6 capa – DOMINGO, 8 DE FEVEREIRO DE 2015
Jovens dizem que a prática
do trote pode ser perigosa você
sabia?
200%
5a
foi a alta dos juros do
cheque especial ao
ano, em comparação
com dados de 16 anos
atrás, segundo informa
o Banco Central. Os
juros cobrados pelos
bancos nesta linha de
crédito tiveram forte
aumento em 2014
é a posição do Brasil
no ranking de mortes
por álcool entre países
da América Latina,
de acordo com estudo
da Organização Pan-
Americana da Saúde
(Opas) e da Organização
Mundial da Saúde (OMS).
O estudo analisou todas
as mortes ligadas ao álcool
entre 2007 e 2009 em 16
países da América do Norte
e da América Latina
to, tirar a roupa, não
aceite o trote, revolte-
se, chame a polícia.”
A assessoria de
imprensa da USP infor-
mou que uma portaria de
1999 proíbe o trote na ins-
tituição. No último dia 21,
o reitor da USP, Marco An-
tonio Zago, disse à CPI da
Alesp que determinou que
a Comissão de Direitos Hu-
manos da instituição apure
todas as denúncias de abusos.
A Esalq disse à reportagem
que seguirá a orientação da
Procuradoria-Geral da USP e
acrescentou que vai aperfeiço-
ar os mecanismos de esclareci-
mento dos alunos e da comu-
nidade em geral para reduzir
ocorrências de trote e outras
formas de agressão aos direi-
tos humanos.
Uma nota assinada pela
Reitoria da PUC-SP afir-
mou que a instituição tem
“como missão educativa a
formação de cidadãos que
atuem com ética e respeito à
dignidade humana [...]. Por
isso enfatizamos que a nos-
sa Universidade repudia a
violência no trote, proibido
dentro do campus”.
Jovens opinam
O trote não é necessá-
rio para integrar estudantes.
Essa foi a conclusão do bate-
papo promovido pela Folha
Universal com jovens do gru-
po Universitários Força Jovem
Universal, do Força Jovem Uni-
versal . Para eles, a prática pode
até ser perigosa para os estudan-
tes. Todos os participantes estão
matriculados em universidades
particulares de São Paulo. “Du-
rante o curso, há muitas ativida-
des em grupo que aproximam
os estudantes. Já o trote pode
trazer frustração”, opina Ma-
rivone Gonçalves, de 36 anos,
que estuda Administração.
“Teve uma professora que
O trote é um
processo de
seleção para
grupos que
disputam o poder
DEMETRIOKOCH
Da esquerda para a direita: Kaique, Davi, Raphaela e
Marivone, membros do grupo Universitários do Força Jovem
Universal (FJU), participaram de bate-papo sobre trotes
DANMCCALL
até incentivou, mas eu não
quis participar do trote. Algu-
mas amigas foram e tiveram
de pedir dinheiro para com-
prar bebida”, lembra Rapha-
ela Souza, de 17 anos, que
cursa Fisioterapia.
“A universidade deve in-
formar ao aluno que está che-
gando que o trote é proibido”,
afirma o estudante de Letras
Kaique Ferreira, de 19 anos,
que foi estimulado a fazer do-
ação de alimentos quando in-
gressou na faculdade.
Davi Secomandi, de 27
anos, diz que permitiu que ou-
tros estudantes pintassem seu
rosto durante trote do curso
de Letras dentro do campus
da USP, na zona oeste de São
Paulo. Entretanto, ele destaca
que evitou ir a festas de atlé-
ticas ou repúblicas. “Nessas
festas não há segurança, pode
haver um abuso maior.” Hoje,
Davi estuda Redes de Compu-
tadores em um curso a distân-
cia, mas garante que consegue
manter a cooperação com os
colegas de turma.
Já a estudante de Biomedici-
na Lays Rebeca Louzada, de 26
anos, diz que não foi à primeira
semana de aulas para fugir do
trote. “É uma situação humi-
lhante. Os alunos mais velhos
obrigam a pessoa a beber. Vi
muitas pessoas caídas no chão,
sujas de tinta e bêbadas.”

Trote_parte 3

  • 1.
    6 capa –DOMINGO, 8 DE FEVEREIRO DE 2015 Jovens dizem que a prática do trote pode ser perigosa você sabia? 200% 5a foi a alta dos juros do cheque especial ao ano, em comparação com dados de 16 anos atrás, segundo informa o Banco Central. Os juros cobrados pelos bancos nesta linha de crédito tiveram forte aumento em 2014 é a posição do Brasil no ranking de mortes por álcool entre países da América Latina, de acordo com estudo da Organização Pan- Americana da Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo analisou todas as mortes ligadas ao álcool entre 2007 e 2009 em 16 países da América do Norte e da América Latina to, tirar a roupa, não aceite o trote, revolte- se, chame a polícia.” A assessoria de imprensa da USP infor- mou que uma portaria de 1999 proíbe o trote na ins- tituição. No último dia 21, o reitor da USP, Marco An- tonio Zago, disse à CPI da Alesp que determinou que a Comissão de Direitos Hu- manos da instituição apure todas as denúncias de abusos. A Esalq disse à reportagem que seguirá a orientação da Procuradoria-Geral da USP e acrescentou que vai aperfeiço- ar os mecanismos de esclareci- mento dos alunos e da comu- nidade em geral para reduzir ocorrências de trote e outras formas de agressão aos direi- tos humanos. Uma nota assinada pela Reitoria da PUC-SP afir- mou que a instituição tem “como missão educativa a formação de cidadãos que atuem com ética e respeito à dignidade humana [...]. Por isso enfatizamos que a nos- sa Universidade repudia a violência no trote, proibido dentro do campus”. Jovens opinam O trote não é necessá- rio para integrar estudantes. Essa foi a conclusão do bate- papo promovido pela Folha Universal com jovens do gru- po Universitários Força Jovem Universal, do Força Jovem Uni- versal . Para eles, a prática pode até ser perigosa para os estudan- tes. Todos os participantes estão matriculados em universidades particulares de São Paulo. “Du- rante o curso, há muitas ativida- des em grupo que aproximam os estudantes. Já o trote pode trazer frustração”, opina Ma- rivone Gonçalves, de 36 anos, que estuda Administração. “Teve uma professora que O trote é um processo de seleção para grupos que disputam o poder DEMETRIOKOCH Da esquerda para a direita: Kaique, Davi, Raphaela e Marivone, membros do grupo Universitários do Força Jovem Universal (FJU), participaram de bate-papo sobre trotes DANMCCALL até incentivou, mas eu não quis participar do trote. Algu- mas amigas foram e tiveram de pedir dinheiro para com- prar bebida”, lembra Rapha- ela Souza, de 17 anos, que cursa Fisioterapia. “A universidade deve in- formar ao aluno que está che- gando que o trote é proibido”, afirma o estudante de Letras Kaique Ferreira, de 19 anos, que foi estimulado a fazer do- ação de alimentos quando in- gressou na faculdade. Davi Secomandi, de 27 anos, diz que permitiu que ou- tros estudantes pintassem seu rosto durante trote do curso de Letras dentro do campus da USP, na zona oeste de São Paulo. Entretanto, ele destaca que evitou ir a festas de atlé- ticas ou repúblicas. “Nessas festas não há segurança, pode haver um abuso maior.” Hoje, Davi estuda Redes de Compu- tadores em um curso a distân- cia, mas garante que consegue manter a cooperação com os colegas de turma. Já a estudante de Biomedici- na Lays Rebeca Louzada, de 26 anos, diz que não foi à primeira semana de aulas para fugir do trote. “É uma situação humi- lhante. Os alunos mais velhos obrigam a pessoa a beber. Vi muitas pessoas caídas no chão, sujas de tinta e bêbadas.”