Draft de
proposta para
pré-projecto
João Paulo Pinto | Número: 1000961
07 de abril de 2014
UC 12091 [MPE]
Metodologia de Projetos em eLearning
Docente: Branca Miranda
[MPeL’7]
Mestrado em Pedagogia do E-learning
2º semestre | Ano letivo 2013-2014
Universidade Aberta
João Pinto | Nº: 1000961 | O meu blogue MPeL: www.jp-mpel.blogspot.pt
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Introdução
Este projeto surge do meu contacto com populações de desempregados, fruto da minha
ativi-dade profissional de formador de informática junto destes públicos, através da qual me
deparo com muitos indivíduos que testemunham situações de alguma solidão e exclusão
social devido à sua situação de desemprego.
São indivíduos que apresentam um percurso de afastamento dos seus laços sociais, que
tinham quando estavam empregados, tendo dificuldades em estabelecer novos contactos.
Isto provoca uma quebra na sua interação social, logo na sua integração social, o que tam-
bém provoca quebras na sua autovalorização e autoestima, alimentando uma espiral de
autoexclusão social.
Este cenário contribui para um aumento da dificuldade de encontrar um emprego, pois um
indivíduo com tais características torna-se menos competitivo nos processos de seleção,
além do facto de que, estando afastado das redes sociais (digitais ou físicas), tem menos
acesso a eventuais informações sobre processos de seleção/candidaturas a empregos.
Os meus contactos com estes indivíduos têm-me demonstrado que existe um perigo real de
se tornarem excluídos sociais, devido a vários fatores, existindo poucas estratégias concre-
tas que funcionem como ferramentas que os próprios possam utilizar para ultrapassar tal
situação.
Breve resumo do projeto
O projeto visa o conceção de um curso online com as características de um MOOC (Massi-
ve Open Online Course) na área das redes sociais, nomeadamente, o Facebook.
O seu desenvolvimento prevê inúmeras atividades, desde o desenho e implementação dos
conteúdos até à realização do próprio curso.
Pretende-se promover a utilização das redes sociais, por parte de indivíduos em situação de
desemprego, como forma de contribuir para a sua integração social, valorização pessoal e
promoção da procura ativa de emprego.
Para tal, propõe-se desenvolver conteúdos adaptados a esta temática e implementar o cur-
so atendendo às características e necessidades deste público-alvo.
O projeto destina-se a ser desenvolvido na Escola Profissional Cristóvão Colombo – Fun-
chal, garantindo-se assim algumas condições relacionadas com a logística, as tecnologias, o
“Know-how” em algumas áreas críticas e a possibilidade de emissão de certificados de for-
mação reconhecidos, quer formalmente como pedagogicamente.
Designação do projeto: Viver na rede
Design do projeto
1.1. Apresentação da problemática
Definição da problemática
Um dos grandes flagelos da nossa sociedade atual é o desemprego porque são cada
vez mais os indivíduos que, involuntariamente, se encontram nesta situação. Depara-
mo-nos cada vez mais com um grande número de indivíduos possuidores de uma histó-
ria de vida, profissionalmente ativa, que enfrentam situações de desemprego pela pri-
meira vez na sua vida. Situação para a qual não estão preparados psicologicamente.
É neste senário que surgiu a pergunta de partida para este projecto: “O que fazer para
combater o afastamento, o isolamento e a exclusão social dos indivíduos desemprega-
dos“.
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Problema:
Um dos problemas sociais que se tem observado nestas populações de desemprega-
dos, è o seu isolamento e o sentimento de exclusão social dos indivíduos desemprega-
dos.
Tem-se constatado que os indivíduos desempregados tendem a afastar-se das suas
relações com a sociedade, começando a existir casos de algum isolamento o que pode
levar a uma exclusão social.
Enquadramento teórico
O trabalho na nossa sociedade assume um papel central nas vivências na vida dos
indivíduos. Por isso o trabalho visto como “a satisfação mediata do desejo e da carên-
cia. É um processo de transformação do indivíduo” (Oliveira, 2005, p. 697) tornando-o
num membro ativo da sociedade.
Assim, ter um emprego corresponde a ter um espaço na sociedade mesmo que esse
lugar não seja muito reconhecido ou valorizado socialmente. Não ter trabalho significa,
geralmente, “estar sem suporte, sem protecção e viver num estado de dependência que
tem tendência a perpetuar-se, especialmente nas populações já de si carenciadas e
com baixas qualificações” (Santos, 2010, p 31).
Embora, a situação de desemprego seja uma transição de certa forma limitada no tem-
po, incorpora um certo grau de mudança e incerteza exigindo dos indivíduos uma adap-
tação que nem sempre é fácil.
A inserção no mercado de trabalho permite, além de um salário e a existência de
determinados direitos sociais, também a configuração de uma identidade pessoal, uma
elevada autoestima e a inserção na sociedade. Esta dimensão relacional remete-nos
para redes que permitem a integração e a socialização, por exemplo, na família, nos
amigos, nos vizinhos e no emprego. Quando estas redes falham o indivíduo entra num
processo de desidentificação que o pode levar à autoexclusão social. “A perda de laços
relacionais (…) marca a ruptura do indivíduo com o meio social que o envolve” (Santos,
2010, p. 11).
Importa referir que, quando se fala em exclusão social, estamos a referir “todas as esfe-
ras [redes] que a sociedade inclui, quer seja a família, a rede de amigos, a comunidade
local ou cultural, a sistemas políticos ou económicos” (Santos, 2010, p 10). Assim,
quanto maior for o número de esferas sociais dos quais o indivíduo se afastar mais pro-
fundo é o seu estado de exclusão social, o qual tende a aumentar com o aumento do
tempo de desemprego, como o efeito de bola de neve.
As relações interpessoais e a rede de contactos são vitais “para o relacionamento com
pessoas e empresas, pois possibilita a prospeção de novos negócios ou de novas opor-
tunidades de trabalho” (Oliveira, 2005, p. 701), por isso são fundamentais para a rein-
serção/readaptação dos indivíduos a novos cenários sociais.
Estudos recentes, constatam que são inúmeros os casos de reinserção profissional que
se devem, sobretudo, “à mobilização de recursos pessoais e relacionais” (Duarte, n.d.,
p. 302).
No apoio a pessoas desempregadas deve-se ter em consideração que as “intervenções
devem, não só ajudar o indivíduo a reempregar-se, mas também a manter ou a restabe-
lecer o seu bem-estar subjetivo” (Cruz, 2009, p. 134), sendo esta uma condição facilita-
dora da procura de emprego. A realidade indica-nos que é de ter em conta “o peso da
componente individual, quer através de conhecimentos pessoais, quer de autoproposta
na obtenção do emprego” (Martins et al, 2002, p. 122), o que quer dizer que as intera-
ções sociais são importantes na procura ativa de emprego e que os indivíduos que con-
seguem manter/criar redes sociais encontram mais facilidades em reempregar-se e vol-
tar a ter um sentido de pertença social.
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1.2. Diagnóstico e definição do problema
Na definição da problemática deve-se que ter em conta as causas para o isolamento e a
exclusão social dos indivíduos desempregados
Neste sentido, é de realçar a importância do emprego como um grande agregador de
relações sociais, que muitas vezes se expandem do meio profissional para o pessoal,
impulsionando a participação e integração social dos indivíduos.
Quando desempregados os indivíduos assistem ao corte de grande parte dos seus
laços sociais que tinham por via das suas interações profissionais.
A própria situação de desemprego associa-lhes alguns estereótipos negativos o que os
leva a entrarem numa espiral de isolamento forçado e a uma quebra da sua integração
social.
Passam de indivíduos produtivos e relevantes para o desenvolvimento da sociedade
para uma imagem a que os associam a um simples custo financeiro sem quaisquer con-
trapartidas produtivas. As dificuldades económicas, a inevitável dependência em rela-
ção à família e outros problemas psicológicos também lhes baixam os níveis de autoes-
tima e a autovaloriza-ção.
Neste sentido identificou-se o seguinte problema: “O isolamento e a exclusão social no
desemprego”
Resposta proposta para o problema
Pretende-se desenvolver um projeto de elearning na área da utilização das redes
sociais para pessoas em situação de desemprego, que promova a utilização destas
como forma de contribuir para a sua integração social, valorização pessoal e promoção
da procura ativa de emprego.
A modalidade de elearning surge como forma de ultrapassar constrangimentos relativos
à mobilidade e custos da deslocação dos formandos. Constata-se que existe, por
razões geográficas, dificuldades no transporte dos formandos, quer devido à inexistên-
cia dos mesmos como dos custos financeiros associados.
Os conteúdos deverão começar por abordar a sua utilização segura e uma interação
correta. Mas também devem focar a problemática da construção de um perfil digital de
uma pegada digital enquanto utilizadores das redes sociais.
Os conteúdos nucleares serão a utilização das redes sociais como forma de intera-
ção/inclusão social (extremamente importante para as pessoas que estão desemprega-
das e que têm a tendência para perderem/quebrarem os vínculos sociais).
Finalmente, serão abordados os aspetos da procura de trabalho nas redes sociais e
como responder a anúncios nestes locais.
Análise SWOT
Esboçou-se uma breve a análise SWOT de forma a permitir fazer o “levantamento dos
aspetos positivos e negativos que afetam o […] projeto quer a um nível interno quer a
um nível externo” (Miranda & Cabral, 2012, p. 47) de modo a definir prioridades de
ação.
Fatores internos
Pontos fortes:
 Equipa de colaboradores qualificados e motivados para este tipo de ações;
 Equipamentos técnicos adequados para o projeto;
 Apoio logístico por parte da Escola;
 “Know-Now” na área do eLearning e redes sociais.
Pontos fracos:
 Custos financeiros associados a este tipo de projeto.
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Fatores externos
Oportunidades:
 Grande número de desempregados, nomeadamente, de longa;
 Grande interesse/curiosidade pelas novas tecnologias;
 Existência de muitas pessoas desempregadas com computadores e acesso à inter-
net;
 Reconhecimento da contribuição das redes sociais para a procura ativa de emprego
 Existência de pessoas desempregadas com conhecimentos de informática;
 Existência de diversas ferramentas gratuitas disponíveis na Internet;
 Um grande número de pessoas desempregadas que já utiliza a internet;
 Desconhecimento sobre a utilização correta das redes sociais;
 Reconhecimento que as redes sociais contribuem para a socialização.
Ameaças:
 Ideias erradas sobre as redes sociais;
 Baixa recetividade às ações de formação;
 Inexperiências dos destinatários na área da formação a distância;
 O isolamento e auto-exclusão social que afasta os desempregados destas iniciati-
vas.
Análise do projeto segundo a análise SWOT
Este projeto valoriza os “Pontos Fortes“ e “Oportunidades“ da análise SWOT, de forma
a maximizar os fatores indicados.
Quanto aos fatores indicados como “Pontos Fracos“ e “Ameaças“, o desenvolvimento
do projeto deverá tentar evitá-los ou contorná-los porque, provavelmente, não está ao
nosso alcance uma solução para eles.
Existem casos em que os Pontos Fracos podem ser contornados em função das Opor-
tunidades. Por exemplo, no caso dos “Custos financeiros associados a este tipo de pro-
jeto” (que é um Ponto Fraco) pode ser ultrapassado, em parte, com a “Existência de
diversas ferramentas gratuitas disponíveis na Internet” (uma Oportunidade) e com o
“«Know-how» na área do eLearning e redes sociais” (um Ponto forte).
1.3. Identificação da estratégia de ação e objetivos a atingir
A estratégia de ação para responder ao problema identificado consiste no desenvolvi-
mento e implementação de um projeto de elearning, sobe a forma de curso online do
tipo MOOC (Massive Open Online Course) para capacitar o público-alvo a utilizar as
redes sociais.
Objetivos gerais:
 Contribuir para a diminuição do isolamento e a exclusão social das pessoas desemprega-
das, desenvolvendo a integração/reinserção social através da promoção da utilização das
redes sociais.
 Apoiar a utilização correta e segura das redes sociais, nomeadamente, na procura ativa de
emprego.
Objetivos específicos:
 Incentivar a utilização de uma rede social como meio de interação social;
 Promover atitudes e procedimentos de segurança e privacidade na utilização das redes
sociais;
 Mobilizar estratégias de procura ativa de emprego através das redes sociais;
 Difundir as potencialidades de integração social permitidas pelas as redes sociais.
Publico alvo: Indivíduos desempregados, de ambos os sexos, da Região Autónoma da
Madeira
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1.4. Metodologia de trabalho
O desenvolvimento do projeto desenrola-se através dos seguintes passos/etapas:
1) Organização:
Aspetos burocráticos e administrativos necessários ao início do projeto, organização
da equipa e mobilização dos meios técnicos e materiais necessários.
2) Produção:
Definição e desenho dos conteúdos.
3) Implementação:
Desenvolvimento dos conteúdos e respetiva publicação online.
4) Testes:
Realização de verificações e testes aos conteúdos para correção de imprecisões e
erros.
5) Simulação:
Realização de uma simulação do curso para validar o funcionamento dos conteúdos.
6) Divulgação:
Divulgação do curso junto do público-alvo.
7) Inscrição:
Realização das inscrições, preparação da documentação e restantes condições para
que o candidato frequente a curso.
8) Curso:
Realização do curso.
9) Certificação:
Realização dos certificados de participação no curso e respetiva entrega aos alunos.
10) Avaliação:
Realização da avaliação do projeto e respetiva análise.
1.5. Plano de atividades:
As tarefas a realizar encontram-se agrupadas em 10 passos (ou etapas) com duração e
objetivos de execução previamente definidos. A duração total do projeto é de 8 meses.
De referir ainda, que o passo 10, “Avaliação”, é composto por algumas atividades a rea-
lizar por meios externos ao projeto, como é o caso das tarefas 10.1, 10.2 e 10.3.
Optou-se por uma avaliação externa ao projeto porque “permite uma visão exterior ao
projeto, bastante útil na melhoria do mesmo” (Miranda & Cabral, 2012, p. 101).
Planeamento das atividades
Passo / Etapas Tarefas e Objetivos Duração
1 - Organização 1.1) Preparar a documentação administrativa.
1.2) Assegurar os meios técnicos.
1.3) Mobilizar os materiais necessários.
1.4) Constituir equipa.
1.5) Distribuir trabalhos pela equipa.
1 mês
2 – Produção 2.1) Definir os tipos/formas de conteúdos.
2.2) Desenhar os conteúdos.
1 meses
3 - Implementação 3.1) Implementar os conteúdos.
3.2) Publicar os conteúdos online.
1 meses
4 - Testes 4.1) Verificaçar os conteúdos.
4.2) Realizar testes à funcionalidade dos conteúdos.
2 semanas
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4.3) Corrigir os conteúdos.
5 - Simulação 5.1) Simular a realização de um curso.
5.2) Corrigir os erros apontados pelos resultados da
simulação.
5.3) Validar o funcionamento dos conteúdos.
2 semanas
6 - Divulgação 6.1) Divulgar do curso junto do público-alvo.
6.2) Esclarecer e responder às dúvidas dos interessa-
dos
2 meses
7 - Inscrição 7.1) Realizar as inscrições.
7.2) Preparação da documentação dos candidatos.
7.3) Esclarecer dúvidas dos candidatos
1 mês
8 - Curso 8.1) Realizar o curso.
8.2) Apoiar os formandos.
8.3) Motivar e envolver os formandos nas atividades do
curso.
2 meses
9 - Certificação 9.1) Realizar os certificados de participação dos alunos
no curso, segundo a avaliação obtida por estes.
9.2) Entregar os certificados
2 semanas
10 - Avaliação 10.1) Efetuar os questionário para avaliar o projeto
junto dos formandos e equipa.
10.2) Analisar as respostas dos questionários.
10.3) Realizar o relatório de avaliação.
10.4) Analisar os resultados da avaliação.
2 semanas
Cronograma do projeto
Bibliografia
 Duarte, Ana Maria. (não datado) Vivências de Desemprego e Transformação dos
Modos de Vida dos Operários Mineiros. Disponível em
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1459.pdf Acedido em 04-04-2014
 Martins, António Maria, et al. (2002) Sistemas de (des)emprego: trajetórias de Inserção.
Universidade de Aveiro
 Miranda, B & Cabral, P., (2012) Projetos de Intervenção Educativa
 Oliveira, Jayr Figueiredo de. (2005)Tecnologia, Trabalho e Desemprego: Um Desafio A
Empregabilidade. Disponível em
http://www.aedb.br/seget/artigos05/377_ARTIGO%20ENVIADO%20PARA%20O%20C
ONGRESSO%20DE%20RESENDE-RJ.pdf, acedido em 02-04-2014
 Santos, Ana Filipa Estrela dos. (2010) Desemprego e Trajectos de Exclusão Social. Lis-
boa: Universidade Nova de Lisboa. Disponível em
http://run.unl.pt/bitstream/10362/5456/1/RelatorioFinalEstagio.pdf Acedido em 30-03-
2012, acedido em 03-04-2014
Duração (em meses) 1 2 3 4 5 6 7 8
Passos/etapas
1 - Organização
2 - Produção
3 - Implementação
4 - Testes
5 - Simulação
6 – Divulgação
7 - Inscrição
8 - Curso
9 - Certificação
10 - Avaliação

Pre-projecto

  • 1.
    Draft de proposta para pré-projecto JoãoPaulo Pinto | Número: 1000961 07 de abril de 2014 UC 12091 [MPE] Metodologia de Projetos em eLearning Docente: Branca Miranda [MPeL’7] Mestrado em Pedagogia do E-learning 2º semestre | Ano letivo 2013-2014 Universidade Aberta
  • 2.
    João Pinto |Nº: 1000961 | O meu blogue MPeL: www.jp-mpel.blogspot.pt UC: 12091 - Metodologia de Projetos em eLearning | MPeL’7| Universidade Aberta Página 2 de 7 Introdução Este projeto surge do meu contacto com populações de desempregados, fruto da minha ativi-dade profissional de formador de informática junto destes públicos, através da qual me deparo com muitos indivíduos que testemunham situações de alguma solidão e exclusão social devido à sua situação de desemprego. São indivíduos que apresentam um percurso de afastamento dos seus laços sociais, que tinham quando estavam empregados, tendo dificuldades em estabelecer novos contactos. Isto provoca uma quebra na sua interação social, logo na sua integração social, o que tam- bém provoca quebras na sua autovalorização e autoestima, alimentando uma espiral de autoexclusão social. Este cenário contribui para um aumento da dificuldade de encontrar um emprego, pois um indivíduo com tais características torna-se menos competitivo nos processos de seleção, além do facto de que, estando afastado das redes sociais (digitais ou físicas), tem menos acesso a eventuais informações sobre processos de seleção/candidaturas a empregos. Os meus contactos com estes indivíduos têm-me demonstrado que existe um perigo real de se tornarem excluídos sociais, devido a vários fatores, existindo poucas estratégias concre- tas que funcionem como ferramentas que os próprios possam utilizar para ultrapassar tal situação. Breve resumo do projeto O projeto visa o conceção de um curso online com as características de um MOOC (Massi- ve Open Online Course) na área das redes sociais, nomeadamente, o Facebook. O seu desenvolvimento prevê inúmeras atividades, desde o desenho e implementação dos conteúdos até à realização do próprio curso. Pretende-se promover a utilização das redes sociais, por parte de indivíduos em situação de desemprego, como forma de contribuir para a sua integração social, valorização pessoal e promoção da procura ativa de emprego. Para tal, propõe-se desenvolver conteúdos adaptados a esta temática e implementar o cur- so atendendo às características e necessidades deste público-alvo. O projeto destina-se a ser desenvolvido na Escola Profissional Cristóvão Colombo – Fun- chal, garantindo-se assim algumas condições relacionadas com a logística, as tecnologias, o “Know-how” em algumas áreas críticas e a possibilidade de emissão de certificados de for- mação reconhecidos, quer formalmente como pedagogicamente. Designação do projeto: Viver na rede Design do projeto 1.1. Apresentação da problemática Definição da problemática Um dos grandes flagelos da nossa sociedade atual é o desemprego porque são cada vez mais os indivíduos que, involuntariamente, se encontram nesta situação. Depara- mo-nos cada vez mais com um grande número de indivíduos possuidores de uma histó- ria de vida, profissionalmente ativa, que enfrentam situações de desemprego pela pri- meira vez na sua vida. Situação para a qual não estão preparados psicologicamente. É neste senário que surgiu a pergunta de partida para este projecto: “O que fazer para combater o afastamento, o isolamento e a exclusão social dos indivíduos desemprega- dos“.
  • 3.
    João Pinto |Nº: 1000961 | O meu blogue MPeL: www.jp-mpel.blogspot.pt UC: 12091 - Metodologia de Projetos em eLearning | MPeL’7| Universidade Aberta Página 3 de 7 Problema: Um dos problemas sociais que se tem observado nestas populações de desemprega- dos, è o seu isolamento e o sentimento de exclusão social dos indivíduos desemprega- dos. Tem-se constatado que os indivíduos desempregados tendem a afastar-se das suas relações com a sociedade, começando a existir casos de algum isolamento o que pode levar a uma exclusão social. Enquadramento teórico O trabalho na nossa sociedade assume um papel central nas vivências na vida dos indivíduos. Por isso o trabalho visto como “a satisfação mediata do desejo e da carên- cia. É um processo de transformação do indivíduo” (Oliveira, 2005, p. 697) tornando-o num membro ativo da sociedade. Assim, ter um emprego corresponde a ter um espaço na sociedade mesmo que esse lugar não seja muito reconhecido ou valorizado socialmente. Não ter trabalho significa, geralmente, “estar sem suporte, sem protecção e viver num estado de dependência que tem tendência a perpetuar-se, especialmente nas populações já de si carenciadas e com baixas qualificações” (Santos, 2010, p 31). Embora, a situação de desemprego seja uma transição de certa forma limitada no tem- po, incorpora um certo grau de mudança e incerteza exigindo dos indivíduos uma adap- tação que nem sempre é fácil. A inserção no mercado de trabalho permite, além de um salário e a existência de determinados direitos sociais, também a configuração de uma identidade pessoal, uma elevada autoestima e a inserção na sociedade. Esta dimensão relacional remete-nos para redes que permitem a integração e a socialização, por exemplo, na família, nos amigos, nos vizinhos e no emprego. Quando estas redes falham o indivíduo entra num processo de desidentificação que o pode levar à autoexclusão social. “A perda de laços relacionais (…) marca a ruptura do indivíduo com o meio social que o envolve” (Santos, 2010, p. 11). Importa referir que, quando se fala em exclusão social, estamos a referir “todas as esfe- ras [redes] que a sociedade inclui, quer seja a família, a rede de amigos, a comunidade local ou cultural, a sistemas políticos ou económicos” (Santos, 2010, p 10). Assim, quanto maior for o número de esferas sociais dos quais o indivíduo se afastar mais pro- fundo é o seu estado de exclusão social, o qual tende a aumentar com o aumento do tempo de desemprego, como o efeito de bola de neve. As relações interpessoais e a rede de contactos são vitais “para o relacionamento com pessoas e empresas, pois possibilita a prospeção de novos negócios ou de novas opor- tunidades de trabalho” (Oliveira, 2005, p. 701), por isso são fundamentais para a rein- serção/readaptação dos indivíduos a novos cenários sociais. Estudos recentes, constatam que são inúmeros os casos de reinserção profissional que se devem, sobretudo, “à mobilização de recursos pessoais e relacionais” (Duarte, n.d., p. 302). No apoio a pessoas desempregadas deve-se ter em consideração que as “intervenções devem, não só ajudar o indivíduo a reempregar-se, mas também a manter ou a restabe- lecer o seu bem-estar subjetivo” (Cruz, 2009, p. 134), sendo esta uma condição facilita- dora da procura de emprego. A realidade indica-nos que é de ter em conta “o peso da componente individual, quer através de conhecimentos pessoais, quer de autoproposta na obtenção do emprego” (Martins et al, 2002, p. 122), o que quer dizer que as intera- ções sociais são importantes na procura ativa de emprego e que os indivíduos que con- seguem manter/criar redes sociais encontram mais facilidades em reempregar-se e vol- tar a ter um sentido de pertença social.
  • 4.
    João Pinto |Nº: 1000961 | O meu blogue MPeL: www.jp-mpel.blogspot.pt UC: 12091 - Metodologia de Projetos em eLearning | MPeL’7| Universidade Aberta Página 4 de 7 1.2. Diagnóstico e definição do problema Na definição da problemática deve-se que ter em conta as causas para o isolamento e a exclusão social dos indivíduos desempregados Neste sentido, é de realçar a importância do emprego como um grande agregador de relações sociais, que muitas vezes se expandem do meio profissional para o pessoal, impulsionando a participação e integração social dos indivíduos. Quando desempregados os indivíduos assistem ao corte de grande parte dos seus laços sociais que tinham por via das suas interações profissionais. A própria situação de desemprego associa-lhes alguns estereótipos negativos o que os leva a entrarem numa espiral de isolamento forçado e a uma quebra da sua integração social. Passam de indivíduos produtivos e relevantes para o desenvolvimento da sociedade para uma imagem a que os associam a um simples custo financeiro sem quaisquer con- trapartidas produtivas. As dificuldades económicas, a inevitável dependência em rela- ção à família e outros problemas psicológicos também lhes baixam os níveis de autoes- tima e a autovaloriza-ção. Neste sentido identificou-se o seguinte problema: “O isolamento e a exclusão social no desemprego” Resposta proposta para o problema Pretende-se desenvolver um projeto de elearning na área da utilização das redes sociais para pessoas em situação de desemprego, que promova a utilização destas como forma de contribuir para a sua integração social, valorização pessoal e promoção da procura ativa de emprego. A modalidade de elearning surge como forma de ultrapassar constrangimentos relativos à mobilidade e custos da deslocação dos formandos. Constata-se que existe, por razões geográficas, dificuldades no transporte dos formandos, quer devido à inexistên- cia dos mesmos como dos custos financeiros associados. Os conteúdos deverão começar por abordar a sua utilização segura e uma interação correta. Mas também devem focar a problemática da construção de um perfil digital de uma pegada digital enquanto utilizadores das redes sociais. Os conteúdos nucleares serão a utilização das redes sociais como forma de intera- ção/inclusão social (extremamente importante para as pessoas que estão desemprega- das e que têm a tendência para perderem/quebrarem os vínculos sociais). Finalmente, serão abordados os aspetos da procura de trabalho nas redes sociais e como responder a anúncios nestes locais. Análise SWOT Esboçou-se uma breve a análise SWOT de forma a permitir fazer o “levantamento dos aspetos positivos e negativos que afetam o […] projeto quer a um nível interno quer a um nível externo” (Miranda & Cabral, 2012, p. 47) de modo a definir prioridades de ação. Fatores internos Pontos fortes:  Equipa de colaboradores qualificados e motivados para este tipo de ações;  Equipamentos técnicos adequados para o projeto;  Apoio logístico por parte da Escola;  “Know-Now” na área do eLearning e redes sociais. Pontos fracos:  Custos financeiros associados a este tipo de projeto.
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    João Pinto |Nº: 1000961 | O meu blogue MPeL: www.jp-mpel.blogspot.pt UC: 12091 - Metodologia de Projetos em eLearning | MPeL’7| Universidade Aberta Página 5 de 7 Fatores externos Oportunidades:  Grande número de desempregados, nomeadamente, de longa;  Grande interesse/curiosidade pelas novas tecnologias;  Existência de muitas pessoas desempregadas com computadores e acesso à inter- net;  Reconhecimento da contribuição das redes sociais para a procura ativa de emprego  Existência de pessoas desempregadas com conhecimentos de informática;  Existência de diversas ferramentas gratuitas disponíveis na Internet;  Um grande número de pessoas desempregadas que já utiliza a internet;  Desconhecimento sobre a utilização correta das redes sociais;  Reconhecimento que as redes sociais contribuem para a socialização. Ameaças:  Ideias erradas sobre as redes sociais;  Baixa recetividade às ações de formação;  Inexperiências dos destinatários na área da formação a distância;  O isolamento e auto-exclusão social que afasta os desempregados destas iniciati- vas. Análise do projeto segundo a análise SWOT Este projeto valoriza os “Pontos Fortes“ e “Oportunidades“ da análise SWOT, de forma a maximizar os fatores indicados. Quanto aos fatores indicados como “Pontos Fracos“ e “Ameaças“, o desenvolvimento do projeto deverá tentar evitá-los ou contorná-los porque, provavelmente, não está ao nosso alcance uma solução para eles. Existem casos em que os Pontos Fracos podem ser contornados em função das Opor- tunidades. Por exemplo, no caso dos “Custos financeiros associados a este tipo de pro- jeto” (que é um Ponto Fraco) pode ser ultrapassado, em parte, com a “Existência de diversas ferramentas gratuitas disponíveis na Internet” (uma Oportunidade) e com o “«Know-how» na área do eLearning e redes sociais” (um Ponto forte). 1.3. Identificação da estratégia de ação e objetivos a atingir A estratégia de ação para responder ao problema identificado consiste no desenvolvi- mento e implementação de um projeto de elearning, sobe a forma de curso online do tipo MOOC (Massive Open Online Course) para capacitar o público-alvo a utilizar as redes sociais. Objetivos gerais:  Contribuir para a diminuição do isolamento e a exclusão social das pessoas desemprega- das, desenvolvendo a integração/reinserção social através da promoção da utilização das redes sociais.  Apoiar a utilização correta e segura das redes sociais, nomeadamente, na procura ativa de emprego. Objetivos específicos:  Incentivar a utilização de uma rede social como meio de interação social;  Promover atitudes e procedimentos de segurança e privacidade na utilização das redes sociais;  Mobilizar estratégias de procura ativa de emprego através das redes sociais;  Difundir as potencialidades de integração social permitidas pelas as redes sociais. Publico alvo: Indivíduos desempregados, de ambos os sexos, da Região Autónoma da Madeira
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    João Pinto |Nº: 1000961 | O meu blogue MPeL: www.jp-mpel.blogspot.pt UC: 12091 - Metodologia de Projetos em eLearning | MPeL’7| Universidade Aberta Página 6 de 7 1.4. Metodologia de trabalho O desenvolvimento do projeto desenrola-se através dos seguintes passos/etapas: 1) Organização: Aspetos burocráticos e administrativos necessários ao início do projeto, organização da equipa e mobilização dos meios técnicos e materiais necessários. 2) Produção: Definição e desenho dos conteúdos. 3) Implementação: Desenvolvimento dos conteúdos e respetiva publicação online. 4) Testes: Realização de verificações e testes aos conteúdos para correção de imprecisões e erros. 5) Simulação: Realização de uma simulação do curso para validar o funcionamento dos conteúdos. 6) Divulgação: Divulgação do curso junto do público-alvo. 7) Inscrição: Realização das inscrições, preparação da documentação e restantes condições para que o candidato frequente a curso. 8) Curso: Realização do curso. 9) Certificação: Realização dos certificados de participação no curso e respetiva entrega aos alunos. 10) Avaliação: Realização da avaliação do projeto e respetiva análise. 1.5. Plano de atividades: As tarefas a realizar encontram-se agrupadas em 10 passos (ou etapas) com duração e objetivos de execução previamente definidos. A duração total do projeto é de 8 meses. De referir ainda, que o passo 10, “Avaliação”, é composto por algumas atividades a rea- lizar por meios externos ao projeto, como é o caso das tarefas 10.1, 10.2 e 10.3. Optou-se por uma avaliação externa ao projeto porque “permite uma visão exterior ao projeto, bastante útil na melhoria do mesmo” (Miranda & Cabral, 2012, p. 101). Planeamento das atividades Passo / Etapas Tarefas e Objetivos Duração 1 - Organização 1.1) Preparar a documentação administrativa. 1.2) Assegurar os meios técnicos. 1.3) Mobilizar os materiais necessários. 1.4) Constituir equipa. 1.5) Distribuir trabalhos pela equipa. 1 mês 2 – Produção 2.1) Definir os tipos/formas de conteúdos. 2.2) Desenhar os conteúdos. 1 meses 3 - Implementação 3.1) Implementar os conteúdos. 3.2) Publicar os conteúdos online. 1 meses 4 - Testes 4.1) Verificaçar os conteúdos. 4.2) Realizar testes à funcionalidade dos conteúdos. 2 semanas
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    João Pinto |Nº: 1000961 | O meu blogue MPeL: www.jp-mpel.blogspot.pt UC: 12091 - Metodologia de Projetos em eLearning | MPeL’7| Universidade Aberta Página 7 de 7 4.3) Corrigir os conteúdos. 5 - Simulação 5.1) Simular a realização de um curso. 5.2) Corrigir os erros apontados pelos resultados da simulação. 5.3) Validar o funcionamento dos conteúdos. 2 semanas 6 - Divulgação 6.1) Divulgar do curso junto do público-alvo. 6.2) Esclarecer e responder às dúvidas dos interessa- dos 2 meses 7 - Inscrição 7.1) Realizar as inscrições. 7.2) Preparação da documentação dos candidatos. 7.3) Esclarecer dúvidas dos candidatos 1 mês 8 - Curso 8.1) Realizar o curso. 8.2) Apoiar os formandos. 8.3) Motivar e envolver os formandos nas atividades do curso. 2 meses 9 - Certificação 9.1) Realizar os certificados de participação dos alunos no curso, segundo a avaliação obtida por estes. 9.2) Entregar os certificados 2 semanas 10 - Avaliação 10.1) Efetuar os questionário para avaliar o projeto junto dos formandos e equipa. 10.2) Analisar as respostas dos questionários. 10.3) Realizar o relatório de avaliação. 10.4) Analisar os resultados da avaliação. 2 semanas Cronograma do projeto Bibliografia  Duarte, Ana Maria. (não datado) Vivências de Desemprego e Transformação dos Modos de Vida dos Operários Mineiros. Disponível em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1459.pdf Acedido em 04-04-2014  Martins, António Maria, et al. (2002) Sistemas de (des)emprego: trajetórias de Inserção. Universidade de Aveiro  Miranda, B & Cabral, P., (2012) Projetos de Intervenção Educativa  Oliveira, Jayr Figueiredo de. (2005)Tecnologia, Trabalho e Desemprego: Um Desafio A Empregabilidade. Disponível em http://www.aedb.br/seget/artigos05/377_ARTIGO%20ENVIADO%20PARA%20O%20C ONGRESSO%20DE%20RESENDE-RJ.pdf, acedido em 02-04-2014  Santos, Ana Filipa Estrela dos. (2010) Desemprego e Trajectos de Exclusão Social. Lis- boa: Universidade Nova de Lisboa. Disponível em http://run.unl.pt/bitstream/10362/5456/1/RelatorioFinalEstagio.pdf Acedido em 30-03- 2012, acedido em 03-04-2014 Duração (em meses) 1 2 3 4 5 6 7 8 Passos/etapas 1 - Organização 2 - Produção 3 - Implementação 4 - Testes 5 - Simulação 6 – Divulgação 7 - Inscrição 8 - Curso 9 - Certificação 10 - Avaliação