GRAMSCI E A EDUCAÇÃO GRAMSCI
1891-1937
A CONTRIBUIÇÃO TEÓRICA DE GRAMSCI PARA A
PRODUÇÃO INTELECTUAL NO CAMPO
EDUCACIONAL
. valorização da cultura
. valorização da escola
. valorização dos professores (intelectuais)
Conceito de bloco histórico
Metáfora Base e superestrutura, para chegar no conceito de “bloco
histórico”
Estrutura/Economia
Superestrutura/ideologias
MARX, Prefácio à Para a crítica da economia política (1859)
• “O modo de produção da vida material condiciona o
processo da vida social, política e espiritual em geral. Não é
a consciência do homem que determina o seu ser, mas,
pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua
consciência” (MARX, 1983, p. 24, grifo meu).
• Quando se estudam essas revoluções [sociais], é preciso
distinguir sempre entre as mudanças materiais, ocorridas
nas condições econômicas de produção e que podem ser
apreciadas com a exatidão própria das ciências naturais, e
as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou
filosóficas, numa palavra, as formas ideológicas em que os
homens adquirem consciência desse conflito e lutam para
resolvê-lo. (MARX, 1983, p. 25, grifo meu).
Marx, Teses sobre Feuerbach (1845)
• A doutrina materialista sobre a mudança das
contingências e da educação se esquece de que tais
contingências são mudadas pelos homens e que o próprio
educador deve ser educado. Deve por isso separar a
sociedade em duas partes — uma das quais é colocada
acima da outra. A coincidência da alteração das
contingências com a atividade humana e a mudança de si
próprio só pode ser captada e entendida racionalmente
como práxis revolucionária. (MARX, 1985, p. 51, grifo meu).
«Reforma Intelectual e Moral»
Relação entre teoria/prática, idéias/ação,
filosofia/história, intelectual/moral,
espírito/matéria
Questões de Gramsci:
Como surgem as idéias, concepções de mundo?
Como elas se transformam em práticas?
Como se convertem em idéias dominantes?
Como se tornam “hegemônicas”?
Reforma Intelectual e Moral
O trabalho para convencer as classes subalternas a aceitar o
status quo não se realiza apenas no plano intelectual, não se
restringe ao mundo das idéias.
As concepções de mundo são acompanhadas de
comportamentos: um modo de pensar tem um modo de agir
que lhe é correspondente.
Quando a classe dominante consegue dar uma direção
intelectual para a sociedade, essa direção também é moral, isto
é, implica formas de agir no mundo. Se as massas populares
prestam o seu consentimento ao Estado capitalista, então o
Estado se torna hegemônico: exerce a direção intelectual e
moral da sociedade.
Hegemonia, intelectuais,
reforma intelectual e moral
Importância como referencial teórico para a educação e
cultura
Os intelectuais, entendidos por Gramsci como organizadores e
difusores de determinadas concepções do mundo, promovem
uma “reforma intelectual e moral” na sociedade.
Através da política, eles modificam o conjunto das relações
sociais e procuram adequar a cultura às exigências práticas,
determinando efeitos positivos ou negativos, modificando a
maneira de pensar e agir do maior número de pessoas,
criando, portanto, uma “norma de ação coletiva”.
Hegemonia, intelectuais,
reforma intelectual e moral
Importância como referencial teórico para a educação e
cultura
A atividade política de direção cultural, realizada
pelos intelectuais, é fundamentalmente pedagógica,
pois visa a difundir ideologias entre as massas para
engendrar uma ética adaptada a uma determinada
ordem social que se quer preservar ou modificar. Assim
concebida, a atividade política é educativa e “ética”:
propõe-se a definir uma outra moral coletiva que entre
em choque com aquela dominante e possa desagregá-
la.
Constituição de um centro unitário de
cultura e a escola unitária
• propiciar a superação do “senso comum” vulgar e a
formação do pensamento filosófico das classes
subalternas
• filosofia da praxis como referência filosófica para
orientar o confronto ideológico seja com o senso
comum, seja com as concepções de mundo dominantes
• formulação de “um programa escolar, um princípio educativo e
pedagógico original que interesse e dê uma atividade própria, no
seu campo técnico, àquela fração dos intelectuais que é a mais
homogênea e a mais numerosa (os professores, do ensino
elementar aos professores de Universidades)” (GRAMSCI, 1977,
p. 2047).
A ESCOLA UNITÁRIA
Organização Escolar , segundo Gramsci
A ESCOLA UNITÁRIA
Gramsci debate com outras concepções de organização escolar-
Quando :
A. – DIALOGA COM A ESCOLA HUMANISTA (TRADICIONAL):
• - recuperação de princípios da escola humanista:
• a) porque tem como objetivo formar dirigentes: o que é muito mais
do que formar para a cidadania;
• b) o princípio do trabalho como o ensino de direitos e deveres:
• a relação dos homens entre si: que cria os diferentes tipos de
sociedade; as leis civis, a política, o governo, o Estado.
• a relação dos homens com a natureza: que cria a ciência, a técnica.
A ESCOLA UNITÁRIA
• B. - CRITICA A PROLIFERAÇÃO DE ESCOLAS PROFISSIONAIS: DIVISÕES EM CASTAS CHINESAS
• entende que a escola única soviética é uma solução para a dualidade da escola, mas critica o modelo
soviético, principalmente pela profissionalização precoce:
• «O homem moderno deveria ser uma síntese daqueles que podem ser ... imaginados como figuras
nacionais: o engenheiro americano, o filósofo alemão, o político francês, recriando, por assim dizer, o
homem italiano do Renascimento, o tipo moderno de Leonardo da Vinci transformado em homem-massa
ou homem coletivo simplesmente mantendo a sua forte personalidade e originalidade individual. (...)
Você pensa que o sistema educativo Dalton possa produzir Leonardos, seja tão somente como síntese
coletiva?» (Carta à Giulia, n. 283, 1/08/1932, in GRAMSCI, 1965, p. 234, grifo nosso).
A ESCOLA UNITÁRIA
• C. DIALOGA COM A ESCOLA ATIVA (GENTILE, LOMBARDO RADICE)
• “re-apropriação” do conceito de atividade, da concepção da
“escola ativa” (ou nova) e a formulação dos conceitos de
Hegemonia, como uma relação pedagógica, para além do
mundo escolar.
• Escola Unitária: é escola ativa
• Seu significado, suas possibilidades, sua necessidade de
“aggiornamento”
A ESCOLA UNITÁRIA
 se insere no quadro de suas preocupações no sentido de tornar
hegemônico um “centro unitário de cultura”, apresentando o que
ele chama de “esquema de organização do trabalho cultural”
(GRAMSCI, 1977, p. 1539).
 Integrando um programa político em direção à igualdade social, a
“escola unitária” é uma referência para a crítica às desigualdades
sociais, produzidas pelo sistema capitalista, e que se exprimem nas
diversas instâncias da sociedade e da cultura, como também na
escola.
 O seu significado é muito amplo, parâmetro da análise de Gramsci
sobre a organização da cultura. Refere-se à luta pela unificação
do ser humano como possibilidade de realização, como devir.

sintese _ Gramsci - escola Unitaria e formação humana .pptx

  • 1.
    GRAMSCI E AEDUCAÇÃO GRAMSCI 1891-1937
  • 2.
    A CONTRIBUIÇÃO TEÓRICADE GRAMSCI PARA A PRODUÇÃO INTELECTUAL NO CAMPO EDUCACIONAL . valorização da cultura . valorização da escola . valorização dos professores (intelectuais)
  • 3.
    Conceito de blocohistórico Metáfora Base e superestrutura, para chegar no conceito de “bloco histórico” Estrutura/Economia Superestrutura/ideologias
  • 4.
    MARX, Prefácio àPara a crítica da economia política (1859) • “O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência” (MARX, 1983, p. 24, grifo meu). • Quando se estudam essas revoluções [sociais], é preciso distinguir sempre entre as mudanças materiais, ocorridas nas condições econômicas de produção e que podem ser apreciadas com a exatidão própria das ciências naturais, e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, numa palavra, as formas ideológicas em que os homens adquirem consciência desse conflito e lutam para resolvê-lo. (MARX, 1983, p. 25, grifo meu).
  • 5.
    Marx, Teses sobreFeuerbach (1845) • A doutrina materialista sobre a mudança das contingências e da educação se esquece de que tais contingências são mudadas pelos homens e que o próprio educador deve ser educado. Deve por isso separar a sociedade em duas partes — uma das quais é colocada acima da outra. A coincidência da alteração das contingências com a atividade humana e a mudança de si próprio só pode ser captada e entendida racionalmente como práxis revolucionária. (MARX, 1985, p. 51, grifo meu).
  • 6.
    «Reforma Intelectual eMoral» Relação entre teoria/prática, idéias/ação, filosofia/história, intelectual/moral, espírito/matéria Questões de Gramsci: Como surgem as idéias, concepções de mundo? Como elas se transformam em práticas? Como se convertem em idéias dominantes? Como se tornam “hegemônicas”?
  • 7.
    Reforma Intelectual eMoral O trabalho para convencer as classes subalternas a aceitar o status quo não se realiza apenas no plano intelectual, não se restringe ao mundo das idéias. As concepções de mundo são acompanhadas de comportamentos: um modo de pensar tem um modo de agir que lhe é correspondente. Quando a classe dominante consegue dar uma direção intelectual para a sociedade, essa direção também é moral, isto é, implica formas de agir no mundo. Se as massas populares prestam o seu consentimento ao Estado capitalista, então o Estado se torna hegemônico: exerce a direção intelectual e moral da sociedade.
  • 8.
    Hegemonia, intelectuais, reforma intelectuale moral Importância como referencial teórico para a educação e cultura Os intelectuais, entendidos por Gramsci como organizadores e difusores de determinadas concepções do mundo, promovem uma “reforma intelectual e moral” na sociedade. Através da política, eles modificam o conjunto das relações sociais e procuram adequar a cultura às exigências práticas, determinando efeitos positivos ou negativos, modificando a maneira de pensar e agir do maior número de pessoas, criando, portanto, uma “norma de ação coletiva”.
  • 9.
    Hegemonia, intelectuais, reforma intelectuale moral Importância como referencial teórico para a educação e cultura A atividade política de direção cultural, realizada pelos intelectuais, é fundamentalmente pedagógica, pois visa a difundir ideologias entre as massas para engendrar uma ética adaptada a uma determinada ordem social que se quer preservar ou modificar. Assim concebida, a atividade política é educativa e “ética”: propõe-se a definir uma outra moral coletiva que entre em choque com aquela dominante e possa desagregá- la.
  • 10.
    Constituição de umcentro unitário de cultura e a escola unitária • propiciar a superação do “senso comum” vulgar e a formação do pensamento filosófico das classes subalternas • filosofia da praxis como referência filosófica para orientar o confronto ideológico seja com o senso comum, seja com as concepções de mundo dominantes • formulação de “um programa escolar, um princípio educativo e pedagógico original que interesse e dê uma atividade própria, no seu campo técnico, àquela fração dos intelectuais que é a mais homogênea e a mais numerosa (os professores, do ensino elementar aos professores de Universidades)” (GRAMSCI, 1977, p. 2047).
  • 11.
    A ESCOLA UNITÁRIA OrganizaçãoEscolar , segundo Gramsci
  • 12.
    A ESCOLA UNITÁRIA Gramscidebate com outras concepções de organização escolar- Quando : A. – DIALOGA COM A ESCOLA HUMANISTA (TRADICIONAL): • - recuperação de princípios da escola humanista: • a) porque tem como objetivo formar dirigentes: o que é muito mais do que formar para a cidadania; • b) o princípio do trabalho como o ensino de direitos e deveres: • a relação dos homens entre si: que cria os diferentes tipos de sociedade; as leis civis, a política, o governo, o Estado. • a relação dos homens com a natureza: que cria a ciência, a técnica.
  • 13.
    A ESCOLA UNITÁRIA •B. - CRITICA A PROLIFERAÇÃO DE ESCOLAS PROFISSIONAIS: DIVISÕES EM CASTAS CHINESAS • entende que a escola única soviética é uma solução para a dualidade da escola, mas critica o modelo soviético, principalmente pela profissionalização precoce: • «O homem moderno deveria ser uma síntese daqueles que podem ser ... imaginados como figuras nacionais: o engenheiro americano, o filósofo alemão, o político francês, recriando, por assim dizer, o homem italiano do Renascimento, o tipo moderno de Leonardo da Vinci transformado em homem-massa ou homem coletivo simplesmente mantendo a sua forte personalidade e originalidade individual. (...) Você pensa que o sistema educativo Dalton possa produzir Leonardos, seja tão somente como síntese coletiva?» (Carta à Giulia, n. 283, 1/08/1932, in GRAMSCI, 1965, p. 234, grifo nosso).
  • 14.
    A ESCOLA UNITÁRIA •C. DIALOGA COM A ESCOLA ATIVA (GENTILE, LOMBARDO RADICE) • “re-apropriação” do conceito de atividade, da concepção da “escola ativa” (ou nova) e a formulação dos conceitos de Hegemonia, como uma relação pedagógica, para além do mundo escolar. • Escola Unitária: é escola ativa • Seu significado, suas possibilidades, sua necessidade de “aggiornamento”
  • 15.
    A ESCOLA UNITÁRIA se insere no quadro de suas preocupações no sentido de tornar hegemônico um “centro unitário de cultura”, apresentando o que ele chama de “esquema de organização do trabalho cultural” (GRAMSCI, 1977, p. 1539).  Integrando um programa político em direção à igualdade social, a “escola unitária” é uma referência para a crítica às desigualdades sociais, produzidas pelo sistema capitalista, e que se exprimem nas diversas instâncias da sociedade e da cultura, como também na escola.  O seu significado é muito amplo, parâmetro da análise de Gramsci sobre a organização da cultura. Refere-se à luta pela unificação do ser humano como possibilidade de realização, como devir.