Faculdade e Escola Técnica Egídio José da Silva
                  FATEGÍDIO




APOSTILA DE ANATOMIA E
  FISIOLOGIA HUMANAS




                  MAIO/2009
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Organizador:
Prof. MSc. RODRIGO ANTONIO MONTEZANO VALINTIN LACERDA

Colaboradores:
Prof. Esp. ADRÉ LUIS VELANO
Prof. Esp. FABIANA PARO PEREIRA
Prof. Esp. FABRICIO BRITO MUNIZ
Prof. Esp. LEONARDO FIGUEIREDO SANTOS

Capa:
Prof. MSc. RODRIGO ANTONIO MONTEZANO VALINTIN LACERDA e
Secretário SERGIO TELES


Citações:
Esta Apostila foi baseada em texto da Professora MSc. Maria Luisa Miranda Vilela,
Licenciada em Ciências Biológicas pela PUC/MG, tem especialização nos cursos de Biologia
dos Vertebrados pela PUC/MG e Genética Humana pela UnB e mestrado em Microbiologia
pela UFMG (defesa de dissertação em genética molecular de Leishmania). Atualmente é
doutoranda no Curso de Pós-Graduação em Biologia Animal da UnB, pelo Dept° de Genética
e Morfologia, Laboratório de Genética.Lecionou Ciências no Ensino Fundamental, Biologia no
Ensino Médio e Citologia nas Faculdades Metodistas Isabela Hendrix, em Belo Horizonte/MG.
Em Brasília/DF, leciona biologia no ensino médio, desde 1994: em 1994 e 1995, nos Centros
Educacionais La Salle e Sagrada Família; de 1996 até agora, no Centro Educacional
Leonardo da Vinci. Cursos de atualização: Genética e Sociedade (UnB); Bioquímica, Nutrição
e Saúde (UnB); Ecologia e Gestão Ambiental (UFMG).
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Aos alunos:



        O mestre disse a um dos seus alunos: Yu,
                  queres saber em que consiste o
                 conhecimento? Consiste em ter
        consciência tanto de conhecer uma coisa
              quanto de não a conhecer. Este é o
                                 conhecimento..
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                                               SUMÁRIO

1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA ................................................. 6

1.1 - CONCEITO DE ANATOMIA ...................................................................... 6
1.2 - NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA ...................................................... 6
1.3 - NOMENCLATURA ANATÔMICA ...............................................................6
1.4 - POSIÇÃO ANATÔMICA .............................................................................7
1.5 - DIVISÃO DO CORPO HUMANO.................................................................7
1.6 - PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO..............8
1.7 - TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO.........................................................8
1.8 - MÉTODOS DE ESTUDO ............................................................................9
1.9 - VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAI ...................................................... 9
1.10 - PLANOS ANATÔMICO ..........................................................................10
1.11 - TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICA ..................................................10
2 – SISTEMAS DE SUSTENTAÇÃO............................................................... 11

2.1 - SISTEMA ESQUELÉTICO............................................................................... 11

2.2 - SISTEMA ARTICULAR ....................................................................................21

2.3 - SISTEMA MUSCULAR ............................................................................27

3 - SISTEMA NERVOSO ..................................................................................36

4 - SISTEMA CIRCULATÓRIO ........................................................................57

5 - SISTEMA RESPIRATÓRIO ........................................................................66

6 - O SISTEMA DIGESTÓRIO ........................................................................72

7 - SISTEMA URINÁRIO/EXCRETOR .............................................................79

8 - SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO ...................................................83

9 - SISTEMA REPRODUTOR FEMININO ........................................................85

10 - SISTEMA ENDÓCRINO ............................................................................95

11 – SISTEMA SENSORIAL ............................................................................99

12 - SISTEMA TEGUMENTAR ......................................................................110
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                  1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA


1.1 - CONCEITO DE ANATOMIA

         No seu conceito mais amplo, a Anatomia é a ciência que estuda, macro e
microscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados.
         Um excelente e amplo conceito de Anatomia foi proposto em 1981 pela American
Association of Anatomists: anatomia é a análise da estrutura biológica, sua correlação com a
função e com as modulações de estrutura em resposta a fatores temporais, genéticos e
ambientais. Tem como metas principais a compreensão dos princípios arquitetônicos da
construção dos organismos vivos, a descoberta da base estrutural do funcionamento das várias
partes e a compreensão dos mecanismos formativos envolvidos no desenvolvimento destas. A
amplitude da anatomia compreende, em termos temporais, desde o estudo das mudanças a longo
prazo da estrutura, no curso de evolução, passando pelas das mudanças de duração intermediária
em desenvolvimento, crescimento e envelhecimento; até as mudanças de curto prazo, associadas
com fases diferentes de atividade funcional normal. Em termos do tamanho da estrutura
estudada vai desde todo um sistema biológico, passando por organismos inteiros e/ou seus
órgãos até as organelas celulares e macromoléculas.
         A palavra Anatomia é derivada do grego anatome (ana = através de; tome = corte).
Dissecação deriva do latim (dis = separar; secare = cortar) e é equivalente etimologicamente a
anatomia. Contudo, atualmente, Anatomia é a ciência, enquanto dissecar é um dos métodos
desta ciência.
         Seu estudo tem uma longa e interessante história, desde os primórdios da civilização
humana. Inicialmente limitada ao observável a olho nu e pela manipulação dos corpos,
expandiu-se, ao longo do tempo, graças a aquisição de tecnologias inovadoras.
         Atualmente, a Anatomia pode ser subdividida em três grandes grupos: Anatomia
macroscópica, Anatomia microscópica e Anatomia do desenvolvimento.
         A Anatomia Macroscópica é o estudo das estruturas observáveis a olho nu, utilizando
ou não recursos tecnológicos os mais variáveis possíveis, enquanto a Anatomia Microscópica é
aquela relacionada com as estruturas corporais invisíveis a olho nu e requer o uso de
instrumental para ampliação, como lupas, microscópios ópticos e eletrônicos. Este grupo é
dividido em Citologia (estudo da célula) e Histologia (estudo dos tecidos e de como estes se
organizam para a formação de órgãos).
         A Anatomia do desenvolvimento estuda o desenvolvimento do indivíduo a partir do ovo
fertilizado até a forma adulta. Ela engloba a Embriologia que é o estudo do desenvolvimento até
o nascimento. Embora não sejam estanques, a complexidade destes grupos torna necessária a
existência de estudos específicos.


1.2 - NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA
        Normal, para o anatomista, é o estatisticamente mais comum, ou seja, o que é
encontrado na maioria dos casos. Variação anatômica é qualquer fuga do padrão sem prejuízo
da função. Assim, a artéria braquial mais comumente divide-se na fossa cubital. Este é o padrão.
Entretanto, em alguns indivíduos esta divisão ocorre ao nível da axila. Como não existe perda
funcional esta é uma variação.
        Quando ocorre prejuízo funcional trata-se de uma anomalia e não de uma variação. Se a
anomalia for tão acentuada que deforme profundamente a construção do corpo, sendo, em geral,
incompatível com a vida, é uma monstruosidade.


1.3 - NOMENCLATURA ANATÔMICA
7

         Como toda ciência, a Anatomia tem sua linguagem própria. Ao conjunto de termos
empregados para designar e descrever o organismo ou suas partes dá-se o nome de
Nomenclatura Anatômica. Com o extraordinário acúmulo de conhecimentos no final do século
passado, graças aos trabalhos de importantes “escolas anatômicas” (sobretudo na Itália, França,
Inglaterra e Alemanha), as mesmas estruturas do corpo humano recebiam denominações
diferentes nestes centros de estudos e pesquisas. Em razão desta falta de metodologia e de
inevitáveis arbitrariedades, mais de 20 000 termos anatômicos chegaram a ser consignados (hoje
reduzidos a poucos mais de 5 000). A primeira tentativa de uniformizar e criar uma
nomenclatura anatômica internacional ocorreu em 1895. Em sucessivos congressos de
Anatomia em 1933, 1936 e 1950 foram feitas revisões e finalmente em 1955, em Paris, foi
aprovada oficialmente a Nomenclatura Anatômica, conhecida sob a sigla de P.N.A. (Paris
Nomina Anatomica). Revisões subseqüentes foram feitas em 1960, 1965 e 1970, visto que a
nomenclatura anatômica tem caráter dinâmico, podendo ser sempre criticada e modificada,
desde que haja razões suficientes para as modificações e que estas sejam aprovadas em
Congressos Internacionais de Anatomia . A língua oficialmente adotada é o latim (por ser
“língua morta”), porém cada país pode traduzi-la para seu próprio vernáculo. Ao designar uma
estrutura do organismo, a nomenclatura procura utilizar termos que não sejam apenas sinais para
a memória, mas tragam também alguma informação ou descrição sobre a referida estrutura.
Dentro deste princípio, foram abolidos os epônimos (nome de pessoas para designar coisas) e os
termos indicam: a forma (músculo trapézio); a sua posição ou situação (nervo mediano); o seu
trajeto (artéria circunflexa da escápula); as suas conexões ou inter-relações (ligamento
sacroilíaco); a sua relação com o esqueleto (artéria radial); sua função (m. levantador da
escápula); critério misto (m. flexor superficial dos dedos – função e situação). Entretanto, há
nomes impróprios ou não muito lógicos que foram conservados, porque estão consagrados pelo
uso.


1.4 - POSIÇÃO ANATÔMICA
        Para evitar o uso de termos diferentes nas descrições anatômicas, considerando-se que a
posição pode ser variável, optou-se por uma posição padrão, denominada posição de descrição
anatômica (posição anatômica). Deste modo, os anatomistas, quando escrevem seus textos,
referem-se ao objeto de descrição considerando o indivíduo como se estivesse sempre na
posição padronizada. Nela o indivíduo está em posição ereta (em pé, posição ortostática ou
bípede), com a face voltada para a frente, o olhar dirigido para o horizonte, membros superiores
estendidos, aplicados ao tronco e com as palmas voltadas para frente, membros inferiores
unidos, com as pontas dos pés dirigidas para frente.


1.5 - DIVISÃO DO CORPO HUMANO
        O corpo humano divide-se em cabeça, tronco e membros.
        2.1. Cabeça
        A cabeça é dividida em duas partes: crânio e face. Uma linha imaginária passando pelo
topo das orelhas e dos olhos é o limite aproximada entre estas duas regiões. O crânio contém o
encéfalo no seu interior, na chamada cavidade craniana. As lesões crânioencefálicas são as
causas mais freqüentes de óbito nas vitimas de trauma. A face é a sede dos órgãos dos sentidos
da visão, audição, olfato e paladar. Abriga as aberturas externas do aparelho respiratório e
digestivo. As lesões da face podem ameaçar a vida devido ao sangramento e obstrução das vias
aéreas.
        2.2. Tronco
        O tronco é dividido em pescoço, tórax, abdome e pelve.
        2.2.1. Pescoço
        Contém varias estruturas importantes. É suportado pela coluna cervical que abriga no
seu interior a porção cervical da medula espinhal. As porções superiores do trato respiratório e
digestivo passam pelo pescoço em direção ao tórax e abdome. Contém também vasos
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sangüíneos calibrosos responsáveis pela irrigação da cabeça. As lesões do pescoço de maior
gravidade são as fraturas da coluna cervical com ou sem lesão medular, as lesões do trato
respiratório e as lesões de grandes vasos com hemorragia severa.
2.2.2. Tórax
        Contém no seu interior, na chamada cavidade torácica, a parte inferior do trato
respiratório (vias aéreas inferiores), os pulmões, o esôfago, o coração e os grandes vasos
sangüíneos que chegam ou saem do coração. É sustentado por uma estrutura óssea da qual
fazem parte a coluna vertebral torácica, as costelas, o esterno, as clavículas e a escápula. As
lesões do tórax são a segunda causa mais freqüente de morte nas vítimas de trauma.

1.6 - PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO
         Na posição anatômica o corpo humano pode ser delimitado por planos tangentes à sua
superfície, os quais, com suas intersecções, determinam a formação de um sólido geométrico,
um paralelepípedo.
         Tem-se assim, para as faces desse sólido, os seguintes planos correspondentes: dois
planos verticais, um tangente ao ventre – plano ventral ou anterior – e outro ao dorso – plano
dorsal ou posterior. Estes e outros a eles paralelos são também designados como planos
frontais, por serem paralelos à “fronte”; dois planos verticais tangentes aos lados do corpo –
planos laterais direito e esquerdo e, finalmente, dois planos horizontais, um tangente à cabeça –
plano cranial ou superior – e outro à planta dos pés – plano podálico – (de podos = pé) ou inferior.
         O tronco isolado é limitado, inferiormente, pelo plano horizontal que tangencia o vértice
do cóccix, ou seja, o osso que no homem é o vestígio da cauda de outros animais. Por esta
razão, este plano é denominado caudal.
         Os planos descritos são de delimitação. É possível traçar também planos de secção: o
plano que divide o corpo humano em metades direita e esquerda é denominado mediano. Toda
secção do corpo feita por planos paralelos ao mediano é uma secção sagital (corte sagital) e os
planos de secção são também chamados sagitais; os planos de secção que são paralelos aos
planos ventral e dorsal são ditos frontais e a secção é também denominada frontal (corte
frontal); os planos de secção que são paralelos aos planos cranial, podálico e caudal são
horizontais. A secção é denominada transversal.


1.7 - TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO
         A situação e a posição das estruturas anatômicas são indicadas em função dos planos de
delimitação e secção.
         Assim, duas estruturas dispostas em um plano frontal serão chamadas de medial e
lateral conforme estejam, respectivamente, mais próxima ou mais distante do plano mediano do
corpo.
         Duas estruturas localizadas em um plano sagital serão chamadas de anterior (ou ventral)
e posterior (ou dorsal) conforme estejam, respectivamente, mais próxima ou mais distante do
plano anterior.
         Para estruturas dispostas longitudinalmente, os termos são superior (ou cranial) para a
mais próxima ao plano cranial e inferior (ou caudal) para a mais distante deste plano.
         Para estruturas dispostas longitudinalmente nos membros emprega-se, comumente, os
termos proximal e distal referindo-se às estruturas respectivamente mais próxima e mais distante
da raiz do membro. Para o tubo digestivo emprega-se os termos oral e aboral, referindo-se às
estruturas respectivamente mais próxima e mais distante da boca.
         Uma terceira estrutura situada entre uma lateral e outra medial é chamada de intermédia.
Nos outros casos (terceira estrutura situada entre uma anterior e outra posterior, ou entre uma
superior e outra inferior, ou entre uma proximal e outra distal ou ainda uma oral e outra aboral)
é denominada de média.
         Estruturas situadas ao longo do plano mediano são denominadas de medianas, sendo
este um conceito absoluto, ou seja, uma estrutura mediana será sempre mediana, enquanto os
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outros termos de posição e direção são relativos, pois baseiam-se na comparação da posição de
uma estrutura em relação a posição de outra
         A anatomia é o estudo da forma e da constituição do corpo, pré-requisito indispensável
para o estudo da fisiologia dos órgãos. Seu estudo compreende tanto a evolução do indivíduo
desde a fase de zigoto até a velhice (ontogenia), como o desenvolvimento de uma estrutura no
reino                                      animal                                   (filogenia).
    A anatomia macroscópica pode ser estudada de duas formas: (1) anatomia sistemática ou
descritiva, que estuda os vários sistemas separadamente e (2) anatomia topográfica ou cirúrgica,
que estuda todas as estruturas de uma região e suas relações entre si.
 ORIGEM EMBRIOLÓGICA
   Quanto à origem, os órgãos podem ser classificados em homólogos ou análogos. Diz-se que
dois órgãos são homólogos quando possuem a mesma origem embriológica mas diferentes
funções, como, por exemplo, os membros superiores do homem e as asas dos pássaros. A
analogia, por sua vez, acontece quando dois órgãos tem funções semelhantes e diferentes
origens embriológicas, como ocorre com os pulmões humanos e as guelras dos peixes.

1.8 - MÉTODOS DE ESTUDO
 1. inspeção: analisando através da visão. A análise pode ser de órgãos externos (ectoscopia) ou
internos (endoscopia);
2. palpação: analisando através do tato é possível verificar a pulsação, os tendões musculares e
as saliências ósseas, dentre outras coisas;
3. percussão: através de batimentos digitais na superfície corporal podemos produzir sons
audíveis, que ajudam a determinar a composição de órgãos ou estruturas (gases, líquidos ou
sólidos);
4. ausculta: ouvindo determinados órgãos em funcionamento (Ex.: coração, pulmão, intestino);
5. mensuração: permite a avaliação da simetria corporal e de eventuais megalias;
6. dissecção: consiste na separação minuciosa dos diferentes órgãos para uma melhor
visualização;
7. métodos de estudo por imagem: inclui o raioX, ecografia, ressonância nuclear magnética e
tomografia computadorizada.


1.9 - VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAIS

   Existem algumas circunstâncias que determinam variações anatômicas normais e que devem
ser descritas:

1. idade: os testículos no feto estão situados na cavidade abdominal, migrando para a bolsa
escrotal e nela se localizando durante a vida adulta;
2. sexo: no homem a gordura subcutânea se deposita principalmente na região tricipital,
enquanto na mulher o depósito se dá preferencialmente na região abdominal;
3. raça: nos brancos a medula espinhal termina entre a primeira e segunda vértebra lombar,
enquanto que nos negros ela termina um pouco mais abaixo, entre a segunda e a terceira
vértebra lombar;
4. tipo morfológico constitucional: é o principal fator das diferenças morfológicas. Os principais
tipos são:
4.a- longilíneo: indivíduo alto e esguio, com pescoço, tórax e membros longos. Nessas pessoas
o estômago
geralmente é mais alongado e as vísceras dispostas mais verticalmente;
4.b- brevilíneo: indivíduo baixo com pescoço, tórax e membros curtos. Aqui as vísceras
costumam estar
dispostas mais horizontalmente;
4.c- mediolíneo: características intermediárias.
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  A identificação do tipo morfológico é importante devido às diferentes técnicas de abordagem
semiológica, avaliação das variações da normalidade e até mesmo maior incidência de doenças,
como por exemplo a hipertensão, que é sabidamente mais comum em brevilíneos.

1.10 - PLANOS ANATÔMICOS

   O corpo humano é dividido por três eixos imaginários:
1. o eixo vertical ou longitudinal, que une a cabeça aos pés, classificado como heteropolar;
2. o eixo de profundidade ou ântero-posterior, que une o ventre ao dorso, classificado como
heteropolar;
3. o eixo de largura ou transversal, que une o lado direito ao lado esquerdo, classificado como
homopolar.
   No momento em que projetamos um eixo sobre outro temos um plano. Existem quatro
planos principais:
1. o plano sagital, formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao longo do eixo
longitudinal;
2. o plano sagital mediano, formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao longo do
eixo longitudinal na linha mediana, dividindo o corpo em duas metades aparentemente
simétricas, denominadas antímeros;
3. o plano transversal ou horizontal, formado pelo deslocamento do eixo de largura ao longo do
eixo ântero-posterior. Uma série sucessiva de planos transversais divide o corpo em segmentos
denominados metâmeros;
4. o plano frontal ou coronal, formado pelo deslocamento do eixo de largura ao longo do eixo
longitudinal, dividindo o corpo em porções chamadas de paquímeros.


1.11 - TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICA
Inferior ou caudal: mais próximo dos pés;
Superior ou cranial: mais próximo da cabeça;
Anterior ou ventral: mais próximo do ventre;
Posterior ou dorsal: mais próximo do dorso;
Proximal: mais próximo do ponto de origem;
Distal: mais afastado do ponto de origem;
Medial: mais próximo do plano sagital mediano;
Lateral: mais afastado do plano sagital mediano;
Superficial: mais próximo da pele;
Profundo: mais afastado da pele;
Homolateral ou ipsilateral: do mesmo lado do corpo;
Contra-lateral: do lado oposto do corpo;
Holotopia: localização geral de um órgão no organismo. Ex.: o fígado está localizado no
abdômen;
Sintopia: relação de vizinhança. Ex.: o estômago está abaixo do diafragma, a direita do baço e a
esquerda do fígado;
Esqueletopia: relação com esqueleto. Ex.: coração atrás do esterno e da terceira, quarta e quinta
costelas;
Idiotopia: relação entre as partes de um mesmo órgão. Ex.: ventrículo esquerdo adiante e abaixo
do átrio esquerdo.
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                    2 – SISTEMAS DE SUSTENTAÇÃO


                           2.1 - SISTEMA ESQUELÉTICO




                                                                     Além de dar sustentação ao
                                                               corpo, o esqueleto protege os
                                                               órgãos internos e fornece pontos
                                                               de apoio para a fixação dos
                                                               músculos. Ele constitui-se de
                                                               peças ósseas (ao todo 208
                                                               ossos no indivíduo adulto) e
                                                               cartilaginosas articuladas, que
                                                               formam       um     sistema      de
                                                               alavancas movimentadas pelos
                                                               músculos.
                                                                     O esqueleto humano pode
                                                               ser dividido em duas partes:
                                                                     1-Esqueleto axial: formado
                                                               pela caixa craniana, coluna
                                                               vertebral caixa torácica.
                                                                     2-Esqueleto apendicular:
                                                               compreende a cintura escapular,
                                                               formada pelas escápulas e
                                                               clavículas;    cintura      pélvica,
                                                               formada pelos ossos ilíacos (da
                                                               bacia) e o esqueleto dos
                                                               membros        (superiores       ou
                                                               anteriores    e    inferiores    ou
                                                               posteriores).



Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem
evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997.


1-Esqueleto axial
1.1-Caixa craniana
     Possui os seguintes ossos importantes: frontal, parietais, temporais, occipital,
 esfenóide, nasal, lacrimais, malares ("maçãs do rosto" ou zigomático), maxilar
 superior e mandíbula (maxilar inferior).


Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed.
Moderna, 1997.
12

      Observações:
      Primeiro - no osso
 esfenóide      existe     uma
 depressão denominada de sela
 turca onde se encontra uma
 das     menores      e    mais
 importantes glândulas do corpo
 humano - a hipófise, no centro
 geométrico do crânio.
      Segundo - Fontanela ou
 moleira é o nome dado à
 região alta e mediana, da
 cabeça da criança, que facilita
 a passagem da mesma no canal do parto; após o nascimento, será substituída por
 osso.

1.2-Coluna vertebral
      É uma coluna de vértebras que apresentam cada uma um buraco, que se
 sobrepõem constituindo um canal que aloja a medula nervosa ou espinhal; é
 dividida em regiões típicas que são: coluna cervical (região do pescoço), coluna
 torácica, coluna lombar, coluna sacral, coluna cocciciana (coccix).




1.3-Caixa torácica
      É formada pela região torácica de coluna vertebral, osso esterno e costelas,
 que são em número de 12 de cada lado, sendo as 7 primeiras verdadeiras (se
 inserem diretamente no esterno), 3 falsas (se reúnem e depois se unem ao
 esterno), e 2 flutuantes (com extremidades anteriores livres, não se fixando ao
 esterno).
13

2- Esqueleto apendicular
2-1- Membros e cinturas articulares


      Cada membro superior é composto
 de braço, antebraço, pulso e mão. O
 osso do braço – úmero – articula-se no
 cotovelo com os ossos do antebraço:
 rádio e ulna. O pulso constitui-se de
 ossos pequenos e maciços, os carpos.
 A palma da mão é formada pelos
 metacarpos e os dedos, pelas
 falanges.
      Cada membro inferior compõe-se
 de coxa, perna, tornozelo e pé. O osso
 da coxa é o fêmur, o mais longo do
 corpo. No joelho, ele se articula com os
 dois ossos da perna: a tíbia e a fíbula.
 A região frontal do joelho está protegida
 por um pequeno osso circular: a rótula.
 Ossos pequenos e maciços, chamados
 tarsos, formam o tornozelo. A planta do
 pé é constituída pelos metatarsos e os
 dedos dos pés (artelhos), pelas
 falanges.
      Os membros estão unidos ao corpo mediante um sistema ósseo que toma o
 nome de cintura ou de cinta. A
 cintura superior se chama cintura
 torácica ou escapular (formada
 pela clavícula e pela escápula ou
 omoplata); a inferior se chama
 cintura pélvica, popularmente
 conhecida como bacia (constituída
 pelo sacro - osso volumoso
 resultante da fusão de cinco
 vértebras, por um par de ossos
 ilíacos e pelo cóccix, formado por
 quatro     a      seis    vértebras
 rudimentares fundidas). A primeira
 sustenta o úmero e com ele todo o
 braço; a segunda dá apoio ao
 fêmur e a toda a perna.


3 - Juntas e articulações
      Junta é o local de junção entre dois ou mais ossos. Algumas juntas, como as
 do crânio, são fixas; nelas os ossos estão firmemente unidos entre si. Em outras
 juntas, denominadas articulações, os ossos são móveis e permitem ao esqueleto
 realizar movimentos.
14

4 - Ligamentos
       Os ossos de uma articulação mantêm-se no lugar por meio dos ligamentos,
  cordões resistentes constituídos por tecido conjuntivo fibroso. Os ligamentos estão
  firmemente unidos às membranas que revestem os ossos.



5 - Classificação dos ossos
       Os ossos são classificados de acordo
  com a sua forma em:
       A - Longos: têm duas extremidades ou
  epífises; o corpo do osso é a diáfise; entre a
  diáfise e cada epífise fica a metáfise. A
  diáfise é formada por tecido ósseo compacto,
  enquanto a epífise e a metáfise, por tecido
  ósseo esponjoso. Exemplos: fêmur, úmero.


Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem
evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997, com
adaptações

       B- Curtos: têm as três extremidades
  praticamente equivalentes e são encontrados
  nas mãos e nos pés. São constituídos por
  tecido ósseo esponjoso. Exemplos: calcâneo,
  tarsos, carpos.




      C - Planos ou Chatos: são formados por duas camadas de tecido ósseo
  compacto, tendo entre elas uma camada de tecido
  ósseo esponjoso e de medula óssea Exemplos:
  esterno, ossos do crânio, ossos da bacia, escápula.


       Revestindo o osso compacto na
  diáfise, existe uma delicada membrana - o
  periósteo - responsável pelo crescimento
  em espessura do osso e também pela
  consolidação dos ossos após fraturas (calo
  ósseo). As superfícies articulares são
  revestidas por cartilagem. Entre as epífises
  e a diáfise encontra-se um disco ou placa
  de cartilagem nos ossos em crescimento,
  tal disco é chamado de disco metafisário
  (ou epifisário) e é responsável pelo crescimento longitudinal do osso. O interior dos
  ossos é preenchido pela medula óssea, que, em parte é amarela, funcionando
15

 como depósito de lipídeos, e, no restante, é vermelha e gelatinosa, constituindo o
 local de formação das células do sangue, ou seja, de hematopoiese. O tecido
 hemopoiético é popularmente conhecido por "tutano". As maiores quantidades de
 tecido hematopoético estão nos ossos da bacia e no esterno. Nos ossos longos, a
 medula óssea vermelha é encontrada principalmente nas epífises.




Diferenças entre os ossos do esqueleto masculino e feminino:




6 - TECIDOS QUE FORMAM O ESQUELETO
6.1 - O TECIDO ÓSSEO
      O tecido ósseo possui um alto grau de rigidez e resistência à pressão. Por isso,
 suas principais funções estão relacionadas à proteção e à sustentação. Também
 funciona como alavanca e apoio para os músculos, aumentando a coordenação e a
 força do movimento proporcionado pela contração do tecido muscular.
      Os ossos ainda são grandes armazenadores de substâncias, sobretudo de
 íons de cálcio e fosfato. Com o envelhecimento, o tecido adiposo também vai se
 acumulando dentro dos ossos longos, substituindo a medula vermelha que ali
 existia previamente.
      A extrema rigidez do tecido ósseo é resultado da interação entre o componente
 orgânico e o componente mineral da matriz. A nutrição das células que se localizam
 dentro da matriz é feita por canais. No tecido ósseo, destacam-se os seguintes
 tipos celulares típicos:

   •   Osteócitos: os osteócitos estão localizados em
       cavidades ou lacunas dentro da matriz óssea.
       Destas lacunas formam-se canalículos que se
       dirigem para outras lacunas, tornando assim a
       difusão de nutrientes possível graças à
       comunicação entre os osteócitos. Os osteócitos
       têm um papel fundamental na manutenção da
       integridade da matriz óssea.
16




  •   Osteoblastos: os osteoblastos sintetizam a
      parte orgânica da matriz óssea, composta por
      colágeno     tipo    I,    glicoproteínas    e
      proteoglicanas. Também concentram fosfato
      de cálcio, participando da mineralização da
      matriz. Durante a alta atividade sintética, os
      osteoblastos destacam-se por apresentar
      muita basofilia (afinidade por corantes
      básicos). Possuem sistema de comunicação
      intercelular semelhante ao existente entre os osteócitos. Os osteócitos
      inclusive originam-se de osteoblastos, quando estes são envolvidos
      completamente por matriz óssea. Então, sua síntese protéica diminui e o seu
      citoplasma torna-se menos basófilo.
  •   Osteoclastos: os osteoclastos participam dos processos de absorção e
      remodelação do tecido ósseo. São células
      gigantes e multinucleadas, extensamente
      ramificadas, derivadas de monócitos que
      atravessam os capilares sangüíneos. Nos
      osteoclastos jovens, o citoplasma apresenta uma
      leve basofilia que vai progressivamente
      diminuindo com o amadurecimento da célula, até
      que o citoplasma finalmente se torna acidófilo
      (com afinidade por corantes ácidos). Dilatações dos osteoclastos, através da
      sua ação enzimática, escavam a matriz óssea, formando depressões
      conhecidas como lacunas de Howship.



  •   Matriz óssea: a matriz óssea é composta por uma parte orgânica (já
      mencionada anteriormente) e uma parte inorgânica cuja composição é dada
      basicamente por íons fosfato e cálcio formando cristais de hidroxiapatita. A
      matriz orgânica, quando o osso se apresenta descalcificado, cora-se com os
      corantes específicos do colágeno (pois ela é composta por 95% de colágeno
      tipo I).

     A classificação baseada no critério histológico admite apenas duas variantes
de tecido ósseo: o tecido ósseo compacto ou denso e o tecido ósseo esponjoso ou
lacunar ou reticulado. Essas variedades apresentam o mesmo tipo de célula e de
substância intercelular, diferindo entre si apenas na disposição de seus elementos e
na quantidade de espaços medulares. O tecido ósseo esponjoso apresenta
espaços medulares mais amplos, sendo formado por várias trabéculas, que dão
aspecto poroso ao tecido. O tecido ósseo compacto praticamente não apresenta
espaços medulares, existindo, no entanto, além dos canalículos, um conjunto de
canais que são percorridos por nervos e vasos sangüíneos: canais de Volkmann e
canais de Havers. Por ser uma estrutura inervada e irrigada, os ossos apresentam
grande sensibilidade e capacidade de regeneração.
     Os canais de Volkmann partem da superfície do osso (interna ou externa),
possuindo uma trajetória perpendicular em relação ao eixo maior do osso. Esses
canais comunicam-se com os canais de Havers, que percorrem o osso
longitudinalmente e que podem comunicar-se por projeções laterais. Ao redor de
cada canal de Havers, pode-se observar várias lamelas concêntricas de substância
intercelular e de células ósseas. Cada conjunto deste, formado pelo canal central
17

de Havers e por lamelas concêntricas é denominado sistema de Havers ou
sistema haversiano. Os canais de Volkmann não apresentam lamelas
concêntricas.



                                      Tecido ósseo compacto




                                      Tecido ósseo esponjoso




      Os tecidos ósseos descritos são os tecidos mais abundantes dos ossos
(órgãos): externamente temos uma camada de tecido ósseo compacto e
internamente, de tecido ósseo esponjoso. Os ossos são revestidos externa e
internamente por membranas denominadas periósteo e endósteo, respectivamente.
Ambas as membranas são vascularizadas e suas células transformam-se em
osteoblastos. Portanto, são importantes na nutrição e oxigenação das células do
tecido ósseo e como fonte de osteoblastos para o crescimento dos ossos e
reparação das fraturas. Além disto, nas regiões articulares encontramos as
cartilagens fibrosas. Por ser uma estrutura inervada e irrigada, os ossos
apresentam      grande      sensibilidade    e    capacidade     de     regeneração.
No interior dos ossos está a medula óssea, que pode ser:
      vermelha: formadora de células do sangue e plaquetas (tecido reticular ou
hematopoiético): constituída por células reticulares associadas a fibras reticulares.
      amarela: constituída por tecido adiposo (não produz células do sangue).
18




      No recém-nascido, toda a medula óssea é vermelha. Já no adulto, a medula
 vermelha fica restrita aos ossos chatos do corpo (esterno, costelas, ossos do
 crânio), às vértebras e às epífises do fêmur e do úmero (ossos longos). Com o
 passar dos anos, a medula óssea vermelha presente no fêmur e no úmero
 transforma-se em amarela.

6.2 - O TECIDO CARTILAGINOSO
      O tecido cartilaginoso é uma forma especializada de tecido conjuntivo de
 consistência rígida. Desempenha a função de suporte de tecidos moles, reveste
 superfícies articulares onde absorve choques, facilita os deslizamentos e é
 essencial para a formação e crescimento dos ossos longos. A cartilagem é um tipo
 de tecido conjuntivo composto exclusivamente de células chamadas condrócitos e
 de uma matriz extracelular altamente especializada.




      É um tecido avascular, não possui vasos sanguíneos, sendo nutrido pelos
 capilares do conjuntivo envolvente (pericôndrio) ou através do líquido sinovial das
19

 cavidades articulares. Em alguns casos, vasos sanguíneos atravessam as
 cartilagens, indo nutrir outros tecidos. O tecido cartilaginoso também é desprovido
 de vasos linfáticos e de nervos. Dessa forma, a matriz extracelular serve de trajeto
 para a difusão de substâncias entre os vasos sangüíneos do tecido conjuntivo
 circundante e os condrócitos. As cavidades da matriz, ocupadas pelos condrócitos,
 são chamadas lacunas; uma lacuna pode conter um ou mais condrócitos. A matriz
 extracelular da cartilagem é sólida e firme, embora com alguma flexibilidade, sendo
 responsável pelas suas propriedades elásticas. As propriedades do tecido
 cartilaginoso, relacionadas ao seu papel fisiológico, dependem da estrutura da
 matriz, que é constituída por colágeno ou colágeno mais elastina, em associação
 com macromoléculas de proteoglicanas (proteína + glicosaminoglicanas). Como o
 colágeno e a elastina são flexíveis, a consistência firme das cartilagens se deve às
 ligações eletrostáticas entre as glicosaminoglicanas das proteoglicanas e o
 colágeno, e à grande quantidade de moléculas de água presas a estas
 glicosaminoglicanas (água de solvatação) que conferem turgidez à matriz.
       As cartilagens (exceto as articulares e as peças de cartilagem fibrosa) são
 envolvidas por uma bainha conjuntiva que recebe o nome de pericôndrio, o qual
 continua gradualmente com a cartilagem por uma face e com o conjuntivo
 adjacente pela outra. As cartilagens basicamente se dividem em três tipos distintos:
 1) cartilagem hialina; 2) fibrocartilagem ou cartilagem fibrosa; 3) cartilagem elástica.

6.2.1 - Cartilagem hialina



                                                    Distingue-se pela presença de uma
                                              matriz vítrea, homogênea e amorfa
                                              (figura ao lado). Por toda cartilagem há
                                              espaços, chamados lacunas, no interior
                                              das lacunas encontram-se condrócitos.
                                              Essas lacunas são circundadas pela
                                              matriz, a qual tem dois componentes:
                                              fibrilas    de   colágeno     e    matriz
                                              fundamental


      Essa cartilagem forma o esqueleto inicial do feto; é a precursora dos ossos que
 se desenvolverão a partir do processo de ossificação endocondral. Durante o
 desenvolvimento ósseo endocondral, a cartilagem hialina funciona como placa de
 crescimento epifisário e essa placa continua funcional enquanto o osso estiver
 crescendo em comprimento. No osso longo do adulto, a cartilagem hialina está
 presente somente na superfície articular. No adulto, também está presente como
 unidade esquelética na traquéia, nos brônquios, na laringe, no nariz e nas
 extremidades das costelas (cartilagens costais).
20




       Pericôndrio: a cartilagem hialina geralmente é circundada por um tecido
 conjuntivo firmemente aderido, chamado pericôndrio. O pericôndrio não está
 presente nos locais em que a cartilagem forma uma superfície livre, como nas
 cavidades articulares e nos locais em que ela entra em contato direto com o osso.
 Sua função não é apenas a de ser uma cápsula de cobertura; tem também a função
 de nutrição, oxigenação, além de ser fonte de novas células cartilaginosas. É rico
 em fibras de colágeno na parte mais superficial, porém, à medida que se aproxima
 da cartilagem, é mais rico em células.
       Calcificação: a calcificação consiste na deposição de fosfato de cálcio sob a
 forma de cristais de hidroxiapatita, precedida por um aumento de volume e morte
 das células. A matriz da cartilagem hialina sofre calcificação regularmente em três
 situações bem definidas: 1) a porção da cartilagem articular que está em contato
 com o osso é calcificada; 2) a calcificação sempre ocorre nas cartilagens que estão
 para ser substituídas por osso durante o período de crescimento do indivíduo; 3) a
 cartilagem hialina de todo o corpo se calcifica como parte do processo de
 envelhecimento.
       Regeneração: a cartilagem que sofre lesão regenera-se com dificuldade e,
 freqüentemente, de modo incompleto, salvo em crianças de pouca idade. No adulto,
 a regeneração se dá pela atividade do pericôndrio. Havendo fratura de uma peça
 cartilaginosa, células derivadas do pericôndrio invadem a área da fratura e dão origem a
 tecido cartilaginoso que repara a lesão. Quando a área destruída é extensa, ou mesmo,
 algumas vezes, em lesões pequenas, o pericôndrio, em vez de formar novo tecido
 cartilaginoso, forma uma cicatriz de tecido conjuntivo denso.

6.2.2 - Cartilagem elástica
       Esta é uma cartilagem na qual a matriz
 contém fibras elásticas e lâminas de material
 elástico, além das fibrilas de colágeno e da
 substância fundamental. O material elástico
 confere maior elasticidade à cartilagem, como
 a que se pode ver no pavilhão da orelha. A
 presença desse material elástico (elastina)
 confere a esse tipo de cartilagem uma cor
 amarelada, quando examinado a fresco. A
 cartilagem elástica pode estar presente
 isoladamente      ou    formar    uma     peça
 cartilaginosa junto com a cartilagem hialina. Como a cartilagem hialina, a elástica
 possui pericôndrio e cresce principalmente por aposição. A cartilagem elástica é
 menos sujeita a processos degenerativos do que a hialina. Ela pode ser encontrada
21

 no pavilhão da orelha, nas paredes do canal auditivo externo, na tuba auditiva e na
 laringe. Em todos estes locais há pericôndrio circundante. Diferentemente da
 cartilagem hialina, a cartilagem elástica não se calcifica.

6.2.3 - Fibrocartilagem ou Cartilagem fibrosa
       A cartilagem fibrosa ou fibrocartilagem é um tecido com características
 intermediárias entre o conjuntivo denso e a cartilagem hialina. É uma forma de
 cartilagem na qual a matriz contém feixes evidentes de espessas fibras colágenas.
 Na cartilagem fibrosa, as numerosas fibras colágenas constituem feixes, que
 seguem uma orientação aparentemente irregular entre os condrócitos ou um
 arranjo paralelo ao longo dos condrócitos em fileiras. Essa orientação depende das
 forças que atuam sobre a fibrocartilagem. Os feixes colágenos colocam-se
 paralelamente às trações exercidas sobre eles. Na fibrocartilagem não existe
 pericôndrio. A fibrocartilagem está caracteristicamente presente nos discos
 intervertebrais, na sínfise púbica, nos discos articulares das articulações dos
 joelhos e em certos locais onde os tendões se ligam aos ossos. Geralmente, a
 presença de fibrocartilagem indica que naquele local o tecido precisa resistir à
 compressão e ao desgaste.



6.3 - Crescimento
       A cartilagem possui dois tipos de crescimento: aposicional e intersticial.
 Crescimento aposicional é a formação de cartilagem sobre a superfície de uma
 cartilagem já existente. As células empenhadas nesse tipo de crescimento derivam
 do pericôndrio. O crescimento intersticial ocorre no interior da massa cartilaginosa.
 Isso é possível porque os condrócitos ainda são capazes de se dividir e porque a
 matriz é distensível. Embora as células-filhas ocupem temporariamente a mesma
 lacuna, separam-se quando secretam nova matriz extracelular. Quando parte desta
 última matriz é secretada, forma-se uma divisão entre as células e, neste ponto,
 cada célula ocupa sua própria lacuna. Com a continuidade da secreção da matriz,
 as células ficam ainda mais separadas entre si.
       Na cartilagem do adulto, os condrócitos freqüentemente estão situados em
 grupos compactos ou podem estar alinhados em fileiras. Esses grupos de
 condrócitos são formados como conseqüência de várias divisões sucessivas
 durante a última fase de desenvolvimento. Há pouca produção de matriz adicional e
 os condrócitos permanecem em íntima aposição. Tais grupos são chamados de
 grupos isógenos.




                        2.2 - SISTEMA ARTICULAR

       Articulação ou juntura é a conexão entre duas ou
 mais peças esqueléticas (ossos ou cartilagens). Essas
 uniões não só colocam as peças do esqueleto em contato,
 como também permitem que o crescimento ósseo ocorra e
 que certas partes do esqueleto mudem de forma durante o
 parto. Além disto, capacitam que partes do corpo se
 movimentem em resposta a contração muscular.
       Embora apresentem consideráveis variações entre
 elas, as articulações possuem certos aspectos estruturais e funcionais em comum
 que permitem classificá-las em três grandes grupos: fibrosas, cartilaginosas e
22

 sinoviais. O critério para esta divisão é o da natureza do elemento que se interpõe
 às peças que se articulam.

2.1 - CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES

      a- Quanto a duração;

      b- Quanto a maneira de fixação aos ossos;

      c- Quanto a natureza do tecido interposto;

      d- Quanto ao número de eixos.

      e- Quanto ao número de ossos.

     2.1.A - QUANTO A DURAÇÃO
     -Temporárias
     (Ex. Linha epifisiária)
     -Permanentes
     (Ex. Articulação do ombro

     2.1.B - QUANTO A MANEIRA DE FIXAÇÃO AOS OSSOS
     -Continuidade
     (Ex. Disco intervertebral)
     -Contigüidade
     (Ex. Articulação do cotovelo)

     2.1.C - QUANTO A NATUREZA DO TECIDO INTERPOSTO
     - Fibrosas (IMÓVEIS)
     - Cartilaginosas ou cartilagíneas (SEMI-MÓVEIS)
     - Sinoviais (MÓVEIS)

       Articulações fibrosas (móveis)
       As articulações nas quais o elemento que se interpõe às peças que se
 articulam é o tecido conjuntivo fibroso são ditas fibrosas (ou sinartroses). O grau de
 mobilidade delas, sempre pequeno, depende do comprimento das fibras
 interpostas. Existem três tipos de articulações fibrosas: sutura, sindesmose e
 gonfose.
        As suturas, que são encontradas somente entre os ossos do
 crânio, são formadas por várias camadas fibrosas, sendo a união
 suficientemente íntima de modo a limitar intensamente os
 movimentos, embora confiram uma certa elasticidade ao crânio.
 A maneira pela qual as bordas dos ossos articulados entram em
 contato é variável, reconhecendo-se suturas planas (união linear
 retilínea ou aproximadamente retilínea), suturas escamosas
 (união em bisel) e suturas serreadas (união em linha “denteada”).
 No crânio, a articulação entre os ossos nasais é uma sutura
 plana; entre os parietais, sutura denteada; entre o parietal e o
 temporal, escamosa.
23

       No crânio do feto e recém-nascido, onde a ossificação ainda é incompleta, a
quantidade de tecido conjuntivo fibroso interposto é muito maior, explicando a
grande separação entre os ossos e uma maior mobilidade. Estas áreas fibrosas são
denominadas fontículos (ou fontanelas). São elas que permitem, no momento do
parto, uma redução bastante apreciável do volume da cabeça fetal pela
sobreposição dos ossos do crânio. Esta redução de volume facilita a expulsão do
feto para o meio exterior.
       Na idade avançada pode ocorrer ossificação do tecido interposto (sinostose),
fazendo com que as suturas, pouco a pouco, desapareçam e, com elas, a
elasticidade do crânio.
       Nas sindesmoses os ossos estão unidos por uma faixa de tecido fibroso,
relativamente longa, formando ou um ligamento interósseo ou uma membrana
interóssea, nos casos, respectivamente de menor ou maior comprimento das fibras,
o que condiciona um menor ou maior grau de movimentação. Exemplos típicos são
a sindesmose tíbio-fibular e a membrana interóssea radio-ulnar.
       Gonfose é a articulação específica entre os dentes e seus receptáculos, os
alvéolos dentários. O tecido fibroso do ligamento periodontal segura firmemente o
dente no seu alvéolo. A presença de movimentos nesta articulação significa uma
condição patológica.
      CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS (semi-móveis)
      SINCONDROSE
      SÍNFISE
       - Cartilagem Hialina
       - Fribro-cartilagem
      Nas articulações cartilaginosas o tecido que se interpõe é a cartilagem.
Quando se trata de cartilagem hialina, temos as sincondroses; nas sínfises a
cartilagem é fibrosa. Em ambas a mobilidade é reduzida. As sincondroses são raras
e o exemplo mais típico é a sincondrose esfeno-occipital que pode ser visualizada
na base do crânio. Exemplo de sínfise é a união, no plano mediano, entre as
porções púbicas dos ossos do quadril, constituindo a sínfise púbica. Também as
articulações que se fazem entre os corpos das vértebras podem ser consideradas
como sínfise, uma vez que se interpõe entre eles um disco de fibrocartilagem - o
disco intervertebral.
      Articulações sinoviais
      CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES SINOVIAIS
       PLANA
       GÍNGLIMO
       TROCÓIDE
       CONDILAR
       SELAR
       ESFERÓIDE
       A mobilidade exige livre deslizamento de uma superfície óssea contra outra e
isto é impossível quando entre elas interpõe-se um meio de ligação, seja fibroso ou
cartilagíneo. Para que haja o grau desejável de movimento, em muitas articulações,
o elemento que se interpõe às peças que se articulam é um líquido denominado
sinóvia, ou líquido sinovial.
       Além da presença deste líquido, as articulações sinoviais possuem três outras
características básicas: cartilagem articular, cápsula articular e cavidade articular.
      a cartilagem articular é a cartilagem do tipo hialino que reveste as superfícies
em contato numa determinada articulação (superfícies articulares), ou seja, a
cartilagem articular é a porção do osso que não foi invadida pela ossificação. Em
virtude deste revestimento as superfícies articulares se apresentam lisas, polidas e
24

de cor esbranquiçada. A cartilagem articular é avascular e não possui também
inervação. Sua nutrição, portanto, principalmente nas áreas mais centrais, é
precária, o que torna a regeneração, em caso de lesões, mais difícil e lenta.
     a cápsula articular é uma membrana conjuntiva que envolve a articulação
sinovial como um manguito. Apresenta-se com duas camadas: a membrana fibrosa
(externa) e a membrana sinovial (interna). A primeira é mais resistente e pode estar
reforçada, em alguns pontos, por ligamentos , destinados a aumentar sua
resistência. Em muitas articulações sinoviais, todavia, existem ligamentos
independentes da cápsula articular e em algumas, como na do joelho, aparecem
também ligamentos intra-articulares.
     cavidade articular é o espaço existente entre as superfícies articulares, estando
preenchido pelo líquido sinovial
       Ligamentos e cápsula articular têm por finalidade manter a união entre os
ossos, mas além disto, impedem o movimento em planos indesejáveis e limitam a
amplitude dos movimentos considerados normais.
       A membrana sinovial é a mais interna das camadas da cápsula articular. É
abundantemente vascularizada e inervada, sendo encarregada da produção da
sinóvia (líquido sinovial), o qual tem consistência similar a clara do ovo e tem por
funções lubrificar e nutrir as cartilagens articulares. O volume de líquido sinovial
presente em uma articulação é mínimo, somente o suficiente para revestir
delgadamente as superfícies articulares e localiza-se na cavidade articular.
       Além destas características, que são comuns a todas articulações sinoviais,
em várias delas encontram-se formações fibrocartilagíneas, interpostas às
superfícies articulares, os discos e meniscos, de função discutida: serviriam à
melhor adaptação das superfícies que se articulam (tornando-as congruentes) ou
seriam estruturas destinadas a receber violentas pressões, agindo como
amortecedores. Meniscos, com sua característica forma de meia lua, são
encontrados na articulação do joelho. Discos são encontrados nas articulações
esternoclavicular e temporomandibular.
     movimentos das articulações sinoviais
       As articulações fibrosas e cartilagíneas tem um mínimo grau de mobilidade.
Assim, a verdadeira mobilidade articular é dada pelas articulações sinoviais. Estes
movimentos ocorrem, obrigatoriamente, em torno de um eixo, denominado eixo de
movimento. A direção destes eixos é ântero-posterior, látero-lateral e longitudinal.
Na análise do movimento realizado, a determinação do eixo de movimento é feita
obedecendo a regra, segundo a qual, a direção do eixo de movimento é sempre
perpendicular ao plano no qual se realiza o movimento em questão. Assim, todo
movimento é realizado em um plano determinado e o seu eixo de movimento é
perpendicular àquele plano. Os movimentos executados pelos segmentos do corpo
recebem nomes específicos e aqui serão definidos, a seguir, apenas os mais
comuns:
     flexão e extensão são movimentos angulares, ou seja, neles ocorre uma
diminuição ou um aumento do ângulo existente entre o segmento que se desloca e
aquele que permanece fixo. Quando ocorre a diminuição do ângulo diz-se que há
flexão; quando ocorre o aumento, realizou-se a extensão, exceto para o pé. Neste
caso, não se usa a expressão extensão do pé: os movimentos são definidos como
flexão dorsal e flexão plantar do pé. Os movimentos angulares de flexão e extensão
ocorrem em plano sagital e, seguindo a regra, o eixo desses movimentos é látero-
lateral.
     adução e abdução que são movimentos nos quais o segmento é deslocado,
respectivamente, em direção ao plano mediano ou em direção oposta, isto é,
afastando-se dele. Para os dedos prevalece o plano mediano do membro. Os
25

movimentos da adução e abdução desenvolvem-se em plano frontal e seu eixo de
movimento é ântero-posterior.
     rotação que é o movimento em que o segmento gira em torno de um eixo
longitudinal (vertical). Assim, nos membros, pode-se reconhecer uma rotação
medial, quando a face anterior do membro gira em direção ao plano mediano do
corpo, e uma rotação lateral, no movimento oposto. A rotação é feita em plano
horizontal e o eixo de movimento, perpendicular a este plano é vertical.
     circundução, é o resultado do movimento combinatório que inclui a adução,
extensão, abdução, flexão e rotação. Neste tipo de movimento, a extremidade distal
do segmento descreve um círculo e o corpo do segmento, um cone, cujo vértice é
representado pela articulação que se movimenta.

     2.1.D - CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE EIXOS
      -NÃO AXIAL
              - Planas (deslizamento)
      -UNI-AXIAL
              - Gínglimo (flexão/extensão) (EIXO TRANSVERSAL)
              - Trocóide (rotação medila/lateral) (EIXO LONGITUDINAL)
      - BI-AXIAL
              - Condilar (flexão/extensão; adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSAL
e SAGITAL).
              - Selar (flexão/extensão; adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSAL e
SAGITAL).
      -TRI-AXIAL
              - Esferóide (Circundução) (TODOS OS EIXOS) (FLEXÃO/EXTENSÃO;
ADUÇÃO/ABDUÇÃO; ROTAÇÃO MEDILA/LATERAL)
      O movimento nas articulações depende, essencialmente, da forma das
superfícies que entram em contato e dos meios de união que podem limitá-lo. Na
dependência destes fatores as articulações podem realizar movimentos em torno
de um, dois ou três eixos. Este é o critério adotado para classificá-las
funcionalmente. Quando uma articulação realiza movimentos apenas em torno de
um eixo, diz-se que é mono-axial ou que possui um só grau de liberdade; será bi-
axial a que os realiza em torno de dois eixos (dois graus de liberdade); e tri-axial se
eles forem realizados em torno de três eixos (três graus de liberdade). Assim, as
articulações que só permitem a flexão e extensão, como a do cotovelo, são uni-
axiais; aquelas que realizam extensão, flexão, adução e abdução, como a radio-
cárpica (articulação do punho), são bi-axiais; finalmente, as que além de flexão,
extensão, abdução e adução, permitem também a rotação, são ditas tri-axiais, cujos
exemplos típicos são as articulações do ombro e do quadril.
     Classificação morfológica das articulações sinoviais
      O critério de base para a classificação morfológica das articulações sinoviais
é a forma das superfícies articulares. Contudo, às vezes é difícil fazer esta
correlação. Além disto, existem divergências entre anatomistas quanto não só a
classificação de determinadas articulações, mas também quanto à denominação
dos tipos. De acordo com a nomenclatura anatômica, os tipos morfológicos de
articulações sinoviais são:
     plana, na qual as superfícies articulares são planas ou ligeiramente curvas,
permitindo deslizamento de uma superfície sobre a outra em qualquer direção. A
articulação acromioclavicular (entre o acrômio da escápula e a clavícula) é um
exemplo. Deslizamento existe em todas as articulações sinoviais mas nas
articulações planas ele é discreto, fazendo com que a amplitude do movimento seja
bastante reduzida. Entretanto, deve-se ressaltar que pequenos deslizamentos entre
26

vários ossos articulados permitem apreciável variedade e amplitude de movimento.
É isto que ocorre, por exemplo, nas articulações entre os ossos curtos do carpo, do
tarso e entre os corpos das vértebras.
     gínglimo, ou dobradiça, sendo que os nomes referem-se muito mais ao
movimento (flexão e extensão) que elas realizam do que à forma das superfícies
articulares. A articulação do cotovelo é um bom exemplo de gínglimo e a simples
observação mostra como a superfície articular do úmero, que entra em contato com
a ulna, apresenta-se em forma de carretel. Todavia, as articulações entre as
falanges também são do tipo gínglimo e nelas a forma das superfícies articulares
não se assemelha a um carretel. Este é um caso concreto em que o critério
morfológico não foi rigorosamente obedecido. Realizando apenas flexão e
extensão, as articulações sinoviais do tipo gínglimo são mono-axiais.
     trocóide, na qual, as superfícies articulares são segmentos de cilindro e, por
esta razão, cilindróides talvez fosse um termo mais apropriado para designá-las.
Estas articulações permitem rotação e seu eixo de movimento, único, é vertical: são
mono-axiais. Um exemplo típico é a articulação radio-ulnar proximal (entre o rádio e
a ulna) responsável pelos movimentos de pronação e supinação do antebraço. Na
pronação ocorre uma rotação medial do rádio e, na supinação, rotação lateral. Na
posição de descrição anatômica o antebraço está em supinação.
     condilar, cujas superfícies articulares são de forma elíptica e elipsóide seria
talvez um termo mais adequado. Estas articulações permitem flexão, extensão,
abdução e adução, mas não a rotação. Possuem dois eixos de movimento, sendo
portanto bi-axiais. A articulação radio-cárpica (ou do punho) é um exemplo. Outros
são a articulação temporomandibular e as articulações metacarpofalângicas.
     selar, na qual a superfície articular de uma peça esquelética tem a forma de
sela, apresentando concavidade num sentido e convexidade em outro, e se encaixa
numa segunda peça onde convexidade e concavidade apresentam-se no sentido
inverso da primeira. A articulação carpo-metacárpica do polegar é exemplo típico. É
interessante notar que esta articulação permite flexão, extensão, abdução, adução
e rotação (conseqüentemente, também circundução) mas é classificada como bi-
axial. O fato é justificado porque a rotação isolada não pode ser realizada
ativamente pelo polegar sendo só possível com a combinação dos outros
movimentos.
     esferóide, que apresenta superfícies articulares que são segmentos de esferas
e se encaixam em receptáculos ocos. O suporte de uma caneta de mesa, que pode
ser movimentado em qualquer direção, é um exemplo não anatômico de uma
articulação esferóide. Este tipo de articulação permite movimentos em torno de três
eixos, sendo portanto, tri-axial. Assim, a articulação do ombro (entre o úmero e a
escápula) e a do quadril (entre o osso do quadril e o fêmur) permitem movimentos
de flexão, extensão, adução, abdução, rotação e circundução.

    2.1.E – CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE ELEMENTOS
ARTICULADOS (OSSOS)
     - SIMPLES
             2 ossos
     - COMPOSTA (ou complexa)
             3 ou mais ossosComplexidade de organização
     Quando apenas dois ossos entram em contato numa articulação sinovial diz-
se que ela é simples (por exemplo, a articulação do ombro); quando três ou mais
ossos participam da articulação ela é denominada composta (a articulação do
cotovelo envolve três ossos: úmero, ulna e rádio).
    Inervação
27

       As articulações sinoviais são muito inervadas. Os nervos são derivados dos
que suprem a pele adjacente ou os músculos que movem as articulações. As
terminações nervosas sensíveis a dor são numerosas na membrana fibrosa da
cápsula e nos ligamentos e são sensíveis ao estiramento e à torção destas
estruturas. Contudo, o principal tipo de sensibilidade é a propriocepção. Das
terminações proprioceptoras da cápsula – fusos neurotendinosos – partem
impulsos que interpretados no sistema nervoso central informam sobre a posição
relativa dos ossos da articulação, do grau e direção de movimento. As vezes, essas
informações são inconscientes, e atuam em nível de medula espinhal para controle
dos músculos que agem sobre a articulação.


                    2.3 - SISTEMA MUSCULAR


    O tecido muscular é de origem mesodérmica, sendo caracterizado pela
propriedade de contração e distensão de suas células, o que determina a
movimentação dos membros e das vísceras. Há basicamente três tipos de tecido
muscular: liso, estriado esquelético e estriado cardíaco.



                            Músculo liso: o músculo involuntário localiza-se na
                       pele, órgãos internos, aparelho reprodutor, grandes vasos
                       sangüíneos e aparelho excretor. O estímulo para a
                       contração dos músculos lisos é mediado pelo sistema
                       nervoso vegetativo.




                           Músculo estriado esquelético: é inervado pelo sistema
                       nervoso central e, como este se encontra em parte sob
                       controle consciente, chama-se músculo voluntário. As
                       contrações do músculo esquelético permitem os
                       movimentos dos diversos ossos e cartilagens do esqueleto.




                            Músculo cardíaco: este tipo de tecido muscular forma
                       a maior parte do coração dos vertebrados. O músculo
                       cardíaco carece de controle voluntário. É inervado pelo
                       sistema nervoso vegetati
28



Estriado esquelético                    Estriado cardíaco                 Liso




                                                                           Miócitos            alongados,
Miócitos longos, multinucleados         Miócitos estriados com um ou dois mononucleados e sem estrias
(núcleos periféricos).                  núcleos centrais.                  transversais.
Miofilamentos organizam-se em           Células alongadas, irregularmente Contração involuntária e lenta.
estrias longitudinais e transversais.   ramificadas, que se unem por
Contração rápida e voluntária           estruturas     especiais:   discos
                                        intercalares.
                                        Contração involuntária, vigorosa e
                                        rítmica.


2.3.1 - Musculatura Esquelética
     O sistema muscular esquelético constitui a maior parte da musculatura do
 corpo, formando o que se chama popularmente de carne. Essa musculatura
 recobre totalmente o esqueleto e está presa aos ossos, sendo responsável pela
 movimentação corporal.
29

      Os músculos esqueléticos estão revestidos por uma lâmina delgada de tecido
conjuntivo, o perimísio, que manda septos para o interior do músculo, septos dos
quais se derivam divisões sempre mais delgadas. O músculo fica assim dividido em
feixes (primários, secundários, terciários). O revestimento dos feixes menores
(primários), chamado endomísio, manda para o interior do músculo membranas
delgadíssimas que envolvem cada uma das fibras musculares. A fibra muscular é
uma célula cilíndrica ou prismática, longa, de 3 a 12 centímetros; o seu diâmetro é
infinitamente menor, variando de 20 a 100 mícrons (milésimos de milímetro), tendo
um aspecto de filamento fusiforme. No seu interior notam-se muitos núcleos, de
modo que se tem a idéia de ser a fibra constituída por várias células que perderam
os seus limites, fundindo-se umas com as outras. Dessa forma, podemos dizer que
um músculo esquelético é um pacote formado por longas fibras, que percorrem o
músculo de ponta a ponta.
      No citoplasma da fibra muscular esquelética há muitas miofibrilas contráteis,
constituídas por filamentos compostos por dois tipos principais de proteínas – a
actina e a miosina. Filamentos de actina e miosina dispostos regularmente
                                   originam um padrão bem definido de estrias
                                   (faixas) transversais alternadas, claras e escuras.
                                   Essa estrutura existe somente nas fibras que
                                   constituem os músculos esqueléticos, os quais
                                   são por isso chamados músculos estriados.
                                        Em torno do conjunto de miofibrilas de uma
                                   fibra muscular esquelética situa-se o retículo
                                   sarcoplasmático (retículo endoplasmático liso),
                                   especializado no armazenamento de íons cálcio.




     As miofibrilas são constituídas por unidades que se repetem ao longo de seu
comprimento, denominadas sarcômeros. A distribuição dos filamentos de actina e
miosina varia ao longo do sarcômero. As faixas mais extremas e mais claras do
sarcômero, chamadas banda I, contêm apenas filamentos de actina. Dentro da
banda I existe uma linha que se cora mais intensamente, denominada linha Z, que
corresponde a várias uniões entre dois filamentos de actina. A faixa central, mais
escura, é chamada banda A, cujas extremidades são formadas por filamentos de
actina e miosina sobrepostos. Dentro da banda A existe uma região mediana mais
clara – a banda H – que contém apenas miosina. Um sarcômero compreende o
segmento entre duas linhas Z consecutivas e é a unidade contrátil da fibra
muscular, pois é a menor porção da fibra muscular com capacidade de contração e
distensão.
30




                                               1- Bandas escuras (anisotrópicas –
                                           banda A).
                                               2- Faixas claras (isotrópicas –
                                           banda I, com linha Z central).
                                               3- Núcleos periféricos.




2.3.2 - Contração

      Ocorre pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina c
  sarcômero diminui devido à aproximação das duas linhas Z, e a zona H chega a
 desaparecer.




      A contração do músculo esquelético é voluntária e ocorre pelo deslizamento
 dos filamentos de actina sobre os de miosina. Nas pontas dos filamentos de
 miosina existem pequenas projeções, capazes de formar ligações com certos sítios
 dos filamentos de actina, quando o músculo é estimulado. Essas projeções de
 miosina puxam os filamentos de actina, forçando-os a deslizar sobre os filamentos
 de miosina. Isso leva ao encurtamento das miofibrilas e à contração muscular.
 Durante a contração muscular, o sarcômero diminui devido à aproximação das duas
 linhas Z, e a zona H chega a desaparecer.


     Constatou-se, através de microscopia eletrônica, que o sarcolema (membrana
 plasmática) da fibra muscular sofre invaginações, formando túbulos anastomosados
 que envolvem cada conjunto de miofibrilas. Essa rede foi denominada sistema T,
 pois as invaginações são perpendiculares as miofibrilas. Esse sistema é
31

 responsável pela contração uniforme de cada fibra muscular estriada esquelética,
 não ocorrendo nas fibras lisas e sendo reduzido nas fibras cardíacas.

2.3.3 - A química da contração muscular
     O estímulo para a contração muscular é geralmente um impulso nervoso, que
 chega à fibra muscular através de um nervo. O impulso nervoso propaga-se pela
 membrana das fibras musculares (sarcolema) e atinge o retículo sarcoplasmático,
 fazendo com que o cálcio ali armazenado seja liberado no hialoplasma. Ao entrar
 em contato com as miofibrilas, o cálcio desbloqueia os sítios de ligação da actina e
 permite que esta se ligue à miosina, iniciando a contração muscular. Assim que
 cessa o estímulo, o cálcio é imediatamente rebombeado para o interior do retículo
 sarcoplasmático, o que faz cessar a contração.




      A energia para a contração muscular é suprida por moléculas de ATP
 produzidas durante a respiração celular. O ATP atua tanto na ligação da miosina à
 actina quanto em sua separação, que ocorre durante o relaxamento muscular.
 Quando falta ATP, a miosina mantém-se unida à actina, causando enrijecimento
 muscular. É o que acontece após a morte, produzindo-se o estado de rigidez
 cadavérica (rigor mortis).
      A quantidade de ATP presente na célula muscular é suficiente para suprir
 apenas alguns segundos de atividade muscular intensa. A principal reserva de
 energia nas células musculares é uma substância denominada fosfato de creatina
 (fosfocreatina ou creatina-fosfato). Dessa forma, podemos resumir que a energia
 é inicialmente fornecida pela respiração celular é armazenada como fosfocreatina
 (principalmente) e na forma de ATP. Quando a fibra muscular necessita de energia
 para manter a contração, grupos fosfatos ricos em energia são transferidos da
 fosfocreatina para o ADP, que se transforma em ATP. Quando o trabalho muscular
 é intenso, as células musculares repõem seus estoques de ATP e de fosfocreatina
 pela intensificação da respiração celular. Para isso utilizam o glicogênio
 armazenado no citoplasma das fibras musculares como combustível.




      Uma teoria simplificada admite que, ao receber um estímulo nervoso, a fibra
 muscular mostra, em seqüência, os seguintes eventos:
      1. O retículo sarcoplasmático e o sistema T liberam íons Ca++ e Mg++ para
 o citoplasma.
      2. Em presença desses dois íons, a miosina adquire uma propriedade ATP
 ásica, isto é, desdobra o ATP, liberando a energia de um radical fosfato:
32

     3. A energia liberada provoca o deslizamento da actina entre os filamentos de
 miosina, caracterizando o encurtamento das miofibrilas.

2.3.4 - Musculatura Lisa
      A estriação não existe nos músculos viscerais, que se chamam, portanto,
 músculos lisos. Os músculos viscerais são também constituídos de fibras
 fusiformes, mas muito mais curtas do que as fibras musculares esqueléticas: têm,
 na verdade, um tamanho que varia de 30 a 450 mícrons. Têm, além disso, um só
 núcleo e não são comandados pela vontade, ou seja, sua contração é involuntária,
 além de lenta. As fibras lisas recebem, também, vasos e nervos sensitivos e
 motores provenientes do sistema nervoso autônomo.




      Embora a contração do músculo liso também seja regulada pela concentração
 intracelular de íons cálcio, a resposta da célula é diferente da dos músculos
 estriados. Quando há uma excitação da membrana, os íons cálcio armazenados no
 retículo sarcoplasmático são então liberados para o citoplasma e se ligam a uma
 proteína, a calmodulina. Esse complexo ativa uma enzima que fosforila a miosina e
 permite que ela se ligue à actina. A actina e a miosina interagem então
 praticamente da mesma forma que nos músculos estriados, resultando então na
 contração muscular.

2.3.5 - Musculatura Cardíaca
      O tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). Apesar
 de apresentar estrias transversais, suas fibras contraem-se independentemente da
 nossa vontade, de forma rápida e rítmica, características estas, intermediárias entre
 os dois outros tipos de tecido muscular
      As fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se em
 feixes bem compactos, dando a impressão, ao microscópio óptico comum, de que
 não há limite entre as fibras. Entretanto, ao microscópio eletrônico podemos notar
 que suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranas
 celulares, formando os chamados discos intercalares, típicos da musculatura
 cardíaca.
33




     A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no
  músculo estriado esquelético , com algumas diferenças :

     •    os túbulos T são mais largos que os do músculo esquelético;
     •    retículo sarcoplasmático menor;
     •    as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íons
          cálcio mais limitada;
     •    tanto o cálcio intracelular quanto o extracelular estão envolvidos na contração
          cardíaca: o influxo de cálcio externo age como desencadeador da liberação do
          cálcio armazenado na luz do retículo sarcoplasmático, provocando a contração
          ao atingir as miofibrilas e levando ao relaxamento ao serem bombeados de
          volta para o retículo.

Características            Lisa                      Estriada Esquelética            Estriada Cardíaca

                                                                                     Filamentar           ramificada
Forma                      Fusiforme                 Filamentar
                                                                                     (anastomosada)

                           Diâmetro:          7mm
Tamanho (valores médios)                          30mm centímetros                   15mm 100mm
                           Comprimento: 100mm

Estrias transversais       Não há                    Há                              Há

Núcleo                     1 central                 Muitos periféricos (sincício)   1 central

Discos intercalares        Não há                    Não há                          Há

Contração                  Lenta, involuntária       Rápida, voluntária              Rápida, voluntária

                                                     Formam       pacotes   bem
                           Formam            camadas                             Formam as paredes               do
Apresentação                                         definidos,    os   músculos
                           envolvendo órgãos                                     coração (miocárdio)
                                                     esqueléticos


2.3.6 - Musculatura Cardíaca
       O tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). Apesar
  de apresentar estrias transversais, suas fibras contraem-se independentemente da
  nossa vontade, de forma rápida e rítmica, características estas, intermediárias entre
  os dois outros tipos de tecido muscular
       As fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se em
  feixes bem compactos, dando a impressão, ao microscópio óptico comum, de que
  não há limite entre as fibras. Entretanto, ao microscópio eletrônico podemos notar
  que suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranas
  celulares, formando os chamados discos intercalares, típicos da musculatura
  cardíaca.
34




    A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no
 músculo estriado esquelético , com algumas diferenças :

   •   os túbulos T são mais largos que os do músculo esquelético;
   •   retículo sarcoplasmático menor;
   •   as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íons
       cálcio mais limitada;
   •   tanto o cálcio intracelular quanto o extracelular estão envolvidos na contração
       cardíaca: o influxo de cálcio externo age como desencadeador da liberação do
       cálcio armazenado na luz do retículo sarcoplasmático, provocando a contração
       ao atingir as miofibrilas e levando ao relaxamento ao serem bombeados de
       volta para o retículo.

2.3.7 - Característica do Tecido Muscular


        O Tecido Muscular possui quatro características principais que são importantes na
compreensão de suas funções:
   Excitabilidade – capacidade do tecido muscular de receber e responder a estímulos;
   Contratilidade - capacidade de encurta-se e espessar;
   Extensibilidade – capacidade do tecido de distender-se;
   Elasticidade – capacidade do tecido de voltar a sua forma após uma contração ou
extensão.

1.3.8 – TIPOS DE MÚSCULOS
35




2.3.9 - ORIGEM E INSERÇÃO


           Origem (ponto fixo) é a extremidade do músculo que fica presa à peça óssea que não
se desloca. Inserção (ponto móvel) é a extremidade do músculo presa à peça óssea que se
desloca.
Nos membros, geralmente a origem de um músculo é proximal e a inserção distal. Porém
existem situações em que o músculo pode alterar seus pontos de origem e inserção. Exemplo:
quando um atleta eleva seu corpo numa barra, é o braço que se flete sobre o antebraço e a
peça óssea em deslocamento é o úmero. Considerando –se a ação do músculo braquial, agora
sua extremidade ulnar será a origem       e a extremidade umeral será a inserção, quando
normalmente o músculo braquial prende-se na face anterior do úmero e da ulna atravessando
a articulação do cotovelo, ao contrair-se executa a flexão do antebraço e consideramos sua
extremidade umeral como origem e sua extremidade ulnar como inserção.
   Origem: quando os músculos se originam por mais de um tendão, diz-se que apresentam
mais de uma cabeça de origem. São então classificados como músculos bíceps, tríceps ou
quadríceps, conforme apresentam 2, 3 ou 4 cabeças de origem. Exemplos clássicos
encontramos na musculatura dos membros e a nomenclatura acompanha a classificação.
Exemplo: músculo bíceps braquial, músculo tríceps da perna, músculo quadríceps da coxa.


   Inserção: do mesmo modo os músculos podem inserir-se por mais de um tendão. Quando
há dois tendões são bicaudados, quando possuem três ou mais policaudados. Exemplo:
músculo flexor longo dos dedos do pé, músculos flexores e extensores dos dedos da mão.




 Ação: dependendo da ação principal resultante da contração do músculo ele pode ser
  classificado como flexor, extensor, adutor, abdutor, rotador medial, rotador lateral,
                 pronador, supinador, flexor plantar flexor dorsal etc.
36

2.3.10 - Ação Muscular


         A analise do movimento é extremamente complexa, normalmente a ação envolve a
ação de vários músculos e a ação em conjunto desses músculos damos o nome de
coordenação motora. Estudamos os grupamentos musculares normalmente de acordo com a
sua distribuição e respectivas funções: os músculos da região Ântero-medial do antebraço são
flexores da mão ou dos dedos e pronadores, ao passo que os da região póstero-lateral são
extensores da mão ou dos dedos e supinadores. No movimento voluntário há um grande
numero de ações musculares que são automáticas e semi-automáticas. Exemplo: os músculos
acionados para manter a estabilidade quando nos abaixamos para pegarmos algum objeto, o
movimento principal e dos dedos da mão só que para que o objeto seja pego é necessário que
vários outros músculos sejam solicitados a fim de realizar a função.
        Quando o músculo é o principal na execução de um movimento ele é chamado de
agonista e quando ele se opõe ao trabalho muscular de agonista (seja para regular a rapidez
ou a potencia de ação deste agonista) é chamado de antagonista, porém quando o músculo
trabalha a fim de eliminar algum movimento indesejado que poderia ser produzido pelo
agonista ele passa a se chamar sinergista. Exemplo: o músculo braquial quando se contrai é o
agente ativo na flexão do antebraço sendo um agonista. Quando o músculo tríceps braquial se
contrai para fazer a extensão do antebraço, o músculo braquial se opõe a este movimento
retardando-o para que ele não execute bruscamente atuando como antagonista. Na flexão dos
dedos, os músculos flexores dos dedos são os agonistas, como os tendões de inserção destes
músculos cruzam a articulação do punho, a tendência natural é provocar também a flexão da
mão, tal fato não ocorre porque outros músculos, como os extensores do carpo, se contraem e
desta forma estabilizam a articulação do punho, impedindo assim aquele movimento
indesejado sendo o sinergista.




                              3 - SISTEMA NERVOSO


       O sistema nervoso, juntamente com o sistema endócrino, capacitam o organismo a
 perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir as modificações que essas
 variações produzem e a executar as respostas adequadas para que seja mantido o
 equilíbrio interno do corpo (homeostase). São os sistemas envolvidos na coordenação e
 regulação das funções corporais.
       No sistema nervoso diferenciam-se duas linhagens celulares: os neurônios e as células
 da glia (ou da neuróglia). Os neurônios são as células responsáveis pela recepção e
 transmissão dos estímulos do meio (interno e externo), possibilitando ao organismo a
 execução de respostas adequadas para a manutenção da homeostase. Para exercerem tais
 funções, contam com duas propriedades fundamentais: a irritabilidade (também
 denominada excitabilidade ou responsividade) e a condutibilidade. Irritabilidade é a
 capacidade que permite a uma célula responder a estímulos, sejam eles internos ou
 externos. Portanto, irritabilidade não é uma resposta, mas a propriedade que torna a célula
 apta a responder. Essa propriedade é inerente aos vários tipos celulares do organismo. No
 entanto, as respostas emitidas pelos tipos celulares distintos também diferem umas das
37

outras. A resposta emitida pelos neurônios assemelha-se a uma corrente elétrica
transmitida ao longo de um fio condutor: uma vez excitados pelos estímulos, os neurônios
transmitem essa onda de excitação - chamada de impulso nervoso - por toda a sua
extensão em grande velocidade e em um curto espaço de tempo. Esse fenômeno deve-se à
propriedade de condutibilidade.
      Para compreendermos melhor as funções de coordenação e regulação exercidas pelo
sistema nervoso, precisamos primeiro conhecer a estrutura básica de um neurônio e como a
mensagem nervosa é transmitida.
      Um neurônio é uma célula composta de um corpo celular (onde está o núcleo, o
citoplasma e o citoesqueleto), e de finos prolongamentos celulares denominados neuritos,
que podem ser subdivididos em dendritos e axônios.




      Os dendritos são prolongamentos geralmente muito ramificados e que atuam como
receptores de estímulos, funcionando portanto, como "antenas" para o neurônio. Os axônios
são prolongamentos longos que atuam como condutores dos impulsos nervosos. Os
axônios podem se ramificar e essas ramificações são chamadas de colaterais. Todos os
axônios têm um início (cone de implantação), um meio (o axônio propriamente dito) e um
fim (terminal axonal ou botão terminal). O terminal axonal é o local onde o axônio entra em
contato com outros neurônios e/ou outras células e passa a informação (impulso nervoso)
para eles. A região de passagem do impulso nervoso de um neurônio para a célula
adjacente chama-se sinapse. Às vezes os axônios têm muitas ramificações em suas regiões
terminais e cada ramificação forma uma sinapse com outros dendritos ou corpos celulares.
Estas ramificações são chamadas coletivamente de arborização terminal.
      Os corpos celulares dos neurônios são geralmente encontrados em áreas restritas do
sistema nervoso, que formam o Sistema Nervoso Central (SNC), ou nos gânglios nervosos,
localizados próximo da coluna vertebral.
      Do sistema nervoso central partem os prolongamentos dos neurônios, formando feixes
chamados nervos, que constituem o Sistema Nervoso Periférico (SNP).
      O axônio está envolvido por um dos tipos celulares seguintes: célula de Schwann
(encontrada apenas no SNP) ou oligodendrócito (encontrado apenas no SNC) Em muitos
axônios, esses tipos celulares determinam a formação da bainha de mielina - invólucro
principalmente lipídico (também possui como constituinte a chamada proteína básica da
mielina) que atua como isolante térmico e facilita a transmissão do impulso nervoso. Em
axônios mielinizados existem regiões de descontinuidade da bainha de mielina, que
acarretam a existência de uma constrição (estrangulamento) denominada nódulo de
Ranvier. No caso dos axônios mielinizados envolvidos pelas células de Schwann, a parte
celular da bainha de mielina, onde estão o citoplasma e o núcleo desta célula, constitui o
chamado neurilema.
38

O impulso nervoso



                                                     A membrana plasmática do neurônio
                                               transporta alguns íons ativamente, do líquido
                                               extracelular para o interior da fibra, e outros, do
                                               interior, de volta ao líquido extracelular. Assim
                                               funciona a bomba de sódio e potássio, que
                                               bombeia ativamente o sódio para fora, enquanto o
                                               potássio     é    bombeado      ativamente     para
                                               dentro.Porém esse bombeamento não é eqüitativo:
                                               para cada três íons sódio bombeados para o
                                               líquido extracelular, apenas dois íons potássio são
                                               bombeados para o líquido intracelular.




Imagem: www.octopus.furg.br/ensino/anima/atpase/NaKATPase.html

      Somando-se a esse fato, em repouso a membrana da célula nervosa é praticamente
 impermeável ao sódio, impedindo que esse íon se mova a favor de seu gradiente de
 concentração (de fora para dentro); porém, é muito permeável ao potássio, que, favorecido
 pelo gradiente de concentração e pela permeabilidade da membrana, se difunde livremente
 para o meio extracelular.

                                                                               Em repouso: canais
                                                                         de     sódio   fechados.
                                                                         Membrana               é
                                                                         praticamente
                                                                         impermeável ao sódio,
                                                                         impedindo sua difusão a
                                                                         favor do gradiente de
                                                                         concentração.
                                                                               Sódio é bombeado
                                                                         ativamente para fora
39

Imagem: www.epub.org.br/cm/n10/fundamentos/animation.html                       pela bomba de sódio e
                                                                                potássio.
       Como a saída de sódio não é acompanhada pela entrada de potássio na mesma
 proporção, estabelece-se uma diferença de cargas elétricas entre os meios intra e
 extracelular: há déficit de cargas positivas dentro da célula e as faces da membrana
 mantêm-se eletricamente carregadas.
       O potencial eletronegativo criado no interior da fibra nervosa devido à bomba de sódio
 e potássio é chamado potencial de repouso da membrana, ficando o exterior da membrana
 positivo e o interior negativo. Dizemos, então, que a membrana está polarizada.       Ao ser
 estimulada, uma pequena região da membrana torna-se permeável ao sódio (abertura dos
 canais de sódio). Como a concentração desse íon é maior fora do que dentro da célula, o
 sódio atravessa a membrana no sentido do interior da célula. A entrada de sódio é
 acompanhada pela pequena saída de potássio. Esta inversão vai sendo transmitida ao
 longo do axônio, e todo esse processo é denominado onda de despolarização. Os impulsos
 nervosos ou potenciais de ação são causados pela despolarização da membrana além de
 um limiar (nível crítico de despolarização que deve ser alcançado para disparar o potencial
 de ação). Os potenciais de ação assemelham-se em tamanho e duração e não diminuem à
 medida em que são conduzidos ao longo do axônio, ou seja, são de tamanho e duração
 fixos. A aplicação de uma despolarização crescente a um neurônio não tem qualquer efeito
 até que se cruze o limiar e, então, surja o potencial de ação. Por esta razão, diz-se que os
 potenciais de ação obedecem à "lei do tudo ou nada".




                 Imagem: geocities.yahoo.com.br/jcc5001pt/museuelectrofisiologia.htm#impulsos
       Imediatamente após a onda de despolarização ter-se propagado ao longo da fibra
 nervosa, o interior da fibra torna-se carregado positivamente, porque um grande número de
 íons sódio se difundiu para o interior. Essa positividade determina a parada do fluxo de íons
 sódio para o interior da fibra, fazendo com que a membrana se torne novamente
 impermeável a esses íons. Por outro lado, a membrana torna-se ainda mais permeável ao
 potássio, que migra para o meio interno. Devido à alta concentração desse íon no interior,
 muitos íons se difundem, então, para o lado de fora. Isso cria novamente eletronegatividade
 no interior da membrana e positividade no exterior – processo chamado repolarização, pelo
 qual se reestabelece a polaridade normal da membrana. A repolarização normalmente se
 inicia no mesmo ponto onde se originou a despolarização, propagando-se ao longo da fibra.
 Após a repolarização, a bomba de sódio bombeia novamente os íons sódio para o exterior
 da membrana, criando um déficit extra de cargas positivas no interior da membrana, que se
 torna temporariamente mais negativo do que o normal. A eletronegatividade excessiva no
 interior atrai íons potássio de volta para o interior (por difusão e por transporte ativo). Assim,
 o processo traz as diferenças iônicas de volta aos seus níveis originais.
40




     Para transferir informação de um
ponto para outro no sistema nervoso, é
necessário que o potencial de ação, uma
vez gerado, seja conduzido ao longo do
axônio. Um potencial de ação iniciado
em uma extremidade de um axônio
apenas se propaga em uma direção, não
retornando pelo caminho já percorrido.
Conseqüentemente, os potenciais de
ação são unidirecionais - ao que
chamamos condução ortodrômica.
Uma vez que a membrana axonal é
excitável ao longo de toda sua extensão,
o potencial de ação se propagará sem
decaimento. A velocidade com a qual o
potencial de ação se propaga ao longo
do axônio depende de quão longe a
despolarização é projetada à frente do
potencial de ação, o que, por sua vez,
depende de certas características físicas
do axônio: a velocidade de condução do
potencial de ação aumenta com o
diâmetro axonal. Axônios com menor
diâmetro necessitam de uma maior
despolarização para alcançar o limiar do
potencial de ação. Nesses de axônios,
presença de bainha de mielina acelera a
velocidade da condução do impulso
41

 nervoso. Nas regiões dos nódulos de Ranvier, a onda de despolarização "salta" diretamente
 de um nódulo para outro, não acontecendo em toda a extensão da região mielinizada (a
 mielina é isolante). Fala-se em condução saltatória e com isso há um considerável aumento
 da velocidade do impulso nervoso.
       O percurso do impulso nervoso no neurônio é sempre no sentido dendrito corpo
 celular    axônio.
      O SNC recebe, analisa e integra informações. É o local onde ocorre a tomada de
 decisões e o envio de ordens. O SNP carrega informações dos órgãos sensoriais para o
 sistema nervoso central e do sistema nervoso central para os órgãos efetores (músculos e
 glândulas).



      3.1 - DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO:




3.1.1 - O Sistema Nervoso Central


      O SNC divide-se em encéfalo e medula. O encéfalo corresponde ao telencéfalo
 (hemisférios cerebrais), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), cerebelo, e tronco cefálico, que se
 divide em: BULBO, situado caudalmente; MESENCÉFALO, situado cranialmente; e PONTE,
 situada entre ambos.
42

      No SNC, existem as chamadas substâncias cinzenta e branca. A substância
 cinzenta é formada pelos corpos dos neurônios e a branca, por seus prolongamentos. Com
 exceção do bulbo e da medula, a substância cinzenta ocorre mais externamente e a
 substância branca, mais internamente.
      Os órgãos do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas (caixa craniana,
 protegendo o encéfalo; e coluna vertebral, protegendo a medula - também denominada
 raque) e por membranas denominadas meninges, situadas sob a proteção esquelética:
 dura-máter (a externa), aracnóide (a do meio) e pia-máter (a interna). Entre as meninges
 aracnóide e pia-máter há um espaço preenchido por um líquido denominado líquido
 cefalorraquidiano ou líquor.




3.1.1.1 - O TELENCÉFALO
      O encéfalo humano contém cerca de 35 bilhões de neurônios e pesa
 aproximadamente 1,4 kg. O telencéfalo ou cérebro é dividido em dois hemisférios cerebrais
 bastante desenvolvidos. Nestes, situam-se as sedes da memória e dos nervos sensitivos e
 motores. Entre os hemisférios, estão os VENTRÍCULOS CEREBRAIS (ventrículos laterais e
 terceiro ventrículo); contamos ainda com um quarto ventrículo, localizado mais abaixo, ao
 nível do tronco encefálico. São reservatórios do LÍQUIDO CÉFALO-RAQUIDIANO,
 (LÍQÜOR), participando na nutrição, proteção e excreção do sistema nervoso.
      Em seu desenvolvimento, o córtex ganha diversos sulcos para permitir que o cérebro
 esteja suficientemente compacto para caber na calota craniana, que não acompanha o seu
 crescimento. Por isso, no cérebro adulto, apenas 1/3 de sua superfície fica "exposta", o
 restante permanece por entre os sulcos.
43




    O córtex cerebral está dividido em mais de quarenta áreas funcionalmente distintas,
sendo a maioria pertencente ao chamado neocórtex.




    Cada uma das áreas do córtex cerebral controla uma atividade específica.
           1.      hipocampo: região do córtex que está dobrada sobre si e possui
      apenas três camadas celulares; localiza-se medialmente ao ventrículo lateral.
           2.      córtex olfativo: localizado ventral e lateralmente ao hipocampo;
      apresenta duas ou três camadas celulares.
44

             3.       neocórtex: córtex mais complexo; separa-se
        do córtex olfativo mediante um sulco chamado fissura rinal;
        apresenta muitas camadas celulares e várias áreas
        sensoriais e motoras. As áreas motoras estão intimamente
        envolvidas com o controle do movimento voluntário.




                                                                       Imagem:McCRONE, JOHN.
                                                                       Como o cérebro funciona.
                                                                       Série Mais Ciência. São
                                                                       Paulo, Publifolha, 2002.




                                                                             A         região
                                                                        superficial        do
                                                                        telencéfalo,     que
acomoda bilhões de corpos celulares de neurônios (substância cinzenta), constitui o córtex
cerebral, formado a partir da fusão das partes superficiais telencefálicas e diencefálicas. O
córtex recobre um grande centro medular branco, formado por fibras axonais (substância
branca). Em meio a este centro branco (nas profundezas do telencéfalo), há agrupamentos
de corpos celulares neuronais que formam os núcleos (gânglios) da base ou núcleos
(gânglios) basais - CAUDATO, PUTAMEN, GLOBO PÁLIDO e NÚCLEO SUBTALÂMICO,
envolvidos em conjunto, no controle do movimento. Parece que os gânglios da base
participam também de um grande número de circuitos paralelos, sendo apenas alguns
poucos de função motora. Outros circuitos estão envolvidos em certos aspectos da memória
e da função cognitiva.
45

Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto
Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002.




      Algumas das funções mais específicas dos gânglios basais relacionadas aos
 movimentos são:
              1.        núcleo caudato: controla
         movimentos intencionais grosseiros do
         corpo (isso ocorre a nível sub-
         consciente e consciente) e auxilia no
         controle global dos movimentos do
         corpo.
              2.        putamen: funciona em
         conjunto com o núcleo caudato no
         controle de movimentos intensionais
         grosseiros.     Ambos        os     núcleos
         funcionam em associação com o córtex
         motor, para controlar diversos padrões
         de movimento.
              3.        globo pálido: provavelmente controla a posição das principais partes
         do corpo, quando uma pessoa inicia um movimento complexo, Isto é, se uma
         pessoa deseja executar uma função precisa com uma de suas mãos, deve primeiro
         colocar seu corpo numa posição apropriada e, então, contrair a musculatura do
         braço. Acredita-se que essas funções sejam iniciadas, principalmente, pelo globo
         pálido.
              4.        núcleo subtalâmico e áreas associadas: controlam possivelmente os
         movimentos da marcha e talvez outros tipos de motilidade grosseira do corpo.
      Evidências indicam que a via motora direta funciona para facilitar a iniciação de
 movimentos voluntários por meio dos gânglios da base. Essa via origina-se com uma
 conexão excitatória do córtex para as células do putamen. Estas células estabelecem
 sinapses inibitórias em neurônios do globo pálido, que, por sua vez, faz conexões inibitórias
 com células do tálamo (núcleo ventrolateral - VL). A conexão do tálamo com a área motora
 do córtex é excitatória. Ela facilita o disparo de células relacionadas a movimentos na área
 motora do córtex. Portanto, a conseqüência funcional da ativação cortical do putâmen é a
 excitação da área motora do córtex pelo núcleo ventrolateral do tálamo.
46

Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto
Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002.



3.1.1.2 - O DIENCÉFALO (tálamo e hipotálamo)


       Todas as mensagens sensoriais, com exceção das provenientes dos receptores do
 olfato, passam pelo tálamo antes de atingir o córtex cerebral. Esta é uma região de
 substância cinzenta localizada entre o tronco encefálico e o cérebro. O tálamo atua como
 estação retransmissora de impulsos nervosos para o córtex cerebral. Ele é responsável pela
 condução dos impulsos às regiões apropriadas do cérebro onde eles devem ser
 processados. O tálamo também está relacionado com alterações no comportamento
 emocional; que decorre, não só da própria atividade, mas também de conexões com outras
 estruturas do sistema límbico (que regula as emoções).




       O      hipotálamo,       também
 constituído por substância cinzenta, é
 o principal centro integrador das
 atividades dos órgãos viscerais,
 sendo um dos principais responsáveis
 pela homeostase corporal. Ele faz
 ligação entre o sistema nervoso e o
 sistema endócrino, atuando na
 ativação de diversas glândulas
 endócrinas. É o hipotálamo que
 controla a temperatura corporal,
 regula o apetite e o balanço de água
 no corpo, o sono e está envolvido na
 emoção e no comportamento sexual.
 Tem amplas conexões com as demais
 áreas do prosencéfalo e com o
 mesencéfalo.      Aceita-se   que    o
 hipotálamo desempenha, ainda, um
 papel nas emoções. Especificamente,
 as partes laterais parecem envolvidas
 com o prazer e a raiva, enquanto que
 a porção mediana parece mais ligada
 à aversão, ao desprazer e à tendência
 ao riso (gargalhada) incontrolável. De
 um      modo    geral,    contudo,   a
 participação do hipotálamo é menor
 na gênese (“criação”) do que na
 expressão               (manifestações
 sintomáticas)       dos        estados
 emocionais.
47




3.1.1.3 - O TRONCO ENCEFÁLICO
       O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo, situando-se
 ventralmente ao cerebelo. Possui três funções gerais; (1) recebe informações sensitivas de
 estruturas cranianas e controla os músculos da cabeça; (2) contém circuitos nervosos que
 transmitem informações da medula espinhal até outras regiões encefálicas e, em direção
 contrária, do encéfalo para a medula espinhal (lado esquerdo do cérebro controla os
 movimentos do lado direito do corpo; lado direito de cérebro controla os movimentos do lado
 esquerdo do corpo); (3) regula a atenção, função esta que é mediada pela formação
 reticular (agregação mais ou menos difusa de neurônios de tamanhos e tipos diferentes,
 separados por uma rede de fibras nervosas que ocupa a parte central do tronco encefálico).
 Além destas 3 funções gerais, as várias divisões do tronco encefálico desempenham
 funções motoras e sensitivas específicas.




       Na constituição do tronco encefálico entram corpos de neurônios que se agrupam em
 núcleos e fibras nervosas, que, por sua vez, se agrupam em feixes denominados tractos,
 fascículos ou lemniscos. Estes elementos da estrutura interna do tronco encefálico podem
 estar relacionados com relevos ou depressões de sua superfície. Muitos dos núcleos do
 tronco encefálico recebem ou emitem fibras nervosas que entram na constituição dos
 nervos cranianos. Dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem conexão no tronco
 encefálico.
48




                  Imagem: ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. Artmed Editora.




3.1.1.4 - O CEREBELO
       Situado      atrás     do
 cérebro está o cerebelo,
 que é primariamente um
 centro para o controle dos
 movimentos iniciados pelo
 córtex      motor      (possui
 extensivas conexões com o
 cérebro     e     a    medula
 espinhal). Como o cérebro,
 também está dividido em
 dois hemisférios. Porém, ao
 contrário dos hemisférios
 cerebrais, o lado esquerdo
 do        cerebelo         está
 relacionado       com        os
 movimentos         do      lado
 esquerdo       do        corpo,
 enquanto o lado direito, com
 os movimentos do lado
 direito do corpo.
       O cerebelo recebe
 informações      do      córtex
 motor e dos gânglios basais
 de todos os estímulos
 enviados aos músculos. A
49

 partir das informações do córtex motor sobre os movimentos musculares que pretende
 executar e de informações proprioceptivas que recebe diretamente do corpo (articulações,
 músculos, áreas de pressão do corpo, aparelho vestibular e olhos), avalia o movimento
 realmente executado. Após a comparação entre desempenho e aquilo que se teve em vista
 realizar, estímulos corretivos são enviados de volta ao córtex para que o desempenho real
 seja igual ao pretendido. Dessa forma, o cerebelo relaciona-se com os ajustes dos
 movimentos, equilíbrio, postura e tônus muscular.

Algumas estruturas do encéfalo e suas funções




Córtex Cerebral
        Funções:


    •      Pensamento
    •      Movimento voluntário
    •      Linguagem
    •      Julgamento
    •      Percepção




                                         A palavra córtex vem do latim para "casca". Isto porque o córtex é a
                                  camada mais externa do cérebro. A espessura do córtex cerebral varia de 2 a 6
                                  mm. O lado esquerdo e direito do córtex cerebral são ligados por um feixe grosso
                                  de fibras nervosas chamado de corpo caloso. Os lobos são as principais divisões
                                  físicas do córtex cerebral. O lobo frontal é responsável pelo planejamento
                                  consciente e pelo controle motor. O lobo temporal tem centros importantes de
                                  memória e audição. O lobo parietal lida com os sentidos corporal e espacial. o
                                  lobo occipital direciona a visão.




Cerebelo
        Funções:


    •      Movimento
    •      Equilíbrio
    •      Postura
    •      Tônus muscular




                                         A palavra cerebelo vem do latim para "pequeno cérebro”. O cerebelo fica
                                  localizado ao lado do tronco encefálico. É parecido com o córtex cerebral em
                                  alguns aspectos: o cerebelo é dividido em hemisférios e tem um córtex que
                                  recobre estes hemisférios.
50


                                                                                                               O
                                                                                                        Tronco
Tronco Encefálico                                                                                 Encefálico é
                                                                                                  uma área do
         Funções:                                                                                     encéfalo
                                                                                                  que       fica
                                                                                                  entre        o
    •     Respiração                                                                              tálamo e a
    •     Ritmo dos batimentos cardíacos                                                                medula
    •     Pressão Arterial                                                                            espinhal.
                                                                                                        Possui
                                                                                                         várias
Mesencéfalo                                                                                          estruturas
                                                                                                  como         o
         Funções:                                                                                 bulbo,       o
                                                                                                    mesencéfal
    •     Visão                                                                                   o e a ponte.
                                                                                                      Algumas
    •     Audição                                                                                       destas
    •     Movimento dos Olhos                                                                     áreas     são
    •     Movimento do corpo                                                                       responsávei
                                                                                                  s       pelas
                                                                                                       funções
                                                                                                       básicas
                                                                                                  para         a
                                                                                                   manutenção
                                           da vida como a respiração, o batimento cardíaco e a pressão
                                           arterial.
                                                  Bulbo: recebe informações de vários órgãos do corpo,
                                           controlando as funções autônomas (a chamada vida vegetativa):
                                           batimento cardíaco, respiração, pressão do sangue, reflexos de
                                           salivação, tosse, espirro e o ato de engolir.
                                                  Ponte: Participa de algumas atividades do bulbo, interferindo
                                           no controle da respiração, além de ser um centro de transmissão de
                                           impulsos para o cerebelo. Serve ainda de passagem para as fibras
                                           nervosas que ligam o cérebro à medula.

                                                                                O tálamo recebe informações
                                                                        sensoriais do corpo e as passa para o
                                                                        córtex cerebral. O córtex cerebral envia
                                                                        informações motoras para o tálamo
Tálamo
                                                                        que posteriormente são distribuídas
         Funções:                                                       pelo corpo. Participa, juntamente com
                                                                        o tronco encefálico, do sistema
                                                                        reticular, que é encarregado de “filtrar”
    •     Integração Sensorial                                          mensagens que se dirigem às partes
    •     Integração Motora                                             conscientes do cérebro.
51




Sistema Límbico
        Funções:


    •    Comportamento
         Emocional
    •    Memória
    •    Aprendizado
    •    Emoções
    •    Vida vegetativa
         (digestão,
         circulação,
         excreção etc.)




                                 O Sistema Límbico é um grupo de estruturas que inclui hipotálamo, tálamo,
                           amígdala, hipocampo, os corpos mamilares e o giro do cíngulo. Todas estas áreas são
                           muito importantes para a emoção e reações emocionais. O hipocampo também é
                           importante para a memória e o aprendizado.




3.1.1.5 - A Medula Espinhal

      Nossa medula espinhal tem a forma de um cordão com aproximadamente 40 cm de
 comprimento. Ocupa o canal vertebral, desde a região do atlas - primeira vértebra - até o
 nível da segunda vértebra lombar. A medula funciona como centro nervoso de atos
 involuntários e, também, como veículo condutor de impulsos nervosos.
      Da medula partem 31 pares de nervos raquidianos que se ramificam. Por meio dessa
 rede de nervos, a medula se conecta com as várias partes do corpo, recebendo mensagens
 e vários pontos e enviando-as para o cérebro e recebendo mensagens do cérebro e
 transmitindo-as para as várias partes do corpo. A medula possui dois sistemas de
 neurônios: o sistema descendente controla funções motoras dos músculos, regula funções
 como pressão e temperatura e transporta sinais originados no cérebro até seu destino; o
 sistema ascendente transporta sinais sensoriais das extremidades do corpo até a medula e
 de lá para o cérebro.
52

      Os corpos celulares dos neurônios se concentram no cerne da medula – na massa
 cinzenta. Os axônios ascendentes e descendentes, na área adjacente – a massa branca. As
 duas regiões também abrigam células da Glia. Dessa forma, na medula espinhal a massa
 cinzenta localiza-se internamente e a massa branca, externamente (o contrário do que se
 observa no encéfalo).




       Durante uma fratura ou deslocamento da coluna, as vértebras que normalmente
 protegem a medula podem matar ou danificar as células. Teoricamente, se o dano for
 confinado à massa cinzenta, os distúrbios musculares e sensoriais poderão estar apenas
 nos tecidos que recebem e mandam sinais aos neurônios “residentes” no nível da fratura.
 Por exemplo, se a massa cinzenta do segmento da medula onde os nervos rotulados C8 for
 lesada, o paciente só sofrerá paralisia das mãos, sem perder a capacidade de andar ou o
 controle sobre as funções intestinais e urinárias. Nesse caso, os axônios levando sinais
 para “cima e para baixo” através da área branca adjacente continuariam trabalhando. Em
 comparação, se a área branca for lesada, o trânsito dos sinais será interrompido até o ponto
 da fratura.
       Infelizmente, a lesão original é só o começo. Os danos mecânicos promovem
 rompimento de pequenos vasos sangüíneos, impedindo a entrega de oxigênio e nutrientes
 para as células não afetadas diretamente, que acabam morrendo; as células lesadas
 extravasam componentes citoplasmáticos e tóxicos, que afetam células vizinhas, antes
 intactas; células do sistema imunológico iniciam um quadro inflamatório no local da lesão;
 células da Glia proliferam criando grumos e uma espécie de cicatriz, que impedem os
 axônios lesados de crescerem e reconectarem.
       O vírus da poliomielite causa lesões na raiz ventral dos nervos espinhais, o que leva à
 paralisia e atrofia dos músculos.




3.1.2 - O Sistema Nervoso Periférico
      O sistema nervoso periférico é formado por nervos encarregados de fazer as ligações
 entre o sistema nervoso central e o corpo. NERVO é a reunião de várias fibras nervosas,
 que podem ser formadas de axônios ou de dendritos.
      As fibras nervosas,
 formadas             pelos
 prolongamentos        dos
 neurônios (dendritos ou
 axônios)       e     seus
 envoltórios, organizam-se
 em feixes. Cada feixe
 forma um nervo. Cada
53

fibra nervosa é envolvida por uma camada conjuntiva denominada endoneuro. Cada feixe é
envolvido por uma bainha conjuntiva denominada perineuro. Vários feixes agrupados
paralelamente formam um nervo. O nervo também é envolvido por uma bainha de tecido
conjuntivo chamada epineuro. Em nosso corpo existe um número muito grande de nervos.
Seu conjunto forma a rede nervosa.
      Os nervos que levam informações da periferia do corpo para o SNC são os nervos
sensoriais (nervos aferentes ou nervos sensitivos), que são formados por
prolongamentos de neurônios sensoriais (centrípetos). Aqueles que transmitem impulsos do
SNC para os músculos ou glândulas são nervos motores ou eferentes, feixe de axônios
de neurônios motores (centrífugos).
      Existem ainda os nervos mistos, formados por axônios de neurônios sensoriais e por
neurônios motores.




     Quando partem do
encéfalo, os nervos são
chamados             de
cranianos;       quando
partem     da    medula
espinhal denominam-se
raquidianos.
     Do        encéfalo
partem doze pares de
nervos cranianos. Três
deles são exclusivamente sensoriais, cinco são motores e os quatro restantes são mistos.



     Nervo craniano                    Função

     I-OLFATÓRIO          sensitiva    Percepção do olfato.

     II-ÓPTICO            sensitiva    Percepção visual.

                                       Controle da movimentação do globo ocular, da pupila e
     III-OCULOMOTOR       motora
                                       do cristalino.

     IV-TROCLEAR          motora       Controle da movimentação do globo ocular.

                                       Controle dos movimentos da mastigação (ramo motor);
     V-TRIGÊMEO           mista        Percepções sensoriais da face, seios da face e dentes
                                       (ramo sensorial).

     VI-ABDUCENTE         motora       Controle da movimentação do globo ocular.

                                       Controle dos músculos faciais – mímica facial (ramo
                                       motor);
     VII-FACIAL           mista
                                       Percepção gustativa no terço anterior da língua (ramo
                                       sensorial).

                                       Percepção postural originária do         labirinto   (ramo
     VIII-VESTÍBULO-                   vestibular);
                          sensitiva
     COCLEAR
                                       Percepção auditiva (ramo coclear).

                                       Percepção gustativa no terço posterior da língua,
     IX-GLOSSOFARÍNGEO mista
                                       percepções sensoriais da faringe, laringe e palato.

                                       Percepções sensoriais da orelha, faringe, laringe, tórax e
     X-VAGO               mista
                                       vísceras. Inervação das vísceras torácicas e abdominais.

                                       Controle motor da faringe, laringe, palato, dos músculos
     XI-ACESSÓRIO         motora
                                       esternoclidomastóideo e trapézio.

     XII-HIPOGLOSSO       motora       Controle dos músculos da faringe, da laringe e da língua.
54

Os 31 pares de nervos raquidianos que saem da medula relacionam-se com os músculos esqueléticos.
                                                                Eles se formam a partir de duas
                                                                raízes que saem lateralmente da
                                                                medula: a raiz posterior ou dorsal,
que                                                             é sensitiva, e a raiz anterior ou
                                                                ventral, que é motora. Essas raízes
se                                                              unem logo após saírem da
                                                                medula. Desse modo, os nervos
                                                                raquidianos são todos mistos. Os
                                                                corpos dos neurônios que formam
as                                                              fibras sensitivas dos nervos
                                                                sensitivos situam-se próximo à
                                                                medula,     porém     fora    dela,
                                                                reunindo-se      em      estruturas
                                                                especiais chamadas gânglios
                                                                espinhais. Os corpos celulares
dos                                                             neurônios que formam as fibras
                                                                motoras localizam-se na medula.
De                                                              acordo com as regiões da coluna
                                                                vertebral, os 31 pares de nervos
                                                                raquidianos distribuem-se da
                                                                seguinte forma:

                                                                      •    oito pares de nervos
                                                                           cervicais;
                                                                      •    doze pares de nervos
                                                                           dorsais;
                                                                      •    cinco pares de nervos
                                                                           lombares;
                                                                      •    seis pares de nervos
                                                                           sagrados ou sacrais.




     O conjunto de nervos cranianos e raquidianos forma o sistema nervoso periférico.
     Com base na sua estrutura e função, o sistema nervoso periférico pode ainda
 subdividir-se em duas partes: o sistema nervoso somático e o sistema nervoso
 autônomo ou de vida vegetativa.
55

      As ações voluntárias resultam da contração de músculos estriados esqueléticos, que
 estão sob o controle do sistema nervoso periférico voluntário ou somático. Já as ações
 involuntárias resultam da contração das musculaturas lisa e cardíaca, controladas pelo
 sistema nervoso periférico autônomo, também chamado involuntário ou visceral.

3.1.2.1 - SNP Voluntário ou Somático

      O SNP Voluntário ou Somático tem por função reagir a estímulos provenientes do
 ambiente externo. Ele é constituído por fibras motoras que conduzem impulsos do sistema
 nervoso central aos músculos esqueléticos. O corpo celular de uma fibra motora do SNP
 voluntário fica localizado dentro do SNC e o axônio vai diretamente do encéfalo ou da
 medula até o órgão que inerva.

3.1.2.2 - SNP Autônomo ou Visceral

       O SNP Autônomo ou Visceral, como o próprio nome diz, funciona independentemente
 de nossa vontade e tem por função regular o ambiente interno do corpo, controlando a
 atividade dos sistemas digestório, cardiovascular, excretor e endócrino. Ele contém fibras
 nervosas que conduzem impulsos do sistema nervoso central aos músculos lisos das
 vísceras e à musculatura do coração. Um nervo motor do SNP autônomo difere de um
 nervo motor do SNP voluntário pelo fato de conter dois tipos de neurônios, um neurônio pré-
 ganglionar e outro pós-ganglionar. O corpo celular do neurônio pré-ganglionar fica
 localizado dentro do SNC e seu axônio vai até um gânglio, onde o impulso nervoso é
 transmitido sinapticamente ao neurônio pós-ganglionar. O corpo celular do neurônio pós-
 ganglionar fica no interior do gânglio nervoso e seu axônio conduz o estímulo nervoso até o
 órgão efetuador, que pode ser um músculo liso ou cardíaco.

       O sistema nervoso autônomo compõe-se de três partes:

   •    Dois ramos nervosos situados ao lado da coluna vertebral. Esses ramos são formados
        por pequenas dilatações denominadas gânglios, num total de 23 pares.
   •    Um conjunto de nervos que liga os gânglios nervosos aos diversos órgãos de nutrição,
        como o estômago, o coração e os pulmões.
   •    Um conjunto de nervos comunicantes que ligam os gânglios aos nervos raquidianos,
        fazendo com que os sistema autônomo não seja totalmente independente do sistema
        nervoso cefalorraquidiano.
56

                          Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.


       O sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e sistema
 nervoso parassimpático. De modo geral, esses dois sistemas têm funções contrárias
 (antagônicas). Um corrige os excessos do outro. Por exemplo, se o sistema simpático
 acelera demasiadamente as batidas do coração, o sistema parassimpático entra em ação,
 diminuindo o ritmo cardíaco. Se o sistema simpático acelera o trabalho do estômago e dos
 intestinos, o parassimpático entra em ação para diminuir as contrações desses órgãos.

3.1.2.2.1 – Sistema Nervoso Autônomo Simpático

      O SNP autônomo simpático, de modo geral, estimula ações que mobilizam energia,
 permitindo ao organismo responder a situações de estresse. Por exemplo, o sistema
 simpático é responsável pela aceleração dos batimentos cardíacos, pelo aumento da
 pressão arterial, da concentração de açúcar no sangue e pela ativação do metabolismo
 geral do corpo.
3.1.2.2.2 – SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO PARASSIMPÁTICO

       Já o SNP autônomo parassimpático estimula principalmente atividades relaxantes,
 como as reduções do ritmo cardíaco e da pressão arterial, entre outras.
       Uma das principais diferenças entre os nervos simpáticos e parassimpáticos é que as
 fibras pós-ganglionares dos dois sistemas normalmente secretam diferentes hormônios. O
 hormônio secretado pelos neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso parassimpático
 é a acetilcolina, razão pela qual esses neurônios são chamados colinérgicos.
       Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretam
 principalmente noradrenalina, razão por que a maioria deles é chamada neurônios
 adrenérgicos. As fibras adrenérgicas ligam o sistema nervoso central à glândula supra-
 renal, promovendo aumento da secreção de adrenalina, hormônio que produz a resposta de
 "luta ou fuga" em situações de stress.
       A acetilcolina e a noradrenalina têm a capacidade de excitar alguns órgãos e inibir
 outros, de maneira antagônica.

    Órgão                            Efeito    da        estimulação    Efeito     da        estimulação
                                     simpática                          parassimpática

    Olho: pupila                     Dilatada                           Contraída
    Músculo ciliar                   nenhum                             Excitado


    Glândulas gastrointestinais      vasoconstrição                     Estimulação de secreção


    Glândulas sudoríparas            sudação                            Nenhum


    Coração: músculo (miocárdio)     Atividade aumentada                Diminuição da atividade
    Coronárias                       Vasodilatação                      Constrição
    Vasos             sanguíneos     Constrição                         Nenhum
    sistêmicos:                      Dilatação                          Nenhum
    Abdominal                        Constrição ou dilatação            Nenhum
    Músculo
    Pele
    Pulmões: brônquios               Dilatação                          Constrição
    Vasos sangüíneos                 Constrição moderada                Nenhum
    Tubo digestivo: luz              Diminuição do tônus       e   da   Aumento       do  tônus   e   do
    Esfíncteres                      peristalse                         peristaltismo
                                     Aumento do tônus                   Diminuição do tônus
    Fígado                           Liberação de glicose               Nenhum
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   Rim                         Diminuição da produção de urina   Nenhum


   Bexiga: corpo               Inibição                          Excitação
   Esfíncter                   Excitação                         Inibição
   Ato sexual masculino        Ejaculação                        Ereção


   Glicose sangüínea           Aumento                           Nenhum


   Metabolismo basal           Aumento em até 50%                Nenhum


   Atividade mental            Aumento                           Nenhum


   Secreção da medula supra-   Aumento                           Nenhum
   renal (adrenalina)




      Em geral, quando os centros simpáticos cerebrais se tornam excitados, estimulam,
simultaneamente, quase todos os nervos simpáticos, preparando o corpo para a atividade.
      Além do mecanismo da descarga em massa do sistema simpático, algumas condições
fisiológicas podem estimular partes localizadas desse sistema. Duas das condições são as
seguintes:

  •   Reflexos calóricos: o calor aplicado à pele determina um reflexo que passa através
      da medula espinhal e volta a ela, dilatando os vasos sangüíneos cutâneos. Também o
      aquecimento do sangue que passa através do centro de controle térmico do hipotálamo
      aumenta o grau de vasodilatação superficial, sem alterar os vasos profundos.
  •   Exercícios: durante o exercício físico, o metabolismo aumentado nos músculos tem
      um efeito local de dilatação dos vasos sangüíneos musculares; porém, ao mesmo
      tempo, o sistema simpático tem efeito vasoconstritor para a maioria das outras regiões
      do corpo. A vasodilatação muscular permite que o sangue flua facilmente através dos
      músculos, enquanto a vasoconstrição diminui o fluxo sangüíneo em todas as regiões
      do corpo, exceto no coração e no cérebro.

     Nas junções neuro-musculares, tanto nos gânglios do SNPA simpático como nos do
parassimpático, ocorrem sinapses químicas entre os neurônios pré-ganglionares e pós-
ganglionares. Nos dois casos, a substância neurotransmissora é a acetilcolina. Esse
mediador químico atua nas dobras da membrana, aumentando a sua permeabilidade aos
íons sódio, que passa para o interior da fibra, despolarizando essa área da membrana do
músculo. Essa despolarização local promove um potencial de ação que é conduzido em
ambas as direções ao longo da fibra, determinando uma contração muscular. Quase
imediatamente após ter a acetilcolina estimulado a fibra muscular, ela é destruída, o que
permite a despolarização da membrana.




                       4 - SISTEMA CIRCULATÓRIO

Componentes do Sistema Cardiovascular

    Os principais componentes do sistema circulatório são: coração, vasos sangüíneos,
sangue, vasos linfáticos e linfa.
58

4.1 - CORAÇÃO
    O coração é um órgão muscular oco que se localiza no meio do peito, sob o osso
esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda. Em uma pessoa adulta, tem o tamanho
aproximado de um punho fechado e pesa cerca de 400 gramas.
      O coração humano, como o dos demais mamíferos, apresenta quatro cavidades: duas
 superiores, denominadas átrios (ou aurículas) e duas inferiores, denominadas ventrículos. O
 átrio direito comunica-se com o ventrículo direito através da válvula tricúspide. O átrio
 esquerdo, por sua vez, comunica-se com o ventrículo esquerdo através da válvula bicúspide
 ou mitral.A função das válvulas cardíacas é garantir que o sangue siga uma única direção,
 sempre dos átrios para os ventrículos.




      As câmaras cardíacas contraem-se e dilatam-se alternadamente 70 vezes por minuto,
 em média. O processo de contração de cada câmara do miocárdio (músculo cardíaco)
 denomina-se sístole. O relaxamento, que acontece entre uma sístole e a seguinte, é a
 diástole.
59




a- A atividade elétrica do coração

                                                               Nódulo sinoatrial (SA) ou
                                                          marcapasso ou nó sino-atrial: região
                                                          especial do coração, que controla a
                                                          freqüência cardíaca. Localiza-se perto
                                                          da junção entre o átrio direito e a veia
                                                          cava superior e é constituído por um
                                                          aglomerado de células musculares
                                                          especializadas. A freqüência rítmica
                                                          dessa fibras musculares           é de
                                                          aproximadamente 72 contrações por
                                                          minuto, enquanto o músculo atrial se
                                                          contrai cerca de 60 vezes por minuto e
                                                          o músculo ventricular, cerca de 20
                                                          vezes por minuto. Devido ao fato do
                                                          nódulo     sinoatrial   possuir      uma
                                                          freqüência rítmica mais rápida em
                                                          relação às outras partes do coração, os
                                                          impulsos originados do nódulo SA
                                                          espalham-se     para    os    átrios   e
                                                          ventrículos, estimulando essas áreas
                                                          tão rapidamente, de modo que o ritmo
Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma
                                                          do nódulo SA torna-se o ritmo de todo
abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed.
Moderna, 1997.                                            o coração; por isso é chamado
                                                          marcapasso.
60

      Sistema De Purkinje ou fascículo átrio-ventricular: embora o impulso cardíaco
 possa percorrer perfeitamente todas as fibras musculares cardíacas, o coração possui um
 sistema especial de condução denominado sistema de Purkinje ou fascículo átrio-
 ventricular, composto de fibras musculares cardíacas especializadas, ou fibras de Purkinje
 (Feixe de Hiss ou miócitos átrio-ventriculares), que transmitem os impulsos com uma
 velocidade aproximadamente 6 vezes maior do que o músculo cardíaco normal, cerca de 2
 m por segundo, em contraste com 0,3 m por segundo no músculo cardíaco.

b- Controle Nervoso do Coração
       Embora o coração possua seus próprios sistemas intrínsecos de controle e possa
 continuar a operar, sem quaisquer influências nervosas, a eficácia da ação cardíaca pode
 ser muito modificada pelos impulsos reguladores do sistema nervoso central. O sistema
 nervoso é conectado com o coração através de dois grupos diferentes de nervos, os
 sistemas parassimpático e simpático. A estimulação dos nervos parassimpáticos causa os
 seguintes efeitos sobre o coração: (1) diminuição da freqüência dos batimentos cardíacos;
 (2) diminuição da força de contração do músculo atrial; (3) diminuição na velocidade de
 condução dos impulsos através do nódulo AV (átrio-ventricular) , aumentando o período de
 retardo entre a contração atrial e a ventricular; e (4) diminuição do fluxo sangüíneo através
 dos vasos coronários que mantêm a nutrição do próprio músculo cardíaco.
       Todos esses efeitos podem ser resumidos, dizendo-se que a estimulação
 parassimpática diminui todas as atividades do coração. Usualmente, a função cardíaca é
 reduzida pelo parassimpático durante o período de repouso, juntamente com o restante do
 corpo. Isso talvez ajude a preservar os recursos do coração; pois, durante os períodos de
 repouso, indubitavelmente há um menor desgaste do órgão.
       A estimulação dos nervos simpáticos apresenta efeitos exatamente opostos sobre o
 coração: (1) aumento da freqüência cardíaca, (2) aumento da força de contração, e (3)
 aumento do fluxo sangüíneo através dos vasos coronários visando a suprir o aumento da
 nutrição do músculo cardíaco. Esses efeitos podem ser resumidos, dizendo-se que a
 estimulação simpática aumenta a atividade cardíaca como bomba, algumas vezes
 aumentando a capacidade de bombear sangue em até 100 por cento. Esse efeito é
 necessário quando um indivíduo é submetido a situações de estresse, tais como exercício,
 doença, calor excessivo, ou outras condições que exigem um rápido fluxo sangüíneo
 através do sistema circulatório. Por conseguinte, os efeitos simpáticos sobre o coração
 constituem o mecanismo de auxílio utilizado numa emergência, tornando mais forte o
 batimento cardíaco quando necessário.
       Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretam principalmente
 noradrenalina, razão pela qual são denominados neurônios adrenérgicos. A estimulação
 simpática do cérebro também promove a secreção de adrenalina pelas glândulas adrenais
 ou supra-renais. A adrenalina é responsável pela taquicardia (batimento cardíaco
 acelerado), aumento da pressão arterial e da freqüência respiratória, aumento da secreção
 do suor, da glicose sangüínea e da atividade mental, além da constrição dos vasos
 sangüíneos da pele.
       O neurotransmissor secretado pelos neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso
 parassimpático é a acetilcolina, razão pela qual são denominados colinérgicos, geralmente
 com efeitos antagônicos aos neurônios adrenérgicos. Dessa forma, a estimulação
 parassimpática do cérebro promove bradicardia (redução dos batimentos cardíacos),
 diminuição da pressão arterial e da freqüência respiratória, relaxamento muscular e outros
 efeitos antagônicos aos da adrenalina.
       Em geral, a estimulação do hipotálamo posterior aumenta a pressão arterial e a
 freqüência cardíaca, enquanto que a estimulação da área pré-óptica, na porção anterior do
 hipotálamo, acarreta efeitos opostos, determinando notável diminuição da freqüência
 cardíaca e da pressão arterial. Esses efeitos são transmitidos através dos centros de
 controle cardiovascular da porção inferior do tronco cerebral, e daí passam a ser
 transmitidos através do sistema nervoso autônomo.
61


Fatores que aumentam a freqüência cardíaca               Fatores que diminuem a freqüência cardíaca

Queda da pressão arterial
inspiração
excitação
raiva
                                                         Aumento da pressão arterial
dor
                                                         expiração
 hipóxia (redução da disponibilidade de oxigênio para as
                                                         tristeza
células do organismo)
exercício
adrenalina
febre




4.2 - ALGUNS DISTÚRBIOS CARDÍACOS



4.2.1 - Sopro no coração
       É uma alteração no fluxo do sangue
  dentro do coração provocada por
  problemas em uma ou mais válvulas
  cardíacas ou por lesões nas paredes das
  câmaras. Na maioria das vezes, não
  existem seqüelas. No entanto, quando o
  sopro é muito forte, decorrente de lesões
  nas paredes das câmaras, ele certamente
  precisará ser tratado, pois um volume
  considerável de sangue sem oxigênio irá
  se misturar com o sangue que já foi
  oxigenado.
       Algumas pessoas já nascem com
  válvulas anormais. Outras vão apresentar
  esse tipo de alteração por causa de males
  como a febre reumática, a insuficiência
  cardíaca e o infarto, que podem modificar
  as válvulas.                              Imagem: www.braile.com.br/saude/hospital1.pdf

        Sintomas: Sopros são caracterizados por ruídos anormais, percebidos quando o
  médico ausculta o peito e ouve um som semelhante ao de um fole. O problema pode ser
  diagnosticado de maneira mais precisa pelo exame de ecocardiograma, que mostra o fluxo
  sangüíneo dentro do coração.
        Tratamento: Como existem várias causas possíveis, o médico precisa ver o que está
  provocando o problema antes de iniciar o tratamento — que vai desde simples
  medicamentos até intervenções cirúrgicas para conserto ou substituição das válvulas, que
  poderão ser de material biológico ou fabricadas a partir de ligas metálicas.
        Prevenção: Não há uma maneira de prevenir o sopro. Mas existem formas de evitar
  que ele se agrave. Para isso, é importante que você saiba se tem ou não o problema,
  realizando exames de check-up.

4.2.2 - Infarto do miocárdio
      É a morte de uma área do músculo cardíaco, cujas células ficaram sem receber
  sangue com oxigênio e nutrientes.
62


                                                                 A interrupção do fluxo de sangue para
                                                           o coração pode acontecer de várias
                                                           maneiras. A gordura vai se acumulando
                                                           nas paredes das coronárias (artérias que
                                                           irrigam o próprio coração). Com o tempo,
                                                           formam-se placas, impedindo que o
                                                           sangue flua livremente. Então, basta um
                                                           espasmo — provocado pelo estresse —
                                                           para que a passagem da circulação se
                                                           feche. Também pode ocorrer da placa
                                                           crescer tanto que obstrui o caminho
                                                           sangüíneo completamente, ou seja, pode
                                                           acontecer por entupimento - quando as
                                                           placas        de     gordura       entopem
                                                           completamente a artéria, o sangue não
                                                           passa. Dessa forma, as células no trecho
                                                           que deixou de ser banhado pela circulação
                                                           acabam morrendo. A interrupção da
                                                           passagem do sangue nas artérias
                                                           coronárias também pode ocorrer devido
                                                           contração de uma artéria parcialmente
Imagem: www.unifesp.br/dmed/cardio/ch/cardio.htm           obstruída ou à formação de coágulos
                                                           (trombose).




                                                                   Sintomas: O principal sinal é a dor
                                                             muito forte no peito, que pode se irradiar
                                                             pelo braço esquerdo e pela região do
                                                             estômago.
                                                                   Prevenção: Evite o cigarro, o
                                                             estresse, os alimentos ricos em
                                                             colesterol e o sedentarismo, que são os
                                                             principais fatores de risco. Também não
                                                             deixe de controlar a pressão arterial.
                                                                   Tratamento: Em primeiro lugar,
                                                             deve-se correr contra o relógio,
                                                             procurando um atendimento imediato —
                                                             a área do músculo morta cresce feito
                                                             uma bola de neve com o passar do
                                                             tempo. Se ficar grande demais, o
                                                             coração não terá a menor chance de se
                                                             recuperar. Conforme a situação, os
                                                             médicos podem optar pela angioplastia,
                                                             em que um catéter é introduzido no
                                                             braço e levado até a coronária entupida.
                                                             Ali, ele infla para eliminar o obstáculo
                                                             gorduroso. Outra saída é a cirurgia: os
                                                             médicos constroem um desvio da área
                                                             infartada — a ponte — com um pedaço
                                                             da veia safena da perna ou da artéria
                                                             radial ou das artérias mamárias.


Imagem: www.saludhoy.com/htm/homb/articulo/infarca1.html
63

       Revascularização do miocárdio: durante a cirurgia um vaso sangüíneo, que pode ser
  a veia safena (da perda), a artéria radial (do braço) e/ou as artérias mamárias (direita ou
  esquerda) são implantadas no coração, formando uma ponte para normalizar o fluxo
  sangüíneo. O número de pontes pode variar de 1 a 5, dependendo da necessidade do
  paciente.




Imagem: www.braile.com.br/saude/hospital1.pdf




Imagens: www.geocities.com/HotSprings/Villa/1298/heartmate.html
        Cateterismo (angioplastia por stent):
64

4.2.3 - Aterosclerose
       Doença devida ao aparecimento, nas paredes das artérias, de depósitos contendo
 principalmente LDL colesterol (“mau colesterol”), mas também pequenas quantidades de
 fosfolipídios e gorduras neutras (placas de ateroma). Trabalhos recentes indicam que o LDL
 se acumula no interior das paredes dos vasos, onde seus componentes se oxidam e sofrem
 outras alterações. Os componentes alterados dão origem a uma resposta inflamatória que
 altera progressiva e perigosamente os vasos. Gradualmente desenvolve-se fibrose dos
 tecidos situados ao redor ou no interior dos depósitos gordurosos e, freqüentemente, a
 combinação do cálcio dos líquidos orgânicos com gordura forma compostos sólidos de
 cálcio que, eventualmente, se desenvolve em placas duras, semelhantes aos ossos. Dessa
 forma, no estágio inicial da aterosclerose aparecem apenas depósitos gordurosos nas
 paredes dos vasos, mas nos estágios terminais os vasos podem tornar-se extremamente
 fibróticos e contraídos, ou mesmo de consistência óssea dura, caracterizando uma condição
 chamada arteriosclerose ou endurecimento das artérias.




Imagem: www.unifesp.br/dmed/cardio/ch/cardio.htm
       Descobertas recentes indicam que os efeitos protetores do HDL colesterol (“bom
 colesterol”) derivam não só da remoção do LDL colesterol dos vasos, mas também por
 interferirem na oxidação de LDL.
       A aterosclerose muitas vezes cauda oclusão coronária aguda, provocando infarto do
 miocárdio ou "ataque cardíaco".
       Prevenção:Reduzir o peso e a ingestão de gorduras saturadas e colesterol (presente
 apenas em alimentos de origem animal), parar de fumar, fazer exercícios físicos.

4.2.4 - Arritmia

                                                        Toda vez que o coração sai do
                                                   ritmo certo, diz-se que há uma arritmia.
                                                   Ela ocorre tanto em indivíduos
                                                   saudáveis quanto em doentes. Várias
                                                   doenças podem dispará-la, assim como
                                                   fatores emocionais — o estresse, por
                                                   exemplo, é capaz de alterar o ritmo
                                                   cardíaco.
                                                        Os batimentos perdem o compasso
                                                   de diversas maneiras. A bradicardia
                                                   ocorre quando o coração passa a bater
                                                   menos de 60 vezes por minuto — então,
                                                   pode ficar lento a ponto de parar. Já na
                                                   taquicardia chegam a acontecer mais de
                                                   100 batimentos nesse mesmo período.
                                                        A agitação costuma fazê-lo tremer,
                                                   paralisado, em vez de contrair e relaxar
                                                   normalmente. Às vezes surgem novos
                                                   focos nervosos no músculo cardíaco,
                                                   cada um dando uma ordem para ele
                                                   bater de um jeito. No caso, também
Imagem: Revista Saúde é Vital                      pode surgir a parada cardíaca.

      Sintomas: Na taquicardia, o principal sintoma é a palpitação. Nas bradicardias
 ocorrem tonturas e até desmaios.
65

      Tratamento: Em alguns casos, os médicos simplesmente receitam remédios. Em
 outros, porém, é necessário apelar para a operação. Hoje os cirurgiões conseguem
 implantar no coração um pequeno aparelho, o marca-passo, capaz de controlar
 os batimentos cardíacos.
      Prevenção: Procure um médico ao sentir qualquer sintoma descrito acima. Além disso,
 tente diminuir o estresse no seu dia-a-dia.Reduzir o peso e a ingestão de gorduras
 saturadas e colesterol (presente apenas em alimentos de origem animal), parar de fumar,
 fazer exercícios físicos.

4.2. 5 - Arteriosclerose ou Arterioesclerose
       Processo de espessamento e endurecimento da parede das artérias, tirando-lhes a
 elasticidade. Decorre de proliferação conjuntiva em substituição às fibras elásticas. Pode
 surgir como conseqüência da aterosclerose (estágios terminais) ou devido ao tabagismo. O
 cigarro, além da nicotina responsável pela dependência, tem cerca de 80 substâncias
 cancerígenas e outras radioativas, com perigos genéticos. Investigações epidemiológicas
 mostram que esse vício é responsável por 75% dos casos de bronquite crônica e enfisema
 pulmonar, 80% dos casos de câncer do pulmão e 25% dos casos de infarto do miocárdio.
 Além disso, segundo pesquisas, os fumantes têm risco entre 100% e 800% maior de
 contrair infecções respiratórias bacterianas e viróticas, câncer da boca, laringe, esôfago,
 pâncreas, rins, bexiga e colo do útero, como também doenças do sistema circulatório, como
 arteriosclerose, aneurisma da aorta e problemas vasculares cerebrais. A probabilidade de
 aparecimento desses distúrbios tem relação direta com o tempo do vício e sua intensidade.
 O cigarro contrai as artérias coronárias e, ao mesmo tempo, excita excessivamente o
 coração; também favorece a formação de placas de ateroma (aumento de radicais livres).
       Prevenção: Reduzir o peso e a ingestão de gorduras saturadas e colesterol, parar de
 fumar, fazer exercícios físicos.

4.2.6 - Hipertensão
       O termo hipertensão significa pressão arterial alta. Caracteriza-se por uma pressão
 sistólica superior a 14cm de mercúrio (14 cmHg = 140 mmHg) e uma pressão diastólica
 superior a 9 cm de mercúrio (9 cmHg ou 90 mmHg). A hipertensão pode romper os vasos
 sangüíneos cerebrais (causando acidente vascular cerebral ou derrame), renais (causando
 insuficiência renal) ou de outros órgãos vitais, causando cegueira, surdez etc. Pode também
 determinar uma sobrecarga excessiva sobre o coração, causando sua falência.
       Causas da hipertensão: o conceito mais moderno e aceito de hipertensão defende
 que a doença não tem uma origem única, mas é fruto da associação de vários fatores,
 alguns deles incontroláveis: hereditariedade, raça, sexo e idade. As causas se combinam,
 exercendo ação recíproca e sinérgica. Veja na tabela a seguir o “peso” de cada um desses
 ingredientes:
                                                         Etnia ou raça:Por motivos também de ordem genética
Genética: fatores    genéticos   podem   predispor   à
                                                         talvez, a hipertensão incida mais e de forma mais severa
hipertensão.
                                                         sobre negros.

Sexo:Os homens têm mais propensão à pressão alta do
                                                         Idade:A maioria dos estudos mostra que a hipertensão
que as mulheres antes da menopausa. Depois empatam
                                                         afeta 50% da população com idade acima de 60 anos. Isso
ou pode haver até ligeira predominância feminina. Os
                                                         depende do grupo étnico e do sexo. O mais comum
especialistas estão cada vez mais convencidos de que a
                                                         nesses casos é a elevação da pressão máxima, sem que
reposição hormonal de estrógenos após a menopausa
                                                         ocorra o aumento da mínima, que é decorrente do
pode prevenir a hipertensão, como faz com outras
                                                         enrijecimento das artérias.
doenças cardiovasculares e com a osteoporose.

       Como fatores genéticos, podemos citar:
              •alta concentração de cálcio na membrana das células (defeito primário):
         aumenta a contração da musculatura lisa das artérias, fazendo-as se fecharem, o
         que diminui a passagem de sangue, resultando na hipertensão essencial ou
         primária (fator genético;
              •aumento da concentração de sódio nas paredes das artérias, fazendo-as se
         fecharem cada vez mais (fator genético);
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      Além dos fatores incontroláveis, descritos anteriormente, obesidade, excesso de sal,
álcool, fumo, vida sedentária, estresse e taxas elevadas de colesterol (LDL) são fatores que
favorecem a elevação da pressão arterial.
      O uso de anticoncepcionais orais (pílulas anticoncepcionais) também é um fator que
predispõe mais as mulheres à hipertensão.
      O cigarro e níveis elevados de colesterol (LDL) também estão entre os elementos de
risco: cerca de 70% do colesterol existente no homem é produzido pelo próprio organismo,
no fígado. O restante provém da alimentação, dos produtos de origem animal. Por isso, o
distúrbio pode ter origem externa, resultante principalmente de dietas erradas e vida
sedentária, ou interna, de causa genética. A conseqüência direta é a aterosclerose, que
dificulta ou, às vezes, impede o fluxo sangüíneo na região.
      O uso abusivo de descongestionantes nasais e medicamento em spray para asma
também aumentam as chances de hipertensão.
      Pessoas diabéticas têm tendência a desenvolver hipertensão e outras doenças que
atingem o coração.
      Prevenção:



                            •   dieta hipossódica (com pouco sal) e hipocalórica (sem
                                excesso de calorias);
                            •   redução de peso;
                            •   prática de exercícios físicos aeróbicos (de baixa intensidade
                                e longa duração) ou isotônicos (com grande movimentação
                                dos membros). Sedentários devem procurar um cardiologista
                                antes de iniciar qualquer tipo de exercício;
                            •   dieta balanceada rica em vegetais e frutas frescas e pobre
                                em gorduras saturadas e colesterol;
                            •   medir periodicamente (a cada seis meses) a pressão arterial
                                e tratar o diabetes (quando for o caso);
                            •   eliminar ou reduzir o fumo e, nos casos de mulheres
                                hipertensas, eliminar o uso de contraceptivos orais (são uma
                                bomba para o coração quando associados ao cigarro);
                            •   reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas;
                            •   consultar o médico regularmente




                        5 - SISTEMA RESPIRATÓRIO
    O sistema respiratório humano é constituído por um par de pulmões e por vários
órgãos que conduzem o ar para dentro e para fora das cavidades pulmonares. Esses
órgãos são as fossas nasais, a boca, a faringe, a laringe, a traquéia, os brônquios, os
bronquíolos e os alvéolos, os três últimos localizados nos pulmões.
67


                                                    Fossas nasais: são duas cavidades
                                              paralelas que começam nas narinas e
                                              terminam na faringe. Elas são separadas
                                              uma da outra por uma parede cartilaginosa
                                              denominada septo nasal. Em seu interior há
                                              dobras chamada cornetos nasais, que forçam
                                              o ar a turbilhonar. Possuem um revestimento
                                              dotado de células produtoras de muco e
                                              células ciliadas, também presentes nas
                                              porções inferiores das vias aéreas, como
                                              traquéia, brônquios e porção inicial dos
                                              bronquíolos. No teto das fossas nasais
                                              existem células sensoriais, responsáveis pelo
                                              sentido do olfato. Têm as funções de filtrar,
                                              umedecer e aquecer o ar.
                                                    Faringe: é um canal comum aos
                                              sistemas digestório e respiratório e comunica-
                                              se com a boca e com as fossas nasais. O ar
                                              inspirado pelas narinas ou pela boca passa
                                              necessariamente pela faringe, antes de
                                              atingir a laringe.


      Laringe: é um tubo sustentado
por peças de cartilagem articuladas,
situado na parte superior do pescoço,
em continuação à faringe. O pomo-de-
adão, saliência que aparece no
pescoço, faz parte de uma das peças
cartilaginosas da laringe.
      A entrada da laringe chama-se
glote. Acima dela existe uma espécie
de      “lingüeta”     de    cartilagem
denominada epiglote, que funciona
como        válvula.    Quando       nos
alimentamos, a laringe sobe e sua
entrada é fechada pela epiglote. Isso
impede que o alimento ingerido
penetre nas vias respiratórias.
      O epitélio que reveste a laringe
apresenta pregas, as cordas vocais,
capazes de produzir sons durante a
passagem de ar.




                                        Traquéia: é um tubo de aproximadamente 1,5 cm de
                                 diâmetro por 10-12 centímetros de comprimento, cujas
                                 paredes são reforçadas por anéis cartilaginosos. Bifurca-se
                                 na sua região inferior, originando os brônquios, que
                                 penetram nos pulmões. Seu epitélio de revestimento muco-
                                 ciliar adere partículas de poeira e bactérias presentes em
                                 suspensão no ar inalado, que são posteriormente varridas
                                 para fora (graças ao movimento dos cílios) e engolidas ou
                                 expelidas.
68


                                                          Pulmões: Os pulmões
                                                     humanos        são       órgãos
                                                     esponjosos,                 com
                                                     aproximadamente 25 cm de
                                                     comprimento,              sendo
                                                     envolvidos por uma membrana
                                                     serosa denominada pleura.
                                                     Nos pulmões os brônquios
                                                     ramificam-se     profusamente,
                                                     dando origem a tubos cada
                                                     vez     mais      finos,      os
                                                     bronquíolos.     O     conjunto
                                                     altamente     ramificado      de
                                                     bronquíolos é a árvore
                                                     brônquica       ou       árvore
                                                     respiratória.

       Cada bronquíolo termina
 em pequenas bolsas formadas
 por células epiteliais achatadas
 (tecido epitelial pavimentoso)
 recobertas      por      capilares
 sangüíneos,         denominadas
 alvéolos pulmonares.
       Diafragma: A base de cada
 pulmão apóia-se no diafragma,
 órgão músculo-membranoso que
 separa o tórax do abdomen,
 presente apenas em mamíferos,
 promovendo, juntamente com os
 músculos      intercostais,     os
 movimentos          respiratórios.
 Localizado logo acima do
 estômago, o nervo frênico
 controla os movimentos do
 diafragma (ver controle da
 respiração)




5.1 - FISIOLOGIA DA RESPIRAÇÃO

Ventilação pulmonar
                                            A inspiração, que promove a entrada de
                                      ar nos pulmões, dá-se pela contração da
                                      musculatura do diafragma e dos músculos
                                      intercostais. O diafragma abaixa e as costelas
                                      elevam-se, promovendo o aumento da caixa
                                      torácica, com conseqüente redução da
                                      pressão interna (em relação à externa),
                                      forçando o ar a entrar nos pulmões.
69




                                                         A expiração, que promove a
                                                   saída de ar dos pulmões, dá-se pelo
                                                   relaxamento da musculatura do
                                                   diafragma e dos músculos intercostais.
                                                   O diafragma eleva-se e as costelas
                                                   abaixam, o que diminui o volume da
                                                   caixa torácica, com conseqüente
                                                   aumento da pressão interna, forçando
                                                   o ar a sair dos pulmões.




5.1.1 - Transporte de gases respiratórios
     O transporte de gás oxigênio está a cargo
 da hemoglobina, proteína presente nas
 hemácias. Cada molécula de hemoglobina
 combina-se com 4 moléculas de gás oxigênio,
 formando a oxi-hemoglobina.


       Nos alvéolos pulmonares o gás oxigênio do
 ar difunde-se para os capilares sangüíneos e
 penetra nas hemácias, onde se combina com a
 hemoglobina, enquanto o gás carbônico (CO2) é
 liberado para o ar (processo chamado hematose).
70


                                                      Nos tecidos ocorre um processo inverso: o gás
                                                 oxigênio dissocia-se da hemoglobina e difunde-se
                                                 pelo líquido tissular, atingindo as células. A maior
                                                 parte do gás carbônico (cerca de 70%) liberado pelas
                                                 células no líquido tissular penetra nas hemácias e
                                                 reage com a água, formando o ácido carbônico, que
                                                 logo se dissocia e dá origem a íons H+ e bicarbonato
                                                 (HCO3-), difundindo-se para o plasma sangüíneo,
                                                 onde ajudam a manter o grau de acidez do sangue.
                                                 Cerca de 23% do gás carbônico liberado pelos
                                                 tecidos associam-se à própria hemoglobina, formando
                                                 a carboemoglobina. O restante dissolve-se no
                                                 plasma.



        OBS: O monóxido de carbono, liberado pela “queima” incompleta de combustíveis
  fósseis e pela fumaça dos cigarros entre outros, combina-se com a hemoglobina de uma
  maneira mais estável do que o oxigênio, formando o carboxiemoglobina. Dessa forma, a
  hemoglobina fica impossibilitada de transportar o oxigênio, podendo levar à morte por
  asfixia. Veja as tabelas abaixo, retiradas da prova do ENEM de 98:
        Um dos índices de qualidade do ar diz respeito à concentração de monóxido de
  carbono (CO), pois esse gás pode causar vários danos à saúde. A tabela abaixo mostra a
  relação entre a qualidade do ar e a concentração de CO.
Qualidade do ar                                            Concentração de CO – ppm* (média de 8h)

Inadequada                                                 15 a 30

Péssima                                                    30 a 40

Crítica                                                    Acima de 40

      * ppm (parte por milhão) = 1 micrograma de CO por grama de ar 10 –6 g


      Para analisar os efeitos do CO sobre os seres humanos, dispõe-se dos seguintes
  dados:
Concentração de CO (ppm)                                   Sintomas em seres humanos

10                                                         Nenhum

15                                                         Diminuição da capacidade visual

60                                                         Dores de cabeça

100                                                        Tonturas, fraqueza muscular

270                                                        Inconsciência

800                                                        Morte


5. 2 - Controle da respiração
        Em relativo repouso, a freqüência respiratória é da ordem de 10 a 15 movimentos por
  minuto.
        A respiração é controlada automaticamente por um centro nervoso localizado no bulbo.
  Desse centro partem os nervos responsáveis pela contração dos músculos respiratórios
  (diafragma e músculos intercostais). Os sinais nervosos são transmitidos desse centro
  através da coluna espinhal para os músculos da respiração. O mais importante músculo da
  respiração, o diafragma, recebe os sinais respiratórios através de um nervo especial, o
  nervo frênico, que deixa a medula espinhal na metade superior do pescoço e dirige-se
  para baixo, através do tórax até o diafragma. Os sinais para os músculos expiratórios,
  especialmente os músculos abdominais, são transmitidos para a porção baixa da medula
71

 espinhal, para os nervos espinhais que inervam os músculos. Impulsos iniciados pela
 estimulação psíquica ou sensorial do córtex cerebral podem afetar a respiração. Em
 condições normais, o centro respiratório (CR) produz, a cada 5 segundos, um impulso
 nervoso que estimula a contração da musculatura torácica e do diafragma, fazendo-nos
 inspirar. O CR é capaz de aumentar e de diminuir tanto a freqüência como a amplitude dos
 movimentos respiratórios, pois possui quimiorreceptores que são bastante sensíveis ao pH
 do plasma. Essa capacidade permite que os tecidos recebam a quantidade de oxigênio que
 necessitam, além de remover adequadamente o gás carbônico. Quando o sangue torna-se
 mais ácido devido ao aumento do gás carbônico, o centro respiratório induz a aceleração
 dos movimentos respiratórios. Dessa forma, tanto a freqüência quanto a amplitude da
 respiração tornam-se aumentadas devido à excitação do CR.
       Em situação contrária, com a depressão do CR, ocorre diminuição da freqüência e
 amplitude respiratórias.
       A respiração é ainda o principal mecanismo de controle do pH do sangue.



       O aumento da concentração de CO2 desloca a reação para a direita, enquanto sua
 redução desloca para a esquerda.
       Dessa forma, o aumento da concentração de CO2 no sangue provoca aumento de íons
 H+ e o plasma tende ao pH ácido. Se a concentração de CO2 diminui, o pH do plasma
 sangüíneo tende a se tornar mais básico (ou alcalino).
       Se o pH está abaixo do normal (acidose), o centro respiratório é excitado,
 aumentando a freqüência e a amplitude dos movimentos respiratórios. O aumento da
 ventilação pulmonar determina eliminação de maior quantidade de CO2, o que eleva o pH
 do plasma ao seu valor normal.
       Caso o pH do plasma esteja acima do normal (alcalose), o centro respiratório é
 deprimido, diminuindo a freqüência e a amplitude dos movimentos respiratórios. Com a
                                                                                     +
 diminuição na ventilação pulmonar, há retenção de CO2 e maior produção de íons H , o que
 determina queda no pH plasmático até seus valores normais.
       A ansiedade e os estados ansiosos promovem liberação de adrenalina que,
 freqüentemente levam também à hiperventilação, algumas vezes de tal intensidade que o
 indivíduo torna seus líquidos orgânicos alcalóticos (básicos), eliminando grande quantidade
 de dióxido de carbono, precipitando, assim, contrações dos músculos de todo o corpo.
       Se a concentração de gás carbônico cair a valores muito baixos, outras conseqüências
 extremamente danosas podem ocorrer, como o desenvolvimento de um quadro de alcalose
 que pode levar a uma irritabilidade do sistema nervoso, resultando, algumas vezes, em
 tetania (contrações musculares involuntárias por todo o corpo) ou mesmo convulsões
 epilépticas.
       Existem algumas ocasiões em que a concentração de oxigênio nos alvéolos cai a
 valores muito baixos. Isso ocorre especialmente quando se sobe a lugares muito altos, onde
 a concentração de oxigênio na atmosfera é muito baixa ou quando uma pessoa contrai
 pneumonia ou alguma outra doença que reduza o oxigênio nos alvéolos. Sob tais
 condições, quimiorreceptores localizados nas artérias carótida (do pescoço) e aorta são
 estimulados e enviam sinais pelos nervos vago e glossofaríngeo, estimulando os centros
 respiratórios no sentido de aumentar a ventilação pulmonar.

5.3 - A capacidade e os volumes respiratórios
      O sistema respiratório humano comporta um volume total de aproximadamente 5 litros
 de ar – a capacidade pulmonar total. Desse volume, apenas meio litro é renovado em cada
 respiração tranqüila, de repouso. Esse volume renovado é o volume corrente
      Se no final de uma inspiração forçada, executarmos uma expiração forçada,
 conseguiremos retirar dos pulmões uma quantidade de aproximadamente 4 litros de ar, o
 que corresponde à capacidade vital, e é dentro de seus limites que a respiração pode
 acontecer.
      Mesmo no final de uma expiração forçada, resta nas vias aéreas cerca de 1 litro de ar,
 o volume residual.
72




     Nunca se consegue encher os pulmões com ar completamente renovado, já que
mesmo no final de uma expiração forçada o volume residual permanece no sistema
respiratório. A ventilação pulmonar, portanto, dilui esse ar residual no ar renovado, colocado
em seu interior
     O volume de ar renovado por minuto (ou volume-minuto respiratório) é obtido pelo
produto da freqüência respiratória (FR) pelo volume corrente (VC): VMR = FR x VC.
     Em um adulto em repouso, temos:
     FR = 12 movimentos por minuto
     VC = 0,5 litros
     Portanto: volume-minuto respiratório = 12 x 0,5 = 6 litros/minuto
     Os atletas costumam utilizar o chamado “segundo fôlego”. No final de cada expiração,
contraem os músculos intercostais internos, que abaixam as costelas e eliminam mais ar
dos pulmões, aumentando a renovação.



                         6 - O SISTEMA DIGESTÓRIO
                                                     O sistema digestório humano é
                                                formado por um longo tubo musculoso, ao
                                                qual estão associados órgãos e glândulas
                                                que participam da digestão. Apresenta as
                                                seguintes regiões; boca, faringe, esôfago,
                                                estômago, intestino delgado, intestino
                                                grosso e ânus.


                                                     A parede do tubo digestivo, do esôfago
                                                ao intestino, é formada por quatro camadas:
                                                mucosa, submucosa, muscular e adventícia.

                                                6.1 - BOCA
                                                     A abertura pela qual o alimento entra
                                                no tubo digestivo é a boca. Aí encontram-se
                                                os dentes e a língua, que preparam o
                                                alimento para a digestão, por meio da
                                                mastigação. Os dentes reduzem os
                                                alimentos     em     pequenos      pedaços,
                                                misturando-os à saliva, o que irá facilitar a
                                                futura ação das enzimas.
73

6.1.1 - Características dos dentes
       Os dentes são estruturas duras,
 calcificadas, presas ao maxilar superior e
 mandíbula, cuja atividade principal é a
 mastigação. Estão implicados, de forma
 direta, na articulação das linguagens. Os
 nervos sensitivos e os vasos sanguíneos
 do centro de qualquer dente estão
 protegidos por várias camadas de tecido.
 A mais externa, o esmalte, é a substância
 mais dura. Sob o esmalte, circulando a
 polpa, da coroa até a raiz, está situada
 uma camada de substância óssea
 chamada dentina. A cavidade pulpar é ocupada pela polpa dental, um tecido conjuntivo
 frouxo, ricamente vascularizado e inervado. Um tecido duro chamado cemento separa a
 raiz do ligamento peridental, que prende a raiz e liga o dente à gengiva e à mandíbula, na
 estrutura e composição química assemelha-se ao osso; dispõe-se como uma fina camada
 sobre as raízes dos dentes. Através de um orifício aberto na extremidade da raiz, penetram
 vasos sanguíneos, nervos e tecido conjuntivo.

6.1.2 - Tipos de dentes
      Em sua primeira dentição, o ser humano tem 20 peças que recebem o nome de dentes
 de leite. À medida que os maxilares crescem,
 estes dentes são substituídos por outros 32 do
 tipo permanente. As coroas dos dentes
 permanentes são de três tipos: os incisivos, os
 caninos ou presas e os molares. Os incisivos têm                                    a
 forma de cinzel para facilitar o corte do alimento.
 Atrás dele, há três peças dentais usadas para
 rasgar. A primeira tem uma única cúspide
 pontiaguda. Em seguida, há dois dentes chamados pré-molares, cada um com duas
 cúspides. Atrás ficam os molares, que têm uma superfície de mastigação relativamente
 plana, o que permite triturar e moer os alimentos.

6.2 - A língua


                                       A língua movimenta o alimento empurrando-o em
                                 direção a garganta, para que seja engolido. Na superfície
                                 da língua existem dezenas de papilas gustativas, cujas
                                 células sensoriais percebem os quatro sabores primários:
                                 amargo (A), azedo ou ácido (B), salgado (C) e doce (D).
                                 De sua combinação resultam centenas de sabores
                                 distintos. A distribuição dos quatro tipos de receptores
                                 gustativos, na superfície da língua, não é homogênea.



6.3 - As glândulas salivares
      A presença de alimento na boca, assim como sua visão e cheiro, estimulam as
 glândulas salivares a secretar saliva, que contém a enzima amilase salivar ou ptialina,
 além de sais e outras substâncias. A amilase salivar digere o amido e outros
 polissacarídeos (como o glicogênio), reduzindo-os em moléculas de maltose (dissacarídeo).
 Três pares de glândulas salivares lançam sua secreção na cavidade bucal: parótida,
 submandibular e sublingual:
74




                                           •   Glândula parótida - Com massa variando
                                               entre 14 e 28 g, é a maior das três; situa-se na
                                               parte lateral da face, abaixo e adiante do
                                               pavilhão da orelha.
                                           •   Glândula submandibular - É arredondada,
                                               mais ou menos do tamanho de uma noz.
                                           •   Glândula sublingual - É a menor das três; fica
                                               abaixo da mucosa do assoalho da boca.




www.webciencia.com/11_11glandula.htm

       O sais da saliva neutralizam substâncias ácidas e mantêm, na boca, um pH neutro
 (7,0) a levemente ácido (6,7), ideal para a ação da ptialina. O alimento, que se transforma
 em bolo alimentar, é empurrado pela língua para o fundo da faringe, sendo encaminhado
 para o esôfago, impulsionado pelas ondas peristálticas (como mostra a figura do lado
 esquerdo), levando entre 5 e 10 segundos para percorrer o esôfago. Através dos
 peristaltismo, você pode ficar de cabeça para baixo e, mesmo assim, seu alimento chegará
 ao intestino. Entra em ação um mecanismo para fechar a laringe, evitando que o alimento
 penetre nas vias respiratórias.
       Quando a cárdia (anel muscular, esfíncter) se relaxa, permite a passagem do alimento
 para o interior do estômago.

6.4 - FARINGE E ESÔFAGO



                                             A faringe, situada no final da cavidade bucal, é
                                       um canal comum aos sistemas digestório e
                                       respiratório: por ela passam o alimento, que se dirige
                                       ao esôfago, e o ar, que se dirige à laringe.
                                             O esôfago, canal que liga a faringe ao estômago,
                                       localiza-se entre os pulmões, atrás do coração, e
                                       atravessa o músculo diafragma, que separa o tórax do
                                       abdômen. O bolo alimentar leva de 5 a 10 segundos
                                       para percorre-lo.
Imagem: CD O CORPO HUMANO
2.0. Globo Multimídia.

6.5 - ESTÔMAGO E SUCO GÁSTRICO

                                               O estômago é uma bolsa de parede
                                          musculosa, localizada no lado esquerdo abaixo do
                                          abdome, logo abaixo das últimas costelas. É um
                                          órgão muscular que liga o esôfago ao intestino
                                          delgado. Sua função principal é a digestão de
                                          alimentos protéicos. Um músculo circular, que
                                          existe na parte inferior, permite ao estômago
                                          guardar quase um litro e meio de comida,
                                          possibilitando que não se tenha que ingerir
                                          alimento de pouco em pouco tempo. Quando está
                                          vazio, tem a forma de uma letra "J" maiúscula,
www.webciencia.com/11_09estom.htm
                                          cujas duas partes se unem por ângulos agudos.
75

        Segmento superior: é o mais volumoso, chamado "porção vertical". Este
 compreende, por sua vez, duas partes superpostas; a grande tuberosidade, no alto, e o
 corpo do estômago, abaixo, que termina pela pequena tuberosidade.
       Segmento inferior: é denominado "porção horizontal", está separado do duodeno pelo
 piloro, que é um esfíncter. A borda direita, côncava, é chamada pequena curvatura; a borda
 esquerda, convexa, é dita grande curvatura. O orifício esofagiano do estômago é o cárdia.
       As túnicas do estômago: o estômago compõe-se de quatro túnicas; serosa (o
 peritônio), muscular (muito desenvolvida), submucosa (tecido conjuntivo) e mucosa (que
 secreta o suco gástrico). Quando está cheio de alimento, o estômago torna-se ovóide ou
 arredondado. O estômago tem movimentos peristálticos que asseguram sua
 homogeneização.
       O estômago produz o suco gástrico, um líquido claro, transparente, altamente ácido,
 que contêm ácido clorídrico, muco, enzimas e sais. O ácido clorídrico mantém o pH do
 interior do estômago entre 0,9 e 2,0. Também dissolve o cimento intercelular dos tecidos
 dos alimentos, auxiliando a fragmentação mecânica iniciada pela mastigação.
       A pepsina, enzima mais potente do suco gástrico, é secretada na forma de
 pepsinogênio. Como este é inativo, não digere as células que o produzem. Por ação do
 ácido cloródrico, o pepsinogênio, ao ser lançado na luz do estômago, transforma-se em
 pepsina, enzima que catalisa a digestão de proteínas.




                                                   A pepsina, ao catalizar a hidrólise de
                                             proteínas, promove o rompimento das
                                             ligações    peptídicas     que  unem      os
                                             aminoácidos. Como nem todas as ligações
                                             peptídicas são acessíveis à pepsina, muitas
                                             permanecem intactas. Portanto, o resultado
                                             do trabalho dessa enzima são oligopeptídeos
                                             e aminoácidos livres.
                                                   A renina, enzima que age sobre a
                                             caseína, uma das proteínas do leite, é
                                             produzida pela mucosa gástrica durante os
                                             primeiros meses de vida. Seu papel é o de
                                             flocular a caseína, facilitando a ação de
                                             outras enzimas proteolíticas.




       A mucosa gástrica é recoberta por uma camada de muco, que a protege da agressão
 do suco gástrico, bastante corrosivo. Apesar de estarem protegidas por essa densa camada
 de muco, as células da mucosa estomacal são continuamente lesadas e mortas pela ação
 do suco gástrico. Por isso, a mucosa está sempre sendo regenerada. Estima-se que nossa
 superfície estomacal seja totalmente reconstituída a cada três dias. Eventualmente ocorre
 desequilíbrio entre o ataque e a proteção, o que resulta em inflamação difusa da mucosa
 (gastrite) ou mesmo no aparecimento de feridas dolorosas que sangram (úlceras gástricas).
       A mucosa gástrica produz também o fator intrínseco, necessário à absorção da
 vitamina B12.
       O bolo alimentar pode permanecer no estômago por até quatro horas ou mais e, ao se
 misturar ao suco gástrico, auxiliado pelas contrações da musculatura estomacal,
 transforma-se em uma massa cremosa acidificada e semilíquida, o quimo.
       Passando por um esfíncter muscular (o piloro), o quimo vai sendo, aos poucos,
 liberado no intestino delgado, onde ocorre a maior parte da digestão.

6.6 - INTESTINO DELGADO
     O intestino delgado é um tubo com pouco mais de 6 m de comprimento por 4cm de
 diâmetro e pode ser dividido em três regiões: duodeno (cerca de 25 cm), jejuno (cerca de 5
76

m) e íleo (cerca de 1,5 cm). A porção superior ou duodeno tem a forma de ferradura e
compreende o piloro, esfíncter muscular da parte inferior do estômago pela qual este
esvazia seu conteúdo no intestino.
     A digestão do quimo ocorre predominantemente no duodeno e nas primeiras porções
do jejuno. No duodeno atua também o suco pancreático, produzido pelo pâncreas, que
contêm diversas enzimas digestivas. Outra secreção que atua no duodeno é a bile,
produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar. O pH da bile oscila entre 8,0 e 8,5. Os
sais biliares têm ação detergente, emulsificando ou emulsionando as gorduras
(fragmentando suas gotas em milhares de microgotículas).


                                                          O suco pancreático, produzido pelo
                                                   pâncreas, contém água, enzimas e
                                                   grandes quantidades de bicarbonato de
                                                   sódio. O pH do suco pancreático oscila
                                                   entre 8,5 e 9. Sua secreção digestiva é
                                                   responsável pela hidrólise da maioria
                                                   das moléculas de alimento, como
                                                   carboidratos, proteínas, gorduras e
                                                   ácidos nucléicos.
                                                          A amilase pancreática fragmenta o
                                                   amido em moléculas de maltose; a
                                                   lípase pancreática hidrolisa as moléculas
                                                   de um tipo de gordura – os
                                                   triacilgliceróis, originando glicerol e
                                                   álcool; as nucleases atuam sobre os
                                                   ácidos nucléicos, separando seus
                                                   nucleotídeos.


      O suco pancreático contém ainda o tripsinogênio e o quimiotripsinogênio, formas
inativas em que são secretadas as enzimas proteolíticas tripsina e quimiotripsina. Sendo
produzidas na forma inativa, as proteases não digerem suas células secretoras. Na luz do
duodeno, o tripsinogênio entra em contato com a enteroquinase, enzima secretada pelas
células da mucosa intestinal, convertendo-se me tripsina, que por sua vez contribui para a
conversão do precursor inativo quimiotripsinogênio em quimiotripsina, enzima ativa.




     A tripsina e a quimiotripsina hidrolisam polipeptídios, transformando-os em
oligopeptídeos. A pepsina, a tripsina e a quimiotripsina rompem ligações peptídicas
específicas ao longo das cadeias de aminoácidos.
     A mucosa do intestino delgado secreta o suco entérico, solução rica em enzimas e de
pH aproximadamente neutro. Uma dessas enzimas é a enteroquinase. Outras enzimas são
as dissacaridades, que hidrolisam dissacarídeos em monossacarídeos (sacarase, lactase,
maltase). No suco entérico há enzimas que dão seqüência à hidrólise das proteínas: os
oligopeptídeos sofrem ação das peptidases, resultando em aminoácidos.
77


        Suco digestivo            Enzima               pH ótimo Substrato           Produtos

        Saliva                    Ptialina             neutro     polissacarídeos maltose

        Suco gástrico             Pepsina              ácido      proteínas         oligopeptídeos

                                  Quimiotripsina       alcalino   proteínas         peptídeos
                                  Tripsina             alcalino   proteínas         peptídeos
                                  Amilopepsina         alcalino   polissacarídeos   maltose
        Suco pancreático
                                  Rnase                alcalino   RNA               ribonucleotídeos
                                  Dnase                alcalino   DNA               desoxirribonucleotídeos
                                  Lipase               alcalino   lipídeos          glicerol e ácidos graxos

                                    Carboxipeptidase   alcalino   oligopeptídeos    aminoácidos
                                    Aminopeptidase     alcalino   oligopeptídeos    aminoácidos
                                    Dipeptidase        alcalino   dipeptídeos       aminoácidos
        Suco intestinal ou entérico
                                    Maltase            alcalino   maltose           glicose
                                    Sacarase           alcalino   sacarose          glicose e frutose
                                    Lactase            alcalino   lactose           glicose e galactose



       No intestino, as contrações rítmicas e os movimentos peristálticos das paredes
 musculares, movimentam o quimo, ao mesmo tempo em que este é atacado pela bile,
 enzimas e outras secreções, sendo transformado em quilo.
       A absorção dos nutrientes ocorre através de mecanismos ativos ou passivos, nas
 regiões do jejuno e do íleo. A superfície interna, ou mucosa, dessas regiões, apresenta,
 além de inúmeros dobramentos
 maiores, milhões de pequenas
 dobras (4 a 5 milhões),
 chamadas      vilosidades;   um
 traçado     que     aumenta   a
 superfície      de     absorção
 intestinal. As membranas das
 próprias células do epitélio
 intestinal apresentam, por sua
 vez, dobrinhas microscópicas
 denominadas microvilosidades.
 O intestino delgado também
 absorve a água ingerida, os
 íons e as vitaminas.
                              Imagem:
                                                                               www.webciencia.com/11_13intes.htm
       Os nutrientes absorvidos pelos vasos sanguíneos do intestino passam ao fígado para
 serem distribuídos pelo resto do organismo. Os produtos da digestão de gorduras
 (principalmente glicerol e ácidos graxos isolados) chegam ao sangue sem passar pelo
 fígado, como ocorre com outros nutrientes. Nas células da mucosa, essas substâncias são
 reagrupadas em triacilgliceróis (triglicerídeos) e envelopadas por uma camada de proteínas,
 formando os quilomícrons, transferidos para os vasos linfáticos e, em seguida, para os
 vasos sangüíneos, onde alcançam as células gordurosas (adipócitos), sendo, então,
 armazenados.

6.7 - INTESTINO GROSSO
       É o local de absorção de água,
 tanto a ingerida quanto a das secreções
 digestivas. Uma pessoa bebe cerca de
 1,5 litros de líquidos por dia, que se une
 a 8 ou 9 litros de água das secreções.
 Glândulas da mucosa do intestino
 grosso secretam muco, que lubrifica as
 fezes, facilitando seu trânsito e
 eliminação pelo ânus.
78

       Mede cerca de 1,5 m de comprimento e divide-se em ceco, cólon ascendente, cólon
 transverso, cólon descendente, cólon sigmóide e reto. A saída do reto chama-se ânus e é
 fechada por um músculo que o rodeia, o esfíncter anal.
      Numerosas bactérias vivem em mutualismo no intestino grosso. Seu trabalho consiste
 em dissolver os restos alimentícios não assimiláveis, reforçar o movimento intestinal e
 proteger o organismo contra bactérias estranhas, geradoras de enfermidades.
      As fibras vegetais, principalmente a celulose, não são digeridas nem absorvidas,
 contribuindo com porcentagem significativa da massa fecal. Como retêm água, sua
 presença torna as fezes macias e fáceis de serem eliminadas.
      O intestino grosso não possui vilosidades nem secreta sucos digestivos, normalmente
 só absorve água, em quantidade bastante consideráveis. Como o intestino grosso absorve
 muita água, o conteúdo intestinal se condensa até formar detritos inúteis, que são
 evacuados.

6.8 - GLÂNDULAS ANEXAS

6.8.1 - Pâncreas

                                                             O pâncreas é uma glândula
                                                       mista, de mais ou menos 15 cm de
                                                       comprimento      e   de      formato
                                                       triangular,               localizada
                                                       transversalmente sobre a parede
                                                       posterior do abdome, na alça
                                                       formada pelo duodeno, sob o
                                                       estômago. O pâncreas é formado
                                                       por uma cabeça que se encaixa no
                                                       quadro duodenal, de um corpo e
                                                       de uma cauda afilada. A secreção
                                                       externa dele é dirigida para o
                                                       duodeno pelos canais de Wirsung
                                                       e de Santorini. O canal de Wirsung
                                                       desemboca ao lado do canal
                                                       colédoco na ampola de Vater. O
Imagem: www.webciencia.com/11_17pancreas.htm           pâncreas comporta dois órgãos
                                                       estreitamente           imbricados:
                                                       pâncreas exócrino e o endócrino.
      O pâncreas exócrino produz enzimas digestivas, em estruturas reunidas denominadas
 ácinos. Os ácinos pancreáticos estão ligados através de finos condutos, por onde sua
 secreção é levada até um condutor maior, que desemboca no duodeno, durante a digestão.
      O pâncreas endócrino secreta os hormônios insulina e glucagon, já trabalhados no
 sistema endócrino.

6.8.2 - Fígado



                                                     É o maior órgão interno, e é ainda
                                                um dos mais importantes. É a mais
                                                volumosa de todas as vísceras, pesa
                                                cerca de 1,5 kg no homem adulto, e na
                                                mulher adulta entre 1,2 e 1,4 kg. Tem cor
                                                arroxeada, superfície lisa e recoberta por
                                                uma cápsula própria. Está situado no
                                                quadrante superior direito da cavidade
                                                abdominal.
79

      O tecido hepático é constituído por formações diminutas que recebem o nome de
lobos, compostos por colunas de células hepáticas ou hepatócitos, rodeadas por canais
diminutos (canalículos), pelos quais passa a bile, secretada pelos hepatócitos. Estes canais
se unem para formar o ducto hepático que, junto com o ducto procedente da vesícula biliar,
forma o ducto comum da bile, que descarrega seu conteúdo no duodeno.
      As células hepáticas ajudam o sangue a assimilar as substâncias nutritivas e a excretar
os materiais residuais e as toxinas, bem como esteróides, estrógenos e outros hormônios. O
fígado é um órgão muito versátil. Armazena glicogênio, ferro, cobre e vitaminas. Produz
carboidratos a partir de lipídios ou de proteínas, e lipídios a partir de carboidratos ou de
proteínas. Sintetiza também o colesterol e purifica muitos fármacos e muitas outras
substâncias. O termo hepatite é usado para definir qualquer inflamação no fígado, como a
cirrose.

      6.8.2.1 - Funções do fígado:

  •    Secretar a bile, líquido que atua no emulsionamento das gorduras ingeridas, facilitando,
       assim, a ação da lipase;
  •    Remover moléculas de glicose no sangue, reunindo-as quimicamente para formar
       glicogênio, que é armazenado; nos momentos de necessidade, o glicogênio é
       reconvertido em moléculas de glicose, que são relançadas na circulação;
  •    Armazenar ferro e certas vitaminas em suas células;
  •    Metabolizar lipídeos;
  •    Sintetizar diversas proteínas presentes no sangue, de fatores imunológicos e de
       coagulação e de substâncias transportadoras de oxigênio e gorduras;
  •    Degradar álcool e outras substâncias tóxicas, auxiliando na desintoxicação do
       organismo;
  •    Destruir hemácias (glóbulos vermelhos) velhas ou anormais, transformando sua
       hemoglobina em bilirrubina, o pigmento castanho-esverdeado presente na bile.




                    7 - SISTEMA URINÁRIO/EXCRETOR
     O sistema excretor é formado por um conjunto de órgãos que filtram o sangue,
produzem e excretam a urina - o principal líquido de excreção do organismo. É constituído
por um par de rins, um par de ureteres, pela bexiga urinária e pela uretra.
      Os rins situam-se na parte dorsal do
abdome, logo abaixo do diafragma, um de
cada lado da coluna vertebral, nessa
posição estão protegidos pelas últimas
costelas e também por uma camada de
gordura. Têm a forma de um grão de feijão
enorme e possuem uma cápsula fibrosa,
que protege o córtex - mais externo, e a
medula - mais interna.
      Cada rim é formado de tecido
conjuntivo, que sustenta e dá forma ao
órgão, e por milhares ou milhões de
unidades      filtradoras,   os   néfrons,
localizados na região renal.
      O néfron é uma longa estrutura
tubular microscópica que possui, em uma
das extremidades, uma expansão em
forma de taça, denominada cápsula de
Bowman, que se conecta com o túbulo
contorcido proximal, que continua pela
alça de Henle e pelo túbulo contorcido
distal; este desemboca em um tubo Imagem:
80


 coletor. São responsáveis pela filtração do www.drgate.com.br/almanaque/atlas/excretor/excretor.htm
 sangue e remoção das excreções.



7.1 - Como funcionam os rins
       O sangue chega ao rim através da artéria renal, que se ramifica muito no interior do
 órgão, originando grande número de arteríolas aferentes, onde cada uma ramifica-se no
 interior da cápsula de Bowman do néfron, formando um enovelado de capilares denominado
 glomérulo de Malpighi.
       O sangue arterial é conduzido sob alta pressão nos capilares do glomérulo. Essa
 pressão, que normalmente é de 70 a 80 mmHg, tem intensidade suficiente para que parte
 do plasma passe para a cápsula de Bowman, processo denominado filtração. Essas
 substâncias extravasadas para a cápsula de Bowman constituem o filtrado glomerular,
 queé semelhante, em composição química, ao plasma sanguíneo, com a diferença de que
 não possui proteínas, incapazes de atravessar os capilares glomerulares.
                                                                        O filtrado glomerular passa em
                                                                  seguida para o túbulo contorcido
                                                                  proximal, cuja parede é formada
                                                                  por células adaptadas ao transporte
                                                                  ativo.     Nesse     túbulo,   ocorre
                                                                  reabsorção ativa de sódio. A saída
                                                                  desses íons provoca a remoção de
                                                                  cloro, fazendo com que a
                                                                  concentração do líquido dentro
                                                                  desse tubo fique menor (hipotônico)
                                                                  do que do plasma dos capilares
                                                                  que o envolvem. Com isso, quando
                                                                  o líquido percorre o ramo
                                                                  descendente da alça de Henle, há
                                                                  passagem de água por osmose do
                                                                  líquido tubular (hipotônico) para os
                                                                  capilares sangüíneos (hipertônicos)
                                                                  – ao que chamamos reabsorção.
                                                                  O ramo descendente percorre
                                                                  regiões do rim com gradientes
                                                                  crescentes       de     concentração.
                                                                  Conseqüentemente,         ele   perde
                                                                  ainda mais água para os tecidos,
                                                                  de forma que, na curvatura da alça
Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro,
Ed. Interamericana, 1981.                                         de Henle, a concentração do
                                                                  líquido tubular é alta.
      Esse líquido muito concentrado passa então a percorrer o ramo ascendente da alça de
 Henle, que é formado por células impermeáveis à água e que estão adaptadas ao
 transporte ativo de sais. Nessa região, ocorre remoção ativa de sódio, ficando o líquido
 tubular hipotônico. Ao passar pelo túbulo contorcido distal, que é permeável à água, ocorre
 reabsorção por osmose para os capilares sangüíneos. Ao sair do néfron, a urina entra nos
 dutos coletores, onde ocorre a reabsorção final de água.
      Dessa forma, estima-se que em 24 horas são filtrados cerca de 180 litros de fluido do
 plasma; porém são formados apenas 1 a 2 litros de urina por dia, o que significa que
 aproximadamente 99% do filtrado glomerular é reabsorvido.
      Além desses processos gerais descritos, ocorre, ao longo dos túbulos renais,
 reabsorção ativa de aminoácidos e glicose. Desse modo, no final do túbulo distal, essas
 substâncias já não são mais encontradas.
      Os capilares que reabsorvem as substâncias úteis dos túbulos renais se reúnem para
 formar um vaso único, a veia renal, que leva o sangue para fora do rim, em direção ao
 coração.
81

7.2 - Regulação da função renal
       A regulação da função renal relaciona-se basicamente com a regulação da quantidade
 de líquidos do corpo. Havendo necessidade de reter água no interior do corpo, a urina fica
 mais concentrada, em função da maior reabsorção de água; havendo excesso de água no
 corpo, a urina fica menos concentrada, em função da menor reabsorção de água.
       O principal agente regulador do equilíbrio hídrico no corpo humano é o hormônio ADH
 (antidiurético), produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise. A concentração do
 plasma sangüíneo é detectada por receptores osmóticos localizados no hipotálamo.
 Havendo aumento na concentração do plasma (pouca água), esses osmorreguladores
 estimulam a produção de ADH. Esse hormônio passa para o sangue, indo atuar sobre os
 túbulos distais e sobre os túbulos coletores do néfron, tornando as células desses tubos
 mais permeáveis à água. Dessa forma, ocorre maior reabsorção de água e a urina fica mais
 concentrada. Quando a concentração do plasma é baixa (muita água), há inibição da
 produção do ADH e, conseqüentemente, menor absorção de água nos túbulos distais e
 coletores, possibilitando a excreção do excesso de água, o que torna a urina mais diluída.




         Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.

       Certas substâncias, como é o caso
 do álcool, inibem a secreção de ADH,
 aumentando a produção de urina.
       Além do ADH, há outro hormônio
 participante do equilíbrio hidro-iônico do
 organismo: a aldosterona, produzida nas
 glândulas supra-renais. Ela aumenta a
 reabsorção ativa de sódio nos túbulos
 renais, possibilitando maior retenção de
 água no organismo. A produção de
 aldosterona é regulada da seguinte
 maneira: quando a concentração de sódio
 dentro do túbulo renal diminui, o rim
 produz uma proteína chamada renina,
 que age sobre uma proteína produzida no
 fígado    e   encontrada     no    sangue
 denominada angiotensinogênio (inativo),
 convertendo-a em angiotensina (ativa).
 Essa substância estimula as glândulas Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de
 supra-renais a produzirem a aldosterona.   Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.
82




                    Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.
       OBS: Ocorre, também, ao longo dos túbulos renais, reabsorção ativa de aminoácidos
 e glicose. Desse modo, no final do túbulo distal essas substâncias já não são mais
 encontradas.



7.3 - Regulação da função renal - resumo
       HORMÔNIO ANTIDIURÉTICO (ADH): principal agente fisiológico regulador do
 equilíbrio hídrico, produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise.
        Aumento na concentração do plasma (pouca água)  receptores osmóticos
 localizados no hipotálamo  produção de ADH  sangue  túbulos distal e coletor do
 néfron células mais permeáveis à água  reabsorção de água  urina mais concentrada.
        Concentração do plasma baixa (muita água) e álcool  inibição de ADH  menor
 absorção de água nos túbulos distal e coletor  urina mais diluída.
        ALDOSTERONA: produzida nas glândulas supra-renais, aumenta a absorção ativa de
 sódio e a secreção ativa de potássio nos túbulos distal e coletor.

                                A ELIMINAÇÃO DE URINA


                      Ureter
                             Os néfrons desembocam em dutos coletores, que se unem
                       para formar canais cada vez mais grossos. A fusão dos dutos
                       origina um canal único, denominado ureter, que deixa o rim em
                       direção à bexiga urinária.

                      Bexiga urinária

                              A bexiga urinária é uma bolsa de parede elástica, dotada de
                      musculatura lisa, cuja função é acumular a urina produzida nos rins.
                      Quando cheia, a bexiga pode conter mais de ¼ de litro (250 ml) de
                      urina, que é eliminada periodicamente através da uretra.

                      Uretra
                            A uretra é um tubo que parte da bexiga e termina, na mulher,
                       na região vulvar e, no homem, na extremidade do pênis. Sua
                       comunicação com a bexiga mantém-se fechada por anéis
                       musculares - chamados esfíncteres. Quando a musculatura desses
                       anéis relaxa-se e a musculatura da parede da bexiga contrai-se,
                       urinamos.
83


                       SISTEMAS REPRODUTORES


                 8 - SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO
       O sistema reprodutor masculino é formado por:
               •Testículos ou gônadas
               •Vias espermáticas: epidídimo, canal deferente, uretra.
               •Pênis
               •Escroto
               •Glândulas anexas: próstata, vesículas seminais, glândulas bulbouretrais.



Testículos: são as gônadas masculinas. Cada testículo é composto por um
emaranhado de tubos, os ductos seminíferos Esses ductos são formados pelas
células de Sértoli (ou de
sustento) e pelo epitélio
germinativo,          onde
ocorrerá a formação dos
espermatozóides.        Em
meio        aos     ductos
seminíferos, as células
intersticiais ou de Leydig
(nomenclatura       antiga)
produzem os hormônios
sexuais         masculinos,
sobretudo a testosterona,
responsáveis           pelo
desenvolvimento         dos
órgãos             genitais
masculinos       e      dos
caracteres         sexuais
secundários:

   •    Estimulam            os
        folículos pilosos para
        que façam crescer a
        barba masculina e o
        pêlo pubiano.
   •    Estimulam             o
        crescimento         das
        glândulas sebáceas e
        a     elaboração     do
        sebo.
   •    Produzem o aumento
        de massa muscular
        nas crianças durante
        a puberdade, pelo
        aumento do tamanho
        das              fibras
        musculares.
   •    Ampliam a laringe e
        tornam mais grave a
        voz.
   •    Fazem com que o
        desenvolvimento da massa óssea seja maior, protegendo contra a osteoporose.
84

      Epidídimos: são dois tubos enovelados que partem dos testículos, onde os
espermatozóides são armazenados.
      Canais deferentes: são dois tubos que partem dos testículos, circundam a bexiga
urinária e unem-se ao ducto ejaculatório, onde desembocam as vesículas seminais.
      Vesículas seminais: responsáveis pela produção de um líquido, que será liberado no
ducto ejaculatório que, juntamente com o líquido prostático e espermatozóides, entrarão na
composição do sêmen. O líquido das vesículas seminais age como fonte de energia para os
espermatozóides e é constituído principalmente por frutose, apesar de conter fosfatos,
nitrogênio não protéico, cloretos, colina (álcool de cadeia aberta considerado como
integrante do complexo vitamínico B) e prostaglandinas (hormônios produzidos em
numerosos tecidos do corpo. Algumas prostaglandinas atuam na contração da musculatura
lisa do útero na dismenorréia – cólica menstrual, e no orgasmo; outras atuam promovendo
vasodilatação em artérias do cérebro, o que talvez justifique as cefaléias – dores de cabeça
– da enxaqueca. São formados a partir de ácidos graxos insaturados e podem ter a sua
síntese interrompida por analgésicos e antiinflamatórios).
      Próstata: glândula localizada abaixo da bexiga urinária. Secreta substâncias alcalinas
que neutralizam a acidez da urina e ativa os espermatozóides.
      Glândulas Bulbo Uretrais ou de Cowper: sua secreção transparente é lançada
dentro da uretra para limpá-la e preparar a passagem dos espermatozóides. Também tem
função na lubrificação do pênis durante o ato sexual.
      Pênis: é considerado o principal
órgão do aparelho sexual masculino,
sendo formado por dois tipos de tecidos
cilíndricos: dois corpos cavernosos e um
corpo esponjoso (envolve e protege a
uretra). Na extremidade do pênis
encontra-se a glande - cabeça do
pênis, onde podemos visualizar a
abertura da uretra. Com a manipulação
da pele que a envolve - o prepúcio -
acompanhado de estímulo erótico,
ocorre a inundação dos corpos
cavernosos e esponjoso, com sangue,
tornando-se rijo, com considerável
aumento do tamanho (ereção). O
prepúcio deve ser puxado e higienizado a fim de se retirar dele o esmegma (uma secreção
sebácea espessa e esbranquiçada, com forte odor, que consiste principalmente em células
epiteliais descamadas que se acumulam debaixo do prepúcio). Quando a glande não
consegue ser exposta devido ao estreitamento do prepúcio, diz-se que a pessoa tem
fimose.
      A uretra é comumente um canal destinado para a urina, mas os músculos na entrada
da bexiga se contraem durante a ereção para que nenhuma urina entre no sêmen e nenhum
sêmen entre na bexiga. Todos os espermatozóides não ejaculados são reabsorvidos pelo
corpo dentro de algum tempo.
      Saco Escrotal ou Bolsa Escrotal ou Escroto: Um espermatozóide leva cerca de 70
dias para ser produzido. Eles não podem se desenvolver adequadamente na temperatura
normal do corpo (36,5°C). Assim, os testículos se localizam na parte externa do corpo,
dentro da bolsa escrotal, que tem a função de termorregulação (aproximam ou afastam os
testículos do corpo), mantendo-os a uma temperatura geralmente em torno de 1 a 3 °C
abaixo da corporal.

     PUBERDADE: os testículos da criança permanecem inativos até que são estimulados
entre 10 e 14 anos pelos hormônios gonadotróficos da glândula hipófise (pituitária)
     O     hipotálamo    libera  FATORES        LIBERADORES         DOS       HORMÔNIOS
GONADOTRÓFICOS que fazem a hipófise liberar FSH (hormônio folículo estimulante) e LH
(hormônio luteinizante).
     FSH à estimula a espermatogênese pelas células dos túbulos seminíferos.
85

      LH à estimula a produção de testosterona pelas células intersticiais dos testículos à
 características sexuais secundárias, elevação do desejo sexual.

TESTOSTERONA
      Efeito na Espermatogênese. A testosterona faz com que os testículos cresçam. Ela
 deve estar presente, também, junto com o folículo estimulante, antes que a
 espermatogênese se complete.
      Efeito nos caracteres sexuais masculinos. Depois que um feto começa a se
 desenvolver no útero materno, seus testículos começam a secretar testosterona, quando
 tem poucas semanas de vida apenas. Essa testosterona, então, auxilia o feto a desenvolver
 órgãos sexuais masculinos e características secundárias masculinas. Isto é, acelera a
 formação do pênis, da bolsa escrotal, da próstata, das vesículas seminais, dos ductos
 deferentes e dos outros órgãos sexuais masculinos. Além disso, a testosterona faz com que
 os testículos desçam da cavidade abdominal para a bolsa escrotal; se a produção de
 testosterona pelo feto é insuficiente, os testículos não conseguem descer; permanecem na
 cavidade abdominal. A secreção da testosterona pelos testículos fetais é estimulada por um
 hormônio chamado gonadotrofina coriônica, formado na placenta durante a gravidez.
 Imediatamente após o nascimento da criança, a perda de conexão com a placenta remove
 esse feito estimulador, de modo que os testículos deixam de secretar testosterona. Em
 conseqüência, as características sexuais interrompem seu desenvolvimento desde o
 nascimento até à puberdade. Na puberdade, o reaparecimento da secreção de testosterona
 induz os órgãos sexuais masculinos a retomar o crescimento. Os testículos, a bolsa escrotal
 e o pênis crescem, então, aproximadamente mais 10 vezes.
      Efeito nos caracteres sexuais secundários. Além dos efeitos sobre os órgãos
 genitais, a testosterona exerce outros efeitos gerais por todo o organismo para dar ao
 homem adulto suas características distintivas. Faz com que os pêlos cresçam na face, ao
 longo da linha média do abdome, no púbis e no tórax. Origina, porém, a calvície nos
 homens que tenham predisposição hereditária para ela. Estimula o crescimento da laringe,
 de maneira que o homem, após a puberdade fica com a voz mais grave. Estimula um
 aumento na deposição de proteína nos músculos, pele, ossos e em outras partes do corpo,
 de maneira que o adolescente do sexo masculino se torna geralmente maior e mais
 musculoso do que a mulher, nessa fase. Algumas vezes, a testosterona também promove
 uma secreção anormal das glândulas sebáceas da pele, fazendo com que se desenvolva a
 acne pós-puberdade na face.
      Na ausência de testosterona, as características sexuais secundárias não se
 desenvolvem e o indivíduo mantém um aspecto sexualmente infantil.

‾Hormônios Sexuais Masculinos

Glândula        Hormônio         Órgão-alvo             Principais ações

                                                        estimulam a produção de testosterona pelas
Hipófise        FSH e LH         testículos             células de Leydig (intersticiais) e controlam a
                                                        produção de espermatozóides.

                                                        estimula o aparecimento       dos   caracteres
                                 diversos
                                                        sexuais secundários.
Testículos      Testosterona
                                                        induz o amadurecimento dos órgãos genitais,
                                 Sistema Reprodutor     promove o impulso sexual e controla a
                                                        produção de espermatozóides




                 9 - SISTEMA REPRODUTOR FEMININO


      O sistema reprodutor feminino é constituído por dois ovários, duas tubas uterinas
 (trompas de Falópio), um útero, uma vagina, uma vulva. Ele está localizado no interior da
 cavidade pélvica. A pelve constitui um marco ósseo forte que realiza uma função protetora.
86




      A vagina é um canal de 8 a 10 cm de
comprimento, de paredes elásticas, que liga o
colo do útero aos genitais externos. Contém
de cada lado de sua abertura, porém
internamente, duas glândulas denominadas
glândulas de Bartholin, que secretam um
muco lubrificante.
      A entrada da vagina é protegida por uma
membrana circular - o hímen - que fecha
parcialmente o orifício vulvo-vaginal e é quase
sempre perfurado no centro, podendo ter
formas diversas. Geralmente, essa membrana
se rompe nas primeiras relações sexuais.
      A vagina é o local onde o pênis deposita
os espermatozóides na relação sexual. Além
de possibilitar a penetração do pênis, possibilita a expulsão da menstruação e, na hora do
parto, a saída do bebê.
      A genitália externa ou vulva é delimitada e protegida por duas pregas cutâneo-
mucosas intensamente irrigadas e inervadas - os grandes lábios. Na mulher
reprodutivamente madura, os grandes lábios são recobertos por pêlos pubianos. Mais
internamente, outra prega cutâneo-mucosa envolve a abertura da vagina - os pequenos
lábios - que protegem a abertura da uretra e da vagina. Na vulva também está o clitóris,
formado por tecido esponjoso erétil, homólogo ao pênis do homem.
      Ovários: são as gônadas femininas.
Produzem estrógeno e progesterona,
hormônios sexuais femininos que serão
vistos mais adiante.


      No   final    do    desenvolvimento
embrionário de uma menina, ela já tem
todas as células que irão transformar-se
em gametas nos seus dois ovários. Estas
células - os ovócitos primários -
encontram-se dentro de estruturas
denominadas folículos de Graaf ou
folículos  ovarianos.     A     partir da
adolescência, sob ação hormonal, os folículos ovarianos começam a crescer e a
desenvolver. Os folículos em desenvolvimento secretam o hormônio estrógeno.
Mensalmente, apenas um folículo geralmente completa o desenvolvimento e a maturação,
rompendo-se e liberando o ovócito secundário (gaemta feminino): fenômeno conhecido
como ovulação. Após seu rompimento, a massa celular resultante transforma-se em corpo
lúteo ou amarelo, que passa a secretar os hormônios progesterona e estrógeno. Com o
tempo, o corpo lúteo regride e converte-se em corpo albicans ou corpo branco, uma
pequena cicatriz fibrosa que irá permanecer no ovário.
87

      O gameta feminino liberado na superfície de um dos ovários é recolhido por finas
 terminações das tubas uterinas - as fímbrias.
      Tubas uterinas, ovidutos ou trompas de Falópio: são dois ductos que unem o
 ovário ao útero. Seu epitélio de revestimento é formados por células ciliadas. Os batimentos
 dos cílios microscópicos e os movimentos peristálticos das tubas uterinas impelem o
 gameta feminino até o útero.




                              Útero: órgão oco situado na cavidade pélvica anteriormente à
                        bexiga e posteriormente ao reto, de parede muscular espessa
                        (miométrio) e com formato de pêra invertida. É revestido
                        internamente por um tecido vascularizado rico em glândulas - o
                        endométrio.

                            A pituitária (hipófise) anterior das meninas, como a dos
                       meninos, não secreta praticamente nenhum hormônio gonadotrópico
                       até à idade de 10 a 14 anos. Entretanto, por essa época, começa a
                       secretar dois hormônios gonadotrópicos. No inicio, secreta
 principalmente o hormônio foliculo-estimulante (FSH), que inicia a vida sexual na menina em
 crescimento; mais tarde, secreta o harmônio luteinizante (LH), que auxilia no controle do
 ciclo menstrual.
       Hormônio Folículo-Estimulante: causa a proliferação das células foliculares
 ovarianas e estimula a secreção de estrógeno, levando as cavidades foliculares a
 desenvolverem-se e a crescer.
       Hormônio Luteinizante: aumenta ainda mais a secreção das células foliculares,
 estimulando a ovulação.

Hormônios Sexuais Femininos
       Os dois hormônios ovarianos, o estrogênio e a progesterona, são responsáveis pelo
 desenvolvimento sexual da mulher e pelo ciclo menstrual. Esses hormônios, como os
 hormônios adrenocorticais e o hormônio masculino testosterona, são ambos compostos
 esteróides, formados, principalmente, de um lipídio, o colesterol. Os estrogênios são,
 realmente, vários hormônios diferentes chamados estradiol, estriol e estrona, mas que têm
 funções idênticas e estruturas químicas muito semelhantes. Por esse motivo, são
 considerados juntos, como um único hormônio.
       Funções do Estrogênio: o estrogênio induz as células de muitos locais do organismo,
 a proliferar, isto é, a aumentar em número. Por exemplo, a musculatura lisa do útero,
 aumenta tanto que o órgão, após a puberdade, chega a duplicar ou, mesmo, a triplicar de
 tamanho. O estrogênio também provoca o aumento da vagina e o desenvolvimento dos
 lábios que a circundam, faz o púbis se cobrir de pêlos, os quadris se alargarem e o estreito
 pélvico assumir a forma ovóide, em vez de afunilada como no homem; provoca o
 desenvolvimento das mamas e a proliferação dos seus elementos glandulares, e,
 finalmente, leva o tecido adiposo a concentrar-se, na mulher, em áreas como os quadris e
 coxas, dando-lhes o arredondamento típico do sexo. Em resumo, todas as características
 que distinguem a mulher do homem são devido ao estrogênio e a razão básica para o
88

 desenvolvimento dessas características é o estímulo à proliferação dos elementos celulares
 em certas regiões do corpo.
      O estrogênio também estimula o crescimento de todos os ossos logo após a
 puberdade, mas promove rápida calcificação óssea, fazendo com que as partes dos ossos
 que crescem se "extingam" dentro de poucos anos, de forma que o crescimento, então,
 pára. A mulher, nessa fase, cresce mais rapidamente que o homem, mas pára após os
 primeiros anos da puberdade; já o homem tem um crescimento menos rápido, porém mais
 prolongado, de modo que ele assume uma estatura maior que a da mulher, e, nesse ponto,
 também se diferenciam os dois sexos.
      O estrogênio tem, outrossim, efeitos muito importantes no revestimento interno do
 útero, o endométrio, no ciclo menstrual.
      Funções da Progesterona: a progesterona tem pouco a ver com o desenvolvimento
 dos caracteres sexuais femininos; está principalmente relacionada com a preparação do
 útero para a aceitação do embrião e à preparação das mamas para a secreção láctea. Em
 geral, a progesterona aumenta o grau da atividade secretória das glândulas mamárias e,
 também, das células que revestem a parede uterina, acentuando o espessamento do
 endométrio e fazendo com que ele seja intensamente invadido por vasos sangüíneos;
 determina, ainda, o surgimento de numerosas glândulas produtoras de glicogênio.
 Finalmente, a progesterona inibe as contrações do útero e impede a expulsão do embrião
 que se está implantando ou do feto em desenvolvimento.

CICLO MENSTRUAL
       O ciclo menstrual na mulher é causado pela secreção alternada dos hormônios
 folículo-estimulante e luteinizante, pela pituitária (hipófise) anterior (adenohipófise), e dos
 estrogênios e progesterona, pelos ovários. O ciclo de fenômenos que induzem essa
 alternância tem a seguinte explicação:
       1. No começo do ciclo menstrual, isto é, quando a menstruação se inicia, a pituitária
 anterior secreta maiores quantidades de hormônio folículo-estimulante juntamente com
 pequenas quantidades de hormônio luteinizante. Juntos, esses hormônios promovem o
 crescimento de diversos folículos nos ovários e acarretam uma secreção considerável de
 estrogênio (estrógeno).
       2. Acredita-se que o estrogênio tenha, então, dois efeitos seqüenciais sobre a
 secreção da pituitária anterior. Primeiro, inibiria a secreção dos hormônios folículo-
 estimulante e luteinizante, fazendo com que suas taxas declinassem a um mínimo por volta
 do décimo dia do ciclo. Depois, subitamente a pituitária anterior começaria a secretar
 quantidades muito elevadas de ambos os hormônios mas principalmente do hormônio
 luteinizante. É essa fase de aumento súbito da secreção que provoca o rápido
 desenvolvimento final de um dos folículos ovarianos e a sua ruptura dentro de cerca de dois
 dias.
       3. O processo de ovulação, que ocorre por volta do décimo quarto dia de um ciclo
 normal de 28 dias, conduz ao desenvolvimento do corpo lúteo ou corpo amarelo, que
 secreta quantidades elevadas de progesterona e quantidades consideráveis de estrogênio.
       4. O estrogênio e a progesterona secretados pelo corpo lúteo inibem novamente a
 pituitária anterior, diminuindo a taxa de secreção dos hormônios folículo-estimulante e
 luteinizante. Sem esses hormônios para estimulá-lo, o corpo lúteo involui, de modo que a
 secreção de estrogênio e progesterona cai para níveis muito baixos. É nesse momento que
 a menstruação se inicia, provocada por esse súbito declínio na secreção de ambos os
 hormônios.
       5. Nessa ocasião, a pituitária anterior, que estava inibida pelo estrogênio e pela
 progesterona, começa a secretar outra vez grandes quantidades de hormônio folículo-
 estimulante, iniciando um novo ciclo. Esse processo continua durante toda a vida
 reprodutiva da mulher.
89




                                                                   1º dia do ciclo  endométrio bem desenvolvido,
                                                                   espesso e vascularizado começa a descamar 
                                                                   menstruação
                                                                   
                                                                   hipófise aumenta a produção de FSH, que atinge
                                                                   a concentração máxima por volta do 7º dia do
                                                                   ciclo.
                                                                   
                                                                   amadurecimento dos folículos ovarianos
                                                                   
                                                                   secreção de estrógeno pelo folículo em
                                                                   desenvolvimento
                                                                   
                                                                   concentração alta de estrógeno inibe secreção de
       OBSERVAÇÃO: a ovulação ocorre aproximadamente               FSH e estimula a secreção de LH pela hipófise /
entre 10-12 horas após o pico de LH. No ciclo regular, o           concentração alta de estrógeno estimula
período de tempo a partir do pico de LH até a menstruação está     ocrescimento do endométrio.
constantemente próximo de 14 dias. Dessa forma, da ovulação        
até a próxima menstruação decorrem 14 dias.                        concentração alta de LH estimula a ovulação (por
       Apesar de em um ciclo de 28 dias a ovulação ocorrer         volta do 14º dia de um ciclo de 28 dias)
aproximadamente na metade do ciclo, nas mulheres que têm           
ciclos regulares, não importa a sua duração, o dia da              alta taxa de LH estimula a formação do corpo
ovulação pode ser calculado como sendo o 14º dia ANTES             lúteo ou amarelo no folículo ovariano
do início da menstruação.
                                                                   
       Generalizando, pode-se dizer que, se o ciclo menstrual
                                                                   corpo lúteo inicia a produção de progesterona
tem uma duração de n dias, o possível dia da ovulação é n –
14, considerando n = dia da próxima menstruação.                   
                                                                   estimula as glândulas do endométrio a
                                                                   secretarem seus produtos
                                                                   
                                                                   aumento da progesterona inibe produção de LH e
                                                                   FSH
                                                                   
                                                                   corpo lúteo regride e reduz concentração de
                                                                   progesterona
                                                                   
                                                                   menstruação




        Exemplo: determinada mulher, com ciclo menstrual
regular de 28 dias, resolveu iniciar um relacionamento íntimo
com seu namorado. Como não planejavam ter filhos, optaram
pelo método da tabelinha, onde a mulher calcula o período fértil
em relação ao dia da ovulação. Considerando que a mulher é
fértil durante aproximadamente nove dias por ciclo e que o
último ciclo dessa mulher iniciou-se no dia 22 de setembro de
2006, calcule seu período fértil.
90

       Resposta: Considerando o primeiro dia do ciclo como 22 e que seu ciclo é de 28 dias,
 temos:
       22 23 24 25 26 27 28 29 30
       [01 02 03 04 05 06 07 08 09]
       10 11 12 13 14 15 16 17 18 19
       Menstruará novamente no dia 19/10 (n). Ocorrendo a ovulação 14 dias ANTES da
 menstruação, esta se dará no dia 05/10 (considerando a fórmula n - 14, teremos: 19 - 14 =
 5, ou seja, dia 05 será seu provável dia de ovulação). Como seu período fértil aproximado
 localiza-se 4 dias antes e 4 dias após a ovulação, então o início dos dias férteis será 01/10 e
 o término, 09/10. Resposta: 45.
       Como é comum em algumas mulheres uma pequena variação no tamanho do ciclo
 menstrual, o cálculo para o período fértil deverá compreender o ciclo mais curto e o mais
 longo. Neste caso, primeiramente a mulher deverá anotar o 1° dia da menstruação durante
 vários meses e calcular a duração de seus ciclos (cada um deles contado do primeiro dia da
 menstruação). A partir daí, deverá proceder da seguinte forma para calcular o período fértil:
                1.       subtrair 14 dias do ciclo mais curto (dia da ovulação);
                2.       subtrair 14 dias do ciclo mais longo (dia da ovulação);
                3.       subtrair pelo menos 3 dias do dia da ovulação do ciclo mais curto e
          somar 3 dias ao dia da ovulação do ciclo mais longo.
       Exemplo: suponha que o ciclo mais curto da mulher exemplificada anteriormente
 tenha sido de 26 dias e o mais longo, de 30 dias. O cálculo do período fértil será feito assim:
                1.       subtraindo 14 dias do ciclo mais curto: 26 a ovulação deverá
          ter ocorrido no 12° dia do ciclo mais curto;
                2.       subtraindo 14 dias do ciclo mais longo: 30 a ovulação deverá
          ter ocorrido no 16° dia do ciclo mais longo;
                3.       subtraindo 3 dias do dia da ovulação do ciclo mais curto (12 e
          somando 3 dias ao dia da ovulação do ciclo mais longo (16 + 3 = 19), o período fértil
          ficará entre o 9° e o 19° dia de qualquer ciclo menstrual desta mulher. Os dias
          restantes serão os dias não-férteis.
       OBSERVAÇÃO: os cálculos acima só funcionam para mulheres com ciclos regulares
 (ou que sofrem apenas pequenas variações nos ciclos).

      Concluindo, o ciclo menstrual pode ser dividido em 4 fases:
             1.        Fase menstrual: corresponde aos dias de menstruação e dura cerca
        de 3 a 7 dias, geralmente.
             2.        Fase proliferativa ou estrogênica: período de secreção de estrógeno
        pelo folículo ovariano, que se encontra em maturação.
             3.        Fase secretora ou lútea: o final da fase proliferativa e o início da fase
        secretora é marcado pela ovulação. Essa fase é caracterizada pela intensa ação do
        corpo lúteo.
             4.        Fase pré-menstrual ou isquêmica: período de queda das
        concentrações dos hormônios ovarianos, quando a camada superficial do
        endométrio perde seu suprimento sangüíneo normal e a mulher está prestes a
        menstruar. Dura cerca de dois dias, podendo ser acompanhada por dor de cabeça,
        dor nas mamas, alterações psíquicas, como irritabilidade e insônia (TPM ou Tensão
        Pré-Menstrual).

HORMÔNIOS DA GRAVIDEZ


                                                   Gonadotrofina coriônica humana (HCG):
                                             é um hormônio glicoproteíco, secretado desde o
                                             início da formação da placenta pelas células
                                             trofoblásticas, após nidação (implantação) do
                                             blastocisto (*). A principal função fisiológica deste
                                             hormônio é a de manter o corpo lúteo, de modo
                                             que as taxas de progesterona e estrogênio não
91

 diminuam, garantindo, assim, a manutenção da gravidez (inibição da menstruação) e a
 ausência de nova ovulação. Por volta da 15ª semana de gestação, com a placenta já
 formada e madura produzindo estrógeno e progesterona, ocorre declínio acentuado na
 concentração de HCG e involução do corpo lúteo.
                                                      O HCG também            concede     uma
                                                imunossupressão à mulher, para que ela não
                                                rejeite o embrião (inibe a produção de
                                                anticorpos pelos linfócitos); tem atividade
                                                tireotrófica e também estimula a produção de
                                                testosterona pelo testículo fetal (estimula as
                                                células de Leydig a produzirem maior
                                                quantidade de androgênios), importante para
                                                a diferenciação sexual do feto do sexo
                                                masculino.

                                                     (*) O blastocisto é um estágio inicial do
                                               desenvolvimento embrionário, formado por
                                               uma camada de células denominada
                                               trofoblasto ou células trofobláticas que
                                               envolve o botão embrionário. Após a nidação
                                               o trofoblasto forma projeções na mucosa
                                               uterina chamadas vilosidades coriônicas,
                                               principais responsáveis pela produção de
                                               HCG.
      Hormônio lactogênio placentário humano: é um hormônio protéico, de estrutura
 química semelhante à da prolactina e da somatotrofina hipofisária. É encontrado no plasma
 da gestante a partir da 4ª semana de gestação. Tem efeito lipolítico, aumenta a resistência
 materna à ação da insulina e estimula o pâncreas na secreção de insulina, ajudando no
 crescimento fetal, pois proporciona maior quantidade de glicose e de nutrientes para o feto
 em desenvolvimento.
      Hormônio melanotrófico: atua nos melanócitos para liberação de melanina,
 aumentando a pigmentação da aréola, abdomên e face.
      Aldosterona: mantém o equilíbrio de sódio, pois a progesterona estimula a eliminação
 do mesmo, e a aldosterona promove sua reabsorção.
      Progesterona: relaxa a musculatura lisa, o que diminui a contração uterina, para não
 ter a expulsão do feto. Aumenta o endométrio, pois se o endométrio não estiver bem
 desenvolvido, poderá ocorrer um aborto natural ou o blastocisto se implantar (nidação) além
 do endométrio. Este hormônio é importante para o equilíbrio hidro-eletrolítico, além de
 estimular o centro respiratório no cérebro, fazendo com que aumente a ventilação, e
 conseqüentemente, fazendo com que a mãe mande mais oxigênio para o feto.
 Complementa os efeitos do estrogênio nas mamas, promovendo o crescimento dos
 elementos glandulares, o desenvolvimento do epitélio secretor e a deposição de nutrientes
 nas células glandulares, de modo que, quando a produção de leite for solicitada a matéria-
 prima já esteja presente.
      Estrogênio: promove rápida proliferação da musculatura uterina; grande
 desenvolvimento do sistema vascular do útero; aumento dos órgãos sexuais externos e da
 abertura vaginal, proporcionando uma via mais ampla para o parto; rápido aumento das
 mamas; contribui ainda para a manutenção hídrica e aumenta a circulação. Dividido em
 estradiol e estrona - que estão na corrente materna; e estriol - que está na corrente fetal, é
 medido para avaliar a função feto-placentária e o bem estar fetal.

HORMÔNIOS DO PARTO
       A ocitocina é um hormônio que potencializa as contrações uterinas tornando-as fortes
 e coordenadas, até completar-se o parto.
       Quando inicia a gravidez, não existem receptores no útero para a ocitocina. Estes
 receptores vão aparecendo gradativamente no decorrer da gravidez. Quando a ocitocina se
 liga a eles, causa a contração do músculo liso uterino e também, estimulação da produção
 de prostaglandinas, pelo útero, que ativará o músculo liso uterino.
92




                                Imagens: www.embarazada.com




      O parto depende tanto da secreção de ocitocina quanto da produção das
prostaglandinas, porque sem estas, não haverá a adequada dilatação do colo do útero e
conseqüentemente, o parto não irá progredir normalmente. Não são bem conhecidos os
fatores desencadeantes do trabalho de parto, mas sabe-se que, quando o hipotálamo do
feto alcança certo grau de maturação, estimula a hipófise fetal a liberar ACTH. Agindo sobre
a adrenal do feto, esse hormônio aumenta a secreção de cortisol e outros hormônios, que
estimulam a placenta a secretar prostaglandinas. Estas promovem contrações da
musculatura lisa do útero. Ainda não se sabe o que impede o parto prematuro, uma vez que
nas fases finais da gravidez, há uma elevação do nível de ocitocina e de seus receptores, o
que poderia ocasionar o início do trabalho de parto, antes do fim total da gravidez. Existem
possíveis fatores inibitórios do trabalho de parto, como a proporção estrogênio/progesterona
e o nível de relaxina, hormônio produzido pelo corpo lúteo do ovário e pela placenta.
      A progesterona mantém seus níveis elevados durante toda a gravidez, inibindo o
músculo liso uterino e bloqueando sua resposta a ocitocina e as prostaglandinas. O
estrogênio aumenta o grau de contratilidade uterina. Na última etapa da gestação, o
estrogênio tende a aumentar mais que a progesterona, o que faz com que o útero consiga
ter uma contratilidade maior.
93

       A relaxina aumenta o número de receptores para a ocitocina, além de produzir um
 ligeiro amolecimento das articulações pélvicas (articulações da bacia) e das suas cápsulas
 articulares, dando-lhes a flexibilidade necessária para o parto (por provocar remodelamento
 do tecido conjuntivo, afrouxa a união entre os ossos da bacia e alarga o canal de passagem
 do feto). Tem ação importante no útero para que ele se distenda, a medida em que o bebê
 cresce. O nível de relaxina aumenta ao máximo antes do parto e depois cai rapidamente.
       Ainda não se conhecem os fatores que realmente interferem no trabalho de parto, mas
 uma vez que ele tenha iniciado, há um aumento no nível de ocitocina, elevando muito sua
 secreção, o que continua até a expulsão do feto.

OS HORMÔNIOS E OS MECANISMOS DA LACTAÇÃO


                                         O início da lactação se dá com a produção de leite,
                                    que ocorre nos alvéolos das glândulas mamárias. O leite
                                    sai dos alvéolos e caminha até o mamilo através dos
                                    seios lactíferos.
                                         O estrogênio, associado aos hormônios da tireóide,
                                    aos corticosteróides adrenais e a insulina, promovem o
                                    desenvolvimento das mamas. Este desenvolvimento vai
                                    ser acentuado pela ação da progesterona, que também
                                    estimula a proliferação dos dutos.

       Durante a gravidez, há a necessidade de uma proliferação dos alvéolos e dos dutos
 para a lactação. Isto ocorre devido à ação dos hormônios progesterona e estrogênio. O
 lactogênio placentário e a prolactina também são muito importantes na preparação das
 mamas.
       A prolactina começa a ser produzida ainda na puberdade, mas em pequena
 quantidade. O surto deste hormônio acontece em decorrência da gravidez, e é aumentado,
 gradativamente, durante a amamentação. Tal hormônio é responsável pelo crescimento e
 pela atividade secretora dos alvéolos mamários. O lactogênio placentário age como a
 prolactina, desenvolvendo os alvéolos.
       Estes dois hormônios estão presentes durante toda a gravidez, porém suas
 quantidades não são aumentadas, devido a inibição causada pelos altos níveis de
 progesterona e estrogênio. Ao final do trabalho de parto, há uma queda nos níveis destes
 dois últimos hormônios, ocasionando um aumento nas quantidades de prolactina e
 lactogênio placentário, o que possibilita o início da produção de leite. Enquanto houver a
 sucção do mamilo pelo bebê, a prolactina continuará produzindo leite. Isto acontece porque
 quando o bebê faz esta sucção nos mamilos, estimula o hipotálamo a secretar o fator
 liberador da prolactina, mantendo seus níveis e, conseqüentemente, a produção de leite. A
 produção de leite só irá diminuir ou cessar completamente se a mãe não amamentar seu
 filho, pois neste caso, não haverá mais a estimulação decorrente da sucção do mamilo. A
 sucção do mamilo também estimulará a hipófise posterior, que irá secretar ocitocina. Este
 hormônio é o responsável pela ejeção do leite. Tal mecanismo ocorre porque a ocitocina
 contrai os músculos ao redor dos alvéolos, fazendo com que o leite caminhe até o mamilo.
 O leite só começa a ser produzido depois do primeiro dia do nascimento. Até este período,
 haverá a secreção e liberação do colostro, que é um líquido aquoso, de cor amarelada, que
 contém anticorpos maternos.
94


Glândula   Hormônio       Órgão-alvo           Principais ações

                                               estimula o desenvolvimento
           FSH            ovário               do folículo, a secreção de
                                               estrógeno e a ovulação

                                               estimula a ovulação e o
           LH             ovário               desenvolvimento do corpo
                                               amarelo.

                                               estimula a produção de
                                               leite (após a estimulação
           Prolactina     mamas                prévia    das   glândulas
Hipófise                                       mamárias por estrógeno e
                                               progesterona).

                                               - secretado em quantidades
                                               moderadas durante a última
                                               fase da gravidez e em
                                               grande quantidade durante
           Ocitocina      Útero e mamas        o    parto.   Promove     a
                                               contração do útero para a
                                               expulsão da criança.
                                               - promove a ejeção do leite
                                               durante a amamentação

                                               crescimento do corpo e dos
                                               órgãos sexuais; estimula o
                          diversos             desenvolvimento        das
                                               características    sexuais
                                               secundárias.

           Estrógeno
                                               inibe a produção de FSH e
                          hipófise
                                               estimula a produção de LH

                                               estimula a maturação dos
                                               órgãos reprodutores e do
                          Sistema Reprodutor
                                               endométrio, preparando o
Ovário                                         útero para a gravidez

                          hipófise             inibe a produção de LH

                                               completa a regeneração da
                                               mucosa uterina, estimula a
                                               secreção das glândulas
                          útero
           Progesterona                        endometriais e mantém o
                                               útero preparado para a
                                               gravidez.

                                               estimula o desenvolvimento
                          mamas                das glândulas mamárias
                                               para secreção láctea.

                                               estimula a produção de
                                               progesterona e estrógeno;
Placenta   HGC            corpo lúteo
                                               inibe a menstruação e nova
                                               ovulação.
95


                           10 - SISTEMA ENDÓCRINO
       Dá-se o nome de sistema endócrino ao conjunto de órgãos que apresentam como
 atividade característica a produção de secreções denominadas hormônios, que são
 lançados na corrente sangüínea e irão atuar em outra parte do organismo, controlando ou
 auxiliando o controle de sua função. Os órgãos que têm sua função controlada e/ou
 regulada pelos hormônios são denominados órgãos-alvo.
              Constituição dos órgãos do sistema endócrino

                     Os tecidos epiteliais de secreção ou epitélios glandulares
                formam as glândulas, que podem ser uni ou pluricelulares. As
                glândulas pluricelulares não são apenas aglomerados de
                células que desempenham as mesmas funções básicas e têm
                a mesma morfologia geral e origem embrionária - o que
                caracteriza um tecido. São na verdade órgãos definidos com
                arquitetura ordenada. Elas estão envolvidas por uma cápsula
                conjuntiva que emite septos, dividindo-as em lobos. Vasos
                sangüíneos e nervos penetram nas glândulas, fornecendo
                alimento e estímulo nervoso para as suas funções.


       Os hormônios influenciam praticamente todas as funções dos demais sistemas
 corporais. Freqüentemente o sistema endócrino interage com o sistema nervoso, formando
 mecanismos reguladores bastante precisos. O sistema nervoso pode fornecer ao endócrino
 a informação sobre o meio externo, ao passo que o sistema endócrino regula a resposta
 interna do organismo a esta informação. Dessa forma, o sistema endócrino, juntamente com
 o sistema nervoso, atuam na coordenação e regulação das funções corporais.

Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios
      Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios no homem são a hipófise, o
 hipotálamo, a tireóide, as paratireóides, as supra-renais, o pâncreas e as gônadas.

10.1 - Hipófise ou pituitária




                                                                      Situa-se na base do
                                                                encéfalo, em uma cavidade
                                                                do osso esfenóide chamada
                                                                tela túrcica. Nos seres
                                                                humanos tem o tamanho
                                                                aproximado de um grão de
                                                                ervilha e possui duas partes:
                                                                o lobo anterior (ou adeno-
                                                                hipófise) e o lobo posterior
                                                                (ou neuro-hipófise).
96


                                            Além de exercerem efeitos sobre órgãos não-
                                       endócrinos, alguns hormônios, produzidos pela hipófise
                                       são denominados trópicos (ou tróficos) porque atuam
                                       sobre outras glândulas endócrinas, comandando a
                                       secreção de outros hormônios. São eles:

                                          •    Tireotrópicos: atuam sobre a glândula endócrina
                                               tireóide.
                                          •    Adrenocorticotrópicos: atuam sobre o córtex da
                                               glândula endócrina adrenal (supra-renal)
                                          •    Gonadotrópicos: atuam sobre as gônadas
                                               masculinas e femininas.
                                          •    Somatotrófico: atua no crescimento, promovendo
                                               o alongamento dos ossos e estimulando a síntese
                                               de proteínas e o desenvolvimento da massa
                                               muscular. Também aumenta a utilização de
                                               gorduras e inibe a captação de glicose plasmática
                                               pelas células, aumentando a concentração de
                                               glicose no sangue (inibe a produção de insulina
                                               pelo pâncreas, predispondo ao diabetes).




                    Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed Saraiva, 2002

10.2 - Hipotálamo


                                                           Localizado no cérebro diretamente
                                                     acima da hipófise, é conhecido por exercer
                                                     controle sobre ela por meios de conexões
                                                     neurais e substâncias semelhantes a
                                                     hormônios         chamados          fatores
                                                     desencadeadores (ou de liberação), o meio
                                                     pelo qual o sistema nervoso controla o
                                                     comportamento      sexual   via    sistema
                                                     endócrino.
97



      O hipotálamo estimula a glândula
 hipófise    a   liberar     os     hormônios
 gonadotróficos (FSH e LH), que atuam
 sobre as gônadas, estimulando a liberação
 de hormônios gonadais na corrente
 sanguínea. Na mulher a glândula-alvo do
 hormônio gonadotrófico é o ovário; no
 homem, são os testículos. Os hormônios
 gonadais são detectados pela pituitária e
 pelo hipotálamo, inibindo a liberação de
 mais hormônio pituitário, por feed-back.
      Como a hipófise secreta hormônios
 que controlam outras glândulas e está
 subordinada, por sua vez, ao sistema
 nervoso, pode-se dizer que o sistema
 endócrino é subordinado ao nervoso e que
 o hipotálamo é o mediador entre esses dois
 sistemas.
                                                Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed
                                                Saraiva, 2002




      O hipotálamo também produz outros
 fatores de liberação que atuam sobre a
 adeno-hipófise, estimulando ou inibindo
 suas secreções. Produz também os
 hormônios ocitocina e ADH (antidiurético),
 armazenados e secretados pela neuro-
 hipófise.




10.3 - Tireóide
      Localiza-se no pescoço, estando apoiada sobre as cartilagens da laringe e da traquéia.
 Seus dois hormônios, triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), aumentam a velocidade dos
 processos de oxidação e de liberação de energia nas células do corpo, elevando a taxa
 metabólica e a geração de calor. Estimulam ainda a produção de RNA e a síntese de
 proteínas, estando relacionados ao crescimento, maturação e desenvolvimento. A
 calcitonina, outro hormônio secretado pela tireóide, participa do controle da concentração
 sangüínea de cálcio, inibindo a remoção do cálcio dos ossos e a saída dele para o plasma
 sangüíneo, estimulando sua incorporação pelos ossos.
98




10.4 - Paratireóides
       São pequenas glândulas, geralmente em número de quatro, localizadas na região
 posterior da tireóide. Secretam o paratormônio, que estimula a remoção de cálcio da matriz
 óssea (o qual passa para o plasma sangüíneo), a absorção de cálcio dos alimentos pelo
 intestino e a reabsorção de cálcio pelos túbulos renais, aumentando a concentração de
 cálcio no sangue. Neste contexto, o cálcio é importante na contração muscular, na
 coagulação sangüínea e na excitabilidade das células nervosas.




10.5 - Adrenais ou supra-renais - São duas
glândulas localizadas sobre os rins, divididas em
duas partes independentes – medula e córtex -
secretoras de hormônios diferentes, comportando-
se como duas glândulas. O córtex secreta três
tipos de hormônios: os glicocorticóides, os
mineralocorticóides e os androgênicos.
99

10.6 - Pâncreas
      É uma glândula mista ou anfícrina – apresenta determinadas regiões endócrinas e
 determinadas regiões exócrinas (da porção secretora partem dutos que lançam as
 secreções para o interior da cavidade intestinal) ao mesmo tempo. As chamadas ilhotas de
 Langerhans são a porção endócrina, onde estão as células que secretam os dois
 hormônios: insulina e glucagon, que atuam no metabolismo da glicose.




                             11 – SISTEMA SENSORIAL


      OS SENTIDOS: VISÃO, AUDIÇÃO, PALADAR, OLFATO E TATO
Os órgãos dos sentidos
       Os sentidos fundamentais do corpo humano - visão, audição, tato, gustação ou paladar
 e olfato - constituem as funções que propiciam o nosso relacionamento com o ambiente.
 Por meio dos sentidos, o nosso corpo pode perceber muita coisa do que nos rodeia;
 contribuindo para a nossa sobrevivência e integração com o ambiente em que vivemos.
       Existem determinados receptores, altamente especializados, capazes de captar
 estímulos diversos. Tais receptores, chamados receptores sensoriais, são formados por
 células nervosas capazes de traduzir ou converter esses estímulos em impulsos elétricos ou
 nervosos que serão processados e analisados em centros específicos do sistema nervoso
 central (SNC), onde será produzida uma resposta (voluntária ou involuntária). A estrutura e
 o modo de funcionamento destes receptores nervosos especializados é diversa.
       Tipos de receptores:
       1) Exteroceptores: respondem a estímulos externos, originados fora do organismo.
       2) Proprioceptores: os receptores proprioceptivos encontram-se no esqueleto e nas
 inserções tendinosas, nos músculos esqueléticos (formando feixes nervosos que envolvem
 as fibras musculares) ou no aparelho vestibular da orelha interna. Detectam a posição do
 indivíduo no espaço, assim como o movimento, a tensaõ e o estiramento musculares.
       3) Interoceptores: os receptores interoceptivos respondem a estímulos viscerais ou
 outras sensações como sede e fome.
100

      Em geral, os receptores sensitivos podem ser simples, como uma ramificação nervosa;
 mais complexos, formados por elementos nervosos interconectados ou órgãos complexos,
 providos de sofisticados sistemas funcionais.
      Dessa maneira:
      è pelo tato -
 sentimos o frio, o
 calor, a pressão
 atmosférica, etc;
      è           pela
 gustação             -
 identificamos      os
 sabores;
      è pelo olfato -
 sentimos o odor ou
 cheiro;
      è pela audição
 - captamos os sons;
      è pela visão -
 observamos         as
 cores, as formas, os
 contornos, etc.
      Portanto, em
 nosso corpo os
 órgãos dos sentidos
 estão encarregados
 de           receber
 estímulos externos.
 Esses órgãos são:
 è a pele - para o tato;
      è a língua - para a gustação;
      è as fossas nasais - para o olfato;
      è os ouvidos - para a audição;
      è os olhos - para a visão.

Imagem: AMABIS & MARTHO. Conceitos de Biologia Volume 2. São Paulo, Editora Moderna, 2001.

11.1 - VISÃO

ANATOMIA DO OLHO
101




                                                                Os globos oculares estão alojados
                                                           dentro      de      cavidades     ósseas
                                                           denominadas órbitas, compostas de
                                                           partes dos ossos frontal, maxilar,
                                                           zigomático, esfenóide, etmóide, lacrimal
                                                           e palatino. Ao globo ocular encontram-se
                                                           associadas      estruturas    acessórias:
                                                           pálpebras, supercílios (sobrancelhas),
                                                           conjuntiva, músculos e aparelho lacrimal.




CRUZ, Daniel.O Corpo Humano. São Paulo, Ed. Ática, 2000.




       Cada globo ocular compõe-se de três túnicas e de quatro meios transparentes:
       Túnicas:
       1- túnica fibrosa externa: esclerótica (branco do olho). Túnica resistente de tecido
 fibroso e elástico que envolve externamente o olho (globo ocular) A maior parte da
 esclerótica é opaca e chama-se esclera, onde estão inseridos os músculos extra-oculares
 que movem os globos oculares, dirigindo-os a seu objetivo visual. A parte anterior da
 esclerótica chama-se córnea. É transparente e atua como uma lente convergente.
       2- túnica intermédia vascular pigmentada: úvea. Compreende a coróide, o corpo
 ciliar e a íris. A coróide está situada abaixo da esclerótica e é intensamente pigmentada.
 Esses pigmentos absorvem a luz que chega à retina, evitando sua reflexão. Acha-se
 intensamente vascularizada e tem a função de nutrir a retina.
       Possui uma estrutura muscular de cor variável – a íris, a qual é dotada de um orifício
 central cujo diâmetro varia, de acordo com a iluminação do ambiente – a pupila.
       A coróide une-se na parte anterior do olho ao corpo ciliar, estrutura formada por
 musculatura lisa e que envolve o cristalino, modificando sua forma.

                                                                     Em ambientes mal iluminados,
                                                                por ação do sistema nervoso
                                                                simpático, o diâmetro da pupila
                                                                aumenta e permite a entrada de
                                                                maior quantidade de luz. Em locais
                                                                muito claros, a ação do sistema
                                                                nervoso parassimpático acarreta
                                                                diminuição do diâmetro da pupila e
                                                                da     entrada   de    luz.   Esse
                                                                mecanismo evita o ofuscamento e
                                                                impede que a luz em excesso lese
                                                                as delicadas células fotossensíveis
                                                                da retina.

      3- túnica interna nervosa: retina. É a membrana mais interna e está debaixo da
 coróide. É composta por várias camadas celulares, designadas de acordo com sua relação
 ao centro do globo ocular. A camada mais interna, denominada camada de células
 ganglionares, contém os corpos celulares das células ganglionares, única fonte de sinais
 de saída da retina, que projeta axônios através do nervo óptico. Na retina encontram-se dois
102

tipos de células fotossensíveis: os cones e os bastonetes. Quando excitados pela
energia luminosa, estimulam as células nervosas adjacentes, gerando um impulso nervoso
que se propaga pelo nervo óptico.
      A imagem fornecida pelos cones é mais nítida e mais rica em detalhes. Há três tipos de
cones: um que se excita com luz vermelha, outro com luz verde e o terceiro, com luz azul.
São os cones as células capazes de distinguir cores.
      Os bastonetes não têm poder de resolução visual tão bom, mas são mais sensíveis à
luz que os cones. Em situações de pouca luminosidade, a visão passa a depender
exclusivamente dos bastonetes. É a chamada visão noturna ou visão de penumbra. Nos
bastonetes existe uma substância sensível à luz – a rodopsina – produzida a partir da
vitamina A. A deficiência alimentar dessa vitamina leva à cegueira noturna e à
xeroftalmia (provoca ressecamento da córnea, que fica opaca e espessa, podendo levar à
cegueira irreversível).
      Há duas regiões especiais na retina: a fovea centralis (ou fóvea ou mancha amarela)
e o ponto cego. A fóvea está no eixo óptico do olho, em que se projeta a imagem do objeto
focalizado, e a imagem que nela se forma tem grande nitidez. É a região da retina mais
altamente especializada para a visão de alta resolução. A fóvea contém apenas cones e
permite que a luz atinja os fotorreceptores sem passar pelas demais camadas da retina,
maximizando a acuidade visual.

            Acuidade visual

            A capacidade do olho de distinguir entre dois pontos próximos é chamada
            acuidade visual, a qual depende de diversos fatores, em especial do espaçamento
            dos fotorreceptores na retina e da precisão da refração do olho.


      Os cones são encontrados principalmente na retina central, em um raio de 10 graus a
partir da fóvea. Os bastonetes, ausentes na fóvea, são encontrados principalmente na retina
periférica, porém transmitem informação diretamente para as células ganglionares.
      No fundo do olho está o ponto cego, insensível a luz. No ponto cego não há cones
nem bastonetes. Do ponto cego, emergem o nervo óptico e os vasos sangüíneos da retina.




     Meios transparentes:
     - Córnea: porção transparente da túnica externa (esclerótica); é circular no seu
contorno e de espessura uniforme. Sua superfície é lubrificada pela lágrima, secretada
pelas glândulas lacrimais e drenada para a cavidade nasal através de um orifício existente
no canto interno do olho.
103




      - humor aquoso: fluido aquoso que se situa entre a córnea e o cristalino, preenchendo
a câmara anterior do olho.
      - cristalino: lente biconvexa coberta por uma membrana transparente. Situa-se atrás
da pupila e e orienta a passagem da luz até a retina. Também divide o interior do olho em
dois compartimentos contendo fluidos ligeiramente diferentes: (1) a câmara anterior,
preenchida pelo humor aquoso e (2) a câmara posterior, preenchida pelo humor vítreo.
Pode ficar mais delgado ou mais espesso, porque é preso ao músculo ciliar, que pode
torna-lo mais delgado ou mais curvo. Essas mudanças de forma ocorrem para desviar os
raios luminosos na direção da mancha amarela. O cristalino fica mais espesso para a visão
de objetos próximos e, mais delgado para a visão de objetos mais distantes, permitindo que
nossos olhos ajustem o foco para diferentes distâncias visuais. A essa propriedade do
cristalino dá-se o nome de acomodação visual. Com o envelhecimento, o cristalino pode
perder a transparência normal, tornando-se opaco, ao que chamamos catarata.
      - humor vítreo: fluido mais viscoso e gelatinoso que se situa entre o cristalino e a
retina, preenchendo a câmara posterior do olho. Sua pressão mantém o globo ocular
esférico.
      Como já mencionado anteriormente, o globo ocular apresenta, ainda, anexos: as
pálpebras, os cílios, as sobrancelhas ou supercílios, as glândulas lacrimais e os
músculos oculares.
      As pálpebras são duas dobras de pele revestidas internamente por uma membrana
chamada conjuntiva. Servem para proteger os olhos e espalhar sobre eles o líquido que
conhecemos como lágrima. Os cílios ou pestanas impedem a entrada de poeira e de
excesso de luz nos olhos, e as sobrancelhas impedem que o suor da testa entre neles. As
glândulas lacrimais produzem lágrimas continuamente. Esse líquido, espalhado pelos
movimentos das pálpebras, lava e lubrifica o olho. Quando choramos, o excesso de líquido
desce pelo canal lacrimal e é despejado nas fossas nasais, em direção ao exterior do nariz.
104


                                11.2 - AUDIÇÃO
11.2.1 - ANATOMIA DA ORELHA
                                                       O órgão responsável pela audição é
                                                  a orelha (antigamente denominado
                                                  ouvido), também chamada órgão
                                                  vestíbulo-coclear ou estato-acústico.
                                                       A maior parte da orelha fica no
                                                  osso temporal, que se localiza na caixa
                                                  craniana. Além da função de ouvir, o
                                                  ouvido também é responsável pelo
                                                  equilíbrio.
                                                       A orelha está dividida em três
                                                  partes: orelhas externa, média e interna
                                                  (antigamente      denominadas      ouvido
                                                  externo, ouvido médio e ouvido interno).


                                                  Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia. São
                                                  Paulo, Ed Saraiva, 2002




a) ORELHA EXTERNA
      A orelha externa é formada pelo pavilhão auditivo
 (antigamente denominado orelha) e pelo canal auditivo externo
 ou meato auditivo.


      Todo o pavilhão auditivo (exceto o lobo ou lóbulo) é
 constituído por tecido cartilaginoso recoberto por pele, tendo
 como função captar e canalizar os sons para a orelha média.


       O canal auditivo externo estabelece a comunicação entre a orelha média e o meio
 externo, tem cerca de três centímetros de comprimento e está escavado em nosso osso
 temporal. É revestido internamente por pêlos e glândulas, que fabricam uma substância
 gordurosa e amarelada, denominada cerume ou cera.
       Tanto os pêlos como o cerume retêm poeira e micróbios que normalmente existem no
 ar e eventualmente entram nos ouvidos.
       O canal auditivo externo termina numa delicada membrana - tímpano ou membrana
 timpânica - firmemente fixada ao conduto auditivo externo por um anel de tecido fibroso,
 chamado anel timpânico.

b) ORELHA MÉDIA
       A orelha média começa na membrana timpânica e consiste, em sua totalidade, de um
 espaço aéreo – a cavidade timpânica – no osso temporal. Dentro dela estão três ossículos
 articulados entre si, cujos nomes descrevem sua forma: martelo, bigorna e estribo. Esses
 ossículos encontram-se suspensos na orelha média, através de ligamentos.
       O cabo do martelo está encostado no tímpano; o estribo apóia-se na janela oval, um
 dos orifícios dotados de membrana da orelha interna que estabelecem comunicação com a
 orelha média. O outro orifício é a janela redonda. A orelha média comunica-se também
105

 com a faringe, através de um canal denominado tuba auditiva (antigamente denominada
 trompa de Eustáquio). Esse canal permite que o ar penetre no ouvido médio. Dessa forma, de
 um lado e de outro do tímpano, a pressão do ar atmosférico é igual. Quando essas pressões
 ficam diferentes, não ouvimos bem, até que o equilíbrio seja reestabelecido.




c) ORELHA INTERNA
      A orelha interna, chamada labirinto, é formada por escavações no osso temporal,
 revestidas por membrana e preenchidas por líquido. Limita-se com a orelha média pelas
 janelas oval e a redonda. O labirinto apresenta uma parte anterior, a cóclea ou caracol -
 relacionada com a audição, e uma parte posterior - relacionada com o equilíbrio e
 constituída pelo vestíbulo e pelos canais semicirculares.




11.2.2 - O MECANISMO DA AUDIÇÃO
      O som é produzido por ondas de compressão e descompressão alternadas do ar. As
 ondas sonoras propagam-se através do ar exatamente da mesma forma que as ondas
 propagam-se na superfície da água. Assim, a compressão do ar adjacente de uma corda de
 violino cria uma pressão extra nessa região, e isso, por sua vez, faz com que o ar um pouco
 mais afastado se torne pressionado também. A pressão nessa segunda região comprime o ar
106

 ainda mais distante, e esse processo repete-se continuamente até que a onda finalmente
 alcança a orelha.
      A orelha humana é um órgão altamente sensível que nos capacita a perceber e
 interpretar ondas sonoras em uma gama muito ampla de freqüências (16 a 20.000 Hz - Hertz
 ou ondas por segundo).




       A captação do som até sua percepção e interpretação é uma seqüência de
 transformações de energia, iniciando pela sonora, passando pela mecânica, hidráulica e
 finalizando com a energia elétrica dos impulsos nervosos que chegam ao cérebro.


                   11.3 – A GUSTAÇÃO (PALADAR)
      Os sentidos gustativo e olfativo são chamados sentidos químicos, porque seus
 receptores são excitados por estimulantes químicos. Os receptores gustativos são excitados
 por substâncias químicas existentes nos alimentos, enquanto que os receptores olfativos são
 excitados por substâncias químicas do ar. Esses sentidos trabalham conjuntamente na
 percepção dos sabores. O centro do olfato e do gosto no cérebro combina a informação
 sensorial da língua e do nariz.




Imagem: www.msd.es/publicaciones/mmerck_hogar/seccion_06/seccion_06_072.html, com adaptações
107


      O receptor sensorial do paladar é a
 papila gustativa. É constituída por células
 epiteliais localizadas em torno de um poro
 central na membrana mucosa basal da
 língua. Na superfície de cada uma das
 células        gustativas      observam-se
 prolongamentos finos como pêlos,
 projetando-se em direção da cavidade
 bucal; são chamados microvilosidades.
 Essas estruturas fornecem a superfície
 receptora para o paladar.
      Observa-se       entre   as    células
 gustativas de uma papila uma rede com
 duas ou três fibras nervosas gustativas, as
 quais são estimuladas pelas próprias
 células gustativas. Para que se possa
 sentir o gosto de uma substância, ela deve
 primeiramente ser dissolvida no líquido
 bucal e difundida através do poro
 gustativo em torno das microvilosidades.
 Portanto substâncias altamente solúveis e
 difusíveis, como sais ou outros compostos     Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio
 que têm moléculas pequenas, geralmente        de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.
 fornecem graus gustativos mais altos do
 que substâncias pouco solúveis difusíveis,
 como proteínas e outras que possuam
 moléculas maiores.



      A gustação é primariamente uma função da língua, embora regiões da faringe, palato e
 epiglote tenham alguma sensibilidade. Os aromas da comida passam pela faringe, onde
 podem ser detectados pelos receptores olfativos.

As Quatro Sensações Gustativas-Primárias
      Na superfície da língua existem dezenas de papilas gustativas, cujas células sensoriais
 percebem os quatro sabores primários, aos quais chamamos sensações gustativas primárias:
 amargo (A), azedo ou ácido (B), salgado (C) e doce (D). De sua combinação resultam
 centenas de sabores distintos. A distribuição dos quatro tipos de receptores gustativos, na
 superfície da língua, não é homogênea.
108


                                                                                    Até       os
                                                                              últimos      anos
                                                                                  acreditava-se
                                                                              que      existiam
                                                                              quatro       tipos
                                                                                   inteiramente
                                                                              diferentes      de
                                                                              papila gustativa,
                                                                              cada          qual
                                                                              detectando uma
                                                                              das sensações
                                                                                      gustativas
                                                                                      primárias
                                                                              particular. Sabe-
                                                                              se agora que
                                                                              todas as papilas
                                                                                      gustativas
                                        possuem alguns graus de sensibilidade para cada uma
1.Papilas circunvaladas                 das sensações gustativas primárias. Entretanto, cada
2.Papilas fungiformes                   papila normalmente tem maior grau de sensibilidade
3. Papilas filiformes                   para uma ou duas das sensações gustativas. O cérebro
                                        detecta o tipo de gosto pela relação (razão) de
Imagem:
                                        estimulação entre as diferentes papilas gustativas. Isto
www.nib.unicamp.br/svol/sentidos.html   é, se uma papila que detecta principalmente salinidade
/sentidos.html                          é estimulada com maior intensidade que as papilas que
                                        respondem mais a outros gostos, o cérebro interpreta a
                                        sensação como de salinidade, embora outras papilas
                                        tenham sido estimuladas, em menor extensão, ao
                                        mesmo tempo.

O sabor diferente das comidas
      Cada comida ativa uma diferente combinação de sabores básicos, ajudando a torná-la
 única. Muitas comidas têm um sabor distinto como resultado da soma de seu gosto e cheiro,
 percebidos simultaneamente. Além disso, outras modalidades sensoriais também contribuem
 com a experiência gustativa, como a textura e a temperatura dos alimentos. A sensação de
 dor também é essencial para sentirmos o sabor picante e estimulante das comidas
 apimentadas.



                                  11.4 - O OLFATO
      O olfato humano é pouco desenvolvido se comparado ao de outros mamíferos. O
 epitélio olfativo humano contém cerca de 20 milhões de células sensoriais, cada qual com
 seis pêlos sensoriais (um cachorro tem mais de 100 milhões de células sensoriais, cada qual
 com pelo menos 100 pêlos sensoriais). Os receptores olfativos são neurônios genuínos, com
 receptores próprios que penetram no sistema nervoso central.
109



                                                                             A cavidade nasal,
                                                                        que começa a partir
                                                                        das janelas do nariz,
                                                                        está situada em cima
da                                                                      boca e debaixo da
                                                                        caixa         craniana.
                                                                        Contém os órgãos do
                                                                        sentido do olfato, e é
                                                                        forrada por um epitélio
                                                                        secretor de muco. Ao
                                                                        circular pela cavidade
                                                                        nasal, o ar se purifica,
                                                                        umedece e esquenta. O
                                                                        órgão olfativo é a
                                                                        mucosa que forra a
                                                                        parte superior das
                                                                        fossas     nasais      -
                                                                        chamada         mucosa
olfativa ou amarela, para distingui-la da vermelha - que cobre a parte inferior.
      A mucosa vermelha é dessa cor por ser muito rica em vasos sangüíneos, e contém
glândulas que secretam muco, que mantém úmida a região. Se os capilares se dilatam e o
muco é secretado em excesso, o nariz fica obstruído, sintoma característico do resfriado.
      A mucosa amarela é muito rica em terminações nervosas do nervo olfativo. Os
dendritos das células olfativas possuem prolongamentos sensíveis (pêlos olfativos), que
ficam mergulhados na camada de muco que recobre as cavidades nasais. Os produtos
voláteis ou de gases perfumados ou ainda de substâncias lipossolúveis que se desprendem
das diversas substâncias, ao serem inspirados, entram nas fossas nasais e se dissolvem no
muco que impregna a mucosa amarela, atingindo os prolongamentos sensoriais.
      Dessa forma, geram impulsos nervosos, que são conduzidos até o corpo celular das
células olfativas, de onde atingem os axônios, que se comunicam com o bulbo olfativo. Os
axônios se agrupam de 10-100 e penetram no osso etmóide para chegar ao bulbo olfatório,
onde convergem para formar estruturas sinápticas chamadas glomérulos. Estas se conectam
em grupos que convergem para as células mitrais. Fisiologicamente essa convergência
aumenta a sensibilidade olfatória que é enviada ao Sistema Nervoso Central (SNC), onde o
processo de sinalização é interpretado e decodificado.

                                                               Aceita-se a hipótese de que
                                                         existem alguns tipos básicos de
                                                         células do olfato, cada uma com
                                                         receptores para um tipo de odor. Os
                                                         milhares de tipos diferentes de
                                                         cheiros que uma pessoa consegue
                                                         distinguir resultariam da integração
                                                         de impulsos gerados por uns
                                                         cinqüenta estímulos básicos, no
                                                         máximo. A integração desses
                                                         estímulos seria feita numa região
                                                         localizada em áreas laterais do córtex
                                                         cerebral, que constituem o centro
                                                         olfativo.
110




      A mucosa olfativa é tão sensível que poucas moléculas são suficientes para estimula-la,
 produzindo a sensação de odor. A sensação será tanto mais intensa quanto maior for a
 quantidade de receptores estimulados, o que depende da concentração da substância
 odorífera no ar.
      O olfato tem importante papel na distinção dos alimentos. Enquanto mastigamos,
 sentimos simultaneamente o paladar e o cheiro. Do ponto de vista adaptativo, o olfato tem
 uma nítida vantagem em relação ao paladar: não necessita do contato direto com o objeto
 percebido para que haja a excitação, conferindo maior segurança e menor exposição a
 estímulos lesivos.
      O olfato, como a visão, possui uma enorme capacidade adaptativa. No início da
 exposição a um odor muito forte, a sensação olfativa pode ser bastante forte também, mas,
 após um minuto, aproximadamente, o odor será quase imperceptível.
      Porém, ao contrário da visão, capaz de perceber um grande número de cores ao mesmo
 tempo, o sistema olfativo detecta a sensação de um único odor de cada vez. Contudo, um
 odor percebido pode ser a combinação de vários outros diferentes. Se tanto um odor pútrido
 quanto um aroma doce estão presentes no ar, o dominante será aquele que for mais intenso,
 ou, se ambos forem da mesma intensidade, a sensação olfativa será entre doce e pútrida.


                         12 - SISTEMA TEGUMENTAR


Estrutura do tegumento (pele)
      O tegumento humano, mais
 conhecido como pele, é formado por
 duas camadas distintas, firmemente
 unidas entre si: a epiderme e a derme.

12.1 - Epiderme
       A epiderme é um epitélio
 multiestratificado, formado por várias
 camadas        (estratos)  de    células
 achatadas        (epitélio pavimentoso)
 justapostas. A camada de células mais
 interna,        denominada      epitélio
 germinativo, é constituída por células
 que se multiplicam continuamente;
 dessa maneira, as novas células
 geradas empurram as mais velhas para
111

  cima, em direção à superfície do corpo. À medida que envelhecem, as células epidérmicas
  tornam-se achatadas, e passam a fabricar e a acumular dentro de si uma proteína resistente
  e impermeável, a queratina. As células mais superficiais, ao se tornarem repletas de
  queratina, morrem e passam a constituir um revestimento resistente ao atrito e altamente
  impermeável à água, denominado camada queratinizada ou córnea.
        Toda a superfície cutânea está provida de terminações nervosas capazes de captar
  estímulos térmicos, mecânicos ou dolorosos. Essas terminações nervosas ou receptores
  cutâneos são especializados na recepção de estímulos específicos. Não obstante, alguns
  podem captar estímulos de natureza distinta. Porém na epiderme não existem vasos
  sangüíneos. Os nutrientes e oxigênio chegam à epiderme por difusão a partir de vasos
  sangüíneos da derme.
        Nas regiões da pele providas de pêlo, existem terminações nervosas específicas
  nos folículos capilares e outras chamadas terminais ou receptores de Ruffini. As
  primeiras, formadas por axônios que envolvem o folículo piloso, captam as forças
  mecânicas aplicadas contra o pêlo. Os terminais de Ruffini, com sua forma ramificada, são
  receptores térmicos de calor.
        Na pele desprovida de pêlo e também na que está coberta por ele, encontram-se ainda
  três tipos de receptores comuns:
        1) Corpúsculos de Paccini: captam especialmente estímulos vibráteis e táteis.São
  formados por uma fibra nervosa cuja porção terminal, amielínica, é envolta por várias
  camadas que correspondem a diversas células de sustentação. A camada terminal é capaz
  de captar a aplicação de pressão, que é transmitida para as outras camadas e enviada aos
  centros nervosos correspondentes.
        2) Discos de Merkel: de sensibilidade tátil e de pressão. Uma fibra aferente costuma
  estar ramificada com vários discos terminais destas ramificações nervosas. Estes discos
  estão englobados em uma célula especializada, cuja superfície distal se fixa às células
  epidérmicas por um prolongamento de seu protoplasma. Assim, os movimentos de pressão
  e tração sobre epiderme desencadeam o estímulo.
        3) Terminações nervosas livres: sensíveis aos estímulos mecânicos, térmicos e
  especialmente aos dolorosos. São formadas por um axônio ramificado envolto por células
  de Schwann sendo, por sua vez, ambos envolvidos por uma membrana basal.
        Na pele sem pêlo encontram-se, ainda, outros receptores específicos:
        4) Corpúsculos de Meissner: táteis. Estão nas saliências da pele sem pêlos (como
  nas partes mais altas das impressões digitais). São formados por um axônio mielínico, cujas
  ramificações terminais se entrelaçam com células acessórias.
        5) Bulbos terminais de Krause: receptores térmicos de frio. São formados por uma
  fibra nervosa cuja terminação possui forma de clava.Situam-se nas regiões limítrofes da
  pele com as membranas mucosas (por exemplo: ao redor dos lábios e dos genitais).
RECEPTORES DE SUPERFÍCIE                       SENSAÇÃO PERCEBIDA

Receptores de Krause                           Frio

Receptores de Ruffini                          Calor

Discos de Merkel                               Tato e pressão

Receptores de Vater-Pacini                     Pressão

Receptores de Meissner                         Tato

Terminações nervosas livres                    Principalmente dor
112




      Nas camadas inferiores da epiderme estão os melanócitos, células que produzem
 melanina, pigmento que determina a coloração da pele.
      As glândulas anexas – sudoríparas e sebáceas – encontram-se mergulhadas na
 derme, embora tenham origem epidérmica. O suor (composto de água, sais e um pouco de
 uréia) é drenado pelo duto das glândulas sudoríparas, enquanto a secreção sebácea
 (secreção gordurosa que lubrifica a epiderme e os pêlos) sai pelos poros de onde emergem
 os pêlos.
      A transpiração ou sudorese tem por função refrescar o corpo quando há elevação da
 temperatura ambiental ou quando a temperatura interna do corpo sobe, devido, por
 exemplo, ao aumento da atividade física.



12.2 - Derme
       A derme, localizada imediatamente
 sob a epiderme, é um tecido conjuntivo que
 contém fibras protéicas, vasos sangüíneos,
 terminações nervosas, órgãos sensoriais e
 glândulas. As principais células da derme
 são os fibroblastos, responsáveis pela
 produção de fibras e de uma substância
 gelatinosa, a substância amorfa, na qual
 os elementos dérmicos estão mergulhados.
       A epiderme penetra na derme e origina
 os folículos pilosos, glândulas sebáceas e
 glândulas      sudoríparas.     Na    derme
 encontramos ainda: músculo eretor de pêlo,
 fibras    elásticas   (elasticidade),  fibras
 colágenas (resistência), vasos sangúíneos e
 nervos.

12.3 - Tecido subcutâneo
       Sob a pele, há uma camada de tecido conjuntivo frouxo, o tecido subcutâneo, rico em
 fibras e em células que armazenam gordura (células adiposas ou adipócitos). A camada
113

 subcutânea, denominada hipoderme, atua como reserva energética, proteção contra
 choques mecânicos e isolante térmico.

12.4 - Unhas e pêlos
      Unhas e pêlos são constituídos por células epidérmicas queratinizadas, mortas e
 compactadas. Na base da unha ou do pêlo há células que se multiplicam constantemente,
 empurrando as células mais velhas para cima. Estas, ao acumular queratina, morrem e se
 compactam, originando a unha ou o pêlo. Cada pêlo está ligado a um pequeno músculo
 eretor, que permite sua movimentação, e a uma ou mais glândulas sebáceas, que se
 encarregam de sua lubrificação.




                                 BIBLIOGRAFIA
  01- AMABIS & MARTHO. Biologia dos organismos. Volume 2. São Paulo, Editora
 Moderna, 1995.
  02- AMABIS & MARTHO. Fundamentos da Biologia Moderna. Volume único. São Paulo,
 Ed. Moderna.
  03- AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2.
 São Paulo, Ed. Moderna, 1997.
  04- BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o
 Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002.
  05- CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed Saraiva, 2002.
  06- CHEIDA, LUIZ EDUARDO. Biologia Integrada. São Paulo, Ed. FTD, 2002
  07- GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.
  08- GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 11ª ed. Rio de Janeiro,
 Elsevier Ed., 2006.
  09- JUNQUEIRA, L. C. & CARNEIRO, J. Histologia Básica. 8ª Edição. Rio de Janeiro,
 Editora Guanabara Koogan. 1995. Pp. 100:108.
  10- LOPES, SÔNIA. Bio 1.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.
  11- LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.
  12- McCRONE, JOHN. Como o cérebro funciona. Série Mais Ciência. São Paulo,
 Publifolha, 2002.
  13- ROSS, Michael H. & ROWRELL, Lynn J. Histologia Texto e Atlas. 2ª Edição. São
 Paulo, Editora Médica Panamericana. 1993. Pp. 123:129.
  14- SÉRIE ATLAS VISUAIS. O corpo Humano. Ed. Ática, 1997.
  15 – VILELA, Ana Luiza Miranda; http://www.afh.bio.br/varios/analuisa.asp, Prof. UFMG,
 2009.
  16- CD O CORPO HUMANO 2.0. Globo Multimídia.
  17- ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. Artmed Editora.
  18- ENCICLOPÉDIA MULTIMÍDIA DO CORPO HUMANO - Planeta DeAgostini - Ed.
 Planeta do Brasil Ltda.

Apostila de anatomia humana

  • 1.
    Faculdade e EscolaTécnica Egídio José da Silva FATEGÍDIO APOSTILA DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS MAIO/2009
  • 2.
    3 Organizador: Prof. MSc. RODRIGOANTONIO MONTEZANO VALINTIN LACERDA Colaboradores: Prof. Esp. ADRÉ LUIS VELANO Prof. Esp. FABIANA PARO PEREIRA Prof. Esp. FABRICIO BRITO MUNIZ Prof. Esp. LEONARDO FIGUEIREDO SANTOS Capa: Prof. MSc. RODRIGO ANTONIO MONTEZANO VALINTIN LACERDA e Secretário SERGIO TELES Citações: Esta Apostila foi baseada em texto da Professora MSc. Maria Luisa Miranda Vilela, Licenciada em Ciências Biológicas pela PUC/MG, tem especialização nos cursos de Biologia dos Vertebrados pela PUC/MG e Genética Humana pela UnB e mestrado em Microbiologia pela UFMG (defesa de dissertação em genética molecular de Leishmania). Atualmente é doutoranda no Curso de Pós-Graduação em Biologia Animal da UnB, pelo Dept° de Genética e Morfologia, Laboratório de Genética.Lecionou Ciências no Ensino Fundamental, Biologia no Ensino Médio e Citologia nas Faculdades Metodistas Isabela Hendrix, em Belo Horizonte/MG. Em Brasília/DF, leciona biologia no ensino médio, desde 1994: em 1994 e 1995, nos Centros Educacionais La Salle e Sagrada Família; de 1996 até agora, no Centro Educacional Leonardo da Vinci. Cursos de atualização: Genética e Sociedade (UnB); Bioquímica, Nutrição e Saúde (UnB); Ecologia e Gestão Ambiental (UFMG).
  • 3.
    4 Aos alunos: O mestre disse a um dos seus alunos: Yu, queres saber em que consiste o conhecimento? Consiste em ter consciência tanto de conhecer uma coisa quanto de não a conhecer. Este é o conhecimento..
  • 4.
    5 SUMÁRIO 1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA ................................................. 6 1.1 - CONCEITO DE ANATOMIA ...................................................................... 6 1.2 - NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA ...................................................... 6 1.3 - NOMENCLATURA ANATÔMICA ...............................................................6 1.4 - POSIÇÃO ANATÔMICA .............................................................................7 1.5 - DIVISÃO DO CORPO HUMANO.................................................................7 1.6 - PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO..............8 1.7 - TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO.........................................................8 1.8 - MÉTODOS DE ESTUDO ............................................................................9 1.9 - VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAI ...................................................... 9 1.10 - PLANOS ANATÔMICO ..........................................................................10 1.11 - TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICA ..................................................10 2 – SISTEMAS DE SUSTENTAÇÃO............................................................... 11 2.1 - SISTEMA ESQUELÉTICO............................................................................... 11 2.2 - SISTEMA ARTICULAR ....................................................................................21 2.3 - SISTEMA MUSCULAR ............................................................................27 3 - SISTEMA NERVOSO ..................................................................................36 4 - SISTEMA CIRCULATÓRIO ........................................................................57 5 - SISTEMA RESPIRATÓRIO ........................................................................66 6 - O SISTEMA DIGESTÓRIO ........................................................................72 7 - SISTEMA URINÁRIO/EXCRETOR .............................................................79 8 - SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO ...................................................83 9 - SISTEMA REPRODUTOR FEMININO ........................................................85 10 - SISTEMA ENDÓCRINO ............................................................................95 11 – SISTEMA SENSORIAL ............................................................................99 12 - SISTEMA TEGUMENTAR ......................................................................110
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    6 1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA 1.1 - CONCEITO DE ANATOMIA No seu conceito mais amplo, a Anatomia é a ciência que estuda, macro e microscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados. Um excelente e amplo conceito de Anatomia foi proposto em 1981 pela American Association of Anatomists: anatomia é a análise da estrutura biológica, sua correlação com a função e com as modulações de estrutura em resposta a fatores temporais, genéticos e ambientais. Tem como metas principais a compreensão dos princípios arquitetônicos da construção dos organismos vivos, a descoberta da base estrutural do funcionamento das várias partes e a compreensão dos mecanismos formativos envolvidos no desenvolvimento destas. A amplitude da anatomia compreende, em termos temporais, desde o estudo das mudanças a longo prazo da estrutura, no curso de evolução, passando pelas das mudanças de duração intermediária em desenvolvimento, crescimento e envelhecimento; até as mudanças de curto prazo, associadas com fases diferentes de atividade funcional normal. Em termos do tamanho da estrutura estudada vai desde todo um sistema biológico, passando por organismos inteiros e/ou seus órgãos até as organelas celulares e macromoléculas. A palavra Anatomia é derivada do grego anatome (ana = através de; tome = corte). Dissecação deriva do latim (dis = separar; secare = cortar) e é equivalente etimologicamente a anatomia. Contudo, atualmente, Anatomia é a ciência, enquanto dissecar é um dos métodos desta ciência. Seu estudo tem uma longa e interessante história, desde os primórdios da civilização humana. Inicialmente limitada ao observável a olho nu e pela manipulação dos corpos, expandiu-se, ao longo do tempo, graças a aquisição de tecnologias inovadoras. Atualmente, a Anatomia pode ser subdividida em três grandes grupos: Anatomia macroscópica, Anatomia microscópica e Anatomia do desenvolvimento. A Anatomia Macroscópica é o estudo das estruturas observáveis a olho nu, utilizando ou não recursos tecnológicos os mais variáveis possíveis, enquanto a Anatomia Microscópica é aquela relacionada com as estruturas corporais invisíveis a olho nu e requer o uso de instrumental para ampliação, como lupas, microscópios ópticos e eletrônicos. Este grupo é dividido em Citologia (estudo da célula) e Histologia (estudo dos tecidos e de como estes se organizam para a formação de órgãos). A Anatomia do desenvolvimento estuda o desenvolvimento do indivíduo a partir do ovo fertilizado até a forma adulta. Ela engloba a Embriologia que é o estudo do desenvolvimento até o nascimento. Embora não sejam estanques, a complexidade destes grupos torna necessária a existência de estudos específicos. 1.2 - NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA Normal, para o anatomista, é o estatisticamente mais comum, ou seja, o que é encontrado na maioria dos casos. Variação anatômica é qualquer fuga do padrão sem prejuízo da função. Assim, a artéria braquial mais comumente divide-se na fossa cubital. Este é o padrão. Entretanto, em alguns indivíduos esta divisão ocorre ao nível da axila. Como não existe perda funcional esta é uma variação. Quando ocorre prejuízo funcional trata-se de uma anomalia e não de uma variação. Se a anomalia for tão acentuada que deforme profundamente a construção do corpo, sendo, em geral, incompatível com a vida, é uma monstruosidade. 1.3 - NOMENCLATURA ANATÔMICA
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    7 Como toda ciência, a Anatomia tem sua linguagem própria. Ao conjunto de termos empregados para designar e descrever o organismo ou suas partes dá-se o nome de Nomenclatura Anatômica. Com o extraordinário acúmulo de conhecimentos no final do século passado, graças aos trabalhos de importantes “escolas anatômicas” (sobretudo na Itália, França, Inglaterra e Alemanha), as mesmas estruturas do corpo humano recebiam denominações diferentes nestes centros de estudos e pesquisas. Em razão desta falta de metodologia e de inevitáveis arbitrariedades, mais de 20 000 termos anatômicos chegaram a ser consignados (hoje reduzidos a poucos mais de 5 000). A primeira tentativa de uniformizar e criar uma nomenclatura anatômica internacional ocorreu em 1895. Em sucessivos congressos de Anatomia em 1933, 1936 e 1950 foram feitas revisões e finalmente em 1955, em Paris, foi aprovada oficialmente a Nomenclatura Anatômica, conhecida sob a sigla de P.N.A. (Paris Nomina Anatomica). Revisões subseqüentes foram feitas em 1960, 1965 e 1970, visto que a nomenclatura anatômica tem caráter dinâmico, podendo ser sempre criticada e modificada, desde que haja razões suficientes para as modificações e que estas sejam aprovadas em Congressos Internacionais de Anatomia . A língua oficialmente adotada é o latim (por ser “língua morta”), porém cada país pode traduzi-la para seu próprio vernáculo. Ao designar uma estrutura do organismo, a nomenclatura procura utilizar termos que não sejam apenas sinais para a memória, mas tragam também alguma informação ou descrição sobre a referida estrutura. Dentro deste princípio, foram abolidos os epônimos (nome de pessoas para designar coisas) e os termos indicam: a forma (músculo trapézio); a sua posição ou situação (nervo mediano); o seu trajeto (artéria circunflexa da escápula); as suas conexões ou inter-relações (ligamento sacroilíaco); a sua relação com o esqueleto (artéria radial); sua função (m. levantador da escápula); critério misto (m. flexor superficial dos dedos – função e situação). Entretanto, há nomes impróprios ou não muito lógicos que foram conservados, porque estão consagrados pelo uso. 1.4 - POSIÇÃO ANATÔMICA Para evitar o uso de termos diferentes nas descrições anatômicas, considerando-se que a posição pode ser variável, optou-se por uma posição padrão, denominada posição de descrição anatômica (posição anatômica). Deste modo, os anatomistas, quando escrevem seus textos, referem-se ao objeto de descrição considerando o indivíduo como se estivesse sempre na posição padronizada. Nela o indivíduo está em posição ereta (em pé, posição ortostática ou bípede), com a face voltada para a frente, o olhar dirigido para o horizonte, membros superiores estendidos, aplicados ao tronco e com as palmas voltadas para frente, membros inferiores unidos, com as pontas dos pés dirigidas para frente. 1.5 - DIVISÃO DO CORPO HUMANO O corpo humano divide-se em cabeça, tronco e membros. 2.1. Cabeça A cabeça é dividida em duas partes: crânio e face. Uma linha imaginária passando pelo topo das orelhas e dos olhos é o limite aproximada entre estas duas regiões. O crânio contém o encéfalo no seu interior, na chamada cavidade craniana. As lesões crânioencefálicas são as causas mais freqüentes de óbito nas vitimas de trauma. A face é a sede dos órgãos dos sentidos da visão, audição, olfato e paladar. Abriga as aberturas externas do aparelho respiratório e digestivo. As lesões da face podem ameaçar a vida devido ao sangramento e obstrução das vias aéreas. 2.2. Tronco O tronco é dividido em pescoço, tórax, abdome e pelve. 2.2.1. Pescoço Contém varias estruturas importantes. É suportado pela coluna cervical que abriga no seu interior a porção cervical da medula espinhal. As porções superiores do trato respiratório e digestivo passam pelo pescoço em direção ao tórax e abdome. Contém também vasos
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    8 sangüíneos calibrosos responsáveispela irrigação da cabeça. As lesões do pescoço de maior gravidade são as fraturas da coluna cervical com ou sem lesão medular, as lesões do trato respiratório e as lesões de grandes vasos com hemorragia severa. 2.2.2. Tórax Contém no seu interior, na chamada cavidade torácica, a parte inferior do trato respiratório (vias aéreas inferiores), os pulmões, o esôfago, o coração e os grandes vasos sangüíneos que chegam ou saem do coração. É sustentado por uma estrutura óssea da qual fazem parte a coluna vertebral torácica, as costelas, o esterno, as clavículas e a escápula. As lesões do tórax são a segunda causa mais freqüente de morte nas vítimas de trauma. 1.6 - PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO Na posição anatômica o corpo humano pode ser delimitado por planos tangentes à sua superfície, os quais, com suas intersecções, determinam a formação de um sólido geométrico, um paralelepípedo. Tem-se assim, para as faces desse sólido, os seguintes planos correspondentes: dois planos verticais, um tangente ao ventre – plano ventral ou anterior – e outro ao dorso – plano dorsal ou posterior. Estes e outros a eles paralelos são também designados como planos frontais, por serem paralelos à “fronte”; dois planos verticais tangentes aos lados do corpo – planos laterais direito e esquerdo e, finalmente, dois planos horizontais, um tangente à cabeça – plano cranial ou superior – e outro à planta dos pés – plano podálico – (de podos = pé) ou inferior. O tronco isolado é limitado, inferiormente, pelo plano horizontal que tangencia o vértice do cóccix, ou seja, o osso que no homem é o vestígio da cauda de outros animais. Por esta razão, este plano é denominado caudal. Os planos descritos são de delimitação. É possível traçar também planos de secção: o plano que divide o corpo humano em metades direita e esquerda é denominado mediano. Toda secção do corpo feita por planos paralelos ao mediano é uma secção sagital (corte sagital) e os planos de secção são também chamados sagitais; os planos de secção que são paralelos aos planos ventral e dorsal são ditos frontais e a secção é também denominada frontal (corte frontal); os planos de secção que são paralelos aos planos cranial, podálico e caudal são horizontais. A secção é denominada transversal. 1.7 - TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO A situação e a posição das estruturas anatômicas são indicadas em função dos planos de delimitação e secção. Assim, duas estruturas dispostas em um plano frontal serão chamadas de medial e lateral conforme estejam, respectivamente, mais próxima ou mais distante do plano mediano do corpo. Duas estruturas localizadas em um plano sagital serão chamadas de anterior (ou ventral) e posterior (ou dorsal) conforme estejam, respectivamente, mais próxima ou mais distante do plano anterior. Para estruturas dispostas longitudinalmente, os termos são superior (ou cranial) para a mais próxima ao plano cranial e inferior (ou caudal) para a mais distante deste plano. Para estruturas dispostas longitudinalmente nos membros emprega-se, comumente, os termos proximal e distal referindo-se às estruturas respectivamente mais próxima e mais distante da raiz do membro. Para o tubo digestivo emprega-se os termos oral e aboral, referindo-se às estruturas respectivamente mais próxima e mais distante da boca. Uma terceira estrutura situada entre uma lateral e outra medial é chamada de intermédia. Nos outros casos (terceira estrutura situada entre uma anterior e outra posterior, ou entre uma superior e outra inferior, ou entre uma proximal e outra distal ou ainda uma oral e outra aboral) é denominada de média. Estruturas situadas ao longo do plano mediano são denominadas de medianas, sendo este um conceito absoluto, ou seja, uma estrutura mediana será sempre mediana, enquanto os
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    9 outros termos deposição e direção são relativos, pois baseiam-se na comparação da posição de uma estrutura em relação a posição de outra A anatomia é o estudo da forma e da constituição do corpo, pré-requisito indispensável para o estudo da fisiologia dos órgãos. Seu estudo compreende tanto a evolução do indivíduo desde a fase de zigoto até a velhice (ontogenia), como o desenvolvimento de uma estrutura no reino animal (filogenia). A anatomia macroscópica pode ser estudada de duas formas: (1) anatomia sistemática ou descritiva, que estuda os vários sistemas separadamente e (2) anatomia topográfica ou cirúrgica, que estuda todas as estruturas de uma região e suas relações entre si. ORIGEM EMBRIOLÓGICA Quanto à origem, os órgãos podem ser classificados em homólogos ou análogos. Diz-se que dois órgãos são homólogos quando possuem a mesma origem embriológica mas diferentes funções, como, por exemplo, os membros superiores do homem e as asas dos pássaros. A analogia, por sua vez, acontece quando dois órgãos tem funções semelhantes e diferentes origens embriológicas, como ocorre com os pulmões humanos e as guelras dos peixes. 1.8 - MÉTODOS DE ESTUDO 1. inspeção: analisando através da visão. A análise pode ser de órgãos externos (ectoscopia) ou internos (endoscopia); 2. palpação: analisando através do tato é possível verificar a pulsação, os tendões musculares e as saliências ósseas, dentre outras coisas; 3. percussão: através de batimentos digitais na superfície corporal podemos produzir sons audíveis, que ajudam a determinar a composição de órgãos ou estruturas (gases, líquidos ou sólidos); 4. ausculta: ouvindo determinados órgãos em funcionamento (Ex.: coração, pulmão, intestino); 5. mensuração: permite a avaliação da simetria corporal e de eventuais megalias; 6. dissecção: consiste na separação minuciosa dos diferentes órgãos para uma melhor visualização; 7. métodos de estudo por imagem: inclui o raioX, ecografia, ressonância nuclear magnética e tomografia computadorizada. 1.9 - VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAIS Existem algumas circunstâncias que determinam variações anatômicas normais e que devem ser descritas: 1. idade: os testículos no feto estão situados na cavidade abdominal, migrando para a bolsa escrotal e nela se localizando durante a vida adulta; 2. sexo: no homem a gordura subcutânea se deposita principalmente na região tricipital, enquanto na mulher o depósito se dá preferencialmente na região abdominal; 3. raça: nos brancos a medula espinhal termina entre a primeira e segunda vértebra lombar, enquanto que nos negros ela termina um pouco mais abaixo, entre a segunda e a terceira vértebra lombar; 4. tipo morfológico constitucional: é o principal fator das diferenças morfológicas. Os principais tipos são: 4.a- longilíneo: indivíduo alto e esguio, com pescoço, tórax e membros longos. Nessas pessoas o estômago geralmente é mais alongado e as vísceras dispostas mais verticalmente; 4.b- brevilíneo: indivíduo baixo com pescoço, tórax e membros curtos. Aqui as vísceras costumam estar dispostas mais horizontalmente; 4.c- mediolíneo: características intermediárias.
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    10 Aidentificação do tipo morfológico é importante devido às diferentes técnicas de abordagem semiológica, avaliação das variações da normalidade e até mesmo maior incidência de doenças, como por exemplo a hipertensão, que é sabidamente mais comum em brevilíneos. 1.10 - PLANOS ANATÔMICOS O corpo humano é dividido por três eixos imaginários: 1. o eixo vertical ou longitudinal, que une a cabeça aos pés, classificado como heteropolar; 2. o eixo de profundidade ou ântero-posterior, que une o ventre ao dorso, classificado como heteropolar; 3. o eixo de largura ou transversal, que une o lado direito ao lado esquerdo, classificado como homopolar. No momento em que projetamos um eixo sobre outro temos um plano. Existem quatro planos principais: 1. o plano sagital, formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao longo do eixo longitudinal; 2. o plano sagital mediano, formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao longo do eixo longitudinal na linha mediana, dividindo o corpo em duas metades aparentemente simétricas, denominadas antímeros; 3. o plano transversal ou horizontal, formado pelo deslocamento do eixo de largura ao longo do eixo ântero-posterior. Uma série sucessiva de planos transversais divide o corpo em segmentos denominados metâmeros; 4. o plano frontal ou coronal, formado pelo deslocamento do eixo de largura ao longo do eixo longitudinal, dividindo o corpo em porções chamadas de paquímeros. 1.11 - TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICA Inferior ou caudal: mais próximo dos pés; Superior ou cranial: mais próximo da cabeça; Anterior ou ventral: mais próximo do ventre; Posterior ou dorsal: mais próximo do dorso; Proximal: mais próximo do ponto de origem; Distal: mais afastado do ponto de origem; Medial: mais próximo do plano sagital mediano; Lateral: mais afastado do plano sagital mediano; Superficial: mais próximo da pele; Profundo: mais afastado da pele; Homolateral ou ipsilateral: do mesmo lado do corpo; Contra-lateral: do lado oposto do corpo; Holotopia: localização geral de um órgão no organismo. Ex.: o fígado está localizado no abdômen; Sintopia: relação de vizinhança. Ex.: o estômago está abaixo do diafragma, a direita do baço e a esquerda do fígado; Esqueletopia: relação com esqueleto. Ex.: coração atrás do esterno e da terceira, quarta e quinta costelas; Idiotopia: relação entre as partes de um mesmo órgão. Ex.: ventrículo esquerdo adiante e abaixo do átrio esquerdo.
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    11 2 – SISTEMAS DE SUSTENTAÇÃO 2.1 - SISTEMA ESQUELÉTICO Além de dar sustentação ao corpo, o esqueleto protege os órgãos internos e fornece pontos de apoio para a fixação dos músculos. Ele constitui-se de peças ósseas (ao todo 208 ossos no indivíduo adulto) e cartilaginosas articuladas, que formam um sistema de alavancas movimentadas pelos músculos. O esqueleto humano pode ser dividido em duas partes: 1-Esqueleto axial: formado pela caixa craniana, coluna vertebral caixa torácica. 2-Esqueleto apendicular: compreende a cintura escapular, formada pelas escápulas e clavículas; cintura pélvica, formada pelos ossos ilíacos (da bacia) e o esqueleto dos membros (superiores ou anteriores e inferiores ou posteriores). Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997. 1-Esqueleto axial 1.1-Caixa craniana Possui os seguintes ossos importantes: frontal, parietais, temporais, occipital, esfenóide, nasal, lacrimais, malares ("maçãs do rosto" ou zigomático), maxilar superior e mandíbula (maxilar inferior). Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997.
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    12 Observações: Primeiro - no osso esfenóide existe uma depressão denominada de sela turca onde se encontra uma das menores e mais importantes glândulas do corpo humano - a hipófise, no centro geométrico do crânio. Segundo - Fontanela ou moleira é o nome dado à região alta e mediana, da cabeça da criança, que facilita a passagem da mesma no canal do parto; após o nascimento, será substituída por osso. 1.2-Coluna vertebral É uma coluna de vértebras que apresentam cada uma um buraco, que se sobrepõem constituindo um canal que aloja a medula nervosa ou espinhal; é dividida em regiões típicas que são: coluna cervical (região do pescoço), coluna torácica, coluna lombar, coluna sacral, coluna cocciciana (coccix). 1.3-Caixa torácica É formada pela região torácica de coluna vertebral, osso esterno e costelas, que são em número de 12 de cada lado, sendo as 7 primeiras verdadeiras (se inserem diretamente no esterno), 3 falsas (se reúnem e depois se unem ao esterno), e 2 flutuantes (com extremidades anteriores livres, não se fixando ao esterno).
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    13 2- Esqueleto apendicular 2-1-Membros e cinturas articulares Cada membro superior é composto de braço, antebraço, pulso e mão. O osso do braço – úmero – articula-se no cotovelo com os ossos do antebraço: rádio e ulna. O pulso constitui-se de ossos pequenos e maciços, os carpos. A palma da mão é formada pelos metacarpos e os dedos, pelas falanges. Cada membro inferior compõe-se de coxa, perna, tornozelo e pé. O osso da coxa é o fêmur, o mais longo do corpo. No joelho, ele se articula com os dois ossos da perna: a tíbia e a fíbula. A região frontal do joelho está protegida por um pequeno osso circular: a rótula. Ossos pequenos e maciços, chamados tarsos, formam o tornozelo. A planta do pé é constituída pelos metatarsos e os dedos dos pés (artelhos), pelas falanges. Os membros estão unidos ao corpo mediante um sistema ósseo que toma o nome de cintura ou de cinta. A cintura superior se chama cintura torácica ou escapular (formada pela clavícula e pela escápula ou omoplata); a inferior se chama cintura pélvica, popularmente conhecida como bacia (constituída pelo sacro - osso volumoso resultante da fusão de cinco vértebras, por um par de ossos ilíacos e pelo cóccix, formado por quatro a seis vértebras rudimentares fundidas). A primeira sustenta o úmero e com ele todo o braço; a segunda dá apoio ao fêmur e a toda a perna. 3 - Juntas e articulações Junta é o local de junção entre dois ou mais ossos. Algumas juntas, como as do crânio, são fixas; nelas os ossos estão firmemente unidos entre si. Em outras juntas, denominadas articulações, os ossos são móveis e permitem ao esqueleto realizar movimentos.
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    14 4 - Ligamentos Os ossos de uma articulação mantêm-se no lugar por meio dos ligamentos, cordões resistentes constituídos por tecido conjuntivo fibroso. Os ligamentos estão firmemente unidos às membranas que revestem os ossos. 5 - Classificação dos ossos Os ossos são classificados de acordo com a sua forma em: A - Longos: têm duas extremidades ou epífises; o corpo do osso é a diáfise; entre a diáfise e cada epífise fica a metáfise. A diáfise é formada por tecido ósseo compacto, enquanto a epífise e a metáfise, por tecido ósseo esponjoso. Exemplos: fêmur, úmero. Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997, com adaptações B- Curtos: têm as três extremidades praticamente equivalentes e são encontrados nas mãos e nos pés. São constituídos por tecido ósseo esponjoso. Exemplos: calcâneo, tarsos, carpos. C - Planos ou Chatos: são formados por duas camadas de tecido ósseo compacto, tendo entre elas uma camada de tecido ósseo esponjoso e de medula óssea Exemplos: esterno, ossos do crânio, ossos da bacia, escápula. Revestindo o osso compacto na diáfise, existe uma delicada membrana - o periósteo - responsável pelo crescimento em espessura do osso e também pela consolidação dos ossos após fraturas (calo ósseo). As superfícies articulares são revestidas por cartilagem. Entre as epífises e a diáfise encontra-se um disco ou placa de cartilagem nos ossos em crescimento, tal disco é chamado de disco metafisário (ou epifisário) e é responsável pelo crescimento longitudinal do osso. O interior dos ossos é preenchido pela medula óssea, que, em parte é amarela, funcionando
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    15 como depósitode lipídeos, e, no restante, é vermelha e gelatinosa, constituindo o local de formação das células do sangue, ou seja, de hematopoiese. O tecido hemopoiético é popularmente conhecido por "tutano". As maiores quantidades de tecido hematopoético estão nos ossos da bacia e no esterno. Nos ossos longos, a medula óssea vermelha é encontrada principalmente nas epífises. Diferenças entre os ossos do esqueleto masculino e feminino: 6 - TECIDOS QUE FORMAM O ESQUELETO 6.1 - O TECIDO ÓSSEO O tecido ósseo possui um alto grau de rigidez e resistência à pressão. Por isso, suas principais funções estão relacionadas à proteção e à sustentação. Também funciona como alavanca e apoio para os músculos, aumentando a coordenação e a força do movimento proporcionado pela contração do tecido muscular. Os ossos ainda são grandes armazenadores de substâncias, sobretudo de íons de cálcio e fosfato. Com o envelhecimento, o tecido adiposo também vai se acumulando dentro dos ossos longos, substituindo a medula vermelha que ali existia previamente. A extrema rigidez do tecido ósseo é resultado da interação entre o componente orgânico e o componente mineral da matriz. A nutrição das células que se localizam dentro da matriz é feita por canais. No tecido ósseo, destacam-se os seguintes tipos celulares típicos: • Osteócitos: os osteócitos estão localizados em cavidades ou lacunas dentro da matriz óssea. Destas lacunas formam-se canalículos que se dirigem para outras lacunas, tornando assim a difusão de nutrientes possível graças à comunicação entre os osteócitos. Os osteócitos têm um papel fundamental na manutenção da integridade da matriz óssea.
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    16 • Osteoblastos: os osteoblastos sintetizam a parte orgânica da matriz óssea, composta por colágeno tipo I, glicoproteínas e proteoglicanas. Também concentram fosfato de cálcio, participando da mineralização da matriz. Durante a alta atividade sintética, os osteoblastos destacam-se por apresentar muita basofilia (afinidade por corantes básicos). Possuem sistema de comunicação intercelular semelhante ao existente entre os osteócitos. Os osteócitos inclusive originam-se de osteoblastos, quando estes são envolvidos completamente por matriz óssea. Então, sua síntese protéica diminui e o seu citoplasma torna-se menos basófilo. • Osteoclastos: os osteoclastos participam dos processos de absorção e remodelação do tecido ósseo. São células gigantes e multinucleadas, extensamente ramificadas, derivadas de monócitos que atravessam os capilares sangüíneos. Nos osteoclastos jovens, o citoplasma apresenta uma leve basofilia que vai progressivamente diminuindo com o amadurecimento da célula, até que o citoplasma finalmente se torna acidófilo (com afinidade por corantes ácidos). Dilatações dos osteoclastos, através da sua ação enzimática, escavam a matriz óssea, formando depressões conhecidas como lacunas de Howship. • Matriz óssea: a matriz óssea é composta por uma parte orgânica (já mencionada anteriormente) e uma parte inorgânica cuja composição é dada basicamente por íons fosfato e cálcio formando cristais de hidroxiapatita. A matriz orgânica, quando o osso se apresenta descalcificado, cora-se com os corantes específicos do colágeno (pois ela é composta por 95% de colágeno tipo I). A classificação baseada no critério histológico admite apenas duas variantes de tecido ósseo: o tecido ósseo compacto ou denso e o tecido ósseo esponjoso ou lacunar ou reticulado. Essas variedades apresentam o mesmo tipo de célula e de substância intercelular, diferindo entre si apenas na disposição de seus elementos e na quantidade de espaços medulares. O tecido ósseo esponjoso apresenta espaços medulares mais amplos, sendo formado por várias trabéculas, que dão aspecto poroso ao tecido. O tecido ósseo compacto praticamente não apresenta espaços medulares, existindo, no entanto, além dos canalículos, um conjunto de canais que são percorridos por nervos e vasos sangüíneos: canais de Volkmann e canais de Havers. Por ser uma estrutura inervada e irrigada, os ossos apresentam grande sensibilidade e capacidade de regeneração. Os canais de Volkmann partem da superfície do osso (interna ou externa), possuindo uma trajetória perpendicular em relação ao eixo maior do osso. Esses canais comunicam-se com os canais de Havers, que percorrem o osso longitudinalmente e que podem comunicar-se por projeções laterais. Ao redor de cada canal de Havers, pode-se observar várias lamelas concêntricas de substância intercelular e de células ósseas. Cada conjunto deste, formado pelo canal central
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    17 de Havers epor lamelas concêntricas é denominado sistema de Havers ou sistema haversiano. Os canais de Volkmann não apresentam lamelas concêntricas. Tecido ósseo compacto Tecido ósseo esponjoso Os tecidos ósseos descritos são os tecidos mais abundantes dos ossos (órgãos): externamente temos uma camada de tecido ósseo compacto e internamente, de tecido ósseo esponjoso. Os ossos são revestidos externa e internamente por membranas denominadas periósteo e endósteo, respectivamente. Ambas as membranas são vascularizadas e suas células transformam-se em osteoblastos. Portanto, são importantes na nutrição e oxigenação das células do tecido ósseo e como fonte de osteoblastos para o crescimento dos ossos e reparação das fraturas. Além disto, nas regiões articulares encontramos as cartilagens fibrosas. Por ser uma estrutura inervada e irrigada, os ossos apresentam grande sensibilidade e capacidade de regeneração. No interior dos ossos está a medula óssea, que pode ser: vermelha: formadora de células do sangue e plaquetas (tecido reticular ou hematopoiético): constituída por células reticulares associadas a fibras reticulares. amarela: constituída por tecido adiposo (não produz células do sangue).
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    18 No recém-nascido, toda a medula óssea é vermelha. Já no adulto, a medula vermelha fica restrita aos ossos chatos do corpo (esterno, costelas, ossos do crânio), às vértebras e às epífises do fêmur e do úmero (ossos longos). Com o passar dos anos, a medula óssea vermelha presente no fêmur e no úmero transforma-se em amarela. 6.2 - O TECIDO CARTILAGINOSO O tecido cartilaginoso é uma forma especializada de tecido conjuntivo de consistência rígida. Desempenha a função de suporte de tecidos moles, reveste superfícies articulares onde absorve choques, facilita os deslizamentos e é essencial para a formação e crescimento dos ossos longos. A cartilagem é um tipo de tecido conjuntivo composto exclusivamente de células chamadas condrócitos e de uma matriz extracelular altamente especializada. É um tecido avascular, não possui vasos sanguíneos, sendo nutrido pelos capilares do conjuntivo envolvente (pericôndrio) ou através do líquido sinovial das
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    19 cavidades articulares.Em alguns casos, vasos sanguíneos atravessam as cartilagens, indo nutrir outros tecidos. O tecido cartilaginoso também é desprovido de vasos linfáticos e de nervos. Dessa forma, a matriz extracelular serve de trajeto para a difusão de substâncias entre os vasos sangüíneos do tecido conjuntivo circundante e os condrócitos. As cavidades da matriz, ocupadas pelos condrócitos, são chamadas lacunas; uma lacuna pode conter um ou mais condrócitos. A matriz extracelular da cartilagem é sólida e firme, embora com alguma flexibilidade, sendo responsável pelas suas propriedades elásticas. As propriedades do tecido cartilaginoso, relacionadas ao seu papel fisiológico, dependem da estrutura da matriz, que é constituída por colágeno ou colágeno mais elastina, em associação com macromoléculas de proteoglicanas (proteína + glicosaminoglicanas). Como o colágeno e a elastina são flexíveis, a consistência firme das cartilagens se deve às ligações eletrostáticas entre as glicosaminoglicanas das proteoglicanas e o colágeno, e à grande quantidade de moléculas de água presas a estas glicosaminoglicanas (água de solvatação) que conferem turgidez à matriz. As cartilagens (exceto as articulares e as peças de cartilagem fibrosa) são envolvidas por uma bainha conjuntiva que recebe o nome de pericôndrio, o qual continua gradualmente com a cartilagem por uma face e com o conjuntivo adjacente pela outra. As cartilagens basicamente se dividem em três tipos distintos: 1) cartilagem hialina; 2) fibrocartilagem ou cartilagem fibrosa; 3) cartilagem elástica. 6.2.1 - Cartilagem hialina Distingue-se pela presença de uma matriz vítrea, homogênea e amorfa (figura ao lado). Por toda cartilagem há espaços, chamados lacunas, no interior das lacunas encontram-se condrócitos. Essas lacunas são circundadas pela matriz, a qual tem dois componentes: fibrilas de colágeno e matriz fundamental Essa cartilagem forma o esqueleto inicial do feto; é a precursora dos ossos que se desenvolverão a partir do processo de ossificação endocondral. Durante o desenvolvimento ósseo endocondral, a cartilagem hialina funciona como placa de crescimento epifisário e essa placa continua funcional enquanto o osso estiver crescendo em comprimento. No osso longo do adulto, a cartilagem hialina está presente somente na superfície articular. No adulto, também está presente como unidade esquelética na traquéia, nos brônquios, na laringe, no nariz e nas extremidades das costelas (cartilagens costais).
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    20 Pericôndrio: a cartilagem hialina geralmente é circundada por um tecido conjuntivo firmemente aderido, chamado pericôndrio. O pericôndrio não está presente nos locais em que a cartilagem forma uma superfície livre, como nas cavidades articulares e nos locais em que ela entra em contato direto com o osso. Sua função não é apenas a de ser uma cápsula de cobertura; tem também a função de nutrição, oxigenação, além de ser fonte de novas células cartilaginosas. É rico em fibras de colágeno na parte mais superficial, porém, à medida que se aproxima da cartilagem, é mais rico em células. Calcificação: a calcificação consiste na deposição de fosfato de cálcio sob a forma de cristais de hidroxiapatita, precedida por um aumento de volume e morte das células. A matriz da cartilagem hialina sofre calcificação regularmente em três situações bem definidas: 1) a porção da cartilagem articular que está em contato com o osso é calcificada; 2) a calcificação sempre ocorre nas cartilagens que estão para ser substituídas por osso durante o período de crescimento do indivíduo; 3) a cartilagem hialina de todo o corpo se calcifica como parte do processo de envelhecimento. Regeneração: a cartilagem que sofre lesão regenera-se com dificuldade e, freqüentemente, de modo incompleto, salvo em crianças de pouca idade. No adulto, a regeneração se dá pela atividade do pericôndrio. Havendo fratura de uma peça cartilaginosa, células derivadas do pericôndrio invadem a área da fratura e dão origem a tecido cartilaginoso que repara a lesão. Quando a área destruída é extensa, ou mesmo, algumas vezes, em lesões pequenas, o pericôndrio, em vez de formar novo tecido cartilaginoso, forma uma cicatriz de tecido conjuntivo denso. 6.2.2 - Cartilagem elástica Esta é uma cartilagem na qual a matriz contém fibras elásticas e lâminas de material elástico, além das fibrilas de colágeno e da substância fundamental. O material elástico confere maior elasticidade à cartilagem, como a que se pode ver no pavilhão da orelha. A presença desse material elástico (elastina) confere a esse tipo de cartilagem uma cor amarelada, quando examinado a fresco. A cartilagem elástica pode estar presente isoladamente ou formar uma peça cartilaginosa junto com a cartilagem hialina. Como a cartilagem hialina, a elástica possui pericôndrio e cresce principalmente por aposição. A cartilagem elástica é menos sujeita a processos degenerativos do que a hialina. Ela pode ser encontrada
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    21 no pavilhãoda orelha, nas paredes do canal auditivo externo, na tuba auditiva e na laringe. Em todos estes locais há pericôndrio circundante. Diferentemente da cartilagem hialina, a cartilagem elástica não se calcifica. 6.2.3 - Fibrocartilagem ou Cartilagem fibrosa A cartilagem fibrosa ou fibrocartilagem é um tecido com características intermediárias entre o conjuntivo denso e a cartilagem hialina. É uma forma de cartilagem na qual a matriz contém feixes evidentes de espessas fibras colágenas. Na cartilagem fibrosa, as numerosas fibras colágenas constituem feixes, que seguem uma orientação aparentemente irregular entre os condrócitos ou um arranjo paralelo ao longo dos condrócitos em fileiras. Essa orientação depende das forças que atuam sobre a fibrocartilagem. Os feixes colágenos colocam-se paralelamente às trações exercidas sobre eles. Na fibrocartilagem não existe pericôndrio. A fibrocartilagem está caracteristicamente presente nos discos intervertebrais, na sínfise púbica, nos discos articulares das articulações dos joelhos e em certos locais onde os tendões se ligam aos ossos. Geralmente, a presença de fibrocartilagem indica que naquele local o tecido precisa resistir à compressão e ao desgaste. 6.3 - Crescimento A cartilagem possui dois tipos de crescimento: aposicional e intersticial. Crescimento aposicional é a formação de cartilagem sobre a superfície de uma cartilagem já existente. As células empenhadas nesse tipo de crescimento derivam do pericôndrio. O crescimento intersticial ocorre no interior da massa cartilaginosa. Isso é possível porque os condrócitos ainda são capazes de se dividir e porque a matriz é distensível. Embora as células-filhas ocupem temporariamente a mesma lacuna, separam-se quando secretam nova matriz extracelular. Quando parte desta última matriz é secretada, forma-se uma divisão entre as células e, neste ponto, cada célula ocupa sua própria lacuna. Com a continuidade da secreção da matriz, as células ficam ainda mais separadas entre si. Na cartilagem do adulto, os condrócitos freqüentemente estão situados em grupos compactos ou podem estar alinhados em fileiras. Esses grupos de condrócitos são formados como conseqüência de várias divisões sucessivas durante a última fase de desenvolvimento. Há pouca produção de matriz adicional e os condrócitos permanecem em íntima aposição. Tais grupos são chamados de grupos isógenos. 2.2 - SISTEMA ARTICULAR Articulação ou juntura é a conexão entre duas ou mais peças esqueléticas (ossos ou cartilagens). Essas uniões não só colocam as peças do esqueleto em contato, como também permitem que o crescimento ósseo ocorra e que certas partes do esqueleto mudem de forma durante o parto. Além disto, capacitam que partes do corpo se movimentem em resposta a contração muscular. Embora apresentem consideráveis variações entre elas, as articulações possuem certos aspectos estruturais e funcionais em comum que permitem classificá-las em três grandes grupos: fibrosas, cartilaginosas e
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    22 sinoviais. Ocritério para esta divisão é o da natureza do elemento que se interpõe às peças que se articulam. 2.1 - CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES a- Quanto a duração; b- Quanto a maneira de fixação aos ossos; c- Quanto a natureza do tecido interposto; d- Quanto ao número de eixos. e- Quanto ao número de ossos. 2.1.A - QUANTO A DURAÇÃO -Temporárias (Ex. Linha epifisiária) -Permanentes (Ex. Articulação do ombro 2.1.B - QUANTO A MANEIRA DE FIXAÇÃO AOS OSSOS -Continuidade (Ex. Disco intervertebral) -Contigüidade (Ex. Articulação do cotovelo) 2.1.C - QUANTO A NATUREZA DO TECIDO INTERPOSTO - Fibrosas (IMÓVEIS) - Cartilaginosas ou cartilagíneas (SEMI-MÓVEIS) - Sinoviais (MÓVEIS) Articulações fibrosas (móveis) As articulações nas quais o elemento que se interpõe às peças que se articulam é o tecido conjuntivo fibroso são ditas fibrosas (ou sinartroses). O grau de mobilidade delas, sempre pequeno, depende do comprimento das fibras interpostas. Existem três tipos de articulações fibrosas: sutura, sindesmose e gonfose. As suturas, que são encontradas somente entre os ossos do crânio, são formadas por várias camadas fibrosas, sendo a união suficientemente íntima de modo a limitar intensamente os movimentos, embora confiram uma certa elasticidade ao crânio. A maneira pela qual as bordas dos ossos articulados entram em contato é variável, reconhecendo-se suturas planas (união linear retilínea ou aproximadamente retilínea), suturas escamosas (união em bisel) e suturas serreadas (união em linha “denteada”). No crânio, a articulação entre os ossos nasais é uma sutura plana; entre os parietais, sutura denteada; entre o parietal e o temporal, escamosa.
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    23 No crânio do feto e recém-nascido, onde a ossificação ainda é incompleta, a quantidade de tecido conjuntivo fibroso interposto é muito maior, explicando a grande separação entre os ossos e uma maior mobilidade. Estas áreas fibrosas são denominadas fontículos (ou fontanelas). São elas que permitem, no momento do parto, uma redução bastante apreciável do volume da cabeça fetal pela sobreposição dos ossos do crânio. Esta redução de volume facilita a expulsão do feto para o meio exterior. Na idade avançada pode ocorrer ossificação do tecido interposto (sinostose), fazendo com que as suturas, pouco a pouco, desapareçam e, com elas, a elasticidade do crânio. Nas sindesmoses os ossos estão unidos por uma faixa de tecido fibroso, relativamente longa, formando ou um ligamento interósseo ou uma membrana interóssea, nos casos, respectivamente de menor ou maior comprimento das fibras, o que condiciona um menor ou maior grau de movimentação. Exemplos típicos são a sindesmose tíbio-fibular e a membrana interóssea radio-ulnar. Gonfose é a articulação específica entre os dentes e seus receptáculos, os alvéolos dentários. O tecido fibroso do ligamento periodontal segura firmemente o dente no seu alvéolo. A presença de movimentos nesta articulação significa uma condição patológica. CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS (semi-móveis) SINCONDROSE SÍNFISE - Cartilagem Hialina - Fribro-cartilagem Nas articulações cartilaginosas o tecido que se interpõe é a cartilagem. Quando se trata de cartilagem hialina, temos as sincondroses; nas sínfises a cartilagem é fibrosa. Em ambas a mobilidade é reduzida. As sincondroses são raras e o exemplo mais típico é a sincondrose esfeno-occipital que pode ser visualizada na base do crânio. Exemplo de sínfise é a união, no plano mediano, entre as porções púbicas dos ossos do quadril, constituindo a sínfise púbica. Também as articulações que se fazem entre os corpos das vértebras podem ser consideradas como sínfise, uma vez que se interpõe entre eles um disco de fibrocartilagem - o disco intervertebral. Articulações sinoviais CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES SINOVIAIS PLANA GÍNGLIMO TROCÓIDE CONDILAR SELAR ESFERÓIDE A mobilidade exige livre deslizamento de uma superfície óssea contra outra e isto é impossível quando entre elas interpõe-se um meio de ligação, seja fibroso ou cartilagíneo. Para que haja o grau desejável de movimento, em muitas articulações, o elemento que se interpõe às peças que se articulam é um líquido denominado sinóvia, ou líquido sinovial. Além da presença deste líquido, as articulações sinoviais possuem três outras características básicas: cartilagem articular, cápsula articular e cavidade articular. a cartilagem articular é a cartilagem do tipo hialino que reveste as superfícies em contato numa determinada articulação (superfícies articulares), ou seja, a cartilagem articular é a porção do osso que não foi invadida pela ossificação. Em virtude deste revestimento as superfícies articulares se apresentam lisas, polidas e
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    24 de cor esbranquiçada.A cartilagem articular é avascular e não possui também inervação. Sua nutrição, portanto, principalmente nas áreas mais centrais, é precária, o que torna a regeneração, em caso de lesões, mais difícil e lenta. a cápsula articular é uma membrana conjuntiva que envolve a articulação sinovial como um manguito. Apresenta-se com duas camadas: a membrana fibrosa (externa) e a membrana sinovial (interna). A primeira é mais resistente e pode estar reforçada, em alguns pontos, por ligamentos , destinados a aumentar sua resistência. Em muitas articulações sinoviais, todavia, existem ligamentos independentes da cápsula articular e em algumas, como na do joelho, aparecem também ligamentos intra-articulares. cavidade articular é o espaço existente entre as superfícies articulares, estando preenchido pelo líquido sinovial Ligamentos e cápsula articular têm por finalidade manter a união entre os ossos, mas além disto, impedem o movimento em planos indesejáveis e limitam a amplitude dos movimentos considerados normais. A membrana sinovial é a mais interna das camadas da cápsula articular. É abundantemente vascularizada e inervada, sendo encarregada da produção da sinóvia (líquido sinovial), o qual tem consistência similar a clara do ovo e tem por funções lubrificar e nutrir as cartilagens articulares. O volume de líquido sinovial presente em uma articulação é mínimo, somente o suficiente para revestir delgadamente as superfícies articulares e localiza-se na cavidade articular. Além destas características, que são comuns a todas articulações sinoviais, em várias delas encontram-se formações fibrocartilagíneas, interpostas às superfícies articulares, os discos e meniscos, de função discutida: serviriam à melhor adaptação das superfícies que se articulam (tornando-as congruentes) ou seriam estruturas destinadas a receber violentas pressões, agindo como amortecedores. Meniscos, com sua característica forma de meia lua, são encontrados na articulação do joelho. Discos são encontrados nas articulações esternoclavicular e temporomandibular. movimentos das articulações sinoviais As articulações fibrosas e cartilagíneas tem um mínimo grau de mobilidade. Assim, a verdadeira mobilidade articular é dada pelas articulações sinoviais. Estes movimentos ocorrem, obrigatoriamente, em torno de um eixo, denominado eixo de movimento. A direção destes eixos é ântero-posterior, látero-lateral e longitudinal. Na análise do movimento realizado, a determinação do eixo de movimento é feita obedecendo a regra, segundo a qual, a direção do eixo de movimento é sempre perpendicular ao plano no qual se realiza o movimento em questão. Assim, todo movimento é realizado em um plano determinado e o seu eixo de movimento é perpendicular àquele plano. Os movimentos executados pelos segmentos do corpo recebem nomes específicos e aqui serão definidos, a seguir, apenas os mais comuns: flexão e extensão são movimentos angulares, ou seja, neles ocorre uma diminuição ou um aumento do ângulo existente entre o segmento que se desloca e aquele que permanece fixo. Quando ocorre a diminuição do ângulo diz-se que há flexão; quando ocorre o aumento, realizou-se a extensão, exceto para o pé. Neste caso, não se usa a expressão extensão do pé: os movimentos são definidos como flexão dorsal e flexão plantar do pé. Os movimentos angulares de flexão e extensão ocorrem em plano sagital e, seguindo a regra, o eixo desses movimentos é látero- lateral. adução e abdução que são movimentos nos quais o segmento é deslocado, respectivamente, em direção ao plano mediano ou em direção oposta, isto é, afastando-se dele. Para os dedos prevalece o plano mediano do membro. Os
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    25 movimentos da aduçãoe abdução desenvolvem-se em plano frontal e seu eixo de movimento é ântero-posterior. rotação que é o movimento em que o segmento gira em torno de um eixo longitudinal (vertical). Assim, nos membros, pode-se reconhecer uma rotação medial, quando a face anterior do membro gira em direção ao plano mediano do corpo, e uma rotação lateral, no movimento oposto. A rotação é feita em plano horizontal e o eixo de movimento, perpendicular a este plano é vertical. circundução, é o resultado do movimento combinatório que inclui a adução, extensão, abdução, flexão e rotação. Neste tipo de movimento, a extremidade distal do segmento descreve um círculo e o corpo do segmento, um cone, cujo vértice é representado pela articulação que se movimenta. 2.1.D - CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE EIXOS -NÃO AXIAL - Planas (deslizamento) -UNI-AXIAL - Gínglimo (flexão/extensão) (EIXO TRANSVERSAL) - Trocóide (rotação medila/lateral) (EIXO LONGITUDINAL) - BI-AXIAL - Condilar (flexão/extensão; adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSAL e SAGITAL). - Selar (flexão/extensão; adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSAL e SAGITAL). -TRI-AXIAL - Esferóide (Circundução) (TODOS OS EIXOS) (FLEXÃO/EXTENSÃO; ADUÇÃO/ABDUÇÃO; ROTAÇÃO MEDILA/LATERAL) O movimento nas articulações depende, essencialmente, da forma das superfícies que entram em contato e dos meios de união que podem limitá-lo. Na dependência destes fatores as articulações podem realizar movimentos em torno de um, dois ou três eixos. Este é o critério adotado para classificá-las funcionalmente. Quando uma articulação realiza movimentos apenas em torno de um eixo, diz-se que é mono-axial ou que possui um só grau de liberdade; será bi- axial a que os realiza em torno de dois eixos (dois graus de liberdade); e tri-axial se eles forem realizados em torno de três eixos (três graus de liberdade). Assim, as articulações que só permitem a flexão e extensão, como a do cotovelo, são uni- axiais; aquelas que realizam extensão, flexão, adução e abdução, como a radio- cárpica (articulação do punho), são bi-axiais; finalmente, as que além de flexão, extensão, abdução e adução, permitem também a rotação, são ditas tri-axiais, cujos exemplos típicos são as articulações do ombro e do quadril. Classificação morfológica das articulações sinoviais O critério de base para a classificação morfológica das articulações sinoviais é a forma das superfícies articulares. Contudo, às vezes é difícil fazer esta correlação. Além disto, existem divergências entre anatomistas quanto não só a classificação de determinadas articulações, mas também quanto à denominação dos tipos. De acordo com a nomenclatura anatômica, os tipos morfológicos de articulações sinoviais são: plana, na qual as superfícies articulares são planas ou ligeiramente curvas, permitindo deslizamento de uma superfície sobre a outra em qualquer direção. A articulação acromioclavicular (entre o acrômio da escápula e a clavícula) é um exemplo. Deslizamento existe em todas as articulações sinoviais mas nas articulações planas ele é discreto, fazendo com que a amplitude do movimento seja bastante reduzida. Entretanto, deve-se ressaltar que pequenos deslizamentos entre
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    26 vários ossos articuladospermitem apreciável variedade e amplitude de movimento. É isto que ocorre, por exemplo, nas articulações entre os ossos curtos do carpo, do tarso e entre os corpos das vértebras. gínglimo, ou dobradiça, sendo que os nomes referem-se muito mais ao movimento (flexão e extensão) que elas realizam do que à forma das superfícies articulares. A articulação do cotovelo é um bom exemplo de gínglimo e a simples observação mostra como a superfície articular do úmero, que entra em contato com a ulna, apresenta-se em forma de carretel. Todavia, as articulações entre as falanges também são do tipo gínglimo e nelas a forma das superfícies articulares não se assemelha a um carretel. Este é um caso concreto em que o critério morfológico não foi rigorosamente obedecido. Realizando apenas flexão e extensão, as articulações sinoviais do tipo gínglimo são mono-axiais. trocóide, na qual, as superfícies articulares são segmentos de cilindro e, por esta razão, cilindróides talvez fosse um termo mais apropriado para designá-las. Estas articulações permitem rotação e seu eixo de movimento, único, é vertical: são mono-axiais. Um exemplo típico é a articulação radio-ulnar proximal (entre o rádio e a ulna) responsável pelos movimentos de pronação e supinação do antebraço. Na pronação ocorre uma rotação medial do rádio e, na supinação, rotação lateral. Na posição de descrição anatômica o antebraço está em supinação. condilar, cujas superfícies articulares são de forma elíptica e elipsóide seria talvez um termo mais adequado. Estas articulações permitem flexão, extensão, abdução e adução, mas não a rotação. Possuem dois eixos de movimento, sendo portanto bi-axiais. A articulação radio-cárpica (ou do punho) é um exemplo. Outros são a articulação temporomandibular e as articulações metacarpofalângicas. selar, na qual a superfície articular de uma peça esquelética tem a forma de sela, apresentando concavidade num sentido e convexidade em outro, e se encaixa numa segunda peça onde convexidade e concavidade apresentam-se no sentido inverso da primeira. A articulação carpo-metacárpica do polegar é exemplo típico. É interessante notar que esta articulação permite flexão, extensão, abdução, adução e rotação (conseqüentemente, também circundução) mas é classificada como bi- axial. O fato é justificado porque a rotação isolada não pode ser realizada ativamente pelo polegar sendo só possível com a combinação dos outros movimentos. esferóide, que apresenta superfícies articulares que são segmentos de esferas e se encaixam em receptáculos ocos. O suporte de uma caneta de mesa, que pode ser movimentado em qualquer direção, é um exemplo não anatômico de uma articulação esferóide. Este tipo de articulação permite movimentos em torno de três eixos, sendo portanto, tri-axial. Assim, a articulação do ombro (entre o úmero e a escápula) e a do quadril (entre o osso do quadril e o fêmur) permitem movimentos de flexão, extensão, adução, abdução, rotação e circundução. 2.1.E – CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE ELEMENTOS ARTICULADOS (OSSOS) - SIMPLES 2 ossos - COMPOSTA (ou complexa) 3 ou mais ossosComplexidade de organização Quando apenas dois ossos entram em contato numa articulação sinovial diz- se que ela é simples (por exemplo, a articulação do ombro); quando três ou mais ossos participam da articulação ela é denominada composta (a articulação do cotovelo envolve três ossos: úmero, ulna e rádio). Inervação
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    27 As articulações sinoviais são muito inervadas. Os nervos são derivados dos que suprem a pele adjacente ou os músculos que movem as articulações. As terminações nervosas sensíveis a dor são numerosas na membrana fibrosa da cápsula e nos ligamentos e são sensíveis ao estiramento e à torção destas estruturas. Contudo, o principal tipo de sensibilidade é a propriocepção. Das terminações proprioceptoras da cápsula – fusos neurotendinosos – partem impulsos que interpretados no sistema nervoso central informam sobre a posição relativa dos ossos da articulação, do grau e direção de movimento. As vezes, essas informações são inconscientes, e atuam em nível de medula espinhal para controle dos músculos que agem sobre a articulação. 2.3 - SISTEMA MUSCULAR O tecido muscular é de origem mesodérmica, sendo caracterizado pela propriedade de contração e distensão de suas células, o que determina a movimentação dos membros e das vísceras. Há basicamente três tipos de tecido muscular: liso, estriado esquelético e estriado cardíaco. Músculo liso: o músculo involuntário localiza-se na pele, órgãos internos, aparelho reprodutor, grandes vasos sangüíneos e aparelho excretor. O estímulo para a contração dos músculos lisos é mediado pelo sistema nervoso vegetativo. Músculo estriado esquelético: é inervado pelo sistema nervoso central e, como este se encontra em parte sob controle consciente, chama-se músculo voluntário. As contrações do músculo esquelético permitem os movimentos dos diversos ossos e cartilagens do esqueleto. Músculo cardíaco: este tipo de tecido muscular forma a maior parte do coração dos vertebrados. O músculo cardíaco carece de controle voluntário. É inervado pelo sistema nervoso vegetati
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    28 Estriado esquelético Estriado cardíaco Liso Miócitos alongados, Miócitos longos, multinucleados Miócitos estriados com um ou dois mononucleados e sem estrias (núcleos periféricos). núcleos centrais. transversais. Miofilamentos organizam-se em Células alongadas, irregularmente Contração involuntária e lenta. estrias longitudinais e transversais. ramificadas, que se unem por Contração rápida e voluntária estruturas especiais: discos intercalares. Contração involuntária, vigorosa e rítmica. 2.3.1 - Musculatura Esquelética O sistema muscular esquelético constitui a maior parte da musculatura do corpo, formando o que se chama popularmente de carne. Essa musculatura recobre totalmente o esqueleto e está presa aos ossos, sendo responsável pela movimentação corporal.
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    29 Os músculos esqueléticos estão revestidos por uma lâmina delgada de tecido conjuntivo, o perimísio, que manda septos para o interior do músculo, septos dos quais se derivam divisões sempre mais delgadas. O músculo fica assim dividido em feixes (primários, secundários, terciários). O revestimento dos feixes menores (primários), chamado endomísio, manda para o interior do músculo membranas delgadíssimas que envolvem cada uma das fibras musculares. A fibra muscular é uma célula cilíndrica ou prismática, longa, de 3 a 12 centímetros; o seu diâmetro é infinitamente menor, variando de 20 a 100 mícrons (milésimos de milímetro), tendo um aspecto de filamento fusiforme. No seu interior notam-se muitos núcleos, de modo que se tem a idéia de ser a fibra constituída por várias células que perderam os seus limites, fundindo-se umas com as outras. Dessa forma, podemos dizer que um músculo esquelético é um pacote formado por longas fibras, que percorrem o músculo de ponta a ponta. No citoplasma da fibra muscular esquelética há muitas miofibrilas contráteis, constituídas por filamentos compostos por dois tipos principais de proteínas – a actina e a miosina. Filamentos de actina e miosina dispostos regularmente originam um padrão bem definido de estrias (faixas) transversais alternadas, claras e escuras. Essa estrutura existe somente nas fibras que constituem os músculos esqueléticos, os quais são por isso chamados músculos estriados. Em torno do conjunto de miofibrilas de uma fibra muscular esquelética situa-se o retículo sarcoplasmático (retículo endoplasmático liso), especializado no armazenamento de íons cálcio. As miofibrilas são constituídas por unidades que se repetem ao longo de seu comprimento, denominadas sarcômeros. A distribuição dos filamentos de actina e miosina varia ao longo do sarcômero. As faixas mais extremas e mais claras do sarcômero, chamadas banda I, contêm apenas filamentos de actina. Dentro da banda I existe uma linha que se cora mais intensamente, denominada linha Z, que corresponde a várias uniões entre dois filamentos de actina. A faixa central, mais escura, é chamada banda A, cujas extremidades são formadas por filamentos de actina e miosina sobrepostos. Dentro da banda A existe uma região mediana mais clara – a banda H – que contém apenas miosina. Um sarcômero compreende o segmento entre duas linhas Z consecutivas e é a unidade contrátil da fibra muscular, pois é a menor porção da fibra muscular com capacidade de contração e distensão.
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    30 1- Bandas escuras (anisotrópicas – banda A). 2- Faixas claras (isotrópicas – banda I, com linha Z central). 3- Núcleos periféricos. 2.3.2 - Contração Ocorre pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina c sarcômero diminui devido à aproximação das duas linhas Z, e a zona H chega a desaparecer. A contração do músculo esquelético é voluntária e ocorre pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina. Nas pontas dos filamentos de miosina existem pequenas projeções, capazes de formar ligações com certos sítios dos filamentos de actina, quando o músculo é estimulado. Essas projeções de miosina puxam os filamentos de actina, forçando-os a deslizar sobre os filamentos de miosina. Isso leva ao encurtamento das miofibrilas e à contração muscular. Durante a contração muscular, o sarcômero diminui devido à aproximação das duas linhas Z, e a zona H chega a desaparecer. Constatou-se, através de microscopia eletrônica, que o sarcolema (membrana plasmática) da fibra muscular sofre invaginações, formando túbulos anastomosados que envolvem cada conjunto de miofibrilas. Essa rede foi denominada sistema T, pois as invaginações são perpendiculares as miofibrilas. Esse sistema é
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    31 responsável pelacontração uniforme de cada fibra muscular estriada esquelética, não ocorrendo nas fibras lisas e sendo reduzido nas fibras cardíacas. 2.3.3 - A química da contração muscular O estímulo para a contração muscular é geralmente um impulso nervoso, que chega à fibra muscular através de um nervo. O impulso nervoso propaga-se pela membrana das fibras musculares (sarcolema) e atinge o retículo sarcoplasmático, fazendo com que o cálcio ali armazenado seja liberado no hialoplasma. Ao entrar em contato com as miofibrilas, o cálcio desbloqueia os sítios de ligação da actina e permite que esta se ligue à miosina, iniciando a contração muscular. Assim que cessa o estímulo, o cálcio é imediatamente rebombeado para o interior do retículo sarcoplasmático, o que faz cessar a contração. A energia para a contração muscular é suprida por moléculas de ATP produzidas durante a respiração celular. O ATP atua tanto na ligação da miosina à actina quanto em sua separação, que ocorre durante o relaxamento muscular. Quando falta ATP, a miosina mantém-se unida à actina, causando enrijecimento muscular. É o que acontece após a morte, produzindo-se o estado de rigidez cadavérica (rigor mortis). A quantidade de ATP presente na célula muscular é suficiente para suprir apenas alguns segundos de atividade muscular intensa. A principal reserva de energia nas células musculares é uma substância denominada fosfato de creatina (fosfocreatina ou creatina-fosfato). Dessa forma, podemos resumir que a energia é inicialmente fornecida pela respiração celular é armazenada como fosfocreatina (principalmente) e na forma de ATP. Quando a fibra muscular necessita de energia para manter a contração, grupos fosfatos ricos em energia são transferidos da fosfocreatina para o ADP, que se transforma em ATP. Quando o trabalho muscular é intenso, as células musculares repõem seus estoques de ATP e de fosfocreatina pela intensificação da respiração celular. Para isso utilizam o glicogênio armazenado no citoplasma das fibras musculares como combustível. Uma teoria simplificada admite que, ao receber um estímulo nervoso, a fibra muscular mostra, em seqüência, os seguintes eventos: 1. O retículo sarcoplasmático e o sistema T liberam íons Ca++ e Mg++ para o citoplasma. 2. Em presença desses dois íons, a miosina adquire uma propriedade ATP ásica, isto é, desdobra o ATP, liberando a energia de um radical fosfato:
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    32 3. A energia liberada provoca o deslizamento da actina entre os filamentos de miosina, caracterizando o encurtamento das miofibrilas. 2.3.4 - Musculatura Lisa A estriação não existe nos músculos viscerais, que se chamam, portanto, músculos lisos. Os músculos viscerais são também constituídos de fibras fusiformes, mas muito mais curtas do que as fibras musculares esqueléticas: têm, na verdade, um tamanho que varia de 30 a 450 mícrons. Têm, além disso, um só núcleo e não são comandados pela vontade, ou seja, sua contração é involuntária, além de lenta. As fibras lisas recebem, também, vasos e nervos sensitivos e motores provenientes do sistema nervoso autônomo. Embora a contração do músculo liso também seja regulada pela concentração intracelular de íons cálcio, a resposta da célula é diferente da dos músculos estriados. Quando há uma excitação da membrana, os íons cálcio armazenados no retículo sarcoplasmático são então liberados para o citoplasma e se ligam a uma proteína, a calmodulina. Esse complexo ativa uma enzima que fosforila a miosina e permite que ela se ligue à actina. A actina e a miosina interagem então praticamente da mesma forma que nos músculos estriados, resultando então na contração muscular. 2.3.5 - Musculatura Cardíaca O tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). Apesar de apresentar estrias transversais, suas fibras contraem-se independentemente da nossa vontade, de forma rápida e rítmica, características estas, intermediárias entre os dois outros tipos de tecido muscular As fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se em feixes bem compactos, dando a impressão, ao microscópio óptico comum, de que não há limite entre as fibras. Entretanto, ao microscópio eletrônico podemos notar que suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranas celulares, formando os chamados discos intercalares, típicos da musculatura cardíaca.
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    33 A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no músculo estriado esquelético , com algumas diferenças : • os túbulos T são mais largos que os do músculo esquelético; • retículo sarcoplasmático menor; • as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íons cálcio mais limitada; • tanto o cálcio intracelular quanto o extracelular estão envolvidos na contração cardíaca: o influxo de cálcio externo age como desencadeador da liberação do cálcio armazenado na luz do retículo sarcoplasmático, provocando a contração ao atingir as miofibrilas e levando ao relaxamento ao serem bombeados de volta para o retículo. Características Lisa Estriada Esquelética Estriada Cardíaca Filamentar ramificada Forma Fusiforme Filamentar (anastomosada) Diâmetro: 7mm Tamanho (valores médios) 30mm centímetros 15mm 100mm Comprimento: 100mm Estrias transversais Não há Há Há Núcleo 1 central Muitos periféricos (sincício) 1 central Discos intercalares Não há Não há Há Contração Lenta, involuntária Rápida, voluntária Rápida, voluntária Formam pacotes bem Formam camadas Formam as paredes do Apresentação definidos, os músculos envolvendo órgãos coração (miocárdio) esqueléticos 2.3.6 - Musculatura Cardíaca O tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). Apesar de apresentar estrias transversais, suas fibras contraem-se independentemente da nossa vontade, de forma rápida e rítmica, características estas, intermediárias entre os dois outros tipos de tecido muscular As fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se em feixes bem compactos, dando a impressão, ao microscópio óptico comum, de que não há limite entre as fibras. Entretanto, ao microscópio eletrônico podemos notar que suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranas celulares, formando os chamados discos intercalares, típicos da musculatura cardíaca.
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    34 A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no músculo estriado esquelético , com algumas diferenças : • os túbulos T são mais largos que os do músculo esquelético; • retículo sarcoplasmático menor; • as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íons cálcio mais limitada; • tanto o cálcio intracelular quanto o extracelular estão envolvidos na contração cardíaca: o influxo de cálcio externo age como desencadeador da liberação do cálcio armazenado na luz do retículo sarcoplasmático, provocando a contração ao atingir as miofibrilas e levando ao relaxamento ao serem bombeados de volta para o retículo. 2.3.7 - Característica do Tecido Muscular O Tecido Muscular possui quatro características principais que são importantes na compreensão de suas funções: Excitabilidade – capacidade do tecido muscular de receber e responder a estímulos; Contratilidade - capacidade de encurta-se e espessar; Extensibilidade – capacidade do tecido de distender-se; Elasticidade – capacidade do tecido de voltar a sua forma após uma contração ou extensão. 1.3.8 – TIPOS DE MÚSCULOS
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    35 2.3.9 - ORIGEME INSERÇÃO Origem (ponto fixo) é a extremidade do músculo que fica presa à peça óssea que não se desloca. Inserção (ponto móvel) é a extremidade do músculo presa à peça óssea que se desloca. Nos membros, geralmente a origem de um músculo é proximal e a inserção distal. Porém existem situações em que o músculo pode alterar seus pontos de origem e inserção. Exemplo: quando um atleta eleva seu corpo numa barra, é o braço que se flete sobre o antebraço e a peça óssea em deslocamento é o úmero. Considerando –se a ação do músculo braquial, agora sua extremidade ulnar será a origem e a extremidade umeral será a inserção, quando normalmente o músculo braquial prende-se na face anterior do úmero e da ulna atravessando a articulação do cotovelo, ao contrair-se executa a flexão do antebraço e consideramos sua extremidade umeral como origem e sua extremidade ulnar como inserção. Origem: quando os músculos se originam por mais de um tendão, diz-se que apresentam mais de uma cabeça de origem. São então classificados como músculos bíceps, tríceps ou quadríceps, conforme apresentam 2, 3 ou 4 cabeças de origem. Exemplos clássicos encontramos na musculatura dos membros e a nomenclatura acompanha a classificação. Exemplo: músculo bíceps braquial, músculo tríceps da perna, músculo quadríceps da coxa. Inserção: do mesmo modo os músculos podem inserir-se por mais de um tendão. Quando há dois tendões são bicaudados, quando possuem três ou mais policaudados. Exemplo: músculo flexor longo dos dedos do pé, músculos flexores e extensores dos dedos da mão. Ação: dependendo da ação principal resultante da contração do músculo ele pode ser classificado como flexor, extensor, adutor, abdutor, rotador medial, rotador lateral, pronador, supinador, flexor plantar flexor dorsal etc.
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    36 2.3.10 - AçãoMuscular A analise do movimento é extremamente complexa, normalmente a ação envolve a ação de vários músculos e a ação em conjunto desses músculos damos o nome de coordenação motora. Estudamos os grupamentos musculares normalmente de acordo com a sua distribuição e respectivas funções: os músculos da região Ântero-medial do antebraço são flexores da mão ou dos dedos e pronadores, ao passo que os da região póstero-lateral são extensores da mão ou dos dedos e supinadores. No movimento voluntário há um grande numero de ações musculares que são automáticas e semi-automáticas. Exemplo: os músculos acionados para manter a estabilidade quando nos abaixamos para pegarmos algum objeto, o movimento principal e dos dedos da mão só que para que o objeto seja pego é necessário que vários outros músculos sejam solicitados a fim de realizar a função. Quando o músculo é o principal na execução de um movimento ele é chamado de agonista e quando ele se opõe ao trabalho muscular de agonista (seja para regular a rapidez ou a potencia de ação deste agonista) é chamado de antagonista, porém quando o músculo trabalha a fim de eliminar algum movimento indesejado que poderia ser produzido pelo agonista ele passa a se chamar sinergista. Exemplo: o músculo braquial quando se contrai é o agente ativo na flexão do antebraço sendo um agonista. Quando o músculo tríceps braquial se contrai para fazer a extensão do antebraço, o músculo braquial se opõe a este movimento retardando-o para que ele não execute bruscamente atuando como antagonista. Na flexão dos dedos, os músculos flexores dos dedos são os agonistas, como os tendões de inserção destes músculos cruzam a articulação do punho, a tendência natural é provocar também a flexão da mão, tal fato não ocorre porque outros músculos, como os extensores do carpo, se contraem e desta forma estabilizam a articulação do punho, impedindo assim aquele movimento indesejado sendo o sinergista. 3 - SISTEMA NERVOSO O sistema nervoso, juntamente com o sistema endócrino, capacitam o organismo a perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir as modificações que essas variações produzem e a executar as respostas adequadas para que seja mantido o equilíbrio interno do corpo (homeostase). São os sistemas envolvidos na coordenação e regulação das funções corporais. No sistema nervoso diferenciam-se duas linhagens celulares: os neurônios e as células da glia (ou da neuróglia). Os neurônios são as células responsáveis pela recepção e transmissão dos estímulos do meio (interno e externo), possibilitando ao organismo a execução de respostas adequadas para a manutenção da homeostase. Para exercerem tais funções, contam com duas propriedades fundamentais: a irritabilidade (também denominada excitabilidade ou responsividade) e a condutibilidade. Irritabilidade é a capacidade que permite a uma célula responder a estímulos, sejam eles internos ou externos. Portanto, irritabilidade não é uma resposta, mas a propriedade que torna a célula apta a responder. Essa propriedade é inerente aos vários tipos celulares do organismo. No entanto, as respostas emitidas pelos tipos celulares distintos também diferem umas das
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    37 outras. A respostaemitida pelos neurônios assemelha-se a uma corrente elétrica transmitida ao longo de um fio condutor: uma vez excitados pelos estímulos, os neurônios transmitem essa onda de excitação - chamada de impulso nervoso - por toda a sua extensão em grande velocidade e em um curto espaço de tempo. Esse fenômeno deve-se à propriedade de condutibilidade. Para compreendermos melhor as funções de coordenação e regulação exercidas pelo sistema nervoso, precisamos primeiro conhecer a estrutura básica de um neurônio e como a mensagem nervosa é transmitida. Um neurônio é uma célula composta de um corpo celular (onde está o núcleo, o citoplasma e o citoesqueleto), e de finos prolongamentos celulares denominados neuritos, que podem ser subdivididos em dendritos e axônios. Os dendritos são prolongamentos geralmente muito ramificados e que atuam como receptores de estímulos, funcionando portanto, como "antenas" para o neurônio. Os axônios são prolongamentos longos que atuam como condutores dos impulsos nervosos. Os axônios podem se ramificar e essas ramificações são chamadas de colaterais. Todos os axônios têm um início (cone de implantação), um meio (o axônio propriamente dito) e um fim (terminal axonal ou botão terminal). O terminal axonal é o local onde o axônio entra em contato com outros neurônios e/ou outras células e passa a informação (impulso nervoso) para eles. A região de passagem do impulso nervoso de um neurônio para a célula adjacente chama-se sinapse. Às vezes os axônios têm muitas ramificações em suas regiões terminais e cada ramificação forma uma sinapse com outros dendritos ou corpos celulares. Estas ramificações são chamadas coletivamente de arborização terminal. Os corpos celulares dos neurônios são geralmente encontrados em áreas restritas do sistema nervoso, que formam o Sistema Nervoso Central (SNC), ou nos gânglios nervosos, localizados próximo da coluna vertebral. Do sistema nervoso central partem os prolongamentos dos neurônios, formando feixes chamados nervos, que constituem o Sistema Nervoso Periférico (SNP). O axônio está envolvido por um dos tipos celulares seguintes: célula de Schwann (encontrada apenas no SNP) ou oligodendrócito (encontrado apenas no SNC) Em muitos axônios, esses tipos celulares determinam a formação da bainha de mielina - invólucro principalmente lipídico (também possui como constituinte a chamada proteína básica da mielina) que atua como isolante térmico e facilita a transmissão do impulso nervoso. Em axônios mielinizados existem regiões de descontinuidade da bainha de mielina, que acarretam a existência de uma constrição (estrangulamento) denominada nódulo de Ranvier. No caso dos axônios mielinizados envolvidos pelas células de Schwann, a parte celular da bainha de mielina, onde estão o citoplasma e o núcleo desta célula, constitui o chamado neurilema.
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    38 O impulso nervoso A membrana plasmática do neurônio transporta alguns íons ativamente, do líquido extracelular para o interior da fibra, e outros, do interior, de volta ao líquido extracelular. Assim funciona a bomba de sódio e potássio, que bombeia ativamente o sódio para fora, enquanto o potássio é bombeado ativamente para dentro.Porém esse bombeamento não é eqüitativo: para cada três íons sódio bombeados para o líquido extracelular, apenas dois íons potássio são bombeados para o líquido intracelular. Imagem: www.octopus.furg.br/ensino/anima/atpase/NaKATPase.html Somando-se a esse fato, em repouso a membrana da célula nervosa é praticamente impermeável ao sódio, impedindo que esse íon se mova a favor de seu gradiente de concentração (de fora para dentro); porém, é muito permeável ao potássio, que, favorecido pelo gradiente de concentração e pela permeabilidade da membrana, se difunde livremente para o meio extracelular. Em repouso: canais de sódio fechados. Membrana é praticamente impermeável ao sódio, impedindo sua difusão a favor do gradiente de concentração. Sódio é bombeado ativamente para fora
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    39 Imagem: www.epub.org.br/cm/n10/fundamentos/animation.html pela bomba de sódio e potássio. Como a saída de sódio não é acompanhada pela entrada de potássio na mesma proporção, estabelece-se uma diferença de cargas elétricas entre os meios intra e extracelular: há déficit de cargas positivas dentro da célula e as faces da membrana mantêm-se eletricamente carregadas. O potencial eletronegativo criado no interior da fibra nervosa devido à bomba de sódio e potássio é chamado potencial de repouso da membrana, ficando o exterior da membrana positivo e o interior negativo. Dizemos, então, que a membrana está polarizada. Ao ser estimulada, uma pequena região da membrana torna-se permeável ao sódio (abertura dos canais de sódio). Como a concentração desse íon é maior fora do que dentro da célula, o sódio atravessa a membrana no sentido do interior da célula. A entrada de sódio é acompanhada pela pequena saída de potássio. Esta inversão vai sendo transmitida ao longo do axônio, e todo esse processo é denominado onda de despolarização. Os impulsos nervosos ou potenciais de ação são causados pela despolarização da membrana além de um limiar (nível crítico de despolarização que deve ser alcançado para disparar o potencial de ação). Os potenciais de ação assemelham-se em tamanho e duração e não diminuem à medida em que são conduzidos ao longo do axônio, ou seja, são de tamanho e duração fixos. A aplicação de uma despolarização crescente a um neurônio não tem qualquer efeito até que se cruze o limiar e, então, surja o potencial de ação. Por esta razão, diz-se que os potenciais de ação obedecem à "lei do tudo ou nada". Imagem: geocities.yahoo.com.br/jcc5001pt/museuelectrofisiologia.htm#impulsos Imediatamente após a onda de despolarização ter-se propagado ao longo da fibra nervosa, o interior da fibra torna-se carregado positivamente, porque um grande número de íons sódio se difundiu para o interior. Essa positividade determina a parada do fluxo de íons sódio para o interior da fibra, fazendo com que a membrana se torne novamente impermeável a esses íons. Por outro lado, a membrana torna-se ainda mais permeável ao potássio, que migra para o meio interno. Devido à alta concentração desse íon no interior, muitos íons se difundem, então, para o lado de fora. Isso cria novamente eletronegatividade no interior da membrana e positividade no exterior – processo chamado repolarização, pelo qual se reestabelece a polaridade normal da membrana. A repolarização normalmente se inicia no mesmo ponto onde se originou a despolarização, propagando-se ao longo da fibra. Após a repolarização, a bomba de sódio bombeia novamente os íons sódio para o exterior da membrana, criando um déficit extra de cargas positivas no interior da membrana, que se torna temporariamente mais negativo do que o normal. A eletronegatividade excessiva no interior atrai íons potássio de volta para o interior (por difusão e por transporte ativo). Assim, o processo traz as diferenças iônicas de volta aos seus níveis originais.
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    40 Para transferir informação de um ponto para outro no sistema nervoso, é necessário que o potencial de ação, uma vez gerado, seja conduzido ao longo do axônio. Um potencial de ação iniciado em uma extremidade de um axônio apenas se propaga em uma direção, não retornando pelo caminho já percorrido. Conseqüentemente, os potenciais de ação são unidirecionais - ao que chamamos condução ortodrômica. Uma vez que a membrana axonal é excitável ao longo de toda sua extensão, o potencial de ação se propagará sem decaimento. A velocidade com a qual o potencial de ação se propaga ao longo do axônio depende de quão longe a despolarização é projetada à frente do potencial de ação, o que, por sua vez, depende de certas características físicas do axônio: a velocidade de condução do potencial de ação aumenta com o diâmetro axonal. Axônios com menor diâmetro necessitam de uma maior despolarização para alcançar o limiar do potencial de ação. Nesses de axônios, presença de bainha de mielina acelera a velocidade da condução do impulso
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    41 nervoso. Nasregiões dos nódulos de Ranvier, a onda de despolarização "salta" diretamente de um nódulo para outro, não acontecendo em toda a extensão da região mielinizada (a mielina é isolante). Fala-se em condução saltatória e com isso há um considerável aumento da velocidade do impulso nervoso. O percurso do impulso nervoso no neurônio é sempre no sentido dendrito corpo celular axônio. O SNC recebe, analisa e integra informações. É o local onde ocorre a tomada de decisões e o envio de ordens. O SNP carrega informações dos órgãos sensoriais para o sistema nervoso central e do sistema nervoso central para os órgãos efetores (músculos e glândulas). 3.1 - DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO: 3.1.1 - O Sistema Nervoso Central O SNC divide-se em encéfalo e medula. O encéfalo corresponde ao telencéfalo (hemisférios cerebrais), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), cerebelo, e tronco cefálico, que se divide em: BULBO, situado caudalmente; MESENCÉFALO, situado cranialmente; e PONTE, situada entre ambos.
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    42 No SNC, existem as chamadas substâncias cinzenta e branca. A substância cinzenta é formada pelos corpos dos neurônios e a branca, por seus prolongamentos. Com exceção do bulbo e da medula, a substância cinzenta ocorre mais externamente e a substância branca, mais internamente. Os órgãos do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas (caixa craniana, protegendo o encéfalo; e coluna vertebral, protegendo a medula - também denominada raque) e por membranas denominadas meninges, situadas sob a proteção esquelética: dura-máter (a externa), aracnóide (a do meio) e pia-máter (a interna). Entre as meninges aracnóide e pia-máter há um espaço preenchido por um líquido denominado líquido cefalorraquidiano ou líquor. 3.1.1.1 - O TELENCÉFALO O encéfalo humano contém cerca de 35 bilhões de neurônios e pesa aproximadamente 1,4 kg. O telencéfalo ou cérebro é dividido em dois hemisférios cerebrais bastante desenvolvidos. Nestes, situam-se as sedes da memória e dos nervos sensitivos e motores. Entre os hemisférios, estão os VENTRÍCULOS CEREBRAIS (ventrículos laterais e terceiro ventrículo); contamos ainda com um quarto ventrículo, localizado mais abaixo, ao nível do tronco encefálico. São reservatórios do LÍQUIDO CÉFALO-RAQUIDIANO, (LÍQÜOR), participando na nutrição, proteção e excreção do sistema nervoso. Em seu desenvolvimento, o córtex ganha diversos sulcos para permitir que o cérebro esteja suficientemente compacto para caber na calota craniana, que não acompanha o seu crescimento. Por isso, no cérebro adulto, apenas 1/3 de sua superfície fica "exposta", o restante permanece por entre os sulcos.
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    43 O córtex cerebral está dividido em mais de quarenta áreas funcionalmente distintas, sendo a maioria pertencente ao chamado neocórtex. Cada uma das áreas do córtex cerebral controla uma atividade específica. 1. hipocampo: região do córtex que está dobrada sobre si e possui apenas três camadas celulares; localiza-se medialmente ao ventrículo lateral. 2. córtex olfativo: localizado ventral e lateralmente ao hipocampo; apresenta duas ou três camadas celulares.
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    44 3. neocórtex: córtex mais complexo; separa-se do córtex olfativo mediante um sulco chamado fissura rinal; apresenta muitas camadas celulares e várias áreas sensoriais e motoras. As áreas motoras estão intimamente envolvidas com o controle do movimento voluntário. Imagem:McCRONE, JOHN. Como o cérebro funciona. Série Mais Ciência. São Paulo, Publifolha, 2002. A região superficial do telencéfalo, que acomoda bilhões de corpos celulares de neurônios (substância cinzenta), constitui o córtex cerebral, formado a partir da fusão das partes superficiais telencefálicas e diencefálicas. O córtex recobre um grande centro medular branco, formado por fibras axonais (substância branca). Em meio a este centro branco (nas profundezas do telencéfalo), há agrupamentos de corpos celulares neuronais que formam os núcleos (gânglios) da base ou núcleos (gânglios) basais - CAUDATO, PUTAMEN, GLOBO PÁLIDO e NÚCLEO SUBTALÂMICO, envolvidos em conjunto, no controle do movimento. Parece que os gânglios da base participam também de um grande número de circuitos paralelos, sendo apenas alguns poucos de função motora. Outros circuitos estão envolvidos em certos aspectos da memória e da função cognitiva.
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    45 Imagem: BEAR, M.F.,CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002. Algumas das funções mais específicas dos gânglios basais relacionadas aos movimentos são: 1. núcleo caudato: controla movimentos intencionais grosseiros do corpo (isso ocorre a nível sub- consciente e consciente) e auxilia no controle global dos movimentos do corpo. 2. putamen: funciona em conjunto com o núcleo caudato no controle de movimentos intensionais grosseiros. Ambos os núcleos funcionam em associação com o córtex motor, para controlar diversos padrões de movimento. 3. globo pálido: provavelmente controla a posição das principais partes do corpo, quando uma pessoa inicia um movimento complexo, Isto é, se uma pessoa deseja executar uma função precisa com uma de suas mãos, deve primeiro colocar seu corpo numa posição apropriada e, então, contrair a musculatura do braço. Acredita-se que essas funções sejam iniciadas, principalmente, pelo globo pálido. 4. núcleo subtalâmico e áreas associadas: controlam possivelmente os movimentos da marcha e talvez outros tipos de motilidade grosseira do corpo. Evidências indicam que a via motora direta funciona para facilitar a iniciação de movimentos voluntários por meio dos gânglios da base. Essa via origina-se com uma conexão excitatória do córtex para as células do putamen. Estas células estabelecem sinapses inibitórias em neurônios do globo pálido, que, por sua vez, faz conexões inibitórias com células do tálamo (núcleo ventrolateral - VL). A conexão do tálamo com a área motora do córtex é excitatória. Ela facilita o disparo de células relacionadas a movimentos na área motora do córtex. Portanto, a conseqüência funcional da ativação cortical do putâmen é a excitação da área motora do córtex pelo núcleo ventrolateral do tálamo.
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    46 Imagem: BEAR, M.F.,CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002. 3.1.1.2 - O DIENCÉFALO (tálamo e hipotálamo) Todas as mensagens sensoriais, com exceção das provenientes dos receptores do olfato, passam pelo tálamo antes de atingir o córtex cerebral. Esta é uma região de substância cinzenta localizada entre o tronco encefálico e o cérebro. O tálamo atua como estação retransmissora de impulsos nervosos para o córtex cerebral. Ele é responsável pela condução dos impulsos às regiões apropriadas do cérebro onde eles devem ser processados. O tálamo também está relacionado com alterações no comportamento emocional; que decorre, não só da própria atividade, mas também de conexões com outras estruturas do sistema límbico (que regula as emoções). O hipotálamo, também constituído por substância cinzenta, é o principal centro integrador das atividades dos órgãos viscerais, sendo um dos principais responsáveis pela homeostase corporal. Ele faz ligação entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, atuando na ativação de diversas glândulas endócrinas. É o hipotálamo que controla a temperatura corporal, regula o apetite e o balanço de água no corpo, o sono e está envolvido na emoção e no comportamento sexual. Tem amplas conexões com as demais áreas do prosencéfalo e com o mesencéfalo. Aceita-se que o hipotálamo desempenha, ainda, um papel nas emoções. Especificamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto que a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e à tendência ao riso (gargalhada) incontrolável. De um modo geral, contudo, a participação do hipotálamo é menor na gênese (“criação”) do que na expressão (manifestações sintomáticas) dos estados emocionais.
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    47 3.1.1.3 - OTRONCO ENCEFÁLICO O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo, situando-se ventralmente ao cerebelo. Possui três funções gerais; (1) recebe informações sensitivas de estruturas cranianas e controla os músculos da cabeça; (2) contém circuitos nervosos que transmitem informações da medula espinhal até outras regiões encefálicas e, em direção contrária, do encéfalo para a medula espinhal (lado esquerdo do cérebro controla os movimentos do lado direito do corpo; lado direito de cérebro controla os movimentos do lado esquerdo do corpo); (3) regula a atenção, função esta que é mediada pela formação reticular (agregação mais ou menos difusa de neurônios de tamanhos e tipos diferentes, separados por uma rede de fibras nervosas que ocupa a parte central do tronco encefálico). Além destas 3 funções gerais, as várias divisões do tronco encefálico desempenham funções motoras e sensitivas específicas. Na constituição do tronco encefálico entram corpos de neurônios que se agrupam em núcleos e fibras nervosas, que, por sua vez, se agrupam em feixes denominados tractos, fascículos ou lemniscos. Estes elementos da estrutura interna do tronco encefálico podem estar relacionados com relevos ou depressões de sua superfície. Muitos dos núcleos do tronco encefálico recebem ou emitem fibras nervosas que entram na constituição dos nervos cranianos. Dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem conexão no tronco encefálico.
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    48 Imagem: ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. Artmed Editora. 3.1.1.4 - O CEREBELO Situado atrás do cérebro está o cerebelo, que é primariamente um centro para o controle dos movimentos iniciados pelo córtex motor (possui extensivas conexões com o cérebro e a medula espinhal). Como o cérebro, também está dividido em dois hemisférios. Porém, ao contrário dos hemisférios cerebrais, o lado esquerdo do cerebelo está relacionado com os movimentos do lado esquerdo do corpo, enquanto o lado direito, com os movimentos do lado direito do corpo. O cerebelo recebe informações do córtex motor e dos gânglios basais de todos os estímulos enviados aos músculos. A
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    49 partir dasinformações do córtex motor sobre os movimentos musculares que pretende executar e de informações proprioceptivas que recebe diretamente do corpo (articulações, músculos, áreas de pressão do corpo, aparelho vestibular e olhos), avalia o movimento realmente executado. Após a comparação entre desempenho e aquilo que se teve em vista realizar, estímulos corretivos são enviados de volta ao córtex para que o desempenho real seja igual ao pretendido. Dessa forma, o cerebelo relaciona-se com os ajustes dos movimentos, equilíbrio, postura e tônus muscular. Algumas estruturas do encéfalo e suas funções Córtex Cerebral Funções: • Pensamento • Movimento voluntário • Linguagem • Julgamento • Percepção A palavra córtex vem do latim para "casca". Isto porque o córtex é a camada mais externa do cérebro. A espessura do córtex cerebral varia de 2 a 6 mm. O lado esquerdo e direito do córtex cerebral são ligados por um feixe grosso de fibras nervosas chamado de corpo caloso. Os lobos são as principais divisões físicas do córtex cerebral. O lobo frontal é responsável pelo planejamento consciente e pelo controle motor. O lobo temporal tem centros importantes de memória e audição. O lobo parietal lida com os sentidos corporal e espacial. o lobo occipital direciona a visão. Cerebelo Funções: • Movimento • Equilíbrio • Postura • Tônus muscular A palavra cerebelo vem do latim para "pequeno cérebro”. O cerebelo fica localizado ao lado do tronco encefálico. É parecido com o córtex cerebral em alguns aspectos: o cerebelo é dividido em hemisférios e tem um córtex que recobre estes hemisférios.
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    50 O Tronco Tronco Encefálico Encefálico é uma área do Funções: encéfalo que fica entre o • Respiração tálamo e a • Ritmo dos batimentos cardíacos medula • Pressão Arterial espinhal. Possui várias Mesencéfalo estruturas como o Funções: bulbo, o mesencéfal • Visão o e a ponte. Algumas • Audição destas • Movimento dos Olhos áreas são • Movimento do corpo responsávei s pelas funções básicas para a manutenção da vida como a respiração, o batimento cardíaco e a pressão arterial. Bulbo: recebe informações de vários órgãos do corpo, controlando as funções autônomas (a chamada vida vegetativa): batimento cardíaco, respiração, pressão do sangue, reflexos de salivação, tosse, espirro e o ato de engolir. Ponte: Participa de algumas atividades do bulbo, interferindo no controle da respiração, além de ser um centro de transmissão de impulsos para o cerebelo. Serve ainda de passagem para as fibras nervosas que ligam o cérebro à medula. O tálamo recebe informações sensoriais do corpo e as passa para o córtex cerebral. O córtex cerebral envia informações motoras para o tálamo Tálamo que posteriormente são distribuídas Funções: pelo corpo. Participa, juntamente com o tronco encefálico, do sistema reticular, que é encarregado de “filtrar” • Integração Sensorial mensagens que se dirigem às partes • Integração Motora conscientes do cérebro.
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    51 Sistema Límbico Funções: • Comportamento Emocional • Memória • Aprendizado • Emoções • Vida vegetativa (digestão, circulação, excreção etc.) O Sistema Límbico é um grupo de estruturas que inclui hipotálamo, tálamo, amígdala, hipocampo, os corpos mamilares e o giro do cíngulo. Todas estas áreas são muito importantes para a emoção e reações emocionais. O hipocampo também é importante para a memória e o aprendizado. 3.1.1.5 - A Medula Espinhal Nossa medula espinhal tem a forma de um cordão com aproximadamente 40 cm de comprimento. Ocupa o canal vertebral, desde a região do atlas - primeira vértebra - até o nível da segunda vértebra lombar. A medula funciona como centro nervoso de atos involuntários e, também, como veículo condutor de impulsos nervosos. Da medula partem 31 pares de nervos raquidianos que se ramificam. Por meio dessa rede de nervos, a medula se conecta com as várias partes do corpo, recebendo mensagens e vários pontos e enviando-as para o cérebro e recebendo mensagens do cérebro e transmitindo-as para as várias partes do corpo. A medula possui dois sistemas de neurônios: o sistema descendente controla funções motoras dos músculos, regula funções como pressão e temperatura e transporta sinais originados no cérebro até seu destino; o sistema ascendente transporta sinais sensoriais das extremidades do corpo até a medula e de lá para o cérebro.
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    52 Os corpos celulares dos neurônios se concentram no cerne da medula – na massa cinzenta. Os axônios ascendentes e descendentes, na área adjacente – a massa branca. As duas regiões também abrigam células da Glia. Dessa forma, na medula espinhal a massa cinzenta localiza-se internamente e a massa branca, externamente (o contrário do que se observa no encéfalo). Durante uma fratura ou deslocamento da coluna, as vértebras que normalmente protegem a medula podem matar ou danificar as células. Teoricamente, se o dano for confinado à massa cinzenta, os distúrbios musculares e sensoriais poderão estar apenas nos tecidos que recebem e mandam sinais aos neurônios “residentes” no nível da fratura. Por exemplo, se a massa cinzenta do segmento da medula onde os nervos rotulados C8 for lesada, o paciente só sofrerá paralisia das mãos, sem perder a capacidade de andar ou o controle sobre as funções intestinais e urinárias. Nesse caso, os axônios levando sinais para “cima e para baixo” através da área branca adjacente continuariam trabalhando. Em comparação, se a área branca for lesada, o trânsito dos sinais será interrompido até o ponto da fratura. Infelizmente, a lesão original é só o começo. Os danos mecânicos promovem rompimento de pequenos vasos sangüíneos, impedindo a entrega de oxigênio e nutrientes para as células não afetadas diretamente, que acabam morrendo; as células lesadas extravasam componentes citoplasmáticos e tóxicos, que afetam células vizinhas, antes intactas; células do sistema imunológico iniciam um quadro inflamatório no local da lesão; células da Glia proliferam criando grumos e uma espécie de cicatriz, que impedem os axônios lesados de crescerem e reconectarem. O vírus da poliomielite causa lesões na raiz ventral dos nervos espinhais, o que leva à paralisia e atrofia dos músculos. 3.1.2 - O Sistema Nervoso Periférico O sistema nervoso periférico é formado por nervos encarregados de fazer as ligações entre o sistema nervoso central e o corpo. NERVO é a reunião de várias fibras nervosas, que podem ser formadas de axônios ou de dendritos. As fibras nervosas, formadas pelos prolongamentos dos neurônios (dendritos ou axônios) e seus envoltórios, organizam-se em feixes. Cada feixe forma um nervo. Cada
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    53 fibra nervosa éenvolvida por uma camada conjuntiva denominada endoneuro. Cada feixe é envolvido por uma bainha conjuntiva denominada perineuro. Vários feixes agrupados paralelamente formam um nervo. O nervo também é envolvido por uma bainha de tecido conjuntivo chamada epineuro. Em nosso corpo existe um número muito grande de nervos. Seu conjunto forma a rede nervosa. Os nervos que levam informações da periferia do corpo para o SNC são os nervos sensoriais (nervos aferentes ou nervos sensitivos), que são formados por prolongamentos de neurônios sensoriais (centrípetos). Aqueles que transmitem impulsos do SNC para os músculos ou glândulas são nervos motores ou eferentes, feixe de axônios de neurônios motores (centrífugos). Existem ainda os nervos mistos, formados por axônios de neurônios sensoriais e por neurônios motores. Quando partem do encéfalo, os nervos são chamados de cranianos; quando partem da medula espinhal denominam-se raquidianos. Do encéfalo partem doze pares de nervos cranianos. Três deles são exclusivamente sensoriais, cinco são motores e os quatro restantes são mistos. Nervo craniano Função I-OLFATÓRIO sensitiva Percepção do olfato. II-ÓPTICO sensitiva Percepção visual. Controle da movimentação do globo ocular, da pupila e III-OCULOMOTOR motora do cristalino. IV-TROCLEAR motora Controle da movimentação do globo ocular. Controle dos movimentos da mastigação (ramo motor); V-TRIGÊMEO mista Percepções sensoriais da face, seios da face e dentes (ramo sensorial). VI-ABDUCENTE motora Controle da movimentação do globo ocular. Controle dos músculos faciais – mímica facial (ramo motor); VII-FACIAL mista Percepção gustativa no terço anterior da língua (ramo sensorial). Percepção postural originária do labirinto (ramo VIII-VESTÍBULO- vestibular); sensitiva COCLEAR Percepção auditiva (ramo coclear). Percepção gustativa no terço posterior da língua, IX-GLOSSOFARÍNGEO mista percepções sensoriais da faringe, laringe e palato. Percepções sensoriais da orelha, faringe, laringe, tórax e X-VAGO mista vísceras. Inervação das vísceras torácicas e abdominais. Controle motor da faringe, laringe, palato, dos músculos XI-ACESSÓRIO motora esternoclidomastóideo e trapézio. XII-HIPOGLOSSO motora Controle dos músculos da faringe, da laringe e da língua.
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    54 Os 31 paresde nervos raquidianos que saem da medula relacionam-se com os músculos esqueléticos. Eles se formam a partir de duas raízes que saem lateralmente da medula: a raiz posterior ou dorsal, que é sensitiva, e a raiz anterior ou ventral, que é motora. Essas raízes se unem logo após saírem da medula. Desse modo, os nervos raquidianos são todos mistos. Os corpos dos neurônios que formam as fibras sensitivas dos nervos sensitivos situam-se próximo à medula, porém fora dela, reunindo-se em estruturas especiais chamadas gânglios espinhais. Os corpos celulares dos neurônios que formam as fibras motoras localizam-se na medula. De acordo com as regiões da coluna vertebral, os 31 pares de nervos raquidianos distribuem-se da seguinte forma: • oito pares de nervos cervicais; • doze pares de nervos dorsais; • cinco pares de nervos lombares; • seis pares de nervos sagrados ou sacrais. O conjunto de nervos cranianos e raquidianos forma o sistema nervoso periférico. Com base na sua estrutura e função, o sistema nervoso periférico pode ainda subdividir-se em duas partes: o sistema nervoso somático e o sistema nervoso autônomo ou de vida vegetativa.
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    55 As ações voluntárias resultam da contração de músculos estriados esqueléticos, que estão sob o controle do sistema nervoso periférico voluntário ou somático. Já as ações involuntárias resultam da contração das musculaturas lisa e cardíaca, controladas pelo sistema nervoso periférico autônomo, também chamado involuntário ou visceral. 3.1.2.1 - SNP Voluntário ou Somático O SNP Voluntário ou Somático tem por função reagir a estímulos provenientes do ambiente externo. Ele é constituído por fibras motoras que conduzem impulsos do sistema nervoso central aos músculos esqueléticos. O corpo celular de uma fibra motora do SNP voluntário fica localizado dentro do SNC e o axônio vai diretamente do encéfalo ou da medula até o órgão que inerva. 3.1.2.2 - SNP Autônomo ou Visceral O SNP Autônomo ou Visceral, como o próprio nome diz, funciona independentemente de nossa vontade e tem por função regular o ambiente interno do corpo, controlando a atividade dos sistemas digestório, cardiovascular, excretor e endócrino. Ele contém fibras nervosas que conduzem impulsos do sistema nervoso central aos músculos lisos das vísceras e à musculatura do coração. Um nervo motor do SNP autônomo difere de um nervo motor do SNP voluntário pelo fato de conter dois tipos de neurônios, um neurônio pré- ganglionar e outro pós-ganglionar. O corpo celular do neurônio pré-ganglionar fica localizado dentro do SNC e seu axônio vai até um gânglio, onde o impulso nervoso é transmitido sinapticamente ao neurônio pós-ganglionar. O corpo celular do neurônio pós- ganglionar fica no interior do gânglio nervoso e seu axônio conduz o estímulo nervoso até o órgão efetuador, que pode ser um músculo liso ou cardíaco. O sistema nervoso autônomo compõe-se de três partes: • Dois ramos nervosos situados ao lado da coluna vertebral. Esses ramos são formados por pequenas dilatações denominadas gânglios, num total de 23 pares. • Um conjunto de nervos que liga os gânglios nervosos aos diversos órgãos de nutrição, como o estômago, o coração e os pulmões. • Um conjunto de nervos comunicantes que ligam os gânglios aos nervos raquidianos, fazendo com que os sistema autônomo não seja totalmente independente do sistema nervoso cefalorraquidiano.
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    56 Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002. O sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e sistema nervoso parassimpático. De modo geral, esses dois sistemas têm funções contrárias (antagônicas). Um corrige os excessos do outro. Por exemplo, se o sistema simpático acelera demasiadamente as batidas do coração, o sistema parassimpático entra em ação, diminuindo o ritmo cardíaco. Se o sistema simpático acelera o trabalho do estômago e dos intestinos, o parassimpático entra em ação para diminuir as contrações desses órgãos. 3.1.2.2.1 – Sistema Nervoso Autônomo Simpático O SNP autônomo simpático, de modo geral, estimula ações que mobilizam energia, permitindo ao organismo responder a situações de estresse. Por exemplo, o sistema simpático é responsável pela aceleração dos batimentos cardíacos, pelo aumento da pressão arterial, da concentração de açúcar no sangue e pela ativação do metabolismo geral do corpo. 3.1.2.2.2 – SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO PARASSIMPÁTICO Já o SNP autônomo parassimpático estimula principalmente atividades relaxantes, como as reduções do ritmo cardíaco e da pressão arterial, entre outras. Uma das principais diferenças entre os nervos simpáticos e parassimpáticos é que as fibras pós-ganglionares dos dois sistemas normalmente secretam diferentes hormônios. O hormônio secretado pelos neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso parassimpático é a acetilcolina, razão pela qual esses neurônios são chamados colinérgicos. Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretam principalmente noradrenalina, razão por que a maioria deles é chamada neurônios adrenérgicos. As fibras adrenérgicas ligam o sistema nervoso central à glândula supra- renal, promovendo aumento da secreção de adrenalina, hormônio que produz a resposta de "luta ou fuga" em situações de stress. A acetilcolina e a noradrenalina têm a capacidade de excitar alguns órgãos e inibir outros, de maneira antagônica. Órgão Efeito da estimulação Efeito da estimulação simpática parassimpática Olho: pupila Dilatada Contraída Músculo ciliar nenhum Excitado Glândulas gastrointestinais vasoconstrição Estimulação de secreção Glândulas sudoríparas sudação Nenhum Coração: músculo (miocárdio) Atividade aumentada Diminuição da atividade Coronárias Vasodilatação Constrição Vasos sanguíneos Constrição Nenhum sistêmicos: Dilatação Nenhum Abdominal Constrição ou dilatação Nenhum Músculo Pele Pulmões: brônquios Dilatação Constrição Vasos sangüíneos Constrição moderada Nenhum Tubo digestivo: luz Diminuição do tônus e da Aumento do tônus e do Esfíncteres peristalse peristaltismo Aumento do tônus Diminuição do tônus Fígado Liberação de glicose Nenhum
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    57 Rim Diminuição da produção de urina Nenhum Bexiga: corpo Inibição Excitação Esfíncter Excitação Inibição Ato sexual masculino Ejaculação Ereção Glicose sangüínea Aumento Nenhum Metabolismo basal Aumento em até 50% Nenhum Atividade mental Aumento Nenhum Secreção da medula supra- Aumento Nenhum renal (adrenalina) Em geral, quando os centros simpáticos cerebrais se tornam excitados, estimulam, simultaneamente, quase todos os nervos simpáticos, preparando o corpo para a atividade. Além do mecanismo da descarga em massa do sistema simpático, algumas condições fisiológicas podem estimular partes localizadas desse sistema. Duas das condições são as seguintes: • Reflexos calóricos: o calor aplicado à pele determina um reflexo que passa através da medula espinhal e volta a ela, dilatando os vasos sangüíneos cutâneos. Também o aquecimento do sangue que passa através do centro de controle térmico do hipotálamo aumenta o grau de vasodilatação superficial, sem alterar os vasos profundos. • Exercícios: durante o exercício físico, o metabolismo aumentado nos músculos tem um efeito local de dilatação dos vasos sangüíneos musculares; porém, ao mesmo tempo, o sistema simpático tem efeito vasoconstritor para a maioria das outras regiões do corpo. A vasodilatação muscular permite que o sangue flua facilmente através dos músculos, enquanto a vasoconstrição diminui o fluxo sangüíneo em todas as regiões do corpo, exceto no coração e no cérebro. Nas junções neuro-musculares, tanto nos gânglios do SNPA simpático como nos do parassimpático, ocorrem sinapses químicas entre os neurônios pré-ganglionares e pós- ganglionares. Nos dois casos, a substância neurotransmissora é a acetilcolina. Esse mediador químico atua nas dobras da membrana, aumentando a sua permeabilidade aos íons sódio, que passa para o interior da fibra, despolarizando essa área da membrana do músculo. Essa despolarização local promove um potencial de ação que é conduzido em ambas as direções ao longo da fibra, determinando uma contração muscular. Quase imediatamente após ter a acetilcolina estimulado a fibra muscular, ela é destruída, o que permite a despolarização da membrana. 4 - SISTEMA CIRCULATÓRIO Componentes do Sistema Cardiovascular Os principais componentes do sistema circulatório são: coração, vasos sangüíneos, sangue, vasos linfáticos e linfa.
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    58 4.1 - CORAÇÃO O coração é um órgão muscular oco que se localiza no meio do peito, sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda. Em uma pessoa adulta, tem o tamanho aproximado de um punho fechado e pesa cerca de 400 gramas. O coração humano, como o dos demais mamíferos, apresenta quatro cavidades: duas superiores, denominadas átrios (ou aurículas) e duas inferiores, denominadas ventrículos. O átrio direito comunica-se com o ventrículo direito através da válvula tricúspide. O átrio esquerdo, por sua vez, comunica-se com o ventrículo esquerdo através da válvula bicúspide ou mitral.A função das válvulas cardíacas é garantir que o sangue siga uma única direção, sempre dos átrios para os ventrículos. As câmaras cardíacas contraem-se e dilatam-se alternadamente 70 vezes por minuto, em média. O processo de contração de cada câmara do miocárdio (músculo cardíaco) denomina-se sístole. O relaxamento, que acontece entre uma sístole e a seguinte, é a diástole.
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    59 a- A atividadeelétrica do coração Nódulo sinoatrial (SA) ou marcapasso ou nó sino-atrial: região especial do coração, que controla a freqüência cardíaca. Localiza-se perto da junção entre o átrio direito e a veia cava superior e é constituído por um aglomerado de células musculares especializadas. A freqüência rítmica dessa fibras musculares é de aproximadamente 72 contrações por minuto, enquanto o músculo atrial se contrai cerca de 60 vezes por minuto e o músculo ventricular, cerca de 20 vezes por minuto. Devido ao fato do nódulo sinoatrial possuir uma freqüência rítmica mais rápida em relação às outras partes do coração, os impulsos originados do nódulo SA espalham-se para os átrios e ventrículos, estimulando essas áreas tão rapidamente, de modo que o ritmo Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma do nódulo SA torna-se o ritmo de todo abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997. o coração; por isso é chamado marcapasso.
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    60 Sistema De Purkinje ou fascículo átrio-ventricular: embora o impulso cardíaco possa percorrer perfeitamente todas as fibras musculares cardíacas, o coração possui um sistema especial de condução denominado sistema de Purkinje ou fascículo átrio- ventricular, composto de fibras musculares cardíacas especializadas, ou fibras de Purkinje (Feixe de Hiss ou miócitos átrio-ventriculares), que transmitem os impulsos com uma velocidade aproximadamente 6 vezes maior do que o músculo cardíaco normal, cerca de 2 m por segundo, em contraste com 0,3 m por segundo no músculo cardíaco. b- Controle Nervoso do Coração Embora o coração possua seus próprios sistemas intrínsecos de controle e possa continuar a operar, sem quaisquer influências nervosas, a eficácia da ação cardíaca pode ser muito modificada pelos impulsos reguladores do sistema nervoso central. O sistema nervoso é conectado com o coração através de dois grupos diferentes de nervos, os sistemas parassimpático e simpático. A estimulação dos nervos parassimpáticos causa os seguintes efeitos sobre o coração: (1) diminuição da freqüência dos batimentos cardíacos; (2) diminuição da força de contração do músculo atrial; (3) diminuição na velocidade de condução dos impulsos através do nódulo AV (átrio-ventricular) , aumentando o período de retardo entre a contração atrial e a ventricular; e (4) diminuição do fluxo sangüíneo através dos vasos coronários que mantêm a nutrição do próprio músculo cardíaco. Todos esses efeitos podem ser resumidos, dizendo-se que a estimulação parassimpática diminui todas as atividades do coração. Usualmente, a função cardíaca é reduzida pelo parassimpático durante o período de repouso, juntamente com o restante do corpo. Isso talvez ajude a preservar os recursos do coração; pois, durante os períodos de repouso, indubitavelmente há um menor desgaste do órgão. A estimulação dos nervos simpáticos apresenta efeitos exatamente opostos sobre o coração: (1) aumento da freqüência cardíaca, (2) aumento da força de contração, e (3) aumento do fluxo sangüíneo através dos vasos coronários visando a suprir o aumento da nutrição do músculo cardíaco. Esses efeitos podem ser resumidos, dizendo-se que a estimulação simpática aumenta a atividade cardíaca como bomba, algumas vezes aumentando a capacidade de bombear sangue em até 100 por cento. Esse efeito é necessário quando um indivíduo é submetido a situações de estresse, tais como exercício, doença, calor excessivo, ou outras condições que exigem um rápido fluxo sangüíneo através do sistema circulatório. Por conseguinte, os efeitos simpáticos sobre o coração constituem o mecanismo de auxílio utilizado numa emergência, tornando mais forte o batimento cardíaco quando necessário. Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretam principalmente noradrenalina, razão pela qual são denominados neurônios adrenérgicos. A estimulação simpática do cérebro também promove a secreção de adrenalina pelas glândulas adrenais ou supra-renais. A adrenalina é responsável pela taquicardia (batimento cardíaco acelerado), aumento da pressão arterial e da freqüência respiratória, aumento da secreção do suor, da glicose sangüínea e da atividade mental, além da constrição dos vasos sangüíneos da pele. O neurotransmissor secretado pelos neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso parassimpático é a acetilcolina, razão pela qual são denominados colinérgicos, geralmente com efeitos antagônicos aos neurônios adrenérgicos. Dessa forma, a estimulação parassimpática do cérebro promove bradicardia (redução dos batimentos cardíacos), diminuição da pressão arterial e da freqüência respiratória, relaxamento muscular e outros efeitos antagônicos aos da adrenalina. Em geral, a estimulação do hipotálamo posterior aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca, enquanto que a estimulação da área pré-óptica, na porção anterior do hipotálamo, acarreta efeitos opostos, determinando notável diminuição da freqüência cardíaca e da pressão arterial. Esses efeitos são transmitidos através dos centros de controle cardiovascular da porção inferior do tronco cerebral, e daí passam a ser transmitidos através do sistema nervoso autônomo.
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    61 Fatores que aumentama freqüência cardíaca Fatores que diminuem a freqüência cardíaca Queda da pressão arterial inspiração excitação raiva Aumento da pressão arterial dor expiração hipóxia (redução da disponibilidade de oxigênio para as tristeza células do organismo) exercício adrenalina febre 4.2 - ALGUNS DISTÚRBIOS CARDÍACOS 4.2.1 - Sopro no coração É uma alteração no fluxo do sangue dentro do coração provocada por problemas em uma ou mais válvulas cardíacas ou por lesões nas paredes das câmaras. Na maioria das vezes, não existem seqüelas. No entanto, quando o sopro é muito forte, decorrente de lesões nas paredes das câmaras, ele certamente precisará ser tratado, pois um volume considerável de sangue sem oxigênio irá se misturar com o sangue que já foi oxigenado. Algumas pessoas já nascem com válvulas anormais. Outras vão apresentar esse tipo de alteração por causa de males como a febre reumática, a insuficiência cardíaca e o infarto, que podem modificar as válvulas. Imagem: www.braile.com.br/saude/hospital1.pdf Sintomas: Sopros são caracterizados por ruídos anormais, percebidos quando o médico ausculta o peito e ouve um som semelhante ao de um fole. O problema pode ser diagnosticado de maneira mais precisa pelo exame de ecocardiograma, que mostra o fluxo sangüíneo dentro do coração. Tratamento: Como existem várias causas possíveis, o médico precisa ver o que está provocando o problema antes de iniciar o tratamento — que vai desde simples medicamentos até intervenções cirúrgicas para conserto ou substituição das válvulas, que poderão ser de material biológico ou fabricadas a partir de ligas metálicas. Prevenção: Não há uma maneira de prevenir o sopro. Mas existem formas de evitar que ele se agrave. Para isso, é importante que você saiba se tem ou não o problema, realizando exames de check-up. 4.2.2 - Infarto do miocárdio É a morte de uma área do músculo cardíaco, cujas células ficaram sem receber sangue com oxigênio e nutrientes.
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    62 A interrupção do fluxo de sangue para o coração pode acontecer de várias maneiras. A gordura vai se acumulando nas paredes das coronárias (artérias que irrigam o próprio coração). Com o tempo, formam-se placas, impedindo que o sangue flua livremente. Então, basta um espasmo — provocado pelo estresse — para que a passagem da circulação se feche. Também pode ocorrer da placa crescer tanto que obstrui o caminho sangüíneo completamente, ou seja, pode acontecer por entupimento - quando as placas de gordura entopem completamente a artéria, o sangue não passa. Dessa forma, as células no trecho que deixou de ser banhado pela circulação acabam morrendo. A interrupção da passagem do sangue nas artérias coronárias também pode ocorrer devido contração de uma artéria parcialmente Imagem: www.unifesp.br/dmed/cardio/ch/cardio.htm obstruída ou à formação de coágulos (trombose). Sintomas: O principal sinal é a dor muito forte no peito, que pode se irradiar pelo braço esquerdo e pela região do estômago. Prevenção: Evite o cigarro, o estresse, os alimentos ricos em colesterol e o sedentarismo, que são os principais fatores de risco. Também não deixe de controlar a pressão arterial. Tratamento: Em primeiro lugar, deve-se correr contra o relógio, procurando um atendimento imediato — a área do músculo morta cresce feito uma bola de neve com o passar do tempo. Se ficar grande demais, o coração não terá a menor chance de se recuperar. Conforme a situação, os médicos podem optar pela angioplastia, em que um catéter é introduzido no braço e levado até a coronária entupida. Ali, ele infla para eliminar o obstáculo gorduroso. Outra saída é a cirurgia: os médicos constroem um desvio da área infartada — a ponte — com um pedaço da veia safena da perna ou da artéria radial ou das artérias mamárias. Imagem: www.saludhoy.com/htm/homb/articulo/infarca1.html
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    63 Revascularização do miocárdio: durante a cirurgia um vaso sangüíneo, que pode ser a veia safena (da perda), a artéria radial (do braço) e/ou as artérias mamárias (direita ou esquerda) são implantadas no coração, formando uma ponte para normalizar o fluxo sangüíneo. O número de pontes pode variar de 1 a 5, dependendo da necessidade do paciente. Imagem: www.braile.com.br/saude/hospital1.pdf Imagens: www.geocities.com/HotSprings/Villa/1298/heartmate.html Cateterismo (angioplastia por stent):
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    64 4.2.3 - Aterosclerose Doença devida ao aparecimento, nas paredes das artérias, de depósitos contendo principalmente LDL colesterol (“mau colesterol”), mas também pequenas quantidades de fosfolipídios e gorduras neutras (placas de ateroma). Trabalhos recentes indicam que o LDL se acumula no interior das paredes dos vasos, onde seus componentes se oxidam e sofrem outras alterações. Os componentes alterados dão origem a uma resposta inflamatória que altera progressiva e perigosamente os vasos. Gradualmente desenvolve-se fibrose dos tecidos situados ao redor ou no interior dos depósitos gordurosos e, freqüentemente, a combinação do cálcio dos líquidos orgânicos com gordura forma compostos sólidos de cálcio que, eventualmente, se desenvolve em placas duras, semelhantes aos ossos. Dessa forma, no estágio inicial da aterosclerose aparecem apenas depósitos gordurosos nas paredes dos vasos, mas nos estágios terminais os vasos podem tornar-se extremamente fibróticos e contraídos, ou mesmo de consistência óssea dura, caracterizando uma condição chamada arteriosclerose ou endurecimento das artérias. Imagem: www.unifesp.br/dmed/cardio/ch/cardio.htm Descobertas recentes indicam que os efeitos protetores do HDL colesterol (“bom colesterol”) derivam não só da remoção do LDL colesterol dos vasos, mas também por interferirem na oxidação de LDL. A aterosclerose muitas vezes cauda oclusão coronária aguda, provocando infarto do miocárdio ou "ataque cardíaco". Prevenção:Reduzir o peso e a ingestão de gorduras saturadas e colesterol (presente apenas em alimentos de origem animal), parar de fumar, fazer exercícios físicos. 4.2.4 - Arritmia Toda vez que o coração sai do ritmo certo, diz-se que há uma arritmia. Ela ocorre tanto em indivíduos saudáveis quanto em doentes. Várias doenças podem dispará-la, assim como fatores emocionais — o estresse, por exemplo, é capaz de alterar o ritmo cardíaco. Os batimentos perdem o compasso de diversas maneiras. A bradicardia ocorre quando o coração passa a bater menos de 60 vezes por minuto — então, pode ficar lento a ponto de parar. Já na taquicardia chegam a acontecer mais de 100 batimentos nesse mesmo período. A agitação costuma fazê-lo tremer, paralisado, em vez de contrair e relaxar normalmente. Às vezes surgem novos focos nervosos no músculo cardíaco, cada um dando uma ordem para ele bater de um jeito. No caso, também Imagem: Revista Saúde é Vital pode surgir a parada cardíaca. Sintomas: Na taquicardia, o principal sintoma é a palpitação. Nas bradicardias ocorrem tonturas e até desmaios.
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    65 Tratamento: Em alguns casos, os médicos simplesmente receitam remédios. Em outros, porém, é necessário apelar para a operação. Hoje os cirurgiões conseguem implantar no coração um pequeno aparelho, o marca-passo, capaz de controlar os batimentos cardíacos. Prevenção: Procure um médico ao sentir qualquer sintoma descrito acima. Além disso, tente diminuir o estresse no seu dia-a-dia.Reduzir o peso e a ingestão de gorduras saturadas e colesterol (presente apenas em alimentos de origem animal), parar de fumar, fazer exercícios físicos. 4.2. 5 - Arteriosclerose ou Arterioesclerose Processo de espessamento e endurecimento da parede das artérias, tirando-lhes a elasticidade. Decorre de proliferação conjuntiva em substituição às fibras elásticas. Pode surgir como conseqüência da aterosclerose (estágios terminais) ou devido ao tabagismo. O cigarro, além da nicotina responsável pela dependência, tem cerca de 80 substâncias cancerígenas e outras radioativas, com perigos genéticos. Investigações epidemiológicas mostram que esse vício é responsável por 75% dos casos de bronquite crônica e enfisema pulmonar, 80% dos casos de câncer do pulmão e 25% dos casos de infarto do miocárdio. Além disso, segundo pesquisas, os fumantes têm risco entre 100% e 800% maior de contrair infecções respiratórias bacterianas e viróticas, câncer da boca, laringe, esôfago, pâncreas, rins, bexiga e colo do útero, como também doenças do sistema circulatório, como arteriosclerose, aneurisma da aorta e problemas vasculares cerebrais. A probabilidade de aparecimento desses distúrbios tem relação direta com o tempo do vício e sua intensidade. O cigarro contrai as artérias coronárias e, ao mesmo tempo, excita excessivamente o coração; também favorece a formação de placas de ateroma (aumento de radicais livres). Prevenção: Reduzir o peso e a ingestão de gorduras saturadas e colesterol, parar de fumar, fazer exercícios físicos. 4.2.6 - Hipertensão O termo hipertensão significa pressão arterial alta. Caracteriza-se por uma pressão sistólica superior a 14cm de mercúrio (14 cmHg = 140 mmHg) e uma pressão diastólica superior a 9 cm de mercúrio (9 cmHg ou 90 mmHg). A hipertensão pode romper os vasos sangüíneos cerebrais (causando acidente vascular cerebral ou derrame), renais (causando insuficiência renal) ou de outros órgãos vitais, causando cegueira, surdez etc. Pode também determinar uma sobrecarga excessiva sobre o coração, causando sua falência. Causas da hipertensão: o conceito mais moderno e aceito de hipertensão defende que a doença não tem uma origem única, mas é fruto da associação de vários fatores, alguns deles incontroláveis: hereditariedade, raça, sexo e idade. As causas se combinam, exercendo ação recíproca e sinérgica. Veja na tabela a seguir o “peso” de cada um desses ingredientes: Etnia ou raça:Por motivos também de ordem genética Genética: fatores genéticos podem predispor à talvez, a hipertensão incida mais e de forma mais severa hipertensão. sobre negros. Sexo:Os homens têm mais propensão à pressão alta do Idade:A maioria dos estudos mostra que a hipertensão que as mulheres antes da menopausa. Depois empatam afeta 50% da população com idade acima de 60 anos. Isso ou pode haver até ligeira predominância feminina. Os depende do grupo étnico e do sexo. O mais comum especialistas estão cada vez mais convencidos de que a nesses casos é a elevação da pressão máxima, sem que reposição hormonal de estrógenos após a menopausa ocorra o aumento da mínima, que é decorrente do pode prevenir a hipertensão, como faz com outras enrijecimento das artérias. doenças cardiovasculares e com a osteoporose. Como fatores genéticos, podemos citar: •alta concentração de cálcio na membrana das células (defeito primário): aumenta a contração da musculatura lisa das artérias, fazendo-as se fecharem, o que diminui a passagem de sangue, resultando na hipertensão essencial ou primária (fator genético; •aumento da concentração de sódio nas paredes das artérias, fazendo-as se fecharem cada vez mais (fator genético);
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    66 Além dos fatores incontroláveis, descritos anteriormente, obesidade, excesso de sal, álcool, fumo, vida sedentária, estresse e taxas elevadas de colesterol (LDL) são fatores que favorecem a elevação da pressão arterial. O uso de anticoncepcionais orais (pílulas anticoncepcionais) também é um fator que predispõe mais as mulheres à hipertensão. O cigarro e níveis elevados de colesterol (LDL) também estão entre os elementos de risco: cerca de 70% do colesterol existente no homem é produzido pelo próprio organismo, no fígado. O restante provém da alimentação, dos produtos de origem animal. Por isso, o distúrbio pode ter origem externa, resultante principalmente de dietas erradas e vida sedentária, ou interna, de causa genética. A conseqüência direta é a aterosclerose, que dificulta ou, às vezes, impede o fluxo sangüíneo na região. O uso abusivo de descongestionantes nasais e medicamento em spray para asma também aumentam as chances de hipertensão. Pessoas diabéticas têm tendência a desenvolver hipertensão e outras doenças que atingem o coração. Prevenção: • dieta hipossódica (com pouco sal) e hipocalórica (sem excesso de calorias); • redução de peso; • prática de exercícios físicos aeróbicos (de baixa intensidade e longa duração) ou isotônicos (com grande movimentação dos membros). Sedentários devem procurar um cardiologista antes de iniciar qualquer tipo de exercício; • dieta balanceada rica em vegetais e frutas frescas e pobre em gorduras saturadas e colesterol; • medir periodicamente (a cada seis meses) a pressão arterial e tratar o diabetes (quando for o caso); • eliminar ou reduzir o fumo e, nos casos de mulheres hipertensas, eliminar o uso de contraceptivos orais (são uma bomba para o coração quando associados ao cigarro); • reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas; • consultar o médico regularmente 5 - SISTEMA RESPIRATÓRIO O sistema respiratório humano é constituído por um par de pulmões e por vários órgãos que conduzem o ar para dentro e para fora das cavidades pulmonares. Esses órgãos são as fossas nasais, a boca, a faringe, a laringe, a traquéia, os brônquios, os bronquíolos e os alvéolos, os três últimos localizados nos pulmões.
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    67 Fossas nasais: são duas cavidades paralelas que começam nas narinas e terminam na faringe. Elas são separadas uma da outra por uma parede cartilaginosa denominada septo nasal. Em seu interior há dobras chamada cornetos nasais, que forçam o ar a turbilhonar. Possuem um revestimento dotado de células produtoras de muco e células ciliadas, também presentes nas porções inferiores das vias aéreas, como traquéia, brônquios e porção inicial dos bronquíolos. No teto das fossas nasais existem células sensoriais, responsáveis pelo sentido do olfato. Têm as funções de filtrar, umedecer e aquecer o ar. Faringe: é um canal comum aos sistemas digestório e respiratório e comunica- se com a boca e com as fossas nasais. O ar inspirado pelas narinas ou pela boca passa necessariamente pela faringe, antes de atingir a laringe. Laringe: é um tubo sustentado por peças de cartilagem articuladas, situado na parte superior do pescoço, em continuação à faringe. O pomo-de- adão, saliência que aparece no pescoço, faz parte de uma das peças cartilaginosas da laringe. A entrada da laringe chama-se glote. Acima dela existe uma espécie de “lingüeta” de cartilagem denominada epiglote, que funciona como válvula. Quando nos alimentamos, a laringe sobe e sua entrada é fechada pela epiglote. Isso impede que o alimento ingerido penetre nas vias respiratórias. O epitélio que reveste a laringe apresenta pregas, as cordas vocais, capazes de produzir sons durante a passagem de ar. Traquéia: é um tubo de aproximadamente 1,5 cm de diâmetro por 10-12 centímetros de comprimento, cujas paredes são reforçadas por anéis cartilaginosos. Bifurca-se na sua região inferior, originando os brônquios, que penetram nos pulmões. Seu epitélio de revestimento muco- ciliar adere partículas de poeira e bactérias presentes em suspensão no ar inalado, que são posteriormente varridas para fora (graças ao movimento dos cílios) e engolidas ou expelidas.
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    68 Pulmões: Os pulmões humanos são órgãos esponjosos, com aproximadamente 25 cm de comprimento, sendo envolvidos por uma membrana serosa denominada pleura. Nos pulmões os brônquios ramificam-se profusamente, dando origem a tubos cada vez mais finos, os bronquíolos. O conjunto altamente ramificado de bronquíolos é a árvore brônquica ou árvore respiratória. Cada bronquíolo termina em pequenas bolsas formadas por células epiteliais achatadas (tecido epitelial pavimentoso) recobertas por capilares sangüíneos, denominadas alvéolos pulmonares. Diafragma: A base de cada pulmão apóia-se no diafragma, órgão músculo-membranoso que separa o tórax do abdomen, presente apenas em mamíferos, promovendo, juntamente com os músculos intercostais, os movimentos respiratórios. Localizado logo acima do estômago, o nervo frênico controla os movimentos do diafragma (ver controle da respiração) 5.1 - FISIOLOGIA DA RESPIRAÇÃO Ventilação pulmonar A inspiração, que promove a entrada de ar nos pulmões, dá-se pela contração da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais. O diafragma abaixa e as costelas elevam-se, promovendo o aumento da caixa torácica, com conseqüente redução da pressão interna (em relação à externa), forçando o ar a entrar nos pulmões.
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    69 A expiração, que promove a saída de ar dos pulmões, dá-se pelo relaxamento da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais. O diafragma eleva-se e as costelas abaixam, o que diminui o volume da caixa torácica, com conseqüente aumento da pressão interna, forçando o ar a sair dos pulmões. 5.1.1 - Transporte de gases respiratórios O transporte de gás oxigênio está a cargo da hemoglobina, proteína presente nas hemácias. Cada molécula de hemoglobina combina-se com 4 moléculas de gás oxigênio, formando a oxi-hemoglobina. Nos alvéolos pulmonares o gás oxigênio do ar difunde-se para os capilares sangüíneos e penetra nas hemácias, onde se combina com a hemoglobina, enquanto o gás carbônico (CO2) é liberado para o ar (processo chamado hematose).
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    70 Nos tecidos ocorre um processo inverso: o gás oxigênio dissocia-se da hemoglobina e difunde-se pelo líquido tissular, atingindo as células. A maior parte do gás carbônico (cerca de 70%) liberado pelas células no líquido tissular penetra nas hemácias e reage com a água, formando o ácido carbônico, que logo se dissocia e dá origem a íons H+ e bicarbonato (HCO3-), difundindo-se para o plasma sangüíneo, onde ajudam a manter o grau de acidez do sangue. Cerca de 23% do gás carbônico liberado pelos tecidos associam-se à própria hemoglobina, formando a carboemoglobina. O restante dissolve-se no plasma. OBS: O monóxido de carbono, liberado pela “queima” incompleta de combustíveis fósseis e pela fumaça dos cigarros entre outros, combina-se com a hemoglobina de uma maneira mais estável do que o oxigênio, formando o carboxiemoglobina. Dessa forma, a hemoglobina fica impossibilitada de transportar o oxigênio, podendo levar à morte por asfixia. Veja as tabelas abaixo, retiradas da prova do ENEM de 98: Um dos índices de qualidade do ar diz respeito à concentração de monóxido de carbono (CO), pois esse gás pode causar vários danos à saúde. A tabela abaixo mostra a relação entre a qualidade do ar e a concentração de CO. Qualidade do ar Concentração de CO – ppm* (média de 8h) Inadequada 15 a 30 Péssima 30 a 40 Crítica Acima de 40 * ppm (parte por milhão) = 1 micrograma de CO por grama de ar 10 –6 g Para analisar os efeitos do CO sobre os seres humanos, dispõe-se dos seguintes dados: Concentração de CO (ppm) Sintomas em seres humanos 10 Nenhum 15 Diminuição da capacidade visual 60 Dores de cabeça 100 Tonturas, fraqueza muscular 270 Inconsciência 800 Morte 5. 2 - Controle da respiração Em relativo repouso, a freqüência respiratória é da ordem de 10 a 15 movimentos por minuto. A respiração é controlada automaticamente por um centro nervoso localizado no bulbo. Desse centro partem os nervos responsáveis pela contração dos músculos respiratórios (diafragma e músculos intercostais). Os sinais nervosos são transmitidos desse centro através da coluna espinhal para os músculos da respiração. O mais importante músculo da respiração, o diafragma, recebe os sinais respiratórios através de um nervo especial, o nervo frênico, que deixa a medula espinhal na metade superior do pescoço e dirige-se para baixo, através do tórax até o diafragma. Os sinais para os músculos expiratórios, especialmente os músculos abdominais, são transmitidos para a porção baixa da medula
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    71 espinhal, paraos nervos espinhais que inervam os músculos. Impulsos iniciados pela estimulação psíquica ou sensorial do córtex cerebral podem afetar a respiração. Em condições normais, o centro respiratório (CR) produz, a cada 5 segundos, um impulso nervoso que estimula a contração da musculatura torácica e do diafragma, fazendo-nos inspirar. O CR é capaz de aumentar e de diminuir tanto a freqüência como a amplitude dos movimentos respiratórios, pois possui quimiorreceptores que são bastante sensíveis ao pH do plasma. Essa capacidade permite que os tecidos recebam a quantidade de oxigênio que necessitam, além de remover adequadamente o gás carbônico. Quando o sangue torna-se mais ácido devido ao aumento do gás carbônico, o centro respiratório induz a aceleração dos movimentos respiratórios. Dessa forma, tanto a freqüência quanto a amplitude da respiração tornam-se aumentadas devido à excitação do CR. Em situação contrária, com a depressão do CR, ocorre diminuição da freqüência e amplitude respiratórias. A respiração é ainda o principal mecanismo de controle do pH do sangue. O aumento da concentração de CO2 desloca a reação para a direita, enquanto sua redução desloca para a esquerda. Dessa forma, o aumento da concentração de CO2 no sangue provoca aumento de íons H+ e o plasma tende ao pH ácido. Se a concentração de CO2 diminui, o pH do plasma sangüíneo tende a se tornar mais básico (ou alcalino). Se o pH está abaixo do normal (acidose), o centro respiratório é excitado, aumentando a freqüência e a amplitude dos movimentos respiratórios. O aumento da ventilação pulmonar determina eliminação de maior quantidade de CO2, o que eleva o pH do plasma ao seu valor normal. Caso o pH do plasma esteja acima do normal (alcalose), o centro respiratório é deprimido, diminuindo a freqüência e a amplitude dos movimentos respiratórios. Com a + diminuição na ventilação pulmonar, há retenção de CO2 e maior produção de íons H , o que determina queda no pH plasmático até seus valores normais. A ansiedade e os estados ansiosos promovem liberação de adrenalina que, freqüentemente levam também à hiperventilação, algumas vezes de tal intensidade que o indivíduo torna seus líquidos orgânicos alcalóticos (básicos), eliminando grande quantidade de dióxido de carbono, precipitando, assim, contrações dos músculos de todo o corpo. Se a concentração de gás carbônico cair a valores muito baixos, outras conseqüências extremamente danosas podem ocorrer, como o desenvolvimento de um quadro de alcalose que pode levar a uma irritabilidade do sistema nervoso, resultando, algumas vezes, em tetania (contrações musculares involuntárias por todo o corpo) ou mesmo convulsões epilépticas. Existem algumas ocasiões em que a concentração de oxigênio nos alvéolos cai a valores muito baixos. Isso ocorre especialmente quando se sobe a lugares muito altos, onde a concentração de oxigênio na atmosfera é muito baixa ou quando uma pessoa contrai pneumonia ou alguma outra doença que reduza o oxigênio nos alvéolos. Sob tais condições, quimiorreceptores localizados nas artérias carótida (do pescoço) e aorta são estimulados e enviam sinais pelos nervos vago e glossofaríngeo, estimulando os centros respiratórios no sentido de aumentar a ventilação pulmonar. 5.3 - A capacidade e os volumes respiratórios O sistema respiratório humano comporta um volume total de aproximadamente 5 litros de ar – a capacidade pulmonar total. Desse volume, apenas meio litro é renovado em cada respiração tranqüila, de repouso. Esse volume renovado é o volume corrente Se no final de uma inspiração forçada, executarmos uma expiração forçada, conseguiremos retirar dos pulmões uma quantidade de aproximadamente 4 litros de ar, o que corresponde à capacidade vital, e é dentro de seus limites que a respiração pode acontecer. Mesmo no final de uma expiração forçada, resta nas vias aéreas cerca de 1 litro de ar, o volume residual.
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    72 Nunca se consegue encher os pulmões com ar completamente renovado, já que mesmo no final de uma expiração forçada o volume residual permanece no sistema respiratório. A ventilação pulmonar, portanto, dilui esse ar residual no ar renovado, colocado em seu interior O volume de ar renovado por minuto (ou volume-minuto respiratório) é obtido pelo produto da freqüência respiratória (FR) pelo volume corrente (VC): VMR = FR x VC. Em um adulto em repouso, temos: FR = 12 movimentos por minuto VC = 0,5 litros Portanto: volume-minuto respiratório = 12 x 0,5 = 6 litros/minuto Os atletas costumam utilizar o chamado “segundo fôlego”. No final de cada expiração, contraem os músculos intercostais internos, que abaixam as costelas e eliminam mais ar dos pulmões, aumentando a renovação. 6 - O SISTEMA DIGESTÓRIO O sistema digestório humano é formado por um longo tubo musculoso, ao qual estão associados órgãos e glândulas que participam da digestão. Apresenta as seguintes regiões; boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus. A parede do tubo digestivo, do esôfago ao intestino, é formada por quatro camadas: mucosa, submucosa, muscular e adventícia. 6.1 - BOCA A abertura pela qual o alimento entra no tubo digestivo é a boca. Aí encontram-se os dentes e a língua, que preparam o alimento para a digestão, por meio da mastigação. Os dentes reduzem os alimentos em pequenos pedaços, misturando-os à saliva, o que irá facilitar a futura ação das enzimas.
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    73 6.1.1 - Característicasdos dentes Os dentes são estruturas duras, calcificadas, presas ao maxilar superior e mandíbula, cuja atividade principal é a mastigação. Estão implicados, de forma direta, na articulação das linguagens. Os nervos sensitivos e os vasos sanguíneos do centro de qualquer dente estão protegidos por várias camadas de tecido. A mais externa, o esmalte, é a substância mais dura. Sob o esmalte, circulando a polpa, da coroa até a raiz, está situada uma camada de substância óssea chamada dentina. A cavidade pulpar é ocupada pela polpa dental, um tecido conjuntivo frouxo, ricamente vascularizado e inervado. Um tecido duro chamado cemento separa a raiz do ligamento peridental, que prende a raiz e liga o dente à gengiva e à mandíbula, na estrutura e composição química assemelha-se ao osso; dispõe-se como uma fina camada sobre as raízes dos dentes. Através de um orifício aberto na extremidade da raiz, penetram vasos sanguíneos, nervos e tecido conjuntivo. 6.1.2 - Tipos de dentes Em sua primeira dentição, o ser humano tem 20 peças que recebem o nome de dentes de leite. À medida que os maxilares crescem, estes dentes são substituídos por outros 32 do tipo permanente. As coroas dos dentes permanentes são de três tipos: os incisivos, os caninos ou presas e os molares. Os incisivos têm a forma de cinzel para facilitar o corte do alimento. Atrás dele, há três peças dentais usadas para rasgar. A primeira tem uma única cúspide pontiaguda. Em seguida, há dois dentes chamados pré-molares, cada um com duas cúspides. Atrás ficam os molares, que têm uma superfície de mastigação relativamente plana, o que permite triturar e moer os alimentos. 6.2 - A língua A língua movimenta o alimento empurrando-o em direção a garganta, para que seja engolido. Na superfície da língua existem dezenas de papilas gustativas, cujas células sensoriais percebem os quatro sabores primários: amargo (A), azedo ou ácido (B), salgado (C) e doce (D). De sua combinação resultam centenas de sabores distintos. A distribuição dos quatro tipos de receptores gustativos, na superfície da língua, não é homogênea. 6.3 - As glândulas salivares A presença de alimento na boca, assim como sua visão e cheiro, estimulam as glândulas salivares a secretar saliva, que contém a enzima amilase salivar ou ptialina, além de sais e outras substâncias. A amilase salivar digere o amido e outros polissacarídeos (como o glicogênio), reduzindo-os em moléculas de maltose (dissacarídeo). Três pares de glândulas salivares lançam sua secreção na cavidade bucal: parótida, submandibular e sublingual:
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    74 • Glândula parótida - Com massa variando entre 14 e 28 g, é a maior das três; situa-se na parte lateral da face, abaixo e adiante do pavilhão da orelha. • Glândula submandibular - É arredondada, mais ou menos do tamanho de uma noz. • Glândula sublingual - É a menor das três; fica abaixo da mucosa do assoalho da boca. www.webciencia.com/11_11glandula.htm O sais da saliva neutralizam substâncias ácidas e mantêm, na boca, um pH neutro (7,0) a levemente ácido (6,7), ideal para a ação da ptialina. O alimento, que se transforma em bolo alimentar, é empurrado pela língua para o fundo da faringe, sendo encaminhado para o esôfago, impulsionado pelas ondas peristálticas (como mostra a figura do lado esquerdo), levando entre 5 e 10 segundos para percorrer o esôfago. Através dos peristaltismo, você pode ficar de cabeça para baixo e, mesmo assim, seu alimento chegará ao intestino. Entra em ação um mecanismo para fechar a laringe, evitando que o alimento penetre nas vias respiratórias. Quando a cárdia (anel muscular, esfíncter) se relaxa, permite a passagem do alimento para o interior do estômago. 6.4 - FARINGE E ESÔFAGO A faringe, situada no final da cavidade bucal, é um canal comum aos sistemas digestório e respiratório: por ela passam o alimento, que se dirige ao esôfago, e o ar, que se dirige à laringe. O esôfago, canal que liga a faringe ao estômago, localiza-se entre os pulmões, atrás do coração, e atravessa o músculo diafragma, que separa o tórax do abdômen. O bolo alimentar leva de 5 a 10 segundos para percorre-lo. Imagem: CD O CORPO HUMANO 2.0. Globo Multimídia. 6.5 - ESTÔMAGO E SUCO GÁSTRICO O estômago é uma bolsa de parede musculosa, localizada no lado esquerdo abaixo do abdome, logo abaixo das últimas costelas. É um órgão muscular que liga o esôfago ao intestino delgado. Sua função principal é a digestão de alimentos protéicos. Um músculo circular, que existe na parte inferior, permite ao estômago guardar quase um litro e meio de comida, possibilitando que não se tenha que ingerir alimento de pouco em pouco tempo. Quando está vazio, tem a forma de uma letra "J" maiúscula, www.webciencia.com/11_09estom.htm cujas duas partes se unem por ângulos agudos.
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    75 Segmento superior: é o mais volumoso, chamado "porção vertical". Este compreende, por sua vez, duas partes superpostas; a grande tuberosidade, no alto, e o corpo do estômago, abaixo, que termina pela pequena tuberosidade. Segmento inferior: é denominado "porção horizontal", está separado do duodeno pelo piloro, que é um esfíncter. A borda direita, côncava, é chamada pequena curvatura; a borda esquerda, convexa, é dita grande curvatura. O orifício esofagiano do estômago é o cárdia. As túnicas do estômago: o estômago compõe-se de quatro túnicas; serosa (o peritônio), muscular (muito desenvolvida), submucosa (tecido conjuntivo) e mucosa (que secreta o suco gástrico). Quando está cheio de alimento, o estômago torna-se ovóide ou arredondado. O estômago tem movimentos peristálticos que asseguram sua homogeneização. O estômago produz o suco gástrico, um líquido claro, transparente, altamente ácido, que contêm ácido clorídrico, muco, enzimas e sais. O ácido clorídrico mantém o pH do interior do estômago entre 0,9 e 2,0. Também dissolve o cimento intercelular dos tecidos dos alimentos, auxiliando a fragmentação mecânica iniciada pela mastigação. A pepsina, enzima mais potente do suco gástrico, é secretada na forma de pepsinogênio. Como este é inativo, não digere as células que o produzem. Por ação do ácido cloródrico, o pepsinogênio, ao ser lançado na luz do estômago, transforma-se em pepsina, enzima que catalisa a digestão de proteínas. A pepsina, ao catalizar a hidrólise de proteínas, promove o rompimento das ligações peptídicas que unem os aminoácidos. Como nem todas as ligações peptídicas são acessíveis à pepsina, muitas permanecem intactas. Portanto, o resultado do trabalho dessa enzima são oligopeptídeos e aminoácidos livres. A renina, enzima que age sobre a caseína, uma das proteínas do leite, é produzida pela mucosa gástrica durante os primeiros meses de vida. Seu papel é o de flocular a caseína, facilitando a ação de outras enzimas proteolíticas. A mucosa gástrica é recoberta por uma camada de muco, que a protege da agressão do suco gástrico, bastante corrosivo. Apesar de estarem protegidas por essa densa camada de muco, as células da mucosa estomacal são continuamente lesadas e mortas pela ação do suco gástrico. Por isso, a mucosa está sempre sendo regenerada. Estima-se que nossa superfície estomacal seja totalmente reconstituída a cada três dias. Eventualmente ocorre desequilíbrio entre o ataque e a proteção, o que resulta em inflamação difusa da mucosa (gastrite) ou mesmo no aparecimento de feridas dolorosas que sangram (úlceras gástricas). A mucosa gástrica produz também o fator intrínseco, necessário à absorção da vitamina B12. O bolo alimentar pode permanecer no estômago por até quatro horas ou mais e, ao se misturar ao suco gástrico, auxiliado pelas contrações da musculatura estomacal, transforma-se em uma massa cremosa acidificada e semilíquida, o quimo. Passando por um esfíncter muscular (o piloro), o quimo vai sendo, aos poucos, liberado no intestino delgado, onde ocorre a maior parte da digestão. 6.6 - INTESTINO DELGADO O intestino delgado é um tubo com pouco mais de 6 m de comprimento por 4cm de diâmetro e pode ser dividido em três regiões: duodeno (cerca de 25 cm), jejuno (cerca de 5
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    76 m) e íleo(cerca de 1,5 cm). A porção superior ou duodeno tem a forma de ferradura e compreende o piloro, esfíncter muscular da parte inferior do estômago pela qual este esvazia seu conteúdo no intestino. A digestão do quimo ocorre predominantemente no duodeno e nas primeiras porções do jejuno. No duodeno atua também o suco pancreático, produzido pelo pâncreas, que contêm diversas enzimas digestivas. Outra secreção que atua no duodeno é a bile, produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar. O pH da bile oscila entre 8,0 e 8,5. Os sais biliares têm ação detergente, emulsificando ou emulsionando as gorduras (fragmentando suas gotas em milhares de microgotículas). O suco pancreático, produzido pelo pâncreas, contém água, enzimas e grandes quantidades de bicarbonato de sódio. O pH do suco pancreático oscila entre 8,5 e 9. Sua secreção digestiva é responsável pela hidrólise da maioria das moléculas de alimento, como carboidratos, proteínas, gorduras e ácidos nucléicos. A amilase pancreática fragmenta o amido em moléculas de maltose; a lípase pancreática hidrolisa as moléculas de um tipo de gordura – os triacilgliceróis, originando glicerol e álcool; as nucleases atuam sobre os ácidos nucléicos, separando seus nucleotídeos. O suco pancreático contém ainda o tripsinogênio e o quimiotripsinogênio, formas inativas em que são secretadas as enzimas proteolíticas tripsina e quimiotripsina. Sendo produzidas na forma inativa, as proteases não digerem suas células secretoras. Na luz do duodeno, o tripsinogênio entra em contato com a enteroquinase, enzima secretada pelas células da mucosa intestinal, convertendo-se me tripsina, que por sua vez contribui para a conversão do precursor inativo quimiotripsinogênio em quimiotripsina, enzima ativa. A tripsina e a quimiotripsina hidrolisam polipeptídios, transformando-os em oligopeptídeos. A pepsina, a tripsina e a quimiotripsina rompem ligações peptídicas específicas ao longo das cadeias de aminoácidos. A mucosa do intestino delgado secreta o suco entérico, solução rica em enzimas e de pH aproximadamente neutro. Uma dessas enzimas é a enteroquinase. Outras enzimas são as dissacaridades, que hidrolisam dissacarídeos em monossacarídeos (sacarase, lactase, maltase). No suco entérico há enzimas que dão seqüência à hidrólise das proteínas: os oligopeptídeos sofrem ação das peptidases, resultando em aminoácidos.
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    77 Suco digestivo Enzima pH ótimo Substrato Produtos Saliva Ptialina neutro polissacarídeos maltose Suco gástrico Pepsina ácido proteínas oligopeptídeos Quimiotripsina alcalino proteínas peptídeos Tripsina alcalino proteínas peptídeos Amilopepsina alcalino polissacarídeos maltose Suco pancreático Rnase alcalino RNA ribonucleotídeos Dnase alcalino DNA desoxirribonucleotídeos Lipase alcalino lipídeos glicerol e ácidos graxos Carboxipeptidase alcalino oligopeptídeos aminoácidos Aminopeptidase alcalino oligopeptídeos aminoácidos Dipeptidase alcalino dipeptídeos aminoácidos Suco intestinal ou entérico Maltase alcalino maltose glicose Sacarase alcalino sacarose glicose e frutose Lactase alcalino lactose glicose e galactose No intestino, as contrações rítmicas e os movimentos peristálticos das paredes musculares, movimentam o quimo, ao mesmo tempo em que este é atacado pela bile, enzimas e outras secreções, sendo transformado em quilo. A absorção dos nutrientes ocorre através de mecanismos ativos ou passivos, nas regiões do jejuno e do íleo. A superfície interna, ou mucosa, dessas regiões, apresenta, além de inúmeros dobramentos maiores, milhões de pequenas dobras (4 a 5 milhões), chamadas vilosidades; um traçado que aumenta a superfície de absorção intestinal. As membranas das próprias células do epitélio intestinal apresentam, por sua vez, dobrinhas microscópicas denominadas microvilosidades. O intestino delgado também absorve a água ingerida, os íons e as vitaminas. Imagem: www.webciencia.com/11_13intes.htm Os nutrientes absorvidos pelos vasos sanguíneos do intestino passam ao fígado para serem distribuídos pelo resto do organismo. Os produtos da digestão de gorduras (principalmente glicerol e ácidos graxos isolados) chegam ao sangue sem passar pelo fígado, como ocorre com outros nutrientes. Nas células da mucosa, essas substâncias são reagrupadas em triacilgliceróis (triglicerídeos) e envelopadas por uma camada de proteínas, formando os quilomícrons, transferidos para os vasos linfáticos e, em seguida, para os vasos sangüíneos, onde alcançam as células gordurosas (adipócitos), sendo, então, armazenados. 6.7 - INTESTINO GROSSO É o local de absorção de água, tanto a ingerida quanto a das secreções digestivas. Uma pessoa bebe cerca de 1,5 litros de líquidos por dia, que se une a 8 ou 9 litros de água das secreções. Glândulas da mucosa do intestino grosso secretam muco, que lubrifica as fezes, facilitando seu trânsito e eliminação pelo ânus.
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    78 Mede cerca de 1,5 m de comprimento e divide-se em ceco, cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente, cólon sigmóide e reto. A saída do reto chama-se ânus e é fechada por um músculo que o rodeia, o esfíncter anal. Numerosas bactérias vivem em mutualismo no intestino grosso. Seu trabalho consiste em dissolver os restos alimentícios não assimiláveis, reforçar o movimento intestinal e proteger o organismo contra bactérias estranhas, geradoras de enfermidades. As fibras vegetais, principalmente a celulose, não são digeridas nem absorvidas, contribuindo com porcentagem significativa da massa fecal. Como retêm água, sua presença torna as fezes macias e fáceis de serem eliminadas. O intestino grosso não possui vilosidades nem secreta sucos digestivos, normalmente só absorve água, em quantidade bastante consideráveis. Como o intestino grosso absorve muita água, o conteúdo intestinal se condensa até formar detritos inúteis, que são evacuados. 6.8 - GLÂNDULAS ANEXAS 6.8.1 - Pâncreas O pâncreas é uma glândula mista, de mais ou menos 15 cm de comprimento e de formato triangular, localizada transversalmente sobre a parede posterior do abdome, na alça formada pelo duodeno, sob o estômago. O pâncreas é formado por uma cabeça que se encaixa no quadro duodenal, de um corpo e de uma cauda afilada. A secreção externa dele é dirigida para o duodeno pelos canais de Wirsung e de Santorini. O canal de Wirsung desemboca ao lado do canal colédoco na ampola de Vater. O Imagem: www.webciencia.com/11_17pancreas.htm pâncreas comporta dois órgãos estreitamente imbricados: pâncreas exócrino e o endócrino. O pâncreas exócrino produz enzimas digestivas, em estruturas reunidas denominadas ácinos. Os ácinos pancreáticos estão ligados através de finos condutos, por onde sua secreção é levada até um condutor maior, que desemboca no duodeno, durante a digestão. O pâncreas endócrino secreta os hormônios insulina e glucagon, já trabalhados no sistema endócrino. 6.8.2 - Fígado É o maior órgão interno, e é ainda um dos mais importantes. É a mais volumosa de todas as vísceras, pesa cerca de 1,5 kg no homem adulto, e na mulher adulta entre 1,2 e 1,4 kg. Tem cor arroxeada, superfície lisa e recoberta por uma cápsula própria. Está situado no quadrante superior direito da cavidade abdominal.
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    79 O tecido hepático é constituído por formações diminutas que recebem o nome de lobos, compostos por colunas de células hepáticas ou hepatócitos, rodeadas por canais diminutos (canalículos), pelos quais passa a bile, secretada pelos hepatócitos. Estes canais se unem para formar o ducto hepático que, junto com o ducto procedente da vesícula biliar, forma o ducto comum da bile, que descarrega seu conteúdo no duodeno. As células hepáticas ajudam o sangue a assimilar as substâncias nutritivas e a excretar os materiais residuais e as toxinas, bem como esteróides, estrógenos e outros hormônios. O fígado é um órgão muito versátil. Armazena glicogênio, ferro, cobre e vitaminas. Produz carboidratos a partir de lipídios ou de proteínas, e lipídios a partir de carboidratos ou de proteínas. Sintetiza também o colesterol e purifica muitos fármacos e muitas outras substâncias. O termo hepatite é usado para definir qualquer inflamação no fígado, como a cirrose. 6.8.2.1 - Funções do fígado: • Secretar a bile, líquido que atua no emulsionamento das gorduras ingeridas, facilitando, assim, a ação da lipase; • Remover moléculas de glicose no sangue, reunindo-as quimicamente para formar glicogênio, que é armazenado; nos momentos de necessidade, o glicogênio é reconvertido em moléculas de glicose, que são relançadas na circulação; • Armazenar ferro e certas vitaminas em suas células; • Metabolizar lipídeos; • Sintetizar diversas proteínas presentes no sangue, de fatores imunológicos e de coagulação e de substâncias transportadoras de oxigênio e gorduras; • Degradar álcool e outras substâncias tóxicas, auxiliando na desintoxicação do organismo; • Destruir hemácias (glóbulos vermelhos) velhas ou anormais, transformando sua hemoglobina em bilirrubina, o pigmento castanho-esverdeado presente na bile. 7 - SISTEMA URINÁRIO/EXCRETOR O sistema excretor é formado por um conjunto de órgãos que filtram o sangue, produzem e excretam a urina - o principal líquido de excreção do organismo. É constituído por um par de rins, um par de ureteres, pela bexiga urinária e pela uretra. Os rins situam-se na parte dorsal do abdome, logo abaixo do diafragma, um de cada lado da coluna vertebral, nessa posição estão protegidos pelas últimas costelas e também por uma camada de gordura. Têm a forma de um grão de feijão enorme e possuem uma cápsula fibrosa, que protege o córtex - mais externo, e a medula - mais interna. Cada rim é formado de tecido conjuntivo, que sustenta e dá forma ao órgão, e por milhares ou milhões de unidades filtradoras, os néfrons, localizados na região renal. O néfron é uma longa estrutura tubular microscópica que possui, em uma das extremidades, uma expansão em forma de taça, denominada cápsula de Bowman, que se conecta com o túbulo contorcido proximal, que continua pela alça de Henle e pelo túbulo contorcido distal; este desemboca em um tubo Imagem:
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    80 coletor. Sãoresponsáveis pela filtração do www.drgate.com.br/almanaque/atlas/excretor/excretor.htm sangue e remoção das excreções. 7.1 - Como funcionam os rins O sangue chega ao rim através da artéria renal, que se ramifica muito no interior do órgão, originando grande número de arteríolas aferentes, onde cada uma ramifica-se no interior da cápsula de Bowman do néfron, formando um enovelado de capilares denominado glomérulo de Malpighi. O sangue arterial é conduzido sob alta pressão nos capilares do glomérulo. Essa pressão, que normalmente é de 70 a 80 mmHg, tem intensidade suficiente para que parte do plasma passe para a cápsula de Bowman, processo denominado filtração. Essas substâncias extravasadas para a cápsula de Bowman constituem o filtrado glomerular, queé semelhante, em composição química, ao plasma sanguíneo, com a diferença de que não possui proteínas, incapazes de atravessar os capilares glomerulares. O filtrado glomerular passa em seguida para o túbulo contorcido proximal, cuja parede é formada por células adaptadas ao transporte ativo. Nesse túbulo, ocorre reabsorção ativa de sódio. A saída desses íons provoca a remoção de cloro, fazendo com que a concentração do líquido dentro desse tubo fique menor (hipotônico) do que do plasma dos capilares que o envolvem. Com isso, quando o líquido percorre o ramo descendente da alça de Henle, há passagem de água por osmose do líquido tubular (hipotônico) para os capilares sangüíneos (hipertônicos) – ao que chamamos reabsorção. O ramo descendente percorre regiões do rim com gradientes crescentes de concentração. Conseqüentemente, ele perde ainda mais água para os tecidos, de forma que, na curvatura da alça Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981. de Henle, a concentração do líquido tubular é alta. Esse líquido muito concentrado passa então a percorrer o ramo ascendente da alça de Henle, que é formado por células impermeáveis à água e que estão adaptadas ao transporte ativo de sais. Nessa região, ocorre remoção ativa de sódio, ficando o líquido tubular hipotônico. Ao passar pelo túbulo contorcido distal, que é permeável à água, ocorre reabsorção por osmose para os capilares sangüíneos. Ao sair do néfron, a urina entra nos dutos coletores, onde ocorre a reabsorção final de água. Dessa forma, estima-se que em 24 horas são filtrados cerca de 180 litros de fluido do plasma; porém são formados apenas 1 a 2 litros de urina por dia, o que significa que aproximadamente 99% do filtrado glomerular é reabsorvido. Além desses processos gerais descritos, ocorre, ao longo dos túbulos renais, reabsorção ativa de aminoácidos e glicose. Desse modo, no final do túbulo distal, essas substâncias já não são mais encontradas. Os capilares que reabsorvem as substâncias úteis dos túbulos renais se reúnem para formar um vaso único, a veia renal, que leva o sangue para fora do rim, em direção ao coração.
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    81 7.2 - Regulaçãoda função renal A regulação da função renal relaciona-se basicamente com a regulação da quantidade de líquidos do corpo. Havendo necessidade de reter água no interior do corpo, a urina fica mais concentrada, em função da maior reabsorção de água; havendo excesso de água no corpo, a urina fica menos concentrada, em função da menor reabsorção de água. O principal agente regulador do equilíbrio hídrico no corpo humano é o hormônio ADH (antidiurético), produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise. A concentração do plasma sangüíneo é detectada por receptores osmóticos localizados no hipotálamo. Havendo aumento na concentração do plasma (pouca água), esses osmorreguladores estimulam a produção de ADH. Esse hormônio passa para o sangue, indo atuar sobre os túbulos distais e sobre os túbulos coletores do néfron, tornando as células desses tubos mais permeáveis à água. Dessa forma, ocorre maior reabsorção de água e a urina fica mais concentrada. Quando a concentração do plasma é baixa (muita água), há inibição da produção do ADH e, conseqüentemente, menor absorção de água nos túbulos distais e coletores, possibilitando a excreção do excesso de água, o que torna a urina mais diluída. Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981. Certas substâncias, como é o caso do álcool, inibem a secreção de ADH, aumentando a produção de urina. Além do ADH, há outro hormônio participante do equilíbrio hidro-iônico do organismo: a aldosterona, produzida nas glândulas supra-renais. Ela aumenta a reabsorção ativa de sódio nos túbulos renais, possibilitando maior retenção de água no organismo. A produção de aldosterona é regulada da seguinte maneira: quando a concentração de sódio dentro do túbulo renal diminui, o rim produz uma proteína chamada renina, que age sobre uma proteína produzida no fígado e encontrada no sangue denominada angiotensinogênio (inativo), convertendo-a em angiotensina (ativa). Essa substância estimula as glândulas Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de supra-renais a produzirem a aldosterona. Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.
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    82 Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002. OBS: Ocorre, também, ao longo dos túbulos renais, reabsorção ativa de aminoácidos e glicose. Desse modo, no final do túbulo distal essas substâncias já não são mais encontradas. 7.3 - Regulação da função renal - resumo HORMÔNIO ANTIDIURÉTICO (ADH): principal agente fisiológico regulador do equilíbrio hídrico, produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise. Aumento na concentração do plasma (pouca água)  receptores osmóticos localizados no hipotálamo  produção de ADH  sangue  túbulos distal e coletor do néfron células mais permeáveis à água  reabsorção de água  urina mais concentrada. Concentração do plasma baixa (muita água) e álcool  inibição de ADH  menor absorção de água nos túbulos distal e coletor  urina mais diluída. ALDOSTERONA: produzida nas glândulas supra-renais, aumenta a absorção ativa de sódio e a secreção ativa de potássio nos túbulos distal e coletor. A ELIMINAÇÃO DE URINA Ureter Os néfrons desembocam em dutos coletores, que se unem para formar canais cada vez mais grossos. A fusão dos dutos origina um canal único, denominado ureter, que deixa o rim em direção à bexiga urinária. Bexiga urinária A bexiga urinária é uma bolsa de parede elástica, dotada de musculatura lisa, cuja função é acumular a urina produzida nos rins. Quando cheia, a bexiga pode conter mais de ¼ de litro (250 ml) de urina, que é eliminada periodicamente através da uretra. Uretra A uretra é um tubo que parte da bexiga e termina, na mulher, na região vulvar e, no homem, na extremidade do pênis. Sua comunicação com a bexiga mantém-se fechada por anéis musculares - chamados esfíncteres. Quando a musculatura desses anéis relaxa-se e a musculatura da parede da bexiga contrai-se, urinamos.
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    83 SISTEMAS REPRODUTORES 8 - SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO O sistema reprodutor masculino é formado por: •Testículos ou gônadas •Vias espermáticas: epidídimo, canal deferente, uretra. •Pênis •Escroto •Glândulas anexas: próstata, vesículas seminais, glândulas bulbouretrais. Testículos: são as gônadas masculinas. Cada testículo é composto por um emaranhado de tubos, os ductos seminíferos Esses ductos são formados pelas células de Sértoli (ou de sustento) e pelo epitélio germinativo, onde ocorrerá a formação dos espermatozóides. Em meio aos ductos seminíferos, as células intersticiais ou de Leydig (nomenclatura antiga) produzem os hormônios sexuais masculinos, sobretudo a testosterona, responsáveis pelo desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos e dos caracteres sexuais secundários: • Estimulam os folículos pilosos para que façam crescer a barba masculina e o pêlo pubiano. • Estimulam o crescimento das glândulas sebáceas e a elaboração do sebo. • Produzem o aumento de massa muscular nas crianças durante a puberdade, pelo aumento do tamanho das fibras musculares. • Ampliam a laringe e tornam mais grave a voz. • Fazem com que o desenvolvimento da massa óssea seja maior, protegendo contra a osteoporose.
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    84 Epidídimos: são dois tubos enovelados que partem dos testículos, onde os espermatozóides são armazenados. Canais deferentes: são dois tubos que partem dos testículos, circundam a bexiga urinária e unem-se ao ducto ejaculatório, onde desembocam as vesículas seminais. Vesículas seminais: responsáveis pela produção de um líquido, que será liberado no ducto ejaculatório que, juntamente com o líquido prostático e espermatozóides, entrarão na composição do sêmen. O líquido das vesículas seminais age como fonte de energia para os espermatozóides e é constituído principalmente por frutose, apesar de conter fosfatos, nitrogênio não protéico, cloretos, colina (álcool de cadeia aberta considerado como integrante do complexo vitamínico B) e prostaglandinas (hormônios produzidos em numerosos tecidos do corpo. Algumas prostaglandinas atuam na contração da musculatura lisa do útero na dismenorréia – cólica menstrual, e no orgasmo; outras atuam promovendo vasodilatação em artérias do cérebro, o que talvez justifique as cefaléias – dores de cabeça – da enxaqueca. São formados a partir de ácidos graxos insaturados e podem ter a sua síntese interrompida por analgésicos e antiinflamatórios). Próstata: glândula localizada abaixo da bexiga urinária. Secreta substâncias alcalinas que neutralizam a acidez da urina e ativa os espermatozóides. Glândulas Bulbo Uretrais ou de Cowper: sua secreção transparente é lançada dentro da uretra para limpá-la e preparar a passagem dos espermatozóides. Também tem função na lubrificação do pênis durante o ato sexual. Pênis: é considerado o principal órgão do aparelho sexual masculino, sendo formado por dois tipos de tecidos cilíndricos: dois corpos cavernosos e um corpo esponjoso (envolve e protege a uretra). Na extremidade do pênis encontra-se a glande - cabeça do pênis, onde podemos visualizar a abertura da uretra. Com a manipulação da pele que a envolve - o prepúcio - acompanhado de estímulo erótico, ocorre a inundação dos corpos cavernosos e esponjoso, com sangue, tornando-se rijo, com considerável aumento do tamanho (ereção). O prepúcio deve ser puxado e higienizado a fim de se retirar dele o esmegma (uma secreção sebácea espessa e esbranquiçada, com forte odor, que consiste principalmente em células epiteliais descamadas que se acumulam debaixo do prepúcio). Quando a glande não consegue ser exposta devido ao estreitamento do prepúcio, diz-se que a pessoa tem fimose. A uretra é comumente um canal destinado para a urina, mas os músculos na entrada da bexiga se contraem durante a ereção para que nenhuma urina entre no sêmen e nenhum sêmen entre na bexiga. Todos os espermatozóides não ejaculados são reabsorvidos pelo corpo dentro de algum tempo. Saco Escrotal ou Bolsa Escrotal ou Escroto: Um espermatozóide leva cerca de 70 dias para ser produzido. Eles não podem se desenvolver adequadamente na temperatura normal do corpo (36,5°C). Assim, os testículos se localizam na parte externa do corpo, dentro da bolsa escrotal, que tem a função de termorregulação (aproximam ou afastam os testículos do corpo), mantendo-os a uma temperatura geralmente em torno de 1 a 3 °C abaixo da corporal. PUBERDADE: os testículos da criança permanecem inativos até que são estimulados entre 10 e 14 anos pelos hormônios gonadotróficos da glândula hipófise (pituitária) O hipotálamo libera FATORES LIBERADORES DOS HORMÔNIOS GONADOTRÓFICOS que fazem a hipófise liberar FSH (hormônio folículo estimulante) e LH (hormônio luteinizante). FSH à estimula a espermatogênese pelas células dos túbulos seminíferos.
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    85 LH à estimula a produção de testosterona pelas células intersticiais dos testículos à características sexuais secundárias, elevação do desejo sexual. TESTOSTERONA Efeito na Espermatogênese. A testosterona faz com que os testículos cresçam. Ela deve estar presente, também, junto com o folículo estimulante, antes que a espermatogênese se complete. Efeito nos caracteres sexuais masculinos. Depois que um feto começa a se desenvolver no útero materno, seus testículos começam a secretar testosterona, quando tem poucas semanas de vida apenas. Essa testosterona, então, auxilia o feto a desenvolver órgãos sexuais masculinos e características secundárias masculinas. Isto é, acelera a formação do pênis, da bolsa escrotal, da próstata, das vesículas seminais, dos ductos deferentes e dos outros órgãos sexuais masculinos. Além disso, a testosterona faz com que os testículos desçam da cavidade abdominal para a bolsa escrotal; se a produção de testosterona pelo feto é insuficiente, os testículos não conseguem descer; permanecem na cavidade abdominal. A secreção da testosterona pelos testículos fetais é estimulada por um hormônio chamado gonadotrofina coriônica, formado na placenta durante a gravidez. Imediatamente após o nascimento da criança, a perda de conexão com a placenta remove esse feito estimulador, de modo que os testículos deixam de secretar testosterona. Em conseqüência, as características sexuais interrompem seu desenvolvimento desde o nascimento até à puberdade. Na puberdade, o reaparecimento da secreção de testosterona induz os órgãos sexuais masculinos a retomar o crescimento. Os testículos, a bolsa escrotal e o pênis crescem, então, aproximadamente mais 10 vezes. Efeito nos caracteres sexuais secundários. Além dos efeitos sobre os órgãos genitais, a testosterona exerce outros efeitos gerais por todo o organismo para dar ao homem adulto suas características distintivas. Faz com que os pêlos cresçam na face, ao longo da linha média do abdome, no púbis e no tórax. Origina, porém, a calvície nos homens que tenham predisposição hereditária para ela. Estimula o crescimento da laringe, de maneira que o homem, após a puberdade fica com a voz mais grave. Estimula um aumento na deposição de proteína nos músculos, pele, ossos e em outras partes do corpo, de maneira que o adolescente do sexo masculino se torna geralmente maior e mais musculoso do que a mulher, nessa fase. Algumas vezes, a testosterona também promove uma secreção anormal das glândulas sebáceas da pele, fazendo com que se desenvolva a acne pós-puberdade na face. Na ausência de testosterona, as características sexuais secundárias não se desenvolvem e o indivíduo mantém um aspecto sexualmente infantil. ‾Hormônios Sexuais Masculinos Glândula Hormônio Órgão-alvo Principais ações estimulam a produção de testosterona pelas Hipófise FSH e LH testículos células de Leydig (intersticiais) e controlam a produção de espermatozóides. estimula o aparecimento dos caracteres diversos sexuais secundários. Testículos Testosterona induz o amadurecimento dos órgãos genitais, Sistema Reprodutor promove o impulso sexual e controla a produção de espermatozóides 9 - SISTEMA REPRODUTOR FEMININO O sistema reprodutor feminino é constituído por dois ovários, duas tubas uterinas (trompas de Falópio), um útero, uma vagina, uma vulva. Ele está localizado no interior da cavidade pélvica. A pelve constitui um marco ósseo forte que realiza uma função protetora.
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    86 A vagina é um canal de 8 a 10 cm de comprimento, de paredes elásticas, que liga o colo do útero aos genitais externos. Contém de cada lado de sua abertura, porém internamente, duas glândulas denominadas glândulas de Bartholin, que secretam um muco lubrificante. A entrada da vagina é protegida por uma membrana circular - o hímen - que fecha parcialmente o orifício vulvo-vaginal e é quase sempre perfurado no centro, podendo ter formas diversas. Geralmente, essa membrana se rompe nas primeiras relações sexuais. A vagina é o local onde o pênis deposita os espermatozóides na relação sexual. Além de possibilitar a penetração do pênis, possibilita a expulsão da menstruação e, na hora do parto, a saída do bebê. A genitália externa ou vulva é delimitada e protegida por duas pregas cutâneo- mucosas intensamente irrigadas e inervadas - os grandes lábios. Na mulher reprodutivamente madura, os grandes lábios são recobertos por pêlos pubianos. Mais internamente, outra prega cutâneo-mucosa envolve a abertura da vagina - os pequenos lábios - que protegem a abertura da uretra e da vagina. Na vulva também está o clitóris, formado por tecido esponjoso erétil, homólogo ao pênis do homem. Ovários: são as gônadas femininas. Produzem estrógeno e progesterona, hormônios sexuais femininos que serão vistos mais adiante. No final do desenvolvimento embrionário de uma menina, ela já tem todas as células que irão transformar-se em gametas nos seus dois ovários. Estas células - os ovócitos primários - encontram-se dentro de estruturas denominadas folículos de Graaf ou folículos ovarianos. A partir da adolescência, sob ação hormonal, os folículos ovarianos começam a crescer e a desenvolver. Os folículos em desenvolvimento secretam o hormônio estrógeno. Mensalmente, apenas um folículo geralmente completa o desenvolvimento e a maturação, rompendo-se e liberando o ovócito secundário (gaemta feminino): fenômeno conhecido como ovulação. Após seu rompimento, a massa celular resultante transforma-se em corpo lúteo ou amarelo, que passa a secretar os hormônios progesterona e estrógeno. Com o tempo, o corpo lúteo regride e converte-se em corpo albicans ou corpo branco, uma pequena cicatriz fibrosa que irá permanecer no ovário.
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    87 O gameta feminino liberado na superfície de um dos ovários é recolhido por finas terminações das tubas uterinas - as fímbrias. Tubas uterinas, ovidutos ou trompas de Falópio: são dois ductos que unem o ovário ao útero. Seu epitélio de revestimento é formados por células ciliadas. Os batimentos dos cílios microscópicos e os movimentos peristálticos das tubas uterinas impelem o gameta feminino até o útero. Útero: órgão oco situado na cavidade pélvica anteriormente à bexiga e posteriormente ao reto, de parede muscular espessa (miométrio) e com formato de pêra invertida. É revestido internamente por um tecido vascularizado rico em glândulas - o endométrio. A pituitária (hipófise) anterior das meninas, como a dos meninos, não secreta praticamente nenhum hormônio gonadotrópico até à idade de 10 a 14 anos. Entretanto, por essa época, começa a secretar dois hormônios gonadotrópicos. No inicio, secreta principalmente o hormônio foliculo-estimulante (FSH), que inicia a vida sexual na menina em crescimento; mais tarde, secreta o harmônio luteinizante (LH), que auxilia no controle do ciclo menstrual. Hormônio Folículo-Estimulante: causa a proliferação das células foliculares ovarianas e estimula a secreção de estrógeno, levando as cavidades foliculares a desenvolverem-se e a crescer. Hormônio Luteinizante: aumenta ainda mais a secreção das células foliculares, estimulando a ovulação. Hormônios Sexuais Femininos Os dois hormônios ovarianos, o estrogênio e a progesterona, são responsáveis pelo desenvolvimento sexual da mulher e pelo ciclo menstrual. Esses hormônios, como os hormônios adrenocorticais e o hormônio masculino testosterona, são ambos compostos esteróides, formados, principalmente, de um lipídio, o colesterol. Os estrogênios são, realmente, vários hormônios diferentes chamados estradiol, estriol e estrona, mas que têm funções idênticas e estruturas químicas muito semelhantes. Por esse motivo, são considerados juntos, como um único hormônio. Funções do Estrogênio: o estrogênio induz as células de muitos locais do organismo, a proliferar, isto é, a aumentar em número. Por exemplo, a musculatura lisa do útero, aumenta tanto que o órgão, após a puberdade, chega a duplicar ou, mesmo, a triplicar de tamanho. O estrogênio também provoca o aumento da vagina e o desenvolvimento dos lábios que a circundam, faz o púbis se cobrir de pêlos, os quadris se alargarem e o estreito pélvico assumir a forma ovóide, em vez de afunilada como no homem; provoca o desenvolvimento das mamas e a proliferação dos seus elementos glandulares, e, finalmente, leva o tecido adiposo a concentrar-se, na mulher, em áreas como os quadris e coxas, dando-lhes o arredondamento típico do sexo. Em resumo, todas as características que distinguem a mulher do homem são devido ao estrogênio e a razão básica para o
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    88 desenvolvimento dessascaracterísticas é o estímulo à proliferação dos elementos celulares em certas regiões do corpo. O estrogênio também estimula o crescimento de todos os ossos logo após a puberdade, mas promove rápida calcificação óssea, fazendo com que as partes dos ossos que crescem se "extingam" dentro de poucos anos, de forma que o crescimento, então, pára. A mulher, nessa fase, cresce mais rapidamente que o homem, mas pára após os primeiros anos da puberdade; já o homem tem um crescimento menos rápido, porém mais prolongado, de modo que ele assume uma estatura maior que a da mulher, e, nesse ponto, também se diferenciam os dois sexos. O estrogênio tem, outrossim, efeitos muito importantes no revestimento interno do útero, o endométrio, no ciclo menstrual. Funções da Progesterona: a progesterona tem pouco a ver com o desenvolvimento dos caracteres sexuais femininos; está principalmente relacionada com a preparação do útero para a aceitação do embrião e à preparação das mamas para a secreção láctea. Em geral, a progesterona aumenta o grau da atividade secretória das glândulas mamárias e, também, das células que revestem a parede uterina, acentuando o espessamento do endométrio e fazendo com que ele seja intensamente invadido por vasos sangüíneos; determina, ainda, o surgimento de numerosas glândulas produtoras de glicogênio. Finalmente, a progesterona inibe as contrações do útero e impede a expulsão do embrião que se está implantando ou do feto em desenvolvimento. CICLO MENSTRUAL O ciclo menstrual na mulher é causado pela secreção alternada dos hormônios folículo-estimulante e luteinizante, pela pituitária (hipófise) anterior (adenohipófise), e dos estrogênios e progesterona, pelos ovários. O ciclo de fenômenos que induzem essa alternância tem a seguinte explicação: 1. No começo do ciclo menstrual, isto é, quando a menstruação se inicia, a pituitária anterior secreta maiores quantidades de hormônio folículo-estimulante juntamente com pequenas quantidades de hormônio luteinizante. Juntos, esses hormônios promovem o crescimento de diversos folículos nos ovários e acarretam uma secreção considerável de estrogênio (estrógeno). 2. Acredita-se que o estrogênio tenha, então, dois efeitos seqüenciais sobre a secreção da pituitária anterior. Primeiro, inibiria a secreção dos hormônios folículo- estimulante e luteinizante, fazendo com que suas taxas declinassem a um mínimo por volta do décimo dia do ciclo. Depois, subitamente a pituitária anterior começaria a secretar quantidades muito elevadas de ambos os hormônios mas principalmente do hormônio luteinizante. É essa fase de aumento súbito da secreção que provoca o rápido desenvolvimento final de um dos folículos ovarianos e a sua ruptura dentro de cerca de dois dias. 3. O processo de ovulação, que ocorre por volta do décimo quarto dia de um ciclo normal de 28 dias, conduz ao desenvolvimento do corpo lúteo ou corpo amarelo, que secreta quantidades elevadas de progesterona e quantidades consideráveis de estrogênio. 4. O estrogênio e a progesterona secretados pelo corpo lúteo inibem novamente a pituitária anterior, diminuindo a taxa de secreção dos hormônios folículo-estimulante e luteinizante. Sem esses hormônios para estimulá-lo, o corpo lúteo involui, de modo que a secreção de estrogênio e progesterona cai para níveis muito baixos. É nesse momento que a menstruação se inicia, provocada por esse súbito declínio na secreção de ambos os hormônios. 5. Nessa ocasião, a pituitária anterior, que estava inibida pelo estrogênio e pela progesterona, começa a secretar outra vez grandes quantidades de hormônio folículo- estimulante, iniciando um novo ciclo. Esse processo continua durante toda a vida reprodutiva da mulher.
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    89 1º dia do ciclo  endométrio bem desenvolvido, espesso e vascularizado começa a descamar  menstruação  hipófise aumenta a produção de FSH, que atinge a concentração máxima por volta do 7º dia do ciclo.  amadurecimento dos folículos ovarianos  secreção de estrógeno pelo folículo em desenvolvimento  concentração alta de estrógeno inibe secreção de OBSERVAÇÃO: a ovulação ocorre aproximadamente FSH e estimula a secreção de LH pela hipófise / entre 10-12 horas após o pico de LH. No ciclo regular, o concentração alta de estrógeno estimula período de tempo a partir do pico de LH até a menstruação está ocrescimento do endométrio. constantemente próximo de 14 dias. Dessa forma, da ovulação  até a próxima menstruação decorrem 14 dias. concentração alta de LH estimula a ovulação (por Apesar de em um ciclo de 28 dias a ovulação ocorrer volta do 14º dia de um ciclo de 28 dias) aproximadamente na metade do ciclo, nas mulheres que têm  ciclos regulares, não importa a sua duração, o dia da alta taxa de LH estimula a formação do corpo ovulação pode ser calculado como sendo o 14º dia ANTES lúteo ou amarelo no folículo ovariano do início da menstruação.  Generalizando, pode-se dizer que, se o ciclo menstrual corpo lúteo inicia a produção de progesterona tem uma duração de n dias, o possível dia da ovulação é n – 14, considerando n = dia da próxima menstruação.  estimula as glândulas do endométrio a secretarem seus produtos  aumento da progesterona inibe produção de LH e FSH  corpo lúteo regride e reduz concentração de progesterona  menstruação Exemplo: determinada mulher, com ciclo menstrual regular de 28 dias, resolveu iniciar um relacionamento íntimo com seu namorado. Como não planejavam ter filhos, optaram pelo método da tabelinha, onde a mulher calcula o período fértil em relação ao dia da ovulação. Considerando que a mulher é fértil durante aproximadamente nove dias por ciclo e que o último ciclo dessa mulher iniciou-se no dia 22 de setembro de 2006, calcule seu período fértil.
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    90 Resposta: Considerando o primeiro dia do ciclo como 22 e que seu ciclo é de 28 dias, temos: 22 23 24 25 26 27 28 29 30 [01 02 03 04 05 06 07 08 09] 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 Menstruará novamente no dia 19/10 (n). Ocorrendo a ovulação 14 dias ANTES da menstruação, esta se dará no dia 05/10 (considerando a fórmula n - 14, teremos: 19 - 14 = 5, ou seja, dia 05 será seu provável dia de ovulação). Como seu período fértil aproximado localiza-se 4 dias antes e 4 dias após a ovulação, então o início dos dias férteis será 01/10 e o término, 09/10. Resposta: 45. Como é comum em algumas mulheres uma pequena variação no tamanho do ciclo menstrual, o cálculo para o período fértil deverá compreender o ciclo mais curto e o mais longo. Neste caso, primeiramente a mulher deverá anotar o 1° dia da menstruação durante vários meses e calcular a duração de seus ciclos (cada um deles contado do primeiro dia da menstruação). A partir daí, deverá proceder da seguinte forma para calcular o período fértil: 1. subtrair 14 dias do ciclo mais curto (dia da ovulação); 2. subtrair 14 dias do ciclo mais longo (dia da ovulação); 3. subtrair pelo menos 3 dias do dia da ovulação do ciclo mais curto e somar 3 dias ao dia da ovulação do ciclo mais longo. Exemplo: suponha que o ciclo mais curto da mulher exemplificada anteriormente tenha sido de 26 dias e o mais longo, de 30 dias. O cálculo do período fértil será feito assim: 1. subtraindo 14 dias do ciclo mais curto: 26 a ovulação deverá ter ocorrido no 12° dia do ciclo mais curto; 2. subtraindo 14 dias do ciclo mais longo: 30 a ovulação deverá ter ocorrido no 16° dia do ciclo mais longo; 3. subtraindo 3 dias do dia da ovulação do ciclo mais curto (12 e somando 3 dias ao dia da ovulação do ciclo mais longo (16 + 3 = 19), o período fértil ficará entre o 9° e o 19° dia de qualquer ciclo menstrual desta mulher. Os dias restantes serão os dias não-férteis. OBSERVAÇÃO: os cálculos acima só funcionam para mulheres com ciclos regulares (ou que sofrem apenas pequenas variações nos ciclos). Concluindo, o ciclo menstrual pode ser dividido em 4 fases: 1. Fase menstrual: corresponde aos dias de menstruação e dura cerca de 3 a 7 dias, geralmente. 2. Fase proliferativa ou estrogênica: período de secreção de estrógeno pelo folículo ovariano, que se encontra em maturação. 3. Fase secretora ou lútea: o final da fase proliferativa e o início da fase secretora é marcado pela ovulação. Essa fase é caracterizada pela intensa ação do corpo lúteo. 4. Fase pré-menstrual ou isquêmica: período de queda das concentrações dos hormônios ovarianos, quando a camada superficial do endométrio perde seu suprimento sangüíneo normal e a mulher está prestes a menstruar. Dura cerca de dois dias, podendo ser acompanhada por dor de cabeça, dor nas mamas, alterações psíquicas, como irritabilidade e insônia (TPM ou Tensão Pré-Menstrual). HORMÔNIOS DA GRAVIDEZ Gonadotrofina coriônica humana (HCG): é um hormônio glicoproteíco, secretado desde o início da formação da placenta pelas células trofoblásticas, após nidação (implantação) do blastocisto (*). A principal função fisiológica deste hormônio é a de manter o corpo lúteo, de modo que as taxas de progesterona e estrogênio não
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    91 diminuam, garantindo,assim, a manutenção da gravidez (inibição da menstruação) e a ausência de nova ovulação. Por volta da 15ª semana de gestação, com a placenta já formada e madura produzindo estrógeno e progesterona, ocorre declínio acentuado na concentração de HCG e involução do corpo lúteo. O HCG também concede uma imunossupressão à mulher, para que ela não rejeite o embrião (inibe a produção de anticorpos pelos linfócitos); tem atividade tireotrófica e também estimula a produção de testosterona pelo testículo fetal (estimula as células de Leydig a produzirem maior quantidade de androgênios), importante para a diferenciação sexual do feto do sexo masculino. (*) O blastocisto é um estágio inicial do desenvolvimento embrionário, formado por uma camada de células denominada trofoblasto ou células trofobláticas que envolve o botão embrionário. Após a nidação o trofoblasto forma projeções na mucosa uterina chamadas vilosidades coriônicas, principais responsáveis pela produção de HCG. Hormônio lactogênio placentário humano: é um hormônio protéico, de estrutura química semelhante à da prolactina e da somatotrofina hipofisária. É encontrado no plasma da gestante a partir da 4ª semana de gestação. Tem efeito lipolítico, aumenta a resistência materna à ação da insulina e estimula o pâncreas na secreção de insulina, ajudando no crescimento fetal, pois proporciona maior quantidade de glicose e de nutrientes para o feto em desenvolvimento. Hormônio melanotrófico: atua nos melanócitos para liberação de melanina, aumentando a pigmentação da aréola, abdomên e face. Aldosterona: mantém o equilíbrio de sódio, pois a progesterona estimula a eliminação do mesmo, e a aldosterona promove sua reabsorção. Progesterona: relaxa a musculatura lisa, o que diminui a contração uterina, para não ter a expulsão do feto. Aumenta o endométrio, pois se o endométrio não estiver bem desenvolvido, poderá ocorrer um aborto natural ou o blastocisto se implantar (nidação) além do endométrio. Este hormônio é importante para o equilíbrio hidro-eletrolítico, além de estimular o centro respiratório no cérebro, fazendo com que aumente a ventilação, e conseqüentemente, fazendo com que a mãe mande mais oxigênio para o feto. Complementa os efeitos do estrogênio nas mamas, promovendo o crescimento dos elementos glandulares, o desenvolvimento do epitélio secretor e a deposição de nutrientes nas células glandulares, de modo que, quando a produção de leite for solicitada a matéria- prima já esteja presente. Estrogênio: promove rápida proliferação da musculatura uterina; grande desenvolvimento do sistema vascular do útero; aumento dos órgãos sexuais externos e da abertura vaginal, proporcionando uma via mais ampla para o parto; rápido aumento das mamas; contribui ainda para a manutenção hídrica e aumenta a circulação. Dividido em estradiol e estrona - que estão na corrente materna; e estriol - que está na corrente fetal, é medido para avaliar a função feto-placentária e o bem estar fetal. HORMÔNIOS DO PARTO A ocitocina é um hormônio que potencializa as contrações uterinas tornando-as fortes e coordenadas, até completar-se o parto. Quando inicia a gravidez, não existem receptores no útero para a ocitocina. Estes receptores vão aparecendo gradativamente no decorrer da gravidez. Quando a ocitocina se liga a eles, causa a contração do músculo liso uterino e também, estimulação da produção de prostaglandinas, pelo útero, que ativará o músculo liso uterino.
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    92 Imagens: www.embarazada.com O parto depende tanto da secreção de ocitocina quanto da produção das prostaglandinas, porque sem estas, não haverá a adequada dilatação do colo do útero e conseqüentemente, o parto não irá progredir normalmente. Não são bem conhecidos os fatores desencadeantes do trabalho de parto, mas sabe-se que, quando o hipotálamo do feto alcança certo grau de maturação, estimula a hipófise fetal a liberar ACTH. Agindo sobre a adrenal do feto, esse hormônio aumenta a secreção de cortisol e outros hormônios, que estimulam a placenta a secretar prostaglandinas. Estas promovem contrações da musculatura lisa do útero. Ainda não se sabe o que impede o parto prematuro, uma vez que nas fases finais da gravidez, há uma elevação do nível de ocitocina e de seus receptores, o que poderia ocasionar o início do trabalho de parto, antes do fim total da gravidez. Existem possíveis fatores inibitórios do trabalho de parto, como a proporção estrogênio/progesterona e o nível de relaxina, hormônio produzido pelo corpo lúteo do ovário e pela placenta. A progesterona mantém seus níveis elevados durante toda a gravidez, inibindo o músculo liso uterino e bloqueando sua resposta a ocitocina e as prostaglandinas. O estrogênio aumenta o grau de contratilidade uterina. Na última etapa da gestação, o estrogênio tende a aumentar mais que a progesterona, o que faz com que o útero consiga ter uma contratilidade maior.
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    93 A relaxina aumenta o número de receptores para a ocitocina, além de produzir um ligeiro amolecimento das articulações pélvicas (articulações da bacia) e das suas cápsulas articulares, dando-lhes a flexibilidade necessária para o parto (por provocar remodelamento do tecido conjuntivo, afrouxa a união entre os ossos da bacia e alarga o canal de passagem do feto). Tem ação importante no útero para que ele se distenda, a medida em que o bebê cresce. O nível de relaxina aumenta ao máximo antes do parto e depois cai rapidamente. Ainda não se conhecem os fatores que realmente interferem no trabalho de parto, mas uma vez que ele tenha iniciado, há um aumento no nível de ocitocina, elevando muito sua secreção, o que continua até a expulsão do feto. OS HORMÔNIOS E OS MECANISMOS DA LACTAÇÃO O início da lactação se dá com a produção de leite, que ocorre nos alvéolos das glândulas mamárias. O leite sai dos alvéolos e caminha até o mamilo através dos seios lactíferos. O estrogênio, associado aos hormônios da tireóide, aos corticosteróides adrenais e a insulina, promovem o desenvolvimento das mamas. Este desenvolvimento vai ser acentuado pela ação da progesterona, que também estimula a proliferação dos dutos. Durante a gravidez, há a necessidade de uma proliferação dos alvéolos e dos dutos para a lactação. Isto ocorre devido à ação dos hormônios progesterona e estrogênio. O lactogênio placentário e a prolactina também são muito importantes na preparação das mamas. A prolactina começa a ser produzida ainda na puberdade, mas em pequena quantidade. O surto deste hormônio acontece em decorrência da gravidez, e é aumentado, gradativamente, durante a amamentação. Tal hormônio é responsável pelo crescimento e pela atividade secretora dos alvéolos mamários. O lactogênio placentário age como a prolactina, desenvolvendo os alvéolos. Estes dois hormônios estão presentes durante toda a gravidez, porém suas quantidades não são aumentadas, devido a inibição causada pelos altos níveis de progesterona e estrogênio. Ao final do trabalho de parto, há uma queda nos níveis destes dois últimos hormônios, ocasionando um aumento nas quantidades de prolactina e lactogênio placentário, o que possibilita o início da produção de leite. Enquanto houver a sucção do mamilo pelo bebê, a prolactina continuará produzindo leite. Isto acontece porque quando o bebê faz esta sucção nos mamilos, estimula o hipotálamo a secretar o fator liberador da prolactina, mantendo seus níveis e, conseqüentemente, a produção de leite. A produção de leite só irá diminuir ou cessar completamente se a mãe não amamentar seu filho, pois neste caso, não haverá mais a estimulação decorrente da sucção do mamilo. A sucção do mamilo também estimulará a hipófise posterior, que irá secretar ocitocina. Este hormônio é o responsável pela ejeção do leite. Tal mecanismo ocorre porque a ocitocina contrai os músculos ao redor dos alvéolos, fazendo com que o leite caminhe até o mamilo. O leite só começa a ser produzido depois do primeiro dia do nascimento. Até este período, haverá a secreção e liberação do colostro, que é um líquido aquoso, de cor amarelada, que contém anticorpos maternos.
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    94 Glândula Hormônio Órgão-alvo Principais ações estimula o desenvolvimento FSH ovário do folículo, a secreção de estrógeno e a ovulação estimula a ovulação e o LH ovário desenvolvimento do corpo amarelo. estimula a produção de leite (após a estimulação Prolactina mamas prévia das glândulas Hipófise mamárias por estrógeno e progesterona). - secretado em quantidades moderadas durante a última fase da gravidez e em grande quantidade durante Ocitocina Útero e mamas o parto. Promove a contração do útero para a expulsão da criança. - promove a ejeção do leite durante a amamentação crescimento do corpo e dos órgãos sexuais; estimula o diversos desenvolvimento das características sexuais secundárias. Estrógeno inibe a produção de FSH e hipófise estimula a produção de LH estimula a maturação dos órgãos reprodutores e do Sistema Reprodutor endométrio, preparando o Ovário útero para a gravidez hipófise inibe a produção de LH completa a regeneração da mucosa uterina, estimula a secreção das glândulas útero Progesterona endometriais e mantém o útero preparado para a gravidez. estimula o desenvolvimento mamas das glândulas mamárias para secreção láctea. estimula a produção de progesterona e estrógeno; Placenta HGC corpo lúteo inibe a menstruação e nova ovulação.
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    95 10 - SISTEMA ENDÓCRINO Dá-se o nome de sistema endócrino ao conjunto de órgãos que apresentam como atividade característica a produção de secreções denominadas hormônios, que são lançados na corrente sangüínea e irão atuar em outra parte do organismo, controlando ou auxiliando o controle de sua função. Os órgãos que têm sua função controlada e/ou regulada pelos hormônios são denominados órgãos-alvo. Constituição dos órgãos do sistema endócrino Os tecidos epiteliais de secreção ou epitélios glandulares formam as glândulas, que podem ser uni ou pluricelulares. As glândulas pluricelulares não são apenas aglomerados de células que desempenham as mesmas funções básicas e têm a mesma morfologia geral e origem embrionária - o que caracteriza um tecido. São na verdade órgãos definidos com arquitetura ordenada. Elas estão envolvidas por uma cápsula conjuntiva que emite septos, dividindo-as em lobos. Vasos sangüíneos e nervos penetram nas glândulas, fornecendo alimento e estímulo nervoso para as suas funções. Os hormônios influenciam praticamente todas as funções dos demais sistemas corporais. Freqüentemente o sistema endócrino interage com o sistema nervoso, formando mecanismos reguladores bastante precisos. O sistema nervoso pode fornecer ao endócrino a informação sobre o meio externo, ao passo que o sistema endócrino regula a resposta interna do organismo a esta informação. Dessa forma, o sistema endócrino, juntamente com o sistema nervoso, atuam na coordenação e regulação das funções corporais. Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios no homem são a hipófise, o hipotálamo, a tireóide, as paratireóides, as supra-renais, o pâncreas e as gônadas. 10.1 - Hipófise ou pituitária Situa-se na base do encéfalo, em uma cavidade do osso esfenóide chamada tela túrcica. Nos seres humanos tem o tamanho aproximado de um grão de ervilha e possui duas partes: o lobo anterior (ou adeno- hipófise) e o lobo posterior (ou neuro-hipófise).
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    96 Além de exercerem efeitos sobre órgãos não- endócrinos, alguns hormônios, produzidos pela hipófise são denominados trópicos (ou tróficos) porque atuam sobre outras glândulas endócrinas, comandando a secreção de outros hormônios. São eles: • Tireotrópicos: atuam sobre a glândula endócrina tireóide. • Adrenocorticotrópicos: atuam sobre o córtex da glândula endócrina adrenal (supra-renal) • Gonadotrópicos: atuam sobre as gônadas masculinas e femininas. • Somatotrófico: atua no crescimento, promovendo o alongamento dos ossos e estimulando a síntese de proteínas e o desenvolvimento da massa muscular. Também aumenta a utilização de gorduras e inibe a captação de glicose plasmática pelas células, aumentando a concentração de glicose no sangue (inibe a produção de insulina pelo pâncreas, predispondo ao diabetes). Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed Saraiva, 2002 10.2 - Hipotálamo Localizado no cérebro diretamente acima da hipófise, é conhecido por exercer controle sobre ela por meios de conexões neurais e substâncias semelhantes a hormônios chamados fatores desencadeadores (ou de liberação), o meio pelo qual o sistema nervoso controla o comportamento sexual via sistema endócrino.
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    97 O hipotálamo estimula a glândula hipófise a liberar os hormônios gonadotróficos (FSH e LH), que atuam sobre as gônadas, estimulando a liberação de hormônios gonadais na corrente sanguínea. Na mulher a glândula-alvo do hormônio gonadotrófico é o ovário; no homem, são os testículos. Os hormônios gonadais são detectados pela pituitária e pelo hipotálamo, inibindo a liberação de mais hormônio pituitário, por feed-back. Como a hipófise secreta hormônios que controlam outras glândulas e está subordinada, por sua vez, ao sistema nervoso, pode-se dizer que o sistema endócrino é subordinado ao nervoso e que o hipotálamo é o mediador entre esses dois sistemas. Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed Saraiva, 2002 O hipotálamo também produz outros fatores de liberação que atuam sobre a adeno-hipófise, estimulando ou inibindo suas secreções. Produz também os hormônios ocitocina e ADH (antidiurético), armazenados e secretados pela neuro- hipófise. 10.3 - Tireóide Localiza-se no pescoço, estando apoiada sobre as cartilagens da laringe e da traquéia. Seus dois hormônios, triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), aumentam a velocidade dos processos de oxidação e de liberação de energia nas células do corpo, elevando a taxa metabólica e a geração de calor. Estimulam ainda a produção de RNA e a síntese de proteínas, estando relacionados ao crescimento, maturação e desenvolvimento. A calcitonina, outro hormônio secretado pela tireóide, participa do controle da concentração sangüínea de cálcio, inibindo a remoção do cálcio dos ossos e a saída dele para o plasma sangüíneo, estimulando sua incorporação pelos ossos.
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    98 10.4 - Paratireóides São pequenas glândulas, geralmente em número de quatro, localizadas na região posterior da tireóide. Secretam o paratormônio, que estimula a remoção de cálcio da matriz óssea (o qual passa para o plasma sangüíneo), a absorção de cálcio dos alimentos pelo intestino e a reabsorção de cálcio pelos túbulos renais, aumentando a concentração de cálcio no sangue. Neste contexto, o cálcio é importante na contração muscular, na coagulação sangüínea e na excitabilidade das células nervosas. 10.5 - Adrenais ou supra-renais - São duas glândulas localizadas sobre os rins, divididas em duas partes independentes – medula e córtex - secretoras de hormônios diferentes, comportando- se como duas glândulas. O córtex secreta três tipos de hormônios: os glicocorticóides, os mineralocorticóides e os androgênicos.
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    99 10.6 - Pâncreas É uma glândula mista ou anfícrina – apresenta determinadas regiões endócrinas e determinadas regiões exócrinas (da porção secretora partem dutos que lançam as secreções para o interior da cavidade intestinal) ao mesmo tempo. As chamadas ilhotas de Langerhans são a porção endócrina, onde estão as células que secretam os dois hormônios: insulina e glucagon, que atuam no metabolismo da glicose. 11 – SISTEMA SENSORIAL OS SENTIDOS: VISÃO, AUDIÇÃO, PALADAR, OLFATO E TATO Os órgãos dos sentidos Os sentidos fundamentais do corpo humano - visão, audição, tato, gustação ou paladar e olfato - constituem as funções que propiciam o nosso relacionamento com o ambiente. Por meio dos sentidos, o nosso corpo pode perceber muita coisa do que nos rodeia; contribuindo para a nossa sobrevivência e integração com o ambiente em que vivemos. Existem determinados receptores, altamente especializados, capazes de captar estímulos diversos. Tais receptores, chamados receptores sensoriais, são formados por células nervosas capazes de traduzir ou converter esses estímulos em impulsos elétricos ou nervosos que serão processados e analisados em centros específicos do sistema nervoso central (SNC), onde será produzida uma resposta (voluntária ou involuntária). A estrutura e o modo de funcionamento destes receptores nervosos especializados é diversa. Tipos de receptores: 1) Exteroceptores: respondem a estímulos externos, originados fora do organismo. 2) Proprioceptores: os receptores proprioceptivos encontram-se no esqueleto e nas inserções tendinosas, nos músculos esqueléticos (formando feixes nervosos que envolvem as fibras musculares) ou no aparelho vestibular da orelha interna. Detectam a posição do indivíduo no espaço, assim como o movimento, a tensaõ e o estiramento musculares. 3) Interoceptores: os receptores interoceptivos respondem a estímulos viscerais ou outras sensações como sede e fome.
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    100 Em geral, os receptores sensitivos podem ser simples, como uma ramificação nervosa; mais complexos, formados por elementos nervosos interconectados ou órgãos complexos, providos de sofisticados sistemas funcionais. Dessa maneira: è pelo tato - sentimos o frio, o calor, a pressão atmosférica, etc; è pela gustação - identificamos os sabores; è pelo olfato - sentimos o odor ou cheiro; è pela audição - captamos os sons; è pela visão - observamos as cores, as formas, os contornos, etc. Portanto, em nosso corpo os órgãos dos sentidos estão encarregados de receber estímulos externos. Esses órgãos são: è a pele - para o tato; è a língua - para a gustação; è as fossas nasais - para o olfato; è os ouvidos - para a audição; è os olhos - para a visão. Imagem: AMABIS & MARTHO. Conceitos de Biologia Volume 2. São Paulo, Editora Moderna, 2001. 11.1 - VISÃO ANATOMIA DO OLHO
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    101 Os globos oculares estão alojados dentro de cavidades ósseas denominadas órbitas, compostas de partes dos ossos frontal, maxilar, zigomático, esfenóide, etmóide, lacrimal e palatino. Ao globo ocular encontram-se associadas estruturas acessórias: pálpebras, supercílios (sobrancelhas), conjuntiva, músculos e aparelho lacrimal. CRUZ, Daniel.O Corpo Humano. São Paulo, Ed. Ática, 2000. Cada globo ocular compõe-se de três túnicas e de quatro meios transparentes: Túnicas: 1- túnica fibrosa externa: esclerótica (branco do olho). Túnica resistente de tecido fibroso e elástico que envolve externamente o olho (globo ocular) A maior parte da esclerótica é opaca e chama-se esclera, onde estão inseridos os músculos extra-oculares que movem os globos oculares, dirigindo-os a seu objetivo visual. A parte anterior da esclerótica chama-se córnea. É transparente e atua como uma lente convergente. 2- túnica intermédia vascular pigmentada: úvea. Compreende a coróide, o corpo ciliar e a íris. A coróide está situada abaixo da esclerótica e é intensamente pigmentada. Esses pigmentos absorvem a luz que chega à retina, evitando sua reflexão. Acha-se intensamente vascularizada e tem a função de nutrir a retina. Possui uma estrutura muscular de cor variável – a íris, a qual é dotada de um orifício central cujo diâmetro varia, de acordo com a iluminação do ambiente – a pupila. A coróide une-se na parte anterior do olho ao corpo ciliar, estrutura formada por musculatura lisa e que envolve o cristalino, modificando sua forma. Em ambientes mal iluminados, por ação do sistema nervoso simpático, o diâmetro da pupila aumenta e permite a entrada de maior quantidade de luz. Em locais muito claros, a ação do sistema nervoso parassimpático acarreta diminuição do diâmetro da pupila e da entrada de luz. Esse mecanismo evita o ofuscamento e impede que a luz em excesso lese as delicadas células fotossensíveis da retina. 3- túnica interna nervosa: retina. É a membrana mais interna e está debaixo da coróide. É composta por várias camadas celulares, designadas de acordo com sua relação ao centro do globo ocular. A camada mais interna, denominada camada de células ganglionares, contém os corpos celulares das células ganglionares, única fonte de sinais de saída da retina, que projeta axônios através do nervo óptico. Na retina encontram-se dois
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    102 tipos de célulasfotossensíveis: os cones e os bastonetes. Quando excitados pela energia luminosa, estimulam as células nervosas adjacentes, gerando um impulso nervoso que se propaga pelo nervo óptico. A imagem fornecida pelos cones é mais nítida e mais rica em detalhes. Há três tipos de cones: um que se excita com luz vermelha, outro com luz verde e o terceiro, com luz azul. São os cones as células capazes de distinguir cores. Os bastonetes não têm poder de resolução visual tão bom, mas são mais sensíveis à luz que os cones. Em situações de pouca luminosidade, a visão passa a depender exclusivamente dos bastonetes. É a chamada visão noturna ou visão de penumbra. Nos bastonetes existe uma substância sensível à luz – a rodopsina – produzida a partir da vitamina A. A deficiência alimentar dessa vitamina leva à cegueira noturna e à xeroftalmia (provoca ressecamento da córnea, que fica opaca e espessa, podendo levar à cegueira irreversível). Há duas regiões especiais na retina: a fovea centralis (ou fóvea ou mancha amarela) e o ponto cego. A fóvea está no eixo óptico do olho, em que se projeta a imagem do objeto focalizado, e a imagem que nela se forma tem grande nitidez. É a região da retina mais altamente especializada para a visão de alta resolução. A fóvea contém apenas cones e permite que a luz atinja os fotorreceptores sem passar pelas demais camadas da retina, maximizando a acuidade visual. Acuidade visual A capacidade do olho de distinguir entre dois pontos próximos é chamada acuidade visual, a qual depende de diversos fatores, em especial do espaçamento dos fotorreceptores na retina e da precisão da refração do olho. Os cones são encontrados principalmente na retina central, em um raio de 10 graus a partir da fóvea. Os bastonetes, ausentes na fóvea, são encontrados principalmente na retina periférica, porém transmitem informação diretamente para as células ganglionares. No fundo do olho está o ponto cego, insensível a luz. No ponto cego não há cones nem bastonetes. Do ponto cego, emergem o nervo óptico e os vasos sangüíneos da retina. Meios transparentes: - Córnea: porção transparente da túnica externa (esclerótica); é circular no seu contorno e de espessura uniforme. Sua superfície é lubrificada pela lágrima, secretada pelas glândulas lacrimais e drenada para a cavidade nasal através de um orifício existente no canto interno do olho.
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    103 - humor aquoso: fluido aquoso que se situa entre a córnea e o cristalino, preenchendo a câmara anterior do olho. - cristalino: lente biconvexa coberta por uma membrana transparente. Situa-se atrás da pupila e e orienta a passagem da luz até a retina. Também divide o interior do olho em dois compartimentos contendo fluidos ligeiramente diferentes: (1) a câmara anterior, preenchida pelo humor aquoso e (2) a câmara posterior, preenchida pelo humor vítreo. Pode ficar mais delgado ou mais espesso, porque é preso ao músculo ciliar, que pode torna-lo mais delgado ou mais curvo. Essas mudanças de forma ocorrem para desviar os raios luminosos na direção da mancha amarela. O cristalino fica mais espesso para a visão de objetos próximos e, mais delgado para a visão de objetos mais distantes, permitindo que nossos olhos ajustem o foco para diferentes distâncias visuais. A essa propriedade do cristalino dá-se o nome de acomodação visual. Com o envelhecimento, o cristalino pode perder a transparência normal, tornando-se opaco, ao que chamamos catarata. - humor vítreo: fluido mais viscoso e gelatinoso que se situa entre o cristalino e a retina, preenchendo a câmara posterior do olho. Sua pressão mantém o globo ocular esférico. Como já mencionado anteriormente, o globo ocular apresenta, ainda, anexos: as pálpebras, os cílios, as sobrancelhas ou supercílios, as glândulas lacrimais e os músculos oculares. As pálpebras são duas dobras de pele revestidas internamente por uma membrana chamada conjuntiva. Servem para proteger os olhos e espalhar sobre eles o líquido que conhecemos como lágrima. Os cílios ou pestanas impedem a entrada de poeira e de excesso de luz nos olhos, e as sobrancelhas impedem que o suor da testa entre neles. As glândulas lacrimais produzem lágrimas continuamente. Esse líquido, espalhado pelos movimentos das pálpebras, lava e lubrifica o olho. Quando choramos, o excesso de líquido desce pelo canal lacrimal e é despejado nas fossas nasais, em direção ao exterior do nariz.
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    104 11.2 - AUDIÇÃO 11.2.1 - ANATOMIA DA ORELHA O órgão responsável pela audição é a orelha (antigamente denominado ouvido), também chamada órgão vestíbulo-coclear ou estato-acústico. A maior parte da orelha fica no osso temporal, que se localiza na caixa craniana. Além da função de ouvir, o ouvido também é responsável pelo equilíbrio. A orelha está dividida em três partes: orelhas externa, média e interna (antigamente denominadas ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno). Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia. São Paulo, Ed Saraiva, 2002 a) ORELHA EXTERNA A orelha externa é formada pelo pavilhão auditivo (antigamente denominado orelha) e pelo canal auditivo externo ou meato auditivo. Todo o pavilhão auditivo (exceto o lobo ou lóbulo) é constituído por tecido cartilaginoso recoberto por pele, tendo como função captar e canalizar os sons para a orelha média. O canal auditivo externo estabelece a comunicação entre a orelha média e o meio externo, tem cerca de três centímetros de comprimento e está escavado em nosso osso temporal. É revestido internamente por pêlos e glândulas, que fabricam uma substância gordurosa e amarelada, denominada cerume ou cera. Tanto os pêlos como o cerume retêm poeira e micróbios que normalmente existem no ar e eventualmente entram nos ouvidos. O canal auditivo externo termina numa delicada membrana - tímpano ou membrana timpânica - firmemente fixada ao conduto auditivo externo por um anel de tecido fibroso, chamado anel timpânico. b) ORELHA MÉDIA A orelha média começa na membrana timpânica e consiste, em sua totalidade, de um espaço aéreo – a cavidade timpânica – no osso temporal. Dentro dela estão três ossículos articulados entre si, cujos nomes descrevem sua forma: martelo, bigorna e estribo. Esses ossículos encontram-se suspensos na orelha média, através de ligamentos. O cabo do martelo está encostado no tímpano; o estribo apóia-se na janela oval, um dos orifícios dotados de membrana da orelha interna que estabelecem comunicação com a orelha média. O outro orifício é a janela redonda. A orelha média comunica-se também
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    105 com afaringe, através de um canal denominado tuba auditiva (antigamente denominada trompa de Eustáquio). Esse canal permite que o ar penetre no ouvido médio. Dessa forma, de um lado e de outro do tímpano, a pressão do ar atmosférico é igual. Quando essas pressões ficam diferentes, não ouvimos bem, até que o equilíbrio seja reestabelecido. c) ORELHA INTERNA A orelha interna, chamada labirinto, é formada por escavações no osso temporal, revestidas por membrana e preenchidas por líquido. Limita-se com a orelha média pelas janelas oval e a redonda. O labirinto apresenta uma parte anterior, a cóclea ou caracol - relacionada com a audição, e uma parte posterior - relacionada com o equilíbrio e constituída pelo vestíbulo e pelos canais semicirculares. 11.2.2 - O MECANISMO DA AUDIÇÃO O som é produzido por ondas de compressão e descompressão alternadas do ar. As ondas sonoras propagam-se através do ar exatamente da mesma forma que as ondas propagam-se na superfície da água. Assim, a compressão do ar adjacente de uma corda de violino cria uma pressão extra nessa região, e isso, por sua vez, faz com que o ar um pouco mais afastado se torne pressionado também. A pressão nessa segunda região comprime o ar
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    106 ainda maisdistante, e esse processo repete-se continuamente até que a onda finalmente alcança a orelha. A orelha humana é um órgão altamente sensível que nos capacita a perceber e interpretar ondas sonoras em uma gama muito ampla de freqüências (16 a 20.000 Hz - Hertz ou ondas por segundo). A captação do som até sua percepção e interpretação é uma seqüência de transformações de energia, iniciando pela sonora, passando pela mecânica, hidráulica e finalizando com a energia elétrica dos impulsos nervosos que chegam ao cérebro. 11.3 – A GUSTAÇÃO (PALADAR) Os sentidos gustativo e olfativo são chamados sentidos químicos, porque seus receptores são excitados por estimulantes químicos. Os receptores gustativos são excitados por substâncias químicas existentes nos alimentos, enquanto que os receptores olfativos são excitados por substâncias químicas do ar. Esses sentidos trabalham conjuntamente na percepção dos sabores. O centro do olfato e do gosto no cérebro combina a informação sensorial da língua e do nariz. Imagem: www.msd.es/publicaciones/mmerck_hogar/seccion_06/seccion_06_072.html, com adaptações
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    107 O receptor sensorial do paladar é a papila gustativa. É constituída por células epiteliais localizadas em torno de um poro central na membrana mucosa basal da língua. Na superfície de cada uma das células gustativas observam-se prolongamentos finos como pêlos, projetando-se em direção da cavidade bucal; são chamados microvilosidades. Essas estruturas fornecem a superfície receptora para o paladar. Observa-se entre as células gustativas de uma papila uma rede com duas ou três fibras nervosas gustativas, as quais são estimuladas pelas próprias células gustativas. Para que se possa sentir o gosto de uma substância, ela deve primeiramente ser dissolvida no líquido bucal e difundida através do poro gustativo em torno das microvilosidades. Portanto substâncias altamente solúveis e difusíveis, como sais ou outros compostos Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio que têm moléculas pequenas, geralmente de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981. fornecem graus gustativos mais altos do que substâncias pouco solúveis difusíveis, como proteínas e outras que possuam moléculas maiores. A gustação é primariamente uma função da língua, embora regiões da faringe, palato e epiglote tenham alguma sensibilidade. Os aromas da comida passam pela faringe, onde podem ser detectados pelos receptores olfativos. As Quatro Sensações Gustativas-Primárias Na superfície da língua existem dezenas de papilas gustativas, cujas células sensoriais percebem os quatro sabores primários, aos quais chamamos sensações gustativas primárias: amargo (A), azedo ou ácido (B), salgado (C) e doce (D). De sua combinação resultam centenas de sabores distintos. A distribuição dos quatro tipos de receptores gustativos, na superfície da língua, não é homogênea.
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    108 Até os últimos anos acreditava-se que existiam quatro tipos inteiramente diferentes de papila gustativa, cada qual detectando uma das sensações gustativas primárias particular. Sabe- se agora que todas as papilas gustativas possuem alguns graus de sensibilidade para cada uma 1.Papilas circunvaladas das sensações gustativas primárias. Entretanto, cada 2.Papilas fungiformes papila normalmente tem maior grau de sensibilidade 3. Papilas filiformes para uma ou duas das sensações gustativas. O cérebro detecta o tipo de gosto pela relação (razão) de Imagem: estimulação entre as diferentes papilas gustativas. Isto www.nib.unicamp.br/svol/sentidos.html é, se uma papila que detecta principalmente salinidade /sentidos.html é estimulada com maior intensidade que as papilas que respondem mais a outros gostos, o cérebro interpreta a sensação como de salinidade, embora outras papilas tenham sido estimuladas, em menor extensão, ao mesmo tempo. O sabor diferente das comidas Cada comida ativa uma diferente combinação de sabores básicos, ajudando a torná-la única. Muitas comidas têm um sabor distinto como resultado da soma de seu gosto e cheiro, percebidos simultaneamente. Além disso, outras modalidades sensoriais também contribuem com a experiência gustativa, como a textura e a temperatura dos alimentos. A sensação de dor também é essencial para sentirmos o sabor picante e estimulante das comidas apimentadas. 11.4 - O OLFATO O olfato humano é pouco desenvolvido se comparado ao de outros mamíferos. O epitélio olfativo humano contém cerca de 20 milhões de células sensoriais, cada qual com seis pêlos sensoriais (um cachorro tem mais de 100 milhões de células sensoriais, cada qual com pelo menos 100 pêlos sensoriais). Os receptores olfativos são neurônios genuínos, com receptores próprios que penetram no sistema nervoso central.
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    109 A cavidade nasal, que começa a partir das janelas do nariz, está situada em cima da boca e debaixo da caixa craniana. Contém os órgãos do sentido do olfato, e é forrada por um epitélio secretor de muco. Ao circular pela cavidade nasal, o ar se purifica, umedece e esquenta. O órgão olfativo é a mucosa que forra a parte superior das fossas nasais - chamada mucosa olfativa ou amarela, para distingui-la da vermelha - que cobre a parte inferior. A mucosa vermelha é dessa cor por ser muito rica em vasos sangüíneos, e contém glândulas que secretam muco, que mantém úmida a região. Se os capilares se dilatam e o muco é secretado em excesso, o nariz fica obstruído, sintoma característico do resfriado. A mucosa amarela é muito rica em terminações nervosas do nervo olfativo. Os dendritos das células olfativas possuem prolongamentos sensíveis (pêlos olfativos), que ficam mergulhados na camada de muco que recobre as cavidades nasais. Os produtos voláteis ou de gases perfumados ou ainda de substâncias lipossolúveis que se desprendem das diversas substâncias, ao serem inspirados, entram nas fossas nasais e se dissolvem no muco que impregna a mucosa amarela, atingindo os prolongamentos sensoriais. Dessa forma, geram impulsos nervosos, que são conduzidos até o corpo celular das células olfativas, de onde atingem os axônios, que se comunicam com o bulbo olfativo. Os axônios se agrupam de 10-100 e penetram no osso etmóide para chegar ao bulbo olfatório, onde convergem para formar estruturas sinápticas chamadas glomérulos. Estas se conectam em grupos que convergem para as células mitrais. Fisiologicamente essa convergência aumenta a sensibilidade olfatória que é enviada ao Sistema Nervoso Central (SNC), onde o processo de sinalização é interpretado e decodificado. Aceita-se a hipótese de que existem alguns tipos básicos de células do olfato, cada uma com receptores para um tipo de odor. Os milhares de tipos diferentes de cheiros que uma pessoa consegue distinguir resultariam da integração de impulsos gerados por uns cinqüenta estímulos básicos, no máximo. A integração desses estímulos seria feita numa região localizada em áreas laterais do córtex cerebral, que constituem o centro olfativo.
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    110 A mucosa olfativa é tão sensível que poucas moléculas são suficientes para estimula-la, produzindo a sensação de odor. A sensação será tanto mais intensa quanto maior for a quantidade de receptores estimulados, o que depende da concentração da substância odorífera no ar. O olfato tem importante papel na distinção dos alimentos. Enquanto mastigamos, sentimos simultaneamente o paladar e o cheiro. Do ponto de vista adaptativo, o olfato tem uma nítida vantagem em relação ao paladar: não necessita do contato direto com o objeto percebido para que haja a excitação, conferindo maior segurança e menor exposição a estímulos lesivos. O olfato, como a visão, possui uma enorme capacidade adaptativa. No início da exposição a um odor muito forte, a sensação olfativa pode ser bastante forte também, mas, após um minuto, aproximadamente, o odor será quase imperceptível. Porém, ao contrário da visão, capaz de perceber um grande número de cores ao mesmo tempo, o sistema olfativo detecta a sensação de um único odor de cada vez. Contudo, um odor percebido pode ser a combinação de vários outros diferentes. Se tanto um odor pútrido quanto um aroma doce estão presentes no ar, o dominante será aquele que for mais intenso, ou, se ambos forem da mesma intensidade, a sensação olfativa será entre doce e pútrida. 12 - SISTEMA TEGUMENTAR Estrutura do tegumento (pele) O tegumento humano, mais conhecido como pele, é formado por duas camadas distintas, firmemente unidas entre si: a epiderme e a derme. 12.1 - Epiderme A epiderme é um epitélio multiestratificado, formado por várias camadas (estratos) de células achatadas (epitélio pavimentoso) justapostas. A camada de células mais interna, denominada epitélio germinativo, é constituída por células que se multiplicam continuamente; dessa maneira, as novas células geradas empurram as mais velhas para
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    111 cima,em direção à superfície do corpo. À medida que envelhecem, as células epidérmicas tornam-se achatadas, e passam a fabricar e a acumular dentro de si uma proteína resistente e impermeável, a queratina. As células mais superficiais, ao se tornarem repletas de queratina, morrem e passam a constituir um revestimento resistente ao atrito e altamente impermeável à água, denominado camada queratinizada ou córnea. Toda a superfície cutânea está provida de terminações nervosas capazes de captar estímulos térmicos, mecânicos ou dolorosos. Essas terminações nervosas ou receptores cutâneos são especializados na recepção de estímulos específicos. Não obstante, alguns podem captar estímulos de natureza distinta. Porém na epiderme não existem vasos sangüíneos. Os nutrientes e oxigênio chegam à epiderme por difusão a partir de vasos sangüíneos da derme. Nas regiões da pele providas de pêlo, existem terminações nervosas específicas nos folículos capilares e outras chamadas terminais ou receptores de Ruffini. As primeiras, formadas por axônios que envolvem o folículo piloso, captam as forças mecânicas aplicadas contra o pêlo. Os terminais de Ruffini, com sua forma ramificada, são receptores térmicos de calor. Na pele desprovida de pêlo e também na que está coberta por ele, encontram-se ainda três tipos de receptores comuns: 1) Corpúsculos de Paccini: captam especialmente estímulos vibráteis e táteis.São formados por uma fibra nervosa cuja porção terminal, amielínica, é envolta por várias camadas que correspondem a diversas células de sustentação. A camada terminal é capaz de captar a aplicação de pressão, que é transmitida para as outras camadas e enviada aos centros nervosos correspondentes. 2) Discos de Merkel: de sensibilidade tátil e de pressão. Uma fibra aferente costuma estar ramificada com vários discos terminais destas ramificações nervosas. Estes discos estão englobados em uma célula especializada, cuja superfície distal se fixa às células epidérmicas por um prolongamento de seu protoplasma. Assim, os movimentos de pressão e tração sobre epiderme desencadeam o estímulo. 3) Terminações nervosas livres: sensíveis aos estímulos mecânicos, térmicos e especialmente aos dolorosos. São formadas por um axônio ramificado envolto por células de Schwann sendo, por sua vez, ambos envolvidos por uma membrana basal. Na pele sem pêlo encontram-se, ainda, outros receptores específicos: 4) Corpúsculos de Meissner: táteis. Estão nas saliências da pele sem pêlos (como nas partes mais altas das impressões digitais). São formados por um axônio mielínico, cujas ramificações terminais se entrelaçam com células acessórias. 5) Bulbos terminais de Krause: receptores térmicos de frio. São formados por uma fibra nervosa cuja terminação possui forma de clava.Situam-se nas regiões limítrofes da pele com as membranas mucosas (por exemplo: ao redor dos lábios e dos genitais). RECEPTORES DE SUPERFÍCIE SENSAÇÃO PERCEBIDA Receptores de Krause Frio Receptores de Ruffini Calor Discos de Merkel Tato e pressão Receptores de Vater-Pacini Pressão Receptores de Meissner Tato Terminações nervosas livres Principalmente dor
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    112 Nas camadas inferiores da epiderme estão os melanócitos, células que produzem melanina, pigmento que determina a coloração da pele. As glândulas anexas – sudoríparas e sebáceas – encontram-se mergulhadas na derme, embora tenham origem epidérmica. O suor (composto de água, sais e um pouco de uréia) é drenado pelo duto das glândulas sudoríparas, enquanto a secreção sebácea (secreção gordurosa que lubrifica a epiderme e os pêlos) sai pelos poros de onde emergem os pêlos. A transpiração ou sudorese tem por função refrescar o corpo quando há elevação da temperatura ambiental ou quando a temperatura interna do corpo sobe, devido, por exemplo, ao aumento da atividade física. 12.2 - Derme A derme, localizada imediatamente sob a epiderme, é um tecido conjuntivo que contém fibras protéicas, vasos sangüíneos, terminações nervosas, órgãos sensoriais e glândulas. As principais células da derme são os fibroblastos, responsáveis pela produção de fibras e de uma substância gelatinosa, a substância amorfa, na qual os elementos dérmicos estão mergulhados. A epiderme penetra na derme e origina os folículos pilosos, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas. Na derme encontramos ainda: músculo eretor de pêlo, fibras elásticas (elasticidade), fibras colágenas (resistência), vasos sangúíneos e nervos. 12.3 - Tecido subcutâneo Sob a pele, há uma camada de tecido conjuntivo frouxo, o tecido subcutâneo, rico em fibras e em células que armazenam gordura (células adiposas ou adipócitos). A camada
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    113 subcutânea, denominadahipoderme, atua como reserva energética, proteção contra choques mecânicos e isolante térmico. 12.4 - Unhas e pêlos Unhas e pêlos são constituídos por células epidérmicas queratinizadas, mortas e compactadas. Na base da unha ou do pêlo há células que se multiplicam constantemente, empurrando as células mais velhas para cima. Estas, ao acumular queratina, morrem e se compactam, originando a unha ou o pêlo. Cada pêlo está ligado a um pequeno músculo eretor, que permite sua movimentação, e a uma ou mais glândulas sebáceas, que se encarregam de sua lubrificação. BIBLIOGRAFIA 01- AMABIS & MARTHO. Biologia dos organismos. Volume 2. São Paulo, Editora Moderna, 1995. 02- AMABIS & MARTHO. Fundamentos da Biologia Moderna. Volume único. São Paulo, Ed. Moderna. 03- AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997. 04- BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002. 05- CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed Saraiva, 2002. 06- CHEIDA, LUIZ EDUARDO. Biologia Integrada. São Paulo, Ed. FTD, 2002 07- GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981. 08- GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 11ª ed. Rio de Janeiro, Elsevier Ed., 2006. 09- JUNQUEIRA, L. C. & CARNEIRO, J. Histologia Básica. 8ª Edição. Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan. 1995. Pp. 100:108. 10- LOPES, SÔNIA. Bio 1.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002. 11- LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002. 12- McCRONE, JOHN. Como o cérebro funciona. Série Mais Ciência. São Paulo, Publifolha, 2002. 13- ROSS, Michael H. & ROWRELL, Lynn J. Histologia Texto e Atlas. 2ª Edição. São Paulo, Editora Médica Panamericana. 1993. Pp. 123:129. 14- SÉRIE ATLAS VISUAIS. O corpo Humano. Ed. Ática, 1997. 15 – VILELA, Ana Luiza Miranda; http://www.afh.bio.br/varios/analuisa.asp, Prof. UFMG, 2009. 16- CD O CORPO HUMANO 2.0. Globo Multimídia. 17- ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. Artmed Editora. 18- ENCICLOPÉDIA MULTIMÍDIA DO CORPO HUMANO - Planeta DeAgostini - Ed. Planeta do Brasil Ltda.