A R E V I S T A D E Q U E M EDUCA
EDICÃO3
ESPECIAL
.i**
professor
nascido nos
Estados Unidos.
Falar com
: docinhos :
: parafestas
em geral.
Encomendas :
: com três
~ ~ - C Y L S I U n4
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diasde
I
: 1antecedência. I
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Cilene. I
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itaçáode trabalhosescolares i
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kssados entrar em conta
com Kátia.
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na Brana.
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o da mrnh
.T -..r --,- 5 s . - L
Ler, planejar, escrever, revisar, reescrever,..=ggz;ze -
Tudo o que seus alunos precisam saber para ZS3'Lrr..& =-*
redigir com coerência, coesãi 2 criatividade E
índice
secões3 reportagens
7 CARO EDUCADOR 12 EXREVER DEVERDADE
9 FALA, MESTRE1Mirta Torres
O que aturma precisasaber para redigir boascomposições
54 ESTANTE
18G~NEROS,COMO USAR
Exploreas caracteristicasdos diferentestipos detexto
58 ARTIGO Márcia V. Fortunato
OQUE i PARIIQUE(M)
Projetosdidáticosgarantem produçõesde qualidade
32OQUECADAUMSABE
Conheça o nível dos estudantes para saber o quetrabalhar
t PARAESCREVER
como bons autores podem inspirar a meninada
38 hDA REESCRT
~ u d a ro narradorda nistóriaé um caminho para aautoria
RAIO1
Leitura e resumo sao procedimentosessenciais para estudar
Foto Derc/li0
~GRAOECIMEMOSABEATRIZGOUVEIAEA PROFESSOU
.LAUDIA TONDATO, DA EMEF PROFESX>R ROSALVITO
:OBRA, DE SAOCAETANOW SUL,SP
45 HORA APERFEICOI
Revisar d b produçõesé UIII meio de conquistara autonomia
48 DEOWONATELA
A utilidade do computador no processo de revisão
51 UÇAOOEMESTRE
Seguir o estilo de autores profissionaisajuda a escrever melhor
................................................................................................................................................................................
Caro educador
Fundador: VICiOR C M T A
(1907-1990)
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' Beauit Santomauroe ~ i i n c aBibiano
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MARÇO, 2010
Escrever mesmo
Apreocupação com a qualidadedo
ensino6 cadavez maior em nosso
país, certo?Em parte por causa das ava-
liações externas (que mostram que os
alunos têm desempenho muito abaixo
do esperado nas duas disciplinas), em
parte por causa dos indicadoresde alfa-
betismo funcional (que insistem em se
manter muito elevados, confirmando
queosbrasileirosadultosnão conseguem
ler, escrever e fazer contas com facilida-
de),em parte por causa dospróprios in-
dicadoresinternos das escolas(que reve-
lam altastaxas de repetênciae um gran-
de número de crianças e jovens analfa-
betos ao fim do 7O, 8 O ou 9O ano).
Ao longo de 2009, NOVA ESCOLA
publicou uma série de reportagens
(acompanhadasde sugestões de ativida-
des) para ajudar os professores a traba-
lhar com seus estudantes os principais
conteúdos e procedimentos ligados à
produção de texto. Todo o material foi
I revisadoe complementadopara montar
este especial. Entrevista, artigo e repor-
tagenssobreaspesquisasnaárea e expe-
riências reais de sal: de aula ajudam a
entender por que 6 importante formar
alunos capazes de expressar as próprias
opiniões por meio da palavra escrita-e,
assim, construir um percurso como au-
tor. Sem dúvida, uma das mais impor-
tantes atribuições de toda escola.
Diretor de Redaçâo
www.ne.org.br Especial Produqão de Texto 7
Fala, mestre!
"0bomtexto é o que cumpre
o propósitode quemo produzn
Pesquisadora argentina defende que, para trabalhar com produção
textual, os professorestambém precisam ser bons leitorese escritores
ANA GONZAGA novaescola@atleitor.com.br
Se ensinar as crianças a produzir tex-
tos de qualidade é um desafio, pre-
parar os educadores para realizar essas
tarefas 6 uma responsabilidade igual-
mente complexa e instigante. E é essa
missão que Mirta Torrestomou para di-
recionar sua ,carreira. Especialista em
didática da leitura e da escrita,ela já foi
diretora de Educação primária de Bue-
,nosAirese esteve à frente de vários pro-
gramas de melhoramento pedagógico.
Atualmente, coordena um grupo que
trabalha com a alfabetização de alunos
que foram reprovados ou entraram na
escola mais tarde e tambdm integra o
projeto Maestro+Maestro, que, preven-
do doisprofessorespara cada sala de au-
la, visa diminuir asdificuldadesde estu-
dantes do l0grau,etapa em que se con-
centram osmaioresíndicesderepetência
no sistema argentino.
Apesar da pouca afinidadecom a lín-
gua portuguesa, Mirta garante que sua
experiênciapedagógica naArgentinapo-
de ser bastante útil para os professores
que lidam com produ~ãode texto no
Brasil. "Valem o raciocínio e as estraté-
gias",diz ela,que concedeuestaentrevis-
ta por telefone ?I NOVA ESCOLA de sua
residência,em Buenos Aires.
Como definir o que 6 uma produção
de qualidade?
MIRTA TORRES O escritor tem de ter
um propósito claroqueo leveaescrever,
tal comoprepararum textopara o semi-
nário ou um convite para uma festa.O
bomtextoC aquelequecumpreopropó-
sito de quem o produz.
Para isso, o que é precisoser ensina-
do aos alunos?
MIRTA Diversosaspectoscolaborampa-
ra quesejam produzidostextosqualifica-
dosentre aceitáveisebons.Aturma toda
deve ser incentivada a escrever de e
www.ne.org.br Especial Produgão de Texto 9
Fala, mestre! MIRTA TORRES
emaneirahabitual efrequente.Talco- (CT
mo um piloto de aviãoprecisa acumular al como um piloto
horas de voo para ser hábil,um escritor
precisa somar muitas oportunidades de
de avião precisa
&crita. Na prática, que; dizer que os es- acumu1ar horas detudantes devemser estimuladosaelabo-
rar perguntas sobreum tema estudadoe VOO para ser h bi1,
resumiramatéria para passar aum cole-
ga que htou.são escritosmenos ambi- um escritor precisa
ciosos, porém também exigem escrever,
ler e corrigir. Embora, em muitas situa- somar muitas
ções escolares de escrita,o texto não te-
nha outro propósitoanão sero de escre-
ver para aprender aescrita,C fundamen-
tal gerarcondiçõesdidáticascomsentido
social. Elas devem garantir a construção
de produções contextualizadas, que ul-
trapassem os muros da escola,comouma
solicitaçãopor escrito para o diretor de
um museu,de permissão para uma visi-
ta. Assim, antes de começar a escrever,
aprende-seque C preciso saberquem é o
leitor e as informações necessárias.
Por issoé ruimproporquese escreva
sobre um tema livre ou aberto, por
exemplo, "Minhas Ferias"?
MIRTA A escrita nunca deve ser livre.
Precisa ser produzida em um contexto,
sempre.A psicolinguista argentina Emi-
lia Ferreiro caracteriza muito bem essa '
questão.Ela diz que"nãohá nadamenos
livre do que um texto livre".Muitascoi-
sasincidemsobrequalquertexto: ospro-
pósitosqueguiam a escrita,osdestinatá-
rios e a situaçãocomunicativa.As crian-
çastêm de aprenderqueo material deve
se refletir no leitor.
Como os educadores podem ajudar
os estudantes a refinar seus textos?
MIRTA Vou respondercitandoum caso
de alunosde 7anosque estavamreescre-
vendo a história de Pinóquio.Eles dita-
vam para aprofessora:"Pinóquiocaiuno
mar e a baleia o engoliu.A baleia ficou
com Pinóquio em sua barriga durante
três diasedepoisdetrêsdiasjogou Pin6-
quio na praia".Ela leu em voz alta o pa-
rágrafo, comentou que algo soava mal e
releu enfatizando o nome Pinóquio.
"Fala-semuitasvezes o nome Pinóquio",
oportunidades
de escrita. 11
concluíram. "Como poderíamos evitar
isso?: ela perguntou.Os pequenossuge-
riram correções:"Pinóquio caiu no mar
e a baleia o engoliu.A baleia ficou com
ele em sua barriga durante três dias e
depoisde três diasojogou na praia".De-
pois disso, a professora sugeriu que o
fragmentocorrespondentedo contofos-
se relido,o que resultou na troca de bar-
riga por ventre.Para evitar arepetiçãoda
expressão"trêsdias", foram propostasal-
gumas opções: "ao final desse tempo",
"logo","depois"e"então" As criançases-
colheram "logo". Assim que se chegou à
terceiraversão,um menino disse que al-
go soava mal,repetindo a expressãoque
a docentejá havia usado.Elecontinuou:
"Quando Pinóquio cai no mar, trata-se
de uma baleia,uma baleia qualquer.De-
pois, quando ela carrega Pinóquio du-
rante três dias na barriga, no ventre, en-
tão é a baleia porque não setrata deuma
baleia qualquer".Então,foireescrito:"Pi-
nóquio caiu no mar e uma baleia o en-
goliu. A baleia ficou com ele em seu
ventre durante três dias e logo o jogou
na praia".
Como a professora fez para que os
alunos incorporassemessa prática?
MIRTA Durante a produção, ela recor-
dou com a turma como e por que havia
sidosubstituídoo nome Pinóquio a fim
de que fosse elaboradauma regra geral,
registrada no caderno:"Quando se fala
em um personagem e o leitor sabe que
sefaladele,não C necessárioescreverseu
nome. Podemos colocar'o', 'a', 'os', 'as"'.
Paraescrever bem, 6fundamental ser
um bom leitor?
MIRiASim.Aformaçãoleitoraajuda na
formação do escritor. A familiaridade
com outros'textosfornecemodelos e co-
nhecimento sobre outros gêneros e es-
truturas. Devemos ler como escritores:
voltar ao texto para verificar de que ma-
neira um autor resolveu um problema
semelhante ao que temos em mãos,por
exemplo. No mais, a leitura desperta o
desejo de escrever. Cabe 21escola abrir
diversaspossibilidades: oferecer titulos
quefascinamcriançasejovens semrefor-
çar o queo mercadojá oferecedemanei-
ra excessiva.Não precisa ofertarlivrosdo
Harry Potter,mas obrasde Robert Louis
Stevenson (1850-1894), comoA Ilha do
Tesouro,precisamser recomendadas.Arn-
bossãovaliosos,sóque,seosdosegundo
tipo não forem oferecidos, dificilmente
os leitoresvão decidirlê-los.Mas há que
destacar que nem todo bom leitor d um
bom escritor. Muitosde nóssomosexce-
lentes leitores, porém somente escreve-
mos de modo aceitável.
O que se espera de um educador co-
mo leitor?
MIRTA Ele deve desfrutar da leitura,es-
tar atento aos gostos dos estudantes e
considerar sua importância como uma
ponte entre elese os textos. Pequenas,as
criançasnão podem sozinhase,já maio-
res, precisam de ajuda para acessar gran-
des obras, que não enfrentariam por
iniciativaprópria. É válido destacar que
odocentequesejaum bom leitor 6capaz
dedescobrira ambiguidade,aobscurida-
de ou a pobreza presentes nos textos e
compartilhar isso com o grupo.
A partir de quando os alunos devem
produzirtextos?
MIRTA Essa atividadepode ser anterior
A aquisiçãoda habilidade de escrever.As
discussóesentre eles e o professor sobre
''como fica melhor","como se poderia
10 Especial Produgáo de Texto www.ne.org.br
dizer'', "o que falta colocar" permitem
refletir sobre a escrita. Assim, muitos,
antesde estarem plenamente alfabetiza-
dos, já conhecem as características da
linguagem escrita por terem escutado
bastante leitura em voz alta.Quer dizer,
já podem se dedicar à produção de tex-
tos, como ditames. Lembro-me de um
projeto chamadoCuentosde Piratas,de-
senvolvido com crianças de 5 anos. A.
professora lia para elas os contos e todos
levavam os livros para casa para reler e
folhear. Depois,juntamente com a do-
cente, faziam listas de personagens, to-
mavamnota dosconflitosque apareciam
em históriasde piratas,colocavam legen-
dasna imagemde um barco:timão,vela,
proa, popa. Finalmente,em grupo, cria-
ram uma história de piratas.
Quaissão asetapasessenciaisda pro-
dução de texto?
MIRTAAescrita propriamente dita leva
tempo: se escrevee se relê para saberco-
mo prosseguir, o que falta, se está indo
bem, se convém substituir algum pará-
grafo ou reescrever tudo. O processo de
leiturae correçãonão 6 posteriorà escri-
ta, mas parte dela. Ao considerar termi-
nado, o passo seguinte é reler ou dar
para outro leitor fazer isso e opinar.Fei-
tas as cor:eçÕes finais,passa-se o texto a
limpo com o formato mais ou menos
definitivo.Contudo,asetapasnão devem
ser enumeradas porque não são fias e
sucessivas.Elas constituem um processo
de vai e vem.
Comooeducador deve escolher o que
enfocar primeiro na revisão?
MIRTA Cada texto é único. Todavia, 6
ikprescindivel - sobretudo com turmas
quejá têm autonomia na produção-fa-
zer uma primeira leitura para checar a
coerência.Se os alunosse concentrarem
((AS etapas
de produ~ãode
texto não devem
ser enumeradas
porque não são fixas
e sucessivas, mas
um processo
de vai e vem. 13
....................................................
MIRTA As situações didáticasde escrita
não são todas iguais. Em alguns casos,é
interessanteobservarosescritos durante
o processo para ajudar aturma arelê-los,
aretomar o fiodo relato e acorrigiruma
expressão. Em outros, é melhor deixar
que escrevam sem intervir. Há alguns
anos, em um projeto com crianças de 7
e 8 anos, lançamos mão de um recurso
didático que deu ótimos resultados. Or-
ganizávamosas aulas de modo que não
houvessetempo suficientepara terminar
os textos,fazendo com que o gmpo pro-
duzisse apenas uma parte dele. Na aula
seguinte,a produção era lida para recor-
dar até onde haviam chegado e decidir
como continuar. Essa situação genuína
da releitura permitedescobrir erros,pen-
sar formas apropriadasde expressão,en-
fim,ajuda a tomar distânciado escrito e
retomá-lo como leitor.
É válido que os própriosalunos revi-
sem os textos dos colegas?
MIRTA Minha experiência mostra que
nein sempreé produtivoque osestudan-
tes leiam mutuamente as produções dos
i~m~anheiros.Os menores não enten-
ções. O texto eleito para ser revisado co-
letivamentedeverepresentar osobstácu-
los que a maioria encontra. Uma vez
descobel-tosno texto do companheiroos
aspectosque devemserrevistos,oprofes-
sor pode sugerir que cada um revise sua
própria produção.
Como ensinar gramática e as normas
da língua no interior das práticasde
leitura e escrita?
MtRTA Efetivamente,se recorrem à gra-
mática e às normas da língua quando é
necessáriopenetrar em aspectosda com-
preensão de um texto, como "qual é o
sujeito do parágrafo?", mas principal-
mente para revisar.De acordocom a ida-
de da garotada,alguns aspectossão reto-
mados em outros momentos,dedicados
s6 A reflexão gramatical.
É comum encontrarmospessoasque
dizem não saber escrever bem e se
sentem mais seguras ao falar, o que
leva a entender que a passagem do
oral para o escrito é o ponto de di-
ficuldade delas. Como isso pode ser
enfrentando na escola?
MIRTA Não creio que isso se deva à pas-
sagem do oral para o escrito.A fala per-
mite gestos,alusõesquereforçam o peso
do que foi dito. Temos uma grande prá-
tica cotidiana na comunicação oral e
muito menor na escrita.Quem considera
mais fácil se comunicar oralmente está,
sem dúvida,pensandoemtrocas familia-
res enão em apresentaçõesoraisformais,
como as conferências,que exigem verba-
lizar e organizar todos os momentos da
exposição.Nesses casos, as dificuldades
encontradas são parecidas com a de es-
crever.Ensinara escrevere a falarde for-
ma aceitável exige empenho do profes-
sor, que deve guiar a turma com mãos
firmese seguras. a
em detalhes,podem não conseguir che- dem a letra e os maiores nem sempre
car a coerênciageral. sabemo que procurar,o quefazcom que 8 : ....................
fiquem detidos em detalhes que não in- i: MirtaTorres, mirtatorres5@Jgmail.com
Fazerintervençõesenquantoos estu- terferem na qualidade final. A revisão :internet b
dantes produzemé correto?Ou é me- dos colegasganha valor quandoo profes- i Em abc.gov.arllainstitucion~digite na busca
:sobre enseiiar a leery escribir e acesseo texto
Ihordeixá-losterminar e revisarsó ao sor propõe revisar conjuntamente o tex- i hombnimode ~i~ castedo(em espanhol), 1fim do trabalho? to, orientando a leitura e sugerindo op- ' H
www.ne.org.br Especial Produqáo de Texto 11
Producão3 detexto 10aopam
tscrever
de verdade
Para produzir textos de qualidade, seus alunos têm de saber o que
querem dizer, para quem escrevem e qual é o gênero que melhor
exprime suas ideias. A chave é ler muito e revisar continuamente
THAIS GURGEL novaescola@atleitor.com.br Colaborou Tadeu Breda
Narração, descrição e dissertação.
Por muito tempo, essestrês tipos
de texto reinaram absolutosnas propos-
tasde escrita.Consensoentre professores,
essa maneira de ensinar a escrever foi
uma dasresponsáveispela faltadeprofi-
ciênciaentre nossos estudantes.O traba-
lho baseadonas composiçõese redações
escolares tem uma fragilidade: ele não
garanteo conhecimentonecessário para
produzirostextosqueosalunosterão de
escrever ao longo da vida."Nessa antiga
abordagem, ninguém aprendia a consi-
derar quem seriam os leitores. Por isso,
não havia a reflexão sobre a melhor es-
tratégia para pôr as ideiasno papel",diz
Telma Ferraz Leal, da Universidade Fe-
deral de Pernambuco (UFPE).
Para aproximaraprodução escritadas
necessidadesenfrentadasno dia a dia, o
caminho atual é enfocar o desenvolvi-
mento dos comportamentos leitores e
escritores.Ou seja: levar a criança a par-
ticipar de forma eficientede atividades
da vida socialque envolvam ler e escre-
ver. Noticiar um fato num jornal, ensi-
nar'os passos para fazer uma sobremesa
ou argumentar para conseguir que um
problema seja resolvido por um órgão
público: cada uma dessas ações envolve
um tipo de texto com uma finalidade,
um suporte e um meio de veiculação
específicos.Conhecer esses aspectos é a
condição mínima para decidir, enfim, o
que escrever e de que forma fazer isso.
Fica evidentequenãosãoapenasasques-
tões gramaticaisou notacionais (a orto-
grafia,por exemplo) que ocupam o cen-
tro dasatençõesna constniçãodaescrita,
mas a maneira de elaborar o discurso.
Há outro ponto fundamental nessa
transformaçãodas atividades de produ-
ção de texto: quem vai ler. E, nesse caso,
você não conta."Entregar um textopara
o professoré cumprirtarefa",diz Feman-
da Liberali, da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP)."Para
que o aluno fiqueestimuladocom a pro-
posta, 6 preciso que veja sentido nisso."
O objetivo é fazer com que um leitor
ausenteno momento da produçãocom-
preenda o que se quis comunicar.
O primeiro passo é conheceros diver-
sos gêneros. Isso não significaque os re-
cursos discursivos,textuais e linguísticas
doscontosde fadase dareportagem,por
exemplo, sejam conteúdos a apresentar
aosalunossem que elesostenham iden-
tificado pela leitura. Um risco é cair na
tentação de transmitir verbalmente as
diferentes estruturas textuais. Cabe ao
professorpermitir que ascriançasadqui-
ram os comportamentos do leitor e do
escritor pela participação em situações
práticase não por meras verbalizações.
Ensinar a produzir textos nessa pers-
pectiva prevê abordar três aspectosprin-
cipais:aconstruçãodascondiçõesdidáti-
cas, a revisão e a criação de um percurso
de autoria,como explicadoa seguir.
Os textos redigidosem classe
precisam de um destinatário
"Escreva um texto sobre a primavera."
Quemsedeparacomuma proposta como
essaimediatamentedeveriasefazeralgu-
mas perguntas. Para quê? Que tipo de
escrita será essa? Quem vai lê-la? Certas
informações precisam estar claras para
que se saibapor onde começarum texto
esepossa avaliarseelecondizcom o que
foi pedido. Nas pesquisas didáticas de
práticasde linguagem,essasdelimitações
sedenominam condiçõesdidáticasde*
12 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
I-I
DESV TERM(
DESNECESSAR
As palavras
"marginaisJ;
"assa1tantes"e
"criminosos"são
usadascom o mesmo
propósito, o que
deixa a produção
com Poucafluidez.
ASSU,. m w
Oautor chama
'tenção para a
'estão dos assaltos,
1"s logo foca em
utras situações qt
r envolvem men ,
de idade sem s,
iprofundar.
V a r u r l u ar1
que.0~jove êm
consciênciapara
assumir os crimes
que cometem,
mas não expõe
nada queju que
essa ideia.
. .L'.,' J..
, .
......................................................................................................................................................................................
qoducão3
detexto 10ao. a-
-.......
BIOGRAFIA
Dados ordenados cro ogicamente e recursos linguísticas que asseguram a c
tem --I 'como os advérbios) são algumas das características do gêner
1
t
L~ . .-
,DOS 3t_F
:ORMAÇÕES PLICAÇn -E C-
O - Alguns te- i*lw ~ ~ ~ p o r t a n t e w a m ' * - ~
"v.-.-- ,inich d«-m claroo 4*
a grod~w d«te texta
mectiV<n e
,ignroinniiian> m a de P.R *O
~t~~CwiRCntei orgíni# as
1"lwrn~- em f-
e a f r a e r-11 que -, -vewconjugadolM mwc'
d m d,erinslmtntO O autm cdheu or
d*s para o tmodo biograf*
respondendo 6 aw~ln"--uracterfrtkis
.........que marom o @nem. ~ I J C S ~ ~ ~ Sde uma li+,: :,? ~l~-~~c-.p!O.-1, ?.::::,; ;,:.:.,:..L,, e.-.T..Ia:-v?;.+.-...... ..,-:+.,...., , . I
q : .:, , -L' .-.,r ..., :L.. -. .-..#?.i.: .-;,i;i<. ,. !,;i; ,;:-i;:;*.;i.<,<;:,;<>sF!J
,.produçãotextual.No queserefereao
exemplo citado, fica difícil responder às
perguntas,já queessetipo de redaçãonão
existefora da escola,ou seja,não faz par-
te de nenhum gênero.
De acordo com Bernard Schneuwlye
Joaquim Dolz,o trabalho com um gêne-
ro em sala é o resultado de uma decisão
didática que visa proporcionar ao aluno
conhecê-lomelhor,apreciá-loou compre-
endê-lo para que ele se torne capaz de
produzi-lo na escola ou fora dela. No ar-
tigo Os GênerosEscolares -DasPráticas de
Linguagemaos ObjetosdeEnsino,os pesqui-
sadoressuíçoscitamainda como objetivo
desse trabalho desenvolver capacidades
transferíveispara outrosgêneros.
Para que a criançapossa encontrarso-
luçõespara sua produção, ela precisa ter
um amplo repertório de leituras. Essa
possibilidadefoi dada àturma de 9 O ano
da professora Maria Teresa Tedesco, do
Centrode Educaçãoe HumanidadesIns-
tituto de AplicaçãoFernando Rodrigues
da Silveira-conhecidocomoColégiode
Aplicação da Universidade Estadual do
RiodeJaneiro(Uerj). Procurandodesen-
volver a leitura crítica de textosjomalis-
ticos e o conhecimento das estruturas
argumentativas na produção textual,ela
propôsuma atividadepermanente:acada
semana, um grupo elegia uma notícia e
expunhaA turma aformacomoelatinha
sidotratadanosjornais. Depois,seguia-se
um debate sobre o tema ou a maneira
como 9s reportagenstinham sido veicu-
ladas. Paralelamente, os estudantes tive-
ram contato com textos de finalidades
' comunicativas diversas no jornal, como
cartasde leitores,editoriaise artigos opi-
nativos."O objetivo era que elesanalisas-
sem os materiais, refletissem sobre os
propósitosdecada um e adquirissemum
repertório discursivoelinguístico",conta
Maria Teresa, que lançou um desafio:
produzir um jornal mural.
A proposta era trabalhar com textos
opinativos,como os editoriais. Para que
a escritaganhasse sentido,ela avisouque
o jornal seria afixado no corredor e que
toda a comunidadeescolar teria acesso a'
ele. Os assuntos escolhidostratavam das
principais notíciasdo momento,comoo
surto de dengue no Rio de Janeiro e a
discussãosobreamaioridadepenal.Com
as características do gênero já discutidas
e frescas na memória, todos passaram à
produção individual(7eiaotextodeum dos
alunos na página 13).
A primeira versão foi lida pela profes-
sora."Sempre havia observações a fazer,
mas eu deixava que osprópriosmeninos
ajudassem a identificar as fragilidades",
diz MariaTeresa.Divididosempequenos
grupos, os alunos revisaram a produção
de um colega,escrevendoum bilhetepa-
ra o autor com sugestõese avaliando se
ela estava adequada para a publicação.
Eram comuns comentárioscomo"argu-
mento fraco"e"falta conclusão".
"Envolverestudantesde 6O a 9 O anona
produção textual é um grande desafio",
ressalta Roxane Rojo, da Universidade
Estadualde Campinas(Unicarnp)."Mui-
tas vezes,eles tiveram de produzir textos
sem função comunicativa durante a es-
colaridadeiniciale,por acreditaremque
escreverC uma chatice,sãomais resisten-
tes."Atenta, Maria Teresa soube driblar
o problema. Percebendo que a turma
andavainquietacom aproibiçãopor par-
te da direção do uso de short entre as
meninas, ela fez diko o tema de um edi-
torial do jornal mural.
"Para que algudmse coloque na posi-
çãodeescritor,é preciso quesuaprodução
tenha circulação garantida e leitoresde
verdade",diz Roxane.Etodossaberiama
opinião do alunosobrea q'uestão,inclu-
sive a diretoria. "Só assim ele assume
responsabilidade pela comunicação de
seu pensamento e se coloca na posição
do leitor,antecipandocomoelevai inter-
pretá-lo."Aargumentaçãodagarotadafoi
tão bem estruturada que a diretoria re-
solveuvoltaratráseliberar maisuma vez
o uso da roupa entre as garotas.
A criação de condições didáticas nas
propostas para as turmas de l0 a S0 ano
segueos mesmospreceitosutilizadospe-
la professoraMariaTeresa."Em qualquer
série,como na vida,produzir um textoC
resolver um problema", ensina Telma
Ferraz Leal."Maspara isso6 precisocom-
preender quais são os elementos princi-
pais desse problemaen
A revisãovai além da ortografia
e foca os propósitosdo texto
Produzir textosé um processoque envol-
ve diferentes etapas: planejar, escrever,
revisar ereescrever. Essescomportamen-
tosescritoressãoosconteúdosfundamen-
tais da produção escrita. A revisão não
consisteemcorrigir apenaserrosortográ-
ficos e gramaticais,como se fazia antes,
mas cuidar para que o texto cumpra sua
finalidadecomunicativa."Deve-se olhar
para a produção dosestudantese identi-
ficar aque provoca o estranhamento no
leitordentrodosusossociaisqueelaterá",
explica Fernanda ~iberali.
Com a ajuda do professor, as tumas
aprendem a analisar se ideias e recursos
utilizados foram eficazes e de que forma
o materialpode sermelhorado.Asalade
3O ano de Ana Clara Bin, na Escola da
Vila, em SãoPaulo,avançou muito com
um trabalho sistemático de revisão. Por
um semestre,todos se dedicaram a um
projetosobrea históriadasfamílias,que
culminou na publicação de um livro,
distribuídotambém para ospais. Dentro
desse contexto, ela propôs a leitura de
contosemqueescritoresnarramhistórias
da própria iXancia.Os estudantesse en-
volveram na reescritade um dos contos,
narradoemprimeirapessoa.Elestiveram
de reescrevê-lo na perspectiva de um ob-
servador-ou seja, em terceira pessoa. A
segundamissãofoiaindamaisdesafiado-
ra: contar uma história da infincia dos
pais. Para isso,cadaum entrevistoufami-
liares, anotou as informações em forma
de tópicos e colocou tudo no papel (leia
o texto de um dos alunos à esquerda).
Ana Clara leu os trabalhos e elegeu
algunspontos para discutir."O mais co-
mum era encontrar só o relato de um
fato",diz."Recorremos, então,aoscontos
lidospara saber que informações e deta-
lhes tornavam a história interessante e
comoorganizá-lospara dar emoção."Ca-
da um releu seu conto, realizou outra
entrevista com o parente-personagem e
produziu uma segundaversão. e
www.ne.org.br Especial Produgáo de Texto 15
...............................................................................................................................................................................
.....,..,
Produ~ãodetexto 10ao~a.o
a,&&
, .
J*w..
da- ..lorbm-
-&&r
A escolha da
expressão"era uma
vez" revelaque o
aluno se confundiu
com a maneira de
CI comeqar textos de
outro g@nero
conto, o conto.
- - -T.--A ararasurge sem
ser apresentada,
diferentemente do cão.
O mesmo ocorre c o r
os caçadorese com
os outros animais.
Isso prejudica a
compreensãodo texto.
P ANALISE GERAL
C ~ ~ ~ I I U IICJ ter É apropriado retomar as marcasdo
conseguidose livrar g@nerofábula e o significado de
da armadilha dos proverbios e ditos populares. A leitura
semajuda
dos colegas pode ajudar o autorde sua amiga arara,
a moral da fábula a perceber que apresentar Os
nãofaz sentido. personagens6fundamental.
e Tiveraminícioaidiferentesformas
de revisão -análisecoletiva de uma pro-
duçãono quadro,revisão individualcom
baseemdiscussõescom ogrupoerevisões
emduplas-,realizadasváriosdiasdepois
para que houvesse o distanciarnentoem
relação aotrabalho.Aprimeiraproposta
foi a"revisão de ouvido".Para realizá-la,
Ana Clara leuemvoz altaum doscontos
para a turma, que identificoua omissão.
depalavras einformações.Elaselecionou
algunsaspectos a enfocar na revisão:or-
tografia,gramáticae pontuação.
Quandoaclassefoidivididaemduplas,
um dospropósitos da professoraera que
uns dessem sugestõesaos outros. A pes-
quisadora argentina em didática Mirta
Castedok defensoradessetipodepropos-
ta. Para ela, as situações de revisão em
grupo desenvolvem a reflexão sobre o
que foíproduzido ior meiojustamente
da troca de opiniõese críticas."Revisar o
queos colegasfazem k interessante,pois
o aluno se coloca no lugar de leitor",
emenda Telma. "Quando volta para a
própria produção e revisa,a criançatem
maiscondiçõesdecriarodistanciamento
dela e enxergar as fragilidades."
Um escritor proficiente, no entanto,
não faz a revisão só no fim do trabalho.
Durante aescrita,é comum relerotrecho
já produzido e verificar se ele está ade-
quadoaosobjetivoseàsideiasquetinha
a intenção de comunicar-só então pla-
neja-se a continuação. E isso k feito por
todo escritor profissional.
A revisão em processo e a final são
passos fundamentais para conseguir de
fato uma boa escrita. Nesse sentido, a
maneira como você escreve e revisa no
quadro, por exemplo, pode colaborar
para que acriançao tome comoum mo-
deloe se familiarizecom.0procedimen-
to. Sobreo assunto,Mirta Castedoescre-
ve em sua tese de doutorado: "Os bons
escritores adultos (...) são pessoas que
pensamsobreoquevãoescrever,colocam
em palavrasevoltam sobreojá produzi-
do para julgar sua adequação. Mas não
realizam astrês ações (planejar,escrever
e revisar) sucessivamente:vão e voltam
de umas às outras, desenvolvendo um
complexoprocesso de transformação de
seusconhecimentosem um texto".
Ser autor exige pensar
no enredo e na estrutura
O terceiro aspecto fundamental no tra-
balho deprodução textualé garantirque
a criança ganhe condiçõesde pensar no
todo.Do enredoàformadeestruturaros
elementos no papel: k preciso aprender
a dar conta de tudo para atingir o leitor.
Esse processo denomina-se construção
de um percurso de autoria e se adquire
com tempo, prática e reflexão.
Osestudosemdidáticadaspráticas de
linguagem fizeram cair por terra o pen-
samentodequearedaçãocomtema livre
estimulaacriatividade.Hojesabe-seque
depois da alfabetização há ainda uma
longa lista de aprendizagens. Foi consi-
derando a complexidade desse processo
que Edileuza dos Santos,professora da
EM deSantoAmaro,no Recife,desenvol-
veu um projeto de fábulascom a skrie
(leia o textode um dos alunos à esquerda).
Ela deu infcio ao trabalho investindo
na ampliaçãodorepertório dentro desse
gêneroliterário.Assim foipossívelobser-
var regularidadesna estrutura discursiva
e linguística,como o fato de que os ani-
mais são os protagonistas. "Escolhi esse
gênero porque ele tem começo,meio e
fim bem marcados, algo que eu queria
trabalhar com a garotada?
A primeiraproposta foio recontooral
de uma fábula conhecida."Isso envolve
organizar ideias e pode ser uma forma
de planejar a escrita", endossa Patrícia
Corsino,daUniversidadeFederaldoRio
deJaneiro(UFRJ).Quandojá dominamos
todas as informações de uma narrativa,
podemos nos focar apenas na forma de
expor oselementos-mas esseéum gran-
de desafio no inicio da escola-idade.
Na turma de Edileuza, as propostas
seguintesforam a reescrita individual e
a produção de versõesde fábulasconhe-
cidascom modificaçõesdospersonagens
ou do cenário.Aos poucos,todos ganha-
ram condições de inventar situações.A
professora percebeu que os estudantes
não entendiam bem o sentidoda moral
da história. Pediu, então, uma pesquisa
sobreprovérbios eseuusocotidiano.Com
essa compreensão e um repertório de
ditados populares, Edileuza sugeriu a
criação de uma fábula individual. Ela
discutiu com o grupo que esse gênero
geralmentetem como protagonistasini-
migostradicionais(cãoegato,por exem-
plo). Estava coiocada uma restrição.Em
seguida,relembrou provérbios que po-
deriam ser a moral dashistórias criadas.
Desde o início, todos sabiam que as
produçõesseriam lidaspor outrosalunos,
o que serviu de estimulo para bolar tra-
mas envolventes."Há uma diferençaen-
tre escrevertextoscom autonomia-obe-
decendo à estrutura do gênero,sem pro-
blemas o r t o ~ i c o se de coerência-e se
tornar autor", explica Patrícia."No pri-
meiro caso,basta aprender as caracterís-
ticasdo gêneroe conhecer o enredo,por
exemplo. No segundo, 6 preciso desen-
volver ideias." Para chegar lá,a interação
comprofessoresecolegase o acessoaum
repertório literáriosão importantes.
Do 6 O ao 9 O ano, o processo de cons-
trução daautoriapodeexigirdesafiosque
sejam cada vez mais complexos:a elabo-
ração de tensões na narrativaou a parti-
cipação em debates para desenvolver a
argumentação,comofez MariaTeresa."A
reescritapode vir com propostas de pro-
dução de paródias,no caso dos maiores,
queexigemmaiselaboração",diz Roxane.
Uma boa forma de fazer circular textos
nessa fase são os meios digitais, como
blogs e ositeda própriaescola.Osjovens
podem seresponsabilizarpor toda a pro-
dução.Levarosestudantesase expressar
cada vez melhor, afinal,deve ser o obje-
tivo de todo professor. (3
OUER SABER MAIS ? Il
i-
: Centro de Educaçãoe
i Humanidades Instituto de Aplicação i
i Fernando Rodrigues da Sllveira,
: tel. (21) 2333-7873, cap-uerjQhotmail.com i
i EM de Santo Amaro, tel. (81) 3232-5919 :
i Escolada Vila, tel. (11) 3726-3578,
j vilaQvila.com.br
: Fernanda Liberali, Iiberali@uoi.com.br
i Roxane Rojo, rrojoQiel.unicamp.br
: Teima Ferraz Leal, tfleal@terra.com.br 1
www.ne.org.br Especial Produgão de Texto 17
Práticasde linguagem 10,50am '
Gêneros,
como usarEles invadiram a escola - e isso é bom. Mas é preciso parar de ficar só
ensinando suas características para passar a utilizá-los no dia a dia de
todas as turmas com o objetivo de formar leitores e escritores de verdade
ANDERSON MOÇO anderson.moco@abril.com.br
18 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
seja,se é um texto com função comuni-
cativa,tem um gênero.
Na última década, a grandemudança
nas aulasdeLíngua~or&guesafoi ache-
gadadosgêneroshescola. Essa mudança
é uma novidade a ser comemorada. Po-
rém muitosespecialistase formadoresde
professoresdestacamque há uma peque-
* na confusão na forma de trabalhar. Ex-
plorar apenas as característicasde cada
gênero (cartatem cabeçalho,data,sauda-
Todo dia, você acorda de manhã e
pega ojornal para saberdasúltimas
novidadesenquanto toma o caféda ma-
nhã. Em seguida,vai até a caixa de cor-
reio e descobre que recebeu folhetos de
propaganda e (surpresa!) a carta de um
amigo que está morando em outro país.
Depois, vai ate a escola e separa livros
para planejar uma atividade com seus
alunos. No fim do dia, de volta h casa,
pega uma coletâneadepoemasna estan-
te da sala e lê alguns antes de dormir.
Não C de hoje que nossa relaçãocom os
textosescritosé assim: eles têm formato
próprio,suporteespecífico,possíveispro-
pósitos de leitura - em outras palavras,
possuem o que os especialistaschamam
de "características sociocomunicativas",
definidas pelo conteúdo, pela função,
pelo estilo e pela composição do mate-
rial aser lido. EC essasoma de caracterís-
ticasquedefineosdiferentesgêneros.Ou
çáo inicial, despedida etc.) não faz com
que ninguém aprenda a, efetivamente,
escreveruma carta.Falta discutirpor que
epara quem escrevera mensagem,certo?
Afinal, quem vai se dar ao trabalho de
escreverpara guardá-la?Essa é adiferen-
ça entre tratar os gêneros como conteú-
dos em si e ensiná-los no interior das
práticas de leitura e escrita.
' Essa postura equivocada tem raízes
claras:é uma infeliz reediçãodojeito de
ensinarLínguaPortuguesaquepredomi-
nou durante a maior parte do século
passado.A regra era falarsobreo idioma
e memorizar definilões:"Adjetivo: pala-
vra que modifica o substantivo,indican-
do qualidade, caráter, modo de ser ou
estado.Sujeito:termo da oraçãoa respei-
to do qual se enuncia algo".Eassim por
diante,numa lista quilométrica.Podeaté
parecer maisfácileeconômicotrabalhar
apenas com os aspectos estruturais da
língua,masé garantido:a turma não vai
aprender."O que importa é fazer agaro-
tada transitar entre asdiferentesestrutu-
ras e funçõesdos textos como leitores e
escritores",explica a linguista Beth Mar-'
cuschi, da Universidade Federal de Per-
nambuco (UFPE).
É por isso que não faz sentido pedir
para os estudantes escreverem só para
você ler (e avaliar). Quando alguém es-
creve uma carta, C porque outra pessoa
vai recebê-la. Quando alguém redige
uma notícia, é porque muitos vão lê-la.
Quando alguémproduz um conto,uma
crbnica ou um romance,é porqueespera
emocionar, provocar ou simplesmente
entreter diversos leitores.E isso é perfei-
tamente possível fazer na escola: a carta
podeserenviadapara amigos,paren- e
www.ne.org.br Especial Produgão de Texto 19
Práticasde linguagem 1°a050ano
etes ou colegas de outras turmas; a
notícia pode ser diwlgada num jornal
distribuído internamente ou transfor-
mado em mural; o texto literário pode
dar origem a um livro,produzidodefor-
ma coletiva pela moçada.
Os especialistasdizem que os gêneros
são,na verdade,uma "condiçãodidática
para trabalhar com os comportamentos
leitoreseescritores".Asutilezaé que eles
devem estar a serviço dos verdadeiros
conteúdos:oschamados"comportamen-
tos leitoreseescritores"(lerpara estudar,
encontrar uma informação específica,
tomar notas,organizarentrevistas,elabo-
rar resumos, sublinhar as informações
mais re.levantes,comparir dados entre
textos e,claro, enfrentar o desafio de es-
crevê-los)."Cabe aoprofessorpossibilitar
que os alunos pratiquem esses compor-
tamentos,utilizandotextos de diferentes
gêneros",diz Beatriz Gouveia,coordena-
dora do Programa Alem das Letras, do
Instituto Avisa Lá,em São Paulo, e sele-
cionadora do Prêmio Victor Civita -
Educador Nota 10.
As boas opções para abordar
os gêneros em sala de aula
Existem muitas formas de trabalhar os
gêneros na prática. Nos quadros que
acompanham esta reportagem,você co-
nhece ecomparaduaspropostascurricu-
lares,deuma instituiçãoprivada edeurna
rede pública. A primeira (publicada à di-
reita e naspáginas 22 e 23) é da Secretaria
de Educação de Nova Lima, na região
metropolitana de Belo Horizonte.A se-
gunda (da página 24 à 27) é da Escola
Projeto Vida, em São Paulo. Ambas co-
brem do loao 5 O ano do Ensino Funda-
mental e podem servir de exemplopara
distribuirosconteúdosporque represen-
tam um passo além da chamada"norma-
tizaçãodescritiva"(atendência deexplicar
s6 as característicasde cada gênero).
Antes de detalhar como funciona a
abordagem que privilegia o ensino dos
comportamentos leitores e escritores,
vale uma palavrinha sobre os conteúdos
clássicos da disciplina: ortografia e gra-
mática.Elescontinuamsendomuito e
lJl<UIJU3IA LUI<I<ILULAI<UU MUNILIIJIC
Dividida em semestres, cobre 1O ao 5 O ano
e é adotada em toda a rede municipal
cantigas e adivinhas).
Objetivos Desenvolver
Objetivos Desenvolver ' comportamentos leitorese ler antes
coqportamentos leitorese de saber ler convencionalmente,
escritores, ler antes de saber tentando estabelecer relaçõesentre
ler e escrever sem saber o oral e o escrito.
escreverconvencionalmente. Conteúdos Leitura, escrita
Conteúdos Leitura, escrita e comportamentos leitores.
e comportamentosleitores.
do sistema de escrita). Produçãocoletiva ou em dupla
Recontode contos conhecidos de bilhetes,convites, receitas, regras
com o professorcomo escriba, de jogos, propagandase anúncios.
preservandoos elementos Reescritacoletiva de contos
da linguagem escrita. conhecidos.
Objetivos Refletir sobre Objetivos Refletir sobre o
o funcionamento do sistema funcionamento do sistema de escrita
de escrita e apropriar-se e produzir um texto em linguagem
das caracterlsticas da escrita, recuperandoos principais
linguagem escrita. elementos da narrativa.
Conteúdos Leitura e escrita Conteúdos Leiturae escrita e produção
e produção de texto oral com de texto oral com destino escrito.
destino escrito.
Agenda de telefones eendereços
dos alunos da turma. Coletânea de reescritasde contos
Livrode parlendas preferidas ditados para o professor.
pelogrupo.
Objetivos Produzir um texto
ibjetivos Estabelecerum sentido em linguagem escrita, recuperando
, ara o uso do alfabeto,favorecer os principais elementos da narrativa,
situaçõesde escrita com baseem e perceber a diferença entre
textos de memória e refletir sobre o a linguagemoral e a escrita.
funcionamento do sistema de escrita. Conteúdo Linguagem escrita.
Conteúdos Ordem alfabgtica
e leitura e escrita.
c ,Leituradiária de contos e poemas Leituradiária de textos literários Leitura diária de textos literários
pelo professor.
I.
e informativos pelo professor. pelo professor.
Roda de conversa com media ão do Roda de conversa (emissão de Roda de conversa (escuta atenta
professor sobre temas diversiÁcados. opiniões pessoais). e manifestaçãode opiniões).
Roda de biblioteca(emprkstimo Roda de biblioteca(emprkstimo Roda de biblioteca (emprkstimo de
-1
de livros e compartilhamento de livroscom comentários, lembrança livrose apreciaçãode textos literários).
de impressões sobre eles). de trechos, indicação aos colegas Leitura compartilhada de textos
Leiturae escrita de textos de e apreciaçãode textos literários). informativos para estudar os
memória (poesias, adivinhas, Leitura e escrita de textos práticos temas tratados nas diferentes
cantigase trava-llnguas). (bilhetes, cartões, avisos, anúnciosetc.). áreas de conhecimento.
Leitura pelo aluno de diferentesgêneros
Objetivos Desenvolvercomportamentos Objetivos Familiarizar-secom textos para localizare selecionar informações.
leitorese utilizar as estratkgias de literários e informativos e desenvolver Escritade textos práticos(bilhetes,
seleção, antecipaçãoe verificação, o comportamento leitor. cartões, avisos, anúncios etc.)
considerando aquilo quejá se sabe sobre Conteúdos Leitura, produção de texto
o sistemade escrita. e comportamentosleitores. Objetivos Desenvolvercomportamentos
Conteúdos Leitura, escrita e leitores, aprender procedimentosque
comportamentos leitores. leitoresexperientes usamao procurar
informaçõesnostextos e pôr emjogo
os conhecimentos sobre a escrita,
considerando as caracterlsticasdo gênero.
Conteúdos Leitura, produçãode texto
e revisão(pontuação, coesão, coerência
e aspectos referentesa regularidades
e irregularidadesortográficas).
Leiturade várias versões do mesmo Reescritaem dupla de contos
conto para apreciare comparar selecionados pelaturma. Reescritade contos conhecidos
textos de qualidade. Revisão coletiva das reescritas. (individualmente ou em dupla),
a Recontoe reescrita de umaversão Leitura, com a ajuda do professor, considerando as ideias principais do texto
do conto escolhida pelos alunos. de textos de diferentesgêneros, e as caracterlsticasda linguagemescrita.
Escrita em dupla de textos de memória. apoiando-seem conhecimentos sobre Escrita coletivade brincadeiras
Revisãocoletiva dostextos produzidos o tema do texto, as caracterlsticasdo infantis coletadas em entrevistas
em dupla. seu portador e o gênero. e registrosescritos.
n
Revisãocoletiva (aspectos
Objetivos Conhecere valorizar os Objetivos Participar de uma situação notacionaise discursivos).
recursos lingulsticos utilizados pelo de revisãocom a ajuda do professor,
autor e considerar a importancia da visando aprimorar a escrita e ler Objetivos Produzir textos utilizando
escrita correta para ser mais bem diferentesgêneroscom maisfluência. recursos de linguagemescrita e
entendida pelos leitores. Conteúdos Leitura, produçãoe revisão desenvolvercomportamentosde escritor
Conteúdos Leitura,produçãode texto de textos (aspectos notacionais (planejar, redigir, revisar e passar a limpo).
e revisão(ausência de marcasde ediscursivos,considerando as Conteúdos Produçãodetexto oral
nasalização,hipoe hiperssegmentação, caracterlsticas lingulsticas do gênero). com destino escrito e revisãode
entre outros). textos (pontuação, coesão, coerência
e ortografia).
i Livrode cantigas de roda preferidas Leitura de contos de própria autoria Manual de brincadeirasinfantis antigas
pelosalunos. para outrasturmas (após o reconto, para serem desenvolvidasnas aulas
a reescritae a revisão). de Educação Flsica.
Objetivos Escrever alfabeticamente Cadernode relatos de memórias Saraus literários (narração, reconto
textos de memória e pôr emjogo da turma com fotos e registrosescritos. de contos conhecidose declamação
os conhecimentos sobre a escrita. de poesiase trava-llnguas).
Conteúdo Ortografia. Objetivos Desenvolvercomportamentos
leitorese escritores eescrever relatos, Objetivos Desenvolvercomportamentos
rh considerandoas caracterlsticastextuais escritores(planejar o que se vai escrever,
e discursivas do gênero. escolher umaentre várias possibilidades
Conteúdos Leitura, produçãoe revisão de e rever após aescrita), identificar
textos (ortografia e aspectos relacionados caracterlsticasdos gêneros orais e' 3 linguagemque se usa para escrever). escritose participar de situaçõesde
L usode linguagemoral.
Conteúdos Comportamentosleitores,
-comunicaçãooral, produçãode texto e
Práticasde linguagem 1°m50am
/
Leituradiária de textos literários, Leitura diária de textos literários,
I
Leitura diária de diferentes
informativos e instrucionais informativos e práticospelo professor. gêneros pelo professor.
Leituracompartilhada de textos Rodade bibliotecae roda depelo professor.
Roda de conversa (manifestação informativos e de divulgaçãocientlfica. conversa relacionada aos projetos.
de opiniões). Roda de bibliotecae rodade conversa Leitura pelo aluno de gibis,
Roda de biblioteca (empréstimo de (discussõesrelacionadasaos projetos). enciclop6dias,jornais (para buscar
livros e comparaçãode livros lidos). Leitura de textos em diferentes informações,se divertir e aprender
Leituracompartilhada de textos portadorespara buscar informações. sobre o tema).
informativos e discussãode temas.
Escritade notlcias e de textos Objetivos Familiarizar-secomtextos Objetivos Familiarizar-secom
publicitários (propagandas, cartazes, de diferentesgêneros e selecionartextos diferentesggneros e selecionar
folhetos, slogans, outdoors etc.). em diferentesfontes, observandoseu textos em diferentesfontes,
propósito enquanto leitor. observandoseus propósitos.
Objetivos Desenvolver Conteúdo Comportamentosleitores Conteúdos Comportamentosleitores.
comportamentosleitores, aprender (seleçãode informaçõese leitura
procedimentosque leitoresexperientes de textos informativos).
usam para fazer perguntas e fazer
colocações ertinentes e por em
jogo os con(ecimentos sobre
a escrita considerando as
caracterlsticasdo gênero.
Conteúdos Leitura, produ ão de
texto e revisão(regularidaies e
irregularidadesortográficas,
coerência, coesão e pontuação).
*.Leitura para refletir sobre os Leiturae reescrita de contos Leiturade vários textos de um
recursos lingulsticos utilizados tradicionais tendo um mesmo autor, analisando os recursos
pelo autor (identificação nos contos personagemcomo narrador. lingulsticos utilizados por ele.
dos recursose as caracterlsticas Reescrita individual ou em dupla Produ ão de textos práticos, informativos
próprias desse gênero). de textos informativos. e literjrios individualmente ou em dupla,
Produçãode contos. Revisãocoietivaou em dupla utilizando procedimentosde escritor.
Revisãocoletiva(ortografia (coerência,coesão e ortografia). Revisãode textos produzidosem dupla
e pontuação). e com a ajuda do professor.
Objetivos Reescrever um conto
Objetivos Reconhecer a leitura em primeira pessoa (o personagem Objetivos Conhecercaracterlsticas
como umafonte essencial para 6 ao mesmotempo narrador) discursivas e comunicativasdesses gêneros,
produzir textos, aprender e desenvolvercomportamentos saber reconhecer, organizar e utilizar
procedimentosde revisãoe escritores. os recursoslingulsticos presentes nos textos
conhecercaracterlsticas discursivas ConteSidos Leiturade contos e aprender procedimentosde revisão.
e comunicativasdesse gênero. tradicionais, produçãotextual e Conteúdos Leitura, produçãodetexto e
Conteúdos Leitura, produçãode revisão(ortografia, pontuaçãoe revisão(ortografia, pontuação, concordância
texto e revisão(ortografia, pontuação, concordânciasverbale nominal). nominale verbal e aspectosdiscursivos).
Apresentação de um conto Leiturae produçãodejornal mural. Roda de leitura com a participação
produzido pela turma para os alunos Indicaçãoliterária de vários livros dos pais (apresentações,apreciações
da escola. e autores ara a maior circulação
de livros bibliotecada escola.
Objetivos Recuperar os elementos
da narrativa com base na linguagem Objetivos Reescrevere produzir textos
que se usa para escrever. utilizando procedimentosde escritor.
Conteúdos Leiturae Conteúdos Leituradejornais, Objetlvos Favorecer a troca de
produçãode texto. produçãode texto e revisão experiênciasde leitura e p8r em
(aspectos notacionaise discursivos). jogo os conhecimentos sobre a escrita
considerando as caracterlsticasdo gênero.
Conteúdos Leitura, produçãode texto.
e revisão(ortografia, pontuação
e aspectosdiscursivos).
Leitura diária dediferentesgeneros Leitura diáriadediferentesg@neros
textuais pelo professor. textuais pelo professor.
Roda de biblioteca (comemprkstimo Roda de biblioteca (emprkstimo
de livros). de livros).
Roda de conversa (emissãodeopiniões Roda de conversa,participação
sobredeterminadoassuntopara em seminárioseentrevistas.
argumentar econtra-argumentar). Leitura pelo alunocom diferentes
Leitura detextos para buscar propósitos.
informações,compreendereestudar.
ObjetivosParticipar de situações
ObjetivosParticipar de situações de intercâmbiooral,trocando
de interclmbiooral,trocandoopiniões, opiniões,planejandoejustificando sua
planejandoejustificando sua fala, fala,e adquirir comportamentosleitores.
e adquirircomportamentos leitores. Conteúdos Leitura e comunicação
ConteúdosComportamentosleitores oral (seminárioe entrevista).
ecomunicaçãooral.
* Leitura para refletir sobrea escrita Revisãodetextos produzidos por
(reconheceros recursos lingulsticos alunosdeoutrasturmas(elaborar
presentes nos diversostiposdetexto). devolutivas,fazendoalgumas
Pesquisa sobredeterminadoassunto consideraçõessobreotexto revisado).
(selecionarostextosde acordocom os -Leitura de artigosde opinião,noticias,
propósitosda leitura efazer resumos). re ortagense resenhas para desenvolver
Produçãodetextos informativos. a gmiliaridadecom esses eneros.
Revisãodas produções escritas. Produçbode resenhasdos!ivros lidos.
ObjetivosReconhecera leitura como ObjetivosRevisartextosassumindo
o ponto de vista do leitoreconhecer
informaçõese revisartextosassumindo
o ponto devista do leitor. Conteúdos Leitura,produção de
ConteúdosAnálisee reflexão sobre resenhas e revisão(pontuação,ortografia,
a Ilngua,produqãodetexto e revisão concord%nciaverbal e nominal, adequação
(aspectosnotacionaisediscursivos). aog@nero,coerencia ecoesãotextual).
Livrode cruzadinhasda turma Produçãodejornal da turma.
com verbetes(reflexãoorto ráfica Elaboraçãode resenhasde livros para
considerandoas regularidales apresentar a outrasturmas da escola.
e irregularidades ortográficas).
Elaboração de um folheto informativo ObjetivosExpressar sentimentos,
sobre um tema estudado. ideias eopiniões com base na leitura
efavorecera familiaridadee ouso
ObjetivosRefletir sobrea escrita dosdiversosgênerostextuais em
das palavras,considerandoas regularidades situaçõessignificativas.
e irregularidades ortográficas,e p8r Conteúdo Produçãode textos
em jogo os conhecimentossobrea escrita, jornallsticos e resenhas.
considerandoas caracterlsticasdogenero.
ConteúdosOrtografiae produção
detextos informativos.
& importantes nesse novojeito de pla-
nejar, pois conhecê-losé essencial para
que os alunos superem as dificuldades.
Que tempo verbal usar para contar algo
que já ocorreu? Que recursos de coesão
e coerenciagarantem a compreensão de
uma história? "Saber utilizar a língua é
o que mais influencia a qualidade textu-
al: ressaltaBethMarcuschi.Para alcançar
isso, porém, não é necessário colocar a
ortografia e a gramática como um fim
em si mesmo, ocupando o centro das
aulas. Assim como os gêneros, elas são
um meio para ensinar a ler e escrever
cada vez melhor.
Nas propostas curriculares da Escola
Projeto Vida e da rede de Nova Lima,
você vai notar que não existe uma pro-
gressão de aspectos "mais fáceis" para
outros "mais dificeis", pois qualquer gê-
nero pode ser trabalhado em qualquer
ano."O quedevevariarconformea idade
é a complexidadedostextos",afirma Re-
ginaScarpa,coordenadorapedagógicade
NOVA ESCOLA.Alemdisso,é fundamen-
tal retomar oestudo sobre determinado
g&nero(em diferentes momentos, mas
para atender a necessidadesespecíficas
de aprendizagem).
A turma deve saber que cada
tipo de textotem um suporte
A apresentaçãodostextos 6outro ponto
essencial:elesdevem sertrabalhados em
seusuportereal.Sevocê quer usar repor-
tagens,tem de levar para a salajornais e
revistas deverdade.Paraexplorarreceitas,
6precisoqueosalunosmanuseiemobras
de culinária. Na análise de bio@ias, é
fundamental cada um dispor de livros
desse tipo. E assim sucessivamente. Por-
tanto, nada de oferecerapenasuma carta
que esteja publicada (ou resumida) nas
páginas do livro didático.
Isso posto, é hora de mergulhar nos
currículos.Ofio condutor que aproxima
as duas propostas é a preocupação de
fazeraturina transitar pelastrêsposições
enunciativas do texto: ouvinte, leitor e
escritor.Énessa"viagemJ'de possibilida-
des que a garotada exercita os tais com-
portamentos leitoreseescritores.Em e
Praticasde linguagem 10,50ano
eNova Lima,todo professor lê diaria-
mente, ao longo do primeiro semestre,
contospara aturma de 2 O ano.Ao ouvir,
os alunos se familiarizamcom diversos
exemplosdetexto,apreciando-oseapren-
dendo a identificarascaracterísticasque
cada um delescontem.
Ao mesmo tempo, eles atuam como
leitores, comparando diferentesversões
de um conto,por exemplo,com o obje-
tivo de refletir sobreosrecursoslinguís-
ticosescolhidospelosautores.E o profes-
sor também coloca a garotada para tra-
balhar-pede quetodoscaracterizemum
personageme,portanto,escrevam.Nessa
hora, eles vão usar termos como "bom",
"mau","bonito","nervoso"etc."S6então
cabe explicar que esses termos são cha-
mados de adjetivos e são muito impor-
tantes em diversos textos, sobretudo os
contos e as propagandas, mas não são
adequados em outros,comoasnoticias",
explica Beth Marcuschi.
Nessa integração de atividades com
diferentes propósitos, os estudantesvão
muito alem das caracteristicas de cada
gênero -e aprendem de fato a ler e es-
crever,inclusive fazendouso da ortogra-
fia e da gramática em situações reais.
Tudo isso permite dar o pontapé inicial
aoqueosespecialistaschamamde"carni-
nho da autoria'' Uma possibilidade .C
propor a reescrita (individual) de um
conto.Maso percursopelastrêsposições
enunciativass6 estará completoquando
a garotada produzir o próprio conto (no
casode Nova Lima,issoé feitono semes-
tre seguinte, com direito a ler as produ-
ções para outrasturmas).
Organização do trabalho
pede mescla de modalidades
Para integraressa multiplicidadedepro-
postas e dar conta da evoluçãodos con-
teiidos,o melhor caminhoé organizar as
aulasconformeasmodalidadespropostas
pelapesquisadoraargentinaDelia Lemer
e dividir os trabalhos entre-atividades
permanentes,sequênciasdidáticase pro-
jetos didáticos -que podem ser interli-
gados ou usados separadamente,depen-
dendodosobjetivosaseremalcança-e
PROPOSTA CURRICULAR DA ESCOLA PR
Organizada n o l0ano de forma semestral.
Do 2 O ano em dian nestral
Leitura pelo professorde textos
de diversos gêneros e de jornal.
Leituracompartilhada de gibis.
Roda de leitura (contos).
Roda de conversa (seminário de
apresentação dos conteúdos estudados).
Leitura peloaluno de gêneros diversos.
Objetivos Avançar no modocomo entende
a escrita, a leitura e a comunicaçãooral.
Conteúdos Leiturae comunicaçãooral.
de memória (quadrinhas preferidas).
Escritados tltulos das histórias lidas
e dos personagens.
I
Objetlvos Refletir sobre o funcionamento
do sistemade escrita e apropriar-sedas
caracterlsticasda linguagemescrita.
Contelidos Leitura, escrita e letra cursiva
I para os alfabkticos.
Produçãode resenhas de indicação
literária.
Objetivos Refletir sobre a organização
e a produçãode textos e familiarizar-se
com alguns gêneros.
Conteúdos Leiturae escrita,
comportamentos leitores, comportamentos
?scritores(revisão. análisede texto bem
~eiturapelo professorde uma
coletâneadetextos.
Leitura compartilhada de contos e
gibis.
Rodade leitura (contos indianos).
Roda de conversa.
Recontode conto pelo aluno.
Leitura e escrita detextos de
memória.
Objetivos Avançar no modo como
entende a escrita, a leitura e a
comunicaçãooral.
Conteúdos Leitura, comunicação
oral e comportamentos leitores.
Reescritae recontode
contos de RicardoAzevedo
e Clarice Lispector(1920.1977).
Objetivos Refletir sobre a
organizaçãoe a produção
de textos e analisar textos
bem escritos.
Conteúdo Produção
de texto (planejamento, escrita e
revisão-organizaçãotextual).
OJETUVIDA, EM 5AU W L w SY
l0trimestre
Roda de leitura
(apresentaçãoe
apreciaçãode livros
lidos).
Roda de curiosidades
(comunicaçãooral de
notlcias lidasem jornais
e revistase contadas
para os colegas).
Dbjetivos Desenvolver
i linguagemoral e
amiliarizar-secom
)s gêneros.
:onteúdos Leitura,
:omunicaçãooral e
:omportamentosleitores.
Roda de leitura ..
(apresentaçãoe .
apreciaçãode livros
lidos).
Roda de curiosidades
(comunicaçãooral de
, notíciaslidas emjorn
e revistas e contadas
1ais
1para os colegas).
I
Objetivos Desenvolver
comportamentos leitores
e a linguagem oral
e familiarizar-secom
os gêneros.
Conteúdos Leitura,
comunicaçãooral e
comportamentos leitores.
Leitura de biografias
de poetasbrasileiros.
Leitura compartilhada
de poemas.
Reescritade poemas.
lbjetivos Ampliar
) repertóriode poemas,
:onhecer recursos da
Leitura compartilhada
de mitos e lendas
indlgenas.
Leitura compartilhada,,-
de textos expositivos
de ciências naturais
e humanas.
bietivo Ler Dara estudarI tinguagempoetica régistrar informações
t aproximar-sedo e diferentesfontes. I~ênerobiografia. nteúdos
:onteúdos Leitura omportamentos leitores
!comportamentos speclficosde ler para
!scritores. rstudar: sublinhar. tomar
rotas e fazer resumos.
I
Roda de leitura
(apresentação e
apreciaçãode
livros lidos).
Roda de curiosidades
(comunicaçãooral
de notlcias lidas
emjornais e revistas
e contadas para
os colegas).
Objetivos Desenvolver
comportamentos
leitorese a linguagem
oral e familiarizar-se
com os gêneros.
Conteúdos Leitura,
comunicaçãooral e
comportamentosleitores.
I
Produçãoescrita Leitura, interpretação, Continuaçãodo projeto
e revisãode texto reescrita e revisão sobre conto de fada
autobiográfico. de contos de fada. (produção escrita
3bjetivos Aproximar-se
io gênero biografia.
:onteúdos Produção
ie texto, comportamentos
pscritorese revisão
,segmentaçãode palavras,
~rganizaçãode ideias,
iubstituição das marcas
ia oralidadee ortografia).
Objetivos Reescrever
contosde fada respeitando
caracterlsticasdo gênero
e a sequência de ideias
dos textos-referência.
Conteúdos
Comportamentos
leitorese escritores,
revisão(ortografia
e segmentação do
texto em parágrafos).
Roda de leitura _ Roda de leitura
(apresentação (apresentação
e apreciaçãode e apreciaçãode
livros lidos). livros lidos).
Roda de curiosidades Roda de curiosidades
(comunicação oral de (comunicaçãooral de
notlcias lidasemjornais notkias lidas emjornais
e revistase contadas e revistase contadas
para os colegas). paraos colegas).
Objetivos Desenvolver Objetivos Desenvolver
comportamentosleitores comportamentosleitores
e a linguagem oral e e a linguagemoral
familiarizar-secom efamiliarizar-secom -
os gêneros. os gêneros.
Conteúdos Leitura, Conteúdos Leitura,
comunicaçãooral e comunicação oral e
comportamentos leitores. comportamentosleitores.I T
Ie revisão para
organizaçãode livro).
I
Objetivos Escrever
um conto de fada
considerando
as caracterlsticas do
gênero, a se mentação
em parágraise a
sequência de ideias.
Conteúdo
Comportamentos
I
escritores e revisão
(ortografia, organização
de ideias e segmentação
do texto). I
Catálogode leituras
(leitura compartilhada
de textos ficcionais
de diferentesgêneros
/ e produçãoescrita
e revisãode resenhas -
1 organizadasem forma
de catálogooferecido
a biblioteca de uma
escolavisitada).
1 Leitura de textos
1 ficcionais de
diferentesgêneros.
1
Leituracompartilhada
de contos popularec
Produçãoescrita
e revisãode contos
populares para
coletâneade textos,
I
Objetivo: Conhecer
apreciar a leitura de
contos populares,
planejar, produzir e
revisar um conto popular
Conteúdos
I os livros lidos(do
Comportamentos
leitorese escritores e
revisão(ortografia,
coerênciae coesão, letra
iaiúscula e adjetivos).
.....................
A
I
Práticasde linguagem 1°m50am I
Roda de leitura Roda de leitura (apresentação .Roda de leitura
(apresentação e apreciaçãode livros).
1
(apresentação e apreciaçã"
e apreciaçãode livros). Roda de curiosidades de livros lidos).
Rodade curiosidades (comunicaçãopral de noticias .Roda de curiosidades
(comunicação oral de lidas em jornais (comunicaçãooral de
notícias lidasem jornais e revistase contadas notícias lidasemjornais
e revistase contadas para os colegas). e revistase contadas
para os colegas). para os colegas).
Objetivos Desenvolver ,,
Objetivos Desenvolver comportamentosleitores -. : Objetivos Desenvolver
comportamentos leitores e a linguagem oral . - 3 comportamentos leitores
e a linguagem oral efamiliarizar-secom - 8 e a linguagem oral e
efamiliarizar-secom os gêneros. familiarizar-se com os
os gêneros. Conteúdos Leitura, . gêneros.
Conteúdos Leitura, comunicaçãoorabe . ConteCidos Leitura,
comunicaçãooral e comportamento3reitores. comunicaçãooral e
comportamentos leitores. ,E A comportamentosleitores.
L .:.,
Leitura d e x s i t i v o s Leitura, anblise e reflexãz
de ciências naturaise sobre os recursos
humanas, explicitando linguisticos das narrativas
I
sua organização. de Monteiro Lobato
Produçãode textos (1882-1948).
expositivostendo como
referência textos de ciências Objetivos Ler, analisar
naturais e humanas. e interpretar textos
Leitura de textos ficcionais. variados do autor,
caracterizarpersonagens,
Objetivos Analisar textos identificando os modos
expositivos, refletindo de pensare sentir, e
sobre a organizaçãotextual utilizar recursos da
(subtftulos, uso de imagens e linguagem lobatiana.
gráficos como complemento Conteúdos Produção
das informações), organizar e revisãode texto
informações e registrá-Ias usando OS recursos
para expor ideias). de escrita de Lobato
(vocabuláriode época,
riqueza de detalhes
descritivos, pontuação
dentro do estilo
I
do autor).
Leitura compartilhada
de contosde aventura
e produçãoescrita de
livro da classe.
Objetivos Organizar
Objetivos Desenvolver informaçõese registrá-Ias
comportamentos leitores paraexpor ideias.
e escritores e identificar Conteúdo Revisão
caracteristicas dos
personagensque
sustentam a aventura.
Conteúdos Leitura,
produçãoe revisão
de texto (discursodireto
e indireto, ortografia,
coesão, organizacãodas
ideiase caracterlsticas
a do gênero).
PROPOSTA CURRI( LAR DA ESCOLA PROJETOVIDA, EM SÃO PAULO, SP (continuação:
r 4OA
' '$,?-<
Roda de leitura .?^i
(apresentação e apreciação"
de livros lidos).
Roda de curiosidades
(comunicação oral de
noticias lidas em jornais Ie revistase contadas para
os colegas).
Objetivos Desenvolver
comportamentosleitores
e a linguagem oral e
familiarizar-secom os
gêneros.
Conteúdos Leitura,
comunicacãooral e
comportainentos leitores.
,.4
Leitura, produçãoescrita
e revisãode poemas para
compor coletânea.
Objetivos Ampliar o
conhecimentosobre o gênero,
analisando bons modelos de
diversosestilosde poemas.
Conteúdos Comportamentos
leitorese escritores e revisão,
contemplandoo uso de rimas,
a escolha das palavras para
expressar imagens, os recursos
associativosentre os poemas
e aforma de expressá-los
no papel.
Roda de leitura
(apresentação e
apreciaçãode
livros lidos).
Roda de curiosidades
(comunicaçãooral de
e a linguagemoral
efamiliarizar-secom
os gêneros.
Conteúdos Leitura,
comunicaçãooral e
r comportamentosleitores.
Cku e Mar (Amyr Klink, Produçãoescrita e
de diversosgêneros.
Conteúdos
e escritores, leitura,
Objetivos Identificar
diferentes propósitosde
relato pessoal e o narrador
recursosde linguagem
e ortografia).
dos."Achaveé pensarnuma progres-
são das dificuldades",recomenda a lin-
guista Vera LúciaCristóvão,da Universi-
dade Estadual de Londrina (UEL).
Oprojetodidáticoéamodalidademais
indicadapara trabalhar a escrita-afinal,
ao criar um produto final com público
definido,aturma aprendeafocarem um
gêneroesaberoquê,por queepara quem
escrever.Num projetodidáticosobrepro-
pagandas, por exemplo, a exibição das
criaçõespara outros estudantespermite
reproduzir o que ocorre com a publici-
dade na vida real. Alem disso, a tarefa
adquire outro sentido,pois o aluno sabe
que escrevepara que outros leiame,por-
tanto, passa a prestar mais atenção na
necessidadede se fazer entender.
Já as sequências didáticas são ideais
para a leitura de diferentes exemplares
de um mesmo gênero,de obrasvariadas
deum mesmoautorou dediversostextos
sobreum tema. Elasgarantem uma pro-
gressão que respeita o objetivo a ser al-
cançado. Ao planejá-las, é importante
colocá-lasantesdosprojetosdeprodução
textual.No município de Nova Lima, os
textos informativossãoexploradosantes
da criação de um jornal mural. E as ati-
vidades permanentes têm como meta
criar familiaridadecom osdiversoscom-
portamentos leitores.
Na Projeto Vida, os alunos do 2 O ao
5 O ano realizam semanalmente rodas de
curiosidades,em que contam para os co-
legas o que leram nosjornais. Com isso,
são estimuladosa comentar as notícias.
Por fim,vale destacar que, quando os
gêneros são ensinadoscomo um instru-
mento para acompreensãodalíngua,não
importam quantosou em quaisvocê tra-
balha, desde que o objetivo seja usá-los
como um jeito de formar alunos que
aprendam a ler e escreverde verdade. (J
:-
:Beatriz Couveia, biagouveia@uol.com.br i
j Escola ProjetoVida, tel. (11) 22361425, .
atendimento@projetovida.com.br
:Secretaria Municipal de Educação
i de Nova Lima, tel. (31) 3541-4855
:Vera LúciaCristóvão, I
...................................................................................................................................................................................
Propostasde escrita 3"aoõoano
O que e para que(m)
Propostasde escrita devem ter intenqão comunicativa e gênero e
destinatário claros. Projetos didáticos ajudam a conjugar esses fatores
TATIANA PINHEIR 0 novaescola@atleitor.com.br
ou duas linhas e desistem? Não dizem
nada com nada? Misturam gêneros -
pior, ficam sempre no mesma, ou, pior
ainda, não têm a menor noção do que se
trata? Para resolver isso,um caminho 6
refletir sobre sua prática em sala. Mais
especificamente, sobre suas propostas
de produção de textos. É bem provável
queesteja nelas a raiz damaior parte das
queixas citadas.
O argumento é simples: uma boa
proposta de texto precisa ter propósitos
comunicativos claros. Trata-se, segundo
os estudiosos, de garantir as chamadas
condições didáticas da escrita: o que es-
crever?Para que escrever?E,finalmente,
para quem escrever? Somente respon-
dendo a essas perguntas 6 possivel de-
terminar comoescrever (aquientram os
gênerosespecíficos: conto,fábula etc.).
Textos de tema livre costumam des-
considerar esses requisitos básicos. O re-
sultado, quase sempre,6 desastroso. Em
seu livro Passado e Presente dos .Verbos
Ler e Escrever, a pesquisadora argentina
Emilia Ferreiro demonstra claramente
a diferença que uma boa proposta de
escrita faz. Enquanto uma redação de
tema livre sobre o frango (por incrível
que pareça, a proposta era essa) gerou
uma composição pobre de conteúdo
e de forma indefinida, outra -em que
destinatários,tema e motivo da escrita
estavam explicitamentedefinidos -deu
origem a um texto,com diversasmarcas
doigênero,muito mais coerente e coeso
(leia oquadroà direita).
S PROF! .MAS DO TEXTO DE TEMA LIVRE
'-:~&ênero,r . destinatárioi -0pósitoclarosfazem muita fal
,,a m.ISTAS E
l k
MAIS LISTAS
Há muitos ite-
! enfileirados u
após o outro.
% "Quando não
:se sabe o que a
I, escrever, mas se
,:sabe que é preciso -
preencher a página, -
recorrer a lista é
umatábua de
salvação", analisa
Emilia Ferreiro.
diSTpREBA
DE CENEROS
A partir deste ponto,
o texto, que até
então poderia ser
considerado uma
descrição, se
transforma er
receita culinária.
Para completar
a composição,
o aluno recorre
aos modos de
preparo do frz i.
FIM
DESCONEXO
Na última f r a ~ -
Ramón revela
aliviado por
terminar a escrita
Você consegue
dizer se este texto
é bom? Sem gênero, i
destinatárioe
propósito claros, i
é impossível ter i
ritérios para aval^
ALUNO ~ a m 6 n ,7 anos.
COM A LINGUA EsCRm
vive emumacomunidade Vrai Pequena
e is0iada. Na ~ s c o  ~ ,sua P~~~~~~~~
acha perda de tempo ler*
pR~pOSTADE ESCRITAEscrever um
. texmlivre sobre 0frango.
28 Especial Produgèo de Texto www.ne.org.br
A2 GOLUCOES DO TEXTO DE PROJETODIDATICO
Encaminhamentosclaros e corretos fazem toda a diferença
- . -
4%~ / eUM 4 ,/e, r n - R
I.."
dg5*.*e h < a h b , ~ hV,,,, .
O 4d;Ãs Ihes d;sçe AYIAO .-.
, I .
- ----,> .':
ALUNA Teresa, 6 anos. g .
.
CONTATOCOM A LINGUAESCRITA - . I;L--7-
A 3constante, Unto em casa como na escola.
- r-*Nasaulas, escuta a leitura de contosmdo dia L . 42d
PROPOSTA DE ESCRITA
Criar um contoque ser5 transformado
num Ilvrinh0 Para OS colegas.Teresa escolhe *
-c0fIIo tema o arco-(ris.
. -FONTE A(SUW EPRÈSENTEwsVERBQ(
E EscRNERIx FERREIRQOS T m o u * A ~ ~ T A W ~
0 WRNCUe5 I- c
EMv E w m ~ ~ ~ ~ í c mCORREÇ&Z ORTOCIL(F,~)
I
Essa clarezadepropósitosprecisa estar
presenteem todasaspropostas deescrita.
Mashá alternativasdetrabalhoqueacen-
tuam essascaracterísticas.Aprincipalde-
lasC oprojetodidático,uma modalidade
organizativacomposta de sequênciase
atividadesque culminamnum produto
final com destinatário definido."O pro-
jeto 6a melhor forma de realizar o que
i MARCAS
DO GÊNERO
A aluna conhece
as construções
típicas que são
usadasem um
conto, tanto
nício ("era uma
') como nofim
veram felizes
. ,-. 3 sempre",que
i registracomo......
: "e estavam
muito feliz").
NO RITMO
CORRETO
Apesar de
tropeçar no
início do texto,
ela logo resolve
o problema e faz
a história evoluir a
~ a r t i rdeste ponto,. .
i criando uma
i sequênciade fatos
i que confere,
bom rit
compos
GANIZAÇAO
EQUADA
A maneira como
Teresa constrói O
texto demonstra
conhecimentosdas
particularidades
da língua escrita
O fim de cada
fragmento, por
exemplo, 6
. retomadoe
i reelaboradopara
iniciaro seguinte.
estamos falando.Vamos supor que a in-
tenção seja propor um projeto didático
sobreavida dosdinossaurospara alunos
de4 O ou S0 ano.Oprodutofinalpodeser
um livro, com uma coletânea de textos
infolmativos,queficarádisponívelna bi-
blioteca.Nesse caso,ospropósitosdidáti-
cos-aprendera reconhecer e a produzir
textos expositivos-e o propósito social
ou comunicativo-produzir um livroso-
bre dinossaurospara a consulta dos de-
mais alunos -são do conhecimentode
.
todos desde o início das atividades.Isso
aumenta o entusiasmo para participar
das tarefas. Quando sabem que aquela
produção terá leitoresreais, o empenho
e ocuidadoemtodasasetapasda produ-
çãosãoredobrados.
Outroaspectoquediferenciaoprojeto
didático é a duração. De acordo com a
quantidadedeconteúdos,elepodeserfei-
to duranteumbimestre ouum semestre,
seguindo um planejamento detalhado
dasatividades:comoserãofeitas,quanto
tempo levarão,qual a meta de cada uma
e como serão avaliadas.Nos projetos de
produçãode texto,C essencialconsiderar
que cada etapa deve conter práticas de
leitura e escritaou de análise e reflexão
sobre a língua (leia o projeto didático na
página seguinte).
osespecialistaschamamde transposição
didáticadosusossociaisda escritapor co-
locaro aluno diantede uma prática que
consideraa função comunicativada lin-
guagem",diz Beatriz Gouveia,formadora
de professores do Instituto Avisa Lá, na
capital paulista,e selecionadora do Prê-
mio Victor Civita-EducadorNota 10.
Um exemploajudaa esclarecerdoque
Interdisciplinaridadee
culminância, palavrõesa evitar
Seaintençãoprincipal fortrabalhar pro-
dução detexto,é precisotomar cuidado
para não exagerar na interdisciplinari-
dade. A tentação de querer ensinar de
tudo um pouco, forçando a barra para
misturar diversasáreas,nãocostumadar
bons resultados. Para ficar no exemplo
dos dinossauros,não precisa quebrar a
cabeça para inserir a qualquer custoum
conteúdo de Matemática,por exemplo.
TarnbCm não vale pedir tarefas que a
turma já sabe e achar que a missão está
cumprida.Voltandoaosdinosmais uma
vez, imaginemos que os estudantes já
possuem algumafamiliaridadecom alei-
tura de mapas. Pedir que eles localizem
os bichos num mapa-múndi,defínitiva-
mente, não C um bom exemplo de e
www.ne.org.br Especial Produgão de Texto f9
Propostasdeescrita 3Oaoboano
ecomo abordar Geografia nesse pro-
jeto didático. Nãose podeperderdevista
que umbom projeto deve levar o aluno
a aprender coisasque antesdesconhecia.
Trata-se de fazê-lo colocar em jogo seus
conhecimentos para resolver umdelafio,
perceber que o que sabe é insuficiente e,
com a ajuda do professor, encontrar ca-
minhos para reorganizar suas hipóteses
e seguir avançando.
Outro pecadomuito comumnospro-
jetos é a atenção demasiada ?ichamada
"culminância", o produto final das ativi-
dades. A ideia é que a apresentaçãoou a
entrega do projeto concluam umacami-
'nhada permeada pelo aprendizado, na
qual as crianças partiram de um estágio
menor de conhecimento e chegaram a
um maior. "Em nenhum momento da
execução do projeto, o propósito social
e aculminânciadevemsuperar os objeti-
vos didáticos. Nãose pode perder noites
de sono pensando no que servir de lan-
chinho n o dia do sarau o u matutando
em que tipo de papel olivro de poesias
das crianças será impresso", alerta Silvia
Carvalho, especialistaem Educaçãoe co-
ordenadora do InstitutoAvisa Lá.
E Csempre válido lembrar quenãova-
le apostar apenasnos projetos didáticos.
Apesar de bons, é precisomesclá-losaou-
tras modalidades organizativas paraque
os alunos escrevam mais. O ideal é que
escrevamtodo dia, em todas assituações
que surgireme complementem o proje-
to principal: tomar nota em situação de
estudo, escrever cartas e bilhetes, traba-
lhar outros gêneros e assim por diante.
E mtodas elas, vale a regra de ouro: você
deve deixar bem claro para a turma as
perguntas essenciais -o quê, para quem
e para quê escrever. [J
i-
:Beatriz Couveia,
j biagouveia@uol.com.br
:SilviaCarvalho, siivia@avisala.org.br I
Ob)etlu#
iFamiliarizar-secom o gCnero
expositivo.
iAprender procedimentos de revisão.
Reconheceras caracterlsticas
de fichas técnicase produzi-las para
um mural a ser exibido na escola.
-iProduçãotextual (textos
informativos).
r Procedimentosde pesquisa.
Revisão.
lkapo Três meses.
rmrdrbEnciclopédias
e revistas de informação,tesoura, cola,
cartolina, canetinhase papéis.
I Para trabalhar com alunos com
i deficiência auditiva, acesse
i www.ne.org.br e digite na busca
i mural de animais em extinção.
i-
i 81aetapa
I Iniciecompartilhando com? turma
como será o produto final. E o
i momento de dividir com os alunos o
que o desafio é organizar, em fichas
técnicas, o que sabem sobre o assunto
para apresentar 2 comunidade da escola
e As famflias.
m 2' etapa
Paraque os estudantesescrevam um
texto informativo, precisamantes
se familiarizar com ele. Aborde esse
aspecto pedindo que eles levem livros,
fotos e reportagens quejulguem
interessantessobre animais em extinção.
Amplie esse acervo com enciclopédias,
livros, revistas e sites sobre o assunto,
cuidando para incluir fichas técnicas,
pois elas serão uma referência para o
trabalho da turma. Organize situações
de leitura, conversandosobre como o
texto 6 escrito, qual tipo de informação
ele traz, de que modo os dados são
descritose quais os termos mais usados.
8 3"etapa
Depois da familiarização com os
materiais, é hora de se debruçar
sobre eles para selecionar informações.
Divida a garotada em grupos e distribua
os materiais para pesquisa. Aborde
procedimentos como busca, seleçãoe
anotação das informações relevantes,
rediscutindo-os ate que o resultadoda
pesquisaseja satisfatório.
de escrita tanto em grupo como
individualmente. A comparação
e a referência a bons exemplosde
fichas técnicas, assimcomo o retorno
aos textos para recuperar e ampliar
as informações são sempre Úteis.
iSa etapa
Organize uma ou mais sessões de
revisão-coletivaque sirvam de modelo
para a atuação dos alunos. Destaque
todos os aspectos que podem ser
revisados:organizaçãoda linguagem,
ortografia e informações.
i6' etapa
Traga exemplos para que aturma saiba
como montar um mural. Alerte para
a necessidadede ilustração,de tftulo
e do tamanho das letras das fichas
para a leitura, tendo sempre em vista
as especificidadesdo público.
-tliul
Mural de fichas técnicas.
-Durante todo o desenvolvimento do iprojeto, avalie, nasfalas e nas produções i
das crianças, se elas conseguiram obter i
informações corretase suficientes em i
tabelas e esquemas, transpondo-as
adequadamentepara o mural.
i que vão aprender, a razão de estudar i4" etapa
o conteúdo, o quevão produzir e para Momento de usar as informdções Consultoria BEATRIZCOUVEIA e
DÉBORARANA(deborarana@ajato.
i quem vão apresentar. NOcaso do levantadas para a elaboração das fichas com,br),formadorasdo instituto
i hural de animais em extinção, conte I técnicas. Para isso, preveja situações I Avisa Li,em São Paulo, SI?
Diagnóstico 30m50ano
O que cada um sabe
Analisar detalhadamente a forma como os alunos escrevem é a primeira
providência para determinar os pontos que devem ser ensinados
ANDERSON MOÇO anderson.moco@abril.com.br
Aplicar atividades de diagnóstico C
algo fundamental para dar o pon-
tape inicialaotrabalho de qualquercon-
teúdo. Sobretudo do 3 O ao S0 ano do
Ensino Fundamental, a prática é indis-
pensável porque, enquanto alguns estu-
dantes demonstram mais familiaridade
comosconteúdosgramaticaisea organi-
zação textual,outros, recém-alfabéticos,
aindaenfrentamdificuldadesbásicas em
questões de ortografia,que precisam ser
sanadas com o passar do tempo. É claro
que nada disso é problema: erros desse
tipo são parte do processo de apropna-
ção da linguagem. Mas às vezes as difi-
culdades são tão alarmantes e variadas
que fica a sensação de que não há nem
por onde começar...Por isso, organizar
atividadespara descobrir o que a turma
já sabeé tão importante.
A sondagem inicial serve justamen-
te para mostrar - com o perdão do tão
surrado ditado -'que o diabo não 6 tão
feio quanto se pinta. "Nos diagnósticos
bem feitos,o objetivonão 6contabilizar
os erros um a um. O foco deles deve ser
agrupar problemas semelhantes para
direcionar o planejamento de ativida-
des que vão ajudar a corrigi-lose fazer a
garotada avançar maisn,explica Cláudio
Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa
da prefeitura de São Paulo e seleciona-
dor do PrêmioVictor Civita-Educador
Nota 10.Em outraspalavras,isso signifi-
ca que entender as principais dificulda-
des da turma é fundamental para saber
o que é mais importante ser ensinado
e também para definir as melhorespro-
póstas didáticas e as abordagens mais
eficazes a serem aplicadas em sala.
Uma lista para mapear .
as dificuldadesda turma
Antes de começar a atividade,é preciso
montar uma lista com ositensque serão
analisados.Não podem faltar aspectos
relacionados aos padrões de escrita e às
o foco deve recair sobre a ortogr&a e a
1característicasdo texto. Do 3 O ao S0 ano, ,
pontuação e é essencialverificarseatur-
ma conhecee respeitaostraços do gêne-
ro escolhido(veja no quadro à direita um
exemplode diagndsticocom base em alguns
dos erros mais comuns nessafase).
Emseguida,vocêjá pode pedirque os
alunos escrevam. Não há segredo:como
I
emqualquerpropostadeproduçãoescri-
ta,osaluriosprecisamsaberpara quevão
escrever (ou seja, a intenção comunica-
I
tiva deve estar bem definida),o que vão
escrever (o gênero selecionado) e quem
vai ler o material (o destinatáriodo tex-
to)."TambémC importanteexplicarque
essas produções servempara mostrar ao
professor como ajudá-losa ser escritores
cada vez mais competentes",afirma So-
raya Freire de Oliveira,professora da EE
CarvalhoLeal,em Manaus. Em sua clas-
1
se de S0 ano, ela prop8s que a garotada
produzisse uma autobiografia, gênero
quevinha sendotrabalhado desdeo ano
anterior - uma opção válida,já que os
estudantestinham familiaridadecom o
tipo de texto. Contudo, os especialistas
apontamquepode serainda maisprodu-
tivo sugerir que os alunos recriem, com
suasprópriaspalavras,histórias conheci-
das,comouma fábula(leiamais noplano
de aula da página 34)."Assim,você pode
seconcentrarnosaspectosquetêm deser
,
,
melhorados para aproximar o textoe I
T m de letras
por dexouikimento
de qulariddar.
Iprouosta Enfatlze
as rcpularidaber
ortogtdfic~r,analisando,
por meiade listas,a
poryEo da ktra na
palavra ('C", porexemplo,
una ocorre no inkioh I
j-&lema CcmmdAnc
ertml.
~ 0 l ~ 3 9 t aRefletirs h r e
queé erro na norma
ulta e na linguagem
ihda pela comparagiío
e texto3 dê alunos
om reportagens(Neles
n>curozr>deve dar lugar
TAVAm
roMcm interferência
a fala mradial.
E!Rma ULSQI,
precisomemorizar
palma e aprender
ue as deriwaqiks
artem sempredo
=mo i?Edbl (em ven
eYwanIaestwa~que
pgg&jTrabalhar
~fewnpsentre a filo
a d t a . A a q e S B o c
transcrever Mrasde
em wz de"chego").
&lema Usode sílabas
iferentcs do padrao
>nroante-vogal.
ropasta Reflexa0sobre
alwras com sllabas de
.&sktras ("resol-WU").
ma opçso C destaca-lar
rn textos para que
escubram o que elas
5m em comum.
32Especial Produgáo de Texto www.ne.org.br
.........................,.........................................................................................................................
Diagnóstico 3 0 w ~ a n o Vida-3 -I
d ~ b ottn,
*que os alunos fazem daquilo que é
considerado bem escrito", recomenda o
professor Bazzoni.
Com as produções em mãos, Soraya,
a professora de Manaus, partiu para a
análise, anotando na lista de aspectos
sondados quantas vezes cada tipo de
erro se repetia nas produções. N o fim,
descobriu que muitas crianças não utili-
zavam sinais de pontuação."Percebi que
esse deveria ser o conteúdo prioritário
naquele início de ano", ressalta.
Do3 O ao 5 O ano, a ortografia
é um dos problemascomuns
O resultado do diagnóstico de Soraya é
bastantecomum: ortografia epontuação
costumam ser os pontos maiscriticos pa-
ra as crianças dessa faixa etária. "Muitos
alunos escrevem do jeito que falam e
ate inventam palavras", conta Bazzoni.
Mesmo assim, dizer que a turma tem
problemas com "ortografia e pontua-
ção" é vago demais.Quais problemas, es-
pecificamente? Faltamvírgulas? Muitos
trocam letras? Poucos sabem dividir os
parágrafos? Mais uma vez, a sondagem
podeajudar: seositens analisadosforem
bemdeterminados, você saberácombas-
tante precisão que pontos atacar.
Éimportantelembrar, ainda, que cada
conteúdo deve ser abordado por meio
de novas propostas de textos, sempre
com etapas de revisão. Refletir sobre os
aspectos notacionais (relativos As regras
de uso da língua) e discursivos (relativos
ao contexto de produção) 6 o jeito mais
eficaz de levar os alunos a aprender os
padrões de escrita e superar os proble-
mas que enfrentam ao escrever. [3
I....................
-:~1áud10Bazzoni, bazzoni@uol.com.br
i EECarvalhoLeal, tel. (92) 32169053,
:eecleal@seduc.am.gov.br
i Soraya FreiredeOliveira,
soraya.oliveira@yahoo.com.br
:IIIOLIIIL
i Emeducacao.prefeitura.sp.gov.br,
i naseção Biblioteca Pedag~ígica,
:odocumentoAprender os Padrõesda
LinguagemEscrita de Modo Reflexivo,
I sobrecomorealizarumdiagnóstico
:'de produçãodetexto. I
robmb
i iIdentificar o domlnio de cada
J aiuno em relaçãoaos padrões
i da linguagem escrita.
I -
I iProduçãode texto.
I.iFábulas.
I Aiiar 3O ao 5O.
i uaaw-
i Folhas para escrever,
i lápis e borracha.
iFMwlrqa
i Paratrabalhar com alunos
i com deficiência ffsica, acesse
I www.ne.org;br e digite na busca
i diagndstico inicial produção texto.
i-
f Conversecom a turma sobre
i a atividade, explicando que ela será
: importante para o planejamento
i das próximas aulas e que vai ajudar
a escrevercom mais segurança. A
i tarefa é reproduzir por escrito uma
i fábula (de conhecimento de todos)
i que será contadaem sala. Depoisde
i recitá-la, conversesobre o enredo
i para que as crianças se familiarizem
i com a história.Você pode solicitar
i que contem a fábula oralmente
para ter acerteza de que todos
i têm condiçõesde reproduzi-la por
i escrito. Por fim, peça que os alunos
i a escrevam por conta própria.
i ~ w ~ ~ i ~ b
i O diagnóstico é feito ao analisar
i os textos de acordocom uma
i lista de problemase dificuldades
i previamente estabelecida, que
i consideretanto padrõesde escrita
i como caracterfsticasdo gênero
i escolhido. No caso das fábulas, uma
i sugestão posslvelé a seguinte:
i Padróes de escrita
: @Apresentamuitas dificuldades para
<I >> r< JJ <I JJ I< J> <I JJ <I
r Irr , s / ss , g IguJ;"m>T'nn)
por desconheceras regularidades
contextuais do sistema ortográfico.
iTroca letras ("cJT<ç"l"s"/"ssJJ/"xJ~
« JJ I#JJ « >II< JJ ll JJ I<'JJ
s / z , x l c h , g / ~)por
desconhecer as múltiplas
representaçõesdo mesmosom.
Realiza trocas de consoantes
surdas (produzidas sem vibração
das cordasvocais, como"pJJe"t")
e sonoras (com vibração das cordas,
como"b" e"d").
iRevela problemas na
representação da nasalização
("ãJJ/"an").
iNão domina as regras básicas
de concordância nominal e verbal
da lingua.
iNão segmenta o texto em frases
usando letras maiúsculase ponto
(final, interrogação, exclamação).
iNão emprega avlrgula em frases.
iNão segmenta o texto
em parágrafos.
iNãodispõe o texto (margens,
parágrafos, tltulos, cabeçalhos)
de acordo com as convenções.
Características do gênero
iModifica o conflito principal
da história.
iNão evidencia a relaçãoentre
os personagens.
iNão constrói o clímax.
@Transformao desfechoda história.
iNão constrói o texto de modo
a retomar ideias anteriores para
dar unidadede sentido (coesão
referencial).
iNão usa marcadores temporais.
Depois de verificar quantas vezes
os problemas listados aparecem
no texto de cada criança, registre
o total de vezes que esse problema
aparece na classe. Com base nesse
diagnóstico, liste os problemas
principais que precisam ser
trabalhados com toda a turma,
tratando-os como conteúdos
prioritários para o semestre
em curso.
i representarsllabas cuja estrutura
I ConsultoriaCIAUDIOBAZZONI,
i seja diferente de consoante-vogal. assessor de Llnaua Portuauesa
i iApresenta erros por interferência
da fala na escrita em fim de palavras.
i iApresenta erros por interferência
i da fala na escrita no radical.
i iTroca letras("c"/"ç", "cJJ/"quJ',
da prefeitura dé São ~ a u be
selecionadordo PrêmioVictor Civita- iEducador Nota 10,com base no
documentoAprender os Padrõesda
Linguagem Escritade Modo Reflexivo,
da prefeitura de São Paulo.
34 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
...............................................................................................................................................................................
~~~5~~~~ Leitura
Ler para escrever
Bons leitores são bons escritores? Nem sempre. Para enfrentar o desafio
da escrita, é preciso investigar as solucões de autores reconhecidos
RODRIGO RATIER rratier@abriI.com.br
Todo mundo já ouviu (e provavel-
mente também já repetiu) a ideia
de que, para escrever bem, é preciso ler
bem. Aprimeira vista, parece um prin-
cipio básico e indiscutíveldo ensino da
Língua Portuguesa. Tanto que a opção
de nove entre dez professores tem sido
propor aos alunos a tarefa. Ler muito,
ler de tudo, na esperança de que os
textos automaticamente melhorem de
qualidade. E, muitas vezes, a garotada
de fato devora página atrás de página,
mas - pense um pouco no exemplo de
suaclasse-atal evoluçãosimplesmente
não aparece. Por que será?
Antes de mais nada, ninguém aqui
vai defender que não se deva dar livros
às crianças.A leitura diária é, sim,uma
necessidade para o letramento. Mas ler
para escrever bem exigeoutra pergunta:
de qual leitura estamos falando? Para
fazer avançar a escrita,a prática tem de
ser um ato de compromissoe com foco
(as ilustrações desta reportagem mostram
alguns exemplos). Pelo contrário: exige
intenqão e um encadeamento definido
deatividades,quetenham como objetivo
mostrar como redigir textos específicos
(leia a sequência didática napágina 37).
"Aleiturapara escrever 6 um momen-
to que coloca os estudantes numa posi-
çãode leitordiferente.Atarefadelesserá
encontraraspectosdotextoqueauxiliem
a resolverseusprópriosproblemas dees-
crita'',afirmaDébora Rana,formadorade
professoresdo InstitutoAvisa Lá, emSão
Paulo,eselecionadorado PrêmioVictor
Civita -EducadorNota 10.
Éum trabalhoquedestacaaforma(es-
tamosfalandode intençãocomunicativa
eestilo,portanto),um tema relacionado
a inquietaçõesque tiram o sonode rnui-
tos docentes:por queascomposiçõesdos
alunos têm tão poucas linhas? Por que
eles não conseguem transmitir emoção
ou humor? Por que asdescriçõesde luga-
res e personagensnão são detalhadas?
Trechos de contostrazem
6timas sugestões para os textos
A ideiadotrabalhoé analisar osefeitose
o impactoquecadaobracausa em quem
a lê. Sensações,claro, são subjetivas,va-
riandode pessoa para pessoa.Mas,quan-
do lê diversos textos bons, com expres-
sõesecaracterísticasrecorrentes,aturma
consegue,aospoucos,entenderqueé e
FONTE DE INSPIRAÇAO
Confiracomo usar a leitura a serviço da produçãode texto
"OS PEDACINHOS DE GENGIBRE
L VAMOS VER COMOOAUTOR
FEZ? "LENTAMENTE,
SE CONVERTERAM EM CRIANÇAS!'
ESSEVERBO É RAPIDO. COMO
OS PEDACINHOSDE GENGIBRE
POSSO FAZ~?-LOLENTO?
"SE CON-VER-TE-RAM?"
Leitura 3. ao s0ano
I
a linguagem que gera os tais efeitos
,-2 nos comovem ou divertem. Nesse
sentido, o conto, um dos tipos de texto
mais usuaisnas classesde 3 O a S0 ano,ofe-
rece excelentesrecursospara enriquecer
produções de gêneros literários.
Cabe ao professor, no papel de leitor
mais experiente, compartilhar com a
turma asprincipaispreciosidades,ilumi-
nando onde está o "ouronde cada obra.
Abaixo, listamos alguns dos principais
pontos a ser observados e trabalhados
nos textos da garotada.Também elenca-
mosexemplosdecomooscontospodem
ajudar a melhorá-los.
iLinguageme expressões caracterlsti-
cas de cada gênero. Cada tipo de texto
tem uma forma específica de dizer de-
terminadas coisas. "Era uma vez", por
exemplo, 6 certamente a forma mais
tradicionalde dar início a um conto de
fadas (note que ela não seria adequada
para uma composição informativa ou
instrucional). Alem de colaborar para
que a turma identifique essas constru-
ções, a leitura de contos clássicos pode
municiá-la de alternativas para fugir do
lugar-comum.O Príncipe-Rãou Henrique
de Ferro, na versão dos Irmãos Grirnrn,
começaassim:"Num tempo quejá sefoi,
quando ainda aconteciam encantamen-
tos,viveu um rei que tinha uma porção
de filhas,todas lindas".
iDescrição psicológica. Trazendo ele-
mentosimportantespara acompreensão
da trama, a explicitação de intenções e
estadosmentais ajuda aconstruirasima-
gens de cada um dospersonagens,apro-
ximando ou afastando-os do leitor. Em
OSoldadinhode Chumbo,HansChristian
Andersen (1805-1875)desvela empoucas
linhasostraços dapersonalidadetímida,
amorosae respeitosadoprotagonista:"O
soldadinhoolhou para abailarina, ainda
maisapaixonado:elaolhou para ele,mas
não trocaram palavra alguma.Ele deseja-
va conversar, mas não ousava. Sentia-se
feliz apenas por estar novamente perto
dela e poder contemplá-la".
iDescriçãode cenários.O detalhamen-
to do ambiente em que se passa a ação
4 importante não apenas para trazer o
leitor "para dentro" do texto mas tam-
bém para, dependendo da intenção do
autor,transmitir uma atmosferade mis-
tério, medo, alegria, encantamento etc.
Em O Patinho Feio, Andersen retrata a
tranquilidade do ninho das aves: "Um
cantinho bem protegido no meio da
folhagem,perto do rio que contornava
o velhocastelo.Mais adiante estendiam-
se o bosque e um lindo jardim florido.
Naquele lugar sossegado, a pata agora
aquecia pacientemente seus ovos".
iRitmo. É possível controlar a veloci-
dade da história usando expressões que
indiquem a intensidade da passagem do
tempo ("vagarosamente", "após longa
espera","de repente", "num estalo" etc.).
Outros recursos mais sofisticados são
recorrer aflashbacksou divagações dos
personagens(pararetardarahistória)ou
enfileiraruma ação atrás da outra (para
acelerar). Charles Perrault (1628-1703)
combina construções temporais e enca-
deamento de fatos para gerar um clima
agitado e tenso neste trecho de Chapeu-
zinho Vermelho: "O lobo lançou-se sobre
a boa mulher e a devorou num segun-
do, pois fazia mais de três dias que não
comia. Em seguida, fechou a porta e se
deitou na cama".
mCaracterizaçãodospersonagens.Mais
do que apelar para a descrição do tipo
lista ("era feio e medroso"), feita geral-
mente por um narrador que não parti-
cipa da ação,que tal incentivar a garota-
da a explorar diálogos para mostrar os
principaistraços dospersonagens?Nesse
aspecto, a pontuação e o uso preciso de
FONTE ADAPTAGO DAAmIDAOE PRIMEIRA REESCRITA DECONTODITADO A PROFESSORA.REALIZADAPORALEJANDRAPAIONE,ACUSTINA PEdEZ E MIRTAWTEDO.
verbos declarativos e de marcas da orali- colocado os estudantes para ler e ter di- mimniaimnmr............,....,.:
dade exercem papel fundamental. Nes- recionado a atividade para melhorar os .
ic.rut.
te trecho de Rumpelstichen, os Irmãos textos, mas o trabalho não para por ai. : D6boraRana, deborarana~ajato,com,br
Grimmdão voz à protagonista para que Elesprecisam ter a oportunidade de pôr wmnet
i Em practicaslenguajeprimaria.
ela se lamente: 0 conhecimento em prática. Ainda que :goog1epages.com/primaria-i-cicio-
"- Ah! -disse a moça, soluçando. -O a leitura sejaessencialpara impulsionar
rei me mandou fiar toda esta palha de a escrita, não se desenvolve o comporta-
ouro. Não sei como fazer isso!" mentode escritor sem enfrentar os desa-
Por fim, um lembrete: você pode ter fios do escrever.
iOb)CtDYg
i iReconhecera leitura como uma
i fonte essencial para produzir textos.
i i Saber reconhecer, organizar e
i utilizar nas produçõesos recursos
i lingufsticos presentes nos textos.
C#r#bo
iProduçãotextual.
Tcnp- Cinco aulas.
Madainecesdrlo
Lápis, borracha, papel e livros
ou textos selecionados como
referência (indicaçõesem
www.ne.org.br: digite na busca:
leitura para refletir escrita).
i-
i Paratrabalhar com alunos
com deficiência visual, acesse
i www.ne.org.br e digite na busca
i leitura para refletir escrita.
i-
: ilaetapa
i Para um bom trabalho da leitura
i direcionada para a melhoria da
escrita, promova a ampliação do
i repertório, selecionandoobras
i que sirvam de referência para
i o momento da produção. Ler
I diversostextos de um mesmo
i gênero ou autor colabora para
i que os alunos se apropriem
i de mais elementos para a produção
i de composições. Procure garantir
i que a leitura enfatize como
i se diz determinada coisa dentro
i de um gênero, discutindo a
linguagem usada e o efeito
i que ela provoca.
o2' etapa
Analise com os alunos as produções
feitas por eles. A ideia, nessa fase, é
listar os problemasque podem ser
resolvidos recorrendo a outros textos
e outros autores. No quadro, organize
os problemasencontrados, criando
uma classificação que ajude a tornar
mais observável o que buscam:
marcascaracterlsticasde cada gênero,
como indicar estadosde espfrito e
emoções, descrevercenários, usar
palavras para expressar rapidez ou
lentidão e a pontuação para destacar
falas. Para organizar o trabalho, em
vez de atacar todos os problemas
de uma só vez, prefira colocar em
evidência o que mais atender 2s
necessidadesdo grupo.
i3aetapa
Retomeos livros lidos nas atividades
de ampliação,de repertórioe ajude
os estudantesa buscar meios para
resolveros problemas tistados.
Uma possibilidade 6 reler algum
texto, masdessa vez pedindo
que aturma ouça, com atenção,
o modo como o autor desenvolve
a história: como ele apresenta os
fatos e os personagens, como
descreve o cenário, quais expressões
destacam emoções-trata-se aqui
de identificar os recursos que dão
ao texto o status de boa qualidade.
Eleja alguem do grupo para ser o
redator de um cartaz com o resultado
dessa reflexão, cujo tftulo pode
ser "Elementos que podemos usar
para dar qualidade a um texto'!
i4' etapa
Com base na lista de elementos do
cartaz, discuta como os itens podem
ser utilizados nos textos dos alunos,
tentando estabelecercom eles
criterios de organização.Redna,
por exemplo, expressõesque podem
ser usadas para se referir ao tempo:
passoa passo, rapidamente, com
muita cautela, apressadamente
etc. Faça o mesmo para as outras
categoriascriadas. Em seguida,
recomendeque voltem ao texto para
iniciar a produção de novasversões
(elas serão as inermediárias, já
com a incorporação de tudo que
aprenderam nas leituras).
isaetapa
Volte aos textos produzidos,
escolhendo um deles para ser
revisadocoletivamente -dessa vez,
considerando o apoio dos recursos
encontrados nas leituras. Por fim,
oriente que todos façam a própria
revisãoe realize uma nova avaliação
do texto, chamando a atenção para
outro foco e mostrando como é
possfvel avançar com a composição
atacandooutros problemas.
-Observe a participação de cada aluno
com base nos seguintesaspectos:
faz comentáriossobre a qualidade
do que lê?Percebe o que torna
os textos claros ou bem escritos?
Utiliza recursos que auxiliam na
escrita?Identifica textos e autores
que possam ajudá-lo numa questão
especffica?Paraos que apresentam
maior dificuldade, recorrasempre ao
trabalho em parceria-se for o caso,
realizejunto com o estudante esta
sequênciadidática.
ConsultoriaDÉBORA RANA, formadora
de professoresdo InstitutoAvisa Ld, em
São Paulo, eselecionadora do Prêmio
Victor Civita- Educador Nota 10.
www.ne.org.br Especlal Produ~ãode Texto 37
....................................................................................................................................................................................
ReescritaPao6Oano
Além da reescrita
A tarefa é mais que pôr no papel uma história conhecida. Modificar
o narrador da trama encaminha a garotada para a autoria de verdade
RODRICO RATIER e TATIANA PINHEIRO novaescola@atleitor.com.br
1 o jargão da didática de leitura e 1  escrita, reescrever um texto não 4
corrigi-loou revisá-lo,como faz supor o
sensocomum.É contar,com as próprias
palavras, uma história, com a qual a tur-
majá estáfamiliarizada.Ébem provável
que você já saiba disso e utilize a estra-
tegia com a garotada. Uma novidade,
porem,6que a reescrita pode ir alem de
suaformapura-ou seja,aversãopessoal
de um texto-fonte.O que os estudiosos
da área descobriram recentemente 6
que existe um tipo específico que leva
osalunosacolocaremjogo uma enorme
quantidade de conhecimentose a avan-
çar ainda mais.
São osrelatoscom a mudançade nar-
rador (leia a sequência diddtica no quadro
dapágina 40).Em históriasinfantis,seria
algo como a bruxa malvada de A Bela
Adormecida, uma das irmãs de Cinderela
ou um solitário anão de Branca de Neve
contar tudo no lugar do narrador onis-
ciente -aquela voz externa ao desenro-
lar dos fatos e que sabe o que se passa
na cabeça dos personagens, com livre
acesso a sentimentos e pensamentos. É
o tipomais comumnoscontosclássicos,
por exemplo.
Parece simples,mas, na verdade, a tt,
refa 6bastantecomplexa.Por isso,6mais
adequadapara turmasapartirdo 3 O ano.
As pesquisadoras argentinas Emilia Fel
reiro e Ana Sirodedicaramum livro in-
teirinho aela(NarrarporEscritoDesde un
Personaje -Acercamiento de 10s Nifios a 10
L$erario, lançadoem2008 e aindainddi
to no Brasil).Logo na introdução,Emi-
A REESCRITA NA PELE DE UM PERSONAGEM
PROPOSTA Reescrever o conto Chapeuzinho Vermelho
do ponto de vista do Lobo Mau
ALUNO Fernando, 9 anos
Primeira versão
L-prn d e repente vi
a Chapeuzinho(...) ela] M V ~ U a casa da minhavovozinha com este
cestinhode comida onde fica a casa da sua vovozinha eu d o
outro lado da flore eu fui correndo a menina
foi pelo outro cami eu o mais curto meninm
@S%I?iFdo e i primeiro e bati na porta
a avóq u e m ChapeuzinhoVermelho
(...)rapidamente pulei na cama e a comi de uma vez pelajanela vi a
1 Chapeuzinho me disfarcei de vovozinha quando ela bateu na porta
me enfiei na camafiz uma voz doce E
-luem 6 m e s o u a
Chapeuzinho(...)Chapeuzinhoentrou ,,,-aque olhostão grandes
você tem são para ver você melhor minha pequenaque nariztão
. ,
liawdimensionao tamanho da saudável P8
PES!
NOS trechos
destacadosem
amarelo, o aluno
se confundequanto
ao foco narrativo,
contandoa história
em terceira pessoa,
em vez da primeira.
~ u i t ocomum
nessetipo de
reescrita,
o problemaaparece
no inlcioe nofim.
Comoo textod6
a entender que
ffatalhd'é o
caminho mais
longo, 6 posslvel
que o alunotenha
só reproduzido
a palavra,que
aparece emvárias
verdes do conto,
sem realmente
entender seu
significado.
Deslizamentos
de pontode vista
são passagensque
um narradorem
primeirapessoa
não poderia saber:
o lobo nâovê
Chapeuzinho
colher flores,
o lenhador
nafloresta ou
o banquetenofim
da composição.
Há excessiva
repetiçãodoverbo
dizer para
introduzir asfalas -novevezes,aotodo.
E a pontua ão surge
apenas nok n a ~
dotexto. Faltam
sinais gráficos
que indiquem
onde começam
e terminam
os diálogos.
FONTENLRRAR FOR ESCRITUDESDEUNPERSDWE-ACERC4MIENTO DEWSNl#OSA L0 LITER4RIDDDE EMILIA
FIRREIRO E ANASIRO.OSTWOS FOW AOAFTAWS PARAOWRTUCU~S
Segunda versão
Em um belo dia eu vi uma menina com um cestinhc
E eu pergunted
3 que você faz nesta floresta
ilou 2 casa da minha vovozinha para levar este cestinho com
comidas.4 Onde C a casa de sua a v a a ~ ooutro lado da floresta
IBern, você vai pela estrada e colhe flores e eu vou por outro
caminho1Bem.
Corri até cheaar à casa da vovozinha. Bati na porta.
intre Chapeuzinhoa porta está abertdEntão entrei correndo
pulei na cama e comi avovozinhd ,
deitei na cama até que vi a Chapeuzinhopelajaneid~ateuna
portaDissequem é
SOU a Chapeuzinh EntreChapeuzinhoa porta está aberta
introu p8s o cesto em uma cadeira, se aproximoudo meu ladd
Jue orelhas tão grandes você terd
São para ouvir você melhor1~ueolhos tão grandes você t e 4
- jão para ver você melhor1E que boca tão grande você tem(
É para comer você melhod E comi a Chapeuzinhd
De repenteentrou um caqador com um machado e me cortou
a barriga! E eu f--
Btória do além1
Nemtudo 6 avanço
na revisão. O lobo
perde um pouco
de sua astúcia:
ele nãofinge uma
voz doce, não
chama a menina de
"minha pequena"
nema engana
nafloresta para
chegar antes. Sua
caracterização se
reduz ao essencial
parafazer avançar
a ação da trama.
Aqui, um dos
maioresganhos
da segundaversão
do texto. Fazendo
o lobo relatar os
fatos"de outro
mundo"ou "do
a16m1; o aluno
constrói uma salda
engenhosa para
justificar que
a história seja
contada por
um narrador
quej6 morreu.
-Na segundaversão
do texto, o aluno
consegue eliminar
quasetodos
os desllzamentos
de ponto de vista.
Persiste apenas
um: o lobo não
pergunta 21 menina
como ela se chama,
mas, ao chegar
a casa da av6,
assumeo nome
da personagem
principal.
I
Emboraainda
persistam alguns
problemas, o uso
dos sinaisgrtíficos
6 muito maior que
na primeira versão.
Uma pesquisada
argentina Mirta
Castedo mostrou
que a pontuação
6 um dos temas em
que os alunos mais
se concentram
no processo
de revisão.
encrenca que a turma vai ter em mãos:
como quem escreve em primeira pessoa
resolve o problema de ser personagem
e, ao mesmo tempo, narrador?"Contar
I
baseado em um 'eu' protagonisp su-
põe que o personagem e o narrador
somente podem acessar sua própria
interioridadee aquela que inferemdos
demais personagens com base em seu
comportamento ou suas exterioriza-
çÓesn,ela explica.
No vocabulário da disciplina,signifi-
ca queo aluno-escritorprecisaenfrentar
doisdesafios.Oprimeiro deles6 a focali-
zação-aperspectivaou oângulodevisão
de quem conta a história. O Lobo Mau
de Chapeuzinho Vermelho,por exemplo,
não sabedeantemão o nome damenina
edesconheceapresençado lenhadorque
vai salvá-laaté que ele apareça, de fato,
na casa da av6. Diante dessa restrição,
é natural que muitas crianças, lá pelo
meio do relato, acabemapelando para o
narrador "sabe-tudo"em terceira pessoa
para que a história mantenha a lógica
(leia oexemplodas produções de um aluno
que ilustra estaspáginas). É uma mistura
própria de quemestá descobrindonovos
caminhos para escrever mais e melhor.
Mostraro problema-chamadode desli-
zamento de ponto devista-e discutir as
possíveis soluçóes6 o seu papel.
Aprender as palavrascertas
para definir a voz do narrador
Osegundodesafio6 o da modalização,a
voz de quem contaa história.Diferente-
mente do narrador onisciente, que qua-
se sempre é neutro, o narrador em pri-
meira pessoa tem objetivos muito bem
definidos (afinalde contas, ele participa
do desenrolar dos fatos). No caso do Lo-
bo, 6 interessante que a turha perceba
e utilize no texto alguns dos artificios a
que o bicho recorre para enganar Cha-
peuzinho - fingir a voz doce da vovó,
por exemplo. Trata-se, fundamental-
mente, de mostrar que as palavras com
que o personagem-narrador conta uma
história buscam provocar determinados
efeitosno leitor:convencê-lode alguma
coisa, buscar sua cumplicidade ou e
..........................................................................................................................................................................
Reescrita3 O ao 6' ano
iQ compaixão, despertar humor o u ate palavras interessantes ele usou para ex- atividade 6 ajudar a turma a evoluir em
mesmo causar repulsa. pressar sensações e emoções, como ele direção A autoria, "O trabalho de revisão
Para trabalhar essa proposta mais descreveucadapersonagem,comque rit- faz justamente isso,permitindoAs crian-
complexa, a sequência de atividades 6 a m o asaçõesse encadeiam,como atrama ças superar obstáculos de modalizaçáo e
mesma que para as outras modalidades terminou etc. Essetipo dereflexão sobre focalização que nemsequer haviam sido
de reescrita. De início, 6 necessário au- o uso da linguagem vai ajudar a garo- percebidos na primeira versão:' D
mentar o repertório dosestudantessobre tada a reunir os principais elementos e
o gênero que serA abordado, lendo para expressões que serão usados depois, no ....................
:-(oucom) elesváriasversõesda narrativa. momento de dar vida aos relatos.
i Em www.buenosalres.gov.ar/areas/
Depois de cada leitura, algumas cmcte- E mseguida, 4 horade deixar escrever. e ~ u c a ~ ~ ~ ~ ~ u r r ~ ~ u ~ ~ / ~ o ~ U
rísticas da estrutura do texto devem ser Não se esqueça de reservar espaço para i acesseo QOCumentodeTrabalho
:da Secretariade Educaçãoda Cidade
destacadas em uma roda de conversa: a revisão.Como explicam Emilia Ferrei-
como o autor começou a história, que r o e Ana Siro, o mais importante nessa
r -
i iReescreverum conto tradicional
i tendo um personagemcomo narrador.
i iTrabalhar focalização(ponto
i de vista do narrador) e modalização
j (voz narrativa).
i-
: iProduçãotextual (reescrita
i de contos tradicionais).
i n Focalizaçãoe modalização.
i ~ r i l l n d o 1 6 a u l a s .
I mecu&b Cartolinas,
i pinc6is atbmicos e coletânea
I de contos (indicação em
i www.ne.org.br: digite na
buscareescrita com personagem-
: narrador).
i-
i Paratrabalhar com alunos
i com deficiência visual, acesse
www.ne.org.br e digite na
I busca reescrita com personagem-
i narrador.
i m l a etapa
i O primeiro passo 6 familiarizar
i a turma com o gênero que vai
i ser trabalhado. Selecionequatro
contostradicionais da coletanea
i para a leitura e explique a proposta:
i conhecer bem as histórias para,
i depois, reescrever uma delas na pele
I de um dos personagens. Inclua na
i cbletânea diferentes versões
de um mesmo conto, privilegiando
os que expandem episódios da trama
ou detalhem as caracterlsticasde
um dos personagens.
i2"etapa
Reserve algumas aulas para ler as
versões de cada conto. Discuta com
os alunos aspectos que vão ajudá-los
a escrever os próprios textos: quem
está contando a história?O aue ele
sabe sobre a vida dos personagens?
Quais as caracterlsticasdeles?Que
mudanças seriam necessárias para
que um deles fosse o narrador? Essas
perguntas são importantes para
apresentaro conceito de focalização,
o ângulo de quem conta a história. .
i3' etapa
Apoiado nas sessões de leitura,
construa com a classe um painel
coletivo com as caracterlsticasdos
principais personagens. No caso de
Cinderela, por exemplo, pode-sedizer
que a madrasta6 arrogante e m6 e que
a fada madrinha 4 bondosa e solidária.
Transcrevaos resultadosem um cartaz
e deixe-oh vista dos estudantes. Isso
vai ajudar os alunos a escolher um
personagempara contar a história e
a saber quais as intenções de cada um,
algo fundamental para determinar a
modalização(a voz narrativa) com que
atrama deve Ser construlda.
i4"etapa
Peça que cada um selecione um conto
e um personagemcomo narrador,
orientando a reescrita da história
de acordo com as opções realizadas.
i5' etapa
No quadro, realize a revisãocoletiva
do texto de um dos estudantes. Para
direcionar a atenção da classe sobre
a focalização e a modalização,
distribua cópias do texto digitado
com espaçamento duplo (o que abre
espaço para comentários, perguntas e
reformulaçõespor parte dos revisores).
Enfatizeos problemasdiscursivos do
texto: deslizamento de ponto de vista
(mudança de primeira para terceira
pessoa)ou passagens mal explicadas.
o 6' etapa
Proponha uma segunda etapa
de revisão-dessa vez, em duplas,
pedindo que os alunos repitam o
processo que aprenderam na etapa
anterior. Podetambem haver correção
ortográfica e de pontuação, com você
circulando pela classee discutindo
as modificaçõesque devem ser feitas.
knWIClo
Nos debatesdurante a leitura, na
produçãode texto e nos processos i
de revisão, verifique se cada
aluno compreendeue utilizou
adequadamenteos conceitosde
focalizaçãoe modalização. Atenção 2s i
mudanças entre a primeira e a segunda i
versão do texto, avaliando que pontos i
precisamser reforçados por meio
de novas revisõese do retorno
aos textos-fonte para confirmar
os recursosdos autores.
FonteAtividades adaptadas do livro
Narrar por Escrito Desde un Personaje-
Acercamiento de 10sNitios a 10 Literario, i
de Emilia FerreiroeAna Siro.
40 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
50e Banos Textos informativos
Raio X na notícia
Saber ler para estudar e dominar procedimentos como sublinhar
e resumir é o caminho para a autoria de textos informativos
BEATRIZ SANTOMAURO bsantomauro@abril.com.br
Ostextosinformativostêm afunção
de abordar algumfato,transmitir
dados,atualizarconceitoseensinarsobre
um tema. Isso é o que ocorre em repor-
tagens de revistas,verbetes de enciclopé-
dias,notíciasdejornais, artigosde divul-
gação científica e livros didáticos. A
maioria dos leitores,ao ter um texto in-
formativo em mãos, quer saber o que
está sendo dito e aprender algo com a
leitura.Ok,é sempregostoso ler um tex-
to com um estilo inventivo e bem escri-
to. Mas, no caso dos gêneros informati-
vos, não resta dúvida: a ênfase é sobre o
conteúdo que se escreve.
Ter isso em mente ajuda a lembrar as
habilidades de leitura a ser trabalhadas
com esse tipo de gênero. Usando textos
informativos,você deve levar a turma a
buscar dados específicos, tomar notas,
comparar fontes de informação e inter-
pretar a linguagem da diagramação.Em
poucas palavras, é preciso saber ler para
estudar. Além de fundamentais para a
vida cotidiana, essas competências são
essenciaispara que os alunosse tornem,
de fato,autoresde textos informativos(e
não meroscopiadoresde trechosde refe-
rências, como costuma ocorrer em mui-
tas pesquisas).
Há diversosprocedimentos de leitura
para organizar informações e facilitar o
entendimento: sublinhar os trechos es-
senciais para apresentar as ideias, resu-
mir o texto, mostrando o que 2 mais
importante, e fazer registros em tópicos
(leia a sequência didática na página 44).
Quandoo estudantecumpreessasetapas
de estudo,as informaçõesfundamentais
são destacadas,o que facilita a retomada
para o momento da escrita.
Esmiuçar cada texto para retirar
os dados que mais interessam
Decidir quaisestratégias usar -se é mais
adequado resumir do que fazer esque-
mas, por exemplo - depende do tipo de
texto e da informação que se quer obter
com base na leitura.A aluna SaraLaiane
Oliveira Souza,que cursava o 5" ano da
EMEF Victor Civita, em São Paulo, foi
orientadapela professoraPnscilaBarbo-
sa Arantesasublinhar etomar notas em
tópicos de diversos textos-fonte de jor-
nais e revistas com um objetivo claro:
procurar informaçõesque pudessem ser
úteis para o momento de escrever para o
jornal mural da escola sobre os 40 anos
da chegada do homem à Lua, efeméride
comemorada em julho de 2009 (leia o
quadro na prígina seguinte).
Com a ajuda da professora, Sara en-
tendeu rapidamentea utilidadedospro-
cessos intermediários à escrita propria-
mente dita."Amaneira de registrar o que
mais se destaca permitiu que ela tivesse
em mãos a síntese de sua Ieitura e suas
notas de apoio, podendo recuperá-las
pais rapidamente do que se ela tivesse
de relertudo'',diz Claudio Bazzoni,asses-
sor de Língua Portuguesa da Secretaria
Municipal de Educação de São Paulo e
selecionador do Prêmio Victor Civita -
Educador Nota 10.
Grifaro que importa ou fazer um apa-
nhado dosconceitosmais relevantes não
é coisa simples."No caso do sublinhado,
por exemplo,muitas vezes os alunos es-
colhem o parágrafo inteiro ou apenas
palavras isoladas, ou seja,fazem a ativi-
dade sem definir um critério claro do
que é o principal",explica Bazzoni. Esse
foi um dos conflitosde Sara.Como ava-
liar o que é mais importante? A quanti-
dade de rochastrazidas pelos astronautas
àTerra?Adistânciado nossoplaneta até
a Lua? Teria sido mais adequado falar
sobre as missões enviadaspelos Estados
Unidos?Para orientaro aluno nesse tipo
de escolha,você tem de ajudar a delimi-
tar o que vai ser sublinhado e não so-
mente dizer "grife o mais importante".
Uma opçãoé mostrarsuasprópriasestra-
tégias, fornecendo a referência de um
leitor experiente.Essas dicas valem sem-
pre que alguém estiver vacilante sobrea
escolha de informações.
Já no momento de resumir um texto,
aturma terá de se preocupar em conden-
sar fielmente as ideias lidas. É possível
iniciar pelo reconhecimento dos blocos
significativos- os conceitos que unem
cada grupo de frases,períodos e parágra-
fos. Em textos curtos,os alunos podem
numerar os parágrafos,delimitar os blo-
cossignificativose,só depoisdisso,escre-
ver o resumo, de modo a ressaltar a cor-
relação entre as partes.
Diagramaçãoe hierarquia,
uma dupla inseparável
Nos textos informativos,a intervenção
do professor é essencial para orientar
a turma a notar qual o tratamento
da informação dada pelos veículos de
comunicação.Em jornais, revistas esites,
o texto quase nunca aparece em sua for-
ma "pura".Tome as páginas desta repor-
tagem comoexemplo:além dochamado
texto principal, há título, subtítulos e
chamadas no meio do texto. Esses e ou-
tros elementos de diagramação, como
fotose ilustrações,não têm como objeti-
vo deixarareportagemmais bonita: e
www.ne.org.br Especial Produgão de Texto 41
Textos informativos 5 0 ~ 6 0 ~ ~ ~ ~
Leiturasfeitas, a turma vai para
a sistematizaçãoe a produção
Depois da leitura e da discussãosobre o
conteúdo,C hora desistematizaras carac-
terísticasde cadaum dosdiferentesgêne-
ros informativos.Quais os termos recor-
rentes? Os estudantes percebem que es-
ses textos, normalmente escritos em
terceira pessoa, não costumam trazer
uma opinião pessoal explícita? Veem
que as informaçõestendem aser rigoro-
sas, com números retirados de fontes
como estudos e pesquisasde universida-
des e entidadesinternacionais?
Unindo os dadossobre o formato do
gêneroeo conteúdoapresentado,C hora I
de planejaro quevai serescrito,prestam ~do atenção para não somente copiar, 1
transcrevertrechos longosna íntegra ou
levantarum s6aspectoda questão.O ide- i
a16que o aluno consigacriar outra pro- I
dução,se descolando,de fato,dos textos
I
que serviram de base, construindo sua
i
própria hierarquia dos dadoscom o que
selecionoudasleituras.Eledeve ter claro
para quê, para quem e o que escrever,
informações essenciais que o professor I
precisa fornecer logo no início do traba-
lho.Com uma bagagemrazoávelsobreo
tsma, espera-se que a garotada tenha
condiçõesde cruzardados,relacioná-los 1
ANTES DE COMEÇAR A ESCREVER, E PRECISO LE
Confira o processo de produção de u m texto sobre a chegada do homem A Luz
ATIVIDADE 1 PROPOSTA A ALUNA
Aqui estão três textos sobre a Lua. Com canetascoloridas, destaque nos
textos 1 e 2 as informaçõessobre o satklite natural, a Terra e as crateras
lunares. No texto 3, encontrefalas significativasdos astronautas.
eelesambicionamguiar a leitura,en-
fatizando determinados pontos de vista
e opiniões.Espera-se,por exemplo, que
o título explicite o assunto principal, o
subtítulo o complementee os primeiros
parágrafosfuncionemcomoum resumo
dos dadosmais relevantes. O mesmova-
le para as fotografias: se são grandes e
estão localizadas na parte superior da
página, tendem a ser mais importantes.
Uma boa maneira de levar a turma a re-
fletir sobre essa relação entre diagrama-
ção e hierarquia 6estimular o debate:o
que dizem titulo, subtítulos, fotos e le-
gendasdedeterminada reportagem?Há
outro elemento na diagramação, como
um quadro com alguns itensou um tre-
cho colocado em destaque? Quais pala-
vras dão pistas das opiniõesdo autor?
Comum diãmevode3476 quiibmevos(meqosde um tercodo613-
emda Terra).mrssosatéiiienãotem atmosfera.nem kgu.. nem vfde
utas crmerr
nlisdescontra corpos celestes derreterem rol
ue esfriarame aparecemcomodrees escuras
ldâ. Essas regcões íoram chamadas mares Veja aiiçura 21 3
nbncia média da Lua a Terra ede364400auildmetrose 8 tam-
%aturado satelir
LMANAQUE ABRIL
Ela encontra dados
sobre a distancia e
as craterascom
facilidade. E destaca
a chegada dos no
america
Iquilòmetros...
155"C _( noml
A Lua possuium m*n> de v s n s ~ oao redor da Terra de
- --.... mmm de rotac8o so-
-,mimdame
bre O w6p(a
w E O único planeta conh~idoa
Td 1i b r i ~combinaq80que floresceuaqui graq.
de vários fatores,comoa SO -v" r-u-zuua uatip~iio
massadaTemesua distância^^re~qao 11. Neil Armstronge Buzz Aldrin,que
ao "1. Se estivesse mais peno OU c h e a u ~ em 20 de julho de 1969,
10' exemplo, n&oteria outras cinco missaes ApoUo pousaram
luido-essencialparaa naLua AúftimafoiaApoUoV,em1972.
S Sefossemenor. EssasViagenstrouxeramparaa Terraum
s Protege da quedade
nde maioria deles se
Iharnacamadagasosa
ingiro solo.
-
&feragasosaqueman- t 0 d de382quilosdeamostrasderochas
naCemPenturamedia para ~ á l i - Sem a protecso de
Ilcosatelic
ie distinc i Ter
fila Pormuitom'npo a g m a emetada
corridaespacialtravadaentreosgovernos
norte-americano e soviitico dumte o
auge da Guerra Fria, entre as decada
960.0s soviéticos foram os
visitá-la cc- S.-- --- 1
Luna 2, em 1959. m i
,,mm Fduin %Una.Jc 78
,m C uni d<n m m m s krds
i,&luno ele ritualesYcll
i inin& auin c p h n u a h;
c qw i",,,"dilsni a carquiua '-1:
mpcque~psU~ ~ M L UIninein.ma5
@ul1n p"a 'k w r r w n , M .
tn> I& in>prdjuq t r rlláin sephh4e
ao kuitraia qu"10 ck te hcin mi*
p,.tamim mgtailbe da wu&
w-1 Ci>lliii. <rie nia clsgm a
nnLu,.Aldrinprepa idéia*
v.mù*qw ~ 1 I d a Io ep";"o h"
- .tmiw-u nele. L? enw
qxrfkiclunarérec
wultantes do impt,, ,
?roide3e cometas.OS c i m t i s t ~
'"m que algurnts,nc- -I-- -
'dariguanaformad
,14 ,,c -a---- -ssa possibilidade
@zcom que os exploradores do espaço
tenhamesperança deque um dia façam
do satéliteumabase de lan~amentopa-
m.hgens a destinos mais distantes. A
~nncipalvantagemsena a economiade i~~~ ..
combustivel,~ i i sos foguetesteriam de
.vencerumaf m amvitacional seisvezes
"Or que a da ~érra.
I RESUMO eor m oI
I
Terralaplmcrn
Infonnyiks mim o
processodafcmna@a
das crateras lunares
TA& 2.
1 &','lLste*d p u c P e r 9 -
~~~-I
Tlerl e 3
e @-in
- * * v -0- JW-
-- @- do-
Y - s x i . a
IESUMO DOTEXTO I
)O verbete do
LlmanaqueAbril,
lestaque para o t<
le amostras de rocha!
nzidas Terra para
Ianalise científica I
RESUMO DO TEXTO 3
Da entrevista de Veja,
o trecho escolhido pela
Ialuna cita detalhes da
chegada do homem ao
satélite terrestre na
missão Apolo 11
. .
- - 1 tFeitocom ajuda O termomessas São três linhas Boa escoin'a?
"
da professora,é o viagens" indica sobre as mas a autora
que maisobedece informação caracterlsticas não percebequ
h proposta. copiada -em da Lua sem uma afrasecitada é
O restantedo seu texto, a relaçaoent~e de EdwinAldrii
texto tende a aluna menciona o primeiroe o . e nãodelecpe
escapar dela. só umaviagem. terceiroparágrafo.' , NeilArpstcphg
cr*
LUMtNIAKIU Ut LLAUUIUU U U N I
"Por ser o primeiro texto informativoescrito pela aluna,
.-*r
ocorrem alguns problemas bastante previsíveis. O principal d
deles é a falta de autoria, com cópia dos trechos grifados na ' _ i"
leitura para estudo. Por isso, é fundamental que o professor ir. c '
u,*. :233.2
realize revisões e proponha novas produções para permitir _ c.6
que seja criada a familiaridade com o gênero." - - i r > w
7 , .&?5
, ..
. .
Textos informativos 5Oe6Oanos
erefletir sobre o que foi proposto e,
então, reorganizar as informações sele-
cionadas para serem arquitetadas em
uma nova estrutura.
Essapostura nãosignificajogar parao
alto todo o estudoanterior. A turma po-
de continuar consultando os textos que
já leu, quando necessário,paraconfirmar
uma @ia, ver como uma definição 6
usada, qual o verbo empregado para in-
dicar uma ação presenteou umaconte-
cimento passado etc., mas evitando co-
piá-los,6claro. Quandoo aluno lida com
mais de uma fonte, 6 possívelque ele se
depare com informações conflitantes. O
que fazer com elas?N o caso dos textos
utilizados por Sara, isso ocorreu com a
distânciadaTerraà Lua.Emum,aparece
380 mil quildmetros. Em outro, 384,4
mil. Nessas ocasiões, o melhor a fazer C
buscar mais informaçõesem outrasfon-
tes confiáveis para confirmar uma das
versões ousugeriroutra alternativa mais
confiável. Entretanto,se o a l u o resolver
escolher um dos dados ou mesmo usar
os dois, deve saber que precisa sempre
citar asfontesemseutexto,indicando de
onde os dados foram retirados."Com a
ajuda do professor, aturma acaba perce-
bendoas limitações, asimprecisõeseate
mesmo apresençade furos de notícias e
reportagens", explica Bazzoni.
Como ocorre com os demaisgêneros,
os informativos podem (e devem) ser
retomados em diferentes momentos da
escolarização. O que precisa variar na
abordagemdoprofessorC acomplexida-
de dos textos apresentadosaos estudan-
teseaprofundidade dasdiscussõesfeitas
em classe. Quanto mais familiarizados
com essas práticas, mais eles serão capa-
- zes de localizar informações, ler para
saber maiseescreversobre o que conhe-
cem-habilidadesessenciais parao bom
desenvolvimento davida academia. Oi
:-
!Claudlo Bazzoni, bazzoni@uol.corn.br e
i EMEFVictor Clvita, tel. (11),3941-1906,
:ernefvcivita@ig.com.br
I PrlscilaBarbosaArantes,
j arantes.priscila@gmail.com C
44 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
i-
i iBuscardados em textos informativos.
I iSublinhar informaçõesespeclficas.
i iResumir umtexto para estudar.
i Produzir um artigo para ojornal
muralda escola.
i-
; iLeiturae escrita de textos
informativos.
i iRevisãoeedição de textos.
i Alo 5 O e 6O.
i l è m p o u t b d oCinco aulas.
u#npiaaedrb
i Textos sobre a Lua (indicações
i em www.ne.org.br: digite na busca
i textos informativos leitura escrita).
iRadWlh.Fi0
i Para trabalhar com alunos com
i deficiência intelectual, acesse
i www.ne.org.br e digite na busca
i textosinformativos leitura escrita.
i-
: iIaetapa
I Convideos alunos aescrever um
i artigo sobreos 40 anos da chegada
! do homem h Lua, avisandoque as
produções serão publicadasnojornal
i mural.Apresente os textos-fonte
i selecionadose peça que os leiam,
i dizendoque eles servirão de base para
i ampliar o conhecimentopara aescrita.
i i2" etapa
i Tire as dúvidas que aparecerem
i após as leituras: quais informações
novassobre a Lua eles gostariam
i de apontar?Em qual se I@maissobre a
i chegadado homemh Lua?Peçaque os
i estudantes, em cada texto, sublinhem
i as caracterlsticasfornecidas sobre a
i Lua. Elestem de perceber que não
é precisosublinhar tudo eque vale
i destacar informaçõesque não são
i caracterlsticasflsicas lunares.
: i3"etapa
Sugira que releiamo texto do livro
didático indicadoe overbete do
i Almanaque Abril para sublinhá-los
i com cores diferentes. Com uma cor,
i devem marcar0s dadosque aparecem
i sobre adistância entre a Lua e aTerra.
Com outra, ressaltaras informações ;
que tratam das crateras na superficie. I
Digaque escrevam quais são
semelhantese diferentes,citando
as fontes e a autoria de cada texto. E
i4' etapa
Proponhaque os alunosfaçam
um resumo do texto do livro didático i
para que estudemo tema com mais i
profundidade.Para evitar que eles i
façam cópias, você pode propor
uma estruturacomo a seguinte:
"O textoA Lua, retiradodo livro
didático ,trata
de .Ele pode
ser dividido em duas partes. Na
primeira (parágrafos1-4))o autor iapresentavárias informaçõessobre i
a Lua, dentreas quaisvale destacar i
.Na segunda parte i
(parágrafos5-1 7), o autor explica por
que a Lua muda de aspecto ao longo ido mês. Segundo o autor, issoocorre ;
porque O autor
finaliza o texto informando
>I
* .
que
i5* etapa
Orienteos estudantesa produzir ium artigo com o tema"40 anos
da chegada do homem a Lua",
utilizando as informações retiradas i
dos três textos lidos. Elasdevem I
ser organizadas e inseridasem um f
novotexto, coerenteecoeso.Quando
trechos forem inteiramentecopiados, i
devem aparecerentre aspas e
com a indicaçãoda fonte utilizada.
-Organize umatabela com os
conteúdosde leitura ede produção
escritatrabalhados nas atividades Z
propostase assinaleos conteúdos i I
atingidosplenamente, parcialmente I i
ou não atingidos pelosestudantes. i
Com base nela, decidao que deve i
ser retomado, verificando o grau
de autoriados alunos, se as ideias I
estão bem ligadas,se o texto está iadequadoao que foi propostoe se i
tem desfecho.
ConsultoriaCLAUDIO BAZZONI,
assessorde Llngua Portuguesada
Secretaria Municipalde Educaçãode i
São Pauloe selecionadordo Prêmio
Victor Civita-Educador Nota 10.
Hora de aperfeicoara
Textos de qualidade precisam passar por diferentes revisões. Pontuação
e coerência estão entre os itens a serem abordados durante a produção
BEATRIZ SANTOMAURO bsantomauro@abril.com.br
Foise o tempo em que corrigir na es-
cola significava apenas uma caça a
erros ortográficos e de pontuação nos
textos dos alunos feita pelo professor.
Ainda bem! Hoje, sabe-se da importân-
cia de desenvolvercomportamentos es-
critores e o processo de revisãose inclui
aí.Por isso,ele também deveser direcio-
nadopara os pontosquecolaboramcom
os aspectos discursivos, como clareza e
coerência na hora de contar uma histó-
ria,eserfeitosemprecomaparticipação
das crianças (leia o quadro à direita, com
trecho de uma produção individual e, na
página seguinte, textosfeitos emdupla e em
grupo por alunos do 3' ano). "Elas preci-
samfazeruma leitura crítica do próprio
material",diz LiamaraSalamani,coorde-
nadora pedagógica do Colégio Santo
Arnérico,em SãoPaulo.
6 importante desconstruirem sala o
mito de que revisar 6 uma etapa final da
produção.Em suatese de doutoradoPro-
cesos de Revisidn de Textosen SituacidnDi-
dáctica de Intercambio entre Pares, a pes-
quisadora argentina Mirta Castedo res-
saltaque"osbonsescritoresnão realizam
asaçõesde planejar,escrevererevisarde
maneira sucessiva,mas vão e voltam de
uma a outra. Eles escrevem partes, rele-
em e modificam, detectam expressões
incompreensíveise corrigem erros".
Como iluminar os aspectos
que precisamser revistos
Para que todos os procedimentos que
visam o aprimoramentodotexto possam
ser feitospelo estudante com competên-
cia e autonomia, é preciso trabalhar em
grupo, em duplas e individualmente
(leiaoprojeto didcíticonapágina 47). No
A CAMINHO DA AUTONOMIA
Em diferentes momentos e com focos específicos, os alunos
aprimoram o texto. Confira como isso foi feito num processo individual
I
PALAVRA
INADEQUADA
2termo
resmungando"
foi considerado
impróprio e
substituldo
por"reclamando",
mais preciso.
...............................
AUS~NCIADE
PONTUAÇAO
A fala, marcada
com travessão,
está na mesma
linha. E não h6
ponto de
interrogaçãopara
marcar a pergunta.
................................................................................................................................................................................
Revisão 3O s0ano
TRABALHO EM CONJUNTO
A revisãotambém podeser realizada em dupla ou com a turma toda reunida.
Assim, a PlpdtqhC analisadapor outrosaluna que nãoo autor dotexto
I*avia um reino que morava uma princesa muito bonita.
Um dia apareceram 3 moços que queriam cada qual se
Ii
casar com ela.Paradecidir a ocasião o rei disseque
iquem trouxesse o presente que mais encantasse a pnn-
cesa, se casariacom ela. O rCu anunciou:
0 ~ 6 svamos marcar o dia de shbadoBs 8 horas e 5
i minutos.Seguiram seus caminhos.
I O primeiro moço foi parar num lugar muito distante
Ii ouviu um homem gritando:
3-Quem quer comprar uma rosa? E o moço falou:
-Meu caro, que virtude tem essa rosa?
Iirrosa tem a virtude de ressuscitar qud quer pessoa.
i ravo! Sou eu que me caso com a princesa.8 comprou
Quando-
I
repente ela
I
L rosa.0 segundo moço também
-A chegou no Pseo primeiro ~ O Ç OSe apresentou
v. do moço se I
apresentou e
-#eu tap
IDENTIFICAÇAO FALTADE
DE PERSONAGEM
Falta revelaro Apesar de o autor
nomeda mãe do citar o ~a(se a
autor do texto. cidade, ele não
Elaparticipada explica que a história
história junto com Se passaem uma
sua irmã Susi. estaçãode esqui.
DE PAUWUI
O verbo dizer
~ w i t í l v e z e r ,
con, difkaw5
mmaym
um trechomuito
curtodo-
PROFESSORAANACIARA BIN EALUNOSCATARINACILENTO,PEDRO
A W T A R A , MURA BRATKE EPEDROGAMMARDEL4DA ESCOLADA
V I U EMSdO PAUL0,AVTOREI DOS TEXiüSACIMA
Mirta C; .-ire
revisão de texto.
Digitena busca .
mirta.pd,
eprocesso coletivo, a turma deve se
debruçar sobre umtexto produzido por
u m dos alunos e apontar o que precisa
ser repensado, como palavrasrepetidase
mudançasna posiçãodo narrador.Éna-
tural que, às vezes, a garotada não iden-
tifique àprimeiravista os problemaseas
soluções satisfatórias. É papel do profes-
sor dar alternativas,alem de trazer àtona
questões já analisadas.
Ao trabalhar em duplas, revisando o
texto de outro colega, as crianças exerci-
tam o poder de argumentação a fim de
fazer o autor mudarsuasescolhas.Esse6
u m momento rico paraavaliarcomo ca-
daumadelas defendeseuposicionamen-
to. Lembre-se de que, em qualquer situ-
ação, arevisãofica maisproveitosase u m
aspecto for ressaltadode cada veT.
jam mais avançáuu3 corli u CFIII~U. Por
isso, é importante saber o que os alunos,
já aprenderame o que deve ser conside-
rado dali em diante", diz Liamara. E o
processo tem de ser estendido, pois u m
escritorquesabe o queprecisaser altera-
do em seus textos ou nos de terceiros
passaa ser u m leitor mais exigente. RRevisar sempre para ser
um leitor competente
O ato de rever o que foi feito deve per-
meartodos os anosda escola. Oque mu-
da é a abordagem e os conteúdos desta-
cados. "O esperado é que os textos este-
:Coirwa
i Liarnara Salamani,
i liamara@csasp.gl2.corn.br
nãose ocupem'com essa correção). i
Expliciteos procedimentos para
que todos pensemsobre a adequação i
das palavrase consideremoutras i
formas de escrever. Questione se i
a organizaçãodo texto respeita o i
genero. O autor deve ter a palavra i
final sobre as mudançassugeridas. i
i7" etapa
Cada aluno deve revisar o
próprio texto (feito na Sa etapa),
usandocomo referênciaos
aspectosjá destacadosem outras i
etapas, e reescrevê-lo.
*miProduzir resenhasliterárias.
iSaber reconhecernumtexto os
aspectos discursivosque necessitam
de revisãoe aprimorar o material.
por outras pessoas.Na primeira
vez, a produçãoserá coletiva,evocê,
o escriba. A revisãodeve ocorrer
durant? aconstruçãodo próprio
texto, priorizandoos aspectos
discursivos(repetiçãode palavrase
pontuação, por exemplo).catlteaor
iProduçãode texto.
iRevisão. i etapa
Em duplas, os estudantesdevem
escolher outras obras e produzir
novas indicações. Ressalteque no
iníciodo texto deve haver as marcas
desse gênero: o tltulo, o autor, a
editorae o nomede cada criança.
TLispoestimadoTrês meses.
MatUwn«trdrk,
Resenhas literáriaspublicadas
na mldia e livrosjá lidos pela turma. Rmdumfkisl
Mural de indicaçõesliterárias.
idaetapa
Reúna os aiuhos em duplas para
que revisemo texto feito por
outra dupla na 3aetapa. Elesterão
de discutir os aspectosjá vistos
coletivamentepara que o material
seja mais bem compreendidoe
sinalizar as sugestõescom bilhetes.
Após a revisão, devolva as resenhas
a seus autores, que podemou não
acataro que os colegas sugeriram.
F k x l M l i w
Paratrabalhar com alunos com
deficiencia visual, acesse
www.ne.org.br e digite na busca
mural de indicaçõesliterdrias.
-ll;lCk
Observe as alterações dos textos,
o resultadoda produçãoem dupla
e os aspectos modificadosna
produção individual. Nas revisões,
os estudantes devem ter usado
elementos dos textos de referência
para agregar qualidade As novas
produções. É essencial que tenham
conseguido se colocar no lugar
de um leitor e avaliar se
comunicaram o que pretendiam.
Nocaso de textos que apresentem
muitos problemas, retome a
revisãoe discuta os aspectos que
precisamser melhorados.
Desmddimntrr
iIaetapa
Entregueas resenhaspara os alunos
eexplique que afunção delas é
apresentar livrosao público. Reúna-
os em trios para que analisemo
que os textostêm em comum, como
otema eo ndmerode páginas.
Reserve o material para ser usado
como uma referência no futuro.
i5" etapa
É hora da produçãode mais uma
indicação literária,dessavez,
individual, levando em conta as
experiênciascoletiva e em dupla.
iGaetapa
Eleja umtexto individual,avaliado
pelogrupo como bom, para ser
revisadocoletivamente.Transcreva-o
no quadro-negro (sem os erros
ortográficos para que os alunos
m 2" etapa
Proponhaque as crianças escrevam
indicaçõesde tltulos de que gostem.
Digaque os textos serãocolocados
no muralda escola para serem lidos
ConsultoriaDÉBORA RANA
(deboraranaQajato.com.br),
formadora do InstitutoAvisa Lá, em i
São Paulo,e selecionadora do Prêmio iVictor Civita-EducadorNota 10.
www.ne.org.br Especial Produgaio de Texto 47
Revisão nocomputador 6. ao9O ano
De olho na tela
Na hora de revisar, o computad,oré o melhor instrumento para a turma
explorar várias maneirasde aperfei~oarum texto sem perder tempo
BEATRIZVICHESSI e TATIANA PINHEIRO novaescola@atleitor.com.br
Emvez do lápisedaborracha,o mou- primeiros ganhos que a máquina pro- todo o material. É possível pedir a eles,
se e o teclado. Essa6 uma troca van- porcionaé a liberdadepara trabalhar as por exemplo, que transformem u mcon-
tajosa para explorar vários aspectos da questõesrelacionadasao formato da pro- to em uma peça teatral (leia a sequência
revisão. Basta um computador com um dução de acordocom o gênero, sem que didática na página 50). TambCm é válido
editor de texto, como o Word. Um dos paraissoos alunostenham de reescrever propor revisar u m conto conhecido por -
. .
TECNOLOGIA A FAVOR DA ESCRITA
Ao indicar ferramentas do programa que auxiliam na revisão e inserir
comentários no fim do texto, o professor mostra o que deve ser alterado
TEXTO 1
48 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
5
9
-#a, ora, ora! Então você veio! - I 10 fim
-kS...Ficareicom o ainheiro?-Ih..-~
-Ora, ora, ora! Entãovocê veio! -
(Deixe'o narradorcontextualizaros diálogos.Assim, os leitores disse ele com um ar de desafiador.
se envolverão com a narrativa.Cuidadocom a repetiçãodas
palavras sinalizadascom a marcaçãoV e r i f i q u e se esse -Você fez uma promessae terá de
problema ocorre em outras passagensdo texto com a cumpri-la-disse o homemque cada
ferramenta Localizar e Substituir, doWord. Revisea pontuação vez se aproximava mais da luz de um
nos locaiscom a indicação (ponto). Por fim, renasseos inícios
de frase e a palavra Proença, destacadosem( - Mas...Ficareicom o dinheiro? -
perguntouo garoto de branco.
-Não posso lhe prometer isso! -
respondeuo homem que já estava
debaixo do poste.
todos,que tenha sido,reescritopor outra
turma e estejasem a paragrafação corre-
ta, apresentandofalhasdepontuação ou
muitostermosrepetidos.Assim,comosi-
nalizam aspesquisadorasEmilia Ferreiro
e Sonia Luquez no texto La Revisidn de
un TextoAjeno Utilizandoun Procesador de
Palabras,C possível analisarondeecomo
a garotada intervém (e se intervém, já
que identificar o que está bem colocado
tambCm t uma parteimportante da revi-
são),quaistermosincorporaaomaterial
ou se inseremodificaçõesem relação aos
aspectosdiscursivos.
O trabalho com ocomputador tam-
bdm confere praticidade à execuçãodas
revisõesque o autor julga serem válidas
em seu próprio texto e das que forem
sugeridaspor você. Esse 4.um dos bene-
fíciosexploradospor LuisJunqueira,que
leciona Língua Portuguesa para o 6 O e o
7O ano na Escola Castanheiras,em San-
tana de Parnaíba, na Grande São Paulo.
Depois que os alunos finalizam uma
produção, ele registra comentários nos
arquivos, parágrafo a parágrafo (leia os
quadros abaixo, com trechos de produções
individuais de alunos do 6 O ano). Sem in-
tervir diretamente no material,o educa-
dor sugere aos autores adequar trechos,
melhorar a pontuação, detalhar a des-
crição de uma cena e eliminar palavras
repetidas, entre outras modificações."A
evolu~ãode cada texto fica nítida quan-
do as primeirasversõessão comparadas
à final", explica Junqueira.
Com o computador, a
revisãofica mais profissional
Trabalhandocom o micro,osestudantes
podem experimentar,fazendoinserções
esubstituiçõesdiversasvezes,semdeixar
as marcas do processo - como rasuras -
no produto final. Eles tambdm lucram
com o trabalho realizado pela própria
máquina, que destaca termos digitados
incorretamente e trechos com proble-
mas gramaticais, sugerindo que sejam
alterados e,em algunscasos,fornecendo
opçõesdemudanças.Aprimeiravista,há
quem pense que essas ferramentasQ
TEXTO2
I
no cardápio!Comecei a pensar como iria
escapar daquele lugar, mas isso era um
teste que minha mãe me mandoupara eu
campo em volta de toda a USAR MAGIA, é
n e s s a s b que eu quero
Ias.Utilizeo revisor
Cinco dias se passaram e eu, presode novo em uma gaiola.Tédio. Mascomo eles estavampreparando o
jantar, e eu estava no cardápio, comecei a pensar como iria escapar daquele lugar. Isso era um teste que minha
mãe me mandoupara eu não usar magia, tudo bem que eu acho que ela não pensavaque ia acontecer isso, mas
I
(&imo usoda pontuação.A palavratédio entre pontosficou particularmenteinteressante. Excelenteevolução!)
CRI= VERMELHOS
0--
k-
e amislw nuSliun
e aprimoramotaúo
www.ne.org.br Especial Produgão de Texto 49
..................................................................................................................................................................................
Revisão nocomputador ó0m90ano
epodemtomar osjovens preguiçosos
e escravos da tecnologia. Mas uma aná-
lise atenta da aprendizagem revela que
essas facilidades fazem com que eles se
tomemmaisautônomoscomo autorese
revisores, poistrabalhando assimpodem
dedicar tempo ao materialpropriamente
dito e deixá-lo mais bem acabado.
Em suma, o educador pode avaliar se
os estudantesestão desenvolvendosabe-
res para atuar como fazem os revisores
profissionais, se estão se aprimorando
em relação aos aspectosdiscursivose in-
do muito alem da correção de questões
ortográficas quando lançam mão dos
recursostecnológicos.
Apesar de o usodoprocessadorde tex-
tos ser algo bastantetécnico, não 4 reco-
mendado programar uma aula somente
paraabordaras ferramentashdisposição,
comoressaltaRenataPontualIkeda,pro-
fessora do Coldgio Santa Cruz, em São
Paulo."O correto é falar dos atalhos de
acordo com as demandas que surgirem,
enquantoagarotadadesenvolveseustex-
tos", ela ressalta. 8
i-
:Colegio Santa Cruz, tel. (11) 3024-5199,
i colegio@santacruz.glZ.br
:Escola Castanheiras,tel. (11) 4152-4600,
i castanheiras@escolacastanheiras.com.br
i LuisJunqueira,
:luis.junqueira@escolacastanheiras.com.br
i Renata Pontual Ikeda,
renata@ikeda.com.br
:-
I Emwww.goog~e.com.br,digite na
I busca revisióntextoajeno pracesador
:palabras. O primeiro resultado indica
i o texto La Revisidn de un TextoAjeno
: Utilizando un Procesador de Palabras
iobjauua
i iTransformar um conto
': em uma peça teatral.
i iUtilizar os recursosde programas
de ediçãoe de texto como o Word para
i organizar a produção e revisá-la.
irr-ilrilru
I iProdução de texto.
i iRevisão.
i Anos 6O ao 9O.
aiClrilsSeis aulas.
i m r w r r i k .
i Computadorescom o processador
i de textos como o Word ou similar
i instalado, cópias do conto
i O Cato Preto, do livro Histbrias
i Extraordinárias(Edgar Allan
i Poe1272págs., Ed.Companhiadas
i Letras, tel. 1113707-3501,20 reais),
i e de textos de teatro (indicações em
i www.ne.org.br: digite na busca
i adaptação conto peça teatral).
i-
: Paratrabalhar com alunos
i com deficiência auditiva, acesse
i www.ne.org.br edigite na busca
adaptação contopeça teatral.
iOl##Mnenao
: i l aetapa
i Orientea leitura de O Cato Preto
I e convide aturma a prestar
i atenção no foco da narrativae
i na personalidadedo narrador.
i A seguir, questioneo grupo sobre. ,
as possibilidadesde transformar esse
conto em uma peça teatral. Sugira
quetodos releiam o texto, dessa
vez já com vistas 2s mudançasque
imaginam ser necessáriaspara a
adaptaçãoao novogênero.
2=etapa
Distribuacópias dos textos de teatro
indicadose peça que os alunos leiam
destacandoas caracterlsticasdo
gênero, como adivisãoda história
em cenas, as marcasque indicam
as falas dos personagense as que
descrevem os cenários.
i3' etapa
Os estudantesdevem retomar
oconto de Poe, listandoos personagens
e descrevendoos cenários para começar
aorganizar a adaptação.
i4' etapa
É horade selecionaros momentos
mais representativosdo conto para
a adaptação. Para issol em duplas,
os alunos precisamdecidir qual será
o cenário principal e os secundários,
os diálogos mais importantese as
passagensessenciais.A tarefa seguinte
6 seiecionaros traços necessários
para preservara narrativa literária
noformatoteatral.
m 5' etapa
A transformaçãodo texto de Poe deve
ser feita no computadorconservando as
mesmasduplas da etapa anterior. Circule
pela sala, orientandoos alunos a utilizar
as marcasdo texto de teatro, como o
travessão para representaro discurso
direto. Esse 6 um bom momento para
sugerir outras mudanças, inclusive
no aspectográfico (recorra aos
textos de teatro como um exemplo)
e levaro grupo a revisaro material,
adequando os trechos. Quando
surgirem marcaçõesautomáticas do
computador, indiqueo uso do corretor
de ortografia e discuta com os
estudantes se as opções da máquina
são realmenteadequadas. Todos
devem salvar as produçõespara que
sejam revisadaspeloscolegas.
i6' etapa
Distribuaos arquivos entre as duplas
e explique que, para revisar o texto
de outra dupla, devem ser usados
recursosque não alteramo conteúdo
da produção-como a inserçãode
comentários parágrafo a parágrafo.
m ;laetapa
Ao receber de volta suas produções
revisadas, os autores devem analisar
os comentáriosdeixados peloscolegas
edecidir se vão acatá-losou não. ,
A#lbFlo
Analise se as produçõespossuem
as marcasdo gêneroteatro e se
a história manteveo sentido do
original de Poe. Issotamb6m pode
ser feito no computador, aproveitando
as ferramentas do programa para
fazer marcaçõese sugerir outras
adequaçõesaos autores.
ConsultoriaLUISJUNQUEIRA,
professorde Lfngua Portuguesa
na EscolaCastanheiras,em Santana
de Parnafba,SF!
50 Especial Produgáo de Texto www.ne.org.br
Licãoa de mestre
Ao conhecer as características de estilo de autores profissionais, os alunos
aprendem diferentes maneiras de estruturar um texto e abordar um tema
ANDERSON MOÇO anderson.moco@abriI.com.br
Inspirar-se em textos escritos por no-
mes de sucesso da literatura, como
Clarice Lispector (1920-1977),para se
apropriar das marcas de estilo deles e
desenvolveraspróprias,é um comporta-
mentoescritorimportante,quecolabora
com o processo de produção textual.
Mas,para que ele seja colocado em cena
pela turma, o professortem de ensinara
detectar as característicasde determina-
do escritor profissionalem vários textos
e usá-lasem suas produções. .
"É importante que os estudantes se-
jam levados a observar as criações e as
transgressões literáriaspara que possam
enriquecersuasproduções",diz Cristina
Zelmanovitz, pedagoga e pesquisadora
do Centro de Estudos e Pesquisas em
Educação,Cultura e Ação Comunitária
(Cenpec),em São Paulo. Clarice Lispec-
tor, por exemplo,escreveusando os sen-
timentos eosdetalhesdavidadosperso-
nagenscomo fioscondutoresdahistória.
Ela rompe com o queCconsideradonor-
mal e correto ao começar o texto Uma
Aprendizagemou OLivro dosPrazeres(158
págs., Ed. Rocco,tel.2113525-2000,50o-
ais) com uma vírgula e terminar com
doispontos. Há muito que observartam-
bém nos escritos de Machado de Assis
(1839-1908).Eleé famosopor ser ir6nico
ao retràtar a sociedade do século 19 e
fazercomqueo narradordahistóriama-
nipule os acontecimentos.Sabendodes-
sasede outrasmarcas,é possível coman-
darum bom trabalhodeleiturae apurar
o olhar dos jovens. "Essas características
sãocomomoldes",diz Claudio Bazzoni,
assessor de Língua Portuguesa da Secre-
taria Municipalde EducaçãodeSãoPau-
loe selecionadordo PrêmioVictor Civi-
ta -Educador Nota 10.
Situaçõesde produção
com sentido e propósitoclaros
O primeiro passo C escolheras obras de
um autor a serem dissecadasde acordo
com as necessidadesde aprendizagemda
turma. Não se trata,então,de elegertex-
tos ditos fáceis ou difíceis,assinados por
nomes consagrados. Por exemplo,focar
o jeito de finalizar as histórias pode ser
interessante quando os alunos sempre
mostramque ospersonagensvivem feli-
zes para sempre. Trabalhar com Oscar
Wilde(18541900)ajuda agarotada a to-
mar gostopelos finstrágicos(leiaosqua-
dros abaixo e nas páginas seguintes, que
mostrama análisefeitapor estudantesdo6"
ano de contos do autor e trechosdasprodu-
ções que realizaram).O emprego do dis-
curso direto e do narrador onisciente
tarnbtm pode fazer parte da lista. #
k-Li,e:&:
r AS MARCAS DE ESTILO DE OSCAR WILDE .
Durante a leitura de alguns contos do autor, os alunos encontraram
I algumas características que definem seu
' .
"í...) Ela s6tinha ~ermissáoDara brincar : ABISMO SOCIAL. ,
com crianças da sua condição (...) Mas ,...i0s personagenstem
i origenssociais diferentes.
(...)o Rei deu ordens para que ela i Um 6 sempre nobre, c
convidassequaisquer crianças amigas (...)" j e o outro, plebeu.
Conto OAniversário da Infanta
"'O meu jardim é s6 meu', berrou ic o ~ ~ ~ x ~ u ~ u z
o Gigante (...)Ele era um gigante •........:iAntes ou depois das falas dos
muito egoísta. (...) Veio então a : personagens,o narradar conta
i detalhes, acrescentaopinidese .
Primavera e por toda parte havia flores i ernocõesou d6 mais infmrnacões. -'
em botão e passarinhos(...)"
ContoO Gigante Egoísta
i PERSONIFICAÇAO
I
"A Lua de cristalgelado
debruçou-separa escutar." ....................i Seres irracionais, objetos
ContoA Cotovia e a Rosa i inanimadose elementos
i da naturezatêm sentimenta
i e realizam ações.
"Ele beijou o Príncipe Feliz nos i FINAL T R ~ I C O
lábios e caiu morto aos seuspés!' i As histórias nunca
ContoO PríncipeFeliz i terminam bem, mas
i com mortes,separações
: e toda sorte de desgraça.
CONTOSPUBLICAWS NO LIVROHIST~RIASPARAAPRENDERA SONHAR,OSCARWILDE, 64 PACS.,
ED.COMPANHIA DAS LETRINHAS,TEL. (11) 3707-3500,35,50REAIS
............................i.....................................................................................................................................................
Estilodo autor S0aoTano
I APROPRIACAO DAS CARACTER~STICASDE OSCAR WILDE
Conhecendo as.marcas estilísticas d o escritor, a turma produziu seus próprios textos
'I I
- C
UM AMOR IMPOSS~VEL
Por MariaJ u l i a V. R.Carvalho
"Em Londresmorava uma
dos lábiosvermelhosfeito rosas do campo, a pele
brancafeito a nevee os cabelos marronsfeito as
terrasfrescas dos bosques.
(...) Enquanto andava, passou
uma calça rasgada, blusa amassadacom s a m
- a
> . - . d i ~ Ohomemtinha olhos azuis
feitos os rios cristalinos,sua peletambém era
branca, pois não dava para ver porqueestava
coberta pela sujeira detodo dia. (...)"
"(...- ......................................
se aproximou o homem perguntou:'Quem és
tu, uma moça tão bonita que eu nuncavi pelas
vizinhanças '(...)".
"(...)Nessemomento pulounos .......................................e
. - . ombrosde seu d o n o ~ ~ r i n c e s a ! ! ' ( . . . ) " e
"(...)E muito infeliz a cachorrinha deitou
?-
. . - emcima do túmulo de seu amadodono
‘?-
CI
4%
- ----
e
_ ,
, . , . > . - - - . .
4
C
Depois da leitura, é importante sobre como chegou a essa resolução e
conversar bastante com os alunos para por que fez essa opção também é uma
que eles percebam as características que possível pauta dedebateantesda produ-
marcam os textos. Alguns recursos nem ção propriamente dita (leia a sequência
sempre ficam explícitos depois da pri- didática no quadrodapágina seguinte).
meira análise: é preciso levar a garotada No entanto,essetipo de atividadenão
a percebê-los. Para isso, questione algu- deve ter como pretensão, em hipótese
mas decisões do autor. Enxergar as ma- alguma,criarClarices,Machados,Wildes
néiras com que ele resolve problemas e outras cópias."Ao ler várias obras de
acercadaformaeda linguageme refletir um mesmo autor, os alunos passam a
'AGRADECIMENTO AO PROFESSORLUISJUNQUEIRA EAOSALUNOS MARIAJÚLIAY. R-CARVALHO
EANDRÉS VALLARTAÂNGULO, DA EXOIACASTANHEIRAS, EMSANTANA DE PARNAIIA,SP
conhecê-lo mais a fundo. Mas, quando
partem para aprodução,emboraseapro-
priem de certasmarcas,têm de ter liber-
dade para desenvolver seus escritos",
destaca Cristina.
A proposta tamb6m não pode tangen-
ciar a escolarizaçãoda leitura.O real ob- -j
jetivo de focar os traços de um escritor,
além de fazer com que os estudantesco-
nheçam mais sobrea culturaescritapara
i iIdentificar os traços estilisticos
k de um autor especffico.
A VIDA EA MORTE iElaborar um texto usando
'Or AndresVallartaftngulo as caracterlsticas identificadas.
'r(...) Entãoa Princesa levou0 rapaza
um lago Pertode onde eles esgvam,
Elescomeçaram a conversar: #EUsou
a Princesadeste reinoJ(...) -
lhe
-B
I
-
"(...I De repente
Hora o rapaztremeu de
"*medo- 0 Reientão OS levo" h pra,-a
Paraque lutassem.(...)"
"(...)Aia jovem se deitou do ,,Iado
e lhe deu um beijo que provocouuma
! ~ zenormeque iluminou0 reino
inteiro, dandovida a tudo que esQva
noseu caminho, e todos os doentesse
curaram.
I
-.
-iLeitura.
rProdução de texto.
m c r l t r i r l o Dez aulas.
~~
Cr8nica Os DíferentesEstilos,de
Paulo Mendes Campos(publicado
em Crônicas4, vários autores, 104
págs., Ed.Ática, tel. 1113990-2100,
26,90 reais), e IivroA Professora de
Desenho e Outras Histdrias(Marcelo
Coelho,48 págs., Ed.Companhia
das Letrinhas, tel. 11f3707-3500,
32,50 reais).
i para trabalhãr com alunos com
i deficiência intelectual, acesse
i www.ne.org.br e digite na busca
marcas estiloplano aula).
-ilaetapa
Leia a cr8nica de Paulo Mendes
Campos para aturma e destaque a
variedade de estilos que podem
ser empregados para narrar
o mesmofato. Expliqueque a
palavraestilo 6originária do latim
srilu, a ponta de metal usada na
Antiguidade para escrever na
madeira. Ressalteque o termo
está associadoa algo que deixa
uma marca. Peça que os alunos
identifiquem o que caracteriza cada
um dos estilos representados no
texto - um recursode pontuação
redigir melhor,6 ajudá-los a perceber ! por -e que
i é transmitido ao leitor.
que seguir um escritor, acompanhando :
os marcos de sua trajetória profissional, i i2' etapa
4 uma saborosaaprendizagem. .(J i Apresenteo livroA Professora
i de Desenho e Outras Histdrias.
: Pro~onhaaue todos leiam a obra) QUER SABER M A I S ? 1
Marcasdeestilo
i3aetapa
Indique cada um dos sete capftulos
para um grupo de alunos e
oriente-os a anotar individualmente
no caderno as caracterlsticas
que percebem. Recomendeque,
ao lado de cada uma delas, copiem
o trecho correspondente. Instrua-os
a anotar também as caracterlsticas
que se repetem no texto, como
a presença do discurso direto.
i4' etapa
Organize o conhecimento da
garotada, expondo no quadro
as marcasobservadas. Todos
devem, mais uma vez, anotar
'
as informações no caderno.
DSa etapa
Ehora de escrever. Convide aturma i
a compor textos individuais que
poderiamfazer parte do livro
de Coelho. Recomendeque, para isso,
além de respeitar o gênero adotado i
pelo autor (relatos da infância),
a composiçãoprecisa manter as
marcasde estilo dele e o clima geral i
do livro. Porfim, esclareça que,
embora seja precisose apropriar das i
marcasde que o escritor lança mão, i
os alunos são os autoresdas histórias i
e por issotêm liberdade para criar i
e conduzir os fatos.
i etapa
Organize a revisão. Cada estudante iserá responsável pelo próprio
texto. Destaqueque é preciso
atentar para as questõesortográficas, I
as marcas do gênero relato e, é claro, i
o estilo do escritor do livro.
wDurantetodo o processo,
verifique se aturma reconhece
os traços marcantesnas histórias
de coelho. Analise as produções findividuais e busque as marcas
de estilo do autor. Elasdevem fazer
parte do texto de modo coerente. Nas
produçõesem que isso não ocorrer, i
retome a lista das marcasestillsticas i
enumeradas elo armo.. - .....................: para identikcar as caracterlsticas
i- ConsultoriaMIRELLACLETOque marcam o estilo do autor e, no
t
i ClaudioBazzoni, bauoni@uol.corn.br (mirellac@uol.com.br), professora
fim, produzir um texto ficcional sei CristinaZelrnanovitz, do Ensino Fundamentale coautora
: rncristinasz@terra.com.br apropriando de tais caracterfsticas. de livrosdidáticos.
wwinr.ne.org.br Especial Produgão de Texto 53
....................................................................................................................................................................................I
Estante Editado por BEATRIZVICHESSI bvichessi@abril.com.br
..........................
i ENTREVISTA................................
Emborasejapapel socialda escolafor- guagem clara, na compreensão do que i
mar leitorese escritoresaut6n0m0S, precisa ser ensinado quando se quer i
a instituiçãoainda não consegue desen- formar leitores e escntores de fato. De- i
volver essa tarefa com plenitude. Prova lia tambbm explicita a importância de o i
disso4 O índicede alfabetismorudimen- professor criarcondi~óespara que 0salu- i
tarebásico,quepermanecebastante alto nos participem de forma ativa da cultura i
em todo o Brasil ena Arndrica Latina há , escritadesdeaalfabetizaçãoinicial,uma :
:mtempos.Apenasaminoria da população vez queconstroem simultaneamenteco- i
6 plenamente alfabetizada -quer dizer, nhecimentossobreo sistemade escrita e i
tem a capacidadede ler e compreender a linguagem que usamos para escrever. i
textoscomplexoseexpressar0 quePensa Com prefácio escrito pela psicolin- i
de forma escrita. guism argentina Emilia Ferreiro, a obra i A educadorafala sobreo processo
Em a r e Esmaer Escola la 0Reab 6uma leituraobrigatóriapara quem tra- i de elaboraçãodo ivroler e Ercrever
0 Possível e 0 Necessário (128 P&., Ed. balhacom EducaçãoInfanti1,professores na e os reflexosque a obra
Artmed, tel. 080@703-3444,37reais), a alfabetizadores e de Língua Portuguesa i promoveu na Educação.
argentina Delia Lemer discute as ten- do Ensino Fundamental, estudantes.de i
s ó s envolvidas nessa questão e propõe Pedagogia e formadores de professores foi a motiva~ãopara
S O ~ U Ç Õ ~ Spara transf0ITnar esse cenário. alfabetjzadores. i este livro?
Com embasamento teórico consistente,
REGINA SCARPA,autora desta resenha,6 i A consciência de que era preciso
ela ajuda 0s educadores, com uma lin- coordenadora pedag6gica de NOVA ESCOL* i U>Iocarem primeiroplanoa
I--
-#------ .................................................... i das possibilidades e das dificuldades
d
i da escola em assimilar projetosde
FW4,"ek i ensino de 1eitura.eescrita.
É um excelente ponto de partida i
$ para promover as práticasde leitura i Surgiram dúvidas'enquanto
bfd y e escrita nas escolas. i trabalhava o texto?
í; m Porque os comportamentos leitor i Como elas poderiam não surgir?
1,.
e escritor são conteúdos de ensino. i Escrever C se comprometer com o
y Propõe fazer da escrita mais que i que C dito. Porem o mais importante
.um objeto de avaliação. i durante a elaboraçãodo livro foi
m Explicita a importância de i analisar o real -as condições em que
o professor ser um leitor i se trabalha na escola,a função social
/ i 8
frequente e habitual. i e as característicasda instituição-e
- --- - a m A n n A C: m Permite a compreensão do processo i ao mesmotempo prioritar o possível,#
r de alfabetizaçãoinicial como acesso i com a missão de transformar o ensino
5 ii cultura escrita. i para favorecer a formaçãodos alunos
Revela a necessidade da formação i como leitores e escritores plenos.
7 continuada, mas ressalta que
ela, por si só, não C suficiente i E possivelver avanços nessa área
v! para provocar mudanças de i depois que o livrofoi publicado?
,rd<propostas didáticas. i Não creio que ele tenha produzido
-_.,
iEsclareceo quanto a produção i efeitos mágicos. Lamentavelmente,
4 escrita tem a colaborar para que i acho que nenhuma obra consegue'
o aluno se descubra praticante i tal feito. Mas espero que já tenha
aut6nomo e independente e explica i esclarecido alguns problemas e
como ela deve ser trabalhada na i ajudado educadores a encontrar
escola,com revisãoe rascunhos, i caminhos para avançar na difícil
I por exemplo. I tarefa de ensinar.
Propostas didaticas ,,,, ,n,..r,,, f!SCrI?Vf!r
. Boas ideiaspara ensinar melhor
Este livro é uma coletânea de artigos
assinados por vários educadorese tem
como linha mestra a"Pedagogia por
projetas'! Enquanto os capítulos iniciais
oferecem um enfoque teórico sobre
as diferentes concepções do ensino da
linguagem escrita, o restanteda obra
apresenta 15 trabalhos realizadoscom
estudantesde diferentes faixas etárias.
Um delestrata da organizaçãode um
grupo de alunos espanhóis de e ea
séries convidadosa elaborar um
romance policial.
Sobrea organizadora É membro
do departamento de Didática de Língua
e Literatura da UniversidadeAutônoma
de Barcelona, na Espanha.
Propostas Didáticaspara Aprender a Escrever,
Anna Camps (org.), 220 pigs., Ed.Artmed, 52 reais
Aprendizagem sem dificuldades
Explorar sempre o que a criança j6
construiu e deixar de lado a avaliação
baseada no que ainda falta ser aprendido.
Pensandoassim, as autorascontam
como trabalharam com alunos que,
segundo as instituições escolaresem
que estudavam,tinham dificuldades
na aprendizagem da leitura e da escrita.
Ilustrada com os textos produzidos
pelos estudantes, a obra reforça a ideia
de que é precisoconsiderar que um
estfmulo s6 é significativo se puder
ser reconstrufdo pela turma.
Sobreas autoras Organizaram o livro
analisando um conjunto de pesquisas
feitas na Venezuela.
Como se classificamos textos
O foco principal das autoras 6 apresentar
uma tipologia dos textos de acordocom
as funções da linguagem e as tramas
que neles predominam. Porém, atentas
ao contexto escolar, elas não se atêm
apenas 2 teoria: revelamem detalhes
sete propostasdidáticas realizadas em
escolas de Buenos Aires, na Argentina,
apresentandotabelas e fichas de análise.
Nas Últimas páginas, um glossário,
sobre comunicação, lingulstica e
gramática, interessantee útil.
Sobreas autoras Ana María se dedica
h pesquisada psicogêneseda escrita
e Maria Helenaestuda o uso dos
textos escolares.
Compreensãoda Leiturae ExpressãoEscrita-
A Experiencia Pedag6gica, Alicia Palacios de
Pizani, Magaly Muiíozde Pimentel,Delia Lerner
de Zunino, 172 psgs., Ed.Artmed, 49 reais
Escola, Leitura e Produçãode Textos,
Ana Marla Kaufmane Marla Helena
Rodrlgues, 179 pigs., Ed.Artmed,
45 reais
A língua solta e a escrita presa
Quando começar atrabalhar ortografia? O que e como
ensinar?Como descobrir o que os alunosjá sabem a respeito?
É precisoconsiderar os erros para avaliar aturma? Levando
essas e outras questõesem consideração, o autor discute
uma série de princfpios e encaminhamentos didáticos sobre
o conteúdo. Na primeira parte do livro, ele explica o que
é e para que serve a ortografia, o que o estudante deve
compreender e o que deve memorizar e como ele aprende
as normas. Na segunda, analisa as práticas usuais, define
princípios norteadores para o ensino e explora situações
que envolvem o ensino ea aprendizagem-doconteúdo.
Sobreo autor É ~rofessorda Universidade Federalde
Pernambuco(U~PE)e tem pós-doutorado em Psicologia
pela Universidade de Barcelona, na Espanha.
Ortografia: Ensinar e Aprender, Artur Comes de Morais, 128 pigs.,
Ed. Atica, tel. (11) 3990-2100,39,90 reais
www.ne.org.br Especial Produgão de ~ e x t o55
Escrevendoé que se aprende
Com o propósito de afirmar que
é muito importante a escola proporcionar
uma variedade de oportunidades
de uso da linguagem, esta obra
esmiuça o trabalho com a escrita de
nomes e de títulos, a reescritade textos
narrativos e a redaçãode poemas e
de notícias com crianças de 5 a
8 anos de uma escola municipal de
Barcelona, na Espanha. Uma ajuda
e tanto para o educador interpretar
as respostas dos alunos e programar
situações de ensino.
Sobre a autora É doutora em Psicologia
pela Universidade de Barcelona e
pesquisadora da psicogênese da Iíngua
escrita e da teoria sociocultural.
Psicopedagogia da Linguagem Escrita,
~ n áTeberosky, 152 phgs., Ed.Vozes,
tel. (24) 2233-9000,30,30 reais
Chega de dúvidas
Explicarquestões básicase fundamentais, como o que são
gêneros e qual o melhor jeito de organizar o trabalho com
eles ao longodo currlculo, é a proposta desta obra, que reúne
diversosartigos assinados pelos autores em parceria com
alguns colaboradores. Elesdiscorrem sobre as questõesque
envolvem escrita, oralidade, sequênciasdidáticas eficientes
e validade do trabalho com gêneros de circulação escolar
e extraescolar. A apresentaçãoda obra, assinada por Roxane
Rojo e Clafs Sales Cordeiro,tradutoras e organizadorasdo
livro, é uma aula sobre aconcepçãoe a prática do trabalho
com gêneros.
Sobre os autores Ambos são pesquisadoresde didática da
lingua materna.
Gêneros Orais e Escritos na Escola, Bernard Schneuwly eJoaquim Dolz,
320 pigs., Ed. Mercadodas Letras, tel. (19) 3241-7514,58 reais
Como estudar Iíngua?
Essa é uma das principais questões
que norteiam o autor ao longo de todo
o livro. Bastantefocado na teoria da
produção textual, ele aborda o histórico
da linguística no século 20, o ensino
da noção de sujeito, subjetividade,
discurso, texto e gênero sob a perspectiva
sociointeracionista da Iíngua e faz uma
análise dos gênerostextuais no contínuo
fala-escrita.A obra é fruto dos materiais
usados na graduação em Letras da
Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE), onde o autor leciona.
Sobre o autor É doutor em filosofia
da linguagem e tem pós-doutorado
em questõesda oralidade e da escrita.
Produção Textual, Análise de
Gêneros e Compreensão, Luiz Antônio
Marcuschi,206 phgs., Ed. Parábola,
tel. (11) 5061-9262,40,90 reais
I
ette Jolibert
crianças
Produtorasd(
Textos
Escrever desde cedo
Durante toda a escolaridade,
a criança deve perceber a utilidade
das diferentes funções da escrita, a
importância de dominá-las e o prazer
de atuar como autor. Para isso, os
educadoresdevem estar preparados
para atuar como leitores e produtores
de textos em desenvolvimento e exercer
o papel de estimuladores,observadores
e criadores de situações de ensino e
aprendizagem. É com essas ideias que
a autora e seus colaboradores
apresentam projetos realizados
com estudantesfranceses, para que
eles entrassem em contato com
a produção de texto.
Sobre a autora É especialista em didática.
Formando Crianças Produtoras
de Textos -vol. Z,)osette)olibert,
324 pAgs., Ed.Artrned, 64 reais
56 Especial Produ~áode Texto www.ne.org.br Com resenhas de ANA GONZAGA
......................................................................................................................................... ....,
v,Artigo MARCIA V. FORTUNATO
=Auforr
'Wi~agernda
crita, de MA^^
mMaDigiteilVIM
='fMUmto.pdf.
vw.ne.org.br
--
Ensinara escrever
para formar autores'
Quando o tema em questão é produção
de texto, a escolha do gênero é uma entre as
muitas decisões que o autor precisar tomar
Até meadosdo século20,as aulasde
redaçáo eram momentosde treino
de caligrafia e não havia a preocupação
em explorar os aspectos discursivos do
texto. Depois, e até bem pouco tempo
atrás,ensinara escreverestavarelaciona-
dosomenteaotrabalhocom a gramática.
Acreditava-seque ela,por sis6,gerava os
saberes de que os estudantes necessita-
vam para produzir e interpretar textos.
De lá para cá, muita coisa mudou e
hoje o trabalho com a escrita é focado
nos diversos gêneros. Mas eles não po-
dem ser usados como substitutos da
gramática. A exploração dos gêneros é
importante, claro,porque as crianças se
colocam em situaçãode comunicação e
aprendema escrevertextos quecirculam
socialmente. Porém ensinar a escrever
é ainda mais proveitoso se elas forem
orientadasa aperfeiçoar?da vez mais o
processo de produção do texto.
Descobrircomofazer issoé oqueque-
rem muitosleitores,que,comovocê,não
sossegam frente a perguntas como "O
que significa,de fato, formar escritores
competentes?",não é mesmo? Natural e
compreensível,já que essa é uma área
que pede muita preparação,estudo e in-
tervenções constantespara acompanhar
e guiar o caminho dos alunos. Mesmo
com um trabalho bem dirigido, é bom
frisar: nem todos eles apresentarão os
mesmos resultados, o que toma dificil
darotrabalhopor encerradoe bem-suce-
possibilidades de comunicaçãoe de so-
cializaçãose ampliam. Ao mesmo tem-
po, conforme sua participação avança
pelas esferas sociaisletradas,ele constrói
uma imagem de si associada aos textos
que escreve,elaborando assim sua iden-
tidade de autor. Para entender isso com
mais clareza, basta pensar nos escritores
profissionais. Quando vemos o nome de
um delesna assinaturade um texto,reco-
nhecemos essa identidade antes mesmo
de começar a ler o material.
Sendo assim, ao ensinar os alunos a
escrever,o educadornão ensinauma téc-
nica, mas como eles devem fazer para se
projetar como autorese usar seu discur-
sopara manifestarposiçõesemsituações
de comunicação.Sugerir uma produção
à turma significa propor um problema
cuja resolução vai exigir o empenho em
uma série de atividadescognitivas.
Pesquisadoresjá constataramquepara
responder àsolicitaçãodo professorcada
((sugerir uma
produgão a turma
significa propor
um problema cuja
resolugãovai exigir
o empenho em uma
aprendizreformula,de modo singular,a
demandafeita,adequando-a àssuaspos-
sibilidades de resposta. Assim, ajusta o
que foi solicitado ao possível, iniciando
uma sériede negociações,entre oque ele
sabe e o que é pedido, no desejo de to-
mar decisões quanto ao conteúdo sobre
o qual vai escrever,à natureza do texto
solicitado,à suaposição comoautor e ao
leitor com quem vai se comunicar.
Nesse processo,àmedida queavançam
em sua produção, os alunos vão estabe-
lecendoum diálogo com outros textos e
com o materialque estãodesenvolvendo.
É fundamental que durante esse tempo
o educador observe em que momento
do processo se localizam as dificuldades
delese atue para que asnegociaçõesevo-
luam, com atividades de planejamento,
deescritae de revisão.Essas,aliás,devem
serrevisitadasconstantementedurante a
escrita,pois os estudantesque alternam
com mais frequência esses passos obtêm
melhores resultados que aqueles que
mantêm o processo lineare homogêneo.
Mãos à obra e bom trabalho! B
dido.Por isso,proponho pensarmos um MARCIAV. FORTUNATO
POUCO no estudante como autor e como
série de atividades (mvfortunato@ig.com.br)6 doutora em
Educação pela Universidade de São Paulo
se dá o processo de sua construção. C O ~nitivas. >> , (uw) e professora dos cursos de graduaqão
- A medida que um indivíduo passa a e pós-graduaçãodo Instituto Superiorde
utilizar a escrita para criar textos, suas EducaçãoVera Cruz (ISE Vera Cruz).
58 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
Informe Pul-..-.--..-
Producão
Otrabalho com produção textual,
organizado a partir da concepção
de gêneros do discurso, é relativamente
recente em nosso país. Ganhou fôlego
na última década, após o impulso ini-
cial dado pelos Parâmetros Cumcula-
res Nacionais (1997), oferecendo inú-
meros desafios a educadores em geral.
O modelo de ensino que ele vem
suostituir é o tradicional "ensino de
redação" - centrado no tripé narrar-
descrever-dissertar -, que se baseia
numa concepção generalista de pro-
dução textual, fortemente influenciada
por parâmetros quase exclusivamente
literários. Escrever bem, segundo essa
concepção, é basicamente ser capaz
de fazer um texto com começo, meio
e fim; de escrever certo,isto é, de acor-
do com as regras da língua padrão; e,
quando possível, de empregar um bom
vocabulárioe alguns recursosde estilo.
textos
Contrariando essa concepção, a
proposta de produção textual pela pers-
pectiva dos gêneros do discurso vê no
antigo modelo um conjunto de práticas
de ensino cristalizadas e distantes da
realidade social.Entende que cada tex-
to, cada gênero possui características
próprias e únicas e, por isso, requer um
tratamento específico. Entende tam-
bém que a escola deve se abrir para as
práticas de linguagem, orais e escritas,
existentes na sociedade e, efetivamen-
te, preparar os alunos para uma vida
cidadã.
Quando um jovem, por exemplo,
aprende como fazer uma carta argu-
mentativa de solicitaçãoou de reclama-
ção, uma carta de leitor ou um abaixo-
assinado, ele não apenas se apropria
de informações sobre o conteúdo, a
estruturae a linguagempróprios desses
textos, mas também toma consciência
da função social desses gêneros, bem
como do seu próprio papel social como
cidadão, isto é, o cidadãoque tem o di-
reito de reclamar,de solicitarprovidên-
cias, de interferir, de transformar. Ou
seja, verdadeiras aulas de vida...Aulas
de cidadania!
O professor, até então visto como
mero "professor de redação", profis-
sional distante da realidade e da priti-
ca textual dos alunos, ganha agora um
novo papel, o de especialista em lin-
guagem, capaz de orientar e aprimorar
4 Coleção Todos os Textos
! William Cereja eThereza Cochar
É uma obra que promove a leitura e a
, produção dos mais variados gêneros
textuais, desenvolvendo o trabalho tanto
com os gêneros orais, como a discussão
em grupo, o seminário, o debate regrado
, e o debate deliberativo, quanto com os
gêneros escritos, como a reportagem,
O conto, O poema, o texto dissertativo-
~7 argumentativo, entre outros.
cidadania
a produção e o uso de textos tanto no
interior da escolaquantona vida social.
Nessa dinâmica, o espaço da sala
de aula transforma-se então numa ver-
dadeira oficina de textos de ação e inte-
ração social,o que é viabilizado e con-
cretizado pela realização de projetos e
pela adoção de estratégiascomo enviar
cartas a destinatários reais, entrevistar
profissionais, participar de debates, fa-
zer um jornal, representar, declamar,
etc. Essas atividades, além de envolver
os alunos em situações contextualiza-
das de produção textual, diversificam e
concretizam os leitores das produções,
que agora deixam de ser apenas "leito-
res virtuais".
A avaliação dessas produções
abandona os critérios quase que ex-
clusivamente literários ou gramaticais
e desloca seu foco para outro ponto: o
bom texto não é aquele que apresenta,
ou só apresenta, características literá-
rias, mas aquele que é adequado à si-
tuação comunicacional para a qual foi
produzido. A avaliação deve levar em
conta, portanto, aspectos como: estão
o conteúdo, a estrutura e a linguagem
adequados ao próprio gênero, ao inter-
locutor e à situação como um todo? O
texto cumpre plenamente a finalidade
que motivou sua produção?
Por fim, pela perspectiva dos gêne-
ros, o ato de escrever é dessacralizado
e democratizado: todos os alunos têm
a oportunidade de aprender a escrever
todos os gêneros textuais. É possível
até que um aluno, ao se apropriar dos
procedimentos que envolvem a produ-
ção de uma crônica, não apresente tanta
habilidade quanto outro aluno, mas ele
poderá, por exemplo, produzir textos
publicitários muito criativos ou ser um
ótimo argumentador, tanto em debates
públicos quantoem textos argumentati-
vos escritos.Em síntese,gêneros como
meio de "inclusão textual". i
WilliamCereja
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atendprofQeditorasaraiva.com.br Saraiva
0800 011 7875 - 2% 66"das8h30 as 19h30 A

Nova Escola 2010 Produção de Texto

  • 1.
    A R EV I S T A D E Q U E M EDUCA EDICÃO3 ESPECIAL .i** professor nascido nos Estados Unidos. Falar com : docinhos : : parafestas em geral. Encomendas : : com três ~ ~ - C Y L S I U n4 'LhJ W Y n$r?.,.:*i ,.- I", w??"L!1- 142-- diasde I : 1antecedência. I I Cilene. I I itaçáode trabalhosescolares i k' kssados entrar em conta com Kátia. W m a i Wbi na Brana. .- IL o da mrnh .T -..r --,- 5 s . - L Ler, planejar, escrever, revisar, reescrever,..=ggz;ze - Tudo o que seus alunos precisam saber para ZS3'Lrr..& =-* redigir com coerência, coesãi 2 criatividade E
  • 2.
    índice secões3 reportagens 7 CAROEDUCADOR 12 EXREVER DEVERDADE 9 FALA, MESTRE1Mirta Torres O que aturma precisasaber para redigir boascomposições 54 ESTANTE 18G~NEROS,COMO USAR Exploreas caracteristicasdos diferentestipos detexto 58 ARTIGO Márcia V. Fortunato OQUE i PARIIQUE(M) Projetosdidáticosgarantem produçõesde qualidade 32OQUECADAUMSABE Conheça o nível dos estudantes para saber o quetrabalhar t PARAESCREVER como bons autores podem inspirar a meninada 38 hDA REESCRT ~ u d a ro narradorda nistóriaé um caminho para aautoria RAIO1 Leitura e resumo sao procedimentosessenciais para estudar Foto Derc/li0 ~GRAOECIMEMOSABEATRIZGOUVEIAEA PROFESSOU .LAUDIA TONDATO, DA EMEF PROFESX>R ROSALVITO :OBRA, DE SAOCAETANOW SUL,SP 45 HORA APERFEICOI Revisar d b produçõesé UIII meio de conquistara autonomia 48 DEOWONATELA A utilidade do computador no processo de revisão 51 UÇAOOEMESTRE Seguir o estilo de autores profissionaisajuda a escrever melhor
  • 3.
    ................................................................................................................................................................................ Caro educador Fundador: VICiORC M T A (1907-1990) Presidente:RobertoCinta Diretora Executiva: Angela Dannemann Conselheiros:Roberb CMia, G i a n d o PrancescoCivita, Vicm Civik, RoberiaAnamariaCivila, Maria Antonia MagalhHesCivita, Claudiode Moura Castro, JorgeGerdauJohannpeter, JoséAugusto Pinto Moreira, MarcosMagaihHae Mauro CaiIian Diretor de Redaçáo: Gabriel Pillar Grossi Redatora-cheíe: DenisePeUegrini Diretora de Aite: ManuelaNovais Coordenadora Pedag6gica: ReginaScarpa Editores: BeabizVichessi, Rodrigo Ratier e RonaldoNunes Editora-assistente:Bmna Nicolielo Reoórteres:Ana Rita Maiiins. Andemn Moco. ' Beauit Santomauroe ~ i i n c aBibiano ' Estagibria: Camila Monroe Editorade Arte: lulia Bmwne Designers:Alice ~asconieiioseVictorMalta Atendimento ao Leitoi: Marina Sieoni NOVA ESCOLAEDIGO WEB Editor: Ricardo Falzetia Editoras-assistentes:Elisa Meireiies(projetas especiais), JanaínaCastro e Paula-da Rei>Órtei: PauiaNada1 Editor de Arte: Vdmar Oliveira Webmastetci:núago Barbosade Moura NOVA ESCOLAGESTÁOESCOLAR Editora: PaolaGentile Editorade Arte: Renata B o m Editoraassistente: VerBnicaFraidenraich Rep6ttcres: Gustavo Heidrich e Noemia Lopes PRODUÇÃODE TEXTO Diretor de Redaeo: Gabriel Pillar Grossi Redatora-chefe: DenisePeiiegrini Diretora de Arte: ManuelaNovais Coordenadora Pedag6gica:ReginaScarpa Editora: BeatrizV i c h d Dedgner:AliceVaxoncellos Colaborounestaedição: PauloKaiser (reviao) COMERCIAL Gerente de Publicidade: Sandra Moskovich Publicidade: FernandaSant'Anna Rocha Gerente de Marketing e Publicações:Mirian D i N i m Gerente de Assinaturas: Rosana Berbel Gerente de Circula~SoAvulsas: Maurício Paiva Analista de ClrculaçBo e Marketing: Eliiabeth Sachetii Pacotesde Assinaturas: CynthiaVasconceUos Analista de Planejamento e Controle Operacional: Kútia Gmenes Processos Gráficos: Vitor Nogueira NOVAESCOLAedl@o=pedal Rodu@deTm (EAN789-3614-0689815) euma pubUcaç80da Ruidaq% MaoiChrlie üisúibuida emtodo opaispela Dlsoibuidora Nadonal de PuMig@es (Dlnap SA),São Pnulo. NOVA ESCOUnãoadmitepubliddadendadonal. IMWSSANA D m OG&KA DA EDITORA*BRIL . Av.OtavianoAlver da U m 4400. CEP02909.900 mia do 6.aohuio.SP MARÇO, 2010 Escrever mesmo Apreocupação com a qualidadedo ensino6 cadavez maior em nosso país, certo?Em parte por causa das ava- liações externas (que mostram que os alunos têm desempenho muito abaixo do esperado nas duas disciplinas), em parte por causa dos indicadoresde alfa- betismo funcional (que insistem em se manter muito elevados, confirmando queosbrasileirosadultosnão conseguem ler, escrever e fazer contas com facilida- de),em parte por causa dospróprios in- dicadoresinternos das escolas(que reve- lam altastaxas de repetênciae um gran- de número de crianças e jovens analfa- betos ao fim do 7O, 8 O ou 9O ano). Ao longo de 2009, NOVA ESCOLA publicou uma série de reportagens (acompanhadasde sugestões de ativida- des) para ajudar os professores a traba- lhar com seus estudantes os principais conteúdos e procedimentos ligados à produção de texto. Todo o material foi I revisadoe complementadopara montar este especial. Entrevista, artigo e repor- tagenssobreaspesquisasnaárea e expe- riências reais de sal: de aula ajudam a entender por que 6 importante formar alunos capazes de expressar as próprias opiniões por meio da palavra escrita-e, assim, construir um percurso como au- tor. Sem dúvida, uma das mais impor- tantes atribuições de toda escola. Diretor de Redaçâo www.ne.org.br Especial Produqão de Texto 7
  • 4.
    Fala, mestre! "0bomtexto éo que cumpre o propósitode quemo produzn Pesquisadora argentina defende que, para trabalhar com produção textual, os professorestambém precisam ser bons leitorese escritores ANA GONZAGA novaescola@atleitor.com.br Se ensinar as crianças a produzir tex- tos de qualidade é um desafio, pre- parar os educadores para realizar essas tarefas 6 uma responsabilidade igual- mente complexa e instigante. E é essa missão que Mirta Torrestomou para di- recionar sua ,carreira. Especialista em didática da leitura e da escrita,ela já foi diretora de Educação primária de Bue- ,nosAirese esteve à frente de vários pro- gramas de melhoramento pedagógico. Atualmente, coordena um grupo que trabalha com a alfabetização de alunos que foram reprovados ou entraram na escola mais tarde e tambdm integra o projeto Maestro+Maestro, que, preven- do doisprofessorespara cada sala de au- la, visa diminuir asdificuldadesde estu- dantes do l0grau,etapa em que se con- centram osmaioresíndicesderepetência no sistema argentino. Apesar da pouca afinidadecom a lín- gua portuguesa, Mirta garante que sua experiênciapedagógica naArgentinapo- de ser bastante útil para os professores que lidam com produ~ãode texto no Brasil. "Valem o raciocínio e as estraté- gias",diz ela,que concedeuestaentrevis- ta por telefone ?I NOVA ESCOLA de sua residência,em Buenos Aires. Como definir o que 6 uma produção de qualidade? MIRTA TORRES O escritor tem de ter um propósito claroqueo leveaescrever, tal comoprepararum textopara o semi- nário ou um convite para uma festa.O bomtextoC aquelequecumpreopropó- sito de quem o produz. Para isso, o que é precisoser ensina- do aos alunos? MIRTA Diversosaspectoscolaborampa- ra quesejam produzidostextosqualifica- dosentre aceitáveisebons.Aturma toda deve ser incentivada a escrever de e www.ne.org.br Especial Produgão de Texto 9
  • 5.
    Fala, mestre! MIRTATORRES emaneirahabitual efrequente.Talco- (CT mo um piloto de aviãoprecisa acumular al como um piloto horas de voo para ser hábil,um escritor precisa somar muitas oportunidades de de avião precisa &crita. Na prática, que; dizer que os es- acumu1ar horas detudantes devemser estimuladosaelabo- rar perguntas sobreum tema estudadoe VOO para ser h bi1, resumiramatéria para passar aum cole- ga que htou.são escritosmenos ambi- um escritor precisa ciosos, porém também exigem escrever, ler e corrigir. Embora, em muitas situa- somar muitas ções escolares de escrita,o texto não te- nha outro propósitoanão sero de escre- ver para aprender aescrita,C fundamen- tal gerarcondiçõesdidáticascomsentido social. Elas devem garantir a construção de produções contextualizadas, que ul- trapassem os muros da escola,comouma solicitaçãopor escrito para o diretor de um museu,de permissão para uma visi- ta. Assim, antes de começar a escrever, aprende-seque C preciso saberquem é o leitor e as informações necessárias. Por issoé ruimproporquese escreva sobre um tema livre ou aberto, por exemplo, "Minhas Ferias"? MIRTA A escrita nunca deve ser livre. Precisa ser produzida em um contexto, sempre.A psicolinguista argentina Emi- lia Ferreiro caracteriza muito bem essa ' questão.Ela diz que"nãohá nadamenos livre do que um texto livre".Muitascoi- sasincidemsobrequalquertexto: ospro- pósitosqueguiam a escrita,osdestinatá- rios e a situaçãocomunicativa.As crian- çastêm de aprenderqueo material deve se refletir no leitor. Como os educadores podem ajudar os estudantes a refinar seus textos? MIRTA Vou respondercitandoum caso de alunosde 7anosque estavamreescre- vendo a história de Pinóquio.Eles dita- vam para aprofessora:"Pinóquiocaiuno mar e a baleia o engoliu.A baleia ficou com Pinóquio em sua barriga durante três diasedepoisdetrêsdiasjogou Pin6- quio na praia".Ela leu em voz alta o pa- rágrafo, comentou que algo soava mal e releu enfatizando o nome Pinóquio. "Fala-semuitasvezes o nome Pinóquio", oportunidades de escrita. 11 concluíram. "Como poderíamos evitar isso?: ela perguntou.Os pequenossuge- riram correções:"Pinóquio caiu no mar e a baleia o engoliu.A baleia ficou com ele em sua barriga durante três dias e depoisde três diasojogou na praia".De- pois disso, a professora sugeriu que o fragmentocorrespondentedo contofos- se relido,o que resultou na troca de bar- riga por ventre.Para evitar arepetiçãoda expressão"trêsdias", foram propostasal- gumas opções: "ao final desse tempo", "logo","depois"e"então" As criançases- colheram "logo". Assim que se chegou à terceiraversão,um menino disse que al- go soava mal,repetindo a expressãoque a docentejá havia usado.Elecontinuou: "Quando Pinóquio cai no mar, trata-se de uma baleia,uma baleia qualquer.De- pois, quando ela carrega Pinóquio du- rante três dias na barriga, no ventre, en- tão é a baleia porque não setrata deuma baleia qualquer".Então,foireescrito:"Pi- nóquio caiu no mar e uma baleia o en- goliu. A baleia ficou com ele em seu ventre durante três dias e logo o jogou na praia". Como a professora fez para que os alunos incorporassemessa prática? MIRTA Durante a produção, ela recor- dou com a turma como e por que havia sidosubstituídoo nome Pinóquio a fim de que fosse elaboradauma regra geral, registrada no caderno:"Quando se fala em um personagem e o leitor sabe que sefaladele,não C necessárioescreverseu nome. Podemos colocar'o', 'a', 'os', 'as"'. Paraescrever bem, 6fundamental ser um bom leitor? MIRiASim.Aformaçãoleitoraajuda na formação do escritor. A familiaridade com outros'textosfornecemodelos e co- nhecimento sobre outros gêneros e es- truturas. Devemos ler como escritores: voltar ao texto para verificar de que ma- neira um autor resolveu um problema semelhante ao que temos em mãos,por exemplo. No mais, a leitura desperta o desejo de escrever. Cabe 21escola abrir diversaspossibilidades: oferecer titulos quefascinamcriançasejovens semrefor- çar o queo mercadojá oferecedemanei- ra excessiva.Não precisa ofertarlivrosdo Harry Potter,mas obrasde Robert Louis Stevenson (1850-1894), comoA Ilha do Tesouro,precisamser recomendadas.Arn- bossãovaliosos,sóque,seosdosegundo tipo não forem oferecidos, dificilmente os leitoresvão decidirlê-los.Mas há que destacar que nem todo bom leitor d um bom escritor. Muitosde nóssomosexce- lentes leitores, porém somente escreve- mos de modo aceitável. O que se espera de um educador co- mo leitor? MIRTA Ele deve desfrutar da leitura,es- tar atento aos gostos dos estudantes e considerar sua importância como uma ponte entre elese os textos. Pequenas,as criançasnão podem sozinhase,já maio- res, precisam de ajuda para acessar gran- des obras, que não enfrentariam por iniciativaprópria. É válido destacar que odocentequesejaum bom leitor 6capaz dedescobrira ambiguidade,aobscurida- de ou a pobreza presentes nos textos e compartilhar isso com o grupo. A partir de quando os alunos devem produzirtextos? MIRTA Essa atividadepode ser anterior A aquisiçãoda habilidade de escrever.As discussóesentre eles e o professor sobre ''como fica melhor","como se poderia 10 Especial Produgáo de Texto www.ne.org.br
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    dizer'', "o quefalta colocar" permitem refletir sobre a escrita. Assim, muitos, antesde estarem plenamente alfabetiza- dos, já conhecem as características da linguagem escrita por terem escutado bastante leitura em voz alta.Quer dizer, já podem se dedicar à produção de tex- tos, como ditames. Lembro-me de um projeto chamadoCuentosde Piratas,de- senvolvido com crianças de 5 anos. A. professora lia para elas os contos e todos levavam os livros para casa para reler e folhear. Depois,juntamente com a do- cente, faziam listas de personagens, to- mavamnota dosconflitosque apareciam em históriasde piratas,colocavam legen- dasna imagemde um barco:timão,vela, proa, popa. Finalmente,em grupo, cria- ram uma história de piratas. Quaissão asetapasessenciaisda pro- dução de texto? MIRTAAescrita propriamente dita leva tempo: se escrevee se relê para saberco- mo prosseguir, o que falta, se está indo bem, se convém substituir algum pará- grafo ou reescrever tudo. O processo de leiturae correçãonão 6 posteriorà escri- ta, mas parte dela. Ao considerar termi- nado, o passo seguinte é reler ou dar para outro leitor fazer isso e opinar.Fei- tas as cor:eçÕes finais,passa-se o texto a limpo com o formato mais ou menos definitivo.Contudo,asetapasnão devem ser enumeradas porque não são fias e sucessivas.Elas constituem um processo de vai e vem. Comooeducador deve escolher o que enfocar primeiro na revisão? MIRTA Cada texto é único. Todavia, 6 ikprescindivel - sobretudo com turmas quejá têm autonomia na produção-fa- zer uma primeira leitura para checar a coerência.Se os alunosse concentrarem ((AS etapas de produ~ãode texto não devem ser enumeradas porque não são fixas e sucessivas, mas um processo de vai e vem. 13 .................................................... MIRTA As situações didáticasde escrita não são todas iguais. Em alguns casos,é interessanteobservarosescritos durante o processo para ajudar aturma arelê-los, aretomar o fiodo relato e acorrigiruma expressão. Em outros, é melhor deixar que escrevam sem intervir. Há alguns anos, em um projeto com crianças de 7 e 8 anos, lançamos mão de um recurso didático que deu ótimos resultados. Or- ganizávamosas aulas de modo que não houvessetempo suficientepara terminar os textos,fazendo com que o gmpo pro- duzisse apenas uma parte dele. Na aula seguinte,a produção era lida para recor- dar até onde haviam chegado e decidir como continuar. Essa situação genuína da releitura permitedescobrir erros,pen- sar formas apropriadasde expressão,en- fim,ajuda a tomar distânciado escrito e retomá-lo como leitor. É válido que os própriosalunos revi- sem os textos dos colegas? MIRTA Minha experiência mostra que nein sempreé produtivoque osestudan- tes leiam mutuamente as produções dos i~m~anheiros.Os menores não enten- ções. O texto eleito para ser revisado co- letivamentedeverepresentar osobstácu- los que a maioria encontra. Uma vez descobel-tosno texto do companheiroos aspectosque devemserrevistos,oprofes- sor pode sugerir que cada um revise sua própria produção. Como ensinar gramática e as normas da língua no interior das práticasde leitura e escrita? MtRTA Efetivamente,se recorrem à gra- mática e às normas da língua quando é necessáriopenetrar em aspectosda com- preensão de um texto, como "qual é o sujeito do parágrafo?", mas principal- mente para revisar.De acordocom a ida- de da garotada,alguns aspectossão reto- mados em outros momentos,dedicados s6 A reflexão gramatical. É comum encontrarmospessoasque dizem não saber escrever bem e se sentem mais seguras ao falar, o que leva a entender que a passagem do oral para o escrito é o ponto de di- ficuldade delas. Como isso pode ser enfrentando na escola? MIRTA Não creio que isso se deva à pas- sagem do oral para o escrito.A fala per- mite gestos,alusõesquereforçam o peso do que foi dito. Temos uma grande prá- tica cotidiana na comunicação oral e muito menor na escrita.Quem considera mais fácil se comunicar oralmente está, sem dúvida,pensandoemtrocas familia- res enão em apresentaçõesoraisformais, como as conferências,que exigem verba- lizar e organizar todos os momentos da exposição.Nesses casos, as dificuldades encontradas são parecidas com a de es- crever.Ensinara escrevere a falarde for- ma aceitável exige empenho do profes- sor, que deve guiar a turma com mãos firmese seguras. a em detalhes,podem não conseguir che- dem a letra e os maiores nem sempre car a coerênciageral. sabemo que procurar,o quefazcom que 8 : .................... fiquem detidos em detalhes que não in- i: MirtaTorres, mirtatorres5@Jgmail.com Fazerintervençõesenquantoos estu- terferem na qualidade final. A revisão :internet b dantes produzemé correto?Ou é me- dos colegasganha valor quandoo profes- i Em abc.gov.arllainstitucion~digite na busca :sobre enseiiar a leery escribir e acesseo texto Ihordeixá-losterminar e revisarsó ao sor propõe revisar conjuntamente o tex- i hombnimode ~i~ castedo(em espanhol), 1fim do trabalho? to, orientando a leitura e sugerindo op- ' H www.ne.org.br Especial Produqáo de Texto 11
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    Producão3 detexto 10aopam tscrever deverdade Para produzir textos de qualidade, seus alunos têm de saber o que querem dizer, para quem escrevem e qual é o gênero que melhor exprime suas ideias. A chave é ler muito e revisar continuamente THAIS GURGEL novaescola@atleitor.com.br Colaborou Tadeu Breda Narração, descrição e dissertação. Por muito tempo, essestrês tipos de texto reinaram absolutosnas propos- tasde escrita.Consensoentre professores, essa maneira de ensinar a escrever foi uma dasresponsáveispela faltadeprofi- ciênciaentre nossos estudantes.O traba- lho baseadonas composiçõese redações escolares tem uma fragilidade: ele não garanteo conhecimentonecessário para produzirostextosqueosalunosterão de escrever ao longo da vida."Nessa antiga abordagem, ninguém aprendia a consi- derar quem seriam os leitores. Por isso, não havia a reflexão sobre a melhor es- tratégia para pôr as ideiasno papel",diz Telma Ferraz Leal, da Universidade Fe- deral de Pernambuco (UFPE). Para aproximaraprodução escritadas necessidadesenfrentadasno dia a dia, o caminho atual é enfocar o desenvolvi- mento dos comportamentos leitores e escritores.Ou seja: levar a criança a par- ticipar de forma eficientede atividades da vida socialque envolvam ler e escre- ver. Noticiar um fato num jornal, ensi- nar'os passos para fazer uma sobremesa ou argumentar para conseguir que um problema seja resolvido por um órgão público: cada uma dessas ações envolve um tipo de texto com uma finalidade, um suporte e um meio de veiculação específicos.Conhecer esses aspectos é a condição mínima para decidir, enfim, o que escrever e de que forma fazer isso. Fica evidentequenãosãoapenasasques- tões gramaticaisou notacionais (a orto- grafia,por exemplo) que ocupam o cen- tro dasatençõesna constniçãodaescrita, mas a maneira de elaborar o discurso. Há outro ponto fundamental nessa transformaçãodas atividades de produ- ção de texto: quem vai ler. E, nesse caso, você não conta."Entregar um textopara o professoré cumprirtarefa",diz Feman- da Liberali, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)."Para que o aluno fiqueestimuladocom a pro- posta, 6 preciso que veja sentido nisso." O objetivo é fazer com que um leitor ausenteno momento da produçãocom- preenda o que se quis comunicar. O primeiro passo é conheceros diver- sos gêneros. Isso não significaque os re- cursos discursivos,textuais e linguísticas doscontosde fadase dareportagem,por exemplo, sejam conteúdos a apresentar aosalunossem que elesostenham iden- tificado pela leitura. Um risco é cair na tentação de transmitir verbalmente as diferentes estruturas textuais. Cabe ao professorpermitir que ascriançasadqui- ram os comportamentos do leitor e do escritor pela participação em situações práticase não por meras verbalizações. Ensinar a produzir textos nessa pers- pectiva prevê abordar três aspectosprin- cipais:aconstruçãodascondiçõesdidáti- cas, a revisão e a criação de um percurso de autoria,como explicadoa seguir. Os textos redigidosem classe precisam de um destinatário "Escreva um texto sobre a primavera." Quemsedeparacomuma proposta como essaimediatamentedeveriasefazeralgu- mas perguntas. Para quê? Que tipo de escrita será essa? Quem vai lê-la? Certas informações precisam estar claras para que se saibapor onde começarum texto esepossa avaliarseelecondizcom o que foi pedido. Nas pesquisas didáticas de práticasde linguagem,essasdelimitações sedenominam condiçõesdidáticasde* 12 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
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    I-I DESV TERM( DESNECESSAR As palavras "marginaisJ; "assa1tantes"e "criminosos"são usadascomo mesmo propósito, o que deixa a produção com Poucafluidez. ASSU,. m w Oautor chama 'tenção para a 'estão dos assaltos, 1"s logo foca em utras situações qt r envolvem men , de idade sem s, iprofundar. V a r u r l u ar1 que.0~jove êm consciênciapara assumir os crimes que cometem, mas não expõe nada queju que essa ideia. . .L'.,' J.. , .
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    ...................................................................................................................................................................................... qoducão3 detexto 10ao. a- -....... BIOGRAFIA Dadosordenados cro ogicamente e recursos linguísticas que asseguram a c tem --I 'como os advérbios) são algumas das características do gêner 1 t L~ . .- ,DOS 3t_F :ORMAÇÕES PLICAÇn -E C- O - Alguns te- i*lw ~ ~ ~ p o r t a n t e w a m ' * - ~ "v.-.-- ,inich d«-m claroo 4* a grod~w d«te texta mectiV<n e ,ignroinniiian> m a de P.R *O ~t~~CwiRCntei orgíni# as 1"lwrn~- em f- e a f r a e r-11 que -, -vewconjugadolM mwc' d m d,erinslmtntO O autm cdheu or d*s para o tmodo biograf* respondendo 6 aw~ln"--uracterfrtkis .........que marom o @nem. ~ I J C S ~ ~ ~ Sde uma li+,: :,? ~l~-~~c-.p!O.-1, ?.::::,; ;,:.:.,:..L,, e.-.T..Ia:-v?;.+.-...... ..,-:+.,...., , . I q : .:, , -L' .-.,r ..., :L.. -. .-..#?.i.: .-;,i;i<. ,. !,;i; ,;:-i;:;*.;i.<,<;:,;<>sF!J
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    ,.produçãotextual.No queserefereao exemplo citado,fica difícil responder às perguntas,já queessetipo de redaçãonão existefora da escola,ou seja,não faz par- te de nenhum gênero. De acordo com Bernard Schneuwlye Joaquim Dolz,o trabalho com um gêne- ro em sala é o resultado de uma decisão didática que visa proporcionar ao aluno conhecê-lomelhor,apreciá-loou compre- endê-lo para que ele se torne capaz de produzi-lo na escola ou fora dela. No ar- tigo Os GênerosEscolares -DasPráticas de Linguagemaos ObjetosdeEnsino,os pesqui- sadoressuíçoscitamainda como objetivo desse trabalho desenvolver capacidades transferíveispara outrosgêneros. Para que a criançapossa encontrarso- luçõespara sua produção, ela precisa ter um amplo repertório de leituras. Essa possibilidadefoi dada àturma de 9 O ano da professora Maria Teresa Tedesco, do Centrode Educaçãoe HumanidadesIns- tituto de AplicaçãoFernando Rodrigues da Silveira-conhecidocomoColégiode Aplicação da Universidade Estadual do RiodeJaneiro(Uerj). Procurandodesen- volver a leitura crítica de textosjomalis- ticos e o conhecimento das estruturas argumentativas na produção textual,ela propôsuma atividadepermanente:acada semana, um grupo elegia uma notícia e expunhaA turma aformacomoelatinha sidotratadanosjornais. Depois,seguia-se um debate sobre o tema ou a maneira como 9s reportagenstinham sido veicu- ladas. Paralelamente, os estudantes tive- ram contato com textos de finalidades ' comunicativas diversas no jornal, como cartasde leitores,editoriaise artigos opi- nativos."O objetivo era que elesanalisas- sem os materiais, refletissem sobre os propósitosdecada um e adquirissemum repertório discursivoelinguístico",conta Maria Teresa, que lançou um desafio: produzir um jornal mural. A proposta era trabalhar com textos opinativos,como os editoriais. Para que a escritaganhasse sentido,ela avisouque o jornal seria afixado no corredor e que toda a comunidadeescolar teria acesso a' ele. Os assuntos escolhidostratavam das principais notíciasdo momento,comoo surto de dengue no Rio de Janeiro e a discussãosobreamaioridadepenal.Com as características do gênero já discutidas e frescas na memória, todos passaram à produção individual(7eiaotextodeum dos alunos na página 13). A primeira versão foi lida pela profes- sora."Sempre havia observações a fazer, mas eu deixava que osprópriosmeninos ajudassem a identificar as fragilidades", diz MariaTeresa.Divididosempequenos grupos, os alunos revisaram a produção de um colega,escrevendoum bilhetepa- ra o autor com sugestõese avaliando se ela estava adequada para a publicação. Eram comuns comentárioscomo"argu- mento fraco"e"falta conclusão". "Envolverestudantesde 6O a 9 O anona produção textual é um grande desafio", ressalta Roxane Rojo, da Universidade Estadualde Campinas(Unicarnp)."Mui- tas vezes,eles tiveram de produzir textos sem função comunicativa durante a es- colaridadeiniciale,por acreditaremque escreverC uma chatice,sãomais resisten- tes."Atenta, Maria Teresa soube driblar o problema. Percebendo que a turma andavainquietacom aproibiçãopor par- te da direção do uso de short entre as meninas, ela fez diko o tema de um edi- torial do jornal mural. "Para que algudmse coloque na posi- çãodeescritor,é preciso quesuaprodução tenha circulação garantida e leitoresde verdade",diz Roxane.Etodossaberiama opinião do alunosobrea q'uestão,inclu- sive a diretoria. "Só assim ele assume responsabilidade pela comunicação de seu pensamento e se coloca na posição do leitor,antecipandocomoelevai inter- pretá-lo."Aargumentaçãodagarotadafoi tão bem estruturada que a diretoria re- solveuvoltaratráseliberar maisuma vez o uso da roupa entre as garotas. A criação de condições didáticas nas propostas para as turmas de l0 a S0 ano segueos mesmospreceitosutilizadospe- la professoraMariaTeresa."Em qualquer série,como na vida,produzir um textoC resolver um problema", ensina Telma Ferraz Leal."Maspara isso6 precisocom- preender quais são os elementos princi- pais desse problemaen A revisãovai além da ortografia e foca os propósitosdo texto Produzir textosé um processoque envol- ve diferentes etapas: planejar, escrever, revisar ereescrever. Essescomportamen- tosescritoressãoosconteúdosfundamen- tais da produção escrita. A revisão não consisteemcorrigir apenaserrosortográ- ficos e gramaticais,como se fazia antes, mas cuidar para que o texto cumpra sua finalidadecomunicativa."Deve-se olhar para a produção dosestudantese identi- ficar aque provoca o estranhamento no leitordentrodosusossociaisqueelaterá", explica Fernanda ~iberali. Com a ajuda do professor, as tumas aprendem a analisar se ideias e recursos utilizados foram eficazes e de que forma o materialpode sermelhorado.Asalade 3O ano de Ana Clara Bin, na Escola da Vila, em SãoPaulo,avançou muito com um trabalho sistemático de revisão. Por um semestre,todos se dedicaram a um projetosobrea históriadasfamílias,que culminou na publicação de um livro, distribuídotambém para ospais. Dentro desse contexto, ela propôs a leitura de contosemqueescritoresnarramhistórias da própria iXancia.Os estudantesse en- volveram na reescritade um dos contos, narradoemprimeirapessoa.Elestiveram de reescrevê-lo na perspectiva de um ob- servador-ou seja, em terceira pessoa. A segundamissãofoiaindamaisdesafiado- ra: contar uma história da infincia dos pais. Para isso,cadaum entrevistoufami- liares, anotou as informações em forma de tópicos e colocou tudo no papel (leia o texto de um dos alunos à esquerda). Ana Clara leu os trabalhos e elegeu algunspontos para discutir."O mais co- mum era encontrar só o relato de um fato",diz."Recorremos, então,aoscontos lidospara saber que informações e deta- lhes tornavam a história interessante e comoorganizá-lospara dar emoção."Ca- da um releu seu conto, realizou outra entrevista com o parente-personagem e produziu uma segundaversão. e www.ne.org.br Especial Produgáo de Texto 15
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    ............................................................................................................................................................................... .....,.., Produ~ãodetexto 10ao~a.o a,&& , . J*w.. da-..lorbm- -&&r A escolha da expressão"era uma vez" revelaque o aluno se confundiu com a maneira de CI comeqar textos de outro g@nero conto, o conto. - - -T.--A ararasurge sem ser apresentada, diferentemente do cão. O mesmo ocorre c o r os caçadorese com os outros animais. Isso prejudica a compreensãodo texto. P ANALISE GERAL C ~ ~ ~ I I U IICJ ter É apropriado retomar as marcasdo conseguidose livrar g@nerofábula e o significado de da armadilha dos proverbios e ditos populares. A leitura semajuda dos colegas pode ajudar o autorde sua amiga arara, a moral da fábula a perceber que apresentar Os nãofaz sentido. personagens6fundamental.
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    e Tiveraminícioaidiferentesformas de revisão-análisecoletiva de uma pro- duçãono quadro,revisão individualcom baseemdiscussõescom ogrupoerevisões emduplas-,realizadasváriosdiasdepois para que houvesse o distanciarnentoem relação aotrabalho.Aprimeiraproposta foi a"revisão de ouvido".Para realizá-la, Ana Clara leuemvoz altaum doscontos para a turma, que identificoua omissão. depalavras einformações.Elaselecionou algunsaspectos a enfocar na revisão:or- tografia,gramáticae pontuação. Quandoaclassefoidivididaemduplas, um dospropósitos da professoraera que uns dessem sugestõesaos outros. A pes- quisadora argentina em didática Mirta Castedok defensoradessetipodepropos- ta. Para ela, as situações de revisão em grupo desenvolvem a reflexão sobre o que foíproduzido ior meiojustamente da troca de opiniõese críticas."Revisar o queos colegasfazem k interessante,pois o aluno se coloca no lugar de leitor", emenda Telma. "Quando volta para a própria produção e revisa,a criançatem maiscondiçõesdecriarodistanciamento dela e enxergar as fragilidades." Um escritor proficiente, no entanto, não faz a revisão só no fim do trabalho. Durante aescrita,é comum relerotrecho já produzido e verificar se ele está ade- quadoaosobjetivoseàsideiasquetinha a intenção de comunicar-só então pla- neja-se a continuação. E isso k feito por todo escritor profissional. A revisão em processo e a final são passos fundamentais para conseguir de fato uma boa escrita. Nesse sentido, a maneira como você escreve e revisa no quadro, por exemplo, pode colaborar para que acriançao tome comoum mo- deloe se familiarizecom.0procedimen- to. Sobreo assunto,Mirta Castedoescre- ve em sua tese de doutorado: "Os bons escritores adultos (...) são pessoas que pensamsobreoquevãoescrever,colocam em palavrasevoltam sobreojá produzi- do para julgar sua adequação. Mas não realizam astrês ações (planejar,escrever e revisar) sucessivamente:vão e voltam de umas às outras, desenvolvendo um complexoprocesso de transformação de seusconhecimentosem um texto". Ser autor exige pensar no enredo e na estrutura O terceiro aspecto fundamental no tra- balho deprodução textualé garantirque a criança ganhe condiçõesde pensar no todo.Do enredoàformadeestruturaros elementos no papel: k preciso aprender a dar conta de tudo para atingir o leitor. Esse processo denomina-se construção de um percurso de autoria e se adquire com tempo, prática e reflexão. Osestudosemdidáticadaspráticas de linguagem fizeram cair por terra o pen- samentodequearedaçãocomtema livre estimulaacriatividade.Hojesabe-seque depois da alfabetização há ainda uma longa lista de aprendizagens. Foi consi- derando a complexidade desse processo que Edileuza dos Santos,professora da EM deSantoAmaro,no Recife,desenvol- veu um projeto de fábulascom a skrie (leia o textode um dos alunos à esquerda). Ela deu infcio ao trabalho investindo na ampliaçãodorepertório dentro desse gêneroliterário.Assim foipossívelobser- var regularidadesna estrutura discursiva e linguística,como o fato de que os ani- mais são os protagonistas. "Escolhi esse gênero porque ele tem começo,meio e fim bem marcados, algo que eu queria trabalhar com a garotada? A primeiraproposta foio recontooral de uma fábula conhecida."Isso envolve organizar ideias e pode ser uma forma de planejar a escrita", endossa Patrícia Corsino,daUniversidadeFederaldoRio deJaneiro(UFRJ).Quandojá dominamos todas as informações de uma narrativa, podemos nos focar apenas na forma de expor oselementos-mas esseéum gran- de desafio no inicio da escola-idade. Na turma de Edileuza, as propostas seguintesforam a reescrita individual e a produção de versõesde fábulasconhe- cidascom modificaçõesdospersonagens ou do cenário.Aos poucos,todos ganha- ram condições de inventar situações.A professora percebeu que os estudantes não entendiam bem o sentidoda moral da história. Pediu, então, uma pesquisa sobreprovérbios eseuusocotidiano.Com essa compreensão e um repertório de ditados populares, Edileuza sugeriu a criação de uma fábula individual. Ela discutiu com o grupo que esse gênero geralmentetem como protagonistasini- migostradicionais(cãoegato,por exem- plo). Estava coiocada uma restrição.Em seguida,relembrou provérbios que po- deriam ser a moral dashistórias criadas. Desde o início, todos sabiam que as produçõesseriam lidaspor outrosalunos, o que serviu de estimulo para bolar tra- mas envolventes."Há uma diferençaen- tre escrevertextoscom autonomia-obe- decendo à estrutura do gênero,sem pro- blemas o r t o ~ i c o se de coerência-e se tornar autor", explica Patrícia."No pri- meiro caso,basta aprender as caracterís- ticasdo gêneroe conhecer o enredo,por exemplo. No segundo, 6 preciso desen- volver ideias." Para chegar lá,a interação comprofessoresecolegase o acessoaum repertório literáriosão importantes. Do 6 O ao 9 O ano, o processo de cons- trução daautoriapodeexigirdesafiosque sejam cada vez mais complexos:a elabo- ração de tensões na narrativaou a parti- cipação em debates para desenvolver a argumentação,comofez MariaTeresa."A reescritapode vir com propostas de pro- dução de paródias,no caso dos maiores, queexigemmaiselaboração",diz Roxane. Uma boa forma de fazer circular textos nessa fase são os meios digitais, como blogs e ositeda própriaescola.Osjovens podem seresponsabilizarpor toda a pro- dução.Levarosestudantesase expressar cada vez melhor, afinal,deve ser o obje- tivo de todo professor. (3 OUER SABER MAIS ? Il i- : Centro de Educaçãoe i Humanidades Instituto de Aplicação i i Fernando Rodrigues da Sllveira, : tel. (21) 2333-7873, cap-uerjQhotmail.com i i EM de Santo Amaro, tel. (81) 3232-5919 : i Escolada Vila, tel. (11) 3726-3578, j vilaQvila.com.br : Fernanda Liberali, Iiberali@uoi.com.br i Roxane Rojo, rrojoQiel.unicamp.br : Teima Ferraz Leal, tfleal@terra.com.br 1 www.ne.org.br Especial Produgão de Texto 17
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    Práticasde linguagem 10,50am' Gêneros, como usarEles invadiram a escola - e isso é bom. Mas é preciso parar de ficar só ensinando suas características para passar a utilizá-los no dia a dia de todas as turmas com o objetivo de formar leitores e escritores de verdade ANDERSON MOÇO anderson.moco@abril.com.br 18 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
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    seja,se é umtexto com função comuni- cativa,tem um gênero. Na última década, a grandemudança nas aulasdeLíngua~or&guesafoi ache- gadadosgêneroshescola. Essa mudança é uma novidade a ser comemorada. Po- rém muitosespecialistase formadoresde professoresdestacamque há uma peque- * na confusão na forma de trabalhar. Ex- plorar apenas as característicasde cada gênero (cartatem cabeçalho,data,sauda- Todo dia, você acorda de manhã e pega ojornal para saberdasúltimas novidadesenquanto toma o caféda ma- nhã. Em seguida,vai até a caixa de cor- reio e descobre que recebeu folhetos de propaganda e (surpresa!) a carta de um amigo que está morando em outro país. Depois, vai ate a escola e separa livros para planejar uma atividade com seus alunos. No fim do dia, de volta h casa, pega uma coletâneadepoemasna estan- te da sala e lê alguns antes de dormir. Não C de hoje que nossa relaçãocom os textosescritosé assim: eles têm formato próprio,suporteespecífico,possíveispro- pósitos de leitura - em outras palavras, possuem o que os especialistaschamam de "características sociocomunicativas", definidas pelo conteúdo, pela função, pelo estilo e pela composição do mate- rial aser lido. EC essasoma de caracterís- ticasquedefineosdiferentesgêneros.Ou çáo inicial, despedida etc.) não faz com que ninguém aprenda a, efetivamente, escreveruma carta.Falta discutirpor que epara quem escrevera mensagem,certo? Afinal, quem vai se dar ao trabalho de escreverpara guardá-la?Essa é adiferen- ça entre tratar os gêneros como conteú- dos em si e ensiná-los no interior das práticas de leitura e escrita. ' Essa postura equivocada tem raízes claras:é uma infeliz reediçãodojeito de ensinarLínguaPortuguesaquepredomi- nou durante a maior parte do século passado.A regra era falarsobreo idioma e memorizar definilões:"Adjetivo: pala- vra que modifica o substantivo,indican- do qualidade, caráter, modo de ser ou estado.Sujeito:termo da oraçãoa respei- to do qual se enuncia algo".Eassim por diante,numa lista quilométrica.Podeaté parecer maisfácileeconômicotrabalhar apenas com os aspectos estruturais da língua,masé garantido:a turma não vai aprender."O que importa é fazer agaro- tada transitar entre asdiferentesestrutu- ras e funçõesdos textos como leitores e escritores",explica a linguista Beth Mar-' cuschi, da Universidade Federal de Per- nambuco (UFPE). É por isso que não faz sentido pedir para os estudantes escreverem só para você ler (e avaliar). Quando alguém es- creve uma carta, C porque outra pessoa vai recebê-la. Quando alguém redige uma notícia, é porque muitos vão lê-la. Quando alguémproduz um conto,uma crbnica ou um romance,é porqueespera emocionar, provocar ou simplesmente entreter diversos leitores.E isso é perfei- tamente possível fazer na escola: a carta podeserenviadapara amigos,paren- e www.ne.org.br Especial Produgão de Texto 19
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    Práticasde linguagem 1°a050ano etesou colegas de outras turmas; a notícia pode ser diwlgada num jornal distribuído internamente ou transfor- mado em mural; o texto literário pode dar origem a um livro,produzidodefor- ma coletiva pela moçada. Os especialistasdizem que os gêneros são,na verdade,uma "condiçãodidática para trabalhar com os comportamentos leitoreseescritores".Asutilezaé que eles devem estar a serviço dos verdadeiros conteúdos:oschamados"comportamen- tos leitoreseescritores"(lerpara estudar, encontrar uma informação específica, tomar notas,organizarentrevistas,elabo- rar resumos, sublinhar as informações mais re.levantes,comparir dados entre textos e,claro, enfrentar o desafio de es- crevê-los)."Cabe aoprofessorpossibilitar que os alunos pratiquem esses compor- tamentos,utilizandotextos de diferentes gêneros",diz Beatriz Gouveia,coordena- dora do Programa Alem das Letras, do Instituto Avisa Lá,em São Paulo, e sele- cionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. As boas opções para abordar os gêneros em sala de aula Existem muitas formas de trabalhar os gêneros na prática. Nos quadros que acompanham esta reportagem,você co- nhece ecomparaduaspropostascurricu- lares,deuma instituiçãoprivada edeurna rede pública. A primeira (publicada à di- reita e naspáginas 22 e 23) é da Secretaria de Educação de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte.A se- gunda (da página 24 à 27) é da Escola Projeto Vida, em São Paulo. Ambas co- brem do loao 5 O ano do Ensino Funda- mental e podem servir de exemplopara distribuirosconteúdosporque represen- tam um passo além da chamada"norma- tizaçãodescritiva"(atendência deexplicar s6 as característicasde cada gênero). Antes de detalhar como funciona a abordagem que privilegia o ensino dos comportamentos leitores e escritores, vale uma palavrinha sobre os conteúdos clássicos da disciplina: ortografia e gra- mática.Elescontinuamsendomuito e lJl<UIJU3IA LUI<I<ILULAI<UU MUNILIIJIC Dividida em semestres, cobre 1O ao 5 O ano e é adotada em toda a rede municipal cantigas e adivinhas). Objetivos Desenvolver Objetivos Desenvolver ' comportamentos leitorese ler antes coqportamentos leitorese de saber ler convencionalmente, escritores, ler antes de saber tentando estabelecer relaçõesentre ler e escrever sem saber o oral e o escrito. escreverconvencionalmente. Conteúdos Leitura, escrita Conteúdos Leitura, escrita e comportamentos leitores. e comportamentosleitores. do sistema de escrita). Produçãocoletiva ou em dupla Recontode contos conhecidos de bilhetes,convites, receitas, regras com o professorcomo escriba, de jogos, propagandase anúncios. preservandoos elementos Reescritacoletiva de contos da linguagem escrita. conhecidos. Objetivos Refletir sobre Objetivos Refletir sobre o o funcionamento do sistema funcionamento do sistema de escrita de escrita e apropriar-se e produzir um texto em linguagem das caracterlsticas da escrita, recuperandoos principais linguagem escrita. elementos da narrativa. Conteúdos Leitura e escrita Conteúdos Leiturae escrita e produção e produção de texto oral com de texto oral com destino escrito. destino escrito. Agenda de telefones eendereços dos alunos da turma. Coletânea de reescritasde contos Livrode parlendas preferidas ditados para o professor. pelogrupo. Objetivos Produzir um texto ibjetivos Estabelecerum sentido em linguagem escrita, recuperando , ara o uso do alfabeto,favorecer os principais elementos da narrativa, situaçõesde escrita com baseem e perceber a diferença entre textos de memória e refletir sobre o a linguagemoral e a escrita. funcionamento do sistema de escrita. Conteúdo Linguagem escrita. Conteúdos Ordem alfabgtica e leitura e escrita.
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    c ,Leituradiária decontos e poemas Leituradiária de textos literários Leitura diária de textos literários pelo professor. I. e informativos pelo professor. pelo professor. Roda de conversa com media ão do Roda de conversa (emissão de Roda de conversa (escuta atenta professor sobre temas diversiÁcados. opiniões pessoais). e manifestaçãode opiniões). Roda de biblioteca(emprkstimo Roda de biblioteca(emprkstimo Roda de biblioteca (emprkstimo de -1 de livros e compartilhamento de livroscom comentários, lembrança livrose apreciaçãode textos literários). de impressões sobre eles). de trechos, indicação aos colegas Leitura compartilhada de textos Leiturae escrita de textos de e apreciaçãode textos literários). informativos para estudar os memória (poesias, adivinhas, Leitura e escrita de textos práticos temas tratados nas diferentes cantigase trava-llnguas). (bilhetes, cartões, avisos, anúnciosetc.). áreas de conhecimento. Leitura pelo aluno de diferentesgêneros Objetivos Desenvolvercomportamentos Objetivos Familiarizar-secom textos para localizare selecionar informações. leitorese utilizar as estratkgias de literários e informativos e desenvolver Escritade textos práticos(bilhetes, seleção, antecipaçãoe verificação, o comportamento leitor. cartões, avisos, anúncios etc.) considerando aquilo quejá se sabe sobre Conteúdos Leitura, produção de texto o sistemade escrita. e comportamentosleitores. Objetivos Desenvolvercomportamentos Conteúdos Leitura, escrita e leitores, aprender procedimentosque comportamentos leitores. leitoresexperientes usamao procurar informaçõesnostextos e pôr emjogo os conhecimentos sobre a escrita, considerando as caracterlsticasdo gênero. Conteúdos Leitura, produçãode texto e revisão(pontuação, coesão, coerência e aspectos referentesa regularidades e irregularidadesortográficas). Leiturade várias versões do mesmo Reescritaem dupla de contos conto para apreciare comparar selecionados pelaturma. Reescritade contos conhecidos textos de qualidade. Revisão coletiva das reescritas. (individualmente ou em dupla), a Recontoe reescrita de umaversão Leitura, com a ajuda do professor, considerando as ideias principais do texto do conto escolhida pelos alunos. de textos de diferentesgêneros, e as caracterlsticasda linguagemescrita. Escrita em dupla de textos de memória. apoiando-seem conhecimentos sobre Escrita coletivade brincadeiras Revisãocoletiva dostextos produzidos o tema do texto, as caracterlsticasdo infantis coletadas em entrevistas em dupla. seu portador e o gênero. e registrosescritos. n Revisãocoletiva (aspectos Objetivos Conhecere valorizar os Objetivos Participar de uma situação notacionaise discursivos). recursos lingulsticos utilizados pelo de revisãocom a ajuda do professor, autor e considerar a importancia da visando aprimorar a escrita e ler Objetivos Produzir textos utilizando escrita correta para ser mais bem diferentesgêneroscom maisfluência. recursos de linguagemescrita e entendida pelos leitores. Conteúdos Leitura, produçãoe revisão desenvolvercomportamentosde escritor Conteúdos Leitura,produçãode texto de textos (aspectos notacionais (planejar, redigir, revisar e passar a limpo). e revisão(ausência de marcasde ediscursivos,considerando as Conteúdos Produçãodetexto oral nasalização,hipoe hiperssegmentação, caracterlsticas lingulsticas do gênero). com destino escrito e revisãode entre outros). textos (pontuação, coesão, coerência e ortografia). i Livrode cantigas de roda preferidas Leitura de contos de própria autoria Manual de brincadeirasinfantis antigas pelosalunos. para outrasturmas (após o reconto, para serem desenvolvidasnas aulas a reescritae a revisão). de Educação Flsica. Objetivos Escrever alfabeticamente Cadernode relatos de memórias Saraus literários (narração, reconto textos de memória e pôr emjogo da turma com fotos e registrosescritos. de contos conhecidose declamação os conhecimentos sobre a escrita. de poesiase trava-llnguas). Conteúdo Ortografia. Objetivos Desenvolvercomportamentos leitorese escritores eescrever relatos, Objetivos Desenvolvercomportamentos rh considerandoas caracterlsticastextuais escritores(planejar o que se vai escrever, e discursivas do gênero. escolher umaentre várias possibilidades Conteúdos Leitura, produçãoe revisão de e rever após aescrita), identificar textos (ortografia e aspectos relacionados caracterlsticasdos gêneros orais e' 3 linguagemque se usa para escrever). escritose participar de situaçõesde L usode linguagemoral. Conteúdos Comportamentosleitores, -comunicaçãooral, produçãode texto e
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    Práticasde linguagem 1°m50am / Leituradiáriade textos literários, Leitura diária de textos literários, I Leitura diária de diferentes informativos e instrucionais informativos e práticospelo professor. gêneros pelo professor. Leituracompartilhada de textos Rodade bibliotecae roda depelo professor. Roda de conversa (manifestação informativos e de divulgaçãocientlfica. conversa relacionada aos projetos. de opiniões). Roda de bibliotecae rodade conversa Leitura pelo aluno de gibis, Roda de biblioteca (empréstimo de (discussõesrelacionadasaos projetos). enciclop6dias,jornais (para buscar livros e comparaçãode livros lidos). Leitura de textos em diferentes informações,se divertir e aprender Leituracompartilhada de textos portadorespara buscar informações. sobre o tema). informativos e discussãode temas. Escritade notlcias e de textos Objetivos Familiarizar-secomtextos Objetivos Familiarizar-secom publicitários (propagandas, cartazes, de diferentesgêneros e selecionartextos diferentesggneros e selecionar folhetos, slogans, outdoors etc.). em diferentesfontes, observandoseu textos em diferentesfontes, propósito enquanto leitor. observandoseus propósitos. Objetivos Desenvolver Conteúdo Comportamentosleitores Conteúdos Comportamentosleitores. comportamentosleitores, aprender (seleçãode informaçõese leitura procedimentosque leitoresexperientes de textos informativos). usam para fazer perguntas e fazer colocações ertinentes e por em jogo os con(ecimentos sobre a escrita considerando as caracterlsticasdo gênero. Conteúdos Leitura, produ ão de texto e revisão(regularidaies e irregularidadesortográficas, coerência, coesão e pontuação). *.Leitura para refletir sobre os Leiturae reescrita de contos Leiturade vários textos de um recursos lingulsticos utilizados tradicionais tendo um mesmo autor, analisando os recursos pelo autor (identificação nos contos personagemcomo narrador. lingulsticos utilizados por ele. dos recursose as caracterlsticas Reescrita individual ou em dupla Produ ão de textos práticos, informativos próprias desse gênero). de textos informativos. e literjrios individualmente ou em dupla, Produçãode contos. Revisãocoietivaou em dupla utilizando procedimentosde escritor. Revisãocoletiva(ortografia (coerência,coesão e ortografia). Revisãode textos produzidosem dupla e pontuação). e com a ajuda do professor. Objetivos Reescrever um conto Objetivos Reconhecer a leitura em primeira pessoa (o personagem Objetivos Conhecercaracterlsticas como umafonte essencial para 6 ao mesmotempo narrador) discursivas e comunicativasdesses gêneros, produzir textos, aprender e desenvolvercomportamentos saber reconhecer, organizar e utilizar procedimentosde revisãoe escritores. os recursoslingulsticos presentes nos textos conhecercaracterlsticas discursivas ConteSidos Leiturade contos e aprender procedimentosde revisão. e comunicativasdesse gênero. tradicionais, produçãotextual e Conteúdos Leitura, produçãodetexto e Conteúdos Leitura, produçãode revisão(ortografia, pontuaçãoe revisão(ortografia, pontuação, concordância texto e revisão(ortografia, pontuação, concordânciasverbale nominal). nominale verbal e aspectosdiscursivos). Apresentação de um conto Leiturae produçãodejornal mural. Roda de leitura com a participação produzido pela turma para os alunos Indicaçãoliterária de vários livros dos pais (apresentações,apreciações da escola. e autores ara a maior circulação de livros bibliotecada escola. Objetivos Recuperar os elementos da narrativa com base na linguagem Objetivos Reescrevere produzir textos que se usa para escrever. utilizando procedimentosde escritor. Conteúdos Leiturae Conteúdos Leituradejornais, Objetlvos Favorecer a troca de produçãode texto. produçãode texto e revisão experiênciasde leitura e p8r em (aspectos notacionaise discursivos). jogo os conhecimentos sobre a escrita considerando as caracterlsticasdo gênero. Conteúdos Leitura, produçãode texto. e revisão(ortografia, pontuação e aspectosdiscursivos).
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    Leitura diária dediferentesgenerosLeitura diáriadediferentesg@neros textuais pelo professor. textuais pelo professor. Roda de biblioteca (comemprkstimo Roda de biblioteca (emprkstimo de livros). de livros). Roda de conversa (emissãodeopiniões Roda de conversa,participação sobredeterminadoassuntopara em seminárioseentrevistas. argumentar econtra-argumentar). Leitura pelo alunocom diferentes Leitura detextos para buscar propósitos. informações,compreendereestudar. ObjetivosParticipar de situações ObjetivosParticipar de situações de intercâmbiooral,trocando de interclmbiooral,trocandoopiniões, opiniões,planejandoejustificando sua planejandoejustificando sua fala, fala,e adquirir comportamentosleitores. e adquirircomportamentos leitores. Conteúdos Leitura e comunicação ConteúdosComportamentosleitores oral (seminárioe entrevista). ecomunicaçãooral. * Leitura para refletir sobrea escrita Revisãodetextos produzidos por (reconheceros recursos lingulsticos alunosdeoutrasturmas(elaborar presentes nos diversostiposdetexto). devolutivas,fazendoalgumas Pesquisa sobredeterminadoassunto consideraçõessobreotexto revisado). (selecionarostextosde acordocom os -Leitura de artigosde opinião,noticias, propósitosda leitura efazer resumos). re ortagense resenhas para desenvolver Produçãodetextos informativos. a gmiliaridadecom esses eneros. Revisãodas produções escritas. Produçbode resenhasdos!ivros lidos. ObjetivosReconhecera leitura como ObjetivosRevisartextosassumindo o ponto de vista do leitoreconhecer informaçõese revisartextosassumindo o ponto devista do leitor. Conteúdos Leitura,produção de ConteúdosAnálisee reflexão sobre resenhas e revisão(pontuação,ortografia, a Ilngua,produqãodetexto e revisão concord%nciaverbal e nominal, adequação (aspectosnotacionaisediscursivos). aog@nero,coerencia ecoesãotextual). Livrode cruzadinhasda turma Produçãodejornal da turma. com verbetes(reflexãoorto ráfica Elaboraçãode resenhasde livros para considerandoas regularidales apresentar a outrasturmas da escola. e irregularidades ortográficas). Elaboração de um folheto informativo ObjetivosExpressar sentimentos, sobre um tema estudado. ideias eopiniões com base na leitura efavorecera familiaridadee ouso ObjetivosRefletir sobrea escrita dosdiversosgênerostextuais em das palavras,considerandoas regularidades situaçõessignificativas. e irregularidades ortográficas,e p8r Conteúdo Produçãode textos em jogo os conhecimentossobrea escrita, jornallsticos e resenhas. considerandoas caracterlsticasdogenero. ConteúdosOrtografiae produção detextos informativos. & importantes nesse novojeito de pla- nejar, pois conhecê-losé essencial para que os alunos superem as dificuldades. Que tempo verbal usar para contar algo que já ocorreu? Que recursos de coesão e coerenciagarantem a compreensão de uma história? "Saber utilizar a língua é o que mais influencia a qualidade textu- al: ressaltaBethMarcuschi.Para alcançar isso, porém, não é necessário colocar a ortografia e a gramática como um fim em si mesmo, ocupando o centro das aulas. Assim como os gêneros, elas são um meio para ensinar a ler e escrever cada vez melhor. Nas propostas curriculares da Escola Projeto Vida e da rede de Nova Lima, você vai notar que não existe uma pro- gressão de aspectos "mais fáceis" para outros "mais dificeis", pois qualquer gê- nero pode ser trabalhado em qualquer ano."O quedevevariarconformea idade é a complexidadedostextos",afirma Re- ginaScarpa,coordenadorapedagógicade NOVA ESCOLA.Alemdisso,é fundamen- tal retomar oestudo sobre determinado g&nero(em diferentes momentos, mas para atender a necessidadesespecíficas de aprendizagem). A turma deve saber que cada tipo de textotem um suporte A apresentaçãodostextos 6outro ponto essencial:elesdevem sertrabalhados em seusuportereal.Sevocê quer usar repor- tagens,tem de levar para a salajornais e revistas deverdade.Paraexplorarreceitas, 6precisoqueosalunosmanuseiemobras de culinária. Na análise de bio@ias, é fundamental cada um dispor de livros desse tipo. E assim sucessivamente. Por- tanto, nada de oferecerapenasuma carta que esteja publicada (ou resumida) nas páginas do livro didático. Isso posto, é hora de mergulhar nos currículos.Ofio condutor que aproxima as duas propostas é a preocupação de fazeraturina transitar pelastrêsposições enunciativas do texto: ouvinte, leitor e escritor.Énessa"viagemJ'de possibilida- des que a garotada exercita os tais com- portamentos leitoreseescritores.Em e
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    Praticasde linguagem 10,50ano eNovaLima,todo professor lê diaria- mente, ao longo do primeiro semestre, contospara aturma de 2 O ano.Ao ouvir, os alunos se familiarizamcom diversos exemplosdetexto,apreciando-oseapren- dendo a identificarascaracterísticasque cada um delescontem. Ao mesmo tempo, eles atuam como leitores, comparando diferentesversões de um conto,por exemplo,com o obje- tivo de refletir sobreosrecursoslinguís- ticosescolhidospelosautores.E o profes- sor também coloca a garotada para tra- balhar-pede quetodoscaracterizemum personageme,portanto,escrevam.Nessa hora, eles vão usar termos como "bom", "mau","bonito","nervoso"etc."S6então cabe explicar que esses termos são cha- mados de adjetivos e são muito impor- tantes em diversos textos, sobretudo os contos e as propagandas, mas não são adequados em outros,comoasnoticias", explica Beth Marcuschi. Nessa integração de atividades com diferentes propósitos, os estudantesvão muito alem das caracteristicas de cada gênero -e aprendem de fato a ler e es- crever,inclusive fazendouso da ortogra- fia e da gramática em situações reais. Tudo isso permite dar o pontapé inicial aoqueosespecialistaschamamde"carni- nho da autoria'' Uma possibilidade .C propor a reescrita (individual) de um conto.Maso percursopelastrêsposições enunciativass6 estará completoquando a garotada produzir o próprio conto (no casode Nova Lima,issoé feitono semes- tre seguinte, com direito a ler as produ- ções para outrasturmas). Organização do trabalho pede mescla de modalidades Para integraressa multiplicidadedepro- postas e dar conta da evoluçãodos con- teiidos,o melhor caminhoé organizar as aulasconformeasmodalidadespropostas pelapesquisadoraargentinaDelia Lemer e dividir os trabalhos entre-atividades permanentes,sequênciasdidáticase pro- jetos didáticos -que podem ser interli- gados ou usados separadamente,depen- dendodosobjetivosaseremalcança-e PROPOSTA CURRICULAR DA ESCOLA PR Organizada n o l0ano de forma semestral. Do 2 O ano em dian nestral Leitura pelo professorde textos de diversos gêneros e de jornal. Leituracompartilhada de gibis. Roda de leitura (contos). Roda de conversa (seminário de apresentação dos conteúdos estudados). Leitura peloaluno de gêneros diversos. Objetivos Avançar no modocomo entende a escrita, a leitura e a comunicaçãooral. Conteúdos Leiturae comunicaçãooral. de memória (quadrinhas preferidas). Escritados tltulos das histórias lidas e dos personagens. I Objetlvos Refletir sobre o funcionamento do sistemade escrita e apropriar-sedas caracterlsticasda linguagemescrita. Contelidos Leitura, escrita e letra cursiva I para os alfabkticos. Produçãode resenhas de indicação literária. Objetivos Refletir sobre a organização e a produçãode textos e familiarizar-se com alguns gêneros. Conteúdos Leiturae escrita, comportamentos leitores, comportamentos ?scritores(revisão. análisede texto bem ~eiturapelo professorde uma coletâneadetextos. Leitura compartilhada de contos e gibis. Rodade leitura (contos indianos). Roda de conversa. Recontode conto pelo aluno. Leitura e escrita detextos de memória. Objetivos Avançar no modo como entende a escrita, a leitura e a comunicaçãooral. Conteúdos Leitura, comunicação oral e comportamentos leitores. Reescritae recontode contos de RicardoAzevedo e Clarice Lispector(1920.1977). Objetivos Refletir sobre a organizaçãoe a produção de textos e analisar textos bem escritos. Conteúdo Produção de texto (planejamento, escrita e revisão-organizaçãotextual).
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    OJETUVIDA, EM 5AUW L w SY l0trimestre Roda de leitura (apresentaçãoe apreciaçãode livros lidos). Roda de curiosidades (comunicaçãooral de notlcias lidasem jornais e revistase contadas para os colegas). Dbjetivos Desenvolver i linguagemoral e amiliarizar-secom )s gêneros. :onteúdos Leitura, :omunicaçãooral e :omportamentosleitores. Roda de leitura .. (apresentaçãoe . apreciaçãode livros lidos). Roda de curiosidades (comunicaçãooral de , notíciaslidas emjorn e revistas e contadas 1ais 1para os colegas). I Objetivos Desenvolver comportamentos leitores e a linguagem oral e familiarizar-secom os gêneros. Conteúdos Leitura, comunicaçãooral e comportamentos leitores. Leitura de biografias de poetasbrasileiros. Leitura compartilhada de poemas. Reescritade poemas. lbjetivos Ampliar ) repertóriode poemas, :onhecer recursos da Leitura compartilhada de mitos e lendas indlgenas. Leitura compartilhada,,- de textos expositivos de ciências naturais e humanas. bietivo Ler Dara estudarI tinguagempoetica régistrar informações t aproximar-sedo e diferentesfontes. I~ênerobiografia. nteúdos :onteúdos Leitura omportamentos leitores !comportamentos speclficosde ler para !scritores. rstudar: sublinhar. tomar rotas e fazer resumos. I Roda de leitura (apresentação e apreciaçãode livros lidos). Roda de curiosidades (comunicaçãooral de notlcias lidas emjornais e revistas e contadas para os colegas). Objetivos Desenvolver comportamentos leitorese a linguagem oral e familiarizar-se com os gêneros. Conteúdos Leitura, comunicaçãooral e comportamentosleitores. I Produçãoescrita Leitura, interpretação, Continuaçãodo projeto e revisãode texto reescrita e revisão sobre conto de fada autobiográfico. de contos de fada. (produção escrita 3bjetivos Aproximar-se io gênero biografia. :onteúdos Produção ie texto, comportamentos pscritorese revisão ,segmentaçãode palavras, ~rganizaçãode ideias, iubstituição das marcas ia oralidadee ortografia). Objetivos Reescrever contosde fada respeitando caracterlsticasdo gênero e a sequência de ideias dos textos-referência. Conteúdos Comportamentos leitorese escritores, revisão(ortografia e segmentação do texto em parágrafos). Roda de leitura _ Roda de leitura (apresentação (apresentação e apreciaçãode e apreciaçãode livros lidos). livros lidos). Roda de curiosidades Roda de curiosidades (comunicação oral de (comunicaçãooral de notlcias lidasemjornais notkias lidas emjornais e revistase contadas e revistase contadas para os colegas). paraos colegas). Objetivos Desenvolver Objetivos Desenvolver comportamentosleitores comportamentosleitores e a linguagem oral e e a linguagemoral familiarizar-secom efamiliarizar-secom - os gêneros. os gêneros. Conteúdos Leitura, Conteúdos Leitura, comunicaçãooral e comunicação oral e comportamentos leitores. comportamentosleitores.I T Ie revisão para organizaçãode livro). I Objetivos Escrever um conto de fada considerando as caracterlsticas do gênero, a se mentação em parágraise a sequência de ideias. Conteúdo Comportamentos I escritores e revisão (ortografia, organização de ideias e segmentação do texto). I Catálogode leituras (leitura compartilhada de textos ficcionais de diferentesgêneros / e produçãoescrita e revisãode resenhas - 1 organizadasem forma de catálogooferecido a biblioteca de uma escolavisitada). 1 Leitura de textos 1 ficcionais de diferentesgêneros. 1 Leituracompartilhada de contos popularec Produçãoescrita e revisãode contos populares para coletâneade textos, I Objetivo: Conhecer apreciar a leitura de contos populares, planejar, produzir e revisar um conto popular Conteúdos I os livros lidos(do Comportamentos leitorese escritores e revisão(ortografia, coerênciae coesão, letra iaiúscula e adjetivos).
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    ..................... A I Práticasde linguagem 1°m50amI Roda de leitura Roda de leitura (apresentação .Roda de leitura (apresentação e apreciaçãode livros). 1 (apresentação e apreciaçã" e apreciaçãode livros). Roda de curiosidades de livros lidos). Rodade curiosidades (comunicaçãopral de noticias .Roda de curiosidades (comunicação oral de lidas em jornais (comunicaçãooral de notícias lidasem jornais e revistase contadas notícias lidasemjornais e revistase contadas para os colegas). e revistase contadas para os colegas). para os colegas). Objetivos Desenvolver ,, Objetivos Desenvolver comportamentosleitores -. : Objetivos Desenvolver comportamentos leitores e a linguagem oral . - 3 comportamentos leitores e a linguagem oral efamiliarizar-secom - 8 e a linguagem oral e efamiliarizar-secom os gêneros. familiarizar-se com os os gêneros. Conteúdos Leitura, . gêneros. Conteúdos Leitura, comunicaçãoorabe . ConteCidos Leitura, comunicaçãooral e comportamento3reitores. comunicaçãooral e comportamentos leitores. ,E A comportamentosleitores. L .:., Leitura d e x s i t i v o s Leitura, anblise e reflexãz de ciências naturaise sobre os recursos humanas, explicitando linguisticos das narrativas I sua organização. de Monteiro Lobato Produçãode textos (1882-1948). expositivostendo como referência textos de ciências Objetivos Ler, analisar naturais e humanas. e interpretar textos Leitura de textos ficcionais. variados do autor, caracterizarpersonagens, Objetivos Analisar textos identificando os modos expositivos, refletindo de pensare sentir, e sobre a organizaçãotextual utilizar recursos da (subtftulos, uso de imagens e linguagem lobatiana. gráficos como complemento Conteúdos Produção das informações), organizar e revisãode texto informações e registrá-Ias usando OS recursos para expor ideias). de escrita de Lobato (vocabuláriode época, riqueza de detalhes descritivos, pontuação dentro do estilo I do autor). Leitura compartilhada de contosde aventura e produçãoescrita de livro da classe. Objetivos Organizar Objetivos Desenvolver informaçõese registrá-Ias comportamentos leitores paraexpor ideias. e escritores e identificar Conteúdo Revisão caracteristicas dos personagensque sustentam a aventura. Conteúdos Leitura, produçãoe revisão de texto (discursodireto e indireto, ortografia, coesão, organizacãodas ideiase caracterlsticas a do gênero). PROPOSTA CURRI( LAR DA ESCOLA PROJETOVIDA, EM SÃO PAULO, SP (continuação: r 4OA ' '$,?-< Roda de leitura .?^i (apresentação e apreciação" de livros lidos). Roda de curiosidades (comunicação oral de noticias lidas em jornais Ie revistase contadas para os colegas). Objetivos Desenvolver comportamentosleitores e a linguagem oral e familiarizar-secom os gêneros. Conteúdos Leitura, comunicacãooral e comportainentos leitores. ,.4 Leitura, produçãoescrita e revisãode poemas para compor coletânea. Objetivos Ampliar o conhecimentosobre o gênero, analisando bons modelos de diversosestilosde poemas. Conteúdos Comportamentos leitorese escritores e revisão, contemplandoo uso de rimas, a escolha das palavras para expressar imagens, os recursos associativosentre os poemas e aforma de expressá-los no papel.
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    Roda de leitura (apresentaçãoe apreciaçãode livros lidos). Roda de curiosidades (comunicaçãooral de e a linguagemoral efamiliarizar-secom os gêneros. Conteúdos Leitura, comunicaçãooral e r comportamentosleitores. Cku e Mar (Amyr Klink, Produçãoescrita e de diversosgêneros. Conteúdos e escritores, leitura, Objetivos Identificar diferentes propósitosde relato pessoal e o narrador recursosde linguagem e ortografia). dos."Achaveé pensarnuma progres- são das dificuldades",recomenda a lin- guista Vera LúciaCristóvão,da Universi- dade Estadual de Londrina (UEL). Oprojetodidáticoéamodalidademais indicadapara trabalhar a escrita-afinal, ao criar um produto final com público definido,aturma aprendeafocarem um gêneroesaberoquê,por queepara quem escrever.Num projetodidáticosobrepro- pagandas, por exemplo, a exibição das criaçõespara outros estudantespermite reproduzir o que ocorre com a publici- dade na vida real. Alem disso, a tarefa adquire outro sentido,pois o aluno sabe que escrevepara que outros leiame,por- tanto, passa a prestar mais atenção na necessidadede se fazer entender. Já as sequências didáticas são ideais para a leitura de diferentes exemplares de um mesmo gênero,de obrasvariadas deum mesmoautorou dediversostextos sobreum tema. Elasgarantem uma pro- gressão que respeita o objetivo a ser al- cançado. Ao planejá-las, é importante colocá-lasantesdosprojetosdeprodução textual.No município de Nova Lima, os textos informativossãoexploradosantes da criação de um jornal mural. E as ati- vidades permanentes têm como meta criar familiaridadecom osdiversoscom- portamentos leitores. Na Projeto Vida, os alunos do 2 O ao 5 O ano realizam semanalmente rodas de curiosidades,em que contam para os co- legas o que leram nosjornais. Com isso, são estimuladosa comentar as notícias. Por fim,vale destacar que, quando os gêneros são ensinadoscomo um instru- mento para acompreensãodalíngua,não importam quantosou em quaisvocê tra- balha, desde que o objetivo seja usá-los como um jeito de formar alunos que aprendam a ler e escreverde verdade. (J :- :Beatriz Couveia, biagouveia@uol.com.br i j Escola ProjetoVida, tel. (11) 22361425, . atendimento@projetovida.com.br :Secretaria Municipal de Educação i de Nova Lima, tel. (31) 3541-4855 :Vera LúciaCristóvão, I
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    ................................................................................................................................................................................... Propostasde escrita 3"aoõoano Oque e para que(m) Propostasde escrita devem ter intenqão comunicativa e gênero e destinatário claros. Projetos didáticos ajudam a conjugar esses fatores TATIANA PINHEIR 0 novaescola@atleitor.com.br ou duas linhas e desistem? Não dizem nada com nada? Misturam gêneros - pior, ficam sempre no mesma, ou, pior ainda, não têm a menor noção do que se trata? Para resolver isso,um caminho 6 refletir sobre sua prática em sala. Mais especificamente, sobre suas propostas de produção de textos. É bem provável queesteja nelas a raiz damaior parte das queixas citadas. O argumento é simples: uma boa proposta de texto precisa ter propósitos comunicativos claros. Trata-se, segundo os estudiosos, de garantir as chamadas condições didáticas da escrita: o que es- crever?Para que escrever?E,finalmente, para quem escrever? Somente respon- dendo a essas perguntas 6 possivel de- terminar comoescrever (aquientram os gênerosespecíficos: conto,fábula etc.). Textos de tema livre costumam des- considerar esses requisitos básicos. O re- sultado, quase sempre,6 desastroso. Em seu livro Passado e Presente dos .Verbos Ler e Escrever, a pesquisadora argentina Emilia Ferreiro demonstra claramente a diferença que uma boa proposta de escrita faz. Enquanto uma redação de tema livre sobre o frango (por incrível que pareça, a proposta era essa) gerou uma composição pobre de conteúdo e de forma indefinida, outra -em que destinatários,tema e motivo da escrita estavam explicitamentedefinidos -deu origem a um texto,com diversasmarcas doigênero,muito mais coerente e coeso (leia oquadroà direita). S PROF! .MAS DO TEXTO DE TEMA LIVRE '-:~&ênero,r . destinatárioi -0pósitoclarosfazem muita fal ,,a m.ISTAS E l k MAIS LISTAS Há muitos ite- ! enfileirados u após o outro. % "Quando não :se sabe o que a I, escrever, mas se ,:sabe que é preciso - preencher a página, - recorrer a lista é umatábua de salvação", analisa Emilia Ferreiro. diSTpREBA DE CENEROS A partir deste ponto, o texto, que até então poderia ser considerado uma descrição, se transforma er receita culinária. Para completar a composição, o aluno recorre aos modos de preparo do frz i. FIM DESCONEXO Na última f r a ~ - Ramón revela aliviado por terminar a escrita Você consegue dizer se este texto é bom? Sem gênero, i destinatárioe propósito claros, i é impossível ter i ritérios para aval^ ALUNO ~ a m 6 n ,7 anos. COM A LINGUA EsCRm vive emumacomunidade Vrai Pequena e is0iada. Na ~ s c o ~ ,sua P~~~~~~~~ acha perda de tempo ler* pR~pOSTADE ESCRITAEscrever um . texmlivre sobre 0frango. 28 Especial Produgèo de Texto www.ne.org.br
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    A2 GOLUCOES DOTEXTO DE PROJETODIDATICO Encaminhamentosclaros e corretos fazem toda a diferença - . - 4%~ / eUM 4 ,/e, r n - R I.." dg5*.*e h < a h b , ~ hV,,,, . O 4d;Ãs Ihes d;sçe AYIAO .-. , I . - ----,> .': ALUNA Teresa, 6 anos. g . . CONTATOCOM A LINGUAESCRITA - . I;L--7- A 3constante, Unto em casa como na escola. - r-*Nasaulas, escuta a leitura de contosmdo dia L . 42d PROPOSTA DE ESCRITA Criar um contoque ser5 transformado num Ilvrinh0 Para OS colegas.Teresa escolhe * -c0fIIo tema o arco-(ris. . -FONTE A(SUW EPRÈSENTEwsVERBQ( E EscRNERIx FERREIRQOS T m o u * A ~ ~ T A W ~ 0 WRNCUe5 I- c EMv E w m ~ ~ ~ ~ í c mCORREÇ&Z ORTOCIL(F,~) I Essa clarezadepropósitosprecisa estar presenteem todasaspropostas deescrita. Mashá alternativasdetrabalhoqueacen- tuam essascaracterísticas.Aprincipalde- lasC oprojetodidático,uma modalidade organizativacomposta de sequênciase atividadesque culminamnum produto final com destinatário definido."O pro- jeto 6a melhor forma de realizar o que i MARCAS DO GÊNERO A aluna conhece as construções típicas que são usadasem um conto, tanto nício ("era uma ') como nofim veram felizes . ,-. 3 sempre",que i registracomo...... : "e estavam muito feliz"). NO RITMO CORRETO Apesar de tropeçar no início do texto, ela logo resolve o problema e faz a história evoluir a ~ a r t i rdeste ponto,. . i criando uma i sequênciade fatos i que confere, bom rit compos GANIZAÇAO EQUADA A maneira como Teresa constrói O texto demonstra conhecimentosdas particularidades da língua escrita O fim de cada fragmento, por exemplo, 6 . retomadoe i reelaboradopara iniciaro seguinte. estamos falando.Vamos supor que a in- tenção seja propor um projeto didático sobreavida dosdinossaurospara alunos de4 O ou S0 ano.Oprodutofinalpodeser um livro, com uma coletânea de textos infolmativos,queficarádisponívelna bi- blioteca.Nesse caso,ospropósitosdidáti- cos-aprendera reconhecer e a produzir textos expositivos-e o propósito social ou comunicativo-produzir um livroso- bre dinossaurospara a consulta dos de- mais alunos -são do conhecimentode . todos desde o início das atividades.Isso aumenta o entusiasmo para participar das tarefas. Quando sabem que aquela produção terá leitoresreais, o empenho e ocuidadoemtodasasetapasda produ- çãosãoredobrados. Outroaspectoquediferenciaoprojeto didático é a duração. De acordo com a quantidadedeconteúdos,elepodeserfei- to duranteumbimestre ouum semestre, seguindo um planejamento detalhado dasatividades:comoserãofeitas,quanto tempo levarão,qual a meta de cada uma e como serão avaliadas.Nos projetos de produçãode texto,C essencialconsiderar que cada etapa deve conter práticas de leitura e escritaou de análise e reflexão sobre a língua (leia o projeto didático na página seguinte). osespecialistaschamamde transposição didáticadosusossociaisda escritapor co- locaro aluno diantede uma prática que consideraa função comunicativada lin- guagem",diz Beatriz Gouveia,formadora de professores do Instituto Avisa Lá, na capital paulista,e selecionadora do Prê- mio Victor Civita-EducadorNota 10. Um exemploajudaa esclarecerdoque Interdisciplinaridadee culminância, palavrõesa evitar Seaintençãoprincipal fortrabalhar pro- dução detexto,é precisotomar cuidado para não exagerar na interdisciplinari- dade. A tentação de querer ensinar de tudo um pouco, forçando a barra para misturar diversasáreas,nãocostumadar bons resultados. Para ficar no exemplo dos dinossauros,não precisa quebrar a cabeça para inserir a qualquer custoum conteúdo de Matemática,por exemplo. TarnbCm não vale pedir tarefas que a turma já sabe e achar que a missão está cumprida.Voltandoaosdinosmais uma vez, imaginemos que os estudantes já possuem algumafamiliaridadecom alei- tura de mapas. Pedir que eles localizem os bichos num mapa-múndi,defínitiva- mente, não C um bom exemplo de e www.ne.org.br Especial Produgão de Texto f9
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    Propostasdeescrita 3Oaoboano ecomo abordarGeografia nesse pro- jeto didático. Nãose podeperderdevista que umbom projeto deve levar o aluno a aprender coisasque antesdesconhecia. Trata-se de fazê-lo colocar em jogo seus conhecimentos para resolver umdelafio, perceber que o que sabe é insuficiente e, com a ajuda do professor, encontrar ca- minhos para reorganizar suas hipóteses e seguir avançando. Outro pecadomuito comumnospro- jetos é a atenção demasiada ?ichamada "culminância", o produto final das ativi- dades. A ideia é que a apresentaçãoou a entrega do projeto concluam umacami- 'nhada permeada pelo aprendizado, na qual as crianças partiram de um estágio menor de conhecimento e chegaram a um maior. "Em nenhum momento da execução do projeto, o propósito social e aculminânciadevemsuperar os objeti- vos didáticos. Nãose pode perder noites de sono pensando no que servir de lan- chinho n o dia do sarau o u matutando em que tipo de papel olivro de poesias das crianças será impresso", alerta Silvia Carvalho, especialistaem Educaçãoe co- ordenadora do InstitutoAvisa Lá. E Csempre válido lembrar quenãova- le apostar apenasnos projetos didáticos. Apesar de bons, é precisomesclá-losaou- tras modalidades organizativas paraque os alunos escrevam mais. O ideal é que escrevamtodo dia, em todas assituações que surgireme complementem o proje- to principal: tomar nota em situação de estudo, escrever cartas e bilhetes, traba- lhar outros gêneros e assim por diante. E mtodas elas, vale a regra de ouro: você deve deixar bem claro para a turma as perguntas essenciais -o quê, para quem e para quê escrever. [J i- :Beatriz Couveia, j biagouveia@uol.com.br :SilviaCarvalho, siivia@avisala.org.br I Ob)etlu# iFamiliarizar-secom o gCnero expositivo. iAprender procedimentos de revisão. Reconheceras caracterlsticas de fichas técnicase produzi-las para um mural a ser exibido na escola. -iProduçãotextual (textos informativos). r Procedimentosde pesquisa. Revisão. lkapo Três meses. rmrdrbEnciclopédias e revistas de informação,tesoura, cola, cartolina, canetinhase papéis. I Para trabalhar com alunos com i deficiência auditiva, acesse i www.ne.org.br e digite na busca i mural de animais em extinção. i- i 81aetapa I Iniciecompartilhando com? turma como será o produto final. E o i momento de dividir com os alunos o que o desafio é organizar, em fichas técnicas, o que sabem sobre o assunto para apresentar 2 comunidade da escola e As famflias. m 2' etapa Paraque os estudantesescrevam um texto informativo, precisamantes se familiarizar com ele. Aborde esse aspecto pedindo que eles levem livros, fotos e reportagens quejulguem interessantessobre animais em extinção. Amplie esse acervo com enciclopédias, livros, revistas e sites sobre o assunto, cuidando para incluir fichas técnicas, pois elas serão uma referência para o trabalho da turma. Organize situações de leitura, conversandosobre como o texto 6 escrito, qual tipo de informação ele traz, de que modo os dados são descritose quais os termos mais usados. 8 3"etapa Depois da familiarização com os materiais, é hora de se debruçar sobre eles para selecionar informações. Divida a garotada em grupos e distribua os materiais para pesquisa. Aborde procedimentos como busca, seleçãoe anotação das informações relevantes, rediscutindo-os ate que o resultadoda pesquisaseja satisfatório. de escrita tanto em grupo como individualmente. A comparação e a referência a bons exemplosde fichas técnicas, assimcomo o retorno aos textos para recuperar e ampliar as informações são sempre Úteis. iSa etapa Organize uma ou mais sessões de revisão-coletivaque sirvam de modelo para a atuação dos alunos. Destaque todos os aspectos que podem ser revisados:organizaçãoda linguagem, ortografia e informações. i6' etapa Traga exemplos para que aturma saiba como montar um mural. Alerte para a necessidadede ilustração,de tftulo e do tamanho das letras das fichas para a leitura, tendo sempre em vista as especificidadesdo público. -tliul Mural de fichas técnicas. -Durante todo o desenvolvimento do iprojeto, avalie, nasfalas e nas produções i das crianças, se elas conseguiram obter i informações corretase suficientes em i tabelas e esquemas, transpondo-as adequadamentepara o mural. i que vão aprender, a razão de estudar i4" etapa o conteúdo, o quevão produzir e para Momento de usar as informdções Consultoria BEATRIZCOUVEIA e DÉBORARANA(deborarana@ajato. i quem vão apresentar. NOcaso do levantadas para a elaboração das fichas com,br),formadorasdo instituto i hural de animais em extinção, conte I técnicas. Para isso, preveja situações I Avisa Li,em São Paulo, SI?
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    Diagnóstico 30m50ano O quecada um sabe Analisar detalhadamente a forma como os alunos escrevem é a primeira providência para determinar os pontos que devem ser ensinados ANDERSON MOÇO anderson.moco@abril.com.br Aplicar atividades de diagnóstico C algo fundamental para dar o pon- tape inicialaotrabalho de qualquercon- teúdo. Sobretudo do 3 O ao S0 ano do Ensino Fundamental, a prática é indis- pensável porque, enquanto alguns estu- dantes demonstram mais familiaridade comosconteúdosgramaticaisea organi- zação textual,outros, recém-alfabéticos, aindaenfrentamdificuldadesbásicas em questões de ortografia,que precisam ser sanadas com o passar do tempo. É claro que nada disso é problema: erros desse tipo são parte do processo de apropna- ção da linguagem. Mas às vezes as difi- culdades são tão alarmantes e variadas que fica a sensação de que não há nem por onde começar...Por isso, organizar atividadespara descobrir o que a turma já sabeé tão importante. A sondagem inicial serve justamen- te para mostrar - com o perdão do tão surrado ditado -'que o diabo não 6 tão feio quanto se pinta. "Nos diagnósticos bem feitos,o objetivonão 6contabilizar os erros um a um. O foco deles deve ser agrupar problemas semelhantes para direcionar o planejamento de ativida- des que vão ajudar a corrigi-lose fazer a garotada avançar maisn,explica Cláudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da prefeitura de São Paulo e seleciona- dor do PrêmioVictor Civita-Educador Nota 10.Em outraspalavras,isso signifi- ca que entender as principais dificulda- des da turma é fundamental para saber o que é mais importante ser ensinado e também para definir as melhorespro- póstas didáticas e as abordagens mais eficazes a serem aplicadas em sala. Uma lista para mapear . as dificuldadesda turma Antes de começar a atividade,é preciso montar uma lista com ositensque serão analisados.Não podem faltar aspectos relacionados aos padrões de escrita e às o foco deve recair sobre a ortogr&a e a 1característicasdo texto. Do 3 O ao S0 ano, , pontuação e é essencialverificarseatur- ma conhecee respeitaostraços do gêne- ro escolhido(veja no quadro à direita um exemplode diagndsticocom base em alguns dos erros mais comuns nessafase). Emseguida,vocêjá pode pedirque os alunos escrevam. Não há segredo:como I emqualquerpropostadeproduçãoescri- ta,osaluriosprecisamsaberpara quevão escrever (ou seja, a intenção comunica- I tiva deve estar bem definida),o que vão escrever (o gênero selecionado) e quem vai ler o material (o destinatáriodo tex- to)."TambémC importanteexplicarque essas produções servempara mostrar ao professor como ajudá-losa ser escritores cada vez mais competentes",afirma So- raya Freire de Oliveira,professora da EE CarvalhoLeal,em Manaus. Em sua clas- 1 se de S0 ano, ela prop8s que a garotada produzisse uma autobiografia, gênero quevinha sendotrabalhado desdeo ano anterior - uma opção válida,já que os estudantestinham familiaridadecom o tipo de texto. Contudo, os especialistas apontamquepode serainda maisprodu- tivo sugerir que os alunos recriem, com suasprópriaspalavras,histórias conheci- das,comouma fábula(leiamais noplano de aula da página 34)."Assim,você pode seconcentrarnosaspectosquetêm deser , , melhorados para aproximar o textoe I T m de letras por dexouikimento de qulariddar. Iprouosta Enfatlze as rcpularidaber ortogtdfic~r,analisando, por meiade listas,a poryEo da ktra na palavra ('C", porexemplo, una ocorre no inkioh I j-&lema CcmmdAnc ertml. ~ 0 l ~ 3 9 t aRefletirs h r e queé erro na norma ulta e na linguagem ihda pela comparagiío e texto3 dê alunos om reportagens(Neles n>curozr>deve dar lugar TAVAm roMcm interferência a fala mradial. E!Rma ULSQI, precisomemorizar palma e aprender ue as deriwaqiks artem sempredo =mo i?Edbl (em ven eYwanIaestwa~que pgg&jTrabalhar ~fewnpsentre a filo a d t a . A a q e S B o c transcrever Mrasde em wz de"chego"). &lema Usode sílabas iferentcs do padrao >nroante-vogal. ropasta Reflexa0sobre alwras com sllabas de .&sktras ("resol-WU"). ma opçso C destaca-lar rn textos para que escubram o que elas 5m em comum. 32Especial Produgáo de Texto www.ne.org.br
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    .........................,......................................................................................................................... Diagnóstico 3 0w ~ a n o Vida-3 -I d ~ b ottn, *que os alunos fazem daquilo que é considerado bem escrito", recomenda o professor Bazzoni. Com as produções em mãos, Soraya, a professora de Manaus, partiu para a análise, anotando na lista de aspectos sondados quantas vezes cada tipo de erro se repetia nas produções. N o fim, descobriu que muitas crianças não utili- zavam sinais de pontuação."Percebi que esse deveria ser o conteúdo prioritário naquele início de ano", ressalta. Do3 O ao 5 O ano, a ortografia é um dos problemascomuns O resultado do diagnóstico de Soraya é bastantecomum: ortografia epontuação costumam ser os pontos maiscriticos pa- ra as crianças dessa faixa etária. "Muitos alunos escrevem do jeito que falam e ate inventam palavras", conta Bazzoni. Mesmo assim, dizer que a turma tem problemas com "ortografia e pontua- ção" é vago demais.Quais problemas, es- pecificamente? Faltamvírgulas? Muitos trocam letras? Poucos sabem dividir os parágrafos? Mais uma vez, a sondagem podeajudar: seositens analisadosforem bemdeterminados, você saberácombas- tante precisão que pontos atacar. Éimportantelembrar, ainda, que cada conteúdo deve ser abordado por meio de novas propostas de textos, sempre com etapas de revisão. Refletir sobre os aspectos notacionais (relativos As regras de uso da língua) e discursivos (relativos ao contexto de produção) 6 o jeito mais eficaz de levar os alunos a aprender os padrões de escrita e superar os proble- mas que enfrentam ao escrever. [3 I.................... -:~1áud10Bazzoni, bazzoni@uol.com.br i EECarvalhoLeal, tel. (92) 32169053, :eecleal@seduc.am.gov.br i Soraya FreiredeOliveira, soraya.oliveira@yahoo.com.br :IIIOLIIIL i Emeducacao.prefeitura.sp.gov.br, i naseção Biblioteca Pedag~ígica, :odocumentoAprender os Padrõesda LinguagemEscrita de Modo Reflexivo, I sobrecomorealizarumdiagnóstico :'de produçãodetexto. I robmb i iIdentificar o domlnio de cada J aiuno em relaçãoaos padrões i da linguagem escrita. I - I iProduçãode texto. I.iFábulas. I Aiiar 3O ao 5O. i uaaw- i Folhas para escrever, i lápis e borracha. iFMwlrqa i Paratrabalhar com alunos i com deficiência ffsica, acesse I www.ne.org;br e digite na busca i diagndstico inicial produção texto. i- f Conversecom a turma sobre i a atividade, explicando que ela será : importante para o planejamento i das próximas aulas e que vai ajudar a escrevercom mais segurança. A i tarefa é reproduzir por escrito uma i fábula (de conhecimento de todos) i que será contadaem sala. Depoisde i recitá-la, conversesobre o enredo i para que as crianças se familiarizem i com a história.Você pode solicitar i que contem a fábula oralmente para ter acerteza de que todos i têm condiçõesde reproduzi-la por i escrito. Por fim, peça que os alunos i a escrevam por conta própria. i ~ w ~ ~ i ~ b i O diagnóstico é feito ao analisar i os textos de acordocom uma i lista de problemase dificuldades i previamente estabelecida, que i consideretanto padrõesde escrita i como caracterfsticasdo gênero i escolhido. No caso das fábulas, uma i sugestão posslvelé a seguinte: i Padróes de escrita : @Apresentamuitas dificuldades para <I >> r< JJ <I JJ I< J> <I JJ <I r Irr , s / ss , g IguJ;"m>T'nn) por desconheceras regularidades contextuais do sistema ortográfico. iTroca letras ("cJT<ç"l"s"/"ssJJ/"xJ~ « JJ I#JJ « >II< JJ ll JJ I<'JJ s / z , x l c h , g / ~)por desconhecer as múltiplas representaçõesdo mesmosom. Realiza trocas de consoantes surdas (produzidas sem vibração das cordasvocais, como"pJJe"t") e sonoras (com vibração das cordas, como"b" e"d"). iRevela problemas na representação da nasalização ("ãJJ/"an"). iNão domina as regras básicas de concordância nominal e verbal da lingua. iNão segmenta o texto em frases usando letras maiúsculase ponto (final, interrogação, exclamação). iNão emprega avlrgula em frases. iNão segmenta o texto em parágrafos. iNãodispõe o texto (margens, parágrafos, tltulos, cabeçalhos) de acordo com as convenções. Características do gênero iModifica o conflito principal da história. iNão evidencia a relaçãoentre os personagens. iNão constrói o clímax. @Transformao desfechoda história. iNão constrói o texto de modo a retomar ideias anteriores para dar unidadede sentido (coesão referencial). iNão usa marcadores temporais. Depois de verificar quantas vezes os problemas listados aparecem no texto de cada criança, registre o total de vezes que esse problema aparece na classe. Com base nesse diagnóstico, liste os problemas principais que precisam ser trabalhados com toda a turma, tratando-os como conteúdos prioritários para o semestre em curso. i representarsllabas cuja estrutura I ConsultoriaCIAUDIOBAZZONI, i seja diferente de consoante-vogal. assessor de Llnaua Portuauesa i iApresenta erros por interferência da fala na escrita em fim de palavras. i iApresenta erros por interferência i da fala na escrita no radical. i iTroca letras("c"/"ç", "cJJ/"quJ', da prefeitura dé São ~ a u be selecionadordo PrêmioVictor Civita- iEducador Nota 10,com base no documentoAprender os Padrõesda Linguagem Escritade Modo Reflexivo, da prefeitura de São Paulo. 34 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
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    ............................................................................................................................................................................... ~~~5~~~~ Leitura Ler paraescrever Bons leitores são bons escritores? Nem sempre. Para enfrentar o desafio da escrita, é preciso investigar as solucões de autores reconhecidos RODRIGO RATIER rratier@abriI.com.br Todo mundo já ouviu (e provavel- mente também já repetiu) a ideia de que, para escrever bem, é preciso ler bem. Aprimeira vista, parece um prin- cipio básico e indiscutíveldo ensino da Língua Portuguesa. Tanto que a opção de nove entre dez professores tem sido propor aos alunos a tarefa. Ler muito, ler de tudo, na esperança de que os textos automaticamente melhorem de qualidade. E, muitas vezes, a garotada de fato devora página atrás de página, mas - pense um pouco no exemplo de suaclasse-atal evoluçãosimplesmente não aparece. Por que será? Antes de mais nada, ninguém aqui vai defender que não se deva dar livros às crianças.A leitura diária é, sim,uma necessidade para o letramento. Mas ler para escrever bem exigeoutra pergunta: de qual leitura estamos falando? Para fazer avançar a escrita,a prática tem de ser um ato de compromissoe com foco (as ilustrações desta reportagem mostram alguns exemplos). Pelo contrário: exige intenqão e um encadeamento definido deatividades,quetenham como objetivo mostrar como redigir textos específicos (leia a sequência didática napágina 37). "Aleiturapara escrever 6 um momen- to que coloca os estudantes numa posi- çãode leitordiferente.Atarefadelesserá encontraraspectosdotextoqueauxiliem a resolverseusprópriosproblemas dees- crita'',afirmaDébora Rana,formadorade professoresdo InstitutoAvisa Lá, emSão Paulo,eselecionadorado PrêmioVictor Civita -EducadorNota 10. Éum trabalhoquedestacaaforma(es- tamosfalandode intençãocomunicativa eestilo,portanto),um tema relacionado a inquietaçõesque tiram o sonode rnui- tos docentes:por queascomposiçõesdos alunos têm tão poucas linhas? Por que eles não conseguem transmitir emoção ou humor? Por que asdescriçõesde luga- res e personagensnão são detalhadas? Trechos de contostrazem 6timas sugestões para os textos A ideiadotrabalhoé analisar osefeitose o impactoquecadaobracausa em quem a lê. Sensações,claro, são subjetivas,va- riandode pessoa para pessoa.Mas,quan- do lê diversos textos bons, com expres- sõesecaracterísticasrecorrentes,aturma consegue,aospoucos,entenderqueé e FONTE DE INSPIRAÇAO Confiracomo usar a leitura a serviço da produçãode texto "OS PEDACINHOS DE GENGIBRE L VAMOS VER COMOOAUTOR FEZ? "LENTAMENTE, SE CONVERTERAM EM CRIANÇAS!' ESSEVERBO É RAPIDO. COMO OS PEDACINHOSDE GENGIBRE POSSO FAZ~?-LOLENTO? "SE CON-VER-TE-RAM?"
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    Leitura 3. aos0ano I a linguagem que gera os tais efeitos ,-2 nos comovem ou divertem. Nesse sentido, o conto, um dos tipos de texto mais usuaisnas classesde 3 O a S0 ano,ofe- rece excelentesrecursospara enriquecer produções de gêneros literários. Cabe ao professor, no papel de leitor mais experiente, compartilhar com a turma asprincipaispreciosidades,ilumi- nando onde está o "ouronde cada obra. Abaixo, listamos alguns dos principais pontos a ser observados e trabalhados nos textos da garotada.Também elenca- mosexemplosdecomooscontospodem ajudar a melhorá-los. iLinguageme expressões caracterlsti- cas de cada gênero. Cada tipo de texto tem uma forma específica de dizer de- terminadas coisas. "Era uma vez", por exemplo, 6 certamente a forma mais tradicionalde dar início a um conto de fadas (note que ela não seria adequada para uma composição informativa ou instrucional). Alem de colaborar para que a turma identifique essas constru- ções, a leitura de contos clássicos pode municiá-la de alternativas para fugir do lugar-comum.O Príncipe-Rãou Henrique de Ferro, na versão dos Irmãos Grirnrn, começaassim:"Num tempo quejá sefoi, quando ainda aconteciam encantamen- tos,viveu um rei que tinha uma porção de filhas,todas lindas". iDescrição psicológica. Trazendo ele- mentosimportantespara acompreensão da trama, a explicitação de intenções e estadosmentais ajuda aconstruirasima- gens de cada um dospersonagens,apro- ximando ou afastando-os do leitor. Em OSoldadinhode Chumbo,HansChristian Andersen (1805-1875)desvela empoucas linhasostraços dapersonalidadetímida, amorosae respeitosadoprotagonista:"O soldadinhoolhou para abailarina, ainda maisapaixonado:elaolhou para ele,mas não trocaram palavra alguma.Ele deseja- va conversar, mas não ousava. Sentia-se feliz apenas por estar novamente perto dela e poder contemplá-la". iDescriçãode cenários.O detalhamen- to do ambiente em que se passa a ação 4 importante não apenas para trazer o leitor "para dentro" do texto mas tam- bém para, dependendo da intenção do autor,transmitir uma atmosferade mis- tério, medo, alegria, encantamento etc. Em O Patinho Feio, Andersen retrata a tranquilidade do ninho das aves: "Um cantinho bem protegido no meio da folhagem,perto do rio que contornava o velhocastelo.Mais adiante estendiam- se o bosque e um lindo jardim florido. Naquele lugar sossegado, a pata agora aquecia pacientemente seus ovos". iRitmo. É possível controlar a veloci- dade da história usando expressões que indiquem a intensidade da passagem do tempo ("vagarosamente", "após longa espera","de repente", "num estalo" etc.). Outros recursos mais sofisticados são recorrer aflashbacksou divagações dos personagens(pararetardarahistória)ou enfileiraruma ação atrás da outra (para acelerar). Charles Perrault (1628-1703) combina construções temporais e enca- deamento de fatos para gerar um clima agitado e tenso neste trecho de Chapeu- zinho Vermelho: "O lobo lançou-se sobre a boa mulher e a devorou num segun- do, pois fazia mais de três dias que não comia. Em seguida, fechou a porta e se deitou na cama". mCaracterizaçãodospersonagens.Mais do que apelar para a descrição do tipo lista ("era feio e medroso"), feita geral- mente por um narrador que não parti- cipa da ação,que tal incentivar a garota- da a explorar diálogos para mostrar os principaistraços dospersonagens?Nesse aspecto, a pontuação e o uso preciso de FONTE ADAPTAGO DAAmIDAOE PRIMEIRA REESCRITA DECONTODITADO A PROFESSORA.REALIZADAPORALEJANDRAPAIONE,ACUSTINA PEdEZ E MIRTAWTEDO.
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    verbos declarativos ede marcas da orali- colocado os estudantes para ler e ter di- mimniaimnmr............,....,.: dade exercem papel fundamental. Nes- recionado a atividade para melhorar os . ic.rut. te trecho de Rumpelstichen, os Irmãos textos, mas o trabalho não para por ai. : D6boraRana, deborarana~ajato,com,br Grimmdão voz à protagonista para que Elesprecisam ter a oportunidade de pôr wmnet i Em practicaslenguajeprimaria. ela se lamente: 0 conhecimento em prática. Ainda que :goog1epages.com/primaria-i-cicio- "- Ah! -disse a moça, soluçando. -O a leitura sejaessencialpara impulsionar rei me mandou fiar toda esta palha de a escrita, não se desenvolve o comporta- ouro. Não sei como fazer isso!" mentode escritor sem enfrentar os desa- Por fim, um lembrete: você pode ter fios do escrever. iOb)CtDYg i iReconhecera leitura como uma i fonte essencial para produzir textos. i i Saber reconhecer, organizar e i utilizar nas produçõesos recursos i lingufsticos presentes nos textos. C#r#bo iProduçãotextual. Tcnp- Cinco aulas. Madainecesdrlo Lápis, borracha, papel e livros ou textos selecionados como referência (indicaçõesem www.ne.org.br: digite na busca: leitura para refletir escrita). i- i Paratrabalhar com alunos com deficiência visual, acesse i www.ne.org.br e digite na busca i leitura para refletir escrita. i- : ilaetapa i Para um bom trabalho da leitura i direcionada para a melhoria da escrita, promova a ampliação do i repertório, selecionandoobras i que sirvam de referência para i o momento da produção. Ler I diversostextos de um mesmo i gênero ou autor colabora para i que os alunos se apropriem i de mais elementos para a produção i de composições. Procure garantir i que a leitura enfatize como i se diz determinada coisa dentro i de um gênero, discutindo a linguagem usada e o efeito i que ela provoca. o2' etapa Analise com os alunos as produções feitas por eles. A ideia, nessa fase, é listar os problemasque podem ser resolvidos recorrendo a outros textos e outros autores. No quadro, organize os problemasencontrados, criando uma classificação que ajude a tornar mais observável o que buscam: marcascaracterlsticasde cada gênero, como indicar estadosde espfrito e emoções, descrevercenários, usar palavras para expressar rapidez ou lentidão e a pontuação para destacar falas. Para organizar o trabalho, em vez de atacar todos os problemas de uma só vez, prefira colocar em evidência o que mais atender 2s necessidadesdo grupo. i3aetapa Retomeos livros lidos nas atividades de ampliação,de repertórioe ajude os estudantesa buscar meios para resolveros problemas tistados. Uma possibilidade 6 reler algum texto, masdessa vez pedindo que aturma ouça, com atenção, o modo como o autor desenvolve a história: como ele apresenta os fatos e os personagens, como descreve o cenário, quais expressões destacam emoções-trata-se aqui de identificar os recursos que dão ao texto o status de boa qualidade. Eleja alguem do grupo para ser o redator de um cartaz com o resultado dessa reflexão, cujo tftulo pode ser "Elementos que podemos usar para dar qualidade a um texto'! i4' etapa Com base na lista de elementos do cartaz, discuta como os itens podem ser utilizados nos textos dos alunos, tentando estabelecercom eles criterios de organização.Redna, por exemplo, expressõesque podem ser usadas para se referir ao tempo: passoa passo, rapidamente, com muita cautela, apressadamente etc. Faça o mesmo para as outras categoriascriadas. Em seguida, recomendeque voltem ao texto para iniciar a produção de novasversões (elas serão as inermediárias, já com a incorporação de tudo que aprenderam nas leituras). isaetapa Volte aos textos produzidos, escolhendo um deles para ser revisadocoletivamente -dessa vez, considerando o apoio dos recursos encontrados nas leituras. Por fim, oriente que todos façam a própria revisãoe realize uma nova avaliação do texto, chamando a atenção para outro foco e mostrando como é possfvel avançar com a composição atacandooutros problemas. -Observe a participação de cada aluno com base nos seguintesaspectos: faz comentáriossobre a qualidade do que lê?Percebe o que torna os textos claros ou bem escritos? Utiliza recursos que auxiliam na escrita?Identifica textos e autores que possam ajudá-lo numa questão especffica?Paraos que apresentam maior dificuldade, recorrasempre ao trabalho em parceria-se for o caso, realizejunto com o estudante esta sequênciadidática. ConsultoriaDÉBORA RANA, formadora de professoresdo InstitutoAvisa Ld, em São Paulo, eselecionadora do Prêmio Victor Civita- Educador Nota 10. www.ne.org.br Especlal Produ~ãode Texto 37
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    .................................................................................................................................................................................... ReescritaPao6Oano Além da reescrita Atarefa é mais que pôr no papel uma história conhecida. Modificar o narrador da trama encaminha a garotada para a autoria de verdade RODRICO RATIER e TATIANA PINHEIRO novaescola@atleitor.com.br 1 o jargão da didática de leitura e 1 escrita, reescrever um texto não 4 corrigi-loou revisá-lo,como faz supor o sensocomum.É contar,com as próprias palavras, uma história, com a qual a tur- majá estáfamiliarizada.Ébem provável que você já saiba disso e utilize a estra- tegia com a garotada. Uma novidade, porem,6que a reescrita pode ir alem de suaformapura-ou seja,aversãopessoal de um texto-fonte.O que os estudiosos da área descobriram recentemente 6 que existe um tipo específico que leva osalunosacolocaremjogo uma enorme quantidade de conhecimentose a avan- çar ainda mais. São osrelatoscom a mudançade nar- rador (leia a sequência diddtica no quadro dapágina 40).Em históriasinfantis,seria algo como a bruxa malvada de A Bela Adormecida, uma das irmãs de Cinderela ou um solitário anão de Branca de Neve contar tudo no lugar do narrador onis- ciente -aquela voz externa ao desenro- lar dos fatos e que sabe o que se passa na cabeça dos personagens, com livre acesso a sentimentos e pensamentos. É o tipomais comumnoscontosclássicos, por exemplo. Parece simples,mas, na verdade, a tt, refa 6bastantecomplexa.Por isso,6mais adequadapara turmasapartirdo 3 O ano. As pesquisadoras argentinas Emilia Fel reiro e Ana Sirodedicaramum livro in- teirinho aela(NarrarporEscritoDesde un Personaje -Acercamiento de 10s Nifios a 10 L$erario, lançadoem2008 e aindainddi to no Brasil).Logo na introdução,Emi- A REESCRITA NA PELE DE UM PERSONAGEM PROPOSTA Reescrever o conto Chapeuzinho Vermelho do ponto de vista do Lobo Mau ALUNO Fernando, 9 anos Primeira versão L-prn d e repente vi a Chapeuzinho(...) ela] M V ~ U a casa da minhavovozinha com este cestinhode comida onde fica a casa da sua vovozinha eu d o outro lado da flore eu fui correndo a menina foi pelo outro cami eu o mais curto meninm @S%I?iFdo e i primeiro e bati na porta a avóq u e m ChapeuzinhoVermelho (...)rapidamente pulei na cama e a comi de uma vez pelajanela vi a 1 Chapeuzinho me disfarcei de vovozinha quando ela bateu na porta me enfiei na camafiz uma voz doce E -luem 6 m e s o u a Chapeuzinho(...)Chapeuzinhoentrou ,,,-aque olhostão grandes você tem são para ver você melhor minha pequenaque nariztão . , liawdimensionao tamanho da saudável P8 PES! NOS trechos destacadosem amarelo, o aluno se confundequanto ao foco narrativo, contandoa história em terceira pessoa, em vez da primeira. ~ u i t ocomum nessetipo de reescrita, o problemaaparece no inlcioe nofim. Comoo textod6 a entender que ffatalhd'é o caminho mais longo, 6 posslvel que o alunotenha só reproduzido a palavra,que aparece emvárias verdes do conto, sem realmente entender seu significado. Deslizamentos de pontode vista são passagensque um narradorem primeirapessoa não poderia saber: o lobo nâovê Chapeuzinho colher flores, o lenhador nafloresta ou o banquetenofim da composição. Há excessiva repetiçãodoverbo dizer para introduzir asfalas -novevezes,aotodo. E a pontua ão surge apenas nok n a ~ dotexto. Faltam sinais gráficos que indiquem onde começam e terminam os diálogos. FONTENLRRAR FOR ESCRITUDESDEUNPERSDWE-ACERC4MIENTO DEWSNl#OSA L0 LITER4RIDDDE EMILIA FIRREIRO E ANASIRO.OSTWOS FOW AOAFTAWS PARAOWRTUCU~S
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    Segunda versão Em umbelo dia eu vi uma menina com um cestinhc E eu pergunted 3 que você faz nesta floresta ilou 2 casa da minha vovozinha para levar este cestinho com comidas.4 Onde C a casa de sua a v a a ~ ooutro lado da floresta IBern, você vai pela estrada e colhe flores e eu vou por outro caminho1Bem. Corri até cheaar à casa da vovozinha. Bati na porta. intre Chapeuzinhoa porta está abertdEntão entrei correndo pulei na cama e comi avovozinhd , deitei na cama até que vi a Chapeuzinhopelajaneid~ateuna portaDissequem é SOU a Chapeuzinh EntreChapeuzinhoa porta está aberta introu p8s o cesto em uma cadeira, se aproximoudo meu ladd Jue orelhas tão grandes você terd São para ouvir você melhor1~ueolhos tão grandes você t e 4 - jão para ver você melhor1E que boca tão grande você tem( É para comer você melhod E comi a Chapeuzinhd De repenteentrou um caqador com um machado e me cortou a barriga! E eu f-- Btória do além1 Nemtudo 6 avanço na revisão. O lobo perde um pouco de sua astúcia: ele nãofinge uma voz doce, não chama a menina de "minha pequena" nema engana nafloresta para chegar antes. Sua caracterização se reduz ao essencial parafazer avançar a ação da trama. Aqui, um dos maioresganhos da segundaversão do texto. Fazendo o lobo relatar os fatos"de outro mundo"ou "do a16m1; o aluno constrói uma salda engenhosa para justificar que a história seja contada por um narrador quej6 morreu. -Na segundaversão do texto, o aluno consegue eliminar quasetodos os desllzamentos de ponto de vista. Persiste apenas um: o lobo não pergunta 21 menina como ela se chama, mas, ao chegar a casa da av6, assumeo nome da personagem principal. I Emboraainda persistam alguns problemas, o uso dos sinaisgrtíficos 6 muito maior que na primeira versão. Uma pesquisada argentina Mirta Castedo mostrou que a pontuação 6 um dos temas em que os alunos mais se concentram no processo de revisão. encrenca que a turma vai ter em mãos: como quem escreve em primeira pessoa resolve o problema de ser personagem e, ao mesmo tempo, narrador?"Contar I baseado em um 'eu' protagonisp su- põe que o personagem e o narrador somente podem acessar sua própria interioridadee aquela que inferemdos demais personagens com base em seu comportamento ou suas exterioriza- çÓesn,ela explica. No vocabulário da disciplina,signifi- ca queo aluno-escritorprecisaenfrentar doisdesafios.Oprimeiro deles6 a focali- zação-aperspectivaou oângulodevisão de quem conta a história. O Lobo Mau de Chapeuzinho Vermelho,por exemplo, não sabedeantemão o nome damenina edesconheceapresençado lenhadorque vai salvá-laaté que ele apareça, de fato, na casa da av6. Diante dessa restrição, é natural que muitas crianças, lá pelo meio do relato, acabemapelando para o narrador "sabe-tudo"em terceira pessoa para que a história mantenha a lógica (leia oexemplodas produções de um aluno que ilustra estaspáginas). É uma mistura própria de quemestá descobrindonovos caminhos para escrever mais e melhor. Mostraro problema-chamadode desli- zamento de ponto devista-e discutir as possíveis soluçóes6 o seu papel. Aprender as palavrascertas para definir a voz do narrador Osegundodesafio6 o da modalização,a voz de quem contaa história.Diferente- mente do narrador onisciente, que qua- se sempre é neutro, o narrador em pri- meira pessoa tem objetivos muito bem definidos (afinalde contas, ele participa do desenrolar dos fatos). No caso do Lo- bo, 6 interessante que a turha perceba e utilize no texto alguns dos artificios a que o bicho recorre para enganar Cha- peuzinho - fingir a voz doce da vovó, por exemplo. Trata-se, fundamental- mente, de mostrar que as palavras com que o personagem-narrador conta uma história buscam provocar determinados efeitosno leitor:convencê-lode alguma coisa, buscar sua cumplicidade ou e
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    .......................................................................................................................................................................... Reescrita3 O ao6' ano iQ compaixão, despertar humor o u ate palavras interessantes ele usou para ex- atividade 6 ajudar a turma a evoluir em mesmo causar repulsa. pressar sensações e emoções, como ele direção A autoria, "O trabalho de revisão Para trabalhar essa proposta mais descreveucadapersonagem,comque rit- faz justamente isso,permitindoAs crian- complexa, a sequência de atividades 6 a m o asaçõesse encadeiam,como atrama ças superar obstáculos de modalizaçáo e mesma que para as outras modalidades terminou etc. Essetipo dereflexão sobre focalização que nemsequer haviam sido de reescrita. De início, 6 necessário au- o uso da linguagem vai ajudar a garo- percebidos na primeira versão:' D mentar o repertório dosestudantessobre tada a reunir os principais elementos e o gênero que serA abordado, lendo para expressões que serão usados depois, no .................... :-(oucom) elesváriasversõesda narrativa. momento de dar vida aos relatos. i Em www.buenosalres.gov.ar/areas/ Depois de cada leitura, algumas cmcte- E mseguida, 4 horade deixar escrever. e ~ u c a ~ ~ ~ ~ ~ u r r ~ ~ u ~ ~ / ~ o ~ U rísticas da estrutura do texto devem ser Não se esqueça de reservar espaço para i acesseo QOCumentodeTrabalho :da Secretariade Educaçãoda Cidade destacadas em uma roda de conversa: a revisão.Como explicam Emilia Ferrei- como o autor começou a história, que r o e Ana Siro, o mais importante nessa r - i iReescreverum conto tradicional i tendo um personagemcomo narrador. i iTrabalhar focalização(ponto i de vista do narrador) e modalização j (voz narrativa). i- : iProduçãotextual (reescrita i de contos tradicionais). i n Focalizaçãoe modalização. i ~ r i l l n d o 1 6 a u l a s . I mecu&b Cartolinas, i pinc6is atbmicos e coletânea I de contos (indicação em i www.ne.org.br: digite na buscareescrita com personagem- : narrador). i- i Paratrabalhar com alunos i com deficiência visual, acesse www.ne.org.br e digite na I busca reescrita com personagem- i narrador. i m l a etapa i O primeiro passo 6 familiarizar i a turma com o gênero que vai i ser trabalhado. Selecionequatro contostradicionais da coletanea i para a leitura e explique a proposta: i conhecer bem as histórias para, i depois, reescrever uma delas na pele I de um dos personagens. Inclua na i cbletânea diferentes versões de um mesmo conto, privilegiando os que expandem episódios da trama ou detalhem as caracterlsticasde um dos personagens. i2"etapa Reserve algumas aulas para ler as versões de cada conto. Discuta com os alunos aspectos que vão ajudá-los a escrever os próprios textos: quem está contando a história?O aue ele sabe sobre a vida dos personagens? Quais as caracterlsticasdeles?Que mudanças seriam necessárias para que um deles fosse o narrador? Essas perguntas são importantes para apresentaro conceito de focalização, o ângulo de quem conta a história. . i3' etapa Apoiado nas sessões de leitura, construa com a classe um painel coletivo com as caracterlsticasdos principais personagens. No caso de Cinderela, por exemplo, pode-sedizer que a madrasta6 arrogante e m6 e que a fada madrinha 4 bondosa e solidária. Transcrevaos resultadosem um cartaz e deixe-oh vista dos estudantes. Isso vai ajudar os alunos a escolher um personagempara contar a história e a saber quais as intenções de cada um, algo fundamental para determinar a modalização(a voz narrativa) com que atrama deve Ser construlda. i4"etapa Peça que cada um selecione um conto e um personagemcomo narrador, orientando a reescrita da história de acordo com as opções realizadas. i5' etapa No quadro, realize a revisãocoletiva do texto de um dos estudantes. Para direcionar a atenção da classe sobre a focalização e a modalização, distribua cópias do texto digitado com espaçamento duplo (o que abre espaço para comentários, perguntas e reformulaçõespor parte dos revisores). Enfatizeos problemasdiscursivos do texto: deslizamento de ponto de vista (mudança de primeira para terceira pessoa)ou passagens mal explicadas. o 6' etapa Proponha uma segunda etapa de revisão-dessa vez, em duplas, pedindo que os alunos repitam o processo que aprenderam na etapa anterior. Podetambem haver correção ortográfica e de pontuação, com você circulando pela classee discutindo as modificaçõesque devem ser feitas. knWIClo Nos debatesdurante a leitura, na produçãode texto e nos processos i de revisão, verifique se cada aluno compreendeue utilizou adequadamenteos conceitosde focalizaçãoe modalização. Atenção 2s i mudanças entre a primeira e a segunda i versão do texto, avaliando que pontos i precisamser reforçados por meio de novas revisõese do retorno aos textos-fonte para confirmar os recursosdos autores. FonteAtividades adaptadas do livro Narrar por Escrito Desde un Personaje- Acercamiento de 10sNitios a 10 Literario, i de Emilia FerreiroeAna Siro. 40 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
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    50e Banos Textosinformativos Raio X na notícia Saber ler para estudar e dominar procedimentos como sublinhar e resumir é o caminho para a autoria de textos informativos BEATRIZ SANTOMAURO bsantomauro@abril.com.br Ostextosinformativostêm afunção de abordar algumfato,transmitir dados,atualizarconceitoseensinarsobre um tema. Isso é o que ocorre em repor- tagens de revistas,verbetes de enciclopé- dias,notíciasdejornais, artigosde divul- gação científica e livros didáticos. A maioria dos leitores,ao ter um texto in- formativo em mãos, quer saber o que está sendo dito e aprender algo com a leitura.Ok,é sempregostoso ler um tex- to com um estilo inventivo e bem escri- to. Mas, no caso dos gêneros informati- vos, não resta dúvida: a ênfase é sobre o conteúdo que se escreve. Ter isso em mente ajuda a lembrar as habilidades de leitura a ser trabalhadas com esse tipo de gênero. Usando textos informativos,você deve levar a turma a buscar dados específicos, tomar notas, comparar fontes de informação e inter- pretar a linguagem da diagramação.Em poucas palavras, é preciso saber ler para estudar. Além de fundamentais para a vida cotidiana, essas competências são essenciaispara que os alunosse tornem, de fato,autoresde textos informativos(e não meroscopiadoresde trechosde refe- rências, como costuma ocorrer em mui- tas pesquisas). Há diversosprocedimentos de leitura para organizar informações e facilitar o entendimento: sublinhar os trechos es- senciais para apresentar as ideias, resu- mir o texto, mostrando o que 2 mais importante, e fazer registros em tópicos (leia a sequência didática na página 44). Quandoo estudantecumpreessasetapas de estudo,as informaçõesfundamentais são destacadas,o que facilita a retomada para o momento da escrita. Esmiuçar cada texto para retirar os dados que mais interessam Decidir quaisestratégias usar -se é mais adequado resumir do que fazer esque- mas, por exemplo - depende do tipo de texto e da informação que se quer obter com base na leitura.A aluna SaraLaiane Oliveira Souza,que cursava o 5" ano da EMEF Victor Civita, em São Paulo, foi orientadapela professoraPnscilaBarbo- sa Arantesasublinhar etomar notas em tópicos de diversos textos-fonte de jor- nais e revistas com um objetivo claro: procurar informaçõesque pudessem ser úteis para o momento de escrever para o jornal mural da escola sobre os 40 anos da chegada do homem à Lua, efeméride comemorada em julho de 2009 (leia o quadro na prígina seguinte). Com a ajuda da professora, Sara en- tendeu rapidamentea utilidadedospro- cessos intermediários à escrita propria- mente dita."Amaneira de registrar o que mais se destaca permitiu que ela tivesse em mãos a síntese de sua Ieitura e suas notas de apoio, podendo recuperá-las pais rapidamente do que se ela tivesse de relertudo'',diz Claudio Bazzoni,asses- sor de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. Grifaro que importa ou fazer um apa- nhado dosconceitosmais relevantes não é coisa simples."No caso do sublinhado, por exemplo,muitas vezes os alunos es- colhem o parágrafo inteiro ou apenas palavras isoladas, ou seja,fazem a ativi- dade sem definir um critério claro do que é o principal",explica Bazzoni. Esse foi um dos conflitosde Sara.Como ava- liar o que é mais importante? A quanti- dade de rochastrazidas pelos astronautas àTerra?Adistânciado nossoplaneta até a Lua? Teria sido mais adequado falar sobre as missões enviadaspelos Estados Unidos?Para orientaro aluno nesse tipo de escolha,você tem de ajudar a delimi- tar o que vai ser sublinhado e não so- mente dizer "grife o mais importante". Uma opçãoé mostrarsuasprópriasestra- tégias, fornecendo a referência de um leitor experiente.Essas dicas valem sem- pre que alguém estiver vacilante sobrea escolha de informações. Já no momento de resumir um texto, aturma terá de se preocupar em conden- sar fielmente as ideias lidas. É possível iniciar pelo reconhecimento dos blocos significativos- os conceitos que unem cada grupo de frases,períodos e parágra- fos. Em textos curtos,os alunos podem numerar os parágrafos,delimitar os blo- cossignificativose,só depoisdisso,escre- ver o resumo, de modo a ressaltar a cor- relação entre as partes. Diagramaçãoe hierarquia, uma dupla inseparável Nos textos informativos,a intervenção do professor é essencial para orientar a turma a notar qual o tratamento da informação dada pelos veículos de comunicação.Em jornais, revistas esites, o texto quase nunca aparece em sua for- ma "pura".Tome as páginas desta repor- tagem comoexemplo:além dochamado texto principal, há título, subtítulos e chamadas no meio do texto. Esses e ou- tros elementos de diagramação, como fotose ilustrações,não têm como objeti- vo deixarareportagemmais bonita: e www.ne.org.br Especial Produgão de Texto 41
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    Textos informativos 50 ~ 6 0 ~ ~ ~ ~ Leiturasfeitas, a turma vai para a sistematizaçãoe a produção Depois da leitura e da discussãosobre o conteúdo,C hora desistematizaras carac- terísticasde cadaum dosdiferentesgêne- ros informativos.Quais os termos recor- rentes? Os estudantes percebem que es- ses textos, normalmente escritos em terceira pessoa, não costumam trazer uma opinião pessoal explícita? Veem que as informaçõestendem aser rigoro- sas, com números retirados de fontes como estudos e pesquisasde universida- des e entidadesinternacionais? Unindo os dadossobre o formato do gêneroeo conteúdoapresentado,C hora I de planejaro quevai serescrito,prestam ~do atenção para não somente copiar, 1 transcrevertrechos longosna íntegra ou levantarum s6aspectoda questão.O ide- i a16que o aluno consigacriar outra pro- I dução,se descolando,de fato,dos textos I que serviram de base, construindo sua i própria hierarquia dos dadoscom o que selecionoudasleituras.Eledeve ter claro para quê, para quem e o que escrever, informações essenciais que o professor I precisa fornecer logo no início do traba- lho.Com uma bagagemrazoávelsobreo tsma, espera-se que a garotada tenha condiçõesde cruzardados,relacioná-los 1 ANTES DE COMEÇAR A ESCREVER, E PRECISO LE Confira o processo de produção de u m texto sobre a chegada do homem A Luz ATIVIDADE 1 PROPOSTA A ALUNA Aqui estão três textos sobre a Lua. Com canetascoloridas, destaque nos textos 1 e 2 as informaçõessobre o satklite natural, a Terra e as crateras lunares. No texto 3, encontrefalas significativasdos astronautas. eelesambicionamguiar a leitura,en- fatizando determinados pontos de vista e opiniões.Espera-se,por exemplo, que o título explicite o assunto principal, o subtítulo o complementee os primeiros parágrafosfuncionemcomoum resumo dos dadosmais relevantes. O mesmova- le para as fotografias: se são grandes e estão localizadas na parte superior da página, tendem a ser mais importantes. Uma boa maneira de levar a turma a re- fletir sobre essa relação entre diagrama- ção e hierarquia 6estimular o debate:o que dizem titulo, subtítulos, fotos e le- gendasdedeterminada reportagem?Há outro elemento na diagramação, como um quadro com alguns itensou um tre- cho colocado em destaque? Quais pala- vras dão pistas das opiniõesdo autor? Comum diãmevode3476 quiibmevos(meqosde um tercodo613- emda Terra).mrssosatéiiienãotem atmosfera.nem kgu.. nem vfde utas crmerr nlisdescontra corpos celestes derreterem rol ue esfriarame aparecemcomodrees escuras ldâ. Essas regcões íoram chamadas mares Veja aiiçura 21 3 nbncia média da Lua a Terra ede364400auildmetrose 8 tam- %aturado satelir LMANAQUE ABRIL Ela encontra dados sobre a distancia e as craterascom facilidade. E destaca a chegada dos no america Iquilòmetros... 155"C _( noml A Lua possuium m*n> de v s n s ~ oao redor da Terra de - --.... mmm de rotac8o so- -,mimdame bre O w6p(a w E O único planeta conh~idoa Td 1i b r i ~combinaq80que floresceuaqui graq. de vários fatores,comoa SO -v" r-u-zuua uatip~iio massadaTemesua distância^^re~qao 11. Neil Armstronge Buzz Aldrin,que ao "1. Se estivesse mais peno OU c h e a u ~ em 20 de julho de 1969, 10' exemplo, n&oteria outras cinco missaes ApoUo pousaram luido-essencialparaa naLua AúftimafoiaApoUoV,em1972. S Sefossemenor. EssasViagenstrouxeramparaa Terraum s Protege da quedade nde maioria deles se Iharnacamadagasosa ingiro solo. - &feragasosaqueman- t 0 d de382quilosdeamostrasderochas naCemPenturamedia para ~ á l i - Sem a protecso de Ilcosatelic ie distinc i Ter fila Pormuitom'npo a g m a emetada corridaespacialtravadaentreosgovernos norte-americano e soviitico dumte o auge da Guerra Fria, entre as decada 960.0s soviéticos foram os visitá-la cc- S.-- --- 1 Luna 2, em 1959. m i ,,mm Fduin %Una.Jc 78 ,m C uni d<n m m m s krds i,&luno ele ritualesYcll i inin& auin c p h n u a h; c qw i",,,"dilsni a carquiua '-1: mpcque~psU~ ~ M L UIninein.ma5 @ul1n p"a 'k w r r w n , M . tn> I& in>prdjuq t r rlláin sephh4e ao kuitraia qu"10 ck te hcin mi* p,.tamim mgtailbe da wu& w-1 Ci>lliii. <rie nia clsgm a nnLu,.Aldrinprepa idéia* v.mù*qw ~ 1 I d a Io ep";"o h" - .tmiw-u nele. L? enw qxrfkiclunarérec wultantes do impt,, , ?roide3e cometas.OS c i m t i s t ~ '"m que algurnts,nc- -I-- - 'dariguanaformad ,14 ,,c -a---- -ssa possibilidade @zcom que os exploradores do espaço tenhamesperança deque um dia façam do satéliteumabase de lan~amentopa- m.hgens a destinos mais distantes. A ~nncipalvantagemsena a economiade i~~~ .. combustivel,~ i i sos foguetesteriam de .vencerumaf m amvitacional seisvezes "Or que a da ~érra.
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    I RESUMO eorm oI I Terralaplmcrn Infonnyiks mim o processodafcmna@a das crateras lunares TA& 2. 1 &','lLste*d p u c P e r 9 - ~~~-I Tlerl e 3 e @-in - * * v -0- JW- -- @- do- Y - s x i . a IESUMO DOTEXTO I )O verbete do LlmanaqueAbril, lestaque para o t< le amostras de rocha! nzidas Terra para Ianalise científica I RESUMO DO TEXTO 3 Da entrevista de Veja, o trecho escolhido pela Ialuna cita detalhes da chegada do homem ao satélite terrestre na missão Apolo 11 . . - - 1 tFeitocom ajuda O termomessas São três linhas Boa escoin'a? " da professora,é o viagens" indica sobre as mas a autora que maisobedece informação caracterlsticas não percebequ h proposta. copiada -em da Lua sem uma afrasecitada é O restantedo seu texto, a relaçaoent~e de EdwinAldrii texto tende a aluna menciona o primeiroe o . e nãodelecpe escapar dela. só umaviagem. terceiroparágrafo.' , NeilArpstcphg cr* LUMtNIAKIU Ut LLAUUIUU U U N I "Por ser o primeiro texto informativoescrito pela aluna, .-*r ocorrem alguns problemas bastante previsíveis. O principal d deles é a falta de autoria, com cópia dos trechos grifados na ' _ i" leitura para estudo. Por isso, é fundamental que o professor ir. c ' u,*. :233.2 realize revisões e proponha novas produções para permitir _ c.6 que seja criada a familiaridade com o gênero." - - i r > w 7 , .&?5 , .. . .
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    Textos informativos 5Oe6Oanos erefletirsobre o que foi proposto e, então, reorganizar as informações sele- cionadas para serem arquitetadas em uma nova estrutura. Essapostura nãosignificajogar parao alto todo o estudoanterior. A turma po- de continuar consultando os textos que já leu, quando necessário,paraconfirmar uma @ia, ver como uma definição 6 usada, qual o verbo empregado para in- dicar uma ação presenteou umaconte- cimento passado etc., mas evitando co- piá-los,6claro. Quandoo aluno lida com mais de uma fonte, 6 possívelque ele se depare com informações conflitantes. O que fazer com elas?N o caso dos textos utilizados por Sara, isso ocorreu com a distânciadaTerraà Lua.Emum,aparece 380 mil quildmetros. Em outro, 384,4 mil. Nessas ocasiões, o melhor a fazer C buscar mais informaçõesem outrasfon- tes confiáveis para confirmar uma das versões ousugeriroutra alternativa mais confiável. Entretanto,se o a l u o resolver escolher um dos dados ou mesmo usar os dois, deve saber que precisa sempre citar asfontesemseutexto,indicando de onde os dados foram retirados."Com a ajuda do professor, aturma acaba perce- bendoas limitações, asimprecisõeseate mesmo apresençade furos de notícias e reportagens", explica Bazzoni. Como ocorre com os demaisgêneros, os informativos podem (e devem) ser retomados em diferentes momentos da escolarização. O que precisa variar na abordagemdoprofessorC acomplexida- de dos textos apresentadosaos estudan- teseaprofundidade dasdiscussõesfeitas em classe. Quanto mais familiarizados com essas práticas, mais eles serão capa- - zes de localizar informações, ler para saber maiseescreversobre o que conhe- cem-habilidadesessenciais parao bom desenvolvimento davida academia. Oi :- !Claudlo Bazzoni, bazzoni@uol.corn.br e i EMEFVictor Clvita, tel. (11),3941-1906, :ernefvcivita@ig.com.br I PrlscilaBarbosaArantes, j arantes.priscila@gmail.com C 44 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br i- i iBuscardados em textos informativos. I iSublinhar informaçõesespeclficas. i iResumir umtexto para estudar. i Produzir um artigo para ojornal muralda escola. i- ; iLeiturae escrita de textos informativos. i iRevisãoeedição de textos. i Alo 5 O e 6O. i l è m p o u t b d oCinco aulas. u#npiaaedrb i Textos sobre a Lua (indicações i em www.ne.org.br: digite na busca i textos informativos leitura escrita). iRadWlh.Fi0 i Para trabalhar com alunos com i deficiência intelectual, acesse i www.ne.org.br e digite na busca i textosinformativos leitura escrita. i- : iIaetapa I Convideos alunos aescrever um i artigo sobreos 40 anos da chegada ! do homem h Lua, avisandoque as produções serão publicadasnojornal i mural.Apresente os textos-fonte i selecionadose peça que os leiam, i dizendoque eles servirão de base para i ampliar o conhecimentopara aescrita. i i2" etapa i Tire as dúvidas que aparecerem i após as leituras: quais informações novassobre a Lua eles gostariam i de apontar?Em qual se I@maissobre a i chegadado homemh Lua?Peçaque os i estudantes, em cada texto, sublinhem i as caracterlsticasfornecidas sobre a i Lua. Elestem de perceber que não é precisosublinhar tudo eque vale i destacar informaçõesque não são i caracterlsticasflsicas lunares. : i3"etapa Sugira que releiamo texto do livro didático indicadoe overbete do i Almanaque Abril para sublinhá-los i com cores diferentes. Com uma cor, i devem marcar0s dadosque aparecem i sobre adistância entre a Lua e aTerra. Com outra, ressaltaras informações ; que tratam das crateras na superficie. I Digaque escrevam quais são semelhantese diferentes,citando as fontes e a autoria de cada texto. E i4' etapa Proponhaque os alunosfaçam um resumo do texto do livro didático i para que estudemo tema com mais i profundidade.Para evitar que eles i façam cópias, você pode propor uma estruturacomo a seguinte: "O textoA Lua, retiradodo livro didático ,trata de .Ele pode ser dividido em duas partes. Na primeira (parágrafos1-4))o autor iapresentavárias informaçõessobre i a Lua, dentreas quaisvale destacar i .Na segunda parte i (parágrafos5-1 7), o autor explica por que a Lua muda de aspecto ao longo ido mês. Segundo o autor, issoocorre ; porque O autor finaliza o texto informando >I * . que i5* etapa Orienteos estudantesa produzir ium artigo com o tema"40 anos da chegada do homem a Lua", utilizando as informações retiradas i dos três textos lidos. Elasdevem I ser organizadas e inseridasem um f novotexto, coerenteecoeso.Quando trechos forem inteiramentecopiados, i devem aparecerentre aspas e com a indicaçãoda fonte utilizada. -Organize umatabela com os conteúdosde leitura ede produção escritatrabalhados nas atividades Z propostase assinaleos conteúdos i I atingidosplenamente, parcialmente I i ou não atingidos pelosestudantes. i Com base nela, decidao que deve i ser retomado, verificando o grau de autoriados alunos, se as ideias I estão bem ligadas,se o texto está iadequadoao que foi propostoe se i tem desfecho. ConsultoriaCLAUDIO BAZZONI, assessorde Llngua Portuguesada Secretaria Municipalde Educaçãode i São Pauloe selecionadordo Prêmio Victor Civita-Educador Nota 10.
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    Hora de aperfeicoara Textosde qualidade precisam passar por diferentes revisões. Pontuação e coerência estão entre os itens a serem abordados durante a produção BEATRIZ SANTOMAURO bsantomauro@abril.com.br Foise o tempo em que corrigir na es- cola significava apenas uma caça a erros ortográficos e de pontuação nos textos dos alunos feita pelo professor. Ainda bem! Hoje, sabe-se da importân- cia de desenvolvercomportamentos es- critores e o processo de revisãose inclui aí.Por isso,ele também deveser direcio- nadopara os pontosquecolaboramcom os aspectos discursivos, como clareza e coerência na hora de contar uma histó- ria,eserfeitosemprecomaparticipação das crianças (leia o quadro à direita, com trecho de uma produção individual e, na página seguinte, textosfeitos emdupla e em grupo por alunos do 3' ano). "Elas preci- samfazeruma leitura crítica do próprio material",diz LiamaraSalamani,coorde- nadora pedagógica do Colégio Santo Arnérico,em SãoPaulo. 6 importante desconstruirem sala o mito de que revisar 6 uma etapa final da produção.Em suatese de doutoradoPro- cesos de Revisidn de Textosen SituacidnDi- dáctica de Intercambio entre Pares, a pes- quisadora argentina Mirta Castedo res- saltaque"osbonsescritoresnão realizam asaçõesde planejar,escrevererevisarde maneira sucessiva,mas vão e voltam de uma a outra. Eles escrevem partes, rele- em e modificam, detectam expressões incompreensíveise corrigem erros". Como iluminar os aspectos que precisamser revistos Para que todos os procedimentos que visam o aprimoramentodotexto possam ser feitospelo estudante com competên- cia e autonomia, é preciso trabalhar em grupo, em duplas e individualmente (leiaoprojeto didcíticonapágina 47). No A CAMINHO DA AUTONOMIA Em diferentes momentos e com focos específicos, os alunos aprimoram o texto. Confira como isso foi feito num processo individual I PALAVRA INADEQUADA 2termo resmungando" foi considerado impróprio e substituldo por"reclamando", mais preciso. ............................... AUS~NCIADE PONTUAÇAO A fala, marcada com travessão, está na mesma linha. E não h6 ponto de interrogaçãopara marcar a pergunta.
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    ................................................................................................................................................................................ Revisão 3O s0ano TRABALHOEM CONJUNTO A revisãotambém podeser realizada em dupla ou com a turma toda reunida. Assim, a PlpdtqhC analisadapor outrosaluna que nãoo autor dotexto I*avia um reino que morava uma princesa muito bonita. Um dia apareceram 3 moços que queriam cada qual se Ii casar com ela.Paradecidir a ocasião o rei disseque iquem trouxesse o presente que mais encantasse a pnn- cesa, se casariacom ela. O rCu anunciou: 0 ~ 6 svamos marcar o dia de shbadoBs 8 horas e 5 i minutos.Seguiram seus caminhos. I O primeiro moço foi parar num lugar muito distante Ii ouviu um homem gritando: 3-Quem quer comprar uma rosa? E o moço falou: -Meu caro, que virtude tem essa rosa? Iirrosa tem a virtude de ressuscitar qud quer pessoa. i ravo! Sou eu que me caso com a princesa.8 comprou Quando- I repente ela I L rosa.0 segundo moço também -A chegou no Pseo primeiro ~ O Ç OSe apresentou v. do moço se I apresentou e -#eu tap IDENTIFICAÇAO FALTADE DE PERSONAGEM Falta revelaro Apesar de o autor nomeda mãe do citar o ~a(se a autor do texto. cidade, ele não Elaparticipada explica que a história história junto com Se passaem uma sua irmã Susi. estaçãode esqui. DE PAUWUI O verbo dizer ~ w i t í l v e z e r , con, difkaw5 mmaym um trechomuito curtodo- PROFESSORAANACIARA BIN EALUNOSCATARINACILENTO,PEDRO A W T A R A , MURA BRATKE EPEDROGAMMARDEL4DA ESCOLADA V I U EMSdO PAUL0,AVTOREI DOS TEXiüSACIMA
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    Mirta C; .-ire revisãode texto. Digitena busca . mirta.pd, eprocesso coletivo, a turma deve se debruçar sobre umtexto produzido por u m dos alunos e apontar o que precisa ser repensado, como palavrasrepetidase mudançasna posiçãodo narrador.Éna- tural que, às vezes, a garotada não iden- tifique àprimeiravista os problemaseas soluções satisfatórias. É papel do profes- sor dar alternativas,alem de trazer àtona questões já analisadas. Ao trabalhar em duplas, revisando o texto de outro colega, as crianças exerci- tam o poder de argumentação a fim de fazer o autor mudarsuasescolhas.Esse6 u m momento rico paraavaliarcomo ca- daumadelas defendeseuposicionamen- to. Lembre-se de que, em qualquer situ- ação, arevisãofica maisproveitosase u m aspecto for ressaltadode cada veT. jam mais avançáuu3 corli u CFIII~U. Por isso, é importante saber o que os alunos, já aprenderame o que deve ser conside- rado dali em diante", diz Liamara. E o processo tem de ser estendido, pois u m escritorquesabe o queprecisaser altera- do em seus textos ou nos de terceiros passaa ser u m leitor mais exigente. RRevisar sempre para ser um leitor competente O ato de rever o que foi feito deve per- meartodos os anosda escola. Oque mu- da é a abordagem e os conteúdos desta- cados. "O esperado é que os textos este- :Coirwa i Liarnara Salamani, i liamara@csasp.gl2.corn.br nãose ocupem'com essa correção). i Expliciteos procedimentos para que todos pensemsobre a adequação i das palavrase consideremoutras i formas de escrever. Questione se i a organizaçãodo texto respeita o i genero. O autor deve ter a palavra i final sobre as mudançassugeridas. i i7" etapa Cada aluno deve revisar o próprio texto (feito na Sa etapa), usandocomo referênciaos aspectosjá destacadosem outras i etapas, e reescrevê-lo. *miProduzir resenhasliterárias. iSaber reconhecernumtexto os aspectos discursivosque necessitam de revisãoe aprimorar o material. por outras pessoas.Na primeira vez, a produçãoserá coletiva,evocê, o escriba. A revisãodeve ocorrer durant? aconstruçãodo próprio texto, priorizandoos aspectos discursivos(repetiçãode palavrase pontuação, por exemplo).catlteaor iProduçãode texto. iRevisão. i etapa Em duplas, os estudantesdevem escolher outras obras e produzir novas indicações. Ressalteque no iníciodo texto deve haver as marcas desse gênero: o tltulo, o autor, a editorae o nomede cada criança. TLispoestimadoTrês meses. MatUwn«trdrk, Resenhas literáriaspublicadas na mldia e livrosjá lidos pela turma. Rmdumfkisl Mural de indicaçõesliterárias. idaetapa Reúna os aiuhos em duplas para que revisemo texto feito por outra dupla na 3aetapa. Elesterão de discutir os aspectosjá vistos coletivamentepara que o material seja mais bem compreendidoe sinalizar as sugestõescom bilhetes. Após a revisão, devolva as resenhas a seus autores, que podemou não acataro que os colegas sugeriram. F k x l M l i w Paratrabalhar com alunos com deficiencia visual, acesse www.ne.org.br e digite na busca mural de indicaçõesliterdrias. -ll;lCk Observe as alterações dos textos, o resultadoda produçãoem dupla e os aspectos modificadosna produção individual. Nas revisões, os estudantes devem ter usado elementos dos textos de referência para agregar qualidade As novas produções. É essencial que tenham conseguido se colocar no lugar de um leitor e avaliar se comunicaram o que pretendiam. Nocaso de textos que apresentem muitos problemas, retome a revisãoe discuta os aspectos que precisamser melhorados. Desmddimntrr iIaetapa Entregueas resenhaspara os alunos eexplique que afunção delas é apresentar livrosao público. Reúna- os em trios para que analisemo que os textostêm em comum, como otema eo ndmerode páginas. Reserve o material para ser usado como uma referência no futuro. i5" etapa É hora da produçãode mais uma indicação literária,dessavez, individual, levando em conta as experiênciascoletiva e em dupla. iGaetapa Eleja umtexto individual,avaliado pelogrupo como bom, para ser revisadocoletivamente.Transcreva-o no quadro-negro (sem os erros ortográficos para que os alunos m 2" etapa Proponhaque as crianças escrevam indicaçõesde tltulos de que gostem. Digaque os textos serãocolocados no muralda escola para serem lidos ConsultoriaDÉBORA RANA (deboraranaQajato.com.br), formadora do InstitutoAvisa Lá, em i São Paulo,e selecionadora do Prêmio iVictor Civita-EducadorNota 10. www.ne.org.br Especial Produgaio de Texto 47
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    Revisão nocomputador 6.ao9O ano De olho na tela Na hora de revisar, o computad,oré o melhor instrumento para a turma explorar várias maneirasde aperfei~oarum texto sem perder tempo BEATRIZVICHESSI e TATIANA PINHEIRO novaescola@atleitor.com.br Emvez do lápisedaborracha,o mou- primeiros ganhos que a máquina pro- todo o material. É possível pedir a eles, se e o teclado. Essa6 uma troca van- porcionaé a liberdadepara trabalhar as por exemplo, que transformem u mcon- tajosa para explorar vários aspectos da questõesrelacionadasao formato da pro- to em uma peça teatral (leia a sequência revisão. Basta um computador com um dução de acordocom o gênero, sem que didática na página 50). TambCm é válido editor de texto, como o Word. Um dos paraissoos alunostenham de reescrever propor revisar u m conto conhecido por - . . TECNOLOGIA A FAVOR DA ESCRITA Ao indicar ferramentas do programa que auxiliam na revisão e inserir comentários no fim do texto, o professor mostra o que deve ser alterado TEXTO 1 48 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br 5 9 -#a, ora, ora! Então você veio! - I 10 fim -kS...Ficareicom o ainheiro?-Ih..-~ -Ora, ora, ora! Entãovocê veio! - (Deixe'o narradorcontextualizaros diálogos.Assim, os leitores disse ele com um ar de desafiador. se envolverão com a narrativa.Cuidadocom a repetiçãodas palavras sinalizadascom a marcaçãoV e r i f i q u e se esse -Você fez uma promessae terá de problema ocorre em outras passagensdo texto com a cumpri-la-disse o homemque cada ferramenta Localizar e Substituir, doWord. Revisea pontuação vez se aproximava mais da luz de um nos locaiscom a indicação (ponto). Por fim, renasseos inícios de frase e a palavra Proença, destacadosem( - Mas...Ficareicom o dinheiro? - perguntouo garoto de branco. -Não posso lhe prometer isso! - respondeuo homem que já estava debaixo do poste.
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    todos,que tenha sido,reescritoporoutra turma e estejasem a paragrafação corre- ta, apresentandofalhasdepontuação ou muitostermosrepetidos.Assim,comosi- nalizam aspesquisadorasEmilia Ferreiro e Sonia Luquez no texto La Revisidn de un TextoAjeno Utilizandoun Procesador de Palabras,C possível analisarondeecomo a garotada intervém (e se intervém, já que identificar o que está bem colocado tambCm t uma parteimportante da revi- são),quaistermosincorporaaomaterial ou se inseremodificaçõesem relação aos aspectosdiscursivos. O trabalho com ocomputador tam- bdm confere praticidade à execuçãodas revisõesque o autor julga serem válidas em seu próprio texto e das que forem sugeridaspor você. Esse 4.um dos bene- fíciosexploradospor LuisJunqueira,que leciona Língua Portuguesa para o 6 O e o 7O ano na Escola Castanheiras,em San- tana de Parnaíba, na Grande São Paulo. Depois que os alunos finalizam uma produção, ele registra comentários nos arquivos, parágrafo a parágrafo (leia os quadros abaixo, com trechos de produções individuais de alunos do 6 O ano). Sem in- tervir diretamente no material,o educa- dor sugere aos autores adequar trechos, melhorar a pontuação, detalhar a des- crição de uma cena e eliminar palavras repetidas, entre outras modificações."A evolu~ãode cada texto fica nítida quan- do as primeirasversõessão comparadas à final", explica Junqueira. Com o computador, a revisãofica mais profissional Trabalhandocom o micro,osestudantes podem experimentar,fazendoinserções esubstituiçõesdiversasvezes,semdeixar as marcas do processo - como rasuras - no produto final. Eles tambdm lucram com o trabalho realizado pela própria máquina, que destaca termos digitados incorretamente e trechos com proble- mas gramaticais, sugerindo que sejam alterados e,em algunscasos,fornecendo opçõesdemudanças.Aprimeiravista,há quem pense que essas ferramentasQ TEXTO2 I no cardápio!Comecei a pensar como iria escapar daquele lugar, mas isso era um teste que minha mãe me mandoupara eu campo em volta de toda a USAR MAGIA, é n e s s a s b que eu quero Ias.Utilizeo revisor Cinco dias se passaram e eu, presode novo em uma gaiola.Tédio. Mascomo eles estavampreparando o jantar, e eu estava no cardápio, comecei a pensar como iria escapar daquele lugar. Isso era um teste que minha mãe me mandoupara eu não usar magia, tudo bem que eu acho que ela não pensavaque ia acontecer isso, mas I (&imo usoda pontuação.A palavratédio entre pontosficou particularmenteinteressante. Excelenteevolução!) CRI= VERMELHOS 0-- k- e amislw nuSliun e aprimoramotaúo www.ne.org.br Especial Produgão de Texto 49
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    .................................................................................................................................................................................. Revisão nocomputador ó0m90ano epodemtomarosjovens preguiçosos e escravos da tecnologia. Mas uma aná- lise atenta da aprendizagem revela que essas facilidades fazem com que eles se tomemmaisautônomoscomo autorese revisores, poistrabalhando assimpodem dedicar tempo ao materialpropriamente dito e deixá-lo mais bem acabado. Em suma, o educador pode avaliar se os estudantesestão desenvolvendosabe- res para atuar como fazem os revisores profissionais, se estão se aprimorando em relação aos aspectosdiscursivose in- do muito alem da correção de questões ortográficas quando lançam mão dos recursostecnológicos. Apesar de o usodoprocessadorde tex- tos ser algo bastantetécnico, não 4 reco- mendado programar uma aula somente paraabordaras ferramentashdisposição, comoressaltaRenataPontualIkeda,pro- fessora do Coldgio Santa Cruz, em São Paulo."O correto é falar dos atalhos de acordo com as demandas que surgirem, enquantoagarotadadesenvolveseustex- tos", ela ressalta. 8 i- :Colegio Santa Cruz, tel. (11) 3024-5199, i colegio@santacruz.glZ.br :Escola Castanheiras,tel. (11) 4152-4600, i castanheiras@escolacastanheiras.com.br i LuisJunqueira, :luis.junqueira@escolacastanheiras.com.br i Renata Pontual Ikeda, renata@ikeda.com.br :- I Emwww.goog~e.com.br,digite na I busca revisióntextoajeno pracesador :palabras. O primeiro resultado indica i o texto La Revisidn de un TextoAjeno : Utilizando un Procesador de Palabras iobjauua i iTransformar um conto ': em uma peça teatral. i iUtilizar os recursosde programas de ediçãoe de texto como o Word para i organizar a produção e revisá-la. irr-ilrilru I iProdução de texto. i iRevisão. i Anos 6O ao 9O. aiClrilsSeis aulas. i m r w r r i k . i Computadorescom o processador i de textos como o Word ou similar i instalado, cópias do conto i O Cato Preto, do livro Histbrias i Extraordinárias(Edgar Allan i Poe1272págs., Ed.Companhiadas i Letras, tel. 1113707-3501,20 reais), i e de textos de teatro (indicações em i www.ne.org.br: digite na busca i adaptação conto peça teatral). i- : Paratrabalhar com alunos i com deficiência auditiva, acesse i www.ne.org.br edigite na busca adaptação contopeça teatral. iOl##Mnenao : i l aetapa i Orientea leitura de O Cato Preto I e convide aturma a prestar i atenção no foco da narrativae i na personalidadedo narrador. i A seguir, questioneo grupo sobre. , as possibilidadesde transformar esse conto em uma peça teatral. Sugira quetodos releiam o texto, dessa vez já com vistas 2s mudançasque imaginam ser necessáriaspara a adaptaçãoao novogênero. 2=etapa Distribuacópias dos textos de teatro indicadose peça que os alunos leiam destacandoas caracterlsticasdo gênero, como adivisãoda história em cenas, as marcasque indicam as falas dos personagense as que descrevem os cenários. i3' etapa Os estudantesdevem retomar oconto de Poe, listandoos personagens e descrevendoos cenários para começar aorganizar a adaptação. i4' etapa É horade selecionaros momentos mais representativosdo conto para a adaptação. Para issol em duplas, os alunos precisamdecidir qual será o cenário principal e os secundários, os diálogos mais importantese as passagensessenciais.A tarefa seguinte 6 seiecionaros traços necessários para preservara narrativa literária noformatoteatral. m 5' etapa A transformaçãodo texto de Poe deve ser feita no computadorconservando as mesmasduplas da etapa anterior. Circule pela sala, orientandoos alunos a utilizar as marcasdo texto de teatro, como o travessão para representaro discurso direto. Esse 6 um bom momento para sugerir outras mudanças, inclusive no aspectográfico (recorra aos textos de teatro como um exemplo) e levaro grupo a revisaro material, adequando os trechos. Quando surgirem marcaçõesautomáticas do computador, indiqueo uso do corretor de ortografia e discuta com os estudantes se as opções da máquina são realmenteadequadas. Todos devem salvar as produçõespara que sejam revisadaspeloscolegas. i6' etapa Distribuaos arquivos entre as duplas e explique que, para revisar o texto de outra dupla, devem ser usados recursosque não alteramo conteúdo da produção-como a inserçãode comentários parágrafo a parágrafo. m ;laetapa Ao receber de volta suas produções revisadas, os autores devem analisar os comentáriosdeixados peloscolegas edecidir se vão acatá-losou não. , A#lbFlo Analise se as produçõespossuem as marcasdo gêneroteatro e se a história manteveo sentido do original de Poe. Issotamb6m pode ser feito no computador, aproveitando as ferramentas do programa para fazer marcaçõese sugerir outras adequaçõesaos autores. ConsultoriaLUISJUNQUEIRA, professorde Lfngua Portuguesa na EscolaCastanheiras,em Santana de Parnafba,SF! 50 Especial Produgáo de Texto www.ne.org.br
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    Licãoa de mestre Aoconhecer as características de estilo de autores profissionais, os alunos aprendem diferentes maneiras de estruturar um texto e abordar um tema ANDERSON MOÇO anderson.moco@abriI.com.br Inspirar-se em textos escritos por no- mes de sucesso da literatura, como Clarice Lispector (1920-1977),para se apropriar das marcas de estilo deles e desenvolveraspróprias,é um comporta- mentoescritorimportante,quecolabora com o processo de produção textual. Mas,para que ele seja colocado em cena pela turma, o professortem de ensinara detectar as característicasde determina- do escritor profissionalem vários textos e usá-lasem suas produções. . "É importante que os estudantes se- jam levados a observar as criações e as transgressões literáriaspara que possam enriquecersuasproduções",diz Cristina Zelmanovitz, pedagoga e pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação,Cultura e Ação Comunitária (Cenpec),em São Paulo. Clarice Lispec- tor, por exemplo,escreveusando os sen- timentos eosdetalhesdavidadosperso- nagenscomo fioscondutoresdahistória. Ela rompe com o queCconsideradonor- mal e correto ao começar o texto Uma Aprendizagemou OLivro dosPrazeres(158 págs., Ed. Rocco,tel.2113525-2000,50o- ais) com uma vírgula e terminar com doispontos. Há muito que observartam- bém nos escritos de Machado de Assis (1839-1908).Eleé famosopor ser ir6nico ao retràtar a sociedade do século 19 e fazercomqueo narradordahistóriama- nipule os acontecimentos.Sabendodes- sasede outrasmarcas,é possível coman- darum bom trabalhodeleiturae apurar o olhar dos jovens. "Essas características sãocomomoldes",diz Claudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da Secre- taria Municipalde EducaçãodeSãoPau- loe selecionadordo PrêmioVictor Civi- ta -Educador Nota 10. Situaçõesde produção com sentido e propósitoclaros O primeiro passo C escolheras obras de um autor a serem dissecadasde acordo com as necessidadesde aprendizagemda turma. Não se trata,então,de elegertex- tos ditos fáceis ou difíceis,assinados por nomes consagrados. Por exemplo,focar o jeito de finalizar as histórias pode ser interessante quando os alunos sempre mostramque ospersonagensvivem feli- zes para sempre. Trabalhar com Oscar Wilde(18541900)ajuda agarotada a to- mar gostopelos finstrágicos(leiaosqua- dros abaixo e nas páginas seguintes, que mostrama análisefeitapor estudantesdo6" ano de contos do autor e trechosdasprodu- ções que realizaram).O emprego do dis- curso direto e do narrador onisciente tarnbtm pode fazer parte da lista. # k-Li,e:&: r AS MARCAS DE ESTILO DE OSCAR WILDE . Durante a leitura de alguns contos do autor, os alunos encontraram I algumas características que definem seu ' . "í...) Ela s6tinha ~ermissáoDara brincar : ABISMO SOCIAL. , com crianças da sua condição (...) Mas ,...i0s personagenstem i origenssociais diferentes. (...)o Rei deu ordens para que ela i Um 6 sempre nobre, c convidassequaisquer crianças amigas (...)" j e o outro, plebeu. Conto OAniversário da Infanta "'O meu jardim é s6 meu', berrou ic o ~ ~ ~ x ~ u ~ u z o Gigante (...)Ele era um gigante •........:iAntes ou depois das falas dos muito egoísta. (...) Veio então a : personagens,o narradar conta i detalhes, acrescentaopinidese . Primavera e por toda parte havia flores i ernocõesou d6 mais infmrnacões. -' em botão e passarinhos(...)" ContoO Gigante Egoísta i PERSONIFICAÇAO I "A Lua de cristalgelado debruçou-separa escutar." ....................i Seres irracionais, objetos ContoA Cotovia e a Rosa i inanimadose elementos i da naturezatêm sentimenta i e realizam ações. "Ele beijou o Príncipe Feliz nos i FINAL T R ~ I C O lábios e caiu morto aos seuspés!' i As histórias nunca ContoO PríncipeFeliz i terminam bem, mas i com mortes,separações : e toda sorte de desgraça. CONTOSPUBLICAWS NO LIVROHIST~RIASPARAAPRENDERA SONHAR,OSCARWILDE, 64 PACS., ED.COMPANHIA DAS LETRINHAS,TEL. (11) 3707-3500,35,50REAIS
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    ............................i..................................................................................................................................................... Estilodo autor S0aoTano IAPROPRIACAO DAS CARACTER~STICASDE OSCAR WILDE Conhecendo as.marcas estilísticas d o escritor, a turma produziu seus próprios textos 'I I - C UM AMOR IMPOSS~VEL Por MariaJ u l i a V. R.Carvalho "Em Londresmorava uma dos lábiosvermelhosfeito rosas do campo, a pele brancafeito a nevee os cabelos marronsfeito as terrasfrescas dos bosques. (...) Enquanto andava, passou uma calça rasgada, blusa amassadacom s a m - a > . - . d i ~ Ohomemtinha olhos azuis feitos os rios cristalinos,sua peletambém era branca, pois não dava para ver porqueestava coberta pela sujeira detodo dia. (...)" "(...- ...................................... se aproximou o homem perguntou:'Quem és tu, uma moça tão bonita que eu nuncavi pelas vizinhanças '(...)". "(...)Nessemomento pulounos .......................................e . - . ombrosde seu d o n o ~ ~ r i n c e s a ! ! ' ( . . . ) " e "(...)E muito infeliz a cachorrinha deitou ?- . . - emcima do túmulo de seu amadodono ‘?- CI 4% - ---- e _ , , . , . > . - - - . . 4 C Depois da leitura, é importante sobre como chegou a essa resolução e conversar bastante com os alunos para por que fez essa opção também é uma que eles percebam as características que possível pauta dedebateantesda produ- marcam os textos. Alguns recursos nem ção propriamente dita (leia a sequência sempre ficam explícitos depois da pri- didática no quadrodapágina seguinte). meira análise: é preciso levar a garotada No entanto,essetipo de atividadenão a percebê-los. Para isso, questione algu- deve ter como pretensão, em hipótese mas decisões do autor. Enxergar as ma- alguma,criarClarices,Machados,Wildes néiras com que ele resolve problemas e outras cópias."Ao ler várias obras de acercadaformaeda linguageme refletir um mesmo autor, os alunos passam a 'AGRADECIMENTO AO PROFESSORLUISJUNQUEIRA EAOSALUNOS MARIAJÚLIAY. R-CARVALHO EANDRÉS VALLARTAÂNGULO, DA EXOIACASTANHEIRAS, EMSANTANA DE PARNAIIA,SP conhecê-lo mais a fundo. Mas, quando partem para aprodução,emboraseapro- priem de certasmarcas,têm de ter liber- dade para desenvolver seus escritos", destaca Cristina. A proposta tamb6m não pode tangen- ciar a escolarizaçãoda leitura.O real ob- -j jetivo de focar os traços de um escritor, além de fazer com que os estudantesco- nheçam mais sobrea culturaescritapara
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    i iIdentificar ostraços estilisticos k de um autor especffico. A VIDA EA MORTE iElaborar um texto usando 'Or AndresVallartaftngulo as caracterlsticas identificadas. 'r(...) Entãoa Princesa levou0 rapaza um lago Pertode onde eles esgvam, Elescomeçaram a conversar: #EUsou a Princesadeste reinoJ(...) - lhe -B I - "(...I De repente Hora o rapaztremeu de "*medo- 0 Reientão OS levo" h pra,-a Paraque lutassem.(...)" "(...)Aia jovem se deitou do ,,Iado e lhe deu um beijo que provocouuma ! ~ zenormeque iluminou0 reino inteiro, dandovida a tudo que esQva noseu caminho, e todos os doentesse curaram. I -. -iLeitura. rProdução de texto. m c r l t r i r l o Dez aulas. ~~ Cr8nica Os DíferentesEstilos,de Paulo Mendes Campos(publicado em Crônicas4, vários autores, 104 págs., Ed.Ática, tel. 1113990-2100, 26,90 reais), e IivroA Professora de Desenho e Outras Histdrias(Marcelo Coelho,48 págs., Ed.Companhia das Letrinhas, tel. 11f3707-3500, 32,50 reais). i para trabalhãr com alunos com i deficiência intelectual, acesse i www.ne.org.br e digite na busca marcas estiloplano aula). -ilaetapa Leia a cr8nica de Paulo Mendes Campos para aturma e destaque a variedade de estilos que podem ser empregados para narrar o mesmofato. Expliqueque a palavraestilo 6originária do latim srilu, a ponta de metal usada na Antiguidade para escrever na madeira. Ressalteque o termo está associadoa algo que deixa uma marca. Peça que os alunos identifiquem o que caracteriza cada um dos estilos representados no texto - um recursode pontuação redigir melhor,6 ajudá-los a perceber ! por -e que i é transmitido ao leitor. que seguir um escritor, acompanhando : os marcos de sua trajetória profissional, i i2' etapa 4 uma saborosaaprendizagem. .(J i Apresenteo livroA Professora i de Desenho e Outras Histdrias. : Pro~onhaaue todos leiam a obra) QUER SABER M A I S ? 1 Marcasdeestilo i3aetapa Indique cada um dos sete capftulos para um grupo de alunos e oriente-os a anotar individualmente no caderno as caracterlsticas que percebem. Recomendeque, ao lado de cada uma delas, copiem o trecho correspondente. Instrua-os a anotar também as caracterlsticas que se repetem no texto, como a presença do discurso direto. i4' etapa Organize o conhecimento da garotada, expondo no quadro as marcasobservadas. Todos devem, mais uma vez, anotar ' as informações no caderno. DSa etapa Ehora de escrever. Convide aturma i a compor textos individuais que poderiamfazer parte do livro de Coelho. Recomendeque, para isso, além de respeitar o gênero adotado i pelo autor (relatos da infância), a composiçãoprecisa manter as marcasde estilo dele e o clima geral i do livro. Porfim, esclareça que, embora seja precisose apropriar das i marcasde que o escritor lança mão, i os alunos são os autoresdas histórias i e por issotêm liberdade para criar i e conduzir os fatos. i etapa Organize a revisão. Cada estudante iserá responsável pelo próprio texto. Destaqueque é preciso atentar para as questõesortográficas, I as marcas do gênero relato e, é claro, i o estilo do escritor do livro. wDurantetodo o processo, verifique se aturma reconhece os traços marcantesnas histórias de coelho. Analise as produções findividuais e busque as marcas de estilo do autor. Elasdevem fazer parte do texto de modo coerente. Nas produçõesem que isso não ocorrer, i retome a lista das marcasestillsticas i enumeradas elo armo.. - .....................: para identikcar as caracterlsticas i- ConsultoriaMIRELLACLETOque marcam o estilo do autor e, no t i ClaudioBazzoni, bauoni@uol.corn.br (mirellac@uol.com.br), professora fim, produzir um texto ficcional sei CristinaZelrnanovitz, do Ensino Fundamentale coautora : rncristinasz@terra.com.br apropriando de tais caracterfsticas. de livrosdidáticos. wwinr.ne.org.br Especial Produgão de Texto 53
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    ....................................................................................................................................................................................I Estante Editado porBEATRIZVICHESSI bvichessi@abril.com.br .......................... i ENTREVISTA................................ Emborasejapapel socialda escolafor- guagem clara, na compreensão do que i mar leitorese escritoresaut6n0m0S, precisa ser ensinado quando se quer i a instituiçãoainda não consegue desen- formar leitores e escntores de fato. De- i volver essa tarefa com plenitude. Prova lia tambbm explicita a importância de o i disso4 O índicede alfabetismorudimen- professor criarcondi~óespara que 0salu- i tarebásico,quepermanecebastante alto nos participem de forma ativa da cultura i em todo o Brasil ena Arndrica Latina há , escritadesdeaalfabetizaçãoinicial,uma : :mtempos.Apenasaminoria da população vez queconstroem simultaneamenteco- i 6 plenamente alfabetizada -quer dizer, nhecimentossobreo sistemade escrita e i tem a capacidadede ler e compreender a linguagem que usamos para escrever. i textoscomplexoseexpressar0 quePensa Com prefácio escrito pela psicolin- i de forma escrita. guism argentina Emilia Ferreiro, a obra i A educadorafala sobreo processo Em a r e Esmaer Escola la 0Reab 6uma leituraobrigatóriapara quem tra- i de elaboraçãodo ivroler e Ercrever 0 Possível e 0 Necessário (128 P&., Ed. balhacom EducaçãoInfanti1,professores na e os reflexosque a obra Artmed, tel. 080@703-3444,37reais), a alfabetizadores e de Língua Portuguesa i promoveu na Educação. argentina Delia Lemer discute as ten- do Ensino Fundamental, estudantes.de i s ó s envolvidas nessa questão e propõe Pedagogia e formadores de professores foi a motiva~ãopara S O ~ U Ç Õ ~ Spara transf0ITnar esse cenário. alfabetjzadores. i este livro? Com embasamento teórico consistente, REGINA SCARPA,autora desta resenha,6 i A consciência de que era preciso ela ajuda 0s educadores, com uma lin- coordenadora pedag6gica de NOVA ESCOL* i U>Iocarem primeiroplanoa I-- -#------ .................................................... i das possibilidades e das dificuldades d i da escola em assimilar projetosde FW4,"ek i ensino de 1eitura.eescrita. É um excelente ponto de partida i $ para promover as práticasde leitura i Surgiram dúvidas'enquanto bfd y e escrita nas escolas. i trabalhava o texto? í; m Porque os comportamentos leitor i Como elas poderiam não surgir? 1,. e escritor são conteúdos de ensino. i Escrever C se comprometer com o y Propõe fazer da escrita mais que i que C dito. Porem o mais importante .um objeto de avaliação. i durante a elaboraçãodo livro foi m Explicita a importância de i analisar o real -as condições em que o professor ser um leitor i se trabalha na escola,a função social / i 8 frequente e habitual. i e as característicasda instituição-e - --- - a m A n n A C: m Permite a compreensão do processo i ao mesmotempo prioritar o possível,# r de alfabetizaçãoinicial como acesso i com a missão de transformar o ensino 5 ii cultura escrita. i para favorecer a formaçãodos alunos Revela a necessidade da formação i como leitores e escritores plenos. 7 continuada, mas ressalta que ela, por si só, não C suficiente i E possivelver avanços nessa área v! para provocar mudanças de i depois que o livrofoi publicado? ,rd<propostas didáticas. i Não creio que ele tenha produzido -_., iEsclareceo quanto a produção i efeitos mágicos. Lamentavelmente, 4 escrita tem a colaborar para que i acho que nenhuma obra consegue' o aluno se descubra praticante i tal feito. Mas espero que já tenha aut6nomo e independente e explica i esclarecido alguns problemas e como ela deve ser trabalhada na i ajudado educadores a encontrar escola,com revisãoe rascunhos, i caminhos para avançar na difícil I por exemplo. I tarefa de ensinar.
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    Propostas didaticas ,,,,,n,..r,,, f!SCrI?Vf!r . Boas ideiaspara ensinar melhor Este livro é uma coletânea de artigos assinados por vários educadorese tem como linha mestra a"Pedagogia por projetas'! Enquanto os capítulos iniciais oferecem um enfoque teórico sobre as diferentes concepções do ensino da linguagem escrita, o restanteda obra apresenta 15 trabalhos realizadoscom estudantesde diferentes faixas etárias. Um delestrata da organizaçãode um grupo de alunos espanhóis de e ea séries convidadosa elaborar um romance policial. Sobrea organizadora É membro do departamento de Didática de Língua e Literatura da UniversidadeAutônoma de Barcelona, na Espanha. Propostas Didáticaspara Aprender a Escrever, Anna Camps (org.), 220 pigs., Ed.Artmed, 52 reais Aprendizagem sem dificuldades Explorar sempre o que a criança j6 construiu e deixar de lado a avaliação baseada no que ainda falta ser aprendido. Pensandoassim, as autorascontam como trabalharam com alunos que, segundo as instituições escolaresem que estudavam,tinham dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita. Ilustrada com os textos produzidos pelos estudantes, a obra reforça a ideia de que é precisoconsiderar que um estfmulo s6 é significativo se puder ser reconstrufdo pela turma. Sobreas autoras Organizaram o livro analisando um conjunto de pesquisas feitas na Venezuela. Como se classificamos textos O foco principal das autoras 6 apresentar uma tipologia dos textos de acordocom as funções da linguagem e as tramas que neles predominam. Porém, atentas ao contexto escolar, elas não se atêm apenas 2 teoria: revelamem detalhes sete propostasdidáticas realizadas em escolas de Buenos Aires, na Argentina, apresentandotabelas e fichas de análise. Nas Últimas páginas, um glossário, sobre comunicação, lingulstica e gramática, interessantee útil. Sobreas autoras Ana María se dedica h pesquisada psicogêneseda escrita e Maria Helenaestuda o uso dos textos escolares. Compreensãoda Leiturae ExpressãoEscrita- A Experiencia Pedag6gica, Alicia Palacios de Pizani, Magaly Muiíozde Pimentel,Delia Lerner de Zunino, 172 psgs., Ed.Artmed, 49 reais Escola, Leitura e Produçãode Textos, Ana Marla Kaufmane Marla Helena Rodrlgues, 179 pigs., Ed.Artmed, 45 reais A língua solta e a escrita presa Quando começar atrabalhar ortografia? O que e como ensinar?Como descobrir o que os alunosjá sabem a respeito? É precisoconsiderar os erros para avaliar aturma? Levando essas e outras questõesem consideração, o autor discute uma série de princfpios e encaminhamentos didáticos sobre o conteúdo. Na primeira parte do livro, ele explica o que é e para que serve a ortografia, o que o estudante deve compreender e o que deve memorizar e como ele aprende as normas. Na segunda, analisa as práticas usuais, define princípios norteadores para o ensino e explora situações que envolvem o ensino ea aprendizagem-doconteúdo. Sobreo autor É ~rofessorda Universidade Federalde Pernambuco(U~PE)e tem pós-doutorado em Psicologia pela Universidade de Barcelona, na Espanha. Ortografia: Ensinar e Aprender, Artur Comes de Morais, 128 pigs., Ed. Atica, tel. (11) 3990-2100,39,90 reais www.ne.org.br Especial Produgão de ~ e x t o55
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    Escrevendoé que seaprende Com o propósito de afirmar que é muito importante a escola proporcionar uma variedade de oportunidades de uso da linguagem, esta obra esmiuça o trabalho com a escrita de nomes e de títulos, a reescritade textos narrativos e a redaçãode poemas e de notícias com crianças de 5 a 8 anos de uma escola municipal de Barcelona, na Espanha. Uma ajuda e tanto para o educador interpretar as respostas dos alunos e programar situações de ensino. Sobre a autora É doutora em Psicologia pela Universidade de Barcelona e pesquisadora da psicogênese da Iíngua escrita e da teoria sociocultural. Psicopedagogia da Linguagem Escrita, ~ n áTeberosky, 152 phgs., Ed.Vozes, tel. (24) 2233-9000,30,30 reais Chega de dúvidas Explicarquestões básicase fundamentais, como o que são gêneros e qual o melhor jeito de organizar o trabalho com eles ao longodo currlculo, é a proposta desta obra, que reúne diversosartigos assinados pelos autores em parceria com alguns colaboradores. Elesdiscorrem sobre as questõesque envolvem escrita, oralidade, sequênciasdidáticas eficientes e validade do trabalho com gêneros de circulação escolar e extraescolar. A apresentaçãoda obra, assinada por Roxane Rojo e Clafs Sales Cordeiro,tradutoras e organizadorasdo livro, é uma aula sobre aconcepçãoe a prática do trabalho com gêneros. Sobre os autores Ambos são pesquisadoresde didática da lingua materna. Gêneros Orais e Escritos na Escola, Bernard Schneuwly eJoaquim Dolz, 320 pigs., Ed. Mercadodas Letras, tel. (19) 3241-7514,58 reais Como estudar Iíngua? Essa é uma das principais questões que norteiam o autor ao longo de todo o livro. Bastantefocado na teoria da produção textual, ele aborda o histórico da linguística no século 20, o ensino da noção de sujeito, subjetividade, discurso, texto e gênero sob a perspectiva sociointeracionista da Iíngua e faz uma análise dos gênerostextuais no contínuo fala-escrita.A obra é fruto dos materiais usados na graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde o autor leciona. Sobre o autor É doutor em filosofia da linguagem e tem pós-doutorado em questõesda oralidade e da escrita. Produção Textual, Análise de Gêneros e Compreensão, Luiz Antônio Marcuschi,206 phgs., Ed. Parábola, tel. (11) 5061-9262,40,90 reais I ette Jolibert crianças Produtorasd( Textos Escrever desde cedo Durante toda a escolaridade, a criança deve perceber a utilidade das diferentes funções da escrita, a importância de dominá-las e o prazer de atuar como autor. Para isso, os educadoresdevem estar preparados para atuar como leitores e produtores de textos em desenvolvimento e exercer o papel de estimuladores,observadores e criadores de situações de ensino e aprendizagem. É com essas ideias que a autora e seus colaboradores apresentam projetos realizados com estudantesfranceses, para que eles entrassem em contato com a produção de texto. Sobre a autora É especialista em didática. Formando Crianças Produtoras de Textos -vol. Z,)osette)olibert, 324 pAgs., Ed.Artrned, 64 reais 56 Especial Produ~áode Texto www.ne.org.br Com resenhas de ANA GONZAGA
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    ......................................................................................................................................... ...., v,Artigo MARCIAV. FORTUNATO =Auforr 'Wi~agernda crita, de MA^^ mMaDigiteilVIM ='fMUmto.pdf. vw.ne.org.br -- Ensinara escrever para formar autores' Quando o tema em questão é produção de texto, a escolha do gênero é uma entre as muitas decisões que o autor precisar tomar Até meadosdo século20,as aulasde redaçáo eram momentosde treino de caligrafia e não havia a preocupação em explorar os aspectos discursivos do texto. Depois, e até bem pouco tempo atrás,ensinara escreverestavarelaciona- dosomenteaotrabalhocom a gramática. Acreditava-seque ela,por sis6,gerava os saberes de que os estudantes necessita- vam para produzir e interpretar textos. De lá para cá, muita coisa mudou e hoje o trabalho com a escrita é focado nos diversos gêneros. Mas eles não po- dem ser usados como substitutos da gramática. A exploração dos gêneros é importante, claro,porque as crianças se colocam em situaçãode comunicação e aprendema escrevertextos quecirculam socialmente. Porém ensinar a escrever é ainda mais proveitoso se elas forem orientadasa aperfeiçoar?da vez mais o processo de produção do texto. Descobrircomofazer issoé oqueque- rem muitosleitores,que,comovocê,não sossegam frente a perguntas como "O que significa,de fato, formar escritores competentes?",não é mesmo? Natural e compreensível,já que essa é uma área que pede muita preparação,estudo e in- tervenções constantespara acompanhar e guiar o caminho dos alunos. Mesmo com um trabalho bem dirigido, é bom frisar: nem todos eles apresentarão os mesmos resultados, o que toma dificil darotrabalhopor encerradoe bem-suce- possibilidades de comunicaçãoe de so- cializaçãose ampliam. Ao mesmo tem- po, conforme sua participação avança pelas esferas sociaisletradas,ele constrói uma imagem de si associada aos textos que escreve,elaborando assim sua iden- tidade de autor. Para entender isso com mais clareza, basta pensar nos escritores profissionais. Quando vemos o nome de um delesna assinaturade um texto,reco- nhecemos essa identidade antes mesmo de começar a ler o material. Sendo assim, ao ensinar os alunos a escrever,o educadornão ensinauma téc- nica, mas como eles devem fazer para se projetar como autorese usar seu discur- sopara manifestarposiçõesemsituações de comunicação.Sugerir uma produção à turma significa propor um problema cuja resolução vai exigir o empenho em uma série de atividadescognitivas. Pesquisadoresjá constataramquepara responder àsolicitaçãodo professorcada ((sugerir uma produgão a turma significa propor um problema cuja resolugãovai exigir o empenho em uma aprendizreformula,de modo singular,a demandafeita,adequando-a àssuaspos- sibilidades de resposta. Assim, ajusta o que foi solicitado ao possível, iniciando uma sériede negociações,entre oque ele sabe e o que é pedido, no desejo de to- mar decisões quanto ao conteúdo sobre o qual vai escrever,à natureza do texto solicitado,à suaposição comoautor e ao leitor com quem vai se comunicar. Nesse processo,àmedida queavançam em sua produção, os alunos vão estabe- lecendoum diálogo com outros textos e com o materialque estãodesenvolvendo. É fundamental que durante esse tempo o educador observe em que momento do processo se localizam as dificuldades delese atue para que asnegociaçõesevo- luam, com atividades de planejamento, deescritae de revisão.Essas,aliás,devem serrevisitadasconstantementedurante a escrita,pois os estudantesque alternam com mais frequência esses passos obtêm melhores resultados que aqueles que mantêm o processo lineare homogêneo. Mãos à obra e bom trabalho! B dido.Por isso,proponho pensarmos um MARCIAV. FORTUNATO POUCO no estudante como autor e como série de atividades (mvfortunato@ig.com.br)6 doutora em Educação pela Universidade de São Paulo se dá o processo de sua construção. C O ~nitivas. >> , (uw) e professora dos cursos de graduaqão - A medida que um indivíduo passa a e pós-graduaçãodo Instituto Superiorde utilizar a escrita para criar textos, suas EducaçãoVera Cruz (ISE Vera Cruz). 58 Especial Produgão de Texto www.ne.org.br
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    Informe Pul-..-.--..- Producão Otrabalho comprodução textual, organizado a partir da concepção de gêneros do discurso, é relativamente recente em nosso país. Ganhou fôlego na última década, após o impulso ini- cial dado pelos Parâmetros Cumcula- res Nacionais (1997), oferecendo inú- meros desafios a educadores em geral. O modelo de ensino que ele vem suostituir é o tradicional "ensino de redação" - centrado no tripé narrar- descrever-dissertar -, que se baseia numa concepção generalista de pro- dução textual, fortemente influenciada por parâmetros quase exclusivamente literários. Escrever bem, segundo essa concepção, é basicamente ser capaz de fazer um texto com começo, meio e fim; de escrever certo,isto é, de acor- do com as regras da língua padrão; e, quando possível, de empregar um bom vocabulárioe alguns recursosde estilo. textos Contrariando essa concepção, a proposta de produção textual pela pers- pectiva dos gêneros do discurso vê no antigo modelo um conjunto de práticas de ensino cristalizadas e distantes da realidade social.Entende que cada tex- to, cada gênero possui características próprias e únicas e, por isso, requer um tratamento específico. Entende tam- bém que a escola deve se abrir para as práticas de linguagem, orais e escritas, existentes na sociedade e, efetivamen- te, preparar os alunos para uma vida cidadã. Quando um jovem, por exemplo, aprende como fazer uma carta argu- mentativa de solicitaçãoou de reclama- ção, uma carta de leitor ou um abaixo- assinado, ele não apenas se apropria de informações sobre o conteúdo, a estruturae a linguagempróprios desses textos, mas também toma consciência da função social desses gêneros, bem como do seu próprio papel social como cidadão, isto é, o cidadãoque tem o di- reito de reclamar,de solicitarprovidên- cias, de interferir, de transformar. Ou seja, verdadeiras aulas de vida...Aulas de cidadania! O professor, até então visto como mero "professor de redação", profis- sional distante da realidade e da priti- ca textual dos alunos, ganha agora um novo papel, o de especialista em lin- guagem, capaz de orientar e aprimorar 4 Coleção Todos os Textos ! William Cereja eThereza Cochar É uma obra que promove a leitura e a , produção dos mais variados gêneros textuais, desenvolvendo o trabalho tanto com os gêneros orais, como a discussão em grupo, o seminário, o debate regrado , e o debate deliberativo, quanto com os gêneros escritos, como a reportagem, O conto, O poema, o texto dissertativo- ~7 argumentativo, entre outros. cidadania a produção e o uso de textos tanto no interior da escolaquantona vida social. Nessa dinâmica, o espaço da sala de aula transforma-se então numa ver- dadeira oficina de textos de ação e inte- ração social,o que é viabilizado e con- cretizado pela realização de projetos e pela adoção de estratégiascomo enviar cartas a destinatários reais, entrevistar profissionais, participar de debates, fa- zer um jornal, representar, declamar, etc. Essas atividades, além de envolver os alunos em situações contextualiza- das de produção textual, diversificam e concretizam os leitores das produções, que agora deixam de ser apenas "leito- res virtuais". A avaliação dessas produções abandona os critérios quase que ex- clusivamente literários ou gramaticais e desloca seu foco para outro ponto: o bom texto não é aquele que apresenta, ou só apresenta, características literá- rias, mas aquele que é adequado à si- tuação comunicacional para a qual foi produzido. A avaliação deve levar em conta, portanto, aspectos como: estão o conteúdo, a estrutura e a linguagem adequados ao próprio gênero, ao inter- locutor e à situação como um todo? O texto cumpre plenamente a finalidade que motivou sua produção? Por fim, pela perspectiva dos gêne- ros, o ato de escrever é dessacralizado e democratizado: todos os alunos têm a oportunidade de aprender a escrever todos os gêneros textuais. É possível até que um aluno, ao se apropriar dos procedimentos que envolvem a produ- ção de uma crônica, não apresente tanta habilidade quanto outro aluno, mas ele poderá, por exemplo, produzir textos publicitários muito criativos ou ser um ótimo argumentador, tanto em debates públicos quantoem textos argumentati- vos escritos.Em síntese,gêneros como meio de "inclusão textual". i WilliamCereja PARA MAIS INFORMACÕES: www.editorasaraiva.com.br Editora atendprofQeditorasaraiva.com.br Saraiva 0800 011 7875 - 2% 66"das8h30 as 19h30 A