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CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
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CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
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O grupo Rede de Defesa e de Resistência Democrática
(REDE) tem por finalidade construir uma proteção nacio-
nal aos movimentos e lideranças sociais, baseado em
orientações políticas e ao enfrentamento as ações da ex-
trema-direita.
O trabalho da REDE se baseia em três frentes:
1) Análise de conjuntura e estudo crítico das políticas pú-
blicas nacionais;
2) Articulação de um programa de formação de lideranças
sociais;
3) Construção de um programa de segurança às lideran-
ças de base, populações vulneráveis ou objeto de ataque
da extrema-direita.
Este documento apresenta a primeira análise da conjun-
tura produzida pela REDE, logo após as eleições de 2018.
C O N J U N T U R A P Ó S E L E I T O R A L 2 0 1 8
REDE DE DEFESA E DE RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA
- NOVEMBRO DE 2018 -
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
3
A eleição para Presidente da República neste tumultuado 2018 teve
momentos distintos. Até o episódio da facada em Jair Bolsonaro, sua
O fato novo, que daria o impulso final à candidatura de Bolsonaro
neste final de primeiro turno, teve lugar na grande campanha de dis-
Com o atentado a Bolsonaro, ocorrido em 6 de setembro, sua candi-
datura recebeu um sopro de vida. Primeiro, porque a comoção gerada
01
03
02
FAT O S E M D E S TA Q U E N A P O L Í T I C A
I. SOBRE AS ELEIÇÕES
PARA PRESIDENTE DA
REPÚBLICA
candidatura demonstrava estar paralisada em intenção de
votos ao redor de 20%. A esta altura, a candidatura petista
de Fernando Haddad crescia aceleradamente, procurando
transferir os votos de Lula, campeão de intenção do eleito-
rado brasileiro (na marca dos 40%) e amargando uma
prisão e o consequente impedimento de registro de sua
candidatura;
seminação de “Fake News” em grupos de WhatsApp. Esta
inovação nas campanhas políticas deverá marcar os próx-
imos pleitos nacionais. O fato é que esta tática conseguiu
superar o teto do anti-petismo (na marca dos 25% a 30%
dos eleitores brasileiros) e conseguiu penetrar nas cama-
fez sua candidatura superar os 25% de intenção de votos
rapidamente (em 20 de agosto, Bolsonaro tinha, segundo
o IBOPE, 20% de intenção de votos; em 11 de setembro,
já alcançava 26% e em 24 do mesmo mês, 28%). Segun-
do, porque o episódio consolidou sua candidatura como a
única capaz de enfrentar o campo à esquerda. Finalmente,
por lhe conceder o álibi para se silenciar e não participar
de nenhum debate público com seus adversários. Ficou
em jejum. Todos sabemos da sua inabilidade retórica e
fragilidade programática. Se safar dos debates diminuiu
um percalço em sua campanha. Assim, na última semana
de campanha do primeiro turno, a candidatura de Bolson-
aro continuava a crescer modestamente (ultrapassando
a marca dos 35%), mas seu principal adversário, Haddad,
estabilizava (em 22%);
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
4
das mais populares. O intento se deu por uma aliança entre
igrejas evangélicas (com alta penetração popular) e esta
nova tecnologia de comunicação de natureza privada e co-
munitária. Esta associação proporcionou a construção, já
tentada por Marina Silva em 2010, de uma “Cruzada” ou
“Guerra Santa” na reta final do primeiro turno. Tanto que o
mote dos últimos dois dias de campanha não foi o anti-pe-
tismo, mas os grupos identitários, em especial os homos-
sexuais e feministas, cujas pautas, segundo mensagens
disseminadas nesses segmentos sociais, “colocaria a
família tradicional em risco”, forçando uma associação di-
reta com comportamentos imorais e inadequados;
No final de setembro, pesquisa realizada pelo XP/IPESPE indicava mi-
gração de votos de Ciro (71%, equivalente a 8% do total de intenções
O que parece ter ocorrido é que os acontecimentos imprevisíveis que
catapultaram a candidatura de Bolsonaro se somaram à fraqueza dos
04
05
de voto), de Marina (73%, equivalente a 4% do total de in-
tenções) e de Alckmin (33% dos eleitores, 3% das intenções
totais de voto) para o candidato Fernando Haddad. Em 15
de outubro, pesquisa IBOPE indicava que a intenção de vo-
tos de Bolsonaro atingia 59% e Haddad atingia 41%, lem-
brando que Bolsonaro obteve 46% dos votos no primeiro
turno e Haddad, 29%, o que demonstra um maior cresci-
mento do candidato petista no segundo turno em relação
ao verificado pela candidatura Bolsonaro. Lentamente,
Bolsonaro cai, ao longo do segundo turno, deste patamar
de 59% para 55% e Haddad sobe de 41% para 45%. Essa
mudança, ainda que insuficiente para retirar a vitória final
de Bolsonaro, se deu em grande parte graças à descoberta,
pelo poder judiciário - e sua reação um tanto quanto tímida
-, da campanha de notícias falsas disseminadas nas redes
sociais no final do primeiro turno, além da divulgação de
financiamento de empresários para gerar esta fraude;
candidatos do campo que se opunha ao candidato da ex-
trema-direita. No campo do centro-esquerda, Haddad e
Ciro Gomes – ambos apresentando programas de nature-
za social-liberal – não possuíam carisma ou histórico su-
ficientes para se equiparar à figura de Lula. Poderiam até
fazer frente a Bolsonaro, não fossem o episódio da facada
e a campanha de disseminação de Fake News pelos gru-
pos de WhatsApp. Com tais situações inusitadas, os dois
candidatos não conseguiram atingir corações e mentes
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
5
A eleição revelou um país dividido. Haddad venceu na maioria dos
municípios brasileiros: o petista venceu em 2.810 municípios, Jair Bol-
Jair Bolsonaro se saiu melhor nos Estados com maior eleitorado. Ven-
ceu a eleição em 16 Estados, incluindo o Distrito Federal, enquanto
Assim, houve confronto entre os dois maiores colégios eleitorais re-
gionais do país: Sudeste (o maior, com mais de 43% dos eleitores) e
06
07
08
sonaro venceu em 2.760 municípios. Por outro lado, Bol-
sonaro venceu em 97% das cidades mais ricas, enquan-
to Haddad venceu em 98% das mais pobres. Entre os mil
municípios com os maiores IDH’s do país, Bolsonaro ven-
ceu em 967, enquanto Haddad conquistou 33. Já nas mil
cidades menos desenvolvidas, Haddad ganhou em 975 e
Bolsonaro em 25. A campanha lulista, portanto, conseguiu
penetrar nos grotões. Nas 500 cidades brasileiras com
maior percentual de eleitores até 24 anos, Haddad venceu
em 457. Já nas 500 cidades com maior percentual de ele-
itores acima de 60 anos, Bolsonaro venceu em 382;
Fernando Haddad ficou à frente em 11 unidades da fed-
eração (no Nordeste). Ganhou do petista por diferença
mínima -- menos de 1 ponto percentual -- apenas no Ama-
zonas e no Amapá, onde obteve 50,5% e 50,2% dos votos
válidos. Venceu com uma diferença 16 pontos em Minas
Gerais (com 58%), segundo colégio eleitoral do país, repre-
sentando 10% dos eleitores brasileiros. Mas foi São Paulo,
o maior colégio eleitoral do país (com 20% dos eleitores),
que garantiu sua vitória: 63% dos votos válidos. Em quatro
Estados, Bolsonaro obteve mais de 70% dos votos, che-
gando a 76% em Santa Catarina e 77% no Acre, seus mel-
hores resultados proporcionais.
Nordeste (com pouco mais de 26% dos eleitores);
das populações silenciosas, não organizadas, altamente
religiosas e conservadoras no seu ideário (ainda que não
tanto em sua prática social concreta);
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
6
Outro ponto de estrangulamento é a rejeição internacional que seu per-
fil de extrema-direita provocou na Europa e EUA, entre a grande impren-
Bolsonaro também se vê agora num lugar incômodo (e pouco co-
mum em sua história política): tornar-se “vidraça”. Os meios de co-
Finalmente, terá que negociar com o Baixo Clero do Congresso Nacio-
nal, sua origem parlamentar, que demanda obras e recursos para suas
10
11
12
sa, governos e grandes empresas.
municação têm deixado notória a sua inabilidade e o de-
spreparo, seu e de sua equipe, para o exercício do cargo.
Declarações suas vêm sendo confrontadas pela opinião
pública, demonstrando pouco preparo para o pleno exer-
cício do poder Executivo. Sua inabilidade tem se mostrado
cada vez mais evidente. A visita recente de Paulo Guedes
à presidência do Senado só fez mostrar que, mantida a
toada, a inabilidade será superada apenas pela truculên-
cia.
bases eleitorais, pouco se dedicando às agendas naciona-
is. As demandas pulverizadas e agressivas tomarão muito
tempo de negociação, como ocorreu nas gestões anteri-
ores;
As dificuldades de Bolsonaro, neste momento, são de equacionamento
das divergências internas: de um lado, militares nacionalistas, de out-
09
ro, economistas e empresários ultraliberais. Esta tensão
pode ser exacerbada caso a agenda econômica (ultraliber-
al, já anunciada pelo seu principal assessor da área, o ban-
queiro Paulo Guedes), próxima à adotada por Michel Te-
mer, for posta em pauta. A frustração do eleitorado menos
abastado deverá seguir o caminho da impopularidade que
acometeu o governo Dilma Rousseff em 2015 e Michel Te-
mer (que adotaram justamente esta agenda). Bolsonaro
precisará enfrentar uma crise econômica e de empregos
que, segundo agências internacionais, não deverá ser su-
perada no próximo ano;
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
7
Resta uma palavra sobre o campo progressista. Bolsonaro é a última
liderança do campo conservador de viés reacionário. Na verdade, é uma
Passamos da hegemonia de três partidos no sistema partidário brasile-
iro (MDB, PT e PSDB), para a pulverização partidária, como se percebe
14
15
aposta arriscada numa liderança pouco equilibrada e ex-
periente e afeta aos arroubos de extrema-direita. Foram-se
os partidos de centro e centro-direita e candidatos “espe-
taculares”, personalidades sem projeção no cenário políti-
co (mas, por isso mesmo, mais fáceis de manipulação).
O campo progressista sai derrotado das urnas, mas pode
se recompor a partir da agenda econômica ultraliberal
(que renderá grande frustração no eleitorado popular) e
nos ataques que a vitória de Bolsonaro deve encorajar em
grupos paramilitares ou mesmo segmentos reacionários,
racistas e sexistas.
na ilustração apresentada a seguir, sobre a representação
partidária no Congresso Nacional:
Este cenário sombrio sugere que seu governo deverá iniciar com pau-
tas “quentes” mais populares, possivelmente da área da segurança
13
pública, exacerbando suas diferenças com o campo pro-
gressista e de esquerda e procurando aumentar sua gor-
dura de popularidade para, então, desfechar a agenda
econômica;
II. SOBRE AS
ELEIÇÕES PARA
O CONGRESSO
NACIONAL
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
8
Um dos fenômenos mais importantes foi a ascensão do partido de
Bolsonaro, o PSL. O número de candidatos eleitos pelo PSL para as
O PT mantém a maior bancada na Câmara Federal e a segunda no
Congresso, embora tenha perdido parlamentares em relação à atual
O MDB é o que teve a maior queda: de 142 eleitos em 2014, o partido
caiu para 93 neste ano, um recuo de 35%, o que demonstra o desgaste
A Câmara de Deputados, palco institucional das definições políticas
mais importantes do país, encontra-se dividida em relação ao gover-
A segunda maior alta é do PRTB: saltou de 10 para 16 deputados;
16
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20
17
Assembleias Legislativas subiu de 16, em 2014, para 76
nas eleições de 2018. É o 3º partido em número de repre-
sentantes nas assembleias estaduais. Conseguiu maioria
nas assembleias de 4 estados: São Paulo, Rio de Janeiro,
Paraná e Espírito Santo. Em apenas 5 estados e no Distrito
Federal o partido não conseguiu eleger nenhum represen-
tante nas assembleias locais.
legislatura;
da agenda ultraliberal (que reduziu a popularidade da se-
gunda gestão de Dilma Rousseff e gerou recorde de de-
saprovação da gestão Michel Temer);
no Bolsonaro: são 256 deputados pró-Bolsonaro, 117 sem
definição e 140 contra
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
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Foram anunciados 27 nomes que foram nomeados para a equipe de
transição de Bolsonaro. O perfil da equipe revela um cunho declarada-
Destacam-se: militares formados na Escola das Américas, responsável
pela formação dos militares latino-americanos na doutrina de contra
Foram definidas áreas prioritárias da transição, a saber: Desenvolvi-
mento regional; 	 Ciência, tecnologia, inovação e comunicação; Mod-
A estrutura de governo desenhada terá ao menos 15 ministérios e no
máximo 17 ministérios, segundo acertado em reunião da equipe de
21
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24
mente anti-indigenista;
insurgência; acadêmicos, alguns vinculados ao Instituto
Millenium; Diretores de empresas com passagens em gov-
ernos de Michel Temer e João Doria; dois irmãos da família
Bragança, denunciados pelo MPF por fraude em concurso
público na Unifesp; membros do IPEA (ver Anexo com a
lista de alguns nomeados e seus currículos)
ernização do Estado; 	 Economia e comércio exterior;
Educação, cultura e esportes; Justiça, segurança e com-
bate à corrupção; Defesa; Infraestrutura; Produção suste-
ntável, agricultura e meio-ambiente e Saúde e assistência
social.
transição realizada no último dia 30. Hoje, são 29 pastas.
Foram apontados os seguintes ministérios:
III. DA EQUIPE DE
TRANSIÇÃO E
PRIORIDADES DO
NOVO GOVERNO
•	 Casa Civil - Fusão com Secretaria de Governo
•	 Economia - Fusão de Fazenda, Planejamento e Indústria,
Comércio Exterior e Serviços
•	 Defesa
•	 Ciência e Tecnologia - Deve assumir Ensino Superior; Co-
municações podem sair
•	 Saúde
•	 Educação - Fusão com Esportes e Cultura
•	 Trabalho
•	 Minas e Energia
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
1 0
•	 Justiça - Fusão com Segurança Pública
•	 Integração Nacional - Fusão com Cidades e Turismo
•	 Transportes - deve ser renomeada para Infraestrutura;
pode somar Comunicações
•	 Gabinete de Segurança Institucional
•	 Social - Fusão de Desenvolvimento Social e Direitos Hu-
manos
•	 Relações Exteriores
•	 Agricultura e Meio ambiente
•	 Anda não há definição sobre Secretaria-geral da
Presidência; Transparência e Controladoria-Geral e Ad-
vocacia-Geral da União.
•	 Prioridade no Ensino à Distância
•	 Currículo: Matemática, Ciências e Português, sem doutri-
nação e sexualização precoce
•	 Priorizar educação básica e ensino técnico
•	 Qualificação crescente dos professores
•	 Revisar conteúdos, desde alfabetização, expurgando
ideologia Paulo Freire
•	 Alterar a BNCC
•	 Impedir aprovação automática
•	 Universidades devem gerar avanços técnicos e desen-
volver novos produtos a partir de parceria com iniciativa
privada
•	 Fomentar empreendedorismo na universidade
•	 Evoluir para integração entre universidades públicas e
privadas
O desenho institucional apresentado recebeu severas críticas de es-
pecialistas e grande imprensa, obrigando recuos da nova equipe de
Para a EDUCAÇÃO, foram definidas, até o momento, as seguintes pri-
oridades:
25
26
governo. Este é o caso da proposta de fusão envolvendo
Ministério da Agricultura e Meio Ambiente ou a perda de
status ministerial para a pasta do Trabalho. O imbróglio
envolvendo o MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE gerou
certo conflito interno na equipe de Bolsonaro. A disputa
envolveu os ruralistas linha dura (que demandam a sub-
ordinação da pasta ao Ministério da Agricultura) e mili-
tares que serviram na Amazônia. Também houve reação
negativa de segmentos do agronegócio de exportação.
Foi sugerido o nome do pesquisador Evaristo de Miranda,
chefe da Embrapa Territorial, como o que poderia ocupar
as rédeas da política ambiental do novo governo. Contudo,
antes do anúncio de seu nome, previsto para 21 de novem-
bro, Evaristo declinou do convite.
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
1 1
Sobre o ESTATUTO DO DESARMAMENTO, o presidente da Câmara, Ro-
drigo Maia, admitiu votar este ano a flexibilização do Estatuto do De-
Sobre SEGURANÇA PÚBLICA, Sérgio Moro, futuro ministro de Justiça
e Segurança Pública, em sua primeira entrevista (6 de novembro), afir-
27
28
sarmamento, promessa que ele havia feito há três meses à
bancada da bala. A votação do projeto é considerada uma
contrapartida de Maia ao eventual apoio do futuro presi-
dente à sua reeleição na presidência da Casa;
mou que apresentará ao Congresso Nacional propostas
legislativas para combater o crime organizado e esboçou:
•	 10 medidas contra a corrupção, elaboradas pela Trans-
parência Internacional e a Fundação Getúlio Vargas;
•	 Proibição de progressão de regime quando houver
ligação com organizações criminosas;
•	 Controle das comunicações de presos em penitenciárias
de segurança máxima;
•	 Negociação de penas para resolver casos criminais
pequenos;
•	 Policiais disfarçados para descobrir crimes;
•	 Proteção de denunciantes anônimos;
•	 Modelo de forças tarefas da Lava Jato para além dos
esquemas de corrupção, contra o crime organizado;
•	 Investir em tecnologia, colher o perfil genético dos
presos, com criação de bancos de dados;
•	 Profissionalização do serviço público civil e diagnóstico
para analisar cargos de comissão para que esses cargos
possam ser substituídos por meio de concursos.
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
1 2
Paulo Guedes, futuro comandante da área econômica do novo gover-
no, afirmou que Argentina e o MERCOSUL “não são prioridade”. O Mer-
Sobre PRIVATIZAÇÕES, Paulo Guedes defende privatizações para qui-
tar 20% da dívida pública brasileira. Não vetou Petrobrás ou Banco do
Defendeu a necessidade de uma simplificação tributária “brutal”, rumo
a um imposto único federal.
Sobre a PREVIDÊNCIA, propõe a criação de um novo regime, baseado
em sistema de capitalização. Com a nova Previdência, as empresas
29
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32
FAT O S E M D E S TA Q U E N A E C O N O M I A
cosul seria “muito restritivo, que o Brasil ficou prisioneiro
de alianças ideológicas e isso é ruim para a economia”.
Em 2017, as vendas externas do Brasil para a China, Es-
tados Unidos, Argentina, Holanda e Japão somaram US$
106 bilhões e responderam por metade dos embarques do
País. Segundo o Itamaraty, as trocas no Mercosul se mul-
tiplicaram nove vezes entre os sócios fundadores do bloco
- de US$ 4,5 bilhões em 1991 a US$ 40 bilhões em 2017.
Brasil. Nas contas de Guedes, renderia cerca de 800 bil-
hões de reais (20% da dívida pública federal, calculada em
3,6 trilhões de reais). Hoje são 400 bilhões de reais com
juros por ano. Defende a destinação dos recursos poupa-
dos com o pagamento da dívida para saúde, segurança e
educação, redistribuindo os recursos para Estados e mu-
nicípios.
não teriam que arcar com encargos e os trabalhadores
teriam ativos e capitalização em seus nomes. Segundo
Guedes, o custo de transição entre os dois modelos seria
bancado pela reforma do velho regime.
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
1 3
O sistema previdenciário privado implantado no Chile em 1981, duran-
te a ditadura de Augusto Pinochet, citado como exemplo, vive profun-
O país sai de um período de dois anos de profunda recessão, em 2015
e 2016, contando com 7% de queda no PIB e um crescimento de 1%
Como fazer a economia retomar o crescimento e gerar milhões de em-
pregos? Um caminho fundamental, marca da economia brasileira, é
33
34
35
da crise. Os trabalhadores dependentes são obrigados a
reservar 10% de sua renda mensal para a aposentadoria.
As mulheres começam a receber o benefício aos 60 anos
e os homens aos 65. O dinheiro é gerenciado por adminis-
tradoras de fundos de pensões (AFP), que investem essa
poupança na bolsa de valores e outras ferramentas finan-
ceiras. A principal crítica ao sistema das AFP é que, no
momento de se aposentar, o dinheiro que os trabalhadores
recebem é muito reduzido e mal dá para viver em um país
onde serviços básicos, como saúde e ensino público,
vivem uma crise.
em 2017, estimado em 1,5% para 2018. O desemprego ba-
tendo em 12,5 milhões de trabalhadores e 23,3 milhões de
pessoas na miséria. Amargando cinco anos seguidos de
déficit público, que deve atingir mais de R$ 140 bilhões em
2018 e calculado em R$ 139 bilhões para 2019. A taxa de
investimento em 2017 na casa dos 15,6%, atingindo, se-
gundo o IBGE, o mais baixo nível dos últimos 20 anos e
com mais de 63 milhões de pessoas, segundo SPC, com
dívidas atrasadas, atingindo principalmente as famílias
mais pobres.
através do investimento público. Mas, como fazê-lo se os
déficits têm sido permanentes nos últimos anos e vão se
repetir nos próximos? Como contar com o apoio dos Es-
tados se a grande maioria está em grave crise financeira,
sendo que São Paulo não dá aumento ao funcionalismo
há anos e Minas, Rio e Rio Grande do Sul estão à beira da
falência?
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
1 4
IV. AS SAÍDAS DO
GOVERNO BOLSONARO:
ENTRE A INTENÇÃO
E O GESTO
Uma saída para o Estado voltar a recuperar a sua capacidade de inves-
timento, gerando emprego e renda, seria uma reforma tributária estru-
Outra alternativa indicada para melhorar a situação financeira da área
federal é a diminuição do número de ministérios. Foram muitas propos-
36
37
tural no sentido de aumentar de forma justa a arrecadação
pública. Mas a proposta de Paulo Guedes, que não sabia
que o orçamento público de 2019 obrigatoriamente têm
que ser aprovado em 2018, é de uma reforma que, em
relação ao imposto de renda (que além de ser injusta com
a classe média, segundo a Folha de São Paulo), deve gerar
um rombo de R$ 27 bilhões. Outra é a venda de todas as
companhias estatais para arrecadar um trilhão de reais.
Nesse caso, o problema é que se acredita que vender es-
tatal é dar uma ordem e no outro dia estará vendida. Seria
interessante perceber que João Dória, à frente da prefei-
tura paulistana, não conseguiu vender nenhuma estatal.
Também é importante destacar que setores que apoiam
o futuro governo, inclusive das forças armadas, não pare-
cem concordar com a privatização do Banco do Brasil, da
Caixa Econômica Federal, da Petrobrás. O próprio presi-
dente eleito já falou que algumas estatais não serão ven-
didas.
tas de fusões ministeriais pouco fundamentadas tecnica-
mente. Além das comentadas anteriormente, vale citar
a unificação entre Fazenda e Planejamento, misturando
quem planeja com quem gasta quando uma coisa não tem
nada a ver com a outra, vide exemplos do EUA e do Japão.
Se houver unificação, Paulo Guedes terá que se tornar um
Superman como afirma o ex-ministro Mailson da Nóbrega
em entrevista publicada no jornal O Estado de São Paulo,
dado o número de órgãos, diretorias e Conselhos desse
novo superministério.
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
1 5
Outra hipótese seria a cobrança da dívida ativa da União, isto é, cobrar
as empresas que não pagaram tributos para o governo federal. O valor
Em relação ao setor privado a situação é de expectativa e incerteza do
mercado. Num quadro em que o presidente eleito não sabe ao certo que
Uma das principais questões definidas pelo chamado mercado para a
volta dos investimentos é a reforma da previdência. Discutiu-se a pos-
Na área internacional o mesmo vai-e-vem acontece e deixa o cenário
turvo. A afirmação feita de que o Brasil deverá sair do Acordo de Par-
38
39
40
41
dessa dívida hoje é mais de R$ 1,8 trilhão. Porém, essa me-
dida é inviável politicamente, dado que o novo presidente é
devedor dos empresários que o apoiaram. Neste contexto,
não se sabe como a área pública exercerá seu papel de
potencializar o crescimento da economia.
medidas tomará, os grandes investidores vão aguardar. É
necessário destacar que há indicadores macroeconômi-
cos favoráveis, como o as reservas internacionais que se
encontra em cerca de USS 380 bilhões, a inflação sob con-
trole e a taxa de juros em seu nível mais baixo, além de
capacidade ociosa na indústria. Esses indicadores seriam
favoráveis para um governo que sabe o que quer.
sibilidade de retomá-la ainda este ano, mas, dada a sua
complexidade e a grande oposição a ela, o governo jogou
a toalha e já deixou para o ano que vem. Ainda em relação
ao setor privado a declaração do futuro presidente de que
cogita diminuir alíquotas alfandegárias na importação de
produtos estrangeiros, causou grande descontentamen-
to e recebeu críticas de setores industriais pois estes re-
ceiam perder mercado para produtos importados, o que
levará problemas para suas empresas e ao aumento do
desemprego.
is acabou criando uma forte opinião negativa, que pode
levar a prejudicar as exportações do agronegócio. Diante
dessa repercussão, Bolsonaro afirmou que essa questão
ainda não está definida. Em relação à China, o nosso maior
parceiro comercial, afirmou que esse país está compran-
do o Brasil. Anteriormente, Bolsonaro sinalizou em visita a
Taiwan, que daria atenção especial a essa ilha que é con-
siderada pelo governo de Pequim como uma província re-
belde. A resposta a todas essas questões foi de pesadas
críticas do jornal chinês Global Times, porta voz informal
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
1 6
das perspectivas políticas de Pequim. Mais adiante, falou em mu-
dar a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. Com a re-
taliação do Egito ao suspender reunião de negócios com o atual
ministro das Relações Exteriores e com um grupo de empresári-
os, disse que essa questão ainda não está definida, com medo da
retaliação dos países árabes, grandes compradores de proteína
animal de nosso país.
Diante dos indicadores econômicos; da falta de um plano definido;
das inconsistentes declarações e retrocessos nas narrativas do novo
Essa realidade traz uma certeza: a de que o futuro governo deve pri-
orizar como uma de suas bandeiras uma pauta ligada a questões mo-
42
43
governo, podemos afirmar que os investimentos estatais
em grande parte não ocorrerão, os privados devem ficar
em compasso de espera, o crescimento econômico será
baixo e o nível de emprego informal pode ter até algum
crescimento nossa economia deve enfim andar de lado,
com baixo crescimento por um bom tempo.
rais, pois essas não exigem investimentos e é o que o futu-
ro presidente mais discorreu em sua campanha. Vai tentar
controlar a luta social e defender claramente os interesses
do grande capital, do agronegócio, enfim, dos setores que
financiaram e deram apoio total à sua eleição.
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
1 7
Neste primeiro mês pós-eleitoral teve continuidade o assédio políti-
co-ideológico que a campanha de Bolsonaro empregou durante sua
Os anúncios e declarações mais impactantes foram minimizados ou
desmentidos após reações públicas negativas. O ambiente criado
Dois segmentos parecem os mais atingidos pelas ameaças e se con-
stituíram como alvos de grupos oficiosos: população LGBTT e profes-
44
45
46
G R U P O S S O C I A I S S O B A M E A Ç A
campanha. Declarações iniciais, divulgação de vídeos em
que o futuro presidente citava técnicos da Fundação João
Pinheiro (de Minas Gerais, vinculada à Secretaria Estadu-
al de Planejamento) como desafestos, incentivo à denún-
cia de alunos e pais contra professores “doutrinadores”,
declarações públicas contra governos, os expedientes
utilizados foram grosseiros e geraram constrangimentos
internacionais.
parece se valer da noção de que nada e tudo são verdades
– uma variante da pós-verdade, técnica de controle da nar-
rativa através da determinação do que vale e o que não
vale a partir do próprio autor do discurso, quase nunca se
relacionando aos fatos que efetivamente ocorreram. O fu-
turo governo naturaliza o assédio moral e político como
expressão de força, criando tumulto e temores em meio
aos anúncios de reformas que estariam em curso, como
a da previdência, privatizações em massa e supressão de
direitos.
sores. A população LGBTT passou a ser alvo desde o final
da campanha do primeiro turno deste ano, identificados
como elementos de deterioração da moral familiar. Na se-
quência à eleição, foi objeto de ação de fundamentalistas
religiosos. Há relatos de ataques violentos contra traves-
tis e gays em muitas cidades das regiões metropolitanas
de São Paulo e Belo Horizonte. São muitos registros, como
o da designer de animação Larissa Alveno, 24 anos, que
ao entrar no metrô, foi abordada por um homem que parou
na sua frente e gritou, apontando o dedo. “‘Lésbica imun-
da, sua raça vai acabar, vocês vão morrer’. Assim como
a ameaça sofrida pela antropóloga Luiza Lima, 29 anos,
que havia colado dois adesivos em sua mochila (um deles
com as cores do arco-íris, símbolo LGBT) e que foi abor-
dada por pessoas que estavam num carro que diminuiu a
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
1 8
velocidade e começou a acompanhá-la. Em determinado
momento, o homem que estava sentado ao lado do mo-
torista disse: ‘Ei, isso é adesivo de viado, né? A hora de
vocês vai chegar, puta’. (Ver https://universa.uol.com.br/
noticias/redacao/2018/10/10/lgbts-ameacas-homofo-
bia-eleicoes.htm )
A socióloga Ester Solano (Unifesp) anota que em entrevistas recentes
(pós-eleitoral) ouviu relatos de medo pelo recrudescimento da violên-
Por fim, e talvez os mais vulneráveis, estão as populações indígenas,
quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais, bem como
Além deste público, de forma não inédita, mas em escala crescente, os
professores de forma generalizada, sejam da rede pública ou privada,
47
49
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cia masculina, ativado pelo discurso machista do eleito, já
está causando no ambiente doméstico.
os movimentos de agricultores familiares e de sem-ter-
ra. Estes segmentos preocupam pelo relativo isolamento
físico que naturalmente sofrem, assim como pela ameaça
dos grupos de pistoleiros armados pelo setor duro do lat-
ifúndio, que gravitam em seu entorno. Como já informado
no ensino fundamental ou médio, estão sendo encurral-
ados pelo discurso dos ativistas da Escola Sem Partido.
Durante o segundo turno das eleições, professores de di-
versos departamentos da Universidade de Brasília (UnB)
decidiram cancelar aulas depois que apoiadores do presi-
dente eleito Jair Bolsonaro (PSL) convocaram atos em re-
des sociais para dar início ao que chamam de “caça aos
comunistas” – em uma das postagens, diz que “universi-
dade não é lugar de comunista”. Após declarada a eleição
de Jair Bolsonaro como o novo presidente da República,
a recém-eleita deputada estadual pelo PSL de Santa Ca-
tarina, Ana Caroline Campagnolo, divulgou, em sua pági-
na no Facebook, que por conta própria e arbitrariamente,
criou um “canal de denúncias” para que alunos denun-
ciem eventuais manifestações de professores contrários
à vitória do candidato da extrema direta. O juiz Giuliano
Ziembowicz, da Vara da Infância e da Juventude de Flori-
anópolis, determinou que esta publicação fosse retirada
do ar e o Ministério Público de Santa Catarina entrou com
ação contra a deputada eleita.
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
1 9
neste documento, a equipe de transição do novo governo
assumiu posições declaradamente anti-indigenistas, em
especial, os membros que são militares. Já os sem-ter-
ra estão claramente estigmatizados como preferenciais
na demonstração de força pelo próprio presidente eleito,
que se referiu aos seus líderes como criminosos. Recen-
temente um dos filhos de Bolsonaro falou em encarcera-
mento em massa de sem terras, numa nítida construção
de um ambiente de violência intimidatória. Inclusive, casos
de violência policial contra acampamentos estão ocorren-
do em diversos estados, mesmo no Nordeste, a revelia dos
governadores. A justificativa dos oficiais da polícia é que
estão cumprindo ordens judiciais.
Na articulação da resistência, um dos mais preparados são os movi-
mentos antirracistas, oprimidos secularmente e com um histórico de
Uma primeira reação, quase imediata, veio de coletivos de advogados
e juristas, assim como entidades de representação de professores,
O uso intenso do conflito moral e cultural parece ser uma das armas
discursivas e de estímulo à reação reacionária mais empregadas neste
50
51
52
resistência mais consistente. Os grupos LGBTT têm menor
articulação. Os professores parecem pouco articulados
para essa nova situação de assédio público. Já as mul-
heres, alvos tradicionais da violência doméstica, íntima, e
as feministas, em especial, foram alçadas à condição de
inimigo externo da paz social. Lideranças camponesas já
são alvo e vão sofrer com a chancela legal à violência que
o discurso de Bolsonaro veio naturalizando na campanha.
orientando a categoria sobre ilegalidades divulgadas e a
quem devem recorrer em caso de ameaças ou atos de vi-
olência. Em diversos Estados foram criados Observatórios
da Violência Política (conceito já consagrado pela ONU),
envolvendo polícias militares, corregedorias das PMs, en-
tidades de defesa de direitos, advogados, juízes, deputa-
dos, ministério público e defensorias.
momento. Há, de certa maneira, vínculos com fake News
disseminados durante o processo eleitoral, como o “kit
gay” inventado por grupos pró-Bolsonaro. Ativistas da Es-
cola Sem Partido procuraram se articular nacionalmente
e além de incentivar denúncias anônimas contra profes-
sores, envidaram esforços para que várias casas parlam-
entares votassem projetos de lei neste sentido, a despeito
do STF já ter aprovado liminar contra esta proposição por
considera-la inconstitucional.
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
2 0
Segundo o analista político Andrew Korybko, o mundo está atualmente
no meio de uma grande transição da unipolaridade para a multipolari-
Para o analista, o mundo Unipolar é caracterizado pela hegemonia pre-
dominante dos EUA em uma ampla variedade de esferas, seja exercida
Uma das propostas mais recentes tem sido ampliar o formato dos
BRICS através do que agora é chamado de estratégia “BRICS-Plus”,
53
54
55
C O N J U N T U R A I N T E R N A C I O N A L
dade.
diretamente através de iniciativas unilaterais ou indireta-
mente através de seus parceiros regionais e institucionais.
As forças multipolares do mundo estão trabalhando para
substituir a ordem internacional liderada pelos EUA por
uma matriz diversificada de múltiplas partes interessadas,
através da “reforma progressiva de instituições internacio-
nais como a ONU, FMI, Banco Mundial e outras, bem como
criar suas próprias contrapartes para alguns deles, como o
Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS” ou formando
“organizações inteiramente novas como a Shanghai Coop-
eration Organization (SCO)”. Também merecem atenção
as movimentações para a consolidação da Shanghai Pact,
uma aliança política, econômica e de segurança da Eurá-
sia, cuja criação foi anunciada em 15 de junho de 2001 em
Xangai, China pelos líderes da China, Cazaquistão, Quir-
guistão, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão.
que busca essencialmente que cada um dos cinco Esta-
dos membros encoraje a cooperação multilateral entre as
respectivas organizações de integração regional, incen-
tivando o Mercosul, a SADC (Southern African Develop-
ment Community), a União Econômica Eurasiática, a SCO,
a SAARC (South Asian Association for Regional Coopera-
tion) e a ASEAN (Association of Southeast Asian Nations)
cooperem mutuamente para modificar a ordem mundial.
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
2 1
No entanto, aponta o autor, não é suficiente apenas reformar e substitu-
ir certas instituições, vez que a base subjacente do controle americano
Isso explica a corrida naval em andamento em todo o mundo, à medida
que os EUA buscam garantir seu domínio em alto mar em face da cres-
Entendendo as súbitas consequências que qualquer ação militar hostil
poderia infligir para a sua estabilidade socioeconômica, a China pre-
O estratagema acima explica a essência da visão global da One Belt
One Road (OBOR) da conectividade das Novas Rotas da Seda (New
56
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58
59
sobre o mundo se dá através de meios econômicos, impos-
tos pelos militares. Por outro lado, os EUA não conseguem
atacar diretamente rivais como a Rússia e a China sem
sofrer danos inaceitáveis ​​através de um contra-ataque nu-
clear, e “por isso Washington está pressionando para con-
struir instalações antimísseis em toda a Eurásia.”
cente concorrência da Rússia, China e outros. O oceano
global é importante por se relacionar com a base econômi-
ca do domínio americano sobre o mundo. A China depende
das vias navegáveis ​​internacionais para a grande maioria
do seu comércio, o que a torna excessivamente vulnerável
a qualquer esforço dos EUA para bloquear certos pontos
de estrangulamento, como o Estreito de Malaca e o Canal
de Suez.
viu a necessidade de criar as rotas comerciais transconti-
nentais até seus parceiros europeus, assim como proteger
suas Linhas de Comunicação Marítimas (SLOC/Sea Lines
Of Communication) existentes e expandir o seu acesso à
crescente economia da África. Conseguindo impulsionar
os mercados africanos, a China espera que estes países
possam criar demanda para sua superprodução industrial.
Silk Roads), projetada para transformar as redes comerci-
ais mundiais de modo a facilitar a transição de uma ordem
internacional Unipolar liderada pelos americanos para
uma Multipolar e diversificada, protegida por um número
maior de grandes potências. No entanto, este é o modelo
que se opõe como maior ameaça à sua hegemonia mun-
dial, levando os EUA “a se engajar nas Guerras Híbridas
centradas nos estados geoestratégicos ao longo desses
corredores, para perturbar, controlar ou influenciar, bus-
cando remover seu impacto num mundo Multipolar.”
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
2 2
V. AS GUERRAS
HÍBRIDAS E OS
CORREDORES DE
CONECTIVIDADE
Para essa finalidade, os EUA utilizam a guerra de informações e ONGs
para exacerbar as falhas já existentes no país visado (ou às vezes pro-
Esse processo de bloqueio pode ser provocado por uma Revolução
Colorida (nos moldes da Ucrânia), uma Guerra Não Convencional, ou
Os estados que são mais vulneráveis ​​a guerras híbridas provocadas
externamente em nível nacional são, de leste a oeste: Tailândia, Mian-
A tendência predominante é que o Grande Coração da Eurásia (Oriente
Médio, Ásia Central e Sul da Ásia) estará mais diretamente ameaçado
60
61
62
63
jetar falhas completamente novas), após o que emprega
seus parceiros regionais para canalizar armas, apoio ma-
terial e tecnológico ao incipiente movimento antigoverna-
mental, fortalecendo o interesse comum afim de que a ini-
ciativa de desestabilização tenha sucesso. Quer se trate
de ajustes do regime (concessões políticas), mudança
de regime (mudança de liderança) ou reinício do regime
(reforma político-constitucional total), os EUA desejam um
resultado que lhe proporcione a capacidade de interferir
ou bloquear as Novas Rotas da Seda que a China vem con-
struindo em todo o mundo.
uma transição gradual entre qualquer uma delas, ambas
as quais podem terminar em uma intervenção militar mul-
tilateral direta, nos moldes da Guerra da Líbia em 2011.
mar, Etiópia, Quênia, República da Macedônia, República
Democrática do Congo (RDC), Zâmbia, Nigéria, Bolívia e
Nicarágua.
por instabilidades subnacionais e transnacionais, enquan-
to o restante dos estados de trânsito em todo o mundo
corre maior risco de ameaças estritamente internas.
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
2 3
Segundo o autor, a melhor maneira da emergente Ordem Mundial Mul-
tipolar enfrentar essas inúmeras ameaças de guerra é através da im-
64
plementação de medidas proativas no fortalecimento de
sua segurança democrática – a segurança democráti-
ca Individual, enquanto nação, assim como a segurança
democrática coletiva, enquanto grupos de nações ou blo-
cos. Tal sistema integraria medidas militares convencio-
nais, mas também econômicas, informacionais e até mes-
mo ideológicas. A cooperação internacional por meio de
instituições multipolares, como o BRICS, a SCO Shangai
Cooperation Organisation e, em grande medida, a maior
parte do G20, permitiria um progresso nesta direção.
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
2 42 4
Anexo
01
C U R R Í C U L O D O S M E M B R O S D A E Q U I P E
D E T R A N S I Ç Ã O D E B O L S O N A R O
Onyx Lorenzoni
Deputado do DEM-RS e futuro
ministro da Casa Civil. Veter-
inário. Fez parte, em 2003, do
bloco parlamentar que enfren-
tou, na Câmara dos Deputados,
a campanha desarmamentis-
ta. Foi líder do PFL nesta casa
parlamentar em 2007.
Paulo Guedes
PHD pela Universidade de Chi-
cago, um dos fundadores do
banco Pactual. Futuro Minis-
tro da Economia.
Augusto Heleno
General da reserva. Futuro
ministro da Defesa. Foi o pri-
meiro comandante da Missão
das Nações Unidas para a Es-
tabilização o Haiti, entre 2004
e 2005. No final do segundo
governo Lula, foi comandante
militar da Amazônia e se opôs
à política indigenista do gover-
no. Em Brasília, chefiou o Cen-
tro de Comunicação Social do
Exército (CComSEx). Formado
na WHINSEC, a “renovação”
da Escola das Américas, re-
sponsável pela formação dos
militares latinoamericanos na
doutrina de contra insurgência
que mais tarde se tornaram fa-
mosos nas ditaduras latinas.
Marcos Pontes
Futuro ministro de Ciência e
Tecnologia. Astronauta. Foi
candidato a deputado fed-
eral pelo PSB de São Paulo,
em 2014, e não se elegeu. Se
transferiu para o PSL e foi
cogitado a compor a chapa
com Bolsonaro como vice.
Acabou eleito deputado fed-
eral neste ano.
Luciano Irineu
De Castro Filho
Engenheiro Eletrônico pelo
Instituto Tecnológico de
Aeronáutica (1995), mestra-
do em Economia Matemáti-
ca pelo Associação Institu-
to Nacional de Matemática
Pura e Aplicada (2001) e
doutorado em Matemática
pelo Associação Instituto
Nacional de Matemática
Pura e Aplicada (2004).
Paulo Antônio
Spencer Uebel
Diretor na Webforce Venture
Capital. Foi Secretário Mu-
nicipal de Desestatização e
Parcerias da Prefeitura de
São Paulo (governo Dória).
Gustavo Bebianno Rocha
Advogado, ex-presidente do
PSL. Comandou a agenda
pessoal de Bolsonaro duran-
te a campanha. Foi ele quem
articulou a ida de Bolsonaro
para o PSL.
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
2 52 5
Arthur Bragança
De Vasconcellos Weintraub
É formado em direito pela
USP. Especializado em prev-
idência com 14 livros publi-
cados.
Gulliem Charles
Bezerra Lemos
Coordenou campanha de
Bolsonaro no Nordeste, Em
2011, foi condenado em pri-
meira instância a um ano
de prisão em regime aber-
to por estelionato. O pro-
cesso prescreveu antes do
novo julgamento. Foi alvo
de três acusações de violên-
cia doméstica entre 2013
e 2016. Uma delas, movida
por sua irmã, que ainda está
em curso.
Roberto Da Cunha
Castello Branco
Roberto Castello Branco -
Doutor em economia pela
FGV e pós doutorado na
mesma área pela Universi-
dade de Chicago. Foi pro-
fessor da Fundação Getulio
Vargas (FGV), Presidente Ex-
ecutivo do IBMEC, diretor do
Banco Central, Economista
chefe da Vale do Rio Doce.
Luiz Tadeu Vilela Blumm
Tenente-Coronel e Coman-
dante Operacional do Corpo
de Bombeiros Militar do Dis-
trito Federal
Carlos Von Doellinger
Economista do IPEA. Co-
autor, com Leonardo Cav-
alcanti, do livro “Empresas
multinacionais na indústria
brasileira”, em que sustenta
a importância dessas empre-
sas para o desenvolvimento
nacional por se concentra-
rem em setores econômi-
cos tecnologicamente mais
sofisticados. Contudo, de-
staca que a realização de
seu lucro constitui um custo
social para o país, além de
outros custos, tais como: a)
preferência a fontes de supri-
mento de matérias-primas e
equipamentos pertencentes
ao próprio grupo; b) lim-
itação de exportações quan-
do estas possam competir
com produtos similares da
casa matriz; c) transferência
de tecnologia geralmente in-
adequada; d) neutralização
das políticas econômicas
governamentais; e) estraté-
gia do “preço de transferên-
cia” para remeter lucros
disfarçados; e f) aquisição
de empresas nacionais exis-
tentes ao invés de criar no-
vas empresas.
Bruno Eustáquio
Ferreira Castro De Carvalho
PhD em Sistema e Gestão
pela Universidade de Lis-
boa e Doutor em Engenharia
Civil pela UnB (Co-tutela).
Especialista em Avaliação
Socioeconômica pela ENAP.
Mestre em Tecnologia Am-
biental e Recursos Hídricos
pela UnB. Mestre em Engen-
haria Civil pela Universidade
do Porto. Engenheiro Civil
pela Universidade Federal
de Minas Gerais. Foi asses-
sor na Secretária Executiva
e na Secretaria de Recursos
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
2 62 6
Hídricos do Ministério do
Meio Ambiente. Foi assessor
no Ministério da Integração
Nacional no processo de
reestruturação do CENAD.
Assessor na Secretaria de
Assuntos Estratégicos da
PR com coordenação de pro-
jetos na área de infraestru-
tura. Foi chefe de Gabinete
na Secretaria de Desenvolvi-
mento Sustentável da SAE/
PR.
Antônio Flávio Testa
Sociólogo da UnB. Já com-
punha equipe de estratégia
da campanha de Bolsonaro,
orientando sobre questões
territoriais e indígenas.
Carlos Alexandre
Jorge Da Costa
Carlos da Costa - Foi diretor
de planejamento, crédito e
tecnologia do Banco Na-
cional de Desenvolvimento
EconômicoeSocial(BNDES).
Antes disso, presidiu o Insti-
tuto de Performance e Lider-
ança, foi executivo residente
no JP Morgan e sócio-diretor
do Ibmec Educacional. Atu-
ou como consultor em em-
presas e programas de gov-
erno, em especial nas áreas
relacionadas a desenvolvi-
mento, produtividade e mer-
cado de capitais. Mestre e
PHD pela UCLA, economista
pela Universidade do Estado
do Rio de Janeiro (UERJ).
É cotado para ocupar a
presidência do BNDES ou
assumir uma das secretar-
ias econômicas que deverão
ficar sob o guarda-chuva do
ministério da Economia de
Paulo Guedes
Waldemar Gonçalves
Ortunho Junior
Coronel reformado do Exér-
cito. Durante a campanha,
foi responsável articulou um
grupo de militares que dis-
cutiam segurança, saúde e
meio ambiente, entre outros
temas.
Abraham Bragança
De Vasconcellos Weintraub
Trabalhou na iniciativa
privada, no Banco Votoran-
tim por 18 anos onde foi
economista-chefe e diretor.
Jonathas Assunção
Salvador Nery De Castro
Secretaria do Programa de
Parcerias de Investimentos
da Presidência da Repúbli-
ca (governo Temer), UDF
Centro Universitário. Foi da
Secretaria de Infraestrutu-
ra Hídrica do Ministério da
Integração Nacional e do
Ministério do Desenvolvi-
mento, Industria e Comércio
Exterior
Alexandre Xavier
Ywata De Carvalho
Alexandre Xavier Ywata
de Carvalho é Engenheiro
Mecânico-Aeronáutico pelo
Instituto Tecnológico de
Aeronáutica (ITA), possui Es-
pecialização em Engenharia
de Armamento Aéreo pelo
ITA, é Mestre em Estatística
pela Universidade de Brasilia
(UnB) e é PhD em Estatística
pela Northwestern Universi-
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
2 72 7
ty, Evanston, Illinois, EUA. É
pesquisador sênior do Insti-
tuto de Pesquisa Econômi-
ca Aplicada - Ipea, localiza-
do em Brasília, desde 1996.
Atualmente, está lotado no
International Policy Center
(IPC/UNEP). É professor das
disciplinas de econometria
e pesquisador no Centro de
Estudos em Regulação de
Mercados da Universidade
de Brasília (CERME/UnB),
desde 2008. Foi Coorde-
nador Geral de Estudos Re-
gionais e Urbanos, no Ipea,
de 2005 a 2007.
Pablo Antônio Fernando
Tatim Dos Santos
Pastor e Secretário-execu-
tivo da secretaria-geral da
presidência da república
(governo Temer)
Waldery Rodrigues Junior
Doutor em economia, tem
graduação em engenharia
pelo Instituto Tecnológico
de Aeronáutica. Fez mestra-
do em economia na Univer-
sidade de Michigan e dou-
torado pela Universidade de
Brasília. É coordenador-ger-
al na Secretaria de Política
Econômica (SPE)
Adolfo Sachsida
Doutor em economia pela
Universidade de Brasília
e pós-doutor pela Univer-
sidade do a Alabama. É
pesquisador do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplica-
da (IPEA). Tem vários artigos
publicados na área econômi-
ca. Adolfo é filiado ao DEM e
já tentou se eleger deputado
federal pelo DF.
Marcos Cintra Cavalcanti
De Albuquerque
Marcos Cintra - Possui grad-
uação em economia pela
Harvard College, mestrado
e metrado em planejamento
regional na mesma universi-
dade. Atualmente é profes-
sor titular e vice-presidente
da Fundação Getúlio Vargas.
Já foi Secretário de Planeja-
mento do Município de São
Paulo, vereador e deputado
federal, com experiência na
área econômica, com ênfase
em política tributária
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
2 82 8
Anexo
02
R O D A D A S E D A
Para compreender o quão mundial é a competição en-
tre os EUA e a China, é necessário conhecer todos os
corredores de conectividade existentes, planejados e
prospectivos, nos três mapas abaixo que destacam as
várias Rotas da Seda na Eurásia, África e América Lati-
na:
No mapa acima são demarcadas a) a Ponte Eurasiana
(verde); b) a Rota da Seda dos Bálcãs (marrom); c) a Tran-
scentral Assian Silk Road (roxo); d) a CPEC (vermelho); e) o
Corredor Econômico-energético China-Mianmar (azul); f) a
ASEAN Silk Road (laranja); g) os projetos / interconectores
prospectivos Corredor Econômico BCIM (rosa).
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
2 92 9
No mapa da África encontram-se linhas vermelhas de ro-
tas já anunciadas e/ou construídas, e verdes, ainda em
prospecção. De norte a sul, as estradas da seda existentes
ou planejadas são: Jibuti-Addis Ababa Rota da Seda (Rota
da Seda da Etiópia); Corredor Econômico LAPSSET; Ferro-
via de bitola padrão; Corredor Central; TAZARA; Corredor de
Nacala; Ferrovia Ponta Techobanine1
.
Finalmente, existem duas Rotas da Seda de importância
nas Américas: o Canal da Nicarágua e a Ferrovia Trans-
oceânica (TORR) entre Brasil-Bolívia-Peru.
Os três mapas apresentados localizam os países de trân-
sito mais geoestratégicos e as comunidades de identi-
dade ao longo das Novas Rotas da Seda, que, consequen-
temente, “devem se tornar futuros campos de batalha das
Guerras Híbridas”. Veja como é o mundo com apenas essas
entidades destacadas:
1
.Quanto a projetos prospectivos,
de norte a sul, estes são: Rota da
Seda Saara-Saheliana, Corredor
CCS (Camarões-Chade-Sudão);
Estradas de seda da Nigéria;
Corredor intermodal inter-Congo;
Caminho-de-ferro de Benguela /
Corredor Noroeste para Angola;
Walvis Bay Corridor; Corredor da
Área de Comércio Livre Tripartida
(África do Sul ao Sudão, seguin-
do o Oleoduto da Renascença
Africana entre Moçambique e a
África do Sul, com interligações
adicionais entre os projetos exis-
tentes no norte).
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
3 0
Os processos globais recentes indicam tendências
abrangentes em cada um dos três teatros do Silk Road (Eu-
rásia, África e América Latina). São elas:
3 0
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3 13 1
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Rede de Resistência: Conjuntura pós-eleição 2018

  • 2. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 2 O grupo Rede de Defesa e de Resistência Democrática (REDE) tem por finalidade construir uma proteção nacio- nal aos movimentos e lideranças sociais, baseado em orientações políticas e ao enfrentamento as ações da ex- trema-direita. O trabalho da REDE se baseia em três frentes: 1) Análise de conjuntura e estudo crítico das políticas pú- blicas nacionais; 2) Articulação de um programa de formação de lideranças sociais; 3) Construção de um programa de segurança às lideran- ças de base, populações vulneráveis ou objeto de ataque da extrema-direita. Este documento apresenta a primeira análise da conjun- tura produzida pela REDE, logo após as eleições de 2018. C O N J U N T U R A P Ó S E L E I T O R A L 2 0 1 8 REDE DE DEFESA E DE RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA - NOVEMBRO DE 2018 -
  • 3. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 3 A eleição para Presidente da República neste tumultuado 2018 teve momentos distintos. Até o episódio da facada em Jair Bolsonaro, sua O fato novo, que daria o impulso final à candidatura de Bolsonaro neste final de primeiro turno, teve lugar na grande campanha de dis- Com o atentado a Bolsonaro, ocorrido em 6 de setembro, sua candi- datura recebeu um sopro de vida. Primeiro, porque a comoção gerada 01 03 02 FAT O S E M D E S TA Q U E N A P O L Í T I C A I. SOBRE AS ELEIÇÕES PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA candidatura demonstrava estar paralisada em intenção de votos ao redor de 20%. A esta altura, a candidatura petista de Fernando Haddad crescia aceleradamente, procurando transferir os votos de Lula, campeão de intenção do eleito- rado brasileiro (na marca dos 40%) e amargando uma prisão e o consequente impedimento de registro de sua candidatura; seminação de “Fake News” em grupos de WhatsApp. Esta inovação nas campanhas políticas deverá marcar os próx- imos pleitos nacionais. O fato é que esta tática conseguiu superar o teto do anti-petismo (na marca dos 25% a 30% dos eleitores brasileiros) e conseguiu penetrar nas cama- fez sua candidatura superar os 25% de intenção de votos rapidamente (em 20 de agosto, Bolsonaro tinha, segundo o IBOPE, 20% de intenção de votos; em 11 de setembro, já alcançava 26% e em 24 do mesmo mês, 28%). Segun- do, porque o episódio consolidou sua candidatura como a única capaz de enfrentar o campo à esquerda. Finalmente, por lhe conceder o álibi para se silenciar e não participar de nenhum debate público com seus adversários. Ficou em jejum. Todos sabemos da sua inabilidade retórica e fragilidade programática. Se safar dos debates diminuiu um percalço em sua campanha. Assim, na última semana de campanha do primeiro turno, a candidatura de Bolson- aro continuava a crescer modestamente (ultrapassando a marca dos 35%), mas seu principal adversário, Haddad, estabilizava (em 22%);
  • 4. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 4 das mais populares. O intento se deu por uma aliança entre igrejas evangélicas (com alta penetração popular) e esta nova tecnologia de comunicação de natureza privada e co- munitária. Esta associação proporcionou a construção, já tentada por Marina Silva em 2010, de uma “Cruzada” ou “Guerra Santa” na reta final do primeiro turno. Tanto que o mote dos últimos dois dias de campanha não foi o anti-pe- tismo, mas os grupos identitários, em especial os homos- sexuais e feministas, cujas pautas, segundo mensagens disseminadas nesses segmentos sociais, “colocaria a família tradicional em risco”, forçando uma associação di- reta com comportamentos imorais e inadequados; No final de setembro, pesquisa realizada pelo XP/IPESPE indicava mi- gração de votos de Ciro (71%, equivalente a 8% do total de intenções O que parece ter ocorrido é que os acontecimentos imprevisíveis que catapultaram a candidatura de Bolsonaro se somaram à fraqueza dos 04 05 de voto), de Marina (73%, equivalente a 4% do total de in- tenções) e de Alckmin (33% dos eleitores, 3% das intenções totais de voto) para o candidato Fernando Haddad. Em 15 de outubro, pesquisa IBOPE indicava que a intenção de vo- tos de Bolsonaro atingia 59% e Haddad atingia 41%, lem- brando que Bolsonaro obteve 46% dos votos no primeiro turno e Haddad, 29%, o que demonstra um maior cresci- mento do candidato petista no segundo turno em relação ao verificado pela candidatura Bolsonaro. Lentamente, Bolsonaro cai, ao longo do segundo turno, deste patamar de 59% para 55% e Haddad sobe de 41% para 45%. Essa mudança, ainda que insuficiente para retirar a vitória final de Bolsonaro, se deu em grande parte graças à descoberta, pelo poder judiciário - e sua reação um tanto quanto tímida -, da campanha de notícias falsas disseminadas nas redes sociais no final do primeiro turno, além da divulgação de financiamento de empresários para gerar esta fraude; candidatos do campo que se opunha ao candidato da ex- trema-direita. No campo do centro-esquerda, Haddad e Ciro Gomes – ambos apresentando programas de nature- za social-liberal – não possuíam carisma ou histórico su- ficientes para se equiparar à figura de Lula. Poderiam até fazer frente a Bolsonaro, não fossem o episódio da facada e a campanha de disseminação de Fake News pelos gru- pos de WhatsApp. Com tais situações inusitadas, os dois candidatos não conseguiram atingir corações e mentes
  • 5. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 5 A eleição revelou um país dividido. Haddad venceu na maioria dos municípios brasileiros: o petista venceu em 2.810 municípios, Jair Bol- Jair Bolsonaro se saiu melhor nos Estados com maior eleitorado. Ven- ceu a eleição em 16 Estados, incluindo o Distrito Federal, enquanto Assim, houve confronto entre os dois maiores colégios eleitorais re- gionais do país: Sudeste (o maior, com mais de 43% dos eleitores) e 06 07 08 sonaro venceu em 2.760 municípios. Por outro lado, Bol- sonaro venceu em 97% das cidades mais ricas, enquan- to Haddad venceu em 98% das mais pobres. Entre os mil municípios com os maiores IDH’s do país, Bolsonaro ven- ceu em 967, enquanto Haddad conquistou 33. Já nas mil cidades menos desenvolvidas, Haddad ganhou em 975 e Bolsonaro em 25. A campanha lulista, portanto, conseguiu penetrar nos grotões. Nas 500 cidades brasileiras com maior percentual de eleitores até 24 anos, Haddad venceu em 457. Já nas 500 cidades com maior percentual de ele- itores acima de 60 anos, Bolsonaro venceu em 382; Fernando Haddad ficou à frente em 11 unidades da fed- eração (no Nordeste). Ganhou do petista por diferença mínima -- menos de 1 ponto percentual -- apenas no Ama- zonas e no Amapá, onde obteve 50,5% e 50,2% dos votos válidos. Venceu com uma diferença 16 pontos em Minas Gerais (com 58%), segundo colégio eleitoral do país, repre- sentando 10% dos eleitores brasileiros. Mas foi São Paulo, o maior colégio eleitoral do país (com 20% dos eleitores), que garantiu sua vitória: 63% dos votos válidos. Em quatro Estados, Bolsonaro obteve mais de 70% dos votos, che- gando a 76% em Santa Catarina e 77% no Acre, seus mel- hores resultados proporcionais. Nordeste (com pouco mais de 26% dos eleitores); das populações silenciosas, não organizadas, altamente religiosas e conservadoras no seu ideário (ainda que não tanto em sua prática social concreta);
  • 6. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 6 Outro ponto de estrangulamento é a rejeição internacional que seu per- fil de extrema-direita provocou na Europa e EUA, entre a grande impren- Bolsonaro também se vê agora num lugar incômodo (e pouco co- mum em sua história política): tornar-se “vidraça”. Os meios de co- Finalmente, terá que negociar com o Baixo Clero do Congresso Nacio- nal, sua origem parlamentar, que demanda obras e recursos para suas 10 11 12 sa, governos e grandes empresas. municação têm deixado notória a sua inabilidade e o de- spreparo, seu e de sua equipe, para o exercício do cargo. Declarações suas vêm sendo confrontadas pela opinião pública, demonstrando pouco preparo para o pleno exer- cício do poder Executivo. Sua inabilidade tem se mostrado cada vez mais evidente. A visita recente de Paulo Guedes à presidência do Senado só fez mostrar que, mantida a toada, a inabilidade será superada apenas pela truculên- cia. bases eleitorais, pouco se dedicando às agendas naciona- is. As demandas pulverizadas e agressivas tomarão muito tempo de negociação, como ocorreu nas gestões anteri- ores; As dificuldades de Bolsonaro, neste momento, são de equacionamento das divergências internas: de um lado, militares nacionalistas, de out- 09 ro, economistas e empresários ultraliberais. Esta tensão pode ser exacerbada caso a agenda econômica (ultraliber- al, já anunciada pelo seu principal assessor da área, o ban- queiro Paulo Guedes), próxima à adotada por Michel Te- mer, for posta em pauta. A frustração do eleitorado menos abastado deverá seguir o caminho da impopularidade que acometeu o governo Dilma Rousseff em 2015 e Michel Te- mer (que adotaram justamente esta agenda). Bolsonaro precisará enfrentar uma crise econômica e de empregos que, segundo agências internacionais, não deverá ser su- perada no próximo ano;
  • 7. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 7 Resta uma palavra sobre o campo progressista. Bolsonaro é a última liderança do campo conservador de viés reacionário. Na verdade, é uma Passamos da hegemonia de três partidos no sistema partidário brasile- iro (MDB, PT e PSDB), para a pulverização partidária, como se percebe 14 15 aposta arriscada numa liderança pouco equilibrada e ex- periente e afeta aos arroubos de extrema-direita. Foram-se os partidos de centro e centro-direita e candidatos “espe- taculares”, personalidades sem projeção no cenário políti- co (mas, por isso mesmo, mais fáceis de manipulação). O campo progressista sai derrotado das urnas, mas pode se recompor a partir da agenda econômica ultraliberal (que renderá grande frustração no eleitorado popular) e nos ataques que a vitória de Bolsonaro deve encorajar em grupos paramilitares ou mesmo segmentos reacionários, racistas e sexistas. na ilustração apresentada a seguir, sobre a representação partidária no Congresso Nacional: Este cenário sombrio sugere que seu governo deverá iniciar com pau- tas “quentes” mais populares, possivelmente da área da segurança 13 pública, exacerbando suas diferenças com o campo pro- gressista e de esquerda e procurando aumentar sua gor- dura de popularidade para, então, desfechar a agenda econômica; II. SOBRE AS ELEIÇÕES PARA O CONGRESSO NACIONAL
  • 8. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 8 Um dos fenômenos mais importantes foi a ascensão do partido de Bolsonaro, o PSL. O número de candidatos eleitos pelo PSL para as O PT mantém a maior bancada na Câmara Federal e a segunda no Congresso, embora tenha perdido parlamentares em relação à atual O MDB é o que teve a maior queda: de 142 eleitos em 2014, o partido caiu para 93 neste ano, um recuo de 35%, o que demonstra o desgaste A Câmara de Deputados, palco institucional das definições políticas mais importantes do país, encontra-se dividida em relação ao gover- A segunda maior alta é do PRTB: saltou de 10 para 16 deputados; 16 18 19 20 17 Assembleias Legislativas subiu de 16, em 2014, para 76 nas eleições de 2018. É o 3º partido em número de repre- sentantes nas assembleias estaduais. Conseguiu maioria nas assembleias de 4 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Espírito Santo. Em apenas 5 estados e no Distrito Federal o partido não conseguiu eleger nenhum represen- tante nas assembleias locais. legislatura; da agenda ultraliberal (que reduziu a popularidade da se- gunda gestão de Dilma Rousseff e gerou recorde de de- saprovação da gestão Michel Temer); no Bolsonaro: são 256 deputados pró-Bolsonaro, 117 sem definição e 140 contra
  • 9. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 9 Foram anunciados 27 nomes que foram nomeados para a equipe de transição de Bolsonaro. O perfil da equipe revela um cunho declarada- Destacam-se: militares formados na Escola das Américas, responsável pela formação dos militares latino-americanos na doutrina de contra Foram definidas áreas prioritárias da transição, a saber: Desenvolvi- mento regional; Ciência, tecnologia, inovação e comunicação; Mod- A estrutura de governo desenhada terá ao menos 15 ministérios e no máximo 17 ministérios, segundo acertado em reunião da equipe de 21 22 23 24 mente anti-indigenista; insurgência; acadêmicos, alguns vinculados ao Instituto Millenium; Diretores de empresas com passagens em gov- ernos de Michel Temer e João Doria; dois irmãos da família Bragança, denunciados pelo MPF por fraude em concurso público na Unifesp; membros do IPEA (ver Anexo com a lista de alguns nomeados e seus currículos) ernização do Estado; Economia e comércio exterior; Educação, cultura e esportes; Justiça, segurança e com- bate à corrupção; Defesa; Infraestrutura; Produção suste- ntável, agricultura e meio-ambiente e Saúde e assistência social. transição realizada no último dia 30. Hoje, são 29 pastas. Foram apontados os seguintes ministérios: III. DA EQUIPE DE TRANSIÇÃO E PRIORIDADES DO NOVO GOVERNO • Casa Civil - Fusão com Secretaria de Governo • Economia - Fusão de Fazenda, Planejamento e Indústria, Comércio Exterior e Serviços • Defesa • Ciência e Tecnologia - Deve assumir Ensino Superior; Co- municações podem sair • Saúde • Educação - Fusão com Esportes e Cultura • Trabalho • Minas e Energia
  • 10. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 1 0 • Justiça - Fusão com Segurança Pública • Integração Nacional - Fusão com Cidades e Turismo • Transportes - deve ser renomeada para Infraestrutura; pode somar Comunicações • Gabinete de Segurança Institucional • Social - Fusão de Desenvolvimento Social e Direitos Hu- manos • Relações Exteriores • Agricultura e Meio ambiente • Anda não há definição sobre Secretaria-geral da Presidência; Transparência e Controladoria-Geral e Ad- vocacia-Geral da União. • Prioridade no Ensino à Distância • Currículo: Matemática, Ciências e Português, sem doutri- nação e sexualização precoce • Priorizar educação básica e ensino técnico • Qualificação crescente dos professores • Revisar conteúdos, desde alfabetização, expurgando ideologia Paulo Freire • Alterar a BNCC • Impedir aprovação automática • Universidades devem gerar avanços técnicos e desen- volver novos produtos a partir de parceria com iniciativa privada • Fomentar empreendedorismo na universidade • Evoluir para integração entre universidades públicas e privadas O desenho institucional apresentado recebeu severas críticas de es- pecialistas e grande imprensa, obrigando recuos da nova equipe de Para a EDUCAÇÃO, foram definidas, até o momento, as seguintes pri- oridades: 25 26 governo. Este é o caso da proposta de fusão envolvendo Ministério da Agricultura e Meio Ambiente ou a perda de status ministerial para a pasta do Trabalho. O imbróglio envolvendo o MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE gerou certo conflito interno na equipe de Bolsonaro. A disputa envolveu os ruralistas linha dura (que demandam a sub- ordinação da pasta ao Ministério da Agricultura) e mili- tares que serviram na Amazônia. Também houve reação negativa de segmentos do agronegócio de exportação. Foi sugerido o nome do pesquisador Evaristo de Miranda, chefe da Embrapa Territorial, como o que poderia ocupar as rédeas da política ambiental do novo governo. Contudo, antes do anúncio de seu nome, previsto para 21 de novem- bro, Evaristo declinou do convite.
  • 11. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 1 1 Sobre o ESTATUTO DO DESARMAMENTO, o presidente da Câmara, Ro- drigo Maia, admitiu votar este ano a flexibilização do Estatuto do De- Sobre SEGURANÇA PÚBLICA, Sérgio Moro, futuro ministro de Justiça e Segurança Pública, em sua primeira entrevista (6 de novembro), afir- 27 28 sarmamento, promessa que ele havia feito há três meses à bancada da bala. A votação do projeto é considerada uma contrapartida de Maia ao eventual apoio do futuro presi- dente à sua reeleição na presidência da Casa; mou que apresentará ao Congresso Nacional propostas legislativas para combater o crime organizado e esboçou: • 10 medidas contra a corrupção, elaboradas pela Trans- parência Internacional e a Fundação Getúlio Vargas; • Proibição de progressão de regime quando houver ligação com organizações criminosas; • Controle das comunicações de presos em penitenciárias de segurança máxima; • Negociação de penas para resolver casos criminais pequenos; • Policiais disfarçados para descobrir crimes; • Proteção de denunciantes anônimos; • Modelo de forças tarefas da Lava Jato para além dos esquemas de corrupção, contra o crime organizado; • Investir em tecnologia, colher o perfil genético dos presos, com criação de bancos de dados; • Profissionalização do serviço público civil e diagnóstico para analisar cargos de comissão para que esses cargos possam ser substituídos por meio de concursos.
  • 12. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 1 2 Paulo Guedes, futuro comandante da área econômica do novo gover- no, afirmou que Argentina e o MERCOSUL “não são prioridade”. O Mer- Sobre PRIVATIZAÇÕES, Paulo Guedes defende privatizações para qui- tar 20% da dívida pública brasileira. Não vetou Petrobrás ou Banco do Defendeu a necessidade de uma simplificação tributária “brutal”, rumo a um imposto único federal. Sobre a PREVIDÊNCIA, propõe a criação de um novo regime, baseado em sistema de capitalização. Com a nova Previdência, as empresas 29 30 31 32 FAT O S E M D E S TA Q U E N A E C O N O M I A cosul seria “muito restritivo, que o Brasil ficou prisioneiro de alianças ideológicas e isso é ruim para a economia”. Em 2017, as vendas externas do Brasil para a China, Es- tados Unidos, Argentina, Holanda e Japão somaram US$ 106 bilhões e responderam por metade dos embarques do País. Segundo o Itamaraty, as trocas no Mercosul se mul- tiplicaram nove vezes entre os sócios fundadores do bloco - de US$ 4,5 bilhões em 1991 a US$ 40 bilhões em 2017. Brasil. Nas contas de Guedes, renderia cerca de 800 bil- hões de reais (20% da dívida pública federal, calculada em 3,6 trilhões de reais). Hoje são 400 bilhões de reais com juros por ano. Defende a destinação dos recursos poupa- dos com o pagamento da dívida para saúde, segurança e educação, redistribuindo os recursos para Estados e mu- nicípios. não teriam que arcar com encargos e os trabalhadores teriam ativos e capitalização em seus nomes. Segundo Guedes, o custo de transição entre os dois modelos seria bancado pela reforma do velho regime.
  • 13. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 1 3 O sistema previdenciário privado implantado no Chile em 1981, duran- te a ditadura de Augusto Pinochet, citado como exemplo, vive profun- O país sai de um período de dois anos de profunda recessão, em 2015 e 2016, contando com 7% de queda no PIB e um crescimento de 1% Como fazer a economia retomar o crescimento e gerar milhões de em- pregos? Um caminho fundamental, marca da economia brasileira, é 33 34 35 da crise. Os trabalhadores dependentes são obrigados a reservar 10% de sua renda mensal para a aposentadoria. As mulheres começam a receber o benefício aos 60 anos e os homens aos 65. O dinheiro é gerenciado por adminis- tradoras de fundos de pensões (AFP), que investem essa poupança na bolsa de valores e outras ferramentas finan- ceiras. A principal crítica ao sistema das AFP é que, no momento de se aposentar, o dinheiro que os trabalhadores recebem é muito reduzido e mal dá para viver em um país onde serviços básicos, como saúde e ensino público, vivem uma crise. em 2017, estimado em 1,5% para 2018. O desemprego ba- tendo em 12,5 milhões de trabalhadores e 23,3 milhões de pessoas na miséria. Amargando cinco anos seguidos de déficit público, que deve atingir mais de R$ 140 bilhões em 2018 e calculado em R$ 139 bilhões para 2019. A taxa de investimento em 2017 na casa dos 15,6%, atingindo, se- gundo o IBGE, o mais baixo nível dos últimos 20 anos e com mais de 63 milhões de pessoas, segundo SPC, com dívidas atrasadas, atingindo principalmente as famílias mais pobres. através do investimento público. Mas, como fazê-lo se os déficits têm sido permanentes nos últimos anos e vão se repetir nos próximos? Como contar com o apoio dos Es- tados se a grande maioria está em grave crise financeira, sendo que São Paulo não dá aumento ao funcionalismo há anos e Minas, Rio e Rio Grande do Sul estão à beira da falência?
  • 14. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 1 4 IV. AS SAÍDAS DO GOVERNO BOLSONARO: ENTRE A INTENÇÃO E O GESTO Uma saída para o Estado voltar a recuperar a sua capacidade de inves- timento, gerando emprego e renda, seria uma reforma tributária estru- Outra alternativa indicada para melhorar a situação financeira da área federal é a diminuição do número de ministérios. Foram muitas propos- 36 37 tural no sentido de aumentar de forma justa a arrecadação pública. Mas a proposta de Paulo Guedes, que não sabia que o orçamento público de 2019 obrigatoriamente têm que ser aprovado em 2018, é de uma reforma que, em relação ao imposto de renda (que além de ser injusta com a classe média, segundo a Folha de São Paulo), deve gerar um rombo de R$ 27 bilhões. Outra é a venda de todas as companhias estatais para arrecadar um trilhão de reais. Nesse caso, o problema é que se acredita que vender es- tatal é dar uma ordem e no outro dia estará vendida. Seria interessante perceber que João Dória, à frente da prefei- tura paulistana, não conseguiu vender nenhuma estatal. Também é importante destacar que setores que apoiam o futuro governo, inclusive das forças armadas, não pare- cem concordar com a privatização do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Petrobrás. O próprio presi- dente eleito já falou que algumas estatais não serão ven- didas. tas de fusões ministeriais pouco fundamentadas tecnica- mente. Além das comentadas anteriormente, vale citar a unificação entre Fazenda e Planejamento, misturando quem planeja com quem gasta quando uma coisa não tem nada a ver com a outra, vide exemplos do EUA e do Japão. Se houver unificação, Paulo Guedes terá que se tornar um Superman como afirma o ex-ministro Mailson da Nóbrega em entrevista publicada no jornal O Estado de São Paulo, dado o número de órgãos, diretorias e Conselhos desse novo superministério.
  • 15. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 1 5 Outra hipótese seria a cobrança da dívida ativa da União, isto é, cobrar as empresas que não pagaram tributos para o governo federal. O valor Em relação ao setor privado a situação é de expectativa e incerteza do mercado. Num quadro em que o presidente eleito não sabe ao certo que Uma das principais questões definidas pelo chamado mercado para a volta dos investimentos é a reforma da previdência. Discutiu-se a pos- Na área internacional o mesmo vai-e-vem acontece e deixa o cenário turvo. A afirmação feita de que o Brasil deverá sair do Acordo de Par- 38 39 40 41 dessa dívida hoje é mais de R$ 1,8 trilhão. Porém, essa me- dida é inviável politicamente, dado que o novo presidente é devedor dos empresários que o apoiaram. Neste contexto, não se sabe como a área pública exercerá seu papel de potencializar o crescimento da economia. medidas tomará, os grandes investidores vão aguardar. É necessário destacar que há indicadores macroeconômi- cos favoráveis, como o as reservas internacionais que se encontra em cerca de USS 380 bilhões, a inflação sob con- trole e a taxa de juros em seu nível mais baixo, além de capacidade ociosa na indústria. Esses indicadores seriam favoráveis para um governo que sabe o que quer. sibilidade de retomá-la ainda este ano, mas, dada a sua complexidade e a grande oposição a ela, o governo jogou a toalha e já deixou para o ano que vem. Ainda em relação ao setor privado a declaração do futuro presidente de que cogita diminuir alíquotas alfandegárias na importação de produtos estrangeiros, causou grande descontentamen- to e recebeu críticas de setores industriais pois estes re- ceiam perder mercado para produtos importados, o que levará problemas para suas empresas e ao aumento do desemprego. is acabou criando uma forte opinião negativa, que pode levar a prejudicar as exportações do agronegócio. Diante dessa repercussão, Bolsonaro afirmou que essa questão ainda não está definida. Em relação à China, o nosso maior parceiro comercial, afirmou que esse país está compran- do o Brasil. Anteriormente, Bolsonaro sinalizou em visita a Taiwan, que daria atenção especial a essa ilha que é con- siderada pelo governo de Pequim como uma província re- belde. A resposta a todas essas questões foi de pesadas críticas do jornal chinês Global Times, porta voz informal
  • 16. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 1 6 das perspectivas políticas de Pequim. Mais adiante, falou em mu- dar a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. Com a re- taliação do Egito ao suspender reunião de negócios com o atual ministro das Relações Exteriores e com um grupo de empresári- os, disse que essa questão ainda não está definida, com medo da retaliação dos países árabes, grandes compradores de proteína animal de nosso país. Diante dos indicadores econômicos; da falta de um plano definido; das inconsistentes declarações e retrocessos nas narrativas do novo Essa realidade traz uma certeza: a de que o futuro governo deve pri- orizar como uma de suas bandeiras uma pauta ligada a questões mo- 42 43 governo, podemos afirmar que os investimentos estatais em grande parte não ocorrerão, os privados devem ficar em compasso de espera, o crescimento econômico será baixo e o nível de emprego informal pode ter até algum crescimento nossa economia deve enfim andar de lado, com baixo crescimento por um bom tempo. rais, pois essas não exigem investimentos e é o que o futu- ro presidente mais discorreu em sua campanha. Vai tentar controlar a luta social e defender claramente os interesses do grande capital, do agronegócio, enfim, dos setores que financiaram e deram apoio total à sua eleição.
  • 17. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 1 7 Neste primeiro mês pós-eleitoral teve continuidade o assédio políti- co-ideológico que a campanha de Bolsonaro empregou durante sua Os anúncios e declarações mais impactantes foram minimizados ou desmentidos após reações públicas negativas. O ambiente criado Dois segmentos parecem os mais atingidos pelas ameaças e se con- stituíram como alvos de grupos oficiosos: população LGBTT e profes- 44 45 46 G R U P O S S O C I A I S S O B A M E A Ç A campanha. Declarações iniciais, divulgação de vídeos em que o futuro presidente citava técnicos da Fundação João Pinheiro (de Minas Gerais, vinculada à Secretaria Estadu- al de Planejamento) como desafestos, incentivo à denún- cia de alunos e pais contra professores “doutrinadores”, declarações públicas contra governos, os expedientes utilizados foram grosseiros e geraram constrangimentos internacionais. parece se valer da noção de que nada e tudo são verdades – uma variante da pós-verdade, técnica de controle da nar- rativa através da determinação do que vale e o que não vale a partir do próprio autor do discurso, quase nunca se relacionando aos fatos que efetivamente ocorreram. O fu- turo governo naturaliza o assédio moral e político como expressão de força, criando tumulto e temores em meio aos anúncios de reformas que estariam em curso, como a da previdência, privatizações em massa e supressão de direitos. sores. A população LGBTT passou a ser alvo desde o final da campanha do primeiro turno deste ano, identificados como elementos de deterioração da moral familiar. Na se- quência à eleição, foi objeto de ação de fundamentalistas religiosos. Há relatos de ataques violentos contra traves- tis e gays em muitas cidades das regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte. São muitos registros, como o da designer de animação Larissa Alveno, 24 anos, que ao entrar no metrô, foi abordada por um homem que parou na sua frente e gritou, apontando o dedo. “‘Lésbica imun- da, sua raça vai acabar, vocês vão morrer’. Assim como a ameaça sofrida pela antropóloga Luiza Lima, 29 anos, que havia colado dois adesivos em sua mochila (um deles com as cores do arco-íris, símbolo LGBT) e que foi abor- dada por pessoas que estavam num carro que diminuiu a
  • 18. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 1 8 velocidade e começou a acompanhá-la. Em determinado momento, o homem que estava sentado ao lado do mo- torista disse: ‘Ei, isso é adesivo de viado, né? A hora de vocês vai chegar, puta’. (Ver https://universa.uol.com.br/ noticias/redacao/2018/10/10/lgbts-ameacas-homofo- bia-eleicoes.htm ) A socióloga Ester Solano (Unifesp) anota que em entrevistas recentes (pós-eleitoral) ouviu relatos de medo pelo recrudescimento da violên- Por fim, e talvez os mais vulneráveis, estão as populações indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais, bem como Além deste público, de forma não inédita, mas em escala crescente, os professores de forma generalizada, sejam da rede pública ou privada, 47 49 48 cia masculina, ativado pelo discurso machista do eleito, já está causando no ambiente doméstico. os movimentos de agricultores familiares e de sem-ter- ra. Estes segmentos preocupam pelo relativo isolamento físico que naturalmente sofrem, assim como pela ameaça dos grupos de pistoleiros armados pelo setor duro do lat- ifúndio, que gravitam em seu entorno. Como já informado no ensino fundamental ou médio, estão sendo encurral- ados pelo discurso dos ativistas da Escola Sem Partido. Durante o segundo turno das eleições, professores de di- versos departamentos da Universidade de Brasília (UnB) decidiram cancelar aulas depois que apoiadores do presi- dente eleito Jair Bolsonaro (PSL) convocaram atos em re- des sociais para dar início ao que chamam de “caça aos comunistas” – em uma das postagens, diz que “universi- dade não é lugar de comunista”. Após declarada a eleição de Jair Bolsonaro como o novo presidente da República, a recém-eleita deputada estadual pelo PSL de Santa Ca- tarina, Ana Caroline Campagnolo, divulgou, em sua pági- na no Facebook, que por conta própria e arbitrariamente, criou um “canal de denúncias” para que alunos denun- ciem eventuais manifestações de professores contrários à vitória do candidato da extrema direta. O juiz Giuliano Ziembowicz, da Vara da Infância e da Juventude de Flori- anópolis, determinou que esta publicação fosse retirada do ar e o Ministério Público de Santa Catarina entrou com ação contra a deputada eleita.
  • 19. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 1 9 neste documento, a equipe de transição do novo governo assumiu posições declaradamente anti-indigenistas, em especial, os membros que são militares. Já os sem-ter- ra estão claramente estigmatizados como preferenciais na demonstração de força pelo próprio presidente eleito, que se referiu aos seus líderes como criminosos. Recen- temente um dos filhos de Bolsonaro falou em encarcera- mento em massa de sem terras, numa nítida construção de um ambiente de violência intimidatória. Inclusive, casos de violência policial contra acampamentos estão ocorren- do em diversos estados, mesmo no Nordeste, a revelia dos governadores. A justificativa dos oficiais da polícia é que estão cumprindo ordens judiciais. Na articulação da resistência, um dos mais preparados são os movi- mentos antirracistas, oprimidos secularmente e com um histórico de Uma primeira reação, quase imediata, veio de coletivos de advogados e juristas, assim como entidades de representação de professores, O uso intenso do conflito moral e cultural parece ser uma das armas discursivas e de estímulo à reação reacionária mais empregadas neste 50 51 52 resistência mais consistente. Os grupos LGBTT têm menor articulação. Os professores parecem pouco articulados para essa nova situação de assédio público. Já as mul- heres, alvos tradicionais da violência doméstica, íntima, e as feministas, em especial, foram alçadas à condição de inimigo externo da paz social. Lideranças camponesas já são alvo e vão sofrer com a chancela legal à violência que o discurso de Bolsonaro veio naturalizando na campanha. orientando a categoria sobre ilegalidades divulgadas e a quem devem recorrer em caso de ameaças ou atos de vi- olência. Em diversos Estados foram criados Observatórios da Violência Política (conceito já consagrado pela ONU), envolvendo polícias militares, corregedorias das PMs, en- tidades de defesa de direitos, advogados, juízes, deputa- dos, ministério público e defensorias. momento. Há, de certa maneira, vínculos com fake News disseminados durante o processo eleitoral, como o “kit gay” inventado por grupos pró-Bolsonaro. Ativistas da Es- cola Sem Partido procuraram se articular nacionalmente e além de incentivar denúncias anônimas contra profes- sores, envidaram esforços para que várias casas parlam- entares votassem projetos de lei neste sentido, a despeito do STF já ter aprovado liminar contra esta proposição por considera-la inconstitucional.
  • 20. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 2 0 Segundo o analista político Andrew Korybko, o mundo está atualmente no meio de uma grande transição da unipolaridade para a multipolari- Para o analista, o mundo Unipolar é caracterizado pela hegemonia pre- dominante dos EUA em uma ampla variedade de esferas, seja exercida Uma das propostas mais recentes tem sido ampliar o formato dos BRICS através do que agora é chamado de estratégia “BRICS-Plus”, 53 54 55 C O N J U N T U R A I N T E R N A C I O N A L dade. diretamente através de iniciativas unilaterais ou indireta- mente através de seus parceiros regionais e institucionais. As forças multipolares do mundo estão trabalhando para substituir a ordem internacional liderada pelos EUA por uma matriz diversificada de múltiplas partes interessadas, através da “reforma progressiva de instituições internacio- nais como a ONU, FMI, Banco Mundial e outras, bem como criar suas próprias contrapartes para alguns deles, como o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS” ou formando “organizações inteiramente novas como a Shanghai Coop- eration Organization (SCO)”. Também merecem atenção as movimentações para a consolidação da Shanghai Pact, uma aliança política, econômica e de segurança da Eurá- sia, cuja criação foi anunciada em 15 de junho de 2001 em Xangai, China pelos líderes da China, Cazaquistão, Quir- guistão, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão. que busca essencialmente que cada um dos cinco Esta- dos membros encoraje a cooperação multilateral entre as respectivas organizações de integração regional, incen- tivando o Mercosul, a SADC (Southern African Develop- ment Community), a União Econômica Eurasiática, a SCO, a SAARC (South Asian Association for Regional Coopera- tion) e a ASEAN (Association of Southeast Asian Nations) cooperem mutuamente para modificar a ordem mundial.
  • 21. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 2 1 No entanto, aponta o autor, não é suficiente apenas reformar e substitu- ir certas instituições, vez que a base subjacente do controle americano Isso explica a corrida naval em andamento em todo o mundo, à medida que os EUA buscam garantir seu domínio em alto mar em face da cres- Entendendo as súbitas consequências que qualquer ação militar hostil poderia infligir para a sua estabilidade socioeconômica, a China pre- O estratagema acima explica a essência da visão global da One Belt One Road (OBOR) da conectividade das Novas Rotas da Seda (New 56 57 58 59 sobre o mundo se dá através de meios econômicos, impos- tos pelos militares. Por outro lado, os EUA não conseguem atacar diretamente rivais como a Rússia e a China sem sofrer danos inaceitáveis ​​através de um contra-ataque nu- clear, e “por isso Washington está pressionando para con- struir instalações antimísseis em toda a Eurásia.” cente concorrência da Rússia, China e outros. O oceano global é importante por se relacionar com a base econômi- ca do domínio americano sobre o mundo. A China depende das vias navegáveis ​​internacionais para a grande maioria do seu comércio, o que a torna excessivamente vulnerável a qualquer esforço dos EUA para bloquear certos pontos de estrangulamento, como o Estreito de Malaca e o Canal de Suez. viu a necessidade de criar as rotas comerciais transconti- nentais até seus parceiros europeus, assim como proteger suas Linhas de Comunicação Marítimas (SLOC/Sea Lines Of Communication) existentes e expandir o seu acesso à crescente economia da África. Conseguindo impulsionar os mercados africanos, a China espera que estes países possam criar demanda para sua superprodução industrial. Silk Roads), projetada para transformar as redes comerci- ais mundiais de modo a facilitar a transição de uma ordem internacional Unipolar liderada pelos americanos para uma Multipolar e diversificada, protegida por um número maior de grandes potências. No entanto, este é o modelo que se opõe como maior ameaça à sua hegemonia mun- dial, levando os EUA “a se engajar nas Guerras Híbridas centradas nos estados geoestratégicos ao longo desses corredores, para perturbar, controlar ou influenciar, bus- cando remover seu impacto num mundo Multipolar.”
  • 22. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 2 2 V. AS GUERRAS HÍBRIDAS E OS CORREDORES DE CONECTIVIDADE Para essa finalidade, os EUA utilizam a guerra de informações e ONGs para exacerbar as falhas já existentes no país visado (ou às vezes pro- Esse processo de bloqueio pode ser provocado por uma Revolução Colorida (nos moldes da Ucrânia), uma Guerra Não Convencional, ou Os estados que são mais vulneráveis ​​a guerras híbridas provocadas externamente em nível nacional são, de leste a oeste: Tailândia, Mian- A tendência predominante é que o Grande Coração da Eurásia (Oriente Médio, Ásia Central e Sul da Ásia) estará mais diretamente ameaçado 60 61 62 63 jetar falhas completamente novas), após o que emprega seus parceiros regionais para canalizar armas, apoio ma- terial e tecnológico ao incipiente movimento antigoverna- mental, fortalecendo o interesse comum afim de que a ini- ciativa de desestabilização tenha sucesso. Quer se trate de ajustes do regime (concessões políticas), mudança de regime (mudança de liderança) ou reinício do regime (reforma político-constitucional total), os EUA desejam um resultado que lhe proporcione a capacidade de interferir ou bloquear as Novas Rotas da Seda que a China vem con- struindo em todo o mundo. uma transição gradual entre qualquer uma delas, ambas as quais podem terminar em uma intervenção militar mul- tilateral direta, nos moldes da Guerra da Líbia em 2011. mar, Etiópia, Quênia, República da Macedônia, República Democrática do Congo (RDC), Zâmbia, Nigéria, Bolívia e Nicarágua. por instabilidades subnacionais e transnacionais, enquan- to o restante dos estados de trânsito em todo o mundo corre maior risco de ameaças estritamente internas.
  • 23. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 2 3 Segundo o autor, a melhor maneira da emergente Ordem Mundial Mul- tipolar enfrentar essas inúmeras ameaças de guerra é através da im- 64 plementação de medidas proativas no fortalecimento de sua segurança democrática – a segurança democráti- ca Individual, enquanto nação, assim como a segurança democrática coletiva, enquanto grupos de nações ou blo- cos. Tal sistema integraria medidas militares convencio- nais, mas também econômicas, informacionais e até mes- mo ideológicas. A cooperação internacional por meio de instituições multipolares, como o BRICS, a SCO Shangai Cooperation Organisation e, em grande medida, a maior parte do G20, permitiria um progresso nesta direção.
  • 24. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 2 42 4 Anexo 01 C U R R Í C U L O D O S M E M B R O S D A E Q U I P E D E T R A N S I Ç Ã O D E B O L S O N A R O Onyx Lorenzoni Deputado do DEM-RS e futuro ministro da Casa Civil. Veter- inário. Fez parte, em 2003, do bloco parlamentar que enfren- tou, na Câmara dos Deputados, a campanha desarmamentis- ta. Foi líder do PFL nesta casa parlamentar em 2007. Paulo Guedes PHD pela Universidade de Chi- cago, um dos fundadores do banco Pactual. Futuro Minis- tro da Economia. Augusto Heleno General da reserva. Futuro ministro da Defesa. Foi o pri- meiro comandante da Missão das Nações Unidas para a Es- tabilização o Haiti, entre 2004 e 2005. No final do segundo governo Lula, foi comandante militar da Amazônia e se opôs à política indigenista do gover- no. Em Brasília, chefiou o Cen- tro de Comunicação Social do Exército (CComSEx). Formado na WHINSEC, a “renovação” da Escola das Américas, re- sponsável pela formação dos militares latinoamericanos na doutrina de contra insurgência que mais tarde se tornaram fa- mosos nas ditaduras latinas. Marcos Pontes Futuro ministro de Ciência e Tecnologia. Astronauta. Foi candidato a deputado fed- eral pelo PSB de São Paulo, em 2014, e não se elegeu. Se transferiu para o PSL e foi cogitado a compor a chapa com Bolsonaro como vice. Acabou eleito deputado fed- eral neste ano. Luciano Irineu De Castro Filho Engenheiro Eletrônico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1995), mestra- do em Economia Matemáti- ca pelo Associação Institu- to Nacional de Matemática Pura e Aplicada (2001) e doutorado em Matemática pelo Associação Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (2004). Paulo Antônio Spencer Uebel Diretor na Webforce Venture Capital. Foi Secretário Mu- nicipal de Desestatização e Parcerias da Prefeitura de São Paulo (governo Dória). Gustavo Bebianno Rocha Advogado, ex-presidente do PSL. Comandou a agenda pessoal de Bolsonaro duran- te a campanha. Foi ele quem articulou a ida de Bolsonaro para o PSL. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
  • 25. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 2 52 5 Arthur Bragança De Vasconcellos Weintraub É formado em direito pela USP. Especializado em prev- idência com 14 livros publi- cados. Gulliem Charles Bezerra Lemos Coordenou campanha de Bolsonaro no Nordeste, Em 2011, foi condenado em pri- meira instância a um ano de prisão em regime aber- to por estelionato. O pro- cesso prescreveu antes do novo julgamento. Foi alvo de três acusações de violên- cia doméstica entre 2013 e 2016. Uma delas, movida por sua irmã, que ainda está em curso. Roberto Da Cunha Castello Branco Roberto Castello Branco - Doutor em economia pela FGV e pós doutorado na mesma área pela Universi- dade de Chicago. Foi pro- fessor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Presidente Ex- ecutivo do IBMEC, diretor do Banco Central, Economista chefe da Vale do Rio Doce. Luiz Tadeu Vilela Blumm Tenente-Coronel e Coman- dante Operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Dis- trito Federal Carlos Von Doellinger Economista do IPEA. Co- autor, com Leonardo Cav- alcanti, do livro “Empresas multinacionais na indústria brasileira”, em que sustenta a importância dessas empre- sas para o desenvolvimento nacional por se concentra- rem em setores econômi- cos tecnologicamente mais sofisticados. Contudo, de- staca que a realização de seu lucro constitui um custo social para o país, além de outros custos, tais como: a) preferência a fontes de supri- mento de matérias-primas e equipamentos pertencentes ao próprio grupo; b) lim- itação de exportações quan- do estas possam competir com produtos similares da casa matriz; c) transferência de tecnologia geralmente in- adequada; d) neutralização das políticas econômicas governamentais; e) estraté- gia do “preço de transferên- cia” para remeter lucros disfarçados; e f) aquisição de empresas nacionais exis- tentes ao invés de criar no- vas empresas. Bruno Eustáquio Ferreira Castro De Carvalho PhD em Sistema e Gestão pela Universidade de Lis- boa e Doutor em Engenharia Civil pela UnB (Co-tutela). Especialista em Avaliação Socioeconômica pela ENAP. Mestre em Tecnologia Am- biental e Recursos Hídricos pela UnB. Mestre em Engen- haria Civil pela Universidade do Porto. Engenheiro Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais. Foi asses- sor na Secretária Executiva e na Secretaria de Recursos CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
  • 26. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 2 62 6 Hídricos do Ministério do Meio Ambiente. Foi assessor no Ministério da Integração Nacional no processo de reestruturação do CENAD. Assessor na Secretaria de Assuntos Estratégicos da PR com coordenação de pro- jetos na área de infraestru- tura. Foi chefe de Gabinete na Secretaria de Desenvolvi- mento Sustentável da SAE/ PR. Antônio Flávio Testa Sociólogo da UnB. Já com- punha equipe de estratégia da campanha de Bolsonaro, orientando sobre questões territoriais e indígenas. Carlos Alexandre Jorge Da Costa Carlos da Costa - Foi diretor de planejamento, crédito e tecnologia do Banco Na- cional de Desenvolvimento EconômicoeSocial(BNDES). Antes disso, presidiu o Insti- tuto de Performance e Lider- ança, foi executivo residente no JP Morgan e sócio-diretor do Ibmec Educacional. Atu- ou como consultor em em- presas e programas de gov- erno, em especial nas áreas relacionadas a desenvolvi- mento, produtividade e mer- cado de capitais. Mestre e PHD pela UCLA, economista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É cotado para ocupar a presidência do BNDES ou assumir uma das secretar- ias econômicas que deverão ficar sob o guarda-chuva do ministério da Economia de Paulo Guedes Waldemar Gonçalves Ortunho Junior Coronel reformado do Exér- cito. Durante a campanha, foi responsável articulou um grupo de militares que dis- cutiam segurança, saúde e meio ambiente, entre outros temas. Abraham Bragança De Vasconcellos Weintraub Trabalhou na iniciativa privada, no Banco Votoran- tim por 18 anos onde foi economista-chefe e diretor. Jonathas Assunção Salvador Nery De Castro Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da Repúbli- ca (governo Temer), UDF Centro Universitário. Foi da Secretaria de Infraestrutu- ra Hídrica do Ministério da Integração Nacional e do Ministério do Desenvolvi- mento, Industria e Comércio Exterior Alexandre Xavier Ywata De Carvalho Alexandre Xavier Ywata de Carvalho é Engenheiro Mecânico-Aeronáutico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), possui Es- pecialização em Engenharia de Armamento Aéreo pelo ITA, é Mestre em Estatística pela Universidade de Brasilia (UnB) e é PhD em Estatística pela Northwestern Universi- CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
  • 27. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 2 72 7 ty, Evanston, Illinois, EUA. É pesquisador sênior do Insti- tuto de Pesquisa Econômi- ca Aplicada - Ipea, localiza- do em Brasília, desde 1996. Atualmente, está lotado no International Policy Center (IPC/UNEP). É professor das disciplinas de econometria e pesquisador no Centro de Estudos em Regulação de Mercados da Universidade de Brasília (CERME/UnB), desde 2008. Foi Coorde- nador Geral de Estudos Re- gionais e Urbanos, no Ipea, de 2005 a 2007. Pablo Antônio Fernando Tatim Dos Santos Pastor e Secretário-execu- tivo da secretaria-geral da presidência da república (governo Temer) Waldery Rodrigues Junior Doutor em economia, tem graduação em engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Fez mestra- do em economia na Univer- sidade de Michigan e dou- torado pela Universidade de Brasília. É coordenador-ger- al na Secretaria de Política Econômica (SPE) Adolfo Sachsida Doutor em economia pela Universidade de Brasília e pós-doutor pela Univer- sidade do a Alabama. É pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica- da (IPEA). Tem vários artigos publicados na área econômi- ca. Adolfo é filiado ao DEM e já tentou se eleger deputado federal pelo DF. Marcos Cintra Cavalcanti De Albuquerque Marcos Cintra - Possui grad- uação em economia pela Harvard College, mestrado e metrado em planejamento regional na mesma universi- dade. Atualmente é profes- sor titular e vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas. Já foi Secretário de Planeja- mento do Município de São Paulo, vereador e deputado federal, com experiência na área econômica, com ênfase em política tributária CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
  • 28. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 2 82 8 Anexo 02 R O D A D A S E D A Para compreender o quão mundial é a competição en- tre os EUA e a China, é necessário conhecer todos os corredores de conectividade existentes, planejados e prospectivos, nos três mapas abaixo que destacam as várias Rotas da Seda na Eurásia, África e América Lati- na: No mapa acima são demarcadas a) a Ponte Eurasiana (verde); b) a Rota da Seda dos Bálcãs (marrom); c) a Tran- scentral Assian Silk Road (roxo); d) a CPEC (vermelho); e) o Corredor Econômico-energético China-Mianmar (azul); f) a ASEAN Silk Road (laranja); g) os projetos / interconectores prospectivos Corredor Econômico BCIM (rosa). CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
  • 29. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 2 92 9 No mapa da África encontram-se linhas vermelhas de ro- tas já anunciadas e/ou construídas, e verdes, ainda em prospecção. De norte a sul, as estradas da seda existentes ou planejadas são: Jibuti-Addis Ababa Rota da Seda (Rota da Seda da Etiópia); Corredor Econômico LAPSSET; Ferro- via de bitola padrão; Corredor Central; TAZARA; Corredor de Nacala; Ferrovia Ponta Techobanine1 . Finalmente, existem duas Rotas da Seda de importância nas Américas: o Canal da Nicarágua e a Ferrovia Trans- oceânica (TORR) entre Brasil-Bolívia-Peru. Os três mapas apresentados localizam os países de trân- sito mais geoestratégicos e as comunidades de identi- dade ao longo das Novas Rotas da Seda, que, consequen- temente, “devem se tornar futuros campos de batalha das Guerras Híbridas”. Veja como é o mundo com apenas essas entidades destacadas: 1 .Quanto a projetos prospectivos, de norte a sul, estes são: Rota da Seda Saara-Saheliana, Corredor CCS (Camarões-Chade-Sudão); Estradas de seda da Nigéria; Corredor intermodal inter-Congo; Caminho-de-ferro de Benguela / Corredor Noroeste para Angola; Walvis Bay Corridor; Corredor da Área de Comércio Livre Tripartida (África do Sul ao Sudão, seguin- do o Oleoduto da Renascença Africana entre Moçambique e a África do Sul, com interligações adicionais entre os projetos exis- tentes no norte). CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018
  • 30. CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018 3 0 Os processos globais recentes indicam tendências abrangentes em cada um dos três teatros do Silk Road (Eu- rásia, África e América Latina). São elas: 3 0 CONJUNTURAPÓSELEITORAL2018