A CONTRIBUIÇÃO TEÓRICADE GRAMSCI PARA A
PRODUÇÃO INTELECTUAL NO CAMPO
EDUCACIONAL
. valorização da cultura
. valorização da escola
. valorização dos professores (intelectuais)
3.
Conceito de blocohistórico
Metáfora Base e superestrutura, para chegar no conceito de “bloco
histórico”
Estrutura/Economia
Superestrutura/ideologias
4.
MARX, Prefácio àPara a crítica da economia política (1859)
• “O modo de produção da vida material condiciona o
processo da vida social, política e espiritual em geral. Não é
a consciência do homem que determina o seu ser, mas,
pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua
consciência” (MARX, 1983, p. 24, grifo meu).
• Quando se estudam essas revoluções [sociais], é preciso
distinguir sempre entre as mudanças materiais, ocorridas
nas condições econômicas de produção e que podem ser
apreciadas com a exatidão própria das ciências naturais, e
as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou
filosóficas, numa palavra, as formas ideológicas em que os
homens adquirem consciência desse conflito e lutam para
resolvê-lo. (MARX, 1983, p. 25, grifo meu).
5.
Marx, Teses sobreFeuerbach (1845)
• A doutrina materialista sobre a mudança das
contingências e da educação se esquece de que tais
contingências são mudadas pelos homens e que o próprio
educador deve ser educado. Deve por isso separar a
sociedade em duas partes — uma das quais é colocada
acima da outra. A coincidência da alteração das
contingências com a atividade humana e a mudança de si
próprio só pode ser captada e entendida racionalmente
como práxis revolucionária. (MARX, 1985, p. 51, grifo meu).
6.
«Reforma Intelectual eMoral»
Relação entre teoria/prática, idéias/ação,
filosofia/história, intelectual/moral,
espírito/matéria
Questões de Gramsci:
Como surgem as idéias, concepções de mundo?
Como elas se transformam em práticas?
Como se convertem em idéias dominantes?
Como se tornam “hegemônicas”?
7.
Reforma Intelectual eMoral
O trabalho para convencer as classes subalternas a aceitar o
status quo não se realiza apenas no plano intelectual, não se
restringe ao mundo das idéias.
As concepções de mundo são acompanhadas de
comportamentos: um modo de pensar tem um modo de agir
que lhe é correspondente.
Quando a classe dominante consegue dar uma direção
intelectual para a sociedade, essa direção também é moral, isto
é, implica formas de agir no mundo. Se as massas populares
prestam o seu consentimento ao Estado capitalista, então o
Estado se torna hegemônico: exerce a direção intelectual e
moral da sociedade.
8.
Hegemonia, intelectuais,
reforma intelectuale moral
Importância como referencial teórico para a educação e
cultura
Os intelectuais, entendidos por Gramsci como organizadores e
difusores de determinadas concepções do mundo, promovem
uma “reforma intelectual e moral” na sociedade.
Através da política, eles modificam o conjunto das relações
sociais e procuram adequar a cultura às exigências práticas,
determinando efeitos positivos ou negativos, modificando a
maneira de pensar e agir do maior número de pessoas,
criando, portanto, uma “norma de ação coletiva”.
9.
Hegemonia, intelectuais,
reforma intelectuale moral
Importância como referencial teórico para a educação e
cultura
A atividade política de direção cultural, realizada
pelos intelectuais, é fundamentalmente pedagógica,
pois visa a difundir ideologias entre as massas para
engendrar uma ética adaptada a uma determinada
ordem social que se quer preservar ou modificar. Assim
concebida, a atividade política é educativa e “ética”:
propõe-se a definir uma outra moral coletiva que entre
em choque com aquela dominante e possa desagregá-
la.
10.
Constituição de umcentro unitário de
cultura e a escola unitária
• propiciar a superação do “senso comum” vulgar e a
formação do pensamento filosófico das classes
subalternas
• filosofia da praxis como referência filosófica para
orientar o confronto ideológico seja com o senso
comum, seja com as concepções de mundo dominantes
• formulação de “um programa escolar, um princípio educativo e
pedagógico original que interesse e dê uma atividade própria, no
seu campo técnico, àquela fração dos intelectuais que é a mais
homogênea e a mais numerosa (os professores, do ensino
elementar aos professores de Universidades)” (GRAMSCI, 1977,
p. 2047).
A ESCOLA UNITÁRIA
Gramscidebate com outras concepções de organização escolar-
Quando :
A. – DIALOGA COM A ESCOLA HUMANISTA (TRADICIONAL):
• - recuperação de princípios da escola humanista:
• a) porque tem como objetivo formar dirigentes: o que é muito mais
do que formar para a cidadania;
• b) o princípio do trabalho como o ensino de direitos e deveres:
• a relação dos homens entre si: que cria os diferentes tipos de
sociedade; as leis civis, a política, o governo, o Estado.
• a relação dos homens com a natureza: que cria a ciência, a técnica.
13.
A ESCOLA UNITÁRIA
•B. - CRITICA A PROLIFERAÇÃO DE ESCOLAS PROFISSIONAIS: DIVISÕES EM CASTAS CHINESAS
• entende que a escola única soviética é uma solução para a dualidade da escola, mas critica o modelo
soviético, principalmente pela profissionalização precoce:
• «O homem moderno deveria ser uma síntese daqueles que podem ser ... imaginados como figuras
nacionais: o engenheiro americano, o filósofo alemão, o político francês, recriando, por assim dizer, o
homem italiano do Renascimento, o tipo moderno de Leonardo da Vinci transformado em homem-massa
ou homem coletivo simplesmente mantendo a sua forte personalidade e originalidade individual. (...)
Você pensa que o sistema educativo Dalton possa produzir Leonardos, seja tão somente como síntese
coletiva?» (Carta à Giulia, n. 283, 1/08/1932, in GRAMSCI, 1965, p. 234, grifo nosso).
14.
A ESCOLA UNITÁRIA
•C. DIALOGA COM A ESCOLA ATIVA (GENTILE, LOMBARDO RADICE)
• “re-apropriação” do conceito de atividade, da concepção da
“escola ativa” (ou nova) e a formulação dos conceitos de
Hegemonia, como uma relação pedagógica, para além do
mundo escolar.
• Escola Unitária: é escola ativa
• Seu significado, suas possibilidades, sua necessidade de
“aggiornamento”
15.
A ESCOLA UNITÁRIA
se insere no quadro de suas preocupações no sentido de tornar
hegemônico um “centro unitário de cultura”, apresentando o que
ele chama de “esquema de organização do trabalho cultural”
(GRAMSCI, 1977, p. 1539).
Integrando um programa político em direção à igualdade social, a
“escola unitária” é uma referência para a crítica às desigualdades
sociais, produzidas pelo sistema capitalista, e que se exprimem nas
diversas instâncias da sociedade e da cultura, como também na
escola.
O seu significado é muito amplo, parâmetro da análise de Gramsci
sobre a organização da cultura. Refere-se à luta pela unificação
do ser humano como possibilidade de realização, como devir.