Cadeias de Comercialização de Produtos Florestais Não
Madeireiros na Região de Integração Xingu, Estado do Pará

                  RELATÓRIO TÉCNICO
                          2011




                       BELÉM – PARÁ
                           2011
Governo do Estado do Pará
                    Simão Robison Oliveira Jatene
                            Governador
                       Helenilson Cunha Pontes
    Vice-Governador / Secretário Especial de Estado de Gestão - Seges




 Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará

                    Maria Adelina Guglioti Braglia
                             Presidente
              Diretoria de Pesquisa e Estudos Ambientais
                         Jonas Bastos da Veiga
                                Diretor
Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural
                      Cassiano Figueiredo Ribeiro
                                 Diretor
      Diretoria de Estatística, Tecnologia e Gestão da Informação
                          Sérgio Castro Gomes
                                  Diretor
         Diretoria de Administração, Planejamento e Finanças
                        Helaine Cordeiro Félix
                               Diretora
Cadeias de Comercialização de Produtos Florestais Não
Madeireiros na Região de Integração Xingu, Estado do Pará

                  RELATÓRIO TÉCNICO
                          2011




                       BELÉM – PARÁ
                           2011
Expediente
Diretor de Pesquisa e Estudos Ambientais
Jonas Bastos da Veiga

Coordenadora do Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação
Marli Maria de Mattos

Elaboração Técnica:
Marli Maria de Mattos– Coordenadora
Ellen Claudine Cardoso Castro
Divino Herculys Peres da Silva Lima
José de Alencar Costa
Ana Cristina Parente Brito
Isaac Luiz Magalhães Lopes

Coleta de dados:
Adriana Pinheiro dos Santos
Ana Cristina Parente Brito
Divino Herculys Peres da Silva Lima
Isaac Luiz Magalhães Lopes
Gilzibene Marques da Silva
Joyse Tatiane Souza dos Santos
Raquel Lopes de Araújo
Rodrigo dos Santos Lima

Apoio Técnico:
Nanety Cristina Alves dos Santos
Maria Glaucia Pacheco Moreira


Parceria:

Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará
José Alberto da Silva Colares, Diretor Geral

Revisão:
Jonas Bastos da Veiga, Cassiano Figueiredo Ribeiro, Gustavo Silva e Marcílio Chiacchio

Normalização:
Adriana Taís G. dos Santos e Anna Márcia Malcher Muniz

              _______________________________________________________________________
                  INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL
            DO PARÁ
                  Cadeias de comercialização de produtos florestais não madeireiros na Região de
            Integração Xingu, Estado do Pará: relatório técnico 2011./ Belém: IDESP, 2011.

                  193p.

                   1.Cadeias de comercialização.2.Produtos florestais não madeireiros.3.Contas sociais
            alfa.4.Economia regional.I.Região de Integração.II.Pará (Estado).III.Titulo.
                                                                                 CDD: 381.098115
             ________________________________________________________________________
APRESENTAÇÃO

         A extração dos produtos florestais não madeireiros (PFNM) no Brasil é de grande
importância social, econômica e ambiental. Apresenta-se como uma forma de exploração
sustentável, pois na maioria das vezes, não implica na remoção dos indivíduos das espécies.
Há tempos, populações tradicionais, extrativistas, ribeirinhas e agricultores familiares utilizam
produtos não madeireiros (frutos, fibras, resinas, plantas medicinais, utensílios entre outros)
para subsistência e renda. Apesar da relevância do tema, há poucas informações sobre o
mercado das espécies florestais não madeireiras, constituindo dessa forma um fator crítico
para a gestão das florestas.
          O mercado internacional desses produtos é relativamente conhecido, todavia, o
mesmo não ocorre sobre a cadeia de produção e comercialização no mercado doméstico. Não
há, nos sistemas de dados oficiais, uma lista completa de produtos florestais que são
comercializados, principalmente no que diz respeito às espécies locais e regionais, como
várias espécies medicinais e frutíferas. No estado do Pará, bem como em todos os estados da
Amazônia Legal, há uma carência de dados sobre o mercado de muitos produtos não
madeireiros de valor local ou regional e sua relevância para as populações rurais e urbanas
envolvidas nas cadeias de produção. As estatísticas oficiais não detectam as espécies
extrativistas que possuem mercado local, bem como as recentes demandas por produtos para
atender as indústrias cosméticas no mercado nacional e internacional.
         Em razão da relevância do tema exposto, o Instituto de Desenvolvimento
Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp), em parceria com o Instituto de
Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor), desenvolveu o estudo sobre as cadeias
de comercialização dos PFNM do Estado do Pará, como forma de contribuir com informações
para a formulação de políticas públicas. Assim foi firmado o Termo de Cooperação Técnica e
Financeira TCTF No. 02/2010, tendo sua vigência iniciada em março de 2010, e tem como
objetivo identificar e analisar as cadeias de comercialização dos PFNM em cinco Regiões de
Integração (RI) do estado do Pará (Rio Caeté, Baixo Amazonas, Guamá, Xingu e Marajó).
         Os resultados destas pesquisas podem contribuir para o entendimento da economia
dos PFNM no Estado do Pará, destacando as potencialidades econômicas e identificando
entraves (produção e comercialização) desses diversos produtos, evidenciando os não
detectados nas estatísticas oficiais, contribuindo com a conservação e gestão florestal.
        O presente relatório contempla os resultados das análises das cadeias de
comercialização dos PFNM da Região de Integração (RI) Xingu.
RESUMO

         Na busca do desenvolvimento sustentável, o estado do Pará necessita de atividades
econômicas produtivas que dinamizem e gerem renda às populações locais, que evitem o
desmatamento, que agreguem valor aos produtos e que reduzam as desigualdades entre
regiões. O método das Contas Sociais Ascendentes Alfa (CSα) aplicado neste estudo,
utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto, permitiu identificar o valor da produção de Base
Agroextrativista, de 46 produtos identificados, em 10 municípios da Região de Integração do
Xingu e, acompanhar os fluxos ao longo das cadeias estudadas, passando pelos setores de
beneficiamento, transformação, comércio e serviços até seu destino final. Constatou-se que os
produtos estudados (14 alimentícios, 21 fármacos e cosméticos, 8 artesanatos e utensílios, 2
derivados da madeira e 1 derivado animal) têm significativa importância na dinâmica da
economia local, assim como para outras regiões do Pará, além dos mercados nacionais e
internacionais. O principal produto de destaque na RI foi o cacau amêndoa (R$ 1,54 bilhão),
porém com 52% da renda bruta gerada e circulada fora do Pará, diferente do cacau fruto (R$
1,38 milhão) com 98% gerada e circulada na própria RI Xingu. Outros produtos de destaque
foram a castanha-do-brasil, o urucum, o açaí fruto, o palmito, o taperebá e o muruci. A
contabilidade social ascendente na região tem origem em milhares de famílias envolvidas no
setor da produção extrativa local (e extralocal), que receberam pela venda de todos os
produtos o montante de R$ 209,9 milhões (VBPα), que gerou R$ 1,07 bilhão (VBP) na
compra destes produtos (predomínio in natura) e com a agregação de valor de mais de R$
488,1 milhões (VAB), chegando a uma renda bruta total (RBT) gerada e circulada em R$ 1,56
bilhão, com seus efeitos para frente e para trás nas cadeias de comercialização. O estudo
também demonstrou as fragilidades e potencialidades identificadas nas cadeias, envolvendo a
iniciativa privada, os órgãos governamentais e a sociedade direta e indiretamente relacionada
às cadeias dos produtos do agroextrativismo.


Palavras-chave: 1.Cadeias de comercialização, 2.Produtos florestais não madeireiros,
3.Contas sociais alfa, 4.Economia regional.
LISTA DE SIGLAS


CEPLAC        Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira
CONAB         Companhia Nacional de Abastecimento
EMATER        Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural
Embrapa       Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
GPS           Sistema de Posicionamento Global
IBGE          Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IDEFLOR       Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará
IDESP         Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará
IDH           Índice de Desenvolvimento Humano
INCRA         Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
LSPA          Levantamento Sistemático da Produção Agrícola
MDA           Ministério do Desenvolvimento Agrário
              Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior /
MDIC/SECEX
              Secretaria de Comércio Exterior
MDS           Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
MIP           Matriz Insumo Produto
MZEE - PA     Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Estado do Pará
NAEA / UFPA   Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará
NPCTI         Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação do IDESP
ONG           Organização Não Governamental
PAM           Pesquisa Agrícola Municipal
PDA           Projetos Demonstrativos Categoria A
PEVS          Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura
PFNM          Produtos Florestais Não Madeireiros
PIB           Produto Interno Bruto
PPM           Produção de Pecuária Municipal
RBT           Renda Bruta Total
RI            Região de Integração
SEIR - PA     Secretaria de Estado de Integração Regional
SEMA - PA     Secretaria de Estado de Meio Ambiente
STR           Sindicato dos Trabalhadores Rurais
UC            Unidade de Conservação
UFPA          Universidade Federal do Pará
VAB           Valor Agregado Bruto ou Valor Adicionado Bruto
VBP           Valor Bruto da Produção
VBPα          Valor Bruto da Produção do setor Alfa
VTE           Valor Transacionado Efetivo
LISTA DE FIGURAS


FIGURA 1- Municípios pertencentes à Região de Integração Xingu. ..................................... 36
FIGURA 2- Localização da Região de Integração Xingu, estado do Pará............................... 40
FIGURA 3- Localização dos agentes mercantis do cacau amêndoa na RI Xingu, estado do
       Pará, em 2010. .......................................................................................................... 42
FIGURA 4- Estrutura (%) da quantidade amostral do cacau amêndoa comercializado na RI
       Xingu, estado do Pará, em 2010. ............................................................................. 46
FIGURA 5- Preço médio do cacau amêndoa (R$/kg) praticado nas transações entre os setores
       da cadeia de comercialização, em 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ................... 47
FIGURA 6- Localização dos agentes mercantis do urucum na RI Xingu, estado do Pará, no
       ano de 2010. ............................................................................................................. 54
FIGURA 7- Estrutura (%) da quantidade amostral do urucum comercializado na RI Xingu,
       estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................... 57
FIGURA 8- Preço médio do urucum (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da
       cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ............. 58
FIGURA 9- Localização dos agentes mercantis do açaí na RI Xingu, estado do Pará, no ano
       de 2010. .................................................................................................................... 64
FIGURA 10- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí comercializado na RI Xingu,
       estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................... 68
FIGURA 11- Preço médio do açaí (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia
       de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........................ 69
FIGURA 12- Localização dos agentes mercantis da castanha-do-brasil na RI Xingu, estado do
       Pará, no ano de 2010. ............................................................................................... 77
FIGURA 13- Estrutura (%) da quantidade amostral da castanha-do-brasil comercializado na
       RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. .............................................................. 79
FIGURA 14- Preço médio da castanha-do-brasil (R$/kg) praticado nas transações entre os
       setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.
       .................................................................................................................................. 81
FIGURA 15- Localização dos agentes mercantis do cacau (fruto) na RI Xingu, estado do
       Pará, no ano de 2010. ............................................................................................... 89
FIGURA 16- Estrutura (%) da quantidade amostral do cacau (fruto) comercializado na RI
       Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................... 91
FIGURA 17- Preço médio do cacau (fruto) (R$/un.) praticado nas transações entre os setores
       da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........ 93
FIGURA 18- Localização dos agentes mercantis do taperebá na RI Xingu, estado do Pará, no
       período de 2010. ....................................................................................................... 94
FIGURA 19- Estrutura (%) da quantidade amostral do taperebá comercializado na RI Xingu,
       estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................... 96
FIGURA 20- Preço médio do taperebá (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da
       cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ............. 97
FIGURA 21- Localização dos agentes mercantis do muruci na RI Xingu, estado do Pará, no
       ano de 2010. ............................................................................................................. 98
FIGURA 22- Estrutura (%) da quantidade amostral do muruci comercializado na RI Xingu,
       estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 100
FIGURA 23- Preço médio do muruci (R$/l) praticado nas transações entre os setores da
       cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........... 101
FIGURA 24- Localização dos agentes mercantis das plantas medicinais na RI Xingu, estado
       do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................ 109
FIGURA 25- Estrutura (%) da quantidade amostral das plantas medicinais comercializadas na
       RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................ 111
FIGURA 26- Preço médio das plantas medicinais (R$/kg) praticado nas transações entre os
       setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.
       ................................................................................................................................ 112
FIGURA 27- Localização dos agentes mercantis da copaíba na RI Xingu, estado do Pará, no
       ano de 2010. ........................................................................................................... 113
FIGURA 28- Estrutura (%) da quantidade amostral da copaíba comercializado na RI Xingu,
       estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 115
FIGURA 29- Preço médio da copaíba (R$/l) praticado nas transações entre os setores da
       cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........... 116
FIGURA 30- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/un.) do artesanato regional na RI Xingu, estado do Pará, no ano de
       2010........................................................................................................................ 118
FIGURA 31- Localização dos agentes mercantis do mel na RI Xingu, estado do Pará, no ano
       de 2010. .................................................................................................................. 119
FIGURA 32- Estrutura (%) da quantidade amostral do mel comercializado na RI Xingu,
       estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 121
FIGURA 33- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia
       de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ...................... 122
FIGURA 34- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/kg) do palmito na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ........ 124
FIGURA 35- Localização dos agentes mercantis da andiroba na RI Xingu, estado do Pará, no
       período de 2010. ..................................................................................................... 125
FIGURA 36- Estrutura (%) da quantidade amostral da andiroba comercializado na RI Xingu,
       estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 127
FIGURA 37- Preço médio da andiroba (R$/l) praticado nas transações entre os setores da
       cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........... 128
FIGURA 38- Localização dos agentes mercantis do cupuaçu na RI Xingu, estado do Pará, no
       ano de 2010. ........................................................................................................... 129
FIGURA 39- Estrutura (%) da quantidade amostral do cupuaçu comercializado na RI Xingu,
       estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 132
FIGURA 40- Preço médio do cupuaçu (R$/Kg) praticado nas transações entre os setores da
       cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........... 134
FIGURA 41- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/kg) da borracha na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ...... 136
FIGURA 42- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/kg) do buriti na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ........... 137
FIGURA 43- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/un.) dos utensílios na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. .. 139
FIGURA 44- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/l) do óleo da castanha-do-brasil na RI Xingu, estado do Pará, no ano
       de 2010. .................................................................................................................. 141
FIGURA 45- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/l) dos leites na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.............. 142
FIGURA 46- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/l) do óleo de piquiá na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. 144
FIGURA 47- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/kg) do breu-branco na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.. 146
FIGURA 48- Localização dos agentes mercantis do carvão na RI Xingu, estado do Pará, no
       ano de 2010. ........................................................................................................... 147
FIGURA 49- Estrutura (%) da quantidade amostral do carvão comercializado na RI Xingu,
       estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 149
FIGURA 50- Preço médio do carvão (R$/saca) praticado nas transações entre os setores da
       cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........... 150
FIGURA 51- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/un.) do uxi na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. .............. 151
FIGURA 52- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí (semente) na RI Xingu, estado do
       Pará, no ano de 2010. ............................................................................................. 153
FIGURA 53- Preço médio do açaí (semente) (R$/kg) praticado nas transações entre os setores
       da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ...... 154
FIGURA 54- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/kg in natura) da bacaba na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.
       ................................................................................................................................ 155
FIGURA 55- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/un. fruto in natura) do bacuri na RI Xingu, estado do Pará, no ano de
       2010........................................................................................................................ 157
FIGURA 56- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/cacho) da pupunha na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. . 158
FIGURA 57- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/l) do óleo de pracaxi na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.
       ................................................................................................................................ 160
FIGURA 58- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
       (R$ correntes/kg) do cipó-titica na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. .... 162
LISTA DE QUADROS


QUADRO 1- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau amêndoa da RI
         Xingu, estado do Pará, em 2010. ............................................................................. 43
QUADRO 2- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do urucum da RI Xingu,
         estado do Pará, no período de 2010. ........................................................................ 55
Quadro 3- Descrição dos agentes mercantis na comercialização de açaí na RI Xingu, Estado
         do Pará, no período de 2010. ................................................................................... 65
QUADRO 4- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da castanha-do-brasil da RI
         Xingu, estado do Pará, no período de 2010. ............................................................ 78
QUADRO 5- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau (fruto) da RI
         Xingu, estado do Pará, no período de 2010. ............................................................ 90
QUADRO 6- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do taperebá da RI Xingu,
         estado do Pará, no período de 2010. ........................................................................ 94
QUADRO 7 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização do muruci da RI Xingu,
         estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................... 98
QUADRO 8- Descrição dos agentes mercantis na comercialização das plantas medicinais da
         RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................ 109
QUADRO 9- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da copaíba da RI Xingu,
         estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 114
QUADRO 10- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do artesanato regional da
         RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................ 117
QUADRO 11- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do mel da RI Xingu,
         estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 119
QUADRO 12 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização do palmito da RI Xingu,
         estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 123
QUADRO 13- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da andiroba da RI Xingu,
         estado do Pará, no período de 2010. ...................................................................... 126
QUADRO 14- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cupuaçu da RI Xingu,
         estado do Pará, no período de 2010. ...................................................................... 130
QUADRO 15- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da borracha da RI Xingu,
         estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 135
QUADRO 16- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do buriti da RI Xingu,
         estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 136
QUADRO 17- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos utensílios da RI
         Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 138
QUADRO 18- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do óleo da castanha-do-
         brasil da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................. 139
QUADRO 19- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos leites da RI Xingu,
         estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 141
QUADRO 20- Descrição do agente mercantil na comercialização do óleo de piquiá da RI
         Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 143
QUADRO 21- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do breu-branco da RI
      Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 145
QUADRO 22- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do carvão da RI Xingu,
      estado do Pará, no período de 2010. ...................................................................... 148
QUADRO 23- Descrição do agente mercantil na comercialização do uxi da RI Xingu, estado
      do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................ 150
QUADRO 24- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do açaí (semente) da RI
      Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 152
QUADRO 25 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização da bacaba da RI Xingu,
      estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 154
QUADRO 26- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do bacuri da RI Xingu,
      estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 156
QUADRO 27- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da pupunha da RI Xingu,
      estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 157
QUADRO 28- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do óleo de pracaxi da RI
      Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 159
QUADRO 29- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cipó-titica da RI
      Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 161
LISTA DE GRÁFICOS


GRÁFICO 1- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do cacau amêndoa da RI
       Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................ 48
GRÁFICO 2- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização do cacau amêndoa da RI
       Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................ 51
GRÁFICO 3- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do cacau
       amêndoa, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a
       partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.......................................... 53
GRÁFICO 4- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do urucum da RI Xingu,
       estado do Pará, estimado para 2008. ........................................................................ 59
GRÁFICO 5- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização do urucum da RI Xingu,
       estado do Pará, estimado para 2008. ........................................................................ 61
GRÁFICO 6- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do urucum,
       considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI
       Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................ 62
GRÁFICO 7- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da RI Xingu,
       estado do Pará, estimado para 2008. ........................................................................ 70
GRÁFICO 8- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do açaí da RI Xingu, estado do
       Pará, estimado para 2008. ........................................................................................ 73
GRÁFICO 9- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do açaí,
       considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI
       Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................ 75
GRÁFICO 10- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da castanha-do-brasil da
       RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ....................................................... 82
GRÁFICO 11- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização da castanha-do-brasil da
       RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ....................................................... 85
GRÁFICO 12- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da castanha-do-
       brasil, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir
       da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. .................................................. 87
GRÁFICO 13- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização das frutas (cacau,
       taperebá e muruci) da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ................. 102
GRÁFICO 14- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização das frutas (cacau, taperebá
       e o muruci) da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ............................. 104
GRÁFICO 15- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização das frutas
       (cacau, taperebá e o muruci), considerando sua composição pela ótica da demanda
       (VBP + VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ........... 107
LISTA DE TABELAS


TABELA 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na RI Xingu, com quantidade e
       valor pago à produção local, de acordo com a amostragem realizada em campo, em
       2010.......................................................................................................................... 41
TABELA 2- Demanda Final (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais
       não madeireiros identificados nos dez municípios da Região de Integração Xingu,
       estado do Pará, estimado para 2008. ...................................................................... 163
TABELA 3- Valor Adicionado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos
       produtos florestais não madeireiros identificados nos dez municípios da Região de
       Integração Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ........................................ 165
TABELA 4- Valor Agregado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos
       produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Xingu,
       estado do Pará, organizados em categorias (Alimentícios, Artesanatos/Utensílios,
       Derivado Animal, Derivado da Madeira e Fármacos/Cosméticos), estimados para
       2008........................................................................................................................ 167
TABELA 5- Renda Bruta Total (R$) na esfera local, estadual e nacional dos produtos
       florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Xingu, estimados
       para 2008, organizados em três categorias relativas com escalas de valor do RBT
       (acima de R$ 600 mil, de R$ 100 mil a R$ 599 mil e abaixo de R$ 100 mil). ...... 169
TABELA 6- Indicadores econômicos dos produtos florestais não madeireiros identificados na
       Região de Integração Xingu, estado do Pará, compostos pelo Valor Bruto da
       Produção Alfa Local (VBPα), o Valor Bruto da Produção Alfa extralocal, a margem
       de lucro (mark-up), o Valor Bruto da Produção (VBP), o Valor Agregado Bruto
       (VAB) e a Renda Bruta Total (RBT), em R$, nas esferas local, estadual e nacional,
       estimado para 2008 (Idesp). ................................................................................... 174
SUMÁRIO


1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 25
2 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 26
2.1 GERAL ............................................................................................................................... 26
2.2 ESPECÍFICOS ................................................................................................................... 26
3 METODOLOGIA................................................................................................................ 27
4 RESULTADOS .................................................................................................................... 36
4.1 REGIÃO DE INTEGRAÇÃO XINGU .............................................................................. 36
4.2 INFRAESTRUTURA DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PFNM NA RI XINGU ............ 38
4.3 ANÁLISE DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO .................................................. 40
4.3.1 Cacau amêndoa ................................................................................................................ 42
4.3.2 Urucum ............................................................................................................................ 54
4.3.3 Açaí .................................................................................................................................. 63
4.3.4 Castanha-do-brasil ........................................................................................................... 76
4.3.5 Cacau (fruto) .................................................................................................................... 88
4.3.6 Taperebá .......................................................................................................................... 93
4.3.7 Muruci ............................................................................................................................. 97
4.3.8 Análise pela Ótica da Oferta das Frutas (Cacau, Taperebá e Muruci) .......................... 101
4.3.9 Plantas Medicinais ......................................................................................................... 108
4.3.10 Copaíba ........................................................................................................................ 112
4.3.11 Artesanato Regional .................................................................................................... 116
4.3.12 Mel ............................................................................................................................... 118
4.3.13 Palmito ......................................................................................................................... 122
4.3.14 Andiroba ...................................................................................................................... 124
4.3.15 Cupuaçu ....................................................................................................................... 128
4.3.16 Borracha ...................................................................................................................... 134
4.3.17 Buriti ............................................................................................................................ 136
4.3.18 Utensílios ..................................................................................................................... 137
4.3.19 Castanha-do-brasil óleo ............................................................................................... 139
4.3.20 Leites ........................................................................................................................... 141
4.3.21 Óleo de Piquiá ............................................................................................................. 143
4.3.22 Breu-branco ................................................................................................................. 144
4.3.23 Carvão .......................................................................................................................... 146
4.3.24 Uxi ............................................................................................................................... 150
4.3.25 Açaí (semente) ............................................................................................................. 151
4.3.26 Bacaba ......................................................................................................................... 154
4.3.27 Bacuri .......................................................................................................................... 155
4.3.28 Pupunha ....................................................................................................................... 157
4.3.29 Pracaxi óleo ................................................................................................................. 158
4.3.30 Cipó-titica .................................................................................................................... 160
4.4 ANÁLISES AGRUPADAS ............................................................................................. 162
5 CONCLUSÕES.................................................................................................................. 175
6 RECOMENDAÇÕES........................................................................................................ 178
7 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 183
APÊNDICES ......................................................................................................................... 187
25


1 INTRODUÇÃO

         Segundo o Ministério da Agricultura de Moçambique (2008), os Produtos Florestais
Não Madeireiros (PFNM) são aqueles derivados da floresta, exceto a madeira, cuja definição
engloba fibras, frutos, raízes, cascas, folhas, taninos, cogumelos, exudados, mel, plantas
medicinais, lenha e carvão, entre outros. Silva et al. (2010) ressaltam que, em tese, estes
produtos também podem ser obtidos de plantas semidomesticadas em plantios ou sistemas
agroflorestais.
         Nas últimas décadas, assiste-se em todo o mundo, o crescimento da preocupação
relacionada a fatores como aquecimento global e o desmatamento das florestas tropicais, que
atraem o interesse de diversos atores sociais, que anseiam em equacionar tais impactos.
Dentro deste contexto, a extração e comercialização dos PFNM no Brasil têm apresentado
grande importância social, econômica e ambiental, em virtude de ocorrer prioritariamente em
pequenas propriedades, preservar parte importante da biodiversidade das florestas nativas
(FIEDLER et al., 2008) e gerar renda.
          Em relação ao comércio dos PFNM, nota-se que o mercado internacional desses
produtos é relativamente conhecido, diferente das cadeias de comercialização no mercado
doméstico. No estado do Pará, assim como nos outros estados da Amazônia Legal, é restrita a
literatura e dados existentes sobre o mercado “invisível” de muitas espécies de valor local ou
regional e sua importância para as populações rurais e urbanas envolvidas ao longo da sua
cadeia de produção (MONTEIRO, 2003). Dessa forma, gestores e demais audiências estão
desinformados sobre o fluxo desse comércio, que permanece oculto (SILVA, 2010).
        Apesar da magnitude socioeconômica dos PFNM, verifica-se que há pouca
informação sistematizada sobre quantidade, valor, processos de produção, industrialização e
comercialização desses produtos. Essa escassez de informações é um empecilho à
conservação e ao desenvolvimento de estratégias mercadológicas para esses produtos
(FIEDLER et al., 2008).
        Este estudo teve como objeto principal identificar e analisar as cadeias de
comercialização dos PFNM na Região de Integração (RI) Xingu, Estado do Pará,
evidenciando os fatores críticos e potencialidades, como forma de subsidiar políticas públicas.
26


2 OBJETIVOS

2.1 GERAL
     Identificar e analisar as cadeias de comercialização de produtos florestais não
     madeireiros da Região de Integração Xingu, Estado do Pará, buscando evidenciar
     fatores críticos e potencialidades.

2.2 ESPECÍFICOS
     Identificar e descrever as estruturas das cadeias de comercialização dos produtos
     florestais não madeireiros da Região de Integração Xingu; e

     Quantificar o Valor Bruto da Produção (VBP), explicitando a produção
     agroextrativista do setor alfa (VBPα), o Valor Agregado Bruto (VAB) juntamente com
     a margem bruta de comercialização (mark-up) e a Renda Bruta Total (RBT) gerada e
     circulada na comercialização dos produtos identificados.
27


3 METODOLOGIA

         No intuito de descrever e analisar as cadeias de comercialização dos produtos
florestais não madeireiros (PFNM), a partir do conjunto dos 10 municípios pertencentes à RI
do Xingu, Estado do Pará, desde os agentes que compraram do produtor até os que venderam
para o consumidor, este estudo baseou-se na metodologia das Contas Ascendentes Alfa CSα
(COSTA, 2002, 2006 e 2008a), que permite construir Contas Sociais de base agroextrativista,
para uma região, utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto de Leontief (1983).
         As “Contas Sociais Alfa” (CSα) referem-se à metodologia de cálculo ascendente de
matrizes de insumo-produto de equilíbrio computável e, que se baseia nos parâmetros e
indicadores de cada produto que compõem os setores originários e fundamentais, justifica-se
pelo fato de permitir uma análise pontual ou com foco na real problemática local, haja vista
que as estatísticas de produção são obtidas mais irredutível possível de uma economia local.
Ou seja, este método além de fazer uma “fotografia” da realidade macroeconômica e social de
uma delimitação geográfica, fornece respostas a questões que envolvem os impactos gerados
por ações e programas de desenvolvimento ali implementados.
         Conforme explica Costa (2008b), o método consiste em identificar a produção de
cada agente que pode ser agregado nos “setores alfa”, de certa delimitação geográfica e
acompanhar os fluxos até sua destinação final. Nesse trajeto define parametricamente as
condições de passagem pelas diversas interseções entre os setores derivados (quantidades
transacionadas em cada ponto e o mark-up correspondente), tratados como “setores beta”, os
quais são ajustados a três níveis diferentes: o local (βa), o estadual (βb) e o nacional (βc).
         Esta metodologia foi aplicada na região sudeste do Pará, caracterizada por tensões
entre grandes projetos pecuários e minerais, e a expansão camponesa, com assentamentos da
reforma agrária. O trabalho desenvolvido por Costa (2008b), contempla a análise de insumo-
produto com metodologia ascendente que explicita a diversidade estrutural dos setores de
base primária e os impactos econômicos da programação de investimento da Companhia Vale
do Rio Doce (CVRD) de 2004 até 2010. Os resultados do estudo indicam que a metodologia
ascendente CSα permitiu fazer as diferenciações estruturais necessárias na geração de uma
matriz de insumo-produto mais aderente à complexidade da economia local, evidenciando a
influência expressiva na economia do setor mineral do Sudeste Paraense, com complexidade
de tal ordem que sua expansão cria possibilidades de crescimento para os demais setores da
economia local. Por outro lado, demonstrou vazamentos de vulto (em termos de renda,
28


agregação de valor, entre outros) – tanto da economia local e no entorno mais próximo, para a
economia do resto do Pará, quanto para o resto do Brasil.
             Em outro estudo Costa e Costa (2008) descreveram a economia da cultura do festival
de bois de Parintins, estado do Amazonas, utilizando a metodologia das CSα conjuntamente
orientada pelo conceito de Arranjos Produtivos Locais (APL). O estudo identificou limitações
de infraestrutura, apontou impactos para a economia do município com a produção e
realização do evento, com isso o município recebeu tratamento diferenciado por parte dos
poderes públicos, que se converteram em investimentos reais e o APL da cultura identificado
representou 10% da economia local e se apresentou como uma nova base de exportação, com
um efeito multiplicar elevado.
             A aplicação da metodologia CSα por Dürr (2008) no Departamento1 de Sololá, na
Guatemala, permitiu descrever as cadeias produtivas dos principais produtos da agricultura
camponesa, construiu a Contabilidade Social de base agrária do Departamento, ou seja,
calculou o Produto Interno Bruto mostrando a contribuição de diferentes setores,
especialmente no setor rural e da economia regional e, por último, identificou os impactos
sobre a agricultura e o desenvolvimento econômico das zonas rurais locais, estimado através
do uso de Matrizes de Insumo-Produto como ferramenta para o planejamento estratégico do
Departamento de Sololá. Devido as repercussões deste estudo, o autor replicou para o
departamento de El Quiché (DÜRR et al., 2009), para o território chamado de Bacia do rio
"Polochic. "(LOZA et al., 2009) e para o departamento de Petén (DÜRR et al., 2010).
             O trabalho de Carvalho (2010) apresenta as contribuições que os produtos florestais
não madeireiros têm na economia do Estado do Amapá, fazendo o uso do método de Contas
Sociais Alfa em razão da inexistência de informações sistematizadas ou agregadas em nível
local. Contudo, consegue estabelecer as análises estruturais a partir das interrelações
existentes entre os agentes mercantis que participam do arranjo produtivo dos PFNM,
analisando os efeitos dos multiplicadores setoriais, os impactos do crescimento econômico na
produção, trabalho e renda setorial de toda a economia.
             Na mesma linha,            Gomes   (2007) identificou   e caracterizou cadeias de
comercialização de produtos existentes nas florestas secundárias nas categorias de frutíferas,
derivados da madeira (lenha, carvão e estaca), mel e diversas plantas medicinais nos
municípios de Bragança, Capitão Poço e Garrafão do Norte, Estado do Pará. A autora utilizou
o método de Contas Sociais Alfa para captar as especificidades econômicas e sociais que ao


1
    Unidade federativa equivalente a estado.
29


contrário dos cálculos das contas regionais do IBGE, que consideram as regiões homogêneas
nas estimações conjunturais impossibilita captar as especificidades locais. O estudo detectou a
circulação aproximada de quatro milhões de reais, para o ano de 2005, identificando a
importância da vegetação secundária como reserva de valor e como agente dinamizador da
renda rural e dos setores econômicos associados como atacadistas, varejistas e agroindústrias.
         No caso deste estudo desenvolvido pelo Idesp em parceria com o Ideflor, a
metodologia foi adequada para a contabilidade social ascendente que engloba além da
produção agroextrativista, as atividades na indústria e nos serviços que atuam diretamente nos
setores com foco nos produtos florestais não madeireiros. Trata-se de um modelo de calculo
de renda e do produto social do agroextrativismo que permitiu mensurar variáveis como o
Valor Bruto da Produção de Base Agroextrativista (VBPα), o Valor Agregado Bruto de Base
Agroextrativista (VABα) e o Produto Regional Bruto de Base Agroextrativista (PRBα). De
acordo com Considera et al. (1997) o Produto Regional Bruto (PRB) seria o equivalente
regional ao Produto Interno Bruto (PIB) deste setor.
         O modelo também produziu as matrizes das interrelações intersetoriais que as
fundamentam, por uma metodologia que maximiza a utilização dos dados do IBGE, tanto os
do Censo Agropecuário de 2006, quanto as séries históricas de 1990 a 2008 da Produção
Agrícola Municipal (PAM), da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e da
Produção da Pecuária Municipal (PPM) e, correlacionando-os aos dados da pesquisa primária
executada pelo Idesp, permitiu agregações as mais variadas, orientadas tanto por atributos
geográficos, quanto por atributos estruturais do setor.
         A metodologia adotada permite descrever trajetórias de agregação, tanto em função
de um espaço geográfico limitado (município, região, território, etc.), quanto em decorrência
das estruturas da produção: formas de produção, tipos de atividades, níveis tecnológicos,
sistemas de produção, entre outros. A metodologia apresenta uma série de vantagens, tais
como: rapidez na coleta de dados primários em campo, identificação dos maiores volumes
comercializados junto aos agentes mercantis chaves, quantificação dos valores pagos ao setor
da   produção    agroextrativista,   principais   gargalos   evidenciados   nas     cadeias   de
comercialização, a economia antes invisível passa a ser explícita para diversos produtos e
aponta indicativos para subsidiar políticas publicas.
         As etapas adotadas desde a identificação do agente mercantil, até as análises das
cadeias de comercialização, consistiram em uma série de ações descritas a seguir.
         Articulação prévia, feita em Belém e/ou na chegada a cada um dos dez municípios
visitados da Região de Integração Xingu, junto a informantes-chaves (como os técnicos dos
30


escritórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará -
Emater/Pará, dos sindicatos de trabalhadores rurais, das secretarias municipais de agricultura,
das cooperativas, das associações, das feiras, dos mercados locais, entre outros), no que se
referiu à produção e/ou comercialização dos produtos florestais não madeireiros existentes no
município, para o período de doze meses e, fazer a identificação dos agentes mercantis
envolvidos nestas atividades, para serem entrevistados.
            A coleta de dados foi realizada no mês de setembro de 2010 abrangendo os dez
municípios (Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz,
Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu) pertencentes à RI Xingu, Estado do Pará.
            A coleta de dados ocorreu junto aos agentes mercantis com aplicação de questionário
(Apêndice A). Nesta etapa, buscam-se os principais agentes (vendedores/compradores) de
cada produto, que geralmente representam importantes elos da cadeia, os quais em seguida,
direcionam os elos para trás (comprou de quem) e para frente (vendeu para quem) na cadeia,
compondo uma amostragem não probabilística autogerada (CABRAL, 2000), até chegar à
produção local de um lado, bem como ao último que vendeu o produto para o consumidor
final, no outro extremo da cadeia (DÜRR; COSTA, 2008). Esta metodologia identificou
relações existentes entre agentes mercantis, que atuam tanto na formalidade até os de
completa informalidade, e foi capaz de apontar o fluxo de comercialização para cada produto
identificado. Neste tipo de amostragem o tamanho e a localização da população não são
conhecidos a priori pelo pesquisador, então, esta é composta na medida em que o pesquisador
identifica um agente mercantil, e solicita ao mesmo que indique os que também fazem parte
da população em estudo, e assim, sucessivamente, a amostra é construída (MATTAR, 1997).
Deste modo, para o levantamento dos dez municípios foram aplicados cento e setenta e um
questionários, com trezentos e sessenta circuitos de comercialização, junto aos agentes
mercantis envolvidos direta ou indiretamente com a comercialização dos PFNM.
            Durante a aplicação dos questionários, foi possível georreferenciar cada
estabelecimento, utilizando o sistema de posicionamento global (GPS), compondo uma das
bases de dados com as coordenadas geográficas. Além disso, foi possível compor uma base de
dados qualitativos disponíveis na plataforma Windows, Microsoft Office 2007 no aplicativo
Access, e outra base de dados quantitativos no sistema NETZ2, com circuitos (referentes aos
produtos) e lançamentos (referentes às transações comerciais realizadas pelos agentes, por
produtos).


2
    Software desenvolvido por Francisco de Assis Costa – NAEA/UFPA.
31


         A padronização dos dados coletados em cada entrevista foi necessária para que as
unidades de quantidade (medida usada em kg, litro, saca entre outros) e de preço praticado
fossem uniformizadas conforme cada produto. As informações inseridas no sistema NETZ
referem-se aos dados primários de preço e quantidade para cada produto, em cada relação
mercantil de compra e venda, classificando por setor (produção, varejo, atacado, indústria e
consumidor) e por recorte espacial (local, estadual e nacional).

       Depois deste processo, foram elaboradas as matrizes que descrevem a probabilidade
da distribuição das quantidades e de atribuição dos preços a partir das relações entre os
agentes e, uma vez determinadas suas posições estruturais, entre os setores. As Matrizes
Insumo-Produto (MIP) descrevem nas colunas as compras e nas linhas as vendas dos setores
da produção primária e intermediaria (indústria, atacado e varejo), entre si, e as vendas para a
demanda final local, estadual ou nacional. No entanto, como forma de melhor visualizar cada
matriz, a equipe do Idesp envolvida no estudo desenvolveu um modelo de apresentar os
mesmos dados, com os fluxos de compra e venda e os setores responsáveis por cada elo da
cadeia. A inovação trata-se da disposição visual dos diversos agentes mercantis ou setores
representados por pequenas caixas retangulares (produção local e extralocal, varejo, indústria
de beneficiamento, de transformação, atacado, consumidor, etc.) e espacialmente distribuídos
na economia local, estadual ou fora do estado (nacional e internacional), representados por
retângulos maiores em três cores distintas. Foram adotadas setas em diferentes formatos para
a representação dos canais ou fluxos de comercialização, que iniciam na produção local e
extralocal até os consumidores finais.
         Quanto aos fluxos da comercialização por produto estudado, estes foram organizados
para três dimensões geográficas: a) local, que corresponde aos dez municípios pesquisados na
RI Xingu; b) estadual, para os demais municípios do estado do Pará e; c) nacional, que foram
comercializados para outros estados e/ou países. O estudo possibilitou compreender os fluxos
existentes nas relações entre agentes/setores e seu papel relativo ao longo da cadeia em função
dos volumes transacionados. Ainda com base nas matrizes de preço e quantidade, a relação
dessas gera os respectivos preços médios praticados ou implícitos por produto e por setor (em
Reais por unidade do produto), agregado ou não, ao longo da cadeia, da produção até o
consumo final.
         A metodologia permite a atualização dos dados para os anos seguintes da
Contabilidade Social da Produção de Base Agroextrativista (CSα) obtida com os dados mais
recentes divulgados pelo IBGE, neste caso com o Censo Agropecuário de 2006. Para tanto,
32


foram construídos indexadores de quantidade e preço baseados nas séries municipais da PAM,
PEVS e PPM, no mesmo recorte regional, assim como as séries de preços dos produtos da
agricultura do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).

       Existem duas especificidades na construção dos indexadores: aquela em que o produto
em questão é levantado sistematicamente e faz parte do acervo de estatísticas conjunturais,
acima explicitado, e aquela em que o produto estudado não é levantado sistematicamente. Na
primeira situação os indexadores de quantidade (IQ) são os números índices do total das
quantidades do produto v, para o conjunto dos municípios que atendem à restrição s, tendo no
caso do agroextrativismo, 2006 como ano base. E para os indexadores de preço (IP) os
números índices do preço médio do produto v, para os municípios que atendem a restrição
geográfica s, tendo 2006 também como ano base (COSTA, 2002, 2006 e 2008).

       Os indexadores de quantidade e de preço são assim construídos:




        Onde:
         : atributo geográfico (local: municípios da RI Xingu; estadual: demais municípios
        do estado do Pará e nacional: outros estados e/ou países),
          : produto,
          : ano da pesquisa oficial (2006, 2007 e 2008),
             : quantidade do produto conforme seu atributo geográfico no ano da pesquisa
        oficial,
                   : quantidade do produto conforme atributo geográfico no Censo Agropecuário
        de 2006,
             : preço médio (ou implícito) conforme seu atributo geográfico no ano da
        pesquisa, e
                   : preço médio (ou implícito) conforme atributo geográfico no Censo de 2006.


        Em relação aos produtos não levantados sistematicamente, estes foram indexados
pela evolução do conjunto da produção numa certa delimitação geográfica. A evolução do
conjunto da produção é observada pelos números índices da evolução do produto real e dos
preços implícitos para a restrição geográfica s. O produto real é a soma dos resultados da
multiplicação das quantidades de cada produto no ano a, pelo preço em um ano escolhido
33


para fornecer o vetor de preços, neste caso, média dos anos de 2006, 2007 e 2008. Portanto,
os indexadores dos PFNM que não estão presentes nas estatísticas oficiais foram elaborados
conforme agrupamentos, tendo como referências as categorias: para alimentícios; geral para
oleaginosas e indexador geral do IBGE para este recorte regional.
         Sendo assim, os frutos bacaba, bacuri, buriti, cacau, muruci, pupunha, taperebá e uxi
foram agrupados na categoria de indexador alimentícios. O indexador geral de oleaginosas foi
utilizado para a andiroba, óleo da castanha-do-brasil, óleo de piquiá e óleo de pracaxi. O
indexador geral do IBGE, para o mesmo recorte regional, foi usado para um conjunto de 24
produtos, tais como: as cascas (barbatimão, carapanaúba, copaíba, ipê-roxo, marapuama,
preciosa, sacaca, sucuúba, unha-de-gato, uxi-amarelo, verônica), canarana, semente de
cumaru, fava de jucá, artesanato regional, semente de açaí, breu-branco, leite-de-amapá, leite-
de-sucuúba, e alguns utensílios (paneiro, tipiti, cesto de palha, cipó titica e vassoura regional).
         Enquanto que os únicos produtos que tiveram seus próprios indexadores, criados
com base nas estatísticas oficiais, foram dez: açaí fruto (PEVS e PAM); amêndoa do cacau
(PAM), castanha-do-brasil (PEVS), cupuaçu (LSPA), palmito (PAM e PEVS), semente de
urucum (PAM), mel de abelha (PPM), óleo de copaíba (PEVS), borracha da seringueira
(PAM e PEVS) e o carvão vegetal (PEVS).
         Finalmente, foi estimada a CSα para o ano de 2008, por ser o inicio do estudo,
multiplicando os indexadores obtidos com a matriz de estrutura, que descrevem a
probabilidade da distribuição das quantidades e, com a matriz de preços a partir das relações
entre os agentes. O resultado gera uma Matriz de Insumo Produto (MIP) para cada produto
pesquisado, contendo o Valor Bruto da Produção de base agroextrativista (VBPα) sob a ótica
da oferta, o VBP sob a ótica da demanda (ou seja, compra de insumo), o Valor Transacionado
Efetivo (VTE) que equivale ao Valor Adicionado ou Agregado Bruto (VAB), a Renda Bruta
Total (RBT) e, a margem bruta de comercialização (mark-up), que é a relação entre a
diferença do valor estimado do VAB com o VBPα (sob a ótica da oferta) pelo VBPα, para que
sejam feitas as análises econômicas (estimadas para 2008) e os impactos que cada produto
não madeireiro exerceu na economia local, estadual e fora do estado. Frisa-se, no entanto, que
no cálculo do VAB como na estimação do mark-up, não se levou em consideração os custos
produtivos e/ou de comercialização, pois não foram foco da pesquisa. Em algumas cadeias,
também não foi possível descrever a proporção dos PFNM utilizados como insumo na
preparação de certos produtos finais, como doces, cosméticos, medicinais, entre outros.
         A definição em estimar a CSα para o ano de 2008 foi adotada para este estudo
(Xingu) e para as demais regiões estudadas (Tocantins, Guamá, Rio Caeté, Baixo Amazonas e
34


Marajó), permitindo assim comparações entre as economias de cada região. O método permite
também fazer atualizações desta economia conforme novos cálculos dos indexadores por
produto, após divulgação de estatísticas oficiais.
         Foram identificados em campo quarenta e seis (46) PFNM, relacionados no
Apêndice B, os quais foram classificados conforme a sua utilização identificada em campo.
Foram estudados quatorze alimentícios (açaí, cacau amêndoa, castanha-do-brasil, cupuaçu,
palmito, urucum, bacaba, bacuri, buriti, cacau fruto, muruci, pupunha, taperebá e uxi); um
derivado animal (mel de abelha); dois derivados da madeira (carvão, e borracha); oito
artesanatos e utensílios (artesanato regional, semente de açaí, breu-branco, paneiro - fibra de
guarumã, tipiti - fibra de guarumã, cesto de palha, cipó-titica e vassoura regional) e 21
fármacos e cosméticos (copaíba, canarana, barbatimão - casca, carapanaúba - casca, copaíba -
casca, ipê-roxo - casca, marapuama - casca, preciosa – casca, sacaca – casca, sucuúba – casca,
unha-de-gato – casca, uxi amarelo – casca, verônica – casca, semente de cumaru, jucá – fava,
leite-de-amapá, leite-de-sucuúba, andiroba, óleo de castanha-do-brasil, óleo de piquiá e óleo
de pracaxi).
         Cada produto identificado foi analisado individualmente, por estruturas de fluxo de
quantidade e preço médio praticado ao longo das cadeias de comercialização e, descritos os
setores mercantis das esferas local, estadual e nacional. Para outros produtos que
apresentaram similitude como: uma pequena amostragem de dados, semelhança do fluxo de
comercialização entre os agentes e, principalmente, utilidades similares, foram feitas analises
agrupadas pela ótica da oferta de três frutas (cacau fruto, taperebá e muruci), de plantas
medicinais, artesanato regional e leites.
         A classificação dos agentes nas cadeias de comercialização foram adaptadas aos
seguintes conceitos, conforme Costa (2002) e Dürr (2004).
               Produção local: Produção primária agroextrativista do município ou da região;
               Produção Extralocal: Produção primária agroextrativista oriunda de outras regiões
               de integração que não fazem parte da região estudada.
               Varejo rural local: Pequenos comerciantes do interior dos municípios que
               compram dos produtores, comumente denominados atravessadores rurais;
               Indústria de beneficiamento local: Unidades de beneficiamento da produção,
               localizadas na região;
               Indústria de transformação local: Unidades de transformação da produção,
               localizadas na região;
35


           Atacado local: Grandes compradores (atacadistas, representantes de empresas),
           localizados nos centros urbanos da região, que normalmente compram do varejo
           e/ou vendem para o varejo;
           Varejo urbano local: Pequenos comerciantes nas cidades (varejistas, feirantes,
           marreteiros, vendedores ambulantes);
           Indústria de beneficiamento estadual: Unidades de beneficiamento no Pará,
           localizadas além da RI Xingu;
           Indústria de transformação estadual: Unidades de transformação no Pará;
           Atacado estadual: Empresas compradoras da produção no Pará;
           Varejo urbano estadual: Comércios (supermercados, etc.) no Pará, que vendem
           para o consumidor estadual;
           Indústria de beneficiamento nacional: Unidades de beneficiamento no Brasil;
           Indústria de transformação nacional: Unidades de transformação no Brasil;
           Atacado nacional: Empresas compradoras do nível nacional;
           Varejo urbano nacional: Comércios nacionais que vendem para o consumidor
           nacional.
        As categorias de agentes mercantis estão descritas por produto não madeireiro
identificado, quer seja individual ou em grupo.
        As análises econômicas de todos os produtos identificados estão descritas em
detalhes no item 4.3.
36


4 RESULTADOS

4.1 REGIÃO DE INTEGRAÇÃO XINGU
        A Região de Integração (RI) Xingu está consorciada a um total de 10 municípios
(Figura 1), com uma população de aproximadamente 331.770 habitantes em 2010, o que
corresponde a 4,4% da população do Estado do Pará, sendo a segunda menos populosa
(IBGE/IDESP, 2010). Há um predomínio da população urbana sobre a rural, com um índice
de 54% em relação à população total da região, diferente de 2008 em que a rural era superior
com 55,90% (PARÁ, 2010). Entretanto, apenas Altamira e Uruará (a partir de 2008)
apresentaram a população urbana superior à rural, com a primeira atingindo o índice de 85%,
diferenciando-se de Placas em que 80% da sua população reside no meio rural. Sua área
territorial corresponde a 20,10% em relação ao Estado, o que configura a região de integração
com a segunda maior área e com a menor densidade demográfica de 1,32 hab/Km². Apenas
três (Brasil Novo, Vitória do Xingu e Senador José Porfírio), dos 10 municípios, são de
pequeno porte, pois possuem população menor que 20 mil habitantes (13 a 15 mil). Todavia,
Altamira se aproxima da faixa dos 100 mil habitantes, contabilizando 99.075 habitantes,
equivalente a 30% da população da região, se constituindo, deste modo, pólo regional.
        FIGURA 1- Municípios pertencentes à Região de Integração Xingu.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        Nesta região, está relacionada à presença de grandes empresas do ramo da
exploração e processamento industrial da madeira voltado à exportação de produtos semi-
37


elaborados, com baixo valor agregado, pouca articulação com a economia local e alto custo
sócio-ambiental (os chamados “enclaves de exportação”). No entanto, a atividade
agropecuária é essencialmente a base da economia regional, apesar do setor de serviços
representar a maior parte do PIB.
         No que tange a exportação, a RI Xingu configura-se como exportadora de matéria
prima pautada na madeira. A qual no ano de 2010 contabilizou US$ 17,3 milhões, registrando
um acréscimo de 61,8% em relação ao ano anterior, apesar da crise global de 2009 que
ocasionou uma redução substancial na demanda mundial (BRASIL, 2011). Com relação às
estatísticas disponíveis das exportações realizadas em 2011, no período entre janeiro e agosto,
o valor exportado foi da ordem de US$ 7,7 milhões tendo registrado um decréscimo de 29%
em relação à igual período de 2010, ou seja, US$ 3,1 milhões a menos entre os dois períodos
analisados, seja em função da valorização cambial entre os períodos, seja pela atuação dos
órgãos de fiscalização ambiental. Entre os municípios que compõem esta região, apenas
Brasil Novo, Placas e Vitória do Xingu não constam nas estatísticas oficiais de exportação,
contudo, Pacajá configura 35% de participação no valor exportado, tanto em 2010 quanto no
período de 2011.
         Com relação ao Indicador de Desenvolvimento Humano, esta região apresentou um
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de 0,68, em 2000, menor que o
índice apresentado pelo estado do Pará de 0,72, devido principalmente ao baixo IDH-
M/Renda, de apenas 0,60 (PARÁ, 2010).
         Em 2008 o Produto Interno Bruto - PIB somou R$ 1.397 milhão, com uma variação de
8,7% em relação ao PIB contabilizado no ano anterior (R$ 1.285 milhão), porém se manteve na
10ª colocação no ranking entre as regiões de integração e participou com um percentual de 2,4%
no PIB estadual. Já o PIB Per capita regional, na ordem de R$ 4.566,95, correspondente a 57%
do PIB Per capita estadual, configurou-se como o 8º colocado entre as regiões, apesar da variação
de 4,15%, que se devem ao crescimento das atividades econômicas e da arrecadação de impostos.
As participações dos setores econômicos, considerando somente o Valor Agregado,
corresponderam a: 24% Agropecuário, 12% Indústria e 64% Serviços. Considerando o
crescimento relativo ao ano de 2007, o setor de indústria foi o que obteve a maior variação,
correspondente a 12,13%, o de serviços 10,10% e o agropecuário com crescimento de apenas
3,29%. O setor de serviços, por sua vez, além do crescimento, também se configurou como o de
maior participação do PIB de todos os municípios que compõem a região, sendo que em Altamira
e Porto de Moz, o setor de serviços correspondeu a mais de 70% dos seus respectivos valores
adicionados (PARÁ, 2011).
38


         Entre os municípios que fazem parte da região de estudo, Senador José Porfírio e
Placas se caracterizaram como os de menor participação na economia da região, pois
representaram 3,4% (R$ 48.199) e 3,9% (R$ 54.493) do PIB, respectivamente, em termos
nominais, caracterizados pela baixa concentração demográfica e forte dependência em relação
ao setor de serviços e administração pública. Em contrapartida, Altamira é o município com
maior participação no PIB regional, com aproximadamente 40,6% (R$ 567.678), pois o setor
de indústria e serviços obteve um valor, em torno de, três vezes maior que os valores obtidos
pelo 2º colocado Uruará, o valor agropecuário foi R$ 5.855 maior que o valor obtido no
município de Pacajá. De modo geral, o PIB de Altamira foi três vezes maior que o segundo
colocado Uruará, justificando assim, sua condição de cidade pólo da região. Assim como
também, polarizadora do espaço regional com a prestação de serviços bancários, saúde,
educacionais e comerciais.
         Esta região de integração apresenta, ao sul, extensas áreas de floresta da classe
ombrófila e, ao norte, floresta ombrófila densa. Com base nos dados do Macrozoneamento
Ecológico-Econômico do Estado do Pará (MZEE - PA), a RI Xingu possui a segunda maior
área protegida do Pará, com aproximadamente 179.267 Km² distribuídas em: Unidades de
Conservação (UCs) de proteção Integral (com destaque para Terra do Meio, com 31.385
Km²), Uso Sustentável, Terras Indígenas e Área Militar. No que tange às Zonas de
Consolidação e Expansão, estas somam em torno de 72.642 Km², o que corresponde a 29% da
região (PARÁ, 2010).

4.2 INFRAESTRUTURA DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PFNM NA RI XINGU
         As principais formas de comercialização dos PFNM na RI Xingu, foram realizadas
tanto de forma mais complexa, através dos mercados municipais, varejistas (mercearias,
quitandas, tabernas), atravessadores e atacadistas, quanto a realizada de forma direta, que foi o
caso da comercialização realizada na propriedade rural, nos sindicatos, via associações, nas
feiras “livres” (geralmente às margens da rodovia transamazônica BR 230 e nos trapiches) ou
ainda nas feiras do produtor e, nas ruas, gerando e fazendo circular a renda em nível local. É
preciso ressaltar que os agroextrativistas, com uma produção significante, se direcionam aos
finais de semana para o município de Altamira, pois é onde se concentra o maior mercado
consumidor da região, tanto em números quanto em geração da renda (o segundo maior PIB
per capita da RI, com R$ 5.831,90).
         Na maioria dos municípios, mais especificamente naqueles com sede nas margens da
rodovia transamazônica, foi verificada a existência de dois pontos de comercialização, onde
39


as transações dos PFNM aconteceram simultaneamente: no mercado municipal e, em alguns
municípios, na feira do produtor, com o funcionamento diário obedecendo ao horário
comercial, com poucos boxes para comerciantes e sem divisão de alas por categoria de
produto. E na feira livre, também com funcionamento diário, contudo, sem qualquer
padronização e condições de higiene, condicionando não somente o consumidor aos mais
variados tipos de doenças, principalmente respiratórias devido a poeira levantada por quem
circula na rodovia. Com relação aos municípios às margens do rio Xingu (Vitória do Xingu e
Senador José Porfírio), a comercialização acontece em feiras livres formadas no cais do porto
(identificado na região como trapiche) com funcionamento somente no período matutino.
Frisa-se, porém, que a comercialização em áreas livres aconteceu pela demora na entrega da
reforma do mercado municipal ou sua inexistência.
        Com relação ao estado de conservação dos mercados e feiras do produtor, pontos de
comercialização onde foi encontrada a maioria dos PFNM identificados, a infraestrututra se
encontrava deteriorada e sem qualquer padrão de higiene, o que dificulta as vendas, outros
pontos apesar de reformados e/ou recém construídos, no período da pesquisa se encontravam
sem funcionamento.
        No caso específico da comercialização do cacau amêndoa, em todos os municípios,
os agroextrativistas venderam sua produção no centro urbano do município diretamente aos
grandes atacadistas, que após concentrarem uma determinada quantidade do produto, os
enviaram ao município pólo da RI (Altamira), onde estão instalados os escritórios das
indústrias de processamento deste produto no estado da Bahia. O meio de transporte mais
utilizado na comercialização deste produto foi o via terrestre (transamazônica). No caso do
produtor foi através de caminhões de pequeno porte (F-1000, F-4000 e D20), como também,
os famosos caminhões “pau de arara”, que servem tanto para o transporte de cargas quanto de
passageiros. Já os atacadistas utilizam caminhões de médio e grande porte (próprios e/ou de
terceiros) para o transporte do estoque até Altamira e, deste até o destino final, estado da
Bahia, o transporte é realizado por carretas baús de terceiros, com capacidade média de 35
toneladas.
40



4.3 ANÁLISE DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO
        Nos dez municípios da Região de Integração Xingu (Figura 2) foram identificados
quarenta e seis (46) produtos florestais não madeireiros, cuja pesquisa de campo foi realizada
em setembro de 2010, com quantidade comercializada no período de doze meses e o valor
pago à produção local (Tabela 1). A relação das espécies / produtos estudados estão descritos
no Apêndice B.
        FIGURA 2- Localização da Região de Integração Xingu, estado do Pará.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        A    comercialização     de    dezenas     destes    produtos    acontece   em   diferentes
estabelecimentos e feiras, explicitando a diversidade e a realidade regional, conforme imagens
registradas nos municípios visitados (Apêndice C).
41


TABELA 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na RI Xingu, com quantidade e valor pago à
produção local, de acordo com a amostragem realizada em campo, em 2010.

Produtos Florestais Não Madeireiros                 Quantidade             Valor (R$)         Valor/Total (%)

Cacau amêndoa (kg)                                        27.917.984         128.869.535,18              89,23
Carvão (sc.)                                               1.376.541          13.035.882,42                9,03
Açaí (kg)                                                  1.366.627           1.285.350,60                0,89
Urucum (kg)                                                  239.936             370.980,00                0,26
Cacau (un.)                                                1.001.405             189.086,60                0,13
Cupuaçu (un.)                                                126.179             147.979,34                0,10
Mel (l)                                                        6.695              80.470,85                0,06
Plantas medicinais (kg) (1)                                    4.665              76.349,50                0,05
Taperebá (kg)                                                 47.776              76.083,01                0,05
Castanha-do-brasil (kg)                                       71.745              72.398,50                0,05
Muruci (l)                                                    33.684              57.200,32                0,04
Copaíba (l)                                                    2.358              46.013,90                0,03
Artesanato regional (un.)                                      4.116              28.312,22                0,02
Andiroba (l)                                                   1.294              23.848,62                0,02
Utensílios (un.) (2)                                           2.920              12.049,00                0,01
Cipó-titica (kg)                                              11.923              11.923,00              0,008
Borracha (kg)                                                  5.960              10.728,00              0,007
Palmito (kg)                                                   4.386               6.008,34              0,004
Buriti fruto (kg)                                                840               4.200,00              0,003
Castanha-do-brasil óleo (l)                                      150               3.600,00              0,002
Leites (l) (3)                                                   260               2.560,00              0,002
Piquiá óleo (l)                                                  120               2.400,00              0,002
Breu-branco (kg)                                                 780               1.020,00             0,0007
Artesanato indígena (un.)                                         55                 550,00             0,0004
Açaí semente (kg)                                                 53                 408,00             0,0003
Uxi (un.)                                                      3.800                 304,00             0,0002
Bacaba (kg)                                                      462                 277,20             0,0002
Bacuri (un.)                                                     440                 184,80             0,0001
Pracaxi óleo (l)                                                  10                 150,00           0,00010
Pupunha (cacho)                                                   23                 139,80           0,00010
Priprioca (kg)                                                     2                   4,00          0,000003
Total                                                                      144.415.997,20              100%
(1)
 semente de cumaru, fava de jucá e cascas de (barbatimão, carapanaúba, copaíba, ipê-roxo,
marapuama, preciosa, sacaca, sucuúba, unha-de-gato, uxi amarelo e verônica).
(2)
      cesto, paneiro, peneira e tipiti de fibra de guarumã, vassoura regional de timbó.
(3)
      amapá e sucuúba.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


            As análises das principais cadeias de comercialização da Região Xingu estão
descritas e ilustradas a seguir.
42


4.3.1 Cacau amêndoa
         a) Caracterização dos agentes mercantis.
         Os municípios da RI Xingu possuem várias potencialidades como o açaí, castanha-
do-brasil, andiroba, mel e cupuaçu, porém as atividades que se destacam mais são o cacau, o
café, a agropecuária e a agricultura familiar. Foram identificados na pesquisa quarenta e nove
agentes que comercializam o cacau amêndoa nos municípios da RI Xingu (Figura 3), sendo
que dezoito trabalham exclusivamente com o cacau e os demais vendem também cupuaçu,
açaí, urucum, taperebá, muruci, óleo de andiroba, castanha-do-brasil, buriti, ouriço de
castanha-do-brasil, carvão, cascas (verônica, ipê-roxo, sucuúba e unha-de-gato), leite de
sucuúba e de amapá, copaíba, vassoura de cipó-titica, breu-branco e mel.
         FIGURA 3- Localização dos agentes mercantis do cacau amêndoa na RI Xingu, estado do
         Pará, em 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         Os agentes são produtores, varejistas, atravessadores, atacadistas e representantes de
firma, que estão no ramo em média há quase 10 anos (variação de 1 a 35 anos). Alguns
exercem profissões paralelas de motorista de caminhão, comerciante, mecânico, torrador de
café, comerciante de produtos alimentícios, compra e venda de gado, moto-taxi, agricultor e
serviços gerais.
         O Quadro 1 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos na
comercialização deste produto de acordo com seus respectivos setores e mercados.
43


QUADRO 1- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau amêndoa da RI
Xingu, estado do Pará, em 2010.

    MERCADO             SETORES                              AGENTES MERCANTIS
                                          Produtores de cacau, responsáveis pela quebra e extração das
                                          amêndoas, muitas vezes fazem o beneficiamento da secagem
                    Produção
                                          do produto, que além de melhorar a qualidade, aumenta o valor
                                          de venda da semente;
                                          Atravessadores que se deslocam até as comunidades e
                                          compram o cacau em amêndoa seca ou molhada, e também, na
                    Varejo rural          maioria das vezes, realizam o beneficiamento primário da
                                          amêndoa molhada (fermentação e a secagem natural do fruto)
                                          com o objetivo de armazenar o produto com qualidade;
    Local                                 Este setor é representado por dois tipos de estrutura de
                                          atacadista, a primeira categoria composta por cerealistas
                                          (pequenos comerciantes de cacau amêndoa, castanha-do-brasil
                                          e o urucum), localizados nos centros urbanos dos municípios
                                          que compõem a RI Xingu, que se caracterizam por serem os
                                          monopsonistas na cadeia de comercialização deste insumo. A
                    Atacado
                                          segunda categoria composta por um número reduzido de
                                          representantes localizados no município pólo da RI em estudo.
                                          Estes cerealistas atuam em prol do setor da indústria de
                                          transformação (multi) nacional, que concentram praticamente
                                          toda a produção cacaueira que, também, se caracterizam como
                                          monopsonistas na cadeia do cacau (amêndoa) na RI Xingu.
                                          Formada por uma unidade industrial de cosmético, situada no
                                          município de Benevides, RI Metropolitana, que realiza o
                    Indústria de
                                          processamento de sementes, resinas, castanhas, cascas e polpas
                    transformação
                                          provenientes de florestas nativas ou áreas cultivadas em terras
    Estadual
                                          de agricultores, que também refina óleos de frutas;
                                          Atacadistas que transacionam volumosas quantidades de cacau
                                          seco, por meio de contratos com as maiores processadoras de
                    Atacado
                                          cacau do Brasil, ou seja, do setor da indústria de transformação
                                          (multi) nacional.
                                          Grandes empresas nacionais e multinacionais que se dedicam
                                          na moagem da amêndoa extraindo a manteiga de cacau,
                    Indústria de          líquor3, torta e o pó de cacau, para depois serem vendidos para
                    transformação         as indústrias chocolateiras, que os transformam junto com
    Nacional                              outros ingredientes (principalmente açúcar e leite em pó) em
                                          chocolate;
                                          Comércio varejista situado fora do Estado que vende para o
                    Varejo urbano
                                          consumidor nacional.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


            Os produtores possuem áreas com dimensões que variam de 15 a 560 hectares,
localizadas em Medicilândia, Uruará, Placas, Brasil Novo, Altamira, Pacajá e Anapu. Dos


3
    O líquor de cacau é uma pasta grossa e viscosa, marrom-escura, quando se prensa obtém a manteiga e o pó de
    cacau (A NOTICIA, 2008). As porcentagens do chocolate dizem respeito à quantidade de líquor.
44


entrevistados sete afirmaram não possuir local para armazenamento, os demais citaram
possuir entre um a dois armazéns, já a cooperativa afirmou que detém vários galpões. Com
relação ao tamanho dos espaços para armazenamento os agentes citaram que variam de 10 m2
a 900 m2, com capacidades de 5 t a 100 t os menores, e outro com capacidade para 5 mil
toneladas, para armazenar a produção da safra que, segundo os agentes, vai do mês de maio a
setembro. De acordo com os agentes, na pós-safra do Xingu o preço da semente seca cai na RI
em estudo, devido à compra do cacau da Bahia (com pico de safra de setembro a novembro) e
da Costa do Marfim, provocado pela baixa produção dos frutos no Xingu, o que torna inviável
o comércio com custo alto em transporte, para levar uma produção insignificante comparada à
safra.
         Um atacadista também possui área de plantio de três alqueires (18 tarefas, sendo
uma tarefa equivalente a 50mx50m cada) com 18 mil pés de cacau, que produz em média
6.000 Kg.
         Os meios de transporte mais utilizados para escoamento da produção foram trator,
caminhonete, caminhões, moto, ônibus, F 1000, carro pequeno, L 200 e bicicleta. Quando o
produtor familiar é desprovido de meios de transporte e não tem como levar a produção para o
atacadista, acaba juntando a produção com outros colonos, que vendem para comerciantes
(donos de mercadinhos localizados próximos às áreas de produção) a preços mais baixos, em
troca de mercadorias.
         Os equipamentos empregados no beneficiamento primário do cacau seco são:
barcaças (construções de madeira com bandejas fixas e teto móvel, com medidas de 6mx12m
que servem para secagem das sementes), prensa de madeira para colher a polpa, medidor de
umidade, separador, peneira, balanças de 300 kg e calculadora. E os utensílios são facão ou
cutelo para cortar o fruto e posterior tiragem das amêndoas e podão para colheita, ambos
utilizados pelos produtores.
         Quanto aos problemas relacionados ao armazenamento os agentes citaram que as
vendas são feitas imediatamente, devido à grande procura pelo produto no mercado. Citaram
ainda que, a perda esteja relacionada ao fator umidade, que favorece a quebra da produção da
semente por saca e, que necessitam de estufas para facilitar a secagem, principalmente nos
meses de maior intensidade de chuva.
         O tempo de trabalho é em horário comercial, durante o ano todo, com muitos
estocando e fornecendo o produto conforme flutuação da bolsa de valores. A comercialização
do cacau envolve grande quantidade de pessoas, geralmente entre quatro a trinta. Na época da
safra contratam carregadores/diaristas para ensacar e descarregar a produção. De acordo com
45


as entrevistas, existem famílias que vivem do sistema de meia na região, que é tradicional,
com cerca de 100 delas que trabalham na colheita dos frutos, em regime de meia, na área de
produção de outros agentes, e a renda é dividida entre as partes.
         A mão-de-obra do produtor rural é familiar, já os carregadores recebem entre R$
10,00 a R$ 25,00 por tonelada e os funcionários fixos salário mínimo. Citaram ainda que se
houvesse assistência técnica e extensão rural aumentaria a produtividade e a manutenção das
estradas ajudaria no escoamento, outros citaram que é necessário melhorar a distribuição de
energia elétrica, além de haver incentivo dos órgãos de fomento locais ou de capital de giro
próprio para o plantio e aumento da produção, pois muitos deixam de plantar por não terem
subsídios para comprarem os equipamentos/materiais e comercializarem.
         Segundo informações da CEPLAC local, o município de Medicilândia é o maior
produtor de cacau orgânico da região, com produtividade média de 900 kg/ha. Citaram ainda
que em sete municípios a área plantada com produção “safreira”, em 2008, chegou a 40 mil
hectares e, a área em desenvolvimento (sem produção) a 12 mil hectares plantados. E que na
época, a expectativa, até o final de 2009, girava em torno de 20 mil ha em desenvolvimento e
45 mil ha de cacau safreiro, ou seja, com oito mil hectares a mais em um ano.
         Sobre o “programa de produção orgânica”, segundo os agentes, o objetivo é produzir
cacau do mais alto padrão de qualidade. Eram 150 propriedades, com cinco famílias de cada
propriedade, envolvidas no projeto, abrangendo os municípios de Medicilândia, Brasil Novo,
Pacajá, Vitória do Xingu e Anapu com produção de açaí, cupuaçu e cacau, com selo de
certificação. A extensão de certificação para o comércio justo garante qualidade de vida para
os envolvidos na comercialização. Uma organização não governamental (ONG) de Altamira,
responsável pelo primeiro movimento de direitos humanos da transamazônica, é uma das
parceiras deste projeto. O Programa de Produção Orgânica trabalha com 1.000 ha, com
retirada de 600 toneladas de cacau/ano, distribuídos em 250 Toneladas para comerciantes e
100 toneladas, por ano, para uma indústria de transformação que trabalha com cosméticos na
RI Metropolitana. A empresa compra apenas o cacau tipo 1, o restante da produção que não
atingiu o padrão 1 é vendido localmente para os comerciantes. As vendas são feitas de forma
coletiva. Citaram ainda que para dar certo, precisa que os produtores certifiquem suas áreas e
os processos de produção, já que no processo tradicional utilizavam adubos químicos e para a
certificação é necessário que o agricultor gradativamente mude sua forma de trabalhar,
protegendo rios, lagos e a sustentabilidade ambiental com agregação de valor ao produto. Já
estavam certificadas 153 áreas e 40 estavam no processo de transição ou adequação para a
agricultura orgânica.
46


        b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do cacau amêndoa.
        A Figura 4 permite visualizar as proporções da quantidade identificada do cacau
(amêndoa) que transitam entre os diferentes setores. Constituindo assim, os canais de
distribuição (ou canais de comercialização) do fruto nos dez municípios da RI Xingu.
        Conforme Santana (2005) cada conjunto de intermediários que desempenham algum
tipo de atividade relacionada ao escoamento da produção - do produtor até o consumo final - é
um nível do canal de distribuição. Nesse contexto, o principal nível de canal de distribuição
do cacau amêndoa (Figura 4) identificado com as maiores quantidades comercializadas foi a
realizada pela compra do setor atacadista local de 91,8% das amêndoas diretamente do setor
da produção local e 7,0% do setor varejista rural, que por outro lado, venderam 90,5% das
amêndoas para o próprio setor, isto é, cerealistas vendendo para os representantes das
moageiras baianas localizados em Altamira, 2,1% para o setor atacadistas estadual, estes por
sua vez localizados nos municípios de Santa Izabel e de Castanhal da RI Guamá, que possuem
acordos ou contratos de suprimento da matéria prima (amêndoa de cacau) com as indústrias
moageiras localizadas no estado da Bahia, 96% para a industria de transformação nacional e,
por último, se a venda de 0,7% da produção identificada para a industria do ramo de
cosmético (industria de transformação estadual).
        FIGURA 4- Estrutura (%) da quantidade amostral do cacau amêndoa comercializado na RI
        Xingu, estado do Pará, em 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        O setor atacadista estadual compra diretamente dos varejistas locais 1,2% da
produção identificada, pois interagem com os setores locais e de outras regiões de integração
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(principalmente das RI Tocantins e Guamá) para reunir quantidades suficientes para atender
as maiores indústrias moageiras nacionais. Desta forma, as maiores empresas demandantes de
cacau (amêndoa) produzido nos dez municípios estudados estão nos setores atacadistas locais
e estaduais, e se comportam num ambiente monopsonistas, ou seja, setor caracterizado com
pequeno número de empresas atuando no mercado de compra de insumo (no caso a amêndoa
de cacau).
        c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia
           do cacau amêndoa, em 2010.
        Os preços da amêndoa do cacau praticados pelos agentes da cadeia variam conforme
movimento das duas principais bolsas internacionais (Nova York e Londres), apresentando
assim um alto índice de instabilidade, pois o cacau é uma commodity.
        Com relação ao principal elo da cadeia de comercialização (Figura 5), o setor
atacadista local comprou da produção a R$ 4,63/kg, e do varejo rural a R$ 4,84/kg e de outros
agentes do próprio setor a R$ 5,23/kg (os cerealistas que vendem para os representantes das
empresas moageiras baianas localizadas em Altamira). Por outro lado, os preços de venda
praticados pelos atacadistas locais são: R$ 7,35/kg com a indústria de transformação estadual,
R$ 5,37/kg com os atacadistas estaduais e com as indústrias de transformação nacional
(moageiras) a R$ 6,51/kg (Figura 5).
        FIGURA 5- Preço médio do cacau amêndoa (R$/kg) praticado nas transações entre os
        setores da cadeia de comercialização, em 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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           No segundo canal de comercialização mais expressivo, os varejistas rurais compram
a amêndoa de cacau a um preço de R$ 4,44/kg dos produtores locais, e as vende a R$ 4,84/kg
para os atacadistas locais e a R$ 4,91/kg para os atacadistas estaduais (Figura 5). Com
relação ao preço de venda dos produtores locais com o setor de transformação estadual o
preço é de R$ 7,70/kg devido à quantidade comercializada ser menor em relação aos outros
setores.
           d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do cacau
              amêndoa.

           A soma do valor recebido pelos agentes que realizaram a oferta do cacau em forma
de amêndoa a partir da RI Xingu, foi estimado da ordem de R$ 1,5 bilhão (Gráfico 1), o
mercado nacional foi quem mais arrecadou, cujo valor se aproximou de R$ 806 milhões,
aproximadamente 52% do VBP total, sob a ótica da oferta, e é composto por setores que não
pertencem a esta região e tão pouco ao estado do Pará. O mercado estadual adquiriu mais de
R$ 12,5 milhões (1% do VBP total) e o local, constituído por setores situados nos município
que integram a RI Xingu, contabilizou um pouco mais de R$ 723,1 milhões, algo em torno de
47% do VBP total.
           GRÁFICO 1- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do cacau amêndoa da
           RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.




           Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
           Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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        Dos valores adquiridos pelos setores que integram e que transacionaram a partir do
mercado local, o setor produção (VBPα), setor composto pelos agroextrativistas dos dez
municípios da RI em estudo, foi responsável por aproximadamente R$ 206,4 milhões (29% do
VBP formado na região), oriundos das transações realizadas predominantemente no âmbito
local (Gráfico 1), pois, deste montante, mais de 99% foram das vendas aos agentes mercantis
da demanda intermediária local, sendo: R$ 190 milhões (92% do VBPα) foram das vendas ao
setor atacadista e, R$ 16,3 milhões fora negociado com o setor de varejo rural. O restante, os
agroextrativistas, mais organizados, venderam para a indústria de transformação no âmbito
estadual, localizada na RI Metropolitana, mais especificamente no município de Benevides.
Com relação aos outros setores do âmbito local, o varejo rural, onde estão inseridos os
atravessadores que compraram diretamente no lote do produtor, também, venderam para o
setor atacadista local e estadual adquirindo R$ 17,9 milhões (2% do VBP local), no entanto,
as vendas no local tiveram uma representatividade de mais de 85%, pois de acordo com os
entrevistados, os custos são menores e, deste modo, a lucratividade é maior.
        E por fim as transações mais complexas na cadeia deste produto e, cujo setor
atacadista foi quem mais arrecadou com as vendas da amêndoa do cacau no âmbito local, com
um valor estimado em mais de R$ 498,8 milhões (69% do VBP local). Dos quais R$ 211,9
milhões corresponderam às vendas entre as agentes do mesmo setor, ou seja, cerealistas
localizados nos centros urbanos dos dez municípios da RI, os quais vendem diretamente aos
cerealistas, localizados no município pólo da RI e, que representam, até no nome, as grandes
indústrias alimentícia deste produto no âmbito nacional, quanto para outros atacadistas da RI
Guamá (Castanhal e Santa Izabel do Pará) arrecadando algo próximo de R$ 5 milhões; R$ 2,3
milhões corresponderam às vendas das cooperativas de agroextrativistas diretamente à
indústria de transformação do ramo da produção de cosméticos e perfumaria da RI
Metropolitana e; R$ 279,6 milhões corresponderam às vendas dos cerealistas “representante”
da cidade pólo da RI em estudo para a indústria de transformação nacional, de modo
específico do estado da Bahia.
        Com relação ao VBP obtido com as vendas realizadas a nível estadual, no valor
estimado de R$ 12,5 milhões, conforme o Gráfico 1, R$ 9,1 milhões foram provenientes das
vendas do setor de atacado do município de Santa Izabel do Pará e Castanhal diretamente às
mesmas indústria de transformação nacional, indústrias processadoras do cacau amêndoa
localizadas no estado da Bahia. E, o restante R$ 3,4 milhões corresponderam às vendas da
indústria de perfumaria e cosmético ao demandante final nacional.
50


        No sistema nacional, onde o valor das vendas foi estimado em R$ 806 milhões
(Gráfico 1), R$ 331, 5 milhões foi com a participação da indústria de transformação, setor
que demandou 52% da produção (identificada) a partir da região em estudo e, depois de
processá-lo os vendeu ao setor de varejo urbano nacional (composto pelas redes de
supermercado), que por sua vez venderam ao consumidores finais nacionais, arrecadando R$
474,5 milhões.
        Pelo exposto, verificou-se que na formação do VBP total, estimado em mais de R$
1,5 bilhão, sob a ótica da oferta, teve este como principal demandante as indústrias de
transformação localizadas no âmbito nacional, mais especificamente do estado da Bahia, uma
vez que, parte dos cerealistas no mercado atacadista local quanto estadual vendeu a este setor.
Este VBP, dependendo da oferta e do câmbio podem variar, no entanto, este setor continuará
sendo o maior demandante.
        e) VAB - gerado na comercialização do cacau amêndoa e a margem de
           comercialização de cada setor (%).
        O VAB ao longo da cadeia de comercialização do cacau amêndoa, desde o setor alfa
(produção) da RI Xingu até o consumidor final, foi de R$ 477,9 milhões (Gráfico 2), que
resultou em uma margem bruta de agregação de valor ao produto, ou mark-up total, na
comercialização de 132%. Esta margem calculada a partir do valor total do VAB (R$ 477,9
milhões), menos o VBPα (R$ 206,4 milhões), dividido pelo VBPα -(R$ 206,4 milhões), expõe,
em termos percentuais, o quanto foi adicionado ou transacionado a este recurso, ao longo de
toda a cadeia de comercialização, a partir do setor alfa (α). É imperativo afirmar que apesar
deste valor de mark-up expressivo, o setor alfa, foi quem mais agregou valor a nível local,
assim como, também, a nível estadual, pois após realizar a produção, extração e secagem da
semente, não houve beneficiamento (agregação) ao fruto, antes da sua transformação em
chocolate, realizado no âmbito nacional.
        O cálculo do VAB é necessário porque identifica onde a economia está em processo
de crescimento, uma vez que expõem as ações de beneficiamento, transformação e/ou
majoração de preço que este produto adquiriu nos setores ao longo das cadeias de
comercialização antes do demandante final. Este valor expõe também, a forma como essa
riqueza foi distribuída entre os diversos setores que contribuíram, direta ou indiretamente,
para a sua geração.
51


         GRÁFICO 2- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização do cacau amêndoa da RI
         Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         Assim sendo, o sistema local obteve uma agregação de valor ao produto de R$ 289,6
milhões, equivalente a 61% do VAB total (Gráfico 2). Na composição deste valor, houve a
participação predominante do setor da produção, pois sua agregação foi na ordem de R$ 206,4
milhões, equivalente a 71% do VAB local, pois foi quem realizou o beneficiamento primário
deste produto, que correspondeu tanto à extração da semente do fruto acrescentado os custos
dos insumos utilizados, quanto ao processo de secagem da semente, antes das vendas aos
setores da demanda intermediária local e estadual. De modo geral, o setor da produção
transacionou valor efetivo, isto é, agregou valor ao produto, somente no que se referiu às
vendas e, por isso, não foi estimado o seu valor de mark-up, calculado a partir da relação entre
o valor do VAB realizado no setor, pelo valor do VBP, pela ótica da demanda, ou seja, o
somatório do valor da compra de insumos realizada pelo setor.
         Ainda no mercado local o setor varejo rural agregou aproximadamente R$ 1,5 milhão e
constituiu um mark-up de apenas 9% (relação dos valores estimados do setor: VAB - R$ 1,5
milhão, com VBP, sob da demanda - R$ 16,3 milhões). O setor atacadista, por sua vez,
adicionou mais de R$ 81,7 milhões conseguindo um valor de mark-up de 20% (Gráfico 2). O
mesmo comportamento aconteceu no âmbito estadual com o setor atacadista, que adicionou R$
1,5 milhão e mark-up de 20%. Enquanto que a indústria de transformação apesar de ter
agregado R$ 953,4 mil constituíram um mark-up de 40% utilizando processos tecnológicos que
52


utilizam o cacau amêndoa como matéria prima para a fabricação de produtos finais: cremes,
sabonetes, etc.
           Com relação ao VAB constituído no âmbito nacional, o setor de varejo urbano
adicionou R$ 143 milhões e constituiu um mark-up de 43% pela majoração de preço do
produto (cacau amêndoa) já transformado em vários produtos finais, tais como: chocolate em
barra, em caixa de bombons sortidos, licor, chocolate em pó entre outros produtos. A indústria
de transformação, por conseguinte, adicionou mais de R$ 42,7 milhões e estabeleceu um valor
de mark-up de 15%, pois foi o setor que realizou vários processos de automatizados para a
fabricação dos produtos finais acima citados. Sendo assim, este valor adicionado está
fortemente relacionado tanto à sua capacidade instalada quanto ao grau de negociação
(monopsonista) que mantém com outros setores do mercado local e estadual, em particular o
atacado.
           Por tanto, no que se referiu ao VAB total, equivalente ao VTE, ao longo da cadeia de
comercialização do cacau amêndoa, observou-se que a prática da diferenciação de preço
praticado, que de modo geral, significou a compra do Kg do produto por preços a baixo do
determinado fora da RI (ou seja, mercado internacional), resultou em 48% do VAB total,
praticado pelos atravessadores e cerealistas. As indústrias processadoras deste produto,
localizadas no estado da Bahia e na RI Metropolitana, foram responsáveis por apenas 9% do
VAB, propiciado simultaneamente pelo grau de especialização/negociação deste setor, quanto
pela sua capacidade instalada, assim como, pelo fato das poucas ações de beneficiamento e/ou
transformação que este recurso adquiriu antes das compras realizadas pelo setor, que juntamente
por serem os únicos canais de comercialização monopolizam o mercado.
           f) RBT (em R$), gerada pela ótica da demanda, na comercialização do cacau
              amêndoa.

           No que diz respeito à Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na
comercialização deste produto e, contabilizada na ordem de R$ 1,5 bilhão, o sistema local foi
responsável por 47%, o estadual 1% e o nacional 52% (Gráfico 3). Este montante da RBT
tem sua origem na soma do valor de compra de insumo (VBP, pela ótica da demanda) com
VTE, que corresponde ao valor estimado para o VAB total formado pelos setores ao longo da
cadeia de comercialização.
53


        GRÁFICO 3- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do cacau
        amêndoa, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da
        RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        Na RI Xingu, sistematizado como mercado local e, cuja RBT somou mais de R$
723,1 milhões, o setor atacadista foi quem gerou a maior renda bruta, no valor de R$ 498,8
milhões, com as vendas tanto para agentes mercantis do mesmo setor (local e estadual) como
para as indústrias de transformação (estadual e nacional), resultante da compra do cacau
amêndoa no valor de R$ 471,1 milhões e agregação num montante de R$ 81,7 milhões
(Gráfico 3). O varejo rural arrecadou em torno de R$ 17,8 milhões com as vendas para o
atacado local e estadual, resultante da soma de compra do cacau amêndoa no valor de R$ 16,3
milhões e agregação de aproximadamente R$ 1,5 milhão. No que tange a renda bruta do setor
de produção (α), no valor de 206,4 milhões, que corresponde a, somente a 13% do montante
da RBT estimada ao longo de toda a cadeia de comercialização, foi resultante da venda para
os setores econômicos que compõem o sistema local e estadual. Vale destacar que o setor alfa
transacionou o produto já em forma de amêndoa (e, na maioria das vezes sempre com a
semente seca), contudo, a sua renda poderia ser maior se sua capacidade produtiva (meios de
produção) não fosse restrita, fato imposto pela escassez de capital para investimentos em
máquinas, equipamentos e produtos químicos de combate as pragas e doenças. Assim como,
também, pelos preços praticados serem considerados muito baixos e não diferenciados (os
agentes mercantis de um setor, por ex. atacado, pagam o mesmo preço), o qual é fonte
inibidora tanto do aumento da produção quanto da entrada de novos produtores.
54


        Com relação à renda bruta na esfera estadual, contabilizado em mais de R$ 12,5
milhões, foi obtido com a venda do setor de atacado o valor de R$ 9,1 milhões resultante da
compra da amêndoa o valor aproximado de R$ 7,6 milhões e pelo valor agregado na
comercialização do produto no valor de R$ 1,5 milhão (Gráfico 3). E o restante da RBT, R$
3,4 milhões fora das vendas da indústria de transformação, resultante da compra do insumo no
valor de R$ 2,4 milhões e agregação estimada em R$ 953,4 mil. Na esfera nacional, com RBT
estimado em R$ 806 milhões, esta foi resultante da interação de dois setores: indústria de
transformação e varejo urbano. Sendo R$ 331,5 milhões de responsabilidade da indústria de
transformação, que comprou a amêndoa dos setores atacadistas no R$ 288,6 milhões e
agregação de R$ 42,7 milhões, antes da venda para o outro setor nacional, o varejo urbano,
que obteve, por sua vez, uma receita de aproximadamente R$ 474,5 milhões.
4.3.2 Urucum
        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
           urucum.
        Foram identificados quatorze agentes mercantis do produto (Figura 6), que além do
urucum, também comercializam cacau. Estão no ramo, em média, há 10 anos (variação de 4 a
27 anos). Dentre os agentes nove são atravessadores, um é atacadista, um produtor e três são
comerciantes.
        FIGURA 6- Localização dos agentes mercantis do urucum na RI Xingu, estado do Pará, no
        ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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           O Quadro 2 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
deste produto, de acordo com os respectivos setores.
QUADRO 2- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do urucum da RI Xingu,
estado do Pará, no período de 2010.

 MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS
                                        Produção primária do urucum, coletada por agroextrativistas
                                        pertencentes ao município de Rurópolis, que integra a RI
Extralocal        Produção
                                        Tapajós. Eles realizam a secagem e posteriormente a
                                        comercialização das sementes.
                                        Produção primária do urucum, coletada por agroextrativistas,
                  Produção              que realizam a secagem e posteriormente a comercialização das
                                        sementes;
                                        Atravessadores que compram o urucum (sacas de sementes) dos
                  Varejo rural
                                        produtores locais;
Local
                                        Cerealistas, localizados nos centros urbanos dos municípios que
                  Atacado               compõem a RI Xingu, que se caracterizam por serem os
                                        monopsonistas na cadeia de comercialização deste insumo;
                                        Pequenos comerciantes (mercearias) que comercializam o
                  Varejo urbano
                                        urucum na forma de semente para o consumidor final local.
                                        Uma indústria que realiza transformação do urucum em colorau
                  Indústria de          (colorífico), obtido por trituração das sementes, usualmente
                  transformação         misturadas a certo teor de outros grãos (milho, trigo, entre
Estadual                                outros);
                                        Supermercado que comercializa o urucum transformado em
                  Varejo urbano
                                        colorífico para o consumidor final estadual.
                                        Corresponde a(s) indústria(s) que realizam transformação do
                  Indústria de          urucum em colorau (colorífico), obtido por trituração das
                  transformação         sementes, usualmente misturadas a certo teor de outros grãos
Nacional                                (milho, trigo, entre outros);
                                        Redes de supermercados que comercializam o urucum
                  Varejo urbano         transformado em colorífico para o consumidor final nacional.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


           O produtor possui propriedade rural com área de 10 alqueires. Os agentes em geral,
possuem local para armazenamento com tamanhos que variam de 12 m2 a 200 m2, e como
meio de transporte utilizam moto, caminhão e caminhonete.
           Todos os agentes, exceto o produtor, possuem equipamentos como balança,
máquinas de debulha, secadoras de semente com capacidades não informadas, moinho e pilão.
           O espaço insuficiente para armazenar a produção foi um problema citado pelos
agentes. Com relação à mão de obra, a quantidade de pessoas envolvidas foi de uma a quatro,
sendo que os atravessadores pagam entre um salário mínimo a R$ 600,00 para os
carregadores. O tempo de trabalho é ao longo do ano, mas os atravessadores, no período de
56


safra, chegam a contratar de dois a cinco temporários que recebem diárias de R$ 25,00 por
saca de semente de urucum debulhado e seco, e R$ 0,50 por saca de 60 kg carregada.
         Foi informado que existem outros agentes que trabalham com o produto na região,
todavia não foram localizados. Para melhoria da capacidade de produção é necessário
assistência técnica para produção do urucum bem como adubação e um espaço físico maior
visto que dificulta a comercialização.
         b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do urucum.
         A cadeia de comercialização do urucum consiste em níveis de canais não muito
complexos, da produção identificada (em torno de 240 toneladas), a maior parte convergiu
para um dos setores de comercialização que foi quem transacionou para além do sistema
local.
         Do total da produção identificada pela pesquisa, 99,2% são oriundos da própria RI
Xingu e o restante (0,8%) foi originário da RI Tapajós (Figura 7). O principal canal de
comercialização do urucum foi formado pelo setor atacadista local que comprou 90,9% da
produção local, toda a produção extralocal (0,8%) e mais 0,2% do varejo rural, totalizando a
compra de 91,9% da produção total identificada. Este mesmo setor, composto por cerealistas,
vendeu 66,9% para o mercado nacional (sendo 60,7% para a indústria de transformação e
6,2% para o varejo urbano, ambos localizados em alguns dos Estados do Nordeste Brasileiro:
Piauí e Bahia) e; 25% o setor forneceu ao mercado estadual, mais especificamente para a
indústria de transformação localizada na RI Guamá, cujo pólo, município de Castanhal,
concentra sua economia industrial voltada para o ramo dos produtos alimentícios. O restante
da produção local identificada (8,1%), os agroextrativistas comercializaram com o setor de
varejo urbano local (0,1%) e 8,0% diretamente com os consumidores (Figura 7), realizadas
principalmente na safra deste produto em feiras livres.
         No que se refere às quantidades deste produto movimentadas no âmbito estadual, o
setor de indústria de transformação estadual, composta por uma indústria alimentícia , que
adquiriu do setor atacadista local (60,7%), vendeu todo o produto já transformado para o setor
de varejo urbano (supermercado), a fim de atender o consumidor estadual. Já no âmbito
nacional, o consumidor adquiriu 66,9% da produção identificada junto ao varejo urbano
(redes de supermercados), que por usa vez, adquiriu o produto transformado e/ou beneficiado
da indústria de transformação e atacado local (Figura 7).
57


        FIGURA 7- Estrutura (%) da quantidade amostral do urucum comercializado na RI Xingu,
        estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia
           do urucum, no ano de 2010.
        O preço médio de compra de insumo (urucum) praticado pelos atacadistas
(cerealistas) com os produtores locais foi de R$ 1,10/kg e extralocais R$ 1,20/kg da semente
de urucum (Figura 8), no entanto, ele chegou a adquirir a R$ 1,70/kg junto aos
atravessadores. Para o produtor foi mais rentável vender o produto nas feiras e mercados da
RI Xingu, pois vendeu a R$ 6,00 para o varejo urbano e a R$ 6,67/kg diretamente ao
consumidor local, que paga bem menos de quando adquiri o produto do varejo urbano local a
R$ 10,00. Nestes dois casos, os consumidores finais locais da cadeia pagaram mais pelo
produto. Os cerealistas, por sua vez, venderam a R$ 1,50/kg para a indústria de transformação
estadual e a R$ 1,59/kg para a indústria nacional, mas adquiriram um preço melhor quando
venderam para o varejo urbano nacional (R$ 2,35/kg).
        No mercado estadual, o preço de venda praticado pela indústria de transformação
com o varejo urbano chegou a R$ 1,87/kg da semente transformada em colorau, o varejo
urbano, por sua vez, os vendeu a R$ 2,33/kg para o consumidor (Figura 8). No sistema
nacional, nas redes de supermercados o consumidor pagou pelo colorau R$ 2,48/kg.
58


        FIGURA 8- Preço médio do urucum (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da
        cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do urucum.

        Na soma do valor recebido por todos os agentes que realizaram a oferta do urucum a
partir da RI Xingu e, de outras regiões de integração, foi contabilizado na ordem de R$ 5,6
milhões (Gráfico 4). Na formação deste valor, o mercado local arrecadou um valor que se
aproximou de R$ 2,4 milhões (44% do VBP total, sob a ótica da oferta), adquirindo assim, a
maior parte deste montante. O mercado estadual adquiriu mais de R$ 852,8 mil (15% do VBP
total) e o mercado nacional contabilizou um pouco mais de R$ 2,3 milhões (mais de 41% do
VBP total).
        No que diz respeito ao VBP local, praticamente este valor foi oriundo das ações de
dois agentes. Pelo valor adquirido pelo setor produção (VBPα), setor composto pelos
agroextrativistas, aproximadamente R$ 1,2 milhão (Gráfico 4), correspondeu a 50,90% do
VBP das vendas locais, oriundos das transações realizadas estritamente no âmbito local do
percentual referenciado: R$ 818,7 mil foram das vendas realizadas ao setor atacadista, R$
433,8 mil das vendas aos consumidores locais, R$ 2,5 mil fôra negociado com o setor de
varejo rural e R$ 731,00 foram das vendas aos feirantes. Frisa-se, no entanto, que R$ 8,1 mil
foram provenientes das vendas realizadas pelos agroextrativistas localizados em outra Região
de Integração, consubstanciado como agentes extralocais. Sendo que, 0,6% do VBPα total,
foram pagos aos sediados no município de Rurópolis, pertencente a RI Tapajós, que venderam
59


este produto in natura (no período de safra) para o setor de atacadista no município de
Altamira, pertencente a RI em estudo.
         GRÁFICO 4- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do urucum da RI
         Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         E pelo valor proveniente do setor atacadista, onde estão inseridos os grandes
compradores, característica inerente dos cerealistas que, por sua vez, venderam para o setor de
transformação estadual (R$ 304,6 mil) e principalmente para o setor de transformação
nacional (R$ 784,6 mil) e varejo urbano nacional (R$ 119,3 mil), totalizando o equivalente a
R$ 1,2 milhão (49% do VBP local). O restante do VBP local, um pouco menos de 1% do
arrecadado, foi oriundo das vendas dos atravessadores aos cerealistas no valor R$ 2,9 mil e
das vendas dos feirantes (varejo urbano) aos consumidores locais, o qual orçou R$ 1,2 mil,
sob a ótica da oferta (Gráfico 4).
         Com relação ao VBP obtido com as vendas realizadas no mercado estadual e
estimado em R$ 852,8 mil, conforme o Gráfico 4, este foi proveniente das vendas do setor de
indústria de transformação do ramo alimentício, localizadas no município de Castanhal (RI
Guamá), para o varejo urbano, composto pelas redes de supermercado, no valor de R$ 379,7
mil. E das vendas do setor de varejo urbano para os consumidores estaduais finais no valor de
R$ 473,1 mil.
60


        No sistema nacional, onde o valor das vendas foi estimado em R$ 2,3 milhões
(Gráfico 4), de modo que, R$ 978,3 mil corresponderam a participação da indústria de
transformação do ramo alimentício localizadas nos estados da Bahia e Piauí, setor que
demandou mais de 66% do produto a partir da região em estudo e da Região de Integração
Tapajós, que depois de processá-lo os vendeu ao setor de varejo urbano (composto pelas redes
de supermercado), que por sua vez venderam aos consumidores finais nacionais obtendo um
montante de R$ 1,3 milhão.
        Pelo exposto, verificou-se que formação do VBP total, de aproximadamente R$ 5,6
milhões, sob a ótica da oferta,que este teve como principal demandante as indústrias de
transformação localizadas tanto no âmbito estadual quanto nacional, mais especificamente as
dos estados do Nordeste (Bahia e Piauí), tendo nos cerealistas (atacado local) os seus
fornecedores.
        e) VAB - gerado na comercialização do urucum e a margem de comercialização de
           cada setor (%).
        O VAB ao longo da cadeia de comercialização do urucum, desde o setor alfa
(produção) da RI Xingu até o consumidor final, foi contabilizado em R$ 2,2 milhões (Gráfico
5), que resultou em uma margem bruta de agregação de valor ao produto, ou mark-up total, na
comercialização de 80%. Esta margem calculada a partir do valor total do VAB (R$ 2,2
milhões), menos o VBPα (R$ 1,2 milhão), dividido pelo VBPα (R$ 1,2 milhão), expõe, em
termos percentuais, o quanto foi adicionado ou transacionado à este recurso, ao longo de toda
a cadeia de comercialização, a partir do setor alfa (α). É imperativo afirmar que o valor de
mark-up pouco expressivo, evidencia que o setor alfa, foi quem mais agregou valor ao longo
de toda a cadeia de comercialização, pois além de plantar e colher (realizar a produção),
também realizou os processos de separação e secagem da semente, antes da sua utilização
pelas indústrias de transformações identificadas na cadeia.
        O cálculo do VAB é necessário porque identifica onde a economia está em processo
de crescimento, uma vez que expõe as ações de beneficiamento, transformação e/ou
majoração de preço que este produto adquiriu nos setores, ao longo das cadeias de
comercialização, antes do demandante final. Este valor expõe também, a forma como essa
riqueza foi distribuída entre os diversos setores que contribuíram, direta ou indiretamente,
para a sua geração.
61


        GRÁFICO 5- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização do urucum da RI Xingu,
        estado do Pará, estimado para 2008.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        Assim sendo, o sistema local obteve uma agregação de valor ao produto de R$ 1,6
milhão, equivalente a 73% do VAB total (Gráfico 5). Na composição deste valor, houve a
participação predominante do setor da produção, pois sua agregação foi na ordem de R$ 1,2
milhão (equivalente a 76% do VAB local), pois foi quem realizou o beneficiamento primário
deste produto, que correspondeu tanto à extração da semente do fruto quanto ao processo de
secagem da semente, antes das vendas aos setores do mercado local. De modo geral, o setor
da produção transaciona valor efetivo, isto é, agregou valor ao produto, somente no que se
referiu às vendas e, por isso, não foi estimado o seu valor de mark-up, calculado a partir da
relação entre o VAB realizado no setor e o VBP, pela ótica da demanda, ou seja, o somatório
do valor da compra de insumos realizada pelo setor.
        Ainda no mercado local o setor varejo rural agregou aproximadamente R$ 338,41 e
constituiu um mark-up de apenas 13% (relação dos valores estimados do setor: VAB - R$
338,41, com VBP - R$ 2,5 mil). O setor atacadista, por sua vez, adicionou mais de R$ 386,7
mil conseguindo um valor de mark-up de 47% (Gráfico 5). O varejo urbano adicionou R$
487,30 e constituiu um mark-up de 67%. Estes três setores agregaram valor através da
majoração de preços.
        Com relação ao VAB constituído no âmbito estadual (R$ 168,5 mil), o setor de
varejo urbano foi quem mais contribuiu para a contabilidade deste montante, pois adicionou
R$ 93,4 mil e constituiu um mark-up de 25% pela majoração de preços do produto (urucum)
62


já transformado em produtos finais. A indústria de transformação, por conseguinte, adicionou
R$ 193,7 mil e estabeleceu um mark-up de 25%, com os processos de automação, o qual
utiliza o urucum como insumo para a fabricação de produtos finais que auxiliam na
preparação de alimentos (condimentos e colorantes). O mesmo aconteceu no âmbito nacional
(VAB estimado em R$ 444, 3 mil), onde o setor de varejo urbano adicionou R$ 250,6 mil e
constituiu um mark-up de 23% pela majoração de preço. A indústria de transformação
adicionou R$ 193,7 mil e estabeleceu o maior valor de mark-up de 25%.
        f) RBT (em R$), gerada pela ótica da demanda, na comercialização do urucum.

        No que tange à Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização
deste produto e, contabilizada na ordem de R$ 5,6 milhões, o sistema local foi responsável
por 44%, o estadual 15% e o nacional 41% (Gráfico 6). Este montante da RBT tem sua
origem na soma do valor de compra de insumo (VBP, pela ótica da demanda) com VTE, que
corresponde ao valor estimado para o VAB total formado pelos setores ao longo da cadeia de
comercialização.
        GRÁFICO 6- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do urucum,
        considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu,
        estado do Pará, estimado para 2008.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        Na RI Xingu, sistematizado como mercado local e, cuja RBT somou mais de R$ 2,5
milhões, o setor atacadista gerou uma renda bruta, no valor de R$ 1,2 milhão, com as vendas,
63


principalmente, para as indústrias de transformação (estadual e nacional), resultante da
compra do urucum no valor de R$ 821,6 mil (sendo mais de 99% diretamente do setor da
produção e menos de 1% dos atravessadores) e agregação num montante de R$ 386,8 mil
(Gráfico 6). O varejo rural arrecadou em torno de R$ 2,9 mil com as vendas para o atacado
local, resultante da soma de compra do urucum no valor de R$ 2,5 mil e agregação de
aproximadamente R$ 338,41. O varejo urbano arrecadou em torno de R$ 1,2 mil com as
vendas para os consumidores locais, resultante da soma de compra do urucum no valor de R$
731,00 e agregação de aproximadamente R$ 487,30.
         Com relação à renda bruta do setor de produção (α), no valor de 1,3 milhão, que
corresponde a 22% do montante da RBT estimada ao longo de toda a cadeia de
comercialização (Gráfico 6), esta foi resultante da venda para os setores econômicos que
compõem o sistema local apenas, preponderantemente ao atacado e ao consumidor final. Vale
destacar que apesar do setor alfa ter transacionado o produto já em forma de semente, a sua
participação no montante da renda poderia ser mais significativa se estes setores estivessem
organizados (seja em sindicatos, associações ou cooperativas) a fim de concentrar a produção
e, depois vendê-la diretamente ao setor de transformação.
         Com relação à renda bruta obtida na esfera estadual, contabilizada em mais de R$
852,8 mil, esta foi obtida com as vendas do setor de indústria de processamento no valor de
R$ 379,7 mil que foi resultante da compra do insumo no valor aproximado de R$ 304,7 mil e
pelo valor agregado na comercialização do produto no valor de R$ 75,1 mil (Gráfico 6), das
vendas do varejo urbano no valor de R$ 473 mil, devido à compra de insumo no valor de R$
379,7 mil e agregação de R$ 93,4 mil, e por fim, na esfera nacional, com RBT estimada em
R$ 2,3 milhões, a qual foi resultante da interação de dois setores: indústria de transformação e
varejo urbano. Sendo R$ 978,3 mil de responsabilidade da indústria de transformação, que
comprou o produto dos setores atacadistas no R$ 784,6 mil e fez agregação de R$ 193,7 mil
antes da venda para o outro setor, varejo urbano, que obteve, por sua vez, uma receita de
aproximadamente R$ 1,3 milhão obtido com a venda para o consumidor nacional e, resultante
da compra do produto da indústria de transformação no valor aproximado de R$ 978,3 mil e
pelo valor agregado na comercialização do produto no valor de R$ 250,6 mil (Gráfico 6).
4.3.3 Açaí
         a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
            açaí.
         Foram identificados 64 agentes que comercializam o produto (Figura 9), sendo que
39 trabalham exclusivamente com o açaí. Os agentes estão divididos em trinta e seis
64


indústrias de beneficiamento (batedores), cinco produtores, dois varejistas (supermercados),
sete atravessadores, um atacadista (associação), oito indústrias de transformação (lanchonetes
e sorveterias), três agroindústrias e dois comerciantes. Alguns agentes trabalham há pouco
tempo no ramo (alguns meses a poucos anos) e os mais antigos há 20 anos. Esses agentes
exercem atividades paralelas como forma de complementar a renda, como moto taxista,
professor (a), pescador, pedreiro, serviços gerais, auxiliar de máquinas, roçador, segurança,
vendedor de marmita e vendedor de salgados.
         FIGURA 9- Localização dos agentes mercantis do açaí na RI Xingu, estado do Pará, no ano
         de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         O produto é comercializado em restaurantes, associações, sorveterias, lanchonetes,
supermercados e vendido também para a CONAB local, na forma de polpa, para produção de suco
servido na merenda escolar, e também para fabricação de sorvetes, doces e licores. Os frutos são
comercializados para batedores de açaí e indústrias de transformação que produzem em larga escala.
         Os produtores de açaí possuem áreas que vão de 25 a 750 hectares, localizados nos
municípios de Placas, Brasil Novo, Medicilândia, Altamira e Anapu. No que se refere ao local de
comercialização, cerca de cinquenta e cinco agentes possuem armazéns com dimensões que variam
de 6m² a 500m2, e outros utilizam espaços em suas próprias residências para armazenamento.
         Nesta região devido ao difícil acesso por estradas, os agentes utilizam diversos meios de
transporte para escoamento da produção como carros, motos, bicicletas, vans e caminhão com
suporte para 100 kg a 500 kg. E também se deslocam por meio de barcos para trazerem a produção
65


oriunda das áreas ribeirinhas. O carro de mão e o carro de picolé são utilizados para venderem o açaí
em litro na forma de polpa, acondicionado em isopores com gelo ou em forma de sorvete/picolé
pelas ruas da cidade.
           O Quadro 3 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste
produto, de acordo com seus respectivos setores e mercados.
Quadro 3- Descrição dos agentes mercantis na comercialização de açaí na RI Xingu, Estado
do Pará, no período de 2010.

 MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS
                                        Produção primária de açaizais das RI Marajó e Baixo
Extralocal        Produção              Amazonas, principalmente dos municípios de Gurupá e
                                        Almeirim.
                                        Produção primária de açaizais identificados nos municípios que
                  Produção              integram a RI Xingu;
                                        Atravessadores que se deslocam até o interior dos municípios e
                  Varejo rural
                                        compram o açaí in natura dos produtores locais e extralocais;
                                        Indústria que realiza o beneficiamento do açaí in natura, com a
                  Indústria de          utilização de máquinas despolpadeiras a fim de
                  beneficiamento        comercializarem a polpa do fruto. São as agroindústrias e os
                                        chamados “batedores de açaí”;
                                        Pequenas empresas alimentícias (sorveterias/lanchonetes) que
                  Indústria de
Local                                   realizam a transformação da polpa em outros produtos finais
                  transformação
                                        como sorvetes, doces e os vendem ao consumidor;
                                        Refere-se à intermediação da polpa de açaí pela Companhia
                                        Nacional de Abastecimento – CONAB junto a uma associação
                  Atacado
                                        (ind. beneficiamento local) que entregam o produto para a
                                        merenda escolar;
                                        Constituído por feirantes, médios comerciantes varejistas
                                        (mercearia), supermercados que realizam a compra do açaí em
                  Varejo urbano         polpa e vendem para o consumidor local. Assim como aqueles
                                        agentes que realizam a venda (para os batedores) nas ruas para
                                        posteriormente obter um percentual da venda.
                                        Indústrias que realizam o beneficiamento do açaí in natura,
                  Indústria de          com a utilização de máquinas despolpadeiras a fim de
                  beneficiamento        comercializarem a polpa do fruto. São os chamados “batedores
                                        de açaí”;
Estadual
                                        Pequenas empresas alimentícias que realizam a transformação
                  Indústria de          da polpa em outros produtos finais como sorvetes e/ou as
                  transformação         servem do mesmo modo que adquiriu ao consumidor. São as
                                        sorveterias/lanchonetes.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.




           O maquinário empregado para o beneficiamento dos frutos e produção das polpas
consiste em despolpadeiras de 5l e 18l, câmaras frias com capacidade de oito toneladas,
66


máquinas de sorvete, freezers com capacidade de 350l a 400l; pasteurizadores, geladeiras,
isopores de 60l a 160l; purificadores de água e contêiner de 30 toneladas. Outros
equipamentos auxiliares foram citados como, liquidificadores industriais, seladoras, mesas em
inox, decantadores, dosadores manuais, balanças e empacotadeiras eletrônicas.
        Os problemas relatados quanto ao armazenamento estão relacionados ao espaço
físico pequeno, necessidade de mais contêiner para armazenar a produção, a falta de energia
constante na região, que chega a ser de um a três dias consecutivos, além de ofertas de
basquetas plásticas no comércio local. E para os produtores/extrativistas que trazem a
produção via barco, a falta de proteção nas laterais das embarcações é um entrave, pois a
maresia joga água para dentro do barco, molhando as rasas com açaí, afetando a qualidade do
fruto e desvalorizando o produto.
        Com relação aos equipamentos e maquinários os problemas citados foram
relacionados à falta de conhecimento sobre o equipamento “selador de embalagem”, que foi
comprado em outra região o que impossibilitou a utilização do mesmo.
        No que tange a mão de obra, geralmente a indústria de beneficiamento (batedores)
utiliza a familiar, com apenas um membro, ou, às vezes, o pai, a mãe e o filho trabalhando
juntos para obter uma renda no período da safra. Foi relatado que o horário de funcionamento
das indústrias de beneficiamento funciona de 9h as 22h, com poucos trabalhando também na
entressafra devido à escassez do produto e o preço elevado. Mas, no caso específico de uma
indústria de beneficiamento de maior porte, a mão de obra é composta por seis funcionários,
sendo quatro funcionários fixos que recebem salário mínimo e dois vendedores, que recebem
R$ 50,00 semanalmente, estes funcionam em horário comercial durante o ano todo. Já as
indústrias de transformação chegam a contratar de um a seis funcionários que trabalham em
horário comercial o ano todo, recebendo salário mínimo, e em período de pico de safra, as
indústrias contratam ajudantes temporários que recebem diárias de R$ 25,00. O produtor
trabalha com a família no período de safra, que segundo eles, vai de junho a novembro, e a
entre safra, de dezembro a março. Um varejista, paga o valor de um salário mínimo para trinta
funcionários e o outro, conta com a ajuda de dois familiares. Já o atacadista, conta com seis
associados que recebem diárias de R$ 20,00.
        A produção de entressafra é oriunda dos municípios de Gurupá com safra de maio a
setembro, e Limoeiro do Ajuru, onde a safra acontece no período de setembro a dezembro.
        Para melhorar a produção os entrevistados citaram que seria de vital importância o
ajuste da energia elétrica que oscila constantemente prejudicando a produção de gelados, além
de informações dos órgãos de assistência técnica e saúde sobre o bicho barbeiro que afastou o
67


consumidor dos pontos de comercialização. Outros agentes citaram que há a necessidade de
capital de giro, infraestrutura nas estradas, conhecimento do mercado sobre o produto e sobre
o manejo do açaí. Segundo os produtores não existe plano de manejo para aumentar a
produtividade, cooperativas para ajustar o preço, licença ambiental para manejar a área e
financiamento para plantios.
            b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do açaí.
            Os    canais     de   comercialização        do    açaí   identificados      (Figura     10),    em
aproximadamente 1.367 toneladas, sendo 57% oriundos da própria RI e 43% oriundos de
outras regiões (7,4% RI Baixo Amazonas e 35,6% da RI Marajó), se caracterizam por canais
não muito complexos, apesar de abranger vários níveis de agentes intermediários entre a
produção local até o consumidor final, em dois dos três níveis de mercado (local e estadual).
O importante a se destacar é que a comercialização do açaí abasteceu basicamente o mercado
local.
            O principal nível de canal de comercialização do açaí (Figura 10) identificado com
as maiores quantidades foi a compra da indústria de beneficiamento local de 45,8% do total
da produção local, 8,1% da produção extralocal e 22,2% junto aos atravessadores rurais,
totalizando 76,1% da produção total identificada. E após realizar o beneficiamento do fruto,
venderam 72% diretamente aos consumidores locais, 0,5% para as sorveterias (indústria de
transformação), 0,5% para os atacadistas locais e, por fim, 3,1% para o varejo urbano, que em
alguns dos municípios da RI Xingu corresponderam às vendas realizadas por terceiros de
porta em porta, tendo direito a um percentual sob o preço de venda.
            No âmbito do mercado estadual, a indústria de beneficiamento de Gurupá (RI
Marajó) comprou 17,2% do fruto in natura do varejo rural e, vendeu em polpa para os seus
clientes de Gurupá, cuja transação realizou-se principalmente na entressafra (Figura 10). Já
as indústrias de transformação (lanchonetes e sorveterias) de Rurópolis (RI Tapajós) e
Santarém (RI Baixo Amazonas) compraram 0,1% do fruto in natura do setor da produção
local e, venderam para os seus consumidores.
            Na cadeia do açaí foi identificada a presença da Companhia Nacional de
Abastecimento (CONAB)4, que atua no Programa de Aquisição de Alimentos, do Ministério


4
    A CONAB é a empresa oficial do Governo Federal, encarregada de gerir as políticas agrícolas e de
    abastecimento, promovendo por meio seguro a comercialização eletrônica de produtos e serviços relacionados
    às atividades finalísticas e de produtos e insumos para terceiros e, também, presta serviço de armazenagem e
    de classificação de produtos agrícolas. Atua em todo o território nacional por meio de suas superintendências
    regionais localizadas nos estados. A CONAB atua como intermediador responsável junto às prefeituras pelo
    abastecimento da merenda escolar e entidades sociais no Programa de Aquisição de Alimentos (MDS e MDA).
68


do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome (MDS), sendo o intermediador responsável pelo abastecimento da merenda escolar e
entidades sociais no município de Anapú. Foi classificada como atacadista local que
comercializou aproximadamente 13 toneladas de açaí para o consumidor local, representando
0,5% do volume da produção identificada (Figura 10).
        FIGURA 10- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí comercializado na RI Xingu,
        estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia
           do açaí, no ano de 2010.
        O setor dos varejistas rurais (atravessadores) comprou o açaí ao preço médio de R$
0,67/kg dos produtores locais e a R$ 0,87/kg dos produtores extralocais (Figura 11). Em
seguida venderam em média a R$ 1,13/kg para a indústria de beneficiamento local, R$
1,14/kg para os consumidores locais e R$ 1,20/kg para os batedores de Gurupá (indústria de
beneficiamento estadual).
        Os batedores locais de açaí (indústria de beneficiamento) compraram por R$ 0,98/kg
diretamente da produção local e, por sua vez, venderam em média a polpa do açaí a R$
2,56/kg para a indústria de transformação, a R$ 1,60/kg para o varejo urbano local
(comerciante que vendeu a polpa em seu mercadinho) e R$ 1,65/kg para os consumidores
locais (Figura 11). O atacado local (CONAB) comprou da indústria de beneficiamento local a
R$ 2,63/kg e repassou para o consumidor final local (escolas publicas), já na forma de polpa.
69


        Com relação ao preço médio pago pelo consumidor final da RI Xingu, variou
conforme a forma da sua preferência pelo fruto, pois quando comprou a polpa (forma mais
comumente consumida) pagou R$ 1,32/kg para os agroextrativistas locais, R$ 1,14/kg para o
varejo rural, R$ 1,65/kg dos pequenos batedores (ind. de beneficiamento local) e, junto aos
atacadistas pagou R$ 2,63/kg, aos feirantes pagou R$ 2,07/kg, transações estas realizadas
principalmente na safra do fruto nas feiras e comércios da RI (Figura 11). No entanto, quando
o consumo se deu do produto transformado em sorvetes, doces, bombons (ind. de
transformação local), ele pagou em média R$ 38,45/kg isto é justificado pelo rendimento da
polpa. Esta diferenciação de preço pago pelo consumidor se processou também no âmbito
estadual, pois quando consumido em polpa pagou R$ 1,50/kg, mas quando se deu em forma
de sorvete pagou R$ 3,31/kg.
        FIGURA 11- Preço médio do açaí (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da
        cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do açaí.
        As somas dos valores recebidos por todos os agentes que realizaram as vendas
(oferta) do açaí a partir da RI Xingu e, de outras regiões de integração, foi contabilizado na
ordem de R$ 2,26 milhões. Deste valor, o sistema local recebeu em torno de 93%, o estadual
recebeu aproximados 7% (Gráfico 7).
70


        GRÁFICO 7- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da RI Xingu,
        estado do Pará, estimado para 2008.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        Do valor recebido pelos agentes mercantis que compõem os setores do mercado
local, os agroextrativistas agrupados no setor da produção (VBPα total) receberam mais de R$
603,2 mil, aproximadamente 29% do VBP total recebido pelos setores que ofertaram o
produto a nível local (Gráfico 7). Frisa-se, no entanto, que R$ 237,6 mil foram provenientes
das vendas realizadas pelos agroextrativistas localizados em outras regiões de integração,
consubstanciado como agentes extralocais. Sendo que, neste caso, 87% (dos R$ 237,6 mil)
foram pagos aos sediados no município de Gurupá, pertencente a RI Marajó, que venderam
este produto in natura (no período de entressafra) oriundo das ilhas, para atravessadores do
município de Porto de Moz e ao setor de beneficiamento em Senador José Porfírio, ambos
pertencente a RI Xingu. O restante (17%) foi adquirido pelos agroextrativistas do município
de Almeirim, da RI Baixo Amazonas, os quais venderam parte da sua produção, na feira livre
de Vitória do Xingu, da RI Xingu, diretamente aos agentes mercantis do setor de
beneficiamento, ou seja, aos tradicionais “batedores” que beneficiaram o fruto (in natura)
para vendê-lo aos consumidores finais do próprio município.
        Na composição do VBPα total (local e extralocal), isto é, no valor recebido pelos
agroextrativistas, aproximadamente 95,5% foram das vendas realizadas aos setores que
compõem a demanda intermediária local: a indústria de beneficiamento, que pagou o
71


equivalente a R$ 332,1 mil; o setor de varejo rural pela compra de R$ 214,6 mil; R$ 22,4 mil
foram oriundos da compra realizada pelo setor de varejo urbano; R$ 6,5 mil foram pagos pela
indústria de transformação e; 0,1% do VBPα total foram das vendas do setor da produção aos
setores da demanda intermediária estadual, especificamente, em torno de R$ 395,34, ao setor
de indústria de transformação. Por fim R$ 27,2 mil (4,5% do VBPα total) corresponderam ao
valor recebido pelo setor da produção pelas vendas efetivadas diretamente ao demandante
final local, composto pelos consumos das inúmeras famílias. Pois alguns agroextrativistas
detêm infraestrutura (básica) montada com a máquina de bater o açaí e o filtro de água, para
iniciar o processo de beneficiamento deste recurso, após sua coleta e, antes das vendas, o que
provocaria um aumento significativo na renda do produtor (Gráfico 7).
        Com relação aos valores adquiridos pelos setores da demanda intermediária do
sistema local, o varejo rural (composto por inúmeros atravessadores) recebeu pelas vendas do
produto in natura mais de R$ 296 mil (14% do VBP local), do qual 54% foram do
fornecimento do fruto in natura à indústria de beneficiamento local e, 45% as indústrias de
beneficiamento estadual, em ambos trata-se de pequenos e médios batedores. O setor de
varejo urbano, agentes mercantis “contratados” pelo batedor (indústria de beneficiamento)
para vender este alimentício pelas ruas, recebeu R$ 71,8 mil (3,4% do VBP local) pelas
vendas do vinho aos consumidores finais. O setor de atacado, onde está representada a
Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, adquiriu R$ 8 mil, pelas vendas aos
consumidores locais, que de modo geral significou o repasse ao órgão público municipal a fim
de servir na merenda escolar (Gráfico 7). Por conseguinte, o setor de indústria de
beneficiamento, composto basicamente por batedor e agroindústria, recebeu um montante no
valor de R$ 811,8 mil (39% do VBP local), sendo que R$ 764,3 mil corresponderam às
vendas aos demandantes finais locais realizados pelos inúmeros batedores deste fruto e por
uma das agroindústrias nos dez municípios que compõem o mercado local, ou seja, RI Xingu,
R$ 8,2 mil foram das vendas realizadas as indústrias de transformação local e, R$ 31,3 mil
foram das vendas as redes de supermercado local, classificado como varejo urbano. As
indústrias de transformação (sorveterias), por sua vez, adquiriram R$ 306,3 mil com vendas
aos demandantes finais da RI Xingu.
        Com relação às vendas dos setores que integram o sistema estadual, com VBP
estimado em mais de R$ 166,6 mil, o setor de beneficiamento, composto em sua essência por
batedores de açaí do município de Gurupá (RI Marajó), recebeu um montante de R$ 165,6 mil
pelas vendas aos consumidores finais estaduais. O restante do VBP (R$ 507,20) foi oriundo
das vendas das indústrias de transformação (sorveterias) aos consumidores finais estaduais
72


(Gráfico 7), transação realizada nos municípios de Rurópolis e Santarém pertencentes,
respectivamente a RI Tapajós e Baixo Amazonas.
        Em resumo, no que se referiram a atender a demanda final deste produto nos dois
níveis de mercado, acima descritos, a comercialização deste produto, a partir da Ri Xingu e,
de origem também de outras RI, teve no setor de indústria de beneficiamento, tanto local
quanto estadual, o seu principal aglutinador, cujo papel deste agente mercantil beneficiador
foi o de fornecer o alimento para as inúmeras famílias tanto da RI Xingu (mercado local),
quanto para as do mercado estadual (composto por outras Regiões de Integração: Marajó,
Tapajós e Baixo Amazonas).
        e) VAB - gerado na comercialização do açaí e a margem de comercialização de cada
           setor (%).
        O VAB, equivalente ao Valor Transacionado Efetivo (VTE), ao longo da cadeia de
comercialização do açaí, desde o setor alfa (produção local e extralocal) da RI Xingu até os
consumidores finais, contabilizou um valor superior a R$ 1,3 milhão, que constituiu uma
margem bruta, ou mark-up total, na comercialização na ordem de 123% (Gráfico 8). Do VAB
total, 98% foram constituídos no âmbito local e 2% no âmbito estadual.
        O cálculo do VAB é necessário porque identifica onde a economia esta em processo
de crescimento, uma vez que expõem as ações de beneficiamento, transformação e/ou
majoração de preço que este produto adquiriu nos setores, ao longo da cadeia de
comercialização, antes do demandante final. Este valor expõe também, a forma como essa
riqueza foi distribuída entre os diversos setores que contribuíram, direta ou indiretamente,
para a sua geração. A margem, calculada a partir da relação entre a diferença do VAB (R$ 1,3
milhão) com o VBPα total (R$ 603,2 mil), pelo valor do VBPα total (R$ 603,2 mil), expõe em
termos percentuais, o quanto foi adicionado ao produto, a partir do setor alfa (α), até o
consumidor final, incluindo todos os custos de produção e comercialização do produto
analisados, que não foram captados pela pesquisa.
        Do VAB constituído nos dez municípios da RI Xingu, estimado em R$ 1,3 milhão, o
setor que mais agregou e, deste modo, com maior participação na formação deste valor, foi o
da produção com R$ 603,2 mil (Gráfico 8), equivalente a 44,8% do VAB total estimado, pois
foi quem realizou o beneficiamento primário do produto, que a grosso modo significou os
processos de extração/colheita, debulha e preenchimento das rasas com o fruto in natura,
sendo que uma minoria deste setor, também realiza o beneficiamento do fruto em polpa.
Convém ressaltar, que este setor transacionou o valor efetivo somente no que se referiu às
vendas do produto e, por isso, não foi estimado o seu valor de mark-up.
73


        GRÁFICO 8- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do açaí da RI Xingu, estado
        do Pará, estimado para 2008.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


       Em seguida a indústria de beneficiamento local adicionou R$ 318,8 mil, com os
inúmeros batedores, em função do poder de negociação e compra que mantém com os outros
agentes locais (atravessador), o qual adquiriu um produto in natura a preços bem mais
atrativos e o vendeu beneficiado (em vinho, correspondente a polpa do fruto). Este setor
obteve uma margem de comercialização (mark-up do setor) de 65%, calculado pela diferença
do valor estimado para o VTE, que corresponde ao VAB do setor (R$ 318,8 mil), dividido
pelo VBP pela ótica da demanda (R$ 493 mil), ou seja, compra de insumos realizada pelo
setor (Gráfico 8). A indústria de transformação, por sua vez, apesar de ter adicionado
somente R$ 291,6 mil com a transformação da polpa em sorvetes, obteve uma margem bruta
de comercialização de 1984%, a maior da cadeia. Ainda no sistema local, tanto o varejo
urbano (agentes que vendem pelas ruas) quanto o varejo rural (os atravessadores) que
adicionaram, respectivamente, R$ 18,1 mil (com mark-up de 34%) e R$ 81,4 mil (mark-up
38%), através do processo de majoração de preço, antes das venda ao consumidor final e ao
setor de beneficiamento. E por fim o atacado local (Conab) não agregou valor devido o seu
papel intermediador e, por isso, ele repassou o que adquiriu ao órgão publico municipal de um
dos municípios da RI em estudo.
       Com relação ao sistema estadual, cuja agregação de valor foi em torno de R$ 33,2 mil,
a indústria de beneficiamento, setor composto somente por batedores, foi que adicionou mais
74


de 99% (R$ 33,1 mil) deste montante e, constituiu um constituiu o seu valor de mark-up de
28%, já que o preço (por Kilograma) do seu produto final é muito superior ao praticado pelo
setor de beneficiamento (Gráfico 8).
        De modo geral, ao longo da cadeia de comercialização deste fruto, o setor que
realizar o beneficiamento e/ou transformação do fruto (as indústrias de beneficiamento local e
estadual, indústrias de transformação local e estadual) foram responsáveis por 48% do
somatório do VAB total, estimado em R$ 1,3 milhão. O setor alfa deste modelo, ou seja, os
agroextrativistas foram responsáveis pela agregação de 45% e o comércio (onde atuam os
varejistas rurais e urbanos, ou seja, os que somente majoraram o preço) contribuiu com
aproximadamente 7%. Isso demonstra o quanto este produto é importante para a geração de
emprego e renda na economia desta região, mais precisamente no setor de produção e
beneficiamento.
        f) Renda Bruta Total (RBT), gerada pela ótica da demanda, na comercialização do
           açaí.
        A Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização deste produto e
orçada em R$ 2,2 milhões formou-se a partir da soma de compra de insumo (VBP pela ótica
da demanda) no valor de praticamente R$ 917 mil, realizado pelos setores da demanda
intermediária, com Valor Transacionado Efetivo (VTE), que corresponde ao VAB constituído
ao longo da cadeia em R$ 1,3 milhão, tanto pelos setores da demanda intermediária quanto o
setor da produção. O sistema local foi responsável por mais de 97% desta renda e o estadual
3% conforme o Gráfico 9.
75


        GRÁFICO 9- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do açaí,
        considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu,
        estado do Pará, estimado para 2008.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        Na RI em estudo, identificado como mercado local, o setor de indústria de
beneficiamento (batedores e agroindústrias, sendo uma gerenciada por uma organização
social, isto é, associação) foi quem gerou a maior renda bruta no valor de R$ 811,8 mil, pois
comprou o açaí na sua forma in natura no valor de R$ 493 mil junto aos setores
intermediários (varejo rural) e da produção (local) e no período de entressafra da produção
extralocal e, adicionou um montante de R$ 318,8 mil com o seu beneficiamento (Gráfico 9).
Por conseguinte a indústria de transformação obteve uma renda bruta no valor de R$ 306,3
mil, pela soma da compra de insumo (produto em forma de polpa) no valor de R$ 14,7 mil
junto ao setor da produção e da indústria de beneficiamento, e do valor agregado no valor de
R$ 291,6 mil. O varejo rural gerou uma renda bruta no valor de R$ 296 mil, resultante da
soma da compra de insumo no valor em torno de R$ 214,6 mil junto ao setor da produção
(local e extralocal) e, na maioria das vezes, in loco, e agregação de R$ 81,4 mil. O varejo
urbano, por sua vez, comprou insumos no valor de R$ 53,7 mil junto ao setor da produção e
da indústria de beneficiamento e, adicionou R$ 18,1 mil, gerando uma renda bruta no valor de
R$ 71,8 mil. Ao setor atacadista a comercialização deste fruto resultou em uma renda bruta no
valor de R$ 8 mil resultante da compra de insumo realizado pelo setor junto ao setor de
beneficiamento, especificamente da associação de produtores.
76


        Na esfera estadual, com renda bruta contabilizado em R$ 166,1 mil, quem mais
atuou para a formação deste montante foram os batedores (indústria de beneficiamento), com
mais de R$ 165,6 mil, obtidos com a soma do valor agregado de R$ 33,1 mil e do valor do
insumo (açaí in natura) comprado no valor de R$ 132,5 mil junto aos atravessadores advindos
da região. E, a indústria de transformação que gerou uma renda no valor de aproximadamente
R$ 507,20 gerados pela compra do açaí in natura no valor de R$ 395,34 junto ao setor de
produção e, agregação de valor em torno de R$ 112,00 (Gráfico 9). Estes valores, gerados no
âmbito estadual, demonstram a importância que o açaí tem não somente para a economia da
região, no que tange a geração de renda e emprego.
        Entretanto, dos R$ 2,2 milhões gerados e circulados na cadeia de comercialização
deste produto, aproximadamente 27% deste montante (R$ 603,2 mil) correspondeu ao valor
retido pelo setor que dá origem a toda a cadeia, ou seja, os agroextrativistas. Pois, muitos
foram os motivos que, agindo concomitantemente, contribuíram para tal problemática: as
vendas do produto ocorreram em alguns municípios, na sua forma in natura, para os
atravessadores; a falta de uma melhor organização social (seja em forma de sindicato,
associação ou via cooperativa) fez com que as suas vendas tenham sido dispersas e realizadas
em maior quantidade para os setores que não estão ligados ao beneficiamento; o local de
produção/extração do produto se encontra distante dos centros consumidores, o que por sua
vez, pelo alto custo, acaba lhe impondo dependências em relação à comercialização, ou seja, o
escoamento de parte da produção que foi realizado por intermédio de terceiros
(atravessadores). Logo, esses entraves, mas não os únicos, contribuíram para que preços
médios praticados ficassem muito aquém do que na verdade poderiam ter sido. Fato que se
comprova quando se compara o preço recebido quando os agroextrativistas atuam de forma
individualiza e quando estão organizados, pois enquanto o primeiro adquiriu em média R$
0,87/kg do fruto in natura, o segundo adquiriu R$ 2,63/kg pelo produto beneficiado,
conforme item (c) da cadeia 4.3.3 do açaí.
4.3.4 Castanha-do-brasil
        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da
           castanha-do-brasil.
        Foram identificados dezoito agentes mercantis do produto (Figura 12), sendo que
cinco trabalham exclusivamente com a castanha, e os demais com urucum, cacau seco, óleo
de andiroba, amêndoa de cacau, uxi, bacuri fruto, taperebá, pupunha, muruci, fruto de
cupuaçu, leite de sucuúba, copaíba, semente de cumaru, leite-de-amapá, unha-de-gato, uxi-
amarelo, mel, jucá, polpa de cupuaçu, polpa de açaí, tipiti, breu-branco, carvão, óleo de
77


pracaxi, vassoura de cipó titica, peneira de cipó titica, casca preciosa, casca de verônica, casca
de ipê-roxo e paneiro de cipó-titica. Os agentes se dividem em sete atravessadores, três
extratores, sete comerciantes e uma indústria de transformação. Trabalham neste ramo em
média há 10 anos (variação de 1 a 35 anos).
         FIGURA 12- Localização dos agentes mercantis da castanha-do-brasil na RI Xingu, estado
         do Pará, no ano de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         Um atravessador possui uma propriedade rural com área de 50 ha, e o produtor de
200 ha. Todos os agentes possuem local para comercialização, do tipo box, armazém,
barracão, ponto comercial, etc., com dimensões variadas de 4 a 300 m2.
         Referente aos meios de transporte, os mais utilizados são caminhoneta, carroça,
moto, bicicleta, carro e rabeta com capacidade para cinco a seis toneladas, porém somente
nove agentes fazem uso dos mesmos.
         Os equipamentos utilizados nesta atividade são: calculadoras e balanças com
capacidades que variam de 150 a 300 kg e balança eletrônica. Já a indústria utiliza máquinas e
equipamentos como, liquidificadores, batedeiras e freezers com capacidade de 500 l.
Referente a problemas com armazenamento, foi relatado problemas quanto ao espaço físico
insuficiente.
         O Quadro 4 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
78


QUADRO 4- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da castanha-do-brasil da RI
Xingu, estado do Pará, no período de 2010.
 MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS
                                        Produção primária da castanha-do-brasil, coletada por
                  Produção              extrativistas diretamente na floresta, que realizam a quebra dos
                                        ouriços liberando as sementes para serem comercializadas;
                                        Atravessadores (ou representantes) que possuem contratos com
                                        empresas de beneficiamento local e estadual que compram a
                  Varejo rural
                                        castanha-do-brasil, somente na safra, diretamente dos
                                        coletores;
                  Indústria de          Sorveteria que utiliza a castanha-do-brasil como insumo na
 Local            transformação         preparação de seus produtos finais;
                                        Agentes que comercializam grandes quantidades de castanha-
                                        do-brasil (e também de cacau de acordo com as safras).
                  Atacado               Composto pelos atacadistas (cerealistas), localizados nas sedes
                                        dos municípios, que adquirem grandes quantidades de castanha
                                        do setor da produção e de atravessadores;
                                        Feirantes e pequenos comerciantes varejistas que
                  Varejo urbano         comercializam a castanha na forma de semente para o
                                        consumidor final local.
                                        Unidades de beneficiamento situadas no âmbito estadual (mais
                                        especificamente na RI Metropolitana, Belém) que realizam o
                                        processamento industrial e exportação da castanha. A presente
                  Indústria de
                                        pesquisa não conseguiu informações sobre os procedimentos e
                  beneficiamento
                                        equipamentos utilizados no beneficiamento, considerados
 Estadual                               segredos de empresa. Esse fato é justificado pelo setor ser
                                        oligopolizado;
                                        Um cerealista, localizado no centro urbano do município de
                  Atacado
                                        Castanhal, que compõe a RI Guamá;
                                        Redes de supermercados que comercializam a castanha
                  Varejo urbano
                                        beneficiada e/ou em semente para o consumidor final estadual.
                                        Um supermercado que comercializa a castanha beneficiada
 Nacional         Varejo urbano
                                        para o consumidor final nacional.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Com relação a tempo de trabalho, somente a indústria trabalha durante o ano todo, os
demais agentes, durante o período de safra. A mão de obra utilizada geralmente é familiar.
Um atravessador paga um salário mínimo para seu funcionário fixo, e dois agentes (produtor e
atravessador) contratam de três a cinco diaristas em épocas de safra, pagando valores que
variam de R$ 15,00 a R$ 25,00.
          Foi informada a existência de outros agentes que comercializam o produto, todavia
alguns desistiram da atividade devido à redução dos castanhais na região, fato este ligado ao
desmatamento, o que ocasionou uma queda na comercialização do produto. Os agentes
declararam a necessidade de incentivos governamentais ao plantio de castanhais, a
79


preservação dos existentes, assistência técnica para uma boa prática de manejo e capital de
giro para investir na atividade.
         b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da castanha-do-brasil.
         Os    canais     de    comercialização       da    castanha-do-brasil     identificados   (em
aproximadamente 72 toneladas) na RI Xingu, se caracterizam por canais não muito
complexos, apesar de abranger vários níveis de agentes intermediários entre a produção local
até o consumidor final nos três níveis de mercado (local, estadual e nacional). O importante a
se destacar é que o comércio da castanha, a partir da RI Xingu, obedece basicamente o
mercado estadual (Figura 13).
         FIGURA 13- Estrutura (%) da quantidade amostral da castanha-do-brasil comercializado na
         RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         O principal canal de comercialização é formado pelo setor da indústria de
beneficiamento estadual que compra 89,9% da extração (produção) da castanha identificada,
sendo 83,5% advindos do setor atacadista local (que adquiriu 74,1% da produção e 9,4% dos
atravessadores rurais) e, 6,4% do setor de varejo rural (que comprou diretamente do setor da
produção 20%), que após os processos de beneficiamento, os vende para o varejo urbano
estadual (86,8%) e varejo nacional (3,1%), onde estão inseridas as redes de supermercados
(Figura 13). No caso do setor de varejo estadual, também adquiriu 2,8% da produção
identificada do atacadista estadual, 2,1% do setor da produção e ainda 1% dos atravessadores.
80


         No que se refere ao consumo local (4,2%), o principal agente comercializador foi
constituído pelos feirantes e pequenos varejistas (varejo urbano) no âmbito das feiras e
mercados, que compraram 3,7% do setor da produção tanto a castanha com casca quanto a
sem casca. No entanto, 0,1% da produção foram consumidas em forma de sorvetes, sob
responsabilidade da indústria de transformação, constituído pelas sorveterias (Figura 13).
         c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da
            castanha-do-brasil, no ano de 2010.
         Os preços de venda praticados pelos extratores de castanha com outros agentes
variaram conforme o volume comercializado, assim como, pelas inter-relações existentes
entre os agentes mercantis, que indicam que há desequilíbrios de forças no mecanismo de
comercialização. Deste modo, o maior preço por quilograma do produto adquirido pelos
extrativistas foi com as transações realizadas com a indústria de transformação que pagou R$
2,30/kg, o que necessariamente não significou uma boa remuneração ao extrator. Entretanto,
quando se compara com o preço pago pelo setor que mais adquiriu o produto, o preço
praticado foi de R$ 1,01/kg, ou ainda com o preço pago pelos atravessadores (R$ 0,99/kg), a
diferença foi relativamente grande (Figura 14). Já o preço médio pago pelo consumidor final
da RI Xingu, variou conforme a forma da sua preferência pelo fruto, pois quando comprou a
semente pagou R$ 2,00/kg para o varejo rural e, junto aos feirantes pagou R$ 1,87/kg,
transações estas realizadas principalmente na safra do fruto nas feiras e comércios da RI.
81


        FIGURA 14- Preço médio da castanha-do-brasil (R$/kg) praticado nas transações entre os
        setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        No mercado estadual, a indústria de beneficiamento comprou este produto a R$
1,20/kg junto aos atravessadores, já do seu maior parceiro (atacado local) o preço de compra
foi R$ 1,37/kg e, após o processo de agregação, os vendeu ao setor de varejo urbano estadual
e nacional recebendo em média R$ 13,77/kg e R$ 13,75/kg, respectivamente. Sendo que as
redes de supermercados estaduais venderam a R$ 15,18/kg para o consumidor (Figura 14).
No sistema nacional, o consumidor pagou pela castanha R$ 17,18/kg junto às redes de
supermercados.
        d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização da castanha-do-
           brasil.
        Na soma do valor recebido por todos os agentes que realizaram a oferta da castanha-
do-brasil a partir da RI Xingu, foi estimado na ordem de R$ 6,5 milhões (Gráfico 10), sendo
o mercado estadual o seu maior arrecadador, composto pelos setores que não pertencem a RI
em estudo, pois recebeu a maior parte deste montante, cujo valor se aproximou de R$ 5,8
milhões (89,7% do VBP total, sob a ótica da oferta). O mercado local adquiriu algo em torno
de R$ 550,7 mil (8,5% do VBP total) e o nacional contabilizou em torno de R$ 118 mil (1,8%
do VBP total).
82


        GRÁFICO 10- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da castanha-do-brasil
        da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        Conforme o Gráfico 10, do total ofertado pelos setores que compõem o mercado
local, o setor produção (VBPα), composto pelos extrativistas/coletores, recebeu um pouco
mais de R$ 221,3 mil das transações realizadas predominantemente no âmbito local, pois
1,5% (R$ 3,2 mil) deste valor foram adquiridos pelas vendas realizadas no âmbito estadual,
mais especificamente para o setor de varejo urbano (feirante) da RI Metropolitana (Belém).
Das vendas realizadas na própria RI, mais de 74% (R$ 164,6 mil) foram oriundos das vendas
transacionadas com o setor de atacado, 21% para o varejo rural, 4,5% foi correspondente as
vendas para os setores de varejo urbano e, 0,2% para a indústria de transformação. Entretanto,
foi no setor atacadista (correspondente aos grandes compradores e, que tem o contato com a
indústria de beneficiamento), que o mercado local obteve a sua maior arrecadação orçado em
mais de R$ 251,3 mil, que correspondeu a aproximadamente 46% do valor das vendas
efetuadas a nível local, provenientes em sua totalidade das vendas para o setor onde estão as
indústrias processadoras e exportadoras deste recurso, localizada fora da RI Xingu. O varejo
rural (que representa os atravessadores) recebeu algo superior a R$ 57 mil, provenientes das
vendas para grandes concentradores (atacado) a nível local (50%) e estadual (30%),
beneficiamento estadual (13%), varejo urbano (4%) e consumidor local (3%). O setor de
varejo urbano (representativo dos feirantes) arrecadou R$ 15,4 mil das vendas aos
83


consumidores finais locais. E a indústria de transformação, setor associado a pequenas
empresas que atuam na preparação de sorvetes, adquiriu R$ 5,5 mil com as vendas aos
consumidores finais, sob a ótica da oferta.

            Com relação às receitas obtidas com as vendas realizadas a nível estadual, orçada em
mais de R$ 5,8 milhões, conforme o Gráfico 10, em torno de 47% (R$ 2,7 milhões) foram
provenientes das vendas da indústria de beneficiamento, indústria processadora e exportadora
da castanha-do-brasil com sede na capital paraense, que negociou com o varejo urbano no
âmbito estadual e nacional, sendo 97% e 3% respectivamente. Aproximadamente 53% (R$
3,1 milhões) ficaram a par do setor varejista urbano (rede de supermercado), oriundo das
vendas diretas para o consumidor final estadual. E R$ 9 mil foram adquiridos por um
atacadista devido às vendas também ao varejo urbano.

            No mercado nacional, onde o valor das vendas foi estimado em R$ 117,6 mil
(Gráfico 10), houve a participação exclusiva do setor de varejo urbano nacional, composto
pelas redes de supermercado vendendo para os consumidores.

            Pelo exposto, verificou-se que na formação do VBP total, sob a ótica da oferta, de
aproximadamente R$ 6,5 milhões, o qual teve como principal agente comercializador a nível
local, os atacadistas (localmente conhecidos como cerealistas), os extrativistas individuais,
quanto os atravessadores, os quais tiveram nesta atividade em estudo sua principal e/ou uma
das fontes de renda, se vêem “obrigados”, por questões mercadológicas, a vender
praticamente toda a produção a este setor, que por sua vez vende o adquirido ao setor das
indústrias de beneficiamento estadual (que juntamente com outras - RI Baixo Amazonas -
controlam este mercado no estado do Pará) que por serem os únicos agentes com grande
potencial de compra deste produto na região (pois são detentores do processo de automação,
cujos níveis tecnológicos adotados melhoram a qualidade do produto final), também
influenciam na determinação do preço de compra junto a estes agentes, demonstrando que o
mercado da castanha-do-brasil na RI Xingu, apresentou fortes características oligopsonistas5.
No entanto, as redes de supermercado estadual, outra classificado como varejo urbano,
constituíram o maior arrecadador.

            e) VAB - gerado na comercialização da castanha-do-brasil e a margem de
               comercialização de cada setor (%).



5
    Oligopsônio refere-se a estrutura de mercado em que o número de compradores é bem pequeno.
84


         O VAB ao longo da cadeia comercialização da castanha-do-brasil, desde o setor alfa
(coleta/produção) da RI Xingu até o consumidor final, foi de R$ 3,2 milhões (Gráfico 11),
que resultou em uma margem bruta de agregação de valor ao produto, ou mark-up total, na
comercialização de 1.357%. Esta margem calculada a partir do valor total do VAB (R$ 3,2
milhões), menos o VBPα (R$ 221,3 mil), dividido pelo VBPα (R$ 221,3 mil), expõe, em
termos percentuais, o quanto foi adicionado ao produto, ao longo de toda a cadeia de
comercialização, a partir do setor alfa (α) agroextrativista. É imperativo afirmar que este valor
de mark-up foi expressivo pelo fato do setor alfa, após realizar a coleta/extração, pouco
agregou ao fruto, diferente dos setores da demanda intermediária, principalmente das
indústrias de beneficiamento estadual.

         O cálculo do VAB é necessário porque identifica onde a economia esta em processo
de crescimento, uma vez que expõem as ações de beneficiamento, transformação e/ou
majoração de preço que este produto adquiriu nos setores, ao longo das cadeias de
comercialização, antes do demandante final.

         Assim sendo, os setores do sistema local agregaram ao produto R$ 304 mil,
equivalente a apenas 9% do VAB total (Gráfico 11). Na composição deste valor, houve a
participação predominante do setor da produção, que transacionou valor efetivo, isto é,
agregou valor ao produto somente no que se referiu às vendas do produto na sua forma in
natura (ainda dentro da casca) na ordem de R$ 221,3 mil e, por isso, não foi estimado o seu
valor de mark-up, ou seja, sua margem de comercialização resultante da relação do valor
agregado (VAB) realizado pelo setor e o valor da compra de insumo(VBP, sob a ótica da
oferta). No entanto, é preciso ressaltar, que este setor agregou valor quando realizou o
beneficiamento primário do produto, que significou, de modo geral, a retirada da semente de
dentro do ouriço desencadeado de maneira artesanal. O mark-up, representado em termos
relativos (%), inclui todos os custos de beneficiamento e comercialização do produto, que não
são captados pela pesquisa. Ainda no sistema local, a indústria de transformação, apesar de a
sua agregação ter sido a menor, na ordem de R$ 5 mil (1,7% do VAB local), estabeleceu o
maior valor de mark-up, 1.204%, pois comprou diretamente do setor da produção o produto in
natura e o utilizou como insumo na preparação do produto final, que no caso foi sorvete.
Frisa-se que este valor adicionado teve sua origem na diferenciação dos preços médios de
custo e de venda do fruto por quilograma, sem considerar outros custos adicionais ao
processo, assim como, a proporção utilizada da castanha na preparação dos sorvetes. O setor
varejo rural agregou aproximadamente R$ 13,9 mil e constituiu um mark-up de 32% (Gráfico
85


11), propiciado pelas transações das sementes, com acréscimos dos custos de
comercialização, com outros setores da demanda intermediária local, principalmente o de
atacado. O setor atacadista, por sua vez, adicionou mais de R$ 58,2 mil com mark-up de
apenas 30% com as vendas para industria de beneficiamento estadual. O varejo urbano
adicionou algo em torno de R$ 5,5 mil e constituiu um mark-up de 56%, com os processos de
descasca da semente, a fim de comercializar a amêndoa, que juntamente com as vendas
fracionadas do produto garantem a majoração de preço antes das vendas para os consumidores
finais locais.
         GRÁFICO 11- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização da castanha-do-brasil
         da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         Já entre os setores que contribuíram para o VAB constituído no mercado estadual,
estimado na ordem de R$ 2,9 milhões (90% do VAB total), conforme o Gráfico 11, a
indústria de beneficiamento foi autor de mais de 84% (equivalente a mais de R$ 2,4 milhões),
cuja agregação se formalizou quando utilizou tanto os processos de higienização da semente,
conforme os órgãos de vigilância sanitária e de comércio (tratamento contra os fungos,
descasca da semente, seleção e empacotamento da amêndoa), quanto pela compra da semente
por baixo preço (por quilograma) junto a seus fornecedores (atacadista e atravessadores),
antes das vendas na própria RI e ao mercado nacional. Devido a estes processos
automatizados de agregação, configurou uma margem de comercialização (mark-up) de
912%, o segundo maior percentual ao longo de toda a cadeia. Entretanto, em termos de valor,
este setor da indústria de beneficiamento foi responsável por 76% do VAB total, que está
86


fortemente relacionado tanto a sua capacidade instalada, quanto ao grau de negociação que
mantém com os outros setores do mercado local (monopsonista), em particular o atacado, os
quais vendem o produto in natura que, por sua vez, negocia com o mercado nacional um
produto beneficiado a preços bem mais atrativos em relação ao preço de compra.

       O varejo urbano estadual agregou aproximadamente R$ 450 mil (15,5% do VAB
estadual) com o processo de majoração de preço e obteve um mark-up de 17%, antes das
vendas aos consumidores finais estaduais. E o atacadista adicionou mais de R$ 1,8 mil com
mark-up de apenas 25% com as vendas para o varejo urbano estadual (Gráfico 11). Com
relação ao VAB formado no mercado nacional, estimado na ordem de R$ 23,5 mil
(equivalente a 1% do VAB total), sob responsabilidade do setor de varejo urbano nacional
com um mark-up de 25%.

        Portanto, no que se referiu ao VAB total, equivalente ao VTE, ao longo da cadeia de
comercialização deste fruto, observou-se que as indústrias “tradicionais” de beneficiamento e
exportação, localizadas fora da RI Xingu, conseguiram adicionar valor superior aos outros
setores, assim como também, formalizou um elevado valor de mark-up, fatos estes,
propiciados simultaneamente tanto pelo grau de especialização/negociação, quanto pela sua
capacidade instalada, como também devido as poucas ações de beneficiamento que este
produto adquiriu antes das compras realizadas pelo setor.
        f) RBT (em R$), gerada pela ótica da demanda, na comercialização da castanha-do-
           brasil.
        No que diz respeito à Renda Bruta Total (RBT) gerada na comercialização do
produto e, contabilizada na ordem de R$ 6,4 milhões, o sistema local foi responsável por
8,5%, o estadual 89,7% e o nacional mais de 1,8% (Gráfico 12). Este valor da RBT foi
resultante da soma do valor de compra de insumo (VBP, pela ótica da demanda) com VTE,
que corresponde ao valor estimado para o VAB total, formado pelos setores ao longo da
cadeia de comercialização.

        Na RI Xingu, sistematizado como mercado local, cuja renda bruta somou
aproximadamente R$ 550,7 mil, o setor atacadista foi quem gerou a maior renda bruta, no
valor de R$ 251,3 mil, com as vendas para o setor de beneficiamento no âmbito estadual,
resultante da compra da castanha-do-brasil em forma de semente no valor de R$ 193,1 mil
(sendo 85% do setor da coleta/produção e 15% de atravessadores) e agregação num montante
de R$ 58,2 mil com as majorações de preço do fruto (Gráfico 12). O varejo urbano local, por
87


conseguinte, comprou mais de R$ 9,9 mil do produto diretamente dos extrativistas e
adicionou um pouco mais de R$ 5,5 mil, que gerou uma renda bruta em mais de R$ 15,4 mil.
O varejo rural, por sua vez, gerou uma renda bruta no valor de R$ 57,1 mil, resultante da
soma do valor da compra da semente junto ao setor da produção, em torno de R$ 43,2 mil e
adicionou um pouco mais do que R$ 13,8 mil. E por fim, a indústria de transformação que
comprou insumo, do setor da produção, no valor de R$ 421,92 e agregou aproximadamente
R$ 5,1 mil, gerando uma renda de R$ 5,5 mil com as vendas para os consumidores finais
locais. No que tange a renda bruta do setor de produção (α), no valor de 221,3 mil, em torno
de 99% foi resultante da venda para os setores econômicos que compõem o sistema local,
preponderantemente para os cerealistas, outrora classificados como atacadistas. Vale destacar
que o setor alfa transacionou o produto já em forma de semente, contudo, a sua renda poderia
ser maior se eles se organizassem no intuito de fomentar a capacidade produtiva (meios de
produção), pois assim, poderia barganhar recursos para os investimentos em máquinas e
equipamentos para o beneficiamento do produto antes da comercialização, especificamente os
processos de desidratação e embalagem. Assim como reivindicar uma assistência técnica
eficiente e outras benesses para a atividade.


         GRÁFICO 12- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da castanha-
         do-brasil, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da
         RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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        Com relação à renda bruta obtida na esfera estadual, contabilizada em mais de R$ 5,8
milhões, foi obtida com a interação de praticamente dois setores, o da indústria de
beneficiamento, o qual teve uma participação significativa para a formação deste montante,
em torno de 47%, resultante da venda do produto (amêndoa) para as redes de supermercado
estadual e do mercado nacional. A renda bruta deste setor foi resultante da compra da semente
no valor aproximado de R$ 268,2 mil e pelo valor agregado na comercialização do produto no
valor de R$ 2,4 milhões. O outro setor, o varejista urbano, participou com R$ 3,1 milhões na
formação da renda bruta na esfera estadual, o qual comprou o produto com negociação direta
principalmente com a indústria de beneficiamento estadual no valor de R$ 2,6 milhões e
adicionou R$ 449,9 mil antes das vendas aos consumidores finais (Gráfico 12). E, o
atacadista, por sua vez, gerou uma renda bruta no valor de R$ 9,2 mil, resultante da soma do
valor da compra da semente junto ao setor de varejo rural de R$ 7,3 mil e adicionou um pouco
mais do que R$ 1,8 mil.

        Na esfera nacional somente o setor de varejo urbano gerou renda bruta, o qual orçou
um pouco mais de R$ 117,6 mil, e sendo assim, este valor também corresponde à renda bruta
nacional proveniente da castanha identificada e comercializada a partir da RI Xingu. Este
setor comprou a castanha-do-brasil beneficiada junto aos setores de beneficiamento estadual,
no valor estimado em torno de R$ 94,1 mil e adicionou R$ 23,5 mil (Gráfico 12).
4.3.5 Cacau (fruto)
        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
           cacau (fruto).
        Foram identificados na pesquisa sete agentes (Figura 15), sendo quatro produtores,
um atacadista (associação), um comerciante e uma indústria de transformação, que
comercializam o produto nos municípios da RI Xingu. Também vendem polpas de cupuaçu,
açaí, muruci e taperebá, além de urucum e amêndoa do cacau. Estes estão no ramo, em média,
há cinco anos (variação de 2 a 14 anos).
89


         FIGURA 15- Localização dos agentes mercantis do cacau (fruto) na RI Xingu, estado do
         Pará, no ano de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         Os produtores possuem áreas de 100, 200 e 500 hectares e estão localizados em
Altamira, Medicilândia, Uruará e Placas. Dos entrevistados três (varejista - feirante, indústria
transformação - sorveteria e produtor/proprietário de plantações de cacau) afirmaram possuir
local para armazenagem com dimensões de 9 m2, 30 m2, e o produtor citou que a capacidade
do galpão é de 10.000 kg. Apesar do atacadista possuir local para armazenagem este não citou
o tamanho.
         Para deslocamento utilizam caminhonetes, tratores, motos, caminhões com
capacidade de 500 kg, ônibus e carro pequeno. Os materiais utilizados pelos produtores para o
beneficiamento das sementes consistem em máquinas despolpadeiras, que produzem de 100 a
500 kg/hora, dosadeiras e empacotadeiras. Com relação a equipamentos para armazenagem,
todos possuem de um a três freezers com capacidade de 340 l, 380 l e 400 l e mesa inox. Já o
atacadista possui câmara frigorífica de oito toneladas.
         A polpa mucilaginosa que envolve as amêndoas é rica em açúcares fermentáveis,
pectina, ácidos, e outros componentes e chega a representar até 40% do peso da semente
fresca, a depender do tipo de cacau, da estação do ano e região (Silva Neto et al, 2001). A
polpa é empregada para sucos, licores e doces.
90


          O Quadro 5 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 5- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau (fruto) da RI
Xingu, estado do Pará, no período de 2010.
 MERCADO              SETORES                             AGENTES MERCANTIS
                                        Pequenos e médios agricultores que realizam a coleta dos
                  Produção              frutos maduros manualmente, sendo que uma minoria realiza a
                                        despolpa e um produtor que possui uma agroindústria;
                  Indústria de          Pequenas e médias indústrias (agroindústrias) que realizam o
                  beneficiamento        beneficiamento do fruto in natura do cacau em polpa.
                                        Pequenas empresas alimentícias que realizam transformação
                  Indústria de
                                        do fruto do cacau in natura ou da polpa em outros produtos
 Local            transformação
                                        finais como sorvetes, sucos, doces entre outros;
                                        Refere-se à intermediação da polpa de cacau pela Companhia
                  Atacado               Nacional de Abastecimento – CONAB entre às associações e
                                        as agroindústrias (ind. beneficiamento local);
                                        Feirantes, pequenos comerciantes e supermercados que
                  Varejo urbano         realizam a compra do cacau na forma de polpa e vendem para
                                        o consumidor local.
                                        Pequenas empresas alimentícias, pertencentes à RI Baixo
                  Indústria de
 Estadual                               Amazonas (Santarém), que realizam a transformação da polpa
                  transformação
                                        de cacau em outros produtos finais como sucos.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Para dois produtores a mão de obra é familiar e para o terceiro este contrata quatro
pessoas com diárias de R$ 25,00; cujo tempo de trabalho é determinado pela duração da safra.
O atacadista, conta com 14 associados que dividem entre si o valor total da produção, sendo
retirados 15% para pagar o aluguel do galpão. A indústria possui três funcionários que
recebem salário mínimo e trabalham em horário comercial o ano todo. O comerciante trabalha
o ano todo e a mão de obra é familiar. O mesmo citou que muitas vezes a mercadoria fica
parada por falta de mercado consumidor.
          Com relação à melhoria na capacidade de produção, os agentes citaram que seria
necessário melhorar a distribuição de energia elétrica, devido as constantes falhas, o que
prejudica o funcionamento dos equipamentos.
          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do cacau (fruto).
          Conforme a Figura 16, os canais de comercialização do cacau fruto identificados se
caracterizam por diversos níveis de distribuição, abrangendo vários setores intermediários
entre o produtor e o consumidor final, inclusive, com a participação de agentes mercantis
transacionando pequena parte da produção para o âmbito estadual, correspondente ao
91


mercado consumidor da RI Baixo Amazonas, mais especificamente do município de
Santarém.
        O principal canal de comercialização para o setor da produção local é a venda direta
de 65,1% do cacau identificado para as indústrias de beneficiamento locais (agroindústrias e
associações). Os agroextrativistas vendem 24% para o setor atacadista local (CONAB), que
também adquiri 46,4% do produto beneficiado em polpa do setor de indústria de
beneficiamento local (Figura 16). Este setor do atacado local, por sua vez, canalizou tudo que
adquiriu (70,4% da produção identificada) para o consumo local, especificamente para
atender a merenda escolar. No entanto, o demandante final local além de ter adquirido através
da intermediação da Conab, também adquiriu 12% do produto identificado em forma de polpa
junto ao setor de beneficiamento local, 2,6% em sucos, sorvetes e outros junto à indústria de
transformação, 11,8% do setor de varejo urbano e 1,4% diretamente da produção, sendo que
estas duas últimas compras foram realizadas principalmente na safra do fruto in natura e/ou
em polpas em feiras livres.
        No que se refere às quantidades deste fruto movimentadas no âmbito estadual, o
setor de indústria de transformação estadual, composta por lanchonetes, adquiriu 1,8% da
produção identificada dos agroextrativistas advindos do município de Placas, pertencente a RI
Xingu (Figura 16).
        FIGURA 16- Estrutura (%) da quantidade amostral do cacau (fruto) comercializado na RI
        Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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         c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia
            do cacau (fruto), no ano de 2010.
         Os preços médios do cacau praticados entre os diferentes agentes mercantis são
determinados pela safra do fruto, pelo seu beneficiamento ou transformação e pela logística
do mercado consumidor.
         O preço médio de venda de insumo (cupuaçu) praticado pelos produtores locais junto
à indústria de beneficiamento local foi de R$ 0,18/un., mais barato do que quando vende o
fruto diretamente à indústria de transformação local (R$ 0,20/un.) (Figura 17), tal prática tem
como causas dois fatores correlatos: primeiro devido haver um agente do setor da produção,
que além de plantar também beneficia o fruto em sua propriedade, pelo fato de possuir uma
agroindústria média instalada e, por último, o fato de que uma minoria dos produtores
realizaram o trade off com o setor de beneficiamento local, mais especificamente uma das
associações, pois em troca da amêndoa seca ele “paga” com a polpa do fruto. Entretanto, o
menor preço de venda, ele (agroextrativista) obteve quando vendeu ao setor de varejo urbano
local (R$ 0,16/un.) e, o maior preço, correspondeu às vendas ao setor de transformação fora
da RI Xingu (R$ 0,30/un.), ou seja, com o seu deslocamento até o município de Santarém,
pertencente a RI Baixo Amazonas.
         Por conseguinte as agroindústrias (ind. beneficiamento local) após realizarem o
beneficiamento venderam parte para a indústria de transformação a R$ 0,24/un., parte para a
CONAB a R$ 0,23/un., que por sua vez compra também a R$ 0,21/un. junto ao setor da
produção. No entanto, as agroindústrias adquiriram um preço maior quando venderam para o
setor de varejo urbano, R$ 0,30/un. (Figura 17). No que tange ao preço médio pago pelo
consumidor final da RI Xingu, o valor variou conforme a forma da sua preferência pelo fruto,
pois quando comprou a polpa do fruto pagou para a indústria de beneficiamento local R$
0,37/un. e, quando adquiriu o fruto in natura e/ou em polpa diretamente do produtor pagou
R$ 0,24/un. e junto aos feirantes pagou R$ 0,29/un.. E quando a preferência do consumidor
foi pelo produto transformado em sucos, sorvetes, cremes e doces pagou o equivalente a R$
3,84/un. (Figura 17). Já os consumidores estaduais pagaram R$ 0,37/un. junto à indústria de
transformação estadual, correspondente às lanchonetes que comercializaram o suco deste
fruto.
93


         FIGURA 17- Preço médio do cacau (fruto) (R$/un.) praticado nas transações entre os
         setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.6 Taperebá
         a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
            taperebá.
         Foram identificados treze agentes mercantis do produto (Figura 18), divididos em
um produtor, um varejista, sete indústrias de transformação (três lanchonetes, uma sorveteria
e três indústrias de despolpamento) e quatro comerciantes. Sendo que estes trabalham com
outros produtos, tais como: açaí fruto, cupuaçu fruto, uxi, bacuri fruto, pupunha, castanha-do-
brasil, polpa de cacau e muruci. Os agentes atuam no ramo em média há nove anos (variação
de 1 a 30 anos).
94


          FIGURA 18- Localização dos agentes mercantis do taperebá na RI Xingu, estado do Pará,
          no período de 2010.




          Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
          Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          A caracterização dos agentes envolvidos na comercialização do taperebá está descrita
no Quadro 6, com seus respectivos setores.
QUADRO 6- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do taperebá da RI Xingu,
estado do Pará, no período de 2010.
 MERCADO              SETORES                             AGENTES MERCANTIS
                                        Produção extrativista dos municípios estudados que
                  Produção              comercializam o taperebá in natura, assim como um produtor
                                        que detém uma agroindústria;
                  Indústria de          Pequenas e médias empresas (agroindústrias) que realizam o
                  beneficiamento        beneficiamento do fruto in natura do taperebá em polpa;
 Local
                                        Pequenas empresas que realizam transformação do taperebá in
                  Indústria de
                                        natura ou da polpa em outros produtos finais, tais como
                  transformação
                                        sorvetes, sucos, doces, entre outros;
                                        Feirantes e pequenos estabelecimentos (mercearias) que
                  Varejo urbano
                                        realizam a venda do taperebá in natura para o consumo local.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:
Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          O produtor possui uma área de 500 ha localizada no município de Placas. O dono de
uma agroindústria também possui uma área de 100 ha, de onde retira parte da sua produção, o
restante é comprado de outros produtores.
95


          Com relação a existência de armazém, com exceção do produtor, todos possuem
local para comercialização, com dimensões que variam de 9m2 a 1.500m2. Duas indústrias
citaram a capacidade de 30.000 kg e 10.000 kg. No que tange a transporte, os agentes citaram
utilizar carro, carroça, bicicleta e caminhão. As indústrias de beneficiamento e transformação
utilizam as máquinas de triturar, despolpadeiras com capacidade de 100 a 500 kg/h,
liquidificadores, câmaras frias com capacidade para 800 kg, empacotadores, decantadores e
dosadeiras para beneficiar o fruto e a polpa da fruta. Já os equipamentos para armazenagem
citados foram freezers de 380 l e isopores.
          O número de pessoas envolvidas na atividade conforme o agente variam de uma a
trinta. A mão de obra dos comerciantes é de uma a três membros familiares, já as indústrias
empregam entre um a dez funcionários, sendo que entre um a quatro são assalariados e os
demais recebem diárias de R$ 25,00. O varejista emprega 30 funcionários, todos assalariados.
O tempo de trabalho desempenhado pelos agentes dura o ano todo. No caso de uma indústria,
o trabalho depende de encomendas, na safra colhem os frutos da propriedade pela manhã e a
tarde beneficiam.
          Para melhoria na capacidade de produção, os agentes declararam que há a
necessidade de equipamentos para beneficiamento dos frutos, energia de qualidade, pois
constantemente acontecem quedas de energia que acabam prejudicando os aparelhos e a
produção, melhoria da infraestrutura das estradas, além da ampliação de oferta do produto na
região.
          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do taperebá.
          Conforme a Figura 19 os canais de comercialização do taperebá identificados
abrange vários setores intermediários entre o produtor e o consumidor final, no entanto,
restringindo-se somente no âmbito local e com pouquíssima intermediação da figura do
atravessador (varejo urbano). Entre os canais de comercialização, o principal canal de
comercialização para o setor da produção é a venda direta de 85,7% da produção de taperebá
identificada para as indústrias de beneficiamento (agroindústrias). Mas no que refere às
compras do demandante final, o principal canal foi através das vendas de 87,8% da produção
identificada e realizada pelo setor de indústria de transformação (sorveterias e lanchonetes),
que adquiriram 76,8% do setor de beneficiamento e 11% diretamente do setor da produção.
Ressalta-se porém que, 5,6% da transação realizada entre o setor da produção e a indústria de
transformação corresponderam às vendas de um agroextrativista que detém em sua
propriedade uma agroindústria e que, após realizar o beneficiamento desta fruta (e de outras
frutas), as vendeu para uma lanchonete.
96


        Contudo, o consumidor final da RI Xingu, adquiriu uma pequena parte da produção
junto ao setor de varejo urbano (2%) e do setor da produção (1,3%), realizadas principalmente
na safra do fruto in natura em feiras livres (Figura 19). Também adquiriu 8,9% da produção
identificada em forma de polpa junto à indústria de beneficiamento. É preciso destacar, no
entanto, que 5,6% desta transação o setor de beneficiamento vendeu para o órgão público
municipal (classificado como consumidor final).
                                               Taperebá
        FIGURA 19- Estrutura (%) da quantidade amostral do taperebá comercializado na RI
        Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




                                             8,9
                               Ind.Benef.
                85,7   11,0           76,8
                 Produção
         100%




                               Ind.Transf.
                   Local
                               87,8
                1,3     2,0




                                Varejo
                                Urbano
                                2,0

                                             Consumidor


                              LOCAL                               ESTADUAL                           NACIONAL

                                                                                   1º
                                                                                   2º   Canais de comercialização
                                                                                   3º
                                                                                   4º
                                                     LOCAL   ESTADUAL   NACIONAL


        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia
           do taperebá, no ano de 2010.
        Os preços médios do taperebá praticados entre os diferentes agentes da cadeia de
comercialização foram determinados pela safra do fruto transacionado, pela distância
percorrida pelos produtores até os centros urbanos dos municípios da RI e pela quantidade
transacionada.
        O preço médio de venda praticado pelo setor da produção com a indústria de
beneficiamento foi de R$ 1,45/kg pelo fruto taperebá, já quando vendeu para a indústria de
transformação local recebeu quase o dobro R$ 2,80/kg, muito em função das vendas do fruto
em forma de polpa, realizado pelo agroextrativista que detém uma agroindústria. O setor de
beneficiamento, por sua vez, recebeu em média R$ 3,57/kg com as vendas da polpa do fruto
para a indústria de transformação, que também adquiriu o fruto a preço inferior, junto aos
agroextrativistas (Figura 20). No que tange ao preço médio pago pelo consumidor final da RI
97


Xingu, o valor variou conforme a forma da sua preferência pelo fruto, pois quando comprou a
polpa do fruto pagou R$ 1,62/kg do fruto junto ao setor de beneficiamento e, quando adquiriu
o fruto in natura diretamente do produtor pagou R$ 1,80/kg e junto aos feirantes pagou R$
1,71/kg. Quando a preferência do consumidor foi pelo produto transformado em sucos,
sorvetes, cremes e doces este pagou o equivalente a R$ 5,13/kg.
        FIGURA 20- Preço médio do taperebá (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da
        cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.7 Muruci
        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
           muruci.
        Foram identificados doze agentes mercantis do produto (Figura 21), sendo que todos
trabalham com outros produtos, tais como: taperebá, açaí fruto, cupuaçu fruto, uxi, bacuri
fruto, pupunha, castanha-do-brasil, polpa de cacau e casca de ipê-roxo. Estão divididos nas
categorias de varejistas, indústria de transformação (duas lanchonetes, duas sorveterias e uma
fábrica de polpas), três produtores, dois comerciantes (supermercados) e um atravessador. Os
agentes estão no ramo em média há 9 anos (variação de um a trinta e seis anos).
98


          FIGURA 21- Localização dos agentes mercantis do muruci na RI Xingu, estado do Pará, no
          ano de 2010.




          Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
          Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          O Quadro 7 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos na
comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores e mercados.
QUADRO 7 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização do muruci da RI Xingu,
estado do Pará, no ano de 2010.

 MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS

                  Produção              Pequenos agricultores que realizam a coleta dos frutos
                                        manualmente e, um produtor que detém uma agroindústria;
                  Varejo rural          Pequenos comerciantes (atravessadores) que compram o muruci
                                        in natura de vários produtores locais;
                  Indústria de          Pequenas e médias empresas (agroindústrias) que realizam o
                  beneficiamento        beneficiamento do fruto in natura do muruci em polpa;
Local             Indústria de          Pequenas empresas que realizam a transformação do fruto do
                  transformação         muruci in natura ou da polpa em outros produtos finais como
                                        sorvetes, sucos, doces entre outros;
                                        Refere-se à atuação da CONAB no programa do PAA,
                  Atacado               intermediando entre o setor da produção e o consumidor final
                                        (prefeitura, escolas publicas);
                  Varejo urbano         Feirantes e comércios que realizam a venda do muruci in
                                        natura ou na forma de polpa para o consumo local.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Um agente trabalha paralelamente como moto taxista. Dois produtores são detentores
de propriedades rurais com dimensões de 0,5 e 100 ha. Referente ao local de armazenamento
99


e comercialização, dez agentes fazem uso dos mesmos, os quais são bem diversificados com
galpão de 150 m² e 1.500 m², depósito de 24 m² e pontos comerciais com dimensões de 6 m²,
31 m², 56 m² e 200 m².
        Os meios de transporte mais utilizados pelos agentes tanto para o escoamento quanto
na comercialização foram: carroça, caminhão, carrocinha e caminhonete. No que tange ao
processo de beneficiamento, as máquinas e equipamentos utilizados foram: balanças,
máquinas seladoras, freezer, despolpadeira, dosadeira, mesa inox, carrinho de picolé,
liquidificador, decantador, empacotador e câmara fria com capacidade para 8.000 kg. Com
relação à armazenagem do produto, segundo declaração dos agentes, é um dos grandes
enclaves enfrentados na cadeia, principalmente para os que beneficiam devido o espaço físico
ser insuficiente para a quantidade de equipamentos (freezers e isopores) necessários para
armazenar a produção, por este motivo, não podem aumentar a produção, assim como, os
varejistas que não podem comprar mais polpa.
        O produto é comercializado durante todo ano em forma de picolés, sucos, e polpa,
apesar do período de entressafra. O atravessador identificado trabalha somente na safra e paga
o valor de R$ 1,00/kg de polpa tirada a terceiros, correspondente a dois ajudantes. A mão de
obra empregada se divide em familiar e externa, com agentes que contratam funcionários ou
coletores que recebem o valor de um salário mínimo. A indústria de transformação adota o
regime de contrato temporário pagando o valor de R$ 20 a 25,00/diária.
        Segundo os agentes, a principal dificuldade está no mercado consumidor que não
atende a oferta do produto e devido à falta de registro dificulta a comercialização do mesmo
fora da região. Outro problema enfrentado pelos agentes refere-se à ausência de maquinários e
equipamentos para beneficiamento tais como: despolpadeira, câmara fria e tratores.
        b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do muruci.
        Conforme demonstra a Figura 22, os canais de comercialização do muruci
identificados abrangem vários setores intermediários entre o produtor e o consumidor final, no
entanto, restringindo-se somente no âmbito local. Entre os canais de comercialização, o
principal canal de comercialização para o setor da produção é a venda direta de 74,2% da
produção do muruci identificada para as indústrias de beneficiamento (agroindústrias). Mas
no que refere as compras do demandante final, o principal canal foi através da vendas de
78,9% da produção identificada realizada pelo setor de indústria de transformação (sorveterias
e lanchonetes), que adquiriu 71,2% do setor de beneficiamento, 7,3% diretamente do setor da
produção e 0,4% de atravessadores (varejo rural). Outro canal importante é a venda direta do
setor da produção (11,4%) para os consumidores locais, realizadas principalmente na safra do
100


fruto in natura em feiras livres. Ressalta-se que 3% da transação correspondeu à compra
intermediada pela CONAB da produção o muruci na forma de polpa e venda ao consumidor
final (prefeitura de Pacajá, RI Xingu), através do Programa de Aquisição de Alimentos.
        FIGURA 22- Estrutura (%) da quantidade amostral do muruci comercializado na RI Xingu,
        estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        c) Preço médio praticado nas transações entre diversos agentes mercantis da cadeia
           do muruci, no ano de 2010.
        Os preços médios do muruci praticados entre os diferentes agentes da cadeia de
comercialização foram determinados pela safra do fruto transacionado, pela distância
percorrida pelos produtores e pela quantidade transacionada.
        O preço médio de venda praticado pelo setor da produção com a indústria de
beneficiamento foi de R$ 1,52/l, já da indústria de transformação local recebeu um pouco
menos R$ 1,47/l pelo fruto de muruci. O setor de beneficiamento, por sua vez, recebeu em
média R$ 4,16/l com as vendas da polpa do fruto para a indústria de transformação, que
também adquiriu o fruto a preço inferior, R$ 4,11/l, junto aos atravessadores (Figura 23). No
que tange ao preço médio pago pelo consumidor final da RI Xingu, o valor variou conforme a
forma da sua preferência pelo fruto, pois quando comprou a polpa do fruto pagou R$ 4,17/l e,
quando adquiriu o fruto in natura diretamente do produtor pagou R$ 1,91/l e junto aos
feirantes pagou R$ 3,41/l. Quando a preferência do consumidor foi pelo produto transformado
em sucos, sorvetes, cremes e doces este pagou o equivalente a R$ 6,90/l. O setor atacado
101


(CONAB) comprou o muruci na forma de polpa da produção ao preço de R$ 4,25/l e repassou
ao consumidor final neste caso prefeitura de Pacajá ao preço de R$ 4,25/l.
        FIGURA 23- Preço médio do muruci (R$/l) praticado nas transações entre os setores da
        cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.8 Análise pela Ótica da Oferta das Frutas (Cacau, Taperebá e Muruci)
        Com o aumento do consumo das frutas da Amazônia, nas últimas décadas, dentre as
quais as do estado do Pará pelo seu sabor exótico, aroma, textura, qualidade e diversidade,
aliado à procura por produtos orgânicos, que propiciam a segurança alimentar. Devido ao
exposto, as análises a seguir referem-se à comercialização das três principais frutas
identificadas na RI Xingu: cacau, taperebá e o muruci. Pois além de apresentarem em suas
respectivas cadeias um fluxo heterogêneo na forma de comercialização do produto (fruto e
polpa), estes foram os únicos produtos a convergirem para o processo de beneficiamento e
industrialização, a fim de melhorar a qualidade do produto antes do consumo.
        A comercialização destes frutos foi para atender predominantemente o consumo
local. Em quase todos os casos, esta comercialização ficou a cargo das pequenas e médias
agroindústrias concentradas nos município de Altamira, Anapu, Brasil Novo e Uruará (neste
último município a agroindústria é de propriedade de uma associação de mulheres), que após
beneficiá-los, os vendeu para as sorveterias, supermercados e consumidores, assim como
também, transacionou com a parceria da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB,
no caso do cacau e muruci.
102


        a) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização das frutas
           (cacau, taperebá e muruci).
        No que tange à oferta destas frutas a partir da RI Xingu, o somatório dos valores
recebidos pelos setores foi estimado na ordem de R$ 3 milhões e corresponde ao VBP total,
sendo que os setores situados no mercado local adquiriram mais de 99% deste valor e, o
restante foi gerado no mercado estadual, R$ 26 mil, conforme Gráfico 13.
        GRÁFICO 13- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização das frutas (cacau,
        taperebá e muruci) da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        Do VBP formalizado estritamente no local, ou seja, na RI Xingu, mais de R$ 686,7
mil foram oriundos das vendas do setor da produção, sendo 95% para os setores
intermediários e apenas 5% corresponderam às vendas diretamente aos consumidores finais
locais (Gráfico 13). Na composição dos setores intermediários, o seu maior parceiro
comercial e, sendo assim também correspondeu ao maior valor recebido pelos
agroextrativistas foram os valores pagos pelo setor de indústria de beneficiamento R$ 871,5
mil. No entanto, uma minoria, preferiu vender diretamente à indústria de transformação
recebendo R$ 1 milhão ou através da parceria da CONAB (atacado local), intermediadora da
produção oriunda da agricultura familiar, recebendo R$ 333,9 mil, especificamente com o
cacau e o muruci. Outros agroextrativistas, de modo específico aqueles que não tiveram
acesso ao setor de beneficiamento, seja pela ausência no seu município ou pela distância aos
103


municípios concentradores deste setor, as agroindústrias, transacionam com aos feirantes
(varejo urbano) da RI recebendo R$ 29,7 mil, ou ainda, com os atravessadores recebendo o
equivalente a R$ 630,32.
        Os outros setores no domínio local, os atravessadores, agregados no setor de varejo
rural, adquiriram um valor equivalente a mais de R$ 1,2 mil, 0,04% do VBP local, das vendas
à indústria de transformação (especificamente uma lanchonete). O setor de varejo urbano
(composto por inúmeros feirantes, mini supermercados e mercearias) por sua vez recebeu R$
83,7 mil das vendas aos consumidores locais. A indústria de beneficiamento, correspondente
as agroindústrias (tanto individuais como aquelas gerenciadas por determinadas organizações
sociais, tal como de mulheres em Uruará) adquiriu aproximadamente R$ 871,5 mil com as
vendas das polpas destes frutos, sendo que R$ 754,7 mil corresponderam às vendas aos outros
setores intermediários locais: 65% para as indústrias de transformação, 30% através da
parceria com a CONAB e, 5% varejo urbano. E R$ 116,8 mil corresponderam as suas vendas
aos demandantes finais locais (Gráfico 13). O atacado, por sua vez, “repassou” para os órgãos
municipais o que adquiriu a fim de servir para merenda escolar e/ou alimentação dos centros
comunitários, por isso, o valor de venda é igual ao da compra R$ 333,9 mil. E por fim, o setor
que mais se destacou na formação do VBP total sob a ótica da oferta, a indústria de
transformação, constituído por lanchonetes e/ou sorveterias, que após a utilização dessas
frutas para a fabricação de sucos, cremes e principalmente sorvetes, vendeu esses produtos
finais diretamente aos consumidores locais, adquirindo mais de R$ 1 milhão.
        Com relação ao VBP formalizado no âmbito estadual e estimado em torno de R$ 26
mil, este foi obtido com as vendas da indústria de transformação (setor representante das
lanchonetes e/ou sorveterias), o qual arrecadou um valor de R$ 14,2 mil com as vendas de
suco e sorvetes, realizadas para os seus clientes e, para obtenção R$ 11,8 mil que ficou a par
do setor varejo urbano, que corresponde a um supermercado no município de Santarém (RI
Baixo Amazonas), que vendeu aos consumidores finais (Gráfico 13).
        Pelo exposto, dos R$ 3 milhões gerados na comercialização desses frutos, a partir da
RI Xingu, somente R$ 26 mil foram oriundos das vendas ao demandante final estadual e,
correspondeu às vendas do cacau na sua forma tanto in natura quanto transformada em
produtos finais (sucos e sorvetes). Isso significa dizer que as vendas para além das fronteiras
da RI é um enclave, tendo como uma das principais causa a falta de infraestrutura para esta
comercialização, tal como: as péssimas condições de trafegabilidade das estradas,
principalmente a Transamazônica (BR-230), o que provoca um considerável aumento nos
custos; a desorganização por parte dos agroextrativistas e, principalmente, das indústrias de
104


beneficiamentos, devido a grande maioria destes agirem de forma individualizada, o que por
sua vez os impossibilita de concorrer em outros mercados.
        b) VAB - gerado na comercialização das frutas (cacau, taperebá e muruci) e a
           margem de comercialização de cada setor (%).
        O VAB ao longo da cadeia de comercialização dessas frutas, desde o setor alfa
(coleta/produção) da RI Xingu até o consumidor final, foi de R$ 1,64 milhões (Gráfico 14),
que resultou em uma margem bruta de agregação de valor ao produto na comercialização, ou
mark-up total de 139%. Esta margem calculada a partir do valor total do VAB (R$ 1,6
milhão), menos o VBPα (R$ 686,7 mil), dividido pelo VBPα (R$ 686,7 mil), expõe, em termos
percentuais, o quanto foi adicionado a estes frutos, ao longo de toda a cadeia de
comercialização, a partir do setor alfa (α). Este valor de mark-up foi expressivo pelo motivo
de uma parte do setor alfa, após realizar a produção/coleta, pouco ter agregado ao fruto, ou
seja, pouco beneficiou, diferente dos setores da demanda intermediária, principalmente das
indústrias de beneficiamento local.
        O cálculo do VAB é necessário porque identifica onde a economia está em processo
de crescimento, uma vez que expõe as ações de beneficiamento, transformação e/ou
majoração de preço que estes produtos adquiriram nos setores, ao longo das cadeias de
comercialização, antes do demandante final.
        GRÁFICO 14- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização das frutas (cacau,
        taperebá e o muruci) da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
105


        Partindo-se do pressuposto de que praticamente 100% da oferta (com exceção do
cacau com 98,2%) dessas frutas se deram no âmbito local, sendo assim, a agregação de valor
aos produtos estimados na ordem de R$ 1,6 milhão, conforme o Gráfico 14 foi também
predominantemente (99,6%) toda formada pela ação dos setores que integram a RI em estudo.
Na composição deste valor, o setor da produção transacionou valor efetivo, isto é, agregou
valor ao produto, somente no que se referiu às vendas desses produtos na sua forma in natura
na ordem de R$ 686,7 mil (42% do VAB local) e, por isso, não foi estimado o seu valor de
mark-up, resultante da relação entre o valor do VAB realizado no setor e o valor do VBP, pela
ótica da demanda, ou seja, o somatório do valor da compra de insumos realizada pelo setor.
Esta participação expressiva na formação do valor agregado se deu em função de que uma
parte dos agentes que compõem este setor realizou o beneficiamento do produto, que
significou, de modo geral: a seleção dos frutos de boa qualidade; o ensacamento em
embalagens de um quilo, e que não necessariamente se tenha um quilograma do fruto e; até
mesmo o beneficiamento do in natura em polpa, antes da comercialização.
        Entre os setores da demanda intermediária, houve a participação significante da
indústria de beneficiamento, pois sua agregação foi na ordem de R$ 421,3 mil (25% do VAB
local), que está relacionado tanto à sua capacidade instalada quanto ao grau de negociação que
mantém com o setor da produção, os quais venderam os produtos in natura (Gráfico 14).
Com relação à sua margem de comercialização, ou seja, mark-up constituído, foi estimado em
94% (relação do VAB de R$ 421,3 mil com o valor de compra de insumo - VBP - R$
450,1mil). O mark-up, em termos gerais, representado em termos relativos (%), inclui todos
os custos de beneficiamento e comercialização do produto analisado, que não são captados
pela pesquisa. Entre os processos de beneficiamento realizados pelo setor, estão o
beneficiamento do fruto em polpa e o seu empacotamento conforme os órgãos de vigilância
sanitária e de comércio, a fim de garantir a qualidade e as características intrínsecas dos
frutos. Já a indústria de transformação adicionou um pouco mais R$ 510 mil e estabeleceu um
mark-up de 95%, com os processos automatizados para a fabricação de cremes, doces, sucos
e, o produto mais consumido pelos consumidores finais locais, o sorvete.
        Ainda no mercado local o setor varejo rural agregou somente R$ 615,17, no entanto,
constituiu um mark-up de 98% (Gráfico 14), propiciado pelas transações dos frutos in natura,
especificamente o muruci, com acréscimos dos custos de comercialização pelo setor de
transformação local. O varejo urbano, por conseguinte, adicionou algo em torno de R$ 16,1
mil e constituiu um mark-up de 24%, com os processos da majoração de preço antes das
vendas para os consumidores finais locais. E, por fim, o setor atacadista não adicionou e, por
106


tanto, não constituiu mark-up , devido se tratar do repasse da Conab à instituições públicas,
principalmente na área de educacão.
        Os setores que contribuíram para o VAB no mercado estadual, estimado na ordem de
R$ 6,2 mil (0,4% do VAB total), conforme o Gráfico 14, sendo 2,7 mil com a participação do
setor de transformação, correspondente as indústrias alimentícias composta por lanchonetes
e/ou sorveterias, que configurou uma margem de comercialização (mark-up) de 23% . E, por
R$ 3,5 mil decorrentes do setor de varejo urbano, cuja agregação se formalizou quando
utilizou da majoração de preços antes das vendas aos consumidores finais, que devido a esta
agregação, configurou uma margem de comercialização (mark-up) de 43%.
        Por tanto, no que se referiu ao VAB total estimado em R$ 1,6 milhão, equivalente ao
VTE e, resultante das ações impostas ao longo da cadeia de comercialização desses frutos,
observou-se que as indústrias (beneficiamento e transformação) foram responsáveis por
aproximadamente 57% desse valor. No entanto, os agroextrativistas da região em estudo
contribuíram com 42% deste VAB, em consequência dos 66% do volume de suas vendas
terem sido direcionadas ao setor de beneficiamento e 15% das vendas terem sido já com o
produto beneficiado e, sob atuação dos agroextrativistas organizados em associação. Em torno
de 1% do VAB total ficou a cargo dos varejistas (atravessadores, feirantes, mercearias, mini
supermercados), utilizando-se do processo de majoração de preço.
        c) Renda Bruta Total (RBT) gerada pela ótica da demanda na comercialização das
           frutas (cacau, muruci e taperebá).
        A Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização destes produtos
foi orçada em R$ 3 milhões, formando-se a partir da soma de compra de insumo (VBP pela
ótica da demanda) no valor de R$ 1,4 milhão, realizado pelos setores da demanda
intermediária, com Valor Transacionado Efetivo (VTE), que corresponde ao VAB constituído
ao longo da cadeia em R$ 1,6 milhão, tanto pelos setores da demanda intermediária quanto
pelo setor da produção. O sistema local foi responsável por mais de 99% desta renda e o
estadual o restante, menos1%, conforme o Gráfico 15.
        Na RI Xingu, outrora identificado como mercado local, a indústria de transformação
foi quem gerou a maior renda no valor de mais de R$ 1 milhão, gerados pela compra das
frutas tanto in natura junto ao agroextrativista e varejo rural quanto o produto em polpa da
indústria de beneficiamento (91% da compra) no valor de R$ 536,5 mil e agregação de valor
em torno de R$ 510 mil (Gráfico 15).
107


        GRÁFICO 15- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização das frutas
        (cacau, taperebá e o muruci), considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP +
        VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        O setor de indústria de beneficiamento (agroindústria), por conseguinte, gerou uma
renda bruta no valor de R$ 871,5 mil (Gráfico 15), pois comprou os frutos na sua forma in
natura no valor de R$ 450,1 mil junto ao setor da produção (agroextrativistas) e, adicionou
um montante de R$ 421,3 mil com os seus processos de beneficiamento. O varejo rural gerou
uma renda bruta no valor de R$ 1,2 mil, resultante da soma da compra de insumo no valor de
R$ 630,32 junto ao agroextrativista, na maioria das vezes no próprio local de produção, e
gerou uma agregação de R$ 615,17. O varejo urbano, por sua vez, comprou insumos no valor
de R$ 67,6 mil junto ao produtor e a indústria de beneficiamento e, adicionou R$ 16,1 mil,
gerando uma renda bruta no valor de R$ 83,7 mil. O atacado local, representativo da Conab,
comprou R$ 333,9 mil do fruto em polpa tanto do setor da produção (com representatividade
38% nas compras) quanto das agroindústrias (68% das compras) e repassou aos órgãos
públicos municipais parceiros na RI e, devido a isso, a renda estimada é o mesmo valor de
compra, R$ 333,9 mil.
        Na esfera estadual, com renda bruta contabilizada em mais de R$ 26 mil, quem atuou
para a formação deste montante foram as lanchonete e/ou sorveterias (ind. de transformação)
devido à compra do cacau em forma de polpa dos produtores, advindos da RI Xingu, no valor
de R$ 11,5 mil e com os processos de transformação adicionou R$ 2,7 mil, constituído uma
108


renda estimada em R$ 14,2 mil. E o supermercado (inserido no setor de varejo urbano), por
sua vez, com uma renda de R$ 11,8 mil, obtidos com a soma do valor agregado de R$ 3,5 mil
com o valor da polpa comprada no valor de R$ 8,3 mil aproximadamente.
         Entretanto, dos R$ 3 milhões gerados e circulados na cadeia de comercialização
dessas frutas, o equivalente 23% deste montante (R$ 686,7 mil) corresponderam ao valor
retido pelo setor que dá origem a toda a cadeia, ou seja, dos agroextrativistas (Gráfico 15).
Foram diferentes os motivos que, agindo concomitante, contribuíram para tal problemática, os
principais foram: a falta de uma melhor organização social (seja em forma de sindicato,
associação ou via cooperativa), que contribuiu para que as vendas tenham sido
individualizadas que, apesar das maiores quantidades terem sido transacionadas para os
setores de indústria (beneficiamento e transformação), contribuiu para que os preços
praticados nesta transação ficassem uns dos mais baixos na cadeia, assim como ausência de
organização contribuiu também para que as vendas para a Conab quase não se realizassem,
pois somente 16% do valor adquirido pelo setor da produção tiveram origem nesta
comercialização; o local de produção/extração do produto se encontra distante dos principais
centros consumidores (na RI e fora dela), o que por sua vez, pelo alto custo, principalmente
do transporte, acaba lhe impondo dependências em relação à comercialização, ou seja, o
escoamento de parte da produção foi realizado por intermédio de terceiros (atravessadores),
assim como, as vendas para além da RI ainda é insignificante, sendo que, das três frutas em
análise, somente o cacau fora comercializado em outros mercados que não da RI Xingu e; por
fim; a precariedade em que se encontravam os pontos de comercialização nos municípios
(feiras e mercados).
4.3.9 Plantas Medicinais
         a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização das
            plantas medicinais.
         As plantas medicinais encontradas na pesquisa foram cascas de: canarana, aroeira,
barbatimão, jucá, carapanaúba, copaíba, ipê-roxo, marapuama, preciosa, sacaca, sucuúba,
unha-de-gato, uxi-amarelo e verônica, e as sementes de cumaru, que foram citadas como
medicinais no controle de úlceras bucais e como vermífugo.
         Os agentes identificados que comercializam plantas medicinais foram quarenta e um,
conforme Figura 24, divididos em trinta comerciantes, quatro produtores e sete feirantes.
Além destes produtos comercializam também óleo de andiroba, óleo de copaíba, castanha-do-
brasil, breu-branco, tipiti, priprioca, óleo de pracaxi e peneira de cipó-titica. Os novatos estão
no ramo há 2 anos e os mais antigos há 35 anos, sendo que um agente (aposentado) trabalha
109


para complementar a renda e um varejista possui uma drogaria onde destina uma seção para
plantas medicinais.
          FIGURA 24- Localização dos agentes mercantis das plantas medicinais na RI Xingu,
          estado do Pará, no ano de 2010.




          Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
          Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          O Quadro 8 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
destes produtos, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 8- Descrição dos agentes mercantis na comercialização das plantas medicinais da
RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.

MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS

Extralocal       Produção              Coletores de plantas medicinais de ocorrência natural que não
                                       fazem parte da RI Xingu.
                 Produção              Coletores de plantas medicinais de ocorrência natural nos
                                       municípios da RI Xingu;
Local                                  Comerciantes e/ou feirantes de plantas medicinais que
                 Varejo urbano         revendem para o consumidor final em embalagens menores
                                       e/ou fracionadas.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Referente a armazenagem, os agentes dispõem de local com dimensão de 3,5 m² a
200 m2. Concernente a propriedade rural, somente um produtor possui área com dimensão de
42 m2. A questão de espaço físico também vale ser ressaltado visto que alguns não possuem
local adequado para armazenar o produto e o alocam em bancas improvisadas nas esquinas
110


das ruas, e outro necessita de mais prateleiras para distribuir os produtos devido à grande
quantidade de ervas.
        Com relação a maquinários ou equipamentos, nesta atividade utilizam calculadora,
faca, tesoura e balança eletrônica com capacidade de 60 kg. No caso dos produtores, utilizam
facão, luva, panela e escova. Um dos agentes citou que a venda é melhor no verão, pois no
inverno a Transamazônica fica intrafegável.
        Referente aos meios de transporte os agentes utilizam moto, bicicleta e carro para
deslocamento. Os produtos são comercializados durante todo o ano. O horário de
funcionamento dos estabelecimentos dos feirantes é comercial e durante o ano todo, mas aos
domingos fecham ao meio dia. A mão de obra utilizada varia de uma a três pessoas, sendo
geralmente membros da família. Apenas um comerciante paga o valor de um salário mínimo
para seu ajudante e um dos agentes paga para um membro da família (neta) que o ajuda na
atividade, o valor mensal de R$150,00. Estes relataram que o melhor período de venda é no
verão, devido à intrafegabilidade da Transamazônica em períodos chuvosos, fato este que
dificulta o escoamento da produção bem como o acesso aos produtos.
        Para melhoria nas condições de comercialização, os agentes declararam que as
dificuldades encontradas são referentes às licenças para venda de remédios, espaço físico
insuficiente, necessidade de incentivos às associações, melhoria no espaço físico nos pontos
de venda, financiamento e capacitação dos produtores para manipulação das ervas, pois esta
atividade é realizada sem instruções, propiciando o aparecimento de fungos e mofos.
        b) Estrutura da quantidade comercializada (%) das plantas medicinais.
        A cadeia das plantas medicinais é composta por canais de comercialização simples
(Figura 25). A pesquisa identificou que 98,5% do total das plantas medicinais
comercializadas são originárias da RI Xingu e, 1,5% são provenientes do estado do Piauí e da
RI Metropolitana (município de Belém).
        O setor varejo urbano local (comerciantes e feirantes) foi o único intermediário da
cadeia que comercializou 99,9% da produção com os consumidores locais (Figura 25). A
venda direta entre o setor da produção com os consumidores locais representou apenas 0,1%
da produção identificada. Essa comercialização ocorre em feiras livres ou nas feiras
organizadas pelos próprios produtores locais.
111


         FIGURA 25- Estrutura (%) da quantidade amostral das plantas medicinais comercializadas
         na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         c) Preço médio praticado nas transações entre os diversos setores mercantis da cadeia
            das plantas medicinais, no ano de 2010.
         A produção local vendeu a R$ 2,00/kg para os consumidores locais das plantas
medicinais e a R$ 16,45/kg para o varejo urbano local, que por sua vez revendeu diretamente para
o consumidor local por R$ 32,35/kg das plantas (Figura 26). Enquanto que os produtores
extralocais venderam a R$ 11,29/kg diretamente para os feirantes locais (varejo urbano).
112


            FIGURA 26- Preço médio das plantas medicinais (R$/kg) praticado nas transações entre os
            setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




            Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
            Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.10 Copaíba
            a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da
               copaíba.
            Foram identificados doze agentes que comercializam o produto (Figura 27), sendo
que estes trabalham com outros produtos, tais como: óleo de andiroba, mel, barbatimão, óleo
de piquiá, semente de cumaru, verônica, unha-de-gato, leite de sucuúba, castanha-do-brasil,
leite-do-amapá, uxi-amarelo, jucá, aroeira, casca de ipê-roxo, casca de marapuama,
carapanaúba, aroeira, priprioca, sucuúba, sacaca, canarana, cupuaçu fruto e artesanato
regional.
            Os agentes envolvidos se dividem nos seguintes setores: varejistas, atravessadores,
comerciantes, feirantes e produtores. Os agentes estão neste ramo em média há 17 anos
(variação de 3 a 40 anos). Alguns possuem profissão paralela como açougueiro e produtor de
cupuaçu, sendo que um dos agentes recebe aposentadoria.
            Entre os agentes há uma associação localizada em Uruará, que conta atualmente com
25 famílias envolvidas, as quais passaram por formação técnica para extração do óleo de
copaíba, tendo como finalidade ter o cuidado na extração de modo que não ponha em risco a
saúde da árvore.
            O trabalho é realizado por mutirão em todas as etapas. Toda produção é dividida em
partes iguais entre as famílias, ressaltando que isso independe da quantidade de árvores que
113


cada uma possui em seu lote. Cerca de 10% das vendas são revertidas para o Fundo Rotativo
Solidário, com a finalidade de investir na ampliação e manutenção das máquinas. Este projeto
tem gerado renda para as populações extrativistas e promovido mudança no pensamento da
comunidade em relação à preservação do meio ambiente, uma vez que serve como alternativa
sustentável em relação a outras práticas agrícolas que desmatam a região.
        FIGURA 27- Localização dos agentes mercantis da copaíba na RI Xingu, estado do Pará,
        no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        Referente à propriedade rural, além das famílias pertencentes ao projeto, as quais
possuem em média 100 ha cada, outro agente foi identificado como detentor de propriedade
rural com área de um ha.
        Quanto à existência de local de comercialização e armazenamento, estes são de
diversos tipos: barracões e boxes. As dimensões variam de 2 m2 a 150 m². Os meios de
transporte mais utilizados são carros, moto e bicicleta. Os maquinários utilizados são: balança
eletrônica, triturador, secador, prensa, faca, tesoura, coador, panela de ferro e gerador.
Ressaltando que alguns destes equipamentos servem para o comércio dos outros produtos.
        A atividade é realizada durante todo ano e em geral a mão de obra é familiar. Vários
agentes comercializam o produto na região, porém existem algumas dificuldades nesta
atividade tais como: falta de atravessador para escoar a produção, principalmente em épocas
de chuva onde a transamazônica fica intrafegável; e também em relação à existência de
espaço físico insuficiente para armazenar a produção.
114


          O Quadro 9 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 9- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da copaíba da RI Xingu,
estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS
                                        Extrativistas, ribeirinhos e colonos oriundos da RI
                                        Metropolitana (Belém) que realizam a extração do óleo das
 Extralocal       Produção              copaibeiras, utilizando normalmente broca para o processo de
                                        perfuração, em seguida envasamento em garrafas pet e de
                                        vidro.
                                        Extrativistas, que não têm na atividade de extração da copaíba
                  Produção              sua principal fonte de renda. A produção é entregue envasada
                                        em garrafas pet e de vidro;
 Local                                  Atravessadores que compram diretamente de vários
                  Varejo rural
                                        extrativistas e revendem para os consumidores locais;
                                        Feirantes e comerciantes que comercializam a copaíba como
                  Varejo urbano
                                        medicinal em pequenas quantidades para o consumidor final.
                                        Uma unidade industrial de cosmético, situada na região
                                        metropolitana de Belém, que realiza o processamento de
                  Indústria de
 Estadual                               sementes e frutos com a extração e refino do óleo,
                  transformação
                                        provenientes de fornecedores que coletam os frutos e sementes
                                        em florestas nativas.
                                        Comércios varejistas situados fora do Estado que vendem para
 Nacional         Varejo urbano
                                        o consumidor nacional.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Com relação à melhoria nas condições de comercialização, os agentes declaram a
necessidade de registro com a marca dos produtos; capacitação para os manipuladores, bem
como assistência técnica para evitar perda da árvore no processo de extração (manejo
adequado).
          Segundo os agentes, representantes de farmácias de manipulação vão constantemente
à região, em busca de informações sobre o produto e dos demais utilizados como medicinais,
todavia não levam beneficio algum para a Região.
          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da copaíba.
          A comercialização da copaíba identificada foi 99,9% oriunda da produção local e
0,1% da produção extralocal (RI Metropolitana). A quantidade de 2.328 litros de copaíba
foram comercializados pelo setor da produção com destino a três setores intermediários antes
de chegar ao consumidor final local e nacional. A produção local vendeu 0,8%, da sua
produção para o varejo rural (atravessadores), 4,1% para a indústria de transformação estadual
(empresa de cosmético localizada na região metropolitana de Belém) e 95% para o varejo
urbano local (comerciantes e feirantes). Sendo que o varejo urbano local adquiriu mais 0,1%
115


da produção extralocal e vendeu 95,1% para o consumidor final (Figura 28). Já a indústria de
transformação, vendeu 4,1% da produção em forma de cosméticos, para o varejo urbano
nacional (lojas especializadas).
         FIGURA 28- Estrutura (%) da quantidade amostral da copaíba comercializado na RI Xingu,
         estado do Pará, no ano de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da
            copaíba, no ano de 2010.

         O setor da produção extralocal vendeu diretamente para o varejo urbano local ao
preço de R$ 12,00/l, e o varejo urbano local vendeu para o consumidor final o óleo fracionado
em frascos menores ao preço de R$ 31,38/l (Figura 29). A produção local vendeu para o
varejo rural a R$ 10,00/l, para o varejo urbano a R$ 19,16/l e para a indústria de
transformação estadual a R$ 30,00/l. Os preços de venda do setor da indústria de
transformação para o varejo urbano nacional foram estimados, pois a presente pesquisa não
entrevistou o setor de transformação estadual.
116


        FIGURA 29- Preço médio da copaíba (R$/l) praticado nas transações entre os setores da
        cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.11 Artesanato Regional
        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
           artesanato regional
        Na cadeia de comercialização do artesanato regional foram identificados onze
artesãos, sendo que metade destes trabalha com outros produtos como: polpas de taperebá,
muruci, cupuaçu e utensílios feitos com cipó titica e guarumã (paneiro, peneira e cesto de
palha). Os agentes entrevistados pertencem ao movimento de mulheres, associação de
artesões e a órgãos municipais e, estão neste ramo a sete anos, em média (com variação de 3 a
10 anos).
        Segundo os agentes, há uma grande dificuldade na coleta do cipó-titica, pois é feita
manualmente em áreas de várzea ou áreas de terceiros (fazendeiros), quando estes permitem.
Houve uma proposta para coleta dos cipós no município de Almeirim, porém a falta de
recursos para deslocamento dificultou o acesso. Os outros materiais são coletados em florestas
públicas ou áreas privadas na região.
        Dentre os agentes há um produtor, dono de uma área de 200 hectares localizada em
Porto de Moz. Todos possuem local para armazenamento do tipo barracões e galpões, com
dimensões que variam de 15 m2 a 360 m2, e também há aqueles que confeccionam o
artesanato em locais cedidos pela prefeitura. O meio de transporte utilizado para
117


deslocamento e escoamento do produto são motos, caminhão e barco, este último com
capacidade para seis toneladas. A quantidade de pessoas envolvidas na produção varia de 2 a
66 associados, que trabalham por encomenda ou com vendas diárias durante o ano todo.
          O Quadro 10 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos na
comercialização deste produto de acordo com seus respectivos setores e mercados.
QUADRO 10- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do artesanato regional da
RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.

 MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS
                                         Artesãos (pertencentes ou não a associações) envolvidos na
                                         coleta de produtos e materiais, que criam produtos a partir de
                                         sementes (castanha-do-brasil, olho-de-boto, tucumã, babaçu,
Local             Produção               bacaba e buriti), cascas, fibras e outras matérias primas
                                         oriundas da floresta, para a produção de artefatos com
                                         formas de animais; anéis, pulseiras, flores feitas com
                                         sementes, quadros, arranjos de cipós e vasos de casca de
                                         buriti.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Os equipamentos utilizados para confecção das peças são alicates, lixadeiras, polidor,
tesouras, facas, cerras, furadeiras, agulha, arame, tachas, grampos, máquina de costura,
martelos, tinta, barbante, cola, lixas, massa de biscuit e pincel. O problema relatado quanto ao
armazenamento, foi a necessidade de um galpão maior e mais arejado, já com relação aos
equipamentos a falta de maquinário adequado é outro entrave para a melhoria da produção.
          Com relação ao funcionamento das lojas que vendem artesanato, estas trabalham em
horário comercial durante o ano todo, com exceção de uma lojinha em Altamira que funciona
das 18h as 23h, a qual conta com a ajuda de uma vendedora que também é artesã. A forma de
pagamento para os artesões está relacionada ao produto vendido, sendo que estes repassam
15% do valor para a associação que cede lugar para exporem (venderem) seus produtos, já
outras associações dividem o total apurado pelo número de artesões que trabalharam.
          Alguns artesões fizeram curso de capacitação pelo SENAR relacionado à melhoria
na capacidade de produção, mas a falta de capital de giro para produzirem e exporem os
produtos fora do município e a falta do incentivo da ação social são os principais entraves,
pois há uma falta de interesse do comércio local em absorver o artesanato que geralmente é
comprado por pessoas vindas de outros lugares, além da necessidade de pessoas qualificadas
para administrarem os negócios.
          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
             correntes/un.) entre os setores mercantis do artesanato regional.
118


        A cadeia de comercialização identificada pela pesquisa é constituída por um canal
direto de comercialização, isto é, a produção vendendo 100% diretamente para os
consumidores locais ao preço de R$ 6,88/un. (Figura 30).
        FIGURA 30- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
        (R$ correntes/un.) do artesanato regional na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.12 Mel
        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
           mel.
        Foram identificados quinze agentes que comercializam o produto (Figura 31), sendo
que estes são um atravessador, seis apicultores (produtores), quatro comerciantes, dois
feirantes e dois varejistas. Estes estão atuando no ramo em média há 17 anos (variação de 3 a
35 anos).
119


          FIGURA 31- Localização dos agentes mercantis do mel na RI Xingu, estado do Pará, no
          ano de 2010.




          Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
          Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          O Quadro 11 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos na
comercialização deste produto de acordo com seus respectivos setores e mercados.
QUADRO 11- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do mel da RI Xingu,
estado do Pará, no ano de 2010.

MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS
Extralocal       Produção              Apicultores familiares do estado do Piauí.
                                       Agricultores familiares que desenvolvem atividades agrícolas
                 Produção              tradicionais e a apícola como mais uma alternativa de renda,
                                       sendo que alguns fazem parte de associações;
                 Varejo rural          Atravessadores que compram mel diretamente dos apicultores;
Local
                 Atacado               Uma associação que adquire o mel diretamente de apicultores
                                       (associados);
                                       Comércio varejista (feirantes e supermercados) que
                 Varejo urbano
                                       comercializa o mel para o consumo local.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:
Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Além do mel, seis agentes também trabalham com outros produtos, como: carvão,
óleo de andiroba, unha-de-gato, copaíba, leite-de-sucuúba, leite-de-amapá, castanha-do-brasil,
semente de cumaru, jucá, casca de ipê-roxo, cipó-titica, paneiro e vassoura de cipó.
120


        Dentre estes, há um apicultor que trabalha com o mel da abelha Apis mellifera tendo
sua produção vendida para uma associação. A associação compra todo o mel produzido pelos
apicultores fornecendo a embalagem e rótulo com o nome da associação. A associação conta
com 20 famílias associadas, ao todo são cerca de 120 caixas de colméias, onde cada colméia
tem uma produção em torno de 25 kg/ano, proporcional a três floradas, sendo que a melhor
florada acontece de abril a julho. A renda obtida com a venda da produção é dividida entre
todos os associados.
        O mel é vendido para varejistas de alimentos da cidade e também é comercializado
no sindicato. Um agente possui propriedade rural com dimensão de 10 alqueires. Referente à
existência de local para comercialização e armazenagem, somente um agente é desprovido do
mesmo, os demais possuem de um a dois, com dimensões variadas (4 m2 a 800 m2), e
obtivemos a informação de que uma casa de mel está sendo construída. Cerca de doze agentes
possuem meios de transportes, e os mais utilizados são: carro, moto, caminhoneta e bicicleta.
        Os equipamentos citados pelos apicultores para manejo das colméias foram:
centrifugador, decantador, mesa operculadora, fumigador, faca e/ou garfo desoperculador,
EPIs, carotes e balanças. No que tange a ocorrência de problemas com o armazenamento do
produto, os apicultores foram unânimes em citar a falta de espaço físico maior e a necessidade
de outros equipamentos complementares. Referente à mão de obra, os apicultores, os feirantes
e os comerciantes trabalham com um ou dois membros familiares, sendo que o tempo de
maior trabalho para os apicultores é na época de florada, já os comerciantes e os feirantes
trabalham o ano todo. Apenas um varejista paga o valor de um salário mínimo para seus seis
funcionários, que trabalham o ano todo.
        Com relação à melhoria na capacidade de produção, foi relatada a necessidade de
manejo, assistência técnica, capital para investir em espaço físico adequado e reflorestamento
nas áreas degradadas. Segundo os agentes em Altamira o PDA (Projetos Demonstrativos
categoria A) financiou um projeto para a apicultura em 10 municípios (Medicilândia, Brasil
Novo, Pacajá, Anapu, Altamira, Placas, Uruará, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio e
Porto de Moz - Pólo Xingu), com o centro do projeto localizado no km 201, com
fornecimento de materiais básicos e quatro caixas para os 30 agricultores inscritos, mas,
muitos desistiram. Na época da entrevista havia cinco pessoas coletando o mel para consumo
próprio ou sob encomenda.
        b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do mel.
        Do total da quantidade do mel comercializado na região, 89,2% foram produzidos
na própria região e somente 10,8% vieram do estado do Piauí (Figura 32). Neste caso
121


foram caminhoneiros que compraram o mel diretamente dos apicultores do Piauí, com
preços baixos, e venderam para o varejo urbano local.
        A cadeia de comercialização do mel é constituída de canais de comercialização
simples, pois abrangem somente três setores intermediários entre a produção local e extralocal
até o consumidor final local (Figura 32). O principal canal de comercialização do mel
identificado com as maiores quantidades comercializadas foi a compra do atacado local
(Associação) de 51,4% do total da produção local, que venderam 11,1% para o consumidor
local e 40,3% para o varejo urbano local. Destacaram-se também a venda direta dos
apicultores para o varejo urbano local (feirantes e supermercado) comercializando 16,5% e
para os consumidores locais comercializando 19,1% da produção identificada.
        FIGURA 32- Estrutura (%) da quantidade amostral do mel comercializado na RI Xingu,
        estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia
           do mel, no ano de 2010.
        Os apicultores praticaram preços de venda diferenciados, pois além de
comercializarem isolados, também venderam sua produção para a associação. Este setor da
produção local vendeu diretamente para o varejo rural (atravessadores) ao preço de R$
15,00/l, para o varejo urbano local a R$ 10,71/l, para os consumidores locais a R$ 23,78/l e
para o atacado local (associação) a R$ 8,09/l (Figura 33). Enquanto que a associação de
apicultores (atacado) vendeu para o varejo urbano e para os consumidores locais ao preço
122


médio de R$ 16,50/l. A maioria do mel na região é comercializado em potes padronizados de
1 kg, de 500 g e também em bisnagas de 200 g.
        Por outro lado, os produtores extralocais venderam o mel diretamente para os
varejistas locais ao preço de R$ 11,25/l (Figura 33).
        FIGURA 33- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia
        de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.13 Palmito
        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
           palmito.
        Na cadeia de comercialização do palmito foi identificado somente um agente
mercantil, representado por uma indústria de beneficiamento, localizada em Pacajá, que está
no ramo há sete anos.
        A indústria trabalha exclusivamente com o palmito in natura durante o ano todo, em
um galpão de 1.200m², onde trabalham 16 funcionários. Toda a produção é escoada por meio
de dois caminhões.
        Referente ao uso de maquinários e equipamentos, os mais utilizados são: máquina
de rotulagem e cortador de papel para vedar caixas de papelão.
        O agente citou que a extração do palmito é realizada através de projetos legalmente
autorizados e a empresa matriz está localizada em Santa Catarina. E que a liberação de crédito
para projetos de exploração de palmito, melhoraria a capacidade da produção.
123


          No Quadro 12 estão descritos os perfis dos setores mercantis envolvidos na
comercialização do palmito.


QUADRO 12 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização do palmito da RI Xingu,
estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                             AGENTES MERCANTIS
                                        Extratores de palmito que utilizam açaizais de áreas manejadas
                  Produção              e de áreas nativas;
                                        Empresa que realiza o processamento industrial do palmito na
 Local
                  Indústria de          forma em conserva. Geralmente são filiais de agroindústrias,
                  beneficiamento        situadas nas áreas urbanas, que operam com o capital de giro
                                        de empresas exportadoras e distribuidoras.
                                        Comércios varejistas situados fora do Estado que vendem para
 Estadual         Varejo urbano
                                        o consumidor nacional.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
             correntes/kg) entre os setores mercantis do palmito.
          O principal canal de comercialização do palmito é decorrente da produção que vende
100% do palmito in natura, equivalente a 8.772/kg, ao preço de R$ 1,37/kg diretamente para
a indústria de beneficiamento, que após processo de beneficiamento em conserva vende ao
preço de R$ 12,65/kg para o varejo urbano estadual (supermercados) e destes para o
consumidor final estadual a R$ 20,98/kg (Figura 34).
124


        FIGURA 34- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
        (R$ correntes/kg) do palmito na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.14 Andiroba
        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da
           andiroba.
        Foram identificados quinze agentes mercantis do produto (Figura 35), estes estão
divididos nas categorias de: produtor, feirante, comerciante e atravessador. Um dos
produtores está ligado a uma associação localizada em Uruará. Esta associação é formada por
25 famílias, que pertencem a sete comunidades, que estão envolvidas na atividade extrativista
divididas em pólo sul, as que trabalham com o mesocarpo e o óleo de babaçu e do pólo norte
as que trabalham com castanha-do-brasil, andiroba e copaíba. Cada família do pólo sul possui
um lote de 100 hectares, mas pretendem trabalhar com coleta legalizada dos produtos em uma
área de sete mil hectares, onde foi feito inventário, mas estão esperando a autorização do
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
125


         FIGURA 35- Localização dos agentes mercantis da andiroba na RI Xingu, estado do Pará,
         no período de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         Os agentes trabalham no ramo em média há 11 anos (variação de 2 a 27 anos).
Somente um trabalha exclusivamente com a andiroba, os demais comercializam outros
produtos, tais como: urucum, castanha-do-brasil, cacau, mel, copaíba, unha-de-gato,
barbatimão, óleo de piquiá, semente de cumaru, verônica, leite-de-sucuúba, leite-de-amapá,
jucá, casca de uxi, aroeira, casca de ipê-roxo, casca de marapuama, carapanaúba, priprioca,
sacaca, canarana e fruto de cupuaçu.
         A comercialização se dá com as sementes que são beneficiadas para extração do óleo
que com exceção da associação que possui maquinário, a maioria é coletada de forma
tradicional, com intensificação da produção no período da safra. O trabalho é basicamente
familiar e em épocas de safra são contratados diaristas que recebem de R$ 25,00 a R$ 30,00
reais pelo trabalho.
         O Quadro 13 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
126


QUADRO 13- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da andiroba da RI Xingu,
estado do Pará, no período de 2010.
 MERCADO              SETORES                             AGENTES MERCANTIS
                                        Produtores dos municípios que fazem parte da RI Marajó
                                        (Gurupá), RI Metropolitana (Belém) e da RI Tocantins
 Extralocal       Produção
                                        (Cametá) que realizam coleta das sementes para extração do
                                        óleo e sua comercialização.
                                        Produtores locais dos municípios estudados do Xingu, que
                  Produção              coletam as sementes da andiroba e realizam o beneficiamento
 Local                                  primário com a fervura e a extração do óleo;
                                        Feirantes e comerciantes que comercializam a andiroba como
                  Varejo urbano
                                        medicinal em pequenas quantidades para o consumidor final.
                                        Uma unidade industrial de cosmético, situada na região
                                        metropolitana de Belém, que realiza o processamento de
                  Indústria de
 Estadual                               sementes e frutos com a extração e refino do óleo,
                  transformação
                                        provenientes de fornecedores que coletam os frutos e sementes
                                        em florestas nativas.
                                        Comércios varejistas situados fora do Estado que vendem para
 Nacional         Varejo urbano
                                        o consumidor nacional.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Os agentes produtores são detentores de propriedades rurais com áreas de 50 a 100
ha, localizadas nos municípios de Anapu, Uruará e Pacajá. No que tange a armazenagem,
todos possuem armazéns, boxes ou barracões com dimensões que variam de 2 a 48m², que são
utilizados para armazenagem dos equipamentos e materiais. Quatro agentes dispõem de meio
de transporte como, carro, moto e bicicleta, e os restantes geralmente pagam fretes de ônibus
ou carros padronizados para escoarem a produção.
          Os maquinários para extração do óleo são: balança de 300 kg, triturador, secador,
prensa, balança eletrônica e gerador – pois a área da associação fica dentro da Reserva do
Iriri, onde ainda dependem de gerador para fornecimento de energia elétrica, também utilizam
utensílios para coleta da semente e para facilitar o manuseio como facão, paneiros, tábua,
luva, panela, escova, faca e tesoura.
          Para melhoria na capacidade de produção foram relatados gargalos na
comercialização, tais como a falta de atravessadores para escoar a produção, financiamento
para aumento do espaço físico, licença para vender os remédios, encontrar o produto/óleo na
região, viabilidade da fábrica de beneficiamento da associação a ser construída próxima do
local de coleta, pois a atual fica há 40 km e capacitação dos pequenos produtores locais para
manipulação do produto.
127


        Os agentes informaram que representantes de farmácias de manipulação apareceram
na região em busca de informações sobre o produto, todavia não trouxeram benefício algum
para a população.
        b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da andiroba.
        A cadeia de comercialização da andiroba identificada na presente pesquisa é
constituída por vários canais de distribuição. Do total da produção identificada pela pesquisa,
57,3% é originária da própria região estudada e o restante, 42,7%, da produção extralocal,
nesse caso da RI Marajó (Gurupá), RI Metropolitana (Belém) e da RI Tocantins (Cametá)
(Figura 36).
        FIGURA 36- Estrutura (%) da quantidade amostral da andiroba comercializado na RI
        Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        A produção local vendeu 0,5% da sua produção diretamente para os consumidores
locais, 25,8% para a indústria de transformação estadual (empresa de cosméticos localizada
na região metropolitana de Belém) e 31% para o varejo urbano (comerciantes e feirantes)
(Figura 36). A produção extralocal comercializou diretamente 42,7% com o varejo urbano
local (comerciantes e feirantes) que adicionaram a quantidade comprada da produção local de
31% e venderam 73,7% para o consumidor final.
        c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da
           andiroba, no ano de 2010.
        O principal setor da comercialização da andiroba foi o varejo urbano local
(comerciantes e feirantes) que comprou da produção extralocal ao preço médio de R$ 13,17/l
128


e, da produção local, a R$ 20,88/l e revendeu ao consumidor final local ao preço médio de R$
R$ 30,08/l (Figura 37).
        Enquanto que a produção local vendeu o óleo da andiroba a R$ 24,00/l para a
indústria de transformação estadual, que revendeu ao varejo urbano nacional a R$ 30,00/l
(estimado). A venda direta ocorrida do produtor local com o consumidor final foi com o preço
médio de R$ 30,00/l (Figura 37).
        FIGURA 37- Preço médio da andiroba (R$/l) praticado nas transações entre os setores da
        cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.15 Cupuaçu
        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
           cupuaçu.
        Foram identificados 35 agentes mercantis do produto (Figura 38), sendo que todos
comercializam outros produtos, tais como: cacau, açaí fruto, taperebá, muruci, buriti, carvão,
castanha-do-brasil, copaíba, óleo de andiroba, semente de cumaru e artesanato regional.
129


         FIGURA 38- Localização dos agentes mercantis do cupuaçu na RI Xingu, estado do Pará,
         no ano de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         Os agentes se dividem nas seguintes categorias: produtor (12), varejista (1),
comerciante (5), atravessador (2), atacadista (2) - representado pelas associações, e indústria
de transformação e beneficiamento (13) - representado por supermercados, fábrica de polpas,
panificadoras, lanchonetes e sorveterias. Alguns agentes iniciaram a atividade há pouco
tempo, outros estão no ramo em média há sete anos (variação de 1 a 36 anos), sendo que seis
agentes possuem profissão paralela, tais como: moto taxista, professor, agricultor, açougueiro
e serviços gerais.
         Os produtores da RI Xingu são detentores de propriedades rurais com dimensões que
variam de 0,5 a 500 ha. Referente aos locais de comercialização, 26 agentes possuem galpões,
pontos comerciais, box em feiras ou até mesmo nas próprias residências, cujas dimensões
variam de 10m² a 100m2. Os agentes utilizam como meio de transporte motos, ônibus, carros
de pequeno porte, caminhonetas, carroça, caminhão e bicicleta.
         Cerca de 20 agentes são detentores de maquinários e equipamentos, tais como: trator,
despolpadeira, balança, freezer, liquidificador, máquina seladora, dosadeira, pasteurizador,
liquidificador industrial, prensa manual, máquina de fazer sorvete, duas câmaras frias com
capacidade de 8 e 30 toneladas, isopor, tesoura, filtro, mesa inox seladora, contêineres, faca,
decantador, empacotadeira eletrônica, geladeiras (de 310 l, 360 l, 380 l, 420 l e 530 l), carros
de picolé e de sorvetes.
130


          O Quadro 14 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 14- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cupuaçu da RI Xingu,
estado do Pará, no período de 2010.

 MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS
                                        Agricultores do município de Rurópolis que faz parte da RI
                                        Tapajós. Realizam manualmente a colheita na safra dos frutos
 Extralocal       Produção              maduros, após a queda. A maioria dos produtores realiza o
                                        despolpamento dos frutos artesanalmente (para melhor preço
                                        de venda na safra e entressafra).
                                        Agricultores que realizam manualmente a colheita na safra dos
                                        frutos maduros, após a queda. A maioria dos produtores realiza
                  Produção              o despolpamento dos frutos artesanalmente (para melhor preço
                                        de venda na safra e entressafra). Neste setor destaca-se a
                                        presença de um produtor que detém uma agroindústria;
                                        Atravessadores que compram o cupuaçu fruto de produtores
                  Varejo rural
                                        locais;
                                        Pequenas e médias indústrias (agroindústrias) que realizam o
                  Indústria de          beneficiamento do fruto in natura do cupuaçu em polpa sendo
 Local            beneficiamento        que a maioria é constituída por associações, entre elas, uma de
                                        mulheres;
                                        Pequenas empresas alimentícias que realizam transformação
                  Indústria de
                                        do fruto do cupuaçu in natura ou da polpa em outros produtos
                  transformação
                                        finais como sorvetes, sucos, doces entre outros;
                                        Intermediação da polpa de cupuaçu pela Companhia Nacional
                  Atacado               de Abastecimento – CONAB junto à associação de mulheres
                                        (ind. beneficiamento local);
                                        Feirantes, pequenos comerciantes e supermercados que
                  Varejo urbano         realizam a compra do cupuaçu in natura ou na forma de polpa
                                        e vendem para o consumidor local.
                                        Feirantes que realizam a compra do cupuaçu in natura ou na
 Estadual         Varejo Urbano         forma de polpa e vendem para o consumidor estadual.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Os problemas enfrentados pelos agentes estão relacionados ao espaço físico
insuficiente, o que dificulta o aumento da produção ou de produtos, ausência de equipamentos
como freezer e containers. Em geral os agentes compram pouca quantidade para evitar
problemas com armazenamento ou perda do produto.
          Os agentes (atravessadores, comerciantes e atacadistas, indústrias e produtores)
trabalham com o produto durante o ano todo, armazenando e vendendo em forma de polpa no
período de entressafra. As polpas são comercializadas na região e fora dela. Referente à mão
de obra, o varejista contrata 30 funcionários e paga um salário mínimo por funcionário. Uma
associação divide a renda entre seus 14 associados e, no pico da safra, chega a contratar três
131


diaristas, que recebem de R$ 10,00 a R$ 25,00. Outra organização possui seis associados que
recebem o valor de R$ 20,00 a diária. Para seis produtores a mão de obra é familiar e abrange
entre duas a seis pessoas. O restante dos produtores contrata de dois a três ajudantes, que
recebem diárias de R$ 25,00 ou um salário mínimo. A indústria de transformação tem entre
um a cinco funcionários assalariados e contrata, em média, três vendedores externos que
recebem diárias de R$ 25,00. Já a indústria de beneficiamento contrata quatro funcionários
temporários para o período da safra a R$ 25,00 a diária e entre um a quatro funcionários fixos
que recebem salário mínimo. O atravessador paga para o produtor o valor de R$ 1,00/kg de
polpa tirada do fruto, no período da safra. Existem outros estabelecimentos na região que
comercializam o produto, sendo restaurantes, lanchonetes, sorveterias, comércios, varejistas e
feirantes.
         No que tange a melhoria na capacidade de produção, foram relatados vários entraves,
tais como a falta de assistência técnica, infraestrutura e manutenção das estradas para escoar a
produção, maior oferta do produto e estudo de mercado, melhoria nas condições de
fornecimento de energia, visto que ocorrem constantes quedas comprometendo a qualidade
dos produtos armazenados nos freezers. Os produtores declararam a necessidade de um
sistema de irrigação para plantação de cupuaçu e cacau, bem como aquisição de maquinário e
equipamentos como tratores, câmara fria e obtenção da licença ambiental. Outra limitação dos
produtores se refere ao registro do produto para que possam distribuir em larga escala, tendo
muitas vezes a mercadoria apreendida pela ausência de nota.
         b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do cupuaçu.
         Conforme demonstra a Figura 39, os canais de comercialização do cupuaçu
identificados se caracterizam por diversos canais de distribuição, abrangendo vários setores
intermediários entre o produtor e o consumidor final, inclusive, com a participação de agentes
mercantis transacionando parte da produção para o âmbito estadual, correspondente ao
mercado consumidor da RI Baixo Amazonas, mais especificamente do município de
Santarém, onde se situa o mercado municipal (Mercadão 2000).
         Entre os canais de comercialização, o principal nível de canal de comercialização
para o setor da produção local foi a venda direta de 42,4% da produção do cupuaçu
identificado para as indústrias de transformação local (sorveterias e lanchonetes) e 37,4% para
as indústrias de beneficiamento local (agroindústrias) (Figura 39). Enquanto que o setor da
produção extralocal, com apenas 0,1% da produção identificada, vende tudo para a indústria
de transformação local.
132


         No que se refere às compras do demandante final local (consumidores), o principal
canal foi através das vendas de 47,5% do setor de indústria de transformação (sorveterias e
lanchonetes), que além de ter adquirido da produção local e extralocal, também comprou
4,7% dos atravessadores (varejo rural) e 0,3% do setor de beneficiamento (Figura 39). O
consumidor local também adquiriu 2,4% do produto identificado em forma de polpa junto ao
setor de beneficiamento local, 10,3% do setor de varejo urbano local, 2% diretamente da
produção, sendo que estas duas últimas compras foram realizadas principalmente na safra do
fruto in natura e/ou em polpas em feiras livres.
         Ainda no mercado local, para a indústria de beneficiamento (agroindústrias e
associações) a principal forma de comercialização se desenvolveu com as compras de 33% da
produção identificada em forma de polpa, intermediadas pela Conab (atacado local), a fim de
suprir o consumo local, especificamente para atender a merenda escolar (Figura 39). No que
se refere às quantidades deste fruto movimentadas no âmbito estadual, o setor de varejo
urbano estadual adquiriu 4,8% da produção local identificada dos agroextrativistas advindos
do município de Uruará, pertencente a RI Xingu.
         FIGURA 39- Estrutura (%) da quantidade amostral do cupuaçu comercializado na RI
         Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia
            do cupuaçu, no ano de 2010.
133


        Os preços médios do cupuaçu praticados entre os diferentes agentes mercantis são
determinados pela safra do fruto, pelo seu beneficiamento ou transformação e pela logística
do mercado consumidor.
        O preço médio de compra de insumo (cupuaçu) praticado pela indústria de
transformação local com os produtores locais foi de R$ 1,67/un., muito mais barato de quando
adquiriu o fruto da produção extralocal (R$ 2,00/un.) (Figura 40).
        A indústria de beneficiamento, por sua vez, adquiriu o fruto a R$ 0,54/un. junto aos
produtores locais, preço que basicamente reflete o fato de que a maioria desses produtores
serem sócios e/ou membros da associação, que como já descrito anteriormente, são pequenas
e médias agroindústrias (Figura 40). Por conseguinte estas indústrias após realizarem o
beneficiamento vendem parte para a indústria de transformação ao preço de R$ 2,00, parte
para o varejo urbano (R$ 1,66/un.). No entanto, estes preços são maiores que o praticado com
o atacado (CONAB), sua maior demandante, de R$ 1,65/un..
        No que tange ao preço médio pago pelo consumidor final da RI Xingu, o valor
variou conforme a forma da sua preferência pelo fruto, pois quando comprou a polpa do fruto
pagou para a indústria de beneficiamento local R$ 1,77/un. e, quando adquiriu o fruto in
natura diretamente do produtor pagou R$ 1,72/un. e, junto aos feirantes pagou R$ 2,02/un.. E
quando a preferência do consumidor foi pelo produto transformado em sucos, sorvetes,
cremes e doces pagou o equivalente a R$ 7,75/un. (Figura 40). Já os consumidores estaduais
pagaram R$ 1,05/un., junto ao varejo urbano estadual que adquiriu o fruto in natura dos
produtores locais a R$ 0,83/un..
134


        FIGURA 40- Preço médio do cupuaçu (R$/Kg) praticado nas transações entre os setores da
        cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.16 Borracha
        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da
           borracha.
        Foram identificados dois agentes mercantis do produto, um na categoria de produtor
e outro atravessador. O agente atravessador citou que está no ramo há 40 anos.
        O Quadro 15 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
135




QUADRO 15- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da borracha da RI Xingu,
estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                             AGENTES MERCANTIS
                                        Produtores representados pelos seringueiros que extraem o
                  Produção              látex das seringueiras, que após coagulado é vendido o produto
 Local                                  borracha;
                                        Pequenos comerciantes (atravessadores) do interior dos
                  Varejo rural
                                        municípios que compram a borracha dos extrativistas.
                                        Grandes empresas multinacionais que se dedicam na produção
                  Indústria de
 Nacional                               de pneus e outros produtos utilizando a borracha como
                  transformação
                                        matéria-prima principal.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Com relação a equipamentos e maquinários, o produtor citou possuir facões
utilizados para riscar as seringueiras e cuias, que servem para aparar o látex, que após serem
recolhidos das cuias são armazenados em sacas de 60 kg e são comercializados somente no
período de seca.
          Como meio de transporte o produtor utiliza uma rabeta. E, para melhoria nas
condições do trabalho relatou a necessidade de preço justo na comercialização. O atravessador
possui um barco com capacidade de 300 kg, mas citou que a empresa é responsável pelo
transporte da borracha até o seu destino final e comercializa a borracha o ano todo. Diz que é
necessário, para melhoria na capacidade de produção, uma embarcação que comporte três
toneladas do produto.
          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
             correntes/kg) entre os setores mercantis da borracha.
          A borracha apresentou um canal de comercialização simples, com um setor
intermediário, que comprou 100% da borracha produzida na RI Xingu (Figura 41),
equivalente a R$ 5.960/kg, que foi comprada por R$ 1,80/kg pelo setor do varejo rural
(atravessadores), que repassou a mesma quantidade do produto in natura para a indústria de
transformação nacional ao preço de R$ 2,20/kg. O preço da indústria após transformação da
borracha em pneus refere-se apenas ao preço de repasse, pois o setor não foi entrevistado.
136


          FIGURA 41- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
          (R$ correntes/kg) da borracha na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




          Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
          Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.17 Buriti
          a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
             buriti.
          O buriti é um fruto pouco comercializado nessa região, sendo identificado apenas um
produtor que trabalha com o produto na forma de polpa que, vende paralelamente outras
polpas regionais, tais como de cacau, açaí e cupuaçu. Este trabalha nesta atividade a seis anos
e, paralelamente exerce a função de auxiliar de serviços gerais em um hospital da cidade.
          O Quadro 16 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 16- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do buriti da RI Xingu,
estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                            AGENTES MERCANTIS
                                        Extratores do buriti que coletam o fruto utilizando técnicas
                                        semelhantes à da coleta do açaí. Após a coleta realizam o
                  Produção              beneficiamento caseiro do fruto, que consiste no amolecimento
 Local                                  do fruto e em seguida o despolpamento manual com auxilio de
                                        colheres;
                  Indústria de          Lanchonetes que adquirem a massa extraída dos frutos
                  transformação         (composta de polpa e casca) e as transformam em sucos.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
137


            Toda a produção é armazenada em freezers em sua residência e para retirar a polpa
dos frutos possui os equipamentos: despolpadeira de açaí e tesouras. Como meio de transporte
utiliza uma bicicleta para distribuir a polpa em lanchonetes da cidade. Estão envolvidas nesta
atividade três pessoas, membros da mesma família, fato este que torna a renda basicamente
familiar.
            Para melhoria nas condições de comercialização o agente declara a necessidade de
financiamento para aquisição de mais freezer e despolpadeira de açaí.
            b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
               correntes/kg) entre os setores mercantis do buriti.
            A comercialização de 840 quilos deste produto se dá somente a nível local, com o
setor da produção beneficiando o fruto com a retirada da polpa, que são vendidas ao preço de
R$ 5,00/kg para a indústria de transformação (lanchonetes), cujo produto é consumido na
forma de sucos pelos consumidores finais a R$ 6,25/kg (Figura 42).
            FIGURA 42- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
            (R$ correntes/kg) do buriti na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




            Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
            Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.18 Utensílios
            a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização de
               utensílios.
            Foram identificados três agentes que comercializam os produtos, um na categoria de
comerciante e dois artesãos, sendo que estes comercializam outros produtos como, castanha-
138


do-brasil, açaí, casca de ipê, unha-de-gato, leite de sucuúba, andiroba e óleo de pracaxi. Os
agentes mais antigos trabalham neste ramo há 35 anos e o mais recente há um ano.
          Os utensílios encontrados foram: vassoura regional de cipó timbó, cesto de palha,
paneiro de guarumã, peneira de guarumã e tipiti feito de fibra de guarumã. Os agentes
possuem armazém com tamanhos que variam de 50m2 a 200m2. Com relação ao meio de
transporte, estes agentes utilizam carro, moto, rabeta e bicicletas.
          Os equipamentos utilizados pelos artesões para confecção dos utensílios são faca,
tesoura, grampos, tachas, barbante, cola, tinta, verniz, lápis, fita métrica, compasso e martelo.
E os comerciantes dispõem apenas de uma calculadora e balanças.
          No que tange a quantidade de pessoas que trabalham na atividade, estas variam de
duas a três pessoas envolvidas. No caso de um artesão são apenas dois membros familiares
envolvidos. Outro artesão recebe a participação de trabalhos vindos de índios de oito etnias na
fabricação dos utensílios. A produção dos artesões é feita durante o ano todo e a renda é
dividida entre todos. Já o comerciante trabalha durante o ano todo e paga o valor de um
salário mínimo para cada um dos seus três funcionários.
          Para melhoria da produção, os agentes citaram a necessidade de espaço físico maior,
além de aquisição de produtos na região.
          O Quadro 17 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
de utensílios, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 17- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos utensílios da RI
Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.
MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS
                                        Produtores e artesãos que extraem ou compram as matérias
                                        primas, como cipós, palhas, fibras de guarumã e outros produtos
                 Produção               oriundos da floresta nativa, para confeccionarem os utensílios
                                        (vassoura de cipó timbó, cesto de palha, paneiro, peneira e tipiti
Local
                                        de guarumã);
                                        Agentes que compram utensílios da produção local, que
                 Varejo urbano          possuem pontos comerciais nos municípios e vendem ao
                                        consumidor local.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
             correntes/un.) entre os setores mercantis dos utensílios.
          A cadeia de comercialização dos utensílios se restringe apenas a RI Xingu, com
apenas um setor intermediário (Figura 43). Os varejistas urbanos (comerciantes) compram
90,4% da produção identificada, ao preço médio de R$ 3,09/un. e, revendem para o
139


consumidor final local a R$ 4,86/un.. Já o consumidor final compra 9,6% diretamente da
produção ao preço médio de R$13,89/un..
          FIGURA 43- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
          (R$ correntes/un.) dos utensílios na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




          Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
          Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.19 Castanha-do-brasil óleo
          a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
             óleo da castanha-do-brasil.
          Foi identificado um agente mercantil do produto, que atua no ramo há três anos. O
mesmo trabalha com outros produtos como: óleo de andiroba e copaíba.
          O Quadro 18 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 18- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do óleo da castanha-do-
brasil da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                             AGENTES MERCANTIS
                                        Produção extrativista dos municípios estudados que realizam a
 Local            Produção              coleta da castanha e posterior extração do óleo de forma
                                        artesanal. Comercializam o óleo em garrafas.
                                        Uma unidade industrial de cosméticos, situada na região
                                        metropolitana de Belém, que realiza o processamento de
                  Indústria de
 Estadual                               sementes e frutos com a extração e refino do óleo,
                  transformação
                                        provenientes de fornecedores que coletam os frutos e sementes
                                        em florestas nativas.
 Nacional         Varejo urbano         Lojistas e autônomos que comercializam cosméticos.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
140


         O produtor possui área localizada em Uruará, com lote de 100 ha, de onde coleta as
castanhas. Possui três barracões de 48 m2 como local para armazenamento. Não possui
transporte. Utiliza as seguintes máquinas: triturador, secador e prensa. O equipamento refere-
se a um gerador que fornece energia para a comunidade. São envolvidas na atividade 25
famílias extrativistas, que recebem R$ 30,00/diária.
         No que tange a melhoria na capacidade de produção, o agente declara a viabilidade
de uma fábrica de beneficiamento próxima ao local, pois a atual fica a 40 km. E também
gostaria de um projeto de reflorestamento, pois o local da coleta tem sido em área de reserva
extrativista.
         b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
            correntes/l) entre os setores mercantis do óleo da castanha-do-brasil.
         O setor da produção local vende exclusivamente a quantidade de 100% do óleo
(equivalente a 150l) para o setor da indústria de transformação estadual (empresa de
cosmético) ao preço médio de R$ 24,00/l (Figura 44). Este setor depois que compra da
produção, realiza o refino do óleo, e deposita em embalagens, pois consegue adquirir uma
maior lucratividade. O preço médio de venda do óleo da castanha-do-brasil praticado pela
indústria de transformação com o varejo urbano nacional (lojas) foi estimado, pois a indústria
de transformação estadual ainda não foi entrevistada, portanto o preço de venda real praticado
não foi identificado.
141


          FIGURA 44- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
          (R$ correntes/l) do óleo da castanha-do-brasil na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




          Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
          Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.20 Leites
          a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização dos
             leites.
          Nesta cadeia foram agrupados dois produtos: leite-de-amapá e leite-de-sucuúba,
sendo ambos comercializados com finalidades medicinais.
          Foram identificados dois agentes mercantis dos leites, que estão no ramo há 10 e 35
anos. Os mesmos trabalham com outros produtos, tais como: castanha-do-brasil, copaíba, óleo
de andiroba, semente de cumaru, unha-de-gato, uxi amarelo, casca preciosa, verônica, mel e
jucá.
          O Quadro 19 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 19- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos leites da RI Xingu,
estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                             AGENTES MERCANTIS
                                         Produção é composta por extrativistas que retiram o leite
                  Produção               (seiva) com o uso de ferramentas simples;
 Local
                  Varejo urbano          Feirantes que revendem o produto fracionado ou em litro.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
142


         Referente ao local para armazenamento e comercialização, os agentes possuem entre
um e dois pontos, com dimensões que variam de 12 m² a 200 m2. Possuem uma balança
eletrônica e calculadoras. A mão de obra é basicamente familiar. O agente declara que há
dificuldade de escoamento da produção em períodos de inverno, visto que as estradas se
tornam intrafegáveis. Como meios de transportes utilizam carro, moto e bicicletas.
         O produto é comercializado durante todo ano, a mão de obra em número de um a
três, se divide em familiar e externa, com um agente pagando o valor de um salário mínimo
para cada um de seus três contratados. Os problemas relatados pelos agentes se referem a
questão de espaço físico insuficiente, falta de incentivo do governo e necessidade de
melhorias na infraestrutura das estradas.
         b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
            correntes/l) entre os setores mercantis dos leites.
         A comercialização dos leites apresentou um canal indireto com a presença de um
setor intermediário entre a produção e o consumidor. O canal segue com o varejo urbano
representado por feirantes comprando da produção uma quantidade de 130l de cada tipo de
leite, ao preço de R$ 9,85/l e, vendendo para o consumidor final, ao preço de R$ 15,00/l
(Figura 45).
         FIGURA 45- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
         (R$ correntes/l) dos leites na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
143


4.3.21 Óleo de Piquiá
          a) Caracterização do agente mercantil envolvido na cadeia de comercialização do
             óleo de piquiá.
          Foi identificado um agente mercantil do produto, que atua no ramo há oito anos. O
mesmo trabalha com outros produtos como: óleo de andiroba, barbatimão e copaíba.
          O Quadro 20 apresenta a caracterização do agente envolvido na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 20- Descrição do agente mercantil na comercialização do óleo de piquiá da RI
Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                             AGENTES MERCANTIS
                                        Produtores do óleo de piquiá, que fazem a coleta do fruto e
                  Produção              extração artesanal do óleo;
 Local
                                        Feirantes do óleo de piquiá, que comercializam o produto para
                  Varejo urbano
                                        fins medicinais em pequenas embalagens de vidro.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          O produto é comercializado durante todo ano em um box na feira, com dimensão de
    2
3 m , e a mão de obra utilizada é familiar. O mesmo não possui maquinários, equipamentos e
transporte. O tempo de trabalho com o comércio é de segunda a sexta, durante o ano todo.
Segundo relato do agente, não há outro que comercialize o produto no mesmo mercado e que,
provavelmente, o produto seria encontrado somente em outro estabelecimento que também
trabalha com remédios caseiros e plantas medicinais. Porém, não foi possível contato com a
responsável que se encontrava fora da cidade. Para melhoria na capacidade de produção, o
agente declara a necessidade de ampliação do espaço físico cedido no mercado para que ele
possa vender mais produtos medicinais.
          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
             correntes/l) entre os setores mercantis do óleo de piquiá.
          A comercialização de 120l deste produto ocorreu somente a nível local com o setor
da produção do óleo vendendo 100% para o varejo urbano ao preço de R$ 20,00/l,
representado por feirantes que venderam ao consumidor final ao preço de R$ 133,30/l em
frascos menores (Figura 46).
144


         FIGURA 46- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
         (R$ correntes/l) do óleo de piquiá na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.22 Breu-branco
         a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
            breu-branco.
         Foram identificados três agentes que comercializam o produto, sendo que um
comercializa exclusivamente o breu e os demais trabalham com outros produtos, tais como:
açaí fruto, tipiti, mel, castanha-do-brasil, semente de cumaru, carvão, vassoura de cipó-titica,
óleo de pracaxi, peneira de cipó-titica, casca preciosa, cacau, casca de verônica, casca de ipê-
roxo, casca de unha-de-gato, leite de sucuúba, leite-de-amapá, copaíba, óleo de andiroba,
casca de sucuúba e paneiro de cipó-titica.
         Os agentes estão inseridos nas categorias de varejistas e comerciantes, e os mais
recentes estão há 5 anos e os mais antigos há 35 anos no ramo. Um deles exerce também a
profissão de pescador. O Quadro 21 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na
comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
145


QUADRO 21- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do breu-branco da RI
Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO             SETORES                              AGENTES MERCANTIS
                  Produção              Extrativistas que coletam a resina do breu-branco;
 Local                                  Atravessadores que adquirem dos extrativistas a resina do
                  Varejo rural
                                        breu-branco.
                                        Feirantes e os comerciantes, que compram o breu-branco e
                                        revendem, por conta de suas diversas utilizações, como
 Nacional         Varejo urbano         impermeabilizante de embarcações como um verniz natural,
                                        como medicinal e como defumador, incenso em rituais
                                        religiosos.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          O produto é comercializado durante o ano todo, a mão de obra em parte é externa,
sendo pago o valor de um salário mínimo para seus funcionários e, no caso de ser familiar a
mão-de-obra serve como complemento de renda para as famílias.
          Referente à comercialização, em geral o breu-branco é comercializado com outros
produtos. Os pontos de venda identificados têm dimensões variadas, o maior possui cerca de
200 m². Como meio de transporte os agentes utilizam barco, moto, bicicleta e carro. Os
equipamentos mais comuns utilizados nesta cadeia são a balança e a calculadora.
          Para melhoria nas condições de comercialização, os agentes declararam a
necessidade de aquisição de novos pontos de comércio e melhoria na infraestrutura dos já
existentes.
          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
             correntes/kg) entre os setores mercantis do breu-branco.
          Como podem ser visualizados na Figura 47 a estrutura de comercialização do breu-
branco se caracteriza por canais simples, com dois setores intermediários e foco somente na
região estudada. A quantidade total encontrada foi de 780 quilos do produto. O varejo rural
(atravessadores) comprou da produção 15,4% da quantidade identificada do breu-branco, ao
preço médio de R$ 1,00/kg e, vendeu ao preço de R$ 1,50/kg para o varejo urbano, que
também comprou 84,6% direto da produção e vendeu 100% para os consumidores locais, ao
preço médio de R$ 2,38/kg, para ser utilizado na impermeabilização de embarcações, como
medicinal e como defumador, incenso em rituais religiosos.
146


         FIGURA 47- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
         (R$ correntes/kg) do breu-branco na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.23 Carvão
         a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
            carvão
         Foram identificados na RI Xingu quinze agentes mercantis do carvão (Figura 48),
sendo que dez comercializam exclusivamente este produto, e os demais trabalham com mel,
açaí, polpa de cupuaçu, cacau, taperebá, tipiti e breu-branco. Dentre os agentes, foi localizada
no município de Anapu uma central de carbonização, mais conhecida como carvoaria, que
trabalha de forma legalizada, de acordo com as leis ambientais, sendo um referencial no
município. A produção da mesma tem como destino as siderúrgicas do município de Marabá.
O comércio é realizado em grande parte por atravessadores e comerciantes que compram
direto dos pequenos produtores.
147


        FIGURA 48- Localização dos agentes mercantis do carvão na RI Xingu, estado do Pará, no
        ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        Os agentes envolvidos nesta cadeia estão neste ramo em média há sete anos (variação
de 1 a 35 anos) e quatro deles exercem profissões paralelas de proprietário de bar, açougueiro
e aposentados. Os agentes em geral, possuem propriedade rural com extensões que variam de
0,5 a 200 hectares, localizadas em Pacajá e Senador José Porfírio. Apesar de possuírem áreas,
a produção do carvão é feita em frente ou próximo às madeireiras. Com relação à
armazenagem dos produtos, onze deles (um varejista, três atravessadores, quatro comerciantes
e três produtores) dispõem de locais com dimensões que variam de 9 m² a 800 m², e quatro
produtores não possuem. Os meios de transporte mais utilizados nesta atividade são carros de
mão, dois caminhões julieta (com duas gaiolas, com capacidade para 60 m3 e 135m³), balsa
com capacidade para seis toneladas, motos com carroça (capacidade para 1 lata), e
caminhoneta (capacidade para 150 sacolas). Um produtor paga frete para o transporte da
produção até os comércios, porem não informou o valor pago.
        Os equipamentos e materiais mais comuns na atividade são balanças, fornos,
caçambas, laminadores, calculadoras, enxadas, pás, carros de mão, botas, latas e sacolas,
utilizados por cerca de 90% dos agentes. A indústria dispõe de uma estrutura com caminhões
de alta capacidade, 220 fornos “rabo quente” dentre outros equipamentos necessários para a
atividade. Boa parte da produção é realizada com aproveitamento de refugo de madeira das
serrarias nos fornos ou em caieiras. As caieiras são buracos feitos no chão com dimensões de
148


4m² onde ficam empilhados refugos de madeira dispostos longitudinalmente, que quando
cobertas com areia formam uma espécie de forno.
          No Quadro 22 estão descritas a caracterização dos agentes envolvidos na
comercialização do carvão, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 22- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do carvão da RI Xingu,
estado do Pará, no período de 2010.
 MERCADO              SETORES                             AGENTES MERCANTIS
                                        Existem dois tipos categorias de agentes: a) composta por
                                        pequenos agricultores que produzem o carvão a partir da
                                        matéria-prima proveniente da limpeza dos seus terrenos, ou da
                  Produção              matéria-prima dispensada das serrarias (refugo), feitos em
                                        buracos cavados no chão, conhecidos como “caieiras” ou em
                                        fornos artesanais de barro. b) composta por uma madeireira
 Local                                  que produz o carvão a partir de seu próprio refugo, utilizando
                                        fornos tipo “rabo quente” como sistema de carbonização;
                  Varejo rural          Agentes que se deslocam até as comunidades para comprar o
                                        carvão diretamente dos carvoeiros;
                                        Comerciantes e feirantes que compram o carvão em sacas de
                  Varejo urbano         15 kg dos produtores e fracionam ou não em sacolas plásticas
                                        de 5 kg.
                                        Agentes que comercializam grandes quantidades de carvão
 Estadual         Atacado
                                        diretamente com o setor siderúrgico estadual.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          A mão de obra empregada é, na maioria dos casos, familiar, a qual serve como
complemento financeiro para as famílias que, em alguns casos, sobrevivem desta atividade
em situação bastante precária. Um agente produtor adota o sistema de meia com seu
“ajudante”, cedendo a área e os equipamentos para produção do produto e o lucro obtido com
a venda, é dividido entre eles. A empresa paga seus funcionários de acordo com a categoria.
Foi informada a existência de vários agentes em vários pontos das cidades visitadas.
          Os problemas relatados são decorrentes da falta de espaço físico ou mesmo as más
condições dos mesmos.
          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do carvão.
          Os canais de comercialização do carvão identificados nos dez municípios se
caracterizam por canais simples, que apresentam apenas três setores intermediários que são o
varejo rural, o varejo urbano local e o atacado estadual que comercializam diretamente com os
consumidores locais e estaduais, neste caso a produção identificada da RI Xingu envia 99%
para as guseiras da RI Carajás (Figura 49). Os varejistas rurais compram somente 0,7% da
149


produção identificada, sendo 0,5% vendidos para os consumidores locais e 0,2% para os
varejistas locais.
         Destaca-se a venda direta do setor da produção para o consumidor estadual
comercializando 98,8% da produção identificada, neste caso trata-se de uma madeireira já
descrita no Quadro 22, vendendo para as guseiras localizadas no município de Marabá (RI
Carajás). Ainda no sistema estadual o setor atacadista (atravessadores) compra diretamente da
produção 0,2% que por sua vez vende também para as guseiras (Figura 49).
         FIGURA 49- Estrutura (%) da quantidade amostral do carvão comercializado na RI Xingu,
         estado do Pará, no ano de 2010.




         Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
         Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


         c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia
            do carvão, no ano de 2010.
         O preço médio de venda praticado pelos produtores de carvão dos municípios
estudados varia conforme a finalidade da utilização do carvão, ou seja, se for utilizado como
bem de consumo (ou bem final) ou como insumo (bem intermediário). Assim, o preço
adotado pelo carvoeiro quando vende diretamente para o consumidor local é R$ 9,77/saca,
com o varejo urbano local R$ 13,27/saca e com o varejista rural R$ 5,85/saca (Figura 50).
         O preço médio praticado pelos produtores de carvão na venda para o setor do atacado
estadual foi de R$ 3,33/saca (Figura 50). Por outro lado, o preço de venda com os
consumidores estaduais (guseiras de Marabá) foram em média de R$ 9,50/saca.
150


          FIGURA 50- Preço médio do carvão (R$/saca) praticado nas transações entre os setores da
          cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




          Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
          Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.24 Uxi
          a) Caracterização do agente mercantil envolvido na cadeia de comercialização do
             uxi.
          Foi identificado um agente mercantil do fruto do uxi in natura, o qual é varejista e
trabalha com vários produtos, tais como: cupuaçu, castanha-do-brasil, muruci, taperebá, ingá,
bacuri e pupunha. Trabalha neste ramo a cerca de quatorze anos, em um ponto comercial de
31 m².
          O Quadro 23 apresenta a caracterização do agente envolvido na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 23- Descrição do agente mercantil na comercialização do uxi da RI Xingu, estado
do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                             AGENTES MERCANTIS
                                        Agroextrativistas que realizam manualmente a colheita na
                  Produção              safra dos frutos maduros;
 Local
                                        Comerciantes que vendem o fruto in natura para o consumidor
                  Varejo urbano
                                        local.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
151


        A atividade é realizada durante o ano todo, isto se dá pelo fato do uxizeiro produzir
continuamente, variando apenas na quantidade de frutos produzidos. Como meio de transporte
utiliza uma carroça e os equipamentos utilizados para esta atividade constam de balança e
isopores para acondicionar os frutos, pois o produto é comercializado in natura.
        A declarante trabalha sozinha no seu ponto comercial, que funciona em horário
comercial durante o ano todo. Para melhoria nas condições de comercialização, declara haver
necessidade de aquisição de um freezer para congelar a polpa do produto. Segundo
informações, existem vários agentes que comercializam o produto in natura ou lanchonetes e
sorveterias que beneficiam em forma de sorvetes, picolés e sucos.
        b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
           correntes/un.) entre os setores mercantis do uxi.
        Como pode ser observado na Figura 51, 100% da produção identificada foi vendida
diretamente para o varejo urbano local, ao preço médio de R$ 0,08/un. do fruto in natura, e
este vendeu para os consumidores locais ao preço de R$ 0,12/un..
        FIGURA 51- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
        (R$ correntes/un.) do uxi na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.25 Açaí (semente)
        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
           açaí (semente).
        Foram identificados cinco agentes que comercializam o produto, sendo quatro
artesões e um produtor, que trabalham com outros produtos utilizados para artesanato como
152


semente de jarina, castanha-do-brasil, cipó-titica, inajá, sapucaia, buriti, olho-de-boi,
saboneteira, murumuru e coratá. O tempo no ramo com o artesanato é, em média, de seis anos
(com variação de 3 a 10 anos).
          O Quadro 24 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização
deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 24- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do açaí (semente) da RI
Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.

MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS

Extralocal                             Produtores/comerciantes de Belém que vendem as sementes de
                 Produção
                                       açaí já beneficiadas para os artesões da RI Xingu.
                                       Artesões que participam de associações em que realizam o
                 Produção              beneficiamento da semente do açaí para, posteriormente,
                                       produzirem as peças de artesanatos;
Local            Indústria de          Associações de artesões que produzem peças artesanais
                 transformação         utilizando a semente de açaí como um dos insumos;
                 Atacado               Associações de artesões que vendem as peças artesanais com
                                       semente de açaí, produzidas pelos associados.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Dentre os agentes há um produtor, dono de uma área de 200 hectares localizada em
Porto de Moz. As artesãs produzem seus objetos com materiais retirados da floresta e outros
comprados de produtores ou artesãos que beneficiam as sementes. Os locais utilizados são
galpões ou barracões de alvenaria, com dimensões que variam de 15 m2 a 80 m2. Com relação
a meios de transporte, dois agentes (artesã e produtor) citaram possuir duas motos, um
caminhão e um barco com capacidade para cinco toneladas.
          Os equipamentos utilizados para confecção das peças são alicates, lixadeiras, polidor,
tesouras, facas, serras, furadeiras, agulha, arame, tachas, grampos, máquina de costura,
martelos, tinta, barbante, cola, lixas, massa de biscuit e pincel. O problema relatado em
relação ao armazenamento refere-se à necessidade de um galpão maior e mais arejado, e o
entrave para a melhoria da produção refere-se à falta de maquinários adequados.
          A quantidade de pessoas envolvidas na produção varia de 2 a 66 associados, que
trabalham por encomenda ou com vendas diárias, durante o ano todo. Com relação ao
funcionamento das lojas que vendem artesanato, estas trabalham em horário comercial
durante o ano todo, com exceção de uma lojinha em Altamira, que funciona das 18h as 23h, a
qual conta com a ajuda de uma vendedora que também é artesã. A forma de pagamento para
os artesões está relacionada ao produto vendido, sendo que estes repassam 15% do valor para
153


a associação que cede lugar para exporem (venderem) seus produtos, já outras associações
dividem o total apurado pelo número de artesões que trabalharam.
        b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do açaí (semente).
        A cadeia de comercialização do açaí semente é composta pelos setores da produção
local e extralocal e pelos intermediários: indústria de transformação e atacado local. O
principal elo desta cadeia refere-se ao setor da indústria de transformação local (associações
de artesões) que compra toda a produção local identificada na RI Xingu (51,4%) e mais
39,1% proveniente da produção extralocal (Belém RI Metropolitana), abastecendo com 90,5%
o consumidor local (Figura 52). Os 9,5% restantes da produção extralocal são
comercializados com o atacado local, que se refere a uma associação, que revende o
artesanato para o consumidor final.
        FIGURA 52- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí (semente) na RI Xingu, estado
        do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


        c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia
           do açaí (semente), no ano de 2010.
        O setor da indústria de transformação local (associações de artesões) compra da
produção local ao preço médio de R$ 8,00/kg da semente de açaí, e da produção extralocal ao
preço médio de R$ 7,41/kg (Figura 53). Após a confecção de peças como quadros, chaveiros
e biojóias este setor vende ao consumidor final ao preço médio de R$ 123,42/kg. O setor do
atacado local comprou da produção extralocal ao preço médio de R$ 8,00/kg e revendeu ao
consumidor local o produto final ao preço de R$ 69,00/kg.
154


          FIGURA 53- Preço médio do açaí (semente) (R$/kg) praticado nas transações entre os
          setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará.




          Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
          Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.26 Bacaba
          a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da
             bacaba.
          A bacaba é pouco comercializada na RI Xingu, foi identificado apenas um agente
mercantil do produto que atua no ramo há cerca de 10 anos, este, além da bacaba comercializa
também o açaí, sendo que em maior quantidade. O Quadro 25 apresenta a caracterização do
agente envolvido na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 25 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização da bacaba da RI Xingu,
estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                            AGENTES MERCANTIS
                                        Produção agroextrativa da bacabeira identificada em
                  Produção
                                        municípios da RI Xingu;
 Local
                  Indústria de          Batedores de bacaba que utilizam o mesmo maquinário para
                  beneficiamento        extração da polpa do açaí.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          O produto é comercializado somente na safra, em um ponto residencial de 7 m2. A
mão de obra é exclusivamente familiar. Como ferramentas e equipamentos de trabalho utiliza
geladeira, freezer, purificador de água e máquina despolpadeira de açaí.
155


        Foi informada a existência de outros agentes na cidade que trabalham com o produto,
todavia não foram localizados. Para melhoria nas condições de comercialização, o agente
informou a necessidade da aquisição de espaço físico maior para vender a bacaba em porções,
como forma de aceitação e atração do cliente.
        b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
           correntes/kg in natura) entre os setores mercantis da bacaba.
        A estrutura da comercialização da bacaba apresenta um canal simples com apenas
um setor intermediário (ind. beneficiamento) entre a produção e o consumidor local (Figura
54). O batedor de bacaba compra 100% da produção local ao preço de R$ 0,60/kg e após
beneficiamento do fruto vende a polpa para o consumidor final por R$ 1,71/kg.
        FIGURA 54- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
        (R$ correntes/kg in natura) da bacaba na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.27 Bacuri
        a) Caracterização do agente mercantil envolvido na cadeia de comercialização do
           bacuri.
        Foi identificado um agente mercantil do produto, inserido na categoria de varejista e
que também comercializa outros produtos regionais como: uxi, taperebá, pupunha, muruci,
castanha-do-brasil e cupuaçu.
        O local de venda do varejista possui dimensão de 31,5 m², não necessita de
equipamentos ou maquinários visto que o produto é vendido in natura e por unidade. Como
156


meio de transporte utiliza uma carroça e, para melhoria nas condições do trabalho, necessita
de equipamentos para beneficiamento do produto em polpa a fim de garantir melhor preço.
          O agente trabalha neste ramo há 14 anos e o produto é comercializado somente na
safra, em horário comercial. O Quadro 26 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos
na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 26- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do bacuri da RI Xingu,
estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                            AGENTES MERCANTIS
                                        Coletores do fruto de bacuri, que comercializam o produto in
                  Produção
                                        natura;
 Local
                                        Comerciantes que vendem o fruto in natura para o consumidor
                  Varejo urbano
                                        local.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
             correntes/un. fruto in natura) entre os setores mercantis do bacuri.
          O fluxo de comercialização do bacuri é destinado 100% da produção local para o
varejo urbano local, representado por comerciantes que compram dos coletores ao preço
médio de R$ 0,42/un. do fruto in natura (Figura 55). Os feirantes revendem para o
consumidor final local ao preço de R$ 0,62/ un..
157


          FIGURA 55- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
          (R$ correntes/un. fruto in natura) do bacuri na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




          Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
          Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.28 Pupunha
          a) Caracterização do agente mercantil envolvido na cadeia de comercialização da
             pupunha.
          Foi identificado um agente mercantil do produto, que atua no ramo há quatorze anos,
sendo que trabalha com outros produtos como: taperebá, açaí fruto, cupuaçu fruto, uxi, bacuri
fruto, castanha-do-brasil e polpa de cacau. O Quadro 27 apresenta a caracterização dos
agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
QUADRO 27- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da pupunha da RI Xingu,
estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                            AGENTES MERCANTIS
                                        Agentes envolvidos na retirada dos cachos de pupunha
                  Produção
                                        encontrada nos municípios da região;
 Local
                                        Comerciantes que vendem em cacho ou em quilo o fruto in
                  Varejo urbano
                                        natura para o consumidor local.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          O produto é comercializado em um espaço de dimensão equivalente a 30 m2 e, como
meio de transporte, é utilizada uma carroça. A venda é realizada apenas pelo proprietário que
trabalha durante o ano todo. Com relação a equipamentos, possui uma balança e um isopor.
158


        Para melhoria na capacidade de produção, o agente declara a necessidade de
ampliação do espaço físico e a compra de equipamentos para beneficiamento dos frutos.
        b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
           correntes/cacho) entre os setores mercantis da pupunha.
        De acordo com a Figura 56 o canal da pupunha é simples, apresentando somente o
varejo urbano como intermediário, sendo comercializado in natura em quilo ou em cacho,
somente na safra. O comerciante local (varejo urbano) compra diretamente da produção ao
preço médio de R$ 6,00/cacho e revende para o consumidor local a R$ 7,50/cacho (Figura
56).
        FIGURA 56- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
        (R$ correntes/cacho) da pupunha na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.29 Pracaxi óleo
        a) Caracterização do agente mercantil envolvido na cadeia de comercialização do
           óleo de pracaxi.
        Foi identificado um agente mercantil do produto, que atua no ramo há 35 anos, sendo
que o mesmo trabalha com outros produtos, tais como: óleo de andiroba, barbatimão,
verônica, ipê-roxo, taperebá, açaí fruto, cupuaçu fruto, uxi, bacuri fruto, pupunha, castanha-
do-brasil, polpa de cacau e copaíba. O Quadro 28 apresenta a caracterização dos agentes
envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
159


QUADRO 28- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do óleo de pracaxi da RI
Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                            AGENTES MERCANTIS
                                        O óleo é obtido a partir da polpa e da semente de pracaxi,
                                        através do processo natural de pressão fria sem solventes ou
                                        substâncias químicas. Este processo de extração permite a
                  Produção
                                        manutenção das melhores propriedades da semente,
 Local                                  produzindo óleos superiores em termos de qualidade e
                                        estabilidade;
                                        Comerciantes do óleo de pracaxi, que comercializam o produto
                  Varejo urbano
                                        para fins medicinais, já embalado.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          O produto é comercializado em um armazém de 200 m2, e como meio de transporte é
utilizado moto, carro e bicicleta. São três pessoas envolvidas na comercialização do óleo de
pracaxi, que recebem um salário mínimo e trabalham durante o ano todo. Com relação a
equipamentos, possuem uma balança e uma calculadora. Para melhoria na capacidade de
produção, o agente necessita ampliar o espaço físico e obter incentivo ao reflorestamento com
espécies de valor econômico para o mercado.
          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
             correntes/l) entre os setores mercantis do óleo de pracaxi.
          A comercialização de 10l deste produto se dá somente a nível local com o produtor
beneficiando o fruto para a retirada do óleo (Figura 57), que são vendidos 100% ao preço de
R$ 15,00/l para o varejo urbano, representado por comerciantes que vendem ao preço de R$
20,00/l para o consumidor final.
160


             FIGURA 57- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
             (R$ correntes/l) do óleo de pracaxi na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




             Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
             Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.3.30 Cipó-titica
            a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do
               cipó-titica.
           Foram identificados três agentes na cadeia deste cipó, sendo duas associações de
produtores, isto é, extrativistas, e uma associação de mulheres que utilizam este cipó como
matéria prima na fabricação de produtos finais. E devido a sua função social foi classificado
como setor de atacado. Uma das associações extrativistas informou trabalhar com a venda de
cipó-titica há mais de dez anos. E a maior dificuldade encontrada por ambas associações
extrativistas, foi a falta de espaço para o trabalho dos associados (25 e 9 na outra), ou seja, de
um galpão onde possam além de fabricar também estocar, pois uma associação conta com
mais de 200 hectares de terra. Para o escoamento eles utilizam um barco com capacidade
entre 5 e 6 toneladas. Além deste cipó, uma das associações extrativista, a qual tem como
lema o desenvolvimento sustentável, comercializa outros produtos6. Já a associação de
mulheres funciona há oito anos e conta com mais de 70 mulheres artesãs associadas. A maior
dificuldade da associação, no que se refere à comercialização, é a falta de um ponto fixo para
a exposição dos produtos e, devido a isso, durante o ano a produção fica condicionada a
encomendas, o mesmo acontece com as associações extrativistas. Quanto à produção, a


6
    Óleo de andiroba e copaíba, mudas de árvores para fins comerciais, tal como: angelim, copaibeira, outras.
161


associação de mulheres ainda não conta com uma infraestrutura grande o suficiente para o
estoque, logo, o que for fabricado fica na casa dos associados. Os instrumentos de trabalho
dos artesãos associados são: alicate, furadeira, martelo, vários tipos de lixa, linha, verniz e
arames de vários tipos e, entre outros. O Quadro 29 apresenta a classificação dos agentes
mercantis de acordo com seus respectivos setores e mercados.

QUADRO 29- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cipó-titica da RI
Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.
 MERCADO              SETORES                              AGENTES MERCANTIS
                                        Associações de extrativistas que colhem o cipó- titica e
                  Produção              vendem tanto in natura quanto um produto acabado: estante,
                                        conjunto de mesa, cestas, bolsas, porta retrato, vassouras;
 Local                                  Uma associação de mulheres, localizada em Porto de Moz, que
                                        utiliza o cipó-titica como insumo na fabricação de produtos
                  Atacado
                                        finais: estante, conjunto de mesa, cestas, bolsas, porta retrato,
                                        vassouras, sendo estes os mais comercializáveis.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$
             correntes/kg) entre os setores mercantis do cipó-titica.
         Conforme Figura 58, a comercialização deste produto se desenvolveu sem muita
complexidade, uma vez que, da produção total identificada, 100% foi transacionada com o
setor de atacado local (correspondente a uma associação do município de Porto de Moz), que
deste total venderam 67,1% diretamente ao consumidor estadual: sendo metade para os
consumidores de Santarém (pertencente a RI Baixo Amazonas) e a outra metade aos
consumidores de Belém (da RI Metropolitana). O restante, o atacadista, composto por uma
associação, 32,9% diretamente para o consumidor local.

         O setor atacadista local comprou o cipó dos extrativistas ao preço médio de R$
1,00/kg, que, por conseguinte vendeu aos consumidores finais de outras regiões de integração,
ou seja, aos consumidores no âmbito estadual ao preço médio de R$ 5,94/kg (Figura 58). No
entanto, quando o setor vendeu aos consumidores finais locais, ele adquiriu um preço médio
de R$ 6,39/kg.
162


        FIGURA 58- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado
        (R$ correntes/kg) do cipó-titica na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.




        Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
        Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


4.4 ANÁLISES AGRUPADAS
        Ao analisar do ponto de vista do somatório das vendas realizadas pelos setores
econômicos diretamente aos consumidores finais, ou seja, as vendas pela ótica da demanda
final dos produtos florestais não madeireiros produzidos e comercializados a partir da RI
Xingu, alguns com origem de produção de regiões vizinhas (Tabela 2), identifica-se que do
total contabilizou mais de R$ 488,1 milhões, o sistema nacional foi responsável por 98,2% da
demanda final, pois efetuou compras no valor de R$ 479,4 milhões, em seguida vem o
mercado estadual cuja demanda foi equivalente a R$ 4,6 milhões (que corresponde a 1% da
demanda total) e, por fim, o mercado local com demanda em quase R$ 4,1 milhões,
equivalente a 1% do valor da demanda total.
163


TABELA 2- Demanda Final (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros
identificados nos dez municípios da Região de Integração Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.




Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Ao fazer a classificação por percentagem relativa das demandas por produtos pelas
três escalas regionais, os mais demandados pelo mercado nacional foram: o cacau amêndoa, a
borracha e o óleo oriundo da castanha-do-brasil com 100% das suas ofertas demandadas pelo
mercado nacional e; o urucum com representatividade de 60% do que foi ofertado para o
mercado nacional (Tabela 2). No que diz respeito ao mercado estadual, só o palmito teve
100% das suas demandas efetuadas pela escala estadual, enquanto que o carvão, castanha-do-
brasil e o cipó-titica obtiveram, respectivamente, 99%, 96% e 65% no mercado estadual e,
enquanto o restante das compras do carvão e do cipó-titica foram realizados na escala local, a
164


castanha, por sua vez, foram demandadas nas outras duas escalas: 1% localmente e 4% a nível
nacional.
         Com relação ao mercado local dos dez municípios que compõem a RI Xingu, os
produtos que tiveram suas demandas somente no nível local, ou seja, produtos que tiveram
tanto a oferta quanto a demanda na própria região foram: taperebá, muruci, plantas
medicinais, mel, artesanato regional, óleo de piquiá, utensílios, açaí semente, buriti, leites,
breu-branco, bacaba, artesanato indígena, uxi, bacuri, pupunha, óleo de pracaxi e a priprioca.
Os demais (cupuaçu, cacau fruto, copaíba, açaí e a andirobá) tiveram suas demandas
efetuadas em consócios com outras escalas regionais, às vezes com o mercado estadual ou
nacional, variando conforme a especificidade e utilidade do produto (Tabela 2).
         Quanto à análise desses produtos da Tabela 2 é individualizada e em termos de
valor, a demanda do açaí se configurou como sendo o recurso mais demandado na escala
local, cujo total se aproximou dos R$ 1,2 milhão, que assim como a nível estadual
(demonstrado em análises de outras regiões, tal como Rio Caeté), demonstrou ser uns dos
mais importantes produtos para a economia local, principalmente pela sua importância na
alimentação diária das populações locais. No âmbito estadual o recurso mais demandado foi a
castanha-do-brasil, com um valor correspondente a R$ 3,2 milhões, onde esta matéria prima é
beneficiada em bens de consumo pela indústria localizada na RI Metropolitana, mais
especificamente em Belém, por processos automatizados responsáveis pela melhoria da
qualidade do produto final. E, por fim, o cacau amêndoa foi o recurso mais demandado, a
partir da RI em análise, a nível nacional, com um valor superior a R$ 477,8 milhões, a fim de
suprir a demanda das indústrias de moagem e trituração e, em seguida, para a alimentícia
(chocolateira).
         No que compete verificar qual mercado mais contribuiu para a formação do valor
adicionado (VAB) aos produtos florestais não madeireiros da RI Xingu, estimado em R$
488,1 milhões, conforme Tabela 3, o mercado local agiu de forma preponderante, pois os
seus conjuntos de setores adicionaram R$ 296,1 milhões, que representa 61% do VAB total, o
sistema estadual adicionou mais de R$ 5,8 milhões (1% do VAB total) e na esfera estadual
foram adicionados R$ 186,3 milhões (38% do VAB total).
165


TABELA 3- Valor Adicionado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais
não madeireiros identificados nos dez municípios da Região de Integração Xingu, estado do Pará, estimado
para 2008.




Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Esta averiguação do valor agregado e/ou adicionado é importante para se entender a
economia dos PFNM da RI em estudo seja ela local para a maioria dos produtos identificados,
ou estadual tal como aconteceu com a castanha-do-brasil, e ainda nacional como no caso do
cacau amêndoa, em que grande parte das respectivas produções foram para fora do estado do
Pará, para ser beneficiado e/ou transformado pelo setor de indústria, os quais adicionaram
166


90% e 40% do seu valor total agregado, respectivamente. Ainda na esfera estadual, o palmito
obteve 40% de agregação de valor no âmbito estadual (Tabela 3).
         Entre o VAB constituído pelos produtos exclusivamente ou com predomínio no
mercado local e, orçado em mais de R$ 484,3 milhões (Tabela 3), o cacau amêndoa, urucum
e o açaí tiveram uma proeminente participação, considerando-se a quantidade de produtos,
pois juntos foram responsáveis por mais de 99% deste valor, sendo que desde valor 61% no
caso da amêndoa, 73% no caso do urucum e 98% no caso do açaí seus VAB foram
constituídos na própria RI. No caso do cacau amêndoa, o seu valor adicionado no âmbito local
R$ 289,6 milhões, representou o maior valor entre todos os produtos identificados,
ressaltando-se, no entanto, que este produto agregou valor nas três escalas regionais.
         Quando se analisa o valor agregado levando em consideração os produtos
escalonados em categorias, conforme a Tabela 4, a categoria dos alimentícios foi quem mais
adicionou valor, equivalente a R$ 486,9 milhões, contribuindo com mais de 99% na formação
do VAB total (R$ 488,1 milhões). Este VAB dos alimentícios foi oriundo da agregação de
valor obtida nas três esferas regionais: local (61%), estadual (1%) e nacional (38%), sendo
que o percentual do mercado nacional foi mais em função do cacau amêndoa, pois o seu valor
adicionado estimado em R$ 185,7 milhões, o que, em termos gerais, significa dizer que este
recurso foi um dos mais importantes produtos da fruticultura desta RI comercializado.
Depreende-se, no entanto, que a agregação de valor desta categoria poderia ser maior se
houvesse políticas de incentivo e/ou investimentos no beneficiamento nos produtos,
especificamente nas frutas, em que na maioria das vezes foram comercializadas na sua forma
primária (in natura), desde o setor da produção até o consumidor final.
167


TABELA 4- Valor Agregado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não
madeireiros identificados na Região de Integração Xingu, estado do Pará, organizados em categorias
(Alimentícios, Artesanatos/Utensílios, Derivado Animal, Derivado da Madeira e Fármacos/Cosméticos),
estimados para 2008.




Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Para os produtos classificados como artesanato e utensílios, cuja agregação de valor
girou em torno de R$ 246,4 mil (em torno de 0,05% do VAB total) e, que se processou
somente na escala local, que compreende a RI em estudo (Tabela 4), a participação do cipó-
titica se destacou pelo fato da sua agregação ter contribuído com 62% do valor agregado pela
categoria. Com relação ao único produto de origem animal, o mel, cuja agregação de valor foi
contabilizada em R$ 124,2 mil, representou 0,03% do VAB total, formalizado totalmente no
168


âmbito local. No que se refere aos derivados da madeira, a agregação de valor foi na ordem de
R$ 212,4 mil (0,04% do VAB total), cujos processos ocorreram predominantemente no
mercado local, já que a borracha agregou 20% do seu valor na esfera nacional o carvão teve
uma pequena agregação no âmbito estadual (0,01%). Entre os dois produtos escalonados
como derivados da madeira, o carvão obteve uma expressiva participação, pois fora
responsável por mais de 89% do valor adicionado pela categoria. E por fim, os produtos
classificados como fármacos e cosméticos que adicionaram em torno de 0,13% do VAB total
(em torno de R$ 587,9 mil), cuja maioria (plantas medicinais, óleo de piquiá, leites, óleo de
pracaxi e a priprioca) agregou valor somente na esfera local e; que correspondeu a 60% do
agregado pela categoria. A copaíba, andiroba e o óleo da castanha-do-brasil agregaram valor
nas três escalas regionais. No entanto, o valor adicionado na escala local foi sempre superior
as outras escalas regionais.
         Com relação aos valores da renda bruta total (RBT) gerada e circulada, a tabela 5
esta organizada em categorias de valor para que a análise dos produtos seja mais coerente,
uma vez que os produtos não se encontram em um mesmo patamar econômico, sendo assim,
fica difícil realizar comparações quando alguns produtos estão em escalas de milhões de reais
e outros em centenas de reais. Deste modo, em função da renda bruta total (RBT) gerada e
circulada na comercialização dos produtos, a estratégia adotada foi dividi-los em três
categorias: i) os que atingiram valores acima de R$ 600 mil de RBT; ii) para os intermediários
com RBT entre R$ 100 mil e R$ 599 mil e; iii) os abaixo de R$ 100 mil.
169


TABELA 5- Renda Bruta Total (R$) na esfera local, estadual e nacional dos produtos florestais não
madeireiros identificados na Região de Integração Xingu, estimados para 2008, organizados em três categorias
relativas com escalas de valor do RBT (acima de R$ 600 mil, de R$ 100 mil a R$ 599 mil e abaixo de R$ 100
mil).




Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.


          Deste modo, os produtos classificados na primeira categoria com maior renda bruta
total (RBT) identificados (Tabela 5), em ordem decrescente de valor, foram: o cacau
amêndoa (R$ 1,5 bilhão), castanha-do-brasil (R$ 6,5 milhões), urucum (R$ 5,6 milhões), açaí
(R$ 2,2 milhões), cacau fruto (R$ 1,4 milhão, palmito (R$ 921 mil), taperebá (R$ 906,1 mil) e
o muruci (R$ 744,7 mil). É imperativo destacar que nesta categoria (RBT acima de R$ 600
mil), a amêndoa de cacau fora o responsável por aproximadamente 98,8 % da RBT gerada e
circulada a partir da região e contabilizados em mais de R$ 1,56 bilhão. Porém, o cacau
amêndoa gerou mais renda para os setores localizados fora da RI Xingu e do estado do Pará,
170


ou seja, a maior parte deste montante (52%) foi movimentada pelos setores localizados no
mercado nacional. O mesmo aconteceu com a castanha-do-brasil em que aproximadamente
90% da sua RBT (acima citado) foi de responsabilidade dos setores estaduais, assim como, o
palmito. Em contrapartida o taperebá e o muruci , apesar de terem contribuído com apenas
0,11% no somatório da RBT da categoria, suas rendas foram geradas e circuladas
exclusivamente no mercado local, sob ações principalmente do setor de indústrias:
beneficiamento, correspondente as agroindústrias e; transformação sob tutela das
lanchonetes/sorveterias.
       Dentre os produtos da segunda categoria (de R$ 100 mil a R$ 599 mil), com valor
estimado de renda bruta em aproximadamente R$ 1,4 milhão, gerada e circulada nas três
escalas regionais, porém com uma maior proporção para o mercado local (96%), já que as
plantas medicinais, mel, cipó-titica e praticamente o carvão, tiveram suas RBTs geradas e
circuladas somente no âmbito local (Tabela 5). Os outros produtos classificados na categoria
(copaíba e a andiroba) tiveram suas RBTs geradas e circuladas com a participação de setores
localizados nas três escalas regionais, no entanto, as suas respectivas rendas foram mais
representativas no mercado local. Na terceira e última categoria (RBT abaixo de R$ 100 mil),
apenas a borracha e o óleo oriundo da castanha-do-brasil tiveram suas RBTs geradas e
circuladas com participação do mercado nacional, diferenciando-se apenas na forma de
comercialização, pois enquanto o óleo saiu beneficiado (primário) da RI Xingu e processado
pela indústria cosmética estadual antes do destino final nacional, a borracha foi transacionada
in natura. Com relação aos outros produtos escalonados (artesanato regional, óleo de piquiá,
utensílios, buriti, açaí semente, leites, breu-branco, bacaba, uxi fruto, artesanato indígena,
bacuri fruto, pupunha, óleo de pracaxi e a priprioca) tiveram exclusivamente e/ou
predominantemente no mercado local suas RBTs geradas e circuladas, com a exceção do
cupuaçu, que teve parte minoritária (1%) da sua renda gerada e circulada no âmbito estadual.
        Quando se analisa a renda gerada e circulada, somente no âmbito local das 31
cadeias, ou seja, os produtos com RBT 100% formada na RI Xingu e, estimada em R$ 2,7
milhões, os produtos cujos suas utilizações foram de alimento (taperebá, muruci, mel, buriti,
bacaba, uxi, bacuri e a pupunha) pelos consumidores locais corresponderam a mais de 70%
deste montante, em seguida, vieram os produtos utilizados para fins medicinais e cosméticos
(plantas, óleo de piquiá, leites, óleos de pracaxi e a priprioca) com 19% e, por fim, os
utilizados como insumos e artesanatos (artesanatos, utensílios, cipó-titica, semente do açaí, e
o breu-branco) com 11%. Entre os utilizados como alimento, as frutas se constituíram como
um dos principais produtos oriundo do agroextrativismo gerador de emprego e renda para RI
171


Xingu, já que do montante de R$ 2,7 milhões, em torno de R$ 1,7 milhão foram gerados pelas
suas respectivas cadeias de comercialização, que conforme as especificidades de cada uma,
umas foram consumidas in natura (fruto) e, outras em forma de sucos e sorvetes, sendo antes
beneficiadas em polpa (Tabela 5).
        De modo geral, o cacau amêndoa foi que gerou e circulou a maior renda no âmbito
local, estimada em mais de R$ 723,1 milhões (Tabela 5), dos quais, os cerealistas,
classificado como atacado local, adquiriram mais de R$ 498,9 milhões, que de uma maneira
geral, significou o processo de majoração preço “às avessas”, que correspondeu à compra do
produto pelo preço (R$/kg) abaixo do determinado pelo mercado do futuro, que no caso deste
produto significou preço determinado pela bolsa de valores.
        Desta maneira, conforme Tabela 6, ao se considerar a Contabilidade Social
Ascendente Alfa, que tem no seu ponto de partida o setor da produção agroextrativista, de
produtos de espécies nativas, dos dez municípios estudados (Setor α) e, que integram a RI
Xingu, recebeu um montante equivalente a R$ 210 milhões (VBPα) oriundos das vendas de
todos os produtos florestais não madeireiros identificados (46 produtos no total) e organizados
em 31 cadeias, e, com as transações comerciais realizadas pelos setores que vendem tais
produtos até o consumidor final foram adicionados valores a estes num montante de R$ 488,1
milhões (VAB), que somado com o valor bruto da produção (VBP) pela ótica da demanda,
correspondente ao valor total da compra de insumos contabilizados em R$ 1,07 bilhão, chega-
se a um total de R$ 1,5 bilhão, referente à renda bruta total (RBT) gerada e circulada na
economia destes produtos, com seus efeitos para frente e para trás nas cadeias de
comercialização.
        Ao longo das 31 cadeias de comercialização, alguns apresentaram uma margem bruta
de comercialização (mark-up) bastante expressiva em relação aos apresentados por outros,
pois, quanto mais ações de beneficiamento, transformações, e/ou majoração de preço o
produto adquiriu ao longo da cadeia, a partir do setor da produção, maior foi o seu valor de
mark-up. Esta margem mostra o quanto, em termos percentuais, foi adicionado ao longo das
cadeias dos produtos após as vendas realizadas pelo setor da produção e, por isso, o seu valor
é calculado pela diferença entre o VAB e o valor obtido pela da venda do setor da produção,
do produto, ou seja, VBPα, dividido pelo VBPα. Assim, o palmito, açaí semente e a castanha-
do-brasil foram os produtos que obtiveram os maiores valores de mark-up, estimados em
1431%, 1421% e 1357% respectivamente, pois, nessas cadeias 93% dos valores adicionados
foram constituídos por ações de agentes da demanda intermediária, ou seja, após a venda do
setor da produção. E, no outro extremo, temos o valor do mark-up estimado na
172


comercialização do carvão, de 0,3%, artesanato regional e artesanato indígena com 0%,
porquanto nenhuma ação de beneficiamento estes três produtos obtiveram após as vendas dos
agroextrativistas, outrora classificado como setor da coleta/produção. No caso do carvão fora
comercializado com a intermediação dos setores de varejo (rural e urbano) e atacado, tanto no
âmbito local quanto no estadual. Logo, verifica-se também que a comercialização do produto
quando aconteceu com poucas e/ou sem intermediação, entre o setor alfa e o consumidor
final, esta assertiva também proporcionou que o valor de mark-up tendesse a zero (Tabela 6).
        Salienta-se também, que no valor recebido pelo setor alfa (R$ 210 milhões), mais de
R$ 268,3 mil (0,1%) foram oriundos dos valores recebidos pelo setor da produção extralocal,
isto é, por agentes agroextrativistas que estão localizados em municípios que integram outras
regiões de integração: RI Tapajós (com Rurópolis), Tocantins (com Cametá), Marajó (com
Gurupá), Metropolitana (com Belém) e Baixo Amazonas (com Almeirim) ou até mesmo de
fora do estado do Pará (como é o caso dos apicultores e extrativistas do estado do Piauí).
Estes agentes, do setor alfa extralocal, transacionaram de forma parcial, dependendo do
período e do produto, aos agentes de comercialização da RI Xingu, principalmente no pólo da
região, oito produtos florestais não madeireiros identificados (Tabela 6), quais sejam: o açaí,
andiroba, urucum, mel, algumas plantas medicinais, açaí semente, copaíba e o cupuaçu. Entre
os municípios que integram essas regiões extralocais, o município de Gurupá, teve uma
grande representatividade na contabilidade extralocal, pelo valor transacionado (R$ 237,6
mil), já o município de Belém ganhou importância pelos produtos comercializados com a
região em estudo: algumas plantas medicinais, a semente de açaí e andiroba.
        Assim sendo, considerando a soma do valor da produção local e extralocal, entre os
produtos mais importantes para a geração de renda e emprego para o setor da produção, o
cacau amêndoa atuou de forma preponderante, pois os agroextrativistas arrecadaram mais de
R$ 206,4 milhões, o que corresponde a 98% do valor da produção alfa total (VBPα). Por
conseguinte, os agroextrativistas do urucum receberam em torno de R$ 1,2 milhão com a sua
oferta, sendo que R$ 8,1 mil foram pagos aos agentes extralocal de Rurópolis (RI Tapajós). O
setor da produção do cacau fruto recebeu quase R$ 398 mil, os agroextrativistas do açaí R$
603,2 mil, dos quais R$ 237,6 mil foram pagos ao setor extralocal da RI Marajó e Baixo
Amazonas. O setor da produção da castanha-do-brasil recebeu R$ 221,3 mil.
        Considerando que a comercialização tanto do cacau amêndoa quanto a do cacau
fruto, mais precisamente da polpa, ocorreram concomitantemente e tiveram na sua origem os
mesmos agroextrativistas, então na cadeia deste fruto, o setor alfa deste modelo adquiriu R$
206,8 milhões aproximadamente, ou seja, 98,5% do valor da produção alfa total (VBPα),
173


demonstrando assim, ser uma das mais importantes espécies de exploração agroextrativista,
pois apresentam alto valor econômico, tornando-se uma das principais atividades econômicas
na RI Xingu.
        Em relação ao valor bruto da produção (VBP) pela ótica da demanda, ou seja, da
compra de insumos dos setores mercantis intermediários identificados por recortes
geográficos (local, estadual e nacional), referidos na tabela 6, estes insumos, dependendo da
posição e função do agente mercantil, variaram desde matéria prima ou subproduto até
produto final. O fruto in natura do cacau, por exemplo, foi utilizado tanto como matéria prima
na indústria de transformação alimentícia para a fabricação de produtos como chocolates,
sorvetes e sucos, quanto para a fabricação de produtos finais (sabonetes, hidratantes e óleos)
pela indústria de perfumaria e cosméticos, ou ainda como alimento, em forma de polpa
(beneficiados pelas agroindústrias e associações), pelo último elo da cadeia, o consumidor
final. Ou ainda os frutos açaí, muruci, taperebá, cupuaçu in natura, por exemplo, até o
penúltimo agente da cadeia, que o adquiriu como insumo a polpa congelada e transformou em
sucos e sorvetes, antes do último elo da cadeia, o consumidor final. Ou como aconteceu com o
carvão, o qual foi utilizado como matéria prima na indústria de transformação (padarias e
restaurantes) classificado como consumidor final. Assim como o mel (outras frutas) fora
utilizado como alimento nas merendas escolares, oriundo da parceria entre os apicultores (e
associações de produtores), prefeituras dos municípios e a Companhia Nacional de
Abastecimento – CONAB através do Plano de Aquisição de Alimentos – PAA.
174
TABELA 6- Indicadores econômicos dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Xingu, estado do Pará, compostos pelo Valor Bruto da Produção Alfa
Local (VBPα), o Valor Bruto da Produção Alfa extralocal, a margem de lucro (mark-up), o Valor Bruto da Produção (VBP), o Valor Agregado Bruto (VAB) e a Renda Bruta Total (RBT),
em R$, nas esferas local, estadual e nacional, estimado para 2008 (Idesp).




Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
175


5 CONCLUSÕES

        O estudo mostrou que a economia gerada pelos trinta e um produtos florestais não
madeireiros identificados e analisados na região de integração Xingu foi expressiva, uma vez
que a renda gerada, estimada para o ano de 2008, foi em torno de R$ 1,5 bilhão (RBT total).
O setor produtivo agroextrativista, considerado o setor alfa (Setor α) deste modelo de
comercialização, recebeu em torno de R$ 210 milhões, o que correspondeu a
aproximadamente 13% da renda gerada total. É preciso destacar ainda, que no valor que o
setor alfa adquiriu, R$ 268,3 mil correspondeu aos valores destinados aos agentes alfa
extralocais, ou seja, agroextrativistas que não pertencem aos municípios da região em estudo,
mas que forneceram de forma parcial oito dos produtos identificados no comércio da região.
Deste valor extralocal, os agroextrativistas das RI Rio Marajó e Baixo Amazonas, que tiveram
no açaí sua fonte de renda, receberam mais de 89%.
        É preciso ressaltar que a RI está inserida no mercado nacional, haja vista que 100%
da produção da borracha e do óleo da castanha-do-brasil e da produção de cacau amêndoa, e
60% do urucum tiveram como destino final este mercado. Assim como castanha-do-brasil e a
copaíba só que em pequenas quantidades (4% e 6%, respectivamente) e, a andiroba com 30%
        Com relação à renda gerada e comercializada por produto, a partir da RI Xingu, e a
parte do montante da RBT que foi retido pelo respectivo setor alfa, que dá origem a toda base
produtiva, verificou-se, simultaneamente, dois princípios básicos: o primeiro e mais
importante, pois demonstra outras funções desenvolvidas pelo setor alfa (além de plantar e
colher inerente a ele), que quanto mais ações de beneficiamento o setor impor nos produtos
antes das transações comerciais com outros setores da demanda intermediária, maior será a
sua participação na RBT, ou seja, mais ele adquirirá da renda gerada e circulada. O segundo
se refere à assertiva de que, quando a comercialização do produto (de toda produção e/ou
grande parte dela) se desenvolve de forma direta entre a base produtiva e o consumidor final,
ou seja, sem (e/ou com poucas) intermediações de outros setores, mais da renda gerada e
circulada, também será retida. Tal como aconteceu nas cadeias de comercialização dos
artesanatos indígena e regional (desenvolvido pelos artesãos e índios) em que de suas RBTs
geradas, 100% foram receptadas pelo setor da produção. É necessário ressaltar, que outros
princípios também se fazem presente e, sendo assim, contribuíram, mesmo que de forma
secundária, mas concomitantemente com os básicos, para maior ou menor retorno financeiro
deste setor, tais como: baixo grau de organização social formal (associações e cooperativas),
falta de corporativismo, infraestrutura de comercialização precária (estradas, rodovias; que
176


geralmente os deixam sob dependência dos atravessadores ou de grandes compradores,
denominados de atacadistas), capacitação técnica e baixo grau de escolaridade.
        Partindo-se do primeiro princípio, os agroextrativistas que tiveram no buriti sua fonte
de renda, receberam 44% da sua RBT gerada e circulada localmente. Os comercializados para
fins medicinais: óleo de pracaxi, leites (amapá e sucuúba), andiroba, copaíba e plantas
medicinais, adquiriram respectivamente 43%, 40%, 32%, 37% e 34%. Enquanto que os
agroextrativistas do palmito e da castanha-do-brasil receberam 4% e 3% das suas respectivas
rendas geradas e circuladas, R$ 921 mil e R$ 6,5 milhões, configurando-se, como os recursos
de menor retorno financeiro para os que atuam na base produtiva. No caso do cacau, tanto na
comercialização em polpa quanto da amêndoa, a falta de organização social e de
corporativismo foram preponderantes para o valor retido pelas milhares de famílias que tem
nesta atividade sua fonte de renda, pois no caso da polpa dos R$ 1,4 milhão gerados e
circulados pela sua comercialização, apenas 29% foi retido pelo setor da produção. Na
comercialização da amêndoa, este valor retido foi ainda menor, considerando o valor gerado,
já que do montante de mais de R$ 1,5 bilhão, mais de 13% foram retidos pelos inúmeros
agroextrativistas. Por conseguinte, o urucum com renda estimada em R$ 5,6 milhões e,
somente 22% retidos pelo setor alfa, haja vista que sua comercialização se deu na forma in
natura (vendido a semente), tendo como elo a nível local, principalmente o setor de atacado,
composto por pequenos e médios cerealistas.
        No que se referiu à agregação de valor, realizadas no ano de 2010 e, calculada em
torno de R$ 488,1 milhões, sendo no sistema local foram adicionados R$ 296 milhões,
oriundo das ações de beneficiamento, transformação e majoração de preço a quase todos os
produtos identificados. Deste montante do VAB local, 98% foram devido ao valor agregado
ao cacau amêndoa. No entanto, a castanha-do-brasil, cuja agregação de valor foi realizada de
forma mais intensa fora da RI Xingu, mais especificamente 90% do seu VAB fora realizado
na capital paraense, Belém (mercado estadual).
        Assim, mesmo que o valor adicionado de praticamente quase todos os produtos (com
exceção da castanha-do-brasil) tenha sido maior no âmbito local, fazem-se necessários
investimentos em ações que criem condições favoráveis de multiplicar a renda dos agentes
mercantis que têm nos PFNM sua atividade principal e/ou correlacionada a outras, como por
exemplo, o incentivo ao aumento da demanda, que em termos específicos, significar melhorar
as condições de comercialização destes produtos, com a reforma e/ou a construção dos pontos
de comercialização (feiras do produtor e/ou mercados municipais), já que na maioria dos
municípios pertencentes a esta RI, estes se encontram inoperantes ou inexistentes. Outra ação
177


seria a ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, através da CONAB, que
além de incentivar a oferta desses produtos pelo setor agroextrativista (pois muitos afirmaram
que por falta de demanda deixam de potencializar a produção e/ou extração), também
incentivaria a organização social, ou seja, a criação e/ou melhoramento da gestão das
cooperativas e associações e, determinaria um preço mínimo. Ou ainda a ampliação e/ou
divulgação dos programas de financiamentos e técnicas de empreendedorismo (treinamentos e
capacitações) tanto à produção quanto as indústria de beneficiamento e transformação. Assim
como, ampliação da disponibilidade de assistência técnica junto aos agroextrativistas, a fim de
que possam aumentar a produtividade e a melhoraria da qualidade dos produtos oriundos do
agroextrativismo. Estas ações, de curto prazo, contribuiriam tanto para o desenvolvimento
sustentável (efeito ecológico positivo) da RI Xingu quanto para que a agregação de valor seja
realmente indutora de geração de emprego e melhoria da renda para as populações, tanto no
âmbito local quanto no estado do Pará (mercado estadual), de forma a dinamizar as
potencialidades das economias “tradicionais” locais.
178


6 RECOMENDAÇÕES

         É fato que a comercialização dos PFNM sempre foi uma opção (e/ou principal fonte)
de renda para as inúmeras famílias e, com o passar dos anos, vem-se apresentando como uma
das atividades que melhor os remunera e, ainda mantêm o seu habitat, isto é, apesar do uso há
a conservação dos recursos florestais. A favor destas atividades, encontra-se o fato de que
com os problemas ambientais advindos do aquecimento global, a redução do desmatamento
na Amazônia com base em economias sustentáveis vem sendo a retórica dos governos federal,
estaduais e municipais da Amazônia, das não governamentais e até dos agentes diretamente
envolvidos nas atividades agroextrativistas - as populações tradicionais. No entanto, devido às
forças dos mercados globalizados, parte dessa atividade fica a mercê de instituições públicas,
por apresentar determinadas limitações de escala (geográfica e produtiva, as mais
justificáveis) que os impedem de ser alvos de políticas de fomento, haja vista que a grande
dialética de manter a floresta em pé e gerar crescimento econômico parecem conflitantes.
         Depreende-se, deste modo, que os montantes econômicos mostrados neste relatório
são significativos, apesar disso, as comercializações dessas 30 cadeias dos não madeireiros
apresentaram entraves aos setores da produção e da indústria, que são chaves para
potencializar a atividade. Pois historicamente tais setores se mantêm em condições de
desassistidos por parte das políticas públicas e, se suprir estes estorvos certamente dinamizará
a economia da RI, transformará o potencial produtivo, com geração de renda, agregação de
valor aos produtos e mais postos de trabalho. O uso correto destes recursos florestais atingirá
o objetivo maior que é o desenvolvimento sustentável para a região.
         Ao longo da descrição de cada cadeia de comercialização estudada nesta RI foram
apontados vários gargalos assim como aspectos positivos. A seguir, de forma mais
abrangente, pontuamos os principais entraves identificados nas cadeias de comercialização
dos PFNM, tanto do setor da produção quanto da indústria, contendo entraves e algumas
recomendações para subsidiar políticas públicas.

         a) Principais entraves ao setor da produção, considerando o agente agroextrativista
(setor alfa) deste modelo:
            Ausência de planos de manejo condizentes com o potencial da RI;

            A problemática da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), pois além da
            demora das visitas técnicas, equipes despreparadas para atuar no setor de produtos
            não madeireiros;
179


   Baixo nível de empreendedorismo;

   Baixo nível de escolaridade das famílias envolvidas na atividade dos não
   madeireiros;

   Baixos níveis de qualidade e identidade dos produtos (embalagem, especificações
   técnicas, validade, etc.), devido os processos extrativos terem sido muitas vezes
   desenvolvidos ainda de forma artesanal e, comercializados sem padrão;

   Falta de registro junto aos órgãos de regulamentação e fiscalização, para a
   produção e comercialização dos não madeireiros;

   Pouco conhecimento do potencial de mercado dos PFNM, pois muitos deixam de
   aumentar, e/ou até mesmo iniciar uma produção, por falta do conhecimento desta
   demanda crescente por produtos de apelo sustentável, tanto dos setores
   econômicos (indústrias, consumidores de fora da RI principalmente), quanto dos
   programas de compra do Governo, como o PAA do governo federal;

   Pouco acesso aos créditos rurais, tanto pelo grau de escolaridade apresentado pelo
   setor, quanto pela ausência de bancos públicos e/ou privados;

   Comercialização dos produtos basicamente de desenvolveu devido à ação dos
   atravessadores, com feiras livres, mercados municipais e feiras do produtor com
   problemas de falta de higienização e organização dos produtos;

   O desenvolvimento das atividades ocupou basicamente a mão-de-obra familiar, só
   em casos excepcionais (safra) se “contratou” um ou mais ajudantes, que
   receberam conforme produtividade no dia, entre outros, predominando a
   informalidade do setor.

b) Principais entraves no setor da indústria:
   Baixo grau de competitividade do setor, principalmente dos fatores estruturais da
   oferta/demanda (agroindústrias têm dificuldades em adquirir o insumo por
   questões como: a dispersão dos fornecedores, a falta de organização do setor
   agroextrativista e a dependência dos atravessadores) e fatores internos (pois
   muitos atuam na informalidade). Já que os fatores sistêmicos se encontram
   favoráveis. Entre outras questões (abaixo citadas) agindo concomitantemente;
180


           Baixo nível tecnológico e de segurança no processo de beneficiamento e
           transformação dos não madeireiros;

           Estrutura física tanto para os processos produtivos quanto para o armazenamento
           dos produtos, não seguem os padrões exigidos;

           Pouco acesso aos créditos e financiamentos, pois poucos municípios apresentaram
           uma rede bancária;

           Mão de obra utilizada basicamente a familiar, sendo deste modo, com poucos
           empregos gerados;

           Baixo nível empreendedor, devida a baixa capacidade empresarial para atuar nas
           mudanças intrínsecas ao sistema capitalista.

        É necessário afirmar, no entanto, que o primeiro passo esta sendo dado com este
relatório, com a produção de informações necessárias para subsidiar a formulação ou
adequação de políticas públicas condizentes com a potencialidade da região.

        c) Algumas recomendações para potencializar as cadeias de comercialização dos
PFNM e subsidiar políticas públicas:
           Capacitação para execução de planos de manejo condizentes com a potencialidade
           local e que tomem como premissa o conhecimento das populações locais;

           Capacitação dos agentes locais e regionais da assistência técnica e extensão rural a
           fim de orientar a organização da produção e melhorar a renda dos
           agroextrativistas;

           Capacitação para o crédito, a fim de melhorar os processos produtivos, de
           armazenamento e de comercialização;

           Capacitação para o setor da produção valorar adequadamente os produtos
           agroextrativistas, pois surgem novos produtos no mercado, principalmente
           fármacos e cosméticos, que o setor desconhece;

           Melhoria da qualidade dos produtos ao longo da cadeia produtiva;

           Incentivo e capacitação para o cooperativismo/associativismo. Haja vista que,
           devido à natureza da atividade, baseada no (agro) extrativismo e coleta, pequenas
           unidades de produção são geradas, e a comercialização de PFNM tem
           demonstrado ser a melhor alternativa para eliminar os atravessadores mediante
181


criação de associações comunitárias e cooperativas, proporcionando preço mais
justo aos envolvidos nesta atividade;

Capacitação em técnicas de gerenciamento;

Busca de novos mercados: criação e/ou participação dos agentes em feiras e
eventos para os produtos não madeireiros, seja no âmbito local, quanto no
estadual e até nacional, com apoio público e privado;

Melhorias na infraestrutura de comercialização dos produtos: construção e/ou
reforma das feiras e mercados municipais, assim como das feiras do produtor;

Melhoria e manutenção de estradas e rodovias, permitindo acesso e escoamento
da produção;

Ampliação da modalidade de Ensino para Jovens e Adultos (EJA), pois o baixo
nível de escolaridade apresentado pelos agentes mercantis, principalmente dos
setores citados nos entraves, implica na falta de informações técnicas e de
capacitação a respeito do manejo e otimização da produção de PFNM;

Investimentos e capacitação direcionados para agregação de valor aos produtos,
fazendo com que os agroextrativistas aumentem seu interesse por estas atividades;

Ampliação e/ou fortalecimento do Programa de Fortalecimento a Agricultura
Familiar, tanto através dos programas de concessão de crédito, quanto pelos
Programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e alimentação escolar,

Valoração e valorização dos produtos não madeireiros: como por exemplo, a
criação de certificação orgânica;

Maior investimento integrado (entre Secretarias e Ministérios) em Ciência e
Tecnologia (C&T) para produzir informações, assim como em Pesquisa e
Desenvolvimento (P&D) para garantir qualidade e completar o entendimento
sobre as cadeias de produção. Pois, precisa-se criar um modelo de
desenvolvimento sustentável que mantenha a floresta em pé e que ainda gere
crescimento econômico;

Apoios institucionais formais direcionados para atividades extrativistas;

Organização de seminários na RI com agentes mercantis, principalmente os
agroextrativistas, convidados de fora da região, técnicos, representantes de
182


instituições publicas (municipal, estadual e nacional), a fim de interagirem na
formulação de planos de trabalho, em que as partes envolvidas relatem as
dificuldades encontradas nas cadeias dos não madeireiros (produção, distribuição
e comercialização), assim como, as potencialidades, com intuito de traçar
objetivos a serem atingidos, definir metas e potencializar resultados;

Fomento aos Arranjos Produtivos Locais (APLs) existentes na região estudada.
183


7 REFERÊNCIAS

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de produção de cacau para a Amazônia brasileira. Belém: CEPLAC, 2001. 82 p.
186
187




APÊNDICES
188
189


APÊNDICE A – Questionário aplicado junto aos agentes mercantis




Entrevistador _________________ Nº ________ Nº entrevista: _______
Estudo sobre a Comercialização de Produtos Florestais Não Madeireiros no
                            Estado do Pará
                             Entrevista com Agentes Mercantis
O objetivo da pesquisa é obter informações sobre as cadeias de comercialização dos principais
produtos da região, com o intuito de estudar as potencialidades da economia regional. Todas
as informações obtidas nessa pesquisa são de caráter sigiloso e anônimo e servirão para
finalidades científicas.
Nome do entrevistador: ______________________________________Data: ___________
Município:___________________________Localidade:_____________________________
GPS Nº ___ : S _____ o _____´ _____” W _____ o _____´ _____” Obs.: ________________
Nome do entrevistado / da empresa: _______________________________________________
 ______________________________________________________________________________
Tipo de comerciante / cargo do entrevistado: ________________________________________
 ______________________________________________________________________________
Categoria:
a. Indústria/Empresa ( )     b. Intermediário ( )         c. Produtor ( )
a. Empresa: Matriz ( )       Filial ( )
Nome / local da matriz: ___________________________________________________________
Tempo de trabalho no ramo / no local: _______________________________________________
b. Intermediário: Nascido em: ____________________________________________________
Profissão anterior: _______________________________________________________________
Profissão paralela: _______________________________________________________________
c. Produtor: Nascido em: _________________________________________________________
Local / tamanho do lote: __________________________________________________________
Descrever atividades extrativas (locais, técnicas usadas no manejo, equipamentos,
negociações, acesso/controle, etc.)_______________________________________________
Qual é a infra-estrutura que dispõe?
Armazéns (número, capacidade): _____________________________________________________
Meios de transporte (tipo, número, capacidade): _________________________________________
 ________________________________________________________________________________

Máquinas e Equipamentos (tipo, número, capacidade): ____________________________________
 ________________________________________________________________________________
 ________________________________________________________________________________
 ________________________________________________________________________________
Tem problemas com capacidade de armazenamento, com os equipamentos/ maquinário?
Quais?
 ________________________________________________________________________________
 ________________________________________________________________________________
 ________________________________________________________________________________
190


    Quantas pessoas trabalham no empreendimento (por categoria)?
     ________________________________________________________________________________
     ________________________________________________________________________________
    Como é o tempo de trabalho (ano inteiro, períodos, tempo integral / parcial etc.)?
     ________________________________________________________________________________
     ________________________________________________________________________________
    Qual é o valor pago aos trabalhadores em média (por categoria, por mês, diária, por
    empreitada (descrever), etc.)?
    _______________________R$ _________/_________
    _______________________R$ _________/_________
    Existem outros que atuam no mesmo ramo (número, local, nome, endereço)?
    ___________________________________________________________________________
    ___________________________________________________________________________
    Informações para contato (endereço e telefone do entrevistado):
    ___________________________________________________________________________
    ___________________________________________________________________________

    O que é necessário para melhorar sua capacidade produtiva?
    ___________________________________________________________________________
    ___________________________________________________________________________
    ___________________________________________________________________________
    Observações Gerais (manejo, transporte, negociações, financiamento, assistência técnica,
    etc.):
     ________________________________________________________________________________
     ________________________________________________________________________________

 Categoria                                                  De quem ? / Para quem?
                                          Quando/ Preço                                  Formas
     do           Merca-                                                                             Serviços
             C/V1        Quant.     Unid. Período/ por                      Município/     de
   agente         doria
                                            mês    Unid.
                                                         Nome Categoria                Pagamento2
                                                                                                    prestados3
entrevistado                                                                Estado




    1) (C) Comprado (V) Vendido                                (B3) Beneficiamento nível 3 (processamento)
                                                                    (C) Classificação
    2) (AV) A vista (NF) Na folha
                                                                    (A) Armazenagem
    (AP) A prazo (F) Fiado (T) Troco                                (E) Embalagem
    3) (F) Financiamento (T) Transporte
    (B1) Beneficiamento nível 1 (primário)
    (B2) Beneficiamento nível 2 (extração)
191



APÊNDICE B– Famílias, espécies, usos e partes utilizadas dos produtos florestais não
madeireiros identificados nas cadeias de comercialização na Região de Integração do Xingu
no período de 2010.
Família (nº de
                    Espécies                                            Etnoespécie                       Uso           Parte utilizada
espécies)
                    Euterpe oleracea Mart.                              Açaí                 Alimentício e artesanal   Fruto e semente
                    Oenocarpus bacaba Mart.                             Bacaba               Alimentício               Fruto
                    Mauritia flexuosa L. f.                             Buriti               Alimentício e artesanal   Fruto e tala
Arecaceae (6)
                    Phytelephas macrocarpa Ruiz & Pav.                  Jarina               Artesanato                Semente
                    Socratea exorrhiza (Mart.) H. Wendl.                Paxiúba              Artesanato                Semente
                    Bactris gasipaes Kunth                              Pupunha              Alimentício               Fruto
Araceae (1)         Heteropsis spp.                                     Cipó-titica          Caule                     Utensílios
                    Spondias mombin L.                                  Taperebá             Alimentício               Fruto
                    Himatanthus sucuuba (Spruce ex Müll. Arg.)          Sucuúba              Farmacos e cosmético      Casca
Apocynaceae (4)     Woodson
                    Aspidosperma nitidum Benth. Ex Müll. Arg.           Carapanaúba          Medicinal                 Casca
                    Parahancornia fasciculata (Poir) Benoist            Leite-de-amapá       Medicinal                 Látex
Burseraceae (1)     Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand               Breu-branco          Utensílo                  Resina
Bignoniaceae (1)    Tabebuia impetiginosa (Mart. ex DC.) Standl.        Ipê-roxo             Medicinal                 Casca
Clusiaceae (1)      Platonia insignis Mart.                             Bacuri               Alimentício               Fruto
                    Hevea brasiliensis (Willd.ex A. Juss.) Müll. Arg.   Borracha             Utensílio                 Látex
Euphorbiaceae (1)
                    Croton cajucara Benth.                              Sacaca               Medicinal                 casca
                    Stryphnodendron sp.                                 Barbatimão           Medicinal                 Casca
                    Dalbergia sp.                                       Verônica             Medicinal                 Casca
                    Dipteryx odorata (Aubl.) Willd.                     Cumaru               Medicinal                 Semente
Fabaceae (6)
                    Pentaclethra macroloba (Willd.) Kuntze              Pracaxi              Óleo                      Medicinal
                    Caesalpinia ferrea Mart.                            Jucá                 Semente                   Medicinal
                    Copaifera spp.                                      Copaíba              Medicinal                 Óleo
Lecythidaceae (1)   Bertholletia excelsa Bonpl.                         Castanha-do-brasil   Alimentício e medicinal   Semente e óleo
                    Theobroma grandiflorum (Willd. Ex Spreng.)          Cupuaçu              Alimentício               Fruto
Malvaceae (3)       K.Schum.
                    Urena lobata L.                                     Malva                Artesanato e utensílios   Fibra
                    Theobroma cacao (Mill.) Bernoulli                   Cacau                Alimentício               Fruto e amêndoa
Malpighiaceae (1)   Byrsonima crassifolia (L.) Kunth                    Muruci               Alimentício               Fruto
Marantaceae (1)     Ischnosiphon obliquus (Rudge) Körn.                 Guarumã              Artesanato e utensílios   Tala
Rubiaceae (1)       Uncaria tomentosa (Willd. Ex Roem. & Schult.) DC.   Unha-de-gato         Medicinal                 Casca
Humiriaceae (1)     Endopleura uchi (Huber) Cuatrec.                    Uxi                  Alimentício e medicinal   Fruto e casca
Bixaceae (1)        Bixa orellana L.                                    Urucum               Alimentício               Semente
Caryocaraceae (1) Caryocar villosum (Aubl.) Pers.                       Piquiá               Medicinal                 Óleo
Cyperaceae (1)      Cyperus articulatus L.                              Priprioca            Cosmético                 Tubérculo
Sapindaceae (1)     Não identificado                                    Timbó                Utensílios                Caule
Araliaceae (1)      Didymopanax morototoni (Aubl.) Decne & Plantch      Morototó             Artesanal                 Semente
Marantaceae (1)     Ischnosiphon spp.                                   Guarumã              Artesanal                 Fibra
Costaceae (1)       Costus spicatus (Jacq.) Sw.                         Canarana             Medicinal                 Raiz
Olacaceae (1)       Ptychopetalum sp.                                   Marapuama            Medicinal                 Casca
Lauraceae (1)       Aniba canelilla (Kunth) Mez                         Preciosa             Casca                     Medicinal
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.
Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
192



APÊNDICE C- Imagens capturadas nos municípios da Região de Integração Xingu.




Foto 1- Cacau amêndoa no município de Brasil Foto 2- Licor de cacau no município de
Novo.                                        Uruará.




Foto 3- Caieira no município de Anapu            Foto 4- Caieira em processo de beneficiamento
                                                 da madeira em carvão.




Foto 5- Comercialização do urucum no município   Foto 6- Fruto do cacau no município de Brasil
de Anapú.                                        Novo.
193




Foto 7- Lenha utilizada para produção do carvão   Foto 8- Carreteiro levando o açaí in natura para
(nas caieiras).                                   os “batedores”.




Foto 9- Comercialização da polpa do açaí em Foto 10- Comercialização de leite,copaíba, mel e
garrafas pets.                              andiroba.




Foto 11- Unha-de-gato comercializada          no Foto 12- Ponto de comercialização de ervas
município de Senador José Porfírio.              medicinal em Altamira.

Relatorio xingu

  • 3.
    Cadeias de Comercializaçãode Produtos Florestais Não Madeireiros na Região de Integração Xingu, Estado do Pará RELATÓRIO TÉCNICO 2011 BELÉM – PARÁ 2011
  • 4.
    Governo do Estadodo Pará Simão Robison Oliveira Jatene Governador Helenilson Cunha Pontes Vice-Governador / Secretário Especial de Estado de Gestão - Seges Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará Maria Adelina Guglioti Braglia Presidente Diretoria de Pesquisa e Estudos Ambientais Jonas Bastos da Veiga Diretor Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural Cassiano Figueiredo Ribeiro Diretor Diretoria de Estatística, Tecnologia e Gestão da Informação Sérgio Castro Gomes Diretor Diretoria de Administração, Planejamento e Finanças Helaine Cordeiro Félix Diretora
  • 5.
    Cadeias de Comercializaçãode Produtos Florestais Não Madeireiros na Região de Integração Xingu, Estado do Pará RELATÓRIO TÉCNICO 2011 BELÉM – PARÁ 2011
  • 6.
    Expediente Diretor de Pesquisae Estudos Ambientais Jonas Bastos da Veiga Coordenadora do Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação Marli Maria de Mattos Elaboração Técnica: Marli Maria de Mattos– Coordenadora Ellen Claudine Cardoso Castro Divino Herculys Peres da Silva Lima José de Alencar Costa Ana Cristina Parente Brito Isaac Luiz Magalhães Lopes Coleta de dados: Adriana Pinheiro dos Santos Ana Cristina Parente Brito Divino Herculys Peres da Silva Lima Isaac Luiz Magalhães Lopes Gilzibene Marques da Silva Joyse Tatiane Souza dos Santos Raquel Lopes de Araújo Rodrigo dos Santos Lima Apoio Técnico: Nanety Cristina Alves dos Santos Maria Glaucia Pacheco Moreira Parceria: Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará José Alberto da Silva Colares, Diretor Geral Revisão: Jonas Bastos da Veiga, Cassiano Figueiredo Ribeiro, Gustavo Silva e Marcílio Chiacchio Normalização: Adriana Taís G. dos Santos e Anna Márcia Malcher Muniz _______________________________________________________________________ INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL DO PARÁ Cadeias de comercialização de produtos florestais não madeireiros na Região de Integração Xingu, Estado do Pará: relatório técnico 2011./ Belém: IDESP, 2011. 193p. 1.Cadeias de comercialização.2.Produtos florestais não madeireiros.3.Contas sociais alfa.4.Economia regional.I.Região de Integração.II.Pará (Estado).III.Titulo. CDD: 381.098115 ________________________________________________________________________
  • 7.
    APRESENTAÇÃO A extração dos produtos florestais não madeireiros (PFNM) no Brasil é de grande importância social, econômica e ambiental. Apresenta-se como uma forma de exploração sustentável, pois na maioria das vezes, não implica na remoção dos indivíduos das espécies. Há tempos, populações tradicionais, extrativistas, ribeirinhas e agricultores familiares utilizam produtos não madeireiros (frutos, fibras, resinas, plantas medicinais, utensílios entre outros) para subsistência e renda. Apesar da relevância do tema, há poucas informações sobre o mercado das espécies florestais não madeireiras, constituindo dessa forma um fator crítico para a gestão das florestas. O mercado internacional desses produtos é relativamente conhecido, todavia, o mesmo não ocorre sobre a cadeia de produção e comercialização no mercado doméstico. Não há, nos sistemas de dados oficiais, uma lista completa de produtos florestais que são comercializados, principalmente no que diz respeito às espécies locais e regionais, como várias espécies medicinais e frutíferas. No estado do Pará, bem como em todos os estados da Amazônia Legal, há uma carência de dados sobre o mercado de muitos produtos não madeireiros de valor local ou regional e sua relevância para as populações rurais e urbanas envolvidas nas cadeias de produção. As estatísticas oficiais não detectam as espécies extrativistas que possuem mercado local, bem como as recentes demandas por produtos para atender as indústrias cosméticas no mercado nacional e internacional. Em razão da relevância do tema exposto, o Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp), em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor), desenvolveu o estudo sobre as cadeias de comercialização dos PFNM do Estado do Pará, como forma de contribuir com informações para a formulação de políticas públicas. Assim foi firmado o Termo de Cooperação Técnica e Financeira TCTF No. 02/2010, tendo sua vigência iniciada em março de 2010, e tem como objetivo identificar e analisar as cadeias de comercialização dos PFNM em cinco Regiões de Integração (RI) do estado do Pará (Rio Caeté, Baixo Amazonas, Guamá, Xingu e Marajó). Os resultados destas pesquisas podem contribuir para o entendimento da economia dos PFNM no Estado do Pará, destacando as potencialidades econômicas e identificando entraves (produção e comercialização) desses diversos produtos, evidenciando os não detectados nas estatísticas oficiais, contribuindo com a conservação e gestão florestal. O presente relatório contempla os resultados das análises das cadeias de comercialização dos PFNM da Região de Integração (RI) Xingu.
  • 9.
    RESUMO Na busca do desenvolvimento sustentável, o estado do Pará necessita de atividades econômicas produtivas que dinamizem e gerem renda às populações locais, que evitem o desmatamento, que agreguem valor aos produtos e que reduzam as desigualdades entre regiões. O método das Contas Sociais Ascendentes Alfa (CSα) aplicado neste estudo, utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto, permitiu identificar o valor da produção de Base Agroextrativista, de 46 produtos identificados, em 10 municípios da Região de Integração do Xingu e, acompanhar os fluxos ao longo das cadeias estudadas, passando pelos setores de beneficiamento, transformação, comércio e serviços até seu destino final. Constatou-se que os produtos estudados (14 alimentícios, 21 fármacos e cosméticos, 8 artesanatos e utensílios, 2 derivados da madeira e 1 derivado animal) têm significativa importância na dinâmica da economia local, assim como para outras regiões do Pará, além dos mercados nacionais e internacionais. O principal produto de destaque na RI foi o cacau amêndoa (R$ 1,54 bilhão), porém com 52% da renda bruta gerada e circulada fora do Pará, diferente do cacau fruto (R$ 1,38 milhão) com 98% gerada e circulada na própria RI Xingu. Outros produtos de destaque foram a castanha-do-brasil, o urucum, o açaí fruto, o palmito, o taperebá e o muruci. A contabilidade social ascendente na região tem origem em milhares de famílias envolvidas no setor da produção extrativa local (e extralocal), que receberam pela venda de todos os produtos o montante de R$ 209,9 milhões (VBPα), que gerou R$ 1,07 bilhão (VBP) na compra destes produtos (predomínio in natura) e com a agregação de valor de mais de R$ 488,1 milhões (VAB), chegando a uma renda bruta total (RBT) gerada e circulada em R$ 1,56 bilhão, com seus efeitos para frente e para trás nas cadeias de comercialização. O estudo também demonstrou as fragilidades e potencialidades identificadas nas cadeias, envolvendo a iniciativa privada, os órgãos governamentais e a sociedade direta e indiretamente relacionada às cadeias dos produtos do agroextrativismo. Palavras-chave: 1.Cadeias de comercialização, 2.Produtos florestais não madeireiros, 3.Contas sociais alfa, 4.Economia regional.
  • 11.
    LISTA DE SIGLAS CEPLAC Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira CONAB Companhia Nacional de Abastecimento EMATER Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural Embrapa Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária GPS Sistema de Posicionamento Global IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDEFLOR Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará IDESP Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará IDH Índice de Desenvolvimento Humano INCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária LSPA Levantamento Sistemático da Produção Agrícola MDA Ministério do Desenvolvimento Agrário Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior / MDIC/SECEX Secretaria de Comércio Exterior MDS Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome MIP Matriz Insumo Produto MZEE - PA Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Estado do Pará NAEA / UFPA Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará NPCTI Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação do IDESP ONG Organização Não Governamental PAM Pesquisa Agrícola Municipal PDA Projetos Demonstrativos Categoria A PEVS Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura PFNM Produtos Florestais Não Madeireiros PIB Produto Interno Bruto PPM Produção de Pecuária Municipal RBT Renda Bruta Total RI Região de Integração SEIR - PA Secretaria de Estado de Integração Regional SEMA - PA Secretaria de Estado de Meio Ambiente STR Sindicato dos Trabalhadores Rurais UC Unidade de Conservação UFPA Universidade Federal do Pará VAB Valor Agregado Bruto ou Valor Adicionado Bruto VBP Valor Bruto da Produção VBPα Valor Bruto da Produção do setor Alfa VTE Valor Transacionado Efetivo
  • 13.
    LISTA DE FIGURAS FIGURA1- Municípios pertencentes à Região de Integração Xingu. ..................................... 36 FIGURA 2- Localização da Região de Integração Xingu, estado do Pará............................... 40 FIGURA 3- Localização dos agentes mercantis do cacau amêndoa na RI Xingu, estado do Pará, em 2010. .......................................................................................................... 42 FIGURA 4- Estrutura (%) da quantidade amostral do cacau amêndoa comercializado na RI Xingu, estado do Pará, em 2010. ............................................................................. 46 FIGURA 5- Preço médio do cacau amêndoa (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, em 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ................... 47 FIGURA 6- Localização dos agentes mercantis do urucum na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................................................. 54 FIGURA 7- Estrutura (%) da quantidade amostral do urucum comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................... 57 FIGURA 8- Preço médio do urucum (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ............. 58 FIGURA 9- Localização dos agentes mercantis do açaí na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................... 64 FIGURA 10- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................... 68 FIGURA 11- Preço médio do açaí (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........................ 69 FIGURA 12- Localização dos agentes mercantis da castanha-do-brasil na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................................... 77 FIGURA 13- Estrutura (%) da quantidade amostral da castanha-do-brasil comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. .............................................................. 79 FIGURA 14- Preço médio da castanha-do-brasil (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. .................................................................................................................................. 81 FIGURA 15- Localização dos agentes mercantis do cacau (fruto) na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................................... 89 FIGURA 16- Estrutura (%) da quantidade amostral do cacau (fruto) comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................... 91 FIGURA 17- Preço médio do cacau (fruto) (R$/un.) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........ 93 FIGURA 18- Localização dos agentes mercantis do taperebá na RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. ....................................................................................................... 94 FIGURA 19- Estrutura (%) da quantidade amostral do taperebá comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................... 96 FIGURA 20- Preço médio do taperebá (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ............. 97 FIGURA 21- Localização dos agentes mercantis do muruci na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................................................. 98
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    FIGURA 22- Estrutura(%) da quantidade amostral do muruci comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 100 FIGURA 23- Preço médio do muruci (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........... 101 FIGURA 24- Localização dos agentes mercantis das plantas medicinais na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................ 109 FIGURA 25- Estrutura (%) da quantidade amostral das plantas medicinais comercializadas na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................ 111 FIGURA 26- Preço médio das plantas medicinais (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ................................................................................................................................ 112 FIGURA 27- Localização dos agentes mercantis da copaíba na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................... 113 FIGURA 28- Estrutura (%) da quantidade amostral da copaíba comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 115 FIGURA 29- Preço médio da copaíba (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........... 116 FIGURA 30- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do artesanato regional na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010........................................................................................................................ 118 FIGURA 31- Localização dos agentes mercantis do mel na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 119 FIGURA 32- Estrutura (%) da quantidade amostral do mel comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 121 FIGURA 33- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ...................... 122 FIGURA 34- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do palmito na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ........ 124 FIGURA 35- Localização dos agentes mercantis da andiroba na RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. ..................................................................................................... 125 FIGURA 36- Estrutura (%) da quantidade amostral da andiroba comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 127 FIGURA 37- Preço médio da andiroba (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........... 128 FIGURA 38- Localização dos agentes mercantis do cupuaçu na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................... 129 FIGURA 39- Estrutura (%) da quantidade amostral do cupuaçu comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 132 FIGURA 40- Preço médio do cupuaçu (R$/Kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........... 134 FIGURA 41- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) da borracha na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ...... 136
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    FIGURA 42- Estrutura(%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do buriti na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ........... 137 FIGURA 43- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) dos utensílios na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. .. 139 FIGURA 44- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) do óleo da castanha-do-brasil na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 141 FIGURA 45- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) dos leites na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.............. 142 FIGURA 46- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) do óleo de piquiá na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. 144 FIGURA 47- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do breu-branco na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010.. 146 FIGURA 48- Localização dos agentes mercantis do carvão na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................... 147 FIGURA 49- Estrutura (%) da quantidade amostral do carvão comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 149 FIGURA 50- Preço médio do carvão (R$/saca) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ........... 150 FIGURA 51- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do uxi na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. .............. 151 FIGURA 52- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí (semente) na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................................. 153 FIGURA 53- Preço médio do açaí (semente) (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. ...... 154 FIGURA 54- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg in natura) da bacaba na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................................................................................ 155 FIGURA 55- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un. fruto in natura) do bacuri na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010........................................................................................................................ 157 FIGURA 56- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/cacho) da pupunha na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. . 158 FIGURA 57- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) do óleo de pracaxi na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................................................................................ 160 FIGURA 58- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do cipó-titica na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. .... 162
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    LISTA DE QUADROS QUADRO1- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau amêndoa da RI Xingu, estado do Pará, em 2010. ............................................................................. 43 QUADRO 2- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do urucum da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. ........................................................................ 55 Quadro 3- Descrição dos agentes mercantis na comercialização de açaí na RI Xingu, Estado do Pará, no período de 2010. ................................................................................... 65 QUADRO 4- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da castanha-do-brasil da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. ............................................................ 78 QUADRO 5- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau (fruto) da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. ............................................................ 90 QUADRO 6- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do taperebá da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. ........................................................................ 94 QUADRO 7 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização do muruci da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................... 98 QUADRO 8- Descrição dos agentes mercantis na comercialização das plantas medicinais da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................ 109 QUADRO 9- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da copaíba da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 114 QUADRO 10- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do artesanato regional da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................ 117 QUADRO 11- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do mel da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 119 QUADRO 12 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização do palmito da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 123 QUADRO 13- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da andiroba da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. ...................................................................... 126 QUADRO 14- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cupuaçu da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. ...................................................................... 130 QUADRO 15- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da borracha da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 135 QUADRO 16- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do buriti da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 136 QUADRO 17- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos utensílios da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 138 QUADRO 18- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do óleo da castanha-do- brasil da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................. 139 QUADRO 19- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos leites da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 141 QUADRO 20- Descrição do agente mercantil na comercialização do óleo de piquiá da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 143
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    QUADRO 21- Descriçãodos agentes mercantis na comercialização do breu-branco da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 145 QUADRO 22- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do carvão da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. ...................................................................... 148 QUADRO 23- Descrição do agente mercantil na comercialização do uxi da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................ 150 QUADRO 24- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do açaí (semente) da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 152 QUADRO 25 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização da bacaba da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 154 QUADRO 26- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do bacuri da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 156 QUADRO 27- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da pupunha da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................. 157 QUADRO 28- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do óleo de pracaxi da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 159 QUADRO 29- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cipó-titica da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................. 161
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    LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO1- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do cacau amêndoa da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................ 48 GRÁFICO 2- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização do cacau amêndoa da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................ 51 GRÁFICO 3- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do cacau amêndoa, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008.......................................... 53 GRÁFICO 4- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do urucum da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ........................................................................ 59 GRÁFICO 5- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização do urucum da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ........................................................................ 61 GRÁFICO 6- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do urucum, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................ 62 GRÁFICO 7- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ........................................................................ 70 GRÁFICO 8- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do açaí da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ........................................................................................ 73 GRÁFICO 9- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do açaí, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................ 75 GRÁFICO 10- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da castanha-do-brasil da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ....................................................... 82 GRÁFICO 11- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização da castanha-do-brasil da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ....................................................... 85 GRÁFICO 12- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da castanha-do- brasil, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. .................................................. 87 GRÁFICO 13- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização das frutas (cacau, taperebá e muruci) da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ................. 102 GRÁFICO 14- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização das frutas (cacau, taperebá e o muruci) da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ............................. 104 GRÁFICO 15- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização das frutas (cacau, taperebá e o muruci), considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ........... 107
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    LISTA DE TABELAS TABELA1- Produtos florestais não madeireiros identificados na RI Xingu, com quantidade e valor pago à produção local, de acordo com a amostragem realizada em campo, em 2010.......................................................................................................................... 41 TABELA 2- Demanda Final (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados nos dez municípios da Região de Integração Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ...................................................................... 163 TABELA 3- Valor Adicionado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados nos dez municípios da Região de Integração Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. ........................................ 165 TABELA 4- Valor Agregado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Xingu, estado do Pará, organizados em categorias (Alimentícios, Artesanatos/Utensílios, Derivado Animal, Derivado da Madeira e Fármacos/Cosméticos), estimados para 2008........................................................................................................................ 167 TABELA 5- Renda Bruta Total (R$) na esfera local, estadual e nacional dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Xingu, estimados para 2008, organizados em três categorias relativas com escalas de valor do RBT (acima de R$ 600 mil, de R$ 100 mil a R$ 599 mil e abaixo de R$ 100 mil). ...... 169 TABELA 6- Indicadores econômicos dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Xingu, estado do Pará, compostos pelo Valor Bruto da Produção Alfa Local (VBPα), o Valor Bruto da Produção Alfa extralocal, a margem de lucro (mark-up), o Valor Bruto da Produção (VBP), o Valor Agregado Bruto (VAB) e a Renda Bruta Total (RBT), em R$, nas esferas local, estadual e nacional, estimado para 2008 (Idesp). ................................................................................... 174
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    SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................25 2 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 26 2.1 GERAL ............................................................................................................................... 26 2.2 ESPECÍFICOS ................................................................................................................... 26 3 METODOLOGIA................................................................................................................ 27 4 RESULTADOS .................................................................................................................... 36 4.1 REGIÃO DE INTEGRAÇÃO XINGU .............................................................................. 36 4.2 INFRAESTRUTURA DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PFNM NA RI XINGU ............ 38 4.3 ANÁLISE DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO .................................................. 40 4.3.1 Cacau amêndoa ................................................................................................................ 42 4.3.2 Urucum ............................................................................................................................ 54 4.3.3 Açaí .................................................................................................................................. 63 4.3.4 Castanha-do-brasil ........................................................................................................... 76 4.3.5 Cacau (fruto) .................................................................................................................... 88 4.3.6 Taperebá .......................................................................................................................... 93 4.3.7 Muruci ............................................................................................................................. 97 4.3.8 Análise pela Ótica da Oferta das Frutas (Cacau, Taperebá e Muruci) .......................... 101 4.3.9 Plantas Medicinais ......................................................................................................... 108 4.3.10 Copaíba ........................................................................................................................ 112 4.3.11 Artesanato Regional .................................................................................................... 116 4.3.12 Mel ............................................................................................................................... 118 4.3.13 Palmito ......................................................................................................................... 122 4.3.14 Andiroba ...................................................................................................................... 124 4.3.15 Cupuaçu ....................................................................................................................... 128 4.3.16 Borracha ...................................................................................................................... 134 4.3.17 Buriti ............................................................................................................................ 136 4.3.18 Utensílios ..................................................................................................................... 137 4.3.19 Castanha-do-brasil óleo ............................................................................................... 139 4.3.20 Leites ........................................................................................................................... 141 4.3.21 Óleo de Piquiá ............................................................................................................. 143 4.3.22 Breu-branco ................................................................................................................. 144 4.3.23 Carvão .......................................................................................................................... 146 4.3.24 Uxi ............................................................................................................................... 150 4.3.25 Açaí (semente) ............................................................................................................. 151 4.3.26 Bacaba ......................................................................................................................... 154 4.3.27 Bacuri .......................................................................................................................... 155 4.3.28 Pupunha ....................................................................................................................... 157
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    4.3.29 Pracaxi óleo................................................................................................................. 158 4.3.30 Cipó-titica .................................................................................................................... 160 4.4 ANÁLISES AGRUPADAS ............................................................................................. 162 5 CONCLUSÕES.................................................................................................................. 175 6 RECOMENDAÇÕES........................................................................................................ 178 7 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 183 APÊNDICES ......................................................................................................................... 187
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    25 1 INTRODUÇÃO Segundo o Ministério da Agricultura de Moçambique (2008), os Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM) são aqueles derivados da floresta, exceto a madeira, cuja definição engloba fibras, frutos, raízes, cascas, folhas, taninos, cogumelos, exudados, mel, plantas medicinais, lenha e carvão, entre outros. Silva et al. (2010) ressaltam que, em tese, estes produtos também podem ser obtidos de plantas semidomesticadas em plantios ou sistemas agroflorestais. Nas últimas décadas, assiste-se em todo o mundo, o crescimento da preocupação relacionada a fatores como aquecimento global e o desmatamento das florestas tropicais, que atraem o interesse de diversos atores sociais, que anseiam em equacionar tais impactos. Dentro deste contexto, a extração e comercialização dos PFNM no Brasil têm apresentado grande importância social, econômica e ambiental, em virtude de ocorrer prioritariamente em pequenas propriedades, preservar parte importante da biodiversidade das florestas nativas (FIEDLER et al., 2008) e gerar renda. Em relação ao comércio dos PFNM, nota-se que o mercado internacional desses produtos é relativamente conhecido, diferente das cadeias de comercialização no mercado doméstico. No estado do Pará, assim como nos outros estados da Amazônia Legal, é restrita a literatura e dados existentes sobre o mercado “invisível” de muitas espécies de valor local ou regional e sua importância para as populações rurais e urbanas envolvidas ao longo da sua cadeia de produção (MONTEIRO, 2003). Dessa forma, gestores e demais audiências estão desinformados sobre o fluxo desse comércio, que permanece oculto (SILVA, 2010). Apesar da magnitude socioeconômica dos PFNM, verifica-se que há pouca informação sistematizada sobre quantidade, valor, processos de produção, industrialização e comercialização desses produtos. Essa escassez de informações é um empecilho à conservação e ao desenvolvimento de estratégias mercadológicas para esses produtos (FIEDLER et al., 2008). Este estudo teve como objeto principal identificar e analisar as cadeias de comercialização dos PFNM na Região de Integração (RI) Xingu, Estado do Pará, evidenciando os fatores críticos e potencialidades, como forma de subsidiar políticas públicas.
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    26 2 OBJETIVOS 2.1 GERAL Identificar e analisar as cadeias de comercialização de produtos florestais não madeireiros da Região de Integração Xingu, Estado do Pará, buscando evidenciar fatores críticos e potencialidades. 2.2 ESPECÍFICOS Identificar e descrever as estruturas das cadeias de comercialização dos produtos florestais não madeireiros da Região de Integração Xingu; e Quantificar o Valor Bruto da Produção (VBP), explicitando a produção agroextrativista do setor alfa (VBPα), o Valor Agregado Bruto (VAB) juntamente com a margem bruta de comercialização (mark-up) e a Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização dos produtos identificados.
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    27 3 METODOLOGIA No intuito de descrever e analisar as cadeias de comercialização dos produtos florestais não madeireiros (PFNM), a partir do conjunto dos 10 municípios pertencentes à RI do Xingu, Estado do Pará, desde os agentes que compraram do produtor até os que venderam para o consumidor, este estudo baseou-se na metodologia das Contas Ascendentes Alfa CSα (COSTA, 2002, 2006 e 2008a), que permite construir Contas Sociais de base agroextrativista, para uma região, utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto de Leontief (1983). As “Contas Sociais Alfa” (CSα) referem-se à metodologia de cálculo ascendente de matrizes de insumo-produto de equilíbrio computável e, que se baseia nos parâmetros e indicadores de cada produto que compõem os setores originários e fundamentais, justifica-se pelo fato de permitir uma análise pontual ou com foco na real problemática local, haja vista que as estatísticas de produção são obtidas mais irredutível possível de uma economia local. Ou seja, este método além de fazer uma “fotografia” da realidade macroeconômica e social de uma delimitação geográfica, fornece respostas a questões que envolvem os impactos gerados por ações e programas de desenvolvimento ali implementados. Conforme explica Costa (2008b), o método consiste em identificar a produção de cada agente que pode ser agregado nos “setores alfa”, de certa delimitação geográfica e acompanhar os fluxos até sua destinação final. Nesse trajeto define parametricamente as condições de passagem pelas diversas interseções entre os setores derivados (quantidades transacionadas em cada ponto e o mark-up correspondente), tratados como “setores beta”, os quais são ajustados a três níveis diferentes: o local (βa), o estadual (βb) e o nacional (βc). Esta metodologia foi aplicada na região sudeste do Pará, caracterizada por tensões entre grandes projetos pecuários e minerais, e a expansão camponesa, com assentamentos da reforma agrária. O trabalho desenvolvido por Costa (2008b), contempla a análise de insumo- produto com metodologia ascendente que explicita a diversidade estrutural dos setores de base primária e os impactos econômicos da programação de investimento da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) de 2004 até 2010. Os resultados do estudo indicam que a metodologia ascendente CSα permitiu fazer as diferenciações estruturais necessárias na geração de uma matriz de insumo-produto mais aderente à complexidade da economia local, evidenciando a influência expressiva na economia do setor mineral do Sudeste Paraense, com complexidade de tal ordem que sua expansão cria possibilidades de crescimento para os demais setores da economia local. Por outro lado, demonstrou vazamentos de vulto (em termos de renda,
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    28 agregação de valor,entre outros) – tanto da economia local e no entorno mais próximo, para a economia do resto do Pará, quanto para o resto do Brasil. Em outro estudo Costa e Costa (2008) descreveram a economia da cultura do festival de bois de Parintins, estado do Amazonas, utilizando a metodologia das CSα conjuntamente orientada pelo conceito de Arranjos Produtivos Locais (APL). O estudo identificou limitações de infraestrutura, apontou impactos para a economia do município com a produção e realização do evento, com isso o município recebeu tratamento diferenciado por parte dos poderes públicos, que se converteram em investimentos reais e o APL da cultura identificado representou 10% da economia local e se apresentou como uma nova base de exportação, com um efeito multiplicar elevado. A aplicação da metodologia CSα por Dürr (2008) no Departamento1 de Sololá, na Guatemala, permitiu descrever as cadeias produtivas dos principais produtos da agricultura camponesa, construiu a Contabilidade Social de base agrária do Departamento, ou seja, calculou o Produto Interno Bruto mostrando a contribuição de diferentes setores, especialmente no setor rural e da economia regional e, por último, identificou os impactos sobre a agricultura e o desenvolvimento econômico das zonas rurais locais, estimado através do uso de Matrizes de Insumo-Produto como ferramenta para o planejamento estratégico do Departamento de Sololá. Devido as repercussões deste estudo, o autor replicou para o departamento de El Quiché (DÜRR et al., 2009), para o território chamado de Bacia do rio "Polochic. "(LOZA et al., 2009) e para o departamento de Petén (DÜRR et al., 2010). O trabalho de Carvalho (2010) apresenta as contribuições que os produtos florestais não madeireiros têm na economia do Estado do Amapá, fazendo o uso do método de Contas Sociais Alfa em razão da inexistência de informações sistematizadas ou agregadas em nível local. Contudo, consegue estabelecer as análises estruturais a partir das interrelações existentes entre os agentes mercantis que participam do arranjo produtivo dos PFNM, analisando os efeitos dos multiplicadores setoriais, os impactos do crescimento econômico na produção, trabalho e renda setorial de toda a economia. Na mesma linha, Gomes (2007) identificou e caracterizou cadeias de comercialização de produtos existentes nas florestas secundárias nas categorias de frutíferas, derivados da madeira (lenha, carvão e estaca), mel e diversas plantas medicinais nos municípios de Bragança, Capitão Poço e Garrafão do Norte, Estado do Pará. A autora utilizou o método de Contas Sociais Alfa para captar as especificidades econômicas e sociais que ao 1 Unidade federativa equivalente a estado.
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    29 contrário dos cálculosdas contas regionais do IBGE, que consideram as regiões homogêneas nas estimações conjunturais impossibilita captar as especificidades locais. O estudo detectou a circulação aproximada de quatro milhões de reais, para o ano de 2005, identificando a importância da vegetação secundária como reserva de valor e como agente dinamizador da renda rural e dos setores econômicos associados como atacadistas, varejistas e agroindústrias. No caso deste estudo desenvolvido pelo Idesp em parceria com o Ideflor, a metodologia foi adequada para a contabilidade social ascendente que engloba além da produção agroextrativista, as atividades na indústria e nos serviços que atuam diretamente nos setores com foco nos produtos florestais não madeireiros. Trata-se de um modelo de calculo de renda e do produto social do agroextrativismo que permitiu mensurar variáveis como o Valor Bruto da Produção de Base Agroextrativista (VBPα), o Valor Agregado Bruto de Base Agroextrativista (VABα) e o Produto Regional Bruto de Base Agroextrativista (PRBα). De acordo com Considera et al. (1997) o Produto Regional Bruto (PRB) seria o equivalente regional ao Produto Interno Bruto (PIB) deste setor. O modelo também produziu as matrizes das interrelações intersetoriais que as fundamentam, por uma metodologia que maximiza a utilização dos dados do IBGE, tanto os do Censo Agropecuário de 2006, quanto as séries históricas de 1990 a 2008 da Produção Agrícola Municipal (PAM), da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e da Produção da Pecuária Municipal (PPM) e, correlacionando-os aos dados da pesquisa primária executada pelo Idesp, permitiu agregações as mais variadas, orientadas tanto por atributos geográficos, quanto por atributos estruturais do setor. A metodologia adotada permite descrever trajetórias de agregação, tanto em função de um espaço geográfico limitado (município, região, território, etc.), quanto em decorrência das estruturas da produção: formas de produção, tipos de atividades, níveis tecnológicos, sistemas de produção, entre outros. A metodologia apresenta uma série de vantagens, tais como: rapidez na coleta de dados primários em campo, identificação dos maiores volumes comercializados junto aos agentes mercantis chaves, quantificação dos valores pagos ao setor da produção agroextrativista, principais gargalos evidenciados nas cadeias de comercialização, a economia antes invisível passa a ser explícita para diversos produtos e aponta indicativos para subsidiar políticas publicas. As etapas adotadas desde a identificação do agente mercantil, até as análises das cadeias de comercialização, consistiram em uma série de ações descritas a seguir. Articulação prévia, feita em Belém e/ou na chegada a cada um dos dez municípios visitados da Região de Integração Xingu, junto a informantes-chaves (como os técnicos dos
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    30 escritórios da Empresade Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará - Emater/Pará, dos sindicatos de trabalhadores rurais, das secretarias municipais de agricultura, das cooperativas, das associações, das feiras, dos mercados locais, entre outros), no que se referiu à produção e/ou comercialização dos produtos florestais não madeireiros existentes no município, para o período de doze meses e, fazer a identificação dos agentes mercantis envolvidos nestas atividades, para serem entrevistados. A coleta de dados foi realizada no mês de setembro de 2010 abrangendo os dez municípios (Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu) pertencentes à RI Xingu, Estado do Pará. A coleta de dados ocorreu junto aos agentes mercantis com aplicação de questionário (Apêndice A). Nesta etapa, buscam-se os principais agentes (vendedores/compradores) de cada produto, que geralmente representam importantes elos da cadeia, os quais em seguida, direcionam os elos para trás (comprou de quem) e para frente (vendeu para quem) na cadeia, compondo uma amostragem não probabilística autogerada (CABRAL, 2000), até chegar à produção local de um lado, bem como ao último que vendeu o produto para o consumidor final, no outro extremo da cadeia (DÜRR; COSTA, 2008). Esta metodologia identificou relações existentes entre agentes mercantis, que atuam tanto na formalidade até os de completa informalidade, e foi capaz de apontar o fluxo de comercialização para cada produto identificado. Neste tipo de amostragem o tamanho e a localização da população não são conhecidos a priori pelo pesquisador, então, esta é composta na medida em que o pesquisador identifica um agente mercantil, e solicita ao mesmo que indique os que também fazem parte da população em estudo, e assim, sucessivamente, a amostra é construída (MATTAR, 1997). Deste modo, para o levantamento dos dez municípios foram aplicados cento e setenta e um questionários, com trezentos e sessenta circuitos de comercialização, junto aos agentes mercantis envolvidos direta ou indiretamente com a comercialização dos PFNM. Durante a aplicação dos questionários, foi possível georreferenciar cada estabelecimento, utilizando o sistema de posicionamento global (GPS), compondo uma das bases de dados com as coordenadas geográficas. Além disso, foi possível compor uma base de dados qualitativos disponíveis na plataforma Windows, Microsoft Office 2007 no aplicativo Access, e outra base de dados quantitativos no sistema NETZ2, com circuitos (referentes aos produtos) e lançamentos (referentes às transações comerciais realizadas pelos agentes, por produtos). 2 Software desenvolvido por Francisco de Assis Costa – NAEA/UFPA.
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    31 A padronização dos dados coletados em cada entrevista foi necessária para que as unidades de quantidade (medida usada em kg, litro, saca entre outros) e de preço praticado fossem uniformizadas conforme cada produto. As informações inseridas no sistema NETZ referem-se aos dados primários de preço e quantidade para cada produto, em cada relação mercantil de compra e venda, classificando por setor (produção, varejo, atacado, indústria e consumidor) e por recorte espacial (local, estadual e nacional). Depois deste processo, foram elaboradas as matrizes que descrevem a probabilidade da distribuição das quantidades e de atribuição dos preços a partir das relações entre os agentes e, uma vez determinadas suas posições estruturais, entre os setores. As Matrizes Insumo-Produto (MIP) descrevem nas colunas as compras e nas linhas as vendas dos setores da produção primária e intermediaria (indústria, atacado e varejo), entre si, e as vendas para a demanda final local, estadual ou nacional. No entanto, como forma de melhor visualizar cada matriz, a equipe do Idesp envolvida no estudo desenvolveu um modelo de apresentar os mesmos dados, com os fluxos de compra e venda e os setores responsáveis por cada elo da cadeia. A inovação trata-se da disposição visual dos diversos agentes mercantis ou setores representados por pequenas caixas retangulares (produção local e extralocal, varejo, indústria de beneficiamento, de transformação, atacado, consumidor, etc.) e espacialmente distribuídos na economia local, estadual ou fora do estado (nacional e internacional), representados por retângulos maiores em três cores distintas. Foram adotadas setas em diferentes formatos para a representação dos canais ou fluxos de comercialização, que iniciam na produção local e extralocal até os consumidores finais. Quanto aos fluxos da comercialização por produto estudado, estes foram organizados para três dimensões geográficas: a) local, que corresponde aos dez municípios pesquisados na RI Xingu; b) estadual, para os demais municípios do estado do Pará e; c) nacional, que foram comercializados para outros estados e/ou países. O estudo possibilitou compreender os fluxos existentes nas relações entre agentes/setores e seu papel relativo ao longo da cadeia em função dos volumes transacionados. Ainda com base nas matrizes de preço e quantidade, a relação dessas gera os respectivos preços médios praticados ou implícitos por produto e por setor (em Reais por unidade do produto), agregado ou não, ao longo da cadeia, da produção até o consumo final. A metodologia permite a atualização dos dados para os anos seguintes da Contabilidade Social da Produção de Base Agroextrativista (CSα) obtida com os dados mais recentes divulgados pelo IBGE, neste caso com o Censo Agropecuário de 2006. Para tanto,
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    32 foram construídos indexadoresde quantidade e preço baseados nas séries municipais da PAM, PEVS e PPM, no mesmo recorte regional, assim como as séries de preços dos produtos da agricultura do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). Existem duas especificidades na construção dos indexadores: aquela em que o produto em questão é levantado sistematicamente e faz parte do acervo de estatísticas conjunturais, acima explicitado, e aquela em que o produto estudado não é levantado sistematicamente. Na primeira situação os indexadores de quantidade (IQ) são os números índices do total das quantidades do produto v, para o conjunto dos municípios que atendem à restrição s, tendo no caso do agroextrativismo, 2006 como ano base. E para os indexadores de preço (IP) os números índices do preço médio do produto v, para os municípios que atendem a restrição geográfica s, tendo 2006 também como ano base (COSTA, 2002, 2006 e 2008). Os indexadores de quantidade e de preço são assim construídos: Onde: : atributo geográfico (local: municípios da RI Xingu; estadual: demais municípios do estado do Pará e nacional: outros estados e/ou países), : produto, : ano da pesquisa oficial (2006, 2007 e 2008), : quantidade do produto conforme seu atributo geográfico no ano da pesquisa oficial, : quantidade do produto conforme atributo geográfico no Censo Agropecuário de 2006, : preço médio (ou implícito) conforme seu atributo geográfico no ano da pesquisa, e : preço médio (ou implícito) conforme atributo geográfico no Censo de 2006. Em relação aos produtos não levantados sistematicamente, estes foram indexados pela evolução do conjunto da produção numa certa delimitação geográfica. A evolução do conjunto da produção é observada pelos números índices da evolução do produto real e dos preços implícitos para a restrição geográfica s. O produto real é a soma dos resultados da multiplicação das quantidades de cada produto no ano a, pelo preço em um ano escolhido
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    33 para fornecer ovetor de preços, neste caso, média dos anos de 2006, 2007 e 2008. Portanto, os indexadores dos PFNM que não estão presentes nas estatísticas oficiais foram elaborados conforme agrupamentos, tendo como referências as categorias: para alimentícios; geral para oleaginosas e indexador geral do IBGE para este recorte regional. Sendo assim, os frutos bacaba, bacuri, buriti, cacau, muruci, pupunha, taperebá e uxi foram agrupados na categoria de indexador alimentícios. O indexador geral de oleaginosas foi utilizado para a andiroba, óleo da castanha-do-brasil, óleo de piquiá e óleo de pracaxi. O indexador geral do IBGE, para o mesmo recorte regional, foi usado para um conjunto de 24 produtos, tais como: as cascas (barbatimão, carapanaúba, copaíba, ipê-roxo, marapuama, preciosa, sacaca, sucuúba, unha-de-gato, uxi-amarelo, verônica), canarana, semente de cumaru, fava de jucá, artesanato regional, semente de açaí, breu-branco, leite-de-amapá, leite- de-sucuúba, e alguns utensílios (paneiro, tipiti, cesto de palha, cipó titica e vassoura regional). Enquanto que os únicos produtos que tiveram seus próprios indexadores, criados com base nas estatísticas oficiais, foram dez: açaí fruto (PEVS e PAM); amêndoa do cacau (PAM), castanha-do-brasil (PEVS), cupuaçu (LSPA), palmito (PAM e PEVS), semente de urucum (PAM), mel de abelha (PPM), óleo de copaíba (PEVS), borracha da seringueira (PAM e PEVS) e o carvão vegetal (PEVS). Finalmente, foi estimada a CSα para o ano de 2008, por ser o inicio do estudo, multiplicando os indexadores obtidos com a matriz de estrutura, que descrevem a probabilidade da distribuição das quantidades e, com a matriz de preços a partir das relações entre os agentes. O resultado gera uma Matriz de Insumo Produto (MIP) para cada produto pesquisado, contendo o Valor Bruto da Produção de base agroextrativista (VBPα) sob a ótica da oferta, o VBP sob a ótica da demanda (ou seja, compra de insumo), o Valor Transacionado Efetivo (VTE) que equivale ao Valor Adicionado ou Agregado Bruto (VAB), a Renda Bruta Total (RBT) e, a margem bruta de comercialização (mark-up), que é a relação entre a diferença do valor estimado do VAB com o VBPα (sob a ótica da oferta) pelo VBPα, para que sejam feitas as análises econômicas (estimadas para 2008) e os impactos que cada produto não madeireiro exerceu na economia local, estadual e fora do estado. Frisa-se, no entanto, que no cálculo do VAB como na estimação do mark-up, não se levou em consideração os custos produtivos e/ou de comercialização, pois não foram foco da pesquisa. Em algumas cadeias, também não foi possível descrever a proporção dos PFNM utilizados como insumo na preparação de certos produtos finais, como doces, cosméticos, medicinais, entre outros. A definição em estimar a CSα para o ano de 2008 foi adotada para este estudo (Xingu) e para as demais regiões estudadas (Tocantins, Guamá, Rio Caeté, Baixo Amazonas e
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    34 Marajó), permitindo assimcomparações entre as economias de cada região. O método permite também fazer atualizações desta economia conforme novos cálculos dos indexadores por produto, após divulgação de estatísticas oficiais. Foram identificados em campo quarenta e seis (46) PFNM, relacionados no Apêndice B, os quais foram classificados conforme a sua utilização identificada em campo. Foram estudados quatorze alimentícios (açaí, cacau amêndoa, castanha-do-brasil, cupuaçu, palmito, urucum, bacaba, bacuri, buriti, cacau fruto, muruci, pupunha, taperebá e uxi); um derivado animal (mel de abelha); dois derivados da madeira (carvão, e borracha); oito artesanatos e utensílios (artesanato regional, semente de açaí, breu-branco, paneiro - fibra de guarumã, tipiti - fibra de guarumã, cesto de palha, cipó-titica e vassoura regional) e 21 fármacos e cosméticos (copaíba, canarana, barbatimão - casca, carapanaúba - casca, copaíba - casca, ipê-roxo - casca, marapuama - casca, preciosa – casca, sacaca – casca, sucuúba – casca, unha-de-gato – casca, uxi amarelo – casca, verônica – casca, semente de cumaru, jucá – fava, leite-de-amapá, leite-de-sucuúba, andiroba, óleo de castanha-do-brasil, óleo de piquiá e óleo de pracaxi). Cada produto identificado foi analisado individualmente, por estruturas de fluxo de quantidade e preço médio praticado ao longo das cadeias de comercialização e, descritos os setores mercantis das esferas local, estadual e nacional. Para outros produtos que apresentaram similitude como: uma pequena amostragem de dados, semelhança do fluxo de comercialização entre os agentes e, principalmente, utilidades similares, foram feitas analises agrupadas pela ótica da oferta de três frutas (cacau fruto, taperebá e muruci), de plantas medicinais, artesanato regional e leites. A classificação dos agentes nas cadeias de comercialização foram adaptadas aos seguintes conceitos, conforme Costa (2002) e Dürr (2004). Produção local: Produção primária agroextrativista do município ou da região; Produção Extralocal: Produção primária agroextrativista oriunda de outras regiões de integração que não fazem parte da região estudada. Varejo rural local: Pequenos comerciantes do interior dos municípios que compram dos produtores, comumente denominados atravessadores rurais; Indústria de beneficiamento local: Unidades de beneficiamento da produção, localizadas na região; Indústria de transformação local: Unidades de transformação da produção, localizadas na região;
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    35 Atacado local: Grandes compradores (atacadistas, representantes de empresas), localizados nos centros urbanos da região, que normalmente compram do varejo e/ou vendem para o varejo; Varejo urbano local: Pequenos comerciantes nas cidades (varejistas, feirantes, marreteiros, vendedores ambulantes); Indústria de beneficiamento estadual: Unidades de beneficiamento no Pará, localizadas além da RI Xingu; Indústria de transformação estadual: Unidades de transformação no Pará; Atacado estadual: Empresas compradoras da produção no Pará; Varejo urbano estadual: Comércios (supermercados, etc.) no Pará, que vendem para o consumidor estadual; Indústria de beneficiamento nacional: Unidades de beneficiamento no Brasil; Indústria de transformação nacional: Unidades de transformação no Brasil; Atacado nacional: Empresas compradoras do nível nacional; Varejo urbano nacional: Comércios nacionais que vendem para o consumidor nacional. As categorias de agentes mercantis estão descritas por produto não madeireiro identificado, quer seja individual ou em grupo. As análises econômicas de todos os produtos identificados estão descritas em detalhes no item 4.3.
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    36 4 RESULTADOS 4.1 REGIÃODE INTEGRAÇÃO XINGU A Região de Integração (RI) Xingu está consorciada a um total de 10 municípios (Figura 1), com uma população de aproximadamente 331.770 habitantes em 2010, o que corresponde a 4,4% da população do Estado do Pará, sendo a segunda menos populosa (IBGE/IDESP, 2010). Há um predomínio da população urbana sobre a rural, com um índice de 54% em relação à população total da região, diferente de 2008 em que a rural era superior com 55,90% (PARÁ, 2010). Entretanto, apenas Altamira e Uruará (a partir de 2008) apresentaram a população urbana superior à rural, com a primeira atingindo o índice de 85%, diferenciando-se de Placas em que 80% da sua população reside no meio rural. Sua área territorial corresponde a 20,10% em relação ao Estado, o que configura a região de integração com a segunda maior área e com a menor densidade demográfica de 1,32 hab/Km². Apenas três (Brasil Novo, Vitória do Xingu e Senador José Porfírio), dos 10 municípios, são de pequeno porte, pois possuem população menor que 20 mil habitantes (13 a 15 mil). Todavia, Altamira se aproxima da faixa dos 100 mil habitantes, contabilizando 99.075 habitantes, equivalente a 30% da população da região, se constituindo, deste modo, pólo regional. FIGURA 1- Municípios pertencentes à Região de Integração Xingu. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Nesta região, está relacionada à presença de grandes empresas do ramo da exploração e processamento industrial da madeira voltado à exportação de produtos semi-
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    37 elaborados, com baixovalor agregado, pouca articulação com a economia local e alto custo sócio-ambiental (os chamados “enclaves de exportação”). No entanto, a atividade agropecuária é essencialmente a base da economia regional, apesar do setor de serviços representar a maior parte do PIB. No que tange a exportação, a RI Xingu configura-se como exportadora de matéria prima pautada na madeira. A qual no ano de 2010 contabilizou US$ 17,3 milhões, registrando um acréscimo de 61,8% em relação ao ano anterior, apesar da crise global de 2009 que ocasionou uma redução substancial na demanda mundial (BRASIL, 2011). Com relação às estatísticas disponíveis das exportações realizadas em 2011, no período entre janeiro e agosto, o valor exportado foi da ordem de US$ 7,7 milhões tendo registrado um decréscimo de 29% em relação à igual período de 2010, ou seja, US$ 3,1 milhões a menos entre os dois períodos analisados, seja em função da valorização cambial entre os períodos, seja pela atuação dos órgãos de fiscalização ambiental. Entre os municípios que compõem esta região, apenas Brasil Novo, Placas e Vitória do Xingu não constam nas estatísticas oficiais de exportação, contudo, Pacajá configura 35% de participação no valor exportado, tanto em 2010 quanto no período de 2011. Com relação ao Indicador de Desenvolvimento Humano, esta região apresentou um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de 0,68, em 2000, menor que o índice apresentado pelo estado do Pará de 0,72, devido principalmente ao baixo IDH- M/Renda, de apenas 0,60 (PARÁ, 2010). Em 2008 o Produto Interno Bruto - PIB somou R$ 1.397 milhão, com uma variação de 8,7% em relação ao PIB contabilizado no ano anterior (R$ 1.285 milhão), porém se manteve na 10ª colocação no ranking entre as regiões de integração e participou com um percentual de 2,4% no PIB estadual. Já o PIB Per capita regional, na ordem de R$ 4.566,95, correspondente a 57% do PIB Per capita estadual, configurou-se como o 8º colocado entre as regiões, apesar da variação de 4,15%, que se devem ao crescimento das atividades econômicas e da arrecadação de impostos. As participações dos setores econômicos, considerando somente o Valor Agregado, corresponderam a: 24% Agropecuário, 12% Indústria e 64% Serviços. Considerando o crescimento relativo ao ano de 2007, o setor de indústria foi o que obteve a maior variação, correspondente a 12,13%, o de serviços 10,10% e o agropecuário com crescimento de apenas 3,29%. O setor de serviços, por sua vez, além do crescimento, também se configurou como o de maior participação do PIB de todos os municípios que compõem a região, sendo que em Altamira e Porto de Moz, o setor de serviços correspondeu a mais de 70% dos seus respectivos valores adicionados (PARÁ, 2011).
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    38 Entre os municípios que fazem parte da região de estudo, Senador José Porfírio e Placas se caracterizaram como os de menor participação na economia da região, pois representaram 3,4% (R$ 48.199) e 3,9% (R$ 54.493) do PIB, respectivamente, em termos nominais, caracterizados pela baixa concentração demográfica e forte dependência em relação ao setor de serviços e administração pública. Em contrapartida, Altamira é o município com maior participação no PIB regional, com aproximadamente 40,6% (R$ 567.678), pois o setor de indústria e serviços obteve um valor, em torno de, três vezes maior que os valores obtidos pelo 2º colocado Uruará, o valor agropecuário foi R$ 5.855 maior que o valor obtido no município de Pacajá. De modo geral, o PIB de Altamira foi três vezes maior que o segundo colocado Uruará, justificando assim, sua condição de cidade pólo da região. Assim como também, polarizadora do espaço regional com a prestação de serviços bancários, saúde, educacionais e comerciais. Esta região de integração apresenta, ao sul, extensas áreas de floresta da classe ombrófila e, ao norte, floresta ombrófila densa. Com base nos dados do Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Estado do Pará (MZEE - PA), a RI Xingu possui a segunda maior área protegida do Pará, com aproximadamente 179.267 Km² distribuídas em: Unidades de Conservação (UCs) de proteção Integral (com destaque para Terra do Meio, com 31.385 Km²), Uso Sustentável, Terras Indígenas e Área Militar. No que tange às Zonas de Consolidação e Expansão, estas somam em torno de 72.642 Km², o que corresponde a 29% da região (PARÁ, 2010). 4.2 INFRAESTRUTURA DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PFNM NA RI XINGU As principais formas de comercialização dos PFNM na RI Xingu, foram realizadas tanto de forma mais complexa, através dos mercados municipais, varejistas (mercearias, quitandas, tabernas), atravessadores e atacadistas, quanto a realizada de forma direta, que foi o caso da comercialização realizada na propriedade rural, nos sindicatos, via associações, nas feiras “livres” (geralmente às margens da rodovia transamazônica BR 230 e nos trapiches) ou ainda nas feiras do produtor e, nas ruas, gerando e fazendo circular a renda em nível local. É preciso ressaltar que os agroextrativistas, com uma produção significante, se direcionam aos finais de semana para o município de Altamira, pois é onde se concentra o maior mercado consumidor da região, tanto em números quanto em geração da renda (o segundo maior PIB per capita da RI, com R$ 5.831,90). Na maioria dos municípios, mais especificamente naqueles com sede nas margens da rodovia transamazônica, foi verificada a existência de dois pontos de comercialização, onde
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    39 as transações dosPFNM aconteceram simultaneamente: no mercado municipal e, em alguns municípios, na feira do produtor, com o funcionamento diário obedecendo ao horário comercial, com poucos boxes para comerciantes e sem divisão de alas por categoria de produto. E na feira livre, também com funcionamento diário, contudo, sem qualquer padronização e condições de higiene, condicionando não somente o consumidor aos mais variados tipos de doenças, principalmente respiratórias devido a poeira levantada por quem circula na rodovia. Com relação aos municípios às margens do rio Xingu (Vitória do Xingu e Senador José Porfírio), a comercialização acontece em feiras livres formadas no cais do porto (identificado na região como trapiche) com funcionamento somente no período matutino. Frisa-se, porém, que a comercialização em áreas livres aconteceu pela demora na entrega da reforma do mercado municipal ou sua inexistência. Com relação ao estado de conservação dos mercados e feiras do produtor, pontos de comercialização onde foi encontrada a maioria dos PFNM identificados, a infraestrututra se encontrava deteriorada e sem qualquer padrão de higiene, o que dificulta as vendas, outros pontos apesar de reformados e/ou recém construídos, no período da pesquisa se encontravam sem funcionamento. No caso específico da comercialização do cacau amêndoa, em todos os municípios, os agroextrativistas venderam sua produção no centro urbano do município diretamente aos grandes atacadistas, que após concentrarem uma determinada quantidade do produto, os enviaram ao município pólo da RI (Altamira), onde estão instalados os escritórios das indústrias de processamento deste produto no estado da Bahia. O meio de transporte mais utilizado na comercialização deste produto foi o via terrestre (transamazônica). No caso do produtor foi através de caminhões de pequeno porte (F-1000, F-4000 e D20), como também, os famosos caminhões “pau de arara”, que servem tanto para o transporte de cargas quanto de passageiros. Já os atacadistas utilizam caminhões de médio e grande porte (próprios e/ou de terceiros) para o transporte do estoque até Altamira e, deste até o destino final, estado da Bahia, o transporte é realizado por carretas baús de terceiros, com capacidade média de 35 toneladas.
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    40 4.3 ANÁLISE DASCADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO Nos dez municípios da Região de Integração Xingu (Figura 2) foram identificados quarenta e seis (46) produtos florestais não madeireiros, cuja pesquisa de campo foi realizada em setembro de 2010, com quantidade comercializada no período de doze meses e o valor pago à produção local (Tabela 1). A relação das espécies / produtos estudados estão descritos no Apêndice B. FIGURA 2- Localização da Região de Integração Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A comercialização de dezenas destes produtos acontece em diferentes estabelecimentos e feiras, explicitando a diversidade e a realidade regional, conforme imagens registradas nos municípios visitados (Apêndice C).
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    41 TABELA 1- Produtosflorestais não madeireiros identificados na RI Xingu, com quantidade e valor pago à produção local, de acordo com a amostragem realizada em campo, em 2010. Produtos Florestais Não Madeireiros Quantidade Valor (R$) Valor/Total (%) Cacau amêndoa (kg) 27.917.984 128.869.535,18 89,23 Carvão (sc.) 1.376.541 13.035.882,42 9,03 Açaí (kg) 1.366.627 1.285.350,60 0,89 Urucum (kg) 239.936 370.980,00 0,26 Cacau (un.) 1.001.405 189.086,60 0,13 Cupuaçu (un.) 126.179 147.979,34 0,10 Mel (l) 6.695 80.470,85 0,06 Plantas medicinais (kg) (1) 4.665 76.349,50 0,05 Taperebá (kg) 47.776 76.083,01 0,05 Castanha-do-brasil (kg) 71.745 72.398,50 0,05 Muruci (l) 33.684 57.200,32 0,04 Copaíba (l) 2.358 46.013,90 0,03 Artesanato regional (un.) 4.116 28.312,22 0,02 Andiroba (l) 1.294 23.848,62 0,02 Utensílios (un.) (2) 2.920 12.049,00 0,01 Cipó-titica (kg) 11.923 11.923,00 0,008 Borracha (kg) 5.960 10.728,00 0,007 Palmito (kg) 4.386 6.008,34 0,004 Buriti fruto (kg) 840 4.200,00 0,003 Castanha-do-brasil óleo (l) 150 3.600,00 0,002 Leites (l) (3) 260 2.560,00 0,002 Piquiá óleo (l) 120 2.400,00 0,002 Breu-branco (kg) 780 1.020,00 0,0007 Artesanato indígena (un.) 55 550,00 0,0004 Açaí semente (kg) 53 408,00 0,0003 Uxi (un.) 3.800 304,00 0,0002 Bacaba (kg) 462 277,20 0,0002 Bacuri (un.) 440 184,80 0,0001 Pracaxi óleo (l) 10 150,00 0,00010 Pupunha (cacho) 23 139,80 0,00010 Priprioca (kg) 2 4,00 0,000003 Total 144.415.997,20 100% (1) semente de cumaru, fava de jucá e cascas de (barbatimão, carapanaúba, copaíba, ipê-roxo, marapuama, preciosa, sacaca, sucuúba, unha-de-gato, uxi amarelo e verônica). (2) cesto, paneiro, peneira e tipiti de fibra de guarumã, vassoura regional de timbó. (3) amapá e sucuúba. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. As análises das principais cadeias de comercialização da Região Xingu estão descritas e ilustradas a seguir.
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    42 4.3.1 Cacau amêndoa a) Caracterização dos agentes mercantis. Os municípios da RI Xingu possuem várias potencialidades como o açaí, castanha- do-brasil, andiroba, mel e cupuaçu, porém as atividades que se destacam mais são o cacau, o café, a agropecuária e a agricultura familiar. Foram identificados na pesquisa quarenta e nove agentes que comercializam o cacau amêndoa nos municípios da RI Xingu (Figura 3), sendo que dezoito trabalham exclusivamente com o cacau e os demais vendem também cupuaçu, açaí, urucum, taperebá, muruci, óleo de andiroba, castanha-do-brasil, buriti, ouriço de castanha-do-brasil, carvão, cascas (verônica, ipê-roxo, sucuúba e unha-de-gato), leite de sucuúba e de amapá, copaíba, vassoura de cipó-titica, breu-branco e mel. FIGURA 3- Localização dos agentes mercantis do cacau amêndoa na RI Xingu, estado do Pará, em 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os agentes são produtores, varejistas, atravessadores, atacadistas e representantes de firma, que estão no ramo em média há quase 10 anos (variação de 1 a 35 anos). Alguns exercem profissões paralelas de motorista de caminhão, comerciante, mecânico, torrador de café, comerciante de produtos alimentícios, compra e venda de gado, moto-taxi, agricultor e serviços gerais. O Quadro 1 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos na comercialização deste produto de acordo com seus respectivos setores e mercados.
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    43 QUADRO 1- Descriçãodos agentes mercantis na comercialização do cacau amêndoa da RI Xingu, estado do Pará, em 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores de cacau, responsáveis pela quebra e extração das amêndoas, muitas vezes fazem o beneficiamento da secagem Produção do produto, que além de melhorar a qualidade, aumenta o valor de venda da semente; Atravessadores que se deslocam até as comunidades e compram o cacau em amêndoa seca ou molhada, e também, na Varejo rural maioria das vezes, realizam o beneficiamento primário da amêndoa molhada (fermentação e a secagem natural do fruto) com o objetivo de armazenar o produto com qualidade; Local Este setor é representado por dois tipos de estrutura de atacadista, a primeira categoria composta por cerealistas (pequenos comerciantes de cacau amêndoa, castanha-do-brasil e o urucum), localizados nos centros urbanos dos municípios que compõem a RI Xingu, que se caracterizam por serem os monopsonistas na cadeia de comercialização deste insumo. A Atacado segunda categoria composta por um número reduzido de representantes localizados no município pólo da RI em estudo. Estes cerealistas atuam em prol do setor da indústria de transformação (multi) nacional, que concentram praticamente toda a produção cacaueira que, também, se caracterizam como monopsonistas na cadeia do cacau (amêndoa) na RI Xingu. Formada por uma unidade industrial de cosmético, situada no município de Benevides, RI Metropolitana, que realiza o Indústria de processamento de sementes, resinas, castanhas, cascas e polpas transformação provenientes de florestas nativas ou áreas cultivadas em terras Estadual de agricultores, que também refina óleos de frutas; Atacadistas que transacionam volumosas quantidades de cacau seco, por meio de contratos com as maiores processadoras de Atacado cacau do Brasil, ou seja, do setor da indústria de transformação (multi) nacional. Grandes empresas nacionais e multinacionais que se dedicam na moagem da amêndoa extraindo a manteiga de cacau, Indústria de líquor3, torta e o pó de cacau, para depois serem vendidos para transformação as indústrias chocolateiras, que os transformam junto com Nacional outros ingredientes (principalmente açúcar e leite em pó) em chocolate; Comércio varejista situado fora do Estado que vende para o Varejo urbano consumidor nacional. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os produtores possuem áreas com dimensões que variam de 15 a 560 hectares, localizadas em Medicilândia, Uruará, Placas, Brasil Novo, Altamira, Pacajá e Anapu. Dos 3 O líquor de cacau é uma pasta grossa e viscosa, marrom-escura, quando se prensa obtém a manteiga e o pó de cacau (A NOTICIA, 2008). As porcentagens do chocolate dizem respeito à quantidade de líquor.
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    44 entrevistados sete afirmaramnão possuir local para armazenamento, os demais citaram possuir entre um a dois armazéns, já a cooperativa afirmou que detém vários galpões. Com relação ao tamanho dos espaços para armazenamento os agentes citaram que variam de 10 m2 a 900 m2, com capacidades de 5 t a 100 t os menores, e outro com capacidade para 5 mil toneladas, para armazenar a produção da safra que, segundo os agentes, vai do mês de maio a setembro. De acordo com os agentes, na pós-safra do Xingu o preço da semente seca cai na RI em estudo, devido à compra do cacau da Bahia (com pico de safra de setembro a novembro) e da Costa do Marfim, provocado pela baixa produção dos frutos no Xingu, o que torna inviável o comércio com custo alto em transporte, para levar uma produção insignificante comparada à safra. Um atacadista também possui área de plantio de três alqueires (18 tarefas, sendo uma tarefa equivalente a 50mx50m cada) com 18 mil pés de cacau, que produz em média 6.000 Kg. Os meios de transporte mais utilizados para escoamento da produção foram trator, caminhonete, caminhões, moto, ônibus, F 1000, carro pequeno, L 200 e bicicleta. Quando o produtor familiar é desprovido de meios de transporte e não tem como levar a produção para o atacadista, acaba juntando a produção com outros colonos, que vendem para comerciantes (donos de mercadinhos localizados próximos às áreas de produção) a preços mais baixos, em troca de mercadorias. Os equipamentos empregados no beneficiamento primário do cacau seco são: barcaças (construções de madeira com bandejas fixas e teto móvel, com medidas de 6mx12m que servem para secagem das sementes), prensa de madeira para colher a polpa, medidor de umidade, separador, peneira, balanças de 300 kg e calculadora. E os utensílios são facão ou cutelo para cortar o fruto e posterior tiragem das amêndoas e podão para colheita, ambos utilizados pelos produtores. Quanto aos problemas relacionados ao armazenamento os agentes citaram que as vendas são feitas imediatamente, devido à grande procura pelo produto no mercado. Citaram ainda que, a perda esteja relacionada ao fator umidade, que favorece a quebra da produção da semente por saca e, que necessitam de estufas para facilitar a secagem, principalmente nos meses de maior intensidade de chuva. O tempo de trabalho é em horário comercial, durante o ano todo, com muitos estocando e fornecendo o produto conforme flutuação da bolsa de valores. A comercialização do cacau envolve grande quantidade de pessoas, geralmente entre quatro a trinta. Na época da safra contratam carregadores/diaristas para ensacar e descarregar a produção. De acordo com
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    45 as entrevistas, existemfamílias que vivem do sistema de meia na região, que é tradicional, com cerca de 100 delas que trabalham na colheita dos frutos, em regime de meia, na área de produção de outros agentes, e a renda é dividida entre as partes. A mão-de-obra do produtor rural é familiar, já os carregadores recebem entre R$ 10,00 a R$ 25,00 por tonelada e os funcionários fixos salário mínimo. Citaram ainda que se houvesse assistência técnica e extensão rural aumentaria a produtividade e a manutenção das estradas ajudaria no escoamento, outros citaram que é necessário melhorar a distribuição de energia elétrica, além de haver incentivo dos órgãos de fomento locais ou de capital de giro próprio para o plantio e aumento da produção, pois muitos deixam de plantar por não terem subsídios para comprarem os equipamentos/materiais e comercializarem. Segundo informações da CEPLAC local, o município de Medicilândia é o maior produtor de cacau orgânico da região, com produtividade média de 900 kg/ha. Citaram ainda que em sete municípios a área plantada com produção “safreira”, em 2008, chegou a 40 mil hectares e, a área em desenvolvimento (sem produção) a 12 mil hectares plantados. E que na época, a expectativa, até o final de 2009, girava em torno de 20 mil ha em desenvolvimento e 45 mil ha de cacau safreiro, ou seja, com oito mil hectares a mais em um ano. Sobre o “programa de produção orgânica”, segundo os agentes, o objetivo é produzir cacau do mais alto padrão de qualidade. Eram 150 propriedades, com cinco famílias de cada propriedade, envolvidas no projeto, abrangendo os municípios de Medicilândia, Brasil Novo, Pacajá, Vitória do Xingu e Anapu com produção de açaí, cupuaçu e cacau, com selo de certificação. A extensão de certificação para o comércio justo garante qualidade de vida para os envolvidos na comercialização. Uma organização não governamental (ONG) de Altamira, responsável pelo primeiro movimento de direitos humanos da transamazônica, é uma das parceiras deste projeto. O Programa de Produção Orgânica trabalha com 1.000 ha, com retirada de 600 toneladas de cacau/ano, distribuídos em 250 Toneladas para comerciantes e 100 toneladas, por ano, para uma indústria de transformação que trabalha com cosméticos na RI Metropolitana. A empresa compra apenas o cacau tipo 1, o restante da produção que não atingiu o padrão 1 é vendido localmente para os comerciantes. As vendas são feitas de forma coletiva. Citaram ainda que para dar certo, precisa que os produtores certifiquem suas áreas e os processos de produção, já que no processo tradicional utilizavam adubos químicos e para a certificação é necessário que o agricultor gradativamente mude sua forma de trabalhar, protegendo rios, lagos e a sustentabilidade ambiental com agregação de valor ao produto. Já estavam certificadas 153 áreas e 40 estavam no processo de transição ou adequação para a agricultura orgânica.
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    46 b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do cacau amêndoa. A Figura 4 permite visualizar as proporções da quantidade identificada do cacau (amêndoa) que transitam entre os diferentes setores. Constituindo assim, os canais de distribuição (ou canais de comercialização) do fruto nos dez municípios da RI Xingu. Conforme Santana (2005) cada conjunto de intermediários que desempenham algum tipo de atividade relacionada ao escoamento da produção - do produtor até o consumo final - é um nível do canal de distribuição. Nesse contexto, o principal nível de canal de distribuição do cacau amêndoa (Figura 4) identificado com as maiores quantidades comercializadas foi a realizada pela compra do setor atacadista local de 91,8% das amêndoas diretamente do setor da produção local e 7,0% do setor varejista rural, que por outro lado, venderam 90,5% das amêndoas para o próprio setor, isto é, cerealistas vendendo para os representantes das moageiras baianas localizados em Altamira, 2,1% para o setor atacadistas estadual, estes por sua vez localizados nos municípios de Santa Izabel e de Castanhal da RI Guamá, que possuem acordos ou contratos de suprimento da matéria prima (amêndoa de cacau) com as indústrias moageiras localizadas no estado da Bahia, 96% para a industria de transformação nacional e, por último, se a venda de 0,7% da produção identificada para a industria do ramo de cosmético (industria de transformação estadual). FIGURA 4- Estrutura (%) da quantidade amostral do cacau amêndoa comercializado na RI Xingu, estado do Pará, em 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O setor atacadista estadual compra diretamente dos varejistas locais 1,2% da produção identificada, pois interagem com os setores locais e de outras regiões de integração
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    47 (principalmente das RITocantins e Guamá) para reunir quantidades suficientes para atender as maiores indústrias moageiras nacionais. Desta forma, as maiores empresas demandantes de cacau (amêndoa) produzido nos dez municípios estudados estão nos setores atacadistas locais e estaduais, e se comportam num ambiente monopsonistas, ou seja, setor caracterizado com pequeno número de empresas atuando no mercado de compra de insumo (no caso a amêndoa de cacau). c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do cacau amêndoa, em 2010. Os preços da amêndoa do cacau praticados pelos agentes da cadeia variam conforme movimento das duas principais bolsas internacionais (Nova York e Londres), apresentando assim um alto índice de instabilidade, pois o cacau é uma commodity. Com relação ao principal elo da cadeia de comercialização (Figura 5), o setor atacadista local comprou da produção a R$ 4,63/kg, e do varejo rural a R$ 4,84/kg e de outros agentes do próprio setor a R$ 5,23/kg (os cerealistas que vendem para os representantes das empresas moageiras baianas localizadas em Altamira). Por outro lado, os preços de venda praticados pelos atacadistas locais são: R$ 7,35/kg com a indústria de transformação estadual, R$ 5,37/kg com os atacadistas estaduais e com as indústrias de transformação nacional (moageiras) a R$ 6,51/kg (Figura 5). FIGURA 5- Preço médio do cacau amêndoa (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, em 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    48 No segundo canal de comercialização mais expressivo, os varejistas rurais compram a amêndoa de cacau a um preço de R$ 4,44/kg dos produtores locais, e as vende a R$ 4,84/kg para os atacadistas locais e a R$ 4,91/kg para os atacadistas estaduais (Figura 5). Com relação ao preço de venda dos produtores locais com o setor de transformação estadual o preço é de R$ 7,70/kg devido à quantidade comercializada ser menor em relação aos outros setores. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do cacau amêndoa. A soma do valor recebido pelos agentes que realizaram a oferta do cacau em forma de amêndoa a partir da RI Xingu, foi estimado da ordem de R$ 1,5 bilhão (Gráfico 1), o mercado nacional foi quem mais arrecadou, cujo valor se aproximou de R$ 806 milhões, aproximadamente 52% do VBP total, sob a ótica da oferta, e é composto por setores que não pertencem a esta região e tão pouco ao estado do Pará. O mercado estadual adquiriu mais de R$ 12,5 milhões (1% do VBP total) e o local, constituído por setores situados nos município que integram a RI Xingu, contabilizou um pouco mais de R$ 723,1 milhões, algo em torno de 47% do VBP total. GRÁFICO 1- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do cacau amêndoa da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    49 Dos valores adquiridos pelos setores que integram e que transacionaram a partir do mercado local, o setor produção (VBPα), setor composto pelos agroextrativistas dos dez municípios da RI em estudo, foi responsável por aproximadamente R$ 206,4 milhões (29% do VBP formado na região), oriundos das transações realizadas predominantemente no âmbito local (Gráfico 1), pois, deste montante, mais de 99% foram das vendas aos agentes mercantis da demanda intermediária local, sendo: R$ 190 milhões (92% do VBPα) foram das vendas ao setor atacadista e, R$ 16,3 milhões fora negociado com o setor de varejo rural. O restante, os agroextrativistas, mais organizados, venderam para a indústria de transformação no âmbito estadual, localizada na RI Metropolitana, mais especificamente no município de Benevides. Com relação aos outros setores do âmbito local, o varejo rural, onde estão inseridos os atravessadores que compraram diretamente no lote do produtor, também, venderam para o setor atacadista local e estadual adquirindo R$ 17,9 milhões (2% do VBP local), no entanto, as vendas no local tiveram uma representatividade de mais de 85%, pois de acordo com os entrevistados, os custos são menores e, deste modo, a lucratividade é maior. E por fim as transações mais complexas na cadeia deste produto e, cujo setor atacadista foi quem mais arrecadou com as vendas da amêndoa do cacau no âmbito local, com um valor estimado em mais de R$ 498,8 milhões (69% do VBP local). Dos quais R$ 211,9 milhões corresponderam às vendas entre as agentes do mesmo setor, ou seja, cerealistas localizados nos centros urbanos dos dez municípios da RI, os quais vendem diretamente aos cerealistas, localizados no município pólo da RI e, que representam, até no nome, as grandes indústrias alimentícia deste produto no âmbito nacional, quanto para outros atacadistas da RI Guamá (Castanhal e Santa Izabel do Pará) arrecadando algo próximo de R$ 5 milhões; R$ 2,3 milhões corresponderam às vendas das cooperativas de agroextrativistas diretamente à indústria de transformação do ramo da produção de cosméticos e perfumaria da RI Metropolitana e; R$ 279,6 milhões corresponderam às vendas dos cerealistas “representante” da cidade pólo da RI em estudo para a indústria de transformação nacional, de modo específico do estado da Bahia. Com relação ao VBP obtido com as vendas realizadas a nível estadual, no valor estimado de R$ 12,5 milhões, conforme o Gráfico 1, R$ 9,1 milhões foram provenientes das vendas do setor de atacado do município de Santa Izabel do Pará e Castanhal diretamente às mesmas indústria de transformação nacional, indústrias processadoras do cacau amêndoa localizadas no estado da Bahia. E, o restante R$ 3,4 milhões corresponderam às vendas da indústria de perfumaria e cosmético ao demandante final nacional.
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    50 No sistema nacional, onde o valor das vendas foi estimado em R$ 806 milhões (Gráfico 1), R$ 331, 5 milhões foi com a participação da indústria de transformação, setor que demandou 52% da produção (identificada) a partir da região em estudo e, depois de processá-lo os vendeu ao setor de varejo urbano nacional (composto pelas redes de supermercado), que por sua vez venderam ao consumidores finais nacionais, arrecadando R$ 474,5 milhões. Pelo exposto, verificou-se que na formação do VBP total, estimado em mais de R$ 1,5 bilhão, sob a ótica da oferta, teve este como principal demandante as indústrias de transformação localizadas no âmbito nacional, mais especificamente do estado da Bahia, uma vez que, parte dos cerealistas no mercado atacadista local quanto estadual vendeu a este setor. Este VBP, dependendo da oferta e do câmbio podem variar, no entanto, este setor continuará sendo o maior demandante. e) VAB - gerado na comercialização do cacau amêndoa e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB ao longo da cadeia de comercialização do cacau amêndoa, desde o setor alfa (produção) da RI Xingu até o consumidor final, foi de R$ 477,9 milhões (Gráfico 2), que resultou em uma margem bruta de agregação de valor ao produto, ou mark-up total, na comercialização de 132%. Esta margem calculada a partir do valor total do VAB (R$ 477,9 milhões), menos o VBPα (R$ 206,4 milhões), dividido pelo VBPα -(R$ 206,4 milhões), expõe, em termos percentuais, o quanto foi adicionado ou transacionado a este recurso, ao longo de toda a cadeia de comercialização, a partir do setor alfa (α). É imperativo afirmar que apesar deste valor de mark-up expressivo, o setor alfa, foi quem mais agregou valor a nível local, assim como, também, a nível estadual, pois após realizar a produção, extração e secagem da semente, não houve beneficiamento (agregação) ao fruto, antes da sua transformação em chocolate, realizado no âmbito nacional. O cálculo do VAB é necessário porque identifica onde a economia está em processo de crescimento, uma vez que expõem as ações de beneficiamento, transformação e/ou majoração de preço que este produto adquiriu nos setores ao longo das cadeias de comercialização antes do demandante final. Este valor expõe também, a forma como essa riqueza foi distribuída entre os diversos setores que contribuíram, direta ou indiretamente, para a sua geração.
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    51 GRÁFICO 2- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização do cacau amêndoa da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Assim sendo, o sistema local obteve uma agregação de valor ao produto de R$ 289,6 milhões, equivalente a 61% do VAB total (Gráfico 2). Na composição deste valor, houve a participação predominante do setor da produção, pois sua agregação foi na ordem de R$ 206,4 milhões, equivalente a 71% do VAB local, pois foi quem realizou o beneficiamento primário deste produto, que correspondeu tanto à extração da semente do fruto acrescentado os custos dos insumos utilizados, quanto ao processo de secagem da semente, antes das vendas aos setores da demanda intermediária local e estadual. De modo geral, o setor da produção transacionou valor efetivo, isto é, agregou valor ao produto, somente no que se referiu às vendas e, por isso, não foi estimado o seu valor de mark-up, calculado a partir da relação entre o valor do VAB realizado no setor, pelo valor do VBP, pela ótica da demanda, ou seja, o somatório do valor da compra de insumos realizada pelo setor. Ainda no mercado local o setor varejo rural agregou aproximadamente R$ 1,5 milhão e constituiu um mark-up de apenas 9% (relação dos valores estimados do setor: VAB - R$ 1,5 milhão, com VBP, sob da demanda - R$ 16,3 milhões). O setor atacadista, por sua vez, adicionou mais de R$ 81,7 milhões conseguindo um valor de mark-up de 20% (Gráfico 2). O mesmo comportamento aconteceu no âmbito estadual com o setor atacadista, que adicionou R$ 1,5 milhão e mark-up de 20%. Enquanto que a indústria de transformação apesar de ter agregado R$ 953,4 mil constituíram um mark-up de 40% utilizando processos tecnológicos que
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    52 utilizam o cacauamêndoa como matéria prima para a fabricação de produtos finais: cremes, sabonetes, etc. Com relação ao VAB constituído no âmbito nacional, o setor de varejo urbano adicionou R$ 143 milhões e constituiu um mark-up de 43% pela majoração de preço do produto (cacau amêndoa) já transformado em vários produtos finais, tais como: chocolate em barra, em caixa de bombons sortidos, licor, chocolate em pó entre outros produtos. A indústria de transformação, por conseguinte, adicionou mais de R$ 42,7 milhões e estabeleceu um valor de mark-up de 15%, pois foi o setor que realizou vários processos de automatizados para a fabricação dos produtos finais acima citados. Sendo assim, este valor adicionado está fortemente relacionado tanto à sua capacidade instalada quanto ao grau de negociação (monopsonista) que mantém com outros setores do mercado local e estadual, em particular o atacado. Por tanto, no que se referiu ao VAB total, equivalente ao VTE, ao longo da cadeia de comercialização do cacau amêndoa, observou-se que a prática da diferenciação de preço praticado, que de modo geral, significou a compra do Kg do produto por preços a baixo do determinado fora da RI (ou seja, mercado internacional), resultou em 48% do VAB total, praticado pelos atravessadores e cerealistas. As indústrias processadoras deste produto, localizadas no estado da Bahia e na RI Metropolitana, foram responsáveis por apenas 9% do VAB, propiciado simultaneamente pelo grau de especialização/negociação deste setor, quanto pela sua capacidade instalada, assim como, pelo fato das poucas ações de beneficiamento e/ou transformação que este recurso adquiriu antes das compras realizadas pelo setor, que juntamente por serem os únicos canais de comercialização monopolizam o mercado. f) RBT (em R$), gerada pela ótica da demanda, na comercialização do cacau amêndoa. No que diz respeito à Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização deste produto e, contabilizada na ordem de R$ 1,5 bilhão, o sistema local foi responsável por 47%, o estadual 1% e o nacional 52% (Gráfico 3). Este montante da RBT tem sua origem na soma do valor de compra de insumo (VBP, pela ótica da demanda) com VTE, que corresponde ao valor estimado para o VAB total formado pelos setores ao longo da cadeia de comercialização.
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    53 GRÁFICO 3- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do cacau amêndoa, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Na RI Xingu, sistematizado como mercado local e, cuja RBT somou mais de R$ 723,1 milhões, o setor atacadista foi quem gerou a maior renda bruta, no valor de R$ 498,8 milhões, com as vendas tanto para agentes mercantis do mesmo setor (local e estadual) como para as indústrias de transformação (estadual e nacional), resultante da compra do cacau amêndoa no valor de R$ 471,1 milhões e agregação num montante de R$ 81,7 milhões (Gráfico 3). O varejo rural arrecadou em torno de R$ 17,8 milhões com as vendas para o atacado local e estadual, resultante da soma de compra do cacau amêndoa no valor de R$ 16,3 milhões e agregação de aproximadamente R$ 1,5 milhão. No que tange a renda bruta do setor de produção (α), no valor de 206,4 milhões, que corresponde a, somente a 13% do montante da RBT estimada ao longo de toda a cadeia de comercialização, foi resultante da venda para os setores econômicos que compõem o sistema local e estadual. Vale destacar que o setor alfa transacionou o produto já em forma de amêndoa (e, na maioria das vezes sempre com a semente seca), contudo, a sua renda poderia ser maior se sua capacidade produtiva (meios de produção) não fosse restrita, fato imposto pela escassez de capital para investimentos em máquinas, equipamentos e produtos químicos de combate as pragas e doenças. Assim como, também, pelos preços praticados serem considerados muito baixos e não diferenciados (os agentes mercantis de um setor, por ex. atacado, pagam o mesmo preço), o qual é fonte inibidora tanto do aumento da produção quanto da entrada de novos produtores.
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    54 Com relação à renda bruta na esfera estadual, contabilizado em mais de R$ 12,5 milhões, foi obtido com a venda do setor de atacado o valor de R$ 9,1 milhões resultante da compra da amêndoa o valor aproximado de R$ 7,6 milhões e pelo valor agregado na comercialização do produto no valor de R$ 1,5 milhão (Gráfico 3). E o restante da RBT, R$ 3,4 milhões fora das vendas da indústria de transformação, resultante da compra do insumo no valor de R$ 2,4 milhões e agregação estimada em R$ 953,4 mil. Na esfera nacional, com RBT estimado em R$ 806 milhões, esta foi resultante da interação de dois setores: indústria de transformação e varejo urbano. Sendo R$ 331,5 milhões de responsabilidade da indústria de transformação, que comprou a amêndoa dos setores atacadistas no R$ 288,6 milhões e agregação de R$ 42,7 milhões, antes da venda para o outro setor nacional, o varejo urbano, que obteve, por sua vez, uma receita de aproximadamente R$ 474,5 milhões. 4.3.2 Urucum a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do urucum. Foram identificados quatorze agentes mercantis do produto (Figura 6), que além do urucum, também comercializam cacau. Estão no ramo, em média, há 10 anos (variação de 4 a 27 anos). Dentre os agentes nove são atravessadores, um é atacadista, um produtor e três são comerciantes. FIGURA 6- Localização dos agentes mercantis do urucum na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    55 O Quadro 2 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com os respectivos setores. QUADRO 2- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do urucum da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção primária do urucum, coletada por agroextrativistas pertencentes ao município de Rurópolis, que integra a RI Extralocal Produção Tapajós. Eles realizam a secagem e posteriormente a comercialização das sementes. Produção primária do urucum, coletada por agroextrativistas, Produção que realizam a secagem e posteriormente a comercialização das sementes; Atravessadores que compram o urucum (sacas de sementes) dos Varejo rural produtores locais; Local Cerealistas, localizados nos centros urbanos dos municípios que Atacado compõem a RI Xingu, que se caracterizam por serem os monopsonistas na cadeia de comercialização deste insumo; Pequenos comerciantes (mercearias) que comercializam o Varejo urbano urucum na forma de semente para o consumidor final local. Uma indústria que realiza transformação do urucum em colorau Indústria de (colorífico), obtido por trituração das sementes, usualmente transformação misturadas a certo teor de outros grãos (milho, trigo, entre Estadual outros); Supermercado que comercializa o urucum transformado em Varejo urbano colorífico para o consumidor final estadual. Corresponde a(s) indústria(s) que realizam transformação do Indústria de urucum em colorau (colorífico), obtido por trituração das transformação sementes, usualmente misturadas a certo teor de outros grãos Nacional (milho, trigo, entre outros); Redes de supermercados que comercializam o urucum Varejo urbano transformado em colorífico para o consumidor final nacional. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produtor possui propriedade rural com área de 10 alqueires. Os agentes em geral, possuem local para armazenamento com tamanhos que variam de 12 m2 a 200 m2, e como meio de transporte utilizam moto, caminhão e caminhonete. Todos os agentes, exceto o produtor, possuem equipamentos como balança, máquinas de debulha, secadoras de semente com capacidades não informadas, moinho e pilão. O espaço insuficiente para armazenar a produção foi um problema citado pelos agentes. Com relação à mão de obra, a quantidade de pessoas envolvidas foi de uma a quatro, sendo que os atravessadores pagam entre um salário mínimo a R$ 600,00 para os carregadores. O tempo de trabalho é ao longo do ano, mas os atravessadores, no período de
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    56 safra, chegam acontratar de dois a cinco temporários que recebem diárias de R$ 25,00 por saca de semente de urucum debulhado e seco, e R$ 0,50 por saca de 60 kg carregada. Foi informado que existem outros agentes que trabalham com o produto na região, todavia não foram localizados. Para melhoria da capacidade de produção é necessário assistência técnica para produção do urucum bem como adubação e um espaço físico maior visto que dificulta a comercialização. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do urucum. A cadeia de comercialização do urucum consiste em níveis de canais não muito complexos, da produção identificada (em torno de 240 toneladas), a maior parte convergiu para um dos setores de comercialização que foi quem transacionou para além do sistema local. Do total da produção identificada pela pesquisa, 99,2% são oriundos da própria RI Xingu e o restante (0,8%) foi originário da RI Tapajós (Figura 7). O principal canal de comercialização do urucum foi formado pelo setor atacadista local que comprou 90,9% da produção local, toda a produção extralocal (0,8%) e mais 0,2% do varejo rural, totalizando a compra de 91,9% da produção total identificada. Este mesmo setor, composto por cerealistas, vendeu 66,9% para o mercado nacional (sendo 60,7% para a indústria de transformação e 6,2% para o varejo urbano, ambos localizados em alguns dos Estados do Nordeste Brasileiro: Piauí e Bahia) e; 25% o setor forneceu ao mercado estadual, mais especificamente para a indústria de transformação localizada na RI Guamá, cujo pólo, município de Castanhal, concentra sua economia industrial voltada para o ramo dos produtos alimentícios. O restante da produção local identificada (8,1%), os agroextrativistas comercializaram com o setor de varejo urbano local (0,1%) e 8,0% diretamente com os consumidores (Figura 7), realizadas principalmente na safra deste produto em feiras livres. No que se refere às quantidades deste produto movimentadas no âmbito estadual, o setor de indústria de transformação estadual, composta por uma indústria alimentícia , que adquiriu do setor atacadista local (60,7%), vendeu todo o produto já transformado para o setor de varejo urbano (supermercado), a fim de atender o consumidor estadual. Já no âmbito nacional, o consumidor adquiriu 66,9% da produção identificada junto ao varejo urbano (redes de supermercados), que por usa vez, adquiriu o produto transformado e/ou beneficiado da indústria de transformação e atacado local (Figura 7).
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    57 FIGURA 7- Estrutura (%) da quantidade amostral do urucum comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do urucum, no ano de 2010. O preço médio de compra de insumo (urucum) praticado pelos atacadistas (cerealistas) com os produtores locais foi de R$ 1,10/kg e extralocais R$ 1,20/kg da semente de urucum (Figura 8), no entanto, ele chegou a adquirir a R$ 1,70/kg junto aos atravessadores. Para o produtor foi mais rentável vender o produto nas feiras e mercados da RI Xingu, pois vendeu a R$ 6,00 para o varejo urbano e a R$ 6,67/kg diretamente ao consumidor local, que paga bem menos de quando adquiri o produto do varejo urbano local a R$ 10,00. Nestes dois casos, os consumidores finais locais da cadeia pagaram mais pelo produto. Os cerealistas, por sua vez, venderam a R$ 1,50/kg para a indústria de transformação estadual e a R$ 1,59/kg para a indústria nacional, mas adquiriram um preço melhor quando venderam para o varejo urbano nacional (R$ 2,35/kg). No mercado estadual, o preço de venda praticado pela indústria de transformação com o varejo urbano chegou a R$ 1,87/kg da semente transformada em colorau, o varejo urbano, por sua vez, os vendeu a R$ 2,33/kg para o consumidor (Figura 8). No sistema nacional, nas redes de supermercados o consumidor pagou pelo colorau R$ 2,48/kg.
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    58 FIGURA 8- Preço médio do urucum (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do urucum. Na soma do valor recebido por todos os agentes que realizaram a oferta do urucum a partir da RI Xingu e, de outras regiões de integração, foi contabilizado na ordem de R$ 5,6 milhões (Gráfico 4). Na formação deste valor, o mercado local arrecadou um valor que se aproximou de R$ 2,4 milhões (44% do VBP total, sob a ótica da oferta), adquirindo assim, a maior parte deste montante. O mercado estadual adquiriu mais de R$ 852,8 mil (15% do VBP total) e o mercado nacional contabilizou um pouco mais de R$ 2,3 milhões (mais de 41% do VBP total). No que diz respeito ao VBP local, praticamente este valor foi oriundo das ações de dois agentes. Pelo valor adquirido pelo setor produção (VBPα), setor composto pelos agroextrativistas, aproximadamente R$ 1,2 milhão (Gráfico 4), correspondeu a 50,90% do VBP das vendas locais, oriundos das transações realizadas estritamente no âmbito local do percentual referenciado: R$ 818,7 mil foram das vendas realizadas ao setor atacadista, R$ 433,8 mil das vendas aos consumidores locais, R$ 2,5 mil fôra negociado com o setor de varejo rural e R$ 731,00 foram das vendas aos feirantes. Frisa-se, no entanto, que R$ 8,1 mil foram provenientes das vendas realizadas pelos agroextrativistas localizados em outra Região de Integração, consubstanciado como agentes extralocais. Sendo que, 0,6% do VBPα total, foram pagos aos sediados no município de Rurópolis, pertencente a RI Tapajós, que venderam
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    59 este produto innatura (no período de safra) para o setor de atacadista no município de Altamira, pertencente a RI em estudo. GRÁFICO 4- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do urucum da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. E pelo valor proveniente do setor atacadista, onde estão inseridos os grandes compradores, característica inerente dos cerealistas que, por sua vez, venderam para o setor de transformação estadual (R$ 304,6 mil) e principalmente para o setor de transformação nacional (R$ 784,6 mil) e varejo urbano nacional (R$ 119,3 mil), totalizando o equivalente a R$ 1,2 milhão (49% do VBP local). O restante do VBP local, um pouco menos de 1% do arrecadado, foi oriundo das vendas dos atravessadores aos cerealistas no valor R$ 2,9 mil e das vendas dos feirantes (varejo urbano) aos consumidores locais, o qual orçou R$ 1,2 mil, sob a ótica da oferta (Gráfico 4). Com relação ao VBP obtido com as vendas realizadas no mercado estadual e estimado em R$ 852,8 mil, conforme o Gráfico 4, este foi proveniente das vendas do setor de indústria de transformação do ramo alimentício, localizadas no município de Castanhal (RI Guamá), para o varejo urbano, composto pelas redes de supermercado, no valor de R$ 379,7 mil. E das vendas do setor de varejo urbano para os consumidores estaduais finais no valor de R$ 473,1 mil.
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    60 No sistema nacional, onde o valor das vendas foi estimado em R$ 2,3 milhões (Gráfico 4), de modo que, R$ 978,3 mil corresponderam a participação da indústria de transformação do ramo alimentício localizadas nos estados da Bahia e Piauí, setor que demandou mais de 66% do produto a partir da região em estudo e da Região de Integração Tapajós, que depois de processá-lo os vendeu ao setor de varejo urbano (composto pelas redes de supermercado), que por sua vez venderam aos consumidores finais nacionais obtendo um montante de R$ 1,3 milhão. Pelo exposto, verificou-se que formação do VBP total, de aproximadamente R$ 5,6 milhões, sob a ótica da oferta,que este teve como principal demandante as indústrias de transformação localizadas tanto no âmbito estadual quanto nacional, mais especificamente as dos estados do Nordeste (Bahia e Piauí), tendo nos cerealistas (atacado local) os seus fornecedores. e) VAB - gerado na comercialização do urucum e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB ao longo da cadeia de comercialização do urucum, desde o setor alfa (produção) da RI Xingu até o consumidor final, foi contabilizado em R$ 2,2 milhões (Gráfico 5), que resultou em uma margem bruta de agregação de valor ao produto, ou mark-up total, na comercialização de 80%. Esta margem calculada a partir do valor total do VAB (R$ 2,2 milhões), menos o VBPα (R$ 1,2 milhão), dividido pelo VBPα (R$ 1,2 milhão), expõe, em termos percentuais, o quanto foi adicionado ou transacionado à este recurso, ao longo de toda a cadeia de comercialização, a partir do setor alfa (α). É imperativo afirmar que o valor de mark-up pouco expressivo, evidencia que o setor alfa, foi quem mais agregou valor ao longo de toda a cadeia de comercialização, pois além de plantar e colher (realizar a produção), também realizou os processos de separação e secagem da semente, antes da sua utilização pelas indústrias de transformações identificadas na cadeia. O cálculo do VAB é necessário porque identifica onde a economia está em processo de crescimento, uma vez que expõe as ações de beneficiamento, transformação e/ou majoração de preço que este produto adquiriu nos setores, ao longo das cadeias de comercialização, antes do demandante final. Este valor expõe também, a forma como essa riqueza foi distribuída entre os diversos setores que contribuíram, direta ou indiretamente, para a sua geração.
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    61 GRÁFICO 5- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização do urucum da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Assim sendo, o sistema local obteve uma agregação de valor ao produto de R$ 1,6 milhão, equivalente a 73% do VAB total (Gráfico 5). Na composição deste valor, houve a participação predominante do setor da produção, pois sua agregação foi na ordem de R$ 1,2 milhão (equivalente a 76% do VAB local), pois foi quem realizou o beneficiamento primário deste produto, que correspondeu tanto à extração da semente do fruto quanto ao processo de secagem da semente, antes das vendas aos setores do mercado local. De modo geral, o setor da produção transaciona valor efetivo, isto é, agregou valor ao produto, somente no que se referiu às vendas e, por isso, não foi estimado o seu valor de mark-up, calculado a partir da relação entre o VAB realizado no setor e o VBP, pela ótica da demanda, ou seja, o somatório do valor da compra de insumos realizada pelo setor. Ainda no mercado local o setor varejo rural agregou aproximadamente R$ 338,41 e constituiu um mark-up de apenas 13% (relação dos valores estimados do setor: VAB - R$ 338,41, com VBP - R$ 2,5 mil). O setor atacadista, por sua vez, adicionou mais de R$ 386,7 mil conseguindo um valor de mark-up de 47% (Gráfico 5). O varejo urbano adicionou R$ 487,30 e constituiu um mark-up de 67%. Estes três setores agregaram valor através da majoração de preços. Com relação ao VAB constituído no âmbito estadual (R$ 168,5 mil), o setor de varejo urbano foi quem mais contribuiu para a contabilidade deste montante, pois adicionou R$ 93,4 mil e constituiu um mark-up de 25% pela majoração de preços do produto (urucum)
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    62 já transformado emprodutos finais. A indústria de transformação, por conseguinte, adicionou R$ 193,7 mil e estabeleceu um mark-up de 25%, com os processos de automação, o qual utiliza o urucum como insumo para a fabricação de produtos finais que auxiliam na preparação de alimentos (condimentos e colorantes). O mesmo aconteceu no âmbito nacional (VAB estimado em R$ 444, 3 mil), onde o setor de varejo urbano adicionou R$ 250,6 mil e constituiu um mark-up de 23% pela majoração de preço. A indústria de transformação adicionou R$ 193,7 mil e estabeleceu o maior valor de mark-up de 25%. f) RBT (em R$), gerada pela ótica da demanda, na comercialização do urucum. No que tange à Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização deste produto e, contabilizada na ordem de R$ 5,6 milhões, o sistema local foi responsável por 44%, o estadual 15% e o nacional 41% (Gráfico 6). Este montante da RBT tem sua origem na soma do valor de compra de insumo (VBP, pela ótica da demanda) com VTE, que corresponde ao valor estimado para o VAB total formado pelos setores ao longo da cadeia de comercialização. GRÁFICO 6- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do urucum, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Na RI Xingu, sistematizado como mercado local e, cuja RBT somou mais de R$ 2,5 milhões, o setor atacadista gerou uma renda bruta, no valor de R$ 1,2 milhão, com as vendas,
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    63 principalmente, para asindústrias de transformação (estadual e nacional), resultante da compra do urucum no valor de R$ 821,6 mil (sendo mais de 99% diretamente do setor da produção e menos de 1% dos atravessadores) e agregação num montante de R$ 386,8 mil (Gráfico 6). O varejo rural arrecadou em torno de R$ 2,9 mil com as vendas para o atacado local, resultante da soma de compra do urucum no valor de R$ 2,5 mil e agregação de aproximadamente R$ 338,41. O varejo urbano arrecadou em torno de R$ 1,2 mil com as vendas para os consumidores locais, resultante da soma de compra do urucum no valor de R$ 731,00 e agregação de aproximadamente R$ 487,30. Com relação à renda bruta do setor de produção (α), no valor de 1,3 milhão, que corresponde a 22% do montante da RBT estimada ao longo de toda a cadeia de comercialização (Gráfico 6), esta foi resultante da venda para os setores econômicos que compõem o sistema local apenas, preponderantemente ao atacado e ao consumidor final. Vale destacar que apesar do setor alfa ter transacionado o produto já em forma de semente, a sua participação no montante da renda poderia ser mais significativa se estes setores estivessem organizados (seja em sindicatos, associações ou cooperativas) a fim de concentrar a produção e, depois vendê-la diretamente ao setor de transformação. Com relação à renda bruta obtida na esfera estadual, contabilizada em mais de R$ 852,8 mil, esta foi obtida com as vendas do setor de indústria de processamento no valor de R$ 379,7 mil que foi resultante da compra do insumo no valor aproximado de R$ 304,7 mil e pelo valor agregado na comercialização do produto no valor de R$ 75,1 mil (Gráfico 6), das vendas do varejo urbano no valor de R$ 473 mil, devido à compra de insumo no valor de R$ 379,7 mil e agregação de R$ 93,4 mil, e por fim, na esfera nacional, com RBT estimada em R$ 2,3 milhões, a qual foi resultante da interação de dois setores: indústria de transformação e varejo urbano. Sendo R$ 978,3 mil de responsabilidade da indústria de transformação, que comprou o produto dos setores atacadistas no R$ 784,6 mil e fez agregação de R$ 193,7 mil antes da venda para o outro setor, varejo urbano, que obteve, por sua vez, uma receita de aproximadamente R$ 1,3 milhão obtido com a venda para o consumidor nacional e, resultante da compra do produto da indústria de transformação no valor aproximado de R$ 978,3 mil e pelo valor agregado na comercialização do produto no valor de R$ 250,6 mil (Gráfico 6). 4.3.3 Açaí a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do açaí. Foram identificados 64 agentes que comercializam o produto (Figura 9), sendo que 39 trabalham exclusivamente com o açaí. Os agentes estão divididos em trinta e seis
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    64 indústrias de beneficiamento(batedores), cinco produtores, dois varejistas (supermercados), sete atravessadores, um atacadista (associação), oito indústrias de transformação (lanchonetes e sorveterias), três agroindústrias e dois comerciantes. Alguns agentes trabalham há pouco tempo no ramo (alguns meses a poucos anos) e os mais antigos há 20 anos. Esses agentes exercem atividades paralelas como forma de complementar a renda, como moto taxista, professor (a), pescador, pedreiro, serviços gerais, auxiliar de máquinas, roçador, segurança, vendedor de marmita e vendedor de salgados. FIGURA 9- Localização dos agentes mercantis do açaí na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produto é comercializado em restaurantes, associações, sorveterias, lanchonetes, supermercados e vendido também para a CONAB local, na forma de polpa, para produção de suco servido na merenda escolar, e também para fabricação de sorvetes, doces e licores. Os frutos são comercializados para batedores de açaí e indústrias de transformação que produzem em larga escala. Os produtores de açaí possuem áreas que vão de 25 a 750 hectares, localizados nos municípios de Placas, Brasil Novo, Medicilândia, Altamira e Anapu. No que se refere ao local de comercialização, cerca de cinquenta e cinco agentes possuem armazéns com dimensões que variam de 6m² a 500m2, e outros utilizam espaços em suas próprias residências para armazenamento. Nesta região devido ao difícil acesso por estradas, os agentes utilizam diversos meios de transporte para escoamento da produção como carros, motos, bicicletas, vans e caminhão com suporte para 100 kg a 500 kg. E também se deslocam por meio de barcos para trazerem a produção
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    65 oriunda das áreasribeirinhas. O carro de mão e o carro de picolé são utilizados para venderem o açaí em litro na forma de polpa, acondicionado em isopores com gelo ou em forma de sorvete/picolé pelas ruas da cidade. O Quadro 3 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores e mercados. Quadro 3- Descrição dos agentes mercantis na comercialização de açaí na RI Xingu, Estado do Pará, no período de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção primária de açaizais das RI Marajó e Baixo Extralocal Produção Amazonas, principalmente dos municípios de Gurupá e Almeirim. Produção primária de açaizais identificados nos municípios que Produção integram a RI Xingu; Atravessadores que se deslocam até o interior dos municípios e Varejo rural compram o açaí in natura dos produtores locais e extralocais; Indústria que realiza o beneficiamento do açaí in natura, com a Indústria de utilização de máquinas despolpadeiras a fim de beneficiamento comercializarem a polpa do fruto. São as agroindústrias e os chamados “batedores de açaí”; Pequenas empresas alimentícias (sorveterias/lanchonetes) que Indústria de Local realizam a transformação da polpa em outros produtos finais transformação como sorvetes, doces e os vendem ao consumidor; Refere-se à intermediação da polpa de açaí pela Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB junto a uma associação Atacado (ind. beneficiamento local) que entregam o produto para a merenda escolar; Constituído por feirantes, médios comerciantes varejistas (mercearia), supermercados que realizam a compra do açaí em Varejo urbano polpa e vendem para o consumidor local. Assim como aqueles agentes que realizam a venda (para os batedores) nas ruas para posteriormente obter um percentual da venda. Indústrias que realizam o beneficiamento do açaí in natura, Indústria de com a utilização de máquinas despolpadeiras a fim de beneficiamento comercializarem a polpa do fruto. São os chamados “batedores de açaí”; Estadual Pequenas empresas alimentícias que realizam a transformação Indústria de da polpa em outros produtos finais como sorvetes e/ou as transformação servem do mesmo modo que adquiriu ao consumidor. São as sorveterias/lanchonetes. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O maquinário empregado para o beneficiamento dos frutos e produção das polpas consiste em despolpadeiras de 5l e 18l, câmaras frias com capacidade de oito toneladas,
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    66 máquinas de sorvete,freezers com capacidade de 350l a 400l; pasteurizadores, geladeiras, isopores de 60l a 160l; purificadores de água e contêiner de 30 toneladas. Outros equipamentos auxiliares foram citados como, liquidificadores industriais, seladoras, mesas em inox, decantadores, dosadores manuais, balanças e empacotadeiras eletrônicas. Os problemas relatados quanto ao armazenamento estão relacionados ao espaço físico pequeno, necessidade de mais contêiner para armazenar a produção, a falta de energia constante na região, que chega a ser de um a três dias consecutivos, além de ofertas de basquetas plásticas no comércio local. E para os produtores/extrativistas que trazem a produção via barco, a falta de proteção nas laterais das embarcações é um entrave, pois a maresia joga água para dentro do barco, molhando as rasas com açaí, afetando a qualidade do fruto e desvalorizando o produto. Com relação aos equipamentos e maquinários os problemas citados foram relacionados à falta de conhecimento sobre o equipamento “selador de embalagem”, que foi comprado em outra região o que impossibilitou a utilização do mesmo. No que tange a mão de obra, geralmente a indústria de beneficiamento (batedores) utiliza a familiar, com apenas um membro, ou, às vezes, o pai, a mãe e o filho trabalhando juntos para obter uma renda no período da safra. Foi relatado que o horário de funcionamento das indústrias de beneficiamento funciona de 9h as 22h, com poucos trabalhando também na entressafra devido à escassez do produto e o preço elevado. Mas, no caso específico de uma indústria de beneficiamento de maior porte, a mão de obra é composta por seis funcionários, sendo quatro funcionários fixos que recebem salário mínimo e dois vendedores, que recebem R$ 50,00 semanalmente, estes funcionam em horário comercial durante o ano todo. Já as indústrias de transformação chegam a contratar de um a seis funcionários que trabalham em horário comercial o ano todo, recebendo salário mínimo, e em período de pico de safra, as indústrias contratam ajudantes temporários que recebem diárias de R$ 25,00. O produtor trabalha com a família no período de safra, que segundo eles, vai de junho a novembro, e a entre safra, de dezembro a março. Um varejista, paga o valor de um salário mínimo para trinta funcionários e o outro, conta com a ajuda de dois familiares. Já o atacadista, conta com seis associados que recebem diárias de R$ 20,00. A produção de entressafra é oriunda dos municípios de Gurupá com safra de maio a setembro, e Limoeiro do Ajuru, onde a safra acontece no período de setembro a dezembro. Para melhorar a produção os entrevistados citaram que seria de vital importância o ajuste da energia elétrica que oscila constantemente prejudicando a produção de gelados, além de informações dos órgãos de assistência técnica e saúde sobre o bicho barbeiro que afastou o
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    67 consumidor dos pontosde comercialização. Outros agentes citaram que há a necessidade de capital de giro, infraestrutura nas estradas, conhecimento do mercado sobre o produto e sobre o manejo do açaí. Segundo os produtores não existe plano de manejo para aumentar a produtividade, cooperativas para ajustar o preço, licença ambiental para manejar a área e financiamento para plantios. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do açaí. Os canais de comercialização do açaí identificados (Figura 10), em aproximadamente 1.367 toneladas, sendo 57% oriundos da própria RI e 43% oriundos de outras regiões (7,4% RI Baixo Amazonas e 35,6% da RI Marajó), se caracterizam por canais não muito complexos, apesar de abranger vários níveis de agentes intermediários entre a produção local até o consumidor final, em dois dos três níveis de mercado (local e estadual). O importante a se destacar é que a comercialização do açaí abasteceu basicamente o mercado local. O principal nível de canal de comercialização do açaí (Figura 10) identificado com as maiores quantidades foi a compra da indústria de beneficiamento local de 45,8% do total da produção local, 8,1% da produção extralocal e 22,2% junto aos atravessadores rurais, totalizando 76,1% da produção total identificada. E após realizar o beneficiamento do fruto, venderam 72% diretamente aos consumidores locais, 0,5% para as sorveterias (indústria de transformação), 0,5% para os atacadistas locais e, por fim, 3,1% para o varejo urbano, que em alguns dos municípios da RI Xingu corresponderam às vendas realizadas por terceiros de porta em porta, tendo direito a um percentual sob o preço de venda. No âmbito do mercado estadual, a indústria de beneficiamento de Gurupá (RI Marajó) comprou 17,2% do fruto in natura do varejo rural e, vendeu em polpa para os seus clientes de Gurupá, cuja transação realizou-se principalmente na entressafra (Figura 10). Já as indústrias de transformação (lanchonetes e sorveterias) de Rurópolis (RI Tapajós) e Santarém (RI Baixo Amazonas) compraram 0,1% do fruto in natura do setor da produção local e, venderam para os seus consumidores. Na cadeia do açaí foi identificada a presença da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB)4, que atua no Programa de Aquisição de Alimentos, do Ministério 4 A CONAB é a empresa oficial do Governo Federal, encarregada de gerir as políticas agrícolas e de abastecimento, promovendo por meio seguro a comercialização eletrônica de produtos e serviços relacionados às atividades finalísticas e de produtos e insumos para terceiros e, também, presta serviço de armazenagem e de classificação de produtos agrícolas. Atua em todo o território nacional por meio de suas superintendências regionais localizadas nos estados. A CONAB atua como intermediador responsável junto às prefeituras pelo abastecimento da merenda escolar e entidades sociais no Programa de Aquisição de Alimentos (MDS e MDA).
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    68 do Desenvolvimento Agrário(MDA), Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), sendo o intermediador responsável pelo abastecimento da merenda escolar e entidades sociais no município de Anapú. Foi classificada como atacadista local que comercializou aproximadamente 13 toneladas de açaí para o consumidor local, representando 0,5% do volume da produção identificada (Figura 10). FIGURA 10- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do açaí, no ano de 2010. O setor dos varejistas rurais (atravessadores) comprou o açaí ao preço médio de R$ 0,67/kg dos produtores locais e a R$ 0,87/kg dos produtores extralocais (Figura 11). Em seguida venderam em média a R$ 1,13/kg para a indústria de beneficiamento local, R$ 1,14/kg para os consumidores locais e R$ 1,20/kg para os batedores de Gurupá (indústria de beneficiamento estadual). Os batedores locais de açaí (indústria de beneficiamento) compraram por R$ 0,98/kg diretamente da produção local e, por sua vez, venderam em média a polpa do açaí a R$ 2,56/kg para a indústria de transformação, a R$ 1,60/kg para o varejo urbano local (comerciante que vendeu a polpa em seu mercadinho) e R$ 1,65/kg para os consumidores locais (Figura 11). O atacado local (CONAB) comprou da indústria de beneficiamento local a R$ 2,63/kg e repassou para o consumidor final local (escolas publicas), já na forma de polpa.
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    69 Com relação ao preço médio pago pelo consumidor final da RI Xingu, variou conforme a forma da sua preferência pelo fruto, pois quando comprou a polpa (forma mais comumente consumida) pagou R$ 1,32/kg para os agroextrativistas locais, R$ 1,14/kg para o varejo rural, R$ 1,65/kg dos pequenos batedores (ind. de beneficiamento local) e, junto aos atacadistas pagou R$ 2,63/kg, aos feirantes pagou R$ 2,07/kg, transações estas realizadas principalmente na safra do fruto nas feiras e comércios da RI (Figura 11). No entanto, quando o consumo se deu do produto transformado em sorvetes, doces, bombons (ind. de transformação local), ele pagou em média R$ 38,45/kg isto é justificado pelo rendimento da polpa. Esta diferenciação de preço pago pelo consumidor se processou também no âmbito estadual, pois quando consumido em polpa pagou R$ 1,50/kg, mas quando se deu em forma de sorvete pagou R$ 3,31/kg. FIGURA 11- Preço médio do açaí (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do açaí. As somas dos valores recebidos por todos os agentes que realizaram as vendas (oferta) do açaí a partir da RI Xingu e, de outras regiões de integração, foi contabilizado na ordem de R$ 2,26 milhões. Deste valor, o sistema local recebeu em torno de 93%, o estadual recebeu aproximados 7% (Gráfico 7).
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    70 GRÁFICO 7- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Do valor recebido pelos agentes mercantis que compõem os setores do mercado local, os agroextrativistas agrupados no setor da produção (VBPα total) receberam mais de R$ 603,2 mil, aproximadamente 29% do VBP total recebido pelos setores que ofertaram o produto a nível local (Gráfico 7). Frisa-se, no entanto, que R$ 237,6 mil foram provenientes das vendas realizadas pelos agroextrativistas localizados em outras regiões de integração, consubstanciado como agentes extralocais. Sendo que, neste caso, 87% (dos R$ 237,6 mil) foram pagos aos sediados no município de Gurupá, pertencente a RI Marajó, que venderam este produto in natura (no período de entressafra) oriundo das ilhas, para atravessadores do município de Porto de Moz e ao setor de beneficiamento em Senador José Porfírio, ambos pertencente a RI Xingu. O restante (17%) foi adquirido pelos agroextrativistas do município de Almeirim, da RI Baixo Amazonas, os quais venderam parte da sua produção, na feira livre de Vitória do Xingu, da RI Xingu, diretamente aos agentes mercantis do setor de beneficiamento, ou seja, aos tradicionais “batedores” que beneficiaram o fruto (in natura) para vendê-lo aos consumidores finais do próprio município. Na composição do VBPα total (local e extralocal), isto é, no valor recebido pelos agroextrativistas, aproximadamente 95,5% foram das vendas realizadas aos setores que compõem a demanda intermediária local: a indústria de beneficiamento, que pagou o
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    71 equivalente a R$332,1 mil; o setor de varejo rural pela compra de R$ 214,6 mil; R$ 22,4 mil foram oriundos da compra realizada pelo setor de varejo urbano; R$ 6,5 mil foram pagos pela indústria de transformação e; 0,1% do VBPα total foram das vendas do setor da produção aos setores da demanda intermediária estadual, especificamente, em torno de R$ 395,34, ao setor de indústria de transformação. Por fim R$ 27,2 mil (4,5% do VBPα total) corresponderam ao valor recebido pelo setor da produção pelas vendas efetivadas diretamente ao demandante final local, composto pelos consumos das inúmeras famílias. Pois alguns agroextrativistas detêm infraestrutura (básica) montada com a máquina de bater o açaí e o filtro de água, para iniciar o processo de beneficiamento deste recurso, após sua coleta e, antes das vendas, o que provocaria um aumento significativo na renda do produtor (Gráfico 7). Com relação aos valores adquiridos pelos setores da demanda intermediária do sistema local, o varejo rural (composto por inúmeros atravessadores) recebeu pelas vendas do produto in natura mais de R$ 296 mil (14% do VBP local), do qual 54% foram do fornecimento do fruto in natura à indústria de beneficiamento local e, 45% as indústrias de beneficiamento estadual, em ambos trata-se de pequenos e médios batedores. O setor de varejo urbano, agentes mercantis “contratados” pelo batedor (indústria de beneficiamento) para vender este alimentício pelas ruas, recebeu R$ 71,8 mil (3,4% do VBP local) pelas vendas do vinho aos consumidores finais. O setor de atacado, onde está representada a Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, adquiriu R$ 8 mil, pelas vendas aos consumidores locais, que de modo geral significou o repasse ao órgão público municipal a fim de servir na merenda escolar (Gráfico 7). Por conseguinte, o setor de indústria de beneficiamento, composto basicamente por batedor e agroindústria, recebeu um montante no valor de R$ 811,8 mil (39% do VBP local), sendo que R$ 764,3 mil corresponderam às vendas aos demandantes finais locais realizados pelos inúmeros batedores deste fruto e por uma das agroindústrias nos dez municípios que compõem o mercado local, ou seja, RI Xingu, R$ 8,2 mil foram das vendas realizadas as indústrias de transformação local e, R$ 31,3 mil foram das vendas as redes de supermercado local, classificado como varejo urbano. As indústrias de transformação (sorveterias), por sua vez, adquiriram R$ 306,3 mil com vendas aos demandantes finais da RI Xingu. Com relação às vendas dos setores que integram o sistema estadual, com VBP estimado em mais de R$ 166,6 mil, o setor de beneficiamento, composto em sua essência por batedores de açaí do município de Gurupá (RI Marajó), recebeu um montante de R$ 165,6 mil pelas vendas aos consumidores finais estaduais. O restante do VBP (R$ 507,20) foi oriundo das vendas das indústrias de transformação (sorveterias) aos consumidores finais estaduais
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    72 (Gráfico 7), transaçãorealizada nos municípios de Rurópolis e Santarém pertencentes, respectivamente a RI Tapajós e Baixo Amazonas. Em resumo, no que se referiram a atender a demanda final deste produto nos dois níveis de mercado, acima descritos, a comercialização deste produto, a partir da Ri Xingu e, de origem também de outras RI, teve no setor de indústria de beneficiamento, tanto local quanto estadual, o seu principal aglutinador, cujo papel deste agente mercantil beneficiador foi o de fornecer o alimento para as inúmeras famílias tanto da RI Xingu (mercado local), quanto para as do mercado estadual (composto por outras Regiões de Integração: Marajó, Tapajós e Baixo Amazonas). e) VAB - gerado na comercialização do açaí e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB, equivalente ao Valor Transacionado Efetivo (VTE), ao longo da cadeia de comercialização do açaí, desde o setor alfa (produção local e extralocal) da RI Xingu até os consumidores finais, contabilizou um valor superior a R$ 1,3 milhão, que constituiu uma margem bruta, ou mark-up total, na comercialização na ordem de 123% (Gráfico 8). Do VAB total, 98% foram constituídos no âmbito local e 2% no âmbito estadual. O cálculo do VAB é necessário porque identifica onde a economia esta em processo de crescimento, uma vez que expõem as ações de beneficiamento, transformação e/ou majoração de preço que este produto adquiriu nos setores, ao longo da cadeia de comercialização, antes do demandante final. Este valor expõe também, a forma como essa riqueza foi distribuída entre os diversos setores que contribuíram, direta ou indiretamente, para a sua geração. A margem, calculada a partir da relação entre a diferença do VAB (R$ 1,3 milhão) com o VBPα total (R$ 603,2 mil), pelo valor do VBPα total (R$ 603,2 mil), expõe em termos percentuais, o quanto foi adicionado ao produto, a partir do setor alfa (α), até o consumidor final, incluindo todos os custos de produção e comercialização do produto analisados, que não foram captados pela pesquisa. Do VAB constituído nos dez municípios da RI Xingu, estimado em R$ 1,3 milhão, o setor que mais agregou e, deste modo, com maior participação na formação deste valor, foi o da produção com R$ 603,2 mil (Gráfico 8), equivalente a 44,8% do VAB total estimado, pois foi quem realizou o beneficiamento primário do produto, que a grosso modo significou os processos de extração/colheita, debulha e preenchimento das rasas com o fruto in natura, sendo que uma minoria deste setor, também realiza o beneficiamento do fruto em polpa. Convém ressaltar, que este setor transacionou o valor efetivo somente no que se referiu às vendas do produto e, por isso, não foi estimado o seu valor de mark-up.
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    73 GRÁFICO 8- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do açaí da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Em seguida a indústria de beneficiamento local adicionou R$ 318,8 mil, com os inúmeros batedores, em função do poder de negociação e compra que mantém com os outros agentes locais (atravessador), o qual adquiriu um produto in natura a preços bem mais atrativos e o vendeu beneficiado (em vinho, correspondente a polpa do fruto). Este setor obteve uma margem de comercialização (mark-up do setor) de 65%, calculado pela diferença do valor estimado para o VTE, que corresponde ao VAB do setor (R$ 318,8 mil), dividido pelo VBP pela ótica da demanda (R$ 493 mil), ou seja, compra de insumos realizada pelo setor (Gráfico 8). A indústria de transformação, por sua vez, apesar de ter adicionado somente R$ 291,6 mil com a transformação da polpa em sorvetes, obteve uma margem bruta de comercialização de 1984%, a maior da cadeia. Ainda no sistema local, tanto o varejo urbano (agentes que vendem pelas ruas) quanto o varejo rural (os atravessadores) que adicionaram, respectivamente, R$ 18,1 mil (com mark-up de 34%) e R$ 81,4 mil (mark-up 38%), através do processo de majoração de preço, antes das venda ao consumidor final e ao setor de beneficiamento. E por fim o atacado local (Conab) não agregou valor devido o seu papel intermediador e, por isso, ele repassou o que adquiriu ao órgão publico municipal de um dos municípios da RI em estudo. Com relação ao sistema estadual, cuja agregação de valor foi em torno de R$ 33,2 mil, a indústria de beneficiamento, setor composto somente por batedores, foi que adicionou mais
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    74 de 99% (R$33,1 mil) deste montante e, constituiu um constituiu o seu valor de mark-up de 28%, já que o preço (por Kilograma) do seu produto final é muito superior ao praticado pelo setor de beneficiamento (Gráfico 8). De modo geral, ao longo da cadeia de comercialização deste fruto, o setor que realizar o beneficiamento e/ou transformação do fruto (as indústrias de beneficiamento local e estadual, indústrias de transformação local e estadual) foram responsáveis por 48% do somatório do VAB total, estimado em R$ 1,3 milhão. O setor alfa deste modelo, ou seja, os agroextrativistas foram responsáveis pela agregação de 45% e o comércio (onde atuam os varejistas rurais e urbanos, ou seja, os que somente majoraram o preço) contribuiu com aproximadamente 7%. Isso demonstra o quanto este produto é importante para a geração de emprego e renda na economia desta região, mais precisamente no setor de produção e beneficiamento. f) Renda Bruta Total (RBT), gerada pela ótica da demanda, na comercialização do açaí. A Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização deste produto e orçada em R$ 2,2 milhões formou-se a partir da soma de compra de insumo (VBP pela ótica da demanda) no valor de praticamente R$ 917 mil, realizado pelos setores da demanda intermediária, com Valor Transacionado Efetivo (VTE), que corresponde ao VAB constituído ao longo da cadeia em R$ 1,3 milhão, tanto pelos setores da demanda intermediária quanto o setor da produção. O sistema local foi responsável por mais de 97% desta renda e o estadual 3% conforme o Gráfico 9.
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    75 GRÁFICO 9- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do açaí, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Na RI em estudo, identificado como mercado local, o setor de indústria de beneficiamento (batedores e agroindústrias, sendo uma gerenciada por uma organização social, isto é, associação) foi quem gerou a maior renda bruta no valor de R$ 811,8 mil, pois comprou o açaí na sua forma in natura no valor de R$ 493 mil junto aos setores intermediários (varejo rural) e da produção (local) e no período de entressafra da produção extralocal e, adicionou um montante de R$ 318,8 mil com o seu beneficiamento (Gráfico 9). Por conseguinte a indústria de transformação obteve uma renda bruta no valor de R$ 306,3 mil, pela soma da compra de insumo (produto em forma de polpa) no valor de R$ 14,7 mil junto ao setor da produção e da indústria de beneficiamento, e do valor agregado no valor de R$ 291,6 mil. O varejo rural gerou uma renda bruta no valor de R$ 296 mil, resultante da soma da compra de insumo no valor em torno de R$ 214,6 mil junto ao setor da produção (local e extralocal) e, na maioria das vezes, in loco, e agregação de R$ 81,4 mil. O varejo urbano, por sua vez, comprou insumos no valor de R$ 53,7 mil junto ao setor da produção e da indústria de beneficiamento e, adicionou R$ 18,1 mil, gerando uma renda bruta no valor de R$ 71,8 mil. Ao setor atacadista a comercialização deste fruto resultou em uma renda bruta no valor de R$ 8 mil resultante da compra de insumo realizado pelo setor junto ao setor de beneficiamento, especificamente da associação de produtores.
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    76 Na esfera estadual, com renda bruta contabilizado em R$ 166,1 mil, quem mais atuou para a formação deste montante foram os batedores (indústria de beneficiamento), com mais de R$ 165,6 mil, obtidos com a soma do valor agregado de R$ 33,1 mil e do valor do insumo (açaí in natura) comprado no valor de R$ 132,5 mil junto aos atravessadores advindos da região. E, a indústria de transformação que gerou uma renda no valor de aproximadamente R$ 507,20 gerados pela compra do açaí in natura no valor de R$ 395,34 junto ao setor de produção e, agregação de valor em torno de R$ 112,00 (Gráfico 9). Estes valores, gerados no âmbito estadual, demonstram a importância que o açaí tem não somente para a economia da região, no que tange a geração de renda e emprego. Entretanto, dos R$ 2,2 milhões gerados e circulados na cadeia de comercialização deste produto, aproximadamente 27% deste montante (R$ 603,2 mil) correspondeu ao valor retido pelo setor que dá origem a toda a cadeia, ou seja, os agroextrativistas. Pois, muitos foram os motivos que, agindo concomitantemente, contribuíram para tal problemática: as vendas do produto ocorreram em alguns municípios, na sua forma in natura, para os atravessadores; a falta de uma melhor organização social (seja em forma de sindicato, associação ou via cooperativa) fez com que as suas vendas tenham sido dispersas e realizadas em maior quantidade para os setores que não estão ligados ao beneficiamento; o local de produção/extração do produto se encontra distante dos centros consumidores, o que por sua vez, pelo alto custo, acaba lhe impondo dependências em relação à comercialização, ou seja, o escoamento de parte da produção que foi realizado por intermédio de terceiros (atravessadores). Logo, esses entraves, mas não os únicos, contribuíram para que preços médios praticados ficassem muito aquém do que na verdade poderiam ter sido. Fato que se comprova quando se compara o preço recebido quando os agroextrativistas atuam de forma individualiza e quando estão organizados, pois enquanto o primeiro adquiriu em média R$ 0,87/kg do fruto in natura, o segundo adquiriu R$ 2,63/kg pelo produto beneficiado, conforme item (c) da cadeia 4.3.3 do açaí. 4.3.4 Castanha-do-brasil a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da castanha-do-brasil. Foram identificados dezoito agentes mercantis do produto (Figura 12), sendo que cinco trabalham exclusivamente com a castanha, e os demais com urucum, cacau seco, óleo de andiroba, amêndoa de cacau, uxi, bacuri fruto, taperebá, pupunha, muruci, fruto de cupuaçu, leite de sucuúba, copaíba, semente de cumaru, leite-de-amapá, unha-de-gato, uxi- amarelo, mel, jucá, polpa de cupuaçu, polpa de açaí, tipiti, breu-branco, carvão, óleo de
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    77 pracaxi, vassoura decipó titica, peneira de cipó titica, casca preciosa, casca de verônica, casca de ipê-roxo e paneiro de cipó-titica. Os agentes se dividem em sete atravessadores, três extratores, sete comerciantes e uma indústria de transformação. Trabalham neste ramo em média há 10 anos (variação de 1 a 35 anos). FIGURA 12- Localização dos agentes mercantis da castanha-do-brasil na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Um atravessador possui uma propriedade rural com área de 50 ha, e o produtor de 200 ha. Todos os agentes possuem local para comercialização, do tipo box, armazém, barracão, ponto comercial, etc., com dimensões variadas de 4 a 300 m2. Referente aos meios de transporte, os mais utilizados são caminhoneta, carroça, moto, bicicleta, carro e rabeta com capacidade para cinco a seis toneladas, porém somente nove agentes fazem uso dos mesmos. Os equipamentos utilizados nesta atividade são: calculadoras e balanças com capacidades que variam de 150 a 300 kg e balança eletrônica. Já a indústria utiliza máquinas e equipamentos como, liquidificadores, batedeiras e freezers com capacidade de 500 l. Referente a problemas com armazenamento, foi relatado problemas quanto ao espaço físico insuficiente. O Quadro 4 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
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    78 QUADRO 4- Descriçãodos agentes mercantis na comercialização da castanha-do-brasil da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção primária da castanha-do-brasil, coletada por Produção extrativistas diretamente na floresta, que realizam a quebra dos ouriços liberando as sementes para serem comercializadas; Atravessadores (ou representantes) que possuem contratos com empresas de beneficiamento local e estadual que compram a Varejo rural castanha-do-brasil, somente na safra, diretamente dos coletores; Indústria de Sorveteria que utiliza a castanha-do-brasil como insumo na Local transformação preparação de seus produtos finais; Agentes que comercializam grandes quantidades de castanha- do-brasil (e também de cacau de acordo com as safras). Atacado Composto pelos atacadistas (cerealistas), localizados nas sedes dos municípios, que adquirem grandes quantidades de castanha do setor da produção e de atravessadores; Feirantes e pequenos comerciantes varejistas que Varejo urbano comercializam a castanha na forma de semente para o consumidor final local. Unidades de beneficiamento situadas no âmbito estadual (mais especificamente na RI Metropolitana, Belém) que realizam o processamento industrial e exportação da castanha. A presente Indústria de pesquisa não conseguiu informações sobre os procedimentos e beneficiamento equipamentos utilizados no beneficiamento, considerados Estadual segredos de empresa. Esse fato é justificado pelo setor ser oligopolizado; Um cerealista, localizado no centro urbano do município de Atacado Castanhal, que compõe a RI Guamá; Redes de supermercados que comercializam a castanha Varejo urbano beneficiada e/ou em semente para o consumidor final estadual. Um supermercado que comercializa a castanha beneficiada Nacional Varejo urbano para o consumidor final nacional. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Com relação a tempo de trabalho, somente a indústria trabalha durante o ano todo, os demais agentes, durante o período de safra. A mão de obra utilizada geralmente é familiar. Um atravessador paga um salário mínimo para seu funcionário fixo, e dois agentes (produtor e atravessador) contratam de três a cinco diaristas em épocas de safra, pagando valores que variam de R$ 15,00 a R$ 25,00. Foi informada a existência de outros agentes que comercializam o produto, todavia alguns desistiram da atividade devido à redução dos castanhais na região, fato este ligado ao desmatamento, o que ocasionou uma queda na comercialização do produto. Os agentes declararam a necessidade de incentivos governamentais ao plantio de castanhais, a
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    79 preservação dos existentes,assistência técnica para uma boa prática de manejo e capital de giro para investir na atividade. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da castanha-do-brasil. Os canais de comercialização da castanha-do-brasil identificados (em aproximadamente 72 toneladas) na RI Xingu, se caracterizam por canais não muito complexos, apesar de abranger vários níveis de agentes intermediários entre a produção local até o consumidor final nos três níveis de mercado (local, estadual e nacional). O importante a se destacar é que o comércio da castanha, a partir da RI Xingu, obedece basicamente o mercado estadual (Figura 13). FIGURA 13- Estrutura (%) da quantidade amostral da castanha-do-brasil comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O principal canal de comercialização é formado pelo setor da indústria de beneficiamento estadual que compra 89,9% da extração (produção) da castanha identificada, sendo 83,5% advindos do setor atacadista local (que adquiriu 74,1% da produção e 9,4% dos atravessadores rurais) e, 6,4% do setor de varejo rural (que comprou diretamente do setor da produção 20%), que após os processos de beneficiamento, os vende para o varejo urbano estadual (86,8%) e varejo nacional (3,1%), onde estão inseridas as redes de supermercados (Figura 13). No caso do setor de varejo estadual, também adquiriu 2,8% da produção identificada do atacadista estadual, 2,1% do setor da produção e ainda 1% dos atravessadores.
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    80 No que se refere ao consumo local (4,2%), o principal agente comercializador foi constituído pelos feirantes e pequenos varejistas (varejo urbano) no âmbito das feiras e mercados, que compraram 3,7% do setor da produção tanto a castanha com casca quanto a sem casca. No entanto, 0,1% da produção foram consumidas em forma de sorvetes, sob responsabilidade da indústria de transformação, constituído pelas sorveterias (Figura 13). c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da castanha-do-brasil, no ano de 2010. Os preços de venda praticados pelos extratores de castanha com outros agentes variaram conforme o volume comercializado, assim como, pelas inter-relações existentes entre os agentes mercantis, que indicam que há desequilíbrios de forças no mecanismo de comercialização. Deste modo, o maior preço por quilograma do produto adquirido pelos extrativistas foi com as transações realizadas com a indústria de transformação que pagou R$ 2,30/kg, o que necessariamente não significou uma boa remuneração ao extrator. Entretanto, quando se compara com o preço pago pelo setor que mais adquiriu o produto, o preço praticado foi de R$ 1,01/kg, ou ainda com o preço pago pelos atravessadores (R$ 0,99/kg), a diferença foi relativamente grande (Figura 14). Já o preço médio pago pelo consumidor final da RI Xingu, variou conforme a forma da sua preferência pelo fruto, pois quando comprou a semente pagou R$ 2,00/kg para o varejo rural e, junto aos feirantes pagou R$ 1,87/kg, transações estas realizadas principalmente na safra do fruto nas feiras e comércios da RI.
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    81 FIGURA 14- Preço médio da castanha-do-brasil (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. No mercado estadual, a indústria de beneficiamento comprou este produto a R$ 1,20/kg junto aos atravessadores, já do seu maior parceiro (atacado local) o preço de compra foi R$ 1,37/kg e, após o processo de agregação, os vendeu ao setor de varejo urbano estadual e nacional recebendo em média R$ 13,77/kg e R$ 13,75/kg, respectivamente. Sendo que as redes de supermercados estaduais venderam a R$ 15,18/kg para o consumidor (Figura 14). No sistema nacional, o consumidor pagou pela castanha R$ 17,18/kg junto às redes de supermercados. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização da castanha-do- brasil. Na soma do valor recebido por todos os agentes que realizaram a oferta da castanha- do-brasil a partir da RI Xingu, foi estimado na ordem de R$ 6,5 milhões (Gráfico 10), sendo o mercado estadual o seu maior arrecadador, composto pelos setores que não pertencem a RI em estudo, pois recebeu a maior parte deste montante, cujo valor se aproximou de R$ 5,8 milhões (89,7% do VBP total, sob a ótica da oferta). O mercado local adquiriu algo em torno de R$ 550,7 mil (8,5% do VBP total) e o nacional contabilizou em torno de R$ 118 mil (1,8% do VBP total).
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    82 GRÁFICO 10- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da castanha-do-brasil da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Conforme o Gráfico 10, do total ofertado pelos setores que compõem o mercado local, o setor produção (VBPα), composto pelos extrativistas/coletores, recebeu um pouco mais de R$ 221,3 mil das transações realizadas predominantemente no âmbito local, pois 1,5% (R$ 3,2 mil) deste valor foram adquiridos pelas vendas realizadas no âmbito estadual, mais especificamente para o setor de varejo urbano (feirante) da RI Metropolitana (Belém). Das vendas realizadas na própria RI, mais de 74% (R$ 164,6 mil) foram oriundos das vendas transacionadas com o setor de atacado, 21% para o varejo rural, 4,5% foi correspondente as vendas para os setores de varejo urbano e, 0,2% para a indústria de transformação. Entretanto, foi no setor atacadista (correspondente aos grandes compradores e, que tem o contato com a indústria de beneficiamento), que o mercado local obteve a sua maior arrecadação orçado em mais de R$ 251,3 mil, que correspondeu a aproximadamente 46% do valor das vendas efetuadas a nível local, provenientes em sua totalidade das vendas para o setor onde estão as indústrias processadoras e exportadoras deste recurso, localizada fora da RI Xingu. O varejo rural (que representa os atravessadores) recebeu algo superior a R$ 57 mil, provenientes das vendas para grandes concentradores (atacado) a nível local (50%) e estadual (30%), beneficiamento estadual (13%), varejo urbano (4%) e consumidor local (3%). O setor de varejo urbano (representativo dos feirantes) arrecadou R$ 15,4 mil das vendas aos
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    83 consumidores finais locais.E a indústria de transformação, setor associado a pequenas empresas que atuam na preparação de sorvetes, adquiriu R$ 5,5 mil com as vendas aos consumidores finais, sob a ótica da oferta. Com relação às receitas obtidas com as vendas realizadas a nível estadual, orçada em mais de R$ 5,8 milhões, conforme o Gráfico 10, em torno de 47% (R$ 2,7 milhões) foram provenientes das vendas da indústria de beneficiamento, indústria processadora e exportadora da castanha-do-brasil com sede na capital paraense, que negociou com o varejo urbano no âmbito estadual e nacional, sendo 97% e 3% respectivamente. Aproximadamente 53% (R$ 3,1 milhões) ficaram a par do setor varejista urbano (rede de supermercado), oriundo das vendas diretas para o consumidor final estadual. E R$ 9 mil foram adquiridos por um atacadista devido às vendas também ao varejo urbano. No mercado nacional, onde o valor das vendas foi estimado em R$ 117,6 mil (Gráfico 10), houve a participação exclusiva do setor de varejo urbano nacional, composto pelas redes de supermercado vendendo para os consumidores. Pelo exposto, verificou-se que na formação do VBP total, sob a ótica da oferta, de aproximadamente R$ 6,5 milhões, o qual teve como principal agente comercializador a nível local, os atacadistas (localmente conhecidos como cerealistas), os extrativistas individuais, quanto os atravessadores, os quais tiveram nesta atividade em estudo sua principal e/ou uma das fontes de renda, se vêem “obrigados”, por questões mercadológicas, a vender praticamente toda a produção a este setor, que por sua vez vende o adquirido ao setor das indústrias de beneficiamento estadual (que juntamente com outras - RI Baixo Amazonas - controlam este mercado no estado do Pará) que por serem os únicos agentes com grande potencial de compra deste produto na região (pois são detentores do processo de automação, cujos níveis tecnológicos adotados melhoram a qualidade do produto final), também influenciam na determinação do preço de compra junto a estes agentes, demonstrando que o mercado da castanha-do-brasil na RI Xingu, apresentou fortes características oligopsonistas5. No entanto, as redes de supermercado estadual, outra classificado como varejo urbano, constituíram o maior arrecadador. e) VAB - gerado na comercialização da castanha-do-brasil e a margem de comercialização de cada setor (%). 5 Oligopsônio refere-se a estrutura de mercado em que o número de compradores é bem pequeno.
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    84 O VAB ao longo da cadeia comercialização da castanha-do-brasil, desde o setor alfa (coleta/produção) da RI Xingu até o consumidor final, foi de R$ 3,2 milhões (Gráfico 11), que resultou em uma margem bruta de agregação de valor ao produto, ou mark-up total, na comercialização de 1.357%. Esta margem calculada a partir do valor total do VAB (R$ 3,2 milhões), menos o VBPα (R$ 221,3 mil), dividido pelo VBPα (R$ 221,3 mil), expõe, em termos percentuais, o quanto foi adicionado ao produto, ao longo de toda a cadeia de comercialização, a partir do setor alfa (α) agroextrativista. É imperativo afirmar que este valor de mark-up foi expressivo pelo fato do setor alfa, após realizar a coleta/extração, pouco agregou ao fruto, diferente dos setores da demanda intermediária, principalmente das indústrias de beneficiamento estadual. O cálculo do VAB é necessário porque identifica onde a economia esta em processo de crescimento, uma vez que expõem as ações de beneficiamento, transformação e/ou majoração de preço que este produto adquiriu nos setores, ao longo das cadeias de comercialização, antes do demandante final. Assim sendo, os setores do sistema local agregaram ao produto R$ 304 mil, equivalente a apenas 9% do VAB total (Gráfico 11). Na composição deste valor, houve a participação predominante do setor da produção, que transacionou valor efetivo, isto é, agregou valor ao produto somente no que se referiu às vendas do produto na sua forma in natura (ainda dentro da casca) na ordem de R$ 221,3 mil e, por isso, não foi estimado o seu valor de mark-up, ou seja, sua margem de comercialização resultante da relação do valor agregado (VAB) realizado pelo setor e o valor da compra de insumo(VBP, sob a ótica da oferta). No entanto, é preciso ressaltar, que este setor agregou valor quando realizou o beneficiamento primário do produto, que significou, de modo geral, a retirada da semente de dentro do ouriço desencadeado de maneira artesanal. O mark-up, representado em termos relativos (%), inclui todos os custos de beneficiamento e comercialização do produto, que não são captados pela pesquisa. Ainda no sistema local, a indústria de transformação, apesar de a sua agregação ter sido a menor, na ordem de R$ 5 mil (1,7% do VAB local), estabeleceu o maior valor de mark-up, 1.204%, pois comprou diretamente do setor da produção o produto in natura e o utilizou como insumo na preparação do produto final, que no caso foi sorvete. Frisa-se que este valor adicionado teve sua origem na diferenciação dos preços médios de custo e de venda do fruto por quilograma, sem considerar outros custos adicionais ao processo, assim como, a proporção utilizada da castanha na preparação dos sorvetes. O setor varejo rural agregou aproximadamente R$ 13,9 mil e constituiu um mark-up de 32% (Gráfico
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    85 11), propiciado pelastransações das sementes, com acréscimos dos custos de comercialização, com outros setores da demanda intermediária local, principalmente o de atacado. O setor atacadista, por sua vez, adicionou mais de R$ 58,2 mil com mark-up de apenas 30% com as vendas para industria de beneficiamento estadual. O varejo urbano adicionou algo em torno de R$ 5,5 mil e constituiu um mark-up de 56%, com os processos de descasca da semente, a fim de comercializar a amêndoa, que juntamente com as vendas fracionadas do produto garantem a majoração de preço antes das vendas para os consumidores finais locais. GRÁFICO 11- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização da castanha-do-brasil da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Já entre os setores que contribuíram para o VAB constituído no mercado estadual, estimado na ordem de R$ 2,9 milhões (90% do VAB total), conforme o Gráfico 11, a indústria de beneficiamento foi autor de mais de 84% (equivalente a mais de R$ 2,4 milhões), cuja agregação se formalizou quando utilizou tanto os processos de higienização da semente, conforme os órgãos de vigilância sanitária e de comércio (tratamento contra os fungos, descasca da semente, seleção e empacotamento da amêndoa), quanto pela compra da semente por baixo preço (por quilograma) junto a seus fornecedores (atacadista e atravessadores), antes das vendas na própria RI e ao mercado nacional. Devido a estes processos automatizados de agregação, configurou uma margem de comercialização (mark-up) de 912%, o segundo maior percentual ao longo de toda a cadeia. Entretanto, em termos de valor, este setor da indústria de beneficiamento foi responsável por 76% do VAB total, que está
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    86 fortemente relacionado tantoa sua capacidade instalada, quanto ao grau de negociação que mantém com os outros setores do mercado local (monopsonista), em particular o atacado, os quais vendem o produto in natura que, por sua vez, negocia com o mercado nacional um produto beneficiado a preços bem mais atrativos em relação ao preço de compra. O varejo urbano estadual agregou aproximadamente R$ 450 mil (15,5% do VAB estadual) com o processo de majoração de preço e obteve um mark-up de 17%, antes das vendas aos consumidores finais estaduais. E o atacadista adicionou mais de R$ 1,8 mil com mark-up de apenas 25% com as vendas para o varejo urbano estadual (Gráfico 11). Com relação ao VAB formado no mercado nacional, estimado na ordem de R$ 23,5 mil (equivalente a 1% do VAB total), sob responsabilidade do setor de varejo urbano nacional com um mark-up de 25%. Portanto, no que se referiu ao VAB total, equivalente ao VTE, ao longo da cadeia de comercialização deste fruto, observou-se que as indústrias “tradicionais” de beneficiamento e exportação, localizadas fora da RI Xingu, conseguiram adicionar valor superior aos outros setores, assim como também, formalizou um elevado valor de mark-up, fatos estes, propiciados simultaneamente tanto pelo grau de especialização/negociação, quanto pela sua capacidade instalada, como também devido as poucas ações de beneficiamento que este produto adquiriu antes das compras realizadas pelo setor. f) RBT (em R$), gerada pela ótica da demanda, na comercialização da castanha-do- brasil. No que diz respeito à Renda Bruta Total (RBT) gerada na comercialização do produto e, contabilizada na ordem de R$ 6,4 milhões, o sistema local foi responsável por 8,5%, o estadual 89,7% e o nacional mais de 1,8% (Gráfico 12). Este valor da RBT foi resultante da soma do valor de compra de insumo (VBP, pela ótica da demanda) com VTE, que corresponde ao valor estimado para o VAB total, formado pelos setores ao longo da cadeia de comercialização. Na RI Xingu, sistematizado como mercado local, cuja renda bruta somou aproximadamente R$ 550,7 mil, o setor atacadista foi quem gerou a maior renda bruta, no valor de R$ 251,3 mil, com as vendas para o setor de beneficiamento no âmbito estadual, resultante da compra da castanha-do-brasil em forma de semente no valor de R$ 193,1 mil (sendo 85% do setor da coleta/produção e 15% de atravessadores) e agregação num montante de R$ 58,2 mil com as majorações de preço do fruto (Gráfico 12). O varejo urbano local, por
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    87 conseguinte, comprou maisde R$ 9,9 mil do produto diretamente dos extrativistas e adicionou um pouco mais de R$ 5,5 mil, que gerou uma renda bruta em mais de R$ 15,4 mil. O varejo rural, por sua vez, gerou uma renda bruta no valor de R$ 57,1 mil, resultante da soma do valor da compra da semente junto ao setor da produção, em torno de R$ 43,2 mil e adicionou um pouco mais do que R$ 13,8 mil. E por fim, a indústria de transformação que comprou insumo, do setor da produção, no valor de R$ 421,92 e agregou aproximadamente R$ 5,1 mil, gerando uma renda de R$ 5,5 mil com as vendas para os consumidores finais locais. No que tange a renda bruta do setor de produção (α), no valor de 221,3 mil, em torno de 99% foi resultante da venda para os setores econômicos que compõem o sistema local, preponderantemente para os cerealistas, outrora classificados como atacadistas. Vale destacar que o setor alfa transacionou o produto já em forma de semente, contudo, a sua renda poderia ser maior se eles se organizassem no intuito de fomentar a capacidade produtiva (meios de produção), pois assim, poderia barganhar recursos para os investimentos em máquinas e equipamentos para o beneficiamento do produto antes da comercialização, especificamente os processos de desidratação e embalagem. Assim como reivindicar uma assistência técnica eficiente e outras benesses para a atividade. GRÁFICO 12- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da castanha- do-brasil, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    88 Com relação à renda bruta obtida na esfera estadual, contabilizada em mais de R$ 5,8 milhões, foi obtida com a interação de praticamente dois setores, o da indústria de beneficiamento, o qual teve uma participação significativa para a formação deste montante, em torno de 47%, resultante da venda do produto (amêndoa) para as redes de supermercado estadual e do mercado nacional. A renda bruta deste setor foi resultante da compra da semente no valor aproximado de R$ 268,2 mil e pelo valor agregado na comercialização do produto no valor de R$ 2,4 milhões. O outro setor, o varejista urbano, participou com R$ 3,1 milhões na formação da renda bruta na esfera estadual, o qual comprou o produto com negociação direta principalmente com a indústria de beneficiamento estadual no valor de R$ 2,6 milhões e adicionou R$ 449,9 mil antes das vendas aos consumidores finais (Gráfico 12). E, o atacadista, por sua vez, gerou uma renda bruta no valor de R$ 9,2 mil, resultante da soma do valor da compra da semente junto ao setor de varejo rural de R$ 7,3 mil e adicionou um pouco mais do que R$ 1,8 mil. Na esfera nacional somente o setor de varejo urbano gerou renda bruta, o qual orçou um pouco mais de R$ 117,6 mil, e sendo assim, este valor também corresponde à renda bruta nacional proveniente da castanha identificada e comercializada a partir da RI Xingu. Este setor comprou a castanha-do-brasil beneficiada junto aos setores de beneficiamento estadual, no valor estimado em torno de R$ 94,1 mil e adicionou R$ 23,5 mil (Gráfico 12). 4.3.5 Cacau (fruto) a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do cacau (fruto). Foram identificados na pesquisa sete agentes (Figura 15), sendo quatro produtores, um atacadista (associação), um comerciante e uma indústria de transformação, que comercializam o produto nos municípios da RI Xingu. Também vendem polpas de cupuaçu, açaí, muruci e taperebá, além de urucum e amêndoa do cacau. Estes estão no ramo, em média, há cinco anos (variação de 2 a 14 anos).
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    89 FIGURA 15- Localização dos agentes mercantis do cacau (fruto) na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os produtores possuem áreas de 100, 200 e 500 hectares e estão localizados em Altamira, Medicilândia, Uruará e Placas. Dos entrevistados três (varejista - feirante, indústria transformação - sorveteria e produtor/proprietário de plantações de cacau) afirmaram possuir local para armazenagem com dimensões de 9 m2, 30 m2, e o produtor citou que a capacidade do galpão é de 10.000 kg. Apesar do atacadista possuir local para armazenagem este não citou o tamanho. Para deslocamento utilizam caminhonetes, tratores, motos, caminhões com capacidade de 500 kg, ônibus e carro pequeno. Os materiais utilizados pelos produtores para o beneficiamento das sementes consistem em máquinas despolpadeiras, que produzem de 100 a 500 kg/hora, dosadeiras e empacotadeiras. Com relação a equipamentos para armazenagem, todos possuem de um a três freezers com capacidade de 340 l, 380 l e 400 l e mesa inox. Já o atacadista possui câmara frigorífica de oito toneladas. A polpa mucilaginosa que envolve as amêndoas é rica em açúcares fermentáveis, pectina, ácidos, e outros componentes e chega a representar até 40% do peso da semente fresca, a depender do tipo de cacau, da estação do ano e região (Silva Neto et al, 2001). A polpa é empregada para sucos, licores e doces.
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    90 O Quadro 5 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 5- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau (fruto) da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Pequenos e médios agricultores que realizam a coleta dos Produção frutos maduros manualmente, sendo que uma minoria realiza a despolpa e um produtor que possui uma agroindústria; Indústria de Pequenas e médias indústrias (agroindústrias) que realizam o beneficiamento beneficiamento do fruto in natura do cacau em polpa. Pequenas empresas alimentícias que realizam transformação Indústria de do fruto do cacau in natura ou da polpa em outros produtos Local transformação finais como sorvetes, sucos, doces entre outros; Refere-se à intermediação da polpa de cacau pela Companhia Atacado Nacional de Abastecimento – CONAB entre às associações e as agroindústrias (ind. beneficiamento local); Feirantes, pequenos comerciantes e supermercados que Varejo urbano realizam a compra do cacau na forma de polpa e vendem para o consumidor local. Pequenas empresas alimentícias, pertencentes à RI Baixo Indústria de Estadual Amazonas (Santarém), que realizam a transformação da polpa transformação de cacau em outros produtos finais como sucos. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Para dois produtores a mão de obra é familiar e para o terceiro este contrata quatro pessoas com diárias de R$ 25,00; cujo tempo de trabalho é determinado pela duração da safra. O atacadista, conta com 14 associados que dividem entre si o valor total da produção, sendo retirados 15% para pagar o aluguel do galpão. A indústria possui três funcionários que recebem salário mínimo e trabalham em horário comercial o ano todo. O comerciante trabalha o ano todo e a mão de obra é familiar. O mesmo citou que muitas vezes a mercadoria fica parada por falta de mercado consumidor. Com relação à melhoria na capacidade de produção, os agentes citaram que seria necessário melhorar a distribuição de energia elétrica, devido as constantes falhas, o que prejudica o funcionamento dos equipamentos. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do cacau (fruto). Conforme a Figura 16, os canais de comercialização do cacau fruto identificados se caracterizam por diversos níveis de distribuição, abrangendo vários setores intermediários entre o produtor e o consumidor final, inclusive, com a participação de agentes mercantis transacionando pequena parte da produção para o âmbito estadual, correspondente ao
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    91 mercado consumidor daRI Baixo Amazonas, mais especificamente do município de Santarém. O principal canal de comercialização para o setor da produção local é a venda direta de 65,1% do cacau identificado para as indústrias de beneficiamento locais (agroindústrias e associações). Os agroextrativistas vendem 24% para o setor atacadista local (CONAB), que também adquiri 46,4% do produto beneficiado em polpa do setor de indústria de beneficiamento local (Figura 16). Este setor do atacado local, por sua vez, canalizou tudo que adquiriu (70,4% da produção identificada) para o consumo local, especificamente para atender a merenda escolar. No entanto, o demandante final local além de ter adquirido através da intermediação da Conab, também adquiriu 12% do produto identificado em forma de polpa junto ao setor de beneficiamento local, 2,6% em sucos, sorvetes e outros junto à indústria de transformação, 11,8% do setor de varejo urbano e 1,4% diretamente da produção, sendo que estas duas últimas compras foram realizadas principalmente na safra do fruto in natura e/ou em polpas em feiras livres. No que se refere às quantidades deste fruto movimentadas no âmbito estadual, o setor de indústria de transformação estadual, composta por lanchonetes, adquiriu 1,8% da produção identificada dos agroextrativistas advindos do município de Placas, pertencente a RI Xingu (Figura 16). FIGURA 16- Estrutura (%) da quantidade amostral do cacau (fruto) comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    92 c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do cacau (fruto), no ano de 2010. Os preços médios do cacau praticados entre os diferentes agentes mercantis são determinados pela safra do fruto, pelo seu beneficiamento ou transformação e pela logística do mercado consumidor. O preço médio de venda de insumo (cupuaçu) praticado pelos produtores locais junto à indústria de beneficiamento local foi de R$ 0,18/un., mais barato do que quando vende o fruto diretamente à indústria de transformação local (R$ 0,20/un.) (Figura 17), tal prática tem como causas dois fatores correlatos: primeiro devido haver um agente do setor da produção, que além de plantar também beneficia o fruto em sua propriedade, pelo fato de possuir uma agroindústria média instalada e, por último, o fato de que uma minoria dos produtores realizaram o trade off com o setor de beneficiamento local, mais especificamente uma das associações, pois em troca da amêndoa seca ele “paga” com a polpa do fruto. Entretanto, o menor preço de venda, ele (agroextrativista) obteve quando vendeu ao setor de varejo urbano local (R$ 0,16/un.) e, o maior preço, correspondeu às vendas ao setor de transformação fora da RI Xingu (R$ 0,30/un.), ou seja, com o seu deslocamento até o município de Santarém, pertencente a RI Baixo Amazonas. Por conseguinte as agroindústrias (ind. beneficiamento local) após realizarem o beneficiamento venderam parte para a indústria de transformação a R$ 0,24/un., parte para a CONAB a R$ 0,23/un., que por sua vez compra também a R$ 0,21/un. junto ao setor da produção. No entanto, as agroindústrias adquiriram um preço maior quando venderam para o setor de varejo urbano, R$ 0,30/un. (Figura 17). No que tange ao preço médio pago pelo consumidor final da RI Xingu, o valor variou conforme a forma da sua preferência pelo fruto, pois quando comprou a polpa do fruto pagou para a indústria de beneficiamento local R$ 0,37/un. e, quando adquiriu o fruto in natura e/ou em polpa diretamente do produtor pagou R$ 0,24/un. e junto aos feirantes pagou R$ 0,29/un.. E quando a preferência do consumidor foi pelo produto transformado em sucos, sorvetes, cremes e doces pagou o equivalente a R$ 3,84/un. (Figura 17). Já os consumidores estaduais pagaram R$ 0,37/un. junto à indústria de transformação estadual, correspondente às lanchonetes que comercializaram o suco deste fruto.
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    93 FIGURA 17- Preço médio do cacau (fruto) (R$/un.) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.6 Taperebá a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do taperebá. Foram identificados treze agentes mercantis do produto (Figura 18), divididos em um produtor, um varejista, sete indústrias de transformação (três lanchonetes, uma sorveteria e três indústrias de despolpamento) e quatro comerciantes. Sendo que estes trabalham com outros produtos, tais como: açaí fruto, cupuaçu fruto, uxi, bacuri fruto, pupunha, castanha-do- brasil, polpa de cacau e muruci. Os agentes atuam no ramo em média há nove anos (variação de 1 a 30 anos).
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    94 FIGURA 18- Localização dos agentes mercantis do taperebá na RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A caracterização dos agentes envolvidos na comercialização do taperebá está descrita no Quadro 6, com seus respectivos setores. QUADRO 6- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do taperebá da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção extrativista dos municípios estudados que Produção comercializam o taperebá in natura, assim como um produtor que detém uma agroindústria; Indústria de Pequenas e médias empresas (agroindústrias) que realizam o beneficiamento beneficiamento do fruto in natura do taperebá em polpa; Local Pequenas empresas que realizam transformação do taperebá in Indústria de natura ou da polpa em outros produtos finais, tais como transformação sorvetes, sucos, doces, entre outros; Feirantes e pequenos estabelecimentos (mercearias) que Varejo urbano realizam a venda do taperebá in natura para o consumo local. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produtor possui uma área de 500 ha localizada no município de Placas. O dono de uma agroindústria também possui uma área de 100 ha, de onde retira parte da sua produção, o restante é comprado de outros produtores.
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    95 Com relação a existência de armazém, com exceção do produtor, todos possuem local para comercialização, com dimensões que variam de 9m2 a 1.500m2. Duas indústrias citaram a capacidade de 30.000 kg e 10.000 kg. No que tange a transporte, os agentes citaram utilizar carro, carroça, bicicleta e caminhão. As indústrias de beneficiamento e transformação utilizam as máquinas de triturar, despolpadeiras com capacidade de 100 a 500 kg/h, liquidificadores, câmaras frias com capacidade para 800 kg, empacotadores, decantadores e dosadeiras para beneficiar o fruto e a polpa da fruta. Já os equipamentos para armazenagem citados foram freezers de 380 l e isopores. O número de pessoas envolvidas na atividade conforme o agente variam de uma a trinta. A mão de obra dos comerciantes é de uma a três membros familiares, já as indústrias empregam entre um a dez funcionários, sendo que entre um a quatro são assalariados e os demais recebem diárias de R$ 25,00. O varejista emprega 30 funcionários, todos assalariados. O tempo de trabalho desempenhado pelos agentes dura o ano todo. No caso de uma indústria, o trabalho depende de encomendas, na safra colhem os frutos da propriedade pela manhã e a tarde beneficiam. Para melhoria na capacidade de produção, os agentes declararam que há a necessidade de equipamentos para beneficiamento dos frutos, energia de qualidade, pois constantemente acontecem quedas de energia que acabam prejudicando os aparelhos e a produção, melhoria da infraestrutura das estradas, além da ampliação de oferta do produto na região. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do taperebá. Conforme a Figura 19 os canais de comercialização do taperebá identificados abrange vários setores intermediários entre o produtor e o consumidor final, no entanto, restringindo-se somente no âmbito local e com pouquíssima intermediação da figura do atravessador (varejo urbano). Entre os canais de comercialização, o principal canal de comercialização para o setor da produção é a venda direta de 85,7% da produção de taperebá identificada para as indústrias de beneficiamento (agroindústrias). Mas no que refere às compras do demandante final, o principal canal foi através das vendas de 87,8% da produção identificada e realizada pelo setor de indústria de transformação (sorveterias e lanchonetes), que adquiriram 76,8% do setor de beneficiamento e 11% diretamente do setor da produção. Ressalta-se porém que, 5,6% da transação realizada entre o setor da produção e a indústria de transformação corresponderam às vendas de um agroextrativista que detém em sua propriedade uma agroindústria e que, após realizar o beneficiamento desta fruta (e de outras frutas), as vendeu para uma lanchonete.
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    96 Contudo, o consumidor final da RI Xingu, adquiriu uma pequena parte da produção junto ao setor de varejo urbano (2%) e do setor da produção (1,3%), realizadas principalmente na safra do fruto in natura em feiras livres (Figura 19). Também adquiriu 8,9% da produção identificada em forma de polpa junto à indústria de beneficiamento. É preciso destacar, no entanto, que 5,6% desta transação o setor de beneficiamento vendeu para o órgão público municipal (classificado como consumidor final). Taperebá FIGURA 19- Estrutura (%) da quantidade amostral do taperebá comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. 8,9 Ind.Benef. 85,7 11,0 76,8 Produção 100% Ind.Transf. Local 87,8 1,3 2,0 Varejo Urbano 2,0 Consumidor LOCAL ESTADUAL NACIONAL 1º 2º Canais de comercialização 3º 4º LOCAL ESTADUAL NACIONAL Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do taperebá, no ano de 2010. Os preços médios do taperebá praticados entre os diferentes agentes da cadeia de comercialização foram determinados pela safra do fruto transacionado, pela distância percorrida pelos produtores até os centros urbanos dos municípios da RI e pela quantidade transacionada. O preço médio de venda praticado pelo setor da produção com a indústria de beneficiamento foi de R$ 1,45/kg pelo fruto taperebá, já quando vendeu para a indústria de transformação local recebeu quase o dobro R$ 2,80/kg, muito em função das vendas do fruto em forma de polpa, realizado pelo agroextrativista que detém uma agroindústria. O setor de beneficiamento, por sua vez, recebeu em média R$ 3,57/kg com as vendas da polpa do fruto para a indústria de transformação, que também adquiriu o fruto a preço inferior, junto aos agroextrativistas (Figura 20). No que tange ao preço médio pago pelo consumidor final da RI
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    97 Xingu, o valorvariou conforme a forma da sua preferência pelo fruto, pois quando comprou a polpa do fruto pagou R$ 1,62/kg do fruto junto ao setor de beneficiamento e, quando adquiriu o fruto in natura diretamente do produtor pagou R$ 1,80/kg e junto aos feirantes pagou R$ 1,71/kg. Quando a preferência do consumidor foi pelo produto transformado em sucos, sorvetes, cremes e doces este pagou o equivalente a R$ 5,13/kg. FIGURA 20- Preço médio do taperebá (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.7 Muruci a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do muruci. Foram identificados doze agentes mercantis do produto (Figura 21), sendo que todos trabalham com outros produtos, tais como: taperebá, açaí fruto, cupuaçu fruto, uxi, bacuri fruto, pupunha, castanha-do-brasil, polpa de cacau e casca de ipê-roxo. Estão divididos nas categorias de varejistas, indústria de transformação (duas lanchonetes, duas sorveterias e uma fábrica de polpas), três produtores, dois comerciantes (supermercados) e um atravessador. Os agentes estão no ramo em média há 9 anos (variação de um a trinta e seis anos).
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    98 FIGURA 21- Localização dos agentes mercantis do muruci na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 7 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores e mercados. QUADRO 7 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização do muruci da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção Pequenos agricultores que realizam a coleta dos frutos manualmente e, um produtor que detém uma agroindústria; Varejo rural Pequenos comerciantes (atravessadores) que compram o muruci in natura de vários produtores locais; Indústria de Pequenas e médias empresas (agroindústrias) que realizam o beneficiamento beneficiamento do fruto in natura do muruci em polpa; Local Indústria de Pequenas empresas que realizam a transformação do fruto do transformação muruci in natura ou da polpa em outros produtos finais como sorvetes, sucos, doces entre outros; Refere-se à atuação da CONAB no programa do PAA, Atacado intermediando entre o setor da produção e o consumidor final (prefeitura, escolas publicas); Varejo urbano Feirantes e comércios que realizam a venda do muruci in natura ou na forma de polpa para o consumo local. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Um agente trabalha paralelamente como moto taxista. Dois produtores são detentores de propriedades rurais com dimensões de 0,5 e 100 ha. Referente ao local de armazenamento
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    99 e comercialização, dezagentes fazem uso dos mesmos, os quais são bem diversificados com galpão de 150 m² e 1.500 m², depósito de 24 m² e pontos comerciais com dimensões de 6 m², 31 m², 56 m² e 200 m². Os meios de transporte mais utilizados pelos agentes tanto para o escoamento quanto na comercialização foram: carroça, caminhão, carrocinha e caminhonete. No que tange ao processo de beneficiamento, as máquinas e equipamentos utilizados foram: balanças, máquinas seladoras, freezer, despolpadeira, dosadeira, mesa inox, carrinho de picolé, liquidificador, decantador, empacotador e câmara fria com capacidade para 8.000 kg. Com relação à armazenagem do produto, segundo declaração dos agentes, é um dos grandes enclaves enfrentados na cadeia, principalmente para os que beneficiam devido o espaço físico ser insuficiente para a quantidade de equipamentos (freezers e isopores) necessários para armazenar a produção, por este motivo, não podem aumentar a produção, assim como, os varejistas que não podem comprar mais polpa. O produto é comercializado durante todo ano em forma de picolés, sucos, e polpa, apesar do período de entressafra. O atravessador identificado trabalha somente na safra e paga o valor de R$ 1,00/kg de polpa tirada a terceiros, correspondente a dois ajudantes. A mão de obra empregada se divide em familiar e externa, com agentes que contratam funcionários ou coletores que recebem o valor de um salário mínimo. A indústria de transformação adota o regime de contrato temporário pagando o valor de R$ 20 a 25,00/diária. Segundo os agentes, a principal dificuldade está no mercado consumidor que não atende a oferta do produto e devido à falta de registro dificulta a comercialização do mesmo fora da região. Outro problema enfrentado pelos agentes refere-se à ausência de maquinários e equipamentos para beneficiamento tais como: despolpadeira, câmara fria e tratores. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do muruci. Conforme demonstra a Figura 22, os canais de comercialização do muruci identificados abrangem vários setores intermediários entre o produtor e o consumidor final, no entanto, restringindo-se somente no âmbito local. Entre os canais de comercialização, o principal canal de comercialização para o setor da produção é a venda direta de 74,2% da produção do muruci identificada para as indústrias de beneficiamento (agroindústrias). Mas no que refere as compras do demandante final, o principal canal foi através da vendas de 78,9% da produção identificada realizada pelo setor de indústria de transformação (sorveterias e lanchonetes), que adquiriu 71,2% do setor de beneficiamento, 7,3% diretamente do setor da produção e 0,4% de atravessadores (varejo rural). Outro canal importante é a venda direta do setor da produção (11,4%) para os consumidores locais, realizadas principalmente na safra do
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    100 fruto in naturaem feiras livres. Ressalta-se que 3% da transação correspondeu à compra intermediada pela CONAB da produção o muruci na forma de polpa e venda ao consumidor final (prefeitura de Pacajá, RI Xingu), através do Programa de Aquisição de Alimentos. FIGURA 22- Estrutura (%) da quantidade amostral do muruci comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos agentes mercantis da cadeia do muruci, no ano de 2010. Os preços médios do muruci praticados entre os diferentes agentes da cadeia de comercialização foram determinados pela safra do fruto transacionado, pela distância percorrida pelos produtores e pela quantidade transacionada. O preço médio de venda praticado pelo setor da produção com a indústria de beneficiamento foi de R$ 1,52/l, já da indústria de transformação local recebeu um pouco menos R$ 1,47/l pelo fruto de muruci. O setor de beneficiamento, por sua vez, recebeu em média R$ 4,16/l com as vendas da polpa do fruto para a indústria de transformação, que também adquiriu o fruto a preço inferior, R$ 4,11/l, junto aos atravessadores (Figura 23). No que tange ao preço médio pago pelo consumidor final da RI Xingu, o valor variou conforme a forma da sua preferência pelo fruto, pois quando comprou a polpa do fruto pagou R$ 4,17/l e, quando adquiriu o fruto in natura diretamente do produtor pagou R$ 1,91/l e junto aos feirantes pagou R$ 3,41/l. Quando a preferência do consumidor foi pelo produto transformado em sucos, sorvetes, cremes e doces este pagou o equivalente a R$ 6,90/l. O setor atacado
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    101 (CONAB) comprou omuruci na forma de polpa da produção ao preço de R$ 4,25/l e repassou ao consumidor final neste caso prefeitura de Pacajá ao preço de R$ 4,25/l. FIGURA 23- Preço médio do muruci (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.8 Análise pela Ótica da Oferta das Frutas (Cacau, Taperebá e Muruci) Com o aumento do consumo das frutas da Amazônia, nas últimas décadas, dentre as quais as do estado do Pará pelo seu sabor exótico, aroma, textura, qualidade e diversidade, aliado à procura por produtos orgânicos, que propiciam a segurança alimentar. Devido ao exposto, as análises a seguir referem-se à comercialização das três principais frutas identificadas na RI Xingu: cacau, taperebá e o muruci. Pois além de apresentarem em suas respectivas cadeias um fluxo heterogêneo na forma de comercialização do produto (fruto e polpa), estes foram os únicos produtos a convergirem para o processo de beneficiamento e industrialização, a fim de melhorar a qualidade do produto antes do consumo. A comercialização destes frutos foi para atender predominantemente o consumo local. Em quase todos os casos, esta comercialização ficou a cargo das pequenas e médias agroindústrias concentradas nos município de Altamira, Anapu, Brasil Novo e Uruará (neste último município a agroindústria é de propriedade de uma associação de mulheres), que após beneficiá-los, os vendeu para as sorveterias, supermercados e consumidores, assim como também, transacionou com a parceria da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, no caso do cacau e muruci.
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    102 a) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização das frutas (cacau, taperebá e muruci). No que tange à oferta destas frutas a partir da RI Xingu, o somatório dos valores recebidos pelos setores foi estimado na ordem de R$ 3 milhões e corresponde ao VBP total, sendo que os setores situados no mercado local adquiriram mais de 99% deste valor e, o restante foi gerado no mercado estadual, R$ 26 mil, conforme Gráfico 13. GRÁFICO 13- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização das frutas (cacau, taperebá e muruci) da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Do VBP formalizado estritamente no local, ou seja, na RI Xingu, mais de R$ 686,7 mil foram oriundos das vendas do setor da produção, sendo 95% para os setores intermediários e apenas 5% corresponderam às vendas diretamente aos consumidores finais locais (Gráfico 13). Na composição dos setores intermediários, o seu maior parceiro comercial e, sendo assim também correspondeu ao maior valor recebido pelos agroextrativistas foram os valores pagos pelo setor de indústria de beneficiamento R$ 871,5 mil. No entanto, uma minoria, preferiu vender diretamente à indústria de transformação recebendo R$ 1 milhão ou através da parceria da CONAB (atacado local), intermediadora da produção oriunda da agricultura familiar, recebendo R$ 333,9 mil, especificamente com o cacau e o muruci. Outros agroextrativistas, de modo específico aqueles que não tiveram acesso ao setor de beneficiamento, seja pela ausência no seu município ou pela distância aos
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    103 municípios concentradores destesetor, as agroindústrias, transacionam com aos feirantes (varejo urbano) da RI recebendo R$ 29,7 mil, ou ainda, com os atravessadores recebendo o equivalente a R$ 630,32. Os outros setores no domínio local, os atravessadores, agregados no setor de varejo rural, adquiriram um valor equivalente a mais de R$ 1,2 mil, 0,04% do VBP local, das vendas à indústria de transformação (especificamente uma lanchonete). O setor de varejo urbano (composto por inúmeros feirantes, mini supermercados e mercearias) por sua vez recebeu R$ 83,7 mil das vendas aos consumidores locais. A indústria de beneficiamento, correspondente as agroindústrias (tanto individuais como aquelas gerenciadas por determinadas organizações sociais, tal como de mulheres em Uruará) adquiriu aproximadamente R$ 871,5 mil com as vendas das polpas destes frutos, sendo que R$ 754,7 mil corresponderam às vendas aos outros setores intermediários locais: 65% para as indústrias de transformação, 30% através da parceria com a CONAB e, 5% varejo urbano. E R$ 116,8 mil corresponderam as suas vendas aos demandantes finais locais (Gráfico 13). O atacado, por sua vez, “repassou” para os órgãos municipais o que adquiriu a fim de servir para merenda escolar e/ou alimentação dos centros comunitários, por isso, o valor de venda é igual ao da compra R$ 333,9 mil. E por fim, o setor que mais se destacou na formação do VBP total sob a ótica da oferta, a indústria de transformação, constituído por lanchonetes e/ou sorveterias, que após a utilização dessas frutas para a fabricação de sucos, cremes e principalmente sorvetes, vendeu esses produtos finais diretamente aos consumidores locais, adquirindo mais de R$ 1 milhão. Com relação ao VBP formalizado no âmbito estadual e estimado em torno de R$ 26 mil, este foi obtido com as vendas da indústria de transformação (setor representante das lanchonetes e/ou sorveterias), o qual arrecadou um valor de R$ 14,2 mil com as vendas de suco e sorvetes, realizadas para os seus clientes e, para obtenção R$ 11,8 mil que ficou a par do setor varejo urbano, que corresponde a um supermercado no município de Santarém (RI Baixo Amazonas), que vendeu aos consumidores finais (Gráfico 13). Pelo exposto, dos R$ 3 milhões gerados na comercialização desses frutos, a partir da RI Xingu, somente R$ 26 mil foram oriundos das vendas ao demandante final estadual e, correspondeu às vendas do cacau na sua forma tanto in natura quanto transformada em produtos finais (sucos e sorvetes). Isso significa dizer que as vendas para além das fronteiras da RI é um enclave, tendo como uma das principais causa a falta de infraestrutura para esta comercialização, tal como: as péssimas condições de trafegabilidade das estradas, principalmente a Transamazônica (BR-230), o que provoca um considerável aumento nos custos; a desorganização por parte dos agroextrativistas e, principalmente, das indústrias de
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    104 beneficiamentos, devido agrande maioria destes agirem de forma individualizada, o que por sua vez os impossibilita de concorrer em outros mercados. b) VAB - gerado na comercialização das frutas (cacau, taperebá e muruci) e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB ao longo da cadeia de comercialização dessas frutas, desde o setor alfa (coleta/produção) da RI Xingu até o consumidor final, foi de R$ 1,64 milhões (Gráfico 14), que resultou em uma margem bruta de agregação de valor ao produto na comercialização, ou mark-up total de 139%. Esta margem calculada a partir do valor total do VAB (R$ 1,6 milhão), menos o VBPα (R$ 686,7 mil), dividido pelo VBPα (R$ 686,7 mil), expõe, em termos percentuais, o quanto foi adicionado a estes frutos, ao longo de toda a cadeia de comercialização, a partir do setor alfa (α). Este valor de mark-up foi expressivo pelo motivo de uma parte do setor alfa, após realizar a produção/coleta, pouco ter agregado ao fruto, ou seja, pouco beneficiou, diferente dos setores da demanda intermediária, principalmente das indústrias de beneficiamento local. O cálculo do VAB é necessário porque identifica onde a economia está em processo de crescimento, uma vez que expõe as ações de beneficiamento, transformação e/ou majoração de preço que estes produtos adquiriram nos setores, ao longo das cadeias de comercialização, antes do demandante final. GRÁFICO 14- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização das frutas (cacau, taperebá e o muruci) da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    105 Partindo-se do pressuposto de que praticamente 100% da oferta (com exceção do cacau com 98,2%) dessas frutas se deram no âmbito local, sendo assim, a agregação de valor aos produtos estimados na ordem de R$ 1,6 milhão, conforme o Gráfico 14 foi também predominantemente (99,6%) toda formada pela ação dos setores que integram a RI em estudo. Na composição deste valor, o setor da produção transacionou valor efetivo, isto é, agregou valor ao produto, somente no que se referiu às vendas desses produtos na sua forma in natura na ordem de R$ 686,7 mil (42% do VAB local) e, por isso, não foi estimado o seu valor de mark-up, resultante da relação entre o valor do VAB realizado no setor e o valor do VBP, pela ótica da demanda, ou seja, o somatório do valor da compra de insumos realizada pelo setor. Esta participação expressiva na formação do valor agregado se deu em função de que uma parte dos agentes que compõem este setor realizou o beneficiamento do produto, que significou, de modo geral: a seleção dos frutos de boa qualidade; o ensacamento em embalagens de um quilo, e que não necessariamente se tenha um quilograma do fruto e; até mesmo o beneficiamento do in natura em polpa, antes da comercialização. Entre os setores da demanda intermediária, houve a participação significante da indústria de beneficiamento, pois sua agregação foi na ordem de R$ 421,3 mil (25% do VAB local), que está relacionado tanto à sua capacidade instalada quanto ao grau de negociação que mantém com o setor da produção, os quais venderam os produtos in natura (Gráfico 14). Com relação à sua margem de comercialização, ou seja, mark-up constituído, foi estimado em 94% (relação do VAB de R$ 421,3 mil com o valor de compra de insumo - VBP - R$ 450,1mil). O mark-up, em termos gerais, representado em termos relativos (%), inclui todos os custos de beneficiamento e comercialização do produto analisado, que não são captados pela pesquisa. Entre os processos de beneficiamento realizados pelo setor, estão o beneficiamento do fruto em polpa e o seu empacotamento conforme os órgãos de vigilância sanitária e de comércio, a fim de garantir a qualidade e as características intrínsecas dos frutos. Já a indústria de transformação adicionou um pouco mais R$ 510 mil e estabeleceu um mark-up de 95%, com os processos automatizados para a fabricação de cremes, doces, sucos e, o produto mais consumido pelos consumidores finais locais, o sorvete. Ainda no mercado local o setor varejo rural agregou somente R$ 615,17, no entanto, constituiu um mark-up de 98% (Gráfico 14), propiciado pelas transações dos frutos in natura, especificamente o muruci, com acréscimos dos custos de comercialização pelo setor de transformação local. O varejo urbano, por conseguinte, adicionou algo em torno de R$ 16,1 mil e constituiu um mark-up de 24%, com os processos da majoração de preço antes das vendas para os consumidores finais locais. E, por fim, o setor atacadista não adicionou e, por
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    106 tanto, não constituiumark-up , devido se tratar do repasse da Conab à instituições públicas, principalmente na área de educacão. Os setores que contribuíram para o VAB no mercado estadual, estimado na ordem de R$ 6,2 mil (0,4% do VAB total), conforme o Gráfico 14, sendo 2,7 mil com a participação do setor de transformação, correspondente as indústrias alimentícias composta por lanchonetes e/ou sorveterias, que configurou uma margem de comercialização (mark-up) de 23% . E, por R$ 3,5 mil decorrentes do setor de varejo urbano, cuja agregação se formalizou quando utilizou da majoração de preços antes das vendas aos consumidores finais, que devido a esta agregação, configurou uma margem de comercialização (mark-up) de 43%. Por tanto, no que se referiu ao VAB total estimado em R$ 1,6 milhão, equivalente ao VTE e, resultante das ações impostas ao longo da cadeia de comercialização desses frutos, observou-se que as indústrias (beneficiamento e transformação) foram responsáveis por aproximadamente 57% desse valor. No entanto, os agroextrativistas da região em estudo contribuíram com 42% deste VAB, em consequência dos 66% do volume de suas vendas terem sido direcionadas ao setor de beneficiamento e 15% das vendas terem sido já com o produto beneficiado e, sob atuação dos agroextrativistas organizados em associação. Em torno de 1% do VAB total ficou a cargo dos varejistas (atravessadores, feirantes, mercearias, mini supermercados), utilizando-se do processo de majoração de preço. c) Renda Bruta Total (RBT) gerada pela ótica da demanda na comercialização das frutas (cacau, muruci e taperebá). A Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização destes produtos foi orçada em R$ 3 milhões, formando-se a partir da soma de compra de insumo (VBP pela ótica da demanda) no valor de R$ 1,4 milhão, realizado pelos setores da demanda intermediária, com Valor Transacionado Efetivo (VTE), que corresponde ao VAB constituído ao longo da cadeia em R$ 1,6 milhão, tanto pelos setores da demanda intermediária quanto pelo setor da produção. O sistema local foi responsável por mais de 99% desta renda e o estadual o restante, menos1%, conforme o Gráfico 15. Na RI Xingu, outrora identificado como mercado local, a indústria de transformação foi quem gerou a maior renda no valor de mais de R$ 1 milhão, gerados pela compra das frutas tanto in natura junto ao agroextrativista e varejo rural quanto o produto em polpa da indústria de beneficiamento (91% da compra) no valor de R$ 536,5 mil e agregação de valor em torno de R$ 510 mil (Gráfico 15).
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    107 GRÁFICO 15- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização das frutas (cacau, taperebá e o muruci), considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O setor de indústria de beneficiamento (agroindústria), por conseguinte, gerou uma renda bruta no valor de R$ 871,5 mil (Gráfico 15), pois comprou os frutos na sua forma in natura no valor de R$ 450,1 mil junto ao setor da produção (agroextrativistas) e, adicionou um montante de R$ 421,3 mil com os seus processos de beneficiamento. O varejo rural gerou uma renda bruta no valor de R$ 1,2 mil, resultante da soma da compra de insumo no valor de R$ 630,32 junto ao agroextrativista, na maioria das vezes no próprio local de produção, e gerou uma agregação de R$ 615,17. O varejo urbano, por sua vez, comprou insumos no valor de R$ 67,6 mil junto ao produtor e a indústria de beneficiamento e, adicionou R$ 16,1 mil, gerando uma renda bruta no valor de R$ 83,7 mil. O atacado local, representativo da Conab, comprou R$ 333,9 mil do fruto em polpa tanto do setor da produção (com representatividade 38% nas compras) quanto das agroindústrias (68% das compras) e repassou aos órgãos públicos municipais parceiros na RI e, devido a isso, a renda estimada é o mesmo valor de compra, R$ 333,9 mil. Na esfera estadual, com renda bruta contabilizada em mais de R$ 26 mil, quem atuou para a formação deste montante foram as lanchonete e/ou sorveterias (ind. de transformação) devido à compra do cacau em forma de polpa dos produtores, advindos da RI Xingu, no valor de R$ 11,5 mil e com os processos de transformação adicionou R$ 2,7 mil, constituído uma
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    108 renda estimada emR$ 14,2 mil. E o supermercado (inserido no setor de varejo urbano), por sua vez, com uma renda de R$ 11,8 mil, obtidos com a soma do valor agregado de R$ 3,5 mil com o valor da polpa comprada no valor de R$ 8,3 mil aproximadamente. Entretanto, dos R$ 3 milhões gerados e circulados na cadeia de comercialização dessas frutas, o equivalente 23% deste montante (R$ 686,7 mil) corresponderam ao valor retido pelo setor que dá origem a toda a cadeia, ou seja, dos agroextrativistas (Gráfico 15). Foram diferentes os motivos que, agindo concomitante, contribuíram para tal problemática, os principais foram: a falta de uma melhor organização social (seja em forma de sindicato, associação ou via cooperativa), que contribuiu para que as vendas tenham sido individualizadas que, apesar das maiores quantidades terem sido transacionadas para os setores de indústria (beneficiamento e transformação), contribuiu para que os preços praticados nesta transação ficassem uns dos mais baixos na cadeia, assim como ausência de organização contribuiu também para que as vendas para a Conab quase não se realizassem, pois somente 16% do valor adquirido pelo setor da produção tiveram origem nesta comercialização; o local de produção/extração do produto se encontra distante dos principais centros consumidores (na RI e fora dela), o que por sua vez, pelo alto custo, principalmente do transporte, acaba lhe impondo dependências em relação à comercialização, ou seja, o escoamento de parte da produção foi realizado por intermédio de terceiros (atravessadores), assim como, as vendas para além da RI ainda é insignificante, sendo que, das três frutas em análise, somente o cacau fora comercializado em outros mercados que não da RI Xingu e; por fim; a precariedade em que se encontravam os pontos de comercialização nos municípios (feiras e mercados). 4.3.9 Plantas Medicinais a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização das plantas medicinais. As plantas medicinais encontradas na pesquisa foram cascas de: canarana, aroeira, barbatimão, jucá, carapanaúba, copaíba, ipê-roxo, marapuama, preciosa, sacaca, sucuúba, unha-de-gato, uxi-amarelo e verônica, e as sementes de cumaru, que foram citadas como medicinais no controle de úlceras bucais e como vermífugo. Os agentes identificados que comercializam plantas medicinais foram quarenta e um, conforme Figura 24, divididos em trinta comerciantes, quatro produtores e sete feirantes. Além destes produtos comercializam também óleo de andiroba, óleo de copaíba, castanha-do- brasil, breu-branco, tipiti, priprioca, óleo de pracaxi e peneira de cipó-titica. Os novatos estão no ramo há 2 anos e os mais antigos há 35 anos, sendo que um agente (aposentado) trabalha
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    109 para complementar arenda e um varejista possui uma drogaria onde destina uma seção para plantas medicinais. FIGURA 24- Localização dos agentes mercantis das plantas medicinais na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 8 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização destes produtos, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 8- Descrição dos agentes mercantis na comercialização das plantas medicinais da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extralocal Produção Coletores de plantas medicinais de ocorrência natural que não fazem parte da RI Xingu. Produção Coletores de plantas medicinais de ocorrência natural nos municípios da RI Xingu; Local Comerciantes e/ou feirantes de plantas medicinais que Varejo urbano revendem para o consumidor final em embalagens menores e/ou fracionadas. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Referente a armazenagem, os agentes dispõem de local com dimensão de 3,5 m² a 200 m2. Concernente a propriedade rural, somente um produtor possui área com dimensão de 42 m2. A questão de espaço físico também vale ser ressaltado visto que alguns não possuem local adequado para armazenar o produto e o alocam em bancas improvisadas nas esquinas
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    110 das ruas, eoutro necessita de mais prateleiras para distribuir os produtos devido à grande quantidade de ervas. Com relação a maquinários ou equipamentos, nesta atividade utilizam calculadora, faca, tesoura e balança eletrônica com capacidade de 60 kg. No caso dos produtores, utilizam facão, luva, panela e escova. Um dos agentes citou que a venda é melhor no verão, pois no inverno a Transamazônica fica intrafegável. Referente aos meios de transporte os agentes utilizam moto, bicicleta e carro para deslocamento. Os produtos são comercializados durante todo o ano. O horário de funcionamento dos estabelecimentos dos feirantes é comercial e durante o ano todo, mas aos domingos fecham ao meio dia. A mão de obra utilizada varia de uma a três pessoas, sendo geralmente membros da família. Apenas um comerciante paga o valor de um salário mínimo para seu ajudante e um dos agentes paga para um membro da família (neta) que o ajuda na atividade, o valor mensal de R$150,00. Estes relataram que o melhor período de venda é no verão, devido à intrafegabilidade da Transamazônica em períodos chuvosos, fato este que dificulta o escoamento da produção bem como o acesso aos produtos. Para melhoria nas condições de comercialização, os agentes declararam que as dificuldades encontradas são referentes às licenças para venda de remédios, espaço físico insuficiente, necessidade de incentivos às associações, melhoria no espaço físico nos pontos de venda, financiamento e capacitação dos produtores para manipulação das ervas, pois esta atividade é realizada sem instruções, propiciando o aparecimento de fungos e mofos. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) das plantas medicinais. A cadeia das plantas medicinais é composta por canais de comercialização simples (Figura 25). A pesquisa identificou que 98,5% do total das plantas medicinais comercializadas são originárias da RI Xingu e, 1,5% são provenientes do estado do Piauí e da RI Metropolitana (município de Belém). O setor varejo urbano local (comerciantes e feirantes) foi o único intermediário da cadeia que comercializou 99,9% da produção com os consumidores locais (Figura 25). A venda direta entre o setor da produção com os consumidores locais representou apenas 0,1% da produção identificada. Essa comercialização ocorre em feiras livres ou nas feiras organizadas pelos próprios produtores locais.
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    111 FIGURA 25- Estrutura (%) da quantidade amostral das plantas medicinais comercializadas na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os diversos setores mercantis da cadeia das plantas medicinais, no ano de 2010. A produção local vendeu a R$ 2,00/kg para os consumidores locais das plantas medicinais e a R$ 16,45/kg para o varejo urbano local, que por sua vez revendeu diretamente para o consumidor local por R$ 32,35/kg das plantas (Figura 26). Enquanto que os produtores extralocais venderam a R$ 11,29/kg diretamente para os feirantes locais (varejo urbano).
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    112 FIGURA 26- Preço médio das plantas medicinais (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.10 Copaíba a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da copaíba. Foram identificados doze agentes que comercializam o produto (Figura 27), sendo que estes trabalham com outros produtos, tais como: óleo de andiroba, mel, barbatimão, óleo de piquiá, semente de cumaru, verônica, unha-de-gato, leite de sucuúba, castanha-do-brasil, leite-do-amapá, uxi-amarelo, jucá, aroeira, casca de ipê-roxo, casca de marapuama, carapanaúba, aroeira, priprioca, sucuúba, sacaca, canarana, cupuaçu fruto e artesanato regional. Os agentes envolvidos se dividem nos seguintes setores: varejistas, atravessadores, comerciantes, feirantes e produtores. Os agentes estão neste ramo em média há 17 anos (variação de 3 a 40 anos). Alguns possuem profissão paralela como açougueiro e produtor de cupuaçu, sendo que um dos agentes recebe aposentadoria. Entre os agentes há uma associação localizada em Uruará, que conta atualmente com 25 famílias envolvidas, as quais passaram por formação técnica para extração do óleo de copaíba, tendo como finalidade ter o cuidado na extração de modo que não ponha em risco a saúde da árvore. O trabalho é realizado por mutirão em todas as etapas. Toda produção é dividida em partes iguais entre as famílias, ressaltando que isso independe da quantidade de árvores que
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    113 cada uma possuiem seu lote. Cerca de 10% das vendas são revertidas para o Fundo Rotativo Solidário, com a finalidade de investir na ampliação e manutenção das máquinas. Este projeto tem gerado renda para as populações extrativistas e promovido mudança no pensamento da comunidade em relação à preservação do meio ambiente, uma vez que serve como alternativa sustentável em relação a outras práticas agrícolas que desmatam a região. FIGURA 27- Localização dos agentes mercantis da copaíba na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Referente à propriedade rural, além das famílias pertencentes ao projeto, as quais possuem em média 100 ha cada, outro agente foi identificado como detentor de propriedade rural com área de um ha. Quanto à existência de local de comercialização e armazenamento, estes são de diversos tipos: barracões e boxes. As dimensões variam de 2 m2 a 150 m². Os meios de transporte mais utilizados são carros, moto e bicicleta. Os maquinários utilizados são: balança eletrônica, triturador, secador, prensa, faca, tesoura, coador, panela de ferro e gerador. Ressaltando que alguns destes equipamentos servem para o comércio dos outros produtos. A atividade é realizada durante todo ano e em geral a mão de obra é familiar. Vários agentes comercializam o produto na região, porém existem algumas dificuldades nesta atividade tais como: falta de atravessador para escoar a produção, principalmente em épocas de chuva onde a transamazônica fica intrafegável; e também em relação à existência de espaço físico insuficiente para armazenar a produção.
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    114 O Quadro 9 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 9- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da copaíba da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extrativistas, ribeirinhos e colonos oriundos da RI Metropolitana (Belém) que realizam a extração do óleo das Extralocal Produção copaibeiras, utilizando normalmente broca para o processo de perfuração, em seguida envasamento em garrafas pet e de vidro. Extrativistas, que não têm na atividade de extração da copaíba Produção sua principal fonte de renda. A produção é entregue envasada em garrafas pet e de vidro; Local Atravessadores que compram diretamente de vários Varejo rural extrativistas e revendem para os consumidores locais; Feirantes e comerciantes que comercializam a copaíba como Varejo urbano medicinal em pequenas quantidades para o consumidor final. Uma unidade industrial de cosmético, situada na região metropolitana de Belém, que realiza o processamento de Indústria de Estadual sementes e frutos com a extração e refino do óleo, transformação provenientes de fornecedores que coletam os frutos e sementes em florestas nativas. Comércios varejistas situados fora do Estado que vendem para Nacional Varejo urbano o consumidor nacional. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Com relação à melhoria nas condições de comercialização, os agentes declaram a necessidade de registro com a marca dos produtos; capacitação para os manipuladores, bem como assistência técnica para evitar perda da árvore no processo de extração (manejo adequado). Segundo os agentes, representantes de farmácias de manipulação vão constantemente à região, em busca de informações sobre o produto e dos demais utilizados como medicinais, todavia não levam beneficio algum para a Região. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da copaíba. A comercialização da copaíba identificada foi 99,9% oriunda da produção local e 0,1% da produção extralocal (RI Metropolitana). A quantidade de 2.328 litros de copaíba foram comercializados pelo setor da produção com destino a três setores intermediários antes de chegar ao consumidor final local e nacional. A produção local vendeu 0,8%, da sua produção para o varejo rural (atravessadores), 4,1% para a indústria de transformação estadual (empresa de cosmético localizada na região metropolitana de Belém) e 95% para o varejo urbano local (comerciantes e feirantes). Sendo que o varejo urbano local adquiriu mais 0,1%
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    115 da produção extralocale vendeu 95,1% para o consumidor final (Figura 28). Já a indústria de transformação, vendeu 4,1% da produção em forma de cosméticos, para o varejo urbano nacional (lojas especializadas). FIGURA 28- Estrutura (%) da quantidade amostral da copaíba comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da copaíba, no ano de 2010. O setor da produção extralocal vendeu diretamente para o varejo urbano local ao preço de R$ 12,00/l, e o varejo urbano local vendeu para o consumidor final o óleo fracionado em frascos menores ao preço de R$ 31,38/l (Figura 29). A produção local vendeu para o varejo rural a R$ 10,00/l, para o varejo urbano a R$ 19,16/l e para a indústria de transformação estadual a R$ 30,00/l. Os preços de venda do setor da indústria de transformação para o varejo urbano nacional foram estimados, pois a presente pesquisa não entrevistou o setor de transformação estadual.
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    116 FIGURA 29- Preço médio da copaíba (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.11 Artesanato Regional a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do artesanato regional Na cadeia de comercialização do artesanato regional foram identificados onze artesãos, sendo que metade destes trabalha com outros produtos como: polpas de taperebá, muruci, cupuaçu e utensílios feitos com cipó titica e guarumã (paneiro, peneira e cesto de palha). Os agentes entrevistados pertencem ao movimento de mulheres, associação de artesões e a órgãos municipais e, estão neste ramo a sete anos, em média (com variação de 3 a 10 anos). Segundo os agentes, há uma grande dificuldade na coleta do cipó-titica, pois é feita manualmente em áreas de várzea ou áreas de terceiros (fazendeiros), quando estes permitem. Houve uma proposta para coleta dos cipós no município de Almeirim, porém a falta de recursos para deslocamento dificultou o acesso. Os outros materiais são coletados em florestas públicas ou áreas privadas na região. Dentre os agentes há um produtor, dono de uma área de 200 hectares localizada em Porto de Moz. Todos possuem local para armazenamento do tipo barracões e galpões, com dimensões que variam de 15 m2 a 360 m2, e também há aqueles que confeccionam o artesanato em locais cedidos pela prefeitura. O meio de transporte utilizado para
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    117 deslocamento e escoamentodo produto são motos, caminhão e barco, este último com capacidade para seis toneladas. A quantidade de pessoas envolvidas na produção varia de 2 a 66 associados, que trabalham por encomenda ou com vendas diárias durante o ano todo. O Quadro 10 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos na comercialização deste produto de acordo com seus respectivos setores e mercados. QUADRO 10- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do artesanato regional da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Artesãos (pertencentes ou não a associações) envolvidos na coleta de produtos e materiais, que criam produtos a partir de sementes (castanha-do-brasil, olho-de-boto, tucumã, babaçu, Local Produção bacaba e buriti), cascas, fibras e outras matérias primas oriundas da floresta, para a produção de artefatos com formas de animais; anéis, pulseiras, flores feitas com sementes, quadros, arranjos de cipós e vasos de casca de buriti. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os equipamentos utilizados para confecção das peças são alicates, lixadeiras, polidor, tesouras, facas, cerras, furadeiras, agulha, arame, tachas, grampos, máquina de costura, martelos, tinta, barbante, cola, lixas, massa de biscuit e pincel. O problema relatado quanto ao armazenamento, foi a necessidade de um galpão maior e mais arejado, já com relação aos equipamentos a falta de maquinário adequado é outro entrave para a melhoria da produção. Com relação ao funcionamento das lojas que vendem artesanato, estas trabalham em horário comercial durante o ano todo, com exceção de uma lojinha em Altamira que funciona das 18h as 23h, a qual conta com a ajuda de uma vendedora que também é artesã. A forma de pagamento para os artesões está relacionada ao produto vendido, sendo que estes repassam 15% do valor para a associação que cede lugar para exporem (venderem) seus produtos, já outras associações dividem o total apurado pelo número de artesões que trabalharam. Alguns artesões fizeram curso de capacitação pelo SENAR relacionado à melhoria na capacidade de produção, mas a falta de capital de giro para produzirem e exporem os produtos fora do município e a falta do incentivo da ação social são os principais entraves, pois há uma falta de interesse do comércio local em absorver o artesanato que geralmente é comprado por pessoas vindas de outros lugares, além da necessidade de pessoas qualificadas para administrarem os negócios. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un.) entre os setores mercantis do artesanato regional.
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    118 A cadeia de comercialização identificada pela pesquisa é constituída por um canal direto de comercialização, isto é, a produção vendendo 100% diretamente para os consumidores locais ao preço de R$ 6,88/un. (Figura 30). FIGURA 30- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do artesanato regional na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.12 Mel a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do mel. Foram identificados quinze agentes que comercializam o produto (Figura 31), sendo que estes são um atravessador, seis apicultores (produtores), quatro comerciantes, dois feirantes e dois varejistas. Estes estão atuando no ramo em média há 17 anos (variação de 3 a 35 anos).
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    119 FIGURA 31- Localização dos agentes mercantis do mel na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 11 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos na comercialização deste produto de acordo com seus respectivos setores e mercados. QUADRO 11- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do mel da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extralocal Produção Apicultores familiares do estado do Piauí. Agricultores familiares que desenvolvem atividades agrícolas Produção tradicionais e a apícola como mais uma alternativa de renda, sendo que alguns fazem parte de associações; Varejo rural Atravessadores que compram mel diretamente dos apicultores; Local Atacado Uma associação que adquire o mel diretamente de apicultores (associados); Comércio varejista (feirantes e supermercados) que Varejo urbano comercializa o mel para o consumo local. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Além do mel, seis agentes também trabalham com outros produtos, como: carvão, óleo de andiroba, unha-de-gato, copaíba, leite-de-sucuúba, leite-de-amapá, castanha-do-brasil, semente de cumaru, jucá, casca de ipê-roxo, cipó-titica, paneiro e vassoura de cipó.
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    120 Dentre estes, há um apicultor que trabalha com o mel da abelha Apis mellifera tendo sua produção vendida para uma associação. A associação compra todo o mel produzido pelos apicultores fornecendo a embalagem e rótulo com o nome da associação. A associação conta com 20 famílias associadas, ao todo são cerca de 120 caixas de colméias, onde cada colméia tem uma produção em torno de 25 kg/ano, proporcional a três floradas, sendo que a melhor florada acontece de abril a julho. A renda obtida com a venda da produção é dividida entre todos os associados. O mel é vendido para varejistas de alimentos da cidade e também é comercializado no sindicato. Um agente possui propriedade rural com dimensão de 10 alqueires. Referente à existência de local para comercialização e armazenagem, somente um agente é desprovido do mesmo, os demais possuem de um a dois, com dimensões variadas (4 m2 a 800 m2), e obtivemos a informação de que uma casa de mel está sendo construída. Cerca de doze agentes possuem meios de transportes, e os mais utilizados são: carro, moto, caminhoneta e bicicleta. Os equipamentos citados pelos apicultores para manejo das colméias foram: centrifugador, decantador, mesa operculadora, fumigador, faca e/ou garfo desoperculador, EPIs, carotes e balanças. No que tange a ocorrência de problemas com o armazenamento do produto, os apicultores foram unânimes em citar a falta de espaço físico maior e a necessidade de outros equipamentos complementares. Referente à mão de obra, os apicultores, os feirantes e os comerciantes trabalham com um ou dois membros familiares, sendo que o tempo de maior trabalho para os apicultores é na época de florada, já os comerciantes e os feirantes trabalham o ano todo. Apenas um varejista paga o valor de um salário mínimo para seus seis funcionários, que trabalham o ano todo. Com relação à melhoria na capacidade de produção, foi relatada a necessidade de manejo, assistência técnica, capital para investir em espaço físico adequado e reflorestamento nas áreas degradadas. Segundo os agentes em Altamira o PDA (Projetos Demonstrativos categoria A) financiou um projeto para a apicultura em 10 municípios (Medicilândia, Brasil Novo, Pacajá, Anapu, Altamira, Placas, Uruará, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio e Porto de Moz - Pólo Xingu), com o centro do projeto localizado no km 201, com fornecimento de materiais básicos e quatro caixas para os 30 agricultores inscritos, mas, muitos desistiram. Na época da entrevista havia cinco pessoas coletando o mel para consumo próprio ou sob encomenda. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do mel. Do total da quantidade do mel comercializado na região, 89,2% foram produzidos na própria região e somente 10,8% vieram do estado do Piauí (Figura 32). Neste caso
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    121 foram caminhoneiros quecompraram o mel diretamente dos apicultores do Piauí, com preços baixos, e venderam para o varejo urbano local. A cadeia de comercialização do mel é constituída de canais de comercialização simples, pois abrangem somente três setores intermediários entre a produção local e extralocal até o consumidor final local (Figura 32). O principal canal de comercialização do mel identificado com as maiores quantidades comercializadas foi a compra do atacado local (Associação) de 51,4% do total da produção local, que venderam 11,1% para o consumidor local e 40,3% para o varejo urbano local. Destacaram-se também a venda direta dos apicultores para o varejo urbano local (feirantes e supermercado) comercializando 16,5% e para os consumidores locais comercializando 19,1% da produção identificada. FIGURA 32- Estrutura (%) da quantidade amostral do mel comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do mel, no ano de 2010. Os apicultores praticaram preços de venda diferenciados, pois além de comercializarem isolados, também venderam sua produção para a associação. Este setor da produção local vendeu diretamente para o varejo rural (atravessadores) ao preço de R$ 15,00/l, para o varejo urbano local a R$ 10,71/l, para os consumidores locais a R$ 23,78/l e para o atacado local (associação) a R$ 8,09/l (Figura 33). Enquanto que a associação de apicultores (atacado) vendeu para o varejo urbano e para os consumidores locais ao preço
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    122 médio de R$16,50/l. A maioria do mel na região é comercializado em potes padronizados de 1 kg, de 500 g e também em bisnagas de 200 g. Por outro lado, os produtores extralocais venderam o mel diretamente para os varejistas locais ao preço de R$ 11,25/l (Figura 33). FIGURA 33- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.13 Palmito a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do palmito. Na cadeia de comercialização do palmito foi identificado somente um agente mercantil, representado por uma indústria de beneficiamento, localizada em Pacajá, que está no ramo há sete anos. A indústria trabalha exclusivamente com o palmito in natura durante o ano todo, em um galpão de 1.200m², onde trabalham 16 funcionários. Toda a produção é escoada por meio de dois caminhões. Referente ao uso de maquinários e equipamentos, os mais utilizados são: máquina de rotulagem e cortador de papel para vedar caixas de papelão. O agente citou que a extração do palmito é realizada através de projetos legalmente autorizados e a empresa matriz está localizada em Santa Catarina. E que a liberação de crédito para projetos de exploração de palmito, melhoraria a capacidade da produção.
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    123 No Quadro 12 estão descritos os perfis dos setores mercantis envolvidos na comercialização do palmito. QUADRO 12 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização do palmito da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extratores de palmito que utilizam açaizais de áreas manejadas Produção e de áreas nativas; Empresa que realiza o processamento industrial do palmito na Local Indústria de forma em conserva. Geralmente são filiais de agroindústrias, beneficiamento situadas nas áreas urbanas, que operam com o capital de giro de empresas exportadoras e distribuidoras. Comércios varejistas situados fora do Estado que vendem para Estadual Varejo urbano o consumidor nacional. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis do palmito. O principal canal de comercialização do palmito é decorrente da produção que vende 100% do palmito in natura, equivalente a 8.772/kg, ao preço de R$ 1,37/kg diretamente para a indústria de beneficiamento, que após processo de beneficiamento em conserva vende ao preço de R$ 12,65/kg para o varejo urbano estadual (supermercados) e destes para o consumidor final estadual a R$ 20,98/kg (Figura 34).
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    124 FIGURA 34- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do palmito na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.14 Andiroba a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da andiroba. Foram identificados quinze agentes mercantis do produto (Figura 35), estes estão divididos nas categorias de: produtor, feirante, comerciante e atravessador. Um dos produtores está ligado a uma associação localizada em Uruará. Esta associação é formada por 25 famílias, que pertencem a sete comunidades, que estão envolvidas na atividade extrativista divididas em pólo sul, as que trabalham com o mesocarpo e o óleo de babaçu e do pólo norte as que trabalham com castanha-do-brasil, andiroba e copaíba. Cada família do pólo sul possui um lote de 100 hectares, mas pretendem trabalhar com coleta legalizada dos produtos em uma área de sete mil hectares, onde foi feito inventário, mas estão esperando a autorização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
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    125 FIGURA 35- Localização dos agentes mercantis da andiroba na RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os agentes trabalham no ramo em média há 11 anos (variação de 2 a 27 anos). Somente um trabalha exclusivamente com a andiroba, os demais comercializam outros produtos, tais como: urucum, castanha-do-brasil, cacau, mel, copaíba, unha-de-gato, barbatimão, óleo de piquiá, semente de cumaru, verônica, leite-de-sucuúba, leite-de-amapá, jucá, casca de uxi, aroeira, casca de ipê-roxo, casca de marapuama, carapanaúba, priprioca, sacaca, canarana e fruto de cupuaçu. A comercialização se dá com as sementes que são beneficiadas para extração do óleo que com exceção da associação que possui maquinário, a maioria é coletada de forma tradicional, com intensificação da produção no período da safra. O trabalho é basicamente familiar e em épocas de safra são contratados diaristas que recebem de R$ 25,00 a R$ 30,00 reais pelo trabalho. O Quadro 13 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
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    126 QUADRO 13- Descriçãodos agentes mercantis na comercialização da andiroba da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores dos municípios que fazem parte da RI Marajó (Gurupá), RI Metropolitana (Belém) e da RI Tocantins Extralocal Produção (Cametá) que realizam coleta das sementes para extração do óleo e sua comercialização. Produtores locais dos municípios estudados do Xingu, que Produção coletam as sementes da andiroba e realizam o beneficiamento Local primário com a fervura e a extração do óleo; Feirantes e comerciantes que comercializam a andiroba como Varejo urbano medicinal em pequenas quantidades para o consumidor final. Uma unidade industrial de cosmético, situada na região metropolitana de Belém, que realiza o processamento de Indústria de Estadual sementes e frutos com a extração e refino do óleo, transformação provenientes de fornecedores que coletam os frutos e sementes em florestas nativas. Comércios varejistas situados fora do Estado que vendem para Nacional Varejo urbano o consumidor nacional. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os agentes produtores são detentores de propriedades rurais com áreas de 50 a 100 ha, localizadas nos municípios de Anapu, Uruará e Pacajá. No que tange a armazenagem, todos possuem armazéns, boxes ou barracões com dimensões que variam de 2 a 48m², que são utilizados para armazenagem dos equipamentos e materiais. Quatro agentes dispõem de meio de transporte como, carro, moto e bicicleta, e os restantes geralmente pagam fretes de ônibus ou carros padronizados para escoarem a produção. Os maquinários para extração do óleo são: balança de 300 kg, triturador, secador, prensa, balança eletrônica e gerador – pois a área da associação fica dentro da Reserva do Iriri, onde ainda dependem de gerador para fornecimento de energia elétrica, também utilizam utensílios para coleta da semente e para facilitar o manuseio como facão, paneiros, tábua, luva, panela, escova, faca e tesoura. Para melhoria na capacidade de produção foram relatados gargalos na comercialização, tais como a falta de atravessadores para escoar a produção, financiamento para aumento do espaço físico, licença para vender os remédios, encontrar o produto/óleo na região, viabilidade da fábrica de beneficiamento da associação a ser construída próxima do local de coleta, pois a atual fica há 40 km e capacitação dos pequenos produtores locais para manipulação do produto.
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    127 Os agentes informaram que representantes de farmácias de manipulação apareceram na região em busca de informações sobre o produto, todavia não trouxeram benefício algum para a população. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da andiroba. A cadeia de comercialização da andiroba identificada na presente pesquisa é constituída por vários canais de distribuição. Do total da produção identificada pela pesquisa, 57,3% é originária da própria região estudada e o restante, 42,7%, da produção extralocal, nesse caso da RI Marajó (Gurupá), RI Metropolitana (Belém) e da RI Tocantins (Cametá) (Figura 36). FIGURA 36- Estrutura (%) da quantidade amostral da andiroba comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A produção local vendeu 0,5% da sua produção diretamente para os consumidores locais, 25,8% para a indústria de transformação estadual (empresa de cosméticos localizada na região metropolitana de Belém) e 31% para o varejo urbano (comerciantes e feirantes) (Figura 36). A produção extralocal comercializou diretamente 42,7% com o varejo urbano local (comerciantes e feirantes) que adicionaram a quantidade comprada da produção local de 31% e venderam 73,7% para o consumidor final. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da andiroba, no ano de 2010. O principal setor da comercialização da andiroba foi o varejo urbano local (comerciantes e feirantes) que comprou da produção extralocal ao preço médio de R$ 13,17/l
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    128 e, da produçãolocal, a R$ 20,88/l e revendeu ao consumidor final local ao preço médio de R$ R$ 30,08/l (Figura 37). Enquanto que a produção local vendeu o óleo da andiroba a R$ 24,00/l para a indústria de transformação estadual, que revendeu ao varejo urbano nacional a R$ 30,00/l (estimado). A venda direta ocorrida do produtor local com o consumidor final foi com o preço médio de R$ 30,00/l (Figura 37). FIGURA 37- Preço médio da andiroba (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.15 Cupuaçu a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do cupuaçu. Foram identificados 35 agentes mercantis do produto (Figura 38), sendo que todos comercializam outros produtos, tais como: cacau, açaí fruto, taperebá, muruci, buriti, carvão, castanha-do-brasil, copaíba, óleo de andiroba, semente de cumaru e artesanato regional.
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    129 FIGURA 38- Localização dos agentes mercantis do cupuaçu na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os agentes se dividem nas seguintes categorias: produtor (12), varejista (1), comerciante (5), atravessador (2), atacadista (2) - representado pelas associações, e indústria de transformação e beneficiamento (13) - representado por supermercados, fábrica de polpas, panificadoras, lanchonetes e sorveterias. Alguns agentes iniciaram a atividade há pouco tempo, outros estão no ramo em média há sete anos (variação de 1 a 36 anos), sendo que seis agentes possuem profissão paralela, tais como: moto taxista, professor, agricultor, açougueiro e serviços gerais. Os produtores da RI Xingu são detentores de propriedades rurais com dimensões que variam de 0,5 a 500 ha. Referente aos locais de comercialização, 26 agentes possuem galpões, pontos comerciais, box em feiras ou até mesmo nas próprias residências, cujas dimensões variam de 10m² a 100m2. Os agentes utilizam como meio de transporte motos, ônibus, carros de pequeno porte, caminhonetas, carroça, caminhão e bicicleta. Cerca de 20 agentes são detentores de maquinários e equipamentos, tais como: trator, despolpadeira, balança, freezer, liquidificador, máquina seladora, dosadeira, pasteurizador, liquidificador industrial, prensa manual, máquina de fazer sorvete, duas câmaras frias com capacidade de 8 e 30 toneladas, isopor, tesoura, filtro, mesa inox seladora, contêineres, faca, decantador, empacotadeira eletrônica, geladeiras (de 310 l, 360 l, 380 l, 420 l e 530 l), carros de picolé e de sorvetes.
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    130 O Quadro 14 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 14- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cupuaçu da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Agricultores do município de Rurópolis que faz parte da RI Tapajós. Realizam manualmente a colheita na safra dos frutos Extralocal Produção maduros, após a queda. A maioria dos produtores realiza o despolpamento dos frutos artesanalmente (para melhor preço de venda na safra e entressafra). Agricultores que realizam manualmente a colheita na safra dos frutos maduros, após a queda. A maioria dos produtores realiza Produção o despolpamento dos frutos artesanalmente (para melhor preço de venda na safra e entressafra). Neste setor destaca-se a presença de um produtor que detém uma agroindústria; Atravessadores que compram o cupuaçu fruto de produtores Varejo rural locais; Pequenas e médias indústrias (agroindústrias) que realizam o Indústria de beneficiamento do fruto in natura do cupuaçu em polpa sendo Local beneficiamento que a maioria é constituída por associações, entre elas, uma de mulheres; Pequenas empresas alimentícias que realizam transformação Indústria de do fruto do cupuaçu in natura ou da polpa em outros produtos transformação finais como sorvetes, sucos, doces entre outros; Intermediação da polpa de cupuaçu pela Companhia Nacional Atacado de Abastecimento – CONAB junto à associação de mulheres (ind. beneficiamento local); Feirantes, pequenos comerciantes e supermercados que Varejo urbano realizam a compra do cupuaçu in natura ou na forma de polpa e vendem para o consumidor local. Feirantes que realizam a compra do cupuaçu in natura ou na Estadual Varejo Urbano forma de polpa e vendem para o consumidor estadual. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os problemas enfrentados pelos agentes estão relacionados ao espaço físico insuficiente, o que dificulta o aumento da produção ou de produtos, ausência de equipamentos como freezer e containers. Em geral os agentes compram pouca quantidade para evitar problemas com armazenamento ou perda do produto. Os agentes (atravessadores, comerciantes e atacadistas, indústrias e produtores) trabalham com o produto durante o ano todo, armazenando e vendendo em forma de polpa no período de entressafra. As polpas são comercializadas na região e fora dela. Referente à mão de obra, o varejista contrata 30 funcionários e paga um salário mínimo por funcionário. Uma associação divide a renda entre seus 14 associados e, no pico da safra, chega a contratar três
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    131 diaristas, que recebemde R$ 10,00 a R$ 25,00. Outra organização possui seis associados que recebem o valor de R$ 20,00 a diária. Para seis produtores a mão de obra é familiar e abrange entre duas a seis pessoas. O restante dos produtores contrata de dois a três ajudantes, que recebem diárias de R$ 25,00 ou um salário mínimo. A indústria de transformação tem entre um a cinco funcionários assalariados e contrata, em média, três vendedores externos que recebem diárias de R$ 25,00. Já a indústria de beneficiamento contrata quatro funcionários temporários para o período da safra a R$ 25,00 a diária e entre um a quatro funcionários fixos que recebem salário mínimo. O atravessador paga para o produtor o valor de R$ 1,00/kg de polpa tirada do fruto, no período da safra. Existem outros estabelecimentos na região que comercializam o produto, sendo restaurantes, lanchonetes, sorveterias, comércios, varejistas e feirantes. No que tange a melhoria na capacidade de produção, foram relatados vários entraves, tais como a falta de assistência técnica, infraestrutura e manutenção das estradas para escoar a produção, maior oferta do produto e estudo de mercado, melhoria nas condições de fornecimento de energia, visto que ocorrem constantes quedas comprometendo a qualidade dos produtos armazenados nos freezers. Os produtores declararam a necessidade de um sistema de irrigação para plantação de cupuaçu e cacau, bem como aquisição de maquinário e equipamentos como tratores, câmara fria e obtenção da licença ambiental. Outra limitação dos produtores se refere ao registro do produto para que possam distribuir em larga escala, tendo muitas vezes a mercadoria apreendida pela ausência de nota. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do cupuaçu. Conforme demonstra a Figura 39, os canais de comercialização do cupuaçu identificados se caracterizam por diversos canais de distribuição, abrangendo vários setores intermediários entre o produtor e o consumidor final, inclusive, com a participação de agentes mercantis transacionando parte da produção para o âmbito estadual, correspondente ao mercado consumidor da RI Baixo Amazonas, mais especificamente do município de Santarém, onde se situa o mercado municipal (Mercadão 2000). Entre os canais de comercialização, o principal nível de canal de comercialização para o setor da produção local foi a venda direta de 42,4% da produção do cupuaçu identificado para as indústrias de transformação local (sorveterias e lanchonetes) e 37,4% para as indústrias de beneficiamento local (agroindústrias) (Figura 39). Enquanto que o setor da produção extralocal, com apenas 0,1% da produção identificada, vende tudo para a indústria de transformação local.
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    132 No que se refere às compras do demandante final local (consumidores), o principal canal foi através das vendas de 47,5% do setor de indústria de transformação (sorveterias e lanchonetes), que além de ter adquirido da produção local e extralocal, também comprou 4,7% dos atravessadores (varejo rural) e 0,3% do setor de beneficiamento (Figura 39). O consumidor local também adquiriu 2,4% do produto identificado em forma de polpa junto ao setor de beneficiamento local, 10,3% do setor de varejo urbano local, 2% diretamente da produção, sendo que estas duas últimas compras foram realizadas principalmente na safra do fruto in natura e/ou em polpas em feiras livres. Ainda no mercado local, para a indústria de beneficiamento (agroindústrias e associações) a principal forma de comercialização se desenvolveu com as compras de 33% da produção identificada em forma de polpa, intermediadas pela Conab (atacado local), a fim de suprir o consumo local, especificamente para atender a merenda escolar (Figura 39). No que se refere às quantidades deste fruto movimentadas no âmbito estadual, o setor de varejo urbano estadual adquiriu 4,8% da produção local identificada dos agroextrativistas advindos do município de Uruará, pertencente a RI Xingu. FIGURA 39- Estrutura (%) da quantidade amostral do cupuaçu comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do cupuaçu, no ano de 2010.
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    133 Os preços médios do cupuaçu praticados entre os diferentes agentes mercantis são determinados pela safra do fruto, pelo seu beneficiamento ou transformação e pela logística do mercado consumidor. O preço médio de compra de insumo (cupuaçu) praticado pela indústria de transformação local com os produtores locais foi de R$ 1,67/un., muito mais barato de quando adquiriu o fruto da produção extralocal (R$ 2,00/un.) (Figura 40). A indústria de beneficiamento, por sua vez, adquiriu o fruto a R$ 0,54/un. junto aos produtores locais, preço que basicamente reflete o fato de que a maioria desses produtores serem sócios e/ou membros da associação, que como já descrito anteriormente, são pequenas e médias agroindústrias (Figura 40). Por conseguinte estas indústrias após realizarem o beneficiamento vendem parte para a indústria de transformação ao preço de R$ 2,00, parte para o varejo urbano (R$ 1,66/un.). No entanto, estes preços são maiores que o praticado com o atacado (CONAB), sua maior demandante, de R$ 1,65/un.. No que tange ao preço médio pago pelo consumidor final da RI Xingu, o valor variou conforme a forma da sua preferência pelo fruto, pois quando comprou a polpa do fruto pagou para a indústria de beneficiamento local R$ 1,77/un. e, quando adquiriu o fruto in natura diretamente do produtor pagou R$ 1,72/un. e, junto aos feirantes pagou R$ 2,02/un.. E quando a preferência do consumidor foi pelo produto transformado em sucos, sorvetes, cremes e doces pagou o equivalente a R$ 7,75/un. (Figura 40). Já os consumidores estaduais pagaram R$ 1,05/un., junto ao varejo urbano estadual que adquiriu o fruto in natura dos produtores locais a R$ 0,83/un..
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    134 FIGURA 40- Preço médio do cupuaçu (R$/Kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.16 Borracha a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da borracha. Foram identificados dois agentes mercantis do produto, um na categoria de produtor e outro atravessador. O agente atravessador citou que está no ramo há 40 anos. O Quadro 15 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
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    135 QUADRO 15- Descriçãodos agentes mercantis na comercialização da borracha da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores representados pelos seringueiros que extraem o Produção látex das seringueiras, que após coagulado é vendido o produto Local borracha; Pequenos comerciantes (atravessadores) do interior dos Varejo rural municípios que compram a borracha dos extrativistas. Grandes empresas multinacionais que se dedicam na produção Indústria de Nacional de pneus e outros produtos utilizando a borracha como transformação matéria-prima principal. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Com relação a equipamentos e maquinários, o produtor citou possuir facões utilizados para riscar as seringueiras e cuias, que servem para aparar o látex, que após serem recolhidos das cuias são armazenados em sacas de 60 kg e são comercializados somente no período de seca. Como meio de transporte o produtor utiliza uma rabeta. E, para melhoria nas condições do trabalho relatou a necessidade de preço justo na comercialização. O atravessador possui um barco com capacidade de 300 kg, mas citou que a empresa é responsável pelo transporte da borracha até o seu destino final e comercializa a borracha o ano todo. Diz que é necessário, para melhoria na capacidade de produção, uma embarcação que comporte três toneladas do produto. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis da borracha. A borracha apresentou um canal de comercialização simples, com um setor intermediário, que comprou 100% da borracha produzida na RI Xingu (Figura 41), equivalente a R$ 5.960/kg, que foi comprada por R$ 1,80/kg pelo setor do varejo rural (atravessadores), que repassou a mesma quantidade do produto in natura para a indústria de transformação nacional ao preço de R$ 2,20/kg. O preço da indústria após transformação da borracha em pneus refere-se apenas ao preço de repasse, pois o setor não foi entrevistado.
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    136 FIGURA 41- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) da borracha na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.17 Buriti a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do buriti. O buriti é um fruto pouco comercializado nessa região, sendo identificado apenas um produtor que trabalha com o produto na forma de polpa que, vende paralelamente outras polpas regionais, tais como de cacau, açaí e cupuaçu. Este trabalha nesta atividade a seis anos e, paralelamente exerce a função de auxiliar de serviços gerais em um hospital da cidade. O Quadro 16 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 16- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do buriti da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extratores do buriti que coletam o fruto utilizando técnicas semelhantes à da coleta do açaí. Após a coleta realizam o Produção beneficiamento caseiro do fruto, que consiste no amolecimento Local do fruto e em seguida o despolpamento manual com auxilio de colheres; Indústria de Lanchonetes que adquirem a massa extraída dos frutos transformação (composta de polpa e casca) e as transformam em sucos. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    137 Toda a produção é armazenada em freezers em sua residência e para retirar a polpa dos frutos possui os equipamentos: despolpadeira de açaí e tesouras. Como meio de transporte utiliza uma bicicleta para distribuir a polpa em lanchonetes da cidade. Estão envolvidas nesta atividade três pessoas, membros da mesma família, fato este que torna a renda basicamente familiar. Para melhoria nas condições de comercialização o agente declara a necessidade de financiamento para aquisição de mais freezer e despolpadeira de açaí. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis do buriti. A comercialização de 840 quilos deste produto se dá somente a nível local, com o setor da produção beneficiando o fruto com a retirada da polpa, que são vendidas ao preço de R$ 5,00/kg para a indústria de transformação (lanchonetes), cujo produto é consumido na forma de sucos pelos consumidores finais a R$ 6,25/kg (Figura 42). FIGURA 42- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do buriti na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.18 Utensílios a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização de utensílios. Foram identificados três agentes que comercializam os produtos, um na categoria de comerciante e dois artesãos, sendo que estes comercializam outros produtos como, castanha-
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    138 do-brasil, açaí, cascade ipê, unha-de-gato, leite de sucuúba, andiroba e óleo de pracaxi. Os agentes mais antigos trabalham neste ramo há 35 anos e o mais recente há um ano. Os utensílios encontrados foram: vassoura regional de cipó timbó, cesto de palha, paneiro de guarumã, peneira de guarumã e tipiti feito de fibra de guarumã. Os agentes possuem armazém com tamanhos que variam de 50m2 a 200m2. Com relação ao meio de transporte, estes agentes utilizam carro, moto, rabeta e bicicletas. Os equipamentos utilizados pelos artesões para confecção dos utensílios são faca, tesoura, grampos, tachas, barbante, cola, tinta, verniz, lápis, fita métrica, compasso e martelo. E os comerciantes dispõem apenas de uma calculadora e balanças. No que tange a quantidade de pessoas que trabalham na atividade, estas variam de duas a três pessoas envolvidas. No caso de um artesão são apenas dois membros familiares envolvidos. Outro artesão recebe a participação de trabalhos vindos de índios de oito etnias na fabricação dos utensílios. A produção dos artesões é feita durante o ano todo e a renda é dividida entre todos. Já o comerciante trabalha durante o ano todo e paga o valor de um salário mínimo para cada um dos seus três funcionários. Para melhoria da produção, os agentes citaram a necessidade de espaço físico maior, além de aquisição de produtos na região. O Quadro 17 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização de utensílios, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 17- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos utensílios da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores e artesãos que extraem ou compram as matérias primas, como cipós, palhas, fibras de guarumã e outros produtos Produção oriundos da floresta nativa, para confeccionarem os utensílios (vassoura de cipó timbó, cesto de palha, paneiro, peneira e tipiti Local de guarumã); Agentes que compram utensílios da produção local, que Varejo urbano possuem pontos comerciais nos municípios e vendem ao consumidor local. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un.) entre os setores mercantis dos utensílios. A cadeia de comercialização dos utensílios se restringe apenas a RI Xingu, com apenas um setor intermediário (Figura 43). Os varejistas urbanos (comerciantes) compram 90,4% da produção identificada, ao preço médio de R$ 3,09/un. e, revendem para o
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    139 consumidor final locala R$ 4,86/un.. Já o consumidor final compra 9,6% diretamente da produção ao preço médio de R$13,89/un.. FIGURA 43- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) dos utensílios na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.19 Castanha-do-brasil óleo a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do óleo da castanha-do-brasil. Foi identificado um agente mercantil do produto, que atua no ramo há três anos. O mesmo trabalha com outros produtos como: óleo de andiroba e copaíba. O Quadro 18 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 18- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do óleo da castanha-do- brasil da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção extrativista dos municípios estudados que realizam a Local Produção coleta da castanha e posterior extração do óleo de forma artesanal. Comercializam o óleo em garrafas. Uma unidade industrial de cosméticos, situada na região metropolitana de Belém, que realiza o processamento de Indústria de Estadual sementes e frutos com a extração e refino do óleo, transformação provenientes de fornecedores que coletam os frutos e sementes em florestas nativas. Nacional Varejo urbano Lojistas e autônomos que comercializam cosméticos. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    140 O produtor possui área localizada em Uruará, com lote de 100 ha, de onde coleta as castanhas. Possui três barracões de 48 m2 como local para armazenamento. Não possui transporte. Utiliza as seguintes máquinas: triturador, secador e prensa. O equipamento refere- se a um gerador que fornece energia para a comunidade. São envolvidas na atividade 25 famílias extrativistas, que recebem R$ 30,00/diária. No que tange a melhoria na capacidade de produção, o agente declara a viabilidade de uma fábrica de beneficiamento próxima ao local, pois a atual fica a 40 km. E também gostaria de um projeto de reflorestamento, pois o local da coleta tem sido em área de reserva extrativista. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/l) entre os setores mercantis do óleo da castanha-do-brasil. O setor da produção local vende exclusivamente a quantidade de 100% do óleo (equivalente a 150l) para o setor da indústria de transformação estadual (empresa de cosmético) ao preço médio de R$ 24,00/l (Figura 44). Este setor depois que compra da produção, realiza o refino do óleo, e deposita em embalagens, pois consegue adquirir uma maior lucratividade. O preço médio de venda do óleo da castanha-do-brasil praticado pela indústria de transformação com o varejo urbano nacional (lojas) foi estimado, pois a indústria de transformação estadual ainda não foi entrevistada, portanto o preço de venda real praticado não foi identificado.
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    141 FIGURA 44- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) do óleo da castanha-do-brasil na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.20 Leites a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização dos leites. Nesta cadeia foram agrupados dois produtos: leite-de-amapá e leite-de-sucuúba, sendo ambos comercializados com finalidades medicinais. Foram identificados dois agentes mercantis dos leites, que estão no ramo há 10 e 35 anos. Os mesmos trabalham com outros produtos, tais como: castanha-do-brasil, copaíba, óleo de andiroba, semente de cumaru, unha-de-gato, uxi amarelo, casca preciosa, verônica, mel e jucá. O Quadro 19 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 19- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos leites da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção é composta por extrativistas que retiram o leite Produção (seiva) com o uso de ferramentas simples; Local Varejo urbano Feirantes que revendem o produto fracionado ou em litro. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    142 Referente ao local para armazenamento e comercialização, os agentes possuem entre um e dois pontos, com dimensões que variam de 12 m² a 200 m2. Possuem uma balança eletrônica e calculadoras. A mão de obra é basicamente familiar. O agente declara que há dificuldade de escoamento da produção em períodos de inverno, visto que as estradas se tornam intrafegáveis. Como meios de transportes utilizam carro, moto e bicicletas. O produto é comercializado durante todo ano, a mão de obra em número de um a três, se divide em familiar e externa, com um agente pagando o valor de um salário mínimo para cada um de seus três contratados. Os problemas relatados pelos agentes se referem a questão de espaço físico insuficiente, falta de incentivo do governo e necessidade de melhorias na infraestrutura das estradas. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/l) entre os setores mercantis dos leites. A comercialização dos leites apresentou um canal indireto com a presença de um setor intermediário entre a produção e o consumidor. O canal segue com o varejo urbano representado por feirantes comprando da produção uma quantidade de 130l de cada tipo de leite, ao preço de R$ 9,85/l e, vendendo para o consumidor final, ao preço de R$ 15,00/l (Figura 45). FIGURA 45- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) dos leites na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    143 4.3.21 Óleo dePiquiá a) Caracterização do agente mercantil envolvido na cadeia de comercialização do óleo de piquiá. Foi identificado um agente mercantil do produto, que atua no ramo há oito anos. O mesmo trabalha com outros produtos como: óleo de andiroba, barbatimão e copaíba. O Quadro 20 apresenta a caracterização do agente envolvido na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 20- Descrição do agente mercantil na comercialização do óleo de piquiá da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores do óleo de piquiá, que fazem a coleta do fruto e Produção extração artesanal do óleo; Local Feirantes do óleo de piquiá, que comercializam o produto para Varejo urbano fins medicinais em pequenas embalagens de vidro. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produto é comercializado durante todo ano em um box na feira, com dimensão de 2 3 m , e a mão de obra utilizada é familiar. O mesmo não possui maquinários, equipamentos e transporte. O tempo de trabalho com o comércio é de segunda a sexta, durante o ano todo. Segundo relato do agente, não há outro que comercialize o produto no mesmo mercado e que, provavelmente, o produto seria encontrado somente em outro estabelecimento que também trabalha com remédios caseiros e plantas medicinais. Porém, não foi possível contato com a responsável que se encontrava fora da cidade. Para melhoria na capacidade de produção, o agente declara a necessidade de ampliação do espaço físico cedido no mercado para que ele possa vender mais produtos medicinais. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/l) entre os setores mercantis do óleo de piquiá. A comercialização de 120l deste produto ocorreu somente a nível local com o setor da produção do óleo vendendo 100% para o varejo urbano ao preço de R$ 20,00/l, representado por feirantes que venderam ao consumidor final ao preço de R$ 133,30/l em frascos menores (Figura 46).
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    144 FIGURA 46- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) do óleo de piquiá na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.22 Breu-branco a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do breu-branco. Foram identificados três agentes que comercializam o produto, sendo que um comercializa exclusivamente o breu e os demais trabalham com outros produtos, tais como: açaí fruto, tipiti, mel, castanha-do-brasil, semente de cumaru, carvão, vassoura de cipó-titica, óleo de pracaxi, peneira de cipó-titica, casca preciosa, cacau, casca de verônica, casca de ipê- roxo, casca de unha-de-gato, leite de sucuúba, leite-de-amapá, copaíba, óleo de andiroba, casca de sucuúba e paneiro de cipó-titica. Os agentes estão inseridos nas categorias de varejistas e comerciantes, e os mais recentes estão há 5 anos e os mais antigos há 35 anos no ramo. Um deles exerce também a profissão de pescador. O Quadro 21 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
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    145 QUADRO 21- Descriçãodos agentes mercantis na comercialização do breu-branco da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção Extrativistas que coletam a resina do breu-branco; Local Atravessadores que adquirem dos extrativistas a resina do Varejo rural breu-branco. Feirantes e os comerciantes, que compram o breu-branco e revendem, por conta de suas diversas utilizações, como Nacional Varejo urbano impermeabilizante de embarcações como um verniz natural, como medicinal e como defumador, incenso em rituais religiosos. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produto é comercializado durante o ano todo, a mão de obra em parte é externa, sendo pago o valor de um salário mínimo para seus funcionários e, no caso de ser familiar a mão-de-obra serve como complemento de renda para as famílias. Referente à comercialização, em geral o breu-branco é comercializado com outros produtos. Os pontos de venda identificados têm dimensões variadas, o maior possui cerca de 200 m². Como meio de transporte os agentes utilizam barco, moto, bicicleta e carro. Os equipamentos mais comuns utilizados nesta cadeia são a balança e a calculadora. Para melhoria nas condições de comercialização, os agentes declararam a necessidade de aquisição de novos pontos de comércio e melhoria na infraestrutura dos já existentes. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis do breu-branco. Como podem ser visualizados na Figura 47 a estrutura de comercialização do breu- branco se caracteriza por canais simples, com dois setores intermediários e foco somente na região estudada. A quantidade total encontrada foi de 780 quilos do produto. O varejo rural (atravessadores) comprou da produção 15,4% da quantidade identificada do breu-branco, ao preço médio de R$ 1,00/kg e, vendeu ao preço de R$ 1,50/kg para o varejo urbano, que também comprou 84,6% direto da produção e vendeu 100% para os consumidores locais, ao preço médio de R$ 2,38/kg, para ser utilizado na impermeabilização de embarcações, como medicinal e como defumador, incenso em rituais religiosos.
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    146 FIGURA 47- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do breu-branco na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.23 Carvão a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do carvão Foram identificados na RI Xingu quinze agentes mercantis do carvão (Figura 48), sendo que dez comercializam exclusivamente este produto, e os demais trabalham com mel, açaí, polpa de cupuaçu, cacau, taperebá, tipiti e breu-branco. Dentre os agentes, foi localizada no município de Anapu uma central de carbonização, mais conhecida como carvoaria, que trabalha de forma legalizada, de acordo com as leis ambientais, sendo um referencial no município. A produção da mesma tem como destino as siderúrgicas do município de Marabá. O comércio é realizado em grande parte por atravessadores e comerciantes que compram direto dos pequenos produtores.
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    147 FIGURA 48- Localização dos agentes mercantis do carvão na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os agentes envolvidos nesta cadeia estão neste ramo em média há sete anos (variação de 1 a 35 anos) e quatro deles exercem profissões paralelas de proprietário de bar, açougueiro e aposentados. Os agentes em geral, possuem propriedade rural com extensões que variam de 0,5 a 200 hectares, localizadas em Pacajá e Senador José Porfírio. Apesar de possuírem áreas, a produção do carvão é feita em frente ou próximo às madeireiras. Com relação à armazenagem dos produtos, onze deles (um varejista, três atravessadores, quatro comerciantes e três produtores) dispõem de locais com dimensões que variam de 9 m² a 800 m², e quatro produtores não possuem. Os meios de transporte mais utilizados nesta atividade são carros de mão, dois caminhões julieta (com duas gaiolas, com capacidade para 60 m3 e 135m³), balsa com capacidade para seis toneladas, motos com carroça (capacidade para 1 lata), e caminhoneta (capacidade para 150 sacolas). Um produtor paga frete para o transporte da produção até os comércios, porem não informou o valor pago. Os equipamentos e materiais mais comuns na atividade são balanças, fornos, caçambas, laminadores, calculadoras, enxadas, pás, carros de mão, botas, latas e sacolas, utilizados por cerca de 90% dos agentes. A indústria dispõe de uma estrutura com caminhões de alta capacidade, 220 fornos “rabo quente” dentre outros equipamentos necessários para a atividade. Boa parte da produção é realizada com aproveitamento de refugo de madeira das serrarias nos fornos ou em caieiras. As caieiras são buracos feitos no chão com dimensões de
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    148 4m² onde ficamempilhados refugos de madeira dispostos longitudinalmente, que quando cobertas com areia formam uma espécie de forno. No Quadro 22 estão descritas a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização do carvão, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 22- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do carvão da RI Xingu, estado do Pará, no período de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Existem dois tipos categorias de agentes: a) composta por pequenos agricultores que produzem o carvão a partir da matéria-prima proveniente da limpeza dos seus terrenos, ou da Produção matéria-prima dispensada das serrarias (refugo), feitos em buracos cavados no chão, conhecidos como “caieiras” ou em fornos artesanais de barro. b) composta por uma madeireira Local que produz o carvão a partir de seu próprio refugo, utilizando fornos tipo “rabo quente” como sistema de carbonização; Varejo rural Agentes que se deslocam até as comunidades para comprar o carvão diretamente dos carvoeiros; Comerciantes e feirantes que compram o carvão em sacas de Varejo urbano 15 kg dos produtores e fracionam ou não em sacolas plásticas de 5 kg. Agentes que comercializam grandes quantidades de carvão Estadual Atacado diretamente com o setor siderúrgico estadual. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A mão de obra empregada é, na maioria dos casos, familiar, a qual serve como complemento financeiro para as famílias que, em alguns casos, sobrevivem desta atividade em situação bastante precária. Um agente produtor adota o sistema de meia com seu “ajudante”, cedendo a área e os equipamentos para produção do produto e o lucro obtido com a venda, é dividido entre eles. A empresa paga seus funcionários de acordo com a categoria. Foi informada a existência de vários agentes em vários pontos das cidades visitadas. Os problemas relatados são decorrentes da falta de espaço físico ou mesmo as más condições dos mesmos. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do carvão. Os canais de comercialização do carvão identificados nos dez municípios se caracterizam por canais simples, que apresentam apenas três setores intermediários que são o varejo rural, o varejo urbano local e o atacado estadual que comercializam diretamente com os consumidores locais e estaduais, neste caso a produção identificada da RI Xingu envia 99% para as guseiras da RI Carajás (Figura 49). Os varejistas rurais compram somente 0,7% da
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    149 produção identificada, sendo0,5% vendidos para os consumidores locais e 0,2% para os varejistas locais. Destaca-se a venda direta do setor da produção para o consumidor estadual comercializando 98,8% da produção identificada, neste caso trata-se de uma madeireira já descrita no Quadro 22, vendendo para as guseiras localizadas no município de Marabá (RI Carajás). Ainda no sistema estadual o setor atacadista (atravessadores) compra diretamente da produção 0,2% que por sua vez vende também para as guseiras (Figura 49). FIGURA 49- Estrutura (%) da quantidade amostral do carvão comercializado na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do carvão, no ano de 2010. O preço médio de venda praticado pelos produtores de carvão dos municípios estudados varia conforme a finalidade da utilização do carvão, ou seja, se for utilizado como bem de consumo (ou bem final) ou como insumo (bem intermediário). Assim, o preço adotado pelo carvoeiro quando vende diretamente para o consumidor local é R$ 9,77/saca, com o varejo urbano local R$ 13,27/saca e com o varejista rural R$ 5,85/saca (Figura 50). O preço médio praticado pelos produtores de carvão na venda para o setor do atacado estadual foi de R$ 3,33/saca (Figura 50). Por outro lado, o preço de venda com os consumidores estaduais (guseiras de Marabá) foram em média de R$ 9,50/saca.
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    150 FIGURA 50- Preço médio do carvão (R$/saca) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.24 Uxi a) Caracterização do agente mercantil envolvido na cadeia de comercialização do uxi. Foi identificado um agente mercantil do fruto do uxi in natura, o qual é varejista e trabalha com vários produtos, tais como: cupuaçu, castanha-do-brasil, muruci, taperebá, ingá, bacuri e pupunha. Trabalha neste ramo a cerca de quatorze anos, em um ponto comercial de 31 m². O Quadro 23 apresenta a caracterização do agente envolvido na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 23- Descrição do agente mercantil na comercialização do uxi da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Agroextrativistas que realizam manualmente a colheita na Produção safra dos frutos maduros; Local Comerciantes que vendem o fruto in natura para o consumidor Varejo urbano local. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    151 A atividade é realizada durante o ano todo, isto se dá pelo fato do uxizeiro produzir continuamente, variando apenas na quantidade de frutos produzidos. Como meio de transporte utiliza uma carroça e os equipamentos utilizados para esta atividade constam de balança e isopores para acondicionar os frutos, pois o produto é comercializado in natura. A declarante trabalha sozinha no seu ponto comercial, que funciona em horário comercial durante o ano todo. Para melhoria nas condições de comercialização, declara haver necessidade de aquisição de um freezer para congelar a polpa do produto. Segundo informações, existem vários agentes que comercializam o produto in natura ou lanchonetes e sorveterias que beneficiam em forma de sorvetes, picolés e sucos. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un.) entre os setores mercantis do uxi. Como pode ser observado na Figura 51, 100% da produção identificada foi vendida diretamente para o varejo urbano local, ao preço médio de R$ 0,08/un. do fruto in natura, e este vendeu para os consumidores locais ao preço de R$ 0,12/un.. FIGURA 51- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do uxi na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.25 Açaí (semente) a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do açaí (semente). Foram identificados cinco agentes que comercializam o produto, sendo quatro artesões e um produtor, que trabalham com outros produtos utilizados para artesanato como
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    152 semente de jarina,castanha-do-brasil, cipó-titica, inajá, sapucaia, buriti, olho-de-boi, saboneteira, murumuru e coratá. O tempo no ramo com o artesanato é, em média, de seis anos (com variação de 3 a 10 anos). O Quadro 24 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 24- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do açaí (semente) da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extralocal Produtores/comerciantes de Belém que vendem as sementes de Produção açaí já beneficiadas para os artesões da RI Xingu. Artesões que participam de associações em que realizam o Produção beneficiamento da semente do açaí para, posteriormente, produzirem as peças de artesanatos; Local Indústria de Associações de artesões que produzem peças artesanais transformação utilizando a semente de açaí como um dos insumos; Atacado Associações de artesões que vendem as peças artesanais com semente de açaí, produzidas pelos associados. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Dentre os agentes há um produtor, dono de uma área de 200 hectares localizada em Porto de Moz. As artesãs produzem seus objetos com materiais retirados da floresta e outros comprados de produtores ou artesãos que beneficiam as sementes. Os locais utilizados são galpões ou barracões de alvenaria, com dimensões que variam de 15 m2 a 80 m2. Com relação a meios de transporte, dois agentes (artesã e produtor) citaram possuir duas motos, um caminhão e um barco com capacidade para cinco toneladas. Os equipamentos utilizados para confecção das peças são alicates, lixadeiras, polidor, tesouras, facas, serras, furadeiras, agulha, arame, tachas, grampos, máquina de costura, martelos, tinta, barbante, cola, lixas, massa de biscuit e pincel. O problema relatado em relação ao armazenamento refere-se à necessidade de um galpão maior e mais arejado, e o entrave para a melhoria da produção refere-se à falta de maquinários adequados. A quantidade de pessoas envolvidas na produção varia de 2 a 66 associados, que trabalham por encomenda ou com vendas diárias, durante o ano todo. Com relação ao funcionamento das lojas que vendem artesanato, estas trabalham em horário comercial durante o ano todo, com exceção de uma lojinha em Altamira, que funciona das 18h as 23h, a qual conta com a ajuda de uma vendedora que também é artesã. A forma de pagamento para os artesões está relacionada ao produto vendido, sendo que estes repassam 15% do valor para
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    153 a associação quecede lugar para exporem (venderem) seus produtos, já outras associações dividem o total apurado pelo número de artesões que trabalharam. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do açaí (semente). A cadeia de comercialização do açaí semente é composta pelos setores da produção local e extralocal e pelos intermediários: indústria de transformação e atacado local. O principal elo desta cadeia refere-se ao setor da indústria de transformação local (associações de artesões) que compra toda a produção local identificada na RI Xingu (51,4%) e mais 39,1% proveniente da produção extralocal (Belém RI Metropolitana), abastecendo com 90,5% o consumidor local (Figura 52). Os 9,5% restantes da produção extralocal são comercializados com o atacado local, que se refere a uma associação, que revende o artesanato para o consumidor final. FIGURA 52- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí (semente) na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do açaí (semente), no ano de 2010. O setor da indústria de transformação local (associações de artesões) compra da produção local ao preço médio de R$ 8,00/kg da semente de açaí, e da produção extralocal ao preço médio de R$ 7,41/kg (Figura 53). Após a confecção de peças como quadros, chaveiros e biojóias este setor vende ao consumidor final ao preço médio de R$ 123,42/kg. O setor do atacado local comprou da produção extralocal ao preço médio de R$ 8,00/kg e revendeu ao consumidor local o produto final ao preço de R$ 69,00/kg.
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    154 FIGURA 53- Preço médio do açaí (semente) (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Xingu, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.26 Bacaba a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da bacaba. A bacaba é pouco comercializada na RI Xingu, foi identificado apenas um agente mercantil do produto que atua no ramo há cerca de 10 anos, este, além da bacaba comercializa também o açaí, sendo que em maior quantidade. O Quadro 25 apresenta a caracterização do agente envolvido na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 25 - Descrição dos agentes mercantis na comercialização da bacaba da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção agroextrativa da bacabeira identificada em Produção municípios da RI Xingu; Local Indústria de Batedores de bacaba que utilizam o mesmo maquinário para beneficiamento extração da polpa do açaí. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produto é comercializado somente na safra, em um ponto residencial de 7 m2. A mão de obra é exclusivamente familiar. Como ferramentas e equipamentos de trabalho utiliza geladeira, freezer, purificador de água e máquina despolpadeira de açaí.
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    155 Foi informada a existência de outros agentes na cidade que trabalham com o produto, todavia não foram localizados. Para melhoria nas condições de comercialização, o agente informou a necessidade da aquisição de espaço físico maior para vender a bacaba em porções, como forma de aceitação e atração do cliente. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg in natura) entre os setores mercantis da bacaba. A estrutura da comercialização da bacaba apresenta um canal simples com apenas um setor intermediário (ind. beneficiamento) entre a produção e o consumidor local (Figura 54). O batedor de bacaba compra 100% da produção local ao preço de R$ 0,60/kg e após beneficiamento do fruto vende a polpa para o consumidor final por R$ 1,71/kg. FIGURA 54- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg in natura) da bacaba na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.27 Bacuri a) Caracterização do agente mercantil envolvido na cadeia de comercialização do bacuri. Foi identificado um agente mercantil do produto, inserido na categoria de varejista e que também comercializa outros produtos regionais como: uxi, taperebá, pupunha, muruci, castanha-do-brasil e cupuaçu. O local de venda do varejista possui dimensão de 31,5 m², não necessita de equipamentos ou maquinários visto que o produto é vendido in natura e por unidade. Como
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    156 meio de transporteutiliza uma carroça e, para melhoria nas condições do trabalho, necessita de equipamentos para beneficiamento do produto em polpa a fim de garantir melhor preço. O agente trabalha neste ramo há 14 anos e o produto é comercializado somente na safra, em horário comercial. O Quadro 26 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 26- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do bacuri da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Coletores do fruto de bacuri, que comercializam o produto in Produção natura; Local Comerciantes que vendem o fruto in natura para o consumidor Varejo urbano local. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un. fruto in natura) entre os setores mercantis do bacuri. O fluxo de comercialização do bacuri é destinado 100% da produção local para o varejo urbano local, representado por comerciantes que compram dos coletores ao preço médio de R$ 0,42/un. do fruto in natura (Figura 55). Os feirantes revendem para o consumidor final local ao preço de R$ 0,62/ un..
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    157 FIGURA 55- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un. fruto in natura) do bacuri na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.28 Pupunha a) Caracterização do agente mercantil envolvido na cadeia de comercialização da pupunha. Foi identificado um agente mercantil do produto, que atua no ramo há quatorze anos, sendo que trabalha com outros produtos como: taperebá, açaí fruto, cupuaçu fruto, uxi, bacuri fruto, castanha-do-brasil e polpa de cacau. O Quadro 27 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores. QUADRO 27- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da pupunha da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Agentes envolvidos na retirada dos cachos de pupunha Produção encontrada nos municípios da região; Local Comerciantes que vendem em cacho ou em quilo o fruto in Varejo urbano natura para o consumidor local. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produto é comercializado em um espaço de dimensão equivalente a 30 m2 e, como meio de transporte, é utilizada uma carroça. A venda é realizada apenas pelo proprietário que trabalha durante o ano todo. Com relação a equipamentos, possui uma balança e um isopor.
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    158 Para melhoria na capacidade de produção, o agente declara a necessidade de ampliação do espaço físico e a compra de equipamentos para beneficiamento dos frutos. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/cacho) entre os setores mercantis da pupunha. De acordo com a Figura 56 o canal da pupunha é simples, apresentando somente o varejo urbano como intermediário, sendo comercializado in natura em quilo ou em cacho, somente na safra. O comerciante local (varejo urbano) compra diretamente da produção ao preço médio de R$ 6,00/cacho e revende para o consumidor local a R$ 7,50/cacho (Figura 56). FIGURA 56- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/cacho) da pupunha na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.29 Pracaxi óleo a) Caracterização do agente mercantil envolvido na cadeia de comercialização do óleo de pracaxi. Foi identificado um agente mercantil do produto, que atua no ramo há 35 anos, sendo que o mesmo trabalha com outros produtos, tais como: óleo de andiroba, barbatimão, verônica, ipê-roxo, taperebá, açaí fruto, cupuaçu fruto, uxi, bacuri fruto, pupunha, castanha- do-brasil, polpa de cacau e copaíba. O Quadro 28 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores.
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    159 QUADRO 28- Descriçãodos agentes mercantis na comercialização do óleo de pracaxi da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS O óleo é obtido a partir da polpa e da semente de pracaxi, através do processo natural de pressão fria sem solventes ou substâncias químicas. Este processo de extração permite a Produção manutenção das melhores propriedades da semente, Local produzindo óleos superiores em termos de qualidade e estabilidade; Comerciantes do óleo de pracaxi, que comercializam o produto Varejo urbano para fins medicinais, já embalado. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produto é comercializado em um armazém de 200 m2, e como meio de transporte é utilizado moto, carro e bicicleta. São três pessoas envolvidas na comercialização do óleo de pracaxi, que recebem um salário mínimo e trabalham durante o ano todo. Com relação a equipamentos, possuem uma balança e uma calculadora. Para melhoria na capacidade de produção, o agente necessita ampliar o espaço físico e obter incentivo ao reflorestamento com espécies de valor econômico para o mercado. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/l) entre os setores mercantis do óleo de pracaxi. A comercialização de 10l deste produto se dá somente a nível local com o produtor beneficiando o fruto para a retirada do óleo (Figura 57), que são vendidos 100% ao preço de R$ 15,00/l para o varejo urbano, representado por comerciantes que vendem ao preço de R$ 20,00/l para o consumidor final.
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    160 FIGURA 57- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) do óleo de pracaxi na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.3.30 Cipó-titica a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do cipó-titica. Foram identificados três agentes na cadeia deste cipó, sendo duas associações de produtores, isto é, extrativistas, e uma associação de mulheres que utilizam este cipó como matéria prima na fabricação de produtos finais. E devido a sua função social foi classificado como setor de atacado. Uma das associações extrativistas informou trabalhar com a venda de cipó-titica há mais de dez anos. E a maior dificuldade encontrada por ambas associações extrativistas, foi a falta de espaço para o trabalho dos associados (25 e 9 na outra), ou seja, de um galpão onde possam além de fabricar também estocar, pois uma associação conta com mais de 200 hectares de terra. Para o escoamento eles utilizam um barco com capacidade entre 5 e 6 toneladas. Além deste cipó, uma das associações extrativista, a qual tem como lema o desenvolvimento sustentável, comercializa outros produtos6. Já a associação de mulheres funciona há oito anos e conta com mais de 70 mulheres artesãs associadas. A maior dificuldade da associação, no que se refere à comercialização, é a falta de um ponto fixo para a exposição dos produtos e, devido a isso, durante o ano a produção fica condicionada a encomendas, o mesmo acontece com as associações extrativistas. Quanto à produção, a 6 Óleo de andiroba e copaíba, mudas de árvores para fins comerciais, tal como: angelim, copaibeira, outras.
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    161 associação de mulheresainda não conta com uma infraestrutura grande o suficiente para o estoque, logo, o que for fabricado fica na casa dos associados. Os instrumentos de trabalho dos artesãos associados são: alicate, furadeira, martelo, vários tipos de lixa, linha, verniz e arames de vários tipos e, entre outros. O Quadro 29 apresenta a classificação dos agentes mercantis de acordo com seus respectivos setores e mercados. QUADRO 29- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cipó-titica da RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Associações de extrativistas que colhem o cipó- titica e Produção vendem tanto in natura quanto um produto acabado: estante, conjunto de mesa, cestas, bolsas, porta retrato, vassouras; Local Uma associação de mulheres, localizada em Porto de Moz, que utiliza o cipó-titica como insumo na fabricação de produtos Atacado finais: estante, conjunto de mesa, cestas, bolsas, porta retrato, vassouras, sendo estes os mais comercializáveis. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis do cipó-titica. Conforme Figura 58, a comercialização deste produto se desenvolveu sem muita complexidade, uma vez que, da produção total identificada, 100% foi transacionada com o setor de atacado local (correspondente a uma associação do município de Porto de Moz), que deste total venderam 67,1% diretamente ao consumidor estadual: sendo metade para os consumidores de Santarém (pertencente a RI Baixo Amazonas) e a outra metade aos consumidores de Belém (da RI Metropolitana). O restante, o atacadista, composto por uma associação, 32,9% diretamente para o consumidor local. O setor atacadista local comprou o cipó dos extrativistas ao preço médio de R$ 1,00/kg, que, por conseguinte vendeu aos consumidores finais de outras regiões de integração, ou seja, aos consumidores no âmbito estadual ao preço médio de R$ 5,94/kg (Figura 58). No entanto, quando o setor vendeu aos consumidores finais locais, ele adquiriu um preço médio de R$ 6,39/kg.
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    162 FIGURA 58- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do cipó-titica na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. 4.4 ANÁLISES AGRUPADAS Ao analisar do ponto de vista do somatório das vendas realizadas pelos setores econômicos diretamente aos consumidores finais, ou seja, as vendas pela ótica da demanda final dos produtos florestais não madeireiros produzidos e comercializados a partir da RI Xingu, alguns com origem de produção de regiões vizinhas (Tabela 2), identifica-se que do total contabilizou mais de R$ 488,1 milhões, o sistema nacional foi responsável por 98,2% da demanda final, pois efetuou compras no valor de R$ 479,4 milhões, em seguida vem o mercado estadual cuja demanda foi equivalente a R$ 4,6 milhões (que corresponde a 1% da demanda total) e, por fim, o mercado local com demanda em quase R$ 4,1 milhões, equivalente a 1% do valor da demanda total.
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    163 TABELA 2- DemandaFinal (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados nos dez municípios da Região de Integração Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Ao fazer a classificação por percentagem relativa das demandas por produtos pelas três escalas regionais, os mais demandados pelo mercado nacional foram: o cacau amêndoa, a borracha e o óleo oriundo da castanha-do-brasil com 100% das suas ofertas demandadas pelo mercado nacional e; o urucum com representatividade de 60% do que foi ofertado para o mercado nacional (Tabela 2). No que diz respeito ao mercado estadual, só o palmito teve 100% das suas demandas efetuadas pela escala estadual, enquanto que o carvão, castanha-do- brasil e o cipó-titica obtiveram, respectivamente, 99%, 96% e 65% no mercado estadual e, enquanto o restante das compras do carvão e do cipó-titica foram realizados na escala local, a
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    164 castanha, por suavez, foram demandadas nas outras duas escalas: 1% localmente e 4% a nível nacional. Com relação ao mercado local dos dez municípios que compõem a RI Xingu, os produtos que tiveram suas demandas somente no nível local, ou seja, produtos que tiveram tanto a oferta quanto a demanda na própria região foram: taperebá, muruci, plantas medicinais, mel, artesanato regional, óleo de piquiá, utensílios, açaí semente, buriti, leites, breu-branco, bacaba, artesanato indígena, uxi, bacuri, pupunha, óleo de pracaxi e a priprioca. Os demais (cupuaçu, cacau fruto, copaíba, açaí e a andirobá) tiveram suas demandas efetuadas em consócios com outras escalas regionais, às vezes com o mercado estadual ou nacional, variando conforme a especificidade e utilidade do produto (Tabela 2). Quanto à análise desses produtos da Tabela 2 é individualizada e em termos de valor, a demanda do açaí se configurou como sendo o recurso mais demandado na escala local, cujo total se aproximou dos R$ 1,2 milhão, que assim como a nível estadual (demonstrado em análises de outras regiões, tal como Rio Caeté), demonstrou ser uns dos mais importantes produtos para a economia local, principalmente pela sua importância na alimentação diária das populações locais. No âmbito estadual o recurso mais demandado foi a castanha-do-brasil, com um valor correspondente a R$ 3,2 milhões, onde esta matéria prima é beneficiada em bens de consumo pela indústria localizada na RI Metropolitana, mais especificamente em Belém, por processos automatizados responsáveis pela melhoria da qualidade do produto final. E, por fim, o cacau amêndoa foi o recurso mais demandado, a partir da RI em análise, a nível nacional, com um valor superior a R$ 477,8 milhões, a fim de suprir a demanda das indústrias de moagem e trituração e, em seguida, para a alimentícia (chocolateira). No que compete verificar qual mercado mais contribuiu para a formação do valor adicionado (VAB) aos produtos florestais não madeireiros da RI Xingu, estimado em R$ 488,1 milhões, conforme Tabela 3, o mercado local agiu de forma preponderante, pois os seus conjuntos de setores adicionaram R$ 296,1 milhões, que representa 61% do VAB total, o sistema estadual adicionou mais de R$ 5,8 milhões (1% do VAB total) e na esfera estadual foram adicionados R$ 186,3 milhões (38% do VAB total).
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    165 TABELA 3- ValorAdicionado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados nos dez municípios da Região de Integração Xingu, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Esta averiguação do valor agregado e/ou adicionado é importante para se entender a economia dos PFNM da RI em estudo seja ela local para a maioria dos produtos identificados, ou estadual tal como aconteceu com a castanha-do-brasil, e ainda nacional como no caso do cacau amêndoa, em que grande parte das respectivas produções foram para fora do estado do Pará, para ser beneficiado e/ou transformado pelo setor de indústria, os quais adicionaram
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    166 90% e 40%do seu valor total agregado, respectivamente. Ainda na esfera estadual, o palmito obteve 40% de agregação de valor no âmbito estadual (Tabela 3). Entre o VAB constituído pelos produtos exclusivamente ou com predomínio no mercado local e, orçado em mais de R$ 484,3 milhões (Tabela 3), o cacau amêndoa, urucum e o açaí tiveram uma proeminente participação, considerando-se a quantidade de produtos, pois juntos foram responsáveis por mais de 99% deste valor, sendo que desde valor 61% no caso da amêndoa, 73% no caso do urucum e 98% no caso do açaí seus VAB foram constituídos na própria RI. No caso do cacau amêndoa, o seu valor adicionado no âmbito local R$ 289,6 milhões, representou o maior valor entre todos os produtos identificados, ressaltando-se, no entanto, que este produto agregou valor nas três escalas regionais. Quando se analisa o valor agregado levando em consideração os produtos escalonados em categorias, conforme a Tabela 4, a categoria dos alimentícios foi quem mais adicionou valor, equivalente a R$ 486,9 milhões, contribuindo com mais de 99% na formação do VAB total (R$ 488,1 milhões). Este VAB dos alimentícios foi oriundo da agregação de valor obtida nas três esferas regionais: local (61%), estadual (1%) e nacional (38%), sendo que o percentual do mercado nacional foi mais em função do cacau amêndoa, pois o seu valor adicionado estimado em R$ 185,7 milhões, o que, em termos gerais, significa dizer que este recurso foi um dos mais importantes produtos da fruticultura desta RI comercializado. Depreende-se, no entanto, que a agregação de valor desta categoria poderia ser maior se houvesse políticas de incentivo e/ou investimentos no beneficiamento nos produtos, especificamente nas frutas, em que na maioria das vezes foram comercializadas na sua forma primária (in natura), desde o setor da produção até o consumidor final.
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    167 TABELA 4- ValorAgregado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Xingu, estado do Pará, organizados em categorias (Alimentícios, Artesanatos/Utensílios, Derivado Animal, Derivado da Madeira e Fármacos/Cosméticos), estimados para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Para os produtos classificados como artesanato e utensílios, cuja agregação de valor girou em torno de R$ 246,4 mil (em torno de 0,05% do VAB total) e, que se processou somente na escala local, que compreende a RI em estudo (Tabela 4), a participação do cipó- titica se destacou pelo fato da sua agregação ter contribuído com 62% do valor agregado pela categoria. Com relação ao único produto de origem animal, o mel, cuja agregação de valor foi contabilizada em R$ 124,2 mil, representou 0,03% do VAB total, formalizado totalmente no
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    168 âmbito local. Noque se refere aos derivados da madeira, a agregação de valor foi na ordem de R$ 212,4 mil (0,04% do VAB total), cujos processos ocorreram predominantemente no mercado local, já que a borracha agregou 20% do seu valor na esfera nacional o carvão teve uma pequena agregação no âmbito estadual (0,01%). Entre os dois produtos escalonados como derivados da madeira, o carvão obteve uma expressiva participação, pois fora responsável por mais de 89% do valor adicionado pela categoria. E por fim, os produtos classificados como fármacos e cosméticos que adicionaram em torno de 0,13% do VAB total (em torno de R$ 587,9 mil), cuja maioria (plantas medicinais, óleo de piquiá, leites, óleo de pracaxi e a priprioca) agregou valor somente na esfera local e; que correspondeu a 60% do agregado pela categoria. A copaíba, andiroba e o óleo da castanha-do-brasil agregaram valor nas três escalas regionais. No entanto, o valor adicionado na escala local foi sempre superior as outras escalas regionais. Com relação aos valores da renda bruta total (RBT) gerada e circulada, a tabela 5 esta organizada em categorias de valor para que a análise dos produtos seja mais coerente, uma vez que os produtos não se encontram em um mesmo patamar econômico, sendo assim, fica difícil realizar comparações quando alguns produtos estão em escalas de milhões de reais e outros em centenas de reais. Deste modo, em função da renda bruta total (RBT) gerada e circulada na comercialização dos produtos, a estratégia adotada foi dividi-los em três categorias: i) os que atingiram valores acima de R$ 600 mil de RBT; ii) para os intermediários com RBT entre R$ 100 mil e R$ 599 mil e; iii) os abaixo de R$ 100 mil.
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    169 TABELA 5- RendaBruta Total (R$) na esfera local, estadual e nacional dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Xingu, estimados para 2008, organizados em três categorias relativas com escalas de valor do RBT (acima de R$ 600 mil, de R$ 100 mil a R$ 599 mil e abaixo de R$ 100 mil). Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Deste modo, os produtos classificados na primeira categoria com maior renda bruta total (RBT) identificados (Tabela 5), em ordem decrescente de valor, foram: o cacau amêndoa (R$ 1,5 bilhão), castanha-do-brasil (R$ 6,5 milhões), urucum (R$ 5,6 milhões), açaí (R$ 2,2 milhões), cacau fruto (R$ 1,4 milhão, palmito (R$ 921 mil), taperebá (R$ 906,1 mil) e o muruci (R$ 744,7 mil). É imperativo destacar que nesta categoria (RBT acima de R$ 600 mil), a amêndoa de cacau fora o responsável por aproximadamente 98,8 % da RBT gerada e circulada a partir da região e contabilizados em mais de R$ 1,56 bilhão. Porém, o cacau amêndoa gerou mais renda para os setores localizados fora da RI Xingu e do estado do Pará,
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    170 ou seja, amaior parte deste montante (52%) foi movimentada pelos setores localizados no mercado nacional. O mesmo aconteceu com a castanha-do-brasil em que aproximadamente 90% da sua RBT (acima citado) foi de responsabilidade dos setores estaduais, assim como, o palmito. Em contrapartida o taperebá e o muruci , apesar de terem contribuído com apenas 0,11% no somatório da RBT da categoria, suas rendas foram geradas e circuladas exclusivamente no mercado local, sob ações principalmente do setor de indústrias: beneficiamento, correspondente as agroindústrias e; transformação sob tutela das lanchonetes/sorveterias. Dentre os produtos da segunda categoria (de R$ 100 mil a R$ 599 mil), com valor estimado de renda bruta em aproximadamente R$ 1,4 milhão, gerada e circulada nas três escalas regionais, porém com uma maior proporção para o mercado local (96%), já que as plantas medicinais, mel, cipó-titica e praticamente o carvão, tiveram suas RBTs geradas e circuladas somente no âmbito local (Tabela 5). Os outros produtos classificados na categoria (copaíba e a andiroba) tiveram suas RBTs geradas e circuladas com a participação de setores localizados nas três escalas regionais, no entanto, as suas respectivas rendas foram mais representativas no mercado local. Na terceira e última categoria (RBT abaixo de R$ 100 mil), apenas a borracha e o óleo oriundo da castanha-do-brasil tiveram suas RBTs geradas e circuladas com participação do mercado nacional, diferenciando-se apenas na forma de comercialização, pois enquanto o óleo saiu beneficiado (primário) da RI Xingu e processado pela indústria cosmética estadual antes do destino final nacional, a borracha foi transacionada in natura. Com relação aos outros produtos escalonados (artesanato regional, óleo de piquiá, utensílios, buriti, açaí semente, leites, breu-branco, bacaba, uxi fruto, artesanato indígena, bacuri fruto, pupunha, óleo de pracaxi e a priprioca) tiveram exclusivamente e/ou predominantemente no mercado local suas RBTs geradas e circuladas, com a exceção do cupuaçu, que teve parte minoritária (1%) da sua renda gerada e circulada no âmbito estadual. Quando se analisa a renda gerada e circulada, somente no âmbito local das 31 cadeias, ou seja, os produtos com RBT 100% formada na RI Xingu e, estimada em R$ 2,7 milhões, os produtos cujos suas utilizações foram de alimento (taperebá, muruci, mel, buriti, bacaba, uxi, bacuri e a pupunha) pelos consumidores locais corresponderam a mais de 70% deste montante, em seguida, vieram os produtos utilizados para fins medicinais e cosméticos (plantas, óleo de piquiá, leites, óleos de pracaxi e a priprioca) com 19% e, por fim, os utilizados como insumos e artesanatos (artesanatos, utensílios, cipó-titica, semente do açaí, e o breu-branco) com 11%. Entre os utilizados como alimento, as frutas se constituíram como um dos principais produtos oriundo do agroextrativismo gerador de emprego e renda para RI
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    171 Xingu, já quedo montante de R$ 2,7 milhões, em torno de R$ 1,7 milhão foram gerados pelas suas respectivas cadeias de comercialização, que conforme as especificidades de cada uma, umas foram consumidas in natura (fruto) e, outras em forma de sucos e sorvetes, sendo antes beneficiadas em polpa (Tabela 5). De modo geral, o cacau amêndoa foi que gerou e circulou a maior renda no âmbito local, estimada em mais de R$ 723,1 milhões (Tabela 5), dos quais, os cerealistas, classificado como atacado local, adquiriram mais de R$ 498,9 milhões, que de uma maneira geral, significou o processo de majoração preço “às avessas”, que correspondeu à compra do produto pelo preço (R$/kg) abaixo do determinado pelo mercado do futuro, que no caso deste produto significou preço determinado pela bolsa de valores. Desta maneira, conforme Tabela 6, ao se considerar a Contabilidade Social Ascendente Alfa, que tem no seu ponto de partida o setor da produção agroextrativista, de produtos de espécies nativas, dos dez municípios estudados (Setor α) e, que integram a RI Xingu, recebeu um montante equivalente a R$ 210 milhões (VBPα) oriundos das vendas de todos os produtos florestais não madeireiros identificados (46 produtos no total) e organizados em 31 cadeias, e, com as transações comerciais realizadas pelos setores que vendem tais produtos até o consumidor final foram adicionados valores a estes num montante de R$ 488,1 milhões (VAB), que somado com o valor bruto da produção (VBP) pela ótica da demanda, correspondente ao valor total da compra de insumos contabilizados em R$ 1,07 bilhão, chega- se a um total de R$ 1,5 bilhão, referente à renda bruta total (RBT) gerada e circulada na economia destes produtos, com seus efeitos para frente e para trás nas cadeias de comercialização. Ao longo das 31 cadeias de comercialização, alguns apresentaram uma margem bruta de comercialização (mark-up) bastante expressiva em relação aos apresentados por outros, pois, quanto mais ações de beneficiamento, transformações, e/ou majoração de preço o produto adquiriu ao longo da cadeia, a partir do setor da produção, maior foi o seu valor de mark-up. Esta margem mostra o quanto, em termos percentuais, foi adicionado ao longo das cadeias dos produtos após as vendas realizadas pelo setor da produção e, por isso, o seu valor é calculado pela diferença entre o VAB e o valor obtido pela da venda do setor da produção, do produto, ou seja, VBPα, dividido pelo VBPα. Assim, o palmito, açaí semente e a castanha- do-brasil foram os produtos que obtiveram os maiores valores de mark-up, estimados em 1431%, 1421% e 1357% respectivamente, pois, nessas cadeias 93% dos valores adicionados foram constituídos por ações de agentes da demanda intermediária, ou seja, após a venda do setor da produção. E, no outro extremo, temos o valor do mark-up estimado na
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    172 comercialização do carvão,de 0,3%, artesanato regional e artesanato indígena com 0%, porquanto nenhuma ação de beneficiamento estes três produtos obtiveram após as vendas dos agroextrativistas, outrora classificado como setor da coleta/produção. No caso do carvão fora comercializado com a intermediação dos setores de varejo (rural e urbano) e atacado, tanto no âmbito local quanto no estadual. Logo, verifica-se também que a comercialização do produto quando aconteceu com poucas e/ou sem intermediação, entre o setor alfa e o consumidor final, esta assertiva também proporcionou que o valor de mark-up tendesse a zero (Tabela 6). Salienta-se também, que no valor recebido pelo setor alfa (R$ 210 milhões), mais de R$ 268,3 mil (0,1%) foram oriundos dos valores recebidos pelo setor da produção extralocal, isto é, por agentes agroextrativistas que estão localizados em municípios que integram outras regiões de integração: RI Tapajós (com Rurópolis), Tocantins (com Cametá), Marajó (com Gurupá), Metropolitana (com Belém) e Baixo Amazonas (com Almeirim) ou até mesmo de fora do estado do Pará (como é o caso dos apicultores e extrativistas do estado do Piauí). Estes agentes, do setor alfa extralocal, transacionaram de forma parcial, dependendo do período e do produto, aos agentes de comercialização da RI Xingu, principalmente no pólo da região, oito produtos florestais não madeireiros identificados (Tabela 6), quais sejam: o açaí, andiroba, urucum, mel, algumas plantas medicinais, açaí semente, copaíba e o cupuaçu. Entre os municípios que integram essas regiões extralocais, o município de Gurupá, teve uma grande representatividade na contabilidade extralocal, pelo valor transacionado (R$ 237,6 mil), já o município de Belém ganhou importância pelos produtos comercializados com a região em estudo: algumas plantas medicinais, a semente de açaí e andiroba. Assim sendo, considerando a soma do valor da produção local e extralocal, entre os produtos mais importantes para a geração de renda e emprego para o setor da produção, o cacau amêndoa atuou de forma preponderante, pois os agroextrativistas arrecadaram mais de R$ 206,4 milhões, o que corresponde a 98% do valor da produção alfa total (VBPα). Por conseguinte, os agroextrativistas do urucum receberam em torno de R$ 1,2 milhão com a sua oferta, sendo que R$ 8,1 mil foram pagos aos agentes extralocal de Rurópolis (RI Tapajós). O setor da produção do cacau fruto recebeu quase R$ 398 mil, os agroextrativistas do açaí R$ 603,2 mil, dos quais R$ 237,6 mil foram pagos ao setor extralocal da RI Marajó e Baixo Amazonas. O setor da produção da castanha-do-brasil recebeu R$ 221,3 mil. Considerando que a comercialização tanto do cacau amêndoa quanto a do cacau fruto, mais precisamente da polpa, ocorreram concomitantemente e tiveram na sua origem os mesmos agroextrativistas, então na cadeia deste fruto, o setor alfa deste modelo adquiriu R$ 206,8 milhões aproximadamente, ou seja, 98,5% do valor da produção alfa total (VBPα),
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    173 demonstrando assim, seruma das mais importantes espécies de exploração agroextrativista, pois apresentam alto valor econômico, tornando-se uma das principais atividades econômicas na RI Xingu. Em relação ao valor bruto da produção (VBP) pela ótica da demanda, ou seja, da compra de insumos dos setores mercantis intermediários identificados por recortes geográficos (local, estadual e nacional), referidos na tabela 6, estes insumos, dependendo da posição e função do agente mercantil, variaram desde matéria prima ou subproduto até produto final. O fruto in natura do cacau, por exemplo, foi utilizado tanto como matéria prima na indústria de transformação alimentícia para a fabricação de produtos como chocolates, sorvetes e sucos, quanto para a fabricação de produtos finais (sabonetes, hidratantes e óleos) pela indústria de perfumaria e cosméticos, ou ainda como alimento, em forma de polpa (beneficiados pelas agroindústrias e associações), pelo último elo da cadeia, o consumidor final. Ou ainda os frutos açaí, muruci, taperebá, cupuaçu in natura, por exemplo, até o penúltimo agente da cadeia, que o adquiriu como insumo a polpa congelada e transformou em sucos e sorvetes, antes do último elo da cadeia, o consumidor final. Ou como aconteceu com o carvão, o qual foi utilizado como matéria prima na indústria de transformação (padarias e restaurantes) classificado como consumidor final. Assim como o mel (outras frutas) fora utilizado como alimento nas merendas escolares, oriundo da parceria entre os apicultores (e associações de produtores), prefeituras dos municípios e a Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB através do Plano de Aquisição de Alimentos – PAA.
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    174 TABELA 6- Indicadoreseconômicos dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Xingu, estado do Pará, compostos pelo Valor Bruto da Produção Alfa Local (VBPα), o Valor Bruto da Produção Alfa extralocal, a margem de lucro (mark-up), o Valor Bruto da Produção (VBP), o Valor Agregado Bruto (VAB) e a Renda Bruta Total (RBT), em R$, nas esferas local, estadual e nacional, estimado para 2008 (Idesp). Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    175 5 CONCLUSÕES O estudo mostrou que a economia gerada pelos trinta e um produtos florestais não madeireiros identificados e analisados na região de integração Xingu foi expressiva, uma vez que a renda gerada, estimada para o ano de 2008, foi em torno de R$ 1,5 bilhão (RBT total). O setor produtivo agroextrativista, considerado o setor alfa (Setor α) deste modelo de comercialização, recebeu em torno de R$ 210 milhões, o que correspondeu a aproximadamente 13% da renda gerada total. É preciso destacar ainda, que no valor que o setor alfa adquiriu, R$ 268,3 mil correspondeu aos valores destinados aos agentes alfa extralocais, ou seja, agroextrativistas que não pertencem aos municípios da região em estudo, mas que forneceram de forma parcial oito dos produtos identificados no comércio da região. Deste valor extralocal, os agroextrativistas das RI Rio Marajó e Baixo Amazonas, que tiveram no açaí sua fonte de renda, receberam mais de 89%. É preciso ressaltar que a RI está inserida no mercado nacional, haja vista que 100% da produção da borracha e do óleo da castanha-do-brasil e da produção de cacau amêndoa, e 60% do urucum tiveram como destino final este mercado. Assim como castanha-do-brasil e a copaíba só que em pequenas quantidades (4% e 6%, respectivamente) e, a andiroba com 30% Com relação à renda gerada e comercializada por produto, a partir da RI Xingu, e a parte do montante da RBT que foi retido pelo respectivo setor alfa, que dá origem a toda base produtiva, verificou-se, simultaneamente, dois princípios básicos: o primeiro e mais importante, pois demonstra outras funções desenvolvidas pelo setor alfa (além de plantar e colher inerente a ele), que quanto mais ações de beneficiamento o setor impor nos produtos antes das transações comerciais com outros setores da demanda intermediária, maior será a sua participação na RBT, ou seja, mais ele adquirirá da renda gerada e circulada. O segundo se refere à assertiva de que, quando a comercialização do produto (de toda produção e/ou grande parte dela) se desenvolve de forma direta entre a base produtiva e o consumidor final, ou seja, sem (e/ou com poucas) intermediações de outros setores, mais da renda gerada e circulada, também será retida. Tal como aconteceu nas cadeias de comercialização dos artesanatos indígena e regional (desenvolvido pelos artesãos e índios) em que de suas RBTs geradas, 100% foram receptadas pelo setor da produção. É necessário ressaltar, que outros princípios também se fazem presente e, sendo assim, contribuíram, mesmo que de forma secundária, mas concomitantemente com os básicos, para maior ou menor retorno financeiro deste setor, tais como: baixo grau de organização social formal (associações e cooperativas), falta de corporativismo, infraestrutura de comercialização precária (estradas, rodovias; que
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    176 geralmente os deixamsob dependência dos atravessadores ou de grandes compradores, denominados de atacadistas), capacitação técnica e baixo grau de escolaridade. Partindo-se do primeiro princípio, os agroextrativistas que tiveram no buriti sua fonte de renda, receberam 44% da sua RBT gerada e circulada localmente. Os comercializados para fins medicinais: óleo de pracaxi, leites (amapá e sucuúba), andiroba, copaíba e plantas medicinais, adquiriram respectivamente 43%, 40%, 32%, 37% e 34%. Enquanto que os agroextrativistas do palmito e da castanha-do-brasil receberam 4% e 3% das suas respectivas rendas geradas e circuladas, R$ 921 mil e R$ 6,5 milhões, configurando-se, como os recursos de menor retorno financeiro para os que atuam na base produtiva. No caso do cacau, tanto na comercialização em polpa quanto da amêndoa, a falta de organização social e de corporativismo foram preponderantes para o valor retido pelas milhares de famílias que tem nesta atividade sua fonte de renda, pois no caso da polpa dos R$ 1,4 milhão gerados e circulados pela sua comercialização, apenas 29% foi retido pelo setor da produção. Na comercialização da amêndoa, este valor retido foi ainda menor, considerando o valor gerado, já que do montante de mais de R$ 1,5 bilhão, mais de 13% foram retidos pelos inúmeros agroextrativistas. Por conseguinte, o urucum com renda estimada em R$ 5,6 milhões e, somente 22% retidos pelo setor alfa, haja vista que sua comercialização se deu na forma in natura (vendido a semente), tendo como elo a nível local, principalmente o setor de atacado, composto por pequenos e médios cerealistas. No que se referiu à agregação de valor, realizadas no ano de 2010 e, calculada em torno de R$ 488,1 milhões, sendo no sistema local foram adicionados R$ 296 milhões, oriundo das ações de beneficiamento, transformação e majoração de preço a quase todos os produtos identificados. Deste montante do VAB local, 98% foram devido ao valor agregado ao cacau amêndoa. No entanto, a castanha-do-brasil, cuja agregação de valor foi realizada de forma mais intensa fora da RI Xingu, mais especificamente 90% do seu VAB fora realizado na capital paraense, Belém (mercado estadual). Assim, mesmo que o valor adicionado de praticamente quase todos os produtos (com exceção da castanha-do-brasil) tenha sido maior no âmbito local, fazem-se necessários investimentos em ações que criem condições favoráveis de multiplicar a renda dos agentes mercantis que têm nos PFNM sua atividade principal e/ou correlacionada a outras, como por exemplo, o incentivo ao aumento da demanda, que em termos específicos, significar melhorar as condições de comercialização destes produtos, com a reforma e/ou a construção dos pontos de comercialização (feiras do produtor e/ou mercados municipais), já que na maioria dos municípios pertencentes a esta RI, estes se encontram inoperantes ou inexistentes. Outra ação
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    177 seria a ampliaçãodo Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, através da CONAB, que além de incentivar a oferta desses produtos pelo setor agroextrativista (pois muitos afirmaram que por falta de demanda deixam de potencializar a produção e/ou extração), também incentivaria a organização social, ou seja, a criação e/ou melhoramento da gestão das cooperativas e associações e, determinaria um preço mínimo. Ou ainda a ampliação e/ou divulgação dos programas de financiamentos e técnicas de empreendedorismo (treinamentos e capacitações) tanto à produção quanto as indústria de beneficiamento e transformação. Assim como, ampliação da disponibilidade de assistência técnica junto aos agroextrativistas, a fim de que possam aumentar a produtividade e a melhoraria da qualidade dos produtos oriundos do agroextrativismo. Estas ações, de curto prazo, contribuiriam tanto para o desenvolvimento sustentável (efeito ecológico positivo) da RI Xingu quanto para que a agregação de valor seja realmente indutora de geração de emprego e melhoria da renda para as populações, tanto no âmbito local quanto no estado do Pará (mercado estadual), de forma a dinamizar as potencialidades das economias “tradicionais” locais.
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    178 6 RECOMENDAÇÕES É fato que a comercialização dos PFNM sempre foi uma opção (e/ou principal fonte) de renda para as inúmeras famílias e, com o passar dos anos, vem-se apresentando como uma das atividades que melhor os remunera e, ainda mantêm o seu habitat, isto é, apesar do uso há a conservação dos recursos florestais. A favor destas atividades, encontra-se o fato de que com os problemas ambientais advindos do aquecimento global, a redução do desmatamento na Amazônia com base em economias sustentáveis vem sendo a retórica dos governos federal, estaduais e municipais da Amazônia, das não governamentais e até dos agentes diretamente envolvidos nas atividades agroextrativistas - as populações tradicionais. No entanto, devido às forças dos mercados globalizados, parte dessa atividade fica a mercê de instituições públicas, por apresentar determinadas limitações de escala (geográfica e produtiva, as mais justificáveis) que os impedem de ser alvos de políticas de fomento, haja vista que a grande dialética de manter a floresta em pé e gerar crescimento econômico parecem conflitantes. Depreende-se, deste modo, que os montantes econômicos mostrados neste relatório são significativos, apesar disso, as comercializações dessas 30 cadeias dos não madeireiros apresentaram entraves aos setores da produção e da indústria, que são chaves para potencializar a atividade. Pois historicamente tais setores se mantêm em condições de desassistidos por parte das políticas públicas e, se suprir estes estorvos certamente dinamizará a economia da RI, transformará o potencial produtivo, com geração de renda, agregação de valor aos produtos e mais postos de trabalho. O uso correto destes recursos florestais atingirá o objetivo maior que é o desenvolvimento sustentável para a região. Ao longo da descrição de cada cadeia de comercialização estudada nesta RI foram apontados vários gargalos assim como aspectos positivos. A seguir, de forma mais abrangente, pontuamos os principais entraves identificados nas cadeias de comercialização dos PFNM, tanto do setor da produção quanto da indústria, contendo entraves e algumas recomendações para subsidiar políticas públicas. a) Principais entraves ao setor da produção, considerando o agente agroextrativista (setor alfa) deste modelo: Ausência de planos de manejo condizentes com o potencial da RI; A problemática da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), pois além da demora das visitas técnicas, equipes despreparadas para atuar no setor de produtos não madeireiros;
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    179 Baixo nível de empreendedorismo; Baixo nível de escolaridade das famílias envolvidas na atividade dos não madeireiros; Baixos níveis de qualidade e identidade dos produtos (embalagem, especificações técnicas, validade, etc.), devido os processos extrativos terem sido muitas vezes desenvolvidos ainda de forma artesanal e, comercializados sem padrão; Falta de registro junto aos órgãos de regulamentação e fiscalização, para a produção e comercialização dos não madeireiros; Pouco conhecimento do potencial de mercado dos PFNM, pois muitos deixam de aumentar, e/ou até mesmo iniciar uma produção, por falta do conhecimento desta demanda crescente por produtos de apelo sustentável, tanto dos setores econômicos (indústrias, consumidores de fora da RI principalmente), quanto dos programas de compra do Governo, como o PAA do governo federal; Pouco acesso aos créditos rurais, tanto pelo grau de escolaridade apresentado pelo setor, quanto pela ausência de bancos públicos e/ou privados; Comercialização dos produtos basicamente de desenvolveu devido à ação dos atravessadores, com feiras livres, mercados municipais e feiras do produtor com problemas de falta de higienização e organização dos produtos; O desenvolvimento das atividades ocupou basicamente a mão-de-obra familiar, só em casos excepcionais (safra) se “contratou” um ou mais ajudantes, que receberam conforme produtividade no dia, entre outros, predominando a informalidade do setor. b) Principais entraves no setor da indústria: Baixo grau de competitividade do setor, principalmente dos fatores estruturais da oferta/demanda (agroindústrias têm dificuldades em adquirir o insumo por questões como: a dispersão dos fornecedores, a falta de organização do setor agroextrativista e a dependência dos atravessadores) e fatores internos (pois muitos atuam na informalidade). Já que os fatores sistêmicos se encontram favoráveis. Entre outras questões (abaixo citadas) agindo concomitantemente;
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    180 Baixo nível tecnológico e de segurança no processo de beneficiamento e transformação dos não madeireiros; Estrutura física tanto para os processos produtivos quanto para o armazenamento dos produtos, não seguem os padrões exigidos; Pouco acesso aos créditos e financiamentos, pois poucos municípios apresentaram uma rede bancária; Mão de obra utilizada basicamente a familiar, sendo deste modo, com poucos empregos gerados; Baixo nível empreendedor, devida a baixa capacidade empresarial para atuar nas mudanças intrínsecas ao sistema capitalista. É necessário afirmar, no entanto, que o primeiro passo esta sendo dado com este relatório, com a produção de informações necessárias para subsidiar a formulação ou adequação de políticas públicas condizentes com a potencialidade da região. c) Algumas recomendações para potencializar as cadeias de comercialização dos PFNM e subsidiar políticas públicas: Capacitação para execução de planos de manejo condizentes com a potencialidade local e que tomem como premissa o conhecimento das populações locais; Capacitação dos agentes locais e regionais da assistência técnica e extensão rural a fim de orientar a organização da produção e melhorar a renda dos agroextrativistas; Capacitação para o crédito, a fim de melhorar os processos produtivos, de armazenamento e de comercialização; Capacitação para o setor da produção valorar adequadamente os produtos agroextrativistas, pois surgem novos produtos no mercado, principalmente fármacos e cosméticos, que o setor desconhece; Melhoria da qualidade dos produtos ao longo da cadeia produtiva; Incentivo e capacitação para o cooperativismo/associativismo. Haja vista que, devido à natureza da atividade, baseada no (agro) extrativismo e coleta, pequenas unidades de produção são geradas, e a comercialização de PFNM tem demonstrado ser a melhor alternativa para eliminar os atravessadores mediante
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    181 criação de associaçõescomunitárias e cooperativas, proporcionando preço mais justo aos envolvidos nesta atividade; Capacitação em técnicas de gerenciamento; Busca de novos mercados: criação e/ou participação dos agentes em feiras e eventos para os produtos não madeireiros, seja no âmbito local, quanto no estadual e até nacional, com apoio público e privado; Melhorias na infraestrutura de comercialização dos produtos: construção e/ou reforma das feiras e mercados municipais, assim como das feiras do produtor; Melhoria e manutenção de estradas e rodovias, permitindo acesso e escoamento da produção; Ampliação da modalidade de Ensino para Jovens e Adultos (EJA), pois o baixo nível de escolaridade apresentado pelos agentes mercantis, principalmente dos setores citados nos entraves, implica na falta de informações técnicas e de capacitação a respeito do manejo e otimização da produção de PFNM; Investimentos e capacitação direcionados para agregação de valor aos produtos, fazendo com que os agroextrativistas aumentem seu interesse por estas atividades; Ampliação e/ou fortalecimento do Programa de Fortalecimento a Agricultura Familiar, tanto através dos programas de concessão de crédito, quanto pelos Programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e alimentação escolar, Valoração e valorização dos produtos não madeireiros: como por exemplo, a criação de certificação orgânica; Maior investimento integrado (entre Secretarias e Ministérios) em Ciência e Tecnologia (C&T) para produzir informações, assim como em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para garantir qualidade e completar o entendimento sobre as cadeias de produção. Pois, precisa-se criar um modelo de desenvolvimento sustentável que mantenha a floresta em pé e que ainda gere crescimento econômico; Apoios institucionais formais direcionados para atividades extrativistas; Organização de seminários na RI com agentes mercantis, principalmente os agroextrativistas, convidados de fora da região, técnicos, representantes de
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    182 instituições publicas (municipal,estadual e nacional), a fim de interagirem na formulação de planos de trabalho, em que as partes envolvidas relatem as dificuldades encontradas nas cadeias dos não madeireiros (produção, distribuição e comercialização), assim como, as potencialidades, com intuito de traçar objetivos a serem atingidos, definir metas e potencializar resultados; Fomento aos Arranjos Produtivos Locais (APLs) existentes na região estudada.
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    183 7 REFERÊNCIAS A NOTICIA.O fascinante mundo do cacau. Joinville, 29 de mar.2008. Disponível em: <http://www.an.com.br/2008/mar/21/0per.jsp> Acesso em: 27 dez. 2009. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Secretaria de Comércio Exterior. Balança Comercial Brasileira por Município, 2010. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br//sitio/sistema/balanca/>. Acesso em: 12 abr. 2011. CABRAL, E. R. Desenvolvimento agrícola e mobilidade camponesa: um estudo da trajetória social do campesinato em Capitão Poço. In: COSTA, F.A. (Org.). Agricultura familiar em transformação no nordeste paraense: o caso de Capitão Poço. Belém: UFPA; NAEA, 2000. p. 95-130. CARVALHO, Antonio Claudio Almeida de. Economia dos produtos florestais não- madeireiros no Estado do Amapá: sustentabilidade e desenvolvimento endógeno. 2010. 152 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém. 2010. COSTA, Francisco de Assis. A dinâmica da economia de base agrária do "Pólo Marabá” (1995- 2000): uma aplicação da metodologia de contas sociais ascendentes. Cadernos NAEA, Belém, n.5, p. 35-72, 2002. ______. Contas Sociais Alfa: uma metodologia de cálculo ascendente para a configuração macro-estrutural de economias locais. Interações, Campo Grande, v. 7, n.12, p. 37-68, 2006. ______. Decodificando economias locais: estrutura e dinâmica do sudeste paraense, uma região crítica da Amazônia. In: RIVERO, S.; JAYME JR., F. G. (Org.). As Amazônias do Século XXI. Belém: EDUFPA, 2008a. p. 175-230. ______. Corporação e economia local: uma análise usando contas sociais alfa - do programa de investimentos da CVRD no sudeste paraense (2004 a 2010). Nova Economia, Belo Horizonte, v. 18, n. 3, dez. 2008b. Disponível em: <http://www.scielo.br/>. Acesso em: 22 fev. 2010. ______; COSTA, José de Alencar. APLS Baseados em Cultura e Economia Local: o caso de Parintins. RedeSist, 70 p. dez. 2008. (Nota Técnica). ______. INHETVIN, Tomas. A agropecuária na economia de Várzea da Amazônia: os desafios do desenvolvimento sustentável. Manaus: IBAMA, 2007. 200 p. DÜRR, Jochen. Manual metodologia de pesquisa empírica para construção de cadeias produtivas e contas sociais de base agrária. Belém: NAEA; UFPA, 2004. 17p. ______; Cadenas productivas, cuentas sociales de base agraria y el desarrollo económico local: el caso de Sololá. Guatemala: Magna Terra, 2008. ______; et al. Cadenas productivas, cuentas sociales de base agraria y el desarrollo económico territorial: el caso de el Quiché. Guatemala: Magna Terra, 2009.
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    185 MOÇAMBIQUE. Ministério daAgricultura. Manual para a Elaboração e Implementação do Plano de Maneio da Concessão Florestal. Maputo, 2008. 75p. MONTEIRO, Raimunda. Biodiversidade da Amazônia e mercados locais. 2003. 285 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém. 2003. PARÁ. Secretaria de Estado de Integração Regional. Atlas de Integração Regional do Estado do Pará. Belém: SEIR, 2010. 347p. SANTANA, Antonio Cordeiro de. Elementos de economia, agronegócio e desenvolvimento local. Belém: GTZ, TUD, UFRA, 2005. 197 p. SILVA, Eliana Nobre da; SANTANA, Antônio Cordeiro de; SILVA, Ismael Matos da; OLIVEIRA, Cyntia Meireles. Aspectos socioeconômicos da produção extrativista de óleos de andiroba e de copaíba na floresta nacional do Tapajós, Estado do Pará. Revista de Ciências Agrárias, Belém, v.1, n.53, p.12-23, jan./jun. 2010. SILVA, Murilo da Serra. Leite de amapá (Parahancornia fasciculata (Poir) Benoist): remédio e renda na floresta e na cidade. 2010. 100 f. Dissertação (Mestrado em Agroecossistemas) - Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010. SILVA NETO, P. J. da; MATOS, P.G.G.; MARTINS, A.C.de S.; SILVA, A. de P.. Sistema de produção de cacau para a Amazônia brasileira. Belém: CEPLAC, 2001. 82 p.
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    189 APÊNDICE A –Questionário aplicado junto aos agentes mercantis Entrevistador _________________ Nº ________ Nº entrevista: _______ Estudo sobre a Comercialização de Produtos Florestais Não Madeireiros no Estado do Pará Entrevista com Agentes Mercantis O objetivo da pesquisa é obter informações sobre as cadeias de comercialização dos principais produtos da região, com o intuito de estudar as potencialidades da economia regional. Todas as informações obtidas nessa pesquisa são de caráter sigiloso e anônimo e servirão para finalidades científicas. Nome do entrevistador: ______________________________________Data: ___________ Município:___________________________Localidade:_____________________________ GPS Nº ___ : S _____ o _____´ _____” W _____ o _____´ _____” Obs.: ________________ Nome do entrevistado / da empresa: _______________________________________________ ______________________________________________________________________________ Tipo de comerciante / cargo do entrevistado: ________________________________________ ______________________________________________________________________________ Categoria: a. Indústria/Empresa ( ) b. Intermediário ( ) c. Produtor ( ) a. Empresa: Matriz ( ) Filial ( ) Nome / local da matriz: ___________________________________________________________ Tempo de trabalho no ramo / no local: _______________________________________________ b. Intermediário: Nascido em: ____________________________________________________ Profissão anterior: _______________________________________________________________ Profissão paralela: _______________________________________________________________ c. Produtor: Nascido em: _________________________________________________________ Local / tamanho do lote: __________________________________________________________ Descrever atividades extrativas (locais, técnicas usadas no manejo, equipamentos, negociações, acesso/controle, etc.)_______________________________________________ Qual é a infra-estrutura que dispõe? Armazéns (número, capacidade): _____________________________________________________ Meios de transporte (tipo, número, capacidade): _________________________________________ ________________________________________________________________________________ Máquinas e Equipamentos (tipo, número, capacidade): ____________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ Tem problemas com capacidade de armazenamento, com os equipamentos/ maquinário? Quais? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________
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    190 Quantas pessoas trabalham no empreendimento (por categoria)? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ Como é o tempo de trabalho (ano inteiro, períodos, tempo integral / parcial etc.)? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ Qual é o valor pago aos trabalhadores em média (por categoria, por mês, diária, por empreitada (descrever), etc.)? _______________________R$ _________/_________ _______________________R$ _________/_________ Existem outros que atuam no mesmo ramo (número, local, nome, endereço)? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Informações para contato (endereço e telefone do entrevistado): ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ O que é necessário para melhorar sua capacidade produtiva? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Observações Gerais (manejo, transporte, negociações, financiamento, assistência técnica, etc.): ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ Categoria De quem ? / Para quem? Quando/ Preço Formas do Merca- Serviços C/V1 Quant. Unid. Período/ por Município/ de agente doria mês Unid. Nome Categoria Pagamento2 prestados3 entrevistado Estado 1) (C) Comprado (V) Vendido (B3) Beneficiamento nível 3 (processamento) (C) Classificação 2) (AV) A vista (NF) Na folha (A) Armazenagem (AP) A prazo (F) Fiado (T) Troco (E) Embalagem 3) (F) Financiamento (T) Transporte (B1) Beneficiamento nível 1 (primário) (B2) Beneficiamento nível 2 (extração)
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    191 APÊNDICE B– Famílias,espécies, usos e partes utilizadas dos produtos florestais não madeireiros identificados nas cadeias de comercialização na Região de Integração do Xingu no período de 2010. Família (nº de Espécies Etnoespécie Uso Parte utilizada espécies) Euterpe oleracea Mart. Açaí Alimentício e artesanal Fruto e semente Oenocarpus bacaba Mart. Bacaba Alimentício Fruto Mauritia flexuosa L. f. Buriti Alimentício e artesanal Fruto e tala Arecaceae (6) Phytelephas macrocarpa Ruiz & Pav. Jarina Artesanato Semente Socratea exorrhiza (Mart.) H. Wendl. Paxiúba Artesanato Semente Bactris gasipaes Kunth Pupunha Alimentício Fruto Araceae (1) Heteropsis spp. Cipó-titica Caule Utensílios Spondias mombin L. Taperebá Alimentício Fruto Himatanthus sucuuba (Spruce ex Müll. Arg.) Sucuúba Farmacos e cosmético Casca Apocynaceae (4) Woodson Aspidosperma nitidum Benth. Ex Müll. Arg. Carapanaúba Medicinal Casca Parahancornia fasciculata (Poir) Benoist Leite-de-amapá Medicinal Látex Burseraceae (1) Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand Breu-branco Utensílo Resina Bignoniaceae (1) Tabebuia impetiginosa (Mart. ex DC.) Standl. Ipê-roxo Medicinal Casca Clusiaceae (1) Platonia insignis Mart. Bacuri Alimentício Fruto Hevea brasiliensis (Willd.ex A. Juss.) Müll. Arg. Borracha Utensílio Látex Euphorbiaceae (1) Croton cajucara Benth. Sacaca Medicinal casca Stryphnodendron sp. Barbatimão Medicinal Casca Dalbergia sp. Verônica Medicinal Casca Dipteryx odorata (Aubl.) Willd. Cumaru Medicinal Semente Fabaceae (6) Pentaclethra macroloba (Willd.) Kuntze Pracaxi Óleo Medicinal Caesalpinia ferrea Mart. Jucá Semente Medicinal Copaifera spp. Copaíba Medicinal Óleo Lecythidaceae (1) Bertholletia excelsa Bonpl. Castanha-do-brasil Alimentício e medicinal Semente e óleo Theobroma grandiflorum (Willd. Ex Spreng.) Cupuaçu Alimentício Fruto Malvaceae (3) K.Schum. Urena lobata L. Malva Artesanato e utensílios Fibra Theobroma cacao (Mill.) Bernoulli Cacau Alimentício Fruto e amêndoa Malpighiaceae (1) Byrsonima crassifolia (L.) Kunth Muruci Alimentício Fruto Marantaceae (1) Ischnosiphon obliquus (Rudge) Körn. Guarumã Artesanato e utensílios Tala Rubiaceae (1) Uncaria tomentosa (Willd. Ex Roem. & Schult.) DC. Unha-de-gato Medicinal Casca Humiriaceae (1) Endopleura uchi (Huber) Cuatrec. Uxi Alimentício e medicinal Fruto e casca Bixaceae (1) Bixa orellana L. Urucum Alimentício Semente Caryocaraceae (1) Caryocar villosum (Aubl.) Pers. Piquiá Medicinal Óleo Cyperaceae (1) Cyperus articulatus L. Priprioca Cosmético Tubérculo Sapindaceae (1) Não identificado Timbó Utensílios Caule Araliaceae (1) Didymopanax morototoni (Aubl.) Decne & Plantch Morototó Artesanal Semente Marantaceae (1) Ischnosiphon spp. Guarumã Artesanal Fibra Costaceae (1) Costus spicatus (Jacq.) Sw. Canarana Medicinal Raiz Olacaceae (1) Ptychopetalum sp. Marapuama Medicinal Casca Lauraceae (1) Aniba canelilla (Kunth) Mez Preciosa Casca Medicinal Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
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    192 APÊNDICE C- Imagenscapturadas nos municípios da Região de Integração Xingu. Foto 1- Cacau amêndoa no município de Brasil Foto 2- Licor de cacau no município de Novo. Uruará. Foto 3- Caieira no município de Anapu Foto 4- Caieira em processo de beneficiamento da madeira em carvão. Foto 5- Comercialização do urucum no município Foto 6- Fruto do cacau no município de Brasil de Anapú. Novo.
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    193 Foto 7- Lenhautilizada para produção do carvão Foto 8- Carreteiro levando o açaí in natura para (nas caieiras). os “batedores”. Foto 9- Comercialização da polpa do açaí em Foto 10- Comercialização de leite,copaíba, mel e garrafas pets. andiroba. Foto 11- Unha-de-gato comercializada no Foto 12- Ponto de comercialização de ervas município de Senador José Porfírio. medicinal em Altamira.