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TROPICALISMO
Uma nova forma de fazer música.
Muito além de um movimento
• Foi um movimento surgido em 1967 que revolucionou o modo de
fazer a música popular brasileira. Ele chamou a atenção do público
na terceira edição do Festival de MPB da emissora Record – uma
espécie de American Idol da época, com forte teor político. Nesse
show, Caetano Veloso cantou Alegria, Alegria acompanhado por
guitarras elétricas. Foi um escândalo, já que elas eram consideradas
ícones do imperialismo americano (e a MPB sempre esteve
associada ao violão, especialmente na bossa nova).
• Mas o objetivo era exatamente este: arejar a elitista e nacionalista
cena cultural brasileira, tornando nossa música mais universal e
próxima dos jovens.
• O nome surgiu em um texto do crítico Nelson Motta, que se
inspirou na obra Tropicália, do artista plástico Hélio Oiticica.
Caetano Veloso cantando “Alegria, Alegria” na III edição do
Festival de Música Popular Brasileira da Emissora Record/ 1967
Como era...
• Mistura de vários estilos: rock, bossa nova, baião, samba, bolero...
• Letras com tom poético, que abordavam temas cotidianos e
camuflavam críticas sociais (mas sem oposição política explícita).
Uso constante de guitarras elétricas. Mistura de tradições da
cultura nacional e inovações estéticas internacionais, como a pop
art.
• Luta contra barreiras comportamentais, defendendo, por exemplo,
o sexo livre.
O Idealizador/ Caetano Veloso
• Principais músicas: Alegria, Alegria (1967), Tropicália ou Panis et
Circencis (1968), É Proibido Proibir (1968) e Atrás do Trio Elétrico
(1969). Apesar de ter sido vaiada, Alegria, Alegria estourou nas
rádios. O disco vendeu mais de 100 mil cópias, valor alto para a
época. Ao lado de Gil, Caetano tentou trazer para o movimento
outros cantores de sua geração, como Dorival Caymmi, Chico
Buarque, Edu Lobo e Paulinho da Viola, mas não conseguiu.
Os Roqueiros/ Os Mutantes
• Principais músicas: Tropicália ou Panis et Circensis (1968),
Miserere Nobis (1968), Bat Macumba (1968) e A Minha Menina
(1968). Enquanto Gil e Caetano tinham um projeto consciente para
a música brasileira, Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias se
aproximaram do movimento porque sentiram que, com ele,
poderiam fazer seu som descompromissado e cheio de ironia.
Estavam mais para o rock dos Beatles do que para a crítica política
da Tropicália.
O Seguidor/ Gilberto Gil
• Principais músicas: Domingo no Parque (1967), Tropicália ou
Panis et Circencis (1968) e Aquele Abraço (1968). Gil se arriscou
no 3º Festival com a canção Domingo no Parque e a companhia do
grupo de rock Os Mutantes. Embora também tenha recebido vaias,
sagrou-se vice-campeão. Em 1969, assim como Caetano, foi preso
pela ditadura militar e partiu para o exílio político, marcando o fi
m do Tropicalismo.
O Experimentador/ Tom Zé
• Principais músicas Parque Industrial (1968) e São Paulo, Meu
Amor (1968). Levou o Festival do ano seguinte (já quase todo
“tomado” pelos tropicalistas) com São Paulo, Meu Amor. Ainda em
1968, gravou o primeiro disco solo. Um dos compositores e
instrumentistas mais inventivos do Brasil, foi descoberto pelo
músico inglês David Byrne nos anos 80 e, desde então, continua
influente tanto no Brasil como no exterior.
• O disco The Best of Tom Zé, de 1990, foi eleito pela revista Rolling
Stone dos EUA um dos dez melhores da década!
A Musa/ Gal Costa
• Principais músicas: Não Identificado (1969), Divino, Maravilhoso
(1968), Mamãe, Coragem (1968) e Baby (1968). Uma das
principais parceiras de Caetano até hoje, Gal ficou em quarto lugar
no Festival de 1968 com uma canção composta por ele, Divino,
Maravilhoso. Com o exílio de seu grande influenciador, em 1969,
Gal passou a trabalhar com outros compositores e, pouco tempo
depois, iniciou uma fase mais “comercial” de sua carreira.
• Outros membros importantes: o maestro e organizador Rogério
Duprat e os letristas Torquato Neto e Capinam.
• O movimento tropicalista não possui como objetivo principal
utilizar a música como “arma” de combate político à ditadura
militar que vigorava no Brasil. Por este motivo, foi muito criticado
por aqueles que defendiam as músicas de protesto. Os tropicalistas
acreditavam que a inovação estética musical já era uma forma
revolucionária.
• Uma outra crítica que os tropicalistas receberam foi o uso de
guitarras elétricas em suas músicas. Muitos músicos tradicionais e
nacionalistas, acreditavam que esta era uma forte influência da
cultura pop-rock americana e que prejudicava a música brasileira,
denotando uma influência estrangeira não positiva.
Críticas Recebidas
Como ficou...
• Em outras formas de arte que aproveitaram a “carnavalização”
tropicalista, como o cinema (Terra em Transe, de Glauber Rocha) e
o teatro (a montagem de José Celso Martinez Correa para O Rei da
Vela).
• Em bandas que também mesclaram tradições nacionais e inovações
estrangeiras, como Secos Molhados e Chico Science e Nação
Zumbi.
• Em álbuns de fãs no exterior, como David Byrne, Devendra
Banhart, Beck e até Kurt Cobain.
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  • 1. TROPICALISMO Uma nova forma de fazer música.
  • 2. Muito além de um movimento • Foi um movimento surgido em 1967 que revolucionou o modo de fazer a música popular brasileira. Ele chamou a atenção do público na terceira edição do Festival de MPB da emissora Record – uma espécie de American Idol da época, com forte teor político. Nesse show, Caetano Veloso cantou Alegria, Alegria acompanhado por guitarras elétricas. Foi um escândalo, já que elas eram consideradas ícones do imperialismo americano (e a MPB sempre esteve associada ao violão, especialmente na bossa nova). • Mas o objetivo era exatamente este: arejar a elitista e nacionalista cena cultural brasileira, tornando nossa música mais universal e próxima dos jovens. • O nome surgiu em um texto do crítico Nelson Motta, que se inspirou na obra Tropicália, do artista plástico Hélio Oiticica.
  • 3. Caetano Veloso cantando “Alegria, Alegria” na III edição do Festival de Música Popular Brasileira da Emissora Record/ 1967
  • 4. Como era... • Mistura de vários estilos: rock, bossa nova, baião, samba, bolero... • Letras com tom poético, que abordavam temas cotidianos e camuflavam críticas sociais (mas sem oposição política explícita). Uso constante de guitarras elétricas. Mistura de tradições da cultura nacional e inovações estéticas internacionais, como a pop art. • Luta contra barreiras comportamentais, defendendo, por exemplo, o sexo livre.
  • 5. O Idealizador/ Caetano Veloso • Principais músicas: Alegria, Alegria (1967), Tropicália ou Panis et Circencis (1968), É Proibido Proibir (1968) e Atrás do Trio Elétrico (1969). Apesar de ter sido vaiada, Alegria, Alegria estourou nas rádios. O disco vendeu mais de 100 mil cópias, valor alto para a época. Ao lado de Gil, Caetano tentou trazer para o movimento outros cantores de sua geração, como Dorival Caymmi, Chico Buarque, Edu Lobo e Paulinho da Viola, mas não conseguiu.
  • 6.
  • 7. Os Roqueiros/ Os Mutantes • Principais músicas: Tropicália ou Panis et Circensis (1968), Miserere Nobis (1968), Bat Macumba (1968) e A Minha Menina (1968). Enquanto Gil e Caetano tinham um projeto consciente para a música brasileira, Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias se aproximaram do movimento porque sentiram que, com ele, poderiam fazer seu som descompromissado e cheio de ironia. Estavam mais para o rock dos Beatles do que para a crítica política da Tropicália.
  • 8.
  • 9. O Seguidor/ Gilberto Gil • Principais músicas: Domingo no Parque (1967), Tropicália ou Panis et Circencis (1968) e Aquele Abraço (1968). Gil se arriscou no 3º Festival com a canção Domingo no Parque e a companhia do grupo de rock Os Mutantes. Embora também tenha recebido vaias, sagrou-se vice-campeão. Em 1969, assim como Caetano, foi preso pela ditadura militar e partiu para o exílio político, marcando o fi m do Tropicalismo.
  • 10.
  • 11. O Experimentador/ Tom Zé • Principais músicas Parque Industrial (1968) e São Paulo, Meu Amor (1968). Levou o Festival do ano seguinte (já quase todo “tomado” pelos tropicalistas) com São Paulo, Meu Amor. Ainda em 1968, gravou o primeiro disco solo. Um dos compositores e instrumentistas mais inventivos do Brasil, foi descoberto pelo músico inglês David Byrne nos anos 80 e, desde então, continua influente tanto no Brasil como no exterior. • O disco The Best of Tom Zé, de 1990, foi eleito pela revista Rolling Stone dos EUA um dos dez melhores da década!
  • 12.
  • 13. A Musa/ Gal Costa • Principais músicas: Não Identificado (1969), Divino, Maravilhoso (1968), Mamãe, Coragem (1968) e Baby (1968). Uma das principais parceiras de Caetano até hoje, Gal ficou em quarto lugar no Festival de 1968 com uma canção composta por ele, Divino, Maravilhoso. Com o exílio de seu grande influenciador, em 1969, Gal passou a trabalhar com outros compositores e, pouco tempo depois, iniciou uma fase mais “comercial” de sua carreira. • Outros membros importantes: o maestro e organizador Rogério Duprat e os letristas Torquato Neto e Capinam.
  • 14.
  • 15. • O movimento tropicalista não possui como objetivo principal utilizar a música como “arma” de combate político à ditadura militar que vigorava no Brasil. Por este motivo, foi muito criticado por aqueles que defendiam as músicas de protesto. Os tropicalistas acreditavam que a inovação estética musical já era uma forma revolucionária. • Uma outra crítica que os tropicalistas receberam foi o uso de guitarras elétricas em suas músicas. Muitos músicos tradicionais e nacionalistas, acreditavam que esta era uma forte influência da cultura pop-rock americana e que prejudicava a música brasileira, denotando uma influência estrangeira não positiva. Críticas Recebidas
  • 16. Como ficou... • Em outras formas de arte que aproveitaram a “carnavalização” tropicalista, como o cinema (Terra em Transe, de Glauber Rocha) e o teatro (a montagem de José Celso Martinez Correa para O Rei da Vela). • Em bandas que também mesclaram tradições nacionais e inovações estrangeiras, como Secos Molhados e Chico Science e Nação Zumbi. • Em álbuns de fãs no exterior, como David Byrne, Devendra Banhart, Beck e até Kurt Cobain.