As transformações políticas,econômicas e culturais
► Entre os séc. VIII à V a.C houve profundas transformações políticas,
econômicas e culturais na cidades gregas. Durante estes séculos
predominaram os regimes políticos monárquicos. A Aristocracia era quem
comandava o governo das cidades. Especialmente no séc. VII e VI a.C
um conjunto de reformas políticas foram realizadas e com isso, os
cidadão passam a ter direitos iguais perante as leis (isonomia). Com isso,
surge no Séc. V a.C um nova cidade. Uma cidade mais dinâmica. Surge a
democracia ateniense.
4.
A democracia
ateniense
► Ademocracia se dava de forma direta. Os cidadãos podiam não apenas
votar, mas fazer uso da palavra. A ágora (principal praça da cidade) era
o local onde os cidadãos se reuniam para debater os assuntos públicos. A
palavra neste contexto se torna muito valorizada. Neste contexto, surgem
os sofistas, pessoas que possuem grandes habilidades argumentativas e
dialéticas.
► Obs: O número de cidadão era pequeno. A maior parte da população
não tinha direito ao voto e nem o direito de fazer uso da palavra. São
eles: uma parte da população masculina, mulheres, jovens menores que
21 anos, escravos e metecos (pessoas estrangeiras).
5.
Sofistas
► Sofistas: palavraque designa “grande mestre ou sábio”.
► Os sofistas na sua grande maioria detinham habilidades argumentativas e ensinavam quem quer fosse a se dar bem nos monólogos ou
debates, usando de estratégias persuasivas.
► Por muitos foram vistos como heróis, pois vivam em um contexto democrático em que a palavra o confronto de ideias e o discurso eram
muito valorizados. Naquele contexto a civilização grega vivia intensas lutas políticas gerando teses concorrentes e conflitos de opiniões
(dialética)
► Tratavam-se de professores itinerantes que cobravam por seus ensinamentos.
► Ficaram conhecidos como relativistas e subjetivistas.
► A arte da retórica e oratória se tornam demandas essenciais, para fazer prevalecer os interesses individuais e de seu grupo social.
► Defendem que ninguém detêm a verdade e que ela só pode resultar da discussão entre iguais.
► Dedicaram-se a ensinar os cidadãos a dominar a técnica de construção de antinomias.
► Exaltam a capacidade humana de construir a verdade.
► Divergem da posição da escola eleática, que estabelecia parâmetros fixos, imutáveis e eternos à verdade.
► Acreditam numa concepção flexível do mundo, em que nada poderia ser reduzido a um único sistema de ideias.
► Acreditam que o logos não era divino, mas resultava puramente do exercício técnico da razão. Desta forma, admitiam ser acessível a
todos desde que houve o treinamento.
6.
A crítica dosclássicos aos sofistas
► Platão, Aristóteles e Sócrates principais responsáveis da visão pejorativa que os sofistas.
► Os sofistas não estavam preocupados com a verdade (alethéia). Preocupavam-se apenas em ensinar seus
alunos a vencer o debate. Por isso, passaram a ser visto como vilões, charlatões, falsários, etc.
► Platão acusa os sofistas de estarem mais preocupados com os meios do que com os fins, isto é, o uso da
técnica pura e simples como uma ferramenta de convencimento, não estando pois preocupados com as
questões morais. Ludibriavam com seus discursos para vender seus conhecimentos e fazer prevalecer suas
opiniões independente da verdade.
► Sócrates critica os sofistas por não estarem preocupados com a sabedoria. Eram apenas aparentes sábios.
► Aristóteles distingue a retórica da lógica. Argumenta que a retórica utilizada pelos sofistas tem poder criativo
que “maquia a realidade dos fatos, tomando as coisas aparentes como verdadeiras. Para ele somente a
lógica seria responsável por moldar a linguagem impedindo o pseudo discurso . A lógica deveria ser a
ferramenta que o homem deveria utilizar na busca da verdade.
7.
Os sofistas: Protágorasde Abdera
e
Górgias de Leontini
► Protágoras 480 – 410 a. C, o principal dos sofistas;
► Escreve uma Obra chamada de Antilogia (contradição).
► “O Homem é a medida de todas as coisas”.
► “A realidade é relativa a cada um (indivíduo, grupo social, cultura) depende de suas disposições,
concepções, modos de ser e de viver”. Esta visão coincide com o pensamento de Heráclito.
► “ A verdade será verdadeira se para mim parecer verdadeira, mas falsa para o outro que a veja como
falsa”. (subjetivismo absoluto)
► A visão subjetivista da realidade era uma ameaça ao projeto metafísico de Sócrates, Platão e Aristóteles
que buscava estabelecer os fundamentos da realidade, buscando uma essência em meio a
multiplicidade de coisas existentes.
► Leontini “Um bom orador é capaz de convencer qualquer pessoa sobre qualquer coisa”.
► O ser não existe; se existisse não poderia ser conhecido, mesmo que fosse conhecido, não poderia ser
comunicado a ninguém. Com isso, Leontini aprofunda o subjetivismo relativista de Protágoras atingindo o
ceticismo absoluto.
8.
Sócrates
O homem comoobjeto da reflexão filosófica
► Sócrates nasceu em Atenas (469-399). Filho de um pai escultor e mãe parteira.
► Nada deixou escrito. Tudo o que conhecemos é por meio de seus discípulos. Entre
eles, Platão, o mais destacado deles.
► As praças públicas eram os lugares que desenvolvia sua filosofia.
► O objetivo de sua filosofia busca incessante do conhecimento, da verdade e da
virtude.
► Afirma: “Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância”.
► Construiu uma filosofia fundamentada na união entre teoria à prática.
► Alterou radicalmente o uso da razão e o objeto de investigação filosófica, que até
então tratava sobre a origem e transformação do universo e todas as coisas que nele
havia, concentrando seu interesse na alma humana, e não fora dela.
9.
Sócrates e oconhecimento
► Distanciou-se do relativismo subjetivista dos sofistas, especialmente em
relação as questões morais.
► Buscava compreender o que é o bem?; O que é a virtude?; O que é a
justiça?; O que é essencialmente o ser humano?
► Dirá que o ser humano é alma, entendida como “sede da razão”. Nela está
a consciência intelectual e a consciência moral, que distingue os homens de
todos os demais seres. Por isso, recomendou o caminho do auto
conhecimento. “Conhece-te a ti mesmo”.
► Portanto, diferente dos sofistas que não acreditavam numa verdade última,
essencial, para Sócrates a verdade reside na alma e pode ser conhecida de
forma última pelo autoconhecimento.
10.
Sócrates e odiálogo crítico
► Postula um método para o diálogo com seus interlocutores, fazendo que
estes percorram o caminho do autoconhecimento.
► Método:
► Etapa da refutação ou Ironia – Por meio de perguntas aos interlocutores
fazia com que estes refletissem sobre suas próprias respostas, revelando
suas contradições, imprecisões e suas incongruências do seu
pensamento.
► Etapa da maiêutica – Novas perguntas são feitas visando que seus
interlocutores possam assim reconstruir e ou conceber as novas ideias.
Sócrates e aarte de perguntar
► Costumava afirmar “Só sei que nada sei”
► O único conhecimento que admitia possuir era a arte de perguntar.
► Defendeu que o conhecimento só era possível pelo diálogo. Fundou o
método dialógico.
► Acreditou radicalmente no poder da conversação.
► O objetivo de sua filosofia não era convencer as pessoas, mas fazer com
que refletissem sobre suas próprias crenças.
13.
Explicando o métodosocrático
► Diálogo amigável – Tudo se inicia com um diálogo amigável
► Parteiro das almas – Dizia-se parteiro das almas. Sua função obstétrica
não era ajudar as mulheres parirem corpos, mas sim os homens a parirem
sua ideias. Através do senso crítico ajudava os homens a identificarem se
o que diziam conhecer era verdadeiro ou falso.
► Perguntas penetrantes – Justamente por não acreditar que detivesse a
sabedoria, fazia perguntas. Não qualquer pergunta, mas perguntas
adequadas que possibilitasse ir além na reflexão, desta forma não
interrompendo a conversação com respostas conclusivas. Para ele o bom
filósofo é aquele que faz boas perguntas. Não aquele que possui a
certeza.
14.
Explicando o métodosocrático
► Conhecimento progressivo – Através de perguntas adequadas o
conhecimento vai sendo ampliado, assim o tornando o homem consciente
de si e das coisas no mundo. O conhecimento não é algo pronto, e que se
possa ter acesso de uma única vez. Mas de dá de forma progressiva.
► Pratica constante – É comum as pessoas se precipitarem quando ao
conhecimento, tomando como verdadeiro o que é falso, simplesmente por
que abandonam as perguntas. Mas também há aqueles que por
acreditarem em sua vasta experiência de vida também se apressam e
admitem ter chegado ao conhecimento verdadeiro. Normalmente tornam-
se prepotentes, “donos da verdade”. Para Sócrates mesmo na velhice não
estaremos prontos em matéria de conhecimento, por isso, a conversação
filosófica deve ser por toda a vida.
15.
Explicando o métodosocrático
► Dor das descobertas – A atividade filosófica resulta em certa dor, em grau
de incerteza, inquietude e angústia. A ampliação da consciência pode
gerar também uma certa desestabilização ao descobrir que aquilo que se
tinha como verdade, agora com as perguntas penetrantes, faz com que o
homem perceba-se como um ignorante. Mas o método socrático permite
o homem acalmar-se a medida que reorganizando as ideias consegue
perceber a realidade de forma mais plena, justa e sábia.
► Dificuldades do percurso – Sócrates recomenda aos seus interlocutores
aceitar as dificuldades do percurso. É necessário ao filósofo desfazer-se do
orgulho, dos preconceitos e do amor próprio, tornando-se aberto ao
exame das questões. A filosofia nasce do comprometimento e da entrega.