em indivíduos
adultos normais em repouso varia de 12 a 22 incursões por minuto, e relata
ainda que ao fazer a contagem da frequência respiratória pode-se definir que: o
77
paciente pode estar com uma taquipnéia (frequência respiratória maior ou igual
a 24 incursões por minuto); bradipnéia (frequência respiratória menor que 12
incursões por minuto); apnéia (suspensão da respiração) e eupnéia (respiração
estiver dentro dos padrões normais que vai de 12 a 22 inspirações por minuto).
As agressões sofridas pelo sistema respiratório resultam em sintomas
característicos da doença pulmonar obstrutiva crônica, como tosse,
expectoração e dispneia, sendo os mais frequentes, dentre os sintomas
relacionados ao tabaco.
Segundo Machado (2008), a tosse é um sintoma protetor das vias
aéreas, é uma reação de defesa traqueobrônquica, pleuras, vísceras, e
pericárdio, é, portanto uma ação reflexa de defesa do organismo.
Através dos dados analisados, observou-se que, no que diz respeito ao
hábito tabágico, dentre os trabalhadores da marmoraria 44% (4) são fumantes
e 56% não são fumantes (Gráfico 1).
Gráfico 1: Classificação da amostra quanto ao hábito tabágico
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
O tabagismo é considerado, pela Organização Mundial de Saúde (OMS),
a principal causa de morte prevenível, afetando mais de um bilhão de pessoas
no mundo. No Brasil, são aproximadamente 33 milhões de tabagistas (LEITÃO
FILHO et al., 2009).
Segundo Rodrigues, Cheik e Mayer (2008) pode-se definir fumante todo
o indivíduo que consumiu cigarros ou qualquer produto tabágico regularmente
78
e tabagismo como o ato de consumir cigarros ou outros produtos que
contenham tabaco, cuja droga ou princípio ativo é a nicotina. Assim, o tabaco é
considerado um fator de risco para seis (doença cardíaca isquêmica, acidente
vascular cerebral e outras doenças cerebrovasculares, infecções do trato
respiratório inferior, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de traquéia,
brônquios e pulmões) das oito principais causas de morte no mundo, e que
mata uma pessoa a cada seis segundos.
Melo, Araújo e Petroianu (2001) através de estudo sugeriram que o
tabagismo tem papel sinérgico na redução do fluxo expiratório. Quanto à
classificação do tabagismo 50%(2) apresentaram-se como fumantes
dependentes, 25% (1) como fumante regular, 25% (1) como fumante ocasional.
Estes se classificaram como fumantes dependentes, que fumavam mais de 20
cigarros por dia, fumantes regulares que fumavam menos de 10 cigarros por
dia e fumantes ocasionais que fumavam de 1 a 2 cigarros por dia (Gráfico 2).
Gráfico 2: Classificação do Tabagismo quanto a quantidade de cigarros
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
No que dizem respeito aos sinais vitais dos trabalhadores participantes
da amostra, os resultados apontam uma média da frequência cardíaca de
68,87 (±11,2), uma média de frequência respiratória de 18,3 (±1,2), uma média
de PA de 123,3 x 73,3(±10,0 x 5,0) e por fim, observamos uma média de SpO²
de 96,4% (±1,8) (Tabela 4).
79
Von Eye (2008), descreve que os parâmetros cardíacos (FC)
considerados normais apresentam-se no intervalo de 60-100 bpm. Acima
destes valores descreve taquicardia (coração de um adulto bate mais de 100
vezes por minuto) e menor que esses valores bradicardia (coração de um
adulto bate menos de 60 vezes por minuto). O mesmo ainda ressalta que a
pressão sanguínea (PA) em indivíduos normais a pressão sistólica vai até 140
mmHg e a pressão diastólica vai até 90 mmHg. A frequência respiratória deve
ser medida com o paciente confortavelmente sentado, onde o normal em
adultos é de 12-16 respiração por minuto. Já sobre a saturação de oxigênio
(SPO²), este afirma que pacientes com DPOC apresentam em torno de 89%,
recebendo um tratamento diferenciando na oxigenoterapia.
De acordo com os resultados da tabela 4 e com o autor mencionado,
podemos classificar os trabalhadores participantes da amostram como
normocárdicos, cujos valores obtidos se encaixam entre os valores citados
acima, ou seja, entre os valores normais, podemos também classificar os
trabalhadores como eupnéicos, ou seja, os mesmos apresentam frequência
respiratória dentro dos valores normais citados, podemos classificar de acordo
com a PA (Pressão Arterial) que os participantes da amostra não são
hipertensos, contudo, os mesmos apresentaram valores normais de PA, como
citado pelo autor anteriormente. E ainda apresentam uma saturação de
oxigênio dentro da normalidade.
Tabela 4 – Distribuição da amostra quanto aos sinais vitais
FC (bpm) FR (ipm) PA (mmHg) SpO2
AMOSTRA MÉDIA/D.P MÉDIA/D.P MÉDIA/D.P MÉDIA/D.P
N=09 68,7 ± 11,2 18,3 ± 1,2 123,3 x 73,3 ±
10,0 x 5,0
96,4 ± 1,8
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
Através de uma análise dos dados antropométricos obtidos observa-se
uma média de peso dos trabalhadores de 72,8Kg (±10,7), uma média de altura
de 1,72m (±0,04) e uma média de IMC equivalente a 24,51 Kg/m² (±3,32)
(Tabela 5).
80
Tabela 5: Distribuição da amostra quanto aos dados antropométricos
AMOSTRA
PESO
(Kg)
ALTURA
(m)
IMC
(Kg/m2
)
MÉDIA/DP MÉDIA/DP MÉDIA/DP
N=09 72,8±10,7 1,72±0,04 24,51± 3,32
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
O peso corporal pode comprometer a respiração de um paciente através
da obesidade e má nutrição. Como o peso corporal ideal tem uma grande
variação normal, o índice de massa corpórea (IMC) tem sido proposto como
uma alternativa, na qual a escala normal está entre 20 – 25 Kg/m², assim
pacientes com um (IMC) abaixo de 20 kg/m² estão abaixo do peso, aqueles
com valores entre 25 – 30 estão acima do peso e aqueles com valores acima
dos 30 são classificados como obesos. Seguindo os parâmetros apontados
pelos autores, podemos enquadrar a amostra estudada em um padrão normal
de IMC (PRYOR; WEBBER, 2002).
3.2 Peak Flow e trabalhadores do granito
A espirometria de fluxo é o teste-padrão para calcular a função pulmonar
e suas alterações e representa grande importância no diagnóstico, na
quantificação da intensidade do acometimento dos distúrbios ventilatórios e no
manejo de pacientes com doenças pulmonares. É um meio rápido e seguro de
avaliação funcional e graças a sua sensibilidade é capaz de detectar alterações
pulmonares antes mesmo que elas ocorram, ou seja, mesmo que ainda não
tenham ocorrido os primeiros sintomas e doenças respiratórias crônicas
(NEPPELENBROCK et al., 2005).
A mensuração do Pico de Fluxo Expiratório (PFE) da amostra estudada
foi realizada segundo aponta Sarmento (2007, p. 195) com:
[...] paciente orientado a ficar em posição confortável, de preferência
em posição ortostática; segurar o aparelho adequadamente, não
obstruindo a saída do ar; zerar o marcador; inspirar profundamente;
colocar o aparelho na boca com os lábios firmes; expirar com maior
velocidade possível; anotar o valor obtido; efetuar três vezes o
procedimento; anotar o melhor resultado em sua tabela pessoal.
81
Portanto, o subitem que se inicia apresenta a exposição dos resultados
obtidos mediante o teste com o Peak Flow, bem como sua relação com os
parâmetros de normalidade e as variáveis importantes para esta avaliação, tais
como idade, altura e sexo.
De acordo com os valores de pico de fluxo expiratório (PFE)
considerados normais (TABELA 6), foi calculado o PFE previsto para cada
amostra de acordo com sua altura, idade e PFE mensurado.
Tabela 6- Valores de Pico de Fluxo Expiratório (l/min) para população normal
HOMENS
Idade Estatura (cm)
(anos) 155 160 165 170 175 180
20 564 583 601 620 639 657
25 553 571 589 608 626 644
30 541 559 577 594 612 630
35 530 547 565 582 599 617
40 518 535 552 569 586 603
45 507 523 540 557 573 576
50 494 511 527 543 560 563
55 483 499 515 531 547 563
60 471 486 502 518 533 549
65 460 475 490 505 520 536
70 448 462 477 492 507 521
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
Através de uma distribuição da amostra e uma correlação entre a idade,
altura, PFE mensurado e PFE previsto, os resultados apontaram: média dos
fluxos expiratórios mensurados de 465,55 l/min (±94,61); média de fluxo
expiratório previsto de 592 l/min (±22,01); idade variando de 19 a 40 anos, com
média de 31,22 anos (±7,31), uma altura que variou de 1,67 a 1,83 cm, com
média de 1,72 cm (±0,04) (Tabela 7).
82
Tabela 7: Distribuição da amostra quanto a avaliação da função pulmonar com
Peak Flow
AMOSTRA ALTURA
(cm)
IDADE
(anos)
PFE
mensurado
(l/min)
PFE
Previsto
(l/min)
G.O
(%)
TIPO DE
OBSTRUÇÃO
1º 1,72 40 320 569 47,3 OG
2º 1,70 22 370 608 39,2 OM
3º 1,67 33 620 582 6,2 AO
4º 1,83 26 480 630 23,9 OM
5º 1,72 37 400 569 29,8 OM
6º 1,76 38 460 586 21,6 OM
7º 1,71 33 450 582 22,3 OM
8º 1,72 19 540 620 13 OL
9º 1,70 33 550 582 5,5 AO
MÉDIA 1,72 31,22 465,55 592 -
DP 0,04 7,31 94,61 22,01 -
OG- Obstrução Grave; OM- Obstrução Moderada; OL- Obstrução Leve; AO- Ausência de Obstrução
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
De acordo com os dados da tabela acima podemos identificar que os
resultados do PFE mensurado, com relação aos valores do PFE previsto,
demonstraram uma pequena discrepância, na qual podemos considerar uma
diferença entre os valores como toleráveis, os quais a maior parte dos
trabalhadores apresentou grau de Obstrução Moderada (OM), o que equivale a
56%. Comparando os resultados com a literatura podemos observar que os
trabalhadores apresentaram moderada obstrução das vias aéreas.
Patrocínio et al (2009) descrevem que o PFE é um indicador indireto da
DPOC e obstrução das grandes vias aéreas sendo afetado pelo grau de
insuflação pulmonar, pela elasticidade torácica, musculatura abdominal e pela
força muscular. De acordo com autor citado, quando o PFE apresenta-se maior
ou igual a 80% do predito é considerado obstrução leve (OL), entre 60 e 80%
do predito considera obstrução moderada (OM), menor ou igual que 60% é
considerado obstrução grave (OG) e maiores ou iguais o da tabela, é
considerado ausência de obstrução (AO).
Conforme constatado através dos resultados do teste com o Peak Flow,
os trabalhadores da marmoraria que constituiu o cenário desta pesquisa
apresentam ainda um grau moderado de obstrução das vias aéreas. Porém, é
sabido que a exposição prolongada aos inalantes oriundos da sua atividade
ocupacional pode agravar tal quadro e ser um fator desencadeante de doenças
83
obstrutivas, que comprometem gravemente a qualidade de vida e sobrevida
dos seus portadores.
As principais doenças obstrutivas difusas são: enfisema, bronquite
crônica, bronquiectasia e asma. A DPOC se caracteriza por uma leve
inflamação crônica por todas as vias aéreas, parênquima e vasculatura
pulmonar. Em pacientes que apresentam essas patologias, os testes de função
pulmonar demonstram uma limitação dos índices de fluxo aéreos normais
durante a expiração forçada, geralmente mensurados através do volume
expiratório forçado em um segundo (BAGATIN; COSTA, 2006).
As doenças pulmonares obstrutivas podem decorrer de um
estreitamento das vias aéreas anatômicas, como é classicamente observado
na asma, ou pela perda do recurso elástico do pulmão, característico do
enfisema pulmonar. Ademais, os pacientes com doença pulmonar difusa
podem ser classificados em: Doença Obstrutiva – caracterizada por um
aumento da resistência ao fluxo de ar devido a uma obstrução parcial ou
completa, em qualquer nível, da traquéia e dos grandes brônquios até
bronquíolos terminais e Doença Restritiva – caracterizada por uma expansão
reduzida do parênquima pulmonar, com diminuição da capacidade pulmonar
total. Assim sendo, Maia et al. (2007), percebe que o valor do fluxo expiratório
revela a presença de resistência ao fluxo nas vias aéreas e traduz a
intensidade da dificuldade de saída de ar dos pulmões, indicando o grau de
obstrução no momento da mensuração, servindo como uma prova funcional
pulmonar dirigida à avaliação das vias aéreas.
No (Gráfico 3), é possível observar o percentual do grau de obstrução
das vias aéreas dos trabalhadores do estabelecimento da pesquisa. Os
resultados apontam que 22% (2) não apresentam obstrução, ou seja,
apresenta AO (Ausência de Obstrução), onde os valores obtidos
corresponderam a resultados iguais e maiores que os valores previstos, citados
por Patrocínio (2009), 11% (1) apresentaram OL (Obstrução Leve), ou seja,
apresentaram resultados maiores que 80%, 11%, (1) apresentou OG
(Obstrução Grave), na qual os valores correspondem a valores menores ou
iguais a 60% e 56% (5) apresentou OM (Obstrução Moderada), ou seja,
apresentou valores ente 60% e 80% dos valores preditos.
84
De acordo com Gambaroto (2006), a doença pulmonar obstrutiva
crônica é caracterizada pelo desenvolvimento de limitação progressiva e não
reversível ao fluxo aéreo. A Organização Mundial de Saúde prevê que, em
2020, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) passará de 12ª para a 5ª
doença mais prevalente no mundo e da 6ª para 3ª causa de morte.
Gráfico 3: Classificação da amostra quanto ao tipo de obstrução
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
Dados da pesquisa apontaram resultados que demonstram que 100%
(09) dos trabalhadores da marmoraria fazem uso de EPI’s (Equipamentos de
Proteção Individual). No que diz respeito ao tipo de EPI’s obtivemos o seguinte
resultado: 100% (09) fazem uso de máscara e protetor auricular, bem como
luvas e capacete (Gráfico 4).
85
Gráfico 4: Classificação da amostra quanto ao uso de EPI’s
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
De acordo com Hiarata Filho (2008), os EPI’s podem ser considerados
como um dispositivo de uso individual destinado a proteger a integridade física
e a saúde do trabalhador, onde toda empresa é obrigada a fornecer aos seus
funcionários, gratuitamente os EPI’S segundo as necessidades de trabalho e
ao risco inerente. Os empregados também têm a obrigação de usar EPI’S e se
responsabilizar pela guarda e conservação deste.
De um modo geral podemos ressaltar que é através dos EPI’S, que
podemos garantir uma proteção mais eficaz para os respectivos trabalhadores,
não só apenas evitando que algumas doenças do trato respiratório se instalem,
mais evitando também acidentes dentro do local de trabalho ou durante sua
atividade laboral.
4 CONCLUSÕES
Ao longo deste trabalho pôde-se buscar e identificar o grau das
obstruções das vias aéreas de trabalhadores de uma marmoraria, bem como o
uso de EPI’s, decorrente de sua atividade laboral e as repercussões na saúde
destes trabalhadores. Assim, com base nos resultados apresentados após
avaliação do grau de obstrução das vias aéreas, é possível concluir que há
uma pequena discrepância nos valores de PFE mensurados e previstos para a
amostra estudada, na qual podemos considerar uma diferença entre os
86
valores, quando comparados e analisados aos que a literatura aponta como
normalidade. Contudo, classificam-se os trabalhadores com alteração
moderada do sistema respiratório, ou seja, já apresentam indícios de doenças
respiratórias obstrutivas.
De acordo com o que foi visto na realidade dos trabalhadores da
marmoraria, considera-se que os mesmos são orientados de forma geral no
que diz respeito aos fatores ambientais a que estão susceptíveis no meio em
que trabalham, e sobre as possíveis proteções que possam ser usadas durante
a sua atividade laboral. Fato este que foi comprovado através da observância
de grande frequência de uso de EPI´s pelos trabalhadores da amostra. É
pertinente destacar a importância do uso dos EPI’s visto que este fato pode
diminuir os danos à saúde das populações em exposição direta e indireta,
principalmente no que diz respeito aos acometimentos ao sistema respiratório.
Exposições a fatores ambientais e ocupacionais de trabalhadores de
setores que contem poeiras e resíduos podem ser reduzidas através de ações
de prevenção e promoção a saúde do trabalhador, com intuito de minimizar ou
eliminar os problemas respiratórios advindos da inalação dos mesmos. De
acordo com o grau de obstrução descrito dos trabalhadores, podemos concluir
e considerar que os mesmos apresentaram indícios de algum tipo de problema
respiratório que possa vir a desencadear alguma doença pulmonar obstrutiva
(DPOC) grave. De forma geral conclui-se que o estudo apresentou resultados
satisfatórios em relação ao ambiente que foi vivenciado durante a pesquisa,
pois todos estavam conscientizados, orientados e faziam uso de EPI’s.
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89
CUIDADOS NA ASSISTÊNCIA VENTILATÓRIA PARA PREVENÇÃO DA
PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA (PAVM): UMA
REVISÃO DE LITERATURA
Stela Ticyanne de Castro Dantas11
Vitor Ávila Rozeira Silva12
RESUMO
Introdução: A PAVM consiste numa infecção pulmonar nosocomial, causada
por bactérias, vírus ou fungos que acometem os pacientes sob o uso de VM no
período entre 48 horas da intubação endotraqueal até 72 horas após a
extubação. Objetivos: Realizar um levantamento bibliográfico acerca dos
cuidados utilizados na assistência ventilatória para prevenção da Pneumonia
Associada à Ventilação Mecânica. Método: revisão bibliográfica por meio da
consulta de livros e artigos presentes nas bases de dados Scielo e Cochrane
sobre o tema, no período de outubro a dezembro de 2014, sendo selecionados
20 artigos, 5 livros, 1 Trabalho de Conclusão de Curso, 1 Dissertação e 1 Tese.
Os critérios de inclusão foram: abordagem o tema em questão; produções
nacionais em língua portuguesa e disponíveis na íntegra; produções
decorrentes dos anos 2005 a 2014. Resultados e discussões: Os resultados
encontrados revelam que na PAVM não existem grandes divergências,
sobretudo acerca dos cuidados e medidas preventivas adotadas frente ao
paciente em uso de VM. Além disso, apesar de pouco discutido, evidencia-se o
relevante papel que a fisioterapia desempenha frente ao paciente em VM para
prevenção de complicações decorrentes PAVM. Conclusão: O reconhecimento
dos cuidados essenciais aos pacientes em uso de VM, pelos profissionais da
saúde, sobretudo pelo fisioterapeuta que mantêm um contato direto com o
paciente crítico é de fundamental importância no que concerne a adoção de
medidas de controle para prevenção desse agravo à saúde.
Palavras-Chave: Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica. Prevenção.
Respiração Artificial.
CARE IN VENTILATORY ASSISTANCE PREVENTION OF PNEUMONIA
ASSOCIATED WITH MECHANICAL VENTILATION (VAP): A LITERATURE
REVIEW
ABSTRACT
Introduction: VAP is a nosocomial pulmonary infection caused by bacteria,
viruses or fungi that affect patients under MV within 48 hours of endotracheal
intubation up to 72 hours after extubation. Objectives: To perform a
bibliographic survey about the care used in ventilatory assistance for the
11Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
12Especialista em Fisioterapia Intensiva pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva
(SOBRATI). Mestrando em Terapia Intensiva pelo IBRATI. Professor do Curso de
Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-UNESC. Fisioterapeuta.
90
prevention of mechanical ventilation associated pneumonia. Method:
bibliographical review through the consultation of books and articles present in
the Scielo and Cochrane databases on the subject, from October to December
2014, with 20 papers, 5 books, 1 Course Conclusion Paper, 1 Dissertation and
1 thesis. The inclusion criteria were: approach the theme in question; national
productions in Portuguese and available in full; results from 2005 to 2014.
Results and discussions: The results show that there are no major divergences
in the PAVM, especially regarding the precautions and preventive measures
adopted in relation to patients using MV. In addition, although little discussed, it
is evident the important role that physiotherapy plays in front of the patient in
MV for the prevention of complications resulting from VAP. Conclusion: The
recognition of the essential care to patients using MV by health professionals,
especially by the physiotherapist who maintains direct contact with the critical
patient is of fundamental importance in what concerns the adoption of control
measures to prevent this health problem.
Keywords: Ventilator Associated Pneumonia Will. Prevention. Artificial Breath.
1 INTRODUÇÃO
Com o intuito de salvar vidas, a ventilação mecânica vem a ser a
aplicação de uma pressão positiva nos pulmões, através de uma prótese
colocada nas vias aéreas, podendo gerar temíveis efeitos adversos no
ambiente de terapia intensiva, os quais são bem conhecidos: em pacientes
hipovolêmicos que pode ocorrer à instabilidade hemodinâmica; a maior
frequência de infecções respiratórias, se deve à redução dos mecanismos de
defesa locais pela presença do tubo; a lesão induzida pela ventilação
mecânica, que está associada às altas pressões alveolares que são atingidas
em algumas unidades decorrentes de um pulmão doente, bastante
heterogêneo, contudo, essas alterações estão diretamente relacionadas com
uma maior morbidade, devido às repercussões sistêmicas que geram aumento
de custo para o sistema único de saúde, permanência maior no hospital e UTI,
assim como uma maior mortalidade desses pacientes (CARVALHO, 2006).
Desde os primórdios da terapia intensiva a pneumonia hospitalar tem
sido uma complicação frequente durante a internação em unidades desta
modalidade terapêutica, estando a maioria associada a dispositivo invasivo,
diretamente relacionado à ventilação mecânica (CARRILHO et al., 2006).
Inicialmente o principal fator de risco para o desenvolvimento da
pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) era a contaminação dos
fluidos dos reservatórios dos nebulizadores, porém, nos dias de hoje, ela já é a
91
infecção nosocomial mais comum no ambiente de cuidados intensivos,
elevando a mortalidade e o tempo de permanência na UTI, com todos os
custos associados a esse prolongamento (CARMO NETO et al., 2006).
A permanência dos tubos traqueais coopera de forma direta para o
desenvolvimento da PAVM, por diminuir a eficácia dos mecanismos de defesa
naturais das vias aéreas superiores e pulmonares, prejudicando o reflexo de
tosse e permitindo o acesso de microrganismos ao trato respiratório inferior
(LOPES; LÓPEZ, 2009).
No Brasil existem poucos estudos sobre os dados epidemiológicos da
PAVM, sendo que os principais dados de literatura são provenientes de países
da Europa e da América do Norte (SILVA et al., 2011). Segundo Albuquerque
(2010), traz em sua obra que a incidência e a mortalidade pela PAVM estão
diretamente associadas às pacientes que estão principalmente com idade
superior a 45 anos, ao tempo maior em VM que nove dias, à imunossupressão,
entre outros, no entanto, a intubação orotraqueal (IOT) por si só, ou associada
à VM aumenta essa incidência em 7 e 10 vezes mais, respectivamente. A
infecção pulmonar resulta em taxas de mortalidade que variam entre 20% e
70% comparado a outros tipos de infecções que envolvem a pele, o trato
urinário, entre outros órgãos (CARRILHO et al., 2006).
A PAVM é clinicamente definida pelo surgimento de um novo infiltrado
na radiografia do tórax, a piora do padrão radiológico ou que esteja associado
ao menos a dois dos seguintes critérios: leucocitose ou leucopenia, secreção
purulenta, febre ou hipotermia. Contudo, os achados radiológicos analisados de
forma isolada no diagnóstico da PAVM são inespecíficos e inconclusivos,
necessitando-se de uma coleta e cultura quantitativa de secreção do trato
respiratório inferior para um melhor diagnóstico (ALBUQUERQUE, 2010).
Os fatores de risco para o desenvolvimento da PAV podem ser
classificados em modificáveis e não modificáveis. Fatores de risco não
modificáveis são: idade, escore da gravidade (quando da entrada do paciente
na UTI) e presença de co-morbidade (doença pulmonar obstrutiva crônica,
insuficiência cardíaca, diabetes, doenças neurológicas, neoplasias, trauma e
pós-operatório de cirurgias). Já os fatores modificáveis estão relacionados à
microbiota da própria UTI, justificando a importância de conhecer os agentes
mais frequentes em locais específicos, pois isso favorece a prescrição racional
92
e dirigida dos antimicrobianos, uma vez que frente a uma suspeita de PAVM o
tratamento empírico deve ser prontamente instituído (CARVALHO, 2006).
Outros fatores de risco são: predisposição no desenvolvimento de PAVM, como
o uso prévio de antimicrobianos, bloqueadores de receptores H, antiácidos,
necessidade de reintubação, posição supina, uso de cânula nasogástrica,
presença de traqueostomia e transporte dentro do hospital (SILVA et al., 2011).
Diante desses fatores de risco citados, torna-se necessário o uso de
ações de prevenção (bundles) da PAVM, com o intuito de promover segurança
aos pacientes que necessitem de assistência ventilatória invasiva durante sua
permanência na UTI. São utilizadas medidas profiláticas; estas medidas
normalmente são eficientes, de fácil aplicação e baixo custo financeiro,
devendo-se sempre respeitar especificidades locais de cada ambiente
hospitalar (GONÇALVES et al., 2012). Dentre essas medidas estão: protocolo
efetivo de desmame da ventilação mecânica, equipes de fisioterapeutas
intensivistas, elevação da cabeceira do leito do paciente de 30 a 45 °, ajuste da
pressão do cuff 3 vezes ao dia, higiene oral do paciente com clorexidine,
utilização de tubos com possibilidade de aspiração de secreção suprabalonete,
aumento da utilização de ventilação não invasiva e utilização de tubos
traqueais impregnados de antisséptico (SILVA et al., 2014).
Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo principal revisar os
cuidados na assistência ventilatória para prevenção da PAVM, através de uma
revisão bibliográfica, envolvendo medidas de controle de infecção, bem como a
importância do profissional de fisioterapia na prevenção da patologia.
3 MÉTODOS
Trata-se de um estudo bibliográfico exploratório e descritivo que,
segundo Marconi e Lakatos (2010), consistem na pesquisa de bibliografias já
publicadas em relação ao tema de estudo, como jornais, artigos, revistas,
livros, monografias e teses, cuja finalidade é colocar o pesquisador em contato
direto com as questões da temática pertinente, aumentando a familiaridade
com o ambiente, fato ou fenômeno, por meio da descrição completa da
problemática, permitindo base para futura pesquisa mais precisa.
93
O estudo teve início com a revisão bibliográfica por meio do
levantamento sobre o tema, por meio da consulta manual em livros e artigos
científicos presentes nas bases de dados: Scielo e Cochrane. Foram
selecionados 20 artigos, 5 livros, 1 Trabalho de Conclusão de Curso, 1
Dissertação e 1 Tese. Em seguida realizou-se uma leitura exploratória
mediante o estudo de livros, introdução e resumos de artigos que tem como
objetivos verificar em que medidas a obra interessa para a pesquisa e
proporcionar maior familiaridade com a temática. De posse do material foi
possível ter uma visão global do texto, bem como sua utilidade para a
pesquisa. A busca dos artigos se deu por meio dos seguintes descritores:
Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica, Prevenção e Respiração
artificial.
A coleta de dados foi baseada na leitura e documentação de artigos
disponíveis na internet, revistas científicas e livros no período de outubro a
dezembro de 2014 e que abordam discussões acerca da Pneumonia
Associada à Ventilação Mecânica. Sendo assim, Gil (2008) afirma que, se
desenvolve a partir do material teórico, documentos, artigos e etc., já
elaborados que servem como base de orientação ao trabalho que está sendo
desenvolvido, pois dar ao pesquisador uma maior abrangência do tema
pesquisado, possibilitando a validação do estudo.
Ainda de acordo com o autor supracitado, o elemento mais importante
para a identificação de um delineamento é o procedimento adotado para a
coleta de dados, devendo caber aos pesquisadores assegurarem-se das
condições em que os dados foram obtidos, analisarem em profundidade cada
informação para descobrir incoerências ou contradições e utilizar fontes
diversas, cotejando-se cuidadosamente.
Assim, realizamos leituras seletivas e analíticas dos textos a fim de
ordenar e sumarizar as informações contidas nas fontes, identificar a relação
do conteúdo com objeto da pesquisa, constituindo-se como critério os que
abordaram o tema em questão, produções nacionais na língua portuguesa,
disponíveis na integra, decorrentes dos anos 2005 a 2014, de modo que estes
possibilitem a obtenção de respostas ao problema em estudo.
94
Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica, após a leitura dos textos
sobre a temática pertinente, os dados serão interpretados e apresentados nos
resultados e discussões.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Com base na análise das bibliografias e artigos pesquisados, foram
retirados informações e dados relevantes, organizados de forma sequencial
que subsidiaram o alcance dos resultados expostos posteriormente no decorrer
do desenvolvimento do presente trabalho.
A Unidade de Terapia Intensiva é ambiente complexo destinado a
cuidados de pacientes críticos que necessitam de cuidados específicos de uma
equipe multiprofissional que conforme a RDC 07 de 24 de fevereiro de 2010 é
definida como um conjunto de aglomerados funcionalmente destinados a
atender clientes em estado crítico ou grave, onde estes estão classificados de
acordo com o grau de comprometimento de um ou mais sistemas fisiológicos,
necessitando assim de uma assistência continua (BRASIL, 2010). A equipe
multiprofissional se faz presente nesse setor de cuidados críticos sendo
composta por: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionista,
psicólogo, assistente social e fisioterapeuta.
A UTI é um local caracterizado por alta tecnologia especializada e com
vários equipamentos e dispositivos que visam atender as necessidades dos
seus pacientes com a finalidade de restabelecer o seu estado de saúde. De
acordo com Almeida, Martins e Assis (2012), um dos principais recursos para a
manutenção da vida na UTI é a ventilação mecânica (VM).
A VM consiste na utilização de uma máquina para substituir parcial ou
totalmente a atividade respiratória do paciente de modo a restabelecer o
balanço entre a oferta e a demanda de oxigênio que foi prejudicado por alguma
disfunção pulmonar e /ou sistêmica (GUILHERME; JESUS, 2011). Segundo
Bezerra et al. (2011), a VM consiste no uso de uma via aérea artificial sendo o
mais frequente procedimento em pacientes críticos com insuficiência
respiratória severa, no qual, Almeida, Martins e Assis (2012), acrescenta que
esta pode ser tanto aguda ou crônica agudizada.
95
A VM divide-se em duas modalidades: a invasiva e a não-invasiva. A
ventilação Mecânica Invasiva (VMI) consiste no método de suporte ventilatório
em que se utilizam uma prótese na qual é introduzida na via aérea que pode
ser um tubo oro ou nasotraqueal, ou ainda uma cânula de traqueostomia. Em
contrapartida, a Ventilação Mecânica Não-Invasiva (VNI) é um método
ventilatório que implica na colocação de dispositivos como mascaras nasais ou
faciais, suportes orais, selos bucais, para fornecimento de ventilação mecânica
de modo intermitente ou continuo sendo indicada principalmente em casos de
Insuficiência Respiratória Aguda (IRA), auxilio fisioterápico e pós- extubação
(ALMEIDA; MARTINS; ASSIS, 2012).
De modo geral, a VM tem por objetivo a manutenção das trocas
gasosas, corrigir a hipoxemia e acidose respiratória associada à hipercapnia,
aliviar o trabalho da musculatura do trabalho respiratório, diminuir a demanda
metabólica, reverter ou evitar a fadiga da musculatura respiratória, diminuir o
consumo de oxigênio reduzindo assim o desconforto respiratório e permitir a
aplicação de terapêuticas especificas (ALMEIDA; MARTINS; ASSIS, 2012).
Vale ressaltar que a VM além de ofertar oxigênio pode também ofertar outros
gases como anestésico.
Apesar de vários benefícios da VM está também provoca alterações na
fisiologia respiratória, como a perda na proteção das vias aéreas superiores em
paciente intubados, hipersecreção pulmonar, aumento da frequência das
infecções respiratória, levando um alto índice de morbimortalidade e outras
complicações (POMBO; ALMEIDA; RODRIGUES, 2010), sendo a PAV uma
das complicações mais comuns e incidentes nas UTI (SILVA; NASCIMENTO;
SALLES, 2014).
Segundo David (2006), a PAVM é um tipo de pneumonia nosocomial,
referida como aquela que se desenvolve no período entre 48 -72 horas após a
intubação e instituição de VMI, podendo ser classificada como precoce e tardia.
Corroborando com o que afirma o autor, Silva et al., (2011) também define a
PVM como uma infecção pulmonar que ocorre entre 48-72 horas após a
intubação endotraqueal e instituição de VMI, sendo considerada precoce
quando ocorre até o 4 dia de intubação e tardia quando ocorre após o 5 dia.
A patogênese da PAVM é decorrente do desequilíbrio do mecanismo de
defesa dos pulmões e o agente microbiano, que pelo tamanho do inoculo
96
(quantidade), quer pela virulência do microrganismo. Esta resulta
frequentemente da aspiração de pequenos materiais particulados, contendo
microrganismos ou é consequente a bacteriemias originarias de focos distantes
de infecções. Cateteres intravasculares, infecções urinaria translocação
bacteriana podem produzir bacteriemias e pneumonias, além do alimento
enteral contaminado que pode ser fonte de microrganismo para a PAVM
(DAVID, 2011).
Os resultados encontrados revelam que os dos fatores de risco para o
desenvolvimento da PAVM são em suas maiorias classificados em modificáveis
e não-modificáveis. Segundo Carvalho (2006), os fatores modificáveis estão
relacionados ao ambiente (microbiota) da própria UTI, enquanto os nãos
modificáveis são: idade, escore de gravidade, em presença de co-morbidades
(Insuficiência Cardíaca, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica DPOC, diabetes,
doenças neurológicas, neoplasias, traumas e pós-operatório de cirurgia).
Pombo, Almeida e Rodrigues (2010), apontam como fatores de risco idade
maior que sete anos, coma e alterações de níveis de consciência, intubação e
reintubação endotraqueal, condições imunitárias e uso de drogas
imunossupressora, choque, tempo prolongado de ventilação mecânica maior
que sete dias; desnutrição; contaminação exógena; antibioticoterapia como
profilaxia; colonização microbiana; cirurgias prolongadas; aspirações de
secreções; pH gástrico maior que 4. Silva et al. (2011), acrescenta ainda o uso
de antiácidos, uso prévio de antimicrobianos, bloqueadores de receptores e
sedativos. Vale-se salientar que Cruz et al. (2011), divide os fatores de risco
em três categorias: relacionado aos hospedeiros, aos dispositivos, e a equipe.
Para Silva et al. (2011) a PAVM representa um desafio diagnóstico e
terapêutico em função da ausência de um padrão ouro para o diagnóstico e do
uso inadequado de antimicrobianos. Pombo e Almeida, Rodrigues (2010),
relatam que na prática, o diagnóstico de PAVM tem em base critérios clínicos e
radiológicos, como a presença de infiltrados novos e persistentes, temperaturas
> 38,3° c, leucocitose ou leucopenia e secreção traqueobrônquica purulenta.
De acordo com o que aponta Carvalho (2006), a suspeita de PAVM ocorre
quando a um aparecimento de infiltrado pulmonar novo ou progressivo á
radiografia de tórax, associada à presença de sinais clínicos e alterações
laboratoriais definidos como: febre. 38 °C, leucocitose > que 10.000 / mm 3 ou
97
leucopenia < que 4.000 / mm3 e presença de secreção traqueal purulenta.
Contudo, esses critérios ainda são poucos fidedignos devendo ser valorizada a
presença de mais de um critério clinico associado ao critério radiológico para
aumentar a sensibilidade e a especificidade, haja vista a utilização apenas de
critérios clínicos pode incorrer em erro de diagnóstico e consequentemente, em
tratamentos inadequados. Vale ressaltar que esses critérios são bastantes
inespecífico e podem estar presentes em uma serie de situação as quais os
pacientes graves estão expostos, como a atelectasia, edema pulmonar, infarto
pulmonar, entre outros. Além desses critérios deve levar em consideração
como método de diagnóstico a coleta de material microbiológico que é feita a
através da coleta de material das vias aéreas inferiores por meio de métodos
invasivos broncoscópicos e não broncoscópicos, que tendem a propiciar
melhor acurácia diagnostica (DAVID, 2011). Ainda de acordo com o autor
supracitado existem vários métodos complementares de diagnóstico da PAVM
como: oximetria de pulso ou hemogasometria arterial e piora funcional
pulmonar; hemocultura; bacterioscopia (Gram, BAAR) e cultura; punção e
microbiologia do liquido pleural.
Ainda podem ser considerados fatores importantes, como,
comprometimento funcional (hipoxemia, com piora da relação da pressão
parcial de oxigênio / fração inspirada de oxigênio); o aumento de
biomarcadores, confusão mental ou surgimento de sepse grave/ choque
séptico (DALMORA et al., 2013).
Nesse sentido com vista a melhorar a probabilidade da presença da
PAVM utilizasse atualmente o Clinical Pulmonary Infection Score (CPIS), que
trata-se de um índice no máximo doze pontos que baseasse nos achados
clínicos no momento da suspeita diagnostica, na bacterioscopia e no cultivos
do aspirado traqueal. Quando este índice revelar superior a seis existe uma
alta probabilidade de PAVM (sensibilidade de 93 % e especificidade de 100%).
Em relação ao tratamento da PAVM, este é baseado no conhecimento
prévio da microbiota local e dos resultados dos isolamentos dos
microrganismos, sendo recomendado o tratamento empírico. Antibioticoterapia
empírica deve ser orientada de acordo com o patógeno e sua conhecida
sensibilidade. A PAVM precoce ocorre frequentemente devido as bactérias
sensíveis ao antibióticos comuns, como o S. aureus à oxacilina, ao passo que
98
as tardias são geralmente causadas por patógenos resistentes a vários
antibióticos. Nas PAVM usam-se frequentemente associações de antibióticos
com o objetivo de aumentar os espectros antimicrobianos para a possibilidade
de infecção por múltiplos germes e bactérias resistentes (CARVALHO, 2006).
Diante de toda problemática apresentada e dada à importância e a
complexidade do problema de saúde, faz se necessário a realização de
intervenções que causa impactos para prevenir a PAVM, levando assim a
redução da frequência da infecção, sendo imperativa a adoção de medidas
preventivas. As medidas de prevenção e controle da PAVM, mas divulgadas e
aceitas pelos profissionais de saúdes incluem as recomendações publicadas
por uma diretriz do Center for Disease Control and Prevention (CDC), o
Guidelines for preventing health-care-associated pneumonia e também
diretrizes publicadas por outras organizações, que em geral são convergentes
(CRUZ et al., 2011).
Pombo e Almeida, Rodrigues (2010), traz em seu estudo como principais
recomendações para reduzir a PAVM, a educações dos profissionais de saúde;
a vigilância epidemiológica das infecções hospitalares a interrupção na
transmissão de microrganismo pelo uso apropriado pelo equipamento
hospitalar; a prevenção da transmissão de uma pessoa para outra e a
modificação de fatores de riscos para desenvolver infecções bacterianas.
As medidas de prevenção da PAVM são em sua maioria realizadas pela
equipe multiprofissional, e estas tem se demonstrado efetivas em diminuir sua
ocorrência, sendo cada vez mais utilizadas e difundidas no âmbito da UTI,
assim ressalta-se as mais utilizadas conforme a literatura: higiene das mãos
dos profissionais de saúde e técnicas assépticas de manuseio das vias aéreas;
elevação da cabeceira do leito de 40º a 45º; higiene oral do paciente com
clorexidina; evitar métodos invasivos; realizar aspiração traqueal
adequadamente; evitar aspiração do material coletado na região acima do
balonete (supraglótica); evitar aspiração de condensado contaminado do
circuito do ventilador; evitar a reintubação; esterilização de umidificadores;
cuidados com as sondas gástricas ou nasoenterais (DAVID, 2011). Além disso,
Barbas e Couto (2012), traz que a utilização de tubos traqueais impregnados
de antissépticos; a realização de despertar diário do paciente (desligar a
sedação uma vez ao dia); protocolos efetivos de desmame de ventilação
99
mecânica e o aumento do uso da VNI também são meios efetivos de
prevenção da PAVM.
Quanto ao que concerne a lavagem das mãos Albuquerque (2010),
destaca como a principal forma de prevenir infecções, devendo ser iniciada
após a entrada na UTI e antes e depois de qualquer procedimento, sendo,
portanto considerada uma recomendação universal.
Em relação ao posicionamento do paciente percebe-se que há
divergências na literatura, e se faz necessário porque o paciente em uso de VM
frequentemente possui depressão do nível de consciência e reflexo de vômito
prejudicado. Assim o uso de cabeceira elevada a 30º a 45º reduz o risco de
refluxo e aspiração de conteúdo gástrico nos pacientes (SILVA et al., 2011).
Para tanto Cruz et al., (2011) acrescenta que o paciente deve ser mantido em
posição de 30º a 45º, ou seja, semi-sentado, pois o cliente na posição supina
(0º) facilita à aspiração, principalmente no momento da nutrição enteral. Já
para David (2011), a cabeceira deve ser elevada de 40º a 45, embora a
proteção contra o refluxo não seja absoluta. De acordo com Eid; Cavalheiro e
Silva (2006), o posicionamento adequado do paciente faz parte da conduta do
fisioterapeuta respiratório e objetiva otimizar a oxigenação, melhorar a relação
ventilação/perfusão, reduzir o trabalho respiratório e o débito cardíaco.
Em relação à higiene bucal, estudos têm demonstrado que o uso de
clorexidina em sua forma tópica é amplamente utilizada na UTI e em pacientes
em uso de VM, haja vista segundo Beraldo e Andrade (2008) seu uso diminui a
incidência da PAVM. David (2011) ressalta que a higiene oral, bem como a
escovação dos dentes com clorexidina pode ser usada para descontaminação
da orofaringe e parece diminuir a colonização e a PAVM em pacientes no pós-
operatório de cirurgia cardíaca, no entanto, o uso indiscriminado pode levar a
bactérias resistentes a esta droga. Ainda nesse contexto Cruz et al. (2011),
afirma que além da clorexidina alguns antimicrobianos utilizados duas vezes ao
dia, são formas farmacológicas eficazes para prevenir a PAVM.
Em relação à aspiração traqueal, este se configura um cuidado essencial
para a manutenção das vias aéreas permeáveis (ALMEIDA; MARTINS; ASSIS,
2012). A aspiração endotraqueal é um recurso muito utilizado em pacientes
em UTI sob VM ou não com a finalidade de manter as vias aéreas permeáveis;
prevenir infecção; promover as trocas gasosas; incrementar a oxigenação
100
arterial e melhorar a função pulmonar (FARIAS; FREIRE; RAMOS, 2006). Deve
ser realizado de forma asséptica para evitar complicações, devendo durar
aproximadamente 10 a 15 segundos em adultos. Existem dois métodos de
aspiração, o aberto e o fechado (ALBUQUERQUE, 2010). O sistema aberto
utiliza um cateter de aspiração para sucção de secreções por meio de pressão
negativa e necessita de desconectar o paciente do ventilador, enquanto o
fechado utiliza um dispositivo onde o cateter de aspiração fica protegido por um
envelope plástico para aspirações não sendo necessária a desconexão do
paciente ao ventilador e assim oferece vantagens como a diminuição de
alterações hemodinâmicas, hipoxemia e evita a exposição a microrganismos
existentes no ambiente. Mas, por outro lado este permite a colonização da
sonda por bactérias resistentes (EID; CAVALHEIRO; SILVA, 2006; MOURA;
CANTO, 2006). Quando se utiliza o sistema fechado deve-se aspirar com uma
sonda simples também as cavidades nasais e orais, seguindo-se as
sequências TOT, nariz e boca. (PAGOTTO et al., 2008).
Froes e Paiva (2007), afirmam ainda que os sistemas aberto e fechado
sejam igualmente eficazes na remoção de secreções, contudo o fechado
determina menor risco de hipoxemia, arritmias e contaminação, devendo ser
preferencialmente utilizado quando se tem PEEP elevada. Outro fator é que
não há necessidade de troca do sistema fechado diariamente e sim só a cada
sete dias ou quando esteja contaminado ou danificado, enquanto a sonda
utilizada no sistema aberto deve ser desprezada diariamente (SARMENTO,
2007). Barbas e Couto (2012) afirmam que se deve evitar a aspiração
supraglótica pelo fato de que essa secreção pode se propagar por meio de
microcanais presentes nos balonetes dos tubos e acaba aspirada para os
pulmões do paciente.
Os cuidados com os circuitos do ventilador também auxiliam na
prevenção, pois podem ser fonte de patógenos devido ao acúmulo de
condensado ou líquido contaminado do próprio cliente, principalmente porque
os ventiladores possuem umidificadores e podem ter aumentada condensação
na tubulação (CRUZ et al., 2011). Deve-se drenar e descartar periodicamente o
condensado contaminado, pois evita a entrada de condensado contaminado
com secreções do próprio paciente na árvore traqueobrônquica.
(DIRETRIZES..., 2007). O Cuff também merece cuidados, haja vista trata-se de
101
um balonete situado na extremidade distal do TOT e tem a função de selar a
via aérea, evitando o escape aéreo e protegendo-a de aspiração de secreções
da orofaringe. A maioria dos estudos revelam que a pressão do balonete não
deve ser menor que 20 cm H2O (15 mmHg), para prevenir o excesso de
aspiração e não superior a 30 cm H2O (23mmHg) para evitar isquemia da
mucosa (SARMENTO, 2007).
Considerando que a IOT aumenta o risco para o desenvolvimento da
PAVM, deve-se evitar a necessidade de uma reintubação através de uma
fixação correta do tubo, sedação adequada e sempre que possível optar por
utilizar uma VNI. David (2011) diz que a VNI se associa a menos PAVM. Outro
ponto importante diz respeito a aspiração do conteúdo gástrico para as vias
aéreas através de sondas naso/orogástrica ou nasoenteral que deve ser
realizado pelo menos três vezes ao dia e dependendo do volume residual
diminuir 25% da velocidade da dieta (DAVID, 2011).
A adoção de protocolos de desmame específicos visa à retirada precoce
e segura da VM, oferecendo menor risco de reintubação e consequentemente
de PAVM (ALBUQUERQUE, 2010). Ferrari e Tadine (2009), definem o
desmame do ventilador mecânico como o processo de transição entre o
suporte ventilatório mecânico e a ventilação espontânea podendo acontecer
rapidamente ou progressivamente. Sendo considerado tempo de VM
prolongado a situação onde há uma dependência da assistência ventilatória
seja invasiva ou não por mais de três semanas. Nesse processo, o
fisioterapeuta exerce um papel fundamental na condução de protocolos de
desmame e de interrupção de VM, sendo consenso que o fisioterapeuta da UTI
realize a triagem sistemática de pacientes aptos para os testes de respiração
espontânea diariamente, desde que este siga o protocolo específico e
preconizado por sua instituição (SARMENTO, 2007).
Destarte, a função do fisioterapeuta na UTI é fundamental na assistência
ao paciente crítico, sobretudo em uso de VM, pois, é responsável por
desenvolver um tratamento eficiente que possibilite a menor dependência do
paciente ao ventilador mecânico, assim como proporcionar a melhoria da
qualidade de vida durante sua internação. Ademais, a terapia eficiente melhora
a capacidade funcional do paciente reestabelecendo suas capacidades físicas
e respiratórias, minimizando os ricos de complicações (TEIXEIRA, 2006). A
102
fisioterapia utiliza recursos que solicitam ativamente ou passivamente os
exercícios respiratórios dos pacientes (VIERA, 2009), no qual Albuquerque
(2010), afirma que a fisioterapia respiratória está indicada para os pacientes de
UTI, com vistas a diminuição da retenção de secreção pulmonar, obtenção de
melhora na oxigenação, reexpansão de áreas pulmonares com atelectasia,
além de evitar os efeitos negativos da hipo/ inatividade do indivíduo acamado.
A fisioterapia respiratória envolve na verdade, um grande número de técnicas
que podem ser associadas às modalidades de VM, dentre elas estão:
manobras da higiene brônquica e reexpansão pulmonar (KANECO et al.,
2006). Dados de estudos brasileiros evidenciam uma redução em torno de
61% na fração de risco para o desenvolvimento da PAVM se realizado
fisioterapia respiratória numa frequência mínima de duas vezes ao dia (VIEIRA,
2009).
Ainda sobre a atuação da fisioterapia frente ao paciente em uso de VM
vale destacar o seu papel durante a intubação, pois ele atua nesse processo
através da assistência ventilatória visando evitar efeitos danosos ao paciente,
como a hipoxemia. Essa assistência tem início desde o preparo do material de
ventilação e desobstrução das vias aéreas; mas envolve também a checagem
e ajuste dos parâmetros do ventilador; oxigenação do paciente pré-intubação;
insuflação e mensuração do Cuff após intubação, ausculta pulmonar e análise
gasométrica e radiografia.
Dessa forma, auxiliando a equipe na prevenção e controle da PAVM, o
fisioterapeuta propicia à diminuição das complicações secundárias a utilização
da VM, diminui o tempo de internação, a necessidade de antibióticos, libera
mais rapidamente os leitos, implicando diretamente na diminuição da
mortalidade e consequentemente dos custos, o que só vêm a melhorar à
assistência à saúde (DIRETRIZES..., 2007).
5 CONCLUSÕES
Atualmente a Ventilação Mecânica (VM) é um recurso utilizado na
Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que pode e deve ser considerado um
grande avanço na área de saúde em relação ao tratamento de afecções que
comprometem o sistema respiratório. Ao mesmo tempo percebe-se que esta
103
conduta também pode trazer malefícios aos indivíduos que estão em uso desse
suporte, e consequentemente pode provocar o aumento da incidência de
infecções pulmonares, e da morbimortalidade.
A Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM) é uma infecção,
a qual está diretamente relacionada à maiores tempos de VM; maiores
complicações e maiores custos hospitalares, estando frequentemente
relacionado a vários fatores de risco descritos na literatura como modificáveis e
não modificáveis. Os fatores modificáveis são considerados mais relevantes
pelos autores haja vista que estes podem ser modificados com a
implementação de medidas de prevenção e controle adotadas pela equipe de
saúde que presta assistência aos pacientes em uso de VM. No tocante às
medidas de prevenção e controle da PAVM, podemos observar nos estudos
analisados que estas não se apresentam de modo divergente, o que diferencia
de um autor para outro é a prioridade que cada um atribui.
No estabelecimento de tais medidas torna-se indispensável a atuação da
fisioterapia intensiva em todas as práticas profiláticas da PAVM, desde a pré-
intubação; o posicionamento adequado, a realização da fisioterapia respiratória
até a condução de protocolos de desmame e de interrupção da VM. De modo
geral, esses cuidados trazem resultados satisfatórios e contribuem muito para
redução dos custos hospitalares e da recuperação precoce do paciente.
Em síntese, é fundamental que se realize a implantação de protocolos
que visem a diminuição dos índices de infecção, sobretudo da PAVM, que é
uma patologia tão incidente e letal, não só voltadas ao profissional
fisioterapeuta, mas a todos os profissionais da saúde.
De acordo com a análise dos artigos selecionados, percebeu-se que em
relação a sua origem, ou seja, onde estes foram publicados, a maioria era
periódica de Enfermagem, poucos voltados para a fisioterapia e áreas afins. A
assistência fisioterapêutica é constantemente desafiada a promover a melhoria da
assistência prestada, desta forma nas últimas décadas, esta vem desenvolvendo
sua própria produção científica. Foram investigadas as titulações dos
pesquisadores da amostra com o objetivo de identificar qual o perfil dos
profissionais que estão inseridos no desenvolvimento de pesquisas científicas
sobre a temática em questão. Percebe-se que a maioria dos trabalhos publicados
era de especialistas da área em sua maioria com titulações como, especialização
104
e mestrado em Unidade de Terapia Intensiva, o que ressalta a importância de
durante a formação, os futuros profissionais de saúde comecem a desenvolver
estudos de caráter científico, proporcionando o desenvolvimento do conhecimento
para o exercício com excelência da fisioterapia, alcançando sua autonomia e
enriquecendo toda a comunidade cientifica.
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107
CORRELAÇÃO ENTRE ÂNGULO “Q” E A SÍNDROME DA DOR
PATELOFEMORAL EM MULHERES
Rudiney da Silva Araújo13
Eliete Moreira Colaço14
RESUMO
A síndrome da dor patelofemoral (SDPF) é uma desordem musculoesquelética
caracterizada por dor na região anterior do joelho, que acomete adolescentes e
jovens adultos, principalmente as mulheres. A dor, geralmente de início
insidioso, é o principal sintoma e, é exacerbada todas as vezes que se realiza
movimentos de flexão e extensão do joelho, como: subir e descer escadas,
agachar-se, correr, pular e permanecer sentado por longo período. A etiologia
relaciona-se a vários fatores biomecânicos como o aumento do ângulo
quadricipital. O objetivo deste trabalho foi revisar a literatura sobre a correlação
da síndrome da dor patelofemoral com as alterações do ângulo quadricipital em
mulheres. Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, com abordagem
exploratória. Foram utilizadas as bases de dados na biblioteca virtual SCIELO e
as bases de dados LILACS e MEDLINE na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS)
onde foram utilizados os descritores Síndrome da dor patelofemoral, Ângulo
“Q”, Anatomia da articulação do joelho e Lesão no joelho. Na literatura revisada
foi encontrado subsídio de que a SDPF está associada ao aumento do ângulo
quadricipital em mulheres. No entanto, a maioria dos autores diverge sobre
quais os valores normais do ângulo quadricipital, que é medido pela
goniometria onde a maioria dos autores relatou ser de excelente confiabilidade
para avaliar esse ângulo. Alguns trabalhos permitiram inferir que alterações do
ângulo “Q” não é o principal fator etiológico da SDPF e que a avaliação isolada
desse ângulo não é suficiente para definir uma pessoa com síndrome da dor
patelofemoral.
Palavras-chave: Dor no Joelho. Ângulo Quadricipital. Goniometria. Fisioterapia
CORRELATION BETWEEN ANGLE “Q” AND SYNDROME IN WOMEN
PATELLOFEMORAL PAIN
Abstract
The patellofemoral pain syndrome (PFPS) is a musculoskeletal disorder
characterized by pain in the anterior knee, it affects teenagers and young
adults, especially women. Pain, usually of insidious onset, is the main sign and
symptom and is exacerbated every time it performs flexion and knee extension,
such as up and down stairs, squatting, running, jumping and remaining seated
for long. The etiology is related to various factors such as biomechanical
13Graduando do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
14 Professora da União de Ensino Superior de Campina Grande-UNESC. Especialista em
Cinesioterapia pela Universidade Federal da Paraíba. Mestranda em Fisioterapia pela
Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Fisioterapeuta.
108
increased quadriceps angle. The objective of this study was to review the
literature on the correlation of patellofemoral pain syndrome with the changes of
the quadriceps angle in women. This is a bibliographic review, exploratory
approach. We used the databases in the virtual library SCIELO and the
databases MEDLINE and LILACS in the Virtual Health Library (VHL) where we
used the patellofemoral pain syndrome descriptors, angle "Q", the knee joint
Anatomy and Injury knee. In the literature reviewed was found subsidy that PPS
is associated with an increased quadriceps angle in women. However, most
authors differ on which the normal values of the quadriceps angle, which is
measured by goniometry where most authors reported being excellent reliability
to evaluate this angle. Some studies allowed to infer that changes the angle "Q"
is not the main etiological factor of PPS and the assessment isolated from this
angle is not enough to define a person with patellofemoral pain syndrome.
Keywords: Pain in the Knee. Quadriceps Angle. Goniometry. Physiotherapy.
1 INTRODUÇÃO
A articulação do joelho é caracterizada como a maior e a mais
incongruente do corpo humano; além disso, ela é a articulação mais solicitada
nas atividades da vida diária, possui três ossos: fêmur, tíbia e patela, que
formam duas articulações distintas: articulação tíbiofemoral e articulação
patelofemoral. A articulação tibiofemoral é formada pela extremidade proximal
do osso da tíbia e a extremidade distal do osso do fêmur, a articulação
patelofemoral é formada pela extremidade distal do osso do fêmur e o osso da
patela (ALMEIDA; ABREU; COUTINHO, 2011; TRILHA JÚNIOR et al., 2009).
Basicamente, o joelho se apresenta como uma estrutura relativamente
frágil, sua estabilidade depende de mecanismos estáticos – superfícies
articulares da patela e do fêmur, retináculos lateral e medial, ligamentos
articulares –, e dinâmicos, músculo quadríceps femoral. Devido às intensas
solicitações biomecânicas dessa articulação em sua função de suporte, há
elevado número de lesões a ela associadas, como rompimento total ou parcial
de ligamentos, fissuras e lesão de meniscos, fraturas ósseas e lesões
musculares (ALMEIDA; ABREU; COUTINHO, 2011; BURMANN et al., 2011).
Dentro do complexo da articulação do joelho, a articulação patelofemoral
é o sítio onde ocorre maior frequência de lesões, pois uma série de estruturas
está intimamente ligada a essa articulação. De acordo com Burmann et al.
(2011)
109
Essa articulação é o local de inúmeras patologias, principalmente
pelas suas características anatômicas. É uma articulação que
centraliza as forças do quadríceps no comando de grande alavanca
responsável pela posição ereta. Seu equilíbrio estrutural é frágil, e
qualquer distúrbio na sua estabilidade pode representar alteração
funcional capaz de produzir sintomas, algumas vezes incapacitantes.
[...] As afecções da articulação femoropatelar são, certamente, das
que mais trazem frustrações ao ortopedista, tanto pela sua alta
prevalência como pelo grande número de casos insolúveis,
principalmente em adolescentes jovens.
Para Liporaci et al. (2013) e Piazza et al. (2012), uma das desordens
musculoesqueléticas mais comuns que afeta a articulação do joelho,
especificamente a articulação patelofemoral é a Síndrome da Dor
Patelofemoral (SDPF). A Síndrome da Dor Patelofemoral (SDPF) é
caracterizada por uma dor de origem insidiosa, lenta, progressiva e difusa na
região anterior do joelho podendo se difundir para a região poplítea. Essa
síndrome é responsável por cerca de 25% das lesões em ortopedia e, de cada
4 indivíduos, 1 apresenta SDPF. A sua incidência é maior em populações
fisicamente ativas, como adolescentes e adultos jovens, entre 15 e 35 anos,
principalmente as mulheres devido a uma série de fatores biomecânicos como
pelve mais larga, anteversão femoral, ângulo “Q”, força do músculo quadríceps
femoral e lassidão ligamentar (PIAZZA et al., 2013; MYAMOTO et al., 2010;
RIBEIRO et al., 2010).
A dor é o principal sintoma, a qual se caracteriza por ser sutil e latejante;
difusa ou localizada nas regiões anterior, medial, lateral e/ou retropatelar do
joelho, exacerbada todas as vezes que se realizam os movimentos de flexão e
extensão e durante atividades funcionais dessa articulação como: subir e
descer escadas, caminhar em lugares inclinados, agachar-se, saltar e correr,
realizar atividades físicas de modo geral bem como permanecer sentado por
longo período. Outros sinais e sintomas são edema peripatelar, crepitação,
bloqueio articular durante os movimentos e limitação da marcha (LIPORACI et
al., 2013; PIAZZA, 2013; ALMEIDA; ABREU; COUTINHO, 2011).
A etiologia da Síndrome da Dor Patelofemoral ainda é desconhecida,
porém, a maioria dos autores a classifica como multifatorial, sendo o mau
alinhamento patelar considerado como a hipótese mais aceita que favorece
e/ou desenvolve o surgimento dessa síndrome (PIAZZA et al., 2013; PIAZZA et
al., 2012; MYAMOTO et al., 2010). O mau alinhamento patelar é avaliado por
110
meio da mensuração do ângulo “Q” ou ângulo quadricipital através da
goniometria. O ângulo “Q” é definido como um ângulo formado entre uma linha
traçada da espinha ilíaca ânterossuperior (EIAS) até o centro da patela e outra
linha traçada da tuberosidade anterior da tíbia até o centro da patela (DUGAN,
2005; GREEN, 2005 apud PEREIRA JÚNIOR; LIMA, 2011).
Não existe consenso na literatura sobre quais os valores normais do
ângulo “Q” para homens e mulheres, todavia é sabido que as mulheres
possuem um ângulo quadricipital maior devido à sua estrutura anatômica
diferenciada em relação ao homem (BRAZ; CARVALHO, 2010). Horton e Hall
(1989 apud ALMEIDA; ABREU; COUTINHO, 2011) numa pesquisa com 50
homens e 50 mulheres encontraram, em média, valores do ângulo “Q” de 15,8º
para mulheres e 11,12º para homens. Já Percy e Strother (1985 apud
ALMEIDA; ABREU; COUTINHO, 2011) num estudo com 50 indivíduos de
ambos gêneros encontraram valores médio do ângulo quadricipital de 14º e
17º, para homens e mulheres, respectivamente.
Belchior et al. (2010) avaliaram a confiabilidade da medição do ângulo
“Q” entre dois métodos: teste radiológico e clínico por goniometria em mulheres
sem queixas de algia nos membros inferiores. Constataram que ao teste de
goniometria o valor médio do ângulo “Q” foi de 18,6º, e ao teste de radiologia o
valor médio do ângulo quadricipital foi de 19,4º. Portanto, considerou-se a
confiabilidade da mensuração do ângulo “Q” por meio do teste clínico da
goniometria. Ao se considerar essas premissas, a presente pesquisa tem como
objetivo revisar a literatura sobre a correlação da síndrome da dor
patelofemoral com as alterações do ângulo quadricipital em mulheres.
Pretende-se com esse levantamento literário, complementar o acervo de
material acadêmico que poderá ser utilizado por profissionais de fisioterapia
para compreender os fatores relacionados à Síndrome da Dor Patelofemoral e,
com isso, lançar mão das melhores técnicas para otimizar o tratamento de seus
pacientes.
2 MÉTODOS
O desenho metodológico consiste em uma revisão bibliográfica
caracterizada no exame de literatura científica para levantamento e análise do
111
que já se produziu sobre determinado tema; e abordagem exploratória que
permite uma maior familiaridade entre o pesquisador e o tema pesquisado com
vista a torná-lo mais explícito (GIL, 2008). Realizaram-se atividades de
identificação, compilação, fichamento, análise e interpretação dos artigos
pertinentes. O recorte temporal da pesquisa foi de 2000 até 2014 e foi realizada
entre os meses de julho até outubro de 2014.
Primeiramente, foi feita uma revisão bibliográfica das produções
científicas em saúde no Brasil, através de um levantamento na biblioteca virtual
SCIELO que abarca uma compilação selecionada de periódicos brasileiros. Foi
utilizado os seguintes descritores: “Síndrome da dor patelofemoral”, “Ângulo
‘Q’”, “Anatomia da articulação do joelho” e “Lesão no joelho”. Foram
encontrados 47 (quarenta e sete) artigos. Com o propósito de ampliar os canais
de pesquisa foi efetuada uma revisão das publicações na área de saúde,
através da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), tendo sido consultada as bases
de dados LILACS e MEDLINE utilizando os mesmos descritores. Foram
encontrados 25 (vinte e cinco) artigos.
Na leitura dos artigos, selecionaram-se aqueles que privilegiassem os
descritores supracitados de maneira integrada. Como a presente pesquisa teve
um caráter exploratório, considerou-se importante analisar estritamente os
artigos que abordassem as questões relativas à definição da síndrome da dor
patelofemoral associadas às peculiaridades do aumento do ângulo “Q” como
etiologia da lesão bem como aqueles relacionados com a anatomia da
articulação do joelho.
Dessa maneira, foram excluídos artigos que contemplavam o aumento
do ângulo “Q” relacionado a outras condições clínicas, como osteoartrite,
obesidade, condromalácia, procedimentos cirúrgicos, síndrome da dor
patelofemoral em homens. Sendo assim, dos 72 (setenta e dois) artigos, 25
(vinte e cinco) constituíram o corpo analítico da pesquisa; destes, 19
(dezenove) nacionais, 05 (cinco) em inglês e 01 (um) em espanhol.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Das vinte e cinco referências que fizeram parte do corpo analítico da
pesquisa, cinco traziam a discussão a respeito dos valores médios do ângulo
112
“Q” (ângulo quadricipital). Os autores ainda são bastante divergentes em seus
estudos. Para Caylor et al. (2004) não há aceitação universal dos valores
normais e anormais do ângulo “Q” devido à falta de confiabilidade dos
diferentes métodos utilizados para a medida desse ângulo.
Moreira e Russo (2005) afirmam que o homem, em sua maioria possui
um ângulo “Q” que varia entre 10º e 14º, a mulher, 15º a 17º, em média, em
virtude de sua pelve ser mais alargada. Esses valores convergem com os
resultados encontrados por Percy e Strother (1985 apud PAULA et al., 2004)
que encontram valores médios do ângulo “Q” de 14º para homens e 17º para
mulheres.
Semelhantes valores do ângulo “Q” em mulheres foram encontrados por
Cabral (2010) que relatou valores médios entre 15º e 18º em trinta mulheres
assintomáticas e sedentárias, com idade entre 18 e 35 anos. Esse resultado
corrobora com os encontrados por Belchior et al. (2006) que obteve no grupo
assintomático, composto por 20 mulheres sedentárias, entre 15 e 30 anos, um
valor médio do ângulo “Q” de 17 graus.
Já Horton e Hall (1989 apud PAULA et al., 2004) num estudo realizado
com 50 homens e 50 mulheres, encontraram valores médios de 15,8º e 11,1º,
para mulheres e homens, respectivamente. Paula et al. (2004) numa pesquisa
realizada com 18 indivíduos de ambos os gêneros encontraram valor do ângulo
quadricipital de 17,6º para mulheres e 7,6º para homens, estando seus
resultados em consonância com os autores acima citados.
Em oposição aos valores encontrados pelos autores supracitados, Insall
et al. (2005) numa pesquisa realizada com 50 indivíduos de ambos os gêneros
relataram valores médios do ângulo “Q” de 14º tanto para homens como para
mulheres; e, em leve discordância, Kolowich et al. (1990 apud PAULA et al.,
2004), relatam que 10º é considerado normal para ambos os gêneros.
Não há estudos que comprovem qual seria o melhor método para se
avaliar a medida do ângulo “Q” dos indivíduos, apesar de sua grande
importância clínica (PEREIRA JÚNIOR; LIMA, 2011; BELCHIOR et al., 2006).
Duas formas são comumente utilizadas: com o indivíduo em decúbito dorsal
e/ou na posição ortostática. Na prática clínica se verifica uma maior utilização
do primeiro método em que o paciente fica em decúbito dorsal, com o membro
inferior estendido e o músculo quadríceps femoral relaxado e/ou contraído.
113
Segundo Cabral (2010) alguns autores defendem que o ângulo “Q”
deveria ser mensurado sob condições que melhor representasse a posição
funcional do membro inferior, portanto, na posição ortostática com o músculo
quadríceps femoral relaxado e/ou contraído. Belchior et al. (2006), em estudo
realizado com 20 mulheres, entre 15 e 30 anos, identificou diferença
significativa entre os valores do ângulo “Q”, relatando que houve diminuição do
ângulo quando realizado com o músculo quadríceps femoral contraído, tanto
em mulheres sintomáticas como assintomáticas.
Cabral (2010) realizou um estudo com trinta mulheres sedentárias,
sintomáticas e assintomáticas, entre 18 e 35 anos em que comparou as
medidas do ângulo “Q” nas posições em decúbito dorsal com músculo
quadríceps femoral relaxado (DDMR) e contraído (DDMC), e na posição em pé
com o músculo quadríceps femoral relaxado (PMR) e contraído (PMC). Houve
diferença estatisticamente significativa entre os valores do ângulo quadricipital
com indivíduos em todas as posições, uma vez que quando o músculo era
solicitado no estado de contração, diminuía o ângulo quadricipital.
Em oposição, Lathinghouse e Timble (2000) num estudo com 22
mulheres, entre 18 e 30 anos, relataram não haver diferenças significativas
entre os valores do ângulo “Q” em indivíduos tanto na posição decúbito dorsal
como na posição em pé. Ainda de acordo com o autor supracitado, houve
diminuição do ângulo “Q” quando este foi avaliado com o músculo quadríceps
femoral contraído.
A solicitação da contração isométrica voluntária máxima do músculo
quadríceps femoral realizada durante a mensuração do ângulo “Q” faz esse
diminuir pela não ativação preferencial das fibras dos músculos vasto medial
oblíquo e vasto lateral (SANTOS et al., 2007; FONSECA; CRUZ; LIMA;
SEIXAS, 2001).
Em relação ao tipo de exame utilizado para a mensuração do ângulo
“Q”, verificou-se que a goniometria foi o método de escolha da maioria dos
autores devido a sua alta confiabilidade. Cabral (2010) relata que embora a
mensuração do ângulo “Q” ofereça uma maior precisão através da radiografia,
a goniometria é o método mais acessível na prática clínica e que pode ser
realizada com indivíduo em decúbito dorsal ou na posição ortostática.
114
De acordo com Sacco et al. (2007), o goniômetro universal apresenta
confiabilidade considerada de boa a excelente para mensurações dos
membros inferiores quando comparada a radiografia, sendo encontradas altas
correlações de medidas radiográficas e goniométricas, apresentando, portanto
uma boa reprodutibilidade. Isso corrobora com o relato de Magee (2005), que
afirma ser a goniometria um método de mensuração do ângulo “Q” que
apresenta altas correlações com as medidas radiográficas.
Em conformidade, Belchior et al. (2006) num estudo realizado com 20
mulheres, entre 15 e 30 anos, sem queixas álgicas, avaliaram a confiabilidade
da medição do ângulo “Q” entre o teste radiológico e clínico por goniometria,
obtendo, no primeiro teste 19,4º e, no segundo, 18,6º, com isso, confirmou a
confiabilidade da goniometria como método clínico de avaliação do ângulo “Q”.
A etiologia da Síndrome da Dor Patelofemoral ainda é bastante discutida
na literatura. Piazza et al. (2013) e Wilson (2007), afirmam que a etiologia é
multifatorial, sendo o mau alinhamento patelar – caracterizado pelo aumento do
ângulo “Q” – a hipótese mais provável, corroborando com Myamoto, Soriano e
Cabral (2010), que relataram que a etiologia da SDPF ainda é desconhecida e
multifatorial, estando, no entanto, relacionada a alterações mediais e laterais
que proporcionam o mau alinhamento patelar, consequentemente, o aumento
do ângulo quadricipital.
Em oposição, Cabral (2010) relata que o ângulo “Q” é uma medida
estática e não pode estar relacionada diretamente com a síndrome da dor
patelofemoral, embora, do ponto de vista dinâmico, esse ângulo aumentado
pode elevar o vetor de força lateral da patela causando dor durante os
movimentos de flexão e extensão do joelho. Liporaci et al. (2013), afirmam que
a avaliação isolada de alguns sinais e sintomas como dor no joelho ao
movimento de flexão e extensão e aumento do ângulo “Q”, tem se tornado
inconsistentes para definir ou diferenciar indivíduos portadores da síndrome da
dor patelofemoral.
Almeida, Abreu e Coutinho (2011) estudaram a correlação entre a SDPF
e o ângulo “Q” em 34 mulheres fisicamente ativas, com idade acima de 18 anos
e averiguaram valores médios do ângulo quadricipital significativamente maior
em relação aos valores normais consensualmente relatados pela maioria dos
autores. Esse resultado corrobora com os encontrados por Colares Júnior
115
(2005) que estudou a associação entre fatores sócio-esportivos e síndrome da
dor patelofemoral entre mulheres jovens saudáveis e mulheres com SDPF
diagnosticada e encontrou um aumento significativo do ângulo quadricipital em
42% das mulheres com síndrome da dor patelofemoral.
Em consonância com esses resultados, Liporaci et al. (2013), em um
estudo sobre a contribuição da avaliação dos sinais clínicos em pacientes com
síndrome da dor patelofemoral, realizado com 39 voluntárias do gênero
feminino, com idade média de 20 anos, relataram que o sinal clínico que
apresentou maior frequência no grupo SDPF em relação ao grupo controle foi o
aumento do ângulo quadricipital, sugerindo que alterações nesse ângulo estão
de fato relacionadas à síndrome da dor patelofemoral.
Convergindo dos mesmos resultados, Myamoto, Soriano e Cabral (2010)
numa pesquisa sobre o alongamento muscular segmentar na melhora da
função e alinhamento do joelho de indivíduos com síndrome da dor
patelofemoral, realizada com 13 indivíduos sedentários do gênero feminino,
com idade entre 18 e 30 anos, relataram que o alongamento muscular
segmentar do músculo quadríceps femoral proporcionou diminuição
significativa do ângulo “Q” e melhora funcional nas pacientes com SDPF,
sugerindo que o aumento desse ângulo está relacionado à SDPF.
Em contraposição, Santos et al. (2007), num estudo sobre a relação
eletromiográfica integrada dos músculos vasto medial oblíquo e vasto lateral
longo na marcha em sujeitos com e sem SDPF, realizado com 27 sujeitos do
gênero feminino, com idade entre 18 e 29 anos, observaram aumento do
ângulo “Q” no grupo SDPF, mas que esse aumento não foi significativo em
relação ao grupo assintomático, encontrando valores de 19,5º para o grupo
SDPF e 17,9º para o grupo assintomático. Corroborando com esse estudo,
Caylor et al. (2000), num estudo sobre a relação do ângulo quadricipital e a dor
anterior no joelho, realizada com 20 mulheres, com idade entre 15 e 30 anos,
não encontraram diferença estatisticamente significativas nos valores do
ângulo “Q” entre os grupos SDPF e assintomáticos, embora os primeiros
apresentassem uma tendência para aumento desse ângulo em relação ao
segundo grupo.
Divergindo dos resultados acima citados, Paula et al. (2004), numa
pesquisa sobre a correlação entre a dor anterior do joelho e a medida do
116
ângulo “Q”, realizada com 39 indivíduos, de ambos os gêneros, com idade
entre 15 e 34 anos, relataram não ter encontrado aumento do ângulo
quadricipital, no grupo sintomático, em nenhum dos dois gêneros.
Já Belchior et al. (2006) numa pesquisa realizada sobre os efeitos na
medida do ângulo “Q” com a contração isométrica voluntária máxima do
músculo quadricipital, realizada com 20 voluntárias, com idade entre 15 e 30
anos, relataram ter encontrado no grupo SDPF um aumento significativo do
ângulo “Q” (21,4º) em relação ao grupo não sintomático (17,1º) durante a
mensuração do ângulo quadricipital com os músculos relaxados, porém
durante a avaliação desse ângulo com os músculos contraídos, verificou-se
diminuição deste ângulo tanto no grupo sintomático (15,8º) quanto no grupo
assintomático (14,5º) e que não houve diferença significativa entre os dois
grupos. Com isso, verificou-se que há aumento significativo do ângulo
quadricipital em indivíduos com SDPF com o músculo no estado de
relaxamento e, que, no estado de contração há redução do ângulo “Q” tanto no
grupo SDPF quanto no assintomático.
Com a contração do músculo quadríceps femoral espera-se que a patela
lateraliza-se nos indivíduos que são portadores de SDPF proporcionado um
aumento do ângulo quadricipital, não obstante, para Belchior (2006) a redução
desse ângulo justifica-se pela não preferência na ativação – em relação ao
tempo e a intensidade – do músculo vasto medial oblíquo e vasto lateral,
durante exercício isométrico. Porém, a maioria dos autores é consensual em
relatar que a etiologia da SDPF é multifatorial. De acordo com Paula et al.
(2004) a dor anterior do joelho é um problema multifatorial e pode não estar
relacionada unicamente a fatores como aumento do ângulo “Q”, embora a
literatura traga várias pesquisas que contempla a relação do aumento desse
ângulo com a SDPF.
Liporaci et al. (2013), relataram no seu estudo sobre a contribuição da
avaliação dos sinais clínicos em pacientes com SDPF que o fato de pessoas
assintomáticas apresentarem alguns sinais e sintomas semelhantes aos
portadores da SDPF, dificulta a avaliação no sentido de definir se o aumento do
ângulo quadricipital é a causa a SDPF ou apenas contribui para seu surgimento
junto com outros fatores paralelos.
117
Sendo assim, a avaliação isolada de dor no joelho e aumento do ângulo
“Q” pode não ser suficiente para definir e diferenciar indivíduos com e sem
síndrome da dor patelofemoral (LIPORACI et al., 2013). Outros fatores podem
contribuir para o aparecimento ou agravo da SDPF como fraqueza do músculo
quadríceps femoral, alteração no alinhamento postural do membro inferior,
anormalidades biomecânicas da extremidade inferior como eversão excessiva
subtalar, menor ângulo de flexão do joelho, fraqueza da musculatura do quadril,
rotação interna do fêmur, torção tibial externa e retração do retináculo lateral
(LIPORACI et al., 2013; FREDERICSON, YOON, 2006).
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa permitiu inferir que a positividade da SDPF e o
aumento do ângulo “Q” podem sugerir que este ângulo esteja associado à
síndrome em mulheres, porém, vale ressaltar que, como mostrado em vários
estudos, é necessário não avaliar o ângulo quadricipital de forma isolada, pois
existe uma série de fatores que contribui para o surgimento e agravo da SDPF
e que estão além das alterações do ângulo quadricipital.
Outros fatores predisponentes da SDPF, propostos pela literatura - anteversão
femoral, pronação excessiva subtalar, alterações na ativação dos músculos
vasto media e vasto lateral, altura da patela entre outros - deverão ser
avaliados juntamente com o ângulo quadricipital.
Não há, na literatura, consenso sobre qual o melhor método de avaliar o
ângulo quadricipital, portanto, não se sabe se a avaliação mais eficaz ou
segura deverá ser com o paciente em decúbito dorsal ou na posição ortostática
e com o músculo relaxado ou contraído. A goniometria, no entanto, é relatada
na literatura como sendo um instrumento de avaliação do ângulo “Q” que
possui uma confiabilidade excelente em relação a outros métodos como
radiografia. A goniometria, além de ser bastante eficaz e segura, é um
instrumento mais barato, tem fácil reprodutibilidade e é o mais realizado na
prática clínica.
A pesquisa, ainda, permitiu inferir em face da escassez de estudos sobre
o tema, se faz necessário mais pesquisas, com amostras maiores para se obter
118
resultados mais seguros e eficientes pois o tema abordado é de suma
importância clínica na fisioterapia.
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120
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121
ATUALIDADES SOBRE FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA EM PEDIATRIA E
NEONATOLOGIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Géssica Rayanne Cândido Ferreira Guedes15
Isabella Pinheiro de Farias Bispo16
RESUMO
Introdução: O fenômeno da respiração processa-se pelos pulmões, sistema
nervoso central e periférico íntegros, juntamente com a caixa torácica e
músculos respiratórios. Este mecanismo pode ser alterado por patologias que
acometam quaisquer componentes presentes nesse sistema. Quando tais
mecanismos encontram-se alterados, ocorre um aumento excessivo de
secreção nos pulmões e vias aéreas respiratórias, prejudicando o transporte do
sistema mucociliar, o que resulta em obstrução completa ou parcial das vias
aéreas. Objetivo: Analisar as atualidades e avanços da fisioterapia no
tratamento e prognóstico dos portadores de doenças respiratórias na área de
pediatria e neonatologia. Método: O estudo trata-se de uma revisão
bibliográfica constituída de artigos disponibilizados na Biblioteca Virtual da
Saúde (BVS), através das bases de dados Scielo (Scientific Eletronic Library
Online), com período de publicação de 2004 a 2013, atendendo aos descritores
e termos de busca simples. Resultados: Foram analisados 22 artigos que
atenderam aos critérios de inclusão do estudo. Conclusão: A fisioterapia
respiratória em pediatria e neonatologia atuam tanto na prevenção e promoção
à saúde, quanto no tratamento de patologias que afetam o sistema respiratório
dessa faixa etária, sendo cada vez maior o número de evidências a respeito da
sua eficácia.
Palavras-chave: Fisioterapia. UTI Pediátrica. UTI Neonatal.
UPDATES ON RESPIRATORY THERAPY IN PEDIATRICS AND
NEONATOLOGY: A LITERATURE REVIEW
ABSTRAT
Introduction: The breathing phenomenon takes place in the lungs, central and
peripheral nervous system intact, along with the chest wall and respiratory
muscles. This mechanism can be changed by diseases that interfere any
components present in this system. When such mechanisms are altered occurs
an excessive increase of secretion in the lungs and airways, affecting the
mucociliary transport system which results in complete or partial obstruction of
the airway. Objective: To analyze the news and advances of physiotherapy in
the treatment and prognosis of patients with respiratory diseases in pediatrics
and neonatology area. Method: The study deals with a literature review consists
15Graduando do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
16Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC. Especialista em Saúde Pública pela Faculdade Integrada de Patos-FIP. Especialista
em Fisioterapia Itensiva pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva-SOBRATI.
Fisioterapeuta do Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande.
122
of articles available on the Virtual Health Library (VHL), through the databases
Scielo (Scientific Electronic Library Online) with of period publication 2004 to
2014, given the descriptors and terms of simple search. Results: We analyzed
22 articles that met the inclusion criteria of the study. Conclusion: Respiratory
therapy in pediatrics and neonatology act work both in prevention and health
promotion, as in the treatment of diseases affecting the respiratory system in
this age group, with an increasing number of evidence about their effectiveness.
Keywords: Physical Therapy. Pediatric ICU. NICU.
1 INTRODUÇÃO
O fenômeno da respiração processa-se pelos pulmões, sistema nervoso
central e periférico íntegros, juntamente com a caixa torácica e músculos
respiratórios. Este mecanismo pode ser alterado por patologias que acometam
quaisquer componentes presentes nesse sistema. O mecanismo fisiológico das
vias aéreas baseia-se em dois mecanismos básicos: a limpeza mucociliar e a
tosse eficaz. Quando tais mecanismos encontram-se alterados, ocorre um
aumento excessivo de secreção nos pulmões e vias aéreas respiratórias,
prejudicando o transporte do sistema mucociliar, o que resulta em obstrução
completa ou parcial das vias aéreas (LIEBANO et al., 2009).
A fisioterapia enquadra-se em uma modalidade terapêutica recente
dentro das unidades de terapia intensiva pediátrica e neonatal que se encontra
em desenvolvimento. Segundo a portaria do Ministério da Saúde do nº 3.432,
em vigor desde 12/8/1998, as unidades de terapia intensiva de hospitais com
nível terciário devem contar com a assistência fisioterapêutica em período
integral, por consequência de diminuição das complicações e do período de
hospitalização, reduzindo assim os custos hospitalares (NICOLAU; LAHÓZ,
2006).
Desde 1980, o fisioterapeuta tornou-se especialista no cuidado ao
paciente crítico. Inicialmente, o campo de atuação apenas se aplicava a
técnicas para a remoção de secreção dos pacientes com complicações
pulmonares. Com os avanços tecnológicos e científicos desde o ano de 1985,
vários métodos, técnicas e tratamentos específicos foram desenvolvidos e
disponibilizados para os recém-nascidos e crianças sobre cuidados intensivos.
(LAHÓZ; NICOLAU, 2009).
123
O fisioterapeuta que atua nessa área tem por responsabilidade avaliar e
prevenir cinética e funcionalmente os pacientes como também intervir no
tratamento dos mesmos atuando na fisioterapia respiratória e/ou motora.
Também atua junto à equipe multiprofissional no controle da ventilação
pulmonar mecânica (VPM) invasiva e não invasiva (VNI), no desmame e
extubação da VPM, insuflação traqueal de gás, protocolo de
insuflação/desinsuflação do balonete intratraqueal, entre outros. (JOHNSTON
et al., 2012).
Segundo Mello, Dutra e Lopes (2004), As infecções respiratórias
agudas representam entre 20% e 40% das hospitalizações pediátricas e entre
30 e 60% das consultas aos serviços de saúde na maioria dos países. Diversos
fatores contribuem para o agravo em relação à doença respiratória e
contribuem para o aumento das taxas de hospitalização por pneumonia. Dentre
esses fatores estão o baixo peso ao nascer, a desnutrição, a falta de
imunizações e fatores sociais.
De acordo com Nicolau e Falcão (2007), O desenvolvimento da
fisioterapia respiratória, em conjunto com a medicina neonatal, faz com que os
recursos fisioterapêuticos sejam otimizados, respeitando-se as individualidades
dos recém-nascidos pré-termos e tornando possível atingir uma maior eficácia
do tratamento intensivo.
Os pacientes que apresentam restrição ao leito e que se encontram
inseridos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) podem apresentar
complicações motoras, respiratórias, hemodinâmicas, cardíacas, neurológicas,
além de condições pós-traumáticas, condições pré-operatórias e pós-
operatórias. A atuação da Fisioterapia em âmbito hospitalar tem por objetivo
minimizar os efeitos da imobilidade no leito e tratar ou prevenir complicações
respiratórias. A fisioterapia respiratória se faz indicada para pacientes da
Unidade de Terapia Intensiva preconizando minimizar o acúmulo de secreção
pulmonar, a melhora da oxigenação e promoção da reexpansão de áreas
pulmonares com atelectasia, além de prevenir os efeitos deletérios da
diminuição ou inatividade do paciente acamado. (LUIZ; SILVA, MACHADO,
2008).
Sarmento, Falcão e Carvalho (2011), relatam que na década de 1980 e
início de 1990, os recursos mais utilizados na assistência ao paciente
124
pediátrico eram drenagem postural, tapotagem, vibrocompressão, exercícios
respiratório e estimulo da tosse e aspiração das vias aéreas.
Os objetivos da assistência fisioterapêutica em recém-nascidos e
crianças são otimização da função respiratória facilitando assim as trocas
gasosas e adequação da relação ventilação-perfusão; adequação ao suporte
respiratório; prevenir e tratar as complicações pulmonares; manutenção da
permeabilidade das vias aéreas; e favorecimento ao desmame da ventilação
mecânica e da oxigenoterapia. (NICOLAU; LAHÓZ, 2006).
Tendo em vista a alta prevalência de infecções pulmonares e
insuficiência respiratória em neonatos e crianças por consequência de
complicações respiratórias decorrentes de uma patologia de base, faz-se
necessária uma abordagem sobre as atualidades e avanços da fisioterapia
neste âmbito, para uma melhor referência no tratamento e prognóstico dos
portadores das doenças respiratórias nesta faixa etária de acordo com as
evidências no tema proposto.
2 MÉTODOS
O presente artigo enquadra-se em uma revisão bibliográfica, elaborada a
partir de material já publicado, constituído de artigos disponibilizados na
Biblioteca Virtual da Saúde (BVS), é de natureza aplicada. Quanto à
aplicabilidade de seus objetivos se enquadra em qualitativa e é de caráter
exploratório. Foram incluídos artigos presentes na base de dados Scielo
(Scientific Eletronic Library Online), que se encontram na Biblioteca Virtual da
Saúde (BVS-Bireme) de 2004 à 2013, escritos na língua portuguesa,
atendendo aos descritores e termos de busca simples. Foram excluídos da
pesquisa artigos não condizentes com o assunto referido mesmo sendo
encontrados através dos termos de busca.
A busca foi realizada atendendo aos seguintes descritores: Fisioterapia,
UTI Pediátrica, UTI Neonatal. Tais descritores foram anteriormente consultados
no DECS (Descritores em Saúde), disponível em http://decs.bvs.br/, tornando-
se, portanto palavras-chave para esta pesquisa. Além disso, foram utilizados
alguns termos simples de busca como: Fisioterapia Intensiva Pediátrica,
125
Fisioterapia Respiratória em Pediatria, UTI Pediátrica, Fisioterapia Neonatal,
sendo para tanto realizada uma busca integrada na Bireme.
Após a escolha dos artigos com probabilidade de serem utilizados de
acordo com o tema proposto e fundamentados de acordo com a pesquisa, foi
feita uma leitura para ser possível construir um embasamento reflexivo sobre o
tema.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Foram utilizados vinte e dois artigos referentes ao tema, que se
enquadram entre os anos de 2006 a 2013.
Tabela 1 – Artigos selecionados
AUTOR ARTIGO ANO
ABREU, C. L. et al. Uma visão da prática da fisioterapia respiratória:
ausência de evidência não é evidência de
ausência 2007
ASSOCIAÇÃO DE
MEDICINA INTENSIVA
BRASILEIRA Retirada (desmame) da ventilação mecânica 2007
BERTI, W. S. J. et al.
Hiperinsuflação manual combinada com
compressão torácica expiratória para redução do
período de internação em UTI em pacientes
críticos sob ventilação mecânica 2012
JOHNSTON, C. et al.
I recomendação brasileira de fisioterapia
respiratória em unidade de terapia intensiva
pediátrica e neonatal 2012
LANZA, C. F. et al.
A vibração torácica na fisioterapia respiratória de
recém-nascidos causa dor? 2010
LIEBANO, E. R. et al.
Principais manobras cinesioterapêuticas manuais
utilizadas na fisioterapia respiratória: descrição
das técnicas 2009
LOBO, L. M. D. et al.
Aplicabilidade das técnicas de bag squeezing e
manobra zeep em pacientes submetidos à
ventilação mecânica 2010
LUIZ, W. P. A.;
SILVA, L. C.;
MACHADO, C. M. Fisioterapia respiratória e terapia intensiva 2008
MARTINS, R. et al.
Técnicas de Fisioterapia Respiratória: efeito nos
parâmetros cardiorrespiratórios e na dor do
neonato estável em UTIN 2013
MEDEIROS, L. G. S. et
al.
Fisioterapia respiratória em terapia intensiva
neonatal 2013
126
MARTINS, P. A.;
SEGRE, M. A. C.
Fisioterapia respiratória em neonatologia:
importância e cuidados 2010
NICOLAU, M. C.;
FALCÃO, C. M.
Efeitos da fisioterapia respiratória em recém-
nascidos: análise crítica da literatura 2007
NICOLAU, M. C. et al
Avaliação da dor em recém-nascidos prematuros
durante a fisioterapia respiratória 2008
NICOLAU, M. C.;
FALCÃO, C. M.
Influência da fisioterapia respiratória sobre a
função cardiopulmonar em recém-nascidos de
muito baixo peso 2010
NICOLAU, M. C.;
FALCÃO, C. M.
Efeitos da Fisioterapia respiratória sobre a
pressão arterial em recém-nascidos pré-termo 2008
NICOLAU, M. C.;
LAHÓZ, C. L. A.
Fisioterapia respiratória em terapia intensiva
pediátrica e neonatal: uma revisão baseada em
evidências 2006
PRADO, C.
REMONDINI, R.
Monitorização do paciente pediátrico sob
ventilação pulmonar mecânica 2013
SANTOS, N. D.;
SOARES, O. L.
O papel do fisioterapeuta na UTI neonatal: limites
e possibilidades 2012
STEIDL, E. M. S. et al. Fisioterapia neonatal: histórico e evolução 2010
SCHENKEL, C. I. et al.
Brinquedo terapêutico como coadjuvante ao
tratamento fisioterapêutico de crianças com
afecções respiratórias 2013
TAQUARY, S. A. S.;
ATAÍDE, S. D.;
VITORINO, O. V. P.
Perfil clínico e atuação fisioterapêutica em
pacientes atendidos na emergência pediatria de
um hospital público de Goiás 2013
VASCONCELOS,R.A.G.
ALMEIDA, A. C. R.;
BEZERRA, L. A.
Repercussões da fisioterapia na unidade de
terapia intensiva neonatal 2011
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
Segundo Vasconcelos, Almeida e Bezerra, (2011), e Medeiros et al.
(2013), iniciou-se no Brasil no ano de 1980 o trabalho de fisioterapia nas
unidades de terapia intensiva, onde a preocupação maior era melhorar a
sobrevida dos recém-nascidos sem aumentar o número de complicações.
Atualmente, a presença de fisioterapeutas nas Unidades de Terapia Intensiva
Neonatais caracteriza-se por um processo em expansão, que vem contribuindo
para um novo campo de atuação para tais profissionais.
De acordo com Nicolau e Falcão (2007), e Medeiros et al. (2013), A
fisioterapia tem obtido grande sucesso prevenindo e tratando as complicações
respiratórias, obtendo assim reconhecimento do profissional de fisioterapia,
tornando-o um membro imprescindível da equipe multiprofissional.
127
A principal função da assistência multidisciplinar aos recém-nascidos
sob os cuidados intensivos é prevenir e reduzir possíveis complicações
respiratórias em virtude da prematuridade e da ventilação mecânica. O neonato
apresenta especificidades estruturais e funcionais que prejudicam a eliminação
de secreção das vias aéreas, a exemplo de mecânica respiratória pouco
eficiente na manutenção do volume pulmonar, vias aéreas mais estreitadas, e
imaturidade do mecanismo de tosse, esgotando assim a capacidade dos
mecanismos de manutenção da limpeza, causando a retenção de secreções.
(STEIDL et al., 2010) (SANTOS; SOARES, 2012).
As afecções respiratórias, apesar do avanço tecnológico, representam
umas das principais causas de morbidade e mortalidade no recém-nascido
(RN), pois permanecem por prolongado tempo de hospitalização, devido
principalmente à imaturidade pulmonar (NICOLAU; FALCÃO, 2010; SANTOS;
SOARES, 2012).
Segundo Martins et al. (2013), os internados em unidades de terapia
intensiva neonatal se expõem a diversos estímulos nocivos, a exemplo da luz,
ruídos intensos, temperatura instável e frequentemente procedimentos
invasivos e dolorosos. Segundo o mesmo autor e Nicolau et al. (2008), a dor é
definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável e que se
tem associação ao dano tecidual real ou potencial.
De acordo com Nicolau e Falcão (2008, 2010), os RN’S pré-termo, com
peso de nascimento inferior a 1.500 kg, apresentam hemorragia intracraniana
peri-intraventricular nas primeiras 72 horas de vida devido a fatores intra e
extra vasculares, contribuindo assim para uma hemorragia devido á
persistência do canal arterial, a ventilação mecânica e a aspiração traqueal.
Por consequência disso, o início do tratamento fisioterapêutico é indicado após
as 72 horas de vida nos RNS pré-termo. Durante a intervenção fisioterapêutica
a pressão arterial desses pacientes deve ser verificada frequentemente, pois
há oscilações do fluxo sanguíneo cerebral, devido à falha do mecanismo de
autorregulação.
Os objetivos da assistência da fisioterapia nos recém-nascidos e
crianças é adequar o suporte ventilatório, favorecer o desmame da ventilação
mecânica e da oxigenoterapia, manter as vias aéreas pérvias, otimizar a função
128
respiratória, facilitando assim as trocas gasosas e prevenir e tratar as
complicações pulmonares (STEIDL et al., 2010; MEDEIROS et al., 2013).
Segundo Nicolau e Lahóz (2006), e Steidl et al. (2010), o tratamento
fisioterapêutico, tem indicação sobre condições clínicas de síndromes
aspirativas, síndromes de desconforto respiratórios, pneumonias, atelectasias e
na prevenção de complicações da ventilação mecânica.
A fisioterapia faz parte do tratamento proposto nas Unidades de Terapia
Intensiva Neonatais, objetivando a remoção da secreção do trato respiratório
inferior, sendo empregadas técnicas de higiene brônquica a exemplo da
vibração, drenagem postural e aspiração. É dada a devida importância às
técnicas passivas e de posicionamento para evitar ou minimizar a dor e a
manipulação em excesso desses pacientes. (NICOLAU et al., 2008; LANZA et
al., 2010).
As técnicas mais utilizadas em neonatos e crianças são as manobras de
higiene brônquica, tapotagem (ou percussão), vibrocompressão, manobras
com ambu (bag-squeezing), aspiração de vias aérea e endotraqueal, estimulo
da tosse e o posicionamento em posturas de drenagem. As manobras de
higiene brônquica são utilizadas para mobilizar e remover secreções nas vias
aéreas, no sentindo de melhorar a função pulmonar. (NICOLAU; LAHÓZ, 2006;
MARTINS; SEGRE, 2010).
A contra-indicação dessas manobras de higiene brônquica é em relação
aos recém-nascidos pré-termo com peso de nascimento menor que 1.500g nos
primeiros 3 dias de vida, devido á possibilidade de ocorrer hemorragia
intracraniana. Dentre essas técnicas a única indicação é o posicionamento,
durante os primeiros dias de vida, pois proporciona melhores condições
biomecânicas ao segmento tóraco-abdominal e otimiza a função respiratória. A
única restrição é em relação ao posicionamento de Trendelenburg que é
utilizado no objetivo de drenar as secreções respiratórias. Ele é contra-indicado
em crianças com instabilidade hemodinâmica e com o aumento da pressão
intracraniana, pois favorece o aumento da mesma, e o refluxo gastroesofágico
e eleva o risco de broncoaspiração e pneumonia aspirativa (NICOLAU; LAHÓZ,
2006).
Nicolau e Falcão (2007), relataram em seus estudos a eficácia da
aspiração de vias aéreas para remover a secreção pulmonar. A aspiração
129
pulmonar obteve mais sucesso quando associada à tapotagem seguida de
vibração. No mesmo estudo foi avaliada a fisioterapia respiratória no período
de extubação, no sentido de diminuir os episódios de atelectasia e necessidade
de reintubação.
De acordo com Taquary et al. (2013), em seu estudo, verificou-se a
atuação fisioterapêutica na emergência pediátrica com recursos e manobras
utilizados no serviço. Necessitaram de oxigenoterapia via máscara facial 52,8%
dos pacientes, por via cateter nasal 94,0%. A oxigenação via máscara facial é
utilizada em pacientes que chegaram ao serviço de emergência, apresentando
condições graves, já os internados nas enfermarias, se encontram
estabilizados e necessitavam de menor concentração de oxigênio, sendo
utilizado cateter nasal, até a retirada.
Segundo Abreu et al. (2007), e Johnston et al. (2012), sobre técnica
para desobstrução das vias aéreas, foi indicada a aplicação do AFE
(Aceleração do Fluxo Expiratório). Em relação às técnicas de reexpansão
pulmonar foram recomendadas hiperinsuflação pulmonar manual, ventilação
percussiva intrapulmonar, compressões torácicas seguidas de liberação lenta e
completa da caixa torácica (JOHNSTON et al., 2012).
Demonstrou-se que o uso de técnicas de Fisioterapia Respiratória pode
reduzir a retenção de secreção pulmonar, além de melhorar a complacência
dinâmica e a complacência estática. A combinação de percussão, limpeza, e
aspiração em conjunto com Hiperinsuflação Manual, contribuiu positivamente
para o desmame da Ventilação Mecânica, além de reduzir o tempo de
permanência na UTI e a extensão da lesão pulmonar em pacientes internados
em UTI (BERTI et al., 2012).
De acordo com Lobo et al. (2010), a manobra ZEEP pode ser utilizada
como manobra de higiene brônquica para a remoção de secreções, além de
melhorar a complacência estática pulmonar, com a vantagem de não ser
necessário desconectar o paciente da Ventilação Mecânica durante todo o
procedimento. Foi visto também que a Pressão positiva no final da expiração
(PEEP) restaura ou eleva a capacidade residual funcional do paciente, o que
melhora a oxigenação.
Das principais manobras cinesioterapêuticas manuais utilizadas na
fisioterapia respiratória, destacam-se no estudo a percussão ou tapotagem,
130
pois promove a mobilidade da secreção pulmonar viscosa, Pressão expiratória,
com o objetivo de desinsuflação pulmonar, pois fisiologicamente há a
diminuição do espaço morto e, consequentemente, do volume residual (VR);
aumento do volume corrente (VC) e maior ventilação pulmonar, que, por sua
vez, oxigenará melhor o sangue (LIEBANO et al., 2009).
Segundo o mesmo autor acima, com esta manobra há um ganho de
mobilidade da caixa torácica, bem como um auxílio na mobilização de
secreções. Além de, assistir e estimular a tosse, devido ao colapso das vias
aéreas, e o Shaking, pois acelera a remoção de secreções através do sistema
de transporte mucociliar, reforçando, assim, o fluxo de ar expiratório
proveniente dos pulmões.
De acordo com Prado e Remondini (2013), a atuação do fisioterapeuta
na monitorização da ventilação pulmonar mecânica do paciente pediátrico
demonstra que o profissional fisioterapeuta deve ter o conhecimento sobre a
interação paciente e o ventilador, ser ciente das propriedades fisiológicas
básicas e medidas de fluxos, pressões e volumes pulmonares e determinar um
manejo ventilatório mais eficaz, além de adaptar parâmetros ventilatórios
adequados para cada paciente, auxiliar no desmame ventilatório, e prevenir a
lesão pulmonar e as complicações relacionadas à ventilação pulmonar
mecânica.
O desmame da ventilação mecânica, se faz indicado quando a fração de
oxigênio inspirado (FIO2) do paciente é menor que 50%, a PEEP menor que 5
cm H2O, e frequência respiratória menor que 60 para lactentes, menor que 40
para pré-escolares e menor que 30 para adolescentes, combinado a
adequada função respiratória e estabilidade hemodinâmica, e escala de
Glasgow maior que 11.O uso da ventilação não invasiva é indicado caso haja
falha na extubação, pois diminui o esforço respiratório das crianças após a
extubação (ASSOCIAÇÃO..., 2007).
A fisioterapia motora na UTI pediátrica é recente, porém de grande
eficácia. Os movimentos ativos, ativo-assistidos ou passivos possuem grande
importância na manutenção da saúde física e mental do ser humano. A
mobilização dos membros superiores utilizados em associação com exercícios
respiratórios leva ao aumento dos diâmetros da caixa torácica, melhorando a
ventilação. Os exercícios com os membros inferiores são importantes na
131
manutenção do retorno venoso. Portanto, se faz importante à retirada do
paciente do leito precocemente, promovendo assim melhora nas condições
ventilatórias, circulatórias, motoras e psicológicas. Entre as técnicas motoras
mais utilizadas estão: Mobilizações; Método Kabat e Posicionamento. (LUIZ;
SILVA; MACHADO, 2008).
De acordo com Schenkel et al. (2013), o uso de brinquedo, a atividade
lúdica como a alternativa de tratamento fisioterapêutico de crianças com
afecção respiratórias resulta que o brinquedo na área de pediatria é de grande
importância devido aos vários aspectos que motivam e interessam o paciente
pediátrico durante a realização do atendimento, pois possuem funções
facilitadoras e mediadores tanto de intervenções pedagógicas ,psicológicas e
clinicas , as brincadeiras e jogos infantis ,vai além de proporcionar apenas
diversão , mais auxilia no desenvolvimento sensório-motor e intelectual da
criança .O profissional da fisioterapia utiliza na pratica clinica o lúdico no
objetivo de melhorar a interação do paciente durante o tratamento.
4 CONCLUSÕES
As doenças respiratórias no âmbito pediátrico são bem frequentes,
alterando assim o mecanismo respiratório desses pacientes, necessitando de
cuidados hospitalares para melhor tratamento das patologias que acometem a
funcionalidade do sistema respiratório em decorrência de uma patologia de
base. Esse estudo demonstrou as evidências sobre a aplicabilidade da
fisioterapia respiratória como uma forma de prevenção e tratamento das
doenças respiratórias e complicações advindas das mesmas em neonatologia
e pediatria, disponibilizando de manobras e recursos que são primordiais no
uso hospitalar, pois atua na melhoria da mecânica respiratória, e assim
contribui para melhor qualidade de vida desses pacientes.
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da ventilação mecânica. São Paulo, 2007. Disponível em:
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132
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134
A FISIOTERAPIA SOBRE A PERCEPÇÃO DOS CUIDADORES DE
CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS EM ESCOLA DE ENSINO
REGULAR
Hellubya Apolinario da Silva17
Rubia Karine Diniz Dutra18
RESUMO
Objetivos: Mostrar a importância de uma equipe multidisciplinar em uma escola
de ensino regular com crianças que apresentem necessidades especiais, assim
como a atuação da fisioterapia na inclusão destas crianças sobre a percepção
de seus cuidadores. Método: Pesquisa básica, bibliográfica, com abordagem
quantitativa. A pesquisa trata-se de um levantamento de bibliografias já
publicadas, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa
escrita. Foram realizadas buscas bibliográficas nas seguintes bases eletrônicas
de dados: Scielo, Bireme, as seguintes revistas foram acessadas: Revista
Brasileira de Educação Especial, Revista Mackezine de Educação Física e
Esporte. Resultados: foi constatado que a maioria das escolas não tem uma
boa estrutura, sendo indispensável a presença de um fisioterapeuta no
ambiente escolar para amenizar os obstáculos impostos no cotidiano destas
crianças. Este profissional irá trabalhar a coordenação motora, equilíbrio, força
muscular das crianças, assim como capacitar os educadores para o processo
de ensino aprendizagem. Conclusão: A fisioterapia é fundamental no ambiente
escolar, pois o mesmo auxilia no processo de inclusão escolar dessas crianças,
reduzindo os obstáculos e promovendo a acessibilidade a todos.
Palavras-chave: Cuidadores. Inclusão Escolar. Necessidades Especiais.
Fisioterapia.
THE IMPORTANCE OF PHYSICAL THERAPY ON THE PERCEPTION OF
CAREGIVERS OF CHILDREN WITH SPECIAL NEEDS IN REGULAR
EDUCATION SCHOOL
ABSTRACT
Objectives: To show the importance of a multidisciplinary team in a mainstream
school with children who have special needs, as well as the role of
physiotherapy in the inclusion of these children on the perception of their
caregivers. Method: Basic Research, literature, with a quantitative approach.
The research it is a survey of bibliographies already published as books,
magazines, loose publications and press. Literature searches were conducted
in the following electronic databases: Scielo, Bireme, the following journals were
accessed: Brazilian Journal of pecial Education, Magazine Mackezine of
Physical Education and Sport. Results: it was found that most schools do not
17 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
18 Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC. Mestra em Saúde Pública. Especialista em Fisioterapia Traumaortopédica,
Dermatofuncional e Acupuntura. Fisioterapeuta.
135
have a good structure and it is essential the presence of a physical therapist in
the school environment to mitigate the tax obstacles in everyday life of these
children. This professional will work coordination, balance, muscle strength of
children, as well as empower educators to the process of teaching and learning.
Conclusion: Physical therapy is essential in the school environment, because it
helps in the school inclusion of these children process, reducing barriers and
promoting accessibility for all.
Keywords: Caregivers. School Inclusion. Special Needs. Physiotherapy.
1 INTRODUÇÃO
Em nosso cotidiano, somos surpreendidos com pessoas com
necessidades especiais que por muito tempo foram mantidas em sociedade
extremamente excludente, pelo fato de apresentarem padrões de normalidade
físicos e intelectuais designadas como uma irregularidade dentro da sociedade.
Segundo Oliveira e Rodrigues (2006), quando ouvimos a palavra inclusão
imaginamos a uma sociedade que luta pela democracia e respeita as
diferenças e particularidades de cada indivíduo, contribuindo para novas
oportunidades e direito de sua cidadania.
A inclusão de crianças com necessidades especiais na escola é um
direito, porém para ser acessado depende da articulação de uma equipe
multidisciplinar, familiares e uma sociedade para cumprir diretrizes
educacionais, com a formação de profissionais capacitados para enfrentar os
mais variados desafios trazidos pela prática diária de ensino (BRIANT;
OLIVER, 2012).
Um princípio da educação inclusiva consiste no fato que as escolas
devem reconhecer e atender às diversas necessidades dos alunos,
proporcionando-lhes uma educação de qualidade com uma aprendizagem por
meio de currículo apropriado, estratégias de ensino, uso de recursos especiais
entre outros. É importante lembrar que as escolas brasileiras, em especial as
de rede pública tem enfrentado muitas dificuldades no que se refere a
aprendizagem acadêmica até mesmo para as crianças que não apresentam
nenhum tipo de deficiência, mostrando um baixo rendimento não apenas para o
processo inclusivo, mas no processo educacional como um todo (LEONARDO,
2008).
136
Para Melo e Pereira (2013), a educação inclusiva deve ser considerada
na perspectiva de atender às dificuldades no aprendizado de qualquer aluno no
processo educacional, assim como proporcionar os mesmos direitos aos
alunos que apresentam algum tipo de deficiência uma participação plena na
sociedade. Por isso, é importante a dedicação de toda comunidade escolar –
alunos, cuidadores, professores, funcionários, familiares e outros profissionais
para que se tenha êxito. Os cuidadores têm a função importante de
desempenhar o desenvolvimento motor de seus filhos. Para a criança
desenvolver no que se refere ao intelectual, social e emocional é importante a
participação de forma ativa e contínua em atividades recíprocas e
progressivamente complexas, sempre com pessoas que tenham forte
afetividade com a criança (CHRISTOVAM; CIA, 2013).
No contexto, a família na escola é considerada como positiva no
sucesso da criança é necessário que aconteça diálogo entre a equipe de
profissionais para o envolvimento de parentes que é de grande importância
para o desenvolvimento de alunos com necessidades especiais
(CHRISTOVAM; CIA, 2013). Para os cuidadores tudo pode influenciar no
desempenho de seus filhos e valorizando a escola, é notável o reconhecimento
desses cuidadores que sua participação na escola influenciará no desempenho
da criança no ambiente escolar. A principal forma de sensibilização da família
sobre sua participação na escola é entender o valor social e sua importância na
educação de seus filhos (CHRISTOVAM; CIA, 2013).
A escola tem o papel de tornar essas crianças indivíduos ativos e
participantes, promovendo a sua inclusão na sociedade, proporcionando
condições de trabalho e participação política. A participação dos pais é
importante na inclusão do portador de deficiência física na escola, pois eles
iniciam o processo de escolarização da criança e assegura sua permanência
diante das dificuldades (NIEHUES; NIEHUES, 2014).
Os cuidadores passam por situações que lhes fazem superar as
dificuldades impostas no dia-a-dia pela sociedade. É necessário que a família
compreenda a necessidade de seus filhos e passem a suprir as expectativas
modificando o modo de vida (OLIVEIRA et al., 2008). A Fisioterapia pode
contribuir neste caminho, no que se refere ao aspecto ergonômico, assim como
na formação continuada aos educadores. Os profissionais de Fisioterapia têm
137
habilidade de esclarecer dúvidas e trocar experiências com os educadores,
mostrando variadas atividades a serem trabalhadas em sala de aula
(LANDMANN; RUZZA; CHESANI, 2009).
O fisioterapeuta deve atuar na educação inclusiva mostrando a
importância do desenvolvimento sensório-motor no processo de ensino e
aprendizagem, assim como minimizar as dificuldades que o deficiente irá
encontrar na escola, promovendo orientações e incentivando as adaptações
necessárias (NIEHUES; NIEHUES, 2014).
Segundo Ghedini, Mancini, Brandão (2010), o grau de comprometimento
motor, a comunicação e a idade são os principais fatores que contribuem para
a participação de crianças com necessidades especiais na escola. Quando a
criança tem atendimentos com profissionais especializados aumenta a
possibilidade de uma vida mais independente para estas crianças, com isso
diminui as dificuldades enfrentadas pelos cuidadores proporcionando uma
melhor qualidade de vida (BARBOSA; FERNANDES 2009).
O estresse pode ser considerado devido às condições ou situações uma
diferença entre as demandas externas ao organismo e avaliação do indivíduo
de como reagir a cada uma delas (MATSUKURA et al., 2007). A prática
fisioterapêutica é assegurada pelo código de ética profissional e regulamenta
as responsabilidades e funções deste profissional.
Deste modo, infere-se que o fisioterapeuta deve atuar em todos os
níveis de atenção à saúde, ou seja, desde a prevenção, promoção e
reabilitação, por isso o mesmo deve orientar e esclarecer as dúvidas
conscientizando a todos, servindo de apoio às necessidades das
crianças. Neste sentido, pode-se averiguar a importância da
fisioterapia na inclusão escolar de crianças com deficiência física,
uma vez que este profissional atua ativamente neste processo
(NIEHUES; NIEHUES, 2014, p. 11)
Para Niehues e Niehues (2014), o fisioterapeuta deve orientar o docente
sobre a posição e como conduzir a criança com deficiência física, assim como
orientar sobre a utilização de equipamentos, móveis, deve adaptar as posturas
da criança na sala de aula como também nas atividades extraclasses.
Atividades para melhorar o equilíbrio postural, direção, espaço, distância,
alongamentos musculares com o objetivo de minimizar e prevenir
encurtamentos e atrofias são necessários no cotidiano dessas crianças. Assim
138
como exercícios lúdicos, para ativar a concentração, memória, estimular a
linguagem e a comunicação, tornando a criança atuante e importante
(NIEHUES; NIEHUES, 2014).
O objetivo deste estudo é mostrar a importância de uma equipe
multidisciplinar em escola de ensino regular com crianças com necessidades
especiais, assim como a atuação da Fisioterapia na inclusão destas crianças
sobre a percepção de seus cuidadores.
2 MÉTODO
Pesquisa básica, bibliográfica com abordagem quantitativa. Pesquisa
básica tem a finalidade de compreender projetos de que representam uma
investigação original, com vistas ao avanço científico, e que não têm objetivos
comerciais específicos (PAIM, 2010). A pesquisa trata-se de um levantamento
de bibliografias já publicadas, em forma de livros, revistas, publicações avulsas
e imprensa escrita (MARCONI; LAKATOS, 2011).
Foram realizadas buscas bibliográficas nas seguintes bases eletrônicas
de dados: Scielo, Bireme, as seguintes revistas foram acessadas: Revista
Brasileira de Educação Especial, Revista Mackenzie de Educação Física e
esporte. Tendo como descritores: cuidadores, inclusão escolar, necessidades
especiais, Fisioterapia. Para seleção dos artigos, foram seguidos os seguintes
critérios de inclusão: artigos com desfecho na importância da Fisioterapia em
escola de ensino regular, publicados no período de 2006 a 2014 cuja amostra
contemplasse crianças com deficiências físicas matriculadas em escolas de
ensino regular. Foram excluídos os estudos que não apresentavam qualidade
metodológica ou não abordavam diretamente o tema.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Entre o período de 2006-2014 foram encontrados 14 artigos que
relacionaram os descritores (Quadro 1).
139
AUTOR ANO OBJETIVOS RESULTADOS
Tagliari; Três; Oliveira 2006
Analisar as escolas de
rede pública de Passo
Fundo/RS quanto à
acessibilidade e orientar
os funcionários, alunos
Portadores de Deficiência
Física (PDF) e seus
familiares de como estes
alunos devem se portar
no ambiente escolar.
A Maioria das escolas
analisadas não tem
acessibilidade
necessária para estes
alunos, não existem
projetos para a
eliminação de barreiras
arquitetônicas e
ambientais; não há
presença de profissional
capacitado para
trabalhar com os
funcionários quanto aos
procedimentos e
estratégias de inclusão
dos alunos de PDF e
para orientá-los de como
se portar no ambiente
escolar.
Silveira; Neves 2006
Identificar as concepções
dos pais e dos
professores de crianças
com deficiência múltipla
sobre a inclusão escolar e
social dessas crianças.
Os resultados indicaram
que os pais percebem a
deficiência do filho como
algo que acarreta
grande sofrimento e que
traz comprometimentos
sociais, principalmente
relacionados ao
trabalho. Os pais e os
professores acreditam
não ser possível a
inclusão escolar dessas
crianças, por
conceberem o
desenvolvimento delas
como inexistente e por
considerarem a escola
de ensino regular
despreparada para
recebê-las.
140
Oliveira; Rodrigues 2006
Analisar os
procedimentos e atitudes
de profissionais de
educação, um professor
de educação física, um
coordenador e um diretor
que atuam no sistema de
inclusão, com a
participação de crianças
com deficiências no 1º e
2º ciclos de ensino
fundamental.
Como resultado verificou
que existe concepção
teórica por parte dos
profissionais da escola,
mas não fica explícito
como o processo de
inclusão tem se
efetivado nas
instituições de ensino
para o aprimoramento
da aprendizagem de
seus alunos com e sem
especificidades.
Matsukura et al. 2007
Avaliar a associação entre
estresse e suporte social
das mães de crianças
com necessidades
especiais e mães de com
crianças com
desenvolvimento típico,
em famílias de baixa
renda.
Os resultados indicaram
em ambos os grupos,
elevada porcentagem de
mães estressadas.
Leonardo
Niehues; Niehues
2008
2014
Verificar como está
ocorrendo o processo de
implantação de projetos
inclusivos em escolas
públicas de ensino básico.
As principais categorias
identificadas foram:
dificuldades enfrentadas
(transporte, recurso
financeiro, saúde), vida
social (lazer), projetos
de vida das cuidadoras
estudadas pode ser
compreendida como
insatisfatória.
Oliveira et al. 2008
Compreender a qualidade
de vida do cuidador de
crianças com paralisia
cerebral.
Encontrou-se a incerteza
por parte das
educadoras quanto à
sua identidade
profissional e a sua
função. Para a maioria,
a escolha profissional
deu-se por um apresso
em lecionar.
141
Landmann; Ruzza;
Chesani
2009
Identificar o perfil dos
educadores quanto a
idade, sexo, escolaridade,
tempo em creche e
instituição atual;
Conhecer a trajetória
profissional e o motivo da
escolha e a função dos
educadores e suas
concepções quanto ao
Desenvolvimento
Neuropsicomotor Normal
(DNPMN).
Os dados revelaram
diferenças significantes
entre todos os domínios.
O único domínio do
questionário de
qualidade de vida que
mostrou correlação
estaticamente
significante com todas
as variáveis
demográficas foi o
domínio do Meio
Ambiente.
Barbosa; Fernandes 2009
Avaliar a qualidade de
vida dos cuidadores de
crianças incluídas no
espectro autístico e
determinar se há algum
tipo de relação entre os
diferentes domínios e
aspectos demográficos
como a escolaridade e
classe social.
A síntese da evidência
aponta que os principais
fatores que contribuíram
para a participação da
criança com deficiência
física no ambiente
escolar refiram-se às
habilidades motoras,
especificamente
mobilidade, à
comunicação, ao nível
de comprometimento
motor à idade. Barreiras
que restringiram a
participação, como falta
de acesso e
inadequação do espaço
físico das escolas foram
identificadas.
Ghedini; Mancini;
Brandão
2010
Analisar, através de uma
revisão de literatura,
evidências disponíveis
sobre a participação da
criança com deficiência
física no contexto da
escola regular.
Após a realização do
estudo, foi possível
verificar que a atuação
da Fisioterapia sobre a
adequação de
mobiliários e materiais,
orientação para
142
eliminação de barreiras
arquitetônicas e
conscientização dos
profissionais envolvidos
na educação, contribuiu
para o desenvolvimento
do aluno com paralisia
cerebral no ambiente
escolar.
Silva; Santos; Ribas 2011
Apontar como o
fisioterapeuta pode atuar
no processo de inclusão
de alunos com paralisia
cerebral (PC) no sistema
regular de ensino.
Os docentes
identificaram a
necessidade de apoio
institucional para seu
trabalho, incluindo
possibilidades de
formação a partir das
demandas cotidianas.
Briant; Oliver 2012
Conhecer o ponto de vista
do professor do ensino
fundamental da rede
pública municipal, as
estratégias pedagógicas
que utilizavam para a
inclusão de crianças com
deficiência na classe
comum.
Os dados indicam que
os fatores importantes
ao sucesso do aluno
segundo os professores
seriam apoio do
profissional
especializado, e o
auxílio dos pais em tudo
envolvesse o
desenvolvimento da
criança; enquanto pais
indicaram a importância
de auxiliar alunos e
professores na tarefa de
casa. Os participantes
afirmaram que uma boa
relação família-escola
seria aquela em que a
comunicação fosse
eficiente.
Christovam; Cia 2013
Identificar a percepção
dos participantes sobre a
relação família-escola,
considerando o processo
Os professores
reconhecem a
importância da
fisioterapia com exceção
143
de inclusão. de um professor,
afirmam que o mesmo
pode ajudar na inclusão
dos alunos com
deficiência física.
O atendimento
fisioterapêutico contribui
para a inclusão escolar
na medida em que são
realizadas orientações e
trocas de informações
entre os professores e
fisioterapeutas.
Melo; Pereira 2013
Investigar o que os
professores do ensino
comum pensam a
respeito da colaboração
do fisioterapeuta nesse
processo.
Todos os professores
reconhecem a
importância da
participação dos
profissionais de saúde
colaborando para
inclusão escolar dos
alunos com deficiência,
e, se tratando do
fisioterapeuta, todos,
com exceção de um dos
professores, afirmam
que o mesmo pode
ajudar na inclusão dos
alunos com deficiência
física.
Quadro 1: Artigos selecionados
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
O ambiente escolar é muito importante no processo de desenvolvimento
infantil, quando nascemos, os primeiros contatos são com nossos familiares, no
mundo externo, é a escola na qual inicia as nossas relações sociais. As
primeiras vivências na escola são fundamentais para o desenvolvimento
intelectual e relações com outras pessoas (GHEDINI; MANCINI; BRANDÃO,
2010).
144
Para Ghedini, Mancini, Brandão, (2010), escola inclusiva é considerada
aquela que oferece oportunidades de acordo com sua necessidade, educando
e incluindo essas crianças na sala de aula de ensino regular.
O direito de alunos com necessidades especiais educacionais em rede de
ensino regular é obrigação do estado e é garantido a todos os indivíduos desde
a Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Cartilha de Convenção sobre
os Direitos das Pessoas com Deficiência mostra todas as medidas para evitar
obstáculos arquitetônicos, que dificultem a inclusão social dos mesmos,
promovendo assim o acesso a todos (SILVA; SANTOS; RIBAS, 2011).
O Decreto-lei n.º 5296 (BRASIL, 2004), institui que os
estabelecimentos de ensino regular de qualquer nível, públicos ou
privados, devem proporcionar condições de acesso e utilização de
todos os seus ambientes para pessoas com deficiência ou com
mobilidade reduzida, inclusive na sala de aula, bibliotecas, auditórios,
instalações desportivas, áreas de lazer e sanitários (SILVA; SANTOS;
RIBAS, 2011, p. 2).
A inclusão social da idéia de uma sociedade que luta pela democracia,
na qual as diferenças são respeitadas, voltados a este princípio, a sociedade
busca quebrar obstáculos em relação às diferenças entre os indivíduos e fazer
com que todos tenham o mesmo direito, assim como sua cidadania. Nesse
contexto a escola é de fundamental importância para que a inclusão social
aconteça (NIEHUES; NIEHUES, 2014).
Educação Inclusiva significa uma educação com responsabilidade e
qualidade, que atenda as expectativas da sociedade como um todo. Nesse
contexto, a escola deve atender as necessidades dos alunos no que se refere
ao ambiente escolar, adaptando-a as condições físicas dos mesmos, assim
como profissionais capacitados para trabalhar com as diversidades (NIEHUES;
NIEHUES, 2014).
Para Landmann, Ruzza, Chesani, (2009) receber alunos com deficiência
é formar cidadão com a garantia e direitos a todos a educação. A vivência com
alunos com déficit cognitivo exige do profissional competência e
posicionamento para lhe dá com o preconceito imposto pelas pessoas,
facilitando a convivência dessas crianças com as demais, como também
desenvolvendo sua capacidade.
145
Segundo Tagliari, Três, Oliveira (2006) define-se como deficientes
físicas aquelas crianças que apresentam alteração da mobilidade, coordenação
motora no geral ou da fala, como conseqüência de lesões neurológicas, má
formação congênita, ortopédicas e neuromusculares.
Levando em consideração o que diz o Estatuto da Criança e do
Adolescente a escola tem por obrigação matricular crianças com necessidades
especiais que procurem esse serviço, adaptando o ambiente escolar e
capacitando os profissionais para suprir as necessidades desses alunos
(TAGLIARI; TRÊS; OLIVEIRA, 2006).
Estudos abordam que os cuidadores são fundamentais para inclusão
dessas crianças na escola de ensino regular, assim como profissionais
capacitados podem ajudar esses cuidadores vencer obstáculos, levando em
consideração que crianças com desenvolvimento alterado, geram um nível de
estresse nos pais, em especial nas mães, podendo estes desencadear
depressão (SILVEIRA; NEVES, 2006).
Para Christovam e Cia (2013), conhecer as necessidades da família é
muito importante, pois assim os professores e demais profissionais poderão
auxiliar esses cuidadores no processo de inclusão escolar de seus filhos
amenizando o sofrimento dos mesmos diante dos obstáculos.
A fisioterapia será importante no processo inclusivo, pois irá minimizar
os obstáculos impostos pelo dia-a-dia, vai desenvolver a parte sensório-motor
para facilitar no processo ensino e aprendizagem, assim como educar os
alunos para postura corretas no ambiente escolar (NIEHUES; NIEHUES,
2014).
Para Niehues e Niehues, (2014) é importante as pessoas terem
conhecimento e conscientização sobre a educação inclusiva, respeitando as
diferenças na sociedade, e que a fisioterapia é fundamental para adequar o
ambiente em que vive.
É papel de o fisioterapeuta capacitar o professor para as atividades
cotidianas realizadas em sala de aula, assim como no uso de equipamentos,
mobiliários, padrões posturais, adaptações, jogos e passeios (TAGLIARI;
TRÊS; OLIVEIRA, 2006).
146
A fisioterapia em escolas é assegurada pelo Código de Ética
profissional. Podendo atuar no desenvolvimento de ações preventivas
primárias, secundárias e terciárias (LANDMANN; RUZZA; CHESANI, 2009).
O professor e o fisioterapeuta são de extrema importância na vida
dessas crianças, por isso é necessário a interação desses dois profissionais,
pois na maioria dos casos o professor não tem experiência e nem
conhecimento para trabalhar com diferentes tipos de patologia, e o
fisioterapeuta irá orientar sobre a melhor prática pedagógica, melhores
posturas para estes alunos, assim como modificações ergonômicas (NIEHUES;
NIEHUES, 2014).
É importante que na escola tenha uma equipe multidisciplinar para que
esses alunos permaneçam no ambiente escolar, incentivando-os sempre a
trocar experiências com outros alunos, desenvolvendo suas capacidades
(SILVA; SANTOS; RIBAS, 2011).
Através de brincadeiras o fisioterapeuta pode trabalhar exercícios para
coordenação motora, força muscular, equilíbrio, estimular noções de distâncias,
espaço, direção (direita, esquerda, posterior e anterior) dessa forma a criança
desenvolve a parte sensório-motora de forma lúdica e divertida (NIEHUES;
NIEHUES, 2014).
Para Tagliari, Três, Oliveira (2006) o fisioterapeuta tem papel importante
no ambiente escolar, pois o mesmo poderá solicitar mudanças e inovações
tanto externamente como internamente, possibilitando a permanência desses
alunos na escola, assim como oferecendo uma melhor qualidade de vida.
No que se refere à opinião dos cuidadores sobre o valor da sua
colaboração no ambiente escolar de seus filhos identifica-se pouco
conhecimento no assunto sobre sua influência no desempenho da criança.
Para os cuidadores sua função é apenas auxiliar nas atividades de casa,
estudos afirmam que esse apoio dos pais quando prestados nas séries iniciais
aumenta as chances de comunicação entre as duas partes, melhorando no
desempenho da criança (CHRISTOVAM; CIA, 2013).
Para Christovam e Cia, (2013) os pais sentem a necessidade de participar
da vida de seus filhos, mais para isso deve acontecer o incentivo do professor,
com a participação dos cuidadores na escola é necessário que eles entendam
147
a importância deles no processo ensino aprendizagem, lembrando sempre de
seus direitos e deveres.
Estudos relatam que o profissional de fisioterapia poderá suprir as
expectativas e esperanças de cuidadores de crianças com necessidades
especiais, através de educação física, movimento na sala de aula ou no pátio
da escola. Este trabalho deve ser executado junto a idéia do professor,
fisioterapeuta e cuidador, que juntos devem manter uma parceria agradável
para se obter sucesso no trabalho (LANDMANN; RUZZA; CHESANI, 2009).
A importância da multidisciplinaridade nas escolas, é fundamental para a
relação fisioterapeuta e professor, para que os mesmos possam atuar na
promoção, prevenção de saúde, assim como na reabilitação.Nesse contexto o
fisioterapeuta oferece as crianças estímulos neuropsicomotor apropriando
habilidades indispensáveis no processo de aprendizagem (NIEHUES;
NIEHUES, 2014).
4 CONCLUSÃO
A presença do fisioterapeuta é fundamental no ambiente escolar, pois o
mesmo auxilia no processo de inclusão escolar reduzindo os obstáculos,
promovendo acessibilidade, adaptando a escola para as necessidades dos
alunos, assim como ajudando essas crianças desenvolver seu cognitivo para
ajudar no processo ensino aprendizagem.
Por meio desta pesquisa foi possível atender os objetivos propostos
sobre a percepção dos cuidadores e profissionais sobre a atuação da
fisioterapia na escola no processo de inclusão. Para os cuidadores a
fisioterapia vai contribuir no processo de inclusão de seus filhos pois ira propor
mudanças e inovações não somente externamente como internamente,
possibilitando condições de acesso e permanência de crianças com
necessidades físicas proporcionando sua inclusão no ambiente escolar e assim
melhorando a sua qualidade de vida.
Os principais fatores discutidos nos artigos contribuíram para a inclusão
de crianças com necessidades especiais no ambiente escolar, relatando
também as habilidades motoras, o nível de comprometimento e a
comunicação. Afinal, inclusão escolar é acolher todas as pessoas, sem
148
exceção, no sistema de ensino, independentemente de cor, classe social e
condições físicas e psicológicas.
REFERÊNCIAS
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n. 1, p. 10-14, jan./mar. 2006.
150
A FISIOTERAPIA NA PERCEPÇÃO DE CUIDADORES DE SEQUELADOS
DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO
Maria Cláudia de Almeida Silva19
Rubia Karine Diniz Dutra20
RESUMO
Objetivo: Identificar a percepção de cuidadores sobre a importância da
fisioterapia no tratamento do paciente sequelado de Acidente Vascular
Encefálico, bem como, verificar se os mesmos estavam recebendo orientações
fisioterapêuticas para o cuidado do paciente sequelado, e também de como
cuidar de si próprio em domicílio. Método: a pesquisa foi realizada através de
um levantamento bibliográfico através das bibliotecas virtuais, livros e revistas
entre os meses de Setembro e Novembro de 2014. Procurando temas que
abordassem sobre a percepção do cuidador acerca da importância do
tratamento fisioterapêutico para portadores de AVE, e as informações que os
cuidadores precisavam da fisioterapia para continuar o tratamento em
domicílio. Resultados: Verificou-se através deste estudo, que os cuidadores
sofrem uma sobrecarga física e emocional muito grande devido à mudança
repentina em suas vidas, o que é agravado devido à dependência do paciente
acometido por AVE. E que devido à falta de informações de como realizar o
cuidado adequadamente, acaba por acarretar reinternações dos sequelados e
mais sofrimento para o cuidador. Percebeu-se também, que os familiares
cuidadores que recebiam informações dos profissionais da saúde,
principalmente da Fisioterapia, se sentiam mais seguros e confiantes ao
realizar o cuidado. Conclusão: As informações fisioterapêuticas são de extrema
importância para o cuidador, lhe assegurando capacidade, segurança,
confiança e motivação para realizar as tarefas junto com o paciente, e assim
poder contribuir para um bom prognóstico deste paciente. Ressaltando também
que quando os cuidadores recebem informações de como cuidar de si próprio,
sentem diminuição de dores musculares, e estresse físico.
Palavras-chave: Acidente Vascular Encefálico. Cuidador. Fisioterapia.
Informações.
PHYSICAL THERAPY IN PERCEPTION OF VASCULAR ACCIDENT
SEQUELAE OF CAREGIVERS BRAIN
ABSTRACT
Objective: To identify the perception of caregivers about the importance of
physiotherapy in sequelae patient's treatment cerebrovascular accident, as well
19 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
20 Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC. Mestra em Saúde Pública. Especialista em Fisioterapia Traumaortopédica,
Dermatofuncional e Acupuntura. Fisioterapeuta.
151
as checking that they were receiving physiotherapy guidelines for the care of
sequelae patient, as well as how to care for themselves in their own home.
Method: The research was conducted through a literature through virtual
libraries, books and magazines between September and November 2014.
Looking themes that focused on the perception of caregivers about the
importance of physical therapy for stroke patients, and the information that
caregivers need physical therapy to continue treatment at home. Results: It was
through this study that caregivers experience physical and emotional burden too
large due to the sudden change in their lives, which is aggravated due to the
dependence of patients affected by stroke. And that due to lack of information
on how to perform the care properly, ultimately entail re-admissions of sequelae
and more suffering for the caregiver. We also noticed that family caregivers
receiving information from health professionals, especially physical therapy, felt
more secure and confident when performing care. Conclusion: physical therapy
information is extremely important for the caregiver, ensuring you ability,
security, confidence and motivation to carry out tasks with the patient, and thus
to contribute to a good prognosis of this patient. Emphasizing also that when
caregivers receive information on how to care for yourself, feel decrease of
muscle pain, and physical stress.
Keywords: Cerebrovascular Accident. Caregiver. Physiotherapy. Information.
1 INTRODUÇÃO
Desde a década de 60, evidencia-se no Brasil, um aumento das doenças
crônico-degenerativas, principalmente as afecções cardiovasculares,
suplantando as enfermidades infecciosas e parasitárias como causa de morte
(PERLINE; FARO, 2005).
Dentre as doenças crônico-degenerativas, as cerebrovasculares
constituem a terceira causa de morte no mundo, precedidas pelas cardiopatias
em geral e o câncer. O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico ou
hemorrágico, transitório ou definitivo é a doença cerebrovascular que apresenta
maior incidência, tem maior morbidade e resulta em incapacidades (PERLINE;
FARO, 2005).
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) ou ataque cerebral ocorre devido
a perda repentina da função neurológica causada por uma interrupção do fluxo
sanguíneo para o encéfalo (O´SULLIVAN; SCHMITZ, 2010). O AVE apresenta
um quadro neurológico agudo, de origem vascular, com rápido
desenvolvimento de sinais clínicos, em razão de distúrbios locais ou globais da
função cerebral com duração maior que 24 horas (SOUSA et al, 2008).
152
A prevalência do AVC é alta e atualmente 90% dos sobreviventes
desenvolvem algum tipo de deficiência, sendo considerada uma das principais
causas de incapacidades em adultos (SCALZO et al., 2010).
Além de contribuir para a morbidade e mortalidade, o Acidente Vascular
Encefálico (AVE), causa danos ao indivíduo, à sua família e a sociedade por
causa da limitação para a realização das suas atividades de vida diária, pelos
anos perdidos de produtividade e pelos elevados custos financeiros de
hospitalização e reabilitação, isso também faz com que o Acidente Vascular
Encefálico seja uma relevante questão de saúde pública (REIS et al., 2008).
A Organização Mundial de Saúde (OMS) refere-se as condições
crônicas como problemas de saúde que necessitam de cuidados constantes
por certo período de tempo ou por tempo indeterminado (OMS, 2003 apud
MIRANDA; EYKEN, 2012).
Os pacientes que apresentam índices insatisfatórios para sua
independência funcional necessitarão da presença de um cuidador (MIRANDA;
EYKEN, 2012).
A Classificação Brasileira das Ocupações (CBO) define o cuidador como
alguém que “cuida a partir dos objetivos estabelecidos por instituições
especializadas ou responsáveis diretos, zelando pelo bem estar, saúde,
alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa
assistida” (FERNANDES et al., 2013, p. 152).
Cuidador é a pessoa cuja responsabilidade é a de efetuar as atividades
para as quais o paciente não tem mais possibilidade de realizar (RODRIGUES;
MEIJA, 2012). Os cuidadores vivenciam a necessidade de adaptação à nova
rotina que surge de forma inesperada e intensa, acompanhada por outras
dificuldades como as econômicas, as estruturais e a necessidade de apoio
(OLIVEIRA; GUARANHANI; GUARANHANI, 2011).
O papel de cuidar é desgastante, por conta disso, conhecer quem são os
cuidadores e a situação em que eles se encontram, pode ajudar a se pensar
em formas de atenuar esse desgaste, prevenindo problemas de saúde física e
emocional, o que tem efeito na melhora da qualidade de vida tanto do paciente
quanto do cuidador (FERREIRA et al., 2012).
O cuidador de pessoas dependentes precisa ser alvo de orientações
sobre como proceder neste novo contexto da doença e, também, em situações
153
mais difíceis; recebendo periodicamente visitas de profissionais de saúde,
fisioterapeutas, médicos, enfermeiros, sendo este apoio fundamental (GOMES;
RESCK, 2009).
Nesta intervenção prima-se, também, por treinamentos de como devem
ser realizadas as mudanças de decúbitos, as transferências nas diferentes
posturas, precauções com a higiene e medidas preventivas que evitem a
instalação de deformidades e contraturas que comprometerão ainda mais a
funcionalidade destes pacientes (MIRANDA; EYKEN, 2012).
Segundo Sousa et al (2008), a fisioterapia atua de acordo com as
incapacidades de cada paciente, mais especialmente nos sistemas
osteomuscular, cardiorrespiratório e neurológico, buscando averiguar qual o
grau de incapacidade física do paciente e atuar em cima deste, buscando uma
melhora na sua capacidade de vida. As principais funções da fisioterapia são
preservar a função motora do paciente retardando ou minimizando as
instalações das incapacidades, tratar as alterações e os sintomas provenientes
do AVE e os problemas associados e reabilitar o paciente dentro das suas
potencialidades.
Para Polese et al. (2008), na formulação do tratamento fisioterapêutico,
o que deve ser priorizado são os objetivos funcionais, estabelecendo os
componentes do movimento e as deficiências significativas que interfiram no
movimento funcional.
É de extrema importância que logo após o episódio de AVE o
fisioterapeuta dê início a fase de reabilitação do paciente, para que se obtenha
uma melhor qualidade de vida. É importante estimular os movimentos antes
realizados, tentar melhorar o equilíbrio do paciente, fazê-lo posicionar
adequadamente no leito e na cama, fazer com que ele retorne, na medida do
possível, as atividades de vida diária e normalizar o controle do tronco
(NONINO; KREULICH; BENEDETI, 2008).
Essa pesquisa justifica-se pelo grande número de pessoas acometidas
por AVE e pela alta taxa de morbidade que apresenta. De acordo com
American Heart Association, (2005 apud O´SULLIVAN; SCHMITZ, 2010), o
AVE é a causa mais comum de deficiência crônica. Dentre os sobreviventes,
estima-se que aproximadamente 13 se torne funcionalmente dependente
154
depois de um 1 ano, apresentando dificuldades na realização de atividades da
vida diária (AVD), deambulação, fala e assim por diante.
Devido à importância do tema na área da fisioterapia e pelo pouco
abordado sobre o assunto objetivou-se neste trabalho identificar a percepção
de cuidadores sobre a importância da fisioterapia em sequelados de Acidente
Vascular Encefálico apresentado na literatura, identificando também o
conhecimento e a satisfação dos cuidadores sobre a fisioterapia na reabilitação
de sequelados de Acidente Vascular Encefálico, conhecer se os cuidadores
receberam orientação do fisioterapeuta para o cuidado de si próprio e de como
cuidar dos sequelados de Acidente Vascular Encefálico em casa.
2 MÉTODO
Pesquisa básica, bibliográfica, com abordagem quantitativa. Pesquisa
básica tem a finalidade de compreender projetos de pesquisa que representam
uma investigação original, com vistas ao avanço científico, e que não têm
objetivos comerciais específicos (PAIM, 2010). A pesquisa bibliográfica trata-se
de um levantamento de toda bibliografia já publicada, em forma de livros,
revistas, publicações avulsas e imprensa escrita (LAKATOS, 2007).
Foram realizadas buscas bibliográficas nas seguintes bases eletrônicas
de dados: SCIELLO, BIREME, BVS, e livros. Tendo como descritores para
seleção dos artigos os seguintes critérios de inclusão: artigos com desfecho na
importância da fisioterapia no tratamento de sequelados de Acidente Vascular
Encefálico, publicados no período de 2005 a 2014, cuja amostra contemplasse
pessoas acometidas por Acidente Vascular Encefálico, bem como seus
cuidadores. Foram excluídos os estudos que não apresentam qualidade
metodológica ou não abordavam diretamente o tema.
Para selecionar a amostra foram utilizadas as bases de dados:
SCIELLO, MEDILINE, BIREME, BVS e LILACS usando os seguintes
descritores: Acidente Vascular Encefálico, cuidadores, fisioterapia, informações
e reabilitação.
Dos artigos lidos foram selecionados os que obedeceram aos critérios
de inclusão, que foram: artigos que abordassem a percepção do cuidador
sobre a fisioterapia no tratamento do sequelado de Acidente Vascular
155
Encefálico, informações fisioterapêuticas para o cuidado do sequelado e do
cuidador. Os dados foram selecionados através de uma leitura aprofundada e
em seguida separados em categorias de tratamento fisioterapêutico para
Acidente Vascular Encefálico, informações para cuidadores de sequelados,
percepção do cuidador acerca do tratamento fisioterapêutico para o sequelado,
e satisfação do cuidador acerca do tratamento fisioterapêutico.
Foram utilizados 21 artigos todos em português que atendessem tanto
aos objetivos do trabalho quanto aos descritores.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Foram selecionados 12 trabalhos para a discussão do tema proposto,
conforme o (Quadro 1) abaixo:
Quadro 1: Trabalhos utilizados na construção da discussão
AUTOR - ANO OBJETIVOS RESULTADOS
FELÍCIO et al.,
2005.
Investigar a efetividade da
fisioterapia no quadro clínico do
paciente neurológico, sob a
ótica do cuidador e da dinâmica
familiar, no processo de
atendimento domiciliar.
Os cuidadores dos
pacientes com assistência
fisioterapêutica tinham
uma visão mais otimista
do quadro clínico, e se
sentiam mais motivados
ao lidar com esses
pacientes.
GARANHANI;
ALVES;
FUJISAWA, 2009.
Identificar as dificuldades dos
pacientes com AVE e seus
cuidadores em relação às
barreiras arquitetônicas.
Identificou-se anseios dos
cuidadores que se
deparam com o desafio
de exercer esta nova
função.
GOMES;
RESCK, 2009.
Apreender as percepções do
cuidador familiar no cuidado a
clientes com sequelas
neurológicas, propondo
estratégias para o cuidar do
cuidador.
A sobrecarga
experimentada pelos
cuidadores ao exercerem
o cuidado foi confirmada,
e sugeriu-se a
organização de grupos de
orientação e apoio às
famílias desses clientes
crônicos.
Levantar a percepção do
Os resultados apontaram
falta de conhecimento dos
cuidadores sobre AVE e
alterações significativas
156
JIMENEZ et al.,
2006.
cuidador do paciente acometido
por AVE acerca de algumas
variáveis envolvidas na função
de cuidar.
no cotidiano deles, e
desejo de obter maior
independência para o
paciente.
LOPEZ, 2005.
Identificar quais são as
informações relevantes para
capacitação dos
familiarescuidadores
necessárias para assistir
adequadamente o paciente
sequelado de AVE.
O estudo contatou que os
cuidadoresfamiliares
necessitam de
informações acerca do
cuidar físico do paciente e
de como incentiva-lo no
tratamento. E as
maneiras de diminuir a
sobrecarga física e
psicológica que lhe é
imposta.
MIRANDA;
EYKEN, 2012.
Apresentar um estudo de caso
em que a cuidadora foi
orientada pela Fisioterapia, para
que transformasse em
protagonista nos cuidados da
paciente.
O relato de caso
apresentou resultados
positivos da intervenção
fisioterapêutica quanto ao
nível de funcionalidade da
paciente e na sobrecarga
vivenciada pela
cuidadora.
ONINO;
KREULICH;
BENEDETI, 2008.
Avaliar a influência das
orientações através de um
questionário respondido pelos
pacientes ou cuidadores.
Nos aspectos
alimentação, socialização,
higiene pessoal e
necessidade de realizar
fisioterapia os cuidadores
e o paciente estão sendo
bem orientados, porém
nos aspectos disposição
do quarto e
posicionamento correto
as orientações são
poucas.
OLIVEIRA;
GARANHANI;
GARANHANI,
2010.
Compreender as necessidades
e sentimentos do cuidador e
identificar as orientações
prestadas por profissionais da
saúde.
Os resultados apontaram
dificuldades adaptativas,
ambivalência e diferentes
graus de intensidade.
Houve desde ausência
total de orientações e
orientações incompletas.
PERLINE;
FARO, 2005.
Identificar e descrever as
atividades do familiar que cuida
de pessoas incapacitadas por
AVC no domicílio.
Os cuidadores realizam
atividades que os
pacientes não conseguem
realizar. Houve falta de
informações dos
profissionais de saúde
para o cuidador.
A fisioterapia contribuiu
157
O´SULLIVAN;
SC.HMITZ, 2010.
Descrever o papel do
fisioterapeuta ao auxiliar o
paciente na recuperação de
Acidente Vascular Encefálico
em termos de intervenção e
instrução relacionada ao
paciente.
para reabilitação de
pacientes com sequelas
de Acidente Vascular
Encefálico. E as
instruções
fisioterapêuticas
contribuem no processo
de reabilitação.
RODRIGUES;
MEIJA, 2012.
Identificar a importância da
informação para o cuidador de
pacientes com sequelas de
AVE, visando benefícios para
reabilitação.
O cuidador familiar e
paciente não recebem
informações necessárias
para uma boa
recuperação.
SOUZA et al,
2009.
Identificar os cuidados
desenvolvidos pelos
cuidadoresfamiliares de idosos
acometidos por Acidente
Vascular Cerebral
Todas as cuidadoras
preparavam a
alimentação e
controlavam os horários
das medicações. A
maioria das cuidadoras
não receberam
informações sobre os
cuidados a serem
realizados no domicílio.
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
O acidente vascular encefálico (AVE) pode ser definido como síndrome
originada por distúrbio da circulação encefálica, proveniente de um processo
anatomopatológico nos vasos sanguíneos. Caracteriza-se pela ocorrência de
déficit neurológico de início súbito, de duração superior a vinte e quatro horas
(GUARANHANI; ALVES; FUJISAWA, 2009).
A interrupção no suprimento sanguíneo que ocorre no AVE poderá
causar perda temporária ou permanente do movimento, pensamento, memória,
fala ou sensação (SOUZA et al., 2009). A causa mais comum de AVE é a
obstrução de uma das artérias cerebrais importantes ou de seus ramos,
podendo ser hemorrágico ou isquêmico (NONINO; KREULICH; BENEDETI,
2008).
De acordo com O´Sullivan e Schmitz (2010), o AVE isquêmico é o tipo
mais comum, afetando cerca de 80% dos indivíduos com AVE e ocorre quando
um coágulo bloqueia ou impede o fluxo sanguíneo, privando o encéfalo de
oxigênio e de nutrientes essenciais.
158
AVE hemorrágico ocorre quando os vasos se rompem, causando
derramamento de sangue no interior e ao redor de encéfalo (O´SULLIVAN;
SCHMITZ, 2010).
A prevalência do AVC é alta e atualmente 90% dos sobreviventes
desenvolvem algum tipo de deficiência, sendo considerada uma das principais
causas de incapacidades em adultos (SCALZO et al., 2010).
Gomes; Resck (2009), afirma que as patologias cerebrovasculares,
incluindo o AVE, é um problema de saúde pública mundial, onde se encaixa na
segunda maior causa de morte no mundo, atrás apenas das cardiopatias em
geral.
Segundo Rodrigues e Meija (2012), O AVE é a 3ª causa de morte em
países desenvolvidos e dados estatísticos recentes apontam que no Brasil é
uma das primeiras causas de óbito.
A aterosclerose é o principal fator que contribui para a doença cerebral
vascular. Caracteriza-se pela formação de uma placa com acúmulo de lipídios,
fibrina, carboidratos complexos e depósitos de cálcio nas paredes arteriais, o
que leva ao estreitamento progressivo dos vasos sanguíneos (O´SULLIVAN;
SCHMITZ, 2010).
A hipertensão arterial é um fator de risco preditivo para o AVE. Doenças
cardíacas são consideradas o segundo mais importante fator de risco,
principalmente para quadros embólicos e aterotrombóticos. Diabete Mellitus é
um fator de risco independente para doenças cerebrovasculares por acelerar o
processo de aterosclerose. Outros incluem: níveis altos de colesterol,
obesidade, alto consumo de álcool, uso de cocaína e fumo (POLESE et al.,
2008).
O quadro clínico do AVE é variável e, de acordo com o local e extensão
da lesão vascular, pode apresentar diversas disfunções, tais como,
comprometimentos sensoriais, motores, cognitivos e perceptuais
(GUARANHANI; ALVES; FUJISAWA, 2009).
De acordo com a extensão e o local da lesão o quadro clínico é variável,
tornando ou não o paciente em dependência parcial ou total, devido ao grau de
incapacidade funcional (GOMES; RESCK, 2010). Entre as alterações motoras,
destaca-se a hemiplegia, caracterizada pela perda de força muscular no lado
contralateral à lesão encefálica (SCALZO et al., 2010).
159
De acordo com Nonino, Kreulich e Benedeti (2008), a hemiplegia é a
consequência física mais comum do AVE, e se traduz na paralisia completa
dos membros superiores e inferiores do mesmo hemicorpo. Pode estar
associada a problemas de percepção, cognição, sensorial e de comunicação,
aspectos que podem ser considerados na conduta fisioterapêutica.
O primeiro episódio de AVE requer uma atenção muito especial por
serem estes pacientes, os que têm um melhor prognóstico em termos de
reabilitação. É relevante conhecer as questões que podem auxiliar na
capacitação da família para enfrentar junto ao paciente de forma mais
equilibrada as dificuldades no período inicial da doença (LOPEZ, 2005).
Após a alta hospitalar os familiares são levados a assumir os cuidados
precocemente, enfrentando as mudanças no cotidiano, o que pode ser fator
relevante no processo de reabilitação destas pessoas (PERLINI; FARO, 2005).
De acordo com Euzébio e Rabinovich (2006), ao enfocar a família como
um sistema, entende-se que esta, ao conviver com a doença, necessite se
integrar ao processo de reabilitação, pois se o estado da doença afeta a
família, a resposta da família a essa doença afeta as rotinas diárias de
recuperação deste indivíduo.
O processo de reabilitação de pacientes com AVE tem por objetivo a
prevenção de complicações secundárias físicas ou cognitivas, diminuição e
recuperação precoce dos déficits sensóriomotores e cognitivos, estimular a
neuroplasticidade e reaprendizado, aproveitamento máximo do potencial
residual das funções corpóreas, compensação e adaptação às incapacidades
físicas e cognitivas, reaprendizado e mudança no comportamento familiar,
profissional e no convívio social, independência, reintegração na comunidade e
qualidade de vida para pacientes e familiares (RODRIGUES; MEIJA, 2012).
Para Felício et al. (2005), um dos objetivos da fisioterapia na reabilitação
de pacientes portadores de doenças neurológicas crônicas é alcançar maior
grau de independência. A motivação do paciente e a aceitação no que diz
respeito às alterações do seu estilo de vida são fatores relevantes para o
sucesso da reabilitação.
De acordo com Euzébio e Rabinovich (2006), o processo de reabilitação
e habilitação do paciente neurológico é, necessariamente, uma conquista lenta
à longo prazo. Além disto, essa patologia é responsável por um elevado
160
número de internamentos sucessivos, acarretando desgaste psicológico e
econômico da família e alterando os papéis desempenhados por todos os
membros do núcleo familiar.
Os exercícios fisioterapêuticos são vistos pelos pacientes e familiares
como uma possibilidade, em curto prazo, de retorno do que era antes do AVE
(JIMENEZ et al., 2006). Uma boa parte da melhora do quadro clínico do
paciente, se deve ao tratamento fisioterapêutico, que contribui para melhora no
desempenho funcional, melhora na percepção em relação a saúde e ao bem
estar psicológico do paciente sequelado de AVE (SCALZO et al., 2008).
De acordo com O´Sullivan e Schmitz (2010), a escolha das intervenções
devem considerar vários fatores, incluindo a fase de recuperação pós-AVE
(aguda, pós-aguda, crônica), idade do paciente, número de comorbidades,
reservas sociais e financeiras e potencial de alta hospitalar. A intervenção
fisioterapêutica, através da cinesioterapia, interfere, diretamente, no processo
de recuperação motora e das atividades funcionais dos pacientes em
condições crônicas geradas pelo AVC.
Durante esta intervenção, trabalha-se posicionamento no leito,
mudanças de decúbito, prevenção de úlceras de pressão com
orientações para o uso de coxins, transferências
leitoortostatismocadeira, exercícios para o fortalecimento e
alongamento muscular, dissociação de cinturas, alinhamento
postural, coordenação e equilíbrio (MIRANDA; EYKEN, 2012, p. 3).
A fisioterapia melhora o desempenho dos pacientes em atividades de
vida diária, permitindo ao paciente que este possa ser independente, além
disso, os estímulos devem buscar otimizar a reorganização cerebral, a partir de
treino de tarefas básicas e atividades instrumentais das tarefas de vida diária,
com estímulos terapêuticos e do ambiente sócio-familiar (POLESE et al., 2008).
No retorno ao domicílio, a família encontra-se fragilizada e os cuidadores
familiares prestam os cuidados, muitas vezes, de forma intuitiva. Isto significa
que podem existir falhas no cuidado, decorrentes tanto da ausência ou lacunas
de orientações recebidas no hospital, como pelo pouco tempo para apropriação
das orientações (0LIVEIRA; GUARANHANI; GUARANHANI, 2011).
Por isso, observa-se a importância que têm sido dada ao fato do
profissional e do cuidador familiar trabalharem em cooperação: o profissional
161
com seu conhecimento científico e a família com o saber adquirido no lidar
diário com o seu doente (EUZÉBIO; RABINOVICH, 2006).
Miranda e Eyken (2012), a atuação da fisioterapia vai muito além dos
procedimentos terapêuticos com o paciente, devendo, também, envolver
orientações e treinamento do cuidador.
Segundo Lopez (2005), utilizando as orientações pertinentes de
fisioterapia, em ação conjunta com a família é importante a assistência
imediata e qualificada a este paciente, visando facilitar a transição rápida e
eficiente para o processo de reabilitação e adaptação deste seu novo estado
de vida.
É de suma importância que o paciente afetado por AVE e seus
cuidadores recebam informações da fisioterapia, e com isso possam maximizar
a recuperação física do paciente, e por outro lado aumenta a responsabilidade
do fisioterapeuta em dar continuidade ao tratamento e continuar orientando
paciente e cuidadores, no sentido de contribuir para qualidade de vida de
ambos (NONINO; KREULICH; BENEDETI, 2008).
As orientações propostas pela fisioterapia ao cuidador devem ser com
relação às mudanças de decúbito realizadas a cada duas horas, evitando o
decúbito dorsal na cama e a hiperextensão do tronco e pescoço quando
sentado, virar o paciente em decúbito homolateral e contralateral à
hemiparesia. Também, com paciente sentado, usar apoios necessários,
sempre com objetivo de melhor posicioná-lo para prevenir escaras, contraturas,
deformidades, dor e melhor função respiratória (MIRANDA; EYKEN, 2012).
O fisioterapeuta juntamente com o cuidador subsidia, também, um
trabalho que contribui para o autogerenciamento. O autogerenciamento implica
capacitar o paciente a aderir ao tratamento ações como: uso correto da
medicação, alimentação saudável, prática de exercícios (MIRANDA; EYKEN,
2012).
Segundo Felício et al. (2005), pacientes assistidos por uma equipe
multiprofissional, em especial pela atuação do fisioterapeuta, apresenta menos
repercussões, na presença de dor e parestesia, e permanecem menos tempo
inativos no leito. Além disso, os cuidadores dos pacientes que são orientados
sobre o manejo dos pacientes em casa e esclarecidos sobre a doença, têm
maior satisfação de cuidar e menos cansaço de exercer essa atividade.
162
Torna-se evidente a necessidade da discussão sobre a elaboração e
implantação de um plano de orientações para o cuidador, visando a construir
uma estratégia de apoio e suporte para ele e o paciente, que possa minimizar
os impactos gerados no âmbito familiar no qual estão inseridos (OLIVEIRA;
GUARANHANI; GUARANHANI, 2011).
4 CONCLUSÃO
O Acidente Vascular Encefálico é uma doença crônica que acomete não
somente ao indivíduo, mas toda a família, principalmente ao que assume a
função de cuidador familiar. Isso ocorre devido a sobrecarga física, financeira e
emocional que causa na pessoa que assume este papel.
Este estudo avaliou através de pesquisas bibliográficas a percepção do
cuidador acerca das informações prestadas por fisioterapeutas de como cuidar
do sequelado e de si próprio em casa, onde podemos notar que as pessoas
que foram bem orientadas se sentiam mais seguras para realização das tarefas
impostas, ao passo que as pessoas que não foram orientadas ou que
receberam informações insuficientes, não se sentiam seguras para realizar tais
tarefas.
Analisamos também a importância do tratamento fisioterapêutico para o
paciente, onde ficou constatado que o tratamento fisioterapêutico é eficaz para
reabilitação do paciente com sequelas de Acidente Vascular Encefálico. Onde
através das mobilizações, alongamentos, fortalecimento, dissociação de
cinturas, alinhamento postural, coordenação, equilíbrio entre outros os
pacientes tem ganhos motores e funcionais maiores e a recuperação acontece
de forma prazerosa, principalmente quando existe uma troca de informações
por parte do profissional da saúde com o cuidador. E neste processo de troca
de informações quem sai ganhando é o paciente.
Podemos perceber que as informações passadas para os cuidadores
são importantes para uma melhor recuperação do paciente, visto que, o
despreparo do cuidador pode adiar a recuperação e também ser alvo de
reinternações. Verificou-se também que muitos cuidadores ainda não tinham
recebido informações de como lidar com esta nova realidade em domicílio, e
163
que outros receberam informações e não foram suficientes para terem
segurança na tarefa que iriam realizar.
É importante que os profissionais da saúde envolvidos no processo de
recuperação do paciente com AVE, principalmente o fisioterapeuta, ouvir mais
os cuidadores e pacientes para saber quais são suas reais dificuldades quanto
aos cuidados realizados, para obter maiores benefícios para o paciente e
procurar minimizar a sobrecarga imposta ao cuidador familiar.
Portanto, este estudo contribuiu para um novo entendimento e
fortalecimento no âmbito do cuidado, quanto ao processo de reabilitação,
principalmente no que diz respeito aos profissionais da saúde, em especial o
fisioterapeuta, que contribui com os portadores de incapacidades físicas, assim
como com seus cuidadores.
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166
RELAÇÃO DA EXPOSIÇÃO SOLAR E O ENVELHECIMENTO PRECOCE:
UMA REVISÃO SISTEMATIZADA
Alexandra de Oliveira Santana21
Rubia Karine Diniz Dutra22
RESUMO
Objetivos: identificar a relação da exposição solar com o envelhecimento
precoce, discorrer sobre a importância da fotoproteção, bem como conhecer os
riscos da exposição solar sem o uso dos métodos de proteção e verificar os
recursos fisioterapêuticos utilizados para o tratamento do envelhecimento
precoce. Método: a pesquisa foi realizada através de um levantamento
sistematizado nas bibliotecas virtuais, livros e revistas entre os meses de
Fevereiro e Maio de 2015. Procurando temas que abordassem sobre a ralação
da exposição solar e o envelhecimento precoce, a importância dos
fotoprotetores na prevenção do envelhecimento precoce e quais recursos
fisioterapêuticos são utilizados para o tratamento. Os dados desta pesquisa
foram expostos em um quadro contendo: Autor-Ano, Objetivo e Resultados.
Resultados: verificou-se que uma grande quantidade de pessoas são
acometidas pelo envelhecimento precoce devido a exposição solar sem o uso
de fotoprotetores, e que o uso dos fotoprotetores são importantes para a
prevenção do envelhecimento da pele e de outras patologias. Percebeu-se
também que existem vários recursos fisioterapêuticos para o tratamento da
pele envelhecida. Conclusão: os estudos mostraram que a exposição solar sem
o uso correto dos fotoprotetores acarreta no surgimento do envelhecimento
precoce, e que é importante a utilização dos fotoprotetores para prevenção de
patologias na pele. Ressaltando também que existem vários recursos
fisioterapêuticos para o tratamento do envelhecimento da pele. O estudo é
válido, pois permite entender como a exposição solar pode acelerar o
envelhecimento da pele, a importância dos fotoprotetores na prevenção do
mesmo, e que a fisioterapia Dermato Funcional dispõe de vários tratamentos
para prevenção e tratamento do envelhecimento cutâneo.
Palavras-chave: Exposição Solar. Envelhecimento Precoce. Fotoprotetores.
Fisioterapia.
RELATIONSHIP OF EXPOSURE TO THE SUN AND THE EARLY AGING: A
LITERATURE REVIEW
ABSTRACT
21
Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
22
Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC. Mestra em Saúde Pública. Especialista em Fisioterapia Traumaortopédica,
Dermatofuncional e Acupuntura. Fisioterapeuta.
167
Objectives: To identify the relationship of sun exposure with premature aging,
talk about the importance of sun protection, and know the risks of sun exposure
without the use of protective methods and check the physical therapy resources
used for the treatment of premature aging. Method: research was conducted
through a literature through virtual libraries, books and magazines between
February and May 2015. Looking themes that addressed on the grating of sun
exposure and premature aging, the importance of sunscreen in preventing
premature aging and what resources are used for physiotherapeutic treatment.
Results: there was a lot of people are affected by premature aging due to
exposure to sunlight without the use of sunscreens and the use of sunscreens
are important for the prevention of skin aging and other conditions. It also
noticed that there are several physical therapy resources for the treatment of
aging skin. Conclusion: studies have shown that sun exposure without the
proper use of sunscreens may cause the appearance of premature aging, and
that the use of sunscreen to prevent skin diseases is important. Noting also that
there are several physical therapy resources for the treatment of skin aging.
The study is valid because it allows to understand how sun exposure can
accelerate the aging of the skin, making it important to study physical therapy
Dermato Functional.
Keywords: Sun Exposure. Premature Aging. Sunscreens. Physiotherapy.
1 INTRODUÇÃO
O sol é fonte de energia e vida, porém seus benefícios e malefícios irão
depender do tempo e forma de exposição, período do dia e localização
geográfica. O espectro solar que atinge a superfície da terra é formado por
radiações ultravioletas, radiações visíveis e infravermelhas (BRAGA et al.,
2011).
Para Balogh et al. (2011), a luz solar é composta por um espectro
continuo de radiação eletromagnética que apresenta divisão e denominação
em concordância com o intervalo de comprimento de onda: radiação
ultravioleta (UV) (100-400nm), visível (400-780nm) e infravermelho (> 780nm).
A radiação ultravioleta é não ionizante e está diretamente relacionada a
efeitos indesejáveis, diretos eou indiretos à pele (BRAGA et al., 2011).
A radiação UV é absorvida por diversos cromóforos na pele, tais como:
melanina, DNA, RNA, proteínas, aminoácidos aromáticos, como a tirosina e o
triptofano, ácido urocânico, entre outros. A absorção da radiação UV pelos
cromóforos gera reações fotoquímicas diferentes e interações secundárias,
envolvendo espécies reativas de oxigênio, que resulta em efeitos prejudiciais
quanto a exposição em excesso (BALOGH et al., 2011).
168
De acordo com Batistela, Chorilli e Leonardi (2007), a pele, ou cútis,
maior órgão do corpo humano, é um órgão de revestimento complexo e
heterogêneo, constituída essencialmente de três grandes camadas de tecidos:
uma superior – a epiderme; uma camada intermediária – a derme; e uma
camada profunda a hipoderme
A pele é considerada um dos órgãos que mais sofre transformações à
medida que a idade aumenta, levando a alterações do sistema tegumentar
assim como da imunidade celular, refletindo o estado físico e emocional do
indivíduo. Assim, manter a integridade cutânea é de extrema importância para
que o organismo possa se defender das diversas alterações ou mudanças às
quais o indivíduo esteja exposto (OLIVEIRA; PALMA; GLAUSS, 2011).
As funções da pele são: proteção, nutrição, pigmentação,
queratogênese, termorregulação, transpiração, perspiração, defesa e absorção
(BENY, 2000 apud BATISTELA; CHORILLI; LEONARDI, 2007).
De acordo com Oriá et al (2003), os tecidos gradualmente passam por
mudanças de acordo com a idade, sendo que, na pele, essas alterações são
facilmente reconhecidas. Atrofia, enrugamento, ptose e lassidão representam
os sinais mais aparentes de uma pele Senil.
O envelhecimento é um processo biológico complexo, contínuo que se
caracteriza por alterações celulares e moleculares, com diminuição progressiva
da capacidade de homeostase do organismo, levando a senescência e morte
programada (apoptose). É variável de um indivíduo para outro, de órgão para
órgão (BAGATIN, 2011).
De acordo com Montagner e Costa (2009), o envelhecimento implica
alterações em nível celular, com diminuição da capacidade dos órgãos de
executar suas funções normais, resultando provavelmente em doença e morte.
Trata-se de deterioração progressiva, tempo-dependente, do organismo em
resposta adaptativa as mudanças ambientais.
Dois grupos de teorias tentam explicar o complexo processo do
envelhecimento. O primeiro grupo inclui as teorias que postulam um
determinado programa genético e cronológico para a gradual mudança no
fenótipo. O segundo grupo assume a exposição repetitiva às influências
danosas, as quais são a explicação para as mudanças que levam ao
envelhecimento (HIRATA; SATO; SANTOS, 2004).
169
A pele expressa de forma visível a ação do tempo e por ele é
transformada. Trata-se, então, do envelhecimento intrínseco ou cronológico. No
entanto, há, ainda, o envelhecimento extrínseco ou foto-envelhecimento,
decorrente da exposição a fatores ambientais, fundamental no resultado final
do processo (MONTAGNER; COSTA, 2009).
Segundo Batistela, Chorilli e Leonardi (2007), o envelhecimento
intrínseco representa o que é comum aos outros órgãos e o envelhecimento
extrínseco, mais intenso e evidente, é aquele que ocorre em decorrência dos
danos causados pela radiação ultravioleta.
O fotoenvelhecimento é provocado pelo acumulo de radiação ultravioleta
na pele, decorrente de excessiva exposição solar sem proteção adequada, o
que leva o indivíduo a apresentar características impróprias da sua idade ou
agravar as já existentes desenvolvidas naturalmente, como rugas, manchas e
perda de elasticidade (LOURENÇO; VALE; FERREIRA, 2010).
A pele extrinsicamente envelhecida e exposta ao sol aparece
clinicamente como manchada, espessa, amarelada, frouxa, áspera e dura
(BATISTELA; CHORILLI; LEONARDI, 2007).
Tendo em vista a grande incidência de casos de pessoas com a pele
envelhecida devido à exposição solar e de outras manifestações decorrentes
dos efeitos dos raios UV sobre a pele, o uso dos filtros solares tem se tornado
cada vez mais importante e necessário para prevenir ou reduzir a extensão dos
danos provocados pela exposição a radiação UV (GONZÁLEZ, 2014).
Segundo Carraro e Costa (2011), contra o fotoenvelhecimento o melhor
tratamento é a prevenção com uso de chapéus, fotoprotetores, saber os
horários de exposição mais adequados, entre outros. Na estética alguns
tratamentos são indicados, como hidratação e peeling em caso de manchas.
Os fotoprotetores são agentes com ação física ou química que atenuam
o efeito da radiação ultravioleta (UV) por mecanismos de absorção e dispersão
a reflexão da radiação (TOFETTII; OLIVEIRA, 2006).
Cada protetor solar é caracterizado por um fator de proteção solar (FPS)
que indica a efetividade da proteção contra a radiação UVB (quanto maior o
FPS, maior a proteção) (RENNÓ; RENNÓ; NASSIF, 2014).
Os filtros solares são preparações para uso tópico que reduzem os
efeitos deletérios da radiação ultravioleta e podem ser divididos em químicos e
170
físicos. A associação de ambos potencializa o efeito protetor (TOFETTII;
OLIVEIRA, 2006).
As técnicas para o tratamento do envelhecimento facial têm avançado
muito nos últimos anos, oferecendo muitas opções para melhorar a aparência
das linhas de expressão e das rugas. Grande parte das técnicas não são
invasivas, portanto não exigem interrupção do trabalho e da vida social pela
sua rápida recuperação (SOUZA et al., 2007).
Essa pesquisa justifica-se pelo grande número de pessoas acometidas
pelo envelhecimento precoce devido à exposição solar sem o uso de
fotoprotetoes, fato que causa danos não só físicos mais também psicológicos.
Devido à importância do tema e pelo pouco abordado sobre o assunto,
objetivou-se neste trabalho identificar a relação entre a exposição solar e o
envelhecimento precoce apresentados na literatura, discorrendo sobre a
importância da fotoproteção na prevenção do envelhecimento precoce,
conhecer os riscos da exposição solar sem o uso dos métodos de proteção
bem como verificar quais os recursos fisioterapêuticos utilizados para o
tratamento do envelhecimento precoce.
2 MÉTODO
O artigo segue as normas da ABNT e enquadra-se em uma revisão
sistematizada. Pesquisa básica e com abordagem quantitativa. Pesquisa
básica tem a finalidade de compreender projetos de pesquisa que representam
uma investigação original, com vistas ao avanço científico, e que não têm
objetivos comerciais específicos (PAIM; ALMEIDA FILHO, 2010). A pesquisa
bibliográfica trata-se de um levantamento de toda bibliografia já publicada, em
forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita (LAKATOS,
2007).
Foram realizadas buscas bibliográficas nas seguintes bases eletrônicas
de dados: SCIELO (Scientific Eletronic Library Online) e LILACS (Índice da
Literatura Científica e Técnica da América Latina e Caribe) inseridos na
Biblioteca Virtual De Saúde (BVS – BIREME) e livro. Tendo como descritores
para seleção dos artigos os seguintes critérios de inclusão: artigos com
desfecho na Relação da Exposição Solar e o Envelhecimento Precoce,
171
publicados no período de 2003 a 2014, cuja amostra contemplasse a exposição
solar, o envelhecimento precoce, bem como os recursos fisioterapêuticos
disponíveis para o tratamento do envelhecimento precoce. Foram excluídos os
estudos que não apresentaram qualidade metodológica ou não abordavam
diretamente o tema.
Para selecionar a amostra desta pesquisa foram pesquisados
anteriormente os descritores no DECS (Descritores em Saúde), disponível em
http||decs.bvs.br|, tornando-se portanto palavras chaves para o estudo. São
eles: exposição solar, envelhecimento precoce. Além dos descritores foram
também utilizados os termos de busca simples: radiação solar, sistema
tegumentar, fotoenvelhecimento, fotoprotetores e fisioterapia dermato
funcional.
Os dados foram realizados através de uma leitura aprofundada e em
seguida separados em categorias de exposição solar, envelhecimento precoce,
recursos fisioterapêuticos para tratamento do envelhecimento precoce e
fotoprotetores. O limite do número de artigos selecionados foi de acordo com o
perfil necessário e condizente com o tema.
Foram utilizados 22 (vinte) documentos que constituíram o corpo
analítico desta pesquisa e descartados 6 (seis) pois não condiziam com o tema
proposto. Todos os artigos foram nacionais.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Tabela 1: Trabalhos utilizados na construção da discussão.
AUTOR-ANO OBJETIVOS RESULTADOS
AMORIM; MEIJA, 2014.
Identificar as alterações
decorrentes do
envelhecimento e
relacionar os benefícios
do peeling na pele
durante a fase de
envelhecimento.
Os estudos comprovam à
eficácia do peeling
químico por ácido
glicólico contra o
fotoenvelhecimento, onde
sua aplicação resultou
histologicamente em um
aumento de cerca de
25% da espessura da
pele, bem como dos
mucopolissacarídeos
ácidos da pele.
Revisão dos mecanismos
do envelhecimento
172
BAGATIN, 2011.
cutâneo e das principais
substâncias ativas dos
cosmecêuticos.
Os cosmecêuticos são
produtos úteis e não
causam efeitos adversos.
BALOGH et al., 2011.
Apresentar e discutir as
principais formas de
fotoproteção e avaliar a
eficácia dos mesmos.
A necessidade da
fotoproteção é uma
realidade, quer seja pela
ação profilática e
terapêutica contra o
envelhecimento precoce,
quer seja pela diminuição
da incidência do câncer
de pele.
BARBA e RIBEIRO,
2009.
Caracterizar as
modificações presentes
no comportamento facial
após tratamento com
Microdermoabrasão.
Com este estudo tornou-
se possível identificar
resultados promissores
e satisfatórios, sobretudo
no tratamento do
envelhecimento cutâneo.
BRAGA et al., 2011.
Avaliar a predisposição
ao envelhecimento
precoce da pele, devido à
excessiva exposição
solar sem métodos de
proteção adequados,
além dos conhecimentos
a respeito dos riscos a
exposição solar.
As pessoas não tem
conhecimento sobre os
tipos de radiações que
estão expostas e que
permanecem em
exposição ao sol durante
longos períodos sem
proteção adequada.
Desta forma apresentam
riscos para o
fotoenvelhecimento.
CARRARO; COSTA,
2011.
Identificar a importância
dos fotoprotetores na
prevenção do
envelhecimento precoce,
e verificar quais são os
tratamentos utilizados.
A principal forma de
prevenir o
envelhecimento da pele é
a proteção solar, que ser
iniciada na infância. Na
estética alguns
tratamentos são
indicados, como
hidratação, peeling em
caso de manchas.
CRUZ; AVALOS; BARJA,
2007.
Avaliar, através da
espectroscopia
fotoacústica, a
fotoestabilidade destes
produtos, que consiste na
capacidade que o
produto tem de
permanecer na pele sem
se degradar.
As medições realizadas
indicam que o protetor
utilizado é fotoestável.
Os fisioterapeutas através
dos procedimentos em
173
BERNARDO FILHO et
al., 2007.
Avaliar a importância da
intervenção
fisioterapêutica para
tratamento do
fotoenvelhecimento.
Dermato Funcional
podem contribuir para
melhora dos danos
causados pelo
fotoenelhecimento.
GONZÁLEZ, 2014.
Desenvolver novos
análogos ao filtro solar
benzofenona-3 e
determinar seu potencial
fotoprotetor por meio da
avaliação da
fotoestabilidade,
fototoxidade e atividade
antioxidante.
Os resultados permitiram
demostrar a importância
da relação entre a
estrutura molecular dos
compostos e sua
absorção UV.
LOURENÇO; VALE;
FERREIRA, 2010.
Avaliar o conhecimento
que a população de
Iporá-GO tem sobre
fotoenvelhecimento e
fotoproteção.
Foi constatado que a
população relativamente
tem conhecimento do
termo
fotoenvelhecimento,
conhecem os malefícios
da exposição ao sol sem
proteção, no entanto, a
maioria não se protege
adequadamente, devido à
falta de hábito em usar o
protetor solar outras
medidas de fotoproteção.
RENNÓ; RENNÓ;
NASSIF, 2014.
Revisar na literatura a
respeito da radiação
ultravioleta e suas
complicações na pele, e
relatar a eficácia dos
fotoprotetores.
Estudos demonstraram
que as soluções
fotoprotetores como
emulsões e de
formulação Escalol 507 e
Parsol 1789, apresentam
melhores resultados.
SANTOS; MEIJA, 2013.
Abordar métodos
eletroterapêuticos,
manuais e
cosmecêuticos utilizados
no tratamento do
envelhecimento facial e a
importância da atuação
do fisioterapeuta nessa
área.
Notou-se que há carência
de estudos com relação
ao tema abordado. Na
fisioterapia existem
procedimentos não
invasivos que
desaceleram o processo
do envelhecimento.
Foi realizado um
A pesquisa apontou
alguns recursos
fisioterapêuticos mais
utilizados para o
tratamento do
envelhecimento facial,
observando que grande
174
SOUZA et al., 2007.
levantamento
bibliográfico com o
objetivo de instruir os
profissionais
fisioterapeutas a respeito
das terapêuticas
utilizadas para a
atenuação desses sinais.
parte atende às
necessidades de
praticidade e conforto que
vem sendo cada vez mais
solicitadas devido às
vantagens oferecidas
pelos tratamentos não
invasivos.
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
O tempo passa para todos e envelhecer é um processo natural. Ao
mesmo tempo em que cresce a expectativa de vida, valoriza-se cada vez mais
a juventude, o jovem e o belo são cultuados como ideal e as pessoas sofrem
muito em decorrência do envelhecimento, que pode ser acelerado ou
acentuado com a ação do sol na pele, principalmente com a alta incidência dos
raios UVA e UVB, o chamado fotoenvelhecimento (CARRRARO; COSTA,
2011).
O sol consiste numa fonte de energia fundamental para sobrevivência
do homem e demais seres vivos, participando, direta ou indiretamente, da
maioria dos ciclos biológicos, através de seus subprodutos: luz visível, radiação
infravermelha e ultravioleta (CRUZ; AVALOS; BARJA, 2007).
De acordo com Lourenço; Vale; Ferreira (2010), a luz solar é composta
por muitos comprimentos de ondas espalhados pelo espectro eletromagnético,
e quando a radiação solar atravessa a atmosfera da terra, alguns desses
comprimentos de onda são filtrados. A radiação restante atinge a terra como
luz ultravioleta e infravermelha. A luz ultravioleta (UV) causa maior
preocupação porque pode interagir com as células da pele causando diversos
efeitos danosos.
Segundo Cruz, Avalos e Barja (2007), o espectro do UV divide-se em
três regiões de acordo com o comprimento de onda e os diferentes efeitos
biológicos que provocam: radiação ultravioleta C (UVC), de 100nm a 290nm, é
absorvida totalmente pela camada de ozônio; ultravioleta B (UVB) de 290nm a
320nm atinge a epiderme causando eritema; ultravioleta A (UVA), de 320nm a
400nm, penetra até camadas mais profundas da pele, provocando
envelhecimento das fibras elásticas e de colágeno; pode também alterar o DNA
dos melanócitos.
175
Para González (2014), atualmente sabe-se que a radiação ultravioleta
(UV) emitida pelo sol é responsável por diversos efeitos danosos sobre a pele,
os quais se manifestam sob forma de eritema ou queimadura solar,
fotoenvelhecimento, lesões cancerosas e pré-cancerosas, entre outras.
Ao atingir a pele desprotegida, com ação cumulativa a radiação UV
provoca um processo complexo associado a reações químicas e morfológicas.
Pode ocorrer formação de espécies reativas de oxigênio, alterações
histoquímicas de diferentes gravidades, espessamento da camada espinhosa e
retificação da junção dermoepidérmica (BALOGH et al., 2011).
Montagner e Costa (2009), afirmam que, o efeito solar imediato sobre a
pele e a hiperpigmentção cutânea com atraso na formação de nova melanina, o
qual é efeito reversível. A exposição solar prolongada e recorrente implica
alterações definitivas na quantidade e distribuição de melanina na pele.
A deposição de material amorfo na derme papilar, no lugar de tecido
conectivo, é o principal elemento na diferenciação de envelhecimento
cronológico e fotoenvelhecimento (MONTAGNER; COSTA, 2009).
É sabido que a pele é um Importante órgão que reveste o corpo e
deslinda os meios interno e externo. Podendo destacar como principais
funções a proteção, a nutrição, a pigmentação, a termo regulação, a
transpiração, a defesa e a absorção, além de ter grande proeminência social e
emocional (TOFETTI; OLIVEIRA, 2006).
De acordo com Hirata; Sato; Santos (2004), a pele é um órgão complexo
no qual interações celulares e moleculares reguladas de modo preciso
governam muitas das agressões provindas do meio ambiente. É constituída por
vários tipos de células interdependentes responsáveis pela manutenção da sua
estrutura normal.
Para Carraro e Costa (2011), a pele é composta por duas camadas a
epiderme, mais externa, composta de células epiteliais intimamente unidas
caracterizada por conter cinco camadas, que se reproduzem na mais inferior
sendo queratinizadas conforme se afastam até a camada mais externa
ajudando na proteção.
A derme e formada por mucopolissacarídeos ácidos, que desempenham
importante papel na fixação da epiderme a derme. Contem estruturas fibrosas,
como as fibras de colágeno, elastina e reticulina (TOFETTI; OLIVEIRA, 2006).
176
Segundo Oliveira, Palma e Glauss (2011), a hipoderme é formada por
tecido gorduroso que, por sua disposição, possui propriedades protetoras
contra traumatismos e variações térmicas. A rede vascular profunda encontra-
se na hipoderme.
O envelhecimento é um processo contínuo que afeta a função da pele e
aparência. Neste processo, ocorre a modificação do material genético e a
proliferação celular diminui, resultando em perda da elasticidade, diminuição do
metabolismo e da replicação dos tecidos (SANTOS; MEIJA, 2013).
Bagatin (2011) ressalta que, existem evidências de que os mecanismos
do envelhecimento são influenciados pelo dano causado ao DNA por
agressões internas e externas. E que a perda da capacidade proliferativa das
células e a sua morte, são processos que caracterizam o envelhecimento.
Para Souza et al. (2007), o envelhecimento é um processo lento,
progressivo e irreversível, influenciado por diversos fatores intrínsecos e
extrínsecos. O envelhecimento intrínseco pode também ser chamado de
verdadeiro ou cronológico, sendo aquele já esperado e inevitável. Já o
extrínseco pode ser denominado também de fotoenvelhecimento, no qual as
alterações surgem em longo prazo e se sobrepõe ao envelhecimento
intrínseco.
Batistela, Chorilli e Leonardi (2007), explicam que, o envelhecimento
intrínseco representa o que é comum aos outros órgãos e o envelhecimento
extrínseco, mais intenso e evidente, é aquele que ocorre em decorrência dos
danos causados pela radiação ultravioleta.
Segundo Braga et al. (2011), a pele envelhecida pelo sol apresenta-se
amarelada, com pigmentação irregular, enrugada, atrófica, com telangiectasias
e lesões pré-malignas.
Atualmente existem muitas teorias sobre as causas do envelhecimento,
porém nenhuma obteve uma total aceitação (GUIRRO; GUIRRO, 2002).
De acordo com Bernardo Filho et al. (2007), a teoria do desgaste, diz
que o organismo se assemelha como uma máquina que conforme o uso vai se
desgastando. No corpo irão ocorrer vários pequenos gastos de componentes
do organismo (órgão, sistemas), que com o tempo seu funcionamento fica
debilitado.
177
Segundo Carraro e Costa (2011), é conhecida como teoria auto-imune,
pois, com excessivas divisões celulares as células apresentam mutações, se
tornando irreconhecíveis, causando uma resposta do sistema auto-imune, que
a eliminam levando ao envelhecimento.
Guirro e Guirro (2004) afirmam que, a teoria dos radicais livres é uma
das teorias mais aceitas. Um radical livre é caracterizado por ter a falta de um
elétron para completar o número ideal de suas ligações. Quando presentes no
organismo, na busca de se estabilizarem começam a desestruturar moléculas
do organismo, promovendo, como consequência, o envelhecimento cutâneo.
Na teoria do relógio biológico, o organismo possui um relógio que dirá
em que momento o corpo deverá começar a envelhecer. Na da multiplicação
celular, as multiplicações naturais das células diminuem com o tempo levando
ao envelhecimento (CARRARO; COSTA, 2011).
Para Guirro e Guirro (2004), a da RUV, junto com a dos radiais livres é
uma das teorias mais estudadas. Devido à repetitiva exposição à RUV, o
organismo responde promovendo um bronzeado progressivo e duradouro, mas
também pode causar eritemas, formação de radicais livres que ajudam a
causar o envelhecimento.
Bernardo Filho et al. (2007), relatam que, as estratégias de tratamento e
intervenção do fotoenvelhecimento são baseadas na prevenção. Em nível de
prevenção primaria todos profissionais de saúde devidamente habilitados
poderão orientar seus pacientes quanto aos melhores horários para exposição
à radiação solar e a utilização de alguma proteção contra as radiações.
Segundo Bagatin (2011), podemos prevenir a penetração das radiações
UVA e UVB, através de: manutenção da barreira cutânea com higiene e
hidratação adequadas, fotoproteção pelo uso diário e contínuo dos filtros
solares de amplo espectro (UVA e B), associada a medidas complementares,
como o uso de chapéu, roupas adequadas e uma real mudança de
comportamento em relação à exposição solar.
Em conformidade, Balogh et al, (2011) relatam que, a fotoproteção é um
elemento profilático e terapêutico frente aos efeitos danosos da radiação UV. A
abordagem é realizada por meio do uso de protetores solares, vestimentas
protetoras e exposição restrita à luz solar.
178
Para Cruz, Avalos e Barja (2007), protetores ou filtros solares são
substâncias destinadas a proteger a pele dos danos causados pela radiação
UV; são compostos por substâncias químicas que absorvem a radiação e
substâncias físicas que a dissipam por reflexão.
Araujo e Souza (2008), afirmam que, os protetores solares são capazes
de diminuir a quantidade de radiação UV que atinge a pele humana por
absorção e/ou reflexão desta radiação. A eficácia dos protetores solares é
dependente da sua capacidade de absorção da energia radiante, que é
proporcional à sua concentração, intervalo de absorção e comprimento de onda
onde ocorre absorção máxima.
Segundo Souza et al. (2007), as técnicas para o tratamento do
envelhecimento facial têm avançado muito nos últimos anos, oferecendo
muitas opções para melhorar a aparência das linhas de expressão e das rugas.
Grande parte das técnicas não são invasivas, portanto não exigem interrupção
do trabalho e da vida social pela sua rápida recuperação.
A galvanopuntura é utilizada para atenuar rugas e linhas de expressão.
Baseada nos efeitos fisiológicos da corrente galvânica
[...] é realizada com um eletrodo ativo (negativo) sustentado por uma
haste tipo caneta com fina agulha concentradora de corrente, e um
eletrodo passivo do tipo placa (positivo). A técnica pode ser realizada
de três formas: deslizamento da agulha dentro do canal da ruga,
penetração da agulha em pontos adjacentes e no interior da ruga e
escarificação, na qual a agulha desliza a 90° dentro do canal da ruga
(SOUZA et al., 2007, p. 3).
Para Braga et al. (2011), independente da técnica utilizada, o que se
deseja é uma estimulação química dos capilares da pele, resultando em uma
hiperemia ativa e aumento da circulação local, que intensificará os processos
metabólicos, a nutrição, a função e a regeneração do tecido. Sabe-se que das
técnicas propostas, as que produzem um processo inflamatório agudo
fornecem um resultado mais rápido, visto sua importância na regeneração
tecidual.
De acordo com Barba e Ribeiro (2009), a Microdermoabrasão é uma
técnica de esfoliação não cirúrgica, passível de controle, podendo ser
executada de forma não invasiva, sendo inúmeras suas indicações que têm por
base o incremento da mitose celular fisiológica, suscitando efeitos como
179
atenuação de rugas superficiais, afinamento do tecido epitelial preparando-o
para tratamentos de revitalização e proporcionando uma textura fina e
saudável.
Borges (2006), o procedimento de microdermoabrasão consiste na
aplicação direta sobre a pele, de um equipamento mecânico gerador de
pressão negativa e pressão positiva simultâneas, em que são utilizados
microgrânulos de óxido de alumínio, quimicamente inertes, jateados pela
pressão positiva sobre a superfície cutânea numa velocidade passível de
controle, provocando erosão nas camadas da epiderme, sendo ao mesmo
tempo sugados pela pressão negativa os resquícios dos microcristais e células
córneas em disjunção.
A corrente russa tem sido utilizada nos tratamentos de combate ao
envelhecimento com o objetivo:
[...] de prevenir a hipotonia fisiológica através da melhora da
circulação e nutrição tecidual. Esses efeitos são atingidos com o
aumento do metabolismo muscular, promovendo um aumento da
oxigenação e liberação dos resíduos metabólicos, dilatação das
arteríolas com conseqüente aumento da irrigação sanguínea do
músculo e estimulação de maior trofismo. A intensidade da corrente
utilizada é proporcional à força de contração do músculo. Sabendo
disso, os pontos motores passam a ser idealizados como pontos
ideais para colocação dos eletrodos (SANTOS; MEIJA, 2013, p. 6).
Braga et al. (2011), a iontoforese consiste na utilização da corrente
galvânica para a introdução de substâncias no interior do organismo, mas para
que isso ocorra essa substância tem que ser iônicamente carregada.
Para Souza et al. (2007), para a realização da técnica, inicialmente a
área de aplicação deve ser higienizada e deve-se escolher o tipo de eletrodo.
No tratamento da face, por se tratar de uma superfície irregular, os melhores
eletrodos são os pequenos de formas cilíndrica, esférica ou até mesmo de
ponta. Esses eletrodos exigem uma intensidade menor durante o tratamento
pelo aumento da concentração da corrente.
Segundo Santos e Meija (2011), as microcorrentes têm como principal
característica o fato de não atuarem no nível dos órgãos, mas sim a nível
celular e de micro-estruturas, produzindo micro-estimulação e neuro-
estimulação. Na prática do tratamento, a corrente pode estar associada à
massagem e à cosmetologia, bases para todo tratamento estético.
180
Seus efeitos fisiológicos estão baseados no estímulo da microcirculação
cutânea, com conseqüente melhora na nutrição e oxigenação do tecido, que
gera um efeito revitalizante nos tecidos. Além disso, há uma estimulação dos
fibroblastos (produzindo colágeno em maior quantidade e de melhor qualidade)
e do sistema linfático, assim como de suas funções (SOUZA et al., 2007).
De acordo com Borges (2006), o laser é um aparelho de amplificação da
luz, provocada pela emissão estimulada de radiação, que utiliza luz altamente
organizada para estimular alterações fisiológicas nos tecidos. Essa
estimulação, além de outros efeitos promove um aumento na produção de
colágeno.
Para Guirro e Guirro (2004), a partir dessas mudanças estruturais, a
tensão da pele seria restabelecida, resultando em melhora da expressão facial
de pacientes entre 30 e 50 anos, com sinais de envelhecimento.
Santos e Meija (2011) relatam que, a técnica de radiofrequência tem se
destacado no campo estético por seus efeitos térmicos em virtude de reduzir a
distensibilidade do tecido, aumentando a densidade do colágeno e
consequentemente diminuir a flacidez tissular, promovendo um efeito lifting.
Estudos confirmaram a eficácia do peeling químico por ácido glicólico
contra o fotoenvelhecimento, onde sua aplicação resultou histologicamente em
um aumento de cerca de 25% da espessura da pele, bem como dos
mucopolissacarídeos ácidos da pele, melhora significativa na qualidade das
fibras elásticas e aumento na densidade do colágeno (DEPREZ, 2007 apud
AMORIM; MEIJA, 2013).
Para Guirro e Guirrro (2004), o envelhecimento causa uma perda do
tônus natural da pele e, sabendo que os músculos da face se inserem na pele,
subtende-se que a realização de exercícios faciais auxilia na manutenção do
contorno facial. Para se conseguir realizar movimentos mais próximos do
fisiológico, devem-se realizar exercícios com resistência manual evitando a
atenuação das linhas de expressão ou através de aparelhos, a fim de melhorar
a ptose facial, que se acentua com o passar dos anos.
Segundo Souza et al. (2007), a drenagem linfática é uma técnica que
drena os líquidos excedentes que banham as células, mantendo assim, o
equilíbrio hídrico dos espaços intersticiais. Ela também é responsável pela
181
evacuação dos dejetos provenientes do metabolismo, melhorando a
oxigenação e nutrição celular.
Concordando com Santos e Meija (2011), a drenagem linfática revitaliza
a pele do rosto, ameniza olheiras e até trata hematomas decorrentes de
traumas, doenças e cirurgias.
Souza et al. (2007), a hidratação da pele pode ser obtida através de
produtos de uso tópico que tenham as seguintes características:
Oclusão: formação de uma fina película sobre a pele, isolando-a dos
fatores nocivos externos e evitando também a perda excessiva de
água. Composto por princípios que não penetram na pele, como
óleos minerais, vaselina líquida, silicone, entre outros. Emoliência:
suaviza os tecidos epiteliais da membrana córnea, reduz o
endurecimento da pele pela queratinização excessiva, melhora a
suavidade ao tato, aumenta a elasticidade e o aspecto aveludado.
Obtido através dos óleos vegetais, lanolina, lipídeos sintéticos e
vitaminas lipossolúveis (A, E e F). Hidratação: pela administração de
ingredientes higroscópicos que promovam uma atração de água para
pele, como réplica do fator hidratante natural. São eles o
propilenoglicol, glicerina, sorbitol, uréia e lactatos (SOUZA et al.,
2007, p. 5).
Observamos que atualmente dispomos de uma enorme gama de
recursos para atenuar e até mesmo prevenir os sinais do envelhecimento
cutâneo, principalmente no tratamento da região da face. Todavia, o método
mais eficaz para prevenção é através da fotoproteção (SANTOS; MEIJA,
2011).
4 CONCLUSÃO
O envelhecimento implica alterações em nível celular, com diminuição
da capacidade dos órgãos de executar suas funções normais, resultando
provavelmente em doença e morte. O fotoenvelhecimento é provocado pelo
acumulo de radiação ultravioleta na pele, decorrente de excessiva exposição
solar sem proteção adequada, o que leva o indivíduo a apresentar
características impróprias da sua idade ou agravar as já existentes
desenvolvidas naturalmente, como rugas, manchas, perda de elasticidade.
Este estudo avaliou através de pesquisas bibliográficas a relação entre a
exposição solar sem o uso correto de fotoprotetores e o envelhecimento
182
precoce, bem como, a importância da fotoproteção para evitar o surgimento do
envelhecimento precoce e os recursos fisioterapêuticos utilizados para o
tratamento.
Foi possível observar através deste estudo que há escassez de
pesquisas relacionadas ao tema. Mas, contudo, foi possível entender a
importância do uso dos fotoprotetores para evitar o surgimento do
envelhecimento precoce e outras patologias relacionadas a exposição solar, e
que o protetor solar é o melhor método de prevenção de patologias na pele,
devendo ser orientado a sua utilização desde a infância pelos pais.
Notou-se também que grande maioria da população não está usando os
métodos corretos de fotoproteção, e que os mesmos não estão bem orientados
sobre a importância desta proteção, tendo várias dúvidas envolvendo
principalmente os protetores e sua eficácia.
Foi possível perceber a importância da Fisioterapia Dermato Funcional
no tratamento do envelhecimento precoce, através de métodos não invasivos e
confortáveis para o paciente. Sendo eles: peelings, galvanopuntura, corrente
russa, laser, caboxiterapia, radiofrequência, drenagem linfática, aplicação de
cosmecêuticos e outros. Portanto, este estudo contribuiu para um novo
entendimento na área Dermato Funcional, podendo o profissional discorrer
sobre a importância da fotoproteção, os cuidados ao se expor ao sol e realizar
um tratamento fisioterapêutico eficiente para combater o envelhecimento
precoce.
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185
EFICÁCIA DO TREINO DOS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO NO
TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA: UMA REVISÃO
BIBLIOGRÁFICA
Maíra Creusa Farias Belo23
Sara Cris Santos24
RESUMO
Introdução: A incontinência urinária (IU) é definida como qualquer perda
involuntária de urina, sendo classificada em três tipos principais, a IU de
esforço, a IU de urgência e a IU mista, as quais apresentam etiologias e
fisiopatologias diferentes. Objetivo: Demonstrar a eficácia do treino dos
músculos do assoalho pélvico (MAP) no tratamento da incontinência urinária
feminina, através de análise em publicações que versem sobre o assunto.
Método: Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, realizada no período
de novembro a dezembro de 2014. Foram pesquisadas as bases de dados
LILACS, BIREME, SciELO e BIBLIOMED, através da Biblioteca Virtual em
Saúde (Bireme), utilizando os descritores: “fisioterapia”, “assoalho pélvico”,
“incontinência urinária feminina”, tendo sido publicados de 2006 a 2012.
Resultados: A pesquisa evidenciou 8 artigos, os quais foram analisados na
presente pesquisa. Os mesmos demonstraram que a fisioterapia
uroginecológica dispõe de vários recursos que auxiliam no tratamento
conservador desta disfunção, tais como a cinesioterapia, o uso dos cones
vaginais, a eletroestimulação e o biofeedback. Conclusões: Verificamos que a
fisioterapia tem papel significativo no tratamento da IU, visto que dispõe de
técnicas eficazes, as quais podem ser usadas isoladamente ou combinadas,
promovendo a reeducação e o fortalecimento da musculatura do assoalho
pélvico, diminuindo os episódios de perda urinária e contribuindo para uma
melhor qualidade de vida das pacientes com IU.
Palavras-chave: Incontinência Urinária. Fisioterapia. Qualidade de Vida.
EFFECTIVENESS OF PELVIC FLOOR MUSCLE TRAINING IN THE
TREATMENT OF FEMALE URINARY INCONTINENCE: A LITERATURE
REVIEW
ABSTRACT
Introduction: Urinary incontinence (UI) is defined as any involuntary loss of
urine, which is classified into three main types, stress UI, the UI of urgency and
mixed incontinence, with different etiologies and pathophysiology. Objective: To
demonstrate the effectiveness of the pelvic floor muscles (PFM) training in the
treatment of female urinary incontinence. Method: This is a narrative literature
review, conducted from November to December 2014. LILACS, BIREME,
23Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC.
24
Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-
UNESC. Mestra em Fisioterapia pela Universidade Federal de Pernambuco-UFPE.
186
SciELO and Bibliomed were investigated through the Virtual Health Library
(Bireme), using the keywords "physiotherapy", "pelvic floor", "female urinary
incontinence", published from 2006 to 2012. Results: the research showed 8
articles, that were analyzed in this research. They demonstrated that
urogynecological physiotherapy has several features that may be used in the
conservative treatment of this disorder, such as kinesiotherapy, the use of
vaginal cones and biofeedback which seek to strengthen the PFM; and
electrotherapy, that, in addition to strengthening, also aims proprioception and
inhibition of the detrusor muscle. Conclusions: We found that physical therapy
has a significant role in the treatment of urinary incontinence, since it has
effective techniques, which can be used alone or combined, promoting
rehabilitation and strengthening the pelvic floor muscles, reducing the frequency
of urinary leakage and contributing to a better quality of life of patients with UI.
Keywords: Urinary Incontinence. Physiotherapy. Quality of Life.
1 INTRODUÇÃO
A incontinência urinária (IU), segundo o Comitê de Padronização da
Sociedade Internacional de Continência (ICS), é definida como qualquer perda
involuntária de urina (ALMEIDA; MACHADO, 2012; MELO et al., 2012). Estima-
se que 50 milhões de pessoas no mundo sofram com a IU, sendo mais comum
em mulheres e podendo acometer até 50% delas em alguma fase de suas
vidas (DEDICACAO et al., 2009). No Brasil, apesar de muitas mulheres não
relatarem a presença de IU, estima-se que 11 a 23% da população feminina
sejam incontinentes (LAZARI; LOJUDICE; MAROTA, 2009) e, em idosas, essa
prevalência pode variar entre 8 e 35% (BRASIL, 2006).
A incontinência urinária se classifica em três tipos principais, a IU de
esforço, a IU de urgência e a IU mista, as quais apresentam etiologias e
fisiopatologias diferentes. A IU de esforço acontece em decorrência de uma
falha no suporte vesical e uretral que é realizado pelos músculos do assoalho
pélvico; ou devido ao enfraquecimento destes músculos; ou ainda por lesão do
esfíncter uretral, levando a perda de urina durante o aumento da pressão intra-
abdominal, quando o indivíduo tosse, espirra, corre, ri, pega em peso, levanta
ou até mesmo anda (JORDÃO; CARRINHO, 2013).
A IU de Urgência caracteriza-se pela perda urinária acompanhada do
desejo miccional intenso e incontido. É também conhecida como hiperatividade
do detrusor, síndrome da bexiga hiperativa e síndrome de urgência-frequência,
187
devido à ocorrência de contrações involuntárias do músculo detrutor e,
geralmente surge de causas desconhecidas (BRASIL, 2011). De acordo com
Jordão e Carrinho (2013), a IU de urgência normalmente ocorre com o
envelhecimento, podendo também surgir em pessoas jovens quando associado
às doenças neurológicas ou até mesmo sem causas identificáveis.
Já a IU Mista é uma combinação da IU de urgência e da IU de esforço,
sendo este tipo de incontinência urinária decorrente geralmente da fraqueza
esfincteriana, ou seja, uma hiperpressão abdominal concomitante a uma
contração não-inibida do detrusor. É a urgência miccional mais desconfortável
socialmente (RODRIGUES, 2008).
Problemas de ordem social, ocupacional, doméstica e sexual podem ser
encontrados em mulheres com IU e são causas significativas de morbidade,
estresse e debilidade, tendo grande impacto na sua qualidade de vida. Fazem
parte do quadro clínico alterações como vergonha, depressão, isolamento,
ansiedade, estresse emocional, insatisfação sexual, constrangimento social,
baixo desempenho profissional e perda da autoestima. Os efeitos psicossociais
podem ser mais devastadores que as consequências sobre a saúde física,
podendo afetar atividades diárias, a interação social e a autopercepção do
estado de saúde (MELO et al., 2012).
Outros fatores como gênero, idade, condição socioeconômica e
quantidade de perda de urina podem ser responsáveis por diferenças no
comportamento pessoal frente à incontinência. O impacto dos sintomas está
relacionado à percepção individual de cada mulher frente à severidade, tipo e
quantidade da perda de urina (MELO et al., 2012).
A importância desse tratamento tem o intuito da reeducar a musculatura
do assoalho pélvico (MAP) que é fundamental no programa que busca a
prevenção, melhora ou mesmo a cura da IU e a melhora da função sexual. Os
melhores resultados do tratamento fisioterapêutico da IU são obtidos nos casos
com comprometimento leve ou moderado. Para isso, é necessária a escolha
adequada de diferentes técnicas. O treino fisioterapêutico tem por objetivo
informar, educar ou reeducar, melhorar a percepção da MAP, melhorar a força
de contração das fibras musculares e estimular bons hábitos de vida, como a
prática de atividade física. Tudo isso pode ajudar a fortalecer os músculos
necessários para manter a continência urinária e a organizar a ação do sistema
188
nervoso autônomo simpático e parassimpático nas contrações involuntárias do
músculo detrusor. Acredita-se que a fisioterapia tem apresentado resultados
expressivos para a melhora dos sintomas da IU em até 85% dos casos
(BERQUÓ; RIBEIRO; AMARAL, 2009).
Considerando todos esses comprometimentos, a fisioterapia, como
forma abrangente de tratamento, visa à prevenção e tratamento curativo da IU
por meio da educação da função miccional, informação a respeito do uso
adequado da musculatura do assoalho pélvico, bem como o aprendizado de
técnicas e exercícios para aquisição do fortalecimento muscular (OLIVEIRA;
GARCIA, 2011).
Devido à alta prevalência da IU em meio à população feminina e devido
ao impacto da referida condição na qualidade de vida das mulheres, percebe-
se a importância do tema no campo da fisioterapia. Por conseguinte, o
presente estudo objetivou demonstrar a eficácia do treino dos músculos do
assoalho pélvico (MAP) no tratamento da incontinência urinária feminina,
através de análise em publicações que versem sobre o assunto.
2 MÉTODO
Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica do tipo narrativa, em que
foi realizado busca com o intuito de esclarecer a eficácia do treino dos
músculos do assoalho pélvico no tratamento da IU feminina.
Para tanto, foi realizado pesquisa em base de dados online de novembro
a dezembro de 2014. Foram selecionados artigos nacionais que tratassem do
tema em questão, obtidos nas bases de dados LILACS, BIREME, SciELO e
BIBLIOMED, além de um livro e uma tese. Para tanto foram utilizados os
seguintes descritores: “fisioterapia”, “assoalho pélvico”, “incontinência urinária
feminina”.
Após a seleção dos artigos, foram considerados ensaios clínicos
prospectivos, estudo piloto prospectivo, estudo de caso, estudo de intervenção
e estudo clínico randomizado que abordassem a temática em questão. Os
mesmos foram selecionados de acordo com os seguintes critérios de inclusão:
a) participantes com queixa relatada de urina; b) investigação dos efeitos de
alguma modalidade de tratamento fisioterapêutico c) estudos publicados entre
189
os anos de 2006 e 2012. Foram excluídos estudos que abordassem
intervenções cirúrgicas. Dessa forma, foram incluídos 08 artigos publicados no
período de 2006 a 2012, todos publicados na língua portuguesa, a fim de
fornecer uma melhor explanação acerca da eficácia do treino dos músculos do
assoalho pélvico com a intenção de ampliar o conhecimento sobre tal
problema.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A incontinência urinária (IU), segundo o Comitê de Padronização da
Sociedade Internacional de Continência, é definida como qualquer perda
involuntária de urina, sendo classificada em três tipos principais: a
incontinência urinária de esforço (IUE), quando ocorre perda de urina durante
algum esforço que aumente a pressão intra-abdominal, como tosse, espirro ou
exercícios físicos; a incontinência urinária de urgência (IUU), caracterizada pela
perda de urina acompanhada por forte sensação de urgência para urinar; e a
incontinência urinária mista (IUM), quando há queixa de perda associada à
urgência e também aos esforços (MELO et al., 2012).
Os comprometimentos da incontinência urinária para a mulher não estão
relacionados somente aos aspectos físicos, mas, também podem gerar
consequências que atingem uma ampla esfera envolvendo aspectos
psicossociais, deteriorando significativamente a qualidade de vida, limitando
sua autonomia e reduzindo sua autoestima (MELO et al., 2012).
No que se refere ao tratamento desse distúrbio urinário, muito comum
nas mulheres, a fisioterapia se apresenta como uma forma eficaz no controle
miccional através de técnicas e métodos que visam, principalmente, o
fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico. O treinamento do assoalho
pélvico consiste em exercícios terapêuticos de reforço das fáscias e dos
músculos, condicionando-os a um maior controle miccional (OLIVEIRA;
RODRIGUES; PAULA, 2007).
A fisioterapia é uma forma abrangente de tratamento, que visa a
prevenção e tratamento curativo da IU por meio da educação da função
miccional, informação a respeito do uso adequado da musculatura do assoalho
pélvico, bem como o aprendizado de técnicas e exercícios para aquisição do
190
fortalecimento muscular. São objetivos principais da fisioterapia a reeducação
da musculatura do assoalho pélvico e seu fortalecimento, visto que, na maioria
dos tipos de incontinência urinária, está presente uma redução da força desta
musculatura (SELEME, 2006).
A cinesioterapia (Figura 1) compreende basicamente a realização dos
exercícios de Kegel que objetivam trabalhar a musculatura perineal para o
tratamento da hipotonia e fraqueza da musculatura do assoalho pélvico,
reforçando a resistência uretral e melhorando os elementos de sustentação dos
órgãos pélvicos. É o único método que não possui contraindicações, não tem
efeitos colaterais, pode ser realizado individualmente ou em grupo e é
considerado um tratamento eficaz para a melhora ou a cura de muitos casos de
IU, mantendo os seus efeitos por mais de cinco anos (BERQUÓ; RIBEIRO;
AMARAL, 2009; OLIVEIRA; GARCIA, 2011).
Figura 1 – Cinesioterapia.
Fonte: http://institutoaica.com/2012/10/23/bola-suica-exercicios-com-resultados-
supreendentes/
Nesse contexto, Oliveira e Garcia (2011) avaliaram os efeitos da
cinesioterapia como tratamento da incontinência urinária, através de um estudo
de intervenção realizado em 2009, com idosas a partir de 60 anos, com queixa
de incontinência urinária. Inicialmente, foram realizadas avaliação
fisioterapêutica, avaliação de qualidade de vida, além de medição nas escalas
de gravidade da IU e presença e intensidade dos sintomas urinários. Logo
após, formou-se um grupo de 11 idosas com média etária de 74,2 anos. O
tempo médio da queixa de IU do grupo foi de seis anos, todas as pacientes
tiveram no mínimo um parto vaginal. O grupo foi atendido uma vez por semana,
191
durante três meses, com sessões de 30 minutos de exercícios específicos de
contração dos MAP, com intervalo de 05 segundos de sustentação e
relaxamento, realizado nas posições sentada, deitada e em pé.
Os autores obtiveram como resultados uma redução estatisticamente
significativa na frequência de micções noturnas das idosas de 3 para 1,5 e uma
diminuição na média de número de situações de perda urinária por esforço de
3,72 para 1,45.
Por outro lado, o estudo de caso proposto por Silva et al. (2010) visou
avaliar a evolução de uma mulher de 55 anos com incontinência urinária de
urgência (IUE), submetida a um plano de tratamento com base em exercícios
do assoalho pélvico. Teve como queixa principal “dor no ato sexual e perda de
urina”. Após as avaliações preliminares, teve início ao tratamento baseado em
exercícios de Kegel para fortalecimento do assoalho pélvico, realizando 8
sessões, com duração de 50 minutos. Os exercícios consistiam em contrações
mantidas durante 10 segundos e contração e relaxamento com 5 séries de 10
repetições.
Foram inseridos exercícios de mobilização pélvica na bola em conjunto
com exercício de contrair e relaxar a musculatura perineal. Utilizou-se também
exercícios ativos e ativos resistidos utilizando caneleiras, bola pequena de
plástico e faixa elástica associados à contração perineal para fortalecer a
musculatura dos membros inferiores e cinturão pélvico, além dos MAP. Além
disso, a participante do estudo recebeu orientação para realizar as contrações
perineais no seu dia-a-dia, cerca de 200 contrações diárias. O tratamento foi
analisado através de comparação das avaliações antes e depois das 8 sessões
realizadas.
Os resultados do tratamento mostraram pequena melhora das fibras
tônicas, além da manutenção da força de fibras lentas; melhora evidente do
quadro de perda de urina, apresentando apenas uma urgência moderada para
urinar e pequena perda involuntária de urina durante esforço; a paciente relatou
diminuição da dor durante a realização das atividades diárias e durante a
atividade sexual.
Fitz et al. (2011), por sua vez, avaliaram o impacto do treinamento dos
MAP na qualidade de vida de mulheres com incontinência urinária. Os autores
realizaram um ensaio clínico prospectivo com 36 mulheres com diagnóstico
192
médico de IUE. O protocolo de exercícios para os MAP foi constituído de
contrações lentas, seguidas de contrações rápidas, realizadas na posição de
decúbito dorsal, sentada e em pé, três vezes na semana, por um período de
três meses. Avaliou-se o impacto do treinamento dos MAP na qualidade de
vida (QV) por meio do King’s Health Questionnaire (KHQ), além do diário
miccional e palpação digital para avaliar a função dos músculos do assoalho
pélvico, durante a avaliação inicial e após os três meses de tratamento.
O estudo obteve como resultados a diminuição significativa das médias
dos escores dos domínios avaliados pelos KHQ. Esses domínios consistem na
percepção da saúde, impacto da incontinência, limitações das atividades
diárias, limitações físicas, limitações sociais, relações pessoais, emoções,
sono/disposição e também medidas de gravidade. Em concordância com esses
resultados foram observados diminuição significativa na frequência urinária
noturna e na perda de urina, bem como aumento significativo na força e
endurance muscular.
Além disso, a cinesioterapia também apresenta como recurso para
fortalecimento muscular os cones vaginais (Figura 2), os quais foram
desenvolvidos por Plevnik em 1985. Ele demonstrou que a mulher pode
melhorar o tônus da musculatura pélvica introduzindo na cavidade vaginal
cones de material sintético, com o objetivo de exercitar a musculatura perineal
na tentativa de reter os cones e aumentar progressivamente o peso dos
mesmos, visando o fortalecimento dos MAP (SANTOS et al., 2009).
Nas sessões fisioterápicas, os cones são utilizados em duas fases, a
passiva e a ativa. Na passiva, não há contração voluntária dos músculos do
assoalho pélvico, mas é necessário identificar qual é o cone de maior peso que
a paciente consegue reter na vagina durante um minuto. Após tal
determinação, as pacientes são orientadas, por um período de 15 minutos, a
deambular, subir e descer escadas etc. Na fase ativa, a paciente, em posição
ortostática, com o cone mais pesado que conseguir reter na vagina e com
auxílio da contração dos músculos do assoalho pélvico, precisa realizar certo
esforço para não deixá-lo cair. Desse modo, deve realizar 30 contrações
voluntárias, sendo a razão contração/repouso (em segundos) de 5:5 (SANTOS
et al., 2009).
193
Figura 2 – Cones vaginais.
Fonte: http://fisioterapiatapera.blogspot.com.br/2012/02/cones-vaginais.html
Nesse sentido, Silva e Oliva (2011) desenvolveram um estudo de caso
com uma paciente de 59 anos diagnosticada com IU de urgência, referindo
perda urinária em jato há mais de 30 anos. As avaliações constataram
hipotonia e flacidez acentuada da musculatura perineal com grau 2 de força
muscular com função perineal prejudicada e perda de urina de 35 g. O
tratamento foi realizado em 10 sessões com duração de 1 hora, três vezes por
semana, com exercícios de Kegel, tendo sido adicionado os cones vaginais a
partir da quarta sessão, trabalhando assim o fortalecimento da musculatura do
assoalho pélvico. Também foi inserido exercício de alongamento dos membros
inferiores com a paciente em posição ginecológica, contraindo e relaxando o
assoalho pélvico de 5 a 10 segundos e, em seguida foi aplicada atividade como
ficar em sedestação e levantar, deambular, abduzir e aduzir os membros
inferiores, fazer ponte, sempre mantendo a contração do assoalho pélvico. O
estudo foi analisado através de comparação das avaliações realizadas antes e
depois das 10 sessões realizadas.
Os resultados demonstraram aumento da força muscular perineal e
diminuição da IU referida pela participante do estudo, a qual relatou que
conseguia segurar cada vez mais a urina durante suas atividades diárias, não
ocorrendo mais as perdas em jato. Dessa forma, observou-se que, em apenas
dez sessões a participante do estudo percebeu resultados positivos.
194
Já o estudo de Matheus et al. (2006) verificou a influência dos exercícios
perineais e dos cones vaginais, em associação aos exercícios posturais
corretivos para a normalização estática da pelve, no tratamento da
incontinência urinária feminina. Foram avaliadas 12 mulheres apresentando
queixa de incontinência urinária, com idade média de 52,3 anos, submetidas a
10 sessões fisioterapêuticas, duas vezes por semana, divididas em dois
grupos: Grupo A: n = 6, utilizando exercícios perineais e Grupo B: n = 6,
utilizando cones vaginais. Ambos os grupos realizaram exercícios posturais
para correção estática da pelve, conforme alterações de cada participante.
Foram coletados os seguintes dados, antes e após intervenção: grau de
contração muscular do períneo, pela Avaliação Funcional do Assoalho Pélvico
(AFA); perda quantitativa de urina, mensurada pelo teste do absorvente (Pad-
Test), e sensações de umidade e desconforto, verificadas pelas Escalas
Visuais Análogas (EVA). Os dados posturais foram coletados através do exame
estático da pelve, exame de flexibilidade das cadeias musculares e avaliação
postural.
Nos resultados pós-intervenção, foi observado, para ambos os grupos,
diminuição estatisticamente significativa da perda urinária, ganho de contração
muscular do assoalho pélvico e diminuição significativa da sensação de
umidade. O grau de sensação de desconforto, pós-intervenção, foi
significativamente menor para o grupo de exercícios perineais e o equilíbrio
estático pélvico foi corrigido na maioria das voluntárias.
Outro recurso que a fisioterapia dispõe é a eletroestimulação (Figura 3)
que é capaz de aumentar a pressão intrauretral por meio da estimulação direta
dos nervos eferentes para a musculatura periuretral, aumentando o fluxo
sanguíneo para essa musculatura, reestabelecendo as conexões
neuromusculares e melhorando a função da fibra muscular, hipertrofiando-a e
modificando o seu padrão de ação com o acréscimo do número de fibras
rápidas, melhorando assim a função da musculatura do assoalho pélvico,
sendo um recurso com grande importância no tratamento de incontinência
urinária (SANTOS et al., 2009).
Ensaios clínicos relatam que frequências entre 10 e 20Hz agem melhor
nas fibras do tipo tônica, enquanto frequências de 30 a 60Hz teriam efeito
maior em fibras do tipo fásica. Comprovam ainda que para “ganho de força” no
195
AP, a frequência (F) ideal de corrente de FES deve girar em torno de 50Hz. Já
nos casos em que o objetivo é a inibição do detrusor, parece haver consenso
de correntes contínuas, com F mais baixas (de 5 a 20Hz) como parâmetro de
eletroterapia ideal, sendo fundamental no tratamento da IUU (MARQUES;
PINTO E SILVA; AMARAL, 2011).
A maioria dos protocolos determina que a duração da aplicação da
corrente deve variar entre 15 e 30min. Entretanto, este tratamento pode
provocar fadiga muscular, por isso, deve-se respeitar o limiar da paciente e, de
preferência, o protocolo deve ser estabelecido para cada caso individualmente
(MARQUES; PINTO E SILVA; AMARAL, 2011).
Figura 3 – Eletroestimulador.
Fonte: http://www.carci.com.br/produto/index/detalhes/eletroterapia-fesmed-ii---
eletroestimulador-fes-+-tens-2-canais---gratis-01-envelope-eletrodo-autoadesivo-
5x5cm-_82.html.
Gomes et al. (2009) em um estudo de caso em que avaliaram o efeito da
cinesioterapia e eletroestimulação transvaginal na incontinência urinária
feminina. A amostra foi uma paciente de 61 anos, que encontrava-se no
período de pós-menopausa, com diagnóstico de IUE há 20 anos e perda de
urina em jato. Possuia histórico de dois partos vaginais, constipação, e urinava
com intervalos de 1-3h durante o dia e duas vezes à noite, conseguindo adiar a
micção por 5 minutos. O tratamento consistiu em 20 sessões, realizadas duas
vezes por semana, com duração de uma hora. Baseou-se em cinesioterapia,
constituída de exercícios globais e pélvicos e exercícios ativos resistidos com
aparelho de biofeedback de pressão e eletroterapia transvaginal, por meio de
196
um aparelho de estimulação elétrica com programa específico para reforço do
períneo. Os parâmetros não foram descritos pelos autores.
O estudo evidenciou como resultados melhora do tônus muscular de
40% nos MAP, melhora da força muscular de grau 1 para 3 na escala de
Oxford, diminuição dos episódios de perda de urina, não causando mais
desconforto a paciente e melhorando sua qualidade de vida.
Por outro lado o estudo de Santos et al. (2009) comparou os efeitos da
eletroestimulação funcional do assoalho pélvico e da terapia com os cones em
mulheres com incontinência urinária por esforço (IUE). Tratou-se de um estudo
randomizado, sendo selecionado 45 pacientes que foram divididas em dois
grupos: grupo eletroestimulação – composto por 24 mulheres, no qual foram
avaliados os efeitos da eletroestimulação funcional do assoalho pélvico no
tratamento da IUE. Essas pacientes se submeteram a duas sessões semanais
de eletroterapia com duração de 20 minutos cada, durante quatro meses
consecutivos. Foi utilizado eletrodo de aproximadamente 10cm de comprimento
e 3,5cm de largura, com duplo anel metálico e formato cilíndrico, posicionado
no terço médio da vagina. Os parâmetros elétricos utilizados foram: intensidade
e corrente variando de 10 a 100mA e frequência fixa em 50Hz com duração de
pulso de 1mili/seg.
Já o grupo controle – constituído por 21 mulheres que se submeteram a
terapia com cones vaginais. A terapia com os cones foi feita em duas sessões
semanais com duração de 45 minutos também por quatro meses consecutivos.
O peso dos cones variou de 20 a 100g.
Como resultados não houve diferença entre a comparação da utilização
de eletroestimulação do assoalho pélvico e da terapia com os cones vaginais
para o tratamento da IUE. Após os quatro meses de tratamento houve melhora
significativa dos índices de qualidade de vida das pacientes tratadas com a
eletroestimulação e com a terapia com os cones vaginais, houve também
diminuição do peso do absorvente (pad-test) e diminuição no número de
perdas urinárias avaliadas pelo diário miccional nos dois grupos.
Já o Biofeedback (Figura 4) é um aparelho cuja técnica possibilita que a
informação sobre o processo normal, fisiológico e inconsciente e o seu
ambiente, com o objetivo de tratar os modelos de micção inadequados ou mal
adaptados. Considerado como um coadjuvante ao treinamento da MAP,
197
promovendo a facilitação do aprendizado, da correta contração muscular, bem
como é auxiliar na motivação do esforço da paciente durante o treinamento
(FITZ et al., 2012).
Figura 4 – Biofeedback de pressão.
Fonte: http://catalogohospitalar.com.br/perina-urologia-biofeddback-
quark.html.
Fitz et al. (2012), realizaram outro estudo, com o objetivo de verificar o
efeito da adição do biofeedback (BF) ao treinamento dos MAP com um grupo
de 40 mulheres com IUE sem deficiência esfincteriana. Foi feita a avaliação
fisioterápica e escolha das participantes do estudo, as quais foram divididas em
02 grupos: Grupo Controle-GC, que não receberam nenhum tipo de tratamento
e Grupo Biofeedback-BF, que foram submetidas a 12 sessões de treinamento
dos MAP com Biofeedback (BF), duas vezes na semana. Ficou determinado
que elas realizassem três séries de dez contrações lentas (fibras tônicas), com
tempo de manutenção de seis a oito segundos em cada contração, seguido de
um período de repouso de mesmo valor. Após cada contração sustentada,
realizaram de três a quatro contrações rápidas (fibras fásicas) nas posições de
decúbito dorsal e ortostática.
Os grupos demonstraram homogeneidade no que diz respeito aos seus
perfis epidemiológicos. Com relação às avaliações, observou-se diminuição
significativa nos escores dos domínios avaliados pelo teste Kings Health
Questionnaire (KHQ), exceto para o domínio saúde geral, bem como melhora
da função dos MAP após o tratamento para o Grupo BF. Além disso, os
198
autores constataram que houve redução da frequência urinária noturna e da
perda urinária aos esforços no grupo tratado.
4 CONCLUSÕES
Os estudos mostraram a importância da fisioterapia no tratamento da
incontinência urinária feminina, dispondo de técnicas eficazes como a
cinesioterapia, eletroterapia, biofeedback e cones vaginais, que, nos estudos
revisados, obtiveram resultados positivos quanto à diminuição da frequência e
volume de perdas urinárias, melhora do tônus e força muscular, melhora na
função do assoalho pélvico e na qualidade de vida das pacientes tratadas,
quando usadas isoladamente ou combinadas.
Porém, é perceptível que alguns estudos não esclareceram
detalhadamente os métodos utilizados, como cálculo de tamanho de amostra e
parâmetros de eletroestimulação, dificultando, assim, a análise da
confiabilidade do artigo e a reprodução do mesmo. Portanto, embora a
literatura analisada tenha demonstrado eficácia das técnicas fisioterápicas no
tratamento da IU, são necessários estudos com mais rigor metodológico para
comprovar a real eficácia da fisioterapia nos casos de IU. Além disso, faz-se
necessário descrever melhor os protocolos utilizados, para que a comunidade
científica possa reproduzir os achados.
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Uma nova-proposta-de-qualidade-de-vida

  • 1.
    Priscilla Indianara DiPaula Pinto Maria Zélia Araújo Danilo de Oliveira Aleixo (Organizadores) FISIOTERAPIA E PESQUISA: UMA NOVA PROPOSTA DE QUALIDADE DE VIDA UNESC 2014
  • 2.
    UNIÃO DE ENSINOSUPERIOR DE CAMPINA GRANDE-UNESC FACULDADE DE CAMPINA GRANDE-FAC-CG Diretora Executiva Ana Lígia Costa Feliciano Gerência Administrativa Gustavo Costa Feliciano Gerência Financeira Tiago Torquato Lêdo Coordenação Acadêmica Danilo de Oliveira Aleixo Coordenação de Fisioterapia Priscilla Indianara Di Paula Pinto Coordenação do Núcleo de Pesquisa e Extensão Maria Zélia Araújo Normalização Técnica Severina Sueli da Silva Oliveira CRB-15/225 FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA DA UNESC F56 Fisioterapia e pesquisa: uma nova proposta de qualidade de vida / Priscilla Indianara Di Paula Pinto, Maria Zélia Araújo, Danilo de Oliveira Aleixo (Organizadores). – Campina Grande: UNESC, 2014. 200 p. : il. color. ISBN 978-85-92586-03-4 2 1. Fisioterapia. 2. Saúde. 3. Fisioterapia – Qualidade de Vida. I. Pinto, Priscilla Indianara Di Paula. II. Araújo, Maria Zélia. III. Aleixo, Danilo de Oliveira. IV. Título. CDU 615
  • 3.
    FISIOTERAPIA E PESQUISA:UMA NOVA PROPOSTA DE QUALIDADE DE VIDA Argumentar sobre a FISIOTERAPIA como ciência, é de suma importância que esse argumento parta da definição que é apresentada pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), pois dessa forma está se partindo da base que é defendida pelo órgão oficial que regimenta os profissionais dessa área de conhecimento. De acordo com esse Conselho Fisioterapia “é uma ciência da Saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas”. Ainda complementa que ela “fundamenta suas ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados pelos estudos da Biologia, das ciências morfológicas, das ciências fisiológicas, das patologias, da bioquímica, da biofísica, da biomecânica, da cinesia, da sinergia funcional, e da patologia de órgãos e sistemas do corpo humano e as disciplinas comportamentais e sociais”. Vê-se nesta definição que a Fisioterapia trata o ser humano, enquanto objeto de estudo, de forma completa, envolvendo, não somente o lado físico, mas também o social. Além do que fora dito, vale ressaltar que na atuação dessa ciência, ela se propõe não somente ao processo de estudar, prevenir e tratar os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas, mas que vê o sujeito social como um todo. E, para tanto, a sua proposição é de apresentar uma nova proposta de qualidade de vida mediante o desenvolvimento tecnológico dos dias hodiernos, os quais têm modificados os modelos de vidas singulares que se tinham em épocas anteriores, as quais não provocavam tantos transtornos aos seres humanos, principalmente, os da terceira idade. É do conhecimento dos profissionais dessa área de conhecimento que o seu objetivo é preservar, manter, desenvolver ou restaurar (reabilitação) a integridade de órgãos, sistemas ou funções. Utiliza-se de conhecimento e recursos próprios como parte do processo terapêutico nas condições psico- físico-social para promover melhoria de qualidade de vida.
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    Portanto, nessa construçãovale também destacar o que é definido por qualidade de vida apresentada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que compreende: “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”, o que tem sido discutido pelos alunos que se formaram na União de Ensino Superior de Campina Grande, em 2014, ao realizarem suas pesquisas de conclusão de Curso. Portanto, esta coletânea que é intitulada de “FISIOTERAPIA E PESQUISA: UMA NOVA PROPOSTA DE QUALIDADE DE VIDA” apresenta em sua composição os artigos intitulados: v FISIOTERAPIA INTENSIVA NA BRONQUIOLITE: UMA REVISÃO DE LITERATURA; v OS BENEFÍCIOS DO MÉTODO PILATES NO TRATAMENTO DE DOR LOMBAR: REVISÃO DE LITERATURA; v USO DA VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA NA PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES NO PÓS OPERATORIO DE CIRÚRGIA CARDÍACA; v FUNÇÃO PULMONAR EM MINERADORES DA INDÚSTRIA DE BENEFICIAMENTO DE CAULIM; v GRAU DE OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS E USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI’S): REPERCUSSÕES NA SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO GRANITO; v CUIDADOS NA ASSISTÊNCIA VENTILATÓRIA PARA PREVENÇÃO DA PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA (PAVM): UMA REVISÃO DE LITERATURA; v CORRELAÇÃO ENTRE ÂNGULO “Q” E A SÍNDROME DA DOR PATELOFEMORAL EM MULHERES; v ATUALIDADES SOBRE FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA EM PEDIATRIA E NEONATOLOGIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA; v A FISIOTERAPIA SOBRE A PERCEPÇÃO DOS CUIDADORES DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS EM ESCOLA DE ENSINO REGULAR; v A FISIOTERAPIA NA PERCEPÇÃO DE CUIDADORES DE SEQUELADOS DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO;
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    v RELAÇÃO DAEXPOSIÇÃO SOLAR E O ENVELHECIMENTO PRECOCE: UMA REVISÃO SISTEMATIZADA; v EFICÁCIA DO TREINO DOS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO NO TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA. Artigos esses que vieram, tão somente, endossar o conhecimento da Fisioterapia no tocante a qualidade de vida dos sujeitos sociais, daqueles que necessitam de sua atuação na vida em sociedade, uma vez que, tem realizado pesquisas que apresentam uma nova proposta de qualidade de vida, e, assim ampliar os horizontes dessa ciência em pleno século XXI. Os Organizadores
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    SUMÁRIO 1 FISIOTERAPIA INTENSIVANA BRONQUIOLITE: UMA REVISÃO DE LITERATURA......................................................................................................8 Helder Araujo de Menezes Isabella Pinheiro de Farias Bispo 2 OS BENEFÍCIOS DO MÉTODO PILATES NO TRATAMENTO DE DOR LOMBAR: REVISÃO DE LITERATURA...........................................................20 Marina Gadelha de Menezes Sheila Bezerra Costa 3 USO DA VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA NA PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES NO PÓS OPERATORIO DE CIRÚRGIA CARDÍACA........33 Adna Dilleã Nunes Pereira Isabella Pinheiro de Farias Bispo 4 FUNÇÃO PULMONAR EM MINERADORES DA INDÚSTRIA DE BENEFICIAMENTO DE CAULIM......................................................................44 Christiane da Silva Sales Priscilla Indianara Di Paula Pinto 5 GRAU DE OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS E USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI’S): REPERCUSSÕES NA SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO GRANITO.........68 Telma da Silva Araújo Priscilla Indianara Di Paula Pinto Taques 6 CUIDADOS NA ASSISTÊNCIA VENTILATÓRIA PARA PREVENÇÃO DA PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA (PAVM): UMA REVISÃO DE LITERATURA.............................................................................89 Stela Ticyanne de Castro Dantas Vitor Ávila Rozeira Silva 7 CORRELAÇÃO ENTRE ÂNGULO “Q” E A SÍNDROME DA DOR PATELOFEMORAL EM MULHERES.............................................................107 Rudiney da Silva Araújo Eliete Moreira Colaço 8 ATUALIDADES SOBRE FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA EM PEDIATRIA E NEONATOLOGIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA..................................121 Géssica Rayanne Cândido Ferreira Guedes Isabella Pinheiro de Farias Bispo 9 A FISIOTERAPIA SOBRE A PERCEPÇÃO DOS CUIDADORES DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS EM ESCOLA DE ENSINO REGULAR.......................................................................................................134 Hellubya Apolinario da Silva Rubia Karine Diniz Dutra
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    10 A FISIOTERAPIANA PERCEPÇÃO DE CUIDADORES DE SEQUELADOS DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO...................................................150 Maria Cláudia de Almeida Silva Rubia Karine Diniz Dutra 11 RELAÇÃO DA EXPOSIÇÃO SOLAR E O ENVELHECIMENTO PRECOCE: UMA REVISÃO SISTEMATIZADA.................................................................166 Alexandra de Oliveira Santana Rubia Karine Diniz Dutra 12 EFICÁCIA DO TREINO DOS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO NO TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA............................................................................................185 Maíra Creusa Farias Belo Sara Cris Santos
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    6 SUMÁRIO 1 FISIOTERAPIA INTENSIVANA BRONQUIOLITE: UMA REVISÃO DE LITERATURA......................................................................................................8 Helder Araujo de Menezes Isabella Pinheiro de Farias Bispo 2 OS BENEFÍCIOS DO MÉTODO PILATES NO TRATAMENTO DE DOR LOMBAR: REVISÃO DE LITERATURA...........................................................20 Marina Gadelha de Menezes Sheila Bezerra Costa 3 USO DA VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA NA PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES NO PÓS OPERATORIO DE CIRÚRGIA CARDÍACA........33 Adna Dilleã Nunes Pereira Isabella Pinheiro de Farias Bispo 4 FUNÇÃO PULMONAR EM MINERADORES DA INDÚSTRIA DE BENEFICIAMENTO DE CAULIM......................................................................44 Christiane da Silva Sales Priscilla Indianara Di Paula Pinto 5 GRAU DE OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS E USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI’S): REPERCUSSÕES NA SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO GRANITO.........68 Telma da Silva Araújo Priscilla Indianara Di Paula Pinto Taques 6 CUIDADOS NA ASSISTÊNCIA VENTILATÓRIA PARA PREVENÇÃO DA PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA (PAVM): UMA REVISÃO DE LITERATURA.............................................................................89 Stela Ticyanne de Castro Dantas Vitor Ávila Rozeira Silva 7 CORRELAÇÃO ENTRE ÂNGULO “Q” E A SÍNDROME DA DOR PATELOFEMORAL EM MULHERES.............................................................107 Rudiney da Silva Araújo Eliete Moreira Colaço 8 ATUALIDADES SOBRE FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA EM PEDIATRIA E NEONATOLOGIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA..................................121 Géssica Rayanne Cândido Ferreira Guedes Isabella Pinheiro de Farias Bispo 9 A FISIOTERAPIA SOBRE A PERCEPÇÃO DOS CUIDADORES DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS EM ESCOLA DE ENSINO REGULAR.......................................................................................................134 Hellubya Apolinario da Silva Rubia Karine Diniz Dutra
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    7 10 A FISIOTERAPIANA PERCEPÇÃO DE CUIDADORES DE SEQUELADOS DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO...................................................150 Maria Cláudia de Almeida Silva Rubia Karine Diniz Dutra 11 RELAÇÃO DA EXPOSIÇÃO SOLAR E O ENVELHECIMENTO PRECOCE: UMA REVISÃO SISTEMATIZADA.................................................................166 Alexandra de Oliveira Santana Rubia Karine Diniz Dutra 12 EFICÁCIA DO TREINO DOS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO NO TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA............................................................................................185 Maíra Creusa Farias Belo Sara Cris Santos
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    8 FISIOTERAPIA INTENSIVA NABRONQUIOLITE: UMA REVISÃO DE LITERATURA Helder Araujo de Menezes1 Isabella Pinheiro de Farias Bispo2 RESUMO Objetivos: analisar e verificar a atuação fisioterapia respiratória no tratamento da bronquiolite. Métodos: revisão bibliográfica de artigos com base nos bancos de dados Scielo e Lilacs, ambos inseridos na Bireme, com uso de descritores específicos e termos de busca simples. Resultados: Foram selecionados 16 artigos referentes ao tema proposto atingindo os critérios de inclusão. Conclusão: os estudos mostraram que a fisioterapia respiratória aplicada em crianças com bronquiolite foi eficaz no tratamento da doença enquanto, para outros estudos sua eficácia não se faz presente podendo contribuir para piora do quadro clínico do paciente. Houve, portanto, controvérsias quanto sua eficácia, sendo importante esse estudo de revisão o efeito da fisioterapia no tratamento da bronquiolite foi importante para evolução da melhora das crianças com bronquiolite. Palavra Chave: Bronquiolite. Fisioterapia. Unidades de Terapia Intensiva. PHYSICAL THERAPY IN INTENSIVE BRONCHIOLITIS: A LITERATURE REVIEW ABSTRACT Objectives: To analyze and verify the performance respiratory therapy in the treatment of bronchiolitis. Methods: Literature review articles based on the databases Scielo and Lilacs, both inserted in Bireme with use of specific descriptors and terms of simple search. Results: We selected 16 articles on the topic proposed reaching the inclusion criteria. Conclusion: studies have shown that respiratory therapy given to children with bronchiolitis was effective in treating the disease while other studies for its effectiveness is not present and may contribute to worsening of the patient's condition. Therefore, there was controversy about its effectiveness, it is important that review study the effect of physiotherapy in the treatment of bronchiolitis was important for development of the improvement of children with bronchiolitis. Keywords: Bronchiolitis. Physical Therapy. Intensive Care Units. 1Graduando do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 2Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. Especialista em Saúde Pública pela Faculdade Integrada de Patos-FIP. Especialista em Fisioterapia Itensiva pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva-SOBRATI. Fisioterapeuta do Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande.
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    9 1 INTRODUÇÃO A bronquioliteé uma doença de característica sazonal que atinge os brônquios superiores e inferiores causando uma inflamação dos mesmos, tendo como público alvo lactentes e crianças de até 2 anos. Alguns estudos apontam que os principais vírus causadores da bronquiolite são: rinovírus, adenovírus, vírus sincicial, coranovirus, parainfluenza, influenza e o metapneumovirus humano, sendo o vírus sincicial o principal causador da doença (LUISI, 2008). Tal infecção do sistema respiratório se divide em bronquiolite viral aguda e bronquiolite obliterante. A bronquiolite viral aguda se caracteriza por atingir o trato respiratório superior e inferior, já a bronquiolite obliterante obstrui as pequenas vias aéreas que apresentam um diâmetro inferior a 2mm (SARMENTO, 2011). A etiopatogenia viral ocorre num período de incubação de 4 a 5 dias, período o qual desenvolve-se uma resposta imunológica no sentido de combater a infecção, não sendo evidenciados sintomas neste período. Caso a infecção não seja debelada na fase inicial, pode ocorrer comprometimento das vias aéreas inferiores desenvolvendo uma reação inflamatória imediata e adaptativa (CARVALHO; JOHNSTON; FONSECA, 2007). Na obstrução parcial das vias aéreas, o paciente sente uma dificuldade em respirar devido ao alvéolo não esvaziar até o seu limite fisiológico na fase expiratória. Com isso a capacidade residual do alvéolo fica acima do normal, levando a uma hiperinsuflação pulmonar. Essa alteração causa déficits de ventilação e perfusão, caracterizado quando os alvéolos se enchem de líquido, fazendo com que partes do pulmão não sejam ventiladas embora ainda sejam perfundidas sendo esse mecanismo classificado como shunt intrapulmonar, com diminuição de oxigênio no sangue e retenção de gás carbônico à diminuição do Ph sanguíneo levando a uma acidose respiratória (TARANTINO, 2008). Estudos evidenciaram que a bronquiolite causada pelo vírus sincicial respiratório é uma doença imunomediada, ou seja, as próprias células de defesa causam a inflamação das vias aéreas e essa liberação de células especializadas nas defesas do corpo humano está devido a um defeito na
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    10 regulação imunológica nasfases agudas da doença, devido ao aumento de imunoglobulina E (IgE) especifica para o vírus sincicial respiratório (VSR) nas vias aéreas superiores e inferiores (SARMENTO, 2011). Segundo Tarantino (2008), o tratamento para crianças que estejam com bronquiolite pode ser realizados em casa, no hospital e através da fisioterapia. Quando os sintomas já estiverem presentes o tratamento deve ser aplicado o mais cedo possível. Mesmo com o grande avanço da saúde, o número de hospitalização de crianças com a bronquiolite viral aguda aumentou nos últimos anos. A porcentagem é de 1 a 3%, sendo que os lactentes que são acometidos da bronquiolite necessitam ser hospitalizados, onde uma parte dessa população precisa ser internada nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) pediátricas (BUENO, 2009). Durante os últimos anos o uso da ventilação mecânica não-invasiva teve o seu uso aumentado nas UTI’s pediátricas, além do uso da pressão positiva contínua nas vias aéreas ou CPAP, que é aplicada através de uma cânula nasal ou máscara facial em crianças com bronquiolite viral aguda (NIZARALI, 2012). De acordo com Bueno (2009), a ventilação mecânica é administrada em 1 a 15% de crianças internadas com bronquiolite. Essa porcentagem aumenta em crianças com doenças cardíacas ou respiratórias crônicas e as mortes em crianças com bronquiolite em ventilação mecânica estão associada a complicações secundárias como: pneumotórax, infecções pulmonares secundárias, sepse, insuficiência respiratória progressiva e falência múltipla de órgãos. A fisioterapia respiratória no tratamento da bronquiolite está presente nas Unidades de Terapia Intensivas Pediátricas (UTIP) e desde o ano de 2000 o fisioterapeuta tem uma participação importante nos cuidados intensivos pediátricos e neonatais. Essa importância voltada para a fisioterapia se dá através de doenças do sistema respiratório que afetam a qualidade de vida das pessoas. Visando uma melhora na função respiratória, buscaram objetivos para a melhora da oxigenação, devido a fatores da má oxigenação e deficiência na ventilação pulmonar (SARMENTO, 2011). A bronquiolite por se tratar de uma epidemia anual ou estar no quadro das epidemias anuais no mundo todo e ocorrer no outono e inverno, é considerada como problema de saúde pública, pois leva à um número de
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    11 maiores atendimentos emclínicas e internações hospitalares no inverno. Entre as crianças hospitalizadas, cerca de 2 a 7% evoluem para insuficiência ventilatória grave levando a utilização da ventilação mecânica para auxiliar nas trocas gasosas e facilitar a respiração. Voltando-se mais para a UTIP, o fisioterapeuta que atua em Terapia Intensiva promove a assistência ao paciente baseado em diretrizes médicas, na qual o profissional deve ser capaz de avaliar adequadamente o paciente e aplicar o melhor procedimento pesando os benefícios e os possíveis riscos sempre presentes em pacientes críticos, sempre tendo em mente e entender a condição clínica do paciente, além dos objetivos traçados e a competência, limitações de cada instrumento, procedimento e, ainda, determinar se o procedimento a ser realizado tem alta probabilidade de alcançar os resultados clínicos (SOUZA, 2007). O fisioterapeuta trabalha junto à equipe multidisciplinar, atuando no controle e na aplicação de gases medicinais, ventilação mecânica invasiva e não-invasiva, início do desmame e da extubação do ventilador mecânico, além de outras aplicações que é de conhecimento do profissional fisioterapeuta (CARVALHO; JOHNSTON; FONSECA, 2007). Para Sarmento (2011) o fisioterapeuta tem como competência conhecer e identificar a história da doença atual do paciente, fazer uma análise dos exames clínicos e escolher a técnica ou procedimento fisioterápico que mais se adapte ao caso do seu paciente, ter muito cuidado ao avaliar um recém- nascido e um adolescente, por mais que as UTI´s pediátricas considerem idades até 18 anos como criança, existe uma grande diferença anatomofisiológicas, compreensão e colaboração que podem fazer a diferença no atendimento. Algumas técnicas e equipamentos podem ser utilizados no tratamento da bronquiolite. Cada técnica tem uma eficácia maior ou melhor que outra, sendo que o fisioterapeuta tem que avaliar qual a melhor técnica a ser usada seja ela no hospital (UTI), pois cada criança é única (JOHNSTON, et al. 2012). Por tanto esse estudo tem como objetivo analisar a partir de uma revisão bibliográfica o emprego da fisioterapia respiratória no tratamento da bronquiolite, diante das evidências científicas na área.
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    12 2 MÉTODOS O artigosegue as normas da ABNT e enquadra-se em uma revisão bibliográfica, de caráter exploratório, com uma abordagem qualitativa e de natureza descritiva, tendo como material de pesquisa artigos retirados dos bancos de dados da SCIELO (Scientific Eletronic Library Online) e LILACS (Índice da Literatura Científica e Técnica da América Latina e Caribe) inseridos na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS - BIREME). Os critérios de inclusão foram artigos referentes à bronquiolite, atuação da fisioterapia na bronquiolite e com publicações a partir do ano de 2004. Os critérios de exclusão foram artigos que, mesmo sendo encontrados a partir dos descritores e termos simples de busca, não se enquadraram na busca da proposta ou se distanciaram do tema. Os descritores utilizados na pesquisa foram anteriormente consultados no DECS (Descritores em Saúde), disponível em http://decs.bvs.br/, tornando- se, portanto palavras chaves para o estudo. São eles: Bronquiolite, Fisioterapia, UTI. Além dos descritores foram também utilizados os termos de busca simples: Ventilação Mecânica na Bronquiolite, Fisioterapia em Bronquiolite, Bronquiolite em UTI Pediátrica, Bronquiolite e Reabilitação. O limite do número de artigos selecionados foi de acordo com o perfil necessário e condizente com o tema. Foi feito uma leitura e estudo para ser possível construir uma síntese e discussão do mesmo. 3 RESULTADOS Foram selecionados 16 artigos para a discussão do tema proposto, conforme a (Tabela 1) abaixo: Tabela 1- Artigos selecionados TITULO AUTOR ANO Indicacion de la fisioterapia respiratoria convencional em la bronquiolitis aguda BOHE, L. 2004 Bronquiolite aguda por rinovírus em lactentes jovens. PITREZ, P. M. et al. 2005 Dual infection of infants by human metapneumovirus and human respiratory syncytial virus is strongly associated with severe bronchiolitis SEMPLE, M. G. et al. 2005
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    13 Bronquiolite aguda, umarevisão atualizada CARVALO, W. B.; JOHNSTON, C.; FONSECA, M. C. 2007 Fisioterapia respiratória em lactentes com bornquiolite: realizar ou não? LANZA, F. C. et al. 2008 O papel da fisioterapia respiratória na bronquiolite viral aguda LUISI, F. 2008 Fisioterapia respiratória nas crianças com bronquiolite viral aguda: visão critica MUCCIOLLO, M. H. et al. 2008 Evolução e característica de lactentes com bronquiolite viral aguda submetidos à ventilação mecânica em uma unidade de terapia intensiva pediátrica brasileira. BUENO, Fu et al. 2008 Comparação dos efeitos de duas técnicas fisioterapêuticas respiratórias em parâmetros cardiorrespiratórios de lactentes com bronquiolite viral aguda PUPIN, M. K. et al. 2009 Análise dos sintomas, sinais clínicos e suporte de oxigênio em pacientes com bronquiolite antes e após a fisioterapia respiratória durante a internação hospitalar CASTRO, G. et al. 2011 Bronquiolite obliterante pós-infecciosa em crianças. CHAMPS, N. S. et al. 2011 Gravidade da coinfecções virais em lactentes hospitalizados com infecção por vírus sincicial respiratório PAULIS, N. D. et al. 2011 Características epidemiológicas e influência da coinfecção por vírus respiratórios na gravidade da bronquiolite aguda em lactentes SPARREMBERGER, C. A. et al. 2011 Ventilação não invasiva na insuficiência respiratória aguda na bronquiolite por vírus sincicial respiratório NIZARALI, Z. et al. 2012 I Recomendação brasileira de fisioterapia respiratória em unidade de terapia intensiva pediátrica neonatal. JOHNSTON, C. et al. 2012 Sinais clínicos de disfagia em lactentes com bronquiolite viral aguda. BARBOSA, L. R.; GOMES, E.; FISCHER, G. B. 2014 Fonte: Dados da pesquisa, 2014. 4 DISCUSSÃO A bronquiolite é causada por vários tipos de vírus, e de acordo com Pitrez (2005) foi demonstrado que o rinovírus foi encontrado nas vias
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    14 superiores de lactentesque apresentavam sibilâncias e estava presente em torno de 19 a 29% nessas crianças. Carvalho, Johnston e Fonseca (2007) ao tratar da bronquiolite, relatam que o diagnóstico clínico da mesma pelo vírus influenza tem uma baixa sensibilidade em crianças com idade menor que três anos. Apesar de a infecção ser limitada, ela pode acarretar complicações como: pneumonia, síndrome de Reye, miosite, convulsão e encefalopatia aguda. Carvalho, Johnston e Fonseca (2007), em seus estudos, dizem que as manifestações clínicas da bronquiolite apresentadas inicialmente são rinorréia abundante e tosse, além dos sinais como: taquipnénia, hipóxia e desconforto respiratório. Nos exames realizados através da ausculta pulmonar podem ser observados os sons crepitantes ou roncos e sibilos. Na inspeção é visualizada a diminuição da expansibilidade torácica e o prolongamento da fase expiratória, além de que os lactentes podem apresentar o abdômen distendido devido à hiperinsuflação dos pulmões. Champs (2011) aborda que as manifestações da bronquiolite são inespecíficas em relação à gravidade e com a extensão da lesão broncopulmonar. Nos estudos sobre as manifestações clinicas da doença, principalmente na BOPI (BRONQUIOLITE OBLITERANTE PÓS- INFECCIOSA) são acrescentados sinais clínicos como: taquipnéia persistente, sibilância, tosse produtiva, hipoxemia, baixa saturação arterial de oxigênio e crepitações no segmento pulmonar. Estudo recente mostra que alterações na deglutição estão presentes em pacientes com bronquiolite e que pode levar a aspiração de líquidos provocando tosse além da dessaturação de oxigênio, respiração ruidosa e voz molhada. Foram encontradas pausas prolongadas na fase oral, houve um aumento significativo da frequência respiratória e taquipneia no pré e pós- alimentação (BARBOSA, 2014). Sparremberger (2011), em um estudo transversal realizado em crianças com bronquiolite, analisou e percebeu que o vírus que mais se destacou no fator de surgimento da bronquiolite foi o vírus sincicial respiratório (VSR) e junto com esse vírus percebeu que havia uma infecção dupla e, em alguns casos, infecção tripla ou coinfecção; e os vírus relacionados são o adenovírus, influenza, e parainfluenza.
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    15 Paulis (2011), corroborandocom Sparremberger (2011) em seu estudo de coorte com crianças bronquiolíticas, detectou a presença de coinfecção entre o VSR, metapneumovírus humano (MPVh) e adenovírus (ADV) e durante a conclusão dos seus estudos ambos os autores constataram que mesmo com um quadro de infecção por mais de um vírus não houve alterações no prognóstico clinico dos pacientes. Contudo o pesquisador e médico americano Semple (2005) relata afirmando que em seu estudo com crianças recém-nascidas e prematuras a coinfecção pelo metapneumovírus aumentou a gravidade da bronquiolite em 72% sendo essa porcentagem nos recém-nascidos, levando esses a pacientes ao uso da ventilação mecânica. A admissão de crianças nas unidades de terapia intensiva se dá pelo alto nível de infecção das vias aéreas do trato respiratório, estando a bronquiolite como um fator de internação além dos fatores de risco tais como a alta taxa de anemia que, segundo Bueno (2009), demandaram transfusão de sangue e que dois terços de recém-nascidos pré- termos não obtiveram uma resposta ao tratamento com CPAP ou VNI. Essas modalidades podem evitar a VMI, porém a resposta desse tratamento não é aceito por muito paciente, e a ventilação mecânica invasiva mostrou-se efetiva na redução de mortes infantis, menos as que evoluíram para lesão pulmonar, entretanto o autor não fez citações da fisioterapia em seu estudo. O uso da VNI em crianças com bronquiolite grave por vírus sincicial respiratório obteve uma resposta na diminuição da necessidade de complicações infecciosas e da necessidade de intubação afirmando que lactentes bronquiolíticos pode se beneficiar com o uso da VNI (NIZARALI, 2012). Entre sinais de desconforto respiratório e ruídos adventícios, o atendimento fisioterapêutico constituído por, aceleração do fluxo aéreo (AFE), posicionamento, vibração manual, aspiração nasotraqueal e tapotagem com uma duração de 40 a 50 minutos mostraram ter um efeito a curto prazo nos pacientes pediátricos em um estudo realizado por Castro (2011), contudo ainda é preciso ser feitas mais pesquisas relacionadas à efetividade da fisioterapia respiratórias em pacientes hospitalizados por bronquiolite. Quanto a um estudo realizado por Lanza (2008) as manobras de vibrocompressão,
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    16 tapotagem associada àdrenagem postural reduziram secreção e sinais de desconforto respiratório, melhorando a qualidade de vida dos pacientes. O tratamento da bronquiolite pode ser iniciado durante todo o curso da doença, desde que sejam justificadas as características fisiopatológicas da mesma. Carvalho, Johnston e Fonseca (2007) abordam a fisioterapia e os objetivos da mesma que são a desobstrução brônquica, desinsuflação pulmonar e recrutamento alveolar e que o tratamento fisioterápico na bronquiolite consiste em: terapia de posicionamento, AFE, hiperinsuflação pulmonar manual, higiene pulmonar com aparelho de Ventilação Pulmonar Mecânica, associada ou não à técnica de direcionamento de fluxo manual e aspiração das vias aéreas. Das técnicas citadas acima, todas se mostram eficazes ou foram indicadas para o tratamento da bronquiolite, porém apenas três estudos randomizados e controlados avaliaram os efeitos da fisioterapia respiratória no tratamento da doença, além do que a aspiração da vias aéreas é usada como uma medida paliativa e efetiva na desobstrução traqueobrônquica das crianças com quadro clinica de bronquiolite (CARVALHO; JOHNSTON; FONSECA 2007). Pupin (2009) utilizou duas técnicas fisioterapêuticas em lactentes com bronquiolite: a fisioterapia respiratória convencional (drenagem, percussão, tosse assistida e aspiração orofaríngea) e AFE (aceleração do fluxo aéreo). Essas técnicas foram utilizadas em conjunto e não se mostraram eficazes na dinâmica cardiorrespiratória, porém, o seu uso isolado teve efeito somente na redução da frequência respiratória. Luisi (2008) elucida a importância e o papel da fisioterapia respiratória na bronquiolite viral aguda, contudo as técnicas usadas pela fisioterapia não tiveram garantia no tratamento. Corroborando com os estudos supra-citados, Mucciollo (2008) realizou uma pesquisa usando duas literaturas: uma anglo- saxônica, na qual a fisioterapia respiratória não é reconhecida como parte integrante do tratamento da bronquiolite e outra franco-belga, que indica amplamente a fisioterapia na bronquiolite devido à fisiopatologia da doença, porém o seu estudo mostrou que não existe uma forte evidencia da real eficácia da fisioterapia no tratamento da bronquiolite.
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    17 Johnston (2012) abordaa fisioterapia na UTI e a contribuição do profissional para a segurança dos pacientes pediátricos e neonatos. Dentre as recomendações das manobras da fisioterapia respiratória, as referidas em seu estudo foram: aceleração do fluxo aéreo (AFE), hiperinsuflação manual (HM), percussão torácica, aspiração de vias aéreas, inaloterapia e tosse assistida. Todas essas técnicas e manobras são voltadas para a UTI com ou sem o uso de ventilação mecânica invasiva e que a extubação tenha ocorrido em um período de 12h. Contudo seus estudos não especificaram a efetividade desses recursos nos pacientes. Das técnicas citadas acima e empregadas no tratamento da bronquiolite, Johnston (2012) classificou cada uma de acordo com o grau de recomendação pelo método Oxford Center realizado por cinco fisioterapeutas. Tais técnicas utilizadas isoladamente e associadas a outras foram classificadas de A a D, sendo a primeira a mais utilizada e a última com menor grau de recomendação. Bohe (2004) no seu estudo selecionou trinta e dois pacientes, separando em grupos (tratamento e controle) submetidos à fisioterapia convencional e aspiração endotraqueal. Observou que não houve uma melhora significativa entre os dois grupos tanto em dias de internação quanto em relação à diminuição da angústia respiratória. Concluíram que a fisioterapia respiratória para o tratamento da bronquiolite aguda pode ser prejudicial aumentando o quadro clínico desses pacientes (obstrução brônquica, dessaturação, angustia respiratória). 5 CONCLUSÕES Dentre os trabalhos pesquisados do ano de 2004 a 2014, foi observada uma grande frequência de infecção das vias aéreas pelo vírus sincicial respiratório em crianças estando presente em 100% dos artigos pesquisados, a incidência era maior em recém-nascidos pré-termos e crianças até os dois anos de idade com uma prevalência maior no sexo masculino, sendo uma proporção de 3/1 em relação ao sexo feminino. Foi analisado o emprego da fisioterapia respiratória e suas técnicas, mostrando sua utilidade no tratamento da bronquiolite e efetividade enquanto outras mostram ser menos efetivas com um curto prazo de melhorar apresentado pelo paciente. Mesmo existindo
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    18 poucos artigos nacionaisque tratem da abordagem da fisioterapia na bronquiolite foi comprovado na maior parte dos materiais pesquisados que a fisioterapia respiratória e o fisioterapeuta têm um papel importante no tratamento de pacientes bronquioliticos, pois o profissional em questão é capacitado e habilitado em oferecer o melhor protocolo de tratamento para os pacientes portadores da doença. REFERÊNCIAS BARBOSA, L. R.; GOMES, E.; FISCHER, G. B. Sinais clínicos de disfagia em lactentes com bronquiolite viral aguda. Sociedade de Pediatria, São Paulo, 2014. BOHE, L. et al. Indicación de la fisioterapia respiratoria convencional enlabronquiolitisaguda. Medicina B. Aires, Buenos Aires, v. 64, n. 3, p. 198-200, 2004. BUENO, Fu et al. Evolução e característica de lactentes com bronquiolite viral aguda submetidos à ventilação mecânica em uma unidade de terapia intensiva pediátrica brasileira. Rev. Bras Ter Intensiva, São Paulo, 2009, v. 21, n. 2, p. 174-182, 2009. CARVALHO, W. B.; JOHNSTON, C.; FONSECA, M. C. Bronquiolite aguda, uma revisão atualizada. Rev. Associação Medicina Brasileira, v. 53, n. 2, p. 182-188, 2007. CASTRO, G. et al. Análise dos sintomas, sinais clínicos e suporte de oxigênio em pacientes com bronquiolite antes e após fisioterapia respiratória durante a internação hospitalar. Rev. Paul Pediatr, v. 24, n. 4, p. 599-605, 2011. CHAMPS, N. S. et al. Bronquiolite obliterante pós-infecciosa em crianças. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 87, n. 3, p. 187-198, 2011. JOHNSTON, C. et al. I recomendação brasileira de fisioterapia respiratória em unidade de terapia intensiva pediátrica e neonatal. Rev. Bras Ter Intensiva, v. 24, n. 2, p. 119-129, 2012. LANZA, F. C. et al. Fisioterapia respiratoria em lactentes com bronquiolite: realize ou não? O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 32, n. 2, p. 183-188, 2008. LUISI, F. O papel da fisioterapia respiratória na bornquiolite viral aguda. Scientia Medica, Porto Alegre, v. 18, n. 1, p. 39-44, 2008. MUCCIOLLO, M. H. et al. Fisioterapia respiratória nas crianças com bronquiolite viral aguda: visão crítica. Pediatria, São Paulo, v. 30, n. 4, p. 257- 264, 2008.
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    19 NIZARALI, Z. etal. Ventilação não invasiva na insuficiência respiratória aguda na bronquiolite por vírus sincicial respiratório. Rev. Bras. Ter. Intensiva, São Paulo, v. 24, n. 4, p. 375-380, 2012. PAULIS, M. D. et al. Gravidade das coinfecções virais em lactentes hospitalizados com infecção por vírus sincicial respiratório. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 87, n. 2, p. 307-313, 2011. PITREZ, P. M. et al. Bronquiolite aguda por rinovírus em lactentes jovens. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 81, p. 417-420, 2005. PUPIN, M. K. et al. Comparação de duas técnicas fisioterapêuticas respiratórias em parâmetros cardiorrespiratórios de lactentes com bronquiolite viral aguda. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 35, n. 9, p. 860-867, 2009. SARMENTO, J. G. Fisioterapia respiratória em pediatria e neonatologia. 2. ed. São Paulo: Manole, 2011. SEMPLE, M. G. et al. Dual Infection of infants by human metapneumovirus and human respiratory syncytial virus is strongly associated with severe bronchiolitis. The Journal of Infectious Diseases, Oxford, v. 191, n. 3, p. 382- 386, 2005. SOUZA, L. C. Fisioterapia intensiva. São Paulo: Atheneu, 2007. SPARREMBERGER, C. A. et al. Características epidemiológicas e influência de coinfecção por vírus respiratórios na gravidade da bronquiolite aguda em lactentes. ScienticaAmerica, Porto Alegre, v. 21, n. 3, p. 101-106, 2011. TARANTINO, A. B. Doenças pulmonares. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
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    20 OS BENEFÍCIOS DOMÉTODO PILATES NO TRATAMENTO DE DOR LOMBAR: REVISÃO DE LITERATURA Marina Gadelha de Menezes3 Sheila Bezerra Costa4 RESUMO A lombalgia é uma condição dolorosa da coluna vertebral e classificada como uma causa freqüente de incapacidade funcional, e geralmente associada a fatores individuais, como fraqueza dos músculos abdominais e espinhais, postura inadequada, excesso de peso, falta de condicionamento físico, sedentarismo, além de fatores ocupacionais. O Método Pilates é capaz de fortalecer a musculatura abdominal, como também proporcionar melhora na flexibilidade, da postura e conseqüentemente melhora da dor, incluindo a da região lombar. Objetivo: Descrever os benefícios do Método Pilates no tratamento de dor lombar. Métodos: A pesquisa desenvolvida é de caráter descritivo e apresenta como objeto de estudo o levantamento bibliográfico. A população constituiu-se de acervo literário disponível em bibliotecas de graduação e pós-graduação, como também de material disponível em meio eletrônico. Foram pesquisados livros, monografias, teses e artigos com data de publicação entre 2000-2014, artigos esses que constavam na Biblioteca Virtual da Saúde (BVS – Bireme) e na Scientific Eletronic Library Online (Scielo). Os descritores usados foram: Dor lombar, Lombalgia e Pilates. Conclusão: Na lombalgia, a dor é uma manifestação resultante de vários fatores, sobretudo a má postura e os desequilíbrios musculares. O Método Pilates propõe que, para reduzir as dores lombares, os músculos abdominais devem ser fortalecidos, pois desta forma manter-se-á adequadamente alinhada a coluna, suportando e distribuindo o estresse sofrido por ela. Conseqüentemente ajudando a restaurar a boa postura. Resultando, assim na redução dos quadros de dor lombar. Palavras-Chave: Dor Lombar. Lombalgia. Pilates. THE METHOD PILATES BENEFITS IN LUMBAR PAIN TREATMENT: LITERATURE REVIEW ABSTRACT Low back pain is a painful condition of the spine and classified as a frequent cause of disability, and usually associated with individual factors such as weak abdominal and spinal muscles, poor posture, being overweight, lack of physical fitness, physical inactivity, and occupational factors. Pilates Method is able to strengthen the abdominal muscles, increase flexibility, providing relief from painful symptoms in the lumbar region, given that the abdominal muscles 3 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 4Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. Especialista em Saúde Pública pela Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande-FCM-CG. Especialista em Fisioterapia em Traumortopedia pela Universidade Gama Filho-UGF. Fisioterapeuta.
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    21 have the functionof stabilizing the lumbar spine and the pelvis to keep this pain- free region Objective: describe the benefits of Pilates method in the treatment of low back pain. Methods: The developed research is descriptive in nature and has as object of study the literature. The population consisted of literary collection available in libraries undergraduate and graduate, as well as material available electronically. Books were researched monographs, theses and articles with publication date between 2000-2014, these articles appearing on the Virtual Health Library (VHL - Bireme) and Scientific Electronic Library Online (SciELO). The keywords used were: low back pain, low back pain and Pilates. Conclusion: In low back pain, pain is a manifestation resulting from several factors, especially poor posture and muscle imbalances. The Pilates Method proposes to reduce back pain, abdominal muscles should be strengthened, because in this way will remain properly aligned spine, supporting and distributing the stress suffered by him. Consequently helping to restore good posture. There by resulting in the reduction of back pain frame. Keywords: Low Back Pain. Pilates. 1 INTRODUÇÃO Do ponto de vista biomecânico, a coluna é uma das regiões mais complexas do corpo humano. A proximidade e a relação da medula espinhal, das raízes nervosas e dos nervos periféricos com a coluna vertebral aumentam a complexidade dessa região (PRENTICE; VOIGHT, 2003). Os músculos transverso abdominal, oblíquo interno e oblíquo externo têm fundamental importância no mecanismo contrátil da estabilização lombar. A função estabilizadora dos músculos citados é explicada pelas suas relações diretas e indiretas com a coluna lombar (LOUREIRO; MARTINS; FERREIRA, 1997). O maior desafio do homem tem sido ficar em pé sem forçar sua estrutura óssea e/ou articulações. Com a evolução do Homo sapiens para a postura ereta e, conseqüentemente, a verticalização da coluna vertebral, a região lombar (3 ª vértebra) se transformou no centro de gravidade do corpo humano. Para esse ponto e adjacências se convergem as forças resultantes da ação gravitacional terrestre, passando a dor lombar a ser o tributo que o homem paga à sua condição de animal mais evoluído na escala zoológica (CECIN, 2000). A região lombar desempenha papel fundamental na acomodação de cargas decorrentes do peso corporal, da ação muscular e das forças aplicadas
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    22 externamente, devendo serforte e rígida para manter as relações anatômicas intervertebrais e proteger os elementos neurais, em contraposição, devendo também ser flexível o suficiente para permitir a mobilidade articular (ALMEIDA et al., 2008). As dores lombares são resultados de um desvio da postura normal da coluna estática e de um desvio do funcionamento normal da coluna cinética. A postura e a cinética normal em uma coluna normal, não provocam dor (CAILLIET, 2001). A dor lombar, também denominada lombalgia, é uma das mais comuns afecções músculo-esqueléticas e sua importância pode ser verificada pelas medidas de incidência e prevalência na população geral de adultos e em comunidades de trabalhadores (MATOS et al., 2008). Segundo Souchard e Migliorin (2007), a lombalgia é uma condição dolorosa da coluna vertebral e classificada como uma causa freqüente de incapacidade funcional, e geralmente associada a fatores individuais, como fraqueza dos músculos abdominais e espinhais, postura inadequada, excesso de peso, falta de condicionamento físico, sedentarismo, além de fatores ocupacionais. A dor lombar constitui uma das principais causas de afastamento ao trabalho, ultrapassando o câncer, o acidente vascular encefálico e a síndrome de imunodeficiência adquirida, como causa de incapacidade nos indivíduos na faixa etária produtiva. É uma das causas mais onerosas de afecções do aparelho locomotor e a segunda, mais comum de procura por assistência médica em conseqüência de doenças crônicas (IMAMURA; KAZIYAMA; IMAMURA, 2001). A lombalgia é um problema de saúde pública, afetando 80% da população. Geralmente ocorre devido a alterações posturais, aumento da frouxidão ligamentar, e diminuição da função abdominal. Seus sintomas geralmente pioram com a fadiga muscular, posturas estáticas, ou à medida que vai passando o dia (CECIN, 2000). A lombalgia alinha-se entre as patologias de etiologia complexa e multifatorial, constituindo um problema de saúde importante. A dor lombar pode vir associada a características psicossociais e comportamentais, às atividades profissionais e extras profissionais, discrepância dos membros inferiores e anormalidades das curvas fisiológicas da coluna e à capacidade física ou funcional do tronco (SANTOS; SILVA, 2003).
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    23 Para muitos profissionaisda área da saúde a região lombar é de particular interesse, pois a lombalgia é o principal problema médico e sócio- econômico vigente e atinge, principalmente, certas populações como: atletas, executivos, pedreiros, motoristas, borracheiros, lenhadores, médicos e fisioterapeutas (SANTOS et al., 2007). De acordo com Craig (2004), o Método Pilates trabalha o corpo de dentro para fora, uma diferença fundamental entre essa e outras abordagens. Os pequenos músculos profundos do corpo são destinados a fornecer apoio à coluna e a camada mais superficial da musculatura, que mantêm a integridade postural. Quanto mais forte for esta camada interna profunda, mais eficientemente os músculos superficiais poderão trabalhar sem colocar o corpo em risco. Acredita-se, que o Método Pilates seja capaz de fortalecer a musculatura abdominal, aumentar a flexibilidade, proporcionando alívio da sintomatologia dolorosa na região lombar, haja vista que a musculatura abdominal ter a função de estabilizar a coluna lombar e a pelve para manter esta região livre de dor (PANELLI; MARCO, 2006). Para Carvalho (2006), os músculos abdominais participam no suporte da coluna, diminuindo a tensão exercida sobre a mesma. Desta forma com o enfraquecimento de tal musculatura esse suporte poderá ser diminuído. Os exercícios e tratamentos capazes de fortalecer os músculos abdominais aumentam a estabilidade da coluna vertebral. Existem evidências convincentes de que a realização de um programa de exercícios com ênfase no fortalecimento da musculatura extensora do tronco restaura a função da coluna lombar e pode prevenir o surgimento da lombalgia. O método oferece um programa de exercícios que estimulam a circulação e oxigenação do sangue, melhorando o condicionamento físico geral, a flexibilidade, a amplitude muscular e o alinhamento postural. Além disso, promove melhorias nos níveis de consciência corporal, da coordenação motora e do controle muscular (PEREIRA, 2012). A técnica Pilates apresenta muitas variações de exercícios e pode ser realizada por pessoas que buscam alguma atividade física e por indivíduos que apresentam alguma doença em que a reabilitação é necessária (MENDONÇA; SILVA, 2010). Este conceito está contido na aplicação dos seis princípios básicos, fundamentais do método, que são; Centro: é considerado ser o ponto principal
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    24 do Método Pilates,núcleo do corpo. Concentração: é importante para a realização dos exercícios. “A mente que guia o corpo”. Controle: é o controle consciente de todos os movimentos musculares executados pelo corpo. Precisão: é a coordenação dos movimentos perfeitos, terem o controle do corpo e executar movimentos precisos ao se exercitar. Respiração: é para ser realizada em todos os movimentos, com ritmo. Como regra geral, deve-se inspirar quando se prepara para fazer um movimento e expirar quando o executa. Fluidez: nos exercícios, depois de adquirir coordenação nos movimentos, com a prática, desenvolver-se-á um ritmo, passando de um exercício para o outro sem interrupção (PÉREZ; APARÍCIO 2005). Portanto estudar a incidência, os principais fatores de risco e os benefícios do Método Pilates no tratamento de dor lombar são de grande valia, não apenas para tentar reduzir os desconfortos e incapacidades que a lombalgia possa provocar como também para subsidiar elementos para prevenção e para intervenção terapêutica dessa manifestação clínica. O objetivo do presente trabalho é de oferecer mais informações aos profissionais fisioterapeutas e à sociedade em geral sobre os benefícios do Método Pilates em uma ocorrência clínica de alta incidência como a lombalgia. 2 MÉTODO A pesquisa desenvolvida é de caráter descritivo e apresenta como objeto de estudo o levantamento bibliográfico. Segundo Prestes (2003) esse tipo de pesquisa “se efetiva tentando-se resolver um problema ou adquirir conhecimentos a partir do emprego predominante de informações provenientes de material gráfico, sonoro ou informatizado”. Conforme Gil (2002) a pesquisa bibliográfica é construída através de material elaborado, podendo ser: livros, periódicos científicos, teses, dissertações, anais de encontros científicos e periódicos de indexação. A população constituiu-se de acervo literário disponível em bibliotecas de graduação e pós-graduação, como também de material disponível em meio eletrônico. Foram pesquisados livros monografias, teses e artigos com data de publicação entre 2000-2014 que constavam na Biblioteca Virtual da Saúde (BVS – Bireme) e na Scientific Eletronic Library Online (Scielo). Os descritores
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    25 usados foram: DorLombar, Lombalgia e Pilates, disponíveis em: http://decs.bvs.br/, as buscas foram realizadas usando palavras encontradas nos títulos e resumos dos artigos. Quanto ao critério de exclusão foram descartados artigos com datas anteriores ao ano de 2000 e os que não condiziam aos objetivos do estudo. A pesquisa contendo coleta bibliográfica e elaboração do trabalho escrito foi realizada durante o período de agosto a novembro de 2014. A partir da abordagem dos diversos autores, os dados foram analisados e discutidos. Exceto duas referências dos anos de 1997e 1998, que foram de grande importância para o conteúdo deste artigo. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO A coluna lombar é formada por cinco vértebras lombares (L1 a L5) que estão equilibradas pelo sacro e encontram-se situadas entre dois ossos da pelve, os ilíacos. Estas vértebras em geral aumentam de tamanho a fim de sustentar o peso do corpo (ROCHA et al., 2007; DUTTON, 2010). Segundo Dutton (2010), as vértebras lombares unem-se por meio de três articulações, uma delas constitui-se entre dois corpos vertebrais e o disco intervertebral, as outras duas são formadas pelo processo articular superior de uma vértebra e por outro processo articular da vértebra imediatamente acima, estas são conhecidas como articulações zigoapofisárias que tem como principal função proteger o segmento motor contra forças de flexão, rotação excessiva e cisalhamento anterior. Conforme Moore (2001), as articulações dos corpos vertebrais são articulações cartilagíneas, usadas para suportar o peso e resistência, as faces articulares das vértebras adjacentes são fixadas por meio dos discos intervertebrais e ligamentos. Germain (2002) conceitua o disco intervertebral como sendo um conjunto de amortecedor, feito principalmente para suportar as pressões que são impostas as vértebras. Rocha et al. (2007), em seus estudos afirmam que, os músculos são essenciais ao movimento, pois proporcionam estabilidade e proteção, absorvem os choques e nutrem as articulações, eles são divididos em grupo anterior e posterior, o grupo anterior apresenta uma camada superficial que são
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    26 os eretores dacoluna que atuam como estabilizadores do tronco, uma camada média que são os multífidos bipenados, e uma camada profunda que são os rotadores que são responsáveis pela estabilização segmentar. Almeida et al. (2008), revelam em seu estudo que o sedentarismo favorece a fraqueza dos músculos paravertebrais e abdominais, reduz a flexibilidade da cadeia muscular anterior e posterior, diminuindo a mobilidade articular. Logo pode ser considerado fator de risco para a origem da lombalgia. Dentre as afecções da coluna vertebral, a lombalgia é a mais freqüente, capaz de provocar desde limitação do movimento até invalidez temporária. Já para Barros, Angelo e Uchoa (2011), dizem que além da carência de mobilidade articular existe a fadiga dos músculos extensores espinhais representam fatores que podem comprometer o alinhamento e a estabilidade da coluna, contribuindo para o surgimento do desconforto lombar. Sendo importante ressaltar que há autores que reconhecem a etiologia da dor lombar como multifatorial, incluindo fatores sócio-econômicos e demográficos, estilo de vida urbano sedentário, obesidade, fumo, posturas viciosas durante o trabalho, aumento da sobrevida média da população e outros. Inúmeros estudos epidemiológicos buscam a relação de dor lombar com exigências físicas do trabalho e fatores ergonômicos como o levantamento de cargas, flexões e torções do tronco, vibrações e esforços repetitivos (MATOS et al., 2008). Segundo Reinehr et al. (2008), relatam que para o tratamento de dor lombar, exercícios abdominais têm sido uma estratégia terapêutica amplamente utilizada, a fim de proporcionar um melhor suporte a coluna lombar, promovendo maior estabilidade nessa região. Para Ikedo e Trevisan (1998), diz em seu estudo que o músculo transverso do abdome é o principal responsável pela estabilização da coluna lombar, sua ativação contribui para a manutenção do equilíbrio postural, diminui a tensão de rotação, inclinação e cisalhamento na coluna lombar, protege os elementos neurais e proporciona alívio das dores lombares. Já para os autores Pérez e Aparício (2005), a incapacidade de estabilização da coluna vertebral causada pelo desequilíbrio entre a função dos músculos extensores e flexores do tronco é outro forte indício para o desenvolvimento de distúrbios da coluna lombar.
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    27 Diante disso, Camarão(2004), afirma que portadores de lombalgias têm buscado terapias complementares, na tentativa de uma melhora efetiva de suas afecções, sendo o Pilates um dos métodos procurados. O método inclui um programa de exercícios que fortalecem a musculatura abdominal e paravertebral, bem como os de flexibilidade da coluna, além de exercícios para o corpo todo (KOLYNIAK et al., 2004). Segundo Camarão (2004), o método fortalece, alonga e equilibra toda a musculatura, proporcionando um realinhamento da coluna, alívio das tensões musculares, prevenindo pinçamentos ou compressões dos discos intervertebrais e melhorando a hidratação dessas estruturas. De acordo com Craig (2004), a boa postura é o alinhamento vertical do corpo, que permite ao corpo se movimentar com eficiência. Para obter esse alinhamento, os músculos, os ligamentos, os ossos e as articulações precisam funcionar em conjunto, no intuito de conservar o equilíbrio, realizar os movimentos e manter o corpo ereto. O Método Pilates, por meio do alongamento, ajuda a restaurar a boa postura ao corrigir os desequilíbrios musculares, melhorando a mobilidade articular, aumentando a flexibilidade e fortalecendo os músculos posturais. Para Dillman (2004) um dos principais elementos da boa postura é possuir uma musculatura abdominal forte, capaz de dar sustentação à coluna e à pelve. Através do centro de força, o praticante desenvolve força, controle e estabilidade do tronco que repercutirá positivamente sobre todos os movimentos. Camarão (2004) ressalta que Método Pilates, propõe que para reduzir as dores lombares os músculos abdominais devem ser fortalecidos, mantendo a coluna adequadamente alinhada, suportando e distribuindo o estresse localizado nela. Consiste em manter e corrigir a curvatura da coluna, além da preocupação com a consciência corporal e respiração em sintonia com os movimentos. Joseph Pilates classificou a área abdominal como o centro de força do corpo, sendo o foco do movimento. Quando os músculos abdominais são fortes, eles mantêm a coluna adequadamente alinhada, suportam e distribuem o estresse localizado nela desempenhando um importante fator para uma boa postura.
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    28 Em geral, qualquerdebilidade nos músculos abdominais afetas a estabilidade da coluna lombar, podendo causar dor. Ressalta-se que o músculo transverso do abdome é o principal responsável pela estabilização da coluna lombar (CRAIG, 2004). Esta afirmação é reforçada pelo estudo de Endleman e Critchley (2008), que comprovaram através do exame de ultrassom (diagnóstico) um aumento na espessura dos músculos transverso e oblíquos internos abdominais, em 18 mulheres e oito homens praticantes de Pilates, por mais de seis meses, Estes músculos juntamente com os multifidos, são músculos estabilizadores da coluna vertebral. Segundo Kolyniak et al. (2004), apresentaram em seu estudo outro raciocínio importante que podemos relacionar com a diminuição da intensidade da dor na coluna vertebral é o fato de que a maioria dos exercícios executados pela metodologia de Pilates é realizada na posição deitada, havendo diminuição dos impactos nas articulações de sustentação do corpo na posição ortostática e, principalmente, na coluna vertebral, permitindo a recuperação das estruturas musculares, articulares e ligamentares, particularmente da região sacrolombar. Já Maher (2004), realizou um estudo sobre tratamento da dor lombar e concluiu que os exercícios de contração dos músculos multifidos e transverso abdominal, associados à respiração são clinicamente importantes para o ganho de movimento e diminuição da dor. De acordo com Craig (2004), a respiração utilizada no Método como princípio básico, nutre o corpo eliminando toxinas. A respiração é uma força poderosa para aliviar a tensão nervosa, melhorar a concentração e controlar os níveis de energia. O Pilates se caracteriza por movimentos projetados de forma que os executantes mantenham a posição neutra da coluna vertebral, minimizando o recrutamento muscular desnecessário, prevenindo a fadiga precoce e a diminuição da estabilidade corporal. Hamill e Knutzen (2002) concordam com Craig (2004), afirmando em seu estudo que treinamento com esse método visa melhorar a flexibilidade geral do corpo, a força muscular, a postura e a coordenação da respiração com o movimento, sendo, portanto, esses fatores essenciais no processo de reabilitação postural. Alfieri et al. (2008), acrescentam concluindo em seu estudo dizendo que o sistema básico inclui um programa de exercícios que fortalecem a musculatura abdominal e paravertebral, bem como os de
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    29 flexibilidade da coluna,alem de exercícios para o corpo todo. Já no sistema intermediário-adiantado são introduzidos, gradualmente, exercícios de extensão do tronco, alem de outros exercícios para o corpo todo, procurando melhorar a relação de equilíbrio agonista e antagonista. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Considerando-se que "o bem-estar físico relaciona-se à ausência ou a mínimos graus de doença, incapacidade ou desconfortos, em especial, relacionados ao sistema músculo-esquelético", o alívio da lombalgia deve ser preocupação dos profissionais de saúde. De fato, a lombalgia pode ser um sintoma, porém em graus maiores causa incapacidade motora, insônia, depressão, que impedem a pessoa de levar uma vida normal. Diante da constatação dos estudos incluídos na pesquisa descrevem que o Método Pilates é amplamente indicado para a melhora da dor lombar, visto que proporciona o fortalecimento da musculatura extensora do tronco e abdominal, principalmente transverso do abdome, e alonga os músculos da coluna e membros inferiores. Os benefícios gerais da técnica são: ganho de flexibilidade e força muscular geral, melhora da postura, da consciência corporal, da respiração, do equilíbrio, da coordenação motora; promovendo um relaxamento muscular e conseqüentemente, melhora da dor; inclusive na região lombar, pelo realinhamento do corpo. No caso da dor estar presente, sempre se deve tomar os devidos cuidados com os exercícios a prescrever, ou seja, primeiramente os exercícios programados para iniciantes, alongamentos de coluna e dos membros superiores e inferiores e também fortalecimento leve. E com o quadro mais estável pode-se aplicar exercícios de fortalecimento: abdominal, membros superiores e inferiores (avançados), equilíbrio, postura, coordenação. Então se pode entender que o Método Pilates mostra-se uma alternativa terapêutica eficaz na flexibilidade prevenindo e recuperando lesões musculares, bem como uma maneira de diversificar o tratamento fisioterapêutico. Que é eficaz com fim de condicionamento físico, prevenindo desconfortos lombares e que pode ser utilizado também como modalidade de tratamento.
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    30 O trabalho fisioterapêuticoviabilizado por meios confiáveis e não- agressivos garante as pessoas o alivio dos incômodos indesejáveis e o bem- estar com o próprio corpo. Nesse sentido o fisioterapeuta apresenta-se como um profissional de saúde capaz de contribuir com a melhora da qualidade de vida de todos, amenizando suas queixas, através de um programa de pilates terapêutico. REFERÊNCIAS ALFIERI, F. M. et al. Análise da funcionalidade, dor, flexibilidade e força muscular de portadores de lombalgia crônica submetidos a diferentes intervenções fisioterapêuticas. Revista Cientifica dos Profissionais de Fisioterapia, Rio de Janeiro, v. 3, n. 2, 2008. ALMEIDA, I. C. G. B. et al. Prevalência de dor lombar crônica na população da cidade de Salvador. Rev Bras Ortop, São Paulo, v. 43, n. 3, p. 96-102, 2008. BARROS, S. S.; ANGELO, R. C. O.; UCHOA E. P. B. L. Lombalgia ocupacional e a postura sentada. Rev Dor, 2011. CAILLIET, R. Síndrome da dor lombar. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2001. CAMARÃO, T. C. Pilates com bola no Brasil: corpo definido e bem estar. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. CARVALHO, D. A.; LIMA. Iax. Os princípios do método pilates no solo na lombalgia crônica. 2006. 10 f. Trabalho Acadêmico (Graduação em Fisioterapia)- Universidade do Sul de Santa Catarina, Palhoça, 2006. CECIN, H. A. Consenso brasileiro sobre lombalgias e lombociatalgia. São Paulo: Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2000. CRAIG, C. Treinamento de força com bola: uma abordagem do pilates para otimizar força e equilíbrio. São Paulo: Phorte, 2004. DILLMAN, E. O pequeno livro de pilates: guia prático que dispensa professores e equipamentos. Rio de Janeiro: Record, 2004. DUTTON, M. Fisioterapia ortopédica: exame, avaliação e intervenção. Porto Alegre: Artmed, 2010. ENDLEMAN, I.; CRITCHLEY, D. J. Transversus abdominis and obliquus internus activity during pilates exercises: measurement with ultrasund scanning. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, v. 89, n. 11, p. 2205- 2212, nov. 2008.
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    33 USO DA VENTILAÇÃONÃO INVASIVA NA PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES NO PÓS OPERATORIO DE CIRÚRGIA CARDÍACA Adna Dilleã Nunes Pereira5 Isabella Pinheiro de Farias Bispo6 RESUMO Objetivo: O estudo busca verificar o uso da ventilação não invasiva (VNI) na prevenção de complicações no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Método: Pesquisa descritiva, apoiada na revisão de literatura, com busca de artigos nas bases de dados Scielo e Lilacs, com descritores específicos e termo simples de busca. Resultados: Foram identificados 18 artigos pertinentes ao tema e, após leitura criteriosa, foi feita uma reflexão sobre os mesmos. Conclusão: Os artigos mostraram que a aplicação da ventilação não invasiva é eficaz na prevenção de complicações no pós-operatório de cirurgia cardíaca, sendo estas complicações responsáveis pelo prolongamento no tempo de internação. As modalidades da VNI descritas na literatura foram utilizadas com resultados satisfatórios, pois essa técnica além de melhorar a oxigenação, reduz a taxa de reentubação, dentre outros benefícios. Palavras-Chave: Ventilação não Invasiva. Cirurgia Cardíaca. Terapia Intensiva. USE OF NON INVASIVE VENTILATION IN THE PREVENTION OF COMPLICATIONS IN CARDIAC SURGERY OF POSTOPERATIVE ABSTRACT Objective: This study aims to verify the use of noninvasive ventilation in preventing complications after cardiac surgery. Results: We identified 18 articles relevant to the topic and, after careful reading, was made a reflection on them. Method: a descriptive study, based on literature review, with search articles from the Scielo and Lilacs bases with specific descriptors and simple search term. Conclusion: The articles showed that the application of noninvasive ventilation in a preventive manner is effective in preventing complications after cardiac surgery, and these complications are responsible for extended hospitalization times. The modalities of NIV described in the literature were used with satisfactory results, as this technique and improve oxygenation, reduces the reintubation rate, among other benefits. Keywords: Noninvasive Ventilation. Cardiac Surgery. Intensive Care. 5 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 6 Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. Especialista em Saúde Pública pela Faculdade Integrada de Patos-FIP. Especialista em Fisioterapia Intensiva pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva-SOBRATI. Fisioterapeuta do Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande.
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    34 1 INTRODUÇÃO É fatoconhecido que no Brasil, até fins do século XIX, não eram realizados procedimentos cirúrgicos, a não serem aqueles mais simples, com isso abriu espaço para a atuação do segundo grupo e outros praticantes menores, os quais ficavam a cargo do “barbeiro”, “barbeiro-sangrador” ou “cirurgião-barbeiro”, que praticava sangrias e escarificações, aplicava ventosas, sanguessugas e clisteres, lancetava abscessos, fazia curativos, excisava prepúcios, tratava as mordeduras de cobras, arrancava dentes, etc., a grande maioria era constituída por leigos, classe social humilde e inculta (BRAILE; GODOY, 2012). Foi somente há pouco mais que quatro décadas que a cirurgia cardíaca, nos molde como a conhecemos hoje, começou a se delinear e, desde então, o progresso tem sido vertiginoso. Devido ao avanço científico do século XX desmistificou o coração como sede da alma, colocando-o em um patamar hierárquico não muito distante dos demais órgãos do corpo. A evolução histórica é marcada pelo desejo de progresso e a busca pela perfeição, apresentando pontos edificantes. Iniciou-se assim, a história da cirurgia cardíaca (SOUZA, 2007). A cirurgia cardíaca no Brasil encontra-se hoje em nível equivalente ao dos grandes centros, com vários polos de destaque ao longo do território nacional, mais isso só aconteceu devido aos diversos nomes que contribuíram para que o Brasil pudesse ocupar essa posição de destaque, podemos citar os fundadores da especialidade no Brasil: Hugo Felipozzi, Euryclides de Jesus Zerbini, Domingos Junqueira de Moraes e Andre Esteves Lima (BRAILE; GODOY, 2012). De acordo com Braile e Godoy (2012), “No ano de 2011 foram realizadas no Brasil 100 mil operações cardíacas 50 mil com circulação extracorpórea (CEC) sendo mais de metade delas para revascularização miocárdica.”. Os pacientes no pré-operatório de cirurgia cardíaca podem ser internados em regime de emergência ou eletivo. Na primeira situação, a avaliação clínica e fisioterapêutica pode ser inviável devido à velocidade dos acontecimentos, bem como ao risco de vida que o paciente está exposto. Nos pacientes eletivos, o controle e avaliação são de extrema importância, a fim de
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    35 minimizar a quantidadede complicações previstas no pós-operatório cardiovascular (SARMENTO, 2009). De acordo com Sarmento (2010) “esse período do pós-operatório inicia-se quando o paciente é transportado do centro cirúrgico para a unidade de terapia intensiva (UTI) e é também denominada recuperação cardíaca pós-operatória”. De acordo com Machado (2012) “As complicações respiratórias podem ser consideradas as maiores causas de mortalidade no pós-operatório de cirurgia cardíaca.”. Dentre as complicações respiratórias que estão diretamente associadas ao maior risco de morte e ao tempo de permanência hospitalar, destacam-se as atelectasias, pneumonias e insuficiência respiratória aguda (REGENGA, 2012) Após o término da cirurgia cardiovascular os pacientes são geralmente transferidos para UTI ainda sob efeito anestésico e com intubação traqueal. A assistência ventilátoria será mantida por cerca de 6 a 12 horas, dependendo fundamentalmente das funções pulmonar e cardíaca pré-operatório, do tipo de cirurgia e da condição hemodinâmica intra e pós-operatória (SOUZA, 2007). A equipe de Fisioterapia recebe as informações coletadas na fase pré- operatória por meio de um formulário, o qual contém as seguintes informações: dados pessoais, antecedentes, história da doença atual, resultados dos exames pré-operatórios e os dados da avaliação fisioterapêutica (SARMENTO et al., 2010). Após a admissão do paciente, é feita uma avaliação completa. O exame físico deve conter a avaliação do nível de consciência, inspeção geral, estática e dinâmica, palpação, percussão e ausculta. Normalmente são analisados os dados vitais (frequência respiratória, frequência cardíaca e pressão arterial) e os exames complementares realizados (laboratoriais, raios- X, tomografias e outros), bem como os tipos de monitorizações utilizadas e a presença de sondas e cateteres (MACHADO, 2012). A fisioterapia respiratória tem como objetivo, normalmente, prevenir e tratar complicações respiratórias decorrentes do processo cirúrgico, tais como retenção de secreções, atelectasias e pneumonias, através da utilização de uma ampla variedade de técnicas (MACHADO, 2012). Atualmente, observa-se um incremento significativo na utilização da Ventilação Não-Invasiva (VNI) na UTI a fim de buscar reduzir complicações secundárias à intubação orotraqueal associada à utilização da ventilação mecânica invasiva, e da possibilidade da
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    36 redução na morbimortalidadee no tempo de internação hospitalar (SARMENTO et al., 2010). A ventilação não invasiva fornece suporte ventilatório em duas modalidades: através da aplicação do mesmo nível de pressão positiva nas vias aéreas durante a inspiração e expiração (pressão positiva contínua nas vias aéreas – CPAP) e através da aplicação de dois níveis de pressão positiva inspiratória nas vias aéreas-(BIPAP), um maior na inspiração (pressão positiva inspiratória nas vias aéreas-IPAP) e outro menor na expiração (pressão positiva expiratória nas vias aéreas-EPAP). A aplicação da ventilação não invasiva diminui a necessidade de intubação, portanto reduz o custo do tratamento, a mortalidade, dimuinui o trabalho muscular respiratório e assim melhora as trocas gasosas por recrutamento de alvéolos hipoventilados. É um método de fácil aplicação e remoção, e tem se mostrado de confiança por apresentar eficiência e clínica comprovada (SANTIAGO et al., 2011). O uso da ventilação não invasiva é indicado para todos os pacientes que apresentam complicações pulmonares, como: hipoxemia arterial, atelectasias, insuficiência cardíaca congestiva, pós-recuperação da Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)/sepse, lesão do nervo frênico com disfunção diafragmática e fraqueza muscular respiratória. O uso dos seguintes parâmetros, pressão positiva expiratória final (PEEP) de 5cm H2O e pressão de suporte para prover um volume corrente de 6 a 8 ml/kg, mostrou reduzir, de forma significativa, as atelectasias pós-operatórias (MACHADO, 2012). Devido à considerável incidência de complicações no pós-operatório de cirurgia cardíaca, existe grande interesse em obter novos conhecimentos, necessitando-se, portanto, descrever a importância da ventilação não invasiva neste processo, a fim de prevenir complicações e com isso reduzir o tempo de internação na unidade de terapia intensiva. 2 MÉTODOS A pesquisa foi do tipo teórico, apoiado na revisão de literatura, exploratória, descritiva que busca levantar informações sobre um determinado recurso e tratamento fisioterápico na unidade de terapia intensiva. Foram incluídos artigos publicados no período de 2007 a 2012, presentes na base de
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    37 dados Lilacs (Índiceda Literatura Científica e Técnica da América Latina e Caribe) e Scielo (Scientific Eletronic Library Online), que se encontram na Biblioteca Virtual da Saúde (BVS-Bireme), sendo a escolha dos artigos de acordo com o objetivo do estudo. Foram excluídos da pesquisa artigos que mesmo aparecendo nos resultados de busca, não apresentaram conteúdo condizente com o assunto referido. A busca foi realizada atendendo aos seguintes descritores: Ventilação não invasiva, Cirurgia cardíaca, Terapia Intensiva. Tais descritores foram anteriormente consultados no DECS (Descritores em Saúde), disponível em http://decs.bvs.br/, tornando-se, portanto palavras-chave para esta pesquisa Além disso, foram utilizados alguns termos simples de busca como: Fisioterapia na UTI, Complicações pós-operatória, sendo para tanto realizada uma busca integrada na Bireme, com as bases de dados Lilacs e Scielo. Após seleção dos artigos e livros possíveis de serem utilizados, foi realizada uma triagem dos títulos e assuntos relacionados ao tema em questão. Os que foram coerentes com o tema proposto e fundamentados de acordo com a pesquisa foram lidos detalhadamente, ser possível construir uma síntese reflexiva sobre o tema. 3 RESULTADOS Foram selecionados 18 artigos pertinentes ao tema, segundo a (Tabela 1) abaixo: Tabela 1 – Artigos selecionados TÍTULO AUTOR ANO Ventilação mecânica não-invasiva no pós-operatório de cirurgia cardíaca: atualização da literatura FERREIRA, L. L. et al. 2012 Prevalência das principais complicações pós-operatórias em Cirurgias Cardíacas. SOARES, G. M. et al. 2011 Avaliação da ventilação não-invasiva com dois níveis de pressão positiva nas vias aéreas após cirurgia cardíaca FRANCO, A. M. et al. 2011 Fisioterapia respiratória no pré e pós- operatório de cirurgia cardíaca de revascularização do miocárdio CAVENAGHI, S. et al. 2011
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    38 Recrutamento alveolar empacientes no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca PADOVANI, C.; CAVENAGHI, O. M. 2011 Comparação do uso da pressão positiva com a fisioterapia convencional após cirurgia cardíaca: revisão de literatura SILVEIRA, A. C. et al. 2011 Fisioterapia no pós-operatório de cirurgia cardíaca: a percepção do paciente LIMA, P. M. B. et al. 2011 Pressão expiratória positiva na via aérea por máscara facial na hemodinâmica de pós-operatórios cardíacos SENA, A. C. B. et al. 2010 Incidência de complicações pulmonares na cirurgia de revascularização do miocárdio ORTIZ, L. D. N. et al. 2010 Ventilação mecânica não invasiva no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca MAZULLO FILHO, J. B. R.; BONFIM, V. J. G.; AQUIM, E. E. 2010 Complicações que aumentam o tempo de permanência na unidade de terapia intensiva na cirurgia cardíaca LAIZO, A.; DELGADO, E. F.; ROCHA, G. M. 2010 Conhecimento e experiência de fisioterapeutas sobre ventilação não invasiva SANTIAGO, I. M. et al. 2010 Espirometria de incentivo com pressão positiva expiratória é benéfica após revascularização do miocárdio. FERREIRA, G. M. et al. 2010 Estudo das complicações pulmonares e do suporte ventilatório não invasivo no pós-operatório de cirurgia cardíaca. ALCÂNTARA, E. C.; SANTOS, V. N. 2009 Ventilação não invasiva na insuficiência cardíaca QUINTÃO, M. et al. 2009 Cuidados pré e pós-operatório em cirurgia cardiotorácica: uma abordagem fisioterapêutica ARCÊNCIO, L. et al. 2008 Benefícios da ventilação não-invasiva após extubação no pós-operatório de cirurgia cardíaca LOPES, C. R. et al. 2008 Aplicação da ventilação não-invasiva em insuficiência respiratória aguda após cirurgia cardiovascular COIMBRA, V. R. M. et al. 2007 Fonte: Dados da pesquisa, 2014. 4 DISCUSSÃO Conforme Lima (2011), a cirurgia cardíaca é definida como um processo de restauração e restituição das capacidades vitais, compatíveis com a
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    39 capacidade funcional docoração daqueles pacientes que já apresentaram anteriormente doenças cardíacas. Embora tenham evoluído nos últimos anos, as cirurgias cardíacas não estão livres de complicações no pós-operatório. Pacientes que são submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) apresentam um alto risco de desenvolver complicações, principalmente as pulmonares como atelectasias, pneumonia e derrame pleural (FERREIRA, 2012). Soares (2011) realizou um estudo transversal com 204 pacientes submetidos à cirurgia cardíaca onde foi observada uma considerável prevalência de complicações, principalmente pulmonares. Em outro estudo, Laizo (2010) demonstrou que as complicações que aumentam o tempo de permanência na UTI estão relacionadas à função respiratória, doença pulmonar obstrutiva crônica, tabagismo, congestão pulmonar, desmame da VM prolongado, diabetes, infecções, insuficiência renal, acidente vascular encefálico e instabilidade hemodinâmica. Padovani e Cavenaghi (2011), também realizaram um estudo onde é relatado que as complicações no pós-operatório de cirurgia cardíaca são observadas com frequência, dentre as existentes destacam-se a atelectasia e hipoxemia. A utilização da ventilação não invasiva promove o decréscimo do trabalho ventilatório, diminuição do índice de dispneia e o aumento do volume residual, desta forma previne a presença de atelectasias, favorecendo o recrutamento alveolar, como também incrementando a pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO2) (ARCÊNIO, 2008). Franco (2011) e Mazullo Filho (2010) em seus estudos verificaram a importância da Ventilação Não Invasiva (VNI) associada a fisioterapia respiratória. Franco (2011) no seu estudo verificou que a aplicação da Ventilação Não Invasiva de forma preventiva no pós-operatório é segura, pois os parâmetros hemodinâmicos estáveis e sem qualquer outro tipo de complicação. Mazullo Filho (2010) realizou um estudo controlado, onde os pacientes em pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca foram randomizados em dois grupos que receberam VNI no modo de pressão de suporte com expiração final positiva. Após extubação durante 2 horas. Verificou-se que a VNI se mostrou eficaz em pós-operatório de cirurgia cardíaca, pois incrementou
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    40 a capacidade vital,diminuiu a frequência respiratória, preveniu a insuficiência aguda pós-extubação e reduziu os índices de reintubação. Lopes (2008) realizou um estudo prospectivo, randomizado e controlado, onde foi evidenciado que houve eficácia no uso da VNI por 30 minutos após extubação, no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca produziu melhora na oxigenação do paciente. Quintão (2009) também realizou um estudo, sendo confirmada a eficácia da VNI com modo CPAP em pacientes com Insuficiência Cardíaca Aguda, e reduzindo a necessidade de intubação, assim como a morbimortalidade. Segundo Santiago (2010) a eficácia da VNI depende da indicação do equipamento adequado, do tipo de paciente assistido, disponibilidade dos aparelhos e do grau de conhecimento e treinamento da equipe que assiste o paciente. De acordo com Sena (2010) o uso da pressão positiva em pacientes cardiopatas já faz parte do arsenal terapêutico principalmente sob a forma de ventilação mecânica não invasiva. (VMNI). Nesse estudo, o autor avaliou pacientes em repouso, estáveis hemodinamicamente e com cateter de Swan- Ganz, após o uso de 10 cmH O de EPAP, foi verificado que o uso da pressão positiva sob forma de EPAP como técnica fisioterapêutica foi seguro e bem tolerado, não tendo efeitos deletérios. Posteriormente, Ferreira (2012) veio corroborar o autor acima, mostrando por meio do seu estudo qualitativo do tipo revisão de literatura, que as modalidades de VNI descritas na literatura, CPAP, BIPAP e respiração com pressão positiva intermitente (RPPI) foram utilizadas no pós-operatório de cirurgia cardíaca, acrescidas de modalidades atuais PSV+PEEP obtiveram teve resultados satisfatórios. Verificou-se que a RPPI reverte a hipoxemia e o BIPAP melhora a oxigenação, frequência respiratória e frequência cardíaca dos pacientes, em comparação com as demais modalidades. Silveira (2011) relata em seu estudo que dentre as diferentes modalidades de VNI, quando comparadas, não se pode afirmar que uma técnica apresenta superioridade em relação às outras, merecendo algum tipo de destaque, visto que nenhum dos estudos encontrados pelo autor comparou as três modalidades, VNI-2P, CPAP e RPPI, foi possível verificar que todas as técnicas estudadas mostraram-se úteis na recuperação da função pulmonar no pós-operatório. A fisioterapia é utilizada no pós-operatório de cirurgias
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    41 cardíacas para otratamento de complicações pulmonares, dentre eles, as atelectasias, derrame pleural e pneumonia, na tentativa de acelerar o processo de recuperação da função pulmonar. (CAVENAGHI, 2011). De acordo com Alcântara et al. (2009), há necessidade de um atendimento com VNI ser conduzido pelo fisioterapeuta na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), tem o propósito de minimizar e evitar os efeitos do pós- operatório, minimizar o tempo hospitalar e assim diminuir o número de complicações pulmonares. No seu estudo, verificou-se que o uso da VNI no pós-operatório de CRM melhora significamente o volume corrente e o volume minuto, prevenindo distúrbios que cursam com a diminuição desses parâmetros, como a atelectasias e o derrame pleural. Coimbra et al. (2007), demonstrou em seu estudo que os pacientes com insuficiência respiratória hipoxêmica no pós-operatório de cirurgia cardíaca apresentaram uma melhora da oxigenação, frequência respiratória e frequência cardíaca durante a aplicação da VNI. A fisioterapia é um colaborador na prevenção de complicações no pós- operatório, principalmente quando o fisioterapeuta compreende todas as alterações que ocorrem na cirurgia e suas consequências, desta forma o manejo no tratamento do paciente se torna eficaz. (ORTIZ et al., 2010). Santiago (2010) realizou um estudo com os fisioterapeutas das enfermarias e das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) adulto sobre conhecimento teórico e prático em VNI. Foi verificado que os fisioterapeutas das UTI apresentam maior experiência quanto à administração, instalação e monitorização da VNI quando comparado aos fisioterapeutas das enfermarias que não se sentem aptos a instalar e monitorizar a VNI. 5 CONCLUSÕES O estudo permitiu identificar as principais complicações decorrentes do pós-operatório de cirurgia cardíaca. Sabendo disso, a Fisioterapia entra como parte integrante do tratamento e prevenção de complicações, através da técnica de ventilação não invasiva, melhorando e revertendo o quadro clínico do paciente. É necessário que os fisioterapeutas atualizem seus conhecimentos, tornando-se um profissional capacitado e seguro para aplicar a
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    42 VNI tanto naUTI como nas enfermarias. Portanto, o estudo oferece uma base de dados a respeito do tema, porém necessita-se de pesquisas mais aprofundadas, que discorram de forma mais ampla sobre a temática proposta. REFERÊNCIAS ARCÊNIO, L. et al. Cuidados pré e pós-operatório em cirurgia cardiotorácica: uma abordagem fisioterapêutica. Rev Bras Cir Cardiovasc, São Paulo, v. 23, n. 3, p. 400-410, 2008. ALCÂNTARA, E. C.; SANTOS, V. N. Estudo das complicações pulmonares e do suporte ventilatório não invasivo no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Rev Med Minas Gerais, v. 19, n. 5, p. 5-12, 2009. BRAILE, D. M.; GODOY. M. F. História da cirurgia cardíaca no mundo. Rev Bras Cir Cardiovasc, São Paulo, v. 27, n. 1, p. 125-34, 2012. CAVENAGHI, S. et al. Fisioterapia respiratória no pré e pós-operatório de cirurgia de revascularização do miocárdio. Rev Bras Cir Cardiovasc, São Paulo, v. 26, n. 3, p. 455-61, 2011. COIMBRA, V. R. M. et al. Aplicação da venliação não-invasiva em insuficiência respiratória aguda após cirurgia cardiovascular. Arq Bras Cardiol, São Paulo, v. 89, n. 5, p. 298-305, 2007. FERREIRA, G. M. et al. Espirometria de incentivo com pressão positiva expiratória é benéfica após revascularização do miocárdio. Arq Bras Cardiol, São Paulo, v. 94, n. 2, p. 298-305, fev. 2010. ______, L. L. et al. Ventilação mecânica não-invasiva no pós- operatório de cirurgia cardíaca: atualização da literatura. Rev Bras Cir Cardiovasc, São Paulo, v. 27, n. 3, p. 446-52, 2012. FRANCO, A. M. et al. Avaliação da ventilação não-invasiva com dois níveis de pressão positiva nas vias aéreas após cirurgia cardíaca. Rev Bras Cir Cardiovasc, São Paulo, v. 26, n. 4, p. 582-90, 2011. LAIZO, A.; DELGADO, E. F.; ROCHA, G. M. Complicações que aumentam o tempo de permanência na unidade de terapia intensiva na cirurgia cardíaca. Rev Bras Cir Cardiovasc, São Paulo, v. 25, n. 2, p. 166-171, 2010. LIMA, P. M. B. et al. Fisioterapia no pós-operatório de cirurgia cardíaca: a percepção do paciente. Rev Bras Cir Cardiovasc, São Paulo, v. 26, n. 2, p. 244-249, 2011. LOPES, C. R. et al. Benefícios da ventilação não-invasiva após extubação no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Rev Bras Cir Cardiovasc, São Paulo, v. 23, n. 3, p. 344-350, 2008.
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    43 MAZULLO FILHO, J.B. R.; BONFIM, V. J. G.; AQUIM, E. E. Ventilação mecânica não invasiva no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca. Rev Bras Ter Intensiva, São Paulo, v. 22, n. 4, p. 363-368, 2010. MACHADO, M. G. R. Bases da fisioterapia respiratória: terapia intensiva e reabilitação. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. ORTIZ, L. D. N. et al. Incidência de complicações pulmonares na cirurgia cardíaca de revascularização do miocárdio. Arq Bras Cardiol, São Paulo, v. 95, n. 4, p. 441-447, 2010. PADOVANI, C.; CAVENAGHI, O. M. Recrutamento alveolar em pacientes no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca. Rev Bras Cir Cardiovasc, São Paulo, v. 26, n. 1, p. 116-121, 2011. QUINTÃO, M. et al. Ventilação não invasiva na insuficiência cardíaca. Rev SOCERJ, v. 22, n. 6, p. 387-397, 2009. REGENGA, M. M. Fisioterapia em cardiologia: da unidade de terapia intensiva à reabilitação. 2. ed. São Paulo: Roca, 2012. SARMENTO, G. J. V. Fisioterapia hospitalar pré e pós-operatório. São Paulo: Manole, 2009. ______.; VEJA, J. M.; LOPES, N. S. Fisioterapia em UTI. São Paulo: Atheneu, 2010. SANTIAGO, I. M. et al. Conhecimento e experiência de fisioterapeutas sobre ventilação não invasiva. RBPS, Fortaleza, v. 24, n. 3, p. 214-220, jul./set., 2010. SENA, A. C. B. et al. Pressão expiratória positiva na via aérea por máscara facial na hemodinâmica de pós-operatórios cardíacos. Arq Bras Cardiol, São Paulo, v. 95, n. 5, p. 594-599, 2010. SILVEIRA, A. C. et al. Comparação do uso da pressão positiva com a fisioterapia convencional e incentivadores respiratórios após cirurgia cardíaca: revisão de literatura. Medicina (Ribeirão Preto), v. 44, n. 4, p. 338-46, 2011. SOARES, G. M. et al. Prevalência das principais complicações pós-operatórias em cirurgias cardíacas. Rev. Bras Cardiol, São Paulo, v. 24, n. 3, p. 139-146, 2011. SOUZA, L. C. Fisioterapia intensiva. São Paulo: Atheneu, 2007.
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    44 FUNÇÃO PULMONAR EMMINERADORES DA INDÚSTRIA DE BENEFICIAMENTO DE CAULIM Christiane da Silva Sales7 Priscilla Indianara Di Paula Pinto8 RESUMO Objetivo: Avaliar o pico de fluxo expiratório (PFE) em mineradores da indústria de beneficiamento de caulim, com o intuito de mensurar os valores da função pulmonar, construir um perfil bio-demográfico. Método: estudo descritivo, abordagem quantitativa, levantamento de dados em duas indústrias no município de Junco do Seridó-PB. A amostra foi constituída por 50 sujeitos, sendo 25 sujeitos de cada empresa. A amostra foi não probabilística, por acessibilidade. Para coleta dos dados foi utilizado um questionário bio- demográfico e um protocolo de avaliação respiratória onde se registrou a mensuração do Pico de Fluxo Expiratório através do Peak Flow. Os dados foram analisados através de estatística descritiva com software Microsoft Office Excel 2007. Resultados: 100% da amostra do sexo masculino, média de idade de 29 anos, raça parda 76%, casados 60%, com ensino fundamental incompleto 48% e moradores da zona urbana 96%. O hábito de fumar foi informado por 36%, com média de 14,2 unidades de cigarro/dia. Os sinais vitais mensurados sugerem normalidades. Foram encontradas variações nos valores de Pico de Fluxo Expiratório mensurado dentre os sujeitos das empresas I e II. Conclusão: Os achados sugerem acometimento dos padrões respiratórios pelos valores de PFE obtido. É recomendado o uso adequado dos EPIs, acompanhamentos periódicos da função pulmonar, assim como ações dos serviços de saúde para prevenir maiores complicações respiratórias na saúde do homem. Palavras-chave: Saúde do Trabalhador. Doenças Ocupacionais. Pico de Fluxo Expiratório. LUNG FUNCTION IN THE MINING KAOLIN PROCESSING INDUSTRY ABSTRACT Objective: To evaluate the peak expiratory flow (PEF) in miners of kaolin processing industry, in order to determine the amounts of lung function, build a bio-demographic profile. Method: a descriptive study, quantitative approach, data collection in two industries in Reed county Seridó - PB. A sample consisted of 50 subjects, 25 subjects in each company. The sample was not probability for acessibilidade. Para data collection was used a bio-demographic questionnaire and a respiratory assessment protocol that in which the measurement of PEF 7 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 8 Mestra em Saúde Pública pela Universidade Estadual da Paraíba-UEPB. Especialista em Saúde Pública e em Fisioterapia Pneumofuncional. Coordenadora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-UNESC. Professora substituta da Universidade Estadual da Paraíba-UEPB. Fisioterapeuta.
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    45 by Peak Flow.Data were analyzed using statistics with Microsoft Office Excel 2007. Results software: 100 % of the male sample, average age 29, mulatto 76%, 60% married, with incomplete primary education 48% and area residents urban 96%. Smoking was reported by 36% with an average of 14.2 cigarettes units / day. Foram found variations in peak expiratory flow values measured among the subjects of the companies I and II. Conclusion: The findings suggest involvement of the respiratory patterns by PEF values obtido. Recomenda is the proper use of PPE, periodicals accompaniments of lung function, as well as actions of health services to prevent further respiratory complications in human health. Keywords: Occupational Health. Occupational Diseases.Peak Expiratory Flow. 1 INTRODUÇÃO As atividades extrativas minerais em corpos pegmatíticos na região do Seridó, estado da Paraíba, perduram por mais de meio século dentro de ciclo envolvido pela informalidade, ilegalidade, uso de técnicas inadequadas, baixa capacidade de investimento, pela baixa produtividade e baixo valor agregado, o chamado “ciclo negativo”. Conforme orientação do relatório de procedimento do Artisinal Mining Intennacional Workshop, organizado pelo banco mundial, e de acordo com Martins, Cortez e Farias (2007), o rompimento deste ciclo é dado em primeira instância pela legalização das atividades extrativas, para o qual precede o “passo zero” formação de empresas de pequeno porte ou formação de cooperativas de pequenos mineradores. Tratando-se de uma atividade econômica importante para muitos municípios da região do Seridó, a mineração de pegmatitos gera uma demanda importante por bens e serviços oferecidos localmente. O comércio, a prestação de serviços de transportes, os serviços de manutenção são impulsionados pela atividade mineradora. Brito, Lima e Pereira (2007), estimam que no Estado da Paraíba, nas regiões de Pedra Lavrada e Junco do Seridó, sejam comercializadas cerca de 6.000 toneladas/mês de feldspato e 10.880 toneladas/ mês de caulim, induzindo a circulação de R$ 140 mil/mês e R$ 1,3 milhão/mês, respectivamente. A atividade em busca de uma melhor qualidade de vida e a constante vigilância na saúde e segurança do trabalhador são temas de abordagem contínua nas reuniões da COOPERJUNCO (Cooperativa de mineradores do
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    46 município de Juncodo Seridó-PB), que desde o ano da sua implantação, foram realizadas palestras sobre o assunto nas indústrias de mineração no município. O município do Junco do Seridó está localizado no Nordeste do Brasil, no estado da Paraíba, limitando-se ao norte com os municípios de São José do Sabugi-PB e Equador-RN, a leste com Tenório-PB e Assunção-PB, ao sul com Salgadinho-PB e a oeste com Santa Luzia-PB. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2006), a cidade possui um território de 160 km², com 6.116 habitantes, a sua densidade demográfica é de 37,28hab/km². É uma região de baixa pluviometria e de grandes quantidades de minérios, sendo sua principal atividade econômica a extração e o beneficiamento de caulim e outros minerais e pedras. De acordo com Souza (2007) na região nordeste, as principais indústrias mineradoras de caulim estão instaladas na região da Província Pegmatítica de Borborema do Seridó, localizada nos municípios do Equador (RN) e Junco do Seridó (PB). Esse minério conhecido como caulim, retirado da natureza através de extração, é encontrado nas montanhas entre rochas, constituída de material argiloso, com baixo teor de ferro e cor branca. O trabalho realizado por mineradores de caulim na região do Seridó é feita por meios manuais, que é inicialmente a céu aberto, podendo evoluir para a lavra subterrânea, com abertura de poços e galerias, segundo os procedimentos característicos da mineração artesanal. De acordo com Cabral et al. (2009), o beneficiamento consta das etapas de desagregação, peneiramento, decantação e secagem em pátio de secagem ou em forno à lenha. As doenças ocupacionais e os acidentes de trabalho constituem um grande problema de saúde pública. (BRASIL, 2006). Baseado na Lei N. 8.080/90, a sílica livre deve ser considerada um fator de risco de natureza ocupacional, estando associada a agravos de doenças como a neoplasia maligna dos brônquios e do pulmão, cor pulmonale, outras doenças pulmonares obstrutivas crônicas, sílicose entre outras (CASTRO; SILVA; VICENTIN, 2005). Por significar a principal interface entre o organismo humano e o ambiente, o aparelho respiratório assume um significado extremamente importante quando se procura penetrar no universo das doenças provocadas particularmente pelos ambientes e condições de trabalho. Sua relevância é
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    47 dupla não somentepela quantidade de ar carreada do microambiente, como pela freqüência com que esta relação com o ambiente se repete, sendo o trato respiratório a principal via de penetração dos xenobióticos ambientais, em especial os de origem ocupacional ou profissional, que por outro lado, e em decorrência desta função de interfase o trato respiratório adquire relevante importância como sitio de ação de um sem números de produtos, que são gerados nos ambientes de trabalho, e são lesivos a saúde humana (TARANTINO, 2002). As pneumopatias relacionadas à inalação de poeiras em ambientes de trabalho são genericamente designadas como pneumoconioses (do grego, conion = poeira). São excluídas dessa denominação as alterações neoplásicas, as reações de vias aéreas, como asma, a bronquite e o enfisema. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) define a pneumoconiose, como a deposição de poeiras no pulmão e a reação tecidual que ocorre por sua presença, e de acordo com Tarantino (2002), a pneumoconiose ocorre basicamente em trabalhadores expostos à atividades de extração do mineral, e como o caulim é largamente utilizado em nosso meio, na indústria do papel como branqueador, na indústria cerâmica e também da borracha, tintas, plásticos, inseticidas, sabonetes e dentrifícios, e por ser um silicato hidrolisado de alumínio, essa exposição ocupacional ocorre nos processos de mineração, trituração e moagem, e nas aplicações antes descritas. As pneumoconioses são doenças por inalação de poeiras, substâncias que o organismo pouco consegue combater com seus mecanismos de defesa imunológica e/ou leucocitária. Cada pneumoconiose recebe um nome particular, de acordo com a poeira inalada, representada por talco, sílica, asbesto, ferro e tantas outras poeiras minerais. Sendo assim a doença causada por sílica chama-se silicose, asbesto- asbestose, ferro- siderose, talco-talcose, e cada um recebem um código no CID (ALGRATI, 2001). A silicose constitui um grande problema de saúde pública, no Brasil; é de origem ocupacional sendo provocada por inúmeras substâncias e produtos no local de trabalho. Está relacionada com inalação de pequenas partículas e a permanência deste micro partículas no pulmão acaba determinando a doença; onde esse micro partículas atinge o interior do pulmão provocando uma reação inflamatória, a repetição desta inflamação ocasiona a perda de elasticidade
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    48 pulmonar, na qualacaba formando nódulos pulmonares. Embora não se tenha cura para a silicose, a prevenção ainda é a melhor forma de evitar esta doença. Segundo Cabral (2009) devido ao caulim possuir partículas sólidas muito pequenas, a exposição durante um longo período pode provocar doenças no sistema respiratório dos trabalhadores, e levá-los a morte. As reações pulmonares à deposição de poeiras inorgânicas no pulmão vão depender das características físico-químicas do aerossol (como por exemplo: partículas menores e recém-fraturadas de sílica, fibras mais finas e longas, no caso do asbesto, são mais lesivas) da dose (que depende, entre outros, da concentração no ar inalado, do volume/minuto e do tempo de exposição), presença de outras poeiras, de doenças pulmonares prévias, podendo ser moduladas por fatores imunológicos individuais e em muitos casos pelo tabagismo. Segundo o Ministério da Saúde (2006) o diagnóstico de uma doença respiratória de causa ocupacional é sempre feito por meio da integração entre sintomas e sintomas clínicos, história ocupacional e exames complementares funcionais e/ou de imagens e anatomopatológicos e, ocasionalmente laboratoriais. Os principais sintomas respiratórios, dispnéia, tosse, expectoração, sibilância, devem ser cuidadosamente inquiridos. Os sinais associados ao padrão respiratório e posturas corporais peculiares, utilização da musculatura ventilatória acessória e respiração com lábios semicerrados, os ruídos adventícios, não torácicos ou sistêmicos, cianose ou pletora, baqueteamento digital, dilatação venosa jugular, edema de membros inferiores e asteríxis; e podem sugerir comprometimentos respiratórios significativos de outros aspectos como hiperinsuflação pulmonar, diminuição da vascularização, presença de bolhas, achatamento diafragmático, espessamento pleural, anormalidades cardíacas direitas, alterações esqueléticas torácicas principalmente cifoescoliose avançada (NEDER; BAGATIN; NERY, 2006). A função pulmonar desses trabalhadores é um dos pontos afetados, na mineração em pequena escala (MPE), pois operam em condições de trabalhos perigosos, é exposta a poeira, causando doenças respiratórias, efeitos da ventilação deficiente (calor, umidade, falta de oxigênio), esforço exagerado, espaço de trabalho inadequado e equipamento não apropriado. O objetivo geral desse trabalho é avaliar a função pulmonar em trabalhadores na indústria
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    49 de mineração emcaulim, localizados na cidade de Junco do Seridó-PB, observando o pico de fluxo expiratório (PEF) desses mineradores, construir um perfil bio-demográfico destes trabalhadores e investigar as principais queixas destes trabalhadores relacionados a saúde. Atualmente, há diversos testes para avaliar aspectos relacionados à função pulmonar. Para avaliar os volumes pulmonares, podem ser utilizados desde testes simples como a espirometria e o Peak Flow Meter até testes mais complexos e dispendiosos como diluição de gases inertes, wash-out de nitrogênio e pletismografia corporal. A espirometria é uma das maneiras de avaliar a função pulmonar, exame aparentemente simples, encerrando detalhes que influenciam sua análise e interpretação e essa deve ser feita por meio de dados clínicos e epidemiológicos (IRWIN, 1994 apud BOAVENTURA, 2007). Os volumes pulmonares não avaliam diretamente a função pulmonar, entretanto, alterações nos volumes pulmonares estão associadas com condições respiratórias patológicas. Por essa razão esses testes oferecem informações que auxiliam no diagnóstico, tratamento de pacientes com doença cardiopulmonar (FELTRIN, 1995 apud SAMPAIO, 2011). Outra forma de se avaliar a função pulmonar é através da medida do pico de fluxo expiratório máximo (PEF), um método simples, não invasivo, econômico e rápido que serve para avaliar a força e a velocidade de saída do ar de dentro dos pulmões em L/min. Além disso, ele detecta o estreitamento das vias aéreas, determina tratamentos e desenvolve medidas ou ações para tal. Em resumo, ele tem a função de alertar sobre a diminuição da função respiratória, o que possibilita ao paciente uma melhor verificação do estado em que se encontra a sua doença Muitos fatores influenciam os achados da função pulmonar: sexo, estatura, idade, fatores técnicos, peso e outros. A monitorização do PFE (pico de fluxo expiratório) é feita através de um medidor portátil para avaliar a capacidade de pico de fluxo do paciente (CRUZ, 2006). O teste é feito pela realização de uma inspiração máxima seguida por uma expiração forçada máxima, curta e explosiva, através do dispositivo de medida. O valor do fluxo expiratório revela a presença de resistência ao fluxo nas vias aéreas traduzindo a intensidade da dificuldade da saída de ar dos pulmões, indicando qual o grau
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    50 de obstrução nomomento da mensuração, servindo como prova relevante de função pulmonar. A monitorização do pico do fluxo expiratório (PFE) geralmente é feita através de um medidor portátil para avaliar periodicamente a capacidade de pico de fluxo do indivíduo. Um dos métodos disponíveis para avaliação de fluxo aéreo pulmonar é realizado, através do Peak Flow (PEREIRA, 2002). O PFE é medido mais precisamente por equipamentos que registram diretamente os fluxos ou por derivação do fluxo a partir das mudanças de volume num espirômetro com deslocamento volumétrico. Seja qual for o método, o PFE é representado num gráfico de fluxo-volume. Muitos equipamentos portáteis são disponíveis para medir o fluxo máximo durante uma expiração forçada. O PFE neste caso é expresso em L/min (PEREIRA, 2002). Segundo Azeredo (2002) o Peak Flow apresenta vantagens, a de permitir ao terapeuta respiratório, avaliar com o máximo de segurança a gravidade da obstrução brônquica, através do estudo comparativo dos resultados obtidos com teste, relacionando-os com os valores normais teóricos cometidos e normogramas, especialmente programados para tal fim. De acordo com Pereira (2002) no Consenso Brasileiro de Espirometria, o teste é feito pela realização de uma inspiração máxima seguida por uma expiração forçada máxima, curta e explosiva, através do dispositivo de medida. O Indivíduo não deve tossir o que pode acarretar valores falsamente elevados. O esforço expiratório precisa durar apenas 1 a 2 segundos. O dispositivo para medida do PFE requer um instrumento com acurácia de ± 10% ou dentro de ± 20L/min do valor atual, seja o que for maior. O esforço expiratório forçado deve ser iniciado a partir de uma posição inspiratória mantido em posição neutra, pois a hiperextensão eleva e a flexão reduz o PFE por mudanças na complacência traqueal. O PFE é geralmente alcançado dentro do primeiro décimo de segundo do esforço expiratório. Instrução apropriada e estímulo do paciente são importantes para o sucesso do teste. Clipes nasais não são necessários para a medida do PFE, pelo menos 3 medidas devem ser realizadas em cada sessão, a manobra deve ser repetida até que 3 leituras estejam dentro de 20L/min da outra, o maior valor deve ser anotado (PEREIRA, 2002).
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    51 Logo se avalioucomo necessária uma pesquisa com a sociedade de risco, com o intuito de saber como se apresenta a função pulmonar dos mineradores de caulim da região do Seridó, a fim de obter parâmetros para análise fisioterapêutica, bem como informações acerca da função pulmonar destes trabalhadores. 2 MÉTODOS Inicialmente, realizou-se uma busca de artigos científicos em base de dados, além de uma revisão da literatura em livros sobre o determinado assunto. A pesquisa foi desenvolvida com mineradores da indústria de beneficiamento de caulim no município de Junco do Seridó-PB, os quais responderam ao questionário bio-demográfico, além de serem avaliados mediante protocolos de avaliação respiratória para mensuração do Pico de Fluxo Expiratório (PFE) através do aparelho Peak Flow, visando conhecer o grau de obstrução das vias aéreas desses trabalhadores. A pesquisa, de natureza descritiva, usou como forma de abordagem a pesquisa quantitativa, e quanto aos procedimentos, como de levantamento de dados. De acordo com Gil (2002) a pesquisa descritiva tem como principal finalidade descrever as características de determinada população, fenômeno e o estabelecimento entre variáveis. Para Marconi e Lakatos (2005) a pesquisa quantitativa considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números e opiniões, para classificá-los requer o uso de técnicas estatísticas. A coleta de dados, realizada no período de maio a junho de 2011, foi desenvolvida com mineradores da indústria do beneficiamento de Caulim, em duas indústrias que atuam no município de Junco do Seridó-PB. As empresas em questão forneceram autorização para realização da pesquisa mediante a assinatura do Termo de Autorização Institucional. As duas indústrias onde foi realizada a pesquisa tinham em torno de 50 funcionários cada, que constituíram a população do estudo. A amostra foi de 50 sujeitos, sendo 25 sujeitos de cada empresa, que trabalhavam nas etapas inicias do beneficiamento, tendo uma maior exposição ao minério bruto, à poeira e altas temperaturas no pátio de secagem. Logo, a amostragem foi não probabilística, por acessibilidade, seguindo os critérios de inclusão e exclusão.
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    52 Foi adotado comocritérios de inclusão: os mineradores com mais de 2 anos de trabalho na função; que trabalhavam nas etapas inicias de desagregação, peneiramento, decantação, secagem em pátio de secagem ou em forno a lenha; do sexo masculino; capazes de realizar o teste com o Peak Flow. Para os critérios de exclusão os mineradores com histórico de problemas respiratórios, que trabalhavam no setor administrativo e os que não aceitaram participar da pesquisa. O instrumento utilizado para coletar dados foi um questionário, composto por perguntas acerca de dados bio-demográficos (gênero, idade, escolaridade, local de moradia), dados referentes à função pulmonar, bem como o teste do Peak flow. As medidas do pico de fluxo expiratório máximo (PFE) foram realizadas com o indivíduo sentado, por ser a posição mais utilizada nos protocolos de medição de PFE. De acordo com Silva et al (2005) na avaliação da função pulmonar, o sexo e altura são os determinantes mais importantes, respectivamente, e devem ser registrados adequadamente. O teste foi realizado usando o aparelho Peak Flow, da marca Meter, mensurando de 50 - 800 L/min, fazendo a medida em litros por minuto (1/min) e esta medida indicará o grau de obstrução das vias aéreas naquele momento, porém é necessário efetuar a medida corretamente. Uma boa orientação de como se usar o aparelho é de extrema importância. Deve-se orientar o paciente a ficar em posição confortável, de preferência em posição ortostática; segurar o aparelho adequadamente, não obstruindo a saída do ar; zerar o marcador; inspirar profundamente; colocar o aparelho na boca com os lábios firmes; espirar com maior velocidade possível; anotar o valor obtido; efetuar três vezes o procedimento; anotar o melhor resultado em sua tabela pessoa (SARMENTO, 2007, p. 195). Os valores previstos são baseados em estudo de Leiner et al. (1983 apud PAES, 2009), que apresentam uma tabela com valores sugeridos para uso no Brasil, com previsão da média do pico de fluxo expiratório em homens normais (L/min). Desta forma, foi possível estabelecer a variação do PFE mensurado, e construir a partir dos dados de altura e idade. O processamento e análise dos dados se deram de forma quantitativa, através de métodos estatísticos descritivos, e apresentados em forma de gráficos e tabelas no Microsoft Office Excel 2007.
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    53 Ressalta-se que opresente estudo está de acordo com a Resolução n° 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde que rege sobre a ética da pesquisa envolvendo seres humanos direta ou indiretamente, assegurando a garantia de que a privacidade do sujeito da pesquisa será preservada como todos os direitos sobre os princípios éticos como: Beneficência, Respeito e Justiça (BRASIL, 2012). A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa-CEP da Universidade Estadual da Paraíba-UEPB, para apreciação e recebeu parecer favorável à sua realização mediante CAAE: 0183.0.133.000-11. Os participantes da pesquisa assinaram um termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), o qual explica todas as intenções do trabalho e como este seria realizado. Os responsáveis pela pesquisa se comprometeram a cumprir com todos os aspectos legais da pesquisa envolvendo seres humanos, conforme termo de compromisso de pesquisador assinado. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES A análise dos dados coletados com os 50 mineradores, realizada através de métodos descritivos estatísticos, evidenciou uma idade média de 29,08 anos (± 6,55) para os sujeitos da Empresa I e 29,80 anos (±7,34) para a Empresa II. O peso e a altura foram aferidos por meio de uma balança portátil calibrada (Filizola Ind. Ltda, SP, Brasil). A partir desses dados, foi calculado o índice de massa corporal por meio da fórmula [IMC¹ = peso (kg) / altura² (m)] (Tabela 1). Tabela 1: Idade média e dados antropométricos da amostra. AMOSTRA Idade (anos) MÉDIA ± DP IMC (Kg/m2) MÉDIA ± DP Empresa I 29,08 ± 6,55 23,11 ± 2,61 Empresa II 29,80 ± 7,34 24,13 ± 2,86 Fonte: Dados da pesquisa, 2011. No estudo realizado, observou-se que a maioria dos trabalhadores foram predominantemente do sexo masculino (100 %), o que corrobora com outros estudos realizados por Bagatin et al. (1995); Pivetta e Botelho (1997); Carneiro et al. (2002); Castro et al. (2004), e Rondon et al. (2011). Essa confirmação
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    54 majoritária de homensé compatível com as características da mão de obra que é exigida para este tipo de trabalho, o qual requer grande força física. Com relação ao sexo e as pneumoconioses causadas pela exposição ocupacional, alguns estudos realizados a partir da base de dados do relatório anual de informações sociais verificaram uma tendência de aumento em termos absolutos de 1.470 homens expostos à sílica no ano de 1985 para mais de 2 milhões de trabalhadores expostos em 2001 (RIBEIRO et al., 2008). A distribuição por sexo mostrou 59% das internações entre homens e 41% entre mulheres. No período da vigência da CID10 ocorre um aumento para 67% no sexo masculino, ocasionando um predomínio de internações entre homens, fato esse que pode ser explicado pelos processos de trabalhos relacionados a mão de obra masculina nas minerações. No entanto, processos geradores de pneumoconioses encontram-se também no sexo feminino, como por exemplo, a indústria têxtil de amianto, com forte presença feminina (CASTRO et al., 2005). IMC¹: índice de massa corporal A população neste estudo foi composta em sua maioria por indivíduos jovens com idade média de 29 anos para as empresas pesquisadas, com IMC médio de 24,13(dp±2,86). A amostra reforça que o trabalho pesado é difícil para os indivíduos mais velhos, pois os mesmos já não têm força e condições adequadas para realizá-los. Foi observado que maiorias dos homens mais velhos que desempenham funções na produção trabalham a mais tempo nas mesmas, e pela própria idade, muitas vezes lhe são designadas atividades mais leves no processo do beneficiamento do caulim. Estes achados corroboram aqueles do estudo de Pivetta e Botelho (1997), no qual a média de idade foi de 26,2 anos. Pesquisa realizada por Ferreira et al. (2008), evidenciou média de idade iguais a 21,5 anos. No entanto Bagatin et al. (1991) e Castro et al. (2004), mostraram em seus estudos populações com média de idade acima das referidas nos demais estudos, na faixa de 48,5 anos e 42 anos respectivamente.
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    55 Tabela 2: Caracterizaçãoda amostra quanto aos dados bio-demográficos VARIAVÉIS EMPRESA I EMPRESA II RAÇA N % n % Pardo Branco Negro 15 7 3 60 28 12 19 2 4 76 8 16 ESTADO CIVIL Casado Solteiro U.consensual 15 2 8 60 8 32 14 5 6 56 20 24 ESCOLARIDADE EM completo¹ EM incompleto² EF completo³ Não alfabetizado 7 16 2 0 28 64 8 0 10 1 12 2 40 4 48 8 MORADIA Rural Urbana 0 25 0 100 1 24 4 96 Fonte: Dados da pesquisa, 2011. Neste estudo constatou-se que a maioria dos trabalhadores avaliados foi da raça parda (não brancos) e casados, concordando com os achados de Castilhos et al (2006) que demonstram um perfil de trabalhadores com predomínio de raça negra e parda, e Picoloto e Silveira (2008) com predomínio de indivíduos casados (Tabela 2). EMCompleto¹: ensino médio completo EMIncompleto²: ensino médio incompleto EFcompleto³: ensino fundamental completo Nas indústrias de beneficiamento de caulim avaliadas ocorre maior prevalência de indivíduos com Ensino Fundamental Incompleto (64%), e que moram na zona urbana (96%) (Tabela 2). Apesar de esses indivíduos apresentarem algum estudo, muitos deles não sabiam sequer escrever o nome, mesmo os mais jovens. Isso pode ser explicado pelo elevado percentual de indivíduos de baixa renda, que necessitam iniciar o trabalho precocemente para prover o sustento da família, não restando assim tempo para a dedicação aos estudos. Segundo Costa et al. (2004), trabalhadores com poucos anos de estudos tem a chance aumentada de presença de alteração da função pulmonar. Entretanto Picoloto e Silveira (2008) relataram que grande parte dos
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    56 trabalhadores que realizamatividades em área de produção (50%), apresenta o ensino médio. A literatura aponta que apesar do trabalho pesado e desgastante que realizam, ou seja, apesar do desgaste físico, não existe a necessidade de estudo e qualificação, e entre os trabalhadores que realizam atividades laborais, a ocupação de forneiro e preenseiro está relacionado ao número diário de produção, além disso, são os cargos com maior rotatividade de funcionários, pois o trabalho é pesado, realizado a temperaturas muito altas e motivos de afastamento devidos às DORT’s/ LER’s (PICOLOTO; SILVEIRA, 2008). Tabela 3 - Tempo médio de serviço na indústria do caulim e tempo médio de exposição à sílica. AMOSTRA Tempo de Serviço (meses) Tempo de Exposição (meses) Empresa I 48,32 ± 26,07 85,36 ± 75,3 Empresa II 35,48 ± 11,50 138,68 ± 80,76 Fonte: Dados da pesquisa, 2011. Neste estudo, foi encontrado alteração da função pulmonar com maior tempo de exposição (anos trabalhados no beneficiamento de caulim) (TABELA 3). Os resultados mostra que os trabalhadores com tempo de exposição de 2 anos ou mais apresentaram alteração da função pulmonar (80,76%) maior que os indivíduos com menor tempo de exposição. Estes dados são concordantes com os estudos de Castro et al. (1992), Souza e Quelhas (2003) e Castro et al. (2004), que demonstram que o tempo de exposição é importante para o surgimento dos agravos respiratórios. Foi encontrada alteração da função pulmonar com as atividades laborais exercidas pelo minerador na indústria de beneficiamento do caulim, possivelmente pela dispersão das partículas em todo ambiente de trabalho, não acometendo somente aqueles com maior grau de exposição. Considerando o tempo de serviço e tempo de exposição, constatou-se diferenças significantes nos valores de PFE mensurado e previsto, sendo estes mais significativos como prova na empresa I, que apresentou um declínio na
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    57 capacidade de funçãopulmonar nos valores de PFE mensurado (367,6±128,20) e previsto (588,52±37,74) (Tabela 3). Também foram encontrado alguns estudos que demonstraram a preocupação quanto à possibilidade de exposição de trabalhadores à material particulado presente no ar (poeira respirável) devido ao fato de exposição à riscos respiratórios nas indústrias de cerâmicas (LIMA; CAMARINI, 2003). Ademais, outros estudos relatam suscetibilidade ao comprometimento da função pulmonar, propicionando o desencadeamento de diversos agravos respiratórios como rinite, sinusite, asma, ente outros (BAGATIN; NEDER, 2006). Tabela 4: Distribuição da amostra quanto ao hábito tabágico. AMOSTRA Sim Não Quantidade de cigarros/ dia N % N % média Dp¹ Empresa I 9 36 16 64 13,22 ± 6,88 Empresa II 5 20 20 80 14,2 ± 10,64 Fonte: Dados da pesquisa, 2011. Como a presença do tabagismo é condição conhecida para alteração da função pulmonar, torna-se importante a sua discussão. Neste estudo o hábito de fumar foi informado por 36% dos participantes com média de 14,2 (±10,64) unidades de cigarro/dia para os trabalhadores da Empresa II (Tabela 4). Indivíduos fumantes apresentaram maior alteração da função pulmonar quando comparados aos não fumantes (COSTA, 1992). Este resultado reforça a ideia de que o risco de doença respiratória e a alteração da função pulmonar têm relação com o longo tempo de tabagismo, o que também foi encontrado nos estudos de Torres e Godoy (2004) e Caram et al. (2009), e também foi observado no estudo de Bagatin et al. (1991) e de Costa (1992) os quais ao analisar a influência do tabagismo, observaram que os fumantes tinham função pulmonar pior que os não fumantes. DP¹: desvio padrão Entretanto, no estudo de Pivetta e Botelho (1997) foi demonstrado que os sintomas respiratórios e as alterações funcionais em trabalhadores de
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    58 marmorarias se encontramassociados mais ao tabagismo do que a exposição à poeira. Esta diferença talvez possa ser explicada pelas características das populações estudadas, principalmente pela diferença no tipo de indústria avaliada. Em outro estudo, onde foi analisada a relação do fumo e o passado de tuberculose com exposição à sílica, Pinto (2001) observou que não houve alteração dos valores espirométricos, dos 59 trabalhadores estudados. Entretanto, Kennedy et al. (1985), estudando a função pulmonar em indivíduos expostos ao fumo e poeira, perceberam que a associação dos dois era mais deletéria que o fumo sozinho. Além disso, muitos relatos na literatura referenciam o efeito sinérgico do tabagismo e poeiras minerais, especialmente em trabalhadores expostos ao abesto, como descrito no trabalho de Kamp (2009). A mensuração das medidas dos sinais vitais foram realizadas, antes da verificação do PFE, no período da manhã, com indivíduo em repouso, antecedendo o início da jornada de trabalho. Os achados sugerem possíveis normalidades entre os valores encontrados de PA, FR e FC (Tabela 5). Tabela 5: Sinais Vitais (PAM, FC e FR) apresentados pelos indivíduos antes da verificação do PFE. AMOSTRA PAM (mmHg) FC (bpm) FR (irpm) Empresa I 95,56 ± 6,51 64,16 ± 11,05 19,52 ± 3,50 Empresa II 92,72 ± 3,38 75,52 ± 7,22 18,84 ± 3,63 Fonte: Dados da pesquisa, 2011. No estudo feito por Moreira et al. (2008), em que descreve e analisa sintomas respiratórios e alterações espirométricas em pacientes portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), com história de exposição à fumaça de lenha e de tabaco, foi observado que o percentual de obstrução brônquica grave e muito grave foi significantemente maior no grupo exposto ao tabaco (44,1%) que no grupo exposto somente à fumaça de combustão de lenha (11,8%), concluindo que os sintomas respiratórios e alterações da função pulmonar compatíveis com a DPOC foram observados mais intensamente no grupo exposto ao tabaco. Isso reforça o fato de que o tabagismo é um dos mais
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    59 importantes problemas desaúde pública, sendo que o cigarro mata mais que a soma de outras causas evitáveis de morte como cocaína, heroína, álcool e outros (MENEZES, 2004). Finalmente, o que confirma Tarantino (2002) o uso do cigarro pode ocasionar alterações nos valores funcionais respiratórios, produzindo alterações nas provas espirométricas, lembrando que o hábito de fumar foi informado por 36% dos participantes na Empresa I, com média de 14,2 (±10,64) unidades de cigarro/dia. Muitos profissionais da área de saúde desconhecem ou subestimam a etiologia ocupacional das doenças respiratórias, portanto o reconhecimento do nexo entre doença respiratória e a ocupação do trabalhador é importante para viabilizar estratégias que previnam a exposição, favoreçam o prognóstico, possibilitem compensações para o trabalhador afetado, e permitam modificações do ambiente de trabalho que minimizem o impacto na saúde dos trabalhadores sob risco (BAGATIN; NEDER, 2006). O fato observado durante a realização da coleta dos dados deste estudo foi que as indústrias avaliadas não dispunham de serviço especializado em engenharia de segurança e medicina do trabalho (SESMT). Assim, não existem profissionais da área de saúde (médicos, fisioterapeutas, etc.) responsáveis pela segurança e prevenção de doenças nestas empresas, o que pode gerar deficiência nas orientações sobre saúde a estes trabalhadores, como por exemplo, a importância do uso de máscaras de proteção individual, o que poderia gerar menores complicações respiratórias decorrentes da exposição ocupacional. Mesmo não tendo uma política de saúde adequada nestas empresas, os trabalhadores não relataram presença de doenças respiratórias ao responderem o questionário de avaliação. Este fato pode ser explicado pela grande rotatividade de funcionários e pela prevalência de indivíduos jovens nestas indústrias, ou seja, o curto tempo de exposição associados à baixas idades não são suficientes para causar lesões pulmonares graves. A análise do PFE da presente pesquisa mostrou que existem variabilidade dos índices encontrados, sendo o declínio no valor encontrado para Empresa I, podendo estar relacionado ao maior número de tabagistas encontrados, quando comparado à empresa II (Tabela 6; Figura 1; Figura 2).
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    60 Tabela 6: Distribuiçãodos valores médios do PFE¹ previsto e mensurado AMOSTRA PFE Mensurado(l/min) PFE Previsto (l/min) Empresa I 367,6 ± 128,20 588,52 ± 37,74 Empresa II 488,8 ± 127,91 599,2 ± 30,08 Fonte: Dados da pesquisa, 2011. As lesões pulmonares têm relação direta com o tempo e a qualidade da exposição (CASTRO et al., 2004). É sabido que os mineradores deste estudo estão susceptíveis às alterações do trato respiratório devido à exposição ocupacional a determinados agentes poluidores (ALGRANTI, 2001). Estes trabalhadores deveriam ser orientados com bastante firmeza sobre o uso de equipamento de proteção individual, pois muitos sabem que deveriam ser usados e poucos o fazem. Outra explicação para a presença da associação ocupacional e alteração da função pulmonar, é que os trabalhadores, em sua maioria, relataram fazer o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI’s) como máscaras e luvas, porém, durante a fase da coleta de dados não foi observada a utilização completa e correta desses equipamentos pela maioria dos funcionários. Isso pode ser um fator agravante, pois sem a proteção o trato respiratório está mais suscetível à lesões, podendo ser explicada a associação da exposição à poeira com a alteração da função pulmonar nestes indivíduos. De acordo com Souza e Quelhas (2003), os trabalhadores devem sempre usar o equipamento de proteção respiratória individual a fim de evitar exposições, mesmo por curtos períodos de tempo. Como foram citados os trabalhadores da indústria do beneficiamento do caulim apresentam-se expostos a fatores de risco como a inalação de poeiras de sílica presentes no produto bruto, que possuem a capacidade de se dispersar por todo o ambiente da fábrica, atingindo os trabalhadores dos diversos setores da indústria, com possibilidade de desenvolver agravos respiratórios que se manifesta no decorrer da vida laboral. Entretanto, quando se avalia o ambiente de trabalho, é importante levar em conta a história ocupacional com detalhamento das atividades profissionais do indivíduo, ambiente que o cerca, processo produtivo, ritmo de trabalho, carga horária, riscos percebidos, pois a relação temporal entre a exposição e o
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    61 quadro clínico éde fundamental importância para o estabelecimento de associação entre causa e efeito (ALGRANTI, 2001). PFE¹: pico de fluxo expiratório Nossos dados diferem dos dados tradicionais da literatura européia e norte-americana. Se por um lado reflete a influência de fatores desconhecidos ligados a suscetibilidade individual, por outro denunciam certamente, más condições de saúde ocupacional, ou seja, exposição a cargas maciças de poeira de sílica. Figura 1: Variação do pico de fluxo expiratório mensurado x previsto na Empresa 1. Fonte: Dados da pesquisa, 2011. Na literatura existem muitos estudos que abordam a presença de sintomas respiratórios relacionados à exposição ocupacional, muitos deles com dificuldades técnicas de comprovação do nexo causal (DEUS FILHO, 1982; CASTRO et al., 2004). Destaca-se o estudo de Lemle et al. (1994), em que foram avaliados 72 trabalhadores expostos a poeiras em uma pedreira no Rio de Janeiro e, apesar de 65,3 % apresentarem sintomas respiratórios, o que mais explicou a presença dos mesmos foram os antecedentes respiratórios de morbidade pulmonar e o tabagismo, e em menor grau a exposição ocupacional à poeira. Quanto à avaliação da função pulmonar na presente pesquisa, dos 50 indivíduos que realizaram a mensuração de PFE foi encontrada uma redução na função pulmonar. Este dado não coincide com o estudo de Herval, Koga e Santos (1980), que realizaram a espirometria para avaliação da função pulmonar em 101 ceramistas expostos à sílica e identificou que os trabalhadores permaneceram com volumes, capacidades e fluxos normais,
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    62 concluindo que asalterações ventilatórias são mais tardias e de caráter obstrutivo e que o componente restritivo só ocorre nos casos graves. Figura 2: Variação de pico de fluxo expiratório mensurado x previsto na empresa 2. Fonte: Dados da pesquisa, 2011. Mas existe uma divergência entre os estudos realizados, ou seja, muitas variações nos dados espirométricos encontrados. Florencio et al. (1989), avaliaram através do teste de exercício, a função cardiorespiratória de 43 ceramistas, ativos ou aposentados, com diagnósticos de silicose pulmonar, encontrando provas funcionais respiratórias no repouso alteradas em apenas 14 trabalhadores. Entretanto Cowe et al (1998) avaliaram 242 mineiros expostos à sílica e foi encontrada uma perda média de 75mml/ano do volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) em toda a população. Um padrão de perda similar foi encontrado quando se analisou a capacidade vital forçada (CVF) e a capacidade de difusão pulmonar. Em outro trabalho que objetivou analisar os distúrbios ventilatórios de 59 trabalhadores portadores de silicose, foi encontrado 42,1% de indivíduos normais, 43,9% com distúrbio ventilatório obstrutivo, 7% restritivo e 7% misto. Os pacientes com silicose apresentaram uma redução significativa nos índices espirométricos (VEF1CVF) em relação àqueles com silicose simples (PINTO, 2001). Castro et al. (2004), em estudo transversal com 457 trabalhadores expostos à poeira de sílica encontraram na espirometria 10% com redução da CVF 5,5% com redução do VEF 1 e 14,9% com redução da relação VEF1/CVF. Contudo Lopes (2008), analisando 44 trabalhadores expostos à sílica, encontrou na espirometria 61,4% de distúrbios obstrutivos.
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    63 Dentre os estudospesquisados, encontramos uma variedade muito diversificada de resultados e valores. Essa ampla variabilidade pode ser atribuída por diferenças na técnica, amostra, faixa etária, população, entre outros fatores. 4 CONCLUSÃO No presente estudo observou-se que a predominância do sexo masculino se justifica tanto pelo fato de ser uma atividade que exige significativo esforço físico, como também por possuir alto grau de insalubridade. Quanto ao número de funcionários existentes na empresa, verifica-se que às referidas indústrias detém um número considerável de funcionários para o possível funcionamento das diversas operações, fato este que justifica a permanência da maioria dos integrantes da empresa nos setores de produção. Nos resultados considerados por sexo, faixa etária e tabagismo, observou-se que as variáveis que se mantiveram preditoras para alteração da função pulmonar foram o tempo de exposição de 02 anos a mais e a inalação de poeira. Os achados desta investigação sugerem que os mineradores das indústrias de beneficiamento de caulim têm acometimento dos padrões respiratórios, apresentando um declínio abaixo da média nos padrões considerados dentro da normalidade para o Pico de Fluxo Expiratório (PFE). Os resultados da pesquisa confirmaram a diminuição da função pulmonar nesses trabalhadores, principalmente representadas pelos valores de PFE obtido. Ademais, é importante ressaltar que as empresas campo da pesquisa não oferecem uma assistência fisioterapêutica suficiente para todos os indivíduos, o que possivelmente agrava o quadro. Os resultados encontrados são importantes para nortear as políticas de saúde, principalmente relacionadas à saúde do trabalhador. Por outro lado, eles suscitam a necessidade de que sejam realizadas outras pesquisas sobre o tema, com maior número de trabalhadores, para obtenção de mais dados referentes às disfunções respiratórias em trabalhadores mineradores da indústria de beneficiamento do caulim. Dessa forma, recomenda-se conscientização dos proprietários dessas empresas para que possibilite aos seus funcionários o uso dos EPIs e
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    64 acompanhamentos periódicos dessafunção pulmonar, assim como ações dos serviços de saúde daquela região, em busca de uma prevenção de maiores complicações respiratórias. REFERÊNCIAS ALGRATI, E. Epidemiologia das doenças ocupacionais respiratórias no Brasil. In: SILVA, L. C. C.; MENEZES, A. M. B. (Editores). Epidemiologia das doenças respiratórias. Rio de Janeiro: Revinter, 2001. AZEREDO, C.A.C. Fisioterapia Respiratória Moderna. 4. ed. São Paulo, Manole, 2002. BRASIL. Ministério da Saúde. Diagnóstico e manejo das doenças relacionadas com o trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde-OPS. Brasilia: MS, 1999. _______. Ministério da saúde. Diretrizes e normas envolvendo seres humanos. Brasilia: MS, 2012. _______. Ministério da Saúde. Pneumoconioses. Brasilia: MS, 2006. BAGATIN, E. et al. Correlação entre queixa de falta de ar, espirometria e acometimento radiológico em silicóticos. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 1, n. 17, p. 13-20, 1991. ______ et al. Ocorrência de silicose pulmonar na região de Campinas-SP. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 21, n. 1, p. 17-26, 1995. ______; NEDER, J. A. Doenças respiratórias ambientais e ocupacionais. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 2, n. 32, p. 119-134, 2006. BOAVENTURA, M, C. et al. Valores de referências de medidas de PFE máximo em escolares. Arq. Med. ABC, v. 2, n. 32, p. 30-34, 2007. BRITO, J. S.; LIMA, A. A.; PEREIRA, E. B. Diagnóstico sobre a produção de bens minerais na província pegmatítica da Borborema. Natal: FINEP/FUNPEC, 2007. (Projeto Desenvolvimento em rede do arranjo produtivo em pegmatito RN/PB). CABRAL, E. S.; LEITE, E. M.; ARAÚJO, R. B. Impactos ambientais: uma abordagem das atividades de beneficiamento de caulim na região Borborema/Seridó na Paraíba. Centro Científico Conhecer - Enciclopédia Biosfera, Goiânia, v. 5, n. 8, 2009. CARAM, L. M. O. et al. Perfil de fumantes atendidos em serviço público para tratamento do tabagismo. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 10, n. 35, p. 980-985, 2009.
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    68 GRAU DE OBSTRUÇÃODAS VIAS AÉREAS E USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI’S): REPERCUSSÕES NA SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO GRANITO Telma da Silva Araújo9 Priscilla Indianara Di Paula Pinto Taques10 RESUMO Objetivo: Identificar o grau de obstrução das vias aéreas, o uso de equipamentos de proteção individual (EPI’s) e apontar as repercussões na saúde dos trabalhadores da indústria do granito. Desenvolveu-se uma pesquisa aplicada, quantitativa-descritiva e de campo, numa marmoraria de Campina Grande-PB, em outubro de 2014. A amostra foi composta por 09 trabalhadores do granito, selecionados por acessibilidade, e os dados foram coletados através de uma ficha de avaliação respiratória e teste com aparelho Peak Flow para avaliar o grau de obstrução das vias aéreas, bem como questões acerca do uso de EPI´s. Os dados foram analisados através de estatística descritiva. A pesquisa recebeu parecer favorável a sua execução após apreciação ética do Comitê de Ética e Pesquisa do Centro de Ensino Superior e Desenvolvimento (CESED). Os resultados apontam que 100% dos participantes da amostra eram do sexo masculino. Quanto ao teste com o Peak Flow, obtiveram uma média do Pico de Fluxo Expiratório (PFE) mensurado de 465,55 l/min e uma média do PFE previsto de 592 l/min, indicando um índice de obstrução moderada em 55,6% (5). O estudo apontou que 100% dos trabalhadores faziam uso de EPI’s. Exposições a fatores ambientais e ocupacionais podem ser reduzidas através de ações de prevenção e promoção a saúde do trabalhador, com intuito de minimizar problemas respiratórios advindos da inalação dos mesmos. De acordo com grau de obstrução verificado junto aos trabalhadores, podemos concluir que há indícios que estes possam apresentar repercussões respiratórias vindo a desencadear alguma Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Palavras-chave: Saúde do trabalhador. Doenças Ocupacionais. Pico de Fluxo Expiratório. DEGREE OF AIRWAY OBSTRUCTION AND USE OF EQUIPMENT PERSONAL PROTECTION (PPE'S): EFFECTS ON THE HEALTH GRANITE INDUSTRY WORKERS ABSTRACT Objective: To identify the degree of airway obstruction, use of personal protective equipment (PPE) and point health impacts of the granite industry 9 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 10 Mestra em Saúde Pública pela Universidade Estadual da Paraíba-UEPB. Especialista em Saúde Pública e em Fisioterapia Pneumofuncional. Coordenadora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-UNESC. Professora substituta da Universidade Estadual da Paraíba-UEPB. Fisioterapeuta.
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    69 workers. Developed anapplied research, quantitative - descriptive and field, a marble factory in Campina Grande -PB, in October 2014. The sample consisted of 09 granite workers, selected by accessibility, and data were collected through a plug respiratory evaluation and testing with peak flow device to assess the degree of airway obstruction, as well as questions about the use of PPE. Data were analyzed using descriptive statistics. The research received assent to its implementation after ethical appreciation of the Research Ethics Committee of Higher Education and Development Center (CESED). The results show that 100% of the sample participants were male. As for the test with the peak flow, achieved an average of Expiratory Flow Peak (PEF) measured 465.55 l / min and a peak flow expected average of 592 l / min, indicating a moderate obstruction index of 55.6 % (5). The study found that 100 % of employees were using PPE. Exposure to environmental and occupational factors can be reduced through prevention and promotion actions worker health, aiming to minimize breathing problems caused by inhaling them. According to degree of obstruction as measured with the workers, we can conclude that there is evidence that they may present respiratory effects beginning to lead to some Chronic Obstructive Pulmonary Disease (COPD). Keywords: Occupational Health. Occupational Diseases. Peak Expiratory Flow. 1 INTRODUÇÃO A Saúde do Trabalhador é a área da Saúde Pública cujo objetivo de estudo e intervenção são as relações entre o trabalho e a saúde (SOUSA, 2010). As condições determinadas por alguns processos de produção industrial geram doenças as quais os trabalhadores estão submetidos, constituindo as doenças relacionadas ao trabalho. Para se evitar o dano, garantido a proteção à saúde dos trabalhadores, ações interdisciplinares devem identificar as condições de risco e sugerir as alternativas de mudanças nos processos de trabalho ou nas condições de trabalho, propondo programas preventivos voltados aos trabalhadores (GONÇALVES et al., 2008). De acordo com Fagundes e Zanellato (2009), é importante que haja a avaliação do ambiente de trabalho e dos trabalhadores, determinando o grau de risco e os tipos de equipamentos de proteção individual (EPI) que o trabalhador necessita pra cada local e função que ele venha a desempenhar. Além de proporcionar treinamento quanto ao uso de EPI e salientar sua importância. A situação é tão crítica que o Ministério da Saúde brasileiro tem objetivado desenvolver ações focadas nos trabalhadores do setor da mineração, promovendo o monitoramento da saúde e a prevenção de doenças
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    70 relacionadas ao processode trabalho, já que apresenta alto nível de periculosidade (BRASIL, 2009). As doenças ocupacionais são designação de várias doenças que causam alterações na saúde do trabalhador, comumente provocadas por vários fatores relacionados com os ambientes de trabalho. As doenças das vias aéreas estão diretamente relacionadas aos materiais inalados nos ambientes de trabalho e dependem das propriedades dos agentes físico-químicas que a causam (TARANTINO, 2008). No Brasil, existe uma ampla exposição ocupacional gerando a ocorrência de doenças respiratórias, porém, poucos dados estão disponíveis acerca dessas ocorrências, por se tratarem de doenças subdiagnosticadas e subnotificadas pelas empresas e pelos profissionais da saúde (LIDIO; KIMATURA, 2008). Para Moreira et al. (2010), o trabalho em locais de riscos e sem devidos cuidados geram um certo cuidado aos trabalhadores quando estes não fazem o uso de equipamentos de proteção individual. Assim sendo, com a observação empírica percebe-se que existe alta incidência de doenças ocupacionais respiratórias em trabalhadores do granito, isso por decorrente da exposição às substâncias ou condições perigosas presentes nas atividades profissionais. Um dos vários exemplos disso é a silicose, mais comum em profissionais de mineração. As doenças mais comuns são: bronquite, sinusite, rinite, asma, gripe, resfriado, faringite, enfisema pulmonar, câncer de pulmão, tuberculose, pneumonia e pneumoconioses (MARQUES; FIDELIS; BRASILEIRO, 2012). Portanto, Lima (2009) afirma que para melhorias na saúde dos trabalhadores são necessárias mudanças nas práticas trabalhistas e no enfoque aos EPI’s, para redução e até mesmo prevenção de doenças ocupacionais. Assim, é importante saber que o diagnóstico funcional de um paciente não depende apenas da identificação de funcionários sintomáticos e do teste de PFE (Pico de Fluxo Expiratório) para identificar o grau de obstrução de vias aéreas, são necessários ainda outros exames e testes para avaliar a função pulmonar, como a espirometria e radiografia (BOAVENTURA et al., 2007). Neste contexto, o Peak Flow é um aparelho simples, portátil, de fácil manuseio e de baixo custo, tendo o objetivo de medir o fluxo expiratório (PFE), que é o fluxo máximo alcançado durante uma expiração realizada com força
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    71 máxima, ou seja,de uma insuflação pulmonar. O PFE é considerado, como volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF¹), definindo assim a presença ou ausência de obstrução das vias aéreas (BRITO; BRANT; PARREIRA, 2009). A prática de trabalho em marmorarias é uma técnica produtiva, que junto com sua riqueza, trouxe degradação ambiental e danos irreparáveis à saúde dos trabalhadores da indústria do granito. Repercute em doenças pulmonares ocupacionais, as quais constituem um importante e grave problema de saúde pública. A partir dos dados e da observação dos efeitos à saúde aos seres humanos de modo direto e indireto e do conhecimento prévio sobre o acometimento do sistema respiratório em especial, teve-se o interesse em realizar uma pesquisa que abordasse a temática outrora discorrida. Diante do exposto, a realização desta investigação é considerada relevante por apontar os prejuízos na ventilação pulmonar ocasionados pela obstrução das vias aéreas, sendo evidenciado pela mensuração do PFE. Além disto, pode-se apontar que o desenvolvimento desta pesquisa permite alertar para o risco ocupacional que os trabalhadores do granito estão expostos e mediante tal situação, conhecer alternativas para que medidas preventivas sejam tomadas no intuito de amenizar ou até mesmo eliminar tais prejuízos à saúde pública. Este estudo contribui ainda para que sejam tomadas medidas preventivas para não ocorrerem novos casos de doenças obstrutivas neste ramo de atividade econômica, oferecendo melhoria das condições de saúde e segurança dos trabalhadores com a implantação de controle da exposição ocupacional às poeiras minerais. Poderá também servir como embasamento científico para outras pesquisas na área, já que existe, aparentemente, um hiato quando se buscam referências bibliográficas sobre a correlação: doenças obstrutivas e o uso de EPI, PFE e prejuízos na ventilação pulmonar. Assim sendo, teve-se como objetivo geral identificar o grau de obstrução das vias aéreas, o uso de equipamentos de proteção individual (EPI), bem como apontar as repercussões na saúde dos trabalhadores da indústria do granito em uma marmoraria na cidade de Campina Grande-PB.
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    72 2 METODOLOGIA A pesquisarealizada foi classificada como uma pesquisa aplicada, que de acordo com Marconi e Lakatos (2008), se caracteriza por seu interesse prático, ou seja, que os resultados sejam aplicados ou utilizados, imediatamente, na solução de problemas que ocorrem na realidade. Classificou-se ainda como quantitativa-descritiva, que consiste em investigação de pesquisa empírica, com intuito de analisar as características dos fatos ou fenômenos, avaliação de programas ou isolamento de variáveis. A pesquisa de campo consiste na observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados a eles referentes e no registro de variáveis que se presumem relevantes, para analisá-los. A coleta de dados foi realizada em Campina Grande-PB, no mês de outubro de 2014, em uma marmoraria. Foram realizadas 3 (três) visitas ao local da pesquisa, nas quais os participantes responderam a um instrumento elaborado pelos pesquisadores que continha questões sócio demográficas, além de campos para registro da avaliação respiratória e para os resultados do teste com o Peak Flow, visando conhecer o grau de obstrução de vias aéreas destes trabalhadores do granito. Destacamos que antes da aplicação do referido instrumento, solicitamos anuência escrita dos sujeitos da pesquisa, através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme determina a Resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa. A amostra perfez um número de 09 sujeitos, todos do sexo masculino, selecionados de forma não probabilística, por acessibilidade, de uma população de trabalhadores da indústria do granito do município de Campina Grande-PB. Foram inclusos participantes que atenderam aos critérios de inclusão, quais foram, aceitação em participar da pesquisa, assinando o TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido); serem do sexo masculino; trabalhadores ativos capazes de responder ao instrumento e de realizar o teste com o Peak Flow. Para exclusão, por sua vez, foram adotados os seguintes critérios: trabalhadores inativos, de licença, em férias, temporários, estagiários; e trabalhadores que tivessem alguma doença de base já instalada que não fosse capaz de realizar o teste com Peak Flow.
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    73 Para a coletade dados, foram utilizados como instrumentos: uma ficha de avaliação respiratória, que incluiu questões sócio demográficas e sobre sintomatologia respiratória, além de um aparelho para avaliação de pico de fluxo expiratório, o Peak Flow, que permite a verificação do grau de obstrução de vias aéreas. Os dados resultantes do teste com o Peak Flow foram registrados no supramencionado instrumento. Quanto ao protocolo de avaliação, buscou-se colher os seguintes dados: altura, peso (P), pressão arterial sistêmica (PA), frequência respiratória (FR), frequência cardíaca (FC) e a mensuração do pico de fluxo expiratório (PFE) e Peak Flow previsto. O PFE foi coletado através de três medidas para cada trabalhador, considerando-se o mais alto valor, conforme preconizado na literatura (ANDRADE; DUARTE; CAMARGOS 2007; PIOVESANI et al., 2006). Então, para mensuração do PFE foi utilizado aparelho portátil Peak Flow Meter da marca Asma-Plan. Antes da realização do teste se fez necessário uma orientação ao paciente, a qual é importante para o sucesso do teste. De início foi dada uma explicação, e em seguida uma demonstração para que ficasse bem claro ao indivíduo como se realizar o teste. Este foi executado com o indivíduo sentado, porém o pescoço não pode estar em flexão ou hiperextensão para que não venha a afetar a complacência traqueal, e durante as manobras foi necessário o uso de um clipe nasal. O teste foi iniciado de uma inspiração máxima, seguida por uma expiração forçada máxima, curta e explosiva, através da peça bocal acoplado ao medidor de pico de fluxo (Peak Flow) (BRITTO; BRANT; PARREIRA, 2009). Os resultados foram analisados quantitativamente, através da estatística descritiva sendo expostos, observados e analisados através de gráficos e tabelas, de acordo com a quantidade de trabalhadores, o grau de obstrução de vias aéreas e uso de EPI’s. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa-CEP do Centro de Ensino Superior e Desenvolvimento (CESAD), para apreciação e recebeu parecer favorável à sua execução através do CAAE: 35547414.1.0000.5175. O pesquisador responsável assinou o Termo de Concordância com a pesquisa, bem como o Termo de Compromisso do Pesquisador e se comprometeu a cumprir as normas da Resolução 466/12 do
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    74 Conselho Nacional deSaúde, evidenciando as finalidades do estudo, identificação, contatos do pesquisador e garantia de sigilo das informações. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES 3.1 Perfil sociodemográfico e clínico da amostra A amostra da pesquisa foi constituída por 09 trabalhadores de uma marmoraria no município de Campina Grande - PB. A análise dos dados obtidos nos permitiu constatar que a média de idade dos participantes foi de 31,22 ± 7,31anos, variando entre 19 e 40 anos (Tabela 1). Todos os participantes eram do sexo masculino, dado que pode ser justificado devido ao trabalho na marmoraria ser prioritariamente uma atividade para homens, por exigir muito da força e manejo de pedras pesadas. Tabela 1: Média e desvio padrão das idades dos participantes da amostra PARTICIPANTES IDADE (Anos) MÉDIA DESVIO PADRÃO 09 31,22 7,31 Fonte: Dados da pesquisa, 2014. Todos os participantes da pesquisa residem no município de Campina Grande (100% - 9). Quanto aos hábitos de vida, observamos que 55,5% (5) são etilistas e 44,4% (4) não fazem uso do álcool, que 44,4% (4) são tabagistas, 55,5%(5) não são tabagistas, sendo 50% (2) fumantes dependentes (Tabela 2). Segundo Castro et al. (2004), em um estudo realizado através do perfil respiratório de trabalhadores, constatou uma prevalência de fumantes de 52%, visto que existe um alto índice de fumante nos ambientes de trabalho.
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    75 Tabela 2: Distribuiçãoda amostra segundo características sócio demográficas CARACTERISTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS FREQUÊNCIA N = 09 PERCENTUAL (%) Idade (anos) 18 – 25 1 11,11 26 – 30 1 11,11 31 – 35 4 44,44 36 – 40 3 33,33 Sexo Feminino 0 0 Masculino 09 100 Tabagismo Sim Dependentes Ocasionais Regulares 4 2 1 1 44,44 22,22 11,11 11,11 Não 5 55,55 Etilismo Sim 5 55,55 Não 4 44,44 Fonte: Dados da pesquisa, 2014. A partir da avaliação respiratória feita durante a pesquisa podemos coletar os seguintes dados, que permitiram a construção de um perfil clínico da amostra: doenças respiratórias pregressas, via de acesso ao ar, avaliação ventilatória, tosse, expectoração, padrão respiratório, tipo de tórax. Os resultados apontam que 88,8% (8) dos trabalhadores da marmoraria não apresentaram nenhuma doença respiratória pregressa e apenas 11,1% (1) apresentam doença respiratória pregressa, 66,6% (6) são respiradores nasais, 33,3% (3) são respiradores bucais, 100% (9) são eupnéicos, 77,7% (7) não apresentaram sintomas de tosse, 88,8% (8) não apresentaram expectoração, 88,8% (8) apresentaram padrão respiratório costal, 11,1% (1) apresentou padrão respiratório abdominal, e em relação ao tipo de tórax, não apresentam nenhuma alteração no (Tabela 3).
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    76 Tabela 3: Distribuiçãoda amostra segundo avaliação respiratória AVALIAÇÃO RESPIRATÓRIA FREQUÊNCIA N= 09 PERCENTUAL (%) Doença respiratória pregressa Apresenta 1 11,1 Não apresenta 8 88,8 Via de acesso ao ar Bucal 3 33,3 Nasal 6 66,6 Avaliação ventilatória Taquipnéico/ Bradipnéico 0 0 Eupnéico 9 100 Tosse Sim 2 22,2 Não 7 77,7 Expectoração Sim 1 11,1 Não 8 88,8 Padrão respiratório Abdominal 1 11,1 Costal 8 88,8 Tipo de tórax Normal 9 100 Pectus Escavatum Pectus Carinatum - - - - Fonte: Dados da pesquisa, 2014. Através de questionamento direto ao paciente, quando possível, ou a seus familiares, podemos descobrir alguma história pregressa de patologia respiratórias. Quanto às vias de acesso de ar, Barbiero et al. (2007), descreve que o simples ato de respirar pelo nariz é inerente ao ser humano, sendo este, ao nascer, um respirador nasal obrigatório. Para que ocorra a respiração nasal é necessário que haja integridade anatômica e funcional das vias aéreas. Porém, existem outros tipos de respiração, além da respiração nasal (normal), como as respirações oral e mista, consideradas formas anômalas que se realizam através da ajuda da boca, de maneira total ou parcial, respectivamente. A respiração oral caracteriza um desvio adquirido, podendo ser de natureza multifatorial e causar efeitos deletérios. Gambaroto (2006), demostra que a frequência respiratória em indivíduos adultos normais em repouso varia de 12 a 22 incursões por minuto, e relata ainda que ao fazer a contagem da frequência respiratória pode-se definir que: o
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    77 paciente pode estarcom uma taquipnéia (frequência respiratória maior ou igual a 24 incursões por minuto); bradipnéia (frequência respiratória menor que 12 incursões por minuto); apnéia (suspensão da respiração) e eupnéia (respiração estiver dentro dos padrões normais que vai de 12 a 22 inspirações por minuto). As agressões sofridas pelo sistema respiratório resultam em sintomas característicos da doença pulmonar obstrutiva crônica, como tosse, expectoração e dispneia, sendo os mais frequentes, dentre os sintomas relacionados ao tabaco. Segundo Machado (2008), a tosse é um sintoma protetor das vias aéreas, é uma reação de defesa traqueobrônquica, pleuras, vísceras, e pericárdio, é, portanto uma ação reflexa de defesa do organismo. Através dos dados analisados, observou-se que, no que diz respeito ao hábito tabágico, dentre os trabalhadores da marmoraria 44% (4) são fumantes e 56% não são fumantes (Gráfico 1). Gráfico 1: Classificação da amostra quanto ao hábito tabágico Fonte: Dados da pesquisa, 2014. O tabagismo é considerado, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a principal causa de morte prevenível, afetando mais de um bilhão de pessoas no mundo. No Brasil, são aproximadamente 33 milhões de tabagistas (LEITÃO FILHO et al., 2009). Segundo Rodrigues, Cheik e Mayer (2008) pode-se definir fumante todo o indivíduo que consumiu cigarros ou qualquer produto tabágico regularmente
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    78 e tabagismo comoo ato de consumir cigarros ou outros produtos que contenham tabaco, cuja droga ou princípio ativo é a nicotina. Assim, o tabaco é considerado um fator de risco para seis (doença cardíaca isquêmica, acidente vascular cerebral e outras doenças cerebrovasculares, infecções do trato respiratório inferior, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de traquéia, brônquios e pulmões) das oito principais causas de morte no mundo, e que mata uma pessoa a cada seis segundos. Melo, Araújo e Petroianu (2001) através de estudo sugeriram que o tabagismo tem papel sinérgico na redução do fluxo expiratório. Quanto à classificação do tabagismo 50%(2) apresentaram-se como fumantes dependentes, 25% (1) como fumante regular, 25% (1) como fumante ocasional. Estes se classificaram como fumantes dependentes, que fumavam mais de 20 cigarros por dia, fumantes regulares que fumavam menos de 10 cigarros por dia e fumantes ocasionais que fumavam de 1 a 2 cigarros por dia (Gráfico 2). Gráfico 2: Classificação do Tabagismo quanto a quantidade de cigarros Fonte: Dados da pesquisa, 2014. No que dizem respeito aos sinais vitais dos trabalhadores participantes da amostra, os resultados apontam uma média da frequência cardíaca de 68,87 (±11,2), uma média de frequência respiratória de 18,3 (±1,2), uma média de PA de 123,3 x 73,3(±10,0 x 5,0) e por fim, observamos uma média de SpO² de 96,4% (±1,8) (Tabela 4).
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    79 Von Eye (2008),descreve que os parâmetros cardíacos (FC) considerados normais apresentam-se no intervalo de 60-100 bpm. Acima destes valores descreve taquicardia (coração de um adulto bate mais de 100 vezes por minuto) e menor que esses valores bradicardia (coração de um adulto bate menos de 60 vezes por minuto). O mesmo ainda ressalta que a pressão sanguínea (PA) em indivíduos normais a pressão sistólica vai até 140 mmHg e a pressão diastólica vai até 90 mmHg. A frequência respiratória deve ser medida com o paciente confortavelmente sentado, onde o normal em adultos é de 12-16 respiração por minuto. Já sobre a saturação de oxigênio (SPO²), este afirma que pacientes com DPOC apresentam em torno de 89%, recebendo um tratamento diferenciando na oxigenoterapia. De acordo com os resultados da tabela 4 e com o autor mencionado, podemos classificar os trabalhadores participantes da amostram como normocárdicos, cujos valores obtidos se encaixam entre os valores citados acima, ou seja, entre os valores normais, podemos também classificar os trabalhadores como eupnéicos, ou seja, os mesmos apresentam frequência respiratória dentro dos valores normais citados, podemos classificar de acordo com a PA (Pressão Arterial) que os participantes da amostra não são hipertensos, contudo, os mesmos apresentaram valores normais de PA, como citado pelo autor anteriormente. E ainda apresentam uma saturação de oxigênio dentro da normalidade. Tabela 4 – Distribuição da amostra quanto aos sinais vitais FC (bpm) FR (ipm) PA (mmHg) SpO2 AMOSTRA MÉDIA/D.P MÉDIA/D.P MÉDIA/D.P MÉDIA/D.P N=09 68,7 ± 11,2 18,3 ± 1,2 123,3 x 73,3 ± 10,0 x 5,0 96,4 ± 1,8 Fonte: Dados da pesquisa, 2014. Através de uma análise dos dados antropométricos obtidos observa-se uma média de peso dos trabalhadores de 72,8Kg (±10,7), uma média de altura de 1,72m (±0,04) e uma média de IMC equivalente a 24,51 Kg/m² (±3,32) (Tabela 5).
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    80 Tabela 5: Distribuiçãoda amostra quanto aos dados antropométricos AMOSTRA PESO (Kg) ALTURA (m) IMC (Kg/m2 ) MÉDIA/DP MÉDIA/DP MÉDIA/DP N=09 72,8±10,7 1,72±0,04 24,51± 3,32 Fonte: Dados da pesquisa, 2014. O peso corporal pode comprometer a respiração de um paciente através da obesidade e má nutrição. Como o peso corporal ideal tem uma grande variação normal, o índice de massa corpórea (IMC) tem sido proposto como uma alternativa, na qual a escala normal está entre 20 – 25 Kg/m², assim pacientes com um (IMC) abaixo de 20 kg/m² estão abaixo do peso, aqueles com valores entre 25 – 30 estão acima do peso e aqueles com valores acima dos 30 são classificados como obesos. Seguindo os parâmetros apontados pelos autores, podemos enquadrar a amostra estudada em um padrão normal de IMC (PRYOR; WEBBER, 2002). 3.2 Peak Flow e trabalhadores do granito A espirometria de fluxo é o teste-padrão para calcular a função pulmonar e suas alterações e representa grande importância no diagnóstico, na quantificação da intensidade do acometimento dos distúrbios ventilatórios e no manejo de pacientes com doenças pulmonares. É um meio rápido e seguro de avaliação funcional e graças a sua sensibilidade é capaz de detectar alterações pulmonares antes mesmo que elas ocorram, ou seja, mesmo que ainda não tenham ocorrido os primeiros sintomas e doenças respiratórias crônicas (NEPPELENBROCK et al., 2005). A mensuração do Pico de Fluxo Expiratório (PFE) da amostra estudada foi realizada segundo aponta Sarmento (2007, p. 195) com: [...] paciente orientado a ficar em posição confortável, de preferência em posição ortostática; segurar o aparelho adequadamente, não obstruindo a saída do ar; zerar o marcador; inspirar profundamente; colocar o aparelho na boca com os lábios firmes; expirar com maior velocidade possível; anotar o valor obtido; efetuar três vezes o procedimento; anotar o melhor resultado em sua tabela pessoal.
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    81 Portanto, o subitemque se inicia apresenta a exposição dos resultados obtidos mediante o teste com o Peak Flow, bem como sua relação com os parâmetros de normalidade e as variáveis importantes para esta avaliação, tais como idade, altura e sexo. De acordo com os valores de pico de fluxo expiratório (PFE) considerados normais (TABELA 6), foi calculado o PFE previsto para cada amostra de acordo com sua altura, idade e PFE mensurado. Tabela 6- Valores de Pico de Fluxo Expiratório (l/min) para população normal HOMENS Idade Estatura (cm) (anos) 155 160 165 170 175 180 20 564 583 601 620 639 657 25 553 571 589 608 626 644 30 541 559 577 594 612 630 35 530 547 565 582 599 617 40 518 535 552 569 586 603 45 507 523 540 557 573 576 50 494 511 527 543 560 563 55 483 499 515 531 547 563 60 471 486 502 518 533 549 65 460 475 490 505 520 536 70 448 462 477 492 507 521 Fonte: Dados da pesquisa, 2014. Através de uma distribuição da amostra e uma correlação entre a idade, altura, PFE mensurado e PFE previsto, os resultados apontaram: média dos fluxos expiratórios mensurados de 465,55 l/min (±94,61); média de fluxo expiratório previsto de 592 l/min (±22,01); idade variando de 19 a 40 anos, com média de 31,22 anos (±7,31), uma altura que variou de 1,67 a 1,83 cm, com média de 1,72 cm (±0,04) (Tabela 7).
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    82 Tabela 7: Distribuiçãoda amostra quanto a avaliação da função pulmonar com Peak Flow AMOSTRA ALTURA (cm) IDADE (anos) PFE mensurado (l/min) PFE Previsto (l/min) G.O (%) TIPO DE OBSTRUÇÃO 1º 1,72 40 320 569 47,3 OG 2º 1,70 22 370 608 39,2 OM 3º 1,67 33 620 582 6,2 AO 4º 1,83 26 480 630 23,9 OM 5º 1,72 37 400 569 29,8 OM 6º 1,76 38 460 586 21,6 OM 7º 1,71 33 450 582 22,3 OM 8º 1,72 19 540 620 13 OL 9º 1,70 33 550 582 5,5 AO MÉDIA 1,72 31,22 465,55 592 - DP 0,04 7,31 94,61 22,01 - OG- Obstrução Grave; OM- Obstrução Moderada; OL- Obstrução Leve; AO- Ausência de Obstrução Fonte: Dados da pesquisa, 2014. De acordo com os dados da tabela acima podemos identificar que os resultados do PFE mensurado, com relação aos valores do PFE previsto, demonstraram uma pequena discrepância, na qual podemos considerar uma diferença entre os valores como toleráveis, os quais a maior parte dos trabalhadores apresentou grau de Obstrução Moderada (OM), o que equivale a 56%. Comparando os resultados com a literatura podemos observar que os trabalhadores apresentaram moderada obstrução das vias aéreas. Patrocínio et al (2009) descrevem que o PFE é um indicador indireto da DPOC e obstrução das grandes vias aéreas sendo afetado pelo grau de insuflação pulmonar, pela elasticidade torácica, musculatura abdominal e pela força muscular. De acordo com autor citado, quando o PFE apresenta-se maior ou igual a 80% do predito é considerado obstrução leve (OL), entre 60 e 80% do predito considera obstrução moderada (OM), menor ou igual que 60% é considerado obstrução grave (OG) e maiores ou iguais o da tabela, é considerado ausência de obstrução (AO). Conforme constatado através dos resultados do teste com o Peak Flow, os trabalhadores da marmoraria que constituiu o cenário desta pesquisa apresentam ainda um grau moderado de obstrução das vias aéreas. Porém, é sabido que a exposição prolongada aos inalantes oriundos da sua atividade ocupacional pode agravar tal quadro e ser um fator desencadeante de doenças
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    83 obstrutivas, que comprometemgravemente a qualidade de vida e sobrevida dos seus portadores. As principais doenças obstrutivas difusas são: enfisema, bronquite crônica, bronquiectasia e asma. A DPOC se caracteriza por uma leve inflamação crônica por todas as vias aéreas, parênquima e vasculatura pulmonar. Em pacientes que apresentam essas patologias, os testes de função pulmonar demonstram uma limitação dos índices de fluxo aéreos normais durante a expiração forçada, geralmente mensurados através do volume expiratório forçado em um segundo (BAGATIN; COSTA, 2006). As doenças pulmonares obstrutivas podem decorrer de um estreitamento das vias aéreas anatômicas, como é classicamente observado na asma, ou pela perda do recurso elástico do pulmão, característico do enfisema pulmonar. Ademais, os pacientes com doença pulmonar difusa podem ser classificados em: Doença Obstrutiva – caracterizada por um aumento da resistência ao fluxo de ar devido a uma obstrução parcial ou completa, em qualquer nível, da traquéia e dos grandes brônquios até bronquíolos terminais e Doença Restritiva – caracterizada por uma expansão reduzida do parênquima pulmonar, com diminuição da capacidade pulmonar total. Assim sendo, Maia et al. (2007), percebe que o valor do fluxo expiratório revela a presença de resistência ao fluxo nas vias aéreas e traduz a intensidade da dificuldade de saída de ar dos pulmões, indicando o grau de obstrução no momento da mensuração, servindo como uma prova funcional pulmonar dirigida à avaliação das vias aéreas. No (Gráfico 3), é possível observar o percentual do grau de obstrução das vias aéreas dos trabalhadores do estabelecimento da pesquisa. Os resultados apontam que 22% (2) não apresentam obstrução, ou seja, apresenta AO (Ausência de Obstrução), onde os valores obtidos corresponderam a resultados iguais e maiores que os valores previstos, citados por Patrocínio (2009), 11% (1) apresentaram OL (Obstrução Leve), ou seja, apresentaram resultados maiores que 80%, 11%, (1) apresentou OG (Obstrução Grave), na qual os valores correspondem a valores menores ou iguais a 60% e 56% (5) apresentou OM (Obstrução Moderada), ou seja, apresentou valores ente 60% e 80% dos valores preditos.
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    84 De acordo comGambaroto (2006), a doença pulmonar obstrutiva crônica é caracterizada pelo desenvolvimento de limitação progressiva e não reversível ao fluxo aéreo. A Organização Mundial de Saúde prevê que, em 2020, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) passará de 12ª para a 5ª doença mais prevalente no mundo e da 6ª para 3ª causa de morte. Gráfico 3: Classificação da amostra quanto ao tipo de obstrução Fonte: Dados da pesquisa, 2014. Dados da pesquisa apontaram resultados que demonstram que 100% (09) dos trabalhadores da marmoraria fazem uso de EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual). No que diz respeito ao tipo de EPI’s obtivemos o seguinte resultado: 100% (09) fazem uso de máscara e protetor auricular, bem como luvas e capacete (Gráfico 4).
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    85 Gráfico 4: Classificaçãoda amostra quanto ao uso de EPI’s Fonte: Dados da pesquisa, 2014. De acordo com Hiarata Filho (2008), os EPI’s podem ser considerados como um dispositivo de uso individual destinado a proteger a integridade física e a saúde do trabalhador, onde toda empresa é obrigada a fornecer aos seus funcionários, gratuitamente os EPI’S segundo as necessidades de trabalho e ao risco inerente. Os empregados também têm a obrigação de usar EPI’S e se responsabilizar pela guarda e conservação deste. De um modo geral podemos ressaltar que é através dos EPI’S, que podemos garantir uma proteção mais eficaz para os respectivos trabalhadores, não só apenas evitando que algumas doenças do trato respiratório se instalem, mais evitando também acidentes dentro do local de trabalho ou durante sua atividade laboral. 4 CONCLUSÕES Ao longo deste trabalho pôde-se buscar e identificar o grau das obstruções das vias aéreas de trabalhadores de uma marmoraria, bem como o uso de EPI’s, decorrente de sua atividade laboral e as repercussões na saúde destes trabalhadores. Assim, com base nos resultados apresentados após avaliação do grau de obstrução das vias aéreas, é possível concluir que há uma pequena discrepância nos valores de PFE mensurados e previstos para a amostra estudada, na qual podemos considerar uma diferença entre os
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    86 valores, quando comparadose analisados aos que a literatura aponta como normalidade. Contudo, classificam-se os trabalhadores com alteração moderada do sistema respiratório, ou seja, já apresentam indícios de doenças respiratórias obstrutivas. De acordo com o que foi visto na realidade dos trabalhadores da marmoraria, considera-se que os mesmos são orientados de forma geral no que diz respeito aos fatores ambientais a que estão susceptíveis no meio em que trabalham, e sobre as possíveis proteções que possam ser usadas durante a sua atividade laboral. Fato este que foi comprovado através da observância de grande frequência de uso de EPI´s pelos trabalhadores da amostra. É pertinente destacar a importância do uso dos EPI’s visto que este fato pode diminuir os danos à saúde das populações em exposição direta e indireta, principalmente no que diz respeito aos acometimentos ao sistema respiratório. Exposições a fatores ambientais e ocupacionais de trabalhadores de setores que contem poeiras e resíduos podem ser reduzidas através de ações de prevenção e promoção a saúde do trabalhador, com intuito de minimizar ou eliminar os problemas respiratórios advindos da inalação dos mesmos. De acordo com o grau de obstrução descrito dos trabalhadores, podemos concluir e considerar que os mesmos apresentaram indícios de algum tipo de problema respiratório que possa vir a desencadear alguma doença pulmonar obstrutiva (DPOC) grave. De forma geral conclui-se que o estudo apresentou resultados satisfatórios em relação ao ambiente que foi vivenciado durante a pesquisa, pois todos estavam conscientizados, orientados e faziam uso de EPI’s. REFERÊNCIAS ANDRADE C. R.; DUARTE, M. C.; CAMARGOS, P. Correlations between pulse oximetry and peak expiratory flow in acute asthma. Brazilian Journal of Medical and Biological Research, v. 40, n. 4, p. 485-490, 2007. BAGATIN, E.; COSTA E. A. Doenças das vias aéreas superiores. Jornal Brasileiro de Pneumologia, Brasília, v. 32, supl. 1, p. 17-26, 2006. BARBIERO, E. F. et al. Biofeedback em respiradores bucais funcionais. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, v. 11, n. 5, p. 347-353, set./out. 2007.
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    87 BOAVENTURA C. M.et al. Valores de referência de medidas de pico de fluxo expiratório máximo em escolares. Arq Med ABC (Minas Gerais), n. 32, supl. 2, p. 30-34, nov. 2007. BRASIL, Ministério da Saúde. Saúde o trabalhador é tratada intersetorialmente. Brasília: MS, 2009. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/Gestor/visualizar_texto.cfm?idtx=28466 >. Acesso em: 18 abr. 2014. BRITTO, R. R.; BRANT, T. C. S.; PARREIRA, V. F. Recursos manuais e instrumentos em fisioterapia respiratória. Barueri: Manole, 2009. CASTRO, H. A. et al. Perfil respiratório em trabalhadores expostos a sílica, Rio de Janeiro, v. 13, n. 2, p. 81-85, abr./maio/jun., 2004. FAGUNDES, G.; ZANELLATO, M. A. Silicose doença pulmonar ocupacional do trabalhador de mineração. Artigonal, 2009. Acesso em: 18 fev. 2014. GAMBAROTO, G. Fisioterapia respiratória em unidade de terapia intensiva. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2006. GONSALVES, C. G. O. et al. Ambiente de trabalho e a saúde do trabalhador: uma proposta de controle do ruído: Revista de Gestão Integrada em Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente. v. 3, n. 2, abr./ago. 2008. HIARATA, M. H.; MANCINI FILHO, J. Manual de biossegurança. Barueri: Manole, 2008. LEITÃO FILHO, F. S. et al. Levantamento randomizado sobre a prevalência de tabagismo nos maiores municípios do Brasil. J Bras Pneumol, v. 35, n. 12, p. 1204-11, dez. 2009. LIDIO, A. V.; KIMATURA, S. Exposição ocupacional e ocorrência de peneumoconioses na região de Campinas (SP) Brasil, 1978-2003. J Bras Pneumo, v. 34, n. 6, p. 367-372, 2008. LIMA, F. P. A. Ações coordenadas em saúde do trabalhador: uma proposta de atuação supra institucional. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2009; 34(119):67-78. MACHADO, M. G. R. Bases da fisioterapia respiratória: terapia intensiva e reabilitação. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. MAIA, J. N. et al. Pico de fluxo expiratório. Comparação entre primíparas no 3º trimestre de gestação e nulíparas. Fisioterapia e Pesquisa, v. 14, n. 2, p. 72- 76, 2007. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
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    88 MARQUES, A. F.;FIDELIS, W. S.; BRASILEIRO, M. E. Doenças ocupacionais respiratórias relacionadas á extração de minérios. Revista Eletrônica de Enfermagem do Centro de Estudos de Enfermagem e Nutrição, v. 2, n. 2, p. 1-16, ago./dez. 2012. Disponível em: <http://www.ceen.com.br/revistaeletronica>. Acesso em: 15 mar. 2014. MELO, M. A. B.; ARAÚJO, M. T. A.; PETROIANU, A. Pico de fluxo expiratório em trabalhadores de fábricas de fogos de artifício. A folha médica, v. 120, n. 3, p. 183-186, jul./ago./set., 2001. MOREIRA, M. A. C. et al. Pneumoconiose por exposição a metal duro com pneumotórax bilateral espontâneo. Jornal Brasileiro de Pneumologia, Brasília, v. 36, n. 1, p. 148-151, 2010. NEPPELENBROEK, G. A. Investigação do fluxo expiratório máximo em gestantes saudáveis. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 27, n. 1, p. 37-43, 2005. PATROCÍNIO, A. P. et al. Efeitos da intervenção fisioterapêutica no pico de fluxo expiratório e na pressões inspiratórias e expiratórias máxima em grupo de pacientes asmáticos. Revista Funcional, v. 2, n. 2, p. 1-10, dez. 2009. PIOVESANI, D. M. et al. Avaliação prognóstica precoce da asma aguda na sala de emergência. Jornal Brasileiro de Pneumologia, Brasília, v. 32, n. 1, p. 1-9, 2006. PRYOR, J. A.; WEBBER, B. A. Fisioterapia para problemas respiratórios e cardíacos. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. RODRIGUES, E. S. R.; CHEIK, N. C.; MAYER, A. F. Nível de atividade física e tabagismo em universitários. Rev Saúde Pública, v. 42, n. 4, p. 672-678, ago. 2008. ROSEMBERG, J. Tabagismo e doenças pulmonares. In: TARANTINO, A. B. Doenças pulmonares. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. SARMENTO, G. J. V. Fisioterapia respiratória no paciente crítico: rotinas clínicas. 2. ed. Barueri: Manole, 2007. SOUSA, M. T. A saúde do trabalhador do SUS: ensaios em saúde coletiva: Caderneta de Saúde Coletiva. v. 41, n. 7, pag. 134, 2010. TARANTINO, A. B. Doenças pulmonares. 6. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. VON EYE, G. Arritmias. 2008. Disponível em: <http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?32>. Acesso em: 12 maio 2014.
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    89 CUIDADOS NA ASSISTÊNCIAVENTILATÓRIA PARA PREVENÇÃO DA PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA (PAVM): UMA REVISÃO DE LITERATURA Stela Ticyanne de Castro Dantas11 Vitor Ávila Rozeira Silva12 RESUMO Introdução: A PAVM consiste numa infecção pulmonar nosocomial, causada por bactérias, vírus ou fungos que acometem os pacientes sob o uso de VM no período entre 48 horas da intubação endotraqueal até 72 horas após a extubação. Objetivos: Realizar um levantamento bibliográfico acerca dos cuidados utilizados na assistência ventilatória para prevenção da Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica. Método: revisão bibliográfica por meio da consulta de livros e artigos presentes nas bases de dados Scielo e Cochrane sobre o tema, no período de outubro a dezembro de 2014, sendo selecionados 20 artigos, 5 livros, 1 Trabalho de Conclusão de Curso, 1 Dissertação e 1 Tese. Os critérios de inclusão foram: abordagem o tema em questão; produções nacionais em língua portuguesa e disponíveis na íntegra; produções decorrentes dos anos 2005 a 2014. Resultados e discussões: Os resultados encontrados revelam que na PAVM não existem grandes divergências, sobretudo acerca dos cuidados e medidas preventivas adotadas frente ao paciente em uso de VM. Além disso, apesar de pouco discutido, evidencia-se o relevante papel que a fisioterapia desempenha frente ao paciente em VM para prevenção de complicações decorrentes PAVM. Conclusão: O reconhecimento dos cuidados essenciais aos pacientes em uso de VM, pelos profissionais da saúde, sobretudo pelo fisioterapeuta que mantêm um contato direto com o paciente crítico é de fundamental importância no que concerne a adoção de medidas de controle para prevenção desse agravo à saúde. Palavras-Chave: Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica. Prevenção. Respiração Artificial. CARE IN VENTILATORY ASSISTANCE PREVENTION OF PNEUMONIA ASSOCIATED WITH MECHANICAL VENTILATION (VAP): A LITERATURE REVIEW ABSTRACT Introduction: VAP is a nosocomial pulmonary infection caused by bacteria, viruses or fungi that affect patients under MV within 48 hours of endotracheal intubation up to 72 hours after extubation. Objectives: To perform a bibliographic survey about the care used in ventilatory assistance for the 11Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 12Especialista em Fisioterapia Intensiva pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva (SOBRATI). Mestrando em Terapia Intensiva pelo IBRATI. Professor do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande-UNESC. Fisioterapeuta.
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    90 prevention of mechanicalventilation associated pneumonia. Method: bibliographical review through the consultation of books and articles present in the Scielo and Cochrane databases on the subject, from October to December 2014, with 20 papers, 5 books, 1 Course Conclusion Paper, 1 Dissertation and 1 thesis. The inclusion criteria were: approach the theme in question; national productions in Portuguese and available in full; results from 2005 to 2014. Results and discussions: The results show that there are no major divergences in the PAVM, especially regarding the precautions and preventive measures adopted in relation to patients using MV. In addition, although little discussed, it is evident the important role that physiotherapy plays in front of the patient in MV for the prevention of complications resulting from VAP. Conclusion: The recognition of the essential care to patients using MV by health professionals, especially by the physiotherapist who maintains direct contact with the critical patient is of fundamental importance in what concerns the adoption of control measures to prevent this health problem. Keywords: Ventilator Associated Pneumonia Will. Prevention. Artificial Breath. 1 INTRODUÇÃO Com o intuito de salvar vidas, a ventilação mecânica vem a ser a aplicação de uma pressão positiva nos pulmões, através de uma prótese colocada nas vias aéreas, podendo gerar temíveis efeitos adversos no ambiente de terapia intensiva, os quais são bem conhecidos: em pacientes hipovolêmicos que pode ocorrer à instabilidade hemodinâmica; a maior frequência de infecções respiratórias, se deve à redução dos mecanismos de defesa locais pela presença do tubo; a lesão induzida pela ventilação mecânica, que está associada às altas pressões alveolares que são atingidas em algumas unidades decorrentes de um pulmão doente, bastante heterogêneo, contudo, essas alterações estão diretamente relacionadas com uma maior morbidade, devido às repercussões sistêmicas que geram aumento de custo para o sistema único de saúde, permanência maior no hospital e UTI, assim como uma maior mortalidade desses pacientes (CARVALHO, 2006). Desde os primórdios da terapia intensiva a pneumonia hospitalar tem sido uma complicação frequente durante a internação em unidades desta modalidade terapêutica, estando a maioria associada a dispositivo invasivo, diretamente relacionado à ventilação mecânica (CARRILHO et al., 2006). Inicialmente o principal fator de risco para o desenvolvimento da pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) era a contaminação dos fluidos dos reservatórios dos nebulizadores, porém, nos dias de hoje, ela já é a
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    91 infecção nosocomial maiscomum no ambiente de cuidados intensivos, elevando a mortalidade e o tempo de permanência na UTI, com todos os custos associados a esse prolongamento (CARMO NETO et al., 2006). A permanência dos tubos traqueais coopera de forma direta para o desenvolvimento da PAVM, por diminuir a eficácia dos mecanismos de defesa naturais das vias aéreas superiores e pulmonares, prejudicando o reflexo de tosse e permitindo o acesso de microrganismos ao trato respiratório inferior (LOPES; LÓPEZ, 2009). No Brasil existem poucos estudos sobre os dados epidemiológicos da PAVM, sendo que os principais dados de literatura são provenientes de países da Europa e da América do Norte (SILVA et al., 2011). Segundo Albuquerque (2010), traz em sua obra que a incidência e a mortalidade pela PAVM estão diretamente associadas às pacientes que estão principalmente com idade superior a 45 anos, ao tempo maior em VM que nove dias, à imunossupressão, entre outros, no entanto, a intubação orotraqueal (IOT) por si só, ou associada à VM aumenta essa incidência em 7 e 10 vezes mais, respectivamente. A infecção pulmonar resulta em taxas de mortalidade que variam entre 20% e 70% comparado a outros tipos de infecções que envolvem a pele, o trato urinário, entre outros órgãos (CARRILHO et al., 2006). A PAVM é clinicamente definida pelo surgimento de um novo infiltrado na radiografia do tórax, a piora do padrão radiológico ou que esteja associado ao menos a dois dos seguintes critérios: leucocitose ou leucopenia, secreção purulenta, febre ou hipotermia. Contudo, os achados radiológicos analisados de forma isolada no diagnóstico da PAVM são inespecíficos e inconclusivos, necessitando-se de uma coleta e cultura quantitativa de secreção do trato respiratório inferior para um melhor diagnóstico (ALBUQUERQUE, 2010). Os fatores de risco para o desenvolvimento da PAV podem ser classificados em modificáveis e não modificáveis. Fatores de risco não modificáveis são: idade, escore da gravidade (quando da entrada do paciente na UTI) e presença de co-morbidade (doença pulmonar obstrutiva crônica, insuficiência cardíaca, diabetes, doenças neurológicas, neoplasias, trauma e pós-operatório de cirurgias). Já os fatores modificáveis estão relacionados à microbiota da própria UTI, justificando a importância de conhecer os agentes mais frequentes em locais específicos, pois isso favorece a prescrição racional
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    92 e dirigida dosantimicrobianos, uma vez que frente a uma suspeita de PAVM o tratamento empírico deve ser prontamente instituído (CARVALHO, 2006). Outros fatores de risco são: predisposição no desenvolvimento de PAVM, como o uso prévio de antimicrobianos, bloqueadores de receptores H, antiácidos, necessidade de reintubação, posição supina, uso de cânula nasogástrica, presença de traqueostomia e transporte dentro do hospital (SILVA et al., 2011). Diante desses fatores de risco citados, torna-se necessário o uso de ações de prevenção (bundles) da PAVM, com o intuito de promover segurança aos pacientes que necessitem de assistência ventilatória invasiva durante sua permanência na UTI. São utilizadas medidas profiláticas; estas medidas normalmente são eficientes, de fácil aplicação e baixo custo financeiro, devendo-se sempre respeitar especificidades locais de cada ambiente hospitalar (GONÇALVES et al., 2012). Dentre essas medidas estão: protocolo efetivo de desmame da ventilação mecânica, equipes de fisioterapeutas intensivistas, elevação da cabeceira do leito do paciente de 30 a 45 °, ajuste da pressão do cuff 3 vezes ao dia, higiene oral do paciente com clorexidine, utilização de tubos com possibilidade de aspiração de secreção suprabalonete, aumento da utilização de ventilação não invasiva e utilização de tubos traqueais impregnados de antisséptico (SILVA et al., 2014). Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo principal revisar os cuidados na assistência ventilatória para prevenção da PAVM, através de uma revisão bibliográfica, envolvendo medidas de controle de infecção, bem como a importância do profissional de fisioterapia na prevenção da patologia. 3 MÉTODOS Trata-se de um estudo bibliográfico exploratório e descritivo que, segundo Marconi e Lakatos (2010), consistem na pesquisa de bibliografias já publicadas em relação ao tema de estudo, como jornais, artigos, revistas, livros, monografias e teses, cuja finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com as questões da temática pertinente, aumentando a familiaridade com o ambiente, fato ou fenômeno, por meio da descrição completa da problemática, permitindo base para futura pesquisa mais precisa.
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    93 O estudo teveinício com a revisão bibliográfica por meio do levantamento sobre o tema, por meio da consulta manual em livros e artigos científicos presentes nas bases de dados: Scielo e Cochrane. Foram selecionados 20 artigos, 5 livros, 1 Trabalho de Conclusão de Curso, 1 Dissertação e 1 Tese. Em seguida realizou-se uma leitura exploratória mediante o estudo de livros, introdução e resumos de artigos que tem como objetivos verificar em que medidas a obra interessa para a pesquisa e proporcionar maior familiaridade com a temática. De posse do material foi possível ter uma visão global do texto, bem como sua utilidade para a pesquisa. A busca dos artigos se deu por meio dos seguintes descritores: Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica, Prevenção e Respiração artificial. A coleta de dados foi baseada na leitura e documentação de artigos disponíveis na internet, revistas científicas e livros no período de outubro a dezembro de 2014 e que abordam discussões acerca da Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica. Sendo assim, Gil (2008) afirma que, se desenvolve a partir do material teórico, documentos, artigos e etc., já elaborados que servem como base de orientação ao trabalho que está sendo desenvolvido, pois dar ao pesquisador uma maior abrangência do tema pesquisado, possibilitando a validação do estudo. Ainda de acordo com o autor supracitado, o elemento mais importante para a identificação de um delineamento é o procedimento adotado para a coleta de dados, devendo caber aos pesquisadores assegurarem-se das condições em que os dados foram obtidos, analisarem em profundidade cada informação para descobrir incoerências ou contradições e utilizar fontes diversas, cotejando-se cuidadosamente. Assim, realizamos leituras seletivas e analíticas dos textos a fim de ordenar e sumarizar as informações contidas nas fontes, identificar a relação do conteúdo com objeto da pesquisa, constituindo-se como critério os que abordaram o tema em questão, produções nacionais na língua portuguesa, disponíveis na integra, decorrentes dos anos 2005 a 2014, de modo que estes possibilitem a obtenção de respostas ao problema em estudo.
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    94 Por se tratarde uma pesquisa bibliográfica, após a leitura dos textos sobre a temática pertinente, os dados serão interpretados e apresentados nos resultados e discussões. 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES Com base na análise das bibliografias e artigos pesquisados, foram retirados informações e dados relevantes, organizados de forma sequencial que subsidiaram o alcance dos resultados expostos posteriormente no decorrer do desenvolvimento do presente trabalho. A Unidade de Terapia Intensiva é ambiente complexo destinado a cuidados de pacientes críticos que necessitam de cuidados específicos de uma equipe multiprofissional que conforme a RDC 07 de 24 de fevereiro de 2010 é definida como um conjunto de aglomerados funcionalmente destinados a atender clientes em estado crítico ou grave, onde estes estão classificados de acordo com o grau de comprometimento de um ou mais sistemas fisiológicos, necessitando assim de uma assistência continua (BRASIL, 2010). A equipe multiprofissional se faz presente nesse setor de cuidados críticos sendo composta por: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionista, psicólogo, assistente social e fisioterapeuta. A UTI é um local caracterizado por alta tecnologia especializada e com vários equipamentos e dispositivos que visam atender as necessidades dos seus pacientes com a finalidade de restabelecer o seu estado de saúde. De acordo com Almeida, Martins e Assis (2012), um dos principais recursos para a manutenção da vida na UTI é a ventilação mecânica (VM). A VM consiste na utilização de uma máquina para substituir parcial ou totalmente a atividade respiratória do paciente de modo a restabelecer o balanço entre a oferta e a demanda de oxigênio que foi prejudicado por alguma disfunção pulmonar e /ou sistêmica (GUILHERME; JESUS, 2011). Segundo Bezerra et al. (2011), a VM consiste no uso de uma via aérea artificial sendo o mais frequente procedimento em pacientes críticos com insuficiência respiratória severa, no qual, Almeida, Martins e Assis (2012), acrescenta que esta pode ser tanto aguda ou crônica agudizada.
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    95 A VM divide-seem duas modalidades: a invasiva e a não-invasiva. A ventilação Mecânica Invasiva (VMI) consiste no método de suporte ventilatório em que se utilizam uma prótese na qual é introduzida na via aérea que pode ser um tubo oro ou nasotraqueal, ou ainda uma cânula de traqueostomia. Em contrapartida, a Ventilação Mecânica Não-Invasiva (VNI) é um método ventilatório que implica na colocação de dispositivos como mascaras nasais ou faciais, suportes orais, selos bucais, para fornecimento de ventilação mecânica de modo intermitente ou continuo sendo indicada principalmente em casos de Insuficiência Respiratória Aguda (IRA), auxilio fisioterápico e pós- extubação (ALMEIDA; MARTINS; ASSIS, 2012). De modo geral, a VM tem por objetivo a manutenção das trocas gasosas, corrigir a hipoxemia e acidose respiratória associada à hipercapnia, aliviar o trabalho da musculatura do trabalho respiratório, diminuir a demanda metabólica, reverter ou evitar a fadiga da musculatura respiratória, diminuir o consumo de oxigênio reduzindo assim o desconforto respiratório e permitir a aplicação de terapêuticas especificas (ALMEIDA; MARTINS; ASSIS, 2012). Vale ressaltar que a VM além de ofertar oxigênio pode também ofertar outros gases como anestésico. Apesar de vários benefícios da VM está também provoca alterações na fisiologia respiratória, como a perda na proteção das vias aéreas superiores em paciente intubados, hipersecreção pulmonar, aumento da frequência das infecções respiratória, levando um alto índice de morbimortalidade e outras complicações (POMBO; ALMEIDA; RODRIGUES, 2010), sendo a PAV uma das complicações mais comuns e incidentes nas UTI (SILVA; NASCIMENTO; SALLES, 2014). Segundo David (2006), a PAVM é um tipo de pneumonia nosocomial, referida como aquela que se desenvolve no período entre 48 -72 horas após a intubação e instituição de VMI, podendo ser classificada como precoce e tardia. Corroborando com o que afirma o autor, Silva et al., (2011) também define a PVM como uma infecção pulmonar que ocorre entre 48-72 horas após a intubação endotraqueal e instituição de VMI, sendo considerada precoce quando ocorre até o 4 dia de intubação e tardia quando ocorre após o 5 dia. A patogênese da PAVM é decorrente do desequilíbrio do mecanismo de defesa dos pulmões e o agente microbiano, que pelo tamanho do inoculo
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    96 (quantidade), quer pelavirulência do microrganismo. Esta resulta frequentemente da aspiração de pequenos materiais particulados, contendo microrganismos ou é consequente a bacteriemias originarias de focos distantes de infecções. Cateteres intravasculares, infecções urinaria translocação bacteriana podem produzir bacteriemias e pneumonias, além do alimento enteral contaminado que pode ser fonte de microrganismo para a PAVM (DAVID, 2011). Os resultados encontrados revelam que os dos fatores de risco para o desenvolvimento da PAVM são em suas maiorias classificados em modificáveis e não-modificáveis. Segundo Carvalho (2006), os fatores modificáveis estão relacionados ao ambiente (microbiota) da própria UTI, enquanto os nãos modificáveis são: idade, escore de gravidade, em presença de co-morbidades (Insuficiência Cardíaca, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica DPOC, diabetes, doenças neurológicas, neoplasias, traumas e pós-operatório de cirurgia). Pombo, Almeida e Rodrigues (2010), apontam como fatores de risco idade maior que sete anos, coma e alterações de níveis de consciência, intubação e reintubação endotraqueal, condições imunitárias e uso de drogas imunossupressora, choque, tempo prolongado de ventilação mecânica maior que sete dias; desnutrição; contaminação exógena; antibioticoterapia como profilaxia; colonização microbiana; cirurgias prolongadas; aspirações de secreções; pH gástrico maior que 4. Silva et al. (2011), acrescenta ainda o uso de antiácidos, uso prévio de antimicrobianos, bloqueadores de receptores e sedativos. Vale-se salientar que Cruz et al. (2011), divide os fatores de risco em três categorias: relacionado aos hospedeiros, aos dispositivos, e a equipe. Para Silva et al. (2011) a PAVM representa um desafio diagnóstico e terapêutico em função da ausência de um padrão ouro para o diagnóstico e do uso inadequado de antimicrobianos. Pombo e Almeida, Rodrigues (2010), relatam que na prática, o diagnóstico de PAVM tem em base critérios clínicos e radiológicos, como a presença de infiltrados novos e persistentes, temperaturas > 38,3° c, leucocitose ou leucopenia e secreção traqueobrônquica purulenta. De acordo com o que aponta Carvalho (2006), a suspeita de PAVM ocorre quando a um aparecimento de infiltrado pulmonar novo ou progressivo á radiografia de tórax, associada à presença de sinais clínicos e alterações laboratoriais definidos como: febre. 38 °C, leucocitose > que 10.000 / mm 3 ou
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    97 leucopenia < que4.000 / mm3 e presença de secreção traqueal purulenta. Contudo, esses critérios ainda são poucos fidedignos devendo ser valorizada a presença de mais de um critério clinico associado ao critério radiológico para aumentar a sensibilidade e a especificidade, haja vista a utilização apenas de critérios clínicos pode incorrer em erro de diagnóstico e consequentemente, em tratamentos inadequados. Vale ressaltar que esses critérios são bastantes inespecífico e podem estar presentes em uma serie de situação as quais os pacientes graves estão expostos, como a atelectasia, edema pulmonar, infarto pulmonar, entre outros. Além desses critérios deve levar em consideração como método de diagnóstico a coleta de material microbiológico que é feita a através da coleta de material das vias aéreas inferiores por meio de métodos invasivos broncoscópicos e não broncoscópicos, que tendem a propiciar melhor acurácia diagnostica (DAVID, 2011). Ainda de acordo com o autor supracitado existem vários métodos complementares de diagnóstico da PAVM como: oximetria de pulso ou hemogasometria arterial e piora funcional pulmonar; hemocultura; bacterioscopia (Gram, BAAR) e cultura; punção e microbiologia do liquido pleural. Ainda podem ser considerados fatores importantes, como, comprometimento funcional (hipoxemia, com piora da relação da pressão parcial de oxigênio / fração inspirada de oxigênio); o aumento de biomarcadores, confusão mental ou surgimento de sepse grave/ choque séptico (DALMORA et al., 2013). Nesse sentido com vista a melhorar a probabilidade da presença da PAVM utilizasse atualmente o Clinical Pulmonary Infection Score (CPIS), que trata-se de um índice no máximo doze pontos que baseasse nos achados clínicos no momento da suspeita diagnostica, na bacterioscopia e no cultivos do aspirado traqueal. Quando este índice revelar superior a seis existe uma alta probabilidade de PAVM (sensibilidade de 93 % e especificidade de 100%). Em relação ao tratamento da PAVM, este é baseado no conhecimento prévio da microbiota local e dos resultados dos isolamentos dos microrganismos, sendo recomendado o tratamento empírico. Antibioticoterapia empírica deve ser orientada de acordo com o patógeno e sua conhecida sensibilidade. A PAVM precoce ocorre frequentemente devido as bactérias sensíveis ao antibióticos comuns, como o S. aureus à oxacilina, ao passo que
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    98 as tardias sãogeralmente causadas por patógenos resistentes a vários antibióticos. Nas PAVM usam-se frequentemente associações de antibióticos com o objetivo de aumentar os espectros antimicrobianos para a possibilidade de infecção por múltiplos germes e bactérias resistentes (CARVALHO, 2006). Diante de toda problemática apresentada e dada à importância e a complexidade do problema de saúde, faz se necessário a realização de intervenções que causa impactos para prevenir a PAVM, levando assim a redução da frequência da infecção, sendo imperativa a adoção de medidas preventivas. As medidas de prevenção e controle da PAVM, mas divulgadas e aceitas pelos profissionais de saúdes incluem as recomendações publicadas por uma diretriz do Center for Disease Control and Prevention (CDC), o Guidelines for preventing health-care-associated pneumonia e também diretrizes publicadas por outras organizações, que em geral são convergentes (CRUZ et al., 2011). Pombo e Almeida, Rodrigues (2010), traz em seu estudo como principais recomendações para reduzir a PAVM, a educações dos profissionais de saúde; a vigilância epidemiológica das infecções hospitalares a interrupção na transmissão de microrganismo pelo uso apropriado pelo equipamento hospitalar; a prevenção da transmissão de uma pessoa para outra e a modificação de fatores de riscos para desenvolver infecções bacterianas. As medidas de prevenção da PAVM são em sua maioria realizadas pela equipe multiprofissional, e estas tem se demonstrado efetivas em diminuir sua ocorrência, sendo cada vez mais utilizadas e difundidas no âmbito da UTI, assim ressalta-se as mais utilizadas conforme a literatura: higiene das mãos dos profissionais de saúde e técnicas assépticas de manuseio das vias aéreas; elevação da cabeceira do leito de 40º a 45º; higiene oral do paciente com clorexidina; evitar métodos invasivos; realizar aspiração traqueal adequadamente; evitar aspiração do material coletado na região acima do balonete (supraglótica); evitar aspiração de condensado contaminado do circuito do ventilador; evitar a reintubação; esterilização de umidificadores; cuidados com as sondas gástricas ou nasoenterais (DAVID, 2011). Além disso, Barbas e Couto (2012), traz que a utilização de tubos traqueais impregnados de antissépticos; a realização de despertar diário do paciente (desligar a sedação uma vez ao dia); protocolos efetivos de desmame de ventilação
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    99 mecânica e oaumento do uso da VNI também são meios efetivos de prevenção da PAVM. Quanto ao que concerne a lavagem das mãos Albuquerque (2010), destaca como a principal forma de prevenir infecções, devendo ser iniciada após a entrada na UTI e antes e depois de qualquer procedimento, sendo, portanto considerada uma recomendação universal. Em relação ao posicionamento do paciente percebe-se que há divergências na literatura, e se faz necessário porque o paciente em uso de VM frequentemente possui depressão do nível de consciência e reflexo de vômito prejudicado. Assim o uso de cabeceira elevada a 30º a 45º reduz o risco de refluxo e aspiração de conteúdo gástrico nos pacientes (SILVA et al., 2011). Para tanto Cruz et al., (2011) acrescenta que o paciente deve ser mantido em posição de 30º a 45º, ou seja, semi-sentado, pois o cliente na posição supina (0º) facilita à aspiração, principalmente no momento da nutrição enteral. Já para David (2011), a cabeceira deve ser elevada de 40º a 45, embora a proteção contra o refluxo não seja absoluta. De acordo com Eid; Cavalheiro e Silva (2006), o posicionamento adequado do paciente faz parte da conduta do fisioterapeuta respiratório e objetiva otimizar a oxigenação, melhorar a relação ventilação/perfusão, reduzir o trabalho respiratório e o débito cardíaco. Em relação à higiene bucal, estudos têm demonstrado que o uso de clorexidina em sua forma tópica é amplamente utilizada na UTI e em pacientes em uso de VM, haja vista segundo Beraldo e Andrade (2008) seu uso diminui a incidência da PAVM. David (2011) ressalta que a higiene oral, bem como a escovação dos dentes com clorexidina pode ser usada para descontaminação da orofaringe e parece diminuir a colonização e a PAVM em pacientes no pós- operatório de cirurgia cardíaca, no entanto, o uso indiscriminado pode levar a bactérias resistentes a esta droga. Ainda nesse contexto Cruz et al. (2011), afirma que além da clorexidina alguns antimicrobianos utilizados duas vezes ao dia, são formas farmacológicas eficazes para prevenir a PAVM. Em relação à aspiração traqueal, este se configura um cuidado essencial para a manutenção das vias aéreas permeáveis (ALMEIDA; MARTINS; ASSIS, 2012). A aspiração endotraqueal é um recurso muito utilizado em pacientes em UTI sob VM ou não com a finalidade de manter as vias aéreas permeáveis; prevenir infecção; promover as trocas gasosas; incrementar a oxigenação
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    100 arterial e melhorara função pulmonar (FARIAS; FREIRE; RAMOS, 2006). Deve ser realizado de forma asséptica para evitar complicações, devendo durar aproximadamente 10 a 15 segundos em adultos. Existem dois métodos de aspiração, o aberto e o fechado (ALBUQUERQUE, 2010). O sistema aberto utiliza um cateter de aspiração para sucção de secreções por meio de pressão negativa e necessita de desconectar o paciente do ventilador, enquanto o fechado utiliza um dispositivo onde o cateter de aspiração fica protegido por um envelope plástico para aspirações não sendo necessária a desconexão do paciente ao ventilador e assim oferece vantagens como a diminuição de alterações hemodinâmicas, hipoxemia e evita a exposição a microrganismos existentes no ambiente. Mas, por outro lado este permite a colonização da sonda por bactérias resistentes (EID; CAVALHEIRO; SILVA, 2006; MOURA; CANTO, 2006). Quando se utiliza o sistema fechado deve-se aspirar com uma sonda simples também as cavidades nasais e orais, seguindo-se as sequências TOT, nariz e boca. (PAGOTTO et al., 2008). Froes e Paiva (2007), afirmam ainda que os sistemas aberto e fechado sejam igualmente eficazes na remoção de secreções, contudo o fechado determina menor risco de hipoxemia, arritmias e contaminação, devendo ser preferencialmente utilizado quando se tem PEEP elevada. Outro fator é que não há necessidade de troca do sistema fechado diariamente e sim só a cada sete dias ou quando esteja contaminado ou danificado, enquanto a sonda utilizada no sistema aberto deve ser desprezada diariamente (SARMENTO, 2007). Barbas e Couto (2012) afirmam que se deve evitar a aspiração supraglótica pelo fato de que essa secreção pode se propagar por meio de microcanais presentes nos balonetes dos tubos e acaba aspirada para os pulmões do paciente. Os cuidados com os circuitos do ventilador também auxiliam na prevenção, pois podem ser fonte de patógenos devido ao acúmulo de condensado ou líquido contaminado do próprio cliente, principalmente porque os ventiladores possuem umidificadores e podem ter aumentada condensação na tubulação (CRUZ et al., 2011). Deve-se drenar e descartar periodicamente o condensado contaminado, pois evita a entrada de condensado contaminado com secreções do próprio paciente na árvore traqueobrônquica. (DIRETRIZES..., 2007). O Cuff também merece cuidados, haja vista trata-se de
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    101 um balonete situadona extremidade distal do TOT e tem a função de selar a via aérea, evitando o escape aéreo e protegendo-a de aspiração de secreções da orofaringe. A maioria dos estudos revelam que a pressão do balonete não deve ser menor que 20 cm H2O (15 mmHg), para prevenir o excesso de aspiração e não superior a 30 cm H2O (23mmHg) para evitar isquemia da mucosa (SARMENTO, 2007). Considerando que a IOT aumenta o risco para o desenvolvimento da PAVM, deve-se evitar a necessidade de uma reintubação através de uma fixação correta do tubo, sedação adequada e sempre que possível optar por utilizar uma VNI. David (2011) diz que a VNI se associa a menos PAVM. Outro ponto importante diz respeito a aspiração do conteúdo gástrico para as vias aéreas através de sondas naso/orogástrica ou nasoenteral que deve ser realizado pelo menos três vezes ao dia e dependendo do volume residual diminuir 25% da velocidade da dieta (DAVID, 2011). A adoção de protocolos de desmame específicos visa à retirada precoce e segura da VM, oferecendo menor risco de reintubação e consequentemente de PAVM (ALBUQUERQUE, 2010). Ferrari e Tadine (2009), definem o desmame do ventilador mecânico como o processo de transição entre o suporte ventilatório mecânico e a ventilação espontânea podendo acontecer rapidamente ou progressivamente. Sendo considerado tempo de VM prolongado a situação onde há uma dependência da assistência ventilatória seja invasiva ou não por mais de três semanas. Nesse processo, o fisioterapeuta exerce um papel fundamental na condução de protocolos de desmame e de interrupção de VM, sendo consenso que o fisioterapeuta da UTI realize a triagem sistemática de pacientes aptos para os testes de respiração espontânea diariamente, desde que este siga o protocolo específico e preconizado por sua instituição (SARMENTO, 2007). Destarte, a função do fisioterapeuta na UTI é fundamental na assistência ao paciente crítico, sobretudo em uso de VM, pois, é responsável por desenvolver um tratamento eficiente que possibilite a menor dependência do paciente ao ventilador mecânico, assim como proporcionar a melhoria da qualidade de vida durante sua internação. Ademais, a terapia eficiente melhora a capacidade funcional do paciente reestabelecendo suas capacidades físicas e respiratórias, minimizando os ricos de complicações (TEIXEIRA, 2006). A
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    102 fisioterapia utiliza recursosque solicitam ativamente ou passivamente os exercícios respiratórios dos pacientes (VIERA, 2009), no qual Albuquerque (2010), afirma que a fisioterapia respiratória está indicada para os pacientes de UTI, com vistas a diminuição da retenção de secreção pulmonar, obtenção de melhora na oxigenação, reexpansão de áreas pulmonares com atelectasia, além de evitar os efeitos negativos da hipo/ inatividade do indivíduo acamado. A fisioterapia respiratória envolve na verdade, um grande número de técnicas que podem ser associadas às modalidades de VM, dentre elas estão: manobras da higiene brônquica e reexpansão pulmonar (KANECO et al., 2006). Dados de estudos brasileiros evidenciam uma redução em torno de 61% na fração de risco para o desenvolvimento da PAVM se realizado fisioterapia respiratória numa frequência mínima de duas vezes ao dia (VIEIRA, 2009). Ainda sobre a atuação da fisioterapia frente ao paciente em uso de VM vale destacar o seu papel durante a intubação, pois ele atua nesse processo através da assistência ventilatória visando evitar efeitos danosos ao paciente, como a hipoxemia. Essa assistência tem início desde o preparo do material de ventilação e desobstrução das vias aéreas; mas envolve também a checagem e ajuste dos parâmetros do ventilador; oxigenação do paciente pré-intubação; insuflação e mensuração do Cuff após intubação, ausculta pulmonar e análise gasométrica e radiografia. Dessa forma, auxiliando a equipe na prevenção e controle da PAVM, o fisioterapeuta propicia à diminuição das complicações secundárias a utilização da VM, diminui o tempo de internação, a necessidade de antibióticos, libera mais rapidamente os leitos, implicando diretamente na diminuição da mortalidade e consequentemente dos custos, o que só vêm a melhorar à assistência à saúde (DIRETRIZES..., 2007). 5 CONCLUSÕES Atualmente a Ventilação Mecânica (VM) é um recurso utilizado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que pode e deve ser considerado um grande avanço na área de saúde em relação ao tratamento de afecções que comprometem o sistema respiratório. Ao mesmo tempo percebe-se que esta
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    103 conduta também podetrazer malefícios aos indivíduos que estão em uso desse suporte, e consequentemente pode provocar o aumento da incidência de infecções pulmonares, e da morbimortalidade. A Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM) é uma infecção, a qual está diretamente relacionada à maiores tempos de VM; maiores complicações e maiores custos hospitalares, estando frequentemente relacionado a vários fatores de risco descritos na literatura como modificáveis e não modificáveis. Os fatores modificáveis são considerados mais relevantes pelos autores haja vista que estes podem ser modificados com a implementação de medidas de prevenção e controle adotadas pela equipe de saúde que presta assistência aos pacientes em uso de VM. No tocante às medidas de prevenção e controle da PAVM, podemos observar nos estudos analisados que estas não se apresentam de modo divergente, o que diferencia de um autor para outro é a prioridade que cada um atribui. No estabelecimento de tais medidas torna-se indispensável a atuação da fisioterapia intensiva em todas as práticas profiláticas da PAVM, desde a pré- intubação; o posicionamento adequado, a realização da fisioterapia respiratória até a condução de protocolos de desmame e de interrupção da VM. De modo geral, esses cuidados trazem resultados satisfatórios e contribuem muito para redução dos custos hospitalares e da recuperação precoce do paciente. Em síntese, é fundamental que se realize a implantação de protocolos que visem a diminuição dos índices de infecção, sobretudo da PAVM, que é uma patologia tão incidente e letal, não só voltadas ao profissional fisioterapeuta, mas a todos os profissionais da saúde. De acordo com a análise dos artigos selecionados, percebeu-se que em relação a sua origem, ou seja, onde estes foram publicados, a maioria era periódica de Enfermagem, poucos voltados para a fisioterapia e áreas afins. A assistência fisioterapêutica é constantemente desafiada a promover a melhoria da assistência prestada, desta forma nas últimas décadas, esta vem desenvolvendo sua própria produção científica. Foram investigadas as titulações dos pesquisadores da amostra com o objetivo de identificar qual o perfil dos profissionais que estão inseridos no desenvolvimento de pesquisas científicas sobre a temática em questão. Percebe-se que a maioria dos trabalhos publicados era de especialistas da área em sua maioria com titulações como, especialização
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    104 e mestrado emUnidade de Terapia Intensiva, o que ressalta a importância de durante a formação, os futuros profissionais de saúde comecem a desenvolver estudos de caráter científico, proporcionando o desenvolvimento do conhecimento para o exercício com excelência da fisioterapia, alcançando sua autonomia e enriquecendo toda a comunidade cientifica. REFERÊNCIAS ALMEIDA, J. A. B.; MARTINS, J. J. L; ASSIS, V. E. O papel do enfermeiro na prevenção da pneumonia associada à ventilação mecânica na unidade de terapia intensiva. Trabalho de Conclusão de Curso. 2012. (Bacharelado em Emfermagem)- Universidade Presidente Antônio Carlos, Barbacena, 2012. BERALDO, C.C; ANDRANDE, de D. Higiene bucal com clorexidina na prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica. Jornal brasileiro de pneumonia, São Paulo, 2008, v.34, n.9, p. 707-714. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S180637132008000900012&script=sci_ar ttext>. Acesso em 06 out. 2014. BARBAS, C. S. V.; COUTO, L. P. Tubos endotraqueais com aspiração suprabalonete diminuem a taxa de pneumonia associada à ventilação mecânica e são custo-efetivos? Revista Brasileira Terapia Intensiva, São Paulo, v. 24, n. 4, p. 320-321, 2012. BRASIL. Resolução nº 7 de 24 de fevereiro de 2010. Dispõe sobre os requisitos mínimos para funcionamento de Unidades de Terapia Intensiva e dá outras providências. Diário oficial da União, Brasília, DF, v. 37, seção 1: 48, 2010. Disponível em: < http://www.anvisa.gov.br/hotsite/segurancadopaciente/documentos/rdcs/RD%2 0N%207-2010.pdf >. Acesso em: 10 out. 2014. CARMO NETO, E. et al. Pneumonia associada à ventilação mecânica: análise de fatores epidemiológicos na confecção de estratégias de profilaxia e terapêutica. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, Rio de Janeiro, v. 18, n. 4, p. 344-350, out./dez. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbti/v18n4/05>. Acesso em: 7 out. 2014. CARRILHO, C. M. D. M. et al. Pneumonia associada a ventilação mecânica em unidade de terapia intensiva cirúrgica. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, Londrina, v. 18, n. 1, p. 38-44, jan./mar. 2006. CARVALHO, C. R. R. Pneumonia associada á ventilação mecânica. J Bras Pneumol, Brasília, v. 32, n. 4. 2006. Disponível em: <http://www.jornaldepneumologia.com.br/detalhe_artigo.asp?id=1254>. Acesso em: 11 out. 2014.
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    107 CORRELAÇÃO ENTRE ÂNGULO“Q” E A SÍNDROME DA DOR PATELOFEMORAL EM MULHERES Rudiney da Silva Araújo13 Eliete Moreira Colaço14 RESUMO A síndrome da dor patelofemoral (SDPF) é uma desordem musculoesquelética caracterizada por dor na região anterior do joelho, que acomete adolescentes e jovens adultos, principalmente as mulheres. A dor, geralmente de início insidioso, é o principal sintoma e, é exacerbada todas as vezes que se realiza movimentos de flexão e extensão do joelho, como: subir e descer escadas, agachar-se, correr, pular e permanecer sentado por longo período. A etiologia relaciona-se a vários fatores biomecânicos como o aumento do ângulo quadricipital. O objetivo deste trabalho foi revisar a literatura sobre a correlação da síndrome da dor patelofemoral com as alterações do ângulo quadricipital em mulheres. Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, com abordagem exploratória. Foram utilizadas as bases de dados na biblioteca virtual SCIELO e as bases de dados LILACS e MEDLINE na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) onde foram utilizados os descritores Síndrome da dor patelofemoral, Ângulo “Q”, Anatomia da articulação do joelho e Lesão no joelho. Na literatura revisada foi encontrado subsídio de que a SDPF está associada ao aumento do ângulo quadricipital em mulheres. No entanto, a maioria dos autores diverge sobre quais os valores normais do ângulo quadricipital, que é medido pela goniometria onde a maioria dos autores relatou ser de excelente confiabilidade para avaliar esse ângulo. Alguns trabalhos permitiram inferir que alterações do ângulo “Q” não é o principal fator etiológico da SDPF e que a avaliação isolada desse ângulo não é suficiente para definir uma pessoa com síndrome da dor patelofemoral. Palavras-chave: Dor no Joelho. Ângulo Quadricipital. Goniometria. Fisioterapia CORRELATION BETWEEN ANGLE “Q” AND SYNDROME IN WOMEN PATELLOFEMORAL PAIN Abstract The patellofemoral pain syndrome (PFPS) is a musculoskeletal disorder characterized by pain in the anterior knee, it affects teenagers and young adults, especially women. Pain, usually of insidious onset, is the main sign and symptom and is exacerbated every time it performs flexion and knee extension, such as up and down stairs, squatting, running, jumping and remaining seated for long. The etiology is related to various factors such as biomechanical 13Graduando do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 14 Professora da União de Ensino Superior de Campina Grande-UNESC. Especialista em Cinesioterapia pela Universidade Federal da Paraíba. Mestranda em Fisioterapia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Fisioterapeuta.
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    108 increased quadriceps angle.The objective of this study was to review the literature on the correlation of patellofemoral pain syndrome with the changes of the quadriceps angle in women. This is a bibliographic review, exploratory approach. We used the databases in the virtual library SCIELO and the databases MEDLINE and LILACS in the Virtual Health Library (VHL) where we used the patellofemoral pain syndrome descriptors, angle "Q", the knee joint Anatomy and Injury knee. In the literature reviewed was found subsidy that PPS is associated with an increased quadriceps angle in women. However, most authors differ on which the normal values of the quadriceps angle, which is measured by goniometry where most authors reported being excellent reliability to evaluate this angle. Some studies allowed to infer that changes the angle "Q" is not the main etiological factor of PPS and the assessment isolated from this angle is not enough to define a person with patellofemoral pain syndrome. Keywords: Pain in the Knee. Quadriceps Angle. Goniometry. Physiotherapy. 1 INTRODUÇÃO A articulação do joelho é caracterizada como a maior e a mais incongruente do corpo humano; além disso, ela é a articulação mais solicitada nas atividades da vida diária, possui três ossos: fêmur, tíbia e patela, que formam duas articulações distintas: articulação tíbiofemoral e articulação patelofemoral. A articulação tibiofemoral é formada pela extremidade proximal do osso da tíbia e a extremidade distal do osso do fêmur, a articulação patelofemoral é formada pela extremidade distal do osso do fêmur e o osso da patela (ALMEIDA; ABREU; COUTINHO, 2011; TRILHA JÚNIOR et al., 2009). Basicamente, o joelho se apresenta como uma estrutura relativamente frágil, sua estabilidade depende de mecanismos estáticos – superfícies articulares da patela e do fêmur, retináculos lateral e medial, ligamentos articulares –, e dinâmicos, músculo quadríceps femoral. Devido às intensas solicitações biomecânicas dessa articulação em sua função de suporte, há elevado número de lesões a ela associadas, como rompimento total ou parcial de ligamentos, fissuras e lesão de meniscos, fraturas ósseas e lesões musculares (ALMEIDA; ABREU; COUTINHO, 2011; BURMANN et al., 2011). Dentro do complexo da articulação do joelho, a articulação patelofemoral é o sítio onde ocorre maior frequência de lesões, pois uma série de estruturas está intimamente ligada a essa articulação. De acordo com Burmann et al. (2011)
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    109 Essa articulação éo local de inúmeras patologias, principalmente pelas suas características anatômicas. É uma articulação que centraliza as forças do quadríceps no comando de grande alavanca responsável pela posição ereta. Seu equilíbrio estrutural é frágil, e qualquer distúrbio na sua estabilidade pode representar alteração funcional capaz de produzir sintomas, algumas vezes incapacitantes. [...] As afecções da articulação femoropatelar são, certamente, das que mais trazem frustrações ao ortopedista, tanto pela sua alta prevalência como pelo grande número de casos insolúveis, principalmente em adolescentes jovens. Para Liporaci et al. (2013) e Piazza et al. (2012), uma das desordens musculoesqueléticas mais comuns que afeta a articulação do joelho, especificamente a articulação patelofemoral é a Síndrome da Dor Patelofemoral (SDPF). A Síndrome da Dor Patelofemoral (SDPF) é caracterizada por uma dor de origem insidiosa, lenta, progressiva e difusa na região anterior do joelho podendo se difundir para a região poplítea. Essa síndrome é responsável por cerca de 25% das lesões em ortopedia e, de cada 4 indivíduos, 1 apresenta SDPF. A sua incidência é maior em populações fisicamente ativas, como adolescentes e adultos jovens, entre 15 e 35 anos, principalmente as mulheres devido a uma série de fatores biomecânicos como pelve mais larga, anteversão femoral, ângulo “Q”, força do músculo quadríceps femoral e lassidão ligamentar (PIAZZA et al., 2013; MYAMOTO et al., 2010; RIBEIRO et al., 2010). A dor é o principal sintoma, a qual se caracteriza por ser sutil e latejante; difusa ou localizada nas regiões anterior, medial, lateral e/ou retropatelar do joelho, exacerbada todas as vezes que se realizam os movimentos de flexão e extensão e durante atividades funcionais dessa articulação como: subir e descer escadas, caminhar em lugares inclinados, agachar-se, saltar e correr, realizar atividades físicas de modo geral bem como permanecer sentado por longo período. Outros sinais e sintomas são edema peripatelar, crepitação, bloqueio articular durante os movimentos e limitação da marcha (LIPORACI et al., 2013; PIAZZA, 2013; ALMEIDA; ABREU; COUTINHO, 2011). A etiologia da Síndrome da Dor Patelofemoral ainda é desconhecida, porém, a maioria dos autores a classifica como multifatorial, sendo o mau alinhamento patelar considerado como a hipótese mais aceita que favorece e/ou desenvolve o surgimento dessa síndrome (PIAZZA et al., 2013; PIAZZA et al., 2012; MYAMOTO et al., 2010). O mau alinhamento patelar é avaliado por
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    110 meio da mensuraçãodo ângulo “Q” ou ângulo quadricipital através da goniometria. O ângulo “Q” é definido como um ângulo formado entre uma linha traçada da espinha ilíaca ânterossuperior (EIAS) até o centro da patela e outra linha traçada da tuberosidade anterior da tíbia até o centro da patela (DUGAN, 2005; GREEN, 2005 apud PEREIRA JÚNIOR; LIMA, 2011). Não existe consenso na literatura sobre quais os valores normais do ângulo “Q” para homens e mulheres, todavia é sabido que as mulheres possuem um ângulo quadricipital maior devido à sua estrutura anatômica diferenciada em relação ao homem (BRAZ; CARVALHO, 2010). Horton e Hall (1989 apud ALMEIDA; ABREU; COUTINHO, 2011) numa pesquisa com 50 homens e 50 mulheres encontraram, em média, valores do ângulo “Q” de 15,8º para mulheres e 11,12º para homens. Já Percy e Strother (1985 apud ALMEIDA; ABREU; COUTINHO, 2011) num estudo com 50 indivíduos de ambos gêneros encontraram valores médio do ângulo quadricipital de 14º e 17º, para homens e mulheres, respectivamente. Belchior et al. (2010) avaliaram a confiabilidade da medição do ângulo “Q” entre dois métodos: teste radiológico e clínico por goniometria em mulheres sem queixas de algia nos membros inferiores. Constataram que ao teste de goniometria o valor médio do ângulo “Q” foi de 18,6º, e ao teste de radiologia o valor médio do ângulo quadricipital foi de 19,4º. Portanto, considerou-se a confiabilidade da mensuração do ângulo “Q” por meio do teste clínico da goniometria. Ao se considerar essas premissas, a presente pesquisa tem como objetivo revisar a literatura sobre a correlação da síndrome da dor patelofemoral com as alterações do ângulo quadricipital em mulheres. Pretende-se com esse levantamento literário, complementar o acervo de material acadêmico que poderá ser utilizado por profissionais de fisioterapia para compreender os fatores relacionados à Síndrome da Dor Patelofemoral e, com isso, lançar mão das melhores técnicas para otimizar o tratamento de seus pacientes. 2 MÉTODOS O desenho metodológico consiste em uma revisão bibliográfica caracterizada no exame de literatura científica para levantamento e análise do
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    111 que já seproduziu sobre determinado tema; e abordagem exploratória que permite uma maior familiaridade entre o pesquisador e o tema pesquisado com vista a torná-lo mais explícito (GIL, 2008). Realizaram-se atividades de identificação, compilação, fichamento, análise e interpretação dos artigos pertinentes. O recorte temporal da pesquisa foi de 2000 até 2014 e foi realizada entre os meses de julho até outubro de 2014. Primeiramente, foi feita uma revisão bibliográfica das produções científicas em saúde no Brasil, através de um levantamento na biblioteca virtual SCIELO que abarca uma compilação selecionada de periódicos brasileiros. Foi utilizado os seguintes descritores: “Síndrome da dor patelofemoral”, “Ângulo ‘Q’”, “Anatomia da articulação do joelho” e “Lesão no joelho”. Foram encontrados 47 (quarenta e sete) artigos. Com o propósito de ampliar os canais de pesquisa foi efetuada uma revisão das publicações na área de saúde, através da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), tendo sido consultada as bases de dados LILACS e MEDLINE utilizando os mesmos descritores. Foram encontrados 25 (vinte e cinco) artigos. Na leitura dos artigos, selecionaram-se aqueles que privilegiassem os descritores supracitados de maneira integrada. Como a presente pesquisa teve um caráter exploratório, considerou-se importante analisar estritamente os artigos que abordassem as questões relativas à definição da síndrome da dor patelofemoral associadas às peculiaridades do aumento do ângulo “Q” como etiologia da lesão bem como aqueles relacionados com a anatomia da articulação do joelho. Dessa maneira, foram excluídos artigos que contemplavam o aumento do ângulo “Q” relacionado a outras condições clínicas, como osteoartrite, obesidade, condromalácia, procedimentos cirúrgicos, síndrome da dor patelofemoral em homens. Sendo assim, dos 72 (setenta e dois) artigos, 25 (vinte e cinco) constituíram o corpo analítico da pesquisa; destes, 19 (dezenove) nacionais, 05 (cinco) em inglês e 01 (um) em espanhol. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Das vinte e cinco referências que fizeram parte do corpo analítico da pesquisa, cinco traziam a discussão a respeito dos valores médios do ângulo
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    112 “Q” (ângulo quadricipital).Os autores ainda são bastante divergentes em seus estudos. Para Caylor et al. (2004) não há aceitação universal dos valores normais e anormais do ângulo “Q” devido à falta de confiabilidade dos diferentes métodos utilizados para a medida desse ângulo. Moreira e Russo (2005) afirmam que o homem, em sua maioria possui um ângulo “Q” que varia entre 10º e 14º, a mulher, 15º a 17º, em média, em virtude de sua pelve ser mais alargada. Esses valores convergem com os resultados encontrados por Percy e Strother (1985 apud PAULA et al., 2004) que encontram valores médios do ângulo “Q” de 14º para homens e 17º para mulheres. Semelhantes valores do ângulo “Q” em mulheres foram encontrados por Cabral (2010) que relatou valores médios entre 15º e 18º em trinta mulheres assintomáticas e sedentárias, com idade entre 18 e 35 anos. Esse resultado corrobora com os encontrados por Belchior et al. (2006) que obteve no grupo assintomático, composto por 20 mulheres sedentárias, entre 15 e 30 anos, um valor médio do ângulo “Q” de 17 graus. Já Horton e Hall (1989 apud PAULA et al., 2004) num estudo realizado com 50 homens e 50 mulheres, encontraram valores médios de 15,8º e 11,1º, para mulheres e homens, respectivamente. Paula et al. (2004) numa pesquisa realizada com 18 indivíduos de ambos os gêneros encontraram valor do ângulo quadricipital de 17,6º para mulheres e 7,6º para homens, estando seus resultados em consonância com os autores acima citados. Em oposição aos valores encontrados pelos autores supracitados, Insall et al. (2005) numa pesquisa realizada com 50 indivíduos de ambos os gêneros relataram valores médios do ângulo “Q” de 14º tanto para homens como para mulheres; e, em leve discordância, Kolowich et al. (1990 apud PAULA et al., 2004), relatam que 10º é considerado normal para ambos os gêneros. Não há estudos que comprovem qual seria o melhor método para se avaliar a medida do ângulo “Q” dos indivíduos, apesar de sua grande importância clínica (PEREIRA JÚNIOR; LIMA, 2011; BELCHIOR et al., 2006). Duas formas são comumente utilizadas: com o indivíduo em decúbito dorsal e/ou na posição ortostática. Na prática clínica se verifica uma maior utilização do primeiro método em que o paciente fica em decúbito dorsal, com o membro inferior estendido e o músculo quadríceps femoral relaxado e/ou contraído.
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    113 Segundo Cabral (2010)alguns autores defendem que o ângulo “Q” deveria ser mensurado sob condições que melhor representasse a posição funcional do membro inferior, portanto, na posição ortostática com o músculo quadríceps femoral relaxado e/ou contraído. Belchior et al. (2006), em estudo realizado com 20 mulheres, entre 15 e 30 anos, identificou diferença significativa entre os valores do ângulo “Q”, relatando que houve diminuição do ângulo quando realizado com o músculo quadríceps femoral contraído, tanto em mulheres sintomáticas como assintomáticas. Cabral (2010) realizou um estudo com trinta mulheres sedentárias, sintomáticas e assintomáticas, entre 18 e 35 anos em que comparou as medidas do ângulo “Q” nas posições em decúbito dorsal com músculo quadríceps femoral relaxado (DDMR) e contraído (DDMC), e na posição em pé com o músculo quadríceps femoral relaxado (PMR) e contraído (PMC). Houve diferença estatisticamente significativa entre os valores do ângulo quadricipital com indivíduos em todas as posições, uma vez que quando o músculo era solicitado no estado de contração, diminuía o ângulo quadricipital. Em oposição, Lathinghouse e Timble (2000) num estudo com 22 mulheres, entre 18 e 30 anos, relataram não haver diferenças significativas entre os valores do ângulo “Q” em indivíduos tanto na posição decúbito dorsal como na posição em pé. Ainda de acordo com o autor supracitado, houve diminuição do ângulo “Q” quando este foi avaliado com o músculo quadríceps femoral contraído. A solicitação da contração isométrica voluntária máxima do músculo quadríceps femoral realizada durante a mensuração do ângulo “Q” faz esse diminuir pela não ativação preferencial das fibras dos músculos vasto medial oblíquo e vasto lateral (SANTOS et al., 2007; FONSECA; CRUZ; LIMA; SEIXAS, 2001). Em relação ao tipo de exame utilizado para a mensuração do ângulo “Q”, verificou-se que a goniometria foi o método de escolha da maioria dos autores devido a sua alta confiabilidade. Cabral (2010) relata que embora a mensuração do ângulo “Q” ofereça uma maior precisão através da radiografia, a goniometria é o método mais acessível na prática clínica e que pode ser realizada com indivíduo em decúbito dorsal ou na posição ortostática.
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    114 De acordo comSacco et al. (2007), o goniômetro universal apresenta confiabilidade considerada de boa a excelente para mensurações dos membros inferiores quando comparada a radiografia, sendo encontradas altas correlações de medidas radiográficas e goniométricas, apresentando, portanto uma boa reprodutibilidade. Isso corrobora com o relato de Magee (2005), que afirma ser a goniometria um método de mensuração do ângulo “Q” que apresenta altas correlações com as medidas radiográficas. Em conformidade, Belchior et al. (2006) num estudo realizado com 20 mulheres, entre 15 e 30 anos, sem queixas álgicas, avaliaram a confiabilidade da medição do ângulo “Q” entre o teste radiológico e clínico por goniometria, obtendo, no primeiro teste 19,4º e, no segundo, 18,6º, com isso, confirmou a confiabilidade da goniometria como método clínico de avaliação do ângulo “Q”. A etiologia da Síndrome da Dor Patelofemoral ainda é bastante discutida na literatura. Piazza et al. (2013) e Wilson (2007), afirmam que a etiologia é multifatorial, sendo o mau alinhamento patelar – caracterizado pelo aumento do ângulo “Q” – a hipótese mais provável, corroborando com Myamoto, Soriano e Cabral (2010), que relataram que a etiologia da SDPF ainda é desconhecida e multifatorial, estando, no entanto, relacionada a alterações mediais e laterais que proporcionam o mau alinhamento patelar, consequentemente, o aumento do ângulo quadricipital. Em oposição, Cabral (2010) relata que o ângulo “Q” é uma medida estática e não pode estar relacionada diretamente com a síndrome da dor patelofemoral, embora, do ponto de vista dinâmico, esse ângulo aumentado pode elevar o vetor de força lateral da patela causando dor durante os movimentos de flexão e extensão do joelho. Liporaci et al. (2013), afirmam que a avaliação isolada de alguns sinais e sintomas como dor no joelho ao movimento de flexão e extensão e aumento do ângulo “Q”, tem se tornado inconsistentes para definir ou diferenciar indivíduos portadores da síndrome da dor patelofemoral. Almeida, Abreu e Coutinho (2011) estudaram a correlação entre a SDPF e o ângulo “Q” em 34 mulheres fisicamente ativas, com idade acima de 18 anos e averiguaram valores médios do ângulo quadricipital significativamente maior em relação aos valores normais consensualmente relatados pela maioria dos autores. Esse resultado corrobora com os encontrados por Colares Júnior
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    115 (2005) que estudoua associação entre fatores sócio-esportivos e síndrome da dor patelofemoral entre mulheres jovens saudáveis e mulheres com SDPF diagnosticada e encontrou um aumento significativo do ângulo quadricipital em 42% das mulheres com síndrome da dor patelofemoral. Em consonância com esses resultados, Liporaci et al. (2013), em um estudo sobre a contribuição da avaliação dos sinais clínicos em pacientes com síndrome da dor patelofemoral, realizado com 39 voluntárias do gênero feminino, com idade média de 20 anos, relataram que o sinal clínico que apresentou maior frequência no grupo SDPF em relação ao grupo controle foi o aumento do ângulo quadricipital, sugerindo que alterações nesse ângulo estão de fato relacionadas à síndrome da dor patelofemoral. Convergindo dos mesmos resultados, Myamoto, Soriano e Cabral (2010) numa pesquisa sobre o alongamento muscular segmentar na melhora da função e alinhamento do joelho de indivíduos com síndrome da dor patelofemoral, realizada com 13 indivíduos sedentários do gênero feminino, com idade entre 18 e 30 anos, relataram que o alongamento muscular segmentar do músculo quadríceps femoral proporcionou diminuição significativa do ângulo “Q” e melhora funcional nas pacientes com SDPF, sugerindo que o aumento desse ângulo está relacionado à SDPF. Em contraposição, Santos et al. (2007), num estudo sobre a relação eletromiográfica integrada dos músculos vasto medial oblíquo e vasto lateral longo na marcha em sujeitos com e sem SDPF, realizado com 27 sujeitos do gênero feminino, com idade entre 18 e 29 anos, observaram aumento do ângulo “Q” no grupo SDPF, mas que esse aumento não foi significativo em relação ao grupo assintomático, encontrando valores de 19,5º para o grupo SDPF e 17,9º para o grupo assintomático. Corroborando com esse estudo, Caylor et al. (2000), num estudo sobre a relação do ângulo quadricipital e a dor anterior no joelho, realizada com 20 mulheres, com idade entre 15 e 30 anos, não encontraram diferença estatisticamente significativas nos valores do ângulo “Q” entre os grupos SDPF e assintomáticos, embora os primeiros apresentassem uma tendência para aumento desse ângulo em relação ao segundo grupo. Divergindo dos resultados acima citados, Paula et al. (2004), numa pesquisa sobre a correlação entre a dor anterior do joelho e a medida do
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    116 ângulo “Q”, realizadacom 39 indivíduos, de ambos os gêneros, com idade entre 15 e 34 anos, relataram não ter encontrado aumento do ângulo quadricipital, no grupo sintomático, em nenhum dos dois gêneros. Já Belchior et al. (2006) numa pesquisa realizada sobre os efeitos na medida do ângulo “Q” com a contração isométrica voluntária máxima do músculo quadricipital, realizada com 20 voluntárias, com idade entre 15 e 30 anos, relataram ter encontrado no grupo SDPF um aumento significativo do ângulo “Q” (21,4º) em relação ao grupo não sintomático (17,1º) durante a mensuração do ângulo quadricipital com os músculos relaxados, porém durante a avaliação desse ângulo com os músculos contraídos, verificou-se diminuição deste ângulo tanto no grupo sintomático (15,8º) quanto no grupo assintomático (14,5º) e que não houve diferença significativa entre os dois grupos. Com isso, verificou-se que há aumento significativo do ângulo quadricipital em indivíduos com SDPF com o músculo no estado de relaxamento e, que, no estado de contração há redução do ângulo “Q” tanto no grupo SDPF quanto no assintomático. Com a contração do músculo quadríceps femoral espera-se que a patela lateraliza-se nos indivíduos que são portadores de SDPF proporcionado um aumento do ângulo quadricipital, não obstante, para Belchior (2006) a redução desse ângulo justifica-se pela não preferência na ativação – em relação ao tempo e a intensidade – do músculo vasto medial oblíquo e vasto lateral, durante exercício isométrico. Porém, a maioria dos autores é consensual em relatar que a etiologia da SDPF é multifatorial. De acordo com Paula et al. (2004) a dor anterior do joelho é um problema multifatorial e pode não estar relacionada unicamente a fatores como aumento do ângulo “Q”, embora a literatura traga várias pesquisas que contempla a relação do aumento desse ângulo com a SDPF. Liporaci et al. (2013), relataram no seu estudo sobre a contribuição da avaliação dos sinais clínicos em pacientes com SDPF que o fato de pessoas assintomáticas apresentarem alguns sinais e sintomas semelhantes aos portadores da SDPF, dificulta a avaliação no sentido de definir se o aumento do ângulo quadricipital é a causa a SDPF ou apenas contribui para seu surgimento junto com outros fatores paralelos.
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    117 Sendo assim, aavaliação isolada de dor no joelho e aumento do ângulo “Q” pode não ser suficiente para definir e diferenciar indivíduos com e sem síndrome da dor patelofemoral (LIPORACI et al., 2013). Outros fatores podem contribuir para o aparecimento ou agravo da SDPF como fraqueza do músculo quadríceps femoral, alteração no alinhamento postural do membro inferior, anormalidades biomecânicas da extremidade inferior como eversão excessiva subtalar, menor ângulo de flexão do joelho, fraqueza da musculatura do quadril, rotação interna do fêmur, torção tibial externa e retração do retináculo lateral (LIPORACI et al., 2013; FREDERICSON, YOON, 2006). 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A presente pesquisa permitiu inferir que a positividade da SDPF e o aumento do ângulo “Q” podem sugerir que este ângulo esteja associado à síndrome em mulheres, porém, vale ressaltar que, como mostrado em vários estudos, é necessário não avaliar o ângulo quadricipital de forma isolada, pois existe uma série de fatores que contribui para o surgimento e agravo da SDPF e que estão além das alterações do ângulo quadricipital. Outros fatores predisponentes da SDPF, propostos pela literatura - anteversão femoral, pronação excessiva subtalar, alterações na ativação dos músculos vasto media e vasto lateral, altura da patela entre outros - deverão ser avaliados juntamente com o ângulo quadricipital. Não há, na literatura, consenso sobre qual o melhor método de avaliar o ângulo quadricipital, portanto, não se sabe se a avaliação mais eficaz ou segura deverá ser com o paciente em decúbito dorsal ou na posição ortostática e com o músculo relaxado ou contraído. A goniometria, no entanto, é relatada na literatura como sendo um instrumento de avaliação do ângulo “Q” que possui uma confiabilidade excelente em relação a outros métodos como radiografia. A goniometria, além de ser bastante eficaz e segura, é um instrumento mais barato, tem fácil reprodutibilidade e é o mais realizado na prática clínica. A pesquisa, ainda, permitiu inferir em face da escassez de estudos sobre o tema, se faz necessário mais pesquisas, com amostras maiores para se obter
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    118 resultados mais segurose eficientes pois o tema abordado é de suma importância clínica na fisioterapia. REFERÊNCIAS ALMEIDA, C. R.; ABREU, V.; COUTINHO, W. L. M. Correlacion entre cuádriceps ángulo y el síndrome patelofemoral em mujeres fisicamente activas. Revista Digital EFDesportes.com, Buenos Aires, Argentina, v. 16, n. 157, p. 1-6, jun. 2011. BELCIOR, A. C. G. et al. Confiabilidade da medição do ângulo quadricipital. Rev Fisioterapia e Pesquisa, São Carlos, v. 13, n. 2, p. 19-24, jan./mar. 2010. ______. Efeitos na medida do ângulo Q com a contração isométrica voluntária máxima do músculo quadricipital. Rev Bras Med Esporte, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 6-10, jan./fev. 2006. BURMANN, R. C. et al. Avaliação dos fatores predisponentes nas instabilidades femoropatelares. Acta Ortop. Bras, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 1- 11, jan./fev. 2011. CABRAL, C. M. N. et al. Medida do ângulo Q e capacidade funcional em mulheres com joelhos valgos. Rev Fisioterapia e Pesquisa, São Carlos, v. 12, n. 1, p. 24-30, jan./mar. 2010. CAYLOR, D. et al. The relationship between quadríceps angle and anterior knee pain syndrome. J Orthop Sports Phys Ther, Indianápolis, v. 17, n. 1, p. 11-16, nov. 2004. COLARES JÚNIOR, R. et al. Fatores sócioesportivos associados à síndrome da dor patelofemoral em mulheres jovens. 2005. Dissertação. (Mestrado em Educação em Saúde)- Universidade de Fortaleza, Fortaleza, 2005. FONSECA, S. T. et al. Análise eletromiográfica dos músculos vasto medial oblíquo e vasto lateral em exercícios usados no tratamento da síndrome da dor patelofemoral. Rev Fisioter Univ, São Paulo. v. 8, n. 1, p. 1-10, jan./jul. 2001. FREDERICSON, M. M. D.; YOON, K. M. D. Physical examination and patellofemoral pain syndrome. Am J Phys Med Rehabil, Philadelphia, v. 85, n. 3, p. 234-243, mar. 2006. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. Ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 41-45. INSALL, J. N.; AGLIETTI, P.; TRIA, A. J. Patellar pain and incongruece II: clinical aplication. Clin Ortthop. Philadelphia, v. 176, n. 1, p. 225-232, jun. 2000.
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    119 LATHINGHOUSE, C. H.;TRIMBLE, M. H. Effect of isometric quadríceps activation on the Q-angle in women before and after quadricpes exercise. J Orthop. Sports Phys Ther, Los Angels, v. 30, n. 4, p. 211-6, apr. 2000. LIPORACI, R. F. et al. Contribuição da avaliação dos sinais clínicos em pacientes com síndrome da dor patelofemoral. Acta Ortop. Bras. São Paulo, v. 21, n. 4, p. 1-8, jul./ago. 2013. MAGEE, D. J.; SUEKI, D. Avaliação musculoesquelética. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. MOREIRA, D.; RUSSO, A. F. Cinesiologia clínica e funcional. São Paulo: Atheneu, 2005. MYAMOTO, C. G.; SORIANO, F. R.; CABRAL, C. M. N. C. Alongamento muscular segmentar melhora função e alinhamento do joelho de indivíduos com síndrome femoropatelar: estudo preliminar. Rev Bras Med Esporte. Niterói, v. 16, n. 4, p. 1-8, jul./ago. 2010. PAULA, G. M. et al. Correlação entre a dor anterior do joelho e a medida do ângulo “Q” por intermédio da fotometria computadorizada. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, v. 8, n. 1, p. 39-43, jan./fev. 2004. PEREIRA JÚNIOR, A. A.; LIMA, W. C. Avaliação da síndrome da dor patelofemoral em mulheres. RBPS, Fortaleza, v. 24, n. 1, p. 5-9, jan./mar. 2011. PIAZZA, L. et al. Avaliação isocinética, dor e funcionalidade de sujeitos com síndrome da dor patelofemoral. Rev Fisioter. Pesqui, São Paulo, v. 20, n. 2, p. 1-8, abr./jun. 2013. ______. Sintomas e limitações funcionais de pacientes com síndrome da dor patelofemoral. Rev. Dor, São Paulo, v. 13, n. 1, p. 1-6, jan./mar. 2012. RIBEIRO, Alessandra C. S. et al. Avaliação eletromiográfica e ressonância magnética do joelho de indivíduos com síndrome da dor femoropatelar. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, v. 14, n. 3, p. 1-12, mai./jun. 2010. SACCO, I. N. C. et al. Confiabilidade da fotogrametria em relação a goniometria para avaliação postural de membros inferiores. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, v. 11, n. 5, p. 411-17, set./out. 2007. SANTOS, G. M. et al. Relação eletromiográfica integrada dos músculos vasto media oblíquo e vasto lateral longo na marcha em sujeitos com e sem síndrome de dor femoropatelar. Rev Bras Med Esporte, São Paulo, SP, v. 13, n. 1, p. 17-21, jan./fev. 2007.
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    120 TRILHA JUNIOR, M.et al. Simulação numérica tridimensional da mecânica do joelho humano. Acta Ortop Bras., São Paulo, v. 17, n. 2, p. 18-23, jan./mar. 2009. WILSON, T. The measurement of patela alignment in patellofemoral pain syndrome: are we confusing assumptions with eivdence? J Orthop Sports Phys Ther, Southampton, v. 36, n. 6, p. 330-41, Sep. 2007.
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    121 ATUALIDADES SOBRE FISIOTERAPIARESPIRATÓRIA EM PEDIATRIA E NEONATOLOGIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA Géssica Rayanne Cândido Ferreira Guedes15 Isabella Pinheiro de Farias Bispo16 RESUMO Introdução: O fenômeno da respiração processa-se pelos pulmões, sistema nervoso central e periférico íntegros, juntamente com a caixa torácica e músculos respiratórios. Este mecanismo pode ser alterado por patologias que acometam quaisquer componentes presentes nesse sistema. Quando tais mecanismos encontram-se alterados, ocorre um aumento excessivo de secreção nos pulmões e vias aéreas respiratórias, prejudicando o transporte do sistema mucociliar, o que resulta em obstrução completa ou parcial das vias aéreas. Objetivo: Analisar as atualidades e avanços da fisioterapia no tratamento e prognóstico dos portadores de doenças respiratórias na área de pediatria e neonatologia. Método: O estudo trata-se de uma revisão bibliográfica constituída de artigos disponibilizados na Biblioteca Virtual da Saúde (BVS), através das bases de dados Scielo (Scientific Eletronic Library Online), com período de publicação de 2004 a 2013, atendendo aos descritores e termos de busca simples. Resultados: Foram analisados 22 artigos que atenderam aos critérios de inclusão do estudo. Conclusão: A fisioterapia respiratória em pediatria e neonatologia atuam tanto na prevenção e promoção à saúde, quanto no tratamento de patologias que afetam o sistema respiratório dessa faixa etária, sendo cada vez maior o número de evidências a respeito da sua eficácia. Palavras-chave: Fisioterapia. UTI Pediátrica. UTI Neonatal. UPDATES ON RESPIRATORY THERAPY IN PEDIATRICS AND NEONATOLOGY: A LITERATURE REVIEW ABSTRAT Introduction: The breathing phenomenon takes place in the lungs, central and peripheral nervous system intact, along with the chest wall and respiratory muscles. This mechanism can be changed by diseases that interfere any components present in this system. When such mechanisms are altered occurs an excessive increase of secretion in the lungs and airways, affecting the mucociliary transport system which results in complete or partial obstruction of the airway. Objective: To analyze the news and advances of physiotherapy in the treatment and prognosis of patients with respiratory diseases in pediatrics and neonatology area. Method: The study deals with a literature review consists 15Graduando do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 16Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. Especialista em Saúde Pública pela Faculdade Integrada de Patos-FIP. Especialista em Fisioterapia Itensiva pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva-SOBRATI. Fisioterapeuta do Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande.
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    122 of articles availableon the Virtual Health Library (VHL), through the databases Scielo (Scientific Electronic Library Online) with of period publication 2004 to 2014, given the descriptors and terms of simple search. Results: We analyzed 22 articles that met the inclusion criteria of the study. Conclusion: Respiratory therapy in pediatrics and neonatology act work both in prevention and health promotion, as in the treatment of diseases affecting the respiratory system in this age group, with an increasing number of evidence about their effectiveness. Keywords: Physical Therapy. Pediatric ICU. NICU. 1 INTRODUÇÃO O fenômeno da respiração processa-se pelos pulmões, sistema nervoso central e periférico íntegros, juntamente com a caixa torácica e músculos respiratórios. Este mecanismo pode ser alterado por patologias que acometam quaisquer componentes presentes nesse sistema. O mecanismo fisiológico das vias aéreas baseia-se em dois mecanismos básicos: a limpeza mucociliar e a tosse eficaz. Quando tais mecanismos encontram-se alterados, ocorre um aumento excessivo de secreção nos pulmões e vias aéreas respiratórias, prejudicando o transporte do sistema mucociliar, o que resulta em obstrução completa ou parcial das vias aéreas (LIEBANO et al., 2009). A fisioterapia enquadra-se em uma modalidade terapêutica recente dentro das unidades de terapia intensiva pediátrica e neonatal que se encontra em desenvolvimento. Segundo a portaria do Ministério da Saúde do nº 3.432, em vigor desde 12/8/1998, as unidades de terapia intensiva de hospitais com nível terciário devem contar com a assistência fisioterapêutica em período integral, por consequência de diminuição das complicações e do período de hospitalização, reduzindo assim os custos hospitalares (NICOLAU; LAHÓZ, 2006). Desde 1980, o fisioterapeuta tornou-se especialista no cuidado ao paciente crítico. Inicialmente, o campo de atuação apenas se aplicava a técnicas para a remoção de secreção dos pacientes com complicações pulmonares. Com os avanços tecnológicos e científicos desde o ano de 1985, vários métodos, técnicas e tratamentos específicos foram desenvolvidos e disponibilizados para os recém-nascidos e crianças sobre cuidados intensivos. (LAHÓZ; NICOLAU, 2009).
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    123 O fisioterapeuta queatua nessa área tem por responsabilidade avaliar e prevenir cinética e funcionalmente os pacientes como também intervir no tratamento dos mesmos atuando na fisioterapia respiratória e/ou motora. Também atua junto à equipe multiprofissional no controle da ventilação pulmonar mecânica (VPM) invasiva e não invasiva (VNI), no desmame e extubação da VPM, insuflação traqueal de gás, protocolo de insuflação/desinsuflação do balonete intratraqueal, entre outros. (JOHNSTON et al., 2012). Segundo Mello, Dutra e Lopes (2004), As infecções respiratórias agudas representam entre 20% e 40% das hospitalizações pediátricas e entre 30 e 60% das consultas aos serviços de saúde na maioria dos países. Diversos fatores contribuem para o agravo em relação à doença respiratória e contribuem para o aumento das taxas de hospitalização por pneumonia. Dentre esses fatores estão o baixo peso ao nascer, a desnutrição, a falta de imunizações e fatores sociais. De acordo com Nicolau e Falcão (2007), O desenvolvimento da fisioterapia respiratória, em conjunto com a medicina neonatal, faz com que os recursos fisioterapêuticos sejam otimizados, respeitando-se as individualidades dos recém-nascidos pré-termos e tornando possível atingir uma maior eficácia do tratamento intensivo. Os pacientes que apresentam restrição ao leito e que se encontram inseridos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) podem apresentar complicações motoras, respiratórias, hemodinâmicas, cardíacas, neurológicas, além de condições pós-traumáticas, condições pré-operatórias e pós- operatórias. A atuação da Fisioterapia em âmbito hospitalar tem por objetivo minimizar os efeitos da imobilidade no leito e tratar ou prevenir complicações respiratórias. A fisioterapia respiratória se faz indicada para pacientes da Unidade de Terapia Intensiva preconizando minimizar o acúmulo de secreção pulmonar, a melhora da oxigenação e promoção da reexpansão de áreas pulmonares com atelectasia, além de prevenir os efeitos deletérios da diminuição ou inatividade do paciente acamado. (LUIZ; SILVA, MACHADO, 2008). Sarmento, Falcão e Carvalho (2011), relatam que na década de 1980 e início de 1990, os recursos mais utilizados na assistência ao paciente
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    124 pediátrico eram drenagempostural, tapotagem, vibrocompressão, exercícios respiratório e estimulo da tosse e aspiração das vias aéreas. Os objetivos da assistência fisioterapêutica em recém-nascidos e crianças são otimização da função respiratória facilitando assim as trocas gasosas e adequação da relação ventilação-perfusão; adequação ao suporte respiratório; prevenir e tratar as complicações pulmonares; manutenção da permeabilidade das vias aéreas; e favorecimento ao desmame da ventilação mecânica e da oxigenoterapia. (NICOLAU; LAHÓZ, 2006). Tendo em vista a alta prevalência de infecções pulmonares e insuficiência respiratória em neonatos e crianças por consequência de complicações respiratórias decorrentes de uma patologia de base, faz-se necessária uma abordagem sobre as atualidades e avanços da fisioterapia neste âmbito, para uma melhor referência no tratamento e prognóstico dos portadores das doenças respiratórias nesta faixa etária de acordo com as evidências no tema proposto. 2 MÉTODOS O presente artigo enquadra-se em uma revisão bibliográfica, elaborada a partir de material já publicado, constituído de artigos disponibilizados na Biblioteca Virtual da Saúde (BVS), é de natureza aplicada. Quanto à aplicabilidade de seus objetivos se enquadra em qualitativa e é de caráter exploratório. Foram incluídos artigos presentes na base de dados Scielo (Scientific Eletronic Library Online), que se encontram na Biblioteca Virtual da Saúde (BVS-Bireme) de 2004 à 2013, escritos na língua portuguesa, atendendo aos descritores e termos de busca simples. Foram excluídos da pesquisa artigos não condizentes com o assunto referido mesmo sendo encontrados através dos termos de busca. A busca foi realizada atendendo aos seguintes descritores: Fisioterapia, UTI Pediátrica, UTI Neonatal. Tais descritores foram anteriormente consultados no DECS (Descritores em Saúde), disponível em http://decs.bvs.br/, tornando- se, portanto palavras-chave para esta pesquisa. Além disso, foram utilizados alguns termos simples de busca como: Fisioterapia Intensiva Pediátrica,
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    125 Fisioterapia Respiratória emPediatria, UTI Pediátrica, Fisioterapia Neonatal, sendo para tanto realizada uma busca integrada na Bireme. Após a escolha dos artigos com probabilidade de serem utilizados de acordo com o tema proposto e fundamentados de acordo com a pesquisa, foi feita uma leitura para ser possível construir um embasamento reflexivo sobre o tema. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Foram utilizados vinte e dois artigos referentes ao tema, que se enquadram entre os anos de 2006 a 2013. Tabela 1 – Artigos selecionados AUTOR ARTIGO ANO ABREU, C. L. et al. Uma visão da prática da fisioterapia respiratória: ausência de evidência não é evidência de ausência 2007 ASSOCIAÇÃO DE MEDICINA INTENSIVA BRASILEIRA Retirada (desmame) da ventilação mecânica 2007 BERTI, W. S. J. et al. Hiperinsuflação manual combinada com compressão torácica expiratória para redução do período de internação em UTI em pacientes críticos sob ventilação mecânica 2012 JOHNSTON, C. et al. I recomendação brasileira de fisioterapia respiratória em unidade de terapia intensiva pediátrica e neonatal 2012 LANZA, C. F. et al. A vibração torácica na fisioterapia respiratória de recém-nascidos causa dor? 2010 LIEBANO, E. R. et al. Principais manobras cinesioterapêuticas manuais utilizadas na fisioterapia respiratória: descrição das técnicas 2009 LOBO, L. M. D. et al. Aplicabilidade das técnicas de bag squeezing e manobra zeep em pacientes submetidos à ventilação mecânica 2010 LUIZ, W. P. A.; SILVA, L. C.; MACHADO, C. M. Fisioterapia respiratória e terapia intensiva 2008 MARTINS, R. et al. Técnicas de Fisioterapia Respiratória: efeito nos parâmetros cardiorrespiratórios e na dor do neonato estável em UTIN 2013 MEDEIROS, L. G. S. et al. Fisioterapia respiratória em terapia intensiva neonatal 2013
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    126 MARTINS, P. A.; SEGRE,M. A. C. Fisioterapia respiratória em neonatologia: importância e cuidados 2010 NICOLAU, M. C.; FALCÃO, C. M. Efeitos da fisioterapia respiratória em recém- nascidos: análise crítica da literatura 2007 NICOLAU, M. C. et al Avaliação da dor em recém-nascidos prematuros durante a fisioterapia respiratória 2008 NICOLAU, M. C.; FALCÃO, C. M. Influência da fisioterapia respiratória sobre a função cardiopulmonar em recém-nascidos de muito baixo peso 2010 NICOLAU, M. C.; FALCÃO, C. M. Efeitos da Fisioterapia respiratória sobre a pressão arterial em recém-nascidos pré-termo 2008 NICOLAU, M. C.; LAHÓZ, C. L. A. Fisioterapia respiratória em terapia intensiva pediátrica e neonatal: uma revisão baseada em evidências 2006 PRADO, C. REMONDINI, R. Monitorização do paciente pediátrico sob ventilação pulmonar mecânica 2013 SANTOS, N. D.; SOARES, O. L. O papel do fisioterapeuta na UTI neonatal: limites e possibilidades 2012 STEIDL, E. M. S. et al. Fisioterapia neonatal: histórico e evolução 2010 SCHENKEL, C. I. et al. Brinquedo terapêutico como coadjuvante ao tratamento fisioterapêutico de crianças com afecções respiratórias 2013 TAQUARY, S. A. S.; ATAÍDE, S. D.; VITORINO, O. V. P. Perfil clínico e atuação fisioterapêutica em pacientes atendidos na emergência pediatria de um hospital público de Goiás 2013 VASCONCELOS,R.A.G. ALMEIDA, A. C. R.; BEZERRA, L. A. Repercussões da fisioterapia na unidade de terapia intensiva neonatal 2011 Fonte: Dados da pesquisa, 2014. Segundo Vasconcelos, Almeida e Bezerra, (2011), e Medeiros et al. (2013), iniciou-se no Brasil no ano de 1980 o trabalho de fisioterapia nas unidades de terapia intensiva, onde a preocupação maior era melhorar a sobrevida dos recém-nascidos sem aumentar o número de complicações. Atualmente, a presença de fisioterapeutas nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatais caracteriza-se por um processo em expansão, que vem contribuindo para um novo campo de atuação para tais profissionais. De acordo com Nicolau e Falcão (2007), e Medeiros et al. (2013), A fisioterapia tem obtido grande sucesso prevenindo e tratando as complicações respiratórias, obtendo assim reconhecimento do profissional de fisioterapia, tornando-o um membro imprescindível da equipe multiprofissional.
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    127 A principal funçãoda assistência multidisciplinar aos recém-nascidos sob os cuidados intensivos é prevenir e reduzir possíveis complicações respiratórias em virtude da prematuridade e da ventilação mecânica. O neonato apresenta especificidades estruturais e funcionais que prejudicam a eliminação de secreção das vias aéreas, a exemplo de mecânica respiratória pouco eficiente na manutenção do volume pulmonar, vias aéreas mais estreitadas, e imaturidade do mecanismo de tosse, esgotando assim a capacidade dos mecanismos de manutenção da limpeza, causando a retenção de secreções. (STEIDL et al., 2010) (SANTOS; SOARES, 2012). As afecções respiratórias, apesar do avanço tecnológico, representam umas das principais causas de morbidade e mortalidade no recém-nascido (RN), pois permanecem por prolongado tempo de hospitalização, devido principalmente à imaturidade pulmonar (NICOLAU; FALCÃO, 2010; SANTOS; SOARES, 2012). Segundo Martins et al. (2013), os internados em unidades de terapia intensiva neonatal se expõem a diversos estímulos nocivos, a exemplo da luz, ruídos intensos, temperatura instável e frequentemente procedimentos invasivos e dolorosos. Segundo o mesmo autor e Nicolau et al. (2008), a dor é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável e que se tem associação ao dano tecidual real ou potencial. De acordo com Nicolau e Falcão (2008, 2010), os RN’S pré-termo, com peso de nascimento inferior a 1.500 kg, apresentam hemorragia intracraniana peri-intraventricular nas primeiras 72 horas de vida devido a fatores intra e extra vasculares, contribuindo assim para uma hemorragia devido á persistência do canal arterial, a ventilação mecânica e a aspiração traqueal. Por consequência disso, o início do tratamento fisioterapêutico é indicado após as 72 horas de vida nos RNS pré-termo. Durante a intervenção fisioterapêutica a pressão arterial desses pacientes deve ser verificada frequentemente, pois há oscilações do fluxo sanguíneo cerebral, devido à falha do mecanismo de autorregulação. Os objetivos da assistência da fisioterapia nos recém-nascidos e crianças é adequar o suporte ventilatório, favorecer o desmame da ventilação mecânica e da oxigenoterapia, manter as vias aéreas pérvias, otimizar a função
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    128 respiratória, facilitando assimas trocas gasosas e prevenir e tratar as complicações pulmonares (STEIDL et al., 2010; MEDEIROS et al., 2013). Segundo Nicolau e Lahóz (2006), e Steidl et al. (2010), o tratamento fisioterapêutico, tem indicação sobre condições clínicas de síndromes aspirativas, síndromes de desconforto respiratórios, pneumonias, atelectasias e na prevenção de complicações da ventilação mecânica. A fisioterapia faz parte do tratamento proposto nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatais, objetivando a remoção da secreção do trato respiratório inferior, sendo empregadas técnicas de higiene brônquica a exemplo da vibração, drenagem postural e aspiração. É dada a devida importância às técnicas passivas e de posicionamento para evitar ou minimizar a dor e a manipulação em excesso desses pacientes. (NICOLAU et al., 2008; LANZA et al., 2010). As técnicas mais utilizadas em neonatos e crianças são as manobras de higiene brônquica, tapotagem (ou percussão), vibrocompressão, manobras com ambu (bag-squeezing), aspiração de vias aérea e endotraqueal, estimulo da tosse e o posicionamento em posturas de drenagem. As manobras de higiene brônquica são utilizadas para mobilizar e remover secreções nas vias aéreas, no sentindo de melhorar a função pulmonar. (NICOLAU; LAHÓZ, 2006; MARTINS; SEGRE, 2010). A contra-indicação dessas manobras de higiene brônquica é em relação aos recém-nascidos pré-termo com peso de nascimento menor que 1.500g nos primeiros 3 dias de vida, devido á possibilidade de ocorrer hemorragia intracraniana. Dentre essas técnicas a única indicação é o posicionamento, durante os primeiros dias de vida, pois proporciona melhores condições biomecânicas ao segmento tóraco-abdominal e otimiza a função respiratória. A única restrição é em relação ao posicionamento de Trendelenburg que é utilizado no objetivo de drenar as secreções respiratórias. Ele é contra-indicado em crianças com instabilidade hemodinâmica e com o aumento da pressão intracraniana, pois favorece o aumento da mesma, e o refluxo gastroesofágico e eleva o risco de broncoaspiração e pneumonia aspirativa (NICOLAU; LAHÓZ, 2006). Nicolau e Falcão (2007), relataram em seus estudos a eficácia da aspiração de vias aéreas para remover a secreção pulmonar. A aspiração
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    129 pulmonar obteve maissucesso quando associada à tapotagem seguida de vibração. No mesmo estudo foi avaliada a fisioterapia respiratória no período de extubação, no sentido de diminuir os episódios de atelectasia e necessidade de reintubação. De acordo com Taquary et al. (2013), em seu estudo, verificou-se a atuação fisioterapêutica na emergência pediátrica com recursos e manobras utilizados no serviço. Necessitaram de oxigenoterapia via máscara facial 52,8% dos pacientes, por via cateter nasal 94,0%. A oxigenação via máscara facial é utilizada em pacientes que chegaram ao serviço de emergência, apresentando condições graves, já os internados nas enfermarias, se encontram estabilizados e necessitavam de menor concentração de oxigênio, sendo utilizado cateter nasal, até a retirada. Segundo Abreu et al. (2007), e Johnston et al. (2012), sobre técnica para desobstrução das vias aéreas, foi indicada a aplicação do AFE (Aceleração do Fluxo Expiratório). Em relação às técnicas de reexpansão pulmonar foram recomendadas hiperinsuflação pulmonar manual, ventilação percussiva intrapulmonar, compressões torácicas seguidas de liberação lenta e completa da caixa torácica (JOHNSTON et al., 2012). Demonstrou-se que o uso de técnicas de Fisioterapia Respiratória pode reduzir a retenção de secreção pulmonar, além de melhorar a complacência dinâmica e a complacência estática. A combinação de percussão, limpeza, e aspiração em conjunto com Hiperinsuflação Manual, contribuiu positivamente para o desmame da Ventilação Mecânica, além de reduzir o tempo de permanência na UTI e a extensão da lesão pulmonar em pacientes internados em UTI (BERTI et al., 2012). De acordo com Lobo et al. (2010), a manobra ZEEP pode ser utilizada como manobra de higiene brônquica para a remoção de secreções, além de melhorar a complacência estática pulmonar, com a vantagem de não ser necessário desconectar o paciente da Ventilação Mecânica durante todo o procedimento. Foi visto também que a Pressão positiva no final da expiração (PEEP) restaura ou eleva a capacidade residual funcional do paciente, o que melhora a oxigenação. Das principais manobras cinesioterapêuticas manuais utilizadas na fisioterapia respiratória, destacam-se no estudo a percussão ou tapotagem,
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    130 pois promove amobilidade da secreção pulmonar viscosa, Pressão expiratória, com o objetivo de desinsuflação pulmonar, pois fisiologicamente há a diminuição do espaço morto e, consequentemente, do volume residual (VR); aumento do volume corrente (VC) e maior ventilação pulmonar, que, por sua vez, oxigenará melhor o sangue (LIEBANO et al., 2009). Segundo o mesmo autor acima, com esta manobra há um ganho de mobilidade da caixa torácica, bem como um auxílio na mobilização de secreções. Além de, assistir e estimular a tosse, devido ao colapso das vias aéreas, e o Shaking, pois acelera a remoção de secreções através do sistema de transporte mucociliar, reforçando, assim, o fluxo de ar expiratório proveniente dos pulmões. De acordo com Prado e Remondini (2013), a atuação do fisioterapeuta na monitorização da ventilação pulmonar mecânica do paciente pediátrico demonstra que o profissional fisioterapeuta deve ter o conhecimento sobre a interação paciente e o ventilador, ser ciente das propriedades fisiológicas básicas e medidas de fluxos, pressões e volumes pulmonares e determinar um manejo ventilatório mais eficaz, além de adaptar parâmetros ventilatórios adequados para cada paciente, auxiliar no desmame ventilatório, e prevenir a lesão pulmonar e as complicações relacionadas à ventilação pulmonar mecânica. O desmame da ventilação mecânica, se faz indicado quando a fração de oxigênio inspirado (FIO2) do paciente é menor que 50%, a PEEP menor que 5 cm H2O, e frequência respiratória menor que 60 para lactentes, menor que 40 para pré-escolares e menor que 30 para adolescentes, combinado a adequada função respiratória e estabilidade hemodinâmica, e escala de Glasgow maior que 11.O uso da ventilação não invasiva é indicado caso haja falha na extubação, pois diminui o esforço respiratório das crianças após a extubação (ASSOCIAÇÃO..., 2007). A fisioterapia motora na UTI pediátrica é recente, porém de grande eficácia. Os movimentos ativos, ativo-assistidos ou passivos possuem grande importância na manutenção da saúde física e mental do ser humano. A mobilização dos membros superiores utilizados em associação com exercícios respiratórios leva ao aumento dos diâmetros da caixa torácica, melhorando a ventilação. Os exercícios com os membros inferiores são importantes na
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    131 manutenção do retornovenoso. Portanto, se faz importante à retirada do paciente do leito precocemente, promovendo assim melhora nas condições ventilatórias, circulatórias, motoras e psicológicas. Entre as técnicas motoras mais utilizadas estão: Mobilizações; Método Kabat e Posicionamento. (LUIZ; SILVA; MACHADO, 2008). De acordo com Schenkel et al. (2013), o uso de brinquedo, a atividade lúdica como a alternativa de tratamento fisioterapêutico de crianças com afecção respiratórias resulta que o brinquedo na área de pediatria é de grande importância devido aos vários aspectos que motivam e interessam o paciente pediátrico durante a realização do atendimento, pois possuem funções facilitadoras e mediadores tanto de intervenções pedagógicas ,psicológicas e clinicas , as brincadeiras e jogos infantis ,vai além de proporcionar apenas diversão , mais auxilia no desenvolvimento sensório-motor e intelectual da criança .O profissional da fisioterapia utiliza na pratica clinica o lúdico no objetivo de melhorar a interação do paciente durante o tratamento. 4 CONCLUSÕES As doenças respiratórias no âmbito pediátrico são bem frequentes, alterando assim o mecanismo respiratório desses pacientes, necessitando de cuidados hospitalares para melhor tratamento das patologias que acometem a funcionalidade do sistema respiratório em decorrência de uma patologia de base. Esse estudo demonstrou as evidências sobre a aplicabilidade da fisioterapia respiratória como uma forma de prevenção e tratamento das doenças respiratórias e complicações advindas das mesmas em neonatologia e pediatria, disponibilizando de manobras e recursos que são primordiais no uso hospitalar, pois atua na melhoria da mecânica respiratória, e assim contribui para melhor qualidade de vida desses pacientes. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO DE MEDICINA INTENSIVA BRASILEIRA. Retirada (desmame) da ventilação mecânica. São Paulo, 2007. Disponível em: <http://www.sbp.com.br/pdfs/Retirada_da_VM.pdf>. Acesso em: 18 out. 2014
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    132 ABREU, C. L.et al. Uma visão da prática da fisioterapia respiratória: ausência de evidência não é evidência de ausência. Rev. Arq. Med ABC, v. 32, supl. 2, p. 76-78, 2007. BERTI, W. S. J. Hiperinsuflação manual combinada com compressão torácica expiratória para redução do período de internação em UTI em pacientes críticos sob ventilação mecânica. J. Bras Pneumologia, v. 38, n. 4 São Paulo, 2012. JOHNSTON, C. et al. I recomendação brasileira de fisioterapia respiratória em unidade de terapia intensiva pediátrica e neonatal. Rev. Bras Ter Intensiva, v. 24, n. 2, p. 119-129, 2012. LAHÓZ, C. L. A. et al. Fisioterapia em UTI pediátrica e neonatal. Barueri: Manole, 2009. LANZA, C. F. et al. A vibração torácica na fisioterapia respiratória de recém- nascidos causa dor? Rev. Paul Pediatr, v. 28, n. 1, p. 10-4, 2010. LIEBANO, E. R. et al. Principais manobras cinesioterapêuticas manuais utilizadas na fisioterapia respiratória: descrição das técnicas. Rev. Ciênc. Méd., v. 18, n. 1, p. 35-45, 2009. LOBO, L. M. D. et al. aplicabilidade das técnicas de bag squeezing e manobra zeep em pacientes submetidos à ventilação mecânica. Rev. Bras. Ter. Intensiva, v. 22, n. 2, 2010. LUIZ, W. P. A; SILVA, L. C; MACHADO, C. M. Fisioterapia respiratória e terapia intensiva. Santa Catarina, 2008. Disponível em: http://www.fisioterapia.com/public/files/artigo/artigo23_1.pdf. Acesso em: 18 de Out.2014. MARTINS, P. A.; SEGRE, M. A. C. Fisioterapia respiratória em neonatologia: importância e cuidados. Rev. Brasileira de Medicina, v, 46, n. 2, 2010. ______, R. et al. Técnicas de fisioterapia respiratória: efeito nos parâmetros cardiorrespiratórios e na dor do neonato estável em UTIN. Rev. Bras Saúde Matern. Infant, v. 13, n. 4, p. 317-327, 2013. MEDEIROS, L. G. S. et al. Fisioterapia respiratória em terapia intensiva neonatal. REBES, Pombal, v. 3, n. 3, p. 14-19, 2013. MELLO, R. R.; DUTRA, V. P. M.; LOPES, M. A. J. Morbidade respiratória no primeiro ano de vida de prematuros egressos de uma unidade pública de tratamento intensivo neonatal. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 80, n. 6, 2004. NICOLAU, M. C.; FALCÃO, C. M. Efeitos da fisioterapia respiratória em recém- nascidos: análise crítica da literatura. Rev Paul Pediatria, v. 25, n. 1, p. 72-75, 2007.
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    134 A FISIOTERAPIA SOBREA PERCEPÇÃO DOS CUIDADORES DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS EM ESCOLA DE ENSINO REGULAR Hellubya Apolinario da Silva17 Rubia Karine Diniz Dutra18 RESUMO Objetivos: Mostrar a importância de uma equipe multidisciplinar em uma escola de ensino regular com crianças que apresentem necessidades especiais, assim como a atuação da fisioterapia na inclusão destas crianças sobre a percepção de seus cuidadores. Método: Pesquisa básica, bibliográfica, com abordagem quantitativa. A pesquisa trata-se de um levantamento de bibliografias já publicadas, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita. Foram realizadas buscas bibliográficas nas seguintes bases eletrônicas de dados: Scielo, Bireme, as seguintes revistas foram acessadas: Revista Brasileira de Educação Especial, Revista Mackezine de Educação Física e Esporte. Resultados: foi constatado que a maioria das escolas não tem uma boa estrutura, sendo indispensável a presença de um fisioterapeuta no ambiente escolar para amenizar os obstáculos impostos no cotidiano destas crianças. Este profissional irá trabalhar a coordenação motora, equilíbrio, força muscular das crianças, assim como capacitar os educadores para o processo de ensino aprendizagem. Conclusão: A fisioterapia é fundamental no ambiente escolar, pois o mesmo auxilia no processo de inclusão escolar dessas crianças, reduzindo os obstáculos e promovendo a acessibilidade a todos. Palavras-chave: Cuidadores. Inclusão Escolar. Necessidades Especiais. Fisioterapia. THE IMPORTANCE OF PHYSICAL THERAPY ON THE PERCEPTION OF CAREGIVERS OF CHILDREN WITH SPECIAL NEEDS IN REGULAR EDUCATION SCHOOL ABSTRACT Objectives: To show the importance of a multidisciplinary team in a mainstream school with children who have special needs, as well as the role of physiotherapy in the inclusion of these children on the perception of their caregivers. Method: Basic Research, literature, with a quantitative approach. The research it is a survey of bibliographies already published as books, magazines, loose publications and press. Literature searches were conducted in the following electronic databases: Scielo, Bireme, the following journals were accessed: Brazilian Journal of pecial Education, Magazine Mackezine of Physical Education and Sport. Results: it was found that most schools do not 17 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 18 Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. Mestra em Saúde Pública. Especialista em Fisioterapia Traumaortopédica, Dermatofuncional e Acupuntura. Fisioterapeuta.
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    135 have a goodstructure and it is essential the presence of a physical therapist in the school environment to mitigate the tax obstacles in everyday life of these children. This professional will work coordination, balance, muscle strength of children, as well as empower educators to the process of teaching and learning. Conclusion: Physical therapy is essential in the school environment, because it helps in the school inclusion of these children process, reducing barriers and promoting accessibility for all. Keywords: Caregivers. School Inclusion. Special Needs. Physiotherapy. 1 INTRODUÇÃO Em nosso cotidiano, somos surpreendidos com pessoas com necessidades especiais que por muito tempo foram mantidas em sociedade extremamente excludente, pelo fato de apresentarem padrões de normalidade físicos e intelectuais designadas como uma irregularidade dentro da sociedade. Segundo Oliveira e Rodrigues (2006), quando ouvimos a palavra inclusão imaginamos a uma sociedade que luta pela democracia e respeita as diferenças e particularidades de cada indivíduo, contribuindo para novas oportunidades e direito de sua cidadania. A inclusão de crianças com necessidades especiais na escola é um direito, porém para ser acessado depende da articulação de uma equipe multidisciplinar, familiares e uma sociedade para cumprir diretrizes educacionais, com a formação de profissionais capacitados para enfrentar os mais variados desafios trazidos pela prática diária de ensino (BRIANT; OLIVER, 2012). Um princípio da educação inclusiva consiste no fato que as escolas devem reconhecer e atender às diversas necessidades dos alunos, proporcionando-lhes uma educação de qualidade com uma aprendizagem por meio de currículo apropriado, estratégias de ensino, uso de recursos especiais entre outros. É importante lembrar que as escolas brasileiras, em especial as de rede pública tem enfrentado muitas dificuldades no que se refere a aprendizagem acadêmica até mesmo para as crianças que não apresentam nenhum tipo de deficiência, mostrando um baixo rendimento não apenas para o processo inclusivo, mas no processo educacional como um todo (LEONARDO, 2008).
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    136 Para Melo ePereira (2013), a educação inclusiva deve ser considerada na perspectiva de atender às dificuldades no aprendizado de qualquer aluno no processo educacional, assim como proporcionar os mesmos direitos aos alunos que apresentam algum tipo de deficiência uma participação plena na sociedade. Por isso, é importante a dedicação de toda comunidade escolar – alunos, cuidadores, professores, funcionários, familiares e outros profissionais para que se tenha êxito. Os cuidadores têm a função importante de desempenhar o desenvolvimento motor de seus filhos. Para a criança desenvolver no que se refere ao intelectual, social e emocional é importante a participação de forma ativa e contínua em atividades recíprocas e progressivamente complexas, sempre com pessoas que tenham forte afetividade com a criança (CHRISTOVAM; CIA, 2013). No contexto, a família na escola é considerada como positiva no sucesso da criança é necessário que aconteça diálogo entre a equipe de profissionais para o envolvimento de parentes que é de grande importância para o desenvolvimento de alunos com necessidades especiais (CHRISTOVAM; CIA, 2013). Para os cuidadores tudo pode influenciar no desempenho de seus filhos e valorizando a escola, é notável o reconhecimento desses cuidadores que sua participação na escola influenciará no desempenho da criança no ambiente escolar. A principal forma de sensibilização da família sobre sua participação na escola é entender o valor social e sua importância na educação de seus filhos (CHRISTOVAM; CIA, 2013). A escola tem o papel de tornar essas crianças indivíduos ativos e participantes, promovendo a sua inclusão na sociedade, proporcionando condições de trabalho e participação política. A participação dos pais é importante na inclusão do portador de deficiência física na escola, pois eles iniciam o processo de escolarização da criança e assegura sua permanência diante das dificuldades (NIEHUES; NIEHUES, 2014). Os cuidadores passam por situações que lhes fazem superar as dificuldades impostas no dia-a-dia pela sociedade. É necessário que a família compreenda a necessidade de seus filhos e passem a suprir as expectativas modificando o modo de vida (OLIVEIRA et al., 2008). A Fisioterapia pode contribuir neste caminho, no que se refere ao aspecto ergonômico, assim como na formação continuada aos educadores. Os profissionais de Fisioterapia têm
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    137 habilidade de esclarecerdúvidas e trocar experiências com os educadores, mostrando variadas atividades a serem trabalhadas em sala de aula (LANDMANN; RUZZA; CHESANI, 2009). O fisioterapeuta deve atuar na educação inclusiva mostrando a importância do desenvolvimento sensório-motor no processo de ensino e aprendizagem, assim como minimizar as dificuldades que o deficiente irá encontrar na escola, promovendo orientações e incentivando as adaptações necessárias (NIEHUES; NIEHUES, 2014). Segundo Ghedini, Mancini, Brandão (2010), o grau de comprometimento motor, a comunicação e a idade são os principais fatores que contribuem para a participação de crianças com necessidades especiais na escola. Quando a criança tem atendimentos com profissionais especializados aumenta a possibilidade de uma vida mais independente para estas crianças, com isso diminui as dificuldades enfrentadas pelos cuidadores proporcionando uma melhor qualidade de vida (BARBOSA; FERNANDES 2009). O estresse pode ser considerado devido às condições ou situações uma diferença entre as demandas externas ao organismo e avaliação do indivíduo de como reagir a cada uma delas (MATSUKURA et al., 2007). A prática fisioterapêutica é assegurada pelo código de ética profissional e regulamenta as responsabilidades e funções deste profissional. Deste modo, infere-se que o fisioterapeuta deve atuar em todos os níveis de atenção à saúde, ou seja, desde a prevenção, promoção e reabilitação, por isso o mesmo deve orientar e esclarecer as dúvidas conscientizando a todos, servindo de apoio às necessidades das crianças. Neste sentido, pode-se averiguar a importância da fisioterapia na inclusão escolar de crianças com deficiência física, uma vez que este profissional atua ativamente neste processo (NIEHUES; NIEHUES, 2014, p. 11) Para Niehues e Niehues (2014), o fisioterapeuta deve orientar o docente sobre a posição e como conduzir a criança com deficiência física, assim como orientar sobre a utilização de equipamentos, móveis, deve adaptar as posturas da criança na sala de aula como também nas atividades extraclasses. Atividades para melhorar o equilíbrio postural, direção, espaço, distância, alongamentos musculares com o objetivo de minimizar e prevenir encurtamentos e atrofias são necessários no cotidiano dessas crianças. Assim
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    138 como exercícios lúdicos,para ativar a concentração, memória, estimular a linguagem e a comunicação, tornando a criança atuante e importante (NIEHUES; NIEHUES, 2014). O objetivo deste estudo é mostrar a importância de uma equipe multidisciplinar em escola de ensino regular com crianças com necessidades especiais, assim como a atuação da Fisioterapia na inclusão destas crianças sobre a percepção de seus cuidadores. 2 MÉTODO Pesquisa básica, bibliográfica com abordagem quantitativa. Pesquisa básica tem a finalidade de compreender projetos de que representam uma investigação original, com vistas ao avanço científico, e que não têm objetivos comerciais específicos (PAIM, 2010). A pesquisa trata-se de um levantamento de bibliografias já publicadas, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita (MARCONI; LAKATOS, 2011). Foram realizadas buscas bibliográficas nas seguintes bases eletrônicas de dados: Scielo, Bireme, as seguintes revistas foram acessadas: Revista Brasileira de Educação Especial, Revista Mackenzie de Educação Física e esporte. Tendo como descritores: cuidadores, inclusão escolar, necessidades especiais, Fisioterapia. Para seleção dos artigos, foram seguidos os seguintes critérios de inclusão: artigos com desfecho na importância da Fisioterapia em escola de ensino regular, publicados no período de 2006 a 2014 cuja amostra contemplasse crianças com deficiências físicas matriculadas em escolas de ensino regular. Foram excluídos os estudos que não apresentavam qualidade metodológica ou não abordavam diretamente o tema. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Entre o período de 2006-2014 foram encontrados 14 artigos que relacionaram os descritores (Quadro 1).
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    139 AUTOR ANO OBJETIVOSRESULTADOS Tagliari; Três; Oliveira 2006 Analisar as escolas de rede pública de Passo Fundo/RS quanto à acessibilidade e orientar os funcionários, alunos Portadores de Deficiência Física (PDF) e seus familiares de como estes alunos devem se portar no ambiente escolar. A Maioria das escolas analisadas não tem acessibilidade necessária para estes alunos, não existem projetos para a eliminação de barreiras arquitetônicas e ambientais; não há presença de profissional capacitado para trabalhar com os funcionários quanto aos procedimentos e estratégias de inclusão dos alunos de PDF e para orientá-los de como se portar no ambiente escolar. Silveira; Neves 2006 Identificar as concepções dos pais e dos professores de crianças com deficiência múltipla sobre a inclusão escolar e social dessas crianças. Os resultados indicaram que os pais percebem a deficiência do filho como algo que acarreta grande sofrimento e que traz comprometimentos sociais, principalmente relacionados ao trabalho. Os pais e os professores acreditam não ser possível a inclusão escolar dessas crianças, por conceberem o desenvolvimento delas como inexistente e por considerarem a escola de ensino regular despreparada para recebê-las.
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    140 Oliveira; Rodrigues 2006 Analisaros procedimentos e atitudes de profissionais de educação, um professor de educação física, um coordenador e um diretor que atuam no sistema de inclusão, com a participação de crianças com deficiências no 1º e 2º ciclos de ensino fundamental. Como resultado verificou que existe concepção teórica por parte dos profissionais da escola, mas não fica explícito como o processo de inclusão tem se efetivado nas instituições de ensino para o aprimoramento da aprendizagem de seus alunos com e sem especificidades. Matsukura et al. 2007 Avaliar a associação entre estresse e suporte social das mães de crianças com necessidades especiais e mães de com crianças com desenvolvimento típico, em famílias de baixa renda. Os resultados indicaram em ambos os grupos, elevada porcentagem de mães estressadas. Leonardo Niehues; Niehues 2008 2014 Verificar como está ocorrendo o processo de implantação de projetos inclusivos em escolas públicas de ensino básico. As principais categorias identificadas foram: dificuldades enfrentadas (transporte, recurso financeiro, saúde), vida social (lazer), projetos de vida das cuidadoras estudadas pode ser compreendida como insatisfatória. Oliveira et al. 2008 Compreender a qualidade de vida do cuidador de crianças com paralisia cerebral. Encontrou-se a incerteza por parte das educadoras quanto à sua identidade profissional e a sua função. Para a maioria, a escolha profissional deu-se por um apresso em lecionar.
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    141 Landmann; Ruzza; Chesani 2009 Identificar operfil dos educadores quanto a idade, sexo, escolaridade, tempo em creche e instituição atual; Conhecer a trajetória profissional e o motivo da escolha e a função dos educadores e suas concepções quanto ao Desenvolvimento Neuropsicomotor Normal (DNPMN). Os dados revelaram diferenças significantes entre todos os domínios. O único domínio do questionário de qualidade de vida que mostrou correlação estaticamente significante com todas as variáveis demográficas foi o domínio do Meio Ambiente. Barbosa; Fernandes 2009 Avaliar a qualidade de vida dos cuidadores de crianças incluídas no espectro autístico e determinar se há algum tipo de relação entre os diferentes domínios e aspectos demográficos como a escolaridade e classe social. A síntese da evidência aponta que os principais fatores que contribuíram para a participação da criança com deficiência física no ambiente escolar refiram-se às habilidades motoras, especificamente mobilidade, à comunicação, ao nível de comprometimento motor à idade. Barreiras que restringiram a participação, como falta de acesso e inadequação do espaço físico das escolas foram identificadas. Ghedini; Mancini; Brandão 2010 Analisar, através de uma revisão de literatura, evidências disponíveis sobre a participação da criança com deficiência física no contexto da escola regular. Após a realização do estudo, foi possível verificar que a atuação da Fisioterapia sobre a adequação de mobiliários e materiais, orientação para
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    142 eliminação de barreiras arquitetônicase conscientização dos profissionais envolvidos na educação, contribuiu para o desenvolvimento do aluno com paralisia cerebral no ambiente escolar. Silva; Santos; Ribas 2011 Apontar como o fisioterapeuta pode atuar no processo de inclusão de alunos com paralisia cerebral (PC) no sistema regular de ensino. Os docentes identificaram a necessidade de apoio institucional para seu trabalho, incluindo possibilidades de formação a partir das demandas cotidianas. Briant; Oliver 2012 Conhecer o ponto de vista do professor do ensino fundamental da rede pública municipal, as estratégias pedagógicas que utilizavam para a inclusão de crianças com deficiência na classe comum. Os dados indicam que os fatores importantes ao sucesso do aluno segundo os professores seriam apoio do profissional especializado, e o auxílio dos pais em tudo envolvesse o desenvolvimento da criança; enquanto pais indicaram a importância de auxiliar alunos e professores na tarefa de casa. Os participantes afirmaram que uma boa relação família-escola seria aquela em que a comunicação fosse eficiente. Christovam; Cia 2013 Identificar a percepção dos participantes sobre a relação família-escola, considerando o processo Os professores reconhecem a importância da fisioterapia com exceção
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    143 de inclusão. deum professor, afirmam que o mesmo pode ajudar na inclusão dos alunos com deficiência física. O atendimento fisioterapêutico contribui para a inclusão escolar na medida em que são realizadas orientações e trocas de informações entre os professores e fisioterapeutas. Melo; Pereira 2013 Investigar o que os professores do ensino comum pensam a respeito da colaboração do fisioterapeuta nesse processo. Todos os professores reconhecem a importância da participação dos profissionais de saúde colaborando para inclusão escolar dos alunos com deficiência, e, se tratando do fisioterapeuta, todos, com exceção de um dos professores, afirmam que o mesmo pode ajudar na inclusão dos alunos com deficiência física. Quadro 1: Artigos selecionados Fonte: Dados da pesquisa, 2014. O ambiente escolar é muito importante no processo de desenvolvimento infantil, quando nascemos, os primeiros contatos são com nossos familiares, no mundo externo, é a escola na qual inicia as nossas relações sociais. As primeiras vivências na escola são fundamentais para o desenvolvimento intelectual e relações com outras pessoas (GHEDINI; MANCINI; BRANDÃO, 2010).
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    144 Para Ghedini, Mancini,Brandão, (2010), escola inclusiva é considerada aquela que oferece oportunidades de acordo com sua necessidade, educando e incluindo essas crianças na sala de aula de ensino regular. O direito de alunos com necessidades especiais educacionais em rede de ensino regular é obrigação do estado e é garantido a todos os indivíduos desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Cartilha de Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência mostra todas as medidas para evitar obstáculos arquitetônicos, que dificultem a inclusão social dos mesmos, promovendo assim o acesso a todos (SILVA; SANTOS; RIBAS, 2011). O Decreto-lei n.º 5296 (BRASIL, 2004), institui que os estabelecimentos de ensino regular de qualquer nível, públicos ou privados, devem proporcionar condições de acesso e utilização de todos os seus ambientes para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, inclusive na sala de aula, bibliotecas, auditórios, instalações desportivas, áreas de lazer e sanitários (SILVA; SANTOS; RIBAS, 2011, p. 2). A inclusão social da idéia de uma sociedade que luta pela democracia, na qual as diferenças são respeitadas, voltados a este princípio, a sociedade busca quebrar obstáculos em relação às diferenças entre os indivíduos e fazer com que todos tenham o mesmo direito, assim como sua cidadania. Nesse contexto a escola é de fundamental importância para que a inclusão social aconteça (NIEHUES; NIEHUES, 2014). Educação Inclusiva significa uma educação com responsabilidade e qualidade, que atenda as expectativas da sociedade como um todo. Nesse contexto, a escola deve atender as necessidades dos alunos no que se refere ao ambiente escolar, adaptando-a as condições físicas dos mesmos, assim como profissionais capacitados para trabalhar com as diversidades (NIEHUES; NIEHUES, 2014). Para Landmann, Ruzza, Chesani, (2009) receber alunos com deficiência é formar cidadão com a garantia e direitos a todos a educação. A vivência com alunos com déficit cognitivo exige do profissional competência e posicionamento para lhe dá com o preconceito imposto pelas pessoas, facilitando a convivência dessas crianças com as demais, como também desenvolvendo sua capacidade.
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    145 Segundo Tagliari, Três,Oliveira (2006) define-se como deficientes físicas aquelas crianças que apresentam alteração da mobilidade, coordenação motora no geral ou da fala, como conseqüência de lesões neurológicas, má formação congênita, ortopédicas e neuromusculares. Levando em consideração o que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente a escola tem por obrigação matricular crianças com necessidades especiais que procurem esse serviço, adaptando o ambiente escolar e capacitando os profissionais para suprir as necessidades desses alunos (TAGLIARI; TRÊS; OLIVEIRA, 2006). Estudos abordam que os cuidadores são fundamentais para inclusão dessas crianças na escola de ensino regular, assim como profissionais capacitados podem ajudar esses cuidadores vencer obstáculos, levando em consideração que crianças com desenvolvimento alterado, geram um nível de estresse nos pais, em especial nas mães, podendo estes desencadear depressão (SILVEIRA; NEVES, 2006). Para Christovam e Cia (2013), conhecer as necessidades da família é muito importante, pois assim os professores e demais profissionais poderão auxiliar esses cuidadores no processo de inclusão escolar de seus filhos amenizando o sofrimento dos mesmos diante dos obstáculos. A fisioterapia será importante no processo inclusivo, pois irá minimizar os obstáculos impostos pelo dia-a-dia, vai desenvolver a parte sensório-motor para facilitar no processo ensino e aprendizagem, assim como educar os alunos para postura corretas no ambiente escolar (NIEHUES; NIEHUES, 2014). Para Niehues e Niehues, (2014) é importante as pessoas terem conhecimento e conscientização sobre a educação inclusiva, respeitando as diferenças na sociedade, e que a fisioterapia é fundamental para adequar o ambiente em que vive. É papel de o fisioterapeuta capacitar o professor para as atividades cotidianas realizadas em sala de aula, assim como no uso de equipamentos, mobiliários, padrões posturais, adaptações, jogos e passeios (TAGLIARI; TRÊS; OLIVEIRA, 2006).
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    146 A fisioterapia emescolas é assegurada pelo Código de Ética profissional. Podendo atuar no desenvolvimento de ações preventivas primárias, secundárias e terciárias (LANDMANN; RUZZA; CHESANI, 2009). O professor e o fisioterapeuta são de extrema importância na vida dessas crianças, por isso é necessário a interação desses dois profissionais, pois na maioria dos casos o professor não tem experiência e nem conhecimento para trabalhar com diferentes tipos de patologia, e o fisioterapeuta irá orientar sobre a melhor prática pedagógica, melhores posturas para estes alunos, assim como modificações ergonômicas (NIEHUES; NIEHUES, 2014). É importante que na escola tenha uma equipe multidisciplinar para que esses alunos permaneçam no ambiente escolar, incentivando-os sempre a trocar experiências com outros alunos, desenvolvendo suas capacidades (SILVA; SANTOS; RIBAS, 2011). Através de brincadeiras o fisioterapeuta pode trabalhar exercícios para coordenação motora, força muscular, equilíbrio, estimular noções de distâncias, espaço, direção (direita, esquerda, posterior e anterior) dessa forma a criança desenvolve a parte sensório-motora de forma lúdica e divertida (NIEHUES; NIEHUES, 2014). Para Tagliari, Três, Oliveira (2006) o fisioterapeuta tem papel importante no ambiente escolar, pois o mesmo poderá solicitar mudanças e inovações tanto externamente como internamente, possibilitando a permanência desses alunos na escola, assim como oferecendo uma melhor qualidade de vida. No que se refere à opinião dos cuidadores sobre o valor da sua colaboração no ambiente escolar de seus filhos identifica-se pouco conhecimento no assunto sobre sua influência no desempenho da criança. Para os cuidadores sua função é apenas auxiliar nas atividades de casa, estudos afirmam que esse apoio dos pais quando prestados nas séries iniciais aumenta as chances de comunicação entre as duas partes, melhorando no desempenho da criança (CHRISTOVAM; CIA, 2013). Para Christovam e Cia, (2013) os pais sentem a necessidade de participar da vida de seus filhos, mais para isso deve acontecer o incentivo do professor, com a participação dos cuidadores na escola é necessário que eles entendam
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    147 a importância delesno processo ensino aprendizagem, lembrando sempre de seus direitos e deveres. Estudos relatam que o profissional de fisioterapia poderá suprir as expectativas e esperanças de cuidadores de crianças com necessidades especiais, através de educação física, movimento na sala de aula ou no pátio da escola. Este trabalho deve ser executado junto a idéia do professor, fisioterapeuta e cuidador, que juntos devem manter uma parceria agradável para se obter sucesso no trabalho (LANDMANN; RUZZA; CHESANI, 2009). A importância da multidisciplinaridade nas escolas, é fundamental para a relação fisioterapeuta e professor, para que os mesmos possam atuar na promoção, prevenção de saúde, assim como na reabilitação.Nesse contexto o fisioterapeuta oferece as crianças estímulos neuropsicomotor apropriando habilidades indispensáveis no processo de aprendizagem (NIEHUES; NIEHUES, 2014). 4 CONCLUSÃO A presença do fisioterapeuta é fundamental no ambiente escolar, pois o mesmo auxilia no processo de inclusão escolar reduzindo os obstáculos, promovendo acessibilidade, adaptando a escola para as necessidades dos alunos, assim como ajudando essas crianças desenvolver seu cognitivo para ajudar no processo ensino aprendizagem. Por meio desta pesquisa foi possível atender os objetivos propostos sobre a percepção dos cuidadores e profissionais sobre a atuação da fisioterapia na escola no processo de inclusão. Para os cuidadores a fisioterapia vai contribuir no processo de inclusão de seus filhos pois ira propor mudanças e inovações não somente externamente como internamente, possibilitando condições de acesso e permanência de crianças com necessidades físicas proporcionando sua inclusão no ambiente escolar e assim melhorando a sua qualidade de vida. Os principais fatores discutidos nos artigos contribuíram para a inclusão de crianças com necessidades especiais no ambiente escolar, relatando também as habilidades motoras, o nível de comprometimento e a comunicação. Afinal, inclusão escolar é acolher todas as pessoas, sem
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    148 exceção, no sistemade ensino, independentemente de cor, classe social e condições físicas e psicológicas. REFERÊNCIAS BARBOSA, M. R. P.; FERNANDES, F. D. M. Qualidade de vida dos cuidadores de crianças com transtorno do aspectro autístico. Rev. Soc Bras Fonoaudiol, v. 14, n. 3, p. 482-486, 2009. BRIANT, M. E. P.; OLIVER, F. C. Inclusão de crianças com deficiência na escola regular numa região do município de São Paulo: conhecendo estratégias e ações. Rev. bras. edu. espec., Marília, v. 18, n. 1, jan./mar. 2012 CHRISTOVAM, A. C. C.; CIA, F. O Envolvimento parental na visão de pais e professores de alunos com necessidades educacionais especiais. Rev. bras. edu. espec., Marília, v. 19, n. 4, out./dec. 2013. GHEDINI, L. S. L.; MANCINI, M. C.; BRANDÃO, M. B. Participação de alunos com deficiência física no contexto da escola regular: revisão de literatura. Rev. Ter. Ocup. Univ., São Paulo, v. 21, n. 1, p. 1-9, jan./abr. 2010. LANDMANN, L. M.; RUZZA, P.; CHESANI, F. H. Espaço educacional e a possibilidade de atuação do fisioterapeuta. Ciênc. cogn., Rio de Janeiro, v. 14, n. 3, nov. 2009. LEONARDO, N. S. T. Inclusão escolar: um estado acerca da implantação da proposta em escolas públicas. Psicol. esc. educ., Campinas, v. 2, dez. 2008. MATSUKURA, T. S. et al 2007. Estresse e suporte social em mães de crianças com necessidades especiais. Rev. bras. ed. esp., Marília, v. 13, n. 3, p. 415- 428, set./dez. 2007. MELO, F. R. L. V.; PEREIRA, A. P. M. Inclusão escolar do aluno com deficiência física: visão dos professores acerca da colaboração do fisioterapeuta. Rev. bras. educ. espec., Marília, v.19, n.1, jan./mar. 2013. NIEHUES, J. R.; NIEHUES, M. R. Educação inclusiva de crianças com deficiência física: importância da fisioterapia no ambiente escolar. Rev Neurocienc, v. 22, n. 1 p. 113-120, 2014. OLIVEIRA, A. F.; RODRIGUES, G. M. Intervenção profissional na inclusão de crianças com deficiências no ensino regular: um estudo piloto. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, v.5, p.31-38, 2006. OLIVEIRA, M. F. S. et al. Qualidade de vida do cuidador de crianças especiais com paralisia cerebral. RBPS, v. 21, n. 4, p. 275-280, 2008.
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    149 PAIM, J.; ALMEIDAFILHO, N. Saúde coletiva: uma “nova saúde públicaou campos abertos a novos paradigmas Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 32, n.4, p. 299-316, 2010. SILVA, S. M.; SANTOS, R. R. C. N.; RIBAS, C. G. Inclusão de alunos com paralisia cerebralno ensino fundamental: contribuições da fisioterapia. Rev. bras. educ. espec., Marília, v. 17, n. 2, maio/ago. 2011. SILVEIRA, F. F.; NEVES, M. M. B. J. Inclusão escolar de crianças com deficiência múltipla: concepções de pais e professores. Psicologia: teoria e pesquisa, v. 22, n. 1, p. 79-88, jan./abr. 2006 TAGLIARI, C.; TRÊS, F.; OLIVEIRA, S. G. Análise da acessibilidade dos portadores de deficiência física nas escolas da rede pública de Passo Fundo e o papel do fisioterapeuta no ambiente escolar. Revista Neurociências, v. 14, n. 1, p. 10-14, jan./mar. 2006.
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    150 A FISIOTERAPIA NAPERCEPÇÃO DE CUIDADORES DE SEQUELADOS DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO Maria Cláudia de Almeida Silva19 Rubia Karine Diniz Dutra20 RESUMO Objetivo: Identificar a percepção de cuidadores sobre a importância da fisioterapia no tratamento do paciente sequelado de Acidente Vascular Encefálico, bem como, verificar se os mesmos estavam recebendo orientações fisioterapêuticas para o cuidado do paciente sequelado, e também de como cuidar de si próprio em domicílio. Método: a pesquisa foi realizada através de um levantamento bibliográfico através das bibliotecas virtuais, livros e revistas entre os meses de Setembro e Novembro de 2014. Procurando temas que abordassem sobre a percepção do cuidador acerca da importância do tratamento fisioterapêutico para portadores de AVE, e as informações que os cuidadores precisavam da fisioterapia para continuar o tratamento em domicílio. Resultados: Verificou-se através deste estudo, que os cuidadores sofrem uma sobrecarga física e emocional muito grande devido à mudança repentina em suas vidas, o que é agravado devido à dependência do paciente acometido por AVE. E que devido à falta de informações de como realizar o cuidado adequadamente, acaba por acarretar reinternações dos sequelados e mais sofrimento para o cuidador. Percebeu-se também, que os familiares cuidadores que recebiam informações dos profissionais da saúde, principalmente da Fisioterapia, se sentiam mais seguros e confiantes ao realizar o cuidado. Conclusão: As informações fisioterapêuticas são de extrema importância para o cuidador, lhe assegurando capacidade, segurança, confiança e motivação para realizar as tarefas junto com o paciente, e assim poder contribuir para um bom prognóstico deste paciente. Ressaltando também que quando os cuidadores recebem informações de como cuidar de si próprio, sentem diminuição de dores musculares, e estresse físico. Palavras-chave: Acidente Vascular Encefálico. Cuidador. Fisioterapia. Informações. PHYSICAL THERAPY IN PERCEPTION OF VASCULAR ACCIDENT SEQUELAE OF CAREGIVERS BRAIN ABSTRACT Objective: To identify the perception of caregivers about the importance of physiotherapy in sequelae patient's treatment cerebrovascular accident, as well 19 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 20 Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. Mestra em Saúde Pública. Especialista em Fisioterapia Traumaortopédica, Dermatofuncional e Acupuntura. Fisioterapeuta.
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    151 as checking thatthey were receiving physiotherapy guidelines for the care of sequelae patient, as well as how to care for themselves in their own home. Method: The research was conducted through a literature through virtual libraries, books and magazines between September and November 2014. Looking themes that focused on the perception of caregivers about the importance of physical therapy for stroke patients, and the information that caregivers need physical therapy to continue treatment at home. Results: It was through this study that caregivers experience physical and emotional burden too large due to the sudden change in their lives, which is aggravated due to the dependence of patients affected by stroke. And that due to lack of information on how to perform the care properly, ultimately entail re-admissions of sequelae and more suffering for the caregiver. We also noticed that family caregivers receiving information from health professionals, especially physical therapy, felt more secure and confident when performing care. Conclusion: physical therapy information is extremely important for the caregiver, ensuring you ability, security, confidence and motivation to carry out tasks with the patient, and thus to contribute to a good prognosis of this patient. Emphasizing also that when caregivers receive information on how to care for yourself, feel decrease of muscle pain, and physical stress. Keywords: Cerebrovascular Accident. Caregiver. Physiotherapy. Information. 1 INTRODUÇÃO Desde a década de 60, evidencia-se no Brasil, um aumento das doenças crônico-degenerativas, principalmente as afecções cardiovasculares, suplantando as enfermidades infecciosas e parasitárias como causa de morte (PERLINE; FARO, 2005). Dentre as doenças crônico-degenerativas, as cerebrovasculares constituem a terceira causa de morte no mundo, precedidas pelas cardiopatias em geral e o câncer. O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico ou hemorrágico, transitório ou definitivo é a doença cerebrovascular que apresenta maior incidência, tem maior morbidade e resulta em incapacidades (PERLINE; FARO, 2005). O Acidente Vascular Encefálico (AVE) ou ataque cerebral ocorre devido a perda repentina da função neurológica causada por uma interrupção do fluxo sanguíneo para o encéfalo (O´SULLIVAN; SCHMITZ, 2010). O AVE apresenta um quadro neurológico agudo, de origem vascular, com rápido desenvolvimento de sinais clínicos, em razão de distúrbios locais ou globais da função cerebral com duração maior que 24 horas (SOUSA et al, 2008).
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    152 A prevalência doAVC é alta e atualmente 90% dos sobreviventes desenvolvem algum tipo de deficiência, sendo considerada uma das principais causas de incapacidades em adultos (SCALZO et al., 2010). Além de contribuir para a morbidade e mortalidade, o Acidente Vascular Encefálico (AVE), causa danos ao indivíduo, à sua família e a sociedade por causa da limitação para a realização das suas atividades de vida diária, pelos anos perdidos de produtividade e pelos elevados custos financeiros de hospitalização e reabilitação, isso também faz com que o Acidente Vascular Encefálico seja uma relevante questão de saúde pública (REIS et al., 2008). A Organização Mundial de Saúde (OMS) refere-se as condições crônicas como problemas de saúde que necessitam de cuidados constantes por certo período de tempo ou por tempo indeterminado (OMS, 2003 apud MIRANDA; EYKEN, 2012). Os pacientes que apresentam índices insatisfatórios para sua independência funcional necessitarão da presença de um cuidador (MIRANDA; EYKEN, 2012). A Classificação Brasileira das Ocupações (CBO) define o cuidador como alguém que “cuida a partir dos objetivos estabelecidos por instituições especializadas ou responsáveis diretos, zelando pelo bem estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida” (FERNANDES et al., 2013, p. 152). Cuidador é a pessoa cuja responsabilidade é a de efetuar as atividades para as quais o paciente não tem mais possibilidade de realizar (RODRIGUES; MEIJA, 2012). Os cuidadores vivenciam a necessidade de adaptação à nova rotina que surge de forma inesperada e intensa, acompanhada por outras dificuldades como as econômicas, as estruturais e a necessidade de apoio (OLIVEIRA; GUARANHANI; GUARANHANI, 2011). O papel de cuidar é desgastante, por conta disso, conhecer quem são os cuidadores e a situação em que eles se encontram, pode ajudar a se pensar em formas de atenuar esse desgaste, prevenindo problemas de saúde física e emocional, o que tem efeito na melhora da qualidade de vida tanto do paciente quanto do cuidador (FERREIRA et al., 2012). O cuidador de pessoas dependentes precisa ser alvo de orientações sobre como proceder neste novo contexto da doença e, também, em situações
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    153 mais difíceis; recebendoperiodicamente visitas de profissionais de saúde, fisioterapeutas, médicos, enfermeiros, sendo este apoio fundamental (GOMES; RESCK, 2009). Nesta intervenção prima-se, também, por treinamentos de como devem ser realizadas as mudanças de decúbitos, as transferências nas diferentes posturas, precauções com a higiene e medidas preventivas que evitem a instalação de deformidades e contraturas que comprometerão ainda mais a funcionalidade destes pacientes (MIRANDA; EYKEN, 2012). Segundo Sousa et al (2008), a fisioterapia atua de acordo com as incapacidades de cada paciente, mais especialmente nos sistemas osteomuscular, cardiorrespiratório e neurológico, buscando averiguar qual o grau de incapacidade física do paciente e atuar em cima deste, buscando uma melhora na sua capacidade de vida. As principais funções da fisioterapia são preservar a função motora do paciente retardando ou minimizando as instalações das incapacidades, tratar as alterações e os sintomas provenientes do AVE e os problemas associados e reabilitar o paciente dentro das suas potencialidades. Para Polese et al. (2008), na formulação do tratamento fisioterapêutico, o que deve ser priorizado são os objetivos funcionais, estabelecendo os componentes do movimento e as deficiências significativas que interfiram no movimento funcional. É de extrema importância que logo após o episódio de AVE o fisioterapeuta dê início a fase de reabilitação do paciente, para que se obtenha uma melhor qualidade de vida. É importante estimular os movimentos antes realizados, tentar melhorar o equilíbrio do paciente, fazê-lo posicionar adequadamente no leito e na cama, fazer com que ele retorne, na medida do possível, as atividades de vida diária e normalizar o controle do tronco (NONINO; KREULICH; BENEDETI, 2008). Essa pesquisa justifica-se pelo grande número de pessoas acometidas por AVE e pela alta taxa de morbidade que apresenta. De acordo com American Heart Association, (2005 apud O´SULLIVAN; SCHMITZ, 2010), o AVE é a causa mais comum de deficiência crônica. Dentre os sobreviventes, estima-se que aproximadamente 13 se torne funcionalmente dependente
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    154 depois de um1 ano, apresentando dificuldades na realização de atividades da vida diária (AVD), deambulação, fala e assim por diante. Devido à importância do tema na área da fisioterapia e pelo pouco abordado sobre o assunto objetivou-se neste trabalho identificar a percepção de cuidadores sobre a importância da fisioterapia em sequelados de Acidente Vascular Encefálico apresentado na literatura, identificando também o conhecimento e a satisfação dos cuidadores sobre a fisioterapia na reabilitação de sequelados de Acidente Vascular Encefálico, conhecer se os cuidadores receberam orientação do fisioterapeuta para o cuidado de si próprio e de como cuidar dos sequelados de Acidente Vascular Encefálico em casa. 2 MÉTODO Pesquisa básica, bibliográfica, com abordagem quantitativa. Pesquisa básica tem a finalidade de compreender projetos de pesquisa que representam uma investigação original, com vistas ao avanço científico, e que não têm objetivos comerciais específicos (PAIM, 2010). A pesquisa bibliográfica trata-se de um levantamento de toda bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita (LAKATOS, 2007). Foram realizadas buscas bibliográficas nas seguintes bases eletrônicas de dados: SCIELLO, BIREME, BVS, e livros. Tendo como descritores para seleção dos artigos os seguintes critérios de inclusão: artigos com desfecho na importância da fisioterapia no tratamento de sequelados de Acidente Vascular Encefálico, publicados no período de 2005 a 2014, cuja amostra contemplasse pessoas acometidas por Acidente Vascular Encefálico, bem como seus cuidadores. Foram excluídos os estudos que não apresentam qualidade metodológica ou não abordavam diretamente o tema. Para selecionar a amostra foram utilizadas as bases de dados: SCIELLO, MEDILINE, BIREME, BVS e LILACS usando os seguintes descritores: Acidente Vascular Encefálico, cuidadores, fisioterapia, informações e reabilitação. Dos artigos lidos foram selecionados os que obedeceram aos critérios de inclusão, que foram: artigos que abordassem a percepção do cuidador sobre a fisioterapia no tratamento do sequelado de Acidente Vascular
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    155 Encefálico, informações fisioterapêuticaspara o cuidado do sequelado e do cuidador. Os dados foram selecionados através de uma leitura aprofundada e em seguida separados em categorias de tratamento fisioterapêutico para Acidente Vascular Encefálico, informações para cuidadores de sequelados, percepção do cuidador acerca do tratamento fisioterapêutico para o sequelado, e satisfação do cuidador acerca do tratamento fisioterapêutico. Foram utilizados 21 artigos todos em português que atendessem tanto aos objetivos do trabalho quanto aos descritores. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Foram selecionados 12 trabalhos para a discussão do tema proposto, conforme o (Quadro 1) abaixo: Quadro 1: Trabalhos utilizados na construção da discussão AUTOR - ANO OBJETIVOS RESULTADOS FELÍCIO et al., 2005. Investigar a efetividade da fisioterapia no quadro clínico do paciente neurológico, sob a ótica do cuidador e da dinâmica familiar, no processo de atendimento domiciliar. Os cuidadores dos pacientes com assistência fisioterapêutica tinham uma visão mais otimista do quadro clínico, e se sentiam mais motivados ao lidar com esses pacientes. GARANHANI; ALVES; FUJISAWA, 2009. Identificar as dificuldades dos pacientes com AVE e seus cuidadores em relação às barreiras arquitetônicas. Identificou-se anseios dos cuidadores que se deparam com o desafio de exercer esta nova função. GOMES; RESCK, 2009. Apreender as percepções do cuidador familiar no cuidado a clientes com sequelas neurológicas, propondo estratégias para o cuidar do cuidador. A sobrecarga experimentada pelos cuidadores ao exercerem o cuidado foi confirmada, e sugeriu-se a organização de grupos de orientação e apoio às famílias desses clientes crônicos. Levantar a percepção do Os resultados apontaram falta de conhecimento dos cuidadores sobre AVE e alterações significativas
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    156 JIMENEZ et al., 2006. cuidadordo paciente acometido por AVE acerca de algumas variáveis envolvidas na função de cuidar. no cotidiano deles, e desejo de obter maior independência para o paciente. LOPEZ, 2005. Identificar quais são as informações relevantes para capacitação dos familiarescuidadores necessárias para assistir adequadamente o paciente sequelado de AVE. O estudo contatou que os cuidadoresfamiliares necessitam de informações acerca do cuidar físico do paciente e de como incentiva-lo no tratamento. E as maneiras de diminuir a sobrecarga física e psicológica que lhe é imposta. MIRANDA; EYKEN, 2012. Apresentar um estudo de caso em que a cuidadora foi orientada pela Fisioterapia, para que transformasse em protagonista nos cuidados da paciente. O relato de caso apresentou resultados positivos da intervenção fisioterapêutica quanto ao nível de funcionalidade da paciente e na sobrecarga vivenciada pela cuidadora. ONINO; KREULICH; BENEDETI, 2008. Avaliar a influência das orientações através de um questionário respondido pelos pacientes ou cuidadores. Nos aspectos alimentação, socialização, higiene pessoal e necessidade de realizar fisioterapia os cuidadores e o paciente estão sendo bem orientados, porém nos aspectos disposição do quarto e posicionamento correto as orientações são poucas. OLIVEIRA; GARANHANI; GARANHANI, 2010. Compreender as necessidades e sentimentos do cuidador e identificar as orientações prestadas por profissionais da saúde. Os resultados apontaram dificuldades adaptativas, ambivalência e diferentes graus de intensidade. Houve desde ausência total de orientações e orientações incompletas. PERLINE; FARO, 2005. Identificar e descrever as atividades do familiar que cuida de pessoas incapacitadas por AVC no domicílio. Os cuidadores realizam atividades que os pacientes não conseguem realizar. Houve falta de informações dos profissionais de saúde para o cuidador. A fisioterapia contribuiu
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    157 O´SULLIVAN; SC.HMITZ, 2010. Descrever opapel do fisioterapeuta ao auxiliar o paciente na recuperação de Acidente Vascular Encefálico em termos de intervenção e instrução relacionada ao paciente. para reabilitação de pacientes com sequelas de Acidente Vascular Encefálico. E as instruções fisioterapêuticas contribuem no processo de reabilitação. RODRIGUES; MEIJA, 2012. Identificar a importância da informação para o cuidador de pacientes com sequelas de AVE, visando benefícios para reabilitação. O cuidador familiar e paciente não recebem informações necessárias para uma boa recuperação. SOUZA et al, 2009. Identificar os cuidados desenvolvidos pelos cuidadoresfamiliares de idosos acometidos por Acidente Vascular Cerebral Todas as cuidadoras preparavam a alimentação e controlavam os horários das medicações. A maioria das cuidadoras não receberam informações sobre os cuidados a serem realizados no domicílio. Fonte: Dados da pesquisa, 2014. O acidente vascular encefálico (AVE) pode ser definido como síndrome originada por distúrbio da circulação encefálica, proveniente de um processo anatomopatológico nos vasos sanguíneos. Caracteriza-se pela ocorrência de déficit neurológico de início súbito, de duração superior a vinte e quatro horas (GUARANHANI; ALVES; FUJISAWA, 2009). A interrupção no suprimento sanguíneo que ocorre no AVE poderá causar perda temporária ou permanente do movimento, pensamento, memória, fala ou sensação (SOUZA et al., 2009). A causa mais comum de AVE é a obstrução de uma das artérias cerebrais importantes ou de seus ramos, podendo ser hemorrágico ou isquêmico (NONINO; KREULICH; BENEDETI, 2008). De acordo com O´Sullivan e Schmitz (2010), o AVE isquêmico é o tipo mais comum, afetando cerca de 80% dos indivíduos com AVE e ocorre quando um coágulo bloqueia ou impede o fluxo sanguíneo, privando o encéfalo de oxigênio e de nutrientes essenciais.
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    158 AVE hemorrágico ocorrequando os vasos se rompem, causando derramamento de sangue no interior e ao redor de encéfalo (O´SULLIVAN; SCHMITZ, 2010). A prevalência do AVC é alta e atualmente 90% dos sobreviventes desenvolvem algum tipo de deficiência, sendo considerada uma das principais causas de incapacidades em adultos (SCALZO et al., 2010). Gomes; Resck (2009), afirma que as patologias cerebrovasculares, incluindo o AVE, é um problema de saúde pública mundial, onde se encaixa na segunda maior causa de morte no mundo, atrás apenas das cardiopatias em geral. Segundo Rodrigues e Meija (2012), O AVE é a 3ª causa de morte em países desenvolvidos e dados estatísticos recentes apontam que no Brasil é uma das primeiras causas de óbito. A aterosclerose é o principal fator que contribui para a doença cerebral vascular. Caracteriza-se pela formação de uma placa com acúmulo de lipídios, fibrina, carboidratos complexos e depósitos de cálcio nas paredes arteriais, o que leva ao estreitamento progressivo dos vasos sanguíneos (O´SULLIVAN; SCHMITZ, 2010). A hipertensão arterial é um fator de risco preditivo para o AVE. Doenças cardíacas são consideradas o segundo mais importante fator de risco, principalmente para quadros embólicos e aterotrombóticos. Diabete Mellitus é um fator de risco independente para doenças cerebrovasculares por acelerar o processo de aterosclerose. Outros incluem: níveis altos de colesterol, obesidade, alto consumo de álcool, uso de cocaína e fumo (POLESE et al., 2008). O quadro clínico do AVE é variável e, de acordo com o local e extensão da lesão vascular, pode apresentar diversas disfunções, tais como, comprometimentos sensoriais, motores, cognitivos e perceptuais (GUARANHANI; ALVES; FUJISAWA, 2009). De acordo com a extensão e o local da lesão o quadro clínico é variável, tornando ou não o paciente em dependência parcial ou total, devido ao grau de incapacidade funcional (GOMES; RESCK, 2010). Entre as alterações motoras, destaca-se a hemiplegia, caracterizada pela perda de força muscular no lado contralateral à lesão encefálica (SCALZO et al., 2010).
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    159 De acordo comNonino, Kreulich e Benedeti (2008), a hemiplegia é a consequência física mais comum do AVE, e se traduz na paralisia completa dos membros superiores e inferiores do mesmo hemicorpo. Pode estar associada a problemas de percepção, cognição, sensorial e de comunicação, aspectos que podem ser considerados na conduta fisioterapêutica. O primeiro episódio de AVE requer uma atenção muito especial por serem estes pacientes, os que têm um melhor prognóstico em termos de reabilitação. É relevante conhecer as questões que podem auxiliar na capacitação da família para enfrentar junto ao paciente de forma mais equilibrada as dificuldades no período inicial da doença (LOPEZ, 2005). Após a alta hospitalar os familiares são levados a assumir os cuidados precocemente, enfrentando as mudanças no cotidiano, o que pode ser fator relevante no processo de reabilitação destas pessoas (PERLINI; FARO, 2005). De acordo com Euzébio e Rabinovich (2006), ao enfocar a família como um sistema, entende-se que esta, ao conviver com a doença, necessite se integrar ao processo de reabilitação, pois se o estado da doença afeta a família, a resposta da família a essa doença afeta as rotinas diárias de recuperação deste indivíduo. O processo de reabilitação de pacientes com AVE tem por objetivo a prevenção de complicações secundárias físicas ou cognitivas, diminuição e recuperação precoce dos déficits sensóriomotores e cognitivos, estimular a neuroplasticidade e reaprendizado, aproveitamento máximo do potencial residual das funções corpóreas, compensação e adaptação às incapacidades físicas e cognitivas, reaprendizado e mudança no comportamento familiar, profissional e no convívio social, independência, reintegração na comunidade e qualidade de vida para pacientes e familiares (RODRIGUES; MEIJA, 2012). Para Felício et al. (2005), um dos objetivos da fisioterapia na reabilitação de pacientes portadores de doenças neurológicas crônicas é alcançar maior grau de independência. A motivação do paciente e a aceitação no que diz respeito às alterações do seu estilo de vida são fatores relevantes para o sucesso da reabilitação. De acordo com Euzébio e Rabinovich (2006), o processo de reabilitação e habilitação do paciente neurológico é, necessariamente, uma conquista lenta à longo prazo. Além disto, essa patologia é responsável por um elevado
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    160 número de internamentossucessivos, acarretando desgaste psicológico e econômico da família e alterando os papéis desempenhados por todos os membros do núcleo familiar. Os exercícios fisioterapêuticos são vistos pelos pacientes e familiares como uma possibilidade, em curto prazo, de retorno do que era antes do AVE (JIMENEZ et al., 2006). Uma boa parte da melhora do quadro clínico do paciente, se deve ao tratamento fisioterapêutico, que contribui para melhora no desempenho funcional, melhora na percepção em relação a saúde e ao bem estar psicológico do paciente sequelado de AVE (SCALZO et al., 2008). De acordo com O´Sullivan e Schmitz (2010), a escolha das intervenções devem considerar vários fatores, incluindo a fase de recuperação pós-AVE (aguda, pós-aguda, crônica), idade do paciente, número de comorbidades, reservas sociais e financeiras e potencial de alta hospitalar. A intervenção fisioterapêutica, através da cinesioterapia, interfere, diretamente, no processo de recuperação motora e das atividades funcionais dos pacientes em condições crônicas geradas pelo AVC. Durante esta intervenção, trabalha-se posicionamento no leito, mudanças de decúbito, prevenção de úlceras de pressão com orientações para o uso de coxins, transferências leitoortostatismocadeira, exercícios para o fortalecimento e alongamento muscular, dissociação de cinturas, alinhamento postural, coordenação e equilíbrio (MIRANDA; EYKEN, 2012, p. 3). A fisioterapia melhora o desempenho dos pacientes em atividades de vida diária, permitindo ao paciente que este possa ser independente, além disso, os estímulos devem buscar otimizar a reorganização cerebral, a partir de treino de tarefas básicas e atividades instrumentais das tarefas de vida diária, com estímulos terapêuticos e do ambiente sócio-familiar (POLESE et al., 2008). No retorno ao domicílio, a família encontra-se fragilizada e os cuidadores familiares prestam os cuidados, muitas vezes, de forma intuitiva. Isto significa que podem existir falhas no cuidado, decorrentes tanto da ausência ou lacunas de orientações recebidas no hospital, como pelo pouco tempo para apropriação das orientações (0LIVEIRA; GUARANHANI; GUARANHANI, 2011). Por isso, observa-se a importância que têm sido dada ao fato do profissional e do cuidador familiar trabalharem em cooperação: o profissional
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    161 com seu conhecimentocientífico e a família com o saber adquirido no lidar diário com o seu doente (EUZÉBIO; RABINOVICH, 2006). Miranda e Eyken (2012), a atuação da fisioterapia vai muito além dos procedimentos terapêuticos com o paciente, devendo, também, envolver orientações e treinamento do cuidador. Segundo Lopez (2005), utilizando as orientações pertinentes de fisioterapia, em ação conjunta com a família é importante a assistência imediata e qualificada a este paciente, visando facilitar a transição rápida e eficiente para o processo de reabilitação e adaptação deste seu novo estado de vida. É de suma importância que o paciente afetado por AVE e seus cuidadores recebam informações da fisioterapia, e com isso possam maximizar a recuperação física do paciente, e por outro lado aumenta a responsabilidade do fisioterapeuta em dar continuidade ao tratamento e continuar orientando paciente e cuidadores, no sentido de contribuir para qualidade de vida de ambos (NONINO; KREULICH; BENEDETI, 2008). As orientações propostas pela fisioterapia ao cuidador devem ser com relação às mudanças de decúbito realizadas a cada duas horas, evitando o decúbito dorsal na cama e a hiperextensão do tronco e pescoço quando sentado, virar o paciente em decúbito homolateral e contralateral à hemiparesia. Também, com paciente sentado, usar apoios necessários, sempre com objetivo de melhor posicioná-lo para prevenir escaras, contraturas, deformidades, dor e melhor função respiratória (MIRANDA; EYKEN, 2012). O fisioterapeuta juntamente com o cuidador subsidia, também, um trabalho que contribui para o autogerenciamento. O autogerenciamento implica capacitar o paciente a aderir ao tratamento ações como: uso correto da medicação, alimentação saudável, prática de exercícios (MIRANDA; EYKEN, 2012). Segundo Felício et al. (2005), pacientes assistidos por uma equipe multiprofissional, em especial pela atuação do fisioterapeuta, apresenta menos repercussões, na presença de dor e parestesia, e permanecem menos tempo inativos no leito. Além disso, os cuidadores dos pacientes que são orientados sobre o manejo dos pacientes em casa e esclarecidos sobre a doença, têm maior satisfação de cuidar e menos cansaço de exercer essa atividade.
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    162 Torna-se evidente anecessidade da discussão sobre a elaboração e implantação de um plano de orientações para o cuidador, visando a construir uma estratégia de apoio e suporte para ele e o paciente, que possa minimizar os impactos gerados no âmbito familiar no qual estão inseridos (OLIVEIRA; GUARANHANI; GUARANHANI, 2011). 4 CONCLUSÃO O Acidente Vascular Encefálico é uma doença crônica que acomete não somente ao indivíduo, mas toda a família, principalmente ao que assume a função de cuidador familiar. Isso ocorre devido a sobrecarga física, financeira e emocional que causa na pessoa que assume este papel. Este estudo avaliou através de pesquisas bibliográficas a percepção do cuidador acerca das informações prestadas por fisioterapeutas de como cuidar do sequelado e de si próprio em casa, onde podemos notar que as pessoas que foram bem orientadas se sentiam mais seguras para realização das tarefas impostas, ao passo que as pessoas que não foram orientadas ou que receberam informações insuficientes, não se sentiam seguras para realizar tais tarefas. Analisamos também a importância do tratamento fisioterapêutico para o paciente, onde ficou constatado que o tratamento fisioterapêutico é eficaz para reabilitação do paciente com sequelas de Acidente Vascular Encefálico. Onde através das mobilizações, alongamentos, fortalecimento, dissociação de cinturas, alinhamento postural, coordenação, equilíbrio entre outros os pacientes tem ganhos motores e funcionais maiores e a recuperação acontece de forma prazerosa, principalmente quando existe uma troca de informações por parte do profissional da saúde com o cuidador. E neste processo de troca de informações quem sai ganhando é o paciente. Podemos perceber que as informações passadas para os cuidadores são importantes para uma melhor recuperação do paciente, visto que, o despreparo do cuidador pode adiar a recuperação e também ser alvo de reinternações. Verificou-se também que muitos cuidadores ainda não tinham recebido informações de como lidar com esta nova realidade em domicílio, e
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    163 que outros receberaminformações e não foram suficientes para terem segurança na tarefa que iriam realizar. É importante que os profissionais da saúde envolvidos no processo de recuperação do paciente com AVE, principalmente o fisioterapeuta, ouvir mais os cuidadores e pacientes para saber quais são suas reais dificuldades quanto aos cuidados realizados, para obter maiores benefícios para o paciente e procurar minimizar a sobrecarga imposta ao cuidador familiar. Portanto, este estudo contribuiu para um novo entendimento e fortalecimento no âmbito do cuidado, quanto ao processo de reabilitação, principalmente no que diz respeito aos profissionais da saúde, em especial o fisioterapeuta, que contribui com os portadores de incapacidades físicas, assim como com seus cuidadores. REFERÊNCIAS EUZÉBIO, C. J. V.; RABINOVICH, E. P. Compreendendo o cuidador familiar do paciente com seqüela de Acidente Vascular Encefálico. Temas em psicologia, v. 14, n 1, p. 63-79, 2006. FELÍCIO, D. N. L. et al. Atuação do fisioterapeuta no atendimento domiciliar de pacientes neurológicos: a efetividade sob a visão do cuidador. Revista Bras em Promoção da Saúde, Fortaleza, v. 18, n. 2, p. 64-69, 2005. FERNANDES, B. C. W. et al. Influência das orientações fisioterapêuticas na qualidade de vida e na sobrecarga de cuidadores. Fisioter. Mov, Curitiba, v. 26, n. 1, p. 151-158, jan./mar. 2013. FERREIRA, H. P. O impacto da doença crônica no cuidador. Revista Bras Clin Med, São Paulo, v. 10, n. 4, p. 278-284, 2012. GARANHANI, M. R.; ALVES, J. F.; FUJISAWA, D. S. Adaptação da pessoa pós-acidente vascular encefálico e seu cuidador: Ambiente domiciliar, cadeira de rodas e de banho. In: V Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial. Londrina, 2009. GOMES, W. D.; RESCK, Z. M. R. A percepção dos cuidadores domiciliares no cuidado a clientes com sequelas neurológicas. Revista Enferm, Rio de Janeiro, v. 17, n. 4, p. 496-501, 2009. JIMENEZ, R. N. et al. A percepção do cuidador do paciente acometido por AVE acerca de algumas variáveis envolvidas na função de cuidar. In: XI Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba, 2006.
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    164 LAKATOS, E. M.Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007. LOPEZ, J. A. C. O uso da informação para o cuidado na assistência fisioterapêutica de pacientes seqüelados de acidente vascular encefálico. Porto Alegre: Fundação Oswaldo Cruz, 2005. MIRANDA, V. M. C.; EYKEN, E. B. O. Fisioterapia na orientação do cuidador: o protagonista nos cuidados de um paciente pós acidente vascular cerebral. Revista Estação Científica, Juiz de Fora, n. 01, nov. 2012. NONINO, F.; KREULICH, E.; BENEDETI, M. R. Orientações a cuidadores de pacientes hemiplégicos em fase aguda pós-episódio de acidente vascular encefálico (AVE). Revista Saúde e pesquisa, v. 1, n. 3, p. 289-293, set./dez. 2008. OLIVEIRA, C. B.; GARANHANI, M. L.; GARANHANI, M. R. Cuidador de pessoa com acidente vascular encefálico: necessidades, sentimentos e orientações recebidas. Acta Paul Enferm, v. 24, n. 1, p. 43-49, 2011. O´SULLIVAN, S. B.; SCHMITZ, T. J. Fisioterapia: Avaliação e Tratamento. 5. ed. Barueri: Manole, 2010. PAIM, J.; FILHO, N. A. Saúde coletiva: uma nova Saúde Pública ou campo aberto a novos paradigmas. Revista de Saúde pública, São Paulo, v. 32, n. 4, p. 299-316, 2010. PERLINI, N. M. O. G.; FARO, A. C. M. Cuidar de pessoa incapacitada por Acidente Vascular Cerebral no domicílio: O fazer do cuidador familiar. Revista Esc Enferm USP, v. 39, n. 2, p. 154-163, 2005. POLESE, J. C. et al. Avaliação da funcionalidade de indivíduos acometidos por Acidente Vascular Encefálico. Revista Neurocien, v. 16, n. 3, p. 175-178, 2008. REIS, L. A. et al. Prevalência e padrão de Distribuição do Acidente Vascular Encefálico em idosos submetidos a tratamento fisioterapêutico no município de Jequié, BA. Revista Bras. Geriatr. Gerontol, v. 11, n. 3, p. 369-378, 2008. RODRIGUES, C. W. V.; MEIJA, D. P. M. Importância da Informação para o cuidador de pacientes com sequelas de AVE: benefícios para reabilitação. Monografia. 2012. (Especialização em Fisioterapia Neurofuncional)- Faculdade Ávila, Goiânia, 2012. SCALZO, P. L. et al. Qualidade de vida em pacientes com acidente vascular cerebral: clínica de fisioterapia PUC Minas Betim. Revista Neurocienc. v. 18, n. 2, p. 139-144, 2010. SOUSA, A. G. et al. Avaliação da qualidade de vida de cuidadores de pacientes com seqüelas neurológicas. ConScientie Saúde. v. 7, n. 4, p. 497-502, 2008.
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    165 SOUZA, C. B.et al. O cuidado domiciliar de idosos acometidos por acidente vascular cerebral: cuidadores familiares. Revista Enferm, Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 41-50, 2009.
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    166 RELAÇÃO DA EXPOSIÇÃOSOLAR E O ENVELHECIMENTO PRECOCE: UMA REVISÃO SISTEMATIZADA Alexandra de Oliveira Santana21 Rubia Karine Diniz Dutra22 RESUMO Objetivos: identificar a relação da exposição solar com o envelhecimento precoce, discorrer sobre a importância da fotoproteção, bem como conhecer os riscos da exposição solar sem o uso dos métodos de proteção e verificar os recursos fisioterapêuticos utilizados para o tratamento do envelhecimento precoce. Método: a pesquisa foi realizada através de um levantamento sistematizado nas bibliotecas virtuais, livros e revistas entre os meses de Fevereiro e Maio de 2015. Procurando temas que abordassem sobre a ralação da exposição solar e o envelhecimento precoce, a importância dos fotoprotetores na prevenção do envelhecimento precoce e quais recursos fisioterapêuticos são utilizados para o tratamento. Os dados desta pesquisa foram expostos em um quadro contendo: Autor-Ano, Objetivo e Resultados. Resultados: verificou-se que uma grande quantidade de pessoas são acometidas pelo envelhecimento precoce devido a exposição solar sem o uso de fotoprotetores, e que o uso dos fotoprotetores são importantes para a prevenção do envelhecimento da pele e de outras patologias. Percebeu-se também que existem vários recursos fisioterapêuticos para o tratamento da pele envelhecida. Conclusão: os estudos mostraram que a exposição solar sem o uso correto dos fotoprotetores acarreta no surgimento do envelhecimento precoce, e que é importante a utilização dos fotoprotetores para prevenção de patologias na pele. Ressaltando também que existem vários recursos fisioterapêuticos para o tratamento do envelhecimento da pele. O estudo é válido, pois permite entender como a exposição solar pode acelerar o envelhecimento da pele, a importância dos fotoprotetores na prevenção do mesmo, e que a fisioterapia Dermato Funcional dispõe de vários tratamentos para prevenção e tratamento do envelhecimento cutâneo. Palavras-chave: Exposição Solar. Envelhecimento Precoce. Fotoprotetores. Fisioterapia. RELATIONSHIP OF EXPOSURE TO THE SUN AND THE EARLY AGING: A LITERATURE REVIEW ABSTRACT 21 Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 22 Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. Mestra em Saúde Pública. Especialista em Fisioterapia Traumaortopédica, Dermatofuncional e Acupuntura. Fisioterapeuta.
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    167 Objectives: To identifythe relationship of sun exposure with premature aging, talk about the importance of sun protection, and know the risks of sun exposure without the use of protective methods and check the physical therapy resources used for the treatment of premature aging. Method: research was conducted through a literature through virtual libraries, books and magazines between February and May 2015. Looking themes that addressed on the grating of sun exposure and premature aging, the importance of sunscreen in preventing premature aging and what resources are used for physiotherapeutic treatment. Results: there was a lot of people are affected by premature aging due to exposure to sunlight without the use of sunscreens and the use of sunscreens are important for the prevention of skin aging and other conditions. It also noticed that there are several physical therapy resources for the treatment of aging skin. Conclusion: studies have shown that sun exposure without the proper use of sunscreens may cause the appearance of premature aging, and that the use of sunscreen to prevent skin diseases is important. Noting also that there are several physical therapy resources for the treatment of skin aging. The study is valid because it allows to understand how sun exposure can accelerate the aging of the skin, making it important to study physical therapy Dermato Functional. Keywords: Sun Exposure. Premature Aging. Sunscreens. Physiotherapy. 1 INTRODUÇÃO O sol é fonte de energia e vida, porém seus benefícios e malefícios irão depender do tempo e forma de exposição, período do dia e localização geográfica. O espectro solar que atinge a superfície da terra é formado por radiações ultravioletas, radiações visíveis e infravermelhas (BRAGA et al., 2011). Para Balogh et al. (2011), a luz solar é composta por um espectro continuo de radiação eletromagnética que apresenta divisão e denominação em concordância com o intervalo de comprimento de onda: radiação ultravioleta (UV) (100-400nm), visível (400-780nm) e infravermelho (> 780nm). A radiação ultravioleta é não ionizante e está diretamente relacionada a efeitos indesejáveis, diretos eou indiretos à pele (BRAGA et al., 2011). A radiação UV é absorvida por diversos cromóforos na pele, tais como: melanina, DNA, RNA, proteínas, aminoácidos aromáticos, como a tirosina e o triptofano, ácido urocânico, entre outros. A absorção da radiação UV pelos cromóforos gera reações fotoquímicas diferentes e interações secundárias, envolvendo espécies reativas de oxigênio, que resulta em efeitos prejudiciais quanto a exposição em excesso (BALOGH et al., 2011).
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    168 De acordo comBatistela, Chorilli e Leonardi (2007), a pele, ou cútis, maior órgão do corpo humano, é um órgão de revestimento complexo e heterogêneo, constituída essencialmente de três grandes camadas de tecidos: uma superior – a epiderme; uma camada intermediária – a derme; e uma camada profunda a hipoderme A pele é considerada um dos órgãos que mais sofre transformações à medida que a idade aumenta, levando a alterações do sistema tegumentar assim como da imunidade celular, refletindo o estado físico e emocional do indivíduo. Assim, manter a integridade cutânea é de extrema importância para que o organismo possa se defender das diversas alterações ou mudanças às quais o indivíduo esteja exposto (OLIVEIRA; PALMA; GLAUSS, 2011). As funções da pele são: proteção, nutrição, pigmentação, queratogênese, termorregulação, transpiração, perspiração, defesa e absorção (BENY, 2000 apud BATISTELA; CHORILLI; LEONARDI, 2007). De acordo com Oriá et al (2003), os tecidos gradualmente passam por mudanças de acordo com a idade, sendo que, na pele, essas alterações são facilmente reconhecidas. Atrofia, enrugamento, ptose e lassidão representam os sinais mais aparentes de uma pele Senil. O envelhecimento é um processo biológico complexo, contínuo que se caracteriza por alterações celulares e moleculares, com diminuição progressiva da capacidade de homeostase do organismo, levando a senescência e morte programada (apoptose). É variável de um indivíduo para outro, de órgão para órgão (BAGATIN, 2011). De acordo com Montagner e Costa (2009), o envelhecimento implica alterações em nível celular, com diminuição da capacidade dos órgãos de executar suas funções normais, resultando provavelmente em doença e morte. Trata-se de deterioração progressiva, tempo-dependente, do organismo em resposta adaptativa as mudanças ambientais. Dois grupos de teorias tentam explicar o complexo processo do envelhecimento. O primeiro grupo inclui as teorias que postulam um determinado programa genético e cronológico para a gradual mudança no fenótipo. O segundo grupo assume a exposição repetitiva às influências danosas, as quais são a explicação para as mudanças que levam ao envelhecimento (HIRATA; SATO; SANTOS, 2004).
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    169 A pele expressade forma visível a ação do tempo e por ele é transformada. Trata-se, então, do envelhecimento intrínseco ou cronológico. No entanto, há, ainda, o envelhecimento extrínseco ou foto-envelhecimento, decorrente da exposição a fatores ambientais, fundamental no resultado final do processo (MONTAGNER; COSTA, 2009). Segundo Batistela, Chorilli e Leonardi (2007), o envelhecimento intrínseco representa o que é comum aos outros órgãos e o envelhecimento extrínseco, mais intenso e evidente, é aquele que ocorre em decorrência dos danos causados pela radiação ultravioleta. O fotoenvelhecimento é provocado pelo acumulo de radiação ultravioleta na pele, decorrente de excessiva exposição solar sem proteção adequada, o que leva o indivíduo a apresentar características impróprias da sua idade ou agravar as já existentes desenvolvidas naturalmente, como rugas, manchas e perda de elasticidade (LOURENÇO; VALE; FERREIRA, 2010). A pele extrinsicamente envelhecida e exposta ao sol aparece clinicamente como manchada, espessa, amarelada, frouxa, áspera e dura (BATISTELA; CHORILLI; LEONARDI, 2007). Tendo em vista a grande incidência de casos de pessoas com a pele envelhecida devido à exposição solar e de outras manifestações decorrentes dos efeitos dos raios UV sobre a pele, o uso dos filtros solares tem se tornado cada vez mais importante e necessário para prevenir ou reduzir a extensão dos danos provocados pela exposição a radiação UV (GONZÁLEZ, 2014). Segundo Carraro e Costa (2011), contra o fotoenvelhecimento o melhor tratamento é a prevenção com uso de chapéus, fotoprotetores, saber os horários de exposição mais adequados, entre outros. Na estética alguns tratamentos são indicados, como hidratação e peeling em caso de manchas. Os fotoprotetores são agentes com ação física ou química que atenuam o efeito da radiação ultravioleta (UV) por mecanismos de absorção e dispersão a reflexão da radiação (TOFETTII; OLIVEIRA, 2006). Cada protetor solar é caracterizado por um fator de proteção solar (FPS) que indica a efetividade da proteção contra a radiação UVB (quanto maior o FPS, maior a proteção) (RENNÓ; RENNÓ; NASSIF, 2014). Os filtros solares são preparações para uso tópico que reduzem os efeitos deletérios da radiação ultravioleta e podem ser divididos em químicos e
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    170 físicos. A associaçãode ambos potencializa o efeito protetor (TOFETTII; OLIVEIRA, 2006). As técnicas para o tratamento do envelhecimento facial têm avançado muito nos últimos anos, oferecendo muitas opções para melhorar a aparência das linhas de expressão e das rugas. Grande parte das técnicas não são invasivas, portanto não exigem interrupção do trabalho e da vida social pela sua rápida recuperação (SOUZA et al., 2007). Essa pesquisa justifica-se pelo grande número de pessoas acometidas pelo envelhecimento precoce devido à exposição solar sem o uso de fotoprotetoes, fato que causa danos não só físicos mais também psicológicos. Devido à importância do tema e pelo pouco abordado sobre o assunto, objetivou-se neste trabalho identificar a relação entre a exposição solar e o envelhecimento precoce apresentados na literatura, discorrendo sobre a importância da fotoproteção na prevenção do envelhecimento precoce, conhecer os riscos da exposição solar sem o uso dos métodos de proteção bem como verificar quais os recursos fisioterapêuticos utilizados para o tratamento do envelhecimento precoce. 2 MÉTODO O artigo segue as normas da ABNT e enquadra-se em uma revisão sistematizada. Pesquisa básica e com abordagem quantitativa. Pesquisa básica tem a finalidade de compreender projetos de pesquisa que representam uma investigação original, com vistas ao avanço científico, e que não têm objetivos comerciais específicos (PAIM; ALMEIDA FILHO, 2010). A pesquisa bibliográfica trata-se de um levantamento de toda bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita (LAKATOS, 2007). Foram realizadas buscas bibliográficas nas seguintes bases eletrônicas de dados: SCIELO (Scientific Eletronic Library Online) e LILACS (Índice da Literatura Científica e Técnica da América Latina e Caribe) inseridos na Biblioteca Virtual De Saúde (BVS – BIREME) e livro. Tendo como descritores para seleção dos artigos os seguintes critérios de inclusão: artigos com desfecho na Relação da Exposição Solar e o Envelhecimento Precoce,
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    171 publicados no períodode 2003 a 2014, cuja amostra contemplasse a exposição solar, o envelhecimento precoce, bem como os recursos fisioterapêuticos disponíveis para o tratamento do envelhecimento precoce. Foram excluídos os estudos que não apresentaram qualidade metodológica ou não abordavam diretamente o tema. Para selecionar a amostra desta pesquisa foram pesquisados anteriormente os descritores no DECS (Descritores em Saúde), disponível em http||decs.bvs.br|, tornando-se portanto palavras chaves para o estudo. São eles: exposição solar, envelhecimento precoce. Além dos descritores foram também utilizados os termos de busca simples: radiação solar, sistema tegumentar, fotoenvelhecimento, fotoprotetores e fisioterapia dermato funcional. Os dados foram realizados através de uma leitura aprofundada e em seguida separados em categorias de exposição solar, envelhecimento precoce, recursos fisioterapêuticos para tratamento do envelhecimento precoce e fotoprotetores. O limite do número de artigos selecionados foi de acordo com o perfil necessário e condizente com o tema. Foram utilizados 22 (vinte) documentos que constituíram o corpo analítico desta pesquisa e descartados 6 (seis) pois não condiziam com o tema proposto. Todos os artigos foram nacionais. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Tabela 1: Trabalhos utilizados na construção da discussão. AUTOR-ANO OBJETIVOS RESULTADOS AMORIM; MEIJA, 2014. Identificar as alterações decorrentes do envelhecimento e relacionar os benefícios do peeling na pele durante a fase de envelhecimento. Os estudos comprovam à eficácia do peeling químico por ácido glicólico contra o fotoenvelhecimento, onde sua aplicação resultou histologicamente em um aumento de cerca de 25% da espessura da pele, bem como dos mucopolissacarídeos ácidos da pele. Revisão dos mecanismos do envelhecimento
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    172 BAGATIN, 2011. cutâneo edas principais substâncias ativas dos cosmecêuticos. Os cosmecêuticos são produtos úteis e não causam efeitos adversos. BALOGH et al., 2011. Apresentar e discutir as principais formas de fotoproteção e avaliar a eficácia dos mesmos. A necessidade da fotoproteção é uma realidade, quer seja pela ação profilática e terapêutica contra o envelhecimento precoce, quer seja pela diminuição da incidência do câncer de pele. BARBA e RIBEIRO, 2009. Caracterizar as modificações presentes no comportamento facial após tratamento com Microdermoabrasão. Com este estudo tornou- se possível identificar resultados promissores e satisfatórios, sobretudo no tratamento do envelhecimento cutâneo. BRAGA et al., 2011. Avaliar a predisposição ao envelhecimento precoce da pele, devido à excessiva exposição solar sem métodos de proteção adequados, além dos conhecimentos a respeito dos riscos a exposição solar. As pessoas não tem conhecimento sobre os tipos de radiações que estão expostas e que permanecem em exposição ao sol durante longos períodos sem proteção adequada. Desta forma apresentam riscos para o fotoenvelhecimento. CARRARO; COSTA, 2011. Identificar a importância dos fotoprotetores na prevenção do envelhecimento precoce, e verificar quais são os tratamentos utilizados. A principal forma de prevenir o envelhecimento da pele é a proteção solar, que ser iniciada na infância. Na estética alguns tratamentos são indicados, como hidratação, peeling em caso de manchas. CRUZ; AVALOS; BARJA, 2007. Avaliar, através da espectroscopia fotoacústica, a fotoestabilidade destes produtos, que consiste na capacidade que o produto tem de permanecer na pele sem se degradar. As medições realizadas indicam que o protetor utilizado é fotoestável. Os fisioterapeutas através dos procedimentos em
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    173 BERNARDO FILHO et al.,2007. Avaliar a importância da intervenção fisioterapêutica para tratamento do fotoenvelhecimento. Dermato Funcional podem contribuir para melhora dos danos causados pelo fotoenelhecimento. GONZÁLEZ, 2014. Desenvolver novos análogos ao filtro solar benzofenona-3 e determinar seu potencial fotoprotetor por meio da avaliação da fotoestabilidade, fototoxidade e atividade antioxidante. Os resultados permitiram demostrar a importância da relação entre a estrutura molecular dos compostos e sua absorção UV. LOURENÇO; VALE; FERREIRA, 2010. Avaliar o conhecimento que a população de Iporá-GO tem sobre fotoenvelhecimento e fotoproteção. Foi constatado que a população relativamente tem conhecimento do termo fotoenvelhecimento, conhecem os malefícios da exposição ao sol sem proteção, no entanto, a maioria não se protege adequadamente, devido à falta de hábito em usar o protetor solar outras medidas de fotoproteção. RENNÓ; RENNÓ; NASSIF, 2014. Revisar na literatura a respeito da radiação ultravioleta e suas complicações na pele, e relatar a eficácia dos fotoprotetores. Estudos demonstraram que as soluções fotoprotetores como emulsões e de formulação Escalol 507 e Parsol 1789, apresentam melhores resultados. SANTOS; MEIJA, 2013. Abordar métodos eletroterapêuticos, manuais e cosmecêuticos utilizados no tratamento do envelhecimento facial e a importância da atuação do fisioterapeuta nessa área. Notou-se que há carência de estudos com relação ao tema abordado. Na fisioterapia existem procedimentos não invasivos que desaceleram o processo do envelhecimento. Foi realizado um A pesquisa apontou alguns recursos fisioterapêuticos mais utilizados para o tratamento do envelhecimento facial, observando que grande
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    174 SOUZA et al.,2007. levantamento bibliográfico com o objetivo de instruir os profissionais fisioterapeutas a respeito das terapêuticas utilizadas para a atenuação desses sinais. parte atende às necessidades de praticidade e conforto que vem sendo cada vez mais solicitadas devido às vantagens oferecidas pelos tratamentos não invasivos. Fonte: Dados da pesquisa, 2014. O tempo passa para todos e envelhecer é um processo natural. Ao mesmo tempo em que cresce a expectativa de vida, valoriza-se cada vez mais a juventude, o jovem e o belo são cultuados como ideal e as pessoas sofrem muito em decorrência do envelhecimento, que pode ser acelerado ou acentuado com a ação do sol na pele, principalmente com a alta incidência dos raios UVA e UVB, o chamado fotoenvelhecimento (CARRRARO; COSTA, 2011). O sol consiste numa fonte de energia fundamental para sobrevivência do homem e demais seres vivos, participando, direta ou indiretamente, da maioria dos ciclos biológicos, através de seus subprodutos: luz visível, radiação infravermelha e ultravioleta (CRUZ; AVALOS; BARJA, 2007). De acordo com Lourenço; Vale; Ferreira (2010), a luz solar é composta por muitos comprimentos de ondas espalhados pelo espectro eletromagnético, e quando a radiação solar atravessa a atmosfera da terra, alguns desses comprimentos de onda são filtrados. A radiação restante atinge a terra como luz ultravioleta e infravermelha. A luz ultravioleta (UV) causa maior preocupação porque pode interagir com as células da pele causando diversos efeitos danosos. Segundo Cruz, Avalos e Barja (2007), o espectro do UV divide-se em três regiões de acordo com o comprimento de onda e os diferentes efeitos biológicos que provocam: radiação ultravioleta C (UVC), de 100nm a 290nm, é absorvida totalmente pela camada de ozônio; ultravioleta B (UVB) de 290nm a 320nm atinge a epiderme causando eritema; ultravioleta A (UVA), de 320nm a 400nm, penetra até camadas mais profundas da pele, provocando envelhecimento das fibras elásticas e de colágeno; pode também alterar o DNA dos melanócitos.
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    175 Para González (2014),atualmente sabe-se que a radiação ultravioleta (UV) emitida pelo sol é responsável por diversos efeitos danosos sobre a pele, os quais se manifestam sob forma de eritema ou queimadura solar, fotoenvelhecimento, lesões cancerosas e pré-cancerosas, entre outras. Ao atingir a pele desprotegida, com ação cumulativa a radiação UV provoca um processo complexo associado a reações químicas e morfológicas. Pode ocorrer formação de espécies reativas de oxigênio, alterações histoquímicas de diferentes gravidades, espessamento da camada espinhosa e retificação da junção dermoepidérmica (BALOGH et al., 2011). Montagner e Costa (2009), afirmam que, o efeito solar imediato sobre a pele e a hiperpigmentção cutânea com atraso na formação de nova melanina, o qual é efeito reversível. A exposição solar prolongada e recorrente implica alterações definitivas na quantidade e distribuição de melanina na pele. A deposição de material amorfo na derme papilar, no lugar de tecido conectivo, é o principal elemento na diferenciação de envelhecimento cronológico e fotoenvelhecimento (MONTAGNER; COSTA, 2009). É sabido que a pele é um Importante órgão que reveste o corpo e deslinda os meios interno e externo. Podendo destacar como principais funções a proteção, a nutrição, a pigmentação, a termo regulação, a transpiração, a defesa e a absorção, além de ter grande proeminência social e emocional (TOFETTI; OLIVEIRA, 2006). De acordo com Hirata; Sato; Santos (2004), a pele é um órgão complexo no qual interações celulares e moleculares reguladas de modo preciso governam muitas das agressões provindas do meio ambiente. É constituída por vários tipos de células interdependentes responsáveis pela manutenção da sua estrutura normal. Para Carraro e Costa (2011), a pele é composta por duas camadas a epiderme, mais externa, composta de células epiteliais intimamente unidas caracterizada por conter cinco camadas, que se reproduzem na mais inferior sendo queratinizadas conforme se afastam até a camada mais externa ajudando na proteção. A derme e formada por mucopolissacarídeos ácidos, que desempenham importante papel na fixação da epiderme a derme. Contem estruturas fibrosas, como as fibras de colágeno, elastina e reticulina (TOFETTI; OLIVEIRA, 2006).
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    176 Segundo Oliveira, Palmae Glauss (2011), a hipoderme é formada por tecido gorduroso que, por sua disposição, possui propriedades protetoras contra traumatismos e variações térmicas. A rede vascular profunda encontra- se na hipoderme. O envelhecimento é um processo contínuo que afeta a função da pele e aparência. Neste processo, ocorre a modificação do material genético e a proliferação celular diminui, resultando em perda da elasticidade, diminuição do metabolismo e da replicação dos tecidos (SANTOS; MEIJA, 2013). Bagatin (2011) ressalta que, existem evidências de que os mecanismos do envelhecimento são influenciados pelo dano causado ao DNA por agressões internas e externas. E que a perda da capacidade proliferativa das células e a sua morte, são processos que caracterizam o envelhecimento. Para Souza et al. (2007), o envelhecimento é um processo lento, progressivo e irreversível, influenciado por diversos fatores intrínsecos e extrínsecos. O envelhecimento intrínseco pode também ser chamado de verdadeiro ou cronológico, sendo aquele já esperado e inevitável. Já o extrínseco pode ser denominado também de fotoenvelhecimento, no qual as alterações surgem em longo prazo e se sobrepõe ao envelhecimento intrínseco. Batistela, Chorilli e Leonardi (2007), explicam que, o envelhecimento intrínseco representa o que é comum aos outros órgãos e o envelhecimento extrínseco, mais intenso e evidente, é aquele que ocorre em decorrência dos danos causados pela radiação ultravioleta. Segundo Braga et al. (2011), a pele envelhecida pelo sol apresenta-se amarelada, com pigmentação irregular, enrugada, atrófica, com telangiectasias e lesões pré-malignas. Atualmente existem muitas teorias sobre as causas do envelhecimento, porém nenhuma obteve uma total aceitação (GUIRRO; GUIRRO, 2002). De acordo com Bernardo Filho et al. (2007), a teoria do desgaste, diz que o organismo se assemelha como uma máquina que conforme o uso vai se desgastando. No corpo irão ocorrer vários pequenos gastos de componentes do organismo (órgão, sistemas), que com o tempo seu funcionamento fica debilitado.
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    177 Segundo Carraro eCosta (2011), é conhecida como teoria auto-imune, pois, com excessivas divisões celulares as células apresentam mutações, se tornando irreconhecíveis, causando uma resposta do sistema auto-imune, que a eliminam levando ao envelhecimento. Guirro e Guirro (2004) afirmam que, a teoria dos radicais livres é uma das teorias mais aceitas. Um radical livre é caracterizado por ter a falta de um elétron para completar o número ideal de suas ligações. Quando presentes no organismo, na busca de se estabilizarem começam a desestruturar moléculas do organismo, promovendo, como consequência, o envelhecimento cutâneo. Na teoria do relógio biológico, o organismo possui um relógio que dirá em que momento o corpo deverá começar a envelhecer. Na da multiplicação celular, as multiplicações naturais das células diminuem com o tempo levando ao envelhecimento (CARRARO; COSTA, 2011). Para Guirro e Guirro (2004), a da RUV, junto com a dos radiais livres é uma das teorias mais estudadas. Devido à repetitiva exposição à RUV, o organismo responde promovendo um bronzeado progressivo e duradouro, mas também pode causar eritemas, formação de radicais livres que ajudam a causar o envelhecimento. Bernardo Filho et al. (2007), relatam que, as estratégias de tratamento e intervenção do fotoenvelhecimento são baseadas na prevenção. Em nível de prevenção primaria todos profissionais de saúde devidamente habilitados poderão orientar seus pacientes quanto aos melhores horários para exposição à radiação solar e a utilização de alguma proteção contra as radiações. Segundo Bagatin (2011), podemos prevenir a penetração das radiações UVA e UVB, através de: manutenção da barreira cutânea com higiene e hidratação adequadas, fotoproteção pelo uso diário e contínuo dos filtros solares de amplo espectro (UVA e B), associada a medidas complementares, como o uso de chapéu, roupas adequadas e uma real mudança de comportamento em relação à exposição solar. Em conformidade, Balogh et al, (2011) relatam que, a fotoproteção é um elemento profilático e terapêutico frente aos efeitos danosos da radiação UV. A abordagem é realizada por meio do uso de protetores solares, vestimentas protetoras e exposição restrita à luz solar.
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    178 Para Cruz, Avalose Barja (2007), protetores ou filtros solares são substâncias destinadas a proteger a pele dos danos causados pela radiação UV; são compostos por substâncias químicas que absorvem a radiação e substâncias físicas que a dissipam por reflexão. Araujo e Souza (2008), afirmam que, os protetores solares são capazes de diminuir a quantidade de radiação UV que atinge a pele humana por absorção e/ou reflexão desta radiação. A eficácia dos protetores solares é dependente da sua capacidade de absorção da energia radiante, que é proporcional à sua concentração, intervalo de absorção e comprimento de onda onde ocorre absorção máxima. Segundo Souza et al. (2007), as técnicas para o tratamento do envelhecimento facial têm avançado muito nos últimos anos, oferecendo muitas opções para melhorar a aparência das linhas de expressão e das rugas. Grande parte das técnicas não são invasivas, portanto não exigem interrupção do trabalho e da vida social pela sua rápida recuperação. A galvanopuntura é utilizada para atenuar rugas e linhas de expressão. Baseada nos efeitos fisiológicos da corrente galvânica [...] é realizada com um eletrodo ativo (negativo) sustentado por uma haste tipo caneta com fina agulha concentradora de corrente, e um eletrodo passivo do tipo placa (positivo). A técnica pode ser realizada de três formas: deslizamento da agulha dentro do canal da ruga, penetração da agulha em pontos adjacentes e no interior da ruga e escarificação, na qual a agulha desliza a 90° dentro do canal da ruga (SOUZA et al., 2007, p. 3). Para Braga et al. (2011), independente da técnica utilizada, o que se deseja é uma estimulação química dos capilares da pele, resultando em uma hiperemia ativa e aumento da circulação local, que intensificará os processos metabólicos, a nutrição, a função e a regeneração do tecido. Sabe-se que das técnicas propostas, as que produzem um processo inflamatório agudo fornecem um resultado mais rápido, visto sua importância na regeneração tecidual. De acordo com Barba e Ribeiro (2009), a Microdermoabrasão é uma técnica de esfoliação não cirúrgica, passível de controle, podendo ser executada de forma não invasiva, sendo inúmeras suas indicações que têm por base o incremento da mitose celular fisiológica, suscitando efeitos como
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    179 atenuação de rugassuperficiais, afinamento do tecido epitelial preparando-o para tratamentos de revitalização e proporcionando uma textura fina e saudável. Borges (2006), o procedimento de microdermoabrasão consiste na aplicação direta sobre a pele, de um equipamento mecânico gerador de pressão negativa e pressão positiva simultâneas, em que são utilizados microgrânulos de óxido de alumínio, quimicamente inertes, jateados pela pressão positiva sobre a superfície cutânea numa velocidade passível de controle, provocando erosão nas camadas da epiderme, sendo ao mesmo tempo sugados pela pressão negativa os resquícios dos microcristais e células córneas em disjunção. A corrente russa tem sido utilizada nos tratamentos de combate ao envelhecimento com o objetivo: [...] de prevenir a hipotonia fisiológica através da melhora da circulação e nutrição tecidual. Esses efeitos são atingidos com o aumento do metabolismo muscular, promovendo um aumento da oxigenação e liberação dos resíduos metabólicos, dilatação das arteríolas com conseqüente aumento da irrigação sanguínea do músculo e estimulação de maior trofismo. A intensidade da corrente utilizada é proporcional à força de contração do músculo. Sabendo disso, os pontos motores passam a ser idealizados como pontos ideais para colocação dos eletrodos (SANTOS; MEIJA, 2013, p. 6). Braga et al. (2011), a iontoforese consiste na utilização da corrente galvânica para a introdução de substâncias no interior do organismo, mas para que isso ocorra essa substância tem que ser iônicamente carregada. Para Souza et al. (2007), para a realização da técnica, inicialmente a área de aplicação deve ser higienizada e deve-se escolher o tipo de eletrodo. No tratamento da face, por se tratar de uma superfície irregular, os melhores eletrodos são os pequenos de formas cilíndrica, esférica ou até mesmo de ponta. Esses eletrodos exigem uma intensidade menor durante o tratamento pelo aumento da concentração da corrente. Segundo Santos e Meija (2011), as microcorrentes têm como principal característica o fato de não atuarem no nível dos órgãos, mas sim a nível celular e de micro-estruturas, produzindo micro-estimulação e neuro- estimulação. Na prática do tratamento, a corrente pode estar associada à massagem e à cosmetologia, bases para todo tratamento estético.
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    180 Seus efeitos fisiológicosestão baseados no estímulo da microcirculação cutânea, com conseqüente melhora na nutrição e oxigenação do tecido, que gera um efeito revitalizante nos tecidos. Além disso, há uma estimulação dos fibroblastos (produzindo colágeno em maior quantidade e de melhor qualidade) e do sistema linfático, assim como de suas funções (SOUZA et al., 2007). De acordo com Borges (2006), o laser é um aparelho de amplificação da luz, provocada pela emissão estimulada de radiação, que utiliza luz altamente organizada para estimular alterações fisiológicas nos tecidos. Essa estimulação, além de outros efeitos promove um aumento na produção de colágeno. Para Guirro e Guirro (2004), a partir dessas mudanças estruturais, a tensão da pele seria restabelecida, resultando em melhora da expressão facial de pacientes entre 30 e 50 anos, com sinais de envelhecimento. Santos e Meija (2011) relatam que, a técnica de radiofrequência tem se destacado no campo estético por seus efeitos térmicos em virtude de reduzir a distensibilidade do tecido, aumentando a densidade do colágeno e consequentemente diminuir a flacidez tissular, promovendo um efeito lifting. Estudos confirmaram a eficácia do peeling químico por ácido glicólico contra o fotoenvelhecimento, onde sua aplicação resultou histologicamente em um aumento de cerca de 25% da espessura da pele, bem como dos mucopolissacarídeos ácidos da pele, melhora significativa na qualidade das fibras elásticas e aumento na densidade do colágeno (DEPREZ, 2007 apud AMORIM; MEIJA, 2013). Para Guirro e Guirrro (2004), o envelhecimento causa uma perda do tônus natural da pele e, sabendo que os músculos da face se inserem na pele, subtende-se que a realização de exercícios faciais auxilia na manutenção do contorno facial. Para se conseguir realizar movimentos mais próximos do fisiológico, devem-se realizar exercícios com resistência manual evitando a atenuação das linhas de expressão ou através de aparelhos, a fim de melhorar a ptose facial, que se acentua com o passar dos anos. Segundo Souza et al. (2007), a drenagem linfática é uma técnica que drena os líquidos excedentes que banham as células, mantendo assim, o equilíbrio hídrico dos espaços intersticiais. Ela também é responsável pela
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    181 evacuação dos dejetosprovenientes do metabolismo, melhorando a oxigenação e nutrição celular. Concordando com Santos e Meija (2011), a drenagem linfática revitaliza a pele do rosto, ameniza olheiras e até trata hematomas decorrentes de traumas, doenças e cirurgias. Souza et al. (2007), a hidratação da pele pode ser obtida através de produtos de uso tópico que tenham as seguintes características: Oclusão: formação de uma fina película sobre a pele, isolando-a dos fatores nocivos externos e evitando também a perda excessiva de água. Composto por princípios que não penetram na pele, como óleos minerais, vaselina líquida, silicone, entre outros. Emoliência: suaviza os tecidos epiteliais da membrana córnea, reduz o endurecimento da pele pela queratinização excessiva, melhora a suavidade ao tato, aumenta a elasticidade e o aspecto aveludado. Obtido através dos óleos vegetais, lanolina, lipídeos sintéticos e vitaminas lipossolúveis (A, E e F). Hidratação: pela administração de ingredientes higroscópicos que promovam uma atração de água para pele, como réplica do fator hidratante natural. São eles o propilenoglicol, glicerina, sorbitol, uréia e lactatos (SOUZA et al., 2007, p. 5). Observamos que atualmente dispomos de uma enorme gama de recursos para atenuar e até mesmo prevenir os sinais do envelhecimento cutâneo, principalmente no tratamento da região da face. Todavia, o método mais eficaz para prevenção é através da fotoproteção (SANTOS; MEIJA, 2011). 4 CONCLUSÃO O envelhecimento implica alterações em nível celular, com diminuição da capacidade dos órgãos de executar suas funções normais, resultando provavelmente em doença e morte. O fotoenvelhecimento é provocado pelo acumulo de radiação ultravioleta na pele, decorrente de excessiva exposição solar sem proteção adequada, o que leva o indivíduo a apresentar características impróprias da sua idade ou agravar as já existentes desenvolvidas naturalmente, como rugas, manchas, perda de elasticidade. Este estudo avaliou através de pesquisas bibliográficas a relação entre a exposição solar sem o uso correto de fotoprotetores e o envelhecimento
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    182 precoce, bem como,a importância da fotoproteção para evitar o surgimento do envelhecimento precoce e os recursos fisioterapêuticos utilizados para o tratamento. Foi possível observar através deste estudo que há escassez de pesquisas relacionadas ao tema. Mas, contudo, foi possível entender a importância do uso dos fotoprotetores para evitar o surgimento do envelhecimento precoce e outras patologias relacionadas a exposição solar, e que o protetor solar é o melhor método de prevenção de patologias na pele, devendo ser orientado a sua utilização desde a infância pelos pais. Notou-se também que grande maioria da população não está usando os métodos corretos de fotoproteção, e que os mesmos não estão bem orientados sobre a importância desta proteção, tendo várias dúvidas envolvendo principalmente os protetores e sua eficácia. Foi possível perceber a importância da Fisioterapia Dermato Funcional no tratamento do envelhecimento precoce, através de métodos não invasivos e confortáveis para o paciente. Sendo eles: peelings, galvanopuntura, corrente russa, laser, caboxiterapia, radiofrequência, drenagem linfática, aplicação de cosmecêuticos e outros. Portanto, este estudo contribuiu para um novo entendimento na área Dermato Funcional, podendo o profissional discorrer sobre a importância da fotoproteção, os cuidados ao se expor ao sol e realizar um tratamento fisioterapêutico eficiente para combater o envelhecimento precoce. REFERÊNCIAS AMORIM, A. L. M.; MEIJA, D. P. M. Benefícios do peeling químico com ácido glicólico no processo de envelhecimento. (Especialização em Fisioterapia em Dermato-Funcional)- Faculdade Cambury, Goiânia, 2013. ARAUJO, T. S.; SOUZA, S. O. Protetores solares e os efeitos da radiação ultravioleta. Scientia Plena 4, 114807, 2008. BAGATIN, E. Mecanismos do envelhecimento cutâneo e o papel dos cosmecêuticos. Grupo Editorial Moreira Jr. 2011. BALOGH, T. S. et al. Proteção à radiação ultravioleta: recursos disponiveis na atualidade em fotoproteção. An Bras Dermatol, v. 86, n. 4, p. 732-742, 2011.
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    183 BARBA, J.; RIBEIRO,E. R. Efeito da microdermoabrasão no envelhecimento facial. Revista Inspirar, v. 1, n. 1. jun./jul. 2009. BATISTELA, M. A.; CHORILLI, M.; LEONARDI, G. R. Abordagem no estudo do envelhecimento cutâneo em diferentes etnias. Rev. Bras. Farm, v. 88, n. 2, p. 59-62, 2007. BORGES, F. S. Dermato funcional: modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas. São Paulo: Phorte, 2006. BRAGA, A. M. et al. O envelhecimento da pele causado pela exposição solar na cidade de salvador: avaliação e abordagem da fisioterapia demato- funcional. Fisioscience, 2011. CARRARO, C. V.; COSTA, M. C. D. Fotoenvelhecimento: bases moleculares, prevenção e tratamento. In: V Congresso Multiprofissional em Saúde. Junho, 2011. CRUZ, V. M. F. R.; AVALOS, D. A.; BARJA, P. R. Estudo da fotoestabilidade de protetores solares por espectroscopia fotoacústica. In: IX Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e V Encontro Latino Americano de Pós-Graduação. Universidade do Vale do Paraíba, 2007. BERNARDO FILHO, M. et al. Fotoenvelhecimento. Fisioterapia Ser., v. 2, n. 1, 2007. GONZÁLEZ, M. T. P. Desenvolvimento de novos filtros solares derivados de benzofenona-3: estudo da fotoestabilidade, fototoxidade e tividade antioxidante. 2014. 91 f. Dissertação (Mestrado em Ciências)- Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2014. GUIRRO, Elaine; GUIRRO, Rinaldo. Fisioterapia dermato-funcional- fundamentos, recursos e patologias. 4. ed. Barueri: Manole, 2004. HIRATA, L. L.; SATO, M. E. O.; SANTOS, C. A. M. Radicais livres e o envelhecimento cutâneo. Acta farmacéutica bonaerense, v. 23, n. 3, 2009. LAKATOS, E. M. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007. LOURENÇO, G. S. F.; VALE, C. R.; FERREIRA, L. G. avaliação do nível de conhecimento sobre fotoenvelhecimento e levantamento de casos de câncer de pele em Iporá-GO. Enciclopédia Biosfera, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v. 6, n. 9, p. 1-14, 2010. MONTAGNER, R.; COSTA, A. Bases biomoleculares do fotoenvelhecimento. An Bras Dermatol, v. 3, n. 84, p. 263-269, 2009. OLIVEIRA, L. M. C.; PALMA, A.; GLAUSS, N. Hábitos relacionados à exposição solar dos professores de educação física que trabalham com atividades aquáticas. An. Bras. Dermatol, v. 86, n. 3, p. 445-450, 2011.
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    184 ORIÁ, B. R.et al. Estudo das alterações relacionadas com a idade na pele humana, utilizando métodos de histo-morfometria e autofluorescência. An. Bras. Dermatol, Rio de Janeiro, v. 78, n. 4, p. 425-434, jul./ago. 2003. PAIM, J.; ALMEIDA FILHO, N. Saúde coletiva: uma nova saúde pública ou campo aberto a novos paradigmas. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 32, n. 4, p. 299-316, 2010. RENNÓ, F. C.; RENNÓ, R. C.; NASSIF, P. W. Atualização em fotoprotetores. Revista UNINGÁ Review, v. 18, n. 3, p. 56-61, abr./jun. 2007. SANTOS, I. M. L.; MEIJA, D. P. M. Abordagem fisioterapêutica no envelhecimento facial. 2013. Monografia. (Especialização em Fisioterapia Dermato-Funcional)- Faculdade Ávila, Goiânia, 2013. SOUZA, S. L. G. et al. Recursos fisioterapêuticos utilizados no tratamento do envelhecimento facial. Revista Fafibe On Line, n. 3, ago. 2007. TOFETTI, M. H. F. C.; OLIVEIRA, V. R. A importância do uso do filtro solar na prevenção do fotoenvelhecimento e do câncer de pele. Investigação-Revista Científica da Universidade de Franca, Franca, v. 6 n. 1 jan./abr. 2006.
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    185 EFICÁCIA DO TREINODOS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO NO TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Maíra Creusa Farias Belo23 Sara Cris Santos24 RESUMO Introdução: A incontinência urinária (IU) é definida como qualquer perda involuntária de urina, sendo classificada em três tipos principais, a IU de esforço, a IU de urgência e a IU mista, as quais apresentam etiologias e fisiopatologias diferentes. Objetivo: Demonstrar a eficácia do treino dos músculos do assoalho pélvico (MAP) no tratamento da incontinência urinária feminina, através de análise em publicações que versem sobre o assunto. Método: Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, realizada no período de novembro a dezembro de 2014. Foram pesquisadas as bases de dados LILACS, BIREME, SciELO e BIBLIOMED, através da Biblioteca Virtual em Saúde (Bireme), utilizando os descritores: “fisioterapia”, “assoalho pélvico”, “incontinência urinária feminina”, tendo sido publicados de 2006 a 2012. Resultados: A pesquisa evidenciou 8 artigos, os quais foram analisados na presente pesquisa. Os mesmos demonstraram que a fisioterapia uroginecológica dispõe de vários recursos que auxiliam no tratamento conservador desta disfunção, tais como a cinesioterapia, o uso dos cones vaginais, a eletroestimulação e o biofeedback. Conclusões: Verificamos que a fisioterapia tem papel significativo no tratamento da IU, visto que dispõe de técnicas eficazes, as quais podem ser usadas isoladamente ou combinadas, promovendo a reeducação e o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, diminuindo os episódios de perda urinária e contribuindo para uma melhor qualidade de vida das pacientes com IU. Palavras-chave: Incontinência Urinária. Fisioterapia. Qualidade de Vida. EFFECTIVENESS OF PELVIC FLOOR MUSCLE TRAINING IN THE TREATMENT OF FEMALE URINARY INCONTINENCE: A LITERATURE REVIEW ABSTRACT Introduction: Urinary incontinence (UI) is defined as any involuntary loss of urine, which is classified into three main types, stress UI, the UI of urgency and mixed incontinence, with different etiologies and pathophysiology. Objective: To demonstrate the effectiveness of the pelvic floor muscles (PFM) training in the treatment of female urinary incontinence. Method: This is a narrative literature review, conducted from November to December 2014. LILACS, BIREME, 23Graduanda do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. 24 Professora do Curso de Fisioterapia da União de Ensino Superior de Campina Grande- UNESC. Mestra em Fisioterapia pela Universidade Federal de Pernambuco-UFPE.
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    186 SciELO and Bibliomedwere investigated through the Virtual Health Library (Bireme), using the keywords "physiotherapy", "pelvic floor", "female urinary incontinence", published from 2006 to 2012. Results: the research showed 8 articles, that were analyzed in this research. They demonstrated that urogynecological physiotherapy has several features that may be used in the conservative treatment of this disorder, such as kinesiotherapy, the use of vaginal cones and biofeedback which seek to strengthen the PFM; and electrotherapy, that, in addition to strengthening, also aims proprioception and inhibition of the detrusor muscle. Conclusions: We found that physical therapy has a significant role in the treatment of urinary incontinence, since it has effective techniques, which can be used alone or combined, promoting rehabilitation and strengthening the pelvic floor muscles, reducing the frequency of urinary leakage and contributing to a better quality of life of patients with UI. Keywords: Urinary Incontinence. Physiotherapy. Quality of Life. 1 INTRODUÇÃO A incontinência urinária (IU), segundo o Comitê de Padronização da Sociedade Internacional de Continência (ICS), é definida como qualquer perda involuntária de urina (ALMEIDA; MACHADO, 2012; MELO et al., 2012). Estima- se que 50 milhões de pessoas no mundo sofram com a IU, sendo mais comum em mulheres e podendo acometer até 50% delas em alguma fase de suas vidas (DEDICACAO et al., 2009). No Brasil, apesar de muitas mulheres não relatarem a presença de IU, estima-se que 11 a 23% da população feminina sejam incontinentes (LAZARI; LOJUDICE; MAROTA, 2009) e, em idosas, essa prevalência pode variar entre 8 e 35% (BRASIL, 2006). A incontinência urinária se classifica em três tipos principais, a IU de esforço, a IU de urgência e a IU mista, as quais apresentam etiologias e fisiopatologias diferentes. A IU de esforço acontece em decorrência de uma falha no suporte vesical e uretral que é realizado pelos músculos do assoalho pélvico; ou devido ao enfraquecimento destes músculos; ou ainda por lesão do esfíncter uretral, levando a perda de urina durante o aumento da pressão intra- abdominal, quando o indivíduo tosse, espirra, corre, ri, pega em peso, levanta ou até mesmo anda (JORDÃO; CARRINHO, 2013). A IU de Urgência caracteriza-se pela perda urinária acompanhada do desejo miccional intenso e incontido. É também conhecida como hiperatividade do detrusor, síndrome da bexiga hiperativa e síndrome de urgência-frequência,
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    187 devido à ocorrênciade contrações involuntárias do músculo detrutor e, geralmente surge de causas desconhecidas (BRASIL, 2011). De acordo com Jordão e Carrinho (2013), a IU de urgência normalmente ocorre com o envelhecimento, podendo também surgir em pessoas jovens quando associado às doenças neurológicas ou até mesmo sem causas identificáveis. Já a IU Mista é uma combinação da IU de urgência e da IU de esforço, sendo este tipo de incontinência urinária decorrente geralmente da fraqueza esfincteriana, ou seja, uma hiperpressão abdominal concomitante a uma contração não-inibida do detrusor. É a urgência miccional mais desconfortável socialmente (RODRIGUES, 2008). Problemas de ordem social, ocupacional, doméstica e sexual podem ser encontrados em mulheres com IU e são causas significativas de morbidade, estresse e debilidade, tendo grande impacto na sua qualidade de vida. Fazem parte do quadro clínico alterações como vergonha, depressão, isolamento, ansiedade, estresse emocional, insatisfação sexual, constrangimento social, baixo desempenho profissional e perda da autoestima. Os efeitos psicossociais podem ser mais devastadores que as consequências sobre a saúde física, podendo afetar atividades diárias, a interação social e a autopercepção do estado de saúde (MELO et al., 2012). Outros fatores como gênero, idade, condição socioeconômica e quantidade de perda de urina podem ser responsáveis por diferenças no comportamento pessoal frente à incontinência. O impacto dos sintomas está relacionado à percepção individual de cada mulher frente à severidade, tipo e quantidade da perda de urina (MELO et al., 2012). A importância desse tratamento tem o intuito da reeducar a musculatura do assoalho pélvico (MAP) que é fundamental no programa que busca a prevenção, melhora ou mesmo a cura da IU e a melhora da função sexual. Os melhores resultados do tratamento fisioterapêutico da IU são obtidos nos casos com comprometimento leve ou moderado. Para isso, é necessária a escolha adequada de diferentes técnicas. O treino fisioterapêutico tem por objetivo informar, educar ou reeducar, melhorar a percepção da MAP, melhorar a força de contração das fibras musculares e estimular bons hábitos de vida, como a prática de atividade física. Tudo isso pode ajudar a fortalecer os músculos necessários para manter a continência urinária e a organizar a ação do sistema
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    188 nervoso autônomo simpáticoe parassimpático nas contrações involuntárias do músculo detrusor. Acredita-se que a fisioterapia tem apresentado resultados expressivos para a melhora dos sintomas da IU em até 85% dos casos (BERQUÓ; RIBEIRO; AMARAL, 2009). Considerando todos esses comprometimentos, a fisioterapia, como forma abrangente de tratamento, visa à prevenção e tratamento curativo da IU por meio da educação da função miccional, informação a respeito do uso adequado da musculatura do assoalho pélvico, bem como o aprendizado de técnicas e exercícios para aquisição do fortalecimento muscular (OLIVEIRA; GARCIA, 2011). Devido à alta prevalência da IU em meio à população feminina e devido ao impacto da referida condição na qualidade de vida das mulheres, percebe- se a importância do tema no campo da fisioterapia. Por conseguinte, o presente estudo objetivou demonstrar a eficácia do treino dos músculos do assoalho pélvico (MAP) no tratamento da incontinência urinária feminina, através de análise em publicações que versem sobre o assunto. 2 MÉTODO Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica do tipo narrativa, em que foi realizado busca com o intuito de esclarecer a eficácia do treino dos músculos do assoalho pélvico no tratamento da IU feminina. Para tanto, foi realizado pesquisa em base de dados online de novembro a dezembro de 2014. Foram selecionados artigos nacionais que tratassem do tema em questão, obtidos nas bases de dados LILACS, BIREME, SciELO e BIBLIOMED, além de um livro e uma tese. Para tanto foram utilizados os seguintes descritores: “fisioterapia”, “assoalho pélvico”, “incontinência urinária feminina”. Após a seleção dos artigos, foram considerados ensaios clínicos prospectivos, estudo piloto prospectivo, estudo de caso, estudo de intervenção e estudo clínico randomizado que abordassem a temática em questão. Os mesmos foram selecionados de acordo com os seguintes critérios de inclusão: a) participantes com queixa relatada de urina; b) investigação dos efeitos de alguma modalidade de tratamento fisioterapêutico c) estudos publicados entre
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    189 os anos de2006 e 2012. Foram excluídos estudos que abordassem intervenções cirúrgicas. Dessa forma, foram incluídos 08 artigos publicados no período de 2006 a 2012, todos publicados na língua portuguesa, a fim de fornecer uma melhor explanação acerca da eficácia do treino dos músculos do assoalho pélvico com a intenção de ampliar o conhecimento sobre tal problema. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES A incontinência urinária (IU), segundo o Comitê de Padronização da Sociedade Internacional de Continência, é definida como qualquer perda involuntária de urina, sendo classificada em três tipos principais: a incontinência urinária de esforço (IUE), quando ocorre perda de urina durante algum esforço que aumente a pressão intra-abdominal, como tosse, espirro ou exercícios físicos; a incontinência urinária de urgência (IUU), caracterizada pela perda de urina acompanhada por forte sensação de urgência para urinar; e a incontinência urinária mista (IUM), quando há queixa de perda associada à urgência e também aos esforços (MELO et al., 2012). Os comprometimentos da incontinência urinária para a mulher não estão relacionados somente aos aspectos físicos, mas, também podem gerar consequências que atingem uma ampla esfera envolvendo aspectos psicossociais, deteriorando significativamente a qualidade de vida, limitando sua autonomia e reduzindo sua autoestima (MELO et al., 2012). No que se refere ao tratamento desse distúrbio urinário, muito comum nas mulheres, a fisioterapia se apresenta como uma forma eficaz no controle miccional através de técnicas e métodos que visam, principalmente, o fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico. O treinamento do assoalho pélvico consiste em exercícios terapêuticos de reforço das fáscias e dos músculos, condicionando-os a um maior controle miccional (OLIVEIRA; RODRIGUES; PAULA, 2007). A fisioterapia é uma forma abrangente de tratamento, que visa a prevenção e tratamento curativo da IU por meio da educação da função miccional, informação a respeito do uso adequado da musculatura do assoalho pélvico, bem como o aprendizado de técnicas e exercícios para aquisição do
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    190 fortalecimento muscular. Sãoobjetivos principais da fisioterapia a reeducação da musculatura do assoalho pélvico e seu fortalecimento, visto que, na maioria dos tipos de incontinência urinária, está presente uma redução da força desta musculatura (SELEME, 2006). A cinesioterapia (Figura 1) compreende basicamente a realização dos exercícios de Kegel que objetivam trabalhar a musculatura perineal para o tratamento da hipotonia e fraqueza da musculatura do assoalho pélvico, reforçando a resistência uretral e melhorando os elementos de sustentação dos órgãos pélvicos. É o único método que não possui contraindicações, não tem efeitos colaterais, pode ser realizado individualmente ou em grupo e é considerado um tratamento eficaz para a melhora ou a cura de muitos casos de IU, mantendo os seus efeitos por mais de cinco anos (BERQUÓ; RIBEIRO; AMARAL, 2009; OLIVEIRA; GARCIA, 2011). Figura 1 – Cinesioterapia. Fonte: http://institutoaica.com/2012/10/23/bola-suica-exercicios-com-resultados- supreendentes/ Nesse contexto, Oliveira e Garcia (2011) avaliaram os efeitos da cinesioterapia como tratamento da incontinência urinária, através de um estudo de intervenção realizado em 2009, com idosas a partir de 60 anos, com queixa de incontinência urinária. Inicialmente, foram realizadas avaliação fisioterapêutica, avaliação de qualidade de vida, além de medição nas escalas de gravidade da IU e presença e intensidade dos sintomas urinários. Logo após, formou-se um grupo de 11 idosas com média etária de 74,2 anos. O tempo médio da queixa de IU do grupo foi de seis anos, todas as pacientes tiveram no mínimo um parto vaginal. O grupo foi atendido uma vez por semana,
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    191 durante três meses,com sessões de 30 minutos de exercícios específicos de contração dos MAP, com intervalo de 05 segundos de sustentação e relaxamento, realizado nas posições sentada, deitada e em pé. Os autores obtiveram como resultados uma redução estatisticamente significativa na frequência de micções noturnas das idosas de 3 para 1,5 e uma diminuição na média de número de situações de perda urinária por esforço de 3,72 para 1,45. Por outro lado, o estudo de caso proposto por Silva et al. (2010) visou avaliar a evolução de uma mulher de 55 anos com incontinência urinária de urgência (IUE), submetida a um plano de tratamento com base em exercícios do assoalho pélvico. Teve como queixa principal “dor no ato sexual e perda de urina”. Após as avaliações preliminares, teve início ao tratamento baseado em exercícios de Kegel para fortalecimento do assoalho pélvico, realizando 8 sessões, com duração de 50 minutos. Os exercícios consistiam em contrações mantidas durante 10 segundos e contração e relaxamento com 5 séries de 10 repetições. Foram inseridos exercícios de mobilização pélvica na bola em conjunto com exercício de contrair e relaxar a musculatura perineal. Utilizou-se também exercícios ativos e ativos resistidos utilizando caneleiras, bola pequena de plástico e faixa elástica associados à contração perineal para fortalecer a musculatura dos membros inferiores e cinturão pélvico, além dos MAP. Além disso, a participante do estudo recebeu orientação para realizar as contrações perineais no seu dia-a-dia, cerca de 200 contrações diárias. O tratamento foi analisado através de comparação das avaliações antes e depois das 8 sessões realizadas. Os resultados do tratamento mostraram pequena melhora das fibras tônicas, além da manutenção da força de fibras lentas; melhora evidente do quadro de perda de urina, apresentando apenas uma urgência moderada para urinar e pequena perda involuntária de urina durante esforço; a paciente relatou diminuição da dor durante a realização das atividades diárias e durante a atividade sexual. Fitz et al. (2011), por sua vez, avaliaram o impacto do treinamento dos MAP na qualidade de vida de mulheres com incontinência urinária. Os autores realizaram um ensaio clínico prospectivo com 36 mulheres com diagnóstico
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    192 médico de IUE.O protocolo de exercícios para os MAP foi constituído de contrações lentas, seguidas de contrações rápidas, realizadas na posição de decúbito dorsal, sentada e em pé, três vezes na semana, por um período de três meses. Avaliou-se o impacto do treinamento dos MAP na qualidade de vida (QV) por meio do King’s Health Questionnaire (KHQ), além do diário miccional e palpação digital para avaliar a função dos músculos do assoalho pélvico, durante a avaliação inicial e após os três meses de tratamento. O estudo obteve como resultados a diminuição significativa das médias dos escores dos domínios avaliados pelos KHQ. Esses domínios consistem na percepção da saúde, impacto da incontinência, limitações das atividades diárias, limitações físicas, limitações sociais, relações pessoais, emoções, sono/disposição e também medidas de gravidade. Em concordância com esses resultados foram observados diminuição significativa na frequência urinária noturna e na perda de urina, bem como aumento significativo na força e endurance muscular. Além disso, a cinesioterapia também apresenta como recurso para fortalecimento muscular os cones vaginais (Figura 2), os quais foram desenvolvidos por Plevnik em 1985. Ele demonstrou que a mulher pode melhorar o tônus da musculatura pélvica introduzindo na cavidade vaginal cones de material sintético, com o objetivo de exercitar a musculatura perineal na tentativa de reter os cones e aumentar progressivamente o peso dos mesmos, visando o fortalecimento dos MAP (SANTOS et al., 2009). Nas sessões fisioterápicas, os cones são utilizados em duas fases, a passiva e a ativa. Na passiva, não há contração voluntária dos músculos do assoalho pélvico, mas é necessário identificar qual é o cone de maior peso que a paciente consegue reter na vagina durante um minuto. Após tal determinação, as pacientes são orientadas, por um período de 15 minutos, a deambular, subir e descer escadas etc. Na fase ativa, a paciente, em posição ortostática, com o cone mais pesado que conseguir reter na vagina e com auxílio da contração dos músculos do assoalho pélvico, precisa realizar certo esforço para não deixá-lo cair. Desse modo, deve realizar 30 contrações voluntárias, sendo a razão contração/repouso (em segundos) de 5:5 (SANTOS et al., 2009).
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    193 Figura 2 –Cones vaginais. Fonte: http://fisioterapiatapera.blogspot.com.br/2012/02/cones-vaginais.html Nesse sentido, Silva e Oliva (2011) desenvolveram um estudo de caso com uma paciente de 59 anos diagnosticada com IU de urgência, referindo perda urinária em jato há mais de 30 anos. As avaliações constataram hipotonia e flacidez acentuada da musculatura perineal com grau 2 de força muscular com função perineal prejudicada e perda de urina de 35 g. O tratamento foi realizado em 10 sessões com duração de 1 hora, três vezes por semana, com exercícios de Kegel, tendo sido adicionado os cones vaginais a partir da quarta sessão, trabalhando assim o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico. Também foi inserido exercício de alongamento dos membros inferiores com a paciente em posição ginecológica, contraindo e relaxando o assoalho pélvico de 5 a 10 segundos e, em seguida foi aplicada atividade como ficar em sedestação e levantar, deambular, abduzir e aduzir os membros inferiores, fazer ponte, sempre mantendo a contração do assoalho pélvico. O estudo foi analisado através de comparação das avaliações realizadas antes e depois das 10 sessões realizadas. Os resultados demonstraram aumento da força muscular perineal e diminuição da IU referida pela participante do estudo, a qual relatou que conseguia segurar cada vez mais a urina durante suas atividades diárias, não ocorrendo mais as perdas em jato. Dessa forma, observou-se que, em apenas dez sessões a participante do estudo percebeu resultados positivos.
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    194 Já o estudode Matheus et al. (2006) verificou a influência dos exercícios perineais e dos cones vaginais, em associação aos exercícios posturais corretivos para a normalização estática da pelve, no tratamento da incontinência urinária feminina. Foram avaliadas 12 mulheres apresentando queixa de incontinência urinária, com idade média de 52,3 anos, submetidas a 10 sessões fisioterapêuticas, duas vezes por semana, divididas em dois grupos: Grupo A: n = 6, utilizando exercícios perineais e Grupo B: n = 6, utilizando cones vaginais. Ambos os grupos realizaram exercícios posturais para correção estática da pelve, conforme alterações de cada participante. Foram coletados os seguintes dados, antes e após intervenção: grau de contração muscular do períneo, pela Avaliação Funcional do Assoalho Pélvico (AFA); perda quantitativa de urina, mensurada pelo teste do absorvente (Pad- Test), e sensações de umidade e desconforto, verificadas pelas Escalas Visuais Análogas (EVA). Os dados posturais foram coletados através do exame estático da pelve, exame de flexibilidade das cadeias musculares e avaliação postural. Nos resultados pós-intervenção, foi observado, para ambos os grupos, diminuição estatisticamente significativa da perda urinária, ganho de contração muscular do assoalho pélvico e diminuição significativa da sensação de umidade. O grau de sensação de desconforto, pós-intervenção, foi significativamente menor para o grupo de exercícios perineais e o equilíbrio estático pélvico foi corrigido na maioria das voluntárias. Outro recurso que a fisioterapia dispõe é a eletroestimulação (Figura 3) que é capaz de aumentar a pressão intrauretral por meio da estimulação direta dos nervos eferentes para a musculatura periuretral, aumentando o fluxo sanguíneo para essa musculatura, reestabelecendo as conexões neuromusculares e melhorando a função da fibra muscular, hipertrofiando-a e modificando o seu padrão de ação com o acréscimo do número de fibras rápidas, melhorando assim a função da musculatura do assoalho pélvico, sendo um recurso com grande importância no tratamento de incontinência urinária (SANTOS et al., 2009). Ensaios clínicos relatam que frequências entre 10 e 20Hz agem melhor nas fibras do tipo tônica, enquanto frequências de 30 a 60Hz teriam efeito maior em fibras do tipo fásica. Comprovam ainda que para “ganho de força” no
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    195 AP, a frequência(F) ideal de corrente de FES deve girar em torno de 50Hz. Já nos casos em que o objetivo é a inibição do detrusor, parece haver consenso de correntes contínuas, com F mais baixas (de 5 a 20Hz) como parâmetro de eletroterapia ideal, sendo fundamental no tratamento da IUU (MARQUES; PINTO E SILVA; AMARAL, 2011). A maioria dos protocolos determina que a duração da aplicação da corrente deve variar entre 15 e 30min. Entretanto, este tratamento pode provocar fadiga muscular, por isso, deve-se respeitar o limiar da paciente e, de preferência, o protocolo deve ser estabelecido para cada caso individualmente (MARQUES; PINTO E SILVA; AMARAL, 2011). Figura 3 – Eletroestimulador. Fonte: http://www.carci.com.br/produto/index/detalhes/eletroterapia-fesmed-ii--- eletroestimulador-fes-+-tens-2-canais---gratis-01-envelope-eletrodo-autoadesivo- 5x5cm-_82.html. Gomes et al. (2009) em um estudo de caso em que avaliaram o efeito da cinesioterapia e eletroestimulação transvaginal na incontinência urinária feminina. A amostra foi uma paciente de 61 anos, que encontrava-se no período de pós-menopausa, com diagnóstico de IUE há 20 anos e perda de urina em jato. Possuia histórico de dois partos vaginais, constipação, e urinava com intervalos de 1-3h durante o dia e duas vezes à noite, conseguindo adiar a micção por 5 minutos. O tratamento consistiu em 20 sessões, realizadas duas vezes por semana, com duração de uma hora. Baseou-se em cinesioterapia, constituída de exercícios globais e pélvicos e exercícios ativos resistidos com aparelho de biofeedback de pressão e eletroterapia transvaginal, por meio de
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    196 um aparelho deestimulação elétrica com programa específico para reforço do períneo. Os parâmetros não foram descritos pelos autores. O estudo evidenciou como resultados melhora do tônus muscular de 40% nos MAP, melhora da força muscular de grau 1 para 3 na escala de Oxford, diminuição dos episódios de perda de urina, não causando mais desconforto a paciente e melhorando sua qualidade de vida. Por outro lado o estudo de Santos et al. (2009) comparou os efeitos da eletroestimulação funcional do assoalho pélvico e da terapia com os cones em mulheres com incontinência urinária por esforço (IUE). Tratou-se de um estudo randomizado, sendo selecionado 45 pacientes que foram divididas em dois grupos: grupo eletroestimulação – composto por 24 mulheres, no qual foram avaliados os efeitos da eletroestimulação funcional do assoalho pélvico no tratamento da IUE. Essas pacientes se submeteram a duas sessões semanais de eletroterapia com duração de 20 minutos cada, durante quatro meses consecutivos. Foi utilizado eletrodo de aproximadamente 10cm de comprimento e 3,5cm de largura, com duplo anel metálico e formato cilíndrico, posicionado no terço médio da vagina. Os parâmetros elétricos utilizados foram: intensidade e corrente variando de 10 a 100mA e frequência fixa em 50Hz com duração de pulso de 1mili/seg. Já o grupo controle – constituído por 21 mulheres que se submeteram a terapia com cones vaginais. A terapia com os cones foi feita em duas sessões semanais com duração de 45 minutos também por quatro meses consecutivos. O peso dos cones variou de 20 a 100g. Como resultados não houve diferença entre a comparação da utilização de eletroestimulação do assoalho pélvico e da terapia com os cones vaginais para o tratamento da IUE. Após os quatro meses de tratamento houve melhora significativa dos índices de qualidade de vida das pacientes tratadas com a eletroestimulação e com a terapia com os cones vaginais, houve também diminuição do peso do absorvente (pad-test) e diminuição no número de perdas urinárias avaliadas pelo diário miccional nos dois grupos. Já o Biofeedback (Figura 4) é um aparelho cuja técnica possibilita que a informação sobre o processo normal, fisiológico e inconsciente e o seu ambiente, com o objetivo de tratar os modelos de micção inadequados ou mal adaptados. Considerado como um coadjuvante ao treinamento da MAP,
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    197 promovendo a facilitaçãodo aprendizado, da correta contração muscular, bem como é auxiliar na motivação do esforço da paciente durante o treinamento (FITZ et al., 2012). Figura 4 – Biofeedback de pressão. Fonte: http://catalogohospitalar.com.br/perina-urologia-biofeddback- quark.html. Fitz et al. (2012), realizaram outro estudo, com o objetivo de verificar o efeito da adição do biofeedback (BF) ao treinamento dos MAP com um grupo de 40 mulheres com IUE sem deficiência esfincteriana. Foi feita a avaliação fisioterápica e escolha das participantes do estudo, as quais foram divididas em 02 grupos: Grupo Controle-GC, que não receberam nenhum tipo de tratamento e Grupo Biofeedback-BF, que foram submetidas a 12 sessões de treinamento dos MAP com Biofeedback (BF), duas vezes na semana. Ficou determinado que elas realizassem três séries de dez contrações lentas (fibras tônicas), com tempo de manutenção de seis a oito segundos em cada contração, seguido de um período de repouso de mesmo valor. Após cada contração sustentada, realizaram de três a quatro contrações rápidas (fibras fásicas) nas posições de decúbito dorsal e ortostática. Os grupos demonstraram homogeneidade no que diz respeito aos seus perfis epidemiológicos. Com relação às avaliações, observou-se diminuição significativa nos escores dos domínios avaliados pelo teste Kings Health Questionnaire (KHQ), exceto para o domínio saúde geral, bem como melhora da função dos MAP após o tratamento para o Grupo BF. Além disso, os
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    198 autores constataram quehouve redução da frequência urinária noturna e da perda urinária aos esforços no grupo tratado. 4 CONCLUSÕES Os estudos mostraram a importância da fisioterapia no tratamento da incontinência urinária feminina, dispondo de técnicas eficazes como a cinesioterapia, eletroterapia, biofeedback e cones vaginais, que, nos estudos revisados, obtiveram resultados positivos quanto à diminuição da frequência e volume de perdas urinárias, melhora do tônus e força muscular, melhora na função do assoalho pélvico e na qualidade de vida das pacientes tratadas, quando usadas isoladamente ou combinadas. Porém, é perceptível que alguns estudos não esclareceram detalhadamente os métodos utilizados, como cálculo de tamanho de amostra e parâmetros de eletroestimulação, dificultando, assim, a análise da confiabilidade do artigo e a reprodução do mesmo. Portanto, embora a literatura analisada tenha demonstrado eficácia das técnicas fisioterápicas no tratamento da IU, são necessários estudos com mais rigor metodológico para comprovar a real eficácia da fisioterapia nos casos de IU. Além disso, faz-se necessário descrever melhor os protocolos utilizados, para que a comunidade científica possa reproduzir os achados. REFERÊNCIAS ALMEIDA, P. P.; MACHADO, L. R. G. A prevalência de incontinência urinária em mulheres praticantes de jump. Fisioterapia em Movimento, Curitiba, v.25, n.1, p. 55-65. jan./mar. 2012. BERQUÓ, M. S.; RIBEIRO, M. O.; AMARAL, R. G. Fisioterapia no tratamento da incontinência urinária feminina. Revista Feminina, v. 37, n. 7, Jul. 2009. BRASIL. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Manual técnico para promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças na saúde suplementar. 4. ed. Rio de Janeiro: ANS, 2011. ______. Ministério da Saúde. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: MS, 2006.
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