ISSN: 1809-2950




    FISIOTERAPIA e
         PESQUISA
    REVISTA DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA FACULDADE
     DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO




Volume 13 – número 1               Janeiro – Abril 2006
Fisioterapia e Pesquisa
   em continuação a Revista de Fisioterapia da Universidade de São Paulo.
   Publicação quadrimestral do Curso de Fisioterapia da Faculdade de Medicina da USP
   Fisioterapia e Pesquisa visa disseminar conhecimento científico rigoroso de modo a subsidiar tanto a
   docência e pesquisa na área quanto a fisioterapia clínica. Publica, além de artigos de pesquisa
   originais, revisões de literatura, relatos de caso/s, bem como cartas ao Editor.
   INDEXADA EM: LILACS – Latin American and Caribbean Health Sciences; LATINDEX – Sistema
   Regional de Información en Línea para Revistas Cientifícas de Américas; e CINAHL – Cumulative
   Index to Nursing and Allied Health Literature.
   Tiragem: 1.000 exemplares

EDITORA CHEFE                                      CORPO EDITORIAL
   Profa. Dra. Amélia Pasqual Marques                   Alberto Carlos Amadio EEFE/ USP
                                                        Antonio Fernando Brunetto DFisio/ UEL
EDITORAS ASSOCIADAS
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   Profa. Dra. Isabel de Camargo Neves Sacco            Augusto Cesinando de Carvalho DFisio/ UNESP
   Profa. Dra. Sílvia Maria Amado João                       Pres.Prudente
                                                        Carmen Silvia Benevides Fellippa CCS/ UFSM
CONSELHO CONSULTIVO (FOFITO/FM/USP)
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   Prof. Dr. Carlos Roberto R. de Carvalho
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SECRETARIA                                              Neide Maria Lucena DFisio/ UFPB
   Patrícia Jundi Penha                                 Oswaldo Crivello Junior FO/ USP
NORMALIZAÇÃO BIBLIOGÁFICA                               Patricia Castelucci ICB/ USP
   Serviço de Biblioteca e Documentação da FMUSP        Fátima Correa Oliver TO/ FMUSP
   e-mail: sbd@biblioteca.fm.usp.br                     Rinaldo Roberto de J. Guirro FACIS/ UNIMEP
                                                        Rosângela Corrêa Dias EEFFTO/ UFMG
EDIÇÃO DE TEXTO, PROJETO GRÁFICO
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E DIAGRAMAÇÃO
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   Pixeletra ME
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IMPRESSÃO                                               Tânia de Fátima Salvini DFisio/ UFSCar
   Gráfica UNINOVE                                      Vera Maria Rocha CCS/ UFRN




   Curso de Fisioterapia
   Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia
   e Terapia Ocupacional – FOFITO/FM/USP
   R. Cipotânea 51 Cidade Universitária
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                                APOIO                                    INSTITUIÇÕES COLABORADORAS




FACULDADE DE MEDICINA                                                           FACULDADE DE MEDICINA
   DA UNIVERSIDADE                                                               DE RIBEIRÃO PRETO / USP
    DE SÃO PAULO
S UMÁRIO
                                                                                                                                                           C ONTENTS
        Editorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
        Editorial
PESQUISA ORIGINAL
ORIGINAL RESEARCH
        Confiabilidade da medição da circunferência de membros inferiores utilizando
        fita métrica e Leg-O-Meter II . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
        Reproducibility of lower limb circumference measurement by using metric tape and Leg-O-Meter II
            João Paulo F. de Carvalho, André Maurício B. de Carvalho, Danielle A. Gomes Pereira,
            Luciana Campanha Carvalho, Inácio Teixeira da Cunha Filho
        Avaliação de questionário sobre sintomas e estado funcional de pacientes com síndrome
        do túnel do carpo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
        Evaluation of a questionnaire on symptom severity and functional status of patients
        with carpal tunnel syndrome
            Thais M. Albani Lovo, Guilherme Borges, Yvens Barbosa Fernandes, Ricardo Ramina,
            Edmur Franco Carelli, Anamarli Nucci
        Respostas eletromiográficas, funcionais e posturais a um tratamento fisioterapêutico
        da síndrome femoropatelar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
        EMG, functional and postural responses to a physical therapy treatment for patellofemoral syndrome
           Isabel C. Neves Sacco, Gil Kiyoshi Konno, Guilherme Benetti Rojas, Cristina M. Nunes Cabral,
           Anice de Campos Pássaro, Antonio Carlos Arnone, Amélia Pasqual Marques
        Impacto, sobre a quantidade de urina perdida, de uma intervenção fisioterapêutica
        em idosas com incontinência urinária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
        Impact of a physical therapy intervention on the quantity of urine loss among elderly
        women with urinary incontinence
            Elza L. L. Souza Baracho, Rosângela Corrêa Dias, Cristina Said Saleme, Márcia Salvador Geo,
            Cláudia L.Soares Laranjeira, Rachel S. B. Corrêa Lima
RELATO DE CASOS
CASE REPORT
        Evolução clínica da marcha em um indivíduo com lesão medular incompleta: relato de caso . . . . . . 30
        Clinical evolution of gait in a subject with incomplete spinal cord injury: case report
             Wagner Monteiro, Fernanda Fregni da Silva, Ismael Fernando C. Fatarelli
REVISÃO
REVIEW
        Fundamentos da Fisioterapia dermato-funcional: revisão de literatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
        Grounds for esthetic physical therapy: a review
            Giovana Barbosa Milani, Silvia M. Amado João, Estela Adriana Farah
        Reabilitação pulmonar: treinamento de membros superiores em pacientes com DPOC . . . . . . . 44
        Pulmonary rehabilitation: upper-limb exercise training in patients with COPD; a review
            Vanessa Girard Severo, Viviane Viegas Rech
        Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho em fisioterapeutas: revisão da literatura . . . . . 53
      Work-related musculoskeletal disorders among physical therapists: a literature review
           Rodrigo Luiz Carregaro, Celita Salmaso Trelha, Helen Zulian Mastelari
Instruções para autores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
Ficha de assinatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
4   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
E DITORIAL
                                                                   E DITORIAL
Persiste o debate sobre a regulamentação das profissões na área da saúde. O
Ministério da Saúde (MS) criou em 2004 a Câmara de Regulação do Trabalho em
Saúde (CRTS), para propor a regulação de profissões e ocupações da área, sugerindo
alterações de leis e estimulando iniciativas para regulamentar o exercício de novas
atividades. Recente portaria do MS motivou reação da classe médica no Estado de
São Paulo. O Conselho Regional de Fisioterapia desse estado (Crefito3) considera
oportuno manifestar sua posição a respeito.
O trabalho humano digno e livre é o grande motor da sociedade contemporânea.
Nossa Constituição cita como um dos valores fundamentais do Estado brasileiro a
“valorização do trabalho e da livre iniciativa” (art.1º, inciso IV). Na mesma linha,
estabelece em seu art.5º, inciso XIII, que “é livre o exercício de qualquer trabalho,
ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”.
Trata-se do direito fundamental ao “livre exercício de profissão”, consagrado pelo
legislador constituinte.
Nenhum direito fundamental, porém, é absoluto, encontrando seus limites nos
demais direitos consagrados na própria Constituição. Neste sentido, é inegável a
relevância valorativa que se deve atribuir à questão da saúde. No choque entre o
direito fundamental ao livre exercício profissional e o direito fundamental à saúde,
a ser garantido pelo Estado – para evitar que um cidadão lesione a integridade
física de outrem – entendemos ser de grande relevância que, não obstante a garantia
à liberdade do exercício profissional, tratando-se de profissões da área da saúde
não há que se falar em seu exercício sem a competente regulamentação.
Em nome da preponderância do direito fundamental à vida e à saúde, torna-se
imprescindível a tutela estatal de toda e qualquer atividade profissional que, de
alguma forma, envolva a conservação ou restauração das funções orgânicas, físicas
ou mentais do ser humano. É portanto necessária a regulamentação e a fiscalização
de toda atividade ligada à área da saúde, restringindo seu exercício a pessoas
devidamente habilitadas para tal, segundo normas editadas pelo Estado. Mister se
faz ainda o reforço da legislação criminal no sentido de punir com veemência
condutas tendentes a lesar a incolumidade da população, por meio do exercício
ilegal de profissão regulamentada da área da saúde. Só assim estar-se-á garantindo
o livre exercício profissional, sem desguarnecer o direito humano fundamental à
saúde, à integridade física e à própria vida.

               Roberto Angotti Júnior
               Procurador-Chefe do Contencioso Fiscal do Crefito3 – Conselho
               Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Estado de São Paulo
               Prof. Dr. Gil Lúcio Almeida
               Presidente do Crefito3




                                                      FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)   5
Confiabilidade da medição da circunferência de membros inferiores
                        utilizando fita métrica e Leg-O-Meter II
                 Reproducibility of lower limb circumference measurement by using
                                 metric tape and Leg-O-Meter II
                         João Paulo Ferreira de Carvalho1, André Maurício Borges de Carvalho2, Danielle Aparecida Gomes Pereira3,
                                                                  Luciana Campanha Carvalho3, Inácio Teixeira da Cunha Filho4

    1
        Graduando em Fisioterapia no           RESUMO: A fita métrica (FM) e o Leg-O-Meter II (LGM) são instrumentos utilizados
        Centro Universitário de Belo           para medir circunferência dos membros inferiores (MMII) e estimar dimensão
        Horizonte (UNI-BH)                     de edema. A confiabilidade desses métodos ainda não foi testada em avaliadores
    2
        Médico; Prof. Dr. do UNI-BH            sem experiência clínica. Este estudo visou contrastar a confiabilidade da
                                               medição de circunferência de MMII intra e inter-avaliadores usando FM e
    3
        Fisioterapeutas; Profas. do            LGM. Vinte indivíduos saudáveis participaram do estudo. Dois avaliadores
        UNI-BH                                 mediram a circunferência de ambos os membros inferiores utilizando os dois
    4
        Fisioterapeuta; Prof. Dr. do           métodos em duas ocasiões consecutivas (teste e reteste). As circunferências
        UNI-BH                                 avaliadas em decúbito dorsal com a FM foram medidas 20 cm acima da base
                                               da patela e 15 cm abaixo do pólo inferior da patela. Com o LGM as
                                               circunferências foram medidas a 20 e a 30 cm acima da plataforma do aparelho,
ENDEREÇO PARA                                  na posição ortostática. Não foi encontrada diferença estatisticamente
CORRESPONDÊNCIA                                significante entre a média das circunferências medidas com cada instrumento
        Inácio Teixeira da Cunha Filho         tanto intra quanto inter-avaliadores. O coeficiente de correlação de Pearson
        Depto. de Fisioterapia UNI-BH          inter-avaliadores variou de 0,86 a 0,99 (p<0,0005) para ambos os instrumentos.
        Av. Prof. Mário Werneck 1685
        30455-610 Belo Horizonte, MG           Conclui-se que a reprodutibilidade das medições das circunferências de MMII
        e-mail: inacutex@terra.com.br          obtidas com ambos os instrumentos é excelente, mesmo entre avaliadores
                                               sem experiência clínica, não sendo percebida superioridade de um método
                                               em relação ao outro.
                                               DESCRITORES: Extremidade inferior; Reprodutibilidade de resultados; Equipamentos
                                                            de medição

                                               A BSTRACT : In view of the established relationships between neonatal
                                               malnutrition and the immuno system, peritoneal macrophages of male Wistar
                                               rats were exposed to diatermic pulsate short waves (DPSW) and to alternated
                                               magnetic field on extreme low frequency, in order to verify in vitro adhesion
                                               index and phagocytic activity. The rats were submitted to malnutrition during
                                               the nursing period and to a recovery diet after weaning. The extracted
                                               peritoneal macrophages were exposed to DPSW modulated at 30 Hz, 50 Hz
                                               and 430 Hz by using the Schliephake and conventional techniques in
                                               parallel, and to a magnetic filed of 60 Hz. Results show increased adhesion
                                               index only with the 30 Hz and 50 Hz experimental groups using Schliephake
                                               technique and CM 60 Hz; phagocytic activity was reduced with 30 Hz and
                                               50 Hz using Schliephake technique and CM 60 Hz, as compared to the
                                               control group (p<0,05). Since macrophages of malnourished and recovered
                                               animals responded to such irradiations, and since these are largely used in
                                               physical therapy, present results could be used to choose correct DPSW
                                               modulation in therapeutic process, particularly in cases who have previously
ACEITO PARA PUBLICAÇÃO                         suffered malnutrition.
        set. 2005                              KEY WORDS: Inferior extremity; Reproducibility of results; Measurement equipment




6   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 6-9
                                  12(3)
Carvalho et al.                                                                                                     Medição da circunferência de MMII



                     INTRODUÇÃO                      Belo Horizonte (UNI-BH). Foram in-
                                                     cluídos apenas aqueles que concor-
                                                                                                         dida inferencial de edema pré-tibial,
                                                                                                         o local normalmente utilizado para
   A avaliação do edema de membros                   daram voluntariamente em participar                 avaliação é mais próximo ao tornozelo.
inferiores (MMII) é usualmente inferi-               do estudo, e que não apresentavam
da na prática clínica pela medida da                 qualquer patologia vascular previamen-                                      Análise de dados
circunferência desses membros. A fita                te conhecida ou edema de membros
métrica (FM) é um instrumento utili-                 inferiores.                                             Os dados foram apresentados como
zado com freqüência para esse fim,                                                                       média ± desvio padrão. O teste T-
já que possibilita uma mensuração                                                      Material          Student Pareado foi utilizado para
rápida, econômica e de fácil mani-                                                                       avaliar as diferenças. A confiabilidade
pulação1-5. Um aparelho recentemente                    Foram utilizados para o experimento              (teste-reteste do mesmo avaliador) e
desenvolvido denominado Leg-O-                       uma fita métrica (marca 3M) com                     grau de concordância entre avaliadores
Meter II (LGM), também utilizado                     subdivisões em milímetros, com um                   (inter-avaliador) foi estimada pelo
para avaliar a circunferência dos                    comprimento total de 100 cm, e um                   coeficiente de correlação de Pearson. Um
MMII, produz resultados comparáveis                  LGM. O LGM II consiste em uma                       valor mais conservador de alfa ≤ 0,01
aos da FM, embora pressupostamente                   plataforma com uma haste graduada                   foi utilizado para considerar os resultados
mais precisos devido a suas caracte-                 em centímetros, onde a fita é fixada                estatisticamente significativos, em
rísticas de manufatura1,3,4,6-8. A con-              por uma pinça na altura em que se                   função das múltiplas análises.
fiabilidade das medidas obtidas tanto                deseja avaliar.
com a FM quanto com o LGM tem
sido relatada na literatura quando a                                            Procedimentos
                                                                                                                           RESULTADOS
análise é feita intra ou inter-observador                                                                  Vinte indivíduos (13 mulheres e 7
com experiência clínica 1,9 . Não                      As medidas foram coletadas por                    homens) participaram voluntariamente
obstante, estudantes dos últimos                     dois estudantes veteranos que                       do estudo. Sua idade média foi de
períodos do curso de Fisioterapia e                  avaliaram a circunferência dos MMII                 23,8+3,0 anos, a altura média de
mesmo fisioterapeutas recém-forma-                   dos voluntários, tendo sido conduzidas              145,05+56,11 cm, e o peso médio de
dos, em suas práticas clínicas, necessi-             no mesmo dia de modo consecutivo,                   62,19+10,18 Kg.
tam avaliar edema de MMII, dada a                    com intervalo aproximado de uma
                                                     hora entre uma medição e outra.                        A Tabela 1 apresenta os valores
alta prevalência dessa condição entre
                                                                                                         médios das circunferências obtidas
os pacientes que procuram trata-                        As medidas obtidas com a FM                      pelo avaliador 1 com a FM e o LGM
mento. Portanto, o objetivo deste tra-
                                                     foram realizadas com os voluntários                 no teste e no reteste. Não houve di-
balho foi verificar a confiabilidade das
                                                     em decúbito dorsal. As alturas das                  ferença estatisticamente significativa
medidas obtidas com FM e o LGM
                                                     medidas foram a 15 cm abaixo do pólo                entre as medidas realizadas nos locais
entre os estudantes do curso de
                                                     inferior da patela e a 20 cm acima da               definidos com qualquer dos instru-
Fisioterapia que iniciam o aprendi-
                                                     base da patela. Já as medidas colhidas              mentos, em ambos os membros. O
zado clínico. Foram testadas a reprodu-
                                                     com LGM foram realizadas a 20 e a                   coeficiente de correlação do teste-
tibilidade intra e inter-avaliadores de
                                                     30 cm a partir da plataforma do                     reteste para a FM no membro inferior
medidas consecutivas das circunfe-
                                                     aparelho, com os voluntários em ortos-              direito (MID) foi de 0,98 para ambas
rências obtidas com cada instrumento.
                                                     tatismo. Foram avaliados ambos os                   as medidas realizadas (a 20 cm acima
                                                     MMII de todos os voluntários. Conside-              da base da patela e a 15 cm abaixo
                  METODOLOGIA                        rando-se que este é um estudo de                    do pólo inferior da patela). Para o
                                                     confiabilidade envolvendo pessoas                   membro inferior esquerdo (MIE), o
                                     Sujeitos        saudáveis, os locais de avaliação foram
                                                     selecionados de forma a coincidir com
                                                                                                         coeficiente de correlação foi de 0,97
                                                                                                         para a medida acima da patela e 0,83
   Os participantes deste estudo foram               a região de maior variabilidade de cir-             abaixo do pólo patelar. O coeficiente
recrutados entre os alunos do curso de               cunferência, ou seja, área de maior                 de correlação intra-avaliador (teste-
Fisioterapia do Centro Universitário de              massa muscular. Entretanto, na me-                  reteste) obtido com o LGM no MID
Tabela 1 Média das circunferências dos membros inferiores obtidas pelo avaliador 1 e coeficiente de correlação entre medidas (teste-reteste)
              Instrumento                    MID                                                        MIE
          local de medição                   Teste              Reteste          Pearson                Teste          Reteste          Pearson
                            20 cm         53,40±3,98          52,95±3,93            0,98             53,05±3,68      52,55±3,85           0,97
        FM
                            15 cm         34,90±2,95          34,55±3,16            0,98             34,88±3,12      34,05±3,19           0,83
                            20 cm         26,45±1,64          26,25±1,85            0,95             26,35±1,85      26,23±1,67           0,95
       LGM
                            30 cm         33,85±2,24          33,67±2,37            0,95             33,90±2,22      33,92±2,31           0,99
MID: membro inferior direito; MIE: membro inferior esquerdo; FM: fita métrica; LGM: Leg-O-Meter II




                                                                                                           FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)      7
foi de 0,95 para ambas as alturas                       primeiro e o segundo testes variou de            decúbito dorsal, já que esta é uma
medidas (20 e 30 cm acima da pla-                       0,86 a 0,99, com nível de significância          recomendação dessa técnica. O pres-
taforma). No MIE esse coeficiente foi                   estatística menor que 0,01 (Tabela 3).           suposto é que, em decúbito, pudesse
de 0,95 e 0,99 a 20 cm e a 30 cm                                                                         ser abolida uma possível variabilidade
acima da plataforma, respectivamente.
                                                                               DISCUSSÃO                 na circunferência do membro, devido
                                                                                                         a contração muscular. Já com o LGM
    De forma semelhante, a Tabela 2
                                                            As medidas de confiabilidade da FM           as medidas são realizadas em ortos-
apresenta os valores médios das
circunferências obtidas pelo avaliador                  e do LGM têm sido relatadas na                   tatismo devido às características do
2 com a FM e o LGM no teste e no                        literatura sem ser precisado o nível de          instrumento. Entretanto, não se pode
reteste. Não houve diferença esta-                      experiência dos avaliadores1,6,9. As             inferir a partir deste estudo que a po-
tisticamente significativa entre as me-                 medidas obtidas com o LGM pres-                  sição do indivíduo durante a medição
didas realizadas nos locais definidos                   supõem maior confiabilidade conside-             tivesse influenciado os resultados.
com qualquer dos instrumentos, em                       rando que uma das fontes de variação                Portanto, este estudo não demonstra
ambos os membros inferiores. O                          durante a medição, i.e., determinação            que o LGM possa reduzir de maneira
coeficiente de correlação do teste-                     exata do local a ser medido no mem-              significativa a variabilidade na medi-
reteste para a FM no MID foi de 0,94                    bro a ser avaliado, seria reduzida, uma          da da circunferência dos MMII quando
e 0,98 para as medidas a 20 cm acima                    vez que o local pode ser previamente             comparado à FM. A simplicidade no
da base da patela e a 15 cm abaixo                      fixado no próprio aparelho1,6. Isso,             uso tanto da FM quanto do LGM
do pólo patelar, respectivamente. Para                  teoricamente, reduziria a variabilidade          permite que mesmo avaliadores sem
o MIE, o coeficiente de correlação foi                  inerente à determinação exata do pólo            grande experiência clínica e com um
de 0,98 para ambos os locais de                         patelar e às medidas derivadas a partir          mínimo de treino sejam capazes de
medição. O coeficiente de correlação                    desse ponto. Entretanto, os resultados           gerar avaliações com alto nível de
intra-avaliador (teste-reteste) obtido                  obtidos com este estudo não indicam              correlação entre si.
com LGM no MID foi de 0,93 e 0,96                       que haja superioridade de um método
para os locais situados a 20 e a 30 cm                  em relação ao outro.
acima da plataforma, respectiva-                           Apesar de os avaliadores serem
                                                                                                                              CONCLUSÃO
mente. No MIE esse coeficiente foi de                   acadêmicos do curso de Fisioterapia                 O grau de concordância entre os
0,89 e 0,90, a 20 cm e a 30 cm acima                    prestes a iniciar o estágio clínico –            avaliadores em cada método de
da plataforma, respectivamente.                         portanto sem experiência profissional            medição testado foi alto. Isso sugere
   Tampouco houve diferença estatis-                    –, não houve diferenças significativas           que a técnica de medição da circun-
ticamente significante entre os valores                 entre os resultados obtidos com a FM             ferência é simples e não requer treina-
médios das medidas obtidas pelos dois                   ou com o LGM. Além disso, foi encon-             mento exaustivo, independente do
avaliadores com qualquer dos ins-                       trado excelente índice de correlação             aparelho a ser utilizado. A reproduti-
trumentos utilizados. A análise do grau                 entre as medidas intra-avaliador e               bilidade das medidas de circunferência
de concordância entre as medidas                        inter-avaliador.                                 obtidas dos MMII por ambos os
obtidas pelos avaliadores 1 e 2 utili-                     As avaliações feitas com a FM                 instrumentos foi excelente, tanto intra
zando ambos os métodos durante o                        foram realizadas com o paciente em               quanto inter-avaliador.

Tabela 2 Média das circunferências dos membros inferiores obtidas pelo avaliador 2 e coeficiente de correlação entre medidas (teste-reteste)
               Instrumento                      MID                                                     MIE
           local de medição                     Teste             Reteste            Pearson            Teste           Reteste      Pearson
                             20 cm            53,78±3,73        53,30±3,70             0,94          53,45±3,43        53,13±3,68     0,98
         FM
                             15 cm            34,63±3,05        34,63±2,87             0,98          34,85±2,97        34,78±3,03     0,98
                             20 cm            26,53±1,70        26,53±1,50             0,93          26,50±1,69        26,48±1,74     0,89
         LGM
                             30 cm            33,98±2,04        33,98±2,26             0,96          33,70±2,21        34,08±2,36     0,90
MID: membro inferior direito; MIE: membro inferior esquerdo; FM: fita métrica; LGM: Leg-O-Meter II

    Tabela 3 Coeficiente de correlação inter-avaliadores
                                Instrumento                                  Teste                                Reteste
                             local de medição                      MID                  MIE              MID                MIE
                                                20 cm              0,95                 0,93             0,96               0,95
                               FM
                                                15 cm              0,99                 0,97             0,98               0,86
                                                20 cm              0,95                 0,90             0,96               0,93
                              LGM
                                                30 cm              0,96                 0,97             0,98               0,95
                   MID: membro inferior direito; MIE: membro inferior esquerdo; FM: fita métrica; LGM: Leg-O-Meter II




8     FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Carvalho et al.                                                                       Medição da circunferência de MMII




                                             REFERÊNCIAS

1 Bérard A, Kurz X, Zuccarelli F, Ducros JJ,             5 Consensus Document of the International Society
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  an improved tape measure device, in patients with        peripheral limphedema. Limphology. 2003;31:84-
  chronic venous insufficiency of the leg. Angiology.      91.
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                                                         6 Bérard A, Kurz X, Zuccarelli F, Abenhaim L.
2 Mawdsley R, Hoy D, Erwin P. Criterion-related            Validity of the Leg-O-Meter, an instrument to
  validity of the figure-of-eight method of measuring      measure leg circumference. Angiology.
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3 Petersen E, Irish S, Lyons C, Miklaski S, Bryan J,     7 Perrin M, Guex JJ. Edema and leg volume: methods
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4 Brijker F, Heijdra YF, Van den Elshout FJJ, Bosh FH,   9 Bérard A, Zuccarelli F. Test-retest reliability study
  Folgering HTM. Volumetric measurements of                of a new improved Leg-O-Meter, the Leg-O-Meter
  peripheral oedema in clinical conditions. Clin           II, in patients suffering from venous insufficiency of
  Physiol. 2000;20:56-61.                                  the lower limbs. Angiology. 2000;51:711-7.




                                                                             FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)      9
Avaliação de questionário sobre sintomas e estado funcional
                           de pacientes com síndrome do túnel do carpo
     Evaluation of a questionnaire on symptom severity and functional status of patients
                                with carpal tunnel syndrome
                                                           Thais Maria Albani Lovo1, Guilherme Borges2, Yvens Barbosa Fernandes3,
                                                                        Ricardo Ramina3, Edmur Franco Carelli3 , Anamarli Nucci4

     1
         Fisioterapeuta; Pós-Graduanda           RESUMO: Este estudo consistiu na avaliação do questionário de Levine et al.
         em Neurocirurgia na                     (1993) Boston Carpal Tunnel Questionnaire, de avaliação da gravidade dos
         Faculdade de Ciências                   sintomas e do estado funcional de pacientes com síndrome do túnel do carpo
         Médicas (FCM) da Unicamp
         (Universidade Estadual de               (STC). O questionário consta de uma escala de gravidade dos sintomas – em
         Campinas)                               domínios críticos na STC, como dor, parestesias, adormecimento, fraqueza,
                                                 sintomas noturnos – e uma escala de estado funcional. Foi aplicado a 30
     2
         Neurocirurgião; Prof.Livre-             pacientes diagnosticados com a síndrome, que foram orientados a responder
         Docente de Neurocirurgia na
         FCM/Unicamp                             somente sobre a mão mais afetada pela patologia. Na análise dos resultados,
                                                 não foram encontradas correlações entre a idade dos sujeitos e maior
     3
         Neurocirurgiões; Profs. Drs. de         acometimento dos sintomas, nem com a prevalência de mão afetada. O
         Neurocirurgia na FCM/                   questionário revelou-se consistente, pela estreita correlação entre as duas
         Unicamp                                 escalas: onde há maior gravidade dos sintomas, também há maior acometimento
     4
         Neurologista; Profa. Dra. de            funcional. Com a ressalva de que o questionário não prevê o caso de a mão
         Neurologia Clínica na FCM/              mais afetada não ser a dominante, é um instrumento de fácil compreensão,
         Unicamp                                 adequado para padronizar a avaliação de pacientes com STC, sugerindo-se
                                                 sua aplicação separadamente para cada mão.
 ENDEREÇO PARA                                   DESCRITORES: Síndrome do túnel carpal; Questionário de Boston/utilização
 CORRESPONDÊNCIA
         Thais Maria Albani Lovo                 A BSTRACT : This study aimed at assessing the Boston Carpal Tunnel
         R. Isabel Negrão Bertotti 100           Questionnaire by Levine et al. (1993), a self-administered instrument for
         apto. 51 A                              evaluating severity of symptoms and functional status in patients with carpal
         13087-671 Campinas SP                   tunnel syndrome (CTS). It is made up of two scales: one on the severity of
         e-mail: thaislovo@bol.com.br            symptoms – pain, paresthesias, numbness, weakness, nocturnal symptoms
         2
           guiborges@fcm.unicamp.br;             – and the other on function impairment. It was answered by 30 patients
         3
           yvens@uol.com.br;                     with CTS, who were guided to answer only about the most affected hand.
         ramina@bsi.com.br;                      The analysis of results shows no correlation between age and severity of
         ecarelli@uol.com.br;                    symptoms, nor between these and the most affected hand (right or left). The
         4
           anucci@hc.unicamp.br                  questionnaire proved consistent, since a highly positive correlation was
                                                 found between the two scales: the more severe the symptoms, the worse
 Estudo realizado no Ambulatório                 the functional status. With the objection that it doen’st seem to have foreseen
 de Nervos Periféricos do Hospital               cases in which the dominant hand is not the most affected one, it is an
 das Clínicas da Unicamp                         instrument of easy application and understanding, hence suitable to
                                                 standardize the assessment of CTS symptoms; it is here suggested that it be
 ACEITO PARA PUBLICAÇÃO                          applied separately for each hand.
         set. 2005                               KEY WORDS: Carpal tunnel syndrome; Boston questionnaire/utilization




10                                 12(3)
     FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 10-5
Lovo et al.                                                                              Questionário para síndrome do túnel do carpo



                INTRODUÇÃO                 algumas publicações a síndrome do
                                           túnel do carpo seja utilizada como
                                                                                     entre outros sintomas, foi traduzido e
                                                                                     validado no Brasil12, estando apto a ser
   Os sinais e sintomas causados pela      sinônimo de compressão do nervo           aplicado diretamente a nossa popu-
compressão do nervo mediano, no ca-        mediano no carpo, outras afecções         lação. Esse questionário tem sido uti-
nal do carpo, são denominados síndro-      como radiculopatias, plexopatias,         lizado em vários países13,14 como Itália
me do túnel do carpo (STC)1. Esta é a      lesões osteoarticulares, e mesmo com-     e Turquia15,16, tendo sido denominado
neuropatia compressiva mais comum          pressão do nervo mediano em outros        Boston Carpal Tunnel Questionnaire
e melhor definida no ser humano2. Tem      locais são citadas como possíveis         (BCTQ) em sua versão italiana15. Foi
sido chamada a doença do século,           causas dos mesmos sintomas1,10.           aplicado em estudos pré e pós-ope-
pois sua incidência vem aumentando                                                   ratórios de síndrome do túnel do carpo,
                                              A parestesia e sintomas noturnos,
e compreende hoje 40,8% das doenças                                                  tendo também sido utilizado para
                                           que são considerados sintomas pri-
por esforços repetitivos3. A prevalência                                             constatação de mudanças clínicas
                                           mários da síndrome do túnel do carpo
de STC varia de 51 a 125:100.0002,4,                                                 após reabilitação com exercícios de
                                           e normalmente são atribuídos à com-
ocorrendo mais freqüentemente no                                                     deslizamento de tendões e nervo, no
                                           pressão neural, foram encontrados
sexo feminino – 3,4% mulheres e 0,6%                                                 tratamento conservador da síndrome
                                           expressivamente em pacientes com
homens – e a idade predominante                                                      do túnel do carpo13. Em contato prévio
                                           exames eletrofisiológicos normais, não
varia de 30 a 60 anos2,4,5, portanto é                                               com os autores do questionário,
                                           mostrando correlação significativa
em média 45 anos.                                                                    recebemos autorização para sua utili-
                                           com compressão do nervo mediano no
                                                                                     zação neste estudo.
   O túnel do carpo é constituído por      carpo. Já o sintoma dor, considerado
um arco côncavo formado pelos ossos        secundário da síndrome, foi encontrado       Instrumento de fácil compreensão
do carpo dorsal e lateral e, na região     predominantemente em pacientes            e aplicação simples e com tempo
ventral, pelo espesso ligamento trans-     sintomáticos com exames normais9.         apropriado de administração, consta
verso do carpo. Dentro dele passam o       Daí a importância de avaliação sis-       de duas partes: escala de gravidade
nervo mediano e mais nove tendões          temática, padronizada, com quantifi-      dos sintomas e escala do estado
flexores, portanto esse espaço fica        cação dos sintomas.                       funcional (ver Anexo). O questionário
susceptível a reações inflamatórias dos                                              aborda seis domínios críticos na
                                              Vários estudos têm sido feitos em
tendões, surgindo edema e aumento                                                    síndrome do túnel do carpo: dor,
                                           torno do comprometimento neuromus-
da pressão no túnel. A compressão do                                                 parestesias, adormecimento, fraque-
                                           cular e outros achados físicos, porém a
nervo mediano no túnel do carpo                                                      za, sintomas noturnos e estados
                                           grande preocupação dos pacientes se
decorre na maioria dos casos de                                                      funcionais globais. A escala de gravi-
                                           volta para os sintomas e diminuição de
tenossinovite crônica flexora não-                                                   dade (Escala G) dos principais
                                           função em mão e punho acometidos11.
específica6, sendo esta considerada                                                  sintomas é composta de 11 questões
etiologia idiopática, mas podendo ser         Diante de tão significativos sinto-    de múltipla escolha pontuadas de 1 a
também intrínseca, como em pacien-         mas da síndrome do túnel do carpo e       5, onde 1 ponto representa sintoma
tes com hipotireoidismo, em estado de      das desabilidades funcionais encontra-    leve, passando gradativamente a 5
retenção de líquidos (gravidez) e          das e relatadas pelos pacientes, o        pontos, representando sintomas mais
pacientes crônicos de hemodiálise, ou      objetivo deste estudo é a aplicação       graves. A pontuação da escala é
ainda extrínseca, em casos de              de questionário sobre a gravidade dos     calculada pela média dos escores para
mudança da dimensão do canal do            sintomas e sobre o estado funcional,      os 11 itens individuais. A escala do
carpo sem aumento das estruturas           utilizado e desenvolvido como instru-     estado funcional ou escala funcional
internas, como em fraturas ou sublu-       mento 11 , traduzido e validado no        (Escala F) aborda 8 atividades usuais,
xação dos ossos do carpo e artrite de      Brasil12, tendo em vista a avaliação      que contemplam desde as atividades
punho7. A síndrome do túnel do carpo       padronizada desses pacientes.             de jovens trabalhadores que têm sua
tem sido relacionada ao aumento de                                                   ocupação relacionada à STC até
peso corporal e índice de massa cor-                                                 indivíduos com mais idade. As respos-
pórea, onde um aumento de peso                          METODOLOGIA                  tas vão também de 1 a 5 pontos, onde
representa risco adicional para início        Foi utilizado o questionário formu-    1 ponto representa nenhuma dificul-
dos sintomas, devido ao aumento do         lado por Levine et al.11 chamado Self     dade e 5 pontos, que o indivíduo não
tecido de gordura dentro do canal do       administered questionnaire for the        consegue realizar o quesito citado
carpo e conseqüente aumento da             assessment of severity of symptoms and    devido aos sintomas. A pontuação
pressão hidrostática8.                     functional status in carpal tunnel        total é dada pela média dos escores
                                           syndrome, desenvolvido no Brigham         dos 8 itens11.
  O diagnóstico diferencial da síndro-
me do túnel do carpo deve ser baseado      and Women’s Hospital em Boston. Esse        O questionário foi aplicado pessoal-
em sinais e sintomas clínicos e no exa-    instrumento de quantificação da           mente pelo mesmo examinador, em
me eletrofisiológico9 pois, embora em      parestesia e dor nas mãos e punhos,       30 pacientes portadores de síndrome




                                                                                      FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)          11
Tabela 1 Freqüência e estatística descritiva                      Tabela 3 Cruzamentos entre escalas do BTCQ e variáveis sociodemográficas
          das variáveis sociodemográficas
                                                                                                                   Idade
     Idade (categórica)                 Freqüência
                                                                   Escore na Escala G                                  Escore na Escala F
                     N          %              Cumulativa
                                                                   Idade N Média DP Máx. Mediana Mín.                  Idade N Média DP Máx. Mediana Mín.
     <45         14            46,67               14
                                                                    <45 14      3,16 0,61 4,36    3,09      1,55       <45   14 3,13 0,77 4,25        3,31    1,75
     ≥45         16            53,33               30
                                                                    ≥45   16    2,95 0,55 4,09    2,95      2,09       ≥45   16 3,08 0,61 4,13        3,19    1,88
                                                                   p-valor = 0,2598                                    p-valor: 0,7543
     Idade (contínua)
     N      Média        DP Máx. Mediana                Mín.       Coeficiente de correlação de Spearman              Coeficiente de correlação de Spearman

 30         43,63        8,9   62            45          26         r = 0,0075 ; p = 0,9686                           r = 0,13406 ; p = 0,4800
                                                                                                            Mão afetada
     Sexo                               Freqüência                  Escore na Escala G                                 Escore na Escala F
                N                  %            Cumulativa          Mão        N Média DP Máx. Mediana Mín.            Mão     N Média DP Máx. Mediana Mín.
      F         27             90,00                27              Direita 14 2,90 0,54 3,45      3,05      1,55      Direita 14 3,15 0,76 4,13       3,44      1,75
     M           3             10,00                30              Esquerda 16 3,18 0,60 4,36     3,09      2,09      Esquerda 16 3,06 0,62 4,25      3,06      2,13
                                                                    p-valor: 0,2511                                    p-valor: 0,4279
     Mão (mais) afetada                 Freqüência                 Coeficiente de correlação de Spearman entre os escores G e F: r = 0,65235;       p = 0,0001
                N                   %          Cumulativa
                                                                      A análise estatística foi utilizada             intra-individual. Como regra geral, a
     D          14             46,67                14
                                                                   para descrever o perfil da amostra                 acurácia não deve ser menor que 0,80
     E          16             53,33                30
                                                                   segundo as variáveis categóricas                   se a escala for amplamente utilizada,
                                                                   (sexo, profissão) e estatísticas des-              porém valores acima de 0,60 já
 Profissão                     Freqüência                          critivas das variáveis contínuas (ida-             indicam consistência. O nível de
                                              Cumulativa           de, escores das escalas). Quanto à                 significância adotado para os testes
                               N         %
                                                 (%)               idade, os pacientes foram agrupados                estatísticos foi de 5%, ou seja, p<0,05.
     doméstica                 4        13,33   13,3               em menores de 45 anos e os que
     serviços gerais           4        13,33      26,7            tinham 45 anos ou mais, tendo em
     faxineira                 3        10,00      36,7            vista a idade média apontada pela                                        RESULTADOS
     auxiliar de cozinha       2        6,67       43,4            literatura. Para comparação dos
                                                                                                                         O questionário de Boston (BCTQ),
     auxiliar de limpeza       1        3,33       46,7            escores entre as classes de variáveis
                                                                                                                      para avaliação da gravidade dos
                                                                   com duas categorias foi utilizado o
     copeira                   1        3,33       50,0                                                               sintomas e estado funcional, foi
                                                                   teste de Mann-Whitney. Para verificar
     operário                  5        16,67      66,7                                                               aplicado em 30 pacientes com STC
                                                                   a existência de correlação (associação
     cortador de cana          2        6,67       73,4                                                               que se encontravam em acompanha-
                                                                   linear) entre os escores das escalas foi
     operador de caixa         1        3,33       76,7
                                                                                                                      mento médico. Destes, 27 eram do
                                                                   utilizado o coeficiente de correlação
                                                                                                                      sexo feminino. A idade dos pacientes
     auxiliar de                                                   de Spearman. Esse coeficiente assume
     enfermagem
                               4        13,33      90,0                                                               variou de 26 a 57 anos (Tabela 1).
                                                                   valores de –1 a +1: quanto mais pró-
     costureira                3        10,00      100,0           ximo de zero, menos correlacionadas                   Os pacientes foram orientados a
                                                                   são as variáveis, e quanto mais                    responder o questionário apenas sobre
 do túnel do carpo, no Ambulatório de                              próximo de 1 ou -1, mais correlaciona-             a mão mais afetada pela síndrome do
 Nervos Periféricos do Hospital das                                das são as variáveis. Para verificação             túnel do carpo. Neste estudo, 16
 Clínicas da Universidade Estadual de                              da consistência do instrumento foi cal-            pacientes (53%) têm a mão esquerda
 Campinas, em uma sala reservada,                                  culado o coeficiente alfa de Cronbach              mais afetada e 14 (47%), a mão
 sem interferência externa, onde os                                para consistência interna. Esse coefi-             direita; 20 pacientes apresentavam
 pacientes foram orientados a responder                            ciente é utilizado para verificar a ho-            sintomas em ambas as mãos, porém
 somente em relação à mão mais                                     mogeneidade ou acurácia dos itens do               responderam sobre a mais acometida
 sintomática.                                                      instrumento, ou seja, a concordância               (Tabela 1). Todos os pacientes são
                                                                                                                      destros, isto é, têm a mão direita
 Tabela 2 Consistência interna do BTCQ utilizando o coeficiente alfa de Cronbach                                      dominante. Nenhum dos pacientes
          Escore na Escala G (11 itens)                         Escore na Escala F (8 itens)                          tinha sido submetido a procedimento
          Coeficiente alpha de Cronbach                       Coeficiente alpha de Cronbach          r*               cirúrgico na mão sobre a qual estava
          Escala completa 0,691632                         Escala completa         0,745333
                                                                                                                      respondendo o questionário.
                                                                 sem F1            0,793515         0,012                As atividades profissionais dos
 * r = correlação do item com o total                                                                                 sujeitos caracterizam-se como ocupa-




12    FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Lovo et al.                                                                                Questionário para síndrome do túnel do carpo


ções manuais, assim distribuídas: 50%      adequado para ser completado e fácil        realizaria a tarefa pedida com essa
serviços que requerem mão-de-obra          compreensão, levando em consi-              mão. Uma sugestão é o instrumento
não-qualificada (domésticos, de cozi-      deração o baixo nível de escolaridade       ser aplicado separadamente para cada
nha, de limpeza, serviços gerais), 27%     da população da amostra.                    mão do indivíduo.
operários (cortadores de cana, ope-
                                              Em relação ao sexo, 90% dos                 A profissão que o indivíduo exerce
rador de caixa, operários industriais),
                                           pacientes avaliados pertenciam ao           muitas vezes está diretamente re-
13% auxiliares de enfermagem e 10%
                                           sexo feminino, em concordância com          lacionada à instalação dos sintomas
costureiras (Tabela 1). Metade do total
                                           a literatura2,4,5,17; quanto à idade, não   da síndrome do túnel do carpo. Em
(15 pessoas) estavam afastadas do
                                           houve predominância de mais jovens          nossa amostra, todos os pacientes
serviço devido à falta de condições
                                           ou mais velhos (não houve relação           realizam atividades manuais em sua
para exercer a função.
                                           significativa entre pessoas com mais,       atividade profissional, muitas vezes
   O resultado da análise da consis-       ou com menos de 45 anos), mas a             com movimentos repetitivos e de força;
tência interna do instrumento é apre-      faixa de idade dos sujeitos estudados       50% deles indivíduos estão afastados
sentado na Tabela 2. Tendo em vista        (26-57) é bastante semelhante à             de seu serviço devido aos sintomas da
uma dúvida de cerca de metade dos          indicada na literatura2,4,5.                doença. A experiência de trabalho
pacientes sobre a primeira questão da                                                  nessa área sugere que pacientes que
                                              As pessoas foram orientadas a
escala funcional (uso da mão para                                                      recebem benefícios em seu afasta-
                                           responder sobre a mão mais afetada,
escrever), discutida adiante, foi cal-                                                 mento apresentam piores resultados de
                                           e esta não era necessariamente a mão
culado o coeficiente de consistência                                                   tratamentos feitos, baixa satisfação e
                                           dominante. Há estudos referindo que,
interna do instrumento retirando-se                                                    mais queixas de sintomas. Tem sido
                                           geralmente, a mão dominante é a
esse primeiro item, pelo quê o coefi-                                                  relatado que pacientes com benefícios
                                           mais freqüentemente envolvida, mas
ciente seria aumentado (Tabela 2).                                                     devido a doenças musculoesqueléticas
                                           a não-dominante também pode ser
                                                                                       têm marcadamente piores resultados,
   No cruzamento entre escalas e           afetada sozinha17. Em nossa amostra
                                                                                       possivelmente devido a fatores como
variáveis sociodemográficas não            houve 53% de mãos não-dominantes
                                                                                       posições ergonômicas, ganhos secun-
houve correlação significativa entre as    afetadas (47% mãos dominantes). A
                                                                                       dários, insatisfação no trabalho, fatores
idades, divididas em indivíduos com        primeira questão da escala funcional
                                                                                       psicológicos e sociais18. Este não é
menos de 45 anos (47%) e com 45 anos       trouxe dúvidas aos pacientes no mo-
                                                                                       interesse direto em nosso estudo, re-
ou mais (53%), o mesmo ocorrendo           mento da aplicação do questionário,
                                                                                       querendo maior aprofundamento nas
em relação à mão afetada dos sujeitos,     no caso de a mão mais afetada, sobre
                                                                                       questões de saúde do trabalho; apenas
onde não houve correlação significa-       a qual deveria responder, ser a mão
                                                                                       vale ser ressaltado como influência nos
tiva (Tabela 3). O coeficiente de corre-   não-dominante (com a qual ele não
                                                                                       resultados e em estudos posteriores.
lação de Spearman entre os escores         escreve, mas deveria responderia à
obtidos nas escalas de gravidade e         pergunta sobre dificuldade em
funcional indica forte correlação entre    escrever). Isso levou a certa am-
                                           bigüidade que foi demonstrada na
                                                                                                            CONCLUSÃO
as escalas: quanto maior a gravidade
dos sintomas, maior o acometimento         análise estatística ao se avaliar a            O questionário Boston Carpal Tunnel
da funcionalidade.                         consistência interna do instrumento         Questionnaire, já validado no Brasil,
                                           pois, se retirada essa questão, o           apresenta boas condições para
                                           coeficiente de consistência interna do      detectar mudanças clínicas e padro-
                     DISCUSSÃO             instrumento melhora substancialmen-
                                           te. Sugerimos que esta questão seja
                                                                                       nizar avaliações de sintomas e funções
                                                                                       de pacientes com síndrome do túnel
   A aplicação do questionário             repensada na utilização do ques-            do carpo. Sugerimos no entanto a apli-
(BCTQ), formulado por Levine et al.11,     tionário pois, se a atividade funcional     cação do instrumento separadamente
foi realizada em 30 pacientes, diagnos-    “escrever”, na grande maioria das           para cada mão do paciente, para que
ticados como portadores de síndrome        vezes, é realizada somente pela mão         fique clara a sintomatologia em cada
do túnel do carpo, sem qualquer inter-     dominante (em raríssimos casos o            uma, principalmente com relação às
corrência cirúrgica realizada previa-      indivíduo realiza a escrita bilateral-      atividades realizadas somente pela
mente a esta avaliação. A escolha do       mente), e se o sujeito deve responder       mão dominante, pela possível
questionário deve-se a ser este um         somente sobre a mão mais afetada e          presença de sintomas bilateralmente,
instrumento de fácil aplicação, tempo      esta for não dominante, ele não             embora com diferentes intensidades.




                                                                                        FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)          13
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14   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Lovo et al.                                                                         Questionário para síndrome do túnel do carpo



                                         Anexo: Questionário utilizado
  Escala G: Escala de gravidade dos sintomas
  As questões seguintes se referem aos seus sintomas durante um típico período
  de 24 horas, nas duas últimas semanas. Circule uma resposta para cada
  questão.
  • Qual é a gravidade da dor em punho   • Quanto tempo dura, em média, um       • Qual é a gravidade do adormeci-
    ou mão que você tem à noite?            episódio de dor durante o dia?         mento e formigamento durante a
    1 Não tenho dor em punho ou             1 Nunca tenho dor durante o dia        noite?
       mão à noite                          2 Menos que 10 minutos                 1 Não tenho adormecimento ou
    2 Dor leve                              3 10 a 60 minutos                         formigamento durante a noite
    3 Dor moderada                          4 Mais que 60 minutos                  2 Leve
    4 Dor forte                             5 A dor é constante ao longo do        3 Moderado
    5 Dor muito forte                          dia                                 4 Grave
  • Com que freqüência você é             • Você tem adormecimento em sua          5 Muito grave (gravíssimo)
    acordado pela dor em punho ou           mão? (perda de sensação)             • Com que freqüência você é
    mão, durante uma noite típica, nas      1 Não                                  acordado pelo adormecimento ou
    duas últimas semanas?                   2 Adormecimento leve                   formigamento em punho ou mão,
    1 Nunca                                 3 Adormecimento moderado               durante uma noite normal,
    2 1 vez                                 4 Adormecimento grave ( forte)         durante as duas últimas semanas?
    3 2 ou 3 vezes                          5 Adormecimento muito grave (          1 Nunca
    4 4 ou 5 vezes                             muito forte)                        2 1 vez
    5 Mais que 5 vezes                    • Você sente fraqueza na mão ou          3 2 ou 3 vezes
  • Você normalmente tem dor em             punho?                                 4 4 ou 5 vezes
    punho ou mão durante o dia?             1 Não                                  5 Mais que 5 vezes
    Nunca tenho dor durante o dia           2 Fraqueza leve                      • Você tem dificuldade ao pegar e
    Dor leve                                3 Fraqueza moderada                    usar pequenos objetos, como
    Dor moderada                            4 Fraqueza grave                       chaves ou canetas?
    Dor forte                               5 Fraqueza muito grave                 1 Não tenho dificuldade
    Dor muito forte                       • Você tem sensação de formiga-          2 Dificuldade leve
  • Com que freqüência você tem dor         mento em sua mão?                      3 Dificuldade moderada
    no punho ou mão durante o dia ?         1 Não                                  4 Dificuldade grave
    1 Nunca                                 2 Formigamento leve                    5 Dificuldade muito grave
    2 1 a 2 vezes ao dia                    3 Formigamento moderado
    3 3 a 5 vezes ao dia                    4 Formigamento grave ( forte)
    4 Mais que 5 vezes ao dia               5 Formigamento muito grave
    5 A dor é constante                        (muito forte)


  Escala F: Escala funcional
  Em um dia normal, durante as duas últimas semanas, os sintomas no punho e mão têm causado alguma dificuldade
  para realizar estas atividades? Circule o número que melhor descreve sua habilidade para realizar a atividade.
  (Para todos os quesitos abaixo, o paciente era convidado a marcar uma das opções a seguir:)
  Escrever; Abotoar roupas; Segurar um livro enquanto lê; Segurar o telefone enquanto fala; Abrir garrafas; Serviços
  domésticos; Carregar sacolas do supermercado; Tomar banho e vestir-se.
  1    Não tenho dificuldade
  2    Dificuldade leve
  3    Dificuldade moderada
  4    Dificuldade grave
  5    Não consigo fazer devido aos sintomas em punho ou mão.




                                                                                 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)          15
Respostas eletromiográficas, funcionais e posturais a um tratamento
                        fisioterapêutico da síndrome femoropatelar
             EMG, functional and postural responses to a physical therapy treatment for
                                    patellofemoral syndrome
                                Isabel C. Neves Sacco1, Gil Kiyoshi Konno2, Guilherme Benetti Rojas2, Cristina Maria Nunes Cabral2,3,
                                                       Anice de Campos Pássaro2,4, Antonio Carlos Arnone5, Amélia Pasqual Marques6

     1
         Profa. Dra.do Curso de                RESUMO: A síndrome femoropatelar (SFP), patologia de difícil tratamento, decorre
         Fisioterapia, Depto. FOFITO           de um desequilíbrio das forças que incidem sobre a patela durante seu movimento
         da FMUSP (Faculdade de                normal; freqüentemente não se obtém alívio total da dor. Este estudo visou avaliar
         Medicina da Universidade de
         São Paulo)                            o efeito de tratamento fisioterapêutico em seis sujeitos com SFP, tendo entre 18
                                               e 35 anos, diagnosticados clinicamente pelo Ambulatório de Ortopedia do Hospital
     2
         Fisioterapeutas; integrantes do       Universitário (grupo GFP); cinco sujeitos saudáveis, de mesma idade e nível de
         Grupo de Estudos em                   atividade física do GFP formaram o grupo controle. Nos dois grupos realizaram-
         BIomecânica da Fisioterapia
         da FMUSP                              se, antes e após o tratamento, avaliação funcional – usando escalas de Lysholm
                                               e visual analógica de dor, da articulação segundo Karlsson, do alinhamento
     3
         Profa. Ms do Curso de                 postural de membros inferiores e teste de compressão patelar – e avaliação
         Fisioterapia do UniFIEO               biomecânica por eletromiografia dos músculos vasto medial e vasto lateral O
         (Centro Universitário F.I.E. de       GFP submeteu-se durante cinco semanas a exercícios de alongamento e
         Osasco, SP)
                                               fortalecimento muscular, tendo resultado em redução de 50% no sinal positivo
     4
         Profa. Ms. do Curso de                da compressão patelar, melhora nos escores das escalas funcionais e diminuição
         Fisioterapia do UniCapital (SP)       dos arcos longitudinais rebaixados e tornozelos valgos; não houve, porém, melhora
     5
         Ortopedista do Ambulatório de         da dor. Os dados eletromiográficos mostraram maior eficiência do vasto medial
         Ortopedia do Hospital                 na realização de exercícios excêntricos e aumento da ativação do vasto lateral
         Universitário da FMUSP                durante a marcha e na fase de subida do agachamento. O tratamento permitiu
     6
                                               pois melhora na funcionalidade, no alinhamento dos joelhos e pés e na ativação
         Fisioterapeuta; Profa. Livre-
         Docente do Curso de                   dos músculos avaliados.
         Fisioterapia da FMUSP                 DESCRITORES: Articulação do joelho; Biomecânica; Eletromiografia; Fisioterapia;
                                                           Terapia por exercício

 ENDEREÇO PARA                                 ABSTRACT: Patellofemoral Syndrome (PFS), a challenging pathology to treat –
                                               wherein full pain relief is rarely obtained – results from force imbalance
 CORRESPONDÊNCIA
         Profa. Dra. Isabel de C. N. Sacco     exerted on the patella during its normal movement. This study assessed the
         Curso de Fisioterapia, FOFI           effect of a physical therapy treatment on six 18-to-35 year-old subjects with
         TO/ FMUSP                             PFS, diagnosed by the University Hospital Orthopedic Outpatient Clinic;
         R. Cipotânea 51 Cidade                five healthy subjects having the same age and level of physical activity as
         Universitária                         the patients made up the control group. Both groups were submitted to
         05360-000 São Paulo SP                assessment before and after PFS group treatment: of pain through the visual
         e-mail: icnsacco@usp.br               analogical scale; of the patellofemoral joint according to Karlsson; Lysholm
                                               scale) lower limb postural alignment; patellar compression test; and
                                               electromyography of the vastus medialis and vastus lateralis muscles. PFS
                                               group treatment consisted in muscle stretching and strengthening exercises
                                               during 5 weeks, after which we observed a 50% reduction in positive signs of
                                               patellar compression, better Lysholm and Karlsson scores, lower plantar arches
                                               and reduction of valgus ankle; however, no pain relief was reported.
                                               Electromyographic data showed higher efficiency of the vastus medialis
                                               muscle in carrying out eccentric exercises and increased activity of the vastus
                                               lateralis while walking and during upward movement after squatting.
 ACEITO PARA PUBLICAÇÃO                        KEY WORDS: Biomechanics; Electromyography; Exercise therapy; Knee joint; Physical
         nov. 2005                                         therapy




16                                 12(3)
     FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 16-22
Sacco et al.                                                                                Fisioterapia para a síndrome femoropatelar



                INTRODUÇÃO                    O paciente com síndrome femo-
                                           ropatelar (SFP) é usualmente jovem e
                                                                                      logias, chegando-se a resultados dis-
                                                                                      tintos. Monteiro-Pedro et al.12 ava-
   A articulação do joelho é a maior       ativo e sofre de dores retro e peri-       liaram a propriocepção dinâmica
e uma das mais complexas articula-         patelares causadas por longos períodos     (senso de posição articular), enquanto
ções do corpo, sendo uma dobradiça         sentados. A dor está relacionada com       Kramer et al. 13 avaliaram a pro-
bicondiliana sinovial entre os côndilos    a atividade realizada e fica particular-   priocepção de joelho por meio da
do fêmur e da tíbia, com a patela em       mente evidente durante a descida de        eletrogoniometria em quatro angu-
posição anterior. Por se localizar entre   escadas e o agachamento. O derrame         lações específicas em cadeia cinética
dois grandes braços de alavanca, o         intra-articular é raro, mas a presença     aberta (CCA); nenhum deles encontrou
fêmur e a tíbia, é uma articulação         de edema próximo ao ápice da patela        diferenças no senso de posição
constantemente submetida a esforços        é freqüente. Crepitação durante a          articular entre indivíduos saudáveis e
cíclicos, o que explica sua grande sus-    flexo-extensão do joelho é outro           com SFP. No entanto, Baker et al.14
cetibilidade às lesões. Além disso, o      achado comum em alguns indivíduos.         encontraram déficit proprioceptivo em
joelho não é protegido por músculos        A SFP é caracterizada por inúmeros         sujeitos portadores de SFP quando
                                           sinais e sintomas – patelalgia, dor        comparados a sujeitos saudáveis,
ou tecido adiposo, como ocorre em
                                           anterior de joelho, artralgia retropa-     utilizando marcadores visuais e
outras articulações1.
                                           telar, dentre outros – o que torna seu     análise videográfica.
   É possível perceber a grande impor-     diagnóstico clínico difícil. Apesar da
                                                                                         Estudos envolvendo a análise do
tância da patela para a existência de      diversidade de fatores associados à
                                                                                      agachamento também têm sido feitos,
uma biomecânica ideal do joelho, já        SFP, há um consenso de que o desa-
                                                                                      como os que avaliam a atividade EMG
que a articulação femoropatelar de-        linhamento do aparelho extensor de
                                                                                      dos músculos VM e VL durante exer-
pende do posicionamento ideal desse        joelho seria a principal causa da dor
                                                                                      cícios de flexão de joelho em cadeias
osso durante o arco de movimento do        femoropatelar5,6.
                                                                                      cinéticas aberta e fechada (agacha-
joelho2. Entre suas funções, encon-           Esses fatores, que associados levam     mento)15,16. Não foi encontrada dife-
tram-se a proteção do joelho contra        ao aumento da compressão femoro-           rença na atividade dos músculos entre
traumas diretos e, principalmente, a       patelar e à crepitação, podem ser          sujeitos com e sem SFP durante o
de proporcionar vantagem mecânica          representados pelo aumento do ângulo       agachamento. Escamilla et al. 17
ao músculo quadríceps da coxa,             Q, presença de patelas altas, mediali-     observaram maior atividade muscular
aumentando em 50% a força de               zadas ou lateralizadas e pronação          durante o agachamento em cadeia
extensão do joelho3. Com o aumento         subtalar excessiva7. Ainda conside-        cinética fechada (CCF) e do músculo
da flexão do joelho, há um contato         rando os fatores relacionados ao apa-      reto da coxa no exercício em CCA.
cada vez maior entre a patela e o          relho locomotor, o músculo quadríceps
fêmur, sendo que entre 30-70 graus de                                                    O objetivo deste estudo foi avaliar
                                           vem sendo amplamente estudado em
flexão a patela é isoladamente res-                                                   a eficácia de tratamento fisiote-
                                           indivíduos normais e com SFP pela
                                                                                      rapêutico na melhora da dor, funciona-
ponsável por transmitir a força do qua-    eletromiografia (EMG), especialmente
                                                                                      lidade e respostas eletromiográficas
dríceps da coxa ao fêmur em cadeia         as porções do vasto medial (VM) e
                                                                                      dos músculos vasto medial (porção
cinética aberta. Nesse momento, a          vasto lateral(VL) 8, já que a função
                                                                                      oblíqua) e vasto lateral durante a
articulação femoropatelar suporta uma      desses músculos se encontra alterada
                                                                                      marcha e o agachamento em sujeitos
carga equivalente a seis vezes o peso      em pacientes com SFP.
                                                                                      com síndrome femoropatelar, com-
do corpo do indivíduo4.                       Souza et al.9 não encontraram dife-     parados a sujeitos saudáveis.
   A análise de algumas atividades         rença entre indivíduos saudáveis e
mostra os valores médios da com-           com SFP na razão VMO/VL (entre os
pressão entre patela e fêmur: de meia      níveis de ativação do vasto medial                       METODOLOGIA
vez o peso corporal durante a marcha,      oblíquo e vasto lateral) a 60º de flexão
                                           de joelho; resultados semelhantes
de 2,5 vezes o peso corporal durante
                                           foram obtidos por Boucher et al.10 nos
                                                                                                                          Sujeitos
a subida de escadas, de 3,5 vezes o
peso corporal durante a descida de         ângulos de 15º, 30º e 90º de flexão de        Foram selecionados 11 sujeitos (8
escadas e 7 vezes o peso corporal          joelho. Já Fonseca et al.11 verificaram    do sexo masculino e 3 do feminino),
durante o agachamento. É aceito o          aumento da relação VMO/VL com              com idades entre 18 e 35 anos, dividi-
fato de que a contínua compressão é        joelho em 30º de flexão em sujeitos        dos em dois grupos: grupo experi-
necessária para uma adequada nutri-        saudáveis.                                 mental (GFP), 6 sujeitos com diagnós-
ção da cartilagem hialina da patela.           Alguns estudos procuraram avaliar      tico de SFP em pelo menos um dos
Entretanto, os problemas surgem quan-      possíveis deficits proprioceptivos no      membros; e grupo controle (GC), 5
do, por inúmeros motivos, essa com-        joelho do paciente com SFP; entretan-      sujeitos sem nenhum histórico de pato-
pressão se torna excessiva4.               to, são utilizadas diferentes metodo-      logia prévia nos joelhos. Os parti-




                                                                                       FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)          17
cipantes foram informados dos proce-
 dimentos experimentais e assinaram
                                           músculos vizinhos), além de possibi-              Intervenção fisioterapêutica
                                           litar maior confiabilidade na reprodu-
 o termo de consentimento livre e          tibilidade do estudo pré e pós-inter-          Após avaliação, o GFP passou por
 esclarecido; o estudo foi aprovado        venção fisioterapêutica20-22.              25 sessões de fisioterapia em cinco
 pela Comissão de Ética do Hospital                                                   semanas de duração. Destas, cinco
 Universitário da USP.                        A medição da variação angular da
                                                                                      foram realizadas com supervisão do
                                           articulação do joelho durante as tare-
                                                                                      fisioterapeuta, sendo uma por semana,
                                           fas locomotoras foi feita por meio de
            Protocolo Experimental –       um eletrogoniômetro planar constituído
                                                                                      e tiveram como objetivo orientar os
                                                                                      participantes para que realizassem as
             métodos e equipamentos        por um potenciômetro de rotação fixo
                                                                                      demais 20 sessões no domicílio. O
                                           com duas hastes de madeira que
    Os dois grupos realizaram avalia-                                                 protocolo foi composto de seis exer-
                                           ficavam aderidas aos segmentos da
 ção funcional e biomecânica com-                                                     cícios: alongamento dos músculos da
                                           articulação por bandagens elásticas.
 posta de três etapas: 1) avaliação do                                                cadeia posterior com o paciente
                                           Para a utilização na articulação do
 alinhamento postural, segundo proce-                                                 sentado e em decúbito dorsal; alonga-
                                           joelho, uma das hastes ficou presa à
 dimento de Kendall et al.18; 2) testes                                               mento do músculo quadríceps da coxa
 clínicos e avaliação de parâmetros clí-   coxa e a outra, à perna. Foram utili-
                                                                                      em decúbito lateral; alongamento da
 nicos e funcionais pela escala de         zados como referência o epicôndilo         banda iliotibial com o paciente sen-
 Lysholm, avaliação da articulação         lateral, o trocânter maior do fêmur e a    tado e em bipedestação; e fortale-
 femoropatelar baseada em Karlsson et      cabeça e o maléolo fibulares. De           cimento isométrico do músculo qua-
 al.19 e escala visual analógica de dor;   acordo com a mudança de posição dos        dríceps da coxa durante um mini-
 também foi realizada avaliação física     segmentos em questão, o potenciôme-        agachamento com adução de quadril.
 do joelho comprometido por meio do        tro alterava as tensões elétricas. Este    Foram realizadas três repetições e
 teste de compressão patelar realizado     podia ser calibrado em função de           duração de 30 segundos cada. Todos
 sempre pelo mesmo avaliador1; e 3)        posições previamente conhecidas;           os pacientes avaliados aderiram ao
 avaliação da atividade eletromiográ-      nesse caso, o sistema de referência        programa de intervenção fisiote-
 fica dos músculos VM e VL, sincroni-      adotado considerou que, na extensão        rapêutica, sendo controlados os dias
 zada com um eletrogoniômetro              completa de joelho, o ângulo medido        de prática semanais e a qualidade de
 colocado no joelho com maior queixa       pelo eletrogoniômetro seria de zero        execução desses exercícios. Após a
 clínica no GFP, e no lado dominante       grau, como sugerido por Winter23,          intervenção o GFP foi reavaliado,
 no GC. Foram feitas três coletas com      aumentando em função da flexão da
 duração de seis segundos, com fre-                                                   comparando-se os valores então
                                           articulação. Com base nos dados            obtidos aos parâmetros iniciais.
 qüência de amostragem de 1000 Hz,         eletromiográficos, a linha de base ou
 durante a execução de dois diferentes
                                           referência zero foi ajustada dos sinais
 movimentos de locomoção em
                                           brutos quando estes se apresentaram
                                                                                                   Tratamento estatístico
 cadência auto-selecionada: marcha no
                                           com off-set (linha de base fora do valor      A análise comparativa das variáveis
 plano e agachamento a partir da
 posição de bipedestação com pés           zero). A partir daí, os dados foram        eletromiográficas, antropométricas e
 paralelos, realizando a tríplice flexão   retificados em onda completa e as          demográficas entre os grupos GC e GFP
 até 60º de flexão de joelho. Marcha e     fases de cada movimento analisado          foi realizada utilizando-se o teste t,
 agachamento foram selecionados por        foram determinadas pelos dados do          quando as variáveis apresentavam-se
 serem atividades funcionais utilizadas    eletrogoniômetro. Após a retificação       normais, e teste de Mann-Whitney
 no cotidiano dos participantes.           do sinal e considerando cada fase de       quando não normais. Já para a com-
                                           cada movimento analisado, os valores       paração entre os grupos pré e pós-
    Para a avaliação eletromiográfica
                                           de RMS (root mean square, raiz             intervenção, utilizou-se o teste t para
 dos músculos selecionados, foi utili-
                                           quadrada da média dos quadrados dos        amostras pareadas quando as variáveis
 zado um eletromiógrafo da EMG
                                           valores do sinal EMG) foram calcula-       eram normais, e teste de Wilcoxon
 System do Brasil com eletrodos
 diferenciais superficiais ativos pré-     dos dentro desses intervalos de fases,     quando não-normais. Quanto às
 amplificados com fator 20 no próprio      como forma de representar a intensi-       demais variáveis do estudo, foram
 eletrodo e fator 50 no amplificador,      dade do sinal eletromiográfico. Essas      representadas em termos de dis-
 colocados no ponto motor dos              fases foram estabelecidas conhe-           tribuição de porcentagens para os gru-
 músculos. Optou-se por colocar o          cendo-se a biomecânica dos movi-           pos e comparadas pelo teste Qui-
 eletrodo no ponto motor pois estudos      mentos analisados de interesse para o      quadrado ou teste exato de Fischer.
 comprovam que essa técnica permite        estudo e comparando-as à variação          Foram consideradas diferenças signifi-
 redução na possibilidade de ocorrer       angular dada pela curva do eletro-         cativas aquelas cujo nível de signi-
 cross-talk (aquisição do sinal EMG de     goniômetro.                                ficância fosse inferior a 0,05.




18   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Sacco et al.                                                                              Fisioterapia para a síndrome femoropatelar



                 RESULTADOS                  A Tabela 2 apresenta os dados clíni-
                                          cos e funcionais dos sujeitos. Em
                                                                                    (p=0,004) quanto pós (p=0,018); e na
                                                                                    de Karlsson, pré (p=0,000) e pós
    A Tabela 1 apresenta a média e o      relação à escala visual analógica de      (p=0,0316). Não houve diferença es-
desvio padrão das variáveis demo-         dor, não houve mudança estatisti-         tatisticamente significante na condição
gráficas e características antropomé-     camente significativa na dor relatada     de pré para a pós no interior do GFP.
tricas dos sujeitos de ambos os grupos,   pelos sujeitos do GFP entre a situação
                                                                                       A Tabela 3 apresenta a distribuição
que não apresentaram diferenças           pré e pós-tratamento (p>0,05). Inicial-
                                                                                    de porcentagens de alinhamento
estatisticamente significantes em         mente todos os indivíduos do GFP
                                                                                    postural dos pés, tornozelos e joelhos
qualquer das variáveis analisadas         apresentaram testes de compressão
                                                                                    dos dois grupos nas condições pré e
(p>0,05) – tratando-se, portanto, de      patelar positivos, havendo redução de
                                                                                    pós-tratamento fisioterapêutico. Em
grupos homogêneos. Além disso, foi        50% após o tratamento (p=0,04).
                                                                                    todas as variáveis posturais relaciona-
verificado que, enquanto no GC todos      Quanto aos valores da mediana dos
                                                                                    das ao pé, tornozelo e joelho, os grupos
os indivíduos eram fisicamente ativos,    escores das escalas funcionais do
                                                                                    apresentaram-se semelhantes (p>0,05),
no GFP estes correspondiam a 50%.         joelho, o GC obteve pontuação signi-
                                                                                    porém nota-se tendência nos sujeitos
O membro inferior direito foi o domi-     ficativamente maior em relação ao
                                                                                    com síndrome femoropatelar a apre-
nante em todos os sujeitos.               GFP nas escalas de Lysholm tanto pré
                                                                                    sentarem número mais expressivo de
                                                                                    arcos longitudinais rebaixados e joelho
  Tabela 1 Médias, desvios-padrão e distribuição por porcentagem de                 e tornozelos valgos em relação ao
            características dos grupos controle (GC) e com síndrome                 grupo controle, com diminuição dos
            femoropatelar (GFP)                                                     mesmos após o tratamento.
  Variáveis                          GC (n=5)                  GFP (n=6)
                                                                                       A Tabela 4 apresenta a média, desvio
  Idade (anos)                       27,0 ± 7,0               30,5 ± 8,8            padrão e nível de significância inter-
  Sexo masculino (%)                    100                       50                grupos dos valores do RMS da EMG
  Massa (kg)                         71,2 ± 9,8               77,5 ± 24,7           (mV) para os músculos VM e VL duran-
  Estatura (cm)                     170,0 ± 7,0              170,3 ± 10,3           te as tarefas locomotoras realizadas
  IMC (kg/m2)                        24,6 ± 2,8               23,0 ± 3,2            pelos GC e GFP-pré e GFP-pós trata-
                                                                                    mento fisioterapêutico. Durante a
  Fisicamente ativos (%)                100                       50
                                                                                    tarefa de andar no plano, houve maior
  Dominância destra (%)                 100                      100

  Tabela 2 Média, desvio-padrão, mediana e porcentagem das variáveis clínicas dos grupos controle (GC) e com
            síndrome femoropatelar (GFP) pré e pós-intervenção fisioterapêutica
  Variáveis                                     GC (n=5)        GFP pré (n=6)     GFP pós (n=6)              p
  Teste de Apley positivo (%)                       0                 16,6               0                   -
  Teste de compressão patelar positivo (%)          0                100 *             50 *              0,045 *
  Teste de apreensão positivo (%)                   0                  0                 0                   -
  Teste de gaveta anterior positivo (%)             0                 16,6             16,6                  -
  Ângulo Q joelho avaliado (graus)             5,80 ± 1,64        8,00 ± 3,41        7,0 ± 2,5            > 0,05
  Ângulo Q joelho contralateral (graus)        5,40 ± 1,14        6,33 ± 1,51        6,2 ± 1,3            > 0,05
  Escala de Lysholm (mediana)                   100 *, **            66,5 *            80 **         0,004* 0,018**
  Escala de Karlsson (mediana)                  100 *, **             58 *            81,5 **        0,000 * 0,031**
  Ângulo Merchant (graus)                                         -0,5 ± 23,4            -                   -
  Escala visual analógica de dor (cm)              0,0            4,08 ± 2,82      2,59 ± 1,97            > 0,05
  *, ** valores estatisticamente significantes

  Tabela 3 Distribuição de porcentagens de alinhamento postural de arcos plantares, tornozelo e joelho dos grupos
           controle (GC) e com síndrome femoropatelar (GFP)
                        Arco longitudinal            Tornozelo plano frontal               Joelho plano frontal
  Grupos             normal         rebaixado         Varo             Valgo               Varo            Valgo
                    D        E       D        E      D        E       D        E         D        E       D        E
  GC (n=5)          20      20        0       0      20      20       80      80          0       0       60      60
  GFP pré (n=6)      0       0      33,3    33,3     50     66,6     66,6    66,6         0     16,6      50      50
  GFP pós (n=6) 50          50      16,6    16,6    33,3     50       50      50        16,6 33,3        16,6   16,6




                                                                                     FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)          19
Tabela 4 Médias e desvios-padrão das variáveis de RMS da EMG dos músculos vasto lateral e vasto medial durante as
               tarefas locomotoras dos grupos controle (GC) e com síndrome femoropatelar (GFP)
     Movimento                    RMS (mV)          GC (n=5)       GFP pré (n=6)   GFP pós (n=6)            p
                                Vasto medial       20,51 ± 5,49    20,44 ± 10,93   19,24 ± 13,07
     Plano
                                 Vasto lateral    25,13 ± 13,10   18,53 ± 16,58 * 26,00 ± 11,09 *       0,0483*
                                Vasto medial      44,31±16,25 *    44,75 ± 37,90  31,53 ± 16,04 *       0,0449*
     Agachamento descida
                                 Vasto lateral    35,11 ± 19,24    32,69 ± 20,49   41,09 ± 19,39
                                Vasto medial      37,07 ± 14,04    42,80 ± 35,83   28,77 ± 14,78
     Agachamento subida
                                 Vasto lateral 35,80 ± 18,99 ** 31,62 ± 20,81 * 49,45 ± 19,35*,** 0,0407* 0,0452**
     *, ** valores estatisticamente significantes

 magnitude do valor de RMS do              funcionais utilizadas. Os resultados       ração da SFP, estudos em que os exer-
 músculo VL nos indivíduos do GFP-pós      aqui obtidos, de aumento significativo     cícios de alongamento fizeram parte
 em relação ao GFP-pré (p=0,0483)          dos valores das escalas funcionais de      do tratamento mostraram-se efetivos
 sendo que a atividade do GFP-pós se       Lysholm e Karlsson após o tratamento,      na redução da dor associada à dis-
 assemelha à ativação do GC. Já em         estão de acordo com os de McConnell24      função (Crossley et al.26, Clark et al.27).
 relação ao músculo VM, os grupos          quando afirma que, na SFP, o alívio
                                                                                         Nos valores da RMS dos músculos
 apresentaram um padrão semelhante         total das dores não é obtido com
                                                                                      VL e VM nas atividades de andar no
 de ativação. Na tarefa de agacha-         freqüência, mas somente em 30% dos
                                                                                      plano e durante o agachamento não
 mento, foram considerados dois ciclos:    pacientes. Esse aspecto é compreensível
                                                                                      foi encontrada diferença de ativação
 descida e subida. Durante a descida o     pois, como a dor não é intensa, os indi-
                                                                                      entre indivíduos saudáveis e indivíduos
 músculo VM do GC apresentou maior         víduos continuam a realizar atividades
                                                                                      com SFP, o que é corroborado por
 valor de RMS comparado ao GFP-pós         funcionais como agachar, caminhar etc.
                                                                                      alguns estudos9,10,16. Os valores de RMS
 (p=0,0449) e semelhante ativação em          Em relação à postura dos membros        do músculo VM na tarefa de andar no
 relação ao GFP-pré (p>0,05). Já           inferiores, não foi observada diferença    plano não apresentaram diferenças
 durante o ciclo de subida o músculo       significativa entre o GC e o GFP, tanto    estatísticas entre o GC, GFP-pré e GFP-
 VL do GFP-pós apresentou maior valor      pré como pós-tratamento. Foram porém       pós. Já para o músculo VL, o GFP
 de RMS em relação ao GFP-pré              observadas diferenças entre o GFP          apresentou maior ativação durante o
 (p=0,0407) e ao GC (p=0,0452).            quando comparamos o pré com o pós-         andar no plano quando comparadas as
                                           tratamento, havendo uma diminuição         condições pré e pós-tratamento. A
                                           importante nos arcos longitudinais         ativação muscular do VL dos sujeitos
                        DISCUSSÃO          rebaixados, tornozelos e joelhos val-      GFP-pós assemelhou-se à ativação dos
                                           gos, proporcionando um melhor ali-         sujeitos do GC, indicando haver uma
    A hipótese inicial deste estudo era    nhamento dos segmentos inferiores.         função muscular normalizada em
 que o tratamento reduzisse a dor, me-     Características semelhantes às obser-      relação à condição pré-tratamento.
 lhorasse o alinhamento postural dos       vadas neste estudo foram verificadas       Esses dados mostram que o andar no
 membros inferiores e produzisse           por Cabral7, que afirma que sujeitos       plano não é a tarefa ideal para ser
 melhores e maiores respostas ele-         com SFP apresentam algumas ca-             realizada na reabilitação, uma vez
 tromiográficas nos pacientes, aproxi-     racterísticas de alinhamento postural      que não houve alteração de músculo
 mando-se daquelas encontradas no          típicas tais como arcos longitudinais      VM, um dos principais componentes
 grupo controle. Os dados mostram que,     dos pés rebaixados, tornozelos valgos,     estabilizadores ativos da patela28,29.
 embora tais respostas tenham melho-       joelhos rodados e valgos.
                                                                                         Durante a fase de descida no aga-
 rado, não houve diferença estatisti-
                                              Como o tratamento de fisioterapia       chamento, o valor do RMS do músculo
 camente significante entre os grupos
                                           foi composto em sua maioria por exer-      VM no GFP-pós foi menor quando
 na funcionalidade, no alinhamento
                                           cícios de alongamento, é possível          comparado ao GFP-pré e ao GC. Por
 postural ou no aumento da atividade
                                           supor que estes, pela melhora da fle-      se tratar de uma ação excêntrica da
 dos músculos vasto lateral e medial
                                           xibilidade que propiciam, tenham           musculatura extensora de joelho, um
 após o tratamento de fisioterapia.
                                           contribuído para a diminuição dos fa-      menor valor de RMS durante a descida
    Não foi observada diferença estatis-   tores envolvidos na geração de dor e       do agachamento poderia representar
 ticamente significativa na intensidade    na funcionalidade, tendo como conse-       menor recrutamento de unidades
 da dor, apesar de esta apresentar         qüência o ganho de sarcômeros em           motoras, sugerindo que a tarefa seria
 médias menores após o tratamento          série 25. Embora não tenham sido           realizada com maior eficiência no
 (Tabela 2). A presença de dor durante     encontrados trabalhos que investi-         controle e geração de tensão por esse
 ou após a realização de atividades é      gassem exclusivamente o efeito de          músculo e, portanto, menor gasto ener-
 uma das questões presentes nas escalas    exercícios de alongamento na recupe-       gético durante a sobrecarga30. Já na




20   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Sacco et al.                                                                                 Fisioterapia para a síndrome femoropatelar


fase de subida do agachamento, os
valores de RMS foram mais altos no
                                             mento em indivíduos com e sem SFP
                                             e não encontraram diferença esta-
                                                                                                            CONCLUSÃO
músculo VL no GFP-pós em relação             tisticamente significativa.
ao GFP-pré e ao GC. Tal achado pode                                                             Foi possível identificar me-
estar relacionado à maior tensão desse               Algumas limitações foram          lhora na funcionalidade, no alinha-
músculo na tentativa de corrigir o           observadas no decorrer do estudo,         mento dos joelhos e pés e aumento da
valgo de joelho, característica muito        dentre as quais o fato de os indivíduos   atividade dos músculos vasto lateral
presente nos indivíduos com SFP. Estes       terem realizado parte dos exercícios      e medial após o tratamento fisiote-
achados diferem daqueles obtidos em          em casa após as orientações; e ainda,     rapêutico em indivíduos com síndrome
trabalho realizado por Tang et al.16, que    de a amostra ter sido reduzida, possi-    femoropatelar, principalmente na
avaliaram a atividade eletromiográfica       velmente induzindo a erro estatístico     tarefa do agachamento. Não foi cons-
dos músculo VL e VM durante agacha-          do tipo beta.                             tatada melhora na dor.


                                                      REFERÊNCIAS

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22   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Impacto sobre a quantidade de urina perdida de uma intervenção
              fisioterapêutica em idosas com incontinência urinária
                Impact of a physical therapy intervention on the quantity of urine
                      loss among elderly women with urinary incontinence
                         Elza Lúcia Lotti de Souza Baracho1; Rosângela Corrêa Dias2, Cristina Said Saleme3, Márcia Salvador Geo4,
                                                      Cláudia Lourdes Soares Laranjeira5, Rachel Silviano Brandão Corrêa Lima5

 1
     Fisioterapeuta do Hospital             RESUMO: Incontinência urinária (IU) é um problema de saúde comum entre
     Mater Dei, Belo Horizonte;             mulheres idosas, podendo afetar estruturas e função do corpo, atividades e
     Profa. Assistente da Faculdade         participação social. Tratamentos conservadores têm sido indicados como
     de Ciências Médicas de Minas
     Gerais                                 alternativa para melhorar os sintomas de IU. O objetivo deste estudo foi verificar
                                            o impacto nos sintomas de perda urinária de um protocolo de exercícios
 2
     Fisioterapeuta; Profa. adjunta         terapêuticos para o assoalho pélvico, associado a eletroestimulação vaginal.
     do Depto. de Fisioterapia da           Participaram deste estudo quase-experimental 30 mulheres idosas (70,10±8,628
     Universidade Federal de Minas
     Gerais                                 anos) com diagnóstico de hiperatividade detrusora e incontinência mista,
                                            confirmado por estudo urodinâmico. Nas avaliações foram utilizados pad test
 3
     Fisioterapeuta                         de 24 horas e diário miccional. A intervenção consistiu em 12 sessões de
 4                                          exercícios para o assoalho pélvico associadas a eletroestimulação vaginal.
     Médica uroginecologista;
     Coordenadora da UROMATER               Os resultados mostram diferença significativa na quantidade de urina perdida
     – Unidade de Urodinâmica e             medida pelo pad test após a intervenção (p=0,001), nos episódios de perda
     Disfunções Miccionais do               (p=0,004) e na freqüência miccional (p=0,000). O protocolo de exercícios
     Hospital Mater Dei                     terapêuticos para assoalho pélvico associado a eletroestimulação vaginal teve
 5
     Médicas uroginecologistas,             pois impacto positivo sobre a perda urinária, os episódios de perda e a freqüência
     membros da UROMATER                    miccional, levando à melhora clínica das pacientes.
                                            DESCRITORES: Incontinência urinária; Soalho pélvico; Terapia por exercício

ENDEREÇO PARA                               ABSTRACT: Urinary incontinence (UI) is a common health problem among
CORRESPONDÊNCIA
                                            elderly women that may affect body structure, functions, activities and
     Elza L. S. Baracho                     social participation. Conservative treatments are advocated as an alternative
     R. Padre Severino 103 Bairro           to improve UI symptoms. This pre-post-one-group experimental study assessed
     São Pedro                              the impact onto urine loss of a protocol of pelvic floor exercises and vaginal
     30330-150 Belo Horizonte MG            electrical stimulation. Thirty elderly women (70.10±8.628 years old) with
     e-mail:                                diagnosis of overactive bladder and mixed UI (confirmed by urodynamic
     elzabaracho@veloxmail.com.br;          exam) were submitted first to the 24-hour pad test and bladder diary, and
     2
       rcd@ufmg.br;                         subsequently to 12 therapeutic exercise sessions for pelvic floor muscles,
     3
       crica@cinemashop.com.br              associated to electrical stimulation. There were statistically significant
                                            differences between the quantity of urine loss as measured by the 24-hour
                                            pad test (p=0.001), as well as in loss episodes (p=0.004) and in mictional
                                            frequency (p=0.000). The protocol of therapeutic exercises and pelvic floor
                                            muscle electric stimulation had thus a positive impact over symptoms of
                                            urine loss, number of loss episodes, and mictional frequency, assuring
ACEITO PARA PUBLICAÇÃO                      patients‘ clinical improvement.
     jan. 2006                              KEY WORDS: Exercise therapy; Pelvic floor; Urinary incontinence




                                                                                   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13 (1): 23-9
                                                                                         FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)    23
INTRODUÇÃO                  Observa-se variabilidade quanto
                                            aos protocolos propostos para o trata-
                                                                                       idiopática ou IU mista, diagnosticada
                                                                                       em estudo urodinâmico, avaliadas por
    A Sociedade Internacional de Con-       mento de hiperatividade detrusora e        um período de nove meses (março a
 tinência (ICS) define incontinência        incontinência urinária mista, com dura-    dezembro de 2003) no setor de
 urinária (IU) como qualquer perda invo-    ção do tempo de tratamento variando        fisioterapia aplicada a uroginecologia
 luntária de urina. Pode ocorrer em         de 12 sessões a 6 meses12. Freqüen-        do Hospital Mater Dei, em Belo
 qualquer período da vida, acometendo       temente, o tratamento compõe-se de         Horizonte (MG).
 igualmente homens, mulheres ou             eletroestimulação transvaginal com
                                                                                          Foram excluídas do estudo mulheres
 crianças1. Dentre os vários tipos de IU    freqüências de 4 a 20 Hertz por 20
                                                                                       com idade inferior a 60 anos com IU
 a incontinência urinária de esforço,       minutos e exercícios de fortalecimento
                                                                                       de diagnóstico diferente da hiperati-
 incontinência urinária de urgência e       da musculatura do assoalho pélvico,
                                                                                       vidade detrusora idiopática ou inconti-
 incontinência urinária mista (IUM) são     variando de 60 a 200 repetições
                                                                                       nência mista; realizando reposição
 as mais prevalentes em mulheres1.          diárias13. Portanto, a escolha do proto-
                                                                                       hormonal ou usando medicamentos
                                            colo e tempo de tratamento podem
    A prevalência de IU na população                                                   que interferem no tratamento da IU
                                            interferir nos indicadores de cura e
 dos Estados Unidos está em cerca de                                                   (anticolinérgicos, antidepressivos);
                                            melhoras dos sintomas nas mulheres
 6%, variando de acordo com idade                                                      pacientes com cardiopatias graves ou
                                            com incontinência urinária por hipera-
 (acometendo mais idosos) e sexo (aco-                                                 doenças que contra-indicassem a
                                            tividade detrusora e incontinência uri-
 metendo mais mulheres)2. No Brasil,                                                   prática do programa de exercícios;
                                            nária mista12.
 apesar dos poucos estudos sobre                                                       diabéticas; com presença de alteração
 prevalência e incidência de IU, esti-         A avaliação de IU é complexa em         cognitiva que dificultasse a compreen-
 ma-se que existam mais de 13 milhões       função do amplo espectro de alte-          são dos procedimentos; portadoras de
 de mulheres acometidas pelos diferen-      rações geradas pelos sintomas de           doenças neurológicas; e pacientes que
 tes tipos da doença3.                      urgência, freqüência e noctúria. Pode      não podiam ser submetidas ao uso de
                                            ser avaliada considerando-se critérios     eletrodo vaginal por alguma doença
   A IU leva a sintomas que têm reper-
                                            subjetivos, semi-objetivos e obje-         presente e/ou pela integridade do
 cussões nas atividades diárias e na
                                            tivos14. Dentre as possibilidades para     hímen.
 participação social das mulheres4. É
                                            avaliar resultados de intervenções
 uma importante causa de constran-                                                        Este estudo, categorizado como
                                            terapêuticas o pad test ou teste do pro-
 gimento social, podendo levá-las a                                                    quase-experimental, foi aprovado pelo
                                            tetor é um dos testes mais simples,
 depressão, ansiedade e medo de se                                                     Comitê de Ética em Pesquisa do
                                            objetivos e aplicáveis na prática clí-
 apresentar em público, limitando                                                      Hospital Mater Dei. As pacientes
                                            nica, sendo recomendado pela ICS
 dessa forma seus papéis profissional e                                                foram esclarecidas sobre o tratamento
                                            (1988) para quantificação da perda
 social5.                                                                              e a pesquisa. As que concordaram em
                                            urinária. Assim, juntamente com o
                                                                                       participar assinaram um termo de
    O tratamento da IU pode ser conser-     diário miccional, é considerado um
                                                                                       consentimento livre e esclarecido.
 vador ou cirúrgico6. Há cerca de 200       padrão semi-objetivo para avaliar a
 diferentes técnicas cirúrgicas descritas   eficácia de tratamentos clínicos. O
 com índices variados de cura e fatores     diário miccional de 24 horas fornece                              Procedimentos
 de risco, mas nenhuma delas garante        uma acurada medida do volume de
                                                                                           As avaliações inicial e final de
 resultados confiáveis em longo prazo7.     urina, freqüência miccional, episódios
                                                                                       todas as pacientes foram feitas pelo
 O tratamento conservador inclui exer-      de perdas urinárias, e tipo e volume
                                                                                       mesmo fisioterapeuta, que não par-
 cícios de fortalecimento do assoalho       dos líquidos ingeridos7.
                                                                                       ticipou do tratamento. O tratamento
 pélvico e eletroestimulação vaginal,
                                               O objetivo deste estudo foi avaliar     fisioterápico foi realizado por quatro
 biofeedback, cones vaginais e orien-
                                            o efeito de um protocolo de interven-      fisioterapeutas familiarizadas e treina-
 tações básicas comportamentais8, os
                                            ção fisioterapêutica, composto de exer-    das na aplicação do protocolo do estu-
 quais apresentam benefícios potenciais
                                            cícios para a musculatura do assoalho      do. O avaliador, as fisioterapeutas e
 e, portanto, devem ser considerados
                                            pélvico associados à eletroestimula-       as pacientes foram mascarados em
 tratamentos de primeira escolha9. É
                                            ção vaginal, sobre a quantidade de         relação aos resultados até o término
 uma terapêutica que se mostra eficaz
                                            urina diária perdida por mulheres          do tratamento.
 principalmente quando avaliada,
                                            idosas com IU.
 prescrita, conduzida e supervisionada                                                     Na avaliação fisioterapêutica foi
 adequadamente por um profissional da                                                  realizado levantamento da história
 saúde, neste caso o fisioterapeuta10.
 Sabe-se que a musculatura de assoalho
                                                         METODOLOGIA                   uroginecológica pregressa, exame
                                                                                       físico constituído por exame postural
 pélvico com função deficiente ou             Participaram do estudo 30 pacientes      e classificação da atividade muscular
 inadequada é um fator etiológico           do sexo feminino portadoras de IU de       do assoalho pélvico, de zero a cinco,
 relevante na ocorrência de IU6,11.         urgência por hiperatividade detrusora      por meio da avaliação subjetiva10. Foi




24   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Baracho et al.                                                                              Impacto de fisioterapia em idosas com IU


feita uma única sessão de conscienti-       perda urinária no período; além de       (soma dos volumes urinados em 24
zação da contração do assoalho pélvico      permitir a confirmação das queixas, o    horas, dividida pelo número de micções
por meio do aparelho de biofeedback         pad test é parâmetro para controle do    ocorridas no dia).
para que, nas sessões subseqüentes, as      tratamento. Os protetores, escolhidos
                                                                                        Após a primeira avaliação, as
pacientes pudessem executar os exer-        individualmente pelas pacientes,
                                                                                     pacientes seguiram o protocolo de
cícios de forma adequada. Durante a         foram encaminhados para pesagem
                                                                                     cinesioterapia para musculatura do
contração muscular, a eletromiografia       junto com um absorvente seco, refe-
                                                                                     assoalho pélvico. Eram realizados seis
de superfície oferece informações           rencial para comparações. Os prote-
                                                                                     exercícios (Quadro 1), sendo cinco em
sobre as fibras fásicas, que produzem       tores usados foram guardados em
                                                                                     decúbito dorsal e um sentado, uma
contrações de máxima amplitude e            recipientes hermeticamente fechados,
                                                                                     série de dez repetições para cada
curta duração, e sobre as fibras tônicas,   mantidos sob temperatura ambiente,
                                                                                     exercício. Inicialmente foi solicitado
que produzem contrações de menor            fora do alcance da luz solar, e ao fim
                                                                                     que sustentassem a contração por seis
amplitude e maior tempo de duração15.       das 24 horas foram pesados em uma
                                                                                     segundos; de acordo com a tolerância
A sessão consistia de uma única con-        balança digital de alta precisão
                                                                                     da paciente, progrediu-se até o tempo
tração sustentada de 12 segundos, com       (Pelouse model-PE-5) e comparados a
                                                                                     máximo de 12 segundos. As pacientes
tempo de repouso de 24 segundos, para       um modelo idêntico.
                                                                                     foram orientadas a seguir um programa
conscientização das fibras tônicas e,
                                               No diário miccional, a paciente       domiciliar que constava dos três pri-
posteriormente, de 5 contrações rápidas
                                            anotava durante 24 horas o horário e     meiros exercícios do protocolo. Esses
para conscientização das fibras fásicas.
                                            o volume de cada ingestão líquida        exercícios deveriam ser feitos diariamen-
   O aparelho de biofeedback utili-         (copo padrão de 240 ml) e de cada        te durante o período de tratamento. Foi
zado (MyoTrac 3G EMG System de              micção (béquer milimetrado de 1000       orientado um tempo de relaxamento
dois canais) tem as seguintes especi-       ml), os sintomas apresentados e núme-    de duas vezes o tempo de contração
ficações: fibra óptica conectada ao         ro e tipo de episódios de inconti-       entre cada repetição, tanto nos exer-
computador, resolução de 0,1 microvolt;     nência. Com os dados, calculou-se a      cício supervisionados quanto nos
modo de rejeição e sinais de impe-          média funcional da capacidade vesical    exercícios domiciliares.
dância de um milhão de MegaOhms.
É composto por sensores de superfície        Quadro 1 Descrição do protocolo de exercícios terapêuticos
ativa, eletrodo terra, uma sonda vaginal     Posição                                      Exercício*
e um monitor de vídeo que amplifica a
resposta fisiológica, convertendo-a em       1 Decúbito dorsal         Quadril e joelhos fletidos, pés apoiados no chão,
                                                                       contrair a musculatura do assoalho pélvico.
informações visuais, indicando pico
máximo, média, desvio padrão e               2 Decúbito dorsal         Quadril e joelhos fletidos, apoiados sobre uma
coeficiente de variação da atividade                                   almofada, contrair a musculatura do assoalho
elétrica registrada em mV. Os eletro-                                  pélvico.
dos de superfície não requerem prepa-
ração da pele, porém neste estudo a          3 Decúbito dorsal         Quadril e joelhos fletidos, colocar uma bola de
pele foi limpa com algodão e álcool                                    tênis entre os joelhos e comprimi-la levemente.
absoluto na região da crista ilíaca. Dois                              Contrair a musculatura do assoalho pélvico. Repetir
terços da sonda foi introduzida na va-                                 esse exercício com a bolinha posicionada entre o
gina por meio de um gel lubrificante                                   terço médio e depois proximal da coxa.
aquoso. Foi solicitada uma contração
do assoalho pélvico, e essa era visuali-     4 Decúbito dorsal         Pés apoiados na parede com os membros Inferiores
                                                                       em abdução, flexão e rotação externa, contrair a
zada pelo monitor do computador
                                                                       musculatura do assoalho pélvico
gerando um aprendizado e conscien-
tização desses músculos. Um segundo          5 Decúbito dorsal         Quadril e joelhos fletidos com pequena almofada
canal também foi ativado. Três eletro-                                 entre os joelhos, apertá-la levemente, contraindo a
dos de superfície foram colocados na                                   musculatura do assoalho pélvico
parede abdominal, a fim de certificar
que essa musculatura não era recrutada       6 Sentada                 Bem posicionado em uma cadeira, contrair a
com a mesma intensidade durante a                                      musculatura do assoalho pélvico
contração do assoalho pélvico.
                                             * Em todos os exercícios a contração máxima da musculatura era sustentada
  Antes de iniciar a intervenção, as
                                             durante 12 segundos, com 24 segundos de relaxamento. Na primeira semana,
pacientes submeteram-se ao diário
                                             foram feitas 10 repetições de cada exercício e, nas semanas seguintes, 20
miccional e ao pad test de 24 horas,
que informa a quantidade objetiva da         repetições.




                                                                                      FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)         25
O programa de eletroestimulação                inicial. Para manter o controle das        detrusora idiopática ou incontinência
 vaginal foi realizado utilizando o apa-           variáveis, todas as pacientes foram        urinária mista, confirmada por exame
 relho Dualpex 961 (Quarck Produtos                reavaliadas até no máximo 48 horas         urodinâmico. Quatro das avaliadas
 Médicos), com uma sonda com quatro                após a última sessão.                      foram excluídas por razões de saúde,
 anéis de metal, que era introduzida                                                          por não se enquadrar nos critérios de
                                                      Estatísticas descritivas foram reali-
 com auxílio de gel lubrificante aquoso.                                                      inclusão após a avaliação urodinâmi-
                                                   zadas para as variáveis do estudo. Foi
 As pacientes foram submetidas à                                                              ca, ou por não desejarem participar
                                                   utilizado o teste t de Student, para
 estimulação durante 20 minutos,                                                              da pesquisa, e três por terem idade in-
                                                   amostras pareadas no tratamento das
 utilizando-se os seguintes parâmetros:                                                       ferior a 60 anos. Como as perdas foram
                                                   variáveis que tiveram distribuição
 10 minutos utilizando freqüência(f) de                                                       pequenas e o cálculo prévio para de-
                                                   normal (volume máximo, volume
 50Hz, duração do pulso(t) 500 ms,                                                            terminar o tamanho da amostra indicou
                                                   urinado e freqüência miccional), e o
 tempo de sustentação da contração                                                            que seriam necessárias 14 pacientes
                                                   Wilcoxon Rank Test para as variáveis
 muscular de seis segundos, tempo de                                                          para se obter uma diferença estatística
                                                   episódios de perda urinária, ingestão
 repouso igual a duas vezes o tempo                                                           significante após a intervenção, opta-
                                                   líquida, quantidade de urina perdida
 de sustentação. Nas pacientes com                                                            mos por não realizar análise da inten-
                                                   (pad test) e volume médio. As análises
 hiperatividade detrusora, seguiam-se                                                         ção de tratar.
                                                   estatísticas foram feitas no programa
 10 minutos de aplicação de corrente
                                                   SPSS 12.0 e conduzidas no nível de            A média das idades das participan-
 de baixa freqüência (4Hz) para inibir
                                                   significância ∝= 0,005.                    tes foi de 70,10 ± 8,63 anos, variando
 a musculatura detrusora. O aparelho
                                                                                              entre 60 e 87 anos. Quanto ao nível
 é específico para tratamento de incon-
                                                                                              de escolaridade, 46,9% tinham o 2º
 tinência urinária e as freqüências utili-
 zadas foram baseadas na literatura8.
                                                                       RESULTADOS             grau completo (n=15), 40,6% o 1º grau
                                                                                              completo (n=13) e 12,4% o 3º grau
    A periodicidade das sessões, tanto                       Características da amostra       completo (n= 2).
 de cinesioterapia quanto de eletroesti-
                                                                                                 A Tabela 1 mostra a estatística
 mulação vaginal, foi de duas vezes                   Das 37 pacientes avaliadas no Setor
                                                                                              descritiva dos dados relativos à perda
 semanais, totalizando 12 sessões,                 de Fisioterapia do Hospital Mater Dei
                                                                                              de urina medida pelo pad test antes e
 realizadas durante um período de um               no período estipulado, 30 foram in-
                                                                                              após a intervenção fisioterapêutica; a
 mês e meio. Terminado o protocolo,                cluídas no estudo por terem incon-
                                                                                              percentagem de mulheres com perda
 as pacientes foram reavaliadas pelos              tinência urinária por hiperatividade
                                                                                              urinária que tiveram pad test negativo
 mesmos procedimentos da avaliação
                                                                                              (=4g) passou de 6,7% (n=2) para
                                                                                              30,0% (n=9) após a intervenção.
     Tabela 1 Estatística descritiva e distribuição dos resultados para o pad test
               inicial e final (n=30)                                                            O teste não-paramétrico de Wilcoxon
     Pad test (g)         Média±DP           Mediana         > 4 g*         =4 g*             para amostras pareadas indicou dife-
                                             Min/Max          n (%)         n (%)             rença significativa entre as medidas
     Inicial             39,17±41,33          23,00        28 (93,3) 21 (70,0)                inicial e final do pad test (Z= -2,951;
                                                                                              p=0,003). Os resultados obtidos, como
                            2 / 151
                                                                                              ilustra o Gráfico 1, permitem afirmar
     Final               33,03±67,34           8,00         2 (6,7)        9 (30,0)
                                                                                              que as medidas dessa variável antes
                            0 / 270                                                           do tratamento são maiores do que as
     * Pontos de corte da Sociedade Internacional de Continência (ICS); DP = desvio padrão;   obtidas após o mesmo: a média inicial
     Min/Max= valores mínimos e máximos                                                       de 23 g passou para 8 g após o término
                                                                                              das 12 sessões de intervenção.
                          25                                                                     Não foi encontrada diferença entre
                                                                                              a ingestão líquida (z= -0,357; p=0,721)
                          20
                                                                                              e entre a média do volume de urina
              Média (g)




                          15                                                                  em 24h (z= -1,635; p=0,102) antes e
                                                                                              após o tratamento. Porém, a diferença
                          10
                                                                                              do número de episódios de perda
                          5                                                                   urinária antes e após o tratamento foi
                                                                                              significativa (z= -2,877; p=0,004). O
                          0                                                                   teste t para amostras pareadas de-
                               Pad test inicial
                               Pad       inicial     Pad test final
                                                      Pad test final                          monstrou também não haver diferença
                                                                                              significante entre o volume máximo
     Gráfico 1 Média das medidas do pad test antes e após a intervenção                       de urina antes e após o tratamento
               fisioterapêutica (n=30)




26   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Baracho et al.                                                                                 Impacto de fisioterapia em idosas com IU


  Tabela 2 Episódios de perda urinária e volume médio urinado, obtidos pelo             transvaginal pode ser efetiva para o
             diário miccional de 24 h no início e no final do tratamento (n=30)         tratamento da hiperatividade detrusora
  Item do diário miccional                        Média±DP              p               com ou sem IU de esforço, sendo mais
  Episódios de perda urinária (vezes/24h)                                               indicada que o cirúrgico para as
     Inicial                                      2,33±1,97                             pacientes com diagnóstico de hipera-
                                                                                        tividade detrusora. No presente estudo,
     Final                                        1,23±1,65           0,004
                                                                                        mesmo tendo sido associadas ele-
  Volume médio urinado (ml)
                                                                                        troestimulação vaginal e cinesioterapia
     Inicial                                    180,81±59,53                            para assoalho pélvico, percebemos a
     Final                                      200,85±83,31          0,000             eficácia dessa alternativa de tratamento
                                                                                        na redução dos sintomas de perda
(t= -1,454; p=0,157). Mas mudanças           venção, variando a percentagem de          urinária, o que reforça sua utilização.
significativas (t= -4,785; p=0,000)          melhora entre 40 e 80%. As medidas            Lose et al.20 demonstraram haver
ocorreram na comparação da fre-              utilizadas para demonstrar eficácia        90% de correlação do pad test de 24
qüência miccional em 24h antes e             também não seguem um padrão17,18.          horas com história de incontinência
após o tratamento (Tabela 2). A média                                                   urinária por esforço em 31 mulheres.
                                                Soroka et al.2 realizaram uma revisão
inicial do número de vezes que a                                                        Esse resultado foi melhor quando
                                             sistemática com estudos clínicos sobre
paciente urinou em 24h foi de                                                           comparado com estudos de outros
                                             tratamentos de incontinência em
10,96±3,35 e a final, de 9,00±2,44.                                                     autores. Tal correlação é um dado
                                             mulheres tendo como medida do des-
                                             fecho primário o pad test. O objetivo      importante, pois os resultados do nosso
                                                                                        estudo demonstram que o pad test se
                      DISCUSSÃO              foi verificar se os estudos seguiam ou
                                             não as recomendações da ICS. Con-          mostrou sensível, conseguindo de-
   Este estudo investigou o impacto,         cluíram que a variedade de pad tests       tectar a melhora dos sintomas após a
sobre a quantidade de urina perdida,         utilizados para quantificar o grau de      intervenção terapêutica.
da aplicação de um protocolo fisiote-        perdas urinárias dificultava a compa-         O pad test apresenta limitações que
rapêutico de 12 sessões, baseado em          ração dos estudos selecionados. Obser-     podem influenciar os resultados, como
exercícios terapêuticos para a muscula-      varam que testes de curta duração (pad     a existência de diversas marcas do
tura do assoalho pélvico e eletroesti-       test de uma hora), apesar da fácil apli-   absorvente e a diferença de peso entre
mulação vaginal de mulheres porta-           cação, rapidez dos resultados, facili-     eles em um mesmo pacote. No pre-
doras de IUM e IU por hiperatividade         dade para monitorar as pacientes e         sente estudo alguns critérios foram
detrusora idiopática. As medidas             risco menor de erros devido à evapo-       adotados para controlar essas falhas.
utilizadas foram o pad test e o diário       ração da urina acumulada, não forne-       As pacientes foram orientadas a utili-
miccional de 24 horas.                       cem evidências das perdas durante todo     zar, tanto no teste inicial quanto no
                                             o dia, o que pode ser verificado em        final, a mesma marca de absorvente
   Os resultados indicaram melhora
                                             testes mais longos, como o de 24 horas.    e os pesos dos mesmos foram confe-
significativa (p=0,003) no pad test de
24 horas, evidenciando o impacto                Apontaram também vantagens do           ridos em todo o pacote, sendo ex-
positivo do protocolo de tratamento          pad test como instrumento de medida        cluídos aqueles com pesos diferentes.
proposto sobre os sintomas de perda          por não ser invasivo, ter baixo custo e       Mesmo o pad test sendo sensível
urinária na população investigada. Os        ser de fácil realização. Entretanto, a     às mudanças clínicas após intervenção,
dados referentes aos episódios de perda      falta de padronização específica           algumas falhas ocorreram em nosso
urinária (p= 0,004) e freqüência miccional   quanto à freqüência da troca dos           estudo. A falta de padronização do
em 24 horas (p= 0,000) colhidos pelo         protetores, duração do teste inicial e     tempo do uso do absorvente pode ter
diário miccional também indicaram            final, volume urinado relevante,           influenciado os resultados, pois a
significativa redução.                       métodos estatísticos adequados para        evaporação de urina e perdas de
                                             analisar os resultados constitui um        líquido na roupa deveriam ter sido
    A heterogeneidade dos relatos na
                                             problema metodológico em sua               consideradas. Suspeita-se também de
literatura, com diversos tratamentos,
                                             realização.                                falhas pela falta de comprometimento
protocolos, medidas de eficácia e de
avaliação dificultam comparações               Brubaker et al. 19, em um estudo         das pacientes, incompreensão na
com nossos resultados. Há uma grande         experimental, aleatório e duplo-cego       execução do teste e até mesmo de
variabilidade quanto ao tempo de tra-        objetivaram determinar a eficácia          aumento da ingestão hídrica, por
tamento e número de sessões 4,14,16.         objetiva e subjetiva da eletroestimula-    mudanças climáticas ou distúrbios
Estudos encontrados apresentam desde         ção transvaginal para o tratamento de      emocionais.
protocolos de 10 sessões (um mês de          IU de esforço, de urgência e mista.           No presente estudo, 9 (30%) pacien-
fisioterapia) a seis meses de inter-         Concluíram que a eletroestimulação         tes obtiveram cura e 21 (70%) dimi-




                                                                                         FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)         27
nuíram ou mantiveram a quantidade              Payne22 demonstrou a efetividade da       de 100% em nível ambulatorial.
 de urina perdida, de acordo com o           terapia comportamental por meio de           Contudo, não foi possível quantificar
 ponto de corte de quatro gramas, o que      exercícios do assoalho pélvico, educa-       a adesão no nível domiciliar.
 se traduz em melhora dos sintomas           ção e mudanças de hábitos, defenden-
 clínicos.                                   do a implementação dessas medidas
    Quanto à análise semi-objetiva de        em programas de tratamento tanto de                            CONCLUSÃO
 sintomas feita pelo diário miccional,       IU por hiperatividade detrusora como
                                             de IUM.                                          A incontinência urinária é uma
 pôde-se perceber que houve melhora                                                       afecção de grande prevalência em
 significativa em algumas variáveis.            Segundo Wilson23, a cinesioterapia        mulheres idosas, para a qual existem
 Esses resultados são corroborados por       e a eletroestimulação vaginal pro-           variadas formas de tratamentos
 algumas pesquisas que consideram o          duzem uma melhora substancial ou             fisioterapêuticos, medicamentosos e
 diário miccional uma medida impor-          até mesmo cura nas mulheres com              cirúrgicos. O presente estudo confirma
 tante16,21. Al-Mulhim et al.5, utilizando   incontinência urinária de esforço,           os achados da literatura, no que se
 cinesioterapia, eletroestimulação e         hiperatividade detrusora e IUM,              refere ao benefício do tratamento
 treino da bexiga por meio do diário         corroborando alguns achados do
 miccional em mulheres idosas com                                                         conservador fisioterapêutico, baseado
                                             presente estudo.                             em cinesioterapia e eletroestimulação
 hiperatividade detrusora, observaram
 diferenças (p=0,0001) no aumento dos           Existem controvérsias na literatura       vaginal em mulheres com IU sobre a
 intervalos de micção, na diminuição         quanto ao tempo ideal para o tra-            perda urinária, tendo como medida de
 do volume residual e na freqüência          tamento conservador utilizando exer-         resultado da intervenção o pad test de
 miccional. Concluíram que a realiza-        cícios e eletroterapia para IU4,14,16. São   24 horas. Com o impacto positivo
 ção adequada de exercícios durante          porém considerados fatores importantes       obtido pelo tratamento, pode-se inferir
 oito semanas, combinados com eletro-        para o sucesso do tratamento a mo-           que a utilização de um tratamento
 estimulação vaginal, treino da bexiga       tivação da paciente para continuidade        fisioterapêutico em mulheres idosas é
 e restrições de líquidos, é modalidade      do programa em nível domiciliar.             um procedimento não invasivo,
 efetiva de tratamento para pacientes        Neste estudo a taxa de adesão ao             prático e de baixo custo e eficaz,
 idosas com hiperatividade detrusora.        tratamento por parte das pacientes foi       mesmo em um curto espaço de tempo.




28   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Baracho et al.                                                                                Impacto de fisioterapia em idosas com IU




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                                                                                        FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)         29
Evolução clínica da marcha em um indivíduo com lesão
                               medular incompleta: relato de caso
                           Clinical evolution of gait in a subject with incomplete
                                        spinal cord injury: case report
                                                 Wagner Monteiro1, Fernanda Fregni da Silva2, Ismael Fernando de Carvalho Fatarelli3


     1
         Fisioterapeuta do Laboratório           RESUMO: É apresentada a evolução clínica da marcha de um indivíduo com
         de Biodinâmica da Univap                história de lesão medular incompleta, de etiologia traumática em nível vertebral
         (Universidade do Vale do                C-5, após 10 sessões de reabilitação durante um período de 22 dias em esteira
         Paraíba, SP); Prof. MSc em
         Engenharia Biomédica da FAPI            rolante instrumentada. A evolução foi analisada quantificando-se a força
         (Faculdade de                           vertical resultante de reação do solo, produzida durante a marcha do indivíduo.
         Pindamonhangaba, SP)                    Na comparação entre os dados coletados dos membros inferiores antes e depois
     2
                                                 do tratamento, verificaram-se alterações positivas nos valores referentes às
         Fisioterapeuta; Profa. MSc do
         Curso de Fisioterapia da                variáveis segundo pico de força e centro de pressão, revelando que o tratamento
         Univap e da FAPI                        permitiu uma otimização na capacidade de projeção corporal em relação ao
                                                 próximo passo e melhora do equilíbrio, em virtude da diminuição da oscilação
     3
         Fisioterapeuta; Prof. Dr. do            corporal durante a marcha.
         Laboratório de Controle Motor
         da Unicamp (Universidade                DESCRITORES: Marcha/ Biomecânica; Reabilitação; Traumatismos da medula espinhal
         Estadual de Campinas, SP)

 ENDEREÇO PARA                                   ABSTRACT: This article reports the clinical evolution of gait in an individual
 CORRESPONDÊNCIA                                 with history of incomplete spinal cord injury, with traumatic etiology in
         Wagner Monteiro                         vertebral level C-5, after 10 sessions of rehabilitation along a period of 22
         R. Dr. Orlando Feirabend Filho          days in an instrumented treadmill. The gait evolution was analyzed
         51 apto. 73 Jardim Aquarius
                                                 quantifying the vertical resultant of ground reaction force produced during
         12246-190
         São José dos Campos SP                  the subject’s gait. When comparing data collected from the lower limbs
         e-mail: wagfisio@yahoo.com.br           before and after treatment, positive changes were noticed in the variables
                                                 second force peak and center of pressure. These results show that the
                                                 proposed treatment brought about an improvement in the capacity of corporal
                                                 projection in relation to the next step, as well as an improvement in balance,
 ACEITO PARA PUBLICAÇÃO                          due to reduction of corporal oscillation during gait.
         jul. 2005                               KEY WORDS: Gait/ Biomechanics; Rehabilitation; Spinal cord injuries




30                                 12(3)
     FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 30-6
Monteiro et al.                                                                             Evolução da marcha em lesão medular incompleta



                  INTRODUÇÃO                    as alterações funcionais, métodos de
                                                aferição precisos têm possibilitado a
                                                                                           pelo paciente, consistindo a reabilitação
                                                                                           em treinamento da marcha em esteira
   A marcha humana é uma tarefa que             análise dos aspectos quantitativos das     rolante instrumentada. Foram reali-
exige coordenação e sincronismo en-             variáveis cinemáticas e cinéticas du-      zadas 10 sessões de fisioterapia, duran-
tre as estruturas musculoesqueléticas           rante o movimento humano 16. No            te 22 dias. Nesse período, não foram
e neurossensoriais, para que os movi-           presente estudo, devido às alterações      instituídos protocolos convencionais
mentos sejam realizados de maneira              locomotoras geradas em razão de            de reabilitação de marcha, preconi-
harmoniosa e sinérgica1. Cavagna et al.2        lesão medular, foi quantificada a          zando-se apenas a reabilitação da
formularam que, durante cada passo              evolução da marcha em um indivíduo         marcha em solo móvel (esteira rolante
da marcha humana, o centro de massa             tetraparético, decorrente de uma lesão     instrumentada). O indivíduo foi orien-
corporal (CMC) é projetado sobre o              medular incompleta, submetido ao           tado a não realizar quaisquer exer-
membro de suporte, tal como um                  tratamento fisioterapêutico. A finali-     cícios domiciliares, a fim de controlar
“pêndulo invertido”. Durante a loco-            dade deste foi investigar as alterações    o protocolo de reabilitação proposto,
moção, os movimentos podem ser                  cinemáticas e cinéticas na marcha,         para que suas atividades em casa não
comparados mecanicamente aos de                 após um programa de reabilitação em        influenciassem os resultados do expe-
um pêndulo invertido 3, porém no                esteira rolante. A hipótese centrou-se     rimento. Em cada sessão, o indivíduo
aspecto neural existem mecanismos               na possível otimização das variáveis       deambulou por um período de apro-
de modulação bastante complexos,                cinemáticas e cinéticas, seja decor-       ximadamente 45 minutos em velo-
responsáveis pelo controle desses               rente da reabilitação da marcha estru-     cidade fisiológica predefinida.
movimentos1,4. A automatização da               turada no treinamento em esteira ro-
marcha ocorre por uma rede neural               lante, seja pela evolução temporal.                                    Instrumentos
denominada Gerador de Padrão Central
(GPC)5,6,7. Esse gerador é responsável                                                        Para a coleta dos dados referentes
por padrões motores rítmicos resultan-                       METODOLOGIA                   à marcha foi utilizada uma esteira
tes de processos excitatórios e inibi-                                                     rolante instrumentada do sistema
                                                    Foram investigados os parâmetros
tórios dos membros inferiores durante                                                      Gaitway™. Essa esteira tem duas pla-
                                                cinemáticos, temporais e cinéticos da
os movimentos3. Basicamente, há uma                                                        taformas de força com um sistema de
                                                marcha em um indivíduo com história
excitação da musculatura agonista e                                                        sensores piezoelétricos da marca
                                                de lesão medular incompleta por
uma inibição da antagonista em um                                                          Kistler Inc. O equipamento possibilita
                                                mecanismo de compressão vertebral
membro, o contrário ocorrendo simul-                                                       controlar a velocidade e a inclinação
                                                em C-5, classificado como ASIA D de
taneamente no contra-lateral8,9,10. Além                                                   da esteira durante a marcha, bem
                                                acordo com a American Spinal Injury
da participação do GPC, o ato loco-                                                        como registrar as variáveis relaciona-
                                                Association17. Também foram anali-
motor também conta com um refinado                                                         das à força vertical resultante de
                                                sados os deslocamentos ântero-poste-
processo de integração de informações                                                      reação do solo (FVRRS) em um com-
                                                riores e médio-laterais do centro de
sensoriais periféricas e supra-espinhais4,11.                                              putador interligado.
                                                pressão (CP). A primeira análise da
Portanto, se existe um controle bastante
                                                marcha foi realizada 150 dias após a
sofisticado para a realização da marcha,
certamente disfunções neurológicas
                                                história inicial do trauma medular. O              Procedimento experimental
                                                paciente seguiu um programa de inter-
provenientes de lesões na medula es-                                                          Para a realização do experimento,
                                                venção fisioterapêutica durante 10
pinhal podem desencadear importantes                                                       foi obtida a aprovação do Comitê de
                                                sessões, sendo uma reavaliação condu-
comprometimentos nas características                                                       Ética em Pesquisa da UNIVAP. Com o
                                                zida após essas sessões. Na análise
neuromecânicas da locomoção12.                                                             consentimento esclarecido do
                                                inicial, o indivíduo tinha marcha inde-
   De fato, em casos de lesões medu-            pendente. Entretanto, ao exame clíni-      paciente, foram realizadas as coletas
lares, isso ocorre principalmente pelo          co pôde-se detectar incoordenação e        de dados. O procedimento experi-
déficit da capacidade de modulação              déficit de equilíbrio. A avaliação         mental durante a coleta consistiu
da atividade muscular após a secção             fisioterapêutica foi conduzida no Setor    primeiramente de uma fase de adapta-
medular. Então, se a lesão medular po-          de Reabilitação Neurofuncional Adul-       ção do indivíduo durante a marcha na
de desencadear importantes compro-              to da Faculdade de Ciências da Saúde       esteira. O tempo de adaptação foi
metimentos à locomoção humana,                  da Universidade do Vale do Paraíba         estipulado em 10 minutos de cami-
estudos recentes demonstram respos-             (UNIVAP). No momento da avaliação          nhada na esteira antes da coleta18. Foi
tas efetivas ao treinamento em esteira          inicial, o indivíduo tinha 20 anos,        realizada uma coleta com cinco aqui-
rolante, com suporte de peso corporal,          altura de 1,80 m e peso de 679 N. De       sições de dados. A freqüência de
resultando na melhora dos padrões               modo geral, o protocolo de reabilitação    amostragem utilizada foi 1000 Hz,
locomotores, tanto em animais 13,14             visou o tratamento dos déficits de         sendo cada aquisição realizada
como em seres humanos15 com lesão               equilíbrio, coordenação e força muscular   durante 10 segundos. Os dados foram
medular incompleta. Para determinar             em membros inferiores, apresentados        coletados a uma velocidade de 1,1 m/s,



                                                                                            FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)         31
MIE
                                                                         MID                             240
                                               MARCHA a 1,1 m/s                                                          CINEMÁTICA
                               800             (padrão normal)




                                                                            Deslocamento anterior (cm)
                                           f        g
                                                                                                                                 MI
                                      90%
                                                                                                         120
                   FVRRS (N)




                               400                                                                                             MIE         a
                                     h
                                                                                                                         b
                                                    i

                                                                e                                                                MID
                                                c
                                     10%       b                                                          0
                                0                                                                          - 60                  0                - 60
                                                a                   d                                       Lateral          Linha média       Lateral
                                                    Tempo (s)                                                     Oscilação médio-lateral (cm)


 Figura 1 Representação do padrão normal das variáveis da marcha a 1,1 m/s
 1a Variáveis temporais: a. tempo da passada (duração entre contato inicial de um dos pés para o próximo contato inicial do
    calcanhar do mesmo pé); b. tempo do passo (contato inicial do calcanhar de um dos pés até o próximo contato inicial do
    calcanhar do pé oposto); c. tempo de contato (contato do pé até sua retirada da superfície); d. tempo de duplo apoio (duração
    do suporte corporal por ambos os pés); e. tempo de apoio simples (momento em que o corpo está apoiado em apenas um dos
    pés); Variáveis cinéticas são representadas pelas letras: f. primeiro pico de força (que representa o impacto do pé com o solo); g.
    segundo pico de força (que representa a propulsão do corpo para frente); h. taxa de aceitação de peso (taxa de variação da
    inclinação na primeira metade da curva de força em função do tempo; i. impulso (integral da curva de força em função do
    tempo).
 1b MIE = Membro Inferior Esquerdo; MID = Membro Inferior Direito. Variáveis cinemáticas: a. comprimento da passada (distância
    percorrida do contato inicial de um dos pés até o próximo contato inicial do calcanhar do mesmo pé); b. comprimento do passo
    (distância percorrida do contato inicial do calcanhar de um dos pés até o próximo contato inicial do calcanhar do pé oposto).


 que foi a velocidade média descrita
 como “fisiológica” para o paciente. O
                                                                           Padrões da FVRRS                                    de força). O terço central da curva,
                                                                                                                               em forma de um vale, corresponde ao
 cálculo da velocidade de coleta foi                                    e do Centro de Pressão                                 momento em que apenas um dos pés
 realizado pela equação Vm = ∆S/∆t,                                                                                            está em contato com o solo (apoio
 após o indivíduo ter caminhado em                         No que se refere à FVRRS – Força                                    simples), enquanto o membro contra-
 linha reta num espaço de 20 metros.                    Vertical Resultante de Reação do Solo                                  lateral se encontra em fase de balanço
 Esse procedimento repetiu-se por três                  –, foram analisadas as variáveis tem-                                  (“fase aérea”). Por fim, há um segundo
 vezes, sendo obtida a média aritmé-                    porais, cinemáticas e cinéticas como:                                  incremento da força, representando o
 tica dessas tentativas. Todas as etapas                tempo da passada, tempo do passo,                                      momento de propulsão do corpo para
 do procedimento experimental, como                     tempo de contato, tempo de duplo                                       frente (segundo pico de força).
 coletas, tratamentos e análises dos da-                apoio, tempo de apoio simples, ca-
 dos, foram realizados no Laboratório                   dência, comprimento da passada,                                           Os valores do centro de pressão (CP)
 de Biodinâmica da UNIVAP. O expe-                      comprimento do passo, primeiro pico                                    fornecem as informações advindas dos
 rimento consistiu em duas etapas. A                    de força, segundo pico de força, im-                                   deslocamentos pé-tornozelo influen-
 primeira, de uma análise da marcha,                    pulso e taxa de aceitação de peso                                      ciados pelos deslocamentos do centro
 onde o paciente foi avaliado e os dados                (Figuras 1a e 1b). Classicamente a                                     de massa corporal do sujeito. Estes são
 processados e interpretados (em abril                  curva da FVRRS apresenta um com-                                       representados pelos valores do des-
 de 2003). Foram investigadas as                        portamento peculiar durante a mar-                                     locamento do ponto de pressão central
 características temporais, cinemáticas                 cha, sendo composta por dois picos e                                   da FVRRS exercida sobre o pé durante
 e cinéticas da marcha do indivíduo.                    um vale entre os picos. Ao fragmentar                                  o apoio. Note-se na Figura 2a o padrão
 A segunda etapa consistiu em uma                       a curva da FVRRS em três partes,                                       normal do deslocamento bilateral do
 reavaliação, após 10 sessões de reabi-                 evidencia-se que o terço inicial é                                     centro de pressão: é possível identi-
 litação (em maio de 2003), com o                       representado por um aumento linear                                     ficar a simetria entre os lados esquerdo
 objetivo de quantificar as possíveis                   da força, momento este que repre-                                      (MIE) e direito (MID) no deslocamento
 modificações ao longo do período                       senta a força de impacto do pé do                                      do CP corporal. Num primeiro momen-
 investigado.                                           indivíduo com o solo (primeiro pico                                    to na fase do contato inicial, a parte



32   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Monteiro et al.                                                                                                                                                                     Evolução da marcha em lesão medular incompleta


lateral do pé está em contato com o
solo (CP deslocando-se medialmente).
                                                                                                          RESULTADOS                                                              teral significativo na variável após o
                                                                                                                                                                                  programa de reabilitação (MIE p=.0.00;
Nesse mesmo momento, também se                                                          Apesar dos déficits de equilíbrio e                                                       MID p=0.01). Esse aumento foi mais
evidencia o contato da parte posterior                                               coordenação apresentados pelo indi-                                                          acentuado nessa fase da marcha para
do pé (retro-pé) com o chão. À medida                                                víduo inicialmente, ele realizou as ta-                                                      o membro inferior esquerdo. Já as
que ocorre a propulsão do corpo para                                                 refas solicitadas durante o procedi-                                                         informações obtidas pela análise da
frente, há uma tendência de a região                                                 mento experimental em todas as eta-                                                          variável CP revelam que, após o
lateral do pé aumentar a pressão                                                     pas do processo de reabilitação. A                                                           período de reabilitação, houve uma
exercida no solo durante a fase que o                                                Figura 3 mostra as diferenças entre o                                                        diminuição da oscilação médio-lateral
médio-pé tem maior pressão com o                                                     comportamento da marcha, evi-                                                                (MIE p=0.00; MID p=0.01) e um
solo. No final da fase de apoio, o                                                   denciado entre as análises antes (16/
                                                                                                                                                                                  aumento do deslocamento ântero-
contato se concentra na região do                                                    04/2003) e depois (08/05/2003) em um
                                                                                                                                                                                  posterior (MIE p=0.04; MID p=0.00)
antepé, com a propulsão ocorrendo em                                                 indivíduo com lesão medular incom-
                                                                                                                                                                                  (Tabela 1 e Figura 2b).
nível medial concentrando-se no                                                      pleta. Nota-se que houve um aumento
primeiro metatarsiano.                                                               do segundo pico de força quando com-
                                                                                     parado ao primeiro. Na análise visual
                 Variáveis analisadas e                                              das diferenças entre as curvas da                                                                                           DISCUSSÃO
                                                                                     FVRRS do membro esquerdo em rela-                                                               Em animais, sabemos que os pa-
             procedimentos estatísticos                                              ção ao membro direito, foi possível                                                          drões motores característicos da loco-
                                                                                     detectar um desequilíbrio entre as                                                           moção presentes na marcha podem ser
    Com base nos valores da FVRRS e
                                                                                     forças resultantes de impacto e pro-
do CP, foi possível identificar e quan-                                                                                                                                           readquiridos mesmo após secção
                                                                                     pulsão. Os valores médios e de signifi-
tificar os possíveis déficits referentes                                                                                                                                          medular incompleta19. Apesar de o
                                                                                     cância estatística referentes à análise
à marcha do indivíduo. Para análise                                                                                                                                               sistema nervoso central (SNC) dos
                                                                                     da marcha, bem como a série tem-
estatística da evolução clínica do                                                                                                                                                gatos diferir, em muito, do SNC dos
                                                                                     poral, representando o comportamento
paciente, utilizou-se a análise compa-                                                                                                                                            humanos3, a melhora dos padrões loco-
                                                                                     da curva da FVRRS encontrada para
rativa pela distribuição T de Student                                                                                                                                             motores têm sido observada em indi-
                                                                                     esse indivíduo antes e depois da
(pareado). Foram comparadas as                                                                                                                                                    víduos com lesão medular completa e
                                                                                     reabilitação, podem ser observadas na
médias das cinco aquisições de dados                                                                                                                                              incompleta, após a realização de um
                                                                                     Tabela 1 e na Figura 3.
antes e depois do programa de reabi-                                                                                                                                              intenso treinamento em esteira rolante,
litação para o mesmo indivíduo. Os                                                     Em relação à análise quantitativa
                                                                                                                                                                                  utilizando suporte de peso corporal15, 20.
valores de significância foram estabe-                                               da variável segundo pico de força, foi
lecidos em p ≤ 0.05.                                                                 possível identificar um aumento bila-                                                            Wernig et al.21 analisaram 11 in-


                                                                                                        MIE
                                                                                                        MIE                                                                                    Coleta 16/04/2003
                                                                                                                                                                                               Coleta 16/04/2003
                                                                                                        MID
                                                                                                        MID                                                                                    Coleta 08/05/2003

                                                                          CENTRO DE PRESSÃO
                    Deslocamento ântero-posterior (cm)




                                                                                                                                                                    CENTRO DE PRESSÃO
                                                                                                               Deslocamento ântero-posterior (cm)




                                                         60                                               60
                                                                               (padrão normal)                                                                                 (lesado medular)
                                                         55                                               55
                                                                         MIE                  MID                                                                   MIE                        MID
                                                         50                                               50

                                                         45                                               45

                                                         40                                               40

                                                         35                                               35

                                                         30                                               30

                                                         25                                               25

                                                         20                                               20
                                                              -10        -5         0         5       10                                            - 15      -10         -5         0     5      10      15
                                                               Lateral          Linha média         Lateral                                         Lateral                    Linha média             Lateral
                                                                         Oscilação médio-lateral (cm)                                                         Oscilação médio-lateral (cm)



Figura 2 Representações do padrão normal (a) e do indivíduo estudado (b) da variável centro de pressão durante a
         marcha a 1,1 m/s
Em 2b Nota-se, na segunda coleta de dados (após o período de reabilitação), diminuição significativa da oscilação médio-lateral e
aumento do deslocamento ântero-posterior, que implicam, respectivamente, melhora no equilíbrio e aumento da propulsão durante a
marcha.




                                                                                                                                                                                    FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)         33
Tabela 1 Valores médios e de significância (Teste T de Student pareado) das                  divíduos com lesão medular incom-
          variáveis da FVRRS: análise comparativa para os dois membros, entre                 pleta crônica que deambulavam inde-
          os dados iniciais (16.04.2003) e após o período de reabilitação
                                                                                              pendentemente. Após a realização um
          (08.05.2003)
                                                                                              programa de reabilitação em esteira
  Variáveis analisadas *              Antes           Depois          Teste T
                                                                                              rolante, durante um período que variou
                                  E        D        E        D       E        D
                                                                                              de 3 a 20 semanas, esses indivíduos
  Primeiro pico de força        712,2 646,57 704,63 644,52 0,37              0,76
                                                                                              apresentaram melhora na velocidade
  Segundo pico de força         746,2 738,55 769,39 763,10 0,00* 0,01*                        do movimento e na resistência mus-
  Taxa de aceitação de peso 3623,5 3207,0 3591,6 3376,1 0,81                 0,23             cular. Esse aumento da resistência foi
  Impulso                      375,50 401,45 367,13 389,48 0,24              0,17             representado pela capacidade de
  Tempo de contato               0,74    0,78     0,71      0,75    0,14     0,15             manterem a deambulação por um
  Tempo de apoio simples         0,26    0,27     0,27      0,27    0,49     0,91             tempo maior, em relação ao início do
  Comprimento da passada 138,47 138,05 138,15 138,28 0,88                    0,92             tratamento. Os resultados desses au-
                                                                                              tores demonstram claramente uma
  Comprimento do passo          60,90 77,61      62,36     76,38 0,44        0,44
                                                                                              melhora no padrão locomotor dos
  Centro de pressão (M-L)        6,99    -7,26    4,48     -5,41 0,00* 0,01*
                                                                                              indivíduos analisados. As justificativas
  Centro de pressão (A-P)       44,85 42,88      47,59     46,13 0,04* 0,00*                  para esses achados baseiam-se no fato
                                                                                              de que o treino de marcha em solo
                                            Antes                    Depois         Teste T   móvel possibilita otimizar a melhora
     Tempo da passada                        1.22                  1.20              0.10     da modulação da atividade ele-
     Tempo do passo                          0.61                  0.59              0.15     tromiográfica (EMG) dos músculos das
     Tempo de duplo apoio                    0.50                  0.45              0.09     extremidades inferiores, promovendo
     Cadência                               102.79                102.54             0.86     a melhora dos padrões motores rítmicos
     Comprimento da passada                  1.38                  1.38              0.88     durante o ato locomotor6.
     Comprimento do passo                    0.60                  0.62              0.44        Neste estudo obtivemos melhoras
 * Variáveis temporais, cinemáticas e cinéticas expressas em s (segundos), m (metro) e N      significativas na força de projeção do
 (Newton), respectivamente. Variável cadência: representa o número de passos por              corpo para a frente durante a fase de
 minuto expresso pela equação: cadência = 120/tempo da passada em segundos.                   apoio, após 22 dias de reabilitação.
                                                                                              Os dados aqui apresentados referem-
                                                                                              se à melhora da força muscular e equi-
                                                                                              líbrio do indivíduo durante a marcha.
                                                                Coleta 16/04/2003
                                                                Coleta 16/04/2003             Após a instituição do programa de
                                                                Coleta 08/05/2003
                                                                Coleta 08/05/2003
                                                                                              reabilitação, houve uma diminuição
                                                MARCHA 1,1 m/s                                nos valores das oscilações médio-
                                 800                 p=0.00*          p=0.01*                 laterais e um aumento dos desloca-
                                                                                              mentos ântero-posteriores do centro de
                                                                                              pressão. Esses resultados suportam a
                                                                                              idéia da recuperação da estabilidade,
                                                                                              equilíbrio e coordenação durante a
                     FVRRS (N)




                                 400                                                          marcha no indivíduo analisado. Entre-
                                                                                              tanto, o fato de os deslocamentos
                                                                                              ântero-posteriores apresentarem um
                                            MIE             MID
                                                                                              incremento em seus valores está
                                                                                              fundamentado na lógica de que, para
                                                                                              haver um aumento da força de proje-
                                  0                                                           ção do corpo para frente, há necessi-
                                      0   0.5       1          1.5        2
                                                Tempo (s)                                     dade de que o indivíduo aumente os
                                                                                              deslocamentos corporais na mesma
                                                                                              direção (refletido no aumento do se-
 Figura 3 Série temporal referente à Força Vertical Resultante de Reação do                   gundo pico de força). É possível tam-
          Solo (FVRRS) no indivíduo com história de lesão medular incompleta:                 bém que ocorra uma melhora gene-
          comportamento da marcha a 1,1 m/s, antes (linha contínua) e depois                  ralizada dos mecanismos de sinergia
          (linha tracejada) do programa de reabilitação.                                      muscular. Essa sinergia pode estar




34   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Monteiro et al.                                                                        Evolução da marcha em lesão medular incompleta


refletida na otimização das diferenças     plasticidade neural. Estes podem ter       denação do indivíduo com história de
entre as variáveis cinéticas analisadas.   influência direta na melhora loco-         lesão medular parcial. Há de ressaltar
Apesar dessa sinergia muscular não ter     motora do indivíduo analisado7,22.         que a possibilidade da quantificação e
sido analisada pelos sinais elétricos                                                 análise dos déficits neuromotores apre-
musculares (eletromiografia), os dados                         CONCLUSÃO              sentados por esse indivíduo permitiu um
                                                                                      planejamento mais objetivo no que diz
referentes à FVRRS refletem a resul-
                                               O aumento do segundo pico de força,    respeito à conduta fisioterapêutica em-
tante das forças (externas e internas)
                                           entre as duas análises, indica, uma        pregada, no tratamento das desordens
atuantes sobre a plataforma. Essa resul-                                              da marcha. Com essa quantificação, o
                                           melhora no momento da projeção do
tante é altamente influenciada pela        corpo para frente durante a marcha. Essa   próximo passo será a aplicação desta
somatória das forças musculares solici-    melhora pode estar relacionada com a       proposta reabilitacional em uma
tadas durante o processo locomotor.        melhora da força da musculatura flexora    amostra representativa de indivíduos
Outro fator que deve ser considerado       plantar. Os dados do CP permitiram iden-   com lesão medular incompleta, visando
está relacionado aos mecanismos de         tificar melhora do equilíbrio e coor-      a validação deste protocolo.




                                                    REFERÊNCIAS

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                                                                   musculature in adult spinal cats during treadmill
6    Van de Crommert HWAA, Mulder T, Duysens J.                    walking. Brain Res. 1991;555(2):202-14.
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     central pattern generator and its relation to treadmill    14 Edgerton VR, De Guzman CP, Gregor RJ, Roy RR,
     training. Gait Posture. 1998;7:251-63.                        Hodgson JA, Lovely RG. Trainability of the spinal
                                                                   cord to generate stepping patterns in adult spinalized
7    Zernicke RF, Smith JL. Biomechanical insights into
                                                                   cats. In: Shimamura M, Grillner S, Edgerton VR,
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                                                                16 Brand RA, Crowninshield RD. Comment on criteria
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                                                                                       FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)         35
Referências (cont.)

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    versus spontaneous recovery after spinalization in       22 Dietz V, Colombo G, Jensen L. Locomotor activity in
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 Agradecimentos
      Agradecemos em especial ao Professor MSc. Charli Tortoza pelo suporte técnico; à Capes-Prosup e à Univap,
      pelo apoio para desenvolvimento da pesquisa.




36   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Fundamentos da Fisioterapia dermato-funcional: revisão de literatura
                           Grounds of aesthetic physical therapy: a review
                                              Giovana Barbosa Milani1; Silvia Maria Amado João2; Estela Adriana Farah3



 1
     Fisioterapeuta; Esp. em          RESUMO: A fisioterapia estética, recentemente renomeada como fisioterapia
     Fisioterapia Dermato-            dermato-funcional, está cada vez mais em evidência. Afim de melhor definir
     Funcional, mestranda em          essa área de atuação profissional, procedeu-se a uma revisão bibliográfica das
     Ciências da Reabilitação no
     FOFITO/FMUSP (Depto. de          patologias nas quais o fisioterapeuta pode atuar, como fibroedema gelóide
     Fisioterapia, Fonoaudiologia e   (celulite), estrias, linfedema, no pré e pós-operatório de cirurgia plástica,
     Terapia Ocupacional da           queimaduras, cicatrizes hipertróficas e quelóides, flacidez, obesidade e
     Faculdade de Medicina da         lipodistrofia localizada. Apresentam-se também os recursos que podem ser
     Universidade de São Paulo)       utilizados para tratamento e prevenção dessas patologias, sendo muitos deles
 2
     Fisioterapeuta; Profa Dra. do    já de uso rotineiro na fisioterapia. Sendo esse campo recente, ainda há muito
     Curso de Fisioterapia do         a ser explorado e novas pesquisas devem ser realizadas na busca de evidências
     FOFITO/FMUSP                     científicas para o melhor embasamento dos recursos e técnicas disponíveis ao
 3                                    fisioterapeuta, possibilitando assim a articulação desse área com as demais da
     Fisioterapeuta pela
     Universidade Estadual de         fisioterapia, como a ortopedia, respiratória, entre outras.
     Londrina                         DESCRITORES: Celulite; Estética; Estrias; Fisioterapia/dermato-funcional; Revisão

                                      ABSTRACT: Aesthetic physical therapy (which in Portuguese has been renamed
ENDEREÇO PARA                         “dermatho-functional”) has recently gotten more attention. In view of a
CORRESPONDÊNCIA
                                      better definition of the area, this paper reviews related literature to list
     Giovana B. Milani                pathologies that the physical therapist can treat – such as cellulitis, stretch
     R. Paracatu 494 apto. 61
     Pq. Imperial                     marks, obesity, lymphedema, burn care, hypertrophic scar and keloids,
     04302-021 São Paulo SP           flaccid skin and muscles, and local fat accumulation – as well as the
     e-mail: gio.milani@usp.br;       resources used for treating and preventing such pathologies, most of which
     2
       smaj@usp.br                    are common to the physical therapist practice. Since this is a new area,
                                      research is still to be done in order to better ground the use of resources and
                                      techniques by physiotherapists, thus allowing for further interaction of this
ACEITO PARA PUBLICAÇÃO                area to others, such as orthopedic or respiratory physical therapy.
     maio 2005                        KEY WORDS: Cellulitis; Physical therapy/aesthetic; Review; Stretch marks




                                                                                 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
                                                                           FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13 (1): 37-43   37
INTRODUÇÃO                                BASES                     variados e complementares, incluindo
                                                                                       completa orientação ao indivíduo
    A definição de fisioterapia dada                MORFOLÓGICAS E                     tratado, pois se o FEG for abrandado e
 pelo Coffito – Conselho Federal de
 Fisioterapia e Terapia Ocupacional1–,
                                                       PATOLÓGICAS                     os hábitos continuarem os mesmos
                                                                                       (alimentação inadequada, álcool,
 obtida no site oficial do órgão em            Nesse âmbito dermato-funcional, a       fumo, sedentarismo etc.), os resultados
 2004, diz: “Fisioterapia é uma ciência     fisioterapia pode atuar em diversas        serão transitórios3.
 que estuda, previne e trata os dis-        patologias3,5, descritas a seguir.            Para melhor resultado, a escolha do
 túrbios cinéticos funcionais intercor-                                                tratamento ideal é fundamental, po-
 rentes em órgãos e sistemas do corpo
 humano”.
                                                    Fibroedema gelóide (FEG)           dendo este variar desde cirurgia, cha-
                                                                                       mada de subcisão (subcision), pela
                                               Erroneamente conhecida como ce-         qual se tratam as depressões do relevo
    Apesar do campo de atuação do
                                            lulite, é uma das patologias mais          cutâneo por secção dos septos fibro-
 fisioterapeuta abranger ortopedia,
                                            comuns, caracterizada por edema no         sos 11,12, passando por mesoterapia,
 cardiologia, respiratória, pediatria e
                                            tecido conjuntivo, causado principal-      onde medicamentos são administrados
 estética, dentre outras2, esta última
                                            mente pelo acúmulo de proteoglicanas       via derme3,6,13, até a complementação
 área ainda é pouco reconhecida. Re-
                                            no meio extracelular, que levam con-       alimentar e a atividade física3,6,13,14.
 centemente a especialidade fisiote-
                                            sigo grande quantidade de água3,6,7,8,9.
 rapia estética teve a denominação                                                        Como o FEG está associado à estase
                                            Pode ocorrer também um aumento do
 substituída por fisioterapia dermato-                                                 linfática, a drenagem linfática é um
                                            tamanho e número de adipócitos, o
 funcional, em uma tentativa de am-                                                    dos recursos que podem ser utili-
                                            que causa uma compressão no sistema
 pliar a área, conferindo-lhe a conota-                                                zados3,6,8. Outra forma de massagem
                                            venoso e linfático, não afetando o
 ção de restauração de função, além                                                    também muito utilizada é aquela con-
                                            arterial9.
 da anteriormente sugerida, que era                                                    seguida pelo método Endermologie®,
 apenas de melhorar ou restaurar a             O aparecimento do FEG também            que utiliza um aparelho com roletes
 aparência 3. No Guide to physical          pode ser explicado devido à orga-          dirigidos mecanicamente, encontrados
 therapist practice, publicado pela         nização do tecido adiposo areolar em       no cabeçote, com uma pressão negativa
 Associação Norte-americana de Fisiote-     septos interlobulares fibrosos de tecido   causada por sucção e uma positiva obtida
 rapia (APTA) em 20014, essa área é refe-   conjuntivo10. Esses septos são finos,      pela aproximação dos roletes 8,14,15,16,17.
 rida como responsável pela manu-           com projeções perpendiculares nas          Esse tipo de massagem, também refe-
 tenção da integridade do sistema tegu-     mulheres, e grossos com projeções          rida na literatura por outros nomes,
 mentar como um todo, incluindo as          oblíquas nos homens 3,6,7,8,9. A dis-      além da melhora do fluxo sangüíneo
 alterações superficiais da pele. Para a    posição perpendicular dos septos nas       e linfático permite o aumento da oxi-
 APTA4, a responsabilidade do fisiote-      mulheres favorece a expansão desse         genação cutânea, melhora da nutrição
 rapeuta está não somente em manter         tecido para a superfície da derme,         celular, auxílio na eliminação de pro-
 e promover a ótima função física, mas      ficando assim mais evidentes3,6,7,8.       dutos do metabolismo, melhora do
 também o bem estar e a qualidade de                                                   tônus da pele, dentre outros8,16,18,19.
                                               Observa-se ainda rompimento das
 vida.                                      fibras elásticas e o aumento e proli-         A corrente galvânica pode ser utili-
    O objetivo deste artigo é apresentar    feração das fibras colágenas, o que        zada em sua forma pura, buscando a
 uma revisão de trabalhos sobre esse        gera crescente espessamento do teci-       nutrição do tecido afetado decorrente
 campo de atuação profissional, buscan-     do, até se tornar fibrótico3,6. Nesse      do aumento de circulação local; mas
 do melhor delimitação de conceitos e       estágio pode ocorrer comprometimen-        é com a iontoforese que essa corrente
 práticas. Para essa revisão foram pes-     to nervoso, podendo causar um quadro       tem maior aplicabilidade no tratamen-
 quisadas as bases eletrônicas de dados     álgico3.                                   to do FEG. A medicação introduzida
 Medline, Lilacs e Cochrane, com bus-                                                  busca promover a despolimerização da
                                               O FEG pode ser causado por fatores
 ca no período de 1983 a 2003. Dentre                                                  substância fundamental por enzimas
                                            predisponentes (hereditariedade, sexo,
 os estudos encontrados – mediante os                                                  combinadas ou não a outros fármacos3,13.
                                            desequilíbrio hormonal), determinantes
 descritores fisioterapia, estética,                                                   A hialuronidase é uma dessas enzimas,
                                            (estresse, fumo, sedentarismo, desequi-
 celulite, estrias, linfedema, obesidade,                                              responsável pela hidrólise do ácido
                                            líbrios glandulares e metabólicos,
 quelóide, queimaduras e seus corres-                                                  hialurônico, reduzindo sua viscosida-
                                            maus hábitos alimentares e disfunções
 pondentes em inglês – foram se-                                                       de, por isso tendo boa indicação para
                                            hepáticas) ou condicionantes (pertur-
 lecionados e consultados cerca de 60                                                  redução de edemas20.
                                            bações circulatórias)3. Tem pois causa
 documentos, além de três sites oficiais    multifatorial e, para que se consiga          O uso do ultra-som para FEG pode
 de fisioterapia 1,2,5, consultados em      bom resultado em seu tratamento, este      ser indicado tanto pelos seus efeitos
 2004.                                      deve ser feito com procedimentos           já conhecidos, como o aumento da




38   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Milani et al.                                                                                         Fisioterapia dermato-funcional


circulação, com conseqüente neovas-          Seu tratamento varia de acordo com       ou simplesmente o sexo, pois se acre-
cularização e relaxamento muscular,       a evolução. Aplicações de substâncias       dita que em mulheres ocorra maior
por seu efeito mecânico com a micro-      tópicas devem ser específicas para          depósito de gorduras35. Pode ser favo-
massagem, o rearranjo e extensibili-      cada fase; por exemplo, o uso de tre-       recida pelo sedentarismo, pela falta
dade das fibras colágenas e melhora       tinoína tópica é efetivo para a estria      de regularidade e controle na alimen-
das propriedades mecânicas do tecido,     rubra, mas não para a alba22,24,26,27.      tação3 e por ingestão de drogas como
como por seus efeitos de veiculação                                                   antidepressivos, corticosteróides, anti-
                                             Um método muito utilizado para o
de substâncias por fonoforese3. Pode                                                  concepcionais, bloqueadores ß-adre-
                                          tratamento da estria madura é a apli-
ser utilizado ultra-som terapêutico nas                                               nérgicos ou insulina, entre outros35.
                                          cação de corrente galvânica filtrada3.
freqüências de 1 ou 3 MHz; para trata-
                                          O estímulo desencadeia um processo             Está associada a inúmeras doenças
mento do FEG, a mais alta é mais indi-
                                          de reparação, por meio de uma               crônicas, como as cardiovasculares
cada por apresentar maior atenuação,
                                          inflamação aguda localizada, que visa       (hipertensão arterial, insuficiência car-
sendo portanto mais superficial.
                                          restabelecer de forma satisfatória a        díaca congestiva e doença vascular
Porém, devido à freqüência mais ele-
                                          integridade dos tecidos tratados3.          periférica), doenças articulares dege-
vada, a produção de calor nos tecidos
                                                                                      nerativas (gota, osteoartrite), esteatose
superficiais também é maior. Para a          Há também descrição do uso de luz
                                                                                      hepática, apnéia do sono, além de
fonoforese, substâncias que facilitam     intensa pulsada (IPL) para o tratamento
                                                                                      alterações posturais como aumento da
a penetração de outras substâncias        da estria alba23 e do Dye laser3,24-28.
                                                                                      lordose lombar e anteversão da pelve,
devem ser usadas, como por exemplo           A microdermabrasão, procedimento         entre outras16,34.
o carbopol, fitossomas ou lipossomas3.    com finalidade de destruição da
Como princípio ativo, a cafeína e a                                                      Há diversas formas de tratamento
                                          camada epidérmica e/ou dérmica
aminofilina são muito usadas por                                                      da obesidade. A tentativa inicial é em
                                          superficial3,29-31, podendo ser feito por
serem estimuladores beta-adrenérgicos                                                 geral a de promover o bem-estar do
                                          microcristais com vácuo 3,29,30,32 ou
e aumentarem a lipólise8,13,21.                                                       paciente e diminuir o risco de doenças
                                          dermabrasor com ponteiras impregna-
                                                                                      futuras34. O tratamento medicamen-
                                          das de diamantes31, tem o objetivo de
                              Estrias     estimular a regeneração da estria pela
                                                                                      toso é indicado para pacientes com
                                                                                      dificuldade em emagrecer, podendo
                                          instalação de um processo inflama-
   São regiões de atrofia de pele.                                                    consistir em drogas que afetam a
                                          tório, com conseqüente estímulo da
Possuem aspecto linear, com compri-                                                   absorção de gordura, redutoras de
                                          atividade fibroblástica3,29,31.
mento e largura variáveis. Podem ser                                                  apetite, adrenérgicas, entre outros34,35.
raras ou numerosas, com disposição
paralela umas às outras e perpen-                                     Obesidade          A atividade física e o controle ali-
                                                                                      mentar são os mais importantes recursos
dicularmente às linhas de clivagem da        É uma doença universal, consi-           para o tratamento da obesidade3,34,38-40.
pele 3 . Inicialmente têm aspecto         derada como própria da superalimen-         Porém, ambos devem ser controlados.
eritemato-violáceas, finas e podem ge-    tação. É definida como aumento              A maioria dos obesos não está
rar prurido. Com a evolução do qua-       generalizado da gordura corporal            preparada para suportar grandes
dro, adquirem o aspecto esbranqui-        resultante de um balanço energético         programas de exercícios físicos,
çado, quase nacarado, tornando-se         onde a ingestão supera o gasto3,33. Na      podendo desenvolver alterações em
mais largas 3,22-24.                      prática clínica, para a determinação        articulações39,40, ou mesmo apresentar
   Parte da dificuldade em determinar     do grau de obesidade, a Organização         riscos, no caso dos que têm alterações
sua etiologia deve-se ao fato de esta-    Mundial de Saúde (OMS) sugere o             coronarianas associadas40. O exercício
rem relacionadas a diferentes situações   cálculo do IMC (índice de massa             aeróbico é o mais indicado por pro-
clínicas23. Podem aparecer por um         corpórea), obtido pela divisão do peso      mover perda de peso e de massa
repentino estiramento da pele, com        do indivíduo (em kg) pelo quadrado          adiposa 34,39,40; e acredita-se que a
conseqüente ruptura ou perda de fibras    de sua altura (em m), onde índices          prática de atividade física também
elásticas, podendo decorrer de cres-      entre 25 e 29,9 indicam sobrepeso, de       estimule o controle alimentar38.
cimento rápido, aumento de peso ou        30 a 39,9 obesidade e, acima de 40,
gravidez3,22-25. Podem estar relaciona-   obesidade mórbida34.                                    Lipodistrofia (gordura)
das a alterações endocrinológicas,           A obesidade tem várias causas além
principalmente associadas a cor-          da alimentação exagerada. Pode se
                                                                                                                localizada
ticóides e ao estrógeno3,23,24. O exer-   dar por fatores genéticos, influenciada        É o acúmulo regional de tecido
cício vigoroso e algumas infecções        por baixo metabolismo basal, massa          adiposo. Sua localizaçào varia de
como febre tifóide e hanseníase           magra escassa35, por causas endógenas       acordo com o sexo: homens têm o
também são apontados como causa-          como tratamento de diabetes melito34,       predomínio de células adiposas na
dores de estrias3,22,23.                  alterações nos esteróides ovarianos36,37    região do abdome e mulheres apre-




                                                                                       FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)        39
sentam maior depósito em regiões            indicado para todas as técnicas cirúrgicas        Existem inúmeras dúvidas quanto
 femoroglúteas13. Na mulher, a loca-         e permite abordagem mais precoce3,47.          ao diagnóstico diferencial das duas
 lização pode ser influenciada por seu       A utilização de Endermologie® é                patologias, porém, segundo Wolwacz
 biótipo, classificada como ginóide,         indicada15,16,18,19.                           et al. 51, há diferenças histológicas
 acúmulo em metade inferior do corpo,                                                       comprovadas entre elas, que apontam
                                                Conseqüências tardias à cirurgia
 ou andróide, metade superior13. Ainda                                                      para duas patologias diferentes. Para
                                             também devem ser evitadas e trata-
 como parte de sua constituição, a mu-                                                      Guirro & Guirro3, uma cicatriz hiper-
                                             das, como prevenção de aderências
 lher ginóide pode apresentar variações                                                     trófica pode regredir espontaneamen-
 de acúmulo de tecido adiposo, poden-        cicatriciais, dor, flacidez e fraqueza
                                             muscular3. Para isso, recursos comuns          te e a hipertrofia ocorre dentro dos
 do ser classificada como calça de                                                          limites da lesão. Os quelóides não
 montaria, calça de soldado e garrafa        à fisioterapia podem ser utilizados
                                             como o ultra-som, crioterapia, laser,          apresentam essa melhora espontânea:
 de champanhe13.                                                                            a fibrose forma-se além dos limites da
                                             ou eletroterapia3. Exercícios ativos
    Para tratamento da gordura locali-       também são fundamentais no processo            lesão e os portadores têm sensação de
 zada, a Endermologie® é tida como           de recuperação3,47.                            prurido, ferroadas ou queimação3,52.
 um dos principais recursos com com-                                                           Fatores como infecção, tensão da
 provada efetividade para melhoria do           O completo sucesso da cirurgia
                                             plástica depende ainda da participa-           ferida, tração excessiva no momento
 contorno corporal, sem necessidade de
                                             ção do paciente, com a associação de           da incisão cirúrgica podem favorecer
 intervenção cirúrgica15,16,18,19. Durante
                                             dietas, atividade física e alterações          o aparecimento de quelóides52.
 a aplicação desse método, há uma
 pressão positiva dos roletes do cabe-       em seu modo de vida48.                            O tratamento desse tipo de cica-
 çote que, associada à pressão negativa                                                     trização é variado. Inicialmente era
 da sucção controlada do aparelho,                                            Flacidez      preconizada cirurgia para sua redução,
 causam dano às células adiposas, o                                                         porém esse método isolado é freqüen-
 que vai culminar em sua remodelação,           É decorrente de atrofia de tecido,          temente passível de recidiva51. Atual-
 ou seja, sua melhor distribuição no         ficando este com aspecto frouxo,               mente é indicado o uso da terapia de
 tecido16,17. A esse método podem ser        afetando em separado pele ou mús-              compressão (malha de tecido elástico
 associadas outras técnicas, como o          culos 3. Pode ser conseqüência do              aplicada diretamente na lesão por
 uso do ultra-som 41 ou a própria            envelhecimento fisiológico, onde há            grande período de tempo), uso de cor-
 lipoplastia17.                              perda gradativa de massa muscular              ticóides, lâminas de silicone (oclusão
                                             esquelética, substituída por tecido            e hidratação do estrato córneo), ci-
       No pré e pós-cirurgia plástica        adiposo, e atrofia do tecido adiposo           rurgia a laser e crioterapia (destruição
                                             subcutâneo, dentre outras alterações3,27,49.   das camadas celulares por anóxia
                estética e reparadora        O sedentarismo é apontado como                 devido à ação do frio nos vasos)51,52.
    É indicada a atuação fisioterapêutica    causa de flacidez muscular, assim
                                                                                               A microdermabrasão superficial é
 em diversas cirurgias com fins estéti-      como o emagrecimento em demasia,
                                                                                            um recurso indicado por sua simpli-
 cos. Dentre elas, destacam-se aquelas       podendo este último afetar também a
                                                                                            cidade e baixo risco31,32. A massagem,
 para rejuvenescimento facial (ritido-       pele3.
                                                                                            seja feita por técnicas manuais ou com
 plastia ou facelift) 42, correção do           O tratamento desse tipo de pato-            o auxílio de aparelhos, também tem
 contorno palpebral (blefaroplastia)43,      logia consiste em restabelecer a               sua aplicabilidade na terapêutica para
 correção de mama (mamaplastia), im-         tensão perdida, indicando-se tratamen-         melhoria das cicatrizes3,17, assim como
 plantes mamários, correção de abdome        tos que já fazem parte da rotina do            o ultra-som3,53 e a iontoforese20.
 (abdominoplastia)44 e a lipoaspiração,      fisioterapeuta, como eletroterapia e
 feita por várias técnicas45,46.             cinesioterapia 3. Para a flacidez de
    Na fase pré-operatória, é importante     pele, peelings químicos com ácido
                                                                                                                    Queimaduras
 o trabalho com a manutenção da mus-         glicólico50 e mesmo a cirurgia plástica22         As queimaduras podem ser elé-
 culatura que estará envolvida na ci-        são procedimentos recomendados.                tricas, químicas, causadas por contato
 rurgia, além de uma documentação                                                           direto com a chama, por escalda-
 prévia completa das condições gerais
 do paciente, musculares e de pele3.
                                                Cicatriz hipertrófica e quelóide            mento, por fricção ou exposição solar,
                                                                                            dentre outras54. Dentre as principais
    No pós-operatório o momento da              As cicatrizes hipertróficas e os            causas estão os acidentes domésticos,
 intervenção varia de acordo com a           quelóides caracterizam-se por síntese          seguidos de acidentes no trabalho,
 cirurgia e com o procedimento reali-        de colágeno com fibras que não se              tentativas de suicídio ou homicídio e,
 zado3. O tratamento para redução de         orientam ao longo das linhas de fenda,         por último, acidentes de trânsito e/ou
 edema feito por drenagem linfática é        mas sim em espiral3,51.                        de lazer54.




40   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Milani et al.                                                                                        Fisioterapia dermato-funcional


  Sua classificação varia de acordo       podendo ter seu foco na queimadura,        tumor em mama, pois pode haver
com a profundidade da lesão tecidual,     na terapia intensiva, na cicatriz e na     necessidade da retirada da cadeia
podendo ser divida em três graus 3,54:    recuperação funcional dos movimen-         axilar de nodos linfáticos, alterando a
                                          tos3,55,57. É fundamental uma terapêuti-   circulação normal da linfa3,61.
1º grau: somente a epiderme é atin-
                                          ca específica para cada caso, variando
   gida. A região encontra-se hipe-                                                     Seu tratamento deve ser multidis-
                                          de acordo com o grau de comprometi-
   remiada e dolorida. A recuperação                                                 ciplinar 3. Além disso, os recursos
   total ocorre em poucos dias.           mento da pele e lesões associadas,
                                                                                     utilizados deverão ser associados na
                                          podendo haver a necessidade de
2º grau: comprometimento parcial da                                                  busca do melhor resultado3,60-2.
                                          inclusão de exercícios respiratórios, de
   derme. Há presença de bolhas ou        alongamento e de força muscular3,57,58.       A perimetria do membro tratado
   flictemas (extravasamento plas-                                                   deve ser feita como uma rotina clínica,
   mático) e dor. Sua cicatrização           Para melhoria da qualidade da pele,
                                                                                     para a avaliação do resultado da
   varia de poucos dias a três semanas    a Endermologie® é um recurso
                                                                                     terapia aplicada3,60,61.
   e podem apresentar seqüelas            indicado, uma vez que este foi criado
                                          inicialmente na França para tratamen-         A terapia pode ser iniciada com a
   dependendo da profundidade da
   lesão, variando entre discromias,      to de queimados13,16,18,19. A aplicação    elevação do membro acometido, po-
   retrações e hipertrofia.               dessa técnica traz benefícios às pro-      dendo fazer parte a drenagem linfática
                                          priedades físicas da cicatriz (elastici-   manual (com o objetivo de melhorar
3º grau: Toda a derme é atingida          dade e maleabilidade) e aparência (cor     a absorção e transporte de líquidos), o
   podendo comprometer tecido             e textura)59, semelhante ao que acon-      enfaixamento compressivo (para
   adiposo, tendões, músculos e ossos.    tece com a aplicação da massagem tra-      evitar o refluxo da linfa), uso de bombas
   Como a epiderme costuma ser            dicional, com a vantagem de ser muito      pneumáticas – recurso também conhe-
   destruída no momento do acidente,      mais rápida e menos cansativa16,18,19.     cido como pressoterapia (drenagem
   com a derme exposta, a lesão é                                                    obtida pela utilização de sistema de
   esbranquiçada, endurecida e, em           Recursos como o ultra-som, TENS e
                                                                                     compressão seqüencial)–, cinesiote-
   geral, indolor. A cicatrização nes-    laser também podem ser utilizados
                                                                                     rapia (indicada desde o início do trata-
   ses casos só é possível com a en-      como alternativa na recuperação da ci-
                                                                                     mento, pois as contrações musculares
   xertia cutânea, uma vez que toda       catriz e melhora geral do paciente3,58.
                                                                                     irão exercer compressão no tecido,
   a pele foi destruída.                                                             favorecendo a drenagem linfática)3,60-62.
   Em todos os graus de queimaduras                                  Linfedema
há grande variedade de complica-
ções, como alterações eletrolíticas e
                                             Ocorre quando há acúmulo de
                                          líquidos e proteínas nos espaços
                                                                                                        CONCLUSÃO
metabólicas, derrame articular, calci-    intersticiais49. O linfedema pode ser          Por ser uma área de atuação muito
ficações de partes moles, neuropatia,     decorrente de alterações do próprio        recente, a pesquisa científica efetuada
infecção cutânea e pulmonar, insu-        sistema linfático, como por exemplo        por profissionais que aí atuam ainda é
ficiência cardíaca, respiratória, renal   o linfedema congênito, ou causado por      escassa. No entanto, este levanta-
e hepática, amputações, além de           retirada dos linfonodos (linfade-          mento bibliográfico permitiu observar
lesões pulmonares por ação direta do      nectomia), radioterapia, pós-infecções,    que há na literatura científica emba-
calor e inalação de diferentes gases      doenças neoplásicas, traumas exten-        samento para justificar a escolha dos
resultantes da combustão dos materiais    sos, dentre outros3. Nos dois casos, fa-   diversos recursos utilizados nas pato-
presentes no local, no caso de aci-       tores como infecção cutânea, viagens       logias englobadas por essa área da
dentes3,54.                               de longa distância e aplicação de          fisioterapia. Há necessidade de se am-
   O tratamento de pacientes queima-      compressão podem causar compli-            pliar o número de pesquisas científi-
dos é multidisciplinar3,55,56 e segue     cação do quadro60. É um quadro co-         cas, consolidando assim a fisioterapia
abordagens diferentes de acordo com       mumente encontrado em mulheres que         dermato-funcional como uma área re-
a fase em que se encontra o paciente,     sofreram mastectomia para retirada de      levante no contexto da saúde brasileira.




                                                                                      FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)        41
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                                                                                   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)       43
Reabilitação pulmonar: treinamento de membros superiores
                            em pacientes com DPOC; uma revisão
                   Pulmonary rehabilitation: upper-limb exercise training in patients
                                  with COPD; a literature review
                                                                                   Vanessa Girard Severo1, Viviane Viegas Rech2

     1
         Fisioterapeuta; pós-graduanda        RESUMO : A reabilitação pulmonar (RP) tem recebido grande atenção no
         em Fisioterapia na Ulbra             tratamento dos portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC),
         (Universidade Luterana do            visando a minimização dos sintomas, o aumento da tolerância física e a melhora
         Brasil, RS)
                                              da qualidade de vida. À medida que um maior número de programas vêm
     2
         Fisioterapeuta, educadora            sendo criados, surge a preocupação de padronizar e melhor estudar as técnicas
         física; Especialista em              e métodos dos protocolos utilizados. O objetivo deste trabalho foi revisar o
         Fisioterapia Pneumofuncional;        que a literatura determina em relação ao treinamento de membros superiores
         Profa. Ms da Ulbra
                                              em pacientes com DPOC. Em um programa de RP, o treinamento de membros
                                              superiores (MMSS) visa melhorar a performance ao exercício pela diminuição
 ENDEREÇO PARA                                da demanda ventilatória durante o trabalho de MMSS e pela melhora da
 CORRESPONDÊNCIA                              resistência ao exercício. Com base no levantamento bibliográfico, foram
         Vanessa Girard Severo                analisados artigos comparativos e de revisão. Inexiste consenso sobre o melhor
         R. Heitor Villa Lobos 995-E          modo de treinar os MMSS; entretanto, o método mais utilizado é o treinamento
         89806-155 Chapecó SC
         e-mail: girards@bol.com.br           sem apoio, pois oferece mais vantagens, por assemelhar-se a muitas atividades
                                              da vida diária. Permanece a necessidade de mais pesquisas para se estabelecerem
                                              melhores critérios de seleção dos pacientes que mais se beneficiarão com o
         Trabalho realizado por Vanessa       treinamento; e do empenho de fisioterapeutas, na equipe multidisciplinar, em
         Severo para conclusão da             avaliar diferentes programas de treinamento de MMSS, o que inclui explorar o
         Especialização em
         Fisioterapia: Reeducação das         efeito do tipo, da duração, da freqüência e da intensidade do programa.
         Funções Cardiorrespiratórias na      DESCRITORES : Doença pulmonar obstrutiva crônica; Extremidade superior/
         Ulbra                                              treinamento; Reabilitação; Revisão

                                              ABSTRACT: Pulmonary rehabilitation (PR) has received large attention in the
                                              treatment of patients with chronic obstructive pulmonary diseases (COPD),
                                              with the aim of minimizing symptoms, improving physical tolerance and
                                              increasing quality of life. As a huge number of programs are created, concern
                                              in standardizing them arises, as well as the need to better understanding
                                              the techniques and methods of protocols used. The aim of the present study
                                              is to sum up literature guidelines in upper-limb training in COPD patients.
                                              Following the bibliography survey, review and comparative articles on the
                                              subject were analyzed. In a PR program, the upper-limb training aims at
                                              increasing exercise performance, reducing ventilatory demand during upper-
                                              limb work and increasing endurance to the exercise. There is no common
                                              consensus on the best way to train upper-limbs. The most commonly used
                                              method is upper-limb training without support, as it offers more advantages
                                              for it resembles daily-life activities. The need to further research remains,
                                              in order to establish a better selection criteria of patients who may potentially
                                              benefit from the training, as well as to obtain physical therapists
                                              commitment, in a multidisciplinary staff, to assess diverse upper-limb training
                                              programs, including the assessment of effects onto the type, duration,
                                              frequency, and intensity of the program.
 ACEITO PARA PUBLICAÇÃO                       KEY WORDS: Pulmonary disease, chronic obstructive; Rehabilitation; Review; Upper
         jun. 2005                                        extremity/ training




44                           2006; 12(3)
     FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 44-52
Severo & Rech                                                                              Reabilitação pulmonar para DPOC: revisão



                INTRODUÇÃO                 orgânicos, são achados freqüentes em
                                           doenças inflamatórias crônicas como
                                                                                     essas alterações fisiopatológicas con-
                                                                                     tribuem para o aumento do espaço
   A Doença Pulmonar Obstrutiva            a DPOC. Essas alterações podem            morto anatômico e da capacidade
Crônica (DPOC) é um grande proble-         indicar pior prognóstico em função do     pulmonar total; a hiperinsuflação pul-
ma de saúde pública. Afeta cerca de        comprometimento da função muscular        monar e da parede torácica causam
sete milhões de brasileiros e chega a      periférica e diminuição da capacidade     rebaixamento das hemicúpulas
matar 30 mil pessoas por ano no país,      ao exercício2,3.                          diafragmáticas, o que contribui para
superando os óbitos por acidente de                                                  maior ineficiência respiratória e
                                              A intolerância ao exercício é uma
trânsito e por pneumonia; em 2001, o                                                 aumento do custo metabólico4. A dis-
                                           característica e uma manifestação
governo gastou R$ 100 milhões com                                                    função muscular esquelética é outro
                                           problemática da DPOC. Os pacientes
pacientes internados pela doença, o                                                  fator importante que pode contribuir
                                           com DPOC moderada a grave são
dobro dos gastos com internações por                                                 para a intolerância ao exercício. Esta
                                           comumente limitados em suas habili-
pneumonia1. Milhões de pessoas, ao                                                   é caracterizada pela redução na massa
                                           dades de realizar tarefas usuais, tais
redor do mundo, sofrem com essa                                                      e na força muscular, atrofia de fibras
                                           como atividades de trabalho, exercício
moléstia por anos e morrem prematu-                                                  musculares tipos I e IIa, redução na ca-
                                           recreacional e seus hobbies. Quando
ramente por suas complicações.                                                       pilarização das fibras e na capacidade
                                           submetidos a testes de laboratório, os
Atualmente a DPOC é a décima se-                                                     das enzimas oxidativas e redução na
                                           pacientes com DPOC tipicamente têm
gunda enfermidade mais prevalente                                                    resistência muscular. O metabolismo
                                           um maior consumo de oxigênio (VO2)
no mundo e a Organização Mundial                                                     muscular é prejudicado tanto no re-
                                           no repouso; isso pode ser explicado
de Saúde estima que no ano de 2020                                                   pouso quanto no exercício; além disso,
                                           pelo aumento do trabalho mecânico res-
será a quinta; e passará de sexta causa                                              fatores circulatórios, nutricionais e
de morte para a terceira no mesmo          piratório ou pela redução da eficiência
                                           muscular ventilatória, ou ambas,          psicológicos podem afetar a performan-
período2.                                                                            ce ao exercício. A dispnéia é a queixa
                                           quando comparados a pessoas saudá-
   A definição mais recente de DPOC,       veis de mesma idade4. Na presença         precoce universal e é a causa mais
endossada pela American Thoracic           de doença avançada, os pacientes ex-      comum de limitação ao exercício5.
Society, define DPOC como uma              perimentam maior dificuldade para             Embora a DPOC seja caracterizada
“doença caracterizada por limitação        realizar atividades de vida diária        por alterações estruturais irreversíveis
ao fluxo aéreo que não é totalmente        (AVDs), como o cuidado próprio e          na arquitetura pulmonar, a tolerância
reversível. A limitação ao fluxo aéreo     cuidados domésticos. A inatividade        ao exercício dos pacientes com DPOC
é usualmente progressiva e está            resultante leva a um descondiciona-       pode ser melhorada. Terapia medica-
associada com uma resposta inflama-        mento progressivo que aumenta mais        mentosa e estratégias respiratórias,
tória anormal dos pulmões a partículas     a sensação de esforço respiratório        como respiração com freno labial po-
ou gases nocivos”3.                        relacionado a alguma tarefa. Como,        dem melhorar as limitações ventila-
   O tabagismo é a principal causa de      com o tempo, a tolerância ao exercício    tórias. Oxigênio e intervenção nu-
DPOC, mas somente 15% dos fuman-           piora, os pacientes muitas vezes se       tricional podem melhorar a performan-
tes apresentam fenótipo da moléstia,       tornam mais isolados dos colegas,         ce ao exercício. Suporte psicológico
sugerindo que, somados à suscetibili-      amigos e familiares. Essa seqüência       e respirações lentas e profundas podem
dade individual, fatores adicionais        de eventos freqüentemente piora sua       reduzir a ansiedade e minimizar a hi-
estão envolvidos, como poluição am-        qualidade de vida. Concomitantemen-       perinsuflação pulmonar. E finalmente,
biental, exposição a químicos, fumaça      te, alguns indivíduos desenvolvem         o treinamento de exercício tem se
inalada, tabagismo passivo, infecções      depressão e ansiedade, podendo            mostrado altamente benéfico para os
virais e bacterianas, deficiência de α1-   afastar-se progressivamente de suas       pacientes com DPOC5.
antitripsina e outras moléstias            rotinas5.
                                                                                        O treinamento de exercício tem
associadas (pulmonares ou não)2.              O mecanismo fisiológico da into-       sido usado no tratamento dos pacientes
   O diagnóstico de DPOC parece ser        lerância ao exercício na DPOC envol-      com DPOC desde o início da década
mais comum em homens do que em             ve os seguintes achados: perda alveolar   de 19605. Atualmente, tem sido inse-
mulheres, mas estudos mais recentes        e do recolhimento elástico, que con-      rido no contexto de um amplo progra-
em países em desenvolvimento mos-          tribui para o aumento da compla-          ma de reabilitação pulmonar (RP). A
tram que a prevalência da doença é         cência pulmonar e para o prejuízo da      estratégia usada pela RP é integrar-se
semelhante, o que provavelmente            perfusão pulmonar. Tipicamente, essas     ao manejo clínico e à manutenção da
reflete padrões variáveis de tabagismo     alterações resultam de prolongada         estabilidade dos portadores de DPOC,
e ainda sugere que as mulheres sejam       inalação de fumaça de cigarro que         principalmente em pacientes que,
mais suscetíveis aos efeitos do taba-      irrita as vias aéreas, aumentando,        mesmo com tratamento otimizado, con-
gismo3. Perda de peso e de massa mus-      assim, a produção de muco e a resis-      tinuam sintomáticos e com diminuição
cular, bem como depleção de tecidos        tência das vias aéreas. Com o tempo,      de sua funcionalidade6,7.



                                                                                      FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)        45
Os objetivos da RP são: redução dos
 sintomas, redução da perda funcional
                                            treinamento de membros superiores,
                                            treinamento específico da musculatu-
                                                                                               EXERCÍCIOS PARA
 causada pela doença pulmonar e             ra respiratória, melhora da qualidade                  OS MEMBROS
 otimização das atividades físicas e
 sociais, traduzidas pela melhora da
                                            de vida e redução no número de dias
                                            de hospitalização; em relação à sobre-
                                                                                                   SUPERIORES:
 qualidade de vida. A RP incorpora um       vida, suporte psicossocial e edu-                    FUNDAMENTOS
 programa de treinamento físico,            cacional, encontraram o nível “C” de
 educação do paciente e seus familiares,    evidência6,10. O treinamento de mem-                      TEÓRICOS
 intervenção nutricional, psicossocial e    bros superiores tem por finalidade a          A maior parte do conhecimento
 contextual. A intervenção pela RP visa     melhora da performance ao exercício,       sobre condicionamento por exercícios
 atender os problemas e as necessida-       facilitando aos pacientes seu desem-       de reabilitação deriva-se de programas
 des individuais dos pacientes e é im-      penho nas AVDs, podendo ser realiza-       que enfatizam os exercícios para
 plementada por uma equipe multidis-        dos com apoio dos membros su-              membros inferiores (MMII), pois estes
 ciplinar de profissionais de saúde. Os     periores, onde o paciente faz o exer-      já têm evidência “A”, ou seja, são
 benefícios incluem melhora na qua-         cício em cadeia cinética fechada,          ensaios aleatorizados e controlados,
 lidade de vida, redução da ansiedade       usando o cicloergômetro de braço, ou       constituindo uma rica base de dados3.
 e depressão, melhoria na tolerância ao     exercício sem apoio, efetuado em
 exercício, redução da dispnéia e outros    cadeia cinética aberta, com os mem-           O desempenho em muitas tarefas
 sintomas associados e habilidade           bros superiores livres. O objetivo do      de vida diária requer não apenas as
 melhorada para realização de ativi-        presente trabalho é descrever o que a      mãos, mas também a ação coordenada
 dades de vida diária6,8,9.                 literatura determina em relação ao         de outros grupos musculares que con-
     Com base nesses conceitos, a           treinamento de membros superiores          trolam o tórax superior e o posiciona-
 Sociedade Torácica Americana (ATS),        em pacientes com DPOC, uma vez             mento dos braços. Alguns músculos do
 em 1999, adotou a seguinte definição:      que os estudos não parecem apresentar      tórax superior e da cintura escapular
 “reabilitação pulmonar é um programa       consenso acerca desse método.              servem a funções respiratórias e pos-
 multidisciplinar de assistência ao                                                    turais, têm pontos de fixação torácicos
 paciente portador de doença respiratória                                              e extratorácicos, como os trapézios su-
 crônica, moldado individualmente para                   METODOLOGIA                   perior e inferior, grande dorsal, serrátil
 otimizar seu rendimento físico, social                                                anterior, subclávio e peitorais maior e
                                               Este trabalho foi realizado como        menor. Nos pacientes com DPOC, à
 e sua autonomia”7. A RP busca auxiliar
                                            conclusão do Curso de Pós-Graduação        medida que ela se agrava, o diafragma
 o paciente, diminuindo as deficiências
                                            em Fisioterapia com ênfase em              perde sua capacidade de gerar força,
 e disfunções conseqüentes dos pro-
                                            Reeducação das Funções Cardiorres-         e os músculos da caixa torácica tor-
 cessos secundários da doença pulmo-
                                            piratórias, na Universidade Luterana       nam-se mais importantes na geração
 nar, como disfunções musculares pe-
 riféricas e respiratórias, anormalidades   do Brasil, campus de Canoas, RS.           de pressões inspiratórias11. Quando os
 nutricionais, deficiências cardíacas e                                                pacientes realizam exercícios de
                                               Os critérios para a seleção dos
 distúrbios esqueléticos, sensoriais e                                                 membros superiores (MMSS) sem
                                            artigos a serem revisados foram a
 psicossociais6.                                                                       apoio, alguns dos músculos da cintura
                                            publicação em revistas que constam
                                                                                       escapular diminuem sua participação
      Em 1997, o American College of        no index medicus, trazendo revisão
                                                                                       na ventilação e ocorre um aumento
 Chest Physicians (ACCP) e a American       sobre o tema específico ou contri-
                                                                                       na captação de O2 (VO2) e na pro-
 Association of Cardiovascular and          buição original, ou seja, conhecimento
                                                                                       dução de CO2 (VCO2)10,12. Assim, o
 Pulmonary Rehabilitation (AACVPR)          novo; no caso de livros, a especificida-
                                                                                       treinamento de MMSS é útil, pois tem
 apresentaram uma revisão sistemática       de sobre o tema. Foram revisadas as
                                                                                       o potencial de melhorar a performance
 baseada em evidências científicas (de      referências encontradas nas bases de
                                                                                       ao exercício de MMSS, pela di-
 níveis “A”, “B” e “C”) sobre os            dados Medline, Lilacs, Bireme e sites
                                                                                       minuição da demanda ventilatória
 componentes individuais e as rotinas       de revistas, usando as palavras-chave:
                                                                                       durante o trabalho de MMSS e por
 relevantes de um programa de RP. O         “COPD”, “pulmonary rehabilitation”,
                                                                                       melhorar a resistência dos mesmos10.
 estudo considerou a metodologia            “upper extremity training” e “DPOC”,
 empregada, a qualidade dos trabalhos       “reabilitação pulmonar”, “treinamento         Os estudos sobre exercícios de
 e a consistência dos resultados. Clas-     de membros superiores”. A pesquisa         MMSS têm nível de evidência “B”,
 sificou-os em grau de evidência “A”,       resultou em 177 artigos, livros e sites    sustentada por estudos observacionais
 treinamento de membros inferiores          da internet, dos quais foram seleciona-    ou controlados com menos resultados
 para melhorar a tolerância ao exer-        dos 26 artigos, 4 livros e 2 sites, nos    consistentes para suportarem uma
 cício e a utilização da RP para melho-     idiomas inglês e português, compreen-      recomendação, daí não haver um pa-
 rar a dispnéia; grau de evidência “B”,     dendo os anos de 1989 a 2003.              drão ideal de treinamento de MMSS12.




46   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Severo & Rech                                                                               Reabilitação pulmonar para DPOC: revisão


   Ries et al.13 realizaram um estudo      11 pacientes com OCVA, no repouso          aumentou significativamente a capa-
piloto para designar e avaliar dois pro-   e durante o exercício de membros           cidade ventilatória em todos os volun-
gramas de treinamento de membros           superiores sem suporte e com suporte,      tários, mas a magnitude dessa altera-
superiores, aplicáveis, simples e prá-     sendo estes limitados por sintomas. O      ção foi pequena; essa alteração foi
ticos, em 45 pacientes com DPOC,           ciclo de MMSS foi considerado exer-        atribuída à melhora da função dos
participando simultaneamente em um         cício de MMSS com suporte, onde o          músculos da cintura escapular, fazendo
amplo programa de reabilitação pul-        paciente estava sentado, usando um         com que agissem mais efetivamente
monar multidisciplinar. Os pacientes       ergômetro de MMSS sem carga,               como músculos acessórios da respi-
foram divididos em três grupos:            mantinha um nível constante de ciclos      ração. Como esse estudo foi realizado
treinamento de membros superiores          e mantinha os MMSS ao nível dos            em homens normais, os autores suge-
com resistência da gravidade (RG),         ombros. O exercício de MMSS sem            rem que tal aumento da capacidade
treinamento de membros superiores pela     suporte era realizado pelo levanta-        ventilatória assuma maior importância
facilitação neuromuscular propriocepti-    mento de pesos leves até uma distância     em pacientes com DPOC, nos quais o
va modificada (FNP) e nenhum exer-         vertical de 10 cm em uma tábua ajus-       músculo diafragma está mais aplaina-
cício de membros superiores. O grupo       tada ao nível do ombro, com o pacien-      do e ineficaz – por isso tais pacientes
que treinou com RG efetuou cinco           te na posição sentado. Durante cada        dependem mais dos músculos inspira-
exercícios de baixa resistência e alta     período do exercício foram registradas     tórios da caixa torácica. Isso pode
repetição, uma a duas vezes de dez         as pressões endoesofágica, gástrica e      explicar por que pacientes com obstru-
repetições cada, com peso na mão. O        transdiafragmática, além da fre-           ção crônica do fluxo aéreo apóiam seus
treinamento com FNP modificada             qüência cardíaca (Fc), freqüência res-     braços após a realização de exercício
incluiu quatro exercícios de baixa         piratória (Fr) e tempo de resistência.     de alta intensidade, pois essa manobra
freqüência com peso na mão, reali-         Gases expirados foram coletados para       permite que os músculos acessórios
zado três vezes de quatro a dez repe-      determinar a oferta de oxigênio (VO2)      aumentem sua contribuição para a
tições cada. Em ambos os grupos o          e a ventilação por minuto (VE). A resis-   ventilação6,15.
treinamento era diário e as sessões        tência ao exercício foi menor para o
                                                                                         Lake et al.16 realizaram um estudo
eram supervisionadas. Os pacientes         exercício de MMSS sem suporte, em-
                                                                                      controlado randomizado para avaliar
foram avaliados antes e após pelo          bora a Fc no pico de exercício, o VO2
                                                                                      o benefício do treinamento de MMSS,
menos seis semanas de treinamento          e a VE tenham sido menores para o exer-
                                                                                      sozinho ou em combinação com
ininterrupto. Como resultado, 28           cício sem suporte. Os valores médios
                                                                                      treinamento de MMII, em pacientes
pacientes completaram o estudo; com-       para alterações nas pressões gástrica
                                                                                      com OCVA severa. O estudo foi
parados ao grupo controle, tanto os        e pleural durante cada tipo de exer-
                                                                                      realizado ambulatorialmente, super-
pacientes que treinaram com RG e           cício foram significativamente maiores
                                                                                      visionado por um fisioterapeuta, onde
quanto os FNP demonstraram melhora         que no repouso. Esses dados mostraram
                                                                                      avaliaram 28 pacientes com obstrução
na performance do teste específico         que muitos pacientes com OCVA alte-
                                                                                      crônica severa de vias aéreas (VEF1
para o treinamento realizado (teste de     ram seu padrão quando realizam
                                                                                      32% do previsto). Os pacientes foram
performance de membros superiores,         exercício de MMSS sem suporte, por
                                                                                      divididos em grupos: oito pacientes do
nível máximo e resistência no ciclo        mudarem uma porção da sobrecarga
                                                                                      grupo controle, seis que treinaram
de membros superiores isocinético).        ventilatória dos músculos inspiratórios
                                                                                      MMSS, sete que treinaram MMII e sete
Nenhuma diferença significativa ocor-      da caixa torácica para o diafragma e
                                                                                      do grupo combinado. Cada sessão do
reu nos testes no ciclo isotônico de       para os músculos expiratórios.
                                                                                      grupo de MMSS foi composta de 10
membros superiores, na resistência dos
                                              Banzett et al. 6, sabendo que os        min de aquecimento, 20 min de treina-
músculos ventilatórios ou na simulação
                                           pacientes com DPOC severa freqüen-         mento em circuito de MMSS (cicloer-
das AVDs. A dispnéia e a fadiga di-
                                           temente se apóiam para a frente,           gômetro de MMSS com resistência,
minuíram significativamente em ambos
                                           suportando seus MMSS, resolveram           lançamento de bola, passar uma bolsa
os grupos. Os autores concluíram que
                                           testar se o suporte da cintura escapular   sobre a cabeça, jogo de argolas, man-
o treinamento específico de membros
                                           melhora a função da bomba ventila-         tendo MMSS acima da horizontal) e
superiores pode ser benéfico na
                                           tória. O estudo foi realizado em quatro    10 min de desaquecimento; cada
reabilitação de pacientes com DPOC.
                                           homens normais, pela medida da             exercício era realizado por 40 seg,
   Criner e Celli14 propuseram que o       ventilação máxima que poderiam             seguido de 20 seg de repouso, sendo
exercício de membros superiores sem        sustentar voluntariamente por 4 minu-      repetido três vezes em 3 min. O grupo
suporte altera o recrutamento muscular     tos (min), enquanto permaneciam sen-       de MMII realizou 10 min de aqueci-
ventilatório e precipita a dispnéia em     tados com seus cotovelos apoiados          mento, 20 min de treinamento de ca-
pacientes com severa obstrução crô-        firmemente na mesa e enquanto sen-         minhada e 10 min de desaquecimen-
nica de vias aéreas (OCVA). Para tes-      tados com seus cotovelos mantidos          to. O grupo que realizou a combinação
tar essa hipótese, os autores estudaram    acima da mesa. O apoio dos MMSS            dos treinamentos realizou 10 min de




                                                                                       FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)        47
aquecimento, 15 min de treinamento          MMSS para baixo e durante 2 min de        pacientes o tempo real de VO2 (tempo
 em circuito de MMSS, 15 min de ca-          elevação dos MMSS. Antes da RP, a         em que o paciente realizou o teste pré-
 minhada e 10 min de desaquecimen-           elevação dos MMSS levou a um              treinamento e pós-treinamento) foi
 to. Cada sessão tinha duração de uma        aumento significativo no VO2, VCO2,       medido durante o teste com bastão.
 hora, três vezes por semana, por oito       Fc e VE. Após a RP, a função pulmonar,    Somente aqueles que treinaram com
 semanas. A avaliação antes e após o         Pdimax, os parâmetros metabólicos e       exercício sem suporte mostraram
 treinamento incluiu função pulmonar,        ventilatórios com os MMSS para baixo      diminuição no tempo real de VO2. Os
 resistência muscular respiratória, teste    não alteraram; no entanto durante a       autores concluíram que o treinamento
 de exercício máximo na bicicleta, er-       elevação dos MMSS, o VO2, VCO2, e         de MMSS melhora a atividade dos
 gômetro de MMSS máximo e submá-             VE estavam significativamente meno-       MMSS com maior aumento na ativi-
 ximo, distância caminhada em 6 min          res que aqueles vistos antes da RP. Os    dade de MMSS sem suporte, vista na-
 e uma escala de bem-estar (Escala de        autores concluíram que um amplo pro-      queles que treinaram MMSS sem
 Bandura). Vinte e seis pacientes com-       grama de RP que inclua exercício de       suporte. Como o exercício de MMSS
 pletaram o programa. Houve uma              extremidades superiores leva a uma re-    é típico de AVDs, em pacientes com
 significativa melhora nos seguintes         dução na demanda ventilatória na          OCVA as alterações verificadas com
 parâmetros: distância caminhada em          elevação simples de MMSS. Esse tipo       o exercício de MMSS sem suporte
 6 min no grupo de MMII e no grupo           de programa pode permitir que pacien-     podem ter maior significância clínica.
 combinado; ergômetro de MMSS no             tes com OCVA realizem atividades sus-     O treinamento de MMSS deve ser
 grupo de MMSS e no grupo combinado;         tentadas de MMSS com menos dispnéia.      incorporado no programa de RP e um
 e a escala de bem-estar no grupo com-                                                 simples programa de exercícios de
                                                Martinez et al.18 compararam o exer-
 binado. Não houve nenhuma altera-                                                     MMSS usando o peso de um bastão
                                             cício de MMSS com suporte versus
 ção nos outros parâmetros. Os autores                                                 parece ser o formato ótimo, oferecen-
                                             sem suporte no treinamento de pacien-
 concluíram que o treinamento melhora                                                  do mais vantagens que os tradicionais
                                             tes com OCVA severa. O estudo
 a performance ao exercício em                                                         exercícios com suporte.
                                             randomizado foi realizado junto com
 pacientes com OCVA severa, que o
                                             um programa ambulatorial de reabi-           Para manter uma ventilação efetiva
 treinamento é específico para o grupo
                                             litação pulmonar de dez semanas,          durante a elevação de MMSS, os indi-
 muscular treinado, e que exercícios de
                                             onde todos os pacientes passaram por      víduos normais recrutam predominan-
 MMSS devem ser incluídos no progra-
                                             treinamento de MMII (bicicleta ergo-      temente o diafragma, enquanto pacien-
 ma de treinamento para esses pacientes.
                                             métrica e esteira), treinamento mus-      tes com DPOC usam mais os músculos
    Couser et al. 17 , sabendo que a         cular respiratório (usando treinador de   acessórios da inspiração e os expira-
 simples elevação dos MMSS resulta           pressão inspiratória-threshold), re-      tórios abdominais. Epstein et al. 19
 em aumento na demanda metabólica            treinamento respiratório, apoio psico-    estudaram 34 pacientes durante 2 min
 e ventilatória de pacientes com             lógico e educação. O treinamento de       de elevação dos MMSS, para testar se
 OCVA, e que essa demanda contribui          MMSS dividiu-se em exercício com          a elevação dos MMSS é útil para
 para a dispnéia, que é freqüentemente       suporte (cicloergômetro de MMSS; a        estudar a resposta ventilatória na
 relatada quando esses pacientes             carga de trabalho e a duração do exer-    DPOC e para definir os fatores que
 realizam atividades de vida diária          cício foram aumentadas semanalmen-        determinam essa resposta. Foram reali-
 envolvendo os MMSS, trabalharam             te como toleradas até 15 min) e exer-     zadas medidas fisiológicas, metabóli-
 com a hipótese de que um amplo              cício sem suporte (cinco exercícios       cas e análise da função muscular
 programa de RP que inclua treinamen-        realizados com um bastão de madeira:      respiratória. Os autores concluíram que
 to de MMSS diminuiria a demanda             flexão de ombro, flexão/extensão de       o padrão de recrutamento muscular res-
 ventilatória para elevação de MMSS.         ombro em conjunto com flexão/             piratório durante a elevação de MMSS
 As respostas metabólicas e ventila-         extensão de cotovelo, flexão/extensão     depende primariamente do padrão
 tórias para 2 min de elevação simples       de cotovelo, abdução/adução hori-         respiratório utilizado no repouso.
 de MMSS foram estudadas em 14               zontal de ombro, circundução de           Acima de 2 min, o grau de hiperinsu-
 pacientes com OCVA antes e após a           ombro; a duração de cada exercício        flação e a reserva de força do diafragma
 reabilitação pulmonar. A força mus-         foi aumentada em 1/2 min, aumentan-       aumentam o impacto na habilidade de
 cular respiratória foi avaliada pela        do até um tempo total de 3½ min).         recrutar o diafragma. Medidas do
 medida da pressão transdiafragmática        Trinta e cinco pacientes completaram      índice de respiração rápida e super-
 máxima (Pdimax). A oferta de oxigênio       o estudo. Ambos os grupos que treina-     ficial, representado pelo índice de res-
 (VO2), produção de dióxido de carbo-        ram MMSS mostraram melhora similar        piração (Fr/VC) durante elevação dos
 no (CO2), freqüência cardíaca (Fc),         no teste ergométrico de MMSS,             MMSS, podem ser um teste simples,
 ventilação minuto (VE), volume cor-         enquanto aqueles que treinaram exer-      prático e útil para avaliar a reserva
 rente (VC) e freqüência respiratória (Fr)   cício sem suporte mostraram maiores       funcional do diafragma em pacientes
 foram medidas no repouso e com os           ganhos no teste com bastão. Em 17         com DPOC moderada a severa.




48   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Severo & Rech                                                                            Reabilitação pulmonar para DPOC: revisão



                 FORMAS PARA              não necessitam de qualquer equipa-
                                          mento sofisticado para sua execução
                                                                                   realizada duas vezes por dois min
                                                                                   cada, com intervalo de repouso de um
                TREINAMENTO               e mostram semelhança com os movi-        min entre elas. Aos pacientes é solici-
                     DE MMSS              mentos realizados com os MMSS na
                                          execução das AVDs. Dentre os movi-
                                                                                   tado que realizem a expiração durante
                                                                                   o movimento, afim de que esses mús-
   As formas de treinamento de MMSS,      mentos que podem ser realizados,         culos sejam utilizados apenas para a
segundo Rodrigues6, podem ser divi-       encontram-se: elevação dos braços ao     atividade motora, diminuindo, assim,
didas em duas modalidades: com ou         nível do ombro com ou sem peso,          a dispnéia. O treinamento é realizado
sem apoio dos membros superiores.         exercícios com bastões, com faixas       três vezes por semana, com a duração
                                          elásticas, em diagonal (FNP). Não        de 30 min cada20,21.
                     Exercício com        existe consenso sobre qual a melhor
                                          forma de exercício, porém o mais
                                                                                      Segundo Celli12, o exercício para
                                                                                   MMSS incluído no programa de RP
                 os MMSS apoiados         usado parece ser o de elevação do bra-
                                                                                   consta de treinamento com suporte
                                          ço ao nível do ombro. Esta forma de
   Os exercícios com os MMSS apoiados                                              realizado por ergometria de braços por
                                          exercício consiste em elevação de
são realizados em cicloergômetro de                                                20 min em cada sessão, começando
                                          pesos com os braços estendidos até a
braço, que deve ser ajustado para que                                              com 60% da capacidade máxima de
                                          altura do ombro, usando um peso
o exercício seja feito com os braços                                               trabalho (como determinado por um
                                          inicial de 500 a 750 gramas; os movi-
movimentando-se ao nível do ombro,                                                 teste de esforço), aumentando a carga
                                          mentos são realizados por 2 min,
sendo que a intensidade dos movimen-                                               a cada cinco sessões, como tolerado,
                                          numa freqüência igual à da respiração,
tos deve ser baseada numa percenta-                                                monitorizando a freqüência cardíaca
                                          seguindo-se um período de 2 min de
gem da carga máxima de trabalho                                                    e a dispnéia e com uma duração de
                                          repouso. A duração de cada sessão
obtida em teste anterior. Segundo                                                  até 30 min. No treinamento de braços
                                          deve ser de 30 min, com incrementos
Celli6, a intensidade do exercício tem                                             sem suporte, os pacientes realizam
                                          de 250 gramas no peso a cada cinco
de ser de 60% do VO2 e o tempo de                                                  exercícios de elevar um halter de 750g
                                          sessões, ou de acordo com a tolerância
exercício deve ser no máximo 30 min                                                ao nível dos ombros por 2 min, uma
                                          do paciente. É necessária também a
por sessão. Por aqueles pacientes que                                              repetição para cada respiração, um
                                          monitorização de parâmetros6.
não conseguem completar o tempo, o                                                 período de repouso de 2 min, repetindo
exercício deve ser mantido até a                                                   a seqüência como tolerado por até 32
exaustão, e a duração do tempo deve                       PROTOCOLOS               min, monitorizando-se a dispnéia e a
                                                                                   freqüência cardíaca; o peso é aumen-
ser aumentada progressivamente nas
sessões seguintes. A carga deve ser                        UTILIZADOS              tado em (250g) a cada cinco sessões,
aumentada a cada três ou cinco                                                     como tolerado. O objetivo é comple-
                                              O Centro de Reabilitação Pulmonar
sessões, conforme a tolerância do indi-                                            tar 24 sessões.
                                          da Universidade Federal de São Paulo
víduo. Para pacientes com DPOC são        (UNIFESP), no Lar da Escola São             O programa de RP no Ambulatório
sugeridos estímulos pequenos, em          Francisco, oferece um serviço de RP      de Fisioterapia da Universidade Es-
torno de 5 a 10 watts. A freqüência       com duração de 12 semanas, onde o        tadual Paulista FCT/UNESP – campus
das sessões, na maioria dos estudos so-   treinamento de MMSS é realizado          de Presidente Prudente segue três
bre treinamento, é de três a cinco        através de halter, com carga corres-     protocolos de atividades, sendo des-
vezes por semana. O programa de           pondente a 50% do peso máximo            critas a seguir as atividades de mem-
treinamento deve ter no mínimo 12         alcançado no teste incremental para      bros superiores de cada um22.
sessões para que se obtenha resultado     MMSS. No treinamento são utilizados
satisfatório quanto ao aumento da
endurance. É necessário, durante o
                                          os padrões básicos de membros su-                                      Protocolo 1
                                          periores do Método Kabat, abordagem
treinamento, monitoração da Fc,           global de Facilitação Neuromuscular         Os exercícios de membros su-
pressão arterial, Fr, saturação da oxi-   Proprioceptiva (PNF), usando a pri-      periores são compostos por: diagonais
hemoglobina, sensação de dispnéia e       meira diagonal (flexão, abdução, rota-   de Kabat modificado 1; diagonais de
cansaço nos MMSS por meio da escala       ção externa e extensão, adução,          Kabat modificado 2; circundução (com
de Borg6.                                 rotação interna) e a segunda diagonal    os MMSS à frente do corpo); rotação
                                          (flexão, adução, rotação externa e ex-   interna e externa (ombro 900 de abdu-
      Exercício com os MMSS sem           tensão, abdução, rotação interna),       ção e cotovelo 900 de flexão); com
                                          pela funcionalidade e por solicitar a    duração de 15 min, sendo realizadas
                          apoio           ação de vários grupos musculares que     duas séries de dez repetições para cada
  Os exercícios de MMSS sem apoio         envolvam os MMSS, utilizados na          exercício (em pé), com um peso nas
são mais fáceis de serem realizados,      realização de AVDs. Cada diagonal é      mãos.



                                                                                    FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)        49
Protocolo 2    de hospitalizações. Lacasse et al.26,27
                                            publicaram uma metanálise com o
                                                                                       quatro AVDs (varrer o chão, apagar o
                                                                                       quadro-negro, levantar potes com
    Os exercícios de membros superiores     objetivo de avaliar o efeito da RP na      pesos, trocar lâmpadas) que requerem
 são compostos por: diagonais de Kabat      capacidade de exercício e na qualida-      os MMSS em diferentes posições, com
 modificado 1; diagonais de Kabat mo-       de de vida de pacientes com DPOC.          e sem suporte. Os autores concluíram
 dificado 2; conscientização da costal      Os achados dessa metanálise, segun-        que, quando realizavam essas quatro
 alta (MMSS unidos em cruz, junto ao        do os autores, apóiam amplamente a         atividades, os pacientes com DPOC
 corpo, abdução 900 e retorno); cruzar      RP como parte de programas de trata-       moderada-severa apresentavam um
 os braços anteriormente (com os            mento para esses pacientes. Os autores     alto consumo de oxigênio, justificando
 MMSS estendidos 900 anteriormente);        concluíram também que a RP melhora a       a fadiga relatada por eles durante
 com duração de 15 min, sendo realiza-      dispnéia e o autocontrole dos pacientes,   atividades simples que envolvem os
 das duas séries de dez repetições para     o que clinicamente é muito importante.     MMSS; e, ainda, apresentavam uma
 cada exercício (em pé), com um peso           Existe evidência de que o treina-       relação ventilação minuto/ventilação
 nas mãos.                                  mento com exercício é o componente         voluntária máxima (VE/VVM) alta que
                                            mais importante de um programa de          explica o aumento na percepção de
                             Protocolo 3    RP25. O treinamento pode ser divido        dispnéia, também relatada. Atividades
                                            em dois tipos: aeróbico (ou endurance)     de MMSS tendem a produzir dispnéia
    Os exercícios de membros superiores     e de força. O treinamento aeróbico         e incoordenação dos músculos respira-
 são compostos por: diagonais de Kabat      melhora a resistência para sustentar       tórios. Assim, o treinamento de extre-
 modificado 1; diagonais de Kabat mo-       uma dada tarefa de exercício. Em con-      midades superiores pode ser especial-
 dificado 2; conscientização da costal      traste, o de força envolve a performan-    mente vantajoso para esses pacientes28.
 alta (MMSS unidos em cruz, junto ao        ce de atividades com alta carga (como      Entretanto, não existem dados de estu-
 corpo, abdução 900 e retorno); exer-       levantamento de peso) por um curto         dos que sustentem a inclusão rotineira
 cícios metabólicos com as mãos (sem        período de tempo. Cada tipo de treina-     desses exercícios; mas sabe-se que
 peso); com duração de 15 min, sendo        mento pode ser realizado em inten-         podem ser úteis em pacientes com co-
 realizadas duas séries de dez repeti-      sidades diferentes, que são percen-        morbidades que restringem outras
 ções para cada exercício (em pé), com      tagens selecionadas da capacidade de       formas de exercício31.
 um peso nas mãos.                          trabalho máxima individual do                 Conforme observado nos tópicos
                                            paciente, para uma tarefa específica5.     anteriores, ainda não existe um con-
                        DISCUSSÃO              O treinamento físico em um progra-      senso sobre o melhor modo de treinar
                                            ma de RP engloba o treinamento de          os MMSS. A ausência de uma termi-
     A reabilitação pulmonar tem sido       membros inferiores, membros su-            nologia específica na descrição dos
 considerada uma importante forma de        periores e de músculos ventilatórios.      exercícios, no número de repetições,
 tratamento da DPOC, sendo recomen-         O treinamento de MMSS pode ser um          na quantidade de carga inicial e
 dada, por exemplo, pela Sociedade          objetivo importante, já que os mesmos      incremento durante os exercícios, no
 Americana de Tórax, para pacientes         são usados para muitas atividades da       número de atendimentos necessários
 com DPOC que se mantêm sintomáti-          vida diária, como pentear os cabelos,      para um incremento na carga, na
 cos apesar do tratamento medicamen-        escovar os dentes, levantar-se, banhar-    variabilidade dos exercícios aplicados
 toso adequado, sobretudo aqueles           se e vestir-se. Tem sido demonstrado       nos diferentes protocolos, entre outros,
 funcionalmente mais graves23. Entre-       que pacientes com DPOC toleram             dificultam a implementação dos pro-
 tanto, Berry et al.24 sugerem que todos    pouco o exercício de MMSS pelo fato        tocolos e uma melhor avaliação dos
 os pacientes com DPOC, independen-         de que seus músculos dos ombros e do       resultados. As duas formas básicas de
 te da severidade da doença, terão          tórax participam tanto da respiração       treinamento que têm recebido mais
 algum benefício com a participação         quanto do movimento dos membros            atenção são o treinamento com ci-
 em um programa de treinamento.             superiores28. Celli et al.29 estudaram a   cloergômetro de membros superiores,
 Segundo Celli25, a reabilitação oferece    resposta ventilatória e metabólica du-     onde o trabalho é realizado com o
 a melhor opção de tratamento para os       rante o exercício de MMSS sem supor-       suporte dos MMSS, e o treinamento
 pacientes com obstrução de vias aéreas     te em pacientes com DPOC e mostra-         pelo levantamento de pesos, sendo
 sintomáticos, tendo como resultado         ram que esse exercício leva a um dis-      neste o trabalho sem suporte10. Alguns
 uma melhora na função bioquímica e         sincronismo toracoabdominal e              centros utilizam o exercício em diago-
 fisiológica, efeitos benéficos na quali-   dispnéia. Em um estudo mais recente,       nais (FNP) associado ao uso de faixas
 dade de vida, diminuição na percepção      Velloso et al.30 avaliaram a demanda       elásticas, pesos ou bastões, outros
 de dispnéia e também uma redução           metabólica e ventilatória dos pacien-      usam aparelhos de remada ou esta-
 no uso de cuidados de saúde e na taxa      tes com DPOC, enquanto realizavam          ções de vários exercícios. A FNP mo-




50   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Severo & Rech                                                                              Reabilitação pulmonar para DPOC: revisão


dificada é uma técnica que recruta o
maior número de músculos da cintura
                                                               CONCLUSÃO                A resposta heterogênea à carga de
                                                                                     treinamento, em pacientes com DPOC,
escapular2,6. Em um estudo realizado          O treinamento de MMSS é impor-         sugere a necessidade de mais pesquisas
por Ries et al.13, onde os pacientes      tante em um programa de reabilitação       para melhor se estabelecerem critérios
treinavam com a resistência da gravi-     pulmonar para pacientes com DPOC,
                                                                                     de seleção dos pacientes que se bene-
dade ou com a FNP, os autores con-        embora a forma exata que traz me-
                                          lhores resultados ainda permaneça des-     ficiarão mais com o treinamento de
cluíram que ambos os treinamentos                                                    MMSS. Também existe a necessidade
                                          conhecida. Os resultados de trabalhos
levaram a melhora na performance do
                                          disponíveis indicam que os exercícios      de os fisioterapeutas, dentro da equipe
teste de treinamento específico. Pelo
                                          com levantamento de peso acima dos         multidisciplinar, avaliarem diferentes
que foi descrito, o treinamento mais      ombros são os que oferecem resultados      formas de programas de treinamento
usado é o exercício com os MMSS sem       mais satisfatórios.
apoio, que oferece mais vantagens,                                                   de MMSS; isso inclui explorar o efeito
                                              A execução das AVDs, após um pro-      do tipo, duração, freqüência e inten-
pois muitas atividades de vida diária,    grama de RP que inclua treinamento de
em pacientes com obstrução crônica                                                   sidade do programa nas variáveis dos
                                          MMSS, é realizada com menor esfor-
de vias aéreas, assemelham-se aos                                                    resultados e, por fim, para determinar
                                          ço, traduzindo melhora na autonomia
exercícios de MMSS sem suporte e,         social e física, no sentido de tornar o    o efeito do treinamento de exercício
por isso, seus efeitos benéficos podem    paciente mais independente, mais ativo     de MMSS intenso na função muscular
ter maior relevância clínica18.           fisicamente e, portanto, mais seguro.      respiratória em pacientes com DPOC.




                                                   REFERÊNCIAS


1    Jardim JR. Doença respiratória mata três por hora no       9   Pryor JA, Webber BA. Fisioterapia para problemas
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                                                                   exercise training in chronic obstructive pulmonary
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Referências (cont.)

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52   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho
                          em fisioterapeutas: revisão da literatura
                         Work-related musculoskeletal disorders in physical
                                  therapists: a literature review
                                            Rodrigo Luiz Carregaro1, Celita Salmaso Trelha2, Helen Jubiara Zulian Mastelari3


 1
     Fisioterapeuta; Mestrando em       RESUMO: Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) ou lesões
     Fisioterapia na Universidade       por esforço repetitivo (LER) são um conjunto de afecções de origem ocupacional
     Federal de São Carlos              que podem acometer fisioterapeutas. O objetivo deste estudo foi, com base
 2
     Fisioterapeuta; Doutoranda em      em revisão da literatura, verificar a freqüência, fatores de risco, áreas de atuação
     Ciências da Saúde na               e decorrências de lesões ocupacionais entre fisioterapeutas. Segundo se apurou,
     Universidade Estadual de           as áreas corporais com alta prevalência de lesões são coluna lombar, pescoço,
     Londrina (UEL)                     punhos e mãos. Os profissionais entre 20 e 25 anos de idade e com 5 anos ou
 3
     Fisioterapeuta especialista em     menos de formação são mais acometidos. Os principais fatores de risco são
     Recursos Terapêuticos e            transferência de pacientes, posturas estáticas e terapia manual. Profissionais
     Técnicas Posturais da UEL          atuantes em hospitais são mais acometidos pelas lesões. A maioria dos
                                        profissionais acometidos modifica a prática, desde a adoção de preocupação
                                        com a biomecânica corporal até os casos de abandono da profissão. Embora o
ENDEREÇO PARA                           fisioterapeuta seja conhecedor de lesões musculoesqueléticas, ressalta-se a
CORRESPONDÊNCIA                         falta de autocuidado e prevenção. A revisão aponta para a necessidade de
     Rodrigo Luiz Carregaro             mais pesquisas direcionadas a intervenções e medidas preventivas.
     R. Dr Lauro César P. Ribeiro 219
     Jd Analice                         DESCRITORES: Fisioterapia; Revisão; Riscos ocupacionais; Transtornos traumáticos
     15070-490                                       cumulativos/ LER-DORT
     São José do Rio Preto SP
     e-mail:                            ABSTRACT: Work-related musculoskeletal disorders (WMSDs) are a group of
     rodrigocarregaro@yahoo.com.br      occupational injuries that may affect physical therapists. The aim of this
                                        literature review was to verify the frequency, risk factors, specialty areas,
                                        workplaces and consequences of occupational disosrders among physical
                                        therapists. According to the texts reviewed, body parts most affected are
                                        low back, neck, wrist and hands. Professionals between 20 and 25 years
                                        old and with less than 5 years of practice are the most affected. Major risk
                                        factors are patient lifting, static postures and manual therapy. A great part
                                        of the affected professionals modify their practice, by increasing awareness
                                        of their own biomechanical changes or even by abandoning the profession.
                                        Althought physical therapists are familiar with musculoskeletal injuries,
                                        there is a lack of selfcare and prevention. The review points out to the need
                                        to more research aimed at intervention and preventive actions.
ACEITO PARA PUBLICAÇÃO                  KEY WORDS: Cumulative trauma disorders/ work-related musculoskeletal disorders;
     nov. 2005                                      Literature review; Occupational risk; Physical therapy




                                                                              FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 132006;53-9
                                                                                    FISIOTERAPIA E PESQUISA (1): 12(3)    53
INTRODUÇÃO                  do tronco, manutenção da posição
                                               ortostática por tempo prolongado e
                                                                                            profissionais de fisioterapia. Foram
                                                                                            excluídos estudos que abordavam a
    Os fisioterapeutas fazem parte do          posturas inadequadas8,12-14, fatores estes   influência de aparelhos de eletrofoto-
 conjunto responsável pela assistência         que podem ser responsáveis pela ori-         termoterapia, lesões de pele devido à
 à saúde de seres humanos, possuindo           gem de distúrbios musculares re-             prática de fisioterapia aquática e os
 especificidade de conhecimentos e             lacionados ao trabalho15-17.                 que avaliaram alterações psicológicas
 prática1 e reconhecimento por contri-                                                      tais como estresse e burnout. Não
                                                  As LER/DORT (Lesões por Esforço           houve restrição de idiomas.
 buírem para o bem-estar individual e
                                               Repetitivo e/ou Distúrbios Osteomus-
 coletivo2.                                                                                    A revisão de literatura foi realizada
                                               culares Relacionados ao Trabalho)
     A fisioterapia é uma profissão de bases   podem ser definidas como “uma sín-           a partir das bases de dados on-line
 científicas, com participação essencial       drome clínica caracterizada por dor          MEDLine (1966-2004), LILACS – Lite-
 no sistema de saúde3,4, podendo desen-        crônica, acompanhada ou não de               ratura Latino-Americana e do Caribe
 volver suas atividades em diversos            alterações objetivas, que se manifesta       em Ciências da Saúde (1982-2004) e
 locais3. De acordo com o Conselho             principalmente no pescoço, cintura           Web of Science (1945-2004), dos jornais
 Federal de Fisioterapia e Terapia             escapular e/ou membros superiores em         especializados Physical Therapy (1994-
 Ocupacional, as áreas de atuação são          decorrência do trabalho, podendo             2004), Physiotherapy (1990-2004),
 classificadas em: Fisioterapia Clínica        afetar tendões, músculos e nervos pe-        Australian Journal of Physiotherapy
 (hospitais, clínicas, ambulatórios,           riféricos”17. No contexto ocupacional,       (1982-2004), Archives of Physical
 consultórios e centros de reabilitação),      o Ministério da Saúde afirma que as          Medicine and Rehabilitation (1995-
 Saúde Coletiva (programas insti-              LER/DORT representam o principal             2004), Revista de Fisioterapia da
                                               grupo de agravos à saúde do tra-             Universidade de São Paulo (1996-2003)
 tucionais, ações básicas de saúde,
                                               balhador, podendo acometer todas as          e Revista Brasileira de Fisioterapia
 fisioterapia do trabalho e vigilância
                                                                                            (1996-2003), Biblioteca Cochrane e em
 sanitária), Educacional (docência,            faixas etárias e categorias profissionais
                                                                                            citações referenciais. Os seguintes
 extensão, pesquisa, supervisão, dire-         expostas aos fatores de risco17. Essas
                                                                                            descritores foram selecionados no
 ção e coordenação de cursos) entre            afecções são consideradas a segunda
                                                                                            banco de terminologia em saúde da
 outras, tais como indústrias de equipa-       causa de afastamento do trabalho, po-
                                                                                            Bireme DECS: fisioterapia, doenças
 mentos de uso fisioterapêutico e área         dendo gerar incapacidade e sofrimento18.
                                                                                            ocupacionais, prevalência, LER/
 desportiva5.
                                                   Durante a formação profissional, o       DORT, risco ocupacional, local de
    O profundo conhecimento sobre o            fisioterapeuta obtém conhecimentos           trabalho, saúde ocupacional, estudos
 movimento normal e funcionalidade4,6          de biomecânica e cinesiologia, além          de prevalência. Os descritores em in-
 demonstra ampla aplicação clínica na          de noções sobre técnicas adequadas           glês foram: physical therapy, occupational
 promoção da saúde, reabilitação e             a serem utilizadas durante o processo        diseases, prevalence, cumulative trauma
 manutenção da função, condiciona-             de reabilitação. Entretanto, estes co-       disorders, occupational risk, workplace,
 mento e qualidade de vida relaciona-          nhecimentos não conferem imunidade           occupational health, cross-sectional
 da ao movimento4. Os fisioterapeutas          às LER/DORT10.                               studies.
 são responsáveis também pela preven-             A revisão de literatura aqui apresen-
 ção de sintomas e progressão de altera-
 ções, limitações físicas e disfunções
                                               tada tem como objetivo verificar a                             RESULTADOS
                                               freqüência de LER/DORT em acadê-
 que podem ser o resultado de doenças,         micos e profissionais de fisioterapia,
 lesões e condições variadas4-6. Contra-       as áreas de atuação, os fatores de risco                        Seleção dos estudos
 ditoriamente, profissionais que são           e as conseqüências relativas à presen-
 habilitados a tratar pacientes com dife-                                                      Foram encontrados 24 artigos cientí-
                                               ça dos mesmos. Espera-se que os acha-        ficos, sendo 10 da MEDLine, 6 da Web
 rentes tipos de lesões e quadros clíni-       dos desta revisão sejam benéficos no
 cos, encontram-se também em situação                                                       of Science, 1 da LILACS, seis dos jornais
                                               sentido de conscientizar sobre os riscos     especializados e uma citação referencial.
 de risco durante o curso de suas vidas        da profissão.
 profissionais7.                                                                            Entretanto, três estudos constaram em
                                                                                            duas bases de dados, totalizando 21
     A fisioterapia pode ser considerada
 uma ocupação estressante em se tra-
                                                             METODOLOGIA                    artigos selecionados. Nenhum estudo
                                                                                            foi encontrado na Biblioteca Cochrane.
 tando da presença de fatores relaciona-          Foram selecionados artigos que            Em relação aos idiomas, 18 foram
 dos à dor lombar8, membros inferiores9,       avaliaram a freqüência de lesões mus-        escritos na língua inglesa, 1 em ita-
 mãos, punhos e polegar10-11. O trabalho       culoesqueléticas, os fatores de risco,       liano e 2 em português. Os estudos
 do fisioterapeuta demanda esforço             medidas de prevenção e de tratamento         foram realizados principalmente na
 físico e envolve atividades de levanta-       e os que avaliaram aspectos emocionais       Austrália, Estados Unidos e Inglaterra.
 mento, inclinação, flexão e rotação           devido às lesões em acadêmicos ou            A grande maioria caracteriza-se pelo




54   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Carregaro et al.                                                                                                                       DORT em fisioterapeutas: revisão


delineamento transversal e pelo uso                        apresentaram alto índice, dependendo                     estáticas por tempo prolongado8,10,22,24,
de questionários auto-aplicáveis. No                       dos locais de atuação e técnicas                         flexão e rotação do tronco com ou sem
Brasil foram encontrados dois estudos,                     executadas.                                              sobrecarga de peso associada12,14,22 e
ambos com delineamento transversal e                                                                                levantamento de peso e materiais8,20.
utilização de questionário. As principais                                              Fatores de risco             Outros fatores considerados desen-
características dos artigos incluídos                                                                               cadeadores de lesões podem ser
nesta revisão foram sintetizadas no                           Os três fatores de risco primários                    encontrados no Quadro 3.
Quadro 1.                                                  associados às LER/DORT são os
                                                           movimentos repetitivos, posturas                            O sexo feminino aparece como fator
                                                                                                                    de risco em dois estudos10,27, enquanto
           Freqüência de LER/DORT                          inadequadas e níveis altos de força10.
                                                           A maioria dos fisioterapeutas atribui                    o masculino é apontado em um
   No Quadro 2 estão listados os                           seus primeiros sintomas ao processo de                   estudo21; no entanto, os homens rela-
estudos e os índices de freqüência de                      trabalho8, que requer o desempenho                       taram maior utilização de técnicas de
LER/DORT. Em fisioterapeutas, fre-                         de inúmeras tarefas relacionadas aos                     mobilização do que as mulheres.
qüências compreendidas entre 14% a                         cuidados dos pacientes e clientes,                       Outros estudos11-12,14,23-25 não encontra-
95% variaram de acordo com as áreas                        incluindo atividades como agacha-                        ram diferenças significativas entre os
corporais acometidas. Dois estudos                         mento, treino de marcha, resistência                     sexos . Houve uma concordância geral
avaliaram acadêmicos de fisioterapia;                      manual, flexão e/ou rotação do tronco                    quanto ao período que os profissionais
apenas um avaliou a freqüência de                          e adoção de posturas muitas vezes                        vivenciaram a primeira experiência de
lombalgia19, estimando uma preva-                          inadequadas10,13,20.                                     dor devido às LER/DORT, compreendi-
lência anual de 63%.                                                                                                do entre os 20 e 30 anos de idade,
                                                              Dentre as atividades apontadas
                                                                                                                    sendo que a maioria encontrava-se nos
   A região da coluna lombar foi a                         como responsáveis pelo início dos
                                                                                                                    primeiros cinco a sete anos de atuação,
principal área corporal acometida nos                      sintomas, ressalta-se a transferência de
                                                                                                                    ou seja, recém-formados8,12,14,21-24.
profissionais avaliados, obtendo alto                      pacientes dependentes como sendo
índice de prevalência de dor8,10,12-14,19-25.              responsável por grande número de                             É possível destacar autores27-28 que
Outras regiões corporais, tais como a                      profissionais acometidos10,20-21. Outras                 analisaram o processo de trabalho do
coluna cervical21-22, mãos e punhos10,25-26                atividades com potencial lesivo foram                    fisioterapeuta por meio do método de
e membros inferiores 9,24 , também                         a terapia manual 10,21,24,26 , posturas                  avaliação postural OWAS – Ovako

Quadro 1 Principais características dos estudos incluídos na revisão
                                                                                                                                                             Delineament
Estudo                 País                   População estudada*                    Áreas corporais acometidas                  Instrumento **              o do estudo
Trelha 24             Brasil          170 Fts (80% M, 20% H, IM 30,5 anos)          Coluna lombar e dorsal, pescoço           Nordic Questionnaire           Transversal
Wanderley23           Brasil               128 Fts (84,4% M, 15,6%H)                Coluna lombar, cervical e dorsal             Quest. des. auts.           Transversal
Caragianis26        Austrália         110 terapeutas manuais (45 TO, 65 Fts)         Coluna cervical, ombros, polegares            Quest. des. auts.         Transversal
Cromie 21           Austrália            536 Fts (78% M, 22% H)             Coluna lombar e cervical, torácica alta, polegares Nordic Questionnaire          Transversal
Cromie 31           Austrália                  18 Fts (15 M, 3 H)               Coluna lombar e cervical, membros superiores            Entrevista           Transversal
Cromie 32           Austrália              6 Fts (todas mulheres)              Coluna lombar, cervical e membros superiores               Entrevista         Transversal
Nyland19            Austrália      250 estudantes de Fisioterapia (162 M, 88H, IM 20,35 anos)         Coluna lombar                Quest. des. auts.         Transversal
                                                                                                   Quest. des. auts., Beighton´s Scoring System para
Snodgrass11         Austrália             44 Fts (56,8% M, IM 38,5 anos)            Polegar                                                                  Transversal
                                                                                                     hipermobilidade articular, Dinamômetro
West22              Austrália         217 Fts (82% M, 18% H) IM 38,1 anos            Coluna lombar e cervical, mãos              Quest. des. auts.           Transversal
Mierzejewski14       Canadá         311 Fts (82,3% M, 17,7% H, IM 35,8 anos)         Coluna lombar      Quest. des. auts. e Disability Index Questionnaire   Transversal
Rugelj37            Eslovênia      113 Fts (95,5% M, 4,5% H, IM 39,5 anos) Coluna lombar e cervical, ombros, punhos e mãos Quest. des. auts.                 Transversal
Bork 10             EUA          928 FTs (52% M, 48%H, IM 43 anos)          Coluna lombar, cervical, dorsal, punhos e mãos      Nordic Questionnaire         Transversal
                                 623 (370 Fts, 72% M; 253 Assist. Fts., 83% M),               Fts: Lombar, punhos e mãos
Holder20            EUA                                                                                                           Quest. des. auts.          Transversal
                                                  IM 37 anos                        Ass Fts: Lombar, punhos, mãos e torácica alta
Molumphy12             EUA             335 fisioterapeutas (72% M, 28% H)                       Coluna lombar                    Quest. des. auts.           Transversal
Hignett28           Inglaterra                   Um fisioterapeuta                            Não-especificado                        OWAS                   Transversal
Jackson27           Inglaterra        64 estagiários Fisioter. (56 M, 8 H, IM 21,7 anos)          Não-especificado                    OWAS                   Transversal
Scholey8            Inglaterra      423 (212 Fts e 211 controle), 95% M, 5% H, IM 34,2 anos         Coluna lombar                Quest. des. auts.           Transversal
O’Hare 33          Reino Unido        23 Fts (22 M e 1 H), idades 26-65 anos                  Coluna vertebral                     Questionário              Transversal
Barbini9             Itália      20 Fts (IM 43,2 anos)   Coluna vertebral, membros superiores e inferiores   Versão reduzida do quest. ESTEV e VISAT         Transversal
Van Doorn13        Países Baixos             240 Fts (35% M, 65%H)                              Coluna lombar                                   Estudo retrospectivo
                                                                                                                                  Quest. baseado na
Salik 25             Turquia        120 Fts (92 M, 28 H, IM 30,4 anos)     Coluna lombar e cervical, punhos e mãos , ombros          literatura          Transversal

 * Fts = fisioterapeutas; M = Mulheres; H = Homens; IM = idade média; Ass.= assistentes
 ** Quest. des. auts. = Questionário desenvolvido pelos autores




                                                                                                                      FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)                  55
Working Posture Analysing System29,                  rências, envolvendo grande esforço                   trabalho19. Um em cada seis profis-
 que apresenta várias combinações                     físico10,12. Em ambientes não hospita-               sionais trocam de profissão em conse-
 posturais assumidas por fisioterapeutas              lares é predominante a alteração de                  qüência dos sintomas de LER/DORT21.
 em diferentes locais e tarefas. Outros               punhos ou mãos devido à realização
                                                                                                               Alguns trabalhos consultados nesta
 estudos 9 realizaram uma análise                     de técnicas manuais com maior
                                                                                                           revisão utilizaram métodos qualitati-
 ergonômica do turno de trabalho,                     freqüência10.
                                                                                                           vos como entrevistas30-32 para explorar
 registrando o tipo, número e duração                    Dentre os estudos que relacionaram                a maneira como os fisioterapeutas se
 das posturas assumidas, interrupção das              as áreas de atuação com os sintomas,                 sentem em relação às LER/DORT.
 atividades e os eventos críticos. Na                 foi encontrada elevada prevalência de                Cromie, Robertson e Best30 analisaram
 avaliação das posturas de trabalho de                LER/DORT em fisioterapeutas atuantes                 profissionais que haviam feito mudan-
 estagiários de fisioterapia28, pode-se               da área de neurologia, ortopedia,                    ças na carreira, desde a troca de uma
 notar que acadêmicos gastam boa par-                 reumatologia, cardio-pneumo, hidrote-                área de atuação até o abandono da
 te do tempo orientando seus pacientes                rapia e geriatria14,23-24. Tendo em vista            profissão. Os relatos indicaram que o
 em como manter uma boa postura em                    as principais posturas e técnicas res-               fisioterapeuta é um profissional com-
 inúmeras atividades. Contraditoria-                  ponsáveis pelo acometimento de                       promissado a ponto de tomar todas as
 mente, parece que na prática esses                   profissionais, observa-se que a prática              medidas necessárias para os cuidados
 fisioterapeutas não adotam as mesmas                 da área neurológica predispõe ao                     do paciente, mesmo que essa atitude
 orientações. Um conjunto de 26 postu-                surgimento de lesões e início de                     se sobreponha ao autocuidado do pro-
 ras potencialmente prejudiciais foram                sintomas devido ao maior índice de                   fissional; muitos acreditavam que
 encontradas; muitas técnicas obser-                  combinações de posturas incorretas e                 nunca seriam afetados pelos sintomas
 vadas envolvem posturas estáticas por                prejudiciais28.                                      de LER/DORT devido ao amplo conhe-
 tempo prolongado. Em se tratando da
                                                                                                           cimento da etiologia das lesões. A sa-
 transferência de pacientes, os acadê-
 micos não realizavam uma análise de
                                                         Conseqüências das LER/DORT                        tisfação no trabalho pode diminuir32,
                                                                                                           e muitos profissionais são obrigados a
 riscos, pois pouca atenção é dada à                     As medidas adotadas pelos tera-                   mudar suas perspectivas de trabalho
 postura correta ou alteração do ambiente             peutas acometidos por LER/DORT                       devido ao acometimento pelas DORT.
 antes da realização da transferência28.              foram tratamento médico e fisiote-                   Entretanto, o mesmo conhecimento da
                                                      rapêutico, modificação da técnica,                   etiologia das lesões foi levado em con-
                           Áreas de atuação           utilização de splints, mudança de área               sideração e adotado como estratégia
                                                      de atuação, licença médica e absen-                  preventiva, sendo utilizados recursos
    Levando-se em consideração os                     teísmo, diminuição do tempo de                       tais como a realização de alongamen-
 diferentes locais nos quais os fisiote-              contato com os pacientes, freqüentes                 tos, pausas durante o trabalho, melhora
 rapeutas têm condições de atuar,                     mudanças da postura durante o                        da biomecânica corporal, camas ajus-
 pode-se verificar que os indivíduos que              trabalho, redução do ritmo de trabalho               táveis, mudança de mobiliário e auxílio
 atuavam em hospitais referiram                       e, inclusive, o abandono da pro-                     de pessoal técnico10,20-21,24,26.
 elevado índice de sintomas 14,20,22 ,                fissão 10,12,22-23,26 . Na avaliação de
 devido ao fato de aí os pacientes serem              acadêmicos de fisioterapia, foi cons-                    Outro ponto importante e que
 dependentes e, portanto, os profis-                  tatado que boa parte desses profis-                  recebeu atenção em outro estudo qua-
 sionais realizarem mais freqüentemen-                sionais adquiriram lombalgia antes                   litativo31 foi a compreensão das ex-
 te levantamento de peso e transfe-                   mesmo da entrada no mercado de                       periências de um grupo de fisiote-

 Quadro 2 Freqüência de sintomas de LER/DORT em fisioterapeutas segundo os estudos consultados
     Estudo                                                               Freqüência de sintomas
     Trelha 24       Prevalência de 95% de dor na coluna lombar, 71,9% em membros superiores e 36,9% em membros inferiores.
     Wanderley 23    Prevalência de 75% de dor na coluna vertebral.
     Caragianis 26   Prevalência de 66,4% de dor em membros superiores.
     Cromie 21       Prevalência de 62,5% de dor na coluna lombar, 47% na região cervical e 41% na coluna vertebral.
     Nyland 19       Prevalência de dor na coluna lombar: durante a vida 69%, anual 63%, no último mês 44% e na última semana 28%.
     West 22         Prevalência de 35% de dor na coluna lombar, 25% em mãos e 24% na coluna cervical.
     Mierzejewski 14 Prevalência de 49,2% de dor na coluna lombar.
     Rugelj 37       Prevalência de dor na coluna lombar: durante a vida 73,7% e freqüentemente, 50,4%.
     Bork10          Prevalência de 45% de dor na coluna lombar, 29,6% em punhos e 28,7% na coluna dorsal.
     Holder 20       Prevalência de 62% de dor na coluna lombar, 23% em punhos e mãos (fisioterapeutas).
     Molumphy12      Incidência de 29% de dor na coluna lombar.
     Scholey 8       Prevalência anual de 38% de dor na coluna lombar.
     Barbini 9       Prevalência de 85% de dor na coluna, 60% em membros superiores e 55% em membros inferiores.
     Salik 25        Prevalência de 26% de dor na coluna lombar, 18% em punhos e mãos e 14% em ombros.




56    FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Carregaro et al.                                                                                                                  DORT em fisioterapeutas: revisão


rapeutas que optaram por fazer uma                       de LER/DORT em acadêmicos e pro-                        seus pacientes a prevenir e tratar a dor
queixa trabalhista de compensação. A                     fissionais de fisioterapia, assim como                  lombar, raramente os fisioterapeutas
visão dos problemas enfrentados por                      limitaram a comparação entre os                         realizam atividades preventivas8,12. A
fisioterapeutas enquadrados na con-                      achados dos estudos.                                    implementação de medidas voltadas
dição de pacientes, que sofrem com a                                                                             para o aprendizado dos riscos da
                                                             O alto índice de lombalgia encon-
burocracia do sistema de saúde, de-                                                                              lombalgia ocupacional em fisiote-
                                                         trada nos artigos é compatível com
monstrou as dificuldades e preconceitos                  estudos indicando que 60 a 80% de                       rapeutas faz-se necessária, no sentido
sofridos por esses profissionais, como                   todas as pessoas sofrerão lombalgia                     de que profissionais recém-formados
por exemplo serem acusados de                            alguma vez em suas vidas. Numerosas                     não adentrem o mercado de trabalho
simular as lesões no sentido de abusar                   pesquisas têm demonstrado que a                         apresentando limitações físicas e que
                                                         causa é multifatorial, e pode gerar                     implementem atividades preventivas
do sistema. O ponto positivo do aco-
                                                         limitação na atividade de indivíduos                    em seu processo de trabalho.
metimento pelas LER/DORT relatado
por fisioterapeutas foi o fato de compar-                abaixo de 45 anos, idade de maior
                                                                                                                    Hignett27 enfatiza o princípio ergo-
tilharem experiências e compreender a                    produtividade. Na área da saúde,
                                                                                                                 nômico de “adequação do trabalho ao
                                                         entre 40 a 50% dos profissionais têm
situação de seus próprios pacientes, o                                                                           trabalhador”, e não o contrário. Muitas
                                                         lombalgia8,12,14. A profissão da fisiote-
que contribuiu para um maior contato                                                                             vezes, porém, o trabalho com seres
                                                         rapia dificilmente é incluída em pes-
e a melhora no atendimento por eles                      quisas de grupos de trabalho direciona-                 humanos não permite a aplicação de
prestado31-32.                                           das à dor lombar 12, fato este que                      tal conceito, devido às diferenças
                                                         contradiz a capacidade e reconheci-                     antropométricas individuais dos
                                                                                                                 pacientes. De acordo com o autor, a
                            DISCUSSÃO                    mento desses profissionais no processo
                                                         de avaliação e reabilitação de pacien-                  crença difundida de que o paciente
   A diversidade de termos utilizados,                   tes com lombalgia, inclusive enfer-                     deva vir sempre em primeiro lugar é
assim como suas definições, para a                       meiros33. A lombalgia é um risco para                   um dos fatores responsáveis pela negli-
medida do desfecho (LER/DORT, lom-                       a saúde do fisioterapeuta, já que esse                  gência na adoção de posturas e técni-
balgia ocupacional, sintomas mus-                        profissional não se comporta diferen-                   cas a serem realizadas. Desse modo,
culoesqueléticos, dor, incapacidade fí-                  temente de seus pacientes. Apesar de                    há necessidade de reconhecer a
sica) foram limitações importantes que                   terem sido preparados para a demanda                    vulnerabilidade da profissão e a se-
impediram o estabelecimento de uma                       física, conhecerem os benefícios dos                    leção de técnicas mais adequadas
evolução temporal para a freqüência                      exercícios preventivos e ensinarem                      durante o trabalho de fisioterapeutas.

Quadro 3 Área, local de atuação dos fisioterapeutas estudados e fatores de risco segundo os estudos
 Estudo                   Área e local de atuação dos Fts                                                     Fatores de risco
                                                                                  Posturas inadequadas; mesma posição por tempo prolongado; carga horária
 Trelha 24         Clínica; Domiciliar, Hospitalar, Instituições de ensino
                                                                                  elevada; técnicas manuais
 Wanderley 23      Respiratória / Hidroterapia / Neurologia / Ortopedia; Hospital, prática privada                           Não-especificado
 Caragianis 26     Não-especificado                                       Mobilização; massagem; posturas desequilibradas no trabalho
 Cromie 21         Fisioterapia Desportiva / Pediatria; Prática privada   Mobilização e manipulação; técnicas manuais; repetitividade; transferências de paciente
 Cromie 31         Pediatria / Ortopedia / Neurologia; Hospital, Ambulatório, Prática privada                                Não especificado.
                                                                          Movimento inesperado do paciente; terapia manual; manuseio de pacientes; postura
 Cromie 32         Não-especificado
                                                                          estática por tempo prolongado.
 Nyland 19         Universidade local                                     Tratar pacientes por mais de 20h/semana; ficar sentado por tempo prolongado.
 Snodgrass11       Clínica privada                                        Terapia manual.
                                                                          Trabalhar na mesma posição por período prolongado; postura estática durante flexão
 West 22           Hospitalar
                                                                          e/ou rotação de tronco; tratar muitos pacientes no mesmo dia; repetitividade
                   Ortopedia / Geriatria / Neurologia; Hospital,
 Mierzejewski 14                                                          Levantar e carregar pesos; rotação de tronco; tempo prolongado em pé
                   Centro de Reabilitação, Prática privada
 Rugelj 37         Atenção primária; Hospitalar                           Manuseio de pacientes dependentes; idade do profissional
                                                                          Levantar, erguer ou transferir pacientes dependentes; tratar número excessivo de
 Bork10            Hospital, Ambulatório, Centro de Reabilitação
                                                                          pacientes; trabalhar na mesma posição por período prolongado; técnicas manuais
                                                                          Transferência de pacientes; resposta a movimentos repentinos dos pacientes; levantar
 Holder 20         Hospital, Ambulatório
                                                                          peso; terapia manual
 Molumphy12        Cuidados agudos; Prática privada, ambulatorial Levantamento com máxima força; flexão e rotação
 Hignett 28        Geriatria                                              Combinações de postura avaliadas pelo OWAS
 Jackson27         Pneumologia / Neurologia / Geriatria; Ambulatório              Combinações de posturas e sobrecarga avaliados pelo OWAS
 Scholey 8         Geriatria; Hospital, Ambulatório, Hospitais universitários     Levantamento freqüente; levantamento de peso; postura em pé prolongada
 Barbini 9         Hospital geriátrico                                    Esforço físico; ortostatismo por tempo prolongado; manutenção de posturas incômodas
 Van Doorn13       Não-especificado                                       Flexão e rotação de tronco; levantar pesos; posturas estáticas
                                                                          Transferência de pacientes; repetitividade; levantamento de peso; posturas estáticas
 Salik 25          Pediatria / Hidroterapia; Hospitalar
                                                                          por tempo prolongado.




                                                                                                                   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)              57
A maioria dos estudos utilizou
 questionários como instrumento para
                                            experiências35. Os estudos qualitativos
                                            apresentados nesta revisão con-
                                                                                                CONSIDERAÇÕES
 medir o desfecho. Em se tratando de        tribuíram justamente com a explora-                         FINAIS
 um questionário auto-aplicável, existe     ção de componentes pessoais e subje-
 a possibilidade de os indivíduos su-       tivos e a experiência de profissionais       Os índices de lesões devido ao pro-
 perestimarem os sintomas. Por outro        acometidos, proporcionando um en-         cesso de trabalho de fisioterapeutas
 lado, uma amostra de fisioterapeutas       tendimento da dimensão e severidade       demonstram que esta é uma profissão
 (conhecedores dos mecanismos de le-        das LER/DORT no âmbito pessoal.           exposta a fatores de risco, principal-
 são) tem maior credibilidade no relato        A maioria dos estudos apresenta        mente a transferência de pacientes
 dos sintomas 34. Entretanto, mesmo         uma seção metodológica clara, com         dependentes e a realização de terapia
 levando-se em conta os fatores             critérios bem estabelecidos, método de    manual. Não há consenso quanto à
 conhecimento e credibilidade, não se       seleção e tipo de amostragem utili-       diferença de prevalência entre os
 pode descartar a possibilidade de que      zado. Praticamente todos descrevem        sexos e a maioria dos profissionais vi-
 as respostas baseadas em evidências        o instrumento utilizado, facilitando      vencia os primeiros sintomas de dor
 pessoais subjetivas e suposições           assim o entendimento dos itens            entre os 20 e 30 anos de idade ou nos
 possam conter elementos que masca-         avaliados nas pesquisas e, junto com      primeiros cinco anos de atividade. A
 rem a verdadeira importância das le-       as definições operacionais, ou seja,      área de neurologia parece ser a mais
 sões ocupacionais na profissão da          definições de termos, procedimentos       acometida e as principais conse-
 fisioterapia. Ressalta-se, portanto, a     e técnicas utilizadas, a replicabili-     qüências para o profissional são mo-
 necessidade de pesquisas que utilizem      dade36 e a compreensão dos métodos        dificação da técnica utilizada,
 abordagens mais objetivas, com me-         aplicados foram favorecidos. Entre-       mudanças de postura durante o
 didas mais precisas do processo de tra-    tanto, poucos estudos mencionaram ou      trabalho e até mesmo o abandono da
 balho do profissional fisioterapeuta.      sequer determinaram os índices de         profissão. A revisão aponta para a ne-
    Ao contrário da pesquisa quanti-        confiabilidade e validade desses ins-     cessidade de se implementarem
 tativa, que busca testar hipóteses e       trumentos, fato que merece atenção        estratégias que conscientizem alunos
 identificar causas e efeitos, um dos       devido à importância de se obterem        e docentes sobre os riscos da profissão,
 objetivos da pesquisa qualitativa é        medidas consistentes que contribuam       de modo a prevenir limitações físicas
 descobrir e explorar como as pessoas       para a pesquisa do processo de traba-     decorrentes das LER/DORT em profis-
 vivenciam eventos particulares e os        lho e prevenção de riscos na profissão    sionais recém-formados e em plena
 significados que elas atribuem a essas     da fisioterapia.                          idade produtiva.



                                                     REFERÊNCIAS

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58   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Carregaro et al.                                                                                  DORT em fisioterapeutas: revisão




                                                   Referências (cont.)

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                                                                                     FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)        59
INSTRUÇÕES                PARA AUTORES
    A revista FISIOTERAPIA E PESQUISA, editada pelo Curso
 de Fisioterapia do Departamento de Fisioterapia,
                                                                   Autoria
 Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de               A ordem de indicação de autoria é decisão conjunta dos
 Medicina da Universidade de São Paulo, prioriza a publi-        co-autores. Sugere-se que o autor principal seja o primeiro
 cação de pesquisas originais, cujos resultados possam ser       incluído, sendo o eventual orientador ou coordenador o
 replicados, publicando também ensaios de revisões               último a ser listado. Os autores devem ter em mente que,
 sistemáticas ou críticas de literatura, relatos de casos e      segundo a norma adotada pelos periódicos em saúde
 cartas ao editor.                                               (Vancouver), na futura referência bibliográfica do artigo
                                                                 apenas os seis primeiros serão listados (seguindo-se a
    Os manuscritos apresentados à revista devem ser origi-
                                                                 indicação et al.).
 nais. Caso uma versão semelhante, em qualquer língua,
 já tenha sido publicada ou enviada a outro veículo, essa           O ICMJE (International Committee of Medical Journal
 informação deve constar da folha de rosto, para que o           Editors, Comitê Internacional dos Editores de Periódicos
 Conselho Editorial possa ponderar sobre a pertinência de        Médicos) recomenda distinguir entre autores e
 sua publicação.                                                 colaboradores. O crédito de autoria deve ser atribuído a
                                                                 quem preencher três requisitos: (1) ter dado contribuição
     Processo de julgamento                                      substantiva à concepção, desenho ou coleta de dados da
                                                                 pesquisa, ou à análise e interpretação dos dados; (2) ter
    Os manuscritos recebidos são examinados pelo Conse-          redigido ou procedido à revisão crítica do conteúdo
 lho Editorial, para consideração de sua adequação às            intelectual; e (3) ter dado sua aprovação final à versão a
 normas e à política editorial da revista. Aqueles que não       ser publicada. No caso de trabalho realizado por grupo ou
 estiverem de acordo com as normas abaixo serão devolvi-         em vários centros, devem ser indicados como autores os
 dos aos autores para revisão antes de serem submetidos à        indivíduos que assumem inteira responsabilidade pelo
 apreciação dos pares. Para o julgamento, são indicados          manuscrito (seguindo os três critérios acima), sendo os
 dois revisores de notório saber na temática abordada,           demais integrantes do grupo listados como colaboradores.
 garantindo-se o anonimato de autores e pareceristas. Uma        Em qualquer caso, deve ser fornecido o endereço para
 vez aceitos para publicação, os manuscritos poderão ser         correspondência apenas do autor principal. A carta que
 devolvidos aos autores para ajustes e serão publicados na       acompanha o envio dos manuscritos deve ser assinada por
 ordem cronológica de cadastramento do aceite na                 todos os autores, tal como acima definidos.
 secretaria da revista. Os trabalhos recusados ficam à
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 ponsabilidade dos autores. Textos relatando estudos que
                                                                 O texto completo, incluindo páginas de rosto e de refe-
 envolvem sujeitos humanos devem indicar o devido con-
                                                                 rências, deve conter cerca de 30 mil caracteres com
 sentimento livre e esclarecido dos participantes (Resolu-
                                                                 espaços, sendo o máximo aceitável de 40 mil caracteres
 ção 196/96 do Conselho Nacional de Saúde), bem como a
                                                                 com espaços.
 expressa aprovação pela Comissão de Ética da instituição
 responsável. Estudos envolvendo animais devem estar de            Página de rosto
 acordo com as diretrizes do Committee for Research and
                                                                    Deve conter: a) título do trabalho (preciso e conciso) e
 Ethical Issues of the International Association for the Study
                                                                 sua versão para o inglês; b) nome completo dos autores
 of Pain (Pain 1983;16:109-10).
                                                                 com indicação (apenas a principal) de profissão, titulação
    A menção a instrumentos, materiais ou substâncias de         acadêmica e inserção institucional; quando for o caso,
 propriedade privada deve ser acompanhada da indicação           nomes dos colaboradores; c) título condensado (máximo
 de seus fabricantes. A reprodução de imagens ou outros          de 50 caracteres); d) endereços para correspondência e
 elementos de autoria de terceiros, que já tiverem sido          eletrônico do autor principal; e) indicação de órgão
 publicados, deve vir acompanhada da indicação da                financiador de parte ou todo o projeto de estudo, se for o
 permissão pelos detentores dos direitos autorais; se não        caso; f) indicação de apresentação de versão do original
 acompanhados dessa indicação, tais elementos serão              em eventos científicos ou em outro meio; se for o caso,
 considerados originais do autor do manuscrito.                  deverá ser indicado também o orientador.




60   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Resumos                                                             Agradecimentos
   A segunda página deve conter os resumos do conteúdo              Quando pertinentes, dirigidos a pessoas ou instituições
em português e inglês. Recomenda-se seguir a norma                que contribuíram para a elaboração do trabalho, são
NBR-68, da ABNT (Associação Brasileira de Normas                  apresentados ao final das referências.
Técnicas) para redação e apresentação dos resumos:
quanto à extensão, com o máximo de 1.500 caracteres                   Envio dos originais
com espaços (cerca de 240 palavras), em um único
parágrafo; quanto ao conteúdo, seguindo a estrutura formal           Os textos devem ser encaminhados a Fisioterapia e
do texto, ou seja, indicando objetivo, procedimentos              Pesquisa na forma impressa em três vias, duas das quais
básicos, resultados mais importantes e principais                 “cegas” (sem indicação de autoria, instituição ou outra
conclusões; quanto à redação, buscar o máximo de precisão         informação que permita identificar autores), acompanha-
e concisão, evitando adjetivos e expressões como “o autor         dos de carta ao Editor, endereçados a
descreve”. O resumo e o abstract devem ser seguidos, res-              Fisioterapia e Pesquisa
pectivamente, da lista de até cinco descritores e key words            Editora chefe
(sugere-se a consulta aos DeCS – Descritores em Ciências               FOFITO / FMUSP
da Saúde do LILACS (http://decs.bvp.br) e ao MESH –
                                                                       Rua Cipotânea 51 Cidade Universitária
Medical Subject Headings do MEDLINE (http://
                                                                       05360-160 São Paulo SP.
www.nlm.nih.gov/mesh/meshhome.html).
  Tabelas, quadros, figuras, ilustrações                            A revista está se organizando para futuro recebimento
                                                                  dos manuscritos apenas por via eletrônica.
   Só serão apreciados manuscritos contendo no máximo
cinco desses elementos. Recomenda-se especial cuidado                 Apresentação eletrônica da versão final
em sua seleção e pertinência, bem como rigor e precisão
nos títulos. Todos devem ser fornecidos em folhas à parte,           Após a comunicação do aceite do artigo, o autor deverá
no final do texto, mantendo-se neste marcas indicando os          proceder aos eventuais ajustes sugeridos pelos pareceristas,
pontos de sua inserção ideal.                                     para o quê terá o prazo de cinco semanas (findo esse prazo,
                                                                  se a versão final não tiver sido enviada à revista, será
   As tabelas (títulos na parte superior) devem ser montadas      considerada desistência). A versão final será ainda editada,
no próprio processador de texto e numeradas (em arábicos)         ocasião em que o editor poderá solicitar novos ajustes e
na ordem de menção no texto; decimais são separados por           esclarecimentos – e, nesse caso, o prazo para os ajustes
vírgula; eventuais abreviações devem ser explicitadas por         será de apenas duas semanas.
extenso, em legenda.
                                                                      Solicita-se que, na preparação da versão final, o autor:
   Figuras, gráficos, fotografias e diagramas trazem os títulos   •       use fonte comum, simples; use itálico apenas para
na parte inferior, devendo ser igualmente numerados (em                   títulos de obras e palavras em língua estrangeira; o
arábicos) na ordem de inserção. Abreviações e outras                      negrito é reservado a títulos e intertítulos, claramente
informações vêm em legenda, abaixo do título.                             diferenciados;
  Remissões e referências bibliográficas                          •       não use a barra de espaço para recuos, mas a tecla
                                                                          “tab” ou outros recursos de formatação;
   Para as remissões no texto a obras de outros autores
                                                                  •       não separe parágrafos com sinal de parágrafo
adota-se o sistema de numeração seqüencial. Visando
                                                                          adicional;
adequar-se a padrões internacionais de indexação, a revista
adota a norma de Vancouver para apresentação das                  •       use o próprio processador de texto (e não planilhas)
referências. Alguns exemplos:                                             para elaborar tabelas;
                                                                  •       use o próprio processador de texto (recurso “Desenho”)
  Simões MJS, Farache Filho A. Consumo de medicamen-
                                                                          para elaborar diagramas simples, organogramas etc.
  tos em região do Estado de São Paulo (Brasil), 1988.
                                                                          (não insira figuras ou organogramas do Microsoft®
  Rev. Saúde Pública 1988;32:71-8.                                        PowerPoint);
  Forattini OP. Ecologia, epidemiologia e sociedade. São          •       inversamente, use programa apropriado (como
  Paulo: Edusp; 1992.                                                     Microsoft® Excel) para elaborar gráficos, e não o
                                                                          recurso “Gráficos” do processador de texto;
  Laurenti R. A medida das doenças. In: Forattini OP.
  Epidemiologia geral. São Paulo: Artes Médicas; 1996.            •       no caso de gráficos ou diagramas elaborados por
  p.64-85.                                                                softwares específicos, devem ser convertidos
                                                                          (exportados) em formatos que possam ser abertos por
  Rocha JSY, Simões BJG, Guedes GLM. Assistência hospitalar               programas de uso comum (verifique os tipos de
  como indicador da desigualdade social. Rev Saúde Pública                arquivos que podem ser abertos no Adobe Photoshop®,
  [periódico on-line] 1997; 31(5). Disponível em <http://                 para figuras em escala de cinza, no CorelDraw®, para
  www.fsp. usp.br/~rsp> [1998 Mar 23]. (A última indicação                desenhos, ou no Excel®, para gráficos), para permitir
  é da data de acesso ao sítio indicado.)                                 eventuais ajustes, adequação de fonte etc.;



                                                                                          FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)   61
•       forneça fotografias ou outras ilustrações com        compressão, se for o caso; sugere-se que os nomes dos
         resolução mínima de 300 dpi, e em tamanho            arquivos sejam curtos e permitam rápida identificação (por
         compatível com a resolução;                          exemplo, “sobrenome do autor fig1....”).
 •       em qualquer caso, forneça simultaneamente um           Serão enviados ao autor principal dois exemplares do
         arquivo em TIFF do elemento gráfico, para permitir   número da revista em que seu artigo for publicado, mais
         visualização e conferência.                          um exemplar para cada co-autor.
     Envio dos arquivos
    Os dados de texto (em Word ou compatível) e de ilus-                                 ***
 trações devem ser enviados em arquivos separados, em
 disquete ou CD. Preferencialmente, pode ser adicionada          No bojo do processo de aprimoramento de Fisioterapia
 uma cópia reunindo texto e ilustrações em um arquivo         e Pesquisa, estas normas estão em construção, podendo
 .pdf. Os dados devem ser acompanhados da informação          sofrer alterações. Para informação atualizada, sugere-se a
 precisa de todos os programas utilizados, inclusive de       consulta às instruções do último número publicado.




62   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
Assinatura
Para assinar Fisioterapia e Pesquisa, preencha o cupom abaixo e envie-o à revista (ver endereço página 2), junto com
um cheque nominal à Fundação Faculdade de Medicina no valor de R$ 48,00 ou recibo de depósito no Banespa (banco
033), agência 0201, cc 13004086-7. A ficha de assinatura está disponível no site da revista: <http://medicina.fm.usp.br/
fofito/fisio/revista.php>. Números anteriores solicitar à revista. Valor unitário: R$ 16,00.



                                               FICHA DE ASSINATURA

      Assinatura anual (três números) de Fisioterapia e Pesquisa a contar de (data) _______________________

      Nome: ___________________________________________________________________________________

      Endereço: ________________________________________________________________________________

      CEP: _____________ Cidade: ________________________________________________ Estado: _______

      e-mail: ___________________________________________________________________________________

      Instituição (opcional): ______________________________________________________________________




                                                                                  FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)   63
64   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)

Revisao

  • 1.
    ISSN: 1809-2950 FISIOTERAPIA e PESQUISA REVISTA DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Volume 13 – número 1 Janeiro – Abril 2006
  • 2.
    Fisioterapia e Pesquisa em continuação a Revista de Fisioterapia da Universidade de São Paulo. Publicação quadrimestral do Curso de Fisioterapia da Faculdade de Medicina da USP Fisioterapia e Pesquisa visa disseminar conhecimento científico rigoroso de modo a subsidiar tanto a docência e pesquisa na área quanto a fisioterapia clínica. Publica, além de artigos de pesquisa originais, revisões de literatura, relatos de caso/s, bem como cartas ao Editor. INDEXADA EM: LILACS – Latin American and Caribbean Health Sciences; LATINDEX – Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Cientifícas de Américas; e CINAHL – Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature. Tiragem: 1.000 exemplares EDITORA CHEFE CORPO EDITORIAL Profa. Dra. Amélia Pasqual Marques Alberto Carlos Amadio EEFE/ USP Antonio Fernando Brunetto DFisio/ UEL EDITORAS ASSOCIADAS Armèle Dornelas de Andrade DFisio/ UFPe Profa. Dra. Isabel de Camargo Neves Sacco Augusto Cesinando de Carvalho DFisio/ UNESP Profa. Dra. Sílvia Maria Amado João Pres.Prudente Carmen Silvia Benevides Fellippa CCS/ UFSM CONSELHO CONSULTIVO (FOFITO/FM/USP) Cláudia R. Furquim de Andrade FM/ USP Prof. Dr. Carlos Roberto R. de Carvalho Débora Bevilaqua Grossi FM Ribeirão Preto/ USP Profa. Ms. Carolina Fu Dirceu Costa FACIS/ UNIMEP Profa. Dra. Celisa Tiemi N. Sera Gil Lúcio Almeida DFisio/ UNAERP Prof. Dr. Celso Ricardo F. de Carvalho Helenice Jane Cote Gil Coury DFisio / UFSCar Profa. Dra. Clarice Tanaka João Carlos Ferrari Corrêa DCS/ UNINOVE Profa. Dra. Fátima Aparecida Caromano José Rubens Rebelatto DFisio/ UFScar Profa. Dra. Raquel Aparecida Casarotto Marcos Duarte EEFE/ USP Profa. Dra. Maria Elisa Pimentel Piemonte Maria Ignêz Zanetti Feltrim INCOR /FMUSP SECRETARIA Neide Maria Lucena DFisio/ UFPB Patrícia Jundi Penha Oswaldo Crivello Junior FO/ USP NORMALIZAÇÃO BIBLIOGÁFICA Patricia Castelucci ICB/ USP Serviço de Biblioteca e Documentação da FMUSP Fátima Correa Oliver TO/ FMUSP e-mail: sbd@biblioteca.fm.usp.br Rinaldo Roberto de J. Guirro FACIS/ UNIMEP Rosângela Corrêa Dias EEFFTO/ UFMG EDIÇÃO DE TEXTO, PROJETO GRÁFICO Sérgio L. Domingues Cravo DFisiolog/ UNIFESP E DIAGRAMAÇÃO Sérgio Teixeira da Fonseca EEFFTO/ UFMG Pixeletra ME Simone Dal Corso DCS/ UNINOVE IMPRESSÃO Tânia de Fátima Salvini DFisio/ UFSCar Gráfica UNINOVE Vera Maria Rocha CCS/ UFRN Curso de Fisioterapia Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional – FOFITO/FM/USP R. Cipotânea 51 Cidade Universitária 05360-160 São Paulo SP e-mail: revfisio@edu.usp.br http://medicina.fm.usp.br/fofito/fisio/revista.php APOIO INSTITUIÇÕES COLABORADORAS FACULDADE DE MEDICINA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO / USP DE SÃO PAULO
  • 3.
    S UMÁRIO C ONTENTS Editorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Editorial PESQUISA ORIGINAL ORIGINAL RESEARCH Confiabilidade da medição da circunferência de membros inferiores utilizando fita métrica e Leg-O-Meter II . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 Reproducibility of lower limb circumference measurement by using metric tape and Leg-O-Meter II João Paulo F. de Carvalho, André Maurício B. de Carvalho, Danielle A. Gomes Pereira, Luciana Campanha Carvalho, Inácio Teixeira da Cunha Filho Avaliação de questionário sobre sintomas e estado funcional de pacientes com síndrome do túnel do carpo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 Evaluation of a questionnaire on symptom severity and functional status of patients with carpal tunnel syndrome Thais M. Albani Lovo, Guilherme Borges, Yvens Barbosa Fernandes, Ricardo Ramina, Edmur Franco Carelli, Anamarli Nucci Respostas eletromiográficas, funcionais e posturais a um tratamento fisioterapêutico da síndrome femoropatelar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 EMG, functional and postural responses to a physical therapy treatment for patellofemoral syndrome Isabel C. Neves Sacco, Gil Kiyoshi Konno, Guilherme Benetti Rojas, Cristina M. Nunes Cabral, Anice de Campos Pássaro, Antonio Carlos Arnone, Amélia Pasqual Marques Impacto, sobre a quantidade de urina perdida, de uma intervenção fisioterapêutica em idosas com incontinência urinária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Impact of a physical therapy intervention on the quantity of urine loss among elderly women with urinary incontinence Elza L. L. Souza Baracho, Rosângela Corrêa Dias, Cristina Said Saleme, Márcia Salvador Geo, Cláudia L.Soares Laranjeira, Rachel S. B. Corrêa Lima RELATO DE CASOS CASE REPORT Evolução clínica da marcha em um indivíduo com lesão medular incompleta: relato de caso . . . . . . 30 Clinical evolution of gait in a subject with incomplete spinal cord injury: case report Wagner Monteiro, Fernanda Fregni da Silva, Ismael Fernando C. Fatarelli REVISÃO REVIEW Fundamentos da Fisioterapia dermato-funcional: revisão de literatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 Grounds for esthetic physical therapy: a review Giovana Barbosa Milani, Silvia M. Amado João, Estela Adriana Farah Reabilitação pulmonar: treinamento de membros superiores em pacientes com DPOC . . . . . . . 44 Pulmonary rehabilitation: upper-limb exercise training in patients with COPD; a review Vanessa Girard Severo, Viviane Viegas Rech Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho em fisioterapeutas: revisão da literatura . . . . . 53 Work-related musculoskeletal disorders among physical therapists: a literature review Rodrigo Luiz Carregaro, Celita Salmaso Trelha, Helen Zulian Mastelari Instruções para autores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 Ficha de assinatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
  • 4.
    4 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
  • 5.
    E DITORIAL E DITORIAL Persiste o debate sobre a regulamentação das profissões na área da saúde. O Ministério da Saúde (MS) criou em 2004 a Câmara de Regulação do Trabalho em Saúde (CRTS), para propor a regulação de profissões e ocupações da área, sugerindo alterações de leis e estimulando iniciativas para regulamentar o exercício de novas atividades. Recente portaria do MS motivou reação da classe médica no Estado de São Paulo. O Conselho Regional de Fisioterapia desse estado (Crefito3) considera oportuno manifestar sua posição a respeito. O trabalho humano digno e livre é o grande motor da sociedade contemporânea. Nossa Constituição cita como um dos valores fundamentais do Estado brasileiro a “valorização do trabalho e da livre iniciativa” (art.1º, inciso IV). Na mesma linha, estabelece em seu art.5º, inciso XIII, que “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. Trata-se do direito fundamental ao “livre exercício de profissão”, consagrado pelo legislador constituinte. Nenhum direito fundamental, porém, é absoluto, encontrando seus limites nos demais direitos consagrados na própria Constituição. Neste sentido, é inegável a relevância valorativa que se deve atribuir à questão da saúde. No choque entre o direito fundamental ao livre exercício profissional e o direito fundamental à saúde, a ser garantido pelo Estado – para evitar que um cidadão lesione a integridade física de outrem – entendemos ser de grande relevância que, não obstante a garantia à liberdade do exercício profissional, tratando-se de profissões da área da saúde não há que se falar em seu exercício sem a competente regulamentação. Em nome da preponderância do direito fundamental à vida e à saúde, torna-se imprescindível a tutela estatal de toda e qualquer atividade profissional que, de alguma forma, envolva a conservação ou restauração das funções orgânicas, físicas ou mentais do ser humano. É portanto necessária a regulamentação e a fiscalização de toda atividade ligada à área da saúde, restringindo seu exercício a pessoas devidamente habilitadas para tal, segundo normas editadas pelo Estado. Mister se faz ainda o reforço da legislação criminal no sentido de punir com veemência condutas tendentes a lesar a incolumidade da população, por meio do exercício ilegal de profissão regulamentada da área da saúde. Só assim estar-se-á garantindo o livre exercício profissional, sem desguarnecer o direito humano fundamental à saúde, à integridade física e à própria vida. Roberto Angotti Júnior Procurador-Chefe do Contencioso Fiscal do Crefito3 – Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Estado de São Paulo Prof. Dr. Gil Lúcio Almeida Presidente do Crefito3 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 5
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    Confiabilidade da mediçãoda circunferência de membros inferiores utilizando fita métrica e Leg-O-Meter II Reproducibility of lower limb circumference measurement by using metric tape and Leg-O-Meter II João Paulo Ferreira de Carvalho1, André Maurício Borges de Carvalho2, Danielle Aparecida Gomes Pereira3, Luciana Campanha Carvalho3, Inácio Teixeira da Cunha Filho4 1 Graduando em Fisioterapia no RESUMO: A fita métrica (FM) e o Leg-O-Meter II (LGM) são instrumentos utilizados Centro Universitário de Belo para medir circunferência dos membros inferiores (MMII) e estimar dimensão Horizonte (UNI-BH) de edema. A confiabilidade desses métodos ainda não foi testada em avaliadores 2 Médico; Prof. Dr. do UNI-BH sem experiência clínica. Este estudo visou contrastar a confiabilidade da medição de circunferência de MMII intra e inter-avaliadores usando FM e 3 Fisioterapeutas; Profas. do LGM. Vinte indivíduos saudáveis participaram do estudo. Dois avaliadores UNI-BH mediram a circunferência de ambos os membros inferiores utilizando os dois 4 Fisioterapeuta; Prof. Dr. do métodos em duas ocasiões consecutivas (teste e reteste). As circunferências UNI-BH avaliadas em decúbito dorsal com a FM foram medidas 20 cm acima da base da patela e 15 cm abaixo do pólo inferior da patela. Com o LGM as circunferências foram medidas a 20 e a 30 cm acima da plataforma do aparelho, ENDEREÇO PARA na posição ortostática. Não foi encontrada diferença estatisticamente CORRESPONDÊNCIA significante entre a média das circunferências medidas com cada instrumento Inácio Teixeira da Cunha Filho tanto intra quanto inter-avaliadores. O coeficiente de correlação de Pearson Depto. de Fisioterapia UNI-BH inter-avaliadores variou de 0,86 a 0,99 (p<0,0005) para ambos os instrumentos. Av. Prof. Mário Werneck 1685 30455-610 Belo Horizonte, MG Conclui-se que a reprodutibilidade das medições das circunferências de MMII e-mail: inacutex@terra.com.br obtidas com ambos os instrumentos é excelente, mesmo entre avaliadores sem experiência clínica, não sendo percebida superioridade de um método em relação ao outro. DESCRITORES: Extremidade inferior; Reprodutibilidade de resultados; Equipamentos de medição A BSTRACT : In view of the established relationships between neonatal malnutrition and the immuno system, peritoneal macrophages of male Wistar rats were exposed to diatermic pulsate short waves (DPSW) and to alternated magnetic field on extreme low frequency, in order to verify in vitro adhesion index and phagocytic activity. The rats were submitted to malnutrition during the nursing period and to a recovery diet after weaning. The extracted peritoneal macrophages were exposed to DPSW modulated at 30 Hz, 50 Hz and 430 Hz by using the Schliephake and conventional techniques in parallel, and to a magnetic filed of 60 Hz. Results show increased adhesion index only with the 30 Hz and 50 Hz experimental groups using Schliephake technique and CM 60 Hz; phagocytic activity was reduced with 30 Hz and 50 Hz using Schliephake technique and CM 60 Hz, as compared to the control group (p<0,05). Since macrophages of malnourished and recovered animals responded to such irradiations, and since these are largely used in physical therapy, present results could be used to choose correct DPSW modulation in therapeutic process, particularly in cases who have previously ACEITO PARA PUBLICAÇÃO suffered malnutrition. set. 2005 KEY WORDS: Inferior extremity; Reproducibility of results; Measurement equipment 6 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 6-9 12(3)
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    Carvalho et al. Medição da circunferência de MMII INTRODUÇÃO Belo Horizonte (UNI-BH). Foram in- cluídos apenas aqueles que concor- dida inferencial de edema pré-tibial, o local normalmente utilizado para A avaliação do edema de membros daram voluntariamente em participar avaliação é mais próximo ao tornozelo. inferiores (MMII) é usualmente inferi- do estudo, e que não apresentavam da na prática clínica pela medida da qualquer patologia vascular previamen- Análise de dados circunferência desses membros. A fita te conhecida ou edema de membros métrica (FM) é um instrumento utili- inferiores. Os dados foram apresentados como zado com freqüência para esse fim, média ± desvio padrão. O teste T- já que possibilita uma mensuração Material Student Pareado foi utilizado para rápida, econômica e de fácil mani- avaliar as diferenças. A confiabilidade pulação1-5. Um aparelho recentemente Foram utilizados para o experimento (teste-reteste do mesmo avaliador) e desenvolvido denominado Leg-O- uma fita métrica (marca 3M) com grau de concordância entre avaliadores Meter II (LGM), também utilizado subdivisões em milímetros, com um (inter-avaliador) foi estimada pelo para avaliar a circunferência dos comprimento total de 100 cm, e um coeficiente de correlação de Pearson. Um MMII, produz resultados comparáveis LGM. O LGM II consiste em uma valor mais conservador de alfa ≤ 0,01 aos da FM, embora pressupostamente plataforma com uma haste graduada foi utilizado para considerar os resultados mais precisos devido a suas caracte- em centímetros, onde a fita é fixada estatisticamente significativos, em rísticas de manufatura1,3,4,6-8. A con- por uma pinça na altura em que se função das múltiplas análises. fiabilidade das medidas obtidas tanto deseja avaliar. com a FM quanto com o LGM tem sido relatada na literatura quando a Procedimentos RESULTADOS análise é feita intra ou inter-observador Vinte indivíduos (13 mulheres e 7 com experiência clínica 1,9 . Não As medidas foram coletadas por homens) participaram voluntariamente obstante, estudantes dos últimos dois estudantes veteranos que do estudo. Sua idade média foi de períodos do curso de Fisioterapia e avaliaram a circunferência dos MMII 23,8+3,0 anos, a altura média de mesmo fisioterapeutas recém-forma- dos voluntários, tendo sido conduzidas 145,05+56,11 cm, e o peso médio de dos, em suas práticas clínicas, necessi- no mesmo dia de modo consecutivo, 62,19+10,18 Kg. tam avaliar edema de MMII, dada a com intervalo aproximado de uma hora entre uma medição e outra. A Tabela 1 apresenta os valores alta prevalência dessa condição entre médios das circunferências obtidas os pacientes que procuram trata- As medidas obtidas com a FM pelo avaliador 1 com a FM e o LGM mento. Portanto, o objetivo deste tra- foram realizadas com os voluntários no teste e no reteste. Não houve di- balho foi verificar a confiabilidade das em decúbito dorsal. As alturas das ferença estatisticamente significativa medidas obtidas com FM e o LGM medidas foram a 15 cm abaixo do pólo entre as medidas realizadas nos locais entre os estudantes do curso de inferior da patela e a 20 cm acima da definidos com qualquer dos instru- Fisioterapia que iniciam o aprendi- base da patela. Já as medidas colhidas mentos, em ambos os membros. O zado clínico. Foram testadas a reprodu- com LGM foram realizadas a 20 e a coeficiente de correlação do teste- tibilidade intra e inter-avaliadores de 30 cm a partir da plataforma do reteste para a FM no membro inferior medidas consecutivas das circunfe- aparelho, com os voluntários em ortos- direito (MID) foi de 0,98 para ambas rências obtidas com cada instrumento. tatismo. Foram avaliados ambos os as medidas realizadas (a 20 cm acima MMII de todos os voluntários. Conside- da base da patela e a 15 cm abaixo METODOLOGIA rando-se que este é um estudo de do pólo inferior da patela). Para o confiabilidade envolvendo pessoas membro inferior esquerdo (MIE), o Sujeitos saudáveis, os locais de avaliação foram selecionados de forma a coincidir com coeficiente de correlação foi de 0,97 para a medida acima da patela e 0,83 Os participantes deste estudo foram a região de maior variabilidade de cir- abaixo do pólo patelar. O coeficiente recrutados entre os alunos do curso de cunferência, ou seja, área de maior de correlação intra-avaliador (teste- Fisioterapia do Centro Universitário de massa muscular. Entretanto, na me- reteste) obtido com o LGM no MID Tabela 1 Média das circunferências dos membros inferiores obtidas pelo avaliador 1 e coeficiente de correlação entre medidas (teste-reteste) Instrumento MID MIE local de medição Teste Reteste Pearson Teste Reteste Pearson 20 cm 53,40±3,98 52,95±3,93 0,98 53,05±3,68 52,55±3,85 0,97 FM 15 cm 34,90±2,95 34,55±3,16 0,98 34,88±3,12 34,05±3,19 0,83 20 cm 26,45±1,64 26,25±1,85 0,95 26,35±1,85 26,23±1,67 0,95 LGM 30 cm 33,85±2,24 33,67±2,37 0,95 33,90±2,22 33,92±2,31 0,99 MID: membro inferior direito; MIE: membro inferior esquerdo; FM: fita métrica; LGM: Leg-O-Meter II FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 7
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    foi de 0,95para ambas as alturas primeiro e o segundo testes variou de decúbito dorsal, já que esta é uma medidas (20 e 30 cm acima da pla- 0,86 a 0,99, com nível de significância recomendação dessa técnica. O pres- taforma). No MIE esse coeficiente foi estatística menor que 0,01 (Tabela 3). suposto é que, em decúbito, pudesse de 0,95 e 0,99 a 20 cm e a 30 cm ser abolida uma possível variabilidade acima da plataforma, respectivamente. DISCUSSÃO na circunferência do membro, devido a contração muscular. Já com o LGM De forma semelhante, a Tabela 2 As medidas de confiabilidade da FM as medidas são realizadas em ortos- apresenta os valores médios das circunferências obtidas pelo avaliador e do LGM têm sido relatadas na tatismo devido às características do 2 com a FM e o LGM no teste e no literatura sem ser precisado o nível de instrumento. Entretanto, não se pode reteste. Não houve diferença esta- experiência dos avaliadores1,6,9. As inferir a partir deste estudo que a po- tisticamente significativa entre as me- medidas obtidas com o LGM pres- sição do indivíduo durante a medição didas realizadas nos locais definidos supõem maior confiabilidade conside- tivesse influenciado os resultados. com qualquer dos instrumentos, em rando que uma das fontes de variação Portanto, este estudo não demonstra ambos os membros inferiores. O durante a medição, i.e., determinação que o LGM possa reduzir de maneira coeficiente de correlação do teste- exata do local a ser medido no mem- significativa a variabilidade na medi- reteste para a FM no MID foi de 0,94 bro a ser avaliado, seria reduzida, uma da da circunferência dos MMII quando e 0,98 para as medidas a 20 cm acima vez que o local pode ser previamente comparado à FM. A simplicidade no da base da patela e a 15 cm abaixo fixado no próprio aparelho1,6. Isso, uso tanto da FM quanto do LGM do pólo patelar, respectivamente. Para teoricamente, reduziria a variabilidade permite que mesmo avaliadores sem o MIE, o coeficiente de correlação foi inerente à determinação exata do pólo grande experiência clínica e com um de 0,98 para ambos os locais de patelar e às medidas derivadas a partir mínimo de treino sejam capazes de medição. O coeficiente de correlação desse ponto. Entretanto, os resultados gerar avaliações com alto nível de intra-avaliador (teste-reteste) obtido obtidos com este estudo não indicam correlação entre si. com LGM no MID foi de 0,93 e 0,96 que haja superioridade de um método para os locais situados a 20 e a 30 cm em relação ao outro. acima da plataforma, respectiva- Apesar de os avaliadores serem CONCLUSÃO mente. No MIE esse coeficiente foi de acadêmicos do curso de Fisioterapia O grau de concordância entre os 0,89 e 0,90, a 20 cm e a 30 cm acima prestes a iniciar o estágio clínico – avaliadores em cada método de da plataforma, respectivamente. portanto sem experiência profissional medição testado foi alto. Isso sugere Tampouco houve diferença estatis- –, não houve diferenças significativas que a técnica de medição da circun- ticamente significante entre os valores entre os resultados obtidos com a FM ferência é simples e não requer treina- médios das medidas obtidas pelos dois ou com o LGM. Além disso, foi encon- mento exaustivo, independente do avaliadores com qualquer dos ins- trado excelente índice de correlação aparelho a ser utilizado. A reproduti- trumentos utilizados. A análise do grau entre as medidas intra-avaliador e bilidade das medidas de circunferência de concordância entre as medidas inter-avaliador. obtidas dos MMII por ambos os obtidas pelos avaliadores 1 e 2 utili- As avaliações feitas com a FM instrumentos foi excelente, tanto intra zando ambos os métodos durante o foram realizadas com o paciente em quanto inter-avaliador. Tabela 2 Média das circunferências dos membros inferiores obtidas pelo avaliador 2 e coeficiente de correlação entre medidas (teste-reteste) Instrumento MID MIE local de medição Teste Reteste Pearson Teste Reteste Pearson 20 cm 53,78±3,73 53,30±3,70 0,94 53,45±3,43 53,13±3,68 0,98 FM 15 cm 34,63±3,05 34,63±2,87 0,98 34,85±2,97 34,78±3,03 0,98 20 cm 26,53±1,70 26,53±1,50 0,93 26,50±1,69 26,48±1,74 0,89 LGM 30 cm 33,98±2,04 33,98±2,26 0,96 33,70±2,21 34,08±2,36 0,90 MID: membro inferior direito; MIE: membro inferior esquerdo; FM: fita métrica; LGM: Leg-O-Meter II Tabela 3 Coeficiente de correlação inter-avaliadores Instrumento Teste Reteste local de medição MID MIE MID MIE 20 cm 0,95 0,93 0,96 0,95 FM 15 cm 0,99 0,97 0,98 0,86 20 cm 0,95 0,90 0,96 0,93 LGM 30 cm 0,96 0,97 0,98 0,95 MID: membro inferior direito; MIE: membro inferior esquerdo; FM: fita métrica; LGM: Leg-O-Meter II 8 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Carvalho et al. Medição da circunferência de MMII REFERÊNCIAS 1 Bérard A, Kurz X, Zuccarelli F, Ducros JJ, 5 Consensus Document of the International Society Abenhaim L. Reliability study of the Leg-O-Meter, of Limphology. The diagnosis and treatment of an improved tape measure device, in patients with peripheral limphedema. Limphology. 2003;31:84- chronic venous insufficiency of the leg. Angiology. 91. 1998;49:169-73. 6 Bérard A, Kurz X, Zuccarelli F, Abenhaim L. 2 Mawdsley R, Hoy D, Erwin P. Criterion-related Validity of the Leg-O-Meter, an instrument to validity of the figure-of-eight method of measuring measure leg circumference. Angiology. ankle edema. J Orthop Sports Phys Ther. 2000;149-53. 2002;53:21-8. 3 Petersen E, Irish S, Lyons C, Miklaski S, Bryan J, 7 Perrin M, Guex JJ. Edema and leg volume: methods Henderson N, et al. Reliability of water vollumetry of assessment. Angiology. 2000;51:9-12. and the figure-of-eigth method on subjects with ankle joint swelling. J Orthop Sports Phys Ther. 8 Janted G. Relief study: first consolidated european 1999;609-15. data. Angiology. 2000;51:31-7. 4 Brijker F, Heijdra YF, Van den Elshout FJJ, Bosh FH, 9 Bérard A, Zuccarelli F. Test-retest reliability study Folgering HTM. Volumetric measurements of of a new improved Leg-O-Meter, the Leg-O-Meter peripheral oedema in clinical conditions. Clin II, in patients suffering from venous insufficiency of Physiol. 2000;20:56-61. the lower limbs. Angiology. 2000;51:711-7. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 9
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    Avaliação de questionáriosobre sintomas e estado funcional de pacientes com síndrome do túnel do carpo Evaluation of a questionnaire on symptom severity and functional status of patients with carpal tunnel syndrome Thais Maria Albani Lovo1, Guilherme Borges2, Yvens Barbosa Fernandes3, Ricardo Ramina3, Edmur Franco Carelli3 , Anamarli Nucci4 1 Fisioterapeuta; Pós-Graduanda RESUMO: Este estudo consistiu na avaliação do questionário de Levine et al. em Neurocirurgia na (1993) Boston Carpal Tunnel Questionnaire, de avaliação da gravidade dos Faculdade de Ciências sintomas e do estado funcional de pacientes com síndrome do túnel do carpo Médicas (FCM) da Unicamp (Universidade Estadual de (STC). O questionário consta de uma escala de gravidade dos sintomas – em Campinas) domínios críticos na STC, como dor, parestesias, adormecimento, fraqueza, sintomas noturnos – e uma escala de estado funcional. Foi aplicado a 30 2 Neurocirurgião; Prof.Livre- pacientes diagnosticados com a síndrome, que foram orientados a responder Docente de Neurocirurgia na FCM/Unicamp somente sobre a mão mais afetada pela patologia. Na análise dos resultados, não foram encontradas correlações entre a idade dos sujeitos e maior 3 Neurocirurgiões; Profs. Drs. de acometimento dos sintomas, nem com a prevalência de mão afetada. O Neurocirurgia na FCM/ questionário revelou-se consistente, pela estreita correlação entre as duas Unicamp escalas: onde há maior gravidade dos sintomas, também há maior acometimento 4 Neurologista; Profa. Dra. de funcional. Com a ressalva de que o questionário não prevê o caso de a mão Neurologia Clínica na FCM/ mais afetada não ser a dominante, é um instrumento de fácil compreensão, Unicamp adequado para padronizar a avaliação de pacientes com STC, sugerindo-se sua aplicação separadamente para cada mão. ENDEREÇO PARA DESCRITORES: Síndrome do túnel carpal; Questionário de Boston/utilização CORRESPONDÊNCIA Thais Maria Albani Lovo A BSTRACT : This study aimed at assessing the Boston Carpal Tunnel R. Isabel Negrão Bertotti 100 Questionnaire by Levine et al. (1993), a self-administered instrument for apto. 51 A evaluating severity of symptoms and functional status in patients with carpal 13087-671 Campinas SP tunnel syndrome (CTS). It is made up of two scales: one on the severity of e-mail: thaislovo@bol.com.br symptoms – pain, paresthesias, numbness, weakness, nocturnal symptoms 2 guiborges@fcm.unicamp.br; – and the other on function impairment. It was answered by 30 patients 3 yvens@uol.com.br; with CTS, who were guided to answer only about the most affected hand. ramina@bsi.com.br; The analysis of results shows no correlation between age and severity of ecarelli@uol.com.br; symptoms, nor between these and the most affected hand (right or left). The 4 anucci@hc.unicamp.br questionnaire proved consistent, since a highly positive correlation was found between the two scales: the more severe the symptoms, the worse Estudo realizado no Ambulatório the functional status. With the objection that it doen’st seem to have foreseen de Nervos Periféricos do Hospital cases in which the dominant hand is not the most affected one, it is an das Clínicas da Unicamp instrument of easy application and understanding, hence suitable to standardize the assessment of CTS symptoms; it is here suggested that it be ACEITO PARA PUBLICAÇÃO applied separately for each hand. set. 2005 KEY WORDS: Carpal tunnel syndrome; Boston questionnaire/utilization 10 12(3) FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 10-5
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    Lovo et al. Questionário para síndrome do túnel do carpo INTRODUÇÃO algumas publicações a síndrome do túnel do carpo seja utilizada como entre outros sintomas, foi traduzido e validado no Brasil12, estando apto a ser Os sinais e sintomas causados pela sinônimo de compressão do nervo aplicado diretamente a nossa popu- compressão do nervo mediano, no ca- mediano no carpo, outras afecções lação. Esse questionário tem sido uti- nal do carpo, são denominados síndro- como radiculopatias, plexopatias, lizado em vários países13,14 como Itália me do túnel do carpo (STC)1. Esta é a lesões osteoarticulares, e mesmo com- e Turquia15,16, tendo sido denominado neuropatia compressiva mais comum pressão do nervo mediano em outros Boston Carpal Tunnel Questionnaire e melhor definida no ser humano2. Tem locais são citadas como possíveis (BCTQ) em sua versão italiana15. Foi sido chamada a doença do século, causas dos mesmos sintomas1,10. aplicado em estudos pré e pós-ope- pois sua incidência vem aumentando ratórios de síndrome do túnel do carpo, A parestesia e sintomas noturnos, e compreende hoje 40,8% das doenças tendo também sido utilizado para que são considerados sintomas pri- por esforços repetitivos3. A prevalência constatação de mudanças clínicas mários da síndrome do túnel do carpo de STC varia de 51 a 125:100.0002,4, após reabilitação com exercícios de e normalmente são atribuídos à com- ocorrendo mais freqüentemente no deslizamento de tendões e nervo, no pressão neural, foram encontrados sexo feminino – 3,4% mulheres e 0,6% tratamento conservador da síndrome expressivamente em pacientes com homens – e a idade predominante do túnel do carpo13. Em contato prévio exames eletrofisiológicos normais, não varia de 30 a 60 anos2,4,5, portanto é com os autores do questionário, mostrando correlação significativa em média 45 anos. recebemos autorização para sua utili- com compressão do nervo mediano no zação neste estudo. O túnel do carpo é constituído por carpo. Já o sintoma dor, considerado um arco côncavo formado pelos ossos secundário da síndrome, foi encontrado Instrumento de fácil compreensão do carpo dorsal e lateral e, na região predominantemente em pacientes e aplicação simples e com tempo ventral, pelo espesso ligamento trans- sintomáticos com exames normais9. apropriado de administração, consta verso do carpo. Dentro dele passam o Daí a importância de avaliação sis- de duas partes: escala de gravidade nervo mediano e mais nove tendões temática, padronizada, com quantifi- dos sintomas e escala do estado flexores, portanto esse espaço fica cação dos sintomas. funcional (ver Anexo). O questionário susceptível a reações inflamatórias dos aborda seis domínios críticos na Vários estudos têm sido feitos em tendões, surgindo edema e aumento síndrome do túnel do carpo: dor, torno do comprometimento neuromus- da pressão no túnel. A compressão do parestesias, adormecimento, fraque- cular e outros achados físicos, porém a nervo mediano no túnel do carpo za, sintomas noturnos e estados grande preocupação dos pacientes se decorre na maioria dos casos de funcionais globais. A escala de gravi- volta para os sintomas e diminuição de tenossinovite crônica flexora não- dade (Escala G) dos principais função em mão e punho acometidos11. específica6, sendo esta considerada sintomas é composta de 11 questões etiologia idiopática, mas podendo ser Diante de tão significativos sinto- de múltipla escolha pontuadas de 1 a também intrínseca, como em pacien- mas da síndrome do túnel do carpo e 5, onde 1 ponto representa sintoma tes com hipotireoidismo, em estado de das desabilidades funcionais encontra- leve, passando gradativamente a 5 retenção de líquidos (gravidez) e das e relatadas pelos pacientes, o pontos, representando sintomas mais pacientes crônicos de hemodiálise, ou objetivo deste estudo é a aplicação graves. A pontuação da escala é ainda extrínseca, em casos de de questionário sobre a gravidade dos calculada pela média dos escores para mudança da dimensão do canal do sintomas e sobre o estado funcional, os 11 itens individuais. A escala do carpo sem aumento das estruturas utilizado e desenvolvido como instru- estado funcional ou escala funcional internas, como em fraturas ou sublu- mento 11 , traduzido e validado no (Escala F) aborda 8 atividades usuais, xação dos ossos do carpo e artrite de Brasil12, tendo em vista a avaliação que contemplam desde as atividades punho7. A síndrome do túnel do carpo padronizada desses pacientes. de jovens trabalhadores que têm sua tem sido relacionada ao aumento de ocupação relacionada à STC até peso corporal e índice de massa cor- indivíduos com mais idade. As respos- pórea, onde um aumento de peso METODOLOGIA tas vão também de 1 a 5 pontos, onde representa risco adicional para início Foi utilizado o questionário formu- 1 ponto representa nenhuma dificul- dos sintomas, devido ao aumento do lado por Levine et al.11 chamado Self dade e 5 pontos, que o indivíduo não tecido de gordura dentro do canal do administered questionnaire for the consegue realizar o quesito citado carpo e conseqüente aumento da assessment of severity of symptoms and devido aos sintomas. A pontuação pressão hidrostática8. functional status in carpal tunnel total é dada pela média dos escores syndrome, desenvolvido no Brigham dos 8 itens11. O diagnóstico diferencial da síndro- me do túnel do carpo deve ser baseado and Women’s Hospital em Boston. Esse O questionário foi aplicado pessoal- em sinais e sintomas clínicos e no exa- instrumento de quantificação da mente pelo mesmo examinador, em me eletrofisiológico9 pois, embora em parestesia e dor nas mãos e punhos, 30 pacientes portadores de síndrome FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 11
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    Tabela 1 Freqüênciae estatística descritiva Tabela 3 Cruzamentos entre escalas do BTCQ e variáveis sociodemográficas das variáveis sociodemográficas Idade Idade (categórica) Freqüência Escore na Escala G Escore na Escala F N % Cumulativa Idade N Média DP Máx. Mediana Mín. Idade N Média DP Máx. Mediana Mín. <45 14 46,67 14 <45 14 3,16 0,61 4,36 3,09 1,55 <45 14 3,13 0,77 4,25 3,31 1,75 ≥45 16 53,33 30 ≥45 16 2,95 0,55 4,09 2,95 2,09 ≥45 16 3,08 0,61 4,13 3,19 1,88 p-valor = 0,2598 p-valor: 0,7543 Idade (contínua) N Média DP Máx. Mediana Mín. Coeficiente de correlação de Spearman Coeficiente de correlação de Spearman 30 43,63 8,9 62 45 26 r = 0,0075 ; p = 0,9686 r = 0,13406 ; p = 0,4800 Mão afetada Sexo Freqüência Escore na Escala G Escore na Escala F N % Cumulativa Mão N Média DP Máx. Mediana Mín. Mão N Média DP Máx. Mediana Mín. F 27 90,00 27 Direita 14 2,90 0,54 3,45 3,05 1,55 Direita 14 3,15 0,76 4,13 3,44 1,75 M 3 10,00 30 Esquerda 16 3,18 0,60 4,36 3,09 2,09 Esquerda 16 3,06 0,62 4,25 3,06 2,13 p-valor: 0,2511 p-valor: 0,4279 Mão (mais) afetada Freqüência Coeficiente de correlação de Spearman entre os escores G e F: r = 0,65235; p = 0,0001 N % Cumulativa A análise estatística foi utilizada intra-individual. Como regra geral, a D 14 46,67 14 para descrever o perfil da amostra acurácia não deve ser menor que 0,80 E 16 53,33 30 segundo as variáveis categóricas se a escala for amplamente utilizada, (sexo, profissão) e estatísticas des- porém valores acima de 0,60 já Profissão Freqüência critivas das variáveis contínuas (ida- indicam consistência. O nível de Cumulativa de, escores das escalas). Quanto à significância adotado para os testes N % (%) idade, os pacientes foram agrupados estatísticos foi de 5%, ou seja, p<0,05. doméstica 4 13,33 13,3 em menores de 45 anos e os que serviços gerais 4 13,33 26,7 tinham 45 anos ou mais, tendo em faxineira 3 10,00 36,7 vista a idade média apontada pela RESULTADOS auxiliar de cozinha 2 6,67 43,4 literatura. Para comparação dos O questionário de Boston (BCTQ), auxiliar de limpeza 1 3,33 46,7 escores entre as classes de variáveis para avaliação da gravidade dos com duas categorias foi utilizado o copeira 1 3,33 50,0 sintomas e estado funcional, foi teste de Mann-Whitney. Para verificar operário 5 16,67 66,7 aplicado em 30 pacientes com STC a existência de correlação (associação cortador de cana 2 6,67 73,4 que se encontravam em acompanha- linear) entre os escores das escalas foi operador de caixa 1 3,33 76,7 mento médico. Destes, 27 eram do utilizado o coeficiente de correlação sexo feminino. A idade dos pacientes auxiliar de de Spearman. Esse coeficiente assume enfermagem 4 13,33 90,0 variou de 26 a 57 anos (Tabela 1). valores de –1 a +1: quanto mais pró- costureira 3 10,00 100,0 ximo de zero, menos correlacionadas Os pacientes foram orientados a são as variáveis, e quanto mais responder o questionário apenas sobre do túnel do carpo, no Ambulatório de próximo de 1 ou -1, mais correlaciona- a mão mais afetada pela síndrome do Nervos Periféricos do Hospital das das são as variáveis. Para verificação túnel do carpo. Neste estudo, 16 Clínicas da Universidade Estadual de da consistência do instrumento foi cal- pacientes (53%) têm a mão esquerda Campinas, em uma sala reservada, culado o coeficiente alfa de Cronbach mais afetada e 14 (47%), a mão sem interferência externa, onde os para consistência interna. Esse coefi- direita; 20 pacientes apresentavam pacientes foram orientados a responder ciente é utilizado para verificar a ho- sintomas em ambas as mãos, porém somente em relação à mão mais mogeneidade ou acurácia dos itens do responderam sobre a mais acometida sintomática. instrumento, ou seja, a concordância (Tabela 1). Todos os pacientes são destros, isto é, têm a mão direita Tabela 2 Consistência interna do BTCQ utilizando o coeficiente alfa de Cronbach dominante. Nenhum dos pacientes Escore na Escala G (11 itens) Escore na Escala F (8 itens) tinha sido submetido a procedimento Coeficiente alpha de Cronbach Coeficiente alpha de Cronbach r* cirúrgico na mão sobre a qual estava Escala completa 0,691632 Escala completa 0,745333 respondendo o questionário. sem F1 0,793515 0,012 As atividades profissionais dos * r = correlação do item com o total sujeitos caracterizam-se como ocupa- 12 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Lovo et al. Questionário para síndrome do túnel do carpo ções manuais, assim distribuídas: 50% adequado para ser completado e fácil realizaria a tarefa pedida com essa serviços que requerem mão-de-obra compreensão, levando em consi- mão. Uma sugestão é o instrumento não-qualificada (domésticos, de cozi- deração o baixo nível de escolaridade ser aplicado separadamente para cada nha, de limpeza, serviços gerais), 27% da população da amostra. mão do indivíduo. operários (cortadores de cana, ope- Em relação ao sexo, 90% dos A profissão que o indivíduo exerce rador de caixa, operários industriais), pacientes avaliados pertenciam ao muitas vezes está diretamente re- 13% auxiliares de enfermagem e 10% sexo feminino, em concordância com lacionada à instalação dos sintomas costureiras (Tabela 1). Metade do total a literatura2,4,5,17; quanto à idade, não da síndrome do túnel do carpo. Em (15 pessoas) estavam afastadas do houve predominância de mais jovens nossa amostra, todos os pacientes serviço devido à falta de condições ou mais velhos (não houve relação realizam atividades manuais em sua para exercer a função. significativa entre pessoas com mais, atividade profissional, muitas vezes O resultado da análise da consis- ou com menos de 45 anos), mas a com movimentos repetitivos e de força; tência interna do instrumento é apre- faixa de idade dos sujeitos estudados 50% deles indivíduos estão afastados sentado na Tabela 2. Tendo em vista (26-57) é bastante semelhante à de seu serviço devido aos sintomas da uma dúvida de cerca de metade dos indicada na literatura2,4,5. doença. A experiência de trabalho pacientes sobre a primeira questão da nessa área sugere que pacientes que As pessoas foram orientadas a escala funcional (uso da mão para recebem benefícios em seu afasta- responder sobre a mão mais afetada, escrever), discutida adiante, foi cal- mento apresentam piores resultados de e esta não era necessariamente a mão culado o coeficiente de consistência tratamentos feitos, baixa satisfação e dominante. Há estudos referindo que, interna do instrumento retirando-se mais queixas de sintomas. Tem sido geralmente, a mão dominante é a esse primeiro item, pelo quê o coefi- relatado que pacientes com benefícios mais freqüentemente envolvida, mas ciente seria aumentado (Tabela 2). devido a doenças musculoesqueléticas a não-dominante também pode ser têm marcadamente piores resultados, No cruzamento entre escalas e afetada sozinha17. Em nossa amostra possivelmente devido a fatores como variáveis sociodemográficas não houve 53% de mãos não-dominantes posições ergonômicas, ganhos secun- houve correlação significativa entre as afetadas (47% mãos dominantes). A dários, insatisfação no trabalho, fatores idades, divididas em indivíduos com primeira questão da escala funcional psicológicos e sociais18. Este não é menos de 45 anos (47%) e com 45 anos trouxe dúvidas aos pacientes no mo- interesse direto em nosso estudo, re- ou mais (53%), o mesmo ocorrendo mento da aplicação do questionário, querendo maior aprofundamento nas em relação à mão afetada dos sujeitos, no caso de a mão mais afetada, sobre questões de saúde do trabalho; apenas onde não houve correlação significa- a qual deveria responder, ser a mão vale ser ressaltado como influência nos tiva (Tabela 3). O coeficiente de corre- não-dominante (com a qual ele não resultados e em estudos posteriores. lação de Spearman entre os escores escreve, mas deveria responderia à obtidos nas escalas de gravidade e pergunta sobre dificuldade em funcional indica forte correlação entre escrever). Isso levou a certa am- bigüidade que foi demonstrada na CONCLUSÃO as escalas: quanto maior a gravidade dos sintomas, maior o acometimento análise estatística ao se avaliar a O questionário Boston Carpal Tunnel da funcionalidade. consistência interna do instrumento Questionnaire, já validado no Brasil, pois, se retirada essa questão, o apresenta boas condições para coeficiente de consistência interna do detectar mudanças clínicas e padro- DISCUSSÃO instrumento melhora substancialmen- te. Sugerimos que esta questão seja nizar avaliações de sintomas e funções de pacientes com síndrome do túnel A aplicação do questionário repensada na utilização do ques- do carpo. Sugerimos no entanto a apli- (BCTQ), formulado por Levine et al.11, tionário pois, se a atividade funcional cação do instrumento separadamente foi realizada em 30 pacientes, diagnos- “escrever”, na grande maioria das para cada mão do paciente, para que ticados como portadores de síndrome vezes, é realizada somente pela mão fique clara a sintomatologia em cada do túnel do carpo, sem qualquer inter- dominante (em raríssimos casos o uma, principalmente com relação às corrência cirúrgica realizada previa- indivíduo realiza a escrita bilateral- atividades realizadas somente pela mente a esta avaliação. A escolha do mente), e se o sujeito deve responder mão dominante, pela possível questionário deve-se a ser este um somente sobre a mão mais afetada e presença de sintomas bilateralmente, instrumento de fácil aplicação, tempo esta for não dominante, ele não embora com diferentes intensidades. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 13
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    REFERÊNCIAS 1 Stevens J C. AAEE minimonograph #26: the 11 Levine DW, Simmons BP, Koris MJ, Daltroy LH, Hohl electrodiagnosis of carpal tunnel syndrome. Muscle GG, Fossel AH, et al. A self administered Nerve. 1997;20:1477-86 . questionnaire for the assessment of severity of symptons and functional status in carpal tunnel 2 Kouyoumdjian J. Sindrome do túnel do carpo: syndrome. J Bone Joint Surg. 1993;75A:1585-92. aspectos clínicos-epidemiológicos. Arq Neuropsiquiatr. 1999;57(2-A):202-7. 12 Campos CC, Manzano GM, Andrade LB, Castelo Fo A, Nóbrega JAM. Tradução e validação do 3 Seradge H, Parker W, Baer C, Mayfield K, Schall L. questionário de avaliação de gravidade dos sintomas Conservative treatment of carpal tunnel syndrome. J e do estado funcional na síndrome do túnel do carpo Okla State Med Assoc. 2002;95(1):7-14. Arq Neuropsiquiatr. 2003;61(1):51-5. 4 Provinciali L, Giattini A, Splendiani G, Logullo F. 13 Akalin E, Peker Ö, Senocak Ö, Tamci S, Gülbahar S, Usefulness of hand rehabilitation Muscle Nerve. Cakmur R, et al. Treatment of carpal tunnel syndrome 2000;2:211-6. with nerve and tendon gliding exercises Am J Phys 5 Quality Standards Subcommittee of the American Med Rehabil. 2002;81(2):108-13. Academy of Neurology. Practice parameter for carpal 14 Gianini F, Cioni R, Mondelli M, Padua R, Gregori B, tunnel syndrome. Neurology. 1993;43:2406-9. D’Amico P, et al. A new clinical scale of carpal 6 Kouyoumdjian J. Aspectos atuais da síndrome do túnel tunnel syndrome: validation of the measurement and do carpo. Arq Neuropsiquiatr .1999;57(2-B):504-12. clinical-neurophysiological assessment. Clin Neurophysiol. 2002;113:71-7. 7 Strickland JW. A clinical monograph series. [on-line] [cited 2002, Nov 12] Available from: http:// 15 Padua L, Padua R, Aprile I, Tonali P Italian Multicenter www.neurometrix.com. study of carpal tunnel syndrome differences in the clinical and neurophysiological feature between male 8 Kouyoumdjian JA. Evaluation of age, body mass and female patients J Hand Surg. 1999;24B:579-82. index and wrist index as risk factors for carpal tunnel syndrome severity. Muscle Nerve. 2002;25:93-7. 16 Heybeli N, Kutluhan S, Demirci S, Kerman M, Mumcu EF. Assessment of outcome of carpal tunnel 9 Campos CC, Manzano GM, Castelo Fo A, Nóbrega syndrome: a comparison of electrophysiological JAM. Parestesia e/ou dor nas mãos e /ou punhos findings and a self administered Boston como motivo de encaminhamento para estudo questionnaire. J Hand Surg. 2002;27B:259-64. eletroneuromiográfico. Arq Neuropsiquiatr. 2003;61(1):56-60. 17 Youmans JR. Neurological surgery: a comprehensive reference guide to the diagnosis and management of 10 American Association of Electrodiagnostic Medicine, neurological problems. 4th ed. Philadelphia: American Academy of Neurology, American Saunders; 1996. Academy of Physical Medicine Rehabilitation. Literature review of the usefulness of nerve 18 Bessete L, Keller R, Lew R, Simmons B, Fossel A, conduction studies and electromyography for Mooney N, et al. Prognostic value of a hand evaluation of patients with carpal tunnel syndrome. symptom diagram in surgery for carpal tunnel Muscle Nerve. 1993;16:1392-1414. syndrome. J Rheumatol. 1997; 24(4):726-34. 14 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Lovo et al. Questionário para síndrome do túnel do carpo Anexo: Questionário utilizado Escala G: Escala de gravidade dos sintomas As questões seguintes se referem aos seus sintomas durante um típico período de 24 horas, nas duas últimas semanas. Circule uma resposta para cada questão. • Qual é a gravidade da dor em punho • Quanto tempo dura, em média, um • Qual é a gravidade do adormeci- ou mão que você tem à noite? episódio de dor durante o dia? mento e formigamento durante a 1 Não tenho dor em punho ou 1 Nunca tenho dor durante o dia noite? mão à noite 2 Menos que 10 minutos 1 Não tenho adormecimento ou 2 Dor leve 3 10 a 60 minutos formigamento durante a noite 3 Dor moderada 4 Mais que 60 minutos 2 Leve 4 Dor forte 5 A dor é constante ao longo do 3 Moderado 5 Dor muito forte dia 4 Grave • Com que freqüência você é • Você tem adormecimento em sua 5 Muito grave (gravíssimo) acordado pela dor em punho ou mão? (perda de sensação) • Com que freqüência você é mão, durante uma noite típica, nas 1 Não acordado pelo adormecimento ou duas últimas semanas? 2 Adormecimento leve formigamento em punho ou mão, 1 Nunca 3 Adormecimento moderado durante uma noite normal, 2 1 vez 4 Adormecimento grave ( forte) durante as duas últimas semanas? 3 2 ou 3 vezes 5 Adormecimento muito grave ( 1 Nunca 4 4 ou 5 vezes muito forte) 2 1 vez 5 Mais que 5 vezes • Você sente fraqueza na mão ou 3 2 ou 3 vezes • Você normalmente tem dor em punho? 4 4 ou 5 vezes punho ou mão durante o dia? 1 Não 5 Mais que 5 vezes Nunca tenho dor durante o dia 2 Fraqueza leve • Você tem dificuldade ao pegar e Dor leve 3 Fraqueza moderada usar pequenos objetos, como Dor moderada 4 Fraqueza grave chaves ou canetas? Dor forte 5 Fraqueza muito grave 1 Não tenho dificuldade Dor muito forte • Você tem sensação de formiga- 2 Dificuldade leve • Com que freqüência você tem dor mento em sua mão? 3 Dificuldade moderada no punho ou mão durante o dia ? 1 Não 4 Dificuldade grave 1 Nunca 2 Formigamento leve 5 Dificuldade muito grave 2 1 a 2 vezes ao dia 3 Formigamento moderado 3 3 a 5 vezes ao dia 4 Formigamento grave ( forte) 4 Mais que 5 vezes ao dia 5 Formigamento muito grave 5 A dor é constante (muito forte) Escala F: Escala funcional Em um dia normal, durante as duas últimas semanas, os sintomas no punho e mão têm causado alguma dificuldade para realizar estas atividades? Circule o número que melhor descreve sua habilidade para realizar a atividade. (Para todos os quesitos abaixo, o paciente era convidado a marcar uma das opções a seguir:) Escrever; Abotoar roupas; Segurar um livro enquanto lê; Segurar o telefone enquanto fala; Abrir garrafas; Serviços domésticos; Carregar sacolas do supermercado; Tomar banho e vestir-se. 1 Não tenho dificuldade 2 Dificuldade leve 3 Dificuldade moderada 4 Dificuldade grave 5 Não consigo fazer devido aos sintomas em punho ou mão. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 15
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    Respostas eletromiográficas, funcionaise posturais a um tratamento fisioterapêutico da síndrome femoropatelar EMG, functional and postural responses to a physical therapy treatment for patellofemoral syndrome Isabel C. Neves Sacco1, Gil Kiyoshi Konno2, Guilherme Benetti Rojas2, Cristina Maria Nunes Cabral2,3, Anice de Campos Pássaro2,4, Antonio Carlos Arnone5, Amélia Pasqual Marques6 1 Profa. Dra.do Curso de RESUMO: A síndrome femoropatelar (SFP), patologia de difícil tratamento, decorre Fisioterapia, Depto. FOFITO de um desequilíbrio das forças que incidem sobre a patela durante seu movimento da FMUSP (Faculdade de normal; freqüentemente não se obtém alívio total da dor. Este estudo visou avaliar Medicina da Universidade de São Paulo) o efeito de tratamento fisioterapêutico em seis sujeitos com SFP, tendo entre 18 e 35 anos, diagnosticados clinicamente pelo Ambulatório de Ortopedia do Hospital 2 Fisioterapeutas; integrantes do Universitário (grupo GFP); cinco sujeitos saudáveis, de mesma idade e nível de Grupo de Estudos em atividade física do GFP formaram o grupo controle. Nos dois grupos realizaram- BIomecânica da Fisioterapia da FMUSP se, antes e após o tratamento, avaliação funcional – usando escalas de Lysholm e visual analógica de dor, da articulação segundo Karlsson, do alinhamento 3 Profa. Ms do Curso de postural de membros inferiores e teste de compressão patelar – e avaliação Fisioterapia do UniFIEO biomecânica por eletromiografia dos músculos vasto medial e vasto lateral O (Centro Universitário F.I.E. de GFP submeteu-se durante cinco semanas a exercícios de alongamento e Osasco, SP) fortalecimento muscular, tendo resultado em redução de 50% no sinal positivo 4 Profa. Ms. do Curso de da compressão patelar, melhora nos escores das escalas funcionais e diminuição Fisioterapia do UniCapital (SP) dos arcos longitudinais rebaixados e tornozelos valgos; não houve, porém, melhora 5 Ortopedista do Ambulatório de da dor. Os dados eletromiográficos mostraram maior eficiência do vasto medial Ortopedia do Hospital na realização de exercícios excêntricos e aumento da ativação do vasto lateral Universitário da FMUSP durante a marcha e na fase de subida do agachamento. O tratamento permitiu 6 pois melhora na funcionalidade, no alinhamento dos joelhos e pés e na ativação Fisioterapeuta; Profa. Livre- Docente do Curso de dos músculos avaliados. Fisioterapia da FMUSP DESCRITORES: Articulação do joelho; Biomecânica; Eletromiografia; Fisioterapia; Terapia por exercício ENDEREÇO PARA ABSTRACT: Patellofemoral Syndrome (PFS), a challenging pathology to treat – wherein full pain relief is rarely obtained – results from force imbalance CORRESPONDÊNCIA Profa. Dra. Isabel de C. N. Sacco exerted on the patella during its normal movement. This study assessed the Curso de Fisioterapia, FOFI effect of a physical therapy treatment on six 18-to-35 year-old subjects with TO/ FMUSP PFS, diagnosed by the University Hospital Orthopedic Outpatient Clinic; R. Cipotânea 51 Cidade five healthy subjects having the same age and level of physical activity as Universitária the patients made up the control group. Both groups were submitted to 05360-000 São Paulo SP assessment before and after PFS group treatment: of pain through the visual e-mail: icnsacco@usp.br analogical scale; of the patellofemoral joint according to Karlsson; Lysholm scale) lower limb postural alignment; patellar compression test; and electromyography of the vastus medialis and vastus lateralis muscles. PFS group treatment consisted in muscle stretching and strengthening exercises during 5 weeks, after which we observed a 50% reduction in positive signs of patellar compression, better Lysholm and Karlsson scores, lower plantar arches and reduction of valgus ankle; however, no pain relief was reported. Electromyographic data showed higher efficiency of the vastus medialis muscle in carrying out eccentric exercises and increased activity of the vastus lateralis while walking and during upward movement after squatting. ACEITO PARA PUBLICAÇÃO KEY WORDS: Biomechanics; Electromyography; Exercise therapy; Knee joint; Physical nov. 2005 therapy 16 12(3) FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 16-22
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    Sacco et al. Fisioterapia para a síndrome femoropatelar INTRODUÇÃO O paciente com síndrome femo- ropatelar (SFP) é usualmente jovem e logias, chegando-se a resultados dis- tintos. Monteiro-Pedro et al.12 ava- A articulação do joelho é a maior ativo e sofre de dores retro e peri- liaram a propriocepção dinâmica e uma das mais complexas articula- patelares causadas por longos períodos (senso de posição articular), enquanto ções do corpo, sendo uma dobradiça sentados. A dor está relacionada com Kramer et al. 13 avaliaram a pro- bicondiliana sinovial entre os côndilos a atividade realizada e fica particular- priocepção de joelho por meio da do fêmur e da tíbia, com a patela em mente evidente durante a descida de eletrogoniometria em quatro angu- posição anterior. Por se localizar entre escadas e o agachamento. O derrame lações específicas em cadeia cinética dois grandes braços de alavanca, o intra-articular é raro, mas a presença aberta (CCA); nenhum deles encontrou fêmur e a tíbia, é uma articulação de edema próximo ao ápice da patela diferenças no senso de posição constantemente submetida a esforços é freqüente. Crepitação durante a articular entre indivíduos saudáveis e cíclicos, o que explica sua grande sus- flexo-extensão do joelho é outro com SFP. No entanto, Baker et al.14 cetibilidade às lesões. Além disso, o achado comum em alguns indivíduos. encontraram déficit proprioceptivo em joelho não é protegido por músculos A SFP é caracterizada por inúmeros sujeitos portadores de SFP quando sinais e sintomas – patelalgia, dor comparados a sujeitos saudáveis, ou tecido adiposo, como ocorre em anterior de joelho, artralgia retropa- utilizando marcadores visuais e outras articulações1. telar, dentre outros – o que torna seu análise videográfica. É possível perceber a grande impor- diagnóstico clínico difícil. Apesar da Estudos envolvendo a análise do tância da patela para a existência de diversidade de fatores associados à agachamento também têm sido feitos, uma biomecânica ideal do joelho, já SFP, há um consenso de que o desa- como os que avaliam a atividade EMG que a articulação femoropatelar de- linhamento do aparelho extensor de dos músculos VM e VL durante exer- pende do posicionamento ideal desse joelho seria a principal causa da dor cícios de flexão de joelho em cadeias osso durante o arco de movimento do femoropatelar5,6. cinéticas aberta e fechada (agacha- joelho2. Entre suas funções, encon- Esses fatores, que associados levam mento)15,16. Não foi encontrada dife- tram-se a proteção do joelho contra ao aumento da compressão femoro- rença na atividade dos músculos entre traumas diretos e, principalmente, a patelar e à crepitação, podem ser sujeitos com e sem SFP durante o de proporcionar vantagem mecânica representados pelo aumento do ângulo agachamento. Escamilla et al. 17 ao músculo quadríceps da coxa, Q, presença de patelas altas, mediali- observaram maior atividade muscular aumentando em 50% a força de zadas ou lateralizadas e pronação durante o agachamento em cadeia extensão do joelho3. Com o aumento subtalar excessiva7. Ainda conside- cinética fechada (CCF) e do músculo da flexão do joelho, há um contato rando os fatores relacionados ao apa- reto da coxa no exercício em CCA. cada vez maior entre a patela e o relho locomotor, o músculo quadríceps fêmur, sendo que entre 30-70 graus de O objetivo deste estudo foi avaliar vem sendo amplamente estudado em flexão a patela é isoladamente res- a eficácia de tratamento fisiote- indivíduos normais e com SFP pela rapêutico na melhora da dor, funciona- ponsável por transmitir a força do qua- eletromiografia (EMG), especialmente lidade e respostas eletromiográficas dríceps da coxa ao fêmur em cadeia as porções do vasto medial (VM) e dos músculos vasto medial (porção cinética aberta. Nesse momento, a vasto lateral(VL) 8, já que a função oblíqua) e vasto lateral durante a articulação femoropatelar suporta uma desses músculos se encontra alterada marcha e o agachamento em sujeitos carga equivalente a seis vezes o peso em pacientes com SFP. com síndrome femoropatelar, com- do corpo do indivíduo4. Souza et al.9 não encontraram dife- parados a sujeitos saudáveis. A análise de algumas atividades rença entre indivíduos saudáveis e mostra os valores médios da com- com SFP na razão VMO/VL (entre os pressão entre patela e fêmur: de meia níveis de ativação do vasto medial METODOLOGIA vez o peso corporal durante a marcha, oblíquo e vasto lateral) a 60º de flexão de joelho; resultados semelhantes de 2,5 vezes o peso corporal durante foram obtidos por Boucher et al.10 nos Sujeitos a subida de escadas, de 3,5 vezes o peso corporal durante a descida de ângulos de 15º, 30º e 90º de flexão de Foram selecionados 11 sujeitos (8 escadas e 7 vezes o peso corporal joelho. Já Fonseca et al.11 verificaram do sexo masculino e 3 do feminino), durante o agachamento. É aceito o aumento da relação VMO/VL com com idades entre 18 e 35 anos, dividi- fato de que a contínua compressão é joelho em 30º de flexão em sujeitos dos em dois grupos: grupo experi- necessária para uma adequada nutri- saudáveis. mental (GFP), 6 sujeitos com diagnós- ção da cartilagem hialina da patela. Alguns estudos procuraram avaliar tico de SFP em pelo menos um dos Entretanto, os problemas surgem quan- possíveis deficits proprioceptivos no membros; e grupo controle (GC), 5 do, por inúmeros motivos, essa com- joelho do paciente com SFP; entretan- sujeitos sem nenhum histórico de pato- pressão se torna excessiva4. to, são utilizadas diferentes metodo- logia prévia nos joelhos. Os parti- FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 17
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    cipantes foram informadosdos proce- dimentos experimentais e assinaram músculos vizinhos), além de possibi- Intervenção fisioterapêutica litar maior confiabilidade na reprodu- o termo de consentimento livre e tibilidade do estudo pré e pós-inter- Após avaliação, o GFP passou por esclarecido; o estudo foi aprovado venção fisioterapêutica20-22. 25 sessões de fisioterapia em cinco pela Comissão de Ética do Hospital semanas de duração. Destas, cinco Universitário da USP. A medição da variação angular da foram realizadas com supervisão do articulação do joelho durante as tare- fisioterapeuta, sendo uma por semana, fas locomotoras foi feita por meio de Protocolo Experimental – um eletrogoniômetro planar constituído e tiveram como objetivo orientar os participantes para que realizassem as métodos e equipamentos por um potenciômetro de rotação fixo demais 20 sessões no domicílio. O com duas hastes de madeira que Os dois grupos realizaram avalia- protocolo foi composto de seis exer- ficavam aderidas aos segmentos da ção funcional e biomecânica com- cícios: alongamento dos músculos da articulação por bandagens elásticas. posta de três etapas: 1) avaliação do cadeia posterior com o paciente Para a utilização na articulação do alinhamento postural, segundo proce- sentado e em decúbito dorsal; alonga- joelho, uma das hastes ficou presa à dimento de Kendall et al.18; 2) testes mento do músculo quadríceps da coxa clínicos e avaliação de parâmetros clí- coxa e a outra, à perna. Foram utili- em decúbito lateral; alongamento da nicos e funcionais pela escala de zados como referência o epicôndilo banda iliotibial com o paciente sen- Lysholm, avaliação da articulação lateral, o trocânter maior do fêmur e a tado e em bipedestação; e fortale- femoropatelar baseada em Karlsson et cabeça e o maléolo fibulares. De cimento isométrico do músculo qua- al.19 e escala visual analógica de dor; acordo com a mudança de posição dos dríceps da coxa durante um mini- também foi realizada avaliação física segmentos em questão, o potenciôme- agachamento com adução de quadril. do joelho comprometido por meio do tro alterava as tensões elétricas. Este Foram realizadas três repetições e teste de compressão patelar realizado podia ser calibrado em função de duração de 30 segundos cada. Todos sempre pelo mesmo avaliador1; e 3) posições previamente conhecidas; os pacientes avaliados aderiram ao avaliação da atividade eletromiográ- nesse caso, o sistema de referência programa de intervenção fisiote- fica dos músculos VM e VL, sincroni- adotado considerou que, na extensão rapêutica, sendo controlados os dias zada com um eletrogoniômetro completa de joelho, o ângulo medido de prática semanais e a qualidade de colocado no joelho com maior queixa pelo eletrogoniômetro seria de zero execução desses exercícios. Após a clínica no GFP, e no lado dominante grau, como sugerido por Winter23, intervenção o GFP foi reavaliado, no GC. Foram feitas três coletas com aumentando em função da flexão da duração de seis segundos, com fre- comparando-se os valores então articulação. Com base nos dados obtidos aos parâmetros iniciais. qüência de amostragem de 1000 Hz, eletromiográficos, a linha de base ou durante a execução de dois diferentes referência zero foi ajustada dos sinais movimentos de locomoção em brutos quando estes se apresentaram Tratamento estatístico cadência auto-selecionada: marcha no com off-set (linha de base fora do valor A análise comparativa das variáveis plano e agachamento a partir da posição de bipedestação com pés zero). A partir daí, os dados foram eletromiográficas, antropométricas e paralelos, realizando a tríplice flexão retificados em onda completa e as demográficas entre os grupos GC e GFP até 60º de flexão de joelho. Marcha e fases de cada movimento analisado foi realizada utilizando-se o teste t, agachamento foram selecionados por foram determinadas pelos dados do quando as variáveis apresentavam-se serem atividades funcionais utilizadas eletrogoniômetro. Após a retificação normais, e teste de Mann-Whitney no cotidiano dos participantes. do sinal e considerando cada fase de quando não normais. Já para a com- cada movimento analisado, os valores paração entre os grupos pré e pós- Para a avaliação eletromiográfica de RMS (root mean square, raiz intervenção, utilizou-se o teste t para dos músculos selecionados, foi utili- quadrada da média dos quadrados dos amostras pareadas quando as variáveis zado um eletromiógrafo da EMG valores do sinal EMG) foram calcula- eram normais, e teste de Wilcoxon System do Brasil com eletrodos diferenciais superficiais ativos pré- dos dentro desses intervalos de fases, quando não-normais. Quanto às amplificados com fator 20 no próprio como forma de representar a intensi- demais variáveis do estudo, foram eletrodo e fator 50 no amplificador, dade do sinal eletromiográfico. Essas representadas em termos de dis- colocados no ponto motor dos fases foram estabelecidas conhe- tribuição de porcentagens para os gru- músculos. Optou-se por colocar o cendo-se a biomecânica dos movi- pos e comparadas pelo teste Qui- eletrodo no ponto motor pois estudos mentos analisados de interesse para o quadrado ou teste exato de Fischer. comprovam que essa técnica permite estudo e comparando-as à variação Foram consideradas diferenças signifi- redução na possibilidade de ocorrer angular dada pela curva do eletro- cativas aquelas cujo nível de signi- cross-talk (aquisição do sinal EMG de goniômetro. ficância fosse inferior a 0,05. 18 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Sacco et al. Fisioterapia para a síndrome femoropatelar RESULTADOS A Tabela 2 apresenta os dados clíni- cos e funcionais dos sujeitos. Em (p=0,004) quanto pós (p=0,018); e na de Karlsson, pré (p=0,000) e pós A Tabela 1 apresenta a média e o relação à escala visual analógica de (p=0,0316). Não houve diferença es- desvio padrão das variáveis demo- dor, não houve mudança estatisti- tatisticamente significante na condição gráficas e características antropomé- camente significativa na dor relatada de pré para a pós no interior do GFP. tricas dos sujeitos de ambos os grupos, pelos sujeitos do GFP entre a situação A Tabela 3 apresenta a distribuição que não apresentaram diferenças pré e pós-tratamento (p>0,05). Inicial- de porcentagens de alinhamento estatisticamente significantes em mente todos os indivíduos do GFP postural dos pés, tornozelos e joelhos qualquer das variáveis analisadas apresentaram testes de compressão dos dois grupos nas condições pré e (p>0,05) – tratando-se, portanto, de patelar positivos, havendo redução de pós-tratamento fisioterapêutico. Em grupos homogêneos. Além disso, foi 50% após o tratamento (p=0,04). todas as variáveis posturais relaciona- verificado que, enquanto no GC todos Quanto aos valores da mediana dos das ao pé, tornozelo e joelho, os grupos os indivíduos eram fisicamente ativos, escores das escalas funcionais do apresentaram-se semelhantes (p>0,05), no GFP estes correspondiam a 50%. joelho, o GC obteve pontuação signi- porém nota-se tendência nos sujeitos O membro inferior direito foi o domi- ficativamente maior em relação ao com síndrome femoropatelar a apre- nante em todos os sujeitos. GFP nas escalas de Lysholm tanto pré sentarem número mais expressivo de arcos longitudinais rebaixados e joelho Tabela 1 Médias, desvios-padrão e distribuição por porcentagem de e tornozelos valgos em relação ao características dos grupos controle (GC) e com síndrome grupo controle, com diminuição dos femoropatelar (GFP) mesmos após o tratamento. Variáveis GC (n=5) GFP (n=6) A Tabela 4 apresenta a média, desvio Idade (anos) 27,0 ± 7,0 30,5 ± 8,8 padrão e nível de significância inter- Sexo masculino (%) 100 50 grupos dos valores do RMS da EMG Massa (kg) 71,2 ± 9,8 77,5 ± 24,7 (mV) para os músculos VM e VL duran- Estatura (cm) 170,0 ± 7,0 170,3 ± 10,3 te as tarefas locomotoras realizadas IMC (kg/m2) 24,6 ± 2,8 23,0 ± 3,2 pelos GC e GFP-pré e GFP-pós trata- mento fisioterapêutico. Durante a Fisicamente ativos (%) 100 50 tarefa de andar no plano, houve maior Dominância destra (%) 100 100 Tabela 2 Média, desvio-padrão, mediana e porcentagem das variáveis clínicas dos grupos controle (GC) e com síndrome femoropatelar (GFP) pré e pós-intervenção fisioterapêutica Variáveis GC (n=5) GFP pré (n=6) GFP pós (n=6) p Teste de Apley positivo (%) 0 16,6 0 - Teste de compressão patelar positivo (%) 0 100 * 50 * 0,045 * Teste de apreensão positivo (%) 0 0 0 - Teste de gaveta anterior positivo (%) 0 16,6 16,6 - Ângulo Q joelho avaliado (graus) 5,80 ± 1,64 8,00 ± 3,41 7,0 ± 2,5 > 0,05 Ângulo Q joelho contralateral (graus) 5,40 ± 1,14 6,33 ± 1,51 6,2 ± 1,3 > 0,05 Escala de Lysholm (mediana) 100 *, ** 66,5 * 80 ** 0,004* 0,018** Escala de Karlsson (mediana) 100 *, ** 58 * 81,5 ** 0,000 * 0,031** Ângulo Merchant (graus) -0,5 ± 23,4 - - Escala visual analógica de dor (cm) 0,0 4,08 ± 2,82 2,59 ± 1,97 > 0,05 *, ** valores estatisticamente significantes Tabela 3 Distribuição de porcentagens de alinhamento postural de arcos plantares, tornozelo e joelho dos grupos controle (GC) e com síndrome femoropatelar (GFP) Arco longitudinal Tornozelo plano frontal Joelho plano frontal Grupos normal rebaixado Varo Valgo Varo Valgo D E D E D E D E D E D E GC (n=5) 20 20 0 0 20 20 80 80 0 0 60 60 GFP pré (n=6) 0 0 33,3 33,3 50 66,6 66,6 66,6 0 16,6 50 50 GFP pós (n=6) 50 50 16,6 16,6 33,3 50 50 50 16,6 33,3 16,6 16,6 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 19
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    Tabela 4 Médiase desvios-padrão das variáveis de RMS da EMG dos músculos vasto lateral e vasto medial durante as tarefas locomotoras dos grupos controle (GC) e com síndrome femoropatelar (GFP) Movimento RMS (mV) GC (n=5) GFP pré (n=6) GFP pós (n=6) p Vasto medial 20,51 ± 5,49 20,44 ± 10,93 19,24 ± 13,07 Plano Vasto lateral 25,13 ± 13,10 18,53 ± 16,58 * 26,00 ± 11,09 * 0,0483* Vasto medial 44,31±16,25 * 44,75 ± 37,90 31,53 ± 16,04 * 0,0449* Agachamento descida Vasto lateral 35,11 ± 19,24 32,69 ± 20,49 41,09 ± 19,39 Vasto medial 37,07 ± 14,04 42,80 ± 35,83 28,77 ± 14,78 Agachamento subida Vasto lateral 35,80 ± 18,99 ** 31,62 ± 20,81 * 49,45 ± 19,35*,** 0,0407* 0,0452** *, ** valores estatisticamente significantes magnitude do valor de RMS do funcionais utilizadas. Os resultados ração da SFP, estudos em que os exer- músculo VL nos indivíduos do GFP-pós aqui obtidos, de aumento significativo cícios de alongamento fizeram parte em relação ao GFP-pré (p=0,0483) dos valores das escalas funcionais de do tratamento mostraram-se efetivos sendo que a atividade do GFP-pós se Lysholm e Karlsson após o tratamento, na redução da dor associada à dis- assemelha à ativação do GC. Já em estão de acordo com os de McConnell24 função (Crossley et al.26, Clark et al.27). relação ao músculo VM, os grupos quando afirma que, na SFP, o alívio Nos valores da RMS dos músculos apresentaram um padrão semelhante total das dores não é obtido com VL e VM nas atividades de andar no de ativação. Na tarefa de agacha- freqüência, mas somente em 30% dos plano e durante o agachamento não mento, foram considerados dois ciclos: pacientes. Esse aspecto é compreensível foi encontrada diferença de ativação descida e subida. Durante a descida o pois, como a dor não é intensa, os indi- entre indivíduos saudáveis e indivíduos músculo VM do GC apresentou maior víduos continuam a realizar atividades com SFP, o que é corroborado por valor de RMS comparado ao GFP-pós funcionais como agachar, caminhar etc. alguns estudos9,10,16. Os valores de RMS (p=0,0449) e semelhante ativação em Em relação à postura dos membros do músculo VM na tarefa de andar no relação ao GFP-pré (p>0,05). Já inferiores, não foi observada diferença plano não apresentaram diferenças durante o ciclo de subida o músculo significativa entre o GC e o GFP, tanto estatísticas entre o GC, GFP-pré e GFP- VL do GFP-pós apresentou maior valor pré como pós-tratamento. Foram porém pós. Já para o músculo VL, o GFP de RMS em relação ao GFP-pré observadas diferenças entre o GFP apresentou maior ativação durante o (p=0,0407) e ao GC (p=0,0452). quando comparamos o pré com o pós- andar no plano quando comparadas as tratamento, havendo uma diminuição condições pré e pós-tratamento. A importante nos arcos longitudinais ativação muscular do VL dos sujeitos DISCUSSÃO rebaixados, tornozelos e joelhos val- GFP-pós assemelhou-se à ativação dos gos, proporcionando um melhor ali- sujeitos do GC, indicando haver uma A hipótese inicial deste estudo era nhamento dos segmentos inferiores. função muscular normalizada em que o tratamento reduzisse a dor, me- Características semelhantes às obser- relação à condição pré-tratamento. lhorasse o alinhamento postural dos vadas neste estudo foram verificadas Esses dados mostram que o andar no membros inferiores e produzisse por Cabral7, que afirma que sujeitos plano não é a tarefa ideal para ser melhores e maiores respostas ele- com SFP apresentam algumas ca- realizada na reabilitação, uma vez tromiográficas nos pacientes, aproxi- racterísticas de alinhamento postural que não houve alteração de músculo mando-se daquelas encontradas no típicas tais como arcos longitudinais VM, um dos principais componentes grupo controle. Os dados mostram que, dos pés rebaixados, tornozelos valgos, estabilizadores ativos da patela28,29. embora tais respostas tenham melho- joelhos rodados e valgos. Durante a fase de descida no aga- rado, não houve diferença estatisti- Como o tratamento de fisioterapia chamento, o valor do RMS do músculo camente significante entre os grupos foi composto em sua maioria por exer- VM no GFP-pós foi menor quando na funcionalidade, no alinhamento cícios de alongamento, é possível comparado ao GFP-pré e ao GC. Por postural ou no aumento da atividade supor que estes, pela melhora da fle- se tratar de uma ação excêntrica da dos músculos vasto lateral e medial xibilidade que propiciam, tenham musculatura extensora de joelho, um após o tratamento de fisioterapia. contribuído para a diminuição dos fa- menor valor de RMS durante a descida Não foi observada diferença estatis- tores envolvidos na geração de dor e do agachamento poderia representar ticamente significativa na intensidade na funcionalidade, tendo como conse- menor recrutamento de unidades da dor, apesar de esta apresentar qüência o ganho de sarcômeros em motoras, sugerindo que a tarefa seria médias menores após o tratamento série 25. Embora não tenham sido realizada com maior eficiência no (Tabela 2). A presença de dor durante encontrados trabalhos que investi- controle e geração de tensão por esse ou após a realização de atividades é gassem exclusivamente o efeito de músculo e, portanto, menor gasto ener- uma das questões presentes nas escalas exercícios de alongamento na recupe- gético durante a sobrecarga30. Já na 20 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Sacco et al. Fisioterapia para a síndrome femoropatelar fase de subida do agachamento, os valores de RMS foram mais altos no mento em indivíduos com e sem SFP e não encontraram diferença esta- CONCLUSÃO músculo VL no GFP-pós em relação tisticamente significativa. ao GFP-pré e ao GC. Tal achado pode Foi possível identificar me- estar relacionado à maior tensão desse Algumas limitações foram lhora na funcionalidade, no alinha- músculo na tentativa de corrigir o observadas no decorrer do estudo, mento dos joelhos e pés e aumento da valgo de joelho, característica muito dentre as quais o fato de os indivíduos atividade dos músculos vasto lateral presente nos indivíduos com SFP. Estes terem realizado parte dos exercícios e medial após o tratamento fisiote- achados diferem daqueles obtidos em em casa após as orientações; e ainda, rapêutico em indivíduos com síndrome trabalho realizado por Tang et al.16, que de a amostra ter sido reduzida, possi- femoropatelar, principalmente na avaliaram a atividade eletromiográfica velmente induzindo a erro estatístico tarefa do agachamento. Não foi cons- dos músculo VL e VM durante agacha- do tipo beta. tatada melhora na dor. REFERÊNCIAS 1 Hoppenfeld S. Propedêutica ortopédica, coluna e 11 Fonseca ST, Cruz AB, Lima SS, Seixas AF. Análise extremidades. Rio de Janeiro: Atheneu; 1999. eletromiográfica dos músculos vasto medial oblíquo e vasto lateral em exercícios usados no tratamento 2 Reid DC. Sports injury assessment and rehabilitation. New da síndrome da dor patelofemoral. Rev Fisioter Univ York: Churchill Livingstone; 1992. p.345-98. Anterior knee São Paulo. 2001;8(1):1-10. pain and the patellofemoral pain syndrome. 12 Monteiro-Pedro V, Lobato DF, Antonelo MC, Say KG, 3 Fulkerson JP. Patologia da articulação patelofemoral. Santos GM, Grossi DB, et al. Avaliação isocinética Rio de Janeiro: Revinter; 2000. da propriocepção do joelho em indivíduos portadores 4 Ficat RP, Hungerford DS. Disorders of the patello- de disfunção femoropatelar assintomáticos. In: Anais femoral joint. Baltimore: Williams & Wilkins; 1977. do X Congresso Brasileiro de Biomecânica, Ouro Preto, 2003. Ouro Preto; 2003. p.352-5. 5 Karst GM, Willet, GM. Onset timing of eletromyographic activity in the vastus medialis 13 Kramer J, Handfield T, Kiefer G, Forwell L, oblique and vastus lateralis muscles in subjects with Birminghan T. Comparisons of weight-bearing and and without patellofemoral pain syndrome. Phys Ther. non-weight-bearing tests of knee proprioception 1995;75(9):813-23 performed by patients with patello-femoral pain syndrome and asymptomatic individuals. Clin J 6 Powers CM, Landel R, Perry J. Timing and intensity of Sports Med. 1997;7:113-8. vastus muscle activity during funcional activities in subjects with and without patellofemoral pain. Phys 14 Baker V, Bennell K, Stillman B, Cowan S, Crossley K. Ther. 1996;76(9):946-55. Abnormal knee joint position sense in individuals with patellofemoral pain syndrome. J Orthop Res. 7 Cabral CMN. Efeito dos exercícios em cadeia 2002;20(2):208-14. cinética fechada realizados no step na atividade elétrica dos componentes medial e lateral do 15 Wallace DA, Salem GF, Salinas R. Patellofemoral músculo quadríceps femoral. [dissertação Ufscar]. joint kinetics while squatting with and without an São Carlos; 2001. external load. J Orthop Sports Phys Ther. 2002;32(4):141-8. 8 Monteiro-Pedro V, Vitti M, Bérzin F, Bevilaqua-Grosso D. Eletromyographic activity of vastus medialis 16 Tang SF, Chen CK, Hsu R. Vastus medialis obliquus oblique muscle in step-up and step-down exercises. and vastus lateralis activity in open and closed Braz J Morphol Sci. 1997;14(1):19-23. kinetic chain exercises in patients with patellofemoral syndrome: an electromyographic 9 Souza AC, Molinero VR, Monteiro-Pedro V, Grossi study. Arch Phys Med Rehabil. 2001; 82(10):1441-5. DB. Atividade elétrica da relação vmo:vll em indivíduos com disfunção femoropatelar. In:Anais do 17 Escamilla RF, Fleisig GS, Zheng N. Biomechanics of X Congresso Brasileiro de Biomecânica, Ouro Preto, the knee during closed kinetic chain and open 2003. Ouro Preto; 2003. p.244-7. kinetic chain exercises. Med Sci Sports Exerc.1998;30(4):556-69. 10 Boucher JP, King MA, Lefebvre R, Pépin A. Quadriceps femoris muscle activity in patellofemoral 18 Kendall FP, McCreary EK, Provance PG. Músculos, pain syndrome. Am J Sports Med. 1992;20(5):527-32. provas e funções. 4a ed. São Paulo: Manole; 1995. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 21
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    Referências (cont.) 19Karlsson J, Thomeé R, Sward L. Eleven-year follow-up 26 Crossley K, Bnnell K, Green S, McConnell J A of patellofemoral pain syndromes. Clin J Sport Med. systematic review of physical interventions for 1996;6(1):22-6. patellofemoral pain syndrome. Clin J Sports Med. 20 Araújo RC. Utilização da eletromiografia na análise 2001;11:103-10. biomecânica do movimento humano. [tese Escola de 27 Clark DI, Downing N, Mitchell J, Coulson L, Syzpryt Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo]. São Paulo; 1998. EP, Doherty M. Physiotherapy for anterior knee pain: a randomized controlled trial. Ann Rheum Dis. 21 De Luca CJ. The use of surface electromyography in 2000;59:700-4. biomechanics. J Appl Biomech. 1997;13:135-63. 28 Morrish GM, Woledge RC. A comparison of the 22 Standards for Reporting EMG Data . J Electromyogr activation of muscles moving the patella in normal Kinesiol 1999;9 (1):3-4. subjects and in patients with chronic patellofemoral 23 Winter DA. The biomechanics and motor control of problems. Scand J Rehabil Med. 1997;29:43-8. human gait: normal, elderly and pathological. Waterloo: University of Waterloo; 1991. 29 Anderson R, Coutney C, Carmeli E. EMG analysis of the vastus medialis/vastus lateralis muscles utilizing 24 McConnell J. The management of chondromalacia the unloaded narrow-and-wide-stance squats. J Sports patellae: a long-term solution. Aust J Phys Ther. Rehabil. 1998;7(2):36-47. 1986;32:215-23. 25 Rosário JL, Marques AP, Maluf AS. Aspectos clínicos 30 Kisner C, Colby LA. Exercícios terapêuticos: do alongamento: uma revisão de literatura clínica. fundamentos e técnicas. 2a ed. São Paulo: Manole; Rev Bras Fisioter. 2004;8(1):1-6. 1992. 22 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Impacto sobre aquantidade de urina perdida de uma intervenção fisioterapêutica em idosas com incontinência urinária Impact of a physical therapy intervention on the quantity of urine loss among elderly women with urinary incontinence Elza Lúcia Lotti de Souza Baracho1; Rosângela Corrêa Dias2, Cristina Said Saleme3, Márcia Salvador Geo4, Cláudia Lourdes Soares Laranjeira5, Rachel Silviano Brandão Corrêa Lima5 1 Fisioterapeuta do Hospital RESUMO: Incontinência urinária (IU) é um problema de saúde comum entre Mater Dei, Belo Horizonte; mulheres idosas, podendo afetar estruturas e função do corpo, atividades e Profa. Assistente da Faculdade participação social. Tratamentos conservadores têm sido indicados como de Ciências Médicas de Minas Gerais alternativa para melhorar os sintomas de IU. O objetivo deste estudo foi verificar o impacto nos sintomas de perda urinária de um protocolo de exercícios 2 Fisioterapeuta; Profa. adjunta terapêuticos para o assoalho pélvico, associado a eletroestimulação vaginal. do Depto. de Fisioterapia da Participaram deste estudo quase-experimental 30 mulheres idosas (70,10±8,628 Universidade Federal de Minas Gerais anos) com diagnóstico de hiperatividade detrusora e incontinência mista, confirmado por estudo urodinâmico. Nas avaliações foram utilizados pad test 3 Fisioterapeuta de 24 horas e diário miccional. A intervenção consistiu em 12 sessões de 4 exercícios para o assoalho pélvico associadas a eletroestimulação vaginal. Médica uroginecologista; Coordenadora da UROMATER Os resultados mostram diferença significativa na quantidade de urina perdida – Unidade de Urodinâmica e medida pelo pad test após a intervenção (p=0,001), nos episódios de perda Disfunções Miccionais do (p=0,004) e na freqüência miccional (p=0,000). O protocolo de exercícios Hospital Mater Dei terapêuticos para assoalho pélvico associado a eletroestimulação vaginal teve 5 Médicas uroginecologistas, pois impacto positivo sobre a perda urinária, os episódios de perda e a freqüência membros da UROMATER miccional, levando à melhora clínica das pacientes. DESCRITORES: Incontinência urinária; Soalho pélvico; Terapia por exercício ENDEREÇO PARA ABSTRACT: Urinary incontinence (UI) is a common health problem among CORRESPONDÊNCIA elderly women that may affect body structure, functions, activities and Elza L. S. Baracho social participation. Conservative treatments are advocated as an alternative R. Padre Severino 103 Bairro to improve UI symptoms. This pre-post-one-group experimental study assessed São Pedro the impact onto urine loss of a protocol of pelvic floor exercises and vaginal 30330-150 Belo Horizonte MG electrical stimulation. Thirty elderly women (70.10±8.628 years old) with e-mail: diagnosis of overactive bladder and mixed UI (confirmed by urodynamic elzabaracho@veloxmail.com.br; exam) were submitted first to the 24-hour pad test and bladder diary, and 2 rcd@ufmg.br; subsequently to 12 therapeutic exercise sessions for pelvic floor muscles, 3 crica@cinemashop.com.br associated to electrical stimulation. There were statistically significant differences between the quantity of urine loss as measured by the 24-hour pad test (p=0.001), as well as in loss episodes (p=0.004) and in mictional frequency (p=0.000). The protocol of therapeutic exercises and pelvic floor muscle electric stimulation had thus a positive impact over symptoms of urine loss, number of loss episodes, and mictional frequency, assuring ACEITO PARA PUBLICAÇÃO patients‘ clinical improvement. jan. 2006 KEY WORDS: Exercise therapy; Pelvic floor; Urinary incontinence FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13 (1): 23-9 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 23
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    INTRODUÇÃO Observa-se variabilidade quanto aos protocolos propostos para o trata- idiopática ou IU mista, diagnosticada em estudo urodinâmico, avaliadas por A Sociedade Internacional de Con- mento de hiperatividade detrusora e um período de nove meses (março a tinência (ICS) define incontinência incontinência urinária mista, com dura- dezembro de 2003) no setor de urinária (IU) como qualquer perda invo- ção do tempo de tratamento variando fisioterapia aplicada a uroginecologia luntária de urina. Pode ocorrer em de 12 sessões a 6 meses12. Freqüen- do Hospital Mater Dei, em Belo qualquer período da vida, acometendo temente, o tratamento compõe-se de Horizonte (MG). igualmente homens, mulheres ou eletroestimulação transvaginal com Foram excluídas do estudo mulheres crianças1. Dentre os vários tipos de IU freqüências de 4 a 20 Hertz por 20 com idade inferior a 60 anos com IU a incontinência urinária de esforço, minutos e exercícios de fortalecimento de diagnóstico diferente da hiperati- incontinência urinária de urgência e da musculatura do assoalho pélvico, vidade detrusora idiopática ou inconti- incontinência urinária mista (IUM) são variando de 60 a 200 repetições nência mista; realizando reposição as mais prevalentes em mulheres1. diárias13. Portanto, a escolha do proto- hormonal ou usando medicamentos colo e tempo de tratamento podem A prevalência de IU na população que interferem no tratamento da IU interferir nos indicadores de cura e dos Estados Unidos está em cerca de (anticolinérgicos, antidepressivos); melhoras dos sintomas nas mulheres 6%, variando de acordo com idade pacientes com cardiopatias graves ou com incontinência urinária por hipera- (acometendo mais idosos) e sexo (aco- doenças que contra-indicassem a tividade detrusora e incontinência uri- metendo mais mulheres)2. No Brasil, prática do programa de exercícios; nária mista12. apesar dos poucos estudos sobre diabéticas; com presença de alteração prevalência e incidência de IU, esti- A avaliação de IU é complexa em cognitiva que dificultasse a compreen- ma-se que existam mais de 13 milhões função do amplo espectro de alte- são dos procedimentos; portadoras de de mulheres acometidas pelos diferen- rações geradas pelos sintomas de doenças neurológicas; e pacientes que tes tipos da doença3. urgência, freqüência e noctúria. Pode não podiam ser submetidas ao uso de ser avaliada considerando-se critérios eletrodo vaginal por alguma doença A IU leva a sintomas que têm reper- subjetivos, semi-objetivos e obje- presente e/ou pela integridade do cussões nas atividades diárias e na tivos14. Dentre as possibilidades para hímen. participação social das mulheres4. É avaliar resultados de intervenções uma importante causa de constran- Este estudo, categorizado como terapêuticas o pad test ou teste do pro- gimento social, podendo levá-las a quase-experimental, foi aprovado pelo tetor é um dos testes mais simples, depressão, ansiedade e medo de se Comitê de Ética em Pesquisa do objetivos e aplicáveis na prática clí- apresentar em público, limitando Hospital Mater Dei. As pacientes nica, sendo recomendado pela ICS dessa forma seus papéis profissional e foram esclarecidas sobre o tratamento (1988) para quantificação da perda social5. e a pesquisa. As que concordaram em urinária. Assim, juntamente com o participar assinaram um termo de O tratamento da IU pode ser conser- diário miccional, é considerado um consentimento livre e esclarecido. vador ou cirúrgico6. Há cerca de 200 padrão semi-objetivo para avaliar a diferentes técnicas cirúrgicas descritas eficácia de tratamentos clínicos. O com índices variados de cura e fatores diário miccional de 24 horas fornece Procedimentos de risco, mas nenhuma delas garante uma acurada medida do volume de As avaliações inicial e final de resultados confiáveis em longo prazo7. urina, freqüência miccional, episódios todas as pacientes foram feitas pelo O tratamento conservador inclui exer- de perdas urinárias, e tipo e volume mesmo fisioterapeuta, que não par- cícios de fortalecimento do assoalho dos líquidos ingeridos7. ticipou do tratamento. O tratamento pélvico e eletroestimulação vaginal, O objetivo deste estudo foi avaliar fisioterápico foi realizado por quatro biofeedback, cones vaginais e orien- o efeito de um protocolo de interven- fisioterapeutas familiarizadas e treina- tações básicas comportamentais8, os ção fisioterapêutica, composto de exer- das na aplicação do protocolo do estu- quais apresentam benefícios potenciais cícios para a musculatura do assoalho do. O avaliador, as fisioterapeutas e e, portanto, devem ser considerados pélvico associados à eletroestimula- as pacientes foram mascarados em tratamentos de primeira escolha9. É ção vaginal, sobre a quantidade de relação aos resultados até o término uma terapêutica que se mostra eficaz urina diária perdida por mulheres do tratamento. principalmente quando avaliada, idosas com IU. prescrita, conduzida e supervisionada Na avaliação fisioterapêutica foi adequadamente por um profissional da realizado levantamento da história saúde, neste caso o fisioterapeuta10. Sabe-se que a musculatura de assoalho METODOLOGIA uroginecológica pregressa, exame físico constituído por exame postural pélvico com função deficiente ou Participaram do estudo 30 pacientes e classificação da atividade muscular inadequada é um fator etiológico do sexo feminino portadoras de IU de do assoalho pélvico, de zero a cinco, relevante na ocorrência de IU6,11. urgência por hiperatividade detrusora por meio da avaliação subjetiva10. Foi 24 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Baracho et al. Impacto de fisioterapia em idosas com IU feita uma única sessão de conscienti- perda urinária no período; além de (soma dos volumes urinados em 24 zação da contração do assoalho pélvico permitir a confirmação das queixas, o horas, dividida pelo número de micções por meio do aparelho de biofeedback pad test é parâmetro para controle do ocorridas no dia). para que, nas sessões subseqüentes, as tratamento. Os protetores, escolhidos Após a primeira avaliação, as pacientes pudessem executar os exer- individualmente pelas pacientes, pacientes seguiram o protocolo de cícios de forma adequada. Durante a foram encaminhados para pesagem cinesioterapia para musculatura do contração muscular, a eletromiografia junto com um absorvente seco, refe- assoalho pélvico. Eram realizados seis de superfície oferece informações rencial para comparações. Os prote- exercícios (Quadro 1), sendo cinco em sobre as fibras fásicas, que produzem tores usados foram guardados em decúbito dorsal e um sentado, uma contrações de máxima amplitude e recipientes hermeticamente fechados, série de dez repetições para cada curta duração, e sobre as fibras tônicas, mantidos sob temperatura ambiente, exercício. Inicialmente foi solicitado que produzem contrações de menor fora do alcance da luz solar, e ao fim que sustentassem a contração por seis amplitude e maior tempo de duração15. das 24 horas foram pesados em uma segundos; de acordo com a tolerância A sessão consistia de uma única con- balança digital de alta precisão da paciente, progrediu-se até o tempo tração sustentada de 12 segundos, com (Pelouse model-PE-5) e comparados a máximo de 12 segundos. As pacientes tempo de repouso de 24 segundos, para um modelo idêntico. foram orientadas a seguir um programa conscientização das fibras tônicas e, No diário miccional, a paciente domiciliar que constava dos três pri- posteriormente, de 5 contrações rápidas anotava durante 24 horas o horário e meiros exercícios do protocolo. Esses para conscientização das fibras fásicas. o volume de cada ingestão líquida exercícios deveriam ser feitos diariamen- O aparelho de biofeedback utili- (copo padrão de 240 ml) e de cada te durante o período de tratamento. Foi zado (MyoTrac 3G EMG System de micção (béquer milimetrado de 1000 orientado um tempo de relaxamento dois canais) tem as seguintes especi- ml), os sintomas apresentados e núme- de duas vezes o tempo de contração ficações: fibra óptica conectada ao ro e tipo de episódios de inconti- entre cada repetição, tanto nos exer- computador, resolução de 0,1 microvolt; nência. Com os dados, calculou-se a cício supervisionados quanto nos modo de rejeição e sinais de impe- média funcional da capacidade vesical exercícios domiciliares. dância de um milhão de MegaOhms. É composto por sensores de superfície Quadro 1 Descrição do protocolo de exercícios terapêuticos ativa, eletrodo terra, uma sonda vaginal Posição Exercício* e um monitor de vídeo que amplifica a resposta fisiológica, convertendo-a em 1 Decúbito dorsal Quadril e joelhos fletidos, pés apoiados no chão, contrair a musculatura do assoalho pélvico. informações visuais, indicando pico máximo, média, desvio padrão e 2 Decúbito dorsal Quadril e joelhos fletidos, apoiados sobre uma coeficiente de variação da atividade almofada, contrair a musculatura do assoalho elétrica registrada em mV. Os eletro- pélvico. dos de superfície não requerem prepa- ração da pele, porém neste estudo a 3 Decúbito dorsal Quadril e joelhos fletidos, colocar uma bola de pele foi limpa com algodão e álcool tênis entre os joelhos e comprimi-la levemente. absoluto na região da crista ilíaca. Dois Contrair a musculatura do assoalho pélvico. Repetir terços da sonda foi introduzida na va- esse exercício com a bolinha posicionada entre o gina por meio de um gel lubrificante terço médio e depois proximal da coxa. aquoso. Foi solicitada uma contração do assoalho pélvico, e essa era visuali- 4 Decúbito dorsal Pés apoiados na parede com os membros Inferiores em abdução, flexão e rotação externa, contrair a zada pelo monitor do computador musculatura do assoalho pélvico gerando um aprendizado e conscien- tização desses músculos. Um segundo 5 Decúbito dorsal Quadril e joelhos fletidos com pequena almofada canal também foi ativado. Três eletro- entre os joelhos, apertá-la levemente, contraindo a dos de superfície foram colocados na musculatura do assoalho pélvico parede abdominal, a fim de certificar que essa musculatura não era recrutada 6 Sentada Bem posicionado em uma cadeira, contrair a com a mesma intensidade durante a musculatura do assoalho pélvico contração do assoalho pélvico. * Em todos os exercícios a contração máxima da musculatura era sustentada Antes de iniciar a intervenção, as durante 12 segundos, com 24 segundos de relaxamento. Na primeira semana, pacientes submeteram-se ao diário foram feitas 10 repetições de cada exercício e, nas semanas seguintes, 20 miccional e ao pad test de 24 horas, que informa a quantidade objetiva da repetições. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 25
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    O programa deeletroestimulação inicial. Para manter o controle das detrusora idiopática ou incontinência vaginal foi realizado utilizando o apa- variáveis, todas as pacientes foram urinária mista, confirmada por exame relho Dualpex 961 (Quarck Produtos reavaliadas até no máximo 48 horas urodinâmico. Quatro das avaliadas Médicos), com uma sonda com quatro após a última sessão. foram excluídas por razões de saúde, anéis de metal, que era introduzida por não se enquadrar nos critérios de Estatísticas descritivas foram reali- com auxílio de gel lubrificante aquoso. inclusão após a avaliação urodinâmi- zadas para as variáveis do estudo. Foi As pacientes foram submetidas à ca, ou por não desejarem participar utilizado o teste t de Student, para estimulação durante 20 minutos, da pesquisa, e três por terem idade in- amostras pareadas no tratamento das utilizando-se os seguintes parâmetros: ferior a 60 anos. Como as perdas foram variáveis que tiveram distribuição 10 minutos utilizando freqüência(f) de pequenas e o cálculo prévio para de- normal (volume máximo, volume 50Hz, duração do pulso(t) 500 ms, terminar o tamanho da amostra indicou urinado e freqüência miccional), e o tempo de sustentação da contração que seriam necessárias 14 pacientes Wilcoxon Rank Test para as variáveis muscular de seis segundos, tempo de para se obter uma diferença estatística episódios de perda urinária, ingestão repouso igual a duas vezes o tempo significante após a intervenção, opta- líquida, quantidade de urina perdida de sustentação. Nas pacientes com mos por não realizar análise da inten- (pad test) e volume médio. As análises hiperatividade detrusora, seguiam-se ção de tratar. estatísticas foram feitas no programa 10 minutos de aplicação de corrente SPSS 12.0 e conduzidas no nível de A média das idades das participan- de baixa freqüência (4Hz) para inibir significância ∝= 0,005. tes foi de 70,10 ± 8,63 anos, variando a musculatura detrusora. O aparelho entre 60 e 87 anos. Quanto ao nível é específico para tratamento de incon- de escolaridade, 46,9% tinham o 2º tinência urinária e as freqüências utili- zadas foram baseadas na literatura8. RESULTADOS grau completo (n=15), 40,6% o 1º grau completo (n=13) e 12,4% o 3º grau A periodicidade das sessões, tanto Características da amostra completo (n= 2). de cinesioterapia quanto de eletroesti- A Tabela 1 mostra a estatística mulação vaginal, foi de duas vezes Das 37 pacientes avaliadas no Setor descritiva dos dados relativos à perda semanais, totalizando 12 sessões, de Fisioterapia do Hospital Mater Dei de urina medida pelo pad test antes e realizadas durante um período de um no período estipulado, 30 foram in- após a intervenção fisioterapêutica; a mês e meio. Terminado o protocolo, cluídas no estudo por terem incon- percentagem de mulheres com perda as pacientes foram reavaliadas pelos tinência urinária por hiperatividade urinária que tiveram pad test negativo mesmos procedimentos da avaliação (=4g) passou de 6,7% (n=2) para 30,0% (n=9) após a intervenção. Tabela 1 Estatística descritiva e distribuição dos resultados para o pad test inicial e final (n=30) O teste não-paramétrico de Wilcoxon Pad test (g) Média±DP Mediana > 4 g* =4 g* para amostras pareadas indicou dife- Min/Max n (%) n (%) rença significativa entre as medidas Inicial 39,17±41,33 23,00 28 (93,3) 21 (70,0) inicial e final do pad test (Z= -2,951; p=0,003). Os resultados obtidos, como 2 / 151 ilustra o Gráfico 1, permitem afirmar Final 33,03±67,34 8,00 2 (6,7) 9 (30,0) que as medidas dessa variável antes 0 / 270 do tratamento são maiores do que as * Pontos de corte da Sociedade Internacional de Continência (ICS); DP = desvio padrão; obtidas após o mesmo: a média inicial Min/Max= valores mínimos e máximos de 23 g passou para 8 g após o término das 12 sessões de intervenção. 25 Não foi encontrada diferença entre a ingestão líquida (z= -0,357; p=0,721) 20 e entre a média do volume de urina Média (g) 15 em 24h (z= -1,635; p=0,102) antes e após o tratamento. Porém, a diferença 10 do número de episódios de perda 5 urinária antes e após o tratamento foi significativa (z= -2,877; p=0,004). O 0 teste t para amostras pareadas de- Pad test inicial Pad inicial Pad test final Pad test final monstrou também não haver diferença significante entre o volume máximo Gráfico 1 Média das medidas do pad test antes e após a intervenção de urina antes e após o tratamento fisioterapêutica (n=30) 26 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Baracho et al. Impacto de fisioterapia em idosas com IU Tabela 2 Episódios de perda urinária e volume médio urinado, obtidos pelo transvaginal pode ser efetiva para o diário miccional de 24 h no início e no final do tratamento (n=30) tratamento da hiperatividade detrusora Item do diário miccional Média±DP p com ou sem IU de esforço, sendo mais Episódios de perda urinária (vezes/24h) indicada que o cirúrgico para as Inicial 2,33±1,97 pacientes com diagnóstico de hipera- tividade detrusora. No presente estudo, Final 1,23±1,65 0,004 mesmo tendo sido associadas ele- Volume médio urinado (ml) troestimulação vaginal e cinesioterapia Inicial 180,81±59,53 para assoalho pélvico, percebemos a Final 200,85±83,31 0,000 eficácia dessa alternativa de tratamento na redução dos sintomas de perda (t= -1,454; p=0,157). Mas mudanças venção, variando a percentagem de urinária, o que reforça sua utilização. significativas (t= -4,785; p=0,000) melhora entre 40 e 80%. As medidas Lose et al.20 demonstraram haver ocorreram na comparação da fre- utilizadas para demonstrar eficácia 90% de correlação do pad test de 24 qüência miccional em 24h antes e também não seguem um padrão17,18. horas com história de incontinência após o tratamento (Tabela 2). A média urinária por esforço em 31 mulheres. Soroka et al.2 realizaram uma revisão inicial do número de vezes que a Esse resultado foi melhor quando sistemática com estudos clínicos sobre paciente urinou em 24h foi de comparado com estudos de outros tratamentos de incontinência em 10,96±3,35 e a final, de 9,00±2,44. autores. Tal correlação é um dado mulheres tendo como medida do des- fecho primário o pad test. O objetivo importante, pois os resultados do nosso estudo demonstram que o pad test se DISCUSSÃO foi verificar se os estudos seguiam ou não as recomendações da ICS. Con- mostrou sensível, conseguindo de- Este estudo investigou o impacto, cluíram que a variedade de pad tests tectar a melhora dos sintomas após a sobre a quantidade de urina perdida, utilizados para quantificar o grau de intervenção terapêutica. da aplicação de um protocolo fisiote- perdas urinárias dificultava a compa- O pad test apresenta limitações que rapêutico de 12 sessões, baseado em ração dos estudos selecionados. Obser- podem influenciar os resultados, como exercícios terapêuticos para a muscula- varam que testes de curta duração (pad a existência de diversas marcas do tura do assoalho pélvico e eletroesti- test de uma hora), apesar da fácil apli- absorvente e a diferença de peso entre mulação vaginal de mulheres porta- cação, rapidez dos resultados, facili- eles em um mesmo pacote. No pre- doras de IUM e IU por hiperatividade dade para monitorar as pacientes e sente estudo alguns critérios foram detrusora idiopática. As medidas risco menor de erros devido à evapo- adotados para controlar essas falhas. utilizadas foram o pad test e o diário ração da urina acumulada, não forne- As pacientes foram orientadas a utili- miccional de 24 horas. cem evidências das perdas durante todo zar, tanto no teste inicial quanto no o dia, o que pode ser verificado em final, a mesma marca de absorvente Os resultados indicaram melhora testes mais longos, como o de 24 horas. e os pesos dos mesmos foram confe- significativa (p=0,003) no pad test de 24 horas, evidenciando o impacto Apontaram também vantagens do ridos em todo o pacote, sendo ex- positivo do protocolo de tratamento pad test como instrumento de medida cluídos aqueles com pesos diferentes. proposto sobre os sintomas de perda por não ser invasivo, ter baixo custo e Mesmo o pad test sendo sensível urinária na população investigada. Os ser de fácil realização. Entretanto, a às mudanças clínicas após intervenção, dados referentes aos episódios de perda falta de padronização específica algumas falhas ocorreram em nosso urinária (p= 0,004) e freqüência miccional quanto à freqüência da troca dos estudo. A falta de padronização do em 24 horas (p= 0,000) colhidos pelo protetores, duração do teste inicial e tempo do uso do absorvente pode ter diário miccional também indicaram final, volume urinado relevante, influenciado os resultados, pois a significativa redução. métodos estatísticos adequados para evaporação de urina e perdas de analisar os resultados constitui um líquido na roupa deveriam ter sido A heterogeneidade dos relatos na problema metodológico em sua consideradas. Suspeita-se também de literatura, com diversos tratamentos, realização. falhas pela falta de comprometimento protocolos, medidas de eficácia e de avaliação dificultam comparações Brubaker et al. 19, em um estudo das pacientes, incompreensão na com nossos resultados. Há uma grande experimental, aleatório e duplo-cego execução do teste e até mesmo de variabilidade quanto ao tempo de tra- objetivaram determinar a eficácia aumento da ingestão hídrica, por tamento e número de sessões 4,14,16. objetiva e subjetiva da eletroestimula- mudanças climáticas ou distúrbios Estudos encontrados apresentam desde ção transvaginal para o tratamento de emocionais. protocolos de 10 sessões (um mês de IU de esforço, de urgência e mista. No presente estudo, 9 (30%) pacien- fisioterapia) a seis meses de inter- Concluíram que a eletroestimulação tes obtiveram cura e 21 (70%) dimi- FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 27
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    nuíram ou mantiverama quantidade Payne22 demonstrou a efetividade da de 100% em nível ambulatorial. de urina perdida, de acordo com o terapia comportamental por meio de Contudo, não foi possível quantificar ponto de corte de quatro gramas, o que exercícios do assoalho pélvico, educa- a adesão no nível domiciliar. se traduz em melhora dos sintomas ção e mudanças de hábitos, defenden- clínicos. do a implementação dessas medidas Quanto à análise semi-objetiva de em programas de tratamento tanto de CONCLUSÃO sintomas feita pelo diário miccional, IU por hiperatividade detrusora como de IUM. A incontinência urinária é uma pôde-se perceber que houve melhora afecção de grande prevalência em significativa em algumas variáveis. Segundo Wilson23, a cinesioterapia mulheres idosas, para a qual existem Esses resultados são corroborados por e a eletroestimulação vaginal pro- variadas formas de tratamentos algumas pesquisas que consideram o duzem uma melhora substancial ou fisioterapêuticos, medicamentosos e diário miccional uma medida impor- até mesmo cura nas mulheres com cirúrgicos. O presente estudo confirma tante16,21. Al-Mulhim et al.5, utilizando incontinência urinária de esforço, os achados da literatura, no que se cinesioterapia, eletroestimulação e hiperatividade detrusora e IUM, refere ao benefício do tratamento treino da bexiga por meio do diário corroborando alguns achados do miccional em mulheres idosas com conservador fisioterapêutico, baseado presente estudo. em cinesioterapia e eletroestimulação hiperatividade detrusora, observaram diferenças (p=0,0001) no aumento dos Existem controvérsias na literatura vaginal em mulheres com IU sobre a intervalos de micção, na diminuição quanto ao tempo ideal para o tra- perda urinária, tendo como medida de do volume residual e na freqüência tamento conservador utilizando exer- resultado da intervenção o pad test de miccional. Concluíram que a realiza- cícios e eletroterapia para IU4,14,16. São 24 horas. Com o impacto positivo ção adequada de exercícios durante porém considerados fatores importantes obtido pelo tratamento, pode-se inferir oito semanas, combinados com eletro- para o sucesso do tratamento a mo- que a utilização de um tratamento estimulação vaginal, treino da bexiga tivação da paciente para continuidade fisioterapêutico em mulheres idosas é e restrições de líquidos, é modalidade do programa em nível domiciliar. um procedimento não invasivo, efetiva de tratamento para pacientes Neste estudo a taxa de adesão ao prático e de baixo custo e eficaz, idosas com hiperatividade detrusora. tratamento por parte das pacientes foi mesmo em um curto espaço de tempo. 28 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Baracho et al. Impacto de fisioterapia em idosas com IU REFERÊNCIAS 1 Abrams PH, Cardozo L, Fall M. The standardization of 13 Bo K, Talseth T, Vinsnes A. Randomized controlled terminology of lower urinary tract function: report from trial on the effect of pelvic floor muscle training on the standardization sub-committee of the International quality of life and sexual problems in genuine stress Continence Society. Urology. 2003;61:37-49. incontinent women. Acta Obstet Gynecol Scand. 2 Soroka D, Drutz H, Glazener C, Hay-Smith E, Ross S. 2000;79:598-603. Perineal pad test in evaluating outcome of treatments 14 Berghmans, B, van Waalwijk van Doorn E, Nieman for female incontinence: a systematic review. Int F, de Bie R, van den Brandt, van Kerrebroeck P. Urogynecol J. 2002;13:165-75. Efficacy of physical therapeutic modalities in women 3 Mendonça M, Reis RV, Macedo CBMS, Barbosa KRS. with proven bladder overactivity. Eur Urol. Prevalência da queixa de incontinência urinária de 2002;41:581-7. esforço em pacientes atendidas no Serviço de 15 Rett MT, Simões A, Herrmann V, Marques AA, Morais Ginecologia do Hospital Júlia Kubitschek. J Bras SS. Existe diferença na contralidade da musculatura Ginecol. 1997;107:153-5. do assoalho pélvico feminino em diversas posições? 4 Cammu H, Van Nylen M, Amy JJ. A 10-year follow- Rev Bras Ginecol Obstet. 2005;27(1):20-3. up after Kegel pelvic floor muscle exercises for 16 Holtedahl K, Verelst M, Schiefloe A. A population- genuine stress incontinence. BJU Int. 2000;85:655-8. based randomized, controlled trial of conservative 5 Al-Mulhim AA, Al-Gazzar SA, Bahnassy AA. treatment for urinary incontinence in women. Acta Conservative treatment of idiopathic detrusor instability Obstet Gynecol Scand. 1998;77:671-7. in eldery women. Saudi Med J. 2002;23(5);543-5. 17 Morkved S, Bo K. Effect of postpartum pelvic floor 6 Wagner TH, Patrick DL, Bavendam TG, Martin ML, muscle training in prevention and treatment of Buesching DP. Quality of life of women with urinary urinary incontinence: a one-year follow-up. BJOG. incontinence: further development of the incontinence 2000; 107:1022-8. quality of life instrument (I-QOL). Urology. 1996;53:71-6. 18 Amuzu BJ. Nonsurgical therapies for urinary 7 Chiarelli P. Incontinence: the pelvic floor function. incontinence. Clin Obstet Gynecol.1998;41:702-11. Aust Fam Physician. 1989;18:949-57. 19 Brubaker L. Transvaginal eletrical stimulation for 8 Culligan JP, Heit M. Urinary incontinence in women: female urinary incontinence. Am J Obstet evaluation and management. Am Fam Physician. Gynecol.1997;55:536-40. 2000; 62:2433-4. 20 Lose G, Jorgesen TJ, Thunedborg P. Twenty-four hour 9 Smith JJ 3rd. Intravaginal stimulation randomized pad weighing test versus one-hour wart test in the trial. J Urol. 1996;155:127-30. assessment of mild stress incontinence. Acta Obstet Gyneacol Scand. 1989;68:211-5. 10 Mattiasson A. Discussion: bladder and pelvic floor muscle training for overactive bladder. Urology. 21 Locher JL, Goode PS, Roth DL, Worrell RL, Burgio 2000;55(5A):12-3. KL. Rehability assesment of the bladder diary for urinary incontinence in older women. J Gerontol. 11 Holley RL, Varner RE, Kerns DJ, Mestecky PJ. Long- 2001; 56A:M32-5. term failure of pelvic floor musculature exercises in treatment of genuine stress incontinence. South Med 22 Payne CK. Behavioral therapy for overactive bladder. J.1995;88:547-9. Urology. 2000;55(5A):3-6. 12 Artibani W, Andersen JT, Gagewfki JB, Ostergard DR, 23 Wilson PD, Samarrai T, Deakin M, Koelbe E, Brown HAZ S, Tubaro A, et al. Imaging and other investigations. ADG. An objective assessment of physiotherapy for In: 2nd International Consultation on Incontinence. 2nd female genuine stress incontinence. BJOG. ed. Paris: Plymbridge Distributors; 2002. p.427-77. 1987;84:575-82. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 29
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    Evolução clínica damarcha em um indivíduo com lesão medular incompleta: relato de caso Clinical evolution of gait in a subject with incomplete spinal cord injury: case report Wagner Monteiro1, Fernanda Fregni da Silva2, Ismael Fernando de Carvalho Fatarelli3 1 Fisioterapeuta do Laboratório RESUMO: É apresentada a evolução clínica da marcha de um indivíduo com de Biodinâmica da Univap história de lesão medular incompleta, de etiologia traumática em nível vertebral (Universidade do Vale do C-5, após 10 sessões de reabilitação durante um período de 22 dias em esteira Paraíba, SP); Prof. MSc em Engenharia Biomédica da FAPI rolante instrumentada. A evolução foi analisada quantificando-se a força (Faculdade de vertical resultante de reação do solo, produzida durante a marcha do indivíduo. Pindamonhangaba, SP) Na comparação entre os dados coletados dos membros inferiores antes e depois 2 do tratamento, verificaram-se alterações positivas nos valores referentes às Fisioterapeuta; Profa. MSc do Curso de Fisioterapia da variáveis segundo pico de força e centro de pressão, revelando que o tratamento Univap e da FAPI permitiu uma otimização na capacidade de projeção corporal em relação ao próximo passo e melhora do equilíbrio, em virtude da diminuição da oscilação 3 Fisioterapeuta; Prof. Dr. do corporal durante a marcha. Laboratório de Controle Motor da Unicamp (Universidade DESCRITORES: Marcha/ Biomecânica; Reabilitação; Traumatismos da medula espinhal Estadual de Campinas, SP) ENDEREÇO PARA ABSTRACT: This article reports the clinical evolution of gait in an individual CORRESPONDÊNCIA with history of incomplete spinal cord injury, with traumatic etiology in Wagner Monteiro vertebral level C-5, after 10 sessions of rehabilitation along a period of 22 R. Dr. Orlando Feirabend Filho days in an instrumented treadmill. The gait evolution was analyzed 51 apto. 73 Jardim Aquarius quantifying the vertical resultant of ground reaction force produced during 12246-190 São José dos Campos SP the subject’s gait. When comparing data collected from the lower limbs e-mail: wagfisio@yahoo.com.br before and after treatment, positive changes were noticed in the variables second force peak and center of pressure. These results show that the proposed treatment brought about an improvement in the capacity of corporal projection in relation to the next step, as well as an improvement in balance, ACEITO PARA PUBLICAÇÃO due to reduction of corporal oscillation during gait. jul. 2005 KEY WORDS: Gait/ Biomechanics; Rehabilitation; Spinal cord injuries 30 12(3) FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 30-6
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    Monteiro et al. Evolução da marcha em lesão medular incompleta INTRODUÇÃO as alterações funcionais, métodos de aferição precisos têm possibilitado a pelo paciente, consistindo a reabilitação em treinamento da marcha em esteira A marcha humana é uma tarefa que análise dos aspectos quantitativos das rolante instrumentada. Foram reali- exige coordenação e sincronismo en- variáveis cinemáticas e cinéticas du- zadas 10 sessões de fisioterapia, duran- tre as estruturas musculoesqueléticas rante o movimento humano 16. No te 22 dias. Nesse período, não foram e neurossensoriais, para que os movi- presente estudo, devido às alterações instituídos protocolos convencionais mentos sejam realizados de maneira locomotoras geradas em razão de de reabilitação de marcha, preconi- harmoniosa e sinérgica1. Cavagna et al.2 lesão medular, foi quantificada a zando-se apenas a reabilitação da formularam que, durante cada passo evolução da marcha em um indivíduo marcha em solo móvel (esteira rolante da marcha humana, o centro de massa tetraparético, decorrente de uma lesão instrumentada). O indivíduo foi orien- corporal (CMC) é projetado sobre o medular incompleta, submetido ao tado a não realizar quaisquer exer- membro de suporte, tal como um tratamento fisioterapêutico. A finali- cícios domiciliares, a fim de controlar “pêndulo invertido”. Durante a loco- dade deste foi investigar as alterações o protocolo de reabilitação proposto, moção, os movimentos podem ser cinemáticas e cinéticas na marcha, para que suas atividades em casa não comparados mecanicamente aos de após um programa de reabilitação em influenciassem os resultados do expe- um pêndulo invertido 3, porém no esteira rolante. A hipótese centrou-se rimento. Em cada sessão, o indivíduo aspecto neural existem mecanismos na possível otimização das variáveis deambulou por um período de apro- de modulação bastante complexos, cinemáticas e cinéticas, seja decor- ximadamente 45 minutos em velo- responsáveis pelo controle desses rente da reabilitação da marcha estru- cidade fisiológica predefinida. movimentos1,4. A automatização da turada no treinamento em esteira ro- marcha ocorre por uma rede neural lante, seja pela evolução temporal. Instrumentos denominada Gerador de Padrão Central (GPC)5,6,7. Esse gerador é responsável Para a coleta dos dados referentes por padrões motores rítmicos resultan- METODOLOGIA à marcha foi utilizada uma esteira tes de processos excitatórios e inibi- rolante instrumentada do sistema Foram investigados os parâmetros tórios dos membros inferiores durante Gaitway™. Essa esteira tem duas pla- cinemáticos, temporais e cinéticos da os movimentos3. Basicamente, há uma taformas de força com um sistema de marcha em um indivíduo com história excitação da musculatura agonista e sensores piezoelétricos da marca de lesão medular incompleta por uma inibição da antagonista em um Kistler Inc. O equipamento possibilita mecanismo de compressão vertebral membro, o contrário ocorrendo simul- controlar a velocidade e a inclinação em C-5, classificado como ASIA D de taneamente no contra-lateral8,9,10. Além da esteira durante a marcha, bem acordo com a American Spinal Injury da participação do GPC, o ato loco- como registrar as variáveis relaciona- Association17. Também foram anali- motor também conta com um refinado das à força vertical resultante de sados os deslocamentos ântero-poste- processo de integração de informações reação do solo (FVRRS) em um com- riores e médio-laterais do centro de sensoriais periféricas e supra-espinhais4,11. putador interligado. pressão (CP). A primeira análise da Portanto, se existe um controle bastante marcha foi realizada 150 dias após a sofisticado para a realização da marcha, certamente disfunções neurológicas história inicial do trauma medular. O Procedimento experimental paciente seguiu um programa de inter- provenientes de lesões na medula es- Para a realização do experimento, venção fisioterapêutica durante 10 pinhal podem desencadear importantes foi obtida a aprovação do Comitê de sessões, sendo uma reavaliação condu- comprometimentos nas características Ética em Pesquisa da UNIVAP. Com o zida após essas sessões. Na análise neuromecânicas da locomoção12. consentimento esclarecido do inicial, o indivíduo tinha marcha inde- De fato, em casos de lesões medu- pendente. Entretanto, ao exame clíni- paciente, foram realizadas as coletas lares, isso ocorre principalmente pelo co pôde-se detectar incoordenação e de dados. O procedimento experi- déficit da capacidade de modulação déficit de equilíbrio. A avaliação mental durante a coleta consistiu da atividade muscular após a secção fisioterapêutica foi conduzida no Setor primeiramente de uma fase de adapta- medular. Então, se a lesão medular po- de Reabilitação Neurofuncional Adul- ção do indivíduo durante a marcha na de desencadear importantes compro- to da Faculdade de Ciências da Saúde esteira. O tempo de adaptação foi metimentos à locomoção humana, da Universidade do Vale do Paraíba estipulado em 10 minutos de cami- estudos recentes demonstram respos- (UNIVAP). No momento da avaliação nhada na esteira antes da coleta18. Foi tas efetivas ao treinamento em esteira inicial, o indivíduo tinha 20 anos, realizada uma coleta com cinco aqui- rolante, com suporte de peso corporal, altura de 1,80 m e peso de 679 N. De sições de dados. A freqüência de resultando na melhora dos padrões modo geral, o protocolo de reabilitação amostragem utilizada foi 1000 Hz, locomotores, tanto em animais 13,14 visou o tratamento dos déficits de sendo cada aquisição realizada como em seres humanos15 com lesão equilíbrio, coordenação e força muscular durante 10 segundos. Os dados foram medular incompleta. Para determinar em membros inferiores, apresentados coletados a uma velocidade de 1,1 m/s, FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 31
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    MIE MID 240 MARCHA a 1,1 m/s CINEMÁTICA 800 (padrão normal) Deslocamento anterior (cm) f g MI 90% 120 FVRRS (N) 400 MIE a h b i e MID c 10% b 0 0 - 60 0 - 60 a d Lateral Linha média Lateral Tempo (s) Oscilação médio-lateral (cm) Figura 1 Representação do padrão normal das variáveis da marcha a 1,1 m/s 1a Variáveis temporais: a. tempo da passada (duração entre contato inicial de um dos pés para o próximo contato inicial do calcanhar do mesmo pé); b. tempo do passo (contato inicial do calcanhar de um dos pés até o próximo contato inicial do calcanhar do pé oposto); c. tempo de contato (contato do pé até sua retirada da superfície); d. tempo de duplo apoio (duração do suporte corporal por ambos os pés); e. tempo de apoio simples (momento em que o corpo está apoiado em apenas um dos pés); Variáveis cinéticas são representadas pelas letras: f. primeiro pico de força (que representa o impacto do pé com o solo); g. segundo pico de força (que representa a propulsão do corpo para frente); h. taxa de aceitação de peso (taxa de variação da inclinação na primeira metade da curva de força em função do tempo; i. impulso (integral da curva de força em função do tempo). 1b MIE = Membro Inferior Esquerdo; MID = Membro Inferior Direito. Variáveis cinemáticas: a. comprimento da passada (distância percorrida do contato inicial de um dos pés até o próximo contato inicial do calcanhar do mesmo pé); b. comprimento do passo (distância percorrida do contato inicial do calcanhar de um dos pés até o próximo contato inicial do calcanhar do pé oposto). que foi a velocidade média descrita como “fisiológica” para o paciente. O Padrões da FVRRS de força). O terço central da curva, em forma de um vale, corresponde ao cálculo da velocidade de coleta foi e do Centro de Pressão momento em que apenas um dos pés realizado pela equação Vm = ∆S/∆t, está em contato com o solo (apoio após o indivíduo ter caminhado em No que se refere à FVRRS – Força simples), enquanto o membro contra- linha reta num espaço de 20 metros. Vertical Resultante de Reação do Solo lateral se encontra em fase de balanço Esse procedimento repetiu-se por três –, foram analisadas as variáveis tem- (“fase aérea”). Por fim, há um segundo vezes, sendo obtida a média aritmé- porais, cinemáticas e cinéticas como: incremento da força, representando o tica dessas tentativas. Todas as etapas tempo da passada, tempo do passo, momento de propulsão do corpo para do procedimento experimental, como tempo de contato, tempo de duplo frente (segundo pico de força). coletas, tratamentos e análises dos da- apoio, tempo de apoio simples, ca- dos, foram realizados no Laboratório dência, comprimento da passada, Os valores do centro de pressão (CP) de Biodinâmica da UNIVAP. O expe- comprimento do passo, primeiro pico fornecem as informações advindas dos rimento consistiu em duas etapas. A de força, segundo pico de força, im- deslocamentos pé-tornozelo influen- primeira, de uma análise da marcha, pulso e taxa de aceitação de peso ciados pelos deslocamentos do centro onde o paciente foi avaliado e os dados (Figuras 1a e 1b). Classicamente a de massa corporal do sujeito. Estes são processados e interpretados (em abril curva da FVRRS apresenta um com- representados pelos valores do des- de 2003). Foram investigadas as portamento peculiar durante a mar- locamento do ponto de pressão central características temporais, cinemáticas cha, sendo composta por dois picos e da FVRRS exercida sobre o pé durante e cinéticas da marcha do indivíduo. um vale entre os picos. Ao fragmentar o apoio. Note-se na Figura 2a o padrão A segunda etapa consistiu em uma a curva da FVRRS em três partes, normal do deslocamento bilateral do reavaliação, após 10 sessões de reabi- evidencia-se que o terço inicial é centro de pressão: é possível identi- litação (em maio de 2003), com o representado por um aumento linear ficar a simetria entre os lados esquerdo objetivo de quantificar as possíveis da força, momento este que repre- (MIE) e direito (MID) no deslocamento modificações ao longo do período senta a força de impacto do pé do do CP corporal. Num primeiro momen- investigado. indivíduo com o solo (primeiro pico to na fase do contato inicial, a parte 32 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Monteiro et al. Evolução da marcha em lesão medular incompleta lateral do pé está em contato com o solo (CP deslocando-se medialmente). RESULTADOS teral significativo na variável após o programa de reabilitação (MIE p=.0.00; Nesse mesmo momento, também se Apesar dos déficits de equilíbrio e MID p=0.01). Esse aumento foi mais evidencia o contato da parte posterior coordenação apresentados pelo indi- acentuado nessa fase da marcha para do pé (retro-pé) com o chão. À medida víduo inicialmente, ele realizou as ta- o membro inferior esquerdo. Já as que ocorre a propulsão do corpo para refas solicitadas durante o procedi- informações obtidas pela análise da frente, há uma tendência de a região mento experimental em todas as eta- variável CP revelam que, após o lateral do pé aumentar a pressão pas do processo de reabilitação. A período de reabilitação, houve uma exercida no solo durante a fase que o Figura 3 mostra as diferenças entre o diminuição da oscilação médio-lateral médio-pé tem maior pressão com o comportamento da marcha, evi- (MIE p=0.00; MID p=0.01) e um solo. No final da fase de apoio, o denciado entre as análises antes (16/ aumento do deslocamento ântero- contato se concentra na região do 04/2003) e depois (08/05/2003) em um posterior (MIE p=0.04; MID p=0.00) antepé, com a propulsão ocorrendo em indivíduo com lesão medular incom- (Tabela 1 e Figura 2b). nível medial concentrando-se no pleta. Nota-se que houve um aumento primeiro metatarsiano. do segundo pico de força quando com- parado ao primeiro. Na análise visual Variáveis analisadas e das diferenças entre as curvas da DISCUSSÃO FVRRS do membro esquerdo em rela- Em animais, sabemos que os pa- procedimentos estatísticos ção ao membro direito, foi possível drões motores característicos da loco- detectar um desequilíbrio entre as moção presentes na marcha podem ser Com base nos valores da FVRRS e forças resultantes de impacto e pro- do CP, foi possível identificar e quan- readquiridos mesmo após secção pulsão. Os valores médios e de signifi- tificar os possíveis déficits referentes medular incompleta19. Apesar de o cância estatística referentes à análise à marcha do indivíduo. Para análise sistema nervoso central (SNC) dos da marcha, bem como a série tem- estatística da evolução clínica do gatos diferir, em muito, do SNC dos poral, representando o comportamento paciente, utilizou-se a análise compa- humanos3, a melhora dos padrões loco- da curva da FVRRS encontrada para rativa pela distribuição T de Student motores têm sido observada em indi- esse indivíduo antes e depois da (pareado). Foram comparadas as víduos com lesão medular completa e reabilitação, podem ser observadas na médias das cinco aquisições de dados incompleta, após a realização de um Tabela 1 e na Figura 3. antes e depois do programa de reabi- intenso treinamento em esteira rolante, litação para o mesmo indivíduo. Os Em relação à análise quantitativa utilizando suporte de peso corporal15, 20. valores de significância foram estabe- da variável segundo pico de força, foi lecidos em p ≤ 0.05. possível identificar um aumento bila- Wernig et al.21 analisaram 11 in- MIE MIE Coleta 16/04/2003 Coleta 16/04/2003 MID MID Coleta 08/05/2003 CENTRO DE PRESSÃO Deslocamento ântero-posterior (cm) CENTRO DE PRESSÃO Deslocamento ântero-posterior (cm) 60 60 (padrão normal) (lesado medular) 55 55 MIE MID MIE MID 50 50 45 45 40 40 35 35 30 30 25 25 20 20 -10 -5 0 5 10 - 15 -10 -5 0 5 10 15 Lateral Linha média Lateral Lateral Linha média Lateral Oscilação médio-lateral (cm) Oscilação médio-lateral (cm) Figura 2 Representações do padrão normal (a) e do indivíduo estudado (b) da variável centro de pressão durante a marcha a 1,1 m/s Em 2b Nota-se, na segunda coleta de dados (após o período de reabilitação), diminuição significativa da oscilação médio-lateral e aumento do deslocamento ântero-posterior, que implicam, respectivamente, melhora no equilíbrio e aumento da propulsão durante a marcha. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 33
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    Tabela 1 Valoresmédios e de significância (Teste T de Student pareado) das divíduos com lesão medular incom- variáveis da FVRRS: análise comparativa para os dois membros, entre pleta crônica que deambulavam inde- os dados iniciais (16.04.2003) e após o período de reabilitação pendentemente. Após a realização um (08.05.2003) programa de reabilitação em esteira Variáveis analisadas * Antes Depois Teste T rolante, durante um período que variou E D E D E D de 3 a 20 semanas, esses indivíduos Primeiro pico de força 712,2 646,57 704,63 644,52 0,37 0,76 apresentaram melhora na velocidade Segundo pico de força 746,2 738,55 769,39 763,10 0,00* 0,01* do movimento e na resistência mus- Taxa de aceitação de peso 3623,5 3207,0 3591,6 3376,1 0,81 0,23 cular. Esse aumento da resistência foi Impulso 375,50 401,45 367,13 389,48 0,24 0,17 representado pela capacidade de Tempo de contato 0,74 0,78 0,71 0,75 0,14 0,15 manterem a deambulação por um Tempo de apoio simples 0,26 0,27 0,27 0,27 0,49 0,91 tempo maior, em relação ao início do Comprimento da passada 138,47 138,05 138,15 138,28 0,88 0,92 tratamento. Os resultados desses au- tores demonstram claramente uma Comprimento do passo 60,90 77,61 62,36 76,38 0,44 0,44 melhora no padrão locomotor dos Centro de pressão (M-L) 6,99 -7,26 4,48 -5,41 0,00* 0,01* indivíduos analisados. As justificativas Centro de pressão (A-P) 44,85 42,88 47,59 46,13 0,04* 0,00* para esses achados baseiam-se no fato de que o treino de marcha em solo Antes Depois Teste T móvel possibilita otimizar a melhora Tempo da passada 1.22 1.20 0.10 da modulação da atividade ele- Tempo do passo 0.61 0.59 0.15 tromiográfica (EMG) dos músculos das Tempo de duplo apoio 0.50 0.45 0.09 extremidades inferiores, promovendo Cadência 102.79 102.54 0.86 a melhora dos padrões motores rítmicos Comprimento da passada 1.38 1.38 0.88 durante o ato locomotor6. Comprimento do passo 0.60 0.62 0.44 Neste estudo obtivemos melhoras * Variáveis temporais, cinemáticas e cinéticas expressas em s (segundos), m (metro) e N significativas na força de projeção do (Newton), respectivamente. Variável cadência: representa o número de passos por corpo para a frente durante a fase de minuto expresso pela equação: cadência = 120/tempo da passada em segundos. apoio, após 22 dias de reabilitação. Os dados aqui apresentados referem- se à melhora da força muscular e equi- líbrio do indivíduo durante a marcha. Coleta 16/04/2003 Coleta 16/04/2003 Após a instituição do programa de Coleta 08/05/2003 Coleta 08/05/2003 reabilitação, houve uma diminuição MARCHA 1,1 m/s nos valores das oscilações médio- 800 p=0.00* p=0.01* laterais e um aumento dos desloca- mentos ântero-posteriores do centro de pressão. Esses resultados suportam a idéia da recuperação da estabilidade, equilíbrio e coordenação durante a FVRRS (N) 400 marcha no indivíduo analisado. Entre- tanto, o fato de os deslocamentos ântero-posteriores apresentarem um MIE MID incremento em seus valores está fundamentado na lógica de que, para haver um aumento da força de proje- 0 ção do corpo para frente, há necessi- 0 0.5 1 1.5 2 Tempo (s) dade de que o indivíduo aumente os deslocamentos corporais na mesma direção (refletido no aumento do se- Figura 3 Série temporal referente à Força Vertical Resultante de Reação do gundo pico de força). É possível tam- Solo (FVRRS) no indivíduo com história de lesão medular incompleta: bém que ocorra uma melhora gene- comportamento da marcha a 1,1 m/s, antes (linha contínua) e depois ralizada dos mecanismos de sinergia (linha tracejada) do programa de reabilitação. muscular. Essa sinergia pode estar 34 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Monteiro et al. Evolução da marcha em lesão medular incompleta refletida na otimização das diferenças plasticidade neural. Estes podem ter denação do indivíduo com história de entre as variáveis cinéticas analisadas. influência direta na melhora loco- lesão medular parcial. Há de ressaltar Apesar dessa sinergia muscular não ter motora do indivíduo analisado7,22. que a possibilidade da quantificação e sido analisada pelos sinais elétricos análise dos déficits neuromotores apre- musculares (eletromiografia), os dados CONCLUSÃO sentados por esse indivíduo permitiu um planejamento mais objetivo no que diz referentes à FVRRS refletem a resul- O aumento do segundo pico de força, respeito à conduta fisioterapêutica em- tante das forças (externas e internas) entre as duas análises, indica, uma pregada, no tratamento das desordens atuantes sobre a plataforma. Essa resul- da marcha. Com essa quantificação, o melhora no momento da projeção do tante é altamente influenciada pela corpo para frente durante a marcha. Essa próximo passo será a aplicação desta somatória das forças musculares solici- melhora pode estar relacionada com a proposta reabilitacional em uma tadas durante o processo locomotor. melhora da força da musculatura flexora amostra representativa de indivíduos Outro fator que deve ser considerado plantar. Os dados do CP permitiram iden- com lesão medular incompleta, visando está relacionado aos mecanismos de tificar melhora do equilíbrio e coor- a validação deste protocolo. REFERÊNCIAS 1 Smith JL. Programming of stereotyped limb 10 Grillner S, Deliagina T, Ekeberg O, El Manira A, Hill movements by spinal generators. In: Stelmach GE, RH, Lansner GN, et al. Neural networks that co- Requin J, editors. Tutorials in motor behavior. ordinate locomotion and body orientation in lamprey. Amsterdam: North-Holland; 1980. p.95-115. Trends Neurosci. 1995;18:270–9. 2 Cavagna GA, Heglund NC, Taylor CR. Mechanical 11 Rossignol S. Neural control of stereotypic limb work in terrestrial locomotion: two basic mechanisms movements. In: Handbook of Physiology: exercise; for minimizing energy expenditure. Am J Physiol. regulation and integration of multiple systems. 1977; 233(5):R243-61. Bethesda: American Physiology Society; 1996. sect 3 Lacquaniti F, Grasso R, Zago M. Motor patterns in 12, p.173-216. walking. News Physiol Sci. 1999;14(8):168-74. 12 Pearson KG. Common principles of motor control in 4 Beloozerova IN, Sirota MG, Swadlow HA. Activity vertebrates and invertebrates. Annu Rev Neurosci. of different classes of neurons of the motor cortex 1993;16:265-97. during locomotion. J Neurosci. 2003;23(3):1087-97. 13 De Guzman CP, Hodgson RR, Edgerton VR. 5 Marder E, Calabrese R. Principles of rhythmic motor pattern generation. Physiol Rev. 1996;76:687-717. Coordination of motor pools controlling the ankle musculature in adult spinal cats during treadmill 6 Van de Crommert HWAA, Mulder T, Duysens J. walking. Brain Res. 1991;555(2):202-14. Neural control of locomotion: sensory control of the central pattern generator and its relation to treadmill 14 Edgerton VR, De Guzman CP, Gregor RJ, Roy RR, training. Gait Posture. 1998;7:251-63. Hodgson JA, Lovely RG. Trainability of the spinal cord to generate stepping patterns in adult spinalized 7 Zernicke RF, Smith JL. Biomechanical insights into cats. In: Shimamura M, Grillner S, Edgerton VR, neural control of movement. In: Handbook of Physiology: exercise; regulation and integration of editors. Neurobiological basis of human locomotion. multiple systems. Bethesda: American Physiology Tokio: Japan Scientific Society Press; 1991. p.411-23. Society; 1996. sect 12, chapt 8, p.293-330. 15 Dietz V, Colombo G, Jensen L, Baumgartner L. 8 Dietz V, Duysens J. Significance of load receptor Locomotor capacity of spinal cord in paraplegic input during locomotion: a review. Gait & Posture. patients. Ann Neurol. 1995;37:574-82. 2000; 11:102–10. 16 Brand RA, Crowninshield RD. Comment on criteria 9 Grillner S. Control of locomotion in bipeds, for patient evaluation tools. J Biomech. 1981;14:655. tetrapods, and fish. In: Handbook of Physiology: exercise; regulation and integration of multiple 17 Barros Filho TEP, Oliveira RP, Kalil EM, Prada FS. systems. Bethesda: American Physiology Society; Avaliação padronizada nos traumatismos 1996. sect 1, v 2, p.1179-236. raquimedulares. Rev Bras Ortop. 1994;29(3):99-106. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 35
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    Referências (cont.) 18Matsas A, Taylor N, Mcburney H. Knee joint 20 Wernig A, Müller S. Laufband CE. Locomotion with kinematics from familiarised treadmill walking can be body weight support improved walking in persons with generalised to overground walking in young severe spinal cord injuries. Paraplegia. 1992;30:229-38. unimpaired subjects. Gait & Posture. 2000;11(1):46-53. 21 Wernig A, Müller S, Nanassy A, Laufband CE. Therapy 19 De Leon RD, Hodgson JA, Roy RR, Edgerton VR. based on rules of spinal locomotion is effective in spinal Locomotor capacity attributable to step training cord injured persons. Eur J Neurosci. 1995;7(4):823-9. versus spontaneous recovery after spinalization in 22 Dietz V, Colombo G, Jensen L. Locomotor activity in adult cats. J Neurophysiol. 1998;79:1329-40. spinal man. Lancet. 1994;344:1260-3. Agradecimentos Agradecemos em especial ao Professor MSc. Charli Tortoza pelo suporte técnico; à Capes-Prosup e à Univap, pelo apoio para desenvolvimento da pesquisa. 36 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Fundamentos da Fisioterapiadermato-funcional: revisão de literatura Grounds of aesthetic physical therapy: a review Giovana Barbosa Milani1; Silvia Maria Amado João2; Estela Adriana Farah3 1 Fisioterapeuta; Esp. em RESUMO: A fisioterapia estética, recentemente renomeada como fisioterapia Fisioterapia Dermato- dermato-funcional, está cada vez mais em evidência. Afim de melhor definir Funcional, mestranda em essa área de atuação profissional, procedeu-se a uma revisão bibliográfica das Ciências da Reabilitação no FOFITO/FMUSP (Depto. de patologias nas quais o fisioterapeuta pode atuar, como fibroedema gelóide Fisioterapia, Fonoaudiologia e (celulite), estrias, linfedema, no pré e pós-operatório de cirurgia plástica, Terapia Ocupacional da queimaduras, cicatrizes hipertróficas e quelóides, flacidez, obesidade e Faculdade de Medicina da lipodistrofia localizada. Apresentam-se também os recursos que podem ser Universidade de São Paulo) utilizados para tratamento e prevenção dessas patologias, sendo muitos deles 2 Fisioterapeuta; Profa Dra. do já de uso rotineiro na fisioterapia. Sendo esse campo recente, ainda há muito Curso de Fisioterapia do a ser explorado e novas pesquisas devem ser realizadas na busca de evidências FOFITO/FMUSP científicas para o melhor embasamento dos recursos e técnicas disponíveis ao 3 fisioterapeuta, possibilitando assim a articulação desse área com as demais da Fisioterapeuta pela Universidade Estadual de fisioterapia, como a ortopedia, respiratória, entre outras. Londrina DESCRITORES: Celulite; Estética; Estrias; Fisioterapia/dermato-funcional; Revisão ABSTRACT: Aesthetic physical therapy (which in Portuguese has been renamed ENDEREÇO PARA “dermatho-functional”) has recently gotten more attention. In view of a CORRESPONDÊNCIA better definition of the area, this paper reviews related literature to list Giovana B. Milani pathologies that the physical therapist can treat – such as cellulitis, stretch R. Paracatu 494 apto. 61 Pq. Imperial marks, obesity, lymphedema, burn care, hypertrophic scar and keloids, 04302-021 São Paulo SP flaccid skin and muscles, and local fat accumulation – as well as the e-mail: gio.milani@usp.br; resources used for treating and preventing such pathologies, most of which 2 smaj@usp.br are common to the physical therapist practice. Since this is a new area, research is still to be done in order to better ground the use of resources and techniques by physiotherapists, thus allowing for further interaction of this ACEITO PARA PUBLICAÇÃO area to others, such as orthopedic or respiratory physical therapy. maio 2005 KEY WORDS: Cellulitis; Physical therapy/aesthetic; Review; Stretch marks FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13 (1): 37-43 37
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    INTRODUÇÃO BASES variados e complementares, incluindo completa orientação ao indivíduo A definição de fisioterapia dada MORFOLÓGICAS E tratado, pois se o FEG for abrandado e pelo Coffito – Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional1–, PATOLÓGICAS os hábitos continuarem os mesmos (alimentação inadequada, álcool, obtida no site oficial do órgão em Nesse âmbito dermato-funcional, a fumo, sedentarismo etc.), os resultados 2004, diz: “Fisioterapia é uma ciência fisioterapia pode atuar em diversas serão transitórios3. que estuda, previne e trata os dis- patologias3,5, descritas a seguir. Para melhor resultado, a escolha do túrbios cinéticos funcionais intercor- tratamento ideal é fundamental, po- rentes em órgãos e sistemas do corpo humano”. Fibroedema gelóide (FEG) dendo este variar desde cirurgia, cha- mada de subcisão (subcision), pela Erroneamente conhecida como ce- qual se tratam as depressões do relevo Apesar do campo de atuação do lulite, é uma das patologias mais cutâneo por secção dos septos fibro- fisioterapeuta abranger ortopedia, comuns, caracterizada por edema no sos 11,12, passando por mesoterapia, cardiologia, respiratória, pediatria e tecido conjuntivo, causado principal- onde medicamentos são administrados estética, dentre outras2, esta última mente pelo acúmulo de proteoglicanas via derme3,6,13, até a complementação área ainda é pouco reconhecida. Re- no meio extracelular, que levam con- alimentar e a atividade física3,6,13,14. centemente a especialidade fisiote- sigo grande quantidade de água3,6,7,8,9. rapia estética teve a denominação Como o FEG está associado à estase Pode ocorrer também um aumento do substituída por fisioterapia dermato- linfática, a drenagem linfática é um tamanho e número de adipócitos, o funcional, em uma tentativa de am- dos recursos que podem ser utili- que causa uma compressão no sistema pliar a área, conferindo-lhe a conota- zados3,6,8. Outra forma de massagem venoso e linfático, não afetando o ção de restauração de função, além também muito utilizada é aquela con- arterial9. da anteriormente sugerida, que era seguida pelo método Endermologie®, apenas de melhorar ou restaurar a O aparecimento do FEG também que utiliza um aparelho com roletes aparência 3. No Guide to physical pode ser explicado devido à orga- dirigidos mecanicamente, encontrados therapist practice, publicado pela nização do tecido adiposo areolar em no cabeçote, com uma pressão negativa Associação Norte-americana de Fisiote- septos interlobulares fibrosos de tecido causada por sucção e uma positiva obtida rapia (APTA) em 20014, essa área é refe- conjuntivo10. Esses septos são finos, pela aproximação dos roletes 8,14,15,16,17. rida como responsável pela manu- com projeções perpendiculares nas Esse tipo de massagem, também refe- tenção da integridade do sistema tegu- mulheres, e grossos com projeções rida na literatura por outros nomes, mentar como um todo, incluindo as oblíquas nos homens 3,6,7,8,9. A dis- além da melhora do fluxo sangüíneo alterações superficiais da pele. Para a posição perpendicular dos septos nas e linfático permite o aumento da oxi- APTA4, a responsabilidade do fisiote- mulheres favorece a expansão desse genação cutânea, melhora da nutrição rapeuta está não somente em manter tecido para a superfície da derme, celular, auxílio na eliminação de pro- e promover a ótima função física, mas ficando assim mais evidentes3,6,7,8. dutos do metabolismo, melhora do também o bem estar e a qualidade de tônus da pele, dentre outros8,16,18,19. Observa-se ainda rompimento das vida. fibras elásticas e o aumento e proli- A corrente galvânica pode ser utili- O objetivo deste artigo é apresentar feração das fibras colágenas, o que zada em sua forma pura, buscando a uma revisão de trabalhos sobre esse gera crescente espessamento do teci- nutrição do tecido afetado decorrente campo de atuação profissional, buscan- do, até se tornar fibrótico3,6. Nesse do aumento de circulação local; mas do melhor delimitação de conceitos e estágio pode ocorrer comprometimen- é com a iontoforese que essa corrente práticas. Para essa revisão foram pes- to nervoso, podendo causar um quadro tem maior aplicabilidade no tratamen- quisadas as bases eletrônicas de dados álgico3. to do FEG. A medicação introduzida Medline, Lilacs e Cochrane, com bus- busca promover a despolimerização da O FEG pode ser causado por fatores ca no período de 1983 a 2003. Dentre substância fundamental por enzimas predisponentes (hereditariedade, sexo, os estudos encontrados – mediante os combinadas ou não a outros fármacos3,13. desequilíbrio hormonal), determinantes descritores fisioterapia, estética, A hialuronidase é uma dessas enzimas, (estresse, fumo, sedentarismo, desequi- celulite, estrias, linfedema, obesidade, responsável pela hidrólise do ácido líbrios glandulares e metabólicos, quelóide, queimaduras e seus corres- hialurônico, reduzindo sua viscosida- maus hábitos alimentares e disfunções pondentes em inglês – foram se- de, por isso tendo boa indicação para hepáticas) ou condicionantes (pertur- lecionados e consultados cerca de 60 redução de edemas20. bações circulatórias)3. Tem pois causa documentos, além de três sites oficiais multifatorial e, para que se consiga O uso do ultra-som para FEG pode de fisioterapia 1,2,5, consultados em bom resultado em seu tratamento, este ser indicado tanto pelos seus efeitos 2004. deve ser feito com procedimentos já conhecidos, como o aumento da 38 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Milani et al. Fisioterapia dermato-funcional circulação, com conseqüente neovas- Seu tratamento varia de acordo com ou simplesmente o sexo, pois se acre- cularização e relaxamento muscular, a evolução. Aplicações de substâncias dita que em mulheres ocorra maior por seu efeito mecânico com a micro- tópicas devem ser específicas para depósito de gorduras35. Pode ser favo- massagem, o rearranjo e extensibili- cada fase; por exemplo, o uso de tre- recida pelo sedentarismo, pela falta dade das fibras colágenas e melhora tinoína tópica é efetivo para a estria de regularidade e controle na alimen- das propriedades mecânicas do tecido, rubra, mas não para a alba22,24,26,27. tação3 e por ingestão de drogas como como por seus efeitos de veiculação antidepressivos, corticosteróides, anti- Um método muito utilizado para o de substâncias por fonoforese3. Pode concepcionais, bloqueadores ß-adre- tratamento da estria madura é a apli- ser utilizado ultra-som terapêutico nas nérgicos ou insulina, entre outros35. cação de corrente galvânica filtrada3. freqüências de 1 ou 3 MHz; para trata- O estímulo desencadeia um processo Está associada a inúmeras doenças mento do FEG, a mais alta é mais indi- de reparação, por meio de uma crônicas, como as cardiovasculares cada por apresentar maior atenuação, inflamação aguda localizada, que visa (hipertensão arterial, insuficiência car- sendo portanto mais superficial. restabelecer de forma satisfatória a díaca congestiva e doença vascular Porém, devido à freqüência mais ele- integridade dos tecidos tratados3. periférica), doenças articulares dege- vada, a produção de calor nos tecidos nerativas (gota, osteoartrite), esteatose superficiais também é maior. Para a Há também descrição do uso de luz hepática, apnéia do sono, além de fonoforese, substâncias que facilitam intensa pulsada (IPL) para o tratamento alterações posturais como aumento da a penetração de outras substâncias da estria alba23 e do Dye laser3,24-28. lordose lombar e anteversão da pelve, devem ser usadas, como por exemplo A microdermabrasão, procedimento entre outras16,34. o carbopol, fitossomas ou lipossomas3. com finalidade de destruição da Como princípio ativo, a cafeína e a Há diversas formas de tratamento camada epidérmica e/ou dérmica aminofilina são muito usadas por da obesidade. A tentativa inicial é em superficial3,29-31, podendo ser feito por serem estimuladores beta-adrenérgicos geral a de promover o bem-estar do microcristais com vácuo 3,29,30,32 ou e aumentarem a lipólise8,13,21. paciente e diminuir o risco de doenças dermabrasor com ponteiras impregna- futuras34. O tratamento medicamen- das de diamantes31, tem o objetivo de Estrias estimular a regeneração da estria pela toso é indicado para pacientes com dificuldade em emagrecer, podendo instalação de um processo inflama- São regiões de atrofia de pele. consistir em drogas que afetam a tório, com conseqüente estímulo da Possuem aspecto linear, com compri- absorção de gordura, redutoras de atividade fibroblástica3,29,31. mento e largura variáveis. Podem ser apetite, adrenérgicas, entre outros34,35. raras ou numerosas, com disposição paralela umas às outras e perpen- Obesidade A atividade física e o controle ali- mentar são os mais importantes recursos dicularmente às linhas de clivagem da É uma doença universal, consi- para o tratamento da obesidade3,34,38-40. pele 3 . Inicialmente têm aspecto derada como própria da superalimen- Porém, ambos devem ser controlados. eritemato-violáceas, finas e podem ge- tação. É definida como aumento A maioria dos obesos não está rar prurido. Com a evolução do qua- generalizado da gordura corporal preparada para suportar grandes dro, adquirem o aspecto esbranqui- resultante de um balanço energético programas de exercícios físicos, çado, quase nacarado, tornando-se onde a ingestão supera o gasto3,33. Na podendo desenvolver alterações em mais largas 3,22-24. prática clínica, para a determinação articulações39,40, ou mesmo apresentar Parte da dificuldade em determinar do grau de obesidade, a Organização riscos, no caso dos que têm alterações sua etiologia deve-se ao fato de esta- Mundial de Saúde (OMS) sugere o coronarianas associadas40. O exercício rem relacionadas a diferentes situações cálculo do IMC (índice de massa aeróbico é o mais indicado por pro- clínicas23. Podem aparecer por um corpórea), obtido pela divisão do peso mover perda de peso e de massa repentino estiramento da pele, com do indivíduo (em kg) pelo quadrado adiposa 34,39,40; e acredita-se que a conseqüente ruptura ou perda de fibras de sua altura (em m), onde índices prática de atividade física também elásticas, podendo decorrer de cres- entre 25 e 29,9 indicam sobrepeso, de estimule o controle alimentar38. cimento rápido, aumento de peso ou 30 a 39,9 obesidade e, acima de 40, gravidez3,22-25. Podem estar relaciona- obesidade mórbida34. Lipodistrofia (gordura) das a alterações endocrinológicas, A obesidade tem várias causas além principalmente associadas a cor- da alimentação exagerada. Pode se localizada ticóides e ao estrógeno3,23,24. O exer- dar por fatores genéticos, influenciada É o acúmulo regional de tecido cício vigoroso e algumas infecções por baixo metabolismo basal, massa adiposo. Sua localizaçào varia de como febre tifóide e hanseníase magra escassa35, por causas endógenas acordo com o sexo: homens têm o também são apontados como causa- como tratamento de diabetes melito34, predomínio de células adiposas na dores de estrias3,22,23. alterações nos esteróides ovarianos36,37 região do abdome e mulheres apre- FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 39
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    sentam maior depósitoem regiões indicado para todas as técnicas cirúrgicas Existem inúmeras dúvidas quanto femoroglúteas13. Na mulher, a loca- e permite abordagem mais precoce3,47. ao diagnóstico diferencial das duas lização pode ser influenciada por seu A utilização de Endermologie® é patologias, porém, segundo Wolwacz biótipo, classificada como ginóide, indicada15,16,18,19. et al. 51, há diferenças histológicas acúmulo em metade inferior do corpo, comprovadas entre elas, que apontam Conseqüências tardias à cirurgia ou andróide, metade superior13. Ainda para duas patologias diferentes. Para também devem ser evitadas e trata- como parte de sua constituição, a mu- Guirro & Guirro3, uma cicatriz hiper- das, como prevenção de aderências lher ginóide pode apresentar variações trófica pode regredir espontaneamen- de acúmulo de tecido adiposo, poden- cicatriciais, dor, flacidez e fraqueza muscular3. Para isso, recursos comuns te e a hipertrofia ocorre dentro dos do ser classificada como calça de limites da lesão. Os quelóides não montaria, calça de soldado e garrafa à fisioterapia podem ser utilizados como o ultra-som, crioterapia, laser, apresentam essa melhora espontânea: de champanhe13. a fibrose forma-se além dos limites da ou eletroterapia3. Exercícios ativos Para tratamento da gordura locali- também são fundamentais no processo lesão e os portadores têm sensação de zada, a Endermologie® é tida como de recuperação3,47. prurido, ferroadas ou queimação3,52. um dos principais recursos com com- Fatores como infecção, tensão da provada efetividade para melhoria do O completo sucesso da cirurgia plástica depende ainda da participa- ferida, tração excessiva no momento contorno corporal, sem necessidade de ção do paciente, com a associação de da incisão cirúrgica podem favorecer intervenção cirúrgica15,16,18,19. Durante dietas, atividade física e alterações o aparecimento de quelóides52. a aplicação desse método, há uma pressão positiva dos roletes do cabe- em seu modo de vida48. O tratamento desse tipo de cica- çote que, associada à pressão negativa trização é variado. Inicialmente era da sucção controlada do aparelho, Flacidez preconizada cirurgia para sua redução, causam dano às células adiposas, o porém esse método isolado é freqüen- que vai culminar em sua remodelação, É decorrente de atrofia de tecido, temente passível de recidiva51. Atual- ou seja, sua melhor distribuição no ficando este com aspecto frouxo, mente é indicado o uso da terapia de tecido16,17. A esse método podem ser afetando em separado pele ou mús- compressão (malha de tecido elástico associadas outras técnicas, como o culos 3. Pode ser conseqüência do aplicada diretamente na lesão por uso do ultra-som 41 ou a própria envelhecimento fisiológico, onde há grande período de tempo), uso de cor- lipoplastia17. perda gradativa de massa muscular ticóides, lâminas de silicone (oclusão esquelética, substituída por tecido e hidratação do estrato córneo), ci- No pré e pós-cirurgia plástica adiposo, e atrofia do tecido adiposo rurgia a laser e crioterapia (destruição subcutâneo, dentre outras alterações3,27,49. das camadas celulares por anóxia estética e reparadora O sedentarismo é apontado como devido à ação do frio nos vasos)51,52. É indicada a atuação fisioterapêutica causa de flacidez muscular, assim A microdermabrasão superficial é em diversas cirurgias com fins estéti- como o emagrecimento em demasia, um recurso indicado por sua simpli- cos. Dentre elas, destacam-se aquelas podendo este último afetar também a cidade e baixo risco31,32. A massagem, para rejuvenescimento facial (ritido- pele3. seja feita por técnicas manuais ou com plastia ou facelift) 42, correção do O tratamento desse tipo de pato- o auxílio de aparelhos, também tem contorno palpebral (blefaroplastia)43, logia consiste em restabelecer a sua aplicabilidade na terapêutica para correção de mama (mamaplastia), im- tensão perdida, indicando-se tratamen- melhoria das cicatrizes3,17, assim como plantes mamários, correção de abdome tos que já fazem parte da rotina do o ultra-som3,53 e a iontoforese20. (abdominoplastia)44 e a lipoaspiração, fisioterapeuta, como eletroterapia e feita por várias técnicas45,46. cinesioterapia 3. Para a flacidez de Na fase pré-operatória, é importante pele, peelings químicos com ácido Queimaduras o trabalho com a manutenção da mus- glicólico50 e mesmo a cirurgia plástica22 As queimaduras podem ser elé- culatura que estará envolvida na ci- são procedimentos recomendados. tricas, químicas, causadas por contato rurgia, além de uma documentação direto com a chama, por escalda- prévia completa das condições gerais do paciente, musculares e de pele3. Cicatriz hipertrófica e quelóide mento, por fricção ou exposição solar, dentre outras54. Dentre as principais No pós-operatório o momento da As cicatrizes hipertróficas e os causas estão os acidentes domésticos, intervenção varia de acordo com a quelóides caracterizam-se por síntese seguidos de acidentes no trabalho, cirurgia e com o procedimento reali- de colágeno com fibras que não se tentativas de suicídio ou homicídio e, zado3. O tratamento para redução de orientam ao longo das linhas de fenda, por último, acidentes de trânsito e/ou edema feito por drenagem linfática é mas sim em espiral3,51. de lazer54. 40 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Milani et al. Fisioterapia dermato-funcional Sua classificação varia de acordo podendo ter seu foco na queimadura, tumor em mama, pois pode haver com a profundidade da lesão tecidual, na terapia intensiva, na cicatriz e na necessidade da retirada da cadeia podendo ser divida em três graus 3,54: recuperação funcional dos movimen- axilar de nodos linfáticos, alterando a tos3,55,57. É fundamental uma terapêuti- circulação normal da linfa3,61. 1º grau: somente a epiderme é atin- ca específica para cada caso, variando gida. A região encontra-se hipe- Seu tratamento deve ser multidis- de acordo com o grau de comprometi- remiada e dolorida. A recuperação ciplinar 3. Além disso, os recursos total ocorre em poucos dias. mento da pele e lesões associadas, utilizados deverão ser associados na podendo haver a necessidade de 2º grau: comprometimento parcial da busca do melhor resultado3,60-2. inclusão de exercícios respiratórios, de derme. Há presença de bolhas ou alongamento e de força muscular3,57,58. A perimetria do membro tratado flictemas (extravasamento plas- deve ser feita como uma rotina clínica, mático) e dor. Sua cicatrização Para melhoria da qualidade da pele, para a avaliação do resultado da varia de poucos dias a três semanas a Endermologie® é um recurso terapia aplicada3,60,61. e podem apresentar seqüelas indicado, uma vez que este foi criado inicialmente na França para tratamen- A terapia pode ser iniciada com a dependendo da profundidade da lesão, variando entre discromias, to de queimados13,16,18,19. A aplicação elevação do membro acometido, po- retrações e hipertrofia. dessa técnica traz benefícios às pro- dendo fazer parte a drenagem linfática priedades físicas da cicatriz (elastici- manual (com o objetivo de melhorar 3º grau: Toda a derme é atingida dade e maleabilidade) e aparência (cor a absorção e transporte de líquidos), o podendo comprometer tecido e textura)59, semelhante ao que acon- enfaixamento compressivo (para adiposo, tendões, músculos e ossos. tece com a aplicação da massagem tra- evitar o refluxo da linfa), uso de bombas Como a epiderme costuma ser dicional, com a vantagem de ser muito pneumáticas – recurso também conhe- destruída no momento do acidente, mais rápida e menos cansativa16,18,19. cido como pressoterapia (drenagem com a derme exposta, a lesão é obtida pela utilização de sistema de esbranquiçada, endurecida e, em Recursos como o ultra-som, TENS e compressão seqüencial)–, cinesiote- geral, indolor. A cicatrização nes- laser também podem ser utilizados rapia (indicada desde o início do trata- ses casos só é possível com a en- como alternativa na recuperação da ci- mento, pois as contrações musculares xertia cutânea, uma vez que toda catriz e melhora geral do paciente3,58. irão exercer compressão no tecido, a pele foi destruída. favorecendo a drenagem linfática)3,60-62. Em todos os graus de queimaduras Linfedema há grande variedade de complica- ções, como alterações eletrolíticas e Ocorre quando há acúmulo de líquidos e proteínas nos espaços CONCLUSÃO metabólicas, derrame articular, calci- intersticiais49. O linfedema pode ser Por ser uma área de atuação muito ficações de partes moles, neuropatia, decorrente de alterações do próprio recente, a pesquisa científica efetuada infecção cutânea e pulmonar, insu- sistema linfático, como por exemplo por profissionais que aí atuam ainda é ficiência cardíaca, respiratória, renal o linfedema congênito, ou causado por escassa. No entanto, este levanta- e hepática, amputações, além de retirada dos linfonodos (linfade- mento bibliográfico permitiu observar lesões pulmonares por ação direta do nectomia), radioterapia, pós-infecções, que há na literatura científica emba- calor e inalação de diferentes gases doenças neoplásicas, traumas exten- samento para justificar a escolha dos resultantes da combustão dos materiais sos, dentre outros3. Nos dois casos, fa- diversos recursos utilizados nas pato- presentes no local, no caso de aci- tores como infecção cutânea, viagens logias englobadas por essa área da dentes3,54. de longa distância e aplicação de fisioterapia. Há necessidade de se am- O tratamento de pacientes queima- compressão podem causar compli- pliar o número de pesquisas científi- dos é multidisciplinar3,55,56 e segue cação do quadro60. É um quadro co- cas, consolidando assim a fisioterapia abordagens diferentes de acordo com mumente encontrado em mulheres que dermato-funcional como uma área re- a fase em que se encontra o paciente, sofreram mastectomia para retirada de levante no contexto da saúde brasileira. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 41
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    Reabilitação pulmonar: treinamentode membros superiores em pacientes com DPOC; uma revisão Pulmonary rehabilitation: upper-limb exercise training in patients with COPD; a literature review Vanessa Girard Severo1, Viviane Viegas Rech2 1 Fisioterapeuta; pós-graduanda RESUMO : A reabilitação pulmonar (RP) tem recebido grande atenção no em Fisioterapia na Ulbra tratamento dos portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), (Universidade Luterana do visando a minimização dos sintomas, o aumento da tolerância física e a melhora Brasil, RS) da qualidade de vida. À medida que um maior número de programas vêm 2 Fisioterapeuta, educadora sendo criados, surge a preocupação de padronizar e melhor estudar as técnicas física; Especialista em e métodos dos protocolos utilizados. O objetivo deste trabalho foi revisar o Fisioterapia Pneumofuncional; que a literatura determina em relação ao treinamento de membros superiores Profa. Ms da Ulbra em pacientes com DPOC. Em um programa de RP, o treinamento de membros superiores (MMSS) visa melhorar a performance ao exercício pela diminuição ENDEREÇO PARA da demanda ventilatória durante o trabalho de MMSS e pela melhora da CORRESPONDÊNCIA resistência ao exercício. Com base no levantamento bibliográfico, foram Vanessa Girard Severo analisados artigos comparativos e de revisão. Inexiste consenso sobre o melhor R. Heitor Villa Lobos 995-E modo de treinar os MMSS; entretanto, o método mais utilizado é o treinamento 89806-155 Chapecó SC e-mail: girards@bol.com.br sem apoio, pois oferece mais vantagens, por assemelhar-se a muitas atividades da vida diária. Permanece a necessidade de mais pesquisas para se estabelecerem melhores critérios de seleção dos pacientes que mais se beneficiarão com o Trabalho realizado por Vanessa treinamento; e do empenho de fisioterapeutas, na equipe multidisciplinar, em Severo para conclusão da avaliar diferentes programas de treinamento de MMSS, o que inclui explorar o Especialização em Fisioterapia: Reeducação das efeito do tipo, da duração, da freqüência e da intensidade do programa. Funções Cardiorrespiratórias na DESCRITORES : Doença pulmonar obstrutiva crônica; Extremidade superior/ Ulbra treinamento; Reabilitação; Revisão ABSTRACT: Pulmonary rehabilitation (PR) has received large attention in the treatment of patients with chronic obstructive pulmonary diseases (COPD), with the aim of minimizing symptoms, improving physical tolerance and increasing quality of life. As a huge number of programs are created, concern in standardizing them arises, as well as the need to better understanding the techniques and methods of protocols used. The aim of the present study is to sum up literature guidelines in upper-limb training in COPD patients. Following the bibliography survey, review and comparative articles on the subject were analyzed. In a PR program, the upper-limb training aims at increasing exercise performance, reducing ventilatory demand during upper- limb work and increasing endurance to the exercise. There is no common consensus on the best way to train upper-limbs. The most commonly used method is upper-limb training without support, as it offers more advantages for it resembles daily-life activities. The need to further research remains, in order to establish a better selection criteria of patients who may potentially benefit from the training, as well as to obtain physical therapists commitment, in a multidisciplinary staff, to assess diverse upper-limb training programs, including the assessment of effects onto the type, duration, frequency, and intensity of the program. ACEITO PARA PUBLICAÇÃO KEY WORDS: Pulmonary disease, chronic obstructive; Rehabilitation; Review; Upper jun. 2005 extremity/ training 44 2006; 12(3) FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 44-52
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    Severo & Rech Reabilitação pulmonar para DPOC: revisão INTRODUÇÃO orgânicos, são achados freqüentes em doenças inflamatórias crônicas como essas alterações fisiopatológicas con- tribuem para o aumento do espaço A Doença Pulmonar Obstrutiva a DPOC. Essas alterações podem morto anatômico e da capacidade Crônica (DPOC) é um grande proble- indicar pior prognóstico em função do pulmonar total; a hiperinsuflação pul- ma de saúde pública. Afeta cerca de comprometimento da função muscular monar e da parede torácica causam sete milhões de brasileiros e chega a periférica e diminuição da capacidade rebaixamento das hemicúpulas matar 30 mil pessoas por ano no país, ao exercício2,3. diafragmáticas, o que contribui para superando os óbitos por acidente de maior ineficiência respiratória e A intolerância ao exercício é uma trânsito e por pneumonia; em 2001, o aumento do custo metabólico4. A dis- característica e uma manifestação governo gastou R$ 100 milhões com função muscular esquelética é outro problemática da DPOC. Os pacientes pacientes internados pela doença, o fator importante que pode contribuir com DPOC moderada a grave são dobro dos gastos com internações por para a intolerância ao exercício. Esta comumente limitados em suas habili- pneumonia1. Milhões de pessoas, ao é caracterizada pela redução na massa dades de realizar tarefas usuais, tais redor do mundo, sofrem com essa e na força muscular, atrofia de fibras como atividades de trabalho, exercício moléstia por anos e morrem prematu- musculares tipos I e IIa, redução na ca- recreacional e seus hobbies. Quando ramente por suas complicações. pilarização das fibras e na capacidade submetidos a testes de laboratório, os Atualmente a DPOC é a décima se- das enzimas oxidativas e redução na pacientes com DPOC tipicamente têm gunda enfermidade mais prevalente resistência muscular. O metabolismo um maior consumo de oxigênio (VO2) no mundo e a Organização Mundial muscular é prejudicado tanto no re- no repouso; isso pode ser explicado de Saúde estima que no ano de 2020 pouso quanto no exercício; além disso, pelo aumento do trabalho mecânico res- será a quinta; e passará de sexta causa fatores circulatórios, nutricionais e de morte para a terceira no mesmo piratório ou pela redução da eficiência muscular ventilatória, ou ambas, psicológicos podem afetar a performan- período2. ce ao exercício. A dispnéia é a queixa quando comparados a pessoas saudá- A definição mais recente de DPOC, veis de mesma idade4. Na presença precoce universal e é a causa mais endossada pela American Thoracic de doença avançada, os pacientes ex- comum de limitação ao exercício5. Society, define DPOC como uma perimentam maior dificuldade para Embora a DPOC seja caracterizada “doença caracterizada por limitação realizar atividades de vida diária por alterações estruturais irreversíveis ao fluxo aéreo que não é totalmente (AVDs), como o cuidado próprio e na arquitetura pulmonar, a tolerância reversível. A limitação ao fluxo aéreo cuidados domésticos. A inatividade ao exercício dos pacientes com DPOC é usualmente progressiva e está resultante leva a um descondiciona- pode ser melhorada. Terapia medica- associada com uma resposta inflama- mento progressivo que aumenta mais mentosa e estratégias respiratórias, tória anormal dos pulmões a partículas a sensação de esforço respiratório como respiração com freno labial po- ou gases nocivos”3. relacionado a alguma tarefa. Como, dem melhorar as limitações ventila- O tabagismo é a principal causa de com o tempo, a tolerância ao exercício tórias. Oxigênio e intervenção nu- DPOC, mas somente 15% dos fuman- piora, os pacientes muitas vezes se tricional podem melhorar a performan- tes apresentam fenótipo da moléstia, tornam mais isolados dos colegas, ce ao exercício. Suporte psicológico sugerindo que, somados à suscetibili- amigos e familiares. Essa seqüência e respirações lentas e profundas podem dade individual, fatores adicionais de eventos freqüentemente piora sua reduzir a ansiedade e minimizar a hi- estão envolvidos, como poluição am- qualidade de vida. Concomitantemen- perinsuflação pulmonar. E finalmente, biental, exposição a químicos, fumaça te, alguns indivíduos desenvolvem o treinamento de exercício tem se inalada, tabagismo passivo, infecções depressão e ansiedade, podendo mostrado altamente benéfico para os virais e bacterianas, deficiência de α1- afastar-se progressivamente de suas pacientes com DPOC5. antitripsina e outras moléstias rotinas5. O treinamento de exercício tem associadas (pulmonares ou não)2. O mecanismo fisiológico da into- sido usado no tratamento dos pacientes O diagnóstico de DPOC parece ser lerância ao exercício na DPOC envol- com DPOC desde o início da década mais comum em homens do que em ve os seguintes achados: perda alveolar de 19605. Atualmente, tem sido inse- mulheres, mas estudos mais recentes e do recolhimento elástico, que con- rido no contexto de um amplo progra- em países em desenvolvimento mos- tribui para o aumento da compla- ma de reabilitação pulmonar (RP). A tram que a prevalência da doença é cência pulmonar e para o prejuízo da estratégia usada pela RP é integrar-se semelhante, o que provavelmente perfusão pulmonar. Tipicamente, essas ao manejo clínico e à manutenção da reflete padrões variáveis de tabagismo alterações resultam de prolongada estabilidade dos portadores de DPOC, e ainda sugere que as mulheres sejam inalação de fumaça de cigarro que principalmente em pacientes que, mais suscetíveis aos efeitos do taba- irrita as vias aéreas, aumentando, mesmo com tratamento otimizado, con- gismo3. Perda de peso e de massa mus- assim, a produção de muco e a resis- tinuam sintomáticos e com diminuição cular, bem como depleção de tecidos tência das vias aéreas. Com o tempo, de sua funcionalidade6,7. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 45
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    Os objetivos daRP são: redução dos sintomas, redução da perda funcional treinamento de membros superiores, treinamento específico da musculatu- EXERCÍCIOS PARA causada pela doença pulmonar e ra respiratória, melhora da qualidade OS MEMBROS otimização das atividades físicas e sociais, traduzidas pela melhora da de vida e redução no número de dias de hospitalização; em relação à sobre- SUPERIORES: qualidade de vida. A RP incorpora um vida, suporte psicossocial e edu- FUNDAMENTOS programa de treinamento físico, cacional, encontraram o nível “C” de educação do paciente e seus familiares, evidência6,10. O treinamento de mem- TEÓRICOS intervenção nutricional, psicossocial e bros superiores tem por finalidade a A maior parte do conhecimento contextual. A intervenção pela RP visa melhora da performance ao exercício, sobre condicionamento por exercícios atender os problemas e as necessida- facilitando aos pacientes seu desem- de reabilitação deriva-se de programas des individuais dos pacientes e é im- penho nas AVDs, podendo ser realiza- que enfatizam os exercícios para plementada por uma equipe multidis- dos com apoio dos membros su- membros inferiores (MMII), pois estes ciplinar de profissionais de saúde. Os periores, onde o paciente faz o exer- já têm evidência “A”, ou seja, são benefícios incluem melhora na qua- cício em cadeia cinética fechada, ensaios aleatorizados e controlados, lidade de vida, redução da ansiedade usando o cicloergômetro de braço, ou constituindo uma rica base de dados3. e depressão, melhoria na tolerância ao exercício sem apoio, efetuado em exercício, redução da dispnéia e outros cadeia cinética aberta, com os mem- O desempenho em muitas tarefas sintomas associados e habilidade bros superiores livres. O objetivo do de vida diária requer não apenas as melhorada para realização de ativi- presente trabalho é descrever o que a mãos, mas também a ação coordenada dades de vida diária6,8,9. literatura determina em relação ao de outros grupos musculares que con- Com base nesses conceitos, a treinamento de membros superiores trolam o tórax superior e o posiciona- Sociedade Torácica Americana (ATS), em pacientes com DPOC, uma vez mento dos braços. Alguns músculos do em 1999, adotou a seguinte definição: que os estudos não parecem apresentar tórax superior e da cintura escapular “reabilitação pulmonar é um programa consenso acerca desse método. servem a funções respiratórias e pos- multidisciplinar de assistência ao turais, têm pontos de fixação torácicos paciente portador de doença respiratória e extratorácicos, como os trapézios su- crônica, moldado individualmente para METODOLOGIA perior e inferior, grande dorsal, serrátil otimizar seu rendimento físico, social anterior, subclávio e peitorais maior e Este trabalho foi realizado como menor. Nos pacientes com DPOC, à e sua autonomia”7. A RP busca auxiliar conclusão do Curso de Pós-Graduação medida que ela se agrava, o diafragma o paciente, diminuindo as deficiências em Fisioterapia com ênfase em perde sua capacidade de gerar força, e disfunções conseqüentes dos pro- Reeducação das Funções Cardiorres- e os músculos da caixa torácica tor- cessos secundários da doença pulmo- piratórias, na Universidade Luterana nam-se mais importantes na geração nar, como disfunções musculares pe- riféricas e respiratórias, anormalidades do Brasil, campus de Canoas, RS. de pressões inspiratórias11. Quando os nutricionais, deficiências cardíacas e pacientes realizam exercícios de Os critérios para a seleção dos distúrbios esqueléticos, sensoriais e membros superiores (MMSS) sem artigos a serem revisados foram a psicossociais6. apoio, alguns dos músculos da cintura publicação em revistas que constam escapular diminuem sua participação Em 1997, o American College of no index medicus, trazendo revisão na ventilação e ocorre um aumento Chest Physicians (ACCP) e a American sobre o tema específico ou contri- na captação de O2 (VO2) e na pro- Association of Cardiovascular and buição original, ou seja, conhecimento dução de CO2 (VCO2)10,12. Assim, o Pulmonary Rehabilitation (AACVPR) novo; no caso de livros, a especificida- treinamento de MMSS é útil, pois tem apresentaram uma revisão sistemática de sobre o tema. Foram revisadas as o potencial de melhorar a performance baseada em evidências científicas (de referências encontradas nas bases de ao exercício de MMSS, pela di- níveis “A”, “B” e “C”) sobre os dados Medline, Lilacs, Bireme e sites minuição da demanda ventilatória componentes individuais e as rotinas de revistas, usando as palavras-chave: durante o trabalho de MMSS e por relevantes de um programa de RP. O “COPD”, “pulmonary rehabilitation”, melhorar a resistência dos mesmos10. estudo considerou a metodologia “upper extremity training” e “DPOC”, empregada, a qualidade dos trabalhos “reabilitação pulmonar”, “treinamento Os estudos sobre exercícios de e a consistência dos resultados. Clas- de membros superiores”. A pesquisa MMSS têm nível de evidência “B”, sificou-os em grau de evidência “A”, resultou em 177 artigos, livros e sites sustentada por estudos observacionais treinamento de membros inferiores da internet, dos quais foram seleciona- ou controlados com menos resultados para melhorar a tolerância ao exer- dos 26 artigos, 4 livros e 2 sites, nos consistentes para suportarem uma cício e a utilização da RP para melho- idiomas inglês e português, compreen- recomendação, daí não haver um pa- rar a dispnéia; grau de evidência “B”, dendo os anos de 1989 a 2003. drão ideal de treinamento de MMSS12. 46 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Severo & Rech Reabilitação pulmonar para DPOC: revisão Ries et al.13 realizaram um estudo 11 pacientes com OCVA, no repouso aumentou significativamente a capa- piloto para designar e avaliar dois pro- e durante o exercício de membros cidade ventilatória em todos os volun- gramas de treinamento de membros superiores sem suporte e com suporte, tários, mas a magnitude dessa altera- superiores, aplicáveis, simples e prá- sendo estes limitados por sintomas. O ção foi pequena; essa alteração foi ticos, em 45 pacientes com DPOC, ciclo de MMSS foi considerado exer- atribuída à melhora da função dos participando simultaneamente em um cício de MMSS com suporte, onde o músculos da cintura escapular, fazendo amplo programa de reabilitação pul- paciente estava sentado, usando um com que agissem mais efetivamente monar multidisciplinar. Os pacientes ergômetro de MMSS sem carga, como músculos acessórios da respi- foram divididos em três grupos: mantinha um nível constante de ciclos ração. Como esse estudo foi realizado treinamento de membros superiores e mantinha os MMSS ao nível dos em homens normais, os autores suge- com resistência da gravidade (RG), ombros. O exercício de MMSS sem rem que tal aumento da capacidade treinamento de membros superiores pela suporte era realizado pelo levanta- ventilatória assuma maior importância facilitação neuromuscular propriocepti- mento de pesos leves até uma distância em pacientes com DPOC, nos quais o va modificada (FNP) e nenhum exer- vertical de 10 cm em uma tábua ajus- músculo diafragma está mais aplaina- cício de membros superiores. O grupo tada ao nível do ombro, com o pacien- do e ineficaz – por isso tais pacientes que treinou com RG efetuou cinco te na posição sentado. Durante cada dependem mais dos músculos inspira- exercícios de baixa resistência e alta período do exercício foram registradas tórios da caixa torácica. Isso pode repetição, uma a duas vezes de dez as pressões endoesofágica, gástrica e explicar por que pacientes com obstru- repetições cada, com peso na mão. O transdiafragmática, além da fre- ção crônica do fluxo aéreo apóiam seus treinamento com FNP modificada qüência cardíaca (Fc), freqüência res- braços após a realização de exercício incluiu quatro exercícios de baixa piratória (Fr) e tempo de resistência. de alta intensidade, pois essa manobra freqüência com peso na mão, reali- Gases expirados foram coletados para permite que os músculos acessórios zado três vezes de quatro a dez repe- determinar a oferta de oxigênio (VO2) aumentem sua contribuição para a tições cada. Em ambos os grupos o e a ventilação por minuto (VE). A resis- ventilação6,15. treinamento era diário e as sessões tência ao exercício foi menor para o Lake et al.16 realizaram um estudo eram supervisionadas. Os pacientes exercício de MMSS sem suporte, em- controlado randomizado para avaliar foram avaliados antes e após pelo bora a Fc no pico de exercício, o VO2 o benefício do treinamento de MMSS, menos seis semanas de treinamento e a VE tenham sido menores para o exer- sozinho ou em combinação com ininterrupto. Como resultado, 28 cício sem suporte. Os valores médios treinamento de MMII, em pacientes pacientes completaram o estudo; com- para alterações nas pressões gástrica com OCVA severa. O estudo foi parados ao grupo controle, tanto os e pleural durante cada tipo de exer- realizado ambulatorialmente, super- pacientes que treinaram com RG e cício foram significativamente maiores visionado por um fisioterapeuta, onde quanto os FNP demonstraram melhora que no repouso. Esses dados mostraram avaliaram 28 pacientes com obstrução na performance do teste específico que muitos pacientes com OCVA alte- crônica severa de vias aéreas (VEF1 para o treinamento realizado (teste de ram seu padrão quando realizam 32% do previsto). Os pacientes foram performance de membros superiores, exercício de MMSS sem suporte, por divididos em grupos: oito pacientes do nível máximo e resistência no ciclo mudarem uma porção da sobrecarga grupo controle, seis que treinaram de membros superiores isocinético). ventilatória dos músculos inspiratórios MMSS, sete que treinaram MMII e sete Nenhuma diferença significativa ocor- da caixa torácica para o diafragma e do grupo combinado. Cada sessão do reu nos testes no ciclo isotônico de para os músculos expiratórios. grupo de MMSS foi composta de 10 membros superiores, na resistência dos Banzett et al. 6, sabendo que os min de aquecimento, 20 min de treina- músculos ventilatórios ou na simulação pacientes com DPOC severa freqüen- mento em circuito de MMSS (cicloer- das AVDs. A dispnéia e a fadiga di- temente se apóiam para a frente, gômetro de MMSS com resistência, minuíram significativamente em ambos suportando seus MMSS, resolveram lançamento de bola, passar uma bolsa os grupos. Os autores concluíram que testar se o suporte da cintura escapular sobre a cabeça, jogo de argolas, man- o treinamento específico de membros melhora a função da bomba ventila- tendo MMSS acima da horizontal) e superiores pode ser benéfico na tória. O estudo foi realizado em quatro 10 min de desaquecimento; cada reabilitação de pacientes com DPOC. homens normais, pela medida da exercício era realizado por 40 seg, Criner e Celli14 propuseram que o ventilação máxima que poderiam seguido de 20 seg de repouso, sendo exercício de membros superiores sem sustentar voluntariamente por 4 minu- repetido três vezes em 3 min. O grupo suporte altera o recrutamento muscular tos (min), enquanto permaneciam sen- de MMII realizou 10 min de aqueci- ventilatório e precipita a dispnéia em tados com seus cotovelos apoiados mento, 20 min de treinamento de ca- pacientes com severa obstrução crô- firmemente na mesa e enquanto sen- minhada e 10 min de desaquecimen- nica de vias aéreas (OCVA). Para tes- tados com seus cotovelos mantidos to. O grupo que realizou a combinação tar essa hipótese, os autores estudaram acima da mesa. O apoio dos MMSS dos treinamentos realizou 10 min de FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 47
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    aquecimento, 15 minde treinamento MMSS para baixo e durante 2 min de pacientes o tempo real de VO2 (tempo em circuito de MMSS, 15 min de ca- elevação dos MMSS. Antes da RP, a em que o paciente realizou o teste pré- minhada e 10 min de desaquecimen- elevação dos MMSS levou a um treinamento e pós-treinamento) foi to. Cada sessão tinha duração de uma aumento significativo no VO2, VCO2, medido durante o teste com bastão. hora, três vezes por semana, por oito Fc e VE. Após a RP, a função pulmonar, Somente aqueles que treinaram com semanas. A avaliação antes e após o Pdimax, os parâmetros metabólicos e exercício sem suporte mostraram treinamento incluiu função pulmonar, ventilatórios com os MMSS para baixo diminuição no tempo real de VO2. Os resistência muscular respiratória, teste não alteraram; no entanto durante a autores concluíram que o treinamento de exercício máximo na bicicleta, er- elevação dos MMSS, o VO2, VCO2, e de MMSS melhora a atividade dos gômetro de MMSS máximo e submá- VE estavam significativamente meno- MMSS com maior aumento na ativi- ximo, distância caminhada em 6 min res que aqueles vistos antes da RP. Os dade de MMSS sem suporte, vista na- e uma escala de bem-estar (Escala de autores concluíram que um amplo pro- queles que treinaram MMSS sem Bandura). Vinte e seis pacientes com- grama de RP que inclua exercício de suporte. Como o exercício de MMSS pletaram o programa. Houve uma extremidades superiores leva a uma re- é típico de AVDs, em pacientes com significativa melhora nos seguintes dução na demanda ventilatória na OCVA as alterações verificadas com parâmetros: distância caminhada em elevação simples de MMSS. Esse tipo o exercício de MMSS sem suporte 6 min no grupo de MMII e no grupo de programa pode permitir que pacien- podem ter maior significância clínica. combinado; ergômetro de MMSS no tes com OCVA realizem atividades sus- O treinamento de MMSS deve ser grupo de MMSS e no grupo combinado; tentadas de MMSS com menos dispnéia. incorporado no programa de RP e um e a escala de bem-estar no grupo com- simples programa de exercícios de Martinez et al.18 compararam o exer- binado. Não houve nenhuma altera- MMSS usando o peso de um bastão cício de MMSS com suporte versus ção nos outros parâmetros. Os autores parece ser o formato ótimo, oferecen- sem suporte no treinamento de pacien- concluíram que o treinamento melhora do mais vantagens que os tradicionais tes com OCVA severa. O estudo a performance ao exercício em exercícios com suporte. randomizado foi realizado junto com pacientes com OCVA severa, que o um programa ambulatorial de reabi- Para manter uma ventilação efetiva treinamento é específico para o grupo litação pulmonar de dez semanas, durante a elevação de MMSS, os indi- muscular treinado, e que exercícios de onde todos os pacientes passaram por víduos normais recrutam predominan- MMSS devem ser incluídos no progra- treinamento de MMII (bicicleta ergo- temente o diafragma, enquanto pacien- ma de treinamento para esses pacientes. métrica e esteira), treinamento mus- tes com DPOC usam mais os músculos Couser et al. 17 , sabendo que a cular respiratório (usando treinador de acessórios da inspiração e os expira- simples elevação dos MMSS resulta pressão inspiratória-threshold), re- tórios abdominais. Epstein et al. 19 em aumento na demanda metabólica treinamento respiratório, apoio psico- estudaram 34 pacientes durante 2 min e ventilatória de pacientes com lógico e educação. O treinamento de de elevação dos MMSS, para testar se OCVA, e que essa demanda contribui MMSS dividiu-se em exercício com a elevação dos MMSS é útil para para a dispnéia, que é freqüentemente suporte (cicloergômetro de MMSS; a estudar a resposta ventilatória na relatada quando esses pacientes carga de trabalho e a duração do exer- DPOC e para definir os fatores que realizam atividades de vida diária cício foram aumentadas semanalmen- determinam essa resposta. Foram reali- envolvendo os MMSS, trabalharam te como toleradas até 15 min) e exer- zadas medidas fisiológicas, metabóli- com a hipótese de que um amplo cício sem suporte (cinco exercícios cas e análise da função muscular programa de RP que inclua treinamen- realizados com um bastão de madeira: respiratória. Os autores concluíram que to de MMSS diminuiria a demanda flexão de ombro, flexão/extensão de o padrão de recrutamento muscular res- ventilatória para elevação de MMSS. ombro em conjunto com flexão/ piratório durante a elevação de MMSS As respostas metabólicas e ventila- extensão de cotovelo, flexão/extensão depende primariamente do padrão tórias para 2 min de elevação simples de cotovelo, abdução/adução hori- respiratório utilizado no repouso. de MMSS foram estudadas em 14 zontal de ombro, circundução de Acima de 2 min, o grau de hiperinsu- pacientes com OCVA antes e após a ombro; a duração de cada exercício flação e a reserva de força do diafragma reabilitação pulmonar. A força mus- foi aumentada em 1/2 min, aumentan- aumentam o impacto na habilidade de cular respiratória foi avaliada pela do até um tempo total de 3½ min). recrutar o diafragma. Medidas do medida da pressão transdiafragmática Trinta e cinco pacientes completaram índice de respiração rápida e super- máxima (Pdimax). A oferta de oxigênio o estudo. Ambos os grupos que treina- ficial, representado pelo índice de res- (VO2), produção de dióxido de carbo- ram MMSS mostraram melhora similar piração (Fr/VC) durante elevação dos no (CO2), freqüência cardíaca (Fc), no teste ergométrico de MMSS, MMSS, podem ser um teste simples, ventilação minuto (VE), volume cor- enquanto aqueles que treinaram exer- prático e útil para avaliar a reserva rente (VC) e freqüência respiratória (Fr) cício sem suporte mostraram maiores funcional do diafragma em pacientes foram medidas no repouso e com os ganhos no teste com bastão. Em 17 com DPOC moderada a severa. 48 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Severo & Rech Reabilitação pulmonar para DPOC: revisão FORMAS PARA não necessitam de qualquer equipa- mento sofisticado para sua execução realizada duas vezes por dois min cada, com intervalo de repouso de um TREINAMENTO e mostram semelhança com os movi- min entre elas. Aos pacientes é solici- DE MMSS mentos realizados com os MMSS na execução das AVDs. Dentre os movi- tado que realizem a expiração durante o movimento, afim de que esses mús- As formas de treinamento de MMSS, mentos que podem ser realizados, culos sejam utilizados apenas para a segundo Rodrigues6, podem ser divi- encontram-se: elevação dos braços ao atividade motora, diminuindo, assim, didas em duas modalidades: com ou nível do ombro com ou sem peso, a dispnéia. O treinamento é realizado sem apoio dos membros superiores. exercícios com bastões, com faixas três vezes por semana, com a duração elásticas, em diagonal (FNP). Não de 30 min cada20,21. Exercício com existe consenso sobre qual a melhor forma de exercício, porém o mais Segundo Celli12, o exercício para MMSS incluído no programa de RP os MMSS apoiados usado parece ser o de elevação do bra- consta de treinamento com suporte ço ao nível do ombro. Esta forma de Os exercícios com os MMSS apoiados realizado por ergometria de braços por exercício consiste em elevação de são realizados em cicloergômetro de 20 min em cada sessão, começando pesos com os braços estendidos até a braço, que deve ser ajustado para que com 60% da capacidade máxima de altura do ombro, usando um peso o exercício seja feito com os braços trabalho (como determinado por um inicial de 500 a 750 gramas; os movi- movimentando-se ao nível do ombro, teste de esforço), aumentando a carga mentos são realizados por 2 min, sendo que a intensidade dos movimen- a cada cinco sessões, como tolerado, numa freqüência igual à da respiração, tos deve ser baseada numa percenta- monitorizando a freqüência cardíaca seguindo-se um período de 2 min de gem da carga máxima de trabalho e a dispnéia e com uma duração de repouso. A duração de cada sessão obtida em teste anterior. Segundo até 30 min. No treinamento de braços deve ser de 30 min, com incrementos Celli6, a intensidade do exercício tem sem suporte, os pacientes realizam de 250 gramas no peso a cada cinco de ser de 60% do VO2 e o tempo de exercícios de elevar um halter de 750g sessões, ou de acordo com a tolerância exercício deve ser no máximo 30 min ao nível dos ombros por 2 min, uma do paciente. É necessária também a por sessão. Por aqueles pacientes que repetição para cada respiração, um monitorização de parâmetros6. não conseguem completar o tempo, o período de repouso de 2 min, repetindo exercício deve ser mantido até a a seqüência como tolerado por até 32 exaustão, e a duração do tempo deve PROTOCOLOS min, monitorizando-se a dispnéia e a freqüência cardíaca; o peso é aumen- ser aumentada progressivamente nas sessões seguintes. A carga deve ser UTILIZADOS tado em (250g) a cada cinco sessões, aumentada a cada três ou cinco como tolerado. O objetivo é comple- O Centro de Reabilitação Pulmonar sessões, conforme a tolerância do indi- tar 24 sessões. da Universidade Federal de São Paulo víduo. Para pacientes com DPOC são (UNIFESP), no Lar da Escola São O programa de RP no Ambulatório sugeridos estímulos pequenos, em Francisco, oferece um serviço de RP de Fisioterapia da Universidade Es- torno de 5 a 10 watts. A freqüência com duração de 12 semanas, onde o tadual Paulista FCT/UNESP – campus das sessões, na maioria dos estudos so- treinamento de MMSS é realizado de Presidente Prudente segue três bre treinamento, é de três a cinco através de halter, com carga corres- protocolos de atividades, sendo des- vezes por semana. O programa de pondente a 50% do peso máximo critas a seguir as atividades de mem- treinamento deve ter no mínimo 12 alcançado no teste incremental para bros superiores de cada um22. sessões para que se obtenha resultado MMSS. No treinamento são utilizados satisfatório quanto ao aumento da endurance. É necessário, durante o os padrões básicos de membros su- Protocolo 1 periores do Método Kabat, abordagem treinamento, monitoração da Fc, global de Facilitação Neuromuscular Os exercícios de membros su- pressão arterial, Fr, saturação da oxi- Proprioceptiva (PNF), usando a pri- periores são compostos por: diagonais hemoglobina, sensação de dispnéia e meira diagonal (flexão, abdução, rota- de Kabat modificado 1; diagonais de cansaço nos MMSS por meio da escala ção externa e extensão, adução, Kabat modificado 2; circundução (com de Borg6. rotação interna) e a segunda diagonal os MMSS à frente do corpo); rotação (flexão, adução, rotação externa e ex- interna e externa (ombro 900 de abdu- Exercício com os MMSS sem tensão, abdução, rotação interna), ção e cotovelo 900 de flexão); com pela funcionalidade e por solicitar a duração de 15 min, sendo realizadas apoio ação de vários grupos musculares que duas séries de dez repetições para cada Os exercícios de MMSS sem apoio envolvam os MMSS, utilizados na exercício (em pé), com um peso nas são mais fáceis de serem realizados, realização de AVDs. Cada diagonal é mãos. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 49
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    Protocolo 2 de hospitalizações. Lacasse et al.26,27 publicaram uma metanálise com o quatro AVDs (varrer o chão, apagar o quadro-negro, levantar potes com Os exercícios de membros superiores objetivo de avaliar o efeito da RP na pesos, trocar lâmpadas) que requerem são compostos por: diagonais de Kabat capacidade de exercício e na qualida- os MMSS em diferentes posições, com modificado 1; diagonais de Kabat mo- de de vida de pacientes com DPOC. e sem suporte. Os autores concluíram dificado 2; conscientização da costal Os achados dessa metanálise, segun- que, quando realizavam essas quatro alta (MMSS unidos em cruz, junto ao do os autores, apóiam amplamente a atividades, os pacientes com DPOC corpo, abdução 900 e retorno); cruzar RP como parte de programas de trata- moderada-severa apresentavam um os braços anteriormente (com os mento para esses pacientes. Os autores alto consumo de oxigênio, justificando MMSS estendidos 900 anteriormente); concluíram também que a RP melhora a a fadiga relatada por eles durante com duração de 15 min, sendo realiza- dispnéia e o autocontrole dos pacientes, atividades simples que envolvem os das duas séries de dez repetições para o que clinicamente é muito importante. MMSS; e, ainda, apresentavam uma cada exercício (em pé), com um peso Existe evidência de que o treina- relação ventilação minuto/ventilação nas mãos. mento com exercício é o componente voluntária máxima (VE/VVM) alta que mais importante de um programa de explica o aumento na percepção de Protocolo 3 RP25. O treinamento pode ser divido dispnéia, também relatada. Atividades em dois tipos: aeróbico (ou endurance) de MMSS tendem a produzir dispnéia Os exercícios de membros superiores e de força. O treinamento aeróbico e incoordenação dos músculos respira- são compostos por: diagonais de Kabat melhora a resistência para sustentar tórios. Assim, o treinamento de extre- modificado 1; diagonais de Kabat mo- uma dada tarefa de exercício. Em con- midades superiores pode ser especial- dificado 2; conscientização da costal traste, o de força envolve a performan- mente vantajoso para esses pacientes28. alta (MMSS unidos em cruz, junto ao ce de atividades com alta carga (como Entretanto, não existem dados de estu- corpo, abdução 900 e retorno); exer- levantamento de peso) por um curto dos que sustentem a inclusão rotineira cícios metabólicos com as mãos (sem período de tempo. Cada tipo de treina- desses exercícios; mas sabe-se que peso); com duração de 15 min, sendo mento pode ser realizado em inten- podem ser úteis em pacientes com co- realizadas duas séries de dez repeti- sidades diferentes, que são percen- morbidades que restringem outras ções para cada exercício (em pé), com tagens selecionadas da capacidade de formas de exercício31. um peso nas mãos. trabalho máxima individual do Conforme observado nos tópicos paciente, para uma tarefa específica5. anteriores, ainda não existe um con- DISCUSSÃO O treinamento físico em um progra- senso sobre o melhor modo de treinar ma de RP engloba o treinamento de os MMSS. A ausência de uma termi- A reabilitação pulmonar tem sido membros inferiores, membros su- nologia específica na descrição dos considerada uma importante forma de periores e de músculos ventilatórios. exercícios, no número de repetições, tratamento da DPOC, sendo recomen- O treinamento de MMSS pode ser um na quantidade de carga inicial e dada, por exemplo, pela Sociedade objetivo importante, já que os mesmos incremento durante os exercícios, no Americana de Tórax, para pacientes são usados para muitas atividades da número de atendimentos necessários com DPOC que se mantêm sintomáti- vida diária, como pentear os cabelos, para um incremento na carga, na cos apesar do tratamento medicamen- escovar os dentes, levantar-se, banhar- variabilidade dos exercícios aplicados toso adequado, sobretudo aqueles se e vestir-se. Tem sido demonstrado nos diferentes protocolos, entre outros, funcionalmente mais graves23. Entre- que pacientes com DPOC toleram dificultam a implementação dos pro- tanto, Berry et al.24 sugerem que todos pouco o exercício de MMSS pelo fato tocolos e uma melhor avaliação dos os pacientes com DPOC, independen- de que seus músculos dos ombros e do resultados. As duas formas básicas de te da severidade da doença, terão tórax participam tanto da respiração treinamento que têm recebido mais algum benefício com a participação quanto do movimento dos membros atenção são o treinamento com ci- em um programa de treinamento. superiores28. Celli et al.29 estudaram a cloergômetro de membros superiores, Segundo Celli25, a reabilitação oferece resposta ventilatória e metabólica du- onde o trabalho é realizado com o a melhor opção de tratamento para os rante o exercício de MMSS sem supor- suporte dos MMSS, e o treinamento pacientes com obstrução de vias aéreas te em pacientes com DPOC e mostra- pelo levantamento de pesos, sendo sintomáticos, tendo como resultado ram que esse exercício leva a um dis- neste o trabalho sem suporte10. Alguns uma melhora na função bioquímica e sincronismo toracoabdominal e centros utilizam o exercício em diago- fisiológica, efeitos benéficos na quali- dispnéia. Em um estudo mais recente, nais (FNP) associado ao uso de faixas dade de vida, diminuição na percepção Velloso et al.30 avaliaram a demanda elásticas, pesos ou bastões, outros de dispnéia e também uma redução metabólica e ventilatória dos pacien- usam aparelhos de remada ou esta- no uso de cuidados de saúde e na taxa tes com DPOC, enquanto realizavam ções de vários exercícios. A FNP mo- 50 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Severo & Rech Reabilitação pulmonar para DPOC: revisão dificada é uma técnica que recruta o maior número de músculos da cintura CONCLUSÃO A resposta heterogênea à carga de treinamento, em pacientes com DPOC, escapular2,6. Em um estudo realizado O treinamento de MMSS é impor- sugere a necessidade de mais pesquisas por Ries et al.13, onde os pacientes tante em um programa de reabilitação para melhor se estabelecerem critérios treinavam com a resistência da gravi- pulmonar para pacientes com DPOC, de seleção dos pacientes que se bene- dade ou com a FNP, os autores con- embora a forma exata que traz me- lhores resultados ainda permaneça des- ficiarão mais com o treinamento de cluíram que ambos os treinamentos MMSS. Também existe a necessidade conhecida. Os resultados de trabalhos levaram a melhora na performance do disponíveis indicam que os exercícios de os fisioterapeutas, dentro da equipe teste de treinamento específico. Pelo com levantamento de peso acima dos multidisciplinar, avaliarem diferentes que foi descrito, o treinamento mais ombros são os que oferecem resultados formas de programas de treinamento usado é o exercício com os MMSS sem mais satisfatórios. apoio, que oferece mais vantagens, de MMSS; isso inclui explorar o efeito A execução das AVDs, após um pro- do tipo, duração, freqüência e inten- pois muitas atividades de vida diária, grama de RP que inclua treinamento de em pacientes com obstrução crônica sidade do programa nas variáveis dos MMSS, é realizada com menor esfor- de vias aéreas, assemelham-se aos resultados e, por fim, para determinar ço, traduzindo melhora na autonomia exercícios de MMSS sem suporte e, social e física, no sentido de tornar o o efeito do treinamento de exercício por isso, seus efeitos benéficos podem paciente mais independente, mais ativo de MMSS intenso na função muscular ter maior relevância clínica18. fisicamente e, portanto, mais seguro. respiratória em pacientes com DPOC. REFERÊNCIAS 1 Jardim JR. Doença respiratória mata três por hora no 9 Pryor JA, Webber BA. Fisioterapia para problemas Brasil; cigarro causa 90% dos casos. Folha Online. 2003 respiratórios e cardíacos. 2a ed. Rio de Janeiro: abril. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br. Guanabara Koogan; 2002. 2 Yaksic MS, Cukier A, Stelmach R. Perfil de uma 10 Joint ACCP/AACVPR Evidence-Based Guidelines. população brasileira com doença pulmonar Pulmonary rehabilitation. Chest. 1997;112(5):1363-96. obstrutiva crônica grave. J Pneumol. 2003;29(2):64-8. 11 Martinez F, Couser J, Celli B. Factors influencing 3 NHLB/WHO Global Initiative for Chronic Obstructive ventilatory muscle recruitment in patients with chronic Lung Disease (GOLD). Global strategy for the airflow obstruction. Am Rev Respir Dis. 1990;142:276-82. diagnosis, management, and prevention of chronic 12 Celli BR. Doenças respiratórias. In: Fronteira WR, obstructive pulmonary disease: workshop summary. Dawson DM, Slovik DM. Exercício físico e Am J Respir Crit Care Med. 2001;163:1256-76. reabilitação. Porto Alegre: Artmed; 2001. p.187-201. 4 Jones AYM, Dean E, Chow CCS. Comparison of the 13 Ries AL, Birgitta E, Hawkins RW. Upper extremity oxygen cost of breathing exercises and spontaneous exercise training in chronic obstructive pulmonary breathing in patients with stable chronic obstructive disease. Chest. 1988;93(4):688-92. pulmonary disease. Phys Ther. 2003;83(5):424-31. 14 Criner GJ, Celli BR. Effect of unsupported arm 5 Bourjeily G, Rochester CL. Exercise training in exercise on ventilatory muscle recruitment in chronic obstructive pulmonary disease. Clin Chest patients with severe chronic obstruction. Am Rev Med. 2000;21(4):763-81. Respir Dis. 1988;138:856-61. 6 Rodrigues SL. Reabilitação pulmonar: conceitos 15 Banzett RB, Topulos GP, Leith DE, Nations CS. básicos. São Paulo: Manole; 2003. Bracing arms increases the capacity for sustained 7 American Thoracic Society. Pulmonary rehabilitation. hyperpnea. Am Rev Respir Dis. 1988;138:106-9. Am J Respir Crit Care Med. 1999;159:1666-82. 16 Lake FR, Henderson K, Briffa T, Openshaw J, Musk 8 British Thoracic Society Standards of Care – W. Upper-limb and lower-limb exercise training in Subcommittee on Pulmonary Rehabilitation. patients with chronic airflow obstruction. Chest. Pulmonary rehabilitation. Thorax. 2001;56(11):827-34. 1990;97:1077-82. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 51
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    Referências (cont.) 17Couser JI, Martinez FJ, Celli BR. Pulmonary 24 Berry MJ, Rejeski WJ, Adair NE, Zaccaro D. Exercise rehabilitation that includes arm exercise reduces rehabilitation and chronic obstructive pulmonary metabolic and ventilatory requeriments for simple disease stage. Am J Respir Crit Care Med. arm elevation. Chest. 1993;103:37-41. 1999;160:1248-53. 18 Martinez FJ, Vogel PD, Dupont DN, Stanopoulos I, 25 Celli BR. Is pulmonary rehabilitation an effective Gray A, Branis JF. Supported arm exercise vs treatment for chronic obstructive pulmonary disease? unsupported arm exercise in the rehabilitation of Editorial. Am J Respir Crit Care Med. 1997;155:781-3. patients with severe chronic airflow obstruction. 26 Lacasse Y, Wong E, Guyatt GH, King D, Cook DJ, Chest. 1993;103:1397-402. Goldstein RS. Meta-analysis of respiratory 19 Epstein SK, Celli BR, Williams J, Tarpy S, Roa J, rehabilitation in chronic obstructive pulmonary Shannon T. Ventilatory response to arm elevation. Am disease. Lancet. 1996;348:1115-9. J Respir Crit Care Med. 1995;152:211-6. 27 I Consenso Brasileiro de Doença Pulmonar Obstrutiva 20 Jardim JR. Reabilitação pulmonar. São Paulo; 2001. Crônica (DPOC). J Pneumol. 2000;26(Suppl1):1-52. [citado dez.2001] Disponível em: http:// 28 Casaburi R, Petty TL. Principles and practice of pulmonary www.lesf.org.br/ setores/reabpulmonar.html. rehabilitation. Philadelphia: W.B. Saunders; 1993. 21 Neder JA, Nery LE, Cendon S P, Ferreira IM, Jardim 29 Celli BR, Rassulo J, Make BJ. Dyssynchronous JR. Reabilitação pulmonar: fatores relacionados ao breathing during arm but not leg exercise in patients ganho aeróbico de pacientes com DPOC. J Pneumol. with chronic airflow obstruction. N Engl J Med. 1997;23( 3):115-23. 1986;314:1485-90. 22 Ferreira DS. Fisioterapia respiratória. Rev Fisioter 30 Velloso M, Stella SG, Cendon S, Silva AC, Jardim JR. Brasil 2003 maio/jun; 3 Supl. Metabolic and ventilatory parameters of four activities of daily living accomplished with arms in 23 Salman GF, Mosier MC, Beasley BW. Rehabilitation COPD patients. Chest. 2003;123(4):1047-53. for patients with chronic obstructive pulmonary disease: meta-analysis of randomized controlled 31 Associação Latino-americana de Tórax. Projeto trials. J Gen Intern Med. 2003;18:213-21. Implementação GOLD Brasil. São Paulo: Anexo; 2001. 52 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Distúrbios osteomusculares relacionadosao trabalho em fisioterapeutas: revisão da literatura Work-related musculoskeletal disorders in physical therapists: a literature review Rodrigo Luiz Carregaro1, Celita Salmaso Trelha2, Helen Jubiara Zulian Mastelari3 1 Fisioterapeuta; Mestrando em RESUMO: Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) ou lesões Fisioterapia na Universidade por esforço repetitivo (LER) são um conjunto de afecções de origem ocupacional Federal de São Carlos que podem acometer fisioterapeutas. O objetivo deste estudo foi, com base 2 Fisioterapeuta; Doutoranda em em revisão da literatura, verificar a freqüência, fatores de risco, áreas de atuação Ciências da Saúde na e decorrências de lesões ocupacionais entre fisioterapeutas. Segundo se apurou, Universidade Estadual de as áreas corporais com alta prevalência de lesões são coluna lombar, pescoço, Londrina (UEL) punhos e mãos. Os profissionais entre 20 e 25 anos de idade e com 5 anos ou 3 Fisioterapeuta especialista em menos de formação são mais acometidos. Os principais fatores de risco são Recursos Terapêuticos e transferência de pacientes, posturas estáticas e terapia manual. Profissionais Técnicas Posturais da UEL atuantes em hospitais são mais acometidos pelas lesões. A maioria dos profissionais acometidos modifica a prática, desde a adoção de preocupação com a biomecânica corporal até os casos de abandono da profissão. Embora o ENDEREÇO PARA fisioterapeuta seja conhecedor de lesões musculoesqueléticas, ressalta-se a CORRESPONDÊNCIA falta de autocuidado e prevenção. A revisão aponta para a necessidade de Rodrigo Luiz Carregaro mais pesquisas direcionadas a intervenções e medidas preventivas. R. Dr Lauro César P. Ribeiro 219 Jd Analice DESCRITORES: Fisioterapia; Revisão; Riscos ocupacionais; Transtornos traumáticos 15070-490 cumulativos/ LER-DORT São José do Rio Preto SP e-mail: ABSTRACT: Work-related musculoskeletal disorders (WMSDs) are a group of rodrigocarregaro@yahoo.com.br occupational injuries that may affect physical therapists. The aim of this literature review was to verify the frequency, risk factors, specialty areas, workplaces and consequences of occupational disosrders among physical therapists. According to the texts reviewed, body parts most affected are low back, neck, wrist and hands. Professionals between 20 and 25 years old and with less than 5 years of practice are the most affected. Major risk factors are patient lifting, static postures and manual therapy. A great part of the affected professionals modify their practice, by increasing awareness of their own biomechanical changes or even by abandoning the profession. Althought physical therapists are familiar with musculoskeletal injuries, there is a lack of selfcare and prevention. The review points out to the need to more research aimed at intervention and preventive actions. ACEITO PARA PUBLICAÇÃO KEY WORDS: Cumulative trauma disorders/ work-related musculoskeletal disorders; nov. 2005 Literature review; Occupational risk; Physical therapy FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 132006;53-9 FISIOTERAPIA E PESQUISA (1): 12(3) 53
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    INTRODUÇÃO do tronco, manutenção da posição ortostática por tempo prolongado e profissionais de fisioterapia. Foram excluídos estudos que abordavam a Os fisioterapeutas fazem parte do posturas inadequadas8,12-14, fatores estes influência de aparelhos de eletrofoto- conjunto responsável pela assistência que podem ser responsáveis pela ori- termoterapia, lesões de pele devido à à saúde de seres humanos, possuindo gem de distúrbios musculares re- prática de fisioterapia aquática e os especificidade de conhecimentos e lacionados ao trabalho15-17. que avaliaram alterações psicológicas prática1 e reconhecimento por contri- tais como estresse e burnout. Não As LER/DORT (Lesões por Esforço houve restrição de idiomas. buírem para o bem-estar individual e Repetitivo e/ou Distúrbios Osteomus- coletivo2. A revisão de literatura foi realizada culares Relacionados ao Trabalho) A fisioterapia é uma profissão de bases podem ser definidas como “uma sín- a partir das bases de dados on-line científicas, com participação essencial drome clínica caracterizada por dor MEDLine (1966-2004), LILACS – Lite- no sistema de saúde3,4, podendo desen- crônica, acompanhada ou não de ratura Latino-Americana e do Caribe volver suas atividades em diversos alterações objetivas, que se manifesta em Ciências da Saúde (1982-2004) e locais3. De acordo com o Conselho principalmente no pescoço, cintura Web of Science (1945-2004), dos jornais Federal de Fisioterapia e Terapia escapular e/ou membros superiores em especializados Physical Therapy (1994- Ocupacional, as áreas de atuação são decorrência do trabalho, podendo 2004), Physiotherapy (1990-2004), classificadas em: Fisioterapia Clínica afetar tendões, músculos e nervos pe- Australian Journal of Physiotherapy (hospitais, clínicas, ambulatórios, riféricos”17. No contexto ocupacional, (1982-2004), Archives of Physical consultórios e centros de reabilitação), o Ministério da Saúde afirma que as Medicine and Rehabilitation (1995- Saúde Coletiva (programas insti- LER/DORT representam o principal 2004), Revista de Fisioterapia da grupo de agravos à saúde do tra- Universidade de São Paulo (1996-2003) tucionais, ações básicas de saúde, balhador, podendo acometer todas as e Revista Brasileira de Fisioterapia fisioterapia do trabalho e vigilância (1996-2003), Biblioteca Cochrane e em sanitária), Educacional (docência, faixas etárias e categorias profissionais citações referenciais. Os seguintes extensão, pesquisa, supervisão, dire- expostas aos fatores de risco17. Essas descritores foram selecionados no ção e coordenação de cursos) entre afecções são consideradas a segunda banco de terminologia em saúde da outras, tais como indústrias de equipa- causa de afastamento do trabalho, po- Bireme DECS: fisioterapia, doenças mentos de uso fisioterapêutico e área dendo gerar incapacidade e sofrimento18. ocupacionais, prevalência, LER/ desportiva5. Durante a formação profissional, o DORT, risco ocupacional, local de O profundo conhecimento sobre o fisioterapeuta obtém conhecimentos trabalho, saúde ocupacional, estudos movimento normal e funcionalidade4,6 de biomecânica e cinesiologia, além de prevalência. Os descritores em in- demonstra ampla aplicação clínica na de noções sobre técnicas adequadas glês foram: physical therapy, occupational promoção da saúde, reabilitação e a serem utilizadas durante o processo diseases, prevalence, cumulative trauma manutenção da função, condiciona- de reabilitação. Entretanto, estes co- disorders, occupational risk, workplace, mento e qualidade de vida relaciona- nhecimentos não conferem imunidade occupational health, cross-sectional da ao movimento4. Os fisioterapeutas às LER/DORT10. studies. são responsáveis também pela preven- A revisão de literatura aqui apresen- ção de sintomas e progressão de altera- ções, limitações físicas e disfunções tada tem como objetivo verificar a RESULTADOS freqüência de LER/DORT em acadê- que podem ser o resultado de doenças, micos e profissionais de fisioterapia, lesões e condições variadas4-6. Contra- as áreas de atuação, os fatores de risco Seleção dos estudos ditoriamente, profissionais que são e as conseqüências relativas à presen- habilitados a tratar pacientes com dife- Foram encontrados 24 artigos cientí- ça dos mesmos. Espera-se que os acha- ficos, sendo 10 da MEDLine, 6 da Web rentes tipos de lesões e quadros clíni- dos desta revisão sejam benéficos no cos, encontram-se também em situação of Science, 1 da LILACS, seis dos jornais sentido de conscientizar sobre os riscos especializados e uma citação referencial. de risco durante o curso de suas vidas da profissão. profissionais7. Entretanto, três estudos constaram em duas bases de dados, totalizando 21 A fisioterapia pode ser considerada uma ocupação estressante em se tra- METODOLOGIA artigos selecionados. Nenhum estudo foi encontrado na Biblioteca Cochrane. tando da presença de fatores relaciona- Foram selecionados artigos que Em relação aos idiomas, 18 foram dos à dor lombar8, membros inferiores9, avaliaram a freqüência de lesões mus- escritos na língua inglesa, 1 em ita- mãos, punhos e polegar10-11. O trabalho culoesqueléticas, os fatores de risco, liano e 2 em português. Os estudos do fisioterapeuta demanda esforço medidas de prevenção e de tratamento foram realizados principalmente na físico e envolve atividades de levanta- e os que avaliaram aspectos emocionais Austrália, Estados Unidos e Inglaterra. mento, inclinação, flexão e rotação devido às lesões em acadêmicos ou A grande maioria caracteriza-se pelo 54 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Carregaro et al. DORT em fisioterapeutas: revisão delineamento transversal e pelo uso apresentaram alto índice, dependendo estáticas por tempo prolongado8,10,22,24, de questionários auto-aplicáveis. No dos locais de atuação e técnicas flexão e rotação do tronco com ou sem Brasil foram encontrados dois estudos, executadas. sobrecarga de peso associada12,14,22 e ambos com delineamento transversal e levantamento de peso e materiais8,20. utilização de questionário. As principais Fatores de risco Outros fatores considerados desen- características dos artigos incluídos cadeadores de lesões podem ser nesta revisão foram sintetizadas no Os três fatores de risco primários encontrados no Quadro 3. Quadro 1. associados às LER/DORT são os movimentos repetitivos, posturas O sexo feminino aparece como fator de risco em dois estudos10,27, enquanto Freqüência de LER/DORT inadequadas e níveis altos de força10. A maioria dos fisioterapeutas atribui o masculino é apontado em um No Quadro 2 estão listados os seus primeiros sintomas ao processo de estudo21; no entanto, os homens rela- estudos e os índices de freqüência de trabalho8, que requer o desempenho taram maior utilização de técnicas de LER/DORT. Em fisioterapeutas, fre- de inúmeras tarefas relacionadas aos mobilização do que as mulheres. qüências compreendidas entre 14% a cuidados dos pacientes e clientes, Outros estudos11-12,14,23-25 não encontra- 95% variaram de acordo com as áreas incluindo atividades como agacha- ram diferenças significativas entre os corporais acometidas. Dois estudos mento, treino de marcha, resistência sexos . Houve uma concordância geral avaliaram acadêmicos de fisioterapia; manual, flexão e/ou rotação do tronco quanto ao período que os profissionais apenas um avaliou a freqüência de e adoção de posturas muitas vezes vivenciaram a primeira experiência de lombalgia19, estimando uma preva- inadequadas10,13,20. dor devido às LER/DORT, compreendi- lência anual de 63%. do entre os 20 e 30 anos de idade, Dentre as atividades apontadas sendo que a maioria encontrava-se nos A região da coluna lombar foi a como responsáveis pelo início dos primeiros cinco a sete anos de atuação, principal área corporal acometida nos sintomas, ressalta-se a transferência de ou seja, recém-formados8,12,14,21-24. profissionais avaliados, obtendo alto pacientes dependentes como sendo índice de prevalência de dor8,10,12-14,19-25. responsável por grande número de É possível destacar autores27-28 que Outras regiões corporais, tais como a profissionais acometidos10,20-21. Outras analisaram o processo de trabalho do coluna cervical21-22, mãos e punhos10,25-26 atividades com potencial lesivo foram fisioterapeuta por meio do método de e membros inferiores 9,24 , também a terapia manual 10,21,24,26 , posturas avaliação postural OWAS – Ovako Quadro 1 Principais características dos estudos incluídos na revisão Delineament Estudo País População estudada* Áreas corporais acometidas Instrumento ** o do estudo Trelha 24 Brasil 170 Fts (80% M, 20% H, IM 30,5 anos) Coluna lombar e dorsal, pescoço Nordic Questionnaire Transversal Wanderley23 Brasil 128 Fts (84,4% M, 15,6%H) Coluna lombar, cervical e dorsal Quest. des. auts. Transversal Caragianis26 Austrália 110 terapeutas manuais (45 TO, 65 Fts) Coluna cervical, ombros, polegares Quest. des. auts. Transversal Cromie 21 Austrália 536 Fts (78% M, 22% H) Coluna lombar e cervical, torácica alta, polegares Nordic Questionnaire Transversal Cromie 31 Austrália 18 Fts (15 M, 3 H) Coluna lombar e cervical, membros superiores Entrevista Transversal Cromie 32 Austrália 6 Fts (todas mulheres) Coluna lombar, cervical e membros superiores Entrevista Transversal Nyland19 Austrália 250 estudantes de Fisioterapia (162 M, 88H, IM 20,35 anos) Coluna lombar Quest. des. auts. Transversal Quest. des. auts., Beighton´s Scoring System para Snodgrass11 Austrália 44 Fts (56,8% M, IM 38,5 anos) Polegar Transversal hipermobilidade articular, Dinamômetro West22 Austrália 217 Fts (82% M, 18% H) IM 38,1 anos Coluna lombar e cervical, mãos Quest. des. auts. Transversal Mierzejewski14 Canadá 311 Fts (82,3% M, 17,7% H, IM 35,8 anos) Coluna lombar Quest. des. auts. e Disability Index Questionnaire Transversal Rugelj37 Eslovênia 113 Fts (95,5% M, 4,5% H, IM 39,5 anos) Coluna lombar e cervical, ombros, punhos e mãos Quest. des. auts. Transversal Bork 10 EUA 928 FTs (52% M, 48%H, IM 43 anos) Coluna lombar, cervical, dorsal, punhos e mãos Nordic Questionnaire Transversal 623 (370 Fts, 72% M; 253 Assist. Fts., 83% M), Fts: Lombar, punhos e mãos Holder20 EUA Quest. des. auts. Transversal IM 37 anos Ass Fts: Lombar, punhos, mãos e torácica alta Molumphy12 EUA 335 fisioterapeutas (72% M, 28% H) Coluna lombar Quest. des. auts. Transversal Hignett28 Inglaterra Um fisioterapeuta Não-especificado OWAS Transversal Jackson27 Inglaterra 64 estagiários Fisioter. (56 M, 8 H, IM 21,7 anos) Não-especificado OWAS Transversal Scholey8 Inglaterra 423 (212 Fts e 211 controle), 95% M, 5% H, IM 34,2 anos Coluna lombar Quest. des. auts. Transversal O’Hare 33 Reino Unido 23 Fts (22 M e 1 H), idades 26-65 anos Coluna vertebral Questionário Transversal Barbini9 Itália 20 Fts (IM 43,2 anos) Coluna vertebral, membros superiores e inferiores Versão reduzida do quest. ESTEV e VISAT Transversal Van Doorn13 Países Baixos 240 Fts (35% M, 65%H) Coluna lombar Estudo retrospectivo Quest. baseado na Salik 25 Turquia 120 Fts (92 M, 28 H, IM 30,4 anos) Coluna lombar e cervical, punhos e mãos , ombros literatura Transversal * Fts = fisioterapeutas; M = Mulheres; H = Homens; IM = idade média; Ass.= assistentes ** Quest. des. auts. = Questionário desenvolvido pelos autores FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 55
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    Working Posture AnalysingSystem29, rências, envolvendo grande esforço trabalho19. Um em cada seis profis- que apresenta várias combinações físico10,12. Em ambientes não hospita- sionais trocam de profissão em conse- posturais assumidas por fisioterapeutas lares é predominante a alteração de qüência dos sintomas de LER/DORT21. em diferentes locais e tarefas. Outros punhos ou mãos devido à realização Alguns trabalhos consultados nesta estudos 9 realizaram uma análise de técnicas manuais com maior revisão utilizaram métodos qualitati- ergonômica do turno de trabalho, freqüência10. vos como entrevistas30-32 para explorar registrando o tipo, número e duração Dentre os estudos que relacionaram a maneira como os fisioterapeutas se das posturas assumidas, interrupção das as áreas de atuação com os sintomas, sentem em relação às LER/DORT. atividades e os eventos críticos. Na foi encontrada elevada prevalência de Cromie, Robertson e Best30 analisaram avaliação das posturas de trabalho de LER/DORT em fisioterapeutas atuantes profissionais que haviam feito mudan- estagiários de fisioterapia28, pode-se da área de neurologia, ortopedia, ças na carreira, desde a troca de uma notar que acadêmicos gastam boa par- reumatologia, cardio-pneumo, hidrote- área de atuação até o abandono da te do tempo orientando seus pacientes rapia e geriatria14,23-24. Tendo em vista profissão. Os relatos indicaram que o em como manter uma boa postura em as principais posturas e técnicas res- fisioterapeuta é um profissional com- inúmeras atividades. Contraditoria- ponsáveis pelo acometimento de promissado a ponto de tomar todas as mente, parece que na prática esses profissionais, observa-se que a prática medidas necessárias para os cuidados fisioterapeutas não adotam as mesmas da área neurológica predispõe ao do paciente, mesmo que essa atitude orientações. Um conjunto de 26 postu- surgimento de lesões e início de se sobreponha ao autocuidado do pro- ras potencialmente prejudiciais foram sintomas devido ao maior índice de fissional; muitos acreditavam que encontradas; muitas técnicas obser- combinações de posturas incorretas e nunca seriam afetados pelos sintomas vadas envolvem posturas estáticas por prejudiciais28. de LER/DORT devido ao amplo conhe- tempo prolongado. Em se tratando da cimento da etiologia das lesões. A sa- transferência de pacientes, os acadê- micos não realizavam uma análise de Conseqüências das LER/DORT tisfação no trabalho pode diminuir32, e muitos profissionais são obrigados a riscos, pois pouca atenção é dada à As medidas adotadas pelos tera- mudar suas perspectivas de trabalho postura correta ou alteração do ambiente peutas acometidos por LER/DORT devido ao acometimento pelas DORT. antes da realização da transferência28. foram tratamento médico e fisiote- Entretanto, o mesmo conhecimento da rapêutico, modificação da técnica, etiologia das lesões foi levado em con- Áreas de atuação utilização de splints, mudança de área sideração e adotado como estratégia de atuação, licença médica e absen- preventiva, sendo utilizados recursos Levando-se em consideração os teísmo, diminuição do tempo de tais como a realização de alongamen- diferentes locais nos quais os fisiote- contato com os pacientes, freqüentes tos, pausas durante o trabalho, melhora rapeutas têm condições de atuar, mudanças da postura durante o da biomecânica corporal, camas ajus- pode-se verificar que os indivíduos que trabalho, redução do ritmo de trabalho táveis, mudança de mobiliário e auxílio atuavam em hospitais referiram e, inclusive, o abandono da pro- de pessoal técnico10,20-21,24,26. elevado índice de sintomas 14,20,22 , fissão 10,12,22-23,26 . Na avaliação de devido ao fato de aí os pacientes serem acadêmicos de fisioterapia, foi cons- Outro ponto importante e que dependentes e, portanto, os profis- tatado que boa parte desses profis- recebeu atenção em outro estudo qua- sionais realizarem mais freqüentemen- sionais adquiriram lombalgia antes litativo31 foi a compreensão das ex- te levantamento de peso e transfe- mesmo da entrada no mercado de periências de um grupo de fisiote- Quadro 2 Freqüência de sintomas de LER/DORT em fisioterapeutas segundo os estudos consultados Estudo Freqüência de sintomas Trelha 24 Prevalência de 95% de dor na coluna lombar, 71,9% em membros superiores e 36,9% em membros inferiores. Wanderley 23 Prevalência de 75% de dor na coluna vertebral. Caragianis 26 Prevalência de 66,4% de dor em membros superiores. Cromie 21 Prevalência de 62,5% de dor na coluna lombar, 47% na região cervical e 41% na coluna vertebral. Nyland 19 Prevalência de dor na coluna lombar: durante a vida 69%, anual 63%, no último mês 44% e na última semana 28%. West 22 Prevalência de 35% de dor na coluna lombar, 25% em mãos e 24% na coluna cervical. Mierzejewski 14 Prevalência de 49,2% de dor na coluna lombar. Rugelj 37 Prevalência de dor na coluna lombar: durante a vida 73,7% e freqüentemente, 50,4%. Bork10 Prevalência de 45% de dor na coluna lombar, 29,6% em punhos e 28,7% na coluna dorsal. Holder 20 Prevalência de 62% de dor na coluna lombar, 23% em punhos e mãos (fisioterapeutas). Molumphy12 Incidência de 29% de dor na coluna lombar. Scholey 8 Prevalência anual de 38% de dor na coluna lombar. Barbini 9 Prevalência de 85% de dor na coluna, 60% em membros superiores e 55% em membros inferiores. Salik 25 Prevalência de 26% de dor na coluna lombar, 18% em punhos e mãos e 14% em ombros. 56 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Carregaro et al. DORT em fisioterapeutas: revisão rapeutas que optaram por fazer uma de LER/DORT em acadêmicos e pro- seus pacientes a prevenir e tratar a dor queixa trabalhista de compensação. A fissionais de fisioterapia, assim como lombar, raramente os fisioterapeutas visão dos problemas enfrentados por limitaram a comparação entre os realizam atividades preventivas8,12. A fisioterapeutas enquadrados na con- achados dos estudos. implementação de medidas voltadas dição de pacientes, que sofrem com a para o aprendizado dos riscos da O alto índice de lombalgia encon- burocracia do sistema de saúde, de- lombalgia ocupacional em fisiote- trada nos artigos é compatível com monstrou as dificuldades e preconceitos estudos indicando que 60 a 80% de rapeutas faz-se necessária, no sentido sofridos por esses profissionais, como todas as pessoas sofrerão lombalgia de que profissionais recém-formados por exemplo serem acusados de alguma vez em suas vidas. Numerosas não adentrem o mercado de trabalho simular as lesões no sentido de abusar pesquisas têm demonstrado que a apresentando limitações físicas e que causa é multifatorial, e pode gerar implementem atividades preventivas do sistema. O ponto positivo do aco- limitação na atividade de indivíduos em seu processo de trabalho. metimento pelas LER/DORT relatado por fisioterapeutas foi o fato de compar- abaixo de 45 anos, idade de maior Hignett27 enfatiza o princípio ergo- tilharem experiências e compreender a produtividade. Na área da saúde, nômico de “adequação do trabalho ao entre 40 a 50% dos profissionais têm situação de seus próprios pacientes, o trabalhador”, e não o contrário. Muitas lombalgia8,12,14. A profissão da fisiote- que contribuiu para um maior contato vezes, porém, o trabalho com seres rapia dificilmente é incluída em pes- e a melhora no atendimento por eles quisas de grupos de trabalho direciona- humanos não permite a aplicação de prestado31-32. das à dor lombar 12, fato este que tal conceito, devido às diferenças contradiz a capacidade e reconheci- antropométricas individuais dos pacientes. De acordo com o autor, a DISCUSSÃO mento desses profissionais no processo de avaliação e reabilitação de pacien- crença difundida de que o paciente A diversidade de termos utilizados, tes com lombalgia, inclusive enfer- deva vir sempre em primeiro lugar é assim como suas definições, para a meiros33. A lombalgia é um risco para um dos fatores responsáveis pela negli- medida do desfecho (LER/DORT, lom- a saúde do fisioterapeuta, já que esse gência na adoção de posturas e técni- balgia ocupacional, sintomas mus- profissional não se comporta diferen- cas a serem realizadas. Desse modo, culoesqueléticos, dor, incapacidade fí- temente de seus pacientes. Apesar de há necessidade de reconhecer a sica) foram limitações importantes que terem sido preparados para a demanda vulnerabilidade da profissão e a se- impediram o estabelecimento de uma física, conhecerem os benefícios dos leção de técnicas mais adequadas evolução temporal para a freqüência exercícios preventivos e ensinarem durante o trabalho de fisioterapeutas. Quadro 3 Área, local de atuação dos fisioterapeutas estudados e fatores de risco segundo os estudos Estudo Área e local de atuação dos Fts Fatores de risco Posturas inadequadas; mesma posição por tempo prolongado; carga horária Trelha 24 Clínica; Domiciliar, Hospitalar, Instituições de ensino elevada; técnicas manuais Wanderley 23 Respiratória / Hidroterapia / Neurologia / Ortopedia; Hospital, prática privada Não-especificado Caragianis 26 Não-especificado Mobilização; massagem; posturas desequilibradas no trabalho Cromie 21 Fisioterapia Desportiva / Pediatria; Prática privada Mobilização e manipulação; técnicas manuais; repetitividade; transferências de paciente Cromie 31 Pediatria / Ortopedia / Neurologia; Hospital, Ambulatório, Prática privada Não especificado. Movimento inesperado do paciente; terapia manual; manuseio de pacientes; postura Cromie 32 Não-especificado estática por tempo prolongado. Nyland 19 Universidade local Tratar pacientes por mais de 20h/semana; ficar sentado por tempo prolongado. Snodgrass11 Clínica privada Terapia manual. Trabalhar na mesma posição por período prolongado; postura estática durante flexão West 22 Hospitalar e/ou rotação de tronco; tratar muitos pacientes no mesmo dia; repetitividade Ortopedia / Geriatria / Neurologia; Hospital, Mierzejewski 14 Levantar e carregar pesos; rotação de tronco; tempo prolongado em pé Centro de Reabilitação, Prática privada Rugelj 37 Atenção primária; Hospitalar Manuseio de pacientes dependentes; idade do profissional Levantar, erguer ou transferir pacientes dependentes; tratar número excessivo de Bork10 Hospital, Ambulatório, Centro de Reabilitação pacientes; trabalhar na mesma posição por período prolongado; técnicas manuais Transferência de pacientes; resposta a movimentos repentinos dos pacientes; levantar Holder 20 Hospital, Ambulatório peso; terapia manual Molumphy12 Cuidados agudos; Prática privada, ambulatorial Levantamento com máxima força; flexão e rotação Hignett 28 Geriatria Combinações de postura avaliadas pelo OWAS Jackson27 Pneumologia / Neurologia / Geriatria; Ambulatório Combinações de posturas e sobrecarga avaliados pelo OWAS Scholey 8 Geriatria; Hospital, Ambulatório, Hospitais universitários Levantamento freqüente; levantamento de peso; postura em pé prolongada Barbini 9 Hospital geriátrico Esforço físico; ortostatismo por tempo prolongado; manutenção de posturas incômodas Van Doorn13 Não-especificado Flexão e rotação de tronco; levantar pesos; posturas estáticas Transferência de pacientes; repetitividade; levantamento de peso; posturas estáticas Salik 25 Pediatria / Hidroterapia; Hospitalar por tempo prolongado. 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    A maioria dosestudos utilizou questionários como instrumento para experiências35. Os estudos qualitativos apresentados nesta revisão con- CONSIDERAÇÕES medir o desfecho. Em se tratando de tribuíram justamente com a explora- FINAIS um questionário auto-aplicável, existe ção de componentes pessoais e subje- a possibilidade de os indivíduos su- tivos e a experiência de profissionais Os índices de lesões devido ao pro- perestimarem os sintomas. Por outro acometidos, proporcionando um en- cesso de trabalho de fisioterapeutas lado, uma amostra de fisioterapeutas tendimento da dimensão e severidade demonstram que esta é uma profissão (conhecedores dos mecanismos de le- das LER/DORT no âmbito pessoal. exposta a fatores de risco, principal- são) tem maior credibilidade no relato A maioria dos estudos apresenta mente a transferência de pacientes dos sintomas 34. Entretanto, mesmo uma seção metodológica clara, com dependentes e a realização de terapia levando-se em conta os fatores critérios bem estabelecidos, método de manual. Não há consenso quanto à conhecimento e credibilidade, não se seleção e tipo de amostragem utili- diferença de prevalência entre os pode descartar a possibilidade de que zado. Praticamente todos descrevem sexos e a maioria dos profissionais vi- as respostas baseadas em evidências o instrumento utilizado, facilitando vencia os primeiros sintomas de dor pessoais subjetivas e suposições assim o entendimento dos itens entre os 20 e 30 anos de idade ou nos possam conter elementos que masca- avaliados nas pesquisas e, junto com primeiros cinco anos de atividade. A rem a verdadeira importância das le- as definições operacionais, ou seja, área de neurologia parece ser a mais sões ocupacionais na profissão da definições de termos, procedimentos acometida e as principais conse- fisioterapia. Ressalta-se, portanto, a e técnicas utilizadas, a replicabili- qüências para o profissional são mo- necessidade de pesquisas que utilizem dade36 e a compreensão dos métodos dificação da técnica utilizada, abordagens mais objetivas, com me- aplicados foram favorecidos. Entre- mudanças de postura durante o didas mais precisas do processo de tra- tanto, poucos estudos mencionaram ou trabalho e até mesmo o abandono da balho do profissional fisioterapeuta. sequer determinaram os índices de profissão. A revisão aponta para a ne- Ao contrário da pesquisa quanti- confiabilidade e validade desses ins- cessidade de se implementarem tativa, que busca testar hipóteses e trumentos, fato que merece atenção estratégias que conscientizem alunos identificar causas e efeitos, um dos devido à importância de se obterem e docentes sobre os riscos da profissão, objetivos da pesquisa qualitativa é medidas consistentes que contribuam de modo a prevenir limitações físicas descobrir e explorar como as pessoas para a pesquisa do processo de traba- decorrentes das LER/DORT em profis- vivenciam eventos particulares e os lho e prevenção de riscos na profissão sionais recém-formados e em plena significados que elas atribuem a essas da fisioterapia. idade produtiva. REFERÊNCIAS 1 Leopardi MT, Capella BB, Faria EM, Pires DEP, 7 Glover W. Work-related strain injuries in Kirchoff AL, Ramos FRS, et al. O processo de physiotherapists. Physiother. 2002;88(6):364-72. trabalho em saúde: organização e subjetividade. 8 Scholey M, Hair M. Back pain in physiotherapists Florianópolis: Papa-Livros; UFSC; 1999. involved in back care education. Ergonomics. 2 Dimond B. Physiotherapists in the internal market. 1989;32(2):179-90. Man Ther. 1995;1:47-9. 9 Barbini N, Squadroni R. Invecchiamento degli 3 Brasil. Decreto Lei n° 938, de 13 de outubro de 1969. operatori sanitari e plurilocalizzazioni dolorose Provê sobre as profissões de fisioterapeuta e terapeuta all’apparato osteoarticolare. G Ital Med Lav Erg. ocupacional e dá outras providências. Diário Oficial 2003;25(2):168-72. da União. Brasília, 1969 out 16. Seção 1. 10 Bork BE, Cook TM, Rosecrance JC, Engelhardt KA, 4 APTA – American Physical Therapy Association. What Thoamson MJ, Wauford IJ, et al. Work-related is physical therapy? Phys Ther. 2001;81(1):S13-S80. musculoskeletal disorders among physical therapists. Phys Ther. 1996;76(8):827-35. 5 COFFITO – Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Fisioterapia: definições e área 11 Snodgrass SJ, Rivett DA, Chiarelli P, Bates AM, Rowe de atuação [citado dez.2003]. Disponível em: http// LJ. Factors related to thumb pain in physiotherapists. www.coffito.org.br/ conteudo.asp?id=fisioterapia. Aust J Physiother. 2003;49:243-50. 6 Higgs J, Kathryn R, Ellis E. Portrait of the 12 Molumphy M, Unger B, Jensen GM, Lopopolo RB. physiotherapy profession. J Interprof Care. Incidence of work-related low back pain in physical 2001;15(1):79-89. therapists. Phys Ther. 1985;65(4):482-6. 58 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Carregaro et al. DORT em fisioterapeutas: revisão Referências (cont.) 13 Van Doorn JM. Low back disability among self- 24 Trelha CS, Gutierrez PR, Matsuo T. Prevalência de employed dentists, veterinarians, physicians and sintomas musculoesqueléticos em fisioterapeutas da physical therapists in the Netherlands: a retrospective cidade de Londrina. Rev Fisioter Univ São Paulo. study over a 13-year period (n=1.119) and an early 2004;11(1):15-23. intervention program with 1-year follow-up (n=134). 25 Salik Y, Özcan A. Work-related musculoskeletal Acta Orthop Scand. 1995;263(66):1-64. disorders: a survey of physical therapists in Izmir, 14 Mierzejewski M, Kumar S. Prevalence of low back Turkey. BMC Musculoskelet Disord [serial on the pain among physical therapists in Edmonton, Internet]. 2004;5:27. Disponível em: http:// Canada. Disabil Rehabil. 1997;19(8):309-17. www.biomedcentral.com/1471-2474/5/27. 15 Assunção AA, Rocha LE. Agora... até namorar fica 26 Caragianis S. The prevalence of occupational injuries difícil: uma história de lesões por esforços among hand therapists in Australia and New repetitivos. In: Buschinelli JT, Rocha LE, Rigotto RM. Zealand. J Hand Ther. 2002;15:234-41. Isso é trabalho de gente? Vida, doença e trabalho no 27 Hignett S. Fitting the work to the physiotherapist. Brasil. Petrópolis: Vozes; 1993. p.461-93. Physiotherapy 1995;81(9):549-52. 16 Barbosa LH, Sturion HC, Walsh IAP. Abordagem da 28 Jackson J, Liles C. Working postures and physiotherapy fisioterapia na avaliação de melhorias ergonômicas de students. Physiotherapy. 1994;80(7):432-6. um setor industrial. Rev Bras Fisioter. 2000;4(2):83-92. 29 Karhu O, Kansi P, Kuorinka I. Correcting working 17 Brasil. Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao postures in industry: a pratical method for analysis. trabalho: manual de procedimentos para os serviços Appl Ergon. 1977;8(4):199-201. de saúde. Brasília; 2001. 30 Cromie JE, Robertson VJ, Best MO. Work-related 18 O’Neill MJ. A invisibilidade das LER/DORT: as novas musculoskeletal disorders and the culture of physical conquistas do trabalhador. [citado maio 2002]. therapy. Phys Ther. 2002;82(5):459-72. Disponível em: http://www.uol.com.br/prevler/ artigos/mulheres_invisib_ler.htm. 31 Cromie JE, Robertson VJ, Best MO. Physical therapists who claimed worker’s compensation: a 19 Nyland LJ, Grimmer KA. Is undergraduate qualitative study. Phys Ther 2003;83(12):1080-9. physiotherapy study a risk factor for low back pain? A prevalence study of LBP in physiotherapy students. 32 O’Hare C, Thomson, D. Experiences of physiotherapists BMC Musculoskelet Disord. [serial on the Internet] with physical disabilities. Physiotherapy. 1991;77(6):374-8. 2003;4:22. Disponível em: http:// 33 Beruffi M, Mossini M, Zamboni R. Valutazione www.biomedcentral.com/1471-2474/4/22. dell’esposizione al rischi da movimentazione 20 Holder NL, Clark HA, DiBlasio JM, Hughes CL, manuale ospiti e risultati dell’indagine clinica in Scherpf JW, Harding L, et al. Cause, prevalence, and case di riposo della zona di mantova. Med Lav. response to occupational musculoskeletal injuries 1999;90(2):291-307. reported by physical therapists and physical therapist 34 Viikari-Juntura E, Rauas S, Martikainen R, Kuosma E, assistants. Phys Ther. 1999;79(7):642-51. Riihimäki H, Takala E-P, et al. Validity of self- 21 Cromie JE, Robertson VJ, Best MO. Work-related reported physical load in epidemiologic studies on musculoskeletal disorders in physical therapists: musculoskeletal disorders. Scand J Environ Health. 1996;22:251-9. prevalence, severity, and responses. Phys Ther. 2000;80(4):336-51. 35 Grant A. The use of qualitative research methodologies within musculoskeletal physiotherapy 22 West DJ, Gardner D. Occupational injuries of practice. Man Ther. 2005;10(1):1-3. physiotherapists in North and Central Queensland. Aust J Physiother. 2001;47:179-86. 36 Shepard KF. Critical review of published research. In: Bork C. Research in physical therapy. Philadelphia: 23 Wanderley RB, Laurentino GEC, Moura Filho AG, Lippincott; 1993. Chap.4, p.57-80. Raposo MCF. Prevalência da dor na coluna vertebral em profissionais fisioterapeutas que atuam em 37 Rugelj D. Low back pain and other work-related serviços públicos e privados na cidade do Recife. musculoskeletal problems among physiotherapists. Fisioter Mov. 2001/2002;14(2):59-66. Appl Ergon. 2003;34:635-9. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 59
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    INSTRUÇÕES PARA AUTORES A revista FISIOTERAPIA E PESQUISA, editada pelo Curso de Fisioterapia do Departamento de Fisioterapia, Autoria Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de A ordem de indicação de autoria é decisão conjunta dos Medicina da Universidade de São Paulo, prioriza a publi- co-autores. Sugere-se que o autor principal seja o primeiro cação de pesquisas originais, cujos resultados possam ser incluído, sendo o eventual orientador ou coordenador o replicados, publicando também ensaios de revisões último a ser listado. Os autores devem ter em mente que, sistemáticas ou críticas de literatura, relatos de casos e segundo a norma adotada pelos periódicos em saúde cartas ao editor. (Vancouver), na futura referência bibliográfica do artigo apenas os seis primeiros serão listados (seguindo-se a Os manuscritos apresentados à revista devem ser origi- indicação et al.). nais. Caso uma versão semelhante, em qualquer língua, já tenha sido publicada ou enviada a outro veículo, essa O ICMJE (International Committee of Medical Journal informação deve constar da folha de rosto, para que o Editors, Comitê Internacional dos Editores de Periódicos Conselho Editorial possa ponderar sobre a pertinência de Médicos) recomenda distinguir entre autores e sua publicação. colaboradores. O crédito de autoria deve ser atribuído a quem preencher três requisitos: (1) ter dado contribuição Processo de julgamento substantiva à concepção, desenho ou coleta de dados da pesquisa, ou à análise e interpretação dos dados; (2) ter Os manuscritos recebidos são examinados pelo Conse- redigido ou procedido à revisão crítica do conteúdo lho Editorial, para consideração de sua adequação às intelectual; e (3) ter dado sua aprovação final à versão a normas e à política editorial da revista. Aqueles que não ser publicada. No caso de trabalho realizado por grupo ou estiverem de acordo com as normas abaixo serão devolvi- em vários centros, devem ser indicados como autores os dos aos autores para revisão antes de serem submetidos à indivíduos que assumem inteira responsabilidade pelo apreciação dos pares. Para o julgamento, são indicados manuscrito (seguindo os três critérios acima), sendo os dois revisores de notório saber na temática abordada, demais integrantes do grupo listados como colaboradores. garantindo-se o anonimato de autores e pareceristas. Uma Em qualquer caso, deve ser fornecido o endereço para vez aceitos para publicação, os manuscritos poderão ser correspondência apenas do autor principal. A carta que devolvidos aos autores para ajustes e serão publicados na acompanha o envio dos manuscritos deve ser assinada por ordem cronológica de cadastramento do aceite na todos os autores, tal como acima definidos. secretaria da revista. Os trabalhos recusados ficam à disposição dos autores para retirada. Formato Responsabilidade e ética O texto deve ser digitado em processador de texto Word ou compatível, em tamanho A4, com espaçamento de li- O conteúdo e as opiniões expressas são de inteira res- nhas e tamanho de letra que permitam plena legibilidade. ponsabilidade dos autores. Textos relatando estudos que O texto completo, incluindo páginas de rosto e de refe- envolvem sujeitos humanos devem indicar o devido con- rências, deve conter cerca de 30 mil caracteres com sentimento livre e esclarecido dos participantes (Resolu- espaços, sendo o máximo aceitável de 40 mil caracteres ção 196/96 do Conselho Nacional de Saúde), bem como a com espaços. expressa aprovação pela Comissão de Ética da instituição responsável. Estudos envolvendo animais devem estar de Página de rosto acordo com as diretrizes do Committee for Research and Deve conter: a) título do trabalho (preciso e conciso) e Ethical Issues of the International Association for the Study sua versão para o inglês; b) nome completo dos autores of Pain (Pain 1983;16:109-10). com indicação (apenas a principal) de profissão, titulação A menção a instrumentos, materiais ou substâncias de acadêmica e inserção institucional; quando for o caso, propriedade privada deve ser acompanhada da indicação nomes dos colaboradores; c) título condensado (máximo de seus fabricantes. A reprodução de imagens ou outros de 50 caracteres); d) endereços para correspondência e elementos de autoria de terceiros, que já tiverem sido eletrônico do autor principal; e) indicação de órgão publicados, deve vir acompanhada da indicação da financiador de parte ou todo o projeto de estudo, se for o permissão pelos detentores dos direitos autorais; se não caso; f) indicação de apresentação de versão do original acompanhados dessa indicação, tais elementos serão em eventos científicos ou em outro meio; se for o caso, considerados originais do autor do manuscrito. deverá ser indicado também o orientador. 60 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Resumos Agradecimentos A segunda página deve conter os resumos do conteúdo Quando pertinentes, dirigidos a pessoas ou instituições em português e inglês. Recomenda-se seguir a norma que contribuíram para a elaboração do trabalho, são NBR-68, da ABNT (Associação Brasileira de Normas apresentados ao final das referências. Técnicas) para redação e apresentação dos resumos: quanto à extensão, com o máximo de 1.500 caracteres Envio dos originais com espaços (cerca de 240 palavras), em um único parágrafo; quanto ao conteúdo, seguindo a estrutura formal Os textos devem ser encaminhados a Fisioterapia e do texto, ou seja, indicando objetivo, procedimentos Pesquisa na forma impressa em três vias, duas das quais básicos, resultados mais importantes e principais “cegas” (sem indicação de autoria, instituição ou outra conclusões; quanto à redação, buscar o máximo de precisão informação que permita identificar autores), acompanha- e concisão, evitando adjetivos e expressões como “o autor dos de carta ao Editor, endereçados a descreve”. O resumo e o abstract devem ser seguidos, res- Fisioterapia e Pesquisa pectivamente, da lista de até cinco descritores e key words Editora chefe (sugere-se a consulta aos DeCS – Descritores em Ciências FOFITO / FMUSP da Saúde do LILACS (http://decs.bvp.br) e ao MESH – Rua Cipotânea 51 Cidade Universitária Medical Subject Headings do MEDLINE (http:// 05360-160 São Paulo SP. www.nlm.nih.gov/mesh/meshhome.html). Tabelas, quadros, figuras, ilustrações A revista está se organizando para futuro recebimento dos manuscritos apenas por via eletrônica. Só serão apreciados manuscritos contendo no máximo cinco desses elementos. Recomenda-se especial cuidado Apresentação eletrônica da versão final em sua seleção e pertinência, bem como rigor e precisão nos títulos. Todos devem ser fornecidos em folhas à parte, Após a comunicação do aceite do artigo, o autor deverá no final do texto, mantendo-se neste marcas indicando os proceder aos eventuais ajustes sugeridos pelos pareceristas, pontos de sua inserção ideal. para o quê terá o prazo de cinco semanas (findo esse prazo, se a versão final não tiver sido enviada à revista, será As tabelas (títulos na parte superior) devem ser montadas considerada desistência). A versão final será ainda editada, no próprio processador de texto e numeradas (em arábicos) ocasião em que o editor poderá solicitar novos ajustes e na ordem de menção no texto; decimais são separados por esclarecimentos – e, nesse caso, o prazo para os ajustes vírgula; eventuais abreviações devem ser explicitadas por será de apenas duas semanas. extenso, em legenda. Solicita-se que, na preparação da versão final, o autor: Figuras, gráficos, fotografias e diagramas trazem os títulos • use fonte comum, simples; use itálico apenas para na parte inferior, devendo ser igualmente numerados (em títulos de obras e palavras em língua estrangeira; o arábicos) na ordem de inserção. Abreviações e outras negrito é reservado a títulos e intertítulos, claramente informações vêm em legenda, abaixo do título. diferenciados; Remissões e referências bibliográficas • não use a barra de espaço para recuos, mas a tecla “tab” ou outros recursos de formatação; Para as remissões no texto a obras de outros autores • não separe parágrafos com sinal de parágrafo adota-se o sistema de numeração seqüencial. Visando adicional; adequar-se a padrões internacionais de indexação, a revista adota a norma de Vancouver para apresentação das • use o próprio processador de texto (e não planilhas) referências. Alguns exemplos: para elaborar tabelas; • use o próprio processador de texto (recurso “Desenho”) Simões MJS, Farache Filho A. Consumo de medicamen- para elaborar diagramas simples, organogramas etc. tos em região do Estado de São Paulo (Brasil), 1988. (não insira figuras ou organogramas do Microsoft® Rev. Saúde Pública 1988;32:71-8. PowerPoint); Forattini OP. Ecologia, epidemiologia e sociedade. São • inversamente, use programa apropriado (como Paulo: Edusp; 1992. Microsoft® Excel) para elaborar gráficos, e não o recurso “Gráficos” do processador de texto; Laurenti R. A medida das doenças. In: Forattini OP. Epidemiologia geral. São Paulo: Artes Médicas; 1996. • no caso de gráficos ou diagramas elaborados por p.64-85. softwares específicos, devem ser convertidos (exportados) em formatos que possam ser abertos por Rocha JSY, Simões BJG, Guedes GLM. Assistência hospitalar programas de uso comum (verifique os tipos de como indicador da desigualdade social. Rev Saúde Pública arquivos que podem ser abertos no Adobe Photoshop®, [periódico on-line] 1997; 31(5). Disponível em <http:// para figuras em escala de cinza, no CorelDraw®, para www.fsp. usp.br/~rsp> [1998 Mar 23]. (A última indicação desenhos, ou no Excel®, para gráficos), para permitir é da data de acesso ao sítio indicado.) eventuais ajustes, adequação de fonte etc.; FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 61
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    forneça fotografias ou outras ilustrações com compressão, se for o caso; sugere-se que os nomes dos resolução mínima de 300 dpi, e em tamanho arquivos sejam curtos e permitam rápida identificação (por compatível com a resolução; exemplo, “sobrenome do autor fig1....”). • em qualquer caso, forneça simultaneamente um Serão enviados ao autor principal dois exemplares do arquivo em TIFF do elemento gráfico, para permitir número da revista em que seu artigo for publicado, mais visualização e conferência. um exemplar para cada co-autor. Envio dos arquivos Os dados de texto (em Word ou compatível) e de ilus- *** trações devem ser enviados em arquivos separados, em disquete ou CD. Preferencialmente, pode ser adicionada No bojo do processo de aprimoramento de Fisioterapia uma cópia reunindo texto e ilustrações em um arquivo e Pesquisa, estas normas estão em construção, podendo .pdf. Os dados devem ser acompanhados da informação sofrer alterações. Para informação atualizada, sugere-se a precisa de todos os programas utilizados, inclusive de consulta às instruções do último número publicado. 62 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
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    Assinatura Para assinar Fisioterapiae Pesquisa, preencha o cupom abaixo e envie-o à revista (ver endereço página 2), junto com um cheque nominal à Fundação Faculdade de Medicina no valor de R$ 48,00 ou recibo de depósito no Banespa (banco 033), agência 0201, cc 13004086-7. A ficha de assinatura está disponível no site da revista: <http://medicina.fm.usp.br/ fofito/fisio/revista.php>. Números anteriores solicitar à revista. Valor unitário: R$ 16,00. FICHA DE ASSINATURA Assinatura anual (três números) de Fisioterapia e Pesquisa a contar de (data) _______________________ Nome: ___________________________________________________________________________________ Endereço: ________________________________________________________________________________ CEP: _____________ Cidade: ________________________________________________ Estado: _______ e-mail: ___________________________________________________________________________________ Instituição (opcional): ______________________________________________________________________ FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 63
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