Universidade Federal de Pelotas
Curso História Licenciatura
Disciplina: Fundamentos Sócio histórico filosófico da educação
Professor: Fernando Ripe
Luiza Oliveira Lopes
“Herança de mãe para filha”
Registro das memórias em um contexto de educação de uma família do
Rio Grande do Sul
São Lourenço do Sul (RS) , novembro de 2021
Introdução
Início a digitar aqui minhas memórias, pela breve história de minha avó. Pouco sei sobre sua
história, já que ela falecera muito jovem, deixando minha mãe e seus dois irmãos mais novos ainda
crianças.
Minha avó materna Vanilda, “bitita” como era conhecida pela família e amigos, nasceu em 1962,
no Boqueirão interior de São Lourenço do Sul.
Mesmo com as dificuldades de se estudar nessa época, ela se formara no magistério em 1978,
que hoje é o curso normal, ela ainda jovem lecionava em uma pequena escola infantil na cidade.
Casou se cedo, e logo depois, aos 21 anos nasceu sua primogênita, a filha que futuramente
seguiria os passos da mãe, e que era levada para a mesma escola a qual lecionava.
Um pouco antes de falecer aos 29 anos, deixou os filhos aos cuidados da sogra dela.
Sendo assim, minha mãe e seus irmãos foram criados pela avó deles, uma mulher católica
muito religiosa cuja cabeça nunca saiu dos anos 50, tiveram uma educação muito rígida
e cheia de restrições.
¹ Foto: Meu avô (Gilberto), minha avó (Vanilda) e minha
mãe (Fabiane) recém saída da maternidade.
A infância de minha mãe embora um pouco apagada pelos traumas gerados a partir da perda precoce
de sua mãe, foi difícil, mas nunca perdeu a vontade de estudar e seguir seus sonhos e sua vontade de ser
professora.
³Foto: Minha mãe aos seis anos, em sua
formatura do ensino infantil.
²foto: Minha mãe posando para uma fotografia
escolar aos 8 anos.
Após terminar o ensino fundamental, minha mãe iniciou no magistério,
assim como a mãe dela.
Durante esse período ela foi aprendendo e se apaixonando cada vez mais pela
arte de educar, o curso normal é profissionalizante, então desde os primeiros
trimestres se tem conhecimentos didáticos e metodológicos.
No final do curso, aos 17 anos, passou pelo estágio em uma escola pública
lecionando pela primeira vez.
Já formada no magistério aos 19 anos e morando sozinha, ela começou a trabalhar em uma escola
infantil particular na cidade. Nessa época conheceu meu pai, depois de alguns meses de namoro
engravidou, sem muitos planejamentos, o jovem casal seguiu em frente para dar todo seu melhor para a
filha que estava a caminho.
Logo depois de meu nascimento, minha mãe saiu da escola infantil que trabalhava,
para cuidar de mim e se dedicar os estudos para concurso público. Em 2007, passou
em um concurso para dar aulas em escolas municipais.
Pouco tempo depois se graduou pedagoga na faculdade federal de Santa Maria
em modalidade a distância.
Foto: Minha mãe em sua fotografia de formatura da
faculdade de pedagogia em 2013.
Foto: Minha mãe e suas colegas de trabalho Fernanda
Fonseca e Fabiane Fonseca, na escola particular
Mickeylandia, na qual foi professora até 2003.
Desde meus primeiros meses de vida estive inserida no meio escolar, mais especificamente em uma
escola pública de ensino infantil chamada cantinho da alegria, em São Lourenço do Sul minha cidade natal.
Estudava em um turno integral, pois meus pais trabalhavam muito.
Minha infância foi muito boa e saudável, meus pais sempre me deram uma base familiar forte, por mais
que trabalhassem muito sempre me davam a devida atenção.
Ainda me recordo bem de minha primeira fase escolar, lembro-me do cronograma diário, hora de brincar,
hora de lanchar e hora de fazer os trabalhos manuais. Da educação infantil levei as boas lembranças e
alguns amigos que guardo no coração.
Foto: Eu no dia da minha formatura do ensino infantil em 2008,
ao nos apresentarmos para pegar o certificado deveríamos dizer o
que queríamos ganhar de natal e o que queríamos ser quando
crescer, eu disse que queria ser professora e que meu presente
seria ser feliz para sempre.
Ingressei em 2009 no primeiro ano na escola estadual de ensino fundamental Padre José Herbest, sem
estar completamente alfabetizada, mas já conhecia e diferenciava letras e números e também sabia
escrever meu nome.
Sempre fui muito motivada a estudar, ganhava livros de natal e aniversário. No sexto ano, conheci a
professora de história Rivane Becker, que despertou todo meu interesse e minha paixão pela disciplina de
história. Aos 11 anos, decidi que seria uma historiadora.
Embora eu fosse muito dedicada aos estudos, eu nunca gostei de atividades em grupo,
principalmente em educação física, era tão difícil participar dos jogos e das atividades que minhas notas
nessa disciplina eram apenas o suficiente para passar de ano.
³ Foto: Meu boletim escolar do sétimo ano, em destaque
minha nota baixa (18), em educação física.
Os seguintes anos foram tranquilos, me formei no fundamental em 2017. Logo após a formatura meu
objetivo era fazer o magistério, e depois fazer faculdade. Mas quando fui fazer a inscrição, não tinha
inscritos o suficiente, e tive que fazer a matricula para o ensino médio normal mesmo
Os últimos dois anos do colégio foi uma intensa preparação para o ENEM, (Exame Nacional do
Ensino Médio), e para o PAVE, (Programa de Avaliação da Vida Escolar).
Mesmo com as dificuldades do ensino remoto, finalmente em 2021 meu sonho se
iniciou quando consegui entrar no curso de licenciatura em história na Universidade
Federal de Pelotas, o ENEM abriu as portas para que eu começasse minha jornada
acadêmica.
Foto: Eu na frente da minha faixa de
comemoração a minha entrada na faculdade.
(2021)
Concluir este memorial foi um desafio, fazer uma viajem ao meu passado escolar e resgatar
as memórias perdidas de minha mãe e minha avó foi um pouco difícil, mas eu gostei muito de
revisitar meu passado e saber um pouco mais sobre a história das mulheres que me deram a vida,
tudo isso faz parte da minha história, e é com muito orgulho dela que posso finalizar este trabalho.
Referências
ROSAR, Maria de Fátima Félix. Existem novos paradigmas na política e na administração da
educação? In: OLIVEIRA, Dalila Andrade. ROSAR, Maria de Fátima Félix (orgs.). Política e
Gestão da Educação. 2.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
CUSTÓDIO, Aline. Estudantes do curso de magistério contam por que querem ser professores:
Curso teve queda de quase 40% nas matrículas nas escolas estaduais, desde 2008. Diário
Gaúcho, Porto Alegre, 5 out. 2016. Educação.
MAZZA, Luigi; BUONO, Renata. MAIS DE 4 MILHÕES DE ESTUDANTES BRASILEIROS
ENTRARAM NA PANDEMIA SEM INTERNET: No final de 2019, ao menos 4,3 milhões de
estudantes não tinham acesso à internet no Brasil. Folha de São Paulo, São Paulo, 9 out. 2021.
BUARQUE, Chico. Leite derramado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
ARANHA, Maria Lúcia Arruda. História da Educação e da Pedagogia. Geral e Brasil. São Paulo:
Moderna, 2006.

titulo.pptx

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    Universidade Federal dePelotas Curso História Licenciatura Disciplina: Fundamentos Sócio histórico filosófico da educação Professor: Fernando Ripe Luiza Oliveira Lopes “Herança de mãe para filha” Registro das memórias em um contexto de educação de uma família do Rio Grande do Sul São Lourenço do Sul (RS) , novembro de 2021
  • 2.
    Introdução Início a digitaraqui minhas memórias, pela breve história de minha avó. Pouco sei sobre sua história, já que ela falecera muito jovem, deixando minha mãe e seus dois irmãos mais novos ainda crianças. Minha avó materna Vanilda, “bitita” como era conhecida pela família e amigos, nasceu em 1962, no Boqueirão interior de São Lourenço do Sul. Mesmo com as dificuldades de se estudar nessa época, ela se formara no magistério em 1978, que hoje é o curso normal, ela ainda jovem lecionava em uma pequena escola infantil na cidade. Casou se cedo, e logo depois, aos 21 anos nasceu sua primogênita, a filha que futuramente seguiria os passos da mãe, e que era levada para a mesma escola a qual lecionava. Um pouco antes de falecer aos 29 anos, deixou os filhos aos cuidados da sogra dela. Sendo assim, minha mãe e seus irmãos foram criados pela avó deles, uma mulher católica muito religiosa cuja cabeça nunca saiu dos anos 50, tiveram uma educação muito rígida e cheia de restrições. ¹ Foto: Meu avô (Gilberto), minha avó (Vanilda) e minha mãe (Fabiane) recém saída da maternidade.
  • 3.
    A infância deminha mãe embora um pouco apagada pelos traumas gerados a partir da perda precoce de sua mãe, foi difícil, mas nunca perdeu a vontade de estudar e seguir seus sonhos e sua vontade de ser professora. ³Foto: Minha mãe aos seis anos, em sua formatura do ensino infantil. ²foto: Minha mãe posando para uma fotografia escolar aos 8 anos. Após terminar o ensino fundamental, minha mãe iniciou no magistério, assim como a mãe dela. Durante esse período ela foi aprendendo e se apaixonando cada vez mais pela arte de educar, o curso normal é profissionalizante, então desde os primeiros trimestres se tem conhecimentos didáticos e metodológicos. No final do curso, aos 17 anos, passou pelo estágio em uma escola pública lecionando pela primeira vez.
  • 4.
    Já formada nomagistério aos 19 anos e morando sozinha, ela começou a trabalhar em uma escola infantil particular na cidade. Nessa época conheceu meu pai, depois de alguns meses de namoro engravidou, sem muitos planejamentos, o jovem casal seguiu em frente para dar todo seu melhor para a filha que estava a caminho. Logo depois de meu nascimento, minha mãe saiu da escola infantil que trabalhava, para cuidar de mim e se dedicar os estudos para concurso público. Em 2007, passou em um concurso para dar aulas em escolas municipais. Pouco tempo depois se graduou pedagoga na faculdade federal de Santa Maria em modalidade a distância. Foto: Minha mãe em sua fotografia de formatura da faculdade de pedagogia em 2013. Foto: Minha mãe e suas colegas de trabalho Fernanda Fonseca e Fabiane Fonseca, na escola particular Mickeylandia, na qual foi professora até 2003.
  • 5.
    Desde meus primeirosmeses de vida estive inserida no meio escolar, mais especificamente em uma escola pública de ensino infantil chamada cantinho da alegria, em São Lourenço do Sul minha cidade natal. Estudava em um turno integral, pois meus pais trabalhavam muito. Minha infância foi muito boa e saudável, meus pais sempre me deram uma base familiar forte, por mais que trabalhassem muito sempre me davam a devida atenção. Ainda me recordo bem de minha primeira fase escolar, lembro-me do cronograma diário, hora de brincar, hora de lanchar e hora de fazer os trabalhos manuais. Da educação infantil levei as boas lembranças e alguns amigos que guardo no coração. Foto: Eu no dia da minha formatura do ensino infantil em 2008, ao nos apresentarmos para pegar o certificado deveríamos dizer o que queríamos ganhar de natal e o que queríamos ser quando crescer, eu disse que queria ser professora e que meu presente seria ser feliz para sempre.
  • 6.
    Ingressei em 2009no primeiro ano na escola estadual de ensino fundamental Padre José Herbest, sem estar completamente alfabetizada, mas já conhecia e diferenciava letras e números e também sabia escrever meu nome. Sempre fui muito motivada a estudar, ganhava livros de natal e aniversário. No sexto ano, conheci a professora de história Rivane Becker, que despertou todo meu interesse e minha paixão pela disciplina de história. Aos 11 anos, decidi que seria uma historiadora. Embora eu fosse muito dedicada aos estudos, eu nunca gostei de atividades em grupo, principalmente em educação física, era tão difícil participar dos jogos e das atividades que minhas notas nessa disciplina eram apenas o suficiente para passar de ano. ³ Foto: Meu boletim escolar do sétimo ano, em destaque minha nota baixa (18), em educação física.
  • 7.
    Os seguintes anosforam tranquilos, me formei no fundamental em 2017. Logo após a formatura meu objetivo era fazer o magistério, e depois fazer faculdade. Mas quando fui fazer a inscrição, não tinha inscritos o suficiente, e tive que fazer a matricula para o ensino médio normal mesmo Os últimos dois anos do colégio foi uma intensa preparação para o ENEM, (Exame Nacional do Ensino Médio), e para o PAVE, (Programa de Avaliação da Vida Escolar). Mesmo com as dificuldades do ensino remoto, finalmente em 2021 meu sonho se iniciou quando consegui entrar no curso de licenciatura em história na Universidade Federal de Pelotas, o ENEM abriu as portas para que eu começasse minha jornada acadêmica. Foto: Eu na frente da minha faixa de comemoração a minha entrada na faculdade. (2021)
  • 8.
    Concluir este memorialfoi um desafio, fazer uma viajem ao meu passado escolar e resgatar as memórias perdidas de minha mãe e minha avó foi um pouco difícil, mas eu gostei muito de revisitar meu passado e saber um pouco mais sobre a história das mulheres que me deram a vida, tudo isso faz parte da minha história, e é com muito orgulho dela que posso finalizar este trabalho.
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    Referências ROSAR, Maria deFátima Félix. Existem novos paradigmas na política e na administração da educação? In: OLIVEIRA, Dalila Andrade. ROSAR, Maria de Fátima Félix (orgs.). Política e Gestão da Educação. 2.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. CUSTÓDIO, Aline. Estudantes do curso de magistério contam por que querem ser professores: Curso teve queda de quase 40% nas matrículas nas escolas estaduais, desde 2008. Diário Gaúcho, Porto Alegre, 5 out. 2016. Educação. MAZZA, Luigi; BUONO, Renata. MAIS DE 4 MILHÕES DE ESTUDANTES BRASILEIROS ENTRARAM NA PANDEMIA SEM INTERNET: No final de 2019, ao menos 4,3 milhões de estudantes não tinham acesso à internet no Brasil. Folha de São Paulo, São Paulo, 9 out. 2021. BUARQUE, Chico. Leite derramado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. ARANHA, Maria Lúcia Arruda. História da Educação e da Pedagogia. Geral e Brasil. São Paulo: Moderna, 2006.