PSICOSSOMÁTICA
DO PSÍQUICO PARA O
SOMÁTICO
PSICOSSOMÁTICA
A psicossomática tem sido usada tanto
no meio médico, como na clínica
psicanalítica, desde as manifestações de
conversão da histeria reveladas por
Freud, tem colocado os analistas frente às
questões do adoecimento do corpo físico.
PSICOSSOMÁTICA
Na atualidade observa-se que as disciplinas
que abordam a mente humana se
aproximam cada vez mais das disciplinas
que abordam o corpo somático.
PSICOSSOMÁTICA
Uma das razões significativas do estudo da
Psicossomática no Curso de Psicanálise, mais que
a pretensão de ensinar, é abrir um leque de
discussões a respeito da função do psicanalista,
para uma relação mais humana em seu trabalho.
Ao cuidar de alguém, o psicanalista deve fazer
com bastante apreço e, quando for o caso,
trabalhe em parceria com aquele que examina,
diagnostica e receita medicamentos.
Ao reunir os escritos que comporiam esta apostila,
surgiram dúvidas a respeito da melhor forma de
organizar os temas subtítulos, pois tudo parecia
dominante e, entre as várias intenções de abordagens,
a maior é a de chamar a atenção do psicanalista, na
compreensão do Ser Humano na
Contemporananeidade, especialmente daquele que
comparece na clínica com algum tipo de
adoecimento, já que a principal aventura de qualquer
psicoterapia empreendida por duas pessoas é: tornar
possível àquela que procura ajuda, despertando-a
para aquilo que foi reprimido de sua natureza e
seus correlatos na conduta humana.
PSICOSSOMÁTICA
Como o psicanalista, em seu ofício, lida com
um amplo aspecto de questões e problemas
que vão muito além de um único tópico, é de
suma importância que ele procure compreender
a origem desses correlatos, o ambiente em
que essa pessoa vive, bem como a forma
que ela lida com os acontecimentos do seu
dia-a-dia.
PSICOSSOMÁTICA
As questões humanas aqui serão abordadas a partir
dos fatores psicossociais, os afetos e os distúrbios
corporais, o indagar, pesquisar e acertar em uma
história, a linguagem dos sentimentos, o enigma da
doença, doenças psicossomáticas, alternância
psicossomática, relação mente e corpo, ganho
secundário da doença, a escolha do órgão a
adoecer, pessoas predispostas a acidentes e
outros.
PSICOSSOMÁTICA
A visão sobre o processo de adoecimento tem
sido um desafio para todos que procuram
compreender as doenças. O adoecer faz parte da
natureza humana e o seu processo apresenta
fatores determinantes e/ou condicionantes que
entrelaçam fatores genéticos, biológicos e
fisiológicos, ambientais e psicológicos,
fazendo parte desse complexo processo.
PSICOSSOMÁTICA
Em nossos dias, a psicossomática pode ser
empregada para analisar qualquer tipo de sintoma,
seja ele físico, emocional, psíquico, relacional,
comportamental, social ou familiar. Com isso, a
psicossomática não pode ser compreendida apenas
como um adjetivo para alguns tipos de sintomas, pois
vários campos do saber sobre a mente humana
percebem que não existe separação ideal entre mente
e corpo.
PSICOSSOMÁTICA
Embora não se defina a psicossomática
pertencente a uma área específica do
saber, ela apresenta-se como um grande
campo de conhecimentos a ser
compreendido e determina uma nova visão
da abordagem do adoecer.
PSICOSSOMÁTICA
As questões humanas aqui serão
abordadas a partir dos fatores
psicossociais, os afetos a linguagem dos
sentimentos, o enigma da doença,
fenômenos psicossomáticos, doenças
psicossomáticas, relação mente e corpo,
ganho secundário da doença, a escolha do
órgão a adoecer, pessoas predispostas a
acidentes e outros.
Breve Histórico da Psicossomática
A psicossomática sempre existiu.
Hipócrates, o pai da medicina, fazia uma
correlação entre os processos socioculturais
e o aparecimento de uma doença. A forma
de Hipócrates lidar com o paciente era a
forma integral. Porém, apesar da influência
hipocrática, o termo psicossomática só surgiu
pela primeira vez em 1818 por Helmoholtz
Heinroth.
Breve Histórico da Psicossomática
A psicossomática é uma ciência
interdisciplinar que integra diversas
especialidades da medicina e da
psicologia para estudar os efeitos
sociais e psicológicos sobre
processos orgânicos do corpo e
sobre o bem-estar das pessoas.
Sigmund Freud
A psicossomática evoluiu das investigações
psicanalíticas que contribuíram com
informações acerca da origem inconsciente
das doenças. Por conta disso, diz-se que a
psicanálise não só deu origem a
psicossomática e criou as bases para a
terapia psicossomática, como permanece
uma referência permanente e essencial para
esta.
Breve Histórico da Psicossomática
Ainda que Freud não tenha se interessado pela
psicossomática, parece ter sido seu instigador,
pois foi a partir dos seus trabalhos sobre a
paralisia, a afasia e a histeria que a
psicossomática vai se estruturar e que
psicanalistas americanos formaram a Escola de
Chicago, cabendo destaque a Franz Alexander em
1930.
O maior legado de Freud para as
investigações psicossomáticas se deve
ao conceito de conversão individual. Em
sua obra, as formulações que mais se
aproximam do que hoje se conhece como
psicossomática estão na definição de
neuroses atuais.
Georg Groddeck (1866-1934)
Com ele a tese de que toda doença orgânica
é igualmente psíquica, bem como o inverso,
ganha relevância: a doença corresponde a
uma solução, apesar de problemática, para os
conflitos inconscientes.
Vejamos página 50 – Isso é Groddeck
Breve Histórico da Psicossomática
Mas foi Balint, psicanalista húngaro, quem
contrbuiu definitivamente para mudar o enfoque da
psicossomática, principalmente a partir de 1945,
quando se procurou não mais buscar explicações
e rotular doenças, mas para a importância da
relação médico-paciente, evidenciando-se uma
crescente significação da conduta, ou atitude
psicossomática, considerada válida até hoje.
Breve Histórico da Psicossomática
Balint fundou os grupos Balint de estudo, a partir de
atendimentos de um dos participantes do grupo.
Neles assinalava-se a importância crescente do
estudo sobre as emoções surgidas durante o
atendimento, tanto no médico, quanto no paciente,
e como é dinâmico o campo dessa relação,
responsável pela compreensão, melhora e
desaparecimento das queixas e/ou sintomas
físicos.
Breve Histórico da Psicossomática
Essa nova abordagem retirava o paciente de um
lugar passivo, transformando-o em ativo participante
do seu próprio tratamento. Assim, foi possível mostrar
a eles sua própria ação na construção e na
manutenção de suas queixas e a sua resistência a
ficar livre delas – muitas vezes por uma dinâmica
inconsciente. Esse atendimento viria a ser o
modelo que no Brasil Danilo Perestrello
denominou “A Medicina da Pessoa”.
Breve Histórico da Psicossomática
A Escola de Paris de Pierre Marty vislumbrou a
possibilidade de agrupar pacientes comuns,
denominados operatórios (aqueles que adotam
um tipo especial de pensamento que,
defensivamente, mantém as emoções à distância),
bem como os alexitímicos (aqueles com ausência
de palavras para nomear as emoções). Ambos
devem ser compreendidos por sua tentativa especial
de comunicação.
A PSICOSSOMÁTICA NO BRASIL
No Brasil, a psicossomática proliferou-se a partir do
trabalho de psicanalistas em hospitais de ensino,
destacando-se em 1944 os trabalhos reunidos de
José Fernandes Pontes, Noemi Rudolfer e Mário
Yahn no Instituto Aché de São Paulo. Em 1945 com
os trabalhos da psicanalista Virgínia Leone Bicudo e
do psicanalista Helládio Francisco Capisano. Em
1958 e 1974, respectivamente, com a publicação das
obras de Danilo Perestrello: Medicina Psicossomática
e A Medicina da Pessoa.
A PSICOSSOMÁTICA NO BRASIL
Em 1965 Danilo funda a Associação Brasileira de Medicina
Psicossomática - ABMP, sendo seu primeiro Presidente. Em
1966 Luiz Miller Paiva, ao escrever sobre psicossomática, inclui
textos de Perestrello, Isaac Leon Luchina e Marcelo Blaya. Em
1986 Samuel Hulak em Recife, publica a revista Psicossomática.
Também merece destaque a contribuição de Engel sobre a
teoria geral dos sistemas e a própria contribuição da OMS como
”equilíbrio biopsicossocial“. Desta forma, a medicina
psicossomática pôde assumir seu verdadeiro papel integrador e
multidisciplinar, vindo a integrar-se ao ensino como nas antigas
cadeiras de Patologia Geral.
A PSICOSSOMÁTICA NO BRASIL
Nos hospitais públicos, municipais ou estaduais, a
psicossomática é comumente utilizada como Psicologia da
Prática Médica. Nas faculdades de Medicina, geralmente a
psicossomática funciona em conjunto com a psiquiatria,
sendo chamada de setor ou serviço de Psicologia Médica,
sendo também vista como um braço da psicopedagogia,
pelo atendimento que faz aos alunos que respondem às
situações traumáticas do curso com as reações de
desadaptações neuróticas ou psicóticas.
O trabalho do Psicanalista
O trabalho do psicanalista quando diante de
um doente é de preparação. Ele ouve do
doente tudo que se desaba sobre ele. Ouve
todas as suas tristezas, fatalidades e as falhas
por ele denominadas e com essas
informações, inclusive àquelas que o paciente
não fala, o analista interpreta como
significante que pode ser retomado numa
hipótese diagnóstica.
Considerações em torno do
conceito da Psicossomática
O conceito em torno da psicossomática tem
variado em função do referencial teórico de
quem usa. Vários autores têm feito esforços no
sentido de tornar um corpo teórico consistente
capaz de explicar e tornar compreensível o
fenômeno psicossomático.
No século XX surgiram os conceitos de alexitimia e pensamento
operatório, bem como a Psicossomática Psicanalítica do qual
compartilham diversos autores com seus posicionamentos, mas
um acordo em se considerar que há uma multiplicidade de
causas para o adoecer relacionadas com conflitos inconscientes.
(MELLO, 2009).
Para Júlio de Mello Filho, a psicossomática considera o doente
como um todo, estudando simultaneamente os aspectos físicos
e psíquicos. Os que lidam com a psicossomática a consideram a
medicina da pessoa, medicina holística, a medicina do encontro,
sempre apontando para a necessidade de uma tentativa cada
vez mais abrangente do atendimento médico.
Conceitos
“A Psicossomática é a Psicologia da Prática Médica”. Franz
Alexander.
“A Psicossomática é uma ideologia sobre a saúde, o adoecer e
sobre as práticas de saúde, é um campo de pesquisas sobre estes
fatos e, ao mesmo tempo, uma prática, a prática da medicina
integral”. Júlio de Mello Filho
O ser humano na Contemporaneidade
Página 6
7 cervicais, 12 dorsais, 5 lombares
Fatores Psicossociais
Fatores Psicossociais - são os fatores que afetam
uma pessoa psicologicamente ou socialmente no
dia a dia e que de certa forma ativam a sua mente,
geralmente com Ansiedade e ou Sentimento de
Culpa, Sentimento de Inferioridade, Protesto
Narcísico contra a dependência Infantil (que pode
estar presente na vida adulta), Hipercompensação
(necessidade de) e esforço (neste caso não
compensado ou na situação em que a pessoa
acredita que tudo que fez é frustrante).
Fatores Psicossociais
Há casos em que os Fatores Psicossociais
geram fortemente uma dependência Infantil
(maior necessidade de ser conteúdo e não
continente, necessidade de ser amparado e não
de amparar alguém). Essa necessidade aciona
o Sistema Nervoso Parassimpático. Quando
isso ocorre a pessoa necessita "Ser Objeto de
Cuidados".
Fatores Psicossociais
Se a pessoa aceita ser cuidada, amparada ou se sente
desta maneira, por alguma situação. No entanto, se ela
não consegue ser amparada, ser conteúdo para um
continente (forma utilizada por Bion para falar de
acolhimento), então entra em ação o sistema Neuro-
Endócrino a fim de dar vazão ao stress gerador, por meio
de sintomas, ou sinais como: úlcera gástrica,
constipação, diarreia, colite, estado de fadiga (cansaço
sem uma razão aparente ou início de uma depressão),
asma e outros problemas do aparelho respiratório.
Fatores Psicossociais
As explicações puramente biológicas da doença,
apesar de ainda serem predominantes na Medicina,
têm sido questionadas em diversos estudos que
evidenciam a influência da mente e das emoções nos
estados de saúde. Hoje sabe-se que o sistema
nervoso autônomo, responsável pela coordenação do
funcionamento de todos os órgãos internos, é
regulado pelo sistema límbico, que por sua vez é
afetado pelas experiências afetivas e emocionais do
indivíduo em seu contexto social.
Sistema Neuro-Endócrino, Simpático e Parassimpático
Frequentemente o sistema nervoso interage com o
sistema endócrino, formando mecanismos
reguladores bastante precisos sobre o meio externo
e regulando a resposta interna do organismo a esta
informação.
Sistema Neuro-Endócrino, Simpático e Parassimpático
Os sistemas endócrino e nervoso atuam na coordenação e
regulação das funções corporais. Enquanto as mensagens
nervosas são de natureza eletroquímica, as mensagens
transmitidas pelo sistema endócrino têm natureza química:
os hormônios, substâncias produzidas pelas glândulas
endócrinas e se distribuem pelo sangue, modificando o
funcionamento de outros órgãos, denominados órgãos-
alvo.
Sistema Neuro-Endócrino, Simpático e Parassimpático
A adrenalina, hormônio do stress é liberada em caso
de perigo e põe o corpo em estado de atenção
máxima. As funções cardíaca e circulatória, a
respiração, o processamento dos estímulos por parte
do cérebro e outras funções passam a operar no
máximo, a fim de possibilitar pronta reação.
Sistema Neuro-Endócrino, Simpático e Parassimpático
Nesse contexto, fala-se de reação de fuga ou
luta, na qual todas as reservas de energia são
postas a serviço de uma excitação e atividade
corporal elevadas. Em linhas gerais, a
noradrenalina atua de modo semelhante à
adrenalina, acelerando os batimentos cardíacos.
No cérebro, assim como a dopamina, a
adrenalina, influencia, sobretudo o grau de
vigilância e de excitação.
Acão dos Sistemas Nervosos Simpáticos e Parassimpáticos
O Sistema Simpático comanda de forma rápida e precisa
as funções do corpo. Ele é o acelerador e, utilizando a
noradrenalina tem a função de preparar ou excitar o
organismo para situações percebidas como
ameaçadoras. Essa ação acelera e intensifica os
batimentos cardíacos, aumenta a pressão arterial e,
através da constrição dos vasos sanguíneos, redistribui o
sangue, canalizando-o em maior quantidade para onde
for mais necessário. O Sistema Simpático prende muitas
ações do nosso organismo, preparando-nos para lutar ou
fugir.
Sistema Neuro-Endócrino, Simpático e
Parassimpático
Exemplo: uma pessoa vai andando à noite numa
rua escura e de repente escuta um barulho atrás
dela. Nessa situação, entra imediatamente em
funcionamento o Sistema Simpático, mandando
sangue ao cérebro, fazendo com que a pessoa
pense em poucos segundos o que deve fazer. Se
ela resolver correr, estará preparada, pois
também foi enviado sangue para os músculos
das pernas.
Ação dos Sistemas Nervosos
Simpáticos e Parassimpáticos
O sistema simpático prende muitas ações do organismo,
preparando-nos para luta ou fuga. No caso em que a
pessoa andava numa rua escura e ouviu um barulho,
nesse momento prende-se o sistema digestivo e urinário,
(fezes e urina), glândulas do suor, os pulmões dilatam-se
para oxigenar o cérebro e os músculos.
O sistema Parassimpático, também conhecido por
vago, utilizando-se da acetilcolina, tem como regra a
função de freio, de acalmar, de relaxar.
Ação dos Sistemas Nervosos
Simpáticos e Parassimpáticos
Agora vamos lembrar que a pessoa que estava
andando numa rua escura e ouviu um barulho
atrás dela ficou com medo, mas logo constatou
que era apenas um gato. Diante disso, o Sistema
Parassimpático foi acionado, relaxando tudo que
antes ficou "preso" pelo Sistema Simpático,
permitindo assim a pessoa voltar ao "normal",
podendo suar, urinar, defecar, etc.
Caso Clínico exemplificando um adoecimento como
resposta do acionamento constante do Sistema
Nervoso Simpático.
Mulher, funcionária pública, 45 anos de idade, casada,
mãe de três meninos, curso superior completo e pós
graduação.
Sofria de Hipertensão Arterial que mantinha
controlada por remédio. Tinha feito todos os
exames para avaliar o sistema cardíaco e
respiratório, exames de sangue e tudo mais
que o seu cardiologista solicitara e mesmo
assim o médico não conseguiu precisar a
causa da hipertensão.
Na análise, foi perguntado à paciente se
ela lembrava o período que os problemas
de hipertensão apareceram. Ela respondeu
que tudo se relacionava com o seu local de
trabalho, pelas constantes irritações. Às
vezes tinha vontade e quase chegou a
"bater" numa colega de trabalho. Em vários
momentos a pressão alterava muito, tendo que
usar remédio sublingual (vaso dilatador).
A paciente trabalhava com um chefe que sempre
exigia perfeição, (especificamente), do trabalho dela e
sempre que esse chefe tinha oportunidade
demonstrava aos outros funcionários sua insatisfação
com ela. Dizia que sofria uma espécie de
perseguição moral. Neste caso, ela não podia lutar
e nem fugir, ou seja, não podia dar uma surra no
chefe e nem pedir as contas e ir embora. Assim, o
seu Sistema Nervoso Simpático entrava em
funcionamento cinco dias por semana, gerando stress
quando ia para o trabalho, alterando a sua pressão
sanguínea (Hipertensão).
Caso Clínico exemplificando um adoecimento como resposta
do acionamento constante do Sistema Nervoso Simpático
Com o tempo ela aprendeu a acionar
o Sistema Nervoso Parassimpático,
o problema com a hipertensão foi
resolvido, mesmo tendo que
conviver com aquele chefe por mais
tempo.
Freud foi um pensador dualista
Para Freud há sempre uma espécie de conflito no ser
humano e que ele apresentou na dinâmica do aparelho
psíquico.
georg Groddeck
Groddeck foi um pensador monista. Para ele a
questão não era o conflito psíquico, mas sim aquilo
que existe na pessoa e que busca expressão através
do Isso
Isso dela.
Segundo Groddeck o isso
isso é algo indeterminado,
algo indeterminado,
não definido e não apreendido:
não definido e não apreendido: um conceito aberto e
toda vida humana é compreendida como
expressão do Isso
Isso. Também não há uma hierarquia
entre o registro psíquico
registro psíquico e o registro orgânico
registro orgânico. O
registro
registro tanto pode se manifestar pelo corpo
corpo como
pelo psíquico
psíquico. O uso de um canal
canal ou outro como
expressão do Isso,
expressão do Isso, depende muito mais das
condições de vida de uma pessoa, isto é, daquilo que
está disponível para ela e que precisa ser
compreendido de acordo com o contexto de vida, da
biografia e com o percurso de tal pessoa.
Para Groddeck, a grande questão do
adoecimento humano refere-se às
possibilidades ou impossibilidades que
uma pessoa tem de expressar aquilo que
nela habita.
O isso
isso foi nomeado como algo indeterminado, não
algo indeterminado, não
definido e não apreendido
definido e não apreendido. O Isso
Isso é um conceito
aberto e toda vida humana é compreendida como
expressão do Isso
Isso. Para Groddeck, também não há
uma hierarquia entre o registro psíquico
registro psíquico e o registro
registro
orgânico
orgânico. O registro
registro tanto pode se manifestar pelo
corpo
corpo como pelo psíquico
psíquico. O uso de um canal
canal ou outro
de expressão
expressão depende muito mais das condições de
vida de uma pessoa, isto é, daquilo que está disponível
para ela, que precisa ser compreendido de acordo com
o contexto de vida, da biografia e com o percurso
daquela pessoa.
O isso
O Isso contém em si o símbolo. O símbolo é pré-
existente, é originário, não decorre do psíquico, ou
seja, a capacidade simbólica não é adquirida. O
Isso sempre se expressa simbolicamente. Nessa
perspectiva ele compreendia o adoecimento
orgânico como expressão simbólica. O Isso não se
equaciona com o inconsciente, está além do
inconsciente e da consciência. Grandes facetas do
Isso como a vida, as características e o adoecimento
de uma pessoa, estão dentro do inconsciente:.
O Isso
É um engano a expressão: “Eu vivo”,
pois é o Isso que vive em mim. O Isso
surge antes do Eu.
O Isso
Toda história da humanidade, são tentativas de
investigar o Isso. O Isso contém cada período
de vida de uma pessoa: o bebê, a criança, o
adolescente, o adulto e a pessoa madura.
Existe o Isso de cada faceta da corporeidade
e tudo isso se conjuga no Isso.
Sobre o Isso, não se balbucia.
Como tratar alguém?
Para se poder tratar alguém, é
necessário se deixar guiar pelo Isso da
pessoa e pelas especificidades das
facetas do Isso que se expressa
naquela região do corpo, naquele órgão
que aparece adoecido.
Etimologia das palavras
Segundo Groddeck, tão importante
estudar sonhos e símbolos, é estudar a
sintomatologia das palavras. O registro é
o mesmo.
Tratamento
Em relação a tratamento, Groddeck recebeu três
influências: da medicina, Freud e Ernest Schweninger
1 – mudar as condições de vida e ambiente;
2 – intervir na interioridade do ser humano - psicanálise;
3 – às vezes é necessário intervir na interioridade,
às vezes no ambiente externo Ernest Schweninger.
OBS: Groddeck não acreditava em ciência pura.
O homem é produto das suas condições
de vida. Por isso, aquilo que se passa com
o ser humano precisa de transformação.
Em decorrência do fato que se aquela
pessoa se encontra doente, é necessário
uma transformar os fatores que
produziram aquele adoecimento.
A forma de pensar o tratamento de
Groddeck, de certa forma, foi adotada pela
Escola Húngara de Psicanálise, entre os
formadores estavam Sandor Ferenczi,
Winnicott, Balint e aqueles que formaram o
grupo independente.
Tratamento
Groddeck, alertava que não é possível abordar
qualquer processo de cura sem ter claro que: 75% de
todo adoecimento psíquico ou orgânico cura por
si mesmo, quer se faça algo ou não. No entanto,
ocorre que, muitas vezes alguém leva os méritos de
uma suposta cura que já estava implícita no processo
mesmo. 15%, não importa o que se faça, nunca
cura. É que o Isso do paciente tem interesse em
manter o adoecimento. Somente em 10% dos
casos, o tratamento realmente importa.
Quem Trata?
Para Groddeck, quem trata é o Isso.
O que é o terapeuta?
O terapeuta é aquele que trata tanto do
psiquismo quanto daquilo que se
expressa na corporeidade, mas apesar
das habilidades e técnicas que o terapeuta
aprendeu, ele só trata quando permite que
seu Isso conduza o processo.
Superação do adoecimento
O adoecimento é superado no momento em
que o Isso encontra diferentes maneiras de
expressar a situação. Enquanto isso não
ocorre, o Isso confunde o terapeuta, se
opondo ao processo de cura.
A superação do adoecimento, é uma espécie
de confiança que não vem do Ego.
Afetos Ocultos, as Emoções e a Saúde
As emoções são capazes de alterar o
equilíbrio endócrino, assim como o fluxo
sanguíneo, a pressão, pode inibir o processo
digestivo, alterar a respiração e a
temperatura de pele. Um estado prolongado
de perturbação emocional pode levar à
alterações que provoquem uma doença.
A experiência de profissionais que acompanham
pessoas adoecidas, afirmam que certos traços
característicos são suscetíveis de sofrer determinadas
enfermidades.
Por exemplo, um indivíduo que tenha uma
predisposição hereditária para diabetes, poderá
apresentar sintomas dessa doença durante períodos de
tensão.
Afetos Ocultos, as Emoções e a Saúde
Problemas gastrintestinais, perturbações sexuais,
moléstias cardíacas também sofrem influências
psicológicas. Até mesmo o câncer tem sido
correlacionado às emoções. Pesquisadores sobre o
câncer apontam que as vitimas, frequentemente, são
pessoas que há muito têm se mostrado desesperadas,
achando que a vida para elas está perdida. O início da
doença, em muitos casos, está associado a uma série de
derrotas pessoais que fazem com que a pessoa finalmente
entregue os pontos.
Afetos Ocultos, as Emoções e a Saúde
No entanto, o tratamento de problemas
psicossomáticos ainda é dificultado, pelo fato de
que, muitos médicos, apesar do reconhecimento da
importância dos fatores emocionais, continuam
desconsiderando os princípios psicossomáticos. É
que eles são preparados para pesquisar causas
únicas e remédios específicos, considerando
certos problemas como sendo “mentais” e outros
como “físicos”.
Afetos Ocultos, as Emoções e a Saúde
Assim, deixam passar despercebida a
complexa inter-relação entre as emoções do
paciente, a fisiologia e o meio ambiente.
Alguns médicos ainda se mostram hostis até
mesmo à psiquiatria. Só que, ignorando os
problemas emocionais, que contribuem para o
aparecimento das doenças, os médicos
podem inadvertidamente, causar uma piora no
estado do paciente.
Afetos Ocultos, as Emoções e a Saúde
Acredita-se que a medicina só avançará completamente no
dia em que a profissão médica levar em consideração a
natureza integrada do ser humano, aprendendo a tratar a
mente e corpo como fenômenos inseparáveis, como
realmente o são.
Excetuam-se de componentes emocionais a hemofilia ou
a anemia falciforme. Também não se colocam as
doenças causadas por fatores ambientais, como
intoxicações alimentares, doenças profissionais e
intoxicações por poluições.
Os afetos e os distúrbios corporais na história
do sujeito
Os “distúrbios corporais” escondem afetos
que se deslocam dentro da chave de
inervação, fazendo com que o processo de
descarga deforme a configuração desse afeto,
de tal forma que ao ingressar na consciência,
desprovido do seu significado emocional,
adquire a categoria de um processo somático.
Uma história se realiza com a imaginação e a
lembrança. Ela transcorre entre o êxito e o
fracasso, entre o triunfo e a derrota, entre o
heroísmo e a morte, entre a culpa e a expiação
ou, falando em termos edipianos originais, entre
o incesto e a castração. Ou seja, uma história não
consiste só nos fatos ‘passados’ e sim no seu
‘significado’ e o único acesso possível a um
significado ‘pretérito’ depende que esse significado
perdure no presente, relatando o que ainda estando
vivo, de que ‘não ‘passou’.
Os afetos e os distúrbios corporais na história do sujeito
Freud afirmava que repetimos na nossa
conduta precisamente o que nos é doloroso
lembrar, de tal forma que, quando
construímos uma história, atribuímos um
tempo, um lugar e um transcurso à cena
que condensa o significado dos atos
presentes.
Se queremos expressar no terreno da simbolização corporal o
processo pelo qual se constrói uma história, podemos dizer
que é preciso averiguar com um cérebro claro, ‘ter
estômago’ para pesquisar com esforço e a coragem que
abra caminho ao palpite de acertar.
Averiguar uma história é distinguir nela, através da razão,
o que consideramos certo.
Pesquisar uma história é reconstruí-la a partir do que se
conserva no presente.
Acertar em uma história será, pois, nos encontrarmos de
repente com ela.
A LINGUAGEM DOS SENTIMENTOS
Todos nós temos sentimentos e
emoções. É através dos sentimentos que
experimentamos se algo é ameaçador,
doloroso, lamentável, triste, alegre ou
machuca. Sem sentimentos não há
existência, não há vida.
Os sentimentos podem ser disfarçados, negados,
racionalizados, mas um sentimento doloroso não
se retirará enquanto não tiver percorrido sua
trajetória natural. Se um sentimento é evitado,
seus efeitos dolorosos são prolongados e
torna-se cada vez mais difícil lidar com ele.
Quando perdemos contato com nossos
sentimentos, perdemos contato com nossas
qualidades mais humanas. Usar defesas para
dominar os sentimentos pode conduzir a uma
deformação da percepção da verdade, mas não
altera a verdade.
A linguagem dos sentimentos
O psicanalista sabe que não pode desprezar ou
esquecer que o indivíduo que se apresenta para um
tratamento terapêutico, devido seus sintomas, que
seus sentimentos e emoções também o afetam.
O psicanalista, além de ser ‘continente’, de acolher
aquele que busca a compreensão dos seus afetos, ou
alívio das suas dores, as mais diversas, ele precisa
entender a linguagem dos sentimentos, pois é através
dos sentimentos que nos percebemos.
THEMIS REGINA WINTER
O Enigma da Doença - Uma conversa à
luz da psicossomática contemporânea
“Não pude abrir meu coração, abriram-no
para mim com um bisturi”.
“Não pude abrir meu coração, abriram-no
para mim com um bisturi”.
Frase dita por um paciente ao retomar
a terapia com Themis Regina Winter,
abrindo a camisa e mostrando uma
cicatriz de uma cirurgia cardíaca,
após ter sofrido um infarto.
O Enigma da Doença
Esse fato alterou o rumo das
investigações de Themis Regina, levando
seu interesse para as questões do
adoecer orgânico, da articulação ou
desarticulação do adoecer com a
linguagem, com a palavra.
O Enigma da Doença
Atualmente a clínica de Themis é repleta de
atendimento a pacientes que sofreram ou sofrem de
alguma doença orgânica. Dessa forma ela foi
avaliando e concluindo questões interessantes a
respeito do aparecimento da doença. Esses
atendimentos marcaram sua caminhada e a fizeram
persistir na proposta de refletir sobre o que se passa
com o homem doente, não em relação à doença, mas
a tudo que se articula com o doente que muitas vezes
sofre do desvio da atenção.
Relação Mente-Corpo
“Qualquer coisa que aumente, diminua,
limite ou amplie o poder de ação do corpo,
aumenta, diminui, limita ou amplia o poder
de ação da mente. E qualquer coisa que
aumente, diminua, limite ou amplie o poder
de ação da mente, também aumenta,
diminui, limita ou amplia o poder de ação do
corpo”. – Spinoza (1632-1677).
Relação Mente-Corpo
Relação Mente-Corpo
“A mente, psique, alma ou espírito pode ser definida
como a parte invisível e intocável. Ela tem existência
reconhecida e envolve tudo que sentimos, pensamos,
desejamos e sonhamos”. (Gaiarsa)
Relação Mente-Corpo
A mente é a causa primeira de nossas ações e reações. Ela
atua positiva ou negativamente sobre o cérebro e este sobre o
sistema imunológico que fica fragilizado nos estados de
tensão, angústia, depressão e outros semelhantes.
“O corpo ou soma é nossa parte visível e tocável e com ela
também podemos ver e tocar”. Júlio de Mello Filho -
Psicossomática Hoje.
Relação Mente-Corpo
A ideia da relação corpo-mente mostra que a vida
humana exige necessariamente essa relação, em
comunhão indissolúvel. A influência desta relação, tanto
no desencadear, quanto na arte de curar doenças, é
reconhecida desde a época de Hipócrates. Negá-la,
seria como julgar o corpo sendo constituído apenas das
roupas que veste. Nessa perspectiva, se quando alguém
que passasse por um sofrimento físico ou moral,
mandasse restaurar apenas as roupas, mas esquecesse
de restaurar sua força interior, estaria livre do sofrimento.
Como corpo e mente são inseparáveis,
tudo que afeta um, afeta o outro.
"Somos seres histéricos.
As doenças nos atingem ocasionalmente.
O paciente organiza sua doença bem
como seus sintomas“.
(Balint 1984).
Para Balint, até mesmo nas doenças graves, tudo
depende da nossa conduta, pois um indivíduo pode
reagir comendo muito, para não sentir uma perda ou
sofrer por ela. O comer substitui uma dura atividade
mental de assimilação. No entanto, ele poderá, em
consequência, ter uma doença grave, não
necessariamente decorrente da obesidade, mas da
falha de assimilação mental.
O termo: "Cada cabeça uma
sentença", mostra o reflexo de nossa
atitude interna, desencadeada pelas
atitudes nocivas em relação a nós
mesmos.
Relação Mente-Corpo
Os aspectos da psicossomática que mais interessam
aos leigos são aqueles que se referem às
perturbações psicogênicas, ou seja, aqueles em
que o estado emocional desempenha um papel
direto no desencadeamento de uma doença
corpórea. Um caso de artrite reumatoide pode ser
diagnosticado apenas com base na personalidade do
paciente. O médico não conhece qualquer detalhe
físico e sim apenas traços e maneirismos do paciente.
Relação Mente-Corpo
A mente atua de forma positiva ou negativa sobre
o cérebro e este sobre o sistema imunológico, as
atitudes mentais, os pensamentos e sentimentos
criarão as condições propícias
para a instalação ou não de
doenças em nosso corpo.
Relação Mente-Corpo
O exemplo abaixo ilustra aspectos da medicina
psicossomática que estuda as relações entre as
emoções e os males do corpo.
Uma mulher com câncer dos gânglios linfáticos
permanece em fase de remissão por três anos.
Quando seu filho mais novo é convocado de volta para
o Exército ela tem uma recaída. Quando o outro filho é
chamado de volta ao serviço e novamente o câncer se
agrava.
A doença nasce na mente e se expressa no corpo,
como uma espécie de inscrição dos conflitos
psíquicos. A doença deve ser vista como um
desequilíbrio interior, um significado simbólico, um
fenômeno repleto
de sentido.
A frase de Hipócrates: “é
mais fácil saber que tipo de
pessoa tem uma doença do
que saber que tipo de
doença uma pessoa tem",
nos leva repensar em torno
das questões: doença,
hereditariedade e destino.
A maioria das doenças tem um componente
emocional
Freud postulou que um traumatismo pode ser
descarregado imediatamente através de ações ou de
palavras. “O desaparecimento de uma lembrança,
ou então a perda em afeto que ela sofreu,
depende de vários fatores”. Ele cogitou que se a
mente humana não consegue assimilar um
traumatismo, mesmo quando necessário, como
último recurso, faz uso da “compulsão à repetição”.
A maioria das doenças tem um
componente emocional
Exemplo: Uma paciente teve um
câncer de mama, quando sofria da
morte esperada de seu pai e seu
marido começou a ter um caso com
sua melhor amiga. Esse acúmulo de
traumatismo foi maior do que ela
podia suportar.
A maioria das doenças tem um
componente emocional
Delineia-se assim uma estrutura psíquica diferente da
neurose, por um lado, e da psicose, por outro. Tais
pacientes “ejetam brutalmente” do campo consciente as
representações carregadas de afeto; não podem conter o
excesso da experiência afetiva e nem refletir sobre ela. As
palavras deixam de ter a função de ligação pulsional e
tornam-se “estruturas congeladas, esvaziadas de
substância e de significação” e o discurso mantém-se
inelegível, porém, totalmente destituído de afetos.
A maioria das doenças tem um
componente emocional
Então, se tanto a saúde quanto a doença são resultados
da mente e tudo que pode ocasionar dor ou miséria para
o universo mental também será causa de dor e miséria
para o corpo que carregará os sinais. O que precisamos
é entender o significado oculto dos sintomas e aprender
a decifrar a mensagem que a doença transmite.
Psicossomática e a Psicologia da Dor
“Dor expressa não só lesão orgânica, mas
também toda a miséria existencial de uma
pessoa”. (Poettgem apud Prilletalli, 1985).
Psicossomática e a Psicologia da Dor
Em meados do século XIX os fisiologistas passaram
a estudar a dor em laboratório, reduzindo-a ao
aspecto biológico. Entretanto, a psicossomática atual,
herdeira da medicina de Hipócrates, não enxerga
divisão entre corpo e mente, pois não é aceitável ver
o corpo e a mente como se fossem dois “vizinhos”
que apenas habitam, vivendo cada qual uma vida
independente. “Vizinhos” que raramente conversam
entre si e dificilmente fazem juntos algumas poucas.
Psicossomática e a Psicologia da Dor
A dor é resultado de tudo aquilo que gera tensão. É
um desequilíbrio da constância do meio interno,
portanto, é uma experiência desagradável. A dor
pode está associada a uma lesão real ou potencial
dos tecidos descrita em termos dessa lesão. Exceto
para pacientes comprovadamente simuladores, mas
mesmo que a dor não esteja associada a uma lesão
(real ou potencial) de tecidos, sempre que alguém se
queixa de dor, deve-se considerar que existe dor real.
Lobato (1992)
A dor altera a personalidade e
chega a provocar depressão
As dores físicas afetam o psiquismo do indivíduo e
modifica sua relação com o mundo.
A visão psicanalítica da dor é ampla. Para a
psicanálise, o homem sofre por medo, angústia ou
tristeza. Para a medicina, dor é um estado de
exceção, vinculado a uma lesão física ou disfunção
biológica.
O sofrimento altera a sociabilidade.
A dor altera a personalidade e
chega a provocar depressão
O psicanalista, escritor e professor Rubens Volich
afirma: "A dor conduz a um retraimento da pessoa
sobre si mesma". A convivência prolongada com o
sofrimento crônico pode levar a pensamentos
suicidas e até a transtornos mentais mais sérios, tais
como a depressão. Quando se entende a função de
determinada síndrome dolorosa os recursos
terapêuticos são potencializados e, além de aliviar a
dor, é necessário compreendê-la, já que ela pode ser
sinal de outros sofrimentos não expressos.
A dor altera a personalidade e
chega a provocar depressão
Há consenso, entretanto, no sentido de evitar que a
dor vire o centro da vida dos pacientes. Segundo a
pesquisa, mais de 90% dos portadores de dor crônica
tornam-se agressivos, irritadiços ou deprimidos.
O humano é uma espécie dolorida.
Mas se acabar a dor, acaba o homem.
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Psicossomática em Ginecologia
A psicossomática em ginecologia baseia-se na
visão da mulher como um verdadeiro monobloco
psicossomático reagindo às relações ou a uma
unidade dinâmica “corpo-mente-contexto
corpo-mente-contexto”.
Psicossomática em Ginecologia
Ao corpo dolorido da mulher
corpo dolorido da mulher corresponde uma
história de “vida-de-mulher-com-dor
vida-de-mulher-com-dor”, resultando
num produto final, que é a pessoa feminina
é a pessoa feminina
inserida em seu contexto de relações e com dor.
inserida em seu contexto de relações e com dor.
Psicossomática em Ginecologia
A experiência de dor, sofrimento, ameaça,
solidão, desalento e dúvida mostra que há um
fenômeno neurofisiológico envolvido naquele
momento da vida com lesão anatômica ou não.
Psicossomática em Ginecologia
No ambiente do serviço de saúde, observa-se que a
dor é um acontecimento na vida de pelo menos três
pessoas: a da paciente dolorida, a do médico e a
do acompanhante (presente ou não à consulta).
Daí para mais. (Luiz A. Chiozza e organizadores)
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
A predisposição a acidentes é um evidente
traço de personalidade.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
A Drª Helen Dunbar e colaboradores entrevistaram
pacientes com moléstias cardiovasculares,
diabetes e outros males de forte componente
psicológico e verificaram surpresos que de um
modo geral os casos de fraturas estavam longe
do que se poderia considerar como
psicologicamente normais. Em inúmeras dessas
pessoas, descobriram que existiam fatores
emocionais ocasionando acidentes repetidos.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
Em pesquisas realizadas pela Drª Helen, sobre
pessoas que morreram em acidentes,
geralmente sofreram antes daquele que lhe
foi fatal, uma série de acidentes de menor
gravidade. Diz ela que, os casos observados,
evidenciaram uma probabilidade quatorze vezes
superior de acidentes graves que a dos demais
pacientes.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
As fraturas, não são simples acaso. As vítimas de
fraturas já haviam sofrido em média, quatro
acidentes graves cada e, pelo menos 80% delas
entraram em mais de dois acidentes.
Exemplo: Aos oito anos, Mike pegou uma carona na traseira
de um ônibus, perdeu o equilíbrio e caiu. Aos nove anos
quase se afogou ao saltar de um trampolim. Aos onze,
coitado, quebrou o cóccix num tobogã. Ao longo dos estudos
no colégio e na universidade, quebrou um braço, uma perna,
uma clavícula, além de estraçalhar dois carros. Aderiu à
motocicleta e acabou estampando-se numa árvore, o que lhe
custou quatro dentes e liquidou a máquina. Agora os amigos
suspiram aflitos, pois ele pretende pilotar aviões.
O aspecto do componente psicossomático
nos casos de acidentes baseou-se no fato de
que a maioria dos danos eram causados
pela própria pessoa, aconteciam sem
qualquer interferência de terceiros e
raramente machucavam mais alguém.
Aproximadamente metade dos ferimentos
aconteciam dentro de casa, no gelo, na rua
ou diante de carros.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
Em muitos casos, o mesmo braço ou a mesma
perna foram quebrados repetidas vezes, a mesma
articulação ferida vez após outra.
A Drª. Helen também descobriu que,
paradoxalmente, os acidentados pesquisados
apresentavam muito boa saúde antes da
predisposição aos acidentes; muitos tinham
saúde perfeita; outros resfriavam-se bem menos
que a população em geral. Eram raras entre eles
as doenças graves ou operações. Muitos eram
até maníacos em se tratando de cuidados com a
saúde, tomando vitaminas e tônicos
constantemente ao primeiro espirro.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
Outro paradoxo: as vítimas de fraturas, geralmente
eram esportistas, mas seus acidentes raramente
ocorriam durante a prática de esportes.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
Os propensos a acidentes são descritos como
despreocupados. Não demonstram tensão
nervosa, característica da maioria dos
psicossomáticos que, de modo geral, encaram a
vida de uma maneira bem humorada. São
negligentes em diversos aspectos, inclusive no
que diz respeito ao casamento e ao sexo.
Possuem um caráter instável. Raramente essas
pessoas levam a cabo as tarefas difíceis.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
Quando os encargos aumentam ou a
responsabilidade se torna pesada, procuram
algo mais fácil. Em sua maioria gostam das
pessoas e são apreciados por elas. A
expressão “encantador” é sempre usada para
definir indivíduos propensos a acidentes.
Apesar do ar desligado, constituem
companhia agradável.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
Uma característica dos indivíduos predispostos a
acidentes é seu rancor diante de qualquer
autoridade, o que é uma forma de hostilidade que a
pessoa pode não perceber conscientemente. Tal
ressentimento pode ter sua origem num pai
excessivamente autoritário, severo, ou prepotente.
Quando a criança cresce o ressentimento contra o
pai pode ser transferido para outras entidades que
representam a autoridade, tais como escola,
patrão, cônjuge, governo ou igreja.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
Muitas dessas pessoas propensas a acidentes são
criadas em clima de profunda religiosidade, por pais
excessivamente autoritários e rígidos. Grande número
delas terá manifestado comportamento neurótico já
na infância. Poderão ter sido sonâmbulos, ou falaram
dormindo, mentido persistentemente, roubado ou
gazeteado sistematicamente. Essas tendências
acabam desaparecendo, sendo substituídas pela
predisposição aos acidentes.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
A pessoa predisposta a acidentes apresenta diversos
traços em comum com o criminoso adulto,
especialmente no que diz respeito a sua revolta frente
a autoridade e a tendência a comportamento
impulsivo. É esta tendência que leva um a infringir a
lei e o outro a quebrar os ossos.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
Frequentemente um acidente ocorre quando há
uma quebra do equilíbrio entre o ajustamento
da pessoa à autoridade e o seu ressentimento
ou enfrentar diretamente a autoridade.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
Um acidente pode ser consequência de algo que a pessoa
não deseja fazer. Para exemplificar a Drª. Hellen faz os
seguintes relatos: um homem estava com medo de
contar à mulher que fora despedido. Enquanto remoía a
situação, escorregou no gelo e quebrou a perna.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
Uma jovem senhora católica, envergonhada por ter
de confessar que vinha tomando anticoncepcionais, e
temendo ser forçada a prometer que os abandonaria,
caiu da escada a caminho da igreja.
PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES
Um funcionário, furioso por ter que trabalhar
num domingo, fraturou uma vértebra.
FATOR X
Franz Alexander e seus colaboradores estudaram
pacientes com padecimentos físicos emocionais
semelhantes, repetindo-se com notável frequência e
concluíram que os conflitos
poderiam conter as pistas
para as causas de moléstias
psicossomáticas específicas.
FATOR X
Basicamente a hipótese da
especificidade pode ser resumida assim:
a pessoa pode nascer com, ou adquirir
devido a doença ou ferimento, uma certa
vulnerabilidade física, ou seja, um fator
X. Existem provas concretas de que as
predisposições a determinadas
moléstias orgânicas são hereditárias.
FATOR X
As vitimas de asma, por exemplo, temem perder a mãe e
têm dificuldades em chorar. Problemas referentes à
manipulação dos impulsos hostis aparecem muitas vezes
entre as vitimas de hipertensão. As vítimas de
neurodermatite têm grande carência de contatos físicos.
MEDICINA
PSICANÁLISE
PSICOSSOMÁTICA
Sofrimento Psicossomático
O sofrimento psicossomático
se situa entre a psique e o
soma, e tem por isso o
privilégio de poder beber nas
águas da psicanálise e da
medicina, utilizando recursos
teóricos e clínicos de ambos
os saberes.
Da medicina sabemos que
nosso sistema imunológico é
controlado pelo cérebro, de
uma forma indireta, pelos
hormônios existentes na
corrente sanguínea, ou de
uma forma direta pelos
nervos e pelos
neuroquímicos.
Campo da medicina
A ciência médica na sua dimensão biológica cuida do corpo
anatômico, o corpo mensurável, manipulável e observável,
cada vez mais por meio do desenvolvimento dos instrumentos,
recursos técnicos e pesquisas têm-se aproximado de
parâmetros cada vez mais exatos, para alcançar as agressões
ao corpo e diminuir o sofrimento e morte do humano.
Campo da medicina
O campo da medicina é da ordem da
objetividade. Se o cliente reclama do braço ou
da perna ou do tumor, o médico, a partir de um
parâmetro anatômico vai cuidar do braço ou da
perna ou do tumor. Ou seja, a medicina lida
com o corpo que temos: corpo que se
movimenta, objeto de julgamento e
valorização; corpo mensurável, comparável,
corpo de competição.
Psicanálise
Psicanálise
Campo da psicanálise
O campo da psicanálise é da ordem da
subjetividade. Braço, perna ou qualquer outro
membro ou órgão pode, por deslocamento ou
condensação, representar outra coisa ou
simbolizar uma fantasia.
A psicanálise lida com o corpo que somos: é o nosso
vivido. Corpo carnal que não é apenas um instrumento,
mas também um lugar. Lugar pelo qual o mundo atinge o
mistério que cada um de nós é. Não é um corpo que
pede prótese, pede significação e sentido.
Campo da psicanálise
O recorte epistemológico da psicanálise é na
dimensão do corpo erógeno, do corpo do desejo.
Desenvolver novos instrumentos teóricos e
clínicos para intervir nesse território tem sido
nosso desafio.
Campo da psicanálise
É nesse recorte, é nesse território de ninguém que se
constitui o limite entre as duas dimensões. Não se trata
de abandonar a especificidade dos recursos de cada ciência,
em nome de uma verdade melhor, de um dogma último,
da hegemonia
de um discurso
poderoso na sua
ânsia onipotente.
Campo da psicanálise
É no recorte da subjetividade
que o psicanalista
exerce o seu Ofício.
Ao contrário, trata-se de reconhecer, de admitir
que a incompletude dos nossos saberes, é
condição para a convivência em equipes
multidisciplinares onde, cada uma, a partir de
recursos específicos, tem em vista cuidar do
homem.
Campo da Psicanálise
É preciso reconhecer que a angústia é
constitutiva do sujeito. Por isso, talvez seja
impossível percorrer um caminho de vida
sem adoecer, sem alucinar, mesmo os
indivíduos mais sadios. O adoecer seria uma
descarga no organismo, de um excesso de
tensão que não pôde ser liberado pelo
sonho e pela fala.
O biológico adoece quando existem pontos
falhos, desarticulados com o corpo erógeno.
O homem desde sempre deixou de ser biológico,
pois a linguagem o coloca na ordem dos desejos.
Psicossomática
A Psicossomática é o que se pode chamar de
uma das frentes de pesquisa de ponta em
Psicanálise porque, situada no l
Campo da Psicossomática
Um terceiro tipo de paciente é responsável pelo
surgimento da psicossomática, uma nova abordagem
terapêutica. São pacientes que não encontram lugar
definido nem junto aos médicos, nem junto aos
analistas. Para eles nem o atendimento médico
convencional, nem a psicanálise clássica, são de
grande valia.
Há outro tipo de paciente cuja dor e sofrimento são de
outra ordem. São queixas como: ansiedade, fobias,
inibições, depressões, angustias, sentimento de
desadaptação, levando-o a procurar a psicanálise. Esse
paciente traz junto com seu sofrimento psíquico, questões
existenciais com as quais gostaria de saber lidar.
O paciente hipocondríaco
Há ainda e sem dúvida, outro tipo que foi e continua
sendo um dos maiores desafios à medicina em todas as
especialidades. É o paciente hipocondríaco. Ele é
reconhecido pela bizarrice das suas queixas e
comportamentos.
O paciente hipocondríaco
Costuma, pela preocupação compulsiva com seus
sintomas e pela atitude de permanente suspeita,
provocar frequentes irritações contratransferenciais
nos médicos pelos quais passam.
Os hipocondríacos chegam a fazer cirurgias
desnecessárias, múltiplas visitas médicas e,
principalmente, como consequência da necessidade
que tem o médico de fazer, também,
compulsivamente, um diagnóstico de quadros clínicos
ainda mal definidos.
O hipocondríaco
O hipocondríaco
“O hipocondríaco é um paciente à procura de uma
doença somática” (Lipsit). Sua estrutura de
personalidade basicamente é obsessiva.
Geralmente a pessoa teve responsabilidades de
adulto desde cedo. Pode ser que tenha tido pais ou
irmãos com doenças incapacitantes, concorrendo
para aumentar seu sentimento de responsabilidade.
Por conta disso, se ele próprio fica doente ou
experimenta modificações no seu estado de saúde
(gravidez, traumas acidentais ou períodos de
prolongada imobilidade), torna-se fiel observador do
seu funcionamento corporal.
A psicossomática
A psicossomática propõe a diminuição da distância
entre o desenvolvimento dos recursos técnicos da
medicina e o desamparo sentido por um número
significativo de
pacientes diante
da incompreensão
de seu sofrimento
pelo médico.
Os kleinianos focalizaram a introjeção da
agressividade e seu uso contra os maus objetos
internos vividos, inconscientemente, nos órgãos
“hipocondriacamente” afetados.
Rosenfeld considera a hipocondria uma condição
defensiva de um estado confusional psicótico de
natureza esquizofrênica.
Inaura Carneiro Leão também considera a hipocondria
um estado confusional esquizofrênico. Diz ela: é a
insuficiência dos processos de divisão que não permite
a separação de corpo e mente que, de libido e agressão
e de bons e maus objetos (internos e externos),
resultando uma ansiedade especial, a ansiedade
confusional, a formação de um Ego muito débil e a
direção das energias psíquicas para o mundo interno,
especialmente o Ego corporal.
Desejo do psicossomatista
É o desejo do Psicossomatista que propiciará que o
paciente faça a passagem desse mal-dizer sobre si
mesmo para o bem-dizer – revelando seus traços de
estrutura, seus sintomas, seus desejos, seus conflitos,
suas dores, a sua fixação de (satisfação pulsional), enfim,
a sua realidade psíquica. Quanto mais o
psicossomatista souber escutar os significantes na fala
do paciente, tanto mais o paciente será levado a bem-
dizê-los. Ou seja, a ética do bem-escutar produz o efeito
do bem-dizer.
Sintoma
É uma sensação subjetiva anormal
sentida pelo paciente e não
visualizada pelo examinador. Ex:
dor, má digestão, tontura, náusea,
dormência.
Sintoma
A vida humana é cheia de faltas e os sintomas
representam essas faltas. O sintoma representa o
campo que está afetado em nós, pois sua intenção é
fazer desaparecer a perturbação. A linguagem dos
sintomas é o meio mais perfeito que o corpo
encontra para fazer uso de uma linguagem
simbólica. O sintoma nos obriga a prestar-lhe atenção,
o que sempre consegue, pois como o ser humano não
gosta de ser perturbado, logo começa a luta contra o
sintoma.
Sintoma
Só uma maior compreensão do inconsciente
através da psicanálise, demonstrou que o
ser humano tem dentro de si vários
aspectos divididos e conflitantes,
responsáveis inclusive pelo fato do paciente
não cooperar com a cura, como forma de
boicote a si próprio ou a alguém de sua
relação.
Sintoma
No modelo psicossomático, para se
entender o plano afetado, interpreta-se o
órgão afetado e a que sistema pertence.
Numa pneumonia, por exemplo, o local a
ser interpretado são os pulmões, pois é
através deles que nos ligamos aos outros,
fazemos contato e nos comunicamos.
Sintoma
Os pulmões simbolizam nossa
ligação interna com o externo.
Sintoma
"A pessoa que está sofrendo com problemas
nos pulmões, demonstra que seu motivo
maior de vida está bloqueado e que sua luta
está sendo em vão. Vê seu castelo
desmoronar e, como está cansada de
sustentar o peso da amargura, deixa de
mandar oxigênio para os pulmões, sua
respiração torna-se ofegante, os alvéolos
pulmonares se fecham e o bacilo encontra
entrada fácil”.
Sintoma
Como toda inflamação significa uma guerra bélica,
a pneumonia é uma inflamação que deve ser
encarada como um conflito no âmbito da
comunicação, do contato e da troca. Também
significa desespero secreto, mágoa profunda e
falta de coragem para continuar. Quando há
disposição para cura, os anticorpos, armados,
lutam contra o agente causador que, combatido, é
morto e vencido.
Sintoma
O sintoma é uma manifestação do
inconsciente e a doença tem um sentido
próprio e particular para o indivíduo. Um
sentido impossível de determinar
genericamente, porque não há limites
definidos entre o saudável e o doentio,
entre onde começa a enfermidade e onde
termina a saúde.
Sintoma
Sintoma
O papel do analista é o de decifrar esse sentido por
meio da análise, pois é a retomada da consciência
sobre o que fez com que a pessoa desenvolvesse
tal sintoma faz com que ela seja curada.
Doenças Psicossomáticas
“O homem só adoece na totalidade”. Mesmo
se a doença for localizada, o ser humano
expressa: eu estou doente. (Renato del Santi)
Costuma-se ouvir a expressão: “Não há doença
psicossomática” ou “Todas as doenças são
psicossomáticas”. Para a psicossomática, não há como
separar as influências psíquicas das manifestações físicas.
Também não justifica a prática de separar meia dúzia de
enfermidades, afirmando que elas sejam psicossomáticas.
Doenças Psicossomáticas
Alfrede Lemle, estudando aspectos
psicossomáticos em pacientes com asma
brônquica, cita um trabalho de D.A. Williams, no qual
mostra que, em 487 asmáticos, um fator psíquico
esteve presente no desencadeamento da crise em
64,1% dos casos. Explica ele: as crises asmáticas
frequentemente se iniciam em situações de forte
tensão emocional, com variações evidentes de ódio,
medo e ansiedade.
Doenças Psicossomáticas
Outro nome que pode ser citado é o grande
Cícero que descreveu os distúrbios de
caráter e chamou atenção para a
necessidade do tratamento médico também
voltar-se para os males da alma. Aretes,
outro precursor da psicossomática, foi um
dos primeiros a admitir que perturbações
emocionais pudesse causar uma paralisia.
Doenças Psicossomáticas
Galeno, grande figura da medicina, assinalou que o
alcoolismo, a adolescência, as perturbações da
menstruação, os fracassos econômicos e amorosos,
poderiam ser causas de doenças mentais.
John Weyer, disse que um determinado número de
torturados e queimados por bruxaria eram infelizes
doentes mentais.
Mas é com Freud que se descobre que as reações humanas
normais ou patológicas guardam relações de sentidos e
podem ser compreendidas; é com ele que se passa a ter a
primeira compreensão global de uma enfermidade: a
histeria de conversão.
Doenças Psicossomáticas
Para Pierre Marty a doença
psicossomática é uma estratégia
defensiva empregada por determinados
pacientes como forma de se livrar do
excesso libidinal que não encontrou
descarga através da fantasia e das
manifestações decorrentes dela.
Doenças Psicossomáticas
Tais pacientes não são nem neuróticos, nem
psicóticos e nem perversos. Possuem uma
estrutura psíquica específica caracterizada
por uma carência fantasmática que enseja
um funcionamento operatório manifesto em um
discurso pobre em simbolização e voltado para
a descrição da realidade externa.
Vivemos uma época em que o ser humano é,
gradativamente, "posto de lado" e parece não haver
espaço para as "coisas da mente" como bater um bom
papo, para fazer uma leitura sem pressa e sem a
pressão do relógio que insiste está sempre a mostrar
que há coisas
mais urgentes
a serem feitas;
tirar um tempo
para si mesmo,
etc.
Doenças Psicossomáticas
Destaca-se as doenças psicossomáticas: psico
(mente) e soma (corpo), doenças desencadeadas
pelas emoções humanas não extravasadas e sim
abafadas, podadas de
se manifestar e que
encontram no corpo um
canal de comunicação
visível e perceptível.
Doenças Psicossomáticas
As doenças psicossomáticas
elegem o seu órgão de choque ou
órgão-problema, as pessoas lotam
os consultórios médicos com
queixas que não encontram no
corpo uma real expressão que
possa ser traduzida pelo discurso
do paciente que na grande maioria
é poliqueixoso.
Doenças Psicossomáticas
Esses pacientes traçam uma verdadeira
maratona nos consultórios médicos, têm
gastos onerosos com exames de todos
os tipos laboratoriais, diagnósticos, de
imagens, mas o próprio médico não vê
correspondência entre as queixas,
sintomas e os resultados expressos nos
exames, surgindo daí encaminhamentos
para as psicoterapias.
Doenças Psicossomáticas
O profissional de qualquer
psicoterapia deverá buscar o
entendimento na esfera emocional
do indivíduo, buscar entender o seu
funcionamento psíquico desse
paciente, seus afetos e como os
mesmos impactam na sua saúde
física.
Na abordagem psicossomática, as
relações entre o corpo e a mente são
mais próximas e interligadas do que se
possa imaginar, pois, os mecanismos
inconscientes se encontram presentes
permeando a relação corpo-mente,
dando a falsa sensação de que os
sintomas "apareceram do nada”. O
psicoterapeuta também precisa saber
que, às vezes, é difícil dizer o
indivíduo que, por trás do seu quadro
de Gastrite, Cefaleia, está a ansiedade,
a irritabilidade.
É difícil, mas, há momentos em que as pessoas
precisam entender o que vai no seu campo de batalha
da mente. Precisam entender que quando a mente
pede socorro o corpo será sempre o seu primeiro alvo.
E que uma mente doente desloca sintomas, se
identifica com a dor e o sofrimento, mobilizando um
número considerável de pessoas e profissionais na
sua angústia. Por isso que uma compreensão dos
afetos, da ansiedade ajudam tanto. Eles tendem a ser
o termômetro da relação mente-corpo.
Fenômenos psicossomáticos
Fenômeno é mudança, é modificação operada
por um determinado agente.
Fenômenos psicossomáticos são modificações
causadas no corpo por agentes de ordem
psíquica. O fenômeno psicossomático é o objeto
da psicossomática. É dele que a psicossomática
se ocupa, é dele que o paciente se queixa, é por
ele, para ele e em torno dele que todas as
articulações são feitas.
Fenômenos psicossomáticos
O fenômeno psicossomático contorna a
estrutura da linguagem, fazendo uso do corpo
do somatizante. Um corpo marcado,
traumatizado, consequência de um forçamento
externo, objeto de uma demanda do qual o
sujeito está ausente.
Fenômenos psicossomáticos
Se o que interessa à psicanálise é a realidade
psíquica, o que nos interessa no fenômeno
psicossomático é sua desmontagem imaginária e
simbólica. A ferida, o caroço, a urticária, a asma ou
qualquer outro fenômeno psicossomático não
passam de uma metáfora grosseira que não
finalizou sua tarefa de simbolização; faltam
palavras que, circulando no discurso, descolem do
corpo anatômico o que é da ordem do corpo erógeno.
Fenômenos psicossomáticos
O fenômeno psicossomático geralmente eclode
numa circunstância que mobiliza de forma
excessiva as emoções do indivíduo. São
emoções muito fortes, tais como ódio, angústia,
separações, perdas que vão além da capacidade
do paciente encontrar uma solução. O
fenômeno psicossomático é a saída encontrada
pelo conflito psíquico.
Fenômenos psicossomáticos
Através do aparecimento dos sinais secretos, ponto-
a-ponto, a psicossomática vê o fenômeno
psicossomático apresentando-se como um modo de
resposta.
O trabalho de análise precisa possibilitar ao
paciente criar um “espaço transicional” que não
houve antes, para que ele prossiga seu trabalho
de representações e simbolizações.
Fenômenos psicossomáticos
O psicanalista que trabalha no sentido de
desvendar os mistérios e artifícios
psíquicos do fenômeno psicossomático
parece ter mais do que um interesse da
psicanálise: ele tem um compromisso
ético.
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RECAPITULANDO
RECAPITULANDO
Psicossomática: Medicina da Pessoa
Fenômenos psicossomáticos
Os fenômenos psicossomáticos constituem uma
expressão significativa da clínica psicológica na
atualidade. A clínica mostra as atuais facetas dos
modos de subjetivação postos em cena pela
psicopatologia somática, evidenciando como o
imaginário da época colore o panorama
sintomático dos sofrimentos subjetivos.
Fenômenos psicossomáticos
No fenômeno psicossomático, o corpo é
afetado em sua realidade orgânica e funcional,
sendo tal manifestação capturadas por exames
clínicos, laboratoriais e imagéticos. É, portanto,
preciso distinguir que nem todas somatizações
são da mesma ordem, já que as somatizações
histéricas não afetam o real do corpo, embora
possam paralisá-lo, cegá-lo, anestesiá-lo...
Fenômenos psicossomáticos
A abordagem dos fenômenos
psicossomáticos é complexa e não
comporta visões unilaterais, já que a
gravidade de certos casos exige olhares
plurais sobre o sofrimento e as
possibilidades de encaminhamento
terapêutico.
Fenômenos psicossomáticos
O corpo em Freud (1895, 1905, 1914) corresponde
àquele que ele soube escutar para além dos ruídos
neuro-anátomo-fisiológicos, tornando-se, portanto, seu
autor e de seus destinos, bem como das possibilidades
de acolhida de seu sofrimento em termos terapêuticos.
Acolhendo os ruídos do corpo, Freud ressaltou a
organização hipocondríaca, como a retirada do
“interesse da libido do mundo externo e dos objetos
de amor, concentrando-a no órgão que lhe prende
atenção”.
Fenômenos psicossomáticos
Histeria e hipocondria aproximaram a
psicanálise do fenômeno psicossomático,
defrontando-a com desafios que não eram
facilmente convocados à palavra, à
expressão da vida onírica e fantasmática, à
elaboração dos trabalhos de luto; enfim, à
montagem de uma história nos moldes de um
romance familiar.
Fenômenos psicossomáticos
A forte demanda do sujeito portador de doenças
orgânicas ao procurar a análise reside na
conquista de um cúmplice a mais para a sua dor.
O que podemos oferecer a ele são possibilidades
de vida com a angústia e com o mal-estar,
possibilidades de repensar a si mesmo na
tentativa de não tornar insuportável a já tão
irremediável dor de existir (Lacan, 1998, p. 788).
Fenômenos psicossomáticos
A clínica nos defronta com os riscos
de não recebermos esse corpo
organismo – justificados por
indicações teóricas de que quando
não há implicação subjetiva, não
há análise possível.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS:
UM SUBSTITUTO PARA A NEUROSE?
Qualquer pessoa em qualquer
ocasião pode ser afetada por um
fenômeno psicossomático e
uma reação psicossomática
pode surgir como um modo de
responder a uma situação
definida que exija um trabalho de
simbolização.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS:
UM SUBSTITUTO PARA A NEUROSE?
Pessoas afetadas por doenças
psicossomáticas muitas vezes são
rotuladas como “doentes sem
causa”. Elas chegam ao
psicanalista à procura de uma
explicação para a lesão que lhes
acomete, geralmente acompanhado
do discurso: “Minha doença é de
fundo emocional”.
É provável que esses “doentes
queixosos” demorem a retornar ao
médico com as mesmas queixas. Ao
ficar preso no significante “sou
doente”, o sujeito não vê outras
possibilidades de significar a sua
doença, ficando preso num discurso
vazio, onde sua fala se dirige apenas
ao órgão lesado ou à doença.
Qualquer pessoa pode ser afetada por uma
doença ou resposta psicossomática. O que
pretendemos enfocar são os casos de
cronicidade e persistência da doença, que
passa a servir como defesa para o sujeito. A
psicanálise propõe outra forma de conceber o
“psicossomático”, indo além dos sinais físicos
da doença. Para a psicanálise, especialmente
para o psicanalista francês Paul-Laurent Assoun
(1997), o sujeito que sofre constantemente
de “surtos” do tipo psicossomático,
encontra na doença um substituto para sua
própria neurose.
Falar de um sintoma, em psicanálise, significa
apontar para uma neurose. Já o fenômeno
psicossomático surge no corpo do sujeito “sem
quê nem por que”, sem uma causa justificada.
Por isso, precisamos distinguir sucintamente um
fenômeno psicossomático de um sintoma
neurótico. Para Freud, o sintoma é um
trabalho de substituição. É um sinal e um
substituto de uma satisfação pulsional, produto
do processo de recalque.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS:
UM SUBSTITUTO PARA A NEUROSE?
Os fenômenos
psicossomáticos, não passaram
por um processo de substituição.
Ocorreu uma falha no recalque e
é essa falha que produz a lesão,
inscrita no corpo orgânico.
Enquanto o “neurótico
assumido” se utiliza do seu
sintoma em nome de uma
formação de compromisso, o
“psicossomático” se utiliza de
sua doença para “fugir” deste
compromisso, na medida em que
assumir este compromisso requer
submeter-se às leis do
inconsciente e “assumir” sua
neurose.
• O corpo real é o objeto de
satisfação do
“psicossomático”. Enquanto
o sujeito não aparece, este
gozo lesiona os órgãos e aos
poucos vai acabando com
o sujeito, reduzindo-o à
matéria, a um “pedaço de
carne”, a um organismo, da
forma como veio ao mundo.
Alergia de Pele
Simbolicamente a pele indica fronteira, fixa limites,
intermedia contato
e ternura. A pele
representa nossa
individualidade.
Ela é um escudo de
proteção e por isso
se constitui numa
camada isolante.
Alergia de Pele
Alergia na pele indica que a pessoa está vivendo
momentos de irritação com pessoas próximas que
atrasam o seu desenvolvimento pessoal e
profissional.
Alergia de Pele
Se ela se vê obrigada a fazer o que não gosta,
persuadida por quem de alguma forma ela depende,
com certeza surgirá, coceira incessante
significando o desejo inconsciente, de "arrancar"
aquilo que a incomoda profundamente.
• "A pessoa inscreve no corpo
• seus conflitos psíquicos”.
• Heládio F. Capisano.
Ganho Secundário da doença
• As experiências pessoais do adoecer põem em
jogo mecanismos inconscientes de adaptação e
defesa.
Ganho Secundário da doença
A regressão é reconhecida como fenômeno que
acompanha e explica o comportamento infantil de
muitos pacientes e o apego à enfermidade, na
tentativa de manter os benefícios advindos desta.
Ganho Secundário da doença
Geralmente o que se espera é que o doente
deseje a cura e a procure, mas em hospitais
há casos de doentes internados que se
recusam receber alta, porque isso cessaria
os cuidados recebidos.
Ganho Secundário da doença
Se a certeza de que as atenções e
cuidados que o doente recebe
normalmente serão menores que
quando saudável, pode acontecer
do paciente não colaborar com o
tratamento.
Ganho Secundário da doença
Assim, o estar doente passa a constituir
um ganho secundário que vem em forma
de carinho tais como cama da mãe,
presentes, visitas, comida especial e
remédio na hora certa. Além disso, há leis
que protegem o doente e o direito de se
cuidar.
Ganho Secundário da doença
O estar doente provoca um regresso às etapas
iniciais do desenvolvimento emocional. A
pessoa se comporta como criança, ficando
numa posição frágil, dependente, abrindo mão
de dirigir sua própria vida. A dependência é
proporcional à gravidade da doença e às
fantasias do paciente.
Ganho Secundário da doença
O doente ao utilizar o mecanismo da
racionalização, busca uma explicação
coerente. A racionalização atua como um
serviço de censura sobre si mesmo, frente a
situações difíceis. Se o doente usa o mecanismo
da negação, perde a chance de lidar com a
doença e se tratar. Em certas condições, isso
pode corresponder até a uma atitude suicida.
Repensando a Doença
O homem é a espécie que mais adoece
gravemente e que mais fragilidade carrega
desde o seu nascimento. Ele recebe como
herança filogenética e biológica individual,
caracteres que lhe conferem
potencialidades e fragilidades.
Repensando a Doença
Recebe também, do seu meio ambiente,
facilitação ou afastamento de agentes
agressores ao seu equilíbrio orgânico;
recebe através da inter-relação primitiva e
prolongada subsídios para a formação de
sua estrutura subjetiva.
Repensando a Doença
As alterações nessa estrutura talvez sejam as
principais responsáveis pelo corte
psicossomático e o aparecimento de
enfermidades. A doença seria, portanto, o
resultado de uma soma de fatores, os quais não
podem ser avaliados isoladamente.
Repensando a Doença
No ser humano o padrão expressivo é a
linguagem, a fala, o conteúdo da fala, o
simbólico que já acusa a presença do
desejo. A fala não é uma repetição
formal de fonemas automáticos, mas a
expressão da subjetividade, do desejo.
Repensando a Doença
A doença é ausência de saúde, é desequilíbrio
que pode ser causado por uma série de razões.
Por isso, ela deve ser compreendida como mais
que uma mera disfunção natural. A doença é
contrária à natureza, mas é através da doença
que chegamos à cura.
Repensando a Doença
A doença, seja ela qual for, pode ser entendida como
uma perturbação não resolvida no equilíbrio interior
do ser vivo e em sua interação com o ambiente que o
cerca.
Repensando a Doença
"Doença é um estado que indica que a
consciência não está mais em ordem, e
que não há harmonia. É uma perda de
equilíbrio interior se manifestando no corpo
como um sintoma".
Repensando a Doença
Rudiger Dahlke compreende a doença de
um modo novo, construtivo. Para ele a
doença tem um significado simbólico,
indicando conflitos não resolvidos da alma.
O ponto de partida é a interpretação dos
sintomas.
Grata a todos pela
participação.
Relação Mente-Corpo
A mente, psique, alma ou espírito pode
ser definida como a parte invisível e
intocável.
Ela tem existência reconhecida e
envolve tudo que sentimos, pensamos,
desejamos e sonhamos
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTO DA NEUROSE?
Qualquer pessoa em qualquer ocasião pode
ser afetada por um fenômeno psicossomático
e uma reação psicossomática pode surgir
como um modo de responder a uma situação
definida que exija um trabalho de
simbolização.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTO DA NEUROSE?
Pessoas afetadas por doenças
psicossomáticas muitas vezes são rotuladas
como “doentes sem causa”. Elas chegam ao
psicanalista à procura de uma explicação
para a lesão que lhes acomete, geralmente
acompanhado do discurso: “Minha doença é
de fundo emocional”.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTO DA NEUROSE?
É provável que esses “doentes queixosos”
demorem a retornar ao médico com as
mesmas queixas. Ao receitar
medicamentos, a medicina, de certa forma,
contribui para a alienação deste sujeito na
medida em que, anestesiado pela
medicação, acomoda-se e não se implica
com seu conflito neurótico.
Ao ficar preso no significante “sou
doente”, o sujeito não vê outras
possibilidades de significar a sua doença,
ficando preso num discurso vazio, onde
sua fala se dirige apenas ao órgão lesado
ou à doença. É como esta não dissesse
nada sobre si, como se estivesse fora
desse sujeito, fosse estranha a ele
mesmo.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTO DA NEUROSE?
Falar de um sintoma, em psicanálise,
significa apontar para uma neurose. Já o
fenômeno psicossomático surge no corpo
do sujeito “sem quê nem por que”, sem uma
causa justificada.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTO DA NEUROSE?
Precisamos distinguir sucintamente um fenômeno
psicossomático de um sintoma neurótico. Para Freud
(1926-1996) o sintoma remete ao sujeito, é um trabalho
de substituição, é um sinal e um substituto de uma
satisfação pulsional, produto do processo de recalque.
Os fenômenos psicossomáticos, não passaram por um
processo de substituição. Nos fenômenos
psicossomáticos ocorreu uma falha no recalque e é essa
falha que produz a lesão, inscrita no corpo orgânico.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTO DA NEUROSE?
Enquanto o “neurótico assumido” se utiliza
do seu sintoma em nome de uma formação
de compromisso, o “psicossomático” se
utiliza de sua doença para “fugir” deste
compromisso, na medida em que assumir
este compromisso requer submeter-se às
leis do inconsciente e “assumir” sua
neurose.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTO DA NEUROSE?
O corpo do real é o objeto de satisfação do
“psicossomático”. O corpo goza à custa do sujeito,
porque na verdade neste momento não há um sujeito,
há um objeto gozante deste Gozo do Outro. Enquanto
o sujeito não aparece, este gozo lesiona os órgãos e
aos poucos vai acabando com o sujeito, reduzindo-o
à matéria, a um “pedaço de carne”, a um organismo,
da forma como veio ao mundo.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTO DA NEUROSE?
O mecanismo de repressão a que se faz
alusão na psicossomática diz respeito à
barreira que se instala entre o sistema pré-
consciente e o consciente. Trata-se, aqui,
de uma repressão psíquica no sentido da
evitação de uma representação adquirida,
que pode se alastrar de modo a atingir mais
e mais representações ligadas afetivamente
às precedentes.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTO DA NEUROSE?
Pierre Marty (1991) frisa que não está em
questão, na gênese do sintoma somático, o
mecanismo do recalque, pois tal espécie de
sintoma não tem a característica de retorno
do recalcado: no caso da repressão, a
representação pode aparecer intacta em
alguns momentos - sem a deformação
sofrida pelo recalcado quando este retorna
– para desaparecer novamente em seguida.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTO DA NEUROSE?
Na conversão histérica, o corpo afetado é o corpo
erógeno, corpo simbólico. Na somatização o corpo é
o biológico; daí a existência de uma lesão orgânica,
muitas vezes extremamente grave.
Freud considerava o tratamento da psicose como
tarefa que não se incluía no horizonte psicanalítico,
mas com o desenvolvimento ulterior da psicanálise
esta limitação deixou de fazer sentido.
FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTO DA NEUROSE?
Winnicott procurou demonstrar como a psicanálise
poderia ser enriquecida pela experiência do trabalho
com delinquentes. Maud Mannoni, a partir da
utilização de um referencial psicanalítico trabalha com
crianças portadoras de retardo mental. Ferenczi,
contemporâneo de Freud, ousou experimentar
tratamentos de pacientes “difíceis”, isto é, psicóticos,
somatizadores e criminosos.
COMPONENTE EMOCIONAL
Os aspectos da psicossomática que mais
interessam são aqueles que se referem às
perturbações psicogênicas, os seja, aqueles
em que o estado emocional desempenha um
papel direto no desencadeamento de uma
doença corpórea.
As amostras de casos abaixo ilustram
aspectos da medicina psicossomática que é o
estudo das relações entre as emoções e os
males do corpo.
 Uma mulher com câncer dos gânglios linfáticos
permanece em fase de remissão por três anos.
Quando seu filho mais novo é convocado de volta
para o Exército ela tem uma recaída. Outro filho é
chamado de volta ao serviço e novamente o câncer
se agrava.
 Um católico devoto sangra espontaneamente
nas mãos, pés e na ilharga. Seus ferimentos
correspondem ao Cristo crucificado.
 Um caso de artrite reumatoide pode ser
diagnosticado apenas com base na
personalidade do paciente, pelos traços e
maneirismos deste.
 A perna de um homem é amputada devido à
gangrena. Logo ele passa a sentir dores
terríveis no membro que não mais possui.
A escolha e a linguagem do órgão
Cada órgão do corpo, inclusive o
cérebro, fala seus próprios
“pensamentos”, “sentimentos” e
“alertas” e ouve os de todos os
outros órgãos”.
Em se tratando de manifestação de
doença, é importante informar que o
inconsciente visa até mesmo o órgão
que deve adoecer. Uma pessoa pode
entrar na doença por uma crise de
angústia, por achar que é o instante
adequado para adoecer e até escolher
o órgão que deve ser lesionado.
Muitas vezes mais de um órgão
adoece para entrar em revezamento
com o outro.
A escolha e a linguagem do órgão
A manifestação de uma
doença num determinado
órgão mostra que ali tem
um significado especial e
que a dor, as preocupações
e a inquietação também
devem ser levadas em
conta, pois há "fenômenos"
e "fatores" pouco
explícitos.
Toda manifestação corporal é uma
relação simbólica, admite uma
leitura e expressa um discurso.
Tanto que antes de uma pessoa
manifestar qualquer doença, ela
apresenta algum problema de
ordem emocional como, ansiedade,
angústia ou até depressão. Essa
condição interna é um aviso de que
a atuação da pessoa na vida é
inadequada.
As observações de Freud, Ferenczi,
Deustsch, Federn, Greenacre, mostraram a
importância que adquirem certos órgãos,
sistemas ou partes do corpo, por terem sido
sede de doenças em certos períodos
cruciais do nosso desenvolvimento, ou por
terem recebido especial atenção do meio
ambiente, ficando carregados de
significação afetiva.
É o caso de uma neurose cardíaca num adulto que
em sua infância se constatou um sopro cardíaco sem
qualquer significação, mas que foi supervalorizado
por uma mãe ansiosa, superprotetora; ou um sério
episodio de gastrenterite na primeira infância,
funcionando como marco para futuras manifestações
funcionais ou somáticas do trato digestivo que
passaria a representar o clássico papel de órgão de
choque.
A escolha e a linguagem do órgão
A chamada linguagem dos órgãos é
facilmente vista em expressões típicas de
qualquer idioma como: “fulano me provoca
náuseas”; “este problema está me dando
dor de cabeça”; “estou pelas tampas”;
“estou cheio disso”; “fulano teve uma
contrariedade morreu”. Tudo resquícios
das fases em que o ser humano a usava,
por não contar com suficiente
desenvolvimento das duas principais vias de
expressão: a linguagem verbal e a ação
motora.
A escolha e a linguagem do órgão
Nas primeiras fases do desenvolvimento, o
aparelho digestivo é a sede principal destes
fenômenos e é fácil sentir como suas
funções podem expressar atos de maior
significação para nossa vida afetiva, como
receber, dar e reter.
Se o desenvolvimento emocional é
prejudicado também o será a
capacidade do indivíduo fazer
identificações mais adultas e seletivas,
predominando identificações mais
infantis e imitativas. Uma dismenorréia
pode ser conseqüência da identificação
de uma adolescente com uma mãe que
apresentou este quadro por muitos anos
e influenciou intimamente a filha a este
respeito.
A escolha e a linguagem do órgão
A configuração psíquica durante nosso
desenvolvimento desempenha importante
papel na determinação de quem virá a
contrair uma doença grave. Mais ainda:
muitas vezes determina que doenças
sobrevirão, quando e onde se
manifestarão.
A escolha e a linguagem do órgão
A base primária de toda doença
psicossomática é sempre
intrapsíquica e sua etiologia deve
sempre se encontrar na dinâmica
psíquica: Id, Ego e Superego.
A escolha e a linguagem do órgão
O inconsciente fala em linha direta, não tem
fé nem moral social capaz de freá-lo; assim,
acontece que a forma de rebelião instintiva e
de insatisfação reprimida da mãe em nível
inconsciente se faz lei alimentando no filho
uma atitude de agressividade e vingança.
"A pessoa inscreve no corpo
seus conflitos psíquicos”.
"Doença é um estado que indica que a
consciência não está mais em ordem, e que
não há harmonia. É uma perda de equilíbrio
interior se manifestando no corpo como um
sintoma”.
Paciente Asmático
A hipótese, de Franz Alexander, sobre
o perfil psicodinâmico do paciente
asmático é que existiria um padrão
emocional peculiar, no qual o núcleo
seria um conflito em torno do choro.
A crise asmática seria um choro reprimido,
conseqüência de uma ambivalente percepção da
mãe (sedutora e rejeitadora) e, ao mesmo tempo
da imagem fragilizada do pai, por vezes
absorvida pela figura dominadora da mãe, o que
resultaria numa transferência com outros
personagens, inclusive a figura do médico,
expressando assim uma dependência, comum
entre os asmáticos.
Paciente Asmático
As vitimas de asma temem perder
a mãe e têm dificuldades em
chorar.
Paciente Asmático
Para Franz Alexander, o conteúdo da
dependência do asmático para com a mãe
não é bem o desejo oral de ser nutrido,
mas o desejo de ser protegido,
conseqüentemente tudo que ameaçar
separar o paciente da mãe protetora ou de
sua substituta tende a desencadear uma
crise asmática.
Paciente Asmático
Também é comum a crise de asma em crianças que
vivenciam o nascimento de um irmãozinho. No caso
do adulto, a tentação sexual, o casamento iminente
podem ser fatores desencadeadores.
Enfim, a dependência e toda problemática emocional
que envolve o asmático, seriam fatores de suma
importância para o desencadeamento das crises e,
conseqüentemente, de sua permanência.
Paciente Asmático
Também é comum a crise de asma em crianças
que vivenciam o nascimento de um irmãozinho.
No caso do adulto, a tentação sexual, o
casamento iminente podem ser fatores
desencadeadores.
Enfim, a dependência e toda problemática
emocional que envolve o asmático, seriam
fatores de suma importância para o
desencadeamento das crises e,
conseqüentemente, de sua permanência.
Paciente Asmático
Hipertensão Arterial
A hipertensão é uma síndrome clínica
caracterizada por elevação crônica da
pressão sanguínea, sem causa orgânica
justificável. Há um perceptível progresso que
vai desde a etapa inicial, quando a pressão
se mostra oscilante, até o estágio mais
tardio, com a estabilização da pressão
arterial em níveis mais elevados, acarretando
geralmente danos renais e vasculares.
 estudos psicanalíticos sistemáticos têm sido
feitos em pacientes com hipertensão, e um
destes revelou que impulsos agressivos,
inibidos crônicos, associados à ansiedade,
influenciam de forma marcante o nível da
pressão sanguínea.
Apesar dos diferentes tipos de
personalidade, uma característica comum
a estes era a incapacidade de expressar
livremente seus impulsos agressivos.
Alexander diz que pacientes com
hipertensão são, com freqüência,
sexualmente inibidos, e quando se
permitem algum relacionamento ilícito,
este está vinculado à culpa muito grande,
porque para esses pacientes, a atividade
sexual não convencional significa protesto
e rebelião.
Doenças auto-imunes
Contribuições Pessoais
Importantes doenças se reúnem neste grupo
devido à presença de fenômenos comuns de
auto-agressão imunitária.
Na etiopatogenia dessas enfermidades,
fatores hereditários estão presentes, mas os
fenômenos psicossociais também parecem
desempenhar um relevante papel. O grupo, de
enfermidades como a artrite reumatóide, o
hipertiroidismo e a colite ulcerativa, desperta
nosso interesse, devido os aspectos
psicossomáticos envolvidos.
Doenças auto-imunes
Contribuições Pessoais
Sete pacientes adultos com colite
ulcerativa (quatro homens e três
mulheres) foram submetidos a
entrevistas psicológicas e testes de
personalidade.
Doenças auto-imunes
Contribuições Pessoais
A predominância foi de estruturas limítrofes,
dois apresentaram surto psicótico durante a
internação, dois eram alcoólatras crônicos e
em dois casos havia nítida relação com
início da doença e a perda de uma pessoa
significativa; em outros dois tal situação era
evidente, mas era negada pelos pacientes.
Doenças auto-imunes
Contribuições Pessoais
Os testes psicológicos evidenciaram
que a defesa maníaca subjazia à
fantasia de incurabilidade e de
incapacidade de reparação. A estrutura
básica era esquizóide e funcionava
como defesa contra a agressividade que
possuíam.
Doenças auto-imunes
Contribuições Pessoais
Nos testes, a doença aparecia como
objeto persecutório com o qual se
identificavam defensivamente,
passando a viver através da doença.
Esse aspecto pode levar a uma diarréia,
pela tentativa de relacionar-se com o
médico através do sintoma.
Stress e doenças de adaptação
Tudo aquilo que ameace a vida
provoca stress e respostas
adaptativas, das quais participa o
organismo como um todo.
A fase de alarme é o choque
• A fase de alarme é o choque. Iniciada
por uma descarga adrenérgica – surge
taquicardia, diminuição do tônus
muscular e da temperatura,
hemoconcentração, hiperglicemia,
leucopenia e em seguida, leucocitose.
A fase de alarme é o choque
A essa ação se segue um
estagio de contrachoque,
quando se modificam as reações
humorais e neurovegetativas. O
acometido nesse período pode
ter hipertrofia córtico-
suprarrenal, atrofia do tecido
timo-linfático e formações de
ulceras gástricas e duodenais.
A fase de defesa
Se o agente estressante
permanecer atuando, o organismo
entra na fase de defesa, levando
à regressão de muitos fenômenos,
resultante de um estímulo
hipofisário.
Fase de esgotamento
A terceira fase, a de
esgotamento, conseqüência da
falha dos mecanismos
adaptativos a estímulos
permanentes e excessivos; as
alterações características da
fase de alarme reaparecem e
pode levar à morte.
Alternância Psicossomática
A Alternância
Psicossomática
também é
verificada em
pacientes que
usam defesas
maníacas.
Um homem após um
desquite conflitivo
tornou-se alcoólatra
em grau avançado,
em seguida
apresentou
pancreatite aguda e
quando deixou de
beber, iniciou a colite
ulcerativa.
Artrite Reumatóide
A artrite reumatóide
também é uma
doença estudada em
seus aspetos
psicossomáticos.
Halliday caracterizou
os artríticos como
muito reprimidos em
sua vida afetiva,
sendo tímidos,
quietos e
controlados, quais
“pássaros
domésticos”.
Niessen-Spencer e
colaboradores
observaram que a
artrite praticamente é
ausente em psicóticos.
A doença é vista como
uma fuga à realidade,
feita por caminhos
diferentes: ou doença
mental ou a
incapacidade motora do
artrítico.
Artrite Reumatóide
Blom e Nicholis investigando seus
pacientes em entrevistas ou
acompanhamentos psicoterápicos
encontraram traços comuns entre os
pacientes, suas mães e mulheres
com artrite reumatóide: bloqueio
afetivo, tendências depressivas e
masoquistas.
Rinite Alérgica
Nos casos em que ambos os fatores de
predisposição eram elevados, o indivíduo
“escolhia” preferencialmente a via somática
como exteriorização, ao invés da via psíquica,
como se demonstrasse ser mais fácil, ou mais
freqüente, uma “solução” no plano somático do
que no plano mental.
Martin Jacobs, estudando 41
portadores de rinite alérgica e asma,
percebeu a combinação de uma pré-
disposição constitucional e
psicológica, persistente, com uma
mãe dominadora ou sua substituta,
com uma situação atual
desencadeante, de frustração ou
perda. Essa situação potencializa
as influências alergógenas, às quais
o paciente é submetido.
Rinite Alérgica
DOENÇAS DE TENSÃO
A Drª. Dunbar descobriu que os diabéticos
apresentam uma longa história de mal-
estar, cansaço, moleza e sentimento de
depressão e desespero, antes que a
doença seja diagnosticada. Acredita-se na
existência de conflitos psicológicos
fervilhando abaixo da superfície. Em pelo
menos um dos casos acompanhados por
ela, os sintomas de diabete desapareceram
com a psicanálise.
DOENÇAS DE TENSÃO
Ela também verificou que o diabético
típico é indeciso, preferindo deixar que
os outros decidam por si, para então
assumir o seu papel de má vontade sem,
contudo, tomar qualquer atitude para
aliviar o que lhe parece falta de sorte. Os
homens diabéticos, especialmente,
parecem ter sido dominados pelas mães
e dependentes das mesmas.
DOENÇAS DE TENSÃO
Os diabéticos mostram uma tendência
à passividade, em particular na área
sexual. O casamento resulta numa
decepção, porque o diabético quer ser
excessivamente mimado em nome de
uma felicidade mútua.
DOENÇAS DE TENSÃO
A passividade do diabético é muitas
vezes interpretada como
demonstração do seu forte desejo de
retorno à primeira infância, o que é
manifestado através de grande gula -
um desejo insaciável de ser
alimentado.
DOENÇAS DE TENSÃO
Os médicos consideram isso como os
primeiros sintomas de diabete. Caso
não seja medicado o diabético poderá
sofrer perturbações de circulação. Não
são raras, entre os diabéticos, as
doenças cardíacas e as amputações de
membros.
O paciente somático apresenta alteração em
sua anatomia ou fisiologia. Ele reclama de
dores, cansaço, dormências, hipertensão, etc. A
origem desses sintomas é diversa, podendo ser
por agentes físicos, químicos, biológicos,
sociais ou psicológicos.
Paciente Somático
Paciente Somático
Podemos dizer que todos os pacientes
somáticos trazem uma marca psicológica,
pois todos se queixam, mas se queixam
porque existe uma gama de angústia que é
despertada pelo não estar bem. O fato de não
se sentir bem é uma ameaça a integridade do
indivíduo, constituindo uma "ferida
narcísica".
Paciente Somático
Os médicos sabem que existem
pacientes que estão doentes sem se
sentirem doentes, que existem outros
que não estão doentes e se sentem
profundamente enfermos, e há ainda
aqueles que se sentem e estão mesmo
enfermos. O que alguns estudos
descrevem é que em todos esses tipos
de pacientes existe um comprometimento
psicológico.
Paciente Somático
Cabe a equipe de saúde oferecer atendimento
que possibilite se sentirem amparados,
compreendidos.
Pela psicanálise aprendemos que o ser humano
é um ser desejante e o que nos dá impulso à
vida é o desejo.
O surgimento deste desejo se dá nos primeiros
momentos de vida. Paralelo a esse desejo está
a falta.
Paciente Somático
Freud mostrou que ao nascer a
primeira experiência de desconforto é
a sensação de fome. A primeira
mamada traz alívio a essa sensação
desagradável, e esse acontecimento
fica marcado no cérebro do bebê. Aí
surge a falta e o desejo.
Paciente Somático
O bebê percebe que lhe falta algo que
pode ser suprido de alguma forma.
Contudo, falta e desejo irão acompanhar
o indivíduo por toda a existência e
podemos mesmo afirmar que algumas
somatizações são tentativas de
satisfazer ou encobrir essa falta.
Paciente Somático
A terapia com paciente somático seria
basicamente de suporte e informativa.
Buscando o insight (conhecimento) e a
reflexão do que é ter aquela doença, sendo
quem ele é no meio social em que vive. O ato
do somatizador recai sobre o soma, corpo
simbólico, corpo biológico. Ao contrário da
conversão histérica, que afeta o corpo
erógeno.
Masoquismo
O masoquismo, através da
implícita auto-
agressividade, já contém,
em si, a necessidade de
adoecer. O masoquista,
impulsionado por fortes
culpas de caráter
inconsciente, busca várias
formas de se autoflagelar e
entre elas, freqüentemente,
a doença.
Se por várias razões uma
pessoa com essa
patologia mental adoece,
passa a usar a
enfermidade como
pretexto ideal para suas
necessidades de
expiação. Os chamados
benefícios secundários
das doenças contribuem
para o processo de
cronificação dessas.
Repensando a Doença
O homem é a espécie que
mais adoece gravemente e
que mais fragilidade
carrega desde o seu
nascimento.
A doença seria, portanto, o
resultado de uma soma de
fatores, os quais não
podem ser avaliados
isoladamente.
No ser humano o padrão
expressivo é a linguagem, a
fala, o conteúdo da fala, o
simbólico que já acusa a
presença do desejo. A fala
não é uma repetição formal
de fonemas automáticos,
mas a expressão da
subjetividade, do desejo.
Heládio Capisano afirmava
que “a pessoa inscreve no
corpo seus conflitos
psíquicos”.
Repensando a Doença
Hipócrates escreveu que as doenças
mentais tinham causas naturais. Esse
interesse levou-o a fazer as primeiras
descrições do que hoje chamamos
alternância psicossomática. Ao dizer
que a disenteria pode aliviar o quadro
de loucura, ou que os estados
maníacos podem desaparecer, quando
surgem varizes ou hemorróidas.
REPENSANDO A DOENÇA
Zillborerg vai dizer que Hipócrates escreveu a primeira página da
história da psicologia médica e que esta permaneceu por longos e
longos anos completamente inalterada.
Formação da identidade subjetiva
A identidade é um físico envelopando um
“Eu” subjetivo nomeado pelos pais. A
identidade se opõe ao concreto. A
estruturação psíquica é responsável pela
subjetividade que é a possibilidade de
ultrapassar o concreto, pela nossa
compreensão e, cada indivíduo forma o seu
traçado, segundo sua ótica subjetiva.
Formação da identidade subjetiva
A partir da psicanálise, a pesquisa tenta
retomar o traçado da subjetividade,
considerando o homem como portador,
também na saúde, das marcas da
subjetividade. A tarefa do analista tem sido a
de, confrontando com a doença, avaliar os
mesmos aspectos que são avaliados na
saúde e entendê-los da mesma maneira.
Formação da identidade subjetiva
Um tumor, uma lesão, vírus, bactérias são
sinais pelos quais é possível o
reconhecimento da disfunção patológica,
tornando, portanto, imprescindível uma
avaliação dentro do aspecto concreto para
que o mal seja combatido.
Corpo e Imagem Corporal
Freud partiu de uma escuta que foi
além do corpo biológico, fez esta
passagem, descolando a fala de suas
clientes, de seu corpo anatômico
para outro corpo, onde os
significantes tentavam dar conta de
um sofrimento que as aprisionava
numa fantasia sexual infantil.
Corpo e Imagem Corporal
Freud partiu de uma escuta que foi
além do corpo biológico, fez esta
passagem, descolando a fala de
suas clientes, de seu corpo
anatômico para outro corpo, onde
os significantes tentavam dar conta
de um sofrimento que as
aprisionava numa fantasia sexual
infantil.
Corpo e Imagem Corporal
Juan-David Nasio define o corpo
falante como “o corpo que interessa
à psicanálise, não por ser um corpo de
carne e osso, mas um corpo tomado
como um conjunto de elementos
significantes”. Portanto, corpo
falante é aquele onde os
significantes falam entre si.
Corpo e Imagem Corporal
O campo da psicanálise é delimitado
pela fala e pelo sexo, permitindo dois
estatutos do corpo: o corpo falante e o
corpo sexual ou o corpo que goza. Mas
também está delimitado pela articulação
do simbólico, do imaginário e do real,
que nunca se apresentam isoladamente
por estarem atravessados uns pelos
outros.
Corpo e Imagem Corporal
CORPO SIMBOLICO
CORPO IMAGINARIO
CORPO REAL
Corpo e Imagem Corporal
Foi Jacques Lacan que desde 1953
construiu um saber sobre o assunto e
até sua morte em 1981 nunca deixou
de fazer referências ao Real, ao
Simbólico e ao Imaginário. Para a
clínica psicossomática, é muito
importante saber sobre esses três
registros, como eles se estruturam,
como se articulam, como fazem laço e
como funcionam.
Corpo Real
O corpo real é sinônimo e lugar
do gozo. Gozo, que em
psicanálise, significa dor, desgaste,
gasto exigência. A lesão
psicossomática traz sempre um
traço real.
Do ponto de vista da psicanálise,
o ‘real’ não é exatamente a
realidade, mas a realidade precisa
do real para existir. O ‘Real’ é! Ele
existe por si só; está sempre aí;
não precisa de ninguém; pois se
basta a si mesmo. O Real é da
ordem de não ser nada além de
ser real. O campo do real é o
campo da ‘coisa’, do inominável,
do que escapa à simbolização.
• O real não precisa nem do
Simbólico, nem do Imaginário.
Pode-se dizer que a morte é o
alcance máximo do Real. Com
ela não há mais ser humano, só
coisa. Ou seja, aconteça o que
acontecer no Imaginário e no
Simbólico, amanhece no Real.
“O Real é aquilo que fica registrado
no psiquismo como coisa perdida.
Aqui podemos falar de coisa sexual.
O sexo (fisiológico), aquele que
escapa à simbolização e que é
registro tanto da pulsão quanto do
objeto.
Corpo Imaginário
O Imaginário é formado de
fantasias, de imaginações e por
todo tipo de imagem de objeto
ou coisa que, após o
nascimento o olhar do bebê
captura e internaliza, pouco a
pouco.
O corpo imaginário é a imagem
externa que desperta o sentido
num sujeito. Isso significa que: a
imagem que tenho do meu corpo
me foi dada a perceber a partir de
fora, vista por outro. Portanto, me
vejo como fui visto. Minha imagem
foi projetada e me foi devolvida.
Preciso de outro para me
constituir enquanto imagem e
para ter acesso à linguagem e aos
significantes.
Corpo Simbólico
O Simbólico é o campo da
linguagem, escrita e falada.
São todos os sons, ruídos,
palavras e conceitos que entram
pelo ouvido da criança desde
pequena. Letras, sílabas,
palavras, fonemas, números,
signos, ícones, etc.
Tudo isso vai se constituir e se
estruturar como campo de
linguagem, constituindo-se em
significantes que irão representar
o sujeito que fala para outros
significantes presentes na cadeia
associativa, cujo efeito de
significação ou sentido só
aparecerá em razão das ligações
contingenciais entre uma palavra e
outra.
• O corpo simbólico é o conjunto ou
corpo de significantes que insere o
indivíduo numa ordem simbólica,
preestabelecida e veiculada pela
linguagem. O simbólico é a cultura, que
é anterior ao indivíduo. A articulação
cultura/indivíduo é fundada e
constituída pela dimensão simbólica.
• “Toda cultura pode ser considerada
como um conjunto de sistemas
simbólicos, no topo dos quais se situam
a linguagem, as regras matrimoniais, as
relações econômicas, a arte, a ciência
e a religião” (Lévi-Strauss).
Lacan define significante da
seguinte maneira: “significante
é o que representa o sujeito
para outro significante”.
A materialidade das letras
conectadas produzem fonemas,
formam sílabas e palavras. Cada
palavra funciona como significante
para outras palavras também
significantes.
A cadeia de significantes S1 produz
um efeito de sentido S2.
A primeira frase abaixo é uma cadeia significante S1
+ S1 + S1 + S1 + S1 + S1 + S1 = S2.
“Ai, querido, assim não podemos continuar vivendo!
“Ai, querido, assim não podemos continuar!
“Ai, querido, assim não podemos!
“Ai, querido, assim não!
“Ai, querido!
“Ai!”
Bion costumava afirmar em seus seminários
clínicos que a prática da psicanálise é difícil.
A teoria é simples. Se o analista tem boa
memória poderá ler todos esses livros e
decorá-los com facilidade. Daí poderão dizer:
que bom analista é tal pessoa; sabe todas
essas teorias. Mas isso não equivale a ser um
bom analista. Um bom analista está sempre
lidando com uma situação desconhecida,
imprevisível e perigosa.
David Zimerman, quando fala das condições necessárias
para um analista, diz que de todas as condições, de forma
alguma excluem o fato de que, antes de tudo, o analista é
“gente também”, e com todo ser humano tem sentimentos,
fraquezas e idiossincrasias. Isso está admiravelmente
expresso de forma poética por Cyro Martins – notável
psicanalista, escritor, mestre e figura humana -, a quem
Zimerman presta uma saudosa homenagem com a
transcrição de sua poesia que ora para vocês.
• Poesia
• “Pois fica decretado a partir de hoje,
• que terapeuta é gente também.
• Sofre, chora, ama e sente
• e, às vezes precisa falar.
• O olhar atento, o ouvido aberto, o ouvido aberto
• escutando a tristeza do outro, quando, às vezes, a tristeza
• maior está dentro do seu peito.
• Quanto a mim, fico triste, fico alegre e sinto raiva também.
• Sou de carne e sou de osso e quero que você saiba isso de mim.
• E agora, que já sabes que sou gente,
• quer falar de você para mim?”
• No exercício da função de terapêutica o
profissional precisa reconhecer que a
angústia é constitutiva do sujeito e que
mesmo os mais sadios, diante da
precariedade humana, percebem que
talvez seja impossível percorrer um
caminho de vida sem adoecer, sem
alucinar.
Psicossomatica Psicanalitica - Outubro 2016.ppt

Psicossomatica Psicanalitica - Outubro 2016.ppt

  • 1.
  • 2.
    DO PSÍQUICO PARAO SOMÁTICO
  • 3.
    PSICOSSOMÁTICA A psicossomática temsido usada tanto no meio médico, como na clínica psicanalítica, desde as manifestações de conversão da histeria reveladas por Freud, tem colocado os analistas frente às questões do adoecimento do corpo físico.
  • 4.
    PSICOSSOMÁTICA Na atualidade observa-seque as disciplinas que abordam a mente humana se aproximam cada vez mais das disciplinas que abordam o corpo somático.
  • 5.
    PSICOSSOMÁTICA Uma das razõessignificativas do estudo da Psicossomática no Curso de Psicanálise, mais que a pretensão de ensinar, é abrir um leque de discussões a respeito da função do psicanalista, para uma relação mais humana em seu trabalho. Ao cuidar de alguém, o psicanalista deve fazer com bastante apreço e, quando for o caso, trabalhe em parceria com aquele que examina, diagnostica e receita medicamentos.
  • 6.
    Ao reunir osescritos que comporiam esta apostila, surgiram dúvidas a respeito da melhor forma de organizar os temas subtítulos, pois tudo parecia dominante e, entre as várias intenções de abordagens, a maior é a de chamar a atenção do psicanalista, na compreensão do Ser Humano na Contemporananeidade, especialmente daquele que comparece na clínica com algum tipo de adoecimento, já que a principal aventura de qualquer psicoterapia empreendida por duas pessoas é: tornar possível àquela que procura ajuda, despertando-a para aquilo que foi reprimido de sua natureza e seus correlatos na conduta humana.
  • 7.
    PSICOSSOMÁTICA Como o psicanalista,em seu ofício, lida com um amplo aspecto de questões e problemas que vão muito além de um único tópico, é de suma importância que ele procure compreender a origem desses correlatos, o ambiente em que essa pessoa vive, bem como a forma que ela lida com os acontecimentos do seu dia-a-dia.
  • 8.
    PSICOSSOMÁTICA As questões humanasaqui serão abordadas a partir dos fatores psicossociais, os afetos e os distúrbios corporais, o indagar, pesquisar e acertar em uma história, a linguagem dos sentimentos, o enigma da doença, doenças psicossomáticas, alternância psicossomática, relação mente e corpo, ganho secundário da doença, a escolha do órgão a adoecer, pessoas predispostas a acidentes e outros.
  • 9.
    PSICOSSOMÁTICA A visão sobreo processo de adoecimento tem sido um desafio para todos que procuram compreender as doenças. O adoecer faz parte da natureza humana e o seu processo apresenta fatores determinantes e/ou condicionantes que entrelaçam fatores genéticos, biológicos e fisiológicos, ambientais e psicológicos, fazendo parte desse complexo processo.
  • 10.
    PSICOSSOMÁTICA Em nossos dias,a psicossomática pode ser empregada para analisar qualquer tipo de sintoma, seja ele físico, emocional, psíquico, relacional, comportamental, social ou familiar. Com isso, a psicossomática não pode ser compreendida apenas como um adjetivo para alguns tipos de sintomas, pois vários campos do saber sobre a mente humana percebem que não existe separação ideal entre mente e corpo.
  • 11.
    PSICOSSOMÁTICA Embora não sedefina a psicossomática pertencente a uma área específica do saber, ela apresenta-se como um grande campo de conhecimentos a ser compreendido e determina uma nova visão da abordagem do adoecer.
  • 12.
    PSICOSSOMÁTICA As questões humanasaqui serão abordadas a partir dos fatores psicossociais, os afetos a linguagem dos sentimentos, o enigma da doença, fenômenos psicossomáticos, doenças psicossomáticas, relação mente e corpo, ganho secundário da doença, a escolha do órgão a adoecer, pessoas predispostas a acidentes e outros.
  • 13.
    Breve Histórico daPsicossomática A psicossomática sempre existiu. Hipócrates, o pai da medicina, fazia uma correlação entre os processos socioculturais e o aparecimento de uma doença. A forma de Hipócrates lidar com o paciente era a forma integral. Porém, apesar da influência hipocrática, o termo psicossomática só surgiu pela primeira vez em 1818 por Helmoholtz Heinroth.
  • 14.
    Breve Histórico daPsicossomática A psicossomática é uma ciência interdisciplinar que integra diversas especialidades da medicina e da psicologia para estudar os efeitos sociais e psicológicos sobre processos orgânicos do corpo e sobre o bem-estar das pessoas.
  • 15.
    Sigmund Freud A psicossomáticaevoluiu das investigações psicanalíticas que contribuíram com informações acerca da origem inconsciente das doenças. Por conta disso, diz-se que a psicanálise não só deu origem a psicossomática e criou as bases para a terapia psicossomática, como permanece uma referência permanente e essencial para esta.
  • 16.
    Breve Histórico daPsicossomática Ainda que Freud não tenha se interessado pela psicossomática, parece ter sido seu instigador, pois foi a partir dos seus trabalhos sobre a paralisia, a afasia e a histeria que a psicossomática vai se estruturar e que psicanalistas americanos formaram a Escola de Chicago, cabendo destaque a Franz Alexander em 1930.
  • 17.
    O maior legadode Freud para as investigações psicossomáticas se deve ao conceito de conversão individual. Em sua obra, as formulações que mais se aproximam do que hoje se conhece como psicossomática estão na definição de neuroses atuais.
  • 18.
    Georg Groddeck (1866-1934) Comele a tese de que toda doença orgânica é igualmente psíquica, bem como o inverso, ganha relevância: a doença corresponde a uma solução, apesar de problemática, para os conflitos inconscientes. Vejamos página 50 – Isso é Groddeck
  • 19.
    Breve Histórico daPsicossomática Mas foi Balint, psicanalista húngaro, quem contrbuiu definitivamente para mudar o enfoque da psicossomática, principalmente a partir de 1945, quando se procurou não mais buscar explicações e rotular doenças, mas para a importância da relação médico-paciente, evidenciando-se uma crescente significação da conduta, ou atitude psicossomática, considerada válida até hoje.
  • 20.
    Breve Histórico daPsicossomática Balint fundou os grupos Balint de estudo, a partir de atendimentos de um dos participantes do grupo. Neles assinalava-se a importância crescente do estudo sobre as emoções surgidas durante o atendimento, tanto no médico, quanto no paciente, e como é dinâmico o campo dessa relação, responsável pela compreensão, melhora e desaparecimento das queixas e/ou sintomas físicos.
  • 21.
    Breve Histórico daPsicossomática Essa nova abordagem retirava o paciente de um lugar passivo, transformando-o em ativo participante do seu próprio tratamento. Assim, foi possível mostrar a eles sua própria ação na construção e na manutenção de suas queixas e a sua resistência a ficar livre delas – muitas vezes por uma dinâmica inconsciente. Esse atendimento viria a ser o modelo que no Brasil Danilo Perestrello denominou “A Medicina da Pessoa”.
  • 22.
    Breve Histórico daPsicossomática A Escola de Paris de Pierre Marty vislumbrou a possibilidade de agrupar pacientes comuns, denominados operatórios (aqueles que adotam um tipo especial de pensamento que, defensivamente, mantém as emoções à distância), bem como os alexitímicos (aqueles com ausência de palavras para nomear as emoções). Ambos devem ser compreendidos por sua tentativa especial de comunicação.
  • 23.
    A PSICOSSOMÁTICA NOBRASIL No Brasil, a psicossomática proliferou-se a partir do trabalho de psicanalistas em hospitais de ensino, destacando-se em 1944 os trabalhos reunidos de José Fernandes Pontes, Noemi Rudolfer e Mário Yahn no Instituto Aché de São Paulo. Em 1945 com os trabalhos da psicanalista Virgínia Leone Bicudo e do psicanalista Helládio Francisco Capisano. Em 1958 e 1974, respectivamente, com a publicação das obras de Danilo Perestrello: Medicina Psicossomática e A Medicina da Pessoa.
  • 24.
    A PSICOSSOMÁTICA NOBRASIL Em 1965 Danilo funda a Associação Brasileira de Medicina Psicossomática - ABMP, sendo seu primeiro Presidente. Em 1966 Luiz Miller Paiva, ao escrever sobre psicossomática, inclui textos de Perestrello, Isaac Leon Luchina e Marcelo Blaya. Em 1986 Samuel Hulak em Recife, publica a revista Psicossomática. Também merece destaque a contribuição de Engel sobre a teoria geral dos sistemas e a própria contribuição da OMS como ”equilíbrio biopsicossocial“. Desta forma, a medicina psicossomática pôde assumir seu verdadeiro papel integrador e multidisciplinar, vindo a integrar-se ao ensino como nas antigas cadeiras de Patologia Geral.
  • 25.
    A PSICOSSOMÁTICA NOBRASIL Nos hospitais públicos, municipais ou estaduais, a psicossomática é comumente utilizada como Psicologia da Prática Médica. Nas faculdades de Medicina, geralmente a psicossomática funciona em conjunto com a psiquiatria, sendo chamada de setor ou serviço de Psicologia Médica, sendo também vista como um braço da psicopedagogia, pelo atendimento que faz aos alunos que respondem às situações traumáticas do curso com as reações de desadaptações neuróticas ou psicóticas.
  • 26.
    O trabalho doPsicanalista O trabalho do psicanalista quando diante de um doente é de preparação. Ele ouve do doente tudo que se desaba sobre ele. Ouve todas as suas tristezas, fatalidades e as falhas por ele denominadas e com essas informações, inclusive àquelas que o paciente não fala, o analista interpreta como significante que pode ser retomado numa hipótese diagnóstica.
  • 27.
    Considerações em tornodo conceito da Psicossomática O conceito em torno da psicossomática tem variado em função do referencial teórico de quem usa. Vários autores têm feito esforços no sentido de tornar um corpo teórico consistente capaz de explicar e tornar compreensível o fenômeno psicossomático.
  • 28.
    No século XXsurgiram os conceitos de alexitimia e pensamento operatório, bem como a Psicossomática Psicanalítica do qual compartilham diversos autores com seus posicionamentos, mas um acordo em se considerar que há uma multiplicidade de causas para o adoecer relacionadas com conflitos inconscientes. (MELLO, 2009). Para Júlio de Mello Filho, a psicossomática considera o doente como um todo, estudando simultaneamente os aspectos físicos e psíquicos. Os que lidam com a psicossomática a consideram a medicina da pessoa, medicina holística, a medicina do encontro, sempre apontando para a necessidade de uma tentativa cada vez mais abrangente do atendimento médico.
  • 29.
    Conceitos “A Psicossomática éa Psicologia da Prática Médica”. Franz Alexander. “A Psicossomática é uma ideologia sobre a saúde, o adoecer e sobre as práticas de saúde, é um campo de pesquisas sobre estes fatos e, ao mesmo tempo, uma prática, a prática da medicina integral”. Júlio de Mello Filho
  • 30.
    O ser humanona Contemporaneidade Página 6
  • 31.
    7 cervicais, 12dorsais, 5 lombares
  • 32.
    Fatores Psicossociais Fatores Psicossociais- são os fatores que afetam uma pessoa psicologicamente ou socialmente no dia a dia e que de certa forma ativam a sua mente, geralmente com Ansiedade e ou Sentimento de Culpa, Sentimento de Inferioridade, Protesto Narcísico contra a dependência Infantil (que pode estar presente na vida adulta), Hipercompensação (necessidade de) e esforço (neste caso não compensado ou na situação em que a pessoa acredita que tudo que fez é frustrante).
  • 33.
    Fatores Psicossociais Há casosem que os Fatores Psicossociais geram fortemente uma dependência Infantil (maior necessidade de ser conteúdo e não continente, necessidade de ser amparado e não de amparar alguém). Essa necessidade aciona o Sistema Nervoso Parassimpático. Quando isso ocorre a pessoa necessita "Ser Objeto de Cuidados".
  • 34.
    Fatores Psicossociais Se apessoa aceita ser cuidada, amparada ou se sente desta maneira, por alguma situação. No entanto, se ela não consegue ser amparada, ser conteúdo para um continente (forma utilizada por Bion para falar de acolhimento), então entra em ação o sistema Neuro- Endócrino a fim de dar vazão ao stress gerador, por meio de sintomas, ou sinais como: úlcera gástrica, constipação, diarreia, colite, estado de fadiga (cansaço sem uma razão aparente ou início de uma depressão), asma e outros problemas do aparelho respiratório.
  • 35.
    Fatores Psicossociais As explicaçõespuramente biológicas da doença, apesar de ainda serem predominantes na Medicina, têm sido questionadas em diversos estudos que evidenciam a influência da mente e das emoções nos estados de saúde. Hoje sabe-se que o sistema nervoso autônomo, responsável pela coordenação do funcionamento de todos os órgãos internos, é regulado pelo sistema límbico, que por sua vez é afetado pelas experiências afetivas e emocionais do indivíduo em seu contexto social.
  • 36.
    Sistema Neuro-Endócrino, Simpáticoe Parassimpático Frequentemente o sistema nervoso interage com o sistema endócrino, formando mecanismos reguladores bastante precisos sobre o meio externo e regulando a resposta interna do organismo a esta informação.
  • 37.
    Sistema Neuro-Endócrino, Simpáticoe Parassimpático Os sistemas endócrino e nervoso atuam na coordenação e regulação das funções corporais. Enquanto as mensagens nervosas são de natureza eletroquímica, as mensagens transmitidas pelo sistema endócrino têm natureza química: os hormônios, substâncias produzidas pelas glândulas endócrinas e se distribuem pelo sangue, modificando o funcionamento de outros órgãos, denominados órgãos- alvo.
  • 38.
    Sistema Neuro-Endócrino, Simpáticoe Parassimpático A adrenalina, hormônio do stress é liberada em caso de perigo e põe o corpo em estado de atenção máxima. As funções cardíaca e circulatória, a respiração, o processamento dos estímulos por parte do cérebro e outras funções passam a operar no máximo, a fim de possibilitar pronta reação.
  • 39.
    Sistema Neuro-Endócrino, Simpáticoe Parassimpático Nesse contexto, fala-se de reação de fuga ou luta, na qual todas as reservas de energia são postas a serviço de uma excitação e atividade corporal elevadas. Em linhas gerais, a noradrenalina atua de modo semelhante à adrenalina, acelerando os batimentos cardíacos. No cérebro, assim como a dopamina, a adrenalina, influencia, sobretudo o grau de vigilância e de excitação.
  • 40.
    Acão dos SistemasNervosos Simpáticos e Parassimpáticos O Sistema Simpático comanda de forma rápida e precisa as funções do corpo. Ele é o acelerador e, utilizando a noradrenalina tem a função de preparar ou excitar o organismo para situações percebidas como ameaçadoras. Essa ação acelera e intensifica os batimentos cardíacos, aumenta a pressão arterial e, através da constrição dos vasos sanguíneos, redistribui o sangue, canalizando-o em maior quantidade para onde for mais necessário. O Sistema Simpático prende muitas ações do nosso organismo, preparando-nos para lutar ou fugir.
  • 41.
    Sistema Neuro-Endócrino, Simpáticoe Parassimpático Exemplo: uma pessoa vai andando à noite numa rua escura e de repente escuta um barulho atrás dela. Nessa situação, entra imediatamente em funcionamento o Sistema Simpático, mandando sangue ao cérebro, fazendo com que a pessoa pense em poucos segundos o que deve fazer. Se ela resolver correr, estará preparada, pois também foi enviado sangue para os músculos das pernas.
  • 42.
    Ação dos SistemasNervosos Simpáticos e Parassimpáticos O sistema simpático prende muitas ações do organismo, preparando-nos para luta ou fuga. No caso em que a pessoa andava numa rua escura e ouviu um barulho, nesse momento prende-se o sistema digestivo e urinário, (fezes e urina), glândulas do suor, os pulmões dilatam-se para oxigenar o cérebro e os músculos. O sistema Parassimpático, também conhecido por vago, utilizando-se da acetilcolina, tem como regra a função de freio, de acalmar, de relaxar.
  • 43.
    Ação dos SistemasNervosos Simpáticos e Parassimpáticos Agora vamos lembrar que a pessoa que estava andando numa rua escura e ouviu um barulho atrás dela ficou com medo, mas logo constatou que era apenas um gato. Diante disso, o Sistema Parassimpático foi acionado, relaxando tudo que antes ficou "preso" pelo Sistema Simpático, permitindo assim a pessoa voltar ao "normal", podendo suar, urinar, defecar, etc.
  • 44.
    Caso Clínico exemplificandoum adoecimento como resposta do acionamento constante do Sistema Nervoso Simpático. Mulher, funcionária pública, 45 anos de idade, casada, mãe de três meninos, curso superior completo e pós graduação. Sofria de Hipertensão Arterial que mantinha controlada por remédio. Tinha feito todos os exames para avaliar o sistema cardíaco e respiratório, exames de sangue e tudo mais que o seu cardiologista solicitara e mesmo assim o médico não conseguiu precisar a causa da hipertensão.
  • 45.
    Na análise, foiperguntado à paciente se ela lembrava o período que os problemas de hipertensão apareceram. Ela respondeu que tudo se relacionava com o seu local de trabalho, pelas constantes irritações. Às vezes tinha vontade e quase chegou a "bater" numa colega de trabalho. Em vários momentos a pressão alterava muito, tendo que usar remédio sublingual (vaso dilatador).
  • 46.
    A paciente trabalhavacom um chefe que sempre exigia perfeição, (especificamente), do trabalho dela e sempre que esse chefe tinha oportunidade demonstrava aos outros funcionários sua insatisfação com ela. Dizia que sofria uma espécie de perseguição moral. Neste caso, ela não podia lutar e nem fugir, ou seja, não podia dar uma surra no chefe e nem pedir as contas e ir embora. Assim, o seu Sistema Nervoso Simpático entrava em funcionamento cinco dias por semana, gerando stress quando ia para o trabalho, alterando a sua pressão sanguínea (Hipertensão).
  • 47.
    Caso Clínico exemplificandoum adoecimento como resposta do acionamento constante do Sistema Nervoso Simpático Com o tempo ela aprendeu a acionar o Sistema Nervoso Parassimpático, o problema com a hipertensão foi resolvido, mesmo tendo que conviver com aquele chefe por mais tempo.
  • 49.
    Freud foi umpensador dualista Para Freud há sempre uma espécie de conflito no ser humano e que ele apresentou na dinâmica do aparelho psíquico.
  • 50.
    georg Groddeck Groddeck foium pensador monista. Para ele a questão não era o conflito psíquico, mas sim aquilo que existe na pessoa e que busca expressão através do Isso Isso dela.
  • 51.
    Segundo Groddeck oisso isso é algo indeterminado, algo indeterminado, não definido e não apreendido: não definido e não apreendido: um conceito aberto e toda vida humana é compreendida como expressão do Isso Isso. Também não há uma hierarquia entre o registro psíquico registro psíquico e o registro orgânico registro orgânico. O registro registro tanto pode se manifestar pelo corpo corpo como pelo psíquico psíquico. O uso de um canal canal ou outro como expressão do Isso, expressão do Isso, depende muito mais das condições de vida de uma pessoa, isto é, daquilo que está disponível para ela e que precisa ser compreendido de acordo com o contexto de vida, da biografia e com o percurso de tal pessoa.
  • 52.
    Para Groddeck, agrande questão do adoecimento humano refere-se às possibilidades ou impossibilidades que uma pessoa tem de expressar aquilo que nela habita.
  • 53.
    O isso isso foinomeado como algo indeterminado, não algo indeterminado, não definido e não apreendido definido e não apreendido. O Isso Isso é um conceito aberto e toda vida humana é compreendida como expressão do Isso Isso. Para Groddeck, também não há uma hierarquia entre o registro psíquico registro psíquico e o registro registro orgânico orgânico. O registro registro tanto pode se manifestar pelo corpo corpo como pelo psíquico psíquico. O uso de um canal canal ou outro de expressão expressão depende muito mais das condições de vida de uma pessoa, isto é, daquilo que está disponível para ela, que precisa ser compreendido de acordo com o contexto de vida, da biografia e com o percurso daquela pessoa.
  • 54.
    O isso O Issocontém em si o símbolo. O símbolo é pré- existente, é originário, não decorre do psíquico, ou seja, a capacidade simbólica não é adquirida. O Isso sempre se expressa simbolicamente. Nessa perspectiva ele compreendia o adoecimento orgânico como expressão simbólica. O Isso não se equaciona com o inconsciente, está além do inconsciente e da consciência. Grandes facetas do Isso como a vida, as características e o adoecimento de uma pessoa, estão dentro do inconsciente:.
  • 55.
    O Isso É umengano a expressão: “Eu vivo”, pois é o Isso que vive em mim. O Isso surge antes do Eu.
  • 56.
    O Isso Toda históriada humanidade, são tentativas de investigar o Isso. O Isso contém cada período de vida de uma pessoa: o bebê, a criança, o adolescente, o adulto e a pessoa madura. Existe o Isso de cada faceta da corporeidade e tudo isso se conjuga no Isso. Sobre o Isso, não se balbucia.
  • 57.
    Como tratar alguém? Parase poder tratar alguém, é necessário se deixar guiar pelo Isso da pessoa e pelas especificidades das facetas do Isso que se expressa naquela região do corpo, naquele órgão que aparece adoecido.
  • 58.
    Etimologia das palavras SegundoGroddeck, tão importante estudar sonhos e símbolos, é estudar a sintomatologia das palavras. O registro é o mesmo.
  • 59.
    Tratamento Em relação atratamento, Groddeck recebeu três influências: da medicina, Freud e Ernest Schweninger 1 – mudar as condições de vida e ambiente; 2 – intervir na interioridade do ser humano - psicanálise; 3 – às vezes é necessário intervir na interioridade, às vezes no ambiente externo Ernest Schweninger. OBS: Groddeck não acreditava em ciência pura.
  • 60.
    O homem éproduto das suas condições de vida. Por isso, aquilo que se passa com o ser humano precisa de transformação. Em decorrência do fato que se aquela pessoa se encontra doente, é necessário uma transformar os fatores que produziram aquele adoecimento.
  • 61.
    A forma depensar o tratamento de Groddeck, de certa forma, foi adotada pela Escola Húngara de Psicanálise, entre os formadores estavam Sandor Ferenczi, Winnicott, Balint e aqueles que formaram o grupo independente.
  • 62.
    Tratamento Groddeck, alertava quenão é possível abordar qualquer processo de cura sem ter claro que: 75% de todo adoecimento psíquico ou orgânico cura por si mesmo, quer se faça algo ou não. No entanto, ocorre que, muitas vezes alguém leva os méritos de uma suposta cura que já estava implícita no processo mesmo. 15%, não importa o que se faça, nunca cura. É que o Isso do paciente tem interesse em manter o adoecimento. Somente em 10% dos casos, o tratamento realmente importa.
  • 63.
    Quem Trata? Para Groddeck,quem trata é o Isso.
  • 64.
    O que éo terapeuta? O terapeuta é aquele que trata tanto do psiquismo quanto daquilo que se expressa na corporeidade, mas apesar das habilidades e técnicas que o terapeuta aprendeu, ele só trata quando permite que seu Isso conduza o processo.
  • 65.
    Superação do adoecimento Oadoecimento é superado no momento em que o Isso encontra diferentes maneiras de expressar a situação. Enquanto isso não ocorre, o Isso confunde o terapeuta, se opondo ao processo de cura. A superação do adoecimento, é uma espécie de confiança que não vem do Ego.
  • 66.
    Afetos Ocultos, asEmoções e a Saúde As emoções são capazes de alterar o equilíbrio endócrino, assim como o fluxo sanguíneo, a pressão, pode inibir o processo digestivo, alterar a respiração e a temperatura de pele. Um estado prolongado de perturbação emocional pode levar à alterações que provoquem uma doença.
  • 67.
    A experiência deprofissionais que acompanham pessoas adoecidas, afirmam que certos traços característicos são suscetíveis de sofrer determinadas enfermidades. Por exemplo, um indivíduo que tenha uma predisposição hereditária para diabetes, poderá apresentar sintomas dessa doença durante períodos de tensão.
  • 68.
    Afetos Ocultos, asEmoções e a Saúde Problemas gastrintestinais, perturbações sexuais, moléstias cardíacas também sofrem influências psicológicas. Até mesmo o câncer tem sido correlacionado às emoções. Pesquisadores sobre o câncer apontam que as vitimas, frequentemente, são pessoas que há muito têm se mostrado desesperadas, achando que a vida para elas está perdida. O início da doença, em muitos casos, está associado a uma série de derrotas pessoais que fazem com que a pessoa finalmente entregue os pontos.
  • 69.
    Afetos Ocultos, asEmoções e a Saúde No entanto, o tratamento de problemas psicossomáticos ainda é dificultado, pelo fato de que, muitos médicos, apesar do reconhecimento da importância dos fatores emocionais, continuam desconsiderando os princípios psicossomáticos. É que eles são preparados para pesquisar causas únicas e remédios específicos, considerando certos problemas como sendo “mentais” e outros como “físicos”.
  • 70.
    Afetos Ocultos, asEmoções e a Saúde Assim, deixam passar despercebida a complexa inter-relação entre as emoções do paciente, a fisiologia e o meio ambiente. Alguns médicos ainda se mostram hostis até mesmo à psiquiatria. Só que, ignorando os problemas emocionais, que contribuem para o aparecimento das doenças, os médicos podem inadvertidamente, causar uma piora no estado do paciente.
  • 71.
    Afetos Ocultos, asEmoções e a Saúde Acredita-se que a medicina só avançará completamente no dia em que a profissão médica levar em consideração a natureza integrada do ser humano, aprendendo a tratar a mente e corpo como fenômenos inseparáveis, como realmente o são. Excetuam-se de componentes emocionais a hemofilia ou a anemia falciforme. Também não se colocam as doenças causadas por fatores ambientais, como intoxicações alimentares, doenças profissionais e intoxicações por poluições.
  • 72.
    Os afetos eos distúrbios corporais na história do sujeito Os “distúrbios corporais” escondem afetos que se deslocam dentro da chave de inervação, fazendo com que o processo de descarga deforme a configuração desse afeto, de tal forma que ao ingressar na consciência, desprovido do seu significado emocional, adquire a categoria de um processo somático.
  • 73.
    Uma história serealiza com a imaginação e a lembrança. Ela transcorre entre o êxito e o fracasso, entre o triunfo e a derrota, entre o heroísmo e a morte, entre a culpa e a expiação ou, falando em termos edipianos originais, entre o incesto e a castração. Ou seja, uma história não consiste só nos fatos ‘passados’ e sim no seu ‘significado’ e o único acesso possível a um significado ‘pretérito’ depende que esse significado perdure no presente, relatando o que ainda estando vivo, de que ‘não ‘passou’.
  • 74.
    Os afetos eos distúrbios corporais na história do sujeito Freud afirmava que repetimos na nossa conduta precisamente o que nos é doloroso lembrar, de tal forma que, quando construímos uma história, atribuímos um tempo, um lugar e um transcurso à cena que condensa o significado dos atos presentes.
  • 75.
    Se queremos expressarno terreno da simbolização corporal o processo pelo qual se constrói uma história, podemos dizer que é preciso averiguar com um cérebro claro, ‘ter estômago’ para pesquisar com esforço e a coragem que abra caminho ao palpite de acertar. Averiguar uma história é distinguir nela, através da razão, o que consideramos certo. Pesquisar uma história é reconstruí-la a partir do que se conserva no presente. Acertar em uma história será, pois, nos encontrarmos de repente com ela.
  • 76.
    A LINGUAGEM DOSSENTIMENTOS Todos nós temos sentimentos e emoções. É através dos sentimentos que experimentamos se algo é ameaçador, doloroso, lamentável, triste, alegre ou machuca. Sem sentimentos não há existência, não há vida.
  • 77.
    Os sentimentos podemser disfarçados, negados, racionalizados, mas um sentimento doloroso não se retirará enquanto não tiver percorrido sua trajetória natural. Se um sentimento é evitado, seus efeitos dolorosos são prolongados e torna-se cada vez mais difícil lidar com ele.
  • 78.
    Quando perdemos contatocom nossos sentimentos, perdemos contato com nossas qualidades mais humanas. Usar defesas para dominar os sentimentos pode conduzir a uma deformação da percepção da verdade, mas não altera a verdade.
  • 79.
    A linguagem dossentimentos O psicanalista sabe que não pode desprezar ou esquecer que o indivíduo que se apresenta para um tratamento terapêutico, devido seus sintomas, que seus sentimentos e emoções também o afetam. O psicanalista, além de ser ‘continente’, de acolher aquele que busca a compreensão dos seus afetos, ou alívio das suas dores, as mais diversas, ele precisa entender a linguagem dos sentimentos, pois é através dos sentimentos que nos percebemos.
  • 80.
    THEMIS REGINA WINTER OEnigma da Doença - Uma conversa à luz da psicossomática contemporânea
  • 81.
    “Não pude abrirmeu coração, abriram-no para mim com um bisturi”.
  • 82.
    “Não pude abrirmeu coração, abriram-no para mim com um bisturi”. Frase dita por um paciente ao retomar a terapia com Themis Regina Winter, abrindo a camisa e mostrando uma cicatriz de uma cirurgia cardíaca, após ter sofrido um infarto.
  • 83.
    O Enigma daDoença Esse fato alterou o rumo das investigações de Themis Regina, levando seu interesse para as questões do adoecer orgânico, da articulação ou desarticulação do adoecer com a linguagem, com a palavra.
  • 84.
    O Enigma daDoença Atualmente a clínica de Themis é repleta de atendimento a pacientes que sofreram ou sofrem de alguma doença orgânica. Dessa forma ela foi avaliando e concluindo questões interessantes a respeito do aparecimento da doença. Esses atendimentos marcaram sua caminhada e a fizeram persistir na proposta de refletir sobre o que se passa com o homem doente, não em relação à doença, mas a tudo que se articula com o doente que muitas vezes sofre do desvio da atenção.
  • 85.
    Relação Mente-Corpo “Qualquer coisaque aumente, diminua, limite ou amplie o poder de ação do corpo, aumenta, diminui, limita ou amplia o poder de ação da mente. E qualquer coisa que aumente, diminua, limite ou amplie o poder de ação da mente, também aumenta, diminui, limita ou amplia o poder de ação do corpo”. – Spinoza (1632-1677).
  • 86.
  • 87.
    Relação Mente-Corpo “A mente,psique, alma ou espírito pode ser definida como a parte invisível e intocável. Ela tem existência reconhecida e envolve tudo que sentimos, pensamos, desejamos e sonhamos”. (Gaiarsa)
  • 88.
    Relação Mente-Corpo A menteé a causa primeira de nossas ações e reações. Ela atua positiva ou negativamente sobre o cérebro e este sobre o sistema imunológico que fica fragilizado nos estados de tensão, angústia, depressão e outros semelhantes.
  • 89.
    “O corpo ousoma é nossa parte visível e tocável e com ela também podemos ver e tocar”. Júlio de Mello Filho - Psicossomática Hoje.
  • 90.
    Relação Mente-Corpo A ideiada relação corpo-mente mostra que a vida humana exige necessariamente essa relação, em comunhão indissolúvel. A influência desta relação, tanto no desencadear, quanto na arte de curar doenças, é reconhecida desde a época de Hipócrates. Negá-la, seria como julgar o corpo sendo constituído apenas das roupas que veste. Nessa perspectiva, se quando alguém que passasse por um sofrimento físico ou moral, mandasse restaurar apenas as roupas, mas esquecesse de restaurar sua força interior, estaria livre do sofrimento.
  • 91.
    Como corpo emente são inseparáveis, tudo que afeta um, afeta o outro.
  • 92.
    "Somos seres histéricos. Asdoenças nos atingem ocasionalmente. O paciente organiza sua doença bem como seus sintomas“. (Balint 1984).
  • 93.
    Para Balint, atémesmo nas doenças graves, tudo depende da nossa conduta, pois um indivíduo pode reagir comendo muito, para não sentir uma perda ou sofrer por ela. O comer substitui uma dura atividade mental de assimilação. No entanto, ele poderá, em consequência, ter uma doença grave, não necessariamente decorrente da obesidade, mas da falha de assimilação mental.
  • 94.
    O termo: "Cadacabeça uma sentença", mostra o reflexo de nossa atitude interna, desencadeada pelas atitudes nocivas em relação a nós mesmos.
  • 95.
    Relação Mente-Corpo Os aspectosda psicossomática que mais interessam aos leigos são aqueles que se referem às perturbações psicogênicas, ou seja, aqueles em que o estado emocional desempenha um papel direto no desencadeamento de uma doença corpórea. Um caso de artrite reumatoide pode ser diagnosticado apenas com base na personalidade do paciente. O médico não conhece qualquer detalhe físico e sim apenas traços e maneirismos do paciente.
  • 96.
    Relação Mente-Corpo A menteatua de forma positiva ou negativa sobre o cérebro e este sobre o sistema imunológico, as atitudes mentais, os pensamentos e sentimentos criarão as condições propícias para a instalação ou não de doenças em nosso corpo.
  • 97.
    Relação Mente-Corpo O exemploabaixo ilustra aspectos da medicina psicossomática que estuda as relações entre as emoções e os males do corpo. Uma mulher com câncer dos gânglios linfáticos permanece em fase de remissão por três anos. Quando seu filho mais novo é convocado de volta para o Exército ela tem uma recaída. Quando o outro filho é chamado de volta ao serviço e novamente o câncer se agrava.
  • 98.
    A doença nascena mente e se expressa no corpo, como uma espécie de inscrição dos conflitos psíquicos. A doença deve ser vista como um desequilíbrio interior, um significado simbólico, um fenômeno repleto de sentido.
  • 99.
    A frase deHipócrates: “é mais fácil saber que tipo de pessoa tem uma doença do que saber que tipo de doença uma pessoa tem", nos leva repensar em torno das questões: doença, hereditariedade e destino.
  • 100.
    A maioria dasdoenças tem um componente emocional Freud postulou que um traumatismo pode ser descarregado imediatamente através de ações ou de palavras. “O desaparecimento de uma lembrança, ou então a perda em afeto que ela sofreu, depende de vários fatores”. Ele cogitou que se a mente humana não consegue assimilar um traumatismo, mesmo quando necessário, como último recurso, faz uso da “compulsão à repetição”.
  • 101.
    A maioria dasdoenças tem um componente emocional Exemplo: Uma paciente teve um câncer de mama, quando sofria da morte esperada de seu pai e seu marido começou a ter um caso com sua melhor amiga. Esse acúmulo de traumatismo foi maior do que ela podia suportar.
  • 102.
    A maioria dasdoenças tem um componente emocional Delineia-se assim uma estrutura psíquica diferente da neurose, por um lado, e da psicose, por outro. Tais pacientes “ejetam brutalmente” do campo consciente as representações carregadas de afeto; não podem conter o excesso da experiência afetiva e nem refletir sobre ela. As palavras deixam de ter a função de ligação pulsional e tornam-se “estruturas congeladas, esvaziadas de substância e de significação” e o discurso mantém-se inelegível, porém, totalmente destituído de afetos.
  • 103.
    A maioria dasdoenças tem um componente emocional Então, se tanto a saúde quanto a doença são resultados da mente e tudo que pode ocasionar dor ou miséria para o universo mental também será causa de dor e miséria para o corpo que carregará os sinais. O que precisamos é entender o significado oculto dos sintomas e aprender a decifrar a mensagem que a doença transmite.
  • 104.
    Psicossomática e aPsicologia da Dor “Dor expressa não só lesão orgânica, mas também toda a miséria existencial de uma pessoa”. (Poettgem apud Prilletalli, 1985).
  • 105.
    Psicossomática e aPsicologia da Dor Em meados do século XIX os fisiologistas passaram a estudar a dor em laboratório, reduzindo-a ao aspecto biológico. Entretanto, a psicossomática atual, herdeira da medicina de Hipócrates, não enxerga divisão entre corpo e mente, pois não é aceitável ver o corpo e a mente como se fossem dois “vizinhos” que apenas habitam, vivendo cada qual uma vida independente. “Vizinhos” que raramente conversam entre si e dificilmente fazem juntos algumas poucas.
  • 106.
    Psicossomática e aPsicologia da Dor A dor é resultado de tudo aquilo que gera tensão. É um desequilíbrio da constância do meio interno, portanto, é uma experiência desagradável. A dor pode está associada a uma lesão real ou potencial dos tecidos descrita em termos dessa lesão. Exceto para pacientes comprovadamente simuladores, mas mesmo que a dor não esteja associada a uma lesão (real ou potencial) de tecidos, sempre que alguém se queixa de dor, deve-se considerar que existe dor real. Lobato (1992)
  • 107.
    A dor alteraa personalidade e chega a provocar depressão As dores físicas afetam o psiquismo do indivíduo e modifica sua relação com o mundo. A visão psicanalítica da dor é ampla. Para a psicanálise, o homem sofre por medo, angústia ou tristeza. Para a medicina, dor é um estado de exceção, vinculado a uma lesão física ou disfunção biológica. O sofrimento altera a sociabilidade.
  • 108.
    A dor alteraa personalidade e chega a provocar depressão O psicanalista, escritor e professor Rubens Volich afirma: "A dor conduz a um retraimento da pessoa sobre si mesma". A convivência prolongada com o sofrimento crônico pode levar a pensamentos suicidas e até a transtornos mentais mais sérios, tais como a depressão. Quando se entende a função de determinada síndrome dolorosa os recursos terapêuticos são potencializados e, além de aliviar a dor, é necessário compreendê-la, já que ela pode ser sinal de outros sofrimentos não expressos.
  • 109.
    A dor alteraa personalidade e chega a provocar depressão Há consenso, entretanto, no sentido de evitar que a dor vire o centro da vida dos pacientes. Segundo a pesquisa, mais de 90% dos portadores de dor crônica tornam-se agressivos, irritadiços ou deprimidos. O humano é uma espécie dolorida. Mas se acabar a dor, acaba o homem.
  • 110.
  • 111.
    Psicossomática em Ginecologia Apsicossomática em ginecologia baseia-se na visão da mulher como um verdadeiro monobloco psicossomático reagindo às relações ou a uma unidade dinâmica “corpo-mente-contexto corpo-mente-contexto”.
  • 112.
    Psicossomática em Ginecologia Aocorpo dolorido da mulher corpo dolorido da mulher corresponde uma história de “vida-de-mulher-com-dor vida-de-mulher-com-dor”, resultando num produto final, que é a pessoa feminina é a pessoa feminina inserida em seu contexto de relações e com dor. inserida em seu contexto de relações e com dor.
  • 113.
    Psicossomática em Ginecologia Aexperiência de dor, sofrimento, ameaça, solidão, desalento e dúvida mostra que há um fenômeno neurofisiológico envolvido naquele momento da vida com lesão anatômica ou não.
  • 114.
    Psicossomática em Ginecologia Noambiente do serviço de saúde, observa-se que a dor é um acontecimento na vida de pelo menos três pessoas: a da paciente dolorida, a do médico e a do acompanhante (presente ou não à consulta). Daí para mais. (Luiz A. Chiozza e organizadores)
  • 115.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES A predisposição a acidentes é um evidente traço de personalidade.
  • 116.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES PESSOAS QUE PROVOCAM ACIDENTES A Drª Helen Dunbar e colaboradores entrevistaram pacientes com moléstias cardiovasculares, diabetes e outros males de forte componente psicológico e verificaram surpresos que de um modo geral os casos de fraturas estavam longe do que se poderia considerar como psicologicamente normais. Em inúmeras dessas pessoas, descobriram que existiam fatores emocionais ocasionando acidentes repetidos.
  • 117.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES Em pesquisas realizadas pela Drª Helen, sobre pessoas que morreram em acidentes, geralmente sofreram antes daquele que lhe foi fatal, uma série de acidentes de menor gravidade. Diz ela que, os casos observados, evidenciaram uma probabilidade quatorze vezes superior de acidentes graves que a dos demais pacientes.
  • 118.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES As fraturas, não são simples acaso. As vítimas de fraturas já haviam sofrido em média, quatro acidentes graves cada e, pelo menos 80% delas entraram em mais de dois acidentes.
  • 119.
    Exemplo: Aos oitoanos, Mike pegou uma carona na traseira de um ônibus, perdeu o equilíbrio e caiu. Aos nove anos quase se afogou ao saltar de um trampolim. Aos onze, coitado, quebrou o cóccix num tobogã. Ao longo dos estudos no colégio e na universidade, quebrou um braço, uma perna, uma clavícula, além de estraçalhar dois carros. Aderiu à motocicleta e acabou estampando-se numa árvore, o que lhe custou quatro dentes e liquidou a máquina. Agora os amigos suspiram aflitos, pois ele pretende pilotar aviões.
  • 120.
    O aspecto docomponente psicossomático nos casos de acidentes baseou-se no fato de que a maioria dos danos eram causados pela própria pessoa, aconteciam sem qualquer interferência de terceiros e raramente machucavam mais alguém. Aproximadamente metade dos ferimentos aconteciam dentro de casa, no gelo, na rua ou diante de carros.
  • 121.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES Em muitos casos, o mesmo braço ou a mesma perna foram quebrados repetidas vezes, a mesma articulação ferida vez após outra.
  • 122.
    A Drª. Helentambém descobriu que, paradoxalmente, os acidentados pesquisados apresentavam muito boa saúde antes da predisposição aos acidentes; muitos tinham saúde perfeita; outros resfriavam-se bem menos que a população em geral. Eram raras entre eles as doenças graves ou operações. Muitos eram até maníacos em se tratando de cuidados com a saúde, tomando vitaminas e tônicos constantemente ao primeiro espirro.
  • 123.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES Outro paradoxo: as vítimas de fraturas, geralmente eram esportistas, mas seus acidentes raramente ocorriam durante a prática de esportes.
  • 124.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES Os propensos a acidentes são descritos como despreocupados. Não demonstram tensão nervosa, característica da maioria dos psicossomáticos que, de modo geral, encaram a vida de uma maneira bem humorada. São negligentes em diversos aspectos, inclusive no que diz respeito ao casamento e ao sexo. Possuem um caráter instável. Raramente essas pessoas levam a cabo as tarefas difíceis.
  • 125.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES Quando os encargos aumentam ou a responsabilidade se torna pesada, procuram algo mais fácil. Em sua maioria gostam das pessoas e são apreciados por elas. A expressão “encantador” é sempre usada para definir indivíduos propensos a acidentes. Apesar do ar desligado, constituem companhia agradável.
  • 126.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES Uma característica dos indivíduos predispostos a acidentes é seu rancor diante de qualquer autoridade, o que é uma forma de hostilidade que a pessoa pode não perceber conscientemente. Tal ressentimento pode ter sua origem num pai excessivamente autoritário, severo, ou prepotente. Quando a criança cresce o ressentimento contra o pai pode ser transferido para outras entidades que representam a autoridade, tais como escola, patrão, cônjuge, governo ou igreja.
  • 127.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES Muitas dessas pessoas propensas a acidentes são criadas em clima de profunda religiosidade, por pais excessivamente autoritários e rígidos. Grande número delas terá manifestado comportamento neurótico já na infância. Poderão ter sido sonâmbulos, ou falaram dormindo, mentido persistentemente, roubado ou gazeteado sistematicamente. Essas tendências acabam desaparecendo, sendo substituídas pela predisposição aos acidentes.
  • 128.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES A pessoa predisposta a acidentes apresenta diversos traços em comum com o criminoso adulto, especialmente no que diz respeito a sua revolta frente a autoridade e a tendência a comportamento impulsivo. É esta tendência que leva um a infringir a lei e o outro a quebrar os ossos.
  • 129.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES Frequentemente um acidente ocorre quando há uma quebra do equilíbrio entre o ajustamento da pessoa à autoridade e o seu ressentimento ou enfrentar diretamente a autoridade.
  • 130.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES Um acidente pode ser consequência de algo que a pessoa não deseja fazer. Para exemplificar a Drª. Hellen faz os seguintes relatos: um homem estava com medo de contar à mulher que fora despedido. Enquanto remoía a situação, escorregou no gelo e quebrou a perna.
  • 131.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES Uma jovem senhora católica, envergonhada por ter de confessar que vinha tomando anticoncepcionais, e temendo ser forçada a prometer que os abandonaria, caiu da escada a caminho da igreja.
  • 132.
    PESSOAS QUE PROVOCAMACIDENTES Um funcionário, furioso por ter que trabalhar num domingo, fraturou uma vértebra.
  • 133.
    FATOR X Franz Alexandere seus colaboradores estudaram pacientes com padecimentos físicos emocionais semelhantes, repetindo-se com notável frequência e concluíram que os conflitos poderiam conter as pistas para as causas de moléstias psicossomáticas específicas.
  • 134.
    FATOR X Basicamente ahipótese da especificidade pode ser resumida assim: a pessoa pode nascer com, ou adquirir devido a doença ou ferimento, uma certa vulnerabilidade física, ou seja, um fator X. Existem provas concretas de que as predisposições a determinadas moléstias orgânicas são hereditárias.
  • 135.
    FATOR X As vitimasde asma, por exemplo, temem perder a mãe e têm dificuldades em chorar. Problemas referentes à manipulação dos impulsos hostis aparecem muitas vezes entre as vitimas de hipertensão. As vítimas de neurodermatite têm grande carência de contatos físicos.
  • 136.
  • 137.
    Sofrimento Psicossomático O sofrimentopsicossomático se situa entre a psique e o soma, e tem por isso o privilégio de poder beber nas águas da psicanálise e da medicina, utilizando recursos teóricos e clínicos de ambos os saberes.
  • 138.
    Da medicina sabemosque nosso sistema imunológico é controlado pelo cérebro, de uma forma indireta, pelos hormônios existentes na corrente sanguínea, ou de uma forma direta pelos nervos e pelos neuroquímicos.
  • 139.
    Campo da medicina Aciência médica na sua dimensão biológica cuida do corpo anatômico, o corpo mensurável, manipulável e observável, cada vez mais por meio do desenvolvimento dos instrumentos, recursos técnicos e pesquisas têm-se aproximado de parâmetros cada vez mais exatos, para alcançar as agressões ao corpo e diminuir o sofrimento e morte do humano.
  • 140.
    Campo da medicina Ocampo da medicina é da ordem da objetividade. Se o cliente reclama do braço ou da perna ou do tumor, o médico, a partir de um parâmetro anatômico vai cuidar do braço ou da perna ou do tumor. Ou seja, a medicina lida com o corpo que temos: corpo que se movimenta, objeto de julgamento e valorização; corpo mensurável, comparável, corpo de competição.
  • 141.
  • 142.
  • 143.
    Campo da psicanálise Ocampo da psicanálise é da ordem da subjetividade. Braço, perna ou qualquer outro membro ou órgão pode, por deslocamento ou condensação, representar outra coisa ou simbolizar uma fantasia.
  • 144.
    A psicanálise lidacom o corpo que somos: é o nosso vivido. Corpo carnal que não é apenas um instrumento, mas também um lugar. Lugar pelo qual o mundo atinge o mistério que cada um de nós é. Não é um corpo que pede prótese, pede significação e sentido.
  • 145.
    Campo da psicanálise Orecorte epistemológico da psicanálise é na dimensão do corpo erógeno, do corpo do desejo. Desenvolver novos instrumentos teóricos e clínicos para intervir nesse território tem sido nosso desafio.
  • 146.
    Campo da psicanálise Énesse recorte, é nesse território de ninguém que se constitui o limite entre as duas dimensões. Não se trata de abandonar a especificidade dos recursos de cada ciência, em nome de uma verdade melhor, de um dogma último, da hegemonia de um discurso poderoso na sua ânsia onipotente.
  • 147.
    Campo da psicanálise Éno recorte da subjetividade que o psicanalista exerce o seu Ofício.
  • 148.
    Ao contrário, trata-sede reconhecer, de admitir que a incompletude dos nossos saberes, é condição para a convivência em equipes multidisciplinares onde, cada uma, a partir de recursos específicos, tem em vista cuidar do homem.
  • 149.
    Campo da Psicanálise Épreciso reconhecer que a angústia é constitutiva do sujeito. Por isso, talvez seja impossível percorrer um caminho de vida sem adoecer, sem alucinar, mesmo os indivíduos mais sadios. O adoecer seria uma descarga no organismo, de um excesso de tensão que não pôde ser liberado pelo sonho e pela fala.
  • 150.
    O biológico adoecequando existem pontos falhos, desarticulados com o corpo erógeno. O homem desde sempre deixou de ser biológico, pois a linguagem o coloca na ordem dos desejos.
  • 151.
    Psicossomática A Psicossomática éo que se pode chamar de uma das frentes de pesquisa de ponta em Psicanálise porque, situada no l
  • 152.
    Campo da Psicossomática Umterceiro tipo de paciente é responsável pelo surgimento da psicossomática, uma nova abordagem terapêutica. São pacientes que não encontram lugar definido nem junto aos médicos, nem junto aos analistas. Para eles nem o atendimento médico convencional, nem a psicanálise clássica, são de grande valia.
  • 153.
    Há outro tipode paciente cuja dor e sofrimento são de outra ordem. São queixas como: ansiedade, fobias, inibições, depressões, angustias, sentimento de desadaptação, levando-o a procurar a psicanálise. Esse paciente traz junto com seu sofrimento psíquico, questões existenciais com as quais gostaria de saber lidar.
  • 154.
    O paciente hipocondríaco Háainda e sem dúvida, outro tipo que foi e continua sendo um dos maiores desafios à medicina em todas as especialidades. É o paciente hipocondríaco. Ele é reconhecido pela bizarrice das suas queixas e comportamentos.
  • 155.
    O paciente hipocondríaco Costuma,pela preocupação compulsiva com seus sintomas e pela atitude de permanente suspeita, provocar frequentes irritações contratransferenciais nos médicos pelos quais passam.
  • 156.
    Os hipocondríacos chegama fazer cirurgias desnecessárias, múltiplas visitas médicas e, principalmente, como consequência da necessidade que tem o médico de fazer, também, compulsivamente, um diagnóstico de quadros clínicos ainda mal definidos.
  • 157.
    O hipocondríaco O hipocondríaco “Ohipocondríaco é um paciente à procura de uma doença somática” (Lipsit). Sua estrutura de personalidade basicamente é obsessiva.
  • 158.
    Geralmente a pessoateve responsabilidades de adulto desde cedo. Pode ser que tenha tido pais ou irmãos com doenças incapacitantes, concorrendo para aumentar seu sentimento de responsabilidade. Por conta disso, se ele próprio fica doente ou experimenta modificações no seu estado de saúde (gravidez, traumas acidentais ou períodos de prolongada imobilidade), torna-se fiel observador do seu funcionamento corporal.
  • 159.
    A psicossomática A psicossomáticapropõe a diminuição da distância entre o desenvolvimento dos recursos técnicos da medicina e o desamparo sentido por um número significativo de pacientes diante da incompreensão de seu sofrimento pelo médico.
  • 160.
    Os kleinianos focalizarama introjeção da agressividade e seu uso contra os maus objetos internos vividos, inconscientemente, nos órgãos “hipocondriacamente” afetados. Rosenfeld considera a hipocondria uma condição defensiva de um estado confusional psicótico de natureza esquizofrênica.
  • 161.
    Inaura Carneiro Leãotambém considera a hipocondria um estado confusional esquizofrênico. Diz ela: é a insuficiência dos processos de divisão que não permite a separação de corpo e mente que, de libido e agressão e de bons e maus objetos (internos e externos), resultando uma ansiedade especial, a ansiedade confusional, a formação de um Ego muito débil e a direção das energias psíquicas para o mundo interno, especialmente o Ego corporal.
  • 162.
    Desejo do psicossomatista Éo desejo do Psicossomatista que propiciará que o paciente faça a passagem desse mal-dizer sobre si mesmo para o bem-dizer – revelando seus traços de estrutura, seus sintomas, seus desejos, seus conflitos, suas dores, a sua fixação de (satisfação pulsional), enfim, a sua realidade psíquica. Quanto mais o psicossomatista souber escutar os significantes na fala do paciente, tanto mais o paciente será levado a bem- dizê-los. Ou seja, a ética do bem-escutar produz o efeito do bem-dizer.
  • 163.
    Sintoma É uma sensaçãosubjetiva anormal sentida pelo paciente e não visualizada pelo examinador. Ex: dor, má digestão, tontura, náusea, dormência.
  • 164.
    Sintoma A vida humanaé cheia de faltas e os sintomas representam essas faltas. O sintoma representa o campo que está afetado em nós, pois sua intenção é fazer desaparecer a perturbação. A linguagem dos sintomas é o meio mais perfeito que o corpo encontra para fazer uso de uma linguagem simbólica. O sintoma nos obriga a prestar-lhe atenção, o que sempre consegue, pois como o ser humano não gosta de ser perturbado, logo começa a luta contra o sintoma.
  • 165.
    Sintoma Só uma maiorcompreensão do inconsciente através da psicanálise, demonstrou que o ser humano tem dentro de si vários aspectos divididos e conflitantes, responsáveis inclusive pelo fato do paciente não cooperar com a cura, como forma de boicote a si próprio ou a alguém de sua relação.
  • 166.
    Sintoma No modelo psicossomático,para se entender o plano afetado, interpreta-se o órgão afetado e a que sistema pertence. Numa pneumonia, por exemplo, o local a ser interpretado são os pulmões, pois é através deles que nos ligamos aos outros, fazemos contato e nos comunicamos.
  • 167.
    Sintoma Os pulmões simbolizamnossa ligação interna com o externo.
  • 168.
    Sintoma "A pessoa queestá sofrendo com problemas nos pulmões, demonstra que seu motivo maior de vida está bloqueado e que sua luta está sendo em vão. Vê seu castelo desmoronar e, como está cansada de sustentar o peso da amargura, deixa de mandar oxigênio para os pulmões, sua respiração torna-se ofegante, os alvéolos pulmonares se fecham e o bacilo encontra entrada fácil”.
  • 169.
    Sintoma Como toda inflamaçãosignifica uma guerra bélica, a pneumonia é uma inflamação que deve ser encarada como um conflito no âmbito da comunicação, do contato e da troca. Também significa desespero secreto, mágoa profunda e falta de coragem para continuar. Quando há disposição para cura, os anticorpos, armados, lutam contra o agente causador que, combatido, é morto e vencido.
  • 170.
    Sintoma O sintoma éuma manifestação do inconsciente e a doença tem um sentido próprio e particular para o indivíduo. Um sentido impossível de determinar genericamente, porque não há limites definidos entre o saudável e o doentio, entre onde começa a enfermidade e onde termina a saúde.
  • 171.
    Sintoma Sintoma O papel doanalista é o de decifrar esse sentido por meio da análise, pois é a retomada da consciência sobre o que fez com que a pessoa desenvolvesse tal sintoma faz com que ela seja curada.
  • 172.
    Doenças Psicossomáticas “O homemsó adoece na totalidade”. Mesmo se a doença for localizada, o ser humano expressa: eu estou doente. (Renato del Santi)
  • 173.
    Costuma-se ouvir aexpressão: “Não há doença psicossomática” ou “Todas as doenças são psicossomáticas”. Para a psicossomática, não há como separar as influências psíquicas das manifestações físicas. Também não justifica a prática de separar meia dúzia de enfermidades, afirmando que elas sejam psicossomáticas.
  • 175.
    Doenças Psicossomáticas Alfrede Lemle,estudando aspectos psicossomáticos em pacientes com asma brônquica, cita um trabalho de D.A. Williams, no qual mostra que, em 487 asmáticos, um fator psíquico esteve presente no desencadeamento da crise em 64,1% dos casos. Explica ele: as crises asmáticas frequentemente se iniciam em situações de forte tensão emocional, com variações evidentes de ódio, medo e ansiedade.
  • 176.
    Doenças Psicossomáticas Outro nomeque pode ser citado é o grande Cícero que descreveu os distúrbios de caráter e chamou atenção para a necessidade do tratamento médico também voltar-se para os males da alma. Aretes, outro precursor da psicossomática, foi um dos primeiros a admitir que perturbações emocionais pudesse causar uma paralisia.
  • 177.
    Doenças Psicossomáticas Galeno, grandefigura da medicina, assinalou que o alcoolismo, a adolescência, as perturbações da menstruação, os fracassos econômicos e amorosos, poderiam ser causas de doenças mentais. John Weyer, disse que um determinado número de torturados e queimados por bruxaria eram infelizes doentes mentais. Mas é com Freud que se descobre que as reações humanas normais ou patológicas guardam relações de sentidos e podem ser compreendidas; é com ele que se passa a ter a primeira compreensão global de uma enfermidade: a histeria de conversão.
  • 178.
    Doenças Psicossomáticas Para PierreMarty a doença psicossomática é uma estratégia defensiva empregada por determinados pacientes como forma de se livrar do excesso libidinal que não encontrou descarga através da fantasia e das manifestações decorrentes dela.
  • 179.
    Doenças Psicossomáticas Tais pacientesnão são nem neuróticos, nem psicóticos e nem perversos. Possuem uma estrutura psíquica específica caracterizada por uma carência fantasmática que enseja um funcionamento operatório manifesto em um discurso pobre em simbolização e voltado para a descrição da realidade externa.
  • 180.
    Vivemos uma épocaem que o ser humano é, gradativamente, "posto de lado" e parece não haver espaço para as "coisas da mente" como bater um bom papo, para fazer uma leitura sem pressa e sem a pressão do relógio que insiste está sempre a mostrar que há coisas mais urgentes a serem feitas; tirar um tempo para si mesmo, etc.
  • 181.
    Doenças Psicossomáticas Destaca-se asdoenças psicossomáticas: psico (mente) e soma (corpo), doenças desencadeadas pelas emoções humanas não extravasadas e sim abafadas, podadas de se manifestar e que encontram no corpo um canal de comunicação visível e perceptível.
  • 182.
    Doenças Psicossomáticas As doençaspsicossomáticas elegem o seu órgão de choque ou órgão-problema, as pessoas lotam os consultórios médicos com queixas que não encontram no corpo uma real expressão que possa ser traduzida pelo discurso do paciente que na grande maioria é poliqueixoso.
  • 183.
    Doenças Psicossomáticas Esses pacientestraçam uma verdadeira maratona nos consultórios médicos, têm gastos onerosos com exames de todos os tipos laboratoriais, diagnósticos, de imagens, mas o próprio médico não vê correspondência entre as queixas, sintomas e os resultados expressos nos exames, surgindo daí encaminhamentos para as psicoterapias.
  • 184.
    Doenças Psicossomáticas O profissionalde qualquer psicoterapia deverá buscar o entendimento na esfera emocional do indivíduo, buscar entender o seu funcionamento psíquico desse paciente, seus afetos e como os mesmos impactam na sua saúde física.
  • 185.
    Na abordagem psicossomática,as relações entre o corpo e a mente são mais próximas e interligadas do que se possa imaginar, pois, os mecanismos inconscientes se encontram presentes permeando a relação corpo-mente, dando a falsa sensação de que os sintomas "apareceram do nada”. O psicoterapeuta também precisa saber que, às vezes, é difícil dizer o indivíduo que, por trás do seu quadro de Gastrite, Cefaleia, está a ansiedade, a irritabilidade.
  • 186.
    É difícil, mas,há momentos em que as pessoas precisam entender o que vai no seu campo de batalha da mente. Precisam entender que quando a mente pede socorro o corpo será sempre o seu primeiro alvo. E que uma mente doente desloca sintomas, se identifica com a dor e o sofrimento, mobilizando um número considerável de pessoas e profissionais na sua angústia. Por isso que uma compreensão dos afetos, da ansiedade ajudam tanto. Eles tendem a ser o termômetro da relação mente-corpo.
  • 187.
    Fenômenos psicossomáticos Fenômeno émudança, é modificação operada por um determinado agente. Fenômenos psicossomáticos são modificações causadas no corpo por agentes de ordem psíquica. O fenômeno psicossomático é o objeto da psicossomática. É dele que a psicossomática se ocupa, é dele que o paciente se queixa, é por ele, para ele e em torno dele que todas as articulações são feitas.
  • 188.
    Fenômenos psicossomáticos O fenômenopsicossomático contorna a estrutura da linguagem, fazendo uso do corpo do somatizante. Um corpo marcado, traumatizado, consequência de um forçamento externo, objeto de uma demanda do qual o sujeito está ausente.
  • 189.
    Fenômenos psicossomáticos Se oque interessa à psicanálise é a realidade psíquica, o que nos interessa no fenômeno psicossomático é sua desmontagem imaginária e simbólica. A ferida, o caroço, a urticária, a asma ou qualquer outro fenômeno psicossomático não passam de uma metáfora grosseira que não finalizou sua tarefa de simbolização; faltam palavras que, circulando no discurso, descolem do corpo anatômico o que é da ordem do corpo erógeno.
  • 190.
    Fenômenos psicossomáticos O fenômenopsicossomático geralmente eclode numa circunstância que mobiliza de forma excessiva as emoções do indivíduo. São emoções muito fortes, tais como ódio, angústia, separações, perdas que vão além da capacidade do paciente encontrar uma solução. O fenômeno psicossomático é a saída encontrada pelo conflito psíquico.
  • 191.
    Fenômenos psicossomáticos Através doaparecimento dos sinais secretos, ponto- a-ponto, a psicossomática vê o fenômeno psicossomático apresentando-se como um modo de resposta. O trabalho de análise precisa possibilitar ao paciente criar um “espaço transicional” que não houve antes, para que ele prossiga seu trabalho de representações e simbolizações.
  • 192.
    Fenômenos psicossomáticos O psicanalistaque trabalha no sentido de desvendar os mistérios e artifícios psíquicos do fenômeno psicossomático parece ter mais do que um interesse da psicanálise: ele tem um compromisso ético.
  • 193.
  • 194.
  • 195.
  • 196.
    Fenômenos psicossomáticos Os fenômenospsicossomáticos constituem uma expressão significativa da clínica psicológica na atualidade. A clínica mostra as atuais facetas dos modos de subjetivação postos em cena pela psicopatologia somática, evidenciando como o imaginário da época colore o panorama sintomático dos sofrimentos subjetivos.
  • 197.
    Fenômenos psicossomáticos No fenômenopsicossomático, o corpo é afetado em sua realidade orgânica e funcional, sendo tal manifestação capturadas por exames clínicos, laboratoriais e imagéticos. É, portanto, preciso distinguir que nem todas somatizações são da mesma ordem, já que as somatizações histéricas não afetam o real do corpo, embora possam paralisá-lo, cegá-lo, anestesiá-lo...
  • 198.
    Fenômenos psicossomáticos A abordagemdos fenômenos psicossomáticos é complexa e não comporta visões unilaterais, já que a gravidade de certos casos exige olhares plurais sobre o sofrimento e as possibilidades de encaminhamento terapêutico.
  • 199.
    Fenômenos psicossomáticos O corpoem Freud (1895, 1905, 1914) corresponde àquele que ele soube escutar para além dos ruídos neuro-anátomo-fisiológicos, tornando-se, portanto, seu autor e de seus destinos, bem como das possibilidades de acolhida de seu sofrimento em termos terapêuticos. Acolhendo os ruídos do corpo, Freud ressaltou a organização hipocondríaca, como a retirada do “interesse da libido do mundo externo e dos objetos de amor, concentrando-a no órgão que lhe prende atenção”.
  • 200.
    Fenômenos psicossomáticos Histeria ehipocondria aproximaram a psicanálise do fenômeno psicossomático, defrontando-a com desafios que não eram facilmente convocados à palavra, à expressão da vida onírica e fantasmática, à elaboração dos trabalhos de luto; enfim, à montagem de uma história nos moldes de um romance familiar.
  • 201.
    Fenômenos psicossomáticos A fortedemanda do sujeito portador de doenças orgânicas ao procurar a análise reside na conquista de um cúmplice a mais para a sua dor. O que podemos oferecer a ele são possibilidades de vida com a angústia e com o mal-estar, possibilidades de repensar a si mesmo na tentativa de não tornar insuportável a já tão irremediável dor de existir (Lacan, 1998, p. 788).
  • 202.
    Fenômenos psicossomáticos A clínicanos defronta com os riscos de não recebermos esse corpo organismo – justificados por indicações teóricas de que quando não há implicação subjetiva, não há análise possível.
  • 203.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTOPARA A NEUROSE? Qualquer pessoa em qualquer ocasião pode ser afetada por um fenômeno psicossomático e uma reação psicossomática pode surgir como um modo de responder a uma situação definida que exija um trabalho de simbolização.
  • 204.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTOPARA A NEUROSE? Pessoas afetadas por doenças psicossomáticas muitas vezes são rotuladas como “doentes sem causa”. Elas chegam ao psicanalista à procura de uma explicação para a lesão que lhes acomete, geralmente acompanhado do discurso: “Minha doença é de fundo emocional”.
  • 205.
    É provável queesses “doentes queixosos” demorem a retornar ao médico com as mesmas queixas. Ao ficar preso no significante “sou doente”, o sujeito não vê outras possibilidades de significar a sua doença, ficando preso num discurso vazio, onde sua fala se dirige apenas ao órgão lesado ou à doença.
  • 206.
    Qualquer pessoa podeser afetada por uma doença ou resposta psicossomática. O que pretendemos enfocar são os casos de cronicidade e persistência da doença, que passa a servir como defesa para o sujeito. A psicanálise propõe outra forma de conceber o “psicossomático”, indo além dos sinais físicos da doença. Para a psicanálise, especialmente para o psicanalista francês Paul-Laurent Assoun (1997), o sujeito que sofre constantemente de “surtos” do tipo psicossomático, encontra na doença um substituto para sua própria neurose.
  • 207.
    Falar de umsintoma, em psicanálise, significa apontar para uma neurose. Já o fenômeno psicossomático surge no corpo do sujeito “sem quê nem por que”, sem uma causa justificada. Por isso, precisamos distinguir sucintamente um fenômeno psicossomático de um sintoma neurótico. Para Freud, o sintoma é um trabalho de substituição. É um sinal e um substituto de uma satisfação pulsional, produto do processo de recalque.
  • 208.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UM SUBSTITUTOPARA A NEUROSE? Os fenômenos psicossomáticos, não passaram por um processo de substituição. Ocorreu uma falha no recalque e é essa falha que produz a lesão, inscrita no corpo orgânico.
  • 209.
    Enquanto o “neurótico assumido”se utiliza do seu sintoma em nome de uma formação de compromisso, o “psicossomático” se utiliza de sua doença para “fugir” deste compromisso, na medida em que assumir este compromisso requer submeter-se às leis do inconsciente e “assumir” sua neurose.
  • 210.
    • O corporeal é o objeto de satisfação do “psicossomático”. Enquanto o sujeito não aparece, este gozo lesiona os órgãos e aos poucos vai acabando com o sujeito, reduzindo-o à matéria, a um “pedaço de carne”, a um organismo, da forma como veio ao mundo.
  • 211.
    Alergia de Pele Simbolicamentea pele indica fronteira, fixa limites, intermedia contato e ternura. A pele representa nossa individualidade. Ela é um escudo de proteção e por isso se constitui numa camada isolante.
  • 212.
    Alergia de Pele Alergiana pele indica que a pessoa está vivendo momentos de irritação com pessoas próximas que atrasam o seu desenvolvimento pessoal e profissional.
  • 213.
    Alergia de Pele Seela se vê obrigada a fazer o que não gosta, persuadida por quem de alguma forma ela depende, com certeza surgirá, coceira incessante significando o desejo inconsciente, de "arrancar" aquilo que a incomoda profundamente.
  • 214.
    • "A pessoainscreve no corpo • seus conflitos psíquicos”. • Heládio F. Capisano.
  • 215.
    Ganho Secundário dadoença • As experiências pessoais do adoecer põem em jogo mecanismos inconscientes de adaptação e defesa.
  • 216.
    Ganho Secundário dadoença A regressão é reconhecida como fenômeno que acompanha e explica o comportamento infantil de muitos pacientes e o apego à enfermidade, na tentativa de manter os benefícios advindos desta.
  • 217.
    Ganho Secundário dadoença Geralmente o que se espera é que o doente deseje a cura e a procure, mas em hospitais há casos de doentes internados que se recusam receber alta, porque isso cessaria os cuidados recebidos.
  • 218.
    Ganho Secundário dadoença Se a certeza de que as atenções e cuidados que o doente recebe normalmente serão menores que quando saudável, pode acontecer do paciente não colaborar com o tratamento.
  • 219.
    Ganho Secundário dadoença Assim, o estar doente passa a constituir um ganho secundário que vem em forma de carinho tais como cama da mãe, presentes, visitas, comida especial e remédio na hora certa. Além disso, há leis que protegem o doente e o direito de se cuidar.
  • 220.
    Ganho Secundário dadoença O estar doente provoca um regresso às etapas iniciais do desenvolvimento emocional. A pessoa se comporta como criança, ficando numa posição frágil, dependente, abrindo mão de dirigir sua própria vida. A dependência é proporcional à gravidade da doença e às fantasias do paciente.
  • 221.
    Ganho Secundário dadoença O doente ao utilizar o mecanismo da racionalização, busca uma explicação coerente. A racionalização atua como um serviço de censura sobre si mesmo, frente a situações difíceis. Se o doente usa o mecanismo da negação, perde a chance de lidar com a doença e se tratar. Em certas condições, isso pode corresponder até a uma atitude suicida.
  • 222.
    Repensando a Doença Ohomem é a espécie que mais adoece gravemente e que mais fragilidade carrega desde o seu nascimento. Ele recebe como herança filogenética e biológica individual, caracteres que lhe conferem potencialidades e fragilidades.
  • 223.
    Repensando a Doença Recebetambém, do seu meio ambiente, facilitação ou afastamento de agentes agressores ao seu equilíbrio orgânico; recebe através da inter-relação primitiva e prolongada subsídios para a formação de sua estrutura subjetiva.
  • 224.
    Repensando a Doença Asalterações nessa estrutura talvez sejam as principais responsáveis pelo corte psicossomático e o aparecimento de enfermidades. A doença seria, portanto, o resultado de uma soma de fatores, os quais não podem ser avaliados isoladamente.
  • 225.
    Repensando a Doença Noser humano o padrão expressivo é a linguagem, a fala, o conteúdo da fala, o simbólico que já acusa a presença do desejo. A fala não é uma repetição formal de fonemas automáticos, mas a expressão da subjetividade, do desejo.
  • 226.
    Repensando a Doença Adoença é ausência de saúde, é desequilíbrio que pode ser causado por uma série de razões. Por isso, ela deve ser compreendida como mais que uma mera disfunção natural. A doença é contrária à natureza, mas é através da doença que chegamos à cura.
  • 227.
    Repensando a Doença Adoença, seja ela qual for, pode ser entendida como uma perturbação não resolvida no equilíbrio interior do ser vivo e em sua interação com o ambiente que o cerca.
  • 228.
    Repensando a Doença "Doençaé um estado que indica que a consciência não está mais em ordem, e que não há harmonia. É uma perda de equilíbrio interior se manifestando no corpo como um sintoma".
  • 229.
    Repensando a Doença RudigerDahlke compreende a doença de um modo novo, construtivo. Para ele a doença tem um significado simbólico, indicando conflitos não resolvidos da alma. O ponto de partida é a interpretação dos sintomas.
  • 230.
    Grata a todospela participação.
  • 231.
    Relação Mente-Corpo A mente,psique, alma ou espírito pode ser definida como a parte invisível e intocável. Ela tem existência reconhecida e envolve tudo que sentimos, pensamos, desejamos e sonhamos
  • 232.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UMSUBSTITUTO DA NEUROSE? Qualquer pessoa em qualquer ocasião pode ser afetada por um fenômeno psicossomático e uma reação psicossomática pode surgir como um modo de responder a uma situação definida que exija um trabalho de simbolização.
  • 233.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UMSUBSTITUTO DA NEUROSE? Pessoas afetadas por doenças psicossomáticas muitas vezes são rotuladas como “doentes sem causa”. Elas chegam ao psicanalista à procura de uma explicação para a lesão que lhes acomete, geralmente acompanhado do discurso: “Minha doença é de fundo emocional”.
  • 234.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UMSUBSTITUTO DA NEUROSE? É provável que esses “doentes queixosos” demorem a retornar ao médico com as mesmas queixas. Ao receitar medicamentos, a medicina, de certa forma, contribui para a alienação deste sujeito na medida em que, anestesiado pela medicação, acomoda-se e não se implica com seu conflito neurótico.
  • 235.
    Ao ficar presono significante “sou doente”, o sujeito não vê outras possibilidades de significar a sua doença, ficando preso num discurso vazio, onde sua fala se dirige apenas ao órgão lesado ou à doença. É como esta não dissesse nada sobre si, como se estivesse fora desse sujeito, fosse estranha a ele mesmo.
  • 236.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UMSUBSTITUTO DA NEUROSE? Falar de um sintoma, em psicanálise, significa apontar para uma neurose. Já o fenômeno psicossomático surge no corpo do sujeito “sem quê nem por que”, sem uma causa justificada.
  • 237.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UMSUBSTITUTO DA NEUROSE? Precisamos distinguir sucintamente um fenômeno psicossomático de um sintoma neurótico. Para Freud (1926-1996) o sintoma remete ao sujeito, é um trabalho de substituição, é um sinal e um substituto de uma satisfação pulsional, produto do processo de recalque. Os fenômenos psicossomáticos, não passaram por um processo de substituição. Nos fenômenos psicossomáticos ocorreu uma falha no recalque e é essa falha que produz a lesão, inscrita no corpo orgânico.
  • 238.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UMSUBSTITUTO DA NEUROSE? Enquanto o “neurótico assumido” se utiliza do seu sintoma em nome de uma formação de compromisso, o “psicossomático” se utiliza de sua doença para “fugir” deste compromisso, na medida em que assumir este compromisso requer submeter-se às leis do inconsciente e “assumir” sua neurose.
  • 239.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UMSUBSTITUTO DA NEUROSE? O corpo do real é o objeto de satisfação do “psicossomático”. O corpo goza à custa do sujeito, porque na verdade neste momento não há um sujeito, há um objeto gozante deste Gozo do Outro. Enquanto o sujeito não aparece, este gozo lesiona os órgãos e aos poucos vai acabando com o sujeito, reduzindo-o à matéria, a um “pedaço de carne”, a um organismo, da forma como veio ao mundo.
  • 240.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UMSUBSTITUTO DA NEUROSE? O mecanismo de repressão a que se faz alusão na psicossomática diz respeito à barreira que se instala entre o sistema pré- consciente e o consciente. Trata-se, aqui, de uma repressão psíquica no sentido da evitação de uma representação adquirida, que pode se alastrar de modo a atingir mais e mais representações ligadas afetivamente às precedentes.
  • 241.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UMSUBSTITUTO DA NEUROSE? Pierre Marty (1991) frisa que não está em questão, na gênese do sintoma somático, o mecanismo do recalque, pois tal espécie de sintoma não tem a característica de retorno do recalcado: no caso da repressão, a representação pode aparecer intacta em alguns momentos - sem a deformação sofrida pelo recalcado quando este retorna – para desaparecer novamente em seguida.
  • 242.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UMSUBSTITUTO DA NEUROSE? Na conversão histérica, o corpo afetado é o corpo erógeno, corpo simbólico. Na somatização o corpo é o biológico; daí a existência de uma lesão orgânica, muitas vezes extremamente grave. Freud considerava o tratamento da psicose como tarefa que não se incluía no horizonte psicanalítico, mas com o desenvolvimento ulterior da psicanálise esta limitação deixou de fazer sentido.
  • 243.
    FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS: UMSUBSTITUTO DA NEUROSE? Winnicott procurou demonstrar como a psicanálise poderia ser enriquecida pela experiência do trabalho com delinquentes. Maud Mannoni, a partir da utilização de um referencial psicanalítico trabalha com crianças portadoras de retardo mental. Ferenczi, contemporâneo de Freud, ousou experimentar tratamentos de pacientes “difíceis”, isto é, psicóticos, somatizadores e criminosos.
  • 244.
    COMPONENTE EMOCIONAL Os aspectosda psicossomática que mais interessam são aqueles que se referem às perturbações psicogênicas, os seja, aqueles em que o estado emocional desempenha um papel direto no desencadeamento de uma doença corpórea. As amostras de casos abaixo ilustram aspectos da medicina psicossomática que é o estudo das relações entre as emoções e os males do corpo.
  • 245.
     Uma mulhercom câncer dos gânglios linfáticos permanece em fase de remissão por três anos. Quando seu filho mais novo é convocado de volta para o Exército ela tem uma recaída. Outro filho é chamado de volta ao serviço e novamente o câncer se agrava.  Um católico devoto sangra espontaneamente nas mãos, pés e na ilharga. Seus ferimentos correspondem ao Cristo crucificado.
  • 246.
     Um casode artrite reumatoide pode ser diagnosticado apenas com base na personalidade do paciente, pelos traços e maneirismos deste.  A perna de um homem é amputada devido à gangrena. Logo ele passa a sentir dores terríveis no membro que não mais possui.
  • 247.
    A escolha ea linguagem do órgão Cada órgão do corpo, inclusive o cérebro, fala seus próprios “pensamentos”, “sentimentos” e “alertas” e ouve os de todos os outros órgãos”.
  • 248.
    Em se tratandode manifestação de doença, é importante informar que o inconsciente visa até mesmo o órgão que deve adoecer. Uma pessoa pode entrar na doença por uma crise de angústia, por achar que é o instante adequado para adoecer e até escolher o órgão que deve ser lesionado. Muitas vezes mais de um órgão adoece para entrar em revezamento com o outro.
  • 249.
    A escolha ea linguagem do órgão A manifestação de uma doença num determinado órgão mostra que ali tem um significado especial e que a dor, as preocupações e a inquietação também devem ser levadas em conta, pois há "fenômenos" e "fatores" pouco explícitos.
  • 250.
    Toda manifestação corporalé uma relação simbólica, admite uma leitura e expressa um discurso. Tanto que antes de uma pessoa manifestar qualquer doença, ela apresenta algum problema de ordem emocional como, ansiedade, angústia ou até depressão. Essa condição interna é um aviso de que a atuação da pessoa na vida é inadequada.
  • 251.
    As observações deFreud, Ferenczi, Deustsch, Federn, Greenacre, mostraram a importância que adquirem certos órgãos, sistemas ou partes do corpo, por terem sido sede de doenças em certos períodos cruciais do nosso desenvolvimento, ou por terem recebido especial atenção do meio ambiente, ficando carregados de significação afetiva.
  • 252.
    É o casode uma neurose cardíaca num adulto que em sua infância se constatou um sopro cardíaco sem qualquer significação, mas que foi supervalorizado por uma mãe ansiosa, superprotetora; ou um sério episodio de gastrenterite na primeira infância, funcionando como marco para futuras manifestações funcionais ou somáticas do trato digestivo que passaria a representar o clássico papel de órgão de choque.
  • 253.
    A escolha ea linguagem do órgão A chamada linguagem dos órgãos é facilmente vista em expressões típicas de qualquer idioma como: “fulano me provoca náuseas”; “este problema está me dando dor de cabeça”; “estou pelas tampas”; “estou cheio disso”; “fulano teve uma contrariedade morreu”. Tudo resquícios das fases em que o ser humano a usava, por não contar com suficiente desenvolvimento das duas principais vias de expressão: a linguagem verbal e a ação motora.
  • 254.
    A escolha ea linguagem do órgão Nas primeiras fases do desenvolvimento, o aparelho digestivo é a sede principal destes fenômenos e é fácil sentir como suas funções podem expressar atos de maior significação para nossa vida afetiva, como receber, dar e reter.
  • 255.
    Se o desenvolvimentoemocional é prejudicado também o será a capacidade do indivíduo fazer identificações mais adultas e seletivas, predominando identificações mais infantis e imitativas. Uma dismenorréia pode ser conseqüência da identificação de uma adolescente com uma mãe que apresentou este quadro por muitos anos e influenciou intimamente a filha a este respeito.
  • 256.
    A escolha ea linguagem do órgão A configuração psíquica durante nosso desenvolvimento desempenha importante papel na determinação de quem virá a contrair uma doença grave. Mais ainda: muitas vezes determina que doenças sobrevirão, quando e onde se manifestarão.
  • 257.
    A escolha ea linguagem do órgão A base primária de toda doença psicossomática é sempre intrapsíquica e sua etiologia deve sempre se encontrar na dinâmica psíquica: Id, Ego e Superego.
  • 258.
    A escolha ea linguagem do órgão O inconsciente fala em linha direta, não tem fé nem moral social capaz de freá-lo; assim, acontece que a forma de rebelião instintiva e de insatisfação reprimida da mãe em nível inconsciente se faz lei alimentando no filho uma atitude de agressividade e vingança.
  • 259.
    "A pessoa inscreveno corpo seus conflitos psíquicos”. "Doença é um estado que indica que a consciência não está mais em ordem, e que não há harmonia. É uma perda de equilíbrio interior se manifestando no corpo como um sintoma”.
  • 260.
    Paciente Asmático A hipótese,de Franz Alexander, sobre o perfil psicodinâmico do paciente asmático é que existiria um padrão emocional peculiar, no qual o núcleo seria um conflito em torno do choro.
  • 261.
    A crise asmáticaseria um choro reprimido, conseqüência de uma ambivalente percepção da mãe (sedutora e rejeitadora) e, ao mesmo tempo da imagem fragilizada do pai, por vezes absorvida pela figura dominadora da mãe, o que resultaria numa transferência com outros personagens, inclusive a figura do médico, expressando assim uma dependência, comum entre os asmáticos. Paciente Asmático
  • 262.
    As vitimas deasma temem perder a mãe e têm dificuldades em chorar. Paciente Asmático
  • 263.
    Para Franz Alexander,o conteúdo da dependência do asmático para com a mãe não é bem o desejo oral de ser nutrido, mas o desejo de ser protegido, conseqüentemente tudo que ameaçar separar o paciente da mãe protetora ou de sua substituta tende a desencadear uma crise asmática. Paciente Asmático
  • 264.
    Também é comuma crise de asma em crianças que vivenciam o nascimento de um irmãozinho. No caso do adulto, a tentação sexual, o casamento iminente podem ser fatores desencadeadores. Enfim, a dependência e toda problemática emocional que envolve o asmático, seriam fatores de suma importância para o desencadeamento das crises e, conseqüentemente, de sua permanência. Paciente Asmático
  • 265.
    Também é comuma crise de asma em crianças que vivenciam o nascimento de um irmãozinho. No caso do adulto, a tentação sexual, o casamento iminente podem ser fatores desencadeadores. Enfim, a dependência e toda problemática emocional que envolve o asmático, seriam fatores de suma importância para o desencadeamento das crises e, conseqüentemente, de sua permanência. Paciente Asmático
  • 266.
    Hipertensão Arterial A hipertensãoé uma síndrome clínica caracterizada por elevação crônica da pressão sanguínea, sem causa orgânica justificável. Há um perceptível progresso que vai desde a etapa inicial, quando a pressão se mostra oscilante, até o estágio mais tardio, com a estabilização da pressão arterial em níveis mais elevados, acarretando geralmente danos renais e vasculares.
  • 267.
     estudos psicanalíticossistemáticos têm sido feitos em pacientes com hipertensão, e um destes revelou que impulsos agressivos, inibidos crônicos, associados à ansiedade, influenciam de forma marcante o nível da pressão sanguínea.
  • 268.
    Apesar dos diferentestipos de personalidade, uma característica comum a estes era a incapacidade de expressar livremente seus impulsos agressivos. Alexander diz que pacientes com hipertensão são, com freqüência, sexualmente inibidos, e quando se permitem algum relacionamento ilícito, este está vinculado à culpa muito grande, porque para esses pacientes, a atividade sexual não convencional significa protesto e rebelião.
  • 269.
    Doenças auto-imunes Contribuições Pessoais Importantesdoenças se reúnem neste grupo devido à presença de fenômenos comuns de auto-agressão imunitária. Na etiopatogenia dessas enfermidades, fatores hereditários estão presentes, mas os fenômenos psicossociais também parecem desempenhar um relevante papel. O grupo, de enfermidades como a artrite reumatóide, o hipertiroidismo e a colite ulcerativa, desperta nosso interesse, devido os aspectos psicossomáticos envolvidos.
  • 270.
    Doenças auto-imunes Contribuições Pessoais Setepacientes adultos com colite ulcerativa (quatro homens e três mulheres) foram submetidos a entrevistas psicológicas e testes de personalidade.
  • 271.
    Doenças auto-imunes Contribuições Pessoais Apredominância foi de estruturas limítrofes, dois apresentaram surto psicótico durante a internação, dois eram alcoólatras crônicos e em dois casos havia nítida relação com início da doença e a perda de uma pessoa significativa; em outros dois tal situação era evidente, mas era negada pelos pacientes.
  • 272.
    Doenças auto-imunes Contribuições Pessoais Ostestes psicológicos evidenciaram que a defesa maníaca subjazia à fantasia de incurabilidade e de incapacidade de reparação. A estrutura básica era esquizóide e funcionava como defesa contra a agressividade que possuíam.
  • 273.
    Doenças auto-imunes Contribuições Pessoais Nostestes, a doença aparecia como objeto persecutório com o qual se identificavam defensivamente, passando a viver através da doença. Esse aspecto pode levar a uma diarréia, pela tentativa de relacionar-se com o médico através do sintoma.
  • 274.
    Stress e doençasde adaptação Tudo aquilo que ameace a vida provoca stress e respostas adaptativas, das quais participa o organismo como um todo.
  • 275.
    A fase dealarme é o choque • A fase de alarme é o choque. Iniciada por uma descarga adrenérgica – surge taquicardia, diminuição do tônus muscular e da temperatura, hemoconcentração, hiperglicemia, leucopenia e em seguida, leucocitose.
  • 276.
    A fase dealarme é o choque A essa ação se segue um estagio de contrachoque, quando se modificam as reações humorais e neurovegetativas. O acometido nesse período pode ter hipertrofia córtico- suprarrenal, atrofia do tecido timo-linfático e formações de ulceras gástricas e duodenais.
  • 277.
    A fase dedefesa Se o agente estressante permanecer atuando, o organismo entra na fase de defesa, levando à regressão de muitos fenômenos, resultante de um estímulo hipofisário.
  • 278.
    Fase de esgotamento Aterceira fase, a de esgotamento, conseqüência da falha dos mecanismos adaptativos a estímulos permanentes e excessivos; as alterações características da fase de alarme reaparecem e pode levar à morte.
  • 279.
    Alternância Psicossomática A Alternância Psicossomática tambémé verificada em pacientes que usam defesas maníacas. Um homem após um desquite conflitivo tornou-se alcoólatra em grau avançado, em seguida apresentou pancreatite aguda e quando deixou de beber, iniciou a colite ulcerativa.
  • 280.
    Artrite Reumatóide A artritereumatóide também é uma doença estudada em seus aspetos psicossomáticos. Halliday caracterizou os artríticos como muito reprimidos em sua vida afetiva, sendo tímidos, quietos e controlados, quais “pássaros domésticos”. Niessen-Spencer e colaboradores observaram que a artrite praticamente é ausente em psicóticos. A doença é vista como uma fuga à realidade, feita por caminhos diferentes: ou doença mental ou a incapacidade motora do artrítico.
  • 281.
    Artrite Reumatóide Blom eNicholis investigando seus pacientes em entrevistas ou acompanhamentos psicoterápicos encontraram traços comuns entre os pacientes, suas mães e mulheres com artrite reumatóide: bloqueio afetivo, tendências depressivas e masoquistas.
  • 282.
    Rinite Alérgica Nos casosem que ambos os fatores de predisposição eram elevados, o indivíduo “escolhia” preferencialmente a via somática como exteriorização, ao invés da via psíquica, como se demonstrasse ser mais fácil, ou mais freqüente, uma “solução” no plano somático do que no plano mental.
  • 283.
    Martin Jacobs, estudando41 portadores de rinite alérgica e asma, percebeu a combinação de uma pré- disposição constitucional e psicológica, persistente, com uma mãe dominadora ou sua substituta, com uma situação atual desencadeante, de frustração ou perda. Essa situação potencializa as influências alergógenas, às quais o paciente é submetido. Rinite Alérgica
  • 284.
    DOENÇAS DE TENSÃO ADrª. Dunbar descobriu que os diabéticos apresentam uma longa história de mal- estar, cansaço, moleza e sentimento de depressão e desespero, antes que a doença seja diagnosticada. Acredita-se na existência de conflitos psicológicos fervilhando abaixo da superfície. Em pelo menos um dos casos acompanhados por ela, os sintomas de diabete desapareceram com a psicanálise.
  • 285.
    DOENÇAS DE TENSÃO Elatambém verificou que o diabético típico é indeciso, preferindo deixar que os outros decidam por si, para então assumir o seu papel de má vontade sem, contudo, tomar qualquer atitude para aliviar o que lhe parece falta de sorte. Os homens diabéticos, especialmente, parecem ter sido dominados pelas mães e dependentes das mesmas.
  • 286.
    DOENÇAS DE TENSÃO Osdiabéticos mostram uma tendência à passividade, em particular na área sexual. O casamento resulta numa decepção, porque o diabético quer ser excessivamente mimado em nome de uma felicidade mútua.
  • 287.
    DOENÇAS DE TENSÃO Apassividade do diabético é muitas vezes interpretada como demonstração do seu forte desejo de retorno à primeira infância, o que é manifestado através de grande gula - um desejo insaciável de ser alimentado.
  • 288.
    DOENÇAS DE TENSÃO Osmédicos consideram isso como os primeiros sintomas de diabete. Caso não seja medicado o diabético poderá sofrer perturbações de circulação. Não são raras, entre os diabéticos, as doenças cardíacas e as amputações de membros.
  • 289.
    O paciente somáticoapresenta alteração em sua anatomia ou fisiologia. Ele reclama de dores, cansaço, dormências, hipertensão, etc. A origem desses sintomas é diversa, podendo ser por agentes físicos, químicos, biológicos, sociais ou psicológicos. Paciente Somático
  • 290.
    Paciente Somático Podemos dizerque todos os pacientes somáticos trazem uma marca psicológica, pois todos se queixam, mas se queixam porque existe uma gama de angústia que é despertada pelo não estar bem. O fato de não se sentir bem é uma ameaça a integridade do indivíduo, constituindo uma "ferida narcísica".
  • 291.
    Paciente Somático Os médicossabem que existem pacientes que estão doentes sem se sentirem doentes, que existem outros que não estão doentes e se sentem profundamente enfermos, e há ainda aqueles que se sentem e estão mesmo enfermos. O que alguns estudos descrevem é que em todos esses tipos de pacientes existe um comprometimento psicológico.
  • 292.
    Paciente Somático Cabe aequipe de saúde oferecer atendimento que possibilite se sentirem amparados, compreendidos. Pela psicanálise aprendemos que o ser humano é um ser desejante e o que nos dá impulso à vida é o desejo. O surgimento deste desejo se dá nos primeiros momentos de vida. Paralelo a esse desejo está a falta.
  • 293.
    Paciente Somático Freud mostrouque ao nascer a primeira experiência de desconforto é a sensação de fome. A primeira mamada traz alívio a essa sensação desagradável, e esse acontecimento fica marcado no cérebro do bebê. Aí surge a falta e o desejo.
  • 294.
    Paciente Somático O bebêpercebe que lhe falta algo que pode ser suprido de alguma forma. Contudo, falta e desejo irão acompanhar o indivíduo por toda a existência e podemos mesmo afirmar que algumas somatizações são tentativas de satisfazer ou encobrir essa falta.
  • 295.
    Paciente Somático A terapiacom paciente somático seria basicamente de suporte e informativa. Buscando o insight (conhecimento) e a reflexão do que é ter aquela doença, sendo quem ele é no meio social em que vive. O ato do somatizador recai sobre o soma, corpo simbólico, corpo biológico. Ao contrário da conversão histérica, que afeta o corpo erógeno.
  • 296.
    Masoquismo O masoquismo, atravésda implícita auto- agressividade, já contém, em si, a necessidade de adoecer. O masoquista, impulsionado por fortes culpas de caráter inconsciente, busca várias formas de se autoflagelar e entre elas, freqüentemente, a doença. Se por várias razões uma pessoa com essa patologia mental adoece, passa a usar a enfermidade como pretexto ideal para suas necessidades de expiação. Os chamados benefícios secundários das doenças contribuem para o processo de cronificação dessas.
  • 297.
    Repensando a Doença Ohomem é a espécie que mais adoece gravemente e que mais fragilidade carrega desde o seu nascimento. A doença seria, portanto, o resultado de uma soma de fatores, os quais não podem ser avaliados isoladamente. No ser humano o padrão expressivo é a linguagem, a fala, o conteúdo da fala, o simbólico que já acusa a presença do desejo. A fala não é uma repetição formal de fonemas automáticos, mas a expressão da subjetividade, do desejo. Heládio Capisano afirmava que “a pessoa inscreve no corpo seus conflitos psíquicos”.
  • 298.
    Repensando a Doença Hipócratesescreveu que as doenças mentais tinham causas naturais. Esse interesse levou-o a fazer as primeiras descrições do que hoje chamamos alternância psicossomática. Ao dizer que a disenteria pode aliviar o quadro de loucura, ou que os estados maníacos podem desaparecer, quando surgem varizes ou hemorróidas.
  • 299.
    REPENSANDO A DOENÇA Zillborergvai dizer que Hipócrates escreveu a primeira página da história da psicologia médica e que esta permaneceu por longos e longos anos completamente inalterada.
  • 300.
    Formação da identidadesubjetiva A identidade é um físico envelopando um “Eu” subjetivo nomeado pelos pais. A identidade se opõe ao concreto. A estruturação psíquica é responsável pela subjetividade que é a possibilidade de ultrapassar o concreto, pela nossa compreensão e, cada indivíduo forma o seu traçado, segundo sua ótica subjetiva.
  • 301.
    Formação da identidadesubjetiva A partir da psicanálise, a pesquisa tenta retomar o traçado da subjetividade, considerando o homem como portador, também na saúde, das marcas da subjetividade. A tarefa do analista tem sido a de, confrontando com a doença, avaliar os mesmos aspectos que são avaliados na saúde e entendê-los da mesma maneira.
  • 302.
    Formação da identidadesubjetiva Um tumor, uma lesão, vírus, bactérias são sinais pelos quais é possível o reconhecimento da disfunção patológica, tornando, portanto, imprescindível uma avaliação dentro do aspecto concreto para que o mal seja combatido.
  • 303.
    Corpo e ImagemCorporal Freud partiu de uma escuta que foi além do corpo biológico, fez esta passagem, descolando a fala de suas clientes, de seu corpo anatômico para outro corpo, onde os significantes tentavam dar conta de um sofrimento que as aprisionava numa fantasia sexual infantil.
  • 304.
    Corpo e ImagemCorporal Freud partiu de uma escuta que foi além do corpo biológico, fez esta passagem, descolando a fala de suas clientes, de seu corpo anatômico para outro corpo, onde os significantes tentavam dar conta de um sofrimento que as aprisionava numa fantasia sexual infantil.
  • 305.
    Corpo e ImagemCorporal Juan-David Nasio define o corpo falante como “o corpo que interessa à psicanálise, não por ser um corpo de carne e osso, mas um corpo tomado como um conjunto de elementos significantes”. Portanto, corpo falante é aquele onde os significantes falam entre si.
  • 306.
    Corpo e ImagemCorporal O campo da psicanálise é delimitado pela fala e pelo sexo, permitindo dois estatutos do corpo: o corpo falante e o corpo sexual ou o corpo que goza. Mas também está delimitado pela articulação do simbólico, do imaginário e do real, que nunca se apresentam isoladamente por estarem atravessados uns pelos outros.
  • 307.
    Corpo e ImagemCorporal CORPO SIMBOLICO CORPO IMAGINARIO CORPO REAL
  • 308.
    Corpo e ImagemCorporal Foi Jacques Lacan que desde 1953 construiu um saber sobre o assunto e até sua morte em 1981 nunca deixou de fazer referências ao Real, ao Simbólico e ao Imaginário. Para a clínica psicossomática, é muito importante saber sobre esses três registros, como eles se estruturam, como se articulam, como fazem laço e como funcionam.
  • 309.
    Corpo Real O corporeal é sinônimo e lugar do gozo. Gozo, que em psicanálise, significa dor, desgaste, gasto exigência. A lesão psicossomática traz sempre um traço real.
  • 310.
    Do ponto devista da psicanálise, o ‘real’ não é exatamente a realidade, mas a realidade precisa do real para existir. O ‘Real’ é! Ele existe por si só; está sempre aí; não precisa de ninguém; pois se basta a si mesmo. O Real é da ordem de não ser nada além de ser real. O campo do real é o campo da ‘coisa’, do inominável, do que escapa à simbolização.
  • 311.
    • O realnão precisa nem do Simbólico, nem do Imaginário. Pode-se dizer que a morte é o alcance máximo do Real. Com ela não há mais ser humano, só coisa. Ou seja, aconteça o que acontecer no Imaginário e no Simbólico, amanhece no Real.
  • 312.
    “O Real éaquilo que fica registrado no psiquismo como coisa perdida. Aqui podemos falar de coisa sexual. O sexo (fisiológico), aquele que escapa à simbolização e que é registro tanto da pulsão quanto do objeto.
  • 313.
    Corpo Imaginário O Imaginárioé formado de fantasias, de imaginações e por todo tipo de imagem de objeto ou coisa que, após o nascimento o olhar do bebê captura e internaliza, pouco a pouco.
  • 314.
    O corpo imaginárioé a imagem externa que desperta o sentido num sujeito. Isso significa que: a imagem que tenho do meu corpo me foi dada a perceber a partir de fora, vista por outro. Portanto, me vejo como fui visto. Minha imagem foi projetada e me foi devolvida. Preciso de outro para me constituir enquanto imagem e para ter acesso à linguagem e aos significantes.
  • 315.
    Corpo Simbólico O Simbólicoé o campo da linguagem, escrita e falada. São todos os sons, ruídos, palavras e conceitos que entram pelo ouvido da criança desde pequena. Letras, sílabas, palavras, fonemas, números, signos, ícones, etc.
  • 316.
    Tudo isso vaise constituir e se estruturar como campo de linguagem, constituindo-se em significantes que irão representar o sujeito que fala para outros significantes presentes na cadeia associativa, cujo efeito de significação ou sentido só aparecerá em razão das ligações contingenciais entre uma palavra e outra.
  • 317.
    • O corposimbólico é o conjunto ou corpo de significantes que insere o indivíduo numa ordem simbólica, preestabelecida e veiculada pela linguagem. O simbólico é a cultura, que é anterior ao indivíduo. A articulação cultura/indivíduo é fundada e constituída pela dimensão simbólica.
  • 318.
    • “Toda culturapode ser considerada como um conjunto de sistemas simbólicos, no topo dos quais se situam a linguagem, as regras matrimoniais, as relações econômicas, a arte, a ciência e a religião” (Lévi-Strauss).
  • 319.
    Lacan define significanteda seguinte maneira: “significante é o que representa o sujeito para outro significante”. A materialidade das letras conectadas produzem fonemas, formam sílabas e palavras. Cada palavra funciona como significante para outras palavras também significantes.
  • 320.
    A cadeia designificantes S1 produz um efeito de sentido S2. A primeira frase abaixo é uma cadeia significante S1 + S1 + S1 + S1 + S1 + S1 + S1 = S2. “Ai, querido, assim não podemos continuar vivendo! “Ai, querido, assim não podemos continuar! “Ai, querido, assim não podemos! “Ai, querido, assim não! “Ai, querido! “Ai!”
  • 321.
    Bion costumava afirmarem seus seminários clínicos que a prática da psicanálise é difícil. A teoria é simples. Se o analista tem boa memória poderá ler todos esses livros e decorá-los com facilidade. Daí poderão dizer: que bom analista é tal pessoa; sabe todas essas teorias. Mas isso não equivale a ser um bom analista. Um bom analista está sempre lidando com uma situação desconhecida, imprevisível e perigosa.
  • 322.
    David Zimerman, quandofala das condições necessárias para um analista, diz que de todas as condições, de forma alguma excluem o fato de que, antes de tudo, o analista é “gente também”, e com todo ser humano tem sentimentos, fraquezas e idiossincrasias. Isso está admiravelmente expresso de forma poética por Cyro Martins – notável psicanalista, escritor, mestre e figura humana -, a quem Zimerman presta uma saudosa homenagem com a transcrição de sua poesia que ora para vocês.
  • 323.
    • Poesia • “Poisfica decretado a partir de hoje, • que terapeuta é gente também. • Sofre, chora, ama e sente • e, às vezes precisa falar. • O olhar atento, o ouvido aberto, o ouvido aberto • escutando a tristeza do outro, quando, às vezes, a tristeza • maior está dentro do seu peito. • Quanto a mim, fico triste, fico alegre e sinto raiva também. • Sou de carne e sou de osso e quero que você saiba isso de mim. • E agora, que já sabes que sou gente, • quer falar de você para mim?”
  • 324.
    • No exercícioda função de terapêutica o profissional precisa reconhecer que a angústia é constitutiva do sujeito e que mesmo os mais sadios, diante da precariedade humana, percebem que talvez seja impossível percorrer um caminho de vida sem adoecer, sem alucinar.